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Numero do processo: 10783.902770/2008-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora, considerando a decisão definitiva proferida no processo referente à autuação, manifeste-se conclusivamente sobre os efeitos decorrentes no presente contencioso, quantificando eventuais saldos a recolher no presente processo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente)
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora, considerando a decisão definitiva proferida no processo referente à autuação, manifeste-se conclusivamente sobre os efeitos decorrentes no presente contencioso, quantificando eventuais saldos a recolher no presente processo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente)
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora, considerando a decisão definitiva proferida no processo referente à autuação, manifestese conclusivamente sobre os efeitos decorrentes no presente contencioso, quantificando eventuais saldos a recolher no presente processo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 02 77 0/ 20 08 -4 8 Fl. 1151DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.152 ___________ Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da 3a Turma da DRJ/JFA, em 14.08.2009, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a não homologação parcial da compensação referente a crédito do IPI. Os autos já foram objeto de análise por esse Conselho, que converteu o julgamento do recurso em Diligência, através da 1ª Turma Especial, da Terceira Seção, nos seguintes termos: 1. Com base nas alegações realizadas pela Recorrente e nos documentos anexados ao presente Recurso Voluntário apurar se houve o pagamento em duplicidade dos valores afirmados; 2. Intimar a Recorrente a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 3. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Isto porque, conforme restou consignado no Recurso Voluntário e destacado no relatório e no voto condutor da Resolução, (...) Alega a recorrente que os créditos se, por um lado, teve os créditos por ela compensados reduzidos, por outro lado também teve, por ocasião da recomposição da apuração do IPI realizada no AI n° 15586.001512/200892, mantido intactos os débitos vinculados aos créditos não homologados. Agravase ao fato que a recorrente procedeu o pagamento do débito por meio do direito conferido na MP n° 470/09, do débito tributário que deixou de ser recolhido em função da utilização do crédito presumido de IPI. Assim, incluiu todos os débitos apurados no AI n° 15586.001512/2008 92 na anistia e desistiu da discussão administrativa. Conforme relatado, na decisão proferida pela DRJ/JFA, tornou imperativa a análise da dita duplicidade, assim determinando: "Na análise do auto de infração mencionado será verificada a ocorrência da mencionada duplicidade, sendo necessário que o julgamento dos pedidos de ressarcimento ocorra a priori" (fls. 425). Relata a Recorrente tal situação decorreu do fato de que o AI n° 15586.001512/200892 e a Manifestação de Inconformidade foram julgados em 28.08.2009, mas a Recorrente foi cientificada das decisões apenas em 18.01.2010, ou seja, quase quatro meses após a prolação dos acórdãos. Desconhecendo o teor das decisões, em 26.11.2009 a Recorrente desistiu da defesa apresentada no AI n° 15586.001512/200892 e quitou todos os débitos lançados. Relata ainda que em função das datas dos acontecimentos, o Fisco reconheceu a "duplicidade" no AI n° 15586.001512/200892 e não no presente processo. Notase do exposto, que a matéria exige esclarecimento, dado que houve quitação do débito, transcurso temporal diverso entre as manifestações e defesas, bem como permanece a dúvida sobre o procedimento fiscal de reconstituição da escrita fiscal, onde por um lado a Recorrente teve os créditos por ela compensados reduzidos e por outro lado, os débitos vinculados mantidos intacto. Desse modo, caberia questionar sobre o montante final do débito a ser considerado. Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 10783.902770/200848 Resolução nº 3401001.583 S3C4T1 Fl. 1.153 3 Em cumprimento à diligência, a chefe da Equipe de Parcelamento proferiu despacho informando o seguinte: Os processos em referência foram encaminhados à DRF/BHE/SECAT/Eqpar para que seja esclarecido se no processo 11962.000397/200924 (MP 470/2009) estão consolidados os valores constantes do processo 15586.001512/200892. A análise do parcelamento previsto na MP 470/2009 ficou a cargo de um Grupo de Trabalho criado especificamente para essa finalidade, não tendo a Equipe de Parcelamento participado. No entanto, em consulta ao Despacho emitido por esse Grupo de Trabalho, verificouse que a decisão final relacionada ao pedido da empresa CBF INDÚSTRIA DE GUSA S/A depende da conclusão do julgamento do processo 15586.001512/200892 pelo CARF. Em consulta ao SIEF, nessa data, verificouse que esse processo ainda está em julgamento. Em relação ao processo 15586.001512/200892, o Despacho Decisório do GT MP 470/2009 definiu que: – Caso o CARF modifique o julgamento da DRJ e confirme que os débitos do processo 15586.001512/200892 são devidos, o contribuinte, por ter solicitado sua consolidação nos termos da MP 470/2009, disporá de 30 dias após a intimação de cobrança para recolher a diferença apurada (R$ 52.248,79, em 11/2009) corrigida pela SELIC acumulada até a data de pagamento (CENÁRIO 1 DA MEMÓRIA DE CÁLCULO) – Caso o CARF confirme a exoneração dos valores, ratificando assim a decisão da DRJ, o processo 15586.001512/200892 não entra na consolidação da MP 470/2009, por ter sido exonerado. Por outro lado, o processo 15586.001512/200892, com a adesão do contribuinte ao parcelamento criado pela Medida Provisória 470/2009, teve julgamento terminativo favorável à Fazenda Nacional, em razão da desistência do litígio pelo contribuinte, tal como restou ementado quando do julgamento do recurso da Procuradoria (Acórdão 9303005.292), em 22.06.2017: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 31/07/2005 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. EFEITOS. O pedido de desistência total do sujeito passivo, formulado em qualquer etapa processual, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, implica a extinção ex tunc do litígio, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Após manifestação da Recorrente, em que sustenta que não haver mais dúvidas com relação à cobrança em duplicidade do tributo (auto de infração nº 15586.001512/200892 vs. Manifestações de inconformidade nº’s 10783.901836/200611; 10783.901835/200676; 10783.902770/200848; e 10783.902771/200892), e já quitado à vista em parcelamento, os autos retornaram ao CARF para seguir a julgamento; onde foi distribuído a mim para relatar. É o relatório. Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 10783.902770/200848 Resolução nº 3401001.583 S3C4T1 Fl. 1.154 4 VOTO Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação, de forma que lhe tomo conhecimento. Do Mérito Tal como se verifica da leitura das conclusões do Grupo de Trabalho responsável pela consolidação manual dos débitos no âmbito da anistia da MP 470/09, foi confirmado que os débitos controlados pelo PTA nº 15586.001512/200892 foram incluídos na anistia. Como a Câmara Superior de Recursos Fiscais homologou a desistência da Recorrente naquele caso, quando do julgamento do Recurso Especial da Procuradoria, os débitos naquele processo são plenamente e devidos e, diante do parcelamento com liquidação à vista, foram tipo como pagos. Assim, tendo em vista a coincidência fática entre os aludidos pedidos de compensação (que originaram os PTA´s 10783.901836/200611; 10783.901835/200676; 10783.902770/200848; e 10783.902771/200892) que vieram a ser indeferidos pelas mesmas razões que o auto de infração consignado no PTA 15586.001512/200892 – concidência inclusive reconhecida pela próprio DRJ – há de se arrastar as conclusões e efeitos do processo de lançamento de ofício aos processos que versam sobre as compensações negadas. Desta feita, devese reconhecer que houve cobrança em duplicidade dos valores controlados pelo presente processo, em comparação aos valores lançados no PTA 15586.001512/200892 (Auto de Infração); valores estes que, em razão da decisão terminativa pela CSRF e da respectiva liquidação durante o programa de parcelamento, deverão ser conciliados e excluídos dos valores lançados por conta do despacho decisório. Todavia, tendo em vista o término do julgamento do PTA 15586.001512/2008 92 (Auto de Infração), e em virtude de a diligência não esclarecer efetivamente se os valores que ali foram quitados em função da anistia guardavam relação com os montantes discutidos na compensação. Pelo exposto, sugiro nova conversão em diligência para que a unidade preparadora, considerando a decisão definitiva proferida no processo referente à autuação, manifestese conclusivamente sobre os efeitos decorrentes no presente contencioso, quantificando eventuais saldos a recolher no presente processo. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 1154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012785/2006-17
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA SUMULADA.
Imputação de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, e lançamento de multa de ofício. Sendo os fatos geradores anteriores ao ano de 2007, aplica-se a Súmula nº 105 do CARF, sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, para afastar a multa isolada.
Numero da decisão: 9101-003.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 10508.000384/2006-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator e Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA SUMULADA. Imputação de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, e lançamento de multa de ofício. Sendo os fatos geradores anteriores ao ano de 2007, aplica-se a Súmula nº 105 do CARF, sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, para afastar a multa isolada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1794; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.012785/200617 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.771 – 1ª Turma Sessão de 13 de setembro de 2018 Matéria ESTIMATIVA MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VALLOUREC MINERACAO LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA SUMULADA. Imputação de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, e lançamento de multa de ofício. Sendo os fatos geradores anteriores ao ano de 2007, aplicase a Súmula nº 105 do CARF, sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, para afastar a multa isolada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase aqui o decidido no julgamento do processo 10508.000384/200615, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 27 85 /2 00 6- 17 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10680.012785/200617 Acórdão n.º 9101003.771 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face de decisão recorrida, para devolver a apreciação da matéria "afastamento da multa isolada de estimativas mensais aplicada ao mesmo tempo que a multa de ofício", relativamente ao(s) ano(s)calendário(s) de 2002. Despacho de exame de admissibilidade deu seguimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O julgamento do presente recurso especial segue a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º a 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já que as situações fática e jurídica verificadas neste processo são, em todos os aspectos relevantes para decisão, idênticas àquelas verificadas no processo 10508.000384/200615, ao qual este é vinculado. Isso posto, aplicase aqui o decidido por esta 1ª Turma da CSRF em seu Acórdão nº 9101003.762, exarado em 13 de setembro de 2018, no âmbito do referido processo 10508.000384/200615. Transcrevese, a seguir, como razões de decidir do presente litígio, trechos do voto que prevaleceu no mencionado Acórdão nº 9101003.762: (...) Quanto ao mérito, como já dito, a matéria devolvida, multa isolada por insuficiência de recolhimento estimativa mensal com imputação ao mesmo tempo que a multa de ofício, em ano calendário anterior a 2007, encontrase resolvida pela Súmula nº 105 do CARF: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (...) Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10680.012785/200617 Acórdão n.º 9101003.771 CSRFT1 Fl. 4 3 Por todo o exposto, empregando a sistemática estabelecida nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, e aplicando à presente lide as razões de decidir acima transcritas, nego provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.000789/2004-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Os rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia estão sujeitos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, independentemente de já terem sido tributados na fonte, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual.
MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Numero da decisão: 2002-000.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar a multa de ofício aplicada.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Os rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia estão sujeitos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, independentemente de já terem sido tributados na fonte, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar a multa de ofício aplicada. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. Os rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia estão sujeitos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, independentemente de já terem sido tributados na fonte, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar a multa de ofício aplicada. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 07 89 /2 00 4- 67 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10380.000789/200467 Acórdão n.º 2002000.514 S2C0T2 Fl. 78 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 13/20) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2000, onde se apurou: Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Pensão Alimentícia. Em vista da impugnação apresentada pela contribuinte (efls. 07/09), a 1ª Turma da DRJ/FOR julgou o lançamento procedente conforme decisão assim ementada (efls. 35/45): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Os rendimentos pagos por anistiados politicos a terceiros, a titulo de pensão alimentícia em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, não têm a natureza de rendimentos isentos. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. INFORMAÇÃO INCORRETA. A incorreta informação prestada pela pessoa jurídica incumbida de efetuar o pagamento da pensão alimentícia não exime o contribuinte da obrigação de tributar, na Declaração de Ajuste Anual, rendimentos para os quais não há expressa previsão legal de isenção, porquanto o contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza. Cientificado do acórdão de impugnação em 24/10/2007 (efls. 53), a contribuinte ingressou com recurso voluntário em 21/11/2007 (efls. 55/63) com os argumentos a seguir sintetizados: Alega que recebia, à época, pensão alimentícia de seu exconsorte, Sr. Elísio Ribeiro, tendo como órgão pagador o INSS, o qual costumeiramente remetia para sua residência o comprovante de rendimentos correspondente. Expõe que o comprovante anexado indica textualmente que se trata de aposentadoria de anistiado e que os rendimentos são isentos e não tributáveis, decorrentes de pensão, proventos ou reforma. Entende, portanto, que essa pensão não deve mais ser tributada, uma vez que o imposto já fora descontado na fonte. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10380.000789/200467 Acórdão n.º 2002000.514 S2C0T2 Fl. 79 3 Solicita a realização de perícia para que o INSS forneça os comprovantes de retenção na fonte e informa que nomeará um perito de sua confiança para acompanhar o perito oficial. Defende que, como já foi tributada na fonte, não poderia ser cobrada no ajuste da declaração, pois isso representaria um atentado ao princípio do bis in idem. Sustenta que não foi apreciada pelos julgadores de primeiro grau a regra de que os idosos acima de 65 anos têm direito a uma isenção adicional do Imposto de Renda, definida a cada ano pela Receita Federal. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe esclarecer à contribuinte que os rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia estão sujeitos ao recolhimento mensal (carnêleão) e à tributação na Declaração de Ajuste Anual, independentemente de já terem sido tributados na fonte, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. Dessa forma, apenas com a Declaração de Ajuste Anual o imposto se torna definitivo, podendo a autoridade administrativa aceitar os dados fornecidos pelo declarante ou, com base neles, exigir eventual diferença de tributo. Cumpre ressaltar que a Lei nº 8.134/90, ao atribuir à fonte pagadora a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda à medida que os rendimentos são percebidos, determinou que a apuração definitiva do tributo fosse efetuada na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte. Tratase de fato gerador complexivo, com duas modalidades de incidência no mesmo período de apuração, em momentos distintos e com responsabilidades bem definidas. Em um primeiro momento ocorre a retenção e o recolhimento do imposto de renda, que é de exclusiva responsabilidade da fonte pagadora. O tributo é calculado mensalmente à medida que os rendimentos são percebidos e consiste em mera antecipação do imposto efetivamente devido pelo contribuinte. Em um segundo momento procedese ao acerto definitivo do imposto, apurado anualmente na declaração de ajuste sob inteira responsabilidade do beneficiário dos rendimentos. Assim, equivocase a recorrente ao entender que a retenção de imposto de renda efetuada pela fonte pagadora a exime da responsabilidade de informar corretamente em sua Declaração de Ajuste Anual os rendimentos tributáveis dela recebidos. Quanto à isenção pleiteada, impõese observar que os valores pagos a anistiados políticos a título de indenização, em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada, inclusive aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza, são, de fato, isentos do Imposto sobre a Renda, nos termos do art. 9º, parágrafo único, da Lei 10.559/02 e do Decreto 4.897/03. Não obstante, por falta de previsão legal, tal isenção não se estende ao beneficiário de pensão alimentícia paga através desses rendimentos, devendo ser Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10380.000789/200467 Acórdão n.º 2002000.514 S2C0T2 Fl. 80 4 mantida, portanto, a omissão apurada no lançamento. Vale lembrar que o art. 111 do CTN determina a interpretação literal da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Por outro lado, diante do erro cometido pela fonte pagadora ao classificar os rendimentos como isentos/não tributáveis, deve ser cancelada a multa de ofício aplicada, conforme disposto na Súmula CARF nº 73 abaixo reproduzida: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Quanto à isenção para idosos acima de 65 anos, devese esclarecer à recorrente que esta só abrange os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, nos termos do art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, não se aplicando, portanto, aos rendimentos recebidos à titulo de pensão alimentícia. Por fim, entendo que já constam dos autos todos os elementos necessários à solução do presente litígio, mostrandose desnecessária a realização da perícia solicitada pelo recorrente. Ademais, importa salientar que, de acordo com o art. 16 do Decreto 70.235/72, o pedido de perícia deve constar da impugnação apresentada pelo sujeito passivo e deve conter os motivos que a justifique e os quesitos referentes aos exames desejados, além do nome, do endereço e da qualificação profissional de seu perito, o que não se verifica no presente caso. Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para cancelar a multa de ofício aplicada. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.003448/2006-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
SUPOSTA RESTITUIÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA.
A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 SUPOSTA RESTITUIÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária.
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MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 34 48 /2 00 6- 83 Fl. 53DF CARF MF 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2006, anocalendário de 2005, por meio do qual formalizouse a cobrança da restituição indevida a devolver de R$ 1.488,43. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, que é portadora de moléstia grave, estando isenta de imposto de renda desde janeiro de 2004, conforme documentos em anexo A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda desde janeiro de 2004, eis que o laudo estaria datado apenas em 2005, sem indicação de doença anterior. Portanto apenas parte do ano de 2005 estaria a contribuinte isenta. Ademais, entende que a cobrança da restituição indevida a devolver não pode prosperar, uma vez que a contribuinte, ao apresentar sua DIRPF simplificada original (fls.23/25), já ofereceu à tributação corretamente os rendimentos recebidos, inclusive, com a dedução do imposto de renda retido na fonte. Assim sendo, vota por considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, para modificar a restituição indevida a devolver de R$ 1.488,43 (fl. 02) para saldo de imposto a restituir de R$ 2.369,15 (= R$ 3.857,58 R$ 1.488,43), com os devidos acréscimos legais. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte as mesmas razões alegadas na impugnação, no entanto junta documento emitido pela superintendência de saúde do serviço médico estadual, ratificando o quanto alegado pela contribuinte, ou seja, de que a moléstia grave, cegueira, restou comprovada desde janeiro de 2004.. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito do direito a isenção por moléstia grave Consoante art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88A, a qual altera a legislação do imposto de renda e dá outras providência, são seguintes as hipóteses de isenção do imposto sobre a renda: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13706.003448/200683 Acórdão n.º 2001000.801 S2C0T1 Fl. 3 3 XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(destaque nosso) Noutro giro, de acordo com os termos do art. 111 do Código Tributário Nacional – CTN, a legislação tributária que trata de isenção de imposto de renda deve ser interpretada literalmente. Senão vejamos: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Como se vê, pelos dispositivos transcritos, para o contribuinte portador de moléstia grave ter direito à isenção são necessárias duas condições concomitantes, uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão ou ainda de complementação de aposentadoria e a outra é que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal, comprovada por laudo pericial emitido por médico integrante do Serviço Médico Oficial, inclusive devendo ser identificado no laudo, o n.º de registro do profissional no órgão público. Sustenta a DRJ que a contribuinte não teria direito a isenção no ano inteiro calendário de 2005 eis que o laudo foi datado de agosto de 2005 e não havia informação no mesmo de que a doença teria de manifestado anteriormente. Ocorre que em sede de Recurso Voluntário, junta a contribuinte documento emitido pela secretaria de saúde municipal onde deixa claro que a servidora CELIA LEMOS NOGUEIRA, matrícula n°61.8868, é portadora de patologia elencada na Lei número 7.713/88 desde 21.01.2004 em consonância com os laudos e exames anexados ao prontuário. Merece trazer à baila apenas a título de reflexão jurídica, a importância do princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, Fl. 55DF CARF MF 4 oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se nos fatos e argumentos acima expostos, entendo que deve dado provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito a isenção do Imposto de Renda por ser a contribuinte portadora de moléstia grave comprovada desde janeiro de 2004. Salientese que deve ser feito o recálculo do imposto de renda a restituir considerando , além do que foi provido no órgão a quo, a isenção para todo o ano de 2005, tudo devidamente atualizado. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para considerar a contribuinte como portadora de moléstia grave e por conseqüência, reconhecer a sua isenção para fins de imposto de renda desde janeiro de 2004. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13706.003448/200683 Acórdão n.º 2001000.801 S2C0T1 Fl. 4 5 (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.913813/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.913812/2012-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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MONTREAL INFORMATICA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.913812/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 13 81 3/ 20 12 -5 5 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10680.913813/201255 Resolução nº 1302000.677 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação a Acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada contra Despacho Decisório que indeferiu Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao ano calendário de 2009, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº 13009.000062/200504. O indeferimento foi fundamentado no fato de que o pagamento estava integralmente alocado ao referido parcelamento, inexistindo, portanto, saldo passível de restituição. O PER, por outro lado, como esclarecido na Manifestação de Inconformidade, embasouse no fato de que o referido pagamento por estimativa não foi reconhecido no processo administrativo nº 13009.000190/0046, que tratou do Pedido de Restituição relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999. O Acórdão de primeira instância julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo uma vez que, a decisão final do processo administrativo nº 13009.000190/0046 reconheceu a existência de saldo a pagar de CSLL, em relação ao ano calendário de 1999, no montante de R$ 241.202,59, enquanto todos os pagamentos realizados no âmbito do processo administrativo nº 13009.000062/200504, a título de CSLL, somente totalizariam R$ 176.594,58, não havendo, portanto, qualquer valor a restituir. Na primeira oportunidade em que apreciou o Recurso Voluntário do contribuinte, esta Turma Julgadora resolveu converter o julgamento em diligência, para o esclarecimento dos montantes liquidados no âmbito dos processos nº 13009.000190/0046 e 13009.000062/200504. Após a diligência, o processo retornou para julgamento, conforme Relatório de Diligência Fiscal e Manifestação do Recorrente. É o Relatório. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10680.913813/201255 Resolução nº 1302000.677 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302000.676, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.913812/201219, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.676): "Apesar de haver sido realizada a Diligência determinada por esta Turma, conforme relatado, as informações constantes do Relatório de Diligência Fiscal de fls. [...] não esclareceram os pontos questionados, de forma conclusiva. É que o citado Relatório informa, inicialmente, que "o processo 13009.000062/200504, do qual constam as estimativas da CSLL, foi extinto por quitação do parcelamento e controla as estimativas da CSLL do anocalendário de 1999". Mais à frente, informa que o total de débitos parcelados no âmbito do referido processo foi de R$ 258.873,49 e o extrato de fls. [...] revela todos esses débitos extintos, sem, contudo, discriminar quais pagamentos foram utilizados para esta quitação. Além disso, à fl. [...], são listados os pagamentos relativos ao processo nº 13009.000062/200504, sendo que ali há apenas 13 pagamentos no valor principal de R$ 9.810,81, o que não seria suficiente para quitar o saldo parcelado de R$ 258.873,49. Não há qualquer detalhamento de possíveis pagamentos que o sujeito passivo possa ter realizado em relação ao saldo de estimativas parceladas no processo nº 13009.00062/200504, no âmbito do parcelamento especial instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006 (após a rescisão, em agosto de 2006, do parcelamento de que trata o processo nº 13009.00062/200504), bem como no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (após a rescisão do PAEX, em setembro de 2009), de modo a justificar a extinção. Ademais, segundo a Discriminação de débitos a parcelar (Dipar) constante do processo nº 13009.000062/200504, o montante ali parcelado foi de R$ 588.468,60, conforme imagem a seguir: Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10680.913813/201255 Resolução nº 1302000.677 S1C3T2 Fl. 5 4 Como registrado na Resolução anterior, a quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de CSLL, bem como a apuração dos montantes que permanecem disponíveis em relação a tais pagamentos, tem efeito direto na análise do PER de que trata o presente processo, bem como na análise de PER similares referentes aos demais pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL, no âmbito do processo n° 13009.00062/200504. É que, ao contrário do afirmado no Relatório de Diligência Fiscal, houve sim, por parte do Recorrente, pedido de restituição/compensação referente ao saldo de CSLL do ano calendário de 1999, tratado no âmbito do processo administrativo nº 13009.000190/0046 e que reconheceu, em lugar de saldo negativo, a existência de saldo a pagar de CSLL, no montante de R$ 241.202,59. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne, mais uma vez, à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte), para que: a) discrimine a forma de extinção de todas as estimativas de CSLL parceladas no âmbito do processo nº 13009.00062/200504 (diretamente naquele processo ou em parcelamentos especiais posteriores); b) informe sobre eventuais saldos disponíveis dos pagamentos realizados no âmbito do referido processo; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720423/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO.
Devem ser reconhecidos os créditos vinculados ao óleo diesel, gasolina e propeno grau polímero cujo pagamento a maior restou comprovado por meio dos espelhos das notas fiscais, no montante reconhecido em diligência fiscal.
Numero da decisão: 3401-005.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, unicamente para reconhecer os créditos vinculados às operações de vendas comprovadas, nos exatos e precisos termos do relatório de diligência fiscal.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. Devem ser reconhecidos os créditos vinculados ao óleo diesel, gasolina e propeno grau polímero cujo pagamento a maior restou comprovado por meio dos espelhos das notas fiscais, no montante reconhecido em diligência fiscal.
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DIREITO AO CRÉDITO. Devem ser reconhecidos os créditos vinculados ao óleo diesel, gasolina e propeno grau polímero cujo pagamento a maior restou comprovado por meio dos espelhos das notas fiscais, no montante reconhecido em diligência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, unicamente para reconhecer os créditos vinculados às operações de vendas comprovadas, nos exatos e precisos termos do relatório de diligência fiscal. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 04 23 /2 00 7- 14 Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 10768.720423/200714 Acórdão n.º 3401005.398 S3C4T1 Fl. 1.430 2 Relatório 1. Tratase do despacho decisório, situado à fl. 111, proferido com base no Parecer Conclusivo nº 21/2010 situado às fls. 103 a 110, que não homologou pedido de restituição e compensação referente a pagamento a maior de Cofins, código de retenção 2172, referente ao período de apuração compreendido entre 01/11/2003 a 30/11/2003, no valor de R$ 104.746,38, com o qual pleiteia compensar débito também de Cofins, código 6840, referente ao período de apuração de agosto de 2005, com base nos seguintes fundamentos: a) O contribuinte retificou a DCTF alterando o valor da Cofins devida sob o código 2172 para o período em questão e incluindo a compensação com a CIDE. O valor retificado em DCTF coincide com o declarado na DIPJ. Consta recolhimento de R$ 32.509.487,76 referente a este código. Foi formalizada Dcomp para compensação de Cofins paga a maior referente a este p.a., sob o código 6840, controlada no processo 10768.720173/200712; b) O processo foi encaminhado à DIPAC/DEFIC/RJO para realização de diligência visando esclarecer o efetivo valor da Cofins devida e verificar a procedência do valor da CIDE. O resultado consta do relatório às fls. 69/78; c) Em virtude de divergências entre o relatório deste processo e o do processo/ n° 10768.720173/200712 relativo à Cofins, código 6840 do mesmo período de apuração, houve uma revisão das diligências anteriores e exarado o relatório fiscal complementar às fls. 96/102; d) O relatório conclui que, após revisão das diligências, o valor a pagar, código 2172, foi retificado para R$ 84.208.925,40 e código 6840 para R$ 621.300.766,06. A dedução da CIDE admitida foi a informada pelo contribuinte em DCTF; e) No Parecer foram efetuados, ainda, alguns ajustes. A alteração relativa ao valor das "vendas canceladas e descontos incondicionais" não será acatada, posto que não se verificou a duplicidade de exclusão apontada no relatório fiscal; f) O valor declarado na linha 19 da ficha 26 A foi retificado em virtude da alteração no valor da receita de venda de GLP e uma vez que não serão consideradas as deduções indicadas pelo contribuinte referentes a "liminares impetradas", tanto para a receita da venda de gasolina quanto de óleo diesel, admitidas no relatório fiscal, posto que não há na legislação da Cofins qualquer autorização para efetuar tal exclusão. Havendo discussão judicial sobre determinada receita, o procedimento apropriado é informar na DIPJ o total da receita auferida, apurar o tributo devido e, na DCTF, especificar o montante discutido, que ficará com a exigibilidade suspensa até findar a lide. Assim sendo, foi retificada a planilha elaborada pela fiscalização, para incluir na base de cálculo da Cofins sujeita a Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 10768.720423/200714 Acórdão n.º 3401005.398 S3C4T1 Fl. 1.431 3 alíquotas diferenciadas, o valor indevidamente excluído, bem como para retificar o valor da receita de venda de GLP; g) A receita de exportação foi alterada para o valor declarado na planilha apresentada pelo contribuinte; h) A soma das receitas de venda e revenda no mercado interno foram alterados para os valores constantes da planilha do contribuinte; i) As receitas isentas ou sujeitas à alíquota zero foram consideradas pelo valor informado no 2o relatório fiscal; j) O valor de "outras receitas" será o indicado no 2o relatório fiscal; k) O valor das vendas canceladas, descontos e devoluções de venda foi considerado pelo indicado na DIPJ, coincidente com a planilha de fl. 64; 1) A dedução referente à venda de produtos sujeitos à alíquotas diferenciadas foi considerada pelo valor líquido para evitar duplicidade de dedução; m) Após as retificações demonstradas em fls. 109 e considerando os pagamentos constantes do sistema SINAL 07, concluise que, ainda que se considere a parcela quitada por compensação como indicado em DCTF, não há que se falar em pagamento a maior, posto que os pagamentos e compensações não são suficientes para quitar o correspondente débito apurado, seja referente ao código 2172, seja referente ao código 6840" (seleção e grifos nossos). 2. A contribuinte apresentou, em 08/10/2010, manifestação de inconformidade, situada às fls. 117 a 130, na qual argumentou, em síntese, que: (i) no que tange à gasolina, não foram consideradas as deduções do produto 623 (gasolina de aviação), tributada à alíquota de 3% (art. 4o, incisos I c/c IV da Lei 9.718/98), assim como não foram consideradas as deduções de venda para empresas com liminares que garantem a suspensão da Cofins; (ii) no que tange ao Diesel, não foram consideradas as deduções de venda para empresas com liminares; (iii) no que tange ao GLP, não foi deduzido o valor relativo ao propano/butano; (iv) a liminar existente ampara a empresa no sentido de que ao vender o produto não possa fazer incidir sobre o preço o quantum relativo à COFINS, justamente por se discutir no bojo dessas ações se este tributo não seria devido; (v) a discussão judicial torna o fato gerador da COFINS em fato condicional, tendo em vista que a concretização do fato gerador está condicionada a uma decisão definitiva em âmbito judicial; (vi) as exportações e as receitas isentas ou sujeitas à alíquota zero estão de acordo com o parecer da Receita; (vii) como não houve desconformidade em relação às outras receitas, não há comentários a tecer; (viii) apresenta demonstrativo da Cofins a pagar; (ix) por fim, requer seja declarada legítima e homologada a compensação efetuada e protesta pela juntada posterior de documentos complementares necessários à presente defesa. Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 10768.720423/200714 Acórdão n.º 3401005.398 S3C4T1 Fl. 1.432 4 3. Em 23/02/2011, a 5ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) proferiu o Acórdão DRJ nº 1333.538, situado às fls. 208 a 220, de relatoria da AuditoraFiscal Andréa Paula de Morais Machado, que entendeu, por maioria de votos, julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada, vencido o AuditorFiscal Nilson Galdino de Queiroz Júnior, que entendeu correta a inclusão dos valores registrados a título de outras receitas na base de cálculo da contribuição apurada. 4. A contribuinte, intimada via postal da decisão em 11/10/2011, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 231, interpôs, em 07/11/2011, em conformidade com o carimbo aposto à fl. 232, recurso voluntário, situado às fls. 232 a 243, no qual reiterou as razões de sua impugnação manifestação de inconformidade com relação a: (i) dedução da base de cálculo da COFINS relativa às vendas de combustíveis decorrentes de liminares judiciais (gasolina óleo diesel); (ii) não aplicação de alíquota geral relativa à COFINS sobre vendas de propeno grau polímero (produto 614), excluído da base de cálculo das vendas e GLP (alíquota específica) e (iii) exclusão da base de cálculo das vendas de gasolina de aviação da alíquota específica e aplicação de alíquota geral da COFINS. 5. Em sessão de 26/02/2007, foi proferida a Resolução CARF nº 3203 000.424, de redatoria do Conselheiro Domingos de Sá Filho, que houve por bem converter o julgamento em diligência para que a unidade apurasse a base de cálculo por meio do exame dos documentos colecionados nos autos e diante da comprovação da existência de liminares relativas às vendas de gasolina e diesel para dela excluir as receitas provenientes da comercialização de (i) Gasolina de Aviação (exclusão da base de cálculo das vendas de gasolina – alíquota específica); (ii) produto 614 propeno grau polímero, NCM 29.01.22.00, distinto do GLP, alíquota especial; (iii) óleo diesel, tributação monofásica; e (iv) vendas efetuadas para empresas detentora de liminares (gasolina e diesel). 6. Em 17/07/2017, a Equipe Fiscal 4 da Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes da Superintendência Regional da 7ª Região Fiscal proferiu o relatório de diligência fiscal Diort/DemacRJO/SRRF07, situado às fls. 1.358 a 1.367, que concluiu restar "(...) pagamento a menor de Cofins 2172 relativo à competência de novembro de 2003, no valor de R$ 771.254,88". 7. A contribuinte, intimada em 09/08/2017, apresentou, em 08/09/2017, "contrarrazões" ao relatório fiscal, peça situada às fls. 4.754 a 4.758, ora recebida como manifestação sobre o resultado da diligência efetuada, na qual requereu o sobrestamento do presente feito até o ulterior julgamento definitivo do Processo Administrativo nº 10768.720173/200712, que discute Cofins, Código de Recolhimento 6840, ante a interferência relatada em diligência fiscal sobre a composição da base de cálculo da Cofins. É o Relatório. Voto Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 10768.720423/200714 Acórdão n.º 3401005.398 S3C4T1 Fl. 1.433 5 Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. A questão devolvida ao conhecimento deste colegiado se volta à composição da base de cálculo e, mais especificamente, a respeito da inclusão ou não da (i) gasolina de aviação, (ii) propeno grau polímero, (iii) óleo diesel e (iv) vendas efetuadas para empresas detentoras de liminares (gasolina e diesel), tendo a decisão recorrida entendido que a falta de segregação contábil de tais valores impediria o atendimento do pleito recursal, seja quanto à sua exclusão da base calculada, seja quanto à aplicação das alíquotas específicas, o que motivou a baixa em diligência nos seguintes termos: A documentação acostadas pela Interessada a primeira vista parece suficiente a suprir ausência de segregação contábil e possibilitar análise quanto aplicação da alíquota correta ao produto comercializado. Em relação à gasolina de aviação foi incluída à base de cálculo por estar contabilizada em receita de gasolina sem o destaque de produto a sofrer incidência de alíquota diferenciada de 3%, cujo total incluída na conta de gasolina é de R$ 2.253.574,20. O produto 614 – propeno grau polímero, NCM 29.01.22.00, distinto do GLP, alíquota especial, total de R$ 47.316.704,57 relativo às vendas foram incluído à base de cálculo, diante da documentação acostada deve ser apurado com base nos documentos fiscais. Sustentase que a comercialização de óleo diesel alcançada pela tributação monofásica decorre de ter sido adquirido da empresa REPAR, portanto, deveria compor a base de cálculo na determinação da contribuição devida pela Interessada, cujo valor informado é de R$ 3.344.957,45. Assim como, as vendas de mercadorias realizadas a empresas com liminar judicial no montante de R$ 40.997.672,70 e R$ 19.363.211,69, gasolina e diesel respectivamente, não pode ser considerado apropriação de crédito, mas sim receitas excluídas da base de cálculo. Deve ser juntado aos autos prova da existência, uma vez que a fiscalização em diligência acolheu os valores que restou não acatado pela Autoridade Fiscal, que afastou sobre o argumento de que não se pode utilizar crédito pendente de discussão judicial. De modo que vislumbro a necessidade de transformar o julgamento em diligência no sentido de apurar à base de cálculo por meio do exame dos documentos colecionados nos autos e Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 10768.720423/200714 Acórdão n.º 3401005.398 S3C4T1 Fl. 1.434 6 diante da comprovação da existência de liminares relativas às vendas de gasolina e diesel para excluir da base de cálculo as receitas provenientes da comercialização de: a) Gasolina de Aviação; b) produto 614 – propeno grau polímero, NCM 29.01.22.00, distinto do GLP, alíquota especial, c) óleo diesel – tributação monofásica, d) vendas efetuadas para empresas detentora de liminares (gasolina e diesel). 10. O relatório de diligência realizado pela unidade de fato aponta para a existência de outro processo com base de cálculo correlata, nos seguintes termos: O processo 10768.720.173/200712, por sua vez, trata do aproveitamento de crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS, código de receita 6840, relativo ao mesmo período de apuração. Ambos os processos foram convertidos em diligência pelo CARF e, por apresentarem base de cálculo correlatas, foram tratados em conjunto nesta diligência. 11. Em primeiro lugar, quanto à (i) gasolina de aviação, a contribuinte apresentou seis notas fiscais de venda que, no entanto, estavam ilegíveis, sendo apenas possível ler o “Número de Controle do Formulário”, o que motivou a autoridade fiscal realizar a intimação para apresentar O contribuinte apresentou no processo correlato 24 (vinte e quatro) supostas notas fiscais de venda de gasolina de aviação cujo somatório dos valores totaliza R$ 7.219.158,60, o que, em tese, justificaria o valor da exclusão da base de cálculo da gasolina pleiteada por ele. Entretanto, os documentos apresentados como notas fiscais de gasolina de aviação não são documentos fiscais idôneos para comprovar a referida venda. Assemelhamse a telas de sistema ou espelhos de nota e possuem a seguinte inscrição “NÃO VALE COMO DOCUMENTO FISCAL”. Considerando o exposto, intimouse o contribuinte, no âmbito de ambos os processos, a apresentar documentos fiscais idôneos ORIGINAIS (ou cópias autenticadas) que comprovassem a venda de gasolina de aviação no mês de novembro de 2003. Em resposta à intimação, o contribuinte juntou ao presente processo apenas 6 (seis) notas fiscais de venda de gasolina de aviação, no valor de R$ 3.213.090,37, não sendo juntada nenhuma nota desse produto ao processo correlato. Segue a relação das notas de gasolina de aviação admitidas: Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 10768.720423/200714 Acórdão n.º 3401005.398 S3C4T1 Fl. 1.435 7 12. Assim, informa que "(...) deferiuse a exclusão dos R$ 3.213.090,37 referentes à gasolina de aviação". 13. Em segundo lugar, quanto ao (ii) Propeno Grau Polímero (NCM: 2901.22.00), reconheceu que o propeno deve ser excluído da BC do GLP, de acordo com o parágrafo único do art. 53 da IN SRF 247/2002, e esclarece que a O contribuinte apresentou no processo correlato 48 (quarenta e oito) supostas notas fiscais de venda de propeno cujo somatório dos valores totaliza R$ 8.693.460,44, o que, em tese, justificaria parcialmente o valor da exclusão da base de cálculo do GLP pleiteada por ele. Entretanto, os documentos apresentados como notas fiscais de propeno não são documentos fiscais idôneos para comprovar a referida venda. Assemelhamse a telas de sistema ou espelhos de nota e possuem a seguinte inscrição “NÃO VALE COMO DOCUMENTO FISCAL”. Considerando o exposto, intimouse o contribuinte, no âmbito de ambos os processos, a apresentar documentos fiscais idôneos ORIGINAIS (ou cópias autenticadas) que comprovassem a venda de propeno no mês de novembro de 2003. Em resposta às intimações, o contribuinte juntou ao presente processo 32 (trinta e duas) notas fiscais de venda de propeno e ao processo correlato outras 34 (trinta e quatro). No total, essas 66 (sessenta e seis) notas atingem a monta de R$ 13.884.444,71. Segue a relação das notas de propeno admitidas: (...). Em tempo: dos 48 (quarenta e oito) espelhos de nota de propeno apresentados no processo correlato, foram apresentadas as versões originais de 46 (quarenta e seis) notas. Só não foram apresentadas as originais das notas 132420 (R$ Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 10768.720423/200714 Acórdão n.º 3401005.398 S3C4T1 Fl. 1.436 8 158.925,80) e 132422 (R$ 431.847,72), as quais foram glosadas" (seleção e grifos nossos). 14. Assim, informa que "(...) deferiuse a exclusão dos R$ 13.884.444,71 que corresponde à soma dos valores das 66 notas fiscais apresentadas, referente ao Propeno Grau Polímero". 15. Em terceiro e quarto lugares, quanto ao (iii) óleo diesel e às (iv) exclusões referentes a liminares, a contribuinte foi intimada a apresentar informações completas sobre as exclusões referentes a “liminares” citadas nos autos, à fl. 69, nos montantes de R$ 1.440.900,00 (óleo diesel) e de R$ 3.967.160,84 (gasolina). Em resposta, a contribuinte apresentou documentos concernentes a ações judiciais, acrescentando uma planilha eletrônica na qual estão discriminados os documentos fiscais correspondentes a vendas sob liminar, com a indicação do número da ação judicial que embasou a respectiva venda. Seguem extratos da planilha apresentada pelo contribuinte: Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 10768.720423/200714 Acórdão n.º 3401005.398 S3C4T1 Fl. 1.437 9 16. A unidade elaborou o quadro a seguir a fim de relacionar as ações judiciais e suas respectivas situações, obtidas por meio de pesquisa no site da Justiça Federal. Informa que, em que pese as liminares terem sido concedidas, nenhuma das ações prosperou: 17. Informa, ainda, a autoridade fiscal: "Entretanto, com o fim do regime da substituição tributária no ano 2000, a refinaria passa a atuar como contribuinte e não mais como substituto tributário. Assim, ainda que houvesse liminar a favor de determinadas distribuidoras, a refinaria não poderia simplesmente deixar de oferecer tais receitas à tributação, mas sim informar o montante de tributo sujeito à discussão judicial em DCTF, suspendendo assim sua exigibilidade, até o desfecho judicial da lide. Dada a incerteza e não liquidez do crédito em litígio, não poderia o contribuinte jamais utilizálo em uma declaração de compensação, à revelia dos art. 170 e 170A do CTN. É o que defende, inclusive, o DESEMBARGADOR FEDERAL ANTONIO IVAN ATHIÉ, Relator da Medida Cautelar 2002.02.01.0146834, in verbis: “Nos termos do artigo 242 do RI deste Tribunal, reconsidero, em parte, as decisões de folhas 280/281 e 366, para o fim de condicionar o cumprimento da liminar ao depósito judicial da exação questionada, sensível à alegação da agravante de que a autora não possui capital e bens suficientes para garantir eventual cobrança executiva. Dessa forma, doravante cada aquisição de combustível pela autora, com o efeito da liminar, deve ser precedida de regular depósito judicial vinculado a este feito, e seqüente comunicação à refinaria, por ofício. Oficiese com urgência à Petrobras, comunicandoa desta decisão.” Em tempo: não consta dos autos nenhum comprovante de depósito judicial da exação questionada. Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 10768.720423/200714 Acórdão n.º 3401005.398 S3C4T1 Fl. 1.438 10 Pelas razões expostas, glosaramse as exclusões relativas à venda a liminaristas nos valores de R$ 1.440.900,00 (óleo díesel) e de R$ 3.967.160,84 (gasolina)" (seleção e grifos nossos). 18. Conclui, assim, que "(...) glosaramse as exclusões relativas à venda a liminaristas nos valores de R$ 1.440.900,00 (óleo díesel) e de R$ 3.967.160,84 (gasolina)". 19. Com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto unicamente para reconhecer os créditos vinculados às operações de vendas comprovadas, nos exatos e precisos termos do relatório de diligência fiscal. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1438DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.903493/2012-57
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 41710.45624.310807.1.2.038485 em 31.08.2007, efls. 297317, utilizandose do saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor original de R$37.782,11 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real do 2º trimestre do anocalendário de 2007, para compensação dos débitos ali confessados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 34 93 /2 01 2- 57 Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 380 2 Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, efl. 289, cientificado a Recorrente em 17.04.2012, efl. 322, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento parcial do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CREDITO [...] RETENÇÕES FONTE [...] SOMA PARC. CRED. PER/DCOMP [...] 51.300,99 [...] 53.431,22 CONFIRMADAS [...] 39.485,17 [...] 39.485,17 [...] Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6° e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN SRF 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1147.091, de 31.07.2014, efls. 341351: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. É reconhecido o direito creditório até o limite das retenções comprovadas. Carece de certeza e liquidez a parcela do crédito pleiteado utilizada para compor o saldo negativo da CSLL que não teve sua retenção na fonte comprovada. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. A contribuição retida na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensada se o contribuinte possuir comprovante hábil da retenção em seu nome. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte [...] Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para reconhecer, adicionalmente ao despacho, o direito creditório no montante de R$ 856,46 (oitocentos e cinquenta e seis reais e quarenta e seis centavos), devendo, a unidade de origem, proceder à homologação da compensação até o limite do crédito ora reconhecido. Notificada em 24.12.2014, efl. 355, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 20.01.2015, efls. 357376, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 381 3 Relativamente aos fatos expõe que: DO MÉRITO A controvérsia cingese em torno dos comprovantes de retenção na fonte e demais documentos anexados na manifestação de inconformidade (Comprovantes de rendimentos, Notas fiscais e Livro Razão). A fundamentação invocada pelo Fisco para as glosas consistiu na não confirmação da retenção na fonte de várias das parcelas de composição do crédito informadas pela recorrente nas PER/DCOMP. O Fisco, no Acórdão que julgou a manifestação de inconformidade, opõese à possibilidade de comprovação das retenções na fonte por meio de documentação outra, que não comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados, conforme modelo colacionado no acórdão. [...] A recorrente juntou na manifestação de inconformidade 19 comprovantes anuais de rendimentos e 240 notas fiscais, relativos aos tomadores de serviços e ao trimestre em apreço. Destes documentos (comprovantes anuais de rendimentos), o nobre fisco considerou tão somente os valores anteriormente não confirmados e os de valores iguais ou a maior que os declarados nas per/dcomps. Vale destacar que se trata de Contribuição Social sobre o lucro liquido retido na fonte pela tomadora do serviço, para posterior restituição/ressarcimento e/ou compensação na forma da lei. [...] Outro ainda, se dá pelo desencontro das informações praticadas pela prestadora de serviço (requerente) e a tomadora de serviços (cliente), ou seja, enquanto a requerente contabiliza e informa através da PER/DCOMP os valores retidos na fonte, com base na data da emissão das faturas REGIME DE COMPETÊNCIA, o tomador do serviço o faz na data do resgate da fatura, com base na data do pagamento das faturas, ou seja, pelo REGIME DE CAIXA. É fato também, que alguns comprovantes de rendimentos possuem inexatidões. E, estas são as principais razões pelas quais, a análise das parcelas de crédito, são parcialmente confirmadas e não confirmadas, a teor do que consta na tabela já juntada a estes autos. QUANTO AS INEXATIDÕES A falta de fornecimento do comprovante ou inexatidão no seu preenchimento é de inteira responsabilidade do tomador de serviços. In casu, depreendese das inúmeras notas fiscais juntadas, que a recorrente sofreu as devidas retenções na fonte, inclusive CSLL. Por outro lado, em alguns dos comprovantes de rendimentos pagos e/ou creditados e de retenção de imposto de renda na fonte, depreendese que a tomadora de serviços informou com inexatidão o imposto/contribuição devido. E, a Instrução Normativa número 119/2000 da RFB, determina que: a pessoa, jurídica que deixar de fornecer às pessoas jurídicas beneficiárias, até o último dia Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 382 4 útil do mês de fevereiro do ano calendário subseqüente, ou fornecer com inexatidão o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados a Pessoa Jurídica e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte ficara sujeita ao pagamento da multa de R$ 41,43 por documento. Por isto que se afirma que não é justo penalizar a prestadora de serviços (recorrente), que apenas cumpriu a lei, lançando o valor na per/dcomp, nos exatos parâmetros das retenções constantes nas notas ficais anexadas, de onde se extrai o imposto a ser retido na fonte e que deveria ter constado nos comprovantes de rendimentos. Desta forma, tratandose da CSLL retida na fonte antecipadamente pela tomadora do serviço, calculado sobre o valor das Notas de Prestação de Serviço, para ser restituído ou compensado com débitos posteriores, correta são os constantes nas notas fiscais anexadas. Ademais, fazendose um cotejamento percuciente entre as notas fiscais anexadas e alguns comprovantes: anuais de rendimentos pagos ou creditados, restam evidentes as inexatidões constantes nestes últimos documentos. [...] Portanto, a empresa de CNPJ/MF 04.041.993/002121 (PHILIP MORRIS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA), lançou no seu comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados o valor de R$120,42. A recorrente (prestadora de serviço) lançou na per/dcomp, o valor de R$180,63. Das notas fiscais anexadas, referente a esta empresa tomadora de serviços, extraise o valor retido na fonte de R$180,63 = (3 x R$60,21). Logo, evidente a inexatidão contida no documento apontado. [...] Por isto, afirmase que cabe somente a peticionaria, utilizar os créditos, pois já laborou, sofreu retenções, cumprindo com todos seus deveres como contribuinte perante o fisco. [...] Em suma, seja qual for a razão da inexatidão (Regime de Compensação ou Regime de Caixa; o fato de faturas emitidas em um dos três meses do trimestre e liquidadas em um dos três meses do trimestre seguinte; o erro na confecção e consignação dos comprovantes de rendimentos), o certo é que não pode a • prestadora dos serviços ser prejudicada por culpa de terceiro. Por estas razões, a recorrente fez a juntada das notas fiscais, de onde se extrai a devida retenção da CSLL. E, é através das notas fiscais e demais documentos contábeis (livro razão, etc), que restam comprovadas as totalidades das retenções incluídas nas per/dcomp's. [...] Insofismável que o critério utilizado pelo Fisco revelase, não só ato de intransigência, de medida extrema, como também, implica tratamento muito mais rigoroso para as empresas cumpridoras de suas obrigações ficais e tributárias, como a ora recorrente, prejudicadas por uma gama imensa de outras empresas que, por inúmeras razões, não logram uma administração fiscal bem sucedida e regular perante o Fisco. [...] Portanto, pelo retro asseverado, deve o Fisco, ante aos atuais posicionamentos jurisprudenciais, bem como pelo já declinado na manifestação de inconformidade, Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 383 5 não limitar à utilização de outros documentos ou provas . que não. o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte.. E, com o devido acolhimento dos demais documentos (Notas fiscais e Livro Razão, etc), fazendose uma análise percuciente, bem como, com o cotejamento destes com a tabela elaborada, trazidos na manifestação de inconformidade, Vossas Excelências verão que o saldo de R$10.190,76 (R$11.047,22 R$856,46), deverá também ser reconhecido como direito creditório. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: Ante ao todo exposto, a recorrente requer dignese Preclaro Julgador em julgar procedente o Recurso Voluntário para que seja reconhecido o direito creditório postulado, comprovado através de outros documentos que não exclusivamente o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. O Per/DComp e revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são Fl. 383DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 384 6 suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Sobre a matéria, cabe indicar o entendimento emanado em algumas oportunidade pelo Supremo Tribunal Federal1: Não há falar em negativa de prestação jurisdicional quando, como ocorre na espécie vertente, "a parte teve acesso aos recursos cabíveis na espécie e a jurisdição foi prestada (...) mediante decisão suficientemente motivada, não obstante contrária à pretensão do recorrente" (AI 650.375 AgR, rel. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 1082007), e "o órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento" (AI 690.504 AgR, rel. min. Joaquim Barbosa, DJE de 2352008).[AI 747.611 AgR, rel. min. Cármen Lúcia, j. 13102009,1ª T, DJE de 13112009.] =AI 811.144 AgR, rel. min. Rosa Weber, j. 2822012, 1ª T, DJE de 1532012 = AI 791.149 ED, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 1782010, 1ª T, DJE de 2492010 (grifos do original) As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas2. O de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente suscita que o direito creditório deve ser reconhecido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 3. 1 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. A constituição e o supremo do art. 93. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp#visualizar>. Acesso em: 30 mai. 2018. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, art 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 385 7 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais4. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal5. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza6. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Em relação à dedução do valor de tributo retido na fonte, a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor 4 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 6 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 386 8 apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente7. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do período8. A legislação expressamente permite a dedução dos valores de retenção conjunta da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, e pela remuneração de serviços profissionais referentes ao código de arrecadação nº 5952 a título de remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica (art. 30, art. 31, art. 32, art. 35 e art. 36 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, Instrução Normativa SRF nº 459, de 18 de outubro de 2004). O valor da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, código ser determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das seguintes alíquotas: a) 1% (um por cento), a título de CSLL; b) 3% (três por cento), a título de Cofins; e c) 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), a título de PIS/Pasep. Os valores retidos devem ser considerados como antecipação do que for devido pelo sujeito passivo que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições. Os valores retidos podem ser deduzidos, pelo sujeito passivo, das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Ademais, na apuração da CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir da CSLL devida o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. 7 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 8 Fundamentação Legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 387 9 Sobre a alegação de que os débitos foram alcançados pela homologação tácita, temse que a Recorrente formalizou o Per/DComp nº 41710.45624.310807.1.2.038485 em 31.08.2007, efls. 297317 e foi cientificada do Despacho Decisório Eletrônico, efl. 289, em 17.04.2012, efl. 322, com as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento parcial do pedido. Logo não se verifica o interregno no cinco anos entre a apresentação do Per/DComp e a notificação do Despacho Decisório. O código 5952 está regulamentado pela Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004, e versa sobre os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep (art. 30 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Neste caso, o regime de tributação previsto é no sentido de que os valores retidos serão considerados como antecipação do que for devido pela pessoa jurídica que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições em separado, bem como podem ser deduzidos das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção (art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004). Assim, o Per/DComp previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deve ter como direito creditório a identificação discriminada de cada contribuição (CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep), no caso em que a antecipação superar o valor devido. Na Análise das Parcelas de Crédito Contribuição Social Retida na Fonte, e fls. 290296, estão discriminadas as parcelas confirmadas, confirmadas parcialmente e não confirmadas em conformidade com as informações constantes nos registros internos da RFB apresentadas pelas fontes pagadoras. A Recorrente procura demonstrar a tese de defesa apresentando planilha de lançamentos contábeis, Notas Fiscais e os Informes de Rendimentos efls. 17288. Estes documentos foram correta e devidamente considerados pela autoridade julgadora de primeira instância, que na apreciação dessas provas formou livremente sua convicção, conforme o regime de tributação previsto (art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim, as alegadas diferenças apontadas pela Recorrente na peça recursal não foram demonstradas de modo que os fundamentos de fato e direito constantes no Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1147.091, de 31.07.2014, efls. 341351, são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Nos termos do art. 170 do CTN, para que o sujeito passivo postule a restituição/compensação de tributos é necessário que seu direito seja líquido e certo. Assim é que, em se tratando de restituição ou compensação, é dever da Administração investigar a certeza e liquidez do crédito suplicado, independentemente de estar ele consignado em declaração apresentada pelo contribuinte. Assim, compete ao interessado na restituição/compensação, como se apresenta o presente pleito, fazer prova da efetiva apuração de saldo negativo do tributo, mediante comprovação de todas as parcelas que lhe deram origem, além de evidenciar sua efetiva disponibilidade para a aspirada utilização. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 388 10 No caso concreto, conforme se relatou, o saldo negativo da CSLL informado no PER/DCOMP, no valor de R$ 37.782,11, idêntico à DIPJ, foi formado em sua totalidade por retenções na fonte desse tributo, no código 59525, num montante de R$ 51.300,99, tendo sido confirmado, no procedimento eletrônico de investigação dos atributos do crédito, apenas, um total de R$ 39.485,17, razão pela qual não se reconheceu, relativamente à parcela de R$ 11.815,82, a certeza e liquidez necessárias à pretendida compensação. Nesse procedimento eletrônico de reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação, a Receita Federal, através de uma seqüência contínua de operações, cruza dados dos diversos sistemas da RFB, informações prestadas através das diversas declarações do contribuinte ou de terceiros (DCOMP, DIPJ, DCTF, DIRF etc.), além das próprias retenções (Sistemas Sinal 04, 1RPE e SIEF Pagamentos), procedimento cuja participação da postulante é primordial, materializandose através da correção dos valores informados no PER/DCOMP e nos diversos sistemas envolvidos, além do atendimento às intimações, quando necessárias, no intuito de comprovar o pretendido direito. De acordo com a manifestante, a desconsideração da parcela acima não pode prosperar por se tratar de CSLL retida na fonte pelas tomadoras do serviço, consoante comprovação nos autos através de Cartas de Rendimentos Pagos e/ou creditados (Comprovante de Rendimentos), Notas Fiscais e Livro Razão, cabendo a si utilizar os referidos créditos, pois já laborou, sofreu retenções e cumpriu com todos os seus deveres. Quanto à prova das retenções, há de observar legislação própria, [...]. Vêse, portanto, que a compensação do imposto/contribuição na fonte está condicionada à existência do respectivo comprovante de retenção, cujo modelo é aprovado mediante ato normativo baixado pela Administração Tributária. [...] Ademais, no que concerne à legislação dos elementos envolvidos na presente análise: Comprovantes de retenção, DIRF e DIPJ, de acordo com a Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, que instituiu a Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e estabeleceu normas para a sua apresentação, A partir do anocalendário de 1999, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar a DIPJ, centralizada pela matriz. (Art. 2º), entendimento este seguido pela IN RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010, que revogou a primeira. Nesse mesmo diapasão, dispõe a legislação sobre a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, desde sua criação (IN SRF nº 3, de 2 de janeiro de 2001): [...] Quanto ao comprovante de retenção, a Instrução Normativa SRF n.º 119, de 28 de dezembro de 2000, ao aprovar o modelo de Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, relativo a rendimentos pagos ou creditados por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas, sujeitas à retenção na fonte, assim determinou: [...] Dessa forma, verificase que, no comprovante de retenção, deve constar, entre elementos, as informações relativas ao nome empresarial e ao Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) do estabelecimento matriz, tanto da fonte pagadora quanto da que prestou o serviço. [...]. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 389 11 De acordo com a planilha de cálculo elaborada pelo próprio contribuinte, anexada a seguir, foram observadas, apenas, nas situações a seguir transcritas8, retenções de CSLL na fonte de fontes pagadoras informadas no PER/DCOMP que não foram consideradas no procedimento de análise do crédito do despacho decisório em litígio: [...] CNPJ VALOR NO PER/DCOMP VALOR CONFIRMADO CARTA DE RENDIMENTO FL. DIFERENÇA A SER CONSIDERADA 04.041.933/002121 180,63 0,00 120,42 42 120,42 90.950.338/000288 368,10 0,00 366,04 206 366,04 92.660.604/000263 415,97 0,00 370,00 271 370,00 TOTAL 856,46 Quanto à não apresentação de documentos comprovadores destaco, em função do Princípio da Verdade Material, regulador do Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235/72), além dos próprios comandos ali existentes, dos quais destaco o art. 16, que a manifestação de inconformidade deverá vir acompanhada com os elementos de prova que possuir, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. [...] O dispositivo acima, é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Esta formulação foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída tanto ao autor do procedimento, a autoridade fiscal, quanto ao contribuinte que contesta. Prevalecendo, sempre, no processo administrativotributário, a máxima ônus probandi incumbit ei qui dicit. Portanto, aquele que argúi direito em seu favor deverá demonstrar e provar esse direito, seja ele o sujeito ativo ou o sujeito passivo da relação jurídicotributária. Esclarecese, por fim, quanto à alegada prescrição dos débitos, que não é da competência dos órgãos da RFB ligados ao julgamento (DRJ e CARF) qualquer referência ao débito relativamente a sua cobrança – fase posterior ao julgamento. É da competência dos órgãos ligados ao julgamento apenas investigar os atributos do direito creditório (certeza e liquidez). Quanto à exigibilidade do débito cuja compensação não foi homologada, ela permanecerá suspensa no curso da discussão administrativa, à vista do que prescreve o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Logo, carecendo de certeza e liquidez a maior parcela do crédito pleiteado utilizada para compor o saldo negativo da CSLL cuja retenção na fonte não ficou comprovada, não há como postular a sua restituição, em função do que dispõe o art. 170 do CTN. Ante o exposto, voto no sentido de julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para reconhecer, adicionalmente ao despacho, o direito creditório no montante de R$ 856,46 (oitocentos e cinquenta e seis reais e quarenta e seis centavos). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para Fl. 389DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 390 12 os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 390DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13637.000868/2008-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
COMPETÊNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO. IRPF.
Compete à Segunda Seção de Julgamento deste CARF processar e julgar recurso voluntário frente à decisão de primeira instância que verse sobre a aplicação da legislação referente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física.
Numero da decisão: 3201-001.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, declinando a competência do julgamento para a 2ª Seção de Julgamento, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente, momentaneamente, a conselheira Mércia Helena Trajano Damorim.
Nome do relator: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto
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score : 1.0
Numero do processo: 16327.001391/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88.
A Relação de Co-Responsáveis CORESP, o Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
INCONSTITUCIONALIDADE ADICIONAL DE 2,5%.
Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas.
TAXA SELIC INCIDÊNCIA
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS
A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: a) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e b) convenção ou acordo coletivo.
Dos instrumentos decorrentes da negociação entre empresa e empregados/sindicato deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo que já ocorreu, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado, motivo da negativa de provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32ª da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.
Numero da decisão: 2301-005.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301- 003.958, de 19/03/2014, (a) alterar a seguinte parte do dispositivo: " II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, na questão da substituição salarial, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza Correa e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso"; e (b) ajustar a ementa correlata, para refletir o que foi decidido no voto.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado para substituir a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente) e João Bellini Junior (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88. A Relação de Co-Responsáveis CORESP, o Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. INCONSTITUCIONALIDADE ADICIONAL DE 2,5%. Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas. TAXA SELIC INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: a) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e b) convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação entre empresa e empregados/sindicato deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo que já ocorreu, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado, motivo da negativa de provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32ª da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2065; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001391/200983 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2301005.741 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de novembro de 2018 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado CREDIT SUISSE HEDGINGGRIFFO ASSET MANAGEMENTE S.A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” INCONSTITUCIONALIDADE ADICIONAL DE 2,5%. Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas. TAXA SELIC INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A participação nos lucros ou resultados será objeto de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 91 /2 00 9- 83 Fl. 413DF CARF MF 2 negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: a) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e b) convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação entre empresa e empregados/sindicato deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo que já ocorreu, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado, motivo da negativa de provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32ª da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301 003.958, de 19/03/2014, (a) alterar a seguinte parte do dispositivo: " II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, na questão da substituição salarial, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza Correa e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso"; e (b) ajustar a ementa correlata, para refletir o que foi decidido no voto. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado para substituir a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente) e João Bellini Junior (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 16327.001391/200983 Acórdão n.º 2301005.741 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentados tempestivamente tanto pela União (Fls. 221 e seguintes), representada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, quanto pelo Contribuinte (fls. 243 e seguintes) contra o Acórdão 2301003.959 da lavra desta 1a Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, cuja ementa, no pertinente aos presentes embargos, será reproduzida a seguir: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” INCONSTITUCIONALIDADE ADICIONAL DE 2,5%. Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas. TAXA SELIC INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: a) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado Fl. 415DF CARF MF 4 pelo sindicato da respectiva categoria; e b) convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação entre empresa e empregados/sindicato deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo que já ocorreu, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado, motivo da negativa de provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto. A legislação privilegia a livre negociação entre as partes, ressaltando apenas pontos que devem reger todos os acordos. É muito comum e normal que no curso das negociações para entabular o acordo final sejam definidas as metas primordiais que se buscam alcançar, não se podendo afirmar que os empregados, quando da assinatura do acordo desconheciam os objetivos a serem perseguidos. Não descumpre a legislação o fato de os empregados receberem valores diversos, na medida em que a Lei 10.101/00 não exige que todos sejam agraciados igualmente, situação essa que conspiraria com a própria norma que pretende o comprometimento e o cumprimento das metas pelas partes, sendo que cada qual estará sujeito à álea de atingir os objetivos programados, podendo receber mais ou menos. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32ª da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Alega a Procuradora da Fazenda Nacional (a) a existência de erro material no item II (substituição salarial) do dispositivo, no qual constou que ambos, conselheiros vencidos e vencedores, deram provimento ao recurso voluntário; e (b) haver obscuridade quanto ao enfrentamento da questão atinente à isenção da PLR, uma vez que o acórdão deu e negou provimento ao recurso voluntário, para o mesmo período. Em Despacho de Admissibilidade de Embargos da Procuradoria, de 1º de fevereiro de 2017 (Fls. 229 e seguintes), o Presidente da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF admitiu os Embargos da Procuradoria, uma vez que: (a) restou evidenciado o erro material, uma vez que não é possível que conselheiros vencidos e vencedores na votação, possam, todos, dar provimento ao recurso voluntário; e (b) restou evidenciada a obscuridade no acórdão recorrido, uma vez que, de fato, a questão a ser resolvida é se deve ou não ser afastada Fl. 416DF CARF MF Processo nº 16327.001391/200983 Acórdão n.º 2301005.741 S2C3T1 Fl. 4 5 a tributação incidente sobre o PLR pago no período de 01/08/2007 a 31/08/2007. Assim, tendo o acórdão considerado cumpridos certos requisitos para a isenção e descumpridos outros, a decisão deve ser clara a respeito da incidir tributação, ou não, em relação às verbas pagas a título de PLR. Alega o contribuinte que o acórdão recorrido incorreu em omissão por não ter se pronunciado sobre os seguintes argumentos constantes do recurso voluntário: (a) inexiste previsão legal expressa na Lei n° 10.101/2000 quanto à data limite de finalização das negociações entre as partes e assinatura do acordo; e (b) o programa de metas, que deve ser pactuado previamente, não está atrelado à data de finalização das formalidades de assinatura do instrumento decorrente da negociação. Em Despacho de Admissibilidade de Embargos do Contribuinte, de 3 de outubro de 2017 (Fls. 307 e seguintes), o Presidente da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF não admitiu os Embargos, uma vez que o Colegiado apreciou suficientemente os argumentos do Contribuinte, porém entendeu que a empresa não atendeu a todos os requisitos exigidos pela Lei nº 10.101/2000, para que o Programa de Participação nos Lucros e Resultados pudesse usufruir da condição isentiva das contribuições previdenciárias, prevista no art. 28, § 9º, alínea 'j', da Lei nº 8.212, de 1991, conforme se extrai de trecho transcrito do voto vencedor, assim como constam como pontos acolhidos no voto vencido. Em 14 de novembro de 2017, a Recorrente interpôs Recurso Especial (Fls. 319 e seguintes) requerendo (i) preliminarmente o reconhecimento da vinculação do presente processo ao processo n. 16327.001389/200912, devendose apensálo ao processo principal para julgamento conjunto; (ii) o conhecimento e o provimento do presente Recurso Especial para que seja parcialmente reformado o acórdão n. 2301003.959. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator Os embargos da Procuradoria são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado nos seus artigos. 65 e 66, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. (...) Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na Fl. 417DF CARF MF 6 decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Dessa forma, o artigo 65 do RICARF determina que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, bem como artigo 66 do RICARF dispõe que inexatidões materiais serão corrigidas mediante embargos. A partir da leitura do Acórdão embargado, verifico que restou evidenciado o erro material, uma vez que não é possível que conselheiros vencidos e vencedores na votação, possam, todos, dar provimento ao recurso voluntário. Ademais, também verifico que restou evidenciada a obscuridade no acórdão recorrido, uma vez que, de fato, a questão a ser resolvida é se deve ou não ser afastada a tributação incidente sobre o PLR pago no período de 01/08/2007 a 31/08/2007. Assim, tendo o acórdão considerado cumpridos certos requisitos para a isenção e descumpridos outros, a decisão deve ser clara a respeito da incidir tributação, ou não, em relação às verbas pagas a título de PLR. A partir da conjunção da parte dispositiva da decisão no sentido que: “b) em negar provimento ao recurso, na questão da data de assinatura do acordo para pagamento de PLR ser posterior ao perídio de aferição, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão” com a parte conclusiva do voto vencedor no sentido de que: “Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Não há como alcançar algo que já foi alcançado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valore, por ausência de requisito determinado. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, divirjo do voto do relator e nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo neste ponto, prevalecendo o voto do Relator nos demais, nos termos do voto”, verificase que a Turma votou no sentido de que houve descumprimento de requisito da Lei n. 10.101/2000, de modo que o texto da ementa relativa ao ponto “PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS” deve ser ajustado para refletir esse entendimento da Turma. Dessa forma, voto por acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, colmatando a omissão apontada sejam retificada a ementa, parte dispositiva e conclusão do voto condutor no seguinte sentido: Parte Dispositiva: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; b) em negar provimento ao recurso, na questão da data de assinatura do Fl. 418DF CARF MF Processo nº 16327.001391/200983 Acórdão n.º 2301005.741 S2C3T1 Fl. 5 7 acordo para pagamento de PLR ser posterior ao perídio de aferição, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, na questão da substituição salarial, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza Correa e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que fique claro que a Relação de Co Responsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Marcelo Horácio. OAB: 213.001/SP. Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” INCONSTITUCIONALIDADE ADICIONAL DE 2,5%. Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas. TAXA SELIC INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 419DF CARF MF 8 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: a) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e b) convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação entre empresa e empregados/sindicato deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo que já ocorreu, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado, motivo da negativa de provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32ª da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 420DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.003958/2004-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000
DESPACHO ADUANEIRO. DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS FALSIFICAÇÃO. INFRAÇÃO. CONSUMIR OU DAR A CONSUMO MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTA. APLICAÇÃO.
Aplica-se a multa por consumir ou dar a consumo mercadoria estrangeira importada de forma irregular, clandestina ou fraudulenta, prevista no art. 463, inciso I, do RIPI/98, nos casos de falsificação de documentos obrigatórios de instrução do despacho aduaneiro, ainda que tenha havido registro da declaração de importação correspondente.
EMPRESAS SITUADAS NO MESMO ENDEREÇO. CONFUSÃO ADMINISTRATIVA E PATRIMONIAL. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. OCORRÊNCIA.
A autoridade administrativa deve desconsiderar o ato jurídico praticado com abuso de direito, identificado como ato ilícito, tal como previsto no art. 187 do Código Civil.
O direito destina-se ao regramento das atividades civis e comerciais que a ele estão normalmente associados, seu exercício não pode ter como único e exclusivo objetivo a obtenção de vantagem fiscal indevida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000
DECISÃO ADMINISTRATIVA. PARTICIPAÇÃO DE SERVIDOR QUE ASSINOU O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não é nula a decisão de colegiado integrado por servidor que, ao assinar o Mandado de Procedimento Fiscal, autorizou a realização da fiscalização que redundou na lavratura do auto de infração controvertido nos autos.
Numero da decisão: 9303-007.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000 DESPACHO ADUANEIRO. DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS FALSIFICAÇÃO. INFRAÇÃO. CONSUMIR OU DAR A CONSUMO MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTA. APLICAÇÃO. Aplica-se a multa por consumir ou dar a consumo mercadoria estrangeira importada de forma irregular, clandestina ou fraudulenta, prevista no art. 463, inciso I, do RIPI/98, nos casos de falsificação de documentos obrigatórios de instrução do despacho aduaneiro, ainda que tenha havido registro da declaração de importação correspondente. EMPRESAS SITUADAS NO MESMO ENDEREÇO. CONFUSÃO ADMINISTRATIVA E PATRIMONIAL. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. OCORRÊNCIA. A autoridade administrativa deve desconsiderar o ato jurídico praticado com abuso de direito, identificado como ato ilícito, tal como previsto no art. 187 do Código Civil. O direito destina-se ao regramento das atividades civis e comerciais que a ele estão normalmente associados, seu exercício não pode ter como único e exclusivo objetivo a obtenção de vantagem fiscal indevida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000 DECISÃO ADMINISTRATIVA. PARTICIPAÇÃO DE SERVIDOR QUE ASSINOU O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nula a decisão de colegiado integrado por servidor que, ao assinar o Mandado de Procedimento Fiscal, autorizou a realização da fiscalização que redundou na lavratura do auto de infração controvertido nos autos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1989; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.003958/200419 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.687 – 3ª Turma Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria IMPORTAÇÃO IRREGULAR Recorrente LBH BRASIL AGENCIAMENTO MARÍTIMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000 DESPACHO ADUANEIRO. DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS FALSIFICAÇÃO. INFRAÇÃO. CONSUMIR OU DAR A CONSUMO MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTA. APLICAÇÃO. Aplicase a multa por consumir ou dar a consumo mercadoria estrangeira importada de forma irregular, clandestina ou fraudulenta, prevista no art. 463, inciso I, do RIPI/98, nos casos de falsificação de documentos obrigatórios de instrução do despacho aduaneiro, ainda que tenha havido registro da declaração de importação correspondente. EMPRESAS SITUADAS NO MESMO ENDEREÇO. CONFUSÃO ADMINISTRATIVA E PATRIMONIAL. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. OCORRÊNCIA. A autoridade administrativa deve desconsiderar o ato jurídico praticado com abuso de direito, identificado como ato ilícito, tal como previsto no art. 187 do Código Civil. O direito destinase ao regramento das atividades civis e comerciais que a ele estão normalmente associados, seu exercício não pode ter como único e exclusivo objetivo a obtenção de vantagem fiscal indevida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000 DECISÃO ADMINISTRATIVA. PARTICIPAÇÃO DE SERVIDOR QUE ASSINOU O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nula a decisão de colegiado integrado por servidor que, ao assinar o Mandado de Procedimento Fiscal, autorizou a realização da fiscalização que redundou na lavratura do auto de infração controvertido nos autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 39 58 /2 00 4- 19 Fl. 2228DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no acórdão nº 3401002.834, de 11 de dezembro de 2014 (efolhas 1.703 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000 ATO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Na esteira do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, os vícios que acarretam a nulidade dos atos decisórios são a incompetência da autoridade prolatora e a preterição do direito de defesa, o que, em não se verificando, importa a plena validade do ato administrativo. Outrossim, não se vislumbra cerceamento do direito de defesa quando é franqueado ao contribuinte o acesso a todos os documentos que instruem o processo de exigência do crédito tributário. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000 UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS MANIPULADOS. DOLO. OCORRÊNCIA. Fl. 2229DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 4 3 Mostrase dolosa a conduta deliberada de utilizar faturas comerciais cujas informações foram manipuladas pelo próprio importador, na instrução do despacho aduaneiro de mercadorias de procedência estrangeira, ainda que destinadas à Zona Franca de Manaus. IMPORTAÇÃO. DESPACHO ADUANEIRO. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS FALSOS. INFRAÇÃO AO ART. 463, I DO RIPI/98. CONFIGURAÇÃO. A utilização de faturas comerciais manipuladas pelo importador para instrução de despacho aduaneiro de importação configura a infração descrita no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98), consistente na entrega para consumo, ou consumo de produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso. Recurso voluntário negado. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 1.893 e segs) diz respeito (i) à aplicação da multa prevista no art. 463, I, do RIPI/98 (art. 83, I, da Lei nº 4.502, de 1964) quando ocorre o registro de Declaração de ImportaçãoDI; (ii) à aplicação da multa prevista no art. 463, I, do RIPI/98, ao invés da pena de perdimento por dano ao Erário, em caso de imputação de falsificação de fatura comercial; (iii) à nulidade da decisão da DRJ em razão de participação no julgamento de autoridade que participou da fiscalização ao assinar o Mandado de Procedimento FiscalMPF; (iv) à nulidade da decisão da DRJ em razão de falta de apreciação de parecer jurídico e (v) à configuração da responsabilidade solidária em decorrência do funcionamento de duas pessoas jurídicas no mesmo endereço O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 2.198 e segs. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 2.208 e segs. Defende a manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 2230DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Mérito De plano, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade da decisão da primeira instância. A teor do disposto na Portaria MF no 341/2011, está impedido de deliberar no processo o julgador que tenha participado da ação fiscal, praticado ato decisório ou proferido parecer no processo, se não vejamos. Art. 18. O julgador está impedido de deliberar nos processos em que: I tenha participado da ação fiscal, praticado ato decisório ou proferido parecer no processo; (...) Ora, por óbvio, a decisão de autorizar a realização do procedimento, por mais importante que seja, não faz do chefe da unidade um membro da equipe que pratica os atos inerentes ao procedimento. O servidor que assina o Mandado de Procedimento Fiscal não vai até a empresa colher provas, não as examina, não estuda a legislação aplicável e, principalmente, não decide sobre as infrações cometidas pelo contribuinte. De fato, é esse o cerne da questão. A norma acima reproduzida tem por escopo justamente evitar que o mesmo servidor exerça a competência de decidir a respeito de determinado caso duas vezes, em momentos distintos. Da mesma forma, a falta de apreciação de parecer jurídico também não acarreta a nulidade da decisão de primeira instância. O argumento de que o parecer não constitui uma prova e, por conta disso, não atrai a aplicação do disposto no art. 16 do Decreto Fl. 2231DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 6 5 70.235/72, não merece ser acolhido. Nenhuma peça impugnatória dispõe ou admite um terceiro elemento. Ou tratase dela própria, a impugnação em si, ou das provas com as quais o apelante pretende demonstrar a veracidade dos fatos alegados. Seja um ou outro, o prazo será sempre de trinta dias, contados da ciência do auto de infração. Sugerir que novas considerações ou provas possam ser carreados aos autos a qualquer momento e sem razão aparente, não passa de uma homenagem à desordem. O processo administrativo fiscal regese por regras que devem ser observadas pelo contribuinte. E também não há que se falar em aplicação do art. 38 da Lei no 9.784/99. O art. 69 do mesmo diploma legal atribui clara precedência às regras processuais definidas para processos administrativos específicos, como é o caso do Processo Administrativo Fiscal. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Passo ao mérito. No mérito, em essência, discutemse duas questões, quais sejam, a aplicação da multa prevista no art. 463, I, do RIPI/98 ao caso concreto e à configuração da responsabilidade solidária em decorrência do funcionamento de duas pessoas jurídicas no mesmo endereço Desde logo refutase a tese de que a penalidade aplicável destinase apenas aos casos de introdução clandestina de mercadorias e não a todas as ocorrências especificadas no corpo do texto que tipifica a infração. Para maior clareza, reproduzo uma vez mais o texto legal. Art. 463. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e DecretoLei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e DecretoLei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª); Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 7 6 Ora, pareceme bastante claro que a penalidade instituída no caput do art. 463 do RIPI/98 é aplicável a quaisquer das condutas especificadas no inciso I. São elas: consumir ou dar a consumo produto de procedência estrangeira introduzido de forma (i) clandestina, (ii) irregular (iii) ou fraudulenta, ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem (iv) registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de (v) Guia de Licitação ou (vi) nota fiscal. Depreendese dos autos, sem margem de dúvidas, que o contribuinte praticou inúmeras graves irregularidades no processo de internação dessas mercadorias no território nacional. Confrontemos as alegações de defesa e os fatos apurados pela Fiscalização Federal. Em sua peça de defesa, a recorrente argumenta que Assim, as Recorrentes, com o intuito de viabilizar o desembaraço dos produtos importados e regularização das DIs, emitiam faturas “pro forma”, substancialmente idênticas às faturas emitidas pelos fornecedores, em razão destas últimas não conterem descrição detalhada das mercadorias ou ser necessário alguma adaptação de idioma e peso, e sem alteração de valor das faturas, não havendo, no entanto, qualquer diferenciação em relação ao preço praticado nas operações, à quantidade de mercadorias fornecidas, à especificação de referidas mercadorias, ou qualquer outro dado relevante ao controle aduaneiro. Oportuno esclarecer que a d. fiscalização acusa as Recorrentes de ter falsificado as faturas comerciais para enquadrar as mercadorias no Processo Produtivo Básico da Zona Franca de Manaus, aprovado pela SUFRAMA. No entanto, neste caso, não há qualquer divergência entre as faturas originais e proforma, apontadas como pressuposto para aplicação da multa regulamentar prevista no art. 463, inciso I do Decreto 2.637/98 (RIPI/98). (...) Assim, resta evidenciada a improcedência da acusação, posto que os fundamentos adotados pela d. fiscalização e o r. acórdão recorrido para caracterização da falsificação, deixam de observar que no presente processo, (i) inexiste divergência quanto ao nome do importador e exportador, (ii) não há Fl. 2233DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 8 7 qualquer diferença no preço das mercadorias, e (iii) não há qualquer alteração na descrição das mercadorias. Observese agora a narrativa feita pela Fiscalização Federal acerca dos atos praticados pelo contribuinte. Explicação da Fraude (...) 1) 10283.002.5941200450, verificouse que a via da invoice n° C290109 (etiqueta 1 B, fls.51) foi emitida pela Taiwanesa "JEAN CO. LTD.", acobertando mercadorias exportadas ao Brasil para a empresa TCE no valor de USD 592,000.00 e que nela há ordem administrativa para superfaturar os preços dos produtos em 30%, retirandose USD 3,000.00 do valor superfaturado. Notamse a descrição resumida e genérica das mercadorias estrangeiras e o Term of Payment de 0/A45 days. A esta invoice, relacionase o conhecimento marítimo n° PIQMAN 0030/99 (etiqueta 1E, fls.56) que também aponta como shipper a "JEAN CO. LTD.". Por outro lado, há outra via de invoice n° C290109 (com etiqueta 1A, fls.45/50) emitida pela "Kelsey Commercial SA" sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, famoso Paraíso Fiscal, acobertando as mesmas mercadorias, porém, com o valor superfaturado em 30%, retirados os USD 3,000.00, e com descrição especifica itemizada. Ainda, nesta via, o Term of Payment declarado é ADVANCE PAYMENT US$ 610,000.00+ DRAF AT SIGHT US$ 156,000.00. Ou seja, esse documento foi emitido no Brasil, conforme o número e ordem referida na outra invoice (com etiqueta 1 B, fls.51), pois esta via tem descrição especifica das mercadorias necessária à fruição dos benefícios fiscais, valor 30% maior e simulação do exportador. A esta invoice irregular, corresponde outra via do conhecimento marítimoBL n° PK/MAN 0030/99 (com etiqueta 1F, fls.57), que também aponta como shipper empresa "Kelsey Commercial SA" nas Ilhas Virgens Britânicas. Portanto, as vias da invoice e do BL estão em duplicidade e com dados controversos. Comprovase ter sido o despacho aduaneiro subsidiado pelas vias falsas/adulteradas da invoice (etiqueta 1 A, fls.45/50) e do B/L (etiqueta 1F, fls.57), haja vista as informações do valor, do exportador, do termo de pagamento e da descrição das mercadorias na Declaração de Importação correlata n° 99/0960874 0 (fls.52/55), registrada pelas autuadas, serem aquelas constantes de ambos os documentos irregulares epigrafados. A operação cambial decorre dos dados informados na DI, dai que o fechamento de câmbio se deu conforme os dados simulados, ou seja: a organização criminosa enviou divisas para Fl. 2234DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 9 8 o paraíso fiscal mencionado antes, Ilhas Virgens Britânicas, por meio do superfaturamento das importações e simulação do exportador. 0 dolo fica provado quando se lê a mensagem eletrônica às fls. 211/212. 2) 10283.002.649/200421, como nos outros processos e neste Auto de Infração, há a invoice n° M291297 (etiqueta 1B, fls.33) emitida também pela Taiwanesa "JEAN CO. LTD." acobertando mercadorias no valor de USD 74,817.00. Correspondente a esta via de invoice, existe o BL n° NYKS490267373 (etiqueta 1E, fls.40) demonstrando como shipper a "JEAN (WI) SDN. BHD." A via falsa (etiqueta 1 A/1, fls.27/32) simula a emissão pela "Kelsey Commercial SA" e totaliza USD 97,262.10. Os outros itens, como terms of Payment, também foram simulados como de praxe. Referente à via falsa/adulterada da invoice, também há outra do BL no NYKS490267373 (etiqueta 1F, fls.41) do qual consta como shipper a "KELSEY COMMERCIAL S.A". Não obstante essas irregularidades, há mais uma via da invoice falsa/adulterada (etiqueta 1 A, fls.21126). (Absurdo: há três vias diferentes da mesma invoice!) Ainda neste processo, foi apurado que, em bastantes ocasiões, era simulado o nome do importador, ora sendo a TCE, ora a SDW. Como exemplo, há o BL NYKS490261769. Numa via (etiqueta 2E, fls.42), o consignee (importador, neste caso) é a TCE. Na outra via (etiqueta 2F, fls.43), é a SDW. Adiante, a Fiscalização Federal demonstra que ocorrências da mesma natureza foram identificadas no procedimento fiscal objeto da vertente lide. Da mesma forma, assim como provado nos procedimentos anteriores, deste processo consta o jogo de documentos n° 3 (fls.685 a 802), no qual há a invoice verdadeira "B" n° C290123 (fls. 700) acobertando mercadorias no valor de US$ 1,300,000.00, prazo de pagamento de 0/A 45 DAYS e a mensagem "Shipped BY JEAN CO., LTD. Per MV NORDSEA V.13/99". Este documento foi emitido' pela JEAN CO. LTD.. sediada em TAIWAN. Nele há ordem para superfaturar em 30% as mercadorias estrangeiras. Além da flagrante evasão de divisas por meio do superfaturamento das mercadorias, o Fisco explica que Neste caso e nos outros já protocolizados, a descrição das mercadorias nas invoices "A" (falsas/adulteradas), sempre, em lingua portuguesa, é exatamente aquela constante do Processo Produtivo Básico (PPB) autorizado pela Suframa. 0 motivo desta simulação: fazer as mercadorias se enquadrarem no PPB Fl. 2235DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 10 9 aprovado pela Suframa, conforme explicado antes e no Auto de Infração 0285/00 (fls.455/506). Também deve ser veementemente refutado argumento declinado pelo contribuinte de que as faturas pro forma eram meros documentos emitidos com o propósito de viabilizar o desembaraço das mercadorias, tendo em vista certas imprecisões observadas nas faturas dos exportadores. Ora, chega a ser um acinte defenderse com argumentos dessa natureza. Primeiro, como me parece ter ficado bastante claro, foram identificadas grosseiras diferenças na comparação das faturas pro forma apresentadas no curso do despacho aduaneiro e as invoice encontradas em poder da fiscalizada. Segundo, a fatura pro forma não é nada menos do que o primeiro instrumento negocial firmado entre as partes, equivalente a um contrato de compra e venda, com o qual o importador dá andamento aos procedimentos internos, bancários, legais etc, para que seja possível, mais tarde, efetivar a importação das mercadorias. Inadmissível, portanto, a alegação de que “as Recorrentes, com o intuito de viabilizar o desembaraço dos produtos importados e regularização das DIs, emitiam faturas “pro forma”, substancialmente idênticas às faturas emitidas pelos fornecedores, em razão destas últimas não conterem descrição detalhada das mercadorias ou ser necessário alguma adaptação de idioma e peso, e sem alteração de valor das faturas, não havendo, no entanto, qualquer diferenciação em relação ao preço praticado nas operações, à quantidade de mercadorias fornecidas, à especificação de referidas mercadorias, ou qualquer outro dado relevante ao controle aduaneiro”. Como se viu, essa narrativa dos fatos não condiz com a realidade. No mesmo diapasão, revelase meramente retórico o argumento de que, na prática, a empresa jamais apresentou as invoices pro forma consideradas falsas para operacionalização do desembaraço das mercadorias, uma vez que, por força do disposto na IN SRF nº 1.111/98 e, hodiernamente, na IN SRF nº 680/2006, estava dispensada da apresentação de fatura comercial e conhecimento de carga no curso do desembaraço aduaneiro. Seja no momento em que for, se no curso do despacho ou em ato de revisão aduaneira, as constatações de que aqui se trata revelam, indubitavelmente, a prática de infração punível com a pena de perdimento dos bens, por consumo de mercadorias introduzidas fraudulentamente no país. Pouco importa que a declaração de importação tenha sido desembaraçada no canal verde de conferência e, por conta disso, os documentos de instrução Fl. 2236DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 11 10 obrigatório do despacho não tenham sido apresentados no momento da importação, mas apreendidos em poder do contribuinte. E muito menos o disposto no art. 512, parágrafo 2º, do Regulamento Aduaneiro vigente à época, pode trazer algum benefício ao importador das mercadorias. Aqui não se está falando de meros enganos, ou omissões na fatura comercial, corrigidos ou corretamente supridos na DI. Noutro giro, também não procede a alegação de que a legislação obsta a aplicação da multa prevista no art. 463, I, do RIPI/98 quando a irregularidade é passível de aplicação da pena de perdimento por dano ao Erário como pretende a recorrente. Na data da atuação (28/07/2004, efolhas 02), não havia nenhuma orientação acerca da penalidade que deveria ser aplicada nos casos de mercadorias sujeitas à pena de perdimento por infração identificada como dano ao Erário. Outrossim, o disposto no art. 704 do RA/20091 não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no art. 106 do Código Tributário Nacional2. Não é lei interpretativa, não deixa de definir a situação como uma infração, não deixa de tratar o ato como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão e também não comina ao ato penalidade menos severa. Por conta disso, não se cogita de sua aplicação a fatos pretéritos. Com efeito, o disposto no parágrafo único do art. 704 do RA/2009 não faz mais do que estabelecer uma ordem de precedência entre duas infrações de igual quilate: a conversão da pena de perdimento da mercadoria nos casos de infrações consideradas dano ao Erário e substituição por pena de perdimento de mercadorias introduzidas clandestinamente, 1 Art. 704. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei no 4.502, de 1964, art. 83, inciso I; e DecretoLei no 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 1o, alteração 2ª). Parágrafo único. A pena a que se refere o caput não se aplica quando houver tipificação mais específica neste Decreto. 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 2237DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 12 11 fraudulentamente ou irregularmente no país, nos casos de infrações que não sejam identificadas em lei como dano ao Erário. Tratase, portanto, de uma regra procedimental, que somente pode ser aplicada a partir da entrada em vigor do Decreto nº 6.759/09 (RA/2009). Menos razões ainda pra que se cogite a aplicação de outras infrações de menor expressão como falta de apresentação da fatura comercial no curso do desembaraço, fatura comercial em desacordo com as disposições legais ou outras. Como sobejamente demonstrado nos autos, tratase, aqui, inegavelmente, de mercadoria estrangeira introduzida no país de forma irregular e fraudulenta. Também não se revela em nada razoável o argumento de que o entendimento expresso nos acórdãos paradigmas é o mesmo da COSIT/SRF e até mesmo da Procuradoria da Fazenda Nacional que, motivada por uma consulta realizada por aquele órgão, entendia não caber lançamento de IPI concomitante com a penalidade prevista no artigo 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, pois a hipótese só se refere a caso em que não há despacho nem DI registrada. Ora, se não há registro de declaração de importação, não há fato gerador do Imposto sobre Produtos Industrializados. Não há termo de comparação entre o entendimento da Cosit e a situação versada nos autos. Finalmente, no que diz respeito à solidariedade das empresas autuadas, também não assiste razão às recorrentes quando defendem que a legislação autoriza o funcionamento de duas unidades econômicas independentes no mesmo endereço. Como bem apontado pela contrarrazoante, O ato jurídico praticado com abuso de direito, a seu turno, verdadeiro ato ilícito previsto no art. 187 do Código Civil, uma vez constatado tem o condão de permitir a autoridade administrativa que desconsidere os seus efeitos, em sede tributária, inclusive. Nesse sentido, valiosa é a lição de Leandro Paulsen sobre o assunto, verbis: “Se o direito é utilizado para atingir os fins civis ou comerciais que normalmente a ele estão associados, seu exercício não é questionado. O mesmo não se daria quando o direito fosse Fl. 2238DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 13 12 exercido com o objetivo de obter vantagem fiscal que, de outro modo, não se teria; nessa perspectiva, estaríamos diante do abuso de direito, e o Fisco não estaria obrigado a aceitar os efeitos fiscais que decorreriam da questionada conduta Com efeito, no Relatório Fiscal que fundamenta o auto de infração ora controvertido, a Fiscalização Federal demonstra com eloquência a prática reiterada dos atos perpetrados, assim como da ação conjunta e arranjada das duas empresas às quais foi atribuída a sujeição passiva no presente caso. Assevera o Fisco que: As simulações, fraudes e dolo estão também provados nos 2 (dois) relatórios juntados, que são partes integrantes deste auto de infração, em cujos expedientes há inúmeras correspondências eletrônicas provando a organização hierárquica do esquema e a vontade explicita de lesar a economia nacional. Também estão provados nos processos constantes do quadro já referenciado. Desta Forma, a Fiscalização prova inequívoca e inexoralmente que as empresas SDW e TCE são uma única entidade, ou melhor, são uma só empresa a mesma unidade econômica, formalizada desta forma bipartida tão somente para fraudar o Erário e para usufruir duplamente os saldos de importação autorizados pela Suframa por meio de aprovação de dois Processos Produtivos BásicosPPB distintos. A seguir descreve constatações feitas em outro procedimento fiscal. 1.A empresa produz e interna para fora da ZFM, utilizando no cálculo do DCR componentes (...) que são adquiridos da empresa SDW Indústria de Componentes da Amazônia Ltda., CGC.84.658.855/000102, declarandoos como componentes nacionais. 2. Ocorre que em trabalho de vistoria às instalações fabris, verificamos que as duas empresas estão instaladas basicamente no mesmo endereço, Rua Içá, N° 21, em prédios contíguos, localizados dentro da mesma área, compartilhando, além da dependência administrativa no tocante aos funcionários burocráticos, o portão de entrada e saída, pátio de estacionamento de veículos, área de carga e descarga de insumos e produtos. As linhas de produção, embora autônomas, possuem comunicação interna entre os prédios. (…) 5. Concluise que, ao promover as internacões (...), a empresa utilizouse indevidamente do beneficio fiscal integral referente às Placas mencionadas, produzidas pela SDW Componentes e declaradas como nacionais, quando deveria acrescer o Imposto relativo(...)". Fl. 2239DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 14 13 Lembrando que a SDW e a TCE se localizavam, formalmente, no mesmo endereço, é importante reproduzir o parágrafo único da clausula 45 de uma das vias do contrato social da empresa SDW (fls.610/626), que, no caput, nomeia como diretores delegados para exercerem o comando administrativo da aludida empresa, as mesmas pessoas fisicas responsáveis pela TCE, dentre elas o Sr. Roberto Sverner e o Sr. Raphael Ades: Por todo o exposto, à luz de todas as circunstâncias narradas nos autos, com base nos fundamentos até aqui declinados, considero integralmente improcedente a defesa apresentada pelas recorrentes. Sendo assim, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 2240DF CARF MF
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