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Numero do processo: 10680.906489/2015-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 23/04/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 23/04/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 64 89 /2 01 5- 61 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.906489/201561 Acórdão n.º 3301005.236 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06057.127. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.906489/201561 Acórdão n.º 3301005.236 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.906489/201561 Acórdão n.º 3301005.236 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.906489/201561 Acórdão n.º 3301005.236 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.906489/201561 Acórdão n.º 3301005.236 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10680.906489/201561 Acórdão n.º 3301005.236 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910645/2015-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 24/02/2012
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 45 /2 01 5- 99 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910645/201599 Acórdão n.º 3301005.299 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.521. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910645/201599 Acórdão n.º 3301005.299 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.910645/201599 Acórdão n.º 3301005.299 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10680.910645/201599 Acórdão n.º 3301005.299 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10680.910645/201599 Acórdão n.º 3301005.299 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10680.910645/201599 Acórdão n.º 3301005.299 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.001200/2009-32
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA NORMA TRIBUTÁRIA.
Matéria de ordem pública é a que condiciona a legitimidade do próprio exercício de atividade administrativa. Por isso, embora não suscitada em etapas anteriores, notadamente no âmbito da manifestação de inconformidade, não preclui e pode, a qualquer tempo, ser objeto de exame, em qualquer fase do processo e em qualquer grau de jurisdição, sendo passível de reconhecimento de ofício pelo julgador.
A rigor, a retroatividade da lei tributária é matéria de ordem pública, porquanto o inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional versa sobre a possibilidade de consecução pretérita de efeitos jurídicos em face de uma lei, em sentido amplo, mais benéfica ao contribuinte.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. PER/DCOMP. FATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. SUPOSTA ALTERAÇÃO DA NORMA DA INCIDÊNCIA QUE REGRA A MATÉRIA POR OUTRA MAIS RECENTE. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE.
A legislação tributária em regra é irretroativa comportando as exceções estabelecidas no artigo 106 do CTN, cujo escopo é a possibilidade de se eliminar e reduzir penalidades, desde que não se trate de fato definitivamente julgado. Em relação à dispensa de tributo, desde que não se trate perdão com vigência presente ou futura, a lei tributária é irretroativa, não podendo ampliar para fins de contemplar algo que não constava na lei anterior.
Tratando de glosa de crédito de mercado externo acumulado ao final de cada trimestre-calendário, cujo pedido, segundo a norma de regência da matéria, o ressarcimento e/ou compensação, mediante PER/Dcomp, impõe que cada pedido deva referir-se a um único trimestre-calendário e ser efetuado pelo saldo credor remanescente do mesmo trimestre a que se refere o crédito, ainda que fosse o caso, é inaplicável a pretensão do contribuinte quando busca se socorrer das exceções do artigo 106 do CTN para fins de retroação de norma editada posteriormente à formulação do respectivo pedido.
Numero da decisão: 3001-000.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer tão somente o crédito decorrente da operação de locação de imóvel por pessoa jurídica, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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APLICAÇÃO RETROATIVA DA NORMA TRIBUTÁRIA. Matéria de ordem pública é a que condiciona a legitimidade do próprio exercício de atividade administrativa. Por isso, embora não suscitada em etapas anteriores, notadamente no âmbito da manifestação de inconformidade, não preclui e pode, a qualquer tempo, ser objeto de exame, em qualquer fase do processo e em qualquer grau de jurisdição, sendo passível de reconhecimento de ofício pelo julgador. A rigor, a retroatividade da lei tributária é matéria de ordem pública, porquanto o inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional versa sobre a possibilidade de consecução pretérita de efeitos jurídicos em face de uma lei, em sentido amplo, mais benéfica ao contribuinte. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. PER/DCOMP. FATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. SUPOSTA ALTERAÇÃO DA NORMA DA INCIDÊNCIA QUE REGRA A MATÉRIA POR OUTRA MAIS RECENTE. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A legislação tributária em regra é irretroativa comportando as exceções estabelecidas no artigo 106 do CTN, cujo escopo é a possibilidade de se eliminar e reduzir penalidades, desde que não se trate de fato definitivamente julgado. Em relação à dispensa de tributo, desde que não se trate perdão com vigência presente ou futura, a lei tributária é irretroativa, não podendo ampliar para fins de contemplar algo que não constava na lei anterior. Tratando de glosa de crédito de mercado externo acumulado ao final de cada trimestrecalendário, cujo pedido, segundo a norma de regência da matéria, o ressarcimento e/ou compensação, mediante PER/Dcomp, impõe que cada pedido deva referirse a um único trimestrecalendário e ser efetuado pelo saldo credor remanescente do mesmo trimestre a que se refere o crédito, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 12 00 /2 00 9- 32 Fl. 223DF CARF MF 2 ainda que fosse o caso, é inaplicável a pretensão do contribuinte quando busca se socorrer das exceções do artigo 106 do CTN para fins de retroação de norma editada posteriormente à formulação do respectivo pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer tão somente o crédito decorrente da operação de locação de imóvel por pessoa jurídica, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Pedido de Ressarcimento Tratase de pedido de ressarcimento de créditos (PER/DCOMP) de PIS/Pasep de incidência não cumulativa, relativo ao 4º trimestre do ano calendário de 2006, no valor de R$ 76.278,89 ( setenta e seis mil e duzentos e setenta e oito reais e oitenta e nove centavos). Termo de Início de Fiscalização Foi dado inicio à diligência no contribuinte para realizar verificação para fins de ressarcimento do PIS/ Pasep nãocumulativo (§ 1° do art. 5 0 da Lei n° 10.637/2002) e da Cofins nãocumulativa (§1° do art.6° da Lei n° 10.833/2003) do 2° trimestre de 2004 ao 4° trimestre de 2006, onde o mesmo foi intimado para apresentar ou disponibilizar, no prazo de 30 dias, inúmeros documentos relativos ao período mencionado. Despacho Decisório Fl. 224DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 224 3 A autoridade fiscal afirma que a contribuinte forneceu, em meio magnético, arquivo contendo todas as notas ficais utilizadas como insumos, bem como, apresentou, em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização, memória de cálculo demonstrando os valores preenchidos nos DACON. Alega, também, em seu Despacho Decisório, que ao analisar os dados informados, constatouse que foram incluídos como crédito, na apuração do PIS, valores de aluguéis pagos à Pessoa Física, o que é proibido pela legislação tributária. Ademais, que foram incluídos valores sem o respaldo de notas fiscais de entrada, o que provocou a apuração de créditos a menor. Com isso, o presente despacho decisório houve por bem, reconhecer parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 52.931,62 e homologar a DCOMP até o limite de crédito reconhecido. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega, em suma, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal, principalmente quanto aos aluguéis pagos e no que se refere aos créditos de exportação utilizados. Créditos de Aluguel Alega a manifestante que o crédito de aluguel utilizado como base de cálculo para fins de compensação/ressarcimento referese ao Aditivo n.1, que é o contrato realizado com a empresa GARANTIA ADMINISTRADORA DE BENS E SERVIÇOS LTDA., pessoa jurídica, e não à pessoa física, como alega a autoridade fiscalizadora e por isso, merece o reconhecimento dos créditos de aluguel no montante de R$ 351,83. Créditos de Exportação Remanescentes do 3º Trimestre A manifestante alega que os créditos de exportação remanescentes do 3º trimestre de 2006 foram devidamente utilizados nos meses de outubro a dezembro de 2006 e que seu Pedido de Ressarcimento foi elaborado de acordo com a IN n° 900/2008. Ademais, afirma que anexou CONTROLE DE UTILIZAÇÃO DOS SALDOS CREDORES – PIS utilizados no ano de 2006, o que demonstraria que não houve utilização indevida de créditos provenientes do saldo credor do 3º trimestre. Com isso, requereu a revisão da Decisão exarada, para que fosse reconhecido o direito creditório de exportação na monta de R$ 22.533,69. Diferença Glosada Por fim, informa que o montante de crédito acima defendido somado ao valor já reconhecido, soma a monta de R$ 75.817,17. Portanto, alega que existe uma diferença glosada de R$ 461,72, feita pela autoridade fiscal, sem que, contudo, possa ser identificada pela empresa qual a origem da negativa deste crédito. DRJ/FNS Fl. 225DF CARF MF 4 A manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0729.361 4ª Turma da DRJ/FNS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIMENTO. FUNDAMENTAÇÃO. Os fundamentos de fato e de direito são elementos essenciais para embasar a decisão administrativa que não reconhece o direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS VINCULADOS AO MERCADO EXTERNO. SALDO REMANESCENTE. Os créditos de mercado externo acumulados ao final de cada trimestre calendário poderão ser objeto de ressarcimento ou compensação, mediante PER/DCOMP, sendo que cada pedido deverá referirse a um único trimestre calendário e ser efetuado pelo saldo credor remanescente do mesmo trimestre a que se referem os créditos. O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Trata o processo de pedido de ressarcimento de créditos (PER/DCOMP) da Contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep de incidência não cumulativa, relativo ao 4º. trimestre do anocalendário de 2006, no valor de R$ 76.278,89 ( setenta e seis mil e duzentos e setenta e oito reais e oitenta e nove centavos). Na análise do pedido formulado pela empresa acima identificada, constatou a autoridade fiscalizadora que foram considerados, para fins de créditos, os valores de aluguéis pagos à pessoa física. Além disso, foram incluídos valores sem o respaldo de notas fiscais de entrada. Conforme o Despacho Decisório constante dos autos, foi reconhecido parcialmente o crédito no valor de R$ 52.931,62 (cinqüenta e dois mil e novecentos e trinta e um reais e sessenta e dois centavos). Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 225 5 A contribuinte encaminhou a presente manifestação de inconformidade, onde alega, em síntese, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal, no tocante à análise da documentação apresentada pela empresa, haja vista que os pagamentos de aluguéis foram feitos à empresa Garantia Administradora de Bens e Serviços Ltda., pessoa jurídica, conforme documentação em anexo. Apresenta a discriminação dos créditos gerados em outubro/2006, novembro de 2006 e dezembro de 2006, nos valores de R$ 21.865,98, R$ 30.562,55 e R$ 23.850,36. Aduz que o crédito gerado em outubro/2006 foi no montante de R$ 22.501,17, porém na Dacon do próprio mês foram utilizados (descontados) créditos originários deimportação vinculados à Receita de Exportação no valor de R$ 635,19; e que os créditos de exportação remanescentes no 3º. trimestre /2006 foram devidamente utilizados nos meses de outubro a dezembro de 2006, apresentando a planilha do valor utilizado a cada mês. Alega que o Pedido de Ressarcimento foi elaborado em total e inequívoca conformidade com a Instrução Normativa nº. 900/2008. Anexa o “Controle de utilização dos saldos credores – PIS” com o intuito de demonstrar que não houve utilização indevida de créditos provenientes de saldo credor do 3º. Trimestre de 2006, visto que, tais valores, além de estarem amparados nos respectivos livros contábeis (Diário de Razão) e fiscais da empresa, devidamente registrados na JUCESC, também não foram objeto objeto de glosa por parte da RFB. Acrescenta que existe uma diferença glosada de R$ 461,72 sem que, contudo, possa ser identificada pela empresa a origem desta glosa. Chama atenção para o fato de que, juntamente com o termo de intimação para apresentação da manifestação de inconformidade acompanha decisão referente ao processo nº. 11516.001200200946 e não ao presente processo, o que talvez justifique o equívoco na análise dos documentos da empresa. Requer, por fim, a revisão total da decisão. Locadora Pessoa Jurídica Quanto aos créditos de aluguel, entendeu a DRJ/FNS que embora a contribuinte tenha demonstrado que contratou com uma Pessoa Jurídica, deixou de apresentar as respectivas notas fiscais emitidas pela empresa locadora, com a finalidade de comprovar que os pagamentos foram efetivados e feitos nos montantes que constam do Dacon. Por isso, manteve as glosas relativas aos valores de aluguel de R$ 351,86. Créditos de Trimestres anteriores No tocante aos créditos remanescentes do trimestre anterior, o entendimento foi no sentido de que não há como reconhecer no quarto trimestre os valores relativos a créditos remanescentes relacionados ao mercado externo, relativos ao terceiro trimestre, com base no art. 21 da IN SRF nº. 600/2005, vigente à época da apresentação do PER/Dcomp sob Fl. 227DF CARF MF 6 análise. Ademais, acrescentou que, por conta da normativa, a contribuinte deveria ter gerado um PER/DCOMP específico para o ressarcimento. Desta forma, manteve a glosa objeto da manifestação no valor de R$ 22.533,69. Por fim, quanto a diferença glosada de R$ 461,72, a DRJ afirma, em seu Voto, que não consta discriminado no relatório fiscal a situação fática, ou seja, quais créditos, cujas notas faltantes teriam dado ensejo a este valor de glosa, impossibilitando a manifestação da contribuinte frente ao valor glosado. Isso posto, considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade quanto ao valor de R$ 461,72. Desta forma, o valor reconhecido passa a ser de R$ 53.393,34. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente aduz seu argumento principal na impossibilidade de exigência de nota fiscal como prova de pagamento de aluguel à pessoa jurídica, bem como a aplicação de lei mais benéfica para a compensação dos créditos remanescentes do trimestre anterior. Créditos de Aluguel Em suma, a recorrente alega que a tese adotada pela DRJ de que, a contribuinte, para viabilizar o direito creditório dos aluguéis, deveria ter apresentado as notas fiscais respectivas, não pode prevalecer. Nesse sentido, aduz que a posição adotada lhe impõe a obrigação de comprovar o cumprimento de obrigação acessória por terceiro locador, ou condiciona o direito ao crédito à produção de prova documental inexigível por lei, isto porque, segundo a mesma, o locador é obrigado a fornecer simples recibo discriminado das importâncias pagas pelo locatário e não nota fiscal. Créditos Remanescentes do 3° Trimestre operações no mercado externo Alega a recorrente, que foram afastados pela autoridade fiscalizadora, créditos decorrentes de operações no mercado externo remanescentes do trimestre anterior, ou seja, 3º trimestre, à luz da IN SRF 600/2005, por ser vigente ao tempo da apresentação do PER/DCOMP impugnado. Por fim, acresce que a IN SRF 900/2008 aboliu o lapso temporal instituída pela Instrução Normativa revogada, e consagrou o direito da compensação irrestrita de débitos próprios, vencidos ou vincendos, requerendo que seja aplicada, retroativamente, a Normativa de 2008, por ser lei mais favorável ao contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que reconheceu parcialmente o Pedido de Ressarcimento de PIS de incidência não cumulativa. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 226 7 Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 27.08.2012, conforme Aviso de Recebimento AR, fls. 213214, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 20.09.2012, conforme comprova o carimbo da ARF CRICIÚMA, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos. Créditos de exportação, créditos de Aluguel e Glosa de Diferença. DOS FATOS Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS de incidência não cumulativa, formalizado pelo PERDCOMP n° 35070.42803.160207.1.1.089555, referente aos períodos de apuração 10 a 12/2006 (4° trimestre de 2006). O direito creditório foi reconhecido parcialmente pelos órgãos “a quo”, que homologaram a compensação na monta de R$ 53.393,34, pelos argumentos tratados no Relatório acima. Diante disso, a recorrente busca o reconhecimento de créditos na monta de R$ 22.885,25, que se subdividem em créditos de aluguel e créditos de exportação remanescentes do 3º trimestre do mesmo ano calendário. MÉRITO Crédito decorrente de contrato de Locação Fl. 229DF CARF MF 8 Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de COFINS de incidência não cumulativa, formalizado por PERDCOMP, referente aos períodos de apuração 01 a 03/2005 (1° trimestre de 2005), que, na matéria cujo mérito será enfrentado, circunscreve se a determinar se, conforme a linguagem expressa no voto condutor da decisão examinada, é legal a exigência de nota fiscal emitida pela locatária para comprovar a legitimidade da tomada do crédito de locação, previsto no artigo 3.º , iv da Lei 10.833/03. Seguese ao trecho enxertado. Todavia, embora a contribuinte tenha demonstrado que contratou com uma Pessoa Jurídica, deixou de apresentar as respectivas notas fiscais emitidas pela empresa locadora, com a finalidade de comprovar que os pagamentos foram efetivados e feitos nos montantes que constam do Dacon. Percebese que a autoridade de primeira instância reconheceu ter sido a locatária, pessoa jurídica, enquadrandose, portanto na hipótese legal aqui discutida. Neste sentido, encontrase devidamente satisfeita a argumentação trazida em sede de defesa: No tocante à glosa referente ao crédito de aluguel utilizado como base de cálculo para compensação/ressarcimento, verificase que os aluguéis aproveitados como crédito referemse ao contrato realizado 'corn a empresa GARANTIA ADMINISTRADORA DE BENS E SERVIÇOS LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n. 04.980.774/000187, conforme aditivo n. 01 ao Contrato de Locação em 17.12.2001 e não à pessoa física, como por equivoco concluiu , a autoridade notificante. Outrossim, resta claramente delineado que a questão aqui tratada referese ao fato de não ter sido apresentadas as notas fiscais para fins de comprovação. Créditos decorrentes de Aluguel Suficiência probatória dos contratos de locação Os créditos decorrentes de aluguel estão previstos na legislação e respeitam a seguinte determinação: a locação deve ser de prédios, com o requisito de ser pago unicamente a pessoa jurídica, e, ainda, necessariamente deverão ser empregados na utilização das atividades operacionais da empresa. Quanto ao primeiro requisito, registrase que o contrato de locação acostado em fls. 123 destes autos, o documento denominado ADITIVO NR.. 01 AO CONTRATO DE LOCAÇÃO CELEBRADO EM 17.12.2001 ENTRE SÉRGIO CIZESKI, COMO LOCADOR, E PLASSON DO BRASIL Ltda., COMO LOCATÁRIA. Neste instrumento, agora em fls. 128, deparase com a incorporação do mencionado imóvel, anteriormente dado em locação, conforme visto, ao capital social da empresa GARANTIA ADMINISTRADORA DE BENS E SERVIÇOS Ltda. , consoante o mencionado ato de constituição desta sociedade na JUCESC sob NIRE 42203139679. Com isto, e de acordo com o expresso em seu item 2. o titular do contrato de locação seria a pessoa jurídica GARANTIA. A título de evidenciar a existência do contrato de locação, acosta, também, Aditivo n.º 02, firmado em 31 de março de 2009. Desta vez, para regrar novo prazo de locação. Ainda, importa a menção na qual a peça contém a cláusula primeira, cujo conteúdo demonstra a descrição do objeto de tal instrumento, como sendo "um terreno com Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 227 9 área de 3.501,77 m2, com um pavilhão industrial recém construído, me primeira ocupação, com área de 1.377,70m2". Portanto, concluise que os requisitos para o reconhecimento da legitimidade do crédito estão satisfeitos, determinando ser o contrato de locação a Documentação hábil para comprovação da existência do negócio. Desnecessidade de nota fiscal A recorrente, enquanto pratica atividade de locação, não é contribuinte estadual nem municipal, não sendo lícito impor o requisito probatório da juntada de notas fiscais. Devidamente enfrentadas as questões de fato e mérito, apontase decisão desta CARF no sentido de aceitar os contratos de locação como instrumentos aptos a comprovação do negócio, inclusive apontadolhe as devidas limitações (no precedente citado, foi excluído da base do crédito, taxas condominais, por não ser parte do preço contratado, este sim, base para a tomada de crédito, conforme, repitase, previsão contratual, e, não, valor emitido em nota fiscal. Acórdão nº 3401004.021 ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO. O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias público privadas. Fundamento legal Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Créditos Remanescentes do 3° Trimestre operações no mercado externo Aduz que, segundo essa normativa, o crédito pretendido compensar, deveria estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestre, o que restou inobservado pela mesma, que se valeu de créditos remanescentes do terceiro trimestre para compensação de débitos do quarto trimestre do mesmo ano. Fl. 231DF CARF MF 10 No entanto, a contribuinte entende que deveria ter sido aplicado ao caso em concreto, a IN SRF 900/2008, normativa revogadora da IN SRF 600/2005, tendo em vista que a mesma entrou em vigor ao tempo em que o PER/DCOMP ainda se encontrava pendente de homologação. Isto porque, haveria no ordenamento jurídico, norma que prestigia o contribuinte, merecendo, assim, retroagir até a data do pedido de compensação. Razão deve assistir à requerente; o limite temporal para utilização do crédito prevista na IN 600/2005, deve retroagir sob força do artigo 106 do CTN Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conclusão Conheço do recurso, para no MÉRITO, dar provimento a tomada de crédito decorrente da operação de locação de imóvel e reconhecer a aplicação retroativa da IN 900/2008. Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Preâmbulo Com a devida licença aos argumentos do I. Conselheiro Relator e concessa venia aos meus pares que entenderam em sentido contrário, esclareço que o presente prestase tão somente para expor meu entendimento acerca da impossibilidade de se aplicar, ao caso sob exame, a retroatividade da lei tributária, ínsita no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN Lei nº 5.172, de 25.10.1966, conforme suscitado, tão somente, em sede de Recurso Voluntário. Entendem os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante serem aplicáveis, relativamente aos "Créditos Remanescentes do 3º Trimestre, em operações no mercado externo", as disposições prescritas pelo inciso II do artigo 106 do CTN, para fins de acolher o entendimento segundo o qual aplicase ao caso sob exame Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 228 11 as disposições da IN RFB nº 900, de 30.12.2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 28.12.2005, ao fundamento de que a IN RFB nº 900, de 2008 vigorava ao tempo em que o PER/Dcomp em análise ainda se encontrava pendente de homologação. Dos fundamentos da decisão recorrida A decisão recorrida Acórdão 0729.361, da 4ª Turma da DRJ/FNS, de 15.06.2012, analisando os termos da manifestação de inconformidade apresentada, concluiu pelo reconhecimento parcial do direito creditório vindicado, cuja síntese está expressa na ementa a seguir transcritas, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIMENTO. FUNDAMENTAÇÃO. Os fundamentos de fato e de direito são elementos essenciais para embasar a decisão administrativa que não reconhece o direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS VINCULADOS AO MERCADO EXTERNO. SALDO REMANESCENTE. Os créditos de mercado externo acumulados ao final de cada trimestrecalendário poderão ser objeto de ressarcimento ou compensação, mediante PER/DCOMP, sendo que cada pedido deverá referirse a um único trimestrecalendário e ser efetuado pelo saldo credor remanescente do mesmo trimestre a que se referem os créditos. Impugnação Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Do recurso voluntário Não conformandose com parte dos fundamentos da decisão a quo, haja vista que esta somente reverteu parte das glosas realizadas pela autoridade fiscal que exarou o Despacho Decisório constante dos autos, o Recurso Voluntário, no que importa apreciarmos no presente Voto Vencedor, sustenta, como visto do Relatório, que a IN SRF 900/2008 aboliu o lapso temporal instituída pela Instrução Normativa revogada, e consagrou o direito da Fl. 233DF CARF MF 12 compensação irrestrita de débitos próprios, vencidos ou vincendos, requerendo que seja aplicada, retroativamente, a Normativa de 2008, por ser lei mais favorável ao contribuinte. Do mérito Do ineditismo da alegação e da matéria de ordem pública De plano, cabe esclarecer que a matéria aqui tratada retroatividade benigna da IN RFB nº 900, de 2008, aplicação ao presente caso, tratase, como já salientado, de pedido inédito no curso do presente processo, pois não foi suscitado no âmbito da manifestação de inconformidade apresentada em 26.02.2010 e, por conseguinte, não foi objeto de apreciação do colegiado a quo. À luz dos artigos 16, inciso II e 17 Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo fiscal, em se tratando de recurso voluntário, cumpre aos julgadores apreciar as matérias expressamente recorridas. A despeito disso, é pacífico também o entendimento segundo o qual é dever do colegiado ad quem apreciar de ofício as matérias de ordem pública, ou seja, ainda que não tenham sido contestadas, bem como corrigir os erros materiais que, porventura, agravarem incorretamente a exigência fiscal. Tomo as questões de ordem pública como as que condicionam a legitimidade do próprio exercício de atividade administrativa. Por isso, não precluem e podem, a qualquer tempo, ser objeto de exame, em qualquer fase do processo e em qualquer grau de jurisdição, sendo passíveis de reconhecimento de ofício pelo julgador, nos termos do artigo 303, incisos II e III do CPC, de 1973 e, artigo 342, incisos II e III do CPC de 2015. A rigor, entendo que a retroatividade da lei tributária é matéria de ordem pública, porquanto o artigo 106 do Código Tributário Nacional versa sobre a possibilidade de consecução pretérita de efeitos jurídicos em face de uma lei, esta, leiase, em sentido amplo, mais benéfica para o contribuinte, por imperativo do artigo 37, caput, da CF, de 1988 e artigo 2º, parágrafo único e incisos I e IX da Lei nº 9.784, de 29.01.1999. Dessa forma, deve integrar a lide de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo julgador, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão. No entanto, salientese, de antemão, que o caso em comento não se trata de aplicação de penalidade, mas sim de pedido de ressarcimento de créditos de exportação remanescentes no 3º trimestre de 2006. Do fundamento da decisão recorrida A decisão recorrida, na parte que importa ao presente Voto Vencedor, fundamentou a manutenção da glosa, efetuada pela autoridade fiscal, dos créditos remanescentes do trimestre anterior, relativo aos créditos relacionados ao mercado externo, nos seguintes termos, verbis: Como se viu no relatório, a contribuinte insurgese ainda quanto aos valores de créditos remanescentes do trimestre anterior, relativo aos créditos relacionados ao mercado externo, e que não foram considerados pela autoridade fiscalizadora. Tais créditos, segundo ela, seriam no montante de R$ 22.533,69. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 229 13 Verificase que, no confronto entre o que foi verificado no Dacon da contribuinte e o Demonstrativo fiscal, não foi considerado pelo fisco o crédito proveniente de saldo do trimestre anterior 3º trimestre de 2006. Todavia, ao contrário do que entende a contribuinte, não há como reconhecer no quarto trimestre os valores relativos a créditos remanescentes relacionados ao mercado externo relativos ao terceiro trimestre. Cumpre lembra o art. 21 da IN SRF nº. 600/2005, vigente à época da apresentação do PER/Dcomp sob análise: Compensação e ressarcimento de créditos da contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; (...) § 1º A compensação a que se refere este artigo será efetuada pela pessoa jurídica vendedora na forma prevista no § 1º do art. 26. § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I, remanescentes da dedução de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 26. § 8º A compensação de créditos de que tratam os incisos I e II e o § 4º, efetuada após o encerramento do trimestre calendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento formalizado de acordo com o art. 22. § 9º O crédito utilizado na compensação deverá estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestre calendário. Fl. 235DF CARF MF 14 Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o § 4º do art. 21, acumulados ao final de cada trimestre calendário, poderão ser objeto de ressarcimento. § 1º O pedido de ressarcimento a que se refere este artigo será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. (...) § 3º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário. II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação. Desta forma, como se depreende dos dispositivos legais acima mencionados, em relação aos créditos de custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação. Todavia, o crédito utilizado na compensação deverá estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestre calendário. Por outro lado, os créditos de mercado externo acumulados ao final de cada trimestrecalendário poderão ser objeto de ressarcimento ou compensação, mediante PER/DCOMP após encerrado o trimestre, sendo que cada pedido deverá referirse a um único trimestrecalendário e ser efetuado pelo saldo credor remanescente, líquido das utilizações por dedução. Pelo que consta dos autos, a contribuinte utilizouse do saldo remanescente do trimestre anterior (terceiro trimestre) como “saldo de meses anteriores”, conforme a respectiva ficha do Dacon, sendo que este valor veio a repercutir no resultado do quarto trimestre. Como se verifica acima, o procedimento correto seria o de gerar um PER/DCOMP no 3º. trimestre para o ressarcimento desses créditos e/ou possíveis compensações. Desta forma, mantémse a glosa objeto da manifestação no valor de R$ 22.533,69. Do entendimento expresso no voto vencido De rigor, o recorrente aduz, conforme colhese de sua petição recursal, que a autoridade fiscal, ao exarar o Despacho Decisório, não fez uso correto da legislação tributária, quando desconsiderou os valores de créditos concernentes às operações de comércio exterior remanescentes do trimestre anterior, quando fundamenta a respectiva glosa em preceitos estatuídos na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28.12.2005, vigente ao tempo da apresentação PER/Dcomp contestada, que impunhalhe uma restrição temporal, qual seja, de Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 230 15 que o crédito pretendido compensar deveria estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestre calendário, restrição esta que admite que não observou. Sustenta em sua defesa que a norma aplicável ao caso sob exame deveria ser a contida na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30.12.2008; primeiro, por se tratar de norma revogadora da IN SRF nº 600, de 2005; segundo, porque a IN RFB nº 900, de 2008, aboliu completamente a restrição temporal instituída pela instrução anterior, posto que admitiu o ressarcimento em trimestrecalendário diverso da respectiva a apuração, mediante a utilização de PER/DCOMP. De sua parte, ao apreciar a referida contenda, o Relator do Voto Vencido assim consigna, ipsis verbis: Créditos Remanescentes do 3º Trimestre operações no mercado externo Aduz que, segundo essa normativa, o crédito pretendido compensar, deveria estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestre, o que restou inobservado pela mesma, que se valeu de créditos remanescentes do terceiro trimestre para compensação de débitos do quarto trimestre do mesmo ano. No entanto, a contribuinte entende que deveria ter sido aplicado ao caso em concreto, a IN SRF 900/2008, normativa revogadora da IN SRF 600/2005, tendo em vista que a mesma entrou em vigor ao tempo em que o PER/DCOMP ainda se encontrava pendente de homologação. Isto porque, haveria no ordenamento jurídico, norma que prestigia o contribuinte, merecendo, assim, retroagir até a data do pedido de compensação. Razão deve assistir à requerente; o limite temporal para utilização do crédito prevista na IN 600/2005, deve retroagir sob força do artigo 106 do CTN De se ver, que o nobre relator, sem esgravatar os termos das mencionadas normas regulamentares em questão, decidiu que assistia razão ao requerente, tanto que concluiu, em face das alegações recursais, que os efeitos da norma mais recente deveria retroagir em favor do contribuinte, ao auspício do disposto no artigo 106 do CTN. Equivocamse ambos recorrente e relator do voto vencido; isto porque ao compulsarse as regras entabuladas nas IN SRF nº 600, de 2005 e IN RFB nº 900, de 2008 concluise, sem margem para dúvida, que nenhuma alteração, relativamente a IN SRF nº 600, de 2005, ocorreu quando da edição da IN RFB nº 900, de 2008, em outros termos dizendo, o que o recorrente e o relator convencionaram denominar "restrição temporal" e/ou "limite temporal" permaneceu incólume, na medida em que ambas as normas regulamentares mantiveram o preceito segundo o qual o pedido de ressarcimento/ compensação deverá referir se a um único trimestrecalendário e ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação; salientese que a única alteração decorrente da edição da IN RFB nº 900, de 2008, relativamente IN SRF nº 600, de 2005, diz respeito à separação dos temas compensação e ressarcimento, posto que ambos institutos era tratado na mesma seção, enquanto que na IN RFB nº 900, de 2008, os temas Fl. 237DF CARF MF 16 foram abordados em seções separadas, porém uma se reportando a outra, ou seja, a IN RFB nº 900, de 2008 somente veio a dar melhor racionalidade aos temas nelas tratado, nada mais. Com vista a elucidar o acima exposto e para que não paire qualquer dúvida quanto ao acerto da decisão recorrida, trago no subtítulo a seguir o quadro comparativo, na parte que interessa, das IN SRF nº 600, de 2005 e IN RFB nº 900, de 2008, que elaborei. Da análise comparativa das normas complementares suscitadas QUADRO COMPARATIVO Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Compensação e ressarcimento de créditos da contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins SEÇÃO III DO RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; I às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; ou (...) (...) § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I, remanescentes da dedução de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 26. Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 27 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. § 8º A compensação de créditos de que tratam os incisos I e II e o § 4º, efetuada após o encerramento do trimestrecalendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento formalizado de acordo com o art. 22. (...) § 9º O crédito utilizado na compensação deverá estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestrecalendário. § 2º Cada pedido de ressarcimento deverá: Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o § 4º do art. 21, acumulados ao final de cada trimestrecalendário, poderão ser objeto de ressarcimento. I referirse a um único trimestrecalendário; e § 1º O pedido de ressarcimento a que se refere este artigo será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do Programa II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestrecalendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 231 17 PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. (...) (...) § 3º Cada pedido de ressarcimento deverá: SEÇÃO III DA COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS I referirse a um único trimestrecalendário. Art. 42. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação. I custos, despesas e encargos vinculados às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; (...) § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I do caput, remanescentes do desconto de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do ano calendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 34. (...) § 10. A compensação de créditos de que tratam os incisos I e II do caput e o § 4º, efetuada após o encerramento do trimestrecalendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento formalizado de acordo com os arts. 27 e 28. § 11. O crédito utilizado na compensação deverá estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestrecalendário. Da impropriedade de se aplicar ao caso a retroatividade benigna Conforme já mencionado, acaso restase verdadeira a alteração pela norma mais recente do que convencionouse denominar "restrição temporal" relativamente ao que havia prescrito na norma regulamentar revogada, a fim de justificar a aplicação dos preceitos contidos no artigo 106 do CTN, com vista a fazer retroagir, em benefício do recorrente, os supostos novos preceitos da IN RFB nº 900, de 30.12.2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 28.12.2005, ainda assim melhor sorte não assiste ao recorrente, haja vista, conforme veremos, Fl. 239DF CARF MF 18 que a matéria discutida nos presentes autos não comporta nenhuma das hipóteses nele elencadas. De se dizer, de plano, que em regra a lei tributária se aplica a fatos geradores futuros e pendentes, sendo os pendentes aqueles que já tiveram início, mas não se completaram. Daí que a novel lei tributária, a princípio, não retroage no tempo para alcançar os fatos geradores já perfeitamente formados antes da vigência da modificação normativa. No entanto, os artigos 105 e 106 do CTN estabelecem exceções que ocorre no caso de a lei ser expressamente interpretativa na qual é excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados. Também quando não se trate de ato não definitivamente julgado deixe de definilo como infração, deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo e também quando lhe comine penalidade menos severa do que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Assim, é mister elucidar situações em que a lei tributária pode retroagir de situações em que isto não seja possível e outros meios tenham que ser percorrido com a finalidade de exonerar o contribuinte do gravame tributário ou a ampliação do direito do fisco a determinado crédito tributário. Convém salientar que a retroatividade da lei tributária não encontra somente a limitação de não prejudicar o contribuinte ao fazer que este venha a dever tributo não previsto anteriormente, se presta também como limitante não só a não surpresa ao contribuinte como também ao próprio Estado que não pode e nem deve ser privado das receitas de tributos já constituídos e consolidados no tempo. Logo, como regra geral, a legislação tributária tem aplicação prospectiva e não retrospectiva. No entanto, a legislação tributária pode se aplicar ao passado, nos termos do artigo 106 do CTN, citado abaixo, ipsis literis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Observase, a legislação tributária engloba as leis, os tratados e convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, nos termos do artigo 96 do CTN. A lei interpretativa deve ser vista como aquela que é emitida no sentido de preencher as lacunas deixadas pela lei interpretada e para que possa ser aplicada ao pretérito Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 232 19 não pode inovar e, portanto é de difícil aplicação, razão pela qual não se pode dizer que a lei interpretativa poderia ser aplicada a qualquer caso. É fato que a lei interpretativa enfrenta o dilema, qual seja, ou ela inova a lei anterior e, portanto não é interpretativa ou ela em nada acrescenta e neste caso seria inútil. No entanto, tratandose de uma interpretação legítima em que não modifique o sentido da lei anterior de forma a imprimir maior consistência a esta, é possível a retroatividade. Assim, a interpretação deve apenas aclarar interpretações que já era possível pela lei anterior, escolhendo uma das formas de interpretação possíveis em detrimento de outras, o que é perfeitamente cabível. Ainda em relação às leis interpretativas, a exclusão de penalidades a infrações dos dispositivos interpretados é perfeitamente viável, desde que não exista interpretação judicial sobre o caso, vez que a própria lei interpretativa é um reconhecimento da obscuridade da norma e como as penalidades tributárias assemelhamse às leis penais é perfeitamente justificável o afastamento da penalidade com base na interpretação mais favorável ao acusado derivado do direito penal. Do contrário, se a interpretação da lei for desfavorável ao contribuinte, a penalidade deve ser mantida em conformidade à interpretação adequada da lei anterior e, portanto não pode haver o agravamento da penalidade acessória. Neste caso, observase as prescrições do artigo 112 e seus incisos, também do CTN, que, em relação as penalidades, optase por aplicar a mais favorável ao contribuinte quando houver dúvida quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou circunstancias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus feitos, quanto a autoria, imputabilidade, ou punibilidade e à natureza da penalidade aplicável ou à sua gradação. Alerto, no entanto, que a retroação da legislação tributária somente é permitida quando se trate de fato não definitivamente julgado e sob condições estipuladas pelo próprio CTN. Sendo que uma dessas condições é quando deixe de definilo como infração. Assim, frisese, o comando é destinado à aplicação de penalidade quanto a ato praticado pelo contribuinte ou por este não observado; então, se a lei deixar de considerar determinado ato como infração ele retroagirá ao passado para eximilo de uma penalidade. Esta disposição, prevista no CTN encontra semelhança com as disposições penais. Mas neste item, devemos atentar que está abrandando a penalidade relativa às obrigação principal ou acessória e nunca o tributo em si. Outra condição é quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. Neste caso é levado em considerações os procedimentos que o contribuinte deve fazer ou deixar conforme a previsão da legislação tributária, no entanto, para retroagir deve observar que não poderia haver procedimento fraudulento de acordo com a lei anterior e também não pode implicar em falta de recolhimento de tributo. Logo, a lei posterior não pode retroagir alterando o fato gerador de forma a excluir determinados fatos do campo de incidência do imposto e/ou contribuição, pois tal agir resultaria em dispensa de tributo devido. Também não poderia alterar procedimentos já estabelecidos de forma a modificar a sistemática de apuração do imposto que teria por consequência a dispensa de obrigação tributária ou crédito tributário já formado na sistemática anterior, visto que seriam uma afronta as disposições do CTN sobre a matéria. Fl. 241DF CARF MF 20 É de se observar, por fundamental que o CTN falta de pagamento de tributo devido e, portanto a vedação é ampla e contempla qualquer ação que tenha que ser observada ou não realizada. Logo, uma vez surgindo a obrigação tributária não é possível retroagir a lei de forma a dispensar tributo. A última condição é quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Neste caso, é permitida a aplicação de uma penalidade mais branda do que a anterior, cuja prática encontra também respaldo no direito penal. Em todos os casos aqui tratados a única situação que poderia resultar em dispensa de tributo devido seria a lei interpretativa. Contudo, somente haveria dispensa de tributo se a lei anterior fosse vaga e a própria dispensa aqui citada restaria duvidosa. Neste caso, necessitaria também ser possível uma interpretação onde o tributo não fosse considerado devido, pois a lei interpretativa para retroagir não pode inovar na interpretação dando sentido contrário ao sentido já estabelecido na lei. Assim, nunca poderia haver dispensa de tributo por legislação retroativa. Assim, discutido as situações em que a lei pode retroagir passamos a análise de outras situações prevista na legislação tributária que podem produzir os mesmos efeitos, mas em que nosso entender não se trata da retroação da legislação tributária. Embora o tema seja de grande debate, visto que poucas são as manifestações jurisprudenciais e doutrinárias sobre o assunto, indose pouco além do que já está assentado no Código Tributário Nacional, é possível afirmar que a lei tributária em regra é irretroativa comportando exceções que vem estabelecidas no artigo 106 do CTN, cujo escopo é, sem margem para dúvida, a possibilidade de se eliminar e reduzir penalidades, desde que não se trate de fato definitivamente julgado. Em relação à dispensa de tributo, desde que não se trate perdão com vigência presente ou futura, a lei tributária é irretroativa, não podendo ampliar para fins de contemplar algo que não constava na lei anterior. Em reforço, o referido inciso (citado pelo recorrente), não tem o escopo referirse ao tributo em si mesmo, mas às infrações e penalidades decorrentes do comando legal. São situações elencadas de forma taxativa, isto é, aplicamse apenas aos fatos relacionados nas alíneas do inciso II do artigo 106 do CTN. Desta feita, também por estas razões, entendo incabível no caso sob exame a pretendida a aplicação dos preceitos do artigo 106 do CTN. É como penso. Da conclusão Do exposto, no que concerne à matéria sobre apreço, voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer tão somente o crédito decorrente da operação de locação de imóvel por pessoa jurídica. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11516.001200/200932 Acórdão n.º 3001000.552 S3C0T1 Fl. 233 21 Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.906842/2008-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.451
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 68 42 /2 00 8- 61 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 15374.906842/200861 Acórdão n.º 1002000.451 S1C0T2 Fl. 153 2 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 100/102) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 93/95), proferida em sessão de 11 de fevereiro de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 1235.673, da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I (DRJ/RJ1), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 12/14) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 18/07/2008 (efl. 10), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 15336.48637.100504.1.3.047031 (efls. 03/07), transmitido em 10/05/2004, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fazse mister que os créditos empregados em compensação de tributos gozem de liquidez e certeza. É vedado o cancelamento de declaração de compensação após já ter sido proferido o Despacho Decisório pela autoridade a quo competente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o presente processo de compensação realizada pela interessada acima identificada, com emprego de crédito no valor de R$ 3.188,29, referente ao anocalendário 2003 e oriundo de pagamento supostamente indevido ou a maior. O Per/Dcomp que materializou o feito foi o de fls. 02/06 [efls. 03/07], transmitido à base de dados da Receita Federal em 10/05/2004. Conforme consta do despacho decisório de fls. 09 [efl. 10], emitido eletronicamente, a compensação não foi homologada porque o crédito nela empregado teria sido integralmente utilizado na quitação de outro débito do contribuinte. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 15374.906842/200861 Acórdão n.º 1002000.451 S1C0T2 Fl. 154 3 Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 30/07/2008 (fls. 08) [efl. 94], a interessada interpôs, no dia 28 do mês seguinte, a manifestação de inconformidade de fls. 11/13 [efls. 12/14], na qual, em síntese, alegou: que "o sistema da SRF não localizou a compensação do débito" porque "tentou localizar diretamente um DARF com o valor devido de R$ 6.209,56, sendo que o pagamento efetuado foi de R$ 3.188,29, devendo ser recolhida a diferença de R$ 3.021,27, onde a mesma foi compensada com o saldo credor da CSLL do anocalendário de 2001"; e que "a DCTF da empresa, no período analisado, devidamente retificada, comprova o valor do débito de R$ 6.209,56 e a DIPJ 2002, ano calendário 2001 aponta um crédito de CSLL no valor de R$ 12.953,68, crédito este onde o débito de R$ 3.021,27 foi compensado posteriormente". O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 3.188,29, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 30/09/2003 2372 R$ 3.188,29 31/10/2003 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 4155188468 R$ 3.188,29 DB: cód 2372 PA 30/09/2003 R$ 3.188,29 Valor Total R$ 3.188,29 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/07/2008 Principal: R$ 2.193,38 Multa: R$ 438,67 Juros: R$ 1.471,75 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Como visto, pelo que constou da DComp que manejou a compensação defendida, a interessada empregou crédito originado, em seu entender, de pagamento indevido ou a maior de CSLL no anocalendário 2003. Analisando o feito, a Fazenda Fl. 154DF CARF MF Processo nº 15374.906842/200861 Acórdão n.º 1002000.451 S1C0T2 Fl. 155 4 confirmou a existência do recolhimento declarado, mas não reconheceu o direito creditório, sob o fundamento de ter sido tal pagamento integralmente consumido na quitação de outros débitos. Na peça de bloqueio, entretanto, a interessada defendeuse de inverídica não localização do pagamento pelo Fisco, chegando a citar suposta transcrição de trecho não escrito no despacho decisório combatido. A partir daí, o enleado recurso passou, em abichornante retórica, a justificar compensação que nem mesmo é objeto da lide. Considerando, pois, que a interessada não logrou êxito em desconstituir as razões da Fazenda até porque nem mesmo as atacou, resta a inexistência do crédito como fato incontroverso, sendo certo que não há meios de um direito inexistente gozar dos necessários atributos de liquidez e certeza, requisitados pelo CTN, em seu art. 170, para que se opere a compensação de créditos tributários. Ante o exposto, incumbeme negar provimento à manifestação de inconformidade. No recurso voluntário (efls. 100/102), em síntese, o contribuinte reiterou os termos da manifestação de inconformidade, argumenta que há sim o crédito e não concorda com a inexistência de saldo por alocação em outros débitos. Acrescentou, em novo arrazoado (efls. 117/127), considerações principiológicas e apresentou ementas de decisões, ao final, requereu a correção, de ofício, de eventuais erros cometidos no preenchimento do PER/DCOMP para autorizar a homologação requerida. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 03/03/2011, efls. 97/98, e protocolo recursal em 25/03/2011, efl. 100), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 15374.906842/200861 Acórdão n.º 1002000.451 S1C0T2 Fl. 156 5 Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação do débito confessado com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior vindicado, negando a restituição do crédito requerido (CSLL, código 2373, período de apuração 30/09/2003, no valor de R$ 3.188,29, com vencimento em 31/10/2003, recolhido por meio de DARF). Isto porque, o suposto crédito, pelos sistemas informatizados da Receita Federal, está alocado para quitação do débito de igual valor (R$ 3.188,29) para o mesmo tributo (CSLL, código 2373, período de apuração 30/09/2003). Portanto, não há prova de pagamento a maior. Logo, se o DARF recolhido foi alocado para extinguir o tributo indicado não existe pagamento a maior, como quer crer o recorrente (efls. 100/102), e não há que se falar em saldo, pelo que a compensação indicada não tem como prosperar, pois, em verdade, inexiste crédito. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 15374.906842/200861 Acórdão n.º 1002000.451 S1C0T2 Fl. 157 6 Em suma, para a análise que foi efetivada do PER/DCOMP não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. Em verdade, foi apontada a alocação do DARF em extinção de débito próprio do sujeito passivo. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de alocação do DARF, de modo a não restar saldo na forma pretendida pelo contribuinte. Logo, se havia alocação do DARF, utilizando o suposto crédito vindicado, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório na não homologação da compensação, pois, em realidade, não há crédito de pagamento a maior ou indevido, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Observe que o recorrente alega, em manifestação de inconformidade, que "a DCTF da empresa, no período analisado, devidamente retificada, comprova o valor do débito de R$ 6.209,56 e a DIPJ 2002, ano calendário 2001 aponta um crédito de CSLL no valor de R$ 12.953,68, crédito este onde o débito de R$ 3.021,27 foi compensado posteriormente". Talvez, queira o recorrente vindicar a liberação do recolhimento alocado, sob a justificativa de eventual saldo negativo, mas a natureza do crédito reclamado no PER/DCOMP é pagamento indevido ou a maior, logo não há reparos na decisão de piso. A questão é que no recurso voluntário o contribuinte não logra êxito de comprovar, de modo incontroverso, a existência do seu direito a crédito pela ótica da natureza do crédito vindicado a título de pagamento indevido ou a maior. Demais disto, planilha unilateralmente elaborada, a retificadora desprovida de outros elementos não corroboram com a certeza e liquidez para que não seja contestável o crédito. Desprovidos de outros elementos da escrita contábil e fiscal, resta não comprovado o crédito. Aliás, a própria DCTF sequer foi integralmente juntada. As demonstrações contábeis também não estão colacionadas nos autos para confirmação inconteste do eventual crédito. A esse respeito, cito o seguinte precedente: Acórdão n.º 3402004.103 – Recurso Voluntário Relator: Waldir Navarro Bezerra Data da sessão: 27/04/2017 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. (...) Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração analítica dos valores e lançamentos, dentro da escrituração contábil e fiscal, da base de cálculo da CSLL, inclusive Fl. 157DF CARF MF Processo nº 15374.906842/200861 Acórdão n.º 1002000.451 S1C0T2 Fl. 158 7 quanto as apurações mensais e, consequentemente, da comprovação inconteste do eventual saldo creditório integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Vejase, ainda, que não foi juntado aos autos outros elementos probatórios, tais como, a escrita contábil e outras escritas fiscais, como, por exemplo, o Livro Diário, eventuais balancetes transcritos na escrita contábil, o Balanço, eventuais apurações demonstrando os erros e correções posteriores, deixandose, portanto, de apresentar, face a inexistência de elementos de prova, uma demonstração criteriosa do suposto direito a crédito, não havendo como confirmar o alegado crédito vindicado apenas com as declarações, ou parte delas, não tendo sido realizado um trabalho analítico de esclarecimento do suposto crédito, não cabe reconhecer liquidez e certeza, no que não resta demonstrado. Em suma, não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontarse DIPJ, DCTF, apurações, balanço patrimonial e demais demonstrações contábil, DARF's recolhidos e respectivos códigos de recolhimento, balancetes, tudo a fim de comprovar, de modo líquido e certo, a certeza de eventual crédito no valor requerido, inclusive para também se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e dos valores retificados. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a Fl. 158DF CARF MF Processo nº 15374.906842/200861 Acórdão n.º 1002000.451 S1C0T2 Fl. 159 8 crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando de pedidos de compensação eletrônicos. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte e apreciado do Despacho Decisório. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado no valor pleiteado, especialmente quanto a natureza do crédito vindicado (pagamento a maior ou indevido, não tendo sido postulado crédito com natureza de saldo negativo), assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 159DF CARF MF
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Numero do processo: 15940.720009/2017-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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RESSARCIMENTO Recorrente USINA ALTO ALEGRE S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de créditos oriundos da Cofins, apurada no 1º trimestre de 2013. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento PER nº 35956.82891.310315.1.1.106741 (fls. 02/05), envolvendo crédito relativo ao PIS incidência não cumulativa Mercado Interno, referente ao 1º trimestre de 2013, no total de R$ 22.462,28. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 40 .7 20 00 9/ 20 17 -4 4 Fl. 3294DF CARF MF Processo nº 15940.720009/201744 Resolução nº 3201001.475 S3C2T1 Fl. 3.286 2 Trata ainda, da DCOMP nº 36724.47293.301116.1.3.102460 (fls. 3.102/3.105) que cita aquele PER como possuidor das informações sobre o crédito (PER inicial). O Despacho Decisório nº 145/2017 SAORT/DRF/PPE (fls. 3115/3118) exarado pela Delegacia da Receita Federal em Presidente Prudente/SP deferiu em parte o Pedido de Ressarcimento e homologou parcialmente a compensação.No referido Despacho Decisório encontrase consignado, resumidamente, que: ∙ O PER nº 37876.46769.310315.1.1.087204 fls. 06 a 08 foi transferido para processo nº 10835.720.767/201746; ∙ A DCOMP nº 36724.47293.301116.1.3.102460 que cita o PER nº 35956.82891.310315.1.1.106741 como inicial solicitou a compensação de débito de IRPJ no valor de R$ 11.231,14; ∙ O processo administrativo nº 10835.720014/201757 trata da verificação dos créditos de PIS e COFINS não cumulativos períodos 01/2013 a 06/2015, que resultou em Auto de Infração fls. 09/52, em decorrência da constituição indevida de créditos sobre dispêndios no cultivo de canadeaçúcar e transporte de mercadorias entre estabelecimentos; ∙ Naquele mesmo processo ainda restou verificada a utilização indevida dos créditos presumidos sobre compra de cana de açúcar de pessoas físicas nos pedidos de ressarcimento ao invés de deduzir referidos créditos das contribuições apuradas; ∙ Segundo o Relatório de Fiscalização daquele Auto de Infração, anexado às fls. 53 a 118 do presente processo, os créditos apurados indevidamente de PIS não cumulativo, foram glosados de forma proporcional (rateio) às espécies de receitas (crédito vinculado à receita tributada no mercado interno, crédito vinculado à receita não tributada no mercado interno; crédito vinculado à receita de exportação); ∙ A empresa se utilizou indevidamente do crédito presumido sobre aquisição de canadeaçúcar nos pedidos de ressarcimento. Referidos créditos foram deslocados para dedução do PIS devido e glosados dos créditos pleiteados nos PERs; ∙ Foram efetuadas as glosas de PIS – mercado interno, sendo que o crédito presumido foi deslocado do PER e utilizado para dedução do PIS devido, restando apurado: (...) · A homologação parcial da DCOMP se deu em virtude do reconhecimento parcial do crédito pleiteado, pois o débito a ser extinto tinha como principal o valor de R$ 11.231,14; Cientificada da decisão (fls. 2.807/2.808), a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 3.124/3.131). Transcrevese abaixo os itens que sintetizam toda a argumentação: Fl. 3295DF CARF MF Processo nº 15940.720009/201744 Resolução nº 3201001.475 S3C2T1 Fl. 3.287 3 1. Dos fundamentos do Despacho Decisório 1.2. Depreendese ... do Despacho que, em razão das glosas de créditos aproveitados de PIS e COFINS ..., processo administrativo n° 15940.720014/201757, o valor de COFINS exportação passível de ressarcimento, no PER/DComp n° 03356.54627.310315.1.1.090161, seria de apenas R$ 373.258,30. Por isso, não foi deferido o pedido de ressarcimento referente ao valor de R$ 84.527,60, objeto de glosa no citado procedimento fiscal. Apesar do deferimento parcial do pedido de ressarcimento, o crédito nele reconhecido seria suficiente para a compensação declarada pela Requerente, de modo que as declarações de compensação foram totalmente homologadas. 2. Das razões pelas quais o Despacho Decisório deve ser reformado 2.1. Conforme se demonstrará, é equivocado o deferimento parcial do pedido de ressarcimento (PER/DComp n°03356.54627.310315.1.1.09 0161), pautado nas glosas promovidas no procedimento fiscal n° 0810500.2016.00475, processo administrativo n°15940.720014/2017 57... a Requerente apresentou impugnação ao Auto de Infração lavrado .... Nos termos da impugnação apresentada, a Requerente defende a legalidade e regularidade dos créditos apurados e postula o cancelamento do auto de infração. Sucessivamente, ainda que mantidas as glosas, a Requerente sustenta que não poderá ser mantido o critério adotado pela Autoridade Fiscal para refazer a apuração das contribuições devidas e o saldo de crédito de PIS e COFINS. Com efeito, o deferimento do pedido de ressarcimento pressupõe a existência de saldos de contribuições superiores àquelas devidas pelo contribuinte, ou seja, a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor da Fazenda Nacional (Instrução Normativa n° 1060/2010, art. 5o; c.c. Instrução Normativa n° 1.300/2012, arts. 62 a 66). Diante disso, após o julgamento da impugnação ao auto de infração n° 0810500.2016.00475, terseá uma das três situações: i)Se a impugnação for acolhida e o auto de infração ... for cancelado, não subsistirá a glosa ... Nessa hipótese, o pedido de ressarcimento PER/DComp n° 03356.54627.310315.1.1.090161 deverá ser integralmente deferimento; ii) Se for acolhida a tese sucessiva desenvolvida na impugnação, confirmandose as glosas de crédito e/ou os lançamentos por suposta omissão de receita, as apurações da contribuição para o PIS e da COFINS deverão ser refeitas, de modo a imputar os créditos apropriados primeiro para a compensação das contribuições devidas, e, depois, ajustar o pedido de ressarcimento, a depender do saldo remanescente dos créditos reconhecidos. Nessa hipótese, os créditos passíveis de deferimento no pedido de ressarcimento PER/DComp n° 03356.54627.310315.1.1.090161 também deverão ser ajustados, pois o saldo disponível para ressarcimento, provavelmente, será inferior ao ora deferido; iii) Se a impugnação ao auto de infração não for acolhida, aí sim,e somente assim, o Despacho Decisório ora atacado não será afetado. Fl. 3296DF CARF MF Processo nº 15940.720009/201744 Resolução nº 3201001.475 S3C2T1 Fl. 3.288 4 2.2. Embora o mérito da defesa ao auto de infração ... processo administrativo n° 15940.720014/201757, deva ser apreciado naquele processo, por cautela, passase a tecer alguns esclarecimentos ... 2.2.1. Colhese do relatório de fiscalização que a Requerente teria cometido as seguintes infrações relativas à contribuição para o PIS e à COFINS: a) Nos períodos de apuração 04/2012, 04/2013 e 01/2014: não oferecimento à tributação de receitas decorrentes da baixa de dívidas de IPI, que teriam sido lançadas em conta do passivo e posteriormente baixadas, após perda do direito do fisco de cobrálas; b) No período de apuração 01/2013 a 06/2015: b.1) apuração de créditos sobre aquisição de bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar, que não teriam sido direta e imediatamente utilizados na fabricação de açúcar e álcool, e, por isso, não poderiam ser entendidos como insumos; b.2) apuração de créditos sobre despesas de transporte entre seus estabelecimentos de produtos acabados ou em elaboração, consistentes em i) industrialização efetuada para outra empresa; ii) remessa para industrialização por encomenda; iii) retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda; iv) transferência de material de uso ou consumo; e v) transferência de produção do estabelecimento; b.3) utilização dos créditos presumidos sobre compra de canade açúcar de pessoas físicas, em parte, nos pedidos de ressarcimento. 2.2.2. No que concerne ao item "a" acima, a Requerente esclareceu que o Auditor Fiscal partiu de premissa de que a baixa da provisão contábil de valores relativos ao IPI incidente na venda de açúcar, atingidos pela decadência, configuraria extinção de um passivo, sem o correspondente desaparecimento de um ativo e, por isso, deveria ser reconhecida como nova receita. A partir dessa proposição, o Agente Autuante afastou o tratamento contábil dado pela Requerente, transformando provisão em passivo. Ocorre que, mesmo que se admita a existência de passivo e a geração de receita em função da reversão da provisão, é forçoso reconhecer que aqueles valores provisionados correspondentes ao IPI não destacado já tinham sido oferecidos à tributação. É que todo o valor da venda do açúcar, inclusive aquele relativo ao IPI supostamente incidente, era oferecido à tributação do PIS e da COFINS, embora o mencionado imposto não compusesse a base de cálculo dessas contribuições. Portanto, como detalhadamente demonstrado na impugnação ao auto de infração, a receita composta pelo valor que corresponderia ao IPI (que não foi recolhido) sofreu a incidência do PIS e da COFINS, no momento da saída do açúcar, mesmo não integrando a base de cálculo das contribuições. Sendo assim, o lançamento lá combatido caracteriza bis in idem, o que leva à necessidade de seu cancelamento. Fl. 3297DF CARF MF Processo nº 15940.720009/201744 Resolução nº 3201001.475 S3C2T1 Fl. 3.289 5 2.2.3. Em relação à apuração de créditos sobre aquisição de bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar (item b.1 acima), a Requerente demonstrou a insubsistência dos fundamentos adotados... Como demonstrado na impugnação, os fundamentos adotados na autuação, primeiro, desconsideram as peculiaridades do processo produtivo ..., segregando, indevidamente, a etapa agrícola da produção; depois, estão pautados na interpretação equivocada da legislação do PIS e COFINS, ao "conceituar" insumo de forma contrária à lei; por fim, a autuação está em desacordo com o entendimento recente e reiteradamente manifestado pelo ... (CARF), assim como do ... (STJ). Portanto, pelas razões exaustivamente desenvolvidas pela Requerente em sua defesa, nem a glosa dos créditos apurados, nem tampouco o lançamento de débitos decorrentes dessa glosa, poderão ser mantidos. 2.2.3. ... a Requerente demonstrou a insubsistência do fundamento, também amparado na legislação do IPI, para glosar créditos apurados sobre despesas de transporte entre os estabelecimentos da Requerente de produtos acabados ou em elaboração, além de material de uso ou consumo (item b.2 acima). Mais uma vez a posição do Auditor Fiscal se dissociou do entendimento adotado pelo CARF, que, reiteradamente, vem admitindo a apuração de créditos de PIS e COFINS na remessa de insumos de um estabelecimento a outro do mesmo contribuinte, de produtos em elaboração, assim como de produtos acabados. Além disso, mesmo que se entenda que a apuração de créditos de PIS e COFINS sobre as despesas com transporte não pode ser admitida em todas as hipóteses consideradas pela Requerente, ainda assim a autuação não poderá ser integralmente mantida, porque, ao contrário do que relatado pelo Auditor Fiscal, a maior parte dos créditos apurados pela Requerente sob essa rubrica se refere, na realidade, ao frete utilizado na remessa para industrialização. E como observado, essa operação é expressamente prevista e disciplinada na legislação do ICMS (RICMS/SP. art. 401: RICMS/PR, art. 334), e também está expressamente prevista no Decreto n° 7.212/2010, que regulamenta o IPI. 2.2.4. No que toca à utilização dos créditos presumidos (item b.3 acima), a Requerente esclareceu que, ao apresentar o pedido de ressarcimento dos créditos..., deixou de distinguir os créditos presumidos apurados sobre a canadeaçúcar adquirida de pessoas físicas. Por isso, foi postulado o ressarcimento indevido de crédito presumido nas competências abril/2013 a julho/2013. ... os créditos apropriados pela Requerente eram significativamente superiores às contribuições devidas. Sendo assim, se procedente a impugnação ao auto de infração, os créditos presumidos excluídos do pedido de ressarcimento serão computados na compensação de Fl. 3298DF CARF MF Processo nº 15940.720009/201744 Resolução nº 3201001.475 S3C2T1 Fl. 3.290 6 contribuições devidas e os demais créditos que assim haviam sido computados integrarão o pedido de ressarcimento. Logo, com o cancelamento do auto de infração, o saldo de créditos passíveis de ressarcimento, ... não sofrerá alteração. 2.3. Portanto, a procedência da defesa ao auto de infração n° 0810500.2016.00475, ainda que parcial, implicará, necessariamente, na reforma do Despacho Decisório n° 102/2017... ... o julgamento desta manifestação de inconformidade deverá aguardar o julgamento da impugnação apresentada no processo administrativo n° 15940.720014/201757... É o relatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora julgou improcedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/JFA n.º 0965.879, de 26/10/2017 (fls. 3213 e ss.), assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2013 a 31/03/2013 CRÉDITOS. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. 1. No cálculo da Cofins nãocumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. 2. Bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar não se classificam como insumos na fabricação de açúcar e álcool, por se tratarem de processos produtivos diversos. As despesas com aqueles itens não geram direito à apuração de créditos na determinação da contribuição devida sobre as receitas auferidas com vendas de açúcar e álcool produzidos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2013 a 31/03/2013 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1.Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da razoabilidade, do não confisco ou da capacidade contributiva, dentre outros, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2.A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência judicial colacionada não possui legalmente eficácia normativa, não se constituindo em norma geral de direito tributário se não atendidos nenhum dos requisitos previstos no § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. 4. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, salvo quando da existência de Súmula do CARF vinculando a administração tributária federal. Fl. 3299DF CARF MF Processo nº 15940.720009/201744 Resolução nº 3201001.475 S3C2T1 Fl. 3.291 7 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 3237 e ss., por meio do qual repete, basicamente, os mesmos argumentos já declinados em sua impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou diversos pedidos eletrônicos de ressarcimento de créditos de PIS/Cofins, os quais também serão, nesta mesma assentada, julgados em conjunto com os autos de infração dessas contribuições lavrados em decorrência da insuficiência de recolhimento. Contestado o lançamento, a DRJ manteveo na integralidade. Em síntese, foram as seguintes as infrações verificadas: a) não oferecimento à tributação das receitas decorrentes das baixas das obrigações de IPI a pagar/recolher; b) créditos indevidos sobre gastos realizados no cultivo da canadeaçúcar; c) créditos indevidos sobre despesas de transporte de mercadorias entre estabelecimentos da Recorrente; d) crédito presumido indevido sobre a aquisição de canadeaçúcar de pessoas físicas para dedução das contribuições apuradas ao invés de utilizálos nos pedidos de ressarcimento. No respeitante à primeira matéria, alega a Recorrente que, em apreço ao princípio da prudência, fez uma mera transferência de receita (que, no período em que auferida, teria sido tributada pelo PIS/Cofins), não uma transferência de IPI (que não teria sido cobrado!), de uma conta contábil para uma conta de provisão deste imposto, em face da possibilidade de vir a ser cobrada pelo Fisco dos valores que deixaram de ser exigidos de seus clientes nas operações de venda que realizou. Para Recorrente, portanto, haveria, se mantida a autuação, a tributação da mesma receita duas vezes: quando do seu efetivo auferimento e quando da reversão da "provisão do IPI". É, com efeito, o que ocorreria, se os fatos se verificaram conforme descritos no recurso. Ante o exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora verifique: a) se em todos os meses em que houve a constituição da provisão do IPI a base de cálculo do PIS/Cofins informada no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon correspondia ao faturamento antes da contabilização desta provisão; Fl. 3300DF CARF MF Processo nº 15940.720009/201744 Resolução nº 3201001.475 S3C2T1 Fl. 3.292 8 b) se o total das receitas auferidas em cada um desses meses foi oferecido à tributação pelo PIS/Cofins. Por fim, a Recorrente deve ser intimada para que, se assim desejar, manifestese sobre o resultado da diligência. Após, retornem os autos a este colegiado para continuidade do presente julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 3301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.675274/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores informados no DACON Retificador conferem com a realidade contábil da contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; (ii) após o confronto do item (i), identifique a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP e a suficiência para a promoção da compensação de débitos na forma requerida; (iii) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento à recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para que esta, querendo, manifeste-se, retornando, em seguida, os autos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores informados no DACON Retificador conferem com a realidade contábil da contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; (ii) após o confronto do item (i), identifique a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP e a suficiência para a promoção da compensação de débitos na forma requerida; (iii) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento à recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para que esta, querendo, manifestese, retornando, em seguida, os autos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 75 27 4/ 20 09 -9 9 Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10880.675274/200999 Resolução nº 3401001.560 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Ressarcimento de COFINS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido A DERAT São Paulo proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Irresignada a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob os seguintes argumentos: (i) que cometeu equivoco no preenchimento do PER/DCOMP, que o crédito é oriundo de recolhimento indevido de PIS e COFINS, conforme demonstrado no DACON, repete que o crédito efetivamente existe e é suficiente para quitar os débitos compensados; (ii) que conforme planilha que anexa, verificase facilmente que o crédito a que a empresa teria direito é bastante superior ao valor das compensações realizadas; (iii) que a SRFB possui diversos documentos para comprovar se os créditos existem e caso considere insuficientes, pode ainda baixar o presente processo em diligência para que tal comprovação seja feita através de análise mais minuciosa; (iv) apela para o princípio da verdade material, por tratarse de atividade humana, tanto o preenchimento de declarações quanto o ato de lançamento estão sujeitos a erros e equívocos e que nesse contexto, é natural que se cogite uma revisão da glosa da compensação com o objetivo de afastar cobrança indevida; (v) requer que após realização de diligência seja declarada homologada a compensação realizada, cancelando se a cobrança do tributo, de juros e de multa; (vi) ao final, por economia processual, requer ainda, que sejam julgados conjuntamente diversos processos que relaciona. Em Primeiro Grau a DRJ/SP1 julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16033.885. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, sustentando que o crédito teve origem em levantamento contábil das receitas auferidas e de nova apuração das contribuições devidas, considerando que suas receitas se submetem a tributação tanto no regime cumulativo quanto no não cumulativo; que por um mero equivoco na interpretação da legislação atinente a PIS/COFINS, a Recorrente entendia que todas as receitas por ela auferidas deveriam estar sujeitas à sistemática cumulativa, que assim foram declaradas em DCTF e quitadas via DARF.; que retificou o DACON; que a falta de DCTF retificadora não tem o condão de legitimar a cobrança de tributo, levandose em consideração toda a documentação disponibilizada ao Fisco, vindo ao encontro da jurisprudência do CARF sobre o assunto; apela novamente para o princípio da verdade material e a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10880.675274/200999 Resolução nº 3401001.560 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.559, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.675272/200908, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.559 "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A manifestação inicial da interessada envolve em suas razões de defesa todo o período do levantamento de crédito a ser ressarcido e passível de compensação, composto por uma série de processos, requerendo inclusive, o ajuntamento dos mesmos para que sejam julgados de forma unificada. Diante da negativa colocada pela DRJ/SP1 para julgamento único, por se tratar de créditos envolvendo períodos de apuração distintos, passa então, a Recorrente, em seu recurso, a tratar do crédito pleiteado para o período de apuração 05/2004, destacandose os seguintes pontos: que a atividade explorada pela Recorrente é diversificada, conforme se depreende da cópia do Contrato Social anexada aos autos e tem por atividade empresarial, precipuamente, o desenvolvimento e a exploração do ramo de hotelaria, restaurantes e bares, o desenvolvimento de empreendimentos turísticos em geral, incluída a área de convenções e a prestação de serviços relativos a área de alimentação, bebidas, incluindo banquetes e serviços correlatos, entre outras atividades; que as receitas auferidas com a prestação de serviços de hotelaria permanecem submetidas a apuração cumulativa do PIS, nos moldes da Lei nº 9.718/1998, sob a alíquota de 0,65% e todas as demais receitas estão submetidas ao regime não cumulativo com incidência do PIS sob a alíquota de 1,65%; que toda a segregação de valores das receitas auferidas no mês de maio de 2004, com identificação de sua natureza estão detalhadas no Livro Razão Analítico (anexo), além de ter sido alteradas no DACON retificador, também trazido aos autos; reconhece não ter observado o prazo de 5(cinco) anos para retificar informações declaradas em DCTF, mas todos os dados e informações pertinentes podem ser conferidos pela documentação trazida aos autos (Livro Razão Analítico, Balancete, DACON retificador e planilha de controle de impostos; Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10880.675274/200999 Resolução nº 3401001.560 S3C4T1 Fl. 5 4 O que se depreende dos fatos aqui discutidos, são questões de procedimento de atribuição da contribuinte, quanto a correta apuração da Contribuição devida ao PIS/PASEP do período de apuração 05/2004. Inicialmente a Recorrente, conforme manifestação expressa, havia submetido a totalidade de seu faturamento do período mencionado (05/20054), a sistemática cumulativa (código 8109), quando parte desse faturamento estava sujeito a sistemática não cumulativa. O cálculo de incidência cumulativa deveria atingir somente a receita de serviços de hotelaria, conforme previsto na Lei 10.833/2003, art. 10, XXI e as demais receitas ficariam sujeitas a incidência não cumulativa, a teor do art.15, V,.da mesma lei. A princípio, as provas carreadas aos autos dão conta do que está sendo sustentado pela Recorrente, inclusive, com relação a ausência de DCTF retificadora. Eventuais erros de conduta formal do contribuinte não lhe retiram o direito ao princípio da busca pela verdade material no processo administrativo e da busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Casos semelhantes e recorrentes transitam pelo CARF, cujos julgados nos fornecem diretrizes de procedimento, como se colhe da decisão em destaque: Portanto, erro de preenchimento de DCTF não retira o direito ao crédito quando há outros elementos de prova que podem ser alcançadas em busca da verdade material no processo administrativo tributário. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: Confirmar se os valores informados no DACON Retificador do Período de Apuração Maio/2004, conferem com a realidade contábil da Contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10880.675274/200999 Resolução nº 3401001.560 S3C4T1 Fl. 6 5 Após o confronto do item 1, identificar a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP nº 23370.59930.200206.1.3.040283 e promover a compensação de débitos na forma requerida; Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento a Recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse, retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: · Confirmar se os valores informados no DACON Retificador do Período de Apuração em referência, conferem com a realidade contábil da Contribuinte conforme Livro Razão e Planilha de Controle de Impostos, contidos nos autos; · Após o confronto do item 1, identificar a efetiva existência do crédito pleiteado na PER/DCOMP em apreço e promover a compensação de débitos na forma requerida; · Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando conhecimento a Recorrente e abrindo prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse, retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 305DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.000862/2010-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. A LC 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da LC 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei 5.869/73).
PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
I - Presume-se ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação na qual os depósitos bancários indicando a movimentação financeira do contribuinte não tiverem a origem comprovada pelo titular, mediante a devida apresentação de documentação hábil e idônea. II - Opera-se a inversão do ônus da prova, situação em que cabe ao contribuinte desconstituir a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996.
III - Diante da ausência de comprovação por meio de documentos hábeis e idôneos, não há que se afastar a presunção.
SÚMULA CARF nº 2.
Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1301-003.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: Relator
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. A LC 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da LC 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei 5.869/73). PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. I Presumese ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação na qual os depósitos bancários indicando a movimentação financeira do contribuinte não tiverem a origem comprovada pelo titular, mediante a devida apresentação de documentação hábil e idônea. II Operase a inversão do ônus da prova, situação em que cabe ao contribuinte desconstituir a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. III Diante da ausência de comprovação por meio de documentos hábeis e idôneos, não há que se afastar a presunção. SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 08 62 /2 01 0- 65 Fl. 903DF CARF MF Processo nº 18088.000862/201065 Acórdão n.º 1301003.495 S1C3T1 Fl. 904 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 904DF CARF MF Processo nº 18088.000862/201065 Acórdão n.º 1301003.495 S1C3T1 Fl. 905 3 Relatório MASTER COMERCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE COSMÉTICOS E SANEANTES LTDA., já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) DRJ/RPO (fls. 842 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve as exigências fiscais. Do Lançamento Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no regime do lucro presumido no anocalendário de 2006 e lucro real no anocalendário de 2007, exigindo o crédito tributário no valor global de R$ 3.855.246,82, com aplicação de multa de ofício qualificada de 150%, acrescidos de juros de mora, em razão de omissão de receitas decorrente da falta de contabilização de depósitos bancários, insuficiência de recolhimentos e não comprovação de origem de tais depósitos. Segundo o Relatório Fiscal, (fls. 685 e ss), e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foram: Consta no Relatório Fiscal que a contribuinte, sendo intimada, relativamente ao ano calendário de 2006, apresentou os extratos de contas correntes mantidas no Bradesco e Santander. Quanto ao anocalendário de 2007, embora intimada, não apresentou os extratos bancários, sendo tais documentos obtidos diretamente dos bancos, mediante expedição de Requisições de Informações Sobre Movimentação Financeira (RMF). Consta, também, que a contribuinte foi intimada para comprovar a origem dos depósitos bancários efetuados no anocalendário de 2006 e, como não foram apresentados quaisquer documentos, tributouse o valor de R$ 11.033.445,95. Para o anocalendário de 2007, do valor total de depósitos questionados pelo Fisco (R$ 667.605,54) a contribuinte apresentou notas fiscais de venda que foram contabilizadas e tributadas, restando sem comprovação o valor de R$ 567.561,96. Relatou o autuante que, analisando a escrituração da contribuinte, constatouse o registro de venda de mercadorias nos valores de R$ 3.640.564,70 (1º trimestre de 2006) e R$ 2.119.038,61 (4º trimestre de 2006) não oferecidos à tributação, tendo em vista que a DIPJ e DCTF foram entregues totalmente zeradas. No anocalendário de 2007, foi apurado no Lalur o lucro real de R$ 29.697,36 (1º trimestre) e de R$ 377.367,90 (3º trimestre), que também não foram oferecidos à tributação. Tendo em vista essas apurações, foram lavrados os autos de infração, exigindo a multa de 150%, considerandose que a empresa, ao apresentar, nos anoscalendário de 2006 e 2007, declarações DIPJ e DCTF com campos zerados, agiu dolosamente de modo a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, enquadrandose na hipótese prevista no art. 71, I, da Lei nº 4.502, de 1964. Da Impugnação Fl. 905DF CARF MF Processo nº 18088.000862/201065 Acórdão n.º 1301003.495 S1C3T1 Fl. 906 4 Nos termos da decisão da DRJ, foi apresentada impugnação do contribuinte, fls. 761/784, em que foram aduzidos os seguintes argumentos: ● Preliminarmente, houve erro no cálculo do adicional do IRPJ, do anocalendário de 2006, uma vez que no 1º e 4º trimestres não foi deduzido o valor de R$ 60.000,00, ou seja, foi calculado um adicional de 10% sobre o valor da base de cálculo total do IRPJ. No anocalendário de 2007, no 1º e 3º trimestres foi calculado o adicional do IRPJ sem que tenha sido ultrapassado o valor de R$ 60.000,00; ● No mérito, a autuação baseouse em presunção legal, que é um meio legítimo para dar origem à obrigação tributária, desde que não se contraponha aos princípios constitucionais. A simples presunção sem lastro em prova cabal de existência de renda tributável, por si só, não significa a ocorrência do fato gerador do imposto devido. Deverão existir outros elementos decorrentes da atividade fiscalizatória, que corroborem com a presunção; ● A autuação baseada em presunção legal de omissão de receita acabou por ferir os princípios da legalidade, da segurança jurídica e da razoabilidade, bem assim, em face do pressuposto para a sua verificação, qual seja, o acesso direto às informações bancárias (quebra do sigilo diretamente pelo Fisco), acabou por ferir os princípios da inviolabilidade da privacidade e intimidade, do devido processo legal e da separação dos poderes; ● Uma presunção legal teratológica não tem o condão de impor gravame ao cidadão e pressupõe o uso da lógica, como é razoável se esperar; ● Jamais se negou a prestar as informações solicitadas pelo Fisco, tanto com relação à solicitação de extratos, quanto à comprovação da origem dos depósitos constantes em suas contas bancárias. As diferenças apontadas entre os valores declarados e recolhimentos efetuados com os escriturados nos livros fiscais ocorreram por mero erro de digitação, não tendo ocorrido máfé ou tentativa de fraude; ● As cobranças não podem prosperar uma vez que, contabilmente, os cálculos dos impostos são realizados na ocasião da venda dos produtos. Considerar como auferimento de renda os depósitos bancários acabaria por gerar cobrança em duplicidade para o mesmo fato gerador, o que é vedado pela legislação; ● Há necessidade de constituição do crédito tributário relativo à multa e juros de mora. Assim, é inconstitucional a cobrança dessas penalidades sem a prévia notificação e a abertura do contencioso administrativo previamente a sua cobrança, sob pena de cerceamento do direito de defesa; ● A exigência da multa de 150% tem caráter confiscatório, não é razoável e é desproporcional à capacidade contributiva da defendente. Não ocorreu máfé, pois jamais se negou a prestar as informações solicitadas pelo Fisco e os pedidos de prorrogação de prazo ocorreram por demora dos bancos na apresentação dos documentos; ● A informação zerada com relação aos fatos geradores dos tributos ocorreu por mero erro de digitação e não por máfé; ● A multa de ofício e os juros de mora são inconstitucionais por afrontar os princípios do não confisco, da capacidade contributiva, da razoabilidade, da proporcionalidade e do livre exercício da atividade empresarial. Fl. 906DF CARF MF Processo nº 18088.000862/201065 Acórdão n.º 1301003.495 S1C3T1 Fl. 907 5 Em julgamento realizado em 29 de março de 2011, a 3ª Turma da DRJ/RPO, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 1433.134, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ADICIONAL DO IRPJ. Estando correto, no auto de infração, o cálculo do adicional do IRPJ, não se altera o lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário, que corresponde ao montante do tributo devido, acrescido da multa correspondente e dos juros de mora. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. Fl. 907DF CARF MF Processo nº 18088.000862/201065 Acórdão n.º 1301003.495 S1C3T1 Fl. 908 6 Ajuntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 861 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, e pede a improcedência do lançamento por: inconstitucionalidade da medida e nulidade do lançamento, já que feito através de provas ilícitas, quebra do sigilo sem a autorização judicial; ônus da prova; multa confiscatória; Da Resolução 140200.117 Os autos chegaram ao CARF e em 13/06/2012, o Colegiado entendeu, mediante resolução de fls. 896 e ss, por sobrestar o julgamento, uma vez que o acesso aos extratos bancários no caso em tela ocorreu diretamente pela autoridade administrativa mediante RMF, sem autorização judicial, e diante do julgamento do RE 601.314 o STF, com repercussão geral, houve por bem aguardar o seu julgamento. Recebi os autos, por sorteio, em 13/06/2018. É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi autuada, para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no regime do lucro presumido em 2006 e lucro real no anocalendário de 2007, em razão de omissão de receitas decorrentes de falta de comprovação de origem de valores depositados/creditados em contas bancárias, receita e lucro da atividade escriturada e não declarada, totalizando o crédito tributário de R$3.855.246,82, incluindo multa de ofício qualificada de 150% e juros de mora. Fl. 908DF CARF MF Processo nº 18088.000862/201065 Acórdão n.º 1301003.495 S1C3T1 Fl. 909 7 A DRJ considerou improcedente a impugnação apresentada e manteve os lançamentos. Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/RPO, intimada ao recolhimento dos débitos em 15/06/2011, conforme AR à fl. 860, e apresentou recurso voluntário no dia 20/07/2011. (mas vejo que há outro carimbo ao lado, ilegível, mas que aparentemente começa com 2., talvez nesse caso fosse tempestivo, justo no 30o dia) O relator a quo fez menção na resolução de que o RV seria tempestivo assim vou conhecêlo também. Ademais, em caso de dúvida, de se conhecer como tempestivo, nos termos do Decreto 70.235 Já que atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Quanto à alegação de inconstitucionalidade da RMF De início, a recorrente alega que a obtenção dos extratos por RMF é inconstitucional, tratandose de prova ilícita, o que inquina o procedimento de nulidade absoluta. Ora, esse foi o motivo do sobrestamento, nos termos da Resolução, diante do RE com repercussão geral. Nesse aspecto, temos que ressaltar que o Supremo Tribunal Federal julgou recentemente essa matéria em sede de Repercussão Geral. O julgamento se deu no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, na sessão plenária do dia 24.02.2016, publicada em no DJe nº 37/2016 (em 29.02.2016), e decidiu por maioria de votos a seguinte: Fl. 909DF CARF MF Processo nº 18088.000862/201065 Acórdão n.º 1301003.495 S1C3T1 Fl. 910 8 “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. ” Ademais, transcrevo o dispositivo legal que permite o acesso à movimentação financeira pela Fisco, o art 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Assim também o entendimento da Profa. Maria Rita Ferragut1: "O sigilo bancário não é absoluto, e, no que diz respeito ao aspecto fiscal, deve ceder ao interesse público de obter informações que possam se configurar relevantes a tipificar indícios de prática do fato jurídico tributário. A interpretação do direito à privacidade, na forma ora proposta, garante tanto a eficácia na produção de provas tributárias, quanto a concretização da legalidade e da igualdade. Os benefícios parecem, portanto, muito maiores que a prevalência cega e absoluta da privacidade." Dessa forma, correto o procedimento fiscal embasado em dispositivo legal em plena vigência. Mérito Segundo o Relatório Fiscal de fls. 685 e ss, o presente procedimento fiscal teve início em razão da constatação de movimentação financeira incompatível com a receita declarada nos anos de 2006 e 2007. Intimada a apresentar documentos e livros fiscais, bem como extratos de suas contas bancárias, a recorrente por diversas vezes solicitou prorrogação no cumprimento do solicitado, apresentou algumas informações, e outras não, o que levou a fiscalização a expedição do RMF junto à alguma das instituições financeiras. 1 As provas e o direito Tributário, pág. 110. Fl. 910DF CARF MF Processo nº 18088.000862/201065 Acórdão n.º 1301003.495 S1C3T1 Fl. 911 9 Do total lançado em contas bancárias, a fiscalização procedeu em filtragem, onde retirou aqueles depósitos que representavam transferências de mesma titularidade, bem como aqueles identificados como estornos de débitos, devolução de cheques, financiamentos, mútuos e redução de saldo devedor. Assim, foi o recorrente intimado a comprovar a origem de tais depósitos. O recorrente respondeu à intimação com alegações vagas e sem a comprovação documental hábil e idônea, assim, foi novamente intimado, oportunizandolhe o esclarecimento, porém até o momento nada trouxe. No ano de 2006 foi intimada a comprovar 238 depósitos que totalizaram R$11.033.445,95. E em 2007, 251 depósitos que totalizaram R$667.6075,54, parte desses depósitos foram comprovados com as notas fiscais de vendas, remanescendo R$567.561,96. Ademais, a fiscalização averiguou também que no ano de 2006, cujo regime de tributação era o lucro presumido, a empresa escriturou os seguintes valores como receita de vendas de mercadorias para o 1o e 4o trimestres: R$3.640.564,70 e R$2.119.038,61, porém, DIPJ e DCTF encontravamse zeradas. E em 2007, no regime do lucro real, para o 1o e 3o trimestres: R$29.697,36 e R$377.367,90, também com a DIPJ e DCTF zeradas. Ressaltese aqui, que a DRJ considerou esta segunda infração como não impugnada, restando definitiva. Em sede recursal repete os mesmos argumentos, de que não há inversão de ônus da prova ao contribuinte, sendo tal inversão indevida e ilegal. Ora, com relação à presunção de omissão de receitas proveniente de depósitos bancários de origem não comprovada, e sua forma de tributação, estão assim previstas no art. 42, da Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 911DF CARF MF Processo nº 18088.000862/201065 Acórdão n.º 1301003.495 S1C3T1 Fl. 912 10 I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Ou seja, a presunção da omissão de receitas é prevista na norma, bem como provoca a inversão do ônus da prova ao contribuinte, que deverá comprovar a origem através de documentos hábeis e idôneos. A recorrente, ainda que devidamente intimada não logrou êxito na comprovação da origem dos créditos, ainda que em sede recursal. Ademais, ressaltese que a comprovação dos valores depositados deve ser detalhada, coincidente em data e valores, bem como comprovar sua tributação, ou a não necessidade de tributação. Assim, de se manter o lançamento. Da natureza Confiscatória da Multa Alega ainda excesso de penalidade, como desarazoável e desproporcional. Aqui aplicada a multa de ofício nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, não cabendo a este órgão analisar sua legalidade ou constitucionalidade, nos termos da Súmula CARF n. 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Fl. 912DF CARF MF Processo nº 18088.000862/201065 Acórdão n.º 1301003.495 S1C3T1 Fl. 913 11 Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário do contribuinte, afastar a preliminar arguida e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 913DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.977985/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.624
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.925294/2009-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 77 98 5/ 20 09 -0 3 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10880.977985/200903 Resolução nº 1201000.624 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado que o crédito tinha origem em "antecipações" de CSLL do anocalendário de 2003. Também, que: ao final do ano de 2003 foi apurado prejuízo fiscal e que então a empresa passou a ter o direito de compensar os créditos; o crédito utilizado na PER/DCOMP foi informado tomandose como base o DARF recolhido, quando na verdade deveria ter sido utilizado o "Saldo Negativo" de CSLL; "foram feitas as devidas correções na DIPJ, onde equivocadamente não havia sido lançado o 'Saldo Negativo' de CSLL, porém todas as antecipações foram informadas bem como o resultado (prejuízo) do exercício". A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, "os equívocos como o relatado pela contribuinte não são apenas formais, tendo inúmeras implicações materiais, pois, dependendo do tipo de crédito informado, o procedimento de análise é diferenciado, requerendo, inclusive, maiores detalhamento e comprovação por parte do contribuinte". Consta ainda de decisão que "não há como acatar a solicitação da contribuinte de se considerar que o crédito utilizado no PER/DCOMP é parte da composição do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003". No Recurso Voluntário foi alegado que a) "o artigo 4° da IN/SRF n° 600/2005, vigente à época dos fatos, estabelecia expressamente que a autoridade fiscal deveria determinar a realização de diligencia fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que fosse verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. No caso em tela, este procedimento não foi adotado"; b) "... na hipótese de ocorrer erro no preenchimento de DCTF, e/ou de DIPJ, que não corresponda à verdade dos fatos como ocorre no caso sub examine o contribuinte estará sendo privado de fazer valer um direito seu, direito este amparado por nosso Código Tributário Nacional e pela legislação ordinária"; c) "... tendo ocorrido manifesto erro de preenchimento de declaração, caracterizando o erro de fato, e tendo em vista que o despacho decisório e o acórdão recorrido Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10880.977985/200903 Resolução nº 1201000.624 S1C2T1 Fl. 4 3 não foram prolatados com fundamento na verdade material dos fatos, requerse desde já a decretação da nulidade do acórdão recorrido, para que outro seja lavrado levandose em consideração os princípios do Direito Tributário" d) "... o crédito utilizado na PERD/COMP foi informado tomandose como base o 'DARF recolhido', enquanto o correto deveria ter sido o 'Saldo Negativo de CSLL'"; e) "... foram feitas as devidas retificações na DIPJ, na qual equivocadamente não havia sido lançado o saldo negativo de CSLL"; f) "... todas as antecipações foram informadas, bem como o resultado (negativo) do exercício"; g) "tendo em vista a clareza do mero erro formal perpetrado, com fundamento no comezinho principio tributário da verdade material, é imperioso que se considere que o crédito utilizado é parte da composição do saldo negativo de CSLL da DIPJ/2003". É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10880.977985/200903 Resolução nº 1201000.624 S1C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.619, de 16/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.619): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, o crédito indicado na Dcomp referese a pagamento de estimativa. No entanto, esse pagamento foi considerado para compor o saldo negativo do período conforme parte da DIPJ (ficha 12A) constante dos autos, este a efetiva origem do crédito. Ocorre que não consta dos autos a DIPJ integral do período, assim como as DCTFs correspondentes, pelo que não é possível verificar o total dos valores pagos por estimativa e se conferir o valor do saldo negativo do ano em tela. Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ integral do período e a demonstração do saldo negativo apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) que sejam juntadas as cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação dos pagamentos/compensações das estimativas que compuseram o saldo negativo; c) verificação quanto à não utilização desse saldo negativo em outras Dcomps; O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10880.977985/200903 Resolução nº 1201000.624 S1C2T1 Fl. 6 5 Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18108.000620/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/1998
DECADÊNCIA QUINQUENAL.
Segundo a Súmula Vinculante n. 8 do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias é de 5 anos.
DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL DO ARTIGO 150, §4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Nos termos da Súmula CARF nº 99, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração..
Numero da decisão: 2301-005.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário nos períodos de apuração anteriores a setembro de 2002. Ausente momentaneamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/1998 DECADÊNCIA QUINQUENAL. Segundo a Súmula Vinculante n. 8 do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias é de 5 anos. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL DO ARTIGO 150, §4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Nos termos da Súmula CARF nº 99, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração..
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Segundo a Súmula Vinculante n. 8 do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias é de 5 anos. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL DO ARTIGO 150, §4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Nos termos da Súmula CARF nº 99, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário nos períodos de apuração anteriores a setembro de 2002. Ausente momentaneamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 06 20 /2 00 7- 91 Fl. 148DF CARF MF 2 Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de crédito lançado contra os contribuintes acima identificados, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 34/35, referese às contribuições previdenciárias devidas pela empresa relativas a parte dos segurados, empresa, e para o financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho — SAT, exigidas por meio do instituto da responsabilidade solidária, em razão da contratação de prestador de serviço CLÍNICA MENA BARRETO S/C LTDA, com cessão de mãodeobra, sem a devida apresentação dos recolhimentos específicos para elisão da responsabilidade solidária, conforme previsão contida nos §§ 3° e 6° do artigo 31 da Lei n° 8.212/91. O período do lançamento compreende: 01/1997 a 01/1998. Foram examinados os Livros Diário do período onde estão lançadas as notas fiscais de prestação de serviço. Os valores das notas fiscais e seus respectivos números, bem como o salário de contribuição aferido à base de 40% do valor das notas fiscais estão devidamente demonstrados no Relatório de Lançamentos. Ciente da exigência em 24/10/2007, conforme consta do AR (fl. 37), a prestadora apresentou defesa (fls. 39/44), alegando: (i) cerceamento de defesa, pois recebeu apenas e tão somente o Relatório de Lançamentos da NFLD, cuja cópia anexa à presente defesa; (ii) deve ser observado o prazo decadencial de cinco anos, conforme entendimento recente confirmado pela Corte Especial do Colendo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 616348, que julgou inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91; e (iii) "... a prestação de serviço foi realizada pelos próprios sócios à tomadora do serviço, bem como, há de se considerar a inexistência de funcionário da impugnante nesta empresa, mesmo porque todos os impostos relativos a este empregado foram devidamente recolhidos". Junta os seguintes documentos (fls. 45/68): procuração, cópias do instrumento particular de contrato social e da NFLD (FLD, REPLEG, VÍNCULOS, RELATÓRIO FISCAL, ROSTO DA NFLD, IPC, DAD, RL e DSD). A tomadora contestou o lançamento tempestivamente por meio do documento de fls. 71/75, alegando que ocorreu a decadência com relação aos créditos previdenciários não constituídos no prazo de cinco anos. É letra morta a disposição contida nos art. 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, por contrariar norma hierarquicamente superior (CTN). Esse entendimento foi confirmado pela Corte Especial do Colendo Superior Tribunal de Justiça, através do Recurso Especial n° 616348. Em 15 de maio de 2008, o Acórdão da DRJ de n. 1724.998 (fls. 93 e ss) julgou o lançamento procedente em parte. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 18108.000620/200791 Acórdão n.º 2301005.678 S2C3T1 Fl. 3 3 Em 22 de agosto de 2008, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 112 e ss) alegando a decadência quinquenal. Em 3 de setembro de 2008, a responsável solidária, Clinica Mena Barreto Ltda, interpôs Recurso Voluntário (fls. 117 e ss) alegando a decadência quinquenal. Em 15 de agosto de 2013, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF emitiu a Resolução nº 2301000.409, pela qual o julgamento foi convertido em diligência, a fim de que o fisco: a) informe se ocorreram recolhimentos parciais nas competências existentes no lançamento; e b) anexe a decisão que anulou lançamento original, conforme informado no Relatório Fiscal. Em resposta à diligência (fls. 142 e ss), a unidade de origem confirmou a existência de pagamentos parciais para os períodos em questão, em que pese não tenha sido juntada a decisão que anulou o lançamento original. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal STF na Súmula Vinculante nº8, de 12/06/2008, de eficácia retroativa para os contribuintes com solicitações administrativas apresentadas até a data do julgamento da referida Súmula, os créditos da Seguridade Social relativos ao período de 01/01/1997 a 31/01/1998 devem ser cancelados, uma vez que o lançamento tributário ocorreu após o lapso temporal quinquenal. Constatada na resposta à diligência (fls. 142 e ss) que houve pagamentos parciais de contribuição para os períodos autuados, a regra decadencial a ser aplicada é a do artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o entendimento de aplicação do artigo 150, §4º, do CTN quando houver recolhimentos consta inclusive na Súmula CARF nº 99, "in verbis": Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ante o exposto, aplicase a regra decadencial do artigo 150, §4º, do CTN, de modo que todos os fatos geradores anteriores a setembro de 2002 se encontram atingidos pela Fl. 150DF CARF MF 4 decadência, uma vez que o prazo de cinco anos para constituição do crédito tributário se encerrou em setembro de 2002, ao passo que a cientificação do auto de infração se deu em setembro de 2007 (fls. 5). Com base no exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário e darlhe parcial provimento para reconhecimento da decadência das competências até setembro de 2002. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.722674/2017-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ALEGADO.
A impugnação deve vir acompanhada de prova documental que ratifique as alegações apresentadas.
CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE REMUNERAÇÃO DE FRETISTAS. AUSÊNCIA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO.
A contribuição da empresa prevista na Lei nº 8.212/1991, art. 22, III, incide sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais que prestam serviços de frete, a qual corresponde a 20% do rendimento bruto percebido. Não pode ser reputado como indenização parte da remuneração recebida, sob a alegação de que consiste em reparação por casos fortuitos ocorridos, principalmente quando esses fatos não são comprovados.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS, AVISO PRÉVIO INDENIZADO E OS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIO-DOENÇA. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Em face da natureza eminentemente não remuneratória das verbas denominadas terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e os quinze dias que antecedem o auxílio-doença, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543C, do CPC, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludidas rubricas, impondo seja rechaçada a tributação imputada.
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO-MATERNIDADE. SALÁRIO-PATERNIDADE. HORAS EXTRAS.
De acordo com a Lei nº 8.212/1991, art. 28, §2º, incide contribuição previdenciária sobre o salário-maternidade. O Superior Tribunal de Justiça - STJ também se manifestou pela incidência da contribuição sobre essa verba no julgamento do Recurso Especial - REsp 1.230.957/RS, sob o rito dos recursos repetitivos. Incide contribuição previdenciária sobre o salário-paternidade, entendimento expresso na Solução de Consulta nº 122/2015 emitida pela Coordenação Geral de Tributação - COSIT. Incide contribuição previdenciária sobre as horas extras e respectivo adicional, por se tratar de verba paga em retribuição pela prestação do trabalho. O STJ também já decidiu nesse sentido no julgamento do Recurso Especial - REsp 1.358.281.
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GRATIFICAÇÕES.
Verbas pagas mensalmente, semestralmente ou anualmente, como prêmio de incentivo ao empregado, por desempenho ou tempo de serviço, integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Incide essa contribuição sobre gratificação ajustada paga em razão da admissão do empregado, a qual decorre do contrato de trabalho e não tem natureza eventual.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL DE ACORDO COM O LEIAUTE. PRESTAÇÃO DEFICIENTE. PENALIDADE. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NULIDADE. ARTIGO 12, II, DA LEI 8.218/91.
Deixar de apresentar informações em meio digital de acordo com o leiaute previsto no manual normativo de arquivos digitais constitui infração aos dispositivos da legislação previdenciária. A adoção de dispositivo diverso (art. 12, II, da Lei 8.218/91) constitui causa de nulidade de auto de infração. In casu há uma falha grave na fundamentação jurídica para a lavratura do auto de infração. O auto foi lavrado com o Código de Fundamentação Legal (CFL) 22, ao invés do Código CFL 35, que determina corretamente a aplicação da penalidade constante no inciso III do artigo 32 da Lei 8.212/91. O art. 112 do CTN assevera que a penalidade aplicada deverá ser aquela mais favorável ao acusado quando houver dúvida sobre a capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou, ainda, quanto à natureza ou extensão dos seus efeitos.
Numero da decisão: 2402-006.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial ao recurso voluntário para excluir do Auto de Infração os valores relativos ao 13º salário sobre o aviso prévio indenizado e sobre o terço de férias e para afastar as Multas por descumprimento de obrigações acessórias - Infrações F e G do Relatório Fiscal (CFL 21 e CFL 22). Vencido o conselheiro Luis Henrique Dias Lima que deu provimento em menor extensão. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o conselheiro Luis Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente)
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 30/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ALEGADO. A impugnação deve vir acompanhada de prova documental que ratifique as alegações apresentadas. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE REMUNERAÇÃO DE FRETISTAS. AUSÊNCIA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. A contribuição da empresa prevista na Lei nº 8.212/1991, art. 22, III, incide sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais que prestam serviços de frete, a qual corresponde a 20% do rendimento bruto percebido. Não pode ser reputado como indenização parte da remuneração recebida, sob a alegação de que consiste em reparação por casos fortuitos ocorridos, principalmente quando esses fatos não são comprovados. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS, AVISO PRÉVIO INDENIZADO E OS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIO DOENÇA. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Em face da natureza eminentemente não remuneratória das verbas denominadas terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e os quinze dias que antecedem o auxíliodoença, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543C, do CPC, o qual é de observância AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 26 74 /2 01 7- 13 Fl. 35753DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.754 2 obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludidas rubricas, impondo seja rechaçada a tributação imputada. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO MATERNIDADE. SALÁRIOPATERNIDADE. HORAS EXTRAS. De acordo com a Lei nº 8.212/1991, art. 28, §2º, incide contribuição previdenciária sobre o saláriomaternidade. O Superior Tribunal de Justiça STJ também se manifestou pela incidência da contribuição sobre essa verba no julgamento do Recurso Especial REsp 1.230.957/RS, sob o rito dos recursos repetitivos. Incide contribuição previdenciária sobre o salário paternidade, entendimento expresso na Solução de Consulta nº 122/2015 emitida pela Coordenação Geral de Tributação COSIT. Incide contribuição previdenciária sobre as horas extras e respectivo adicional, por se tratar de verba paga em retribuição pela prestação do trabalho. O STJ também já decidiu nesse sentido no julgamento do Recurso Especial REsp 1.358.281. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GRATIFICAÇÕES. Verbas pagas mensalmente, semestralmente ou anualmente, como prêmio de incentivo ao empregado, por desempenho ou tempo de serviço, integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Incide essa contribuição sobre gratificação ajustada paga em razão da admissão do empregado, a qual decorre do contrato de trabalho e não tem natureza eventual. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL DE ACORDO COM O LEIAUTE. PRESTAÇÃO DEFICIENTE. PENALIDADE. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NULIDADE. ARTIGO 12, II, DA LEI 8.218/91. Deixar de apresentar informações em meio digital de acordo com o leiaute previsto no manual normativo de arquivos digitais constitui infração aos dispositivos da legislação previdenciária. A adoção de dispositivo diverso (art. 12, II, da Lei 8.218/91) constitui causa de nulidade de auto de infração. In casu há uma falha grave na fundamentação jurídica para a lavratura do auto de infração. O auto foi lavrado com o Código de Fundamentação Legal (CFL) “22”, ao invés do Código CFL “35”, que determina corretamente a aplicação da penalidade constante no inciso III do artigo 32 da Lei 8.212/91. O art. 112 do CTN assevera que a penalidade aplicada deverá ser aquela mais favorável ao acusado quando houver dúvida sobre a capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou, ainda, quanto à natureza ou extensão dos seus efeitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 35754DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.755 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial ao recurso voluntário para excluir do Auto de Infração os valores relativos ao 13º salário sobre o aviso prévio indenizado e sobre o terço de férias e para afastar as Multas por descumprimento de obrigações acessórias Infrações F e G do Relatório Fiscal (CFL 21 e CFL 22). Vencido o conselheiro Luis Henrique Dias Lima que deu provimento em menor extensão. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o conselheiro Luis Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente) Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, de fls. 35.683 usque 35.721, tomado contra Acórdão de fls. 35.606/35.633, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário conforme lançado. Por bem delinear a causa até a interposição do Recurso, fazse necessária a transcrição do relatório da r. decisão objurgada, nos seguintes termos: 1 LANÇAMENTO Tratase de processo no nome da contribuinte em epígrafe, doravante mencionada simplesmente como contribuinte ou empresa, por meio do qual foi formalizado crédito tributário incluindo o período 04/2012 a 12/2013 e 13/2013, o qual se refere a quatro Autos de Infração: AUTO DE INFRAÇÃO 1 (fls. 2/18) No primeiro Auto de Infração, as contribuições foram lançadas conforme a seguir: Fl. 35755DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.756 4 Consta no Relatório Fiscal: Infração A A empresa foi reintimada a apresentar sua folha de pagamento digital, formato do Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, uma vez que na primeira apresentada foi constatada a ausência dos segurados contribuintes individuais. A folha de pagamento apresentada depois da reintimação, contudo, continuou sem informações relativas a contribuinte individuais. Na análise da escrituração contábil digital da empresa, anos 2012 e 2013, foram detectadas contas de despesas relacionadas a pagamentos de frete, todavia os históricos dos lançamentos contábeis denotam haver pagamentos a pessoas físicas e a pessoas jurídicas. Assim, não foi possível a identificação dos fatos geradores das contribuições incidentes sobre as remunerações de contribuintes individuais prestadores de serviço de frete. Foi, então, solicitada à contribuinte relação dos transportadores autônomos e suas respectivas remunerações mensais. Ela apresentou planilha, com a base de cálculo corresponde a 20% (vinte por cento) da remuneração bruta percebida pelo serviço prestado. A Auditoria fez o cruzamento desses valores com aqueles informados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Fl. 35756DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.757 5 Social – GFIP, detectando diferenças que foram lançadas, conforme Planilha 04. Infração B Por meio de informação na GFIP, a empresa se enquadrou na alíquota RAT prevista no inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/1991 conforme a atividade preponderante de cada estabelecimento, havendo alguns com 2% (dois por cento) e outros com 3% (três por cento). Embora tenha sido verificado no sistema corporativo da Receita Federal do Brasil (SISCOL) que o Fator Acidentário de Prevenção – FAP da empresa para o ano de 2013 é 0,6451, nas GFIP das competências 01/2013 a 13/2013, a empresa informou valores de FAP entre 0,5000 e 0,53000, criando divergências entre o valor efetivamente devido e o declarado da contribuição GILRAT. Assim, foram lançadas as diferenças entre o GILRAT declarado e o efetivamente devido, por estabelecimento, cujos valores constam na Planilha 03. Infrações C e C1 Do cruzamento das remunerações contidas nas folhas de pagamento apresentadas em meio digital, formato MANAD, com as informações prestadas em GFIP, a Auditoria constatou que parte da remuneração dos segurados empregados deixou de compor a base de cálculo declarada. Foram então lançadas as contribuições previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212/1991 sobre essas diferenças não declaradas. A Alíquota GILRAT considerada foi aquela referente ao CNAE resultante do autoenquadramento da empresa, efetuado em suas GFIP. O comparativo entre os valores declarados e os valores das folhas de pagamento encontrase na Planilha 05. Infrações D e D1 Nas folhas de pagamento apresentadas, foi constatado o pagamento de remuneração aos empregados sob a rubrica 1695 – Gratificação Liberalidade. Instada a esclarecer a natureza desses valores, a empresa informou que se trata de uma gratificação paga para incentivar os empregados, a qual entende ser uma liberalidade. Conforme dito pela empresa, o pagamento “pode ser feito em um mês, semestre ou ano pelo empregador ao empregado”. Por não se tratar de ajuda de custo por transferência, conforme inicialmente previsto pela empresa, mas sim de uma gratificação de incentivo, os valores foram considerados bases de cálculo das contribuições previstas na Lei nº 8.212/1991, art. 22, I e II, que foram lançadas. Fl. 35757DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.758 6 Para o lançamento da GILRAT, foi considerado o autoenquadramento da empresa no CNAE, conforme GFIP apresentadas. Os valores pagos a título dessa gratificação encontramse discriminados na Planilha 06. Infrações E e E1 As Auditoras Fiscais apuraram que, na escrituração contábil do ano de 2013, a empresa registrou nas rubricas contábeis 33102010 (Salários), 33102030 (Horas Extras), 33103010 (Férias), 33103020 (13º Salário) e 33102040 (Gratificações Funcionários) valores que não constam nas folhas de pagamento apresentadas e não foram declarados em GFIP. Tais valores foram identificados em contas de despesa, pelos históricos dos lançamentos, e tiveram reflexos no resultado contábil. Os lançamentos contábeis que evidenciam o reconhecimento das despesas pela empresa encontramse discriminados na Planilha 08. Na Planilha 09, constam a composição da base de cálculo, as alíquotas e as contribuições lançadas (Lei nº 8.212/1991, art. 22, I e II). Como não é possível a identificação dos estabelecimentos a que se referem os lançamentos contábeis, foi aplicada a alíquota RAT de 3% (três por cento), ajustada pelo FAP da empresa para 2013: 0,6451. AUTOS DE INFRAÇÃO 2 (fls. 19/42) E 3 (fls. 43/56) As contribuições lançadas no Auto de Infração 2 corresponderam às seguintes infrações: Fl. 35758DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.759 7 A empresa se enquadra no código do Fundo da Previdência e Assistência social – FPAS 507 – Indústria, incidindo sobre as remunerações dos segurados empregados que lhes prestam serviços as contribuições destinadas às seguintes entidades: FNDE (Salário Educação), INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE. A contribuinte celebrou convenio com o SESI e o SENAI que acoberta os estabelecimentos situados nos estados de Pernambuco, Sergipe e Ceará. Há, também, convenio apenas com o SENAI para as empresas do estado da Paraíba. Nesses convênios constam cláusulas prevendo o recolhimento direto a essas entidades, desobrigando a contribuinte do recolhimento em Guia da Previdência Social – GPS e da declaração em GFIP. Quando contrata serviços de transporte (frete) com pessoas físicas (transportador autônomo), a empresa se obriga ao desconto e recolhimento das contribuições desse segurado (contribuinte individual) destinadas ao SEST e ao SENAT. Infrações A e A1 A base de cálculo das contribuições para o SEST e SENAT foram apuradas a partir das planilhas de Fl. 35759DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.760 8 remunerações dos transportadores autônomos entregues à Auditoria Fiscal, correspondendo a 20% (vinte por cento) do valor bruto pago pelos serviços prestados. Os valores das planilhas foram comparados com aqueles informados em GFIP e foram lançadas as diferenças não declaradas, demonstradas na Planilha 04. Infrações C2, C3, C4, C5 e C6 Essas infrações correspondem às contribuições de terceiros que incidiram sobre as mesmas bases de cálculo descritas nas infrações C e C1 (valores encontradas nas folhas de pagamento e não declaradas em GFIP). Na Planilha 05 foi apresentado o comparativo entre a base de cálculo apurada pelas autoridades fiscais e aquelas informadas em GFIP. Infrações D2, D3, D4, D5 e D6 Essas infrações correspondem às contribuições de terceiros que incidiram sobre as mesmas bases de cálculo descritas nas infrações D e D1 (Gratificação Liberalidade). Na Planilha 06 encontramse demonstrados os valores pagos a título dessa gratificação, as alíquotas e os valores das contribuições lançadas. Infrações E3, E4, E5, E6 e E7 Essas infrações correspondem às contribuições de terceiros que incidiram sobre as mesmas bases de cálculo descritas nas infrações E, E1 e E2 (rubricas contábeis 33102010 Salários, 33102030 Horas Extras, 33103010 Férias, 33103020 13º Salário e 33102040 Gratificações Funcionários). Na Planilha 07 estão relacionados os lançamentos contábeis e as remunerações. Como, pelo registro contábil, não foi possível a identificação dos estabelecimentos a que se referem os lançamentos, foi utilizada a alíquota total de 5,8% (cinco vírgula oito por cento), correspondente às seguintes entidades: FNDE (2,5%), INCRA (0,2%), SENAI (1%), SESI (1,5%) e SEBRAE (0,6%). AUTO DE INFRAÇÃO 4 (fls. 58/61) As multas por descumprimento de obrigações acessórias referemse às seguintes infrações: Fl. 35760DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.761 9 Infração F Regularmente intimada a apresentar as folhas de pagamento dos anos 2012 e 2013 em meio digital, no formato MANAD, a contribuinte apresentou arquivos digitais do ano de 2012 sem os registros de informações “K200 – Contabilização da Folha de Pagamento”. Assim, ela entregou tais arquivos sem atender à forma estabelecida pela Instrução Normativa MPS/SRP nº 12/2006 (MANAD), descumprindo o disposto no art. 11, §§ 3º e 4º, da Lei nº 8.218/1991. A multa para a infração descrita no parágrafo anterior está estabelecida no art. 12, I e parágrafo único, da Lei nº 8.218/1991 e corresponde a 0,5% (meio por cento) do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período (anocalendário em que as operações foram realizadas). A receita bruta foi apurada na contabilidade da empresa. Infração G Embora tenha sido intimada a apresentar as folhas de pagamentos dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, nas folhas de pagamento em meio digital apresentadas pela contribuinte, não constam as remunerações dos segurados contribuintes individuais. Foram, portanto, omitidas parcialmente as informações solicitadas, em desobediência ao art. 11, §§ 3º e 4º da Lei nº 8.218/1991. Para o cálculo da multa aplicada, foram consideradas as remunerações dos segurados contribuintes individuais, transportadores autônomos, constantes na planilha fornecida pela empresa, em atendimento ao Termo de Intimação nº 05. Apesar de a contribuinte ter dito que os únicos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços foram transportadores autônomos, ela também remunerou outros profissionais autônomos, conforme constatado nas GFIP dos anos 2012 e 2013. Nessas GFIP foram declaradas remunerações de contribuintes individuais classificados na categoria 13. A multa por omissão de informações nos arquivos digitais solicitados está estabelecida no art. 12, II e parágrafo único, da Lei nº 8.218/1991: 5% (cinco por cento) sobre o valor da operação correspondente, limitada a 1% (um por cento) da receita bruta da pessoa jurídica no período. Uma vez que não foi atingido esse limite, no caso, foi aplicada a multa de 5% do valor da operação. Infração H A Auditoria Fiscal identificou guias de recolhimento com o código 2909 (Reclamatória Trabalhista), motivo pelo qual solicitou a apresentação de cópias das ações trabalhistas Fl. 35761DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.762 10 relativas aos anos de 2012 e 2013: inicial, sentença, acordo, GPS e GFIP. Mesmo depois de várias prorrogações e reintimações, a contribuinte não apresentou os documentos referentes a parte das ações judiciais de 2012 e não apresentou nenhum documento do ano de 2013. Ao não apresentar os documentos relacionados às reclamatórias trabalhistas, a contribuinte cometeu a infração capitulada no art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212/1991 e nos arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social –RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. A aplicação da multa baseouse na Lei nº 8.212/91, arts. 92 e 102, e no RPS, art. 283, II, “j”, e art. 373, sendo calculada em seu valor mínimo, atualizado pela Portaria MF nº 8/2017, ou seja, R$.22.840,21 (vinte e dois mil, oitocentos e quarenta reais e vinte e um centavos). Infração H Foram constatados pagamentos a título de frete em várias rubricas contábeis identificadas pelas autoridades fiscais no relatório, contudo sem a identificação nos registros contábeis se tais pagamentos se referem a pessoas físicas ou jurídicas. Além disso, nas contas relacionadas à contabilização da folha de pagamento (33102010 – Salários e 33103010 – Férias) são lançadas despesas que compõem e que não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Foi concluído, então, que a empresa não registra em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições. Assim, infringiu o art. 32, II, da Lei nº 8.212/1991, c/c art. 225, II e §§ 13 a 17, do RPS. A aplicação da multa baseouse na Lei nº 8.212/91, arts. 92 e 102, e no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, art. 283, II, “a”, e art. 373, tendo sido calculada em seu valor mínimo, atualizado pela Portaria MF nº 8/2017, ou seja, R$.22.840,21 (vinte e dois mil, oitocentos e quarenta reais e vinte e um centavos). ACRÉSCIMOS LEGAIS APLICADOS Sobre as contribuições lançadas nos Autos de Infração, foram aplicados juros de mora, com base no art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/1996, e multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. 2 IMPUGNAÇÃO A ciência eletrônica da empresa se deu em 26/04/2017, conforme Termo de Ciência de Abertura de Mensagem de fls. 35.425. Em 25/05/2017, foi apresentada impugnação, na qual foi alegado, em resumo: Fl. 35762DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.763 11 1. A partir da Emenda Constitucional nº 20/1998, a habitualidade passou a ser um elemento fundamental para configurar o pagamento feito ao empregado como salário e, consequentemente, como base de cálculo da contribuição previdenciária. A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, art. 458, também define a habitualidade como requisito para a verba ser conceituada como salário. 2. Depreendese da Constituição Federal e da Lei nº 8.212/1991, art. 28, que verbas indenizatórias, que não configurem contraprestação por serviços prestados não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 3. No julgamento do Recurso Extraordinário – RE nº 166722 9/RS, o Supremo Tribunal Federal – STF, ao definir o real alcance da expressão “folha de salários”, afastou a incidência de contribuição previdenciária sobre pagamentos a autônomos, dirigentes e trabalhadores avulsos e definiu a necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de financiamento da Seguridade Social que não aquelas definidas no art. 195, I, da Constituição Federal. 4. Nesse julgado, o STF ressaltou a importância de se observar o sentido já estabelecido para palavras e expressões, principalmente se são institutos já consagrados no Direito. Assim, não se pode incluir no conceito de remuneração parcelas indenizatórias. 5. A contribuinte recolhe a contribuição previdenciária sobre os valores creditados aos autônomos que lhe prestam serviços, informando esses valores nas GFIP. Os montantes apurados pela Auditoria não representam remuneração e sim mero reembolso de despesas em caráter excepcional, como, por exemplo, quando estradas são bloqueadas por desabamentos ou alagamentos, o que aumenta o custo do transporte. Essas importâncias têm, pois, caráter indenizatório e não configuram contraprestação de serviços. 6. Também por não representar contraprestação por serviços prestados, o aviso prévio indenizado e a correspondente parcela do 13º salário não são base de incidência da contribuição previdenciária. Esse entendimento é pacífico no Superior Tribunal de Justiça –STJ, já tendo a matéria sido objeto de julgamento sob a sistemática dos recursos repetitivos (Recurso Especial – REsp 1.230.957/RS). 7. Da mesma forma, não incide contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, que não provém de serviço algum fornecido pelo empregado. 8. Com relação ao aviso prévio indenizado, o correspondente 13º salário e o terço constitucional de férias, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF já vem obedecendo ao posicionamento do STJ. Fl. 35763DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.764 12 9. Tampouco constituem base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de saláriomaternidade e licença paternidade, pois são direito garantidos pela Constituição Federal, sem relação com a contraprestação por serviços. Nesse sentido a jurisprudência do Tribunal Regional Federal – TRF da 3ª Região. 10. Igualmente, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de horas extras, que constituem indenização pelos prejuízos físicos e psicológicos do empregado, por ficar afastado do convívio familiar em face da longa jornada de trabalho. A jurisprudência também abona essa tese. 11. Os valores lançados como Gratificação Liberalidade correspondem a: a. Gratificações relacionadas ao tempo de casa dos funcionários, como, por exemplo, por ter gozado 20 (vinte) anos de férias, Prêmio PHEX e Prêmio Tempo de Serviço. b. Pagamentos relacionados com a admissão dos funcionários, pagos no ato da contratação, como indenização para que ele peça seu desligamento de outra empresa. Nesse caso, o funcionário sequer pertencia aos quadros da empresa. O CARF já decidiu pela não incidência de contribuição previdenciária sobre essa verba se for paga de forma espontânea. No caso, o Auditor Fiscal não comprovou que o pagamento se deu de forma compulsória. c. Bônus/Adicional de Desempenho, pagamentos efetuados por mera liberalidade, de forma eventual, aos gerentes. 12. Todas essas verbas são eventuais, não habituais, motivo pelo qual não influem na base de cálculo das contribuições previdenciárias. 13. Quanto às infrações relativas à remuneração de empregados não oferecidas à tributação (Base ECD), incluída nas planilhas 7 e 8 da fiscalização, a impugnante está diligenciando sobre o tema e, quando obtiver a documentação comprobatória, efetuará sua juntada aos autos. 14. Com respeito às multas aplicadas com base na Lei nº 8.218/1991, art. 12, I e II, as incorreções no preenchimento do CNPJ no arquivo MANAD ou valores diferentes em razão da desoneração da folha de pagamento, em sua maioria, já foram regularizados, como comprovam os anexos, não havendo prejuízo ao Erário. 15. A multa não pode ter fim meramente arrecadatório, devendo ter caráter pedagógico e inibidor de condutas infracionais. No caso, em que não houve prejuízo à arrecadação e houve boafé, com a regularização dos erros, não pode ser aplicada qualquer sanção, tendo havido o descumprimento do art. 2º da Lei Geral de Processos Administrativos Federais, que aponta os princípios a serem obedecidos. Fl. 35764DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.765 13 16. De qualquer forma, o art. 11 da Lei nº 8.218/1991 não se aplica às contribuições previdenciárias, para as quais existem disposições expressas na Lei nº 8.212/1991, especialmente seu art. 32, II, cuja redação foi dada pela Lei nº 11.941/2009. Assim, houve desrespeito ao princípio da legalidade, pois o Auto de Infração deveria ter sido lavrado com o Código de Fundamentação Legal CFL 35, com a aplicação do art. 32, III, da Lei nº 8.212/1991 e art. 283, II, do Decreto nº 3.048/1999. Há jurisprudência do CARF nesse sentido. 17. As multas exorbitantes aplicadas violam os princípios da razoabilidade e da verdade material. Ademais, havendo dúvida na aplicação das penalidades, deve prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. 18. A impugnante pede seja declarada a insubsistência do Auto de Infração, determinandose o seu cancelamento, e protesta pela juntada de novos documentos para demonstrar a regularidade dos seus procedimentos. Em seu Recurso, reprisa a Recorrente, em boa parte, os mesmos argumentos lançados em sua peça de Defesa, tendo alterações apenas a partir de seu item 76 (fls. 35.716). A partir dele, argumenta que, em caso de que não se entenda pela aplicação da penalidade do artigo 32, a Lei nº 8.212/91, deverseia aplicar a punição de acordo com a regra do artigo 57 da MP 2.15835/2001, uma vez que mais benéfica ao contribuinte do que a norma penal aplicada pela autoridade fiscal no presente caso (artigo 12 da Lei nº 8.218/91). Além disso, a nova redação do art. 57 da MP 2.15835/01, conferida pela Lei 12.873/13, teria revogado o art. 12 da Lei nº 8.218/91, porquanto, a despeito de ser mais genérica (por abranger obrigações acessórias em sentido lato), implicaria em incompatibilidade. Assenta que não haveria dúvida de que, in casui,haveria, para o mesmo fato, dois dispositivos legais incompatíveis: "i) um deles tratando de arquivos digitais, estabelece pena de maior importância econômica; (ii) o outro, tratando de obrigações acessórias (como são, sem dúvida, as obrigações de fornecer arquivos digitais), estabelece pena menor. Logo, há uma incompatibilidade entre as disposições, de sorte que, nos termos da LICC, a norma posterior revoga a anterior." Em tal diapasão, a consequência da aplicação, para a acusação de que a Recorrente apresentou os arquivos digitais em formato diverso do pretendido pelas autoridades, seria de que, ao invés de cobrar 0,5% sobre a receita bruta, o máximo que se poderia cobrar seria R$18.000,00, isto é, 12 vezes R$1.500,00 (art. 57, inc. I, letra b, da MP 2.15835/01, com a redação da Lei 12.873/13). E, quanto a acusação de que a Recorrente teria omitido informação no arquivo digital (falta de informação sobre pagamentos a contribuintes individuais) a pena Fl. 35765DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.766 14 deveria ser de 3% sobre o valor das operações, ou seja R$322.156,46 (cf. art. 57, III, a, da MP 2.15835/01) e não R$ 536.927,45. Como segunda razão, pela necessidade de aplicação da penalidade mais benéfica, afia que o artigo 12, inc. I, da Lei nº 8.218/91 violaria o art. 97, inc. V, do Código Tributário Nacional, uma vez que imporia hipótese de incidência de multa não descrita no artigo 11 daquela Lei e, portanto, desrespeitaria o princípio da reserva legal. Assenta, às fls. 35.719: Ora, no caso, o fato atribuído à empresa (passível de punição), consiste em que a Recorrente teria entregue os arquivos em desacordo com o leiaute previsto no denominado MANAD, o que significa dizer que a mesma cumpriu o seu dever instrumental de manter escrituração à disposição do fisco e apresentar os arquivos quando intimada para tanto. O mandamento contido no art. 11 foi cumprido pela empresa. Logo nenhuma sanção poderá ser imposta com base no art. 12, I, da Lei 8.218/91 (que, de qualquer forma, é incompatível com o art. 97, inc. V, do CTN). (g.o.) Dessa forma, a aplicação do artigo 57 da MP 2.15835/01 seria mais acertado, eis que preveria melhor mandamento que permite a imposição de sanção. Colaciona trecho do Parecer Normativo nº 3/2013 da Receita Federal do Brasil, salientando que, na forma do artigo 100, inc. I, do CTN, tal parecer seria norma complementar ao direito tributário, devendo ser aplicado ao caso pelo CARF, não devendo prevalecer as penalidades referentes aos itens F e G do auto de infração. Por derradeiro, requer seja conhecido e provido o Recurso Voluntário, cancelandose integralmente as autuações, ou, alternativamente, sejam corretamente aplicadas as penalidades pelo descumprimento das obrigações acessórias. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Consta dos Autos Termo de Ciência por Abertura de Mensagem [Fl. 35.680], indicando que a recorrente acessou sua domicilio eletrônico e os termos do Acórdão 0840.994 6ª Turma da DRJ/FOR em 10/11/2017 às 11:36:50, uma sextafeira, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72. Fl. 35766DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.767 15 O Termo de Solicitação de Juntada [Fl. 35.681/35.682] registra que o Recurso Voluntário foi interposto em 12/12/2017 às 13:56:58, data em que se findaria o prazo para interposição tempestiva do Recurso. Analisando os demais requisitos intrínsecos e extrínsecos e dada sua tempestividade, votamos por conhecer do recurso. O procedimento de fiscalização teve por objeto analises quanto ao adimplemento de obrigações previdenciárias ocorridas no período compreendido entre 01/2012 a 12/2013 (incluindo as competências dos 13º salários de 2012 e 2013), gerando 03 autos de infração: Constam dos referidos autos de infração as seguintes rubricas: Fl. 35767DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.768 16 Analisando os detalhes do lançamento e a peça Recursal, verificamos que nem todos os créditos foram objeto de contestação e conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972, art. 17 não integrarão o contencioso. 1 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 35768DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.769 17 O conhecimento das questões em lide, dado seu grande volume, é tortuoso, mas merece registro o excelente trabalho dos auditores fiscais quanto a sistematização e detalhamento daquilo que fora lançado. A metodologia adotada pelos auditores facilitou o exercício da defesa, razão pela qual, para emissão do presente voto, adotaremos os tópicos na forma proposta pela Recorrente, conjugando matérias relacionadas e julgandoas em bloco. Tal registro referese apenas a metodologia de organização do lançamento e não ao seu conteúdo, que será objeto de analise nos próximos tópicos. 2. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VERBAS QUE NÃO TEM CARÁTER RETRIBUTIVO. A Recorrente inicia sua incursão ruma ao reexame do decisório a quo tentando estabelecer como premissa para as análises seguintes, que a retributividade pelo trabalho é elemento essencial de subsunção dos fatos em lide à norma de incidência das contribuições previdenciárias lançadas. Essa premissa somente é aplicável se presentes as condições para identificá las nos fatos, o que se demonstra por meio de provas e demonstrações inequívocas de tal natureza e não como pressuposto de que, no caso concreto, todas as verbas pagas teriam tal natureza. 3. INFRAÇÕES A, A1 E A2 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL SOBRE VALORES PAGOS OU CREDITADOS A TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS NÃO OFERECIDOS A TRIBUTAÇÃO. Neste ponto a fiscalização entendeu que os pagamentos por serviços de transporte realizados por contribuintes individuais amoldamse a hipótese de incidência das contribuições previdenciárias de que trata o III do artigo 22 da Lei nº 8.212/912, registrando que os transportadores estão classificados como contribuintes individuais por força do disposto na alínea “g” do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/913. Ante a conclusão supramencionada, os agentes fiscais tomaram por base de calculo o percentual de 20% do valor total do serviço, nos termos do §154 do art. 22 da Lei nº 8.212/91 e entendendo que a Recorrente deixou de observar seu dever de incluílos em folha de 2 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). 3 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: [...] V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). [...] g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego;(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). 4 § 15. Na contratação de serviços de transporte rodoviário de carga ou de passageiro, de serviços prestados com a utilização de trator, máquina de terraplenagem, colheitadeira e assemelhados, a base de cálculo da contribuição da empresa corresponde a 20% (vinte por cento) do valor da nota fiscal, fatura ou recibo, quando esses serviços forem prestados por condutor autônomo de veículo rodoviário, auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, bem como por operador de máquinas. (Incluído pela Lei nº 13.202, de 2015) Fl. 35769DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.770 18 pagamento, nos termos do inciso I do art. 325 da Lei nº 8.212/91, replicado no inciso I do art. 2256 do Regulamento da Previdência Social – RPS – aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Em contradição ao entendimento fiscal a Recorrente sustenta ter recolhido os valores do tributo que seriam incidentes sobre os pagamentos relativos a serviços de frete e que os pagamentos tomados por base para o lançamento não têm caráter remuneratório, são reembolsos de custos extraordinários com combustível e outros. A sistemática própria das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a transportadores autônomos foi estabelecida sobre a presunção de que 80% do valor representa custo da operação de transporte e apenas 20% retribuição pelo trabalho pessoal do transportador. O principal objetivo desta redução da base de cálculo do transportador autônomo é, justamente, evitar a incidência das contribuições previdenciárias sobre o valor pago pelo contribuinte a título de combustível, manutenção, depreciação do veículo entre outros, portanto, não faz sentido excluir da base de calculo os valores referidos pela Recorrente. O art. 55, § 2º, da Instrução Normativa RFB n° 971/20097 contém orientação clara quanto a impossibilidade de exclusão de tais valores, ainda que discriminados em documentos. No presente caso, ainda que admita a possibilidade de excluir tais valores sob os auspícios da tese de que tratamse de casos fortuitos, imprevistos e outros motivos que, na visão da Recorrente, não teriam caráter remuneratório tal conclusão somente poderia ser aduzida de provas contundentes e detalhadas de que tais pagamentos tiveram a motivação e destinação alegada, o que não consta dos autos. A realidade processual e a conformação legislativa referidas advoga em desfavor da Recorrente, razão pela qual votamos por negar provimento ao recurso, mantendo integralmente os lançamentos sobre os pagamentos efetuados em benefício dos transportadores autônomos a serviço da recorrente, não declarados em GFIP e não recolhidos. 5 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; 6 Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; 7 Art. 55 (…) §2º O saláriodecontribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário (inclusive o taxista), do auxiliar de condutor autônomo e do operador de máquinas, bem como do cooperado filiado a cooperativa de transportadores autônomos, conforme estabelecido no § 4º do art. 201 do RPS, corresponde a 20% (vinte por cento) do valor bruto auferido pelo frete, carreto, transporte, não se admitindo a dedução de qualquer valor relativo aos dispêndios com combustível e manutenção do veículo, ainda que parcelas a este título figurem discriminadas no documento. Fl. 35770DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.771 19 4 INFRAÇÕES C, C1, C2, C3, C4, C5 E C6 – VALORES DA FOLHA DE PAGAMENTO NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO CONTRIBUIÇÃO PATRONAL, GILRAT, SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE. Neste ponto entendeu a fiscalização que todas as verbas referidas nos itens C de 1 a 6 integram o saláriodecontribuição sem, no entanto, promover qualquer analise sobre sua natureza ou divergências postas em âmbito jurisprudencial e doutrinário. 4.1. 13º SOBRE O AVISO PRÉVIO INDENIZADO E TERÇO ADICIONAL DE FÉRIAS. O aviso prévio indenizado consiste em uma obrigação legal do empregador que, unilateralmente e sem justa causa, rompe o contrato de trabalho e, mesmo dispensando o trabalhador de suas atividades laborais, tem o dever de pagar o valor equivalente a 30 dias de salário a titulo de indenização. A lei prevê ainda que sobre o valor do aviso prévio indenizado resulta [proporcional aos dias de aviso] 1/12 [um doze avos] de 13º salário indenizado e 1/12 [um avos] de férias indenizadas. Sobre a matéria pairam divergências jurisprudenciais e doutrinárias não abordadas pela fiscalização. Mas, basicamente, o entendimento fiscal de casos semelhantes tem lastro no pressuposto de que o §9º do Art. 28 da Lei 8.212/91 é taxativa e ao não excluir tal verba da base de calculo do saláriodecontribuição. O STJ, tratando do 13º sobre o aviso prévio indenizado e terço adicional de férias, em 2017 alterou entendimento quanto ao tema passando a ter precedentes onde aplica interpretação mais abrangente da norma entendendo pela não incidência8 superando outros anteriores onde entendia que a Contribuição Previdenciária deve incidir sobre tais verbas9. No âmbito do CARF temos precedentes reconhecendo a não incidência de contribuição previdenciária, admitindo a exclusão de certas parcelas ainda que não estejam expressamente previstas no dispositivo legal acima mencionado, como se pode ver no acórdão nº 2803004.204, de relatoria do exConselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior. Vejamos: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO EMPREGADO, POR DOENÇA OU ACIDENTE. 1/3 (UM TERÇO) SOBRE FÉRIAS E AVISO PRÉVIO INDENIZADO. STJ. POSICIONAMENTO ATUAL. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE ACORDO COM A NOVA SISTEMÁTICA LEGAL. 1. Em relação aos valores pagos pelo empregador, nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado, por doença ou acidente, assim como no que tange ao adicional de 1/3 (um terço) sobre as férias, equivocado o 8 Recursos Especiais nº 1.230.957/RS e nº 1598509/RN DJe 17/08/2017 9 REsp 1.541.803/AL, DJe de 21.6.2016 e REsp 1.569.576/RN DJe de 1º.3.2016 Fl. 35771DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.772 20 posicionamento dos julgadores da primeira instância administrativa. In casu, há que se considerar o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça STJ. 2. Na mesma direção outra recente decisão do STJ (Resp 1.230.957), que na sistemática do art. 543C do CPC (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. 3. A multa de ofício foi corretamente aplicada, conforme se pode verificar do item 20 do acórdão recorrido. E tal posicionamento se repetiu em 2018 no acórdão nº 2401005.145, publicado em 13/03/2018, onde o Relator, aplicou o artigo 62, §1º, inciso II, “b” da Portaria MF nº 343/06/201510 (RICARF), votou por excluir da base de cálculo o valor relativo ao terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e os 15 dias que antecedem o auxiliadoença. Tais posicionamentos estão alinhados ao entendimento deste Relator, razão pela qual votamos por dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. 4.2. SALÁRIOMATERNIDADE E LICENÇA PATERNIDADE. Alega a Recorrente que não "podem servir de base de cálculo à contribuição previdenciária e fundiária as verbas pagas às empregadas a título de saláriomaternidade, ou seja, aquilo que é devido às seguradas empregadas, trabalhadoras avulsas, empregadas domésticas, contribuintes individuais, facultativas e seguradas especiais, por ocasião do parto, nem tampouco pode incidir a contribuição previdenciária sobre a licençapaternidade, que é um direito constitucional garantido aos homens trabalhadores para que estes possam estar livres do trabalho e acompanhar os primeiros dias de vida dos seus filhos." Neste ponto é equivocada a posição da Recorrente, não é por ser um beneficio de ordem constitucional que tais verbas estariam excluídas da base de calculo da contribuição em lide. O entendimento majoritário dos tribunais superiores e do CARF quanto a tais verbas está consolidado em sentido contrário a pretensão da Recorrente, o que se pode confirmar pelo Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973. Vejamos: 1.3 Salário maternidade. O salário maternidade tem natureza salarial e a transferência do encargo à Previdência Social (pela Lei 6.136/74) não tem o condão de mudar sua natureza. Nos 10 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; Fl. 35772DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.773 21 termos do art. 3º da Lei 8.212/91, "a Previdência Social tem por fim assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, idade avançada, tempo de serviço, desemprego involuntário, encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente". O fato de não haver prestação de trabalho durante o período de afastamento da segurada empregada, associado à circunstância de a maternidade ser amparada por um benefício previdenciário, não autoriza conclusão no sentido de que o valor recebido tenha natureza indenizatória ou compensatória, ou seja, em razão de uma contingência (maternidade), pagase à segurada empregada benefício previdenciário correspondente ao seu salário, possuindo a verba evidente natureza salarial. Não é por outra razão que, atualmente, o art. 28, § 2º, da Lei 8.212/91 dispõe expressamente que o salário maternidade é considerado salário de contribuição. Nesse contexto, a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário maternidade, no Regime Geral da Previdência Social, decorre de expressa previsão legal. Sem embargo das posições em sentido contrário, não há indício de incompatibilidade entre a incidência da contribuição previdenciária sobre o salário maternidade e a Constituição Federal. A Constituição Federal, em seus termos, assegura a igualdade entre homens e mulheres em direitos e obrigações (art. 5º, I). O art. 7º, XX, da CF/88 assegura proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei. No que se refere ao salário maternidade, por opção do legislador infraconstitucional, a transferência do ônus referente ao pagamento dos salários, durante o período de afastamento, constitui incentivo suficiente para assegurar a proteção ao mercado de trabalho da mulher. Não é dado ao Poder Judiciário, a título de interpretação, atuar como legislador positivo, a fim estabelecer política protetiva mais ampla e, desse modo, desincumbir o empregador do ônus referente à contribuição previdenciária incidente sobre o salário maternidade, quando não foi esta a política legislativa. A incidência de contribuição previdenciária sobre salário maternidade encontra sólido amparo na jurisprudência deste Tribunal, sendo oportuna a citação dos seguintes precedentes: REsp 572.626/BA, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 20.9.2004; REsp 641.227/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 29.11.2004; REsp 803.708/CE, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 2.10.2007; REsp 886.954/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Denise Fl. 35773DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.774 22 Arruda, DJ de 29.6.2007; AgRg no REsp 901.398/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 19.12.2008; REsp 891.602/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 21.8.2008; AgRg no REsp 1.115.172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 25.9.2009; AgRg no Ag 1.424.039/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 21.10.2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.040.653/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe de 15.9.2011; AgRg no REsp 1.107.898/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 17.3.2010. 1.4 Salário paternidade. O salário paternidade referese ao valor recebido pelo empregado durante os cinco dias de afastamento em razão do nascimento de filho (art. 7º, XIX, da CF/88, c/c o art. 473, III, da CLT e o art. 10, § 1º, do ADCT). Ao contrário do que ocorre com o salário maternidade, o salário paternidade constitui ônus da empresa, ou seja, não se trata de benefício previdenciário. Desse modo, em se tratando de verba de natureza salarial, é legítima a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário paternidade. Ressaltese que "o saláriopaternidade deve ser tributado, por se tratar de licença remunerada prevista constitucionalmente, não se incluindo no rol dos benefícios previdenciários" (AgRg nos EDcl no REsp 1.098.218/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 9.11.2009). O considerando o alinhamento dos tribunais superiores em sentido oposto ao defendido pela Recorrente, também com base no artigo 62, §1º, inciso II, “b” da Portaria MF nº 343/06/2015 (RICARF), votamos por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. 4.3. HORAS EXTRAS. Neste ponto a Recorrente alega que as demais rubricas indicadas como base para o lançamento representam horas extras e que por sua natureza intrínseca tem caráter indenizatório eis que, em sua visão, objetivam compensar danos físicos e psicológica. Mais uma vez, nos termos do artigo 62, §1º, inciso II, “b” da Portaria MF nº 343/06/2015 (RICARF), o colegiado deve observar a jurisprudência vinculativa ainda vigente, eis que o STJ, sob o rito do art. 543C do CPC (recurso repetitivo) quando do REsp 1.358.281, j. 23/4/2014, decidiu em sentido oposto ao pretendido pela Recorrente, ao firmar entendimento no sentido da tributabilidade das Horas Extras, eis que subsumemse ao conceito de saláriodecontribuição. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ 8/2008. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DE Fl. 35774DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.775 23 PREVIDÊNCIA SOCIAL. BASE DE CÁLCULO. ADICIONAIS NOTURNO, DE PERICULOSIDADE E HORAS EXTRAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. SÍNTESE DA CONTROVÉRSIA 1. Cuidase de Recurso Especial submetido ao regime do art. 543C do CPC para definição do seguinte tema: "Incidência de contribuição previdenciária sobre as seguintes verbas trabalhistas: a) horas extras; b) adicional noturno; c) adicional de periculosidade". CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA E BASE DE CÁLCULO: NATUREZA REMUNERATÓRIA 2. Com base no quadro normativo que rege o tributo em questão, o STJ consolidou firme jurisprudência no sentido de que não devem sofrer a incidência de contribuição previdenciária "as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador" (REsp 1.230.957/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 18/3/2014, submetido ao art. 543C do CPC). 3. Por outro lado, se a verba possuir natureza remuneratória, destinandose a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, ela deve integrar a base de cálculo da contribuição. ADICIONAIS NOTURNO, DE PERICULOSIDADE, HORAS EXTRAS: INCIDÊNCIA 4. Os adicionais noturno e de periculosidade, as horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária (AgRg no REsp 1.222.246/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 17/12/2012; AgRg no AREsp 69.958/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 20/6/2012; REsp 1.149.071/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/2010; Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 9/4/2013; REsp 1.098.102/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 17/6/2009; AgRg no Ag 1.330.045/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 25/11/2010; AgRg no REsp 1.290.401/RS; REsp 486.697/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 17/12/2004, p. 420; AgRg nos EDcl no REsp 1.098.218/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 9/11/2009). [...] CONCLUSÃO 9. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008. (STJ REsp: 1358281 SP 2012/02615969, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 23/04/2014, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 05/12/2014) Fl. 35775DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.776 24 Ao contrário do alegado pela Recorrente, horas extraordinárias têm natureza remuneratória eis que devidas em contraprestação diretamente relacionada ao trabalho prestado pelo segurado em beneficio do empregador, o pagamento em valores superiores ao ordinário não é elemento suficiente para considerar tais pagamentos como indenizatórios. Ante ao exposto, votamos por negar provimento ao recurso neste ponto. 5. INFRAÇÕES D, D1, D2, D3, D4, D5, D6 – GRATIFICAÇÃO LIBERALIDADE NÃO DECLARADA EM GFIP – CONTRIBUIÇÃO PATRONAL, GILRAT, SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE. Neste ponto a Recorrente manteve exatamente os mesmos argumentos articulados na inicial. Analisando os autos, documentos e elementos da defesa, da autuação e da decisão recorrida verificamos não ser possível acolher a pretensão recursal. As alegações da Recorrente visam classificar as verbas como pagamentos eventuais, como verdadeiras gratificações e liberalidades. Apesar da argumentação não ser clara, não detalhar ou demonstrar situações, ainda que por amostragem, onde isso poderia ser confirmado, em busca da verdade material, investigamos a documentação processual com afinco e não foi possível visualizar tal natureza nas verbas. Quanto as gratificações por aposentadoria, poderia a recorrente ter demonstrados em planilha acompanhada de documentos quais valores seriam inerentes a tal premiação, mas não o fez. O mesmo ocorreu quanto ao bônus de contratação, cujo uma das alegações é a de que o trabalhador a recebia antes do inicio do contrato de trabalho, mas nem mesmo isso foi comprovado. As demais premiação padecem do mesmo infortúnio. As manifestações da Recorrente, na fase fiscalizatória e contenciosa, são contraditórias entre sí e os documentos contidos nos autos não refletem, com clareza, nenhuma das alegações da contribuinte em qualquer das fases do processo. A tese da recorrente não tem lastro em nenhuma prova documental segura e capaz de infirmar a presunção que se constrói com o lançamento. Percebam que o lançamento, quanto ao conteúdo fundamental, não foi contundente, não abordou as questões de modo profundo e poderia ter sido, se verdadeiro for o alegado pela Recorrente, desconstruído por meio de provas simples, mas esta não logrou êxito em efetuar tal demonstração. E entre as duas posições, restou melhor construída a posição fiscal, tocando nosso convencimento de modo mais contundente. Neste ponto, votamos por negar provimento ao recurso, adotando o texto da decisão recorrida como complemento de fundamentação do presente voto. Inicialmente, cabe observar que a nomenclatura criada pela contribuinte para a verba, “Gratificação Liberalidade”, não tem o condão de transformar a sua natureza, a qual é o elemento a ser analisado para se chegar à conclusão da incidência ou não de contribuição previdenciária. Conforme relatado pelas autoridades fiscais, em resposta ao Termo de Intimação nº 02, item 01, pelo qual foi Fl. 35776DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.777 25 solicitado esclarecimento sobre a natureza da despesa identificada sob a rubrica 1695 – Gratificação Liberalidade, a empresa respondeu: ... tratase de um pagamento que pode ser feito em um mês, semestre ou ano pelo empregador ao empregado como maneira de incentiválo, e por isso é dito que é uma liberalidade do empregador, ... (grifo dos Auditores) A Auditoria ressaltou, ainda, que essa rubrica é descrita no documento intitulado “Transferências de Funcionários entre Unidades” fornecido pela contribuinte e, portanto, deveria corresponder à ajuda de custo paga quando da mudança de empregados entre estabelecimentos. Foi constatado nas GFIP, todavia, que ela não tem relação alguma com transferências, pois os funcionários beneficiados não tiveram movimentação entre estabelecimentos da empresa. Na impugnação, a contribuinte detalha algumas verbas que teriam sido albergadas pela rubrica Gratificação Liberalidade, dentre elas: gratificações relacionadas ao tempo de casa dos funcionários, Prêmio PHEX e Prêmio Tempo de Serviço, Bônus/Adicional de Desempenho pago aos gerentes. A própria contribuinte admitiu, por ocasião da ação fiscal, que os pagamentos tem uma constância, sendo feitos mensalmente, semestralmente ou anualmente e têm como objetivo o incentivo dos seus colaboradores. Não haveria que se discutir, portanto, a habitualidade. Entretanto, depois de admitir aos Auditores, por escrito, que há habitualidade no pagamento das verbas, a contribuinte fala na sua impugnação, de forma genérica e inespecífica, que as verbas são eventuais, sem apresentar qualquer elemento de prova que demonstre haver erro na sua manifestação anterior. Cabe observar que, mesmo que não estivesse caracterizada de forma evidente a habitualidade para as verbas mencionadas, não é o fato de ter sido paga uma única vez que descaracteriza a natureza remuneratória da verba, devendo ser verificados outros parâmetros. O acordo, ainda que tácito entre o empregador e o empregado, por exemplo, afasta a liberalidade do primeiro, passando a verba a fazer parte da remuneração do segundo pela prestação dos serviços. Na verdade, a habitualidade constitui elemento essencial para descaracterizar a liberalidade do empregador, mas perde o sentido como único parâmetro quando faz parte da remuneração, sobre a qual incide a contribuição previdenciária. Vejamos a doutrina: Fl. 35777DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.778 26 Somente estarão excluídos do saláriodecontribuição valores não remuneratórios e nãohabituais. Caso o pagamento tenha sido feito uma única vez, sem habitualidade, mas se claramente decorrente do trabalho, ainda assim é remuneração. Os ganhos eventuais somente excluemse da base se expressamente desvinculados do salário do trabalhador. Diante do exposto, a análise do Bônus de Contratação, última verba que a impugnante diz ter sido paga sob a rubrica Gratificação Liberalidade, não pode levar à outra conclusão que não a de que integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Tratase de pagamento efetuado em decorrência do contrato de trabalho celebrado entre a empresa e o empregado, fazendo parte da remuneração pactuada. O fato de a importância ter sido paga antes da formalização do contrato, ou seja, de forma adiantada, não muda a sua natureza. Inquestionavelmente, tal parcela é vinculada ao contrato de trabalho, uma vez que o trabalhador somente faz jus a ela na medida em que celebrar e cumprir o pacto laboral efetuado com o empregador. O CARF já decidiu nesse mesmo sentido no processo 16327.720160/201430 (Acordão nº 2402005.274, de 11/05/2016, 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária), que formaliza lançamento da contribuição incidente sobre bônus pago antes do início de contrato de trabalho para incentivar o trabalhador a celebrar o contrato. No seu recurso, a empresa alegou justamente a autonomia entre o bônus de contratação e o contrato de trabalho, bem como a ausência de retributividade e de habitualidade nos pagamentos. Segue a ementa da decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4o, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. Fl. 35778DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.779 27 No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4o, ambos do CTN. NULIDADE. ERRO DE CÁLCULO NA BASE DE CÁLCULO. ALEGAÇÃO DE QUESTÃO DE FATO. FASE RECURSAL. INDEFERIMENTO. PRECLUSÃO. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria fática não contestada na impugnação, em vista do disposto no art. 16, III, §4° c/c o art. 17, ambos do Decreto 70.235/72, respeitandose o princípio processual da duplo grau de jurisdição (duplo juízo sobre o mérito, dupla revisão da matéria). BÔNUS DE CONTRATAÇÃO (HIRING BÔNUS). ABONO DE PERMANÊNCIA. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada, independente da denominação dada pelo sujeito passivo. Incidem contribuições sobre a gratificação ajustada paga em razão da admissão do empregado, visto que não se caracteriza como pagamento eventual, decorrente de mera liberalidade do empregador, afastando a aplicação da regra isentiva prevista no § 9o do art. 28 da Lei 8.212/1991. GRIFEI Logo, com relação à Gratificação Liberalidade, também improcedentes os argumentos da contribuinte. 6. “INFRAÇÕES E, E1, E2, E3, E4, E5, E6 – REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS NÃO OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO – BASE ECD – CONTRIBUIÇÃO PATRONAL, GILRAT, SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE” Neste ponto a Recorrente alega que: "51. Como se verifica, a fiscalização constatou que os valores das rubricas contábeis 33102010 (Salários), 33102030 (Horas Extras), 33103010 (Férias) e 33103020 (13 Salário), foram lançados como despesas, mas não constaram nas folhas de pagamento do contribuinte, nem tampouco foram declarados em GFIP. Estes valores constam das Planilhas 7 e 8 elaboradas pela fiscalização, e Fl. 35779DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.780 28 sobre os mesmos está sendo exigida a contribuição previdenciária. 52. A Recorrente continua diligenciando acerca desse tema e, uma vez obtida a documentação comprobatória relacionada ao assunto, prontamente efetuará sua juntada aos autos." Este é todo o texto apresentado em sede de impugnação e recursal, os documentos não foram apresentados e nenhuma intenção ou tese recursal pode ser verificada neste ponto, portanto, tratase de matéria não impugnada. 7. INFRAÇÕES F, G – MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS (CFL 21 E CFL 22). Neste ponto a Recorrente não questiona os aspectos fáticos da infração cometida, sustenta apenas que não houve dano para a administração tributária. Entende ainda que as multas aplicadas estariam nulas por serem calcadas em fundamentos legais inadequados. A primeira infração foi aplicada com o Código de Fundamentação Legal CFL 21 em razão da entrega dos arquivos digitais em layout diferente do estabelecido pela Receita Federal equivalente a 0,5% (meio por cento) do valor da receita bruta da Impugnante, conforme prevista na alínea F, artigo 12, I, Lei nº 8.218/91 – [R$12.127.180,22]. A segunda penalidade foi lavrada com o Código de Fundamentação Legal CFL 22 equivalente a 5% (cinco por cento) sobre o valor das operações omitidas ou informadas incorretamente nos arquivos digitais, conforme disposto na alínea G – artigo 12, II, Lei nº 8.218/91 – [R$536.927,45]. A Recorrente não nega as infrações, mas entende que tais normas não estão relacionadas as contribuições previdenciárias, que para tais casos existem previsão especifica na Lei nº 8.212/91, em especial o seu artigo 32, inciso III, sustentando ainda que tais infrações deveriam ser lavradas com o Código de Infração Legal CFL 35, cujas penalidades estão previstas no artigo 283, do Decreto nº 3.048/99 RPS. Sobre a matéria o CARF já se posicionou anteriormente através do Acórdão nº 2301003.419 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, relatado por Damião Cordeiro de Moraes, no seguinte sentido: DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 2. Pelo que consta dos autos, a empresa foi autuada por apresentar em meio digital com leiaute previsto no Manual de Arquivos Digitais informações incompletas e inexatas da sua folha de pagamentos e do cadastro de trabalhadores. Os valores encontrados nas folhas de pagamento em papel seriam maiores que os que constam no arquivo entregue à fiscalização, conforme determinado no art. 11, §§3º e 4º, e multa do art. 12, II, da Lei 8.218/91 (fl. 2): Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou Fl. 35780DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.781 29 elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (...) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas; III multa equivalente a Cr$ 30.000,00, por dia de atraso, até o máximo de trinta dias, aos que não cumprirem o prazo estabelecido pelo Departamento da Receita Federal ou diretamente pelo AuditorFiscal, para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. O prazo de apresentação de que trata o inciso III deste artigo será de, no mínimo, vinte dias, que poderá ser prorrogado por igual período pela autoridade solicitante, em despacho fundamentado, atendendo a requerimento circunstanciado e por escrito da pessoa jurídica.” 3. A empresa, por sua vez, não negou as inconsistências e apresentou a folha de pagamento em papel, com vista a sanar os erros no arquivo digital (fl. 115). 4. Ocorre que, no meu sentir, há uma falha grave na fundamentação jurídica para a lavratura do auto de infração. In casu, o auto foi lavrado com o Código de Fundamentação Legal (CFL) “22”, ao invés do Código CFL “35”, que determina corretamente a aplicação da penalidade constante no inciso III do artigo 32 da Lei 8.212/91. Fl. 35781DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.782 30 5. Isto porque não é irreal dizer que o inciso III do artigo 32 da Lei 8.212/91, na forma em que estabelecida pela Receita Federal do Brasil, também abrange a apresentação das informações na forma digital atinentes à apuração das contribuições previdenciárias: “prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização”. 6. O Decreto nº 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social, também tratou da matéria. Senão vejamos: “Art. 225. A empresa é também obrigada a: III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. (...) § 22. A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Acrescentado pelo Decreto n° 4.729, de 09/06/03. ver art. 8° da MP n° 83/02, convertida na Lei n°10.666/03) Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações:b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações Fl. 35782DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.783 31 cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, III DA LEI N.° 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, "b" DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.° 3.048/99 EXIGÊNCIA DE ARQUIVOS EM MEIO MAGNÉTICO FUNDAMENTO ART. 8° DA LEI 10.666/2003 C//C ART. 225, III DO DECRETO 3048/99. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, III da Lei n.° 8.212/91 c/c artigo 283, II, "h" do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Acrescentado pelo Decreto n° 4.729, de 09/06/03. ver art. 8° da MP n° 83/02, convertida na Lei n° 10.666/03) Deixar de apresentar informações em meio digital de acordo com o leiaute previsto no manual normativo de arquivos digitais constitui infração aos dispositivos da legislação previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” (Acórdão 240100.513— 4 Câmara/1ª Turma Ordinária – Relatora: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira) 9. Ajuda a formar a minha convicção pela adoção da legislação previdenciária 11. Com efeito, o equívoco gerado pela autuação fiscal na fundamentação jurídica gera nulidade do auto de infração. Maior ainda é a dificuldade causada para o pleno exercício da ampla defesa e do contraditório, haja vista que o documento lavrado de forma deficiente gerou sérias dúvidas quando a sua legalidade. 12. E o art. 59 do Decreto n.º 70.235/72 assevera que “são nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de Fl. 35783DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.784 32 defesa”. De maneira que a nulidade há que ser declarada de ofício, com o objetivo precípuo de assegurar a plena certeza do crédito tributário. 13. No que diz respeito à conceituação do vício, se formal ou material, opto pelo material, considerando que, nos exatos termos do artigo 142 do CTN, compete à autoridade administrativa “propor a aplicação da penalidade cabível”. Em havendo aplicação de penalidade diversa daquela estabelecida pela legislação previdenciária, portanto equivocada, o vício atinge o auto de infração em sua própria origem. 14. In casu, aumenta a minha posição em conceituar o vício na forma material o fato de a falha aqui apontada dizer respeito à própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento fiscal. 15. Assim, voto por conhecer de ofício do vício e anular o auto de infração por vício material, eis que maculada a própria exigência da obrigação acessória. A Lei nº 8.218/91 indicia, em seu Art.2º, os impostos e contribuições alcançados por suas regras. Vejamos: Art. 2º Em relação aos fatos geradores que vierem a ocorrer a partir do primeiro dia do mês de agosto de 1991, os pagamentos dos tributos e contribuições relacionados a seguir deverão ser efetuados nos seguintes prazos: I Imposto sobre Produtos Industrializados, até o quinto dia útil da quinzena subseqüente à de ocorrência dos fatos geradores; II Imposto sobre a Renda retido na fonte: a) até o segundo dia útil da semana subseqüente à da ocorrência dos fatos geradores, no caso de retenções incidentes sobre rendimentos decorrentes do trabalho, com ou sem vínculo empregatício, e de aluguéis; b) na data da remessa, no caso de rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior, quando ocorrer antes do prazo previsto na alínea seguinte; c) no segundo dia útil subseqüente ao de ocorrência do fato gerador, nos demais casos, exceto nas hipóteses previstas noart. 35 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, e noart. 2º, § 1º, do Decreto Lei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987. III Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários: a) até o quinto dia útil da quinzena subseqüente à de ocorrência dos fatos geradores, no caso de aquisição de ouro, ativo financeiro; Fl. 35784DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.785 33 b) até o segundo dia útil seguinte àquele em que ocorrer cobrança ou registro contábil do imposto, nos demais casos. IV Contribuições para o FINSOCIAL, o PISPASEP e sobre o Açúcar e o Álcool: a) até o quinto dia útil do mês subseqüente ao de ocorrência dos fatos geradores, ressalvado o disposto na alínea seguinte; b) até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores, em relação à parcela de atualização da receita pela Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC e respectivos juros. Parágrafo único. Em se tratando de microempresas e de empresas que tenham optado pela tributação do Imposto sobre a Renda com base no lucro presumido, a que se refere o art. 25, serão observados os seguintes prazos: I até o último dia útil da quinzena subseqüente à da ocorrência do fato gerador, no caso do inciso I do "caput" deste artigo; II até o último dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador, no caso da alínea "a" do inciso II do "caput", deste artigo; III até o último dia útil da quinzena seguinte ao mês de ocorrência do fato gerador, no caso da alínea "a" do inciso IV do "caput", deste artigo. Perceba que as Contribuições Previdenciárias não são citadas em nenhum artigo da norma em foco. Percebam ainda que todos os tributos referidos no Art. 2º estão relacionados a faturamento ou receita, portanto, é razoável, para estes tributos, que eventuais penalidades decorrentes do desatendimento das obrigações acessórias de que trata a lei em questão, sejam calculadas sobre o faturamento. As Contribuições Previdenciárias aqui tratadas incidem e se relacionam a outro tipo de operação econômica para sua apuração, eis que é a folha de pagamento e não o faturamento que revela sua base de calculo, não sendo razoável aplicar penalidade que tome por base operação econômica que em nada se relaciona as bases de calculo das contribuições sociais tratadas no presente PAF. Certamente ancorado na razoabilidade e capacidade contributiva o legislador inseriu em lei especial, como penalidade para o mesmo tipo infracional, regras punitivas apropriadas ao tipo de exação ora analisada. Se é folha de pagamento que se considera para calculo das contribuições lançadas, como considerar o faturamento como paramêtro de calculo nos casos de infração? Nesse sentido, entendemos correta a tese da Recorrente ao afirmar que existindo lei especial, esta deve prevalecer sobre norma geral, portanto, para o presente caso a penalidade aplicável somente poderia ser a que trata o artigo 32, III da Lei n.° 8.212/91 c/c artigo 283, II, "h" do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. Fl. 35785DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.786 34 O erro gerador da penalidade consistiu em equivoco no registro do numero do CNPJ da Recorrente nos arquivos MANAD, arquivos transmitidos e com os dados de incidência adequados, tendo a Recorrente promovido o ajuste e não gerado prejuízos ao fisco, o que, em que pese não ser atenuante, revela a injustiça da penalidade aplicada no presente caso. Por fim, a Recorrente é industria fabricante de cimento, onde grande parte do seu faturamento provem da venda de mercadorias e não da mão de obra de seus empregados e tomar o faturamento para punir conduta relativa a contribuições incidentes sobre folha de pagamento, inquestionavelmente, revelase fora de qualquer razoabilidade. O presente caso padece da mesma nulidade referida no voto colacionado, entendemos que a norma especial deve prevalecer e que a penalidade aplicável somente poderia ser a que trata o artigo 32, III da Lei n.° 8.212/91 c/c artigo 283, II, "h" do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, CFL 35, isto posto, ante ao vicio material identificado no lançamento e decisão recorrida, votamos acolher o recurso neste ponto. CONCLUSÃO. A luz do exposto votamos por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Declaração de Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima. Não obstante o bem fundamentado voto do i. Relator, dele divirjo especificamente quanto à tipificação da penalidade prevista no artigo 32, III da Lei n. 8.212/91, em detrimento daquela tipificada nos arts. 11 e 12 da Lei n. 8.281/1991, aplicada pela autoridade lançadora. Pois bem. A hipótese de incidência tributária em apreço materializouse na apresentação de arquivos digitais com informações de natureza previdenciária em desacordo com o leiaute constante do Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD (Instrução Normativa MPS/SRP nº 12/2006), sem o registro “K200 – Contabilização da Folha de Pagamento” Fl. 35786DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.787 35 (infração F), e com omissões quanto aos valores pagos aos contribuintes individuais que prestaram serviços para a Recorrente (infração G): Em face de tais infrações, a Fiscalização da RFB aplicou as penalidades previstas no art. 12, incisos I (infração F) e II (infração G), da Lei n. 8.218/1991: Art. 12 – A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I – multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II – multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; [...]” No entendimento da Recorrente, que foi acompanhado pelo i. Relator, a autoridade lançadora equivocouse na fundamentação das infrações relacionadas aos arquivos digitais em tela ao aplicar as multas previstas nos arts. 11 e 12 da Lei n. 8.218/1991, vez que a Lei n. 8.213/1991 (art. 32, III) seria a lei específica a incidir no caso concreto, enquanto que aquela seria uma lei genérica. Assim, ainda no entendimento da Recorrente, as infrações em tela devem se enquadrar no Código de Fundamentação Legal (CFL) 35 e não nos CFL 21 e 22, como o fez a autoridade lançadora. É o núcleo da divergência. Na espécie, a autoridade lançadora seguiu orientação do Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD (Instrução Normativa MPS/SRP n. 12/2006) ao verificar que a Recorrente não atendeu à forma estabelecida pela RFB para a apresentação de informações em meio digital, bem assim não apresentou informações em meio digital com omissão ou incorreções, decorrendo assim auto de infração por descumprimento de obrigação acessória no CFL 21 e no CFL 22, respectivamente. Não obstante o fato de que até o advento da Lei n. 11.457/2007, o art. 32, III, da Lei n. 8.212/1991 ter sido utilizado para fundamentar autos de infração lavrados em virtude de inconsistências na apresentação de arquivos digitais referentes a contribuições previdenciárias, tanto para pessoas jurídicas em geral, quanto para órgãos públicos, há de se considerar que após a vigência da indigitada lei, que criou a Secretaria da Receita Federal do Fl. 35787DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.788 36 Brasil, esse procedimento tornouse inadequado no caso de pessoas jurídicas em geral, permanecendo. todavia, aplicável aos órgãos públicos. Conspira para esse entendimento o fato de o art. 8°. da Lei n. 10.666/2003, que a princípio seria a norma mais específica, não prescrever a penalidade a ser aplicada no caso de descumprimento do dispositivo, o que o torna ineficaz, vez que não traz a cominação de multa. Nesse contexto, o art. 8°. da Lei n. 10.666/2003 não se presta, nem nunca se prestou, como fundamentação legal para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória relativa a arquivos digitais. E isto porque, a despeito de descrever uma obrigação acessória, que consiste em arquivar e conservar, devidamente certificados, os sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização arquivos digitais esses referentes a documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária o referido dispositivo legal não traz em seu bojo a cominação da multa a ser aplicada no caso de descumprimento da referida obrigação acessória, o que o torna, neste ponto específico, sem efetividade, razão pela qual o Fisco Federal sempre utilizou como fundamentação legal para este tipo de infração o art. 32, III, da Lei n. 8.212/1991, que estabelece a obrigatoriedade de a empresa prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, capitulandose a multa nos arts. 92 e 102 desta lei. Entretanto, o art. 32, III, da Lei n. 8.212/1991, não é direcionado especificamente à deficiência na apresentação de arquivos digitais, vez que ele descreve uma infração mais genérica, qual seja: "prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização", que tanto pode ser aplicado para infração relativa a arquivos digitais, como para qualquer outro tipo de infração que se refira a apresentação de informação em desacordo com a forma estabelecida pela RFB. Todavia, com a vigência da Lei n. 11.457/2007, a tributação das contribuições sociais previstas no art. 11, “a”, “b” e “c” da Lei n. 8.212/1991 passou a ser da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, a Lei n. 8.218/1991, também com relação às contribuições previdenciárias, passou a reger a obrigatoriedade de a empresa que utiliza sistemas de processamento eletrônico de dados para escriturar os seus livros contábeis manter à disposição Fisco Federal os respectivos arquivos e sistemas digitais. O art. 11 da Lei n. 8.218/1991 estabelece a obrigatoriedade de as pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, tratandose, sem nenhuma sombra de dúvida, de dispositivo legal específico para este tipo de infração, que é complementado, no caso de inobservância, pelo art. 12, do mesmo diploma legal, que impõe penalidades lastreadas por percentuais a serem aplicados sobre a receita bruta da pessoa jurídica. Fl. 35788DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.789 37 De se observar ainda que a multa por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, III, da Lei n. 8212/1991, diferentemente do que dispõe os arts. 11 e 12 da Lei n. 8.218/1991, não está vinculada a uma determinada base de cálculo, vez que corresponde a uma faixa de valor, conforme dispõe o art. 283, II, do Decreto 3.048/99 (RPS). É oportuno ainda destacar que o art. 57 da MP n. 2.15835/2001, com a redação dada pela Lei n. 12.766/2012, não revogou o art. 12 da Lei n. 8.218/1991, nem muito menos constituise norma mais benéfica, como afirma a Recorrente, Com efeito, o tópico 4.7 do Parecer Normativo RFB n. 3, de 10 de junho de 2013, é cirúrgico ao afirmar que, caso os arquivos digitais não sejam apresentados pela pessoa jurídica na forma que deveriam ser feitos, em decorrência da inexistência de dispositivo específico na Lei n. 12.766/2012, aplicase o disposto no inciso I do art. 12 da Lei n. 8.218/1991, porque é uma conduta cuja sanção não se encontra na multa da Lei n. 12.766/2012, mas na do art. 12 da Lei n. 8.218/1991. De outra banda, o Parecer Normativo Cosit n. 3, de 24 de agosto de 2015, é esclarecedor quanto ao escopo genérico do art. 57 da MP n. 2.15835/2001, agora com a redação dada pela Lei n. 12.783/2013: 5. A novel alteração, desta feita pelo art. 57 da Lei nº 12.783, de 2013, ao reintroduzir no art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001, uma redação assemelhada à redação originária eliminando as remissões a “declaração, demonstrativo ou escrituração digital”, retomou o escopo genérico do dispositivo, a fim de ser aplicado a quaisquer situações que decorram do descumprimento de uma obrigação acessória, quando inexista norma específica. Também foi eliminado o texto que determinava que os prazos para a apresentação dos documentos não poderiam ser inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias da intimação, bem como foram tratadas situações que envolvam pessoas jurídicas de direito público e novo regramento de infração pautado no tipo do regime tributário aplicável ao contribuinte. 6. Dessa forma, sem prejuízo da aplicação do entendimento fixado no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, para as infrações cometidas no período de vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, até 24 de outubro de 2013, com observância do princípio “tempus regit actum” (art. 6º do DecretoLei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro Lindb), e sem olvidar a aplicação do art. 106, II, do Código Tributário Nacional, devem ser feitas as seguintes considerações em decorrência da nova redação do art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001, tendose em vista, ainda, a atualização de várias normas infralegais já adotadas pela Receita Federal do Brasil, em consonância com esta mais recente alteração legal: a) O aspecto material do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, na redação dada pela Lei nº 12.783, de 2013, retomou o escopo genérico de sua redação originária, e não contém mais, em seu aspecto material, as infrações relativas à não apresentação de “declaração, demonstrativo ou escrituração digital”; Fl. 35789DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.790 38 b) O aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, é deixar de escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal quando exigido o sistema de processamento eletrônico, e não mais se encontra limitado pelo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, de modo a abarcar, novamente (tal qual antes da Lei nº 12.766, de 2012), a não apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital; b.1) Os arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, em nenhum momento foram revogados e, portanto, mantiveram sua vigência mesmo no período de vigência da redação dada ao art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, pela Lei nº 12.766, de 2012, conforme item 4.8. do Parecer Normativo Nº 3, de 2013, o que implica (observadas as considerações do contido nos itens 4.1. a 4.7. do Parecer Normativo nº 3, de 2013) a validade, em tese, dos lançamentos efetuados com esse suporte legal no referido período; [...](grifei) De se destacar que os Atos Declaratórios Executivos n. 52/2018 e n. 53/2018, da CoordenaçãoGeral de Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil (COFIS) DOU de 03/08/2018 aprovaram, respectivamente, o Manual de Orientação do Leiaute 4 da Escrituração Contábil Fiscal (ECF) e Manual de Orientação do Leiaute 6 da Escrituração Contábil Digital (ECD), que trazem a atualização da multa por atraso e incorreções na apresentação dessas escriturações, previstas no art. 12 da Lei n. 8.218/1991, considerando a nova redação dada a este dispositivo pela Lei n. 13.670/2018, que prevê as seguintes penalidades: "Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa equivalente a 0,5% (meio por cento) do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período a que se refere a escrituração aos que não atenderem aos requisitos para a apresentação dos registros e respectivos arquivos; (Redação dada pela Lei nº 13.670, de 2018) II multa equivalente a 5% (cinco por cento) sobre o valor da operação correspondente, limitada a 1% (um por cento) do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período a que se refere a escrituração, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações referentes aos registros e respectivos arquivos; e (Redação dada pela Lei nº 13.670, de 2018) III multa equivalente a 0,02% (dois centésimos por cento) por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período a que se refere a escrituração, limitada a 1% (um por cento) desta, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos registros e respectivos arquivos. (Redação dada pela Lei nº 13.670, de 2018) Parágrafo único. Para as pessoas jurídicas que utilizarem o Sistema Público de Escrituração Digital, as multas de que tratam o caput deste artigo serão reduzidas: (Redação dada pela Lei nº 13.670, de 2018) Fl. 35790DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.791 39 I à metade, quando a obrigação for cumprida após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; e (Incluído dada pela Lei nº 13.670, de 2018) II a 75% (setenta e cinco por cento), se a obrigação for cumprida no prazo fixado em intimação. (Incluído dada pela Lei nº 13.670, de 2018)" Assim, conforme se consolidam as diretrizes do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), constatase a importância fundamental da consistência e higidez das informações mantidas em arquivos digitais, que ganham especial relevo no caso das contribuições previdenciárias com a transversalidade da DCTFWeb (que compreende as informações antes prestadas em GFIP), EFD Reinf e eSocial, confirmandose, se alguma dúvida ainda possa persistir, a especialidade dos arts. 11 e 12 da Lei n. 8.218/1991 na disciplina e aplicação das multas relativas a arquivos digitais. Por fim, e apenas por amor ao debate, ressalto que a Lei n. 8.218/1991 não se restringe, conforme afirma o i. Relator, aos tributos elencados no seu art. 2°. Com efeito, o caput do art. 2°. da Lei n. 8.218/1991 ao se referir ao Imposto sobre Produtos Industrializados; Imposto sobre a Renda retido na fonte; Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários; e Contribuições para o FINSOCIAL, PISPASEP e sobre o Açúcar e o Álcool, bem assim o seu parágrafo único ao se reportar às microempresas e empresas que tenham optado pela tributação do Imposto sobre a Renda com base no lucro presumido, apenas e tãosomente, estipulou prazos para o pagamento dos respectivos tributos, conforme se depreende, sem muito esforço cognitivo, da leitura do caput: Art. 2º Em relação aos fatos geradores que vierem a ocorrer a partir do primeiro dia do mês de agosto de 1991, os pagamentos dos tributos e contribuições relacionados a seguir deverão ser efetuados nos seguintes prazos: [...] (grifei) Assim, não há qualquer óbice à aplicação da Lei n. 8.218/1991 às Contribuições Previdenciárias, vez que estas não podem ser excluídas do alcance daquela lei apenas porque o dispositivo legal não determinou prazo para seu pagamento. Nessa perspectiva, não vislumbro defeito na decisão recorrida no que diz respeito à aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória tipificada por não atendimento na forma estabelecida pela RFB para a apresentação de informações em meio digital (CFL 21), bem assim pela não apresentação de informações em meio digital com omissão ou incorreções (CFL 22), com espeque nos arts. 11 e 12 da Lei n. 8.218/1991. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário também neste ponto. Fl. 35791DF CARF MF Processo nº 10480.722674/201713 Acórdão n.º 2402006.660 S2C4T2 Fl. 35.792 40 (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 35792DF CARF MF
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