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Numero do processo: 13016.000285/99-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998
Ementa:
CRÉDITOS PRESUMIDO DE IPI. INEXISTÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO FISCAL. A falta de apresentação da escrituração fiscal relativa às notas fiscais de aquisição de insumos constitui óbice intransponível ao reconhecimento da legitimidade do crédito extemporâneo, uma vez que impede o fisco de verificar se os valores já não foram aproveitados na época própria.
Numero da decisão: 3301-002.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábia Regina Freitas - Relatora
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 Ementa: CRÉDITOS PRESUMIDO DE IPI. INEXISTÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO FISCAL. A falta de apresentação da escrituração fiscal relativa às notas fiscais de aquisição de insumos constitui óbice intransponível ao reconhecimento da legitimidade do crédito extemporâneo, uma vez que impede o fisco de verificar se os valores já não foram aproveitados na época própria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Fábia Regina Freitas Relatora (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 02 85 /9 9- 10 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por Panalex, Comércio, Importação e Exportação Ldta contra Acórdão n. 1025.962, de 24 de junho de 2010 (fls. 164 138), proferido pela 3ª Turma da DRJ/BEL, que manteve o indeferimento do direito creditório pleiteado (R$ 23.875,93) relativo ao DCOMP referente ao saldo credor de IPI do quarto trimestre de 1998. Peço vênia para adotar o relatório da DRJ, pela riqueza de detalhes do caso: “Em 12 de julho de 1999, o interessado solicitou, perante a Agência da Receita Federal em Bento Gonçalves, jurisdição fiscal da Delegacia da Receita Federal em Caxias tio Sul (DRF/CXL), o ressarcimento do crédito presumido do IPI, de que trata a Portaria MF n2 38, de 27 de fevereiro de 1997 (Lei n 2 9.363, de 13 de dezembro de 1996), referente ao quarto trimestre de 1998, conforme pedido da fl. 1, no valor de R$ 23.875,93. Na mesma data, foi apresentado o Pedido de Compensação da fl. 2, do crédito antes mencionado, com parte de débito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), de responsabilidade de terceiro. O pleito foi apreciado pela Informação Fiscal das fls. 65 a 67, que opinou pelo indeferimento, porque o requerente não possui estabelecimento industrial, operando mediante remessa de insurnos para outra empresa, que realiza a industrialização de móveis de madeira, sob encomenda. Os produtos industrializados por encomenda saem da executora da industrialização diretamente para os adquirentes, sem transitar pelo estabelecimento encomendante, com retorno simbólico. Ademais, não seria possível calcular o valor do beneficio porque o contribuinte não efetuou o levantamento do estoque de insumos no final do trimestre. Tal proposição foi acolhida pelo Despacho Decisório da fl. 68, que, em 2 de fevereiro de 2001, indeferiu o Pedido de Ressarcimento da fl. 1. Na sequência, pelo Despacho Decisório de 11 de julho de 2001, da fl. 69, foi indeferido o Pedido de Compensação da fl. 2. Na fl. 72, consta Aviso de Recebimento (AR), referente ã ciência dos despachos decisórios antes referidos, exibindo carimbo da agencia postal com data de 30 de julho de 2001, devidamente assinado pelo recebedor, mas sem a menção da data de recebimento. Afirma que não condiz a afirmação de que não possui parque industrial, uma vez que é cessionário dos direitos de utilização do prédio onde está instalado o parque industrial da empresa Ponte Vecchio Móveis Ltda, que presta serviços de mãodeobra à Panalex, exclusivamente, havendo incorreção na área ocupada pelas empresas, no mapa elaborado pela fiscalização. Em seguida, o requerente alega que as empresas são interdependentes o que pode ser constatado pela conta da energia elétrica em seu nome, o maquinário pertence ao requerente, os Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13016.000285/9910 Acórdão n.º 3301002.184 S3C3T1 Fl. 3 3 produtos são industrializados dentro de seu parque industrial, o que existe é uma terceirização de mãodeobra. O requerente diz que é estabelecimento industrial e não equiparado, adquire matériaprima, promove a industrialização dentro do seu parque industrial e vende no mercado externo, tendo direito ao beneficio. Adiante, o interessado argumenta que o levantamento do estoque de insumos foi feito no final de 1998, sendo possível apurar os valores referentes aos demais trimestres, exigindo alternativas para a apuração dos créditos, facultadas pelo próprio Regulamento do IPI. Por último, o requerente reafirma seu direito ao crédito presumido ainda que na condição de equiparado, pedindo o deferimento do ressarcimento. O processo retornou à DRF/CXL, pela Diligência DRJ/PAE nº 10, de 27 de abril de 2004, da fl. 94, para que a fiscalização apurasse o valor do crédito presumido de IPI pretendido, tomando como valor dos insumos consumidos nos produtos exportados, as aquisições e remessas dos mesmos para industrialização por encomenda, cujos produtos finais constituíram a receita de exportação no período requerido. Implementando a diligência, a DRF/CXL intimou o interessado, pelo termo das fls. 95 e 96, a apresentar: (a) notas fiscais de aquisições de insumos utilizados na industrialização por encomenda dos produtos que constituíram a receita de exportação; (b) notas fiscais de remessas de insumos utilizados na industrialização por encomenda dos produtos que constituíram a receita de exportação; e (c) livro de Registro de Apuração do IPI. Em resposta à intimação referida no item precedente, vieram aos autos deste processo os documentos das fls. 97 a 139 e o Relatório de Diligência Fiscal da fl. 140, segundo o qual o interessado deixou de apresentar as notas fiscais de aquisição de insumos, motivo por que a fiscalização considerou prejudicada a análise solicitada por esta Terceira Turma. O Relatório de Diligência Fiscal da fl. 140 também menciona a manifestação do interessado, na fl. 98, no sentido de que forneceu todos os documentos e livros disponíveis, afirmando que a legislação exige que o sujeito passivo conserve a documentação fiscal, pelo prazo de cinco anos, o qual já expirou. Na manifestação da fl. 98, o interessado ainda argumenta que, nos termos do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 teria ocorrido a homologação do pedido de ressarcimento (sic), alegando que não foi cientificado de decisão em sentido contrário”. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e manteve o indeferimento do direito pleiteado em acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI A falta de apresentação das notas fiscais de aquisição de insumos, independentemente do motivo alegado, impede a quantificação do alegado direito ao crédito presumido do IPI, para fins de ressarcimento e compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado do referido acórdão em 14 de julho de 2010 (fl. 171), o interessado apresentou Recurso Voluntário em 05 de agosto de 2010 (fls. 173185) pleiteando a reforma do decisum e afirmando basicamente que “a comprovação do direito creditório da recorrente pode ser comprovado pode ser comprovada através da análise do Livro de Registro de Apuração do IPI do exercício. Não há necessidade a análise das notas fiscais de aquisição e remessa de insumos para comprovar a idoneidade das operações. Todas as operações realizadas pela recorrente estão devidamente registradas no Livro de Apuração do IPI”. É o relatório. Voto Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. Como tese central a ser trabalhada no presente julgamento, temos a falta de apresentação das notas fiscais de aquisição de insumos, na escrita fiscal da interessada, que comprovaria os créditos objeto do pedido de ressarcimento, como fundamento para o indeferimento total do pleito. Sabese que na relação jurídicotributária o onus probandi incumbit ei qui dicit. Inicialmente cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário, no sentido de realizar o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. Ao sujeito passivo, entretanto, compete, igualmente, apresentar os elementos que provam o direito alegado, bem assim elidir a imputação da irregularidade apontada, especialmente quando a infração referirse as chamadas presunções legais. Nesse sentido, admitese no acórdão da DRJ nas fls. 166/167, que a “manifestação de inconformidade apresentada pelo interessado foi convincente, no sentido de se baixar em diligência, tendente à obtenção de documentos que permitissem quantificar o alegado direito ao crédito presumido do IPI, para fins de ressarcimento e compensação, providência que, todavia, resultou infrutífera, porque o interessado informou não mais dispor da documentação solicitada (notas fiscais de aquisição de insumos)”. Verificase que no Relatório de Diligência Fiscal (fls. 162/163), a fiscalização deixou bem clara os elementos que deveriam ser apresentados na referida diligência: “a) Notas fiscais de aquisições de insumos utilizados na Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13016.000285/9910 Acórdão n.º 3301002.184 S3C3T1 Fl. 4 5 industrialização por encomenda dos produtos que constituíram a receita de exportação nos trimestres acima mencionados; b) Notas fiscais de remessas de insumos utilizados na industrialização por encomenda dos produtos que constituíram a receita de exportação nos trimestres acimas mencionados; c) Livro registro de apuração do IPI dos anos de 1997 e 1998”. Não sendo atendido qualquer um desses elementos, resta apenas aplicar o art. 40 da Lei nº 9784/99, que diz o seguinte: “Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo”. Entendese que a mera apresentação das notas fiscais de remessas de insumos utilizados na industrialização por encomenda dos produtos que constituíram a receita de exportação nos trimestres acimas mencionados e do livro registro de apuração do IPI dos anos de 1997 e 1998, não dá direito ao crédito, pois a inexistência das notas fiscais de aquisição de insumos não permite ao fisco aferir se o crédito decorrente das notas fiscais teria sido aproveitado no passado ou se fariam jus ao creditamento pleiteado. Por fim, o art. 9º§1º do DecretoLei nº 1.598/77 estabelece que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. Já o art. 190 do RIPI/2002 estabelece que os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista dos documentos que lhes confira legitimidade. Desses dispositivos, se pode concluir que a prova da legitimidade do crédito deve ser aferida por meio da escrituração contábil e fiscal e que o crédito só tem existência jurídica se as notas fiscais de entrada estiverem contabilizadas. Não existe crédito de IPI fora dos livros fiscais. Em face do exposto, voto por negar provimento ao pedido da interessada. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 30 de janeiro de 2014. Fábia Regina Freitas Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13506.000262/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO.
O recurso interposto após 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, não deve ser conhecido pelo Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).
RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO A QUO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2102-002.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 25/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. O recurso interposto após 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, não deve ser conhecido pelo Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO A QUO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 25/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1606; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 2 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13506.000262/200718 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.559 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2013 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente IRACEMA MARIA DOS SANTOS Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. O recurso interposto após 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, não deve ser conhecido pelo Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO A QUO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 25/05/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 6. 00 02 62 /2 00 7- 18 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13506.000262/200718 Acórdão n.º 2102002.559 S2C1T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 46: A interessada impugna auto de infração do imposto de renda do ano calendário 2004, lavrado para incluir rendimentos omitidos de R$ 15.724,48, informados em DIRF pela Caixa Econômica Federal. A impugnante argumenta, em síntese, que os rendimentos foram pagos ao seu advogado, que só os repassou a si própria em 2006, no valor de R$ 13.726,00. Para comprovar, apresenta cópia de fax com anotações, segundo alega, feitas de próprio punho pelo advogado, demonstrando o valor que lhe seria depositado em 2006, e cópia de extrato bancário com quatro depósitos neste ano, no montante alegado. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhados de provas suficientes, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 RENDIMENTOS. POSTERIOR REPASSE PELO ADVOGADO. No caso de rendimentos pagos em ação judicial, o fato gerador ocorre na data do crédito ao representante legal do beneficiário, e não na data do repasse à sua conta pessoal. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 115/116, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, uma vez que, a verba recebida e lançada como omissa ocorreu em exercício posterior ao lançado devido à máfé do seu patrono. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13506.000262/200718 Acórdão n.º 2102002.559 S2C1T2 Fl. 4 3 ADMISSIBILIDADE Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso dever ser interposto no prazo máximo de 30 (trinta) dias após a ciência, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Da análise dos pressupostos de admissibilidade, verificase que o contribuinte tomou ciência do acórdão da DRJ em 20/01/2010, consoante AR de fl. 49, e observada regra de contagem de prazos do art. 5º do PAF, a data final para interposição do Recurso Voluntário seria 19/02/2010; contudo, o contribuinte protocolou o Recurso em 21/02/2010, conforme assinalado na primeira folha do Recurso à fl. 115, ou seja: 2 dias depois do prazo legal. Assim, o prazo final foi ultrapassado. Verificase destarte, que a presente reclamação não atende o pressuposto de admissibilidade da tempestividade do recurso voluntário, previsto na legislação que rege o processo administrativo fiscal e, portanto, não deve ser conhecida por este órgão julgador. Ressalto que a intempestividade foi registrada pela unidade de origem da RFB, conforme Termo de Perempção de fl. 50. Posto isso voto por NÃO CONHECER DO RECURSO pela intempestividade na sua apresentação. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 16327.721378/2011-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÃO ISENTA. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DA NOVA EMPRESA. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO.
Sujeita-se à incidência do imposto de renda, computando-se na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio.
AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA DO TRANSCURSO DO PRAZO DECADENCIAL.
No caso de tributação do ganho de capital, obtido com as ações da nova sociedade constituída, o fato gerador ocorreu quando a empresa recebeu tais ações, no momento da desmutualização da BM&F. Como não houve o transcurso do prazo decadencial de cinco anos contados da data do fato gerador, válidos são os lançamentos ora analisados.
GANHO DE CAPITAL. FORMA DE APURAÇÃO. CUSTO CONTÁBIL. INAPLICABILIDADE DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL AOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA ASSOCIAÇÃO ISENTA BM&F.
O ganho de capital deve ser apurado levando-se em conta o custo contábil do bem registrado na escrituração da empresa. O método de avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial não se aplica aos títulos patrimoniais da associação isenta BM&F.
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DESPESAS COM PAGAMENTO/CREDITAMENTO A TITULAR, SÓCIOS OU ACIONISTAS. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA.
A dedução dos valores de juros pagos e/ou creditados a título de remuneração do capital próprio, autorizada pela Lei n° 9.249/1995, não alcança os juros pagos em períodos anteriores, em vista do regime de competência.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento.
LANÇAMENTO REFLEXO
0 decidido em relação ao tributo principal se aplica aos lançamentos reflexos, em virtude da estreita relação de causa e efeitos entre eles existentes.
Numero da decisão: 1301-001.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado: I) quanto à matéria Desmutualização por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencido, neste ponto, o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator); II) quanto à Dedutibilidade dos Pagamentos efetivados a título de Juros sobre Capital Próprio-JCP, pelo voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator), Edwal Casoni de Paula Junior e Valmir Sandri. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas.
(documento assinado digitalmente)
Plinio Rodrigues Lima - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Augusto de Andrade Jenier - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Edwal Casoni de Paula Junior e Valmir Sandri.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÃO ISENTA. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DA NOVA EMPRESA. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência do imposto de renda, computandose na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA DO TRANSCURSO DO PRAZO DECADENCIAL. No caso de tributação do ganho de capital, obtido com as ações da nova sociedade constituída, o fato gerador ocorreu quando a empresa recebeu tais ações, no momento da desmutualização da BM&F. Como não houve o transcurso do prazo decadencial de cinco anos contados da data do fato gerador, válidos são os lançamentos ora analisados. GANHO DE CAPITAL. FORMA DE APURAÇÃO. CUSTO CONTÁBIL. INAPLICABILIDADE DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL AOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA ASSOCIAÇÃO ISENTA BM&F. O ganho de capital deve ser apurado levandose em conta o custo contábil do bem registrado na escrituração da empresa. O método de avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial não se aplica aos títulos patrimoniais da associação isenta BM&F. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DESPESAS COM PAGAMENTO/CREDITAMENTO A TITULAR, SÓCIOS OU AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 78 /2 01 1- 69 Fl. 650DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 ACIONISTAS. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução dos valores de juros pagos e/ou creditados a título de remuneração do capital próprio, autorizada pela Lei n° 9.249/1995, não alcança os juros pagos em períodos anteriores, em vista do regime de competência. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. LANÇAMENTO REFLEXO 0 decidido em relação ao tributo principal se aplica aos lançamentos reflexos, em virtude da estreita relação de causa e efeitos entre eles existentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado: I) quanto à matéria “Desmutualização” por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencido, neste ponto, o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator); II) quanto à “Dedutibilidade dos Pagamentos efetivados a título de Juros sobre Capital PróprioJCP, pelo voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator), Edwal Casoni de Paula Junior e Valmir Sandri. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. (documento assinado digitalmente) Plinio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Edwal Casoni de Paula Junior e Valmir Sandri. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Adotando o relatório apresentado pela r. decisão de origem, destaco: Conforme os Termos de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 175183 e 184193, em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada foram apurados os fatos descritos a seguir: 1. Ganho auferido em devolução do patrimônio social de entidade isenta (ano calendário 2007) 1.1. Descrição dos fatos A BM&F era uma associação civil sem fins lucrativos cujas associadas precisavam deter títulos patrimoniais dessa bolsa para nela operarem. Esses títulos eram contabilizados no ativo permanente das associadas, sujeitandose a atualizações periódicas de acordo com informações prestadas pela BM&F. A contrapartida desses acréscimos ao valor do ativo eram registradas na conta “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais”, a qual compõe a conta “Reserva de Capital” do Patrimônio Líquido das associadas. A contribuinte detinha um título patrimonial de sócio efetivo da BM&F adquirido em 28/10/94 de outra empresa, a qual havia adquirido esse título por Cz$106.400,00 em 24/09/86 (fls.3840). Conforme a empresa informa às fls.73, o registro do processo de desmutualização referente a 10.000 ações trocadas pelo título patrimonial de sócio efetivo não foi efetuado. A contribuinte também adquiriu os direitos sobre um título patrimonial de membro de compensação diretamente da BM&F em 04/10/2001 por R$1.877.560,00 (fls.3637), valor contabilizado a débito da conta Cosif 21410200010007 – Títulos de Bolsa de Mercadorias e Futuros, conforme registros da empresa às fls.107. As atualizações patrimoniais foram lançadas a débito nessa conta até a data que antecedeu o processo de desmutualização, em contrapartida à conta Cosif 61370000010009 – Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais, sendo que em 01/08/2007 a conta apresentava um saldo devedor de R$4.877.537,67. A BM&F passou por processo de cisão parcial, em 20/09/2007, pelo qual o patrimônio daquela associação foi vertido para a BM&F S/A, sendo os títulos patrimoniais convertidos em ações no curso do processo de desmutualização da BM&F, conforme decisão da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de 20/09/2007 (fls.4143), da seguinte forma: Ações da BM&F S/A recebidas pela contribuinte Fl. 652DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 A contribuinte foi intimada a esclarecer o motivo da diferença de R$84.062,33 entre o valor contabilizado R$4.877.537,67 e R$4.961.610,00 (valor atribuído pela BM&F S/A ao título patrimonial), e respondeu que os valores considerados para apuração do valor dos títulos patrimoniais basearamse no saldo contábil existente em 31/10/2007, não sendo efetuada a atualização no mês do evento. Assim, o procedimento errôneo da contribuinte de não considerar a devida atualização do título patrimonial BM&F no mês de 09/2007 resultou na diferença de R$84.062,33. 1.2. Enquadramento legal e valor tributável Como relatado no tópico anterior, em 20/09/2007 a BM&F passou de uma instituição sem fins lucrativos para se tornar uma sociedade por ações, e as associadas (caso da contribuinte) receberam em troca dos títulos patrimoniais as ações da nova empresa BM&F S/A. A operação de desmutualização foi objeto das Soluções de Consulta Cosit nº 10/2007 e SRRF08/Disit nº 520/2008, nas quais há o entendimento de que incidem o IRPJ e a CSLL sobre a diferença entre o valor nominal das ações recebidas pelos associados, e o custo de aquisição dos títulos patrimoniais das antigas associações sem fins lucrativos. Desse modo, a associação sem fins lucrativos BM&F devolveu o patrimônio aos associados, que passaram a ser sócios de empresa com finalidade de lucro. Assim, a diferença entre o custo de aquisição e o valor contábil pelo qual foi realizada a capitalização da BM&F constitui ganho de capital tributado pelo IRPJ e CSLL, conforme o art.17 da Lei nº 9.532/97. O ganho de capital é apurado pela diferença entre o valor obtido na realização da capitalização da BM&F(títulos de membro de compensação e de sócio efetivo) e os respectivos custos de aquisição desses títulos, resultando num valor tributável de R$3.094.040,00, sobre o qual será constituído o crédito de IRPJ e de CSLL. 2. Excesso de juros pagos a título de remuneração do capital próprio 2.1. Descrição dos fatos No curso da fiscalização, constatouse que a empresa pagou/creditou juros sobre capital próprio (JCP) aos acionistas no montante de R$65.800.000,00 no ano calendário de 2006, conforme linha 45 da ficha 06B da respectiva DIPJ e comprovantes de rendimentos pagos (fls.15, 16 e 170). Os beneficiários são os seguintes: Quadro I Fl. 653DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 4 5 Quadro II Quadro III Os valores relativos aos JCP de R$65.800.000,00 foram contabilizados na conta Cosif devedora 8.1.9.55.00.0010002TJLP, conforme razão de fls. 3034, nas seguintes datas: Contabilização dos JCP Fl. 654DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Os valores relativos ao IRF incidente sobre os JCP pagos/creditados no ano calendário de 2006 foram contabilizados na conta Cosif credora 4.9.4.20.90.0040006 IRRFTJLP, conforme razão de fls.24, 26 e 28, nas seguintes datas: Contabilização do IRRF Conforme planilhas apresentadas pela contribuinte às fls.1011, o montante de JCP a ser pago no anocalendário 2005 é R$34.647.058,82, e no anocalendário 2006 é R$31.152.941,18. O JCP recebe tratamento de despesa financeira dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro real, desde que seja inferior a pelo menos um dos seguintes limites legais: 50% do lucro líquido antes de sua própria dedução; ou 50% dos lucros acumulados e reserva de lucros; Analisandose a DIPJ do anocalendário 2005 da contribuinte, verificase que não foi lançada a despesa com JCP, pois a linha 45 da ficha 06B está zerada (fls.173). A contribuinte tampouco registrou em sua contabilidade o pagamento ou crédito relativo Fl. 655DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 5 7 a despesa com juros sobre capital próprio. Ou seja, a despesa com juros sobre o capital próprio inexistiu sob o ponto de vista contábil e fiscal no anocalendário de 2005, pois não ocorreu nem pagamento de juros nem crédito de juros aos acionistas da sociedade. Salientese que, embora não tenha feito qualquer tipo de registro contábil ou fiscal, no anocalendário de 2005, a contribuinte pagou no anocalendário de 2006, juros sobre o capital próprio relativos ao anocalendário de 2005 no valor de R$34.647.058,82, cuja base de cálculo foi o valor do patrimônio líquido ajustado relativo ao ano calendário de 2005, sendo calculado com a TJLP do período de 2005. Apesar de o referido valor corresponder a despesas do ano calendário de 2005, a contribuinte não respeitou o principio da competência do exercício, e lançou essa despesa no resultado do anocalendário 2006, ultrapassando o limite de dedutibilidade previsto na legislação fiscal para pagamento de juros sobre o capital próprio, a teor do art.347, § 1º, do RIR/99. Registrese que, embora não tenha utilizado o regime de competência na dedução dos JCP, a contribuinte informou, nas Notas Explicativas anexas às demonstrações financeiras de 31/12/2005, que as despesas são apropriadas conforme o regime de competência. Além disso, é importante frisar que no anocalendário de 2005 a contribuinte apresentou prejuízo fiscal de R$25.159.515,14, conforme demonstrado a linha 37 da ficha 09B da DIPJ do período (fls. 174). Caso a empresa tivesse seguido a legislação fiscal, deduzindo os juros pagos ou creditados aos acionistas no decorrer do ano calendário de 2005, haveria aumento de R$34.647.058,82 no prejuízo fiscal, e o lucro real do anocalendário de 2006 seria aumentado no mesmo montante. Portanto, a contribuinte não respeitou o principio da competência na dedução dos JCP para apuração do lucro real (previsto no art.177 da Lei nº 6.404/76, Res.750/93 do Conselho Federal de Contabilidade, art.43 do CTN, art.29 da IN SRF nº 11/96 e Solução de Consulta SRRF06 nº 63/2001), ultrapassando o limite legal de dedutibilidade para o pagamento de juros sobre o capital próprio, causando prejuízo ao erário pela redução indevida de R$34.647.058,82 na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2006. Pelo exposto, será constituído o crédito de IRPJ e CSLL relativo ao anocalendário de 2006, correspondente à base de cálculo de R$34.647.058,82. Os autos de infração constam às fls. 194209, e foram fundamentados nos seguintes dispositivos legais: Demonstrativo do IRPJ Fl. 656DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Demonstrativo da CSLL Da Impugnação Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 216273, acompanhada dos documentos de fls. 274417, alegando em síntese que: 1. Item 1 do auto de infração – ganhos auferidos em devolução do patrimônio social de entidades isentas 1.1. Da natureza jurídica do negócio efetivamente ocorrido A BM&F se constituía sob a forma de uma associação sem finalidade lucrativa, cujos associados detinham títulos patrimoniais dessa entidade. O art. 2.033, c/c o art.44, inciso I, do Código Civil, prevê que as associações podem transformarse mediante operações de cisão (art.229 da Lei nº 6.404/76) e incorporação. No mesmo sentido dispõem o parágrafo único do art.16 da Lei nº 9.532/97 e o Parecer Jurídico Cojur nº 064/98, do Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC. Com a desmutualização ocorrida em 20/09/2007, a BM&F passou a atuar como uma sociedade anônima com finalidade lucrativa (BM&F S/A). Nessa operação, houve a cisão da BM&F (art. 1116 e 2033 do Código Civil e art.227 da Lei nº 6.404/76), seguida de incorporação de seu patrimônio para a BM&F S/A. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 6 9 Assim, a BM&F S/A incorporou o ativo e passivo da BM&F relacionados às atividades transferidas. Continuaram na associação BM&F atividades educacionais e de responsabilidade social. A cisão seguida de incorporação leva à sucessão universal, transferindose todos os direitos, obrigações e responsabilidades dos negócios em curso da cindida para a incorporadora, que se mantém intactos quanto ao direito material que representam. Verificase a continuidade do mesmo ativo. A própria RFB admite apenas a cisão seguida de incorporação como hipótese de transferência de registros da parte B do Lalur. Cada associado devolveu os títulos à BM&F e recebeu, para cada título de membro de compensação e de sócio efetivo, respectivamente, 4.961.610 e 10.000 ações da nova empresa (totais de R$4.961.610,00 e de R$10.000,00). Assim, os títulos patrimoniais subsistem, não sendo novas ações acrescidas ao patrimônio líquido da impugnante. Não houve devolução de patrimônio e dissolução da associação BM&F. Houve mera substituição de ativos (títulos por ações), sem troco em espécie, e os associados transformaram o valor contábil dos títulos patrimoniais em valor contábil do novo ativo (ações da nova empresa), considerando como custo de aquisição das ações o valor contábil dos títulos patrimoniais. 1.2. Do adequado tratamento a ser conferido às atualizações dos títulos na desmutualização Na substituição dos títulos por ações estas devem ter idêntica qualificação contábil, não havendo diferença de valores. As ações foram recebidas pelos seus valores atualizados, e essa atualização integra o custo contábil do ativo recebido. A impugnante segue as normas de contabilização do Conselho Monetário Nacional CMN e Banco Central do Brasil – Bacen, segundo a Lei nº 4.595/64, registrando no ativo o valor patrimonial dos títulos dessa bolsa, de acordo com a Consolidação das Normas Contábeis do Sistema Financeiro –Cosif, Circular nº 1.273/87 (itens 1.11.3.3 a 5 das Normas Básicas e contas contábeis 2.1.4.10), Resolução Bacen nº 1.656/89 e Ofício Circular CVM nº 325/79. Ao final de cada ano, eventual superávit da bolsa era capitalizado aumentando assim o valor nominal dos títulos por elas emitidos. As respectivas atualizações dos títulos eram contabilizadas na conta de ativo (títulos) em contrapartida à conta de reserva de atualização de títulos patrimoniais (RATP) no patrimônio líquido, sem transitarem pelo resultado do exercício (item 11, subitem 3, do capítulo 01 do Cosif). A avaliação dos títulos ocorre pelo método da equivalência patrimonial, como determinado pelas autoridades reguladoras do mercado financeiro e pelo Fisco (Parecer Normativo nº 78/78 e Solução de Consulta Cosit nº 13/97). Por sua vez, a contrapartida dos ajustes do valor do investimento por aumento ou redução no valor do patrimônio líquido da investida não deve ser computada na determinação do lucro real. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 Conforme o art.23 do Decretolei nº 1.598/77, Portaria MF nº 785/77 e art.3º do DecretoLei nº 1.109/70, a atualização monetária dos títulos da BM&F não sofre tributação. A regra é de isenção dos aumentos de capital ocorridos pela capitalização da atualização monetária dos títulos patrimoniais das bolsas. A Portaria MF nº 785/77 não trata de diferimento de tributos, mas sim, assegura a neutralidade fiscal do acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais. O § 3º do art.3º do Decretolei nº 1.109/70 prevê hipótese de exceção de isenção, e não de diferimento do ganho. Não existe hipótese legal de diferimento de ganho de capital; a tributação de ganho quando da extinção da entidade é exceção à regra de isenção. A Lei nº 8.849/94, com redação da Lei nº 9.064/95, e o art.658 do RIR/99 confirmam que os aumentos de capital mediante incorporação de lucros ou reservas não são tributados. Essa norma, por ser específica, sobrepõese ao art.17 da Lei nº 9.532/97. A Solução de Consulta Cosit nº 13/97 firmou o mesmo entendimento. A Justiça decidiu, nos autos do processo 2008.61.00.0081218, que os valores recebidos na desmutualização não são tributáveis, conforme sentença de fls. 322328. 1.3. Da impossibilidade em parte da lavratura dos autos de infração em decorrência da mudança de critério jurídico – art.146 do CTN A impugnante, com base na Solução de Consulta Cosit nº 13/97, conferiu o mesmo tratamento exposto nessa consulta à substituição de títulos patrimoniais realizada na desmutualização da BM&F, a teor do art.100 do CTN. Por outro lado, na Solução de Consulta nº 10/2007 foram adotados critérios jurídicos distintos para operações de mesma natureza, sendo a operação tratada como cisão e custo contábil na primeira decisão, e como dissolução e ganho de capital na segunda decisão. O Fisco não pode exigir o IRPJ e a CSLL da impugnante com base na mudança de critério jurídico dada na Solução de Consulta Cosit nº 10, de 26/10/2007, nem aplicar tal posicionamento para fatos anteriores à sua publicação, conforme art.146 do CTN e art.5º, caput, da CF/88 (princípio da segurança jurídica), como é o caso da operação de desmutualização da BM&F ocorrida em 20/09/2007. 1.4. Da decadência Caso seja desconsiderada a Portaria MF nº 785/77, e sejam passíveis de autuação os supostos acréscimos patrimoniais originados pela valorização dos títulos patrimoniais convertidos em ações verificada nos últimos 5 anos, verificase que parte do lançamento foi alcançada pela decadência. O IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, de acordo com o art.150 do CTN, cabendo à contribuinte, na ocorrência das valorizações dos títulos verificadas a cada ano, proceder ao recolhimento que entende devido. Por sua vez, o Fisco tem 5 anos para efetuar o lançamento, conforme o art.150 do CTN, caso contrário considerase homologado e extinto o crédito tributário. A ciência da contribuinte ao lançamento ocorreu em 18/10/2011. Sendo assim, os valores das atualizações ocorridos há mais de cinco anos foram alcançados pela decadência. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 7 11 1.5. Da alienação das ações da BM&F S/A Conforme o art.4º da Lei nº 9.959/2000, a reavaliação somente será computada na apuração do lucro real quando da realização (venda) do bem reavaliado. Na alienação de 10% das ações à General Atlantic e de 35% das ações na Oferta Pública Inicial (IPO) das ações da BM&F S/A, a impugnante apurou o ganho de capital e recolheu os impostos incidentes nessa operação, conforme demonstrativo de apuração apresentado à fiscalização às fls. 57 e 74. Desta forma, não há que se falar em valoração dos títulos patrimoniais sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL, uma vez que não houve acréscimo patrimonial no exato momento da desmutualização, ou seja, da substituição dos títulos patrimoniais pelas ações. 2. Item 2 do auto de infração – excesso de juros pagos/creditados a título de remuneração do capital próprio (a partir de 96) 2.1. Do regime jurídico dos juros sobre o capital próprio (JCP) A dedutibilidade da remuneração paga pela pessoa jurídica aos seus acionistas pelo capital nela aplicado consta do art.9.° da Lei n.° 9.249/95 e art.88, inciso XXVI, da Lei nº 9.430/96. Os JCP têm natureza de distribuição de resultados pois não decorrem de operação de crédito, sendo calculados sobre contas do patrimônio líquido. O pagamento dos JCP relativos aos anoscalendário de 2005 (R$34.647.058,82) e 2006 (R$31.152.941,18) obedeceu o limite de 50% do saldo de lucros acumulados e reservas de lucros. 2.2. Da periodicidade do pagamento de JCP: possibilidade de pagamento retroativo ou acumulado Não existe vedação para “pagamento retroativo” de JCP, pois a lei não estabelece prazo para se exercer essa opção de distribuição de resultados aos sócios ou acionistas. As despesas de JCP devem ser contabilizadas segundo a regra que estabelece o “regime de competência” (art.6º do DecretoLei nº 1.598/77) para o reconhecimento de receitas e despesas da empresa (art.29 da IN SRF nº 11/96). No caso dos JCP, a despesa deve ser contabilizada posteriormente ao fato que lhe deu causa, quando da deliberação de seu pagamento. Os JCP não constituem uma forma de remuneração obrigatória, sendo sua utilização facultativa, porém sempre dependente de uma deliberação dos órgãos competentes da empresa. Antes que tenha sido realizada a opção pelo pagamento de JCP, não há qualquer obrigação para a pessoa jurídica, ou qualquer direito subjetivo para os sócios. Portanto, mesmo com fundamento no regime de competência, as despesas de JCP devem ser reconhecidas no períodobase em que a empresa exerça essa opção de distribuição de resultados aos seus acionistas. Não importa o fato de os JCP Fl. 660DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 deliberados em um período serem calculados com base em contas do patrimônio líquido de períodos encerrados. Os limites relativos aos lucros acumulados ou ao lucro do exercício não têm influência no momento do pagamento dos JCP e sua consequente dedutibilidade como despesa. O que importa, para aplicação do regime de competência, é o momento em que a obrigação foi constituída, momento em que a contribuinte deve aferir a existência de lastro em lucros e aproveitar a dedução fiscal decorrente. No caso, essa obrigação foi constituída em 2006, conforme atas das assembleias que deliberaram o pagamento dos JCP (fls. 409417). É impossível contabilizar os JCP antes da decisão de seu pagamento. A indicação de um “prazo decadencial” para o exercício da opção de remunerar os acionistas pagando JCP não encontra respaldo legal. Assim, inexiste vedação legal para a dedução dos JCP em anocalendário futuro, no qual ocorre o pagamento. 3. Dos juros sobre a multa Devem ser afastados os juros sobre as multas, pois os artigos 43 e 44, da Lei nº 9.430/96, nada mencionam nesse sentido. Por sua vez, o § 3º do art.61 da Lei nº 9.430/96 menciona débitos, e não crédito tributário, indicando que os juros incidem sobre o principal, e não sobre a multa de ofício. 4. Do pedido A impugnante protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, e pela posterior juntada de documentos. Pelo exposto, pede que a impugnação seja julgada procedente, cancelandose os lançamentos de IRPJ e CSLL. 5. Índice de documentos anexados 1 Procuração e atos societários (fls. 274280) 2 Termos de Verificação Fiscal e Autos de Infração (fls. 281316) 3 Parecer Jurídico DNRC COJUR N° 064/98 (fls. 317321) 4 Sentença do processo judicial 2008.61.00.0081218 da 21ª Vara Cível Federal de São Paulo (fls. 322328) 5 Memórias de cálculo dos JCP (fls. 329330) 6 DIPJ anoscalendário 2005 e 2006 (fls. 331408) 7 Atas das AGE que deliberaram o pagamento de JCP (fls. 409417) A partir da análise desses argumentos, entendeu a douta 10a Turma da DRJ São Paulo (SP) pela improcedência da impugnação (com a conseqüente manutenção do lançamento), em acórdão cujas conclusões, inclusive, foram assim ementadas: Fl. 661DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 8 13 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÃO ISENTA. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DA NOVA EMPRESA. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência do imposto de renda, computandose na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA DO TRANSCURSO DO PRAZO DECADENCIAL. No caso de tributação do ganho de capital, obtido com as ações da nova sociedade constituída, o fato gerador ocorreu quando a empresa recebeu tais ações, no momento da desmutualização da BM&F. Como não houve o transcurso do prazo decadencial de cinco anos contados da data do fato gerador, válidos são os lançamentos ora analisados. GANHO DE CAPITAL. FORMA DE APURAÇÃO. CUSTO CONTÁBIL. INAPLICABILIDADE DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL AOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA ASSOCIAÇÃO ISENTA BM&F. O ganho de capital deve ser apurado levandose em conta o custo contábil do bem registrado na escrituração da empresa. O método de avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial não se aplica aos títulos patrimoniais da associação isenta BM&F. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução de juros sobre o capital próprio é faculdade concedida pela lei, cujo exercício se sujeita a limite absoluto, correspondente ao produto da variação da TJLP sobre o patrimônio líquido, não podendo a contribuinte exercêla em anos posteriores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007 DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao IRPJ aplicase à CSLL dele decorrente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, exceto se a impugnante demonstrar, via requerimento à Fl. 662DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 autoridade julgadora, a ocorrência das condições previstas na legislação para apresentação de provas em momento posterior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada a contribuinte do inteiro teor do acórdão lavrado no dia 22/03/2012, foi por ela então interposto no dia 20/04/2012 , o seu competente Recurso Voluntário, pretendendo a reforma da r. decisão de 1a instância, redargüindo, para tanto, todos os fundamentos antes apresentados em sua impugnação. Recebido o recurso voluntário da contribuinte, foram encaminhados os autos à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, que, nos presentes autos, apresentou as suas também competentes Contrarazões, contrapondose, assim, a todos os argumentos sustentados pela recorrente. Em rápida síntese, esse é o relatório. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 9 15 Voto Vencido Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Relator. Sendo tempestivo o recurso, dele conheço. Analisando os termos da r. decisão prolatada, e, ainda, as disposições contidas no Recurso Voluntário interposto, verificamse que, especificamente no mérito do debate havido nos presentes autos identificamse suas questões específicas e estanques, quais sejam: i) A incidência tributária decorrente dos ganhos auferidos pela contribuinte em decorrência da desmutualização da BM&F; e ii) A regularidade dos procedimentos adotados relativos ao creditamento extemporâneo dos Juros sobre o Capital Próprio – JCP, relativos ao exercício de 2005. Em face das duas distintas temáticas apresentadas, passemos então às considerações a elas pertinentes: I Desmutualização – BM&F e BOVESPA. A discussão em torno da regularidade nas operações apontadas já foi objeto de análise neste CARF, sendo relevante, a título de destaque, o acórdão exarado nos autos do processo 16327.000679/201074, da lavra do Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO, que, por maioria, negou provimento ao recurso da empresa CREDIT SUISSE (BRASIL) S.A. CORRETORA DE TITULOS E VALORES MOBILIÁRIOS, em acórdão que assim restou ementado: Nº Recurso 902838 Número do Processo 16327.000679/201074 Órgão Julgador Terceira Câmara/Primeira Seção de Julgamento Contribuinte CREDIT SUISSE (BRASIL) S.A. CORRETORA DE TITULOS E VALORES MOBILIARIOS Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Recurso Voluntário Negado POR MAIORIA Data da Sessão 10/04/2012 Relator(a) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Nº Acórdão 1302000.879 Tributo / Matéria Decisão Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos Lavinia e Eduardo quanto ao lançamento de IRPJ e CSLL e por maioria de votos, manter a aplicação da multa isolada, vencidos lavinia, Guilherme e Diniz Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. IRPJ e CSLL Processo de desmutualização da BMF e BOVESPA. O processo de desmutualização da BMF e da Bovespa redundou na devolução do capital e conseqüente tributação nos Fl. 664DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 16 termos do art. 17 da Lei 9532. Método de Equivalência Patrimonial. O MEP só se aplica aos investimentos em sociedades não sendo aplicável às associações civis sem fins lucrativos, não reguladas pela Lei 6404. Decadência. Não há de admitir a decadência do direito de lançar se entre o momento da ocorrência do fato gerador e o lançamento não foi ultrapassado o prazo de cinco anos previsto no art. 150 do CTN Multa isolada e multa de ofício. Não há impedimento de aplicação simultânea da multa de ofício por pagamento insuficiente de tributo e da multa isolada por falta de pagamento de estimativa. Em que pesem os relevantes fundamentos adotados naquela decisão, entretanto, entendo, particularmente, que, do ponto de vista da exclusiva análise jurídica, a conclusão possível e aplicável à hipótese, com a devida vênia, não poderia, de forma alguma, imputar à contribuinte a referida sustentação do gravame apontado. Isso porque, conforme aqui restará apontado, ao menos em análise sumária, não se verifica – ab initio , no patrimônio da contribuinte, o recebimento ou a disponibilidade de um “ganho” quando das referidas operações. Senão, vejamos. Em primeiro lugar, insta destacar a discussão em torno da (im)possibilidade de aplicação dos critérios de “cisão/incorporação” às chamadas associações civis sem fins lucrativos. Ora, sustenta a recorrente que o sistema jurídico pátrio ao contrário do que pretende ver afirmado a fiscalização e também a douta PGFN , não veda a utilização dessas formas de “transformações” societárias a essas entidades, havendo, ao revés inclusive, expressa previsão legal, conforme se afere nas disposições do invocado art. 2033 do Código Civil Brasileiro, que assim especificamente se apresenta: Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. O invocado art. 44, por sua vez, assim especificamente se apresenta: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) V os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) (...) O entendimento fazendário a respeito da impossibilidade de aplicação das sistemáticas de cisão/incorporação às chamadas associações civis, seria decorrente da interpretação das disposições da Lei 6.404/76, que, pela redação contida nas disposições de seu art. 220 e seguintes, apenas a admitiria às “sociedades”, não fazendo, assim, qualquer referência às associações e/ou outras das pessoas jurídicas mencionadas. Ainda de acordo com a visão fazendária, o único destino possível para as associações seria a sua dissolução, a teor, então, do que determinariam as disposições do art. 61 do Código Civil. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 10 17 Ocorre que, a meu ver, aqui se verifica um efetivo e verdadeiro equívoco exegético, uma vez que, ao contrário do que sustentado pela r. decisão recorrida, nas relações civis provadas – ao contrário das relações próprias de direito público , não se exige a expressa autorização legal para a admissão e/ou execução de atos lícitos, sendo aplicável, a esse respeito – inclusive , a expressa garantia constitucional da liberdade, constante nas disposições do art. 5o, inciso II da CF/88, que determina: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; (Grifos nossos) Nessas circunstâncias, ao contrário do que pretende fazer crer a douta Procuradoria, entendo que, inexistindo óbice legal específico para a aplicação de transformação (cisão, fusão, incorporação) de uma “associação civil” em “sociedade por ações”, tal ato seria pois perfeitamente lícito e regular, apenas dependendo da concordância estatutária/regimental dos agentes envolvidos. Sob essas mesmas razões, inclusive, não vejo suficiência no argumento de inexistência de referências à possibilidade de aplicação da cisão/incorporação a entidades que não sejam “sociedades mercantis”, de acordo com as disposições da Lei 6.404/76, seja pela simples análise das disposições do mencionado art. 2033 do Código Civil, aqui antes comentado, ou ainda, pela própria verificação de que, tratandose a Lei 6.404/76 de norma específica anterior às disposições do Novo Código Civil (Lei 10.406/2002 – norma geral), aqui restaria pois perfeitamente aplicada a chamada “Teoria do Diálogo das Fontes”, tendo em vista a dinâmica da interpretação das disposições aplicáveis à matéria. Assim, em que pese inexistir na Lei 6.404/76 qualquer referência ás “associações civis”, a partir das novas disposições do Código Civil Brasileiro (Lei 10.406/2002), inexiste óbice para a sua aplicação a essa modalidade de atuação civil, podendo serlhes aplicadas assim, perfeitamente, as disposições daquela norma. A possibilidade de admissão da aplicação de transformações societárias também às associações civis, cumpre destacar, encontramse também travestidas nas disposições da referida lei 9.532/97, que, em seu art. 16, assim especificamente aponta: Art. 16. Aplicamse à entrega de bens e direitos para a formação do patrimônio das instituições isentas as disposições do art. 23 da Lei n.º 9.249, de 1995. Parágrafo único. A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, deverá ser efetuada pelo valor de sua aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação. Além do mais, entender, no âmbito das relações jurídicocivis privadas (como o é a das associações civis e também a das sociedades comerciais), que o fim único possível das instituições privadas não seria outro, senão, a extinção/dissolução da entidade, é simplesmente desconsiderar a liberdade contratual e o “princípio da preservação”, aplicável, por nosso sistema, com vistas à manutenção e a continuidade das atividades civis. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 18 Em síntese: nada absolutamente nada , veda a aplicação das formas de transformações societárias às associações civis, apenas sendo exigível a manutenção do respeito às regras específicas a elas aplicáveis, ao respeito das suas próprias disposições estatutárias e, ainda, em cada caso, a adequação dessa transformação a sua atuação própria. A partir desses paradigmas, entendendo pela possibilidade de alteração da formatação jurídica das associações civis, para a sua transformação em sociedades mercantis, verifico, desde logo, como afastada a obrigatoriedade da conclusão de que, na apontada “desmutualização”, a única conseqüência possível seria a entrega (devolução) de dinheiro, bens e/ou direitos às associadas, tendo ocorrido de fato, da forma como antes amplamente apontado pela contribuinte, a simples “permuta”, substituindose os títulos de associadas pelas, agora, ações das respectivas sociedades mercantis. Ora, afastado o óbice supostamente existente da aplicação de cisão/incorporação no presente caso, conforme aqui apontado, verificase que, por conseguinte, inexiste qualquer “devolução” dos valores apontados, sendo relevante, nesse ponto, as disposições contidas nos art. 227 e 229 da Lei 6.404/76, que, sobre aquelas transformações, assim determina: Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. § 1º A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar o protocolo da operação, deverá autorizar o aumento de capital a ser subscrito e realizado pela incorporada mediante versão do seu patrimônio líquido, e nomear os peritos que o avaliarão. § 2º A sociedade que houver de ser incorporada, se aprovar o protocolo da operação, autorizará seus administradores a praticarem os atos necessários à incorporação, inclusive a subscrição do aumento de capital da incorporadora. § 3º Aprovados pela assembléiageral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extinguese a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação. (...) Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. § 1º Sem prejuízo do disposto no artigo 233, a sociedade que absorver parcela do patrimônio da companhia cindida sucede a esta nos direitos e obrigações relacionados no ato da cisão; no caso de cisão com extinção, as sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da companhia cindida sucederão a esta, na proporção dos patrimônios líquidos transferidos, nos direitos e obrigações não relacionados. § 2º Na cisão com versão de parcela do patrimônio em sociedade nova, a operação será deliberada pela assembléia geral da companhia à vista de justificação que incluirá as informações de que tratam os números do artigo 224; a assembléia, se a aprovar, nomeará os peritos que avaliarão a parcela do patrimônio a ser transferida, e funcionará como assembléia de constituição da nova companhia. § 3º A cisão com versão de parcela de patrimônio em sociedade já existente obedecerá às disposições sobre incorporação (artigo 227). § 4º Efetivada a cisão com extinção da companhia cindida, caberá aos administradores das sociedades que tiverem absorvido parcelas do seu patrimônio promover o arquivamento e publicação dos atos da operação; na cisão com versão parcial do patrimônio, esse dever caberá aos administradores da companhia cindida e da que absorver parcela do seu patrimônio. § 5º As ações integralizadas com parcelas de patrimônio da companhia cindida serão atribuídas a seus titulares, em substituição às extintas, na proporção das que possuíam; a atribuição em proporção diferente requer aprovação de todos os titulares, inclusive das ações sem direito a voto. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) Diante dessas considerações, em ambas as hipóteses (cisão/incorporação) inexiste, de fato, qualquer devolução de numerário, bens e/ou direitos aos anteriores sócios, Fl. 667DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 11 19 mas apenas, como se sabe, a alteração da formatação jurídica de atuação da entidade, o que, como se sabe, foi exatamente o que acontecido no caso tratado nos presentes autos. Em face dessas considerações, forçosa se faz a conclusão de que, não se tratando de finalização das atividades da associação, inexistindo, como se verifica, qualquer ato de dissolução dos haveres, não se tratando de qualquer tipo de “devolução” de bens/direitos, concluise, inexoravelmente, na total impossibilidade de aplicação das disposições do Art. 17 das lei 9.532/97, que, em suas disposições, assim arremata: Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1º Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas do inciso I do art. 17 da Lei n.º 9.249, de 1995. § 2º O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. Ora, inexistindo a finalização das atividades da entidade, inexistindo a dissolução da associação (mas apenas a sua transformação), inexistindo qualquer forma de “devolução” de dinheiro, bens e/ou direitos, inexiste, por conseqüência, a possibilidade de incidência das referidas disposições, sendo, portanto, inexistente, também por isso, a obrigação de sustentação do ônus tributários sobre o eventual ganho apontado. A BOVESPA e a BM&F, como é de sabença geral, não deixaram de existir. O que ocorreu – e isso é completamente incontroverso nos autos , foi apenas a sua readequação à formatação jurídica mundialmente aplicável ás bolsas de valores, a partir de atos e operações perfeitamente admitidas pelo ordenamento jurídico brasileiro, e, ainda, expressamente acolhidos pela CVM, pelo BACEN e por todos os órgãos de controle das atividades relacionadas ao mercado financeiro brasileiro. A recorrente, por sua vez, era antes associada daquelas entidades, e, agora, acionista das mesmas, mantendo, inclusive, com elas relevante relação de atuação. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 20 Tal apontamento, a nosso sentir, apresentase como relevante, tendo em vista que, ultrapassadas as discussões a respeito da validade jurídica da operacionalização das referidas “transformações societárias”, discutese ainda, nos autos – conforme antes destacado , a (ir)regularidade do tratamento contábil da atualização dos títulos patrimoniais antes da desmutualização. Conforme destaca a recorrente, em decorrência das regras de controle das atividades do mercado financeiro estabelecidas pelo BACEN e pela CVM (Resolução BACEN 1.656/89 e Ofício Circular CVM 325/79), tinham as empresas associadas a obrigatoriedade de manutenção da escrituração contábil da valorização dos títulos daquelas referidas associações, o que, inclusive, deveria ser feito sob rubrica contábil própria, criada para esse específico fim, conforme, inclusive, expressamente contido no COSIF, intitulada “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais – RATP”. A portaria MF 785/77, por sua vez, expressamente reconhecera que a atualização dos títulos patrimoniais não seria tributada, desde que registrada a contrapartida da atualização do ativo em conta de Reservas de Capital no Patrimônio Líquido, e que tal valor registrado em Reservas de Capital não seja distribuído e seja usado somente para capitalização. O caso é de expressa nãoincidência tributária, e não de diferimento de tributação, da forma como parece pretender a fiscalização, o que se confirma, inclusive, no fato de que a Portaria, em suas disposições, expressamente invoca o art. 3º do Decretolei 1.190/70, segundo o qual a incorporação de reservas de lucros não deve ser tributada. Por essa razão, verificase que, existindo a específica regra relativa à manutenção da escrituração contábil da valorização patrimonial do ativo mantido pela recorrente – que era o título de associação à BM&F e BOVESPA , ulteriormente transmutado em participação acionária desta naquelas entidades (em decorrência da referida “transformação”), completamente nula, se verifica, é a substituição dos referidos ativos, inexistindo, naquela oportunidade, qualquer possibilidade de incidência do IRPJ e da CSLL, da forma como pretendido. Ademais, não fossem essas as razões a serem aqui analisadas, insta destacar ainda que, acaso não se admitisse (da forma como pretendido pela r. decisão de origem) a aplicação das disposições da referida Portaria MF 785/77, apontandose pela irregularidade dos procedimentos adotados pela contribuinterecorrente em relação à forma de valorização de seus ativos, a conclusão única possível seria de que todas as atualizações dos valores dos títulos associativos deveriam, às suas respectivas épocas, terem sofrido a específica tributação, sendo, assim, irrefutável a conclusão de decadência dos lançamentos, sobretudo aqueles nos períodos que sobejem o prazo dos últimos 5 (cinco) anos. Tal conclusão, é relevante destacar, decorre do fato de que o prazo de decadência jamais começa a partir da cisão, pois, de acordo com o pressuposto fiscal, a atualização seria tributável: esta ocorreu a cada ano, então, a cada atualização esta já seria tributável. Logo, a decadência seria para cada atualização de cada ano. Em face dessas considerações, entendo, em relação a este ponto, assistir razão à recorrente, devendo, assim, ser efetivamente afastada a tributação na espécie, nos termos e fundamentos aqui, então, especificamente invocados. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 12 21 II – Da Análise da (ir)regularidade relativa ao pagamento de JCP Ultrapassada a questão relativa à análise da incidência tributária incidente sobre os ganhos supostamente auferidos pela contribuinte em decorrência da desmutualização da BM&F, conforme apontado, urge agora analisar a questão relativa à glosa efetivada em decorrência do creditamento/pagamento extemporâneo, pela contribuinte, a título de Juros Sobre o Capital Próprio – JCP. Analisando a questão, a recorrente inicia as suas razões traçando verdadeiro estudo a respeito do arcabouço normativo aplicável à JCP, buscando identificar, a partir desse exercício, a sua efetiva natureza jurídica, e, em seguida, passar às considerações necessárias a respeito do tratamento específico a ser a ela conferido. Afora todas as considerações apresentadas – sobretudo no que diz respeito à pretensa natureza jurídica aplicável às JCP’s , relevante destacar que o tratamento jurídico tributário a ela especificamente destinada encontrase assentada nas expressas disposições do art. 9o da Lei 9.249/95, que, a respeito da matéria, assim, inclusive, especificamente destaca: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4º (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada Fl. 670DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 22 na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. A partir da análise dessas disposições, verificase que, independentemente da opção dogmática realizada pelo exegeta (se o pagamento de JCP inseremse no campo da remuneração por empréstimo ou se equivalente ao aos Lucros e Dividendos), o que aqui efetivamente se verifica é que a inclusão da hipótese em nosso ordenamento jurídico pátrio da possibilidade, pela empresacontribuinte, de pagamento dos Juros sobre o Capital Próprio tem como roupagem específica e exclusiva a de efetivo “benefício fiscal”, tendo em vista que, como se verifica, a sua inserção aqui apontada tem como objetivo, único e exclusivo, a possibilidade de admissão de sua dedutibilidade na apuração do resultado do exercício. A questão nodal encarada nos presentes autos referese, especificamente, à possibilidade, ou não, de pagamento/creditamento acumulado dos referidos valores, permitindose a sua dedutibilidade acumulada, da forma como, então, especificamente efetivada pela contribuinte. A esse respeito, relevante se faz o destaque que, de fato, inexiste qualquer limitação temporal prevista na legislação de regência a estabelecer, especificamente, a obrigatoriedade de utilização exclusiva dos montantes pagos/creditados num único exercício fiscal. Em face da inexistência de limite temporal especificamente determinado para o exercício da pretensão apresentada, verificase que o seu estabelecimento, a fortiori, extrapola, de fato, os limites legais aplicáveis à matéria, sendo, portanto, ao menos em primeira análise, completa e totalmente absurda a pretensão de sua manutenção no presente caso. Analisando a jurisprudência específica deste conselho a respeito da matéria, verificase que, na mesma linha aqui apontada, já se tem verificado o entendimento em diversos julgamentos aqui já proferidos, valendo, apenas a título de destaque, o registros dos seguintes e específicos arestos que, na mesma linha por nós apontada, já aqui se verificaram: Número do Processo 16327.001366/201033 Contribuinte CITIBANK DISTRIBUIDORA DE TITULOS E VALORES MOB SA Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 04/12/2012 Relator(a) ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Nº Acórdão 1401000.900 Tributo / Matéria Decisão Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ementa IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o seu pagamento ou crédito. Inclusive, a remuneração do capital próprio pode tomar por base o valor existente em períodos pretéritos, Fl. 671DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 13 23 desde que respeitado os critérios e limites de dedutibilidade previstos em lei na data da deliberação do pagamento ou creditamento. PRECLUSÃO. INAPLICABILIDADE. A preclusão está relacionada à perda de direitos, faculdades ou poderes processuais, não se relacionando à hipótese de ausência de deliberação de JCP em exercícios anteriores. RENÚNCIA. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. Não havendo previsão legal sobre a configuração de renúncia de direito no caso de ausência da deliberação do pagamento dos JCP. A renúncia de direitos deve ser interpretada de forma restrita, não devendo o silêncio do acionista ser interpretado como ato volitivo de abdicação de direito, gerando efeitos tributários. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL Tratandose de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, quando não houver fatos novos a ensejar decisão diversa, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula. Na mesma linha deste acórdão, assim também já se verificam outros, conforme se verifica nos seguintes arestos: Número do Processo 11080.007631/200970 Contribuinte PORTOLUB COMERCIO DE LUBRIFICANTES E COMBUSTIVEIS LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão Relator(a) CARMEN FERREIRA SARAIVA Nº Acórdão 1801001.128 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Relatora Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira para redigir o voto vencedor. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira – Redator Designado Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2007 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. DESPESAS DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE DE ANOS PASSADOS. POSSIBILIDADE. No caso dos juros sobre capital próprio a pessoa jurídica se torna devedora e o sócio ou acionista pode exigir o pagamento do valor respectivo apenas após a deliberação da sociedade decidindo Fl. 672DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 24 efetuar o pagamento, fixando os montantes respectivos e determinado o momento em que tal pagamento ocorrerá. Assim, o período de competência no qual o montante dos juros deve ser registrado como despesa financeira da sociedade, é aquele em que há a deliberação determinando o pagamento dos juros. Da análise desses apontamentos, verificase que, perfeitamente possível se apresentada a possibilidade do pagamento/creditamento dos Juros sobre o Capital Próprio de forma acumulada, apenas sendo exigível que, em cada exercício, sejam então efetiva e verdadeiramente observados os específicos limites legais estabelecidos. Nessa linha, conforme expressamente destaca a recorrente, nos presentes autos encontrase devidamente demonstrada a manutenção dos limites quantitativos especificamente exigidos para cada exercício, restando, portanto, irrefutável a dedutibilidade pretendida, nos termos aqui, então, especificamente apontados. No campo dos benefícios fiscais, registrese, o limite para o seu exercício não pode ser outro, senão, aquele expressa e especificamente previsto na respectiva legislação de regência, sendo certo que, no caso de inexistência de limitações legais, não cabe, de forma alguma, a qualquer interprete fazêlo. Em face dessas considerações, entendo como perfeitamente atendidas as condições legais estabelecidas para o gozo do benefício da dedutibilidade dos pagamentos efetivados a título de JCP, sendo, portanto, completamente indevida e inválida a glosa apontada. Conclusões Diante de todo o exposto, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, reconhecendo, no caso, a impossibilidade de imputação da incidência tributária sobre os supostos ganhos decorrentes da desmutualização da BM&F e, ainda, a inexistência de fundamento para a glosa de despesas efetivada em relação à dedutibilidade dos pagamentos efetivados a título de Juros sobre o Capital Próprio – JCP, nos termos, inclusive, expressamente já reconhecidos nos precedentes invocados e, ainda, nos termos e fundamentos aqui, então, especificamente invocados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Relator Fl. 673DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 14 25 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do Ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiram divergências quanto ao entendimento acerca das seguintes matérias: I) Desmutualização da BM&F e BOVESPA; II) Dedutibilidade dos pagamentos a título de Juros sobre Capital Próprio/Decadência e III) Incidência dos juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício lançada. Do voto vencido, em resumo, entende o Relator: I) Não houve recebimento ou disponibilidade de um “ganho” quando das referidas operações; II) É licito e regular a transformação (cisão, fusão, incorporação) de uma “associação civil” em “sociedade por ações”, logo, inexiste, de fato, qualquer devolução de numerário, bens e/ou direitos aos sócios. Não houve, no caso, a finalização das atividades da entidade; III) A atualização dos títulos patrimoniais não seria tributáveis, ou em caso contrario, ocorrera a decadência; IV) Dedutibilidade do creditamento/pagamento dos Juros sobre Capital Próprio. Inexistência de limite temporal. Pois bem. A Resolução nº 1.656/89 do Conselho Monetário Nacional, ao disciplinar a constituição, a organização e o funcionamento das Bolsas de Valores, definiu sua natureza e objeto social nos seguintes termos: Art. 1º As Bolsas de Valores são constituídas como associações civis, sem finalidade lucrativa, tendo por objeto social: I manter local ou sistema adequado à realização de operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários, em mercado livre e aberto, especialmente organizado e fiscalizado pela própria Bolsa, sociedades corretoras membros e pelas autoridades competentes; Fl. 674DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 26 II dotar, permanentemente, o referido local ou sistema de todos os meios necessários à pronta e eficiente realização e visibilidade das operações; III estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de preços e liquidez ao mercado de títulos e valores mobiliários; IV criar mecanismos regulamentares e operacionais que possibilitem o atendimento, pelas sociedades corretoras membros, de quaisquer ordens de compra e venda dos investidores, sem prejuízo de igual competência da Comissão de Valores Mobiliários, que poderá, inclusive, estabelecer limites mínimos considerados razoáveis em relação ao valor monetário das referidas ordens; V efetuar registro das operações; VI preservar elevados padrões éticos de negociação, estabelecendo, para esse fim, normas de comportamento para as sociedades corretoras e companhias abertas, fiscalizando sua observância e aplicando penalidades, no limite de sua competência, aos infratores; VII divulgar as operações realizadas, com rapidez, amplitude e detalhes; VIII conceder, à sociedade corretora membro, crédito para assistência de liquidez, com vistas a resolver situação transitória, até o limite do valor de seu título patrimonial, mediante apresentação de garantias subsidiárias de pelo menos 120% (cento e vinte por cento) do valor do crédito; IX exercer outras atividades expressamente autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários. Parágrafo único. As Bolsas de Valores não podem distribuir a sociedades corretoras membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto nos casos de dissolução e na forma que a Comissão de Valores Mobiliários aprovar. (negrejouse) O patrimônio social das Bolsas de Valores era formado mediante realização em dinheiro e dividido em títulos patrimoniais, colocados no mercado mediante leilão para aquisição pelas sociedades corretoras membros (art. 7o c/c art. 25 da Resolução CMN nº 1656/89). O valor nominal destes títulos patrimoniais era atualizado anualmente com base nas demonstrações financeiras do exercício social (art. 10 da Resolução CMN nº 1.656/89). No caso em estudo, não há duvida que a operação de desmutualização envolveu a devolução de patrimônio da entidade isenta BM&F, constituída como associação civil, e posterior subscrição de ações da sociedade anônima BM&F S/A. Como bem assentado no voto condutor ora recorrido a própria Assembléia Geral Extraordinária (AGE) da BM&F S/A realizada em 20/09/2007, atesta o fato em seu item 5 da Ata que se transcreve: AGE BM&F Item 5 5 – Autorização para o aumento de capital da BM&F S.A., no montante de R$901.876.792,00 (novecentos e um milhões, oitocentos e setenta e seis mil, setecentos e noventa e dois reais), com a emissão de 901.876.792 (novecentos e um milhões, oitocentos e setenta e seis mil, setecentas e noventa e duas) novas ações ordinárias, conforme estabelecido no Protocolo, passando a sociedade a deter o capital de R$901.877.292,00 (novecentos e um milhões, oitocentos e setenta e sete mil, duzentos e noventa e dois reais). As novas ações serão subscritas e integralizadas mediante a versão da parcela cindida do patrimônio da BM&F, as Fl. 675DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 15 27 quais serão entregues aos atuais detentores de títulos patrimoniais de emissão da BM&F (...) (destacouse). Sobre matéria de igual teor, reproduzo, a seguir, excertos do voto vencedor da I. Conselheira Edeli Pereira Bessa (Acórdão 1101000.833), que traduz minha interpretação dos fatos: No âmbito da incidência do IRPJ e da CSLL, a Lei nº 9.532/97, ao revogar o art. 28 do Decretolei nº 5.844/43, e o art. 30 da Lei nº 4.506/64, consolidou as regras para reconhecimento de isenção às associações civis sem fins lucrativos: Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. [...] Art. 16. Aplicamse à entrega de bens e direitos para a formação do patrimônio das instituições isentas as disposições do art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995. Parágrafo único. A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, deverá ser efetuada pelo valor de sua aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação. Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1º Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas do inciso I do art. 17 da Lei nº 9.249, de 1995. § 2º O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 28 § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. (negrejouse). O art. 15, § 3o da Lei nº 9.532/97 vinculou a isenção concedida à observância dos seguintes dispositivos da mesma lei: Art. 12. [...] [...] § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; [...] §3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anos calendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que Fl. 677DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 16 29 constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Nestes termos, a associação civil que atende aos requisitos legais e destina seu superávit, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, está isenta dos tributos incidentes sobre o lucro. Caso esta associação devolva bens e direitos a pessoa jurídica que contribuiu para a formação de seu patrimônio, a diferença entre o valor recebido e o valor antes entregue à associação deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSLL (art. 17, caput c/c §§ 3o e 4o da Lei nº 9.532/97). O Código Civil de 2002 somente cogita da destinação do patrimônio de uma associação em caso de dissolução, fixando que ela deve beneficiar entidade de fins não econômicos ou os associados que contribuíram para a formação daquele patrimônio: TÍTULO II DAS PESSOAS JURÍDICAS CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) V os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) § 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negarlhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) Fl. 678DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 30 § 2o As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) § 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) [...] CAPÍTULO II DAS ASSOCIAÇÕES Art. 53. Constituemse as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: I a denominação, os fins e a sede da associação; II os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; III os direitos e deveres dos associados; IV as fontes de recursos para sua manutenção; V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos; (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) VI as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas.(Incluído pela Lei nº 11.127, de 2005) Art. 55. Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais. Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto. Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) Art. 58. Nenhum associado poderá ser impedido de exercer direito ou função que lhe tenha sido legitimamente conferido, a não ser nos casos e pela forma previstos na lei ou no estatuto. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 17 31 Art. 59. Compete privativamente à assembléia geral: (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) I – destituir os administradores; (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) II – alterar o estatuto. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo é exigido deliberação da assembléia especialmente convocada para esse fim, cujo quorum será o estabelecido no estatuto, bem como os critérios de eleição dos administradores. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) Art. 60. A convocação dos órgãos deliberativos farseá na forma do estatuto, garantido a 1/5 (um quinto) dos associados o direito de promovêla. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. (negrejouse) Ao ser editado, o referido Código ainda trouxe algumas disposições transitórias para adaptação de todas as pessoas jurídicas, inclusive as associações, ao novo regime, estipulando prazo que foi prorrogado pela Lei nº 10.838/2004 e pela Lei nº 11.127/2005: Art. 2.031. As associações, sociedades e fundações, constituídas na forma das leis anteriores, bem como os empresários, deverão se adaptar às disposições deste Código até 11 de janeiro de 2007. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às organizações religiosas nem aos partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) [...] Fl. 680DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 32 Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. Art. 2.034. A dissolução e a liquidação das pessoas jurídicas referidas no artigo antecedente, quando iniciadas antes da vigência deste Código, obedecerão ao disposto nas leis anteriores. (negrejouse) Observase no referido diploma legal que as hipóteses de transformação, incorporação, cisão ou fusão somente foram previstas para sociedades, nos termos dos arts. 1.113 a 1.122, integrantes do Capítulo X (Da Transformação, da Incorporação, da Fusão e da Cisão das Sociedades) do Subtítulo II (Da Sociedade Personificada). Quando quis compartilhar as normas aplicáveis às sociedades com as demais pessoas jurídicas privadas, o legislador foi expresso: Art. 51 [...] [...] § 2o As disposições para a liquidação das sociedades aplicam se, no que couber, às demais pessoas jurídicas de direito privado. § 3o Encerrada a liquidação, promoverseá o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. [...] Neste cenário jurídico, a dissolução da associação civil sem fins lucrativos deve resultar na destinação de seu patrimônio a entidade de fins não econômicos, idênticos ou semelhantes aos seus, ou favorecer os associados que contribuíram para a formação de seu patrimônio. E, caso bens e direitos sejam devolvidos a pessoa que contribuiu para formação do patrimônio da associação civil, haverá a incidência tributária prevista no art. 17 da Lei nº 9.532/97. Estas regras aplicamse, inclusive, em caso de dissolução parcial da associação civil, devendo o parágrafo único do art. 16 da Lei nº 9.532/97 ser interpretado à luz do Código Civil de 2002, que somente permite a transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica de fins não econômicos. Inexistindo a possibilidade de cisão da associação civil, ou mesmo de destinação de seu patrimônio a entidade de fins econômicos, o fato jurídico que converteu os títulos patrimoniais que a recorrente possuía em Bolsa de Valores em ações de Bolsa de Valores somente pode ser caracterizado como dissolução parcial da associação sem fins lucrativos, com devolução de patrimônio a associado, que utiliza este valor para aporte de capital na sociedade anônima referida. Em tais circunstâncias, a diferença entre o valor recebido e o valor antes entregue à associação deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSLL (art. 17, caput c/c §§ 3o e 4o da Lei nº 9.532/97). Aliás, recente decisão do Tribunal Regional Federal da 3a Região orientase neste mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO MANDAMENTAL. IRPJ. CSSL. BM&FBOLSA DE MERCADORIAS E FUTURO DE SÃO PAULO. OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO. TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17. INCIDÊNCIA NA ESPÉCIE. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 18 33 1. O processo de desmutualização trouxe ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da BM&F à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia despendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido. 2. A devolução implicou em aplicação de parte dos valores que compunha o patrimônio da associação em ações de empresa com fins lucrativos, o que desnatura o processo de sucessão legal das associações e autoriza a incidência de tributos em razão do acréscimo patrimonial experimentado pela impetrante. 3. Não há que se falar em avaliação pelo método de equivalência patrimonial porquanto o Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), autoriza a utilização de tal método apenas na hipótese de investimentos em controladas e coligadas, não sendo este o caso dos autos. 4. Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta nº 13 de 10/11/97, proferida antes da vigência da Lei 9.532/97. O mesmo vale para a aplicação da Portaria nº MF nº 785/77, já que esta cuidava de "constituição de reserva com os acréscimos no valor nominal dos títulos" e a exclusão de tais acréscimos ao lucro real, não sendo este o caso dos autos. 5. O processo de desmutualização autoriza a incidência do imposto de renda e da CSLL, como pretendido pelo Fisco, nos exatos termos do quanto disposto no artigo 17 da Lei nº 9.532/97. 6. Apelação que se nega provimento. (Apelação Cível nº 003517962.2007.4.03.6100/SP, processo nº 2007.61.00.0351795/SP, Relator Desembargador Federal Márcio Moraes, sessão de 19 de julho de 2012). Discordo, portanto, do I. Relator quando: ∙ Admite a possibilidade de cisão de associação civil sem fins lucrativos com fundamento: no art. 2.033 do Código Civil de 2002, pois embora tais associações sejam uma das pessoas jurídicas de direito privado mencionadas no art. 44 do mesmo diploma legal (inciso I), a possibilidade de cisão destas pessoas jurídicas foi submetida à regência do Código, e este somente disciplinou tal procedimento relativamente às sociedades, pessoas jurídicas de direito privado referidas no inciso II do art. 44 de seu texto; no art. 174 do RIR/99, pois a base legal deste dispositivo é a Lei nº 9.532/97, anterior ao Código Civil de 2002, que estabeleceu o cenário jurídico antes mencionado; na prática civil, pois ainda que tal ocorra, e não há demonstração neste sentido, é necessário distinguir hipóteses como a presente, na qual a destinação do patrimônio ocorre em favor de uma entidade de fins econômicos; no arquivamento dos competentes atos sociais, sem objeção pelos órgãos públicos de registro, na medida em que os registros de dissolução parcial da associação civil e de constituição da sociedade anônima são independentes, em órgãos distintos. ∙ Não vislumbra a devolução de patrimônio sujeita à tributação porque: Não haveria solução de continuidade da BM&F, nem mesmo extinção de uma associação e constituição imediata de pessoas jurídicas diferentes, apesar de evidenciado que, na parte aqui tributada, o patrimônio antes administrado por uma Fl. 682DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 34 associação sem fins lucrativos, obrigada a destinar seu resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, passou a ser administrado por uma sociedade anônima, com evidente finalidade econômica e sem qualquer vinculação às regras impostas às entidades sem fins lucrativos; Houve mera transmutação de valores mobiliários, em estrita paridade patrimonial, sem que tenham ocorrido quaisquer perdas ou ganhos, apesar desta transmutação ter transferido à sociedade anônima destinatária a disponibilidade sobre os resultados auferidos durante todo o período no qual a associação se beneficiou da isenção tributária, os quais, após esta operação, são passíveis de qualquer destinação sem as restrições legais anteriores; A hipótese de incidência somente se verificaria quando, por ventura, as ações fossem alienadas, pois neste momento, para afastar o lançamento, bastaria à alienante demonstrar que, juridicamente, o fato gerador previsto em lei ocorrera no momento em que a associação civil sem fins lucrativos foi dissolvida, ainda que parcialmente. Demais disso, considerando que a sociedade anônima então constituída sofrerá mutações patrimoniais em razão de suas atividades não mais isentas, seria necessário um controle específico das ações gravadas com o passado de atividade isenta para aferir, em eventual alienação, qual parcela daqueles resultados antes beneficiados foram realizados segundo o conceito pretendido, em total afronta à disciplina legal fixada. Convém salientar, como reforço, o entendimento da D. Procuradoria da Fazenda Nacional, no sentido de que “foi justamente neste cenário de favor fiscal (isenção) e de íntima relação com o poder público (possibilidade de dotação orçamentária) que as Bolsas construíram um patrimônio robusto e invejável. Esse contexto fático assim permaneceu até o ano de 2007, data em que sucederam as alterações na estrutura jurídica daquelas entidades. Naquele ano, seguindo uma tendência mundial iniciada em março de 1997 – quando a OMX Group (reunião de bolsas de valores Nórdicas) abriu o seu capital e deflagrou a oferta inicial de ações – a Bovespa decidiu afastarse do modelo de associações sem fins lucrativos para adotar a forma de sociedade anônima e sua inexorável finalidade lucrativa. Diante disso, foi denominado “Desmutualização” justamente o conjunto de alterações societárias que culminaram na transferência das atividades das Bolsas – até então desempenhadas por associações sem fins lucrativos – para companhias abertas, com propósitos econômicos.” Dessa forma, percebese, portanto, que a desmutualização teve o intuito de transferir as atividades compreendidas no objeto social das associações civis sem fins lucrativos para outras entidades, organizadas sob a forma de sociedades anônimas. Assim, separouse nos títulos emitidos pela BOVESPA e pela BM&F o seu conteúdo operacional dos direitos patrimoniais, que foram corporificados em ações da Bovespa Holding S/A e a BM&F S/A, respectivamente. Dessa maneira, a cada detentor de títulos representativos dos patrimônios da Bovespa e da BM&F foi atribuído um número de ações de emissão, respectivamente, da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A. E, assim, considerando que neste processo de desmutualização houve devolução do patrimônio das associações civis sem fins lucrativos para as corretoras a elas associadas, na forma de ações das novas sociedades anônimas constituídas, o montante correspondente à diferença entre o valor recebido a título de devolução de patrimônio de sociedades isentas e o valor entregue para a formação do mesmo deveria ter sido computado na determinação do lucro real da autuada, nos termos do artigo 17 da Lei 9.532, de 1997. Ademais, como visto alhures, a legislação aplicável às sociedades não pode ser estendida às associações em razão das próprias características que diferenciam um e outro tipo de pessoa jurídica. Portanto, resta inviabilizada a pretensão de estender à Bovespa e à BM&F a legislação de regência das sociedades empresárias. Notadamente o método da Fl. 683DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 19 35 equivalência patrimonial (MEP) para a avaliação do título patrimonial das bolsas de valores. Tal método foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela Lei nº 6.404, de 1976, e deve ser aplicado de acordo com os preceitos firmados por este diploma legal, o qual tem como destinatárias as sociedades por ações, que possuem natureza jurídica totalmente diversa das associações. Não obstante, nada impede que uma lei possa autorizar que as associações civis utilizem as regras previstas para as sociedades empresárias. Apesar das inúmeras disparidades entre as sociedades empresárias e as associações civis sem fins lucrativos, se a lei previsse que estas poderiam ser regidas pelas normas da Lei n° 6.404, de 1976, caberia apenas obedecer ao comando legal. Nessa perspectiva, o contribuinte teria razão se houvesse uma lei que autorizasse as associações civis a seguirem as normas contábeis específicas para as sociedades por ações. Entretanto, não existe tal suporte legal que fundamente a pretensão do contribuinterecorrente – pois os dispositivos do Código Civil que regulamentam as associações não trouxeram norma com este conteúdo, tampouco a Lei n° 6.404, de 1976. Percebese, pois, que os títulos patrimoniais das bolsas de valores devem ser avaliados por seu custo de aquisição, pois nunca estiveram as sociedades corretoras autorizadas a avaliar tais cotas ou frações ideais pelo Método de Equivalência Patrimonial (MEP), mas, sim, autorizados pela Portaria nº 785, de 1977, a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das bolsas de valores para o momento em que houvesse a redução do capital ou até mesmo a extinção dessas associações. Neste sentido, a Portaria MF n° 785/1977 conferiu neutralidade tributária aos referidos acréscimos do valor desses títulos, enquanto mantidos no ativo de seus detentores. Importante também salientar que os títulos representativos do patrimônio das Bolsas eram contabilizados na conta de ativo permanente das corretoras, ficando sujeitos às atualizações periódicas de acordo com as informações fornecidas pela BM&F e pela Bovespa, decorrentes do engrandecimento do patrimônio das Bolsas. Essas atualizações eram contabilizadas como acréscimos ao valor dos citados ativos, em contrapartida à subconta "reserva de atualização dos títulos patrimoniais", dentro da conta "reserva de capital", que compõe o patrimônio liquido das corretoras de acordo com as orientações contidas no COSIF — Plano Contábil das Instituições Financeiras, Capitulo 1, item 11, sub item 3, § 3o. A descrição da legislação e dos fatos evidencia que houve aumento patrimonial da recorrente decorrente do aumento do patrimônio das Bolsas e que esse aumento de riqueza teve sua tributação diferida para momento futuro que foi alcançados com o processo de desmutualização e a Lei 9.532, de 1997, definiu esse como o critério temporal da hipótese tributária. Observase, ainda, que a Portaria MF nº 785/77 era induvidosa ao vedar a distribuição dos acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, de sorte que tendo havido a distribuição, como no caso, não há correções a serem feitas no lançamento de ofício realizado e no entendimento sufragado pela decisão recorrida. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 36 Nesta linha, concluise, portanto, por não ter a contribuinterecorrente observado as disposições legais que regem a matéria, mormente o art. 61 do Código Civil e o art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997, o lançamento tributário realizado não merece reparo. Com relação as alegações da recorrente acerca de eventual ocorrência da decadência, no caso, esclareçase que o fato gerador do IRPJ e da CSLL concretizouse com a devolução do patrimônio das associações sem fins lucrativos para seus associados – ou seja, com a operação de desmutualização das Bolsas de Valores. Portanto, é a partir dessa data que a autoridade administrativa teria cinco anos para realizar o pertinente lançamento de ofício, ou seja, para averiguar os dados necessários para a apuração do crédito tributário – custo de aquisição dos títulos patrimoniais e valor das ações alienadas. Desse modo, considerando que a contribuinte foi notificada no ano de 2011 e que as operações que culminaram com a desmutualização das Bolsas de Valores ocorreram em 2007, forçoso reconhecer que o lançamento foi consumado dentro do período decadencial nos exatos termos previsto no art.150, § 4º, do CTN. Diante disso, não merece prosperar a alegação de decadência suscitada pela contribuinte. Da indedutibilidade dos Juros sobre Capital Próprio relativos a período anterior ao de pagamento. Como bem assentado no voto recorrido, a empresa pretende excluir, no ano calendário 2006, a despesa com os JCP calculados sobre o valor do patrimônio líquido ajustado referente ao anocalendário 2005, conforme planilha apresentada. Extraise voto condutor de primeira instância: O procedimento da empresa põe em questão, em princípio, a possibilidade de apropriação em exercícios futuros de despesas anteriormente não apropriadas. Todavia, esse não é o verdadeiro ponto de discussão, porque se não ocorreu realmente o fato gerador da despesa, no ano de 2005, mediante o pagamento ou crédito aos sócios dos JCP, não há que se falar em contabilização postergada de valores que somente seriam dedutíveis anteriormente. O fato é que não houve despesa de juros sobre o capital próprio no anocalendário 2005. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), ao consolidar a legislação relativa às “Disposições Gerais” aplicáveis aos “Custos, Despesas Operacionais e Encargos”, Seção III, /subseção I, no art. 299, estabeleceu serem operacionais as despesas não computadas nos custos e necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. O § 1º do mesmo artigo explicita que a despesa será considerada necessária quando paga ou incorrida para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. De fácil caracterização é a despesa paga, ou seja, aquela em relação à qual houve efetivamente o dispêndio dos recursos. Por sua vez, a despesa incorrida é aquela cujo pagamento somente ocorrerá em período subsequente, embora já nascida a obrigação de pagála em período anterior. Os preceitos legais específicos acerca dos JCP observaram rigorosamente a orientação contida nas Disposições Gerais acima elucidadas, à medida que a dedutibilidade de tais valores ficou condicionada ao pagamento ou crédito em favor dos sócios. Em outras palavras, não há despesa a ser reconhecida enquanto não Fl. 685DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 20 37 materializado o fato gerador correspondente, no caso, o pagamento ou o crédito em favor dos sócios, conforme se extrai do art. 9.º da Lei nº 9.249, de 1995. A contribuinte apresentou à fiscalização demonstrativo do cálculo dos JCP relativos aos anoscalendário de 2005 e 2006 (fls. 1011), cujos valores foram pagos no decorrer do anocalendário de 2006, conforme comprovantes de fls. 1516, e deduzidos como despesa nesse mesmo anocalendário de 2006, de acordo com a respectiva DIPJ (fls. 170). Por outro lado, a contribuinte nada deduziu, a título de JCP, na DIPJ do anocalendário de 2005 (fls. 173). Portanto, no anocalendário de 2006 houve o pagamento/crédito dos JCP relativos a 2005. Conforme a legislação referida, apenas é dedutível a despesa paga ou incorrida no próprio anocalendário 2006 e nos limites legalmente estabelecidos para esse período. É nesse contexto que se insere a orientação contida no art. 29 da IN SRF nº 11/96, acerca da necessária observância do regime de competência no pagamento ou crédito dos JCP, para fins de garantia de sua dedutibilidade. O dispositivo evidencia que somente podem ser reconhecidos como dedutíveis os valores efetivamente contabilizados como pagos ou creditados no período em que calculados os respectivos limites de dedução: A indedutibilidade do pagamento dos juros sobre o capital próprio, em face da inobservância do regime de competência, decorre das próprias disposições do art. 9º, e § 1º, da Lei nº 9.249/95, que estipula que os JCP são calculados sobre o patrimônio líquido, limitados à variação pro rata dia da TJLP (limite conceitual). O pagamento dos JCP sujeitase ainda à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos. No caso em exame, resta claro, que as despesas dedutíveis de JCP devem se referir aos juros incidentes sobre o patrimônio líquido do exercício para o qual se apura o lucro real em que se fará a dedução, não podendo se referir a juros incorridos em períodos anteriores. Neste mesmo sentido, posicionase a Procuradoria da Fazenda Nacional conforme fragmento a seguir transcrito extraído das suas contrarrazões apresentadas: No sentido de que a faculdade da dedução das despesas de JsCP se subsume ao regime de competência, dispõe o art. 29 da Instrução Normativa 11/96. Citese: Juros Sobre Capital Próprio Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração de capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pró rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP. (...) Tal disposição é repetida na IN SRF n ° 40/98, verbis: Art. 1° Para efeito do disposto no art. 9° da Lei No. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, considerase creditado, Fl. 686DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 38 individualizadamente, o valor dos juros sobre o capital próprio, quando a despesa for registrada, na escrituração contábil da pessoa jurídica, em contrapartida a conta ou subconta de seu passivo exigível, representativa de direito de crédito do sócio ou acionista da sociedade ou do titular da empresa individual. As normas supra mencionadas têm seu fundamento de validade no art. 177 da Lei 6.404/77, bem como no art. 6° do Decreto Lei n° 1.598/77, segundo o qual “Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária”. Assim, como regra geral, a legislação tributária adota o regime de competência para o registro das mutações patrimoniais, sendo as exceções explicitadas na legislação, o que não fez a Lei 9.249/95. Concluindo, se pretender gozar da faculdade de distribuir JCP a seus sócios, a pessoa jurídica deverá reconhecer a despesa ao longo do tempo em que empregado o capital objeto da remuneração. Constituída, se for o caso, a obrigação de distribuir JCP, a pessoa jurídica poderá extinguila imediatamente através de “pagamento” ao sócio, ou deixar a extinção para momento posterior, caso em que deverá registrar, também imediatamente, o “crédito” ao sócio. Por tais razões, também, voto por manter essa parcela do lançamento. Por fim, alega a recorrente que deveriam ser afastados os juros sobre as multas, pois os artigos 43 e 44, da Lei nº 9.430/96, nada mencionariam nesse sentido, e o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96 mencionaria débitos, e não crédito tributário, indicando que os juros incidiriam sobre o principal, e não sobre a multa de ofício. Sobre esse tema a jurisprudência tem sido muito controvertida. Confrontemos, pois, a legislação com o fato concreto. Tratase de multa por lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos em 2007. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se, a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Para uma melhor compreensão da matéria, vejamos o que diz os dispositivos legais acerca das multas e dos juros de mora, incidentes sobre os créditos tributários não pagos nos respectivos vencimentos. Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 CAPÍTULO VII – Das Multas e dos Juros de Mora Art. 59 – Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 21 39 § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. .......................... Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Recita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 40 § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Da leitura dos dispositivos legais transcritos, se depreende claramente que os legisladores definiram inicialmente como base de incidência de juros de mora, tributos e contribuições e, posteriormente, débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União. Logo, em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, no crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. A própria dicção da Súmula nº 4 do CARF corrobora nossos argumentos, na medida em que fala genericamente em débitos tributários: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ou seja, o valor originário do débito, sobre o qual incidem os juros de mora, não exclui a multa de ofício. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo, sujeitase aos juros de mora com base na taxa SELIC. Portanto, nos termos da legislação transcrita, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Lançamento Reflexo 0 decidido no processo principal se aplica aos lançamentos decorrentes em virtude da estreita relação entre eles existentes. Por todas as razões expostas, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.721378/201169 Acórdão n.º 1301001.253 S1C3T1 Fl. 22 41 (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Redator Designado. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 24/08/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalm ente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10120.003121/2006-02
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA — MATÉRIA PACIFICADA — ARTIGO 67, § 10º DO RICARF -
Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de
recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstancia-se no recolhimento de tributo.
Numero da decisão: 9101-01.113
Decisão: ACORDAM os membros da 1° TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, Por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso. Vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Alberto Pinto Souza Junior e Otacilio Dantas Cartaxo que o conheciam.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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MI' H. CSRF-T1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 10120.003121/2006-02 Rccurso n" 156.980 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-01.113 — la Turma Sessão de 2 de agosto de 2011 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MOINHO DE TRIGO MABEL LTDA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA — MATÉRIA PACIFICADA — ARTIGO 67, § 10 0 DO RICARF - Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstancia-se no recolhimento de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1 TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, Por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso. Vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Alberto Pinto Souza Junior e Otacilio Dantas Cartaxo que o conheciam. (assinado digitalmente) Otacflio Dantas Cartaxo - Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias - Relatora Autenticado d!grla'meWe em 0K, }WL0?.011 pe; - /:.ANLIV! JURi- íi DAS, te!me pm OTACILO DANTAS GAR AXO. trwoio em 0910012.01 rer KAREM JU1IODINI 01A5 lylpresso em 30/11/2011 por SUELI f•t-ENL)E.0 DA 0057 DF CARL' MI FL 2 Processo ri° 10120.003121/2006-02 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-01.113 Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacilio Dantas Cartaxo, Valmar Fenzeca de Menezes, Susy Gomes Hoffmann, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valrnir Sandri, Alberto Pinto Souza Júnior, Vivi ne Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, João Callus d:3,. Lima Junior e Antonio Carlos Guidoni Filho. Autenticado dTjlIaltriente em 0;)/09.20111.- iL..-P,11 DIAS. AsFd.' ri ,/xo 1 ,.3/11/20'.". pot O FAULK) DANTAS CARTAXO, diniks,;k:ente em 03/002011 per KA1 ),: --.T./1,1UR!7.:7;!N11):AS Impresso cm 30/1112011 per SUOU TC:LENT!',‘::) MEit.I:N.S OA CRUZ 1)1 CAR1' MI' 1:1. "3 Processo n° 10120.003121/2006-02 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-01.113 Fl. 3 Relatório Trata-se de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional (1.658/L669), .669), bem como pelo contribuinte (fls. 1.748/1.767), ambos em face do Acórdão n°. I 08-09.764 (fls. 1631/1653), da Oitava Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Na origem, trata-se de Auto de Infração de lançamento de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, (fls. 393/442), referentes aos anos-calendário 2001, 2002 e 2004, com crédito tributário total de R$ 977.764,15 (sendo os juros de mora calculados até 31/07/2006) e redução de CSLL a compensar de R$ 53.704,90, bem como lançamento de CSLL As fl. 382/390, referente ao ano-calendário 2004, com crédito tributário total de R$ 394.103,39 (com os juros calculados até 31/07/2006). Frise-se que houve a imposição de multa qualificada em 150% e foi formalizado processo de representação fiscal para fins penais sob o n°. 10120.004553/2006- 222, consoante informação As fls. 457, apensado a este. Impugnado o lançamento, sobreveio acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (1244/1258), julgando o lançamento procedente, conforme abaixo ementado: "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF Ano-calendário: 2001, 2002, 2004 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Por presungdo legal, quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos recursos debitados na conta Caixa e a sua efetiva entrega, considera-se ocorrida omissão de receitas. GLOSA DE DESPESAS. A glosa é devida quando não comprovada a efetividade da prestação de serviços. MULTA AGRAVADA. Restou comprovado que o sujeito passivo não atendeu intencionalmente its intimações. Agravamento devido. MULTA QUALIFICADA. A utilização de documentos inidáneos para deduzir despesas e a escrituração reiterada de suprimento sem comprovação de origem e efetividade, demonstram o intuito defraude. Qualificação devida. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO ESTIMADO. Mantidas a omissão de receitas e a glosa de despesas que geraram a diferença de imposto estimado mensalmente, é devida a multa isolada sobre o imposto não recolhido. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. AJUSTE ANUAL. Matéria não impugnada. CSLL. OMISSÃO. GLOSA DE DESPESAS MULTA AGRAVADA. MULTA QUALIFICADA. Autellt;eddo e 6/(i:)/;20 11 ,!;.:RE) 1 OÍ FACILIO liANTAS GAR1C\X'a :í E , v.EI ,IM(FP3)A1 3 Impresso ern 3C/1 1 /2C:1 1 0:Yi Or\ 014 1.11 IA' CA RF MI: H. 41 Processo n° 10120.003121/2006-02 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101 -01.113 Fl. 4 sorte do lançamento de IRPJ, por ser reflexo, ou seja, decorrerem da mesma matéria tributável e mesmos elementos p .obatórios. 1S/COFINS. OMISSÃO. MULTA AGRAVADA. MULTA QUALIFICADA. Seguem a sorte do lançamento de IRPJ, por serem reflexos, ou seja, decorrerem da mesma matéria tributável e mesmos elementos probatórios. PIS/COFINS. DECADÊNCIA. Em havendo o descumprimento do disposto no art. 150, cabe o lançamento de oficio, sendo que a contagem do prazo decadencial é efetuada consoante o inciso I do art. 173 do mesmo código. Ausência de decadência. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 2004 Ementa: MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO ESTIMADA. Mantidas a omissão de receitas e a glosa de despesas que geraram a diferença de contribuição estimada mensalmente, é devida u multa isolada sobre o imposto não recolhido. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL. AJUSTE ANUAL. Matéria não impugnada Lançamento Procedente" Sobrevieram, então, Recurso Voluntário (fls. 1317/1351) e o Acórdão n°. 108-09.764 (fls. 1631/1653), o qual, por unanimidade acolheu a preliminar de decadência para o PIS e COFINS relativos aos fatos geradores ocorridos entre 28/02/2001 e 31/07/2001 e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso para excluir o agravamento da multa de oficio; excluir da tributação a verba autuada a titulo de suprimento de caixa (item 001 do auto de infração); em relação ao item 003 do auto de infração do IRPJ, excluir a qualificação da multa reduzindo de 150 % para 75%, e excluir a incidência da multa isolada. A decisão restou assim ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2005 PIS e COFINS - DECADÊNCIA - MULTA QUALIFICADA - APLICAÇÃO - LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL - Incabível a qualificação da multa de lançamento ex officio quando não caracterizada nos autos a prática de dolo, fraude ou simulação por parte da autuada. A presunção legal de omissão de receitas por falta de comprovação de origem e da efetividade da entrega do numerário relativo a suprimento de caixa não justifica a aplicação da multa exasperada. IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - FALTA DE COMPROVAÇÃO DE SUPRIMENTOS DE CAIXA — Os suprimentos de Caixa mediante débito à conta Caixa e crédito conta Bancos, não se subsumem a hipótese de presunção legal de omissão de receita de que trata o art. 282, do RIR/99, Autenrc ,idc, cliqi1;-;im ■ rtIL; ei por 11 3!11/201 4, PO, OTACILIO DANTAS GAR :, -;r 1e: ,, )10:"1/2",;)1 . 1 ror KANbM HAS 4 Imoresso em 30/11/2011 por SUE. TOLEN 2 iN0 2. 311/33; DA CRUZ DI' CAR!' MI' FL 5 Processo n° 10120.003121/2006-02 CSRF-TI. Acórdão n.° 9101-01.113 Fl. 5 trcitanclo-sc de indícios que indicam a necessidade de aprcfr.na'amento das investigações e, eventualmente, recomposigdo da conta Caixa pelo expurgo dos valores dos s:primentos não comprovados, com vistas à identificação de eventual saldo credor caracterizador da presunção legal. IRPJ - GLOSA DE DESPESAS - É procedente a glosa de dispêndios apropriados como despesas com comissões acobertadas com documentação inidánea, além da falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços, circunstância que justifica a cominação da multa de lançamento ex officio qualificada, ao percentual de 150%. EXIGÊNCIAS REFLEXAS - CSLL, PIS E COFINS - DECORRÊNCIA - As exigências reflexas de contribuições CSLL, PIS e COFINS devem ser ajustadas ao decidido quanto ao IRPJ, tendo em vista à intima relação de causa e efeito entre elas existentes, na medida em que possuem suporte fálico comum. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA - MULTA ISOLADA - Encerrado o período de apuração do imposto de renda, ê improcedente a exigência de multa isolada, por falta de recolhimento de diferenças de estimativas, afloradas tão somente em virtude da recomposição, pelo fisco, das compensações das estimativas efetuadas pela contribuinte no curso do anocalendário, cujos créditos compensados fbram transferidos para absorção de matéria tributável apuradas em exercícios anteriores. MULTA AGRAVADA POR FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES - injustificável a exasperação do percentual da multa de oficio em 50%, quando não estiver caracterizada nos autos a recusa ao atendimento de intimações fiscais, nos termos do artigo 44, § 2°, da Lei n°. 9.430/96. Preliminar de Decadência Acolhida. Recurso Voluntário Provido em Parte." A Fazenda Nacional apresentou, então, Recurso Especial (fls. 1658/1669), requerendo a reforma do acórdão no tocante a exclusão da multa isolada pela insuficiência do recolhimento das estimativas. Alega a Fazenda Nacional ter havido contrariedade ao artigo 44, inciso IV, da Lei ri° 9.430/96 (na redação vigente A época), que autorizaria a aplicação da multa isolada concomitantemente à multa de oficio sobre estimativas não recolhidas. Em despacho de fls. 1.689/1691, foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Ato continuo, o contribuinte apresentou suas Contrarrazões As fls. 1.733/1.736. 0 contribuinte apresentou também Recurso Especial (1.748/1.767), ao qual foi negado seguimento conforme despacho de fls. 1.975/1.984, decisão mantida pelo despacho de fls. 1.985/1.986. Auteilloado cfigi1NmeMe em (i ,ii()ii20 1 poi - KARI:,,i1 ' ,‘ '';f11:201 1 par C)FACILIO iDANiAS CARTAXO, j:, ,,:vjnado ;:g;taimpnt7- ma 09;(,) ,3120 -: I par ICSCD Jul EID , N1 6if 5 Imptesso cm 301! 1/2011 por SUEI ['OLE.; TiN0 '..(,E,NOF'S a DI CARY' NV Fl. 6 Processo n° 10120.003121/2006-02 Acórdão n° 9101-01.113 CSRF-T1 Fl. 6 o reka6cio. Autenticado Ki»,1E4.;;JRL.1N1 DIAS, itsc;e:, or OTACILIO DANTAS CAR1AXO, 09/Ci9f'...01 1 vor KA:2E:MjURD!)1t-.= I)IA;; hrvesso em 30/1112011 p:)i . SUED 1- 01.»..1iTNE):AFNIJES r;.;, ,, CM 17 DI' NIF II. 7 Processo n° 10120.003121/2006-02 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-01.113 Fl. 7 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora. 0 Recurso da Fazenda Nacional é tempestivo e foi determinado seu seguimento em juizo de admissibilidade. No entanto, tendo em vista se tratar de matéria exclusivamente de direito e, considerando que o tema está pacificado no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendo que o Recurso Especial de Divergência não deve ser conhecido, por aplicação do artigo 67, § 10 0 do RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial intoposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 10. 0 acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma especifica do paradigma indicado. 0 entendimento foi outrora pacificado nesta Câmara Superior, conforme se demonstra por meio dos julgados abaixo transcritos: "PENALIDADE — MULTA ISOLADA — LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO — PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de oficio, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal." (Recurso n.° : RD/101-134.520 Sessão de : 18109/2006, Acórdão n.° : CS'RF/01- 05.503). "CSLL — MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — TRIBUTO APURADO INFERIOR AO VALOR CALCULADO POR ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n°9.430/96 determina que a multa de oficio seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza que não se confunde corn o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte só é conhecido ao final do período de apuração quando ocorre a aquisição de renda pelo contribuinte - fato gerador do Imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo não-recolhimento de estimativa quando o valor do calculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de Autenh;Ddo 1 onorPe me 03/00/20 1 :)o- KARIM .!l):`,-111 331:1,3""\:,-;, As6do u:n 1 11/2011 por OTACIIJO CANTAS CAR FAXO. dÍg' 1, -; 1 K2 en't 0910312011 Por KACEI1 •ftiRLI!')iN1 DIAS impunsc) em 31711/201 1 por S//ELI TOLDN F;N:i DU' tZ1' Fl. 8 Processo n° 10120.003121/2006-02 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-01.113 Fl. 8 esiimativas no curso do período de apuração e de oficio pela : folic; de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração ativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza cicipa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação". (Recurso n°: 105-139794, Sessão: 04/12/2006, Acórdão n° : CSRF/01-05.552). "PENALIDADE — MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFICIO FALTA DE RECOLHIMENTO — PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de oficio, ambas calczilaclas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Não pode ser base de cálculo valor que não integra a base de calculo do tributo que deveria ser calculado por estimativa.'' (Recurso le : 107- 139896 - Sessão : 11/06/2007. -Acórdão n° : CSRF/01-05.675) Assim, no presente caso não pode prosperar a multa isolada em razão de insuficiência nos recolhimentos mensais de IRPJ e CSLL, pois foi também imputada multa de oficio em razão do lançamento para a constituição do fato jurídico tributário. Neste sentido, por se tratar de matéria já pacificada no âmbito da Camara Superior de Recursos Fiscais, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias — Relatora. Aute,nticado em 2 1i:;f:7K,A.1E.I.' ■ D;AS, An;:i ado r0a1 ;;n1 161', /2011 por OTACILIO DAN TAS CAR1A,X0, /\tdo 0;‘,,,x;jf2; .?11 por1Ii 1 . lJI ¡: cm 00/1 1/2/111 pot I TOU :r11 i 'HO l 0NDIDI DA c,R11/
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Numero do processo: 10940.001738/2007-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
À míngua de comprovação, cabível a glosa de dedução a título de contribuição a previdência privada que o contribuinte pretendeu deduzir em sua declaração de ajuste anual.
GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE
Devem ser mantidas as deduções com despesas médicas, quando apesar de intimado o contribuinte não apresentou detalhamento dos serviços prestados, nem comprovou através de documento hábil e idôneo do efetivo desembolso para pagamento dos referidos serviços.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação, cabível a glosa de dedução a título de contribuição a previdência privada que o contribuinte pretendeu deduzir em sua declaração de ajuste anual. GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE Devem ser mantidas as deduções com despesas médicas, quando apesar de intimado o contribuinte não apresentou detalhamento dos serviços prestados, nem comprovou através de documento hábil e idôneo do efetivo desembolso para pagamento dos referidos serviços. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 17 38 /2 00 7- 11 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10940.001738/200711 Acórdão n.º 2801002.170 S2TE01 Fl. 52 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório o explicitado pela DRJ que assim dispõe: Trata o presente de Notificação de Lançamento em que se exige do sujeito passivo acima identificado o valor total de R$ 14.955,09, sendo R$ 7.220,50 de IR Suplementar, R$ 5.415,37 de multa de oficio de 75% e R$ 2.319,22 de juros, estes calculados até 29/06/2007. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o lançamento decorre da glosa da despesas com Previdência Privada e FAPI, Dependentes e Despesas Médicas, todas por falta de comprovação. Regularmente intimado, o sujeito passivo impugnou o lançamento alegando, em síntese, que: · as despesas médicas estariam, todas, respaldadas pelos respectivos recibos, anexados aos autos As fls. 12 a 17; · seria indevida a glosa da despesa com dependente face a demonstração de filiação do menor João Bruno Marques de Anhaia por meio de sua certidão de nascimento anexada à fl. 10; · as contribuições A Previdência Privada estariam discriminadas no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte do ano calendário emitido pela Syngenta Proteção e Cultivo, sendo que o contribuinte informou equivocadamente em sua declaração o CNPJ da fonte pagadora em lugar da Syngenta Previ, entidade para a qual contribuiu. Anexa os documentos de fls. 09 e 11 para demonstrar referidos valores. A 5ª Turma da DRJ/CTA julgou a impugnação procedente em parte (fls. 30/33), em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEPENDENTE. PROVA DE FILIAÇÃO Comprovada a filiação do menor declarado como dependente pelo notificado, deve ser cancelada a glosa e restabelecida a dedução. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10940.001738/200711 Acórdão n.º 2801002.170 S2TE01 Fl. 53 3 DESPESAS DEDUTÍVEIS. PROVA OU JUSTIFICAÇÃO Todas as despesas dedutíveis estão sujeitas a prova ou justificação a juízo da autoridade administrativa, devendo referida comprovação obedecer ao que prevê a legislação tributária a fim de ser apurada a dedutibilidade do dispêndio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Cientificado da decisão de primeira instância, o Interessado apresentou o recurso voluntário, requerendo o restabelecimentos das deduções a título de contribuição a previdência privada e despesas médicas, conforme comprovantes constantes dos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. No que diz respeito à dedução de contribuição a previdência privada, não merece reparos a decisão recorrida, que assim se pronunciou sobre o assunto: De fato, alega o contribuinte que a glosa das despesas declaradas como contribuição A previdência privada seria indevida uma vez que os valores declarados teriam constado do Comprovante de Rendimentos Pagos e_ 4de Ret ç1ã o de Imposto de Renda na Fonte do anocalendário fornecido por Syngenta Proteção e Cultivos Lida, documento anexado à fl. 11. Alega ainda que, por erro, indicou o CNPJ da fonte pagadora cm lugar da real beneficiaria das contribuições, que seria a entidade Syngenta Previ — Sociedade de Previdência Privada, CNPJ 58.494.329/000136. Não há como acatar essa argumentação cio sujeito passivo. Primeiro, porque o valor declarado como contribuição a Previdência Privada (R$ 2.484,37) é muito diferente do valor que consta no documento de fl. 11 (R$ 759,08). Segundo, porque esse valor discriminado no documento de fl. 11 se refere a contribuição à Associação Benef. Syngenta, CNPJ 46.550.604/000102 e não Syngenta Previ, CNPJ 58.494.329/000136. E isso o que consta do documento apresentado. Além disso, mesmo o valor indicado como pago à Associação Syngenta (R$ 759,08), não pode ser acolhido como contribuição a previdência privada urna vez que não ha nenhuma indicação de que tais pagamentos se refiram a contribuição a plano de previdência. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10940.001738/200711 Acórdão n.º 2801002.170 S2TE01 Fl. 54 4 E isso fica ainda mais claro quando se verifica no documento de fl. 09 que os valores pagos a Associação .Syngenta em 2004 se referem a: Reembolso Medicamento Normal (R$ 746,07), tendo sido reembolsados R$ 373,05, Reembolso Qualidade de vida, reembolsado integral e Reembolso Brinquedos, também reembolsado integralmente. Nenhuma dessas verbas pode ser considerada despesa médica. Vejase, ainda, que os valores constantes do documento de fl. 09 (R$ 837,27 apresentados e R$ 466,25 reembolsados) não conferem com o constante do documento dc fl. 11(R$ 759,08). Assim, permanece integralmente sem comprovação a despesa declarada de R$ 2.484,37 declarada como contribuição à Previdência Privada e FAPI, devendo ser mantida a glosa. Quanto às despesas médicas, a controvérsia está relacionada unicamente ao valor probante dos documentos apresentados pelo recorrente. No processo administrativo fiscal, a exigência de comprovação de um fato está ligada ao modo como se distribui o ônus da prova entre as partes interessadas na proteção de seus direitos. Nos processos relativos ao imposto de renda da pessoa física cabe ao Fisco, em regra, provar as alegações sobre omissão de rendimentos e ao contribuinte os fatos que reduzem a base de cálculo do tributo. Assim, compete ao contribuinte provar os fatos que deram origem às despesas médicas, facultandolhe a legislação desincumbirse de tal mister mediante a apresentação de recibos emitidos por profissionais da área da saúde. Nada obsta, no entanto, que a Administração Tributária exija que o interessado comprove a efetiva prestação dos serviços ou o pagamento decorrente desta prestação quando as circunstâncias assim recomendarem, na linha do disposto no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, cujo teor é o seguinte: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Assim, existindo motivos que justifiquem, pode a Administração Tributária não conceder eficácia probatória aos documentos apresentados pelo contribuinte, sem que isto implique na inautenticidade de tais documentos. Por outro lado, o Decreto nº 70.235/1972 confere aos julgadores administrativos, na busca da verdade material, o livre convencimento na apreciação da prova. É essa busca da verdade material, como elemento essencial do julgamento, que baliza a formação da convicção do julgador. No caso presente temos que os documentos acostados aos autos não trazem elemento essencial ao seu aceite, qual seja o detalhamento dos serviços prestados pelo profissional, nem comprovação através de documento hábil e idôneo do efetivo desembolso para pagamento dos referidos serviços. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10940.001738/200711 Acórdão n.º 2801002.170 S2TE01 Fl. 55 5 Referidas não conformidades documentais foram apontadas pela autoridade julgadora, cabendo ao contribuinte atender as solicitações a si direcionadas e cumprir com as exigências impostas para validação de sua documentação. Não o fazendo, correto o lançamento fiscal, devendo ser mantida a glosa referente a despesas médicas. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10972.000045/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
GANHO DE CAPITAL. CUSTO CONTÁBIL. COMPROVAÇÃO.
o ganho de capital correspondente à alienação de bens do ativo permanente, para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido, equivale à diferença entre o valor da alienação e o valor contábil do bem, devidamente comprovado por documentação hábil e idônea, mesmo que a empresa não mantenha escrituração contábil, e no cálculo do valor contábil do bem devem ser considerados os valores das quotas de depreciação, amortização ou exaustão acumulada utilizadas e, facultativamente, a atualização monetária do custo de aquisição do bem, até 31 de dezembro de 1995, se adquirido até essa data.
APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.
A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL.
A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 GANHO DE CAPITAL. CUSTO CONTÁBIL. COMPROVAÇÃO. o ganho de capital correspondente à alienação de bens do ativo permanente, para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido, equivale à diferença entre o valor da alienação e o valor contábil do bem, devidamente comprovado por documentação hábil e idônea, mesmo que a empresa não mantenha escrituração contábil, e no cálculo do valor contábil do bem devem ser considerados os valores das quotas de depreciação, amortização ou exaustão acumulada utilizadas e, facultativamente, a atualização monetária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 00 00 45 /2 00 8- 14 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000045/200814 Acórdão n.º 1402001.787 S1C4T2 Fl. 232 2 do custo de aquisição do bem, até 31 de dezembro de 1995, se adquirido até essa data. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000045/200814 Acórdão n.º 1402001.787 S1C4T2 Fl. 233 3 Relatório MMA HORTALIÇAS LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0928.380 da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora/JFA, que julgou improcedente a impgunação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, verbis: Contra a interessada foi lavrado o Auto de Infração, fls. 03/22, para exigir o IRPJ e a CSLL, por divergência entre os valores declarados em DIPJ e na DCTF e valores referentes a ganhos de capital não acrescidos à base de cálculo para fins de incidência do imposto e do adicional, com a multa de ofício de 75%, conforme enquadramento legal constante nos autos, e os juros de mora de acordo com a legislação pertinente. IRPJ R$ 570.204,29 CSLL R$ 205.161,37 Consta, em síntese, do Termo de Verificação Fiscal de fls. 19/23: a) que a contribuinte foi selecionada para fiscalização por ter sido detectada movimentação financeira incompatível com a receita declarada nos anos calendário de 2003 e 2004; b) que foi apurado divergência entre os valores declarados em DIPJ e em DCTF e dos pagamentos verificados nos bancos de dados da RFB, para o 2o trimestre de 2004; c) do confronto entre extratos bancários e a documentação da empresa, a contribuinte foi intimada a comprovar o custo de aquisição, de depreciação, se houvesse, e o valor de venda referente a uma empilhadeira e um veículo, bem como a origem dos seguintes créditos depositados no Citibank: R$ 930.000,00 em 23/10/2003 e R$ 1.220.000,00 em 29/03/2004; d) em resposta a contribuinte afirmou que os valores acima se referem a venda do ativo permanente (Notas Fiscais avulsas emitidas em 15/04/2004), conforme documentação de folhas 36/56 e que não possui documentação referente ao custo dos ativos uma vez que foram extraviados, conforme Ocorrência Policial n° 6783, lavrada em 22/01/2003 (fls. 69/70). e) que, como não foi possível identificar o custo de aquisição, depreciação e/ou amortização de tais bens, uma vez que a contribuinte não possui qualquer documentação comprobatória e nenhum valor foi baixado no Ativo Permanente em função da venda, o valor contábil foi considerado como zero. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000045/200814 Acórdão n.º 1402001.787 S1C4T2 Fl. 234 4 Intimada em 25/04/2008, a interessada apresentou impugnação parcial em 26/05/2008 (fls. 106/156), na qual alega, em síntese, o seguinte: a) que a impugnante não possui as notas fiscais de aquisição dos bens vendidos porque estes foram extraviados, conforme Boletim de Ocorrência Policial n 6783, de 22/01/2003; b) que os lançamentos contábeis comprovam o custo de aquisição de seus bens e a respectiva depreciação; c) que a autoridade fiscal não logrou demonstrar sequer a existência de indícios de que haveria alguma irregularidade nos lançamentos contábeis efetuados pela impugnante; d) só porque os referidos bens não foram baixados do ativo permanente não se pode aceitar a presunção de que o seu custo foi igual a zero; e) que o fato de ter extraviado as notas fiscais de aquisição, isoladamente constatado, sob hipótese alguma, justificaria a desconsideração dos lançamentos contábeis efetuados pela impugnante; f) que, existindo contabilidade regular, que atenda às normas legais aplicáveis, consoante comprovam os registros e demais documentos apresentados pela impugnante, evidenciase inadmissível a desconsideração do valor relativo ao custo de aquisição dos bens do ativo permanente alienados; g) que seja afastada a multa aplicada de 75%; h) que seja excluída a incidência da taxa Selic; i) por fim, requer a nulidade do lançamento tendo em vista a ilegitimidade das presunções levadas a efeito pela autoridade fiscal. No julgamento de primeira instância, mantevese integralmente a exigência, sob o principal argumento de que o ganho de capital deve ser apurado com base na diferença entre preço de alienação e custo contábil, sendo o conceito de custo contábil extraído do art. 31, § 1º, do DecretoLei n° 1.598, de 1977 ( art. 418, § 1º, do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99), qual seja, o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. Concluiu ainda que na ausência dos documentos comprobatórios da aquisição, mesmo que apresentada escrituração contábil constando os supostos valores envolvidos na operação, implica desconsideração do custo dos bens vendidos, uma vez que o art. 923 do RIR/99 dispõe que a escrituração mantida pelo contribuinte somente faz prova a seu favor se os fatos nela retratados estiverem comprovados por documentos hábeis. Em relação aos demais pontos, rejeitou arguição de nulidade e confirmou incidência de multa de 75% e aplicação de taxa Selic para correção do débito. O contribuinte foi intimado da decisão em 03 de maio de 2010 (fl. 193), apresentando recurso voluntário em 01 de junho de 2010 (fls. 198222). Em resumo, reproduz os argumentos e pedidos de sua impugnação. É o relatório. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000045/200814 Acórdão n.º 1402001.787 S1C4T2 Fl. 235 5 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos para sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. 1 PRELIMINAR DE NULIDADE Alega a Recorrente ser nulo o lançamento fiscal em razão de suposta ilegitimidade das presunções levadas a efeito pela autoridade fiscal. Não lhe assiste razão. Primeiro porque o lançamento ora guerreado não foi realizado com base em presunções, mas sim em provas diretas, matéria adstrita ao mérito e analisada em ponto específico deste voto. No mais, os pressupostos legais para a validade do auto de infração são determinados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal, a seguir transcrito: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A respeito da nulidade, o mesmo diploma legal assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000045/200814 Acórdão n.º 1402001.787 S1C4T2 Fl. 236 6 § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Compulsando os autos, constatase que os autos de infração lavrados preenchem os requisitos elencados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Além disso, no caso concreto, não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, já em sede de impugnação defendeuse plenamente, despendendo com clareza e qualidade, todos os argumentos necessários ao pleno exercício de sua defesa. Nesse aspecto, frisese que a possibilidade de defesa foi amplamente viabilizada pelos detalhes da descrição dos fatos realizada pela autoridade fiscal e enquadramento legal utilizado no Termo de Verificação Fiscal, no qual se apontou com minúcias os fatos constatados, qualificandoos e subsumindoos com perfeição aos dispositivos legais apontados no próprio relatório em questão. Quanto à produção de prova extemporânea requerida pela Recorrente, frise se que sequer em sede de recurso voluntário foram apresentados elementos adicionais aos já colacionados no decorrer do procedimento fiscal. Houvesse carreado aos autos novos elementos de prova necessários ao desfecho da lide, certamente esta turma julgadora se debruçaria sobre os mesmos para sua análise, ou, se fosse o caso, para conversão do julgamento em diligência para cotejamos das informações prestadas. Contudo, na ausência de apresentação de elementos novos, não há que se falar em preterição do direito de defesa. Portanto, não restando caracterizado o cerceamento do direito defesa, tampouco ofensa ao contraditório, não houve qualquer prejuízo à Recorrente, prejuízo esse primordial à caracterização de nulidade, conforme apregoa o art. 60 do Decreto nº 70.235/72: “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo”. Assim sendo, sob os aspectos formais, não há qualquer mácula no auto de infração lavrado. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000045/200814 Acórdão n.º 1402001.787 S1C4T2 Fl. 237 7 No mais, o agir da autoridade fiscal se deu no desempenho das funções estatais, de acordo com as normas legais e com respeito a todas as garantias constitucionais e legais dirigidas aos contribuintes. Portanto, voto por rejeitar a arguição de nulidade. 2 MÉRITO 2.1 GANHO DE CAPITAL No que atine ao mérito da exigência, outra sorte não merece o recurso. A controvérsia é relativamente simples: a Recorrente, tributada com base no lucro real, efetivamente realizou venda de bens do ativo imobilizado, conforme fartamente comprovado pela autoridade fiscal. Intimada a comprovar o custo dos bens alienados, limitou se a apresentar a escrituração contábil que indicaria o valor de aquisição dos bens, bem como a depreciação acumulada até a efetiva alienação. Deixou de apresentar a documentação comprobatória em face de suposto extravio. Anexou boletim de ocorrência policial para comprovar sua alegação. Nesse cenário, a fiscalização concluiu não haver comprovação do valor contábil do bem, implicando considerálo como sendo “zero”. A decisão recorrida confirmou o lançamento em sua integralidade. Entendo que tal decisão deve ser mantida. Isso porque o art. 521, e seu § 1º, do RIR/99 determina que os ganhos de capital sejam acrescidos à base de cálculo do lucro presumido, sendo que o ganho de capital deverá ser apurado com base na diferença entre o valor de alienação e o respectivo valor contábil. Ocorre que o conceito de valor contábil encontrase estampado no art. 418, § 1º, do RIR/99, correspondendo ao que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. Tal determinação faz sentido, uma vez que na tributação com base no lucro presumido todos os custos e despesas da pessoa jurídica, presumese, já foram considerados quando da aplicação do correspondente coeficiente de presunção de lucro. Nesse cenário, não haveria como considerarse o custo do bem vendido o seu valor original, sob pena de permitir se a dedução duplicada de custo de aquisição. De outra banda, a apresentação da escrituração contábil, desacompanhada da documentação que lhe dá suporte, implica a perda de presunção de legitimidade dos fatos registrados nela registrados, nos termos do art. 923 do RIR/99. O suposto extravio da documentação em nada altera o panorama, pois a norma não traz qualquer exceção a respeito. Ademais, o boletim de ocorrência apresentado à fl. 72 não tem o condão de comprovar que os documentos referentes à aquisição dos bens alienados estivessem entre os documentos extraviados. Vejase que também não há qualquer menção a que período referirseiam tais documentos. Vejase: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000045/200814 Acórdão n.º 1402001.787 S1C4T2 Fl. 238 8 Desse modo, entendo que a infração deve ser mantida. No mais, por bem analisar os temas ora tratados, transcrevo os fundamentos da decisão de primeira instância: O cálculo do ganho de capital, na hipótese de tributação pelo lucro presumido, encontrase disciplinado no art. 521, § 1º, do RIR de 1999: Art. 521. . Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo (Lucro Presumido), para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3° do art. 243, quando for o caso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). § 1." O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. O conceito de valor contábil, consignado no art. 31, § 1º, do DecretoLei n° 1.598, de 1977, encontrase consolidado no art. 418, § 1º, RIR de 1999, que assim dispõe: Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei n°' 1.598, de 1977, art. 31). § 1. "Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. Verificase que valor contábil inclui, em seu cômputo, os valores correspondentes às quotas de depreciação, amortização ou exaustão acumulada, sempre que for o caso. Com relação ao valor contábil, a resposta à pergunta n.° 539 da publicação Imposto de Renda Pessoa Jurídica 2005 perguntas e respostas é bastante esclarecedora: Fl. 238DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000045/200814 Acórdão n.º 1402001.787 S1C4T2 Fl. 239 9 539. O que se considera ganho de capital para fins de tributação pelo lucro presumido? Nas alienações de bens classificáveis no ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável ou renda fixa, o ganho de capital corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo custo contábil (RIR/1999, art. 521 a 523; e INSRFtf 93, de 1997, art. 4,§?~). NOTAS: A não comprovação dos custos pela pessoa jurídica implicará a adição integral da receita à base de cálculo do lucro presumido. Caso na alienação de bem ou direito seja verificada perda essa não será computada para fins do lucro presumido. Na apuração de ganho de capital, os valores acrescidos em virtude de reavaliação somente poderão ser computados como parte integrante dos custos de aquisição dos bens e direitos se a pessoa jurídica comprovar que os valores acrescidos foram computados na determinação da base de cálculo do imposto (RIR/1999, art. 521, §4?). Quanto à base legal relativa à depreciação de bens, tratase da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964, arts. 57. Art. 57. Poderá ser computada como custo ou encargo, em cada exercício, a importância correspondente à diminuição do valor dos bens do ativo resultante do desgaste pelo uso, ação da natureza e obsolescência normal. § 1° A quota de depreciação registrável em cada exercício será estimada pela aplicação da taxa anual de depreciação sobre o custo de aquisição do bem depreciável, atualizado monetariamente, observadas nos exercícios financeiros de 1965 e 1966, as disposições constantes do § 15 do artigo 3° da Lei n c '4.357 de 16 de julho de 1964. § 2° A taxa anual de depreciação será fixada em função do prazo durante o qual se possa esperar a utilização econômica do bem pelo contribuinte, na produção dos seus rendimentos. § 3° A administração do Imposto de Renda publicará periodicamente o prazo de vida útil admissível a partir de 1° de janeiro de 1965, em condições normais ou médias, para cada espécie de bem, ficando assegurado ao contribuinte o direito de computar a quota efetivamente adequada às condições de depreciação dos seus bens, desde que faça a prova dessa adequação, quando adotar taxa diferente. (...) Com base no art. 310, § Io do RIR de 1999 (art. 57, § 2o da Lei n° 4.506, de 1964), a Secretaria da Receita Federal, atual Receita Federal do Brasil, Fl. 239DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000045/200814 Acórdão n.º 1402001.787 S1C4T2 Fl. 240 10 divulga, periodicamente, o prazo de vida útil admissível, em condições normais ou médias, para cada espécie de bem, assegurando ao contribuinte o direito de utilizar a quota efetivamente adequada às condições de depreciação de seus bens. Daí concluise que a aplicação das quotas de depreciação, amortização ou exaustão acumulada constitui uma faculdade. Já o art. 17 da Lei n.° 9.249, de 1995, fixa as regras para a atualização monetária do custo de aquisição dos bens e direitos, conforme tenham estes sido adquiridos antes ou depois do último dia do ano de 1995, e é aplicável, independentemente de ter havido ou não a utilização de quotas de depreciação, amortização ou exaustão acumulada. Tal dispositivo assim dispõe: Art. 17. Para os fins de apuração do ganho de capital, as pessoas físicas e as pessoas jurídicas não tributadas com base no lucro real observarão os seguintes procedimentos: I tratandose de bens e direitos cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro desse ano, tomandose por base o valor da UFIR vigente em I o de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data; II tratandose de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição dos bens e direitos não será atribuída qualquer correção monetária. Resumindo o exposto acima: o ganho de capital correspondente à alienação de bens do ativo permanente, para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido, equivale à diferença entre o valor da alienação e o valor contábil do bem, devidamente comprovado por documentação hábil e idônea, mesmo que a empresa não mantenha escrituração contábil, e no cálculo do valor contábil do bem devem ser considerados os valores das quotas de depreciação, amortização ou exaustão acumulada utilizadas e, facultativamente, a atualização monetária do custo de aquisição do bem, até 31 de dezembro de 1995, se adquirido até essa data. Restou comprovado nos autos, por meio dos documentos de folhas 36 a 56, que houve a venda de bens do ativo permanente no valor de R$ 2.150.000,00 (Notas Fiscais avulsas 840157, 840158 e 840159 emitidas em 15/04/2004) com a correspondente entrada de recursos na conta corrente da impugnante no Citibank (R$ 930.000,00 em 23/10/2003 e R$ 1.220.000,00 em 29/03/2004). Devidamente intimada pela autoridade fiscal a comprovar o custo contábil dos bens vendidos, a interessada se limitou a afirmar que a documentação foi extraviada e apresentou a Ocorrência Policial n° 6783, de 22/01/2003 (fls. 69/70). A consideração pela fiscalização do custo contábil igual a zero se deu por falta de comprovação e não por indícios ou presunções, conforme alegado pela interessada em diversos pontos de sua defesa, não se aplicando assim, os acórdãos do Conselho de Contribuintes citados. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000045/200814 Acórdão n.º 1402001.787 S1C4T2 Fl. 241 11 Ressaltese que não basta como prova do custo contábil a apresentação da escrituração contábil, posto que, segundo estabelece a legislação tributária, é do sujeito passivo o ônus da prova dos fatos registrados em sua contabilidade, a teor do disposto no artigo 923 do RIR/1999, inverbis: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decretolei n° 1.598, de 1977, art. 9o, § Io)" (grifei). Isso posto, a decisão recorrida deve ser confirmada, mantendose hígido o crédito tributário correspondente. 2.2 MULTA DE OFÍCIO Em relação à cominação de penalidade de 75%, tratase de simples e mera aplicação de dispositivo legal, qual seja, o art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, cuja redação, à época dos fatos geradores, era a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] Portanto, tratandose de exigência de tributos não declarados e recolhidos, aplicase tal penalidade, não havendo que se falar na aplicação da multa moratória de 20%, penalidade essa incidente nos casos de tributos declarados mas somente recolhidos após a data de vencimento (art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996). Portanto, correta a multa aplicada, devendo ser mantida sua exigência. No que tange às questões que envolvem os demais princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis apontadas pela Recorrente, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta autoridade. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento Interno do CARF, em seu art. 62, dispõe que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” O caso concreto não se enquadra nas exceções elencada Fl. 241DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000045/200814 Acórdão n.º 1402001.787 S1C4T2 Fl. 242 12 no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de aplicação cogente aos membros do CARF. Por fim, sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação aos argumentos sobre confisco, esclareçase, ainda, que a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco, preceituada pelo art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil não se destina aos aplicadores da Lei, mas sim ao Poder Legislativo, que deve tomar em consideração tal preceito quando da elaboração das leis. 2.3 TAXA SELIC No que tange ao questionamento da aplicação da taxa Selic, a matéria encontrase absolutamente pacificada no âmbito do CARF, tendo sido alvo, inclusive de súmula, cujo enunciado número 4 recebeu a seguinte redação: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conforme determina o caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF, os enunciado da súmula CARF são de observância obrigatória por parte de seus membros. Desse modo, correta a aplicação da taxa Selic sobre os tributos apurados. 2.4 LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. Os lançamentos do Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Assim, mantido o lançamento quanto ao IRPJ, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter também essas exigências, ante a íntima relação e causa e efeito. Há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS, conforme dispõe o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados Fl. 242DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10972.000045/200814 Acórdão n.º 1402001.787 S1C4T2 Fl. 243 13 de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Diante do exposto, o lançamento reflexo de CSLL deve ser mantido. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar a arguição de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 243DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13896.002637/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002, 2003
IRF. RENDIMENTOS DE RESIDENTES E/OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. DIREITOS AUTORAIS. OBRAS AUDIOVISUAIS. DECADÊNCIA.
Tratando-se a hipótese de lançamento por homologação e constatada a efetiva existência de pagamento prévio pelo administrado para os meses de janeiro/2002 a julho/2002, impõe-se reconhecer para tais períodos o transcurso do prazo fatal de 5 anos a contar do fato gerador, à vista do lançamento cientificado em 21/12/2007.
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RECOLHIMENTOS EFETUADOS VIA DARF E GUIA MINC.
A documentação aportada ao processo permite que se acolha a vinculação das remessas de royalties aos períodos de competência e recolhimentos apontados na defesa. A dedução do imposto para incentivo a produções brasileiras é prevista no art. 707 do RIR/99. Não tendo sido apresentada qualquer razão para a desclassificação do benefício da redução do imposto, impõe-se o aproveitamento dos recolhimentos, da forma em que efetuados (30% guia DARF e 70% guia MinC). Cancela-se a exigência na proporção dos recolhimentos, via DARF e guia MinC.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - CRITÉRIO QUANTITATIVO
O lançamento de ofício não pode ser mantido em decorrência de vício material ou melhor em função de desajuste entre o evento praticado e os critérios da regramatriz de incidência tributária, mais especificamente, erro na indicação do critério quantitativo, especialmente se envolve a descrição de uma fato tributário distinto.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-002.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Eduardo Soessmann, OAB/SP 256.895.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003 IRF. RENDIMENTOS DE RESIDENTES E/OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. DIREITOS AUTORAIS. OBRAS AUDIOVISUAIS. DECADÊNCIA. Tratandose a hipótese de lançamento por homologação e constatada a efetiva existência de pagamento prévio pelo administrado para os meses de janeiro/2002 a julho/2002, impõese reconhecer para tais períodos o transcurso do prazo fatal de 5 anos a contar do fato gerador, à vista do lançamento cientificado em 21/12/2007. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RECOLHIMENTOS EFETUADOS VIA DARF E GUIA MINC. A documentação aportada ao processo permite que se acolha a vinculação das remessas de royalties aos períodos de competência e recolhimentos apontados na defesa. A dedução do imposto para incentivo a produções brasileiras é prevista no art. 707 do RIR/99. Não tendo sido apresentada qualquer razão para a desclassificação do benefício da redução do imposto, impõese o aproveitamento dos recolhimentos, da forma em que efetuados (30% guia DARF e 70% guia MinC). Cancelase a exigência na proporção dos recolhimentos, via DARF e guia MinC. LANÇAMENTO DE OFÍCIO CRITÉRIO QUANTITATIVO O lançamento de ofício não pode ser mantido em decorrência de vício material ou melhor em função de desajuste entre o evento praticado e os critérios da regramatriz de incidência tributária, mais especificamente, erro na indicação do critério quantitativo, especialmente se envolve a descrição de uma fato tributário distinto. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 26 37 /2 00 7- 20 Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Eduardo Soessmann, OAB/SP 256.895. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez. Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, SONY PICTURES HOME ENTERTAINMENT DO BRASIL LTDA., foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF , lavrado em 21/12/2007, que formalizou o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 19.753.889,17, incluindo multa de ofício e juros de mora calculados até 30/11/2007, devido às irregularidades assim discriminadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 61/62: "001 — RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR Falta de recolhimento do Imposto de Renda na Fonte sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior anos calendários 2002 e 2003 O Termo de Verificação Fiscal de fls. 52/54 assim discrimina a infração: "No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal, e tendo concluído a fiscalização levada a efeito no contribuinte acima identificado, passo afazer o presente termo. Tratase aqui, de fatos verificados no decorrer da ação de fiscalização relativa ao contribuinte SONY PICTURES HOME ENTERTAINMENT DO BRASIL LTDA. — CNPJ 01.343.611/000103, efetuada no cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal/Registro de Procedimento Fiscal 08.1.28.002007000289, com o intuito de se apurar a regularidade no cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto de Renda Retido na Fonte sobre remessas ao exterior, com referência aos anosbase de 2002 e 2003. Pelo Termo de Início de Fiscalização cientificado em 02/10/2007 intimamos o contribuinte a apresentar livros contábeis contendo escrituração de 2002 e 2003, cópias dos balancetes de verificação e demonstrativos da apuração do IRRF dos referidos anosbase e os respectivos DARFs/Comprovação de recolhimento dos mesmos; Em 23/10/2007 (ciência em 24/10/2007) intimamos o mesmo a apresentar demonstrativo das remessas ao exterior, durante os anos base de 2002 e 2003; Em 30/10/2007 intimamos o mesmo a apresentar lançamentos contábeis das remessas ao exterior objeto de seu demonstrativo de 19/10/2007. Em 31/10/2007 (ciência em 05/11/2007) intimamos o mesmo a apresentar demonstrativo referente à alocação/utilização dos valores contidos nas guias/documentos de recolhimentos Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 anexados aos controles de remessas, durante os anosbase de 2002 e 2003; Após análise dos elementos disponibilizados, acima elencados, nos detivemos nas informações fornecidas pelo demonstrativo das remessas ao exterior "Controle de Remessas para Home Office", onde temos a síntese das importâncias enviadas a título de Remessas ao Exterior, às quais incide Retenção na fonte do Imposto de Renda sobre remessas ao exterior. Aplicamos a alíquota de 25% conforme determina o artigo 706 do Regulamento do Imposto de Renda —RIR/99 aprovado pelo Decreto 3.000 de 26 de março de 1999. Elaboramos o(s) demonstrativo(s) abaixo, para o cálculo do IRRF incidente sobre remessas ao exterior, extraídas das páginas do livro razão, conforme cópias constantes deste processo e que originou o demonstrativo "Controle de Remessas para Home Office". Os valores constantes das colunas "Recolhido" foram extraídos das informações contidas nas pesquisas do sistema "Sinal08" (Consulta Pagamentos). Para tanto, foram considerados apenas pagamentos que guardam correspondência objetiva com os valores dos tributos levantados. Com a utilização dos sistemas de informatização e dos dados acima obtivemos, como resultado, o Auto de Infração — IRRF — sobre Remessa ao Exterior no valor de R$20.579.930,33 (Vinte milhões, quinhentos e setenta e nove mil, novecentos e trinta Reais e trinta e três centavos). Às fls. 66, consta a retificação do Termo de Verificação Fiscal, no tocante ao total do Auto de Infração, de R$20.579.930,33 (Vinte milhões, quinhentos e setenta e nove mil, novecentos e trinta Reais e trinta e três centavos) para R$19.753.889,17 (Dezenove milhões, setecentos e cinqüenta e três mil, oitocentos e oitenta e nove Reais e dezessete centavos). A contribuinte foi cientificada dos autos em 21/12/2007, sextafeira (fls. 60). Inconformada, a interessada apresentou, em 22/01/2008, por intermédio de seus representantes legais, impugnação de fls. 72/135, acompanhada de documentos de fls. 136/571. Ao resumir os fatos, contrapõese ao lançamento, dizendo que o IRRF, incidente sobre as remessas efetuadas à licenciadora das obras audiovisuais distribuídas no país, foi tempestiva e integralmente pago, esclarecendo ter depositado judicialmente parcela desse tributo, face questionamento de sua exigibilidade. E antes de adentrar no mérito da exigência, argúi preliminarmente a nulidade do auto de infração. Com supedâneo nas disposições do art. 10, incisos III a V, do Decreto n° 70.235, de 1972; art. 5°, incisos II, LIV e LV, e art. 37, ambos da CF, de 1988; art. 2°, parágrafo único, inciso VII, e art. 50, ambos da Lei n° 9.784, de 1999, alega que, no presente caso, a mera leitura do auto de infração revela a sua nulidade, em virtude da falta de motivação fática e legal. Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 4 5 No que versa sobre a motivação fática, diz que o relatório fiscal em nenhum momento informa o motivo pelo qual os documentos apresentados durante o procedimento não comprovariam o pagamento e o depósito judicial dos créditos de IRRF ora exigidos. E emenda: "Contudo, todas as guias apresentadas de pagamento do IRRF e do abatimento deste concedido pela legislação aplicável e pago diretamente ao Ministério da Cultura e, ainda, a existência de ação judicial na qual a Impugnante questiona a parcela do imposto excedente àquele apurado com a allquota de 15%, bem como as correspondentes guias de depósito do valor sub judice, não foram sequer mencionadas pelo dd. Agente fiscal em sua autuação, como se simplesmente não existissem. Após a leitura integral da presente impugnação, verão Vossas Senhorias que, da forma como apresentada no Termo de Verificação Fiscal, a infração imputada pelo fisco à Impugnante não reflete a realidade dos fatos e dos documentos apresentados, o que não só prejudicou seu direito de ampla defesa, como ainda poderia prejudicar o julgamento do caso por essa d. Delegacia de Julgamento. No que versa sobre a motivação legal, acusa ter sido aquela utilizada totalmente estranha ao assunto, o qual diz respeito a créditos de IRRF supostamente devidos sobre remessas ao exterior efetuadas a título de licença de distribuição de obras audiovisuais. Transcreve as disposições dos arts. 28 da Lei n° 9.249, de 1995, art. 12 da Lei n° 9.718, de 1998, e art. 6° da Lei n° 10.332, de 2001, para demonstrar a mencionada incompatibilidade entre a infração apontada e a legislação que teria sido infringida. Acusa estar sendo compelida ao pagamento do IRRF, à alíquota de 25%, em razão de: (i) ter deixado de recolher o imposto à alíquota de 15%, nos termos da Lei n° 9.249, de 1995; (ii) ter deixado de atender aos ditames da Lei n° 9.718, de 1998, que trata da incidência do IR para pessoas físicas que ingressarem no país com visto temporário e permanente; e (iii) ter deixado de recolher a CIDE de que trata a Lei n° 10.332, de 2001. Por tais razões, entende que o auto de infração carece de motivação legal. Cita doutrina e jurisprudência. Acusa, também, a violação ao princípio da verdade material, o qual decorre da necessidade de garantia da estrita legalidade da tributação. Cita doutrina e jurisprudência no sentido de que cabe à própria Administração buscar a verdade material à exaustão. Ressalta o conceito de prova no âmbito do processo administrativo tributário, assim entendido como "todos os meios de demonstrar a existência (ou inexistência) de um fato jurídico ou, ainda, de fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos". Cita mais jurisprudência. Nesse sentido, aponta: Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 "Na presente autuação, data maxima venha, houve total inobservância deste princípio e, por conseguinte, houve manifesta violação do princípio constitucional da legalidade, pois, conforme mencionado anteriormente, a d. fiscalização concluiu pela existência de alegados créditos de IRRF pendentes de lançamento de oficio sem, no entanto, averiguar minuciosamente os documentos que lhe foram apresentados, os quais, tal como se verá abaixo, comprovam a inexistência de débitos desse imposto. A d. fiscalização falhou de forma tão clara na persecução da verdade dos fatos que nem mesmo considerou a noticiada existência de ação judicial em que se discute — e se deposita parte do IRRF incidente sobre os direitos de autor pagos pela Impugnante a sua empresa vinculada no exterior." No mérito, reitera que todas as remessas foram acobertadas pelo pagamento do IRRF correspondente. E passa a abordar cada contrato de licenciamento, conforme abaixo: Remessas decorrentes do Contrato de Licenciamento de 1° de agosto de 1996. Explica ter acordado a distribuição de programas de vídeos no país, remetendo ao exterior, em contrapartida, 60% da receita bruta da venda e locação de tais produtos, conforme art. 9° do contrato em questão. E que sobre o crédito contábil do valor dos direitos do autor a serem pagos no exterior, apurava e recolhia o IRRF à alíquota de 25%, adotando como critério temporal da regramatriz de incidência do imposto o momento do registro do corresponde crédito contábil, em posição muito mais conservadora e benéfica ao Erário. Esclarece que, no entanto, o registro do crédito contábil acima e o pagamento do correspondente IRRF ocorriam em momento anterior à efetiva remessa dos direitos autorais à licenciadora estrangeira, que somente foi efetuada nos meses de janeiro, fevereiro e julho de 2002 e fevereiro, março e maio de 2003, pois dependiam de disponibilidade de caixa da impugnante. Conclui que tal procedimento, apesar de apresentado à fiscalização, pode ter levado o Fisco a entender, equivocadamente, pela falta de recolhimento do IRRF incidente sobre tais remessas. Ressalta que os valores apurados a título de IRRF foram recolhidos de acordo com a previsão contida no art. 3° da Lei n° 8.685, de 1993, ou seja, 70% do imposto apurado era abatido do valor do imposto devido e pago por meio de guia MinC, diretamente ao Ministério da Cultura, e os 30% restantes, por sua vez, por meio de guia DARF, à Receita Federal. E continua: "Para a d. fiscalização, a Impugnante teria deixado de pagar o IRRF relativo às remessas de direitos de autor realizadas em janeiro, fevereiro e julho de 2002 e fevereiro, março e maio de 2003, nos respectivos valores de R$ 466.666,67, R$ 216.814,73, R$ 174.490,95, R$ 333.333,33, R$ 200.000,00 e R$ 166.666,67. Entretanto, conforme se observa através dos documentos entregues à instituição financeira que efetuou a remessa e os Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 5 7 correspondentes contratos de câmbio (Doc. 03), as remessas que estão sendo questionadas pela d. fiscalização fazem referência a direitos de autor apurados em favor da licenciadora estrangeira nos meses de janeiro a maio de 2000 (Doc. 04), sobre os quais a Impugnante apurou o IRRF devido à aliquota de 25% e efetuou o correspondente pagamento nos termos da citada Lei n° 8.685/93: 70% diretamente ao Ministério da Cultura e 30% à Receita Federal (Doc. 05). Notese que além da menção feita nos contratos de câmbio para evidenciar a correspondência dos direitos de autor creditados na contabilidade em 2000 e as remessas ocorridas apenas em 2002 e 2003, o valor total exigido pela d. fiscalização sobre tais remessas perfaz o montante de R$ 1.557.872,35, ao passo que os valores recolhidos pela Impugnante totaliza o valor de R$ 1.940.654,74. A diferença de imposto apurado não se trata de pagamento a maior mas se deve ao fato de o IRRF ter sido calculado mediante o crédito contábil dos valores acordados entre a Impugnante e sua licenciadora estrangeira, os quais não necessariamente correspondiam aos valores remetidos em 2002 e 2003, na medida em que estes, repitase, dependiam da disponibilidade de caixa da Impugnante no momento da remessa. Portanto, ainda que não integralmente remetidos em um primeiro momento, é fato comprovado que a totalidade dos direitos de autor apurados com base no contrato em questão para os meses de janeiro a maio de 2000 foi tributada pelo IRRF à aliquota de 25%, não havendo como se conceber a cobrança em duplicidade do imposto no momento da remessa desses mesmos direitos, as quais ocorreram, tal como se comprova, nos meses questionados pela fiscalização." Remessas decorrentes do Contrato de Licenciamento de 1° de novembro de 2001 Nesse caso, argúi que a contrapartida pela distribuição dos videogramas licenciados correspondia a 80% dos lucros líquidos advindos da venda e locação de tais produtos, desde que em nenhuma hipótese o montante desses lucros superasse 60% da receita bruta auferida, conforme cláusula 9° do respectivo contrato. E que o prazo para pagamento desses valores se dava até o último dia útil do terceiro mês subseqüente ao de apuração (cláusula 10 do contrato), o qual passou a ser o critério temporal da regramatriz do IRRF, momento em que a disponibilidade jurídica dos valores era concretizada. Explica que, em razão das alterações legislativas e diante do receio de ser compelida ao pagamento do imposto à alíquota superior àquela que entendia devida, impetrou Mandado de Segurança (MS), com pedido de liminar .(2002.61.00.0118896 — Doc. 07), requerendo: (i) a confirmação da sujeição à alíquota de 15%, e (ii) o direito de depositar a diferença questionada até a resolução do mérito. Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Informa que, com a concessão da liminar, passou a pagar e depositar o imposto da seguinte maneira: (i) o valor do IRRF apurado à alíquota de 15% foi pago em duas guias, sendo 30% guia DARF e 70 % guia MinC, e (ii) o valor restante, correspondente à alíquota de 10%, foi depositado nos autos do MS acima. E diante de tal procedimento, entende afastada a possibilidade de se exigir multa de oficio, nos termos do art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996. Passa a analisar, individualmente, os valores das remessas objeto da autuação. Remessa realizada em fevereiro de 2002 „(.) Conforme mencionado pela fiscalização em fevereiro de 2002 houve a remessa do montante líquido de R$ 862.166,86 (valor bruto de R$1.149.555,91) à empresa vinculada à Impugnante no exterior. Conforme se comprova pelo demonstrativo anexo (Doc.08), apresentado à instituição financeira responsável pelo fechamento do correspondente contrato de câmbio (Doc.09), referido montante referese à parcela de direitos autorais correspondente a 80% do lucro líquido da Impugnante apurado para o mês de novembro de 2001. Nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, o valor apurado dos direitos autorais deveria ser pago pela Impugnante até o último dia útil do mês de fevereiro de 2002 (terceiro mês subseqüente ao mês em que apurado o lucro liquido, isto é, novembro de 2001), momento em que também se tornaria devido o correspondente IRRF. Como se comprova através das guias DARF, MING e de depósito judicial anexas (Doc.10), verificase que a Impugnante, dentro do prazo de vencimento do IRRF questionado: calculou, a título de IRRF, 15% da parcela dos direitos autorais a serem pagos à licenciadora estrangeira (valor correspondente a R$ 172.433,37) e, nos termos da legislação aplicável e tal como explicado no início da presente defesa, procedeu ao pagamento do abatimento de 70% desse valor diretamente ao Ministério da Cultura (no total de R$ 120.703,36) e dos 30% restantes à Receita Federal (no total de R$ 51.730,01); (ii) apurou e depositou nos autos do já mencionado Mandado de Segurança o valor correspondente a 10% dos direitos autorais devidos (R$ 114.955,58), o qual foi acrescido de juros e multa de mora tendo em vista a realização tardia do referido depósito azinho de 2002). Notese que a correspondente guia de depósito (no valor total de R$ 496.315,13), também diz respeito às parcelas do IRRF questionadas em juizo pela Impugnante para os meses de março e abril de 2002, as quais também foram acrescidas de juros e multa de mora. Como se pode observar a partir dos documentos ora apresentados — e que foram desmotivadamente desconsiderados Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 6 9 pelo dd. Agente fiscalizador — o valor total da parcela do IRRF devido à Receita Federal, da parcela destinada ao Ministério da Cultura e da parcela questionada em juízo, todas elas calculadas sobre os direitos de autor devidos pela Impugnante à licenciadora estrangeira em relação do lucro líquido de novembro de 2001, foram integralmente pagas e depositadas em momento anterior ao da efetiva remessa desses direitos. ()" Remessa realizada em março de 2002 „(.) Conforme mencionado pela fiscalização, em março de 2002 houve a remessa do montante líquido de R$ 800.000,00 (valor bruto de R$1.066.666,67) à empresa vinculada à Impugnante no exterior. Conforme se comprova pelo demonstrativo anexo (Doc.11), apresentado à instituição financeira responsável pelo fechamento do correspondente contrato de câmbio (Doc.12), referido montante tem por base a parcela de direitos autorais correspondente a 80% do lucro liquido da Impugnante apurado para o mês de dezembro de 2001. Nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, o valor apurado dos direitos autorais para o mês de dezembro de 2001 (R$ 1.611.786,85) deveria ser pago pela Impugnante até o último dia útil do mês de março de 2002 (terceiro mês subseqüente ao mês em que apurado o lucro liquido, isto é, dezembro de 2001), momento em que também se tornaria devido o correspondente IRRF. Como se comprova através das guias DARF, MING e de depósito judicial anexas (Doe. 13), verificase que a Impugnante, dentro do prazo de vencimento do IRRF questionado: calculou, a titulo de IRRF, 15% da parcela dos direitos autorais a serem pagos à licenciadora estrangeira (valor correspondente a R$ 241.768,03) e, nos termos da legislação aplicável e tal como explicado no inicio da presente defesa, procedeu ao pagamento do abatimento de 70% desse valor diretamente ao Ministério da Cultura (no total de R$ 169.237,62) e dos 30% restantes à Receita Federal (no total de R$ 72.530,41); (ii) apurou e depositou nos autos do já mencionado Mandado de Segurança o valor correspondente a 10% dos direitos autorais devidos (R$ 161.178,68), o qual foi acrescido de juros e multa de mora tendo em vista a realização tardia do referido depósito (junho de 2002). Notese que a correspondente guia de depósito (no valor total de R$ 496.315,13), também diz respeito às parcelas do IRRF questionadas em juizo pela Impugnante para os meses de fevereiro e abril de 2002, as quais também foram acrescidas de juros e multa de mora. Como se pode observar a partir dos documentos ora apresentados — e que foram desmotivadamente desconsiderados Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 pelo dd. Agente fiscalizador — o valor total da parcela do IRRF devido à Receita Federal, da parcela destinada ao Ministério da Cultura e da parcela questionada em juízo, todas elas calculadas sobre os direitos de autor devidos pela Impugnante à licenciadora estrangeira em relação do lucro líquido de dezembro de 2001, foram integralmente pagas e depositadas em momento anterior ao da efetiva remessa desses direitos. Como se vê, diferentemente do critério adotado pelo fisco, a Impugnante calculou os montantes devidos à Receita Federal e ao Ministério da Cultura, bem como aquele depositado em juízo sobre o valor total dos direitos de autor devidos nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, independentemente da quantia efetivamente a esta remetida a qual, no período em exame, é inferior ao valor dos referidos direitos. Dito de outro modo, a posição adotada pelo contribuinte no presente caso, além de conservadora, é claramente benéfica ao erário Federal e ao Ministério da Cultura, os quais receberam as parcelas que lhe são destinadas com base no valor integral devido pela Impugnante a título de direitos autorais, não havendo como se conceber, portanto, a manutenção da autuação ora contestada." Remessa realizada em abril de 2002 Conforme mencionado pela fiscalização, em abril de 2002 houve a remessa do montante líquido de R$ 650.000,00 (valor bruto de R$866.666,67) à empresa vinculada à Impugnante no exterior. Conforme se comprova pelo demonstrativo anexo (Doc.14), apresentado à instituição financeira responsável pelo fechamento do correspondente contrato de câmbio (Doc.15), referido montante tem por base parcelas de direitos autorais correspondentes a 80% do lucro líquido da Impugnante apurado para os meses de dezembro de 2001 e janeiro de 2002. Com relação aos direitos autorais relativos ao mês de dezembro de 2001, a Impugnante demonstrou no item anterior que os montantes destinados à Receita Federal, ao Ministério da Cultura e ao juízo em que se questiona parte do IRRF cobrado foram integral e tempestivamente pagos e depositados. Por tal razão, reportase aos documentos acima mencionados para comprovar o quanto se afirma com relação a este mês. Por sua vez, nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, o valor apurado dos direitos autorais para o mês de janeiro de 2002 (R$ 1.280.086,57) deveria ser pago pela Impugnante até o último dia útil do mês de abril de 2002 (terceiro mês subseqüente ao mês em que apurado o lucro líquido, isto é, janeiro de 2002), momento em que também se tornaria devido o correspondente IRRF. Como se comprova através das guias DARF, MINC e de depósito judicial anexas (Doc.16), verificase que a Impugnante, dentro do prazo de vencimento do IRRF questionado: calculou, a título de IRRF, 15% da parcela dos direitos autorais a serem pagos à licenciadora estrangeira (valor correspondente Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 7 11 a R$ 192.012,99) e, nos termos da legislação aplicável e tal como explicado no início da presente defesa, procedeu ao pagamento do abatimento de 70% desse valor diretamente ao Ministério da Cultura (no total de R$ 134.409,09) e dos 30% restantes à Receita Federal (no total de R$ 57.603,90); (ii) apurou e depositou nos autos do já mencionado Mandado de Segurança o valor correspondente a 10% dos direitos autorais devidos (R$ 128.008,65), o qual foi acrescido de juros e multa de mora tendo em vista a realização tardia do referido depósito (junho de 2002). Notese que a correspondente guia de depósito (no valor total de R$ 496.315,13), também diz respeito às parcelas do IRRF questionadas em juízo pela Impugnante para os meses de fevereiro e março de 2002, as quais também foram acrescidas de juros e multa de mora. Como se pode observar a partir dos documentos ora apresentados — e que foram desmotivadamente desconsiderados pelo dd. Agente fiscalizador — o valor total da parcela do IRRF devido à Receita Federal, da parcela destinada ao Ministério da Cultura e da parcela questionada em juízo, todas elas calculadas sobre os direitos de autor devidos pela Impugnante à licenciadora estrangeira em relação do lucro líquido de dezembro de 2001 e janeiro de 2002, foram integralmente pagas e depositadas em momento anterior ao da efetiva remessa desses direitos. Como se vê, diferentemente do critério adotado pelo fisco, a Impugnante calculou os montantes devidos à Receita Federal e ao Ministério da Cultura, bem como aquele depositado em juízo sobre o valor total dos direitos de autor devidos nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, independentemente da quantia efetivamente a esta remetida a qual, no período em exame, é inferior ao valor dos direitos calculados para dezembro de 2001 e janeiro de 2002. Dito de outro modo, a posição adotada pelo contribuinte no presente caso, além de conservadora, é claramente benéfica ao erário Federal e ao Ministério da Cultura, os quais receberam as parcelas que lhe são destinadas com base no valor integral devido pela Impugnante a título de direitos autorais, não havendo como se conceber, portanto, a manutenção da autuação ora contestada." Remessa realizada em maio de 2002 "(..) Conforme mencionado pela fiscalização, em maio de 2002 houve a remessa do montante líquido de R$ 1.000.000,00 (valor bruto de R$1.333.333,33) à empresa vinculada à Impugnante no exterior. Conforme se comprova pelo demonstrativo anexo (Doc.17), apresentado à instituição financeira responsável pelo fechamento do correspondente contrato de câmbio (Doc.18), Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 referido montante tem por base parcelas de direitos autorais correspondentes a 80% do lucro líquido da Impugnante apurado para os meses de janeiro e fevereiro de 2002. Com relação aos direitos autorais relativos ao mês de janeiro, a Impugnante demonstrou no item anterior que os montantes destinados à Receita Federal, ao Ministério da Cultura e ao juízo em que se questiona parte do IRRF cobrado foram integral e tempestivamente pagos e depositados. Por tal razão, reportase aos documentos acima mencionados para comprovar o quanto se afirma com relação a este mês. Por sua vez, nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, o valor apurado dos direitos autorais para o mês de fevereiro de 2002 (R$ 1.144.751,89) deveria ser pago pela Impugnante até o último dia útil do mês de maio de 2002 (terceiro mês subseqüente ao mês em que apurado o lucro líquido, isto é, fevereiro de 2002), momento em que também se tornaria devido o correspondente IRRF. Como se comprova através das guias DARF, MING e de depósito judicial anexas (Doc.19), verificase que a Impugnante, dentro do prazo de vencimento do IRRF questionado calculou, a título de IRRF, 25% da parcela dos direitos autorais a serem pagos à licenciadora estrangeira (valor correspondente a R$ 286.187,97) e, nos termos da legislação aplicável e tal como explicado no início da presente defesa, procedeu ao pagamento do abatimento de 70% desse valor diretamente ao Ministério da Cultura (no total de R$ 200.331,58) e dos 30% restantes à Receita Federal (no total de R$ 85.856,39); Notese que com relação a esse período a Impugnante, equivocadamente, recolheu o IRRF à alíquota de 25% sobre a parcela devida a título de direitos autorais, ao invés de utilizar se da alíquota de 15% para efetuar tal pagamento e de 10% para calcular o montante restante que deveria ter sido depositado nos autos do Mandado de Segurança acima mencionado, como ocorreu em todos os demais períodos. De qualquer forma, como se pode observar a partir dos documentos ora apresentados — e que foram desmotivadamente desconsiderados pelo dd. Agente fiscalizador — o valor total das parcelas do IRRF devido à Receita Federal e das parcelas destinadas ao Ministério da Cultura, calculadas sobre os direitos de autor devidos pela Impugnante à licenciadora estrangeira em relação do lucro líquido de janeiro e fevereiro de 2002, foram integralmente pagas e depositadas em momento anterior ao da efetiva remessa desses direitos. Como se vê, diferentemente do critério adotado pelo fisco, a Impugnante calculou os montantes devidos à Receita Federal e ao Ministério da Cultura sobre o valor total dos direitos de autor devidos nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, independentemente da quantia efetivamente a esta remetida a qual, no período em exame, é inferior ao valor dos direitos calculados para janeiro e fevereiro de 2002. Dito de outro modo, a posição adotada pelo contribuinte no presente caso, além de conservadora, é claramente benéfica ao Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 8 13 erário Federal e ao Ministério da Cultura, os quais receberam as parcelas que lhe são destinadas com base no valor integral devido pela Impugnante a título de direitos autorais, não havendo como se conceber, portanto, a manutenção da autuação ora contestada." Remessa realizada em junho de 2002 "(..) Conforme mencionado pela fiscalização, em junho de 2002 houve a remessa do montante líquido de R$ 1.300.000,00 (valor bruto de R$1.733.333,33) à empresa vinculada à Impugnante no exterior. Conforme se comprova pelo demonstrativo anexo (Doc.20), apresentado à instituição financeira responsável pelo fechamento do correspondente contrato de câmbio (Doc.21), referido montante tem por base parcelas de direitos autorais correspondentes a 80% do lucro liquido da Impugnante apurado para os meses de fevereiro e março de 2002. Com relação aos direitos autorais relativos ao mês de fevereiro de 2002, a Impugnante demonstrou no item anterior que os montantes destinados à Receita Federal, ao Ministério da Cultura e ao juizo em que se questiona parte do IRRF cobrado foram integral e tempestivamente pagos e depositados. Por tal razão, reportase aos documentos acima mencionados para comprovar o quanto se afirma com relação a este mês. Por sua vez, nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, o valor apurado dos direitos autorais para o mês de março de 2002 (R$ 1.104.611,04) deveria ser pago pela Impugnante até o último dia útil do mês de junho de 2002 (terceiro mês subseqüente ao mês em que apurado o lucro liquido, isto é, março de 2002), momento em que também se tornaria devido o correspondente IRRF. Como se comprova através das guias DARF, MINC e de depósito judicial anexas (Doc.22), verificase que a Impugnante, dentro do prazo de vencimento do IRRF questionado: calculou, a titulo de IRRF, 15% da parcela dos direitos autorais a serem pagos à licenciadora estrangeira (valor correspondente a R$ 165.691,66) e, nos termos da legislação aplicável e tal como explicado no início da presente defesa, procedeu ao pagamento do abatimento de 70% desse valor diretamente ao Ministério da Cultura (no total de R$ 115.984,16) e dos 30% restantes à Receita Federal (no total de R$ 49.707,50); (ii) apurou e depositou nos autos do já mencionado Mandado de Segurança o valor correspondente a 10% dos direitos autorais devidos (R$ 110.461,10). Como se pode observar a partir dos documentos ora apresentados — e que foram desmotivadamente desconsiderados pelo dd. Agente fiscalizador — o valor total da parcela do IRRF Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 devido à Receita Federal, da parcela destinada ao Ministério da Cultura e da parcela questionada em juízo, todas elas calculadas sobre os direitos de autor devidos pela Impugnante à licenciadora estrangeira em relação do lucro líquido de fevereiro e março de 2002, foram integralmente pagas e depositadas em momento anterior ao da efetiva remessa desses direitos. Como se vê, diferentemente do critério adotado pelo fisco, a Impugnante calculou os montantes devidos à Receita Federal e ao Ministério da Cultura, bem como aquele depositado em juízo sobre o valor total dos direitos de autor devidos nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, independentemente da quantia efetivamente a esta remetida a qual, no período em exame, é inferior ao valor dos direitos calculados para fevereiro e março de 2002. Dito de outro modo, a posição adotada pelo contribuinte no presente caso, além de conservadora, é claramente benéfica ao erário Federal e ao Ministério da Cultura, os quais receberam as parcelas que lhe são destinadas com base no valor integral devido pela Impugnante a título de direitos autorais, não havendo como se conceber, portanto, a manutenção da autuação ora contestada." Remessa realizada em julho de 2002 "(..) Conforme mencionado pela fiscalização, em julho de 2002 houve a remessa do montante líquido de R$ 976.527,16 (valor bruto de R$1.302.036,21) à empresa vinculada à Impugnante no exterior. Conforme se comprova pelo demonstrativo anexo (Doc.23), apresentado à instituição financeira responsável pelo fechamento do correspondente contrato de câmbio (Doc.24), referido montante tem por base parcelas de direitos autorais correspondentes a 80% do lucro líquido da Impugnante apurado para os meses de março e abril de 2002. Com relação aos direitos autorais relativos ao mês de março de 2002, a Impugnante demonstrou no item anterior que os montantes destinados à Receita Federal, ao Ministério da Cultura e ao juízo em que se questiona parte do IRRF cobrado foram integral e tempestivamente pagos e depositados. Por tal razão, reportase aos documentos acima mencionados para comprovar o quanto se afirma com relação a este mês. Por sua vez, nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, o valor apurado dos direitos autorais para o mês de abril de 2002 (R$ 1.160.799,85) deveria ser pago pela Impugnante até o último dia útil do mês de julho de 2002 (terceiro mês subseqüente ao mês em que apurado o lucro líquido, isto é, abril de 2002), momento em que também se tornaria devido o correspondente IRRF. Como se comprova através das guias DARF, MING' e de depósito judicial anexas (Doc.25), verificase que a Impugnante, dentro do prazo de vencimento do IRRF questionado: calculou, a título de IRRF, 15% da parcela dos direitos autorais a serem Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 9 15 pagos à licenciadora estrangeira (valor correspondente a R$ 174.119,98) e, nos termos da legislação aplicável e tal como explicado no início da presente defesa, procedeu ao pagamento do abatimento de 70% desse valor diretamente ao Ministério da Cultura (no total de R$ 121.883,98) e dos 30% restantes à Receita Federal (no total de R$ 52.235,99); (ii) apurou e depositou nos autos do já mencionado Mandado de Segurança o valor correspondente a 10% dos direitos autorais devidos (R$ 116.079,98). Como se pode observar a partir dos documentos ora apresentados — e que foram desmotivadamente desconsiderados pelo dd. Agente fiscalizador — o valor total das parcelas do IRRF devido à Receita Federal, das parcelas destinadas ao Ministério da Cultura e das parcelas questionadas em juízo, todas elas calculadas sobre os direitos de autor devidos pela Impugnante à licenciadora estrangeira em relação do lucro líquido de março e abril de 2002, foram integralmente pagas e depositadas em momento anterior ao da efetiva remessa desses direitos. Como se vê, diferentemente do critério adotado pelo fisco, a Impugnante calculou os montantes devidos à Receita Federal e ao Ministério da Cultura, bem como aquele depositado em juízo sobre o valor total dos direitos de autor devidos nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, independentemente da quantia efetivamente a esta remetida a qual, no período em exame, é inferior ao valor dos direitos calculados para março de 2002. Dito de outro modo, a posição adotada pelo contribuinte no presente caso, além de conservadora, é claramente benéfica ao erário Federal e ao Ministério da Cultura, os quais receberam as parcelas que lhe são destinadas com base no valor integral devido pela Impugnante a título de direitos autorais, não havendo como se conceber, portanto, a manutenção da autuação ora contestada." Remessa realizada em dezembro de 2002 Conforme mencionado pela fiscalização, em dezembro de 2002 houve a remessa do montante líquido de R$ 800.000,00 (valor bruto de R$1.066.666,67) à empresa vinculada à Impugnante no exterior. Conforme se comprova pelo demonstrativo anexo (Doc.27), apresentado à instituição financeira responsável pelo fechamento do correspondente contrato de câmbio (Doc.28), referido montante tem por base parcelas de direitos autorais correspondentes a 80% do lucro líquido da Impugnante apurado para os meses de maio, junho e julho de 2002. Nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, o valor apurado dos direitos autorais para os meses de maio, junho e julho de 2002 (R$ 567.303,57, R$ 490.632,74 e R$ 142.739,66) deveria ser pago pela Impugnante até o último dia útil dos meses de agosto, setembro e outubro de 2002, Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 respectivamente (terceiro mês subseqüente ao mês em que apurado o lucro líquido, isto é, maio, junho e julho de 2002), momento em que também se tornaria devido o correspondente IRRF. Como se comprova através das guias DARF, MINC e de depósito judicial anexas (Doc.29), verificase que a Impugnante, dentro do prazo de vencimento do IRRF questionado: calculou, a título de IRRF, 15% da parcela dos direitos autorais a serem pagos à licenciadora estrangeira (valores correspondentes a R$ 85.095,54, R$ 73.594,91 e R$ 21.410,95) e, nos termos da legislação aplicável e tal como explicado no início da presente defesa, procedeu ao pagamento do abatimento de 70% desse valor diretamente ao Ministério da Cultura (nos totais de R$ 59.566,87, R$ 51.516,44 e R$ 14.987,66) e dos 30% restantes à Receita Federal (nos totais de R$ 25.528,66, R$ 22.078,47 e R$ 6.423,28); (ii) apurou e depositou nos autos do já mencionado Mandado de Segurança o valor correspondente a 10% dos direitos autorais devidos (R$ 56.730,36, R$ 49.063,27 e R$ 14.273,97). Como se pode observar a partir dos documentos ora apresentados – e que foram desmotivadamente desconsiderados pelo dd. Agente fiscalizador o valor total das parcelas do IRRF devido à Receita Federal, das parcelas destinadas ao Ministério da Culturi è e das parcelas questionadas em juízo, todas elas calculadas sobre os direitos de autor devidos pela Impugnante à licenciadora estrangeira em relação do lucro líquido de maio, junho e julho de 2002, foram integralmente pagas e depositadas em momento anterior ao da efetiva remessa desses direitos. Como se vê, diferentemente do critério adotado pelo fisco, a Impugnante calculou os montantes devidos à Receita Federal e ao Ministério da Cultura, bem como aquele depositado em juízo sobre o valor total dos direitos de autor devidos nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, independentemente da quantia efetivamente a esta remetida a qual, no período em exame, é inferior ao valor dos direitos calculados apenas com relação ao período de julho de 2002. Dito de outro modo, a posição adotada pelo contribuinte no presente caso, além de conservadora, é claramente benéfica ao erário Federal e ao Ministério da Cultura, os quais receberam as parcelas que lhe são destinadas com base no valor integral devido pela Impugnante a título de direitos autorais, não havendo como se conceber, portanto, a manutenção da autuação ora contestada." Remessa realizada em janeiro de 2003 Conforme mencionado pela fiscalização, em janeiro de 2003 houve a remessa do montante líquido de R$ 2.851.000,00 (valor bruto de R$3.801.333,33) à empresa vinculada à Impugnante no exterior. Conforme se comprova pelo demonstrativo anexo (Doc.30), apresentado à instituição financeira responsável pelo fechamento do correspondente contrato de câmbio (Doc.3 1), referido montante tem por base parcelas de direitos autorais correspondentes a 80% do lucro líquido da Impugnante apurado Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 10 17 para os meses de julho, agosto, setembro e outubro de 2002. Com relação aos direitos autorais relativos ao mês de julho de 2002, a Impugnante demonstrou no item anterior que os montantes destinados à Receita Federal, ao Ministério da Cultura e ao juízo em que se questiona parte do IRRF cobrado foram integral e tempestivamente pagos e depositados. Por tal razão, reportase aos documentos acima mencionados para comprovar o quanto se afirma com relação a este mês. Por sua vez, nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, o valor apurado dos direitos autorais para os meses de agosto, setembro e outubro de 2002 (R$ 616.726,66, R$ 558.928,94 e R$ 2.491.678,92) deveria ser pago pela Impugnante até o último dia útil dos meses de novembro e dezembro de 2002 e janeiro de 2003, respectivamente (terceiro mês subseqüente ao mês em que apurado o lucro líquido, isto é, agosto, setembro e outubro de 2002), momento em que também se tornaria devido o correspondente IRRF. Como se comprova através das guias DARF, MING' e de depósito judicial anexas (Doc.32), verificase que a Impugnante, dentro do prazo de vencimento do IRRF questionado: calculou, a título de IRRF, 15% da parcela dos direitos autorais a serem pagos à licenciadora estrangeira (valores correspondentes a R$ 92.509,00, R$ 83.839,34 e R$ 373.751,84) e, nos termos da legislação aplicável e tal como explicado no início da presente defesa, procedeu ao pagamento do abatimento de 70% desse valor diretamente ao Ministério da Cultura (nos totais de R$ 64.756,30, R$ 58.687,54 e R$ 261.626,29) e dos 30% restantes à Receita Federal (nos totais de R$ 27.752,70, R$ 25.151,80 e R$ 112.125,55); (ii) apurou e depositou nos autos do já mencionado Mandado de Segurança o valor correspondente a 10% dos direitos autorais devidos (R$ 61.672,67, R$ 55.892,89 e R$ 249.167,89). Como se pode observar a partir dos documentos ora apresentados — e que foram desmotivadamente desconsiderados pelo dd. Agente fiscalizador — o valor total das parcelas do IRRF devido à Receita Federal, das parcelas destinadas ao Ministério da Cultura e das parcelas questionadas em juízo, todas elas calculadas sobre os direitos de autor devidos pela Impugnante à licenciadora estrangeira em relação do lucro liquido de julho, agosto, setembro e outubro de 2002, foram integralmente pagas e depositadas em momento anterior ao da efetiva remessa desses direitos. Como se vê, difèrentemente do critério adotado pelo fisco, a Impugnante calculou os montantes devidos à Receita Federal e ao Ministério da Cultura, bem como aquele depositado em juízo sobre o valor total dos direitos de autor devidos nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, independentemente da quantia efetivamente a esta remetida a qual, no período em exame, é inferior ao valor dos direitos calculados apenas com relação ao período de outubro de 2002. Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Dito de outro modo, a posição adotada pelo contribuinte no presente caso, além de conservadora, é claramente benéfica ao erário Federal e ao Ministério da Cultura, os quais receberam as parcelas que lhe são destinadas com base no valor integral devido pela Impugnante a título de direitos autorais, não havendo como se conceber, portanto, a manutenção da autuação ora contestada." Remessa realizada em janeiro de 2003 "(..) Conforme mencionado pela fiscalização, em janeiro de 2003 houve a remessa do montante líquido de R$ 1.086.000,00 (valor bruto de R$1.448.000,00) à empresa vinculada à Impugnante no exterior. Conforme se comprova pelo demonstrativo anexo (Doc.33), apresentado à instituição financeira responsável pelo fechamento do correspondente contrato de câmbio (Doc.34), referido montante tem por base parcelas de direitos autorais correspondentes a 80% do lucro líquido da Impugnante apurado para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2002. Com relação aos direitos autorais relativos ao mês de outubro de 2002, a Impugnante demonstrou no item anterior que os montantes destinados à Receita Federal, ao Ministério da Cultura e ao juízo em que se questiona parte do IRRF cobrado foram integral e tempestivamente pagos e depositados. Por tal razão, reportase aos documentos acima mencionados para comprovar o quanto se afirma com relação a este mês. Por sua vez, nos termos • do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, o valor apurado dos direitos autorais para os meses de novembro e dezembro de 2002 (R$ 992.083,84 e R$ 456.952,99) deveria ser pago pela Impugnante até o último dia útil dos meses de fevereiro e março de 2003, respectivamente (terceiro mês subseqüente ao mês em que apurado o lucro líquido, isto é, novembro e dezembro de 2002), momento em que também se tornaria devido o correspondente IRRF. Como se comprova através das guias DARF, MING' e de depósito judicial anexas (Doc.35), verificase que a Impugnante, dentro do prazo de vencimento do IRRF questionado: calculou, a título de IRRF, 15% da parcela dos direitos autorais a serem pagos à licenciadora estrangeira (valores correspondentes a R$ 148.802,58 e R$ 68.542,95) e, nos termos da legislação aplicável e tal como explicado no início da presente defesa, procedeu ao pagamento do abatimento de 70% desse valor diretamente ao Ministério da Cultura (nos totais de R$ 104.168.80 e R$ 47.980,06) e dos 30% restantes à Receita Federal (nos totais .de R$ 44.643,77 e R$ 20.562,88); apurou e depositou nos autos do já mencionado Mandado de Segurança o valor correspondente a 10% dos direitos autorais devidos (R$ 99.208,38 e R$ 45.695,30). Como se pode observar a partir dos documentos ora apresentados — e que foram desmotivadamente desconsiderados pelo dd. Agente fiscalizador — o valor total das parcelas do Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 11 19 IRRF devido à Receita Federal, das parcelas destinadas ao Ministério da Cultura e das parcelas questionadas em juízo, todas elas calculadas sobre os direitos de autor devidos pela Impugnante à licenciadora estrangeira em relação do lucro líquido de outubro, novembro e dezembro de 2002, foram integralmente pagas e depositadas em momento anterior ao da efetiva remessa desses direitos. Como se vê, diferentemente do critério adotado pelo fisco, a Impugnante calculou os montantes devidos à Receita Federal e ao Ministério da Cultura, bem como aquele depositado em juízo sobre o valor total dos direitos de autor devidos nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, independentemente da quantia efetivamente a esta remetida a qual, no período em exame, é inferior ao valor dos direitos calculados com relação aos meses de outubro e dezembro de 2002. Dito de outro modo, a posição adotada pelo contribuinte no presente caso, além de conservadora, é claramente benéfica ao erário Federal e ao Ministério da Cultura, os quais receberam as parcelas que lhe são destinadas com base no valor integral devido pela Impugnante a título de direitos autorais, não havendo como se conceber, portanto, a manutenção da autuação ora contestada." Remessa realizada em fevereiro de 2003 "(.) Conforme mencionado pela fiscalização, em fevereiro de 2003 houve a remessa do montante liquido de R$ 1.374.000,00 (valor bruto de R$1.832.000,00) à empresa vinculada à Impugnante no exterior. Conforme se comprova pelo demonstrativo anexo (Doc.36), apresentado à instituição financeira responsável pelo fechamento do correspondente contrato de câmbio (Doc.37), referido montante tem por base parcelas de direitos autorais correspondentes a 80% do lucro líquido da Impugnante apurado para os meses de dezembro de 2002 e de janeiro de 2003. Com relação aos direitos autorais relativos ao mês de dezembro de 2002, a Impugnante demonstrou no item anterior que os montantes destinados à Receita Federal, ao Ministério da Cultura e ao juízo em que se questiona parte do IRRF cobrado foram integral e tempestivamente pagos e depositados. Por tal razão, reportase aos documentos acima mencionados para comprovar o quanto se afirma com relação a este mês. Por sua vez, nos termos do contrato firmado com a licenciador estrangeira, o valor apurado dos direitos autorais para o mês de janeiro de 2003 (R$ 1.831.963,74) deveria ser pago pela Impugnante até o último dia útil do mês de abril de 2003 (terceiro mês subseqüente ao mês em que apurado o lucro líquido, isto é, janeiro de 2003), momento em que também se tornaria devido o correspondente IRRF. Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 Como se comprova através das guias DARF, MINC e de depósito judicial anexas (Doc.38), verificase que a Impugnante, dentro do prazo de vencimento do IRRF questionado: calculou, a título de IRRF, 15% da parcela dos direitos autorais a serem pagos à licenciadora estrangeira (valor correspondente a R$ 274.794,56) e, nos termos da legislação aplicável e tal como explicado no início da presente defesa, procedeu ao pagamento do abatimento de 70% desse valor diretamente ao Ministério da Cultura (no total de R$ 192.356,19) e dos 30% restantes à Receita Federal (no total de R$ 82.438,37); (ii) apurou e depositou nos autos do já mencionado Mandado de Segurança o valor correspondente a 10% dos direitos autorais devidos (R$ 183.196,37). Como se pode observar a partir dos documentos ora apresentados — e que foram desmotivadamente desconsiderados pelo dd. Agente fiscalizador — o valor total das parcelas do IRRF devido à Receita Federal, das parcelas destinadas ao Ministério da Cultura e das parcelas questionadas em juizo, todas elas calculadas sobre os direitos de autor devidos pela Impugnante à licenciadora estrangeira em relação do lucro líquido de dezembro de 2002 e janeiro de 2003, foram integralmente pagas e depositadas em momento anterior ao da efetiva remessa desses direitos. Como se vê, diferentemente do critério adotado pelo fisco, a Impugnante calculou os montantes devidos à Receita Fedel'al e ao Ministério da Cultura, bem como aquele depositado em juízo sobre o valor total dos direitos de autor devidos nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, independentemente da quantia efetivamente a esta remetida a qual, no período em exame, é inferior ao valor de ambos os períodos. Dito de outro modo, a posição adotada pelo contribuinte no presente caso, além de conservadora, é claramente benéfica ao erário Federal e ao Ministério da Cultura, os quais receberam as parcelas quelhe são destinadas com base no valor integral devido pela Impugnantêú título de direitos autorais, não havendo como se conceber, portanto, a manutenção da autuação ora contestada." Remessa realizada em março de 2003 "(..) Conforme mencionado pela fiscalização, em março de 2003 houve a remessa do montante líquido de R$ 1.307.000,00 (valor bruto de R$1.742.666,67) à empresa vinculada à Impugnante no exterior. Conforme se comprova pelo demonstrativo anexo (Doc.39), apresentado à instituição financeira responsável pelo fechamento do correspondente contrato de câmbio 1Doc.40), referido montante tem por base parcelas de direitos autorais correspondentes a 80% do lucro líquido da Impugnante apurado para os meses de janeiro e fevereiro de 2003. Com relação aos direitos autorais relativos ao mês de janeiro de 2003, a Impugnante demonstrou no item anterior que os Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 12 21 montantes destinados à Receita Federal, ao Ministério da Cultura e ao juízo em que se questiona parte do IRRF cobrado foram integral e tempestivamente pagos e depositados. Por tal razão, reportase aos documentos acima mencionados para comprovar o quanto se afirma com relação a este mês. Por sua vez, nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, o valor apurado dos direitos autorais para o mês de fevereiro de 2003 (R$ 1.742.427,02) deveria ser pago pela Impugnante até o último dia útil do mês de maio de 2003 (terceiro mês subseqüente ao mês em que apurado o lucro líquido, isto é, fevereiro de 2003), momento em que também se tornaria devido o correspondente IRRF. Como se comprova através das guias DARF, MINC e de depósito judicial anexas (Doc.4 1), verificase que a Impugnante, dentro do prazo de vencimento do IRRF questionado: calculou, a título de IRRF, 15% da parcela dos direitos autorais a serem pagos à licenciadora estrangeira (valor correspondente a R$ 261.370,95) e, nos termos da legislação aplicável e tal como explicado no início da presente defesa, procedeu ao pagamento do abatimento de 70% desse valor diretamente ao Ministério da Cultura (no total de R$ 182.959,67) e dos 30% restantes à Receita Federal (no total de R$ 78.411,29); (ii) apurou e depositou nos autos do já mencionado Mandado de Segurança o valor correspondente a 10% dos direitos autorais devidos (R$ 174.247,30). Como se pode observar a partir dos documentos ora apresentados — e que foram desmotivadamente desconsiderados pelo dd. Agente fiscalizador — o valor total das parcelas do IRRF devido à Receita Federal, das parcelas destinadas ao Ministério da Cultura e das parcelas questionadas em juízo, todas elas calculadas sobre os direitos de autor devidos pela Impugnante à licenciadora estrangeira em relação do lucro líquido de janeiro e fevereiro de 2003, foram integralmente pagas e depositadas em momento anterior ao da efetiva remessa desses direitos. Como se vê, diferentemente do critério adotado pelo fisco, a Impugnante calculou os montantes devidos à Receita Federal e ao Ministério da Cultura, bem como aquele depositado em juízo sobre o valor total dos direitos de autor devidos nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, independentemente da quantia efetivamente a esta remetida a qual, no período em exame, é inferior ao valor dos direitos calculados com relação ao período de janeiro de 2003. Dito de outro modo, a posição adotada pelo contribuinte no presente caso, além de conservadora, é claramente benéfica ao erário Federal e ao Ministério da Cultura, os quais receberam as parcelas que lhe são destinadas com base no valor integral devido pela Irnpugnante a título de direitos autorais, não havendo como se conceber, portanto, a manutenção da autuação ora contestada." Remessa realizada em abril de 2003 Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 22 "(..) Conforme mencionado pela fiscalização, em abril de 2003 houve a remessa do montante líquido de R$ 892.000,00 (valor bruto de R$1.189.333,33) à empresa vinculada à Impugnante no exterior. Conforme se comprova pelo demonstrativo anexo (Doc.42), apresentado à instituição financeira responsável pelo fechamento do correspondente contrato de câmbio (Doc.43), referido montante tem por base parcelas de direitos autorais correspondentes a 80% do lucro líquido da Impugnante apurado para o mês de março de 2003. Nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, o valor apurado dos direitos autorais para o mês de março de 2003 (R$ 1.190.618,91) deveria ser pago pela Impugnante até o último dia útil do mês de junho de 2003 (terceiro mês subseqüente ao mês em que apurado o lucro líquido, isto é, março de 2003), momento em que também se tornaria devido o correspondente IRRF. Como se comprova através das guias DARF, MING e de depósito judicial anexas (Doc.44), verificase que a Impugnante, dentro do prazo de vencimento do IRRF questionado:calculou, a título de IRRF, 15% da parcela dos direitos autorais a serem pagos à licenciadora estrangeira (valor correspondente a R$ 178.592,84) e, nos termos da legislação aplicável e tal como explicado no início da presente 'defesa, procedeu ao pagamento do abatimento de 70% desse valor diretamente ao Ministério da Cultura (no total de R$ 125.014,99) e dos 30% restantes à Receita Federal (no total de R$ 53.577,85); (ii) apurou e depositou nos autos do já mencionado Mandado de Segurança o valor correspondente a 10% dos direitos autorais devidos (R$ 119.061,89). Como se pode observar a partir dos documentos ora apresentados — e que foram desmotivadamente desconsiderados pelo dd. Agente fiscalizador — o valor total das parcelas do IRRF devido à Receita Federal, das parcelas destinadas ao Ministério da Cultura e das parcelas questionadas em juízo, todas elas calculadas sobre os direitos de autor devidos pela Impugnante à licenciadora estrangeira em relação do lucro líquido de março de 2003, foram integralmente pagas e depositadas em momento anterior ao da efetiva remessa desses direitos. Como se vê, diferentemente do critério adotado pelo fisco, a Impugnante calculou os montantes devidos à Receita Federal e ao Ministério da Cultura, bem como aquele depositado em juízo sobre o valor total dos direitos de autor devidos nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, independentemente da quantia efetivamente a esta remetida a qual, no período em exame, é inferior ao valor dos direitos calculados com relação ao período de março de 2003. Dito de outro modo, a posição adotada pelo contribuinte no presente caso, além de conservadora, é claramente benéfica ao erário Federal e ao Ministério da Cultura, os quais receberam as parcelas que lhe são destinadas com base no valor integral Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 13 23 devido pela Impugnante a título de direitos autorais, não havendo como se conceber, portanto, a manutenção da autuação Ora contestada." Remessa realizada em maio de 2003 "(..) Conforme mencionado pela fiscalização, em maio de 2003 houve a remessa do montante líquido de R$ 154.000,00 (valor bruto de R$205.333,33) à empresa vinculada à Impugnante no exterior. Conforme se comprova pelo demonstrativo anexo (Doc.45), apresentado à instituição financeira responsável pelo fechamento do correspondente contrato de câmbio (Doc.46), referido montante tem por base parcelas de direitos autorais correspondentes a 80% do lucro líquido da Impugnante apurado para os meses de fevereiro, março e abril de 2003. Com relação aos direitos autorais relativos aos meses de fevereiro e março de 2003, a Impugnante demonstrou no item anterior que os montantes destinados à Receita Federal, ao Ministério da Cultura e ao juizo em que se questiona parte do IRRF cobrado foram integral e tempestivamente pagos e depositados. Por tal razão, reportase aos documentos acima mencionados para comprovar o quanto se afirma com relação a este mês. Por sua vez, nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, o valor apurado dos direitos autorais para o mês de abril de 2003 (R$ 204.848,22) deveria ser pago pela Impugnante até o último dia útil do mês de julho de 2003 (terceiro mês subseqüente ao mês em que apurado o lucro líquido, isto é, abril de 2003), momento em que também se tornaria devido o correspondente IRRF. Como se comprova através das guias DARF, MINC e de depósito judicial anexas (Doc.47), verificase que a Impugnante, dentro do prazo de vencimento do IRRF questionado: calculou, a título de IRRF, 15% da parcela dos direitos autorais a serem pagos à licenciadora estrangeira (valor correspondente a R$ 30.727,23) e, nos termos da legislação aplicável e tal como explicado no início da presente defesa, procedeu ao pagamento do abatimento de 70% desse valor diretamente ao Ministério da Cultura (no total de R$ 21.509,06) e dos 30% restantes à Receita Federal (no total de R$ 9.218,17); (ii) apurou e depositou nos autos do já mencionado Mandado de Segurança o valor correspondente a 10% dos direitos autorais devidos (R$ 20.484,82). Como se pode observar a partir dos documentos ora apresentados — e que foram desmotivadamente desconsiderados pelo dd. Agente fiscalizador — o valor total das parcelas do IRRF devido à Receita Federal, das parcelas destinadas ao Ministério da Cultura e das parcelas questionadas em juízo, todas elas calculadas sobre os direitos de autor devidos pela Impugnante à licenciadora estrangeira em relação do lucro líquido de fevereiro, março e abril de 2003, foram Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 24 integralmente pagas e depositadas em momento anterior ao da efetiva remessa desses direitos. Como se vê, diferentemente do critério adotado pelo fisco, a Impugnante calculou os montantes devidos à Receita Federal e ao Ministério da Cultura, bem como aquele depositado em juízo sobre o valor total dos direitos de autor devidos nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, independentemente da quantia efetivamente a esta remetida a qual, no período em exame, é inferior ao valor dos direitos calculados com relação a todos os períodos. Dito de outro modo, a posição adotada pelo contribuinte no presente caso, além de conservadora, é claramente benéfica ao erário Federal e ao Ministério da Cultura, os quais receberam as parcelas que lhe são destinadas com base no valor integral devido pela Impugnante a título de direitos autorais, não havendo como se conceber, portanto, a manutenção da autuação ora contestada." Remessa realizada em julho de 2003 "(..) Conforme mencionado pela fiscalização, em maio (sic) de 2003 houve a remessa do montante líquido de R$ 1.285.000,00 (valor brido de R$1.713.333,33) à empresa vinculada à Impugnante no exterior. Conforme se comprova pelo demonstrativo anexo (Doc.48), apresentado à instituição financeira responsável pelo fechamento do correspondente contrato de câmbio (Doc.49), referido montante tem por base parcelas de direitos autorais correspondentes a 80% do lucro líquido da Impugnante apurado para os meses de abril, maio e junho de 2003. Com relação aos direitos autorais relativos ao mês de abril de 2003, a Impugnante demonstrou no item anterior que os montantes destinados à Receita Federal, ao Ministério da Cultura e ao juízo em que se questiona parte do IRRF cobrado foram integral e tempestivamente pagos e depositados. Por tal razão, reportase aos documentos acima mencionados para comprovar o quanto se afirma com relação a este mês. Nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, o valor apurado dos direitos autorais para os meses de maio e junho de 2003 (R$ 1.146.166,96 e R$ 566.565,89) deveria ser pago pela Impugnante até o último dia útil dos meses de agosto e setembro de 2003 (terceiro mês subseqüente ao mês em que apurado o lucro líquido, isto é, maio e junho de 2003), momento em que também se tornaria devido o correspondente IRRF. Como se comprova através das guias DARF, MINC e de depósito judicial anexas (Doc.50), verificase que a Impugnante, dentro do prazo de vencimento do IRRF questionado: calculou, a título de IRRF, 15% da parcela dos direitos autorais a serem pagos à licenciadora estrangeira (valor correspondente a R$ 171.925,04 e R$ 84.984,88) e, nos termos da legislação aplicável e tal como explicado no início da presente defesa, procedeu ao Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 14 25 pagamento do abatimento de 70% desse valor diretamente ao Ministério da Cultura (no total de R$ 120.347,53 e R$ 59.489,42) e dos 30% restantes à Receita Federal (no total de R$ 51.577,51 e R$ 25.495,56); apurou e depositou nos autos do já mencionado Mandado de Segurança o valor correspondente a 10% dos direitos autorais devidos (R$ 114.616,70 e R$ 56.656,59). Como se pode observar a partir dos documentos ora apresentados — e que foram desmotivadamente desconsiderados pelo dd. Agente fiscalizador — o valor total das parcelas do IRRF devido à Receita Federal, das parcelas destinadas ao Ministério da Cultura e das parcelas questionadas em juízo, todas elas calculadas sobre os direitos de autor devidos pela Impugnante à licenciadora estrangeira em relação do lucro líquido de abril, maio e junho de 2003, foram integralmente pagas e depositadas em momento anterior ao da efetiva remessa desses direitos. Como se vê, diferentemente do critério adotado pelo fisco, a Impugnante calculou os montantes devidos à Receita Federal e ao Ministério da Cultura, bem como aquele depositado em juizo sobre o valor total dos direitos de autor devidos nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, independentemente da quantia efetivamente a esta remetida a qual, no período em exame, é inferior ao valor dos direitos calculados com relação ao período de abril e junho de 2003. Dito de outro modo, a posição adotada pelo contribuinte no presente caso, além de conservadora, é claramente benéfica ao erário Federal e ao Ministério da Cultura, os quais receberam as parcelas que lhe são destinadas com base no valor integral devido pela Impugnante a título de direitos autorais, nãb havendo como se conceber, portanto, a manutenção da autuação ora contestada." Remessa realizada em agosto de 2003 Conforme mencionado pela fiscalização, em agosto de 2003 houve a remessa do montante líquido de R$ 462.000,00 (valor bruto de R$616.000,00) à empresa vinculada à Impugnante no exterior. Conforme se comprova pelo demonstrativo anexo (Doc.51), apresentado à instituição financeira responsável pelo fechamento do correspondente contrato de câmbio (Doc.52), referido montante tem por base parcelas de direitos autorais correspondentes a 80% do lucro líquido da Impugnante apurado para os meses de junho e julho de 2003. Com relação aos direitos autorais relativos ao mês de junho de 2003, a Impugnante demonstrou no item anterior que os montantes destinados à Receita Federal, ao Ministério da Cultura e ao juízo em que se questiona parte do IRRF cobrado foram integral e tempestivamente pagos e depositados. Por tal razão, reportase aos documentos acima mencionados para comprovar o quanto se afirma com relação a este mês. Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 26 Nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, o valor apurado dos direitos autorais para o mês de julho de 2003 (R$ 616.624,60) deveria ser pago pela Impugnante até o último dia útil do mês de outubro de 2003 (terceiro mês subseqüente ao mês em que apurado o lucro líquido, isto é, julho de 2003), momento em que também se tornaria devido o correspondente IRRF. Como se comprova através das guias DARF, MING' e de depósito judicial anexas (Doc.53), verificase que a Impugnante, dentro do prazo de vencimento do IRRF questionado: calculou, a título de IRRF, 15% da parcela dos direitos autorais a serem pagos à licenciadora estrangeira (valor correspondente a R$ 92.493,63) e, nos termos da legislação aplicável e tal como explicado no início da presente defesa, procedeu ao pagamento do abatimento de 70% desse valor diretamente ao Ministério da Cultura (no total de R$ 64.745,54) e dos 30% restantes à Receita Federal (no total de R$ 27.748,09); (ii) apurou e depositou nos autos do já mencionado Mandado de Segurança o valor correspondente a 10% dos direitos autorais devidos (R$ 61.662,42). Como se pode observar a partir dos documentos ora apresentados — e que foram desmotivadamente desconsiderados pelo dd. Agente fiscalizador — o valor total das parcelas do IRRF devido à Receita Federal, das parcelas destinadas ao Ministério da Cultura e das parcelas questionadas em juízo, todas elas calculadas sobre os direitos de autor devidos pela Impugnante à licenciadora estrangeira em relação do lucro líquido de junho e julho de 2003, foram integralmente pagas e depositadas em momento anterior ao da ' efetiva remessa desses direitos. Como se vê, diferentemente do critério adotado pelo fisco, a Impugnante calculou os montantes devidos à Receita Federal e ao Ministério da Cultura, bem como aquele depositado em juízo sobre o valor total dos direitos de autor devidos nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, independentemente da quantia efetivamente a esta remetida a qual, no período em exame, é inferior ao valor dos direitos calculados com relação a ambos os períodos. Dito de outro modo, a posição adotada pelo contribuinte no presente caso, além de conservadora, é claramente benéfica ao erário Federal e ao Ministério da Cultura, os quais receberam as parcelas que lhe são destinadas com base no valor integral devido pela Impugnante a título de direitos autorais, não havendo como se conceber, portanto, a manutenção da autuação ora contestada.” Remessa realizada em setembro de 2003 "(..) Conforme mencionado pela fiscalização, em setembro de 2003 houve a remessa do montante líquido de R$ 994.000,00 (valor bruto de R$1.325.333,33) à empresa vinculada à Impugnante no exterior. Conforme se comprova pelo demonstrativo anexo Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 15 27 (Doc.54), apresentado à instituição financeira responsável pelo fechamento do correspondente contrato de câmbio (Doc.55), referido montante tem por base parcelas de direitos autorais correspondentes a 80% do lucro líquido da Impugnante apurado para os meses de julho e agosto de 2003. Com relação aos direitos autorais relativos ao mês de julho de 2003, a Impugnante demonstrou no item anterior que os montantes destinados à Receita Federal, ao Ministério da Cultura e ao juízo em que se questiona parte do IRRF cobrado foram integral e tempestivamente pagos e depositados. Por tal razão, reportase aos documentos acima mencionados para comprovar o quanto se afirma com relação a este mês. Por sua vez, nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, o valor apurado dos direitos autorais para o mês de agosto de 2003 (R$ 1.324.505,44) deveria ser pago pela Impugnante até o último dia útil do mês de novembro de 2003 (terceiro mês subseqüente ao mês em que apurado o lucro líquido, isto é, agosto de 2003), momento em que também se tornaria devido o correspondente IRRF. Como se comprova através das guias DARF, MINC e de depósito judicial anexas (Doc.56), verificase que a Impugnante, dentro do prazo de vencimento do IRRF questionado: calculou, a título de IRRF, 15% da parcela dos direitos autorais a serem pagos à licenciadora estrangeira (valor correspondente a R$ 198.675,82) e, nos termos da legislação aplicável e tal como explicado no início da presente defesa, procedeu ao pagamento do abatimento de 70% desse valor diretamente ao Ministério da Cultura (no total de R$ 139.073,07) e dos 30% restantes à Receita Federal (no total de R$ 59.602,64); (II) apurou e depositou nos autos do já mencionado Mandado de Segurança o valor correspondente a 10% dos direitos autorais devidos (R$ 132.450,54). Como se pode observar a partir dos documentos ora apresentados — e que foram desmotivadamente desconsiderados pelo dd. Agente fiscalizador — o valor total das parcelas do IRRF devido à Receita Federal, das parcelas destinadas ao Ministério da Cultura e das parcelas questionadas em juízo, todas elas calculadas sobre os direitos de autor devidos pela Impugnante à licenciadora estrangeira em relação do lucro líquido de julho e agosto de 2003, foram integralmente pagas e depositadas em momento anterior ao da efetiva remessa desses direitos. Como se vê, diferentemente do critério adotado pelo fisco, a Impugnante calculou os montantes devidos à Receita Federal e ao Ministério da Cultura, bem como aquele depositado em juízo sobre o valor total dos direitos de autor devidos nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, independentemente da quantia efetivamente a esta remetida a qual, no período em exame, é inferior ao valor dos direitos calculados com relação a ambos os períodos. Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 28 Dito de outro modo, a posição adotada pelo contribuinte no presente caso, além de conservadora, é claramente benéfica ao erário Federal e ao Ministério da Cultura, os quais receberam as parcelas que lhe são destinadas com base no valor integral devido pela Impugnante a título de direitos autorais, não havendo como se conceber, portanto, a manutenção da autuação ora contestada." Remessa realizada em outubro de 2003 "(..) Conforme mencionado pela fiscalização, em outubro de 2003 houve a remessa do montante líquido de R$ 1.100.000,00 (valor bruto de R$1.466.666,67) à empresa vinculada à Impugnante no exterior. Conforme se comprova pelo demonstrativo anexo (Doc. 57), apresentado à instituição financeira responsável pelo fechamento do correspondente contrato de câmbio (Doc.58), referido montante tem por base parcelas de direitos autorais correspondentes a 80% do lucro líquido da Impugnante apurado para os meses de agosto e setembro de 2003. Com relação aos direitos autorais relativos ao mês de agosto de 2003, a Impugnante demonstrou no item anterior que os montantes destinados à Receita Federal, ao Ministério da Cultura e ao juízo em que se questiona parte do IRRF cobrado foram integral e tempestivamente pagos e depositados. Por tal razão, reportase aos documentos acima mencionados para comprovar o quanto se afirma com relação a este mês. Nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, o valor apurado dos direitos autorais para o mês de setembro de 2003 (R$ 2.317.084,08) deveria ser pago pela Impugnante até o último dia útil do mês de dezembro de 2003 (terceiro mês subseqüente ao mês em que apurado o lucro líquido, isto é, setembro de 2003), momento em que também se tornaria devido o correspondente IRRF. Como se comprova através das guias DARF, MINC e de depósito judicial anexas (Doe.59), verificase que a Impugnante, dentro do prazo de vencimento do IRRF questionado: calculou, a título de IRRF, 15% da parcela dos direitos autorais a serem pagos à licenciadora estrangeira (valor correspondente a R$ 347.562,61) e, nos termos da legislação aplicável e tal como explicado no início da presente defesa, procedeu ao pagamento do abatimento de 70% desse valor diretamente ao Ministério da Cultura (no total de R$ 243.293,83) e dos 30% restantes à Receita Federal (no total de R$ 104.268,78); (iz) apurou e depositou nos autos do já mencionado Mandado de Segurança o valor correspondente a 10% dos direitos autorais devidos (R$ 231.708,41). Como se pode observar a partir dos documentos ora apresentados — e que foram desmotivadamente desconsiderados pelo dd. Agente fiscalizador — o valor total das parcelas do IRRF devido à Receita Federal, das parcelas destinadas ao Ministério da Cultura e das parcelas questionadas em juizo, todas elas calculadas sobre os direitos de autor devidos pela Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 16 29 Impugnante à licenciadora estrangeira em relação do lucro líquido de agosto e setembro de 2003, foram integralmente pagas e depositadas em momento anterior ao da efetiva remessa desses direitos. Como se vê, diferentemente do critério adotado pelo fisco, a Impugnante calculou os montantes devidos à Receita Federal e ao Ministério da Cultura, bem como aquele depositado em juízo sobre o valor total dos direitos de autor devidos nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, independentemente da quantia efetivamente a esta remetida a qual, no período em exame, é inferior ao valor dos direitos calculados com relação a ambos os períodos. Dito de outro modo, a posição adotada pelo contribuinte no presente caso, além de conservadora, é claramente benéfica ao erário Federal e ao Ministério da Cultura, os quais receberam as parcelas que lhe são destinadas com base no valor integral devido pela Impugnante a título de direitos autorais, não havendo como se conceber, portanto, a manutenção da autuação ora contestada." Remessa realizada em novembro de 2003 Conforme mencionado pela fiscalização, em novembro de 2003 houve a remessa do montante líquido de R$ 638.000,00 (valor bruto de R$850.666,66) à empresa vinculada à Impugnante no exterior. Conforme se comprova pelo demonstrativo mencionado no item anterior, apresentado à instituição financeira responsável pelo fechamento do correspondente contrato de câmbio (Doc.60), referido montante tem por base parcelas de direitos autorais correspondentes a 80% do lucro líquido da Impugnante apurado para o mês de setembro de 2003. Note, entretanto, que com relação aos direitos autorais relativos ao mês de setembro de 2003 (R$ 2.317.084,08), a Impugnante demonstrou no item anterior que os montantes destinados à Receita Federal, ao Ministério da Cultura e ao juízo em que se questiona parte do IRRF cobrado foram integral e tempestivamente pagos e depositados. Por tal razão, reportase aos documentos acima mencionados para comprovar o quanto se afirma com relação a esse mês. Como se pode observar a partir dos documentos ora apresentados — e que foram desmotivadamente desconsiderados pelo dd. Agente fiscalizador — o valor total das parcelas do IRRF devido à Receita Federal, das parcelas destinadas ao Ministério da Cultura e das parcelas questionadas em juízo, todas elas calculadas sobre os direitos de autor devidos pela Impugnante à licenciadora estrangeira em relação do lucro líquido de setembro de 2003, foram integralmente pagas e depositadas em momento anterior ao da efetiva remessa desses direitos. Como se vê, diferentemente do critério adotado pelo fisco, a Impugnante calculou os montantes devidos à Receita Federal e Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 30 ao Ministério da Cultura, bem como aquele depositado em juízo sobre o valor total dos direitos de autor devidos nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, independentemente da quantia efetivamente a esta remetida a qual, no período em exame, é inferior ao valor dos direitos calculados com relação ao período de setembro de 2003. Dito de outro modo, a posição adotada pelo contribuinte no presente caso, além de conservadora, é claramente benéfica ao erário Federal e ao Ministério da Cultura, os quais receberam as parcelas que lhe são destinadas com base no valor integral devido pela Impugnante a título de direitos autorais, não havendo como se conceber, portanto, a manutenção da autuação ora contestada." Remessa realizada em dezembro de 2003 "(..) Conforme mencionado pela fiscalização, em dezembro de 2003 houve a remessa do montante líquido de R$ 1.895.000,00 (valor bruto de R$2.526.666,67) à empresa vinculada à Impugnante no exterior. Conforme se comprova pelo demonstrativo anexo (Doc.61), apresentado à instituição financeira responsável pelo fechamento do correspondente contrato de câmbio (Doc.62), referido montante tem por base parcelas de direitos autorais correspondentes a 80% do lucro líquido da Impugnante apurado para os meses de setembro e outubro de 2003. Com relação aos direitos autorais relativos ao mês de setembro de 2003, a Impugnante demonstrou no item anterior que os montantes destinados à Receita Federal, ao Ministério da Cultura e ao juízo em que se questiona parte do IRRF cobrado foram integral e tempestivamente pagos e depositados. Por tal razão, reportase aos documentos acima mencionados para comprovar o quanto se afirma com relação a este mês. Por sua vez, nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, o valor apurado dos direitos autorais para o mês de outubro de 2003 (R$ 2.527.314,73) deveria ser pago pela Impugnante até o último dia útil do mês de janeiro de 2004 (terceiro mês subseqüente ao mês em que apurado o lucro líquido, isto é, setembro de 2003), momento em que também se tornaria devido o correspondente IRRF. Como se comprova através das guias DARF, MING' e de depósito judicial anexas (Doc.63), verificase que a Impugnante, dentro do prazo de vencimento do IRRF questionado: calculou, a título de IRRF, 15% da parcela dos direitos autorais a serem pagos à licenciadora estrangeira (valor correspondente a R$ 379.097,21) e, nos termos da legislaçã aplicável e tal como explicado no início da presente defesa, procedeu ao pagamento do abatimento de 70% desse valor diretamente ao Ministério da Cultura (no total de R$ 265.368,05) e dos 30% restantes à Receita Federal (no total de R$ 113.729,16); (ii) apurou e depositou nos autos do já mencionado Mandado de Segurança o valor correspondente a 10% dos direitos autorais devidos (R$ 252.731,47). Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 17 31 Como se pode observar a partir dos documentos ora apresentados — e que foram desmotivadamente desconsiderados pelo dd. Agente fiscalizador — o valor total das parcelas do IRRF devido à Receita Federal, das parcelas destinadas ao Ministério da Cultura e das parcelas questionadas em juízo, todas elas calculadas sobre os direitos de autor devidos pela Impugnante à licenciadora estrangeira em relação do lucro líquido de setembro e outubro de 2003, foram integralmente pagas e depositadas em momento anterior ao da efetiva remessa desses direitos. Como se vê, diferentemente do critério adotado pelo fisco, a Impugnante calculou os montantes devidos à Receita Federal e ao Ministério da Cultura, bem como aquele depositado em juízo sobre o valor total dos direitos de autor devidos nos termos do contrato firmado com a licenciadora estrangeira, independentemente da quantia efetivamente a esta remetida a qual, no período em exame, é inferior ao valor dos direitos calculados com relação a ambos os períodos. Dito de outro modo, a posição adotada pelo contribuinte no presente caso, além de conservadora, é claramente benéfica ao erário Federal e ao Ministério da Cultura, os quais receberam as parcelas que lhe são destinadas com base no valor integral devido pela Impugnante a título de direitos autorais, não havendo como se conceber, portanto, a manutenção da autuação ora contestada." Na seqüência, protesta pela extinção do correspondente crédito tributário, com fundamento no art. 156, I, do CTN, sob pena de se incorrer em bis in idem e enriquecimento ilícito do Poder Público. Cita doutrina. Ainda, na remota hipótese de não serem acatadas as razões acima, pleiteia a decadência do crédito tributário relativo aos fatos geradores de janeiro de 2002 a julho de 2002, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, à vista da lavratura do auto de infração em 21 de dezembro 'de 2007. Cita jurisprudência. No mais, entende impossível a exigência de multa de ofício e de juros de mora sobre os valores depositados em juízo. Argumenta que os valores depositados sofrem a incidência de juros de acordo com a taxa Selic, o que torna desnecessária a sua constituição em lançamento de ofício, a teor da jurisprudência apontada. Quanto à multa, julga afastada sua aplicação, pelas disposições do art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, dizendo que "a constituição de créditos tributários visando exclusivamente a prevenção do decurso in albis do prazo decadencial devem necessariamente ser desacompanhadas da respectiva multa de oficio". Cita mais jurisprudência. Encerra reiterando as alegações acima expostas. Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 32 A DRJCampinas ao apreciar as razões do recorrente julgou o lançamento procedente em parte nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 31/01/2002, 28/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 31/07/2002, 23/12/2002, 17/01/2003, 24/02/2003, 26/02/2003, 31/03/2003, 29/05/2003, 28/07/2003, 28/08/2003, 31/10/2003, 28/11/2003, 19/12/2003, 28/02/2002, 28/06/2002, 31/01/2003, 29/04/2003, 29/09/2003, IRF. RENDIMENTOS DE RESIDENTES E/OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. DIREITOS AUTORAIS. OBRAS AUDIOVISUAIS. DECADÊNCIA. Tratandose a hipótese de lançamento por homologação e constatada a efetiva existência de pagamento prévio pelo administrado para os meses de janeiro/2002 a julho/2002, impõese reconhecer para tais períodos o transcurso do prazo fatal de 5 anos a contar do fato gerador, à vista do lançamento cientificado em 21/12/2007. IRF. RENDIMENTOS DE RESIDENTES E/OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. DIREITOS AUTORAIS. OBRAS AUDIOVISUAIS. ALÍQUOTA. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal de lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. Já, outros aspectos do lançamento, não submetidos à esfera judicial, são passíveis de apreciação na esfera administrativa. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. Não se logrando demonstrar nos autos a necessária vinculação dos depósitos judiciais efetuados ao CNPJ da impugnante, impõese a manutenção da cobrança do respectivo crédito tributário, acrescido da multa de lançamento de ofício. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RECOLHIMENTOS EFETUADOS VIA DARF E GUIA MINC. A documentação aportada ao processo permite que seacolha a vinculação das remessas de royalties aos períodos de competência e recolhimentos apontados na defesa. A dedução do imposto para incentivo a produções brasileiras é prevista no art. 707 do RIR/99. Nãotendo sido apresentada qualquer razão para a desclassificação do benefício da redução do imposto, impõese o aproveitamento dos recolhimentos, da forma em que efetuados (30% guia DARF e 70% guia MinC). Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 18 33 Cancelase a exigência na proporção dos recolhimentos, via DARF e guia MinC, que guardam relação com o CNPJ da autuada. Lançamento Procedente em Parte A DRJ reconheceu que para o período de janeiro/2002 julho/2002, a extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, incisos I e V, do CTN, assim como se admite a vinculação dos pagamentos, via DARF e Guia do MinC, que guardam relação com o CNPJ. No quadro demonstrativo de fls, 598, apresentase o valor do credito exonerado. A DRJCampinas em face do montante exonerado recorre de ofício do lançamento. O contribuinte insatisfeito apresenta recurso voluntário, questionando a manutenção parcial do lançamento, entre os argumentos citados destaquese: (i) o valor relativo à remessa de dezembro de 2002 e todos os depósitos judiciais teriam sido realizados pela Recorrente base exnúmero do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica ("CNPJ") pertencente a "terceiros", motivo pelo qual deveriam ser considerados; e (ii) parte dos valores de IRRF devidos com relação às remessas relativa aos meses de janeiro, fevereiro, março, maio, julho, setembro e novembro de 2003, foram desconsiderados, o que não se justificava, já que não havia qualquer pagamento pendente;. (iii) Da inexistência de créditos pendentes de pagamento, uma vez que não há dúvidas de que todos os valores apurados pela Recorrente em beneficio da empresa estrangeira em questão sofreram retenção do Imposto de Renda, sendo medida imperativa reconhecerse a extinção dos valores comprovadamente pagos à Receita Federal, bem como ao Ministério da Cultura. (iv) Da impossibilidade de exigência de juros de mora sobre valores depositados em juízo, nos autos do mandado de segurança de nos autos do Mandado de Segurança n° 2002.61.00.0118896. Esta Turma em 23/08/2011 decidiu converter o processo em diligência para que a repartição de origem tomasse as seguintes providências: 1 – Examinase a documentação e argumentos apresentados no tocante aos depósitos judiciais e pagamentos que alga ter realizado em nome de terceiros, manifestandose quanto à sua plausibilidade para serem aproveitados; 2 — Realizase as intimações e diligências julgadas necessárias para formação de convencimento; 3 Que a autoridade fiscal se manifestase, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre a validade das alegações Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 34 juntadas na impugnação e recurso, dandose vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. A autoridade fiscal formalizou em 28/11/2013 o seu Relatório de Diligência Fiscal nas fls 1205 a 1234, apresentado as seguintes conclusões: A titularidade das contas bancárias que registram o pagamento do IRRF inclusive recolhido em nome de filial ou com identificação de CNPJ do Ministério da Cultura foi parcialmente documentada. Cabe relatar que somente foram apresentados os extratos bancários (e não todos, pois o contribuinte apresentou extratos bancários ilegíveis para as datas de 28/04/2000 e 31/05/2000). Não foram apresentados contratos de abertura de conta e/ou ficha de cadastro. Com relação aos comprovantes bancários e à escrituração apresentada, verificou se que tanto as remessas como os pagamentos do respectivo IRRF estão escriturados coerentemente, inclusive os pagamentos efetuados por meio de DARF em nome e CNPJ do Ministério da Cultura. Seguindo entendimento inicial da DRJ, verificouse que há proximidade entre os valores das remessas previstas, conforme alegado pelo contribuinte, e as remessas efetivamente ocorridas, excetuandose as remessas de 26/02/2003, 26/03/2003 e 29/05/2003, as quais o contribuinte alega referiremse a valores relativos abril, maio e junho de 2000. Com relação às demais remessas, observouse que a autoridade julgadora de I a instância acatou dois critérios para a vinculação dos pagamentos do IRRF: por um lado, aceitou que os pagamentos feitos anteriormente pelo contribuinte, com base na previsão de remessa (regime de competência), por outro, acatou os valores do IRRF lançados de ofício por meio do Auto de Infração (o qual observou a data do efetivo envio, em regime de caixa). Tal fato ensejou divergências, principalmente, entre o valor considerado como "diferença não comprovada" pela DRJ e os valores depositados pelo contribuinte em juízo. Tomando em consideração a argumentação do contribuinte de que o recolhimento do IRRF teria sido feito anteriormente, com base em previsões de remessas, ao contrastar os valores das remessas previstas com as efetivamente ocorridas, restariam ainda valores de IRRF devido não cobertos por pagamento anterior (seja por meio de DARF, de guia ao Ministério da Cultura, ou depósito judicial), 23/12/2002, R$ 2.182,59; 24/02/2003. R$ 9,07; 21/03/2003, R$ 48,11; 29/05/2003, R$ 121,28; 28/07/2003 R$ 150,02; Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 19 35 29/09/2003 R$ 207,08. 31/10/2003, R$ 62,31; Resumo das Divergências Para as remessas efetuadas em 26/02/2003, 26/03/2003 e 29/05/2003, há divergências consideráveis entre os valores apontados pelo contribuinte como previsão de remessas e remessas efetivas. Também com relação às remessas citadas, verificase um lapso temporal muito maior entre os períodos de referência apontados pelo contribuinte e a data da remessa efetiva (34 meses) O comprovante de pagamento de IRRF apresentado em sede de Recurso Voluntário, relacionado pelo contribuinte à remessa de 29/05/2003, tem divergência de valor de R$ 79.618.93 com relação ao IRRF calculado com base no valor bruto apontado pelo próprio contribuinte (R$ 1.738.935,30) O contribuinte apresentou cópias de extratos bancários ilegíveis relativos às datas de 28/04/2000 e 31/05/2000. Foram apresentadas apenas cópias simples dos comprovantes de pagamentos Desta maneira, concluise por haver pouca coerência entre a alegação do contribuinte e a documentação apresentada. Trata se de comprovantes datados do ano 2000, não coincidentes em valores nem com o previsto nos contratos, nem com as remessas efetivamente ocorridas, três anos depois. Além disso, tais recolhimentos podem referirse a outras remessas, que, ocorridas há treze anos, não foram objeto da fiscalização, e tampouco da presente diligência, não havendo maneiras de afirmar, seguramente, que não se referiam a outros fatos geradores, e tampouco a relação necessária entre tais pagamentos e as remessas objeto do lançamento. Verificase também que, diferentemente das demais remessas, não houve depósito judicial para essas três remessas (55, 56, 57), que tampouco seguem a numeração das outras. Por todos estes motivos, s.m.j, os comprovantes apresentados não se configuram como documentos hábeis a comprovar o recolhimento do IRRF devido sobre as remessas de 26/02/2003, 26/03/2003 e 29/05/2003. Resumemse as divergências que permanecem com relação a essas remessas e respectivo IRRF. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 36 Em julho de 2014, o patrono da parte se manifesta sobre o relatório da diligência fiscal questionando algumas conclusões apresentadas no relatório. Indica que não há dúvida que os documentos comprovam a titularidade da contas bancárias que registraram o pagamento do IRRF. Da coerência das alegações do recorrente reconhecido pela autoridade fiscal; Da proximidade dos valores das remessas previstas e as remessas efetivamente ocorridas, tal como descrito no relatório da Diligência fiscal; Das remessas efetuadas em 26/02/2003, 26/03/2003 e 29/05/2003 onde a autoridade apontou : (i) foram apresentados extratos bancários ilegíveis para as datas de 28/04/2000 e 31/05/200, (h) não houve depósito judicial do IRRF para estas remessas, (ill) haveria um lapso temporal muito grande entre a data em que o direito autoral fora apurado e sua remessa efetiva e (iv) os recolhimentos apresentados podem referirse a outras remessas que não foram objeto de fiscalização. No que toca a esse pontos assim se pronuncia a Recorrente: Primeiramente, fazse necessário ressaltar que, ao contrário do que afirmou a d. autoridade fiscal, a Recorrente apresentou cópia autenticada dos extratos bancários para as datas de 28/04/2000 e 31/05/2000, conforme se verifica As fls. 1195 a 1204 destes autos. E, nos referidos extratos, estão devidamente mencionados os pagamentos efetuados pela Recorrente para o Ministério da Fazenda e para o Ministério da Cultura em razão da remessa dos direitos autorais de abril e maio de 2000. Com relação a inexistência de depósitos judiciais para esta remessa também não hi qualquer dúvida, pois, como já informado desde a impugnação, somente em 2002 a Recorrente impetrou Mandado de Segurança para questionar a exigência do IRRF A aliquota de 25%. Como na remessa em questão o IRRF fora recolhido em abril e maio de 2000, muito antes da impetração do referido Mandado de Segurança a Recorrente não efetuou qualquer depósito judicial. Houve, portanto, o recolhimento integral do IRRF A aliquota de 25%. Ainda, a d. autoridade fiscal aponta que haveria um lapso temporal muito grande entre a data em que o direito autoral fora apurado e sua remessa efetiva. Conforme já esclarecido desde a impugnação, a efetiva remessa dos direitos autorais A licenciadora estrangeira dependiam de disponibilidade de caixa da Recorrente e, por tal motivo, a Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 20 37 remessa dos direitos autorais apurados em abril e maio de 2000 somente ocorreu em 2003. Ademais, há que se ressaltar que a simples demora na remessa dos valores ao exterior não pode ser utilizada como justificativa pela d. autoridade fiscal para não confirmar o recolhimento do IRRF. Ora, se a Recorrente comprovou que o IRRF devido para os valores remetidos fora devidamente recolhido, não há que se questionar o lapso temporal existente entre a apuração do direito e a sua remessa. Por fim, a d. autoridade fiscal afirma que os recolhimentos apresentados podem referirse a outras remessas que não foram objeto de fiscalização e da diligencia, não havendo maneiras de afirmar, seguramente, que não se referiam a outros fatos geradores. Com o devido respeito, a Recorrente não pode aceitar que, após apresentar sua documentação contábil, fiscal e bancária, bem como comprovar que o IRRF devido sobre as remessas efetuadas fora devidamente recolhido, que a d. autoridade fiscal simplesmente afirme que os recolhimentos apresentados pela Recorrente podem estar relacionados a outras remessas não analisadas pela fiscalização. Ora, se a d. autoridade fiscal não agiu de forma diligente quando realizou a fiscalização das remessas de valores ao exterior esta não pode imputar A Recorrente a exigência do recolhimento do IRRF, uma vez que restou demonstrada de forma cristalina a metodologia utilizada para apuração e remessa dos direitos autorais, bem como comprovado o recolhimento do IRRF para tais remessas. É o relatório. Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 38 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos de ofício e voluntários reúnem os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. De acordo com o que consta nos autos, tratase de lançamento de IRRF sobre remessas de royalties ao exterior no valor original total de R$ 19.753.889,17 (IRRF, multa e juros), sendo que R$ 7.885.080,60 correspondem ao IRRF, conforme termo de verificação fiscal, fls 53. A exigência se fundamenta na existência de pagamento de "royalties" em favor de produtor estrangeiro de obras audiovisuais, o qual se sujeita à incidência do IRRF, nos termos do artigo 706 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): "Art. 706. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de vinte e cinco por cento, as importâncias pagas, creditadas, empregadas, remetidas ou entregues aos produtores, distribuidores ou intermediários no exterior, como rendimento decorrente da exploração de obras audiovisuais estrangeiras em todo o território nacional ou por sua aquisição ou importação, a preço fixo (Lei n° 3.470, de 1958, art. 77, ,sç 1°, inciso I, Decretolei n° 1.089, de 1970, art. 13, Decretolei n°1.741, de 27 de dezembro de 1979, art. 1°, Lei n° 8.685, de 1993, art. 2°, Lei n°9.249, de 1995, art. 28 e Lei n° 9.779, de 1999, art. 7°) Parágrafo único. O imposto de que trata este artigo incidirá: 1— sobre os filmes importados a preço fixo, no momento da efetivação do crédito para pagamento dos direitos adquiridos; II — sobre os rendimentos decorrentes da exploração das obras audiovisuais estrangeiras em regime de distribuição e comercialização em salas de exibição, emissoras de televisão, de sinal aberto ou codificado, cabodifusão, mercado videofonográfico ou qualquer outra modalidade de exploração comercial da obra, no momento da efetivação do crédito ao produtor, distribuidor ou intermediários domiciliados no exterior." O contribuinte alegou, em resumo, que as remessas referiamse a contratos efetuados em datas anteriores. O IRRF devido teria sido declarado e recolhido de acordo com as datas e valores previstos nos contratos, os quais nem sempre coincidiriam com as datas e valores das efetivas remessas, ocorridas posteriormente. Alegou ainda que parte dos recolhimentos teria sido efetuada de acordo com o previsto no art. 707 do RIR/99, ou seja, 30% por meio de DARF e 70% por meio de guia ao Ministério da Cultura. Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 21 39 Da analise dos argumentos da impugnação a DRJ teria reduzido expressivamente o lançamento conforme o quadro de débito constante na fls 632. QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO Da Decadência A DRJ em seu julgamento exclui do lançamento o período de janeiro/2002 junho/2002, pela decadência do crédito tributário. Considerando que os lançamento se referem ao anos calendários 2002 e 2003, e tendo em vista que a ciência ocorreu 21/12/2007, não há qualquer reparo a fazer nessa parte da decisão. Assim se pronuncia a DRJ em seu arrazoado: Aduz a contribuinte ter sido atingido pelo prazo decadencial o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário dos fatos geradores do período de janeiro/2002 a julho/2002, à vista da lavratura do auto de infração em 21 de dezembro de 2007, tudo com fundamento no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional — CTN, aprovado pela Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. Deveras, considerando que cumpre ao sujeito passivo o recolhimento do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, trata, a hipótese, de lançamento por homologação, desde que constatada a efetiva existência de pagamento prévio pelo administrado, o que, no caso presente, foi devidamente atestado pelo Fisco, para os meses de fevereiro/2002 a julho/2002, impondose reconhecer para tais períodos o transcurso do prazo fatal, à vista do lançamento cientificado em 21/12/2007. Já para o mês de janeiro/2002, a fiscalização não considerou qualquer pagamento. Contudo, os documentos 03 a 05, acostados pela contribuinte às fls. 183/242, permitem se alcançar a conclusão de que a autuada vinculou à remessa de janeiro/2002 royalties da competência de fevereiro/2000, no valor de R$1.791.315,95, bastante próximo daquele apontado pelo Fisco e constante do contrato de câmbio respectivo (R$1.866.666,67), para o qual foi recolhido o imposto de R$447.828,99, em contraposição àquele calculado como devido, de R$466.666,67. Assim, verificada a existência de pagamento prévio, aqui também trata a hipótese de lançamento por homologação, impondose reconhecer para janeiro/2002 o transcurso do prazo fatal, à vista do lançamento cientificado em 21/12/2007. Desta feita, para o período de janeiro/2002 a julho/2002, cumpre reconhecer a extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, incisos I e V, do CTN, conforme quadro demonstrativo ao final deste voto. Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 40 No relativo ao restante do lançamento, foi apontado que a fiscalização teria baseado o seu lançamento em premissas incorretas. Acrescenta, também que teria sido desconsiderada a realização de depósitos judiciais nos autos do Mandado de Segurança n° 2002.61.00.0118896. No quadro demonstrativo de fls, 598, apresentase o valor do credito exonerado. Explicando as suas razões para isso: A DRJ apontou bem o procedimento da fiscalização e como este em face das práticas do recorrente ocasionou significativas diferença no lançamento. Vêse que a fiscalização considerou a data da efetiva remessa como aquela correspondente ao fato gerador da obrigação tributária e, conseqüentemente, como aquela do vencimento legal do imposto em estudo, razão porque procurou localizar pagamentos efetuados nas datas das correspondentes operações, que guardassem coerência com os valores transferidos à Licenciadora estrangeira. É o que se depreende do relatório, cujo excerto novamente se reproduz abaixo: “nos detivemos nas informações fornecidas pelo demonstrativo das remessas ao exterior "Controle de Remessas para Home Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 22 41 Office", onde temos a síntese das importâncias enviadas a título de Remessas ao Exterior, às quais incide Retenção na fonte do Imposto de Renda sobre remessas ao exterior. Os valores constantes das colunas "Recolhido" foram extraídos das informações contidas nas pesquisas do sistema "Sinal08" (Consulta Pagamentos). Para tanto, foram considerados apenas pagamentos que guardam correspondência objetiva com os valores dos tributos levantados. "(grifouse) De fato, notase que a fiscalização deixou de considerar os recolhimentos feitos mediante guia MinC, bem como os depósitos judiciais implementados, nada comentando a respeito no Auto de Infração e/ou no Termo de Verificação Fiscal. Contudo, a dedução do imposto para incentivo a produções brasileiras, como efetuada pela contribuinte, é prevista no art. 707 do RIR/99: "Art. 707. Os contribuintes do imposto poderão beneficiarse de abatimento de setenta por cento do imposto devido, desde que invistam na coprodução de obras audiovisuais cinematográficas brasileiras de produção independente, em projetos previamente aprovados pelo Ministério da Cultura, observado o disposto nos arts. 487 a 489 (Lei n° 8.685, de 1993, art. 3°). Por sua vez, os artigos 487 a 489 do RIR/99, citados do dispositivo supra, dispõem o seguinte: "Art. 487. O contribuinte que optar pelo uso dos incentivos previstos nos arts. 484 e 707, depositará, por meio de guia própria, dentro do prazo legal fixado para o recolhimento do imposto, ai valor correspondente à dedução em conta de aplicação financeira especial, no Banco do Brasil S/A., cuja movimentação sujeitarseá à prévia comprovação junto ao Ministério da Cultura de que se destina a investimentos em projetos de produção de obras audiovisuais cinematográficas brasileiras de produção independente (Lei n° 8.685, de 1993, art. 4°). § 1° A conta de aplicação financeira a que se refere este artigo será aberta (Lei n°8.685, de 1993, art. 4°, § 1°): 1— em nome do produtor, para cada projeto, no caso do art. 484; II — em nome do contribuinte, no caso do art. 707. Verificando a coerência dos procedimentos do recorrente assim se pronuncia a autoridade julgadora as fls 630 a 631: Em que pese os valores das remessas, apontados pela contribuinte, não guardarem relação exata com aqueles escriturados no Livro Razão, bem como com aqueles constantes dos respectivos contratos de câmbio, são em quantias bastante próximas àquelas lançadas pelo Fisco, assim como o Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 42 recolhimento do imposto correspondente, à exceção dos meses de março e maio/2003, para os quais a documentação apresentada pela autuada não faz prova de parte da remessa e do imposto correspondente às competências vinculadas a tais períodos (doc. 03 a 05). Vêse que a autuada procedia à remessa quando da disponibilidade financeira de caixa, procedimento que, por vezes, levou ao fracionamento dos valores devidos em cada período de competência, mesmo quando em desacordo com o vencimento estipulado no contrato. Notase que o tributo correspondente ao período de competência teve o seu recolhimento sempre em data anterior ou igual àquela da remessa 'efetivada, sendo objeto de apresentação, quando da contratação do câmbio, para comprovação do pagamento do imposto devido nas respectivas operações. O recorrente alega que o valor relativo à remessa de dezembro de 2002 e todos os depósitos judiciais teriam sido realizados pela Recorrente base exnúmero do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica ("CNPJ") pertencente a filial, motivo pelo qual deveriam ser considerados. A documentação acostada ao processo, bem como a constatação da sistemática de contabilidade e recolhimento adotadas pela autuada, permite que se aceite a vinculação da remessa aos meses de competência apontados na defesa, bem como aos recolhimentos correspondentes. Da análise do arrazoado e tendo em vista as conclusões do Relatório de Diligências Fiscal, formo a convicção e acompanho o entendimento da DRJ, afastando do lançamento os valores tais como realizado por aquela autoridade, corresponde o procedimento mais justo, não havendo razões para restabelecer o crédito afastado por aquela decisão. Nestes termos, posicionome no sentido negar provimento ao recurso de ofício. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO A DRJ admitiu a vinculação dos pagamentos, via DARF e Guia do MinC, que guardam relação com o CNPJ. Entretanto não reconheceu para aqueles em que existia uma possível divergência. Nesse ponto merece destaque as observações realizadas pela autoridade fiscal no Relatório de Diligência Fiscal de fls 1247: Assim, com relação aos pagamentos, ainda que feitos em desconformidade com o previsto no art. 15 da Lei 9.779/99, que prevê o recolhimento do IRRF de maneira centralizada pela matriz, contatase que há coerência entre a alegação do contribuinte, seus registros contábeis e a documentação comprobatória apresentada. Com relação aos pagamentos efetuados no CNPJ do Ministério da Cultura, também há coerência entre as alegações do contribuinte, sua escrituração e os documentos comprobatórios (extratos do próprio contribuinte em que estão lançados a débito Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.002637/200720 Acórdão n.º 2202002.912 S2C2T2 Fl. 23 43 os pagamentos do IRRF). Ademais, não seria lógico supor que houvesse um pagamento de DARF efetuado pelo Ministério da Cultura em seu próprio nome e favor. Neste ponto forma a minha convicção no sentido de que havendo coerências nas alegações é de se reconhecer o procedimento e o erro formal no preenchimento dos DARFs. Ainda fazendo uma reflexão sobre o procedimento da fiscalização observa: Com relação às demais divergências, observase que, seguindo a linha de análise feita na Decisão de Ia . Instância, houve critérios distintos para a aceitação de parte dos argumentos apresentados pelo contribuinte e a manutenção parcial do crédito, senão vejamos: • Os créditos lançados por meio de Auto de Infração foram calculados de acordo com a data das efetivas remessas (regime de caixa) • O contribuinte alegara que tais remessas referiamse a contratos anteriores, e que para elas teria havido retenção e recolhimento do IRRF, sempre em período anterior à remessa (regime de competência) • A DRJ acatou parcialmente a alegação do contribuinte. Entretanto, alocou parte dos pagamentos apontados pelo contribuinte não ao valor devido com base nos contratos anteriores (competência), mas sim aos valores lançados no AI, que se fizeram com base no regime de caixa. Em suma é claro que o procedimento da fiscalização no foi o mais preciso na identificação do elemento quantitativo. A incoerência no procedimento conduziu a necessidade de realização de ajustes. Após a reanalise minuciosa do lançamento, levando em consideração as alegações do recorrente na fls 1231 e 1233, a autoridade fiscal aponta para as possíveis divergências entre os valores apontados pelo recorrente e os importâncias efetivamente recolhidas. Concluiu que tomando em consideração a argumentação do contribuinte de que o recolhimento do IRRF teria sido feito anteriormente, com base em previsões de remessas, ao contrastar os valores das remessas previstas com as efetivamente ocorridas, restariam ainda valores de IRRF devido não cobertos por pagamento anterior (seja por meio de DARF, de guia ao Ministério da Cultura, ou depósito judicial) 23/12/2002, R$ 2.182,59; 24/02/2003. R$ 9,07; 21/03/2003, R$ 48,11; 29/05/2003, R$ 121,28; 28/07/2003 R$ 150,02; Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 44 29/09/2003 R$ 207,08. 31/10/2003, R$ 62,31; Importâncias insignificativas quando se aprecia o vulto dos valores apreciados e analisados no referido processo. O relatório de diligência fiscal aponta que mais significativas seria as diferenças apuradas nas remessas efetuadas em 26/02/2003, 26/03/2003 e 29/05/2003, há divergências consideráveis entre os valores apontados pelo contribuinte como previsão de remessas e remessas efetivas. Entre o ponto mais crítico apontado para não se reconhecer essas remessas seria o aspecto temporal entre o pagamento do tributo e a remessa propriamente dita. Compartilho do entendimento que a demora na remessa dos valores ao exterior não pode ser utilizada como justificativa pela d. autoridade fiscal para não confirmar o recolhimento do IRRF. Tendo o Recorrente comprovado que o IRRF devido para os valores remetidos fora devidamente recolhido, não há que se questionar o lapso temporal existente entre a apuração do direito e a sua remessa. De modo que não compartilho desse entendimento da autoridade fiscal. Acrescentese por pertinente que no caso concreto não tenho dúvida, que em função de desajuste entre o evento praticado e os critérios da regramatriz de incidência tributária, mais especificamente, erro na indicação do critério quantitativo, o lançamento deve ser anulado. O lançamento de ofício não pode ser mantido em decorrência de vício material ou melhor em função de desajuste entre o evento praticado e os critérios da regramatriz de incidência tributária, mais especificamente, erro na indicação do critério quantitativo, especialmente se envolve a descrição de uma fato tributário distinto. Em simples palavras, o que foi lançado pela fiscalização não reflete a realidade dos fatos, trazendo uma série de dificuldades, entre as quais cerceando o direito de defesa e criando dificuldades para uma eventual tentativa de sustentação dos autos. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726268/2012-13
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE
O pedido de realização de perícia poderá ser indeferido pela autoridade julgadora se esta entender pela sua desnecessidade ao deslinde da questão, na linha do que previsto no art. 18 do decreto 70.235/72.
VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, em março 2010, que não constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o valor pago em pecúnia ao empregado a titulo de vale-transporte.
FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE. - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O valor referente ao fornecimento de alimentação pago em espécie aos empregados integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-004.022
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para afastar das autuações as contribuições referentes a vale transporte.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE O pedido de realização de perícia poderá ser indeferido pela autoridade julgadora se esta entender pela sua desnecessidade ao deslinde da questão, na linha do que previsto no art. 18 do decreto 70.235/72. VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, em março 2010, que não constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o valor pago em pecúnia ao empregado a titulo de vale-transporte. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE. - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor referente ao fornecimento de alimentação pago em espécie aos empregados integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. Recurso Voluntário Provido em Parte
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PRESCINDIBILIDADE O pedido de realização de perícia poderá ser indeferido pela autoridade julgadora se esta entender pela sua desnecessidade ao deslinde da questão, na linha do que previsto no art. 18 do decreto 70.235/72. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, em março 2010, que não constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o valor pago em pecúnia ao empregado a titulo de valetransporte. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor referente ao fornecimento de alimentação pago em espécie aos empregados integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para afastar das autuações as contribuições referentes a vale transporte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 62 68 /2 01 2- 13 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15504.726268/201213 Acórdão n.º 2803004.022 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Eduardo de Oliveira. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15504.726268/201213 Acórdão n.º 2803004.022 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve os autos de infração lavrados, referentes a contribuições devidas em razão do seguinte: DEBCAD nº 37.352.6067 – lançamento dos créditos referentes contribuições destinadas à Seguridade Social incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados constantes das folhas de pagamentos e não declaradas em GFIP, correspondentes à parte patronal, bem como ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, nas competências 01/2007 a 12/2008, vez que as referidas contribuições não foram recolhidas no prazo e forma determinada pelo artigo 30, inciso I, alínea “b” da Lei 8.212/91. DEBCAD nº 37.352.6075 – (CFL 68) apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. DEBCAD nº 37.372.4543 – (CFL 69) apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. O r. acórdão – fls 210 e ss, conclui pela procedência parcial da impugnação apresentada, retificando os autos lavrados em razão da decadência parcial considerada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · A AdvocaciaGeral do Estado — AGE detém a competência para a representação judicial e extrajudicial do Estado de Minas Gerais, a teor do artigo 128 da Constituição Mineira, sendo inválidas as notificações dirigidas a outros órgãos do Estado, que não possuem personalidade jurídica e competência para receber notificações. Portanto, a intimação dirigida à Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas ao contrário do que pretende fazer crer o acórdão recorrido, não tem validade, não prestando para a contagem de fluência do prazo da impugnação, nem deste recurso. Assim, deverá ser considerada para efeitos de contagem do prazo para recurso, a data em que a Advocacia Geral do Estado TEVE CIÊNCIA, desta decisão, por meio da SETOP, ou seja, ofício SETOP AJU/079/14, recebido na AGE/MG em 28/04/2014. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15504.726268/201213 Acórdão n.º 2803004.022 S2TE03 Fl. 5 4 · Portanto, requer o Estado de Minas Gerais que a data em que a Advocacia Geral do Estado tomou ciência desta intimação, qual seja, 28/04/2014, seja considerada como termo inicial para a fluência do prazo recursal. · A ação fiscal não cuidou de verificar que o CARF já definiu posição no sentido de que a verba paga a servidores do Estado de Minas Gerais a título de ajuda alimentação não se trata de salário de contribuição, conforme restou definido no julgamento da antiga NFLD n°35.361.5030. · Prima facie, o Estado de Minas Gerais requereu perícia para apuração dos valores lançados, que foi indeferida pela fiscalização em flagrante ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa (CF, art. 5o, LV) e princípio administrativo da indisponibilidade do interesse público. · Com relação aos servidores ocupantes de cargos em comissão de recrutamento amplo, a fiscalização não cuidou de verificar a possibilidade de dentre eles existirem servidores titulares de cargos efetivos, como já alegado na impugnação. · A legislação aplicável à parcela referente à alimentação do servidor estadual é a legislação estadual, com base na autonomia constitucional dos entes federados. · Com respeito ao auxílio transporte, igualmente o Fisco considerou não ter o Estado de Minas Gerais cumprido a legislação previdenciária. Ora, no caso, a legislação própria é a estadual, em razão da prerrogativa constitucional da autonomia. · Não é razoável e nem proporcional considerar as parcelas pagas para alimentação, transporte e produtividade do servidor como de natureza remuneratória. O prêmio de produtividade, regido pela Lei Estadual n° 17.600/2008 não é habitual, ao contrário do que se entendeu no julgamento da impugnação. · Ainda, os recolhimentos referentes às verbas citadas como Gratificação de 1 /3 de féria regulamentares códigos 0152 e 2152, Acerto de exercício anterior 13o Salário código 0390, salário família art.79 LC 64/02 código 0261, Décimo Terceiro Salário códigos 0151 e 2151, vencimento básico ativo atraso — código 200, pagas a servidores, foram realizadas quando do seu pagamento e devidamente comprovadas à época, razão pela qual não procede a decisão que considerou que não foram provadas alegações, razão pela qual estas exigências devem ser igualmente excluídas. · A fiscalização não apontou qualquer razão fática para deslocar o risco de acidente de trabalho na autuada do grau leve para médio, a não ser uma presunção geral baseada no CNAE sob a rubrica 841100 "Administração Pública em Geral". Ora essa definição é genérica, Fl. 260DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15504.726268/201213 Acórdão n.º 2803004.022 S2TE03 Fl. 6 5 ampla e vaga. Assim deverão ser decotados também da autuação os valores remanescentes referentes à diferença lançada em razão da alíquota do RAT de 1% para 2%. · Requer o provimento do recurso, com a nulidade do débito e que as intimações sejam feitas em nome da Procuradora Signatária e remetidas ao seguinte endereço: Rua Espírito Santo, 495, 11° andar, Centro, Belo Horizonte/MG, CEP: 30.160030. É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15504.726268/201213 Acórdão n.º 2803004.022 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA INTIMAÇÃO Como bem aponta a r. decisão, o auto foi lavrado em nome do Estado de Minas Gerais, não havendo assim reparo a ser efetivado. A indicação da Secretaria de Transporte apenas facilita a localização da unidade fiscalizada. Registrese que a Procuradoria do Estado se manifestou regularmente no feito, não havendo irregularidade a ser sanada. Acerca do pedido de intimação em nome da procuradoria, o mesmo não encontra amparo na legislação vigente. As intimações são feitas ao sujeito passivo conforme procedimentos previstos no art. 23 do decreto 70.235/72, sem ordem de preferência. DA AUTUAÇÃO A recorrente aponta o que entende como rubricas não sujeitas a tributação, sem no entanto trazer nenhum documento que comprove o que alegado. Sobre a existência de servidores que ocupam cargos em comissão de recrutamento amplo, objetivamente não apontou nenhum que seja titular de cargos efetivos e concomitantemente sujeito a regime próprio. A autuação traz a relação nominal de todos os servidores considerados, o que não foi impugnado. Sobre o prêmio de produtividade, a mera previsão em lei estadual não tem o condão de afastar a contribuição federal, matéria de competência privativa da União Federal, consoante art. 22, XIII da Constituição Federal de 1988, além do disciplinamento previsto nos arts. 194 e ss. A fiscalização apurou a diferença de alíquota RAT devida e a recolhida, não houve reenquadramento de ofício da atividade da recorrente, tampouco deslocamento do grau de risco da autuada, como alegado, não havendo reparo a ser efetivado. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15504.726268/201213 Acórdão n.º 2803004.022 S2TE03 Fl. 8 7 DO INDEFERIMENTO DA PERÍCIA O princípio da livre convicção do julgador é aplicável em relação às provas carreadas aos autos. O pedido de diligência foi indeferido uma vez que foi considerado prescindível pela autoridade julgadora para que a mesma formasse sua convicção. Vejamos a legislação pertinente art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) O pedido de perícia requerido foi devidamente indeferido. Reproduzo excerto de suas conclusões: 43. Neste caso a realização de perícia é desnecessária, em razão de o lançamento ter sido efetuado através do exame dos documentos de posse da impugnante, por ela elaborados e contabilizados, o que lhe permite contradizer e defenderse sem qualquer restrição, eis que, forçosamente, são de seu conhecimento. 44. As questões que seriam submetidas ao perito são de sabença dentro dos próprios autos do processo. Repitase: são de caráter meramente protelatório. 45. Assim não resta à Administração outra postura que não seja a de indeferir a perícia solicitada, uma vez que a empresa foi fiscalizada por agente fiscal em pleno gozo de suas atribuições e devidamente capacitado. Ad argumentandum tantum, a realização de diligências ou perícias não se presta a desencadear desnecessária refiscalização, mormente se não há fatos documentais que a justifiquem, nem a produzir provas ou documentos cuja responsabilidade de guarda e manejo é do contribuinte, que os deveria ter apresentado tempestivamente na fase impugnatória. DO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. PAGAMENTO EM PECÚNIA. Acerca da matéria – pagamento de alimentação em dinheiro, reproduzo trecho do parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011: Por outro lado, quando o auxílioalimentação for pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15504.726268/201213 Acórdão n.º 2803004.022 S2TE03 Fl. 9 8 Referido parecer foi aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda, consoante despacho publicado no DOU de 24.11.2011, seção 01, pág 72. A lei 8.212/91 traz: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976;” Esclarecemos que o referido parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 também entende que a parcela in natura entregue ao empregado não se configura salário de contribuição, estando ou não a empresa inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador, mas esta não é o caso dos autos. No caso presente, com pagamento em dinheiro, não há que falar na excepcionalidade da retrocitada alínea “c” do § 9º do art. 28 da lei 8.212/91, sendo tais verbas consideradas como salário de contribuição. O Programa de Alimentação do Trabalhador está disciplinado pela Portaria Secretaria de Inspeção do Trabalho/Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho Nº 3 de 01.03.2002. Tal norma não prevê o pagamento em dinheiro, a corroborar com o entendimento explanado no parecer. Vejamos as modalidades previstas: III das Modalidades de Execução do Pat Art. 8º Para a execução do PAT, a pessoa jurídica beneficiária poderá manter serviço próprio de refeições ou distribuição de alimentos, inclusive não preparados, bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, desde que essas entidades sejam credenciadas pelo Programa e se obriguem a cumprir o disposto na legislação do PAT e nesta Portaria, condição que deverá Fl. 264DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15504.726268/201213 Acórdão n.º 2803004.022 S2TE03 Fl. 10 9 constar expressamente do texto do convênio entre as partes interessadas. Art. 9º As empresas produtoras de cestas de alimentos e similares, que fornecem componentes alimentícios devidamente embalados e registrados nos órgãos competentes, para transporte individual, deverão comprovar atendimento à legislação vigente. Nota Nova nova redação dada a este Artigo pelo Artigo 2º da Portaria SIT/DSST nº 61 de 28.10.2003. Tal portaria está em consonância com o art. 3º da lei Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976: Art.3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga ‘in natura’ pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. (Grifamos). Dessa feita, pagamento a título de auxílioalimentação, pago em dinheiro, deve ser considerado base de cálculo de contribuições à seguridade social, nos termos do art. 28,I da lei 8.212/91. DO VALE TRANSPORTE A matéria, pagamento de vale transporte em pecúnia, encontrase sumulada no âmbito deste Conselho, dispensando assim maiores considerações, senão vejamos: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Destarte, reconheço a improcedência da autuação fiscal em razão da impossibilidade da exigência do crédito tributário sobre o valetransporte pago em pecúnia. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para afastar das autuações as contribuições referentes a vale transporte. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15504.726268/201213 Acórdão n.º 2803004.022 S2TE03 Fl. 11 10 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 10530.004675/2008-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ART. 55 DA LEI 8.212/91. REQUISITOS. PREENCHIMENTO. OBRIGATORIEDADE. VIGÊNCIA A ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. ATO CANCELATÓRIO DE DECLARAÇÃO DE IMUNIDADE.
Havendo descumprimento dos requisitos dos incisos IV e V, devidamente constatados pela autoridade fiscal, a qual em processo administrativo regularmente procedido determinou o cancelamento do ato declaratório anterior, cabe o lançamento das contribuições que deixaram de ser recolhidas dentro do prazo decadencial.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ART. 55 DA LEI 8.212/91. REQUISITOS. PREENCHIMENTO. OBRIGATORIEDADE. VIGÊNCIA A ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. ATO CANCELATÓRIO DE DECLARAÇÃO DE IMUNIDADE. Havendo descumprimento dos requisitos dos incisos IV e V, devidamente constatados pela autoridade fiscal, a qual em processo administrativo regularmente procedido determinou o cancelamento do ato declaratório anterior, cabe o lançamento das contribuições que deixaram de ser recolhidas dentro do prazo decadencial. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2215; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.004675/200859 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.846 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 03 de dezembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente PRÓMATRE DE JUAZEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ART. 55 DA LEI 8.212/91. REQUISITOS. PREENCHIMENTO. OBRIGATORIEDADE. VIGÊNCIA A ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. ATO CANCELATÓRIO DE DECLARAÇÃO DE IMUNIDADE. Havendo descumprimento dos requisitos dos incisos IV e V, devidamente constatados pela autoridade fiscal, a qual em processo administrativo regularmente procedido determinou o cancelamento do ato declaratório anterior, cabe o lançamento das contribuições que deixaram de ser recolhidas dentro do prazo decadencial. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 46 75 /2 00 8- 59 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.004675/200859 Acórdão n.º 2403002.846 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1529.130 – 5ª Turma da DRJ/SDR, fls. 101/110, que julgou totalmente improcedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.147.8855, referente ao período de 12/2003 a 12/2007, no valor de R$ 3.373,33 (três mil, trezentos e setenta e três reais e trinta e três centavos). A presente autuação almeja o recolhimento das contribuições previdenciárias dos segurados empregados, no período de 07/2007 a 12/2009, pelo fato de ter sido cancelada a isenção de contribuições previdenciárias e a empresa não ter regularizado os débitos, conforme Relatório Fiscal, fls. 46/50: 3 – CANCELAMENTO DE ISENÇÃO O ato declaratório 04024/001/2000 concede isenção de contribuições sociais junto ao INSS, nos termos do § 1, do art. 55, da lei 8.212/91, com atendimento dos requisitos formais constantes nos incisos I e II do citado art.; Para verificação do atendimento às condições descritas nos incisos III, IV e V foi iniciada auditoria fiscal em 12/08/2003, oportunidade em que foi constatado o descumprimento dos incisos IV e V, do art. 55, da lei 8.212/91,apresentando Informação Fiscal para o cancelamento da isenção; O contribuinte apresentou defesa tempestiva requerendo a Improcedência da Informação Fiscal; A Seção de Análise de Defesa e Recursos decidiu procedente o Cancelamento da Isenção a partir da competência 11/2002, em 18/3/2004; O contribuinte recorre da decisão da decisão, remetendo suas razões à apreciação do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS; O relator do processo vota “pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO” seguido pela unanimidade dos membros da Segunda CRPS. 4 Com o cancelamento da isenção o contribuinte passa à obrigatoriedade de recolhimento das Contribuições Sociais à Previdência Social na sua totalidade. No entanto o contribuinte, ao arrepio da decisão de cancelamento, nada manifestou no sentido de regularizar os débitos decorrentes, seja recolhendo ou parcelando as diferenças, seja retificando a GFIP com a necessária alteração do código FPAS 639 relativo a entidade filantrópica isenta para o 515 relativo a exploração comercial da atividade de saúde dentre outras não abrangidas pela isenção. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 5 IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO – Esta auditoria levantou as informações declaradas pelo contribuinte em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, em levantamento próprio sob a denominação GFI – Remuneração declarada em GFIP, relativo às parcelas decorrentes das remunerações pagas, deduções aproveitadas e contribuições à Seguridade Social de segurados a serviço do contribuinte; DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 38/66. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Salvador, prolatou o acórdão 1529.130, de fls. 101/110, a qual julgou improcedente a impugnação ofertada para manter incólume o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2007 PRELIMINAR.. NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. INOCORRÊNCIA Somente serão considerados nulos, aqueles atos em que presentes quaisquer das circunstâncias previstas pelos incisos I e II do art. 59 do Decreto 70.235/1972. Ausentes, não há que se falar em nulidade. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. LOCAL DE LAVRATURA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DIVERSO DAQUELE ONDE ESTABELECIDO O CONTRIBUINTE. ART. 10 DO DECRETO 70.235/1972. NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. INOCORRÊNCIA. O local de verificação da falta, estabelecido pelo caput do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, tanto é o próprio estabelecimento do contribuinte – onde aquela, em tese, teria sido praticada – ou outro qualquer, inclusive na própria repartição fiscal, onde apurada (verificada) a ocorrência da irregularidade. Preliminar rejeitada. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Só há necessidade de perícia para elucidação de fato que depende de conhecimento especial. Não caracteriza cerceamento de defesa o indeferimento de diligência ou perícia, consideradas prescindíveis ou impraticáveis. ALEGAÇÃO ABSTRATA. A mera alegação abstrata e sem qualquer elemento de prova não é suficiente para a desconstituição do lançamento tributário. Não há fundamento fático que autoriza alteração ou cancelamento do lançamento original. CANCELAMENTO DE ISENÇÃO. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.004675/200859 Acórdão n.º 2403002.846 S2C4T3 Fl. 4 5 A discussão acerca do cancelamento da isenção se deu em processo administrativo próprio, apartado do Auto de Infração. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o reexame dos motivos que ensejaram o ato cancelatório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada, a recorrente, PRO MATRE DE JUAZEIRO, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio de instrumento de fls. 113/146, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1 – A conexão deste processo com os autos da Informação Fiscal nº 04.024.0/0001/2004; 2 – A suspensão desse Auto de Infração e de seu respectivo feito até o julgamento definitivo da ação ordinária nº 2006.33.05.001452; 3 – A nulidade do Acórdão recorrido, seja em razão de não terem sido devolvidos à recorrente seus Livros Razão e Diário do Período fiscalizado, seja em razão do não apensamento do presente Auto de Infração aos autos da Informação Fiscal 04.024.0/0001/2004 4 – Que seja, em razão do indeferimento das provas requeridas pela recorrente, determinada a remessa dos autos à instância a quo; 5 – Que seja declarada a nulidade do Auto de Infração impugnado, por ter sido lavrado na DRF em Feira de Santana e não na DRF em Juazeiro. 6 – Que seja declarado improcedente o AI em face da imunidade/isenção da recorrente. 7 – Que o termo inicial para cobrança só se dê a partir de quando for definitivamente julgada a ação ordinária nº 2006.33.00.001452, ou a partir de quando a recorrente foi intimada nos termos da r. decisão exarada pela Informação Fiscal nº 04.024.0/0001/2004, ou para retirar os excessos de cobrança, ou para declarar que a ilegalidade das multas, ou para que sejam excluídas as multas aplicadas É o relatório. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 284, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Como se mostrará a seguir, a isenção de que trata o art. 55, da Lei 8.212/91, isenta as entidades apenas da cota patronal, presentes nos artigos 22 e 23, não se aplicando as demais, como a contribuição dos segurados empregados, de que tratam os presentes autos. Contudo, tendo em vista a relação destes autos com o processo de nº. 10530.004673/200860, faço as seguintes considerações. O contribuinte apresentou extenso recurso voluntário com histórico analítico dos fatos processuais ocorridos no decorrer do procedimento de cancelamento do ato declaratório de isenção e afirma que aquela decisão não pode subsistir. Haja vista que não houve descumprimento dos incisos VI e V do art. 55 da Lei 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores. Em razão disso, farseá breve anotação com relação a imunidade condicionada constante na Constituição Federal. A Recorrente sustenta que a autuação é indevida tendo em vista que é imune ao pagamento da contribuição previdenciária, nos termos do art. 195, parágrafo 7o da CF, in verbis: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (sem destaques no original) Da leitura do artigo, verificase que as “entidades beneficentes de assistência social” precisam atender às exigências estabelecidas em lei para serem imunes à contribuição previdenciária. Nesse diapasão, assim disciplinava a norma infralegal (art. 55 da Lei n. 8.212/91), vigente à época do fato gerador, in verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.004675/200859 Acórdão n.º 2403002.846 S2C4T3 Fl. 5 7 I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (sem destaques no original) Para que seja concedida a imunidade regulamentada pela supracitada norma, a entidade precisa atender às exigências contidas nos incisos I, II, III, IV e V do art. 55 da Lei n. 8.212/91. Apesar de se tratar de imunidade, constante no art. 195, parágrafo 7º da CF, destacado alhures, percebese que ela é condicionada, e que os requisitos impostos na legislação são válidos e não podem ser excluídos da apreciação deste conselheiro. Nesse sentido, vejase o precedente do Supremo Tribunal Federal, in verbis: Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 I. Imunidade tributária: entidade filantrópica: CF, arts. 146, II e 195, § 7º: delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária (ADIMC 1802, 27.8.1998, Pertence, DJ 13.2.2004;RE 93.770, 17.3.81, Soares Muñoz, RTJ 102/304). A Constituição reduz a reserva de lei complementar da regra constitucional ao que diga respeito "aos lindes da imunidade", à demarcação do objeto material da vedação constitucional de tributar; mas remete à lei ordinária "as normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune". II. Imunidade tributária: entidade declarada de fins filantrópicos e de utilidade pública: Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos: exigência de renovação periódica (L. 8.212, de 1991, art. 55). Sendo o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos mero reconhecimento, pelo Poder Público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade receba o benefício constitucional, não ofende os arts. 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal a exigência de emissão e renovação periódica prevista no art. 55, II, da Lei 8.212/91. (RE 428815 AgR, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Primeira Turma, julgado em 07/06/2005, DJ 24062005 PP00040 EMENT VOL0219707 PP01247 RDDT n. 120, 2005, p. 150 153) **************************************************** CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE DE ENTIDADE BENEFICENTE. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE CEBAS EMITIDO E PRETENSAMENTE RECEPCIONADO PELO DECRETOLEI 1.752/1977. DIREITO ADQUIRIDO. ART. 195, § 7º DA CONSTITUIÇÃO. DISCUSSÃO SOBRE O QUADRO FÁTICO. ATENDIMENTO OU NÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. 1. Nenhuma imunidade tributária é absoluta, e o reconhecimento da observância aos requisitos legais que ensejam a proteção constitucional dependem da incidência da norma aplicável no momento em que o controle da regularidade é executado, na periodicidade indicada pelo regime de regência. 2. Não há direito adquirido a regime jurídico relativo à imunidade tributária. A concessão de Certificado de Entidade Beneficente Cebas não imuniza a instituição contra novas verificações ou exigências, nos termos do regime jurídico aplicável no momento em que o controle é efetuado. Relação jurídica de trato sucessivo. 3. O art. 1º, § 1º do Decretolei 1.752/1977 não afasta a obrigação de a entidade se adequar a novos regimes jurídicos pertinentes ao reconhecimento dos requisitos que levam à proteção pela imunidade tributária. 4. Não cabe mandado de segurança para discutir a regularidade da entidade beneficente se for necessária dilação probatória. Recurso ordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento. (RMS 26932, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.004675/200859 Acórdão n.º 2403002.846 S2C4T3 Fl. 6 9 Turma, julgado em 01/12/2009, DJe022 DIVULG 04022010 PUBLIC 05022010 EMENT VOL0238801 PP00015 LEXSTF v. 32, n. 374, 2010, p. 178183) Dessa forma, percebese que é obrigatório para reconhecimento do gozo da imunidade, o preenchimento de todos os requisitos acima, no entanto, no caso concreto, restaram desobedecidos os incisos IV e V, quais sejam: IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Afirma o recorrente que caberia a este colegiado também analisar a materialidade da questão que decorreu no cancelamento do Ato Declaratório. Ocorre que o tema já fora debatido exaustivamente no âmbito administrativo e, mesmo que houvessem provas no presente processo, suficientes à análise de que ele requer, essa a matéria não poderia ser analisada, uma vez que o próprio contribuinte confessa que ajuizou Ação Ordinária de n. 2006.33.05.0014520, na qual, à época da interposição de Recurso Voluntário, estava pendente de julgamento de Apelação interposta pelo próprio recorrente, em face da sentença judicial que negou o seu pleito. Dessa forma, entendo que há atração da Súmula 01 do CARF, de observância obrigatória por parte deste conselho, já que no processo judicial, que pretende ver anulado o ato declaratório, está sendo analisado em última instância, as mesmas alegações de mérito do descumprimento dos incisos IV e V do art. 55 da Lei 8.212/91 aqui trazidas. Logo, entendo que não merece provimento o recurso voluntário neste ponto. DAS DEMAIS ALEGAÇÕES DO RECORRENTE Ultrapassado o mérito da questão da imunidade, o recorrente afirma que só podem ser cobrados tributos quando forem definitivamente julgados processo administrativo 10530.002786/200669 e Ação Ordinária 2006.33.05.0014520, ou a partir de quando foi intimada da decisão final exarada na Informação Fiscal n. 04.024.0/0001/2004, argumento tal que não procede. Como se sabe, o ato que cancela o Ato Declaratório de gozo da imunidade, é de natureza meramente declaratória e retroage ao tempo da verificação do ato que culminou no descumprimento dos requisitos legais para tanto. A partir disso, tem a administração pública o prazo decadencial para lançar os tributos que o contribuinte deixou de recolher em razão da errônea informação de que determinada pessoa jurídica estava à margem da incidência do tributo. Logo, deve ser observado o art. 150, parágrafo 4º do CTN ou mesmo o art. 173, II do mesmo codex. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Verifico que o sujeito passivo foi cientificado por via postal, com Aviso de Recebimento, fl. 62, em 27/12/2008 e o período cobrado é de 12/2003 a 12/2007, não havendo que se falar, portanto, em decadência, por quaisquer dos critérios do CTN. Também afirma que a base de cálculo foi utilizada a maior e a recorrente não conseguiu fazer contraprova por cerceamento do direito de defesa. Ocorre que a base de cálculo sob exigência foi apurada pela própria contribuinte, em GFIP, e, no caso de as bases ali declaradas serem diversas da realidade, teve o contribuinte a oportunidade de juntar aos autos as provas necessárias para tanto, no decorrer do presente processo administrativo, não o tendo feito, não necessitando de diligência ou perícia para tanto. Com relação aos juros aplicados, esta matéria é pacífica no âmbito deste conselho administrativo, sumulado no verbete n. 04, de observância obrigatória por parte deste conselheiro, razão pela qual, também não merece provimento o alegado. DA MULTA APLICADA No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.004675/200859 Acórdão n.º 2403002.846 S2C4T3 Fl. 7 11 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. DA MULTA APLICADA No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.004675/200859 Acórdão n.º 2403002.846 S2C4T3 Fl. 8 13 conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914343/2009-57
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/07/2004
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO DEVIDAMENTE EFETUADA. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, sempre que apresentada prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Direito de crédito comprovado.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-003.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Marise Ferreira de Oliveira. OAB/SP 225.008.
Nome do relator: SOLON SEHN
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO DEVIDAMENTE EFETUADA. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, sempre que apresentada prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Direito de crédito comprovado. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Marise Ferreira de Oliveira. OAB/SP 225.008. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 43 43 /2 00 9- 57 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (São Paulo I)/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 36): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se conhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O acórdão recorrido reconheceu que, a partir do exame da Dctf, apenas parcela do Darf foi utilizada para quitação do débito do período, o que evidenciaria, em tese, um crédito a favor do interessado. Porém, manteve o despacho decisório, porquanto o sujeito passivo teria se limitado a apontar os valores da Dctf, desacompanhado de provas do direito creditório e dos detalhes necessários à demonstração da origem do recolhimento a maior, tais como a base de cálculo utilizada para apuração da contribuição e a alíquota aplicada. Na fase recursal, o interessado apresentou o detalhamento da origem do direito creditório, instruindo o recurso com demonstrativo de apuração do tributo, acompanhado da Dipj (Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica) do anocalendário de 2004, da Darf relativa ao recolhimento a maior e da Dctf original. Em 28 de maio de 2014, a Turma, por meio da Resolução nº 3802000.212, decidiu converter o julgamento em diligência à unidade de origem para informar: “se a base de cálculo declarada na Dipj corresponde à contabilizada na escrituração do contribuinte, apontando, se for o caso, eventuais divergências.”. A Delegacia Especial de Instituições Financeiras – DEINF, em São Paulo/SP, por sua vez, em resposta a diligência, concluiu (fls. 109): “Considerando, portanto, as informações juntadas pelo interessado aos autos no curso da lide administrativa, notadamente dos registros contábeis pertinentes às despesas com “sinistros pagos”, mais o que prevê a legislação retrocitada, podese concluir, em resposta ao pedido formulado pelo CARF, ter o interessado logrado comprovar a consistência da Base de Cálculo conforme declarada na DIPJ/2005 originalmente entregue, não alterada por ocasião da entrega da DIPJ/2005 retificadora, e, por conseqüência, a procedência do discutido direito creditório decorrente do pagamento indevido ou a maior efetuado a título do PIS de 06/2004.”. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914343/200957 Acórdão n.º 3802003.956 S3TE02 Fl. 129 3 O referido despacho foi cientificado ao Recorrente (fls. 113) quando da obtenção de cópias por seus procuradores, sem nova manifestação. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 17/06/2011 (fls. 79), interpondo recurso tempestivo em 18/07/2011 (fls. 41). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. Inicialmente, cumpre destacar que, nos casos de transmissão de PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido”. (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto Fl. 130DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.”(Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012. No mesmo sentido, cf.: Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.125. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 28/07/2012; “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013). No presente caso, o acórdão recorrido reconheceu que, a partir do exame da Dctf, apenas parcela do Darf foi utilizada para quitação do débito do período, o que evidenciaria, em tese, um crédito a favor do interessado. A DRJ, porém, manteve o despacho decisório, porquanto o sujeito passivo teria se limitado a apontar os valores da Dctf, sem apresentar prova do direito creditório ou os detalhes necessários à demonstração da origem do recolhimento a maior. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914343/200957 Acórdão n.º 3802003.956 S3TE02 Fl. 130 5 Na fase recursal, o interessado apresentou o detalhamento da origem do direito creditório, instruindo o recurso com demonstrativo de apuração do tributo, acompanhado da Dipj (Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica) do anocalendário de 2004, da Darf relativa ao recolhimento a maior e da Dctf original. A Turma entendeu que seria apropriada devido às particularidades do caso concreto, sobretudo em razão do volume da escrituração fiscal e contábil de uma empresa de seguros a conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem atestasse qual foi a base de cálculo efetivamente tributada e se esta corresponderia à declarada na Dipj. A DEINF, por sua vez, reconheceu que “podese concluir, em resposta ao pedido formulado pelo CARF, ter o interessado logrado comprovar a consistência da Base de Cálculo conforme declarada na DIPJ/2005 originalmente entregue, não alterada por ocasião da entrega da DIPJ/2005 retificadora, e, por conseqüência, a procedência do discutido direito creditório decorrente do pagamento indevido ou a maior efetuado a título do PIS de 06/2004”. A Procuradoria da Fazenda, por outro lado, ao manifestar acerca do resultado da diligência, entendeu que estaria devidamente demonstrado o crédito pleiteado, razão pela qual o recurso deveria ser provido. Assim, estando corretos os dados da Dipj (fls. 84 e ss), verificase que, em junho de 2004, embora a Recorrente tenha apurado – a título de Contribuição ao PIS/Pasep – um crédito tributário de R$ 300.283,61, promoveu um recolhimento no valor de R$ 341.471,65 (cf. Darf de fls. 68). A diferença, portanto, representa direito de crédito líquido e certo, sujeito à compensação. Votase pelo conhecimento e integral provimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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