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Numero do processo: 15463.723287/2015-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. INTELIGÊNCIA DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ.
O STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, firmou entendimento que não incide IRPF sobre os valores percebidos a título de juros de mora decorrentes de reclamatória trabalhista. Inteligência do REsp n° 1.227.133/RS, que firmou a seguinte tese: "Não incide ImpostodeRenda sobre osjurosmoratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidasemdecisão judicial" (Tema 470).
Numero da decisão: 2201-003.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário . Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. INTELIGÊNCIA DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. O STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, firmou entendimento que não incide IRPF sobre os valores percebidos a título de juros de mora decorrentes de reclamatória trabalhista. Inteligência do REsp n° 1.227.133/RS, que firmou a seguinte tese: "Não incide ImpostodeRenda sobre osjurosmoratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidasemdecisão judicial" (Tema 470). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário . Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 32 87 /2 01 5- 64 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 15463.723287/201564 Acórdão n.º 2201003.851 S2C2T1 Fl. 75 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, que é objeto do presente processo. A Notificação de Lançamento de fls. 07/15 foi lavrada, com ciência do sujeito passivo em 10/11/2015 (fl. 43), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, exercício 2014, anocalendário 2013, sendo apurados os seguintes valores: IRPF Suplementar 21.444,76 Multa de Ofício 75% (passível de redução) 16.083,57 Juros de Mora calculados até 30/10/2015 3.727,09 Total do crédito tributário apurado 41.255,42 Motivou o lançamento de ofício a constatação de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, sujeitos à tributação exclusiva na fonte, no valor de R$ 555.552,63. O notificado apresentou impugnação em 01/12/2015 (fls. 03), alegando que o valor lançado referese à parcela de juros e atualização monetária no recebimento da ação trabalhista, que deveria ter sido declarado como rendimento isento e não tributável. Acrescenta que o rendimento, por sua característica de reposição de perdas decorrentes do inadimplemento de obrigação de pagamento, não deve integrar a base de cálculo de imposto de renda. Esclarece que a base de cálculo do imposto de renda de rendimentos recebidos acumuladamente RRA, opção exclusivo na fonte, deve ser R$ 363.245,68, para o número de meses de 263, e não R$ 195.801,13 como havia informado, considerandose a proporcionalidade dos honorários pagos em relação aos rendimentos que devem ser considerados isentos. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação (fls. 48/52), nos termos da seguinte ementa: AÇÃO TRABALHISTA. JUROS MORATÓRIOS. Devem ser computados no montante tributável decorrente de reclamação trabalhista os valores recebidos a título juros moratórios, quando não ficar comprovado que tiveram origem na perda do emprego. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 15463.723287/201564 Acórdão n.º 2201003.851 S2C2T1 Fl. 76 3 Cientificado do acórdão da DRJ por via postal em 03/03/2016, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, em 23/03/2016 (fls. 58/63), em que reitera os termos expendidos na peça impugnatória. É o relatório. Voto Vencido Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Do Mérito O recorrente concentra suas razões recursais na alegativa de que não incide Imposto sobre a Renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecida por decisão judicial. Todavia, razão não lhe assiste. No julgamento do Recurso Especial (REsp) n° 1.227.133/RS, de 28/09/2011, na sistemática do recurso repetitivo, redator para o acórdão Ministro César Asfor Rocha, na qual se assentou que sobre os juros moratórios legais, vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, não há incidência do Imposto sobre a Renda. A ementa do julgado, após julgamento dos embargos de declaração, restou assim redigida: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, devese acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação : "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente. Acontece que a decisão foi melhor explicitada no REsp n° 1.089.720/RS, julgado em 10/10/2012, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, que levando em consideração o decidido no REsp n° 1.227.133/RS, aclarou e sintetizou a posição da 1.a Seção do STJ quanto às regras de isenção dos juros moratórios. Seguem transcritos excertos da ementa: Fl. 76DF CARF MF Processo nº 15463.723287/201564 Acórdão n.º 2201003.851 S2C2T1 Fl. 77 4 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. (...) Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp. n.° 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). Nem todas as reclamatórias trabalhistas discutem verbas de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, ali podem ser discutidas outras verbas ou haver o contexto de continuidade do vínculo empregatício. A discussão exclusiva de verbas dissociadas do fim do vínculo empregatício exclui a incidência do art. 6°, inciso V, da Lei n. 7.713/88. O fator determinante para ocorrer a isenção do art. 6°, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 15463.723287/201564 Acórdão n.º 2201003.851 S2C2T1 Fl. 78 5 Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale ". (grifouse) No caso, temse juros de mora recebidos acumuladamente em reclamatória trabalhista. Todavia, não se tem notícia da perda do emprego pelo reclamante, ou seja, os juros não foram pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, pelo que não incide isenção prevista no art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. A prova pela perda do emprego deveria ter sido apresentada pelo contribuinte, pois é ônus que lhe incumbe. A verba principal recebida, sobre a qual incidiram os juros, tiveram a incidência do imposto de renda, conforme verificado pelo acórdão da DRJ. Logo, pela regra de que o acessório segue o principal, os juros devem submeterse à incidência do imposto de renda, por força da regra geral disposta no art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n° 4.506/64. É de bom alvitre reproduzir, no que concerne à tributação dos juros de mora incidentes sobre verbas recebidas judicialmente, os artigos 43, § 3°, e 55, XIV, do RIR/1999: Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei n° 4.506, de 1964, art. 16, Lei n° 7.713, de 1988, art. 3° § 4°, Lei n° 8.383, de 1991, art. 74, e Lei n° 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória n° 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1° e 2°): § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei n° 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único). (destaques da transcrição) Art. 55. São também tributáveis (Lei n° 4.506, de 1964, art. 26, Lei n° 7.713, de 1988, art. 3°, § 4°, e Lei n° 9.430, de 1996, arts. 24, § 2°, inciso IV, e 70, § 3°, inciso I) : (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ao tratar especificamente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o mesmo Regulamento, nos artigos 56 e 640, consolida a tributação dos juros e atualização monetária: Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei n° 7.713, de 1988, art. 12). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 15463.723287/201564 Acórdão n.º 2201003.851 S2C2T1 Fl. 79 6 Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei n° 7.713, de 1988, art. 12).” Art. 640. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos pagos no mês, inclusive sua atualização monetária e juros (Lei n° 7.713, de 1988, art. 12, e Lei n° 8.134, de 1990, art. 30).” A Nota PGFN/CRJ n° 1.582/2012, por sua vez, reconhecendo a jurisprudência do STJ contrária à tributação dos juros de mora, afastou a incidência do IRPF sobre os juros de mora decorrentes do recebimento em atraso de verbas trabalhistas, pagas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, nos seguintes termos: Em complementação à Nota PGFN/CRJ n° 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543B e 543C, do Código de Processo Civil, com a finalidade de subsidiar a aplicação, por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Parecer PGFN CDA n° 2025/2011, encaminhase a presente nota, correspondente ao Recurso Especial n° 1.089.720/RS, que teve a precípua finalidade de esclarecer o julgado no Resp n. 1.227.133/RS. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ n° 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA n° 2025/2011, procedese à delimitação do tema decidido no Recurso Especial acima mencionado. Estabeleceu o Superior Tribunal de Justiça, da conjugação do julgado no Resp n. 1.227.133/RS representativo de controvérsia com o Resp n. 1.089.720/RS, ambos julgados pela 1a Seção do Superior Tribunal de Justiça, que em regra incide IRPF sobre os juros de mora, excepcionalmente, o tributo será afastado quando: os juros de mora decorrem do recebimento em atraso de verbas trabalhistas decorrentes da perda do emprego , independentemente da natureza destas (se remuneratória ou indenizatórias), pagas no contexto da rescisão do contrato de trabalho, em reclamatória trabalhista ou não (art. 6, V, da Lei n. 7.713/88)ou; os juros de mora decorrem do recebimento de verbas principais que não acarretem acréscimo patrimonial ou que são isentas ou não tributadas (em razão da regra de que o acessório segue o principal). Transcrevese abaixo a ementa do Acórdão do Agravo Regimental nos Embargos de Divergência do Recurso Especial n° 1.089.720/RS, que fundamentou a Nota PGFN/CRJ n° 1.582/2012: Fl. 79DF CARF MF Processo nº 15463.723287/201564 Acórdão n.º 2201003.851 S2C2T1 Fl. 80 7 AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PARADIGMA DA QUARTA TURMA QUE NÃO TRATOU DA MESMA QUESTÃO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. EMBARGOS LIMINARMENTE INDEFERIDOS. DECISÃO MANTIDA EM SEUS PRÓPRIOS TERMOS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O acórdão embargado conheceu do recurso especial “quanto à discussão sobre a incidência do Imposto de Renda sobre osjuros de mora pagos em razão de reclamação trabalhista. ” Decidiu que, como regra, “incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal”. Anotou, no entanto, duas exceções: “O fator determinante para ocorrer a isenção do art 6o, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. ” E também “são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do ‘accessorium sequitur suum principale ’.” 2. O acórdão paradigma, por sua vez, passando ao largo da controvérsia destes autos, consignou o entendimento de que “Os juros de mora se destinam a reparar os danos emergentes, ou positivos, e a pena convencional é a prévia estipulação para reparar os lucros cessantes, que são os danos negativos, vale dizer, o lucro que a inadimplência não deixou que se auferisse, resultando na perda de um ganho esperável. Não estabelecida previamente a pena convencional, pode o juiz, a título de dano negativo, estipular um valor do que o credor razoavelmente deixou de lucrar. ” 3. A controvérsia do acórdão embargado, portanto, foi muito além daquela enfrentada pelo paradigma, razão pela qual não se abre a estreita via dos embargos de divergência. Desatendimento aos requisitos do art. 266, § 1.°, do RISTJ. Ausência de similitude fáticojurídica. 4. Agravo regimental desprovido. Destarte, não incide IRPF sobre os juros de mora apenas quando decorrentes do recebimento em atraso de verbas trabalhistas, nos casos da perda do emprego, independentemente da natureza destas (se remuneratória ou indenizatórias), pagas no contexto da rescisão do contrato de trabalho, o que não é o caso dos autos. Por todo o exposto, não é possível acolher o pleito recursal de exclusão dos juros e correção monetária da base de cálculo. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 15463.723287/201564 Acórdão n.º 2201003.851 S2C2T1 Fl. 81 8 Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado Em que pesem os argumentos e logicidade do voto do Conselheiro Relator, ouso dele discordar somente quanto a incidência do imposto sobre a renda da pessoa física sobre os juros moratórios pagos em decorrência de reclamatória trabalhista. Cediça a aplicação do entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça por meio da decisão proclamada no REsp n° 1.227.133/RS, de 28/09/2011, na sistemática do recurso repetitivo. Nesse sentido não divirjo do nobre Relator. Porém, entendo que tal decisão é clara em asseverar que os juros moratórios pagos por força do término do contrato de trabalho, seja em ação judicial específica, seja por meio de ajuste entre as partes, não sofre a incidência do tributo em análise, em face de seu caráter indenizatório em sentido específico, ou seja, em razão da ausência de acréscimo patrimonial do trabalhador por força da percepção da mencionada verba. Tal afirmação consta da decisão tomada como pacificadora da controvérsia no âmbito da Corte Superior de Justiça, vejamos trecho reproduzido pelo Relator: "Acontece que a decisão foi melhor explicitada no REsp n° 1.089.720/RS, julgado em 10/10/2012, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, que levando em consideração o decidido no REsp n° 1.227.133/RS, aclarou e sintetizou a posição da 1.a Seção do STJ quanto às regras de isenção dos juros moratórios. Seguem transcritos excertos da ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 15463.723287/201564 Acórdão n.º 2201003.851 S2C2T1 Fl. 82 9 (...) Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp. n.° 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). Nem todas as reclamatórias trabalhistas discutem verbas de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, ali podem ser discutidas outras verbas ou haver o contexto de continuidade do vínculo empregatício. A discussão exclusiva de verbas dissociadas do fim do vínculo empregatício exclui a incidência do art. 6°, inciso V, da Lei n. 7.713/88. O fator determinante para ocorrer a isenção do art. 6°, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale ". (destaques não constam de decisão judicial) Ora, forçoso o entendimento de que havendo reclamatória trabalhista decorrente do fim do contrato de emprego, não se deve perquirir se a verba tem ou não natureza indenizatória, posto que, segundo o Tribunal Superior, a isenção abraça todas as verbas pagas, vez que a relação de trabalho tem proteção constitucional, ensejando, sua rescisão, dever de indenização. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 15463.723287/201564 Acórdão n.º 2201003.851 S2C2T1 Fl. 83 10 Tal interpretação encontra respaldo no próprio Superior Tribunal de Justiça, como se comprova pela redação do Tema 470, posto que assim se encontra explicitada a tese firmada (consulta em < http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp>, em 17 de agosto de 2017): "Não incide Imposto de Renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial" Do exposto, e considerando as determinações do parágrafo 2º do artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 08 de junho de 2015, forçoso reconhecer a não incidência do Imposto Sobre a Renda da Pessoa Física sobre os juros de mora percebidos em reclamatória trabalhista. Conclusão Com base nos fundamentos e argumentos apresentados, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o tributo incidente sobre os juros de mora percebidos na reclamatória trabalhista. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado. Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.900735/2013-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2011
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurvo Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.111
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 07 35 /2 01 3- 56 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10805.900735/201356 Acórdão n.º 3201003.111 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório PETROLOG SERVIÇOS E ARMAZÉNS GERAIS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição e que procedera à retificação da DCTF, com observância de todos os trâmites administrativos adequados à compensação e que inexistia motivo para a negativa do pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora. Nos termos do Acórdão nº 02056.974, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF original. Destacouse que a retificação da DCTF, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se presta, por si só, para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega, sucintamente, que o crédito pleiteado decorre de ativo imobilizado, obtido em atenção à prerrogativa legal outorgada pelas Leis nº 10.865/2002 e 12.546/2011. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.103, de 30/08/2017, proferido no julgamento do processo 10805.900727/201318, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.103): O recurso é tempestivo e não havendo outros óbices, dele conheço. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10805.900735/201356 Acórdão n.º 3201003.111 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente, reproduzo quadro da decisão recorrida, para mostrar as datas do Darf, da DCTF, do Despacho Decisório e da DCTF retificadora. A retificação da DCTF foi feita após a ciência do Despacho Decisório, e não houve apresentação de provas ou alegação de direito na Manifestação de Inconformidade. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora foi apresentada após o início do procedimento fiscal, e desse modo, não substitui a DCTF original, cf. art. 9º, §2º1 da Instrução Normativa da Receita Federal 1.110/2010, combinada com art. 138, § único2 do CTN e art. 16 da Lei 9.779/963. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo, depois do início do procedimento fiscal, seria necessária prova de sua inexatidão, para o alcance da verdade material, que é objetivo do processo administrativo fiscal. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/994, art. 373, I do CPC5). 1 Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 2 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 3 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 4 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 5 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10805.900735/201356 Acórdão n.º 3201003.111 S3C2T1 Fl. 5 4 A recorrente aduz, genericamente, tratarse de direito de crédito relativo a ativo imobilizado, referindo a Lei 12.546/2012. Não aponta especificamente o dispositivo legal que lhe daria direito. (...) O documento trazido como comprovação do alegado crédito relaciona alguns bens do imobilizado, sem demonstrar qualquer cálculo que se assemelhe ao valor requerido. (...) Desse modo, não havendo qualquer argumentação consistente quanto ao direito de crédito, e a ausência de documentos que comprovem o crédito pretendido, não há como ultrapassar os requisitos de certeza e liquidez exigidos para a Declaração de Compensação, cf. art. 170 do CTN6. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 6 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000325/2002-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/02/2001 a 31/03/2001, 01/05/2001 a 31/05/2001
INCIDÊNCIA DE IPI. SAÍDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. PRODUTOS NÃO AMPARADOS POR NORMAS (PORTARIAS) CONCESSIVA DO BENEFÍCIO FISCAL. Restando comprovado nos autos que não há, no período autuado, a Portaria concessiva da isenção do IPI, para os produtos objeto da autuação, procede o lançamento do crédito tributário decorrente da indevida utilização do benefício fiscal.
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. ISENÇÃO. REQUISITOS DEFINIDOS EM LEI. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, após os exames dos requisitos definidos em lei pela autoridade administrativa. A eficácia da norma isencional tem como condição a publicação em Órgão oficial do Ato de concessão específico para o interessado. Não é cabível a fruição do incentivo antes da expedição de tal Ato.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto deram provimento ao recurso. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro deu provimento parcial para reconhecer o benefício em relação aos processadores com velocidades superior a 330 Mhz.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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SAÍDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. PRODUTOS NÃO AMPARADOS POR NORMAS (PORTARIAS) CONCESSIVA DO BENEFÍCIO FISCAL. Restando comprovado nos autos que não há, no período autuado, a Portaria concessiva da isenção do IPI, para os produtos objeto da autuação, procede o lançamento do crédito tributário decorrente da indevida utilização do benefício fiscal. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. ISENÇÃO. REQUISITOS DEFINIDOS EM LEI. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, após os exames dos requisitos definidos em lei pela autoridade administrativa. A eficácia da norma isencional tem como condição a publicação em Órgão oficial do Ato de concessão específico para o interessado. Não é cabível a fruição do incentivo antes da expedição de tal Ato. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto deram provimento ao recurso. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro deu provimento parcial para reconhecer o benefício em relação aos processadores com velocidades superior a 330 Mhz. (assinado digitalmente) AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 03 25 /2 00 2- 13 Fl. 888DF CARF MF Processo nº 10508.000325/200213 Acórdão n.º 3402004.611 S3C4T2 Fl. 889 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 21/35) lavrado contra o Recorrente acima qualificado, por meio do qual foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 615.708,53, referente ao Período de Apuração (PA) relativo a janeiro a dezembro de 2000 e fevereiro, março e maio de 2001. O presente Processo Administrativo (PAF), foi objeto da Resolução nº 3803 00.063, de 30/09/2010, depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso foi bem relatado pelo Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de o Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados desta 3ª Sejul. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo, que promovo algumas adaptações. No Termo Complementar de Descrição dos Fatos (anexo ao AI), a fiscalização entendeu terem ocorrido as seguintes infrações (fls. 36/52): que houve falta de lançamento do imposto nas saídas do estabelecimento, de produtos tributados, caracterizado pela utilização indevida de isenção de bens de informática; as notas fiscais representativas das saídas das mercadorias, bem como termo complementar de descrição dos fatos foram juntados aos autos às fls. 36/52. houve glosa de crédito básico indevido, tendo em vista tratarse de mercadorias adquiridas no mercado nacional, e, como tal, revendidas sem sofrerem processo de industrialização; as notas fiscais representativas das entradas das mercadorias estão relacionadas na planilha de fl. 50. apurouse divergências apuradas entre os valores declarados e os valores a recolher, registrados na LRAIPI; juntada planilha demonstrando as diferenças, às fls. 52 e cópias das DCTFs com diferenças, fls. 53/57 e do LRAIPI. No Termo Complementar de Descrição dos Fatos, no que tange ao aproveitamento indevido de isenção de IPI sobre produtos de informática, ficou asseverado que houve incompatibilidade entre os produtos saídos e a caracterização dos produtos no projeto (PPB) apresentado ao MCT, posto que os modelos dos produtos relacionados no projeto não são abrangidos pela isenção concedida pela Portaria nº 231/1998. Devidamente cientificada da exigência fiscal, a autuada apresentou impugnação, alegando, em apertada síntese que: Fl. 889DF CARF MF Processo nº 10508.000325/200213 Acórdão n.º 3402004.611 S3C4T2 Fl. 890 3 quando da emissão das notas fiscais, entre 01/01/2000 e 17/03/2000, o pedido de verificação da exigência dos pressupostos exigidos pelo legislador nas leis 8.191/91 e 8.248/91, para fruição da isenção, já havia sido protocolizado junto ao MCT em 19/10/1999; os produtos descritos nas referidas notas estão de acordo com as especificações indicadas no projeto, que identificam o modelo UDP BITWAY de Unidade Digital de Processamento para Microcomputador, com velocidades entre 233 e 550 Mhz; na Portaria nº 80/2000, há apenas referência por produto enquadrado no gênero NCM 8471, constante do anexo do decreto 3.801/01, bem como no art. 16A da lei nº 8.248/91, com redação dada pela lei nº 10.176/01. Não há, na referida portaria, qualquer referência a limitação de velocidade; as alterações de freqüência dos processadores em nada altera o PPB Processo Produtivo Básico, que se mantém dentro das previsões legais; quanto aos produtos indicados nas notas relacionadas às fl. 49, emitidas entre 19/12/2000 e 29/12/2000, que a fiscalização entendeu estarem sob a incidência do IPI em virtude da revogação do art. 32 da MP 2.03724, de 23/11/00, pelo enunciado do art. 14 da MP 1.952031, de 14/12/2000, vem a impugnante refutar por não ter sido considerado o enunciado do § 1ºA, do art. 4º da Lei 8.248/91, com redação dada pela lei nº 10.176/01, onde o legislador claramente estendeu o benefício até 31/12/2000, que a época da edição da lei nº 8.248/91, estava previsto até 20/10/99; a partir da publicação da lei nº 8.248/91, os bens de informática e automação fabricados no país, deixaram de ser passíveis de incidência de IPI, bastando que seus fabricantes demonstrassem o cumprimento de determinada exigência. Isso faz constatar que a referida lei até aqui tem validade, vigência e eficácia, tal como retro definidas, já que nenhuma decisão do judiciário, em Ação Direta de Inconstitucionalidade, lhe retirou a validade, nem o Senado lhe suspendeu a eficácia ou vigência; o Decreto nº 792/93, dispõe no art. 4º que “para ter direito a fruição dos benefícios previstos nos artigos anteriores, a empresa produtora de bens e serviços de informática e automação deverá requerer ao MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia), a concessão do incentivo de que trata o art. 1º para os bens de sua fabricação, justificando seu enquadramento nos critérios estabelecidos no art. 6º, § 1º; a sua habilitação para fruição do incentivo a que se refere o art. 2º, comprovando que atende às condições definidas no art. 12”; o art. 5º do referido Decreto dispõe que “comprovado o atendimento das condições a que se referem os incisos II e III do artigo anterior, será publicada no Diário Oficial da União Portaria conjunta do MCT e do Ministério da Fazenda, certificando a habilitação da empresa à fruição do incentivo referido no art. 2º ou à captação dos recursos incentivados previstos no art. 3º”; à luz da compreensão do fenômeno da isenção e, considerando que esta configura instituto que atende ao interesse público e não ao particular, uma única inteligência se afigura válida para o ato de certificação da habilitação: ele é meramente declaratório. Por conseguinte, reconhecido o preenchimento das condições impostas, sobre os produtos isentados, o industrial não pagará o IPI, desde a edição da lei isencional; Fl. 890DF CARF MF Processo nº 10508.000325/200213 Acórdão n.º 3402004.611 S3C4T2 Fl. 891 4 no caso presente, o requerimento ao MCT que gerou a Portaria nº 231/98, foi protocolizado em 30/03/1998, apreciado no processo MCT/SEPIN 07086/98 e, com muito mais razão, a isenção, ao menos a partir dali, retirou os referidos produtos da incidência do IPI, sendo tal Portaria meramente declaratória do preenchimento das condições impostas; do mesmo modo se dá o fenômeno da isenção, quanto aos produtos indicados no projeto do PPB que gerou a portaria 80/00, cujo pedido foi apreciado no processo MCT/SEPIN 07449/992, protocolizado em 19/10/99. Neste caso, considerando Declaratório o efeito da referida Portaria, todos os produtos descritos nas notas alinhadas na planilha de fls. 40/49, emitidas entre 04/01/2000 e 29/12/2000, estão fora da incidência do IPI; entender que aquelas Portarias tem efeito constitutivo, seria admitir a invasão da competência do Legislativo pelo Executivo, pois só a ele foi conferida a parcela do poder para criar tributos e deles isentar o contribuinte; considera inconstitucional a Multa aplicada e faz extenso relato sobre sua natureza jurídica, diz que do confronto do direito de propriedade do cidadão e do direito do Estado ao tributo deflui um outro direito fundamental: o não confisco; apresenta teoria doutrinárias para identificar a natureza da multa aplicada, fiscal penal, civil ou híbrida, e conclui que sob qualquer ângulo que seja analisada fica provada a sua antijuridicidade e inconstitucionalidade, permanecendo somente a proposição de multa de natureza administrativa; se os olhos do aplicador do direito forem alçados ao princípio da isonomia, verseá que o estado impõe ao empresariado a limitação de cobrar multas dos consumidores finais até 2%, conforme a lei nº 9.298/96, no seu art. 1º, que modificou o art. 52, § 1º da lei nº 8.078/60. Entretanto, é esse mesmo estado que, numa economia estável, impõe ao mesmo empresariado multas que vão de 5 a 150 vezes o limite que a este fixa para verse indenizado das lesões causadas pelo inadimplemento dos consumidores; que o processo administrativo é método instituído na CF para solução de conflitos entre administrados e a Administração, sujeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, dentre outros; se aos litigantes o legislador constitucional garante a ampla defesa e o contraditório, com todos os recursos inerentes, como admitir que os tribunais administrativos estejam impedidos de negar a aplicação de uma norma manifestamente inconstitucional? Não seria isso um disparate que ameaça destruir a completude da ordem jurídica? ; por todas essas razões, entende a impugnante deva o Ilustre Delegado negar aplicação ao dispositivo do art. 80 da lei 4.502/64, com redação dada pelo art. 45 da lei nº 9.430/96, instituidores de multas que superam em muito o teto de 2%, índice este sobejamente suficiente para reparar o dano causado pela inadimplência, se, por absurda hipótese, não for reconhecida a isenção instituída pela lei 8.248/91, a mártir da data do requerimento ao MCT; quanto aos juros, requer seja obedecido o limite instituído no art. 192, § 3º, da Constituição Federal; Fl. 891DF CARF MF Processo nº 10508.000325/200213 Acórdão n.º 3402004.611 S3C4T2 Fl. 892 5 requer seja reconhecida a isenção desde a data da edição da norma isentiva, ou ao menos a partir da data do protocolo do requerimento ao MCT e, por conseqüência, seja desconsiderado o crédito tributário, constituído do valor do tributo, dos juros e das multas; em não sendo atendido o pedido anterior, a inaplicação da norma instituidora da multa no seu critério quantitativo, para que este seja reduzido ao percentual de 2%, equânime ao que o estado estabelece como limite para que o empresário cobre do consumidor final; da mesma forma, negado o pedido n.º 1, sejam aplicados juros máximos de 12% a.a.; Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, foram parcialmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal (DRJ em Salvador BA, fls. 245/269), onde excluiu os valores de R$ 576,68 e R$ 703,74, para fins de apuração da multa regulamentar. Em seu Recurso Voluntário (fls. 278/286), a Recorrente, em apertada síntese, alega as seguintes razões: que a decisão recorrida contem evidentes erros e veicula manifesta iniqüidade, ao impor à contribuinte obrigação tributária inexistente; pelo simples fato isolado da contribuinte ter usado processadores com freqüência maior àquelas referenciadas em seu projeto apresentado ao MCT, o Fisco considerou indevido o gozo do benefício e procedeu o lançamento de IPI relativo às notas fiscais de saída relacionadas a autuação; que a freqüência do processador nenhuma relação guarda com as exigências impostas à concessão do benefício; quando se verifica as normas que regulamentam a lei nº 8.248/91, especialmente o Decreto n.º 792/93 e a Portaria MCT n.º 101/93, notase que o uso de critérios de definição do processo produtivo básico (PPB) é o uso, na maior extensão possível, de insumos nacionais e existência de valor agregado; assevera que essa Portaria, que a época estabelecia quais os bens de informática e automação atendem ao processo produtivo básico, nada fala sobre as freqüências dos processadores, até porque, expressamente dispensados, de acordo com § 1º do art. 1º, de serem montados no país. Exatamente o contrário, a norma que dispensa a montagem dos processadores no Brasil, menciona apenas sua montagem em placa com barramento de conexão à placa mãe com mais de duzentas vias; que não há nenhuma referência legislativa, de qualquer espécie, em relação à freqüência dos processadores utilizados que guarde relação com a adequação do produto ao processo produtivo básico e direito ao benefício; portanto, a alteração na característica do produto deve se submeter, previamente ou não, à aprovação do MCT, nos termos do art. 4º da Portaria, são aquelas que impliquem na alteração do processo produtivo fixado no seu art. 1º. Por fim requer o provimento do recurso voluntário pela improcedência do Auto de Infração e ratifica os termos da impugnação apresentada. Fl. 892DF CARF MF Processo nº 10508.000325/200213 Acórdão n.º 3402004.611 S3C4T2 Fl. 893 6 Em 11/03/2008, conforme Despacho de fl. 289, os autos foram encaminhados a este CARF para análise e julgamento do recurso voluntário interposto. Indicado para a pauta de julgamento na sessão de 30/09/2010, a extinta 3ª Turma Especial/3ª Sejul, , decidiu converter o julgamento em Diligência, conforme disposto na Resolução nº 380300.063, de 30/09/2010, nos seguintes termos: (grifei) (...). Os fatos jurídicos previstos na norma da perda do direito à isenção, art. 10 do citado decreto, configuramse com (i) a ausência do requerimento previsto no art. 4º, ou a sua feitura à parte das instruções do MCT, e também (ii) com a descumprimento das exigências do art. 7º, já anunciado, acima, como sem identificação com dados técnicos do produto. De verse que, dados estes pressupostos, a (des)qualificação técnica/tecnológica vinculada ao produto para o gozo da isenção de que aqui se trata atrelase, simplesmente, à exigência de que a sua montagem sirvase de componentes e sujeitese a Processo Produtivo Básico que, conjuntamente, resultem para o produto em "valor agregado local", conforme o exige o art. 1º do Decreto nº 792/93. Sob este entendimento, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência, para que a Unidade lançadora, a DRF/Ilhéus, demonstre que (como) os processadores com velocidades acima de 330 Mhz, saídos antes da publicação da Portaria nº 80/2000, e os de velocidade acima de 550 Mhz, durante a vigência desta Portaria, utilizados na montagem de computadores, deixam de atender a exigência legal de valor agregado local. Após a conclusão dos trabalhos, intime se a Interessada para que se manifeste acerca do seu resultado, dentro do prazo de 30 (trinta) dias". Movimentado o processo para a IRF/Ilhéus (BA), em 12/06/2015 após a a ciência da Recorrente (fl. 848) e o cumprimento da Resolução prolatada pelo CARF, a Fiscalização prolatou a Informação Fiscal de fls. 850/856. Em seu despacho o Fisco informa que em atendimento à Resolução nº 3803 00.063, apresenta seus argumentos e informações com o intuito de demonstrar que houve sim comercialização, com utilização indevida de isenção de IPI, de produtos em desacordo com os modelos aprovados nas Portarias Interministeriais nºs 231/98 e 80/2000. Informa antes, que objetivando intimar a empresa Bit Shop do resultado da diligência, foi formalizado o Termo de fls. 857/858, encaminhando por via postal (AR Correios), cópia da mencionada Informação Fiscal (inclusive da Resolução) para conhecimento e manifestação, no prazo de trinta dias, nos termos do parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Os referidos documentos foram encaminhados para o endereço constante do cadastro da RFB (Rua C, Quadra N, Lote 03, Módulo A, S/N, Distrito Industrial, Iguape, Ilhéus/BA, CEP 45658464). A documentação enviada foi devolvida pelos Correios à IRF/Ilhéus em 22/10/2015, com a anotação de que a entrega não pode ser efetuada pelo motivo: “Mudouse” (docs. fls. 860/861). Posto isto, em 12/11/2015, foi publicado o Edital Eletrônico nº 001753658 (fl. 884), para ciência do contribuinte acerca da documentação supracitada. Como se pode observar no Edital em tela, a data da ciência se deu, decorridos 15 (quinze) dias, em 27/11/2015. Portanto, o prazo para a apresentação da manifestação, de trinta dias da ciência, expirou em 29/12/2015. Transcorrido o prazo regulamentar, sem que o interessado tenha se manifestado em relação ao disposto no mencionado Edital Eletrônico (Informação Fiscal de Fl. 893DF CARF MF Processo nº 10508.000325/200213 Acórdão n.º 3402004.611 S3C4T2 Fl. 894 7 diligência), o processo, então, retornou a este CARF, e foi distribuído para este Conselheiro dar prosseguimento ao julgamento (fl. 887). É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1. Da admissibilidade dos recursos Conforme verificado quando da Resolução, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, e dele conheço. 2. Do Auto de Infração Cuidase de Auto de Infração com lançamento de IPI, fundado em utilização indevida da isenção a que faz jus os bens de informática, nos termos da Lei nº 8.248/91 e sua regulamentação dada pelo Decreto nº 792/93. A recorrente contestou em seu recurso voluntário, o lançamento fiscal analisado nestes autos, especificamente sobre as seguintes matérias autuada: (i) no que se refere a utilização indevida de isenção do IPI, caracterizada pela incompatibilidade entre os produtos constantes das notas fiscais de saídas e os constantes do Projeto Produtivo Básico (PPB) apresentado ao MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia), objeto da isenção através das Portarias Interministeriais n.º 231/98 e n.º 80/2000, e (ii) do critério para definição da Base de Calculo do IPI utilizada para compor a autuação do item anterior. Manifesta ainda, em sua impugnação, sobre a utilização indevida da isenção do IPI referente às notas fiscais n.º 3.360 e n.º 3.426, emitidas em 19 e 29/12/2000, além de questionar juros e multas. Não se manifesta especificamente sobre as infrações n.º 002 Crédito Básico Indevido e n.º 003 Diferença entre o valor do IPI escriturado e o declarado/pago. 3. Quanto ao IPI incidente sobre os bens saídos produtos não abrangidos pela isenção das Portaria Interministerial n.º 231/98 e 80/2000 Quanto ao critério na definição da base de cálculo empreendida pela fiscalização, a Recorrente em seu recurso argumenta que "(...) Com efeito, a fiscalização considerou como notas fiscais sem lançamento do IPI simplesmente todas as notas fiscais no período em que documentos firmados pela recorrente (projeto apresentado em outubro 1999 e correspondência de novembro 2000), que fala em utilização de frequência de até 550 e 800 Mhz, respectivamente. Mas a expressão "até" deixa clara a utilização de processadores inferires a 300 Mhz, até a edição da Portaria 80/2000, e 550 Mhz a partir dai, quando supostamente a Recorrente estaria autorizada a utilizálas. Ou seja, não há qualquer prova da utilização de frequencia superior àquela supostamente permitida em todas as UDPs citadas nas notas fiscais consideradas na autuação" (grifei). Pois bem. Na decisão recorrida, consignouse que, quanto a cobrança do IPI incidente sobre os bens saídos, referentes aos produtos não abrangidos pela isenção concedida Fl. 894DF CARF MF Processo nº 10508.000325/200213 Acórdão n.º 3402004.611 S3C4T2 Fl. 895 8 pela Portaria Interministerial n.º 231/98, aprovada posteriormente pela Portaria Interministerial MCT/MF n.º 80/2000, constatouse como equivocadas as alegações da Recorrente a respeito da forma e do momento da fruição do benefício, nos termos da lei nº 8.248/91, com a regulamentação dada pelo Decreto n.º 792, de 1993. O referido Decreto, em seu art. 4º, regulamenta a HABILITAÇÃO da empresa para fruição do incentivo do art. 2º: (grifei) Art. 4º Para ter direito à fruição dos benefícios previstos nos artigos anteriores, a empresa produtora de bens e serviços de informática e automação deverá requerer ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT): I a concessão de incentivo de que trata o art. 1º para os bens de sua fabricação, justificando seu enquadramento nos critérios estabelecidos no art. 6º, § 1º; II a sua habilitação para fruição do incentivo a que se refere o art. 2º, comprovando que atende às condições estabelecidas no art. 12; III a sua habilitação à captação de recursos decorrentes do incentivo previsto no art. 3º, comprovando sua condição de sociedade por ações que preencha os requisitos do art. 1º da Lei nº 8.248/91 e que tenha como atividade, única ou principal, a produção de bens e serviços de informática e automação nos termos do disposto no art. 12. Parágrafo único. Os requerimentos deverão ser elaborados em conformidade com as instruções baixadas pelo MCT. Art. 5º Comprovado o atendimento das condições a que se referem os incisos II e III do artigo anterior, será publicada no Diário Oficial da União portaria conjunta do MCT e Ministério da Fazenda (MF) certificando a habilitação da empresa à fruição do incentivo referido no art. 2º ou à captação dos recursos incentivados previstos no art. 3º. Nesse contexto, a hipótese normativa incidente sobre a realidade, torna o fato em si, em fato jurídico, e com isso faz surgir uma relação jurídica. Nesta dinâmica, a linguagem do direito condiciona a realidade alterando e regrando as condutas e disciplinando o comportamento dos seres humanos, nas suas relações de intersubjetividade, conforme expressa Paulo de Barros Carvalho, no Curso de Direito Tributário, 1991. A Constituição Federal delega à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria tributária. A lei nº 5.172/66, que aprova o CTN, no art. 96, estabelece que a expressão legislação tributária compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, acerca de tributos e suas relações jurídicas. No art. 100, I, o CTN estende o conceito, dispondo que os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas são normas complementares das leis, dos tratados, das convenções internacionais e dos decretos. As normas jurídicas citadas pelo Fisco e também pela Recorrente, e que incluíam o Decreto n.º 792/2003, pertencem ao sistema jurídico positivo, sendo normas válidas desde a data de sua publicação. O parágrafo único do art. 4º da lei nº 8.248/91, previa que para o gozo dos benefícios nela definidos, seria definida a relação dos bens de que trata este artigo, pelo Poder Executivo, por proposta do Conselho Nacional de Informática e Automação CONIN, tendo como critério, além do valor agregado local, indicadores de capacidade tecnológica, preço, qualidade e competitividade internacional. Fl. 895DF CARF MF Processo nº 10508.000325/200213 Acórdão n.º 3402004.611 S3C4T2 Fl. 896 9 A sistemática de fruição do benefício em questão continua até os dias atuais na forma especificada anteriormente (lei nº 10.176/2001), a qual implica concessão da isenção somente após Ato Declaratório expedido pelos Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia, que estabelecerão os Processos Produtivos Básicos (PPB) no prazo máximo de 120 dias, contado da data da solicitação fundada da empresa interessada, devendo ser publicados em Portarias Interministeriais os processos aprovados, bem como os motivos que determinaram os indeferimentos. Assim, a argumentação feita pela Recorrente de que houve uma invasão de competência do Poder Legislativo pelo Executivo não prospera, nem mesmo a alegação de que o Decreto estaria inovando e modificando ato legal, uma vez que a isenção instituída pela lei nº 8.248/91, requeria, prioritariamente, a aprovação do projeto (PPB) solicitado pela empresa, para a concessão do pedido de isenção e, automaticamente, ante ao cumprimento das condições, se daria o início da fruição dos benefícios postulados. Art. 9º Na hipótese do não cumprimento das exigências desta Lei, ou da não aprovação dos relatórios referidos no § 9º do art. 11 desta Lei, poderá ser suspensa a concessão do benefício, sem prejuízo do ressarcimento dos benefícios anteriormente usufruídos, atualizados e acrescidos de multas pecuniárias aplicáveis aos débitos fiscais relativos aos tributos da mesma natureza. (Redação dada pela Lei nº 10.176, de 11.1.2001) (Regulamento). Notese que na circunstância em questão, o benefício não se refere a uma exclusão fiscal, mas sim, uma isenção extrafiscal, cuja situação jurídica do beneficiado dependerá do cumprimento prévio de condições previstas para obter o direito de isenção no momento da ocorrência do fato gerador. Ademais, o art. 111, II, do CTN (Código Tributário Nacional), estabelece que se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: II outorga de isenção; Por outro lado, a Recorrente aduz que foram listadas para fundamentar o lançamento todas as operações de saída nos períodos lançados, nelas incluídas indevidamente produtos cujos processadores tinham velocidades inferiores a 300 Mhz, no período anterior à edição da Portaria 80/2000, publicada em 20/03/2000, e inferiores a 500 Mhz, no período sob a vigência desta, quando havia expressa autorização para processadores até 550 Mhz. No entanto, efetuandose o cotejo visual das notas fiscais com a lista produzida pelo Fisco permite constatar que não se sustenta a afirmação da Recorrente, podendose confirmar que os produtos montados com processadores que operavam com frequências inferiores às acima referidas, e que estavam rigorosamente de acordo com as referidas Portarias, não fazem parte da referida lista ("Descrição do Produto" nas planilhas de fls. 40/49), não tendo sido, portanto, alvo da autuação. Alega ainda que "a freqüência do processador nenhuma relação guarda com as exigências impostas à concessão do benefício". E mais, que, "ao se verificar as normas que regulamentam a Lei nº 8.248/91, especialmente o decreto n.º 792/93 e a Portaria MCT n.º 101/93, notase que o critério de definição do Processo Produtivo Básico (PPB) é o uso, na maior extensão possível, de insumos nacionais e existência de valor agregado". Fl. 896DF CARF MF Processo nº 10508.000325/200213 Acórdão n.º 3402004.611 S3C4T2 Fl. 897 10 E prossegue argumentando em seu recurso que, "pelo simples fato isolado de ter usado processadores com freqüência maior que àquelas referenciadas em seu projeto apresentado ao MCT, a Fiscalização considerou indevido o gozo do benefício". Por outro giro, verificase no voto que motivou a conversão do processo em Diligência (Resolução), que o Conselheiro (voto vencedor) elabora alguns questionamentos a serem respondidos para o melhor deslinde dessa questão. Vejamos: "(...) Revendo a descrição do fato jurídico infracional temse que a imputação da infração ancorouse na incompatibilidade entre os produtos saídos e os constantes do Anexo III (Caracterização do Produto), fl. 101/104, do projeto apresentado ao MCT, objeto da isenção através da Portaria nº 231/98 e da Portaria nº 80/2000, respectivamente, para os períodos antes e depois de 20/03/2000, data da publicação deste último Ato Administrativo (Portaria nº 80/2000). Nesse passo, cabe destacar que a Caracterização do Produto, no Anexo III do projeto apresentado ao MCT compõese de três itens: "nome e enquadramento do produto", "Descrição do(s) modelo(s) e principais características técnicas" e "origem da tecnologia". Por sua vez, as "principais características técnicas" do produto apresentado envolve dados relativos a (i) "microprocessador", (ii) "frequência de operação", (iii) "memória RAM", (iv) "memória cache primária e secundária", (v) "slots de expansão", (vi) "teclado", (vii) "disco rígido", (viii) "disco flexível", (ix) "interfaces", (x) "fonte" e (xi) "sistema operacional". Não obstante os inúmeros dados que compõem a Caracterização do Produto o que, primeiro, chama a atenção é o fato de a incompatibilidade atribuída pela Auditoria ter tomado como base um único subitem: a frequência dos processadores". Em resumo, dados os pressupostos acima, o cerne da questão seria a (des)qualificação técnica/tecnológica vinculada ao produto para o gozo da isenção de que aqui se trata, que atrelase, simplesmente, à exigência de que a sua montagem sirvase de componentes e sujeitese a Processo Produtivo Básico (PPB) que, conjuntamente, resultem para o produto em "valor agregado local", conforme exige o art. 1º do Decreto nº 792/93: “Art. 1° São isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), até 29 de outubro de 1999, com fundamento no disposto no art. 1° da Lei n° 8.191, de 11 de junho de 1991, e no art. 4° da Lei n° 8.248, de 23 de outubro de 1991, os bens de informática e automação, com níveis de valor agregado local compatíveis com as características de cada produto, fabricados no País por empresas que cumpram as exigências estabelecidas nos arts. 2° ou 11 do último diploma legal, e os respectivos acessórios, sobressalentes e ferramentas que, em quantidade normal, acompanham aqueles bens. Pois bem. Como já dito, a comando da Resolução nº 380300.063 (3ª TE, às fls. 834/845), converteuse o julgamento em diligência para que o Fisco (IRF/Ilhéus BA), demonstre, como os processadores (UDPs) com velocidades acima de 330 Mhz, saídos antes da publicação da Portaria Interministerial nº 80/2000, e os de velocidade acima de 550 Mhz, durante a vigência desta Portaria, utilizados na montagem de computadores, deixam de atender a exigência legal "de valor agregado local". Insiste a Recorrente que "(...) A frequência do processador (ainda mais quando se trata de seu aumento em face da evolução tecnológica), nenhuma relação guarda com as exigências impostas à concessão do benefício. Nem jurídica, nem tecnicamente." Cita Fl. 897DF CARF MF Processo nº 10508.000325/200213 Acórdão n.º 3402004.611 S3C4T2 Fl. 898 11 a Portaria nº 101/93, que a época estabelecia quais os bens de informática e automação atendem ao PPB. A fiscalização, ao cumprir a Resolução determinada pelo CARF, prolatou suas considerações, que resultou na Informação Fiscal de fls. 850/855, esclarecendo as questões levantadas na Resolução bem como pela Recorrente. Vejase os principais trechos transcritos, que adiciono alguns comentários: (Grifei) "(...) Preliminarmente, em relação ao tema da diligência em pauta, incompatibilidade entre os modelos de produtos constantes das notas fiscais de saída com os projetos aprovados pelos Ministérios do MCT (Ciência e Tecnologia) e Fazenda, objeto das Portarias Interministeriais nºs 231/98 e 080/2000, cumpre destacar que no “Termo Complementar de Descrição dos Fatos” (fls. 36/39), foram as seguintes razões que levaram a fiscalização a concluir que os modelos relacionados nas notas fiscais de saída não são passíveis de enquadramento na isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados, prevista no art. 4º da Lei nº 8.248, de 23/10/91: 2.1) Portaria Interministerial nº 231/98 (fl. 94), Anexo III Caracterização dos Produtos do projeto aprovado: BITWAY MMX BÁSICO xxx (fls. 100/101), BITWAY MMX PRO xxx (fls. 106/107), BITWAY PII BÁSICO xxx (fls. 113/114) e BITWAY PII PRO xxx (fls. 119/120): “a) utilização de microprocessador identificado por PIII, sendo que na Portaria e no Anexo III é informado PII; b) utilização de microprocessador de frequência superior ao constante do Anexo III, que na Portaria é representado por XXX. No ANEXO III, este XXX poderá, tanto para o PII BÁSICO, quanto para o PII PRO, ser de frequências entre 200 a 333 Mhz.” (…). Notese que a isenção utilizada pelo contribuinte, com indicação da Portaria Interministerial nº 231/98 nas notas de saídas, tanto para o item “a”, quanto para o item “b”, somente foi aprovada através da nova Portaria Interministerial nº 080/2000, de 16/03/2000, publicada no DOU de 20/03/2000. Já sobre a Portaria nº 80/2000, aduz a Recorrente que "(...) O requerimento apresentado através do processo nº MCT/SEPIN/CGIM/DMI/289/99, que culminou com a edição da Portaria nº 080/2000, concedendo isenção, tratase de "novos modelos UDP BITWAY yxz". Ao conceder a isenção a análise verificou o cumprimento dos requisitos caracterizadores do processo produtivo, que, como já exposto, nenhuma relação guarda com a frquência dos computadores". 2.2) Portaria Interministerial nº 080/2000 (fl. 125), Anexo III Caracterização do Produto do projeto aprovado: Unidade Digital de Processamento para Microcomputador modelo UDP BITWAYyxz (fls. 129/130): O contribuinte, para justificar o uso do benefício fiscal, por meio do expediente à fl. 76, datada de 28/02/2002, apresentou correspondência enviada ao MCT e ao MDIC informando da atualização tecnológica (fl. 78). O MCT, atendendo a pedido da fiscalização da IRF/ILH, encaminhou cópia do processo administrativo referente à habilitação da empresa e definição do PPB, bem como informou que não consta dos seus arquivos a citada correspondência da empresa (fl. 88). Sobre esse aspecto, foi expedido o Termo de Intimação nº 024/2002 (fl. 89), mas o contribuinte não se manifestou. O Parecer Técnico MCT/SEPIN/CGIM/DMI/021/00 (fls. 134/138) não ampara a isenção para os modelos relacionados no Termo de Intimação nº 004/2002 (fls. 74/75), pois: Fl. 898DF CARF MF Processo nº 10508.000325/200213 Acórdão n.º 3402004.611 S3C4T2 Fl. 899 12 “a) utilização de microprocessador de freqüência superior ao constante do ANEXO III e Parecer, que na Portaria é representado pela letra Z. Na observação contida no item 4.1 do parecer, onde é citada a freqüência está dito: “o sufixo “z” identifica (Mhz) de operação do microprocessador utilizado (no momento utilizase as freqüências disponíveis no mercado de 233, 266, 300, 366, 400, 450, 466, 475, 500 e 550 Mhz)”. No item 4.2 (Características Básicas) frisase novamente a freqüência: “Face as informações apresentadas pela requerente, a configuração básica dos modelos consta de: Placa Central de processamento tipo Plug & Play, com microprocessador (com freqüência de operação variável de 233 a 550 Mhz);(...)” 3. Como explicitado no Relatório da fiscalização, a empresa comercializou unidades digital de processamento com frequências superiores aos modelos relacionados nas Portarias Interministeriais nºs 231/98 e 080/2000, definidos conforme Pareceres aprovados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. 4. O benefício fiscal em tela foi concedido pela Lei nº 8.248/91, a qual, em seus arts. 2º, 4º, 9º e 11, à época dos fatos, estabelecia: “Art. 2º As empresas produtoras de bens e serviços de informática no País e que não preencham os requisitos do art. 1º deverão, anualmente, para usufruírem dos benefícios instituídos por esta lei e que lhes sejam extensíveis, comprovar perante o Conselho Nacional de Informática e Automação (Conin), a realização das seguintes metas: (...) Art. 4º Para as empresas que cumprirem as exigências para o gozo de benefícios, definidos nesta lei, e, somente para os bens de informática e automação fabricados no País, com níveis de valor agregado local compatíveis com as características de cada produto, serão estendidos pelo prazo de sete anos, a partir de 29 de outubro de 1992, os benefícios de que trata a Lei nº 8.191, de 11 de junho de 1991. Parágrafo único. A relação dos bens de que trata este artigo será definida pelo Poder Executivo, por proposta do Conin, tendo como critério, além do valor agregado local, indicadores de capacitação tecnológica, preço, qualidade e competitividade internacional. (…) Art. 9º Na hipótese do não cumprimento, por empresas produtoras de bens e serviços de informática, das exigências para gozo dos benefícios de que trata esta lei, poderá ser suspensa a sua concessão, sem prejuízo do ressarcimento dos benefícios anteriormente usufruídos, atualizados, e acrescidos de multas pecuniárias aplicáveis aos débitos fiscais relativos aos tributos da mesma natureza. (…) Art. 11. Para fazer jus aos benefícios previstos nesta lei, as empresas que tenham como finalidade a produção de bens e serviços de informática deverão aplicar, anualmente, no mínimo 5% (cinco por cento) do seu faturamento bruto no mercado interno decorrente da comercialização de bens e serviços de informática (deduzidos os tributos correspondentes a tais comercializações), em atividades de pesquisas e desenvolvimento a serem realizadas no País, conforme projeto elaborado pelas próprias empresas. Fl. 899DF CARF MF Processo nº 10508.000325/200213 Acórdão n.º 3402004.611 S3C4T2 Fl. 900 13 5. Como se verifica no art. 4º transcrito, a isenção foi concedida para empresas que cumprirem as exigências para o gozo de benefícios, definidos na própria lei, e, somente para os bens de informática e automação fabricados no País, com níveis de valor agregado local compatíveis com as características de cada produto. De acordo com o parágrafo único desse artigo, o Poder Executivo definirá uma relação de bens, que terá como critério, além do valor agregado local, indicadores de capacitação tecnológica, preço, qualidade e competitividade internacional. 6. As condições para as empresas fazerem jus à isenção estão elencadas nos arts. 2º e 11 da mencionada lei. Pelo art. 2º, no caso de empresas não classificadas como de capital nacional, o direito ao benefício está condicionado à comprovação do cumprimento de metas relacionadas a programas de capacitação do corpo técnico, de pesquisa e desenvolvimento e de exportação. Outrossim, em consonância com o art. 11, a empresa para usufruir da isenção deverá aplicar parte do faturamento bruto, nos termos e percentuais fixados, em atividades de pesquisa e desenvolvimento, por meio de projeto próprio e de convênio com centros ou institutos de pesquisa ou entidades brasileiras de ensino, oficiais ou reconhecidas. 7. Condicionar a aplicação do benefício fiscal apenas ao cumprimento do disposto nos arts. 2º e 11 da Lei nº 8.248/91, é aplicar a norma legal pela metade. A exigência contida no parágrafo único do art. 1º, segundo a qual a relação de bens de informática e automação de que trata o caput será definida pelo Poder Executivo, também deve ser observada pela empresa habilitada. 8. Ainda em relação à legislação aplicável, originalmente, a matéria estava regulamentada pelo Decreto nº 792, de 02/04/93, do qual, em relação à concessão do benefício e as obrigações da empresa beneficiada, trazse à colação os seguintes comandos: “Art. 1° (...) Art. 6° A relação dos bens, identificando o produto e seu fabricante, que farão jus ao benefício previsto no art. 1°, será definida pelo Poder Executivo, através de portaria conjunta do MCT e Minifaz, por proposta do Conselho Nacional de Informática e Automação (Conin). § 1° Para incluir um produto na relação de bens de que trata o caput deste artigo, o Conin deverá considerar, cumulativamente ou não, além do valor agregado local, de acordo com o estabelecido em portaria conjunta do MCT e do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, os seguintes indicadores: (...) 9. O art. 1º do Decreto nº 792/93 trata da concessão e das exigências a serem cumpridas pela empresa beneficiária da isenção, previstas os arts. 2º, 4º e 11 da Lei nº 8.248/91. Especificamente, para fins de verificação do atendimento das exigências legais para a fruição do benefício, em observância ao disposto no art. 4º do decreto, a empresa deve requerer ao Ministério da Ciência e Tecnologia a concessão do incentivo, justificando seu enquadramento nos critérios estabelecidos no art. 6°, § 1°. Quanto aos bens de que trata o parágrafo único do art. 4º da Lei nº 8.248/91, passíveis da isenção do IPI, a norma regulamentadora, em seu art. 6º, estabelece que serão definidos, identificando o produto e seu fabricante, por meio de portaria conjunta do Ministério da Ciência e Tecnologia e Ministério da Fazenda. 10. As Portarias Interministeriais nºs 231/98 e 080/2000, em cumprimento ao comando normativo, identificaram expressamente a empresa habilitada ao benefício fiscal e o bem objeto da isenção. A fiscalização, ao constatar a comercialização, com isenção, de produtos em desacordo com as descrições contidas nas Portarias, emitidas, respectivamente, com base nos processos MCT/SEPIN nº 07088/981 (Parecer Técnico MCT/SEPIN/CGIM/DMI/174/98) e MCT/SEPIN nº 07449/992 (Parecer Técnico MCT/SEPIN/CGIM/DMI/021/00), seguiu a diretriz basilar para a Fl. 900DF CARF MF Processo nº 10508.000325/200213 Acórdão n.º 3402004.611 S3C4T2 Fl. 901 14 verificação do atendimento das normas que tratam de isenções, preceituada no art. 111 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 Código Tributário Nacional, segundo a qual “interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre a outorga de isenção”. 11. Para fins de aplicação do benefício fiscal previsto no art. 4º da Lei nº 8.248/91, além de ter de estar habilitada por meio de portaria conjunta dos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Fazenda, a empresa deveria ter comercializado os produtos que foram relacionados nessa mesma Portaria. Destarte, uma vez identificado o bem a ser produzido, definidas suas características, modelos etc., a isenção não pode alcançar produtos sob outra especificação, sob pena de se estender o tratamento em tela a casos não amparados na legislação de regência. Aqui é importante ressaltar que a Recorrente aborda a seguinte questão: (...) Neste ponto, já se pode ver que não se trata da necessidade prévia anuência do MCT em relação aos vertiginosos e quase diários incrementos nas frequências, mas de sua total dispensa, exatamente por não interferir na definição do processo produtivo". 12. As citadas Portarias interministeriais, para a fiscalização, são referências básicas para as verificações quanto a identificação dos produtos relacionados. Se o produto está identificado de forma detalhada, fazendose, inclusive, menção expressa a pareceres técnicos, não parece aceitável, a luz do art. 111 do CTN, admitirse alterações de modelo, de frequências (Mhz) de operação do microprocessador etc., sem a sua prévia inclusão no rol de produtos autorizados pelo órgão competente, em observância ao disposto no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 792/93, transcrito mais acima. No caso vertente, se a intenção fosse deixar em aberto as frequências, estas não deveriam ter sido indicadas expressamente nos pareceres técnicos, citados nas respectivas Portarias. 13. De outra feita, anotese que a fiscalização em nenhum momento cogitou o a suspensão ou cancelamento da habilitação da empresa autuada, fato que, caso consumado, redundaria na perda do direito de a empresa se utilizar do benefício fiscal para produzir/comercializar os bens identificados nas Portarias. Sobre esse aspecto, sequer são feitas pela fiscalização referências ao art. 11 da Lei nº 8.248/91 ou mesmo aos arts. 7º ao 9º do Decreto nº 792/93, que tratam das obrigações que as empresas habilitadas devem cumprir para continuarem a fazer jus à isenção. Não se pode confundir a habilitação da empresa ao benefício fiscal com os bens que devem ser produzidos (identificados na portaria interministerial). 14. Por derradeiro, quanto à demanda de que a unidade lançadora demonstre como “os processadores com velocidades acima de 330 Mhz, saídos antes da publicação da Portaria nº 80/2000, e os de velocidade acima de 550 Mhz, durante a vigência desta Portaria, utilizados na montagem de computadores, deixam de atender a exigência legal de valor agregado local” (grifamos), é de se ver que o valor agregado local, propriamente dito, não guarda nenhuma correlação com as especificações técnicas do bem a ser produzido, inclusive frequências. Especificamente, o valor agregado local, para os efeitos do disposto no art. 4º da Lei nº 8.248/91, foi estabelecido pela Portaria Interministerial MCT/MDIC nº 101, de 07/04/93, que em seu art. 1º assim dispõe: “Art. 1º Estabelecer que, para os efeitos do disposto no art. 4º da Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991, os bens de informática e automação, produzidos no País, possuem valor agregado local se atenderem o seguinte processo produtivo: a) montagem e soldagem de todos os componentes nas placas de circuito impresso; b) montagem das partes elétricas e mecânicas, totalmente desagregadas, em nível básico de componentes; c) integração das placas de circuito impresso e das partes elétricas e mecânicas na formação do produto final, montadas de acordo com os itens "a" e "b" acima; d) gestão da qualidade e produtividade do processo e do produto final, envolvendo, inicialmente, a inspeção de matériasprimas, produtos Fl. 901DF CARF MF Processo nº 10508.000325/200213 Acórdão n.º 3402004.611 S3C4T2 Fl. 902 15 intermediários, materiais secundários e de embalagem, o controle estatístico do processo, os ensaios e medições e a qualidade do produto final, ressalvado o atendimento ao disposto no art. 2º desta Portaria. (...)” 15. O valor agregado local tem relação com operações definidas como industrialização, conforme disposto nas alíneas “a”, “b” e “c” do art. 1º, bem como com os controles explicitados na alínea “d” do mesmo artigo. Não encontra amparo a pretensão de se vincular a exigência legal do valor agregado local, prevista no art. 4º da Lei nº 8.248/91, às características do produto propriamente dito, inclusive ao seu aperfeiçoamento ou melhorias. Salientese que a fiscalização realizada por esta IRF não teve o objetivo de verificar o cumprimento: (1) da obrigatoriedade de aplicação do faturamento bruto obtido da venda de bens incentivados em pesquisa e desenvolvimento e em programas de capacitação; e (2) do processo produtivo (valor agregado local)". Há ainda que se ressaltar que, conforme consta dos autos, a empresa BIT SHOP foi Intimada a se manifestar sobre o resultado da Diligência (Informação Fiscal acima), e não apresentou suas contrarrazões nos autos. Por fim, aduz a Recorrente que "(...) Com efeito, pelo simples e isolado fato da Recorrente haver utilizado processadores com frequência superior àquelas referenciadas em seu projeto de Processo Produtivo apresentado junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia, para efeito do gozo do beneficio de isenção de IPI da forma da Lei 8.248/91, o Sr. Auditor considerou indevido o gozo do benefício o procedeu o lançamento do IPI relativo às notas fiscais de saída relacionadas n autuação". Destacase, preliminarmente, que o IPI não está sendo cobrado em razão de ter sido verificado o descumprimento das obrigações legais para a habilitação da empresa ao benefício fiscal, mesmo porque não houve nenhuma constatação nesse sentido, mas sim pela comercialização, com utilização indevida de isenção de IPI, de produtos em desacordo com os modelos aprovados nas Portarias Interministeriais nºs 231, de 1998 e 80, de 2000. Restou claro nos autos que a relação das mercadorias beneficiadas, identificando o produto e seu fabricante, tem sua definição dada pelo poder Executivo, através da Portaria Interministerial (conjunta) do MCT e MF, por proposta do Conselho Nacional de Informática e Automação CONIN. E é o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) o órgão responsável para verificar o cumprimento das formalidades exigidas e, após sua aprovação, se torna necessário a edição da Portaria Conjunta com o Ministério da Fazenda (MF), para permitir a fruição da isenção pleiteada, conforme disposto no art. 6º do Decreto nº 792, de 02/04/93. Observase que a Recorrente, para justificar o uso do benefício fiscal, por meio do expediente à fl. 76, datada de 28/02/2002, apresentou correspondência enviada ao MCT e ao MDIC, informando da atualização tecnológica (fl. 78); O MCT, atendendo a pedido da fiscalização da IRF/ILH, encaminhou cópia do processo administrativo referente à habilitação da empresa e definição do PPB, bem como informou que não consta dos seus Fl. 902DF CARF MF Processo nº 10508.000325/200213 Acórdão n.º 3402004.611 S3C4T2 Fl. 903 16 arquivos a citada correspondência da empresa (fl. 88). Vejase a resposta do Ofício do MCT: Sobre o documento acima referenciado, foi expedido o Termo de Intimação nº 024/2002 (fl. 89), para que a Recorrente se manifestasse, no entanto a mesma não se pronunciou. Conseqüentemente, como pode ser observado, a Portaria Conjunta não é uma simples convalidação do pedido elaborado pela Recorrente, sendo, deste modo, só a partir da sua publicação que à empresa é dada a concessão para os benefícios previstos em lei isentiva. Assim, conforme as informações coletadas e analisadas pelo Fisco no curso do procedimento e também quando da Diligência, as quais concordo e adotoas como fundamentos para decidir a presente questão, concluise que somente após a edição do Ato legal, consubstanciada com a publicação das Portarias Interministeriais (MCT e MF), é que a empresa faria jus à fruição do benefício fiscal e sendo alcançados pelo benefício fiscal apenas os bens que nelas se encontram discriminados. Concluindo, como no curso da auditoria a fiscalização constatou situações irregulares, o que foi referendado pela decisão recorrida, este Relator, concordando com os fundamentos expostos consubstanciado na Informação Fiscal de diligência, entendo que deve permanecer hígido o lançamento do Auto de Infração, referente a infração cometida pela Recorrente em dar saída a produtos tributados sem o lançamento de IPI (demonstradas nas planilhas fls. 40/49), pelos seguintes motivos: (i) uma vez que as UDPs BitWay (Unidades de Processamento Digital para Microcomputador), modelos relacionados nas notas fiscais de saída, não são passíveis de enquadramento na isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) prevista no art. 4º da Lei nº 8.248, de 23/10/91, pois foi utilizado microprocessadores identificados por "PIII", sendo que no Anexo III, da Portaria nº 291/98 (fls. 94 e ss), consta informado "PII"; como também a utilização de microprocessadores de frequência superior ao constante do Anexo III, que na Portaria é representado por XXX. No ANEXO III, consta que este XXX poderá, tanto para o "PII BÁSICO", quanto para o "PII PRO", ser de frequências entre 200 a 333 Mhz. Notese que a isenção utilizada pela Recorrente nos casos acima, com indicação da Portaria Interministerial nº 231/98 nas notas de saídas, somente foi aprovada através da nova Portaria Interministerial nº 080/2000, de 16/03/2000, publicada no DOU de 20/03/2000.”, e Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10508.000325/200213 Acórdão n.º 3402004.611 S3C4T2 Fl. 904 17 (ii) UDPs Bitway, modelos relacionados nas notas fiscais de saída, que se encontrava sem autorização legal (vigente) para tal ato naquele período, antes da publicação no DOU da Portaria nº 080/2000. A Recorrente informa que, para justificar o uso do benefício fiscal, por meio do expediente à fl. 76, datada de 28/02/2002, apresentou correspondência enviada ao MCT informando da atualização tecnológica (fl. 78); No entanto, o MCT, atendendo a pedido do Fisco, encaminhou cópia do processo referente à habilitação da empresa e definição do PPB. O MCT atendeu a solicitação e informou que não consta dos seus arquivos a citada correspondência da empresa (fl. 88). Apesar de intimada pela fiscalização sobre essa questão, a Recorrente não se manifestou. Assim, decidiuse que deve permanecer o lançamento do Auto de Ifração, referente a este item, face a infração cometida pela Recorrente em dar saída a produtos tributados sem o lançamento de IPI, sem autorização legal para tal ato. 4. Do IPI incidente sobre as saídas dos produtos notas fiscais nºs 3.360 e 3.426 Quanto à cobrança de IPI incidente sobre as saídas dos produtos constantes das notas fiscais nºs 3.360 e 3.426, com base no art. 14 da MP n.º 1.95231, de 14/12/2000, que revogou o art. 32 da MP n.º 2.03724, de 23/11/2000, que prorrogava a vigência da isenção do IPI, prevista no art. 4º da lei nº 8.248/91, a Recorrente contestou em sua impugnação o lançamento fiscal, alegando que a fiscalização não considerou o enunciado do § 1ºA, do art. 4º da lei nº 8.248/1991, com redação dada pela lei nº 10.176/2001, que estendeu o benefício até 31/12/2000. Tal matéria já se encontra decidida pela Decisão recorrida. Vejase: 5. Da exigência da Multa de Oficio Como asseverado pela decisão recorrida, a invocação do Código de Defesa do Consumidor, no sentido de aplicação da multa de mora de 2% é totalmente descabida, pois, além de não ter aplicação aos débitos tributários, não está sendo cobrada multa por simples mora, e sim, multa de ofício (75%) por falta de lançamento ou recolhimento de IPI, penalidade prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996 (na época dos fatos, art. 80, inciso I, da Lei 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da lei nº 9.430/96). Portanto, a multa revestese de caráter punitivo e não compensatório. Assim, seu percentual é fixado com base na gravidade da infração à legislação, e não a infração. Ademais, seria absurda a conclusão que a vedação ao confisco se aplicaria a multa de ofício, nos mesmos termos que se aplica aos tributos, pois essa é uma penalidade, tendo por objetivo a intimidação da prática de infrações fiscais. Fl. 904DF CARF MF Processo nº 10508.000325/200213 Acórdão n.º 3402004.611 S3C4T2 Fl. 905 18 6. Do caráter confiscatório e inconstitucionalidade de leis Ressaltese ainda que a autoridade administrativa não tem competência legal para decidir acerca de inconstitucionalidade de normas legais, matéria reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de inconstitucionalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo daquele Poder. Desta forma, tratase de matéria que, como se sabe, não pode ser apreciada no âmbito administrativo, consoante entendimento consolidado pela Súmula CARF nº 2, segundo o qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno (RICARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Conclusão Diante dos fundamentos expostos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado, mantendose a decisão recorrida em TODOS os seus termos e fundamentos. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 905DF CARF MF
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Numero do processo: 10945.000755/2010-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
RESSARCIMENTO. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO.
O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência não cumulativa.
CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente.
CRÉDITOS. ENCARGOS DE AMORTIZAÇÃO/DEPRECIAÇÃO. BENS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO.
Os créditos calculados em relação à depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado podem ser aproveitados tão-somente em relação às aquisições para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.
EXPORTAÇÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. ISENÇÃO.
Consideram-se vendidos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sendo que a possível exportação posterior dos produtos não supre o descumprimento dessas condições.
Recurso Provido Parcialmente
Numero da decisão: 3402-004.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em relação ao ressarcimento da atividade agroindustrial, em negar provimento por unanimidade. Os Conselheiros Diego Ribeiro, Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel votaram pelas conclusões, nos termos da declaração de voto do Conselheiro Carlos Daniel. Por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso para reverter as seguintes glosas:I) Equipamento de Proteção Individual, II) Pallets de transporte, III) Detergentes, desinfetantes, produtos de limpeza, higienização, produtos para tratamento de efluentes, IV) Bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos industriais, e V) Análise laboratorial, análise química, pesquisa de salmonella e material de laboratório. O Conselheiro Jorge Freire, relator, negou provimento ao recurso quanto à reversão das glosas. O Conselheiro Waldir Navarro negou provimento ao recurso em relação aos itens III, IV e V, antes descritos. Designado redator para o voto vencedor o Conselheiro Carlos Daniel.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 RESSARCIMENTO. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência não cumulativa. CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. CRÉDITOS. ENCARGOS DE AMORTIZAÇÃO/DEPRECIAÇÃO. BENS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. Os créditos calculados em relação à depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado podem ser aproveitados tão-somente em relação às aquisições para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. EXPORTAÇÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. Consideram-se vendidos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sendo que a possível exportação posterior dos produtos não supre o descumprimento dessas condições. Recurso Provido Parcialmente
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NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência não cumulativa. CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. CRÉDITOS. ENCARGOS DE AMORTIZAÇÃO/DEPRECIAÇÃO. BENS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. Os créditos calculados em relação à depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado podem ser aproveitados tão somente em relação às aquisições para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. EXPORTAÇÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. Consideramse vendidos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sendo que a possível exportação posterior dos produtos não supre o descumprimento dessas condições. Recurso Provido Parcialmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 07 55 /2 01 0- 88 Fl. 226DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em relação ao ressarcimento da atividade agroindustrial, em negar provimento por unanimidade. Os Conselheiros Diego Ribeiro, Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel votaram pelas conclusões, nos termos da declaração de voto do Conselheiro Carlos Daniel. Por maioria de votos, deuse provimento ao recurso para reverter as seguintes glosas:I) Equipamento de Proteção Individual, II) Pallets de transporte, III) Detergentes, desinfetantes, produtos de limpeza, higienização, produtos para tratamento de efluentes, IV) Bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos industriais, e V) Análise laboratorial, análise química, pesquisa de salmonella e material de laboratório. O Conselheiro Jorge Freire, relator, negou provimento ao recurso quanto à reversão das glosas. O Conselheiro Waldir Navarro negou provimento ao recurso em relação aos itens III, IV e V, antes descritos. Designado redator para o voto vencedor o Conselheiro Carlos Daniel. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Por bem descrever os atos e fatos processuais, adoto o relatório da r. decisão, vazado nos seguintes termos: Trata o processo de Pedidos de Ressarcimento de créditos do Programa de Integração Social – Mercado Externo, apurados no regime de incidência não cumulativa, correspondentes aos períodos do 1º trimestre de 2006 ao 4º trimestre de 2008, no montante der R$ 1.468.783,58, nos termos do § 1º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, cumulado com DCOMP que totalizam R$ 249.824,33. Consta informação da Seort DRF/Foz que o presente processo foi formalizado para efetuar os procedimentos de compensação e, para tanto, foi juntado a este processo por ‘apensação’ o processo nº 10945.006670/200716, composto de 61 volumes, constituídos pelas folhas nºs 1 a 12.203. A DRF em Foz do Iguaçu/PR, por meio do Despacho Decisório datado de 22/07/2010 (fl. 29), com fundamento na Informação Fiscal Seort DRF/Foz nº 238/2010 (fls. 04/28), reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 772.246,49, homologando as Declarações de Compensação apresentadas, até o limite do valor reconhecido. Os valores pleiteados por meio de Per/Dcomp em cada um dos períodos e os valores deferidos pela autoridade administrativa de origem estão assim demonstrados: fl. 99 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10945.000755/201088 Acórdão n.º 3402004.343 S3C4T2 Fl. 227 3 1º Trimestre/2006 a 4º Trimestre/2008. Valor pleiteado: R$ 1.468.783,58 Valor reconhecido: 772.246,49 Na análise realizada pela autoridade administrativa, a partir das informações fornecidas pela interessada, foram constatadas as seguintes irregularidades: 1. Receitas de Exportação a) Relativamente à receita de exportação direta, foram identificadas notas fiscais de venda com o código de operação fiscal – CFOP 7.501 (Exportação de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação), que é utilizado pela empresa quando, ao atuar como comercial exportadora, remete mercadorias para exportação, mas essa operação não possibilita a apuração de créditos. As referidas receitas foram excluídas da rubrica de exportação e foram consideradas no total de receitas para fins de cálculo dos índices mensais; b) também foram verificadas notas fiscais cuja exportação não foi averbada, não havendo comprovação da efetiva exportação, e uma NF em que a mercadoria foi devolvida, portanto, a operação de exportação não ocorreu; c) em relação à exportação indireta (efetuadas às empresas comerciais exportadoras), foram glosadas as notas fiscais cujo local de destino das mercadorias vendidas não é um recinto alfandegado e também NF em que o destinatário da venda é diferente do exportador que consta nos registros de exportação. 2. Receitas com Suspensão Vendas de produtos agropecuários para agroindústria com suspensão somente veio ocorrer a partir de 4 de abril de 2006, com a publicação da IN SRF nº 636/06, tendo sido reclassificadas as receitas declaradas como suspensas anteriores a essa data. As receitas não consideradas como suspensas foram excluídas da base de cálculo das contribuições em função do ato cooperativo. 3. Ajustes e exclusões relativos ao ato cooperativo Inclusão indevida de produtos alíquota 0% no custo da venda de aves no mercado interno, por já ter sido utilizado como parâmetro para cálculo da exclusão da base de cálculo referente ao ato cooperativo. 4. Créditos glosados a) Aquisições de bens para revenda de pessoa física, por não estarem sujeitas ao pagamento da contribuição; b) aquisições de produtos tributados à alíquota 0%, que não geram direito a crédito; c) revenda de produtos sujeitos à tributação monofásica, já que não há pagamento relativo a fato gerador presumido, a ocorrer em etapa posterior da cadeia; d) bens que não se enquadram no conceito de insumos: equipamentos de proteção individual; detergentes, desinfetantes, produtos de limpeza, higienização, produtos químicos, produtos de laboratório, produtos para tratamento de efluentes, combustíveis, lubrificantes e peças para manutenção de veículos da frota; e pallets de madeira; Fl. 228DF CARF MF 4 e) adubos, fertilizantes e defensivos agrícolas cuja aquisição não se sujeita à incidência das contribuições; operações de transferência de bens entre estabelecimentos da própria empresa; e ocorrência de duas NF duplicadas; f) serviços não utilizados como insumos: serviços de análise laboratorial, de pesquisa, de manutenção em veículos ou empilhadeiras, dentre outros; g) valores pagos a título de encargos, taxas e multas, que não se caracterizam como energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa; e h) encargos de depreciação de bens escriturados no ativo imobilizado, mas que não são utilizados diretamente na produção de mercadorias destinadas à venda; e itens que não podem ser depreciados: despesas de energia elétrica, de desembaraço de importação marítima e serviço de engenharia de software. Foi apurado, ainda, na análise dos Dacon e dos memoriais apresentados, que a contribuinte somente registrou a devolução de bens vinculados a receitas tributadas no mercado interno, apesar de não ter influência na análise do pedido de ressarcimento, uma vez que esses créditos não podem e nem foram utilizados para compor o pleito em análise. Por fim, foram integralmente excluídos os valores do crédito presumido vinculado às atividades agroindustriais utilizados pela contribuinte para compor seu pedido, em função da ausência de permissivo legal para utilização desses créditos para fins de ressarcimento. Cientificada em 27/07/2010, a interessada, por intermédio de seu procurador legalmente habilitado, ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 42/54, em 26/08/2010, tecendo, em síntese, as argumentações a seguir expostas. Comenta sobre o sistema da nãocumulatividade do PIS e da Cofins, em que permite às pessoas jurídicas o direito ao crédito (ordinários e presumidos) sobre os insumos adquiridos e empregados na produção de bens destinados à venda, mas, em razão da imunidade tributária (que exonera a incidência dessas contribuições sobre as receitas decorrentes das operações de venda de mercadorias para o exterior), as pessoas jurídicas com características exportadoras, por não terem débito tributário na venda de seus produtos, acumulariam todos os créditos originários dos insumos empregados na produção. Em razão disso, diz que a Lei nº 10.637, de 2002, garantiu que os créditos ordinários e presumidos pudessem ser compensados e/ou ressarcidos em dinheiro, a cada trimestre civil. Contudo, a Lei nº 10.925, de 2004, revogou o referido dispositivo, passando a disciplinar o crédito presumido em seu art. 8º. Ato contínuo, a SRF editou o ADI nº 15/2005, interpretando que o direito ao ressarcimento referese exclusivamente ao art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e o crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, somente poderia ser utilizado para compensação com a própria contribuição. Nesse contexto, alega que os dispositivos veiculados pelo Ato Declaratório Interpretativo criam limitações à margem das regras constitucionais e legais sobre o tema, em flagrante violação a diversos princípios tributários, conferindo interpretação tendenciosa e gramatical a dispositivos que devem receber análise sistêmica e interpretação autêntica. Diz que a modificação trazida pela Lei nº 10.925 não teve como objetivo criar qualquer óbice na sistemática de aproveitamento do crédito presumido, sendo seu único propósito o de reduzir o valor das alíquotas a serem aplicadas nas aquisições para efeito de Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10945.000755/201088 Acórdão n.º 3402004.343 S3C4T2 Fl. 228 5 crédito presumido, como consta na exposição de motivos da referida Lei e da súmula legislativa. Ressalta que o § 1º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, encontrase em pleno vigor, possibilitando aos contribuintes a compensação/ressarcimento de seus créditos, sejam eles ordinários ou presumidos. Assim é que os créditos que foram glosados pela DRF em Foz do Iguaçu são exatamente aqueles indicados expressamente no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, já que tal dispositivo engloba, a seu ver, tanto os créditos diretos (destacados na nota fiscal de venda do insumo) como os indiretos (presumidos nos termos da lei), sem distinção. Arremata, nessa linha de raciocínio, que somente a forma de apuração do crédito presumido é que passou a ser disciplinada pelo art. 8º da Lei nº 10.925, contudo a possibilidade de tomada de créditos sobre bens e serviços manteve sua matriz legislativa no art. 3º, II, da Lei nº 10.637. Por isso, argumenta, que o direito a compensação/ressarcimento de créditos (ordinários e presumidos) acumulados em face da imunidade e da não cumulatividade continua em pleno vigor. Diz que o Supremo Tribunal Federal já se posicionou por diversas vezes quanto à inconstitucionalidade de vedação ao direito de tomada de créditos em face dos limites objetivos que informam a nãocumulatividade, transcrevendo ementa sobre o princípio da nãocumulatividade do ICMS. Contesta a glosa de créditos de itens de manutenção desgastados no processo produtivo, por estar em total contrariedade aos dispositivos insertos no art. 3º da Lei nº 10.637 c/c os arts. 66 e 67 da IN SRF nº 247, de 2002, e art. 1º da IN SRF nº 358, de 2003, já que se referem a gastos com peças, parte de máquinas e elementos de manutenção empregados e consumidos no processo produtivo do produto final. Ressalta que colacionou cópias de notas fiscais com a descrição dos produtos e que não pode a autoridade administrativa descaracterizar os materiais utilizados sem justificar o porquê do não acatamento. Citas Soluções de Consulta acerca do direito de crédito de manutenção de máquinas e equipamentos. Esse mesmo entendimento deve ser considerado em relação à glosa de créditos decorrentes de aquisições de produtos de limpeza, higienização, reagentes químicos etc., onde as Leis nºs 10.637 e 10.833 não fazem qualquer restrição à utilização dos créditos decorrentes desses insumos, ao contrário, os textos legais tratam de forma abrangente o conceito de insumo. Quanto à inclusão na base de cálculo das receitas de venda com fim específico de exportação, assevera que a constituição federal confere imunidade com relação ao PIS e à Cofins sobre receitas decorrentes de exportação e que, atendendo as suas finalidades, promoveu venda indireta a comerciais exportadoras e trading company, com fim específico de exportação, mas a Fazenda federal alega que, por falta de encaminhamento dos produtos a armazéns alfandegados (descumprimento de formalidades legais), não faz jus à imunidade tributária. No entanto, aduz que todos os volumes de grãos e óleo de soja remetidos com fim específico de exportação não tiveram outro destino senão o mercado externo e que foram depositados pela compradora exportadora em locais denominados “Zona Primária” para formação de lotes para posterior destino à exportação. Além do que não foi levantado qualquer indício de que esses produtos tenham sido destinados ao mercado interno. Diz que nem mesmo irregularidades formais podem ser imputadas às operações realizadas, pois emitiu notas fiscais com CFOP de venda com fim específico de exportação, recebeu das comerciais Fl. 230DF CARF MF 6 exportadoras os ‘MemorandoExportação’ que vinculam as notas fiscais de venda indireta e seus respectivos volumes às notas fiscais de exportação e respectivos volumes exportados. Relativamente aos serviços utilizados como insumos, sejam eles de mecânica, manutenção geral, análises laboratoriais etc., diz serem necessários e intrínsecos ao processo produtivo que geram direito ao crédito. Enfatiza que os exames laboratoriais e pesquisas representam rotinas exigidas pela legislação sanitária; a manutenção de veículos decorrre do frete próprio (de compra das matériasprimas, insumos da frota – pneus, óleo diesel, peças), representando custo incluso no preço de venda do produto final; e o custo no transporte próprio de produtos acabados na operação de venda que, se suportados pelo vendedor, também geram direito a crédito. Por fim, em relação aos créditos sobre bens do ativo imobilizado, argumenta que os serviços de montagem, construções, instalações industriais, pintura, equipamentos de refeitório e banheiros, peças e manutenção de veículos de frota, serviços de engenharia e software resumem meios sem os quais não há produção, estando, portanto, diretamente ligados à produção dos bens destinados à venda. A DRJ/CTA, em 02/09/2011, por meio do Acórdão 0633.463 (fls. 97/116), julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Não resignada com a decisão a quo, a empresa interpôs o presente recurso voluntário (fls. 123/150), no qual, em linhas gerais, repisa as alegações expendidas em sede de impugnação. Basicamente insurgese contra o entendimento de que a Lei 10.925/2004 (crédito presumido da atividade agroindustrial), bem como o definido no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15, de 22/12/2005, que não permitem o ressarcimento ou compensação de saldo credor, mas tãosomente sua utilização para abater débitos próprios de PIS/COFINS. Na sequência, discorre acerca do direito de crédito em relação aos insumos e fretes, concluindo que todas as despesas relacionadas inerentes às suas atividades se caracterizam como insumos, exemplificando com gastos "como detergentes, desinfetantes, produtos de limpeza e higienização, peças e serviços de manutenção e laboratórios", etc. Entende, igualmente, que pode tomar crédito em relação ao custo gerado pelo frete relativo ao transporte entre seus estabelecimentos. Crê, ainda, possível o creditamento de aquisição de combustíveis e lubrificantes que não geram direito a crédito por estarem sujeitos à tributação monofásica pela alíquota zero, bem como o creditamento dos bens do ativo imobilizado depreciados. Alega em relação a estes que apresentou documentação que demonstra a manutenção de tais bens do ativo imobilizado que demonstram a utilização de tais produtos na conservação de máquinas e equipamentos de indústria. E, por fim, insurgese contra a glosa das receitas de vendas com fim específico de exportação. Alega que "há provas nos autos de que todos os volumes de óleo de soja foram depositados pela compradora em locais denominação 'zona primária', sendo que as mercadorias ali são depositadas com o objetivo de formação de lotes, tendo como destino o exterior, não mais podendo retornar ao mercado interno". Vieramme os autos por sorteio de 01/12/2016. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10945.000755/201088 Acórdão n.º 3402004.343 S3C4T2 Fl. 229 7 I DO CONCEITO DE INSUMOS NA LEGISLAÇÃO DE PIS/COFINS NÃOCUMULATIVA As contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas foram instituídas por diplomas legais ordinários, quais sejam, a Lei n.º 10.637/2002 (conversão da MP 66/2002 que instituiu o PIS não cumulativo vigência a partir de 01/12/2002) e a Lei n.º 10.833/2003 (conversão da MP 135/2003 que instituiu a COFINS não cumulativa vigência a partir de 01/02/2004). Como contribuições incidentes sobre a receita, na forma do art. 1º destes diplomas legais, a sistemática não cumulativa foi prevista para determinadas pessoas jurídicas sendo mantida, para as demais, a sistemática cumulativa do PIS e da COFINS incidentes sobre o faturamento, alem de algumas incidências "monofásicas" aplicadas a setores econômicos específicos, normalmente por substituição tributária pra frente. Quando fui designado Conselheiro, em fevereiro de 2014, este Colegiado, de forma majoritária, já vinha adotando a interpretação do conceito de insumo considerando a sua essencialidade/necessidade para o processo produtivo da empresa ou para a prestação de serviço, em uma aproximação que "não é tão ampla como da legislação do imposto de renda, nem tão restritiva como a do IPI", conforme frase que virou brocado. As ementas abaixo transcritas dão o tom dessa interpretação: Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan: INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final." Acórdão nº 3402003.169, julgado em 20/07/2016, Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Com a devida vênia, não sei de onde vem a gênese desse "consagrado" entendimento, pois a meu sentir ele vai de encontro à legislação, a qual não dá azo a tal interpretação absolutamente extensiva, e, portanto, contra legem. Não é esse meu entendimento, conforme os votos que venho proferindo nesta E. Turma. Passo a fixar algumas premissas hermenêuticas para motivar minha convicção. Vejamos os termos postos pela legislação de regência acerca da possibilidade de creditamento. Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Fl. 232DF CARF MF 8 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês;” Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) §1o Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês;” Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004: “Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (...) Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10945.000755/201088 Acórdão n.º 3402004.343 S3C4T2 Fl. 230 9 II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes;” Relativamente à Contribuição para o PIS/Pasep, a Instrução Normativa SRF no 247, de 21 de novembro de 2002, em seu artigo 66, § 5º, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358, de 9 de setembro de 2003, esclarece o conceito de insumo para fins de apuração de créditos: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) b.2) na prestação de serviços; (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 234DF CARF MF 10 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Quanto à Cofins, o referido conceito foi elucidado pela Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, em seu artigo 8º: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II – utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) § 7º O aproveitamento de crédito na forma dos §§ 2º e 5º deve ser efetuado sem atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...) § 9º Aplicase ao PIS/Pasep não cumulativo de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, o disposto: I na alínea "b" do inciso I do caput, e nos §§ 4º, 5º e 6º, a partir de 1º de janeiro de 2003; e Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10945.000755/201088 Acórdão n.º 3402004.343 S3C4T2 Fl. 231 11 II na alínea "e" do inciso II e no inciso III do caput, a partir de 1º de fevereiro de 2004.” Extraise desse conjunto legal, e nesse sentido as normativas em nada alteraram o que foi definido em lei, que apenas se consideram insumo, para fins de apuração de crédito da não cumulatividade da Contribuição para PIS/Cofins, os bens e serviços diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços a terceiros. A legislação exige relação direta e imediata entre o bem ou serviço considerado insumo e o bem ou serviço vendido ou prestado pela pessoa jurídica ao público externo, o que se demonstra, na maioria das vezes, pela existência de contato físico entre o beminsumo ou serviçoinsumo e o bem produzido para venda ou o bem ou pessoa beneficiado pelo serviço. Como não extrair do léxico legal "utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços" o pressuposto da imediatidade e da relação direta do bem que dá azo ao crédito (insumo) com o produto que vier a ser produzido e destinado à venda, ou com o objeto da prestação de serviço. Assim, somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros. Em consequência, a definição legal que gera o direito ao creditamento (insumo) é a seguinte. QUANTO AO BENS que sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); que sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou que sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); QUANTO AOS SERVIÇOS serviços que vertam sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço ou pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. Portanto, não podem ser considerados como insumo, para fins de creditamento no regime da não cumulatividade das contribuições, bens e serviços que mantenham relação indireta ou mediata com a produção de bem destinado à venda ou com a Fl. 236DF CARF MF 12 prestação de serviço ao público externo, tais como bens e serviços utilizados na produção da matériaprima a ser consumida na industrialização de bem destinado à venda (insumo do insumo), utilizados em atividades intermediárias da pessoa jurídica, como administração, limpeza, vigilância, etc. Frisese que o legislador estabeleceu um rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004). Esse fato é evidente, e denota a gritante diferença entre o rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação das contribuições e a definição genérica de despesas dedutíveis estabelecida pela legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ) (art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964). Com base nessa inconteste diferença de técnicas legislativas adotadas nas legislação desses tributos, resta clara a correspondente diferença de objetivos/pretensões do legislador. Enquanto na legislação do IRPJ se pretendeu permitir a dedutibilidade de todas as despesas necessárias à atividade da empresa, na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins se pretendeu permitir o creditamento apenas em relação a específicos e determinados dispêndios da pessoa jurídica vinculados diretamente ao bem produzido ou ao serviço prestado. Sem embargo, resta claro que as hipóteses de creditamento das contribuições devem ser entendidas como taxativas e não devem e nem podem ser interpretadas de forma a permitir creditamento amplo e irrestrito, pois essa interpretação tornaria absolutamente sem efeito o rol de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação. Sem olvidarmos que o creditamento diminui a base imponível do tributo, só pelo que já deveria ter sua interpretação conforme à lei, e não subvertendoa com conceitos imprecisos e casuísticos, que leva à possibilidade de creditamento absurdos, e, por tal, gerando intermináveis litígios, como se vivencia neste CARF. Demais disso, a permissão ampla e irrestrita de creditamento em relação a todos os gastos necessários às atividades da pessoa jurídica, como se insumos fossem, acabaria por subverter a base de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida constitucionalmente, desvirtuandoa da receita (Constituição Federal, art. 195, caput, inciso I, alínea “b”) para o lucro, o que se mostra absolutamente incompatível com a base de incidência prevista em nossa Carta. Se o termo insumo tivesse sido utilizado em acepção ampliativa, para abarcar todos os gastos necessários ao funcionamento da pessoa jurídica, todas as hipóteses de creditamento estabelecidas no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, constituiriam redundância, letra morta, já que poderiam ser aglomeradas no conceito ampliativo de insumo. Devese reconhecer que o termo insumo consignado no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de 2003, foi utilizado em sua acepção restritiva, para alcançar apenas bens e serviços direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10945.000755/201088 Acórdão n.º 3402004.343 S3C4T2 Fl. 232 13 Bem nos ensina Carlos Maximiliano1 sobre a devida exegese de leis tributárias: Pressupõese ter havido o maior cuidado ao redigir as disposições em que se estabelecem impostos ou taxas, designadas, em linguagem clara e precisa, as pessoas e coisas alvejadas pelo tributo, bem determinados o modo, lugar e tempo do lançamento...assim como quaisquer outras circunstâncias referentes à incidência e à cobrança. Tratamse as normas de tal espécie como se foram rigorosamente taxativas; deve por isso, absterse o aplicador de lhes restringir ou dilatar o sentido. ...Não suportam o recurso à analogia, nem à interpretação extensiva; as suas disposições aplicamse no sentido rigoroso, estrito. Se a norma tributária deve ser interpretada restritivamente para a incidência tributária, igualmente ela há de sêlo para valores que reduzem o crédito tributário, como os crédito que estamos a falar. Outra questão que me chama a atenção é a recorrente e, a meu sentir, equivocada afirmação de que a adoção da interpretação restritiva acerca do conceito de insumo na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins corresponderia à utilização da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Como dito, a adoção do conceito restritivo de insumo na legislação das aludidas contribuições decorre das regras constantes dessa legislação e não da adaptação da legislação de qualquer outro tributo. Essa afirmação refoge ao núcleo das leis que emolduram o que dá direito ao crédito para fins de cálculo das contribuições objurgadas. Em verdade, quanto mais misturamse conceitos mais imprecisa se torna sua definição. Nesse sentido, o voto vencido do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no Recurso Especial 9303003.477, em julgamento de 25/02/2016, ao discorrer sobre o conceito de insumo para fins de creditamento de PIS/COFINS: Nessa linha, não vejo como, em nome da alegada diretriz constitucional, empreender interpretação que alargue o conceito de insumo para além do inciso II do art. 3º, tanto da Lei nº 10.637, de2002 quanto da Lei nº 10.833, de 2003 ... Como é possível perceber, apesar da grande discussão acerca do tema, é extreme de dúvidas que só serão admitidos como insumo, para efeito da lei, os bens que possuam ligação intrínseca com o processo produtivo, que, evidentemente, não se confunde com a atividade empresarial. Consabido que a matéria no STJ não resta ainda pacificada, o que deverá se dar com o julgamento no Recurso Repetitivo 1.221.170/PR, ainda inconcluso, embora com alguns votos lidos e com pedido de vista. Até então, os julgados que pipocavam na 1ª e 2ª Turma eram em um e outro sentido, embora a tese da interpretação extensiva viesse perdendo espaço. Mas trago à colação um julgado do TRF4 (AC, 500571934.2012.404.7201, Primeira 1 MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito, Ed. Forense, 1992, p. 333. Fl. 238DF CARF MF 14 Turma, Relator para o Acordão JOel Ilan Paciornik, hoje Ministro do STJ DE 13/06/2013) que vai ao encontro do que aqui esposamos. Vejase: TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003, ART. 3º, INCISO II. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DE INSUMOS. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF Nº 247/2002, 358/2003 E 404/2004. LEGALIDADE. 1. O regime constitucional da não cumulatividade de PIS e COFINS, à míngua de regramento infraconstitucional, serve, no máximo, como objetivo a ser atingido pela legislação então existente. Não é apropriado como parâmetro interpretativo, visto que a EC nº 42/2003 descurou de estabelecer qualquer perfil ao regime não cumulativo dessas contribuições. Por conseguinte, a expressão "não cumulativas" constitui uma diretriz destituída de conteúdo normativo, ou seja, não é um princípio nem uma regra. 2. Em conformidade com as Instruções Normativas SRF nº 247/2002, 358/2003 e 404/2004, a Fazenda Nacional defende que apenas os serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto são insumos, para fins de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS (art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003). 3. São razoáveis os critérios adotados pela Receita Federal nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e 404/2004, não somente por levar em conta os parâmetros concretos da legislação do IPI, que oferece a definição exata de insumo, mas também por manter a coerência com os demais incisos do art. 3º. A leitura sistemática do dispositivo legal permite inferir que o legislador pretendeu considerar, para efeito de creditamento, apenas os elementos aplicados diretamente na fabricação do bem ou na prestação do serviço, ou seja, somente os elementos específicos e vinculados à atividade fim do contribuinte, e não a todos os aspectos de sua atividade. Se a intenção fosse permitir o creditamento de qualquer despesa ou custo de produção, não haveria a preocupação em detalhar as situações que possibilitam os descontos ou aproveitamentos dos créditos nos vários incisos do art. 3º, pois bastaria prever genericamente o abatimento dos custos ou despesas operacionais. (negritei) II CASO CONCRETO 1 CRÉDITO PRESUMIDO ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL CRÉDITO NÃO PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO A compensação com outros tributos e contribuições e o ressarcimento dos créditos (saldo credor no trimestre), que não puderem ser descontados da própria contribuição apurada somente é permitida em casos específicos. Essas situações estavam inicialmente expressas no art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, em relação ao PIS/Pasep, e mantidas pelo art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, quanto à Cofins: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10945.000755/201088 Acórdão n.º 3402004.343 S3C4T2 Fl. 233 15 II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. Portanto, num primeiro momento, apenas os créditos apurados de acordo com o art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação e prestação de serviços para residentes no exterior, que não pudessem ser utilizados na dedução da contribuição a recolher, decorrentes das demais operações no mercado interno, é que seriam passíveis de ressarcimento em dinheiro. Posteriormente, a Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004 (conversão da MP nº 206, de 6/8/2004, publicada em 9/8/2004), dispôs em seu art. 17 que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de PIS e Cofins não impediriam a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tratouse, em princípio, da manutenção de créditos aos vendedores nas operações ali estabelecidas. Mas, a maneira de utilização desses créditos foi determinada somente pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, retroagindo o direito à compensação ou ao ressarcimento, que assim previu: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Fl. 240DF CARF MF 16 Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Em outras palavras, além dos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à vendas à empresa comercial exportadora, à prestação de serviços e exportação de mercadorias para o exterior, trazidos inicialmente pelas Leis nºs 10.637 e 10.833, também seria possível a manutenção e recuperação de créditos com as operações de vendas com isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins. Entretanto, a possibilidade de recuperação desses créditos, por meio de pedido de ressarcimento, somente poderia ser efetuado em relação aos créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637 e 10.833, como taxativamente dispôs tanto o art. 5º, § 1º, da Lei nº 10.833, de 2003, quanto o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Diferentemente, portanto, do caso dos autos, em que a interessada pretende o ressarcimento e/ou a compensação de crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins, argumentando que a modificação trazida pela Lei nº 10.925 não teve como objetivo criar qualquer óbice na sistemática de aproveitamento desse crédito presumido. A Lei nº 10.925/2004 trouxe alteração legislativa ao crédito presumido, permitindoo a partir de agosto de 2004, somente à agroindústria (caput do art. 8º), para as aquisições de insumo (bens) de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, e no seu §1º, para as aquisições de cerealistas (inciso I) e outras pessoas jurídicas específicas (incisos II e III): Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10945.000755/201088 Acórdão n.º 3402004.343 S3C4T2 Fl. 234 17 § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; [redação original] I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica e cooperativa que exerçam atividades agropecuárias. III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) A partir de então, não mais há a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido pelo cerealista, como antes havia no § 11 da Lei 10.833/2003, ou pelas pessoas jurídicas descritas nos incisos II e III do §1º do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, bem como o crédito em relação às receitas de vendas com suspensão efetuadas a essas pessoas, em face da vedação expressa no § 4º do referido art. 8°: § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. No que concerne à forma de utilização do crédito presumido da agroindústria, previstos nos art. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004, por opção do legislador ordinário, o seu aproveitamento pode ser apenas para o abatimento da contribuição devida por operações no mercado interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação. Nessa esteira, a Receita Federal do Brasil dispôs em normas complementares, mediante a Instrução Normativa SRF nº 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 sobre a compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de Fl. 242DF CARF MF 18 01/08/2004, nos termos do art. 8° da Lei n° 10.925/2004, ou seja, decorrentes de atividades agroindustriais, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas: IN SRF n° 660/2006 Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Do cálculo do crédito presumido Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7 º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. (...) § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Em remate, com base na legislação transcrita, vêse que o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, dispõe que o crédito presumido ali tratado “poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração”. No dispositivo ou na referida lei não há qualquer previsão de utilização de tal crédito, que não a mera dedução da contribuição devida. Pelo exposto, correto o entendimento do Fisco que esse crédito não pode ser objeto de ressarcimento/compensação. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10945.000755/201088 Acórdão n.º 3402004.343 S3C4T2 Fl. 235 19 2 GLOSA DE CRÉDITOS DE INSUMOS Pois bem, diante das premissas suso expendidas no item I, retorno ao caso concreto. Após a verificação dos gastos efetuados pela contribuinte, a autoridade fiscal discrimina os produtos que foram objeto de glosa, como equipamentos de proteção individual, detergentes, desinfetantes, produtos de limpeza e higienização, produtos químicos, produtos de laboratório, produtos para tratamento de efluentes, combustíveis e lubrificantes e peças para manutenção de veículos da frota e alguns produtos constantes das ‘demais aplicações’, como por exemplo: pallets de madeira. As glosas se deram, de acordo com a narrativa da autoridade fiscal, justamente por não se enquadrarem esses gastos no conceito de insumos aplicados ou consumidos na produção ou por claramente não terem eles sofrido alterações no processo produtivo, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida no processo de fabricação ou na produção de bens destinados à venda. Retomando o que disse anteriormente no item I, os bens que não se integram ou não sejam consumidos no processo de fabricação do produto final, por desgaste, dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas estão excluídos do direito ao crédito; assim como estão excluídos aqueles gastos que devam integrar o ativo imobilizado da empresa, por representarem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem no qual ocorrer a sua aplicação, como definido pelo art. 346 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/ 99, passando a gerar os créditos com base na depreciação prevista no inciso III, do art. 8o da mesma IN SRF nº 404, de 2004. No caso dos autos, observase, pela planilha utilizada para a glosa de crédito de insumo (fls. 10.923 a 11.084), que se tratam de gastos com aquisição de pallets material utilizado para o transporte de produtos e a eles não se incorporando; material de limpeza – que não são diretamente consumidos na fabricação do produto; equipamentos de proteção individual – como protetor facial, luvas, respiradores etc., utilizados pelos funcionários e não diretamente aplicados nos produtos fabricados; manutenção de máquinas e equipamento industrial – p.ex. pinhão, retentor, correias, parafuso, porca, reator, relê, mancal, mangueira, sensor, lubrificantes etc., destinandose tãosomente a manter os bens em condições eficientes de operação; manutenção da frota, como pneus, lonas de freios etc., também aplicados em conservação de veículos; e combustível da frota, ainda que utilizados por veículos transportadores para a movimentação de matérias–primas, de insumos, de produtos intermediários e de produtos acabados entre os diversos setores da empresa, não se enquadram no conceito de insumo, assim como não se enquadram no conceito de insumos o valor do frete (que em verdade é que custo de transporte) entre estabelecimentos da recorrente. Notese que os valores de frete na operação de venda, quando o ônus foi suportado pelo vendedor, não houve glosa (item 47 do TVF). Também os gastos vinculados a veículos, maquinários e equipamentos utilizados no manuseio de matériasprimas, insumos e produtos acabados, ainda que dentro da unidade fabril da empresa, também não podem ser considerados, já que se referem a etapas anteriores e/ou posteriores à fabricação dos bens e não durante o processo de fabricação; esses gastos caracterizamse, por isso, como despesa operacional e não insumo na fabricação dos produtos, para efeito do PIS e da Cofins. O mesmo entendimento dado aos bens deve ser estendido aos serviços pagos, ou seja, para que os serviços possam ser considerados insumos devem ser aplicados ou Fl. 244DF CARF MF 20 consumidos na produção ou fabricação do produto destinado à venda. Situação que não se verifica na relação juntada às fls. 11.125 a 11.129, cujos créditos dos dispêndios foram objeto de glosa, por se tratarem de serviços necessários à atividade da empresa, mas não aplicados diretamente na fabricação do produto, tais como: serviço de análise laboratorial, de análise química, pesquisa de salmonela, consertos e reparos de equipamentos, serviços de manutenção e instalação de máquinas e equipamentos, serviços de torno, de recapagem de pneus, de reparo de motor, de revisão de veículos, etc. 3 ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO Com o advento da Lei nº 10.833/2003, os contribuintes passaram a ter o direito, nos termos do inciso VI do art. 3º, ao crédito de encargos de depreciação sobre: “VI – máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços”. Contudo, a fiscalização constatou que alguns itens incorporados ao ativo imobilizado da empresa não são efetivamente utilizados na produção de bens e, por isso, não poderiam ser considerados na apuração dos créditos. Em consequência, foram glosados encargos de depreciação dos bens relacionados às fls. 11.921 a 12.017, destacando, dentre outros, mãodeobra e serviços na montagem, execução de construções, reformas, instalação e pintura, equipamentos utilizados em refeitório e banheiros, telefones e peças de manutenção de veículo de frota. Também houve a glosa de itens que não podem ser depreciados, tais como despesas de energia elétrica, de desembaraço de importação marítima e serviço de engenharia de software. A IN SRF 457, de 18/10/2004, disciplinou a utilização de créditos calculados em relação aos encargos de depreciação, nos seguintes termos: Art. 1º As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de 1º de maio de 2004, observado, no que couber, o disposto no art. 69 da Lei nº 3.470, de 1958, e no art. 57 da Lei nº 4.506, de 1964, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de: I máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços; e II edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. § 1º Os encargos de depreciação de que trata o caput e seus incisos devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal (SRF) em função do prazo de vida útil do bem, nos termos das Instruções Normativas SRF nº162, de 31 de dezembro de 1998, e nº130, de 10 de novembro de 1999. No caso, a glosa ocorreu, segundo o relato fiscal, por terem sido identificados na linha correspondente a “Bens do Ativo Imobilizado” itens que não deveriam ter sido ali Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10945.000755/201088 Acórdão n.º 3402004.343 S3C4T2 Fl. 236 21 informados, justamente por não corresponderem a bens do ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens. Assim, aquelas aquisições reclamadas pela interessada, quando muito, poderiam ter sido enquadradas na rubrica “Edificações e Benfeitorias”, dependendo, entretanto, da comprovação quanto à taxa de depreciação utilizada e da demonstração da efetiva disponibilização do bem para o uso, requisito básico para o início da apropriação da depreciação. Fatos que não restaram comprovados nos autos. Ao contrário, as glosas dos créditos de encargos de depreciação sobre valores que estavam indevidamente informados na linha do Dacon correspondente a “Bens do Ativo Imobilizado” foram corretas, já que não se tratavam, como visto, de depreciação de bens do ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Nesse contexto, devese lembrar que o preenchimento do Demonstrativo é de inteira responsabilidade da contribuinte, cabendo à autoridade fiscal tãosomente a aferição do correto aproveitamento dos créditos com base nas informações assim prestadas. Em seu recurso genérico, nada acrescentou a empresa sobre o ponto. 4 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO Nesse ponto, uma vez mais, a recorrente não trouxe provas a infirmar o entendimento fiscal, restrigindose a alegações genéricas, aliás, como em toda sua peça recursal. A parte glosada neste ponto o foi em função da não comprovação de que os produtos vendidos com o fim específico de exportação tivessem sido remetidos pela recorrente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, como determina a legislação ao definir o que vem a ser "venda com o fim específico de exportação". Nesse ponto, transcrevo o que dispõe o Decreto 4.524/2002, em seu artigo 45: Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º , e Lei nº 10.560, de 2002, art. 3º, e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º): (...) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Decreto este que reproduz os termos da legislação abaixo transcrita: MP 2.15835, de 2001, art. 14, IX e § 1º: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: Fl. 246DF CARF MF 22 (...) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; (...) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. (...). Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º: Art. 39. (...) (...) § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Sobre o que se considera “fim específico de exportação”, tanto para empresas exportadoras registradas no Secex como para as empresas comerciais exportadoras (“tradings”) verificase que o entendimento da administração tributária encontrase expresso em vários atos, dos quais tomase como exemplo o constante da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT n° 224, de 28 de julho de 2004, em cujo item 8 dos seus fundamentos legais consta o seguinte posicionamento: “[...] Dessa forma, quer sejam os produtos vendidos a empresa comercial exportadora, quer a empresa exportadora registrada na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o produtor vendedor deve remetêlos diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa adquirente, para que a operação enquadrese na definição de fim específico de exportação , conforme o § 1º do artigo 46 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, fazendo jus, assim, à isenção da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep.” Ainda sobre o alcance da expressão “fim específico de exportação” e sobre a comprovação de que as vendas tiveram essa finalidade, trancrevese a ementa da Solução de Consulta Interna (SCI) n° 4 – SRRF/10ª RF/Disit, de 27 de junho de 2007, que, resume a posição daquela autoridade sobre o tema: "A referência, na legislação tributária e aduaneira, a 'empresa exportadora', ou 'empresa comercial exportadora', sem qualificação ou restrição específica, abrange qualquer empresa exportadora registrada na Secex; somente quando o legislador restringe uma norma explicitamente às empresas comerciais exportadoras constituídas nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 1972, ficam excluídas as demais empresas exportadoras." O conceito de "fim específico de exportação" constante do parágrafo único do art. 1º do DecretoLei nº 1.248, de 1972, Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10945.000755/201088 Acórdão n.º 3402004.343 S3C4T2 Fl. 237 23 aplicase unicamente às empresas comerciais exportadoras constituídas nos termos desse DecretoLei; para as empresas exportadoras simplesmente registradas na Secex, o conceito de "fim específico de exportação" aplicável é o plasmado no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532, de 1997. [...]A alusão feita por quaisquer atos infralegais a "fim específico de exportação" – a exemplo da Portaria MF nº 93, de 2004, e da Instrução Normativa SRF nº 419, de 2004 – deve ser interpretada em consonância com o conceito estabelecido no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532, de 1997, ou com o vazado no parágrafo único do art. 1º do DecretoLei nº 1.248, de 1972, conforme se trate, respectivamente, de aquisição efetuada por exportadoras gerais, simplesmente registradas na Secex, ou por "trading companies", constituídas conforme exige o DecretoLei nº 1.248, de 1972. ... "A comprovação do fim específico de exportação fazse mediante a apresentação de uma nota fiscal de venda na qual conste como adquirente uma empresa comercial exportadora, e como destino das mercadorias um endereço que corresponda a um dos locais previstos na legislação de regência, não sendo hábil para essa comprovação, nem o "Memorando de Exportação (a que alude a recorrente em sua defesa), previsto no Convênio ICMS nº 113, de 1996", nem qualquer documento que possa fazer prova de que houve a efetiva exportação posterior pela adquirente." Assim, em face do que dispõe a legislação pertinente, bem como do entendimento da RFB exposto acima, para que não incida a Cofins e o PIS sobre as receitas decorrentes de vendas a empresa exportadora registrada na Secex, as mesmas devem ter o fim específico de exportação para o exterior, o qual, entretanto, fica caracterizado somente quando as mercadorias são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente, ou seja, as aquisições feitas pela empresa comercial exportadora somente terão o fim específico de exportação, quando os produtos forem remetidos diretamente do estabelecimento industrial (a empresa que produziu as mercadorias) para embarque de exportação (ou para ingresso em recinto alfandegado), por conta e ordem dessa empresa comercial exportadora. É irrelevante para a remetente, no caso, se as mercadorias foram ou não posteriormente exportadas, visto que em não se concretizando a exportação, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos e contribuições devidos é da empresa comercial exportadora adquirente dos produtos que deveriam ser exportados. Assim, uma vez que a própria interessada concorda que as mercadorias vendidas não foram efetuadas diretamente a empresa comercial exportadora, mas sim para empresas que estavam formando lotes para posterior venda a uma empresa que finalmente efetuou a exportação, ainda que as mercadorias tenham sido remetidas a empresa localizada em zona primária, fica evidente que tais mercadorias não foram remetidas diretamente para embarque de exportação, nem se destinaram a recinto alfandegado. Fl. 248DF CARF MF 24 Vejase, por exemplo, os documentos acostados às fls. 10.778 a 10.919, onde constam Memorandos de Exportação emitidos por Seara Ind. Com. Prod. Agropec. Ltda., identificando como estabelecimento fornecedor a contribuinte, discriminando as notas das mercadorias adquiridas, bem como os dados da exportação. Nas notas fiscais emitidas pela contribuinte (Copagril) para a venda dos produtos pode ser identificado como destinatário das mercadorias a então exportadora Seara Ltda. nos seguintes endereços: “BR 267, km 250” e “Nova Aurora do Sul/MS”. Frisese, nenhum deles referindose a recinto alfandegado e tampouco ao embarque direto das mercadorias ao exterior. Também nas vendas efetuadas a Agrícola Cantelli Ltda, temse a remessa dos produtos para “Guarapuava/PR”, local que não se caracteriza como recinto alfandegado ou remessa direta ao exterior, para que possa ser considerada a venda com fim específico de exportação para o exterior, nos termos da legislação de regência. Portanto, não atendidas as condições legais para a concessão do benefício fiscal, correto o entendimento fiscal que desconsiderou as referidas vendas com o benefício fiscal da isenção das contribuições PIS/COFINS. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. É como voto. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10945.000755/201088 Acórdão n.º 3402004.343 S3C4T2 Fl. 238 25 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Peço vênia para divergir do Ilustre Relator nos seguintes pontos: 1. Do Conceito de Insumos para a Legislação de PIS e Cofins Logo, como ponto de partida, é necessário a reprodução da forma como está C. Turma Ordinária de Julgamento, e o próprio CARF, tem entendido os limites às possibilidades de creditamento da sistemática não cumulativa das mencionadas contribuições sociais. Nesse sentido, ilustrativa é a cita do Acórdão 3403002.656, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (grifo nosso) É dizer, a sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins aceita creditamento de bens e serviços utilizados como insumos que sejam pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou a prestação de serviços. Independem, nesse aspecto, a opção de modelo produtivo adotada pelo contribuinte, este abrangido pela liberdade de organização negocial do empresário, e o fato do emprego dos insumos ser direto ou indireto, como veiculado no Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Fl. 250DF CARF MF 26 Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. (grifo nosso) (...) Recentemente o Superior Tribunal de Justiça encampou essa visão ampla do conceito de insumos para PIS e Cofins, especialmente no voto vencedor de lavra do Ministro Mauro Campbell Marques, no REsp 1.246.317, publicado em 29/06/2015, onde definiu insumo nos seguintes termos: Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n.10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (grifos nossos) Têmse, portanto, os critérios de pertinência ou instrumentalidade (que viabiliza a atividade), atrelado a critérios consequenciais da ausência do bem ou serviço, que são a impossibilidade da atividade ou perda de qualidade substancial. Tratase de critérios amplamente vagos, restando necessária a consolidação de elementos que reduzam essa indeterminação e os tornem mais funcionais. Não se exige que o bem ou serviço seja essencial, haja vista que o Fisco não pode se intrometer no modelo de produção ou prestação de serviços do contribuinte, mas sim que, escolhido um modelo, haja a pertinência entre este e aqueles. Todavia, o critério para identificação dos insumos de PIS e Cofins sofreu um novo acréscimo, a nosso juízo, no Acórdão 9303003.079, relatado pelo Cons. Rodrigo Cardozo Miranda e julgado em 13/08/2014, no qual em ilustrativo voto é considerada uma extensão daquela posição anteriormente citada: para além do vínculo de pertinência com a produção do bem ou realização do serviço, entendeu a CSRF que “o creditamento deve se dar de forma ampla, observando apenas os limites previstos na própria legislação”, e arremata o voto do relator: Por conseguinte, em face de todo o exposto, entendemos que a linha mestra de interpretação quanto às despesas que geram créditos de PIS e COFINS só pode ser uma: se o legislador quis Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10945.000755/201088 Acórdão n.º 3402004.343 S3C4T2 Fl. 239 27 alcançar todas as receitas, justo que todas as despesas incorridas para gerar tais receitas devem ser passíveis de creditamento, observadas as limitações postas pela própria lei. Não cabe ao intérprete, assim, impor limites além do que a lei já o fez. (...) Portanto, “insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Um ponto merece esclarecimento aqui. Falase em critério relacional nos dois últimos acórdãos mencionados, entretanto, não se trata do mesmo tipo de relação: enquanto no primeiro considerouse uma relação funcional entre o bem ou serviço adquirido com a produção de outro bem ou a realização de um serviço, é dizer, a relação entre as materialidades da atividade econômica tomada com a atividade que será realizada pela empresa; no segundo, diferentemente, a relação é entre os custos despendidos e a receita auferida, ou seja, o foco recai sobre o produto da atividade econômica, e não sobre ela mesma, com a diferença que nesse caso se excluiriam as limitações existentes na legislação das contribuições em relação ao creditamento. Parecenos ser esta a visão atual do CARF sobre a matéria, que assumimos como premissa de nosso voto. Cabe agora passar ao exame das glosas efetuadas: 1.1. Equipamento de Proteção Individual A DRJ negou o direito ao crédito com equipamentos de proteção individual em razão dos mesmos não serem consumidos na fabricação do produto e nem serem aplicados diretamente aos produtos fabricados, encampando assim um conceito restritivo de insumo, aplicável ao IPI. Data vênia, os gastos com EPIs são custos de produção que decorrem de regras cogentes estabelecidas por órgãos regulatórios e que, portanto, são bens cuja aquisição é condição sine qua non da produção ou industrialização do produto final. Nesse sentido, são abarcados pelo conceito de insumo adequado às contribuições sociais e, portanto, devem ter a sua glosa revertida. Nesse sentido, esse Colegiado já se manifestou majoritariamente no Acórdão nº 3402003.070, de relatoria da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Assim, voto por reverter a glosa sobre os créditos com EPIs. 1.2. Pallets utilizados no transporte de produtos Fl. 252DF CARF MF 28 Este Colegiado também já se manifestou, majoritariamente, sobre estes insumos, no Acórdão nº 3402002.809, cujos fundamentos foram abaixo transcritos: Apesar de não se incorporarem ao produto final, entendo que pode ser considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, o material de embalagem ou transporte, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. Nesse sentido é a jurisprudência desta 3ª Seção, conforme trecho do Voto Vencedor da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: Processo nº 12571.000126/201079 Acórdão nº 3302001.858 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária (...) Após análise dos autos constato que o único item possível para o crédito do PIS e COFINS não cumulativo tratase da embalagem para transporte. Em relação a este item, ouso divergir do parecer apresentado pelo ilustre Conselheiro Relator. Pareceme claro que a embalagem de transporte é UTILIZADO no processo produtivo (isso porque entendo que a produção alcança até este momento, apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva se finda), é INDISPENSÁVEL e necessária para a composição do produto final, uma vez que a madeira tem que estar em condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está RELACIONADO à atividade da Recorrente. (...) Além dos materiais de embalagem e transporte, os itens relativos à movimentação e à armazenagem dos produtos em elaboração também podem ensejar o creditamento das contribuições sociais não cumulativas desde que não se tratem de bens ativáveis. Conforme já foi decidido por este Conselho Administrativo, no Acórdão nº 3403002.648, de 27/11/2013, cujo Relator foi o Conselheiro Antonio Carlos Atulim, para fins de creditamento da contribuição não cumulativa, nos termos do art. 3º, II da Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, o bem deve ser aplicado no processo produtivo e não ser passível de ativação obrigatória, sendo que, na hipótese de o bem ser de ativação obrigatória, o crédito deveria ser apropriado com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Nessa linha, este CARF também já decidiu que os paletes utilizados para transporte ensejam o creditamento da Cofins somente pela despesa depreciação: Processo nº 13502.001320/200914 Acórdão nº 3403001.935 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2013 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10945.000755/201088 Acórdão n.º 3402004.343 S3C4T2 Fl. 240 29 Relatora: Raquel Motta Brandão Minatel Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/11/2004 a 31/12/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. Os materiais utilizados como insumo, durante o processo produtivo, geram direito a crédito de PIS e COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PALETES E BARROTES DE MADEIRA NÃO CARACTERIZAÇÃO COMO MATERIAL DE EMBALAGEM. Os bens incorporados ao ativo não circulante só geram direito a crédito de PIS e COFINS via depreciação, nos termos do inciso III do §1º do art. 3º da Lei 10.833/03. (...) Desse modo, voto por reverter a glosa dos créditos relativos aos pallets usados para transporte dos produtos. 1.3. Detergentes, desinfetantes, produtos de limpeza, higienização, produtos para tratamento de efluentes. A DRJ negou o direito ao crédito com produtos de limpeza e tratamento de efluentes em razão dos mesmos não serem consumidos na fabricação do produto e nem serem aplicados diretamente aos produtos fabricados, encampando assim um conceito restritivo de insumo, aplicável ao IPI. Data vênia, os gastos com estes produtos são custos de produção que decorrem de regras cogentes estabelecidas por órgãos regulatórios e que, portanto, são bens cuja aquisição é condição sine qua non da produção ou industrialização do produto final. As regras sanitárias são absolutamente essenciais e de observância obrigatória nos estabelecimentos que produzam gêneros alimentícios, de modo que não há como se produzir alimentos sem que tais requisitos de higiene bem como o tratamento dos efluentes que serão devolvidos à natureza sejam atendidos. Nesse sentido, são abarcados pelo conceito de insumo adequado às contribuições sociais e, portanto, devem ter a sua glosa revertida. 1.4. Bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos industriais. Combustíveis e Lubrificantes. Neste ponto, cabe frisar a recente Solução de Divergência COSIT nº 7, de Agosto de 2016 cujo conteúdo vincula toda a administração tributária cuja ementa é expressa: Fl. 254DF CARF MF 30 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. (...) 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; Como se vê, a própria RFB reconhece a essencialidade dos dispêndios com manutenção aos processos produtivos, razão pela qual entende que esses custos devem dar direito a créditos de PIS/Cofins não cumulativos. Quanto aos combustíveis e lubrificantes, o despacho decisório glosou tal dispêndio sob fundamento de não se enquadrar no conceito de insumo, por não ser consumido na produção ou por não ter sofrido desgaste. Causa espécie o argumento aventado, visto que o art. 3º, II das leis 10.833 e 10.637 incluem expressamente combustíveis e lubrificantes no conceito de insumos para as referidas contribuições sociais, de modo que o fundamento da glosa não pode prosperar. Todavia, não há qualquer prova nos autos que permita identificar a forma como os combustíveis foram utilizados, razão pela qual não se pode reverter a glosa. Nessa linha, devem ser revertidas as glosas com serviço de manutenção de máquinas e as peças de reposição utilizadas (p.ex. pinhão, retentor, correias, parafuso, porca, reator, relê, mancal, mangueira, sensor etc.). 1.5. Análise laboratorial, análise química, pesquisa de salmonella e material de laboratório Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10945.000755/201088 Acórdão n.º 3402004.343 S3C4T2 Fl. 241 31 Em se tratando de um processo produtivo de fabricação de alimentos, os serviços de laboratório contratados estão relacionados com o controle técnico e de qualidade dos produtos por ela fabricados, de modo que não se trata de uma despesa optativa, mas efetivo custo para atender aos padrões de qualidade regulamentares. Na esteira da conceituação de insumo acima abordada que elege como critério a essencialidade/indispensabilidade destes na atividade de produção ou prestação de serviços cujo viés interpretativo se coaduna como a hipótese legal (bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos art. 3º, II da Lei nº 10.637, de 2002), inferese que tais serviços na medida em que objetivam aferir a qualidade técnica dos produtos fabricados, guardam inegavelmente relação de essencialidade visto que o controle técnico, tornandose indispensável para assegurar a otimização e eficácia do produto para os fins a que se destina. Nesse sentido há diversos precedentes desta 3ª Seção do CARF, podendo ser mencionado o Acórdão nº 3302002.922. Assim, voto pela reversão das glosas de gastos com análise laboratorial, análise química, pesquisa de salmonella e material de laboratório. 2. Vendas com fim específico de exportação Entendeu o relator pela manutenção da glosa em função da não comprovação de que os produtos vendidos com o fim específico de exportação tivessem sido remetidos pela recorrente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, como determina a legislação ao definir o que vem a ser "venda com o fim específico de exportação". Tal caracterização se daria somente quando as mercadorias são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente, ou seja, as aquisições feitas pela empresa comercial exportadora somente terão o fim específico de exportação, quando os produtos forem remetidos diretamente do estabelecimento industrial (a empresa que produziu as mercadorias) para embarque de exportação (ou para ingresso em recinto alfandegado), por conta e ordem dessa empresa comercial exportadora. De fato, não há nos autos provas a respeito da venda com o fim específico de exportação, de modo que minha divergência diz respeito apenas aos fundamentos para a manutenção da glosa, visto que a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais exarou acórdão recente ampliando as formas de demonstração de tal finalidade. Vejase a ementa do Acórdão CSRF nº 9303004.233, julgado em Agosto de 2016: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008 VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. São isentas das contribuições ao PIS e COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, devidamente comprovadas por meio de memorandos de exportação. Fl. 256DF CARF MF 32 O Recorrente afirmou em seu recurso voluntário a existência de memorandos de exportação comprovando, mas não os apresentou, impossibilitando a apreciação de tal prova. Desse modo, voto por manter a glosa nesse ponto. 3. Conclusão Ante o exposto, voto por reverter as glosas referentes a: I) Equipamento de Proteção Individual II) Pallets de transporte; III) Detergentes, desinfetantes, produtos de limpeza, higienização, produtos para tratamento de efluentes. IV) Bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos industriais. V) Análise laboratorial, análise química, pesquisa de salmonella e material de laboratório. É como voto. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10945.000755/201088 Acórdão n.º 3402004.343 S3C4T2 Fl. 242 33 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Peço vênia ao Ilustre Relator e Presidente deste Colegiado para, a despeito do analítico voto apresentado, dos fundamentos de seu voto no presente ponto: 1. Crédito Presumido da Agroindústria (Art. 8º da Lei 10.925/2004). Previsão expressa de ressarcimento. Lei nº 12.431/2011. É digno de comentário o primeiro tópico do voto do Ilustre relator que diz respeito à possibilidade de aproveitamento do crédito presumido de Pis/Cofins da agroindústria, estabelecido pelo art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Em seu voto, aduziu que Entretanto, a possibilidade de recuperação desses créditos, por meio de pedido de ressarcimento, somente poderia ser efetuado em relação aos créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637 e 10.833, como taxativamente dispôs tanto o art. 5º, § 1º, da Lei nº 10.833, de 2003, quanto o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Diferentemente, portanto, do caso dos autos, em que a interessada pretende o ressarcimento e/ou a compensação de crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins, argumentando que a modificação trazida pela Lei nº 10.925 não teve como objetivo criar qualquer óbice na sistemática de aproveitamento desse crédito presumido. Neste ponto, parecenos que a posição encampada pelo relator seria válida apenas até o advento da Medida Provisória nº 517/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.431/2011, que incluiu os artigos 56A e 56B na Lei nº 12.350/2010, trazendo a possibilidade expressa de ressarcimento ou compensação de créditos presumidos de PIS/Cofins, referido na lei nº 10.925/2004, com outros tributos administrados pela Secretaria da RFB. Vejamos o teor do dispositivo: Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do anocalendário de 2006 na forma do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá:(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria;(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). § 1o O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput somente poderá ser efetuado: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2006 a 2008, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Fl. 258DF CARF MF 34 II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2009 e no período compreendido entre janeiro de 2010 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1o de janeiro de 2012. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). § 2o O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Como se vê, a legislação retromencionada autorizou expressamente o ressarcimento do crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, estabelecendo apenas uma restrição de natureza temporal ao procedimento: exigiu, em seu art. 56A, §1º, I, que em relação aos créditos apurados entre 2006 e 2008, o pedido fosse realizado à partir de 1º de Janeiro de 2011. No presente caso, verificase que o período do crédito pleiteado corresponde exatamente aos anos calendários de 2006, 2007 e 2008, mas compulsando os PER/DCOMPS, verificamos que todos os pedidos foram anteriores a 2011, não atendendo ao requisito procedimental para fruição do direito ao ressarcimento. Conquanto a referida restrição seja de duvidosa constitucionalidade, em razão de clara ofensa à igualdade entre contribuintes que possuem créditos idênticos, mas que transmitiram os pedidos de ressarcimento em anos distintos, cabe a este Colegiado aplicar a lei, sem por em xeque sua validade, nos termos do art. 26A do Decreto 70.235/72. Frisese que a RFB procurou, por meio da Instrução Normativa nº 1157/2011, restringir o alcance do referido direito ao ressarcimento créditos presumidos para os custos, despesas e encargos vinculados a receita auferida com a venda dos seguintes produtos: art. 2º (...) I insumos de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); II preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM; IV produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1 e carne de frango classificada no código 0210.99.00, da NCM. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1346, de 16 de abril de 2013) Para o órgão fiscalizatório, o dispositivo em análise destinase a alcançar o estoque de créditos presumidos apurados pelas pessoas jurídicas do setor de avicultura e suinocultura e acumulado desde o anocalendário 2006 até a data de publicação da Lei n° 12.350, de 2010. Assim, os arts. 54 a 57 da Lei n° 12.350, de 2010, entre os quais está o art. 56A em comento, teriam instituído um microrregime de cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins para as pessoas jurídicas que atuam nos setores de avicultura e suinocultura. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10945.000755/201088 Acórdão n.º 3402004.343 S3C4T2 Fl. 243 35 Tal leitura se baseia exclusivamente na Exposição de Motivos da Medida Provisória n° 517, de 2010 (EMI n° 194/2010 – MF /MDIC/MC/MCT/MEC/MME/MP), convertida na Lei n° 12.431, de 2011, que incluiu o transcrito art. 56A na Lei n° 12.350/2010, que diz: “12. Além disso, a presente Medida Provisória monetiza o estoque de créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados pelo setor de avicultura e suinocultura desde o anocalendário de 2006 na antiga sistemática prevista no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. A possibilidade de compensação e ressarcimento alcança os créditos vinculados às receitas de exportação, o que permitirá que as empresas do setor consigam realizar estes ativos, reduzindo seus custos de produção.” Conquanto a posição fazendária tenha fundamento em uma interpretação genética do dispositivo, é preciso lembrar que uma vez posto o enunciado normativo, ele se desprende da vontade de seus elaboradores, passando a assumir sentido próprio compatível com seu texto e com o contexto normativo em que se insere, devendo a investigação dos motivos ser utilizada apenas em caso de dúvida quanto à aplicação. No caso em tela, a literalidade do dispositivo deixa claro que não foi feita restrição do direito ao ressarcimento a setores específicos, mas apenas ao período dos créditos a serem aproveitados e ao momento de transmissão dos PER/DCOMPS. Diante disso, acompanho o relator pelas conclusões, reconhecendo o direito abstrato ao ressarcimento do crédito presumido, nos termos da Lei nº 12.431/2011, mas negandoo no caso concreto por não atender ao requisito do art. 56A, §1º, I da Lei nº 12.350/2010. Fl. 260DF CARF MF
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Numero do processo: 16707.005180/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/12/2004
BASE DE CÁLCULO. PERDA DE INTERESSE.
Uma vez que a parte da base de cálculo recorrida já foi dado provimento na DRJ à impugnação, não há interesse em reanalisar a matéria quando não há recurso de ofício.
Numero da decisão: 2202-004.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2004 a 31/12/2004 BASE DE CÁLCULO. PERDA DE INTERESSE. Uma vez que a parte da base de cálculo recorrida já foi dado provimento na DRJ à impugnação, não há interesse em reanalisar a matéria quando não há recurso de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1251; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 166 1 165 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16707.005180/200945 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.085 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CONSTRUTORA A GASPAR S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/12/2004 BASE DE CÁLCULO. PERDA DE INTERESSE. Uma vez que a parte da base de cálculo recorrida já foi dado provimento na DRJ à impugnação, não há interesse em reanalisar a matéria quando não há recurso de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 51 80 /2 00 9- 45 Fl. 166DF CARF MF 2 Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir crédito referente a multa por descumprimento de obrigação acessória, especificamente pela apresentação de GFIP com erros na identificação da base de cálculo. Tendo a DRJ mantido parcialmente o lançamento impugnado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 14/10/2009 foi formalizado o auto de infração DEBCAD nº 37.054.2983 (fls. 1/7) para constituir crédito tributário referente à multa por descumprimento da obrigação acessória insculpida no art. 32, IV e §§3º e 5º, da Lei nº 8.212/1991. Conforme o Relatório Fiscal da Infração (fl. 5), Outrossim, que tendo sido publicada a Lei nº 11.941/2009, foi realizado o calculo da multa mais benéfica. Em 04/11/2009 os autos foram apensados ao processo nº 16707.005177/200921, 16707.005179/200911, 16707.005181/200990 e 16707.005178/200976 (fl. 90). Intimada, a Contribuinte apresentou Impugnação (fls. 91/105 e docs. anexos fls. 106/122). Chegando à DRJ, foi proferido o acórdão nº 1130.495, de 22/07/2010 (fls. 125/132), que deu provimento parcial e restou assim ementado: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. A empresa é obrigada a declarar na Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) a totalidade dos fatos geradores ocorridos. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 16707.005180/200945 Acórdão n.º 2202004.085 S2C2T2 Fl. 167 3 É improcedente a imposição de multa por falta de declaração em GFIP de contribuição cujo respectivo lançamento de ofício também foi considerado improcedente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" fl. 125 A Contribuinte foi intimada em 22/03/2011 (fl. 134). Em 07/04/2011 foi formalizado "Termo de Desapensação" (fl. 135) no qual se registrou que o presente processo passou a tramitar em separado dos demais. Ainda inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 138/147) em 20/04/2011, por via postal (fls. 137), ratificando a alegação da impugnação, i.e., que: · Que a multa decorre exclusivamente do lançamento do crédito principal contido no processo nº 16707.005178/200976, o qual foi julgado totalmente improcedente pelo acórdão DRJ nº 1130.494, de 22/07/2010; Nesse contexto, transcreveu a impugnação apresentada nesse processo nº 16707.005178/200976, da qual se extrai, em síntese: · Que há erro na identificação da base de cálculo em relação às Notas Fiscais nº 5505/04 e 6018/04 da Unimed; e · Que a Lei nº 6.321 não condiciona o direito à isenção ao atendimento da formalidade de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em 12/03/2015 foi proferida a Resolução CARF nº 2302000.384 (fls. 156/158), determinando a conversão desse processo em diligência para que os presentes autos retornassem à 1ª instância e aguardassem o julgamento do processo principal, de nº 16707.005178/200976. Foi apensado ao presente processo o processo principal de nº 16707.005178/200976 em 18/12/2015 (fl. 160), no qual consta o acórdão da DRJ nº 1130.494 (fl. 142 do respectivo eprocesso), de 22/07/2010, que deu provimento à respectiva impugnação, exonerando integralmente o crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Mérito processo reflexo: Fl. 168DF CARF MF 4 O recurso voluntário se limita a duas questões: primeiro defender que o presente processo é reflexo exclusivamente do processo de nº 16707.005178/200976, no qual se julga o crédito principal, e que este já havia sido julgado, exonerando integralmente o crédito tributário; segundo, sobre o mérito do crédito principal, concluindo pela necessidade de cancelálo. Retornando ao auto de infração, percebese que o presente processo efetivamente tem como infração a multa por apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores (art. 32, IV e §§3º e 5º da Lei nº 8.212/1991). Especificamente, em relação às competências de 11 e 12/2004, registrando ainda que: "7. Para apuração das contribuições não declaradas foram lançadas nos levantamentos específicos de cada obra/estabelecimento, os valores das bases de cálculo, contribuições da empresa e dos segurados, saláriofamília apurado na auditoria fiscal, e deduzidos os valores declarados pelo sujeito passivo, antes do início do procedimento fiscal que constam nas últimas GFIP entregues." fl. 5. Efetivamente, percebese que o presente processo tem como crédito fazendário a multa referente a falha na GFIP. Logo que constituído o crédito, este processo foi apensado aos processos de nº 16707.005177/200921, 16707.005179/200911, 16707.005181/200990 e 16707.005178/200976. Conforme o acórdão da DRJ, "Concluise que as contribuições usadas no cálculo da multa foram as lançadas por meio dos autos 37.054.3017 (COMPROT 16707.005179/200911) e 47.054.2991 (COMPROT 16707.005177/200921). Ocorre que foi emitida decisão de improcedência total para o AI 37.054.3017, enquanto que para o AI 37.054.2991 foi emitida decisão de improcedência parcial, tendo sido mantidas no mesmo apenas as contribuições incidentes sobre a contratação de cooperativa, e as referentes à retenção de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91. Especificamente para a 12/2004, a única contribuição mantida no referido Auto foi a de R$ 174,66, incidente sobre a nota fiscal 6018/04, emitida pela Unimed Natal e lançada na conta 4201001031. Logo, conforme §5 do art. 32 da Lei 8.212/91, subtranscrito, esse é o único valor que, por ora, pode continuar a ser usado no cálculo da multa, dado ser inadmissível a continuidade da cobrança de uma multa pelo descumprimento de uma obrigação acessória quando o lançamento da obrigação principal a qual esta está relacionada foi declarado insubsistente." fl. 129; Em outras palavras, segundo a autoridade julgadora de 1ª instância, a multa ora sob julgamento se refere ao crédito principal constante apenas nos processos de nº 16707.005177/200921 e 16707.005179/200911, não fazendo qualquer menção ao processo de nº 16707.005178/200976, originalmente também apensado. Diante da alegação da Contribuinte de que o "presente lançamento decorre, com exclusividade, do constante no PROCESSO Nº 16707.005178/200976", que não foi analisado pelo Fl. 169DF CARF MF Processo nº 16707.005180/200945 Acórdão n.º 2202004.085 S2C2T2 Fl. 168 5 acórdão da DRJ recorrido, este e.CARF converteu o julgamento em diligência para determinar a apensação deste processo com aquele indicado pelo Contribuinte. Compulsando o referido processo nº 16707.005178/200976, novamente apensado aos presentes autos, percebese que foi proferido o acórdão DRJ nº 1130.494, de 22/07/2010, efetivamente deu provimento integral à impugnação, exonerando todo o crédito tributário. Observase, por outro lado, que esse processo nº 16707.005178/200976 por objeto as contribuições para terceiros (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), e não para o INSS, bem como que sua base de cálculo se refere ao mesmo período de 11 e 12/2004, especificamente composta pelo (1) valor arbitrado da remuneração em construção civil, (2) 15% sobre as faturas de cooperativas e (3) de valores referentes à alimentação, vez que não estava inscrita no PAT. Portanto, concluo que o processo nº 16707.005178/200976 é, efetivamente, principal em relação ao presente processo, vez que versa sobre crédito tributário enquanto o presente lançamento se limita à multa por erro na GFIP. Nesse caminho, devendo ser excluído da base de cálculo da multa os valores referentes ao auto de infração exonerado. Acontece que, como já transcrito acima, o acórdão da DRJ recorrido nos presentes autos determinou que: "Especificamente para a 12/2004, a única contribuição mantida no referido Auto foi a de R$ 174,66, incidente sobre a nota fiscal 6018/04, emitida pela Unimed Natal e lançada na conta 4201001031. Logo, conforme §5 do art. 32 da Lei 8.212/91, subtranscrito, esse é o único valor que, por ora, pode continuar a ser usado no cálculo da multa, dado ser inadmissível a continuidade da cobrança de uma multa pelo descumprimento de uma obrigação acessória quando o lançamento da obrigação principal a qual esta está relacionada foi declarado insubsistente." fl. 129; Em outras palavras, por interpretação a contrario sensu, uma vez que a DRJ manteve tão somente o valor de R$ 174,66, referente ao processo nº 16707.005177/200921, é possível concluir que a DRJ já excluiu da base de cálculo todos os valores referentes a esse processo nº 16707.005178/200976. Portanto, inexiste interesse jurídico em analisar a exclusão de valores que já não compõem a lide. Registrase, por outro lado, que esse processo nº 16707.005177/200921, que também compõe a base de cálculo da presente multa, foi julgado neste e.CARF pelo acórdão nº 230102.829, de 17/05/2012, que deu provimento parcial, mantendo a base de cálculo do tributo principal mesma conclusão já alcançada pela DRJ naquele processo e já considerada pela DRJ no presente processo, culminando em redução do valor originalmente lançado. De outra banda, não é possível discutir nos autos deste processo a questão de mérito referente ao crédito principal, vez que é matéria estranha à lide, devendo ser analisada somente no processo que contenha o respectivo auto de infração. Dispositivo: Fl. 170DF CARF MF 6 Diante de tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 171DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912015/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/09/2010
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.744
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/09/2010 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/09/2010 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 15 /2 01 2- 45 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912015/201245 Acórdão n.º 3301003.744 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.770, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912015/201245 Acórdão n.º 3301003.744 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912015/201245 Acórdão n.º 3301003.744 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912015/201245 Acórdão n.º 3301003.744 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912015/201245 Acórdão n.º 3301003.744 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.912015/201245 Acórdão n.º 3301003.744 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10830.912015/201245 Acórdão n.º 3301003.744 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10830.912015/201245 Acórdão n.º 3301003.744 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 201DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003380/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA 38 DO CARF (VINCULANTE).
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO.
Sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DOS CO-TITULARES. SÚMULA CARF Nº 29.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29).
RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Faz-se necessário individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2202-004.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os depósitos efetuados na conta corrente conjunta, por falta de intimação dos co-titulares.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2102; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 552 1 551 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003380/200828 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.006 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de julho de 2017 Matéria IRPF depósitos bancários Recorrente PAULO NAVARRO DE OLIVEIRA JÚNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA 38 DO CARF (VINCULANTE). O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 33 80 /2 00 8- 28 Fl. 552DF CARF MF 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DOS COTITULARES. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29). RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Fazse necessário individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os depósitos efetuados na conta corrente conjunta, por falta de intimação dos cotitulares. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Foi constituído crédito tributário em face do Contribuinte acima identificado, no valor de R$ 640.918,61, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS, no anocalendário 2003, sendo R$ 273.254,58 a título de imposto, R$ 204.940,93 referentes à Multa de Ofício proporcional e R$ 162.723,10 referentes aos juros de mora. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 19515.003380/200828 Acórdão n.º 2202004.006 S2C2T2 Fl. 553 3 De posse dos extratos bancários do Contribuinte, a autoridade fiscal expurgou os créditos cujas origens foram de constatação imediata (estornos, resgates de aplicações, transferência entre contas de mesma titularidade etc) e lavrou o Termo de Intimação Fiscal de fls. 44/48, intimandoo a comprovar a origem dos depósitos bancários listados individualmente. Após análise dos argumentos apresentados pelo Fiscalizado, foram excluídos os valores justificados e lançados aqueles considerados como de origem não comprovada, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 304/320. A Fiscalização constatou a existência de contas conjuntas, mantidas pelo Contribuinte com Regina Lucia Sundfeld Navarro, nos Bancos HSBc e Citibank, tendo o casal apresentado declarações de ajuste anual em separado. O Auto de Infração foi lavrado em 04/08/2008, com ciência em 11/08/2008, por via postal (A.R. de fl. 335), tendo o Contribuinte apresentado Impugnação em 03/09/2008 (fls. 338/389), com as seguintes alegações, em síntese: houve preterição do direito de defesa; o período de janeiro a julho de 2003 foi alcançado pela decadência; é inconstitucional a requisição dos extratos bancários, pois viola o sigilo de dados e bancário; as justificativas da origem dos recursos depositados foram rejeitadas sem qualquer fundamento fático ou jurídico pela Fiscalização; faltou a intimação da outra titular da conta corrente; a incidência de juros Selic é ilegal e inconstitucional, assim como a correção monetária da multa. Por fim, protesta pela posterior juntada de documentos e novos esclarecimentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) DRJ/SP2 , por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 422/443). O Contribuinte foi cientificado da decisão em 26/11/2010 (A.R. de fl. 448) e apresentou o Recurso Voluntário de fls. 452/475 em 21/12/2010, com as seguintes alegações, em resumo: Da análise dos extratos bancários emitidos pelo Banco Citibank, depreende se que a conta bancária mentida nesta instituição era de titularidade conjunta do Recorrente e da Sra. Regina Lúcia Sundfeld Navarro, sendo que ambos apresentavam declarações de impostos de renda em separado. Por esse motivo, a Sra. Regina deveria ter sido intimada a prestar esclarecimentos sobre as movimentações bancárias antes da lavratura do Auto de Infração. Assim, não há dúvidas sobre a nulidade do lançamento; a sua movimentação bancária é compatível com as declarações de ajuste; Fl. 554DF CARF MF 4 recebeu durante o anocalendário de 2003, RS 410.000,00 a título de lucros e dividendos da empresa da qual é sócio, a NetStructure Soluções Ltda., devidamente declarados na DIRPF, conforme contrato social, informe de rendimento pagos e razão analíticos juntados no processo administrativo, e R$ 720,00 a título de prólabore, o que foi simplesmente ignorado pela Fiscalização; restou sem análise ou consideração R$ 35.000,00, a título de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física e também declarada na DIRPF 2004, inclusive com o correspondente recolhimento de imposto de renda incidente; Depósitos no Banco Fator: Data 26/2/2003: crédito de R$ 150.000,00: O extrato aponta no mesmo dia a venda de um CDB usado como Garantia das Operações Financeiras (lançado como débito), e um crédito no mesmo valor, tratandose de movimento apenas contábil e não de um efetivo aporte na conta corrente (doc. 03); Data 14/3/2003 crédito de R$ 20.000,00: Não houve qualquer crédito nessa contacorrente apenas um lançamento contábil; Data 25/3/2003 crédito R$ 4.904,91 e Data 26/3/2003 crédito R$ 5.095,09. Total R$10.000: Conforme informado pelo próprio banco Fator, tratase de transferência de mesma titularidade, oriunda na mesma data do Banco HSBC, agência 0350; a saída desse valor pode ser verificada no extrato da conta nº 05355.36, agência 0350, que também foi objeto de fiscalização, no lançamento debitado no dia 25.03.2003 e assim identificado: "emissão de TED, 2272, sistema TIF, R$10.000,00 d", (doc. 04); Data 22/04/2003 crédito R$ 9.810,16 e Data 24/04/2003 crédito R$ 5.184,84. Total R$ 15.000,00. Tratase de transferência de mesma titularidade, oriunda na mesma data do Banco HSBC, agência 0350. A saída desse valor pode ser verificada no extrato da conta nº 05355.36, agência 0350, que também foi objeto de fiscalização, no lançamento debitado no dia 23.04.2003 e assim identificado: "emissão de TED, 2274, sistema TIF, R$15.000,00 d", (doc. 05); Data 24/4/2003 crédito R$ 3.500,00 e Data 25/4/2003 crédito R$ 1.500,00. Total R$5.000: tratase de transferência de mesma titularidade, oriunda na mesma data do Banco HSBC, agência 0350; a saída desse valor pode ser verificada no extrato da conta ns 05355.36, agência 0350, que também foi objeto de fiscalização, no lançamento debitado no dia 23.04.2003 e assim identificado: "emissão de TED, 2201, sistema TIF, R$5.000,00 d", (doc. 06); Data 29/4/2003 crédito R$ 28.000,00. Tratase de lançamento apenas contábil, e que posteriormente foi liquidado; Data 18/9/2003 Crédito R$ 40.000,00 e Data 15/10/2003 Crédito R$ 50.000,00: Tratamse de novas aplicações feitas pelo contribuinte e cuja origem advêm da distribuição de lucros da sua empresa NetStructure, conforme informe de rendimentos constantes do processo administrativo; Data 25/11/2003 Crédito de R$ 10.000,00: Não houve qualquer crédito nessa contacorrente apenas um lançamento contábil e que foi cancelado ("estorno de LCTO") em seguida no dia 26/11/2003, vide extrato, (doc. 07); Depósitos no Banco Itaú: Fl. 555DF CARF MF Processo nº 19515.003380/200828 Acórdão n.º 2202004.006 S2C2T2 Fl. 554 5 Data 24.01.2003 crédito de R$ 2.000,00, Data 24.1.2003 crédito de R$2.000,00; Data 21.3.2003 crédito de R$ 4.000,00; Data 28.3.2003 crédito de R$ 4.000,00; Data 25.4.2003 crédito de R$ 1.570,00; Data 25.4.2003 crédito de R$ 2.430,00; Data 30.5.2003 crédito de R$4.000,00; Data 10.6.2003 crédito de R$ 1.000,00; Data 10.6.2003 crédito de R$ 4.000,00; Data 27.6.2003 crédito de R$ 4.000,00; Data 28.7.2003 crédito de R$ 4.000,00, Data 10.6.2003 crédito de R$ 4.000,00; Data 28.11.2003 crédito de R$ 4.000,00; data 29.12.2003 crédito de R$ 4.000,00: Todos esses depósitos referemse a devolução de empréstimo pessoal feito ao Senhor João de Paula Souza Neto, conforme declaração juntada nos autos do processo. Tal dívida não foi informada na declaração final de ajuste de ambas as partes, uma vez que foi contraída e quitada durante o próprio anocalendário 2003; Depósitos no Banco HSBC: Data 21.01.2003 dep dinheiro R$ 9.311,00; Data 23.01.2003 dep dinheiro R$ 1.023,00; Data 23.01.2003 depósito R$ 5.190,00; Data 24.02.2003 depósito R$ 3.500,00; Data 6.3.2003 depósito R$ 18.250,00; Data 6.3.2003 depósito R$ 18.250,00; Data 7.4.2003 depósito R$ 13.355,00; Data 30.5.2003 depósito R$ 10.500,00.Total de depósitos: R$ 79.379,00: Tratase de devolução de empréstimo pessoal de Ademilson Svizzero conforme declaração juntada nos autos do processo. Tal dívida não foi informada na declaração final de ajuste de ambas as partes, uma vez que foi contraída e quitada durante o próprio anocalendário 2003; Data 23.1.2003 crédito Ted Sistema TIF R$ 24.000,00. Tratase de devolução de empréstimo de Luiz Mario Vizzeti com lucro na operação de R$ 917,25 o recurso foi entregue 25.11.2002 e devolvido na data da devolução, conforme declaração juntada nos autos do processo. Tal dívida não foi informada na declaração final de ajuste de ambas as partes, uma vez que foi contraída e quitada durante o próprio anocalendário 2003; Data 10.06.2003 depósito R$ 4.000,00; Data 28.11.2003 depósito 4.000,00; Data 29.12.2003 depósito R$ 4.000,00. Tratase de devolução de empréstimo pessoal de João de Paula Souza Neto, conforme declaração juntada nos autos do processo. Tal dívida não foi informada na declaração final de ajuste de ambas as partes, uma vez que foi contraída e quitada durante o próprio anocalendário 2003; Data 14.05.2003 crédito de R$ 10.000,00: Tratase de lançamento referente à venda (sinal de pagamento) de um veículo Parati ano/modelo 2002 Placa AAY 7764 cujo negocio foi desfeito e o recurso foi devolvido por meio de dois cheques emitidos por essa conta nos valores R$ 4.999,00 cada, datados de 27/5/2003, cheques nºs 715.519 e 715.520; embora o Recorrente tenha diligenciado diversas vezes junto ao DETRAN/SP para conseguir a cópia dos documentos comprobatórios das transferências dos diversos veículos (lista constante do Recurso fl. 464), não conseguiu obtêlos; não poderiam ser exigidos os lançamentos referentes aos meses de janeiro a julho de 2003, em virtude da decadência; ocorreu quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, o que é inconstitucional; Fl. 556DF CARF MF 6 é ilegal a correção e os juros incidentes sobre a multa. Por fim, requer o integral provimento do recurso. Na sessão de julgamento de 08/10/2014 (fls. 525/529), o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade fiscal se manifestasse se a sra. Regina Lucia Sundfeld Navarro recebera da Fiscalização uma lista de depósitos para demonstrar a origem, bem como para esclarecer se teria havido partição em proporções iguais dos depósitos não comprovados entre os titulares. Em resposta à diligência, a autoridade fiscal informou o seguinte, mediante o Relatório Fiscal de fls. 539/540, acompanhado dos documentos de fls. 541/549: a Sra. Regina Lucia Sundfeld Navarro foi regularmente intimada a comprovar a origem dos depósitos na conta 30089662 do Citibank e na conta 350.5355.36 do Banco HSBC; no âmbito da ação fiscal sobre o Contribuinte Paulo Navarro, em 24/03/2008 o Banco HSBC informou sobre a cotitularidade da conta corrente entre ele e a Sra. Regina Lucia Sundfeld Navarro, porém em 22/10/2008 a Sra. Regina Lucia, por meio de seu representante legal, requereu a juntada de declaração emitida pelo HSBC Bank Brasil afirmando que, no período fiscalizado, ela não era cotitular da conta corrente nº 035005355 36, só passando a ser cotitular a partir de 01/02/2006; com base nessa declaração do HSBC, a ação fiscal na Contribuinte Regina Lucia foi encerrada. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento foi efetuado em virtude da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, em relação ao exercício 2004 (anocalendário 2003). PRELIMINARES SIGILO BANCÁRIO Defende o Recorrente que o lançamento fiscal deve ser cancelado, uma vez que houve uma ilegal quebra de seu sigilo bancário. A Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe, em seu artigo 6º: Fl. 557DF CARF MF Processo nº 19515.003380/200828 Acórdão n.º 2202004.006 S2C2T2 Fl. 555 7 Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Em havendo procedimento fiscal em curso, é lícito às autoridades fiscais requisitar das instituições financeiras informações relativas a contas de depósitos e de aplicações financeiras do contribuinte sob fiscalização, sempre que estas forem indispensáveis. Assim, resta claro que a Receita Federal do Brasil possui permissão legal para acessar os dados bancários do contribuinte sob ação fiscal. Ressaltese que o contribuinte foi intimado a apresentar seus extratos bancários. Como não os apresentou, a autoridade fiscal emitiu as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF para as instituições financeiras, dentro dos ditames legais. Dessa forma, no presente caso, não há nenhuma ilicitude nas provas obtidas mediante a transferência de sigilo bancário das instituições financeiras para a Receita Federal do Brasil. Esse é o posicionamento que vem sendo acolhido pelo CARF, conforme abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2202002.629, Rel. Rafael Pandolfo, Redator designado Antonio Lopo Martinez). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 [...] REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de Fl. 558DF CARF MF 8 investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2102002.964. Rel. Núbia Matos Moura). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. (Acórdão nº 2201002.291, Rel. Nathalia Mesquita Ceia ). DECADÊNCIA O Recorrente alega decadência do direito de lançar em relação a todos os depósitos efetuados de janeiro a julho de 2003. Não lhe assiste razão, pois o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) decorrente da infração relativa à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada está sujeito ao regime de apuração anual. Tratase, pois, de fato gerador complexivo anual, que somente se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada anocalendário. Esse entendimento já se encontra pacificado no âmbito administrativo, conforme Súmula nº 38 do CARF: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário”. Assim o fato gerador relativo à omissão de rendimentos do anocalendário 2003 somente ocorreu no dia 31/12/2003. No tocante à contagem do prazo decadencial, em observância do disposto no art. 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 973.733 SC, cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 19515.003380/200828 Acórdão n.º 2202004.006 S2C2T2 Fl. 556 9 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). No que concerne ao IRPF, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, como o fato gerador ocorreu em 31/12/2003, o prazo decadencial findou em 31/12/2008, na hipótese mais favorável ao Contribuinte (regra do § 4º do art. 150 do CTN). Tendo em vista que a ciência do auto de infração se deu em 11/08/2008 (fl. 335), o lançamento não foi alcançado pela decadência. MÉRITO Fl. 560DF CARF MF 10 FALTA DE INTIMAÇÃO DOS COTITULARES: Em seu Recurso Voluntário o Recorrente alega que a conta corrente mantida no Citibank era em conjunto com Regina Lucia Sundfeld Navarro, a qual deveria ter sido intimada a prestar esclarecimentos sobre as movimentações bancárias, antes da lavratura do Auto de Infração. Entendo que assiste razão ao Recorrente nesse ponto, pois a cotitular da conta corrente nº 30089662, do Citibank, somente foi intimada a comprovar a origem dos depósitos efetuados após o lançamento fiscal lavrado contra o Contribuinte fiscalizado. Observase que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 11/08/2008 (A.R. de fl. 335) e a cotitular, Sra. Regina Lucia Sundfeld Navarro, foi intimada a se manifestar sobre a origem dos depósitos apenas em 15/09/2008, conforme Termo de Início do Procedimento Fiscal de fls. 542/545. A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada é decorrente de uma presunção legal. Todavia, para que se valide essa presunção, o lançamento devese conformar aos moldes da lei. O caput do art. 42, da Lei n° 9.430/96, dispõe que a omissão de rendimentos se caracteriza quando o titular da conta, regularmente intimado, não comprova a origem dos recursos creditados. Logo, no caso de contacorrente conjunta, tornase imprescindível que todos os titulares sejam intimados a comprovar a origem dos depósitos. Nas contascorrentes mantidas em conjunto, presumese, obviamente, que os titulares possam dela se utilizar para crédito/depósito dos seus próprios rendimentos e a movimentação dos recursos financeiros pode ser feita por todos os titulares. Portanto, a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430/96, deve ser imputada a todos os titulares da contacorrente. Dessa forma, a falta de intimação da cotitular da conta bancária mantida junto ao Banco Citibank, Regina Lucia Sundfeld Navarro, na fase que precede à lavratura do auto de infração, contraria o entendimento já consolidado na Súmula CARF nº 29, de caráter vinculante. Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (grifei) Assim, devem ser excluídos da base de cálculo os valores relativos aos depósitos efetuados na conta corrente nº 30089662, do Banco Citibank, por falta de intimação da cotitular na fase precedente à lavratura do auto de infração. Quanto à conta corrente nº 535536, agência 350, do Banco HSBC, restou esclarecido na diligência efetuada pela autoridade fiscal que a Sra. Regina Lucia Sundfeld Navarro não era cotitular dessa conta no período fiscalizado (anocalendário 2003), só passando a ser cotitular a partir de 01/02/2006, conforme documento de fl. 548. Verificase, ainda, que o Recorrente não se manifestou sobre a cotitularidade dessa conta corrente em seu Recurso Voluntário. Assim, ficou comprovado que o Fiscalizado, Paulo Navarro de Oliveira Júnior, era o único titular da conta corrente nº 535536, agência 350, do Banco HSBC, não Fl. 561DF CARF MF Processo nº 19515.003380/200828 Acórdão n.º 2202004.006 S2C2T2 Fl. 557 11 havendo razão para se cancelar o lançamento nesse ponto por falta de intimação dos co titulares. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS: O Recorrente traz diversos argumentos visando à comprovação da origem dos depósitos efetuados que foram considerados como omissão de rendimentos pela Fiscalização, conforme abaixo: Valores declarados: Afirma o Recorrente que a sua movimentação bancária é compatível com as declarações de ajuste, informando que recebeu da empresa da qual é sócio, NetStructure Soluções Ltda., durante o anocalendário de 2003, a quantia de R$ 410.000,00, a título de lucros e dividendos declarados na DIRPF, conforme contrato social, informe de rendimento pagos e razão analíticos juntados no processo administrativo, além de R$ 720,00 a título de prólabore. Diz que não foi considerado o valor de R$ 35.000,00, a título de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física e também declarada na DIRPF 2004, inclusive com o correspondente recolhimento de imposto de renda incidente. Ressaltese que a exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 562DF CARF MF 12 § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Quanto ao argumento do Recorrente de que a sua movimentação bancária é compatível com as declarações de ajuste, não lhe assiste razão, uma vez que é ônus exclusivo do contribuinte comprovar de forma individualizada os créditos bancários. Ou seja, é necessária a comprovação depósito a depósito, de maneira inequívoca, conforme imposição legal. O simples fato de ter declarado em sua DIRPF/2004 os valores relativos à distribuição de lucros, pagamentos de pro labore e recebimentos de pessoa física não são suficientes a comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias, porquanto se faz necessária a comprovação vinculandose cada crédito com os supostos recebimentos. Segue decisão do CARF nesse sentido: RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS. ÔNUS DO RECORRENTE. A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. [...] (Acórdão nº 10616.977, Rel. Giovanni Christian Nunes Campos). Depósitos no Banco Fator: a) Data 26/02/2003 crédito de R$ 150.000,00: Alega o Recorrente que o extrato aponta no mesmo dia a venda de um CDB, usado como Garantia das Operações Financeiras (lançado como débito), e um crédito no mesmo valor, tratandose de movimento apenas contábil e não de um efetivo aporte na conta corrente (doc. 03). Não tem razão o Contribuinte, pois esse valor foi creditado em 26/02/2003 a título de TED e não foi comprovada a sua origem. Conforme já decidiu a DRJ, o Banco Fator informou que os depósitos dos dias 26/02, 25/03, 23/04 e 24/04/2003 foram creditados por Fl. 563DF CARF MF Processo nº 19515.003380/200828 Acórdão n.º 2202004.006 S2C2T2 Fl. 558 13 Paulo Navarro, por meio de transferências das contas do HSBC, ag. 350, sem informar o nº da conta corrente, porém mediante análise dos extratos bancários do HSBC foi constatado que não há lançamentos a débito que correspondam a esses valores e datas. Destaquese que o Contribuinte não trouxe nenhum documento adicional em seu recurso que pudesse comprovar as suas alegações, limitandose a apresentar o extrato bancário do Banco Fator. b) Data 14/03/2003 crédito de R$ 20.000,00: Afirma que não houve qualquer crédito nessa contacorrente, mas apenas um lançamento contábil. Pelo extrato do Banco Fator, constatase um crédito descrito como "TED A CRÉDITO", o qual não foi justificado pelo Contribuinte, devendo, assim, ser mantido o lançamento fiscal. c) Data 25/03/2003 crédito R$ 4.904,91 e Data 26/03/2003 crédito R$ 5.095,09. Total R$10.000: Argumenta que, conforme informado pelo próprio Banco Fator, tratase de transferência de mesma titularidade, oriunda na mesma data do Banco HSBC, agência 0350. Informa que a saída desse valor pode ser verificada no extrato da conta nº 05355.36, agência 0350, que também foi objeto de fiscalização, no lançamento debitado no dia 25/03/2003 e assim identificado: "emissão de TED, 2272, sistema TIF, R$10.000,00 d" (doc. 04). Não merece acolhida o argumento do Contribuinte, pois se esses créditos fossem oriundos de transferências do Banco HSBC os lançamentos dos créditos teriam sido nos mesmos valores e datas. Não há como justificar dois créditos em datas distintas como sendo provenientes de um único TED. d) Data 22/04/2003 crédito R$ 9.810,16 e Data 24/04/2003 crédito R$ 5.184,84. Total R$ 15.000,00. Sustenta que se refere à transferência de mesma titularidade, oriunda na mesma data do Banco HSBC, agência 0350. Diz que a saída desse valor pode ser verificada no extrato da conta nº 05355.36, agência 0350, que também foi objeto de fiscalização, no lançamento debitado no dia 23/04/2003 e assim identificado: "emissão de TED, 2274, sistema TIF, R$15.000,00 d" (doc. 05). Da mesma forma que o item anterior, não há como justificar dois créditos em datas distintas como sendo provenientes de um único TED, ainda mais quando a soma dos créditos (R$ 14.995,00) é diferente do TED (R$ 15.000,00). e) Data 24/04/2003 crédito R$ 3.500,00 e Data 25/04/2003 crédito R$ 1.500,00. Total R$5.000: Defende que se trata de transferência de mesma titularidade, oriunda na mesma data do Banco HSBC, agência 0350, afirmando que a saída desse valor pode ser verificada no extrato da conta ns 05355.36, agência 0350, que também foi objeto de Fl. 564DF CARF MF 14 fiscalização, no lançamento debitado no dia 23/04/2003 e assim identificado: "emissão de TED, 2201, sistema TIF, R$5.000,00 d" (doc. 06). Da mesma forma que os itens anteriores, não há como justificar dois créditos em datas distintas como sendo provenientes de um único TED. f) Data 29/04/2003 crédito R$ 28.000,00. Aduz que se trata de lançamento apenas contábil, e que posteriormente foi liquidado. Pelo extrato do Banco Fator, constatase um crédito descrito como "TED A CRÉDITO", o qual não foi justificado pelo Contribuinte, devendo, assim, ser mantido o lançamento fiscal. g) Data 18/09/2003 Crédito R$ 40.000,00 e Data 15/10/2003 Crédito R$ 50.000,00: Alega serem novas aplicações feitas por ele e cuja origem advem da distribuição de lucros da sua empresa NetStructure, conforme informe de rendimentos constantes do processo administrativo. O Recorrente não apresentou nenhuma prova de que esses valores foram provenientes da distribuição de lucros da empresa da qual é sócio. Sem a necessária vinculação de cada depósito com os alegados recebimentos não há como acatar os argumentos da defesa, não sendo suficiente a declaração de tais rendimentos no ajuste anual. h) Data 25/11/2003 Crédito de R$ 10.000,00: Expõe que não houve qualquer crédito nessa contacorrente, mas apenas um lançamento contábil e que foi cancelado ("estorno de LCTO") em seguida no dia 26/11/2003, vide extrato (doc. 07). Nesse ponto não tem razão o Recorrente, pois esse estorno de R$ 10.000,00, de 26/11/2003, foi relativo ao crédito do mesmo valor efetuado em 03/09/2003, sendo que este último foi expurgado do lançamento de ofício, conforme se verifica pelo Termo de Verificação Fiscal (fl. 308), cujo trecho se transcreve abaixo: [...] Fl. 565DF CARF MF Processo nº 19515.003380/200828 Acórdão n.º 2202004.006 S2C2T2 Fl. 559 15 Depósitos no Banco Itaú: a) Data 24.01.2003 crédito de R$ 2.000,00, Data 24.1.2003 crédito de R$2.000,00; Data 21.3.2003 crédito de R$ 4.000,00; Data 28.3.2003 crédito de R$ 4.000,00; Data 25.4.2003 crédito de R$ 1.570,00; Data 25.4.2003 crédito de R$ 2.430,00; Data 30.5.2003 crédito de R$4.000,00; Data 10.6.2003 crédito de R$ 1.000,00; Data 10.6.2003 crédito de R$ 4.000,00; Data 27.6.2003 crédito de R$ 4.000,00; Data 28.7.2003 crédito de R$ 4.000,00, Data 10.6.2003 crédito de R$ 4.000,00; Data 28.11.2003 crédito de R$ 4.000,00; data 29.12.2003 crédito de R$ 4.000,00: Justifica que todos esses depósitos referemse à devolução de empréstimo pessoal feito ao Senhor João de Paula Souza Neto, conforme declaração juntada nos autos do processo. Afirma que tal dívida não foi informada na declaração final de ajuste de ambas as partes, uma vez que foi contraída e quitada durante o próprio anocalendário 2003. Não tem razão o Contribuinte, uma vez que suas alegações são desprovidas de provas. Não há contrato de mútuo formalizado nem existe prova da efetiva entrega dos valores pelo mutuante nem pelo mutuário. É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. Nesse caso, o Recorrente apenas alegou e nada provou e, segundo brocardo jurídico por demais conhecido, "alegar e não provar é o mesmo que não alegar". O artigo 373 do Novo Código de Processo Civil (NCPC) art. 333 do antigo CPC estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...] De acordo com o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Depósitos no Banco HSBC: a) Data 21.01.2003 dep dinheiro R$ 9.311,00; Data 23.01.2003 dep dinheiro R$ 1.023,00; Data 23.01.2003 depósito R$ 5.190,00; Data 24.02.2003 depósito R$ 3.500,00; Data 6.3.2003 depósito R$ 18.250,00; Data 6.3.2003 depósito R$ 18.250,00; Data Fl. 566DF CARF MF 16 7.4.2003 depósito R$ 13.355,00; Data 30.5.2003 depósito R$ 10.500,00.Total de depósitos: R$ 79.379,00: Defende que são devoluções de empréstimo pessoal de Ademilson Svizzero conforme declaração juntada nos autos do processo. Informa que tal dívida não foi informada na declaração final de ajuste de ambas as partes, uma vez que foi contraída e quitada durante o próprio anocalendário 2003. Da mesma forma que o item anterior, não tem razão o Contribuinte, pois suas alegações não estão acompanhadas de provas. b) Data 23.1.2003 crédito Ted Sistema TIF R$ 24.000,00. Afirma que se trata de devolução de empréstimo de Luiz Mario Vizzeti com lucro na operação de R$ 917,25 o recurso foi entregue 25.11.2002 e devolvido na data da devolução, conforme declaração juntada nos autos do processo. Diz que essa dívida não foi informada na declaração final de ajuste de ambas as partes, uma vez que foi contraída e quitada durante o próprio anocalendário 2003. Do mesmo modo que os itens anteriores, não há como acolher a justificativa apresentada, por falta de provas. c) Data 10.06.2003 depósito R$ 4.000,00; Data 28.11.2003 depósito 4.000,00; Data 29.12.2003 depósito R$ 4.000,00. Aduz que se refere à devolução de empréstimo pessoal de João de Paula Souza Neto, conforme declaração juntada nos autos do processo e que a dívida não foi informada na declaração final de ajuste de ambas as partes, uma vez que foi contraída e quitada durante o próprio anocalendário 2003. Do mesmo modo que os itens anteriores, não há como acolher a justificativa apresentada, por falta de provas. d) Data 14.05.2003 crédito de R$ 10.000,00: Sustenta que é relativo à venda (sinal de pagamento) de um veículo Parati ano/modelo 2002 Placa AAY 7764 cujo negocio foi desfeito e o recurso foi devolvido por meio de dois cheques emitidos por essa conta nos valores R$ 4.999,00 cada, datados de 27/5/2003, cheques nºs 715.519 e 715.520. Assim como nos itens anteriores, não possui razão o Contribuinte, porquanto não apresentou nenhuma prova de suas alegações. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, os valores creditados em contas bancárias mantidas junto a instituição financeira, os quais o contribuinte não comprove a sua origem, serão tributados como omissão de rendimentos. Dessa forma, não procedem as alegações do Contribuinte quanto aos lançamentos de ofício relativos aos depósitos efetuados nas contas correntes mantidas junto aos bancos Fator, Itaú e HSBC. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Fl. 567DF CARF MF Processo nº 19515.003380/200828 Acórdão n.º 2202004.006 S2C2T2 Fl. 560 17 Sobre essa questão, entendo que o §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, ao se referir aos juros incidentes sobre os débitos para com a União, incluiu o tributo e a multa de ofício, pois a multa também é um débito com a Fazenda Pública. Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Nesse sentido é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas abaixo: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. (Acórdão nº 9202001.806, data de publicação: 29/11/2011, relator: Gustavo Lian Haddad, redator designado: Elias Sampaio Freire). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.191, data de publicação: 17/10/2011, relatora: Karem Jureidini Dias, redator designado: Claudemir Rodrigues Malaquias). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 568DF CARF MF 18 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 9101000.539, data de publicação: 02/07/2014, relator: Valmir Sandri, redatora designada: Viviane Vidal Wagner). No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem firmado entendido de que são devidos os juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se depreende das ementas abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (grifei) (REsp nº 1.129.990PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 1º/09/2009). Portanto, é de se subsistir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo os depósitos efetuados na conta corrente conjunta, por falta de intimação dos cotitulares. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 569DF CARF MF Processo nº 19515.003380/200828 Acórdão n.º 2202004.006 S2C2T2 Fl. 561 19 Fl. 570DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.903157/2012-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.430
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 57 /2 01 2- 18 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903157/201218 Acórdão n.º 3402004.430 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de PIS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903157/201218 Acórdão n.º 3402004.430 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.693, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903157/201218 Acórdão n.º 3402004.430 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903157/201218 Acórdão n.º 3402004.430 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903157/201218 Acórdão n.º 3402004.430 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903157/201218 Acórdão n.º 3402004.430 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903157/201218 Acórdão n.º 3402004.430 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903157/201218 Acórdão n.º 3402004.430 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720104/2007-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA válido, contemplando a área em litígio, foi apresentado em 18/09/1998, assim, muito antes do início da ação fiscal, ocorrido em 19/10/2007. Destarte, é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
Numero da decisão: 9202-005.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA válido, contemplando a área em litígio, foi apresentado em 18/09/1998, assim, muito antes do início da ação fiscal, ocorrido em 19/10/2007. Destarte, é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA válido, contemplando a área em litígio, foi apresentado em 18/09/1998, assim, muito antes do início da ação fiscal, ocorrido em 19/10/2007. Destarte, é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 01 04 /2 00 7- 17 Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10480.720104/200717 Acórdão n.º 9202005.678 CSRFT2 Fl. 227 2 Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2102002.732, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 16 de outubro de 2013 (efls. 178 a 182). Ali, por unanimidade de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO. Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. Recurso Voluntário Provido Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Enviados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de ciência em 21/11/2013 (efl. 183), esta apresentou, em 18/12/2013 (efl. 214), Recurso Especial (efls. 184 a 194 e anexos), com fulcro no art. 67 do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009. O recurso contém alegações de existência de divergência interpretativa quanto à apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), tendo sido admitido consoante exame de admissibilidade de efls. 215/216. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão 210100.442, prolatado em 11 de março de 2010, e, ainda, em relação ao decidido pela 1a. Turma Especial do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 391 00.037, prolatado em 21 de outubro de 2008, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 210100.442 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10480.720104/200717 Acórdão n.º 9202005.678 CSRFT2 Fl. 228 3 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá excluíla da base de cálculo para apuração do ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso negado. Decisão: por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka que dava provimento parcial em relação à área de preservação permanente. Acórdão 39100.037 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. ADA INTEMPESTIVO. O contribuinte não logrou comprovar a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que restam não comprovadas as áreas declaradas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada para fins de exclusão da área tributável, nos termos da legislação aplicável. A averbação à margem da matrícula do imóvel não supre a exigência legal de apresentação tempestiva do ADA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Não caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Decisão: Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso Quanto à matéria em litígio, apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão de área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, se alega: a) Cita a recorrente o estabelecido no art. 10, inciso II da Lei no. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, defendendo que o mesmo estabelece concessão de benefício fiscal e, assim, deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do CTN; Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10480.720104/200717 Acórdão n.º 9202005.678 CSRFT2 Fl. 229 4 b) Defende que, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração. Cita que tal obrigatoriedade foi respaldada pelas Instruções Normativas SRF no. 43/97, com redação dada pela IN SRF no. 67/97, 73/2000, 60/2001 e 256/2002, Manual de Perguntas do ITR/2002 e art. 10 do Decreto no. 4.382, de 19 de setembro de 2002, bem como Solução de Consulta COSIT no. 12, de 21 de maio de 2003; c) A exigência do ADA encontrase consagrada na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000. Os artigos 17 da IN/SRF nº 73/2000 e da IN/ SRF nº 60/2001, bem como o § 3º do art. 9º da IN/SRF nº 256/2002, ratificaram tal obrigação; d) No caso concreto, o contribuinte não apresentou ADA ou o seu requerimento, protocolados tempestivamente, junto ao IBAMA, não atendendo, portanto, às exigências da legislação do ITR. Requer, assim, que seja conhecido o recurso, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 12/05/14 (efl. 221), não houve oferecimento de contrarrazões e/ou Recurso Especial de iniciativa do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso e passo à análise de mérito. Para que todos possam firmar suas convicção quanto ao mérito recursal, destaco os seguintes elementos de interesse acostados aos autos: a) Início da ação fiscal: 19/10/2007 consoante edital de efl. 26; b) ADA/1997 efl. 29, contendo a área de Preservação Permanente em litígio, de 215,7 ha., protocolizado em 18/09/1998; c) Documento de efl. 141 Declaração da Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado de Pernambuco, datada de 26/02/2008; Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10480.720104/200717 Acórdão n.º 9202005.678 CSRFT2 Fl. 230 5 d) Parecer Técnico efls. 88 e ss., ainda que, conforme muito bem observado pela autoridade julgadora de 1a. instância, se refira este Parecer a imóvel distinto do em questão. Limitado o litígio assim, à possibilidade de exclusão dos 215,7 ha. a título de área de preservação permanente (consoante demonstrativo de efl. 4), acerca do tema entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10480.720104/200717 Acórdão n.º 9202005.678 CSRFT2 Fl. 231 6 Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito foi efetivamente cumprido pelo contribuinte em 18/09/98 (e fl. 29), assim muito anteriormente ao prazo estabelecido pela regulamentação infralegal da RFB (prazo limite: 31/03/04, consoante Instrução Normativa SRF no. 344, de 2003) e, também, anteriormente ao início da ação fiscal, iniciada em 19/10/07. Faço notar que, ainda que não se trate de ADA referente ao exercício em litígio (2003), mas de exercício anterior, a possibilidade de aproveitamento do ADA/1997 deflui, em meu entendimento, da desnecessidade de sua apresentação anual, sistemática que durou até o ano de 2006, da seguinte forma, claramente expressa pelo art. 10, caput e parágrafo único da Instrução Normativa Ibama no. 76, de 31 de outubro de 2005, in verbis: Art 10. A apresentação do ADA se fará uma única vez, devendo ser apresentada uma declaração retificado ra apenas quando houver alguma alteração dos dados informados na DITR. Parágrafo único. A Declaração Retificadora deverá ser feita em casos de alteração da dimensão de quaisquer das áreas, alteração de endereço ou alienação de parte ou toda a propriedade rural, dentre outras Quanto ao momento de entrega do ADA, com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, entendo que o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10480.720104/200717 Acórdão n.º 9202005.678 CSRFT2 Fl. 232 7 admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10480.720104/200717 Acórdão n.º 9202005.678 CSRFT2 Fl. 233 8 Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10480.720104/200717 Acórdão n.º 9202005.678 CSRFT2 Fl. 234 9 aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Repetindose uma vez mais que, no caso em questão, o ADA, contemplando a área de preservação permanente glosada de 215,7 ha. em litígio, foi entregue em 18/09/98 (e fl. 29) e admitindose aqui o aproveitamento do ADA/1997 para exercícios até 2006 (inclusive), o requisito restou cumprido, assim, anteriormente ao início da ação fiscal (iniciada em 19/10/07, conforme efl. 26), sendo de se rechaçar a glosa da área de preservação Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10480.720104/200717 Acórdão n.º 9202005.678 CSRFT2 Fl. 235 10 permanente perpretada pela autoridade fiscal. De se manter, destarte, o provimento parcial, na forma decidida pelo Colegiado a quo. Ainda, pelos elementos acostados aos autos (em especial a declaração de efl. 141), de se ressaltar que há evidência suficiente acerca da materialidade da referida área de preservação permanente no presente caso. De se notar que tal documento é expresso em estabelecer que o imóvel em questão, em específico, está dentro de área de preservação permanente, não sendo ato de caráter genérico. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 235DF CARF MF
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Numero do processo: 13738.001499/2007-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1505; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 857 1 856 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13738.001499/200784 Recurso nº Embargos Resolução nº 2202000.781 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 05 de julho de 2017 Assunto MULTA. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado FRIBURGAUTO LTDA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Proferido o Acórdão 2202003.248, de 08 de março de 2016, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, nos seguintes termos (fl. 846): Tratase de auto de infração lavrado em razão de descumprimento de obrigação acessória. O Processo Administrativo Fiscal contempla o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 37.124.5036 (fls.68), que consiste em apresentar a empresa o RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 38 .0 01 49 9/ 20 07 -8 4 Fl. 857DF CARF MF Processo nº 13738.001499/200784 Resolução nº 2202000.781 S2C2T2 Fl. 858 2 documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, com período de apuração 01/2003 a 12/2003 ,conforme TIAF, de fls.11/13. Apontou, em resumo, dois vícios no Acórdão embargado: I O v.acórdão mostrouse omisso, por não constar dos autos o teor do voto vencido; II O v. acórdão, por maioria de votos, concedeu interpretação extensiva a dispositivo que previa anistia de multa por descumprimento de obrigação acessória, reputando indevida sua cobrança. Incide em omissão em relação às condições de aplicabilidade da anistia prevista no artigo 49, da Lei nº 13.097/2015 (sem a correta indicação da data da entrega da GFIP – onde consta os autos bem como se preenche TODOS OS REQUISITOS PARA GOZO de eventual anistia, bem como, concedeu interpretação extensiva a dispositivo que previa anistia de multa por descumprimento de obrigação acessória. Em despacho de 19 de dezembro de 2016 (fl. 855), o Presidente da 2ª Turma Ordinária, no uso de suas atribuições regimentais, decidiu que: a) Embora alegue a Fazenda Nacional que não consta o teor do voto vencido, verificase que o entendimento do Conselheiro Relator foi vencedor. Portanto, de acordo com o § 1º do art. 63 do RICARF, não há que se integrar à decisão o teor do voto vencido. b) De fato, verificase que o Relator considerou que "... a multa aplicada nesse auto de infração está abarcada pela anistia concedida pela Lei 13.097/2015". Entretanto, pela simples leitura do acórdão, não é possível aferir se a Contribuinte enquadrase na citada norma, fundamentalmente porque não há qualquer menção de que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei nº 8.212/1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega (art. 49 da Lei nº 13.097/2015). Ainda que se considere inaplicável à espécie o inciso IV do caput do art. 32 da Lei nº 8.212/1991, esse entendimento deve estar expresso no voto, mormente em razão de prequestionamento para eventual interposição de Recurso Especial. Portanto, os embargos foram expressamente admitidos apenas para que fosse sanada a omissão descrita no item "b", acima (fl. 856). É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso interposto é tempestivo, conforme analisado no despacho de admissibilidade, na fl. 855. Fl. 858DF CARF MF Processo nº 13738.001499/200784 Resolução nº 2202000.781 S2C2T2 Fl. 859 3 Os autos foram enviados à Fazenda Nacional em 08/04/2016 (Despacho de Encaminhamento de fl. 845). Assim, de acordo com o disposto no art. 7º, § 5º, da Portaria MF nº 527/2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Embargos de Declaração até 14/05/2016, o que foi feito em 06/05/2016, portanto, tempestivamente, com a devolução dos autos ao CARF, conforme Despacho de Encaminhamento de fl. 853. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético (arquivo .pdf). Entendo que o Relator deixou expresso seu entendimento, no voto que foi vencedor. Na sua lógica, a Lei 13.097/2015, publicada no DOU em 20.01.2015 com vigência dos artigos 48 a 50, na data de publicação, concedeu anistia a uma infração (artigo 32A, da Lei 8.212/1991) que descreve uma conduta idêntica àquela descrita no anterior artigo 32, da mesma lei, na qual foi enquadrado o aqui interessado. Vejamos: ... Lei 13.097/2015, ocorre que o artigo 49 citado e abaixo reproduzido dá expressa anistia as multas previstas no artigo 32 – A, da Lei 8.212/91. (...) Com a entrada em vigor do artigo 32 – A como supramencionado, a infração passou a ter esse descrição: (...) Observese que a diferença básica está na citação “dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias”. Ora evidente que se nem todos os dados referentes aos fatos geradores foram declarados é porque houve omissão em relação a alguns deles. Evidenciase, assim, que a infração anterior é idêntica a nova infração, mas apenas com uma outra roupagem e descrição. Desta forma, penso que a multa aplicada nesse auto de infração está abarcada pela anistia concedida pela Lei 13.097/2015, ainda, que tal lei só cite o artigo 32 – A e várias são as razões que me levam a essa conclusão. A uma, porque o artigo 108, I, da Lei 5.172/66 admite o empregado da analogia em matéria tributária ... A duas, porque o contribuinte não se defende do dispositivo legal infringido, mas sim da imputação, que a ele é feita ... A três, porque segundo a doutrina citada abaixo a anistia exclui a infração e não a capitulação legal imposta.... A quatro, porque além disso temos que observar o que diz o artigo 112, III e IV, da Lei 5.172/66, ou seja, havendo dúvida quanto a imputabilidade e a natureza da penalidade aplicável, por ser a “anistia Fl. 859DF CARF MF Processo nº 13738.001499/200784 Resolução nº 2202000.781 S2C2T2 Fl. 860 4 perdão da falta, da infração, que impede o surgimento do credito tributário correspondente à multa respectiva [Hugo de Brito, 2006: 248], devese decidir a favor do contribuinte. (...) Lembro, ainda, que em verdade o dispositivo legal a prevalecer não seria o antigo, artigo 32, IV, §5º, mas sim o artigo 32 – A – I, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, uma vez que o artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66 determina a aplicação da legislação que comine penalidade menos severa e isso vinha sendo aplicado sistematicamente pelo menos na 3ª TE/3ª Câmara/2ª Seção/CARF. Assim, com os trechos acima copiados, podese verificar que houve análise da questão e que o relator apresentou cinco motivos expressos que o levaram a entender pela aplicação da anistia ao dispositivo legal citado no Auto de Infração. A Embargante tem entendimento diferente e pretende que sejam aplicados outros dispositivos do CTN, mas não creio que isso deva ser realizado em sede de embargos declaratórios. Os embargos não se prestam a rediscutir a matéria, mas a esclarecer pontos obscuros, decidir questões omissas ou resolver contraditórios entre os fundamentos e a decisão. Ensina Humberto Theodoro Junior que: No caso de omissão, o julgamento dos embargos suprilaá, decidindo a questão que, por lapso, escapou à decisão embargada. (...) Em qualquer caso, a substância do julgamento será mantida, visto que os embargos de declaração não visam à reforma do acórdão, ou da sentença. No entanto, será inevitável alguma alteração no conteúdo do julgado, principalmente quando se tiver de eliminar omissão ou contradição. O que, todavia, se impõe ao julgamento dos embargos de declaração é que não se proceda a um novo julgamento da causa, pois a tanto não se destina esse remédio recursal. As eventuais novidades introduzidas no decisório primitivo não podem ir além do estritamente necessário à eliminação da obscuridade ou contradição, ou ao suprimento da omissão. (in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed. vol. I, Forense: Rio de Janeiro, 2004. pp 560/1).(destaquei) Assim, não se vai, em sede de embargos, fazer um "julgamento do julgamento" para dizer se ele acertou ou errou ao apreciar tal alegação, ao não considerála, ao sopesála dentro das provas que constam do processo. Aliás, é livre o convencimento do julgador, cabendolhe analisar livremente as provas e os fatos. O que cabe, como ensina o Professor supracitado, é eliminar ponto omitido, obscuro ou controverso, decidindo questão que não foi decidida, ou esclarecendo a decisão tomada, para possibilitar às partes a ampla defesa. De forma alguma, decidila novamente, sob outra ótica ou sob outro argumento. O único ponto a ser esclarecido, que foi admitido no despacho de admissibilidade do ilustre Presidente de Turma, é se a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei nº 8.212/1991, fora apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega (art. 49 da Lei nº 13.097/2015). Caso não tenha sido atendida tal condição, esclarecer se seria ou não mantido o entendimento proferido no Acórdão embargado. Fl. 860DF CARF MF Processo nº 13738.001499/200784 Resolução nº 2202000.781 S2C2T2 Fl. 861 5 Diz o artigo 49 da Lei 13.097/2015, citado: Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. (destaquei) Bem, no Relatório Fiscal que consta da fl. 17, o Auditor Fiscal diz que: Apresentou a empresa, o documento a que se refere o § 30 e o inc. IV, art. 32, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentados pela Lei no 9.528, de 10 de dezembro de 1997, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, ocorrido nas competências compreendidas entre 01/2003 a 12/2003,... (...) 02 Em decorrência do acima exposto, foram apuradas as seguintes diferenças de contribuições devidas, mas não declaradas: (destaquei) Ou seja, houve apresentação da GFIP, não se falando aqui em falta de declaração, mas em declaração inexata. A DRJ, após analisar a Impugnação apresentada, registrou que (fl. 662): A exceção da falha na competência 13/2003, que reconhece ter cometido, a impugnante contesta o cometimento da infração em relação a todas as demais competências, apresentando as GFIP que entende fariam prova de suas razões. 12.1. Observo que a competência 13/2003 sequer existia à época da elaboração das GFIP (só foi criada a GFIP de competência 13 a partir de 2005), sendo as informações a ela concernentes apresentadas em conjunto com as da competência 12/2003. 12.2. De qualquer forma, as informações referentes às contribuições de tal competência, como reconheceu a impugnante, foram apresentadas a menor, razão por que mantenho a autuação para tal período. 13. Relativamente às demais competências, as GFIP apresentadas, todas com datas variadas de emissão, indo de 10/fevereiro/2003 a 30/abril/2004 (muito anteriores à Auditoria Fiscal de que se originou o presente auto de infração), vide fls. 134/326, efetivamente, corroboram as alegações da empresa, porém não há comprovação do envio das mesmas e tais GFIP diferem daquelas constantes do sistema informatizado à disposição da Receita Federal do Brasil, ou seja, não há provas de que foram entregues para processamento à Caixa Econômica Federal, do que decorre que não fazem prova e qualquer efeito sobre o presente Auto de Infração (vide fls. 335/345). (destaquei) No recurso (fl.722), o contribuinte trata de questão preliminar, alegando que a fundamentação legal empregada na autuação seria inconstitucional e, no mérito, que a autuação Fl. 861DF CARF MF Processo nº 13738.001499/200784 Resolução nº 2202000.781 S2C2T2 Fl. 862 6 está equivocada porque "não há nenhuma desconformidade na declaração de contribuição previdenciária apresentada...". Diz então que "nas declarações anexadas à impugnação constam todos os nomes dos empregados segurados, remunerações e descontos ocorridos na rescisão do contrato de trabalho."(grifei) Elabora então uma tabela com indicação de folhas que não consigo localizar nestes autos. Não identifiquei se a referência é à numeração original (carimbo) ou à folha da GFIP que menciona. E diz mais (fl. 748): i com relação ao período de 01/2003 apontado no auto de infração, a empresa apresentou GFIP complementar contendo a aliquota individual correta, portanto, não mais subsistindo a irregularidade apontada pelo Senhor Auditor Fiscal; ii embora a empresa reconheça a diferença devida quanto ao período relativo a 13/2003, informou (como informa no presente) que as providências necessárias à correção da GFIP com relação a esse fato gerador estão sendo tomadas ... Entendo, assim, que existem dúvidas a serem esclarecidas, para que se possa proferir a devida decisão e por isso VOTO pela conversão do julgamento em DILIGÊNCIA, nos seguintes termos: a) a Unidade preparadora aponte, uma a uma, a data de apresentação das declarações que ensejaram a autuação que aqui se discute (01 a 12/2003), para que se possa verificar se atendem à parte final do artigo 49 da Lei nº 13.097/2015. A Unidade aponte ainda se existem declarações originais e retificadoras, discernindo as datas de apresentação. b) o contribuinte seja intimado a comprovar a efetiva apresentação/transmissão das declarações que apresentou juntamente com a impugnação, e às quais faz referência no recurso, uma vez que a DRJ disse que as mesmas não constam dos sistemas da Receita Federal, conforme acima transcrito e destacado. c) caso o contribuinte comprove a transmissão das declarações, que o mesmo aponte onde estariam declarados os fatos geradores que ensejaram o lançamento que aqui se discute, uma vez que não foi possível verificar com a referência feita no recurso. Após, a Unidade elabore relatório circunstanciado com o resultado da diligência e dê ciência ao contribuinte, para, querendo, manifestarse no prazo de trinta dias, e retorne os autos ao CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 862DF CARF MF
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