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Numero do processo: 11020.720072/2005-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/20042 a 30/06/2004
Ementa,
TAXA SELIC - É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar na concessão de um "plus", sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto.
Numero da decisão: 9303-001.146
Decisão: ACORDAM os Membros da 3ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/20042 a 30/06/2004 Ementa, TAXA SELIC - É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar na concessão de um "plus", sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto.
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O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os Membros da 3" TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento Henrique Pinheiro Torres — Presidente Substituto Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relatar Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro (Substituto convocado), Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Substituto convocado), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, José Adão Vitorino de Morais (Substituto convocado), Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann, Relatório Cuida-se de recurso especial do Sujeito Passivo, fls. 325/338, contra decisão do acórdão 02 203-13375, da Terceira Câmara do Segundo Conselho, que negou a inclusão dos gastos com energia elétrica e combustíveis no cálculo do crédito presumido previsto na Lei n" 10.276/2001, em virtude da falta de comprovação, bem como a aplicação da taxa Selic sobre os créditos reconhecidos. O recorrente pugna para que seja autorizada a utilização dos créditos presumidos de fF1 decorrentes dos custos com energia elétrica e combustíveis e que seja atualizados pela Selic o valor a ser 1-esswrido. O recurso foi admitido apenas quanto a aplicação da taxa Selic, lis, 406/407. A Fazenda apresentou contrarrazões às fls. 431/437. É o Relatório Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenbing Filho, Relatar O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A pedra angular do litígio posta nos autos cinge-se na possibilidade de incidência da taxa SELIC no ressarcimento de IPI. Preliminarmente, para decidir esta matéria é de suma importância registrar a diferença dos institutos do ressarcimento da restituição. A restituição é a repetição de um indébito Decorre de pagamento indevido ou a maior que o devido. Já o ressarcimento não está vinculado a qualquer pagamento indevido, mas decorre de concessão legal Sobretudo, não se pode olvidar que o direito subjetivo ao ressarcimento somente é constituído com o advento do despacho da autoridade competente, em oposição ao que ocorre com a repetição do indébito, em que o direito de repetir já nasce imediatamente com o pagamento indevido ou a maior, independentemente de qualquer ato da autoridade administrativa. Nesta linha, fica evidente existir duas figuras que não se confundem: a) restituição por pagamento indevido ou a maior do que o devido (repetição de indébito); e b) ressarcimento, previsto em lei concessiva 2 \[? \f.: N112 171 Processo n" 11020720072/2005-78 CSI2F-T3 Acórdão n " 9303-001146 Fl 404 É. certo que restituição e ressarcimento compartilham alguns aspectos, como o de ser ambos passíveis de satisfação em dinheiro ou mediante compensação, mas de nenhum modo ressarcimento é espécie do gênero restituição. Noutro giro, não há que se falar em desvalorização do valor a ser ressarcido, mesmo porque o ambiente de ampla correção monetária que vigia no passado foi abolido pelo Legislador. Com efeito, o Legislador aboliu e repudiou o sistema geral de indexação da economia através da aprovação das normas legais que consolidaram o Plano Real, inexistindo atualmente previsão de atualização monetária tanto para caso de ressarcimento como para caso de restituição. Nesse contexto, inadmissível pensar na aplicação da Taxa Selic como um meio de reposição do valor real da moeda. A Taxa Selic é, isto sim, a expressão numérica dos juros.. Não se trata de atualização monetária. Juros, por sua vez, é um acréscimo ao principal, é um plus que inclusive se caracteriza como renda para aquele que o aufere. Ora, o Estado não pode pagar rendimentos — na forma de Taxa Selic, vale dizer, de juros — sem previsão legal, mormente quando o que seria o valor principal (ressarcimento) é, ele próprio, dependente de lei concessiva. A previsão legal para a incidência de juros Selic, por sua vez, somente se refere aos casos de restituição, Ao mencionar a compensação (art. 39, § 4"), é claro que o dispositivo refere-se aos valores que poderiam ser restituídos, não permitindo interpretação extensiva. O texto da Lei no 9,250, de 1995, é claro, não havendo como aplicar por analogia aquele dispositivo ao caso do ressarcimento.. Neste sentido deve-se dizer que o art. 39, § 40, da Lei no 9,250/95, inclusive não estabeleceu a atualização de valores restituídos ao contribuinte com base na Taxa Selic, Isto porque, simplesmente, tal taxa expressa juros, não correção ou atualização monetária. O que foi previsto para casos de restituição foi a aplicação de juros, calculados com base na Taxa Sebe. Depois, o dispositivo trata de restituição, nada falando de ressarcimento, Por fim, a data prevista para o início da incidência dos juros é a do pagamento indevido ou a maior do que o devido, data essa que somente pode ser identificada se se tratar de pedido de restituição, A incidência dos juros Selic a partir da data de protocolo do processo de pedido de ressarcimento é critério que não consta da legislação, o que reforça a tese de que os juros não podem incidir, nesse caso. Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso do sujeito passivo. É como voto, Sala das Sessões, em 28 de setembro de 2010 Gilson Macedo Rosenburg Filho
score : 1.0
Numero do processo: 10166.912445/2009-41
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ/BSB/DF.
Numero da decisão: 1003-000.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de conversão em diligência, vencido o conselheiro Wilson Kazumi Nakayama e no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRJ/BSB/DF para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ/BSB/DF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de conversão em diligência, vencido o conselheiro Wilson Kazumi Nakayama e no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRJ/BSB/DF para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ/BSB/DF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de conversão em diligência, vencido o conselheiro Wilson Kazumi Nakayama e no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRJ/BSB/DF para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 24 45 /2 00 9- 41 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10166.912445/200941 Acórdão n.º 1003000.610 S1C0T3 Fl. 217 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 29335.02084.090109.1.7.046900, em 09.01.2009, fls. 1115, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2362, determinado sobre a base de cálculo estimada relativo ao mês de dezembro do anocalendário de 2007 no valor de R$53.841,19 contido no DARF de R$628.457,47 arrecadado em 31.01.2008, efls. 147148, para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fl. 04, em que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 53.841,19 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação.dos débitos informados no PER/DCOMP.[...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/BSB/DF nº 0345.497, de 20.10.2011, efls. 6267: ESTIMATIVA. SALDO DE IMPOSTO A PAGAR OU A COMPENSAR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10166.912445/200941 Acórdão n.º 1003000.610 S1C0T3 Fl. 218 3 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS INFORMAÇÕES SOBRE O TIPO DE CRÉDITO DECLARADO NO PER/DCOMP. A retificação da informação referente ao tipo de crédito informado no PER/DCOMP pelo contribuinte, em relação ao PER/DCOMP original, não é permitida, pois tal situação não configura inexatidão material de preenchimento do PER/DCOMP, mas sim inovação, sendo necessária a apresentação de novo PER/DCOMP. Os acréscimos legais devem ser calculados desde o vencimento da obrigação até a data de transmissão do novo PER/DCOMP, pois o PER/DCOMP anterior não teve o condão de extinguir o crédito tributário, pela improcedência do crédito informado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 28.05.2012, efls. 7172, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 27.06.2012, efls. 7378, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: DAS PRELIMINARES [...] Então o indeferimento do pedido de compensação teve por fundamento o fato de a Recorrente ter declarado, no PER/DCOMP, que a compensação dos mencionados débitos decorria do uso de crédito originário de pagamento indevido do IRPJ relativo ao mês de DEZEMBRO/2007, consoante o mencionado DARF, ao invés de ter declarado que o crédito se originava de Saldo Credor do IRPJ apurado na DIPJ 2008, relativa ao anocalendário de 2007. DOS FUNDAMENTOS [...] Assim, o que se verifica é que, nada obstante a existência do crédito tributário oriundo de Saldo Credor do IRPJ apurado na DIPJ 2008, relativa ao ano calendário de 2007, essa Secretaria pretende que a Recorrente proceda ao pagamento das parcelas dos tributos objeto da compensação, pelo simples fato de feito constar no PER/DCOMP que o referido crédito se originava de Pagamento Indevido ou a maior, entendendo que a retificação do PER/DCOMP, para fazer constar a real situação creditória da Recorrente, não pode ser tratada como inexatidão material. Contudo, conforme bem lembrado por essa Secretaria, a legislação de regência dispõe no sentido de que a pessoa jurídica tributada com base no Lucro Real, como é o caso da Recorrente, que efetuar pagamento a título de estimativa mensal somente poderá utilizála ao final do período de apuração ou seja, em 31/12/2007 na dedução do imposto devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. Ocorre que, no presente caso, o DARF por meio do qual se procedeu ao pagamento da parcela do IRPJ apurada por estimativa relativamente ao mês de DEZEMBRO/2007 compôs o saldo credor do referido Imposto apurado em 31/12/2007, na ordem de R$ 75.333,10. Ou seja, o saldo credor constituise do próprio pagamento do IRPJ relativo ao mês de DEZEMBRO/2007, vez que, o resultado fiscal apurado até o mês de novembro/2007 (Prejuízo) não imponha a recorrente a obrigação de proceder ao recolhimento de parcelas do IRPJ por Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10166.912445/200941 Acórdão n.º 1003000.610 S1C0T3 Fl. 219 4 Estimativa, conforme demonstram a planilha anexa, a Demonstração de Resultados Acumulados e a própria DIPJ2008. Assim, o que se constata é que a Recorrente se utilizou do crédito oriundo de saldo credor do IRPJ apurado na DIPJ2008, o qual somente surgiu com o pagamento do referido tributo devido mês de DEZEMBRO/2007, que corresponde ao final do período de apuração. Nada obstante, a prevalecer a determinação dessa Secretaria que impôs à Recorrente a obrigação de proceder ao recolhimento dos tributos compensados por meio do PER/DCOMP não homologado, surgirá para a Recorrente o direito à restituição/compensação do Saldo Credor do IRPJ, na ordem de R$ 75.333,10, apurado na DIPJ2008, atualizados até a data da efetiva compensação. Então, no entender da Recorrente, o procedimento fiscal levado a efeito pela RFB tem por único propósito impor formalidades à Recorrente com o intuito de arrecadar os encargos relativos à multa oriunda do atraso no recolhimento dos referidos tributos, o que, no entender da Recorrente, caracteriza imposição de penalidade não prevista na legislação fiscal. Concernente ao pedido expõe que: DO DIREITO Assim, uma vez comprovada a existência do crédito tributário, em 31/12/2007, poderia a Recorrente fazer uso deste para compensar débitos tributários futuros, o que foi efetivado com a remessa, em 09/04/2008 e 09/01/2009, dos PER/DCOMPs retromencionados, não havendo que se impor à Recorrente formalidades que resultarão, de uma forma ou de outro, no direito à compensação já efetuada. Do exposto, impõese que o presente recurso seja julgado procedente, com a consequente suspensão da exigibilidade dos créditos tributários em discussão COFINS e PIS/PASEP, devidos no mês de MAIO/2008, nos valores nominais de R$ 41.982,73 e R$ 14,238,24 os quais foram objeto de compensação declarada no PERD/COMP 29335.02084.090109.1.7.0476900, porque o resultado da ação fiscal resultará nulo, vez que o pagamento do tributo ora reclamado implicará o surgimento de crédito passível de compensação, desde à data de sua constituição, qual seja, 31/12/2007. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10166.912445/200941 Acórdão n.º 1003000.610 S1C0T3 Fl. 220 5 O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10166.912445/200941 Acórdão n.º 1003000.610 S1C0T3 Fl. 221 6 O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Na decisão de primeira instância de julgamento foi afastada a possibilidade de análise do Per/DComp, inclusive, ao argumento de que o pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa”, conforme Súmula CARF nº 84, que é de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015). Temse que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10166.912445/200941 Acórdão n.º 1003000.610 S1C0T3 Fl. 222 7 livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado (art. 165, art. 168 e art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento (Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, impõe, pois, o retorno dos autos a DRJ/BSB/DF para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB, nos termos da Súmula CARF nº 84. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ/BSB/DF. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRJ/BSB/DF para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 223DF CARF MF
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Numero do processo: 10435.722839/2013-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2009 a 31/12/2010
PARCELAMENTO. LEI 12.810/2013. NÃO INCLUSÃO DA MULTA ISOLADA.
A multa isolada lançada com base no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, e não incluída no parcelamento regrado pela Lei nº 12.810/2013, havendo sido objeto do recurso voluntário, permanece sendo objeto do litígio, não cabendo a extinção do feito.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2401-006.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2009 a 31/12/2010 PARCELAMENTO. LEI 12.810/2013. NÃO INCLUSÃO DA MULTA ISOLADA. A multa isolada lançada com base no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, e não incluída no parcelamento regrado pela Lei nº 12.810/2013, havendo sido objeto do recurso voluntário, permanece sendo objeto do litígio, não cabendo a extinção do feito. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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LEI 12.810/2013. NÃO INCLUSÃO DA MULTA ISOLADA. A multa isolada lançada com base no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, e não incluída no parcelamento regrado pela Lei nº 12.810/2013, havendo sido objeto do recurso voluntário, permanece sendo objeto do litígio, não cabendo a extinção do feito. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 28 39 /2 01 3- 79 Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10435.722839/201379 Acórdão n.º 2401006.132 S2C4T1 Fl. 401 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 354/358). Pois bem. Temse em pauta o auto de infração (AI) n° 51.000.8020 para a aplicação de multa isolada por compensação indevida nas competências 04/2009 a 12/2010. Valor R$ 2.756.561,84. A representação DRF Caruaru/SARAC n° 134/2013 (f. 2) dá notícia de que o AI n° 51.000.8020 foi desmembrado do processo n° 10435.720132/201247, em razão de não ser possível incluílo no parcelamento disciplinado pela MP n° 589/2012. As referidas compensações indevidas, lançadas no AI n° 51.000.8038, foram confessadas pelo sujeito passivo e incluídas em parcelamento. O sujeito passivo foi cientificado (f. 325) do desmembramento em 12/05/2015 (f. 329), tendo apresentado impugnação (fls. 332/345), em 11/06/2015, aduzindo as seguintes teses de defesa: 1. Tempestividade da impugnação; 2. Desnecessidade de desmembramento do processo, tendo em vista a vinculação dos objetos dos processos administrativos; 3. Possibilidade de inclusão da multa isolada no parcelamento: 3.1. Da análise do art. 1°, da Lei n° 12.810/2013, é inevitável concluir que todas as multas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias estão incluídas no parcelamento, inclusive as denominadas multas isoladas; 3.2. Não procede, portanto, qualquer restrição extralegal do conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN; 3.3. Apresenta decisões judiciais no sentido da possibilidade de inclusão; 4. Impossibilidade de aplicação de multa isolada exorbitante, com nítido caráter confiscatório (CF/1988, art. 150, IV). Apresenta decisões judiciais. Com a impugnação, trouxe cópias de procuração e documentos de identificação (fls. 346/351). Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE (DRJ/CTA), por meio do Acórdão nº Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10435.722839/201379 Acórdão n.º 2401006.132 S2C4T1 Fl. 402 3 1151.007 (fls. 354/358), de 17/08/2015, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, com a consequente manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2009 a 31/12/2010 MULTA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. PARCELAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com entendimento administrativo, a multa isolada por compensação indevida não se enquadra no conceito de multa por descumprimento de obrigação acessória ou principal, pelo que é impossível sua inclusão no parcelamento previsto pela MP n° 589/2012 e Lei n° 12.810/2013. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2009 a 31/12/2010 MULTA. CONFISCO. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Logo, impossível afastar a aplicação da multa prevista em lei, sob alegação de violar norma constitucional de vedação ao confisco. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. No tocante à impossibilidade de inclusão no referido parcelamento da multa objeto da presente autuação, há manifestação da RFB/Coordenação Geral de Arrecadação e Cobrança (COCAD), conforme Nota Parcelamento Lei n° 12.810/2013 e MP n° 589/2012 n° 17/2013 (fls. 60/61). 2. Consoante entendimento administrativo, ao qual o julgador está vinculado, a multa por compensação indevida não se enquadra como multa por descumprimento de obrigação acessória, visto que o dever instrumental não foi previsto por interesse da arrecadação ou fiscalização do tributo, mas no interesse do contribuinte proceder a compensação. 3. Logo, pela interpretação dada, não se trata de restrição ao conceito de crédito tributário, como pretende a impugnação, mas de não subsunção da multa ao conceito de crédito tributário previsto no art. 139 do CTN. 4. Quanto às decisões judiciais referidas na impugnação, verificase que o Autuado não faz parte de nenhum dos pólos da relação processual. Os Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10435.722839/201379 Acórdão n.º 2401006.132 S2C4T1 Fl. 403 4 efeitos das decisões apontadas somente recaem sobre as partes da demanda, não podendo ser estendidas ao Impugnante na esfera administrativa. 5. Em relação ao percentual da multa de 75%, foi aplicado em dobro (150%) em atenção à previsão da Lei n° 8.212/91. 6. À autoridade administrativa, cumpre aplicar a lei, sob pena de responsabilidade. Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Impossível, assim, reduzir ou afastar a penalidade aplicada em razão do alegado caráter confiscatório vedado pela Constituição (CF, art. 150, IV). O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência integral do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 364/392), alegando, em suma, que: (a) O Legislador ao promulgar a Lei 12.810/2013, possibilitou aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios, as autarquias e as fundações públicas, entre outras coisas, incluir no parcelamento os débitos relativos às contribuições previdenciárias para com a União (Fazenda Nacional), e as respectivas obrigações acessórias. (b) É de se destacar que a referida lei, permite aos mencionados entes a possibilidade de proceder com o parcelamento dos débitos relativos às contribuições sociais, com a inclusão das obrigações acessórias, de competências vencidas até 28 de fevereiro de 2013. (c) O § 4° do Art. 1° da Lei 12.810 de 15 de Maio de 2013, permite a inclusão da multa prevista no § 10 do Art. 89 da Lei 8.212 de 24 de Julho de 1991, ou seja, possibilita a inclusão da multa isolada aplicada na hipótese de compensação indevida. (d) É pacífico o entendimento em nossa Jurisprudência que o parcelamento do débito utilizado no caput do art. 1° da Lei 12.810/2013, abrange não só as obrigações principais, como também as penalidades pecuniárias. (e) Desta feita, não há que se falar em penalidade ainda a ser aplicada, posto que a referida multa pecuniária já fora objeto de parcelamento. (f) A aplicação de multa exorbitante contra o ente municipal, possui nítido caráter confiscatório, contrário ao patamar razoável estabelecido pelo Eg. Supremo Tribunal Federal. (g) Não faz sentido, também, aplicar multa no percentual máximo, nos casos em que a atuação do contribuinte se enquadre juridicamente em outra classe menos severa de punição. Especialmente quando a própria multa seria descabida, por ter havido compensação devida e regular efetivada pelo Contribuinte, que demonstrou boafé ao esclarecer, Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10435.722839/201379 Acórdão n.º 2401006.132 S2C4T1 Fl. 404 5 tempestivamente, aos órgãos oficiais todas as situações questionadas no Termo de Intimação Fiscal – TIF n° 02/2011. (h) É ilegal a aplicação de multa entre pessoas de direito público por inexistir poder de polícia e dado um desnivelamento de planos revelador da supremacia jurídica de uma das partes em relação à outra. (i) As pessoas jurídicas de direito público são detentoras do jus puniendi e se pudessem sofrer sanções na órbita penal estariam sacrificando a sua própria legitimidade, afetando o próprio princípio federativo. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho e distribuídos a este Relator, para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/7. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10435.722839/201379 Acórdão n.º 2401006.132 S2C4T1 Fl. 405 6 manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pelo interessado. Por fim, cumpre assentar que falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da legalidade das normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário, podendo apenas reconhecer inconstitucionalidades já declaradas pelo Supremo Tribunal Federal, e nos estritos termos do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. 3. Mérito. A controvérsia central dos autos diz respeito ao parcelamento previsto na Lei n° 12.810/2013, e, também, em relação à própria multa isolada de que trata o § 10 do art. 89 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. A esse respeito, pontuo os seguintes excertos da Nota Parcelamento Lei n° 12.810/2013 e MP n° 589/2012 n° 17/2013 (fls. 60/61): Tratase de análise quanto à inclusão de débitos relativos às multas isoladas no parcelamento previsto na Lei nº 12.810, de 2013. O caput do art. 1º da mencionada Lei assim disciplina: Art. 1º Os débitos com a Fazenda Nacional de responsabilidade dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e das respectivas autarquias e fundações públicas, relativos às contribuições sociais de que tratam as alíneas a e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e às respectivas obrigações acessórias, provenientes de competências vencidas até 28 de fevereiro de 2013, inclusive décimo terceiro salário, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa da União, ainda que em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior não integralmente quitado, serão consolidados e pagos em 240 (duzentas e quarenta) parcelas a serem retidas no respectivo Fundo de Participação dos Estados FPE e Fundo de Participação dos Municípios – FPM e repassadas à União, ou em prestações equivalentes a 1% (um por cento) da média mensal da receita corrente líquida do Estado, do Distrito Federal ou do Município, o que for de menor prestação. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10435.722839/201379 Acórdão n.º 2401006.132 S2C4T1 Fl. 406 7 Depreendese da leitura do dispositivo acima copiado que os débitos passíveis de serem parcelados na forma da Lei nº 12.810, de 2013 são aqueles de responsabilidade dos entes públicos estaduais, municipais e distrital e de suas autarquias e fundações públicas, relativos: 1 – às contribuições sociais de que tratam as alíneas 'a' e 'c' do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991; e 2 – às respectivas obrigações acessórias. Dessa forma, todos os débitos relativos às contribuições estão abrangidos pelo parcelamento. Semelhantemente, todos os débitos relativos às respectivas obrigações acessórias também estão. A questão surgem em relação às multas isoladas. Estas, como o nome já diz, são aquelas para as quais não há nenhuma vinculação com o tributo; são lançadas isoladamente do tributo, tanto que convivem com a multa de ofício vinculada e com a multa de mora. No caso do parcelamento e questão, os órgãos públicos podem ter sido autuados por multa isolada decorrente do atraso na entrega ou omissão da GFIP, ou pela multa isolada prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Este último dispõe que: § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Estariam então essas multas isoladas estão abrangidas pelo parcelamento? A resposta depende do enquadramento dessas multas nas hipóteses previstas na lei, ou seja: 1 são relativas às contribuições sociais de que tratam as alíneas 'a'' e 'c' do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991? A resposta é não, pois, como se disse anteriormente, independem do tributo. A multa por atraso visa estimular a entrega tempestiva da declaração; a multa pela compensação indevida visa punir conduta fraudulenta. 2 – são relativas às obrigações acessórias? No caso da multa por atraso, sim. Já no caso da multa isolada pela compensação indevida, não. Esse entendimento é reforçado pelo item 9 do Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, que assim disciplinou: “9. O procedimento de compensação, restituição e ressarcimento possui deveres instrumentais para se efetivar (apresentar mediante programa específico – PER/Dcomp, Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10435.722839/201379 Acórdão n.º 2401006.132 S2C4T1 Fl. 407 8 comprovação do crédito do requerente, etc.), mas que não podem ser classificados como obrigação acessória. 9.1 O conceito legal de obrigação acessória está no § 2º do art. 113 do CTN: § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.” 9.2 Fica explícito que a obrigação acessória é a de fazer ou não fazer do sujeito passivo no interesse da arrecadação ou da fiscalização. A compensação por intermédio do sistema Per/Dcomp enseja o pedido de reconhecimento de um crédito do sujeito passivo em face de um débito que ele mesmo declara, por exemplo. 9.3 O que a RFB verifica é a existência daquele crédito do sujeito passivo. Os deveres instrumentais não podem ser considerados como as obrigações acessória do art. 156 da Lei 9.779, de 1999, uma vez que a base legal para tais deveres é, por exemplo, o § 14 da Lei 9.430, de 1996...” Portanto, até aqui se pode afirmar que a multa por atraso está abrangida pelo parcelamento, mas a multa por compensação indevida não está. Entretanto, surge, a partir da leitura do § 2º do art. 1º da Lei 12.810, outra questão, uma vez que esse dispositivo assim dispõe: “§ 2o Os débitos parcelados terão redução de 100% (cem por cento) das multas de mora ou de ofício, de 50% (cinquenta por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) dos encargos legais, inclusive honorários advocatícios.” Sendo as multas isoladas multas de lançamento de ofício, estariam abarcadas pelo § 2º? Mais uma vez a resposta está na própria lei. Notese que o dispositivo legal diz que “os débitos parcelados terão redução...” Uma vez que a multa isolada não é um débito parcelável de acordo como o caput do art. 1º, mesmo sendo de lançamento de ofício não está abrangida pelo § 2º. Dessa forma, podese concluir que: 1 – em relação à multa por atraso, esta está abrangida pelo parcelamento, pois se trata de obrigação acessória, logo, há que se aplicar a redução de 100% sobre essa multa; 2 – em relação à multa por compensação indevida, como não está abrangida pelo parcelamento, não será um débito parcelado na forma da lei, consequentemente, não sofrerá nenhuma redução. Entendo, pois, que agiu com acerto a decisão de piso, eis que as multas isoladas como aquela aplicada em decorrência de compensação indevida em GFIP, não são Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10435.722839/201379 Acórdão n.º 2401006.132 S2C4T1 Fl. 408 9 objeto do parcelamento previsto pela Lei n° 12.810/2013. A questão, inclusive, já foi enfrentada, em outra oportunidade, por este Conselho, conforme se constata do seguinte julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 30/04/2011 PARCELAMENTO. LEI 12.810/2013. NÃO INCLUSÃO DA MULTA ISOLADA. A multa isolada lançada com base no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, e não incluída no parcelamento regrado pela Lei nº 12.810/2013, havendo sido objeto do recurso voluntário, permanece sendo objeto do litígio, não cabendo a extinção do feito. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. DISPONIBILIZAÇÃO DE TEMPO SUFICIENTE PARA A APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS SOLICITADOS. Não prospera alegação de cerceamento de defesa por falta de oportunidades de produção de prova, quando o período da ação fiscal foi mais do que suficiente para o contribuinte carrear os elementos reiteradamente solicitados. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS. DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. Havendo sido realizada compensação com créditos não comprovados, e descumprimento dos termos do art. 170A do CTN, bem como de decisão judicial, resta evidenciada a falsidade de declaração apta a justificar a aplicação da multa prevista no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplicase a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". (Processo n° 10218.720129/201115. Acórdão n° 2402005.007 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Sessão de 17 de fevereiro de 2016. Rel. Ronnie Soares Anderson). A questão fica ainda mais evidente, considerando que, posteriormente, foi incluído pela Lei n° 13.137, de 2015, o § 4°, do art. 1°, da Lei n° 12.810/2013, permitindo, a partir daí, a inclusão da multa isolada de que trata o § 10 do art. 89 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujo fato gerador ocorra até 28 de fevereiro de 2013, no parcelamento, sem aplicação das reduções. É de se ver o teor do dispositivo legal: Art. 1º Os débitos com a Fazenda Nacional de responsabilidade dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e das respectivas autarquias e fundações públicas, relativos às Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10435.722839/201379 Acórdão n.º 2401006.132 S2C4T1 Fl. 409 10 contribuições sociais de que tratam as alíneas a e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e às respectivas obrigações acessórias, provenientes de competências vencidas até 28 de fevereiro de 2013, inclusive décimo terceiro salário, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa da União, ainda que em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior não integralmente quitado, serão consolidados e pagos em 240 (duzentas e quarenta) parcelas a serem retidas no respectivo Fundo de Participação dos Estados FPE e Fundo de Participação dos Municípios FPM e repassadas à União, ou em prestações equivalentes a 1% (um por cento) da média mensal da receita corrente líquida do Estado, do Distrito Federal ou do Município, o que for de menor prestação. (...) § 4o A multa isolada de que trata o § 10 do art. 89 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujo fato gerador ocorra até a data estabelecida no caput, poderá ser incluída no parcelamento, sem a aplicação das reduções de que trata o § 2o. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) Assim, à época em que formulado o pedido de parcelamento, não havia previsão expressa no sentido de permitir a inclusão da multa isolada de que trata o § 10 do art. 89, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. Dessa forma, uma vez que a multa isolada foi objeto do Recurso Voluntário, permanece sendo objeto do litígio, cabendo o pronunciamento deste Conselho acerca dos demais argumentos lançados pelo recorrente. A começar, a respeito das alegações sobre a violação ao princípio do não confisco e proporcionalidade, temse, pois, que não é da competência funcional do órgão julgador administrativo a apreciação de alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. A declaração de inconstitucionalidade/ilegalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, outorgada pela própria Constituição Federal, falecendo competência a esta autoridade julgadora, salvo nas hipóteses expressamente excepcionadas no parágrafo primeiro do art. 62 do Anexo II, do RICARF, bem como no art. 26A, do Decreto n° 70.235/72, não sendo essa a situação em questão. E, ainda, a respeito da alegação do contribuinte no sentido de que é ilegal a aplicação de multa entre pessoas de direito público por inexistir poder de polícia e dado um desnivelamento de planos revelador da supremacia jurídica de uma das partes em relação à outra, também se trata de argumento que escapa à órbita deste Conselho, pois não há dispositivo legal que afaste a aplicação da referida multa aos entes estatais. Dessa forma, entendo que os fundamentos legais trazidos pelo recorrente, em seu recurso, não merecem prosperar, estando hígido o lançamento que ora se combate. Conclusão Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10435.722839/201379 Acórdão n.º 2401006.132 S2C4T1 Fl. 410 11 Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 410DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.923310/2014-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 33 10 /2 01 4- 01 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.923310/201401 Acórdão n.º 3301005.907 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarada pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A DRJ/BHE, no acórdão n° 02070.638, negou provimento ao apelo. Em recurso voluntário, a Recorrente aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa de se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações, utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa fica prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.923310/201401 Acórdão n.º 3301005.907 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.882, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.903814/201405, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.882): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.923310/201401 Acórdão n.º 3301005.907 S3C3T1 Fl. 5 4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar a COFINS paga. Dessa forma, não houve demonstração da base de cálculo utilizada na apuração da COFINS, para a verificação de que os recolhimentos abrangeram receitas mensais que não faziam parte da atividade da empresa. Em pedido de iniciativa da contribuinte, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS, relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas indevidamente incluídas na apuração; b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados; c) Exibir DIPJ, DCTF original e o DARF; d) Mostrar outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar que houve recolhimento sobre as outras receitas, que não compusessem o seu faturamento. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/15. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.923310/201401 Acórdão n.º 3301005.907 S3C3T1 Fl. 6 5 Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.006665/2005-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/12/2003
COFINS. DECADÊNCIA.
Decai em cinco anos o direito da Fazenda Nacional constituir os créditos relativos a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.309
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por não ter sido demonstrada à contrariedade a lei.
Nome do relator: Judith do Amaral Marcondes Armando
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Numero do processo: 10920.903638/2009-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
PRINCÍPIOS. DIREITO DE DEFESA, CONTRADITÓRIO E MOTIVAÇÃO. OFENSA NÃO CARACTERIZADA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Não há que se cogitar em nulidade das decisões administrativas: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentado clara fundamentação legal e motivação; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando o processo administrativo proporciona plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa.
VERDADE MATERIAL. ANÁLISE DAS PROVAS PELO JULGADOR. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDENTE.
não há que se falar em ofensa ao princípio da verdade material quando a autoridade julgadora apreciou as provas dos autos e não encontrou nenhuma prova capaz de infirmar a apuração consolidada no despacho decisório. Considerar as provas insuficientes pressupõe a sua análise, sendo portanto improcedente o argumento de nulidade da decisão por ofensa à verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DRJ. LOCALIDADE DIVERSA DO DOMICÍLIO FISCAL DO SUJEITO PASSIVO. COMPETÊNCIA DELIMITADA EM PORTARIA DA RFB.
As competências materiais e territoriais das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJs) estão definidas em Portaria da própria RFB.
Súmula CARF nº 102:
É válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento - DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Incumbe ao requerente a demonstração de que o crédito pleiteado em pedido de ressarcimento/compensação goza de liquidez e certeza. Sobre a parte que invoca direito resistido recai o ônus de produzir provas necessárias do respectivo fato constitutivo.
LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase contenciosa do processo administrativo fiscal somente se instaura em face de impugnação ou manifestação de inconformidade que tragam, de maneira expressa, as matérias contestadas, explicitando os fundamentos de fato e de direito, de maneira que os argumentos submetidos à primeira instância é que determinarão os limites da lide.
O efeito devolutivo do recurso somente pode dizer respeito àquilo que foi decidido pela instância a quo. Se o colegiado a quo, por ausência de efetiva impugnação, não apreciou a matéria, não há que se falar em reforma do julgamento.
A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ex vi do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, restringe-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de modo que matéria não impugnada ou não recorrida escapa à competência deste órgão.
GUARDA DE LIVROS E DOCUMENTOS. PRAZO.
A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO TOTAL DO CRÉDITO INFORMADO.
É de se manter a não homologação da declaração de compensação quando restar demonstrado que os créditos informados no PER/DCOMP foram integralmente utilizados para a extinção de outros débitos.
PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES.
São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa.
PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. CNPJ DA EMPRESA FORNECEDORA. CADASTRO IRREGULAR.
São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens emitidas por estabelecimento não cadastrado no CNPJ.
Numero da decisão: 3003-000.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PRINCÍPIOS. DIREITO DE DEFESA, CONTRADITÓRIO E MOTIVAÇÃO. OFENSA NÃO CARACTERIZADA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade das decisões administrativas: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentado clara fundamentação legal e motivação; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando o processo administrativo proporciona plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa. VERDADE MATERIAL. ANÁLISE DAS PROVAS PELO JULGADOR. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDENTE. não há que se falar em ofensa ao princípio da verdade material quando a autoridade julgadora apreciou as provas dos autos e não encontrou nenhuma prova capaz de infirmar a apuração consolidada no despacho decisório. Considerar as provas insuficientes pressupõe a sua análise, sendo portanto improcedente o argumento de nulidade da decisão por ofensa à verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DRJ. LOCALIDADE DIVERSA DO DOMICÍLIO FISCAL DO SUJEITO PASSIVO. COMPETÊNCIA DELIMITADA EM PORTARIA DA RFB. As competências materiais e territoriais das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJs) estão definidas em Portaria da própria RFB. Súmula CARF nº 102: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 36 38 /2 00 9- 12 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10920.903638/200912 Acórdão n.º 3003000.246 S3C0T3 Fl. 3 2 É válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Incumbe ao requerente a demonstração de que o crédito pleiteado em pedido de ressarcimento/compensação goza de liquidez e certeza. Sobre a parte que invoca direito resistido recai o ônus de produzir provas necessárias do respectivo fato constitutivo. LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase contenciosa do processo administrativo fiscal somente se instaura em face de impugnação ou manifestação de inconformidade que tragam, de maneira expressa, as matérias contestadas, explicitando os fundamentos de fato e de direito, de maneira que os argumentos submetidos à primeira instância é que determinarão os limites da lide. O efeito devolutivo do recurso somente pode dizer respeito àquilo que foi decidido pela instância a quo. Se o colegiado a quo, por ausência de efetiva impugnação, não apreciou a matéria, não há que se falar em reforma do julgamento. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ex vi do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, restringese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de modo que matéria não impugnada ou não recorrida escapa à competência deste órgão. GUARDA DE LIVROS E DOCUMENTOS. PRAZO. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO TOTAL DO CRÉDITO INFORMADO. É de se manter a não homologação da declaração de compensação quando restar demonstrado que os créditos informados no PER/DCOMP foram integralmente utilizados para a extinção de outros débitos. PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10920.903638/200912 Acórdão n.º 3003000.246 S3C0T3 Fl. 4 3 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. CNPJ DA EMPRESA FORNECEDORA. CADASTRO IRREGULAR. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens emitidas por estabelecimento não cadastrado no CNPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10920.903638/200912 Acórdão n.º 3003000.246 S3C0T3 Fl. 5 4 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Em 20/04/2009, foi emitido o Despacho Decisório de fl. 05 que, do montante do crédito solicitado/utilizado de R$ 205.008,80 referente ao 1º trimestre de 2004, reconheceu o direito creditório de R$ 203.640,18, e, conseqüentemente, homologou parcialmente a compensação declarada em PER/DCOMP. A referida PER/DCOMP foi transmitida em 09/09/2004. São indicados os seguintes valores no saldo devedor consolidado: principal – R$ 1.368,62, multa – R$ 273,72, juros – R$ 839,92. Conforme consta no Despacho Decisório, as informações sobre a análise do crédito encontramse no site da Receita Federal. Os detalhamentos da análise do crédito e da compensação e saldo devedor, presentes no site, demonstram que foram glosados créditos decorrentes de aquisições de fornecedores não cadastrados no CNPJ e de fornecedores optantes pelo SIMPLES. A requerente, inconformada com a decisão administrativa, apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 04, na qual contesta o deferimento parcial do pedido, alegando que o saldo credor de IPI no final do 1º trimestre de 2004 era de R$ 224.830,48, conforme cópia do Livro Registro de Apuração juntada. Por fim, requer a revisão e nova análise da PER/DCOMP. Apreciando a impugnação, a 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa. PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. CNPJ DA EMPRESA FORNECEDORA. CADASTRO IRREGULAR. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens emitidas por estabelecimento não cadastrado no CNPJ. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10920.903638/200912 Acórdão n.º 3003000.246 S3C0T3 Fl. 6 5 Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual sustenta: I EM PRELIMINAR 1. Nulidade da notificação por insegurança na determinação da infração; 2. Nulidade da decisão em virtude de ausência de análise de provas, fato que configuraria cerceamento do direito de defesa; 3. Nulidade da notificação fiscal em face da ausência de provas pela autoridade administrativa, configurando cerceamento do direito de defesa; 4. Não obrigatoriedade da guarda e manutenção de livros e documentos contábilfiscal além do tempo decadencial da Fazenda constituir os respectivos créditos, devendo o julgador perquirir, por outros meios, a ocorrência da hipótese de incidência, em virtude do princípio da verdade material. 5. Incompetência da DRJ em Ribeiração Preto, uma vez que a recorrente está estabelecida e domiciliada em Joinvile, Santa Catarina, de maneira que à DRJ Florianópolis caberia o julgamento da manifestação de inconformidade. II NO MÉRITO 1. Possibilidade de crédito de IPI no retorno ou devolução de mercadoria, ex vi do art. 229 do RIPI/2010. Nesse caso, a recorrente aduz, em síntese: Em relação as notas fiscais registradas com o CFOP n° 2.94913 e 1.94914, apesar de constar da autuação fiscal que houve a glosa do crédito em razão de que estas eram estabelecimentos optantes do SIMPLES, os créditos na realidade se referem à devolução/retorno de mercadorias, conforme comprovado pelo livro de Entrada (doc. 05) e saída (doc.06) e livro crédito de IPI (doc. 07):(...) Além de constar nas contas fiscais o registro da natureza da operação, qual seja, a devolução, há registro do crédito no livro de Registro de Entrada e saída, conforme documentos em anexo (doc. 05 e doc.06). 2. Impossibilidade de glosa dos créditos atinentes à aquisição de insumos de empresas optantes do SIMPLES. A recorrente argumenta, em resumo, que a norma inscrita no art. 5º, §5º da Lei 9.317/1996, vedando o direito ao crédito de IPI referente às aquisições de fornecedor optante do SIMPLES, fere o princípio da nãocumulatividade. Sustenta, ainda, que "são inconstitucionais as restrições dos artigos 118 e 166 do RIPI/02, por ferirem os princípios da nãocumulatividade constitucionalmente garantidos". Também sublinha que a glosa atinente ao aproveitamento de 50% de comércio atacadista prevista no art. 165 do RIPI/2002 é indevida, uma vez que vários créditos ali glosados não seriam referentes ao aproveitamento de 50% do crédito de IPI, não sendo extensível, para todas as notas fiscais emitidas, o fundamento adotado pela autoridade fiscal. Salienta, ainda, que agiu de boafé na utilização do crédito de IPI. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10920.903638/200912 Acórdão n.º 3003000.246 S3C0T3 Fl. 7 6 Argumenta, ainda, que a fiscalização não demonstrou que as empresas emissoras das notas fiscais eram optantes do SIMPLES, fato que dificultaria a defesa do contribuinte. Eis a síntese de sua alegação: Da leitura do acórdão acima ementado, é possível verificar que, o contribuinte de boafé, que agiu conforme as regras legislativas não pode sofrer qualquer sanção. Vejase que, no presente caso, o contribuinte analisou as notas fiscais e dela não se verificou nenhum indício de que a empresa emitente era optante pelo SIMPLES, pelo contrário, todos os indícios levaram a crer que não era empresa optante pelo SIMPLES. Portanto, resta demonstrado que, a Recorrente agiu de boafé. 3. Direito ao crédito de IPI relativo às notas fiscais que a autoridade tributária entendeu serem emitidas por empresas com CNPJ irregular: Ocorre que, esta informação é totalmente equivocada, pois ao se consultar os cadastros das empresas fornecedoras dos créditos, no próprio site da Receita Federal do Brasil (Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral no CNPJ), verificase que a situação dos CNPJ's destas empresas é bem diferente da situação descrita no Demonstrativo de Créditos e Débitos da análise de crédito da Receita Federal.(...) Há o registro indevido de várias notas fiscais na "Relação de Notas Fiscais com Créditos Indevidos — Créditos por Entradas no Período" sob a justificativa de que o "estabelecimento emitente da nota fiscal não cadastrado no CNPJ" — situação 2, sem ao menos verificar, se realmente a empresa fornecedora do crédito tributário, se encontrava na respectiva situação. (...) Ademais, a Autoridade Fiscal ao relacionar estas notas fiscais nestas duas situações, adotou como fundamento da irregularidade dos créditos, o artigo 190 do Decreto n° 4.544/2002 e o artigo 251 do Decreto n° 7.212/2010 (a partir de 16/06/2010): "Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade:" (grifamos) "Art. 251. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, ã vista do documento que lhes confira legitimidade:" (grifamos) Ocorre que, conforme demonstrado anteriormente, não houve o exato enquadramento da norma legal com o caso concreto, pois há notas fiscais capazes a autorizar o uso do crédito tributário, eis que, não se enquadram nas situações descritas pela Autoridade Fiscal: situação 2. Ou seja, não ficou caracterizada a subsunção configurase a subsunção quando o caso concreto se enquadra à norma legal em abstrato. Além disso, a Recorrente não pode ser responsabilizada e arcar com o prejuízo do aproveitamento indevido do crédito do IPI, conforme as alegações da Autoridade Fiscal, já que não tinha ciência de que não "havia", supostamente, os créditos a serem aproveitados. Ora, a Recorrente ao adquirir os créditos das notas fiscais (emitida pelas empresas fornecedoras) não tinha conhecimento de que havia a possibilidade de que tais créditos poderiam não "existir". Ou seja, o adquirente de boafé não pode ser responsabilizado pela inidoneidade de notas fiscais emitidas pela empresa fornecedora de créditos. (...) Por fim, cumpre lembrar que incumbe ao fisco verificar a idoneidade e a legitimidade das empresas fornecedoras dos créditos ficais e não à Recorrente. É o Fisco que tem o poder de fiscalizar. Assim, uma vez caracterizada a boafé da Recorrente em relação ao aproveitamento dos Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10920.903638/200912 Acórdão n.º 3003000.246 S3C0T3 Fl. 8 7 créditos de IPI das notas fiscais, revelase legítimo o aproveitamento destes créditos. 3. Inaplicabilidade da multa aplicada, tendo em vista a improcedência dos valores principais; 4. Possibilidade de conhecimento das alegações de inconstitucionalidade pelo julgador administrativo; 5. Nulidade da decisão recorrida, uma vez que a recorrente teria apresentado, com sua manifestação de inconformidade, "documentos — cópias das notas fiscais e livros fiscais , a fim de comprovar suas alegações", não tendo a autoridade julgadora analisado tais documentos. Postula, por fim, pela legitimidade e autenticidade dos documentos juntados, argumentando que é "perfeitamente possível e válida a declaração de autenticidade formulada por procurador devidamente constituído nos autos, devendo ser os documentos juntados à presente admitidos como aptos a comprovar os argumentos dispendidos na presente impugnação". Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10920.903638/200912 Acórdão n.º 3003000.246 S3C0T3 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Tendo em vista que o recurso interposto se volta a contestar pontos diversos da decisão recorrida, passo à análise tópica do recurso, orientandome pela divisão apresentada no relatório acima. I PRELIMINARES Inicialmente, importa recordar o teor da manifestação de inconformidade (fl. 4),1 interposta pela recorrente para contestar o despacho decisório (fl. 5), a fim de perquirir eventual preclusão dos argumentos trazidos em sede de recurso voluntário. Eis o inteiro teor da impugnação: Como se observa, a impugnação é bastante restrita na contestação ao despacho decisório, sobretudo quando comparada com o recurso voluntário, no qual a recorrente abordou, em preliminar, várias matérias, a saber: 1. nulidade da notificação por insegurança na determinação da infração; 2. nulidade da decisão em virtude de ausência de análise de provas, configurando cerceamento do direito de defesa; 3. nulidade da notificação por ausência de provas pela autoridade administrativa, configurando cerceamento do direito de defesa; 4. não obrigatoriedade da guarda e manutenção de livros e documentos contábil fiscal além do tempo decadencial da Fazenda constituir os respectivos créditos, devendo o julgador perquirir, por outros meios, a ocorrência da hipótese de incidência, em virtude do 1 Neste voto, as referências às folhas processuais seguem a numeração do eprocesso. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10920.903638/200912 Acórdão n.º 3003000.246 S3C0T3 Fl. 10 9 princípio da verdade material; 5. incompetência da DRJ em Ribeirão Preto, uma vez que a recorrente está estabelecida e domiciliada em Joinvile, Santa Catarina, de maneira que à DRJ Florianópolis caberia o julgamento da manifestação de inconformidade. Observase que nenhum dos pontos expostos acima estão presentes na impugnação perante o colegiado a quo. Importa, pois, perquirir se está configurada a preclusão de tais alegações preliminares. Vejamos. No tocante aos itens 1 e 3, acima identificados, entendo que eles abarcam matérias que não se sujeitam, ao meu ver, à preclusão, uma vez que tocam intimamente o direito de defesa e contraditório (nos referidos itens, argumentase acerca da preterição do direito de defesa). Também o item 2 diz respeito ao exercício do contraditório e do direito de defesa, além de versar de contestação de nulidade da própria decisão da DRJ, não se aplicando, obviamente, preclusão neste caso. De semelhante modo, no item 5, o recurso ataca a decisão da DRJ, não cabendo se falar em preclusão. Contestase, ademais, a própria validade da decisão recorrida, colocando em xeque a competência da instância a quo e, neste caso, não há que se falar em preclusão, pela natureza da nulidade argüida. Em relação ao item 4, tendo em vista que a matéria diz respeito à produção de provas, ou seja, ao exercício do direito de defesa, entendo que deva ser também apreciada. Passo ao exame das preliminares. I.1. nulidade da notificação por insegurança na determinação da infração A recorrente sustenta, em síntese, que a notificação da autoridade administrativa (despacho decisório) não corresponde à "realidade dos fatos, o que dificulta a defesa do contribuinte, pois não se sabe ao certo qual o motivo da glosa na utilização dos referidos créditos, já que, o crédito utilizado não decorreu da opção da utilização do crédito de empresa optante pelo SIMPLES". Não assiste razão à recorrente, uma vez que, no despacho decisório fls. 5, 127 a 134 , estão claros os motivos da glosa de créditos, a saber: (i) estabelecimento emitente de nota fiscal não cadastrado no CNPJ e (ii) empresa emitente da nota fiscal é optante pelo SIMPLES. Com efeito, na leitura do despacho decisório e do próprio recurso interposto, verificase que não há dúvidas quanto às infrações imputadas à recorrente, tendo esta se defendido, de forma específica, contra as glosas enunciadas no despacho decisório. Improcedente, portanto, a alegação de cerceamento do direito de defesa, sobretudo quando resta evidenciado que a recorrente contestou cada fundamento das glosas, demonstrando saber plenamente os motivos da decisão administrativa. A recorrente sustenta, também, erro na soma dos valores das glosas efetuadas, fato que causaria prejuízo ao direito de defesa: Da leitura do relatório Fiscal, foi registrado por competência, quais os valores glosados pela autoridade competente, sendo ao final o referido valor somado. No entanto, ao realizar a soma dos valores individuais, estes não batem com o valor da notificação registrado como valor principal. Portanto, tal fato dificulta a defesa do contribuinte, à medida que não deixa claro a procedência do valor autuado pelo agente fiscal. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10920.903638/200912 Acórdão n.º 3003000.246 S3C0T3 Fl. 11 10 Compulsando o despacho decisório à fl. 127, observase que o valor do crédito solicitado foi de R$ 205.008,80, tendo sido reconhecido o crédito de IPI, atinente ao primeiro trimestre de 2004, no valor de RS 203.640,18, para fins de amortização de débitos informados em diversas declarações de compensação, resultando na homologação parcial da declaração de compensação atinente ao PER/DCOMP nº. 27143.48644.141004.1.3.010104. Analisando o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL (fls. 128/129), podese verificar que o valor final de IPI ressarcível, para o primeiro trimestre de 2004, é de RS 203.640,18, refletindo, de forma precisa, o cômputo total do crédito apurado em cada período. Sublinhese que a recorrente chega sequer a demonstrar, de forma analítica, qual seria o erro alegado. Ademais, ainda que houvesse erro na soma dos valores apurados em cada período, tal fato não teria o condão de prejudicar o direito de defesa da recorrente (tanto é assim que a recorrente pôde se defender do suposto erro), não configurando motivo de anulação do despacho decisório. I.2. nulidade da decisão em virtude de ausência de análise de provas, configurando cerceamento do direito de defesa A recorrente sustenta que os créditos de IPI decorrem do retorno/devolução de mercadorias enviadas com destaque de IPI, tendo o despacho decisório se distanciado da realidade dos fatos, uma vez que considerou que os créditos decorreriam da aquisição de mercadorias de empresas optantes pelo SIMPLES. Nesse contexto, a recorrente sustenta que apesar de ter juntado, em sua impugnação, os documentos que demonstram que "determinados créditos eram originários de devolução e retorno de mercadoria e não de suposto crédito de empresa optante pelo SIMPLES, bem como, da análise da própria autuação, ao verificarse o CFOP, ainda assim a decisão afirma que 'os fornecedores apontados no motivo sete (7) do Despacho Decisório recolhiam seus tributos pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições — Simples'". Tal fato evidenciaria, segundo a recorrente, que não houve análise das provas trazidas aos autos, fato que acarretaria cerceamento do direito de defesa. Com relação a tais alegações, sublinhese que, no demonstrativo integrante do despacho decisório, RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS COM CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITOS POR ENTRADAS NO PERÍODO (fls. 129 a 134), há específica apuração dos créditos glosados, considerando cada período de apuração com a identificação de cada nota fiscal de entrada. Na impugnação interposta, não há qualquer argumentação específica, qualquer contestação no sentido de que parte dos créditos glosados seriam decorrentes de devolução e retorno de mercadorias. De fato, como antes assinalado, na manifestação de inconformidade, a defesa limitouse a afirmar que, no primeiro trimestre de 2004, o crédito no livro Registro de Apuração do IPI era de R$ 224.830,48. Naquela ocasião, houve apenas a juntada de cópia do referido livro, o qual somente fornece, para cada período de apuração, valores consolidados de retorno e devolução de mercadorias, sem identificação de notas fiscais específicas e sem vinculação alguma com as notas fiscais cujos créditos foram considerados indevidos pelo despacho decisório. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10920.903638/200912 Acórdão n.º 3003000.246 S3C0T3 Fl. 12 11 Assim, em face do teor da impugnação, à decisão recorrida não caberia enfrentar a matéria de que parte dos créditos glosados eram referentes a devolução/retorno de mercadorias, uma vez que tal questão foi sequer aventada pela impugnante. Ademais, mesmo que a impugnante tivesse trazido contestação específica, levantando a questão de devolução/retorno de mercadoria, ainda assim não haveria como o argumento ser acolhido, por expressa falta de provas. Na impugnação, a recorrente deveria ter trazido contestação específica e documentos para comprovála como, por exemplo, notas fiscais das operações juntamente com documentos de seu registro contábil. Em manifestação de inconformidade e recurso voluntário, a recorrente teve a possibilidade de construir argumentos e juntar elementos para contrapor o despacho decisório, não restando caracterizado o cerceamento do direito de defesa. I.3. nulidade da notificação por ausência de provas pela autoridade administrativa, configurando cerceamento do direito de defesa No tocante à glosa dos créditos das notas fiscais emitidas por empresas optantes do SIMPLES e à glosa dos créditos das notas fiscais emitidas por empresas sem CNPJ, a recorrente sustenta que o despacho decisório não traz provas para demonstrar (i) as opções das empresas pelo SIMPLES e (ii) a irregularidade do CNPJ, sustentando, ao final: Assim, no presente caso, deve ser julgada nula a presente notificação, pois há omissão por parte da autoridade administrativa que prejudica e impede o exercício da ampla defesa pelo contribuinte, pois há ausência na instrução processual de documento fiscal citado pelo autuante e que não consta dos arquivos do Contribuinte, conforme se verifica por meio da cópia integral do PAF retirada diretamente na Receita Federal do Brasil pelo contribuinte. Registrese, primeiramente, que o despacho decisório é resultante da análise das informações das notas fiscais indicadas pela própria recorrente no PER/DCOMP transmitido. Examinando, pois, as informações das notas fiscais indicadas no pedido de ressarcimento/declaração de compensação, a autoridade fiscal identificou que algumas das aquisições de mercadorias tinham sido realizadas com empresas optantes do SIMPLES e outras aquisições, com empresas cujo CNPJ estava irregular. Podese observar no demonstrativo RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS COM CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITOS POR ENTRADAS NO PERÍODO, fls. 129 a 134, que o despacho decisório trouxe descrição individualizada das notas fiscais cujo crédito foi glosado, tendo indicado, para cada nota, o motivo da glosa, a empresa emissora (CNPJ), o valor do crédito de IPI, entre outras informações. Diante de uma decisão minuciosa, que aborda cada nota fiscal informada no PER/DCOMP, indicando a razão da glosa e a empresa envolvida, não vislumbro cerceamento de defesa. A partir da relação meticulosa de notas fiscais, pôde a recorrente compreender plenamente quais infrações lhe foram imputadas, tendo apresentado, em sede de recurso, contestação que abrange os dois fundamentos da glosa, a saber, a aquisição de mercadoria de empresa optante do SIMPLES neste caso, a recorrente alega que não se trata de aquisições, mas de mera devolução/retorno de mercadorias e de empresa com CNPJ irregular e aqui a recorrente junta fichas cadastrais para tentar demonstrar a improcedência da glosa. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10920.903638/200912 Acórdão n.º 3003000.246 S3C0T3 Fl. 13 12 Sublinhese, a propósito, que as informações acerca da opção pelo SIMPLES e regularidade cadastral das empresas que negociaram com a recorrida não são de acesso restrito do Fisco, tendo a recorrente pleno acesso a tais informações, devendo, inclusive, certificarse, quando da negociação com outras empresas, do regime de tributação, situação cadastral das mesmas e correta emissão de notas fiscais de aquisição. No caso concreto, temos relações negociais envolvendo, de um lado, empresa que adquire insumos e, de outro, supostas empresas fornecedoras. Tais relações exigem um dever mínimo de cautela entre as partes envolvidas. Se uma empresa optante do SIMPLES emite, indevidamente, um documento fiscal com destaque de IPI, ou seja, documento inidôneo para creditamento de IPI, não pode a empresa adquirente alegar desconhecimento do regime de tributação adotado pela fornecedora: a adquirente deve tomar todas as medidas acautelatórias necessárias, próprias de uma relação negocial, certificandose se a fornecedora não é optante do SIMPLES, se o seu cadastro é regular, entre outras coisas. Em síntese, entendo que houve pleno exercício do direito de defesa pela recorrente, sendo improcedente a alegação de nulidade da decisão. I.4. não obrigatoriedade da guarda e manutenção de livros e documentos contábilfiscal além do tempo decadencial da Fazenda constituir os respectivos créditos, devendo o julgador perquirir, por outros meios, a ocorrência da hipótese de incidência, em virtude do princípio da verdade material A recorrente sustenta que não é obrigada à manutenção de livros e documentos contábilfiscal por tempo além do que aquele que o Fisco tem para constituir os respectivos créditos tributários. Sustenta, então, que ao julgador cabe buscar a verdade material por outros meios. Neste ponto, também não assiste razão à recorrente. No caso concreto, aplicase, precisamente, o art. 4º do DecretoLei nº 486/69, o qual estabelece que a "pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial". Apesar de várias oportunidades, faltou à recorrente apresentar documentos fiscais para lastrear sua escrituração contábil e para demonstrar suas alegações. Na análise do mérito, voltaremos a este ponto. I.5. incompetência da DRJ em Ribeirão Preto, uma vez que a recorrente está estabelecida e domiciliada em Joinvile, Santa Catarina, de maneira que à DRJ Florianópolis caberia o julgamento da manifestação de inconformidade. A recorrente aduz que possui domicílio em Joinvile, Santa Catarina, de maneira que a DRJ em Ribeirão Preto seria incompetente para julgar sua impugnação. Afirma que caberia à DRJ em Florianópolis a decisão sobre a manifestação de inconformidade interposta. A competência de julgamento das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJs) era disciplinada, à época do julgamento pela DRJ Ribeirão Preto, pela Portaria RFB nº 1916, de 13 de outubro de 2010, a qual dispunha, em seus arts. 1º e 3º: Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10920.903638/200912 Acórdão n.º 3003000.246 S3C0T3 Fl. 14 13 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos XV e XXVII do art. 261 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 125, de 4 de março de 2009, resolve: Art. 1º Estabelecer a competência territorial e por matéria das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) e relacionar as matérias de julgamento por Turma, conforme, respectivamente, os Anexos I e II desta Portaria. (...) Art. 3º O disposto nesta Portaria aplicase, inclusive, aos processos protocolizados anteriormente a sua edição. Da leitura dos dispositivos, depreendese que ao presente processo, protocolizado antes da edição da Portaria RFB nº 1916/2010, deve ser aplicada as regras de competência material e territorial enunciadas nos Anexos I e II da referida portaria. Observe se que tais normas de competência são específicas ao contencioso administrativo, não se aplicando, neste aspecto, as disposições do novo CPC (Lei nº 13.105/2015), lembrando que o próprio art. 15 do CPC prevê a aplicação supletiva e subsidiária de suas normas na ausência de normas que regulem os processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos. Pois bem. Compulsando o Anexo I da Portaria RFB nº 1916/2010, observa se que a DRJ em Ribeira Preto possuía competência para julgar as impugnações relativas ao IPI dos processos que envolviam contribuintes sediados nas 8ª e 9ª Regiões Fiscais: Unidades da RFB situadas nos municípios paulistas de Ribeirão Preto, Araçatuba, Araraquara, Bauru, Franca, Marília, Presidente Prudente, São José do Rio Preto, Limeira, Piracicaba e Sorocaba, e suas jurisdicionadas. Impostos e contribuições administrados pela RFB, exceto: I IPIV, II, IE e demais impostos ou contribuições exigidos quando do despacho aduaneiro de mercadorias na importação ou na exportação; II ITR; III CPMF; IV IOF; V IRPF não decorrente de lançamento de IRPJ. Ribeirão Preto (SP) 8ª e 9ª Regiões Fiscais. IPI (inclusive processos relativos à classificação fiscal de mercadorias e ao crédito presumido para ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins) e lançamentos conexos. IOF vinculado a pedidos de isenção de que trata o art. 72 da Lei nº 8.383, de 30 de novembro de 1991. Assim, no caso concreto, em face do domicílio da recorrente ser localizado na 9ª Região Fiscal (Joinvile/SC) e do processo versar sobre créditos de IPI, resta configurada a competência da DRJ em Ribeirão Preto. Sublinhese, ainda, que há súmula do CARF, de aplicação obrigatória pelos conselheiros, por força do art. 72, Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), que afirma ser válida a decisão exarada por DRJ de localidade diversa àquela do domicílio fiscal do sujeito passivo: Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10920.903638/200912 Acórdão n.º 3003000.246 S3C0T3 Fl. 15 14 Súmula CARF nº 102: É válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo. II MÉRITO No mérito, a controvérsia gira em torno dos seguintes pontos: 1. possibilidade de crédito de IPI no retorno/devolução de mercadorias; 2. possibilidade de aproveitamento de créditos na aquisição de insumos de empresas optantes do SIMPLES; 3. Inaplicabilidade de multa, tendo em vista a improcedência do principal; 4. possibilidade de conhecimento de alegações de inconstitucionalidade pelo julgador administrativo e 5. nulidade da decisão recorrida pela falta de apreciação das provas (aqui a recorrente volta a tocar na questão já abordada nas preliminares). No tocante ao primeiro ponto, a recorrente argumenta que os créditos glosados a título de aquisição de mercadorias de fornecedor optante do SIMPLES seriam, na verdade, decorrentes de retorno/devolução de mercadorias. No entanto, como já assinalado, a recorrente não trouxe, em sua manifestação de inconformidade, nenhum argumento nesse sentido e também não juntou qualquer elemento probatório para demonstrar suas alegações. Vale lembrar que, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta tão só alegações. Fazse necessário que as alegações sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Nessa esteira, importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, tratandose de pedido de ressarcimento/declaração de compensação, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter contestado a matéria ora analisada e ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10920.903638/200912 Acórdão n.º 3003000.246 S3C0T3 Fl. 16 15 Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Ainda assim, analisei os autos e constato que, mesmo em sede de Recurso Voluntário, não há elementos hábeis para demonstrar a certeza e liquidez dos créditos alegados. Em seu recurso, a recorrente aduz que os créditos são provenientes de retorno e devolução, sem, contudo, segregálos, identificar os respectivos lançamentos contábeis e as notas fiscais hábeis para comproválos. Na verdade, não foram sequer juntadas cópias das notas fiscais de retorno/devolução. Com efeito, compulsando a relação de notas fiscais com créditos indevidos integrante do despacho decisório (fls. 129 a 134) e cuja origem, vale lembrar, remonta as próprias informações declaradas pela recorrente no PER/DCOMP transmitido , verificase que não há documentos fiscais para comprovar os referidos créditos e para lastrear as informações constantes das páginas dos livros Registro de Entrada, Registro de Saída, juntadas pela recorrente. Para comprovar suas alegações, a recorrente deveria ter relacionado, para cada operação descrita no relatório de notas fiscais, a sua escrituração nos livros pertinentes, trazendo cópias das respectivas notas fiscais. Observese, ainda, que os CFOPs das operações de entrada de mercadoria que tiveram seus créditos glosados são atinentes a compra para industrialização (1.101 e 2.101) e outras entradas de mercadoria (1.949 e 2.949), não sendo, nenhum deles, relativo, necessariamente, a retorno ou devolução de mercadorias. Ora, se a recorrente pretendia descaracterizar a glosa de créditos, deveria ter demonstrado, de forma específica e com notas fiscais de retorno ou devolução, que os créditos glosados não são de operações de aquisição de mercadorias cujos fornecedores são optantes do SIMPLES. Outra matéria de mérito suscitada diz respeito à possibilidade, segundo a recorrente, do direito ao crédito de IPI nas aquisições de mercadorias fornecidas por empresas optantes do SIMPLES. Nesse ponto, a recorrente aduz que a norma inscrita no art. 5º, §5º da Lei 9.317/1996, vedando o aproveitamento de créditos de IPI nas aquisições de fornecedor optante do SIMPLES, fere o princípio da nãocumulatividade. Alega, nesse contexto, que ao julgador administrativo caberia se pronunciar sobre inconstitucionalidade. Sustenta, ainda, que "são inconstitucionais as restrições dos artigos 118 e 166 do RIPI/02, por ferirem os princípios da nãocumulatividade constitucionalmente garantidos". Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10920.903638/200912 Acórdão n.º 3003000.246 S3C0T3 Fl. 17 16 Como reconhece a própria recorrente, há expressa previsão legal vedando o direito ao crédito de IPI quando da aquisição de insumos fornecidos por empresas optantes do SIMPLES. É o que dispõe o art. 5º, §5º da Lei 9.317/199, in verbis: Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I (...) § 1 ° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada até o próprio mês. § 2° No caso de pessoa juridica contribuinte do IPI, os percentuais referidos neste artigo serão acrescidos de 0,5 (meio) ponto percentual. § 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a titulo de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos ao IPI e ao ICMS. § 6 ” O disposto no parágrafo anterior não se aplica relativamente ao ICMS caso a Unidade Federada em que esteja localizada a microempresa ou empresa de pequeno porte não tenha aderido ao SIMPLES, nos termos do art. 4º”. (g. n). Da leitura dos enunciados normativos transcritos, depreendese que, ao optar pelo SIMPLES, o sujeito passivo está sujeito à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendolhe vedado a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos ao IPI. Ao caso concreto, aplicase, portanto, o art. 5º, §5º da Lei 9.317/1996, não cabendo a este julgador aferir eventual inconstitucionalidade de tal preceito nem dos preceitos do Regulamento do IPI dele decorrentes, sobretudo pelo que dispõe a Súmula CARF nº. 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Registrese que a mencionada súmula é de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72, Anexo II do RICARF. Além disso, sublinhese que é vedado aos membros do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do que dispõe o art. 62 do RICARF. Em síntese, entendo como improcedentes os argumentos da recorrente no sentido de que: (i) seria possível o creditamento de IPI nas aquisições de mercadorias de fornecedores optantes do SIMPLES, (ii) seria possível a apreciação de inconstitucionalidade pelo julgador administrativo. No caso concreto, são plenamente aplicáveis o art. 5º, §5º da Lei 9.317/1996, assim como os arts. 118 e 166 do RIPI/02 (DECRETO Nº 4.544/2002). No mérito, a recorrente ataca, ainda, matérias já abordadas em preliminar, como, por exemplo, a questão de que parte da glosa atinente ao aproveitamento de 50% de comércio atacadista prevista no art. 165 do RIPI/2002 é indevida, uma vez que várias notas glosadas não seriam referentes ao aproveitamento de 50% do crédito de IPI na aquisição, e, ainda, a alegação de que agiu de boafé na utilização dos créditos glosados. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10920.903638/200912 Acórdão n.º 3003000.246 S3C0T3 Fl. 18 17 Sobre tais questões já nos pronunciamos. Como visto, a recorrente não juntou documentos essenciais para a comprovação de suas alegações, a saber: notas fiscais das operações glosadas. Sem esses documentos fiscais fundamentais, não há como comprovar as afirmações da recorrente. Sobre esta recai o ônus de provar o direito creditório alegado, sendolhe obrigatório conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Com relação à alegação de boafé, além daquilo que já foi exposto, cabe lembrar que existe todo um arcabouço normativo que regula o regime de apuração do IPI e, de forma específica, seu creditamento. A aplicação do princípio da boafé não poderá contrariar regras postas. Ao menos não caberá ao julgador administrativo afastar, em eventual choque entre regras e princípios, a aplicação de regras. No caso concreto, se a empresa fornecedora é optante do SIMPLES, não cabe creditamento do IPI, ainda que a recorrente tenha agido de boafé. Há normas expressas (o art. 5º, §5º da Lei 9.317/1996, arts. 118 e 166 do RIPI/02) que não podem ser simplesmente afastadas pela aplicação do princípio da boafé: não cabe a este julgador fazer prevalecer um princípio em detrimento de regras explícitas. Outra matéria suscitada pela recorrente diz respeito à glosa de créditos de aquisição de mercadorias fornecidas por empresas não cadastradas no CNPJ. Segundo a recorrente, várias notas fiscais glosados não foram emitidas por empresas sem cadastro no CNPJ. Para sustentar seu argumento, traz relação de empresas que teriam situação cadastral ativa no CNPJ, juntando à impugnação, cópias de comprovantes de situação cadastral (fls. 198 a 211) muitos dos quais, vale dizer, trazem data de situação cadastral posterior ao trimestre de apuração do crédito alegado. Também no tocante às referidas glosas, observase que a recorrente não juntou documentos essenciais para a comprovação de suas alegações e demonstração de seu direito creditório, a saber: as notas fiscais atinentes às operações glosadas. Sem esses documentos fiscais fundamentais, não há como comprovar as afirmações da recorrente. Como já assinalado, a recorrente tem o ônus de provar o direito alegado, devendo conservar, em ordem, todos os documentos essenciais para tanto. Diante de todas as considerações acima expostas, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vinícius Guimarães Relator Fl. 229DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001088/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador.
PRELIMINAR. NULIDADE.
Os casos de nulidade absoluta restringem-se aos previstos na legislação. Se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo normativo, não se justifica argüir a nulidade do lançamento de ofício.
NÃO-CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Somente se consideram isentas do PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. CUSTO AGREGADO.
Custo agregado ao produto agropecuário está limitado aos dispêndios pagos ou incorridos com matéria-prima, mão-de-obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização e armazenamento dos produto entregue pelo cooperado.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS DE PRODUTOS A ASSOCIADOS.
A exclusão da base de cálculo da receita de vendas de produtos a associados limita-se aos produtos vinculados diretamente com a atividade por eles exercida e que seja objeto da cooperativa, desde que sejam contabilizadas destacadamente.
SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATO COOPERATIVO. INCIDÊNCIA.
A partir de 1º.10.1999, por força da MP 1.858-6/99, as sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o seu faturamento, incidindo a contribuição sobre a totalidade das receitas, com as exclusões previstas no art. 15 da MP 2.158/2001 e no art. 17 da Lei nº 10.684/2003, para as cooperativas de produção agropecuária.
NÃO-CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. HIPÓTESE. IMPOSSIBILIDADE.
As exclusões de base de cálculo do PIS, nos termos do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, não configuram hipótese em que é autorizada a compensação do saldo credor com débitos de tributos administrados pela RFB ou o seu ressarcimento, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005.
Numero da decisão: 3301-005.686
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Foi proposta a conversão do julgamento em diligência, que não foi acatada pela turma. Vencido o Conselheiro Ari Vendramini.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador. PRELIMINAR. NULIDADE. Os casos de nulidade absoluta restringem-se aos previstos na legislação. Se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo normativo, não se justifica argüir a nulidade do lançamento de ofício. NÃO-CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Somente se consideram isentas do PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. CUSTO AGREGADO. Custo agregado ao produto agropecuário está limitado aos dispêndios pagos ou incorridos com matéria-prima, mão-de-obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização e armazenamento dos produto entregue pelo cooperado. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS DE PRODUTOS A ASSOCIADOS. A exclusão da base de cálculo da receita de vendas de produtos a associados limita-se aos produtos vinculados diretamente com a atividade por eles exercida e que seja objeto da cooperativa, desde que sejam contabilizadas destacadamente. SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATO COOPERATIVO. INCIDÊNCIA. A partir de 1º.10.1999, por força da MP 1.858-6/99, as sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o seu faturamento, incidindo a contribuição sobre a totalidade das receitas, com as exclusões previstas no art. 15 da MP 2.158/2001 e no art. 17 da Lei nº 10.684/2003, para as cooperativas de produção agropecuária. NÃO-CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. HIPÓTESE. IMPOSSIBILIDADE. As exclusões de base de cálculo do PIS, nos termos do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, não configuram hipótese em que é autorizada a compensação do saldo credor com débitos de tributos administrados pela RFB ou o seu ressarcimento, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005.
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INDEFERIMENTO Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador. PRELIMINAR. NULIDADE. Os casos de nulidade absoluta restringemse aos previstos na legislação. Se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo normativo, não se justifica argüir a nulidade do lançamento de ofício. NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Somente se consideram isentas do PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. CUSTO AGREGADO. Custo agregado ao produto agropecuário está limitado aos dispêndios pagos ou incorridos com matériaprima, mãodeobra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização e armazenamento dos produto entregue pelo cooperado. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS DE PRODUTOS A ASSOCIADOS. A exclusão da base de cálculo da receita de vendas de produtos a associados limitase aos produtos vinculados diretamente com a atividade por eles exercida e que seja objeto da cooperativa, desde que sejam contabilizadas destacadamente. SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATO COOPERATIVO. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 10 88 /2 00 9- 92 Fl. 358DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 3 2 A partir de 1º.10.1999, por força da MP 1.8586/99, as sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o seu faturamento, incidindo a contribuição sobre a totalidade das receitas, com as exclusões previstas no art. 15 da MP 2.158/2001 e no art. 17 da Lei nº 10.684/2003, para as cooperativas de produção agropecuária. NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. HIPÓTESE. IMPOSSIBILIDADE. As exclusões de base de cálculo do PIS, nos termos do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, não configuram hipótese em que é autorizada a compensação do saldo credor com débitos de tributos administrados pela RFB ou o seu ressarcimento, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Foi proposta a conversão do julgamento em diligência, que não foi acatada pela turma. Vencido o Conselheiro Ari Vendramini. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini. Relatório Trata o presente de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 10 037.788, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, mantendo o indeferimento parcial do PER apresentado, consoante despacho decisório acostado aos autos. Inconformada com o não reconhecimento do direito creditório pleiteado, a requerente apresentou Recurso Voluntário, com as seguintes alegações : I – DOS FATOS E DO HISTÓRICO DOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO REFERENTE AO SEGUNDO TRIMESTRE DE 2005 o Acórdão DRJ deve ser revisto e reformado, pois a recorrente é sociedade cooperativa, subsumindose ao regime não cumulativo da Contribuição ao PIS e, para tanto, para consecução de seus objetivos a recorrente industrializa e comercializa produtos, fazendo jus a créditos de PIS quando da aquisição de insumos empregados no processo produtivo e de comercialização de sua produção, por tal motivo efetivou Fl. 359DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 4 3 pedidos de ressarcimento dos saldos credores acumulados do PIS, que foram indeferidos pela autoridade fiscalizadora, por não concordar com alguns critérios de cálculo adotados pela cooperativa, concluindo que a cooperativa teria saldos devedores não declarados em DCTF e nem recolhidos. o presente processo visava a análise dos pedidos de ressarcimento do saldo de créditos referentes ao PIS não cumulativo acumulado no período do segundo trimestre de 2005, e não deve prosperar o indeferimento pois os créditos pleiteados estão de acordo com a legislação de regência. II – DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS 2.1 – DAS DIVERGÊNCIAS NOS CÁLCULOS APURADOS PELA AUTORIDADE FISCALIZADORA 2.2.1 – AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES foi glosado o crédito apropriado sobre aquisições considerados como insumo de produção que, conforme alega a autoridade autuante que tais insumos não se sujeitam ao pagamento das contribuições de acordo com o artigo 42 da MP 2.15835, que determina que as vendas efetuadas por distribuidor e varejista ficam reduzidas a zero não integrando, portanto, a base de cálculo dos créditos. Entretanto, a previsão legal para o crédito das contribuições encontrase no Inciso II do artigo 3º das leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, tendo estes dispositivos legais autorizado expressamente o creditamento quando utilizados como insumo de produção. além disso, tais mercadorias estão sujeitas ao regime de incidência monofásica das contribuições, portanto tais produtos estão sujeitos á incidência das contribuições, conforme pronunciamento da Secretaria da Receita Federal, na Solução de Consulta nº 51 de 31/03/2005, que afirma que produtos sujeitos a incidência monofásica, quando usados como insumos de produção, geram direito a crédito das citadas contribuições. assim não merece prosperar o argumento da autoridade fiscal autuante. 2.2.2 – AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS PARA REVENDA NÃO SUJEITAS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES a autoridade fiscal constatou que a cooperativa adquiriu e revendeu mercadorias não sujeitas ao pagamento das contribuições que estão sujeitas a alíquota zero, excluindo assim tais valores da base de cálculo dos créditos; conforme demonstrativos fornecidos á autoridade fiscal as mercadorias adquiridas com alíquota zero não foram computadas na base de cálculo do crédito, não cabendo nenhuma exclusão pois “ não tem lógica excluir da base de cálculo dos créditos o valor da receita de venda dessas Fl. 360DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 5 4 mercadorias, se a cooperativa tivesse incluído tais mercadorias na base de cálculo dos créditos. Assim, o que deveria ser excluído seria o valor das aquisições e não o valor das vendas conforme alega ter feito o agente fiscalizador.” 2.3 – DO DIREITO A CONSTITUIÇÃO E AO RESSARCIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO – AGROINDÚSTRIA A PARTIR DE 01/08/2004 a autoridade fiscal afirma que a partir de 01/08/2004 não existe mais previsão legal para o benefício do crédito presumido previsto no § 10 do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e no § 11 do artigo 3º da lei nº 10.833/203, pois este benefício foi revogado pelo artigo 16 da Lei nº 10.925/2004, por tal motivo efetuou a glosa de tais valores. a recorrente, a partir de 01/08/2004, passou a se apropriar dos créditos presumidos previstos no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, cuja vigência está disposta no artigo 17 do mesmo diploma legal, portanto, não há prevalecer o argumento da autoridade fiscal, podendo tal crédito ainda ser objeto de pedido de ressarcimento em função das exportações ou em função da sua origem, conforme artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e artigo 16 da Lei nº 11.116/2005, não importando se tais créditos se acumularam em função de vendas sujeitas a alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência.. 2.4 – DAS RECEITAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO a recorrente efetuou vendas de soja e milho com fim específico de exportação, sendo que tais receitas não sofrem incidência de PIS e COFINS, citando o artigo 7º da Lei nº 10.637/2002, alega a recorrente que a autoridade fiscal afirma que o não houve comprovação das vendas remetidas diretamente para embarque ou para recinto alfandegado, sendo por tal desconsideradas como vendas com fim específico de exportação, pois alguns destinatários não tem registro no SISCOMEX e outros tem tal registro porém não possuem recinto alfandegado, tendo sido descaraterizadas 100 % das vendas realizadas com este fim a autoridade fiscal se contradisse pois admitiu quer o ônus da prova quanto á efetiva exportação é de responsabilidade da comercial exportadora, e depois afirma que a recorrente não apresentou tal comprovação, reitera a recorrente que a responsabilidade por tal prova é da comercial exportadora, e que possui em seus arquivos memorandos de exportação que comprovam o efetivo embarque das mercadorias para o exterior. 2.5 – QUANTO Á APURAÇÃO DOS DÉBITOS (RECEITAS) – DAS EXCLUSÕES PERMITIDAS ÁAS COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 6 5 2.5.1 – CUSTOS DAS MERCADORIAS E BENS VENDIDOS AOS ASSOCIADOS a autoridade fiscal afirma que a recorrente excluiu indevidamente da base de cálculo das contribuições os custos referentes ás vendas de mercadorias e produtos aos associados, entretanto nem todos os custos são referentes ás vendas para associados, pois também são produzidos insumos enviados aos cooperados sob regime de integração, onde não ocorre a venda, portanto essa parcela do custo seria considerada custo agregado aos produtos dos associados e, ainda, a lei não exige que haja industrialização dos produtos adquiridos de associados de cooperativa para que haja a exclusão do valor pago para o associado pelo seu produto das bases de cálculo do PIS e da COFINS, portanto não deve prosperar o argumento da autoridade fiscal. 2.5.2 – CUSTO DOS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS VENDIDOS A TERCEIROS (CUSTO AGREGADO) a autoridade fiscal afirma que a recorrente excluiu indevidamente da base de cálculo do PIS e da COFINS os custos agregados aos produtos industrializados pela cooperativa e vendidos a terceiros, alegando que apenas os custos agregados aos produtos agropecuários dos cooperados entregues á cooperativa para comercialização é que poderiam ser objeto da exclusão, citando o artigo 17 da Lei nº 10.684/2003 e o § 8º c/c o Inciso V do artigo 11 da Instrução Normativa SRF nº 635/2006, afirma a recorrente que o auto de infração está eivado irregularidades pois com base nos dispositivos citados, é claro que os custos de produção agregados na elaboração dos produtos agropecuários entregues pelos cooperados á cooperativa podem ser deduzidos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 2.6 – DAS RECEITAS OBTIDAS NAS SEÇÕES DE VAREJO – RECEITAS DISCRIMINADAS NAS LINHAS 01 A 09 DA DACON a autoridade fiscal entendeu serem tributadas as receitas obtidas nas seções de varejo (supermercados), com a exclusão da alíquota zero e a substituição tributária pois tais receitas não estariam individualizadas, ou seja, não seria possível identificar as que são provenientes de vendas a associados e ao público em geral, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal a recorrente mantém tais receitas provenientes de vendas a associados, de forma individualizada, conforme comprovam seus controles e inclusão de tais receitas na rubrica contábil “outras exclusões” e estão discriminadas nas linas 01 a 09 da DACON porém, com as exclusões permitidas para as cooperativas, não restou base tributável para o PIS e a COFINS, Fl. 362DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 7 6 a falta de comprovação das alegações pela autoridade fiscal é motivo de nulidade do procedimento, pois embasase no arbítrio e na presunção da autoridade fiscalizadora, procedimento não amparado por lei e caso a autoridade fiscal quisesse lançar alguma irregularidade deveria fazer prova em contrário dos documentos apresentados pela recorrente, como a autoridade fiscal não prova, mas apenas alegou a irregularidade, não merece procedência os seus argumentos, pois é vedado á Administração atuar sob presunção fiscal. 2.7 – EXCLUSÃO DOS VALORES REPASSADOS a autoridade fiscal considerou a incidências do PIS e da COFINS sobre todas as operações de prestação de serviços, independentemente de terem sido prestadas por associado ou terceiro, não considerando nenhuma exclusão da base de cálculo, por entender que somente a partir de dezembro de 2005 passou a ser permitida a exclusão da base de cálculo dos repasses aos associados, com a alteração promovida pela Lei nº 11.196/2005 e pelo artigo 30 da Lei nº 11.051/2004. a autoridade fiscal deixou de aplicar o § único do artigo 79 da Lei nº 5.764/71, a qual define que os atos cooperados não são receitas e, portanto, o que existe é uma não incidência, portanto, quando um serviço é prestado por um associado está configurado o ato cooperativo e, configurado o ato cooperativo, não haverá a incidência de PIS e COFINS, e também o artigo 87 da mesma lei, que define o diferenciado tratamento tributário a ser dado ás operações com terceiros, além de não considerar o disposto no artigo 146 da Constituição Federal, que definiu que somente lei complementar pode legislar sobre o tratamento tributário do ato cooperativo, sendo assim, as lei e medidas provisórias que embasaram o argumento da autoridade fiscal não merecem prosperar por tais razões entende a recorrente que todos os serviços prestados por associados devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois são beneficiados pela não incidência aplicável ao ato cooperativo. 2.8 – DOS CRÉDITOS APURADOS PROPORCIONALMENTE A RECEITA NÃO TRIBUTADA a autoridade fiscal alega que os produtos comercializados pela cooperativa sofrem a incidência do PIS e da COFINS e que a cooperativa equivocouse no cálculo das vendas não sujeitas ao pagamento das contribuições para fins de determinação dos créditos passíveis de ressarcimento, pos alega que somente seriam passíveis de ressarcimento os créditos vinculados á receita de venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, conforme artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e artigo 16 da Lei nº 11.116/200 para a recorrente o ato cooperativo foi considerado como uma não incidência das contribuições, por isso, nos demonstrativos da cooperativa todo o crédito estava vinculado á receita não Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 8 7 tributada e , seguindo orientações da DACON sobre segregação dos créditos vinculados ás receitas tributadas e não tributadas no mercado interno, a recorrente identificou todos os insumos e despesas de produção que são vinculados diretamente a receita não tributada no mercado interno e apropriou diretamente na coluna Não Tributadas no mercado Interno, fazendo o mesmo com os custos e despesas vinculadas a receita tributada. a autoridade fiscal utilizou o critério de rateio para todos os custos e despesas, sem considerar os valores que foram apropriados diretamente na coluna específica, distorcendo o valor do crédito a ser ressarcido, não refletindo a realidade e não podendo prevalecer. III – DO REQUERIMENTO FINAL requer o recebimento e processamento do presente recurso, que seja a recorrente intimada pessoalmente para querendo fazer sustentação oral perante o CARF, que seja dado provimento ao presente recurso reformando o Acórdão recorrido com base nas razões de pedir constantes deste recurso para que : sejam homologados os dados inseridos pela recorrente nos DACON que comprovam o direito ao crédito, seja reconhecido o direito creditório, sejam declaradas homologadas as compensações realizadas, no caso de não reconhecimento do direito creditório, seja designada perícia em diligência ao estabelecimento da recorrente para a verificação in loco dos documentos e do processo de industrialização. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.672 de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 11030.000694/200991, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.672): Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 9 8 "7. Estão presentes os requisitos de admissibilidade, por tal razão conheço do recurso. 8. Antes de qualquer argumentação, ressaltemos que as razões de recurso são idênticas ás razões de impugnação, muito bem tratadas pelo Acórdão DRJ/PORTO ALEGRE, portanto, não é demais lembrar que adotaremos muito dos dizeres da decisão de piso, diante das matérias tratadas. 9. Relevante destacar as observações do julgador da DRJ, que assim se manifestou, de forma precisa: A interessada deixa de contestar expressamente os itens 4.2 (Das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus), 4.3 (Das vendas realizadas com suspensão do PIS e da Cofins nãocumulativos anterior a 04/04/2006), e 4.10 (Dos créditos decorrentes de aquisição de bens para revenda e de bens e serviços utilizados como insumos na produção adquiridos de associados) do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, matérias que se tornaram definitivas na esfera administrativa. (...) Deve se observar também que a interessada aborda questões em sua manifestação de inconformidade que não foram levantadas pela Fiscalização na auditoria realizada, ou seja, os itens da manifestação 2.2.1 (Aquisição de Insumos Não sujeitos ao Pagamento das Contribuições tributação monofásica), 2.2.2 (Aquisição de Mercadorias Para Revenda Não Sujeitas ao Pagamento das Contribuições – Alíquota Zero) da sua manifestação de inconformidade, não gerando glosas dos valores pleiteados. (...) Importante destacar também que os itens 4.4 (Das condições para aplicação da Suspensão de PIS e Cofins não cumulativos nas vendas realizadas a partir de 04/04/2006), 4.7 (Dos créditos decorrentes dos custos e despesas operacionais vinculadas às receitas das vendas com suspensão previstas no § 4º do art. 34 da IN SRF nº 635/2006) e 4.8 (Do crédito dos estoques de abertura) do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal não resultaram em glosas do crédito pleiteado. PRELIMINAR – DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 9. Afirma a recorrente que ocorreu nulidade do procedimento fiscal pelos seguintes motivos : o argumento utilizado pela autoridade fiscal, ao alegar que a recorrente excluiu indevidamente da base de cálculo das contribuições os custos referentes ás vendas de mercadorias e produtos aos associados, não pode subsistir por violação Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 10 9 direta do Princípio Constitucional da Legalidade (Item 2.5.1 do Recurso Voluntário); a autoridade fiscal alega que a recorrente excluiu indevidamente da base de cálculo das contribuições os custos agregados aos produtos industrializados pela recorrente e vendidos a terceiros, para o que não há fundamento legal que ampare tal entendimento, motivo pelo qual o auto de infração está eivado de irregularidades e vícios insanáveis, o que leva a sua extinção (Item 2.5.2 do Recurso Voluntário); a alegação fiscal de que as receitas não estariam individualizadas, sem provar materialmente o que alega, é caso de nulidade do procedimento pois, embasase inadmissivelmente no arbítrio e na presunção da autoridade fiscalizadora, procedimento este não amparado em lei e, ainda, com relação á presunção fiscal, é vedado á Fazenda Pública com base nela atuar e cobrar tributos, seja porque os atos fiscais deve ser praticados em estrita observância ao estabelecido em lei, seja porque não se admite a exigência tributária consubstanciada em ficção.(Item 2.6 do Recurso Voluntário). 10. Não assiste razão á recorrente. O que a recorrente chama de presunção e meras alegações não tem fundamento, pois o procedimento fiscal foi todo baseado em provas e respostas á intimações fornecidas pela própria recorrente, além de as autoridades fiscais autoras do lançamento detalharem todo o seu procedimento no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, ás fls. 81 a 113 dos autos digitais, segregando a autuação em itens detalhados, descrevendo a fundamentação legal e os motivos das glosas ou ajustes realizados, portanto não ocorreu a presunção ou a ilegalidade alegada pela recorrente. 11. A recorrente teve pleno conhecimento de todos os procedimentos fiscal, tendo intimada e reintimada a esclarecer pontos julgados controversos pelas autoridades fiscais, teve oportunidade de oferecer provas e se manifestar livremente, teve conhecimento do Termo de Verificação Fiscal em sua íntegra (INTIMAÇÃO Nº 125/2011.SAORT/DRF/PFO/SRRF/1O/RB/MFRS ás fls. 120 dos autos digitais e Aviso de Recebimento ás fls. 138 dos autos digitais), ainda apresentou razões defesa onde demonstrou que teve acesso a todos os procedimentos de autuação e aos argumentos do relatório fiscal, tendo ainda oportunidade de apresentar argumentos de defesa nas instâncias administrativas. 12. Ainda há que se considerar que as nulidades no processo administrativo estão descritas no Artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, que regulamentou o Processo Administrativo Fiscal : Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 11 10 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta 13. Não tendo ocorrido tais hipóteses legais de nulidade, não há motivo para prosperarem as acusações da recorrente e, por tal motivo, nego provimento ao recurso quanto a este quesito. (...)1 Em que pese o respeitável voto do e. relator, peço vênia para divergir do entendimento em relação a necessidade de diligência. Consultando os autos verificase que os documentos necessários ao deslinde da questão estão acostados aos autos. Caso a Recorrente entendesse pela apresentação adicional de documentos e informações, poderia ter prestado nas instâncias de julgamento, tanto na manifestação de inconformidade quanto da apresentação do Recurso Voluntário. A diligência tem como pressuposto a busca de esclarecimentos para subsidiar o julgador na sua decisão. A diligência não se presta a produção de provas que devem ser apresentadas pela Recorrente. No caso em tela, a turma entendeu que os documentos acostados ao processo e os esclarecimentos prestados são suficientes para a convicção do julgador, não sendo necessária nenhuma informação adicional para solução da lide. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao pedido de diligência e apreciar as demais matérias constantes do recurso voluntário. (...) NO MÉRITO (...) RECEITAS ORIUNDAS DE VENDAS PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA COM FIM ESPECÍFICO DE 1 Transcritos apenas os entendimentos que prevaleceram no julgamento. Íntegra dos votos pode ser consultada no processo paradigma (11030.000694/200991). Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 12 11 EXPORTAÇÃO (item 2.4 do recurso voluntário– item 4.1 do relatório fiscal) 24. O artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da Lei nº 10.833/2003, estabeleceram para a Contribuição ao PIS/PASEP e a COFINS, respectivamente, que tais contribuições não incidem sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, bem como sobre vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Lei 10.637/2002 : Art. 5º a contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Lei 10.833/2003 : Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. 25. Vários textos legais tratam do conceito da expressão “fim específico de exportação”, como segue : Decretolei nº 1.248/1972 Dispõe sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno, para o fim específico da exportação, e dá outras providências Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor vendedor para: Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 13 12 a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. ……………………………………………………………… ………... Decreto nº 4.524/ 2002: Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º , e Lei nº 10.560, de 2002, art. 3º , e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º ): (...) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. ……………………………………………………………… …………………. Lei n.º 9.532/1997: Art. 39. (...) (...) § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. MP 2.15835/2001 Art.14 Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (…..) VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 14 13 alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X (….) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. 26. Alguns atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal, reproduziram o mesmo entendimento : Instrução Normativa nº 247, de 21 de novembro de 2002: Art. 46. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas: (...) IX – de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1o Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. ……………………………………………………………… ………… Instrução Normativa nº 635, de 24 de março de 2006: Dispõe sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, cumulativas e nãocumulativas, devidas pelas sociedades cooperativas em geral. Art. 36 São isentas da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins as receitas decorrentes: I de fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível, observado o disposto no § 3º; II do transporte internacional de cargas ou passageiros; III de vendas realizadas pela cooperativa de produção agropecuária às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas aos fim específico de exportação para o exterior; Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 15 14 IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. §1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente pela cooperativa de produção agropecuária para embarque de exportação ou para recinto alfandegados, por conta e ordem de empresa comercial exportadora. 27. Como se verifica nos dispositivos legais e normativos reproduzidos, de não incidência do PIS e da Cofins sobre “vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação”, constatase que não são todas as receitas de vendas para empresas exportadoras registradas na Secex sobre as quais não incidem o PIS e a Cofins, mas somente em relação àquelas que tenham “fim específico de exportação”. 28. Sobre o que se considera “fim específico de exportação”, tanto para empresas exportadoras registradas no Secex como para as empresas comerciais exportadoras (“tradings”) verificase que o entendimento da Administração Tributária vai de encontro ao conceito definido nos textos legais, para aclarálo, encontrandose expresso em vários atos administrativos, dos quais transcrevemos o conceito e a forma de comprovação da receita oriunda de “fim específico de exportação.”, constante da ementa da Solução de Consulta Interna (SCI) n° 4 – SRRF/10ª RF/Disit, de 27 de junho de 2007, que assim restou redigida : “A referência, na legislação tributária e aduaneira, a ‘empresa exportadora’, ou ‘empresa comercial exportadora’, sem qualificação ou restrição específica, abrange qualquer empresa exportadora registrada na Secex; somente quando o legislador restringe uma norma explicitamente às empresas comerciais exportadoras constituídas nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 1972, ficam excluídas as demais empresas exportadoras.” O conceito de “fim específico de exportação” constante do parágrafo único do art. 1º do DecretoLei nº 1.248, de 1972, aplicase unicamente às empresas comerciais exportadoras constituídas nos termos desse Decreto Lei; para as empresas exportadoras simplesmente registradas na Secex, o conceito de “fim específico de exportação” aplicável é o plasmado no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532, de 1997. [...] A alusão feita por quaisquer atos infralegais a “fim específico de exportação” – a exemplo da Portaria MF nº 93, de 2004, e da Instrução Normativa SRF nº 419, de 2004 – deve ser interpretada em consonância com o conceito estabelecido no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532, Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 16 15 de 1997, ou com o vazado no parágrafo único do art. 1º do DecretoLei nº 1.248, de 1972, conforme se trate, respectivamente, de aquisição efetuada por exportadoras gerais, simplesmente registradas na Secex, ou por “trading companies”, constituídas conforme exige o DecretoLei nº 1.248, de 1972. [...] “A comprovação do fim específico de exportação fazse mediante a apresentação de uma nota fiscal de venda na qual conste como adquirente uma empresa comercial exportadora, e como destino das mercadorias um endereço que corresponda a um dos locais previstos na legislação de regência, não sendo hábil para essa comprovação, nem o “Memorando de Exportação, previsto no Convênio ICMS nº 113, de 1996”, nem qualquer documento que possa fazer prova de que houve a efetiva exportação posterior pela adquirente.” 29. Conforme os dispositivos legais e normativos citados, que adotamos neste voto, não incidem a Cofins e a Contribuição ao PIS/PASEP sobre as receitas decorrentes de vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, caracterizadas estas vendas quando as mercadorias são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente. Sendo irrelevante para a obtenção do benefício da operação, se as mercadorias sejam ou não posteriormente exportadas, visto que em não se concretizando a exportação, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos e contribuições devidos é da empresa comercial exportadora adquirente dos produtos que deveriam ser exportados. 30. No caso dos autos, a interessada após ser intimada duas vezes a apresentar documentos que comprovassem o cumprimentos dos requisitos exigidos pela legislação, informou que não dispunha dos boletins de exportação das vendas realizadas através de “Tradings” (Resposta da recorrente – fls 24 autos digitais No demonstrativo que atende o item 1 desta intimação, demonstrase no código 20 as receitas de exportação abertas por CFOP, entretanto, não dispomos dos respectivos boletins de exportação das vendas realizadas ao exterior através de “Tradings.”), bem como que a documentação havia sido extraviada (Resposta da recorrente – fls 28 dos autos digitais 3 – Informamos que em função dos transtornos vividos pela cooperativa nos últimos tempos, essa documentação foi extraviada, encaminhamos um ofício para os clientes da cooperativa solicitando uma segunda via dos memorandos de exportação, porém ainda não recebemos retorno.). Portanto, não comprovou, a recorrente, por documentação hábil e idônea, o direito para a concessão do benefício fiscal, entendendose, pois, correta a posição adotada pela autoridade fiscal e corroborada pela autoridade julgadora de que tais receitas devem compro a base de cálculo das contribuições. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 17 16 31. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso neste quesito. EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP E DA COFINS (itens 2.5.1, 2.5.2 e 2.6 do recurso voluntário e itens 4.5 e 4.6 do relatório fiscal) 32. A base de cálculo da Cofins e do PIS, na sistemática nãocumulativa, é apurada a partir da totalidade das receitas da sociedade cooperativa, com as exclusões permitidas pela legislação, conforme disposto nos no art. 17 da Lei nº 10.684/2003. 33. A autoridade fiscal incluiu na base de cálculo das contribuições os valores que foram considerados indevidamente excluídos, como a parcela dos custos agregados aos produtos do associado que não correspondem ao conceito dado pela legislação (valores consolidados nos grupos denominados de “Dos dispêndios e despesas tributárias”, “Dos dispêndios e despesas operacionais – Dispêndios tributários”, “Dos dispêndios e despesas operacionais – Dispêndios técnicos”, “Dos dispêndios e despesas operacionais – Outros dispêndios operacionais” e “Despesas Administração Geral”). 34. Além dessa parcela, foram incluídos os valores das vendas efetuadas no segmento econômico de “supermercados”, uma vez que foram contabilizadas indistintamente a associados e não associados, além de não haver comprovação de que esses produtos estavam diretamente vinculados à atividade econômica desenvolvida pelo associado. 35. Alega a cooperativa que nem todos os custos seriam oriundos de vendas para associados, seriam produzidos insumos enviados aos cooperados no regime de integração, parcela que deveria compor o custo agregado do produto. Afirma ainda que mantém registro individualizado das receitas provenientes de vendas para associados e que esse estaria demonstrado em planilha anexada à presente manifestação. Argumenta que a Fiscalização não comprovou a falta de individualização das receitas, sendo nulo o procedimento embasado em presunção da autoridade fiscal. 36. Caberia à contribuinte apresentar a comprovação de que identifica o adquirente e os produtos por ele adquiridos, visto ser essa identificação condição para que possa ser excluída da base de cálculo a receita decorrente da venda de bens e mercadorias ao associado, assim determina o artigo 15 da MP nº 1.8589, com as suas sucessivas reedições, tendo permanecido a de nº 2.15835, de 2001 : Art.15 As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 18 17 I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. §1oPara os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. §2oRelativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: Ia contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. 37. Ressaltese ainda que, ao contrário do afirmou em suas razões, não foram juntadas quaisquer planilhas discriminando os adquirentes dos produtos comercializados. Os valores contabilizados nas contas “Dos dispêndios e despesas tributárias”, “Dos dispêndios e despesas operacionais – Dispêndios tributários”, “Dos dispêndios e despesas operacionais – Dispêndios técnicos”, “Dos dispêndios e despesas operacionais – Outros dispêndios operacionais” e “Despesas Administração Geral” não atendem ao disposto no artigo 17 da Lei nº 10.684/2003, que expandiu as hipóteses de exclusão da base de cálculo para as cooperativas : Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1o da Medida Provisória no 101, de 30 de dezembro de 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 19 18 Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da .Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. 38. A Secretaria da Receita Federal, ao normatizar e consolidar a legislação em vigor sobre a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelas sociedades cooperativas, editou a Instrução Normativa nº 635/2006, e no seu artigo 11 assim explicita o comando inserto no artigo 17 da lei nº 10.864/2003 : Art. 11. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: (...) V dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados,quando da sua comercialização; (...) §8º Considerase custo agregado ao produto agropecuário, a que se refere o inciso V do caput, os dispêndios pagos ou incorridos com matériaprima, mão de obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. 39. Explicando os critérios adotados para tal interpretação da legislação, a própria RFB expedindo a Solução de Consulta COSIT nº 533, de 19/12/2017, com os quais concordamos e, ainda, resumindo a legislação até agora citada, assim se pronunciou : As sociedades cooperativas estão reguladas pela Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que definiu os contornos da Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das cooperativas. Além disso, o Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002) estabelece regras acerca das sociedades cooperativas em seus artigos 1.093 a 1.096. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 20 19 Conforme definido pelo art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, o ato cooperativo é aquele praticado entre as cooperativas e seus associados para a consecução dos objetivos sociais. Nas cooperativas de produção agropecuária, é considerado ato cooperativo típico a entrega de produtos dos associados à cooperativa para comercialização, bem como repasses efetuados pela cooperativa a eles decorrentes dessa comercialização. Ratifica este entendimento o texto do art. 83 do mesmo diploma legal, segundo o qual a entrega da produção do associado à sua cooperativa constitui outorga de poderes. Assim, essa operação que constitui o chamado “ato cooperativo” não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade,salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. O entendimento de que a cooperativa de produção agrícola também pode realizar o beneficiamento da produção a ser comercializada está assentado no próprio dispositivo sobre o qual paira a dúvida, pois, ao disciplinar o art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a IN SRF n.º 635, de 2006, art. 11, caput, combinado com inciso IV, admite que a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária seja ajustada pela exclusão das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado. Em breve retrospectiva, verificase que a Contribuição para o PIS/Pasep e a Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) foram instituídas, respectivamente, pela Lei Complementares nº 7, de 7 de setembro de 1970, e pela Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. Nessa época, quanto aos atos cooperativos, as sociedades cooperativas eram beneficiadas com a isenção da Cofins concedida pelo inciso I do art. 6º da LC nº 70, de 1991, ipsis litteris: Art. 6° São isentas da contribuição: I as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades; A referida isenção foi revogada, a partir de 30 de junho de 1999, pelo art 93, inciso II, alínea “a”, da Medida Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 21 20 Provisória nº 2.15835, de 2001. Nessa época, consolidou se para as sociedades cooperativas a apuração das duas contribuições (PIS/Pasep e Cofins) com base nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, utilizando o regime de incidência cumulativo, permitidas as exclusões das bases de cálculo também concedidas em caráter geral aos demais contribuintes. Em seguida, foram criadas novas exclusões, específicas para as sociedades cooperativas, pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, de onde se extrai o seguinte excerto (grifos acrescidos): Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts.2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da Cofins e do PIS/PASEP: [...] IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; [...] § 2º Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. Expandindo as hipóteses de exclusões da base de cálculo das contribuições, o art. 17 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003 previu (grifos acrescidos): Art. 17 . Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 , e no art. 1º da Medida Provisória nº 101, de 30 de dezembro de 2002 , as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999 . (grifos nossos) Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 22 21 Inovando mais uma vez, foram editadas a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, e a Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertidas, respectivamente, na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a finalidade de instituir o regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Na ocasião, as sociedades cooperativas permaneceram sujeitas ao regime de apuração cumulativa das contribuições, de acordo com a redação original do inciso VI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, e do inciso X do art. 8º da Lei nº 10.637, de 2002. Posteriormente, ficou estabelecida a adoção do regime de apuração não cumulativa para as cooperativas de produção agropecuária e de consumo, pelas mudanças implementadas por meio da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, e da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, nos textos do inciso VI do art. 10 e do inciso V do art. 15 da Lei nº 10.833 (grifos acrescentados): Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da Cofins, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: [...] VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária, sem prejuízo das deduções de que trata o art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e o art. 17 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, não lhes aplicando as disposições do § 7º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e as de consumo; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Logo, as bases de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins aplicáveis às cooperativas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa veiculadas pelo artigo 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo artigo 1º da Lei nº 10.833, de 2003, devem ainda ser ajustadas, no caso das Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 23 22 cooperativas de produção agropecuária, pelas exclusões listadas pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e pelo art. 17 da Lei nº 10.864, de 2003. Isto porque, embora originalmente as ditas exclusões se referissem apenas à base de cálculo das cooperativas filiadas ao regime cumulativo, o inciso VI, do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, manteve expressamente o direito a essas mesmas exclusões para as cooperativas de produção agropecuárias, agora filiadas ao regime de apuração não cumulativa. Assim, na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as cooperativas aplicam a mesma sistemática prevista para as demais pessoas jurídicas, ou seja, calculam a totalidade das receitas obtidas e fazem as exclusões previstas na legislação. Desse modo, ao extinguir a isenção específica para os atos cooperativos de que trata o art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, o legislador instituiu outro tratamento diferenciado, permitindo, além das exclusões de caráter geral (art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998), as exclusões consolidadas na MP no 2.15835, de 2001 e, no caso das sociedades cooperativas de produção agropecuária, objeto da consulta, também é possível a exclusão dos custos agregados, prevista no art. 17 da Lei 10.684, de 2003. Nesse contexto, com a finalidade de consolidar a legislação em vigor sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas sociedades cooperativas, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 635, de 2006, objeto da dúvida suscitada pela consulente, especificamente quanto aos incisos IV e V do art. 11, transcritos a seguir: Art. 11. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I exclusão do valor repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por ele entregues à cooperativa; II exclusão das receitas de venda de bens e mercadorias ao associado; III exclusão das receitas decorrentes da prestação, ao associado, de serviços especializados aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV exclusão das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado; Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 24 23 V dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização; [...] § 3º As exclusões previstas nos incisos II a IV do caput: I ocorrerão no mês da emissão da nota fiscal correspondente a venda de bens e mercadorias e/ou prestação de serviços pela cooperativa; e II terão as operações que as originaram contabilizadas destacadamente, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor, da espécie e quantidade dos bens, mercadorias ou serviços vendidos. [...] § 6º A sociedade cooperativa de produção agropecuária, nos meses em que fizer uso de qualquer das exclusões ou deduções de que tratam os incisos I a VII do caput, deverá, também, efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários, conforme disposto no art. 28. [...] § 8º Considerase custo agregado ao produto agropecuário, a que se refere o inciso V do caput, os dispêndios pagos ou incorridos com matériaprima, mão de obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. Nesse contexto, é relevante observar de imediato que a exclusão da base de cálculo de que trata o inciso IV do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, não se refere às receitas decorrentes da comercialização dos produtos industrializados. Essa norma prevê somente a exclusão das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado. Significa dizer que poderá ser excluída da base de cálculo a receita própria que a cooperativa auferir pela industrialização promovida sobre os produtos rurais recebidos dos cooperados, mas não toda a receita dos produtos comercializados. Assim, fica evidente que não há permissão legal para a sociedade cooperativa excluir da base de cálculo a receita total da comercialização dos produtos industrializados, conforme pretendido pela consulente. Entretanto, caso a Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 25 24 cooperativa aufira receita derivada especificamente do processo de industrialização dos produtos recebidos dos associados, pode promover a exclusão dessa importância da base de cálculo – situação que poderia ocorrer por exemplo se a cooperativa cobrasse dos associados, a título de receita própria, o reembolso dos custos de industrialização dos produtos primários deles recebidos. Por outro lado, considerandose que, no caso concreto, os valores correspondentes aos custos com a industrialização dos produtos recebidos dos cooperados não sejam diretamente cobrados dos associados, mas sim suportados pela cooperativa para posterior recuperação no momento da comercialização (após a industrialização), não haveria razão para se aplicar a exclusão com fulcro no inciso IV do art. 11 sobre a parcela da receita que, de fato, decorra da industrialização da produção entregue pelos associados, porque nessa situação já se adotaria o ajuste previsto no inciso V do art. 11, isto é, dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização. Com efeito, os ajustes previstos nos incisos IV e V do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, devem ser adotados de forma integrada, na medida que, se não tiver sido excluída a parcela da receita decorrente da industrialização do produto agropecuário recebido dos associados, poderão ser deduzidos os custos agregados pela cooperativa a esse produto, quando da sua comercialização. Interpretase sistematicamente as duas normas, tendo em vista que, se a situação comportar a exclusão da parcela da receita obtida pela industrialização, não fará mais sentido efetuar a dedução dos custos agregados ao produto, quando esses custos estiverem embutidos no preço de comercialização do produto final. Caso a cooperativa adquira também o produto primário de não cooperados, com relação a estes produtos e aos custos a eles agregados não poderá fazer uso das exclusões previstas nos incisos IV e V do art. 11 da IN RFB nº 635, de 2006. Nessa situação, deverá ser feito um rateio para definir quais frações poderão ser submetidas aos ajustes mencionados no incisos IV e V do art. 11 da IN RFB nº 635, de 2006. De acordo com o § 3º do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, as exclusões devem ser efetuadas no mês da emissão da nota fiscal correspondente a venda de bens e mercadorias e/ou prestação de serviços pela cooperativa e terão as operações que as originaram contabilizadas destacadamente, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor, da espécie e quantidade dos bens, mercadorias ou serviços vendidos. Quanto à definição de custo agregado, por meio do § 8º do art. 11 da IN SRF nº Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 26 25 635, de 24 de março de 2006, a RFB divulgou o seguinte entendimento: considerase custo agregado ao produto agropecuário os dispêndios pagos ou incorridos com matéria prima, mãodeobra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. 40. Assim, os ajustes procedidos pela autoridade fiscal visaram restabelecer o correto valor dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação por parte da contribuinte e estão de acordo com a legislação em vigor. 41. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário neste quesito. O ATO COOPERATIVO (item 2.7 do recurso voluntário e item 4.5 do relatório fiscal) 42. A cooperativa invoca o disposto no art. 79 da Lei nº 5.764/71, que define o ato cooperativo, no intuito de afastar a tributação da cooperativa. 43. A sociedade cooperativa, por sua natureza jurídica própria, goza, constitucionalmente de tratamento diferenciado e incentivado em relação às demais sociedades mercantis, sendo remetida à legislação infraconstitucional a tarefa de conceder esse tal tratamento. 44. Já na vigência da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, foi editada a Medida Provisória no 1.8586, de 29 de junho de 1999, a qual, tendo regulado a incidência do PIS sobre a folha de pagamento em seu art. 13, revogou expressamente, em seu art. 23, o inciso II do art. 2º da Lei no 9.715/98, verbis: “Art. 23. Ficam revogados: I a partir de 28 de setembro de 1999, o inciso II do art. 2º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998;”. 45. Observese que os casos previstos no art. 13 da Medida Provisória no 1.8586/99, que trata do PIS incidente sobre a folha de pagamento, não abrangem as sociedades cooperativas. 46. Dessa forma, com a edição da Medida Provisória no 1.8586/99, as sociedades cooperativas passaram a estar sujeitas à exigência do PIS de acordo com a norma geral aplicada às demais pessoas jurídicas, isto é, com base no seu faturamento: “Art 2º As contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 27 26 Art 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.” 47. Em síntese, com a edição da Medida Provisória no 1.8586/99, a base de cálculo do PIS passou a ser aquela prevista nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718/98, como acima transcrito, ou seja, a receita bruta mensal da sociedade cooperativa, decorrente da venda de mercadorias ou de serviços, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para estas receitas. No caso das cooperativas, isso significa que, a partir de então, o PIS passou a ser devido inclusive sobre a receita decorrente dos atos cooperativos, com as exclusões permitidas na legislação superveniente,. 48. Portanto, após 01/10/1999 é irrelevante a distinção entre atos cooperativos e nãocooperativos para efeito de tributação do PIS/Pasep,visto que a classificação não afeta a base imponível definida por lei. 49. Relativamente ao PIS, o que há de específico na incidência dessa contribuição para as sociedades cooperativas são as exclusões da base de cálculo permitidas pelo art. 15 da Medida Provisória nº 1.8589, de 1999, com sucessivas reedições, permanecendo no ordenamento a MP nº 2.15835, de 2001, cujo art. 15 estabelece: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica,extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 28 27 § 2º Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/Pasep será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. 50. Interessante notar que, mesmo ao listar as exclusões permitidas contra a base de cálculo da contribuição, a lei não faz qualquer referência à natureza dos atos praticados como atoscooperados ou nãocooperados, mas, sim a operações com associado, não se podendo, pois, estender a norma exonerativa a terceiros, independentemente de se tratar de negóciomeio ou negóciofim ou, ainda, de ato cooperado ou nãocooperado. 51. Nesse contexto, como regra geral, não há mais que se distinguir atos cooperativos de atos nãocooperativos estranhos à finalidade da cooperativa quanto à obtenção de valores submetidos ao PIS. Como se viu, na ordem legal aplicável aos fatos geradores em tela, a dimensão tributável para o PIS é o faturamento da sociedade. 52. Seguindo esse raciocínio, nos deparamos com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.637/2002 que estabeleceu o regime da nãocumulatividade para as empresas tributadas com base no Lucro Real. Inicialmente, as sociedades cooperativas estavam excluídas deste regime. A Lei nº 10.865/2004 excepcionou as sociedades cooperativas de produção agropecuária, sem prejuízo das deduções previstas no art. 15 da MP nº 2.158/2001 e no art. 17 da Lei nº 10.864/2003. 53. Portanto, a partir das alterações introduzidas na legislação referente à tributação pelo PIS das sociedades cooperativas, a sua tributação deve obedecer ao disposto na legislação específica em vigor. 54. Por fim, para definir que o ato cooperativo é tributado, citamos o posicionamento do STF, externado no RE nº 599.362, na sistemática de repercussão geral : “Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O Fl. 384DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 29 28 texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social ‘será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei’ (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração.” 55. Portanto, nego provimento ao recurso neste quesito. O CRÉDITO VINCULADO ÁS VENDAS TRIBUTADAS NO MERCADO INTERNO (item 2.3 do recurso voluntário e item 4.12 do relatório fiscal) Fl. 385DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 30 29 56. Referiu a Fiscalização que os créditos remanescentes decorrentes de operações no mercado interno e que tinham fundamento em reduções da base de cálculo do PIS e da COFINS, estas com previsão no art. 15 da MP nº 2.15835, de 2001, e no art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003), não são passíveis de ressarcimento ou compensação, podendo ser destinados, apenas, à dedução de valores devidos daquelas contribuições. 57. A possibilidade de utilização dos créditos de PIS ou de COFINS apurados no regime nãocumulativo, na forma de ressarcimento em espécie ou de compensação com outros tributos, restringiase aos créditos decorrentes de custos e despesas vinculados à exportação, conforme o art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 6o e parágrafos da Lei 10.833, de 2003. 58. Posteriormente, o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, dispôs sobre a possibilidade de o saldo credor do PIS e da COFINS, acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário, ser objeto de compensação ou pedido de ressarcimento. Esse artigo, entretanto, traz uma condição: de que o saldo credor seja decorrente do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Isso significa dizer que a empresa só pode beneficiarse da norma do citado art. 16, se suas vendas forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência daquelas contribuições. Transcrevese esses dispositivos: Lei nº 11.033, de 2004 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem amanutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Lei nº 11.116, de 2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 31 30 calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. 59. Conforme relata a Fiscalização, a interessada pleiteia o ressarcimento dos créditos que decorrem da redução da base de cálculo (art. 15 da MP nº 2.15835, de 2001, e art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003). Tais exclusões, tratadas no art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, não configuram hipótese em que é autorizado o ressarcimento/compensação do saldo credor com débitos de tributos administrados pela RFB, ou o seu ressarcimento, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Para que isso fosse admitido, os créditos deveriam estar, obrigatoriamente, vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições. 60. Assim, nego provimento ao recurso neste quesito. A SOLICITAÇÃO DE PROVA PERICIAL 61. Adotamos o posicionamento do julgador da DRJ, para justificarmos que não vemos necessidade de prova pericial no presente caso : O requerimento de perícia ao final de sua manifestação deve ser considerado como não formulado, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim determina nos casos em que os pedidos de perícia deixarem de atender aos requisitos previstos naquela artigo. Ademais, se mostra irrelevante a produção de prova pericial quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. 62. Portanto, indefiro o pedido de perícia pleiteado. Conclusão 63. Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 387DF CARF MF Processo nº 11030.001088/200992 Acórdão n.º 3301005.686 S3C3T1 Fl. 32 31 Winderley Morais Pereira Fl. 388DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.904282/2012-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1302-003.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 42 82 /2 01 2- 29 Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 10166.904282/201229 Acórdão n.º 1302003.447 S1C3T2 Fl. 1.652 2 Relatório Para a devida síntese do processo em exame, transcrevo o relatório da DRJ, complementandoo ao final: Tratase de pedidos de compensação formulados por BRASFORT EMPRESA DE SEGURANÇA LTDA, por meio dos PER/DCOMP, discriminados abaixo: PER/ DCO MP Direito Creditório Origem Total Débito Código Período de Apuração 4.112,42 6912 jul/07 4186. 91226 .0611 09.1.7 .02 2157 27.683,45 N 2º trim /07 23.092,80 18.980,38 5856 jul/07 9.828,45 6912 set/07 26016 .8487 1.061 109.1. 7.02 3248 27.683,45 N 2º trim /07 55.190,55 45.362,10 5856 Set/07 14042 .5202 4.221 208.1. 7.02 6709 27.683,45 N 2º trim /07 124.729,82 124.729,82 6012 3º Trim/07 2. A DRF/BrasíliaDF, por meio de Despacho Decisório proferido em 03/07/2012, às fls. 13, 15291530, número de rastreamento 024884561, homologou parcialmente as compensações pretendidas, porque a autoridade fiscal não conseguiu comprovar integralmente o direito creditório apresentado. Com efeito, dos R$ 791.095,53 de parcelas de composição de crédito provenientes de retenções na fonte ocorridas no 2° trimestre de 2007, a autoridade fiscal verificou estarem disponíveis para a compensação tãosomente R$ 424.182,26, valor suficiente para formar um saldo negativo de apenas R$ 60.770,19. Esse montante foi suficiente para compensar inteiramente o primeiro PER/DCOMP e Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 10166.904282/201229 Acórdão n.º 1302003.447 S1C3T2 Fl. 1.653 3 parcialmente o segundo, restando sem compensar um saldo de R$ 140.363,40 (principal), acrescidos de R$ 28.072,67 (multa) e R$ 68.721,91 (juros). 3. Devidamente cientificada em 19/07/2012, cf. AR à fl. 1526, a contribuinte apresentou tempestivamente, em 20/08/2012, manifestação de inconformidade, às fls. 212, por meio da qual sustenta, em apertada síntese, que a Lei assegura o direito do contribuinte à compensação de créditos apurados relativos a tributos administrados pela Receita Federal (art. 170 do CTN c/c art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996) e que, no caso concreto, acredita que a não homologação "possa ter sido originada por falta de informações das fontes retentoras do crédito", porém, dado que não há dúvida de que os valores apresentados como parcelas de composição do direito creditório foram efetivamente retidos na fonte — conforme a pletora de documentos acostada ao feito o seu não reconhecimento implicaria enriquecimento ilegítimo do Fisco. Após análise das razões acima, a 1ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA, através do Acórdão nº 0645.216, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e, por via de consequência, não reconheceu o direito creditório pleiteado. Nesse sentido, segue ementa do acórdão recorrido que demonstra esse entendimento: DIREITOS CREDITÓRIOS INSUFICIENTES PARA A EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PLEITEADOS. A contribuinte não logrou demonstrar a existência de direitos creditórios de IRPJ suficientes para promover a extinção dos débitos pleiteados o equívoco apurado pela autoridade fiscal decorreu da tentativa de empregar, como parcelas de composição, valores retidos na fonte referentes a outros tributos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário submetendo o caso à apreciação deste Conselho, aduzindo, em síntese, as mesmas razões da Manifestação de Inconformidade isto é, que não foi possível discriminar cada período de apuração do crédito em razão de impossibilidade técnica do PERDCOMP eletrônico. Alega também que o acórdão atacado se baseou em meras conjecturas, pois se o julgador tivesse multiplicado o valor apurado pelo contribuinte por 0,507937, teria encontrado resultado diferente do apontado no julgamento. Aduz ainda que possui direito legal à compensação tributária, e que, caso se entendesse pela deficiência de provas, teria que ser determinada a realização de diligências. É o relatório. Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 10166.904282/201229 Acórdão n.º 1302003.447 S1C3T2 Fl. 1.654 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. A lide versa sobre o não reconhecimento por parte da autoridade fiscal de R$ 366.913,27 (R$ 791.095,53 R$ 424.182,26) relativos a valores de imposto de renda retidos na fonte no segundo trimestre do anocalendário de 2007. No entender do contribuinte, os valores pleiteados encontramse efetivamente comprovados em sua contabilidade e por meio dos documentos anexados em sede de manifestação de inconformidade. A tabela a seguir sintetiza as diferenças encontradas: Origens de crédito A autoridade fiscal verificou, no Sistema DIRF, a existência das retenções de IRPJ efetuadas pelas pessoas jurídicas relacionadas pela interessada – cf. cópias juntadas ao feito às fls. 15381543, após o quê calculou as parcelas referentes ao segundo trimestre de 2007 e sobre essas fez incidir a fração de 0,5079, que será explicada adiante. A discriminação da forma como a autoridade fiscal apurou os valores reconhecidos encontrase na tabela a seguir: Fonte pagadora Abril Maio Junho Total do Trimestre % Confirmada BB 203.137,12 207.097,69 209.851,96 620.086,77 0,5079 314.964,71 FUNAI 2.069,07 2.069,07 2.069,07 6.207,21 0,5079 3.152,87 CODEVASF 4.078,23 4.078,23 4.078,23 12.234,69 0,5079 6.214,44 TST 9.131,05 9.131,05 9.131,05 27.393,15 0,5079 13.913,97 ANEEL 6.808,01 6.808,01 4.538,68 18.154,70 0,5079 9.221,44 Min. Esporte 28.998,69 28.998,69 28.998,69 86.996,07 0,5079 44.188,48 Total 391.655,91 No caso em comento, a DRJ entendeu pela manutenção da homologação parcial, conforme decidido no despacho decisório. Pelo tanto, demonstrou que, “A diferença decorre do fato de a contribuinte entender que o valor integral anual dos tributos retidos na fonte sob o código 6190, poderiam CNPJ da Fonte Pagadora Fonte Pagadora IRRF (6190) Confirmada 00.000.000/000191 BB 594.273,19 314.964,71 00.059.311/000126 FUNAI 5.254,78 3.152,87 00.399.857/000126 CODEVASF 12.395,09 6.214,44 00.509.968/000148 TST 27.827,99 13.913,97 02.270.669/000129 ANEEL 16.137,52 9.221,44 02.973.091/000177 Min. Esporte 73.647,50 44.188,48 26.989.350/000116 FNS 61.559,46 32.526,35 Total 791.095,53 424.182,26 Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 10166.904282/201229 Acórdão n.º 1302003.447 S1C3T2 Fl. 1.655 5 ser usados como origem de direito creditório de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica referente ao 2º trimestre de 2007, enquanto, para a autoridade fiscal, sobre as quantias de abril, maio e junho, deveriam ser aplicadas a porcentagem indicada na coluna (%) equivalente ao peso do IRPJ nas retenções efetuadas., conforme será visto adiante. E ainda, nas linhas do acórdão recorrido: 9. Esse fracionamento deriva do fato que as retenções referentes as (sic) pagamentos efetuados a empresas prestadoras de serviços de vigilância sob o código 6190 englobam diversos tributos: IR (à alíquota de 4,80%), CSLL (à alíquota de 1,0%), COFINS (à alíquota de 3,0%) e, por fim, PIS/PASEP (à alíquota de 0,65%), totalizando 9,45%. Assim, fica claro que somente pode compor saldo negativo de IRPJ, a fração correspondente a esse tributo, vale dizer, 0,507937 (4,8%/9,45%). No Recurso Voluntário, o contribuinte pretende a reforma da decisão. Alega que, por impossibilidade técnica do sistema, não foi possível informar os saldos credores acumulados em períodos anteriores na PER/DCOMP. Indica ainda que, caso a Administração Fazendária aplicasse o percentual indicado por esta, de 0,507937 ao valor indicado pelo contribuinte, seria encontrado valor discrepante. Observase, contudo, que o contribuinte, em momento algum, demonstrou a chamada discrepância nesse valor. Tampouco comprovou a supracitada impossibilidade técnica do sistema. Como amplamente apontado pela decisão, as discrepâncias encontradas não decorrem de falta de informação do Fisco a respeito das retenções efetuadas como entende a contribuinte, mas, ao contrário, no modo como as retenções demonstradas podem ser empregadas para fins de compensação na forma de legislação aplicável. Ademais, a autoridade fiscal apenas aplicou a proporção prevista no Anexo I da IN SRF nº 480 de 2004 e constatou a insuficiência do direito creditório da recorrente. Da leitura dos autos do processo se observa que o Despacho Decisório demonstrou claramente a razão da homologação apenas parcial do crédito tributário. Em contrário, o contribuinte, a quem cabia demonstrar a veracidade dos fatos, produziu apenas afirmações vagas, sem apresentar provas. O direito de o contribuinte efetuar a compensação está, pois, condicionado ao cumprimento de formalidades que permitam à Administração Tributária, a bem do interesse público, controlar os valores de débitos e créditos compensados. Correto o entendimento do acórdão recorrido, no sentido de que os erros cometidos nas DCOMP não podem ser vistos como meras inexatidões materiais passíveis de revisão, pois são decorrentes de equivocada aplicação do direito posto. Além disso, como amplamente exposto, a recorrente não fez prova do que alegou na peça recursal. Assim, por tudo o exposto, demonstrado que o contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar o alegado, não cabe prosperar o pedido. Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 10166.904282/201229 Acórdão n.º 1302003.447 S1C3T2 Fl. 1.656 6 Conclusão Ante o exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 1657DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.003809/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2008
IRPF, DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE EMPRESA, EMPRESA INAPTA, DESCABIMENTO DA MULTA POR ATRASO, SÚMULA CARF N°44.
Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta hão se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração - Súmula CARF n° 44.
IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA,
O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos, porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo
art. 138 do CTN (precedentes CSRF).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-000.789
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: José Evande Carvalho Araujo
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DE MELO Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 IRPF, DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE EMPRESA, EMPRESA INAPTA, DESCABIMENTO DA MULTA POR ATRASO, SÚMULA CARF N°44. Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta hão se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração - Súmula CARF n° 44.. IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA, O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos, porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Caio Marcos Candido.- Presidente. 1)1 (.Ali i. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo- Relator, EDITADO EM: 05/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Candido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage, Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fl. 8, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2008, relativa à multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos, formalizando a exigência de multa no valor de R5165,74, IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01 a 04), acatada como tempestiva, onde alegava não estar obrigado à entrega da declaração, pois a empresa da qual constava como sócio estava inativa desde o final de 2002, tendo sido considerada, pela Receita Federal, como inapta desde 17 de julho de 2004. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 8" Turma da DRI/São Paulo II/SP julgou procedente o lançamento com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 13 a 4): Confim= se depreende dos autos, trata-se de contribuinte incluso na hipótese de obrigatoriedade de apresentação de DIRPF, visto que no ano calendário em questão participa como sócio da empresa ANDINOX FABRICAÇÃO E MONTAGEM INDUSTRIAL LIDA CNPI 04 642.339/0001-42. Assim, o artigo 70, da Lei 9 250, de 1995, determina que a entrega da declaração de rendimentos da pessoa física deve ser feita até o último dia útil do mês de abril do ano-calendário subseqüente ao da percepção dos rendimentos O Manual de Preenchimento da Declaração de Ajuste Anual determina que são obrigadas à entrega da declaração de rendimentos as pessoas fisicas que tenham participado do quadro soCietário de empresa como titular ou sócio, no ano-calendário correspondente. Confirma esta exigência a Instrução Normativa IN RFB 820, de II de fevereiro de 2008, art, 1', inciso HL. Como se vê a Lei não prevê exclusão a esta regra e tal situação independe da empresa estar ou não operando regularmente, conquanto permaneça a participação como sócio em seus quadros, O não cumprimento desta determinação, segundo disposto no artigo 88, I, da Lei 8,981, de 1995, enseja a aplicação da multa de um por cento ao mês ou fração sobre o imposto devido, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, limitada a vinte por cento do imposto devido e tendo como valor minimo R$ 165,7,4, 2 Processo n" 10820.003809/2008-59 S2-C 11 Acórdzio n " 2101-00.789 Fl 33 RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 13/10/2008 (fl. 17), o contribuinte apresentou, em 05/11/2008 (fl. 18), o recurso de fls. 18 a 21, onde repisou os argumentos da impugnação, trazendo jurisprudência do Conselho de Contribuintes a seu favor, e postulou, também, a aplicação ao caso do instituto da denúncia espontânea, previsto no art., 138 do Código Tributário Nacional — CTN, argumentando que apresentou a declaração antes de qualquer procedimento de oficio. Ao final, pugnou pelo cancelamento da multa aplicada. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 31, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É. o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relatar. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer . preliminar. O contribuinte apresentou, no dia .30/06/2008, Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF do exercício de 2008 (fl. 8). A Instrução Normativa RFB 820, de 11 de fevereiro de 2008, era o ato legal que regulamentava a declaração daquele exercício, e determinava, em seu art 1°, inciso III, que estava obrigado a declarar quem participou, em qualquer mês, do quadro societário de sociedade empresária ou simples, como sócio ou acionista, ou de cooperativa, ou como titular de empresa individual, e fixava o prazo de entrega para 30/04/2008 (art.. 5 0 ), Desta forma, por estar obrigado a apresentar declaração anual de ajuste por ser sócio da empresa AND1NOX FABRICAÇÃO E MONTAGEM INDUSTRIAL LTDA, CNPJ 04.642.339/0001-42 (fl. 5), e por fazê-lo em atraso, recebeu a multa no valor mínimo de R8165,74, O recorrente pugna pela não aplicação da multa, alegando em seu favor jurisprudência do Conselho de Contribuintes que desobriga o contribuinte da regra acima transcrita, quando a empresa estiver inativa. A situação ficou de fácil deslinde com a publicação da Súmula CARF n° 44: "Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração." De fato, verifica-se que a empresa ANDINOX FABRICAÇÃO E MONTAGEM INDUSTRIAL LTDA está na situação cadastral de inapta, por ser considerada como omissa não localizada, desde 17 de julho de 2004 (fl.. 5), e, segundo o julgamento de 1" instância, é apenas a sociedade nessa empresa que obriga o recorrente a declarar. 3 i I 4 Como a declaração que provocou a multa por atraso deste processo é referente ao ano de 2007, período em que a empresa já estava na situação de inapta, há subsunção perfeita com a situação da súmula, o que impende considerar a multa aplicada como indevida. Quanto ao argumento de que se aplica ao caso a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional - CTN, não se tecerá comentários mais aprofundados, pois já se deu provimento ao recurso por outro argumento, Basta aqui anotar que esse instituto não se aplica às infrações formais, como a multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos, sendo esse o entendimento dominante da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/01-03.767) e do Superior Tribunal de Justiça (RESP 246.960/RS, de 09/1012001, Rel, Min, Paulo GalIotti; ERESP 246295/RS, de 18/06/2001, Rel, Mim José Delgado; RESP n° 289.688/PR, de 05/06/2001, Rel. Min. Franciulli Netto). Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. José Evande Carvalho Araujo DF.
score : 1.0
Numero do processo: 15471.003842/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO TRABALHISTA. DEDUÇÃO DAS DESPESAS NECESSÁRIAS JÁ REALIZADA PELA INSTÂNCIA RECORRIDA.
Não prospera pedido de abatimento das despesas necessárias à percepção de rendimentos tributáveis decorrentes de ação trabalhista, quando já houver sido realizado tal procedimento pela instância recorrida.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças decorrentes de verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS.
Numero da decisão: 2202-005.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO TRABALHISTA. DEDUÇÃO DAS DESPESAS NECESSÁRIAS JÁ REALIZADA PELA INSTÂNCIA RECORRIDA. Não prospera pedido de abatimento das despesas necessárias à percepção de rendimentos tributáveis decorrentes de ação trabalhista, quando já houver sido realizado tal procedimento pela instância recorrida. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças decorrentes de verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto.
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DEDUÇÃO DAS DESPESAS NECESSÁRIAS JÁ REALIZADA PELA INSTÂNCIA RECORRIDA. Não prospera pedido de abatimento das despesas necessárias à percepção de rendimentos tributáveis decorrentes de ação trabalhista, quando já houver sido realizado tal procedimento pela instância recorrida. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças decorrentes de verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 38 42 /2 00 9- 91 Fl. 186DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) – DRJ/RJ1, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.177,05, relativo ao anocalendário 2008. O lançamento decorreu da constatação da omissão de rendimentos no montante de R$ 48.741,15, recebidos acumuladamente em virtude de ação trabalhista,em vista da glosa de despesas incorridas com a percepção desses rendimentos. Na respectiva "Complementação da Descrição dos Fatos", constam as seguintes razões para a glosa: Desconsiderado nota fiscal 896 Camel Consultoria Administrativa Ltda, valor de R$ 2.097,36, pois o serviço não foi especificado e desta forma não pode ser verificado se o serviço é passível de dedução para fins do imposto de renda. Desconsiderado NF 320 Fonseca Ribeiro e Matta valor 8.808,93 e NF 0859 Castro Fonseca 20.554,17, pois na descrição dos serviços não foi especificado em quais processos eles trabalharam para o contribuinte como advogados. Do valor informado em DIRF 98.403,42 foi deduzido honorários advocats 1.743,28 adv Nelson Luiz de Lima. A contribuinte impugnou o lançamento em 28/09/2009, trazendo documentos visando comprovar as despesas glosadas. A DRJ/RJ1 acatou os comprovantes apresentados pela impugnante, cancelando o crédito tributário exigido e restabelecendo o saldo do imposto de renda a restituir ajustado para o valor de R$ 5.952,42, nos termos de decisão cuja ementa a seguir se transcreve: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AÇÃO TRABALHISTA. O rendimento tributável decorrente de Ação Trabalhista é obtido pela diferença entre o total devido, apurado no processo, deduzido da parcela isenta ou não tributável; e das despesas judiciais, necessárias ao recebimento, proporcionalmente à parcela tributável. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 06/07/2012 (fl. 78), buscando o reconhecimento da restituição do imposto de renda no montante de R$ 12.743,73, correspondente ao apurado originalmente em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) do exercício 2009 (fl. 19). Foi dado provimento ao recurso voluntário mediante a prolação do Acórdão nº 2802003.108 (j. 10/09/2014, fls. 104/112), baseado no entendimento que então prevaleceu Fl. 187DF CARF MF Processo nº 15471.003842/200991 Acórdão n.º 2202005.217 S2C2T2 Fl. 187 3 no julgamento no sentido de que, tratando o caso de rendimentos recebidos acumuladamente, deveria ser cancelada a autuação. Essa decisão foi reformada pelo Acórdão nº 9202006.876 da CSRF (Câmara Superior de Recursos Fiscais), julgado em 23/05/2018 (fls. 160/170), no qual, não acatando a nulidade apontada na decisão da Turma Ordinária, deuse provimento ao recurso especial manejado pela Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. Extinto o colegiado de origem 2ª Turma Especial da 2ª Seção, foram os autos distribuídos a este conselheiro, exintegrante daquela turma, e relator vencido no que diz respeito ao acórdão reformado. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Vejase que se trata de processo por mim já relatado, sendo que, quando de seu julgamento àquela primeira ocasião, no qual restei vencido, já havia tido a oportunidade de examinar a documentação juntada aos autos, e formado convicção a respeito da lide enfrentada, no que diz respeito ao cômputo das despesas incorridas com a ação judicial. Não havendo sido carreados pela recorrente novos elementos aptos a modificar a aquela compreensão, passo a reproduzir a fundamentação do meu voto constante daquele primeiro acórdão, de modo que integre a presente decisão. Cabe esclarecer inicialmente, que, apesar de admitido o presente recurso para apreciação, em homenagem ao princípio da ampla defesa, a contribuinte não apresentou de maneira clara suas razões de irresignação, limitandose a reiterar que fossem acatados os documentos que juntara aos autos, os quais comprovariam as despesas contestadas pela fiscalização. Defende, aparentemente, que levadas tais despesas em conta, resultaria o valor a restituir de R$ 12.743,73. No entanto, tais despesas, em um total de R$ 31.460,46 (documentos de fls. 6/11) já foram devidamente consideradas pela instância a quo, motivo pelo qual passo a reproduzir, com a devida vênia, a fundamentação e os cálculos detalhados naquela decisão: 5. Da análise dos autos, constatase que a interessada auferiu rendimentos tributáveis, pagos pelo Banco Itaú, no anocalendário de 2008, decorrentes de duas ações trabalhistas, a saber: a) processo RT nº 009000023.1996.5.01.0070, conforme extrato e andamento, extraídos do sítio oficial do TRT 1ª Região, às fls. 46/59, que implicou o pagamento à interessada do Alvará nº 0315/08, no valor original de R$ 5.168,64, levantado pelo valor atualizado de R$ 5.811,28, em 15/04/2008 (vide fls. 16). Às 15, recibo emitido pelo patrono da causa, comprovando o pagamento de honorários Fl. 188DF CARF MF 4 advocatícios, necessários ao recebimento desses rendimentos, no valor de R$ 1.743,28. Não é possível vislumbrar, a partir dos elementos de informações dos autos, a eventual retenção do imposto de renda sobre os rendimentos pagos. Dessa forma, verificase que o valor a ser oferecido à tributação, relativo à essa ação trabalhista, é a diferença entre o valor bruto do rendimento e os honorários pagos, montando em R$ 4.068,00 (=R$ 5.811,28R$ 1.743,28); b) processo RT nº 022770028.1999.5.01.0008, conforme extrato e andamento, extraídos do sítio oficial do TRT 1ª Região, às fls. 61/67, que implicou o pagamento à interessada do Alvará nº 3441/2008, no valor original de R$ 76.748,74, levantado pelo valor atualizado de R$ 79.379,46 (vide fls. 8), em 14/08/2008, implicando correção de 3,4277%. Às fls. 17, memória de cálculos da ação trabalhista, permitindo constatar que o valor original devido a impugnante era de R$ 102.237,52, sendo que, desse montante, R$ 7.555,35 (7,39%), referemse ao FGTS, de modo que a base de cálculo do imposto, para fins de retenção do IRRF, foi fixada em R$ 94.682,17, e o imposto retido foi de R$ 25.488,78. Dessa forma o rendimento bruto dessa ação importou em R$ 97.927,59, correspondendo ao valor que serviu de base para o cálculo do IRRF (R$ 94.682,17), acrescido do percentual de correção aplicado ao alvará, de 3,4277%. Do rendimento bruto apurado, admitese, ainda, a dedução das despesas judiciais incorridas, necessárias ao recebimento desses rendimentos, o que implica a necessidade da exclusão dos honorários advocatícios e periciais relativos aos rendimentos isentos e não tributáveis, que correspondem a 7,39% do valor devido. Dessa forma, admitese a dedução de R$ 29.135,53, correspondendo à aplicação do percentual de 92,61% sobre essas despesas, que somam R$ 31.460,46 (=R$ 20.554,17 + R$ 8.808,93 + R$ 2.097,36), conforme documentos acostados às fls. 09/14. Do exposto, constatase que o rendimento tributável decorrente dessa ação trabalhista importou em R$ 68.546,64 (=R$ 97.927,59R$ 29.135,53). 6. Do exposto, verificase que a interessada auferiu rendimentos tributáveis, de ambas as ações trabalhistas, que somaram R$ 72.614,64, já deduzidas as despesas incorridas com honorários advocatícios e periciais, nos termos do parágrafo único do art. 56 do Decreto nº 3.000, de 1999. Dessa forma, considerando que a interessada ofereceu à tributação apenas o montante de R$ 47.918,99, impõese a manutenção de parte da infração de omissão de rendimentos, no valor tributável de R$ 24.695,65. 7. Com os devidos ajustes, decorrentes da redução da infração de omissão de rendimentos para R$ 24.695,65, o resultado do ajuste anual passa a ser: Descrição Valores (R$) 1. Base de Cálculo Declarada 88.402,63 2. Omissão de Rendimentos 24.695,65 3. Base de Cálculo Ajustada (1+2) 113.098,28 4. Imposto Devido (Tabela Progressiva) 24.516,10 5. Imposto Pago 30.468,52 6. Imposto a Restituir Ajustado (45) 5.952,42 (grifei) Dessa forma, as despesas que a recorrente pugna serem acolhidas no cálculo da restituição a que tem direito, na realidade, já o foram, não havendo sido encontradas máculas nos cálculos levados a efeito pelo julgamento de primeiro grau. Não obstante, há que se atentar a existência de fato superveniente ao julgamento do recurso pela extinta 2ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, fato esse que foi a prolação de decisão no RE nº 614.406/RS, que transitou em julgado em 11/12/2014. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 15471.003842/200991 Acórdão n.º 2202005.217 S2C2T2 Fl. 188 5 Essa decisão, proferida conforme o rito de repercussão geral regrado pelo art. 543B do CPC então vigente, é de observância obrigatória para os conselheiros do CARF. E, em que pese a interpretação dessa decisão, bem como seu alcance relativamente aos litígios concretos examinados na esfera desta corte administrativa, estar ainda sujeita a controvérsias, o fato é que vem se configurando como predominante a exegese ilustrada pelo acórdão nº 9202006.000, julgado em 27/09/2017 pela Câmara Superior de Recurso Fiscais (CSRF), que passo a transcrever parcialmente, no que interessa: Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar no que diz respeito à existência de vício material no lançamento e/ou de utilização de critério jurídico equivocado, que levassem à necessidade de desconstituição integral do lançamento, na forma proposta pelo Colegiado recorrido. Sem dúvida, reconhecesse aqui, em linha com o recorrido, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art, 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto, porém, que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer, na forma ali determinada, a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, não se estando destarte, diante de utilização de critério jurídico equivocado ou vício material no lançamento efetuado. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, constantes de efl. 21, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em Fl. 190DF CARF MF 6 montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese,ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Ainda que anteriormente tenha manifestado entendimento diverso do acima reproduzido, convirjo para tal posicionamento que se consolidou no âmbito da CSRF, tendo em vista os princípios da eficiência e celeridade processual, bem como o norte de pacificação de conflitos que pauta o CARF como instituição. Há que ressaltar, ademais, ser entendimento bem fundamentado e compatível com a situação examinada, bem como com as normas vigentes no ordenamento jurídicotributário. Em síntese, deve ser recalculado o lançamento, observandose o regime de competência. Ante o exposto, voto por em dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 191DF CARF MF
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