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Numero do processo: 13653.720075/2013-09
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2014
NÃO INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO NO PROCEDIMENTO.
A apresentação intempestiva da impugnação tem o efeito de tornar definitiva o ato de exclusão do Simples Nacional pela não instauração do litígio no procedimento.
PRINCÍPIO DA VERDADE REAL.
Tendo em vista o princípio da verdade material, deve-se observar, de ofício, os procedimentos fiscais já adotados pela autoridade preparadora em relação a matéria.
Numero da decisão: 1803-002.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário para considerar como termo final dos efeitos da exclusão do Simples Nacional o ano-calendário de 2013, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Exercício: 2014 NÃO INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO NO PROCEDIMENTO. A apresentação intempestiva da impugnação tem o efeito de tornar definitiva o ato de exclusão do Simples Nacional pela não instauração do litígio no procedimento. PRINCÍPIO DA VERDADE REAL. Tendo em vista o princípio da verdade material, deve-se observar, de ofício, os procedimentos fiscais já adotados pela autoridade preparadora em relação a matéria.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1771; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 115 1 114 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13653.720075/201309 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.641 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2015 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente LUIZ CARLOS RIBEIRO & IRMÃO LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2014 NÃO INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO NO PROCEDIMENTO. A apresentação intempestiva da impugnação tem o efeito de tornar definitiva o ato de exclusão do Simples Nacional pela não instauração do litígio no procedimento. PRINCÍPIO DA VERDADE REAL. Tendo em vista o princípio da verdade material, devese observar, de ofício, os procedimentos fiscais já adotados pela autoridade preparadora em relação a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário para considerar como termo final dos efeitos da exclusão do Simples Nacional o anocalendário de 2013, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 3. 72 00 75 /2 01 3- 09 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13653.720075/201309 Acórdão n.º 1803002.641 S1TE03 Fl. 116 2 A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/BHE/MG nº 704.975, de 10.09.2012, fl. 07, com efeitos a partir de 01.01.2013, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Art. 1º Fica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) a pessoa jurídica, a seguir identificada, em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006, e na alínea "d" do inciso II do art. 73, combinada com o inciso I do art. 76, ambos da Resolução CGSN nº 94, de 2011: Nome Empresarial: LUIZ CARLOS RIBEIRO & IRMÃO LTDA ME Número de Inscrição no CNPJ: 38.468.880/000106 Parágrafo único. A relação dos débitos deverá ser consultada no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet, no endereço eletrônico <http://www.receita.fazenda.gov.br>, nos itens "Empresa", "Simples Nacional", "Exclusão 2012", "ADE de Exclusão 2012 – Consulta Débitos". Art. 2º Os efeitos da exclusão darseão a partir do dia 1º de janeiro de 2013, conforme disposto no inciso IV do art. 31 da Lei Complementar nº 123, de 2006. [...] Art. 4º Tornarseá sem efeito a exclusão, caso a totalidade dos débitos da pessoa jurídica seja regularizada no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência deste ADE, ressalvada a possibilidade de emissão de novo ADE devido a outras pendências porventura identificadas. Cientificada em 09.10.2012, fl. 08, a Recorrente apresentou a impugnação em 27.02.2013, fl. 02, com os argumentos a seguir discriminados: Luiz Carlos Ribeiro, responsável legal pela empresa não teve ciência da correspondência ADE de Exclusão do Simples Nacional de AR n° 036512275 e Lote 005/2012 datada em 09/10/2012, que por um lapso de memória de uma funcionária de sua empresa que foi a recebedora da correspondência deixou de entregar ou levar ao conhecimento da pessoa interessada, e sem saber desta comunicação foi excluído do Simples Nacional para o ano de 2013, por não entrar com regularização de débito no prazo de 30 dias após recebimento da correspondência, mesmo tendo conhecimento da divida e não tendo recursos para saldálas em tempo hábil como tinha informação de que todo débito pode ser regularizado até 31 de janeiro, assim o fez. Depois do dia 15 de Fevereiro ao solicitar informações sobre o ultimo parcelamento na Agência da Receita Federal de Itajubá teve o conhecimento de que sua empresa havia sido excluída do Simples Nacional pela razão de ter regularizado a sua situação dentro do prazo de 30 dias, conforme correspondência enviada pela Receita Federal através dos Correios, isto não foi tomado providência por desconhecer o conteúdo desta correspondência acima citada. Conforme segue anexo a Declaração da recebedora. Consta no Despacho de Encaminhamento DRF/Varginha, fl. 36: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13653.720075/201309 Acórdão n.º 1803002.641 S1TE03 Fl. 117 3 Tratase de Impugnação contra ADE do Simples Nacional, produzindo efeitos a partir de 01/01/2013, apresentada INTEMPESTIVAMENTE, conforme fls. 02 e 08. Entretanto, dada a suscitação preliminar de tempestividade contida à folha 02, e efetuados os procedimentos a cargo desta Delegacia, proponho encaminhamento para a DRJ/Juiz de Fora/MG – SECOJ, para prosseguimento. Está registrado como ementa do Acórdão da 13ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1447.749, de 10.12.2013, fls. 3841: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. O prazo concedido pela legislação para se contestar o Ato Declaratório Executivo que excluiu empresa do Simples Nacional é de trinta dias, contados da sua ciência. Comprovado que a manifestação de inconformidade foi protocolizada depois de expirado tal prazo, rejeitase a preliminar de tempestividade suscitada e não se conhecem as demais alegações apresentadas. A alegada demora involuntária do encaminhamento da correspondência, regularmente recebida no domicílio fiscal da contribuinte, ao administrador da empresa não suspende o curso do prazo para interposição da manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Notificada em 23.01.2014, fl. 45, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 31.01.2014, fl. 46, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. A Empresa Luiz Carlos Ribeiro & Irmão Ltda ME, vem através de seu representante legal Antonio Marcos Ribeiro do Val, CPF 642.212.70659, contestar a exclusão de sua empresa do Simples Nacional 2013, por estar com dividas no âmbito da Receita Federal do Brasil a qual foram saldadas e parceladas até 31 de Janeiro, tal fato aconteceu por não ter conhecimento da correspondência ADE de exclusão do Simples Nacional, enviada pela RFB com AR 036512275, Lote 005/2012, em Outubro de 2012, a referida correspondência foi recebida por Luziane Maria de Souza, pessoa que estava no local quando o carteiro entregou, que por sua vez não levou ao conhecimento de pessoas responsáveis pela empresa. Encaminhado o recurso de contestação a exclusão do Simples Nacional em 27/02/2013, pois somente após dia 15/02/2013 consultando o sistema da RFB foi constado que a referida empresa havia sido excluída do Simples Nacional, chegou se a conclusão de que, como enviar contestação de tal fato dentro de 30 dias, se o contribuinte não tinha o conhecimento da correspondência enviada pela RFB, tão pouco que a empresa haveria sido excluída do Simples Nacional, pois em acórdão 1447/749 13° turma do DRJ/POR de 10/12/2013 diz que, o agente do correio pode entregar correspondência a qualquer pessoa, m as corre o risco desta correspondência não ser entregue a pessoa interessada, como aconteceu e esta acontecendo, acarretando prejuízos para a empresa, ainda mais que o seu representante legal anterior o Sr. Luiz Carlos Ribeiro, CPF 535.041.35620, faleceu Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13653.720075/201309 Acórdão n.º 1803002.641 S1TE03 Fl. 118 4 em uma trágica fatalidade de fio em alta tensão elétrica. Volto a solicitar que considere este fato ocorrido, pois a empresa saldou suas dívidas para com RFB até a data de Janeiro, e de 2013 pra cá esta passando por dificuldades, mas esta cumprindo com os seus deveres para com a União (federal, estadual, municipal e previdenciária). Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente diz que a impugnação deve ser conhecida. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos (art. 23 do Decreto nº 70.235, d 06 de março de 1972). A autoridade administrativa deve cientificar o sujeito passivo do ato de exclusão do Simples Nacional intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, o pagamento ou facultativamente à Recorrente, no prazo referido apresentar a impugnação contra a exclusão de ofício. Ainda contra a decisão de primeira instância, cabe apresentação do recurso voluntário para reexame da sucumbência, que tem efeito suspensivo e que deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência. Estes prazos legais são peremptórios, já que não podem ser reduzidos ou prorrogados pelas partes. Considerase definitivo o ato de exclusão do Simples Nacional, no caso de esgotado o prazo legal sem que a peça de defesa tenha sido interposta1. Verificase no presente caso que a Recorrente foi cientificada em 09.10.2012, fl. 08, e apresentou a impugnação em 27.02.2013, fl. 02. A apresentação intempestiva da impugnação tem o efeito de tornar definitiva a exclusão do Simples Nacional pela não instauração do litígio no procedimento2. Ademais, notificada em 23.01.2014, fl. 45, a 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. 2 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13653.720075/201309 Acórdão n.º 1803002.641 S1TE03 Fl. 119 5 Recorrente apresentou o recurso voluntário em 31.01.2014, fl. 46. Por essa razão, houve ausência de instauração de litígio no procedimento. Ainda assim, tendo em vista o princípio da verdade material, devese observar, de ofício, os procedimentos fiscais já adotados pela autoridade preparadora em relação a matéria. Verificase que a Recorrente parcelou os débitos que foram causa da exclusão, fls. 0924 no anocalendário de 2013. Por essa razão, a DRF que a jurisdiciona já deferiu o pedido de inclusão no Simples Nacional para o anocalendário de 2014, em conformidade com o Termo de Deferimento de Opção pelo Simples Nacional a partir de 01.01.2014, fl. 51. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para considerar como termo final dos efeitos da exclusão do Simples Nacional o ano calendário de 2013, em observância aos procedimentos já adotados pela autoridade preparadora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 13936.000370/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2302-000.369
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2006
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto divergente vencedor. Vencido o Conselheiro Relator. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi fará o voto divergente vencedor.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
André Luís Mársico Lombardi - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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decisao_txt : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2006 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto divergente vencedor. Vencido o Conselheiro Relator. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi fará o voto divergente vencedor. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. André Luís Mársico Lombardi - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1636; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 308 1 307 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13936.000370/200801 Recurso nº 000.369Voluntário Resolução nº 2302000.369 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 04 de dezembro de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente VALDIR LUIZ ROSSONI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2006 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto divergente vencedor. Vencido o Conselheiro Relator. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi fará o voto divergente vencedor. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. André Luís Mársico Lombardi Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 36 .0 00 37 0/ 20 08 -0 1 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 309 2 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2006 Data da lavratura da NFLD: 17/07/2008. Data da Ciência da NFLD: 21/07/2008. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Curitiba/PR que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.047.5500, consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração de segurados obrigatórios do RGPS e sobre a comercialização de produção rural adquirida de pessoa física, não declaradas em GFIP, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 50/54. Em razão de a empresa não ter industrializado produção rural própria no período de 2003 a 2006, corroborado pela agravante de não ter realizado todo o processo produtivo no período 2003 e 2004, utilizandose de terceiros para realizar a transformação da matériaprima, a Fiscalização considerou que a Autuada não preenchia os requisitos necessários para enquadrarse como agroindústria, circunstância que desaguou no reenquadramento da empresa fiscalizada no código FPAS 507 (Indústria). Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 65/94. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0622.768 5ª Turma da DRJ/CTA, a fls. 154/172, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 03/07/2009, conforme Documento a fl. 176. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 180/207, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Nulidade do lançamento em razão de ocorrência de bis in idem, pois foram lavradas 03 sanções administrativas distintas, a saber, NFLD nº 37.047.551 8, 37.047.5526 e 37.047.5500, o que é defeso por lei e que todos os três autos de infração são derivados da mesma possível ação do Recorrente, havidas no mesmo período, dentro dos mesmos limites fáticos, o que é um absurdo jurídico; Fl. 315DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 310 3 · Que a empresa Recorrente é, de fato, uma agroindústria; · Protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito; Ao fim, requer a declaração de insubsistência do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 311 4 2. VOTO VENCIDO Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 2.1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 2.1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 03/07/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 20 de julho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2.2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2.2.1. DO ALEGADO BIS IN IDEM Alega o Recorrente a nulidade do lançamento em razão de ocorrência de bis in idem. Pondera o Recorrente que foram lavradas 3 (três) sanções administrativas distintas, a saber, NFLD nº 37.047.5518, 37.047.5526 e 37.047.5500. Argumenta que da mesma ocorrência fática foram lançados três autos distintos, o que é defeso por lei e que todos os três autos de infração são derivados da mesma possível ação do Recorrente, havidas no mesmo período, dentro dos mesmos limites fáticos, o que é um absurdo jurídico. Absurdo jurídico ???? A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; Fl. 317DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 312 5 b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar das obrigações tributárias, já no âmbito infraconstitucional, o art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Título que versa sobre as Obrigações Tributárias, estabeleceu o discrimen entre obrigações tributárias principal e acessórias, assim conformando seus traços definidores: Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) De acordo com o assentamento legal, a obrigação tributária principal consiste no pagamento de tributo e surge com a ocorrência do fato gerador, assim entendida a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Já no tocante às obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, estas consubstanciamse em deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, Fl. 318DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 313 6 em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. Nessa perspectiva, não carece de elevada mestria a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência e autonomia entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Nesse contexto, cabenos registrar, que são cabíveis de serem estatuídas obrigações acessórias as quais não se encontram vinculadas a nenhuma obrigação principal. Exemplo emblemático do que findou de ser dito é o caso das obrigações acessórias previstas no art. 68 da Lei nº 8.212/91, que impõe ao Titular do Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais a obrigação acessória de comunicar ao INSS, até o dia 10 de cada mês, o registro dos óbitos ocorridos no mês imediatamente anterior, devendo da relação constar a filiação, a data e o local de nascimento da pessoa falecida, sob pena de sujeição à penalidade prevista no art. 92 do mesmo Diploma Legal. Corrobora o entendimento acima esposado as disposições insculpidas no §3º do art. 113 do citado codex, o qual reza que, o simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária, de onde se conclui que a aplicação de Auto de Infração tem natureza objetiva. Tal compreensão caminha em perfeita sintonia com as disposições expressas no art. 136 do reverenciado código tributário, o qual declara que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, revelando assim, através de uma outra lente, o caráter objetivo e independente da imputação em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. Registrese, ainda, que o art. 94 da Lei nº 8.212/91 aviou autorização expressa ao Instituto Nacional do Seguro Social para arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5% do montante arrecadado, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicandose a essa contribuição, no que couber, o disposto na Lei de Custeio da Seguridade Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 94. O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5% do montante Fl. 319DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 314 7 arrecadado, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicandose a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). §1o O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, às contribuições que tenham a mesma base utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, ficando sujeitas aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial. (Renumerado pela Lei nº 11.080/2004) §2o A remuneração de que trata o caput deste artigo será de 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento) do montante arrecadado pela aplicação do adicional de contribuição instituído pelo § 3o do art. 8o da Lei no 8.029, de 12 de abril de 1990. (Incluído pela Lei nº 11.080/2004). Nessa esteira, em 19 de março de 2007 houvese por publicada a Lei nº 11.457/2007, que procedeu à fusão da Secretaria da Receita Federal SRF com a Secretaria da Receita Previdenciária SRP, criando a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, cujo art. 3º ratificou a competência que antes era do Instituto Nacional do Seguro Social para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, sem solução de continuidade. Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007 Art. 2o Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) Art. 3o As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. §1o A retribuição pelos serviços referidos no caput deste artigo será de 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) do montante arrecadado, salvo percentual diverso estabelecido em lei específica. §2o O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. §3o As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitamse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas referidas no art. 2o desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 315 8 §4o A remuneração de que trata o §1o deste artigo será creditada ao Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização FUNDAF, instituído pelo DecretoLei no 1.437, de 17 de dezembro de 1975. §5o Durante a vigência da isenção pelo atendimento cumulativo aos requisitos constantes dos incisos I a V do caput do art. 55 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, deferida pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, pela Secretaria da Receita Previdenciária ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não são devidas pela entidade beneficente de assistência social as contribuições sociais previstas em lei a outras entidades ou fundos. §6o Equiparamse a contribuições de terceiros, para fins desta Lei, as destinadas ao Fundo Aeroviário FA, à Diretoria de Portos e Costas do Comando da Marinha DPC e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA e a do salárioeducação. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no §1o do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei; (...) A determinação de lavratura de autos de infração ou notificações de lançamento distintos para cada tributo ou penalidade, para a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada, houvese por assentada, expressamente, no art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) §1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) §2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) §3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) Fl. 321DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 316 9 No caso em apreciação, na mesma ação fiscal houveramse por lavradas duas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito – NFLD, bem como um Auto de Infração de Obrigação Acessória, a saber: · NFLD nº 37.047.5500 – Contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. · NFLD nº 37.047.5518 – Contribuições sociais destinadas a Outras Entidades e Fundos, a saber, SENAI, SESI, SEBRAE e SENAR; · Auto de Infração nº 37.047.5526, CFL 68 – Pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Avulta das circunstâncias fáticas acima desfraldadas inexistir qualquer irregularidade nos lançamentos formalizados pela Fiscalização: A uma, porque as contribuições sociais lançadas na NFLD nº 37.047.5500 são totalmente distintas daquelas formalizadas mediante a NFLD nº 37.047.5518. Nesta, as contribuições sociais são destinadas ao SENAI, SESI, SEBRAE e SENAR, cada uma delas previstas em legislação própria, sendo fiscalizadas e arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em razão da competência estatuída no art. 3º da Lei nº 11.457/2007. Naquela, as Contribuições sociais são destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao SAT/RAT, conforme previstas na Lei nº 8.212/91. A duas, porque o crédito tributário lançado por meio do Auto de Infração nº 37.047.5526, CFL 68, decorreu do descumprimento objetivo de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, sendo totalmente independente e autônomo em relação às duas NFLD acima mencionadas. Dessarte, o fato de a empresa ter sido autuada, numa mesma ação fiscal, pelo descumprimento de obrigação tributária principal não impede que ela seja igualmente autuada, nos termos da lei, pelo descumprimento de uma ou mais obrigações tributárias principal ou acessórias, sem que tal multiplicidade de autuações represente bis in idem. Inexiste, portanto, qualquer bis in idem nas autuações constantes do vertente processo: a) Os fatos geradores são diversos. Duas se referem a descumprimento de obrigação principal, a outra, descumprimento de obrigação acessória. b) As naturezas jurídicas das autuações e os respectivos objetos são distintos. Duas têm por objeto contribuições sociais instituídas mediante legislação própria. A outra, penalidade pecuniária. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 317 10 c) A destinação das contribuições sociais lançadas mediante as duas NFLD são totalmente distintas, e decorrem de obrigações tributárias instituídas, cada uma, mediante legislação adrede. d) Uma obrigação é totalmente autônoma, distinta e independente da outra; e) As referidas obrigações são regidas por normas jurídicas totalmente apartadas; f) Inexiste qualquer interdependência entre as obrigações autuadas; g) Etc., etc., etc. ... Por tais razões, dentre outras, não acatamos a alegação de bis in idem tão veementemente esposada pelo sujeito passivo. Absurdo jurídico ???? Fala sério ! 2.2.2. DA DECADÊNCIA Malgrado não tenha sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à fluência do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário objeto do vertente processo. O Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante Fl. 323DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 318 11 em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. A decadência tributária conceituase como a perda do poder potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante o lançamento, em razão do exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Além do mais, a verve de fundamentação do lançamento por homologação baseiase no fato de, desde a ocorrência do fato gerador do tributo até a ocorrência do lançamento, o que existe é, tão somente, obrigação tributária, a qual é ilíquida e incerta, não dispondo a Administração Tributária de justo título para a cobrança. Tornase, por isso, necessário o procedimento administrativo do lançamento para, conferindo à obrigação tributária os atributos da liquidez e certeza, convolála em crédito tributário, este sim exigível pelo Fisco. Daí a natureza jurídica dúplice do lançamento: declaratória da obrigação tributária e constitutiva do crédito tributário. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 319 12 Trocando em miúdos, somente após a efetiva convolação, pelo lançamento, da obrigação tributária em crédito tributário, passa a administração tributária a dispor de justo título para a exigência do crédito decorrente. Antes não. Antes do lançamento há, apenas, obrigação tributária: ilíquida, incerta e inexigível. No caso das contribuições previdenciárias, como originariamente o sujeito passivo efetuava o recolhimento do tributo com fundamento em obrigação tributária, e não em crédito tributário, tal recolhimento, nessa condição, era ainda indevido, haja vista que o beneficiário do pagamento – o Fisco, até então, não dispunha de justo título, o qual é constituído por intermédio do Lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Ocorrido o fato gerador, a obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado antecipadamente pelo Sujeito Passivo passava a depender da efetivação do respectivo lançamento, por parte da administração tributária, o qual, ocorrendo, convolava a obrigação em crédito tributário sendo este, imediatamente extinto pelo recolhimento antecipado efetuado pelo Sujeito Passivo. É o que diz o §1º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (grifos nossos) §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em outras palavras, a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado realizase sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Ou seja, se não houver lançamento, resolvese a extinção do crédito tributário correspondente ao pagamento efetuado, podendo o Obrigado repetir o que se houve por indevidamente pago, haja vista que o pagamento deuse com fundamento, não em razão de crédito tributário, e não em virtude de obrigação tributária, ilíquida, incerta e inexigível. Daí a necessidade de lançamento associado, especificamente, ao montante que se houve por recolhido antecipadamente: Para convolar a obrigação tributária nascida com os fatos geradores praticados pelo Contribuinte no crédito tributário correspondente, este Fl. 325DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 320 13 dotado de liquidez, certeza e exigibilidade, excluindo, a partir de então a possibilidade do Sujeito Passivo de repetir o que foi pago antecipadamente. Notese que, nos termos do §1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário encontrase sujeita a condição resolutória do lançamento. Ocorre que, nos termos do art. 173, I, do CTN, o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento extinguese após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN sem que tenha ocorrido o lançamento, passa a dispor o Contribuinte do direito de repetir o que se houve por recolhido antecipadamente. Para evitar tal repetição tributária, o legislador ordinário instituiu a figura do lançamento por homologação tácita daquilo se houve por antecipadamente recolhido a título de tributo, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN. Assim, escoado o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, a Lei homologa o valor recolhido correspondente como se lançamento fosse. Daí o lançamento por homologação ser conhecido pela Doutrina e jurisprudência pelo termo “auto lançamento”. Notese que o lançamento por homologação tácita sempre, sempre irá ocorrer antes de exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Registrese, todavia, que a modalidade de lançamento por homologação somente é aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos da lei, o lançamento por homologação operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento do recolhimento antecipado realizado pelo Sujeito Passivo, expressamente o homologa como se lançamento fosse. Inexistindo tal homologação expressa, esta soerá advir tacitamente, após o decurso de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Acontece que o §1º do art. 113 do CTN estatui que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente”. Assim, com a homologação expressa ou tácita, apenas a fração da obrigação tributária correspondente ao crédito tributário pago antecipadamente se houve por extinta com o pagamento. Iluminese que a própria lei estatui que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, aqui incluído por óbvio o ato do pagamento antecipado, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito, os quais serão considerados na apuração do saldo porventura devido. Assim, nos termos do art. 150, caput e parágrafos, do CTN, apenas encontrase extinta pelo pagamento antecipado e correspondente homologação tácita a fração da obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 321 14 Dessarte, as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores cujo crédito tributário correspondente não se houve por contemplado pelo recolhimento antecipado permanecem hígidas, não sofrendo qualquer influência do pagamento realizado pelo Sujeito Passivo, nos termos do §2º do art. 150 do CTN. Nessa vertente, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário referente às obrigações tributárias ainda não extintas pelo pagamento extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em atenção ao preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, comunga a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste subscritor mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário deste Sodalício, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. No caso presente, tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento aviado na NFLD em debate em 21/07/2008, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2002, inclusive, nos termos do Inciso I do art. 173 do CTN, restando fulminadas pela decadência todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2002, inclusive, bem como aquelas referentes ao 13º salário desse mesmo anocalendário. Ocorre, todavia, que, em 18/09/2009, houvese por publicado o Acórdão do Recurso Especial nº 973.733 – SC, proferido na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil, tendo por objeto de mérito questão referente ao termo inicial do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pelo Fisco nas hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, cuja ementa ora se vos segue: Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940) Rel. : Min. Luiz Fux Data de Publicação: 18/09/2009. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 322 15 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na fundamentação do Acórdão, o Ministro Relator destaca que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem tendo sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, a Fl. 328DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 323 16 decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário obedece à regra prevista na primeira parte do §4º do artigo 150 do CTN, conforme se depreende do excerto extraído do voto condutor do Acórdão, adiante transcrito para melhor compreensão de seus fundamentos: “13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece à regra prevista na primeira parte do §4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, consequentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170).” (REsp 973.733 – SC, Rel.: Min. Luiz Fux, DJ: 18/09/2009) O entendimento esposado pela Suprema Corte de Justiça houvese por assimilado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o que motivou a edição da Súmula nº 99, cujo verbete reproduzimos abaixo: SÚMULA CARF Nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Acórdãos Precedentes: 9202002.669, de 25/04/2013; 9202002.596, de 07/03/2013; 9202002.436, de 07/11/2012; 920201.413, de 12/04/2011; 2301003.452, de 17/04/2013; 2403001.742, de 20/11/2012; 2401 002.299, de 12/03/2012; 2301002.092, de 12/ 05/ 2011. No caso presente, o RDA Relatório de Documentos Apresentados revela a efetiva ocorrência de recolhimentos a título de contribuições previdenciárias patronais nas competências de março a junho/2003, dentre outras. Nessa prumada, de acordo com o entendimento da Suprema Corte de Justiça vertido no Acórdão do Recurso Especial nº 973.733 – SC, o qual transitou em julgado em 29/10/2009, assessorado pela Súmula nº 99 do CARF, tendo havido recolhimento antecipado do tributo, mesmo que em montante inferior ao efetivamente devido, inexistindo demonstração de que o Sujeito Passivo tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, o direito do Fisco de constituir o crédito tributário deve obedecer à regra prevista na primeira parte do §4º do artigo 150 do CTN. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 324 17 Nessa perspectiva, diante das razões até então esplanadas, malgrado não esposar tal entendimento, este Subscritor não pode postarse ao largo do comando imperativo inscrito no art. 62A do Regimento Interno do CARF, que impõe aos Conselheiros desta Corte Administrativa a reprodução das decisões definitivas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil. Regimento Interno do CARF Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. §1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. §2º O sobrestamento de que trata o §1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Código de Processo Civil Art. 543C. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o recurso especial será processado nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §1o Caberá ao presidente do tribunal de origem admitir um ou mais recursos representativos da controvérsia, os quais serão encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça, ficando suspensos os demais recursos especiais até o pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §2o Não adotada a providência descrita no § 1o deste artigo, o relator no Superior Tribunal de Justiça, ao identificar que sobre a controvérsia já existe jurisprudência dominante ou que a matéria já está afeta ao colegiado, poderá determinar a suspensão, nos tribunais de segunda instância, dos recursos nos quais a controvérsia esteja estabelecida. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §3o O relator poderá solicitar informações, a serem prestadas no prazo de quinze dias, aos tribunais federais ou estaduais a respeito da controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §4o O relator, conforme dispuser o regimento interno do Superior Tribunal de Justiça e considerando a relevância da matéria, poderá admitir manifestação de pessoas, órgãos ou entidades com interesse na controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §5o Recebidas as informações e, se for o caso, após cumprido o disposto no § 4o deste artigo, terá vista o Ministério Público pelo prazo de quinze dias. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §6o Transcorrido o prazo para o Ministério Público e remetida cópia do relatório aos demais Ministros, o processo será incluído em pauta na seção ou na Corte Especial, devendo ser julgado com preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os pedidos de habeas corpus. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §7o Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). Fl. 330DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 325 18 I terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; ou (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). II serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §8o Na hipótese prevista no inciso II do § 7o deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, farseá o exame de admissibilidade do recurso especial. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §9o O Superior Tribunal de Justiça e os tribunais de segunda instância regulamentarão, no âmbito de suas competências, os procedimentos relativos ao processamento e julgamento do recurso especial nos casos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento aviado na NFLD em debate no dia 21/07/2008, há que se considerar como homologado tacitamente o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos nas competências de dezembro/2002 até junho/2003, inclusive, nos termos do §4º do art. 150 do Codex tributário. Há que se reconhecer que, à luz da Súmula Vinculante nº 8 do STF e do Recurso Especial nº 973.733 – SC, na data da lavratura do presente lançamento, já se encontravam caducas todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2002, nos termos do art. 173, I do CTN, da mesma forma que já se encontrava tacitamente homologado o crédito tributário decorrente dos fatos geradores ocorridos nas competências de dezembro/2002 até junho/2003, na expressão do §4º do art. 150 do CTN, circunstância que se configura óbice intransponível ao Fisco para o exercício do seu direito de constituir o crédito tributário em relação a essas competências, dada a sua extinção legal, nos termos do art. 156, V, in fine, do Código Tributário Nacional, consoante entendimento do STJ aviado na sistemática dos recursos repetitivos. Código Tributário Nacional CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; (...) Dessarte, sendo de março/2003 a dezembro/2006 o período de apuração do crédito tributário em realce, pugnamos pela exclusão do vertente lançamento de todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de março a junho/2003, inclusive. Vencidas as preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2.3 DO MÉRITO Fl. 331DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 326 19 Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes às matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. O presente lançamento é constituído por dois levantamentos distintos: · LEVANTAMENTO FPG FOLHA DE PAGAMENTO · LEVANTAMENTO PRU PRODUÇÃO RURAL PESSOA FÍSICA 2.3.1. DA AGROINDÚSTRIA O levantamento FPG referese a contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados obrigatórios do RGPS, devidas pela empresa, em razão da descaracterização, pela Fiscalização, do enquadramento desta da condição da Agroindústria, e reclassificação na condição de indústria, conforme relatado pela Autoridade Lançadora no item 5. do seu Relatório Fiscal, a fl. 53. 5 LEVANTAMENTO FOLHA DE PAGAMENTO FPG 5.1 Tratase de contribuições apuradas em face de a empresa se auto enquadrar incorretamente como agroindústria, incidentes sobre as remunerações creditadas aos segurados empregados. Todavia, para as competências 03/2003 a 13/2006, a empresa não as declarou em GFIP no prazo previsto em Lei, existindo assim, o débito das referidas contribuições até a presente data, (todos os valores das bases de cálculo das contribuições da empresa estão lançados nas respectivas folhas de pagamento e nos registros contábeis). Esse fato está devidamente demonstrado no relatório DAD — Demonstrativo Analítico do Débito com o respectivo código, FPAS e Alíquotas Aplicadas; O Recorrente alega ser, de fato, uma agroindústria. Vejamos. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 327 20 Na dicção do art. 22A da Lei nº 8.212/91, considerase agroindústria, para os fins específicos da tributação de contribuições previdenciárias, o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256/2001). I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Incluído pela Lei nº 10.256/2001). II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pela Lei nº 10.256/2001). §1o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.256/2001). §2o O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 22 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.256/2001). §3o Na hipótese do § 2o, a receita bruta correspondente aos serviços prestados a terceiros será excluída da base de cálculo da contribuição de que trata o caput. (Incluído pela Lei nº 10.256/2001). §4o O disposto neste artigo não se aplica às sociedades cooperativas e às agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura. (Incluído pela Lei nº 10.256/2001). §5o O disposto no inciso I do art. 3o da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Incluído pela Lei nº 10.256/2001). §6o Não se aplica o regime substitutivo de que trata este artigo à pessoa jurídica que, relativamente à atividade rural, se dedique apenas ao florestamento e reflorestamento como fonte de matéria prima para industrialização própria mediante a utilização de processo industrial que modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. (Incluído pela Lei nº 10.684/2003). §7o Aplicase o disposto no § 6o ainda que a pessoa jurídica comercialize resíduos vegetais ou sobras ou partes da produção, desde que a receita bruta decorrente dessa comercialização represente menos de um por cento de sua receita bruta proveniente da comercialização da produção. (Incluído pela Lei nº 10.684/2003). Fl. 333DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 328 21 Deflui dos termos estampados no citado artigo 22A as notas características conformadoras da agroindústria para fins de enquadramento perante as obrigações estabelecidas na Lei nº 8.212/91. a) Ser produtor rural pessoa jurídica; b) Ter produção rural própria; c) Industrializar essa produção rural própria, a qual pode ser complementada por produtos rurais adquiridos de terceiros. Conferindo contornos mais definidos ao conceito legal, o inciso XXIII do art. 247 da IN INSS/DC nº 100/2003 estatui ser considerado como agroindustrial o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica for a industrialização de produção própria ou a industrialização de produção própria e da adquirida de terceiros, que desenvolve as duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos; Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 247. Considerase: I produtor rural, a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que desenvolve, em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos; (...) XXIII agroindustrial o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção própria ou a industrialização de produção própria e da adquirida de terceiros, que desenvolve as duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos; Na mesma esteira, a alínea ‘b’ do inciso I do art. 240 da IN SRP nº 3/2005 define como agroindústria o produtor rural pessoa jurídica que desenvolve as atividades de produção rural e de industrialização, tanto da produção rural própria ou da adquirida de terceiros. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 240. Considerase: I produtor rural, a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que desenvolve, em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos, sendo: (...) b) produtor rural pessoa jurídica: Fl. 334DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 329 22 1. o empregador rural que, constituído sob a forma de firma individual ou de empresário individual, assim considerado pelo art. 931 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), ou sociedade mercantil, tem como fim apenas a atividade de produção rural, observado o disposto no inciso III do § 2º do art. 250 desta IN; 2. a agroindústria que desenvolve as atividades de produção rural e de industrialização, tanto da produção rural própria ou da adquirida de terceiros, observado o disposto no inciso IV do § 2º do art. 250 desta IN; Aditese que para ser considerado agroindústria é condição sine qua non que a empresa seja produtora rural pessoa jurídica, isto é, sendo proprietária ou não, desenvolva em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos. Avulta dos preceptivos legais acima desfraldados que a mens lege concentrase no incentivo ao produtor rural pessoa jurídica de industrializar a sua própria produção, mesmo que complementada pela produção adquirida de terceiros, agregandolhe valor de natureza industrial, tornandoo mais competitivo no mercado. O tratamento fiscal diferenciado previsto no art. 22A da Lei nº 8.212/91 tem por destinatário, portanto, o produtor rural pessoa jurídica que, efetivamente, industrialize sua produção rural. Dessarte, para ser considerado como agroindústria é necessário que a empresa, cumulativamente, seja produtora rural pessoa jurídica, tenha produção rural própria e industrialize tal produção, e que desenvolva as duas atividades, rural e industrial, em um mesmo empreendimento econômico, com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. A falta de qualquer um desses requisitos descaracteriza a condição de agroindústria para os fins previstos no art. 22A da Lei nº 8.212/91. No caso ora em estudo, a Fiscalização apurou fatos e circunstâncias que, em seu entendimento, são suficientes para descaracterizar a Autuada como agroindústria. De acordo com o Relatório Fiscal, para comprovar o autoenquadramento como agroindústria, a empresa apresentou escrituras de aquisições de áreas de terras, sob a denominação de FAZENDA, para exploração de atividades agrícolas (florestamento e reflorestamento). A primeira fazenda foi adquirida em 11/11/1999 e todas as demais aquisições deramse em datas posteriores. No que se refere às fazendas em que foram identificadas transferências de matériaprima, no período envolvido na ação fiscal, a Fiscalização arrolou as seguintes: · Fazenda Rondon III, Matrícula 12.415, adquirida em 11/11/1999. · Fazenda Boa Vista, Matrícula 6.148 aquisição em 11/12/2001, Fl. 335DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 330 23 · Fazenda São Lourenço, Matrícula 6.791, aquisição em 20/05/2003. No contrato de compra da Fazenda Rondon III, está expresso que a área contém reflorestamento de Pinus Thaeda, com idade média de 23 anos. Considerando que a empresa passou a adquirir áreas de terras a partir de 11 de novembro de 1999, com a finalidade de explorar o plantio, replantio e reflorestamento; Considerando que o plantio, replantio e reflorestamento nas terras adquiridas é de árvores da espécie Pinus Elliotii, que em média, necessita de 15 anos para ser viável sua exploração, concluiu a Fiscalização que a madeira utilizada a partir de 2003 referese a madeiras já existentes quando da aquisição das fazendas. Portanto ao adquirir as áreas de terras também adquiriu mata viva. Dessa forma as transferências de matériaprima (madeira) realizadas pela empresa no período compreendido na ação fiscal, se referem a madeiras já existentes quando da aquisição das áreas de terras, não se tratando, portanto, de produção própria, mas, sim, de produção realizada por terceiros – os antigos proprietários das terras. Com efeito, a aquisição de terras com a matéria prima já nela plantada e pronta para o corte não torna o adquirente Produtor Rural Pessoa Jurídica, mas mero proprietário da madeira contida na propriedade. Anotese que para que a pessoa jurídica seja considerada agroindústria, não basta a industrialização de produtos rurais de sua propriedade. A lei exige que a pessoa jurídica seja Produtora Rural, ou seja, que sendo proprietária ou não, desenvolva em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos. Merece ser destacado que a atividade de plantio, extração e reflorestamento de árvores da espécie Pinus Elliotii não se trata de extração de produtos primários, mas atividade agrária stricto sensu, eis que resulta da atuação humana sobre a natureza, em participação funcional, condicionante do processo produtivo. A atividade agrária caracterizase por ser um processo agrobiológico de produção, realizado na terra pela mão do homem. A atividade agrária é representada, portanto, pelo trabalho da terra para a produção primária de vegetais e animais, indispensáveis ou úteis à vida humana. Dessarte, o fato de uma empresa adquirir áreas de terras com reflorestamentos prontos para o corte não lhe conferem a natureza de produtor rural pessoa jurídica. Tal ilação não discrepa das conclusões assentadas na Solução de Consulta nº 94 SRRF/ l0ª RF/Disit, adiante reproduzida em pequenos excertos para a melhor compreensão de seus fundamentos: Solução de Consulta nº 94 SRRF/ l0ª RF/Disit 7.1. Como já salientado na resposta ao item "(ii)" da consulta anteriormente formulada, acima transcrita, "a industrialização da produção rural própria é condição essencial para que uma empresa possa ser qualificada como agroindústria" e recolher as contribuições previdenciárias tendo como base o valor bruto da Fl. 336DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 331 24 receita de comercialização da produção rural, em substituição à contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamento das segurados empregados e trabalhadores avulsos. 72. Na interpretação de Wladimir Novaes Martinez (Curso de Direito Previdenciário. São Paulo, LTr, 2003, p. 416), a agroindústria se caracteriza como "um empreendimento econômico complexo, em que a matéria prima rural própria é transformada pela divisão manufatureira. Nela, o mencionado insumo provém da área rural e ela se utiliza de métodos industriais para aperfeiçoar o bem, mesclandose os objetivos sociais". O fato de o art. 22A da Lei n° 8.212, de 1991, autorizar a aquisição de matériaprima de terceiros na atividade agroindustrial, não significa que permita a dispensa do departamento da produção rural própria da agroindústria (inciso II do §1º do art. 240 da IN MPS/SRP nº 3, de 2005) com o objetivo de enquadramento ou manutenção dessa condição, para fins da substituição tributária nele contemplada. A produção rural própria da agroindústria é fundamental para a caracterização dessa condição na forma como definida pela legislação previdenciária, 7.3. Portanto, para que se caracterize a agroindústria, o empreendimento econômico deve iniciarse com a utilização de matériaprima própria em seu processo agroindustrial, e, em complementação, se for do seu interesse, adquirir matériaprima de terceiros. Entendese como matériaprima própria, no caso da consulente, a madeira que extrair de florestas de pinus que ela própria tenha cultivado. Não importa a titularidade das terras, se de sua propriedade ou arrendadas, mas sim que, a matéria prima utilizada seja por ela mesma comprovadamente produzida. 7.4. Dessa forma, a aquisição de terras com florestas ele pinus pronta para a extração de matériaprima a ser utilizada na atividade industrial não caracteriza a atividade rural, tampouco essa matéria prima é considerada produção própria para fins ele enquadramento da atividade de agroindústria, nos termos do art. 22A da Lei n°8.212, de 1991. 8. Assim, a extração (corte) de árvores de pinus de florestas adquiridas conjuntamente com as terras em que foram cultivadas, com vistas à sua utilização corno matéria prima em processo industrial, não caracteriza atividade rural. Por essa mesma razão, a madeira obtida de extração dessas árvores de pinus não pode ser considerada como produção rural própria da consulente. E consecutivamente, pelos mesmos fundamentos, a utilização da madeira de árvores de pinus extraída de terras adquiridas já florestadas não autoriza o enquadramento da adquirente na condição de agroindústria para fins de substituição da contribuição previdenciária prevista nos incisos I e II do art. 22A da Lei n° 8.212, de 1991. CONCLUSÃO Diante do exposto, concluise que: a) a extração (corte) de árvores de pinus de florestas para industrialização, quando adquiridas conjuntamente com as terras Fl. 337DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 332 25 em que foram cultivadas, não caracteriza atividade rural. Da mesma forma, as toras de madeira obtidas da extração de árvores de pinus adquiridas prontas para o corte não são consideradas produção rural própria; b) a utilização de madeira de árvores de pinus extraída de terras adquiridas já florestadas não autoriza o enquadramento da adquirente dessas terras na condição de agroindústria, para fins de substituição da contribuição previdenciária prevista nos incisos I e II do art. 22A da Lei n° 8.212, de 1991”. A literatura especializada demonstra que com 07 anos de idade a pinus elliotii já pode sofrer desbaste destinado à produção de pasta de celulose. Aos 10 anos, para a produção de resinas, e a partir dos 15, 17 anos, para a produção de madeira. De acordo com a literatura, tal crescimento tem a ver não somente com a densidade da madeira, resistência mecânica, etc., mas, também, com o diâmetro da arvore, que é de vital importância para a produção de laminados. Ora ... Sendo a atividade do Recorrente a produção de laminados de madeira, é de se presumir que sua matéria prima tenha maturidade de, pelo menos, 15 anos. Dessarte, considerando que as aquisições de fazendas tiveram início em nov/1999, dessai que eventual produção rural somente adentraria as instalações industriais da Autuada a contar do ano 2014. Nessa perspectiva, concluise que no horizonte temporal de 2003 a 2006 a matéria prima utilizada pelo Recorrente não adveio de sua produção rural própria . Contrariando, todavia, todos os estudos científicos, o Recorrente afirma que “as florestas exóticas, desde terna idade, aproximadamente entre 4 e 5 anos, já são industrializadas, havendo um manejo seletivo para abastecimento do objetivo social da agroindústria”. Notese que a industrialização pode ser para a produção de pasta de celulose, produção de resinas, produção de madeira, dentre outras. A literatura especializada relata para cada caso, respectivamente, 7, 10, 15 anos (fonte: A CULTURA DO PINUS: uma perspectiva e uma preocupação João Suassuna Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco). A que realiza o Recorrente referese à industrialização da madeira, ou seja, a partir de arvores com, pelo menos, 15 anos de idade. Contudo, o Recorrente não fez prova da proeza de obter o Pinus que permita o corte para madeira com arvores de 4 ou 5 anos de idade, não ultrapassando as insólitas fronteiras da argumentação retórica. Corrobora a compreensão de que não se houve por utilizada produção rural de seu manejamento, o fato de a contabilidade da empresa não registrar mutações no valor registrado como reflorestamento, no período de 2003 a 2006, conforme consignado no item 4.3.5. do Relatório Fiscal. “4.3.5 Nos balanços patrimoniais apresentados 2003 a 2006 não constam registros de exaustão florestal, confirmando que a empresa não utilizou produção própria (madeira de reserva própria) inclusive o valor registrado como reflorestamento é o mesmo para os exercícios de 2003, 2004, 2005 e 2006, R$ 1.084.140,00 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 333 26 demonstrando claramente que não foram utilizadas madeiras de reserva própria”. Não procede a alegação de que “O balanço patrimonial da empresa Recorrente não é obrigado a traduzir toda a exploração florestal havida, mesmo porque a floresta não utilizada traz um incremento natural, nas mesmas proporções”. A uma, porque o Princípio da Oportunidade, que se refere, simultaneamente, à tempestividade e à integridade do registro do patrimônio e das suas mutações, determina que este seja feito de imediato e com a extensão correta. A integridade diz respeito à necessidade de as variações serem reconhecidas na sua totalidade, sem qualquer falta ou excesso. Já a tempestividade obriga a que as variações sejam registradas no momento em que ocorrerem, pois sem o registro no momento da ocorrência, ficarão incompletos os registros sobre o patrimônio até aquele momento, e, em decorrência, insuficientes quaisquer demonstrações ou relatos e falseadas as conclusões e diagnósticos. A duas, porque a empresa não faz qualquer prova do alegado incremento natural da floresta não utilizada, que seria proporcional à exploração florestal havida. Allegatio et non probatio, quasi non allegatio. No que se refere aos desbastes, estes são utilizados em função da idade das arvores, visando à cadeia produtiva a que se destina, conforma acima já delineado: 67 anos, indústria da celulose; 1012 anos, extração de resinas, acima de 15 anos, extração de madeira, etc. Publicação da Fundação Joaquim Nabuco intitulada “A CULTURA DO PINUS: uma perspectiva e uma preocupação” (http://www.fundaj.gov.br/index.php? option=com_content&id=760&Itemid=376), em excerto adiante reproduzido, dá bem a ideia da questão em tela: “Exploração Os Pinus, quando cortados, não rebrotam; o maciço é explorado, para madeira e lenha, uma vez só. Devese realizar desbastes (cortes periódicos), de maneira a dar às árvores não abatidas condições de desenvolvimento; nos desbastes obtémse matériaprima para celulose, postes, estacas etc. e no final do ciclo, as árvores restantes constituirseão no material mais valioso, que se destinará às serrarias. O Pinus permite um primeiro desbaste já aos 6 ou 7 anos, quando as árvores estão com mais ou menos 5 m de altura e uns 12 cm de diâmetro; aos 10 ou 15 anos pode ser usado na extração de resinas (As árvores usadas para extração de resinas podem ser usadas para outra finalidade também); muitas vezes o Pinus já permite o corte para madeira aos 15 anos. O Pinus pode dar, no primeiro corte, aos 67 anos, 250 m³/ha (média anual de 3040 m³/ha). Há uma série de recomendações na condução da exploração do Pinus a seguir, para efeito de orientação, um esquema que pode ser Fl. 339DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 334 27 usado. Supondo que tivéssemos plantado no espaçamento 3 x 2 m, teríamos 1666 plantas por ha, realizaríamos 5 cortes, da seguinte maneira: · 1° corte, aos 6 ou 7 anos; seriam cortadas 40% (660670) das árvores; (produção de pasta de celulose) · 2° corte, 3 anos depois do primeiro, seriam retiradas 30% (290310) das árvores restantes; (produção de resinas) · 3° corte, 3 anos depois do 2°, seriam cortadas 35% (240 250) das árvores; (postes) · 4° corte, 3 anos depois do 3°, quando seriam retiradas 35% (150160) das árvores; (produção de madeira para industrialização) Restariam de 250 a 300 árvores, que seriam retiradas num corte final, depois de 20 anos; estariam bem espaçadas, com possibilidades de engrossar e produzir, inclusive, madeira de lei para serraria”. O Recorrente, todavia, não realiza produção de pasta de celulose, tampouco produção de resinas a justificar desbastes antes dos 15 anos de idade dos pinus. Conforme destacado no item 4.4. do Relatório Fiscal, a fl. 53, “o motivo fundamental na decisão da auditoria é o fato de não comprovar que possuía produção rural (madeira) de reserva própria em idade para ser industrializada. Dessa forma a auditoria fiscal enquadrou a empresa no código FPAS 507 (Indústria)”. Além disso, constatou a Fiscalização que a industrialização da matéria prima (transformação da madeira em laminados), no período de 2003 e 2004, foi totalmente realizada por terceiros. O Recorrente alega que “Tal atividade é altamente lícita e prevista no diploma legal previdenciário”, mas se engana ao asseverar que “A utilização de serviços e matéria prima de terceiros não desvirtua a caracterização da agroindústria”. A utilização, tão somente, de madeira não oriunda de produção própria desqualifica a Autuada como Produtora Rural Pessoa Jurídica. De outro canto, a terceirização integral das etapas de industrialização, descaracteriza, por completo, a condição de agroindústria, pelo simples fato de a industrialização propriamente dita ser elemento constitutivo da condição de agroindústria. Nesse contexto, não se caracterizando a Recorrente, no período de apuração em tela, como Produtora Rural Pessoa Jurídica, não pode esta ser considerada como agroindústria, Fl. 340DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 335 28 mas tão somente, como indústria, motivo pelo qual se sujeita às obrigações tributárias previstas no art. 22 da Lei nº 8.212/91, conforme assim também concluiu a Fiscalização. “Considerando que a empresa não industrializou produção rural própria no período (2003 a 2006) pelos motivos já mencionados e caracterizado contabilmente nos balanços patrimoniais e com a agravante que não realizou todo o processo produtivo no período 2003 e 2004, utilizandose de terceiros (Laminadora 3R Ltda) para realizar a transformação da matériaprima (Laminação), constata se que a empresa não preenche os requisitos necessários para enquadrarse como agroindústria, observandose que o motivo fundamental na decisão da auditoria é o fato de não comprovar que possuía produção rural (madeira) de reserva própria em idade para ser industrializada. Dessa forma a auditoria fiscal enquadrou a empresa no código FPAS 507 (Indústria)”. 2.3.2. DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS POR SUBSTITUIÇÃO TREIBUTÁRIA Conforme destacado no item 6 do Relatório Fiscal, a fl. 53, além das contribuições previdenciárias devidas pela empresa incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou devida a segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, integra também o presente lançamento as contribuições sociais incidentes sobre a aquisição de produtos rurais de Produtor rural pessoa física, devidas por substituição tributária, nos termos do inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91, as quais se houveram por formalizadas mediante o levantamento PRU PRODUÇÃO RURAL PESSOA FÍSICA. “6. LEVANTAMENTO PRODUÇÃO RURAL PESSOA FISICA — PRU 6.1 Tratase de contribuições apuradas sobre a comercialização da produção rural, em face de a empresa adquirir produção rural de produtor rural pessoa física, ficando subrogado nas obrigações do produtor na condição de responsável pelos recolhimentos das contribuições. Todavia, para as competências 03/2003 a 12/2006, a empresa não informou os fatos geradores de contribuição previdenciária através de GFIP no prazo previsto em Lei, existindo assim, o débito das referidas contribuições até a presente data, (todos os valores das bases de cálculo das contribuições estão lançados nos registros contábeis e Livros de Registro de Entradas de mercadorias)”. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Fl. 341DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 336 29 II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). (...) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) Não havendo a empresa autuada se insurgido expressa e especificamente sobre tal levantamento, ou sobre tais fatos geradores, subentendese ter anuído com o lançamento, motivo pelo qual tal levantamento será tido como não impugnado, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/1997) De todo o exposto, resta clara a procedência do lançamento, não havendo arestas a serem aparadas na decisão recorrida. Nessa vertente, restando configurados os Fatos Jurígenos Tributários apurados pela Fiscalização mediante os levantamentos “PPG – FOLHA DE PAGAMENTO” e “PRU – PRODUÇÃO RURAL PESSOA FÍSICA” fatos geradores de contribuições previdenciárias, estes deveriam ter sido, necessariamente, declarados em sua integralidade nas GFIP correspondentes, mas não foram. A conduta omissiva assim perpetrada pelo sujeito passivo representou ofensa ao dispositivo legal encartado no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 225, IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. 2.3.3. DA PRODUÇÃO ULTERIOR DE PROVAS O Recorrente protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 337 30 A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o forum apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina da matéria em relevo foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá las. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) Fl. 343DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 338 31 b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo fiscal. Tem sim, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão. Nos termos expressos da lei, a juntada de novos documentos no Processo Administrativo Fiscal depende de requerimento da parte interessada à autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual reste demonstrado, com fundamentos idôneos e comprovados, a impossibilidade de sua apresentação no momento próprio e oportuno, por motivo de força maior, ou que os documentos se refiram a fato ou a direito superveniente, ou ainda, que se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Diante de tal panorama, após o oferecimento da impugnação, a juntada de novos documentos há que ser requerida ao Órgão que irá apreciar e julgar o recurso eventualmente interposto, in casu, ao CARF, se se tratar de Recurso Voluntário, ou à CSRF, nas hipóteses de Recurso Especial, repousando aos ombros do Peticionante o encargo processual de demonstrar, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo quarto do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Nesse contexto, na hipótese de o Autuado não lograr comprovar efetivamente a ocorrência de qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no aludido §4º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, a autorização de juntada de novas provas ou a apreciação de documentos Fl. 344DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 339 32 juntados em fase posterior à impugnação representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência à Legislação tributária, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 2.4 CONCLUSÃO: Pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do lançamento todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de março a junho/2003, inclusive, em razão da homologação tácita do crédito tributário, nos termos do §4º do art. 150 do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 340 33 3. VOTO VENCEDOR Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Redator Designado. Analisando os autos, verifico que alguns pontos precisam ser melhor esclarecidos, a fim de se concluir pela procedência ou não do lançamento. Consta do Relatório Fiscal que o recorrente “não realizava todos os processos de industrialização no período de 2003 e 2004, utilizandose de outra empresa para execução da transformação da madeira em lâminas (laminação).” Havia empresa que “prestava serviços à empresa Valdir Luiz Rossoni executando parte do processo de industrialização (transformação da madeira em lâminas).” Nesse ponto, cumpre indagar a respeito de seu correto enquadramento como agroindústria e para tanto, deve restar claro se havia ou não industrialização. Da análise do Relatório Fiscal e das peças de defesa e de recurso, não é possível concluir se efetivamente todo o processo industrial foi terceirizado ou se somente a laminação foi terceirizada. Aqui noto que o processo de industrialização, por conseqüência do conceito de produto industrializado (Lei no5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º) é conceito amplo, que não se resume à laminação da madeira. Ademais, não restou claro se a recorrente utilizou a madeira produzida em sua propriedade. Segundo o relatório fiscal, pelo que consta da contabilidade (ausência de registro de exaustão florestal), não teria sido utilizada madeira produzida na propriedade, em que pese o próprio Livro de Entrada indicar o contrário (registro de entrada de madeira das fazendas). Neste ponto, afirma a autoridade fiscal que teria sido utilizada, mas aduz que foi muito pouco, sem precisar o quanto. Portanto, as informações ainda restam conflituosas e imprecisas. Também não restou claro se a recorrente produzia madeira antes de adquirir as propriedades mencionadas. Assim, entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência para que se esclareça: 1) Há provas de que o recorrente cultivava madeira antes de adquirir as propriedades mencionadas? 2) Da análise da contabilidade e dos documentos apresentados, há comprovação de despesas com o cultivo (adubação, poda, corte, extração,etc.) além de gastos com transporte? Aliás, da análise da contabilidade, constam despesas com o que, exatamente? 3) Tendo em vista a contradição encontrada quanto a utilização de madeira própria (contabilidade indica que não, mas Livro de Entrada indicar o contrário), esclarecer o que representa esta pequena quantidade mencionada no Relatório Fiscal em relação à totalidade da madeira utilizada. 4) Deve ser esclarecido quais partes do processo foram terceirizadas e quais não foram. Constam gastos com industrialização? Fl. 346DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 13936.000370/200801 Resolução nº 2302000.369 S2C3T2 Fl. 341 34 3.1. RESOLUÇÃO Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em diligência fiscal, nos exatos termos detalhados nos parágrafos precedentes. É como voto. Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Redator Designado. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 01/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Numero do processo: 13971.720052/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE
No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado.
CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS
O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI - restrito às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ.
Ambas as posições (restritiva/IPI e extensiva/IRPJ) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas - despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado.
No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições.
As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3202-001.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. O conselheiro Charles Mayer de Castro Souza votou pelas conclusões, em relação à matéria tratada no item iv.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI - restrito às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (restritiva/IPI e extensiva/IRPJ) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas - despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. O conselheiro Charles Mayer de Castro Souza votou pelas conclusões, em relação à matéria tratada no item iv. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
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RESSARCIMENTO Recorrente KARSTEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 52 /2 00 8- 26 Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. O conselheiro Charles Mayer de Castro Souza votou pelas conclusões, em relação à matéria tratada no item iv. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento de créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa – exportação tendo como fundamento o art. 5° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, relativamente ao terceiro trimestre de 2004, no valor de R$ 10.158,16 formalizado por meio do PER/DCOMP n° 42534.60000.160107.1.1.08 2201 (fls. 01 a 05), transmitido em 16/01/2007. Esclareceu a fiscalização (efl. 721) que o montante crédito passível de ressarcimento apurado pela contribuinte, no Presente trimestre, é de R$ 101.610,31, sendo que a requerente limitou o pedido de ressarcimento, ao crédito que remanesceu após as Declarações de Compensações tributárias apresentadas a RFB em 27/08/2004, nos autos do processo 13971.001368/200491, na qual utilizou R$37.656,39 referentes ao mês de julho/2004, em 23/09/2004, nos autos do processo 13971.001773/200418, na qual utilizou R$37.710,47 referentes ao mês de agosto/2004 e 28/10/2004, nos autos do processo 13971.001929/200452, na qual utilizou R$16.085,29 referentes ao mês de setembro/2004, restando o valor de R$ 10.158,16, objeto do presente Pedido de Ressarcimento. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento, PER/DCOMP nº 42534.60000.160107.1.1.082201, de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, decorrentes das receitas de exportação referentes ao terceiro trimestre de 2004, no valor de R$ 10.158,16. Relatório de Auditoria Fiscal Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil — DRF pelo seu indeferimento, em razão do não acatamento de valores inseridos pela contribuinte na base de calculo do crédito, como segue: Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13971.720052/200826 Acórdão n.º 3202001.594 S3C2T2 Fl. 1.009 3 a) o valor de R$ 694.626,25, informado na linha 28 da ficha 04 Apuração dos Créditos da Cofins (fl. 14), como Saldo de Créditos do Mês Anterior de Exportações, que foi objeto de outros Pedidos de Ressarcimento dos trimestres a que se referiam; b) em relação aos valores das operações de aquisição declarados na linha 02 do Dacon foram glosados os seguintes valores: a. as diferenças, a maior, entre os valores informados na memória de cálculo apresentada e os apurados a partir do LRE (montantes mensais apurados por CFOP); deste foram excluídas as deduções decorrentes de devoluções de notas de aquisições que anteriormente compunham a base de créditos pleiteados e do IPI incluído no valor total das notas fiscais; b. das aquisições de bens de pessoa física, conforme as respectivas notas fiscais; c. das notas fiscais que não se referem a aquisição de bens, no caso, as notas escrituradas no CFOP 1.151 TRANSFERÊNCIA PARA INDUSTRIALIZAÇÃO, de emissão da própria requerente, referentes a entrada de lenha extraída de reflorestamentos de sua propriedade; c) em relação às devoluções de vendas, foram excluídas as diferenças, a menor, verificadas entre os valores apurados nos arquivos digitais do LRE e os declarados no Dacon. Consta que o montante de crédito passível de ressarcimento apurado pela contribuinte para o trimestre é de RS 101.610,31 limitando, a requerente, o pedido de ressarcimento de que se trata ao crédito que remanesceu após as compensações (anexas aos autos) apresentadas: uma em 27/08/2004, nos autos do processo 13971.001368/200491, na qual se utilizou de RS 37.656,39; outra em 23/09/2004, nos autos do processo 13971.001773/200418, na qual se utilizou de R$ 37.710,47; e outra em 28/10/2004, nos autos do processo 13971.001929/200452, na qual se utilizou de R$ 16.085,29. Em análise ao crédito pretendido pela contribuinte, efetuadas as glosas de valores da base de cálculo da apuração deste, a DRF: • decidiu pelo reconhecimento parcial do direito creditório nos valores de R$ 22.762,44, R$ 11.126,68 e R$ 8.489,98, para os meses de julho, agosto e setembro de 2004, respectivamente; • não se manifestou em relação a declaração tratada nos autos do processo 13971.001368/200491, na qual a contribuinte se utilizou do valor de R$ 37.656,39 referente ao mês de julho/2004, em face de sua homologação tácita; • decidiu pela homologação parcial: da Declaração de Compensação tratada nos autos dos processos 13971.001773/200718, até o limite de R$ 11.126,68; da Declaração de Compensação tratada nos autos dos processos 13971.001929/2004 52, até o limite de RS 8.489,98 Manifestação de Inconformidade A interessada, inicialmente, contestou a glosa das diferenças verificadas entre os valores informados na memória de cálculos e os declarados em Dacon alegando que "a informação fiscal válida é aquela prestada na DACON. A memória de cálculo apresentada posteriormente não pode ser considerada como informação oficial, nos termos da lei". Nesse sentido, defende que "Eventuais diferenças devem ser levantadas com base nas informações fiscais prestadas nos termos da legislação: Livro Registro de Entradas e Dacon". Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 No que se refere às operações de aquisição reconhecidas como geradoras de crédito, apuradas a partir do LRE, reclama que a Autoridade Fiscal não considerou na apuração do montante destas operações os valores das aquisições de matéria prima importada (CFOP 3.101), aquisições estas que geram créditos por se referirem a insumos. Também reclama da não inclusão dos valores referentes aos serviços de transporte nas aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. A fim de corrigir os equívocos na apuração das divergências, pugna pela verificação dos conhecimentos de transporte registrados, inclusive no livro fiscal de entradas, que segue em anexo, em CD, para apurar os devidos registros. Em relação às aquisições de pessoas físicas, diz que, pelo fato terem ocorrido apenas no período de julho de 2004, em relação ao qual ocorreu a homologação tácita, não se manifestará. Quanto às notas referentes à entrada de lenha, informa que os custos referemse a serviço de extração de lenha utilizada nas caldeiras da empresa. Explica que a empresa contratada, para efetuar o corte da lenha e pôla a sua disposição, emitia "notas de serviço globais, por períodos" e que a "cada nota de serviço correspondiam várias cargas de lenha. Para o ingresso do produto nas dependências da empresa, eram emitidas notas fiscais de entrada, englobando várias cargas transportadas". Destaca que "como as notas de serviço não são escrituráveis no livro fiscal", não tomou o crédito com base nestas, como teria "pleno direito, com base nos dispositivos do art. 3° da Lei 10.833/2003", mas "Para fins de crédito e registro fiscal, a empresa lançou as notas fiscais de entrada, conforme cada lote de cargas, atribuindolhes valor proporcional ao serviço cobrado através das notas de serviço". Junta planilhas e notas, por amostragem, a fim de demonstrar a correlação entre os valores das notas de serviço e as notas de entrada de lenha. É o relatório. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0726.535 de 28 de outubro de 2011 (efolhas 862/ss). A interessada regularmente cientificada do Acórdão proferido pela DRJ – Florianópolis, em 23/11/2011 (efolha 881), interpôs Recurso Voluntário em 23/12/2011 (efls. 886/ss), onde alega, em apertada síntese, o que segue: (a) Existem divergências entre os valores informados na memória de cálculo e os valores declarados em DACON. Afirma que o cálculo constante no Relatório de Auditoria (itens 3.2 – Glosa Divergência aquisições com créditos X memória de cálculo) desconsidera valores que certamente gerariam créditos em seu favor; (b) Em relação às aquisições de matériasprimas do exterior, afirma que de acordo com o Relatório Fiscal (item 3.2) não foi acatada a base de cálculo no montante de R$ 1.558.693,66 para o mês de agosto/2004. E, ainda, aduz não ter sido relacionado qualquer valor no campo “Aquisições com créditos apuradas com base nos arquivos digitais do LRE”, contudo, neste período assevera que o montante de matériasprimas importadas (CFOP 3101) foi de R$ 1.382.916,75. Conclui que o crédito indicado em relação aos insumos importados deve ser considerado para fins de cálculo do ressarcimento do tributo; (c) Em relação às aquisições de serviços de transporte/frete, alega não terem sido considerados pela fiscalização os custos havidos com os serviços de transporte nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13971.720052/200826 Acórdão n.º 3202001.594 S3C2T2 Fl. 1.010 5 materiais de embalagem (CFOP 1.353 E 2.352) na apuração da base de cálculo efetuada pela fiscalização; (d) Em relação aos custos com extração de lenha que foram glosados pela fiscalização, afirma que eventual equívoco cometido pela empresa (ter informado referida despesa na DACON como “aquisição de insumo” ao invés de “prestação de serviço”) não tem o condão de desconsiderar a despesa em comento e, por conseguinte, os créditos dela decorrentes. Esclarece, a Recorrente, que não comentará sobre as glosas de valores apurados no mês de julho/2004 (aquisições de pessoas físicas, por exemplo), pelo fato de referidas aquisições terem ocorrido no período em relação ao qual ocorreu a homologação tácita. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. Em 23/04/2013, por meio da Resolução nº 3202000.099, esta Turma de julgamentos resolveu baixar os autos em diligência para que fossem esclarecidas as seguintes questões fáticas trazidas pela Recorrente em seu recurso: i. As divergências apontadas entre os valores informados na memória de cálculo e os valores declarados em DACON; ii. Se as aquisições de matériasprimas do exterior foram consideradas nos cálculos efetuados pela fiscalização, para fins de cálculo do ressarcimento do tributo; iii. Se as aquisições de serviços de transporte/frete foram consideradas nos cálculos efetuados pela fiscalização, para fins de cálculo do ressarcimento do tributo; iv. Se os custos com extração de lenha foram glosados pela fiscalização, como afirma a Recorrente. E se houve equívoco cometido pela empresa, ao informar referida despesa na DACON como “aquisição de insumo” ao invés de “prestação de serviço”. A diligência foi efetuada e os autos retornaram ao CARF (efls. 910/979). É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Como relatado, os autos foram encaminhados à unidade de origem para o esclarecimento de questões fáticas. Assim, após as informações e documentos apresentados pela fiscalização e pela Recorrente, passemos a analise de cada uma das questões com vistas à solução do litígio: i. As divergências apontadas entre os valores informados na memória de cálculo e os valores declarados em DACON Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 A fiscalização informou o que segue (efls. 957/ss): Verificouse apenas uma divergência de R$ 0,02 (dois centavos), no mês de setembro de 2004, entre os valores informados na memória de cálculo (fls. 42) e os demonstrados no DACON (fls. 13 a 17) conforme se constata da planilha a seguir transcrita do Relatório de Auditoria Fiscal – fls. 735/736, o que demonstra que a memória de cálculo convalida o DACON. (...) Assim, depreendese da planilha de fls. 737/738 que na auditoria fiscal as aquisições com crédito apuradas com base no arquivo digital foram totalizadas por CFOP. Desses totais foram deduzidas parcelas relativas ao IPI recuperável, bem como as devoluções de compras, obtendose bases de cálculo das aquisições com direito ao crédito, líquidas, para cada CFOP. Tais bases de cálculo foram comparadas, por CFOP, com aquelas informadas na memória da fl. 46, e nos casos em que estas foram superiores àquelas foram aplicadas glosas. Malgrado as alegações trazidas à baila no Recurso Voluntário, não se pode olvidar que as informações tratadas pela auditoria foram trazidas aos autos pelo próprio contribuinte, que tem o dever de demonstrar a higidez do direito creditório pleiteado a ser pago. Ora se a própria interessada fornece um arquivo digital informando que certas aquisições não geram direito creditório, o mínimo que a fiscalização deve fazer com a devida acurácia é glosar o crédito. A Recorrente, em resposta às conclusões proferidas pela fiscalização (efls. 974), aduz que as “supostas divergências de bases de cálculo indicadas no DACON e no LRE (aquisições com crédito)”, contudo, a autoridade fiscal teria deixado de considerar as informações da DACON o que certamente gerariam créditos em favor da contribuinte. Alega, ainda, “que foram juntados à Manifestação de Inconformidade documentos (fls. 779 A 860) que comprovam a legitimidade dos créditos pleiteado pela Recorrente”. Pois bem. A Recorrente alega genericamente que a fiscalização não considerou informações da DACON, entretanto, não demonstra e não prova, de forma cabal, quais seriam esses supostos valores desconsiderados. A Recorrente não se desincumbiu de provar suas alegações. Nos casos de pedido de ressarcimento é do contribuinte o ônus de comprovar o direito alegado, por meio de sua escrituração contábilfiscal. Não o fez! Assim, não há como reconhecer o seu direito. Negase provimento do recurso nesta matéria. ii. Se as aquisições de matériasprimas do exterior foram consideradas nos cálculos efetuados pela fiscalização, para fins de cálculo do ressarcimento do tributo. Em relação a esta matéria a fiscalização faz os seguintes esclarecimentos (e fls. 959/ss): Com supedâneo na sobredita planilha elaborada pela fiscalização a partir do arquivo de notas fiscais de entrada fornecidos pelo contribuinte e já transcrita na presente informação, verificase que tais aquisições foram consideradas nos cálculos efetuados apenas no mês de setembro de 2004. Embora tenha havido o reconhecimento no mês de setembro de 2004, constatase um equívoco generalizado, porquanto o direito creditório oriundo de aquisições de insumos no mercado externo deflui da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que traz regras próprias que não se compaginam com a legislação que rege o direito creditório de aquisições de insumos no mercado interno, que dimanam das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13971.720052/200826 Acórdão n.º 3202001.594 S3C2T2 Fl. 1.011 7 Diferentemente das aquisições de insumos no mercado interno cujo direito creditório é apurado segundo o critério de custo, obtendose uma base de cálculo sobre a qual aplicase a alíquota relativa ao tributo (7,60% para a COFINS), as aquisições no mercado externo possibilitavam, na época, o crédito para utilização em desconto na proporção das contribuições efetivamente pagas na importação dos bens e serviços conforme prescreve o § 1º, do artigo 15, da Lei nº 10.865/2004: (...) Assim, com espeque nos dispositivos legais trazidos à baila, concluise que no período em questão (julho a setembro de 2004) não havia sequer previsão legal a amparar pedido de ressarcimento das contribuições incidentes sobre aquisições no mercado externo. Sobreleva esclarecer, inclusive, por estranho que possa parecer, que a partir do período em que o ressarcimento de créditos associados às contribuições incidentes sobre aquisições no mercado externo foi possível, tal ressarcimento deve ser solicitado através do Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação – PER/DCOMP – utilizandose o “Tipo de Crédito: Mercado Interno”, pois o PER/DCOMP relacionado ao “Tipo de Crédito: Exportação”, objeto da diligência, comporta apenas créditos associados às aquisições no mercado interno. A Recorrente, por sua vez, assevera que (efls. 975/ss) “a Informação Fiscal corrobora os argumentos da Recorrente no sentido de que, no mês de agosto/2004, não foi considerada pela fiscalização nenhuma aquisição de matériaprima importada (CFOP 3.101), ao consignar quanto a este ponto que foram consideradas nos cálculos efetuados pelo Fisco apenas as aquisições relativas ao mês de setembro de 2004 (fl. 959)”. Deste modo, afirma que “o parágrafo único, do art. 16, da Lei nº 11.116/2005, citado pela própria Informação Fiscal, assegura o direito de ressarcimento do saldo credor acumulado das contribuições para o PIS e a COFINS, no presente caso. Tanto é possível, que o Acórdão proferido pela DRJ/FNS confirmou a possibilidade de crédito no presente caso”. Alega, ainda, que a Informação Fiscal ao alegar “ausência de previsão legal”, trouxe evidente inovação, uma vez que tal questão não foi levantada autoridade fiscal que examinou o crédito e não motivou a glosa do referido crédito. De fato, nesta matéria a Informação Fiscal inovou, ao informar que “não havia sequer previsão legal a amparar pedido de ressarcimento das contribuições incidentes sobre aquisições no mercado externo”, argumento este que não foi utilizado pela autoridade fiscal que analisou o pedido de ressarcimento. A meu ver, havia previsão legal autorizando a utilização de crédito de insumos adquiridos no exterior, ex vi do §1º, do artigo 15, da Lei nº 10.865, de 30/04/2004 (aliás, como citado na própria Informação Fiscal). Destarte, assiste razão a Recorrente ao afirmar que no mês de agosto/2004 não foi considerada pela fiscalização nenhuma aquisição de matériaprima importada, devendo, portanto, esses valores serem considerados para fins de ressarcimento dos tributos. iii. Se as aquisições de serviços de transporte/frete foram consideradas nos cálculos efetuados pela fiscalização, para fins de cálculo do ressarcimento do tributo. Neste item, a fiscalização informou o que segue (efls. 961/ss): Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 Da mesma forma que no item anterior, da planilha elaborada pela fiscalização a partir de informações trazidas pela recorrente é possível afirmar que as aquisições de serviços de fretes não foram consideradas nos cálculos para fins de ressarcimento da contribuição. Importante destacar que o próprio contribuinte, ao relacionar as aquisições com direito ao crédito não incluiu os fretes, concluindose que não condiz com a realidade a alegação de glosa por erro na indicação da linha o DACON conforme se demonstra a seguir. (...) Considerando o objeto social da empresa, bem como o não preenchimento das linhas 03 e 07 da ficha 06 do DACON, concluise que a única hipótese possível de direito creditório seria aquela em que o frete, quando pago pelo adquirente, compõe o custo de um insumo a ser informado na linha 02 do DACON. Mas não basta que se informe a existência de despesas de fretes. É imprescindível que se comprove que o frete foi utilizado para o transporte de um insumo adquirido no mercado interno e que o mesmo foi efetuado por pessoa jurídica domiciliada no País. Isto significa dizer, por exemplo, que a contratação de um frete para o transporte de mercadoria para uma feira ou o transporte de amostras, ou ainda de mercadorias importadas (insumos) do porto até a empresa não geram créditos. Na busca pela verdade material foi encaminhada a Intimação Fiscal nº 1/2014 solicitandose informações relativas aos documentos comprobatórios dos fretes contratados. Em resposta foi encaminhada planilha juntada aos autos conforme termo (fls.951) contendo informações acerca dos conhecimentos de frete bem como das notas fiscais dos produtos transportados. Do referido arquivo, considerandose apenas os conhecimentos que contemplam fretes cuja base de cálculo do crédito das contribuições seja diferente de zero, verificase que há fretes associados ao transporte de ativo imobilizado (CFOP 1551 e 2551), transferência para industrialização (CFOP 1151) e transporte de amostra grátis (CFOP 2911) que não são passíveis de creditamento. Adicionalmente empreendeuse diligência no estabelecimento da interessada amparada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 0920400.2014.00111, cuja ciência deuse em 07/03/2014, conforme o Termo de Início (fls. 952), confirmandose por amostragem as informações prestadas nos arquivos digitais relativamente aos fretes cujo crédito é possível. Assim, obtémse as seguintes bases de cálculo dos créditos das contribuições relativas aos fretes que compõem o custo de insumos: MÊS CFOP BASE DE CÁLCULO JULHO 1352 16,46 2352 27.929,61 AGOSTO 1352 18,00 2352 34.725,15 SETEMBRO 1352 0,00 2352 30.567,26 A Recorrente, comentando as conclusões a que chegou a fiscalização no tocante à rubrica “fretes”, de forma genérica, sem, contudo, apresentar documentação probante capaz de demonstrar suas afirmações. Assim, devem ser considerados os valores dos fretes conforme calculado na diligência pela fiscalização para os meses de julho, agosto e setembro, constantes da planilha acima transcrita. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13971.720052/200826 Acórdão n.º 3202001.594 S3C2T2 Fl. 1.012 9 v. Se os custos com extração de lenha foram glosados pela fiscalização, como afirma a Recorrente. E se houve equívoco cometido pela empresa, ao informar referida despesa na DACON como “aquisição de insumo” ao invés de “prestação de serviço”. Por fim, nesta matéria a fiscalização afirma: De fato, o contribuinte apropriouse de créditos relativos à transferência de lenha extraída de reflorestamento próprio, fato este relatado pela autoridade fiscal no item 3.3 do relatório e reiterado pela recorrente. Embora a autoridade fiscal tenha bem fundamento a glosa por constatar que a transferência de lenha do reflorestamento para o estabelecimento industrial não caracteriza uma aquisição, o que por si só impede o crédito, em que pesem as alegações da interessada relativas à aquisição dos serviços, há outro óbice ao reconhecimento do direito creditório aventado no Recurso Voluntário. É que mesmo que fossem apresentadas notas fiscais de serviços e ainda que fossem informados na linha 03 da ficha 06 ao invés da linha 02 da ficha 06, tais serviços não poderiam ser considerados insumos, outro prérequisito indispensável ao crédito nos termos inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Isto porque o contribuinte possui como atividade a produção de artigos de cama, mesa e banho, cujos serviços apropriados a título de insumos poderiam ser, por exemplo: serviços de fiação, estamparia, beneficiamento, tingimento, corte, dentre outros, desde que contratados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no País. Por outra banda, se a atividade da interessada fosse a produção, para a venda, de lenha, não haveria óbice ao crédito dos serviços pleiteados, desde que adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. A Recorrente, em relação a este item, assegura que “os custos com os serviços de extração de lenha geram direito a crédito, tendose em vista que tais serviços são necessários à produção e à fabricação dos bens e produtos elaborados pela Recorrente”. Com razão a Recorrente. Isto porque a fiscalização adotou um critério restrito na definição do conceito de insumo (“critério do IPI”). Como já tivemos a oportunidade de demonstrar em diversos julgados (Acórdãos nº 3202001.023, 27/11/2013; 3202001.021, de 06/01/2014), a matéria em discussão – conceito de insumos para fins de creditamento do PIS/Cofins – tem dado azo a profundos debates no CARF e, também, à decisões com entendimentos divergentes. Existem julgados que têm dado interpretação mais restritiva ao conceito de insumos, equiparandoos ao conceito utilizado na legislação do IPI (vide Acórdãos nº 3801 001.855, de 23/05/2013 e nº 330100.929, de 3/05/2011), adotando o entendimento constante das IN SRF nº 247/2002 e 404/2004; há julgados que aplicaram conceito mais elástico, adotando o conceito de insumo como todo custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos moldes da legislação do IRPJ (vide Acórdãos nº 320200.226, de 08/12/2010 e nº 203 12.741, de 11/03/2008); há julgados, em uma linha intermediária, que têm aplicado critérios próprios para tentar definir o conceito de insumo para fins das citadas contribuições (vide Acórdãos CSRF nº 930301.741, 09/11/2011 e nº 930301.042, de 23/08/2010). Esta última posição, ao que nos parece, tem sido majoritária. A meu ver, ambas as posição extremas (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado; o PIS e a COFINS incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Desse modo, é preciso deixar assentado que, de um lado, o conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI – restrito às matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção, de outro lado, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Dispõe o artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, que, do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI” (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Registrese, de antemão, que não há nenhum dispositivo legal indicando que se deva buscar o significado do termo “insumo”, de maneira restritiva, com base na legislação do IPI (como também não há estabelecendo a interpretação extensiva, nos moldes do IRPJ). Onde a lei não restringiu, não cabe ao intérprete fazêlo. A própria lei, portanto, ao introduzir no ordenamento jurídico a sistemática da não cumulatividade, já dispôs sobre a possibilidade do abatimento de determinados créditos com o intuito de afastar, ou ao menos atenuar, a cumulatividade, até então existente, das referidas contribuições, com fundamento no que dispôs o artigo 195, parágrafo 12, da CF/88 (não cumulatividade). Embora não muito claramente, o enunciado prescritivo acima referido (artigo 3º, II, Lei nº 10.637/2002) indicou que poderiam ser descontados créditos relativos aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens/produtos destinados à venda. Deste modo, a lei não restringiu o crédito apenas aos insumos diretamente aplicados no produto, como entendem alguns; ao contrário, prescreveu que os bens e serviços utilizados, diretamente ou indiretamente, indiferentemente a meu ver, como insumos, portanto todos aqueles necessários, pertinentes e inerentes ao processo produtivo, poderiam ser descontados, e desde que relacionado ao objeto social da empresa (porque somente as atividades ali previstas podem relacionarse com o processo produtivo da empresa). Devese, destarte, apurar quais foram os gastos (bens e serviços) utilizados no processo produtivo são necessários, pertinentes e inerentes para elaboração do produto final destinado a venda, que resultam no auferimento das receitas tributáveis, representativas da materialidade sobre as quais se dá a incidência do PIS e Cofins (aspecto material da regra matriz de incidência). A Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF manifestouse no Acórdão nº 930301.741, de 09/11/2011, Conselheira Relatora Nanci Gama, em consonância com a Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13971.720052/200826 Acórdão n.º 3202001.594 S3C2T2 Fl. 1.013 11 linha intermediária por nos adotada (definição de insumos por critérios próprios), conforme ementa abaixo transcrita: PIS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. ART. 3º LEI 10.637/02. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. No caso concreto tratado nos autos, os citados “custos com extração de lenha”, vinculados indiretamente à produção e à fabricação dos bens e produtos elaborados pela Recorrente, a meu ver, são inerentes, pertinentes e necessários à realização de suas atividades, portanto, devem dar direito a crédito das contribuições. Conclusão Ante a tudo o que foi exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) Negar provimento em relação ao item (i) “divergências apontadas entre os valores informados na memória de cálculo e os valores declarados em DACON”; b) Dar provimento em relação ao item (ii) “as aquisições de matérias primas do exterior foram consideradas nos cálculos efetuados pela fiscalização, para fins de cálculo do ressarcimento do tributo”; c) Dar provimento parcial em relação ao item (iii) “as aquisições de serviços de transporte/frete foram consideradas nos cálculos efetuados pela fiscalização, para fins de cálculo do ressarcimento do tributo”, apenas considerandose os valores dos fretes conforme calculado na diligência pela fiscalização para os meses de julho, agosto e setembro, constantes da planilha abaixo transcrita. MÊS CFOP BASE DE CÁLCULO JULHO 1352 16,46 2352 27.929,61 AGOSTO 1352 18,00 2352 34.725,15 SETEMBRO 1352 0,00 2352 30.567,26 d) Dar provimento em relação ao item (iv) “custos com extração de lenha foram glosados pela fiscalização” É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 12 Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 16327.721611/2013-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2010
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM CONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000.
O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados está de acordo com a Lei n.º 10.101/2000, pois a lei pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao pagamento da PLR, e que as regras acordadas sejam claras e objetivas, podendo inclusive estarem escritas em documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva.
BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. HIRING BÔNUS. GANHO EVENTUAL. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Pagamento do bônus de contratação, luvas ou hiring bonus. Utilização pelas empresas com objeto de atrair grandes profissionais. Serve como forma de compensar, indenizar aquele profissional, incentivando pedido de demissão de outra empresa. Trata-se de verba indenizatória, até porque não há prestação de serviço que justifique a incidência de contribuição previdenciária prevista no inciso III, do artigo 22, da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2403-002.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão da PLR. Fez sustentação oral o Dr. Rubem Tadeu Cordeiro Perlingeiro - OAB/RJ 71430.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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PAGAMENTO EM CONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000. O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados está de acordo com a Lei n.º 10.101/2000, pois a lei pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao pagamento da PLR, e que as regras acordadas sejam claras e objetivas, podendo inclusive estarem escritas em documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. HIRING BÔNUS. GANHO EVENTUAL. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Pagamento do bônus de contratação, luvas ou hiring bonus. Utilização pelas empresas com objeto de atrair grandes profissionais. Serve como forma de compensar, indenizar aquele profissional, incentivando pedido de demissão de outra empresa. Tratase de verba indenizatória, até porque não há prestação de serviço que justifique a incidência de contribuição previdenciária prevista no inciso III, do artigo 22, da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão da PLR. Fez sustentação oral o Dr. Rubem Tadeu Cordeiro Perlingeiro OAB/RJ 71430. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 16 11 /2 01 3- 75 Fl. 674DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.721611/201375 Acórdão n.º 2403002.938 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, nº 1450.338, fls. 381/404, que julgou improcedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado nos DEBCAD's 51.039.8367(EMPRESA + GILRAT) e 51.038.8375 (TERCEIROS), nos valores de: a) R$ 18.299.129,18 (dezoito milhões, duzentos e noventa e nove mil, cento e vinte e nove reais e dezoito centavos), referente à contribuição parte da empresa, incluso juros e multa; b) R$ 2.109.682,43 (dois milhões, cento e nove mil, seiscentos e oitenta e dois reais e quarenta e três centavos), referente à contribuição a outras entidades e fundos, incluso juros e multa. A presente autuação almeja o recolhimento de crédito tributário das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a título de Participação nos Lucros e/ou Resultados aos seus empregados – PLR e Bônus de Contratação (Hiring Bonus), do empregado E.A.C. (item 30 do Relatório Fiscal) apurados em Folhas de Pagamento e informações prestados pelo sujeito passivo e não recolhidos. O presente processo abrange as competências de 2009 e 2010 e os motivos de inconformidade legal apontados pela autoridade fiscal foram, em síntese, para o PLR, que a assinatura dos planos se deu no mês de novembro do ano antecedente ao pagamento do benefício, o que infringe o instituído no art. 1º, da Lei 10.101/00, ou seja, o empregado não teve conhecimento prévio das metas a serem realizadas e fazer jus ao benefício. Afora o fato de a data informada no documento estar em caneta, o que prejudicaria a fé do documento. No tocante ao bônus de contratação (hiring bonus), entendeu a autoridade fiscal que se trata de verba remuneratória, se tratando, portanto, de parcela incidente de contribuições previdenciárias. As informações estão presentes no Termo de Verificação Fiscal, fls. 19/29, in verbis: 2. O débito teve como origem os valores das remunerações a título de Participação nos Lucros e/ou Resultados e bônus pagos e/ou creditados aos empregados e Bônus de contratação (Hiring Bônus) apurados em Folhas de Pagamento e informações prestadas pelo sujeito passivo e não recolhidos. A demonstração encontrase no Discriminativo de Débito DD. ... DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Fl. 676DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 5. Durante a fiscalização verificouse que a rubrica Participação nos Lucros de Empregados, presente na folha de pagamento, foi paga e/ou creditada aos empregados. 6 A empresa distribuiu os lucros aos seus empregados no ano de 2008, 2009 e 2010 conforme planilha e folha de pagamento entregues à fiscalização. ... DOS FATOS 9. A empresa distribuiu lucros através do Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2007/2008 e do Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2009. A participação nos lucros dos empregados foi distribuída nos anos de 2008, 2009 e 2010. ... 11. O contribuinte foi regularmente intimado a esclarecer o motivo de acordo de PLR e seu anexo I terem sido assinados apenas no fim do primeiro período a ser avaliado através do Termo de Intimação Fiscal 3, cientificado em 17/07/2012. 12. Em 31/07/2012 foi informado à fiscalização que "Apesar do CS ter iniciado as negociações do Acordo de Participação em Lucros ou Resultados com o sindicato no início do ano calendário de 2007, o acordo foi assinado em 27 de dezembro de 2007 tendo em vista alguns pontos controversos entre as partes, os quais só foram objeto de consenso no final do ano". Entretanto nenhuma documentação comprovando a existência de negociações foi apresentada. ... 16. Portanto o lucro distribuído segundo o Acordo de Participação em Lucros ou Resultados referente ao ano de 2007 e pago e creditado em 2008 não está em acordo com a legislação e integra o salário de Contribuição Previdenciária. 17. O Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2009, firmado entre o Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S A e o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo com vigência de 1º de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2009, conforme cláusula oitava não possui data de assinatura e seu anexo possui data de 15 de novembro de 2009, preenchida à mão enquanto todo o documento foi digitado. 18. O contribuinte foi regularmente intimado a prestar esclarecimentos sobre os motivos através do TIF 3, cientificado em 17/07/2012. 19. Em 31/07/2012 foi intimado à fiscalização que "O Acordo de Participação em Lucros ou Resultados referente ao ano de 2009 teve sua negociação no início do ano. Após serem sanados todos os pontos controversos, o Acordo e seu respectivo anexo foram elaborados com data de assinatura em branco, de modo que seu preenchimento ocorresse manualmente no momento da efetiva assinatura. Entretanto, quando da assinatura, somente foi Fl. 677DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.721611/201375 Acórdão n.º 2403002.938 S2C4T3 Fl. 4 5 preenchida a data do Anexo, ficando o acordo com data em branco". ... 22. Assim o lucro distribuído segundo o Acordo de Participação em Lucros ou Resultados referente ao ano de 2009 e pago ou creditado em 2010 não está em acordo com a legislação e integra o salário de Contribuição Previdenciária. DO BÔNUS DE CONTRATAÇÃO 24. A empresa efetuou pagamento referente a bônus de contratação ou hiring bônus a empregado contratado no ano de 2009. ... 27. Esta verba paga no ato da contratação, negociada entre a empresa e o empregado, fazendo parte do pacote de remunerações para incentivar o empregado a ingressar nos quadros da empresa, denominada no mercado como "luvas", "hiring bonus" ou bônus de contratação, tem como natureza uma gratificação ajustada, não estando nas hipóteses de isenção previdenciária. ... 36. Fica claro que o empregado só recebe os valores em contrapartida a prestação de trabalho e manutenção da relação de emprego. Portanto os valores pagos a título de Hiring Bônus integram a remuneração e compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária. DOS LEVANTAMENTOS 37 As contribuições previdenciárias devidas pela empresa à Seguridade Social e não recolhidas referentes à Participação nos Lucros de empregados foram lançadas nos Autos de Infração que integram o presente Processo Administrativo Fiscal. Os códigos de Levantamentos utilizados foram: 37.1 PL PLR PLANO PRÓPRIO que contém o lançamento do valor pago e ou creditado a título de PLR aos empregados na competência de 01/2008. 37.2 PL2 PLR PLANO PRÓPRIO que contém o lançamento do valor pago e ou creditado a título de PLR aos empregados na competência de 01/2010. 37.3 BC BÔNUS DE CONTRATAÇÃO que contém os valores pagos e/ou creditados a título de Bônus de Contratação ou Hiring Bônus a diretor empregado em 01/2009 Por fim destacase que foi lavrado Auto de Infração referente ao PLR de 2008, que esta sendo julgado na presente seção. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 230/254. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a 16ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, DRJ/RPO, prolatou o Acórdão 14 50.338 de fls. 381/404, a qual julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, conforme ementa a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período: 01/01/2009 a 31/01/2010 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INFORMAÇÃO EM GFIP. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. Quando em desacordo com a legislação específica, os valores recebidos pelos empregados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa caracterizam fato gerador de contribuição previdenciária. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. RETRIBUIÇÃO DO TRABALHO. NATUREZA JURÍDICA REMUNERATÓRIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. INTEGRAÇÃO. Ainda quando paga uma única vez, a parcela denominada bônus de contratação (hiring bônus), se destinada a retribuir o trabalho, possui natureza remuneratória e integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias a cargo do segurado e da empresa. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a recorrente, Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A., interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 409/440, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1 Conforme jurisprudência pacificada pela CSRF, a Lei nº 10.101/00 não veda que o Acordo de PLR seja celebrado ao final do anobase a que se refere; o importante apenas é que a celebração do Acordo de PLR seja anterior à data do pagamento da respectiva verba; Fl. 679DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.721611/201375 Acórdão n.º 2403002.938 S2C4T3 Fl. 5 7 2 A PLR paga pelo Recorrente em janeiro de 2010 (referente ao referente ao anobase 2009) está de acordo com a Lei nº 10.101/00, na medida em que o respectivo Acordo de PLR foi celebrado em data anterior a esse pagamento; 3 Em que pese o fato de o Acordo de PLR ter sido firmado em novembro de 2009, as regras relativas à PLR do anobase 2009 eram de conhecimento prévio de todos os empregados do Recorrente, já que: 3.1 Tais regras eram praticamente idênticas às dos Acordos de PLR vigentes nos anos anteriores, não tendo havido nenhuma modificação significativa; e 3.2 as metas individuais de cada empregado, para fins do cálculo da PLR devida, foram fixadas no início do ano de 2009, como comprovam os documentos juntados ao processo 4 O pagamento de hiring bonus efetuado uma única vez em janeiro de 2009 configura ganho eventual do respectivo beneficiário e não se sujeita à incidência das contribuições, nos termos do art. 28, § 9º, alínea "e", item 7, da Lei 8.212/91. 5 Ainda que os fundamentos acima fossem superados, a Receita Federal do Brasil (RFB) não pode exigir juros de mora sobre a multa de ofício lançada nos autos. É o relatório. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 671, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PLR No tocante à PLR, segundo a autoridade fiscal, o acordo não possui data de assinatura, enquanto seu anexo, que possui data de 15 de novembro de 2009, foi preenchida à mão enquanto todo o documento foi digitalizado. Assim sendo, foi entendido na autuação que o não preenchimento ou preenchimento à mão desqualificava o documento, pois "há que se supor que o contribuinte tenha todo o cuidado possível na elaboração do documento exigido pela lei e que observe o mínimo de formalismo que matéria tão importante exige", entendo que não deve prosperar tal entendimento. Como apontado pela própria DRJ, os documentos juntados à impugnação não deixam dúvidas de que, não obstante a ausência de assinatura no instrumento relativo ao Acordo de PLR, a negociação que lhe deu origem foi concluída até 16/11/2009. E o entendimento de que a data do Acordo também deveria ter sido digitalizada não encontra amparo na Lei 10.101/2000. Como se pode observar, o "Anexo I" (fls. 169/171), o acordo foi devidamente assinado pelos representantes da empresa e dos trabalhadores, o que não seria realizado caso o próprio "Acordo" (fls. 156/168) não tivesse sido assinado previamente, uma vez que aquele é parte integrante deste. Outro elemento a ser observado é o "requerimento de Registro de Acordo Coletivo de Trabalho" presente na fl. 290, datado de 16/11/2009, cujos efeitos são comprovados por meio de tela extraída no sítio do Ministério do Trabalho e Emprego que foi apresentado pela DRJ em seu acórdão na fl. 388. Entendo, portanto ser irrelevante o fato de o documento ter sido datado "à mão", mesmo que o restante do documento tenha sido digitado eletronicamente, uma vez que não há amparo legal que sustente o que foi levantado pela autoridade fiscal. Até porque, o Acordo de PLR poderia ser todo manuscrito, pois, como se sabe, a validade das declarações de vontade independem de forma especial, senão quando a lei expressamente exigir (art. 107 do Código Civil), e na Lei 10.101/2000 não há exigência de que os acordos sejam digitalizados. Outro elemento trazido pela autoridade fiscal é o de que a assinatura, que ocorreu em 15/11/2009, já próximo ao fim do período a ser avaliado, e o acordo deveria ser conhecido em tempo hábil, para que os funcionários tivessem ciência dos objetivos que deveriam ser atingidos para fazerem jus ao benefício. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.721611/201375 Acórdão n.º 2403002.938 S2C4T3 Fl. 6 9 Ao contrário do que sustentam a autoridade fiscal e a DRJ, o fato de o Acordo de PLR ter sido assinado próximo do fim do período a ser avaliado, não implica em descaracterização da PLR paga pela recorrente em 2010 (referente ao anobase de 2009), uma vez que a Lei nº 10.101/00 em nenhum momento veda que o Acordo seja celebrado ao longo do período de aferição do lucro ou mesmo após o seu advento o importante é que ele seja celebrado antes do pagamento da PLR. Neste sentido é o entendimento da 2ª Turma da CSRF, que concluiu que está de acordo com o dispositivo legal o instrumento de negociação firmado após o advento do lucro a ser compartilhado, desde que a assinatura do referido acordo ocorra antes do pagamento da verba. Estão colacionados abaixo trechos dos Acórdãos CSRF nº 9202002.484 e 9202 002.485, bem como o voto do Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, designado para redigir os votos vencedores dos referidos julgados: EMENTA CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. METAS. PRESCINDIBILIDADE. LUCROS. NEGOCIAÇÃO POSTERIOR AO SEU ADVENTO. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. ... VI A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve se preceder ao pagamento mas não necessariamente ao lucro obtido. VOTO Questão recorrente nas discussões sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos a título de PLR é aquela que versa sobre a data da assinatura dos acordos. Em suma, o que se questiona é se deve existir alguma relação entre três datas; (i) data da assinatura do acordo coletivo ou data da assinatura do acordo entre as partes; (ii) data do fim do período a que se referem os lucros ou resultados; e (iii) data do recebimento, pelo empregado, dos pagamentos de PLR. (...) Como somente com a assinatura do termo de acordo entre as partes ou do acordo coletivo é que teremos a formalização do término da negociação e estaremos diante de um ato jurídico perfeito apto a exarar efeitos jurídicos, concluímos que o termo de acordo entre as partes ou o acordo coletivo deve estar assinado antes do pagamento da PLR. A 6ª Câmara do então 2º Conselho de Contribuintes, possuía o mesmo entendimento acerca do assunto, como se pode verificar pelo Acórdão nº 206.00.397, de 13/02/2008, do redator designado Rogério Lellis Pinto: Fl. 682DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Nesse caminho de ideal, pela leitura da Lei regulamentadora da PLR, não vejo qualquer exigência ou previsão no sentido de se alcançar o lucro pretendido, há de se haver a negociação de como ele será distribuído entre os empregados. Com efeito, a distribuição sim deve ser precedida de acordo entre as partes, e jamais poderá ser fixada unilateralmente, mas nada na Lei impede que alcançado o lucro, seja posteriormente sua distribuição negociada entre os beneficiados e a fonte pagadora. Ao menos para nós, aceitase perfeitamente que a negociação quanto à distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro. O julgamento do Acórdão n.º 9202002.778, de 06/08/2013, por sua vez, do relator Marcelo Oliveira, da 2ª Turma da CSRF afirmou que são válidos os Acordos de PLR celebrados no final dos anosbase a que se referem, na medida em que a Lei nº 10.101/00, não impôs limite temporal para a sua celebração, sendo defeso ao Fisco instituir critérios não previstos em lei, vejamos: Segundo o Relatório Fiscal (RF), fls. 024, o acordo foi celebrado no final do período de aferição (...) Pois bem, em nosso entender não há, em nenhum ponto da Lei 10.101/2000, determinação de data para fechamento de acordo. É claro que a celebração deve ser feita antes do término do período de aferição dos resultas, para incentivo à produtividade, pois depois desse período não há o que ser aferido. Muito já se debateu a respeito dessa exigência da fiscalização para os acordos de PLR e várias foram as decisões, chegando até a criação de regra para análise do cumprimento do prazo (semestralidade, trimestralidade, prova de negociação prévia, etc). Discordamos dessas posições. Em nosso entender, como a legislação não determina prazo não cabe ao Fisco, ou a esse órgão julgador, determinálo. O mesmo entendimento foi o adotado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, no Acórdão nº 23102003.737, de 19/09/2013, de que foi redator designado o Conselheiro Wilson Antonio de Souza, conforme pode se ver por parte da ementa e do voto colacionados abaixo: EMENTA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA. No caso em tela não há incidência de contribuição sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados, devido à celebração do acordo ter ocorrido no término do período de aferição de metas. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.721611/201375 Acórdão n.º 2403002.938 S2C4T3 Fl. 7 11 A legislação específica que dirime a questão, Lei 10.101/2000, não aponta a necessidade prazo para a celebração do acordo de atingimento de metas, lucros ou resultados. VOTO A legislação específica que dirime a questão, Lei 10.101/2000, não aponta a necessidade de prazo para a celebração do acordo de atingimento de metas, lucros ou resultados, e, como tal, sendo um instrumento importante previsto na Carta Maior (Art. 7º inciso XI) e que tem o objetivo de proporcionar a integração entre o capital e o trabalho e agir no incremento da produtividade não pode ser analisado de forma rígida e severa, penalizando quem ela desenvolve em seu ambiente de trabalho. (...) Então, como se vê, nas formalidades exigidas para entabulação da PLR não se fala em necessidade de celebração do acordo ocorrer antes do término do período de aferição de metas, como que no nobre Relator, razão pela qual, neste quesito, dele divirjo. Repitase, apesar de a Lei 10.101/00 não estipular prazo, o Acordo de PLR da recorrente é repetido anualmente sem qualquer alteração substancial com o acordo que foi firmado em períodos imediatamente pretéritos, de forma que não há nada que viesse a surpreender os funcionários. O parágrafo primeiro da Cláusula Terceira do Anexo I, nas fls. 169/170, estabelece as diretrizes gerais do plano de metas, vejamos: PARÁGRAFO PRIMEIRO São considerados elementos relevantes na avaliação dos empregados os seguintes aspectos, variando conforme a posição dos empregados: contribuição para os resultados da empresa, cumprimento de normas regulamentares e procedimentos internos, assiduidade, compromisso com objetivos departamentais e globais da empresa. Essas diretrizes, por sua vez, estão presentes através do "My Performance", cujo manual de uso o recorrente apresentou na impugnação, também em anexo no Recurso Voluntário, nas fls. 444/540, referente ao ano de 2009, traduzido nas fls. 546/667. Assim sendo, observando o conjunto probatório, o Acordo de PLR e os documentos "My Performance", além dos pagamentos, que como foram observados pela autoridade lançadora, foi efetivamente efetuados, não há que se falar que não foi obedecido o estabelecido pela Lei 10.101/00. Entendo, portanto, que sobre o PLR dos presentes autos não incide contribuição previdenciária, devendo ser exonerado o crédito tributário nesse quesito. DO BÔNUS DE CONTRATAÇÃO (HIRING BONUS) A fiscalização alegou que o pagamento de bônus de contratação efetuado em janeiro de 2009 ao empregado. E.A.C. estaria sujeito à incidência de contribuições previdenciárias, por configurar gratificação previamente ajustada, que integraria a remuneração Fl. 684DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 do respectivo beneficiário, nos termos do art. 457, § 1º, da CLT, não podendo ser excluído da base de cálculo. A recorrente por sua vez, entende que não é todo e qualquer pagamento efetuado em razão do trabalho prestado que integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, devendo ser o hiring bonus caracterizado na primeira parte do art. 28, § 9º, alínea "e", item 7, primeira parte, da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; Entendo que nesse caso deve assistir razão a recorrente. Apesar de previamente ajustado pelas partes, o valor foi pago uma única vez. O fato de ter sido previamente ajustada não é suficiente para atrair a incidência de contribuições previdenciárias. Os valores pagos a tal título já foram objeto de julgamento na 1ª Turma Ordinária, 3ª Câmara, 2ª Seção, no voto do Relator Wilson Antônio de Souza Pereira, Acórdão 2301003.392, no dia 14 de março de 2013, com ementa e voto abaixo transcritos: EMENTA DA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O PAGAMENTO DE BÔNUS DE CONTRATAÇÃO Pagamento do bônus de contratação, luvas ou hiring bonus. Utilização pelas empresas com objeto de atrair grandes profissionais. Serve como forma de compensar, indenizar aquele profissional, incentivando pedido de demissão de outra empresa. Tratase de verba indenizatória, até porque não há prestação de serviço que justifique a incidência de contribuição previdenciária prevista no inciso III, do artigo 22, da Lei 8.212/91. No presente caso não se afigura o bônus de contratação como decorrente de prestação de serviços. Não incidência de contribuições previdenciárias. VOTO DA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O PAGAMENTO DE BÔNUS DE CONTRATAÇÃO A Recorrente, em outros termos, alega que o denominado hiring bonus não possui natureza remuneratória, pois é um valor que ela oferece ao funcionário de destaque de outra empresa como Fl. 685DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.721611/201375 Acórdão n.º 2403002.938 S2C4T3 Fl. 8 13 forma de atrativo para sua contratação, estimulandoo a sair do emprego anterior. Há de se trazer à lume que o pagamento de bônus de contratação, luvas ou hiring bonus, é utilizado pelas grandes empresas, numa tentativa de atrair grandes profissionais, mormente no setor bancário. Entretanto, não é habitual e extensivo à todos, pois, repise, isto é uma forma de superar a concorrência, trazendo para si aquele profissional de destaque desejado. Desta forma, tenho que os valores pagos a título de bônus de contratação não devem sofrer a incidência da contribuição previdenciária prevista no inciso III, do artigo 22, da Lei 8.212/91, eis que não se afigura o bônus de contratação como decorrente de prestação de serviços, ao contrário, é em verdade um prêmio, uma indenização, porque, o contratante indeniza o profissional para ele pedir para sair da outra empresa, como se estivesse sendo indenizado por rompimento contratual de trabalho sem justa causa. E, nesta seara, a indenização trabalhista não é passível de incidência. E, para finalizar, tenho que o bônus de contratação (hiring bonus) não tem natureza jurídica remuneratória e não integra o saláriodecontribuição do empregado, mesmo que no DIRF o Recorrente tenha dado outro nome, razão pela qual não necessita constar na folha de pagamento mensal. No livro "Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores) São Paulo: MP Ed. 2012", Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Conselheiro da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, 2ª Seção trata do assunto, onde afirma, in verbis: O hiring bonus representa os valores pagos pela empresa ao funcionário visando à concretização de sua contratação. São valores que se destinam não só a incentivar o funcionário a tomar a decisão de deixar a empresa onde trabalhava, mas também a indenizálo por ter deixado seu antigo posto de trabalho. Independentemente do efeito causado por essas verbas, da influência que elas podem ter na decisão do profissional visado pela empresa, e até mesmo no seu posterior desempenho na companhia, temse que os valores pagos a título de hiring bonus são negociados entre a empresa e profissional visado e devidos antes do início das atividades laborais, não representando, em qualquer momento, uma remuneração ou contraprestação pelo trabalho prestado. Por outro lado, não também habitualidade em seu pagamento, que é realizado somente por ocasião da contratação do trabalhador. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 Em razão disso, não é possível vislumbrar a incidência das contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a título de hiring bonus, haja vista a ausência de remuneração pelo trabalho prestado e habitualidade no seu pagamento.(págs. 202/203) Entendo, portanto, que não é cabível a incidência de contribuições previdenciárias sobre o valor pago a título de bônus de contratação. CONCLUSÃO Do exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar provimento. Marcelo Magalhaes Peixoto Fl. 687DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16641.000010/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2007
AGROINDÚSTRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 8.870/94. A contribuição do empregador rural pessoa Jurídica que se dedique à produção rural, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei no 8.212/91, é de 2,5 % e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2007 AGROINDÚSTRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 8.870/94. A contribuição do empregador rural pessoa Jurídica que se dedique à produção rural, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei no 8.212/91, é de 2,5 % e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Recurso Voluntário Negado.
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EMPREGADOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 8.870/94. A contribuição do empregador rural pessoa Jurídica que se dedique à produção rural, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei no 8.212/91, é de 2,5 % e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 1. 00 00 10 /2 01 0- 10 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16641.000010/201010 Acórdão n.º 2402004.449 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração referente às contribuições sociais previdenciárias dos produtores rurais pessoas físicas e dos segurados especiais destinadas à Seguridade Social, não recolhidas totalmente em época e não declaradas em GFIP até a data de início deste procedimento fiscal, cuja responsabilidade pelo recolhimento é da empresa adquirente. Relatório fiscal às fls. 43/46. Intimada da autuação a Recorrente apresentou impugnação de fls. 156/162 que restou julgada improcedente em acórdão de fls. 183/187, segundo o qual, em síntese: 1) A decisão mencionada pela Recorrente em que se teve declarada a inconstitucionalidade desta contribuição foi proferida na via incidental, pelo controle difuso de constitucionalidade e, portanto, seus efeitos se aplicam apenas aos autores da ação; 2) O artigo 33, § 5°, da Lei n° 8.212/91 é claro ao determinar que a retenção nestes casos é presumida, não sendo cabível a alegação de necessidade de autorização pelo produtor rural da retenção pela empresa adquirente. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 192/195, ratificando as alegações da peça impugnatória e aduzindo em suma: 1) Que a contribuição para o FUNRURAL representa dupla tributação, vez que o produtor rural que trabalha em regime familiar, sem empregados, é um segurado especial que já recolhe uma contribuição sobre o resultado da comercialização de seus produtos; 2) Que a decisão que decidiu pela inconstitucionalidade da contribuição para o FUNRURAL deve ser replicada na esfera administrativa, impedindo, inclusive, que o tema tenha de ser levado à discussão pela via judicial; 3) Ao final, transcreve trechos do julgamento realizado pelo STF sobre o tema e requer o reconhecimento da nulidade do auto de infração tendo em vista decisão proferida pelo E. STF. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Sem preliminares. No Mérito Da Contribuição denominada FUNRURAL Os artigos 12, V e VII, 25, I e II e 30, IV, da Lei n° 8.212/91, com alterações promovidas pela Lei n° 8.540/92, estabeleceram a contribuição previdenciária a cargo do empregador rural pessoa física para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL), cuja base de cálculo é a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural. A FUNRURAL é contribuição substitutiva da cota patronal (20%) somada ao percentual do GIILRAT dos produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, excluída a contribuição destinada ao SENAR. Em face dos dispositivos supra mencionados a Recorrente se insurge sob alegação de que o Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso extraordinário, reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que estabeleceu a referida contribuição. Pois bem. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário 596.177/RS, reconheceu a repercussão geral do tema e confirmou o entendimento quanto à inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que instituiu a contribuição ao FUNRURAL, determinando o Plenário a aplicação do entendimento aos demais casos que tratarem do mesmo tema: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicando se aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16641.000010/201010 Acórdão n.º 2402004.449 S2C4T2 Fl. 4 5 (RE 596177, Relator Min. Ricardo Lewandowski, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011) A decisão do E. STF, portanto, reconheceu que a contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores pessoas físicas – FUNRURAL não poderia ser validamente exigida, vez que estarseia diante de dupla tributação nos casos em que produtor rural seja empregador. Todavia, o ora Recorrente foi autuado com base na nova redação do art. 25 da Lei nº 8.212/91, dada pela Lei nº 10.256/01, já que o lançamento abrange as competências março de 2005 a dezembro de 2007. A legislação vigente, com a nova redação, substitui a contribuição do empregador (empresa) pela contribuição do produtor rural pessoa física, em conformidade com o art. 150, II, da CF, sendo, portanto, constitucional e estando vigente à época da autuação e mantida até o momento, se não vejase: "Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001)" A nova redação, portanto, impõe contribuição semelhante àquela tratada no julgamento de inconstitucionalidade do STF, todavia em substituição àquela que normalmente incidiria sobre a sua folha de pagamento, superando o fundamento pelo qual se controvertia acerca da constitucionalidade. Aliás, o julgado daquela colenda Corte ressalvou expressamente a legislação posterior. Destarte, a partir da edição da Lei nº 10.256 /2001, a contribuição em apreço é legalmente exigível, sendo, portanto, improcedentes os pedidos, eis que se reportam a fatos geradores ocorridos na vigência da referida Lei. Conclusão Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e a ele NEGO PROVIMENTO nos termos do voto. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000802/2002-46
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1996
AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTOS. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733- SC, submetido ao regime do art. 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9101-001.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, determinando o retorno do processo a Turma Ordinária para apreciação do mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente-Substituto
(Assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo De Oliveira Santos (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: Relator
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, determinando o retorno do processo a Turma Ordinária para apreciação do mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente-Substituto (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo De Oliveira Santos (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
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DECADENCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PORTO ALGARVE ADMINISTRAÇÃO LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996 AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTOS. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, determinando o retorno do processo a Turma Ordinária para apreciação do mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 08 02 /2 00 2- 46 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13808.000802/200246 Acórdão n.º 9101001.938 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo De Oliveira Santos (PresidenteSubstituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Fl. 209DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13808.000802/200246 Acórdão n.º 9101001.938 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório A PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL cientificada do Acórdão 180300.060, proferido na sessão de 27/5/2009 da 3a. Turma Especial desta Seção do CARF, de interesse da empresa PORTO ALGARVE ADMINISTRAÇÃO LTDA, apresentou RECURSO ESPECIAL À CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CSRF, com fulcro no com fulcro no artigo 67 do Regimento Interno da CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009. No acórdão recorrido, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência do crédito tributário relativo ao anocalendário de 1996, aplicandose o art. 150 do CTN, por se tratar de lançamento por homologação, sem considerar a existência ou não de pagamentos antecipados. O Recurso Especial, fls. 146150, teve seguimento conforme Despacho 344/2009 (fl. 159160), assim redigido (verbis): “(...) A questão sob análise versa sobre a ocorrência de decadência ante a realização de lançamento para exigência de crédito tributário em face da compensação de bases negativas da CSLL de períodos anteriores em montante superior a 30% do lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, no anocalendário de 1996. (...) O voto condutor entendeu que o sujeito passivo por entregar a sua DIRPJ referente ao anocalendário de 1996, tempestivamente, Permitiu que, a partir dessa declaração, em 22/12/2000, fosse emitido o doc. de fl. 03 (relatório de malha fazenda). No mais, entendeu que o fato gerador da obrigação ocorreu em 31/12/96, bem assim que o procedimento sujeitouse à homologação prevista no art. 150 do CTN. Portanto, quando foi intimado o contribuinte em 12/04/2002, já tinha ocorrido a decadência em 31/12/01. Insurgindose contra a decisão prolatada (fls. 137/141), a representante da Fazenda Pública interpôs recurso especial com fulcro no art. 7o, II, do RICSRF/07, oferecendo a título de paradigma o acórdão n° 203120757 (fls. 158), base para a formação de sua tese, cuja ementa transcrevese adiante: (...) Do cotejo analítico realizado entre os acórdãos recorrido e o oferecido a título de paradigma de divergência, constatouse que o primeiro obedece a uma regra específica onde o contribuinte, por disposição legal, apura o tributo devido, antecipa o Fl. 210DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13808.000802/200246 Acórdão n.º 9101001.938 CSRFT1 Fl. 5 4 pagamento e entrega a DIRPJ dentro do prazo estabelecido, sem o prévio exame pela autoridade administrativa (artigo 150 do C1N), denominado de lançamento por , homologação. É o que se deu no caso presente, exceto pelo pagamento do tributo. Para a regra geral contida no artigo 173, I, do CIN, ,e defendida pela Recorrente para aplicação ao caso sob análise (vide acórdão paradigma), á ' lei' 'dispõeque a autoridade administrativa deve calcular o valor do tributo devido, efetuar o lançamento de oficio, vindo o pagamento pelo contribuinte a ocorrer depois do lançamento efetuado. É certo que o voto condutor do acórdão recorrido resultou da constatação de duas sistemáticas distintas e que as regras de verificação de decadência para a constituição de crédito tributário deve seguir a orientação de cada sistemática, não o sendo em função da realização ou da ausência de pagamento do tributo. Indicou a decisão guerreada tratarse, in casu, de lançamento por homologação, modalidade de lançamento a qual pertence o IRPJ, cujo fato gerador ocorreu consoante a regra contida no art. 150 do CTN. Daí a decadência. A ementa do acórdão paradigma 'condicionou a data de Ocorrência de fato gerador ao recolhimento do crédito tributário antecipado, com isso culminando na mudança da fundamentação acerca da data de ocorrência do fato gerador, que passou do artigo 150, para o 173 do CTN. Entendo que a decisão recorrida e o acórdão paradigma tratam o mesmo tema, de forma distinta, num caso estabelecendo um diferencial em função da existência ou não de pagamento antecipado e em outro ignorando completamente tal aspecto. Demonstrada, pois, a divergência. Em face do exposto e, no uso da competência estabelecida pelo art. 68, § 1° do. Anexo II da Portaria MF n° 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, DOU SEGUIMENTO ao presente recurso especial. (...)” Cientificado, o sujeito passivo apresentou em 23/7/2010 contrarrazoes de fls. 162 e seguintes, propugnando pela confirmação do julgado. A seguir, os autos foram enviados a CSRF e o processo distribuído a este Relator. É o breve relatório. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13808.000802/200246 Acórdão n.º 9101001.938 CSRFT1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva – Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional atende aos pressupostos Regimentais, vigentes a época da sua interposição, logo deve ser admitido e apreciado. Conforme relatado, tratase de recurso em face de decisão no Colegiado ordinário que reconheceu a decadência da CSLL do anocalendario de 1996 (auto de infração cientificado em 12 de abril de 2002),. Especificamente, a douta PFN contesta a decadência, alegando que o prazo decadencial deve ser contado na forma do art. 173 do CTN, haja vista que a contribuinte não teria realizado pagamentos antecipados. Por sua vez, o acórdão recorrido determinou a contagem do prazo decadencial, pelas regras do CTN – Código Tributário Nacional, deve ser feita sempre com observância do art. 150, haja vista tratarse de tributos lançados por homologação. Essa questão foi pacificada pela CSRF: é preciso verificar se houve ou não pagamento antecipado para aplicação do art. 173 do CTN, consoante entendimento atual do STJ Superior Tribunal de Justiça, em observância ao art. 62A do Regimento Interno do CARF. Nesse sentido citese o Acórdão CSRF/910100.460 (Processo 10880.032666/9854), assim ementado: “DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." No presente caso, evidenciase que não ocorreu a realização de pagamentos no anocalendario de 1996, tendo em vista que a Contribuinte compensava integralmente as bases negativas da CSLL acumulada nos períodos anteriores, conforme evidenciado na DIRPJ/97 (fls. 27). Sequer realizou recolhimentos mensais por estimativa. O Fato de o contribuinte ter apresentado a DIRPJ/97 tempestivamente é irrelevante, até porque isso ocorreu em 29/4/1997 (fl. 27), sendo que a ciência do auto de infração ocorreu antes de 5 anos dessa data (12/4/2002, AR de fl. 73) Fl. 212DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13808.000802/200246 Acórdão n.º 9101001.938 CSRFT1 Fl. 7 6 Conclusão. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à Turma de Origem para apreciação do mérito. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 213DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10830.906115/2012-32
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/05/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 61 15 /2 01 2- 32 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906115/201232 Acórdão n.º 3801004.769 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF trinta e três processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de cofins ou contribuição para o PIS/Pasep, e o ônus da prova deste direito. Em alguns processos, foi indeferida totalmente a declaração de compensação de débitos da contribuinte com o crédito pleiteado, por falta de comprovação da liquidez e certeza de todo o crédito, em outros, foi homologada parcialmente a declaração de compensação, porque foi comprovada a certeza e liquidez de parte do crédito pleiteado. Esta diferença não exige mudanças nos acórdãos dos julgamentos, pois o que está sob julgamento é justamente o crédito não reconhecido e a parte não homologada das declarações de compensação. O crédito reconhecido e a parte homologada não estão em discussão. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição social e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906115/201232 Acórdão n.º 3801004.769 S3TE01 Fl. 4 3 Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório, em expediente que foi recebido como manifestação de inconformidade: “Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 10/08/2012, alegando que a Receita Federal mantém os controles de apropriação e pagamento dos impostos federais, assim como uma conta corrente de cada contribuinte, na qual podem ser visualizados os pagamentos efetuados de forma correta, os pagamentos a maior e os pagamentos a menor. Assevera que o despacho decisório não pode progredir, porque a RFB cobra o mesmo valor pago pelo contribuinte, quando, na verdade, foi preenchido um PER/DCOMP que demonstra de forma clara que aquele pagamento foi efetuado a maior e dele se extraí os valores devidos a título de impostos. Apresenta um demonstrativo da composição do PER/DCOMP nº 27613.24430.280909.1.3.047698, identificando o valor devido de COFINS, o valor da guia de recolhimento, o saldo do pagamento a maior e as compensações efetuadas. Alega ainda que houve a retificação da DIPJ do anobase de 2005, na qual a receita foi apropriada de forma errada e, por isto, originou também a retificação de todos os cálculos dos impostos federais. Ressalta que havendo necessidade de retificação do PER/DCOMP, solicita autorização para o ajuste, porém, o valor original disponível desde a data especificada, corrigido monetariamente, possibilitou a compensação declarada. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “Assunto: ... Data do fato gerador: ... DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.” No recurso voluntário a recorrente alega o seguinte: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906115/201232 Acórdão n.º 3801004.769 S3TE01 Fl. 5 4 i) O ICMS que faz parte do valor total de conhecimentos de transporte não compõe o valor tributado pela cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep. ii) Juntou cópia da DIPJ 2006/2005, retificada, que demonstra que estas contribuições foram reduzidas em seus valores anteriormente apresentados. iii) No próprio PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. iv) Não apresentou retificação da DCTF e do DACON, primeiro, por problemas com o contador; depois, porque teria ocorrido prescrição para a retificação. v) Calculou a cofins e a contribuição para o PIS/Pasep sobre um valor que incluía o ICMS e, após, corrigiu o faturamento, excluindo este imposto da base de cálculo, logo, tem direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906115/201232 Acórdão n.º 3801004.769 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Certeza e liquidez do crédito pleiteado. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de contribuição social. Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório. Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/BHE, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906115/201232 Acórdão n.º 3801004.769 S3TE01 Fl. 7 6 A recorrente afirma que juntou cópia da DIPJ 2006/2005 retificada, a qual demonstraria redução dos valores das contribuições anteriormente apresentados, e apresenta justificativas para não ter retificado a DCTF e o DACON. Não encontrei nos autos nenhuma DIPJ, original ou retificada. Logo, inócua a alegação. Quanto à falta de retificação da DCTF e do DACON, esta não é determinante para o julgamento, uma vez que o CARF tem reconhecido o direito ao crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, independentemente de retificação da DCTF e do DACON, desde que o direito seja comprovado por documentos e livros fiscais e contábeis hábeis. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. De qualquer modo, o importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito pleiteado. Há menção de que seria decorrente da inclusão do ICMS integrante de conhecimento de transporte na base de cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, porém, não é tecido nenhum argumento sobre esta matéria. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Declaração de compensação errada e competência do CARF No recurso, ao contrário da manifestação de inconformidade, nada foi dito sobre erro na Declaração de Compensação ou sobre a necessidade de sua retificação. Apenas se afirmou que, no PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. Porém, tendo em vista que possível erro na DCOMP é questão que permeia os autos e que a decisão da DRJ tratou desta matéria; que a Administração deve atender aos princípios da legalidade, da moralidade, do interesse público e da eficiência; e que o princípio da verdade material é especialmente levado em consideração nos julgamentos neste Conselho; teço algumas considerações que me levam a concluir pela manutenção da decisão recorrida na íntegra. O processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 6/3/1972. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906115/201232 Acórdão n.º 3801004.769 S3TE01 Fl. 8 7 O rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, não se aplica, em princípio, aos processos administrativos de pedidos de compensação, pois não são processos de determinação e exigência de créditos tributários, tampouco de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal.. Porém, por força do art. 74, §§ 9º e 10, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, não homologada a compensação, o sujeito passivo poderá apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão administrativa de não homologação e recurso contra decisão que julgue improcedente a manifestação de inconformidade. Ambos, manifestação de inconformidade e recurso, seguirão o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, conforme parágrafo 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais_CARF, que, conforme art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009, é competente para julgar, em segunda instância, processos que seguem o rito deste decreto, possui competência para julgar recursos contra decisões da DRJ que julgaram improcedentes manifestações de inconformidade contra não homologação de declarações de compensação. Quanto à retificação de declarações de compensação, a situação é diferente. Cito o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906115/201232 Acórdão n.º 3801004.769 S3TE01 Fl. 9 8 § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União A exigência do pagamento destes débitos não deve ser submetida a julgamento administrativo; e, ainda que a declaração de compensação contenha erro, não cabe nesta instância sua correção, o que deve realizarse pela entrega de declaração retificadora, tal como estabelecido nos arts. 6º a 8º das Instruções Normativas SRF nº 360. de 24/02/2003, e nº 376, de 23/12/2003; nos arts. 55 a 58 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e IN SRF nº 600, de 28/12/2005; nos arts. 76 a 79 da IN SRF nº 900, de 30/12/2008; e nos arts. 88 a 90 da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Conforme assentado no acórdão recorrido, a retificação de declaração de compensação deveria ser requerida por meio de documento retificador gerado a partir do programa PER/DCOMP. Não há nos autos nenhum documento retificador gerado nesta condição. Assim, não pode o CARF determinar a homologação da DCOMP tal como formalizada, ainda que errada, pois esta extingue o crédito tributário, sob condição resolutória, e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906115/201232 Acórdão n.º 3801004.769 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19515.003913/2010-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2010
PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Estando a sentença que reconheceu a existência de créditos do sujeito passivo ainda pendente de liquidação, não se admite a compensação tributária, em razão do que dispõe o art. 170-A do CTN.
MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DECORRENTES DE PAGAMENTOS INDEVIDOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PERTENCENTES AO SUJEITO PASSIVO E A EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO RECONHECIDOS EM SENTEÇA JUDICIAL. DESCABIMENTO
Não cabe a multa isolada de 150% nos casos em que o sujeito passivo efetua compensação com créditos decorrentes de recolhimentos indevidos de contribuições previdenciárias pertencentes a empresas do mesmo grupo econômico, os quais foram reconhecidos judicialmente, não se caracterizando nesses casos a falsidade prevista no § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991.
Numero da decisão: 2401-003.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos rejeitar a argüição de nulidade do lançamento. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que anulava o lançamento. II) Por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 10/2005. II) Por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de nulidade da decisão de primeira instância. III) Pelo voto de qualidade, considerar indevidas as compensações, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carolina Wanderley Landim, que votaram por afastar as restrições pertinentes ao trânsito e julgado da ação judicial e da compensação realizada com créditos de terceiros do mesmo grupo econômico e, ainda, pelo fato de as empresas terem sido litisconsortes na ação judicial e considerar que é devida a restrição do limite de 30%. IV) Por unanimidade de votos, afastar a multa isolada.
Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 CARF.)
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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EQUIP. INDUSTRIAS E ARM. GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2010 LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE GLOSAS DE COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DOS FATOS GERADORES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os lançamentos efetuados para exigir glosas de compensação, nos casos em que o sujeito passivo tenha declarado os fatos geradores na GFIP, embora prescindíveis, não devem ser objeto de declaração de nulidade. INOVAÇÃO NOS FUNDAMENTOS DA LAVRATURA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. A Delegacia de Julgamento motivou sua decisão nos elementos trazidos ao processo pelo fisco, não se verificando na espécie inovação nos fundamentos da autuação a justificar a declaração de nulidade do acórdão a quo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2010 COMPENSAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS COM CRÉDITOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste norma do direito previdenciário autorizando a compensação de contribuições devidas com créditos que o sujeito passivo tenha adquirido de terceiros. SENTENÇA JUDICIAL AUTORIZATIVA DA COMPENSAÇÃO NÃO LIQUIDADA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Estando a sentença que reconheceu a existência de créditos do sujeito passivo ainda pendente de liquidação, não se admite a compensação tributária, em razão do que dispõe o art. 170A do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 13 /2 01 0- 96 Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DECORRENTES DE PAGAMENTOS INDEVIDOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PERTENCENTES AO SUJEITO PASSIVO E A EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO RECONHECIDOS EM SENTEÇA JUDICIAL. DESCABIMENTO Não cabe a multa isolada de 150% nos casos em que o sujeito passivo efetua compensação com créditos decorrentes de recolhimentos indevidos de contribuições previdenciárias pertencentes a empresas do mesmo grupo econômico, os quais foram reconhecidos judicialmente, não se caracterizando nesses casos a falsidade prevista no § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2010 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos rejeitar a argüição de nulidade do lançamento. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que anulava o lançamento. II) Por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 10/2005. II) Por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de nulidade da decisão de primeira instância. III) Pelo voto de qualidade, considerar indevidas as compensações, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carolina Wanderley Landim, que votaram por afastar as restrições pertinentes ao trânsito e julgado da ação judicial e da compensação realizada com créditos de terceiros do mesmo grupo econômico e, ainda, pelo fato de as empresas terem sido litisconsortes na ação judicial e considerar que é devida a restrição do limite de 30%. IV) Por unanimidade de votos, afastar a multa isolada. Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira – Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 – CARF.) Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 19515.003913/201096 Acórdão n.º 2401003.512 S2C4T1 Fl. 1.209 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 16 30.278 de lavra da 11.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.251.9148. O crédito em questão referese a exigência de contribuições patronais para a Seguridade Social, decorrentes de glosas de compensação declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP que o fisco entendeu terem sido efetuadas irregularmente. A multa foi aplicada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso, limitada a 20%. Consta ainda do lançamento a aplicação de multa isolada no patamar de 150% dos valores compensados indevidamente, por ter a Autoridade Lançadora entendido que a empresa incorreu em falsidade na declaração de GFIP ao inserir compensações de créditos inexistentes. Segundo o fisco, a autuada, em litisconsórcio com as empresas Rodrimar S/A e S/A Marítima Eurobrás Agente e Comissionaria, ajuizou em 11/08/1998 ação judicial de repetição de indébito contra o INSS, requerendo a restituição das contribuições previdenciárias incidentes sobre a prestação de serviço por trabalhadores avulsos, recolhidas no período de 01/07/1989 a 30/04/1996. Acerca das razões do lançamento, o fisco assim se pronunciou: “6 Na análise dos documentos apresentados, foi constatado pela fiscalização: A empresa tem declarado valores a título de Compensação em GFIP desde a competência novembro/2001. Ao adotar este procedimento, a empresa está declarando possuir crédito tributário líquido e certo, reduzindo o montante da Contribuição Previdenciária devida pela mesma; no período de novembro/2001 a dezembro/2004 declarou compensações no montante de R$ 2.523.102,02 (valores nominais); no período de janeiro/2005 a julho/2010 declarou compensações no montante de R$ 9.888.213,22 (valores nominais); O valor compensado pela empresa é muito superior ao crédito por ela apurado no processo judicial, que, atualizado até junho/2007 totalizou R$ 13.237,43 (Treze mil duzentos e trinta e sete reais e quarenta e três centavos); Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 A empresa procedeu à compensação de valores acima de 30% do valor devido à Previdência Social, o que era vedado pela legislação vigente até novembro/2008; A empresa pede no processo restituição dos valores pagos indevidamente; A empresa não apresentou nenhuma peça do processo na qual solicitou autorização para compensar eventuais créditos tributários, inclusive das outras empresas integrantes do processo; A empresa não apresentou nenhuma peça do processo na qual informa a autoridade judicial que vêm procedendo a compensações dos créditos que estima ter; O processo não está definitivamente julgado. Afirmouse ainda que, indagada sobre o elevado montante de compensações em relação aos créditos que deteria, a autuada respondeu que efetuou a compensação das contribuições devidas com seus créditos e das outras empresas integrantes da ação judicial, os quais teriam sido adquiridos mediante instrumento de cessão de direitos. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, por suposto Crime Contra a Ordem Tributária, previsto nos arts. 1. e 2. da Lei n. 8.137/1990. Apresentada a impugnação, o órgão de primeira instância declaroua improcedente. Para a DRJ, as compensações efetuadas pela empresa não atenderam aos requisitos estabelecidos em lei, nem os créditos apresentados seriam líquidos e certos. Sobre as irregularidades no processo compensatório, o voto condutor do acórdão recorrido acrescenta: “Vale ressaltar, também, que a teor do item 9.1 do Relatório: ´Não bastasse o fato de o processo não estar definitivamente julgado, o crédito tributário da empresa caso seja confirmado em decisão final no processo, totalizou R$ 13.237,43 atualizado até junho/2007 segundo cálculo efetuado pelo contador das empresas autoras. Considerando que a empresa declarou na GF1P da competência novembro/2001 compensação no valor de R$ 80.726,65, o qual deixou de ser recolhido, competência esta anterior ao valor mencionado em quase seis anos, já teria se ressarcido em montante muito superior àquele que lhe seria devido.´ No tocante à compensação acima de 30% do valor devido ao mês, a empresa não apresentou fundamentação legal para o procedimento adotado, nem durante a ação fiscal (vide item 6.2 da resposta da empresa à intimação fiscal, fl. 144). nem na impugnação apresentada.” Também se afirmou na decisão da DRJ que inexiste norma que permita a compensação de contribuições previdenciárias com créditos de terceiros, tampouco houve provimento judicial neste sentido. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 19515.003913/201096 Acórdão n.º 2401003.512 S2C4T1 Fl. 1.210 5 Acerca da aplicação da multa isolada de 150%, o órgão a quo entendeu que o fato do sujeito passivo haver declarado na GFIP créditos inexistentes justificaria a aplicação dessa penalidade. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso, no qual inicia afirmando pela sua tempestividade e fazendo uma retrospectiva dos fatos processuais mais relevantes ocorridos no transcurso do processo administrativo fiscal. Depois suscita a nulidade da decisão da DRJ, posto que teria inovado nos fundamentos da autuação, ao trazer à baila discussão sobre o quantum compensado e sobre o limite mensal de compensação, aspectos não expressos no relatório fiscal como determinantes da autuação. Aduz que a ação judicial que deu origem aos créditos utilizados na compensação transitou em julgado, observandose que o único elemento atinente ao caso que ainda não teve a sua conclusão é a liquidação de parte da sentença, posto que em sede de execução a União se opôs somente contra a parcela do crédito pretendido que ultrapassa o montante de R$ 8.202.188,16. Advoga que é titular dos créditos utilizados na compensação, posto que mediante Instrumento Particular de Cessão de Crédito e Outras Avenças firmado entre a recorrente e S/A Marítima Eurobrás Agente e Comissária lhe foram transferidos, em valores originais e sem qualquer atualização, o montante de R$ 4.147.315,00, decorrentes da condenação proferida contra a União Federal nos autos da ação n. 98.02056090. A recorrente assevera que não havendo óbice legal ou contratual à cessão do referido crédito entre as autoras da demanda, todas integrantes do mesmo grupo econômico, não há que se falar na irregularidade ou ineficácia desse ato. Sustenta que não há vedação legal à aplicação do Código Civil para a realização de cessão de crédito do sujeito passivo contra a União, no intuito de compensar tributo devido, assim, a recorrente não pode ser autuada por suposto ilícito sequer previsto em lei. Afirma que a União, representada pelo Ministério da Previdência Social, desde 01/2005, tinha ciência da aludida cessão de crédito, cumprindo assim o requisito fixado pelo art. 290 do Código Civil para a validade da cessão perante o devedor do crédito. A recorrente acrescenta também que os requisitos exigidos pela legislação previdenciária para a compensação foram integralmente cumpridos, haja vista que há: a) sentença judicial condenando a União a devolver contribuições previdenciárias pagas indevidamente; b) valor certo e definido da condenação; c) trânsito em julgado da sentença condenatória; e d) compensação declarada na GFIP pelo sujeito passivo. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 Afirma que a jurisprudência tem entendido que somente não é possível a cessão de créditos para compensação tributária quando há norma legal vedando expressamente o procedimento de encontro de contas. Cita decisões. Alega que não pode prevalecer a multa isolada de 150%, posto que na espécie inexistiu máfé ou intuito de fraude de sua parte, uma vez que lançou as informações na GFIP em consonância com a realidade. Afirma que segundo o entendimento majoritário do CARF apenas quando o sujeito passivo se utiliza de créditos notoriamente inexistentes é que se configura a conduta dolosa capaz de ensejar a aplicação da multa em questão. Ao final, pugna pela nulidade da decisão recorrida ou a declaração de improcedência do AI. É o relatório. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 19515.003913/201096 Acórdão n.º 2401003.512 S2C4T1 Fl. 1.211 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade do lançamento Embora não suscitada nem na defesa, nem na peça recursal, a Turma decidiu apreciar a alegada nulidade do lançamento em razão da impossibilidade de se lançar contribuições incidentes sobre fatos geradores que foram declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. A recorrente apresenta como fundamentos para seu pedido de nulidade do AI jurisprudência do STJ e a Solução de Consulta RFB n. 03/2013. Embora plausível a tese sustentada da tribuna, não merece nosso acatamento. É que, malgrado a jurisprudência e solução de consulta invocadas falem em desnecessidade do lançamento, inexiste a conclusão de que seriam nulos os lançamentos efetuados para exigir contribuições indevidamente compensadas, para os casos em que o sujeito passiva tenha declarado as remunerações na guia informativa. Prescindir do lançamento em absoluto significa a impossibilidade de fazêlo. A prerrogativa que tem o fisco de verificar o procedimento compensatório permite que este, ao se deparar com valores indevidamente compensados, efetue o lançamento, não se verificando causa de nulidade neste procedimento. Esse lançamento, ao contrário do que afirmou a recorrente, não tem como ser caracterizado como “bis in idem”, uma vez que os controles da administração tributária impedem que se efetue a cobrança mediante AI e ao mesmo tempo se faça a cobrança automática dos valores declarados na GFIP. Mesmo porque, a cobrança das contribuições declaradas somente se dá após intimação do sujeito passivo para prestar informações sobre as divergência detectadas. É esse entendimento que se extrai da Instrução Normativa RFB n. 971/2009: Art. 461. O sistema informatizado da RFB, ao constatar débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP, poderá registrar este débito em documento próprio, denominado Débito Confessado em GFIP (DCG), o qual dará início à cobrança automática independente da instauração de procedimento fiscal ou notificação ao sujeito passivo. § 1º É facultado à RFB, antes da emissão do DCG, intimar o sujeito passivo a regularizar as divergências apuradas na forma do caput. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 § 2º A intimação prevista no § 1º será encaminhada ao sujeito passivo, a critério da RFB, por via postal, com ou sem Aviso de Recebimento, ou por meio eletrônico, e conterá: I o prazo para regularização; II o endereço eletrônico para acesso aos relatórios com detalhamento dos valores apurados e obtenção de instruções para regularização da situação; e III o endereço da unidade da RFB onde o sujeito passivo poderá comparecer, caso manifeste interesse em obter informações adicionais. § 3º O DCG será emitido caso as divergências, contidas na intimação de que trata o § 1º, não sejam regularizadas no prazo previsto no documento. (...) Ressaltese que esta Turma já se deparou com diversas situações de lavraturas efetuadas para exigir contribuições declaradas em GFIP, as quais corriqueiramente ocorriam antes da fusão dos fiscos federais, todavia, em nenhum momento se cogitou de cancelar os lançamentos em questão. Assim, entendo que não deva ser acatada a preliminar de nulidade do lançamento. Nulidade da decisão de primeira instância Suscita a recorrente a nulidade do acórdão da DRJ, posto que esta teria inovado nos fundamentos do lançamento, incorrendo em desvio de competência. Assevera que, ao tratar de aspetos relacionados à quantificação das parcelas compensadas e ao limite mensal para compensação, teria o órgão de primeira instância trazido ao processo fatos não apresentados pelo fisco. Não posso dar guarida a esse argumento. Relendo a decisão de primeira instância, pude constatar que as razões de decidir ali lançadas não fogem um milímetro dos fatos e argumentos presentes no relatório de trabalho da auditoria. Para espancar qualquer dúvida quanto à improcedência dessa preliminar de nulidade, vou transcrever excertos do relatório do voto condutor do acórdão em que são transcritas passagens do relato fiscal. Vejamos: “Em atendimento à intimação, em 13/09/2010, foi apresentada parte dos documentos solicitados, conforme itens 4.1, 4.2 e 5 do Relatório. E da análise destes documentos, a fiscalização constatou que: • A empresa tem declarado valores a título de compensação nas GFIP's desde a competência 11/2001; • O valor compensado pela empresa é muito superior ao crédito por ela apurado na Ação Judicial de Repetição de Indébito n° 98.02056090, I a Vara da Subseção Judiciária de Santos; • A empresa procedeu à compensação de valores acima de 30% do valor devido à Previdência Social, o que era vedado pela legislação vigente até 11/2008; • A empresa pede no processo judicial restituição dos valores pagos indevidamente; Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 19515.003913/201096 Acórdão n.º 2401003.512 S2C4T1 Fl. 1.212 9 • A empresa não comprovou ter solicitado autorização para compensar eventuais créditos tributários, inclusive das outras empresas autoras, nem ter informado à autoridade judicial de que vêm procedendo à compensação dos créditos que estima ter; • O processo n° 98.02056090 não está definitivamente julgado, conforme consulta de andamento processual.” Resta claro desta transcrição que as considerações do órgão recorrido acerca da discrepância entre o valor compensado e o crédito obtido judicialmente, bem como do desatendimento ao limite mensal passível de compensação, tiveram como base as palavras da Autoridade Notificante lançados no termo de verificação fiscal, não se observando qualquer inovação dos fundamentos da lavratura. Assim, não encontra amparo nos autos a preliminar de nulidade suscitada. Decadência Também de ofício está sendo enfrentada a questão da decadência. Não há dúvida de que a regra geral da contagem do prazo de caducidade para as contribuições previdenciárias segue a norma do § 4. do art. 150 do CTN, todavia, essa contagem se desloca para a sistemática do inciso I do art. 173 do mesmo Código, quando não há antecipação de pagamento pelo sujeito passivo ou nos casos de dolo, fraude ou simulação. É esse entendimento que é obrigatoriamente seguido pelo CARF em razão do que dispões o seu Regimento Interno (art. 62A) que determina que sejam reproduzidas as decisões do STJ, quando tomadas na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC). Na referida sistemática o Egrégio STJ decidiu, nos autos do REsp n° 973.733/SC, que: “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” Conforme se extrai dos documentos acostados com os memoriais, além dos valores compensados para o período de 01 a 10/2005, houve recolhimento complementar em Guia de Previdência Social, os quais podem facilmente ser visualizados pela administração tributária. Esse fato levame à conclusão que a contagem do prazo de decadência deve se dar pela norma do § 4. do art. 150 do CTN. Considerandose que a ciência do lançamento ocorreu em 23/11/2010, devem ser excluídas em razão da caducidade as competências de 01 a 10/2005. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 Utilização de créditos de terceiros no processo de compensação Para afastar o lançamento a recorrente afirma deter a titularidade dos créditos obtidos judicialmente pelas empresas Rodrimar S/A Agentes e Comissária e S/A Marítima Eurobrás Agente Comissária, os quais foram adquiridos por Instrumento Particular de Cessão de Crédito e Aditivos. Assevera que essa operação é regulada pelo Código Cível. Afirma que, se não há norma vedando a compensação tributária com créditos adquiridos de terceiros, não há o que se falar em irregularidade no seu processo compensatório. Conforme o CTN, cabe a lei autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Vejamos o dispositivo: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. O texto do CTN é cristalino ao dispor que o encontro de contas Fisco Contribuinte é dependente da existência de lei autorizativa. No caso das contribuições sociais, inexiste lei prevendo a possibilidade de compensação com créditos de terceiros. Para esses tributos, o procedimento de compensação é tratado pelo art. 89 da Lei n.º 8.212/1991, nos seguintes termos (redação vigente no período do lançamento): Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. § 1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 19515.003913/201096 Acórdão n.º 2401003.512 S2C4T1 Fl. 1.213 11 § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. § 7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios. Como se observa inexiste na Lei previsão legal que autorize a compensação de contribuições com créditos de terceiros, isso porque somente na hipótese de pagamento indevido é autorizado esse tipo de encontro de contas. Repitase que não há permissivo legal para o procedimento adotado pelo sujeito passivo, posto que a compensação somente pode se dar com créditos decorrentes de recolhimento indevido efetuado pelo próprio contribuinte. Observe que a legislação infralegal também repele a utilização de créditos de terceiros na compensação de contribuições sociais como se pode ver de dispositivo constante na IN INSS/DC n. 100/2003 e repetido na IN SRP n. 03/2005 e IN RFB n. 900/2008: IN N° 100/2003 Art. 202. Havendo pagamento de valores indevidos à Previdência Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora, é facultado ao sujeito passivo optar pela compensação ou pela formalização do pedido de restituição na forma da Seção II deste Capitulo, observadas, quanto à compensação, as seguintes condições: (...) § 1. O crédito decorrente de pagamento ou de recolhimento indevido poderá ser utilizado entre os estabelecimentos da empresa, exceto obras de construção civil, para compensação com contribuições sociais previdenciárias devidas, desde que a compensação seja declarada em GFIP. Por outro lado o § 12 do art. 74 da Lei n. 9.430/1996, na redação dada pela Lei n. 11.051/2004, veda expressamente a compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. Eis o dispositivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3o deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 12 b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do Decreto Lei no 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (grifei) Pesquisando a jurisprudência desse Tribunal quando trata da compensação de contribuições previdenciárias, pude trazer a esse voto: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 31/08/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COMPENSAÇÃO GLOSA CESSÃO DE CRÉDITOS. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. A cessão de crédito, nos termos do Código Civil, não descaracteriza o crédito como sendo de terceiros para fins de compensação. Nos termos do art. 89, § 1°, Lei n° 8.212/1991, a comprovação da não transferência ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade, como atributo da compensação/restituição é obstáculo intransponível para o aproveitamento de créditos de terceiros. (Acórdão n. 2302002.236, de 21/11/2011) No mesmo sentido, o Acórdão n. 2403.00835, de 26/10/2011. O Egrégio STJ também já se manifestou contrariamente a utilização de créditos de terceiros sem que haja lei autorizativa: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE PRECATÓRIOS. MEDIDA QUE RECLAMA A EXISTÊNCIA DE LEI LOCAL AUTORIZADORA. ENTENDIMENTO PACÍFICO NO ÂMBITO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência pacificada desta Corte considera que a compensação de tributos depende da existência de lei autorizativa editada pelo respectivo ente federativo" (AgRg no RMS 35.365/PR, Segunda Turma, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 10/5/12). 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 120392 / RS; DJe 11/09/2012) Outra questão que foi oportunamente tratada pela DRJ e não contraditada pela recorrente diz respeito à falta de autorização judicial para compensação com créditos de terceiros. Vejase o que disse o Relator do processo na primeira instância: Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 19515.003913/201096 Acórdão n.º 2401003.512 S2C4T1 Fl. 1.214 13 “Conforme Relatório Fiscal, e análise dos documentos juntados aos autos pela Fiscalização e pela Impugnante, verificase que nas peças processuais apresentadas, referentes aos autos do processo n° 98.02056090, não há menção de que a empresa está adotando o procedimento de "compensação" (foi concedido o direito à restituição), não foi comprovada a existência de autorização judicial para efetuar compensações antes do trânsito em julgado, nem tampouco para se atribuir de créditos de terceiros.” Observese que ainda que se considere que as empresas cedentes dos créditos sejam integrantes de grupo econômico, o lançamento em questão não as vinculou como responsáveis solidárias pelo crédito, portanto em relação a este processo as pessoas jurídicas que figuram no polo ativo da demanda judicial juntamente com a autuada devem ser tratadas como terceiros. Assim, não havendo autorização legal nem judicial para compensação das contribuições devidas com créditos de terceiros, não podemos chancelar este procedimento sob pena de estarmos nos desviando das balizas legais existentes e desrespeitando o princípio de que à administração pública é dado apenas autuar dentre dos limites determinados pela lei. Diante dessas considerações, devo afastar a pretensão da recorrente de utilizarse de créditos de terceiros para compensar as contribuições devidas. Trânsito em julgado da decisão judicial Alega a recorrente que a decisão judicial que reconheceu os créditos decorrentes do recolhimento indevido de contribuições já tivera trânsito em julgado, faltando apenas a conclusão da liquidação da sentença. A essa mesma conclusão chego quando me deparo com a seguinte passagem da decisão recorrida: “Ao contrário do que alega a Defendente, a referida Ação Ordinária de Repetição de Indébito n° 98.02056090 não está definitivamente julgada, conforme se depreende da consulta processual, juntada por esta relatora às fls. 1.095 a 1.097. Conforme despacho/decisão de 17/01/2011, D. Eletrônico de 21/01/2011: (...) Sentença/Despacho/Decisão/Ato Ordinário Em que pesem os argumentos expostos pela parte autora na petição de fls. 523/540, não se trata de hipótese de compensação, mas sim de repetição do indébito. Desse forma, não existindo correlação entre as autuações levadas a efeito pela Fazenda Nacional e a apuração do correto valor a ser repetido, afastada está a urgência necessária para justificar a prioridade de tramitação do feito na contadoria judicial. Assim, oportunamente, retornem os autos a Contadoria Judicial, observada a ordem cronológica daquele setor. Cumprase Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 14 Disponibilização D. Eletrônico de despacho em 21/01/2011, pg. 86.” Sobre essa questão, vale a pena colacionar precedente do Egrégio STJ, no qual o trânsito em julgado somente ocorre quando da última decisão proferida nos autos. Vejamos a ementa do julgado relativo ao REsp 404.777/DF (03/12/2003): PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL AÇÃO RESCISÓRIA PRAZO PARA PROPOSITURA TERMO INICIAL TRÂNSITO EM JULGADO DA ÚLTIMA DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS CPC, ARTS. 162, 163, 267, 269 E 495. A coisa julgada material é a qualidade conferida por lei à sentença /acórdão que resolve todas as questões suscitadas pondo fim ao processo, extinguindo, pois, a lide. Sendo a ação una e indivisível, não há que se falar em fracionamento da sentença/acórdão, o que afasta a possibilidade do seu trânsito em julgado parcial. Consoante o disposto no art. 495 do CPC, o direito de propor a ação rescisória se extingue após o decurso de dois anos contados do trânsito em julgado da última decisão proferida na causa. Embargos de divergência improvidos. Percebese então que a liquidação da sentença ainda não estava concluída quando o sujeito passivo procedeu a compensação, fato que representa ofensa ao que dispõe o art. 170A do CTN, com redação dada pela Lei Complementar n. 104/2001, vigente à época da realização das compensações: Art. 170A E vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em juizado da respectiva decisão judicial. Ora, se a sentença encontravase em fase de liquidação, os créditos ainda não eram líquidos, portanto, imprestáveis para compensação. De se concluir que o sujeito passivo efetuou o procedimento compensatório ao arrepio do que dispõe os arts. 170 e 170A do CTN. Multa Observase que para as competências a partir de 12/2008 foi criado o levantamento Ml MULTA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA, mediante o qual foi imposta multa isolada, com fundamento no § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991. Em seu recurso o sujeito passivo alega que a multa isolada é improcedente, posto que não atuou com dolo, nem tentou ludibriar o fisco, haja vista que declarou as compensações na GFIP. Analisemos o dispositivo invocado pelo fisco: Art. 89 (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 19515.003913/201096 Acórdão n.º 2401003.512 S2C4T1 Fl. 1.215 15 passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que saiba não possuir, evidentemente comete falsidade, haja vista inserir no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. De se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, exigese que o fisco demonstre a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo. Na situação sob análise, não há como negar que o sujeito passivo declarou valores a compensar com origem em créditos adquiridos de terceiros e que, portanto, não poderiam ser objeto de procedimento compensatório, além de haver efetuado a compensação antes do transito em julgado da decisão do Judiciário, atropelando o art. 170A do CTN. Ocorre que, no caso sob apreciação, não vejo como configurar a falsidade apontada pela autoridade lançadora. A uma porque os créditos utilizados foram confirmados em sentença de mérito, além de que pertencem a empresas integrantes do mesmo grupo econômico da autuada. Assim não deve prevalecer a multa isolada, haja vista que não se percebe a falsidade requerida pelo § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991. Conclusão Voto por afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida, por reconhecer a decadência até a competência 10/2005 e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa isolada. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 16 Declaração de Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora Tendo divergido em parte das conclusões a que chegou o ilustre relator, no seu bem fundamentado voto, julgo importante explicitar os motivos da minha divergência com relação aos pontos abaixo destacados do voto vencedor: 1. Compensação de débitos de natureza previdenciária com créditos cedidos por empresas integrantes do mesmo grupo econômico. A cessão de créditos (inclusive de natureza tributária) é instituto regulado pelo art. 286 do Código Civil: Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boafé, se não constar do instrumento da obrigação. Ocorrida a cessão, cumprenos averiguar a possibilidade de o cessionário promover a compensação dos créditos oriundos de terceiros (indébito) com créditos tributários. Analisando a legislação atinente à compensação de créditos tributários, nota se que o CTN atribuiu à lei ordinária o poder de autorizar e regular tais compensações: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. No que tange aos tributos federais não previdenciários, o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, em seu § 12, II, ‘a’, veda a sua compensação com créditos (indébito) de terceiros: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 19515.003913/201096 Acórdão n.º 2401003.512 S2C4T1 Fl. 1.216 17 II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) (Grifei) Entretanto, o citado dispositivo legal não se aplica às contribuições previdenciárias, a teor do quanto disposto no parágrafo único do art. 26, da Lei nº 11.457/2007, abaixo transcrito: Art. 26. (...) Parágrafo único. O disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplica às contribuições sociais a que se refere o art. 2º desta Lei. (Grifei) Em face da vedação acima, a compensação de créditos tributários de natureza previdenciária continua regida pelo art. 66, da Lei nº 8.383/1991, in verbis: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Grifei) Ao contrário do que ocorre com os demais tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, a lei que rege a compensação das contribuições previdenciárias não obsta a compensação de contribuições previdenciárias com créditos de terceiros dessa mesma espécie. Diante da possibilidade de cessão de créditos de contribuições previdenciárias (art. 286 do Código Civil), da autorização legal para compensação de créditos Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 18 tributários previdenciários com tributos da mesma espécie (art. 170 do CTN e art. 66 da Lei nº. 8.383/1991) e da inexistência de óbice legal à compensação de créditos de contribuições previdenciárias recebidos de terceiro, entendo que não se pode concluir pela impossibilidade de a referida compensação vir a ser realizada sem que se ofenda o princípio da legalidade. No caso em apreço, a direito à compensação de débitos de contribuições previdenciárias com créditos da mesma natureza, oriundos de empresas do mesmo grupo econômico, se justifica ainda mais pelo fato de a legislação previdenciária atribuir a essas empresas responsabilidade solidária pelas contribuições previdenciárias devidas pelo grupo. Ora, se os débitos de contribuição previdenciária de uma pessoa jurídica podem ser cobrados de outra empresa do mesmo grupo econômico, seria antiisonômico vedar, quanto aos créditos da mesma natureza, a utilização por outras empresas desse mesmo grupo, para fins de compensação tributária. Devese, assim, interpretar a legislação tributária/previdenciária que, ressalte se, não veda a compensação com créditos de terceiros – como fez expressamente o art. 74 da Lei n. 9.430/1996 – em consonância com as demais normas atinentes a essa espécie tributária, diante do que a conclusão a que se chega é no sentido de ser permitida a compensação com créditos de terceiros. O Superior Tribunal de Justiça, debruçandose sobre este tema, também entendeu pela possibilidade de compensação de contribuição previdenciária com créditos de terceiros, como se observa do julgado abaixo transcrito: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. SENTENÇA CONDENATÓRIA DO DIREITO À COMPENSAÇÃO DO INDÉBITO. CESSÃO DE CRÉDITOS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DISTINTAS. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS PREVIDENCIÁRIOS. POSSIBILIDADE. (...) 3. O direito à restituição do indébito é direito de crédito (art. 165, do CTN), sendo, portanto, disponível, consoante a norma insculpida no art. 286, do Código Civil. Por isso que, na ausência de regra tributária expressamente proibitiva, aplicase a regra geral que trata de cessão de créditos, máxime por não se tratar, o crédito tributário, de direito intransferível, indisponível ou personalíssimo. (...) 5. Nesse segmento, verificase que, no caso sub judice, há o direito de crédito contra o INSS reconhecido por decisão trânsita em julgado, o qual foi cedido, nos termos da lei civil haja vista tratarse de um direito de crédito como qualquer outro , à ora recorrente, sujeito passivo de relação tributária com a própria autarquia previdenciária, com vistas a compensa lo com os respectivos débitos previdenciários. (...) 7. Consequentemente, cedido o crédito tout court, é lícito ao cessionário compensálo com os seus débitos, sendo certo que o art. 66, § 3º, da Lei 8.383/91, permite o recebimento ou a compensação do indébito tributário, máxime por não haver qualquer prejuízo ao INSS. 8. Recurso especial provido. (grifos aditados) (REsp 789453/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/05/2007, DJ 11/06/2007, p. 271) Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 19515.003913/201096 Acórdão n.º 2401003.512 S2C4T1 Fl. 1.217 19 Diante do exposto, em relação a este item, voto por afastar a restrição imposta pela fiscalização quanto ao direito da Recorrente de compensar créditos de empresas do mesmo grupo econômico, com débitos de contribuição previdenciária, na linha do entendimento emanado do STJ. 2. Compensação antes do trânsito em julgado ofensa ao art. 170A do CTN O crédito compensado foi reconhecido nos autos da Ação Ordinária de Repetição de Indébito nº 98.02056090 que teve sentença favorável aos autores, proferida pelo juiz de primeira instância. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região manteve a sentença que reconheceu o direito creditório (fls. 630640) reformandoa apenas no tocante à verba honorária. Os autores apresentaram Embargos Declaratórios que foram rejeitados. (fls. 677 681). Às fls. 683 há uma certidão atestando a citação do INSS, ocorrida em 18.10.2004, por oficial de justiça, acerca da decisão que rejeitou os Embargos Declaratórios. Observase que o INSS não interpôs nenhum Recurso contra o acórdão do TRF3, que lhe foi desfavorável, tampouco apresentou contrarrazões ao RESP do contribuinte, em que pese tenha sido intimado para tanto (fls. 719/721). Os autores, por sua vez, recorreram tão somente quanto à verba honorária. No julgamento do citado RESP (fls. 728/734 do PAF), o ministro relator inclusive certifica que o INSS não recorreu da decisão do TRF3, tampouco apresentou contrarrazões ao Recurso Especial interposto pelos autores. Não tendo o INSS apresentado recurso ao acordão do TRF3 até 18.11.2004 (termo final do seu prazo), o entendimento ali firmado tornouse definitivo, exceção se fazendo apenas quanto à fixação da verba honorária, objeto de recurso interposto pelos autores da demanda. Desta forma, tendo em vista que a pendência de decisão judicial a partir do RESP interposto pelos autores da demanda cingiuse somente à fixação dos honorários sucumbenciais, é patente que, em relação às outras matérias da ação judicial, ocorreu o trânsito em julgado formal. Reconhecendo que o trânsito em julgado formal pode ocorrer no curso do processo em relação a partes do julgado, em março deste ano, ao julgar o RE n. 666589/DF, o STF concluiu que o prazo decadencial da ação rescisória, nos casos de existência de capítulos autônomos na decisão, contase do trânsito em julgado de cada decisão. Vejamos o teor da ementa do referido julgado: COISA JULGADA – ENVERGADURA. A coisa julgada possui envergadura constitucional. COISA JULGADA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL. CAPÍTULOS AUTÔNOMOS. Os capítulos autônomos do pronunciamento judicial precluem no que não atacados por meio de recurso, surgindo, ante o fenômeno, o termo Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 20 inicial do biênio decadencial para propositura da rescisória. Não há dúvidas, portanto, de que o trânsito em julgado de parte da decisão pode ocorrer ainda no curso do processo. No caso em apreço, o capítulo da decisão que reconheceu o direito creditório dos Autores transitou em julgado em 18.11.2004. Registrese que a certidão juntada às Fls. 749 do PAF declara o trânsito em julgado em 28/11/2006 somente acerca das verbas honorárias, as quais sequer são destinadas ao contribuinte, mas sim aos seus respectivos patronos. Desta forma, tendo a decisão que reconheceu o direito creditório se tornado definitiva em 18.11.2004, quando ocorreu o trânsito em julgado formal da decisão do TRF3 sobre este tema, não há que se falar em afronta ao art. 170A do CTN quando as compensações autuadas ocorreram a partir de 01/2005 (posteriormente, portanto, ao trânsito em julgado). O fato de o processo estar em fase de liquidação, para fins de quantificação do direito creditório, não significa a inexistência de decisão judicial transitada em julgada, proferida em processo de conhecimento – no caso, ação ordinária de repetição de indébito – a que se refere o artigo 170A do CTN. Vejamos a redação do art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. A decisão judicial cujo trânsito em julgado se exige é aquela proferida no processo de conhecimento, que reconhece o indébito em favor do Autor/contribuinte. No caso, é a decisão que reconheceu a inconstitucionalidade da incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração de autônomos e prólabore de administradores e, ainda, condenou a União a repetir o indébito do contribuinte. E essa decisão, repitase, teve o seu trânsito em julgado ocorrido em 18.11.2001, como já dito acima. Após o trânsito em julgado da ação ordinária proposta pelos autores (Recorrente e demais empresas do mesmo grupo econômico), iniciouse a fase de liquidação do julgado, para fins de quantificação do crédito e sua posterior execução, mediante precatório. A autoridade fiscal entendeu que, pelo fato de pender discussão judicial a respeito da quantificação do direito creditório, não havia ocorrido ainda o trânsito em julgado a que se refere o art. 170A do CTN. Ocorre, contudo, que esse entendimento não merece prosperar pois, como visto, o trânsito em julgado exigido na lei para realização da compensação é o da decisão que reconhece o direito creditório – seja a decisão que apenas declara a inconstitucionalidade de determinado tributo, seja a que, além disso, condena a ré à devolução das quantias indevidamente recolhidas, como é o caso. A partir dessa decisão, o autor/contribuinte é livre para decidir se quer compensar o indébito com tributos vincendos, o que é feito administrativamente, nos termos da lei vigente no momento da compensação, fora do processo judicial; ou se pretende prosseguir na execução do julgado, oportunidade em que o seu crédito será quantificado para subsequente emissão de precatório. Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 19515.003913/201096 Acórdão n.º 2401003.512 S2C4T1 Fl. 1.218 21 Optando por prosseguir na execução judicial, ao invés da compensação administrativa (feita por sua conta e risco, nos termos da lei vigente no momento do encontro de contas), pode existir no processo de execução discussão a respeito da quantificação ou comprovação da existência do crédito que se pretende reaver. A rigor, a expedição do precatório só ocorrerá após o juiz solucionar essa lide e definir o valor do indébito a ser repetido. Contudo, se o contribuinte optou por compensar o seu crédito, no todo ou em parte, por sua conta e risco, caberá ao fisco verificar a lisura da compensação efetuada, nos termos da decisão transitada em julgado e da lei aplicável à compensação tributária no momento do encontro de contas. No caso em apreço, o contribuinte optou por compensar parte do seu crédito após o trânsito em julgado da decisão que lhe foi favorável (parcela incontroversa), remanescendo a discussão judicial quanto à quantificação da parcela que excede esse valor. Nessa hipótese, não poderia o fisco esquivarse de avaliar a compensação efetuada, sob o argumento de que esta seria indevida, por não se tratar de crédito líquido, em face da pendência de decisão judicial acerca da sua quantificação final. A liquidação ou quantificação do crédito objeto de compensação administrativa é feita pelo próprio contribuinte, cabendo ao Fisco, no prazo decadencial, verificar se estão corretos os cálculos e documentos comprobatórios do direito creditório e, em caso negativo, cobrar as diferenças que entender indevidamente compensadas. Diante do exposto, afasto também o impedimento apontado no lançamento, no sentido de que houve compensação antes do trânsito em julgado da ação que reconhece o direito creditório. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Numero do processo: 13839.902580/2008-26
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO.
A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Entendimento consolidado pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados na sistemática do art. 543-C do CPC-Código de Processo Civil. Reprodução obrigatória (art. 62 A do RI/CARF). Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-004.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Renato Silveira, OAB/SP 222.047.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Entendimento consolidado pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados na sistemática do art. 543C do CPCCódigo de Processo Civil. Reprodução obrigatória (art. 62 A do RI/CARF). Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Renato Silveira, OAB/SP 222.047. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 25 80 /2 00 8- 26 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 50), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fl.01/16, datada de 18/09/2008, com a seguintes palavras: I DOS FATOS E FUNDAMENTOS JURÍDICOS DO PEDIDO 1. Tratase de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí que não homologou a Declaração de Compensação n° 29156.68561.101204.1.3.048200, transmitida em 10/12/2004 (doc.5). 2. Referida Declaração de Compensação informa a extinção por compensação de débito a título de COFINS, período de apuração 31/10/2000, no montante original de R$ 28.903,25. 3. O crédito que suportou esta Declaração de Compensação decorre de pagamento indevido realizado pela Requerente, a título de multa moratória,recolhida em hipótese e denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional (“CTN”). 4. Pois bem. Conforme se observa da anexa Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais("DCTF") referente ao 4ºo Trimestre de 2000, e entregue em 15/02/2001 (doc. 6), a Requerente apurou, a título de COFINS (período de apuração de 31/10/2000), um débito a pagar no valor originário de R$ 602.674,82( composto dos valores de R$ 579.738,12 e R$ 22.936,70 (página 80 da DCTF), sendo que, dentro do prazo legal (14/11/2000), recolheu o tributo apurado, conforme comprovam os Documentos de Arrecadação de Receitas Federais ("DARF") anexos (doc. 7 e 8). Fl. 132DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902580/200826 Acórdão n.º 3802004.052 S3TE02 Fl. 132 3 5. Ocorre que, em momento posterior, a Requerente, espontaneamente, constatou ter recolhido valor inferior ao efetivamente devido, razão pela qual em 13/12/2000 realizou um acerto de contas, pagando, em complementação à COFINS referente ao período de apuração de 31/10/2000, o valor deR$ 292.767,75 ( sendo R$ 289.869,06 de principal e R$ 2.898,69 de juros) (DARF anexo, recolhido em 13/12/2000 doc.9).: 6. Conforme se observa dos DARF anexo (doc 9), a Requerente não recolheu o tributo dentro do prazo de vencimento, razão pela qual em 13/12/2000 pagou os valores principais acrescidos de juros de mora. 7. Diante disso, posteriormente à regularização espontânea de sua situação, em 29/01/2004, a Requerente apresentou DCTF Retificadora (doc. 10), em cuja página 82 consta o mencionado valor de R$ 292.767,75( sendo 289.869,06 de principal e R$ 2.898,69 de juros) . 8. No presente caso ocorreram, portanto, os seguintes fatos: (a) em 15/02/2001 foi apresentada DCTF referente ao 4º Trimestre de 2000, na qual consta débito de COFINS (período de apuração de 31/10/2000), no valor originário de R$ 602.674,82( R$ 579.738,12 e R$ 22.936,70 (página 80 da DCTF), (doc. 6); (b) em 14/11/2000, dentro do prazo legal, este montante de R$ 602.674,82 foi recolhido (doc.7); (c) em 13/12/2000, a Requerente realizou um acerto de contas e espontaneamente pagou a complementação da COFINS referente ao período de apuração de 31/10/2000, devidamente acrescida dos juros legais R$ 292.767,75 sendo R$ 289.869,06 de principal e R$ 2.898,69 de juros) DARF anexo, recolhido em 13/12/2000) – doc. 9); e, (d) somente em 29/01/2004, a Requerente apresentou DCTF Retificadora (doc. 10), em cuja página 82 consta o mencionado valor complementar (R$ 292.869,06 de principal e R$2.898,69 de juros ). 9. Dessa forma, é de fundamental importância mencionar que estes recolhimentos, ainda que a destempo, foram efetuados: (a) com acréscimo dos juros devidos; (b) antes do Fisco tomar conhecimento do referidos débitos; (c) antes de ser iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização; e (d) antes do crédito ser constituído, seja por declaração ou por lançamento de ofício. 10. Sendo assim, neste caso estão evidentemente presentes todos os requisitos necessários à configuração de denúncia espontânea (Código Tributário Nacional "CTN", art. 138). Fl. 133DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 11. Bem por isso, o procedimento adotado pela Requerente encontrase em perfeita sintonia com o atual posicionamento do E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA ("STJ"). 12. Nem se alegue, portanto, que ao presente caso poderia ser aplicada a recente Súmula n° 360, editada pelo E. STJ, segundo a qual é inaplicável o benefício da denúncia espontânea "aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Isso porque, conforme já explicitado, a Requerente efetivamente pagou o tributo antes de leválo ao conhecimento do Fisco. 13. Ocorre que, muito embora a inequívoca configuração da denúncia espontânea, em 23/11/2004 a Requerente indevidamente recolheu a multa moratória no valor de R$ 28.903,25, que seria devida caso não se tratasse da hipótese de denúncia espontânea (DARF anexo doc. 11). 14. Assim, como forma de recuperar o montante indevidamente recolhido, em 10/12/2004 a Requerente transmitiu o anexo PER/DCOMP (doc. 4), utilizando este valor de R$ 28.903,25, para quitar parte da COFINS apurada no período de apuração novembro de 2004. 15. Ocorre que a Receita Federal do Brasil, possivelmente por não admitir a aplicação da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, houve por bem não homologar a compensação declarada. Confirase a íntegra da decisão (doc. 4): "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 28.903,25. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada." 16. Observase da decisão recorrida (doc. 4) que o motivo da não homologação da compensação declarada foi a suposta inexistência de crédito, justamente por considerar devido o pagamento da multa moratória, ainda que não tenha havido explicitação da recusa da tese da denúncia espontânea. 17. Contudo, observada a denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, restará demonstrada a existência de crédito, fazendo necessária a homologação da compensação declarada. É o que a Requerente passará a expor. II.l Do Pagamento do Tributo Antes da Entrega da DCTF Súmula n° 360 do STJ 18. Não obstante o fiel cumprimento das exigências legais, especialmente do artigo 138 do CTN, destacaseque a Requerente procedeu ao recolhimento do tributo com o Fl. 134DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902580/200826 Acórdão n.º 3802004.052 S3TE02 Fl. 133 5 acréscimo dos juros de mora antes de entregar a DCTF ao Fisco. (...) 19. Cumpre demonstrar que a Requerente enquadrase na exata hipótese de denúncia espontânea conferida pela mais recente jurisprudência do E. STJ, a quem cabe decidir em última análise sobre a interpretação da legislação federal, na qual se inclui o Código Tributário Nacional. Confirase: "DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO NÃO DECLARADO MULTA MORATÓRIA. EXCLUSÃO. COMPENSAÇÃO. I Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando não há o denominado autolançamento, por meio de prévia declaração de débitos pelo contribuinte, não se encontra constituído o crédito tributário, razão pela qual, nesta situação, a confissão da dívida acompanhada do seu pagamento integral, anteriormente a qualquer ação fiscalizatória ou processo administrativo, configura denúncia espontânea, capaz de afastar a multa moratória. Precedentes: AgRg no REsp n° 868.680/SP, Rei. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 27.11.2006; AgRg no Ag n° 600.847/PR, Rei. Min. LUIZ FUX, DJ de 05.09.2005 e REsp n° 836.564/PR, Rei. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJde 03.08.2006. II A multa recolhida indevidamente pelo contribuinte está incluída no conceito de crédito para os fins de compensação tributária, tendo em vista que o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 autoriza o aproveitamento de quaisquer créditos relativos a tributos ou contribuições que sejam passíveis de restituição, restando evidente a vinculação da penalidade com a exação tributária. Precedente: REsp n° 831.278/PR, Rei. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJde 30.06.2006. III Recurso especial da FAZENDA NACIONAL improvido. Recurso especial do contribuinte provido."(Recurso Especial n° 903345/RS, Ia Turma, Relator Ministro Francisco Falcão, DJ 12/04/2007 destaques da Requerente). "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138. PAGAMENTO INTEGRAL DO DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICADORA. MULTA.EXCLUSÃO. 1. Não se caracteriza a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento. 2. Por outro lado, configurase a denúncia espontânea com o ato do contribuinte de efetuar o pagamento integral ao Fisco do débito principal, corrigido monetariamente e acompanhado de juros moratórios, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal com o intuito de apurar, lançar ou cobrar o referido montante, tanto mais quando esse débito resulta de diferença de IRRF e CSLL, tributos sujeitos a lançamento por homologação, que não Fl. 135DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 fizeram parte de sua correspondente Declaração de Contribuições e Tributos FederaisDCTF. 3. In casu, o contribuinte reconheceu a existência de erro em sua DCTF e recolheu a diferença devida, acompanhada de correção monetária e juros, antes de qualquer providência do Fisco, que, em verdade, só tomou ciência da existência do crédito quando da realização do pagamento pelo devedor. 4. A regra do artigo 138 do CTN não estabelece distinção entre multa moratória e punitiva com o fito de excluir apenas esta última em caso de denúncia espontânea. Precedentes. 5. Recurso especial não provido." (Recurso Especial n° 908.086/RS, Rei. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 05/06/2008 destaques da Requerente). 20. Com efeito, o E. STJ considera caracterizada a denúncia espontânea, com a decorrente exclusão da multa moratória, quando o recolhimento do tributo e dos juros de mora é realizado antes de constituído o débito, sendo que, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, considerase constituído o débito quando declarado pelo contribuinte ao fisco. 21. Débito constituído, ainda de acordo com o atual entendimento do E. STJ, é aquele que, embora não quitado, já tenha sido declarado ao fisco (quando tal procedimento compete ao contribuinte), ou antes de qualquer procedimento fiscal iniciado. 22. No presente caso, tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, cabe à Requerente declarar o montante devido quando da entrega da DCTF. Portanto para a configuração da denúncia espontânea, deve a Requerente recolher os valores devidos, com acréscimo de juros, antes da entrega da DCTF com tais informações. 23. Em decorrência do vasto repertório jurisprudencial sobre a matéria, o E. STJ, em 27/08/2008, fez editar a Súmula n° 360, assim dispondo: uO beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". (Rei. Min. ELIANA CALMON). 24. Referida súmula, ao afastar a aplicação da denúncia espontânea aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo, evidentemente, acaba por tornar compulsória a aplicação da denúncia espontânea às hipóteses em que os contribuintes realizam o pagamento do tributo antes da declaração da DCTF. 25. E é exatamente a hipótese em exame, pois a Requerente pagou o tributo em 13/12/2000, com o acréscimo dos juros (doc.9), e, em momento posterior (29/01/2004), entregou a DCTF Retificadora (doc. 10) onde levou ao conhecimento do Fisco referido valor, restando configurada a denúncia espontânea. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902580/200826 Acórdão n.º 3802004.052 S3TE02 Fl. 134 7 II.2 Multa Moratória Indevida na Denúncia Espontânea 26. Dispõe o artigo 138 do CTN: "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." 27. Da leitura do dispositivo legal transcrito, concluise que a denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, exclui a responsabilidade pela infração. Por exclusão da responsabilidade entendese o afastamento da possibilidade de ser aplicada qualquer penalidade, no caso a multa pelo pagamento impontual do tributo. 28. Segundo o Exmo. Ministro MILTON PEREIRA, da Ia Turma do STJ, o artigo 138 do CTN tem por pressuposto que exigir a multa "... seria desconsiderar o voluntário saneamento da falta, malferindo o fim inspirador da denúncia espontânea e animando o contribuinte a permanecer na indesejada via da impontualidade, comportamento prejudicial à arrecadação da receita tributária, principal objetivo da atividade fiscal" (trecho da ementa de acórdão da sua relatoria, no REsp n° 9.421O/PR, DJU de 19/10/1992). 29. Então, denunciada espontaneamente a infração, com o pagamento do tributo devido e dos juros de mora" fiscalização, fica o contribuinte dispensado do cumprimento da penalidade de natureza pecuniária relativa à infração, qual seja, a multa. 30. O E. STJ, por meio de suas Ia e 2aTurmas, a quem compete em última análise apreciar questões relacionadas com a matéria, há muito vem entendendo não ser possível a exigência da multa no caso de débitos denunciados espontaneamente com o respectivo recolhimento do tributo. Nesse sentido, confirase a ementa dos seguintes acórdãos: "Tributário ICM Importação Regime draw back – Mercadoria Importada comercializada em território brasileiro – Denúncia espontânea (CTN, art. 138) Multa moratória. Se o contribuinte denuncia espontaneamente débito tributário em atraso e recolhe o montante devido, com juros de mora, fica exonerado de multa moratória (CTN, art. 138). "( 1ª a Turma, REsp n° 36.796/SP, Rei. Min. Humberto Gomes de Barros, v.u., julg. em 03/08/94, DJU de 22/08/94 destaques da Requerente) •'TRIBUTÁRIO. ICM. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA. O Código Tributário Nacional não distingue entre multa punitiva e multa simplesmente moratória; no respectivo sistema, a multa Fl. 137DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 moratória constitui penalidade resultante de infração legal, sendo inexigível no caso de denúncia espontânea, por força do artigo 138. Recurso Especial conhecido e provido. "(2a Turma, REsp n° 16.672/SP, Rei. Min. Ari Pargendler, v.u., julg. em 05/02/96, DJU de 04/03/96 destaques da Requerente) 32. Vê se, assim, que também por força do artigo 138 do CTN, a exigência fiscal relativa ao pagamento supostamente realizado fora do prazo afigurase manifestamente insubsistente, fazendo se imperioso o pronto reconhecimento do direito creditório em face do pagamento indevido da multa de mora em denúncia espontânea. II.3 Da Denúncia Espontânea no Caso Concreto 32. Referida multa moratória foi entendida como devida justamente pelo fato da Receita Federal do Brasil desconsiderar a denúncia espontânea, a qual, caso observada, certamente ensejaria o reconhecimento do direito creditório e, conseqüentemente, a homologação da compensação declarada. 33. Isto porque, a Receita Federal do Brasil, ao analisar, eletronicamente, o crédito da Requerente, simplesmente vinculou o DARF informado no PER/DCOMP com o valor da multa moratória anteriormente pago, sem, contudo, observar que referido pagamento era indevido, por tratarse a hipótese de denúncia espontânea. 34. Observase, no presente caso, a seguinte situação: (a) em 15/02/2001 foi apresentada DCTF referente ao 4ºo Trimestre de 2000, na qual consta débito de COFINS (período de apuração de 31/10/2000), no valor originário de 602.674,82( R$ 579.738,12 e R$ 22.936,70 (página 80 da DCTF (doc.6); (b) em 14/11/2000, dentro do prazo legal, este montante de R$ 602.674,82 foi recolhido (doc. 7); (c) em 13/12/2000, a Requerente realizou um acerto de contas e espontaneamente pagou a complementação da COFINS referente ao período de apuração de 31/10/2000, devidamente acrescida dos juros legais (R$ 292.767,75, sendo R$ 289.869,06 de principal e R$ 2.898,69 de juros DARF anexo, recolhido em 13/12/2000 doc.9);. (d) somente em 29/01/2004, a Requerente apresentou DCTF Retificadora (doc. 10), em cuja página 82 consta o mencionado valor complementar (R$ 292.767,75, sendo R$ 289.869,06 de principal e R$ 2.898,69 de juros ; (e) em 23/11/2004, a Requerente indevidamente recolheu a multa moratória no valor de R$ 28.903,25, que seria devida caso não se tratasse a hipótese de denúncia espontânea (DARF anexo doc. 11); e (f) como forma de recuperar o montante indevidamente recolhido, em 10/12/2004 a Requerente transmitiu o anexo PER/DCOMP (doc. 4), utilizando este valor de R$ 28.903,25, para quitar débito de COFINS. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902580/200826 Acórdão n.º 3802004.052 S3TE02 Fl. 135 9 35. E é exatamente este PER/DCOMP a razão principal que levou a não homologação da compensação, pois, ao desconsiderar a denúncia espontânea, entendeu a Receita Federal do Brasil ser devida a multa moratória e, conseqüentemente, não reconheceu indevido o pagamento realizado pela Requerente, o que acarretou a suposta inexistência de crédito. 36. Destaquese, por derradeiro, que a Requerente recolheu o tributo com o acréscimo dos juros de mora e antes da adoção de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização por parte do Fisco. 37. Deste modo, a tabela abaixo demonstra exatamente o pagamento integral dos juros de mora, o que corrobora, in casu, a aplicabilidade da denúncia espontânea. Vejase: Data de Vencimento Data do recolhimento em atraso Juros de Mora Devido Juros de Mora Recolhido 14/11/2000 13/12/2000 R$ 2.898,69 R$ 2.898,69(doc.09) 38. Demonstrado o recolhimento integral dos juros de mora, e considerando que a Requerente pagou o tributo devido antes do Fisco adotar qualquer medida administrativa ou de fiscalização e, ainda, antes de entregar a DCTF, forçoso reconhecer a aplicação da denúncia espontânea e, conseqüentemente, o direito creditório, pois configurado o recolhimento indevido da multa de mora. III DO PEDIDO 39. Por todo o exposto, é a presente para requerer seja acolhida a manifestação de inconformidade, para reformar a r. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal em Jundiaí, homologandose a compensação realizada, pois configurada a suficiência de crédito em favor da Requerente. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/CPS no 0536.560, de 18/01/2012, proferida pelos membros da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 RECOLHIMENTO FORA DO PRAZO. MULTA DE MORA. DEVIDA. É devida a multa de mora incidente sobre o pagamento efetuado a destempo, ainda que inexistente procedimento de fiscalização. O instituto da denúncia Fl. 139DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não alcança o pagamento espontâneo do tributo, após o prazo de vencimento, para fins de exclusão da multa de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a nãohomologação da compensação que integra a declaração de compensação, ratificando o Despacho decisório. Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que a motivação da declaração recorrida, para manutenção da não homologação das compensações, foi exclusivamente a de que a multa de mora não teria natureza punitiva e não estaria abrangida pela denúncia espontânea. A multa de mora tem natureza punitiva como reconhecido pelo STJ (recurso especial de n° 1.149.022, julgado pela sistemática de recurso repetitivo) e até mesmo pela PGFN (Pareceres PGFN/CRJ de n°s 2.113/2011 e 2124/2011). Sendo assim, deve ser reproduzido pelo CARF, nos termos do art. 62A do RICARF. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Foram encaminhados memoriais pela recorrente. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata –se de PER/DCOMP onde se pleiteia restituição/compensação pagos em 23/11/2004, a título de multa de mora, no valor de R$ 28.903,25. A recorrente argumenta que o recolhimento complementar foi efetuado com o principal e juros, portanto espontâneo, pois anterior à retificação da DCTF, e o pagamento da multa de mora posteriormente, sendo indevido; logo, solicitando a homologação da compensação. Existem diversos julgados por esta Turma de julgamento, dentre eles, o proferido pelo Conselheiro Solon Sehn nos autos do processo no 10680.000035/200775 (Acórdão no 3802000.738, de 06/10/2011), cujas razões de decidir adoto para o presente caso: No mérito, cumpre destacar que a denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902580/200826 Acórdão n.º 3802004.052 S3TE02 Fl. 136 11 do CTN, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Dctf. Essa interpretação, embora questionada por parte da doutrina e da jurisprudência, foi consolidada pelo STJ no Recurso Especial no 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008. Transitado em julgado em 01/12/2008). O afastamento da multa de mora na denúncia espontânea, por outro lado, restou pacificado no julgamento do REsp 1.149.022/SP: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver Fl. 141DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. 1ª S. RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010, transitado em julgado em 30/08/2010). Referido recurso foi julgado nos moldes do regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), razão pela qual deve ser aplicado o art. 62A do Regimento Interno desse Conselho: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso em exame, o Recorrente apresentou (i) prova do pagamento do principal, acrescido de juros de mora (fls. 44 e ss); (ii) realizado no dia 1512/2003, antes de qualquer providência fiscalizatória (fls. 43); (iii) cópia das Dctfs originárias (fls. 57 e ss.) e retificadoras, de 06/06/2004 (fls. 72 e ss.). A comparação destes dois últimos documentos mostra que o pagamento foi anterior a ambos. Encontramse presentes, portanto, os pressupostos do art.138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Estando caracterizada a denúncia espontânea, não cabe a incidência de multa, punitiva ou moratória, inclusive porque, consoante destaca Robson Maia Lins, ambas têm a mesma configuração normativa: [...] embora com nomes distintos o pressuposto de ambas as multas é um descumprimento de um dever jurídico e o consequente Fl. 142DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902580/200826 Acórdão n.º 3802004.052 S3TE02 Fl. 137 13 é o pagamento de uma quantia em dinheiro. Não importa o nome: multa punitiva e multa moratória têm a mesma configuração normativa de sanção e por isso devem ser excluídas quando da denúncia espontânea (LINS, Robson Maia. A mora no direito tributário. Tese de Doutorado. Faculdade de Direito. PUC/SP. São Paulo, 2008, p. 245) 1. No mesmo sentido, destacamse os seguintes acórdãos do Carf: DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratórias. MULTA DE OFÍCIO. Em decorrência, é descabida a imposição da multa de ofício em face do pagamento do tributo desacompanhado da multa de mora. Recurso especial provido. (3ª T. Acórdão CSRF/0305.102. Rel. Anelise Daudt Prieto. Sessão de 06/11/2006). MULTAS DE OFÍCIO E DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O contribuinte faz jus a tal beneficio de exclusão da multa, seja de oficio ou de mora, por haver recolhido o imposto mais os juros devidos antes do inicio qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso especial negado. (3ª T. Acórdão CSRF/0304.690. Rel. Carlos Henrique Klaser Filho. Sessão de 20/02/2006). DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO MULTA DE MORA INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (3ª C. 3º CC. Acórdão 303 30.332. Rel. Zenaldo Loibman. Sessão de 10/07/2002). Votase, portanto, pelo conhecimento e provimento integral do recurso, afastandose a exigência da multa de mora. Outros julgados, a título de exemplo, confiramse as seguintes ementas: Acórdão de n° 3802003.381, de relatoria de Waldir Navarro Bezerra: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2007 IOF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR 1 Disponível em: http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=8261. Acesso: 12/05/2011. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTERIOR À ENTREGA DA DCTF. CARACTERIZAÇÃO. AFASTAMENTO DA MULTA MORATÓRIA. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Essa interpretação foi consolidada pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados no regime previsto no art. 543Cdo Código de Processo Civil. Interpretação vinculante nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Acórdão de n° 3802003.434, de minha relatoria: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Entendimento consolidado pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados na sistemática do art. 543C do CPCCódigo de Processo Civil. Reprodução obrigatória (art. 62 A do RI/CARF). Recurso ao qual se dá provimento. A recorrente, espontaneamente, constatou ter recolhido valor inferior ao efetivamente devido, razão pela qual em 13/12/2000 realizou um acerto de contas, pagando, em complementação à COFINS referente ao período de apuração de 31/10/2000, o valor de R$ 297.767,75 sendo R$ 289.869,96 de principal e R$ 2.898,69 de juros). Em 29/01/2004 apresentou DCTF Retificadora onde consta o mencionado valor complementar (R$ 297.767,75 ). Em 23/11/2004 a recorrente recolheu a multa moratória no valor de R$ 28.903,25, que seria devida caso não se tratasse da hipótese de denúncia espontânea. Observase, portanto, que o pagamento ocorreu antes da apresentação da DCTF, e ainda, antes da prática de qualquer ato de fiscalização. Assim, diante da documentação, a Recorrente promoveu o pagamento em atraso, mas antes da entrega da DCTF, solicitando a aplicação do art. 138 do Código Tributário Nacional, restando caracterizada a denúncia espontânea. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902580/200826 Acórdão n.º 3802004.052 S3TE02 Fl. 138 15 E, diante da jurisprudência reiterada do STJ, inclusive em sede de recurso repetitivo, e Atos Normativos PGFN nº 04/2011 e 08/2011, bem como na Nota Técnica Cosit nº 1/2012, entendo estar correto o sujeito passivo, merecendo acolhida seu Recurso Voluntário. Aplicação do art. 62A do RI/CARF. (Portaria MF n° 256/2009). Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 145DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10882.907979/2011-85
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO.COMPROVAÇÃO.
No pedido de restituição/compensação, a prova hábil para comprovar os rendimentos obtidos e o IRPJ retido na fonte é o comprovante de que trata a específica legislação tributária. Na sua ausência, por interpretação razoável, são admitidos os valores apresentados em Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF). Todavia as notas fiscais com mera indicação de tributos retidos na fonte, mas sem escrituração contábil com a discriminação dos fatos e sem os comprovantes de rendimentos e o tributo retido na fonte, não comprovam a retenção no período, não se sobrepõem nem invalidam as informações constantes das DIRF utilizadas pela Administração Tributária para reconhecimento do direito creditório.
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1802-002.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO.COMPROVAÇÃO. No pedido de restituição/compensação, a prova hábil para comprovar os rendimentos obtidos e o IRPJ retido na fonte é o comprovante de que trata a específica legislação tributária. Na sua ausência, por interpretação razoável, são admitidos os valores apresentados em Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF). Todavia as notas fiscais com mera indicação de tributos retidos na fonte, mas sem escrituração contábil com a discriminação dos fatos e sem os comprovantes de rendimentos e o tributo retido na fonte, não comprovam a retenção no período, não se sobrepõem nem invalidam as informações constantes das DIRF utilizadas pela Administração Tributária para reconhecimento do direito creditório. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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(Denominação atual: LEVEL 3 COMUNICAÇÕES DO BRASIL LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO.COMPROVAÇÃO. No pedido de restituição/compensação, a prova hábil para comprovar os rendimentos obtidos e o IRPJ retido na fonte é o comprovante de que trata a específica legislação tributária. Na sua ausência, por interpretação razoável, são admitidos os valores apresentados em Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF). Todavia as notas fiscais com mera indicação de tributos retidos na fonte, mas sem escrituração contábil com a discriminação dos fatos e sem os comprovantes de rendimentos e o tributo retido na fonte, não comprovam a retenção no período, não se sobrepõem nem invalidam as informações constantes das DIRF utilizadas pela Administração Tributária para reconhecimento do direito creditório. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 79 79 /2 01 1- 85 Fl. 949DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.907979/201185 Acórdão n.º 1802002.552 S1TE02 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Tratase do Despacho Decisório Eletrônico (DDE) nº de Rastreamento 9858428, emitido em 01/11/2011 pela DRF Osasco/SP, que HOMOLOGA parcialmente as compensações declaradas pela contribuinte no PER/DCOMP Nº 16556.39405.250309.1.7.02.1810, e NÃO HOMOLOGA as compensações declaradas nos PER/DCOMP abaixo listados, que utilizam crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ do exercício 2004, ANO CALENDÁRIO 2003, no valor de R$ 120.586,97, para compensação dos débitos neles declarados. PER/DCOMP transmitido em 22/03/2007 35346.40341.220307.1.7.02.7814 crédito na data da transmissão: 98.278,29;débito: 38.646,91 PER/DCOMP(s) transmitidos em 30/07/2008 07666.64582.300708.1.7.02.3863 crédito na data da transmissão: 71.339,14; débito: 3.836,88 06391.78072.300708.1.7.02.7937 crédito na data da transmissão: 68.664,61;débito: 11.516,65 08197.23211.300708.1.3.02.2739 crédito na data da transmissão:60.636,83;débito: 98.910,80 PER/DCOMP transmitido em 29/12/2009 05715.54597.291209.1.7.02.5525 crédito na data da transmissão: 102.424,07;débito: 5.903,59 Consta do Despacho Decisório que da parcela de composição do crédito informada no PER/DCOMP relativa a "Retenções na Fonte" no valor de R$ 120.586,97, apenas foi confirmado o valor de R$ 56.390,34 no que resulta o saldo negativo do IRPJ ao mesmo valor de R$ 56.390,34, nos termos a seguir: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: Fl. 950DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.907979/201185 Acórdão n.º 1802002.552 S1TE02 Fl. 4 3 PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP. ... Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 120.586,97Valor na DIPJ: R$ 120.586,97 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 120.586,97 IRPJ devido: R$ 0,00 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 56.390,34 Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 06391.78072.300708.1.7.027937 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 08197.23211.300708..3.022739 A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade ao Despacho Decisório, conforme descreve a parte do relatório da decisão de primeira instância que transcrevo a seguir: ... Cientificada do ato de não homologação das compensações em 21/11/2011, e discordando da cobrança dos débitos compensados nas DCOMP transmitidas, a contribuinte apresenta em 20/12/2011, por meio de seus advogados e bastante procuradores sua manifestação de inconformidade, alegando, após declarar a tempestividade de sua manifestação, ter incorrido em erro quando do preenchimento da DCOMP em análise, uma vez que o imposto de renda teria sido retido sob o código “6190”, e não sob o código informado na DCOMP com demonstrativo do crédito, “6256”. Com fulcro no princípio da verdade material, requer a contribuinte seja reconhecido o crédito retido em seu nome, a despeito do erro ocorrido. Traz doutrina e jurisprudência administrativa que ratificariam seu entendimento. Nesse sentido, requer seja reconhecido o direito creditório ora pleiteado e, por conseguinte, homologuemse as compensações declaradas. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.907979/201185 Acórdão n.º 1802002.552 S1TE02 Fl. 5 4 A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (Campinas/SP) mediante o Acórdão nº 0540.834 de 18 de junho de 2013, cientificado ao interessado em 13/08/2013, julgou PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade para reconhecer parcialmente o saldo negativo REMANESCENTE do IRPJ do ano calendário 2003, no valor de R$ 63.290,54, ou seja, R$ 119.680,88 (63.290,54 + 56.390,34), HOMOLOGANDO as compensações declaradas nas DCOMP em litígio, até o limite do crédito original reconhecido. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2003 SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Para utilização do imposto retido na fonte como dedução na apuração do IRPJ ao final do período, fazse necessário que, além da tributação dos correspondentes rendimentos, seja comprovada a efetividade das retenções mediante apresentação dos respectivos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, o que pode ser suprido pela confirmação da retenção em DIRF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO. Comprovada a certeza e liquidez de parte do saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 2003, suficiente para reconhecimento de parcela do direito creditório utilizado nas DCOMP em litígio, homologamse as compensações até o limite ora reconhecido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 12/09/2013. A Recorrente alega, no essencial, que: Fl. 952DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.907979/201185 Acórdão n.º 1802002.552 S1TE02 Fl. 6 5 não obstante a redução do suposto débito, a decisão está eivada do vício de nulidade, na medida em que cerceia o direito de defesa do contribuinte e do contraditório, uma vez que não especifica os valores que não foram considerados para fins de compensação do saldo negativo do IRPJ reconhecido pela autoridade administrativa de primeiro grau; não pode se insurgir e demonstrar seu lídimo direito ao aproveitamento de determinados créditos a título de saldo negativo de IRPJ porque a decisão recorrida, em momento algum, demonstra quais são os supostos créditos não aproveitados, portanto, a Recorrente teve seu direito de defesa cerceado por conta da ausência de informações que demonstrassem e apontassem os créditos objeto de retenção não considerados para fins de apuração de seu saldo negativo de IRPJ; possui o lídimo direito de compensar seu saldo negativo do IRPJ apurado ao longo do ano de 2003, conforme comprovam as inclusas planilhas (Doc. 02) e cópia do Livro Diário (Doc. 03) da Recorrente, que, juntamente com as notas fiscais apresentadas quando do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade, demonstram que por cada serviço prestado a seus tomadores de serviços ela percebeu a quantia correspondente à subtração do valor bruto da nota fiscal do valor objeto de retenção a título de IRRF, PIS, COFINS e CSLL; a análise da existência do crédito não pode se firmar exclusivamente na apresentação da DIRF, mormente quando possível a comprovação da retenção dos tributos pelo tomador do serviço com base em documentos fiscais e contábeis da empresa, devendo a autoridade administrativa, na busca da verdade material,estender o espectro das provas na análise do crédito postulado e compensado; o laconismo da decisão ora recorrida fez com que a Recorrente fosse obrigada a levantar, novamente, todas as notas fiscais de prestação de serviço que geraram o saldo negativo de IRPJ apurado ao longo do ano de 2003, bem como o Livro Diário do período, a fim de comprovar não só o crédito não reconhecido no valor de aproximadamente "R$ 1.000,00 (mil reais)" sic mas sim a totalidade do crédito de R$ 120.586,97; a ausência de expressa menção aos valores desconsiderados pela autoridade administrativa para fins de cômputo do saldo negativo de IRPJ compensado pela ora Recorrente, a impede de exercitar de forma plena o seu direito à ampla defesa e ao contraditório, o que configura a nulidade da decisão ora recorrida, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72; a autoridade de julgamento competente deve proferir nova decisão fazendo constar em seu bojo os créditos que não foram considerados para fins de cômputo do saldo negativo de IRPJ informado pela Recorrente em seus PER/DCOMPs, bem como o nome e o respectivo CNPJ dos tomadores de serviços; a planilha em anexo, (Doc. 02), contempla o número das respectivas notas fiscais de prestação de serviços emitidas, o nome do tomador de serviço, o valor bruto da nota fiscal e os valores retidos, especialmente a título de IRRF, o que redundou na apuração do saldo negativo desse tributo compensado; da análise dessa planilha, mais precisamente da coluna intitulada "principal" é possível verificar o montante que restou retido a título de prestação de serviços a terceiros. Por sua vez, pela averiguação da coluna "Valor IR", a Recorrente informa o montante retido a título de Imposto de Renda, o qual, frisese, redundou na constituição de seu saldo negativo de Imposto de Renda objeto da compensação ora em debate; Fl. 953DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.907979/201185 Acórdão n.º 1802002.552 S1TE02 Fl. 7 6 visando a confirmar a retenção do montante devido a título de tributo incidente sobre a prestação de serviços, a Recorrente apresenta cópia do seu Livro Diário (Doc. 03), bem como das fichas extraídas de seu programa contábil, as quais refletem justamente os valores constantes na planilha anexa (Doc. 02) e no livro diário (Doc. 03); a título exemplificativo, a Recorrente cita a nota fiscal n° 154, emitida por conta da prestação de serviços ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), inscrito no CNPJ sob o n° 00.509.968/000148, no valor de R$ 7.442,96 (sete mil quatrocentos e quarenta e dois reais e noventa e seis centavos). a Administração Pública não pode furtarse à observância do princípio da verdade material, cabendolhe diligenciar a fim de obter informações e documentos que permitam afirmar com segurança se há ou não débito a ser lançado; em atendimento ao princípio da verdade material, a Recorrente apresenta a planilha aduzida alhures (Doc. 02) e os respectivos lançamentos contábeis (Doc. 03) que demonstram, indubitavelmente, a existência da totalidade do saldo negativo de IRPJ compensado pela Recorrente por meio dos PER/DCOMPs ora em questão e não somente dos créditos reconhecidos pela autoridade administrativa na decisão ora recorrida. Finalmente requer: 1) em sede de preliminar, seja acolhida a nulidade parcial da decisão ora recorrida, somente na parte que lhe foi desfavorável, com fulcro no artigo 59, inciso II, do Decreto n°70.235/1972 e, consequentemente, seja determinada a prolação de nova decisão que faça constar em seu bojo os valores que não foram considerados para fins de cômputo do saldo negativo de IRPJ informado pela Recorrente em seus PER/DCOMPs, bem como o nome e o respectivo CNPJ dos tomadores de serviços, e, 2) Na inimaginável hipótese de o pleito acima não ser acolhido, requer a Recorrente seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário para que, reformado o Acórdão n° 0540.834 4a Turma da DRJ/CPS, seja reconhecida, com fulcro nos documentos apresentados, a correição e a exatidão do saldo negativo do IRPJ relacionado ao anocalendário de 2003, homologandose a sua compensação com débitos da a ora Recorrente, nos termos dos PER/DCOMPs objeto da presente discussão administrativa; 3) Caso os Julgadores não tenham formado juízo de convencimento a respeito da subsistência do saldo negativo do IRPJ informado pela Recorrente em seus PER/DCOMPs, requer seja convertido o julgamento em diligência no estabelecimento da Recorrente, com vista a comprovar a correição dos procedimentos adotados, especialmente quanto à demonstração da existência do crédito objeto de compensação; 4) Na inimaginável hipótese do entendimento de que os documentos ora anexados não se prestam a comprovar a existência do saldo negativo de IRPJ em nome da Recorrente, requerse ainda a intimação dos seguintes tomadores de serviços, a fim de que eles apresentem as respectivas DIRFs, as quais comprovarão os créditos de IRPJ objeto de compensação: CNPJ NOME 00.394.494/008030 Ministério da Justiça 00.394.536/000996 Ministério das Relações Exteriores 00.488.478/000102 Superior Tribunal de Justiça — STJ Fl. 954DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.907979/201185 Acórdão n.º 1802002.552 S1TE02 Fl. 8 7 00.509.968/000148 Tribunal Superior do Trabalho TST 00.531.640/000128 Supremo Tribunal Federal STF 03.277.610/000125 Ministério da Defesa 92.969.856/000198 Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRS Requer, ainda, que todas as intimações pertinentes ao presente feito sejam mantidas no endereço do contribuinte, qual seja, Avenida Eid Mansur, 666, Térreo, Parque São George, CEP 06708070, Município de Cotia, Estado de São Paulo. É o Relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Conforme relatado, a Recorrente apresentou PER/DCOMP(s) para os quais pretende utilizar o crédito oriundo de saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 2003, no valor de R$ 120.586,97, para compensação dos débitos neles declarados. Da análise desses PER/DCOMP foi emitido o Despacho Decisório Eletrônico (DDE) nº de Rastreamento 9858428, em 01/11/2011, pela DRF Osasco/SP, que reconheceu o saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 2003 apenas no valor de R$ 56.390,34, razão pela qual HOMOLOGA PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 06391.78072.300708.1.7.027937 e NÃO HOMOLOGA a compensação declarada no PER/DCOMP: 08197.23211.300708..3.022739. Irresignada com o Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que analisada em sede de 1ª instância, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (Campinas/SP) mediante o Acórdão nº 0540.834 de 18 de junho de 2013, julgou PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade para validar parcialmente o saldo negativo REMANESCENTE do IRPJ do ano calendário 2003, no valor de R$ 63.290,54, HOMOLOGANDO as compensações declaradas nas DCOMP em litígio, até o limite do crédito original reconhecido no total de R$ 119.680,88 (63.290,54 + 56.390,34). O resíduo do direito creditório em litígio gira em torno de R$ 906,09 (R$ 120.586,97 R$ 119.680,88). Em sede recursal a Recorrente, preliminarmente, argúi que, não obstante, a redução do suposto débito em virtude do reconhecimento parcial do direito creditório, a decisão está eivada do vício de nulidade, na medida em que cerceia o direito de defesa do contribuinte e do contraditório, uma vez que não especifica os valores que não foram considerados para fins de compensação do saldo negativo do IRPJ reconhecido pela autoridade administrativa de primeiro grau. Aduz que, a decisão recorrida, em momento algum, demonstra quais são os supostos créditos não aproveitados, portanto, a Recorrente teve seu direito de defesa cerceado Fl. 955DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.907979/201185 Acórdão n.º 1802002.552 S1TE02 Fl. 9 8 por conta da ausência de informações que demonstrassem e apontassem os créditos objeto de retenção não considerados para fins de apuração de seu saldo negativo do IRPJ. Transcrevo a seguir excerto da decisão recorrida que demonstra o interesse do julgador para o aproveitamento das informações constantes dos autos e em seguida apresenta demonstrativo que contradiz a alegação da Recorrente: ... Em sua defesa, alega a contribuinte ter se equivocado quando da transmissão da DCOMP em análise, posto ter informado código de receita distinto do correto. Necessário destacar que cabe à contribuinte zelar pelo cumprimento de suas obrigações acessórias bem como pelo correto preenchimento e encaminhamento de seus pleitos, de forma a prestar informações coerentes à Administração Tributária. Todavia, tendo em vista os princípios da instrumentalidade do processo, da economia processual, da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, assegurados pelo ordenamento jurídico vigente, entendese que os equívocos cometidos pela contribuinte quando do preenchimento de suas DCOMP, podem ser supridos por esta instância administrativa, de forma a tornar possível a melhor solução do litígio, bem como a apreciação do direito creditório utilizado para a compensação dos débitos declarados. Cumpre, então, analisar a inconsistência apontadas pelo despacho decisório recorrido entre o valor das antecipações do IR declaradas na DCOMP e aquelas localizadas pelo Sistema de Controle de Crédito na DIRF. Conforme se extrai das informações constantes do despacho decisório ora combatido, o saldo negativo apurado no período em análise fora integralmente composto por IRRF, tornando necessária a verificação da ocorrência de sua efetiva retenção, a qual deveria ser comprovada mediante apresentação dos respectivos informes emitidos pelas fontes pagadoras (o que pode ser suprido pela confirmação da retenção em DIRF apresentada pelas fontes pagadoras). ... Reprisese que a efetividade da retenção de IRPJ, incidente sobre os rendimentos de prestação de serviços incluídos na base de cálculo tributável do ano calendário, é comprovada pelos informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras. Vejase o que prevê o RIR/99, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, a respeito do assunto: “Art. 942 – ... Fl. 956DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.907979/201185 Acórdão n.º 1802002.552 S1TE02 Fl. 10 9 Como se vê, é obrigação da fonte pagadora o fornecimento do documento anual comprobatório da retenção do imposto de renda na fonte, competindo aos beneficiários a sua guarda e contabilização. Entretanto, não houve a apresentação de quaisquer comprovantes de retenção ou informes de rendimentos pela interessada, mas meras notas fiscais produzidas unilateralmente pela manifestante. Assim, ausentes os documentos hábeis a comprovar o saldo credor de IRPJ, não há como se reconhecer, a título de antecipações do IR do período, valores que não tenham sido informados em DIRF pela fonte pagadora. Esclareçase, ainda, que, conforme disciplinado na Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o valor do IRPJ retido por órgãos públicos, pela prestação de serviços na lei discriminados, sob os códigos de retenção 6190, 6147 e 6175, deverão ser calculados à alíquota de 15% sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei 9.249 de 26 de dezembro de 1995, regulamentado pela IN 480 de 15 de dezembro de 2004, como se segue: Lei 9.430 de 1996 Art. 64. ... In 480 de 2004 Art. 2º A retenção será efetuada aplicandose, sobre o valor a ser pago, o percentual constante da coluna 06 da Tabela de Retenção (Anexo I), que corresponde à soma das alíquotas das contribuições devidas e da alíquota do imposto de renda, determinada mediante a aplicação de quinze por cento sobre a base de cálculo estabelecida no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, conforme a natureza do bem fornecido ou do serviço prestado. ... ANEXO 1 Fl. 957DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.907979/201185 Acórdão n.º 1802002.552 S1TE02 Fl. 11 10 ALÍQUOTAS IR (02) CSLL (03) COFINS (04) PIS/PASEP (05) PERCENTUAL A SER APLICADO (06) CÓDIGO DA RECEITA (07) 1,2 1,0 3,0 0,65 5,85 6147 0,24 1,0 3,0 0,65 4,89 9060 0,24 1,0 0,0 0,0 1,24 8739 1,2 1,0 0,0 0,0 2,2 8767 2,40 1,0 3,0 0,65 7,05 6175 2,40 1,0 0,0 0,0 3,40 8850 0,0 1,0 3,0 0,65 4,65 8863 2,40 1,0 3,0 0,65 7,05 6175 2,40 1,0 3,0 0,65 7,05 6188 4,80 1,0 3,0 0,65 9,45 6190 Com base no exposto, elaborase o demonstrativo abaixo, onde são desmembrados os valores de IRRF, código 6190, 6147 e 6175 Serviços Retenção em Pagamentos por Órgãos Públicos, conforme extraídos dos valores declarados em DIRF: CÓDIGO REND. BRUTO RETENÇÕES IRPJ DESMEMBRADO 1708 137.119,94 329,80 329,80 6190 1.196.981,96 113.149,57 57.455,13 6800 269.970,73 53.992,06 53.992,06 3426 12.013,54 2.398,26 2.398,26 6147 428.554,00 25.070,43 5.142,65 6175 15.124,00 1.429,22 362,98 TOTAL 2.059.764,17 196.369,34 119.680,88 Como visto, após todos os esclarecimentos necessários (fls.315/318) consta da decisão recorrida, o demonstrativo acima, no qual explicita o valor do IRRF obtido aplicandose a alíquota do IR (imposto de renda na fonte) prevista para os códigos dos rendimentos correspondentes, conforme a Tabela de Retenção (Anexo I) da IN 480 de 2004, em consonância com o artigo 64 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Desse modo e conforme detalhado na fl.318 do acórdão recorrido, aplicando se a alíquota do IR (código Anexo I) acima sobre os rendimentos obtidos pela Recorrente, constantes das DIRFs, obtémse, dessa forma, o total de R$ 119.680,88 de IRRF que compõe o saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 2003 e não R$ 120.586,97 como declarado pelo interessado no PERDCOMP em comento. A Recorrente não contradiz os valores dos rendimentos e respectivos códigos de receita, apenas reclama pelo valor do IRFF no montante de R$ 64.196,63 que indicara no PERCOMP com o código 6256, apesar de haver reconhecido, na manifestação de inconformidade, erro no PERDCOMP em relação ao código indicado que seria 6190. Ora, se do montante do saldo negativo pleiteado pelo contribuinte, na decisão recorrida restaram explicitados quais retenções declaradas no PERDCOMP foram consideradas comprovadas na composição do saldo negativo, não se pode alegar cerceamento ao direito de defesa somente porque do somatório das retenções na fonte (códigos: 6175, 6190, 1708, e 6147) restou comprovado apenas o valor de R$ 63.290,56 e não R$ 64.196,63 (código: 6256: 56.211,16 + 7.985,47) como declarado no PERDCOMP. Preliminar rejeitada. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.907979/201185 Acórdão n.º 1802002.552 S1TE02 Fl. 12 11 No mérito, a Recorrente alega que o valor de R$ 64.196,63 consta da planilha em anexo, (Doc. 02), que contempla o número das respectivas notas fiscais de prestação de serviços emitidas, o nome do tomador de serviço, o valor bruto da nota fiscal e os valores retidos, especialmente a título de IRRF, o que redundou na apuração do saldo negativo desse tributo compensado. Diz que, da análise dessa planilha, mais precisamente da coluna intitulada "principal" é possível verificar o montante que restou retido a título de prestação de serviços a terceiros. Por sua vez, pela averiguação da coluna "Valor IR", a Recorrente informa o montante retido a título de Imposto de Renda, o qual, frisese, redundou na constituição de seu saldo negativo de Imposto de Renda objeto da compensação ora em debate Conforme esclarecido pela decisão recorrida e, não contestado pela Recorrente, "não houve a apresentação de quaisquer comprovantes de retenção ou informes de rendimentos pela interessada, mas meras notas fiscais produzidas unilateralmente pela manifestante". A Recorrente sustenta que, para confirmar a retenção do montante devido a título de tributo incidente sobre a prestação de serviços, apresenta cópia do seu Livro Diário (Doc. 03), bem como das fichas extraídas de seu programa contábil, as quais refletem justamente os valores constantes na planilha anexa (Doc. 02). Nos sintéticos registros contábeis apresentados no "Livro Diário" pela Recorrente, não se visualiza qualquer vinculação às notas fiscais elencadas pela Recorrente na planilha (doc.02). A recorrente utilizou valores supostamente retidos como dedução do IRPJ devido no ano calendário de 2003, mas não comprovou o nexo de causalidade entre o valor recebido e o valor retido, que possibilitasse sua utilização. Neste caso, deveria a Recorrente demonstrar que o valor recebido da pessoa jurídica tomadora não foi o valor bruto do serviço e juntar o respectivo Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção na Fonte da pessoa jurídica tomadora, de forma a fundamentar a utilização do crédito. Como se extrai dos autos, a autoridade fiscal na busca da verdade material analisou as obrigações acessórias e documentos pertinentes a comprovar o correto uso do valor do IRPJ retido. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente não comprova que os tomadores dos serviços lhe repassaram o valor líquido, hipótese em que salvaguardaria seu direito ao abatimento do tributo devido e no caso de não ter sido recolhido, recairia a obrigação tributária em face do tomador do serviço. Tampouco fora apresentado "Razão" em que se verifique a conta "IRPJ a recuperar" na qual deveria constar discriminadamente os valores do IRRF retido como alegado pela Recorrente. Desnecessário dizer que, o "Razão" é o livro que controla separadamente o movimento de cada conta para se conhecer o seu saldo e elaborar demonstrações contábeis, como balancetes, balanços e outras, de sorte que, os demonstrativos intitulados de “Razão ”, na Fl. 959DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.907979/201185 Acórdão n.º 1802002.552 S1TE02 Fl. 13 12 forma como apresentados, e planilhas, são inservíveis para demonstrar a liquidez e a certeza do crédito a recuperar. A Recorrente não traz aos autos documentos necessários e substancial a superar os fatos apurados e explicados pela autoridade julgadora na decisão recorrida. Verificase no PERDCOMP sob análise que o contribuinte declarou o IRRF no total de R$ 120.586,97, nos seguintes códigos : Código da Receita: 6256 Valor: 64.196,63 Código da Receita: 6800 Valor: 53.992,06 Código da Receita: 3426 Valor: 2.398,28 Na Manifestação de Inconformidade, em sede de primeira instância, a Recorrente reconhece erro no PERDCOMP em relação ao código 6256, afirmando que o código seria 6190 e não 6256 como indicado no PERDCOMP. Como esclarecido acima, a autoridade julgadora no voto condutor do acórdão recorrido elaborou demonstrativo, onde são desmembrados os valores de IRRF, código 6190, 6147 e 6175 Serviços Retenção em Pagamentos por Órgãos Públicos, conforme extraídos dos valores declarados em DIRF: CÓDIGO REND. BRUTO RETENÇÕES IRPJ DESMEMBRADO 1708 137.119,94 329,80 329,80 6190 1.196.981,96 113.149,57 57.455,13 6800 269.970,73 53.992,06 53.992,06 3426 12.013,54 2.398,26 2.398,26 6147 428.554,00 25.070,43 5.142,65 6175 15.124,00 1.429,22 362,98 TOTAL 2.059.764,17 196.369,34 119.680,88 A Recorrente não contradiz os valores dos rendimentos e respectivos códigos de receita, apenas insiste pela planilha (doc.02) que o IR retido das fontes pagadoras elencadas totaliza o valor de R$ 64.196,63, indicado no PERDCOMP com o código 6256, e afirma que o correto seria 6190. Confrontandose o demonstrativo da decisão recorrida, com o PERDCOMP, constatase que embora haja redução do valor de R$ 64.196,63 para R$ 57.455,13, em relação ao código:6190, foram inclusas outras retenções nos códigos: 6147 e 6175: Serviços Retenção em Pagamentos por Órgãos Públicos, e, código1708: Serviços Retenção em Pagamentos por Pessoa Jurídica, não declarados no PERDCOMP em virtude do suposto erro do contribuinte na indicação dos códigos, razão pela qual efetuados os ajustes de acordo com os valores e códigos declarados nas DIRF, o valor do saldo do IRPJ do ano calendário de 2003 resulta no total de R$ 119.680,88 e não R$ 120.586,97 como declarado pelo interessado no PERDCOMP em comento, assim demonstrado na decisão recorrida: DIPJ/2004Anocalendário 2003 – FICHA 12A DIPJ ATIVA VALORES CONFIRMADOS IMPOSTO S/O LUCRO REAL 01.À alíquota de 15% Fl. 960DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.907979/201185 Acórdão n.º 1802002.552 S1TE02 Fl. 14 13 TOTAL IRPJ 13.() IRRF 56.390,34 56.720,12 14.() IRRF ORGÃO PÚBLICO 64.196,63 62.960,76 20. IRPJ A PAGAR 120.586,97 119.680,88 A Recorrente apresenta a planilha (doc.02) elencando as Notas Fiscais mas não segrega por códigos a alegada retenção na fonte do IRRF a comprovar a existência de equívoco da diferença no valor de R$ 906,07 demonstrada na decisão recorrida tendo como base valores extraídos dos declarados em DIRF. É indiscutível que o direito de o imposto de renda retido na fonte (IRRF) sobre as receitas, pode ser deduzido do apurado no encerramento do período, conforme estabelecido no artigo 231do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999. Contudo há de se observar a prescrição contida no art.55 da Lei nº 7.450/85: o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Nessa toada, não se pode reconhecer como saldo negativo de IRPJ passível de restituição/compensação, valor que se baseia apenas em notas fiscais e declarações (DIPJ ), mas não se encontra lastreado em conjunto probatório contábil ou comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, No pedido de restituição/compensação, a prova hábil para comprovar os rendimentos obtidos e o tributo retido na fonte é o comprovante de que trata a específica legislação tributária. Na sua ausência, por interpretação razoável, são admitidos os valores apresentados em Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF). Com efeito, as notas fiscais com mera indicação de tributos retidos na fonte temse como prova indiciária mas não comprovam a retenção no período, tampouco se sobrepõem nem invalidam as informações constantes das DIRF utilizadas para o reconhecimento do direito creditório. Nessa ordem de idéia, não se pode afastar a conclusão da decisão recorrida com demonstrativo que também adoto como razão de decidir: Constatase, portanto, conforme Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF/2003), haver IRRF durante o ano calendário 2003, num total de R$ 119.680,88, e não R$ 120.586,97, como informado em DIPJ ativa. Reiterese que, ausentes os documentos hábeis a comprovar o saldo credor de IRPJ pretendido, não há como se reconhecer, a título de antecipações do IRPJ do período, os demais valores de IRRF não informados em DIRF pelas fontes pagadoras. Registrese que as receitas de prestação de serviços relativas ao ano calendário 2003, informadas na Linha 08 da Ficha 06 A da DIPJ ativa (R$ 115.891.130,80) comportam o montante de rendimentos computados nas DIRF (R$ 1.777.779,90). O mesmo se diga em relação às receitas financeiras, informadas na linha 24 da mesma ficha no montante de 410.156,32. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.907979/201185 Acórdão n.º 1802002.552 S1TE02 Fl. 15 14 Sendo assim e considerando que as retenções admitidas como dedução na apuração do IRPJ devido são aquelas que, como antes explanado, além de terem o correspondente rendimento oferecido a tributação, forem comprovadas por meio de informes de rendimentos (o que pode ser suprido por confirmação da DIRF), impõese reconstituir, para o período em análise, a Ficha 12A da DIPJ em função dos valores passíveis de verificação e confirmação nos sistemas informatizados, de modo a considerar o valor antecipado a título de IRPJ de R$ 119.680,88 (IRRF de 2003), acima demonstrado... Nada impedira a Recorrente em apresentar elementos que pudessem contradizer as informações das DIRF, apresentando caso a caso, códigos de retenção, cliente a cliente, as inexatidões ou incorreções das informações prestadas pelas fontes pagadoras. A Recorrente requer seja convertido o julgamento em diligência, se assim entender necessário, para que a autoridade fiscal proceda à conferência das notas fiscais e à apuração dos valores nela informados a título de retenção de IRRF, ressaltandose que todas as respectivas notas fiscais já foram acostadas aos autos pela Recorrente por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade. Pelos próprios fundamentos expendidos na pretensão da Recorrente tornase desnecessária a diligência a verificar os mesmos documentos juntados já analisados descritos no Acórdão recorrido. A Recorrente alega que, se as notas fiscais comprovam a efetiva prestação de serviços sujeitos à retenção dos tributos federais, dentre os quais o IRRF, e o Livro Diário demonstra que a Recorrente percebeu a quantia correspondente à subtração do valor bruto da nota fiscal do montante retido a título de tributo, salta aos olhos a existência do crédito e o seu direito de compensálo nos exatos montantes descritos em seus PER/DCOMPs. Tal argumentação não se sustenta, pois, a emissão da nota fiscal pode traduzir a receita obtida declarada pelo prestador do serviço que tem a obrigação de expedir o documento ao tomador do serviço a dar lastro a sua escrituração contábil para fins de apuração de custo ou despesa como documento hábil para fins de dedução e apuração do lucro líquido do tomador do serviço. Já o comprovante de rendimento com retenção na fonte é o documento que comprova a efetividade da retenção na fonte a ser utilizado como prova hábil e idônea para fins de dedução do tributo devido no período de apuração. Ora, de acordo com a lei tributária acima citada (art.55, Lei nº 7.450/85) cabe ao contribuinte apresentar o documento hábil, emitido em nome da Recorrente, pela fonte pagadora dos rendimentos, a comprovar a retenção do IRRF. Embora a comprovação da retenção do imposto de renda na fonte possa em tese ser efetuada por outros elementos indiciários,cabe ao contribuinte trazer aos autos além das notas fiscais, prova robusta da apresentação de elementos hábeis e idôneos da existência da retenção do IRRF, por ele indicado nas notas fiscais. Como cediço, a retenção na fonte é devida por lei e não constitui, em princípio, indébito ou recolhimento a maior, de modo que, apenas notas fiscais, não têm o Fl. 962DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.907979/201185 Acórdão n.º 1802002.552 S1TE02 Fl. 16 15 condão de afastar a comprovação da retenção na fonte e a sua escrituração contábil, mormente quando a escrituração contábil não identifica os números e valores das notas fiscais e recebimentos dos recursos correspondentes. Portanto, notas fiscais sem a comprovação de que o emitente sofreu o ônus da retenção do tributo não faz prova por si só. É necessário que o contribuinte traga aos autos o conjunto probatório de que recebeu apenas o valor líquido, ou seja, o valor da nota fiscal deduzido do tributo retido. Vejamos o que dispõe a IN SRF nº 459 de 2004 sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços. ... Art. 12. As pessoas jurídicas que efetuarem a retenção de que trata esta Instrução Normativa deverão fornecer à pessoa jurídica beneficiária do pagamento comprovante anual da retenção, até o último dia útil de fevereiro do ano subseqüente, conforme modelo constante no Anexo II. § 1º O comprovante anual de que trata este artigo poderá ser disponibilizado por meio da Internet à pessoa jurídica beneficiária do pagamento que possua endereço eletrônico. § 2º Anualmente, até o último dia útil de fevereiro do ano subseqüente, as pessoas jurídicas que efetuarem a retenção de que trata esta Instrução Normativa deverão apresentar Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), nela discriminando, mensalmente, o somatório dos valores pagos e o total retido, por contribuinte e por código de recolhimento. Constatado pelo contribuinte que não possui os comprovantes de rendimento com retenção na fonte dos valores retidos indicados nas notas fiscais deveria ter adotado providência no sentido de obtêlos, pois, o contribuinte antes de ingressar com o pedido de restituição/compensação já deveria manter em seu poder os comprovantes de retenção do IRRF que utilizou para compor o saldo credor do IRPJ pleiteado, pois, de acordo com a legislação tributária, o comprovante de rendimentos seria fornecido, até o último dia útil do mês de fevereiro do anocalendário subseqüente àquele a que se referirem os rendimentos informados. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo (no caso, o IRRF) devido no período de apuração do ano calendário de 2003 e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 963DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.907979/201185 Acórdão n.º 1802002.552 S1TE02 Fl. 17 16 É indiscutível o direito de que, o IRRF retido na fonte sobre as receitas pode ser deduzida da apurada no encerramento do período, conforme disciplinado nos parágrafos 3º e 4º do artigo 64 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É certo também que o artigo 165 do Código Tributário Nacional autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A Recorrente diz que "na inimaginável hipótese do entendimento de que os documentos ora anexados não se prestam a comprovar a existência do saldo negativo do IRPJ em nome da Recorrente" , sejam intimados os tomadores de serviços, constantes do Relatório, a fim de que eles apresentem as respectivas DIRFs, as quais comprovarão os créditos do IRPJ objeto de compensação. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. A documentação trazida pela Recorrente, não contradiz os fatos trazidos à baila na decisão recorrida que justificam o não reconhecimento total do direito creditório, relativo ao ano calendário de 2004, indicado nos PERDCOMP e a conseqüente não homologação das compensações. A jurisprudência coletada pelo interessado não é adequada aos presentes autos que dependem de provas distintas a sustentar o pleito da Recorrente. Como registrado acima e, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado pelo interessado sob pena de pronto indeferimento. Com efeito, não só as notas fiscais mas os registros contábeis e comprovante de pagamento e retenção na fonte pelos tomadores de serviços para o encontro de contas, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. É dever do Fisco proceder a análise do crédito e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido ou saldo credor de tributo, tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. A Recorrente requer, que todas as intimações pertinentes ao presente feito sejam mantidas no endereço do contribuinte, qual seja, Avenida Eid Mansur, 666, Térreo, Parque São George, CEP 06708070, Município de Cotia, Estado de São Paulo. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.907979/201185 Acórdão n.º 1802002.552 S1TE02 Fl. 18 17 O domicílio fiscal da pessoa jurídica é o constante do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), conforme Instrução Normativa (RFB) nº 1.183/2011. Assim, razão não há para que as intimações sejam encaminhadas para outros endereços que não seja o domicílio fiscal eleito pelo contribuinte indicado no CNPJ. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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