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Numero do processo: 10825.906642/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.
Indefere-se o pedido de compensação quando o contribuinte teve oportunidade de demonstrar a apuração do tributo e o pagamento indevido através de sua escrita contábil, todavia limitou-se a apresentar declarações (DIPJ, DCTF, DCOMP) e comprovantes de pagamento, documentos estes relevantes, mas insuficientes para comprovar a existência do crédito.
Numero da decisão: 1301-003.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: GIOVANA PEREIRA DE PAIVA LEITE
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Indeferese o pedido de compensação quando o contribuinte teve oportunidade de demonstrar a apuração do tributo e o pagamento indevido através de sua escrita contábil, todavia limitouse a apresentar declarações (DIPJ, DCTF, DCOMP) e comprovantes de pagamento, documentos estes relevantes, mas insuficientes para comprovar a existência do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 66 42 /2 00 9- 11 Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10825.906642/200911 Acórdão n.º 1301003.864 S1C3T1 Fl. 1.100 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através da DCOMP nº 39541.31785080507.1.3.041433, que pleiteia compensação crédito de IRPJ Estimativa Mensal, com débito também de IRPJEstimativa mensal. O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o argumento de que o crédito informado no PER/DCOMP, por tratar se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Cientificada do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi considerada improcedente pela 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto ao fundamento de não ter sido comprovada a liquidez e certeza do alegado crédito, nos termos do art. 170 do CTN. O contribuinte apresentou recurso voluntário, que foi provido em parte, para determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de Primeira Instância, nos termos do voto da Relatora, que admitiu a possibilidade de compensação de pagamento a maior de estimativa mensal e reconheceu o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, anulando a decisão da DRJ, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP . Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentouse na impossibilidade de restituição de estimativa de tributo. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) á luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. O indeferimento da Per/Dcomp por razões diversas daquelas que constaram como fundamento do despacho decisório, sem que a contribuinte seja cientificada e instada a manifestarse sobre a análise sumária do crédito Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10825.906642/200911 Acórdão n.º 1301003.864 S1C3T1 Fl. 1.101 3 pleiteado, realizada em sede de julgamento, caracteriza cerceamento de defesa e provoca a nulidade de decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos á Turma Julgadora de Primeira Instância, nos termos do voto da Relatora. Ante o teor Acórdão nº 1801001.335, proferido pelo CARF, a Turma da DRJ encaminhou os autos em diligência para ciência da contribuinte acerca do teor do referido Acórdão e notificação da mesma para apresentação de elementos probatórios de modo a comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, por meio dos elementos de prova previstos na legislação tributária. Cientificada, a contribuinte apresentou nova manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o "mencionado crédito é legítimo, fundamentado em lei, tendo ocorrido somente erro de preenchimento na declaração de compensação, o que não é fundamento para a não homologação do crédito pleiteado";que "vislumbrase claramente a ocorrência de simples erro formal, uma vez que ao lugar de imputar o crédito decorrente de diferença positiva entre a estimativa recolhida e a efetivamente apurada pelo lucro real como saldo negativo de IRPJ, a ora impugnante o fez alocando o valor como decorrente de pagamento indevido ou a maior". Discorreu acerca dos valores considerados indevidos considerando os débitos declarados em DIPJ e DCTF em face dos pagamentos efetuados via DARF, mas não demonstrou a apuração dos tributos. Ao final requereu: "(i) o recebimento e processamento da presente MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, em seus regulares efeitos, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário sob análise, nos termos do artigo151, inciso III, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/65);e (ii) a homologação da compensação pretendida, uma vez que como demonstrado, o crédito é legítimo, expedindo, ao final, o despacho decisório do ato homologatório da compensação enviada, declarando assim a extinção total do crédito tributário e posterior arquivamento do processo em referência". Por despacho, foram os autos devolvidos à DRJ/Ribeirão PretoSP para prosseguimento. A 6ª Turma da DRJ/RPO proferiu novo acórdão, que julgou a manifestação de inconformidade improcedente. O Colegiado concluiu que o indébito não continha os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública. Transcrevese a ementa do acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10825.906642/200911 Acórdão n.º 1301003.864 S1C3T1 Fl. 1.102 4 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência e composição do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Do 2º Recurso Voluntário (fls. 627634) Em 02/04/2014, o contribuinte tomou ciência da decisão da DRJ, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo. Ainda incorformado, em 17/04/2014 a empresa apresentou Recurso Voluntário, no qual: Argumenta que é possível a compensação de pagamento indevido de estimativa mensal; Declara que a DIPJ e DCTF comprovam que não ocorreu aproveitamento do crédito em duplicidade; Defende que em sua manifestação de inconformidade fez juntada de elementos probatórios de que o crédito é legítimo e afirma que restou comprovado que o valor a ser recolhido no mês de maio seria de R$ 4.507,87, embora a Recorrente tenha recolhido R$ 32.000,00; Por fim, requereu o recebimento e processamento do recurso, e ao final a homologação da compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Após ter seu pedido de compensação indeferido sob o fundamento de que pagamento a titulo de estimativa mensal, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ/CSLL do período, a empresa apresentou manifestação de inconformidade invocando seu direito à compensação de estimativas mensais. Neste momento apresentou DIPJ e DCTF informando os valores apurados. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, e o contribuinte apresentou recurso voluntário onde reiterou seu direito à compensação de pagamentos indevidos de estimativa mensal. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10825.906642/200911 Acórdão n.º 1301003.864 S1C3T1 Fl. 1.103 5 O acórdão da 1ª Turma Especial do CARF deu provimento parcial ao recurso, posto que considerou ser possível a compensação/restituição de pagamento indevido de estimativa mensal, mas que se fazia imprescindível a comprovação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito. E, considerando que não havia sido dado oportunidade para que o contribuinte se manifestasse sob a existência do crédito, anulou a decisão de 1ª Instância e determinou o proferimento de nova decisão, após pronunciamento do contribuinte sobre a existência de crédito. Destaquese que no presente processo, o pedido de compensação foi indeferido liminarmente através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o fundamento de se tratar de pagamento de estimativa mensal, sem que o contribuinte tivesse sido intimado para apresentar documentos que comprovassem o recolhimento indevido a título de estimativa mensal. A Turma da DRJ, ao receber o processo, determinou a realização de diligência nos seguintes termos: Ante o teor Acórdão n.º 1801001.335, proferido pelo CARF, nos termos acima descritos, VOTO por encaminhar o processo em diligência com solicitação à Unidade de origem para que a contribuinte tenha ciência do referido Acórdão e seja notificada a, querendo, apresentar elementos probatórios de modo a comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, nos termos do art. 170 do CTN, observado o disposto nos artigos 7º e 9º do Decretolei nº 1.598, de 1977, bem como as formalidades previstas art. 5º, § 2º, do DecretoLei nº 486, de 1969, e no art. 6º do Decreto nº 64.567, de 1969, a seguir transcritos (termos e abertura e encerramento dos Livros Contábeis e Fiscais, e, no caso de Livro Diário, autenticação). Código Tributário Nacional – CTN (Lei n.º 5.172, de 1966) Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (g.n.) Decretolei nº 1.598, de 1977 Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. [...] Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (g.n.) DecretoLei nº 486, de 1969 Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10825.906642/200911 Acórdão n.º 1301003.864 S1C3T1 Fl. 1.104 6 Art. 5º Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de livro Diário, encadernado com folhas numeradas, seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade mercantil, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial do comerciante. [...] § 2º Os livros ou fichas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comercio. [...] Decreto nº 64.567, de 1969 Art. 6º Os livros deverão conter, respectivamente, na primeira e na última página, tipograficamente numeradas, os termos de abertura e de encerramento. [...] À Unidade da RFB de origem para as providências de sua alçada.(grifei) Ou seja, o teor da Resolução da DRJ deixa claro que o contribuinte deveria comprovar a certeza e liquidez do seu crédito com a apresentação de sua escrituração contábil. Entretanto, apesar de regularmente intimado, o contribuinte mais uma vez limitouse a trazer aos autos cópias de declarações DIPJ, DCOMP e DCTF, sem contudo apresentar sua escrituração contábil. Não apresentou a apuração do tributo, constante das declarações apresentadas, nem tampouco demonstrou que os valores constantes das declarações foram devidamente contabilizados em sua escrita fiscal. Dessarte, restou acertada a decisão da DRJ que novamente considerou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento deu que cabendo o ônus da prova ao sujeito passivo, este não comprovou a existência de crédito passível de compensação. A decisão de piso ressalta que o contribuinte não fez juntar aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar a origem e forma de aproveitamento do suposto crédito, e evidenciar recolhimento indevido ou a maior no período informado para o crédito, resultante do confronto entre pagamentos alocados e/ou compensações realizadas naquele período de apuração, e o débito apurado. Também deixa consignado que as declarações prestadas à RFB (DIPJ, DCTF, DCOMP) e DARFs mostramse insuficientes à adequada instrução probatória. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reitera o seu direito a compensar pagamento indevido de estimativas mensais e reafirma a existência de crédito. Em relação ao direito à compensação de pagamento indevido de estimativas mensais, entendo ser possível a caracterização do indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, in verbis: Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10825.906642/200911 Acórdão n.º 1301003.864 S1C3T1 Fl. 1.105 7 Súmula CARF nº 84:É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Veja que o direito a compensar pagamento indevido de estimativa mensal restou reconhecido acórdão da Turma Especial do CARF que determinou o retorno dos autos à DRJ para dar oportunidade de o contribuinte apresentar sua escrituração contábil para comprovar o valor do tributo apurado e, por conseguinte, o indébito. Para fins de homologação da DCOMP, fazse mister a comprovação por parte do contribuinte de que o pagamento foi calculado e efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei. Todavia, apesar das várias oportunidades para apresentar documentos, seja durante a diligência, seja na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, de ter restado clara a necessidade de comprovar o indébito através da sua escrituração contábil, a Recorrente limitouse a apresentar cópias de declarações, DARF e contrato social e não demonstrou a apuração do tributo devido em face do pagamento realizado, nem a regular escrituração dos valores. Nesse sentido, ratifico o entendimento do Colegiado a quo, que entendeu ser imprescindível a apresentação de elementos probatórios, tais como: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte dever levantar balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução; a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo. Portanto, ainda que seja possível a restituição/compensação de recolhimento de estimativa mensal, a Recorrente não logrou êxito em comprovar a existência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN. A Recorrente limitouse a apresentar declarações e comprovantes de pagamento, mas eximiuse da obrigação de demonstrar a apuração do imposto em sua escrita contábil, apesar de devidamente intimada para tal. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10825.906642/200911 Acórdão n.º 1301003.864 S1C3T1 Fl. 1.106 8 Fl. 1106DF CARF MF
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Numero do processo: 19832.000733/2008-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9202-000.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Dipro/Cojul, para envio do processo à câmara recorrida, para complementação do exame de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, bem como para realização do exame de admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, com posterior retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Dipro/Cojul, para envio do processo à câmara recorrida, para complementação do exame de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, bem como para realização do exame de admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, com posterior retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório No presente processo, encontrase em julgamento o Debcad 37.000.7689 (AI 38), lavrado em razão de a empresa ter deixado de apresentar à fiscalização o Livro Caixa ou o Livro Diário, solicitados por meio de Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, relativos ao período de janeiro/2003 a fevereiro/2006, conforme Relatório Fiscal da Infração de fls. 05. Em sessão plenária de 16/04/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803003.283 (efls. 148 a 153), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 98 32 .0 00 73 3/ 20 08 -4 5 Fl. 291DF CARF MF Processo nº 19832.000733/200845 Resolução nº 9202000.216 CSRFT2 Fl. 292 2 Período de apuração: 01/01/2003 a 01/01/2006 CONEXÃO. COMPROVAÇÃO DE DEPENDÊNCIA. NATUREZAS DIVERSAS DAS OBRIGAÇÕES. Para deferimento de pedido de conexão entre processos é necessário estarem presentes nos autos subsídios suficientes para analise da conexão dos processos (art. 47, do Anexo II, do RICARF, c/c art. 103, do Código de Processo Civil), e seu ônus probatório seria da parte requerente. Considerando as diversas as naturezas das obrigações originárias dos créditos constituídos em cada instrumento de lançamento, bem como as causas de pedir e objetos diversos, sem demonstração e comprovação de efetiva identidade, não há como acolher a preliminar de dependência de julgamento. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado" A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Lara dos Santos e Helton Carlos Praia de Lima que votaram em converter o julgamento em diligência." O processo foi encaminhado à PGFN em 29/05/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 232) e, em 20/06/2014, foi interposto o Recurso Especial de efls. 233 a 246 (Despacho de Encaminhamento de efls. 247), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a nulidade do lançamento natureza do vício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 30/06/2016 (efls. 257/258). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: a decisão recorrida anulou o lançamento porque entendeu que não seria possível, com base nas informações trazidas no Relatório Fiscal, concluir acerca da configuração da infração, fato este determinante para o lançamento de débito, assim, anulou o lançamento por vício material; registrese que, em nenhum momento, nem mesmo na decisão hostilizada, ficou reconhecida a ausência do motivo do lançamento; Fl. 292DF CARF MF Processo nº 19832.000733/200845 Resolução nº 9202000.216 CSRFT2 Fl. 293 3 na hipótese em apreço, a ausência ou a deficiência na descrição do fato gerador (incluída aqui a juntada de documentos considerados essenciais à sua comprovação aos autos), vício apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu; na verdade, sequer se poderia cogitar que houve qualquer prejuízo à defesa do sujeito passivo, tendo em vista que este afirma que foi submetido a ampla ação fiscal, redundando inclusive na lavratura de NFLD; noutra linha, não há que se confundir falta de motivo com falta de fundamentação/motivação; como já salientado, tratase de suposto vício decorrente da ausência ou imprecisão na descrição do fato gerador (incluída aqui a ausência de juntada de documentos que embasaram o lançamento), que em nada interferiu na configuração do crédito tributário (em todos os seus elementos), isso porque em momento algum se afirmou ou concluiu que o fato gerador da obrigação tributária não ocorreu; logo, para se cogitar de vício no lançamento, devese ter como vício formal (na formalização do ato do lançamento), tendo em vista que a suposta falha ocorreu tãosomente na exteriorização do ato do lançamento; tratandose de vício relacionado à exteriorização do ato administrativo, este que representa requisito atinente à forma do ato administrativo fiscal, revelase correto dizer que referido vício poder ser perfeitamente convalidável, inclusive com base no que preceitua o art. 55, da Lei nº 9.784, de 1999. Ao final, a Fazenda Nacional requer o conhecimento e o provimento do presente recurso, para afastar a nulidade do lançamento ou, caso assim não se entenda, declarar a ocorrência de vício formal. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 13/07/2016 (AR Aviso de Recebimento de efls. 261/262), a Contribuinte interpôs, em 27/07/2017 (carimbo de efls. 263), o Recurso Especial Adesivo de efls. 263 a 283. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O apelo visa rediscutir a natureza do vício de nulidade do lançamento. Tratase de Auto de Infração Debcad 37.000.7689 (AI38) lavrado em razão de a empresa ter deixado de apresentar à fiscalização o Livro Caixa ou o Livro Diário, solicitados por meio de Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, Fl. 293DF CARF MF Processo nº 19832.000733/200845 Resolução nº 9202000.216 CSRFT2 Fl. 294 4 relativos ao período de janeiro/2003 a fevereiro/2006, conforme Relatório Fiscal da Infração de fls. 05. A matéria que teve seguimento à Instância Especial diz respeito à natureza do vício, se formal ou material, sendo que a Fazenda Nacional indicou como paradigmas os Acórdãos nºs 320100.248 e 310200.780. Conforme o Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial de efls. 257/258, o seguimento do apelo se deu mediante a análise apenas do primeiro deles. Confirase: "O Recurso Especial tem como fundamento o art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a seguinte matéria: Nulidade auto infração. Natureza vício. Formal x Material. Como paradigma, a Fazenda Nacional indicou os Acórdãos nºs 320100.248 e 310200.780, que teriam decidido em sentido diverso, vejamos: Acórdão paradigma 320100.248 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração:05/11/2004 a 13/11/2006 É nulo, por vício formal, o lançamento tributário quando não estiverem presentes todos os elementos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como, quando se constatar confusa contextualização dos elementos de prova que visavam determinar o fato gerador da obrigação, e os que forem formalizados com erro na determinação da matéria tributável, posto que, por representar preterição de uma formalidade essencial, caracterizase cerceamento do direito de defesa. O cotejo levado a cabo pela Recorrente permite constatar que efetivamente foi demonstrada a alegada divergência jurisprudencial: enquanto no caso do acórdão recorrido entendeuse que irregularidades na descrição do fato gerador informa vício material, no paradigma entendeuse que tal situação configura vício formal. O segundo paradigma não será examinado em razão da admissibilidade já reconhecida." (destaques no original) No caso do acórdão recorrido, deuse provimento ao Recurso Voluntário, declarandose a nulidade do lançamento por vício material, considerandose que não houve a demonstração completa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito e que não foram juntados documentos obrigatórios ao lançamento. Confirase os respectivos trechos do acórdão recorrido: "III – Contudo, entendo que a decisão a quo e a autoridade lançadora equivocaramse pois, nem no relatório fiscal nem em outros documentos dos autos, demonstram as reais bases jurídicas para entender como irregular a documentação apresentada. Como relatado não há nos autos qualquer indicação clara ou cópia do TIAD, que solicitou os documentos, e do TEAF, bem com não está claro qual foi o documento não apresentado se foi o Livro Caixa ou Diário, justamente porque não se tem provado nos autos quais documentos foram solicitados pela fiscalização. Ainda, ressaltese que à época dos fatos, a IN/INSS n. 3/2005, art. 360, XIII e XIV, colocava as presenças desses documentos como obrigatório do instrumento do lançamento. Assim, há preterição ao direito de defesa da Recorrente. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 19832.000733/200845 Resolução nº 9202000.216 CSRFT2 Fl. 295 5 Conforme o que dispõe o art. 142, do CTN, c/c art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/2010, o lançamento tributário deve ser demonstrar claramente quais são os seus fundamentos fáticos e jurídicos, sob pena de nulidade. Isso inclui o ônus probatório da Administração em trazer elementos probantes e legais que subsidiem a constituição do crédito tributário, para em um segundo momento demonstrar de forma clara o fenômeno da subsunção da norma aos eventos por eles representados (art. 9º, do Dec. 70.235/1972). O lançamento objeto da decisão recorrida deve preenche os requisitos da legalidade impostos pelo art. 142, do CTN, bem como da legislação ordinária, em especial o art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/1991 e Decreto n. 70.235/1971. Tais determinações são necessárias inclusive para que haja o real respeito à garantia de contraditório e ampla defesa e ao devido processo legal (art. 5, LV da CF/1988) (...) Pelas razões acima, observase que a norma individual e concreta em que não demonstra todas as suas facetas, prejudica a sua aplicação e a possibilidade de defesa do contribuinte perante o Fisco (art. 59, I, do Dec. 70.235/1972). A deficitária construção da norma individual e concreta do tributo ou da sanção, algo além da mera formalidade extrínseca do ato de constituição do crédito, afetando o seu âmago. Conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes: (...) Dessa forma, está claro que com meras alegações circunstanciais, e com os documentos probantes na forma apresentada nos autos, não se poderia constituir o crédito tributário impugnado contra a Recorrente. Tal matéria representa um vício material." (grifei) Quanto ao único paradigma analisado para a matéria em tela Acórdão nº 320100.248 a Fazenda Nacional, visando demonstrar a alegada divergência, colacionou a ementa e trechos do voto condutor, conforme a seguir: Paradigma Acórdão nº 320100.248 Ementa "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/11/2004 a 13/11/2006 É nulo, por vício formal, o lançamento tributário quando não estiverem presentes todos os elementos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como, quando se constatar confusa contextualização dos elementos de prova que visavam determinar o fato gerador da obrigação, e os que forem formalizados com erro na determinação da matéria tributável, posto que, por representar preterição de uma formalidade essencial, caracterizase cerceamento do direito de defesa. Voto "Ratifico a motivação do voto da DRJ, por concordar com o mesmo e não merecer reparo, já que o lançamento contém vícios formais e por Fl. 295DF CARF MF Processo nº 19832.000733/200845 Resolução nº 9202000.216 CSRFT2 Fl. 296 6 estarem em desacordo com o artigo 142 do CTN, o que culmina com cerceamento do direito de defesa. Os motivos são os mesmos que baseia o voto, como a seguir se fundamenta em alguns trechos aqui trazidos, por traduzirem exatamente o meu pensamento: “Embora o trabalho fiscal tenha sido conduzido com destacável zelo (principalmente se levarmos em consideração que o negócio simulado levado a cabo pelos envolvidos se reveste de artimanhas que dificultam – e por vezes até mesmo impossibilitam – a comprovação material do mesmo, uma vez que, pela própria natureza do ilícito, os meios utilizados para burlar a fiscalização precisam dar aparência de negócio legal), no auto de infração persistem omissões e inconsistências no tocante à determinação da matéria tributável e subsiste a ausência de documentação idônea que sirva de base à apuração do valor correto da multa a ser aplicada, fatos que comprometem a validade do lançamento. (...) Temse, ainda, que as informações utilizadas para a apuração da matéria tributável restam desguarnecidas de suporte probatório. A fiscalização se utiliza de uma relação de notas fiscais de saída fornecida pela Brazilian Trade como fonte de informação para determinação da base de cálculo da infração e junta aos autos apenas algumas notas fiscais, segundo ela por economia processual. Entretanto, tal economia não se justifica, quando no caso concreto bastaria juntar as 15 notas relacionadas à fl. 05. A falta das referidas notas fiscais impedem a apreciação de argumentos da impugnante como o de que não reconhece parte das operações como sendo de sua responsabilidade. Por outro lado, convém observar que embora o presente lançamento tenha se originado de uma ampla e complexa fiscalização, que deu origem a outros lançamentos, não seria necessário juntar em todos os processos todas as notas fiscais envolvidas na operação, bastando trazer para cada um deles as cópias das notas fiscais relativas às operações objeto daquela autuação específica. Isso significa dizer que houve falta de demonstração dos dados que serviram de base à determinação da matéria tributável, a qual está intrinsecamente relacionada com a apuração do valor aduaneiro que, por sua vez, depende da identificação exata dos adquirentes de cada uma das mercadorias importadas, dentre eles a empresa arrolada como responsável solidária no caso sob exame. Portanto, se inexistem, no caderno processual, demonstrativos de cálculo escorreitos e a correspondente prova documental que lhe dê suporte, de modo a respaldar a exigência tributária, e tampouco foram cientificados à impugnante, resta explícito o vício do lançamento, caracterizado por obscuridade, omissão e inconsistência, que acabam por afetar o direito de defesa da impugnante, na medida em que não teve ciência dos critérios de cálculo e documentos que amparam a determinação da matéria tributável. Portanto, o auto de infração continua a carecer de comprovação documental necessária para dar suporte à descrição Fl. 296DF CARF MF Processo nº 19832.000733/200845 Resolução nº 9202000.216 CSRFT2 Fl. 297 7 dos fatos, acarretando cerceamento do direito de defesa e, por conseqüência, viciando o lançamento de nulidade. (...) Tal demonstração tem o escopo de fornecer ao sujeito passivo todas as informações pertinentes ao lançamento para que possa exercer com plenitude o seu direito de defesa, constitucionalmente assegurado, o qual restará obstado se não for possível conhecer com precisão quais são os valores e critérios de cálculo que respaldam a exigência tributária e os documentos em que se baseiam. É que o exercício da defesa abrange não só a refutação dos fatos descritos e seus efeitos legais, mas também envolve o exame e conferência dos cálculos e documentos em que se baseiam, com vista a permitir a contestação de eventuais inconsistências, assegurandose, dessa forma, o controle da atividade impositiva. Somente com o conhecimento de todos esses elementos que servem de base para a exigência tributária é que se assegura ao interessado o pleno exercício do direito de defesa. (...) O art. 142 do CTN estabeleceu os requisitos essenciais para a constituição do crédito tributário e este artigo deve ser interpretado conjuntamente com o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 e sob o enfoque do princípio consagrado no art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal, o que resultará na conclusão de que a determinação da matéria tributável, a descrição dos fatos e o cálculo do montante do tributo devem estar perfeitamente explicitados no auto de infração, acompanhados ainda dos documentos em que se embasam, com vista a assegurar o contraditório e a ampla defesa ao recorrente, o que não aconteceu no caso presente. Assim sendo, observase que como o auto de infração não descreve a matéria tributável de forma completa e clara, impedindo a compreensão do crédito tributário apurado e consequentemente ensejando o cerceamento do direito de defesa, logo, cumpre declarar sua nulidade, nos termos do art. 59, II; do Decreto n° 70.235/72 c/c art. 5°, inciso LV, e art. 37, caput, da Constituição Federal. Diante do exposto, voto por negar o recurso de oficio, tendo em vista, a nulidade dos lançamentos, em razão de vício formal, sem prejuízo da formalização de novos autos de infração, observado o disposto no art. 173, inciso II, do Código Tributário Nacional.” De plano, verificase que o vício tratado no acórdão recorrido não foi de confusa contextualização de elementos de prova, mas de falta de demonstração dos fatos da infração imputada e da não juntada dos documentos TIAD e TEAF, obrigatórios ao lançamento. Compulsando o inteiro teor desse primeiro paradigma, constatase que a situação nele tratada em nada se assemelha à do recorrido. Os trechos colacionados confirmam que sequer os vícios em confronto guardam alguma similitude: o vício existente neste paradigma referese à ausência de demonstrativos de cálculos que serviram de base à determinação da matéria tributável, que está relacionada com a apuração do valor aduaneiro das mercadorias importadas. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 19832.000733/200845 Resolução nº 9202000.216 CSRFT2 Fl. 298 8 Assim, os vícios relatados não possuem a necessária similitude, a ponto de estabelecerse divergência jurisprudencial, exatamente no que tange à natureza do defeito se formal ou material. Com efeito, não há como discutirse a natureza do vício, quando os defeitos em confronto não demonstram similaridade. Destarte, esse primeiro paradigma não se presta a demonstrar a alegada divergência. Ocorre que, relativamente à matéria que teve seguimento se nulidade houve, tratase de vício formal e não material esse julgado foi o único analisado no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, sendo que também foi indicado como paradigma para essa matéria o Acórdão nº 310200.780. Ademais, verificase que não foi realizado o exame de admissibilidade do Recurso Especial Adesivo interposto pelo Contribuinte (efls. 263 a 283) Diante do exposto, tendo em vista que o primeiro paradigma não pode ser considerado apto a demonstrar a alegada divergência, voto pela conversão do julgamento em diligência à Câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, examinandose o paradigma não analisado, e para realização do exame de admissibilidade do Recurso Especial Adesivo do Contribuinte, com posterior retorno dos autos a esta Relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720171/2016-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. A contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, deve levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança (Súmula CARF nº 116).
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE.
Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio.
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO.
Não há como aceitar a dedução do ágio com utilização de empresa veículo, quando o procedimento do sujeito passivo não se reveste de propósito negocial mas revela objetivo exclusivamente tributário.
Numero da decisão: 1402-003.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, i) por maioria de votos: i.i) rejeitar a arguição de nulidade da decisão de primeira instância, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Edeli Pereira Bessa; ii) por unanimidade de votos: ii.i) rejeitar a arguição de decadência do direito do Fisco questionar a legitimidade do ágio; ii.ii) rejeitar a aplicação do art. 24 da LINDB, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente ao ágio na aquisição da "NDPAR" através da permuta pela "AGUAPAR", votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.iv) negar provimento ao recurso voluntário relativamente aos ágios decorrentes da subscrição de capital da "CORONA" efetuado por "MANDIÇUNUNGA/DABARRA" e da subscrição de capital da "MUNDIAL" pela "COSAN 50", votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira; ii.v) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à exigência de CSLL, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa, cujas razões serão incorporadas ao voto do Relator; ii.vi) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação do artigo 112 do CTN; ii.vii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa; e iii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. Manifestaram interessem em apresentar declaração de voto as Conselheiras Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCO ROGÉRIO BORGES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. A contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, deve levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança (Súmula CARF nº 116). DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não há como aceitar a dedução do ágio com utilização de empresa veículo, quando o procedimento do sujeito passivo não se reveste de propósito negocial mas revela objetivo exclusivamente tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, i) por maioria de votos: i.i) rejeitar a arguição de nulidade da decisão de primeira instância, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Edeli Pereira Bessa; ii) por unanimidade de votos: ii.i) rejeitar a arguição de decadência do direito do Fisco questionar a legitimidade do ágio; ii.ii) rejeitar a aplicação do art. 24 da LINDB, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente ao ágio na aquisição da "NDPAR" através da permuta pela "AGUAPAR", votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.iv) negar provimento ao recurso voluntário relativamente aos ágios decorrentes da subscrição de capital da "CORONA" efetuado por "MANDIÇUNUNGA/DABARRA" e da subscrição de capital da "MUNDIAL" pela "COSAN 50", votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira; ii.v) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à exigência de CSLL, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa, cujas razões serão incorporadas ao voto do Relator; ii.vi) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação do artigo 112 do CTN; ii.vii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa; e iii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. Manifestaram interessem em apresentar declaração de voto as Conselheiras Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (assinado digitalmente) MARCO ROGÉRIO BORGES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. A contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, deve levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança (Súmula CARF nº 116). DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não há como aceitar a dedução do ágio com utilização de empresa veículo, quando o procedimento do sujeito passivo não se reveste de propósito negocial mas revela objetivo exclusivamente tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, i) por maioria de votos: i.i) rejeitar a arguição de nulidade da decisão de primeira instância, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Edeli Pereira Bessa; ii) por unanimidade de votos: ii.i) rejeitar a arguição de decadência do direito do Fisco questionar a legitimidade do ágio; ii.ii) rejeitar a aplicação do art. 24 da LINDB, votando pelas conclusões os Conselheiros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 71 /2 01 6- 17 Fl. 6891DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.892 2 Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente ao ágio na aquisição da "NDPAR" através da permuta pela "AGUAPAR", votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.iv) negar provimento ao recurso voluntário relativamente aos ágios decorrentes da subscrição de capital da "CORONA" efetuado por "MANDIÇUNUNGA/DABARRA" e da subscrição de capital da "MUNDIAL" pela "COSAN 50", votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira; ii.v) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à exigência de CSLL, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa, cujas razões serão incorporadas ao voto do Relator; ii.vi) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação do artigo 112 do CTN; ii.vii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa; e iii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. Manifestaram interessem em apresentar declaração de voto as Conselheiras Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) MARCO ROGÉRIO BORGES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 15a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ, que julgou IMPROCEDENTE, integralmente, a impugnação do contribuinte em epígrafe, doravante chamado de recorrente. Da autuação: Fl. 6892DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.893 3 Trata o presente processo de Autos de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentes aos anoscalendário de 2011 e de 2012. A Fiscalização apurou, no curso do procedimento fiscal, as seguintes infrações: 1. Despesas não comprovadas; 2. Falta de recolhimento do IRPJ/CSLL sobre base de cálculo estimada. As presentes autuações fiscais são uma extensão da ação fiscal referente ao período de apuração de 2006 a 2009, processo administrativo fiscal nº 16561.720093/201138, onde foram detectadas as infrações “amortização de ágio” e “compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores”. A amortização de ágio foi gerado a partir de operações societárias de incorporações sucessivas Em decorrência das infrações, foram apurados os seguintes valores de crédito tributário constituído: Imposto/Cont. Juros Multa (75%) Total IRPJ 29.181.372,08 13.787.502,84 21.886.029,06 64.854.903,98 CSLL 10.522.573,95 4.971.671,00 7.891.930,46 23.386.175,41 SubTotal 39.703.946,03 18.759.173,84 29.777.958,77 88.241.079,39 Multa Isol. IRPJ 3.639.730,52 Multa Isol. CSLL 1.282.942,00 Total 84.330.564,58 37.518.347,68 59.555.917,54 181.404.829,8 Valores em R$ 1,00 juros corrigidos até dezembro/2016. Por bem retratar a descrição dos eventos que motivaram a autuação fiscal, transcrevo a parte concernente no relatório da decisão a quo: Trata o presente processo da exigência fiscal formulada contra à interessada acima identificada, por meio de lançamento de imposto sobre a renda da pessoa jurídica (IRPJ) e contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), em valores respectivamente iguais a R$ 29.181.372,08 e R$ 10.522.573,95, acrescidos de juros de mora, calculados com emprego da taxa Selic, e de multa de ofício, determinada à razão de 75%. Houve, também, exigência de multa isolada, referentes ao IRPJ e a CSLL, de R$ 3.639.730,52 e R$ 1.282.942,00, respectivamente. O lançamento referese aos anoscalendário 2011 e 2012. Autos de infração às fls. 6.151 e ss. No período, a interessada era tributada pelo regime do lucro real. Fl. 6893DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.894 4 O enquadramento legal empregado pela fiscalização consta dos autos de infração. Fora consignado no termo de verificação e constatação fiscal (fls. 6.065 e ss), em síntese, o seguinte: · que a presente autuação é fruto da extensão da ação fiscal referente ao período de apuração de 2006 a 2009, PAF nº 16561.720093/201138, onde foram detectadas as infrações “amortização de ágio” e “compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores”; · que estes autos versam sobre “amortização de ágio”, gerado a partir de operações societárias de incorporações sucessivas; · que, além da interessada, relacionamse ao caso as seguintes pessoas jurídicas ou grupos de pessoas jurídicas: 1. Usina da Barra S.A – Açúcar e Álcool (doravante, BARRA 44). Até agosto de 2002, seus sócios eram Cosan Indústria e Comércio S.A (doravante COSAN 50) e Adm de Participações Aguassanta Ltda (doravante AGUASSANTAP), com 45,4% e 54,6% de participação, respectivamente. Após, a COSAN 50 passou a titularizar a integralidade das ações. 2. Agrícola Diamantina S.A (doravante DIAMANTINA). Sócios: Edda Corona Ugolini (doravante EDDA), Sérgio Roberto Ugolini (doravante SÉRGIO), Maria Eloisa Ugolini (doravante ELOÍSA) e Maria Regina Ugolini Chamma (doravante REGINA), com as respectivas participações no capital social iguais a 0,5%, 0,5%, 33% e 33%. 3. Monte Alto Agropecuária Ltda (doravante MONTE ALTO). Sócios: Sócrates Nasser (doravante SÓCRATES) e Vivian Antonieta Corona Nasser (doravante VIVIAN), cada um com 50% da sociedade. 4. Novadec Participações Ltda (doravante NOVADEC). Sócios: SÓCRATES e VIVIAN, respectivamente, detentores de 37,5% e 62,5% das quotas. 5. Grupo Cosan. Em 2001, a Aguassanta Comercial, Importadora e Exportadora S.A (doravante AGUASSANTAC) foi constituída pela AGUASSANTAP, que detinha 100% de seu capital. Até 2004 ficou inativa, ocasião em que adotou a razão social Cosan Comercial Exportadora e Importadora Ltda. Na DIPJ/2006, seu representante informado era Rubens Ometto Silveira Mello (doravante RUBENS). 6. ND Par Participações Ltda (doravante NDPAR). Constituída em maio de 2005, tendo como sócios DIAMANTINA (99,99%) e SÉRGIO (0,01%). A DIAMANTINA subscreveu e integralizou capital com ações da Açucareira Corona S.A (doravante CORONA), primeira denominação da interessada. 7. Agrícola Mandiçununga S.A (doravante MANDIÇUNUNGA). Constituída em dezembro de 2004, com a denominação EPC Administração e Participações Ltda (doravante EPC), pelos sócios Belga Empreendimentos e Participações Ltda (doravante BELGA) e Fl. 6894DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.895 5 RUBENS, este também seu administrador. Inativa até fevereiro de 2006. Inicialmente, seu capital social era de R$ 1.174.174,00, sendo R$ 1.000,00 subscrito e integralizado por RUBENS. Em 07/12/2005, o capital social foi retificado para R$ 1.100,00 e RUBENS manteve sua participação de R$ 1.000,00, cedendo, na mesma ocasião, suas quotas à Gratia Administração e Participações S.A (doravante GRATIA), representada pelo próprio RUBNES e por Pedro Isamu Mizutani (doravante PEDRO). A transformação da EPC em MANDIÇUNUNGA se deu após esta cessão. 8. Aguapar Participações e Investimentos Ltda (doravante AGUAPAR). Constituída em 31/01/2006, tendo como sócios COSAN 50 (99,999%) e RUBENS (0,001%). Em 02/02/2006, COSAN 50 e RUBENS cederam todas as suas quotas para a MANDIÇUNUNGA, ato que lhe serviu para o aumento do capital social. Nesta mesma data, o capital social da AGUAPAR também foi aumentado em R$ 133.359.504,00, mediante emissão de quotas de valor unitário R$ 1,00 que foram subscritas e integralizadas pela MANDIÇUNINGA (R$ 113.357.104,00) e CORONA (R$ 20.002.400,00). Em 16/02/2006, a CORONA cedeu a totalidade de suas quotas à MANDIÇUNUNGA. Em 21/02/2006, foi formalizada a “permuta” da AGUAPAR pela ND PAR, com a saída da sociedade da MANDIÇUNUNGA, para assunção do controle pela família Ugolini, controladora da ND PAR e da DIAMANTINA. Em 28/09/2007, ocorreu a cisão parcial da AGUAPAR, com parte de seu patrimônio transferido à DIAMANTINA. 9. FBA – Franco Brasileira S.A Açúcar e Álcool (doravante FBA). Constituída em novembro de 2000, resultante de uma joint venture da COSAN 50 com as sociedades Union SDA da Barra Ltda (doravante USDAB) e Sucden Investimentos S.A (doravante SUCDENI). Em 17/02/2000, USDA Participações S.A (doravante USDAP) e Sucden Participações S.A (doravante SUCDENP) aumentaram o capital da FBA, gerando um ágio de R$ 22.991.609,16. Em 28/02/2001, a FBA incorporou USDAB e SUCDENI, com isso seu capital social passou de R$ 52.393.573,00 para R$ 123.779.781,96. Em 10/04/2001, a FBA adquiriu 99,96% da Univalem S.A Açúcar e Ácool (doravante UNIVALEM) e 50% da Gasa – Guanabara Industrial S.A (doravante GASA), gerando um ágio de R$ 24.117.658,24. Em 28/08/2001, a FBA foi incorporada pela UNIVALEM. EM 24/05/2002, a FBA adquiriu da sócia Grandene os 50% restantes da GASA. Em 27/01/2003, a GASA incorporou sua controladora FBA e adotou esta como sua nova razão social. Em 19/11/2004, a FBA constituiu a Nova FBA Industria e Comércio Ltda (NFBA). Em 21/01/2005, a NFBA adquiriu 98,34% da Destivale – Destilaria Vale do Tietê (doravante DESTIVALE) e em 13/04/2005 adquiriu a parcela remanescente, ao custo total de R$ 78.057,00. Em 27/04/2005, a DESTIVALE incorpora sua controladora NFBA. Em 10/05/2005, ocorreu a redistribuição do capital com a NFBA, que era sócia majoritária da DESTIVALE, da Destilaria Agropecuária Ltda (doravante DESTILARIA) e do Auto Posto Destivale (doravante DESTIVALE AP). Em 31/05/2005, a COSAN recebe 52,5% do capital da FBA, passando a deter 99,9% e tendo o seu capital social alterado para R$ 376.722.025,59. Em 29/07/2005, a COSAN incorporou sua controladora Cosan S.A Refinadora de Açúcar (COSANR). Em Fl. 6895DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.896 6 09/05/2006, a FBA foi incorporada pela Usina da Barra 48 (doravante BARRA 48). 10. Danco Participações S.A (doravante DANCO). Constituída em 16/11/2000, com capital social de R$ 1.000,00, por RUBENS – com participação de R$ 10,00 – e Usina Santa Helena S.A Açúcar e Álcool (doravante SANTA HELENA) – com participação de R$ 990,00. Mantevese em situação de inatividade até fevereiro de 2007. · que a interessada utilizou, nesta ordem, as seguintes denominações: CORONA, BARRA 48, Usina da Barra 08 (doravante BARRA 08) e Raizen Energia S.A (atual); · que, até setembro de 2005, o quadro societário da Corona era composto por: DIAMANTINA, MONTE ALTO e NOVADEC, cada uma com 33,33% de participação; · que, em 30/09/2005: (i) SÓCRATES subscreveu ações da interessada (então, CORONA), no valor de R$ 96.680.456,16, integralizadas por meio de notas promissórias prosoluto que totalizaram R$ 104.990.225,80, dos quais R$ 76.678.056,16 serviram para aumentar o capital social e R$ 28.312.169,66 foram destinados à conta “reserva de ágio”; e (ii) DIAMANTINA subscreveu ações da interessada, no valor de R$ 20.002.400,00, integralmente vertido para o capital social. Dessa forma, o capital social da CORONA passou de R$ 37.895.000,00 para R$ 134.574.919,45 [embora R$ 37.895.000,00 + R$ 76.678.056,16 + R$ 20.002.400,00 seja igual a R$ 134.575.456,16]; · que, fruto das sobreditas subscrições, a participação acionária na CORONA passou a ser de 34,99% para a NOVADEC, 34,99% para a MONTE ALTO e 30,02% para a DIAMANTINA; · que, em 13 de outubro de 2005, MONTE ALTO e NOVADEC venderam suas participações na CORONA – bem como nas subsidiárias Açucareira Nova Tamoio S.A (doravante TAMOIO) e Bonfim Nova Tamoio BNT Agrícola Ltda (doravante BNT) – para a empresa Fluxo Comércio e Assessoria Internacional S.A (doravante FLUXO), que cedeu metade dessa participação para a AGUASSANTAC, que passou, então, a deter 34,99% do capital social da CORONA; · que, também em 13/10/2005, o capital social da NDPAR foi aumentado para R$ 160.037.401,00, fruto de integralização de capital feita pela DIAMANTINA mediante entrega de ações da CORONA – as mesmas ações que a DIAMANTINA havia subscrito em 30/09/2005. Ao final desta operação, o capital da CORONA estava dividido entre o grupo Cosan, a FLUXO – cada uma com 34,99% e a NDPAR, com 30,02%; · que, em 01/02/2006, a COSAN 50 adquiriu a parte da FLUXO na CORONA, aumentando sua posição para 69,98% e pagando nessa aquisição o equivalente a R$ 154 milhões. Na mesma data, BELGA e GRATIA cederam gratuitamente suas ações da MANDIÇUNUNGA para a COSAN 50; · que, em 08/02/2006, ELOÍSA, REGINA, ROBERTO, EDDA e SÉRGIO (sócios na DIAMANTINA) firmaram com a MANDIÇUNUNGA e a Fl. 6896DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.897 7 CORONA (quotistas da AGUAPAR, em formação) instrumento de permuta de quotas da NDPAR por quotas da AGUAPAR; · que, em 09/02/2006, a NDPAR foi transferida pela DIAMANTINA à ELOÍSA, à REGINA e ao ROBERTO; · que, em 16/02/2006, a CORONA cedeu à MANDIÇUNUNGA a totalidade das quotas que detinha da AGUAPAR; · que, em 28/02/2006, a COSAN 50 subscreveu e integralizou novas ações emitidas pela MANDIÇUNUNGA. Na mesma data, a denominação social da MANDIÇUNUNGA foi alterada para Dabarra Participações S.A (doravante DABARRA) e foi convertida em subsidiária integral da COSAN 50. Também na mesma data, a CORONA aumentou seu capital social em R$ 480.365.561,00, montante totalmente subscrito e integralizado pela DABARRA, com os mesmos ativos que havia aumentado seu próprio capital na mesma data, horas antes. Ainda em 28/12/2006, a COSAN 50 adquiriu 99% e a BARRA 48 adquiriu 1% da DANCO; · que, em 31/03/2006, a CORONA incorporou a BARRA 44, alterando sua denominação para BARRA 48 e o endereço de sua sede para o da antiga sede da BARRA 44; · que, em 31/03/2006, a BARRA 48 deliberou pela incorporação (além da BARRA 44), da FBA, da DESTIVALE, da DESTIAGRO, da NDPAR, da DABARRA e da TAMOIO. Na mesma data, a Munidal Açúcar e Álcool S.A (doravante MUNDIAL) aumentou seu capital social em R$ 60.876.070,00, totalmente subscrito e integralizado pela COSAN 50; · que, em 28/02/2007, a DANCO – empresa inativa até então e com capital social de R$ 1.000,00 – incorporou a BARRA 48 – empresa com capital de R$ 660.518.604,29 e ativa desde 1956, passando a adotar a denominação BARRA 08; · que, em 10/12/2009, a BARRA 08 alterou sua razão social para Cosan Açúcar e Álcool S.A (doravante COSAN 08); · que, em 01/06/2011, a COSAN 08 alterou sua razão social para Raízen Energia S.A; · que, destas operações relacionadas, três dizem respeito a ação fiscal destes autos: (i) ágio na aquisição da NDPAR pela MANDIÇUNUNGA; (ii) ágio na subscrição de capital da CORONA pela MANDIÇUNUNGA; e (iii) ágio na subscrição de capital da MUNDIAL; · que o valor total dos ágios apurados na subscrição de capital da CORONA e na aquisição da NDPAR foi de R$ 618.489.620,16. Entretanto, na CORONA, o ágio obtido pela incorporação da DABARRA e da NDPAR foi contabilizado por R$ 551.010.000,00, com taxa de amortização de 10% ao ano; · que, com a Lei nº 11.638/07 e a MP nº 449/08, foi alterada a forma de contabilização de ágios em aquisições de controladas e coligadas avaliadas pela equivalência patrimonial, de forma que a utilização da via de constituição de empresas veículo com o único objetivo de contornar a restrição legal à amortização do ágio, apenas para pagar menos tributos, Fl. 6897DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.898 8 como fez a interessada, tornam indedutíveis as despesas de amortização, por se tratar de ágio inexistente; · que, dessa forma, os valores glosados foram os seguintes: (i) referente a 2011, R$ 57.979.055,56; e (ii) em 2012, R$ 58.938.432,81. Em ambos os períodos, tratase ágio das sociedades DABARRA, NDPAR e MUNDIAL, conforme discriminado no item 7.1.1 do relatório fiscal; · que os valores acima mencionados foram obtidos: (i) nos demonstrativos de composição dos valores declarados na ficha 36A das DIPJ; (ii) nos demonstrativos apresentados pela interessada no curso da ação fiscal; e (iii) no Lalur do período auditado, com base nos valores lá excluídos; · que, ante a insuficiência de pagamento de estimativas de IRPJ e de CSLL, pela recomposição das bases de cálculos em razão das glosas, foi aplicada multa isolada; · que, com base nos artigos 129 e 132 do CTN, bem assim no atigo 207, III, do RIR/99 cabe a imputação de responsabilidade tributária à interessada, inclusive quanto às multas, em razão da sua qualidade de incorporadora; Da Impugnação: Inconformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, a qual aproveito a sua descrição no relatório do v. acórdão recorrido: Cientificada (i) do termo de constatação e verificação fiscal e dos autos de infração (e anexos) em 12/12/2016 (fls. 6.185) e (ii) do termo de ciência de lançamento e encerramento em 21/12/2016 (fls. 6.193 e 6.199), a interessada interpôs, em 09/01/2017 (fls. 6.200), a impugnação de fls. 6.201 e ss, alegando, em síntese: · que decaiu a possibilidade de o Fisco questionar a legalidade dos atos que deram origem aos ágios, uma vez que decorreram de operações societárias efetivadas entre 02/2006 e 03/2006 – aquisição da NDPAR e aumento de capital da CORONA – e entre 03/2006 e 10/2006 – aumento de capital na MUNDIAL. Ou seja, muito embora os ágios tenham sido amortizados nos anosbase 2011 e 2012, o fato contábilsocietário, que deu origem aos referidos ágios, ocorreu em 2006, e, assim, “os ‘fatos geradores’ do IRPJ e da CSLL correspondem, em síntese, à obtenção de resultados que provocam acréscimo patrimonial, a contagem do prazo decadencial em relação aos referidos tributos deve ter início a partir do momento em que os fatos jurídicos tributários formadores deste acréscimo patrimonial forem reconhecidos, ou seja, no presente caso, a partir do fato jurídico impugnado (origem dos ágios em 2006), e não a partir da sua amortização, em 2011”; · que os argumentos fiscais para a desconsideração do ágio da NDPAR não possuem qualquer fundamentação legal, ao passo que “as operações em foco atenderam a todos os requisitos legais para registro e amortização do ágio” e “todos os atos societários que acarretaram o aproveitamento do ágio pela Impugnante deramse de forma lícita e adequada para atingir os objetivos de todas as partes, bem como com o conhecimento dos órgãos competentes envolvidos”. “Da análise do ‘filme’ das operações efetivamente ocorridas, constatase que as operações societárias (‘várias fotografias’) que culminaram no aproveitamento fiscal do ágio pela Impugnante Fl. 6898DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.899 9 visavam, desde sempre, a aquisição da NDPAR, detentora da participação societária na Corona, pela Mandiçununga. Dessa forma, verificase desde já que a dedutibilidade fiscal do ágio é uma mera consequência do conjunto das operações analisadas, com o efetivo propósito negocial”. Tal aquisição foi conseguida pela realização da permuta NDPAR x AGUAPAR, realizada entre a Família Ugolini e a MANDIÇUNUNGA; num contexto que “envolve processo de reestruturação e crescimento do Grupo Cosan, com investimento em novos negócios e mercados, o que, inclusive, se verifica na própria operação de aquisição do controle acionário da Açucareira Corona”, já que “o evidente abismo financeiro em que se encontrava a Corona (...) ensejou a principal dissidência entre os sócios da Corona, após a entrada da Fluxo e da Cosan no negócio, (...) mesmo após os diversos esforços conduzidos pelos novos acionistas, aliados à atuação da acionista remanescente, NDPAR, para reerguer financeiramente a Corona, esta ainda permanecia em situação de grave endividamento, principalmente com fornecedores, o que, por óbvio, não era interessante para o desenvolvimento de suas atividades e, por consequência, realização do investimento pelos acionistas. Neste contexto, a solução encontrada foi a realização de novo aporte de capital na Corona, com o objetivo de evitar a falência do negócio. No entanto, a Fluxo e NDPAR não possuíam recursos suficientes para assim prosseguir, de forma que, caso o aumento fosse realizado inteiramente ou principalmente pelo Grupo Cosan, ocorreria a diluição de suas participações societárias e perda do controle na tomada de decisões, situação que não era de interesse daquelas sociedades, levandoas a optarem por se desfazer do negócio, alienandoo ao Grupo Cosan”; · que “é evidente, de plano, o equívoco cometido pela Autoridade Fiscal ao se manifestar acerca da suposta inexistência de laudo para justificar o preço (e o ágio) pagos na aquisição da NDPAR, pois além de a legislação de regência não trazer um rigor formal, exigindo a apresentação de um ‘laudo’ na forma como descrita no TVF, o laudo em questão foi, de fato, elaborado por empresa de auditoria independente (Deloitte), datado de 31/01/2006 (doc. 04, já citado), ou seja, antecipadamente à operação de permuta, a fim de se aferir corretamente o valor das ações da Corona, único ativo da NDPAR (...) o referido laudo de avaliação reflete uma análise econômica da Corona, tendo em vista que, conforme já mencionado e reconhecido no próprio TVF, a NDPAR possuía, como único ativo, a participação detida naquela sociedade. Ou seja, a análise da expectativa de rentabilidade futura da Corona reflete a expectativa quanto à NDPAR. Assim, resta evidente pela análise da conclusão do Laudo de Avaliação dos auditores independentes, elaborado nos termos da Lei, que o valor do ágio decorrente da aquisição, pela Mandiçununga, da NDPAR estava, sim, amparado no fundamento econômico da rentabilidade futura, o que desqualifica, portanto, a afirmação feita pela Autoridade Fiscal”; · que “o ágio ou deságio gerado em operações como as ocorridas no presente caso decorre da diferença entre o valor de aquisição (custo de aquisição) e o valor patrimonial das ações adquiridas (valor de patrimônio líquido), quando se adota o registro da participação societária pelo método da equivalência patrimonial, previsto no artigo 248, da Lei das S/A (Lei nº 6.404/76)12. No presente caso concreto, a aquisição deuse entre partes independentes, quais sejam, as pessoas físicas acionistas da NDPAR e a Mandiçununga (Dabarra), controladora da Aguapar, mediante permuta da participação societária detida pelas partes nas sociedades mencionadas”; · que, quanto ao ágio na DABARRA, os argumentos fiscais não possuem qualquer fundamentação legal. A crise financeira enfrentada pela CORONA, inclusive com elevado passivo fiscal, motivou o grupo Cosan a efetuar o aumento do seu capital, Fl. 6899DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.900 10 “integralizado diretamente pela Mandiçununga (Dabarra)”. Assim, “a operação em foco teve, sim, um claro propósito negocial, consubstanciado na intenção do Grupo Cosan em despender dos meios necessários para ver a continuação das atividades desenvolvidas pela Corona, em estrita relação com o plano de negócios traçado pelo Grupo no desenvolvimento e expansão de suas atividades, além do atingimento de novos mercados”. Ademais, “o registro do referido ágio tem como suporte o mesmo laudo de avaliação econômica da Corona elaborado pela Deloitte para fins da operação de aquisição da NDPAR por permuta (...) considerandose que as duas operações (i.e. a aquisição da NDPAR por meio de permuta e o aumento de capital na Corona) são contemporâneas, efetivadas ao final do mês de fevereiro de 2006, o laudo de avaliação da Corona datado de 31/01/2006 é plenamente suficiente para suportar os dois ágios”. Acrescentou a defesa que “ao fundamentar a glosa da despesa com o ágio em foco, a Autoridade Fiscal questiona, ainda, a validade do ágio gerado no aporte de capital feito pela Cosan 50 na Usina da Barra 44, transferido à Corona na integralização do aumento de capital na Corona (...) Contudo, o entendimento fiscal neste tocante também não merece prosperar, tendo em vista, primeiramente, que o referido ágio da Usina da Barra 44 sequer ensejou qualquer despesa com amortização nos anosbase do presente lançamento”. Mas que “na remota hipótese da desconsideração do ágio da Usina da Barra 44 na capitalização da Corona, (i) o efeito no presente caso seria apenas a glosa parcial do ‘Ágio Dabarra’ (exclusão do montante de R$ 22.894.988,00 da composição de tal ágio), mas jamais a desconsideração integral desse ativo, ou, ao menos, (ii) o presente processo deverá ser sobrestado até o encerramento definitivo do processo administrativo nº 16561.720093/201138 que trata sobre esse ágio, como reconhecido pela própria Autoridade Fiscal”; · que “a figura do ágio decorrente de operação dentro do mesmo grupo econômico, conhecida como ágio intragrupo ou, ainda, ágio interno, não pode ser desconsiderada pela Autoridade Fiscal. Isso porque, a própria ciência contábil não veda o ágio decorrente de operação realizada em um mesmo grupo econômico. O que não se aceita é, na verdade, o ágio gerado dentro de uma mesma entidade considerada de forma individual”; · que “o aumento de capital na Usina da Barra 44 se deu por meio de cessão de créditos no valor de R$ 70.000.000,00, em conta corrente que a Cosan 50 detinha com a Usina da Barra 44. Vejase, aqui, que não se trata de ausência de pagamento, como busca caracterizar a Autoridade Fiscal. De fato, o que se tem é a cessão de um crédito, de forma que a Cosan 50 passa a possuir um débito futuro com a Usina da Barra 44, em troca de participação societária em seu capital (por conseguinte, uma aquisição)”; · que “com relação ao questionamento fiscal quanto ao laudo de avaliação para aferição do valor justo de mercado das ações da Usina da Barra 44, deve se ter em conta que, tratandose de avaliação de empresa em operação ou de ações de empresa em operação, o artigo 170, § 1º, da Lei das S/A estabelece que o preço de emissão das ações em processos de aumentos de capital deverá ser fixado, tendo em vista, alternativa ou conjuntamente: (...) I – a perspectiva de rentabilidade da companhia; II – o valor do patrimônio líquido da ação; III – a cotação de suas ações em Bolsa de Valores ou no mercado de balcão organizado, admitido ágio ou deságio em função das condições de mercado. (...) Portanto, diferentemente do alegado pela Autoridade Fiscal, o fato das informações e dados que basearam o laudo de avaliação terem sido fornecidas pela Cosan 50 em nada desqualificam o efetivo aumento de capital que se processou na Usina da Barra 44”; Fl. 6900DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.901 11 · que “os argumentos fiscais para justificar a suposta invalidade do ágio decorrente do aumento de capital na Mundial encontram grande semelhança com as questões suscitadas pela Autoridade Fiscal na análise do ágio no aumento de capital na Corona, já analisados e devidamente rebatidos” e que “seguindo em linha com o processo de ampliação de suas atividades e atingimento de novos mercados, o Grupo Cosan efetuou a aquisição da Mundial, ao passo que, após esta negociação, passou a uma capacidade conjunta de produção de 32,8 milhões de toneladas de canadeaçúcar. (...) a partir da aquisição em foco e competente adequação dos critérios contábeis adotados pela Mundial aos padrões estabelecidos pelo Grupo Cosan, verificouse a existência de vultoso passivo a descoberto que, necessariamente, deveria ser suprido”; · que, quanto ao entendimento da fiscalização de terem sido utilizadas “empresas veículo” no caso em tela, “a interpretação da Autoridade Fiscal não merece guarida. Isso porque, conforme demonstrado por todo o até aqui exposto, as decisões de constituição e manutenção da Mandiçununga, bem como das demais sociedades que participaram das operações em análise, obviamente não foram respaldadas só em razão do seu efeito no campo tributário, mas também em diversos fatores de natureza estritamente negocial. Inicialmente, frisese que o E. CARF vem entendendo que o instituto do ‘propósito negocial’ não possui previsão no ordenamento jurídico pátrio, tendo surgido com base exclusivamente em corrente doutrinária, que foi refletida em parte da jurisprudência. Logo, deve ser afastada a aplicação do supracitado instituto em razão do princípio da legalidade, o qual deve ser respeitado pelo Fisco”. Ainda que devesse ser observado o interesse econômico na geração dos ágios amortizados, “a operação em foco teve, sim, um claro propósito negocial, consubstanciado na intenção do Grupo Cosan em dispender dos meios necessários para ver a continuação das atividades desenvolvidas pela Corona, em estrita relação com o planejamento traçado pelo Grupo no desenvolvimento e expansão de suas atividades”; · que, “ainda que as empresas Mandiçununga, NDPAR e Aguapar fossem meras ‘sociedades veículo’ utilizada para permitir o aproveitamento de ágio, o que se alega apenas a título argumentativo, devese destacar que não há vedação legal para a sua utilização nas reestruturas societárias (...) não sendo a utilização da empresa veículo proibida por lei, sua utilização não pode ser tolhida pelo Fisco. Em linhas gerais, empresas holding, sem estrutura operacional, utilizadas dentro de estruturas societárias que envolvam o registro de ágio e que, normalmente, são extintas no decorrer de tal processo, em razão de incorporação, são comumente conhecidas como ‘sociedades veículo’ (...) devese observar que, em diversas operações, a constituição de uma ‘sociedade veículo’ é indispensável para que se obtenha o propósito negocial pretendido”; · que “muito embora a Impugnante tenha realizado as operações em questão por razões extra tributárias, vale salientar que não pode o Fisco pretender adentrar à liberdade individual dos contribuintes, por não possuir poder de ingerência sobre os negócios particulares realizados na administração da sociedade empresária, como pretendeu a Autoridade Fiscal nos presentes autos. Deveras, a liberdade de auto organização sempre foi tida como resultado das garantias asseguradas por diversos princípios constitucionais. O mais importante deles, o princípio da legalidade, é basilar em nosso ordenamento jurídico, estando previsto de forma genérica no artigo 5º, inciso II, da Constituição Federal, e, dada sua cabal importância, adotado específica e expressamente para fins tributários no artigo 150, inciso I, do mesmo diploma (...) Efetivamente, não havendo norma que proíba a pessoa jurídica de realizar a operação de determinada maneira, não se pode pretender impedir o contribuinte de realizála, partindose de premissas baseadas exclusivamente em Fl. 6901DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.902 12 fins arrecadatórios, sob pena de se afrontar a liberdade contratual; a liberdade de exercício da atividade econômica e a autonomia da vontade das partes contratantes, que são verdadeiros princípios constitucionais”; · que “o legislador ao determinar a base de cálculo da CSLL de forma exaustiva (numerus clausus), fixou, taxativa e individualmente, cada um dos ajustes aplicáveis (artigo 2º e parágrafos, da Lei nº 7.689/88), não arrolando, como hipótese de adição ao lucro líquido o valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. Assim, tendo em vista que o ordenamento foi silente quanto à adição ao lucro líquido, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, da parcela do ágio, não cabe à Autoridade Fiscal exigir o que a lei não exige”; · que “caso venhase a decidir pela manutenção do lançamento que deu origem a este processo, o que se alega ad argumentandum, e tal decisão ocorra pelo voto de qualidade, isto é, por meio de julgamento em que haverá empate de votos, é razoável considerar que há, no mínimo, dúvida quanto à ocorrência da infração, não podendo subsistir as multas aplicadas na lavratura dos autos de infração ora combatidos”; · que “para o E. CARF sequer é admitida, após o encerramento do anocalendário, a exigência do IRPJ e da CSLL sobre estimativas não recolhidas, com muito mais razão não poderá haver a exigência da multa sobre os tributos não recolhidos por estimativa, uma vez que o lançamento da multa de ofício cumpre esse papel, assim como ocorre nos lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL, na hipótese de saldo devedor no ajuste do exercício. Desta feita, não poderia a Autoridade Fiscal, no presente caso, apurar o IRPJ e a CSLL devidos por estimativa para aplicação dessa penalidade (...) Outrossim, devese ter em conta que, ainda que fosse possível lançar, após o encerramento do anobase, multa isolada em razão do não recolhimento dessas estimativas, o que se alega a título de argumentação, não poderia haver, sobre a mesma base de cálculo, a cumulação da multa isolada com qualquer outra penalidade. (...) Insta ressaltar que o E. CARF aprovou o enunciado da Súmula nº 105, onde restou firmado o entendimento de que ‘A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício’ o qual vem, inclusive, sendo aplicado pela C. CSRF”; · que “ainda que se entenda pela manutenção das autuações em análise, o que se alega a título argumentativo, é certo que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal”. Da decisão da DRJ: A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 Fl. 6902DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.903 13 ATOS NORMATIVOS. ENTENDIMENTO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. VINCULAÇÃO DRJ. As Delegacias de Julgamento estão vinculadas à lei (art. 142, parágrafo único, do CTN), às normas legais e regulamentares (art. 116, III, da Lei 8.112/1990), às Súmulas do CARF aprovadas pelo Ministro de Estado da Fazenda e com efeito vinculante em relação à administração tributária federal (Portaria MF nº 383/2010) e ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil expresso em atos normativos (art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011). LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo a tributo cuja exigência se amolda à sistemática de lançamento denominada de homologação decai em cinco anos, contados: (a) da data da ocorrência do fato gerador, se houve pagamento espontâneo, ou (b) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na ausência de pagamento prévio. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE "EMPRESA VEÍCULO". Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato contínuo, o evento da incorporação ocorreu em lapso temporal próximo. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade de atos normativos regularmente insertos no ordenamento jurídico. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. OPONIBILIDADE AO FISCO. ABUSO DO DIREITO. PROPÓSITO NEGOCIAL. Para que um planejamento tributário seja oponível ao fisco, não basta que o contribuinte, no exercício do direito de autoorganização, pratique atos ou negócios jurídicos antes dos fatos geradores. Além disso, é necessário que haja um propósito negocial, de modo que o exercício do direito seja regular. CSLL. NORMAS DE APURAÇÃO. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO.CABIMENTO. Fl. 6903DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.904 14 Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do IRPJ, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. A referida multa é aplicável quando a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto normativo que lhe comina. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. NÃO CONCORRÊNCIA. Por decorrerem de distinta motivação, não concorrem, entre si, as multas de ofício incidentes sobre tributos devidos em razão de irregularidades apuradas as denominadas multas isoladas que derivam do não recolhimento de estimativas de tributos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, parágrafo 3º, da Lei nº 9.430/1996. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que foi acompanhado pela unanimidade do colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: afastou a decadência pleiteada pois o momento da infração é quando o tributo deixou de ser pago, e a mesma não é atingida pelos arts. 150,§4º e 173,inc. I do CTN; A análise da licitude desses ganhos já fora desenvolvida, com proficiência, nos autos do processo nº 16561.720093/201138. Lá, tratouse dos ágios na aquisição da NDPAR pela MANDIÇUNUNGA e na subscrição de capital da DABARRA, também pela MANDIÇUNUNGA. No entanto, a subscrição de capital da MUNDIAL pela COSAN 50, matéria objeto do p.p. não autuada naquele, guarda total relação com os fatos já julgados no citado PAF. Como bem disse a interessada, o “ágio decorrente do aumento de capital na Mundial encontram grande semelhança com as questões suscitadas pela Autoridade Fiscal na análise do ágio no aumento de capital na Corona, já analisados e devidamente rebatidos”. para tanto, traz excertos do voto anterior, proferido no processo retromencionado, em que se analisa a legislação aplicável aos casos de ágio; nestes excertos, a conclusão foi o seguinte: Portanto, no presente caso, a amortização do ágio decorrente de operações societárias, não pode ser reconhecido pelos seguintes motivos: 1. A autuada não apresentou justificativas plausíveis, os quais justificassem a operação de constituição da empresa Mandiçununga, destacando os benefícios esperados e os resultados alcançados bem como sobre os motivos pelos quais a Fl. 6904DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.905 15 permuta pela NDPar e o aumento de capital efetuado na Corona não foram realizados diretamente pela Cosan 50; 2. As operações societárias envolvendo a empresa Corona foram realizadas através de empresas efêmeras e sem existência real (Mandiçununga e NDPar e Aguapar), que foram utilizadas apenas para possibilitar a obtenção do benefício da amortização do ágio, com vistas a melhorar as condições financeiras da aquisição feita; 3. As empresas foram constituídas tendo com único objetivo a transferência de ativos (empresas veículos) nas aquisições de outras empresas; 4. O tempo decorrido entre as operações, muito curta, denota o propósito apenas de viabilizar a constituição do ágio e seu posterior aproveitamento pela incorporadora (o trânsito pela Dabarra do aumento de capital com ativos que saíram da Cosan 50 no dia 28/02/2006, às 9 horas, e às 18 horas do mesmo dia foram entregues para a Corona); 5. A pessoa jurídica foi, de fato, constituída para fins específicos, ou seja, utilizada apenas para abrigar determinadas operações e evitar a incidência de tributos; 6. A utilização de "empresa veículo ou de passagem", que vem a ser uma pessoa jurídica criada apenas para servir de canal de passagem de um patrimônio ou de dinheiro, sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. Tratase de uma operação que serve apenas para transmitir um patrimônio ou um determinado recurso; 7. A criação "sociedade efêmera" ou empresa de curta duração que nasce para morrer ou para ser extinta tão logo cumpra seu papel em determinada operação. Foi o que ocorreu no planejamento em que uma sociedade é criada para participar de determinado negócio ou receber determinado patrimônio em trânsito para outra pessoa jurídica, eventualmente ligada à figura do ágio; feito isto a empresa pode desaparecer. Foi o que ocorreu com as empresas NDPar e Dabarra (antiga Mandiçununga), as quais desapareceram; 8. A reorganização societária com a finalidade única de pagar menos tributos configura abuso de direito, situação inaceitável no âmbito tributário; 9. O ativo intangível correspondente ao ágio por expectativa de rentabilidade futura só pode ser reconhecido se adquirido de terceiros e nunca pode ser reconhecido aquele gerado pela própria empresa ou dentro do conjunto de empresas sob controle comum. Por não ser esse tipo de ágio passível de reconhecimento contábil, não se pode admitir que a sua amortização seja dedutível tributariamente, pois, do contrário, estarseia a admitir a dedutibilidade de uma despesa inexistente. ao final, conclui que de todo o exposto, fica patente a ausência de fundamento econômico nas operações societárias levadas a efeito pela interessada. A defesa pugna pela observação do conjunto dessas operações, e não por cada uma de per si. E é exatamente a observação teleológica do caso que aponta, com clareza hialina, para a realização de um planejamento tributário abusivo. Isoladamente e do ponto de vista formal, as operações ostentam legalidade, transparência e publicidade, que, no entanto, não lhes garantiu a necessária legitimidade, posto que ausente o propósito negocial: a única finalidade foi a economia de tributos; Fl. 6905DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.906 16 no caso concreto, houve abuso de direito, nos termos do art. 187 do Código Civil; manteve a multa isolada aplicada, por respeito à literalidade da lei aplicada; aplicase à multa de ofício o mesmo tratamento do crédito tributário, no que tange a cobrança de juros. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos, repisando praticamente os mesmos elementos suscitados na sua peça impugnatória, e rebatendo alguns pontos suscitados no v. acórdão recorrido. Em síntese: preliminar da nulidade da decisão recorrida em razão da falta de fundamentação alegação que houve substancial transcrição da acórdão de primeiro grau proferido nos autos do processo administrativo 16561.720093/201138, não apreciando os argumentos expostos na sua impugnação. Entende que houve omissão de diversos pontos essenciais da defesa, o que afastaria o exercício do contraditório e da ampla defesa; do direito decadência / preclusão do direito de o fisco questionar a legitimidade do crédito compensado, considerando o momento em que ocorreram as reorganizações societárias e o momento da autuação fiscal; da subsistência das operações que culminaram na apuração dos ágios possibilidade de seu aproveitamento fiscal: a) ágio NDPAR infundadas questões suscitadas pela fiscalização e turma julgadora a respeito do cumprimento da norma tributária concernente ao ágio NDPAR: houve a efetiva operação realizada todos os atos societários se deram de forma lícita e adequada; houve motivos que levaram à operação e justificam o ágio: processo de reestruturação e crescimento do Grupo Cosan (razão da dificuldade na administração conjunta do negócio, optouse por adquirir o controle integral daquela sociedade (CORONA) com a retirada dos demais sócios); houve validade do laudo de avaliação econômica a justificar o registro do ágio pela aquisição da NDPAR; b) ágio DA BARRA infundadas questões suscitadas pela fiscalização e turma julgadora a respeito do cumprimento da norma tributária concernente ao ágio; Fl. 6906DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.907 17 houve a efetiva operação realização todos os atos societários se deram de forma lícita e adequada; houve motivos que levaram à operação e justificam o ágio: grave crise financeira na CORONA, que fez o aumento de capital ser necessário; ao final, sobre a discussão deste ágio, conclui que: houve licitude das operações, a aquisição se deu entre partes independentes, a permuta é considera uma forma de alienação e o custo de aquisição é o valor pelo qual o investimento cedido se encontrava registrado; c) ágio Mundial infundadas questões suscitadas pela fiscalização e acórdão recorrido a respeito do cumprimento da norma tributária concernente ao ágio Mundial; houve a efetiva operação realização; houve motivos que levaram à operação e justificam o ágio: busca da ampliação de suas atividades e atingimento de novos mercados; Argumentos aplicáveis a todos os ágios: inexistência de sociedade veículo; e de qualquer forma, há jurisprudência do CARF que lhe dá validade; teoria do propósito negocial aplicabilidade às operações praticadas; coerência com o planejamento estratégico do empreendimento econômico; opção legal e impossibilidade de ingerência do fisco na atividade do contribuinte; validade do ágio interno para o direito; inexistência de previsão legal para adição, à base de cálculo da CSLL, das despesas com a amortização dos ágios considerados indedutíveis pela autoridade fiscal; impossibilidade de exigência da multa a aplicação do art. 112 do CTN; impossibilidade da cobrança da multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa; ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício; Ao final, transcrevo seu pedido: IV DO PEDIDO Pelo exposto, a Recorrente requer a este E. Conselho o recebimento, o conhecimento e o provimento do presente recurso voluntário, com a consequente reforma da decisão ora recorrida, seja com base na preliminar suscitada, seja pela insubsistência Fl. 6907DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.908 18 da exigência fiscal no mérito, com o consequente cancelamento integral do crédito tributário objeto de lançamento. Ainda, caso não seja determinado o cancelamento integral do crédito tributário, o que se alega a título argumentativo, requer se, ao menos, (i) a exoneração da multa isolada em razão da alegada falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL; e (ii) a exclusão dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, haja vista a ausência de previsão legal nesse sentido. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Das operações em litígio Antes da análise pertinente aos ágios em discussão no presente processo, cabe ressaltar que no momento das reorganizações societárias (por volta de 2006) a pessoa jurídica que registrou os ágios tinha a razão social de Açucareira Corona S/A (CORONA), e foi absorvida pela recorrente, conforme o histórico abaixo: em 05/05/2006 foi constituída a DANCO Participações, ficando inativa até fev/2007; em 30/04/2006, Açucareira Corona S/A (CORONA) teve sua denominação social mudada para Usina da Barra S/A Açúcar e Álcool (USINA DA BARRA 48); em 28/02/2007, DANCO incorpora a USINA DA BARRA 48 (CNPJ 48.661.888/000130), antiga CORONA, e altera sua razão social para USINA DA BARRA 08 (CNPJ 08.070.508/000178 CNPJ já da presente recorrente); em 10/12/2009 USINA DA BARRA 08 altera sua razão social para Cosan Açúcar e Álcool S/A COSAN 08; Fl. 6908DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.909 19 em 01/06/2011, COSAN 08 altera sua razão social para RAIZEN Energia S/A. Considerando o anteriormente relatado no presente acórdão, cingese a controvérsia, quanto à existência de fundamento econômico para o ágio apurado em três operações societárias: (i) aquisição da NDPAR pela MANDIÇUNUNGA; (ii) subscrição de capital da CORONA, pela MANDIÇUNUNGA/DA BARRA; e (iii) subscrição de capital da MUNDIAL pela COSAN 50. As operações acima se fazem, basicamente, dentro do grupo econômico COSAN, com vários participantes, conforme detalhado no termo de verificação fiscal, os quais procuro sintetizar abaixo. Os reflexos fiscais das operações societárias discutidas no presente processo envolvem a dedução de ágio referente aos anoscalendário de 2011 e 2012. Em relação às operações (i) e (ii) cabe ressaltar que já foram objetos de autuação fiscal referente aos seus efeitos fiscais nos anoscalendário de 2006 a 2009 processo administrativo fiscal nº 16561.720093/201138. Este processo já transitou integralmente neste CARF, tendo ocorrido decisão da CSRF nº 9101003364 (sessão de 18/01/2018) que manteve as autuações ali constantes, restabelecendo a multa qualificada da operação (ii). Conforme se verifica, há várias pessoas jurídicas envolvidas nas reorganizações societárias que, no entender da recorrente, geraram agora entendidos como indevidos pela autoridade fiscal autuante. No geral, vamos encontrar as listas abaixo, mas há todo um detalhamento, inclusive da sua origem e existência, no TVF, no capítulo 3 Das empresas envolvidas. Cabe destacar que muitas das empresas tiveram sua existência bem efêmera, sendo incorporadas logo após as várias reorganizações societárias ocorridas no Grupo COSAN. Resumidamente, são as seguintes empresas envolvidas nos ágios em litígio: 1) Usina da Barra S/A Açúcar e Álcool CNPJ 44.814.325/000183 (USINA DA BARRA 44); 2) Açucareira Corona S/A CNPJ 48.661.888/000130 (CORONA) dadas as várias incorporações e mudanças de denominação social, acabou virando a atual recorrente RAIZEN, CNPJ 08.070.508/000178, conforme explicarei logo abaixo. Em 31/03/2006 incorporou a USINA DA BARRA 44, e mudou sua denominação social para Usina da Barra S.A. Açúcar e Álcool, mesmo CNPJ da antiga CORONA (USINA DA BARRA 48); 3) Grupo Cosan (Grupo COSAN) basicamente as empresas que estavam sob o controle da Cosan Comercial Exportadora e Importadora Ltda., CNPJ 04.012.487/000183 (antiga denominação social da Aguassanta Comercial), que fora constituída e tinha como única sócia na época das reorganizações societárias a Aguassanta Participações S/A (CNPJ 07.012.487/000183). A Aguassanta Participações era, na época, o principal acionista do Grupo COSAN, bem como a principal acionista da Cosan Indústria e Comércio S.A. (COSAN 50), com 40,8% de participação no capital; Fl. 6909DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.910 20 4) NDPar Participações Ltda., CNPJ 07.673.863/000179 (ND PAR); 5) Agrícola Mandiçununga S/A, CNPJ 07.362.842/000132 (MANDIÇUNUNGA); 6) Aguapar Participações e Investimentos Ltda., CNPJ 07.841.332/000148 (AGUAPAR), cujo sócio com 99,99% da participação era a COSAN 50; 7) FBA Franco Brasileira S/A Açúcar e Álcool (FBA); 8) Danco Participações S/A. Dos ágios em questão, ocorreram, em linhas gerais, as seguintes operações: (i) aquisição da NDPAR pela MANDIÇUNUNGA; (ii) subscrição de capital da CORONA, pela MANDIÇUNUNGA/DA BARRA; e (iii) subscrição de capital da MUNDIAL pela COSAN 50: Analisarei as operações inerentes a cada ágio quando os tratar no presente voto. Assim, dado o todo exposto das operações em litígio no presente processo, passo a analisar a peça recursal do contribuinte, doravante chamado de recorrente. Das alegações suscitadas na peça recursal Preliminar quanto a nulidade do acórdão recorrido por ausência de fundamentação Alega a recorrente que houve a nulidade do acórdão recorrido em razão de ausência de fundamentação. No seu entender, o voto proferido na turma julgadora a quo fez uma substancial transcrição da acórdão de primeiro grau proferido nos autos do processo administrativo 16561.720093/201138, quando parte das matérias aqui em discussão também foram decididas. Ao proceder assim, não teria apreciado os argumentos expostos na sua peça impugnatória, que no seu entender, acarretaria omissão de diversos pontos essenciais da defesa, o que afastaria o exercício do contraditório e da ampla defesa. Fl. 6910DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.911 21 A recorrente alega que a decisão recorrida não se posicionou sobre os pontos III.1.2, III.2.2 e III.3.3 da sua peça impugnatória1, que em síntese tratam das seguintes matérias: III.1.2 Efetiva Operação Realizada Ágio NDPAR III.2.2 Efetiva Operação Realizada Ágio Dabarra III.3.3 Dos Motivos que Levaram ao Aumento de Capital e Suportam o Ágio Mundial. Em tais tópicos, expostos pela recorrente na sua peça impugnatória, procura demonstrar um propósito negocial a cada um dos conjuntos de operações societárias em discussão, ao relatar como se deram as mesmas, afirmando que o ágio seria, então, uma mera consequência. Contudo, analisandose o v. acórdão recorrido, entendo que há a devida fundamentação para as conclusões do voto proferido. Aqui aparenta mais ser uma discordância do decidido na decisão a quo, que entendeu não estar de acordo com o impugnado então, pela atual recorrente. Em relação a tratar as três operações societárias em conjunto, a decisão recorrida apenas seguiu, citando o que a própria recorrente, então impugnante, se manifestara na sua peça impugnatória: ágio decorrente do aumento de capital na Mundial encontram grande semelhança com as questões suscitadas pela Autoridade Fiscal na análise do ágio no aumento de capital na Corona, já analisados e devidamente rebatidos. Após fazer esta referência, a decisão recorrida assim continua: Assim, para o enfrentamento das três infrações a um só tempo, é oportuno conhecer a lúcida decisão proferida naqueles autos, no trecho vazado conforme o seguinte:. Ou seja, dada a própria conformidade comum dada pela então impugnante aos três ágios em discussão, o relator do voto condutor da decisão a quo também aí se manifesta na mesma linha, e parte para a sua decisão. No posicionamento do seu voto, o relator da decisão a quo realmente se vale de um significativo excerto do acórdão DRJ nº 1641.702, referente ao processo 16561.720093/201138. Contudo, a partir da fl. 56 da decisão, até a fl. 59, o acórdão faz uma análise pessoal dos argumentos gerais da impugnação, agregando ao que replicou da decisão anteriormente mencionada. Ali, o relator, na decisão a quo, já começa com o seguinte parágrafo: De todo o exposto, fica patente a ausência de fundamento econômico nas operações societárias levadas a efeito pela interessada. A defesa pugna pela observação do conjunto dessas operações, e não por cada uma de per si. E é exatamente a observação teleológica do caso que aponta, com clareza hialina, 1 Contudo, fica claro, também, que o acórdão recorrido não se posicionou sobre os diversos motivos que ensejaram às operações que culminaram com o aproveitamento dos ágios e, como demonstrado, justificaram seu reconhecimento (itens III. 1.2; III.2.2; III.3.3 da Impugnação). (parágrafo extraído da peça recursal) Fl. 6911DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.912 22 para a realização de um planejamento tributário abusivo. Isoladamente e do ponto de vista formal, as operações ostentam legalidade, transparência e publicidade, que, no entanto, não lhes garantiu a necessária legitimidade, posto que ausente o propósito negocial: a única finalidade foi a economia de tributos. Posteriormente, faz ponderações sobre as alegações da liberdade de auto organização do contribuinte, planejamento tributário, abuso de direito e propósito negocial. Na transcrição do acórdão da DRJ do processo nº 16561.720093/201138, são enfrentados os seguintes pontos da matéria em discussão: da criação de empresa veículo (a MANDIÇUNUNGA) e sua falta de propósito negocial; da permuta pela NDPAR e o aumento de capital efetuado na CORONA, que não foram realizados diretamente pela COSAN; na falta de apresentação de justificativas para tais operações, parte a uma análise da legislação aplicável, concluindo o seguinte: O que se observa do trabalho fiscal é que a contribuinte efetuou inúmeras operações societárias de incorporação, permuta, capitalização de empresas com o intuito de adquirir o controle sobre as empresas envolvidas e, assim, aproveitarse dos ágios originados destas operações; há extensa análise do papel do GRUPO COSAN na operação, e os ágios pertenceriam à COSAN50, não tendo o enquadramento legal do art. 386 do RIR/99; passa a fazer nova e extensa análise das operações envolvidas para a pretendida geração do ágio que fora glosada pela fiscalização; no que tange às justificativas da então impugnante, no outro processo, assim caracteriza: a autuada não apresentou justificativas plausíveis (grifo meu); apresenta 9 pontos para entender como inválido o ágio pretendido pela então impugnante; sobre a questão do laudo, pontuo que dada a desconsideração do negócio jurídico de incorporação por falta de propósito negocial, esta questão deixa de ter relevância para o presente caso; faz ponderações de outras questões alegadas pela então impugnante no processo nº 16561.720093/201138. Em suas próprias palavras, o relator condutor do voto da decisão recorrida faz uma conclusão da questão envolvida, principalmente no que tange ao conflito da liberdade de autoorganização versus os efeitos fiscais advindos, bem como tece algumas ideias sobre o abuso de direito inerentes ao caso. A discussão de eventual nulidade aqui se centra se os fundamentos de decidir do acórdão a quo do presente processo atingem negativamente o direito de defesa da recorrente no que tange ao art. 59, inciso II do Decreto 70.235/19722. 2 Art. 59. São nulos: Fl. 6912DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.913 23 Na sua impugnação do processo nº 16561.720093/201138, o contribuinte, aqui neste processo recorrente neste momento, procura demonstrar porque fizera as operações societárias daquela forma, analisando todas as suas etapas e tentando justificálas, da mesma forma que o fez agora no presente processo, na sua peça impugnatória. Caberia a questão se o decidido no processo nº 16561.720093/201138, no primeiro grau administrativo, do qual o relator do voto condutor da decisão agora recorrida, seria o bastante para fundamentar a decisão do presente processo, considerando as alegações da recorrente? Antes de qualquer coisa, cabe lembrar que a decisão não precisa enfrentar todas as questões trazidas na sua peça de defesa (no caso, a discussão é na peça impugnatória), quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Sobre esse tema, decisões do Superior Tribunal de Justiça, STJ, nos REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006; e REsp 876271/SP, julgado em 13/02/2007, cujas ementas são enfáticas: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ARTIGO 535 DO CPC. (...). 1. Não há violação do artigo 535 do CPC quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados.”(REsp 874793/CE, relator Ministro Castro Meira). “TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC NÃOOCORRÊNCIA (...) 1. A questão não foi decidida conforme objetivava a embargante, uma vez que foi aplicado entendimento diverso. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu.” (REsp 876271/SP, relator Ministro Humberto Martins). (Grifei). No voto condutor de outro julgado, “AgRg no Ag 353263/MG – agravo Regimental no Agravo de Instrumento 2000/01348655”, de 21/02/2006, asseverou o insigne Ministro Peçanha Martins: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 6913DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.914 24 “A jurisprudência dominante neste Tribunal Superior proclama a não ocorrência de violação ao art. 535, incisos I e II, do Código de Processo Civil, se o acórdão recorrido, ainda que sucinto, tiver bem delineado as questões a ele submetidas, não se encontrando o magistrado obrigado a responder a todas as alegações das partes, quando já tiver encontrado motivos suficientes para fundar a decisão, nem se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Não há que se falar em ofensa ao dispositivo legal se a questão controvertida foi resolvida pelo acórdão de forma fundamentada. (RESP 174.390/SP e EDCL no RESP 202.056/SP).” Sintetizando, a recorrente não pode esperar, tampouco exigir, que sejam abordados nos votos condutores dos acórdãos, cada uma das alegações articuladas nas defesas, e sim que as questões e matérias em litígio sejam devidamente apreciadas, cumprindose a determinação do art. 31 do Decreto 70.235 de 19723, com redação dada pela Lei 8.748 de 1993. Transcrever trechos de decisão proferida em outro processo, que se entenda pertinente ao caso, não eiva uma decisão em nula, pois há apenas uma aplicação um raciocínio já feito e aproveitado, pois em muitas situações fica praticamente impossível construir raciocínios distintos dos já emanados anteriormente, já que os fatos trabalhados são os mesmos. Ademais, a própria linha de defesa da recorrente, então impugnante, foi em vários momentos similar para cada um dos ágios. Assim, não vejo nenhum prejuízo em tratar os ágios em comum, desde que não ocorra prejuízo à defesa da recorrente, o que não vislumbrei no corrente caso. Se os fundamentos constantes no voto são suficientes para afastar a pretensão da então impugnante, não há que se falar em nulidade da decisão a quo, por isso REJEITO esta preliminar suscitada. Preliminar do direito: decadência/preclusão do direito do fisco questionar a legitimidade do crédito compensado Alega a recorrente que o ágio foi surgido como elemento contábil e societário em 10/2006, e no seu entender, já passou a produzir efeitos tributários. Então, este seria o momento do fato gerador. Como a ciência da autuação fiscal se deu em dezembro de 2016, estaria já decaído o direito da autoridade fiscal autuante constituir os créditos tributários em questão no presente processo. Não acompanho a alegação da recorrente, pois o que está sendo analisado no auto de infração, no que tange ao ágio, são os valores amortizados ao longo dos anos de 2011 e 2012. Não se está constituindo nenhum auto de infração referente ao anocalendário de 2006. 3 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Fl. 6914DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.915 25 Ademais, recentemente, tal matéria restou sumulada por este CARF, Súmula CARF nº 116, nos seguintes termos: Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. No caso concreto, a autoridade fiscal está verificando situações e fatos contabilizados que repercutiram no futuro, no caso em 2011 e 2012, haja vista que a recorrente se valeu da amortização de parcelas do ágio para diminuir o valor do lucro real apurado fato gerador autuado. Os registros dos ágios na contabilidade, ocorridos em 2006, apesar de há mais de 5 anos, devem ser sim analisados para verificar sua procedência, pois no caso atual, seus efeitos tiveram efeitos em 2011 e 2012, e como a recorrente adotou nestes anos o forma de tributação pelo lucro real anual, ao tomar ciência dos autos de infração em 12/12/2016, não há que se falar em decadência. Por todo o exposto, REJEITO a preliminar de decadência alegada pela recorrente. Preliminar petição pela aplicação do art. 24 da LINDB O presente processo estava pautado para julgamento em 24/07/2018, em que a recorrente, nas vésperas de então, anexou aos autos petição para aplicação do art. 24 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro LINDB ((fls. 6852/6854)), à qual, com decisão unânime deste colegiado, foi conhecido e encaminhado para manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, através da Resolução nº 1402000.672. Após manifestação da Procuradoria, retornou os autos para este relator. Sobre a matéria, como já discutido anteriormente neste colegiado, entendo não aplicável ao processo administrativo fiscal (PAF) o art. 24 da LINDB. O art. 24 da LINDB não tem por objeto regulamentar o lançamento fiscal e as decisões proferidas no PAF, dados os seguintes pontos: O ato do lançamento não consubstancia “revisão” de ato da Administração, não sendo possível concluir, do art. 24 da LINDB, que o auditorfiscal, ao efetuar o lançamento, esteja amarrado à jurisprudência administrativa ou judicial existente à época dos fatos geradores; ademais, apenas Lei Complementar poderia dispor sobre norma geral afeta à atividade do lançamento; Tampouco faz sentido, diante do texto normativo, concluir que os órgãos responsáveis pelo julgamento de recursos administrativos, ao “revisar o lançamento” estejam vinculados à jurisprudência majoritária existente à época dos fatos geradores; O artigo 24 simplesmente determina que, se a Administração pratica ato que gera uma situação consolidada (por exemplo, emite uma licença de funcionamento, assina um Fl. 6915DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.916 26 contrato, autoriza um pagamento), a mudança posterior de entendimento sobre a validade deste ato não pode afetar a situação consolidada que a própria Administração gerou; O Código Tributário Nacional (CTN) possui regramento próprio e particular sobre os atos e decisões dotados de caráter normativo (art. 100, I a IV), sobre as consequências de sua observância pelo administrado (art. 100, parágrafo único), bem como sobre o efeito intertemporal da introdução de novos critérios jurídicos – leiase, nova interpretação – no processo de constituição do crédito tributário (art. 146). Tratase de normatização específica quanto às questões que o art. 24 (norma geral) se propõe a regulamentar; A Lei 13.655/2018 não atribui eficácia normativa à jurisprudência majoritária vigente à época dos fatos geradores, não a enquadrando no conceito de decisão normativa, nos termos do art. 100, II, do CTN. Assim, resta demonstrada a inaptidão do art. 24 da LINDB, com a redação dada pela Lei nº 13.655/2018, para regular a atividade do lançamento, bem como o Processo Administrativo Fiscal dele decorrente, REJEITANDOSE esta preliminar. Do Mérito Como demonstrado no relatório e nas peças impugnatória e recursal, bem como no v. acórdão recorrido, o tema em questão nos autos é recorrente neste Conselho. No presente caso, temos uma sociedade, a recorrente, querendo aproveitar, para efeitos fiscais, os ágios registrados por meios de operações, dos quais a autuação fiscal entendeu indevidas. Por conseguinte, houve a glosa dos respectivos valores deduzidos a título destes ágios aproveitados na apuração do lucro real da recorrente. Antes de adentrar nas alegações da recorrente, cabe uma análise da matéria, no que tange à legislação tributária aplicável. Legislação tributária quanto à amortização de ágio Considerando que a autuação em litígio referese à amortização de ágio decorrente de participação societária adquirida por preço superior ao do patrimônio líquido da investida, cabe, primeiramente, uma análise da legislação que rege a matéria. Nos termos do art. 25 combinado com o art. 20 do Decretolei nº 1598, de 1977, que dão suporte aos artigos 385 e 391 do RIR/99, respectivamente , a regra geral é a indedutibilidade das contrapartidas da amortização de ágio: Decretolei nº 1.598/1977 “Art.20 – O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: Fl. 6916DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.917 27 I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte, e II – ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. ” (...) “Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (grifo meu) Contudo, o inciso III do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, que passou a produzir efeitos em 01/01/1998, autoriza o contribuinte que incorporou sociedade na qual detinha participação societária adquirida com ágio apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei 1.598/77, cujo fundamento econômico seja o da expectativa de rentabilidade futura da investida, a amortizar referido ágio nos balanços correspondentes à apuração do lucro real levantados posteriormente à incorporação. O artigo 7º da Lei nº 9.532, de 1997, fundamento legal do art. 386 do RIR/99, assim dispõe: Art. 7° A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2° do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2° do art. 20 do Decreto Lei n° 1.598, Fl. 6917DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.918 28 de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (grifo meu) (...) Destarte, depreendese do enquadramento legal retrocitado que a presença e dedutibilidade da despesa com amortização de ágio exige os seguintes aspectos: 1. a efetiva aquisição dos controles acionários; 2. que o custo de aquisição seja superior ao patrimônio líquido das participações societárias adquiridas; 3. haver fundamento econômico baseado na expectativa de rentabilidade futura; 4. ocorrer o efetivo pagamento da aquisição da participação societária; 5. haver a incorporação total pela incorporadora da incorporada; e, 6. extinção da incorporada, via incorporação integral, ainda que reversa. Ou seja, o aproveitamento do ágio decorre de regras especiais e o respectivo cumprimento. Assim, a regra geral é que o ágio é indedutível não implementadas tais regras, não é possível a dedução. Do caso concreto Como já destacado acima, as glosas efetuadas pela autoridade fiscal autuante envolvem os ágios decorrentes de 3 operações: (i) aquisição da NDPAR pela MANDIÇUNUNGA; segundo a acusação fiscal, envolve uma operação de permuta (pela Aguapar), que teve como objetivo final a aquisição do controle da empresa CORONA pela recorrente. Houve um investimento avaliado pelo custo, inicialmente sem a formação de ágio, e dias após, foi escriturado com um ágio baseado em suposto laudo de avaliação da CORONA. As empresas envolvidas NDPAR, MANDIÇUNUNGA e AGUAPAR eram efêmeras; (ii) subscrição de capital da DABARRA, também pela MANDIÇUNUNGA; Fl. 6918DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.919 29 segundo a acusação fiscal, envolve uma operação de ágio intragrupo, em que a COSAN 50 aumentou capital da MANDIÇUNUNGA, e no mesmo dia, esta, sob nova denominação, DABARRA, subscreveu e integralizou o aumento de capital da CORONA pelo mesmo valor. (iii) subscrição de capital da MUNDIAL pela COSAN 50. segundo a acusação fiscal, envolve uma operação de ágio intragrupo, em que a única acionista da MUNDIAL no momento do aumento de capital é a empresa JUMP, que teve existência efêmera na operação. Conforme relatado, a partir de agosto de 2006, a recorrente passou a registrar as despesas de amortização de ágio, as quais reduziram os resultados tributáveis do IRPJ e da CSLL a partir do próprio anocalendário de 2006. Em relação aos itens (i) e (ii), a matéria envolvida já foi analisada nos termos da processo 16561.720093/201138, com julgamento definitivo na Câmara Superior de Recursos Fiscais através do acórdão 9101003.364, proferido na sessão de 18 de janeiro de 2018. Contra tal decisão foram admitidos embargos declaratórios opostos pela recorrente, que não afetaram a matéria principal julgada, pois envolvem questões de como foi registrado a decisão na ata, em virtude da divergência entre o voto vencedor e vencido, e matérias de multa qualificada, que não foi aplicada nas autuações fiscais constantes do presente processo administrativo fiscal. Os embargos foram julgados em sessão de 07/11/2018 Acórdão 9101 003.882, e sanadas as obscuridades no sentido de retificar o acórdão, sendo publicado em 07/01/2019, não tendo ocorrido nenhum embargo ou agravo acostado aos autos. A partir deste momento, o processo (16561.720093/201138) já se encontra transitado em definitivo na esfera administrativa. O presente auto de infração, no que tange à dedutibilidade do ágio e sua formação, trata de duas operações glosadas idênticas às encontradas autuadas no processo 16561.720093/201138. Em relação a estes itens, os únicos fatores que diferenciam este processo do outro, é o anocalendário, neste sendo 2011 e 2012, e naquele de 2006 a 2009. Isto posto, passo a analisar cada um dos ágios em questão no presente processo. (i) ágio na aquisição da NDPAR através da permuta pela Aguapar: Segundo o TVF, este ágio diz respeito à permuta de ações da AGUAPAR pelas ações da NDPAR, em operação pactuada em 08/02/2006, mas concretizada dia 22/02/2006. De um lado, temos os sócios da DIAMANTINA, que controlava diretamente a NDPAR. Do outro lado, temos a MANDIÇUNUNGA, que era controlada pela COSAN 50. Conforme destacado no TVF, a MANDIÇUNUNGA foi constituída em dezembro de 2004 (com o nome de EPC Administração e Participações Ltda.), tendo permanecida inativa desde então até fevereiro de 2006, quando ocorrem as operações em questão nos autos. A AGUAPAR foi constituída em 31/01/2006. A NDPAR foi constituída Fl. 6919DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.920 30 em maio de 2005, pelos sócios da DIAMANTINA exclusivamente para a participação, como sócio, no capital da CORONA. Ente os dia 08/02/2006 e dia 22/02/2006 ocorrem uma sucessão de atos preparatórios até que a permuta fosse efetivada: O momento original da estrutura societária era a seguinte: Em 09/02/2006, a NDPAR é transferida para as pessoas físicas da família Ugolini, ocorrida através de uma diminuição do capital social da DIAMANTINA de R$ 23.357.892,00. Graficamente: Em 16/02/2006, a sócia CORONA cede a totalidade das quotas que tinha na AGUAPAR para a outra sócia, a MANDIÇUNUNGA. Com isso, a CORONA passou a ser credora da MANDIÇUNUNGA no total de R$ 20.002.400,00. Graficamente: Fl. 6920DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.921 31 Segundo o TVF, neste momento, o conjunto estava com a configuração desejada pelas partes para realizar a permuta de ações entre a NDPAR e a AGUAPAR, cujo objetivo desta operação foi a transferência da participação societária de 30,02% na empresa CORONA, único ativo da NDPAR , para a MANDIÇUNUNGA. De um lado, a família UGOLINI retira o controle indireto que tinha sobre a NDPAR através da DIAMANTINA, para que as ações fossem recebidas pelas pessoas físicas. Do outro lado, a CORONA retirase do controle da AGUAPAR. Assim, a permuta de ações (entre NDPAR pela AGUAPAR) ocorreria apenas entre a MANDIÇUNUNGA e a família UGOLINI. Posteriormente, a CORONA incorpora a MANDIÇUNUNGA. Notese acima, pelo primeiro gráfico, que a CORONA, que tinha parte do seu controle societário da família UGOLINI, através da NDPAR. Com a permuta de ações da ND PAR pela AGUAPAR, o GRUPO COSAN passou a deter a integralidade das quotas da CORONA, o que está bem detalhado pela composição societária deste grupo no TVF. O TVF, no conjunto dos elementos ali apurados, dá uma série de motivos para desqualificar este pretenso ágio: conforme Instrumento de Permuta, foi uma troca recíproca das quotas sem torna, já que foi convencionado pelas partes que os ativos teriam o mesmo valor econômico; neste Instrumento de Permuta estabelecia a criação de duas empresas com o objetivo de serem permutadas NDPAR e AGUAPAR; o ágio foi criado com base numa operação de permuta, sem estar baseado em nenhum Laudo de Avaliação que justificasse sua contabilização, e que mesmo se existisse e fosse aceitável o ágio, seria em valor inferior ao registrado. No final, o TVF conclui que: Por fim, a Mandiçununga serviu para dois fins. Transmitir o ativo financeiro da Cosan 50 para os exsócios da Corona. E essa passagem dos ativos pela Mandiçununga possibilitou o Fl. 6921DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.922 32 registro do ágio e, mais, que esse ágio fosse aproveitado tributariamente pelas empresas incorporadoras da Mandiçununga, como se verá mais a frente. Cabe ressaltar que as reorganizações societárias acima elencadas não foram contestadas pela recorrente. A discussão se centra na sua validade e aceitação para os respectivos efeitos fiscais. Assim, os pontos principais atacados pela autoridade fiscal autuante foram os seguintes: a permuta, nos termos registrados não implicaria na formação de ágio por dois motivos principais: em primeiro lugar não haveria torna e em segundo lugar não foi elaborado previamente qualquer laudo de avaliação da empresa NDPAR. Inicialmente, a contabilização da operação foi apenas pelo valor da aquisição, contudo, alguns dias depois, foi registrado um ágio informado decorrente desta operação, com fundamento no patrimônio líquido negativo da CORONA (participação societária adquirida na permuta) e que teria respaldo em laudo. A formalização da permuta se deu em 08/02/2006 através do Instrumento Particular de Permuta de Participações Societárias, e em 09/02/2006 a participação na ND PAR foi transferida das DIAMANTINA para as pessoas físicas (quando seria concretizada permuta e a NDPAR detida por pessoas físicas, que não poderiam registrar seus investimentos com ágio). O laudo apresentado é o Laudo de Avaliação Contábil, datado de 28/02/2006, elaborado pela BDO Trevisan, ou seja, posterior a sua contabilização, que foi em 22/02/2006, o que não se prestaria para embasar o ágio nesta operação; das análise de todo escopo acusatório, as empresas MANDIÇUNUNGA, NDPAR E AGUAPAR foram sociedades efêmeras, cujo único objeto real foi possibilitar a amortização do ágio para a recorrente, através das sucessivas operações societárias detalhadas no termo de verificação fiscal o que configuram as comumente chamadas empresas veículos. Na análise deste ágio em questão, assim consigna a autoridade fiscal autuadora: Por fim, a Mandiçununga serviu para dois fins. Transmitir o ativo financeiro da Cosan 50 para os exsócios da Corona. E essa passagem dos ativos pela Mandiçununga possibilitou o registro do ágio e, mais, que esse ágio fosse aproveitado tributariamente pelas empresas incorporadoras da Mandiçununga, como se verá mais a frente. Após a decisão de primeiro grau administrativo, que entendeu como indedutível o ágio em questão, por conta da utilização de empresa veículo MANDIÇUNUNGA, sem nenhuma justificativa negocial para tanto, a recorrente, na sua peça recursal, expõe os seguintes argumentos para tentar demonstrar como válido este ágio: os atos societários se deram de forma lícita e adequada para atingir os objetivos de todas as partes, bem como com o conhecimento dos órgãos envolvidos. As operações visavam sempre a aquisição da NDPAR, não se resumindo à economia de tributos, e a dedutibilidade seria mera consequencia; a permuta inseriuse no contexto do processo de reestruturação e crescimento do Grupo Cosan, com investimentos em novos negócios e mercados¸e dada a dificuldade de gerenciamento compartilhado no negócio desenvolvido pela Corona. O ágio surgiu da necessidade de realizar os ajustes no patrimônio líquido da Corona, para fins de Fl. 6922DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.923 33 uniformização de critérios, e como a participação na Corona era o único ativo relevante da NDPAR, seu patrimônio líquido seria negativo, o que fundamentaria o ágio registrado; apesar de não existir um rigor formal para apresentação do laudo, houve um elaborado pela empresa de auditoria independente Deloitte, datado de 31/01/2006 (doc. 04 da impugnação). Passo ao meu voto sobre este ágio em questão. No que tange ao laudo nesta operação, cabe ressaltar que o mesmo foi apresentado na peça impugnatória, como anexo (doc.04 fls. 6436/6480). Em análise do mesmo, chama atenção que consta a data de 31/01/2006 apenas na folha inicial de referência e na folha seguinte, antes de qualquer análise para fundamentálo. As análises fazem muitas referências a data posterior, como por exemplo, em gráfico logo na folha 02 do laudo: Estrutura Societária do Grupo COSAN em 28 de fevereiro de 2006. Verificase que a autoridade fiscal autuante durante o procedimento fiscal específico do presente processo intimara a recorrente a apresentar a documentação pertinente que envolveria tal laudo na intimação datada de 20/05/2016, nos seguintes termos: 2. Apresentar os laudos de avaliação de cada evento que deu origem a cada ágio amortizado neste período. Tal laudo foi apresentado e questionado pela autoridade fiscal. Entendo que a discussão do momento da geração de tal laudo não resolve a situação em favor do recorrente, pois haveria outros elementos que entendo mais relevantes para a discussão, dos quais supero tal validade ou não laudo em questão. A grande discussão aqui se centra se houve empresa veículo na operação (ou não), e a possibilidade de amortização fiscal do ágio. A fiscalização, no seu relatório fiscal, assim consigna sobre o tema: Além dessa justificativa declarada, a fiscalizada foi inquirida sobre os motivos ou fins da operação de constituição da empresa Mandiçununga, destacando os benefícios esperados e os resultados alcançados. Da mesma forma, foi questionada sobre os motivos pelos quais a permuta pela NDPar e o aumento de capital efetuado na Corona não foram realizados diretamente pela Cosan 50 . A contribuinte não apresentou nenhuma outra justificativa. As operações societárias envolvendo a empresa Corona foram realizadas através de empresas efêmeras e sem existência real (Mandiçununga e NDPar e Aguapar), que foram utilizadas apenas para possibilitar a obtenção do benefício da amortização do ágio, com vistas a melhorar as condições financeiras da aquisição feita. Verificando o caso concreto, observase que há a questão de qual o papel da empresa MANDIÇUNUNGA no aproveitamento deste ágio, e se tal situação é legítima. O artigo 386 do RIR/1999, supracitado, assim especifica no seu caput: Fl. 6923DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.924 34 Art.386.A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): (...) Aqui se poderia ampliar todo o conteúdo dos artigos 385 e 386 do RIR/1999, mas me concentro neste ponto acima, para fins de análise. Notase que a MANDIÇUNUNGA jamais teve a decisão de adquirir a participação societária da AGUAPAR., muito menos teve a expectativa de rentabilidade futura sobre tal operação. Como se verifica no relatório e nos autos, a decisão de aquisição da participação societária foi da CORONA. Neste contexto, a MANDIÇUNUNGA foi um mero instrumento de realização da transação, jamais tendo sido a investidora, que acreditou na maisvalia do investimento, realizando os estudos de rentabilidade futura do investimento a ser adquirido. Aqui, haveria a eventual discussão do desembolso ou não, e sua equivalência com a permuta, mas entendo que superada já pela questão primordial em análise. A MANDIÇUNUNGA foi constituída em dezembro de 2004, e ficou inativa até fevereiro de 2006. Após algumas etapas de reorganização societária a envolvendo, conforme já destacado anteriormente no presente voto e detalhado no TVF, a MANDIÇUNUNGA, 28/02/2006 mudou sua denominação social para Dabarra Participações S/A (DABARRA, envolvida no ágio seguinte discutido deste voto), até ser incorporada pela CORONA em 30/03/2006. Tal fato está amplamente demonstrado nos autos pela autoridade fiscal autuadora, e em nenhum momento foi contestado pela recorrente. Desta forma, a CORONA ao incorporar a MANDIÇUNUNGA jamais se amolda à previsão legal para a amortização do ágio pago na sua aquisição, posto que ausente em tal operação as investidoras, que são as destinatárias da norma legal. Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. A amortização operada pela autuada não teve amparo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ou dos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme se viu, a possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, só tem sentido em situações em que a investidora de fato, responsável por arcar com o dispêndio que faz nascer o ágio, incorpora a pessoa jurídica em que possua participação societária (investimento) ou é por ela incorporada. A operação, portanto, não passa sequer na primeira verificação necessária para referendar a amortização do ágio, de modo que, tal fato, por si só, respalda a manutenção da exigência fiscal. Fl. 6924DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.925 35 Neste sentido, cabe aqui ume excerto sobre o tema, ao qual recorro ao acórdão nº 9101002.301 (sessão de 06/04/2016), proferido pela 1ª CSRF, da relatoria do i. Conselheiro André Mendes de Moura: Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. A conclusão é ratificada analisandose a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de Fl. 6925DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.926 36 plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoase o encontro de contas entre investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. Fl. 6926DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.927 37 SCHOUERI , com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que, para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Considerandose o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo, aperfeiçoase o lançamento fiscal e o termo inicial para contagem do prazo decadencial. Ou seja, concluise portanto, que o art. 386 do RIR/1999, sob o aspecto pessoal, se dirige à investidora que vier a incorporar a investida (ou por ela ser incorporada). Como já exposto acima, não foi o que vislumbra nesta operação societária. Igualmente, como bem conclui em excerto do acórdão 9101003.366 (sessão de 18/01/2018), pelo i. relator do voto vencedor, o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: Em síntese, a subsunção aos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/1999, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material das Fl. 6927DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.928 38 hipóteses ali previstas. Na atual redação destes dispositivos, exclusivamente no caso em que houver o efetivo desembolso de valores (ou sacrifício de outros ativos) a título de investimento da investidora (futura incorporadora ou, no caso da incorporação reversa, incorporada) na investida (futura incorporada ou, no caso da incorporação reversa, incorporadora), é que haverá o atendimento aos aspectos pessoal e material. Se o ágio não foi de fato arcado por nenhuma das pessoas participantes da "confusão patrimonial", não há sentido em clamarse pela dedutibilidade das despesas decorrentes de amortização de ágio instituída pelo art. 386 do RIR/1999. Caso analisemos a amortização do ágio sob a ótica de despesa, podemos concluir que, in casu, houve a construção artificial do suporte fático de modo a conferir a aparência de uma operação abrangida pelo dispositivo legal que permite a amortização do ágio pago. Alega a recorrente que a permuta inseriuse no contexto do processo de reestruturação e crescimento do Grupo Cosan, com investimentos em novos negócios e mercados¸e dada a dificuldade de gerenciamento compartilhado no negócio desenvolvido pela Corona. Note que são propósitos negociais muito amplos, por dizer, comum a qualquer empreendimento que objetive crescer, sem ser decorrente de uma imposição regulamentar de setor ou algo equivalente. Não se pode aceitar tal alegação como uma propósito negocial para ter empreendido tal reorganização societária nos moldes ocorridos. Aos contribuintes há toda a liberdade negocial própria das suas atividades, mas deve ser verificado os efeitos fiscais das mesmas, e se for o caso extrapolarem as normas tributárias pertinentes, anulandoos. O que não se admite é criar situações artificiais que visam à economia tributária primordialmente, tentando trazer justificativas negociais para agir assim. As eventuais necessidades negociais peculiares, que não estão previstas no ordenamento tributário, não podem é ter repercussão na esfera fiscal. Por conseguinte, dado o todo exposto acima, NEGO PROVIMENTO quanto a este ágio acima analisado. (ii) ágio decorrente da subscrição de capital da CORONA efetuado pela MANDIÇUNUNGA/DABARRA: Segundo o TVF, este ágio decorre do registrado na MANDIÇUNUNGA (nome alterado no mesmo dia para DA BARRA Participações S.A.), e diz respeito à subscrição e integralização do aumento de capital da CORONA, em 28/02/2006. Envolveu 480.365.561 novas ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, emitidas pela CORONA pelo preço de R$ 1,00 cada. Os ativos usados para esta integralização são os mesmos usados pela COSAN 50 no aumento de capital da própria DA BARRA, e no mesmo dia (28/02/2006). Fl. 6928DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.929 39 Assim, os ativos da COSAN 50 foram transferidos para a Mandiçununga/Dabarra e que os usa para subscrever capital da Corona, diluindo a participação societária dos demais acionistas e, principalmente, com elevado valor de ágio (citado originalmente no TVF). Como escreve o TVF: Qual o papel da empresa Dabarra (antiga Mandiçununga) no Grupo Cosan? Ficou claro que a Dabarra serviu apenas de passagem para estes ativos, o que caracteriza a clássica modalidade de planejamento tributário com utilização de empresa veículo. O que, mais uma vez, possibilitou a geração de despesas de amortização de ágio Outro aspecto relevante é o fato de que a Cosan 50 quando integralizou o capital na Dabarra/Mandiçununga já detinha o controle da Corona, ou seja, toda a operação se passou dentro do Grupo Cosan. (...) Composto de participações societárias, créditos em conta corrente e ágios apurados em operações anteriores, o ágio foi obtido sem envolver nenhum novo recurso, sem haver nenhuma saída de caixa. Não houve transferência efetiva de recursos que permitisse gerar novas riquezas. Nas operações societárias entre empresas sob o mesmo controle não há nenhuma saída ou entrada efetiva de ativos de dentro do grupo econômico que dê suporte ao registro de um ágio. Graficamente, temos o seguinte desenrolar da operação ao longo do dia 28/02/2006. Na abertura do dia 28/02/2006, temos a seguinte situação do Grupo COSAN: Fl. 6929DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.930 40 Às 9h do dia 28/02/2016, após a integralização do aumento de capital da MANDIÇUNUNGA/DA BARRA, feito pela COSAN 50, temos a seguinte situação: Fl. 6930DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.931 41 Às 18h do dia 28/02/2016, após a integralização do aumento de capital da CORONA, feito pela DA BARRA (antiga MANDIÇUNUNGA), temos a seguinte situação: Em 31/03/2006, ocorre a incorporação, pela CORONA, das seguintes empresas: DA BARRA, NDPAR, USINA DA BARRA 44, FBA e das controladas desta empresa DESTIVALE e DESTIAGRO, e a NOVA TAMOIO, que era controlada da CORONA. Com isso, o grupo COSAN fica com a seguinte situação, graficamente demonstrada: Fl. 6931DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.932 42 Dada toda a operação acima demonstrada, a autoridade fiscal autuante entendeu que a operação realizouse apenas dentro do GRUPO COSAN. Ficou ali demonstrado que tanto a empresa que detinha os ativos (DA BARRA) quanto a que os recebeu (CORONA) faziam parte do mesmo grupo econômico, entendendo tal operação como, comumente conhecida, como ágio interno. O presente ágio envolve que, em resumo, a COSAN 50 aumentou capital na MANDIÇUNUNGA, e no mesmo dia, esta, sob nova denominação, DABARRA, subscreveu e integralizou o aumento de capital da CORONA pelo mesmo valor. Ou seja, esta passagem dos ativos da COSAN 50 pela MANDIÇUNUNGA (depois DABARRA) serviram para criar uma situação que não espelharia a realidade a operação, pois a COSAN 50 e CORONA eram sociedades com existência ativa, o que dificultaria a obtenção da situação que permitisse a amortização dos ágios. Ademais, no momento da operação, o GRUPO COSAN já detinha o controle societário da CORONA, o que configura a geração interna de ágio, sem ter ocorrido o dispêndio real algum. O ágio obtido no momento em que MANDIÇUNUNGA/DABARRA integralizou o capital em CORONA decorreu de um planejamento tributário articulado para criar um ágio artificial intragrupo com o emprego de empresa veículo, constituída sem finalidade negocial. A utilização de MANDIÇUNUNGA/DABARRA, nesse conjunto de negócios com participações societárias teve a intenção primordial de gerar um ágio artificial e transferila para ser amortizada na incorporadora CORONA, e, assim, reduzir a tributação do IRPJ e da CSLL desta última. Constata que o ágio contabilizado por ocasião do aumento de capital em CORONA por DABARRA foi obtido sem envolver nenhum novo recurso do grupo COSAN. Ou seja, não houve transferência efetiva de recursos que possibilitasse a geração de novas riquezas. Não existe ágio sem o sacrifício patrimonial de quem investe em benefício dos alienantes do investimento. Em breve síntese, não se pode falar em ágio se a mais valia do investimento não for gerada em ato de aquisição, e isso supõe dispêndio para se obter algo de terceiro. Ou, de outro modo, isso supõe o sacrifício de outro ativo ou o reconhecimento de um passivo, porquanto o primeiro (sacrifício de um ativo) ou o segundo (reconhecimento de um passivo) são as contrapartidas ao registro do custo do investimento adquirido. Mas o que se vê no caso concreto é um aumento no patrimônio líquido em contrapartida a um aumento no ativo, em decorrência de um negócio “consigo mesmo”. Tal conclusão está em sintonia com a opinião da CVM, exposta no item 20.1.7 do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007: “A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Fl. 6932DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.933 43 Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade.” (grifei) A teor do que segue no OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, atestase que o laudo de avaliação de CORONA é ineficaz para o fim de emprestar suporte ao ágio gerado no instante em que DABARRA integralizou o capital naquela sociedade, uma vez certificandose, como efetivamente se certifica, do ágio interno. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. (iii) subscrição de capital da MUNDIAL pela COSAN 50. No que tange ao ágio que envolve a subscrição de capital da MUNDIAL pela COSAN 50, , cabe destacar que as operações decorrem das mesmas reorganizações societárias promovidas pelo grupo empresarial da recorrente detalhados no termo de verificação fiscal Conforme descrito no TVF, a Mundial Açúcar e Álcool S.A. (MUNDIAL) apresentava a seguinte configuração societária em fins de 2005: Fl. 6933DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.934 44 Em 31/03/2006, a MUNDIAL aumentou o seu capital social em R$ 60.876.070,00, com emissão de mais 60.876.070 ações ON ao preço de R$ 1,00 cada uma. Este aumento de capital foi totalmente subscrito e integralizado pela COSAN 50, com anuência da JUMP, o qual gerou um ágio de R$ 21.142.300,00. Tal integralização foi efetuada à vista, com créditos em contacorrente que a COSAN 50 possuía junto à MUNDIAL. Pela COSAN 50, foi contabilizado como um AFAC adiantamento para futuro aumento de capital. Conforme o TVF descreve: O fato de que em uma operação intragrupo não há geração de novas riquezas fica ainda mais claro nesta operação. O único acionista da Mundial no momento do aumento de capital é a empresa veículo JUMP sob controle da Cosan 50. Em 31/10/2006, a COSAN 50 incorpora a MUNDIAL e passa a amortizar este ágio. Em síntese, a operação detalhada acima envolve as seguintes operações: o único acionista da MUNDIAL no momento do aumento de capital é a empresa JUMP, que conforme termo de verificação fiscal, teve existência efêmera na operação o que é considerado uma empresa veículo, e estava sob o controle da COSAN 50; a operação ocorrida é intragrupo, sem geração de nenhuma riqueza; quando a MUNDIAL foi adquirida pela COSAN 50, através da JUMP, o seu patrimônio líquido estava negativo; Nos termos do termo de verificação fiscal: Segundo a Cosan 50, os recursos foram emprestados para financiar as operações da Mundial, os quais constituíram em passivo para ela e ativos a receber para a Cosan e ao transformar esses passivos em capital surgiu o ágio. Em 31/10/2006, a Cosan 50 incorpora, dentre outras, a Mundial e passa a amortizar este ágio tributariamente. Fl. 6934DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.935 45 Para a CVM o ágio gerado de si mesmo é incabível na estrutura conceitual da contabilidade, pois não decorre de um processo de aumento de capital entre partes independentes e não relacionadas, ressaltase o caráter simulado do aumento de capital e aquisição de participação societária, onde se comprovou que os recursos financeiros retornaram à sua origem. Os elementos constantes dos autos demonstram a subordinação jurídica e econômica entre as empresas do grupo. Ou seja, é incabível a geração de ágio de si mesmo, pois não houve partes independentes e não relacionadas, o que configura uma situação que os recursos financeiros aplicados no aumento de capital e aquisição da participação societária retornaram a sua origem. Configura uma situação, como o ágio anteriormente analisado, na geração artificial de ágio, aplicandose a mesma fundamentação para a sua descaracterização. Portanto, após estas considerações, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação à dedutibilidade da amortização deste ágio. quanto a alegação da inexistência de previsão legal para adição na base de cálculo da CSLL O recorrente ainda traz como tese subsidiária a alegação de que, caso seja mantida a glosa referente à amortização do ágio, não há previsão legal para a adição da correspondente despesa na base de cálculo da CSLL. Como sabido, a CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período com os ajustes determinados na respectiva legislação, conforme dicção dos artigos 248 e 277, RIR/1999: Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais, e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). Art. 277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11). De outro giro, também pacífico, o lucro operacional resulta do confronto das receitas operacionais com as despesas operacionais (artigo 299, RIR/1999). Da interpretação sistemática destes dispositivos, extraise que somente poderão reduzir o lucro líquido as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, acima transcrito, quais sejam, as despesas necessárias, de forma que, dispêndios que violem as regras de dedutibilidade do IRPJ, não podem reduzir o lucro líquido que é, também, a base de cálculo da CSLL, com os ajustes previstos na sua legislação específica. Fl. 6935DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.936 46 Como consequência, dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício, digase, a própria base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art.2º da Lei 8.034, de 1990. Mais a mais, o art. 13, da Lei nº 9.249/951, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Logo, a infração de CSLL apurada é reflexa, sendo que neste caso, a procedência do lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica impõe a manutenção da exigência fiscal dele decorrente (no caso da CSLL). Nota de julgamento: na apreciação deste item pelo colegiado, houve a seguinte votação: ii.v) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à exigência de CSLL, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa, cujas razões serão incorporadas ao voto do Relator; Destarte,. os fundamentos da maioria, pela mesma decisão, foram distintas do externado no voto do relator, os quais trago ao presente voto. Os conselheiros supracitados entenderam que os ágios acima discutidos no mérito principal nem chegaram a existir. Enquanto os dois últimos são o que é comumente chamado de ágio intragrupo, que na prática nem poderia ser caracterizado como um ágio, pois nem chegam a atingir o plano da existência, o primeiro também não atingiria o mesmo plano, pois seus fundamentos de existir adotado pela recorrente foram pela majoração do patrimônio líquido após já concretizada a permuta, o que o descaracterizaria como um ágio. Assim, não havendo que se falar em ágio nos 3 casos analisados, seria uma despesa sem fundamento como tal a ser glosada pela autoridade fiscal,. e por conseguinte, os efeitos da glosa se aplicaria a todas eventuais repercussões, o que no caso seria também na formação da base de cálculo da CSLL. Isto tudo posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste item. da impossibilidade de exigência da multa no caso de dúvida aplicação do artigo 112 do CTN Alega a recorrente que deve ser exonerada das multas aplicadas, caso ocorra empate, aplicandose o art. 112 do CTN ao caso. Contudo, a aplicação da multa de ofício, independente do seu percentual, são previstos na legislação, e não cabe a este colegiado modificar isso. Ademais, o art. 112 não se coaduna com o julgamento administrativo, pois este avalia a validade existencial e jurídica dos autos de infração, e neste caso, em caso de empate, deve prevalecer o interesse público. Fl. 6936DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.937 47 Isto tudo posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste item. da alegação da impossibilidade da cobrança da multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa: Alega a recorrente na sua peça recursal da impossibilidade da cobrança de multa isolada. Contudo, a respeito de uma possível concomitância dos lançamentos de multas isoladas com a multa de ofício presente nos autos de infração, de minha parte sempre perfilei com os que entendem estarse diante de imposições diferentes, com fatos geradores diferentes, tipificações legais diferentes e motivações fáticas diferentes, ou seja, da leitura artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, com suas alterações, inferese que, uma vez constatada falta ou insuficiência de pagamento de estimativa, será exigida a multa isolada. Se, além disso, tiver ocorrido falta de recolhimento do imposto devido com base no lucro real anual, o lançamento abrangerá também o valor do imposto, acompanhado de multa de ofício e juros, pois a determinação legal de imposição de tal penalidade, quando aplicada isoladamente, prescinde da apuração de lucro ou prejuízo no final do período anual, inexistindo, portanto, a cumulação de penalidades para uma mesma conduta, como argúem os contribuintes. Em síntese, não tendo as referidas multas a mesma hipótese de incidência, nada há a barrar a imposição concomitante da multa isolada com a multa de ofício devida pela apuração e recolhimento a menor do imposto e contribuição devidos na apuração anual. Posição plenamente avalizada a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (destaquei) Registrese, essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa; simplesmente tornou mais clara a intenção do legislador. Por pertinentes, faço minha as palavras do ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES deste CARF que, de forma precisa, analisou o tema no Acórdão nº 10323.370, Sessão de 24/01/2008: Fl. 6937DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.938 48 “Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a Fl. 6938DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.939 49 garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte”. Aduzase ainda, mesmo abstraindo questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, que a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo, de modo que, sob esta ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou norma abstrata plenamente vigente no mundo jurídico a caso concreto que se estampou. Salientese, por fim, ser inaplicável no caso a Súmula nº 105 do CARF, posto que ali se cuida de lançamentos referentes a períodos anteriores a 2007. Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas integralmente as multas isoladas impostas e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. quanto a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa Alega a recorrente pela ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Contudo, tal questão há anos vem sendo discutida no âmbito do CARF, tendo conformada a posição que resultou na recentemente publicada súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Ou seja, independentemente da posição meritória aqui a se discutir, a qual individualmente indico posição já adotada anteriormente em outros votos em que vou de encontro ao pleito da recorrente, tal matéria, no momento em que passa a ser sumulada, é de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do caput art. 72 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf)). Por conseguinte, NEGASE PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. Conclusão Diante de todo exposto, NEGO PROVIMENTO INTEGRAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO da recorrente. (assinado digitalmente) Fl. 6939DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.940 50 Marco Rogério Borges Declaração de Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio É corriqueiro, no âmbito do CARF, os contribuintes alegarem como "nulidades" matérias que são questões relativas ao mérito da exigência constante do lançamento. Provavelmente, tal confusão se dá em razão da utilização dos dispositivos legais e das normas de direito privado sobre o tema. Conforme observa SEABRA FAGUNDES, da classificação apresentada pela doutrina civilista, no âmbito do direito administrativo, deve se circunscrever ao "uso das denominações ali adotadas" , sendo que, mesmo quanto a esse aspecto, a utilização dessa terminologia poderá ser "antes um fato de confusão de princípios do que de aproveitamento das experiências e sedimentações do direito privado".( FAGUNDES, Seabra O controle dos Atos Administrativos pelo poder Judiciário São Paulo, nº 53, julset. 1990, p. 14). Com efeito, o cerne da distinção entre atos nulos e anuláveis, na doutrina civilista, consiste na natureza coletiva ou individual do comando violado, uma vez que nulos são os atos que vulneram preceitos de ordem pública e anuláveis aqueles que violam preceitos que visam proteger interesses particulares. Fica claro, portanto, que tal distinção não pode ser reproduzida para o direito administrativo ou tributário onde o agir é sempre informado pelo interesse público. Sendo assim, esclarecedor o posicionamento de CELSO RIBEIRO BASTOS que enuncia ser nulo o ato "que apresenta vícios de legalidade atinentes à competência, ao objeto, ao motivo, à forma e à finalidade". (BASTOS, Celso Ribeiro Curso de direito administrativo, 2002, p. 163/164). Em outras palavras, não são quaisquer vícios de legalidade que acarretam a nulidade. O erro na interpretação dos dispositivos legais é matéria que será revista nos processos de controle do lançamento e terá como eventual consequência a improcedência do lançamento, não sua nulidade. Coerente com as premissas acima expostas são as disposições legais do Decreto nº 70.325/72 sobre a nulidade dos atos administrativos abaixo transcritas. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 6940DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.941 51 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. O exame dos dispositivos supra mostra que só pode haver nulidade se o ato for praticado por agente incompetente ou, no caso dos despachos e decisões, se ocorrer o cerceamento do direito de defesa. Todavia, recentemente, tem aumentado, de maneira expressiva, o número de recursos cuja alegação de nulidade, tal como a dos autos, residiria na ofensa ao duplo grau de jurisdição na esfera administrativa. De um modo geral, as discussões giram em torno da seguinte questão: Poderiam as Delegacias Regionais de Julgamento utilizar decisões proferidas em outros processos, relativos ao mesmo contribuinte e ao mesmo fato gerador, quando as alegações constantes das impugnações apresentadas nos processos são distintas? A omissão constante da decisão recorrida é hipótese de nulidade? Para responder a essas questões, entendo fundamental analisar a abrangência do princípio do duplo grau de jurisdição na esfera administrativa. Isso porque, conforme observa JOSÉ CARLOS BARBOSA MOREIRA, "não há definição universalmente válida do princípio do duplo grau: cabe ao intérprete extrair dos textos do ius positum os dados necessários à sua caracterização, num determinado ordenamento (MOREIRA, José Carlos Barbosa Comentários ao Código de Processo Civil Volume V, arts. 476 a 565, 7ª edição, ed. Forense, p. 237). Sendo assim, é importante verificar como se operacionaliza o princípio do duplo grau de jurisdição no Decreto nº 70.235/72. Os julgamentos de primeira instância estão disciplinados na Seção VI, artigos 27 à 36, abaixo transcritos: Art. 27. Os processos remetidos para apreciação da autoridade julgadora de primeira instância deverão ser qualificados e identificados, tendo prioridade no julgamento aqueles em que estiverem presentes as circunstâncias de crime contra a ordem Fl. 6941DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.942 52 tributária ou de elevado valor, este definido em ato do Ministro de Estado da Fazenda. Parágrafo único. Os processos serão julgados na ordem e nos prazos estabelecidos em ato do Secretário da Receita Federal, observada a prioridade de que trata o caput deste artigo. Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. § 2º A existência no processo de laudos ou pareceres técnicos não impede a autoridade julgadora de solicitar outros a qualquer dos órgãos referidos neste artigo. § 3º Atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; b) quando tratarem de máquinas, aparelhos, equipamentos, veículos e outros produtos complexos de fabricação em série, do mesmo fabricante, com iguais especificações, marca e modelo. Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 6942DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.943 53 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Art. 36. Da decisão de primeira instância não cabe pedido de reconsideração. (grifamos) Da leitura dos dispositivos acima transcritos, verificase que eventuais omissões constantes nas decisões de primeira instância não podem ser sanadas mediante recurso de embargos declaratórios. Sendo assim, as alegações constantes de uma impugnação, que não foram abordadas na decisão utilizada pela autoridade julgadora de primeira instância, não podem ser sanadas junto à instância a quo. A questão que se coloca, portanto, é: tais omissões acarretariam a nulidade da decisão recorrida, ainda que individualmente destacadas pela Recorrente, como no caso dos autos? Entendo que não. Isso porque, diversamente do que ocorre no processo civil, no qual as sentenças podem ser corrigidas mediante embargos declaratórios, o processo administrativo fiscal federal não prevê essa possibilidade. Nesse sentido, esclarecedoras as observações de JOSÉ CARLOS BARBOSA MOREIRA: Surgem as dificuldades, porém, quando se quer determinar a extensão da atividade cognitiva a ser exercida pelo órgão ad quem, em confronto com a que exerceu o órgão a quo. Costuma suscitarse o problema, especialmente, no que tange à amplitude dos poderes cognitivos exercitáveis no juízo de apelação. Indagase, com efeito, se ao órgão ad quem é lícito examinar todos os aspectos da causa, inclusive aqueles sobre os quais não se haja pronunciado o órgão a quo, ou se estaria vinculado, e em que medida, aos limites da cognição efetivamente exercida no primeiro grau. Indagase, noutras palavras, quando se deve reputar exaurido o primeiro grau, de sorte que a causa, sujeita à apreciação do órgão ad quem, não precise voltar ao órgão a quo, para eventual complementação da atividade cognitiva a este deferida. (...) Fl. 6943DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.944 54 Posta em semelhantes termos, a questão obviamente se articula com a da delimitação do efeito devolutivo que se atribui ao recurso ou ao expediente análogo previsto na lei.(...) nem o texto da Constituição anterior nem o da vigente ministra, no particular, conceito que se imponha ao legislador ordinário; nenhum dos dois alude seque, expressis verbis, ao princípio. Temse de verificar quais são, a respeito, as exigências inerentes à própria sistemática do Código.(grifamos) É importante observar que não se discute o direito do contribuinte de ter seu processo julgado em dupla instância, direito esse já reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 388.359 . O que se discute é a nulidade da decisão de primeira instância que não analisou todas as alegações jurídicas suscitadas pelo contribuinte. A resposta deve ser dada pela legislação, e essa, como visto, não conferiu ao contribuinte o direito de que todas as suas alegações fossem analisadas pela primeira instância. Tanto assim, que não previu o recurso de embargos declaratórios das suas decisões. Conforme disposto no artigo 32, as deficiências que podem ser sanadas pela instância a quo circunscrevemse às inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão Ao enfrentar a questão nos arts. 276 a 283, o NCPC destaca a instrumentalidade das formas, o aproveitamento dos atos processuais em geral e a sanabilidade de todo e qualquer vício processual. Por instrumentalidade, devese entender a preservação da validade do ato processual que, mesmo maculado por algum vício de forma, atinge corretamente o seu objetivo, a sua finalidade, sem causar prejuízo (arts. 277 e 282, §1º). Daí se dizer que não há nulidade sem prejuízo: “Aplicandose a instrumentalidade das formas, por exemplo, temse que a falta de indicação do valor da causa (requisito da petição inicial)não acarreta, por si só, a nulidade do processo (STJ, AR 4.187/SC). De forma geral, a instrumentalidade das formas processuais submetese ao postulado de que não há nulidade sem prejuízo (pas de nullité sans grief), cuja aplicação em nossa lei se encontra no §1º do art. 282.” (ARRUDA ALVIM, Novo contencioso cível no CPC/2015, São Paulo: RT, 2016, p. 128).(grifamos) Não se pode esquecer – e isso é essencial para a boa compreensão desse tema – que o regime das nulidades processuais não se confunde com aquele próprio das nulidades de direito material. No processo, em princípio, todos os vícios, sejam eles absolutos (de fundo) ou relativos (de forma), são sanáveis. Na exata lição de TERESA ARRUDA ALVIM WAMBIER, MARIA LÚCIA LINS CONCEIÇÃO, LEONARDO FERRES DA SILVA RIBEIRO e ROGÉRIO LICASTRO TORRES DE MELLO: “A distinção entre as nulidades relativas e absolutas no processo não tem senão a função de estabelecer o regime jurídico destes vícios, no que diz respeito a dois aspectos: (a) à possibilidade de o juiz deles conhecer sem provocação da parte e (b) à existência ou à ausência de preclusão quer para o juiz, quer para as partes. No mais, a distinção perde importância, já que ambas as espécies de vícios são sanáveis, o que não ocorre no direito Fl. 6944DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.945 55 privado.” (Primeiros comentários ao novo código de processo civil, 2. ed. São Paulo: RT, 2016, p. 514). Diante do postulado de que não há nulidade sem prejuízo, questionase: Qual o prejuízo sofre o contribuinte que não teve todas as suas alegações jurídicas analisadas pela primeira instância? A resposta é: não há prejuízo algum. Com efeito, suponhamos que o argumento jurídico, suscitado pelo contribuinte e não analisado pela instância a quo, pudesse levar à procedência da impugnação. Mesmo que tenha exonerado o crédito tributário, tal decisão estaria sujeita ao recurso de ofício previsto no artigo 34 do Decreto nº 70.235/72. Dessa forma, devolver o processo à instância a quo , em virtude de omissão nas alegações jurídicas do contribuinte, equivale a admitir uma correção que o próprio sistema jurídico não contemplou. Como o processo, na grande maioria dos casos, deverá retornar ao CARF para exame do recurso de ofício, a única vantagem seria a tramitação mais demorada, o que vai de encontro ao princípio constitucional da duração razoável do processo. É importante destacar que, mesmo o código de processo civil, no qual existe a previsão dos embargos declaratórios contra decisão de primeira instância, flexibilizou necessidade de análise dos argumentos jurídicos pela decisão de primeiro grau. É o que se verifica pelo artigo 1013, §4º do NCPC abaixo transcrito: Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1o Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado. 2o Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais. (...) § 4o Quando reformar sentença que reconheça a decadência ou a prescrição, o tribunal, se possível, julgará o mérito, examinando as demais questões, sem determinar o retorno do processo ao juízo de primeiro grau. (grifamos) Por fim, quanto à utilização da motivação exposta em decisões anteriores, sobre o mesmo fato gerador, o artigo 50 da Lei nº 9.784/99 (Lei Geral dos Processos Administrativos) admite, expressamente, tal expediente. Confirase: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 6945DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.946 56 § 2o Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados.(grifamos). Em face de todo exposto, rejeito a alegação de nulidade. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Declaração de Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa A maioria do Colegiado decidiu rejeitar a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância. Esta Conselheira, porém, entendeu pela nulidade em face da demonstração de que argumentos da impugnação deixaram de ser apreciados pela Turma Julgadora de 1ª instância, consoante alegado pela recorrente: Inicialmente, é importante destacar que, mediante a leitura do acórdão recorrido, percebese que a Turma Julgadora "a quo" não apreciou devidamente os argumentos expostos pela Recorrente em sua Impugnação, razão pela qual o referido acórdão é nulo de pleno direito. Deveras, do confronto entre as razões apresentadas na supracitada Impugnação e as alegações insertas na decisão recorrida, constatase que a Delegacia de Julgamento simplesmente se omitiu à análise de diversos pontos essenciais da defesa, afetando, assim, o exercício do contraditório e da ampla defesa pela Recorrente. Nesse sentido, vejase que o acórdão recorrido, ao fundamentar seu posicionamento quanto à regularidade da amortização dos ágios em análise, simplesmente se limita, por 17 páginas do acórdão, a replicar, ipsis litteris, o texto de decisão proferida nos autos do processo administrativo n° 16561.720093/2011 38, conforme se pode notar às fls. 32 a 49 do acórdão recorrido. Confirase: "A análise da licitude desses ganhos já fora desenvolvida, com proficiência, nos autos do processo n° 16561.720093/201138. Lá, tratouse dos ágios na aquisição da NDPAR pela MANDIÇUNUNGA e na subscrição de capital da DABARRA, também pela MANDIÇUNUNGA. No entanto, a subscrição de Fl. 6946DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.947 57 capital da MUNDIAL pela COSAN 50, matéria objeto do p.p. não autuada naquele, guarda total relação com os fatos já julgados no citado PAF. Como bem disse a interessada, o "ágio decorrente do aumento de capital na Mundial encontram grande semelhança com as questões suscitadas pela Autoridade Fiscal na análise do ágio no aumento de capital na Corona, já analisados e devidamente rebatidos". Assim, para o enfrentamento das três infrações a um só tempo, é oportuno conhecer a lúcida decisão proferida naqueles autos, no trecho vazado conforme o seguinte: (...)" (fls. 31 e 32 do acórdão recorrido g.n.) Ressaltese, inclusive, que os trechos acima destacados do voto condutor são os únicos de lavra do relator do caso que "tratam" da principal questão de mérito ora analisada (i.e.: operações societárias que culminaram com o aproveitamento dos ágios NDPAR; Dabarra; e Mundial), sendo o restante apenas reprodução do teor do julgado prolatado no processo administrativo n° 16561.720093/201138. De fato, o voto condutor do acórdão recorrido, ao abordar o contexto fático que culminou na apuração dos ágios e a possibilidade de sua amortização verificação precípua à constatação da regularidade do procedimento adotado pela Recorrente simplesmente ignora todo o contexto e os argumentos expostos na Impugnação apresentada nestes autos, lançando mão, exclusivamente, do entendimento adotado em outro processo, sem sequer fazer qualquer ilação quanto às alegações expostas no caso que ora deveria analisar. Com efeito, o longo trecho reproduzido na decisão recorrida aborda, basicamente, o contexto legislativo atinente à amortização fiscal do ágio, apontando que a utilização de empresaveículo e a apuração de ágio entre partes relacionadas obstaria a possibilidade de seu aproveitamento. Contudo, fica claro, também, que o acórdão recorrido não se posicionou sobre os diversos motivos que ensejaram às operações que culminaram com o aproveitamento dos ágios e, como demonstrado, justificaram seu reconhecimento (itens III. 1.2; III.2.2; III.3.3 da Impugnação). Ora, o voto retirado do processo administrativo n° 16561.720093/201138 é expresso no sentido de que na contribuinte não apresentou nenhuma outra justificativa" (fls. 32 do acórdão recorrido) para a realização das operações como levadas a efeito. Ocorre que aquele julgamento não abordou as questões suscitadas na Impugnação apresentada nestes autos, muito menos analisou as operações em detalhes como foram aqui abordadas, de forma que não caberia sua utilização como fundamento para a rejeição do conteúdo da presente defesa o que, frisese, sequer seria possível, haja vista a necessidade de Fl. 6947DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.948 58 que o Colegiado se manifestasse diretamente quanto aos argumentos da Recorrente e não simplesmente reproduzisse outra decisão. Ora, a atuação da Autoridade Julgadora não pode se resumir a simples trabalho de "encaixe" de matérias préjulgadas a novas autuações, com razões de defesa únicas e independentes, ainda que as matérias sejam relacionadas. Em outras palavras, mesmo que o processo administrativo n° 16561.720093/201138 também verse sobre o aproveitamento de ágio pela Recorrente que culminou no presente lançamento fiscal, de certo que cumpre à Autoridade Administrativa realizar a devida apreciação dos pontos de defesa abordados pela Recorrente em cada caso, separadamente. Nesse contexto, importante notar que o Ágio Mundial sequer era objeto daquele processo administrativo, como, inclusive, reconhecido pela própria decisão recorrida4, o que, por óbvio, torna tal decisão completamente inaplicável à análise desta matéria. A justificativa adotada no voto condutor do acórdão recorrido para aplicar o mesmo entendimento do processo administrativo n° 16561.720093/201138 foi a relação e semelhança entre os fatos que ensejaram a apuração do Ágio Mundial e os Ágios ND PAR e Dabarra. Contudo, a simples semelhança entre as matérias não representa o devido enfrentamento dos argumentos de defesa suscitados pela Recorrente em sua Impugnação. Com efeito, o acórdão recorrido busca fazer crer que o trecho reproduzido da decisão do processo administrativo n° 16561.720093/201138 também abrangeria o Ágio Mundial, matéria que sequer era discutida naqueles autos. Ora, como poderia, então, tal decisão se aplicar à situação fática que sequer analisou e, ainda mais, sobre argumentos de defesa que nem foram suscitados naquele julgamento? Frisese, ainda que haja semelhança entre os aspectos que permeiam a geração dos Ágios NDPAR e Dabarra e o Ágio Mundial, de rigor que cada operação possui nuances próprias que não podem ser resumidas em um simples julgamento "temático". Cumpre, à Autoridade Julgadora, a devida análise do caso em específico para, assim, atender ao devido processo legal e permitir a ampla defesa e contraditório por parte do Contribuinte. Caso contrário, não é possibilitado à Recorrente rebater de maneira minimamente eficaz as razões do acórdão recorrido, pois o trecho que foi replicado na decisão sequer trata da situação concreta que se abordará em sede recursal. Portanto, além da impossibilidade de se aceitar a simples transcrição de outro julgado proferido em processo administrativo específico, o qual sequer abordada todas as 4 "No entanto, a subscrição de capital da MUNDIAL pela COSAN 50, matéria objeto do p.p. não autuada naquele (...)" (fls. 31 do acórdão recorrido) Fl. 6948DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.949 59 matérias sob exame nesses autos, há ainda mais motivos para que seja reconhecida a insuficiência dos fundamentos que suportam o acórdão prolatado, ensejando, assim, o reconhecimento de sua nulidade. [...] Para além do alegado, releva notar que a transcrição, na decisão recorrida, da decisão proferida no processo administrativo nº 16561.720093/201138, traz a seguinte constatação: [...] (...) a fiscalizada foi inquirida sobre os motivos ou fins da operação de constituição da empresa Mandiçununga, destacando os benefícios esperados e os resultados alcançados. Da mesma forma, foi questionada sobre os motivos pelos quais a permuta pela NDPar e o aumento de capital efetuado na Corona não foram realizados diretamente pela Cosan 50. A contribuinte não apresentou nenhuma outra justificativa. Portanto, o ágio carreado por empresa veículo ou gerado internamente não é passível de reconhecimento, e não se pode admitir que a sua amortização seja dedutível tributariamente, pois, estarseia admitindo a dedutibilidade de uma despesa criada artificialmente. [...] Como bem descrito no Termo de Verificação Fiscal, houve a utilização de uma empresa veículo entre a Cosan 50 e a Corona (Mandiçununga). Essa empresa veículo, sem nenhuma operação econômica, poderia ser incorporada sem ônus, mas com todos os benefícios fiscais da amortização dos ágios. A passagem dos ativos da Cosan 50 pela Mandiçununga foram considerados pela Fiscalização como operações formais e artificiais, não efetivadas no mundo real. Os ágios, segundo levantamento fiscal, na verdade, pertencem à Cosan 50 e lá ficariam, pois tanto a Corona quanto a Cosan 50 são empresas ativas, não tendo ocorrido a situação que permitiria o enquadramento dos ágios no art. 386 do RIR/99, como já citado. Outro fato relevante constatado pela autoridade fiscal é que o ágio, o qual teria sido apurado pela Mandiçununga na permuta da Aguapar pela NDPar bem como o apurado pela Mandiçununga no aumento de capital da Corona (incluindo o ágio da Usina da Barra 44), foram transferidos à própria Corona na sequência, pela incorporação da Mandiçununga e NDPar (entre outras), permitindo artificialmente aplicar o disposto no art. 386 do RIR/99. Essa incorporação reversa da empresa Mandiçununga, foi utilizada apenas para transferência dos ágios apurados, em operação denominada de "incorporação às avessas". [...] Fl. 6949DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.950 60 Está claro que a presente operação nada mais representa do que uma reorganização societária para fins de redução de tributos, sem fundamento econômico, pois faltou o propósito negocial da operação, como bem descrito pela autoridade fiscal. O propósito do negócio entre as sociedades envolvidas na incorporação é unicamente de redução de tributos, pois uma vez constituída, para que esta pudesse aproveitar a dedução do ágio (incorporação às avessas da empresa mãe pela filha). [...] Portanto, no presente caso, a amortização do ágio decorrente de operações societárias, não pode ser reconhecido pelos seguintes motivos: 1. A autuada não apresentou justificativas plausíveis, os quais justificassem a operação de constituição da empresa Mandiçununga, destacando os benefícios esperados e os resultados alcançados bem como sobre os motivos pelos quais a permuta pela NDPar e o aumento de capital efetuado na Corona não foram realizados diretamente pela Cosan 50; 2. As operações societárias envolvendo a empresa Corona foram realizadas através de empresas efêmeras e sem existência real (Mandiçununga e NDPar e Aguapar), que foram utilizadas apenas para possibilitar a obtenção do benefício da amortização do ágio, com vistas a melhorar as condições financeiras da aquisição feita; 3. As empresas foram constituídas tendo com único objetivo a transferência de ativos (empresas veículos) nas aquisições de outras empresas; 4. O tempo decorrido entre as operações, muito curta, denota o propósito apenas de viabilizar a constituição do ágio e seu posterior aproveitamento pela incorporadora (o trânsito pela Dabarra do aumento de capital com ativos que saíram da Cosan 50 no dia 28/02/2006, às 9 horas, e às 18 horas do mesmo dia foram entregues para a Corona); 5. A pessoa jurídica foi, de fato, constituída para fins específicos, ou seja, utilizada apenas para abrigar determinadas operações e evitar a incidência de tributos; [...] Nestes termos, a partir da acusação fiscal de que a contribuinte não apresentou nenhuma outra justificativa para as operações na forma realizada, a fundamentação adotada na decisão recorrida apenas conclui que não foram apresentadas justificativas plausíveis pela impugnante, reportando o uso de empresa veículo e de existência efêmera, muito embora os argumentos deduzidos na impugnação apresentada nestes autos, como expresso no próprio relatório da decisão recorrida, tenham sido os seguintes: [...] Fl. 6950DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.951 61 . que os argumentos fiscais para a desconsideração do ágio da NDPAR não possuem qualquer fundamentação legal, ao passo que “as operações em foco atenderam a todos os requisitos legais para registro e amortização do ágio” e “todos os atos societários que acarretaram o aproveitamento do ágio pela Impugnante deramse de forma lícita e adequada para atingir os objetivos de todas as partes, bem como com o conhecimento dos órgãos competentes envolvidos”. “Da análise do ‘filme’ das operações efetivamente ocorridas, constatase que as operações societárias (‘várias fotografias’) que culminaram no aproveitamento fiscal do ágio pela Impugnante visavam, desde sempre, a aquisição da NDPAR, detentora da participação societária na Corona, pela Mandiçununga. Dessa forma, verificase desde já que a dedutibilidade fiscal do ágio é uma mera consequência do conjunto das operações analisadas, com o efetivo propósito negocial”. Tal aquisição foi conseguida pela realização da permuta NDPAR x AGUAPAR, realizada entre a Família Ugolini e a MANDIÇUNUNGA; num contexto que “envolve processo de restruturação e crescimento do Grupo Cosan, com investimento em novos negócios e mercados, o que, inclusive, se verifica na própria operação de aquisição do controle acionário da Açucareira Corona”, já que “o evidente abismo financeiro em que se encontrava a Corona (...) ensejou a principal dissidência entre os sócios da Corona, após a entrada da Fluxo e da Cosan no negócio, (...) mesmo após os diversos esforços conduzidos pelos novos acionistas, aliados à atuação da acionista remanescente, NDPAR, para reerguer financeiramente a Corona, esta ainda permanecia em situação de grave endividamento, principalmente com fornecedores, o que, por óbvio, não era interessante para o desenvolvimento de suas atividades e, por consequência, realização do investimento pelos acionistas. Neste contexto, a solução encontrada foi a realização de novo aporte de capital na Corona, com o objetivo de evitar a falência do negócio. No entanto, a Fluxo e NDPAR não possuíam recursos suficientes para assim prosseguir, de forma que, caso o aumento fosse realizado inteiramente ou principalmente pelo Grupo Cosan, ocorreria a diluição de suas participações societárias e perda do controle na tomada de decisões, situação que não era de interesse daquelas sociedades, levandoas a optarem por se desfazer do negócio, alienandoo ao Grupo Cosan”; [...] . que, quanto ao ágio na DABARRA, os argumentos fiscais não possuem qualquer fundamentação legal. A crise financeira enfrentada pela CORONA, inclusive com elevado passivo fiscal, motivou o grupo Cosan a efetuar o aumento do seu capital, “integralizado diretamente pela Mandiçununga (Dabarra)”. Assim, “a operação em foco teve, sim, um claro propósito negocial, consubstanciado na intenção do Grupo Cosan em despender dos meios necessários para ver a continuação das atividades desenvolvidas pela Corona, em estrita relação com o plano de negócios traçado pelo Grupo no desenvolvimento e expansão de suas atividades, além do atingimento de novos Fl. 6951DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.952 62 mercados”. Ademais, “o registro do referido ágio tem como suporte o mesmo laudo de avaliação econômica da Corona elaborado pela Deloitte para fins da operação de aquisição da NDPAR por permuta (...) considerandose que as duas operações (i.e. a aquisição da NDPAR por meio de permuta e o aumento de capital na Corona) são contemporâneas, efetivadas ao final do mês de fevereiro de 2006, o laudo de avaliação da Corona datado de 31/01/2006 é plenamente suficiente para suportar os dois ágios”. Acrescentou a defesa que “ao fundamentar a glosa da despesa com o ágio em foco, a Autoridade Fiscal questiona, ainda, a validade do ágio gerado no aporte de capital feito pela Cosan 50 na Usina da Barra 44, transferido à Corona na integralização do aumento de capital na Corona (...) Contudo, o entendimento fiscal neste tocante também não merece prosperar, tendo em vista, primeiramente, que o referido ágio da Usina da Barra 44 sequer ensejou qualquer despesa com amortização nos anosbase do presente lançamento”. Mas que “na remota hipótese da desconsideração do ágio da Usina da Barra 44 na capitalização da Corona, (i) o efeito no presente caso seria apenas a glosa parcial do ‘Ágio Dabarra’ (exclusão do montante de R$ 22.894.988,00 da composição de tal ágio), mas jamais a desconsideração integral desse ativo, ou, ao menos, (ii) o presente processo deverá ser sobrestado até o encerramento definitivo do processo administrativo nº 16561.720093/201138 que trata sobre esse ágio, como reconhecido pela própria Autoridade Fiscal”; [...] . que “o aumento de capital na Usina da Barra 44 se deu por meio de cessão de créditos no valor de R$ 70.000.000,00, em conta corrente que a Cosan 50 detinha com a Usina da Barra 44. Vejase, aqui, que não se trata de ausência de pagamento, como busca caracterizar a Autoridade Fiscal. De fato, o que se tem é a cessão de um crédito, de forma que a Cosan 50 passa a possuir um débito futuro com a Usina da Barra 44, em troca de participação societária em seu capital (por conseguinte, uma aquisição)”; [...] . que “os argumentos fiscais para justificar a suposta invalidade do ágio decorrente do aumento de capital na Mundial encontram grande semelhança com as questões suscitadas pela Autoridade Fiscal na análise do ágio no aumento de capital na Corona, já analisados e devidamente rebatidos” e que “seguindo em linha com o processo de ampliação de suas atividades e atingimento de novos mercados, o Grupo Cosan efetuou a aquisição da Mundial, ao passo que, após esta negociação, passou a uma capacidade conjunta de produção de 32,8 milhões de toneladas de canade açúcar. (...) a partir da aquisição em foco e competente adequação dos critérios contábeis adotados pela Mundial aos padrões estabelecidos pelo Grupo Cosan, verificouse a existência de vultoso passivo a descoberto que, necessariamente, deveria ser suprido”; Fl. 6952DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.953 63 Houve, assim, substanciais justificativas para realização das operações da forma efetivada. Aliás, em sustentação oral, a patrona da recorrente demonstrou que a impugnação apresentada no processo administrativo nº 16561.720093/201138 foi elaborada por outro patrono, e esta seria a razão de não ter veiculado diversos argumentos somente deduzidos nestes autos. Diante de tantas especificidades veiculadas em impugnação, não se vislumbra na argumentação desenvolvida às fls. 56 e 59 da decisão recorrida resposta suficiente para afastar a arguição de cerceamento ao direito de defesa. Em verdade, a autoridade julgadora de 1ª instância estendeuse sobre as características das operações descritas pela autoridade fiscal, mas não enfrentou as justificativas apresentadas pela defesa. É certo que a decisão não precisa enfrentar todas as questões trazidas na sua peça de defesa. Contudo, frente a evidências de que a defesa apresentada no processo administrativo nº 16561.720093/201138 não foi a mesma deduzida nestes autos, impõese reconhecer que as justificativas apresentadas para o formato adotado nas operações questionadas deveriam ser examinadas na decisão recorrida, dada a possibilidade de algum aspecto fático se prestar a descaracterizar a acusação fiscal de transferência do ágio amortizado. Esclareçase que o vício aqui constatado não decorre da mera transcrição de decisão proferida em outro processo, circunstância que não caracteriza, necessariamente, a nulidade da decisão, como já exposto por esta Conselheira em declaração de voto no Acórdão nº 1402003.823: A recorrente argúi a nulidade do acórdão recorrido por ausência de devida fundamentação, asseverando que em momento algum a decisão enfrentou algum argumento de mérito apresentado pela Recorrente. Destaca trecho que seria revelador da escolha do órgão julgador em não se pronunciar sobre a matéria impugnada, para concluir que o acórdão recorrido se limitou a mencionar que no mérito concorda com os argumentos apresentados por outra Turma Julgadora em sede de julgamento de outro processo administrativo (13830.720239/201482). Aponta violação ao art. 489, §1º, inciso IV do Código de Processo Civil e afirma ter sido cometida dupla ilegalidade porque não apresentada fundamentação a ensejar a improcedência da Impugnação apresentada e por inexistir justificativa e construção racional do julgador para sustentar que o referido Acórdão nº 1457.618 pode ser integralmente aplicado, quanto à fundamentação, ao presente processo administrativo. Observa que o CARF já tomou posicionamento conflitantes em relação a uma mesma operação fiscalizada, reporta condução divergente adotada por outra DRJ, e acrescenta que a mera verificação da natureza e origem das despesas não justificam, ou não, a sua glosa, mas sim os fundamentos adotados pela Fiscalização para fundamentar a dedutibilidade, ou não, das referidas despesas, devendose analisar os elementos que compõem as operações societárias fiscalizadas, e se foram cumpridos os requisitos legais de dedutibilidade da amortização do ágio. Inicialmente anotese que, em respeito ao princípio da colegialidade, esta Conselheira deixa de se reportar aos Fl. 6953DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.954 64 argumentos deduzidos na preliminar de conexão suscitada no Acórdão nº 1402003.574, no qual restou vencida, e que poderia validar a decisão de 1ª instância mesmo se confirmada a alegada ausência de devida fundamentação, dado que, como se demonstrará adiante, a decisão recorrida está devidamente fundamentada. Isto porque o exame do acórdão recorrido evidencia que a preliminar de nulidade do lançamento foi apreciada, nos seguintes termos: Em preliminar, a Impugnante alega ter havido violação ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e art. 142 do CTN, em razão de ausência de fundamentação da glosa de despesa de ágio; argumentando que “não foi realizado qualquer juízo próprio de valor quanto à glosa das exclusões decorrentes da amortização de ágio pago por rentabilidade futura, sendo que, claramente, o Sr. Agente Fiscal limitouse a mencionar a existência do procedimento fiscal anterior ...”. Não houve quaisquer dos eventos alegados em preliminar. O devido processo legal fora efetivamente respeitado com a devida ciência, dos autos de infração e seus consectários, tendo sido, então, apresentada a correspondente impugnação no prazo legal. De fato, a Fiscalização considerou a fim de apurar a matéria tributável no período de 2013/2014, tudo que havia sido discutido e apurado no contexto do PAF nº 13830.720239/201482, porque se tratava de continuidade de amortização do mesmo ágio examinado nos autos do processo citado, que considerou o período de 2009/2012 imediatamente anterior ao aqui tratado. No entanto, a Autoridade Fiscal, de modo expresso e claro, informou ao contribuinte, já no Termo de Início de Procedimento Fiscal, de que a auditoria fiscal que se iniciava tratava, entre outros, das despesas de amortização do ágio examinado naquele outro processo, a fim de lhe oportunizar a adição de qualquer novo e relevante elemento, verbis: [...] Ora, visto que nada de novo, em relação ao procedimento anterior, fora acrescentado, conforme constatara a Autoridade Fiscal, houve manutenção dos fundamentos para manter a glosa do ágio discutido (fl. 429): 7. As explicações e os documentos apresentados são os mesmos que integram o lançamento anterior. Assim, adotamos os mesmos fundamentos expostos no Relatório Fiscal (fls. 9/15) da autuação anterior, no presente lançamento. (gn) Fl. 6954DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.955 65 Daí improceder a preliminar de nulidade com base em “ausência de fundamentação da glosa de despesa de ágio”. Ademais, a recuperação de elementos de prova e todas as informações de interesse para a Fiscalização constante dos autos do Processo Administrativo n° 13830.720239/2014 82. Além de ter sido operado pelo próprio contribuinte (fls. 37 e ss), o transporte daqueles elementos justificase porque os contenciosos de ambos os processos (aquele citado e o atual) têm origem nas mesmas operações resultantes em despesa de ágio, parte amortizada de 2009 a 2012 (objeto do PAF nº 13830.720239/201482) e parte amortizada de 2013 a 2014 (objeto do PAF nº 13830.720422/201721). Notandose ainda que o art. 37 da Lei nº 9.784/99 fornece apoio legal para o procedimento adotado: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. (gn) Finalmente, não se vislumbra abuso na fiscalização empreendida pelas Autoridades da Receita Federal, assim, descabida qualquer alegação de nulidade, que deve ser rejeitada. Conclusão que se torna induvidosa quando se verifica que o auto de infração contém todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O simples cotejamento dos autos de infração lavrados com cada requisito acima enumerado confirma a obediência plena às determinações legais, inclusive no que se refere à descrição dos fatos. Por outro lado, não se verifica ofensa ao art. 5º, LV, CF/88, pois houve ciência do auto de infração e oportunidade para o contraditório e a ampla defesa, nem se detecta violação aos art. 3º e 142 do CTN, pois, há indiscutível base legal citadas nos AI e TVF para o lançamento de ofício e para exigência de multas correspondentes. Fl. 6955DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.956 66 Enfim, não tendo havido cerceamento de defesa, tendo sido lavrado o auto de infração por autoridade competente, consideramse válidos todos os atos praticados no procedimento fiscal, porque em consonância ao que determina o PAF, art. 59, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Desta forma, rejeitase integralmente a tese de nulidade, em todos os seus fundamentos. Nesta exposição já se constata que a autoridade julgadora demonstrou a equivalência entre as acusações fiscais dos dois processos administrativos citados e, na sequência, o que se observa é a equiparação, também, das razões de defesa apresentadas em ambos os processos: A Autoridade Fiscal, no Relatório (fls. 427 e ss), e a Impugnante, em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 37 e ss), embora com propósitos distintos, recuperam elementos do Processo Administrativo Fiscal n° 13830.720239/201482, espaço do contencioso substantivado na resistência à lavratura de Autos de Infração de IRPJ e CSLL, referentes aos períodos de apuração de 2009 a 2012. Neste sentido, a Autoridade Fiscal transportou elementos, informações, provas para a apuração dos mesmos tributos dos períodos subseqüentes (2013 e 2014), adotando o mesmo fundamento da autuação anterior para estes autos conforme revelou no Relatório Fiscal, fl. 429: “(...) adotamos os mesmos fundamentos expostos no Relatório Fiscal (fls. 9/15) da autuação anterior, no presente lançamento”. Por seu turno, a Impugnante produziu contestação na mesma linha (na parte que se refere à constituição do crédito relativa ao ágio) da Impugnação apresentada no curso do PAF n° 13830.720239/201482, conforme tacitamente admite (fl. 443 e ss): Considerando a já mencionada inexistência de motivação própria no TVF lavrado nestes autos para deixar de reconhecer a legitimidade da exclusão da amortização de ágio do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos anos base de 2013 e 2014, cabe à Impugnante enfrentar os argumentos fiscais suscitados no Processo Administrativo n° 13830.720239/201482, adotado como suporte da presente autuação (vide fls. 03 do Relatório Fiscal). O argumento que fundamentou os autos de infração objeto do Processo Administrativo n° 13830.720239/201482 se resume, basicamente, à impossibilidade de amortizar o Fl. 6956DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.957 67 suposto ágio interno, em razão de as operações terem sido realizadas entre partes relacionadas. (gn) Na verdade, observandose pela ótica do contribuinte, nos anos de 2013 e 2014, há apenas continuidade de registros e dedução de despesas a título de amortização de ágio legítima e legalmente obtido, cuja origem e utilização para efeito de cálculo do IRPJ/CSLL já haviam sido contempladas nos períodos anteriores (2009/2012). E, posicionandose na perspectiva da Fiscalização, há apenas continuidade das glosas já efetuadas mediante regular processo administrativo fiscal para período pretérito de despesas com idêntica origem e natureza. Assim, a matéria litigiosa tratada no PAF n° 13830.720239/201482, no que concerne a legitimidade e dedutibilidade das citadas despesas de ágio, abrange completamente as questões suscitadas sobre a dedutibilidade, ou não, da amortização do ágio na apuração das bases de cálculo dos mesmos tributos no período tratado nestes autos. É neste contexto que a autoridade julgadora de 1ª instância conclui: Neste autos, é necessário apenas averiguar se, de fato, as despesas glosadas correspondem exatamente em sua natureza e origem àquelas discutidas nos autos citados (PAF n° 13830.720239/201482). Todavia, conforme já afirmado, a simples leitura das peças equivalentes (Relatório Fiscal e Impugnação) nos dois processos dissipa qualquer dúvida em relação ao ponto. Assim, adotase os mesmos fundamentos registrados no voto do Acórdão 1457.618 5ª Turma da DRJ/POR, PAF n° 13830.720239/201482 para rejeitar as despesas com ágio no período de 2013/2014. Ou seja, a decisão recorrida claramente adota os mesmos fundamentos da decisão proferida no processo administrativo nº 13830.720239/201482 por constatar que a acusação fiscal e a defesa lá apresentadas veicularam argumentos equivalentes aos presentes nestes autos. Desnecessário, assim, reproduzir os termos daquela decisão, considerando que o sujeito passivo dela, indubitavelmente, tem ciência. Registrese, ainda, que o acórdão recorrido também traz a abordagem dos pedidos subsidiários acerca de (1) exoneração do crédito tributário referente à CSLL;e de (2) exclusão dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, e de sobrestamento do feito, com a correspondente exposição das razões de decidir, e que assim resultam, ao final, na declaração de improcedência total da impugnação. Nos termos do art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, a nulidade da decisão de 1ª instância depende, necessariamente, Fl. 6957DF CARF MF Processo nº 16561.720171/201617 Acórdão n.º 1402003.857 S1C4T2 Fl. 6.958 68 da demonstração de prejuízo à defesa, eventualmente infirmandose a equiparação entre a acusação fiscal e a defesa apresentada no processo administrativo nº 13830.720239/2014 82, com base na qual a autoridade julgadora de 1ª instância decidiu adotar os mesmos fundamentos da decisão proferida naquele processo. Ausente esta demonstração, deve ser rejeitada a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância. Considerando, por fim, que o Decreto nº 70.235/72 não cogita da oposição de embargos em face de omissões presentes nas decisões de 1ª instância, a solução processual para tais vícios é a declaração de sua nulidade, com fundamento no art. 59, II do Decreto nº 70.235/72. Estas as razões, portanto, para ACOLHER a arguição de nulidade da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Fl. 6958DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720192/2016-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013
Lançamento. Clareza na Descrição e no Enquadramento Jurídico dos Fatos. Cerceamento do Direito de Defesa. Não Ocorrência.
É válido o lançamento que descreve os fatos com clareza, dando a eles a correta qualificação jurídica, ainda que haja imprecisão no enquadramento legal, salvo se desta irregularidade resultar prejuízo para o autuado.
Possibilidade de Examinar os Autos. Cerceamento do Direito de Defesa. Não Ocorrência.
Não há cerceamento do direito de defesa se ao sujeito passivo é assegurado o direito de examinar os autos, bem como o de obter do processo administrativo cópia integral ou parcial.
Prova Trasladada de Inquérito Policial e de Processo Penal. Validade.
É válido o emprego no processo administrativo tributário de prova trasladada e inquérito policial e de processo penal envolvendo o mesmo contribuinte e tendo por objeto fatos relevantes em matéria tributária.
Remessa de Valores para o Exterior. Simulação de Pagamento de Importação. IRRF. Cabimento.
É cabível a incidência de IRRF sobre valores remetidos para o exterior simulados sob a forma de pagamento de importação, pois o fato caracteriza pagamento sem causa.
Administrador de FAto. Atos Praticados com Infração de Lei. Responsabilidade Tributária.
Responde pelo pagamento do crédito tributário aquele que, exercendo de fato poderes de gestão da empresa, pratiquem de forma dolosa atos com infração lei, que dêem origem à obrigação tributária.
Solidariedade Tributária. Designação Expressa de Lei. Necessidade de Lei em Sentido Estrito.
A solidariedade tributária que tem origem em disposição expressa de lei exige em lei em sentido estrito, não sendo hábil para esse fim o mero ato administrativo.
Simulação. Conluio. Multa Qualificada. Cabimento.
Cabe multa qualificada na hipótese de simulação perpetrada, individualmente ou em conluio, para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento pelo Fisco da ocorrência do fato gerador, de sua natureza, ou de suas circunstâncias materiais.
Multa Agravada. Ausência de Intimação ou Impossibilidade de Atender o Fisco. Não Cabimento.
O agravamento da multa não é cabível quando o sujeito passivo não tenha sido intimado pelo Fisco a apresentar documentos, ou, quando intimado, não lhe seja possível atender à intimação.
Multa. Efeito Confiscatório. Exame na Esfera Administrativa. Impossibilidade.
É vedado, na esfera administrativa, o exame de eventual efeito confiscatório da multa, por implicar controle de constitucionalidade de ato normativo, o que afronta o art. 26-A do Decreto nº 70.25/1972 e a Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1301-003.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) determinar a formação de autos apartados em relação à exigência do crédito tributário relativo ao IOF e declinar da competência, em favor da 3ª Seção de Julgamento, para julgamento dos recursos correspondentes; (ii) negar provimento ao recurso de ofício; e (iii) dar provimento parcial ao recurso voluntário de Alberto Youssef para afastar, somente em relação ao Recorrente, a multa agravada, reduzindo a penalidade para 150%.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013 Lançamento. Clareza na Descrição e no Enquadramento Jurídico dos Fatos. Cerceamento do Direito de Defesa. Não Ocorrência. É válido o lançamento que descreve os fatos com clareza, dando a eles a correta qualificação jurídica, ainda que haja imprecisão no enquadramento legal, salvo se desta irregularidade resultar prejuízo para o autuado. Possibilidade de Examinar os Autos. Cerceamento do Direito de Defesa. Não Ocorrência. Não há cerceamento do direito de defesa se ao sujeito passivo é assegurado o direito de examinar os autos, bem como o de obter do processo administrativo cópia integral ou parcial. Prova Trasladada de Inquérito Policial e de Processo Penal. Validade. É válido o emprego no processo administrativo tributário de prova trasladada e inquérito policial e de processo penal envolvendo o mesmo contribuinte e tendo por objeto fatos relevantes em matéria tributária. Remessa de Valores para o Exterior. Simulação de Pagamento de Importação. IRRF. Cabimento. É cabível a incidência de IRRF sobre valores remetidos para o exterior simulados sob a forma de pagamento de importação, pois o fato caracteriza pagamento sem causa. Administrador de FAto. Atos Praticados com Infração de Lei. Responsabilidade Tributária. Responde pelo pagamento do crédito tributário aquele que, exercendo de fato poderes de gestão da empresa, pratiquem de forma dolosa atos com infração lei, que dêem origem à obrigação tributária. Solidariedade Tributária. Designação Expressa de Lei. Necessidade de Lei em Sentido Estrito. A solidariedade tributária que tem origem em disposição expressa de lei exige em lei em sentido estrito, não sendo hábil para esse fim o mero ato administrativo. Simulação. Conluio. Multa Qualificada. Cabimento. Cabe multa qualificada na hipótese de simulação perpetrada, individualmente ou em conluio, para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento pelo Fisco da ocorrência do fato gerador, de sua natureza, ou de suas circunstâncias materiais. Multa Agravada. Ausência de Intimação ou Impossibilidade de Atender o Fisco. Não Cabimento. O agravamento da multa não é cabível quando o sujeito passivo não tenha sido intimado pelo Fisco a apresentar documentos, ou, quando intimado, não lhe seja possível atender à intimação. Multa. Efeito Confiscatório. Exame na Esfera Administrativa. Impossibilidade. É vedado, na esfera administrativa, o exame de eventual efeito confiscatório da multa, por implicar controle de constitucionalidade de ato normativo, o que afronta o art. 26-A do Decreto nº 70.25/1972 e a Súmula CARF nº 2.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2005; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 3.469 1 3.468 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720192/201624 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1301003.898 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2019 Matéria IRRF PAGAMENTO SEM CAUSA Recorrentes INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MEDICAMENTOS LABOGEN S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013 LANÇAMENTO. CLAREZA NA DESCRIÇÃO E NO ENQUADRAMENTO JURÍDICO DOS FATOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. É válido o lançamento que descreve os fatos com clareza, dando a eles a correta qualificação jurídica, ainda que haja imprecisão no enquadramento legal, salvo se desta irregularidade resultar prejuízo para o autuado. POSSIBILIDADE DE EXAMINAR OS AUTOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa se ao sujeito passivo é assegurado o direito de examinar os autos, bem como o de obter do processo administrativo cópia integral ou parcial. PROVA TRASLADADA DE INQUÉRITO POLICIAL E DE PROCESSO PENAL. VALIDADE. É válido o emprego no processo administrativo tributário de prova trasladada e inquérito policial e de processo penal envolvendo o mesmo contribuinte e tendo por objeto fatos relevantes em matéria tributária. REMESSA DE VALORES PARA O EXTERIOR. SIMULAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPORTAÇÃO. IRRF. CABIMENTO. É cabível a incidência de IRRF sobre valores remetidos para o exterior simulados sob a forma de pagamento de importação, pois o fato caracteriza pagamento sem causa. ADMINISTRADOR DE FATO. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO DE LEI. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Responde pelo pagamento do crédito tributário aquele que, exercendo de fato poderes de gestão da empresa, pratiquem de forma dolosa atos com infração lei, que dêem origem à obrigação tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 92 /2 01 6- 24 Fl. 3469DF CARF MF Processo nº 16561.720192/201624 Acórdão n.º 1301003.898 S1C3T1 Fl. 3.470 2 SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. DESIGNAÇÃO EXPRESSA DE LEI. NECESSIDADE DE LEI EM SENTIDO ESTRITO. A solidariedade tributária que tem origem em disposição expressa de lei exige em lei em sentido estrito, não sendo hábil para esse fim o mero ato administrativo. SIMULAÇÃO. CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabe multa qualificada na hipótese de simulação perpetrada, individualmente ou em conluio, para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento pelo Fisco da ocorrência do fato gerador, de sua natureza, ou de suas circunstâncias materiais. MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO OU IMPOSSIBILIDADE DE ATENDER O FISCO. NÃO CABIMENTO. O agravamento da multa não é cabível quando o sujeito passivo não tenha sido intimado pelo Fisco a apresentar documentos, ou, quando intimado, não lhe seja possível atender à intimação. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado, na esfera administrativa, o exame de eventual efeito confiscatório da multa, por implicar controle de constitucionalidade de ato normativo, o que afronta o art. 26A do Decreto nº 70.25/1972 e a Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) determinar a formação de autos apartados em relação à exigência do crédito tributário relativo ao IOF e declinar da competência, em favor da 3ª Seção de Julgamento, para julgamento dos recursos correspondentes; (ii) negar provimento ao recurso de ofício; e (iii) dar provimento parcial ao recurso voluntário de Alberto Youssef para afastar, somente em relação ao Recorrente, a multa agravada, reduzindo a penalidade para 150%. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. Fl. 3470DF CARF MF Processo nº 16561.720192/201624 Acórdão n.º 1301003.898 S1C3T1 Fl. 3.471 3 Relatório Tratase de recurso interposto contra o Acórdão nº 12.91.713, da 2ª Turma da DRJ Rio de Janeiro, que manteve o lançamento de IRRF e IOF efetuados contra as seguintes pessoas: Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen S/A; Pioneer Corretora de Câmbio Ltda. em Liquidação; Carlos Alberto Pereira da Costa; Esdras de Arantes Ferreira; Leonardo Meirelles; Leandro Meirelles; Pedro Argese Junior; Raphael Flores Rodriguez; Waldomiro de Oliveira; Alberto Youssef; e Banco Confidence de Câmbio S.A. O trabalho de fiscalização, que resultou no lançamento ora discutido, foi deflagrado a partir de dados obtidos da chamada "Operação Lava Jato". Especificamente, a questão tratada neste processo envolve remessa de dinheiro para o exterior sem retenção de Imposto de Renda e de IOF, dissimulada sob a forma de pagamentos de importações. O fato foi assim descrito no Termo de Verificação Fiscal TVF, com fulcro em denúncia do Ministério Público Federal: Por fim, recentemente, os doleiros têm se valido de uma nova forma de evasão de divisas, por meio de contratos de câmbio, supostamente realizados para o pagamento de importações. Os doleiros se valem de uma falha nos sistemas de controle, pois as Instituições Financeiras e as Corretoras de Valores não precisam mais pesquisar junto ao SISCOMEX, ao realizar um contrato de câmbio, se realmente existiu aquela importação que justificaria a realização de um contrato de câmbio. Assim, os doleiros criam empresas de fachada, que supostamente realizam importações de mercadorias no Brasil. Criam, também, empresas offshore, que supostamente enviariam mercadorias ao Brasil, abrindo contas no exterior, em nome destas empresas offshore, para receber os valores das supostas transações internacionais. Com isto, as empresas brasileiras de fachada simulam uma importação das empresas offshore, fabricando invoices e conhecimentos de transporte para dar aparência de legalidade, assim como contratos simulados entre a suposta importadora e a exportadora. Como não há padronização nas normas de controle, atualmente sequer necessitam apresentar a Declaração de Importação. Com base em tais documentos falsos, apresentam informações falsas à Instituição financeira e realizam contrato de câmbio sob a falsa rubrica de importações, quando, em verdade, tratase de mera simulação com o fim de enviar valores ao estrangeiro. O dinheiro é, então, remetido para a conta no exterior, como se fosse um contrato de câmbio vinculado a uma importação realizada. (fl. 1.406) O recorrente Alberto Youssef foi tido como líder do esquema concebido para remeter irregularmente divisas para o exterior: 5. ALBERTO YOUSSEF: considerado pelo MPF o líder da organização criminosa. Coordenava as atividades dos outros denunciados e era o responsável por todas as decisões. Foi o responsável direto por constituir, comandar, promover, integrar e financiar a organização criminosa. O MPF apurou, ainda, que: o denunciado YOUSSEF estruturou um sistema complexo de remessas ao exterior e evasão de divisas, valendose de empresas de Fl. 3471DF CARF MF Processo nº 16561.720192/201624 Acórdão n.º 1301003.898 S1C3T1 Fl. 3.472 4 fachada e offshores, simulando contratos de importação, visando realizar contratos de câmbio fraudulentos. (fls. 1.408 e 1.409) Aduziu ainda a autoridade lançadora no TVF: O Ministério Público Federal, no capítulo II, Síntese das Imputações, entre outras informações, fez constar que, pelo menos entre 01/2009 e 17/03/2014, o denunciado Youssef promoveu, agindo com os denunciados Leonardo, Leandro, Pedro, Esdra, Carlos Alberto e Raphael, entre junho de 2011 (pelo menos) e 17/03/2014, saídas de divisas do Brasil para o exterior, no valor de US$ 444.659.188,75, por meio de 3.649 operações de câmbio. As empresas envolvidas são: 1) Bosred Serviços de Informática Ltda. ME; 2) HMAR Consultoria em Informática Ltda. ME; 3) Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia; 4) Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen; 5) Piroquímica Comercial Ltda EPP; 6) RMV & CVV Consultoria em Informática Ltda. ME. Também estão envolvidas as empresas offshore DGX Imp. and Exp. Ltd e RFY Imp. Exp. Ltd. (...) Por intermédio da empresa Indústria Labogen S.A, entre 04/06/2009 e 03/10/2013, o denunciado YOUSSEF e os denunciados LEONARDO, LEANDRO, PEDRO, ESDRA, RAPHAEL e CARLOS ALBERTO, agindo em concurso e com unidade de desígnios, efetuaram 651 operação de câmbio não autorizados, sonegando informações que deveriam prestar e prestando informações falsas, com o fim de promover evasão de divisas do País, tendo, assim, promovido, sem autorização legal, a saída de divisas para o exterior (mais especificamente para a China, Coreia, Canadá, Formosa/Taiwan, Taiwan, Índia, Uruguai, EUA, Itália, Hong Kong, Ucrânia, Bélgica, Liechtenstein e Costa Rica) no montante de US$ 38.071.673,17, por meio de 651 contratos de câmbio fraudulentos. Referidos contratos estão descritos, de maneira pormenorizada, na Tabela D (com a data do evento, natureza do fato, número do contrato, instituição que realizou o contrato de câmbio, a empresa que supostamente recebeu os valores no exterior, o país em que o dinheiro foi enviado e o valor da importação, em dólares) anexa à presente denúncia, que passa a fazer parte integrante desta. A empresa Labogen S.A ("Indústria Labogen") foi constituída em 14.12.1995, com capital social de R$ 5,3 milhões (desde 04.06.2012) e está situada rua Frederico Magnusson, 227, Distrito Industrial, IndaiatubaSP mesmo endereço da Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia. Os sócios atuais destas empresas são os denunciados LEONARDO (sócio administrador desde 04.06.2012) e ESDRA (sócio desde 04.06.2012) mesmos sócios da Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia. Porém, quem era o responsável de fato pela empresa era o denunciado YOUSSEF. A empresa Indústria Labogen não existia de fato. Segundo as declarações dos sócios, a empresa está inativa desde 2008. Ademais, o sócio e ora denunciado LEONARDO confirmou, perante a Autoridade Policial, que YOUSSEF usava as contas da Indústria Labogen S.A. para a prática dos crimes de operação não autorizada de instituição financeira, lavagem de dinheiro de terceiros e evasão de divisas, e inclusive pagava l% de comissão sobre os valores movimentados nas contas. Fl. 3472DF CARF MF Processo nº 16561.720192/201624 Acórdão n.º 1301003.898 S1C3T1 Fl. 3.473 5 Ademais, referida empresa não apresenta registro de operações de importação no período de janeiro de 2009 a dezembro de 2013, mesmo porque não possuía habilitação ativa da Receita Federal para operar no comércio exterior, ou seja, não estava habilitada no SISCOMEX. Embora a empresa tenha sido habilitada antes de janeiro 2009, não operou no comércio exterior. Nada obstante, esta empresa realizou centenas de contratos de câmbio. Ao longo das investigações, junto aos emails dos denunciados, foram apreendidas cópias dos seguintes contratos de câmbio: (...) Conforme será visto em tópico próprio, há elementos que demonstram que a offshore DGX Imp. Exp. Ltd. era vinculada ao denunciado LEANDRO, enquanto a RFY IMPORT & EXPORT LIMITED era vinculada ao denunciado LEONARDO. Ambas, em verdade, não existiam e eram utilizadas apenas para justificar a evasão de divisas pela organização criminosa comandada pelo denunciado YOUSSEF. Isso quer dizer que a empresa simulou importações, fazendo declarações falsas nos contratos de câmbio de que estes se destinavam a pagar fornecedores estrangeiros, para enviar divisas para empresas no exterior. Porém, nada obstante, além das 6 operações mencionadas, a Labogen realizou, entre 04/06/2009 e 03/10/2013, no total, 651 operação de câmbio, sob a falsa rubrica de "Importação Câmbio Simplificado" (conforme D). Em verdade, nenhuma destas operações realmente representava uma importação efetiva e serviram apenas para simular e remeter ao exterior divisas o que de fato ocorreu, mediante a simulação de contratos de câmbio, no montante total de US$ 38.071.673,17. Ademais, diversos dos contratos de câmbio foram realizadas com empresas que não tinham sequer como objeto a fabricação de matériaprima que interessasse à empresa. (fls. 1.411 a 1.413) Uma vez caracterizada a inexistência das importações como causa da remessa de divisas para o exterior, restou afastada a isenção de IOF. Já os pagamentos assumiram a condição de pagamento sem causa, atraindo a incidência do IR na fonte. Contra o lançamento, apenas dois dos autuados apresentaram impugnação, a saber, Alberto Youssef e o Banco Confidence de Câmbio S.A. Houve revelia quanto aos demais. A DRJ RJO negou provimento à impugnação de Alberto Youssef, mas acolheu a impugnação do Banco Confidence de Câmbio S.A. e o excluiu do polo passivo. Entendeu o órgão julgador que, no caso concreto, não havia norma legal imputando responsabilidade tributária àquela instituição financeira. A decisão foi resumida na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/03/2012 a 22/04/2013 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra a qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Fl. 3473DF CARF MF Processo nº 16561.720192/201624 Acórdão n.º 1301003.898 S1C3T1 Fl. 3.474 6 JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação; precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/03/2012 a 22/04/2013 DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. CONTAGEM. Não havendo pagamento; ou comprovadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação; contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ADMINISTRADOR. INFRAÇÃO À LEI. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Por ser administrador de fato e ter cometido infração à lei, pode o terceiro ser responsabilizado solidariamente com a pessoa jurídica por tributos que deixaram de ser retidos e recolhidos, em razão do ilícito perpetrado, mas que, de ofício, foram constituídos com multa qualificada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias, as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. TOTALIDADE DO CRÉDITO. A sujeição passiva solidária atribuída à terceiros responsáveis referese à totalidade do crédito tributário, sendo este composto pelo tributo, multa e juros, não havendo espaço para proporção, redução ou exoneração, com base em critérios de pessoalidade ou participação no delito fiscal. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. A multa qualificada deve ser aplicada quando há prova robusta de que o sujeito passivo, mediante artifício doloso, evitou o pagamento dos tributos devidos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 02/03/2012 a 22/04/2013 OPERAÇÃO CAMBIAL FRAUDULENTA. IMPORTAÇÕES INEXISTENTES. INCIDÊNCIA. Incide o IOF nas operações cambiais fraudulentas baseadas em operações de importação inexistentes, não se aplicando a isenção prevista em lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 02/03/2012 a 22/04/2013 PAGAMENTO SEM CAUSA. IRRF. ALÍQUOTA 35%. Sujeitase à incidência do imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas quando não comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Inconformado, Alberto Youssef interpôs recurso. Arguiu preterição do direito de defesa, já que as mídias eletrônicas foram entregues depois da intimação do lançamento. Fl. 3474DF CARF MF Processo nº 16561.720192/201624 Acórdão n.º 1301003.898 S1C3T1 Fl. 3.475 7 Além disso, é precária a descrição dos fatos, por não identificar a conduta com base na qual a Fiscalização deduziu ser o recorrente o administrador de fato da Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen S/A. Além disso, o crédito teria sido constituído com ofensa ao art. 142, do Código Tributário Nacional CTN, e aos incisos III e IV do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, já que a descrição dos fatos foi equívoca. Aduziu que haveria erro também na capitulação legal, gerando inadequação do fato à norma. Insurgiuse contra o emprego de prova emprestada. A propósito, acusou a ausência de autorização da Justiça para compartilhamento de dados entre a Polícia Federal e a Receita Federal. No mérito, negou ter articulado a formação de qualquer organização criminosa para a prática de evasão de dividas. Disse que não se uniu a Leonardo Meirelles ou a seus subordinados para promover evasão de divisas e sequer conhecia a todos os denunciados. Na verdade, teria sido apenas mais um dos clientes para os quais Leonardo Meirelles prestara serviços. Assim, não atuou diretamente nas operações de câmbio objeto da fiscalização. O recorrente foi apenas mais um, dentre tantos clientes, mas não detinha poder de mando sobre Leonardo Meirelles. A Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen realizava transações para terceiros sem conhecimento ou ordem do recorrente, com ampla liberdade e deliberação de seu corpo de acionistas. Negou existir a solidariedade prevista no art. 124, inciso I, do CTN, pois o interesse comum exige prova de que os sujeitos passivos estavam no mesmo polo da relação jurídica tributária e praticaram conjuntamente o fato gerador. Além disso, negou que exercesse quaisquer poderes de administração na Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen S/A ou que fosse sócio administrador daquela empresa, em cujos atos constitutivos e alterações o nome do recorrente não figura. A par dessas alegações, questionou a qualificação da multa, já que não teria sido comprovado o dolo específico. Quanto ao agravamento, disse não ter tido ciência da ação fiscal, nem foi intimado especificamente para apresentar documentos e esclarecimentos; portanto, não poderia descumprir os prazos fixados pela Fiscalização. A falta de atendimento à intimação não pode ser imputada a terceiros. Ademais, o art. 61 da Lei nº 8.981/1995 instituiu verdadeira penalidade, pelo mecanismo de retenção de imposto na fonte, motivado por pagamento a beneficiário não identificado. Logo, tendo natureza jurídica de penalidade, o IRRF não poderia ser cumulado com multa de ofício. Com esses fundamentos, pediu o recorrente sua exclusão do polo passivo por ilegitimidade. A Procuradoria da Fazenda Nacional PFN apresentou contrarrazões, pugnando pelo não provimento do recurso voluntário. O processo foi remetido ao CARF, onde se encontra para julgamento do recurso voluntário e para reexame da parte da decisão a quo que excluiu do polo passivo o Banco Confidence de Câmbio S/A. É o relatório. Fl. 3475DF CARF MF Processo nº 16561.720192/201624 Acórdão n.º 1301003.898 S1C3T1 Fl. 3.476 8 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Quanto à parte da decisão que excluiu do polo passivo o Banco Confidence de Câmbio S/A, o reexame se faz necessário porquanto foi integral, para aquele autuando, a exoneração do crédito tributário, cujo valor excedeu em muito o limite de alçada fixado pela Portaria MF nº 63/2017, que é de R$ 2.500.000,00. Por esses razões se deve conhecer dos recursos, voluntário e de ofício, restrito, porém, ao julgamento ao IRRF. Incompetência da 1ª Seção para julgar recurso que verse sobre IOF O Regimento Interno do CARF, no Anexo II, ao determinar a competência das Seções de Julgamento, estabeleceu de forma expressa que a competência para julgar recursos que tenham por objeto o IOF cabe à 3ª Seção. Art. 4o À 3a (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: (...) VII Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF); Por outro lado, a norma regimental não prevê a possibilidade de a 1ª Seção de Julgamento apreciar qualquer questionamento sobre o IOF, nem mesmo quando haja identidade de matéria fática com o IRPJ ou a CSLL. Por essa razão, declinase, em favor da 3ª Seção de Julgamento, da competência para apreciar a matéria envolvendo o IOF. Sendo assim, este julgamento ficará restrito ao IRRF. Nulidade O recorrente alegou nulidade do lançamento, resultante de vários fatores, cada qual suficiente, por si mesmo, para invalidar o ato administrativo. O primeiro deles seria a preterição do direito de defesa, porquanto não teria chegado às mãos do recorrente as mídias contendo todas as peças do processo. A alegação não procede. A Receita Federal não é obrigada, quando da intimação do lançamento, a fornecer naquele momento a cópia integral dos autos. O que se deve assegurar ao autuado é o direito de vista dos autos e de cópia, integral ou parcial, deles. Desde que tal direito não tenha sido tolhido pela Administração, não se pode cogitar de ofensa ao direito de defesa. Notese que o Fl. 3476DF CARF MF Processo nº 16561.720192/201624 Acórdão n.º 1301003.898 S1C3T1 Fl. 3.477 9 recorrente, mesmo em cumprimento de pena privativa de liberdade, tinha advogado que poderia ter procurado a repartição fiscal para obter vista ou cópia dos autos. Portanto, não se mostra caracterizado o cerceamento do direito de defesa. A descrição imprecisa da conduta do recorrente foi também citada como motivo de nulidade. É indiscutível que o lançamento deve ser feito de modo a permitir que o autuado compreenda os fatos que lhe são imputados. Nesse passo, é importante destacar que o lançamento é ato administrativo que se exterioriza no conjunto formado pelo auto de infração e por todos os seus anexos, incluindo planilhas, relatórios, termos etc. Desse conjunto é que se deve extrair a compreensão do fato imputado ao sujeito passivo. No caso dos autos, o Termo de Verificação Fiscal e Encerramento (que acompanha o auto de infração) tem 107 folhas, nas quais se descreve a conduta do recorrente, apontado como o líder do grupo e responsável pelo mecanismo concebido para a remessa de divisas para o exterior, frustrando o recolhimento de IRRF e IOF. Sem compreender tais fatos, teria sido impossível ao recorrente fazer a impugnação e o recurso, cuja leitura revela que ele tinha clareza dos ilícitos que lhe eram atribuídos. Quanto ao alegado erro de enquadramento legal, mister se faz insistir na tese de que o autuado se defende dos fatos que lhe são imputados e da respectiva qualificação jurídica. Sendo assim, eventual erro de enquadramento legal não gera nulidade do auto de infração, se houver suficiente clareza quanto a descrição dos fatos e sua respectiva qualificação jurídica. O equívoco ou imprecisão no enquadramento legal só induzirá nulidade do lançamento se ficar demonstrado que do erro adveio prejuízo à compreensão do ato administrativo e consequentemente prejuízo ao direito de defesa. Não é o que se verifica no caso concreto, em que se constata uma descrição exaustiva da conduta do recorrente. Por fim, cabe examinar a objeção feita a algumas provas, trasladadas de inquérito policial e do processo penal. O recorrente alega a invalidade da "prova emprestada" e do acesso sem ordem judicial de elementos constante de inquérito policial e de processo penal. É válido o emprego da prova emprestada. A controvérsia sobre sua eficácia cingese à prova oral, em face dos princípios da imediatidade, da identidade física do juiz, da concentração e da oralidade. Ressalvadas, portanto, as provas orais (como depoimentos das partes ou de testemunhas e esclarecimentos de peritos prestados em audiência), as demais, desde que envolvam as mesmas partes, podem ser trasladadas de um processo para outro, tendo no segundo processo a mesma força probante que ostentavam no primeiro. No caso de prova oral, entretanto, a eficácia deve ser analisada levando em conta as circunstâncias em que, no caso concreto, foram produzidas as provas. Portanto, a prova empresta é válida e eficaz, devendo, como qualquer outra, ser valorada pelo julgador. Por fim, cabe frisar que os dados utilizados pela Fiscalização foram extraídos do sítio do Ministério Público Federal na internet, como se constata do TVF, onde se lê: Transcrevemos, a seguir, alguns trechos extraídos do site do Ministério Público Federal Caso Lavo Jato "Entenda o Caso"2: (fl. 1.839) Portanto, no caso em tela, não era necessária autorização judicial para utilizar dados cujo acesso se encontrava aberto ao público. Por essas razões, rejeitase a arguição de nulidade. Fl. 3477DF CARF MF Processo nº 16561.720192/201624 Acórdão n.º 1301003.898 S1C3T1 Fl. 3.478 10 Decadência No recurso não há alegação específica de decadência. Não obstante, no requerimento final, o recorrente incluiu entre os pedidos preliminares o reconhecimento da decadência, muito embora não tenham sido expostos os fundamentos dessa pretensão. Seja como for, é importante deixar claro que não ocorreu decadência. O fato gerador mais remoto é de março de 2012 (fl. 1.379). No melhor cenário para o recorrente, o prazo decadencial teria começado a correr no mesmo mês, com termo final em fevereiro de 2017. A ciência do lançamento, entretanto, é de 14 de dezembro de 2016 (fl. 2.816). Portanto, dentro do prazo legal. Não houve decadência. Responsabilidade do recorrente Quanto à responsabilidade do recorrente pela remessa de divisas para o exterior, dissimuladas sob a forma de pagamento de importação, vale transcrever o voto proferido pela i. Conselheira Gisele Barra Bossa, no processo 16561.720152/201682, que cuida de situação semelhante, envolvendo o recorrente Alberto Youssef. Ressaltese que se trata do mesmo esquema fraudulento objeto deste processo. O voto condutor do Acórdão nº 1201002.509, na parte que diz respeito à responsabilidade do recorrente, está assim redigido: I.1. Pressupostos de Aplicação do Artigo 124 do CTN 34. Com relação a responsabilidade solidária capitulada no artigo 124, inciso I, do CTN, cabe trazer algumas ponderações de ordem técnicointerpretativas. Confirase o teor do dispositivo: "Art. 124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;" 35. Para restar configurada a responsabilidade solidariedade tributária em questão, as pessoas constantes do dispositivo devem efetivamente participar do negócio jurídico que deflagra a incidência tributária no mesmo polo da relação jurídica, como os coproprietários de um imóvel no caso do IPTU ou os herdeiros no caso do ITCMD incidente na sucessão. 36. E nesse contexto de raciocínio que, o termo "interesse comum" não pode ser considerado como um interesse qualquer, de fundo econômico, sancionador, monetário ou de cunho inespecífico. Tratase de interesse exclusivamente jurídico, relativo à prática do fato gerador da obrigação tributária. 37. Com efeito, não pode ser aplicado às pessoas que se encontrem em posições diversas da relação jurídica (e.g. vendedor vs comprador) ou pessoas que não tenham qualquer ligação com a "situação que constitui o fato gerador. A chamada comunhão de interesses jurídicos entre duas ou mais pessoas, que tenham relação pessoal e direta com a situação que deflagra a obrigação de pagar o tributo, é condição sine qua non para aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. 38. Nesse sentido, são as lições de Luciano Amaro acerca da solidariedade tributária: Fl. 3478DF CARF MF Processo nº 16561.720192/201624 Acórdão n.º 1301003.898 S1C3T1 Fl. 3.479 11 "Sabendose que a eleição de terceiro como responsável supõe que ele esteja vinculado ao fato gerador (art. 128), é preciso distinguir, de um lado, as situações em que a responsabilidade do terceiro deriva do fato de ter ele 'interesse comum no fato gerador' (o que dispensa previsão na lei instituidora do tributo) e, de outro, as situações em que o terceiro tenha algum outro interesse (melhor diria, as situações com as quais ele tenha algum vínculo) em razão do qual ele possa ser eleito como responsável. Neste segundo caso é que a responsabilidade solidária do terceiro dependerá de a lei expressamente estabelecer. Por outro lado, o só fato de o Código Tributário Nacional dizer que, em determinada operação (p. ex. alienação de imóvel), a lei do tributo pode eleger qualquer das partes como contribuinte não significa dizer que, tendo eleito uma delas, a outra seja solidariamente responsável. Poderá sêlo, mas isso dependerá de expressa previsão da lei, nos termos do item II do art. 124. Até porque nessa hipótese o interesse de cada uma das partes no negócio não é comum, não é o mesmo; o interesse do vendedor é na alienação, o interesse do comprador é na aquisição. Se, porém, houver dois vendedores ou dois compradores (co propriedade), aí sim teremos interesse comum (dos vendedores ou dos compradores, respectivamente), de modo que se a lei definir como contribuinte a figura do comprador, ambos os compradores serão responsáveis solidários, não porque a lei tenha eventualmente vindo a proclamar essa solidariedade, mas sim porque ela decorre do interesse comum de ambos no fato da aquisição. O mesmo se diga em relação ao imposto predial. Havendo copropriedade, ambos os proprietários são devedores solidários". 39. É, também, o entendimento já fixado em definitivo pelas Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça STJ sobre a matéria: "1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da divida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. (...) Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: (...) Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação... Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vinculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie Fl. 3479DF CARF MF Processo nº 16561.720192/201624 Acórdão n.º 1301003.898 S1C3T1 Fl. 3.480 12 pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed Saraiva, 8aed, 1996, p. 220)... Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834.044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008). (...) 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A" (REsp 884.845/SC, 1a T, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJ: 18/02/2009). "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMPRESA DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. Inexiste solidariedade passiva em execução fiscal apenas por pertencerem as empresas ao mesmo grupo econômico, já que tal fato, por si só, não justifica a presença do 'interesse comum' previsto no artigo 124 do Código Tributário Nacional. Precedente da Primeira Turma (REsp 859.616/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJUde 15.10.07). Recurso especial não provido" (REsp 1.001.450/RS, 2o T, Rel. Min. Castro Meira, DJ: 27/03/2008). 40. Portanto, de acordo com a doutrina e a jurisprudência, somente se pode cogitar de interesse comum nas situações em que duas ou mais pessoas concorrem, em pé de igualdade, para a realização do fato descrito em lei como deflagrador da obrigação tributária. 41. Ademais, o parágrafo único do artigo 124, do CTN, prevê que a solidariedade referida no artigo não comporta benefício de ordem, o que significa que o Fisco pode exigir o crédito tributário em sua integralidade de qualquer um dos sujeitos passivos, principal e solidários, sem seguir ordem de preferência ou individualizar valores para cada devedor, pois todos os devedores respondem igualmente pelo crédito. 1.2. Pressupostos de Aplicação do Artigo 135 do CTN Fl. 3480DF CARF MF Processo nº 16561.720192/201624 Acórdão n.º 1301003.898 S1C3T1 Fl. 3.481 13 42. A responsabilidade disciplinada no artigo 135, III, do CTN, não considera a personalidade jurídica do contribuinte, mas cuida de incluir pessoalmente no polo passivo da relação jurídicotributária, o administrador responsável pela prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei. 43. Para que se configurar a responsabilidade prevista no referido artigo, devem estar presentes duas condições: (i) os sócios, os acionistas, os gerentes e/ou administradores devem praticar atos de gestão e (ii) a obrigação tributária deve decorrer de atos praticados com abuso de poder ou contrários à lei, contrato social ou estatutos. Logo, o elemento doloso deve estar presente. 44. Em razão da gravidade dessas práticas, o legislador apontou expressamente quais pessoas devem ser pessoalmente responsabilizadas, verbis: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: 1 os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos péla massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de oficio, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu oficio; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: 1 as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, 45. A partir da análise do dispositivo, verificase que apenas as pessoas elencadas podem ser responsabilizadas pessoalmente. No mais, caso a pessoa seja sócia, mas não tenha poderes de gestão, deve ser afastada a responsabilidade pessoal. Da mesma forma, ainda que tenha poderes de gestão, deve ser comprovado o nexo de causalidade entre a prática de atos com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos e a exigência do crédito tributário em litígio. 46. Neste sentido, é o posicionamento já consolidado em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal. Confirase: Fl. 3481DF CARF MF Processo nº 16561.720192/201624 Acórdão n.º 1301003.898 S1C3T1 Fl. 3.482 14 DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ART 146, III, DA CF. ART. 135, III, DO CTN. SÓCIOS DE SOCIEDADE LIMITADA. ART. 13 DA LEI 8.620/93. INCONSTITUCIONALIDADES FORMAL E MATERIAL. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DA DECISÃO PELOS DEMAIS TRIBUNAIS. 1. Todas as espécies tributárias, entre as quais as contribuições de seguridade social, estão sujeitas às normas gerais de direito tributário. 2. O Código Tributário Nacional estabelece algumas regras matrizes de responsabilidade tributária, como a do art. 135, III, bem como diretrizes para que o legislador de cada ente político estabeleça outras regras específicas de responsabilidade tributária relativamente aos tributos da sua competência, conforme seu art. 128. 3. O preceito do art. 124, II, no sentido de que são solidariamente obrigadas "as pessoas expressamente designadas por lei", não autoriza o legislador a criar novos casos de responsabilidade tributária sem a observância dos requisitos exigidos pelo art. 128 do CTN, tampouco a desconsiderar as regras matrizes de responsabilidade de terceiros estabelecidas em caráter geral pelos arts. 134 e 135 do mesmo diploma. A previsão legal de solidariedade entre devedores de modo que o pagamento efetuado por um aproveite aos demais, que a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, também lhes tenha efeitos comuns e que a isenção ou remissão de crédito exonere a todos os obrigados quando não seja pessoal (art. 125 do CTN) pressupõe que a própria condição de devedor tenha sido estabelecida validamente. 4. A responsabilidade tributária pressupõe duas normas autônomas: a regra matriz de incidência tributária e a regra matriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios. A referência ao responsável enquanto terceiro (dritter Persone, terzo ou tercero) evidencia que não participa da relação contributiva, mas de uma relação específica de responsabilidade tributária, inconfundível com aquela. O "terceiro" só pode ser chamado responsabilizado na hipótese de descumprimento de deveres próprios de colaboração para com a Administração Tributária, estabelecidos, ainda que a contrario sensu, na regra matriz de responsabilidade tributária, e desde que tenha contribuído para a situação de inadimplemento pelo contribuinte. 5. O art. 135, III, do CTN responsabiliza apenas aqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa juridica e tãosomente quando pratiquem atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Desse modo, apenas o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é que pode ser responsabilizado, o que resguarda a pessoalidade entre o ilícito (mal gestão ou representação) e a conseqüência de ter de responder pelo tributo devido pela sociedade. 6. O art. 13 da Lei 8.620/93 não se limitou a repetir ou detalhar a regra de responsabilidade constante do art. 135 do CTN, tampouco cuidou de uma nova hipótese específica e distinta. Ao vincular à simples condição de sócio a obrigação de responder solidariamente pelos débitos da sociedade limitada perante a Seguridade Social, tratou a mesma situação genérica regulada pelo art 135, III, do CTN, mas de modo diverso, incorrendo em inconstitucionalidade por violação ao art 146, III, da CF. 7. O art. 13 da Lei 8.620/93 também se reveste de inconstitucionalidade material, porquanto não é dado ao legislador estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas física e jurídica, o que, além de impor desconsideração ex lege e objetiva da personalidade jurídica, descaracterizando as sociedades limitadas, implica irrazoabilidade e inibe a iniciativa privada, afrontando os arts. 5o, XIII, e 170, parágrafo único, da Constituição. 8. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 13 da Lei 8.620/93 na parte em que determinou que os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada responderiam solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à Seguridade Social. 9. Recurso extraordinário da União desprovido. 10. Aos recursos sobrestados, que aguardavam a análise da matéria por este STF, aplicase o art. 543B, § 3°, do CPC. Fl. 3482DF CARF MF Processo nº 16561.720192/201624 Acórdão n.º 1301003.898 S1C3T1 Fl. 3.483 15 (Recurso Extraordinário n° 562.276/PR, Tribunal Pleno, Relatora Ministra Ellen Gracie, Julgado em 03/11/2010, Dje n° 27, Publicado em 10/02/2011). 47. O artigo 135 do CTN aponta a necessidade de elemento subjetivo, mais especificamente, dolo ou fraude para a configuração da responsabilidade, cabendo à fiscalização demonstrar e provar que as pessoas indicadas praticaram diretamente ou toleraram o ato abusivo, ilegal ou contrário ao estatuto enquanto sócias com poder de gerência. Por fim, deve comprovar que os diretores, gerentes (de fato ou de direito) ou representantes da pessoa jurídica exerciam tais funções de gestão durante o período que ocorreu o fato gerador. Somente a partir desta construção probatória é possível imputar a responsabilidade pessoal constante do artigo 135, III, do CTN. (...) II.2. Da Responsabilidade do Sr. Alberto Youssef 56. Foi atribuída a responsabilidade solidária e pessoal ao Recorrente em razão do interesse comum na situação que constituiu o fato gerador, conforme o artigo 124, inciso I, do CTN e também pela prática de atos ilícitos ou contrários aos contratos sociais enquanto sócios com poder de gestão, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN. 57. O acórdão recorrido manteve a responsabilidade solidária do Recorrente por entender que estavam presentes os requisitos de ambos os dispositivos citados acima. A partir das premissas técnicas aqui desenvolvidas acerca da responsabilidade prevista nos artigos 124 e 135 do CTN, passo a analisar as circunstâncias fáticas. 58. Em suas peças de defesa, o Recorrente afirma que a fiscalização não trouxe aos autos provas concretas de que ele possuía poder de mando na operação. Afirma também que não se enquadra em nenhuma das hipóteses elencadas pela legislação no que diz respeito a responsabilidade solidária. Entretanto, a fiscalização apresentou um conjunto robusto de indícios e provas que justificam a atribuição da responsabilidade solidária e pessoal ao Recorrente. 59. Em análise da decisão de piso, verifico que restou demonstrado o racional que fundamentou a imputação de responsabilidade realizada pela fiscalização (fls. 2677/2680), verbis: Os fatos alegados pela Impugnante não refutam a hipótese de comando da fraude perpetrada consistente em simular importações com fim de ("lavar" e) remeter recursos (ilícitos) para o exterior e, assim, promover a ilicitude fiscal da qual trata estes autos. Os depoimentos do próprio Alberto Youssef prestados no âmbito da operação lavajato, perante Policia Federal, Ministério Público Federal e seu Advogado, em acordo de colaboração premiada, já tornados públicos (e.g. "Folha de São Paulo", de 12/03/15), com cópia nos autos deste PAF (v. fls. 693 e ss), atestam sua participação relevante nos ilícitos fiscais, ora em exame. Algumas passagens do Termo de Colaboração devem ser aqui destacadas: "(...) QUE, assevera que muitos pagamentos eram feitos por meio de transferências no exterior em favor das off shores de LEONARDO MEIRELLE (sic), NELMA PENASSO e de clientes de CARLOS ROCHA, vulgo CEARA; (...);QUE, os valores em espécie eram obtidos junto as contas da MO CONSULTORIA ou outras empresas de WALDOMIRO, junto a LABOGEM ou PIROQUIMICA; (,..)QUE, questionado acerca de quais empresas utilizava para emissão de notas, diz que utilizava as empresas de WALDOMIRO (MO CONSULTORIA, RCI e RIGIDEZ), Fl. 3483DF CARF MF Processo nº 16561.720192/201624 Acórdão n.º 1301003.898 S1C3T1 Fl. 3.484 16 empresas de LEONARDO MEIRELLES (não recordando o nome no momento) sendo que eventualmente a GFD emitiu notas também ficando o declarante, nesse caso, com a verba destinada a cobertura de custos de emissão de nota fiscal; (gn. fls. 693 e ss) " Nesta passagem, o Impugnante, então declarante, admite relações tanto com as pessoas físicas Leonardo e Waldorniro, quanto com as pessoas jurídicas Labogen e Piroquímica, no contexto da fraude desvendada pela força tarefa da lavajato. Observese que havia pelo ResponsabilizadoImpugnante uso livre das empresas de Leonardo Meirelles para as operações que viabilizavam os ilícitos, seja emitindo notas fiscais ideologicamente falsas, seja transferindo recursos para o exterior, seja para operações bancárias. Tudo admitido pelo Impugnante em seu Termo de Colaboração. Na seqüência esta conclusão é corroborada ainda em outra passagem do depoimento de Youssef: "QUE nestes casos as empresas de WALDOMIRO transferiam os recursos para as empresas de LEONARDO e este fornecia o dinheiro em espécie ao declarante; QUE para isto o declarante remunerava LEONARDO a ordem de 1% a 2% do valor sacado, utilizandose para tanto o valor de 5,5% que sobravam dos 20% anteriormente mencionados; QUE, acerca de empresas de LEONARDO MEIRELLES no exterior, explica que a sua relação comercial com LEONARDO era inicialmente relacionada a transferências financeiras, sendo que o declarante emitia TEDs para que este fizesse saques em espécie e lhe devolvesse o dinheiro, tendo LEONARDO executado a tarefa de emissão de notas como WALDOMIRO, nos termos antes mencionados; QUE, LEONARDO recebia cerca de 1 a 2% do valor da transação no caso dos saques, sem emissão de nota fiscal; QUE, ocorreram casos em que o declarante devia receber recursos no exterior e os valores foram careados (sic) as empresas usadas por LEONARDO a RFY, ELITE DAY e a DGX, promovendo este a disponibilização dos valores ao declarante no Brasil (gn, fls. 693 e ss)". Alberto Youssef admitiu citação anterior que fazia uso das contas bancárias, entre outras, da Piroquímica e Labogen e, agora, admite que remunerara Leonardo Meirelles, inferindose daí haver relação de subordinação deste em relação a si. Leonardo Meirelles, por sua vez, em seu depoimento (fls. 751 e ss) à Polícia Federal, admitiu a prevalência de Youssef Observese que os depoimentos convergem no sentido apontado de um comando de Alberto Youssef: "(...) QUE ALBERTO YOUSSEF fazia uso das contas bancárias da LABOGEN QUÍMICA, INDÚSTRIA LABOGEN, PIROQUÍMICA, HMAR CONSULTORIA e RMV CCV CONSULTORIA, para indicar o recebimento de depósitos e transferências financeiras para tais contas de onde o dinheiro era utilizado em sua maioria para aquisição de contratos de câmbio referente a importações fictícias; QUE no tocante aos valores depositados nas empresas controladas pelo declarante acima citadas com destino ao exterior, YOUSSEF sempre avisava ao declarante a respeito do recebimento de determinado valor que deveria ser disponibilizado no exterior para uma empresa que o próprio YOUSSEF indicava, inclusive os dados bancários. A partir destas informações recebidas de YOUSSEF, o declarante fechava o câmbio e a operação correspondente; (...) Ou seja, todos os contratos de cambio feitos a mando de YOUSSEF não possuem declaração de importação e não foram objeto de pagamento de qualquer tributo; (...)". 60. É notório que desempenhou papel importante e central para a situação que constituiu o fato gerador, demonstrando, portanto, que ele tem interesse comum conforme previsto no artigo 124 do CTN. Fl. 3484DF CARF MF Processo nº 16561.720192/201624 Acórdão n.º 1301003.898 S1C3T1 Fl. 3.485 17 61. Ademais, a partir da análise conjunta de todos os indícios apontados como os elementos de prova produzidos pela fiscalização evidencio que o Recorrente teve interesse comum na situação fática que constituiu o crédito tributário em questão, não apenas por possuir interesse econômico e aproveitar de benefícios financeiros, mas também por possuir íntima relação de gestão da empresa autuada e das demais empresas integrantes na operação fraudulenta. 62. Portanto, merece ser mantida a responsabilidade solidária do Sr. Alberto Youssef, nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. 63. No mais, embora o Recorrente não figure como sócio da autuada (Labogen S/A Química Fina e Biotecnologia) exercia atividade fática de gestão com excesso de poderes em afronta à lei (item 56), verifico nítido elemento doloso. Em vista das premissas técnicas desenvolvidas nos itens 39 a 44 (pressupostos de aplicação do artigo 135, inciso III, do CTN), deve ser mantida a responsabilidade pessoal do Sr. Alberto Youssef. A situação descrita envolvendo a Labogen S/A Química Fina e Biotecnologia é, essencialmente, a mesma da Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen S/A, ambas as empresas pertencentes às mesmas pessoas e empregadas no mesmo esquema fraudulento. Notese que o recorrente, embora não figurando formalmente como sócio ou administrador da Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen S/A, utilizouse da pessoa jurídica como instrumento para a prática do ilícito tributário. Ele tinha o controle da pessoa jurídica relativamente às remessas de dinheiro para o exterior, sendo irrelevante a circunstância de alguns poucos valores, pertencentes a terceiros, também terem sido remetidos para o exterior por intermédio da Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen S/A. Nesse ponto, é precisa a observação da PFN, nas contrarrazões, no sentido de que os valores incluídos no lançamento são exatamente aqueles que constam também da denúncia do Ministério Público. Confirase: Vale destacar que todas as operações de câmbio que motivaram o lançamento são precisamente aquelas descritas na Denúncia do Ministério Público, motivo pelo qual descabe o argumento de que havia outros “clientes” de Leonardo Meirelles. Dito de outro modo, o lançamento não incluiu supostas outras operações realizadas por terceiros não incluídos na peça acusatória. (fl. 3.418) Portanto, considerando essas razões, deve ser mantido o recorrente no polo passivo da autuação. Multa Para a qualificação da multa é preciso que haja sonegação, fraude ou conluio. Entendese por sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502/1964, a ação ou omissão dolosa, visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência do fato gerador ou o conhecimento de sua natureza ou de suas circunstâncias materiais. Conluio, por sua vez, é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas, naturais ou jurídicas, visando a prática de sonegação ou fraude. No caso dos autos, a remessa de divisas para o exterior se processou mascarada sob a forma de pagamento de importações que nunca existiram. Está evidenciado, Fl. 3485DF CARF MF Processo nº 16561.720192/201624 Acórdão n.º 1301003.898 S1C3T1 Fl. 3.486 18 portanto, o intuito de impedir o conhecimento do fato gerador. Além disso, as infrações foram praticadas em ajuste doloso, levado a feito por mais de duas pessoas, caracterizando o conluio, É indiscutível, pois, o cabimento da multa qualificada. Não procede, por outro lado, o argumento de que a alíquota de 35% já conteria uma natureza de sanção, afastando a possibilidade de cumular o IRRF com multa. Tributo não é penalidade e, a despeito da alíquota de 35% de Imposto de Renda na fonte, é cabível a qualificação da multa. Já a penalidade agravada se impõe pela falta de atendimento reiterado, e sem qualquer justificativa expressa, das diversas intimações feitas pela Fiscalização. O recorrente, entretanto, não tendo dado causa ao agravamento, já que ele mesmo não chegou a ser intimado, não pode responder pela multa agravada, ainda que seja solidária a responsabilidade pelo pagamento do tributo. No mais, não se pode ignorar que o recorrente cumpria pena privativa de liberdade, condição que lhe retirava a possibilidade plena de atender ao Fisco. Por fim, a alegação de que a penalidade tem efeito de confisco e de que foge à razoabilidade não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo, porque implicaria exercer controle de constitucionalidade de ato normativo, vedado pelo art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 e pela Súmula CARF nº 2. Em resumo, no que tange à multa, o recurso deve ser provido apenas para afastar o agravamento quanto ao recorrente. Recurso de ofício A decisão da DRJ RJO excluiu a responsabilidade do Banco Confidence de Câmbio S/A ao argumento de que não existe base legal para atribuir responsabilidade tributária solidária à referida instituição financeira. Eis os fundamentos da decisão recorrida: A base legal da responsabilização solidária efetuada, no caso, consiste do artigo 124, inciso II, do CTN (confome AI, fls. 2095 e 2106): Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. (gn) A combinação do artigo acima citado com Circulares do Bacen, que disciplinam a ação das instituições financeiras, notadamente quando se trata do mercado cambial, para assim fundamentar a responsabilidade solidária do Banco Confidence, não logra êxito em seu intento. Entendese que o inciso II, art. 124, do CTN quando se refere à lei ("as pessoas expressamente designadas por lei") está exigindo lei ordinária (ou diploma que tenha tal status) para imputar responsabilidade solidária pelo crédito tributário de outrem, ou seja, que não se reveste da condição de contribuinte. Neste sentido, as Circulares Bacen, citadas no TVF, não poderia cumprir o requisito exigido no Código (CTN). (...) Fl. 3486DF CARF MF Processo nº 16561.720192/201624 Acórdão n.º 1301003.898 S1C3T1 Fl. 3.487 19 Deste modo, concluise que a responsabilidade tributária (art. 124, II, CTN) pressupõe duas normas autônomas: a regra matriz de incidência tributária e a regra matriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios, ambas instituídas por lei, com os balizamentos do Código e da Lex Magna. Tal não se deu no caso, razão pela qual deve ser excluída a responsabilidade do impugnante em relação ao crédito constituído. Prejudicada a análise das demais ponderações no ponto. Assim, a citação unicamente do art. 124, II, do CTN, é insuficiente, enquanto base legal, para sustentar a imputação da responsabilidade solidária de direito. (fls. 3.274 e 3.275) Tem razão a DRJ. A infração a normas regulamentares editadas pelo Banco Central podem dar ensejo a sanções de cunho administrativo impostas pelo próprio Banco Central, mas nunca poderão deflagrar responsabilidade tributária, porque para tanto seria necessária a edição de lei em sentido estrito, prevendo de forma expressa a responsabilidade no âmbito tributário. Além disso, é importante lembrar que a instituição financeira Banco Confidence de Câmbio S/A não tem poder de polícia, nem dispõe de atribuições para fiscalizar a situação de seus clientes e das pessoas que com ele fizeram negócio. Não tem fundamento a imputação de responsabilidade tributária ao Banco Confidence de Câmbio S/A, sem que exista disposição legal nesse sentido. Por conseguinte, deve ser desprovido o recurso de ofício. Conclusão Pelo exposto, voto por declinar da competência, em favor da 3ª Seção de Julgamento, para julgar a matéria relativa ao IOF. No mais, voto por conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para no mérito negar provimento ao primeiro, e dar parcial provimento ao segundo, apenas para afastar em relação ao recorrente Alberto Youssef a multa agravada. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 3487DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.725628/2011-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.922
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida pelo relator no item (iv) da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida pelo relator no item (iv) da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1947; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.725628/201156 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.922 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de abril de 2019 Assunto PIS/COFINS Recorrente JOSAPAR JOAQUIM OLIVEIRA S/A PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida pelo relator no item (iv) da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Tratamse de Pedidos de Ressarcimento e Declarações de Compensação relativos a crédito de PIS/COFINS NãoCumulativa. 2. Em suma, estamos diante da conhecida discussão a respeito do conceito de insumo para fins de incidência de PIS e COFINS, a qual gravita em torno de uma postura mais restritiva por parte da Receita Federal do Brasil, o que se dá com fundamento nas INs n.s 247/02 e 404/04, bem como de uma visão mais ampla por parte dos contribuintes, que atrelam o conceito de insumo a idéia de despesa dedutível, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda. 3. Partindo do sobredito pressuposto, ou seja, de que insumo para fins de crédito de PIS e COFINS é aquele conceito estrito e aproximado da legislação do IPI (matériaprima, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 25 62 8/ 20 11 -5 6 Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11080.725628/201156 Resolução nº 3402001.922 S3C4T2 Fl. 3 2 produto intermediário e material de embalagem) diretamente empregados na fase de industrialização, a fiscalização admitiu apenas parte dos créditos vindicados pela recorrente. 4. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade em que, após discorrer acerca da metodologia que entende pertinente para o creditamento de PIS e COFINS, refutou as glosas perpetradas pela fiscalização. 5. Uma vez processada, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto, o que se deu nos termos da ementa abaixo transcrita: (...) MATÉRIA NÃO QUESTIONADA. CRÉDITO DE LOCAÇÃO E/OU ARMAZENAGEM (MÁQUINAS DE CAFÉ EXPRESSO). CRÉDITO NA DEVOLUÇÃO DE VENDAS (UTILIZAÇÃO INDEVIDA). Consolidase definitivamente na esfera administrativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada na manifestação de inconformidade. PROVA. A prova documental deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender no presente caso. DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, bem como quando presentes elementos suficientes para a formação da convicção da autoridade julgadora. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. (...) INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 11080.725628/201156 Resolução nº 3402001.922 S3C4T2 Fl. 4 3 (...) CRÉDITO. Somente dão direito a apuração de créditos no regime de incidência nãocumulativa os gastos expressamente previstos na legislação de regência. CRÉDITO. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito apuração de créditos no regime de incidência nãocumulativa se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto, desde que não incorporados ao ativo imobilizado. CRÉDITO. LOCAÇÃO E/OU ARMAZENAGEM. Paletes e contentores correspondem a embalagem de transporte caracterizando dispêndio com acessórios utilizados em etapas posteriores à fabricação dos produtos destinados à venda, não se enquadrando como insumo e, portanto, não conferindo direito a crédito a título de armazenagem, nem como locação de máquinas e equipamentos. Veículos (empilhadeiras mulinhas) não se classificam como espécie de “máquinas ou equipamentos” para fins de admissão de créditos calculados sobre operações de aluguéis. CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE BENS À ALÍQUOTA ZERO E SUJEITOS A CRÉDITO PRESUMIDO. É incabível desconto de crédito em relação aos dispêndios com frete suportados pelo adquirente na compra de bens, pois tais dispêndios devem ser apropriados ao custo de aquisição dos bens. E a possibilidade de creditamento, quando cabível, deve ser aferida em relação aos correspondentes bens adquiridos. RATEIO PROPORCIONAL. Feita a opção pelo rateio proporcional, aplicamse aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. O rateio deve ser aplicado quando a pessoa jurídica auferir receita tributadas concomitantemente com receitas não tributadas no mercado interno e/ou com exportação, para se determinar quais são os créditos passíveis de ressarcimento ou compensados com outros tributos. (...) 6. Diante de tal situação, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em análise, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de manifestação de inconformidade. 7. É o relatório. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 11080.725628/201156 Resolução nº 3402001.922 S3C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.915, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.720182/201173. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois entendi desnecessário o encaminhamento do item "iv" da diligência. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402001.915): "I. Preliminarmente: da reunião dos processos indicados pelo contribuinte 9. Conforme já destacado alhures, o contribuinte pede a reunião de vários processos com o aqui tratado para que sejam julgados conjuntamente, o que faz ao fundamento da conexão entre tais casos. Os processos que o contribuinte pretende ver julgados em conjunto são os seguintes: 10. Importante destacar que os processos acima listados já se encontram para julgamento desta Turma julgadora, por intermédio do mecanismo da repetitividade, capitulado no art. 47, § 1º do RICARF. Para ser mais preciso, foram formados 03 (três) lotes de paradigmas, tendo como recursos paradigmas o presente processo, bem como os autos n. 11080.001078/201003 e 11080.906181/201386. Este último processo está sob relatoria da I. Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, enquanto que os demais estão sob a minha relatoria. 11. Não obstante, conforme se observa da petição do contribuinte (fls. 686/689), o objetivo primordial com esta reunião seria o de evitar decisões material contraditórias para casos análogos, de modo a garantir uma unicidade de tratamento e, por conseguinte, uma segurança jurídica de índole material. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 11080.725628/201156 Resolução nº 3402001.922 S3C4T2 Fl. 6 5 12. Nesse sentido, é possível afirmar que, como os 03 lotes de processo estão sujeitos ao julgamento da mesmíssima Turma julgadora, a pretensão do contribuinte, ainda que por uma via transversa, foi atingida, motivo pelo qual é desnecessária a reunião de tais processos paradigmáticos em face de um único Relator. II. Da conversão do presente julgamento em diligência 13. Conforme se observa dos autos, a questão não é nova neste Tribunal. Tratase de infindável discussão de creditamento de PIS e COFINS e do conceito legal de insumo. Durante muito tempo esta questão foi indevidamente discutida em um altiplano normativo, na medida em que a autoridade fiscal pautava suas manifestações com base no disposto na Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004. Em suma, a autoridade fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, aplicando, pois, conceito de insumo similar àquele desenvolvido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. 14. Acontece que o conceito de insumo admitido por este Tribunal denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Neste mesmo diapasão foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado de caráter vinculante (REsp n. 1.221.170, julgado sob o rito de recursos repetitivos), cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o Fl. 664DF CARF MF Processo nº 11080.725628/201156 Resolução nº 3402001.922 S3C4T2 Fl. 7 6 retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 15. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. 16. Diante deste quadro, é prudente que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins sejam analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. 17. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora para que intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás (fls. 136/212); (b) materiais auxiliares de consumo; (c) produtos de limpeza; (d) equipamentos de segurança e Fl. 665DF CARF MF Processo nº 11080.725628/201156 Resolução nº 3402001.922 S3C4T2 Fl. 8 7 uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (e) controle de pragas. 18. Ato contínuo, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. 19. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencados, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. 20. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. 21. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado apresenatdo à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF1, para que cooperem2 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e, portanto, indevidas, bem como quais glosas entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. 22. Concluída a diligência, 1 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 2 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 666DF CARF MF Processo nº 11080.725628/201156 Resolução nº 3402001.922 S3C4T2 Fl. 9 8 (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 23. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. 24. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás; (b) materiais auxiliares de consumo; (c) produtos de limpeza; (d) equipamentos de segurança e uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (e) controle de pragas. Ato contínuo, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencados, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; Fl. 667DF CARF MF Processo nº 11080.725628/201156 Resolução nº 3402001.922 S3C4T2 Fl. 10 9 (d) agregação ao produto final. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF3, para que cooperem com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e, portanto, indevidas, bem como quais glosas entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra 3 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" Fl. 668DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.900519/2008-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1003-000.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1339; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.900519/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.684 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 08 de maio de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente OESTE REPRESENTACOES AGRICOLAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 05 19 /2 00 8- 11 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10530.900519/200811 Acórdão n.º 1003000.684 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1526.451, de 11 de março de 2011, da 1ª Turma da DRJ/SDR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo o direito creditório de pagamento indevido ou a maior de CSLL. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório, nº de rastreamento 757693878, emitido em 24/04/2008, que não homologou a compensação declarada em razão de inexistência de crédito PER/DCOMP nº 06103.40938.230704.1.37100. Destacou, em suas alegações, ter recolhido imposto a maior, conforme demonstrado nas DIPJ e DCTF. Aduz que foi recolhido a maior a título de CSLL do 3º trimestre/2003 o valor de R$ 16.828,48, isso ocorreu porque a pessoa responsável pela apuração dos impostos, quando da majoração da alíquota da contribuição social sobre os serviços, aplicou a mesma alíquota também nas vendas de mercadoria, o que foi acertado apenas após o recolhimento do 3º trimestre/2003, 4º trimestre/2003 e 1º trimestre/2004. Juntou a impugnação o DARF, DIPJ e DCTF do período. O processo seguiu para julgamento na 1ª Turma da DRJ/SDR, que converteu o processo em diligência, determinando a unidade de origem que se manifestasse, em despacho fundamentado, sobre a liquidez e certeza do indébito tributário alegado. A Delegacia da Receita Federal em Feira de Santana (BA) emitiu novo Despacho Decisório (DRF/FSA) de nº 2869/2010, pugnando pela manutenção da não homologação da compensação declarada, sob a alegação de que uma das DCTF retificadoras foram enviadas após o despacho decisório, reduzindo os débitos relativos a imposto e contribuições, e, na interpretação dessa Delegacia, tal retificação não deve produzir efeitos. A DRJ/SDR julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não conheceu o direito creditório pleteado, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. LIQUIDEZ E CERTEZA.INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Incabível a restituição e compensação do valor recolhido indevidamente ou a maior se ausentes a liquidez e a certeza do crédito pleiteado ou inexistia crédito disponível em razão da utilização integral em outro processo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10530.900519/200811 Acórdão n.º 1003000.684 S1C0T3 Fl. 4 3 (i) Destacou, em suas alegações, ter recolhido imposto a maior, conforme demonstrado nas DIPJ e DCTF, bem como ao DARF correspondente ao respectivo trimestre, devendo a PER/DCOMP ter o crédito reconhecido integralmente; (ii) que os valores recolhidos a maior foram os seguintes: Contribuição social (código 2372) apurada 4ª TRIM/2003 ....R$ 182.401,65 Valores recolhidos (total) ........................................................R$ 476.632,38 Total recolhido a maior............................................................R$ 294.230,73; (iii) que o erro aconteceu porque a pessoa responsável pela apuração dos impostos, quando da majoração da alíquota da contribuição social sobre os serviços, aplicou a mesma alíquota também nas vendas de mercadoria, o que foi acertado apenas após o recolhimento do 3º trimestre/2003, 4º trimestre/2003 e 1º trimestre/2004; (iv) que não concorda com o fato da diligência apresentada no processo não ter acolhido a retificação da DCTF, pois na data do envio da retificadora vigorava a IN 255/2002, pela qual o contribuinte deveria ser intimado para prestar informações em caso de procedimento fiscal, o que não aconteceu. Por fim, requereu a reforma do r. acórdão, para o fim de que seja deferido, em favor da Recorrente a compensação pleiteada. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente apresentou PER/DCOMP de nº 06103.40938.230704.1.37100, em razão de pagamento indevido ou a maior de CSLL, código 2372, período de apuração 10/2003, no valor de R$ 16.972,74. A Recorrente pleiteou a declaração de compensação para compensar parte do crédito (R$ 14.960,03) com débito de IRPJ, período de apuração 02/2004, no valor original de R$ 1.868,45. O despacho decisório de nº de rastreamento 757693878 indeferiu a homologação fundamentando que, a partir das características do DARF objeto da compensação, foram localizados um ou mais pagamentos, não restando crédito disponível para compensação. A DRJ/SDR, ao receber o processo, determinou a elaboração de diligência, por entender que não houve a análise do mérito por parte da unidade de origem, isto é, a liquidez e certeza do crédito pleiteado não foi analisado, visto que o despacho havia se fundamentando unicamente no DARF. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10530.900519/200811 Acórdão n.º 1003000.684 S1C0T3 Fl. 5 4 Em resposta, a Delegacia de Feira de Santana emitiu Despacho Decisório (DRF/FSA) de nº 2869/2010 e informou que, relativamente ao 3º trimestre/2003, a Recorrente apresentou DCTF original em 30/10/2003 e, antes do despacho decisório, apresentou duas retificadoras, contudo uma nova retificadora foi processada no dia 15/05/2008 e, nessa retificadora, houve redução dos débitos declarados na DCTF relativa a impostos e contribuições. Destaca a Delegacia de Feira de Santana que o contribuinte, ora Recorrente, apresentou a última retificadora da DCTF após a ciência do despacho decisório, que ocorreu no dia 09/05/2008. Em razão disso, negou a homologação destacando que a retificadora não produzirá efeitos quando tiver objeto reduzir débitos relativos a impostos e contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, conforme art. 9º, § 2º, inciso "c" da IN SRF 974/09. Os autos retornaram à DRJ/Salvador para julgamento da manifestação de inconformidade e, em razão de ser o crédito em análise nesses autos o mesmo em discussão no processo nº 10530.900557/200873, a defesa da Recorrente foi julgada improcedente. O processo nº 10530.900557/200873 foi julgado pela 1ª Turma da DRJ/Salvador, que reconheceu direito creditório no valor de R$ 14.168,28. A Recorrente apresentou recurso voluntário nos autos do processo nº 10530.900557/200873, porém não logrou êxito em comprovar quaisquer erros de cálculo ou interpretativos no acórdão recorrido que justificasse a alteração daquele julgado. Nestes autos, a Recorrente juntou idêntico recurso voluntário apresentado no processo de nº 10530.900557/200873, defendendo, em suas razões de recorrer, que os valores recolhidos a maior foram os seguintes: Contribuição social (código 2372) apurada 4º TRIM/2003 ....R$ 182.401,65 Valores recolhidos (total) ........................................................R$ 476.632,38 Total recolhido a maior............................................................R$ 294.230,73 Vêse, pelas declarações da Recorrente, que a mesma se refere ao 4ºtrimestre/2003, e o objeto deste processo referese às retificações ocorridas no 3º Trimestre/2003. A Recorrente não contestou especificamente os cálculos efetuados pelo Julgador de piso, nem mesmo os valores que ela defende serem os corretos batem com aqueles discriminados no acórdão, ela tampouco informa onde o Ilmo Julgador poderia ter se equivocado, limitandose a apresentar os números acima exposados sem justificálos. Em outras palavras, a Recorrente não foi capaz de comprovar a existência da integralidade do crédito, valendose apenas de retificação posterior ao despacho decisório da DCTF, a qual foi devidamente aceita e analisada pela DRJ, comparada à DIPJ do período. A DRJ no acórdão do processo nº 10530.900557/200873 aceitou a DCTF e a comparou com a DIPJ, chegando à conclusão de reconhecimento parcial do crédito no valor de R$ 14.168,28, considerando que naquele processo era pleiteada a compensação de R$ Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10530.900519/200811 Acórdão n.º 1003000.684 S1C0T3 Fl. 6 5 14.960,03 de débito de IRPJ e R$ 1.868,03 de débito CSLL, verificase ter sido o crédito reconhecido inteiramente utilizado para compensar os débitos declarados no processo nº 10530.900557/200873, não restando créditos para serem utilizados na declaração de compensação em análise nesses autos. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/SDR. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000217/2008-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/10/2005
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. COTA DA EMPRESA.
Considera-se segurado obrigatório, na condição de contribuinte individual, quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego.
A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além de outras, é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços.
Numero da decisão: 2402-007.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira (presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Thiago Duca Amoni (suplemente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira (presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Thiago Duca Amoni (suplemente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. COTA DA EMPRESA. Considerase segurado obrigatório, na condição de contribuinte individual, quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além de outras, é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira (presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Thiago Duca Amoni (suplemente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 17 /2 00 8- 90 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 17883.000217/200890 Acórdão n.º 2402007.230 S2C4T2 Fl. 337 2 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do acórdão da DRJ/RJO I, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem relatar o caso, valhome do relatório da decisão acima citada. Em sua impugnação, aduziu o contribuinte que: * A fiscalização considerou como empregados, alguns prestadores de serviços, sem sequer questionar a carga horária de trabalho desses prestadores, sem verificar se os mesmos tinham outro vínculo empregatício e se a natureza do serviço prestado era de natureza trabalhista. Sem respostas a essas indagações, não teria a impugnante como se posicionar com relação ao pagamento das contribuições previdenciárias; * Os termos previstos na CLT foram utilizados para caracterização dos empregados, no entanto, para caracterizar vínculo empregatício, tem de estar presentes todos os pressupostos básicos: Não Eventualidade, subordinação, Pessoalidade e remuneração, não restando plenamente configurado tais pressupostos; * A caracterização dos segurados como empregado resulta na possibilidade de serem devidas, não apenas as contribuições previdenciárias, mas também as verbas de natureza trabalhista, sendo que as despesas com encargos trabalhistas ultrapassariam o limite de capacidade de pagamento do Clube, que vem passando por sérias dificuldades financeiras; * Não foi verificado se os segurados tinham inscrição e recolhimentos na Previdência, o que inviabilizaria a presente autuação. Como já dito, o lançamento foi mantido pela primeira instância, por meio do acórdão a seguir ementado (fls. 305/313): Fl. 337DF CARF MF Processo nº 17883.000217/200890 Acórdão n.º 2402007.230 S2C4T2 Fl. 338 3 Em seu Recurso Voluntário de fls. 321/327, insiste o recorrente na tese de que estaria sendo prejudicado em função de o enquadramento dado pelo Fisco com relação aos pagamentos efetuados como sendo a segurados empregados. E, assim sendo, o que se discutiria nestes autos teria o mesmo fato gerador verificado em dois outros processos. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator Conhecimento. O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 24.3.09, consoante se denota de fls. 319, e apresentou seu Recurso Voluntário em 24.4.09, conforme fl. 321. Em sua peça, no tópico atinente à "Tempestividade do Recurso", após admitir o término do prazo para sua interposição como sendo dia 23 de abril, sustentou que esse último dia seria ponto facultativo decretado junto às repartições públicas federais e estatuais, sem, todavia, mencionar o normativo em questão. Consultando a Portaria da Secretaria Executiva do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão nº 525, de 06 de novembro de 2008, por meio da qual foram divulgados os dias de feriado nacional e de ponto facultativo no ano de 2009, para cumprimento pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo, não traz o dia 23 de abril de 2009 como sendo ponto facultativo como alegado pelo recorrente. Contudo, a Lei 5.198/2008, do Estado do Rio de Janeiro, instituiu como feriado estadual o dia 23 de abril, "Dia de São Jorge" Nesse ponto, assiste razão ao recorrente, no sentido de que teria até o dia 24/4/09 para a apresentação de sua defesa. Assim procedendo, passo a conhecer do recurso. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 17883.000217/200890 Acórdão n.º 2402007.230 S2C4T2 Fl. 339 4 Mérito. Neste tópico, como já destacado no relatório desta decisão, o sujeito passivo insiste na tese de que estaria sendo prejudicado em função de o enquadramento dado pelo Fisco com relação aos pagamentos efetuados como sendo a segurados empregados. E, assim sendo, o que se discutiria nestes autos teria o mesmo fato gerador verificado em dois outros processos. Não é bem assim. Vejamos. Como bem esclarece a decisão recorrida, o Auto de Infração aqui sob análise não exigiu qualquer tributo sobre valores pagos a segurados empregados, mas sim, a contribuintes individuais. Nestes autos, a cota da empresa e no de nº 17883.000216/200845, a do próprio segurado, que não foi descontada oportunamente, sobre os mesmos pagamentos. Confirase: Por sua vez, à luz do processo 17883.000220/200811, relativo ao DEBCAD 37.172.6786, acima mencionado, podese notar que foram considerados, para o lançamento lá em discussão, os valores pagos aos segurados Alessandro César da S Diniz, Glauco de O Silva, João Rodrigues, Marco Antônio e Sonia Maria da S Machado (fls. 30/33), tidos pelo Fisco como segurados empregados e que não se confundem com os 26 relacionados às fls. 47/52 deste feito, não havendo que se falar, assim sendo, em cobrança do mesmo fato gerador em processos distintos. Ao final, é de se destacar que não há maiores questionamentos por parte do sujeito passivo acerca da ocorrência do fato gerador ou da base de cálculo apurada, como bem salientou o julgador de primeira instância. Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 339DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914444/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do redator designado, vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado (relator) que negava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do redator designado, vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado (relator) que negava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do redator designado, vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado (relator) que negava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 14 44 4/ 20 09 -2 8 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 16327.914444/200928 Resolução nº 3302001.113 S3C3T2 Fl. 273 2 Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo partes do relatório da decisão de primeira instância : Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito próprio com suposto direito de crédito decorrente de pagamento a maior de IOF. O valor pago a maior teria sido de R$ 70.872,83 (DARF de R$ 307.007,05, recolhido em 13/03/2008), quantia inteiramente aproveitada na DCOMP. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito, sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente comprometido na quitação de outro débito confessado pela contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada desse despacho em 19/10/2009, em 18/11/2009 a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em resumo ter havido erro na apuração, declaração e recolhimento do IOF. DCTF relativa ao período não foi retificada, o que levou a unidade local a não homologar a compensação declarada, tendo em vista a vinculação integral do pagamento ao débito declarado. Conforme o texto da defesa: O crédito utilizado na compensação resultou de DARF recolhido a maior, pelo REQUERENTE, em 13.03.2008, a título de IOF — Operações de Crédito —Pessoa Jurídica, código de retenção 1150, posto que o valor do DARF pago de R$ 307.007,05, sendo que era devido, no período de apuração acima, o montante de R$ 236.134,22, o que resultou num crédito a ser compensado, pelo REQUERENTE, na importância original de R$ 70.872,83 e objeto do PERD/DCOMP em tela (docs. 03/04). Por um erro material incorrido, pelo REQUERENTE, deixou o mesmo, todavia, de retificar a DCTF relativa ao período atinente ao DARF acima (doc. 05). A contribuinte, assim, afirma possuir efetivamente o direito ao crédito e pretende ver homologada a compensação declarada. Acrescenta que o erro cometido no preenchimento da DCTF apresentada em relação ao período em foco não retira a legitimidade de seu procedimento. Em 13/10/2014, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/03/2008 a 10/03/2008 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 16327.914444/200928 Resolução nº 3302001.113 S3C3T2 Fl. 274 3 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado da decisão em 30/10/2014, consoante Consulta de rastreamento de correspondência acostada, a Recorrente interpôs recurso voluntário em 01/12/2014, consoante carimbo aposto na folha de rosto do recurso, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na manifestação de inconformidade e aduz que os documentos juntados com a manifestação de inconformidade comprovam a existência do direito creditório. Por fim, requer o reconhecimento da compensação pleiteada, e se necessários outros elementos de prova, a conversão do julgamento em diligência para tanto. Ato seguido, o expediente é encaminhado ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase desde logo ao mérito do litígio, que não envolve questões de direito, e sim de fato. DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO Fl. 137DF CARF MF Processo nº 16327.914444/200928 Resolução nº 3302001.113 S3C3T2 Fl. 275 4 A decisão recorrida assim tratou das provas trazidas pela recorrente para lastrear o seu crédito: No caso em foco, como visto, a alegação da interessada é a de que o valor do IOF pago e declarado em relação ao primeiro decêndio de março de 2008 (R$ 307.007,05) não corresponde ao efetivamente devido (R$ 236.134,22), configurandose o pagamento a maior. Para comprovar o alegado, a contribuinte traz aos autos (fls. 26/27) cópias extraídas do livro Razão da conta IOF A RECOLHER – OPER CRÉDITO CARTÃO (conta nº 4.9.1.10.10.2 301.3). No entanto, o documento apresentado não tem força para conduzir a prova da certeza e liquidez do pretendido direito de crédito. Diz a contribuinte que o valor devido em relação ao primeiro decêndio de março de 2008 seria R$ 236.134,22 e não de R$ 307.007,05. A mencionada cópia do Razão não traz nenhuma indicação de que o valor do IOF a recolher em relação ao 1º Dec/Mar/2008 corresponderia aos citados R$ 236.134,22. Notese ainda que a documentação apresentada está incompleta e não mostra os lançamentos da conta desde o começo do decêndio, mas só a partir do final do dia 02/03/2008, não sendo possível aferir os lançamentos com histórico de IOF a recolher de forma que se confirme que, no decêndio em questão, o IOF a recolher corresponde ao montante afirmado pela contribuinte. Ademais, não há em relação ao período, nenhum registro de IOF a recolher. A prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Como visto, a disponibilidade do crédito não existia na fase em que aconteceu a conferência eletrônica da compensação e sua liquidez e certeza não foi demonstrada nessa fase de contestação do despacho resultante. Em sede recursal, nada foi dito sobre as razões de fato declinadas para a não homologação da compensação encetada. Apenas foram lançadas novas explicações para a existência do crédito, apontando para documentos juntados com o recurso voluntário, razão contábil do Passivo da Recorrente (IOF a recolher Operação Crédito Cartão) (doc. 06) e razão contábil analítico do Ativo da Recorrente (doc. 07) (Conta 1.8.8.45.00.6.053.5 Crédito Tributário de IOF, na subconta Pagamento de imposto IOF a maior 1º dec. 03/2008). Em que pese haver novas páginas do livro Razão da recorrente agora nos autos, ainda não é possível perceber com a documentação trazida o porquê de a base de cálculo declarada num primeiro momento ser incorreta, e a base de cálculo correta ser a de menor valor. A recorrente não explica a diferença de composição das bases de cálculo nem traz outros documentos que suportem os números constantes do livro Razão trazido. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 16327.914444/200928 Resolução nº 3302001.113 S3C3T2 Fl. 276 5 O requerimento de conversão do julgamento em diligência para juntada de outros elementos de prova não encontra guarida nessa fase recursal quando o contribuinte não traz indícios fortes da existência de seu crédito. Assim é que data maxima venia da posição da recorrente, comungo da visão da decisão recorrida, que verificou não haver os atributos de liquidez e certeza no crédito pleiteado pela recorrente. Posto isso, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Voto Vencedor Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Redator Designado. A maioria do Colegiado discordou do voto do relator por entender necessária a conversão do julgamento em diligência para análise dos documentos acostados no momento da interposição da manifestação de inconformidade. Coube a esse conselheiro a redação do voto vencedor. A questão está ligada ao direito de apresentação de documentos em momento posterior ao da interposição da manifestação de inconformidade, em nome da verdade material. Entendo que a decisão dependerá do tipo de processo que está em análise. Nos casos de procedimentos referentes a despacho eletrônico de pedido de restituição, onde o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado, o primeiro momento que ele tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. Porém, nem todo patrono é operador do direito ou está familiarizado com a instrução probatória, podendo deixar de providenciar documentos relevantes, pelo simples fato de desconhecer sua importância. Por esse motivo, se o sujeito passivo não se manteve inerte, buscando sempre participar da instrução probatória, não vejo motivos para negar a apreciação de documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário.Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. No caso dos autos, o pedido de restituição da recorrente foi negado por despacho eletrônico. Em sede de manifestação de inconformidade, afirmou que o indébito tributário ocorreu por um de recolhimento indevido de IOF referente ao primeiro decêndio de março de 2008. Informou que declarou e recolheu indevidamente um valor superior ao Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16327.914444/200928 Resolução nº 3302001.113 S3C3T2 Fl. 277 6 efetivamente devido. Buscou instruir o processo com cópias do livro razão da conta "IOF A RECOLHER OPER CRÉDITO CARTÃO" e com o DARF de recolhimento. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a documentação apresentada estava incompleta e não demonstrou os lançamentos desde o começo do decêndio, mas só a partir do final do dia 02/03/2008, não sendo possível aferir os lançamentos com histórico de IOF a recolher de forma a provar o alegado pela recorrente. A recorrente repisou no recurso voluntário os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, e apresentou cópia do livro razão referente a conta "IOF A RECOLHER OPER CREDITO CARTÃO", só que agora de todo o ano de 2008, buscando suprir a lacuna probatória alertada pela decisão recorrida e utilizada como fundamento para a improcedência de seu recurso em primeira instância. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilitou o julgamento naquela assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações e as provas produzidas pelo recorrente nesta fase recursal devem ser analisadas com mais profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit n° 02/2015. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem analise os documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904437/2008-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 22/08/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 2201-004.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 22/08/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 44 37 /2 00 8- 37 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16327.904437/200837 Acórdão n.º 2201004.858 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904454/200874, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2201004.849 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF sobre operações de ganho de capital em operação de compra e venda em bolsa de valores pois considerou diversas empresas investidoras não residentes e situadas em países com tributação favorecida (paraíso fiscal). Aduz que houve erro de fato, pois de acordo com a IN 188/02 as empresas situadas em Luxemburgo que não sejam constituídas na forma de Holding Company não estão sujeitas a retenção do IRRF e, portanto o pagamento do tributo foi compensado. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento em síntese de falta de comprovação dos documentos societários constitutivos da empresa investidora para não ter o tratamento de holding company na forma da legislação luxemburguesa, sendo que considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado." Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.904437/200837 Acórdão n.º 2201004.858 S2C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904454/200874, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: "Acórdão nº 2201004.849 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, o conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No presente recurso o contribuinte questiona além do fato de existir provas de que a empresa investidora não era à época dos fatos holding company para se inserir na regra de retenção do IRRF, argumenta também sobre a existência de erro de fato. Contudo não foi enfrentada no acórdão da decisão da DRJ e não dedicada nem uma só linha sequer sobre o assunto do erro de fato muito embora seja ela essencial ao deslinde desta lide administrativa e tenha constado na manifestação de inconformidade do contribuinte. O contribuinte destaca em seu recurso e na manifestação de inconformidade tanto o tema quanto a ocorrência de erro de fato quanto a questão da comprovação da natureza societária em Luxemburgo da empresa investidora. Contudo, pela análise da decisão de piso, verifico que apenas a questão sobre a natureza societária da empresa investidora, no caso a comprovação se era a época dos fatos, holding company, foi objeto de decisão de primeiro grau, deixando a C. Turma do colegiado a quo de se manifestar em relação a questão do erro de fato, que foi objeto de capítulo exclusivo na manifestação de inconformidade do contribuinte. Portanto, nesse caso, de ofício e de forma preliminar entendo que para evitar supressão de instância devido ao fato da DRJ não ter analisado essa questão quanto ao erro de fato, levantada pelo contribuinte desde a manifestação de inconformidade e também em recurso voluntário, entendo que houve preterição ao direito de defesa de acordo com art. 59, II do Decreto 70.235/72 devendo ser anulada a r. decisão recorrida para que a DRJ a analise, ressalvado ao Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16327.904437/200837 Acórdão n.º 2201004.858 S2C2T1 Fl. 5 4 contribuinte, posteriormente o recurso em relação aos demais itens não abordados nessa decisão. Com efeito, os demais argumentos trazidos no recurso ficam prejudicados quanto a sua análise em vista das razões acima, sendo que ficam ressalvados em caso de necessidade de posterior análise após nova decisão da DRJ. Conclusão Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo." Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901665/2013-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/10/2010
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.886
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 65 /2 01 3- 73 Fl. 307DF CARF MF Processo nº 16682.901665/201373 Acórdão n.º 3302006.886 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12089.017. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 308DF CARF MF Processo nº 16682.901665/201373 Acórdão n.º 3302006.886 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 309DF CARF MF Processo nº 16682.901665/201373 Acórdão n.º 3302006.886 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 310DF CARF MF Processo nº 16682.901665/201373 Acórdão n.º 3302006.886 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 16682.901665/201373 Acórdão n.º 3302006.886 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 312DF CARF MF
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