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Numero do processo: 16327.720534/2015-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA.
Não se conhece da matéria submetida ao Poder Judiciário, aplicação da Súmula Carf nº 1.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Os juros de mora incidem sobre a multa de ofício, conforme interpretação sistemática da legislação pertinente.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
BASE DE CÁLCULO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. NATUREZA DE RECEITAS FINANCEIRAS OU DIVIDENDOS.
Os juros sobre capital próprio, para fins tributários, não têm natureza de dividendos, podendo ser incluídos na base de cálculo de Pis e Cofins nos casos em que as receitas financeiras a compõem.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte. Da parte conhecida, Negado Provimento.
Numero da decisão: 3201-004.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS/Cofins, por concomitância de matéria na esfera judicial, e, quanto às demais matérias, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencidos, quanto à incidência de juros sobre a multa de ofício, os conselheiros Tatiana Josefoviz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. Não se conhece da matéria submetida ao Poder Judiciário, aplicação da Súmula Carf nº 1. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Os juros de mora incidem sobre a multa de ofício, conforme interpretação sistemática da legislação pertinente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 BASE DE CÁLCULO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. NATUREZA DE RECEITAS FINANCEIRAS OU DIVIDENDOS. Os juros sobre capital próprio, para fins tributários, não têm natureza de dividendos, podendo ser incluídos na base de cálculo de Pis e Cofins nos casos em que as receitas financeiras a compõem. Recurso Voluntário Conhecido em Parte. Da parte conhecida, Negado Provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 34 /2 01 5- 06 Fl. 362DF CARF MF 2 PIS/Cofins, por concomitância de matéria na esfera judicial, e, quanto às demais matérias, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencidos, quanto à incidência de juros sobre a multa de ofício, os conselheiros Tatiana Josefoviz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: Tratase de autos de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, lavrados em 26/05/2015 relativamente ao anocalendário 2011, que constituíram crédito tributário no montante total de R$ 12.612.840,32 (Cofins – R$ 10.849.755,11 e PIS – R$ 1.763.085,21), somados o principal, multa de ofício e juros de mora, diante de constatação de insuficiência de recolhimento dessas contribuições (e.fls 67/79). No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade assim fundamentou as razões para o lançamento (e.fls. 80/84): 1. DESCRIÇÃO DOS FATOS: A pessoa jurídica ora fiscalizada é Banco Múltiplo, instituição financeira nos termos do artigo 17 da lei 4.595/64, organizado sob a forma de sociedade anônima e tem por objeto social a prática de operações ativas, passivas e acessórias, inerentes às respectivas carteiras autorizadas, inclusive câmbio artigos 1º e 3º do Estatuto Social. ... No anocalendário de 2011 auferiu Receita Operacional total de R$ 506.785.394,83, dos quais R$130.651.041,56 correspondentes a Juros sobre o Capital Próprio, originados do investimento mantido na sociedade SANTANDER LEASING SA ARRENDAMENTO MERCANTIL – CNPJ 47.193.149/000106. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 16327.720534/201506 Acórdão n.º 3201004.191 S3C2T1 Fl. 3 3 ... Os valores recebidos foram contabilizados na rubrica “JRS S/CAPITAL PROPSB LEASING” – COSIF 71999009, conta interna 875924, sub conta do grupo contábil “OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS”. Atendendo a Termo de Intimação lavrado em 02/12/2014, o BANCO BANDEPE SA prestou a esta fiscalização o seguinte esclarecimento: “Item 1 – Informamos a V. Sa. que, no ano de 2011, os valores recebidos a título de Juros sobre o Capital Próprio (conta padrão 87924 – COSIF 71999009), não integraram as bases de cálculo mensais das contribuições ao PIS e COFINS. Assim, estamos encaminhando aos seus cuidados, a planilha contendo todas as contas que foram utilizadas para a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS”. (negritamos) As planilhas apresentadas pelo banco comprovam a não inclusão das receitas dos juros sobre o capital próprio nas bases de calculo das aludidas contribuições. 2. DIREITO APLICÁVEL: O procedimento adotado pelo contribuinte ora fiscalizado, que deixou de incluir nas bases de cálculo do PIS e da COFINS os valores relativos às receitas auferidas a título de Juros sobre o Capital Próprio, afronta a legislação tributária vigente. As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, consoante artigo 2º da lei 9.718/98. Os juros sobre o capital próprio devem ser considerados como receitas operacionais para aqueles que os recebem e como despesas operacionais para aqueles pagam ou creditam. Os valores recebidos se caracterizam juridicamente como receita financeira e desta forma integram o conjunto das receitas próprias da atividade do fiscalizado, ou seja, o seu faturamento. O simples fato de terem como origem Investimentos classificados no Ativo Permanente, no caso SANTANDER LEASING SA ARRENDAMENTO MERCANTIL, não tem o condão de alterar a natureza dos Juros. O presente entendimento está assentado em decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça — STJ, como na apreciação do Recurso Especial n° 952.566. Nos termos do voto do relator Exmo. Sr. Ministro José Delgado: Fl. 364DF CARF MF 4 "os juros recebidos de capital próprio investido pela sociedade empresarial em outra empresa constituem receitas financeiras". É certo que o conceito de faturamento, nos termos da Lei 9.718/98, está vinculado à soma de todas as receitas oriundas da atividade típica de seu objeto social, considerandose como tal aquelas relacionadas ao objetivo ou finalidade da sociedade empresarial. Aqui reproduzimos os ensinamentos de José Alexandre Tavares Guerreiro, em “Sobre a Interpretação do Objeto Social”: ... Tratando se o fiscalizado de instituição financeira, banco múltiplo, dúvidas não pairam sobre o fato de que as receita financeiras encontramse plenamente enquadradas no objeto social da companhia. Ademais, a análise das demonstrações contábeis do ano de 2011, ilustra o quão relevante para a atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte e, portanto, para a obtenção do tão almejado lucro, são as receitas originárias de seu ativo mantido na investida SANTANDER LEASING SA ARRENDAMENTO MERCANTIL, como é possível observar no quadro a seguir: Considerado os fatos acima expostos, temos que na formação das bases de cálculo do PIS e da COFINS devem estar computadas todas as receitas operacionais inerentes ao seu objeto social e que compõem o seu faturamento, incluindose as de Juros Sobre o Capital Próprio, para as quais não existe autorização legal de exclusão ou dedução na formação das referidas bases. A não inclusão pelo contribuinte dos valores recebidos a título de JCP desrespeita a legislação fiscal de vigência, reduz indevidamente os montantes das contribuições devidas e enseja a adoção de medidas de ofício para a constituição dos créditos tributários não recolhidos. 3. VALORES TRIBUTÁVEIS: Serão adicionados de ofício, às bases de cálculo do PIS e da COFINS apuradas nos meses de junho, setembro e dezembro de 2.011, os valores contabilizados pelo BANCO BANDEPE S A, a título “JRS S/CAPITAL PROPSB LEASING” – COSIF 71999009: Fl. 365DF CARF MF Processo nº 16327.720534/201506 Acórdão n.º 3201004.191 S3C2T1 Fl. 4 5 O crédito tributário será lançado de ofício, mediante a lavratura de Auto de Infração, do qual é parte integrante o presente Termo de Verificação Fiscal. Os valores devidos das contribuições para o PIS e para a COFINS serão acompanhados de multas de ofício, calculadas no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) dos principais e acréscimos legais cabíveis. ... Cientificada da autuação em 11/06/2015 (efl. 224), a contribuinte interpôs impugnação em 07/07/2015 (e.fls. 111/139), alegando em síntese e fundamentalmente o que segue. Inicialmente, alega a contribuinte que a análise sistemática da legislação em regência conduz à conclusão de que os juros sobre o capital próprio não têm natureza jurídica de receitas financeiras, mas sim a mesma de dividendos. Cita doutrina e jurisprudência administrativa que evidenciam seu entendimento. Em suas palavras: ... A figura dos JCP é mencionada no artigo 9o, da Lei 9.249/95, alterada pela Lei n° 9.430/96, para fins de apuração do lucro real das empresas. Contudo, apesar de receber o nome de "juros", os valores a que faz referência o dispositivo legal não possuem a natureza jurídica de juros, mas sim de dividendos. Por juros entendese a remuneração direta ou indireta decorrente da concessão de crédito. Isto é, o montante pago pelo devedor para poder se utilizar recursos do credor, sem que este sofra os riscos dos empreendimentos do tomador. A base do rendimento é, portanto, o valor do capital cedido em empréstimo. A diferenciação dos Juros Sobre o Capital Próprio da figura dos juros não está somente em seu conceito, mas também no artigo 178, parágrafo 2o, da Lei n° 6.404/76 que, ao classificar as contas das empresas segundo os elementos de seu patrimônio, diferencia a conta "patrimônio líquido", na qual, por determinação legal, devem ser lançados os Juros Sobre o Capital Próprio, do "passivo exigível a longo prazo", no qual devem ser lançados os juros, por se tratarem de um débito da empresa. Por conta disso, a despeito da terminologia empregada pelo legislador, resta evidente que os valores recebidos a Fl. 366DF CARF MF 6 título de Juros Sobre o Capital Próprio não possuem natureza jurídica de juros, uma vez que sua configuração legal não se assemelha ao conceito de juros, coadunandose com o conceito de dividendo. Com efeito, o dividendo é o valor pago aos acionistas, titulares ou sócios, decorrente da distribuição do resultado da sociedade, por meio da apuração do seu lucro líquido do exercício, de lucros acumulados e de reserva de lucros, conforme preconiza o artigo 201, da Lei n° 6.404/76. Ou seja, os dividendos correspondem aos rendimentos auferidos por determinada sociedade (a parte do lucro por ela auferido), os quais cumprem aos sócios ou acionistas em razão de sua participação na pessoa jurídica. Portanto, resta claro que a natureza jurídica dos dividendos está atrelada à existência de lucro auferido por determinada sociedade e, sem este os dividendos não serão distribuídos. Este é o comando: na existência de lucro, haverá distribuição de dividendos. E é justamente isto (existência de lucro) que demonstra possibilidade de distribuição de Juros Sobre o Capital Próprio, o que também caracteriza basilar de sua natureza. ... Ou seja, o fator fundamental para a distribuição dos Juros Sobre o Capital Próprio (assim como para a distribuição de dividendos) é a obtenção de lucro (seja ele apurado no exercício em que for procedida a distribuição dos JCP, seja acumulado em outros exercícios) com determinada atividade, como é exatamente o caso dos dividendos. ... De fato, a Lei n° 9.249/95 não teve como propósito demonstrar eventual não tributação dos Juros Sobre o Capital Próprio ou dos dividendos (até porque, como acima demonstrado, os dois são tributados), mas sim equiparar a natureza jurídica destes institutos, já que ambos estão fundamentados pelo lucro. Assim sendo, mais uma vez, a análise sistemática do nosso direito positivo nos leva inegavelmente à conclusão de que os Juros Sobre o Capital Próprio têm natureza jurídica de dividendos. ... Aduz que inexiste previsão legal específica prevendo a incidência das contribuições para o PIS/Cofins sobre os valores auferidos a título de juros sobre o capital próprio, tanto que a autoridade fiscal teria se valido de fundamentação legal genérica nos autos de infração. E que, considerada a natureza jurídica de dividendos dos juros sobre o capital próprio, tais valores jamais poderiam ser incluídos na base de cálculo das referidas contribuições, nos termos do art. 3º, §2º, II, da Lei nº Fl. 367DF CARF MF Processo nº 16327.720534/201506 Acórdão n.º 3201004.191 S3C2T1 Fl. 5 7 9.718, de 1998. Assim, entende que não há respaldo no ordenamento jurídico para as duas premissas da fiscalização (que os JCP possuem natureza jurídica de receitas financeiras e que estas devem, inequivocadamente, ser computadas na determinação da base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS das pessoas jurídicas sujeitas à Lei n° 9.718/98). Alega que ainda que independentemente de serem os JCP qualificados como receitas financeiras (tal como, equivocadamente, fez a Fiscalização) ou reconhecida a sua natureza jurídica de dividendos, fato é que tais valores não compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS por não se enquadrarem no conceito de faturamento preconizado na Lei n° 9.718/98 e na Lei Complementar n° 70/91 (receitas decorrentes da venda de bens ou prestação de serviços). Passa, então, a discorrer acerca do conceito da base de cálculo das contribuições em análise, ressaltando que o Supremo Tribunal Federal assentou o entendimento de que o faturamento ou a receita bruta são receitas decorrentes exclusivamente da venda de bens e da prestação de serviços, declarandose a inconstitucionalidade do §1o do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998), que previa como base de cálculo a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Argui, assim, que reconhecida a inconstitucionalidade dessa norma, deve ser aplicada a legislação imediatamente anterior, que se limitou a instituir a cobrança das contribuições em questão sobre o faturamento mensal, entendido como o produto da venda de mercadorias e da prestação de serviços, de modo que, independentemente de esta E. DRJ entender que os JCP são receitas financeiras ou têm natureza de dividendos, tais valores não podem ser enquadrados em tal conceito. Prosseguindo, contesta o entendimento da fiscalização sobre o conceito de faturamento explicitado na autuação, correspondente às atividades típicas previstas no objeto social da pessoa jurídica, o qual ensejaria uma ampliação da base de cálculo legalmente aplicável para o período. Ademais, o recebimento de juros sobre o capital próprio não integra seu objeto social. Alega que, na realidade, a fiscalização estaria aplicando retroativamente ao caso o novo conceito de receita bruta definido pela Lei nº 12.973, de 2014, o que não se admite. Em suas palavras: ... Ou seja, ainda que se admita que as receitas financeiras são parte do "objeto social" ou "típicas" do Impugnante, o que se nega, mas se alega para argumentar, fato é que por não serem provenientes de prestação de serviço ou venda de mercadoria, tal forma de tributação apenas passou a existir no ordenamento jurídico após a edição da Medida Provisória n° 627/13, publicada no dia 12 de novembro de 2013, convertida na Lei n° 12.973, de 13 de maio de 2014, por meio da qual foi instituída a previsão de Fl. 368DF CARF MF 8 que a base de cálculo do PIS/COFINS abrange "as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica". Confirase: ... Portanto, é possível firmar a premissa de que somente após o advento da MP 627/13 (Lei n° 12.973/2014) houve a pretensão de tributar todas as receitas provenientes da atividade principal da empresa, pelo PIS e pela COFINS. Contudo, é notório que essa nova base de cálculo não pode retroagir para alcançar fatos geradores pretéritos Outro aspecto que merece destaque é que o inciso incluído pela Lei n° 12.973/2014 deixa muito claro que (i) a venda de bens (ii) prestação de serviços, que eram o conceito de faturamento, não compreendia as receitas típicas de seu objeto social, ou seja, as receitas operacionais, como pretendeu defender a Fiscalização, caso contrário, a lei não faria a seguinte ressalva "não compreendidas nos incisos I a III" cujos incisos tratam especificamente da venda de mercadorias, da prestação de serviços e resultado auferido nas operações de conta alheia. ... Sendo assim, no presente caso, deve ser estritamente analisado o conceito de faturamento vigente à época dos fatos geradores (ano de 2011), o qual conforme exaustivamente exposto, corresponde às receitas decorrentes exclusivamente da venda de mercadoria e prestação de serviços, não havendo qualquer margem para a tributação dos JCP. Aduz a existência de julgamento do Superior Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos no sentido de que não incide PIS e COFINS sobre os JCP recebidos por pessoas jurídicas enquadradas no regime cumulativo, submetidas às disposições da Lei nc 9.718/98. Assim, somente há incidência das contribuições quando referidos juros forem recebidos por pessoas jurídicas sujeitas à sistemática não cumulativa. Alega ainda possuir medida judicial em que discute a base de cálculo das contribuições, e que estaria aguardando julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (MS nº 0012516 95.2006.4.05.8300 (2006.83.00.0125169)). E que embora tenha noticiado tal fato durante a fiscalização, não houve análise dessa medida pela autoridade fiscal. Postula, assim, que na hipótese de a Turma de Julgamento de primeira instância não concordar com suas alegações anteriores, seja reconhecida a concomitância entre as esferas administrativa e judicial, com sobrestamento dos autos até a apreciação final pelo judiciário. Por fim, alega a contribuinte a ilegalidade da cobrança de juros Selic sobre a multa de ofício lançada. Requer, ao final, o cancelamento integral dos autos de infração em tela, ou, alternativamente, caso não se entenda pela procedência de suas alegações de mérito, o sobrestamento do Fl. 369DF CARF MF Processo nº 16327.720534/201506 Acórdão n.º 3201004.191 S3C2T1 Fl. 6 9 processo até decisão definitiva do Mandado de Segurança indicado. A DRJ/Ribeirão Preto/SP14ª Turma, por meio do Acórdão 1461.847, de 11/07/2016, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os juros sobre o capital próprio auferidos pela sociedade empresarial decorrentes da participação no patrimônio liquido de outras sociedades constituem receita de natureza financeira, própria da entidade, não se confundindo com dividendos. PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros de mora sobre a multa de ofício que não for paga até a data de seu vencimento. Sobreveio o Recurso Voluntário, onde a empresa reforça os argumentos da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. O recurso é tempestivo. Tratase, fundamentalmente, da tributação de Pis e Cofins sobre receitas de Juros sobre Capital Próprio. Fl. 370DF CARF MF 10 A questão da base de cálculo das entidades financeiras, para incluir ou não as receitas financeiras, foi submetida ao Poder Judiciário, no âmbito do Mandado de Segurança 2006.83.00.0125169, conforme relatado. Desse modo, o Carf não deve manifestarse sobre a matéria, conforme Súmula nº 11: Assim, toda a gama de argumentos enfeixados sob o título “III.3 – Perfil Constitucional das Contribuições ao Pis e Cofins – Panorama Jurisprudencial”, não deve ser conhecida. Juros sobre Capital Próprio – Natureza e tributação para Pis e Cofins No presente caso, se discute a natureza jurídica das receitas de Juros sobre Capital Próprio. Se forem receitas financeiras, podem ser tributadas, a depender do Mandado de Segurança impetrado. Se forem receitas de dividendos, não seriam tributáveis, nos termos do art. §2º, II do art. 3º , da Lei 9.718/98, com a redação então vigente: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Para aferir essa natureza, tomo de empréstimo excerto do votovencedor no Resp 1.200.492/RS, da lavra do Ministro Mauro Campbell Marques, e que tramitou sob o rito dos recursos repetitivos, por muito bem fundamentado e detalhado. Transcrevoo: VOTOVISTA VENCEDOR O EXMO. SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES: No caso concreto pretende a recorrente REFINARIA DE PETRÓLEO IPIRANGA S/A deduzir da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS o valor que destina a seus acionistas a título de juros sobre o capital próprio, invocando: a) o emprego por analogia do art. 9º, caput, da Lei n. 9.249/95, que permite a dedução de tais valores do lucro real (base de cálculo do imposto de renda); b) que a natureza jurídica desses valores seria a de lucros e dividendos, o que permitiria a incidência do art. 1º, §3º, V, "b", da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003, que retiraram da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas referentes a lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição. Ora, em que pese os juros sobre o capital próprio, a exemplo dos lucros ou dividendos, serem destinações do lucro líquido, para fins tributários sua semelhança acaba aí, havendo 1 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento Fl. 371DF CARF MF Processo nº 16327.720534/201506 Acórdão n.º 3201004.191 S3C2T1 Fl. 7 11 uma série de tratamentos distintos na legislação que evidencia a diferença de sua natureza jurídica, a saber: LUCROS OU DIVIDENDOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO Em relação ao beneficiário: não estão sujeitos ao imposto de renda na fonte pagadora nem integram a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário (art. 10, da Lei n. 9.249/95). Em relação ao beneficiário: estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte na data do pagamento do crédito ao beneficiário (art. 9°, §2°, da Lei n. 9.249/95). Em relação à pessoa jurídica que paga: não são dedutíveis do lucro real (base de cálculo do imposto de renda). Em relação à pessoa jurídica que paga: quando pagos são dedutíveis do lucro real (art. 9°,caput, da Lei n. 9.249/95). Obedecem necessariamente ao disposto no art. 202, da Lei n. 6.404/76 (dividendo obrigatório). Podem, facultativamente, integrar o valor dos dividendos para efeito de a sociedade obedecer à regra do dividendo obrigatório (art. 202, da Lei n. 6.404/76).' Têm limite máximo fixado apenas no estatuto social ou, no silêncio deste, o limite dos lucros não destinados nos termos dos arts. 193 a 197 da Lei n. 6.404/76. Têm como limite máximo a variação da TJLP (art. 9°, caput, da Lei n. 9.249/95). Estão condicionados apenas à existência de lucros (arts. 198 e 202, da Lei n. 6.404/76). Estão condicionados à existência de lucros no dobro do valor dos juros a serem pagos ou creditados (art. 9°, §1°, da Lei n. 9.249/95). Desse modo, ainda que se diga que os juros sobre o capital próprio não constituam receitas financeiras, não é possível simplesmente classificálos para fins tributários como “lucros e dividendos” em razão da diferença de regimes aplicáveis, de modo que não incidem o art. 1º, §3º, V, "b", da Lei n. 10.637/2002 e o mesmo dispositivo da Lei n. 10.833/2003. Também não é possível invocar a analogia a fim de alcançar isenção do crédito tributário (art. 111, do CTN). Decerto, como categoria nova e autônoma, a sua exclusão da base de cálculo das ditas contribuições deveria ser explícita, a exemplo do que ocorre para o imposto de renda (art. 9º, da Lei n. 9.249/95), transcrevo: Lei n. 9.249/95. Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. [...] No entanto, ao contrário disso, não faltam exemplos na legislação tributária de situações em que a inclusão de tais valores na base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS é reafirmada, in litteris: Lei n. 10.637/2002 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] Lei n. 10.833/2003 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] Decreto n. 5.164/2004 Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Fl. 372DF CARF MF 12 Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. Decreto n. 5.442/2005 Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput: I não se aplica aos juros sobre o capital próprio; [...] Instrução Normativa SRF n. 11/1996 Art. 30. O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo da incidência do imposto de renda na fonte. Parágrafo único. Para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real, os juros pagos ou creditados, ainda que imputados aos dividendos ou quando exercida a opção de que trata o § 1º do artigo anterior,deverão ser registrados em contrapartida de despesas financeiras. A este respeito, indiferente a classificação contábil dada pela CVM (Deliberação CVM n. 207, de 13 de dezembro de 1996), na medida em que, além de não poder suplantar decreto do Chefe do Poder Executivo, não tem competência para expedir normas complementares em matéria tributária, competência esta exercida pela Secretaria da Receita Federal. Por fim, complemento que a jurisprudência deste STJ já está pacificada contra o pleito do contribuinte, impossibilitando a exclusão de tais valores da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS na vigência da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003, permitindo tal benesse apenas para a vigência da Lei n. 9.718/98. Cito para exemplo. Precedentes da Primeira Turma: AgRg nos EDcl no REsp 983066 / RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 01.03.2011; AgRg no Ag 1209804 / RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 16.12.2010; REsp 1018013 / SC, Rel. Min. José Delgado, julgado em 08.04.2008; REsp 952566 / SC, Rel. Min. José Delgado, julgado em 18.12.2007; REsp 921269 / RS, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 22.05.2007. Precedentes da Segunda Turma: REsp 1212976 / RS, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 9.11.2010; AgRg no Ag 1330134 / SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 19.10.2010; REsp 956615 / RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 13.10.2009; AgRg no REsp 964411 / SC, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 22.09.2009. Com estas considerações, com vênias do eminente Relator, NEGO PROVIMENTO ao presente recurso especial. E ainda o respectivo aditamento: RECURSO ESPECIAL Nº 1.200.492 RS (2010/01169433) ADITAMENTO AO VOTOVOGAL O EXMO. SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES: Em, aditamento ao voto vogal por mim proferido, registro que as conclusões a que cheguei não estão de modo algum em conflito com as razões que Fl. 373DF CARF MF Processo nº 16327.720534/201506 Acórdão n.º 3201004.191 S3C2T1 Fl. 8 13 fundamentaram o recentemente julgado recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.373.438 RS (Segunda Seção, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 11 de junho de 2014) onde foi investigada a natureza jurídica do instituto "juros sobre o capital próprio" JCP, para se concluir pelo seu caráter de instituto jurídico sui generis, transcrevo: Além dessas duas linhas opostas de entendimento, existe uma terceira corrente, propondo uma cisão no conceito de JCP, de modo que ele possa apresentar, do ponto de vista tributário, caráter de juros, e, do ponto de vista societário, caráter de lucro a ser distribuído. No parecer acostado aos presentes autos, a CVM, por meio de sua Procuradoria Federal Especializada, parece ter esposado esse entendimento, conforme se depreende do trecho abaixo transcrito: “[...] os juros sobre capital próprio assemelhamse aos dividendos, para alguns fins de aplicação do direito societário, embora revistamse de algumas peculiaridades decorrentes de seu tratamento tributário e de sua natureza de remuneração de capital” (fl. 599). No mesmo sentido, merece referência judicioso voto do Min. MASSAMI UYEDA, proferido na Terceira Turma desta Corte Superior, sintetizado nos termos da seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL CONTRATO DE PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA EM PLANO DE EXPANSÃO DE REDE DE TELEFONIA AÇÃO DE COMPLEMENTAÇÃO DE AÇÕES BRASIL TELECOM S/A LEGITIMIDADE PASSIVA PRECEDENTES PRESCRIÇÃO APLICAÇÃO DA REGRA PREVISTA NO CÓDIGO CIVIL DIVIDENDOS PRESCRIÇÃO NÃOOCORRÊNCIA DIVIDENDOS E JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO COEXISTÊNCIA POSSIBILIDADE RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO. ......................................................................... III Os dividendos possuem natureza acessória à obrigação principal, qual seja, a indenização/subscrição das ações decorrentes de contrato de telefonia. Portanto, não há falar em prescrição dos dividendos sem o prévio reconhecimento do direito à subscrição das ações; IV O art. 202 da Lei n. Lei n. 6.404/76, ao delimitar os dividendos obrigatórios, tanto na primeira parte de seu caput do artigo, como em seu § 1º, conferiu, inequivocamente, ampla liberdade ao Estatuto da Companhia para estabelecer, como dividendos dos acionistas, seja a parcela dos lucros, em cada exercício, seja o percentual do capital social, sejam outros critérios para determinálos, desde que sejam regulados dividendos obrigatórios, podendo, por hipótese, assentar que os juros sobre capital próprio sejam abatidos dos dividendos em valores líquidos (desde que este abatimento não represente uma percepção a menor dos dividendos reputados obrigatórios). Tal situação, é certo, sequer é discutida nos presentes autos. Contudo, é de se deixar assente inexistir óbice que estas remunerações coexistam, se assim previsto no Estatuto, caso dos autos, nos termos assentados pelas Instâncias ordinárias; VI Ainda que se entenda que os juros sobre capital próprio não possuam a natureza de dividendos, nos termos decididos por esta a. Corte, já que estes incidem, em regra, sobre o lucro apresentado no exercício pela companhia, é certo que aqueles, sob a ótica do acionista, também são, incontroversamente, Fl. 374DF CARF MF 14 espécies do gênero remuneração dos acionistas; VII Delimitada a natureza jurídica dos juros sobre capital próprio, sob o enfoque do acionista (espécie de remuneração dos acionistas), no que importa à presente controvérsia, caso seja a ele conferido a distribuição de juros sobre capital próprio pela Companhia, por expressa disposição estatutária, tal fato em nada deve intervir na correta distribuição dos dividendos obrigatórios; VIII Nessa linha de raciocínio, os contornos gizados pela referida lei tributária n. 9.249/95 (no caso dos autos, ressaltese, sequer prequestionada) aos juros sobre capital próprio (reputandoos como sendo despesas a serem abatidas, para, ao final, chegarse ao resultado final do exercício), de forma alguma interferem, para fins societários, nos direitos dos acionistas reconhecidos no Estatuto; IX Em arremate, havendo expressa previsão estatutária dos juros sobre capital próprio, nos termos consignados pelo Tribunal de origem, possível a coexistência destes e dos dividendos obrigatórios. X Recurso Especial improvido. (REsp 1.112.717/RS, Rel. Ministro MASSAMI UYEDA, TERCEIRA TURMA, julgado em 03/11/2009, DJe 11/12/2009) Do inteiro teor do voto, cumpre transcrever o seguinte excerto: Assim, delimitada a natureza jurídica dos juros sobre capital próprio, sob o enfoque do acionista (espécie de remuneração dos acionistas), no que importa à presente controvérsia, caso seja a ele conferida a distribuição de juros sobre capital próprio pela Companhia, por expressa disposição estatutária, tal fato em nada deve intervir na correta distribuição dos dividendos obrigatórios. Nessa linha de raciocínio, os contornos gizados pela referida lei tributária n. 9.249/95 (no caso dos autos, ressaltese, sequer prequestionada) aos juros sobre capital próprio (reputandoos como sendo despesas a serem abatidas, para, ao final, chegarse ao resultado final do exercício), de forma alguma interferem, para fins societários , nos direitos dos acionistas reconhecidos no Estatuto. Vale dizer, não é porque determinada lei tributária elege determinado fato gerador como tributável que a remuneração do acionista, por meio dos juros sobre capital próprio (previsto no estatuto), pode, por via reflexa, prejudicar o recebimento dos dividendos obrigatórios, outra forma de remuneração do acionista (de destinação legal). Aliás, em interpretação consentânea com sua finalidade de fiscalizar o mercado mobiliário, a CVM editou a Deliberação n. 207/96, que disciplinou que os juros sobre capital próprio, sob o enfoque do acionista, consubstanciam forma de participação do acionista no resultado, de forma a preservar os direitos destes e evitar distorções na distribuição dos lucros do exercício (que, como é de sabença, possui destinações forçadas, como por ex, dividendos e reserva de capital). Temse que tal interpretação, voltada para os fins societários, não padece de qualquer ilegalidade, na medida em que a referida lei n. 9.249/95, com abrangência exclusivamente tributária, não tem o condão de alterar a participação societária dos acionistas nos termos preconizados no Estatuto da Companhia. (com grifos no original) Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16327.720534/201506 Acórdão n.º 3201004.191 S3C2T1 Fl. 9 15 A cisão do conceito de JCP, como proposta pelo Min. MASSAMI UYEDA, é, a meu juízo, a melhor solução para o problema da natureza dos JCP, pois não é possível conciliar numa mesma natureza características incompatíveis entre si. Efetivamente, como bem destacou Requião (supra), a obrigação de pagar juros é uma obrigação certa, que independe do sucesso econômico do devedor, ao passo que a obrigação de distribuir lucro é uma obrigação aleatória, sujeita ao risco do empreendimento, que é da essência do direito societário, não havendo como conciliar essas duas características. Por exemplo, se a companhia passar por um longo período deficitário, isso não a dispensará de pagar juros, quer os de mora, quer os compensatórios, mas estará dispensada de pagar JCP (cf. art. 9º, § 1º, da Lei 9.249/95). Desse modo, optandose por um conceito único de JCP, sacrificamse, necessariamente, ou os propósitos tributários da Lei 9.249/95, ou os princípios societários, protegidos pelas Deliberações CVM nº 207/96 e 683/12. A melhor solução, portanto, é a cisão dos efeitos produzidos pelo instituto jurídico para efeitos tributários e para efeitos societários. Mas, como pode um ente ter, ao mesmo tempo, duas naturezas opostas? Na verdade, ontologicamente, os JCP são parcela do lucro a ser distribuído aos acionistas. Apenas por ficção jurídica, a lei tributária passou a considerar que os JCP tem natureza de juros. Ressaltese que o Direito Tributário não é avesso a ficções jurídicas, que alteram a natureza de institutos jurídicos. Com efeito, o art. 110, do CTN, veda que legislação tributária altere a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Ocorre que os "juros sobre o capital próprio" não são instituto utilizado pelas Constituições Federal ou Estaduais, ou por Lei Orgânica. Outrossim, não se trata de instituto exclusivo de direito privado, posto que tiveram origem na própria legislação tributária, no art. 43, §1º, "e", do DecretoLei n. 5.844/43 (Dispõe sobre a cobrança e fiscalização do imposto de renda). Sendo assim, tratandose de instituto híbrido de Direito Tributário e Direito Empresarial, criado já no âmbito do imposto de renda como receita tributável, a legislação tributária é apta a definir seu conteúdo e alcance. Por fim, indubitavelmente, compõem o conceito maior de receitas auferidas pela pessoa jurídica, base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, não havendo exclusão específica para essa rubrica. Ante o exposto, com estas considerações adicionais e renovando vênias ao eminente Relator, MANTENHO O MEU VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso especial. Fazendo meus tais fundamentos, decorre que os Juros sobre Capital Próprio não são, para fins tributários, considerados dividendos, mas como receitas financeiras. Fl. 376DF CARF MF 16 Esclareço que a não tributação dos juros sobre capital próprio, na vigência da Lei 9.718/98, conforme referência da ementa do acórdão transcrito, se refere a empresas não financeiras, e portanto, não se aplica ao presente contexto, nos quais as receitas financeiras podem ser tributadas, a depender do resultado da ação própria, conforme relatado. Em outras palavras, nos casos em que a receita financeira é tributada (Leis 10637/2002, 10833/2003 e 9.718/98 para entidades financeiras), os juros sobre capital próprio são tributados. Nos casos em que a receita financeira não é tributada (Lei 9.718/98, demais entidades), os juros sobre capital próprio não são tributados, posto que não são tributadas as receitas finceiras. Além disso, conforme citado no acórdão, e para confirmar a exegese da natureza dos juros sobre capital próprio, no caso de contribuições não cumulativas, temse estabelecido que compõem a base de cálculo das contribuições, conforme art. 1º do Decreto 5.442/2005, então vigente: Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput: I não se aplica aos juros sobre o capital próprio; Mais uma vez, embora no presente caso não se trate de regime não cumulativo, a compreensão da natureza dos juros sobre capital próprio como receita financeira, para fins tributários, é adotada pelo referido Decreto, posto que prevê sua tributação no regime não cumulativo. Assim, caso sejam tributáveis as receitas financeiras da recorrente, a depender do resultado do Mandado de Segurança impetrado, os juros sobre capital próprio comporão a base de cálculo das contribuições, como receita financeira. Juros sobre Multa Adoto as razões do Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais nº 910100539, abaixo reproduzido no que tange ao tema. “O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16327.720534/201506 Acórdão n.º 3201004.191 S3C2T1 Fl. 10 17 No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p.74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário 'é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).' A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. Fl. 378DF CARF MF 18 A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida 'juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago'(§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). Fl. 379DF CARF MF Processo nº 16327.720534/201506 Acórdão n.º 3201004.191 S3C2T1 Fl. 11 19 §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." (…) No mesmo sentido, aliás, tem decidido o Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Assim, voto pela incidência de juros sobre a multa de ofício. Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer da matéria relativa à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do Pis e Cofins. Nas demais matérias, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 380DF CARF MF 20 Fl. 381DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.928038/2009-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/04/2003
DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO.
Indefere-se pedido de diligência quando sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
O processo administrativo fiscal federal não prevê a possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do patrono do contribuinte, tampouco o Ricarf apresenta regramento nesse sentido.
SUSTENTAÇÃO ORAL. TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. REGRAMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO.
Se o contribuinte deixa de atentar para os requisitos inerentes ao pedido de sustentação oral, resta impossibilitada a hipótese de atendimento do pleito formulado às Turmas Extraordinárias do Carf.
DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DCTF.
Embora tenha o contribuinte deixado de tratar em seu recurso voluntário sobre a decadência em face a homologação tácita do crédito tributário declarado em DCTF, esta matéria poderá ser reapreciada pelo Carf, visto tratar-se de matéria de ordem pública.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO.
Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO.
O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário.
PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais -DCTF- retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado e depois de transcorrido cinco anos para pleito da restituição não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação -Per/Dcomp-, em face da decadência do referido direito.
Constatando-se, conforme evidencia a documentação acostada, inclusive, no recurso voluntário, que sequer tem-se notícia que o contribuinte apresentou, ainda que a destempo, DCTF retificadora para tal finalidade, resta impossibilitada a restituição do crédito que alega possuir quando da apresentação de Per/Dcomp.
Numero da decisão: 3001-000.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a diligência suscitada e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2003 DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de diligência quando sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O processo administrativo fiscal federal não prevê a possibilidade de a intimação darse na pessoa do patrono do contribuinte, tampouco o Ricarf apresenta regramento nesse sentido. SUSTENTAÇÃO ORAL. TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. REGRAMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO. Se o contribuinte deixa de atentar para os requisitos inerentes ao pedido de sustentação oral, resta impossibilitada a hipótese de atendimento do pleito formulado às Turmas Extraordinárias do Carf. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DCTF. Embora tenha o contribuinte deixado de tratar em seu recurso voluntário sobre a decadência em face a homologação tácita do crédito tributário declarado em DCTF, esta matéria poderá ser reapreciada pelo Carf, visto tratarse de matéria de ordem pública. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 80 38 /2 00 9- 81 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10880.928038/200981 Acórdão n.º 3001000.469 S3C0T1 Fl. 209 2 facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado e depois de transcorrido cinco anos para pleito da restituição não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação Per/Dcomp, em face da decadência do referido direito. Constatandose, conforme evidencia a documentação acostada, inclusive, no recurso voluntário, que sequer temse notícia que o contribuinte apresentou, ainda que a destempo, DCTF retificadora para tal finalidade, resta impossibilitada a restituição do crédito que alega possuir quando da apresentação de Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a diligência suscitada e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1635.263, da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1 DRJ/SP1 que, em sessão de julgamento realizada no dia 12.12.2011, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp 15072.46185.070705.1.3.046144. Da síntese dos fatos Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10880.928038/200981 Acórdão n.º 3001000.469 S3C0T1 Fl. 210 3 Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 43 a 51), verbis: Relatório 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada pelo Contribuinte em meio eletrônico (PER/DCOMP nº 15072.46185.070705.1.3.046144), na data de 07/07/05 (página 1 PER/DCOMP), pela qual pretende quitar os débitos de PIS 69121, referente à competência de mai04, com supostos créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF de 15/04/2003, no valor de R$ 30.391,30 (código de receita: 8109). 2. Apreciando o pedido formulado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO) emitiu o Despacho Decisório de fls. 9, datado de 20/04/09, no qual pronunciouse pela NÃO HOMOLOGAÇÃO, por inexistência de crédito da compensação declarada. 3. Cientificada, em 28/04/09, da solução dada à declaração de compensação apresentada, conforme informação constante às fls. 10, a Insurgente, por intermédio de representante constituído, interpôs a Manifestação de Inconformidade de fls. 11 a 13, tempestivamente, conforme fls. 42, com a juntada de documentos de fls. 14 a 41, apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: 3.1. O valor do crédito compensado existe, é legítimo e válido, uma vez que deriva de apuração constante no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), referente ao ano calendário 2003/1º trimestre (mar). 3.2. Ademais, informa que, por lapso, deixou de apresentar a devida retificação da DCTF respectiva, para proceder a alteração do campo débito apurado do valor informado de R$ 30.391,30, para o quanto entendido correto, correspondente a R$ 0,00. 3.3. Diante do quanto alegado, no intuito de regularizar o crédito defendido, comprometese a retificar a DCTF em questão requerendo, para tanto, o prazo de 45 dias úteis. É o relatório. Da ementa da decisão recorrida A 13ª Turma da DRJ/SP1, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/04/2003 Ementa: Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10880.928038/200981 Acórdão n.º 3001000.469 S3C0T1 Fl. 211 4 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos confessados originalmente por intermédio da DCTF, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi totalmente utilizado para quitar outro débito do Contribuinte, a compensação não poderá ser homologada. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO HOMOLOGADO TACITAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento em virtude do transcurso do lustro previsto no § 4º, art. 150 do CTN, não é passível de alteração pelo Contribuinte e nem pela Administração Tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, conforme depreendese da "INTIMAÇÃO Nº 138/2012" (efl. 52) e do Aviso de Recebimento AR (efl. 53), conheceu do teor do acórdão vergastado em 26.01.2012, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 24.02.2012, protocola, perante a Derat/SP, o presente recurso voluntário, acompanhados de demais documentos, é o que demonstra o carimbo constante em sua "Folha de Rosto" (efls. 64 a 204). Do recurso voluntário Sintetizo os argumentos de defesa apresentado no recurso voluntário, identificando, também, os documentos nele juntados. Depois de historicizar os fatos inerentes ao seu pedido de restituição da contribuição ao PIS, cumulado com o de compensação e sua negativa por parte do colegiado a quo, o recorrente argumenta em sua defesa, que: 1 desde o ano de 2003, está sujeito à incidência da contribuição ao PIS determinada sobre a sistemática não cumulativa, conforme prevê a Lei 10.637 de 2002, estando obrigado, portanto, à apuração mensal de débitos e créditos relativamente a tal contribuição; Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10880.928038/200981 Acórdão n.º 3001000.469 S3C0T1 Fl. 212 5 2 apesar de o regime não cumulativo do PIS ter sido estabelecido a partir de dezembro de 2002, foi somente no ano de 2004 que passouse, segundo a IN SRF 387 de 2004, a exigir a entrega do Dacon relativamente aos quatro trimestres do ano de 2003; 3 somente após revisar seus procedimentos para entrega do Dacon respectivo é que constatou que valor do PIS devido para o período era inferior àquele originalmente declarado em DCTF; 4 por equívoco não retificou a respectiva DCTF, de modo que o valor pago indevidamente naquele período constaria nas bases de dados da RFB como devido; 5 na Ficha 04 da mencionada Dacon, declarou a composição da base de cálculo dos créditos que apurou, os quais se lastrearam na aquisição de bens utilizados como insumos, nas despesas com energia elétrica, com aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas e com financiamentos de empréstimos, além dos encargos com depreciação; 6 os mencionados créditos decorrentes das aquisições de insumos referiam se às compras de produtos para industrialização, industrializações efetuadas por encomenda para si e aquisições de material de uso consumo realizadas no período, conforme consta das notas fiscais selecionadas por amostragem, ora anexadas, do Resumo de CFOP do Livro Registro de Entrada e do arquivo do Sintegra do período (Docs. 09, 10 e 11); 7 referidos documentos comprovam a legitimidade dos créditos que apurou, pois que os bens adquiridos foram e aplicados em seu processo produtivo, enquadrandose no conceito de insumo, à exceção dos materiais de uso e consumo, que optou por efetuar o pagamento com a inclusão da multa e dos juros, conforme Darf (Doc. 12); 8 quanto às despesas com energia elétrica, na época apropriava apenas os créditos relativos à produção, conforme razão contábil, pagas conforme o valor constante na respectiva nota fiscal e escrituradas no LRE (Docs. 13/14); 9 quanto às despesas com aluguéis, tais valores são também legítimos, líquidos e certos por decorrerem de pagamento a pessoa jurídica, pela locação do prédio no qual desempenha suas atividades, conforme demonstra o respectivo contrato, bem como sua contabilidade (Docs. 15/16); 10 os créditos de despesas de financiamento se encontram devidamente comprovados pelos documentos que à época deram azo às operações de arrendamento mercantil, conforme se depreende do razão contábil da conta relacionada (Doc. 17); 11 os créditos com os encargos de depreciação do ativo imobilizado foram calculados e regularmente contabilizados (Docs. 18/19); 12 os documentos ora juntados não se tratam de novas provas, pois tratamse de meros detalhamentos do crédito já demonstrado na manifestação de inconformidade, com a apresentação do Dacon. Não obstante, mencionese que o Carf já se manifestou pela possibilidade de juntada de provas em fase recursal, por aplicação do principio da verdade material, ao qual o processo administrativo está intrinsecamente subsumido; 13 a jurisprudência no âmbito administrativo garante que o crédito pago indevidamente pelo contribuinte seja compensado. Cita legislação e jurisprudência; Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10880.928038/200981 Acórdão n.º 3001000.469 S3C0T1 Fl. 213 6 14 o mero erro formal, consubstanciado na não retificação da DCTF à época não descaracterizar o direito material legalmente atribuído, devendolhe ser garantida a recuperação, mediante compensação, dos valores pagos a maior em virtude do não cômputo dos créditos legais; 15 as declarações a que está obrigada a apresentar, como, por exemplo, a DCTF, DIPJ, etc., nada mais são do que obrigações acessórias mediante as quais o contribuinte declara as suas informações econômicofiscais. Assim, a falta ou a incorreção do preenchimento do formulário não tem o condão de criar ou extinguir direitos, já que tal nada mais é que um meio para o Fisco "agilizar" o procedimento fiscalizatório; 16 é pacifica a jurisprudência do Carf em admitir que a verdade material deve prevalecer em detrimento da formal quando há erro de preenchimento em DCTF, ainda mais que referido equívoco não causou prejuízo ao Erário Público. 17 acaso necessário, solicita a conversão do julgamento em diligência para que se comprove a existência da totalidade do crédito pleiteado. Formula quesitos a serem respondidos pelas autoridades fiscais; 18 seja intimada, na pessoa de seu procurador/patrono, para fins de realizar sustentação oral. Diante do alegado, requer o provimento do recurso e consequente deferimento do direito creditório pleiteado, homologandose a compensação realizada extinguindo respectivo crédito tributário. Juntamente com a presente peça recursal, o contribuinte apresenta: DOC. 01 Cópia autenticada do Contrato Social e alterações posteriores; DOC. 02 Cópia autenticada do instrumento de procuração pública; DOC. 03 Cópia autenticada do documento do Representante Legal; DOC. 04 DARF de recolhimento da Contribuição para o PIS (8109); DOC. 05 Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF); DOC. 06 Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON); DOC. 07 PERD/DCOMP; DOC. 08 Memória de cálculo do crédito de PIS; DOC. 09 Notas fiscais de aquisição de insumos; DOC. 10 Resumo de CFOP do Livro Registro de Entradas (LRE); DOC. 11 Arquivo do SINTEGRA relativo As entradas de insumos; DOC. 12 DARF de recolhimento do valor inconteste; DOC. 13 Razão contábil da conta de despesas com energia elétrica; DOC. 14 Nota fiscal de aquisição de energia elétrica; DOC. 15 Contrato de locação de bem imóvel firmado com pessoa jurídica; DOC. 16 Razão contábil da conta de despesas com aluguel; DOC. 17 Razão contábil da conta de arrendamento mercantil; DOC. 18 Memória de cálculo de encargos de depreciação; e DOC. 19 Razões contábeis das contas de encargos de depreciação. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 29.05.2014 (efl. 206), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10880.928038/200981 Acórdão n.º 3001000.469 S3C0T1 Fl. 214 7 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, com redação da Portaria MF 329 de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado aos autos em 24.02.2012, depois da ciência ocorrida em 26.01.2012; portanto, a petição é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pelo recorrente, para melhor apuração do crédito tributário informado e, por consequência, sua habilitação para a compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos. Destarte, aplicase o artigo 18 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, que dispõe que a "autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Embora o comando legal inserido na norma em referência esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Neste sentido, indefiro pleito. Da intimação ao patrono Registrese que é demandada a ciência dos patronos do contribuinte para fins de sustentação oral. Todavia, para fins de esclarecimento, os incisos I a III do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativo tributário federal serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Ricarf. Razão pela qual, nego a solicitação. Da sustentação oral Quanto a sustentação oral pretendida perante as turmas extraordinárias convém esclarecer que o artigo 61A do Anexo II do Ricarf, inserido pela Portaria MF 329 de Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10880.928038/200981 Acórdão n.º 3001000.469 S3C0T1 Fl. 215 8 04.07.2017, dispõe que referido pleito seja realizado dentro de um prazo regulamentar e mediante apresentação de requerimento próprio, cuja aceitação "implica a retirada do processo para inclusão em pauta de sessão não virtual". Logo, inexistindo, nos autos referido requerimento, resta descumprido o regramento estatuído pela norma de regência. Razão pela qual não provejo o pedido. Da matéria de ordem pública Embora o contribuinte não tenha contestado em seu recurso voluntário os fundamentos da decisão recorrida no que concerne ao instituto da decadência, por conta da ocorrência da homologação tácita do crédito tributário constituído pela apresentação de DCTF, por tratarse de matéria de ordem pública, portanto, cognoscível de ofício, conforme consagrado por sedimentada jurisprudência judicial e deste Conselho, na medida em que tem competência para reapreciar a matéria nesta oportunidade, ainda que seja para confirmar o que decidiu o colegiado a quo. Da fundamentação Da adoção, como razão de decidir, da decisão recorrida Dispõe o parágrafo 3º do artigo 57 do Anexo II do Ricarf, verbis: § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Em análise do pleito, nada há que deva ser acrescentado por este juízo administrativo aquilo que já foi minuciosamente explicitado pela 13ª Turma da DRJ/SP1, quando da prolação do acórdão recorrido. Com efeito, andou bem o colegiado a quo ao assentar a vinculação estrita das autoridades administrativas às determinações contidas de forma literal em lei. Assim, só cabe aqui reafirmarse aquilo que de forma expressa consta da legislação tributária: o prazo para repetição do indébito é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário (inciso I do artigo 168 do CTN), sendo que o pagamento antecipado, efetuado no âmbito do lançamento por homologação, conformase como uma das hipóteses de extinção, mesmo que pendente a sua homologação (parágrafo 1º do artigo 150 do CTN). De tal sorte, do ponto de vista estritamente legal, o pedido de restituição tem de ser efetuado no período de cinco anos que sucede o eventual recolhimento indevido ou a maior. Desta feita, em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte argumenta que o valor do crédito compensado deriva de apuração constante no Dacon, mas que, por lapso, deixou de apresentar a DCTF retificadora respectiva para alterar o valor incorretamente informado no campo débito, uma vez que o correto correspondente a uma importância menor que aquela; tanto que, embora não o fazendo, comprometeuse a retificar a DCTF em questão no intuito de regularizar o crédito indicado no Per/Dcomp. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10880.928038/200981 Acórdão n.º 3001000.469 S3C0T1 Fl. 216 9 Por sua vez, o colegiado a quo, não acolhe o pleito do contribuinte, tendo em vista que o crédito tributário pleiteado em questão está definitivamente constituído e extinto pelo pagamento em virtude do transcurso do prazo previsto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, não sendo, portanto, passível de alteração pelo contribuinte ou pela Administração Tributária. Desta forma, com amparo no permissivo regimental reproduzido, por concordar com seus fundamentos, adoto como razão de decidir os termos do voto condutor da decisão recorrida, notadamente no que respeita ao tema "Do Crédito em Análise", que reproduzo, verbis: Voto (...) 5. Ademais, cumpre suscitar o quanto previsto pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/02: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 5.1. Nesses termos, a compensação deve ser implementada pelo Sujeito Passivo com a entrega da declaração correspondente, na qual constam informações relativas aos pretensos créditos (líquidos e certos) a serem utilizados para liquidação de débitos existentes. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 5.2. Destarte, a Declaração de Compensação, por intermédio do PER/DCOMP, se presta a formalizar a compensação e, por consequência, a extinção dos débitos compensados, sob condição resolutória de sua posterior homologação pela Administração Fiscal. Assim, as informações sobre a origem do direto de crédito e do débito compensado, de inteira responsabilidade do Contribuinte, devem estar conformes, sob o risco de o declarante ver seu procedimento não homologado. 6. No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos de PIS 69121, competência mai04, e apontou o documento de arrecadação (DARF) como origem do suposto pagamento Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10880.928038/200981 Acórdão n.º 3001000.469 S3C0T1 Fl. 217 10 indevido e, por conseguinte, do reclamado crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela Insurgente foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. 6.1. O ato hostilizado aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado crédito disponível em favor da Manifestante atinente ao indigitado DARF, vez que integralmente utilizado para quitar o débito correspondente, declarado por intermédio da DCTF, conforme apontado no próprio Despacho Decisório. 6.2. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria Interessada à Administração Tributária revelaram a inexistência do pretenso crédito declarado e requerido para compensação. 6.3. Em suma, os motivos da não homologação residiram nas próprias declarações e documentos produzidos pela Insurgente. Estes foram, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. 7. Destaquese, ademais, que as matérias não expressamente questionadas presumemse legítimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 9.532/97. Do Crédito em Análise 8. O Contribuinte contesta o Despacho Decisório DD que não homologou a compensação afirmando possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. Para sustentar tal afirmação acostou aos autos cópias de DACON que suportaria o crédito que alega possuir e, ainda, solicita prazo para entrega da DCTF Retificadora. 8.1. Primeiramente, é de ser ressaltado que não é suficiente, para os fins pretendidos pela Requerente, a apresentação de DACON Retificador, nos casos em que as informações de débitos restaram inferiores àqueles confessados em DCTF. Permanece a necessidade de o Contribuinte comprovar, por meio de documentos contábeisfiscais idôneos, a origem dos valores declarados e a composição da base de cálculo dos tributos em questão. 8.2. À guisa de complementação, deve ser observado que há grande distinção, mormente no tocante aos efeitos jurídicos, entre as informações prestadas por intermédio da DCTF e do DACON, vez que, enquanto a primeira, consoante predito, revelase como instrumento de constituição de crédito tributário, o segundo desempenha papel meramente informativo, cujo intuito é o de corroborar ou complementar informações de interesse da Administração Tributária. 8.2.1. Ademais, a própria legislação tributária prevê a necessidade de o Contribuinte apresentar DCTF retificadora Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10880.928038/200981 Acórdão n.º 3001000.469 S3C0T1 Fl. 218 11 sempre que eventual retificação do DACON acarretar na modificação dos valores declarados em DCTF anterior. É o que se verifica desde a publicação da Instrução Normativa SRF nº 590, de 22/12/2005, que assim dispôs: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. ... § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. (destaques não constam do original) 8.2.2. Tal comando normativo permanece vigente até o momento, tendo sido convalido nas instruções normativas posteriores. 8.3. Insta mencionar, neste ponto, tomandose por base as previsões estampadas nos atos normativos que regulam o procedimento de retificação de declarações, conforme o atualmente disposto no inciso II, do § 2º, do art. 9º, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, que seria ineficaz qualquer retificação de DCTF após a ciência de início de procedimento administrativo, consubstanciado na não homologação da compensação expressa pelo combatido DD, nos moldes da previsão constante no art. 142 do CTN, especialmente no tocante à matéria tributável e ao cálculo do montante do tributo devido. Transcrevese os termos da citada instrução normativa: § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: [...] II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (original sem destaques) 8.4. De outro giro, deve ser observado que a análise em apreço, mormente quanto ao alegado crédito da Manifestante, perpassa questão que envolve lançamento na modalidade por homologação, vez que a Insurgente apurou o montante devido e declarou a ocorrência e quantificação dos fatos geradores verificados por intermédio da DCTF, consoante previsto no art. 150, caput, do CTN. 8.5. Neste ponto, mencionase o que entende a doutrina pátria acerca da modalidade de lançamento em tela, mormente quanto ao seu objeto. Assim, conforme ensina Hugo de Brito Machado1, in verbis: Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10880.928038/200981 Acórdão n.º 3001000.469 S3C0T1 Fl. 219 12 Lançamento por homologação, é aquele aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, no que concerne a sua determinação. (...) Objeto da homologação não é o pagamento, como alguns tem afirmado. É a apuração do montante devido, de sorte que é possível a homologação mesmo que não tenha havido pagamento. (...) O que caracteriza essa modalidade de lançamento é a exigência legal de pagamento antecipado. Não o efetivo pagamento antecipado. 8.6. Por outro lado, cumpre transcrever o que leciona Luciano Amaro2, que traduz a linha de raciocínio também sustentada por Aliomar Baleeiro3 e Eduardo Sabbag4. Na prática, o “dever de antecipar o pagamento” significa que o sujeito passivo tem o encargo de valorizar os fatos à vista da norma aplicável, determinar a matéria tributável, identificarse como sujeito passivo, calcular o montante do tributo e pagálo, sem que a autoridade precise tomar qualquer providência. E o lançamento? Este diz o Código Tributário Nacional operase por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento da atividade exercida pelo devedor, nos termos do dispositivo, homologaa. A atividade aí referida outra não é senão a de pagamento, já que esta é a única providência do sujeito passivo tratada no texto. Melhor seria falarse em “homologação do pagamento”, ... . 8.7. Notese que a homologação, que segundo Celso Antonio Bandeira de Melo5, “é o ato vinculado pelo qual a administração concorda com ato jurídico já praticado, uma vez verificada a consonância dele com os requisitos legais condicionadores de sua válida emissão”, tem por efeito dar ao ato homologado a eficácia que até então não se lhe atribuía. Homologar, portanto, pressupõe não apenas concordar com o ato praticado, mas também, conferirlhe validade ou eficácia que antes não sustentava. É somente diante desta ótica que se pode aceitar a idéia de “autolançamento”, como muitos doutrinadores intitulam esta modalidade, sem entender ferido o art. 142 do CTN. 8.8. Assim, tendo havido apuração do montante devido e a correspondente informação ao Fisco (declaração em DCTF), corroborada pelo pagamento dos tributos reputados devidos, há de ser considerado efetuado o “autolançamento” no caso em tela. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10880.928038/200981 Acórdão n.º 3001000.469 S3C0T1 Fl. 220 13 8.9. Em adição e reforço, é cediço que a DCTF (criada com base no artigo 5º do DecretoLei nº 2.124/84), quando regularmente apresentada, tem o condão de formalizar o crédito tributário, viabilizando a inscrição em dívida ativa do débito denunciado pelo Contribuinte, caso não pago, consoante pacífico entendimento das mais altas cortes do país. Desta sorte, o indigitado documento encerra instrumento de confissão de dívida e constituição do crédito tributário. 8.10. Em decorrência do predito, de acordo com o vaticinado no § 1º, do referido art. 150 do CTN, o pagamento do tributo apurado conforme tal modalidade de lançamento extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação daquele. 8.11. Em complemento, o § 4º do mesmo artigo do Código Tributário determina que caso a lei não fixe prazo à homologação, será ele de 05 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, em não havendo pronunciamento da Fazenda Pública dentro de tal interstício, considerandose homologado, tacitamente, o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário dele decorrente. 8.12. Neste ponto, não é despiciendo relembrar que o Direito não socorre àquele que, por largo espaço de tempo, permanece inerte quanto ao exercício de determinado direito/faculdade que lhe possa assistir (“dormientibus non succurrit jus”). 8.13. No caso vertente há de ser ressaltado que se aprecia tributo referente ao período de apuração findado em 31/03/03, sendo considerada esta data, ainda que por ficção legal, a da ocorrência do respectivo fato gerador. 8.14. Assim, não tendo a Administração Fazendária se pronunciado durante o lustro legalmente previsto, cujo termo final se deu em 31/03/08, o crédito tributário em testilha foi, de forma inafastável, definitivamente constituído e extinto pelo pagamento nessa data. Tratase de prazo decadencial a pesar contra a Fazenda e contado a partir do fato imponível. 8.15. Ademais, emerge do quanto articulado que houve a homologação dos tributos com relação aos quais, e na exata medida em que, o contribuinte, por intermédio da DCTF em epígrafe, dimensionou e informou a ocorrência do fato gerador tendo efetuado, inclusive, o correspondente pagamento. 8.16. Assim, tendose operado a homologação tácita (constituição definitiva do crédito tributário), a partir de tal advento resta defeso à Fazenda questionar ou rever o ato comissivo do Contribuinte alcançado por tal instituto jurídico, consubstanciado na apuração e respectiva quitação dos tributos reputados devidos. 8.17. Em adição a tudo quanto articulado, apenas ad argumentandum, fossem superadas as questões já enfrentadas, Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10880.928038/200981 Acórdão n.º 3001000.469 S3C0T1 Fl. 221 14 insta mencionar que é lícito ao Contribuinte retificar as informações prestadas ao Fisco, ao menos enquanto não iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, sempre se resguardando à Administração Tributária o direito de analisar e revisar as informações declaradas, consoante vaticina o art. 149 do CTN, enquanto não verificada a decadência tributária. 8.18. Contudo, no caso vertente, o Contribuinte quedouse inerte, não apresentando DCTF Retificadora dentro do prazo legal em que esta surtiria efeito (antes da ocorrência da homologação tácita), razão pela qual se revelou apático quanto ao direito creditício que ora sustenta deter em face da Fazenda Pública. 8.19. Tão logo teve conhecimento dos fatos capazes de alterar a apuração do tributo que ora alega ter pagado indevidamente, a Manifestante tinha por obrigação dar conhecimento da nova apuração, fatos constitutivos do direito creditório que erige deter, à Administração Tributária pelos meios próprios existentes para tanto DCTF Retificadora. 8.20. Em não o fazendo, frente à relação jurídicotributária, deixou de “retificar” o “autolançamento” e, por via transversa, não formalizou a existência do crédito que pretendeu utilizar por intermédio da DCOMP em apreço. 8.21. No presente caso, mutatis mutandis, tratase da decadência do direito de o Contribuinte modificar fato gerador, ou um de seus aspectos, como o valorativo, de crédito/obrigação tributária já extinta, que se consubstanciaria na gênese do alegado direito de crédito. 8.22. A inércia da Insurgente, aliada ao transcurso temporal, culminou na imutabilidade da situação jurídica sub examine extinção do crédito tributário autolançado declarado por intermédio da DCTF. 8.23. Consoante o sistema jurídico pátrio, as obrigações nasceram para serem extintas. Ocorrida a extinção, cogitarse da possibilidade de reversão de seus efeitos traria grande instabilidade jurídicosocial e, ademais, conspiraria contra os princípios gerais de direito. (...) Da questão material, em complemento aos termos da decisão recorrida Conforme reafirmado, o despacho decisório cerne da peça recursal declarou a inexistência do direito creditório pleiteado pelo recorrente, em razão do pagamento indicado encontrarse totalmente utilizado, vinculado a débito de mesmo valor. Irresignado, o recorrente alega que apresentou o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon informando os supostos verdadeiros débitos correspondentes ao exercício em questão, mas que, por lapso, deixou de apresentar a devida DCTF retificadora. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10880.928038/200981 Acórdão n.º 3001000.469 S3C0T1 Fl. 222 15 Em análise aos elementos constantes nos autos, no período pertinente ao tributo em discussão no presente processo, foi apresentada a DCTF original, no prazo legal para tanto. Igualmente, no seu prazo devido, foi apresentado o Dacon original, referente ao período de apuração do tributo em questão. Percebese que o pagamento efetuado pelo contribuinte mostrase incompatível o que fora declarado no referido Dacon. Destarte, em algum tempo depois, considerando o débito que consta informado no Dacon original, e sem ter retificado a DCTF original, o recorrente apresentou o Per/Dcomp pleiteando, em face do suposto saldo credor, a compensação em exame, que não foi homologada pela autoridade fiscal. Porém, mesmo após ter sido cientificada do despacho decisório, o recorrente, frisese, embora tenha manifestado a intenção de retificar a DCTF original, a fim de semelhar as informações contidas no Dacon, pelo que depreendese destes autos, tal intento não se concretizou. Logo, no caso que se examina, não há dúvidas que o recorrente não retificou sua DCTF original. Aqui, há que se atentar que é por meio da DCTF, e não pelo Dacon, que o débito do sujeito passivo considerase juridicamente constituído, pois, assim como a DIPJ, o Dacon tem caráter meramente informativo, distinto da DCTF, que tem caráter declaratório/constitutivo, significando uma confissão de débitos apurados pela pessoa jurídica. Destarte, por óbvio, pelo que depreendese destes autos, na data da apresentação do Per/Dcomp em apreço, não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF original ainda não tinha sido objeto de retificação, significando que o crédito utilizado pelo recorrente em sua compensação, juridicamente, era e é ainda inexistente. Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Portanto, ainda que o recorrente pretendesse efetuar a retificação da DCTF original, resta evidente o transcurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito nela declarado, nos termos do caput do artigo 168 do CTN, de forma que a referida retificação não produziria quaisquer efeitos tributários, o que tornase dispensável a análise fática do direito material do suposto crédito tributário perseguido pelo recorrente, em face da sua peremptoriedade jurídica. Da conclusão Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.928038/200981 Acórdão n.º 3001000.469 S3C0T1 Fl. 223 16 Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para rejeitar os pedidos de diligência, de intimação dos patronos e de sustentação oral e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.723084/2014-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
TRABALHO NÃO ASSALARIADO. DEDUÇÃO DE DESPESAS ESCRITURADAS EM LIVRO-CAIXA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Mantém-se a glosa das despesas escrituradas em livro caixa quando não comprovado, por meio de documentação hábil e idônea, que estão relacionadas às atividades do contribuinte que percebe rendimentos do trabalho não assalariado e correspondem às hipóteses de dedução permitidas na legislação tributária.
Numero da decisão: 2401-005.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada).
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DEDUÇÃO DE DESPESAS ESCRITURADAS EM LIVROCAIXA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Mantémse a glosa das despesas escrituradas em livro caixa quando não comprovado, por meio de documentação hábil e idônea, que estão relacionadas às atividades do contribuinte que percebe rendimentos do trabalho não assalariado e correspondem às hipóteses de dedução permitidas na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 30 84 /2 01 4- 79 Fl. 2474DF CARF MF Processo nº 11060.723084/201479 Acórdão n.º 2401005.784 S2C4T1 Fl. 2.475 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), por meio do Acórdão nº 1274.711, de 09/04/2015, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 2.437/2.442): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA. Merecem ser glosadas as despesas de livro caixa quando não restar comprovado que correspondiam a despesas relacionadas com a atividade profissional da Contribuinte e eram necessárias à percepção do rendimento e à manutenção da fonte pagadora. Impugnação Improcedente Em face da contribuinte foi lavrado Auto de Infração, decorrente de procedimento de revisão da Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou as seguintes infrações (fls. 02/17 e 19/29): (i) dedução indevida com dependente, relativa aos anos calendário de 2011 e 2012; e (ii) dedução indevida de despesas escrituradas em livro caixa, referentes aos anoscalendário de 2009, 2010, 2011 e 2012. A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindose o imposto suplementar, juros de mora e multa de ofício. A contribuinte foi cientificado da autuação, em 26/08/2014, e impugnou a exigência fiscal (fls. 2.414/2.415 e 2.426/2.430). Com base na narrativa da decisão de primeira instância, que bem resume a matéria controvertida, reproduzo abaixo a síntese dos argumentos apresentados na impugnação pela contribuinte (fls. 2.438/2.439): 1) a Contribuinte aufere seus rendimentos por meio da atividade denominada de marketing de rede, atividade devidamente legalizada e recentemente implementada no Brasil, cuja legislação tributária não trata especificamente da mesma; Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 11060.723084/201479 Acórdão n.º 2401005.784 S2C4T1 Fl. 2.476 3 2) a atividade da Interessada equiparase a do representante comercial, tendo natureza de serviço autônomo e não assalariada; 3) por tratarse de vendedor autônomo sem vínculo empregatício, equiparado ao representante comercial, as despesas de viagens, hospedagens e combustíveis são indispensáveis para a obtenção da receita auferida, pois sem deslocamentos não poderiam ser geradas, bem como as despesas de participação em seminários e congressos, pois estes são igualmente indispensáveis para a obtenção da respectiva receita; 4) a Contribuinte se utilizou da dedução em seu livro caixa de despesas em nome do cônjuge, Sr. Arlindo Rusczyk, pois de acordo com o contrato da Herbalife, o cônjuge está credenciado como segundo titular, o que o converteria distribuidor independente vinculado à proposta de distribuição, juntamente com a Contribuinte, com isso a citação do nome do cônjuge no referido contrato, tem sim, o condão de autorizar a dedução de despesas por àquele arcadas e para a devida comprovação foi apresentada cópia da proposta de distribuição; 5) a legislação não discorre especificamente sobre a atividade de “marketing de rede” sistema multinível e como esta atividade se equipara a atividade autônoma de representante comercial e a legislação não fornece uma relação exata do que seria dedutível como despesa no livro caixa, a subjetividade que norteia a questão traça uma linha muito tênue dificultando a decisão do que pode e do que não pode ser dedutível; 6) por se tratar de despesas de custeio indispensáveis para a percepção da receita, as despesas impugnadas devem ser consideradas, uma vez que sem estes custos, as atividades não seriam desenvolvidas e em conseqüência, não haveria a obtenção dos ganhos. Intimada por via postal em 09/05/2015 da decisão do colegiado de primeira instância, a recorrente protocolou recurso voluntário no dia 01/06/2015 (fls. 2.444/2.447 e 2.449/2.457): Através de petição manuscrita, a contribuinte ressalta que é pessoa idosa, sem condições financeiras de pagar o débito dela exigido. Se fosse o caso, o único recurso que disporia seria o imposto de renda retido nos últimos cinco anos, que não lhe foi devolvido até o momento. Exerce atividade autônoma, em parceria com o seu esposo, relacionada aos produtos da empresa Herbalife, especializada na área de nutrição, emagrecimento saudável e controle de peso. Ultimamente, ministrou centenas de palestras voltadas à saúde preventiva e hábitos nutricionais. Recebeu orientação da própria empresa que poderia e deveria deduzir as despesas realizadas com o exercício da atividade, de maneira que solicita em grau recursal Fl. 2476DF CARF MF Processo nº 11060.723084/201479 Acórdão n.º 2401005.784 S2C4T1 Fl. 2.477 4 outra análise e interpretação sobre os fatos, distinta do acórdão recorrido que manteve a autuação fiscal. Protocolou, em 29/03/2017, requerimento de prioridade máxima, com base no estatuto do idoso (fls. 2.471). É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade As normas do Código de Processo Civil (CPC), veiculado pela Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, são aplicáveis subsidiariamente ao processo administrativo fiscal no âmbito federal, mesmo que dotado de legislação própria (art. 15). Por isso, incumbe à parte contestar especificamente os fundamentos da decisão recorrida, sob pena de não conhecimento do recurso voluntário interposto (art. 932, inciso III, do CPC). A rigor, no presente caso a recorrente acabou por não contraditar o acórdão de primeira instância, opondose de maneira generalizada. Todavia, tendo em vista a informalidade moderada que rege o processo administrativo fiscal, aliada à aparente simplicidade da recorrente que assina o recurso voluntário, é de se admitir que o apelo recursal contém as mesmas razões de defesa apresentadas perante a primeira instância, conforme cópia da impugnação trazida em anexo ao recurso (fls. 2.453/2.457). Dessa feita, uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito Como dito linhas acima, a contribuinte apresentou em sede de recurso as mesmas justificativas de defesa que constam da sua impugnação, num exercício de cópia textual, nada tendo acrescentado com a finalidade de contrapor novos argumentos de fato e direito vinculados à autuação fiscal e/ou decisão de piso. Sendo assim, transcrevo na sequência os fundamentos da decisão de piso, os quais, desde já, adoto como razões de decidir, por representarem uma análise estruturada e coerente com as alegações de defesa, não merecendo reforma o acórdão combatido (fls. 2.439/2.442): Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 11060.723084/201479 Acórdão n.º 2401005.784 S2C4T1 Fl. 2.478 5 Da dedução indevida de despesas de livro caixa A Fiscalização apurou redução indevida da base de cálculo com despesas escrituradas em livro caixa, nos anoscalendário de 2009, 2010, 2011 e 2012, nos valores de, respectivamente, R$ 41.226,63, R$ 75.457,20, R$ 180.929,54 e R$ 161.603,23, conforme descrito no Relatório Fiscal de fls. 19 a 29. Sobre os requisitos para a dedução de despesas de livro caixa, cabe verificar o disposto no art. 6º da Lei nº 8.134, de 1990, abaixo transcrito: “Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. 1° O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos; b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de caixeirosviajantes, quando correrem por conta destes; c) em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9° e 10 da Lei n° 7.713, de 1988. 2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livrocaixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. 3° As deduções de que trata este artigo não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes, até dezembro, mas o excedente de deduções, porventura existente no final do anobase, não será transposto para o ano seguinte.” Nos termos do art. 6º da Lei 8.134, de 1990, uma despesa para ser considerada como de custeio e, portanto, ser dedutível, deve respeitar quatro requisitos cumulativos indispensáveis: a) deve estar relacionada com a atividade exercida; Fl. 2478DF CARF MF Processo nº 11060.723084/201479 Acórdão n.º 2401005.784 S2C4T1 Fl. 2.479 6 b) deve ser efetivamente realizada no decurso do anobase correspondente ao exercício da declaração; c) deve ser necessária à percepção do rendimento e à manutenção da fonte pagadora; d) deve estar escriturada em livro caixa, comprovada com documentação idônea. Ao especificar expressamente quais as despesas dedutíveis e ao condicionar essas deduções à estrita conexão com a manutenção da respectiva fonte produtora dos rendimentos sujeitos à incidência de imposto, a legislação objetiva vedar a utilização de critérios subjetivos para o cálculo do tributo devido e, em conseqüência, afastar qualquer possibilidade de liberalidade ou poder discricionário na dedução. A Interessada alega que sua atividade se equipara a do representante comercial, fazendo jus, em razão disso, a abater as despesas de viagens, hospedagens e combustíveis. Quanto à natureza da relação da Interessada com a empresa Herbalife, no corpo do contrato denominado Proposta de Distribuição Internacional – Acordo de Distribuição (fls. 157 e 158), consta que “o Distribuidor é um contratante independente (para todos os fins,inclusive fiscais e outros), e não é empregado, representante legal ou agente da Herbalife ou de qualquer outro distribuidor da Herbalife...” Os arts. 1º, 2º, 5º e 6º da Lei nº 4.886, de 1965, regulam o exercício da profissão de representante comercial: Art . 1º Exerce a representação comercial autônoma a pessoa jurídica ou a pessoa física, sem relação de emprego, que desempenha, em caráter não eventual por conta de uma ou mais pessoas, a mediação para a realização de negócios mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para, transmiti los aos representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios. Parágrafo único. Quando a representação comercial incluir poderes atinentes ao mandato mercantil, serão aplicáveis, quanto ao exercício deste, os preceitos próprios da legislação comercial. Art . 2º É obrigatório o registro dos que exerçam a representação comercial autônoma nos Conselhos Regionais criados pelo art. 6º desta Lei. (...) Art . 5º Somente será devida remuneração, como mediador de negócios comerciais, a representante comercial devidamente registrado. Art . 6º São criados o Conselho Federal e os Conselhos Regionais dos Representantes Comerciais, aos quais Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 11060.723084/201479 Acórdão n.º 2401005.784 S2C4T1 Fl. 2.480 7 incumbirá a fiscalização do exercício da profissão, na forma desta Lei. Parágrafo único. É vedado, aos Conselhos Federal e Regionais dos Representantes Comerciais, desenvolverem quaisquer atividades não compreendidas em suas finalidades previstas nesta Lei, inclusive as de caráter político e partidárias. Analisandose os dispositivos legais acima transcritos, observa se que a atividade da Interessada não tem natureza de representação comercial. Além de a Interessada carecer do registro profissional de representante comercial autônomo, exerce a atividade de distribuidora independente dos produtos Herbalife, enquanto que um representante comercial apenas agencia propostas ou pedidos para transmitilos aos representados. É imperativo salientar que a distribuição e revenda de produtos não se coaduna com as atividades de um represente comercial. No caso em tela, a Interessada não trabalha à conta de outro, como ocorre com o agente, ou mesmo representante comercial autônomo, mas a sua própria conta, demonstrando o caráter de independência do distribuidor que sempre tem a sua disposição os produtos Herbalife para as vendas no varejo, destinadas ao consumidor final, ou no atacado, destinadas a outros distribuidores. A importância de se enfatizar que a Contribuinte não era representante comercial da Herbalife reside no fato de que as despesas com locomoção, transporte, viagens, pedágios, combustíveis, passagens, estacionamento, manutenção de veículos e hospedagens, pleiteadas pela Interessada, só poderiam ser abatidas em livro caixa, caso a Contribuinte fosse caracterizada como representante comercial da Herbalife, em consonância com a regra do art. 6º, III, e §1º, b, da Lei 8.134/90, e art. 75, parágrafo único, inciso II do RIR/99. Em razão disso, cumpre confirmar a glosa dessas despesas. Por mais que a Impugnante assevere o contrário, também não há previsão legal para a dedução de despesas com alimentação, observandose que a alimentação se constitui em necessidade fundamental de todo ser humano, independentemente de relação com percepção de receita, não se caracterizando como custo diretamente vinculado a esta. Nesse sentido, a Solução de Consulta nº 15/2009/DISIT/3ªRF entendeu que despesas com alimentação fornecida em reuniões não se caracterizam como despesa de custeio, uma vez que não têm caráter de imprescindibilidade, normalidade, usualidade e pertinência relativamente à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Quanto às despesas de participação em seminários e congressos promovidos pela Herbalife, a Interessada não comprovou a participação mediante a apresentação de certificados fornecidos pelos organizadores dos eventos, como bem salienta o Relatório Fl. 2480DF CARF MF Processo nº 11060.723084/201479 Acórdão n.º 2401005.784 S2C4T1 Fl. 2.481 8 Fiscal de fls. 19 a 29. Tampouco foi comprovado que se tratava de eventos indispensáveis à percepção da receita da Autuada, não podendo se cogitar da dedução em livro caixa de despesas dessa ordem. A Impugnante reclama a dedução de despesas efetuadas no nome de seu cônjuge, Arlindo Rusczyk. Segundo a Contribuinte, o contrato firmado com a Herbalife credencia o cônjuge como segundo titular, o que o converteria em distribuidor independente vinculado à proposta de distribuição, juntamente com a Interessada, que teria direito, em razão disso, de deduzir as despesas suportadas por seu cônjuge. É imperativo destacar que o contrato foi firmado entre a Contribuinte e a Herbalife e o fato de constar o nome do cônjuge da Interessada na Proposta de Distribuição Internacional de fl. 157 não torna o Sr. Arlindo Rusczyuk distribuidor da Herbalife. Pagamentos efetuados por terceiros, mesmo que pelo cônjuge da Interessada, não podem ser consideradas como despesas de custeio da Interessada, não podendo ser deduzidas no livro caixa da Contribuinte. Além das despesas já acatadas pela Fiscalização, conforme planilha de fl. 26 e demonstrativos de fls. 31 a 46, 48 a 62, 64 a 94 e 96 a 122, não trouxe a Autuada elementos de fato e de direito capazes de justificar a dedução de outras despesas em seu livro caixa dos anoscalendário de 2009, 2010, 2011 e 2012, devendo ser confirmadas as glosas propostas no auto de infração de fls. 2 a 17. Com a finalidade de mais esclarecimentos, seguem alguns comentários adicionais. É verdade que a lei não fornece uma relação nominal de quais despesas de custeio são dedutíveis dos rendimentos auferidos pelo trabalho não assalariado, apenas delimita os seus contornos básicos, incluindo a vedação de aproveitamento de alguns tipos de gastos. A possibilidade de enquadramento como despesa passível de dedução da base de cálculo dos rendimentos tributáveis exige uma análise individualizada, mediante cotejo com a atividade desenvolvida pelo autônomo. Em qualquer caso, cabe ao contribuinte a decisão de incluir a despesa como redutora da receita mensal da respectiva atividade, sem prejuízo da posterior verificação pelo Fisco da sua pertinência em face das normas tributárias. No que tange ao art. 6º da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, nem todos os desembolsos relacionados à obtenção das receitas são necessários à sua percepção e à manutenção da fonte produtora, podendo ser livremente deduzidos da base de cálculo dos rendimentos tributáveis da pessoa física no anocalendário. Assim explicou o acórdão de primeira instância. Além do que, para fins de dedução como despesas da atividade, é primordial que os comprovantes identifiquem o responsável pelo seu pagamento, possibilitando estabelecer um vínculo com a percepção dos rendimentos de trabalho não assalariado, assim como a Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 11060.723084/201479 Acórdão n.º 2401005.784 S2C4T1 Fl. 2.482 9 manutenção da sua fonte produtora. Não é o caso, segundo constatou a fiscalização (fls. 31/122). A alimentação é uma necessidade fundamental de todo ser humano, independentemente da relação com percepção de receita, não se caracterização como dispêndio vinculado à obtenção dos rendimentos. Não obstante, à semelhança da pessoa jurídica, é admissível a dedução de valores de alimentação destinados indistintamente a todos os empregados da pessoa física em decorrência das relações de trabalho, dado que tais dispêndios, nessa hipótese, contribuem à obtenção dos rendimentos e à manutenção da respectiva fonte produtora. Com relação ao contribuinte que percebe rendimentos do trabalho não assalariado, a alínea "b" do § 1º do art. 6º da Lei nº 8.134, de 1990, estabelece a indedutibilidade das despesas de locomoção e transporte, o que inclui os gastos com combustível. Há um única exceção, que são despesas efetuadas por representante comercial autônomo, hipótese em que a recorrente não se enquadra conforme justificado pela decisão de piso. Ressalto que as condições pessoais da contribuinte, incluindo a alegada precariedade da situação financeira, ainda que possam sensibilizar o julgador administrativo, não têm o condão de afastar a exigência do imposto de renda suplementar, acrescido de juros e multa de ofício, quando se deixa de apresentar os elementos suficientes para desconstituir o lançamento fiscal. Por fim, a título de subsídio, cabe dizer que, em tese, a pessoa física que revende produtos de empresas de "marketing direto" a consumidor final, em nome próprio, de forma habitual e profissional, com o fim de lucro, é equiparada a pessoa jurídica para fins de tributação (art. 150, § 1º, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999). De qualquer modo, a aplicação de tal dispositivo depende de melhor avaliação do caso concreto, inclusive se o distribuidor também não presta serviço à empresa de "marketing direto". Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 2482DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.721363/2015-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
DECISÃO RECORRIDA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO. ERRO NA APURAÇÃO.
A decisão recorrida, acertadamente, considerou como receitas tributáveis somente aquelas que decorrem de vendas, assim escrituradas nos livros fiscais, e não todas as outras saídas, conforme havia procedido a Fiscalização.
Entretanto, cometeu erro na apuração do apuração do IRPJ e da CSLL mantidos, provocando reflexos na determinação do crédito tributário exonerado.
Numero da decisão: 1401-002.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, tão somente para exonerar as importâncias de R$ 12.962.515,99 e de R$ 4.666.505,77, a título de IRPJ e de CSLL, respectivamente.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado).
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1698; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 420 1 419 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10540.721363/201513 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1401002.890 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2018 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FRIGORÍFICO MODELO LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DECISÃO RECORRIDA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO. ERRO NA APURAÇÃO. A decisão recorrida, acertadamente, considerou como receitas tributáveis somente aquelas que decorrem de vendas, assim escrituradas nos livros fiscais, e não todas as outras saídas, conforme havia procedido a Fiscalização. Entretanto, cometeu erro na apuração do apuração do IRPJ e da CSLL mantidos, provocando reflexos na determinação do crédito tributário exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, tão somente para exonerar as importâncias de R$ 12.962.515,99 e de R$ 4.666.505,77, a título de IRPJ e de CSLL, respectivamente. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 13 63 /2 01 5- 13 Fl. 420DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso de Ofício ao Acórdão de nº 1542.650, proferido pela Primeira Turma da DRJ/SDR em que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela Contribuinte, ocasião em que manteve em parte o crédito tributário exigido. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Descabe a nulidade do Auto de Infração se o contribuinte, no decorrer do procedimento fiscal, tomou conhecimento de toda matéria que deu causa ao lançamento, teve assegurado e exerceu o seu direito de defesa nos termos da legislação vigente, demonstrando em sua impugnação amplo conhecimento da matéria que deu causa ao lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 RECEITA OPERACIONAL ESCRITURADA. LIVROS FISCAIS. DECLARAÇÃO INEXATA. LANÇAMENTO. A declaração efetuada pelo sujeito passivo ao Fisco Federal de receita operacional em valores menores do que aqueles escriturados em seus livros fiscais, configura a ocorrência de declaração inexata e autoriza a realização do lançamento para a constituição do correspondente crédito tributário incidente sobre a receita operacional que deixou de ser oferecida à tributação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à CSLL, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10540.721363/201513 Acórdão n.º 1401002.890 S1C4T1 Fl. 421 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 Contribuição para o Programa de Integração Social PIS PIS. COFINS. EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA. BENEFÍCIOS FISCAIS. Descabe a exigência tributária nos casos em que o contribuinte comprovar o seu enquadramento na condição de beneficiário de incentivos fiscais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Relatório 1. Da Autuação Trata o presente processo dos Autos de Infrações (fls. 002 a 043), lavrados contra a Contribuinte acima identificada, para a exigência de crédito tributário no montante de R$ 55.675.953,05 (cinqüenta e cinco milhões, seiscentos e setenta e cinco mil, novecentos e cinqüenta e três reais e cinco centavos), estando assim distribuído: [...] De acordo com o Auto de Infração do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica e o “Relatório Fiscal” (fls. 002 a 017 e 044 a 059), o crédito tributário ali lançado foi constituído pelo regime de lucro real trimestral, levandose em conta que “a receita bruta informada na ECD/SPED contábil (Diário e Razão) não guardava relação de valor com os escriturados nos livros fiscais, o Livro de Registro de Saídas e o Livro de Registro de Apuração de ICMS, e nem com a DMA. Enquanto a receita bruta operacional informada na ECD e registrada na DRE foi de R$ 6.832.085,57, na Demonstração e Apuração Mensal do ICMS – DMA, a receita bruta informada indicou um valor de R$ 55.459.587,39 para a matriz e de R$ 3.419.887,71 para a filial, totalizando um montante de R$ 58.879.475,10; a receita bruta relativa a matriz escriturada tanto no Livro Registro de Saídas quanto no Livro Registro de Apuração de ICMS apresentados, indicaram o mesmo valor de R$ 55.457.889,09 para a matriz e de R$ 3.940.273,71 para a filial, totalizando R$ 59.398.172,80, ou seja, valores de montante bastante superior aos informados no SPED e que geraria um resultado líquido antes do CSLL e de Imposto de Renda bem superior aos registrados pelo contribuinte na Demonstração do Resultado do Exercício – DRE apresentada na sua ECD/SPED”. Ainda segundo a autoridade fiscal, “apesar das constatações acima referidas em relação ao anocalendário de 2011, Fl. 422DF CARF MF 4 verificamos que a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ foi apresentada com os valores completamente zerados; a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON não foram sequer apresentados; e nenhum tributo foi recolhido, inclusive o PIS e a COFINS, sendo verificados apenas recolhimentos de parcelamentos e taxas”. Diante de tal situação, “ficou evidenciado que a ECD apresentada no ambiente SPED não representava adequadamente a movimentação patrimonial e financeira da entidade, não sendo sua utilização confiável”. Desta maneira, “restou caracterizada e comprovada a omissão de receitas por parte da pessoa jurídica FRIGORÍFICO MODELO LTDA, no montante de R$ 59.398.162,80 correspondente ao valor escriturado no Livro de Registro de Saída e no Livro de Apuração de ICMS”, tendo como enquadramento legal o artigo 537, do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), sendo citado ainda os artigos 841 e 845 do mesmo diploma legal, ambos relacionados ao lançamento de ofício. Em razão dos apontados fatos, foram lavrados os Autos de Infração relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 032 a 043), este com base na “FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL DEVIDA SOBRE RECEITAS OMITIDAS”, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 025 a 031) e à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 018 a 024); com relação à COFINS e ao PIS, os lançamentos foram realizados pelo regime de “INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA PADRÃO”, sendo ali apontadas a “OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À COFINS” e a “OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP”, em decorrência da já apontada “OMISSÃO DE RECEITA”. Os enquadramentos legais encontramse discriminados nos respectivos Autos de Infração. Foram juntados ao presente processo, além dos Termos e respectivas ciências postais, cópias dos seguintes documentos: Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ (fls. 163 a 200), Declaração e Apuração Mensal do ICMS – DMA (fls.201 a 228), Livros “Registro de Saídas” e “Registro de Apuração do ICMS”, referentes à matriz e filial (fls. 230 a 289). 2. Da Impugnação Ciente em 18/12/2015 (fl. 293), em 18/01/2016 (fls. 297 a 308), a impugnante, através de seu representante legal, alega, em síntese, que: a) o lançamento de ofício foi feito com base em valores irreais, incompatíveis com a realidade da empresa, pelo fato de terem sido considerados na composição do seu faturamento valores referentes à “simples remessas”, totalizando R$ 51.497.616,11, os quais não gerariam efeitos tributários; Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10540.721363/201513 Acórdão n.º 1401002.890 S1C4T1 Fl. 422 5 b) a impugnante goza do direito de suspensão do pagamento do PIS/PASEP e da COFINS, de acordo com a Lei nº 12.058/2009 e a Lei nº 12.350/2010. Por fim, assevera que “vem impugnar os cálculos contidos no auto de infração, requerendo sejam anulados o procedimento, o próprio auto e todos os cálculos apontados, para excluir do valor erroneamente indicado como faturamento, demonstrativo anexo, as notas fiscais referentes a simples remessa que somam R$ 51.497.616,11; excluir toda a tributação do PIS e COFINS; e sejam aceitos, pelo Impugnado, os livros fiscais e contábeis que foram anexados ao processo, onde constam os valores reais de faturamento, para que sobre estes sejam calculados os tributos, tudo como determina a Lei”. O interessado traz aos autos, dentre outros, cópias dos seguintes documentos: última alteração contratual consolidada (fls. 309 a 313), relatórios da DMA (fls. 314 a 341), amostragem de notas fiscais (fls. 342 a 361 e 365 a 367). VOTO A impugnação aqui relatada é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos nos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), por isso, dela tomo conhecimento. 1. Alegação de Nulidade No que diz respeito à alegação de nulidade, cumpre trazer a lume o disposto no artigo 59, incisos I e II, do Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Dessa forma, verificase que dentre as hipóteses de nulidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os autos de infração, o referido dispositivo legal, limitou à hipótese de nulidade aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente, o que não se aplica à presente situação, eis que a legislação em vigor conferiu ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil competência exclusiva para a realização de lançamento e a conseqüente lavratura de Auto de Infração (artigo 6º, inciso I, alínea “a”, da Lei n° 10.593, de 06 de dezembro de 2002, com a redação da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007). Por oportuno, registrese, que a impugnante foi devidamente cientificada do lançamento, teve assegurado e exerceu o seu direito de defesa no prazo de 30 (trinta) dias, tudo conforme previsto na legislação que disciplina o Processo Administrativo Fl. 424DF CARF MF 6 Fiscal (Decreto n° 70.235, de 1972), demonstrando perfeito conhecimento da matéria que deu causa ao lançamento. Assim, rejeito o pedido de nulidade dos Autos de Infração, uma vez que foram lavrados por pessoa competente, em consonância com a legislação vigente e a contribuinte exerceu plenamente o seu direito de defesa. 2. Composição do Faturamento Da análise do Livro Registro de Saídas e do Livro Registro de Apuração do ICMS, anocalendário 2011, utilizados para a composição do faturamento da empresa, verificase a existência de valores lançados como “saídas” nos seguintes códigos fiscais: 5101, 5151, 5553, 5556, 5923, 5924, 6101, 6122, 6553, 6555, 6915, 6921, 6924. De acordo com o Código Fiscal de Operações e de Prestações – CFOP, os códigos citados acima possuem as seguintes definições e detalhamentos: 6.000 SAÍDAS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA OUTROS ESTADOS [...] Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10540.721363/201513 Acórdão n.º 1401002.890 S1C4T1 Fl. 423 7 Especificamente em relação às saídas relacionadas ao código 5923 (R$ 47.056.712,32), classificadas como “outras saídas ou prestações de serviços”, devese ressaltar que é uma espécie de operação em que não há necessidade do trânsito físico da mercadoria entre o estabelecimento do fornecedor (ex: empresa X) e do primeiro adquirente (ex: empresa Y), sendo remetida diretamente para o segundo adquirente/terceiro (ex: empresa Z), não participante do contrato de compra e venda; tal procedimento é conhecido como “operação triangular”. Neste sentido, a escrituração de tais operações nos Livros Fiscais (Saídas, Apuração de ICMS) do fornecedor é necessária para o controle de estoque de mercadorias/produtos a serem remetidos, e para a fiscalização das operações referentes à circulação dos mesmos, realizada pelos fiscos estaduais, não havendo reflexos no faturamento do mês em que ocorreram as remessas de “X” para “Z”. O faturamento deve ocorrer quando se concretiza a operação de compra e venda entre “X” e “Y”, ou seja, em momento anterior às simples remessas. Da mesma maneira, os códigos 5924 (R$ 3.214.938,80) e 6924 (R$ 1.468.051,60), também classificados como “outras saídas ou prestações de serviços”, também não causam reflexo no faturamento do mês em que ocorreram as remessas para o estabelecimento industrializador (empresa Y). O faturamento ocorre em momento distinto, quando se concretiza a operação de compra e venda entre o fornecedor (empresa X) e o adquirente (empresa Z). Posto isso, verificase que apenas os códigos fiscais 5101, 6101 e 6122 podem ser considerados na composição do faturamento da empresa. Assim, necessária é a alteração do cálculo do faturamento para o período ora em análise, detalhado na tabela abaixo: [...] 3. Suspensão do Pagamento do PIS/PASEP e da COFINS O artigo 32 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009, prevê hipóteses de suspensão do pagamento do PIS/PASEP e da COFINS, nos seguintes termos (redação vigente à época dos fatos geradores): Art. 32. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: I animais vivos classificados na posição 01.02 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nas posições 02.01, 02.02, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10 e 1502.00.1 da NCM; (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Fl. 426DF CARF MF 8 II produtos classificados nas posições 02.01, 02.02, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10 e 1502.00.1 da NCM, quando efetuada por pessoa jurídica que revenda tais produtos ou que industrialize bens e produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM. (Redação dada pela Lei nº12.431, de 2011) §único. A suspensão de que trata este artigo: I não alcança a receita bruta auferida nas vendas a varejo; (Redação dada pela Lei nº12.431, de 2011) II aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Por sua vez, o artigo 54 da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, prevê outras hipóteses de suspensão do pagamento do PIS/PASEP e da COFINS (redação vigente à época dos fatos geradores): Art. 54. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: (...) III animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM; §único. A suspensão de que trata este artigo: I não alcança a receita bruta auferida nas vendas a varejo; II aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em consulta à Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, verificase que os códigos acima correspondem às seguintes descrições: Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10540.721363/201513 Acórdão n.º 1401002.890 S1C4T1 Fl. 424 9 Da análise da cópia do contrato social entregue pela impugnante, verificase que a cláusula quarta traz o seu objetivo social, englobando as seguintes atividades comerciais: I – Abate e fabricação de produtos de carne, indicados pelos CNAE: 10112/01. Frigorífico – Abate de Bovinos; 10112/02. Frigorífico – Abate de Equinos; 10112/03. Frigorífico – Abate de Ovinos e Caprinos; 10112/04. Frigorífico – Abate de Bufalinos; 10112/05. Matadouro – Abate de reses sob contrato, exceto abate de suínos; 10121/01. Abate de Aves; 10121/02. Abate de pequenos animais; 10121/03. Frigorífico – Abate de Suínos; 10121/04. Matadouro – Abate de Suínos sob contrato; 10139/01. Fabricação de produtos de carne; 10139/02. Preparação de subprodutos do abate; II – Curtimento e outras preparações de couro, indicado pelo CNAE 15106/00; III – Comércio atacadista de couros, lãs, peles e outros subprodutos não comestíveis de origem animal, indicado pelo CNAE 46231/02; Fl. 428DF CARF MF 10 IV – Comércio atacadista de carnes, produtos da carne, indicados pelo CNAE: 46346/01. Comércio atacadista de carnes bovinas e suínas e derivados; 46346/99. Comércio atacadista de carnes e derivados de outros animais. No entanto, é forçoso notar que tanto o §único do artigo 32 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009, quanto o §único do artigo 54 da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, prevêem que “a suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil”; neste sentido, foram editadas a Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009 (referente à Lei nº 12.058/2009), e a Instrução Normativa nº 1.157, de 16 de maio de 2011 (referente à Lei nº 12.350/2010), as quais, determinam que “nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão ‘Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS’, com especificação do dispositivo legal correspondente”. Da análise das “informações complementares” constantes das notas fiscais entregues pela impugnante, referentes às operações de venda, constatase que tal exigência foi cumprida. Assim, analisando em conjunto os dispositivos legais e normativos, o contrato social e as notas fiscais de vendas, concluise que a impugnante faz jus à suspensão do pagamento do PIS/PASEP e da COFINS. 4. Base de Cálculo Tributável De acordo com a autoridade fiscal, a impugnante não declarou quaisquer valores na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, além de não ter confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF débitos referentes aos tributos exigidos. [...] Além disso, foi constatado pela autoridade fiscal a existência de duas Demonstrações do Resultado do Exercício – DRE’s, uma constante do Livro Diário (trazendo uma receita bruta operacional de R$ 6.799.425,74 e um prejuízo antes do IRPJ/CSLL de R$ 1.369.929,33) e outra constante do Sistema Público de Escrituração Digital – SPED (informando uma receita bruta operacional de R$ 6.832.085,57 e um lucro antes do IRPJ/CSLL de R$ 3.388.586,31). Diante de tal divergência, foi lavrado em 04/07/2014 “Termo de Constatação da Fiscalização” (fls. 126 a 136), o qual solicitava da impugnante, dentre outras informações e documentos, esclarecimentos referentes a existência de duas DRE’s. Cientificada em 13/08/2014 (fl. 137), a impugnante não prestou os esclarecimentos solicitados “em relação às inconsistências verificadas relativas às disparidades entre as receitas escrituradas no ambiente SPED e as apuradas nos seus Livros Fiscais apresentados”, de acordo com a autoridade fiscal. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10540.721363/201513 Acórdão n.º 1401002.890 S1C4T1 Fl. 425 11 Tal duplicidade de informações traz dúvidas sobre a veracidade dos registros contábeis da impugnante, não sendo, assim, a escrituração uma forma confiável para a determinação da base de cálculo tributável. Ressaltese que a impugnante não apresentou quaisquer Livros Contábeis juntamente com a peça impugnatória. Neste sentido, correta a fundamentação com base no artigo 845 do Decreto nº3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (fl. 48), reproduzido abaixo: Art. 845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive: I arbitrandose os rendimentos mediante os elementos de que se dispuser, nos casos de falta de declaração; Por outro lado, de acordo com o que se verificou no item 2, o faturamento anual,referente a “vendas de produtos”, da impugnante seria de R$ 7.548.098,97, e não de R$ 59.398.162,80, como inicialmente considerado. Assim, deve ser realizado novo cálculo para a determinação dos valores devidos de IRPJ e CSLL, levandose em conta ainda os percentuais a serem aplicados à receita bruta para fins de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda arbitrado e respectivo adicional, como detalhado na tabela abaixo, de acordo com os artigos 518, 519 de 532 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda: Período Faturamento Base de Cálculo (8% + Adicional20%) IRPJ CSLL 1º Trim R$ 1.398.385,85 R$ 134.245,04 R$ 27.561,26 R$ 12.082,05 2º Trim R$ 2.359.225,80 R$ 226.485,68 R$ 50.621,42 R$ 20.383,71 3º Trim R$ 2.071.545,74 R$ 198.868,39 R$ 43.717,10 R$ 17.898,16 4º Trim R$ 1.718.941,58 R$ 165.018,39 R$ 35.254,60 R$ 14.851,66 Total R$ 7.548.098,97 R$ 724.617,50 R$ 157.154,38 R$ 65.215,58 Fl. 430DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício apresentado, dele conheço. A parcela remanescente (mantida) de IRPJ e de CSLL não foi objeto de recurso voluntário, sendo as exigências apuradas pela DRJ já transferidas para processo de cobrança. Da análise A autoridade fiscal autuante apurou, em seu entendimento, omissão de receitas com base nos dados escriturados do Livro Registro de Saída e no Livro de Apuração de ICMS, conforme consta no Relatório Fiscal, as quais importaram em R$ 59.398.162,80, no ano calendário de 2011. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10540.721363/201513 Acórdão n.º 1401002.890 S1C4T1 Fl. 426 13 Consoante Termo de Constatação da Ação Fiscal, a contribuinte foi intimada a prestar (em cinco dias úteis) esclarecimentos acerca das diferenças de escrituração entre os registros nos livros fiscais com a SPED e a DIPJ (zerada). Nesta ocasião, a contribuinte apresentou arquivos digitais contendo registros de notas fiscais de entrada e saída de produtos da matriz e filial, livros fiscais, etc, mas segundo a autoridade autuante não foi prestado nenhum esclarecimento "...em relação às inconsistências verificadas relativas às disparidades entre as receitas escrituradas no ambiente SPED e as apuradas nos seus Livros Fiscais apresentados." Ao que parece, não consta que a autoridade fiscal autuante tenha procedido a uma análise dos dados escriturados nos livros fiscais apresentados. A decisão recorrida, entretanto, ao analisar o Livro Registro de Saídas e o Livro Registro de Apuração do ICMS, anocalendário de 2011, constatou que apenas "os códigos 5101, 6101 e 6122 podem ser considerados na composição do faturamento da empresa." Conforme destacado na decisão recorrida, os referidos códigos, de acordo com o Código Fiscal de Operações e de Prestações CFOP, representam: 5000 SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA O ESTADO 5101 Venda de Produção do Estabelecimento ou produção rural; Os demais códigos representam devoluções, transferências e remessas de mercadorias. 6000 SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA OUTROS ESTADOS 6101 Venda de Produção do Estabelecimento ou produção rural; 6122 Venda de Produção do Estabelecimento remetida para industrialização, por conta e ordem do adquirente, sem transitar pelo estabelecimento do adquirente; Os demais códigos representam devoluções, transferências e remessas de mercadorias. Considerando as receitas destes códigos, o faturamento da contribuinte nos trimestres de 2011 seria, então, aquele apurado no item 2 da decisão recorrida: Fl. 432DF CARF MF 14 Período Faturamento 1º Trim R$ 1.398.385,85 2º Trim R$ 2.359.225,80 3º Trim R$ 2.071.545,74 4º Trim R$ 1.718.941,58 Total R$ 7.548.098,97 Tomemos, como exemplo, o 1º trimestre de 2011, e a natureza das receitas apontadas: Em reais: Período 5101 Matriz 6101 Matriz 6101Filial 6122 Filial Total Janeiro/2011 351.643,46 51.244,80 130.240,00 533.128,26 Fevereiro 252.778,00 62.249,60 139.026,00 454.053,60 Março 260.434,92 58.701,57 92.067,50 411.203,99 Total 1.398.385,85 Os códigos 5101 e 6101, Matriz, e 6101 Filial representam vendas para o Estado (5101) e para Outros Estados (6101 e 6122), e os valores constam da Declaração e Apuração Mensal do ICMS DMA SAÍDA DE MERCADORIAS, anexo aos autos, parte integrante da impugnação. A apuração, portanto, encontrase coerente com os livros e documentos examinados, de forma que considero acertada a conclusão concebida pela instância de piso, entretanto, a parcela exonerada nos autos deve ser revista por força de equívoco na apuração do IRPJ e da CSLL que foram considerados mantidos nos autos. De se mostrar. Ao constatar e apurar o (novo) faturamento que deveria ser objeto de tributação, o voto condutor da DRJ deveria utilizar em sua apuração dos tributos devidos, IRPJ e CSLL, o mesmo regime de tributação considerado nos Autos de Infração, ou seja, o Lucro Real Trimestral e não se utilizar, como fez, das regras de apuração pertinentes ao Lucro Arbitrado. Tanto na impugnação/recurso voluntário, como na decisão da DRJ, encontramos menção à legislação e conceitos de lucro arbitrado, regime este de tributação que não fez parte da apuração do IRPJ e da CSLL, então apurados pela autoridade fiscal autuante. De se reproduzir a planilha de cálculo que consta na decisão recorrida: Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10540.721363/201513 Acórdão n.º 1401002.890 S1C4T1 Fl. 427 15 Período Faturamento Base de Cálculo (8% + Adicional20%) IRPJ CSLL 1º Trim R$ 1.398.385,85 R$ 134.245,04 R$ 27.561,26 R$ 12.082,05 2º Trim R$ 2.359.225,80 R$ 226.485,68 R$ 50.621,42 R$ 20.383,71 3º Trim R$ 2.071.545,74 R$ 198.868,39 R$ 43.717,10 R$ 17.898,16 4º Trim R$ 1.718.941,58 R$ 165.018,39 R$ 35.254,60 R$ 14.851,66 Total R$ 7.548.098,97 R$ 724.617,50 R$ 157.154,38 R$ 65.215,58 Tendo em vista que estamos diante de tributos lançados de ofício pelas regras do lucro real trimestral, a apuração acima encontrase equivocada, provocando erro no crédito tributário exonerado, que agora se mostra: Apuração correta dos valores de IRPJ e de CSLL considerados mantidos: Período Faturamento IRPJ 15% + Adicional 10% CSLL 9% 1º Trim R$ 1.398.385,85 343.596,45 125.854,72 2º Trim R$ 2.359.225,80 583.806,45 212.330,32 3º Trim R$ 2.071.545,74 511.886,43 186.439,11 4º Trim R$ 1.718.941,58 423.735,38 154.704,74 Total R$ 7.548.098,97 1.863.024,71 679.328,89 Valores de IRPJ e de CSLL a serem exonerados: ANOCALENDÁRIO DE 2011 em reais IRPJ CSLL LANÇADO 14.825.540,70 5.345.834,66 MANTIDO ( 1.863.024,71) ( 679.328,89) EXONERADO 12.962.515,99 4.666.505,77 Fl. 434DF CARF MF 16 Relativamente ao cancelamento das exigências de PIS e COFINS, de se concordar com a decisão recorrida, nos termos em que fundamentado em seu item 3. Suspensão do Pagamento do PIS/PASEP e da COFINS. Conclusão Em relação ao IRPJ e a CSLL, voto pelo provimento parcial do recurso de ofício, exonerandose as importâncias de R$ 12.962.515,99 e de R$ 4.666.505,77, a título de IRPJ e de CSLL, respectivamente, e, quanto às exonerações de PIS/PASEP e de COFINS, voto por negar provimento ao recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 435DF CARF MF
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Numero do processo: 10630.900683/2011-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE.
Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras.
Numero da decisão: 1201-002.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
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RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE. Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 06 83 /2 01 1- 03 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10630.900683/201103 Acórdão n.º 1201002.407 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP que julgou improcedente a manifestação de inconformidade para indeferir o pedido de restituição. O crédito trazido no PER/DCOMP teria origem em pagamento indevido a título de imposto de renda incidente sobre rendimentos auferidos sobre aplicação em fundos de investimento. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a restituição foi indeferida em face de que "não foi confirmada a existência do crédito pleiteado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil." Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente tendo como principal fundamento: "apenas mediante a condução de robusto conjunto probatório tendente à demonstração ampla e transparente do cumprimento dos preceitos estipulados nos §§2º e 3º do art. 150 da nossa Carta Política se revelaria verossímil corroborar com a incidência, de plano, da imunidade recíproca em favor da entidade autárquica, o que não é o caso dos presentes autos." Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: o recorrente mesmo sendo uma autarquia municipal instituto de previdência dos servidores públicos municipais de Águas Formosas (Lei nº 1.204/2007), tendo feito aplicações em fundos de investimento através da conta de investimentos nº 9.000x, mantida no Banco do Brasil, suportou descontos em virtude de retenções a título de imposto de renda no biênio 2003/2004; o entendimento que resultou na decisão de improcedência da manifestação de inconformidade apresentando como esteio a sustentação de ausência dos diplomas legais alusivos à criação do INPREMAF, contemplando a pormenorização de seus objetivos e finalidades, não deve permanecer carecendo ser reformada a aludida decisão; com efeito, a respeitável decisão está estribada na necessidade de comprovação da existência de lei municipal, hipótese em que deverá ser aplicado, supletivamente, os preceitos expressos no CPC, onde o artigo 337, dispondo sobre as normas gerais das provas, preceitua que o teor e a vigência de norma municipal será exigida como prova quando o julgador assim o determinar; temse ainda que no artigo 399 do mesmo diploma legal, está consignado que o julgador "requisitará às repartições públicas em qualquer tempo ou grau de jurisdição as certidões necessárias à prova das alegações das partes"; Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10630.900683/201103 Acórdão n.º 1201002.407 S1C2T1 Fl. 4 3 ademais, nos dados inseridos no CNPJ, consta que a recorrente tem como atividade econômica principal a arrecadação proveniente da "seguridade social obrigatória"; destarte, no que pertine ao entendimento da necessidade da comprovação de tais diplomas legais, deveria ter sido solicitado ao recorrente, à Câmara Municipal ou ao Executivo Municipal, antes do julgamento final, os diplomas legais ausentes nos autos e entendidos como imprescindíveis para o deferimento da pretensão do recorrente. Portanto, a apresentação dos documentos ora acostados não é intempestiva; de outro lado, não deverá ser mantido o entendimento quanto à necessidade de comprovação da existência de elementos comprobatórios no sentido de que os recursos financeiros aplicados no fundo de investimento "vinculamse efetivamente as atividades ou serviços de prestação obrigatória e exclusiva do Estado"; não é prudente indeferir o pedido da restituição das retenções efetivadas ao arrepio da Constituição Federal exigindo prova da inexistência do desvio de finalidade na atuação do recorrente, quando esta, como bem salientou a relatora Maria Lucia Aguilera, compete à fiscalização tributária, conforme legislação vigente. com o fito de sanar a prova documental entendida como necessária, anexa aos autos cópia da legislação pertinente à Recorrente e dos balancetes resumidos das receitas relativas aos exercícios financeiros de 2003/2004. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.399, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10630.900675/2011 59, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.399): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. O crédito pleiteado pela Contribuinte se refere às retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras em virtude de ser uma autarquia municipal criada para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10630.900683/201103 Acórdão n.º 1201002.407 S1C2T1 Fl. 5 4 A declaração de voto da ilustre julgadora Maria Lucia Aguilera na decisão de primeira instância, a meu ver, irretocável, cujos trechos trago a colação, contém todos os elementos necessários para se proferir a decisão: (...) A imunidade recíproca tem previsão no art.150, VI, “a”, §§2ºe 3º da Constituição Federal – CF, verbis: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; (...) § 2º A vedação do inciso VI, “a”, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. § 3º As vedações do inciso VI, “a”, e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel (...) Quanto às pessoas alcançadas pela imunidade recíproca, a própria Constituição Federal – CF expressamente consignou a proteção ao entes que compõem a Federação – União, Estados, Distrito Federal e Municípios, os quais gozam de autonomia uns em relação aos outros, nos termos dos arts. 1ºe 18 da CF. Aos entes políticos, formadores da Federação, a Constituição Federal – CF atribuiu patrimônio e competências executivas, que não podem ser afetados pela tributação. Assim, o patrimônio, os serviços prestados e a renda auferida pelos entes da Federação estão protegidos pela imunidade recíproca. Além dos entes da Federação, a imunidade recíproca alcança as autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público (art. 150, §2º da CF). A definição de autarquia se encontra no art. 5º, inciso I, DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, in verbis: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10630.900683/201103 Acórdão n.º 1201002.407 S1C2T1 Fl. 6 5 Art. 5º Para os fins desta lei, considerase: I Autarquia o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada. (...) A característica mais marcante, que determina a natureza jurídica autárquica, é a atividade ser típica da Administração Pública e exercida pela entidade, por atribuição legal. Nos termos do art. 6º da Constituição Federal – CF, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 64, de 2010, a previdência social se inclui entre os direitos sociais. (...) No presente caso, invoca a defesa ser a requerente uma autarquia criada por Lei editada pelo Município de Águas Formosas/MG, para instituir Regime Próprio de Previdência Social, de acordo com os preceitos do art. 40 da CF: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003). Para a implementação deste regime de previdência próprio do funcionalismo público, a competência exclusiva da União, para a instituição da contribuição previdenciária, no caso dos servidores públicos, foi transferida aos Estados, Distrito Federal e Municípios, instituidores do regime previdenciário em favor de seus servidores. É o que dispõe, verbis: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10630.900683/201103 Acórdão n.º 1201002.407 S1C2T1 Fl. 7 6 o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003). De fato, a regulamentação da instituição e funcionamento dos regimes próprios veio a ocorrer somente após dez anos da sua promulgação, com a edição da Lei Federal nº 9.717/98 de 28 de novembro de 1998, seguida da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, e da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003. (...) Por sua vez, art. 40, caput, da CF, assegurou aos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, um regime de previdência próprio, de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas. Assim, foi criada a possibilidade de o ente público deixar de verter as contribuições previdenciárias ao RGPS e adotar sistema próprio de previdência social para os seus servidores, que em decorrência do chamado pacto federativo, representado pela autonomia política e administrativa de cada ente federativo, a eles foi facultado legislar concorrentemente sobre a organização e funcionamento, princípio aplicado também sobre os seus sistemas de previdência, desde que obedecidos os limites constitucionais e regras gerais. (...) E nos termos do art. 5º da Lei nº 9.717, de 1998, os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal não poderão conceder benefícios distintos dos previstos no Regime Geral de Previdência Social, de que trata a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, salvo disposição em contrário da Constituição Federal. Diante desse quadro jurídico, em se tratando de autarquia, instituída por Lei Municipal, para gerir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, de filiação compulsória, em substituição ao regime geral de previdência social, e por isso de caráter público, e não privado, a imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, “a”, §§2º e 3º da CF, deve se estender aos seus rendimentos de aplicações financeiras, vinculados a suas finalidades essenciais. (...) Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10630.900683/201103 Acórdão n.º 1201002.407 S1C2T1 Fl. 8 7 Comprovado o status de autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, não há que se falar também em exploração de atividade econômica, porque se trata de entidade dedicada a regime público de previdência, conforme acima já explicado. Com relação à impossibilidade de contraprestação pelo usuário, registrese, por oportuno, que, nos termos do art. 40 da CF, as fontes de “receita” da autarquia são as contribuições do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, vinculadas ao custeio, em benefício destes, do regime previdenciário próprio, o que configura “contribuição”, mas não “contraprestação” do usuário. Apesar de tudo, cumpre aquiescer com o Relator que, no caso dos presentes autos, não é possível deferir os pedidos de restituição, porque o Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas/MG – INPREMAF não trouxe aos autos a legislação municipal (leis, decretos e outros instrumentos) comprobatória de que a Requerente é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998. Cumpre deixar claro a divergência em relação ao voto proferido pelo Exmo. Relator, no que diz respeito à extensão da prova requerida, para o deferimento do pedidos de restituição. Para esta Relatora, basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras. A prova aqui requerida é de que a Lei Municipal e os atos normativos dela decorrentes, que instituíram e regulamentaram o regime próprio de previdência social dos servidores públicos municipais, observaram os requisitos constitucionais e os previstos na Lei nº 9.717, de 1998. No âmbito do presente processo, descabe imputar à entidade o ônus da prova de regularidade de atuação ou de observância das normas instituidoras do referido regime previdenciário, mediante a apresentação da competente escrituração. O ônus da prova de qualquer desvio de finalidade compete à fiscalização tributária, mediante os procedimentos de suspensão da imunidade, previstos no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Para comprovar que se trata de uma autarquia municipal criada para instituir regime de previdência próprio dos Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10630.900683/201103 Acórdão n.º 1201002.407 S1C2T1 Fl. 9 8 servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998 a recorrente trouxe aos autos, na fase recursal, a cópia dos atos normativos abaixo relacionados: 1) Lei nº 1.095/2002 dispõe sobre a criação do Regime próprio Previdenciário dos Servidores Públicos do Município de Águas Formosas, cria o instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF, e regulamenta o Fundo Municipal d Previdência dos Servidores Públicos de Águas Formosas PREVAF, e dá outras providências (doc. de fls. 67/100) e Certidão de Publicação expedida pela Prefeitura Municipal de Águas Formosas (doc. de fls. 101); 2) Lei Complementar nº 1.204, de 23 de abril de 2007 dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005 (doc. de fls. 102/147); 3) Lei nº 1.239, de 14 de fevereiro de 2008 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005." (doc. de fls. 148/149); 4) Lei nº 1.240, de 14 de fevereiro de 2008 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005." (doc. de fls. 150/151); 5) Lei nº 1.418, de 27 de maio de 2013 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005", alterada pela Lei nº 1.240/2008. (doc. de fls. 152/153). Também anexou os balancetes resumidos das receitas relativas aos exercícios financeiros de 2003/2004 (doc. de fls. 65/66). Assim, entendo, na esteira da declaração de voto proferido pela eminente relatora, que a recorrente apresentou prova normativa de que a Lei Municipal e os atos normativos dela decorrentes, que instituíram e regulamentaram o regime próprio de previdência social dos servidores públicos municipais, observaram os requisitos constitucionais e os previstos na Lei nº 9.717, de 1998. Ademais, descabe imputar à entidade o ônus da prova de regularidade de atuação ou de observância das normas Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10630.900683/201103 Acórdão n.º 1201002.407 S1C2T1 Fl. 10 9 instituidoras do referido regime previdenciário, mediante a apresentação da competente escrituração. O ônus da prova de qualquer desvio de finalidade compete à fiscalização tributária, mediante os procedimentos de suspensão da imunidade, previstos no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante de todo o exposto, a recorrente faz jus a imunidade recíproca e teria direito a restituição das retenções de fonte efetuadas sobre as suas aplicações financeiras. Assim, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário no sentido de deferir o pedido de restituição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.723782/2012-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2202-000.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração como Embargos Inominados, acolhendo-os e convertendo o julgamento em diligência para fins de que a unidade de origem intime a Caixa Econômica Federal, para que esclareça qual o índice de correção que está incidindo sobre o depósito realizado por meio da guia de fl. 474, conferindo-se ao contribuinte oportunidade para se manifestar acerca do resultado dessa providência.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração como Embargos Inominados, acolhendoos e convertendo o julgamento em diligência para fins de que a unidade de origem intime a Caixa Econômica Federal, para que esclareça qual o índice de correção que está incidindo sobre o depósito realizado por meio da guia de fl. 474, conferindose ao contribuinte oportunidade para se manifestar acerca do resultado dessa providência. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Relatório A 3ª Turma Especial da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2803003.3741 em 17/07/2014 (fls. 544/550), dando parcial provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO PARA PREVINIR DECADÊNCIA. PREVISÃO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 23 78 2/ 20 12 -0 5 Fl. 575DF CARF MF Processo nº 15504.723782/201205 Resolução nº 2202000.836 S2C2T2 Fl. 576 2 CONCOMITÂNCIA DE INSTÃNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. MULTA DE OFÍCIO E JUROS NÃO CABÍVEIS SOBRE CRÉDITOS SUSPENSOS EM RAZÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL. INTELIGÊNCIA DAS SÚMULAS Nºs 17 e 5 DO CARF. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura do auto de infração. 2. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante no processo judicial. 3. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. 4. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Provido em Parte O dispositivo teve a seguinte redação; Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, devendo ser excluídos do lançamento, a multa de ofício e juros moratórios aplicados ao caso. Os embargos de declaração foram interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 22/08/2014 (fls. 552/555), com esteio no art. 65 do Anexo II do RICARF, sendo neles alegada omissão no julgado, conforme sintetizado no despacho de fls. 559/562: Em seus aclaratórios, a embargante argumenta, em síntese que o acórdão em questão excluiu a incidência de juros de mora do lançamento, tendo como fundamento a existência de depósitos judiciais integrais efetuados pelo contribuinte para os créditos lançados. E cita o seguinte trecho da decisão: Quanto o lançamento da multa e juros, os mesmo não são cabíveis, pois, como se pode verificar dos autos, o contribuinte comprova o depósito judicial integral dos créditos tributários, antes mesmo do lançamento fiscal. Ou seja, a suspensão de exigibilidade na forma do art. 151, IV, do CTN, já operava em sua total amplitude, estando a possível dívida garantida. Assim, como acima fundamentado, o depósito judicial dos valores integrais do crédito, inclusive com acessórios moratórios (apenas pelo atraso), elidem a aplicação de juros e multas posteriores. Tal entendimento também está sumulado pelo CARF.” Fl. 576DF CARF MF Processo nº 15504.723782/201205 Resolução nº 2202000.836 S2C2T2 Fl. 577 3 Contudo, alega a embargante que a referida decisão deixou de observar que o depósito de fl. 474 foi efetuado em guia de depósito, quando o correto seria via DARF na Caixa Econômica Federal que repassaria os valores automaticamente à Conta Única do Tesouro Nacional, permitindo que o montante ficasse na disponibilidade provisória da União até que solucionado o litígio, neutralizando assim os efeitos da mora, nos termos do art. 1º da Lei 9.703/98 que estabelece: Art. 1o Os depósitos judiciais e extrajudiciais, em dinheiro, de valores referentes a tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, serão efetuados na Caixa Econômica Federal, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, específico para essa finalidade. § 1o O disposto neste artigo aplicase, inclusive, aos débitos provenientes de tributos e contribuições inscritos em Dívida Ativa da União. § 2o Os depósitos serão repassados pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade, no mesmo prazo fixado para recolhimento dos tributos e das contribuições federais. § 3o Mediante ordem da autoridade judicial ou, no caso de depósito extrajudicial, da autoridade administrativa competente, o valor do depósito, após o encerramento da lide ou do processo litigioso, será: I devolvido ao depositante pela Caixa Econômica Federal, no prazo máximo de vinte e quatro horas, quando a sentença lhe for favorável ou na proporção em que o for, acrescido de juros, na forma estabelecida pelo § 4o do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e alterações posteriores; ou II transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. § 4o Os valores devolvidos pela Caixa Econômica Federal serão debitados à Conta Única do Tesouro Nacional, em subconta de restituição. § 5o A Caixa Econômica Federal manterá controle dos valores depositados ou devolvidos. No mais, argumenta que como o depósito foi efetuado em guia de depósito, o valores foram corrigidos por índices bancários e não pela SELIC, pelo que não traduzem o valor efetivamente devido à União. Evoca os art. 395, caput, do Código Civil e art. 161, caput, do CTN para dizer que o devedor deve responder por todos os prejuízos a que sua mora der causa. E por fim, pede que os embargos sejam recebidos e providos, sanandose o vício acima apontado. Inicialmente, os embargos foram rejeitados (fls. 559/562), sob o entendimento de que o ponto levantado deveria ter sido arguído em sede de contrarrazões ao recuso voluntário. Porém, depois de análise de petição da embargante (fls. 564/566), foi sopesado seu Fl. 577DF CARF MF Processo nº 15504.723782/201205 Resolução nº 2202000.836 S2C2T2 Fl. 578 4 argumento de que a primeira que vez que teve oportunidade de se manifestar nos autos foi justamente quando da ciência do acórdão de segunda instância, admitindose o feito para apreciação via Despacho de fls. 569/573. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Previamente, deve ser observado que, não obstante as razões vertidas pela embargante, não se configura ser o caso de omissão no acórdão, visto que o julgado não deixou de apreciar pedidos ou argumentos relevantes formulados pela parte, sendo discutível se a matéria levantada como lacunosa seria passível de ser reconhecida como sendo de ordem pública, a ser apreciada de ofício pelo julgador. Contudo, há que se convergir com a conclusão pela necessidade de saneamento do feito, pois a decisão embargada parece ter se baseado, implicitamente visto que sequer tangenciado tal aspecto em pressuposto de fato equivocado, ou, melhor dizendo, não comprovado nos autos. Ou seja, que os juros incidentes sobre os depósitos realizados pelo sujeito passivo seriam corrigidos pela Selic, decorrendo daí que o depósito efetuado daria satisfação adequada à pretensão da Fazenda Pública. E, para o saneamento de lapso manifesto, o art. 66 do Anexo II do RICARF prevê a interposição de embargos inominados, cabendo registrar, outrossim, que a jurisprudência vem admitindo amplamente o cabimento de embargos de declaração, com possíveis efeitos modificativos, quando proferida decisão com base em pressuposto de fato equivocadamente considerado pelo julgador, cabendo citar, dentre outros, o REsp nº 1.065.913 (DJE 10/09/2009). A respeito, Nelson Nery Jr. já observava1: Admitemse embargos de declaração para corrigir flagrante e visível erro de fato em que incidiu a decisão, evitandose os percalços com a eventual interposição de RE, Resp ou o ajuizamento de ação rescisória. Acrescentese que, ainda que fossem admitidos como embargos de declaração, havendo sido o despacho de encaminhamento dos autos do processo digital à PGFN datado de 22/07/2014 (fl. 551), e interpostos os embargos em 22/08/2014, restaria evidente sua tempestividade, ante o disposto nos arts. 65, § 1º e 79, § 2º, do Anexo II do RICARF, c/c o § 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Face a essas razões, conhecese, em observância do princípio da informalidade e da fungibilidade dos recursos, os embargos de declaração interpostos como embargos inominados da PGFN, forte no art. 66 do RICARF, cuja tempestividade impende também reconhecer. 1 NERY JR., Nelson e NERY, Rosa Maria. Código de Processo Civil Comentado e legislação processual civil extravagante em vigor. São Paulo: RT, 6ª edição, p. 905. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 15504.723782/201205 Resolução nº 2202000.836 S2C2T2 Fl. 579 5 Prosseguindo no enfrentamento das questões suscitadas pela embargante, conforme narrado, o voto condutor aparentemente teve como consideração subjacente a de que o depósito integral efetuado e atestado pelo documento de fl. 474 seria corrigido pela Selic. Cabe fazer a ressalva que a Selic é a taxa referencial incidente, por força dos arts. 13 da Lei nº 9.065/95, e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, sobre os débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil, cumprindo, consoante cediça jurisprudência, tanto o papel de correção monetária quanto o de encargos moratórios. Destarte, é necessário, para que o depósito cumpra a função de garantia do crédito tributário, que ele seja também corrigido pela Selic, sem o que o Erário federal quedaria prejudicado pela eventual diferença positiva entre essa taxa e os juros incidentes sobre tal depósito. Em outras palavras, deve restar assegurada a possibilidade de cobrança dessa diferença, caso existente. Justamente para evitar situações do gênero, a Lei nº 9.703/98 estabelece, nos trechos reproduzidos no relatório mais acima, que os depósitos judiciais e extrajudiciais referentes a tributos e contribuições deverão ser recolhidos em DARF e realizados na Caixa Econômica Federal, assegurada pela norma em referência a sua correção pela Selic. Na espécie, porém, não foi realizado recolhimento via DARF, mas sim mediante a guia de depósito judicial colacionada à fl. 474. Decerto, a possibilidade de que tal depósito não seja corrigido pela Selic é considerável; entretanto, carecem os autos de informação acerca de qual o índice de juros sobre ele está sendo aplicado, não sendo possível aferir se a instituição financeira depositária está a remunerálo por índice idêntico àquele utilizado para atualização do crédito tributário federal, ou outro distinto. Por conseguinte, constatase não haver elementos de prova coligidos nos autos, a comprovar qual índice de correção ou juros que está a incidir sobre os depósitos realizados pelo contribuinte, como garantia do crédito tributário em discussão, motivo pelo qual se deve converter o julgamento em diligência, baixandose o processo à unidade de origem para fins de que a aludida instituição seja intimada a esclarecer, estreme de dúvidas, tal aspecto da lide. Assim, no seu retorno a este Colegiado, o processo já estará devidamente saneado, possibilitando o julgamento em definitivo do ponto que acarretou a oposição de embargos. Em situação de certo modo similar, o CARF já decidiu, recentemente, adotar procedimento do gênero, conforme Acórdão nº 1402002.626 (j. 22/6/2017), do qual se extrai a respectivamente ementa: IRRF. JCP. Acolhemse os embargos de declaração para converter o julgamento do recurso em diligência. Sendo assim, voto no sentido de conhecer dos Embargos de Declaração como Embargos Inominados, acolhendoos e propondo a conversão do o julgamento em diligência para fins de que a unidade de origem intime a Caixa Econômica Federal, para que esta esclareça qual o índice de correção que está incidindo sobre o depósito realizado por meio da Fl. 579DF CARF MF Processo nº 15504.723782/201205 Resolução nº 2202000.836 S2C2T2 Fl. 580 6 guia de fl. 474, conferindose ao contribuinte oportunidade para se manifestar sobre o resultado dessa providência. É o voto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 580DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.902675/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo.
Numero da decisão: 1401-002.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Acordam os membros do colegiado, os conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Acordam os membros do colegiado, os conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1962; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.902675/201316 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401002.940 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2018 Matéria PER/DCOMP PAGAMENTO A MAIOR Recorrente ARMAZEM CORAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Acordam os membros do colegiado, os conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 26 75 /2 01 3- 16 Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10480.902675/201316 Acórdão n.º 1401002.940 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP relativo a pagamento a maior realizado pela empresa. O PER/DCOMP foi indeferido por meio de análise automática do PER/DCOMP em função de, quando da análise eletrônica do pedido a DCTF do contribuinte informar como valor do débito o valor integral do DARF recolhido não existindo, desta maneira, valor disponível para restituição. Cientificado do indeferimento o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual alegou que errou ao não ter retificado previamente a declaração (DCTF) mas que, no entanto, havia providenciado a retificação da declaração (DIPJ) relativa à apuração do crédito antes da apresentação do PER/DCOMP e, em tais declarações consta o valor correto do débito do período que confirma a existência do pagamento a maior. Analisando a manifestação apresentada a Delegacia de Julgamento restringiu sua análise ao fato de a DCTF não ter sido retificada previamente à apresentação do PER/DCOMP e, em esta sendo confissão de dívida, restar comprovado que não existe crédito disponível em benefício da empresa. Não foram aceitas as alegações acerca da apresentação de outras declarações nas quais a empresa demonstrou o real valor devido do tributo e período de apuração relativo ao DARF solicitado. Cientificado da Decisão de Piso, na qual foi considerada improcedente a manifestação de inconformidade o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alega, novamente, que a análise do crédito não pode se limitar unicamente à informação da DCTF existente à época do pedido. Há de se aferir o real valor devido do débito para se constatar a existência ou não do crédito. O processo chegou então a este CARF para análise do recurso. É o relatório. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10480.902675/201316 Acórdão n.º 1401002.940 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.932, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.902672/2013 82, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.932): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Inicialmente e antes da análise do mérito do recurso, há de se fazer algumas considerações acerca da sistemática de processamento dos PER/DCOMP e sua análise diante das informações apresentadas pelo contribuinte em suas declarações. Desde a época em que foi criado o programa gerador das declarações de compensação muitas dúvidas surgiram acerca da forma de análise a ser adotada pelos sistemas informatizados. Tratandose de pagamento a maior ou indevido haviam duas correntes de pensamento: a primeira se declinava no sentido de que a análise deveria ficar restrita à comparação com a DCTF, por esta ser a declaração de confissão de débitos, e a segunda pendia no sentido de que além da DCTF fosse realizado o batimento com os valores de apuração das diversas declarações que o contribuinte deveria apresentar ao fisco (DACON, DIPJ, DIRF, etc). Como resta claro na análise do relatório deste processo, a primeira corrente prevaleceu, até mesmo em função da maior agilidade de processamento. Resultado, foram geradas milhares de decisões automáticas com o mesmo teor da deste processo. Não havendo retificação da DCTF da empresa antes da apresentação do PER/DCOMP e o DARF estando a ela vinculado, indeferese o crédito, sem qualquer outra consideração. Esse procedimento, ressalvando o fato de não ser ilegal em essência, impede a formação de qualquer contraditório sobre o fato de confirmação do crédito do contribuinte contra a Fazenda Nacional apresentado nas outras declarações ao fisco e a existência efetiva de seu direito. Mais ainda quando, pela pouca clareza da decisão, os contribuintes, como o do presente processo, tentam se defender procurando demonstrar que o valor Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10480.902675/201316 Acórdão n.º 1401002.940 S1C4T1 Fl. 5 4 confessado na DCTF estaria incorreto e, assim, há de se verificar as demais declarações por ele apresentadas. Essa forma de procedimento é, inclusive, condenada por colegas desta Turma do CARF quando entendem que ocorre cerceamento do direito de defesa na medida em que o indeferimento do crédito é realizado sem nenhuma prévia intimação ao contribuinte. Em minha opinião não creio na existência de um cerceamento do direito de defesa pela simples inexistência de intimação prévia, no entanto, discordo que toda a análise seja feita pela simples conferência com a DCTF. Ora, se o contribuinte cumpre obrigações acessórias sujeitas à penalidades por meio da entrega de DIPJ, DACON, DIRF, etc, não entendo ser possível em grau de recurso, diante da alegação da existência de outras declarações infirmando os valores dos débitos confessados na DCTF, que não se realize nenhum ato de conferência do valor efetivamente devido e de apuração do efetivo valor do crédito,s e acaso for existente. Ora, é bom esclarecer para os que não compreendam o sistema de funcionamento das declarações, que a DCTF, mercê de ser a declaração onde o contribuinte confessa seus débitos perante o fisco, é a declaração mais sujeita a erros de informação. Explico: a DCTF é declaração obrigatória de confissão na qual o contribuinte não informa nenhum valor de apuração dos débitos. Simplesmente informa o valor devido dos tributos e a forma como extinguiu os mesmo. Essa declaração é exigida no mais curto espaço de tempo possível, por exigência do fisco, a fim de propiciar a mais rápida cobrança do crédito tributário. Só que essa agilidade (passando há muito tempo a ser mensal a entrega) milita contra o próprio contribuinte ao passo em que o obriga a informar débitos sem uma adequada revisão dos valores de apuração dos tributos. Vejase que a demais declarações (DIPJ, DACON, DIRF, etc) são apresentadas bem posteriormente, já após o fechamento de balanços, auditorias, etc. Assim, no meu entender, a análise dos PER/DCOMP deveria realizar o batimento de todas as declarações apresentadas pelo contribuinte relativas ao débitos em questão informados no PER/DCOMP. Tal prática é semelhante à que a própria receita federal realiza nos sistemas de revisão interna quando, a partir das divergências entre a DCTF, DIPJ, DIRF e DACON, realiza intimações ao contribuinte a fim de escoimar as divergências. Por isso é que sempre entendi que desta mesma forma adotada pela Receita Federal para a conferência dos débitos declarados, deveria atuar o fisco na apuração dos créditos solicitados pelos contribuintes. Infelizmente apenas a pouco tempo foi adotada a sistemática de intimação prévia ao contribuinte, no entanto, resta um enorme estoque de processos, Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10480.902675/201316 Acórdão n.º 1401002.940 S1C4T1 Fl. 6 5 como este, que foi analisado sem maior aprofundamento da análise das demais declarações da empresa. Diante deste entendimento e verificando que existem diversos indícios em favor do contribuinte, passo à análise do mérito do direito de crédito do recorrente, a fim de verificar a existência de fato dos créditos em obediência ao princípio da verdade material e o da informalidade. Para tanto, fizemos juntar ao processo os seguintes documentos: DIPJ, DACON e extratos de pagamentos. Com base nestes documentos realizaremos o confronto entre os valores dos débitos informados na DIPJ/DACON, se as declarações haviam sido apresentadas antes da emissão do despacho decisório e o confronto com os valores efetivamente pagos a fim de se demonstrar a apuração do crédito previamente ao despacho decisório e o montante, se existente, destes créditos. DOS PROCESSOS REPETITIVOS VINCULADOS A análise deste processo prendese apenas a um PER/DCOMP vinculado a um DARF específico, entretanto, outros processos relativos a pagamentos indevidos do mesmo contribuinte encontramse vinculados a este processo sob a sistemática de recursos repetitivos. Assim, entendemos por bem, a fim de facilitar o entendimento do contribuinte/recorrente e das unidades preparadoras e submetemos à apreciação deste colegiado que esta decisão seja reproduzida para todos os processos identificados na tabela abaixo a fim de que o resultado de cada processo seja específico e as compensações sejam tratadas individualmente quando do retorno à delegacia de origem. Desta forma, apresentamos a tabela abaixo na qual consta a análise do crédito de cada PER/DCOMP e o valor do crédito apurado após o confronto entre o valor do débito apurado em DIPJ e o valor efetivamente pago pela empresa, destacandose que foram analisadas apenas as declarações enviadas pela empresa antes da emissão do despacho decisório. Período de Tipo de Valor informado Data de Valor na Valor pago Valor do Processo Apuração Tributo em DIPJ Entrega DCTF em DARF Crédito Vinculado mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 98.599,23 97.623,00 25.294,77 10480902.674/201371 mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 103.968,49 97.623,00 25.294,77 10480902.675/201316 mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 97.623,00 97.623,00 25.294,77 10480902.673/201327 dez/10 CSLL 136.577,85 29/06/2011 210.299,67 210.299,67 73.721,82 10480902.676/201361 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 279.739,28 262.666,00 68.576,13 10480902.669/201369 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 265.292,66 262.666,00 68.576,13 10480902.668/201314 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 262.666,00 262.666,00 68.576,13 10480902.667/201370 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 477.067,58 472.344,14 222.535,25 10480902.671/201338 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 481.743,78 472.344,14 222.535,25 10480902.672/201382 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 472.344,14 472.344,14 222.535,25 10480902.670/201393 Assim, conforme demonstrado na tabela acima, após o confronto entre os valores informados pelo contribuinte nas Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10480.902675/201316 Acórdão n.º 1401002.940 S1C4T1 Fl. 7 6 declarações que demonstram a apuração dos tributos devidos, no caso DIPJ e DCTF, e os valores dos recolhimentos realizados entendo que, em razão do princípio da verdade material e da informalidade, há de se realizar a apuração dos créditos a que faz jus a empresa a partir dos montantes apurados nas declarações apresentadas pela empresa além de apenas a DCTF, mais ainda, quando no presente caso verificase que os valores apurados foram obtidos das declarações originalmente entregues e sem se constatar inconsistências destas. À vista de todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário a fim reconhecer o direito de crédito da empresa nos seguintes valores e processos, homologando as compensações a eles vinculadas. Valor do Processo Crédito Vinculado 25.294,77 10480902.674/201371 25.294,77 10480902.675/201316 25.294,77 10480902.673/201327 73.721,82 10480902.676/201361 68.576,13 10480902.669/201369 68.576,13 10480902.668/201314 68.576,13 10480902.667/201370 222.535,25 10480902.671/201338 222.535,25 10480902.672/201382 222.535,25 10480902.670/201393 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 708DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.001082/2003-34
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1999
UTILIZAÇÃO PARCIAL DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. MOMENTO DA ATUALIZAÇÃO DO VALOR.
O valor suprimido, pelo sujeito passivo, do saldo negativo de IRPJ, com propósito de compensar seus débitos tributários, é deduzido nominalmente e considerando o momento da apuração do saldo negativo. A eventual correção do valor utilizado, até a data da DCOMP que lhe aproveite, se dá na forma legal e através dos sistemas de cálculo homologados pela RFB.
SALDO DEVEDOR DE IRPJ. CONTESTAÇÃO DE CÁLCULO AFETO A ELEMENTO DE SUA COMPOSIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A oposição recursal a resultado de cálculo que redimensionou o saldo negativo de IRPJ deve se fazer acompanhar das provas, demonstração do erro de cálculo e de argumentos capazes de modificar os resultados admitidos pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 1002-000.318
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1999 UTILIZAÇÃO PARCIAL DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. MOMENTO DA ATUALIZAÇÃO DO VALOR. O valor suprimido, pelo sujeito passivo, do saldo negativo de IRPJ, com propósito de compensar seus débitos tributários, é deduzido nominalmente e considerando o momento da apuração do saldo negativo. A eventual correção do valor utilizado, até a data da DCOMP que lhe aproveite, se dá na forma legal e através dos sistemas de cálculo homologados pela RFB. SALDO DEVEDOR DE IRPJ. CONTESTAÇÃO DE CÁLCULO AFETO A ELEMENTO DE SUA COMPOSIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A oposição recursal a resultado de cálculo que redimensionou o saldo negativo de IRPJ deve se fazer acompanhar das provas, demonstração do erro de cálculo e de argumentos capazes de modificar os resultados admitidos pela decisão recorrida.
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Recorrente SLC PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1999 UTILIZAÇÃO PARCIAL DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. MOMENTO DA ATUALIZAÇÃO DO VALOR. O valor suprimido, pelo sujeito passivo, do saldo negativo de IRPJ, com propósito de compensar seus débitos tributários, é deduzido nominalmente e considerando o momento da apuração do saldo negativo. A eventual correção do valor utilizado, até a data da DCOMP que lhe aproveite, se dá na forma legal e através dos sistemas de cálculo homologados pela RFB. SALDO DEVEDOR DE IRPJ. CONTESTAÇÃO DE CÁLCULO AFETO A ELEMENTO DE SUA COMPOSIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A oposição recursal a resultado de cálculo que redimensionou o saldo negativo de IRPJ deve se fazer acompanhar das provas, demonstração do erro de cálculo e de argumentos capazes de modificar os resultados admitidos pela decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 10 82 /2 00 3- 34 Fl. 812DF CARF MF Processo nº 11080.001082/200334 Acórdão n.º 1002000.318 S1C0T2 Fl. 813 2 Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo recorrente em face de decisão proferida pela 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS (DRJ/POA) mediante o Acórdão n.º 1031.334, de 06/05/2011 (efls. 765 a 768). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] A interessada efetuou diversas compensações, conforme as declarações apresentadas em formulários impressos abaixo descritas: A DRF Porto Alegre analisou as compensações propostas nos despachos decisórios 1626 e 1627, de 20/8/07, e concluiu pelo reconhecimento dos direitos creditórios de IRPJ de R$ 99.264,08 quanto ao anocalendário 1999 e R$ 54.669,80 quanto ao anocalendário 2000; relativamente à CSLL do anocalendário 1999, o reconhecimento foi de R$ 45.176,90 (fls. 692/699 e fls. 34/36 do processo 11080.005909/200711, juntado por apensação). Fl. 813DF CARF MF Processo nº 11080.001082/200334 Acórdão n.º 1002000.318 S1C0T2 Fl. 814 3 O reconhecimento do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 possibilitou de pronto a homologação das compensações incluídas na declaração de compensação indexada acima pelo número 5. Para as compensações pertinentes às declarações de números 1 a 4, no total de crédito correspondente a R$ 153.358,10, foi utilizada a soma dos valores reconhecidos de IRPJ e CSLL do ano calendário 1999, por R$ 140.023,15. Assim, ficaram pendentes de homologação as seguintes compensações das declarações de número 2 e 3: Também não foram homologadas as seguintes compensações envolvendo o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999 como crédito: Em síntese, o montante de compensações não homologadas por insuficiência de crédito é de R$ 13.464,20. A contribuinte foi notificada dos despachos decisórios em 2/10/07 (fl. e apresentou manifestação de inconformidade em 24/10/07 (fls. 718/723). Basicamente, a interessada demonstra inconformidade quanto ao não reconhecimento de valores que formariam o saldo negativo de IRPJ de 1998, este que foi utilizado para quitação da estimativa de IRPJ de janeiro de 1999 e que, por decorrência, iria influir no cálculo do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999. Eles seriam relativos aos seguintes pontos: • na parte da estimativa de IRPJ de outubro de 1998, correspondente a R$ 5.514,95, compensada com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1996, em que a autoridade fiscal não reconheceu a compensação em face da insuficiência do crédito (fls. 671/673); e • quanto às compensações a maior ou indevidas do saldo negativo de 1998, pelos valores de crédito de R$ 11.724,06 e R$ 124,11, realizadas respectivamente em 4/4/01 e 26/12/02, em razão de insuficiência de saldo (remanescia R$ 2.719,51 do saldo de 1998, o que correspondia a R$ 3.909,57 em 4/4/01). A contribuinte pede a homologação da integralidade das compensações e propõese a pagar a diferença de tributo devido em 4/4/01, por R$ 7.814,49, além do devido em 26/12/02, por R$ 124,11, com os respectivos encargos legais. Fl. 814DF CARF MF Processo nº 11080.001082/200334 Acórdão n.º 1002000.318 S1C0T2 Fl. 815 4 A decisão da DRJ/POA foi pela improcedência da manifestação de inconformidade. O contribuinte, inconformado com a decisão de 1.ª instância administrativa, interpôs o presente recurso voluntário, com contestação restrita aos seguintes temas: a) Os valores descontados do saldo negativo de IRPJ do anobase 1998 (R$ 5.514,95, R$ 11.724,06, e R$ 124,11), por terem sido já utilizados noutra compensação, deveriam ter sido descontados nas datas das compensações, com as correções monetárias devidas, e não na data de apuração do saldo negativo, ao final de 1998; b) A diferença entre os valores R$ 5.508,03 e R$ 5.514,95 (R$ 6,92) não fora justificada na decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. O recorrente insurgese contra o momento em que deveriam ser deduzidos do saldo negativo apurado no ano calendário 1998 os valores R$ 5.514,95, R$ 11.724,06 e R$ 124,11. Enquanto o Fisco efetuou as referidas deduções ao tempo da apuração do saldo negativo, ou seja, durante o ano 1998, o recurso voluntário pugna pela efetivação destes descontos "nas datas em que ocorreram as compensações indevidas e não de forma antecipada, pois procedendo dessa forma a Recorrente é prejudicada na atualização monetária do saldo negativo de IRPJ." Adianto que não é possível entender como "antecipado" um desconto feito posteriormente, no valor contemporâneo à apuração da construção do saldo negativo. Observese que a argumentação do recorrente não encontra amparo em qualquer dispositivo legal ou lógico, pois que a formação do saldo negativo é que precisou ser verificada, e essa formação se deu durante o ano 1998. Se parte de seu valor nominal em 1998 foi utilizada em compensações solicitadas em momento posterior, essa parte foi corrigida monetariamente até os momentos das declarações das compensações exteriorizadas pelas DCOMPs às quais aproveitou essa parte do valor nominal do saldo negativo apurado em 1998. E, assim, aquele valor nominal, que havia sido um dos componentes do saldo negativo apurado ao fim do anobase 1998, deve ser recalculado, retirandose de seu montante (do saldo negativo) essa parte usada nas compensações futuras, nos valores exatamente correspondentes àqueles ligados ao momento da apuração do saldo negativo de 1998, uma vez que os sistemas Fl. 815DF CARF MF Processo nº 11080.001082/200334 Acórdão n.º 1002000.318 S1C0T2 Fl. 816 5 eletrônicos de cálculo da RFB atualizam tais valores para a oportunidade da efetiva compensação, num encontro entre valores para os quais também se leva em consideração a equivalência obtida por aplicação dos juros SELIC. A falta de lógica e até o contrassenso caracterizadores da pretensão do recorrente evidenciamse bem no trecho do recurso voluntário reproduzido a seguir: [...] 5.1.1 Os valores de R$ 11.724,06 e R$ 124,11 devem ser descontados do saldo negativo de IRPJ nas datas em que ocorreram as compensações indevidas, quais sejam 04/04/01 e 26/12/02 e não de forma antecipada diretamente sobre o saldo em 31 de dezembro de 1998. [...] Não se sabe, na leitura do recurso, se o que deseja o recorrente é que seja o saldo negativo de 1998 atualizado monetariamente até o momento das compensações, e aí sejam deduzidos os valores nominais utilizados nas compensações; se quer que os valores sejam atualizados e só depois reduzam o valor nominal do saldo negativo apurado em 1998 (em seu próprio prejuízo); se tanto as deduções como o saldo negativo apurado em 1998 sejam atualizados para o momento das compensações e aí feitos os descontos; ou outra intenção que não tenha ficado bem esclarecida nos argumentos do recorrente. Importa que todas as hipóteses acima não fazem sentido, em razão do que já foi dito: que as parcelas do saldo negativo que se pretende utilizar nas compensações futuras são atualizadas até o momento do encontro entre crédito e débito sinalizado(s) na(s) DCOMP(s). Reiterese que nenhum dispositivo legal autorizativo da pretensão recursal foi apontado pelo recorrente. Recurso não provido relativamente a este item. Noutro aspecto, o recorrente apresenta contestação acerca do valor R$ 6,92, que teria sido decorrente de equívoco do cálculo efetuado na decisão recorrida, por amparo em possibilidade e não em efetividade de fatos. Vale transcrever os trechos do recurso voluntário a respeito, verbis: [...] 5. Todavia as conclusões, cálculos e demonstrativos do eminente Relator contém alguns equívocos, as quais passamos a demonstrar: [...] 5.2 A diferença de R$ 6,92 A pequena diferença de R$ 6,92 (conforme o próprio Relator) tem origem em dedução a maior feita pela Receita Federal. A Recorrente reconheceu uma compensação a maior no valor de R$ 5.508,03 e a Receita Federal deduziu do saldo negativo a importância de R$ 5.514,95, implicando na diferença de R$ 6,92. Fl. 816DF CARF MF Processo nº 11080.001082/200334 Acórdão n.º 1002000.318 S1C0T2 Fl. 817 6 Não podemos aceitar o argumento do Relator de que a pequena diferença "possivelmente tenha surgido de diferença na dedução em 1997 de valores compensados do saldo negativo de IRPJ de 1996. " Ora, a Recorrente em sua manifestação de inconformidade declara e demonstra que compensou a maior o valor de R$ 5.508,03, não podemos aceitar que prevaleça a dedução de R$ 5.514,95, com a conseqüente diferença de R$ 6,92, simplesmente baseados numa possibilidade. Deve prevalecer o que foi declarado e demonstrado. [...] (grifos do recorrente). Mais uma vez as alegações restringemse a contrapor os cálculos do Despacho Decisório e da decisão recorrida sem apresentação de elementos de prova. O recorrente aponta somente um demonstrativo elaborado por ele próprio, o que somente caracteriza discordância com os valores considerados pela Turma Julgadora da DRJ/POA. Não se faz possível, com base apenas nessas colocações do recorrente, desconsiderar a razão da decisão de piso para justificar a diferença de R$ 6,92, dado que ali, ao contrário da argumentação deserta do recurso voluntário, se encontra exposta a razão para a origem da diferença: equívoco provocado pelo próprio recorrente. Vejase o trecho esclarecedor nesse sentido, reproduzido abaixo: [...] A pequena diferença de R$ 6,92 entre a parcela contestada e a quantia reconhecida pela contribuinte possivelmente tenha surgido de diferença na dedução em 1997 de valores compensados do saldo negativo de IRPJ de 1996, considerados pela recorrente como R$ 199.098,97, quando o certo seria R$ 199.104,63. [...] É importante registrar que o termo possivelmente — ao qual o recorrente dá destaque pretendendo desqualificar as razões da decisão recorrida para justificara a diferença de R$ 6,92 — se dirige à tentativa da Turma Julgadora da DRJ/POA esclarecer o equívoco cometido pelo próprio contribuinte ora recorrente, pois foi ele que efetuou cálculos considerando indevidamente o valor R$ 199.098,97 em lugar de R$ 199.104,63. Portanto, não cabe razão ao recorrente também nesta matéria. Sendo assim, nego provimento ao recurso voluntário, devendo ser mantida a decisão da DRJ/POA. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 817DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904603/2012-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 46 03 /2 01 2- 87 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.904603/201287 Acórdão n.º 1301003.397 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por RCC VEÍCULOS LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, mantendo o despacho decisório da DRF de origem. No referido despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Não homologada a compensação, sobreveio manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento. O órgão julgador de primeira instância deixou consignado que a retificação de declaração, por iniciativa do próprio declarante, quando destinada a reduzir ou excluir tributo, só é admissível quando comprovado o erro em que se funda a retificação. Além disso, incumbe ao sujeito passivo apresentar a prova da existência do crédito pleiteado, de tal modo a viabilizar, para a autoridade administrativa, a verificação de liquidez e certeza do direito. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso. Disse que, após realizar revisão contábil, constatou ter apurado incorretamente débitos de tributo. Diante disso, apresentou declarações de compensação a fim de recuperar os valores pagos indevidamente. Com o mesmo propósito, retificou DIPJ e DCTF, nesta última declarando valor de débito menor do que aquele que havia sido recolhido, resultando daí um crédito a favor da recorrente. A recorrente sustenta que as declarações retificadoras devem ser aceitas como prova de seu direito. Nessa linha de argumentação, distingue procedimento administrativo tributário de processo administrativo tributário. O primeiro nada mais seria do que a ação de acompanhamento realizado pelo órgão público, sem conteúdo de litígio, apenas com finalidade informativa. O processo, ao contrário, teria por objeto a resolução de um conflito em matéria tributária, cabendo à Administração o controle de legalidade dos atos praticados pelo contribuinte. Segundo essa classificação, o presente processo seria apenas um procedimento administrativo, instaurado pela Receita Federal para verificar a declaração de compensação entregue pela recorrente. Só após o lançamento fiscal é que se teria processo administrativo tributário propriamente dito, bastando para tanto que o contribuinte formalizasse a impugnação, ou seja, a resistência face à pretensão fiscal. Em vista desses argumentos, concluiu que o acórdão da DRJ cometera grave equívoco ao desconsiderar a DCTF retificadora, sob o fundamento de que a retificação se dera após a ciência do despacho decisório. Concluiu dizendo que, no caso concreto, o processo administrativo se instaurou apenas com a apresentação da manifestação de inconformidade, não existindo antes disso lançamento tributário. Nessa linha de raciocínio, seria incorreto desconsiderar a DIPJ e a DCTF como provas da retificação dos valores anteriormente informados. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10930.904603/201287 Acórdão n.º 1301003.397 S1C3T1 Fl. 4 3 No mais, aduziu que não tinha sofrido procedimento de fiscalização, nem os débitos haviam sido enviados à Procuradoria da Fazenda NacionalPFN. Somente com a decisão recorrida é que se tomou ciência de um processo administrativo de cobrança de débitos. Com esses fundamentos, pugnou pelo reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.391, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10930.904596/2012 13, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.391): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia gira em torno da existência do direito creditório oriundo de pagamento parcialmente indevido de tributo. A DRF de origem não homologou a compensação porque o pagamento se encontrava inteiramente alocado a um débito declarado pela própria recorrente. A DRJ, por sua vez, negou provimento à manifestação de inconformidade por falta de comprovação do direito. Nos pedidos de restituição e nas compensações, cumpre ao contribuinte, em primeiro lugar, fazer prova do pagamento, ou seja, demonstrar que o dinheiro entrou nos cofres públicos. Depois, tem de provar que esse pagamento se fez em desacordo com a legislação aplicável. Vale dizer, provar que houve erro na apuração do débito; ou provar que quem pagou não era devedor ou aquele que recebeu o pagamento não era o credor (erro quanto ao sujeito da relação jurídica). O contribuinte não precisa provar que pagou por erro, nem que o erro era escusável. Basta demonstrar que o pagamento se fez em desacordo com a legislação aplicável. No caso em exame, a recorrente cingiuse a afirmar que fizera uma revisão contábil, que evidenciou erro na apuração do débito. Não disse, entretanto, em que consistia o erro. O erro, em tese, pode decorrer de inúmeras situações, tais como a inclusão Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10930.904603/201287 Acórdão n.º 1301003.397 S1C3T1 Fl. 5 4 na base de cálculo de receitas isentas ou imunes, de receitas já tributadas ou passíveis de diferimento; do registro de meros ingressos de caixa como sendo valores tributáveis; da falta de registro de despesas dedutíveis. Ademais, o indébito pode ter origem em toda sorte de equívocos referentes aos ajustes do lucro líquido, bem como do emprego de alíquotas incorretas. Diante da imprecisão e da forma lacônica como o fato constitutivo do direito da recorrente foi descrito no recurso, tornase ocioso qualquer exame de livros fiscais e contábeis, bem como a determinação de qualquer tipo de diligência, em face da impossibilidade de delimitar o objeto a ser examinado. Ressaltese que a retificação da DCTF, ou de qualquer outra declaração pelo próprio contribuinte, depois de ter sido intimado do despacho decisório, não serve como prova do pretenso direito creditório. Nesse sentido é o Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 e a jurisprudência do CARF. Na situação em análise, além de a retificação da DCTF ser posterior à intimação do despacho decisório, não há no recurso sequer a descrição do fato de que teria se originado o crédito pretendido. A regra básica, em matéria de prova, é a de que aquele que alega o fato tem o ônus de proválo. Portanto, se no auto de infração o ônus da prova é da autoridade fiscal, nos pedidos de restituição e nas compensações o ônus de provar o indébito é daquele que bate às portas do Fisco, reivindicando o direito. Por último, cabe dizer que, no caso em exame, a solução da controvérsia passa ao largo das supostas diferenças entre processo e procedimento. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10930.904603/201287 Acórdão n.º 1301003.397 S1C3T1 Fl. 6 5 Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000325/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2006
Ementa:
DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS (DIMOB). APRESENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A alegação de que a pessoa jurídica não se encontrava em situação que a obrigava a apresentar a declaração de informações, impõe que seja carreada aos autos comprovação por meio de documentos hábeis e idôneos.
INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO.
Nos termos da súmula nº. 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1302-000.452
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2006 Ementa: DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS (DIMOB). APRESENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A alegação de que a pessoa jurídica não se encontrava em situação que a obrigava a apresentar a declaração de informações, impõe que seja carreada aos autos comprovação por meio de documentos hábeis e idôneos. INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO. Nos termos da súmula nº. 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-06T16:42:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2466618_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-06T16:42:51Z; Last-Modified: 2011-01-06T16:42:51Z; dcterms:modified: 2011-01-06T16:42:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2466618_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:858fb6d1-0bee-4826-be50-6bf110401286; Last-Save-Date: 2011-01-06T16:42:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-06T16:42:51Z; meta:save-date: 2011-01-06T16:42:51Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2466618_0.doc; modified: 2011-01-06T16:42:51Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-06T16:42:51Z; created: 2011-01-06T16:42:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2011-01-06T16:42:51Z; pdf:charsPerPage: 1522; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2011-01-06T16:42:51Z | Conteúdo => S1-C3T2 Fl. 1 1 S1-C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13984.000325/2007-92 Recurso nº 503.833 Voluntário Acórdão nº 1302-00.452 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de dezembro de 2010 Matéria MULTA REGULAMENTAR - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente JOTAGÊ EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2006 Ementa: DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS (DIMOB). APRESENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A alegação de que a pessoa jurídica não se encontrava em situação que a obrigava a apresentar a declaração de informações, impõe que seja carreada aos autos comprovação por meio de documentos hábeis e idôneos. INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO. Nos termos da súmula nº. 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Marcos Rodrigues de Mello Presidente Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.11221.UHNL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 2DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.11221.UHNL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13984.000325/2007-92 Acórdão n.º 1302-00.452 S1-C3T2 Fl. 2 3 Relatório JOTAGÊ EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, Curitiba, que manteve, na íntegra, o lançamento tributário efetivado, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigência de MULTA POR ATRASO NA ENTREGA da DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS (DIMOB), relativamente ao ano-calendário de 2005, formalizada por meio de notificação de lançamento. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1/2), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: - que até o ano de 2005 não se enquadrava na obrigatoriedade de entrega da DIMOB, passando a estar obrigada para o ano-calendário de 2006, de acordo com a Instrução Normativa SRF n° 694 de 13 de dezembro de 2006; - que, em consulta ao Plantão Telefônico da Receita Federal, em 28/02/2007, a atendente informou que além de transmitir as informações relativas ao ano calendário de 2006, ela também estava obrigada a prestar as informações relacionadas aos anos anteriores, desde 2002; - que a cobrança da multa pelo atraso na entrega da DIMOB seria improcedente, pelo simples fato de ela não estar obrigada a apresentar a declaração nos anos anteriores a 2006, conforme a Instrução Normativa SRF n° 576 de 01/12/2006; - que a Instrução Normativa SRF n° 694 trouxe mudanças em relação às pessoas obrigadas a apresentação da DIMOB, conforme art. 1°, inciso IV; - que, no preenchimento das informações solicitadas na DIMOB, teria surgido o questionamento quanto a necessidade da obrigatoriedade de preenchimento da declaração pelas pessoas jurídicas que fossem locatárias de imóveis, pois, o inciso II do art. 2° da referida instrução trata da informação dos pagamentos efetuados e não dos recebimentos, o que teria levado a empresa a solicitar ajuda para a Receita Federal. A 3 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 07-17.580, de 18 de setembro de 2009, pela procedência do lançamento, conforme ementa que ora transcrevemos. MULTA POR ATRASO NA APRESENTAÇÃO DA DIMOB Havendo a obrigatoriedade de apresentação da Declaração de Informação sobre Atividades Imobiliárias - DIMOB, e constatado o atraso na entrega, é devida a multa aplicada. Fl. 3DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.11221.UHNL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 24/26, por meio do qual, reproduzindo a Instrução Normativa SRF nº 304, de 2003, alega: - que as multas previstas no citado ato normativo tangenciam o confisco; - que inexiste no ordenamento jurídico tributário multas tão elevadas; - que, regra geral, as multas são estabelecidas em percentuais sobre o valor do imposto devido; - que, sendo inexistente imposto a recolher, a regra seria a instituição de um valor mínimo, acrescido de taxa selic no caso de pagamento em atraso; - que não realizou operação de venda de unidades, compras ou intermediação e nem mesmo negociou comissão de aluguel; - que apenas recebeu aluguel de unidades (apartamentos) de sua propriedade. Ao final, requer o cancelamento da notificação e, alternativamente, a revisão da multa aplicada. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.11221.UHNL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13984.000325/2007-92 Acórdão n.º 1302-00.452 S1-C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigência de multa por atraso na entrega de Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB), relativamente ao ano-calendário de 2005, formalizada por meio de notificação de lançamento. Mantida a exigência em primeira instância, a contribuinte, em sede de recurso voluntário, alega que as multas exigidas tangenciam o confisco. Diz que inexiste no ordenamento jurídico tributário multas tão elevadas e que, regra geral, tais penalidades são estabelecidas em percentuais sobre o valor do imposto devido. Sustenta que, sendo inexistente imposto a recolher, a regra seria a instituição de um valor mínimo, acrescido de taxa selic no caso de pagamento em atraso. Argumenta que não realizou operação de venda de unidades, compras ou intermediação e nem mesmo negociou comissão de aluguel, tendo recebido apenas aluguel de unidades (apartamentos) de sua propriedade. Nessa linha, protesta pelo cancelamento da exigência, ou, alternativamente, pela sua revisão. A penalidade objeto de exigência foi instituída pela Medida Provisória nº. 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, que, em seu artigo 57, assim estabeleceu: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I - R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês-calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II - cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. O acima mencionado art. 16 da Lei nº. 9.779/99, por sua vez, deu competência à Secretaria da Receita Federal para dispor sobre as obrigações tributárias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, podendo estabelecer, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Fl. 5DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.11221.UHNL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Com base em tais disposições legais, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº. 304, em 21 de fevereiro de 2003, instituindo a denominada Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob). De acordo com o referido ato, cuja vigência se deu na data da sua publicação (24 de fevereiro de 2003), a Dimob era de apresentação obrigatória para as seguintes pessoas jurídicas: a) construtoras ou incorporadoras, que comercializassem unidades imobiliárias por conta própria; e b) imobiliárias e administradoras de imóveis, que realizarem intermediação de compra e venda ou de aluguel de imóveis. A IN SRF nº. 304 foi alterada pelos seguintes atos normativos: - IN SRF nº. 316, de 03 de abril de 2003, que estabeleceu que a declaração deveria ser obrigatoriamente apresentada até o último dia útil do mês de março, em relação ao ano-calendário imediatamente anterior, e que, excepcionalmente, em relação ao ano-calendário de 2002, ela deveria ser apresentada até o último dia útil do mês de maio de 2003; - IN SRF nº. 576, de 1º de dezembro de 2005, que estabeleceu que a Dimob deveria ser obrigatoriamente apresentada para as pessoas jurídicas e equiparadas: a) que comercializassem imóveis que houvessem construído, loteado ou incorporado para esse fim; b) que intermediassem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; ou c) constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio de seus condôminos ou sócios. Estabeleceu ainda, o referido ato, que a declaração deveria ser entregue até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subseqüente ao que se refiram as suas informações; - IN SRF nº. 694, de 13 de dezembro de 2006, que, mantendo o prazo de entrega estabelecido pela IN SRF nº. 576, estabeleceu que a declaração é de apresentação obrigatória para as pessoas jurídicas e equiparadas: a) que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim; b) que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; c) que realizarem sublocação de imóveis; e d) constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, de seus condôminos ou sócios. Observa-se, assim, que a exigência formalizada pelo Fisco encontra-se devidamente lastreada em dispositivos legais. No caso vertente, em que a autuada, considerados os documentos de fls. 07/12, dedica-se à exploração do ramo de incorporação imobiliária, loteamento de terrenos, construção de prédios para venda e desmembramento de terrenos, verifica-se que, desde o momento em que o instrumento declaratório foi instituído, ela estava obrigada a apresentá-lo. A alegação da Recorrente no sentido de que não realizou operação de venda de unidades, compras ou intermediação e nem mesmo negociou comissão de aluguel, tendo recebido apenas aluguel de apartamentos de sua propriedade, desprovida de qualquer meio de prova, à evidência, não tem o condão de afastar a exigência formalizada. No que tange aos demais argumentos, cabe, apenas, os seguintes esclarecimentos: 1. em consonância com o disposto na súmula CARF nº. 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária; e Fl. 6DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.11221.UHNL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13984.000325/2007-92 Acórdão n.º 1302-00.452 S1-C3T2 Fl. 4 7 2. a obrigação acessória, como já visto, foi criada com base em autorização legal, e a penalidade pelo seu não cumprimento foi instituída por meio Medida Provisória, sendo defeso à autoridade julgadora administrativa afastar a aplicação de tais disposições. Assim, considerado o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 16 de dezembro de 2010 Wilson Fernandes Guimarães Fl. 7DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.11221.UHNL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WILSON FERNANDES GUIMARAES em 06/01/2011 14:42:07. Documento autenticado digitalmente por WILSON FERNANDES GUIMARAES em 06/01/2011. Documento assinado digitalmente por: MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 06/01/2011 e WILSON FERNANDES GUIMARAES em 06/01/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.1018.11221.UHNL Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: E5323B6B77AC96E4EDEDC7025B90DDB8C1680B89 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13984.000325/2007-92. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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