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Numero do processo: 10970.000097/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CESTAS BÁSICAS. TÍQUETE.
O auxílio-alimentação in natura (cestas básicas ou tíquetes) não integra o salário de contribuição, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
Numero da decisão: 2401-004.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que davam provimento parcial para excluir do lançamento apenas o valor relativo às cestas básicas.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CESTAS BÁSICAS. TÍQUETE. O auxílio-alimentação in natura (cestas básicas ou tíquetes) não integra o salário de contribuição, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
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Recorrente AUTO VIAÇAO TRIANGULO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CESTAS BÁSICAS. TÍQUETE. O auxílioalimentação in natura (cestas básicas ou tíquetes) não integra o salário de contribuição, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 00 97 /2 01 0- 17 Fl. 219DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que davam provimento parcial para excluir do lançamento apenas o valor relativo às cestas básicas. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10970.000097/201017 Acórdão n.º 2401004.952 S2C4T1 Fl. 220 3 Relatório Tratase de Auto de Infração AI lavrado contra a empresa em epígrafe, referente a contribuição social previdenciária correspondente à contribuição de segurados, incidente sobre a remuneração paga a empregados a título de alimentação, não declarada em GFIP, na competência 11/2008. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 24/26), o fato gerador foi o fornecimento de cesta básica, bem como tíquete alimentação a todos os empregados. Assim, o lançamento foi efetuado sobre o valor total das notas fiscais de aquisição de cestas básicas e das notas fiscais de repasse dos tíquetes alimentação/refeição, quando a empresa não estava devidamente cadastrada no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Consta ainda do Relatório Fiscal que: A apuração teve início com a apresentação, pela empresa, de inscrição no PAT do ano de 2001. Verificando a situação da empresa junto ao Ministério do Trabalho e Educação, através do site, fomos informados, que não consta cadastro atual da empresa no PAT. Ou seja, ela manteve cadastro no PAT até 2003, porém não efetuou o recadastramento conforme disposto na Portaria n° 66, de 19/12/2003, ou mesmo na Portaria n° 81, de 27/05/2004, que prorrogou o prazo para o recadastramento de pessoas jurídicas beneficiárias. (grifo nosso) Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, na qual alega nulidade do MPF e que os valores dos tíckets alimentação e das cestas básicas (alimentação in natura) não têm natureza salarial. Foi proferido o Acórdão 0930.555 5ª Turma da DRJ/JFA, fls. 167/182, com a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇAO PRINCIPAL. NÃO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. SEGURADOS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. SALARIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALIMENTAÇÃO. EORNECIDA EM DESACORDO COM O PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR _ PAT. MULTA. PRINCÍPIOS DO NÃO CONEISCO, DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA, DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. Não há como declarar nulidade, quer material quer formal, do lançamento tributário que atende aos requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, formalizado por autoridade legalmente competente e nos termos do Decreto n° 70.235/72. Fl. 221DF CARF MF 4 Constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas na Lei n° 8.212/91, não declaradas na forma do seu art. 32, será lavrado o respectivo auto de infração. Entendese por saláriodecontribuição para o empregado a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. A alimentação fornecida pela empresa a seus empregados em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT integra o saláriodecontribuição para os fins da Lei n° 8.212/91. A Administração Pública está sujeita ao principio da legalidade, à obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Não é possível, em sede administrativa, afastarse a aplicação de lei, decreto ou ato normativo em vigor. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 19/10/10 (Aviso de Recebimento AR de fl. 186), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/11/10, fls. 187/211, que contém os mesmos argumentos da defesa, em síntese: Preliminarmente, alega nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF e diz demonstrar as irregularidades. Disserta sobre a matéria. No mérito, diz que o fato de não ter feito o recadastramento no PAT, em nada influencia a natureza da alimentação fornecida, pois a inscrição ou não no PAT, não retira a natureza “in natura” dos alimentos fornecidos, seja através de cestas básicas ou tíquetes alimentação. Afirma que a recorrente forneceu aos seus empregados cestas básicas e ticket alimentação por força das Convenções Coletivas de Trabalho CCT, nos anos de 2006/2007, 2007/2008, 2008/2009 e 2009/2010. Cita acórdãos do STJ no sentido que não incide contribuição previdenciária sobre a alimentação paga in natura. Requer seja acolhida a preliminar de nulidade do MPF anulando o lançamento ou, no mérito, reformar a decisão exarada, julgando improcedente a autuação fiscal. É o relatório. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10970.000097/201017 Acórdão n.º 2401004.952 S2C4T1 Fl. 221 5 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINAR NULIDADE DO MPF O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, o que implica dizer que eventuais irregularidades no texto, prorrogações ou seu vencimento não constituem, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Estando o contribuinte regulamente intimado do procedimento fiscal e com a espontaneidade suspensa, não há que se falar em vício de forma se foram seguidas as disposições legais pertinentes ao lançamento e à lavratura do auto de infração, contidas no art. 142 da Lei 5.172/66 – Código Tributário Nacional – e no art. 10 do Decreto 70.235/72. Assim, tendo o auditor fiscal competência outorgada por lei para fiscalizar e constituir o crédito tributário pelo lançamento, eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. Decisão recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais demonstra o entendimento do CARF, conforme se vê no Acórdão 9202003.956 – 2ª Turma, de 22/4/16, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. Logo, irrelevantes os argumentos sobre irregularidades ou vencimento do MPF. MÉRITO Fl. 223DF CARF MF 6 ALIMENTAÇÃO IN NATURA Para o segurado do RGPS, qualquer parcela destinada a retribuir o seu trabalho integra o salário de contribuição, conforme Lei 8.212/1991, artigo 28, inciso I: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Entretanto, a Lei 8.212/91, no art. 28, § 9º, exclui algumas rubricas da base de incidência das contribuições previdenciárias, contudo para que tais rubricas sejam excluídas, elas devem estar previstas no citado dispositivo legal e devem ser pagas dentro dos ditames da lei. O art. 28, § 9º, prevê hipóteses de não incidência de contribuições sociais sobre alimentação fornecida in natura: Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; [...] Vêse, portanto, que tais hipóteses de renúncia fiscal não são absolutas, mas sim condicionadas pelo próprio dispositivo legal que as prevê. No caso da alimentação, a isenção apenas acontece se os pagamentos forem efetuados de acordo com a lei específica, no caso, Lei 6.321/76, que dispõe: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Referida lei foi regulamentada pelo Decreto nº 05/1991 que define como se dá a aprovação dos programas de alimentação pelo Ministério do Trabalho: Art. 1° A pessoa jurídica poderá deduzir, do Imposto de Renda devido, valor equivalente à aplicação da alíquota cabível do Imposto de Renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em Programas de Alimentação do Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10970.000097/201017 Acórdão n.º 2401004.952 S2C4T1 Fl. 222 7 Trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social MTPS, nos termos deste regulamento. [...] § 4° Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde. Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. A Portaria 03/2002 do MTE, assim dispõe: Art. 1º O Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, instituído pela Lei n.º 6.321, de 14 de abril de 1976, tem por objetivo a melhoria da situação nutricional dos trabalhadores, visando a promover sua saúde e prevenir as doenças profissionais. Assim, conforme se observa na legislação, o auxílio alimentação somente não integra o salário de contribuição se for pago in natura e de acordo com Programas de Alimentação do Trabalhador (PAT), previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. Acontece, porém, que o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em decisões reiteradas, tem firmado o entendimento de que o auxílioalimentação, fornecido in natura, não possui natureza salarial, não sendo, portanto, passível de incidência de contribuição previdenciária. Desta forma, de acordo com o PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, não há incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação. Ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Cabe observar que o Parecer PGFN/CRJ nº 2.117 aponta que o auxílio alimentação “pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.” Quanto ao que seja pagamento “em espécie”, o REsp 476.194/PR (citado no Parecer nº 2.117), informa que se o “auxílio alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em contacorrente, em caráter habitual e remuneratório, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária". Fl. 225DF CARF MF 8 Diante do Parecer PGFN/CRJ nº 2.117, foi emitido o Ato Declaratório nº 3, de 20/12/2011, pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN, publicado no DOU, página 00036 em 22/12/2011, nos seguintes termos: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24/11/2011, declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/ 11/ 2007). De acordo com o disposto no art. 42 da Lei Complementar nº 73/93, os pareceres aprovados pelo Ministro de Estado obrigam todos os órgãos autônomos e entidades vinculadas. Ademais, segundo dispõe a Lei nº 10.522/2002, artigo 19, §§ 4º e 5º, a Secretaria da Receita Federal não constituirá créditos tributários e, ainda, deverá rever de ofício os lançamentos já efetuados relativos às matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, como no presente caso. No caso em tela, a fiscalização esclarece que o auxílio alimentação foi fornecido por meio de cestas básicas e tíquetes alimentação/refeição, ou seja, o fornecimento do auxílio não foi nem em dinheiro e nem por meio de depósito em conta corrente. Além disso, o fornecimento de alimentação por meio de tíquetes ou cartão próprio para esse fim não afasta o caráter in natura da alimentação, haja vista a utilização do cartão estar vinculada à compra de alimentação, aceitos exclusivamente em estabelecimentos comerciais que revendem tais produtos. O fornecimento de tal instrumento facilita a logística empresarial, evitandose o manuseio de cestas básicas, além de dar maior liberdade de escolha ao empregado, que pode adquirir o alimento de sua escolha na qualidade que desejar. Sendo oferecido um ou outro – cesta básica ou cartão/tíquete alimentação – o fim almejado será o mesmo, prover o empregado de víveres, não havendo que haver discriminação somente pela forma de seu fornecimento. Acrescentese que, conforme relatado, a empresa tinha convênio com o PAT, mas não efetuou o recadastramento. Vêse, portanto, que o lançamento ocorreu pela ausência do cadastro na empresa do PAT. Ora, a empresa já vinha fornecendo alimentação por meio de tíquetes. A mera ausência do recadastramento no PAT não tem o condão de alterar a natureza da verba que vinha sendo paga, como previsto em CCT. Desta forma, os valores relativos a alimentação in natura fornecidos aos empregados na forma de cestas básicas ou tíquete alimentação/refeição não integram o Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10970.000097/201017 Acórdão n.º 2401004.952 S2C4T1 Fl. 223 9 conceito de remuneração e, por conseguinte, não devem compor o salário de contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias. Assim, uma vez que o fato gerador de que trata o presente lançamento é relativo a contribuições que incidiriam sobre alimentação in natura (cestas básicas e tíquetes) fornecida pela empresa e tendo em vista que conforme atos normativos citados tais contribuições não são mais exigíveis, deve ser excluído o lançamento. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 227DF CARF MF
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Numero do processo: 10976.000751/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. BENEFÍCIO. CURSO SUPERIOR RELACIONADO ÀS ATIVIDADES DA EMPRESA. NÃO INCIDÊNCIA.
O custeio de curso superior relacionado às atividades desenvolvidas pela empresa, ainda que não disponibilizado a todos os segurados, é isento da contribuição previdenciária.
PREVIDENCIÁRIO. RETENÇÃO DE 11% (ONZE POR CENTO). COMPROVAÇÃO PARCIAL. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO.
Somente na hipótese em que restar devidamente comprovada pela autoridade lançadora a prestação dos serviços mediante cessão de mão-de-obra, será devida pela empresa contratante a retenção de 11% (onze por cento) de que trata o artigo 31 da Lei n° 8.212/91, devendo a autoridade fiscal autuante demonstrar de maneira pormenorizada/individualizada os serviços executados com o respectivo enquadramento nos casos previstos no rol constante do artigo 219, § 2°, do Decreto n° 3.048/99.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - TAXA SELIC - APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
Nos termos da Súmula CARF n° 4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-003.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento parcial nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento parcial nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BENEFÍCIO. CURSO SUPERIOR RELACIONADO ÀS ATIVIDADES DA EMPRESA. NÃO INCIDÊNCIA. O custeio de curso superior relacionado às atividades desenvolvidas pela empresa, ainda que não disponibilizado a todos os segurados, é isento da contribuição previdenciária. PREVIDENCIÁRIO. RETENÇÃO DE 11% (ONZE POR CENTO). COMPROVAÇÃO PARCIAL. CESSÃO DE MÃODEOBRA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. Somente na hipótese em que restar devidamente comprovada pela autoridade lançadora a prestação dos serviços mediante cessão de mãodeobra, será devida pela empresa contratante a retenção de 11% (onze por cento) de que trata o artigo 31 da Lei n° 8.212/91, devendo a autoridade fiscal autuante demonstrar de maneira pormenorizada/individualizada os serviços executados com o respectivo enquadramento nos casos previstos no rol constante do artigo 219, § 2°, do Decreto n° 3.048/99. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 07 51 /2 00 9- 07 Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.499 2 Nos termos da Súmula CARF n° 4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento parcial nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0232.558 da 8ª Turma (fls.2295/2308), que julgou a impugnação procedente em parte, reconhecendo a decadência do período compreendido entre 03 e 11/2004 com base no artigo 173, I do CTN, em razão da ausência de recolhimentos. A autuação foi assim sintetizada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração lavrado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, no montante de R$ 636.887,07, nas competências 03/2004 a 12/2007, consolidado em 23/12/2009. Conforme informado no Relatório Fiscal de fls.392/422, o crédito lançado referese à contribuição social destinada à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, conforme discriminado na planilha de fls. 425/501. Fl. 2499DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.500 3 Foram efetuados os seguintes levantamentos: PR1 PRÊMIO A SEGURADOS — 11/2005 a 05/2006, 07/2006 a 12/2007 —contribuições incidentes sobre pagamento realizado a titulo de Prêmio a segurados empregados (cartão premiação) por intermédio de empresa prestadora de serviço especializada na área de marketing promocional (Incentive House S/A), apuradas com base nos lançamentos contábeis, notas fiscais e folhas de pagamento. Apesar de intimada, a empresa deixou de discriminar os valores pagos a titulo de Programa de Estimulo ao Aumento de Produtividade, por segurado e por competência, correlacionandoos com as respectivas Notas Fiscais/Faturas, bem como quanto a natureza dos serviços prestados pelos referidos segurados e do vinculo com a empresa. Pelo não atendimento dos esclarecimentos solicitados, a multa aplicada neste levantamento foi agravada em 50%, nos termos do inciso I, do §2° do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. PL1 PRO LABORE A SÓCIOS — 03/2004 a 12/2007 contribuições incidentes sobre pagamento realizado a segurados contribuinte individuais, apuradas com base nos lançamentos contábeis e folhas de pagamento. C11, C21 PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS 01/2005, 05/2005, 07/2005, 09/2005 a 12/2005 contribuições incidentes sobre pagamento realizado a segurados contribuinte individuais, apuradas com base nos lançamentos contábeis e folhas de pagamento. F11, F21, F31 e F41 FRETES A CONTRIB INDIVIDUAIS 11/2004 a 09/2005, /2005 e 12/2005 contribuições incidentes sobre pagamento realizado a segurados contribuinte individuais, apuradas com base nos lançamentos contábeis e folhas de pagamento. AB1 ABONO CCT 2007, 2009 FILIAL 08 — 06/2004 e 08/2006 contribuições incidentes sobre pagamento realizado a titulo de Abono CCT 2007/2009 Filial 08 — código 70, da Folha de Pagamento. Dos Acordos Coletivos apresentados, o único que faz menção ao Abono é a CCT celebrada entre o SINDICOMERCIO e o SECTEO/CF para os anos de 2007/2009. Contudo os valores a titulo de Abono pagos a segurados lotados na Matriz em Contagem/MG e na Filial de Ribeirão das Neves/MG, nos exercícios de 2004 e 2006, não se vinculam ao acordo coletivo apresentado A fiscalização 6) ED1 — REEMBOLSO CONTRATO N PAIVA — 01/2005 a 01/2007 contribuições incidentes sobre valores pagos a titulo de Reembolso Contrato Newton Paiva — código 194, da Folha de Fl. 2500DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.501 4 Pagamento. Ficou comprovado que a autuada efetuada pagamento das faturas ao Instituto Cultural Newton Ferreira Paiva Ltda e, posteriormente, descontava o valor das faturas, mediante rateio, aos beneficiários, conforme código de desconto 193 — Contrato Newton Paiva, da Folha de Pagamento e simultaneamente promovia o reembolso de parte do valor descontado através do ressarcimento código de provento 194 — Reembolso Contrato Newton Paiva, correspondendo a aproximadamente 30% do valor da mensalidade. Sobe tais valores incide contribuição, pois se referem a pagamento de curso superior em Gestão de Varejo, não estando, portanto incluído no rol de exclusão/não incidência da Lei n°8.212/91, art.28, §9°, bem como não havia previsão, regulamento ou norma na empresa para concessão do beneficio, restando comprovada sua exclusividade a determinados segurados empregados e sua não extensividade a todos os empregados e dirigentes. CO1 — PAGAMENTO A COOPERATIVAS — 01/2005 a 03/2005, 05/2005, 12/2005 contribuições incidentes sobre pagamento realizado a cooperativas de trabalho. RA a RM — RETENÇÃO NÃO EFET NF FATURA — 09/2004 a 12/2005 — retenção incidente sobre o valor bruto das notas fiscais e faturas ou recibos de prestação de serviços. MA a MP — RETENÇÃO A MENOR NF FAT — 12/2004, 01/2005, 03/2005 a 08/2005, 10/2005, 11/2005, 01/2006 — retenção incidente sobre o valor bruto das notas fiscais e faturas ou recibos de prestação de serviços. S1 — RETENÇÃO NÃO EFET RECIBO — 11/2004 a 06/2005 retenção incidente sobre o valor bruto das notas fiscais e faturas ou recibos de prestação de serviços. S2 — RETENÇÃO NÃO EFET NF SGO — 08/2004 a 09/2005, 12/2005, 01/2006 —retenção incidente sobre o valor bruto das notas fiscais e faturas ou recibos de prestação de serviços. A interessada foi cientificada da presente autuação em 11/01/2010 (Aviso de Recebimento — AR de fl.1611), e apresentou defesa de fls.1615/1663, erri 10/02/2010 (data de postagem dos correios — envelope de fl.1614). Contudo, em 01/03/2010, conforme Requerimento de Desistência de Impugnação (fls.2125/2126), o contribuinte desistiu parcialmente da defesa apresentada, para inclusão das contribuições discriminadas nas planilhas de fls.2127/2136 no parcelamento especial previsto na Lei n° 11.941/2009. Os autos foram, então, encaminhados A. Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem, para as providencias relacionadas ao parcelamento (despachos de fls.2148 e 2151). Fl. 2501DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.502 5 Assim, o presente auto foi desmembrado, conforme documentos de fls.2158/2226, permanecendo no mesmo apenas a parte "controversa" das contribuições lançadas. Ou seja, parte do débito da qual o contribuinte desistiu de impugnar foi transferida para outro processo (AI DEBCAD no 37.329.6037), que foi incluído em parcelamento, conforme despacho de fls.2228/2229. Foram transferidas para o AI DEBCAD n° 37.329.6037 as contribuições lançadas nas competências 01/2005 a 12/2007, referentes aos levantamento: PL1 — PRO LABORE A SÓCIOS, PR1 — PREMIO A SEGURADOS, C11, C21 — PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS, CO1 — PAGAMENTO A COOPERATIVAS e F11, F21, F41 — FRETES A CONT.INDIVIDUAIS. Permaneceram os seguintes levantamentos/competências: PL1— PRO LABORE A SÓCIOS — 03/2004 a 12/2004 F21, F31 e F41 FRETES A CONTRIB INDIV. 11/2004 e 12/2004 AB1 — ABONO CCT 2007, 2009 FILIAL 08 — 06/2004, 08/2006 ED1 — REEMBOLSO CONTRATO NPAIVA — 01/2005 a 01/2007 RA a RM — RETENÇÃO NÃO EFET NF FATURA — 09/2004 a 12/2005 MA a MP — RETENÇÃO A MENOR NF FAT — 12/2004, 01/2005, 03/2005 a 08/2005, 10/2005, 11/2005, 01/2006 S1 — RETENÇÃO NÃO EFET RECIBO — 11/2004 a 06/2005 S2 — RETENÇÃO NÃO EFET NF SGO — 08/2004 a 09/2005, 12/2005, 01/2006 0 contribuinte foi cientificado do desmembramento, conforme Comunicado de fl.2230 e copia de Aviso de Recebimento de fl.2231. O Relatório Fiscal informa que a recorrente não prestou todos os esclarecimentos e informações solicitados pelo Fisco e também a sistemática adotada em razão dessa falta. Tendo em vista os esclarecimentos prestados de forma deficiente e inconclusa, ou seja, em momento algum a empresa CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, não se empenha em prestar as informações basilares elencadas nos TIF's nos. 004 e 009/2009: discriminar os valores pagos a titulo de PROGRAMA DE ESTIMULO AO AUMENTO DE PRODUTIVIDADE, por segurado e por competência, correlacionandoos com as respectivas Notas Fiscais/Faturas, bem como quanto a natureza dos serviços prestados pelos referidos segurados e do vinculo com a empresa, restou comprovado o não atendimento da prestação de todos os esclarecimentos e informação solicitados pela Fiscalização, a teor dos §§ 1°.e 3 0, do art. 33, da Lei n° 8.212/91. Para a apuração das contribuições previdenciárias devidas, a Fiscalização embasouse nas Notas Fiscais/Faturas Fl. 2502DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.503 6 apresentadas em resposta ao TIF 003/2009, de 31/03/2009, tomando, tão somente, como saláriodecontribuição os valores brutos pagos a titulo de PROGRAMA DE ESTIMULO AO AUMENTO DE PRODUTIVIDADE, expurgando os valores contidos nos referidos documentos, tais como: comissão sobre serviços e tarifas adicionais, e, elaborando o Anexo: PR— PREMIO A SEGURADOS, integrante do presente Relatório do Auto de Infração. —O Anexo PR/período: 11/2005 a 12/2007, discrimina, mês a mês, os valores devidos relativamente aos saláriosde contribuição e contribuição previdenciária dos segurados empregados, originários da rubrica: PREMIO A SEGURADOS, e, pagos através do PROGRAMA ESTIMULO AUMENTO PRODUTIVIDADE da empresa prestadora INCENTIVE HOUSE S/A. — Pelo fato de não terem sido identificados os segurados empregados foi aplicado a alíquota mínima de 8%(oito) por cento) relativa a contribuição previdenciária do segurado empregado conforme demonstrado no Anexo: PR— PREMIO A SEGURADO, nos termos do art. 33, da Lei 8.212/91. A contabilização dos valores pagos a titulo PREMIO A SEGURADO, com o lançamento das Notas Fiscais/Faturas emitidas pela INCENTIVE HOUSE S/A, na conta contábil 2795 — 5.1.01.07.0032 — OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, ensejou a lavratura do AI — AUTO DE INFRAÇÃO — DEBCAD: 37.211.7686; Constatouse, ainda, que a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, deixou de incluir em suas Folhas de Pagamento os pagamentos efetuados a segurados empregados, à titulo de PREMIO A SEGURADO, através do PROGRAMA ESTIMULO AUMENTO PRODUTIVIDADE por intermédio de empresa prestadora de serviço de marketing promocional, bem como deixou de descontar e arrecadar as contribuições devidas pelos segurados na forma da legislação, motivos pelos quais foram lavrados os Al — AUTOS DE INFRAÇÃO —DEBCAD’s : 37.211.7678 e37.211.7708, respectivamente. 3.1.1.10 — Pelo não atendimento de esclarecimentos pleno demonstrado nos itens 3.11.4 a 31.1.6 retro, inclusive o não atendimento a reiteração dos esclarecimentos pela Fiscalização, nos prazos estabelecidos, foi lavrado o AI —AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD: 37.211.7694, e, restou, ainda, a caracterização da aplicabilidade da multa de lançamento de oficio preconizada no inciso I e § 20 do artigo 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, para o fato gerador apurado mediante a elaboração do Anexo: PR PREMIO A SEGURADO. 3.1.1.11. A Fiscalização cotejando as folhas de pagamentos e resumos, e, GPS — Guias de Recolhimento da Previdência fornecidas pela empresa e registros próprios da RFB constatou que as contribuições devidas à Seguridade Social relativa à Fl. 2503DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.504 7 parte patronal não foram recolhidas ou parceladas, razão pela qual apurouse de plano o crédito previdenciário. Inconformada com a decisão da qual foi cientificada em 13/07/2011, a recorrente apresentou recurso voluntário (fls.2345/2392), tempestivamente, em 11/08/2011, onde alega, em síntese, que: Impossibilidade da incidência das contribuições previdenciárias sobre marketing de incentivo. Retenção do pró labore dirigentes não são contribuintes obrigatórios e o fisco não pode exigir a retenção e recolhimento por parte da empresa sem verificar se os próprios contribuintes (pessoas físicas) já efetuaram os recolhimentos. Anexa cópias das GPS’s recolhidas . Abono previsto em convenção coletiva. Ocorreu simples equívoco ma utilização de código para a folha de pagamento da recorrente, o que está registrado como abono é reembolso (“não há como se comprovar, mediante documentos ou quaisquer outros meios probatórios que o equívoco ocorreu. Tal fato pode ser facilmente constatado quando a recorrente respondeu à intimação entregando as folhas de pagamento, como dito acima”). Impossibilidade de tributação de verbas pagas a título de educação e formação profissional Reembolso Contrato Newton Paiva. O curso foi oferecido a todos, mas apenas alguns se interessaram, fato que ocorre normalmente em qualquer empresa. O fato de a bolsa ser parcial (30%) contribuiu para esse fato. Tributação de cooperativas inconstitucionalidade.. Retenção cessão de mão de obra/empreitada: Inexistência da obrigação de reter contrato de administração de obra (SGO Construções LTDA). Todos funcionários que trabalharam diretamente na obra são empregados da própria recorrente, submetidos ao controle da SGO. SGO recolheu a totalidade das contribuições por ela devidas. Caso persista o lançamento configuraria caso de duplicidade de tributação. Exigências indevidas de retenção locação de equipamentos e instalação de antena coletiva. Retenções não computadas pela fiscalização. Cumulação de penalidades. Princípios da vedação ao confisco e capacidade contributiva Penalidades. Princípio da proporcionalidade/razoabilidade Penalidades. Impossibilidade da aplicação da multas agravada. SELIC. Fl. 2504DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.505 8 O julgamento foi convertido em diligência, através da Resolução nº 2403 000.090 4a Câmara / 3a Turma Ordinária (fls. 2402/2411), que foi exarada nos seguintes termos: Inicialmente, cumpre ressaltar, conforme relatado, que o sujeito passivo desistiu parcialmente da defesa apresentada e incluiu em parcelamento as contribuições lançadas nas competências 01/2005 a 12/2007. Disso resultou totalmente incontroversos os levantamentos , que, por essa razão, não serão apreciados neste julgamento: PR1 — PRÊMIO A SEGURADOS C11, C21 — PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CO1 — PAGAMENTO A COOPERATIVAS Outro ponto que cabe destaque é que o lançamento é específico da contribuição a cargo da empresa, isto é, não contém contribuição de pessoas físicas. Após o julgamento de primeira instância ficam mantidos os seguintes levantamentos e competências: PL1 PRO LABORE A SÓCIOS 12/2004 F21 e F31 FRETES A CONTRIB INDIV. 12/2004 AB1 ABONO CCT 2007, 2009 FILIAL 08 —08/2006 ED1 REEMBOLSO CONTRATO N PAIVA — 01/2005 a 01/2007 RA a RM RETENÇÃO NÃO EFET NF FATURA — 12/2004 a 12/2005 MA a MP RETENÇÃO A MENOR NF FAT — 12/2004 a 01/2006 S1 RETENÇÃO NÃO EFET RECIBO 12/2004 a 06/2005 S2 RETENÇÃO NAO EFET NF SGO 12/2004 a 01/2006 Em razão do recurso apresentado, entendo necessário alguns esclarecimentos por parte da fiscalização. Para tanto, utilizo abaixo, como referência a itemização utilizada no Recurso Voluntário. IV.6.1 Dos pagamentos efetuados para a SGO CONSTRUÇÕES LTDA Várias notas fiscais contém discriminado “Taxa de Administração”. Informar qual a relação entre essa “Taxa de Administração” e o serviço de administração da obra. Fl. 2505DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.506 9 IV.6.2 Da exigência indevida de retenção sobre atividades não sujeitas a essa sistemática. Identificar se existe algum lançamento referente a: locação de caçamba locação de máquinas, de ferramentas, de equipamentos ou de outros utensílios sem fornecimento de mãodeobra prestação de serviço com cessão de mão de obra onde a utilização de equipamento é inerente à execução dos serviços contratados. IV.6.3 Das notas fiscais cuja retenção não foi computada pela fiscalização Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão. IV.6.4 Impossibilidade de exigência das contribuições previdenciárias decorrentes de serviços não sujeitos à retenção. Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão. A Recorrente solicitou a vinculação deste processo às demais autuações sofridas na mesma ação fiscal (processos 10976.000752/200943, 10976.000754/200932, 10976.000755/200987, 10976.000757/2009 76,10976.000770/200925 e 10976.000758/200911). Observo que por economia processual, restringirei a diligência a este processo, utilizando as manifestações também nos demais. Da diligência deve ser dada ciência à recorrente oportunizando manifestação. A Informação Fiscal em cumprimento à diligência determinada pelo CARF dormita às fls. 2450/2472, cujas passagens mais relevantes correspondem aos excertos abaixo: Preliminarmente, elaborouse o demonstrativo abaixo discriminado, com todas a funções dos funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme cópia, por amostragem de Folhas de Pagamento e Rescisões, apresentadas pelo sujeito passivo em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 016/2009, datado de 01/01/2013, e, que constam das folhas de 1323 a 1602, dos presentes autos, a saber: Ainda, de acordo com o descrito nos itens 3.1.6.4.2, 3.1.6.4.3 e 3.1.6.4.3.1, do Relatório Fiscal, restou demonstrado que as obras de construção do Centro de Distribuição CD, foram executados sob a forma de contratação de EMPREITADA Fl. 2506DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.507 10 PARCIAL, haja visto, que as diversas empresas sub contratadas, discriminadas no item 3.1.6.4.2, faturaram seus serviços diretamente para o proprietário CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, em consonância com o disposto no inciso IV § 2° do art. 413, da IN SRP 03/2005, acima descrito. O Contrato de Prestação de Serviços, descrito parcialmente no item 3.1.6.4.1 do Relatório Fiscal, na Cláusula Quinta, Parágrafo Segundo, outorga a CONTRATADA SGO CONSTRUÇÕES LTDA, mandato para poder subcontratar com terceiros (subempreiteiros), a construção por administração ou empreitada de serviços, tendo inclusive a própria SGO CONSTRUÇÕES LTDA prestado serviços de mão de obra, faturando por esses serviços, além da taxa de administração prevista contratualmente, o que por si descaracteriza a modalidade única de “administração”, a teor da definição preconizada no inciso XXX, art. 413, da IN SRP 03/2005, transcrito, acima descrito. Tendo em vista a descaracterização da forma contratação das obras de construção do Centro de Distribuição consoante elementos probatórios elencados no Relatório Fiscal, de empreitada TOTAL para empreitada PARCIAL, o Contrato de Prestação de Serviços – SGO CONSTRUÇÕES LTDA CNPJ: 16.548.646/000148, passou a ter tratamento de empreitada parcial, igualmente aos demais prestadores de serviços, e, sujeito, portanto, a retenção sobre os valores brutos das Notas Fiscais/Faturas ou recibos, emitidas diretamente contra a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA. 4.2. Inferese que a presente indagação acerca da relação entre a “taxa de administração” e serviço de administração da obra, levase a crer que ambos conceitos são similares, porém, no contexto que se apresenta, caracterizamse serem meramente parte integrante da descrição de serviços medidos a serem consignados em campo próprio da Nota Fiscal/Fatura, a uma porque a SGO CONSTRUÇÕES LTDA, não se limitou tão somente à administração da obra de construção, a teor do conceito de “contrato por administração” descrito no inciso XXX do art. 413 da IN retro mencionado, e a duas por ter faturado remuneração de mão de obra a título de reembolso de mão de obra e encargos sociais diretamente para a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, corroborando dessa forma a descaracterização de contrato, exclusive, por administração, para contrato por empreitada PARCIAL. 4.2.1. Portanto, a mera descrição de serviços medidos em Nota Fiscal/Fatura, a qualquer título, pertinente a contrato de empreitada PARCIAL, não tem o condão de elidir as obrigações legais previdenciárias quanto à exigência de destaque da retenção dentre outras, nem tampouco validar o contrato de Fl. 2507DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.508 11 prestação de serviços, exclusivamente, como sendo por administração, pelas razões acima minudenciadas. IV.6.2 DA EXIGÊNCIA INDEVIDA DE RETENÇÃO SOBRE ATIVIDADES NÃO SUJEITAS A ESSA SISTEMÁTICA Locação de caçamba. Locação de máquinas, de ferramentas, de equipamentos ou de outros utensílios sem fornecimento de mãodeobra. Prestação de serviço com cessão de mão de obra onde a utilização de equipamentos é inerente à execução dos serviços contratados. 5. Preliminarmente, não foram identificados nos lançamentos, a atividade de locação de caçamba, sendo as Notas Fiscais/Faturas ora sob exame, tratarem, exclusivamente, de locação de equipamentos/maquinas, a saber: retroescavadeira, motoniveladora, trator e caminhão pipa. 5.1. Na execução de serviços de terraplenagem, ou seja, a movimentação de terra corte/aterro para a implantação de empreendimento/edificação, os equipamentos/maquinas: retro escavadeira, motoniveladora, trator e caminhão pipa, são inerentes à execução dos serviços contratados e a execução dos trabalhos prescinde de mão de obra cedida/empregada, realizada por profissionais especializados(operadores/motoristas habilitados) dadas as especificidades e peculiariadades de cada equipamento. Em face ao julgado no Acórdão 0232.558 8a Turma da DRJ/BHTE, de 01/06/2011, às fls. 2301 ‘ ‘... Para as competências de 03/2004 a 11/2004 ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, devendo as mesmas ser excluídas do lançamento. “ restou aplicado o instituto de decadência relativo as competências setembro/2004 e novembro/2004, sendo, portanto, os valores lançados naqueles meses, passíveis de plano de retificação, anulandose os valores lançados. 5.4. Com relação a competência 12/2004, verificase que houve um lapso de digitação relativa a NF 000183, de 13/12/2004, constante do Anexo: RA A RM RETENÇÃO NÃO EFETUADA S/NOTAS FISCAIS FATURAS de fls. 525 , sendo lançado o valor incorreto de 48.372,00 ao invés do valor correto de R$ 1.518,50. 5.4.1. Sendo assim, os valores lançados no Anexo RA A RM, no tocante as referidas Notas Fiscais ficam retificados conforme discriminados abaixo: 5.4.2. Em relação à totalidade das Notas Fiscais remanescentes relativas às competências 12/2004 a 06/2005, foram expedidos os Ofícios n°s. 234/2013/Saort/DRFCON e 235/2013/Saort/DRF CON,( anexados ao processo) para as empresas R. & R. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA Fl. 2508DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.509 12 ME CNPJ: 02.150.945/000115 e LOCAÇÃO DE MAQUINAS JM LTDA ME CNPJ: 19.695.683/000177, respectivamente, e, remetidos aos endereços dos sujeitos passivos constantes dos sistemas informatizados da RFB, com a seguinte solicitação de documentação e/ou esclarecimentos, a saber: • Ofício n° 234/2013/Saort/DRFCON R. & R. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA ME: • Ofício n° 235/2013/Saort/DRFCOM LOCAÇAO DE MAQUINAS JM LTDA ME: “a) Copia do Contrato de Prestação de Serviços, exclusivamente, do período de emissão das Notas Fiscais acima discriminadas, com a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, e, em caso negativo, esclarecer o motivo; Informar, se os serviços prestados e discriminados, foram executados com o emprego equipamentos/máquinas e pessoal (operadores) da LOCAÇAO DE MAQUINAS JM LTDA ME;ou, se trata de aluguel, exclusivamente, de equipamentos/máquinas. Outros esclarecimentos que entender necessários e pertinentes ao assunto. 4. Anexo: cópias da(s) Nota(s) Fiscal(ais) n°(s): 000533, 000535, 000539, 000542, 000544, 000545, 000547, 000549, 000552 a 00560, 000562 a 000569, 000601 a 000603 e 000607.” Citado Ofício n° 234/2013/Saort/DRF/CON, endereçado à R & R LOCAÇAO DE EQUIPAMENTOS LTDA, foi devolvido pelos Correios em 04/06/2013, mediante AR n° RA 70500918 1 BR, com motivo classificado como “ Mudouse”. Conforme explicitado no item 3.1.6.5.1.2 do Relatório Fiscal, inexistindo, portando, a formalização contratual de serviços celebrados com terceiros, reconhecida pela própria CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota fiscal, fatura ou do recibo de prestação de serviço, consoante legislação previdenciária pertinente de regência. Restou, mantido o crédito lançado, relativo às Notas Fiscais acima alencadas no Oficio n° 234/2013/Saort/DRFCON, e, constantes do Anexo: RA A RM, integrante dos presentes Autos, por ter a Impugnante afirmar que não possuía contratos com os empreiteiros em resposta ao TIF 014/2009, de fls. 376 a 380, na qual aduz às fls. 381: “2) No que se refere ao item 1b, a relação com as empresas ora listadas ocorria de forma, fornecedor consumidor, onde fazia se a aquisição e/ou a locação do bem mediante a emissão da nota fiscal, e, seguida efetuavase o pagamento. Em resumo, não foi elaborado nenhum tipo de regulamento/contrato para usufruto ou aquisição de quaisquer serviço ou compra entre a Cema e as referidas empresas.” Fl. 2509DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.510 13 5.4.3. Em resposta ao Ofício n° 235/2013/Saort/DRF/CON, o sujeito passivo apresentou correspondência (anexada ao processo) com as alegações seguintes, transcritas, parcialmente: Contagem, Minas Gerais, representado neste ato pelo seu sócio administrador, Aguimar Braga, portador da Carteira de identidade número MG.3.958.170 e CPF.771.235.57620, vem através desta e após ter enviado por email no dia 05 de junho de 2013, a mesma declaração, seguindo a solicitação do auditor por telefone, para formalização da resposta, declarar que: As Notas de números, 533, 535, 539, 542, 544, 545, 547, 549, 552, 553, 554, 555, 556, 557, 558, 559, 560, 562, 563, 564, 565, 566, 567, 568, 569, 601, 602, 603, 607 emitidas ao cliente CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, entre os períodos de 01/12/2004 até 26/06/2005, tem seus valores totais representando exclusivamente o valor da Locação de Equipamentos. Declaro ainda não existe contrato formal desta prestação de serviços.” 5.4.3.1 Ressaltase que, a despeito das argumentações trazidas pela Locação de Maquinas JM Ltda, o equipamento Retro escavadeira, somente, pode ser por operado por pessoal especializado neste tipo de equipamento, fato este não provado, tampouco pela Impugnante, restando a certeza de que o equipamento foi utilizado nas Obras com o emprego de mãode obra especializada, o que caracteriza de plano a incidência das alíquotas de retenção previstas na legislação previdenciária 5.4.3.2. Em face dos esclarecimentos insuficientes prestados pela Locação de Maquinas JM Ltda, notadamente a ausência de contrato formal daquela prestação de serviços, e, a constatação de que a Impugnante não possuía em seu quadro de funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme demonstrativo, por amostragem, discriminado no item 3 retro, empregados classificados com a função de Operador de Retro escavadeira, fica mantido o crédito lançado, relativo às Notas Fiscais acima alencadas no Oficio n° 235/2013/Saort/DRF CON, e, constantes do Anexo: RA a RM, integrante dos presentes Autos. IV.6.3 DAS NOTAS FISCAIS CUJA RETENÇÃO NAO FOI COMPUTADA PELA FISCALIZAÇÃO Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão 6. Transcrevese, a seguir a tabela de notas fiscais relacionadas pela Impugnante, tida como Das Notas Fiscais Cuja Retenção Não Foi Computada pela Fiscalização: Em face ao julgado no Acórdão 0232.558 8a Turma da DRJ/BHTE, de 01/06/2011, às fls. 2301 ‘ ‘... Para as Fl. 2510DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.511 14 competências de 03/2004 a 11/2004 ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, devendo as mesmas ser excluídas do lançamento. “ restou aplicado o instituto de decadência relativo as competências setembro/2004 e novembro/2004, sendo, portanto, os valores lançados naqueles meses, relativo às Notas Fiscais n°s. 002856, 002864 e 002887, passíveis de plano de retificação, anulandose os valores lançados. Sendo assim, os valores lançados no Anexo: RA A RM, no tocante as referidas Notas Fiscais ficam retificados conforme discriminados abaixo(...) 6.2. No tocante, a Nota Fiscal n ° 000079 emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141, em 11/01/05 valor R$ 4.590,00, resulta que a Impugnante apresentou no curso do procedimento fiscal à Fiscalização, a Nota Fiscal n° 000079 às fls. 1151, cuja originalidade foi atestada pela autoridade notificante conforme carimbo aposto para fins de instrução do processo e na qual não consta qualquer destaque de retenção previdenciária. Diferentemente, em seu recurso voluntário, a Impugnante, faz juntada da mesma Nota Fiscal n° 000079 às fls. 2069, com a “inclusão manual e EXTEMPORÂNEA” logo abaixo do valor total, a expressão manuscrita “INSS (11%) 504,90 e ISSQN (2%) 91,80” e juntando GPS sem autenticação no valor de R$ 504,90. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, constatase que o suposto valor de retenção “destacado” tardiamente de forma manuscrito, não foi declarado em GFIP pela emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME, nem tampouco, houve a vinculação de segurados à matrícula CEI 40.990.03248/78 da Obra do Centro de Distribuição CEMA, consoante exigência na legislação previdenciária de regência. 6.2.21. Na tela CCORGFIP (anexada ao processo), a empresa FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141,declarou na competência janeiro/2005, o montante de retenção da Lei n° 9.718, o valor de R$ 3.161,11; Na tela DATAPREV/ CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais Tomador de Serviço GFIP(anexada ao processo), consta o seguinte detalhamento do montante de R$3.161,11, declarado à título de retenção na competência janeiro/2005, a saber: Restou demonstrado que não houve o suposto equívoco da Fiscalização assinalado pela Impugnante em sua peça recursal, e, sim o comportamento inadequado da Impugnante ao oferecer ao Fisco, em seu Recurso Voluntário ao CRPS, documentação Fl. 2511DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.512 15 “rasurada”, com o intuito de elidir de suas obrigações legais a seu tempo. Fica, portanto, mantido na integralidade os valores lançados à título de retenção relativo à Nota Fiscal n ° 000079 emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141, em 11/01/05 valor R$ 4.590,00. 6.3 No tocante, a Nota Fiscal n ° 000041 emitente A & R EMPREITEIRA LTDA ME CNPJ: 02.969.081/000168, em 01/03/05 valor R$ 846,00, resulta que a Impugnante, apresentou no curso do procedimento fiscal à Fiscalização, a referida Nota Fiscal n° 000041 às fls. 1164, na qual não consta qualquer destaque de retenção previdenciária. Diferentemente, em seu recurso voluntário, a Impugnante, faz juntada da mesma Nota Fiscal às fls. 2071, com a “inclusão manual EXTEMPORÂNEA” logo abaixo do valor total, a expressão manuscrita “INSS (93,06) e ISSQN (16,92)” e juntando GPS sem autenticação no valor de R$ 213,51. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, constatase que o suposto valor de retenção “destacado” tardiamente de forma manuscrito, não foi declarado em GFIP pela emitente A & R EMPREITEIRA LTDA ME, nem tampouco, houve a vinculação de segurados à matrícula CEI 40.990.03248/78 da Obra do Centro de Distribuição CEMA, consoante exigência na legislação previdenciária de regência. Restou demonstrado que não houve o suposto equívoco da Fiscalização assinalado pela Impugnante em sua peça recursal, e, sim o comportamento inadequado da Impugnante ao Fisco documentação rasurada. (...) Ressaltase que, a despeito das argumentações trazidas pela Real Guindastes e Equipamentos Ltda, o equipamento Guindaste, somente, pode ser por operado por pessoal especializado neste tipo de equipamento, fato este não provado, tampouco pela Impugnante, restando a certeza de que o equipamento foi utilizado nas obras com o emprego de mãode obra especializada, o que caracteriza de plano a incidência das alíquotas de retenção previstas na legislação previdenciária. Em face dos esclarecimentos insuficientes prestados pela Real Guindastes e Equipamentos Ltda, notadamente, não ter como afirmar se a locação do Guindaste teve ou não o concurso de mão de obra, e, a constatação de que a Impugnante não possuía em seu quadro de funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme demonstrativo, por amostragem, discriminado no item 3 retro, empregados classificados com a função de Operador de Guindaste, fica mantido o crédito lançado, relativo à Nota Fiscal n° 0004580, constante do Anexo: RA a RM, integrante dos presentes Autos. Fl. 2512DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.513 16 Com relação a NF 000269, de 28/06/05, foi emitido OFÍCIO N° 239/2013/Saort/DRF/CON, datado de 22/05/2013(anexado ao processo), para a empresa ADVANCED SERVIÇOS LTDA ME, intimando o sujeito passivo os seguintes elementos discriminados abaixo(...) De conformidade com a descrição dos serviços discriminados na NF 000269 acima mencionados, restou comprovado que os serviços de instalação de pararaios e aterramento não estão contemplados como serviços não sujeitos à retenção, ficando mantido o crédito lançado, relativo à Nota Fiscal n° 000269, constante do Anexo: RA A RM, integrante dos presentes Autos. Com relação à NF 000847, de 22/11/05, de fls. 1229, a empresa ENGEFUROS Engenharia e Furos em Concreto Ltda CNPJ: 04.658.491/000113, reconhece a incidência da retenção e discrimina no campo próprio da Nota Fiscal, da seguinte forma: Locação de perfuratriz diamantada dd 160 p/execução furos em concreto 97,50 MãodeObra 52,50 Retenção INSS 11% 5,78 Reconhece, ainda, nas Notas Fiscais de sua emissão, de n°s. 000730, 000737, 000751 e 000827, de fls. 1225 a 1228, respectivamente, a incidência da retenção, mantendo a mesma discriminação dos serviços, acima descrita. A constatação da incidência da retenção está em consonância com o disposto no art. 170, da IN SRP 03/2005 (e IN/INSS/DC n° 100/2003), que não contempla a execução de furos em concreto como não sujeitos a retenção. A citada Nota Fiscal 000847, consta do Anexo: MA A MP RETENÇÃO A MENOR EFETUADA S/NFS/FATURAS, de fls. 539, pelo fato de não ter sido apresentado o Contrato de Prestação de Serviços, restando a incidência sobre o valor bruto da citada Nota Fiscal, sobejando saldo de retenção a menor, objeto do Auto de Infração. Diante do exposto, fica mantido o lançamento do crédito relativo à Nota Fiscal n° 000847, constante do Anexo: MA A MP, integrante dos presentes Autos. Atendida a solicitação de fls. 2410, com os esclarecimentos e considerações do Auditor notificante, bem como a concessão de prazo de 30(trinta dias), para manifestação da Impugnante, a partir da ciência do presente Termo. Cientificada do teor da Informação Fiscal supra, a recorrente apresentou manifestação às fls. 2480/2490, alegando, em síntese, que: Fl. 2513DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.514 17 Com registro dos trabalhadores da obra em seu nome, fica ainda mais inquestionável a validade do contrato e das notas fiscais que não divergem quanto ao ponto de se tratar de obra realizada mediante a administração da SGO CONSTRUÇÕES LTDA. A SGO simplesmente intermediou a terceirização de alguns serviços, sendo reembolsada pela CEMA dos respectivos valores, o que, sem sombra de dúvidas, não transforma administração em empreitada parcial, como equivocadamente pretende a d. Fiscalização. Por fim, cumpre lembrar que a SGO recolheu devidamente todas as contribuições que lhe competia, conforme comprovado nos autos, sem descontar qualquer montante a título de retenção. Dito de outro modo, todas as contribuições foram recolhidas direta e integralmente pela SGO, sendo que caso a Recorrente também fosse condenada a recolher supostas parcelas que não foram retidas, não há dúvidas de que se trataria de dupla incidência sobre exatamente os mesmos fatos geradores, fato que juridicamente não se pode admitir. O Auto de Infração exige a incidência de contribuições previdenciárias sobre locação de máquinas e equipamentos (retroescavadeira, motoniveladora etc.), ou seja, sobre atividades em que não ocorre o fato gerador das referida exações. Todavia, a d. Fiscalização, ao invés de responder objetivamente a questão, insiste em sua tese de desconsideração dos contratos e notas fiscais relativas a obra realizada pela Recorrente e o que é pior, por mera suposição (sem qualquer suporte fáticoprobatório). As autoridades autuantes consertaram alguns erros constantes do trabalho fiscal, reduzindo valores lançados a maior com relação à algumas notas fiscais, mas quanto ao cerne da discussão jurídica mantiveram seu posicionamento a respeito da tributação sobre aluguel de máquinas e equipamentos. Nesse sentido, duas foram as empresas locadoras que concentraram as notas fiscais autuadas: (i) R & R Locação de Equipamentos Ltda. ME e (ii) Locação de Máquinas JM Ltda. Pois bem, a fim de tentar comprovar sua suposição de que, na verdade, não houve mera locação de equipamentos, mas locação com cessão de mão de obra, o Fisco emitiu intimação para cada uma dessas empresas a fim de que elas esclarecessem se a locação teria sido feita com ou sem o fornecimento de pessoal (operadores). Conforme se verifica dos autos, a JM expressamente afirmou que os valores recebidos da Recorrente decorrem exclusivamente da locação de equipamentos. Em relação às notas fiscais cuja retenção não foi considerada pela Fiscalização restaram atingidas pela decadência o crédito tributário até a competência 11/2004. Sobraram, então, as notas fiscais de nºs 000079 e 000041. Com relação a tais documentos fiscais, em suma, o Fisco acusa o Recorrente de ter incluído informações posteriores sobre a retenção das contribuições previdenciárias, rasurando os documentos depois de sua apresentação ao processo. Afirma, ainda, que as GPSs apresentadas não possuíram autenticação bancária, bem como que não teriam sido identificados os pagamentos informados pelo Contribuinte. Fl. 2514DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.515 18 Quanto a esse ponto, o que a Recorrente tem a dizer é que realmente as informações sobre a retenção foram incluídas à mão, mas de forma alguma tal procedimento foi realizado posteriormente para elidir suas obrigações fiscais “a seu tempo”. O que pode ter ocorrido é que as primeiras cópias juntadas aos autos foram retiradas das notas originais, portanto sem as informações sobre a retenção. O importante é que efetivamente houve retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias relativas às notas fiscais em comento, não havendo dúvidas sobre a impossibilidade de autuação nesse tocante. As cópias das GPS em anexo comprovam efetivamente o recolhimento das referidas contribuições e, inclusive, comprovam que tais contribuições foram recolhidas tempestivamente, o que afasta qualquer tese de que a contribuinte teria agido com máfé. Por fim, reitera a Recorrente todas as suas alegações constantes do Recurso Voluntário, notadamente no que tange a improcedência do lançamento efetuado. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da delimitação do litígio Nos termos da decisão de primeira instância, do crédito tributário original, restaram abrangidas pela decadência as competências de 03/2004 a 11/2004. Foram transferidas para o debcad nº 37.329.6037 as parcelas sobre as quais a ora recorrente desistiu da defesa apresentada para a inclusão em parcelamento, que corresponderam ao período de 01/2005 a 12/2007. Dessa forma, a matéria contenciosa se limitou aos seguintes levantamentos e competências: PL1 PRO LABORE A SÓCIOS 12/2004 F21 e F31 FRETES A CONTRIB INDIVIDUAIS 12/2004 AB1 ABONO CCT 2007, 2009 FILIAL 06 e 08/2006 ED1 REEMBOLSO CONTRATO N PAIVA 01/2005 a 01/2007 RA a RM RETENÇÃO NÃO EFET NF FATURA 12/2004 a 12/2005 MA a MP RETENÇÃO A MENOR NF FAT 12/2004 a 01/2006 S1 RETENÇÃO NÃO EFET RECIBO 12/2004 a 06/2005 Fl. 2515DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.516 19 S2 – RETENÇÃO NÃO EFET NF SGO – 12/2005 e 01/2016 Destarte, as alegações recursais que não correspondam às matérias sob julgamento não serão apreciadas, vez que há perda de objeto e ausência de interesse processual. Decadência O presente lançamento, originariamente, abrangeu as competências de 03/2004 a 12/2007. A decisão da DRJ reconheceu a decadência do período de 03/2004 a 11/2004, ao aplicar a regra de contagem do prazo decadencial inserta no art, 173, I, do CTN, uma vez que no entendimento daquele colegiado não ocorreu antecipação do pagamento, pelo fato de o próprio sujeito passivo não reconhecer os valores lançados como saláriodecontribuição. Todavia, esse não é o entendimento sedimentado pela Súmula CARF nº 99, verbis: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. A ciência do presente lançamento se deu em 11/01/2010, portanto, o período não decadente é de 01/2005 a 12/2007. Desse modo, a decadência deve ser estendida para abranger a competência 12/2004. Estando, pois, decadente o período de 03/2004 a 12/2004. Nova delimitação do litígio Em face da concessão da decadência em maior extensão no tópico precedente, mister se faz uma nova delimitação do litígio, uma vez que alguns levantamentos remanesceu apenas a competência 12/2004, que não fora incluída em parcelamento apenas pelo fato de o sujeito passivo acreditar que estava abarcada pela decadência. Assim, persistem os seguintes levantamentos, que serão analisados nessa sequência ao longo do presente voto: AB1 ABONO CCT 2007, 2009 FILIAL 06 e 08/2006 ED1 REEMBOLSO CONTRATO N PAIVA 01/2005 a 01/2007 RA a RM RETENÇÃO NÃO EFET NF FATURA 01/2005 a 12/2005 MA a MP RETENÇÃO A MENOR NF FAT – 01/2005 a 01/2006 S1 RETENÇÃO NÃO EFET RECIBO 06/2005 S2 – RETENÇÃO NÃO EFET NF SGO – 12/2005 e 01/2016 Fl. 2516DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.517 20 Abono Convenção Coletiva de Trabalho De acordo com a Convenção Coletiva do Trabalho 2007/2009, assinada em 27/11/2007, cada segurado empregado fazia jus a um abono, pago em duas parcelas, nos meses de dezembro/2007 e dezembro de 2008. A cláusula da CCT referente ao abono, restou assim redigida: Será pago como abono, para toda a categoria, o valor de R$ 160,00 (cento e sessenta reais), em 02(duas) parcelas iguais de R$ 80,00 (oitenta reais), que serão pagos junto com os salários, respectivamente, dos meses de dezembro/2007 e dezembro de 2008. O pagamento respeitará a proporcionalidade de 1/12 trabalhados, isto é, para cada mês trabalhado por inteiro no ano, terá direito a receber R$ 6,67 (seis reais e sessenta centavos). Depreendese dos termos da Convenção Coletiva de Trabalho que o abono não era eventual e expressamente desvinculado do salário. O empregado já sabia previamente do valor e periodicidade do pagamento, que ocorria no último mês de cada ano. Dessa forma, agiu com a acerto a autoridade fiscal ao considerar tais pagamentos como integrantes da base de cálculo da contribuição previdenciária, eis que não se enquadram na regra de exceção inserta no art. 28, § 9º, “e”, item 7, que expressamente prevê que não integram o salário de contribuição, exclusivamente: “as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário”. Destarte, não merece provimento o recurso nesse aspecto. Custeio de ensino superior A questão tratada versa sobre a interpretação ao art. 28, § 9º, “t”, com a redação vigente à época dos fatos geradores: t) o valor relativo a plano educacional que vise á educação básica, nos termos do Art. 21 da Lei n° 9.394 de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n° 9. 711, de 20/11/98 A Lei nº 12/513/2011 alterou o dispositivo legal, que passou a ter a seguinte redação: t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) No caso que se cuida, a recorrente custeou de forma parcial o ensino superior de Gestão de Varejo. No entendimento da autoridade lançadora, ratificado pela decisão de piso, não haveria subsunção do fato à norma isentiva, uma vez que a educação superior não se enquadra, por óbvio no conceito de educação básica e nem pode ser entendido como curso de captação e qualificação profissionais. Fl. 2517DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.518 21 De acordo com a decisão de piso, ainda que referido curso superior fosse considerado como de capacitação e qualificação profissional, a recorrente não faria jus ao benefício legal por não ter estendido o acesso a todos os empregados e dirigentes da empresa. Não obstante a lei se reportar a ocorrência do fato gerador, a alteração do mencionado dispositivo legal pela Lei nº 12/513/2011 foi de grande importância para a compreensão do alcance da norma revogada. A novel legislação modificou os requisitos para a obtenção, não mais exigindo o requisito de que o plano educacional fosse extensivo a todos os empregados. Referida exigência poderia, muitas vezes ser inexequível, vez que os empregados poderiam ter perfis distintos e não estarem aptos a usufruir do benefício concedido pela empresa em igualdades de condição. Exemplifico. Um empregado sem a conclusão do ensino médio não poderia cursar a faculdade de Gestão de Varejo. Destarte, entendo que o fato de a recorrente não ter disponibilizado o reembolso do curso à totalidade dos empregados não pode servir de óbice para aplicação da norma isentiva ao vertente caso. De outra banda, entendo que o curso disponibilizado, não obstante ser de nível superior, tem vinculação com as atividades desenvolvidas pela empresa e, teoricamente, alfim do curso os empregados contemplados estarão mais qualificados e capacitados para o trabalho. Diante do exposto, entendo que o curso de Gestão de Varejo atendeu a finalidade da norma isentiva, razão pela qual os reembolsos respectivos devem ser excluídos da base de cálculo do presente lançamento. Provido o recurso nesse tocante. Dos pagamentos efetuados a SGO CONSTRUÇÕES LTDA De acordo com a tese de defesa, a empresa SGO Construções foi contratada para administrar a obra do centro de distribuição da recorrente. Todavia, a Fiscalização identificou diversas empresas subcontratadas, discriminadas no item 3.1.6.4.2 do Relatório Fiscal, que faturaram seus serviços diretamente para o proprietário CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, em consonância com o disposto no inciso IV § 2° do art. 413, da IN SRP 03/2005. O Contrato de Prestação de Serviços, descrito parcialmente no item 3.1.6.4.1 do Relatório Fiscal, na Cláusula Quinta, Parágrafo Segundo, outorga a CONTRATADA SGO CONSTRUÇÕES LTDA, mandato para poder subcontratar com terceiros (subempreiteiros), a construção por administração ou empreitada de serviços, tendo inclusive a própria SGO CONSTRUÇÕES LTDA prestado serviços de mão de obra, faturando por esses serviços, além da taxa de administração prevista contratualmente, o que por si descaracteriza a modalidade única de “administração”, a teor da definição preconizada no inciso XXX, art. 413, da IN SRP 03/2005. Segundo a autoridade fiscal, tendo em vista a descaracterização da forma contratação das obras de construção do Centro de Distribuição consoante elementos probatórios elencados no Relatório Fiscal, de empreitada TOTAL para empreitada PARCIAL, o Contrato de Prestação de Serviços SGO CONSTRUÇÕES LTDA CNPJ: 16.548.646/000148, passou a ter tratamento de empreitada parcial, igualmente aos demais prestadores de serviços, e, sujeito, portanto, a retenção sobre os valores brutos das Notas Fl. 2518DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.519 22 Fiscais/Faturas ou recibos, emitidas diretamente contra a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA. De outro lado, a recorrente assevera que não teria a obrigatoriedade da retenção uma vez que contratou a SGO como mera administradora. Entretanto, entendo que assiste razão à autoridade lançadora, ao caracterizar a obra como de empreitada parcial, eis que restou sobejamente demonstrado que empresas subcontratadas pela SGO faturavam os serviços diretamente na empresa recorrente. Aplicase ao caso, portanto, o disposto no art. 413, § 2º, IV, da IN SRP 03/2005, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores: Art. 413. Considerase: (...) § 2º Receberá tratamento de empreitada parcial: (...) IV aquela realizada por empresa construtora em que tenha ocorrido faturamento de subempreiteira diretamente para o proprietário, dono da obra ou incorporador, ainda que a subempreiteira tenha sido contratada pela construtora. Desse modo, não merece prosperar o inconformismo da recorrente, mantendose o levantamento intitulado (S2 – RETENÇÃO NÃO EFET NF SGO). Das Retenções não Efetuadas A autoridade lançadora reconheceu através da Informação Fiscal (fls. 2402/2411) que houve um erro de digitação, ocasião em que retifica a base de cálculo da competência 12/2004. Em função do reconhecimento da decadência por esse julgado, a retificação sugerida pela autoridade fiscal não produz efeitos práticos. Em relação a este levantamento, o ponto nodal da questão consiste no fato de a recorrente alegar que não efetuou a retenção em virtude de tratarse de aluguel de maquinários, enquanto que a Fiscalização entende que não havia como a CEMA operar esse maquinário sem a cessão de mão de obra, uma vez que não existia um quadro de funcionários alocados na obra do Centro de Distribuição classificados com a função de operador de retroescavadeira. No entendimento da recorrente, a Fiscalização está presumindo a ocorrência do fato gerador, o que é vedado pelo nosso ordenamento jurídico. E acrescenta, os ofícios enviados às empresas supostamente prestadoras de serviços (Ofício n° 234/2013/Saort/DRF CON R. & R. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA – ME e Ofício n° 235/2013/Saort/DRFCOM LOCAÇAO DE MAQUINAS JM LTDA –ME. Em relação a essa segunda empresa, consta expressamente a informação que seus valores eram representados exclusivamente pela locação dos equipamentos. A autoridade lançadora chegou à conclusão que se tratavam de serviços de cessão de mão de obra e não de locação, pelo fato de não existir alocados na obra, empregados capacitados para operar os maquinários. Fl. 2519DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.520 23 Assiste razão à recorrente. Nesse ponto o lançamento foi efetuado por mera presunção, o que não é admissível. Para o caso que se cuida, é da autoridade fiscal ônus de provar que efetivamente ocorreram serviços realizados por cessão de mão de obra. A premissa utilizada pode não ser verdadeira pela autoridade fiscal pode não ser verdadeira, vez que mesmo que não havendo empregados, a recorrente poderia contratar segurados contribuintes individuais para operar as máquinas sem nenhum vínculo com as empresas proprietárias das máquinas, fato que não descaracterizaria os contratos de locação. Nesse aspecto, entendo que o presente lançamento não foi confeccionado em consonância com o art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Isto posto, dou provimento ao voluntário para afastar a obrigatoriedade de retenção nos contratos celebrados entre a recorrente e as empresas R & R Locação de Equipamentos Ltda ME e Locação de Máquinas JM Ltda ME. Retenção desconsiderada pela Fiscalização Assevera a autoridade fiscal que: No tocante à Nota Fiscal n ° 000079 emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141, em 11/01/05 valor R$ 4.590,00, resulta que a Impugnante apresentou no curso do procedimento fiscal à Fiscalização, a Nota Fiscal n° 000079 às fls. 1151, cuja originalidade foi atestada pela autoridade notificante conforme carimbo aposto para fins de instrução do processo e na qual não consta qualquer destaque de retenção previdenciária. Diferentemente, em seu recurso voluntário, a Impugnante, faz juntada da mesma Nota Fiscal n° 000079 às fls. 2069, com a “inclusão manual e extemporânea” logo abaixo do valor total, a expressão manuscrita “INSS (11%) 504,90 e ISSQN (2%) 91,80” e juntando GPS sem autenticação no valor de R$ 504,90. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, constata se que o suposto valor de retenção “destacado” tardiamente de forma manuscrito, não foi declarado em GFIP pela emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME, nem tampouco, houve a vinculação de segurados à matrícula CEI 40.990.03248/78 da Obra do Centro de Distribuição CEMA, consoante exigência na legislação previdenciária de regência. Fl. 2520DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.521 24 Na tela CCORGFIP (anexada ao processo), a empresa FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141,declarou na competência janeiro/2005, o montante de retenção da Lei n° 9.718, o valor de R$ 3.161,11; Na tela DATAPREV/ CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais Tomador de Serviço GFIP(anexada ao processo), consta o seguinte detalhamento do montante de R$3.161,11, declarado à título de retenção na competência janeiro/2005, a saber: Restou demonstrado que não houve o suposto equívoco da Fiscalização assinalado pela Impugnante em sua peça recursal, e, sim o comportamento inadequado da Impugnante ao oferecer ao Fisco, em seu Recurso Voluntário ao CRPS, documentação “rasurada”, com o intuito de elidir de suas obrigações legais a seu tempo. Fica, portanto, mantido na integralidade os valores lançados à título de retenção relativo à Nota Fiscal n ° 000079 emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141, em 11/01/05 valor R$ 4.590,00. No tocante à Nota Fiscal n ° 000041 emitente A & R EMPREITEIRA LTDA ME CNPJ: 02.969.081/000168, em 01/03/05 valor R$ 846,00, resulta que a Impugnante, apresentou no curso do procedimento fiscal à Fiscalização, a referida Nota Fiscal n° 000041 às fls. 1164, na qual não consta qualquer destaque de retenção previdenciária. Diferentemente, em seu recurso voluntário, a Impugnante, faz juntada da mesma Nota Fiscal às fls. 2071, com a “inclusão manual EXTEMPORÂNEA” logo abaixo do valor total, a expressão manuscrita “INSS (93,06) e ISSQN (16,92)” e juntando GPS sem autenticação no valor de R$ 213,51. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, constata se que o suposto valor de retenção “destacado” tardiamente de forma manuscrito, não foi declarado em GFIP pela emitente A & R EMPREITEIRA LTDA ME, nem tampouco, houve a vinculação de segurados à matrícula CEI 40.990.03248/78 da obra do Centro de Distribuição CEMA, consoante exigência na legislação previdenciária de regência. Restou demonstrado que não houve o suposto equívoco da Fiscalização assinalado pela Impugnante em sua peça recursal, e, sim o comportamento inadequado da Impugnante ao Fisco documentação rasurada. Quanto a essa questão, a própria recorrente reconhece ao se manifestar acerca da Informação Fiscal que as informações relativas à retenção nas notas fiscais foram efetuadas de modo extemporâneo. Afirma que pode ter ocorrido é que as primeiras cópias juntadas aos autos foram retiradas das notas originais, sem as informações sobre a retenção. Finaliza afirmando que o importante é que houve a retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias. Entretanto, não pode a recorrente, após o início da ação fiscal, inserir informações que não existiam nas notas fiscais quando de sua emissão. Agiu com acerto a autoridade fiscal ao considerar essas informações extemporâneas. As referidas modificações não têm o condão de alterar o presente lançamento. Muito pelo contrário, devem ser rechaçadas e desestimuladas, devendo sempre ser prestigiado o princípio da boafé processual. Fl. 2521DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.522 25 Desse modo, negase provimento ao recurso quanto a esse aspecto do lançamento. Da alegação de impossibilidade de exigência das contribuições previdenciárias decorrentes de serviços não sujeito à retenção No que se refere a essa parte da tese recursal, que foi rechaçada na Informação Fiscal, entendo que a recorrente tem razão em um único aspecto, que é a não incidência da retenção sobre os serviços prestados relativos à nota fiscal nº 004570, de 01/04/05. Foi enviado ofício a empresa Real Guindastes e Equipamentos Ltda a fim de se verificar se os serviços foram contratados serviços por intermédio de cessão de mão de obra com a recorrente. Assim concluiu a autoridade fiscal: Em face dos esclarecimentos insuficientes prestados pela Real Guindastes e Equipamentos Ltda, notadamente, não ter como afirmar se a locação do Guindaste teve ou não o concurso de mão de obra, e, a constatação de que a Impugnante não possuía em seu quadro de funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme demonstrativo, por amostragem, discriminado no item 3 retro, empregados classificados com a função de Operador de Guindaste, fica mantido o crédito lançado, relativo à Nota Fiscal n° 0004580, constante do Anexo: RA a RM, integrante dos presentes Autos. Vêse que a autoridade fiscal afirma categoricamente que não tem como afirmar se a locação do guindaste teve ou não concurso de mão de obra. Ou seja, houve dúvida quanto à natureza jurídica do negócio. Assim, entendo que pelas mesmas razões já apresentadas em relação às empresas R & R Locação de Equipamentos Ltda ME e Locação de Máquinas JM Ltda ME, não deve se manter o lançamento relacionado à nota fiscal nº 004570, de 01/04/05, emitida por Real Guindastes e Equipamentos Ltda. No mais, não assiste razão à recorrente. Como bem explanou a autoridade fiscal os serviços de instalação de páraraios e aterramento não estão contemplados como serviços não sujeitos à retenção, devendo ser mantido o crédito lançado relativo à nota fiscal nº 000269. No que concerne às notas fiscais emitidas pela empresa Engefrutos Engenharia e Frutos Ltda, a própria emitente reconhece a incidência da retenção e faz a discriminação no campo próprio da nota fiscal. Contudo, em relação à nota fiscal 000847, não houve a apresentação do contrato de prestação de serviços, estando correto o entendimento da Fiscalização de considerar a incidência da retenção sobre o valor bruto da nota fiscal. Nesse termos, merece parcial provimento o recurso quanto ao reconhecimento da não incidência da retenção sobre os serviços prestados relativos à nota fiscal nº 004570, de 01/04/05, emitida por Real Guindastes e Equipamentos Ltda. Da multa de ofício e da multa de mora O presente lançamento contempla as multas de ofício e de mora da redação da Lei nº 11.941/2009. Fl. 2522DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.523 26 Quanto à aplicação da multa constante deste Auto de Infração, cumpre salientar que a Medida Provisória MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, alterou diversos dispositivos da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, notadamente no que tange à aplicação de penalidades. Em princípio, as multas estabelecidas pela Lei nº 11.941/2009 serão aplicadas a fatos geradores ocorridos após a sua vigência. No entanto, para as infrações com fato gerador anterior a 04/12/2008 (data da entrada em vigor da MP 449/2008), na aplicação de multas para condutas equivalentes, devese observar o princípio da retroatividade benigna, estabelecido pelo inciso II, alínea ”c”, do artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172, de 25/10/1966). Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. Entendo que o novo regime (aplicação da multa de 75%) é mais gravoso. Desse modo, para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP nº 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449 há que se aplicar a multa de 75% (previsão no art. 44 da Lei 9.430). O lançamento que se cuida contempla competências de 01/2005 a 07/2007, devendo ser alterada a forma de cálculo da multa. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), Se a conduta atraso aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do art. 35 do diploma legal acima citado. Incide na espécie, pois, a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Entretanto, é assente nessa Turma a necessidade de comparação da multas no momento do pagamento para se perquirir acerca da situação mais benéfica ao contribuinte. Assim, ressalvado o entendimento acima esposado, mas fulcrado no princípio da economia, me curvo ao entendimento da Turma, nos termos seguintes. Para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deve comparar àquela antiga multa por descumprimento de obrigação acessória (regrada na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, § 4o ou §5o da Lei n° 8.212, de 1991), quando somada à multa aplicada no âmbito do(s) NFLD(s) ou AI(s) de obrigação principal conexo(s) (regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II da Lei n° 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. Fl. 2523DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.524 27 44, da mesma Lei n° 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício, consoante disposto no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. Portanto, no presente caso, devese comparar (i) o resultado da soma da multa lançada mediante os Autos de Infração por descumprimento de obrigação acessória relacionados a GFIP e a multa lançada nos autos deste processo com (ii) a multa estabelecida pelo art. 35A da Lei n° 8.112, de 1991, que remete ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que é de 75%, prevalecendo a menor, que deverá ser verificada pela unidade preparadora no momento do pagamento. Da aplicação da Taxa Selic A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF nº 4 A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Assim sendo, improcedente a argumentação da recorrente quanto à não incidência de juros de mora no presente lançamento. Conclusão Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para: Reconhecer a decadência para abranger a competência 12/2004. Estando, pois, decadente o período de 03/2004 a 12/2004; Excluir o levantamento Reembolso Contrato N Paiva (AuxílioEducação); Afastar a obrigatoriedade de retenção nos contratos celebrados entre a recorrente e as empresas R & R Locação de Equipamentos Ltda ME e Locação de Máquinas JM Ltda ME. Reconhecimento da não incidência da retenção sobre os serviços prestados relativos à nota fiscal nº 004570, de 01/04/05, emitida por Real Guindastes e Equipamentos Ltda. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 2524DF CARF MF Processo nº 10976.000751/200907 Acórdão n.º 2201003.624 S2C2T1 Fl. 2.525 28 Conclusão Diante de todo o exposto, voto conhecer do recurso voluntário, para no mérito, darlhe parcial provimento, limitando a multa a 20% (vinte por cento). Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 2525DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.908776/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
INSUMO DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. NÃO COMPROVADA A UTILIZAÇÃO NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO AGROINDUSTRIAL. APROPRIAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE.
O direito ao crédito presumido agroindustrial, calculado sobre o valor de aquisição de insumos de origem animal e vegetal, especificados no art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, adquiridos sem tributação (isenção, alíquota zero ou suspensão), somente é admitido se demonstrado, nos autos, que os referidos produtos foram (i) adquiridos das pessoas mencionados no caput e § 1º do citado art. 8º, e (ii) utilizados como insumo de produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. O não atendimento de qualquer uma das condições, impossibilita a dedução do referido crédito presumido.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada exclusivamente sobre o valor do gasto com frete.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA DEPÓSITO FECHADO E ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte ou nas remessas para depósitos fechados ou armazéns gerais.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da Cofins-Importação e da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições, nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da 10.637/2002.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda.
REGIME NÃO CUMULATIVO. OPERAÇÕES DE DEVOLUÇÃO DE COMPRA E DE VENDA. DESPESA COM FRETE NO TRANSPORTE DO BEM DEVOLVIDO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre as despesas com frete incorridas na operação de devolução de bem vendido ou comprado, ainda que tais despesas tenha sido suportadas pelo contribuinte.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO.
No âmbito do regime não cumulativo, ainda que haja previsão legal da dedução, a glosa dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep deve ser integralmente mantida se o contribuinte não comprova a realização do pagamento dos gastos com frete à pessoa jurídica domiciliada no País com documento hábil e idôneo.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
DESPACHO DECISÓRIO E RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em rejeitar as preliminares de nulidade do relatório de auditoria fiscal e do despacho decisório e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer o direito da recorrente (i) à dedução integral dos créditos relativos às revendas de milho adquirido com suspensão (glosa 5 - SUS) e (ii) à dedução parcial dos créditos calculados sobre o valor do frete relativo às operações de transferências entre estabelecimentos industriais de insumo e produto em elaboração para produção (Glosa 7.6). Ausente a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento,Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 INSUMO DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. NÃO COMPROVADA A UTILIZAÇÃO NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO AGROINDUSTRIAL. APROPRIAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito presumido agroindustrial, calculado sobre o valor de aquisição de insumos de origem animal e vegetal, especificados no art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, adquiridos sem tributação (isenção, alíquota zero ou suspensão), somente é admitido se demonstrado, nos autos, que os referidos produtos foram (i) adquiridos das pessoas mencionados no caput e § 1º do citado art. 8º, e (ii) utilizados como insumo de produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. O não atendimento de qualquer uma das condições, impossibilita a dedução do referido crédito presumido. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada exclusivamente sobre o valor do gasto com frete. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA DEPÓSITO FECHADO E ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 87 76 /2 01 1- 03 Fl. 1596DF CARF MF 2 No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte ou nas remessas para depósitos fechados ou armazéns gerais. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições, nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da 10.637/2002. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. REGIME NÃO CUMULATIVO. OPERAÇÕES DE DEVOLUÇÃO DE COMPRA E DE VENDA. DESPESA COM FRETE NO TRANSPORTE DO BEM DEVOLVIDO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre as despesas com frete incorridas na operação de devolução de bem vendido ou comprado, ainda que tais despesas tenha sido suportadas pelo contribuinte. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO. No âmbito do regime não cumulativo, ainda que haja previsão legal da dedução, a glosa dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep deve ser integralmente mantida se o contribuinte não comprova a realização do pagamento dos gastos com frete à pessoa jurídica domiciliada no País com documento hábil e idôneo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 DESPACHO DECISÓRIO E RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO Fl. 1597DF CARF MF Processo nº 13971.908776/201103 Acórdão n.º 3302004.332 S3C3T2 Fl. 1.345 3 DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em rejeitar as preliminares de nulidade do relatório de auditoria fiscal e do despacho decisório e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer o direito da recorrente (i) à dedução integral dos créditos relativos às revendas de milho adquirido com suspensão (glosa 5 SUS) e (ii) à dedução parcial dos créditos calculados sobre o valor do frete relativo às operações de transferências entre estabelecimentos industriais de insumo e produto em elaboração para produção (Glosa 7.6). Ausente a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento,Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, vinculada à receita de exportação, do 3º trimestre de 2008, no montante de R$ 12.175.809,05, o qual foi utilizado nas compensações dos débitos discriminados nas Declarações de Compensação (DComp) colacionadas aos autos. Por intermédio do Despacho Decisório de fls. 1.048/1.053, não foi reconhecido o direito creditório pleiteado nem homologada as compensações declaradas. Segundo o Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 582/649, a parcela do crédito não reconhecido decorreu das glosas dos créditos relatadas nos seguintes itens: Glosa 1 Falta de comprovação de operações; Glosa 2 Aquisições com alíquota zero; Glosa 3 Aquisições não sujeitas ao pagamento da contribuição; Glosa 4 Devoluções de compras com base de cálculo zero; Glosa 5 Revendas de milho adquirido com suspensão; Glosa 6 Complementos de Valor; e Glosa 7 Fretes. Fl. 1598DF CARF MF 4 As glosa dos fretes foram relatadas nos seguintes subitens: Glosa 7.1 – Fretes – Falta de Comprovação; Glosa 7.2 – Fretes – Falta de Vinculação a Operações Glosa 7.3 – Fretes internos em importações (após desembaraço); Glosa 7.4 – Fretes relativos a bens adquiridos com FEX; Glosa 7.5 – Fretes em devoluções Glosa; 7.6 – Fretes em transferências; Glosa 7.7 – Fretes em remessas para armazéns gerais; Glosa 7.8 – Fretes em compras de PF para revenda Glosa; 7.9 – Fretes – diferença significativa de data em relação à NF vinculada; Glosa 7.10 – Fretes – NF sem movimentação física; Glosa 7.11 – Fretes em outras operações sem crédito; Glosa 7.12 – Fretes vinculados a registros atingidos pela Glosa 5; e Glosa 7.13 – Fretes vinculados a registros atingidos pela Glosa 2. Em sede de Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou as seguintes razões, que foram resumidas no relatório integrante da decisão de primeiro grau: 5. Em face do Despacho Decisório proferido pela DRF Blumenau, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 09/08/2013, fls. 1.087/1.124 na qual alega em síntese: a No que tange à glosa 1 FC Falta de comprovação, acosta ao autos cópia de Notas Fiscais não apresentadas; b Quanto à glosa 2 Aquisição de mercadorias com alíquota zero, concorda com as glosas referentes ao item 48 do Relatório, subitens “a”, “b”, “c”, “e”, “g” e “j”. Deve ser reconhecido o crédito presumido na aquisição de arroz, no valor de R$ 112.474,18, bem como na compra de trigo, no montante de R$ 160.592,52 e também deve ser apurado o crédito presumido incidente na alínea “i” que totaliza R$ 988.486,05. Houve erro na classificação contábil do Refinazil, o que resultou na glosa da fiscalização; c Está de acordo com a glosa 3 CONAB e com a glosa 4 Devolução de compras com base de cálculo zero; d A glosa 5 SUS Revenda de milho adquirido com suspensão não deve prosperar. A própria fiscalização reconhece que as aquisições junto a pessoas físicas, superam as vendas efetuadas com suspensão, assim não haveria o que estornar; e O critério da glosa proporcional adotado pelo auditor não tem fundamento legal, mesmo porque as saídas com suspensão são inferiores às aquisições sem crédito. “A única possibilidade de fazêlo seria identificar isoladamente as aquisições e saídas desta glosa para segmentálas”; f Glosa 6 –CV Complementação de valor. Junta aos autos cópia de notas fiscais não apresentadas, com o intuito de comprovar o crédito glosado; g A comercialização de produtos agrícolas apresenta características peculiares, entre elas a de se fixar o preço definitivo, após a entrega do produto e da emissão da nota fiscal, assim muitas vezes se faz necessária a emissão de uma nota fiscal complementar; h A fiscalização se equivoca ao afirmar que a tradição da soja seria o momento adequado para o reconhecimento da receita. “Portanto, pouco importante na avaliação deste fato em que Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 13971.908776/201103 Acórdão n.º 3302004.332 S3C3T2 Fl. 1.346 5 momento se deu a complementação de preço ou a tradição da soja em grão, para definir a aquisição, posto que as duas ocorrências significam a efetiva aquisição, a observar a legislação correspondente naquele momento e, conseqüentemente, o regime de competência”; i A legislação de regência não trata desta modalidade de negócio jurídico e não estabeleceu os critérios adotados pela fiscalização para justificar a glosa em comento; j Glosa 7.1 – Fretes Falta de comprovação. Acostou aos autos cópias de notas fiscais não apresentadas; k Glosa 7.2 Fretes Falta de vinculação a operações. Reúne aos autos cópias de notas fiscais não apresentadas, os demais documentos fiscais serão apresentados em até 30 dias. O Relatório Fiscal não informa quais notas fiscais foram glosadas ou não encontradas, fato que cerceou o direito à defesa (item 162, “a” até “c”); l Glosa 7.3 Fretes internos em importações. A interpretação restritiva efetuada pela fiscalização não consta da legislação de regência, ao contrário, o legislador permitiu o cálculo de crédito em serviço contratado junto à pessoa jurídica domiciliada no país; m A Lei nº 10.865/2004 ao permitir o cálculo de crédito na aquisição de mercadorias importadas pretendeu desonerar as importações; n A aquisição do bem e a contratação do frete são operações distintas, assim a compra de um produto não tributado não desqualifica a apuração de crédito incidente sobre o frete deste bem; o Cita a Solução de Consulta nº 441/2006 da SRRF 9ª RF; p Glosa 7.4 Fretes relativos a bens adquiridos com FEX. A IN nº 379/2003 não poderia extrapolar as disposições legais correspondentes, ao dispor que é vedado apurar crédito a empresa comercial exportadora nas mercadorias adquiridas com fim específico de exportação; q A glosa efetuada se deve ao fato de que o contribuinte adquiriu mercadoria com a cláusula FOB e pagou pelo frete, com entrega por conta e ordem no estabelecimento portuário. Em muitas ocasiões não é possível enviar todo um lote de exportação de soja de uma única vez. Desde que comprovada que as transferências se referem a vendas já efetuadas pela empresa, é possível o creditamento relativos a estes fretes, segundo diversos julgados administrativos; r Glosa 7.5 Fretes em devoluções. Não há fundamento legal que ampare a posição da fiscalização. O transporte da mercadoria que havia sido destinado à venda/adquirido e retornou ao estabelecimento, é uma despesa suportada e Fl. 1600DF CARF MF 6 preenche os requisitos previsto no inciso IX do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003; s Os fretes em tela foram apropriados pelas filiais “transportes” quando subcontrataram o serviço de outros transportadores, o que é considerado insumo; t Glosa 7.6. Fretes em transferências. O frete de transferência do produto acabado, dos insumos ou dos produtos em elaboração, já faz parte do processo de venda, diferindo da venda direta somente pela passagem da mercadoria pela filial receptora. Caso ocorresse esta situação com empresas distintas se daria o nome de compra para revenda, o que geraria direito a crédito; u A transferência destes produtos é tributada pelo PIS/COFINS, assim como o faturamento dos fretes, ou seja, há tributação na cadeia anterior. Desta forma, a glosa deste crédito ofenderia o conceito da nãocumulatividade; v Parte destes fretes são contratados por filiais dedicadas ao serviço de transporte que contratam o serviço de outros transportadores, fato que caracteriza insumo; w Glosa 7.7 Fretes em remessa para armazém geral. Os fretes são contratados por filiais dedicadas ao serviço de transporte que contratam o serviço de outros transportadores, fato que caracteriza insumo; x Glosa 7.8 Frete em compra de pessoa física para revenda. Não há previsão legal que vede a apuração de crédito incidente sobre frete contratado de pessoa jurídica referente a aquisição de mercadoria para revenda de pessoa física; y Glosa 7.9. Relativos à diferença entre a data da emissão da nota fiscal e da expedição do conhecimento de transporte. Junta cópia de notas fiscais não apresentadas, com o intuito de comprovar o crédito; z Glosa 7.10. Fretes – Nota fiscal sem movimentação física. Reúne cópia de notas fiscias não apresentadas anteriormente; aa Glosa 7.11. Fretes em outras operações sem crédito. Não se pode vincular o crédito do serviço de frete com as aquisições, são situações autônomas. A glosa efetuada não tem amparo legal; bb Glosa 7.12. Frete vinculado à glosa 5. Não se pode vincular o crédito do serviço de frete com as aquisições, são situações autônomas. A glosa efetuada não tem amparo legal; cc Glosa 7.13. Frete vinculado à glosa 2. Não se pode vincular o crédito do serviço de frete com as aquisições, são situações autônomas. A glosa efetuada não tem amparo legal; dd Requer o reconhecimento da nulidade do relatório fiscal e do despacho, por cerceamento e a homologação das compensações apresentadas. Fl. 1601DF CARF MF Processo nº 13971.908776/201103 Acórdão n.º 3302004.332 S3C3T2 Fl. 1.347 7 Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a Manifestação de Inconformidade foi julgada procedente em parte, nos termos do voto do Relator, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 CRÉDITOS GLOSADOS POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser desconsiderada a glosa de crédito devida à falta de comprovação, se na fase de impugnação for apresentada parte dos documentos comprobatórios. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Não gera direito à apuração de crédito a compra de produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição. VENDA COM SUSPENSÃO. CRÉDITO. É vedado à empresa cerealista o aproveitamento de crédito em relação às receitas de vendas com suspensão. FRETE. APURAÇÃO DE CRÉDITO. A despesa com frete na operação de venda gera direito à apuração de crédito, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor e o serviço seja prestado por pessoa jurídica domiciliada no país. A despesa com frete vinculado à operação de aquisição de bens para revenda ou utilizado como insumo, por integrar o custo de aquisição dos bens, origina direito ao cálculo do crédito de PIS. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Em 3/7/2014, a autuada foi cientificada da referida decisão. Inconformada, em 4/8/2014, apresentou recurso voluntário, em que reafirmou, em preliminar, a nulidade do Relatório Auditoria Fiscal e do Despacho Decisório, por cerceamento do direito de defesa, e no mérito, contestou total ou parcialmente as glosas relativas aos seguintes itens: a) Glosa 2 (AZ) Aquisições com alíquota zero, nos casos em que foram calculados créditos em relação a aquisições de bens tributados na etapa anterior a alíquota zero; b) Glosa 5 (SUS) Revendas de milho adquirido com suspensão, nos casos em que a contribuinte revendeu com suspensão parte do milho adquirido com tomada de créditos; e c) Glosa 7 Fretes. Em relação aos fretes, a recorrente contestou a glosa relativa apenas aos seguintes subitens: Glosa 7.2 – Fretes – Falta de Vinculação a Operações; Glosa 7.3 – Fretes internos em importações (após desembaraço); Glosa 7.4 – Fretes relativos a bens adquiridos com FEX; Glosa 7.5 – Fretes em devoluções Glosa; 7.6 – Fretes em transferências; Glosa 7.7 – Fretes em remessas para armazéns gerais; Glosa 7.8 – Fretes em compras de PF para revenda Glosa; Glosa 7.11 – Fretes em outras operações sem crédito; Glosa 7.12 – Fretes vinculados a Fl. 1602DF CARF MF 8 registros atingidos pela Glosa 5 (aquisições com suspensão); e Glosa 7.13 – Fretes vinculados a registros atingidos pela Glosa 2 (aquisições com alíquota zero). É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia remanescente cingese a questões preliminar, atinente a nulidade do Relatório Auditoria Fiscal e do Despacho Decisório, e de mérito, referente a glosa parcial dos créditos da contribuição. 1) DA PRELIMINAR DE NULIDADE No recurso em apreço, a recorrente reiterou a preliminar de nulidade do do Relatório Auditoria Fiscal e do Despacho Decisório, com base no argumento de não conseguira ter acesso amplo às informações contidas nos arquivos digitais, especialmente dado o formato “TXT”, que não possibilitava extrair com clareza as informações necessárias para compreender os motivos e os documentos relacionados à glosa dos créditos. Previamente, cabe ressaltar que, no âmbito processo administrativo fiscal federal, as hipóteses de nulidade do despacho decisório, extensível ao relatório em embasado, encontramse estabelecidas no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, a saber: (i) incompetência da autoridade julgadora e (ii) preterição do direito de defesa do sujeito passivo. No caso em tela, não se vislumbra nenhuma das situações. Com efeito, o citado despacho decisório foi proferido pelo titular da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) da jurisdição da recorrente, reconhecidamente, a autoridade competente para decidir sobre o pedido de restituição colacionados aos autos, nos termos do art. 302, VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF 203/2012. E compulsando o referido decisório, verificase que ele apresenta adequada fundamentação fáticojurídica. No caso, ao contrário do alegado pela recorrente, era fácil o acesso ao arquivo “Demonstrativo de Glosas.txt”, bastava o usuário ativar, no software leitor de arquivos pdf, a opção de visualizar arquivos anexos, conforme orientação contida no citado Relatório. E diante de qualquer dúvida ou dificuldade de acesso, a recorrente poderia ter solicitado a ajuda ou esclarecimentos adicionais da autoridade fiscal, o que não ocorreu. Ademais, tais arquivos foram reproduzidos no corpo do Relatório ou nos anexos que lhe seguiram, o que também infirma o argumento de que fora possível extrair com clareza as informações necessárias para compreender os motivos e os demonstrativos da glosa dos créditos. Além disso, a leitura das robustas peças defensivas colacionadas aos autos revelam que a corrente não só compreendeu como se defendeu adequadamente das irregularidades que lhe foram imputadas, inclusive, expressamente concordou com parte das glosas realizadas. Cabe ainda ressaltar que a recorrente fundamentou as suas alegações no art. 142 do CTN, que dispõe sobre os requisitos do lançamento do crédito tributário, matéria Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 13971.908776/201103 Acórdão n.º 3302004.332 S3C3T2 Fl. 1.348 9 estranha aos autos, que, inequivocamente, trata de pedido ressarcimento de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, utilizado na compensação de débitos da própria contribuinte. Por essas razões, rejeitase a presente preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. 2) DA ANÁLISE DAS QUESTÕES DE MÉRITO. No mérito, a controvérsia remanescente cingese a glosa dos créditos calculados sobre (i) aquisições de insumos com alíquota zero, (ii) revendas de milho adquirido com suspensão e (iii) despesas com fretes. 2.1 Da Glosa Relativa às Aquisições com Alíquota Zero (Glosa 2 AZ) Segundo a fiscalização, por expressa vedação legal (10.637/2002, art. 3º, 2º, II), foram glosados os créditos calculados sobre o preço das aquisições de bens para revenda ou utilizados como insumos de produção, tributadas na etapa anterior com a alíquota zero. A recorrente não contestou o mérito da glosa dos créditos básicos da contribuição em apreço, o que significa que ela, tacitamente, concordou que as aquisições de bens submetidas à tributação pela alíquota zero não permitem a apropriação de crédito básico assegurado ao regime não cumulativo da contribuição. A discordância da recorrente limitouse apenas a glosa integral dos créditos básicos calculados sobre as aquisições de arroz, farinha, farinha de trigo e trigo. Para recorrente, tais produtos foram utilizados como insumos na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal, logo tinha direito de deduzir a parcela do crédito presumido agroindustrial, equivalente a 35% da alíquota do crédito básico, conforme previsto no art. 8º, § 3º, III, da Lei 10.925/2004. Este Colegiado, em reiterados julgamentos, tem reconhecido, de ofício, o direito ao crédito presumido agroindustrial nos casos em que há glosa integral dos créditos básico apropriados, por estabelecimento agroindustrial, sobre o valor de aquisição de insumos de origem animal e vegetal, especificados no art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, adquiridos sem tributação, se demonstrado, nos autos, que (i) a aquisição foi feita das pessoas mencionados no caput e § 1º do citado art. 8º, e (ii) que o produto agropecuário foi utilizado como insumo de produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. Nos presentes autos não foi acostado qualquer prova que demonstrasse que os produtos tributados à alíquota zero foram utilizados como insumos de produção das mercadorias de origem animal ou vegetal destinados à alimentação humana ou animal, especificadas no caput do art. 8º da Lei 10.925/2004. Aliás, a recorrente sequer informou qual a mercadoria fora produzida com os referidos produtos, condição indispensável para o reconhecimento do crédito presumido em apreço. E não se pode olvidar, que essa comprovação era imprescindível, tendo em conta que os produtos adquiridos pela recorrente eram todos eles semiindustrializados (por exemplo, arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido), ou já industrializados (por exemplo, farinhas de milho, descritas como fubá de milho e refinazil pelletizado, farelado e ensacado). Na produção de que mercadorias tais produtos foram Fl. 1604DF CARF MF 10 utilizados? A resposta a essa indagação revelase imprescindível para o reconhecimento do valor do crédito presumido pleiteado, porém, nos autos, não há elementos que para obtêla. Além disso, caso admitido pelo Colegiado o direito ao crédito presumido pleiteado, o que se admite apenas para fim argumentação, ao menos o valor das aquisições do trigo importado da Argentina e dos Estados Unidos, necessariamente, devem ser excluído da base de cálculo do crédito presumido agroindustrial requerido, posto que, nos termos do art. 8º, § 2º, da Lei 10.925/2004, o referido benefício fiscal restringese apenas “aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País”. Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos básicos da contribuição apurados sobre o preço de aquisição dos mencionados bens. 2.2 Da Glosa Relativa às Revendas de Milho Adquirido Com Suspensão (Glosa 5 SUS) Nos itens 66 do Relatório de Auditoria Fiscal, a seguir transcritos, a fiscalização prestou as seguintes informações relevantes para o deslinde da controvérsia: 66. A contribuinte, no ano de 2008, adquiriu, para revenda, milho em grãos (código de item 467.499), assumindo, assim, a condição de cerealista. [...] 67. Até 2005, a BUNGE industrializava parte do milho adquirido em fábricas de ração, sendo que o milho em grãos era um dos insumos utilizados. Entretanto, após o encerramento das operações daquelas filiais (fábricas de ração), todo o milho adquirido pela BUNGE passou a ter a finalidade exclusiva de revenda, tanto no mercado interno quanto para exportações. Ainda segunda a fiscalização, a recorrente, na condição de cerealista, adquiriu e revendeu o milho em grãos com suspensão do pagamento da contribuição, eralhe vedado o aproveitamento do crédito presumido agroindustrial calculado sobre o valor de aquisição do referido produto e eventual crédito apropriado deveria ser estornado, por força do disposto no art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004. Intimada pela fiscalização a comprovar o estorno de tais créditos, a recorrente prestou a seguinte informação, in verbis: Com base nessa resposta, resta esclarecido que, segundo o critério adotado pela recorrente, como a quantidade de milho revendido com suspensão foi inferior a quantidade do produto adquirido sem crédito (aquisições de pessoas físicas e CONAB), logo ela não Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 13971.908776/201103 Acórdão n.º 3302004.332 S3C3T2 Fl. 1.349 11 estava obrigada a fazer o estorno. No entendimento da recorrente, somente se as aquisições do produto sem crédito fossem inferiores às revendas com suspensão era que o estorno do crédito deveria ser realizado, o que não ocorreu em nenhum trimestre do ano de 2008. Assim, o que a recorrente fez para verificar a necessidade ou não de estorno de crédito, foi atribuir, primeiramente, todo milho vendido com suspensão às aquisições sem crédito. Apenas se esta quantidade não fosse suficiente para “cobrir” as saídas com suspensão era que haveria a necessidade de estorno do crédito. Entretanto, segundo a fiscalização: As aquisições, embora feitas de diferentes formas, de PF ou PJ, e estas tributadas, com suspensão ou com FEX, não vinculam a utilização do grão para um tipo de saída específica. Assim, não é possível afirmar, como quer a empresa, que todo grão comprado de pessoa física, sem crédito, é o milho vendido com suspensão, o que dispensaria a necessidade de estorno do crédito, uma vez que não teria havido a tomada de crédito na aquisição; de outro lado, também não seria possível afirmar, por exemplo, que todo grão vendido com suspensão teria advindo das aquisições junto a PJ, com tomada de crédito, o que acarretaria a necessidade de estorno dos créditos correspondentes à quantidade saída com suspensão. Assim, tendo em vista que não era possível vincular entradas e saídas, ante a inexistência de método de controle de apropriação direta, e que o critério adotado pela recorrente eralhe extremamente favorável, a fiscalização adotou, para fim de rateio do valor do crédito a ser estornado vinculado à venda com suspensão, o percentual da proporção mensal, determinado mediante a divisão das quantidades das saídas com suspensão pelas saídas totais (excluídas, quando existentes, as exportações com fim específico de exportação FEX). E o valor do crédito a ser estornado determinado mediante a aplicação do percentual da proporção mensal sobre a base de cálculo total dos créditos decorrentes das aquisições de milho de pessoa jurídica (com ou sem crédito). O critério adotado pela fiscalização não tem amparo legal. No caso de inexistência de método de apropriação direta, há previsão legal de rateio de custos, despesas e encargos comuns proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, nos termos do art. 3º, § 8º, II, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou Fl. 1606DF CARF MF 12 II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. [...] (grifos nãooriginais) Além da inexistência de amparo legal, o critério adotado pela fiscalização revelase irrazoável, pois utiliza como base cálculo de rateio apenas os valores das aquisições de milho de pessoa jurídica (com ou sem crédito), e que, portanto, não são comuns às aquisições de pessoas físicas (aquisições sem crédito). Assim, a adoção desse critério implica no rateio das operações com crédito entre as saídas tributadas e as saída com suspensão, o que implica estorno de parcela de crédito de parte das operações com tributação, para as quais há previsão de manutenção do crédito. O critério adotado pela fiscalização seria razoável se as saídas com suspensão (sem direito a crédito) fossem superiores às aquisições das pessoas físicas (sem crédito). Neste caso, o percentual de rateio do valor do crédito a ser estornado seria obtido mediante a divisão entre as quantidades da diferença das saídas a maior com suspensão (em relação as quantidades adquiridas de pessoas físicas) pelo somatório das quantidades da diferença das saídas a maior com suspensão mais as saídas tributadas (excluídas, quando existentes, as exportações com fim específico de exportação FEX). Nesta hipótese, as aquisições de milho das pessoas jurídicas parte seriam revendidos com tributação e outra parte com suspensão (a referida diferença), daí a necessidade do rateio, que deve ser utilizado somente quando há uma base comum a ser apropriada entre os diferentes itens. No caso, como as saídas com suspensão foram menores do que as aquisições de pessoas físicas (sem crédito), o critério adotado pela recorrente revelase mais adequado, portanto, deve ser restabelecido o valor crédito glosado. 2.3 Da Glosa Vinculada aos Gastos com Frete. A fiscalização procedeu a glosa de créditos calculados sobre diversos tipos de despesas com fretes. Aqui serão analisadas apenas as glosas contestadas pela recorrente. Porém, previamente a analise das glosas controvertidas, entendese oportuno apresentar uma breve digressão a respeito do fundamento jurídico do direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins sobre os variadas formas como se efetivam os gastos com a prestação de serviços de transporte a pessoas jurídicas que desenvolvem atividades comercial e industrial ou de produção. Em consonância com a legislação vigente, há fundamento jurídico para a apropriação de créditos sobre o valor do frete apropriado contabilmente sob a forma de custo de aquisição, custo de produção e despesa de venda, conforme demonstrado a seguir. No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20031, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com 1 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 13971.908776/201103 Acórdão n.º 3302004.332 S3C3T2 Fl. 1.350 13 os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. Em relação à atividade industrial, embora também não haja expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, II e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e Fl. 1608DF CARF MF 14 10.833/2003, com o art. 290 do RIR/1999, é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre o valor do frete relativo ao serviço de transporte: a) de bens de produção (matériasprimas, produtos intermediários e material e embalagem) a serem utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e b) bens em fase de produção ou fabricação (produtos em fabricação) entre estabelecimentos fabris do contribuinte ou não. Senão, veja a redação dos trechos relevantes dos citados preceitos legais, in verbis: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; [...] [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, §1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; [...] (grifos não originais) De acordo com os referidos preceitos legais, inferese que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições, enquanto que o valor do frete referente ao transporte dos bens em produção ou fabricação entre estabelecimentos fabris integra o custo produção na condição de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Com a ressalva de que, pela razões anteriormente aduzidas, há direito de direito de apropriação de crédito sobre o valor do frete no transporte de bens utilizados como insumos, somente se o valor de aquisição destes bens gerar direito a apropriação de créditos das referidas contribuições. No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos representam os meios materiais e imateriais (bens e serviços) utilizados em todas as etapas do ciclo de produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matériasprimas Fl. 1609DF CARF MF Processo nº 13971.908776/201103 Acórdão n.º 3302004.332 S3C3T2 Fl. 1.351 15 ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica tem algumas operações do processo produtivo realizadas em unidades produtoras ou industriais situadas em diferentes localidades, durante o ciclo de produção ou fabricação, certamente haverá necessidade de transferência dos produtos em produção ou fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, que demandará a prestação de serviços de transporte. Assim, em relação à atividade industrial ou de produção, a apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, darseá de duas formas diferentes, a saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de aquisição do bem de produção (matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem); e b) sob a forma de custo de produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço do transporte dos produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais. Com o fim do ciclo de produção ou industrialização, há permissão de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, conforme expressamente previsto no art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003, que seguem reproduzidos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: [...] II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; [...] (grifos não originais) Cabe ainda ressaltar que, em todas as hipóteses de creditamento, o direito de apropriação dos referidos créditos está condicionado ao atendimento das condições instituídas no art. 3º, § 3°, da Lei 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 1610DF CARF MF 16 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Dessa forma, somente o valor do gasto com frete incorrido no mês (regime de competência), pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, gera direito à apropriação de créditos das referidas contribuições. Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado pelo vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). De outra parte, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. Será com base nesse entendimento que serão analisadas as glosas dos créditos apropriados sobre gastos com fretes objeto da presente controvérsia. De acordo com o citado Relatório da Auditoria Fiscal, a glosa dos créditos calculados sobre os gastos com fretes foram motivadas por falta de comprovação, vinculação e amparo legal, conforme explicitado no item 150, a seguir transcrito: 150. Em linhas gerais, as glosas dos fretes podem ser de três grupos: Fl. 1611DF CARF MF Processo nº 13971.908776/201103 Acórdão n.º 3302004.332 S3C3T2 Fl. 1.352 17 a) Falta de comprovação (glosa 7.1) – nos casos da não apresentação de cópia de documento intimado; b) Falta de vinculação (glosa 7.2) – nos casos em que não foi feita a vinculação do frete com a operação correspondente (ou nos casos em que a vinculação foi deficiente) c) Vinculação a operações sem direito a crédito (glosas 7.3 a 7.11) – nos casos em que foi feita vinculação considerada válida pela fiscalização, mas a operações que não dão direito ao crédito para os fretes; d) Vinculação a operações objeto de outras glosas (glosas 7.12 e 7.13) – nos casos em que foi feita vinculação considerada válida pela fiscalização, mas a operações que foram objeto das glosas SUS (ver itens 66/95) e AZ (ver itens 42/51). A seguir serão analisados apenas as glosas relativas aos gastos com fretes contestados pela interessada no recurso em apreço. Glosa 7.2 – Fretes – Falta de Vinculação a Operações; Glosa 7.3 – Fretes internos em importações (após desembaraço); Glosa 7.4 – Fretes relativos a bens adquiridos com FEX; Glosa 7.5 – Fretes em devoluções Glosa; 7.6 – Fretes em transferências; Glosa 7.7 – Fretes em remessas para armazéns gerais; Glosa 7.8 – Fretes em compras de PF para revenda Glosa; Glosa 7.11 – Fretes em outras operações sem crédito; Glosa 7.12 – Fretes vinculados a registros atingidos pela Glosa 5 (aquisições com suspensão); e Glosa 7.13 – Fretes vinculados a registros atingidos pela Glosa 2 (aquisições com alíquota zero). 2.3.1 Glosa por falta de vinculação a operações (Glosa 7.2). Segundo a fiscalização, a confirmação dos créditos relativos a despesas com fretes dependia da comprovação, de maneira inequívoca, que eles referemse a operações de transporte de mercadorias ou insumos, para as quais são permitidas a dedução de crédito. Assim, operações que não geram crédito também não asseguram a apropriação de crédito sobre os correspondentes gastos com os fretes. Com base nesse entendimento, tal verificação era primordial para fim de confirmação do direito ao crédito sobre os gastos com fretes. E para que ela pudesse ser feita, era necessário que a recorrente tivesse feito a vinculação entre cada dos gastos com fretes para os quais apropriou créditos com as operações (entradas ou saídas) a que se referem a operação de transporte. No entanto, embora intimada a proceder tal vinculação, a recorrente não atendeu tal exigência, conforme se infere dos excertos a seguir transcritos, extraídos do citado Relatório: 160. Para cada um dos anos intimados (2008 e 2009), foram apresentados dois arquivos: a) Conhecimentos_Com_Crédito_Sem_Vinculação_2008.xlsx (contendo 114.239 registros); e b) Novas_Vinculações_2008.xlsx (contendo 203.968 registros). 161. Apesar da alegação de ter efetuado a vinculação dos registros objeto das retificações [2] e [7], percebese, pelo Fl. 1612DF CARF MF 18 próprio nome do primeiro arquivo e pela explicação do teor do mesmo, que para os registros ali incluídos não foi efetuada qualquer vinculação. Pelo contrário, a geração desse arquivo apenas confirma a inexistência da vinculação dos registros nele incluídos. Em virtude disso, tais registros estão entre os atingidos por esta glosa (FR2 –Falta de Vinculação). 162. Já em relação ao segundo arquivo (Novas_Vinculações...), esta fiscalização verificou diversas inconsistências, que impediram que fosse levado em consideração, a saber: a) Dos 203.968 fretes contidos nesse arquivo, a empresa vincula 24.259 deles a notas fiscais do ano de 2007. São fretes de todos os meses de 2008, de janeiro a dezembro. Não consideramos razoável a vinculação de fretes de todos os meses do ano 2008 a operações (entradas e saídas) ocorridas em 2007, ainda que, casualmente, isso pudesse ocorrer próximo à virada de um ano para o outro; b) No caso dos demais 179.709 fretes, que foram vinculados a notas fiscais de 2008, os números de registro informados como sendo os das notas fiscais não foram sequer encontrados no arquivo LRES em 151.430 casos; c) Dos remanescentes 28.279 fretes (vinculados a notas de 2008 e com as mesmas encontradas no LRES), em 26.873 casos a nota fiscal já possuía informação de frete a ela vinculado. A nova informação apenas reforça o fato de a informação ser inconsistente (no arquivo original LRES constava um frete vinculado e no arquivo Novas_Vinculações... é fornecida vinculação a outro frete), não acrescentando informação nova, que pudesse afastar a glosa de falta de vinculação. Por todas as inconsistências listadas, a fiscalização não aceitou as vinculações pretendidas pelo arquivo Novas_Vinculações_2008.xlsx, incluindo ou mantendo todos os seus registros na presente glosa (FR2 – Falta de Vinculação). 163. Os registros atingidos por esta glosa encontramse, ainda, identificados no Demonstrativo de Glosas – Fretes.txt (registros com valor “1” coluna Gl2). Em suma, verificase que as glosas em apreço foram realizadas com base nos seguintes motivos: a) fretes informados sem nota fiscal vinculada; b) fretes cuja nota fiscal vinculada era do ano de 2007; c) fretes cuja nota fiscal vinculada não constava no LRES; e d) fretes cuja nota fiscal vinculada já possuía informação de frete a ela vinculada. E os registros das operações glosadas foram explicitados no “Demonstrativo de Glosas”, em que cada uma das linhas referese a um determinado lançamento (operação de frete), bem como as colunas que identificam cada uma das glosas efetuadas, assim a coluna identificada com o termo “Gl1” se refere à glosa 7.1, a coluna “Gl2” à glosa 7.2, e assim sucessivamente até a coluna “Gl13” relativa à glosa 7.13. Assim, para identificar o motivo da glosa de um determinado lançamento, basta observar qual das colunas relativas às glosas contém o número 1, as demais colunas, que não motivaram a glosa, possuem o número zero. A título exemplificativo, destaco o primeiro lançamento deste Demonstrativo, que trata de um serviço de frete no montante de R$ 268,00, que foi glosado em razão da Falta de vinculação a operações, pois consta o número 1, na coluna “Gl2”. Fl. 1613DF CARF MF Processo nº 13971.908776/201103 Acórdão n.º 3302004.332 S3C3T2 Fl. 1.353 19 Assim, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente de que houve cerceamento do direito de defesa, porque a fiscalização não havia separado os 4 motivos utilizados para composição do valor glosado. A recorrente ainda alegou que separara, de forma aleatória, CTRC de filais e períodos diversos, e anexara aos autos na fase impugnatória, com a finalidade de comprovar, com esses documentos, que não havia falta de vinculação à NF. Com efeito, juntamente com a impugnação a recorrente trouxe à colação dos autos relações de despachos e conhecimento de transporte multimodal de cargas (fls. 1.198/1415). Os referidos documentos, em princípio, comprovam a prestação do serviço de transporte, porém, este não foi o motivo da glosa em apreço. Como anteriormente mencionado, as irregularidades aqui apreciadas foram (i) a falta de vinculação dos gastos com fretes a operações de aquisição ou venda de bens contabilizadas pela pessoa jurídica no Livro de Registro de Entradas e Saídas, ou (ii) a vinculação indevida a operações de aquisição de outro ano, não registrada no LRES e já com outra vinculação. Os referidos documentos, certamente, não servem para comprovar tais irregularidades e sem a comprovação da vinculação resta inviável saber se tais gastos com frete podem ou não assegurar o crédito da contribuição, por ser impossível a verificação da natureza da operação vinculada ao frete, bem como se a operação propícia a dedução do crédito e se refere ao respectivo período de apuração. E conforme anteriormente demonstrado, a dedução do crédito calculado sobre o valor do frete depende do tipo operação transporte e da forma como custeada, bem como da natureza dos bens transportados (bens de revenda, insumos etc.). Na falta da comprovação dessa condição, deve ser mantida integralmente a glosa em destaque. 2.3.2 Da glosa relativa ao frete interno (Glosa 7.3). Segundo a fiscalização, no regime não cumulativo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, por força do disposto no art. 3º, § 3º, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, somente os bens adquiridos no País geram crédito das referidas contribuições. De outra parte, não há previsão de apropria créditos sobre o custo da mercadoria adquirida de pessoa jurídica não domiciliada no país, aí incluído os gastos com frete no transporte da mercadoria importada, ocorrido no País, após o desembaraço aduaneiro (o denominado, frete interno), ainda que pago a pessoa jurídica domiciliada no País. A fiscalização esclareceu ainda que os “créditos objeto desta glosa não se confundem, porém, com aqueles previstos na Lei nº 10.865/04 (créditos na importação).” De outra parte, a recorrente alegou que, se prestado por pessoa jurídica domiciliada no País, o referido preceito legal assegurava o direito de apropriação de crédito sobre os gastos com o transporte interno (frete interno) de mercadoria importada. Além disso, asseverou a recorrente que merecia destaque “o próprio direito a tomada de crédito das mercadorias importadas da Lei n° 10.865/04, a reforçar o entendimento defendido pela ora Recorrente no sentido de que o legislador pretendeu desonerar as importações a fim de incrementar a produção nacional.” Fl. 1614DF CARF MF 20 A razão está com a fiscalização, pois, em conformidade com o disposto no art. 3º, § 3º, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o direito à dedução do crédito da Cofis e da Contribuição para o PIS/Pasep, em regra, é assegurado à operação de aquisição do bem para revenda ou utilizado como insumo de produção ou fabricação, quando adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, bem como em relação aos custos e despesas incorridos pagos ou creditados à pessoa jurídica domiciliada no País, expressamente designados no referido preceito legal. Em relação aos bens para revenda ou utilizados como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, adquiridos de pessoas não domiciliadas no País, excepcionalmente, é assegurado o direito de desconto de crédito das referidas contribuições somente em relação aos bens importados sujeitos ao pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, porém, valor a ser deduzido, fica limitado ao valor das contribuições efetivamente pagas na importação dos respectivos bens, calculadas sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, segundo dispõe o art. 15, I e II, e §§ 1º e 3º, da Lei 10.685/2004, vigente na data dos fatos, a seguir transcritos: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; [...] § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. [...] § 3º O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. [...] (grifos não originais) Assim, os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições, nem se enquadrarem nas demais Fl. 1615DF CARF MF Processo nº 13971.908776/201103 Acórdão n.º 3302004.332 S3C3T2 Fl. 1.354 21 hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A recorrente alegou que tanto a aquisição de bens como do frete tratavamse de operações distintas, desvinculadas entre si para tomada de crédito das contribuições, ao contrário do que pretendeu a fiscalização. Apenas para argumentar, asseverou a recorrente, que “mesmo que a aquisição de bens não fosse tributada, não gerando crédito ao adquirente, tal situação não poderia influenciar ou impedir o crédito do serviço de frete”. Não procede a alegação, pois, embora distintas as operações, não há previsão legal, isoladamente, para apropriação de crédito sobre os gastos com frete na operação de aquisição de bens de revenda ou insumos adquiridos no mercado interno ou importados, ou seja, em hipóteses, não há previsão de apropriação de crédito sobre o frete na operação de compra, diferentemente do frete da na operação de venda, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor. Assim, tais gastos somente geram crédito quando integrantes do custo de aquisição dos bens de venda ou dos insumos. Em outros termos, somente indiretamente, quando agregados ao custo de aquisição, tais gastos possibilitam geração de crédito das referidas contribuições. No caso, como não há previsão de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição do bem importado, mas apenas da contribuição paga na operação de importação, induvidosamente, não há possibilidade, sequer indiretamente, de apropriação de créditos sobre o valor do frete interno. E tal conclusão, diferentemente do alegado pela recorrente, está em consonância com disposto nos arts. 289 e 290 do RIR/1999. Por essas razões, deve ser mantida integralmente a glosa em questão. 2.3.3 Da glosa vinculada às aquisições com fim específico de exportação (Glosa 7.4). Os créditos glosados referemse a despesas com fretes na operação transporte de mercadorias adquiridas pela recorrente com fim específico de exportação (FEX). De acordo com o disposto no art. 6º, § 4º, combinado com o disposto no art. 15, III, da Lei 10.833/2003, há expressa vedação à apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados a receita de exportação auferida na operação com fim específico de exportação. Para facilitar a compreensão, seguem transcritos os citados preceitos legais: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. [...] Fl. 1616DF CARF MF 22 § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...] § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; [...]. (grifos não originais) A razão dessa vedação é óbvia: evitar a apropriação de crédito em duplicidade, ou seja, que apropriação dos créditos seja feito tanto pela pessoa jurídica vendedora quanto pela pessoa jurídica compradora e exportadora. A recorrente alegou que era possível a apropriação de crédito sobre os gastos com frete vinculados a tais operações, sob argumento de que “tais despesas de frete são relativas a mercadorias para formação de loterevenda, no caso para exportação, conforme disposto no inciso I c/c inciso IX do art. 3o da Lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003.” Segundo a recorrente as referidas remessas para formação de lote de exportação não poderiam ser tratadas como aquisições de mercadorias com fim de exportação por empresa comercial exportadora, porque ela “adquiriu mercadoria na condição FOB e pagou pelo frete, para entrega em seus armazéns/silos, e posteriormente remetidos ao estabelecimento portuário, posto que a formação de lote já a própria operacionalização da exportação.” A alegação da recorrente não procede, porque há expressa vedação à empresa comercial exportadora de apurar créditos sobre os custos/despesas vinculados à operação de aquisição de mercadoria com fim específico exportação, o que, certamente, inclui os custos/despesas com a operação de transporte da mercadoria, independentemente, desta ter sido feita diretamente para embarque de exportação, ou para depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, para a formação de lote. No caso, se a norma não previu nenhuma exceção, induvidosamente, não cabe ao intérprete criála, especialmente, em sede de concessão de crédito de tributo, matéria da reserva estrita lei. Também não procede a alegação da recorrente de que a Instrução Normativa SRF 379/2003, em seu art 1o, § 2º, extrapolara as disposições legais correspondentes, ao dispor Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 13971.908776/201103 Acórdão n.º 3302004.332 S3C3T2 Fl. 1.355 23 que era vedado à empresa comercial exportadora apurar crédito sobre custo de aquisição das mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, posto que tal preceito normativo simplesmente reproduziu o teor do art. 6º, § 4º, da Lei 10.833/2003, anteriormente transcrito. Também não se aplica ao caso em tela, o entendimento esposado na Acórdão n° 0712164, de 29 de fevereiro de 2008, prolatado pela DRJ Florianópolis, relativo aos “valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para as transferências de mercadorias (produtos acabados) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica.” Com base nessas considerações, mantémse a glosa integral dos créditos apropriados sobre o valor dos gastos com frete vinculados às operações de venda com fim específico de exportação. 2.3.4 Da glosa vinculada às operações de devolução (Glosa 7.5). Segundo a fiscalização, a presente glosa referese a créditos calculados sobre despesas com frete no transporte de mercadorias devolvidas tanto nas operações de devolução de compras quanto nas operações de devolução de vendas. Em relação à operação de devolução de venda, há permissão apenas para o estorno do valor do débito da contribuição calculado sobre o valor da receita da venda do bem devolvido, conforme se extrai do disposto no art. 3º, VIII, e § 1º, IV, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. [...] § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2odesta Lei sobre o valor: [...] IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. [...] (grifos não originais) Já no que tange à operação de devolução de compra, não há previsão legal de apropriação de crédito, mas determinação para o estorno do valor do crédito calculado sobre custo de aquisição do bem devolvido. Assim, independentemente do tipo de operação de devolução, não existe amparo legal para a apropriação de crédito da contribuição calculado sobre os gastos com frete Fl. 1618DF CARF MF 24 no transporte de bens devolvidos tanto nas operações de devolução de vendas2 quanto nas operações de devolução de compras. A recorrente alegou que o transporte da mercadoria, que havia sido destinado à venda/adquirida e foi devolvida, era uma despesa suportada pela vendedora/compradora da mercadoria, que preenchia os requisitos para dedução do crédito previsto no art. 3o, II e IX, das Leis 10.637/ 2002 e 10.833/2003. Essa alegação não procede, porque nenhum dos dois incisos do citado art. 3º amparam o direito de apropriação do crédito em questão. Conforme anteriormente demonstrado, somente o valor do frete vinculado à operação de venda, se suportado pelo vendedor, e aquele relacionado à aquisição de bens para revenda ou utilizados como insumo, podem originar crédito das referidas contribuições. Sabidamente, o referido artigo definiu de forma taxativa as hipóteses de creditamento e não de forma exemplificativa, como dar a entender a recorrente. No caso, ainda que o serviço de transporte tivesse sido prestado por transportadores contratados pelas filiais da recorrente, que se dedicam ao ramo de transporte, conforme alegado, mas não provado pela recorrente, essa circunstância, induvidosamente, em nada altera a falta de previsão legal para o creditamento em questão. Assim, como não há previsão legal para a apropriação de crédito sobre o valor do frete nas operações de devolução de compra e devolução de venda, deve ser integralmente mantida a glosa dos créditos apurados sobre o valor de tais operações. 2.3.5 Da glosa vinculada às operações de transferências (Glosa 7.6). De acordo com o citado Relatório de Auditoria Fiscal, a presente glosa compreende os créditos calculados sobre as despesas com fretes nas transferências (i) de insumos (matéria prima ou produto em elaboração) entre estabelecimentos industriais, para produção, e (ii) de produtos acabados entre filiais, para depósito ou armazenagem. A recorrente alegou que fazia jus ao crédito sobre o valor do frete nas transferências dos produtos acabados, dos insumos e dos produtos em elaboração, já que tais operações fazia parte do processo de venda, apenas diferindo da venda direta ao destinatário final pela passagem da mercadoria pela filial receptora, e de produção. Tal situação não descaracteriza o processo de venda nem de produção como um todo, posto que no primeiro caso equivale ao custo de transporte a venda direta. O deslinde da questão envolve a análise do tipo gasto com transporte que permite apropriação de crédito. E com base no entendimento anteriormente esposado, geram de direito a créditos da contribuição os gastos com frete no transporte (i) de bens utilizados como insumos de industrialização de produtos destinados à venda e dos produtos em elaboração, nas transferências entre os estabelecimentos industriais da própria pessoa jurídica; e b) dos produtos acabados na operação de venda. 2 Cabe esclarecer que nas assentadas anteriores, com base na análise isolada do art. 3º, VIII, da Lei 10.637/2002, este Relator apresentou entendimento de que, em relação à operação de devolução de venda, era assegurado o direito de apropriação de crédito calculado sobre a despesa com frete no transporte dos bens devolvidos. Porém, após análise combinada do disposto no inciso VIII com o disposto no § 1º, IV, ambos do art. 3º da Lei 10.637/2002, este Relator rever o o entendimento anterior e passa a admitir que também em relação à operação de devolução de venda também não existe amparo legal para apropriação de crédito sobre o valor da despesa com frete relativa a esta operação. Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 13971.908776/201103 Acórdão n.º 3302004.332 S3C3T2 Fl. 1.356 25 Por outro lado, não geram direito a crédito os gastos com o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos industriais e os estabelecimentos distribuidores/vendedores da pessoa jurídica, ou entre estes últimos, por não configurar transferência de bens a ser utilizado como insumo nem operação de venda, mas mera operação de transferência dos produtos acabados, com intuito de facilitar a comercialização e a logística de entrega aos futuros compradores. Assim, se essa operação de transferência de produtos acabados não faz parte da operação de venda, logicamente, ela pode ser equiparada à operação de transporte da venda direta ao destinatário final, conforme alegado pela recorrente. Logo, em relação ao valor do frete dessa operação transferência, por falta de previsão legal, o crédito não é permitido. Com base nessas considerações, deve ser restabelecido o crédito calculado sobre o valor do frete nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais de insumos (matéria prima ou produto em elaboração) para produção. 2.3.6 Da glosa vinculada às operações de remessas para depósito fechado ou armazém geral (Glosa 7.7). De com o Relatório de Auditoria Fiscal, esta glosa referese a créditos calculados sobre valor das despesas com fretes nas operações de remessas de mercadorias para armazém geral ou depósito fechado. Pelas mesmas razões anteriormente aduzidas, também deve ser mantida a glosa dos créditos calculados sobre os gastos com fretes nas operações de remessas de produtos acabados ou mercadorias para depósito fechado ou armazém geral, porque, induvidosamente, tais operações também não se enquadram como serviço de transporte utilizado como insumo de industrialização nem como operação de venda. E somente essas operações asseguram a apropriação dos referidos créditos, conforme anteriormente demonstrado. O enunciado da ementa do acórdão nº 380303.154, não ampara a pretensão da recorrente, pois ela trata da possibilidade de creditamento sobre despesas de armazenagem, embora tenha feito menção a “frete durante a venda”. A leitura do excerto, a seguir transcrito, extraído do voto condutor julgado, não deixa qualquer duvida de que apenas as despesas com frete nas operações de venda possibilitam o crédito da contribuição: Além disso, as despesas de deslocamentos da carga nas operações de venda encontram amparo no dispositivo legal acima identificado, pois se trata de despesas com fretes que, uma vez suportadas pela pessoa jurídica e tendo sido objeto de tributação pelas contribuições, dão direito ao creditamento. (grifos não originais) Com base nessas considerações, deve mantida integralmente a glosa dos referidos créditos. 2.3.7 Da glosa vinculada às aquisições de pessoas físicas de bens para revenda (Glosa 7.8). Segundo a fiscalização, se não há direito a créditos nas aquisições de mercadorias para revenda, feitas de produtor pessoa física, logo não havia que se falar em Fl. 1620DF CARF MF 26 créditos relativos aos fretes relacionados a essas aquisições, visto que os mesmos constituemse em parte do custo de aquisição das mercadorias compradas. A fiscalização procedeu com acerto. Os bens adquiridos para revenda de pessoas físicas não asseguram direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, segundo determina o art. 3º, § 3º, I, da 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; [...] (grifos não originais) Dessa forma, se os gastos com frete vinculados ao transporte de bens adquiridos para revenda admitem apropriação de crédito somente sob forma de custos agregados aos referidos bens, conforme anteriormente demonstrado, como não há direito a apropriação de crédito sobre aquisição de produtos adquiridos para revenda de pessoas físicas, por conseguinte, também não existe permissão para dedução de créditos sobre os gastos de frete com transporte de tais bens. A recorrente alegou que o fato de o fornecedor da mercadoria ter sido uma pessoa física, em tese, não desqualificava o serviço adquirido de terceiro pessoa jurídica, conforme entendimento esposado no acórdão nº 0714.350. de 17 de Outubro de 2008, da DRJ Florianópolis, e no acórdão n° 380303.154, da extinta 3ª Turma Especial da Terceira Seção deste Conselho. O entendimento da recorrente, bem como o manifestado nos referidos julgados, com a devida vênia, não reflete a correta interpretação dos preceitos legais que dispõe sobre a matéria e ainda conflita com entendimento aqui esposado, logo, não há como ser acatado. Com base nessas considerações, mantémse integralmente a glosa dos referidos créditos. 2.3.8 Da glosa vinculada às operações sem crédito (Glosa 7.11). De com o Relatório de Auditoria Fiscal, neste subitem foram glosados os créditos calculados pela contribuinte sobre despesas com fretes, cuja vinculação apresentada remetia a notas fiscais relativas a outras entradas para as quais não houve cálculo de crédito da contribuição. A recorrente alegou que não havia que se confundir ou vincular o crédito apropria sobre o valor do serviço de frete com as aquisições com ou sem direito ao crédito, pois, cada qual obedecia a regramento estabelecido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, nos quais inexiste a vedação ou limitação imposta pela fiscalização. Pelos mesmos fundamentos apresentados no item precedente, não procede a alegação, logo, deve ser mantida a glosa dos créditos em referência. Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 13971.908776/201103 Acórdão n.º 3302004.332 S3C3T2 Fl. 1.357 27 2.3.9 Da glosa vinculada às operações com suspensão (Glosa 7.12). De com o Relatório de Auditoria Fiscal, neste subitem foram glosados os créditos calculados sobre fretes cuja vinculação apresentada remetia a notas fiscais de aquisição de milho e que “foram objeto da glosa 5 SUS – Revendas de milho adquirido com suspensão.” A recorrente alegou que não havia que se confundir ou vincular o crédito apropria sobre o valor do serviço de frete com as aquisições com ou sem direito ao crédito, pois, cada qual obedecia a regramento estabelecido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, nos quais inexiste a vedação ou limitação imposta pela fiscalização. Pelos mesmos fundamentos apresentados no item precedente, não procede a alegação, logo, deve ser mantida a glosa dos créditos em referência. 2.3.10 Da glosa vinculada às operações com suspensão (Glosa 7.13). De com o Relatório de Auditoria Fiscal, neste subitem foram glosados créditos calculados pela contribuinte sobre fretes cuja vinculação apresentada remete a notas fiscais de aquisições que “foram objeto da glosa 2 AZ Aquisições com alíquota zero.” A recorrente alegou que não havia que se confundir ou vincular o crédito apropria sobre o valor do serviço de frete com as aquisições com ou sem direito ao crédito, pois, cada qual obedecia a regramento estabelecido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, nos quais inexiste a vedação ou limitação imposta pela fiscalização. Pelos mesmos fundamentos apresentados no item precedente, não procede a alegação, logo, deve ser mantida a glosa dos créditos em referência. 3) Da Conclusão. Por todo o exposto, votase por rejeitar a preliminares de nulidade do relatório de auditoria fiscal e do despacho decisório e, no mérito, pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para restabelecer o direito da recorrente à dedução (i) integral dos créditos relativos às revendas de milho adquirido com suspensão (glosa 5 SUS) e (ii) à dedução parcial dos créditos calculados sobre o valor do frete relativo às operações de transferências entre estabelecimentos industriais de insumos (matéria prima ou produto em elaboração) para produção (Glosa 7.6). (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1622DF CARF MF 28 Fl. 1623DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.004839/2006-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. INSUMOS. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS.
Cabe a constituição de crédito da COFINS não-cumulativa sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa - atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. ATIVIDADE DA EMPRESA. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.
Cabe a constituição de crédito da COFINS não-cumulativa sobre os valores relativos as despesas com aluguel de máquinas e equipamentos, utilizados na atividade da empresa - atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, por força do art. 3º, inciso IV, da Lei 10.833/03.
Numero da decisão: 9303-005.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Marcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. INSUMOS. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS. Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. ATIVIDADE DA EMPRESA. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com aluguel de máquinas e equipamentos, utilizados na atividade da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, por força do art. 3º, inciso IV, da Lei 10.833/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 48 39 /2 00 6- 62 Fl. 293DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Marcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 330101.100, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PRODUÇÃO. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. INSUMOS. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10680.004839/200662 Acórdão n.º 9303005.284 CSRFT3 Fl. 289 3 Geram direito a crédito da COFINS nãocumulativa as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa, no caso, extração mineral, aí incluída a etapa de remoção de rejeitos / resíduos. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. ATIVIDADE DA EMPRESA. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS PAGOS A PESSOA JURÍDICA. Geram direito a crédito da COFINS nãocumulativa as despesas com aluguel de máquinas e equipamentos, utilizados na atividade da empresa, no caso, extração mineral, aí incluída a etapa de remoção de rejeitos / resíduos. Inciso IV, do artigo 3º da Lei 10.833/03. ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · A tese da definição de insumo é buscada em sua origem, qual seja, na legislação do IPI, sendo que nesta não são considerados insumos os bens não utilizados diretamente na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda, como é o caso dos materiais de limpeza e das embalagens destes; · No caso concreto, os insumos glosados pela autoridade fiscal, embora não sejam bens do ativo permanente e tenham tido alguma relação com o processo industrial, não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado, não se enquadrando, portanto, na condição de insumo para o aproveitamento do crédito da contribuição. Requer, assim, a Fazenda Nacional a reforma do acórdão recorrido, de modo a não admitir o creditamento de PIS e de Cofins pertinentes aos produtos e/ou serviços indicados no dispositivo do r. aresto desafiado. Em Despacho às fls. 257/259, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 295DF CARF MF 4 Contrarrazões ao Recurso Especial foram apresentadas pelo sujeito passivo que trouxe, entre outros, que: · Tem como objeto social o aproveitamento de recursos minerais a exploração, pesquisa, lavra, beneficiamento, industrialização e comercialização, importação e exportação, bem como a prestação de serviços de geologia, topografia, manutenção, análises técnicas, consultoria, gerenciamento e administração de minas e jazidas de bens minerais, tais como metais preciosos (especialmente ouro e prata), metais básicos (especialmente zinco, cobre e chumbo), minerais industriais, dentre outros e seus subordinados, sem a manutenção, temporária ou definitiva, de estoque dos produtos extraídos no local de sua sede, podendo desenvolver estas atividades econômicas, inclusive mediante participação societária ou através de consórcios, a representação de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras, a participação em outras sociedades comerciais ou civis, como sócia, acionistas ou quotistas, importação de EPI – Equipamento de Proteção Individual; · Para a prestação de seu serviço, incorre em diversos custos e despesas, dentre eles, despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção; · Insumo é o gasto que proporciona a existência do produto ou serviço, o seu funcionamento, a sua manutenção e ainda o seu aperfeiçoamento, integrando tanto as etapas que resultam no produto ou serviço, quanto às etapas posteriores, desde que necessárias para o funcionamento do fator de produção É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10680.004839/200662 Acórdão n.º 9303005.284 CSRFT3 Fl. 290 5 O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso interposto pela Fazenda Nacional, eis que atendidos os critérios trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pelo sujeito passivo. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição Fl. 297DF CARF MF 6 ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10680.004839/200662 Acórdão n.º 9303005.284 CSRFT3 Fl. 291 7 Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou Fl. 299DF CARF MF 8 entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10680.004839/200662 Acórdão n.º 9303005.284 CSRFT3 Fl. 292 9 E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, vêse que a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Fl. 301DF CARF MF 10 Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10680.004839/200662 Acórdão n.º 9303005.284 CSRFT3 Fl. 293 11 a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e Fl. 303DF CARF MF 12 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10680.004839/200662 Acórdão n.º 9303005.284 CSRFT3 Fl. 294 13 interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Fl. 305DF CARF MF 14 Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10680.004839/200662 Acórdão n.º 9303005.284 CSRFT3 Fl. 295 15 efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Fl. 307DF CARF MF 16 Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10680.004839/200662 Acórdão n.º 9303005.284 CSRFT3 Fl. 296 17 Dessa forma, para fins de se elucidar, importante recordar que o sujeito passivo é pessoa jurídica que tem como objeto social objeto social o aproveitamento de recursos minerais a exploração, pesquisa, lavra, beneficiamento, industrialização e comercialização, importação e exportação, bem como a prestação de serviços de geologia, topografia, manutenção, análises técnicas, consultoria, gerenciamento e administração de minas e jazidas de bens minerais, tais como metais preciosos (especialmente ouro e prata), metais básicos (especialmente zinco, cobre e chumbo), minerais industriais, dentre outros e seus subordinados, sem a manutenção, temporária ou definitiva, de estoque dos produtos extraídos no local de sua sede, podendo desenvolver estas atividades econômicas, inclusive mediante participação societária ou através de consórcios, a representação de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras, a participação em outras sociedades comerciais ou civis, como sócia, acionistas ou quotistas, importação de EPI – Equipamento de Proteção Individual. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, entendo que não há como se obter a extração de minério sem a extração concomitante de rejeitos, pois é, visivelmente, parte do mesmo procedimento – tal como explanou o relator do acórdão recorrido. Inclusive o combustível utilizado para a retirada do estéril para se chegar a extração do ouro. O que, por conseguinte, sendo a atividade de remoção de resíduos/rejeitos etapa da atividade de exploração mineral, devem ser reconhecidos os créditos de PIS/COFINS relacionados também com essa etapa de remoção. Parte do rejeito e da água utilizada no processo de inertização e na barragem volta às atividades efetivas da mineração – tratase inegavelmente de processo de produção. No que tange à escavação e carga de rejeitos, por se tratar de etapa inerente à atividade da empresa, é de se dar o crédito da contribuição, com fulcro no inciso IV, do art. 3º das leis 10.833/03 e 10.637/02: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 309DF CARF MF 18 IV Aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; [...]” Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 310DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.900749/2009-40
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Por aplicação direta da referida súmula, a negativa ao pleito da contribuinte deixa de ter fundamento. Afastado o fundamento que justificou a negativa da compensação, devem os autos retornar à DRF de origem para novo exame do PER/DCOMP em questão.
Numero da decisão: 9101-002.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para afastar o fundamento que justificou a negativa da compensação, com retorno dos autos à Unidade de Origem para novo exame do PER/DCOMP em questão.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por aplicação direta da referida súmula, a negativa ao pleito da contribuinte deixa de ter fundamento. Afastado o fundamento que justificou a negativa da compensação, devem os autos retornar à DRF de origem para novo exame do PER/DCOMP em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para afastar o fundamento que justificou a negativa da compensação, com retorno dos autos à Unidade de Origem para novo exame do PER/DCOMP em questão. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 07 49 /2 00 9- 40 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13116.900749/200940 Acórdão n.º 9101002.932 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à possibilidade de restituição ou compensação das estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior. A conclusão dos acórdãos paradigmas é a de que os valores pagos indevidamente ou a maior a título de estimativas mensais de IRPJ/CSLL podem ser compensados com outros débitos mediante a apresentação de Dcomp. O acórdão recorrido, por seu turno, em sentido oposto, entende que os pagamentos indevidos ou a maior de estimativas mensais somente podem ser compensados após o encerramento do exercício, se apurado saldo negativo de IRPJ/CSLL. A PGFN apresentou tempestivamente contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.923, de 08/06/2017, proferido no julgamento do processo 13116.900737/200915, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.923): Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A questão sobre a possibilidade, ou não, de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi definitivamente solucionada pelo CARF, inclusive com edição de súmula: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. No caso sob análise, a negativa em relação à compensação foi fundamentada no entendimento, já superado, de que os recolhimentos por estimativa não são, em razão de sua própria natureza, passíveis de restituição/compensação. Por aplicação direta da súmula acima transcrita, a negativa ao pleito da contribuinte deixa de ter fundamento. Por via de Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13116.900749/200940 Acórdão n.º 9101002.932 CSRFT1 Fl. 4 3 consequência, os autos devem retornar à unidade de origem para novo exame da compensação em pauta. Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso especial da contribuinte, para afastar o fundamento que justificou a negativa da compensação, devendo os autos retornar à DRF de origem para novo exame do PER/DCOMP em questão. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial e, no mérito, doulhe provimento parcial, para afastar o fundamento que justificou a negativa da compensação, com retorno dos autos à Unidade de Origem para novo exame do PER/DCOMP em questão. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 103DF CARF MF
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Numero do processo: 11686.000076/2008-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 - eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda - quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda - quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.118
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Recorrente SLC ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 00 76 /2 00 8- 55 Fl. 1519DF CARF MF Processo nº 11686.000076/200855 Acórdão n.º 9303005.118 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302002.787, que, no tocante à matéria de interesse, não reconheceu o direito de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes de produtos acabados transportados entre estabelecimentos da mesma empresa. Cientificada, a Fazenda Nacional não apresentou recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Irresignado, o contribuinte interpôs apelo suscitando divergência quanto ao direito à tomada dos créditos em foco, argumentando, em resumo, que: · O objeto do presente recurso especial diz respeito ao direito de apuração de créditos de PIS e de Cofins, atinentes aos fretes de transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos; · É pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz, estando sujeita ao recolhimento de tributos, dentre as quais se destacam o PIS e a Cofins na sistemática não cumulativa; · As despesas ora em discussão são desdobramentos do frete de venda; · Para o regular desempenho de sua atividade, transfere os seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade, com o intuito de se obter melhores resultados, visto que devido às exigências do mercado, em não havendo estes centros, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; · Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; · O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, visto que seus grandes clientes, adquirentes de seus produtos, situamse, em sua grande maioria, na Região Sudeste e necessitam do produto à pronta entrega quase que diariamente; Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 11686.000076/200855 Acórdão n.º 9303005.118 CSRFT3 Fl. 4 3 · Tendo em vista que a maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos, os fretes são realizados por transporte ferroviário, como desdobramentos do frete de venda – o que demora 15 dias; · Para conseguir atender a sua demanda de pedidos, remete grandes quantidades por trem que, devido à demora no trânsito das mercadorias, quando chegam ao destino já estão vendidos; · A mercadoria, em muitos casos, já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. Em Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, contemplando, entre outros argumentos, que não é todo frete que pode ser considerado para fins de crédito da contribuição para fins de diminuição do débito ou ressarcimento. E que o entendimento administrativo somente permite o frete quando é feito diretamente para a venda do bem ou produto. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 1521DF CARF MF Processo nº 11686.000076/200855 Acórdão n.º 9303005.118 CSRFT3 Fl. 5 4 Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 11686.000076/200855 Acórdão n.º 9303005.118 CSRFT3 Fl. 6 5 Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou Fl. 1523DF CARF MF Processo nº 11686.000076/200855 Acórdão n.º 9303005.118 CSRFT3 Fl. 7 6 entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 11686.000076/200855 Acórdão n.º 9303005.118 CSRFT3 Fl. 8 7 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 1525DF CARF MF Processo nº 11686.000076/200855 Acórdão n.º 9303005.118 CSRFT3 Fl. 9 8 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 11686.000076/200855 Acórdão n.º 9303005.118 CSRFT3 Fl. 10 9 b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Fl. 1527DF CARF MF Processo nº 11686.000076/200855 Acórdão n.º 9303005.118 CSRFT3 Fl. 11 10 · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 11686.000076/200855 Acórdão n.º 9303005.118 CSRFT3 Fl. 12 11 atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Fl. 1529DF CARF MF Processo nº 11686.000076/200855 Acórdão n.º 9303005.118 CSRFT3 Fl. 13 12 Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: · Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; · Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; · O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: · A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; · A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 11686.000076/200855 Acórdão n.º 9303005.118 CSRFT3 Fl. 14 13 dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1531DF CARF MF
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Numero do processo: 13292.000050/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/09/2009
ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DECISÃO RECORRIDA.
Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida, a qual analisou a documentação apresentada pela contribuinte por ocasião da manifestação de inconformidade para comprovação do direito creditório alegado.
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. ÔNUS DA PROVA.
As diligências e perícias não existem para suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas pelo confronto de elementos de provas já trazidos pelas partes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de diligência e negar provimento ao recurso.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Assinatura Digital
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2009 a 30/09/2009 ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DECISÃO RECORRIDA. Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida, a qual analisou a documentação apresentada pela contribuinte por ocasião da manifestação de inconformidade para comprovação do direito creditório alegado. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. ÔNUS DA PROVA. As diligências e perícias não existem para suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas pelo confronto de elementos de provas já trazidos pelas partes. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2009 a 30/09/2009 ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DECISÃO RECORRIDA. Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida, a qual analisou a documentação apresentada pela contribuinte por ocasião da manifestação de inconformidade para comprovação do direito creditório alegado. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. ÔNUS DA PROVA. As diligências e perícias não existem para suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas pelo confronto de elementos de provas já trazidos pelas partes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de diligência e negar provimento ao recurso. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente Assinatura Digital Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 29 2. 00 00 50 /2 01 0- 81 Fl. 609DF CARF MF 2 Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte, mediante o Acórdão nº 0939.298 2 ª Turma da DRJ/JFA, de 29 de fevereiro de 2012, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2009 a 30/09/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E DE EMPRESAS CONSIDERADAS INAPTAS. 1. As aquisições de mercadorias para revenda efetuadas de sociedades cooperativas geram créditos de Cofins não cumulativa exportação como as das demais pessoas jurídicas. 2. A adquirente faz jus aos créditos das compras quando comprovado o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias comercializadas, independentemente de haver contra os fornecedores declaração de inaptidão. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Versa o processo sobre o PER nº 20315.63120.200710.1.1.098210, mediante o qual a contribuinte pleiteou ressarcimento de crédito referente à Cofins não cumulativa Exportação relativa ao 3º trimestre de 2009, no valor total de R$ 112.533,89, com fundamento no §1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho Decisório, a autoridade administrativa indeferiu integralmente o pedido da contribuinte em face das seguintes glosas efetuadas pela fiscalização: 1) A glosa dos créditos de todas as aquisições relacionadas com os 13 fornecedores supracitados pelas irregularidades citadas no item "A" do relatório SARAC citado e porque, conforme item "B" SARAC, nas vendas de café (insumo) para pessoa jurídica que produzam café (art 8º e 9º, da Lei nº 10.925/04) fica obrigatoriamente suspensa da incidência do PIS e COFINS, não gerando assim, direito ao crédito normal (ordinário); 2) A glosa dos créditos normais (ordinário) de todas as aquisições das demais pessoas jurídicas (linha 1 do Dacon), afora as 13 empresas do item "1" acima, porque nas vendas de café (insumo) para pessoa jurídica que produza café (art 8° e 9º da Lei n° 10.925104) fica obrigatoriamente suspensa da incidência do PIS e COFINS, não gerando assim, direito ao crédito normal (ordinário ), e; Fl. 610DF CARF MF Processo nº 13292.000050/201081 Acórdão n.º 3402004.181 S3C4T2 Fl. 610 3 3) A glosa dos créditos tomados sobre as aquisições de cooperativas e pessoas físicas, conforme item "C" SARAC, e segundo as planilhas (...), pelos motivos acima mencionados exaustivamente. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: a) A análise do caso concreto demonstra que há efetiva comprovação de que a empresa adquirente, ora Impugnante, promoveu o pagamento do valor acordado para aquisição das mercadorias, bem como efetivamente recebeu as mercadorias adquiridas, o que consequentemente ensejava o crédito, conforme demonstra a farta documentação apresentada na presente peça de defesa. b) É legítimo o direito creditório pleiteado a título de PIS e COFINS, proveniente das aquisições de mercadorias através de cooperativas, visto que, eventual restrição ao seu aproveitamento somente seria cabível acaso fosse prevista em norma específica, que excepcionasse a regra geral. Em relação às aquisições das empresas inidôneas, entendeu o julgador de primeira instância que, para parte delas, a impugnante obteve êxito em demonstrar o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias, o que somente não se efetivou relativamente aos documentos das efls. 370, 372, 373 e 375, para os quais restou comprovado apenas o pagamento, mas não o recebimento dos bens. No que concerne às aquisições de cooperativas, o julgador da DRJ também reverteu as glosas correspondentes vez que, com a publicação da Medida Provisória nº 1.858 6/99 (atual MP nº 2.15835/2001) e do Ato Declaratório SRF nº 88/99, tais sociedades são contribuintes do PIS e da Cofins da mesma forma que as demais pessoas jurídicas desde 01/11/1999, sendo que, a partir de 01/08/2004, também passaram a sujeitarse ao regime da não cumulatividade das contribuições sociais. Cientificada em 13/03/2012, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário em 12/04/2012, mediante o qual alega, em síntese, que: As glosas remanescentes na decisão recorrida não podem prevalecer, tendo em vista o princípio da verdade material, já que apresentados os documentos pertinentes necessários à comprovação do pagamento das mercadorias, bem como da efetiva entrega das mesmas, com relação às operações inerentes ao fornecedor ISAIAS PIO DA SILVEIRA, CPF nº 026.541.12624, conforme elementos de prova das fls. 370 a 376. Se dúvidas ainda persistirem, há que se consignar a possibilidade de realização de diligência, na forma como previsto no art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Mediante a Resolução nº 3403000.581 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 18 de setembro de 2014, o julgamento foi convertido em diligência, nos seguintes termos: (...) No mérito, a discussão gira em torno de saber se houve a comprovação do pagamento dos valores e do recebimento das Fl. 611DF CARF MF 4 mercadorias a que se referem as notas fiscais apresentadas pelo recorrente, que se referem a aquisições que realizou de pessoas jurídicas que vieram a ser declaradas inaptas. Mais especificamente, tratase das notas fiscais que se encontram as fls. 370, 372, 373 e 375 do Processo Administrativo nº 19991.000525/200902. Ocorre que o referido Processo Administrativo não foi apensado ao presente processo, não se podendo conferir a documentação que serviria de prova do pagamento dos valores e do recebimento das mercadorias referentes a estas mesmas notas. Destarte a necessidade de converter o presente julgamento em diligência. Voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem promova as seguintes providências: 1. promova a apensamento ou anexação aos presentes autos de cópia integral do PA nº 19991.000525/200902; 2. intime o contribuinte a demonstrar, por meio de sua escrituração contábil ou outros documentos (cheques, conhecimento de transporte etc) o efetivo pagamento do valor de cada nota fiscal e o efetivo recebimento da mercadoria; 3. lavre termo final de diligência; 4. intime o contribuinte a, querendo, apresentar manifestação quanto ao termo final de diligência e devolva os autos a este Conselho para julgamento. Mediante despacho de 18/10/2014, o Conselheiro Relator opôs embargos de declaração para que fosse sanado o erro material, nos seguintes termos: Senhor Presidente, depois de formalizar a Resolução nº 3403000.581, por meio do qual houve a conversão de diligência do julgamento, identifiquei que neste caso específico, diferentemente dos demais casos da mesma Recorrente julgados na mesma sessão, as notas fiscais e os documentos relacionados à defesa se encontram nos próprios autos. Com efeito, nos demais processos todas as notas fiscais e outros documentos relacionados à comprovação do direito de crédito estavam inseridos em um terceiro Processo Administrativo. Mas neste caso concreto, as notas fiscais em discussão encontramse nos próprios autos. Tratase de erro material e lapso manifesto que, seja com fundamento no art. 65 do RICARF, seja em razão do art. 66 do mesmo Regimento, exigem a interposição dos presentes embargos, para que seja sanado tal erro. Destarte a interposição dos presentes embargos de declaração, com fundamento nos arts. 64, 65, § 1º, I, e 66 do Regimento Interno, para que seja sanado o erro material indicado. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 13292.000050/201081 Acórdão n.º 3402004.181 S3C4T2 Fl. 611 5 (...) Em 29/12/2014, os autos foram encaminhados à Unidade de Origem para a execução das providências requeridas na diligência. Foram juntadas nas efls. 599/602 cópias de 3 notas fiscais pela Unidade de Origem, que solicitou informações adicionais acerca da diligência no despacho de encaminhamento ao CARF: Solicito confirmar se as notas fiscais objeto da diligência ora requerida são os documentos juntados às folhas 599 à 602 deste processo, haja vista que existe uma numeração de folhas manuscrita e uma numeração digital diferente, após a conversão de meio papel para meio digital, do processo nº 19991.000.525/200902, citado em vosso pedido de diligência. Em 27 de agosto de 2016, o Presidente da 4ª Câmara desta Seção determinou a inclusão do processo em sorteio, com o seguinte despacho de saneamento: Tratase de processo com Resolução do CARF por intermédio da qual foi solicitada a juntada de documentos ao processo. Todavia, o próprio Relator da Resolução apresentou embargos de declaração (fls. 593), ao constatar que a Resolução fora desnecessária, pois os documentos solicitados já se encontravam acostados ao processo. Entretanto, os embargos não foram apreciados e o processo foi encaminhado para a unidade de origem, que atendeu, ainda que parcialmente, à Resolução (fls. 599 a 603). Desta forma, os embargos de declaração, que tinham por objetivo evitar que o processo baixassem em diligência desnecessariamente, perderam objeto. Ademais, no que diz respeito à instrução destes autos, caberá ao Colegiado deliberar se estão em condições para julgamento, ou se será necessária a complementação da diligência. Com essas considerações, determino a inclusão deste processo em lote de sorteio no âmbito da 3ª Seção. (...) O processo foi sorteado a esta Conselheira e distribuído em 29/01/2017. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Por ocasião da Resolução nº 3403000.581, foi efetuado o juízo de admissibilidade do recurso voluntário, tendo sido ele conhecido por aquele Colegiado. Fl. 613DF CARF MF 6 Cabe esclarecer inicialmente a questão dos embargos de declaração opostos pelo anterior Conselheiro Relator, que havia proposto anteriormente ao então Colegiado a conversão do julgamento da diligência para a juntada de notas fiscais que estariam no processo nº 19991.000.525/200902, mais especificamente nas suas fls. 370, 372, 373 e 375. Ocorre que o próprio Relator da Resolução depois entendeu ser desnecessária a referida diligência, vez que verificou posteriormente que os documentos de interesse não se encontrariam naquele outro processo, o que se confirmou com a juntada dos documentos pela Unidade de Origem nas efls. 599/602, emitidos em 2007, os quais não guardam nenhuma correlação com os documentos das efls. 370, 372, 373 e 375, emitidos em 2009, referidos pela decisão recorrida. A diligência sequer foi concluída em face da dúvida da Unidade de Origem ao CARF acerca de quais documentos deveriam ser juntados aos autos. Assim, restou prejudicada a diligência anteriormente solicitada pelo outro Colegiado e, conforme decidido pelo Presidente desta Câmara, perderam o objeto os embargos de declaração opostos pelo então Conselheiro Relator, não cabendo a este Colegiado julgálos se não foram admitidos pelo Presidente da Câmara, sem prejuízo, obviamente, da análise de eventual necessidade de outra diligência no âmbito deste Colegiado. Como se observa na decisão recorrida, foi acatado parcialmente o pleito da manifestante no sentido de reverter as glosas relativas às aquisições dos fornecedores irregulares para as quais foi comprovado o pagamento ao fornecedor e a efetiva entrega/recebimento das mercadorias, com o carimbo do armazém que recebeu as mercadorias, entretanto, em relação às notas fiscais das efls. 370, 372, 373 e 375, a manifestante não obteve êxito em demonstrar o recebimento das mercadorias: Porém, pelos documentos trazidos ao processo pela reclamante, mais especificamente os de fls. 342, 346, 347, 352, 353, 354, 355, 357, 358, 377, 378, 380, 381, 382 e 383 – Vol. 2, temse que houve a comprovação do pagamento das aquisições objeto de parte da glosa em comento, bem como da efetiva entrega das mercadorias caracterizada pelo carimbo da empresa responsável pelo recebimento das mercadorias. E, em assim sendo, aplicase ao caso o disposto no §5º do mesmo art. 48 da IN RFB nº 748, de 2007, abaixo transcrito: § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. Ressaltese que os dispositivos citados da IN SRF nº 748, de 2007 tem como base o art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996. No entanto, devem ser mantidas as exclusões referentes a alguns valores por falta de apresentação de documentos hábeis a evidenciar “ o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços”, são eles os de fls. 370, 372, 373 e 375. A propósito do assunto, temse que a comprovação da operação, através das notas fiscais é a condição primeira a ser satisfeita. Seguindose à comprovação da operação, no caso feita através das DANFE’s de fls. 370, 372, 373 e 375, deve restar Fl. 614DF CARF MF Processo nº 13292.000050/201081 Acórdão n.º 3402004.181 S3C4T2 Fl. 612 7 perfeitamente evidenciado os dois requisitos contidos no §5º acima transcrito (pagamento/entrega), sendo que a demonstração de apenas um deles é necessária mas não é suficiente para afastar a aplicação do caput do artigo 82 já mencionado, pois da leitura da norma ressalta que é imprescindível o cumprimento de ambas as exigências. No caso concreto, ou seja, em relação aos documentos de fls. 370, 372, 373 e 375, foi comprovado o pagamento mas não houve a demonstração do recebimento dos bens. (...) De fato, observase que, nas notas fiscais das efls. 370, 372, 373 e 375, não consta a comprovação de recebimento das mercadorias e tampouco há nos autos outras provas ou indícios nesse sentido. Em seu recurso voluntário, a recorrente nada trouxe de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida para comprovação do crédito alegado e solicita diligência, o que não encontra respaldo na legislação. Em conformidade com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e art. 36 da Lei nº 9.784/99, abaixo transcritos, caberia à recorrente se contrapor adequadamente à decisão recorrida no sentido de reformála, no caso, apresentando os elementos de prova do efetivo recebimento das mercadorias objeto das notas fiscais constantes nas efls. 370, 372, 373 e 375: Art. 16. [Decreto nº 70.235/72]A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Art. 36. [Lei nº 9.784/99]Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir motivadamente as prescindíveis ao julgamento, nos termos do art. 28 desse Decreto. Fl. 615DF CARF MF 8 Há que se ter em conta, entretanto, que as diligências e perícias não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pela impugnante/manifestante ou recorrente. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impossível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Assim, não cabe à autoridade julgadora diligenciar ou determinar a realização de perícia para fins de, de ofício, promover a produção de prova da legitimidade do crédito alegado pela contribuinte, que deixou de produzir a prova adequada para se contrapor à decisão recorrida. Ademais, o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada altera o acima exposto, eis que a busca da verdade material não desincumbe as partes de seus encargos probatórios. Conforme já decidido no Acórdão nº 3201 002.316 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24 de agosto de 2016, Relator: José Luiz Feistauer de Oliveira, "A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados". Com relação ao mencionado art. 65 da Instrução Normativa SRF nº 900/2008, ele nada diz sobre a obrigatoriedade de diligência ou de intimação para analisar pleitos de reconhecimento de direito creditório, pelo contrário, dispõe que, em determinados casos, em que, pela análise do pedido remanesça dúvidas sobre o crédito alegado, o seu reconhecimento poderá ser feito somente após a apresentação dos documentos pela requerente que o comprovem cabalmente. Assim, entendo que deve ser indeferido o pedido de diligência e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 616DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.902196/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2008
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.618
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 21 96 /2 01 2- 11 Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10820.902196/201211 Acórdão n.º 3401003.618 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Restituição de crédito de COFINS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior transmitido por meio do PER/Dcomp. 2. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. 3. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, como optante pelo regime do lucro presumido, submetiase à sistemática cumulativa de apuração da Cofins (à alíquota de 3%) e do PIS (à alíquota de 0,65%), havendo recolhido indevidamente tais contribuições calculadas sobre a saída de mercadorias que, por se tratarem de produtos farmacêuticos e cosméticos, já haviam sofrido incidência monofásica em etapa anterior da cadeia, nos termos da Lei nº 10.147/2000, e em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 594/2005; (ii) no momento em que se deu conta do equívoco cometido, procedeu à retificação da DACON respectiva. 4. Em data posterior ao protocolo da manifestação de inconformidade e anterior ao julgamento de primeira instância administrativa, requereu a contribuinte, mediante petição simples, a juntada dos livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e declarou, ainda, não ter logrado êxito em juntar as notas fiscais de compra das mercadorias, requerendo, nesta oportunidade, a realização de diligência para confirmação do crédito tributário pleiteado. 5. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/10/2008 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que indeferiu a restituição, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA. Os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal sobre cuja receita de venda incidem o PIS e a COFINS com Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10820.902196/201211 Acórdão n.º 3401003.618 S3C4T1 Fl. 4 3 alíquota zero são apenas aqueles identificados na legislação de regência pelo seu código na TIPI. 6. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.583, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10820.902161/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.583): "8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, pelo não conhecimento do documento juntado intempestivamente, correspondente aos Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, com fundamento no Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 15, de 12/07/1996. 10. Contudo, ainda que transposto obstáculo da preclusão consumativa, verificase, a partir da apreciação dos documentos não conhecidos pela decisão a quo, que tais livros não realizam a discriminação dos tipos de produtos, não sendo possível se afirmar com a necessária precisão se de fato atendem aos desígnios e requisitos da Lei nº 10.147/2000 e da Instrução Normativa SRF nº 594/2005, não se prestando, portanto, a comprovar o direito creditório pleiteado. 11. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 12. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10820.902196/201211 Acórdão n.º 3401003.618 S3C4T1 Fl. 5 4 maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 13. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 14. A aplicação do preceptivo normativo da Lei nº 10.147/2000 conduz à conclusão de que foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos farmacêuticos e de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em determinadas posições da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001 às pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador e não optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), e de acordo com as normas necessárias para a aplicação da lei, implementadas pela edição da Instrução Normativa SRF nº 594/2005. 15. Depreendese, da análise dos documentos juntados pela contribuinte recorrente, não ser possível se apontar o código NCM dos produtos por ela comercializados, informação que seria passível de conferência a partir da análise das notas fiscais que comprovam a venda das mercadorias sujeitas à alíquota zero, não havendo como se validar a retificação da DCTF ou se perscrutar a existência do crédito almejado. 16. Observase que o julgador de primeiro piso chegou à minúcia de verificar que a contribuinte não consta no rol das empresas credenciadas para emitir nota fiscal eletrônica, de forma que, para fins de comprovação de seu pleito, tais documentos deveriam ter sido apresentados no momento do manejo da manifestação de inconformidade. 17. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10820.902196/201211 Acórdão n.º 3401003.618 S3C4T1 Fl. 6 5 18. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 19. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 1083DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.720157/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.786
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 57 /2 01 1- 11 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10120.720157/201111 Acórdão n.º 3302003.786 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.301. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10120.720157/201111 Acórdão n.º 3302003.786 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10120.720157/201111 Acórdão n.º 3302003.786 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10120.720157/201111 Acórdão n.º 3302003.786 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10120.720157/201111 Acórdão n.º 3302003.786 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 132DF CARF MF
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Numero do processo: 16408.001063/2006-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
COOPERATIVAS. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DIFERENCIADO. ALCANCE. ATOS COOPERATIVOS.
O tratamento tributário diferenciado dispensado às cooperativas, conforme previsto no art. 146, III, c da CF não se aplica de forma automática e direta a qualquer ato das cooperativas, mas tão somente aos seus atos cooperativos. Não são as cooperativas que recebem tratamento diferenciado mas os atos cooperativos.
A simples aquisição de mercadoria de não associadas no mercado local para posterior exportação, não configura ato cooperativo.
COMPRA E VENDA. AUSÊNCIA DE DESEMBOLSO DE CAIXA. SIMULAÇÃO.
A aquisição regular e sistemática de produtos sem qualquer desembolso de caixa demonstra a simulação das operações.
Numero da decisão: 1201-001.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DIFERENCIADO. ALCANCE. ATOS COOPERATIVOS. O tratamento tributário diferenciado dispensado às cooperativas, conforme previsto no art. 146, III, c da CF não se aplica de forma automática e direta a qualquer ato das cooperativas, mas tão somente aos seus atos cooperativos. Não são as cooperativas que recebem tratamento diferenciado mas os atos cooperativos. A simples aquisição de mercadoria de não associadas no mercado local para posterior exportação, não configura ato cooperativo. COMPRA E VENDA. AUSÊNCIA DE DESEMBOLSO DE CAIXA. SIMULAÇÃO. A aquisição regular e sistemática de produtos sem qualquer desembolso de caixa demonstra a simulação das operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 8. 00 10 63 /2 00 6- 34 Fl. 2456DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 0613.891, exarado pela 1ª Turma da DRJ em Curitiba PR. Por bem descrever o litígio objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 749 e ss.): Este processo trata dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 484494), Contribuição para o Programa de Integração Social (fls. 495498 e 506511), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 499505), e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (fls. 512515 e 516522), por meio dos quais foi lançado contra a pessoa jurídica Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro — CANORP, e as pessoas físicas de Reno Ferrari (CPF n° 008.556.00810), Renato Martin Ferrari (CPF no 099.628.93801) e Reno Ferrari Filho (CPF n° 012.545.18819) o crédito tributário total de R$ 18.693.185,51, incluindo juros morat6rios calculados até Tributário do Processo constante as fls. 02. Os fatos e circunstâncias determinantes do lançamento se encontram minudenciados no Termo de Verificação Fiscal e de Ciência de Sujeição Passiva Solidária n° 592/2006, estampado às fls. 433444; os valores a que se referem se encontram discriminados nas planilhas que compõem seus anexos, sendo: "Anexo 01 — Demonstrativo Mensal de Apuração de Variações Cambiais — AC 2002 a 2005" (fls. 445448); "Anexo 02 — Demonstrativo Mensal de Apuração de Variações Cambiais — AC 2002 a 2005" (fls. 449465); "Anexo 03 — Apuração de IRPJ e CSLL ajustada com as Variações Cambiais Ativas — AC 2002 a 2004" (fls. 466); "Anexo 04 — Apuração de PIS e COFINS ajustada com as Variações Cambiais Ativas — AC 2002 a 2004"; "Anexo 05 — Extrato Resumo das Transações Registradas no SISCOMEX" (fls. 468474); e "Anexo 06", que se propõe a descrever o esquema 'sojapapel, alem de apresentar croqui exemplificativo de operação real de 'performance de exportação' (fls. 475483). Fl. 2457DF CARF MF Processo nº 16408.001063/200634 Acórdão n.º 1201001.746 S1C2T1 Fl. 3 3 O Termo de Verificação Fiscal e de Ciência de Sujeição Passiva Solidária esclarece que este lançamento tem por base de cálculo apenas as receitas financeiras advindas de variações cambiais ativas não oferecidas à tributação, demonstradas nos Anexos n° 01 e 02, e que a apuração respeita a opção formalmente manifestada pela empresa. Em avultado relato, o aludido Termo, no item "II — INEXISTÊNCIA DE FATO E DE DIREITO DE `COOPERATIVA' E DE 'ATOS COOPERATIVOS" (fls. 434 438), esmiúda as razões pelas quais o Fisco entende que a pessoa jurídica autuada não materializa, de fato e de direito, uma cooperativa, e que os atos por ela praticados não consubstanciam atos cooperativos. No item "III — SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA" (fls. 438443), enumera as razões pelas quais as pessoas físicas nele qualificadas como sujeitos passivos solidários devem, nesta condição, também responder pelo débito. No item "IV — OBSERVAÇÕES FINAIS", esclarece que, em decorrência do entendimento fiscal de que a autuada não é de fato e de direito uma cooperativa, não se aplicam, nos autos de infração de COFINS e de PIS, as exceções previstas nos art. 32 e 59 do Decreto n° 4.524/2002. Os enquadramentos legais do lançamento se encontram discriminados no campo próprio de cada auto de infração. Tentada a intimação da autuada pela via postal, a correspondência foi devolvida com a informação de "MUDOU SE" (fls. 527). A intimação dos sujeitos passivos solidários ocorreu pela via postal no dia 20/10/2006, conforme Avisos de Recepção de fls. 528 (Renato Martin Ferrari); fls. 529 (Reno Ferrari Filho); e 530 (Reno Ferrari). A pessoa jurídica autuada foi cientificada do lançamento por meio do Edital de fls. 539, afixado na repartição em 03/11/2006. Em 20/11/2006, foi apresentada a impugnação de fls. 544561, subscrita apenas pela pessoa jurídica e instruída com os documentos de fls. 562662. Por meio do documento de fls. 663, foi encaminhada a impugnação de fls. 665 681, subscrita por todos os sujeitos passivos, especifica para os autos de infração de PIS e COFINS, enviada à repartição fiscal em envelope postado em 21/11/2006 (fls. 664). Por meio da Petição de fls. 684685, subscrita por todos os sujeitos passivos e encaminhada em envelope postado também em 21/11/2006, foi apresentada "complementação ilustrativa na impugnação e defesa". Por meio da Petição de fls. 689714, subscrita por todos os sujeitos passivos e encaminhada em envelope postado também em 21/11/2006, relativa ao auto de infração de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, foi apresentada outra "complementação ilustrativa na impugnação e defesa". Fl. 2458DF CARF MF 4 Em síntese apertada, as alegações vertidas nas múltiplas peças impugnatórias são as seguintes: 1 — Impugnação de fls. 544561, apresentada com referência a "Termo de Verificação Fiscal 563/2006 — Auto Infração; Termos de Verificação 592/2006 e encerramento 649.": aduz que os estatutos e as atas registradas demonstram que a autuada continuou a funcionar na qualidade de empresa cooperativa, e que seus associados, independentemente de quem os sejam, são pessoas ligadas ao setor agrícola, proprietários ou arrendatários, mas todos voltados à produção agrária. Acrescenta que o Fisco não pode se ater a deduções ou elucubrações para colocála na condição de ilegal, e que em nenhum momento agiu em desacordo com as normas do cooperativismo. Garante que as operações realizadas com terceiros nãocooperados se referem a operações no interesse da cooperativa e em proveito de seus cooperados, e que os cooperados fornecem, adquirem e se beneficiam das operações da cooperativa como um todo. Apresenta argumentação variada em contraposição às alegações vertidas no Termo de Verificação Fiscal; argumenta que a desconsideração de cooperativa para outra qualquer, somente pode acontecer por medida judicial; alega que não se pode olvidar seu direito, principalmente quando o direito aplicado ao caso concreto fica sempre na dependência dos legisladores, e que estes, muitas vezes por inexatidão técnica, acabam criando situações na vida prática de um operador do direito que desconheça os alicerces em que este se assenta. Na seqüência, tece considerações sobre o que seja o Direito e sua relação com o ordenamento jurídico, a pluralidade de norma, os problemas que o ordenamento apresenta, a unidade do ordenamento e suas diversas fontes, a estrutura do ordenamento e sua norma fundamental, e o problema das antinomias jurídicas; salienta a existência de erro na capitulação das infrações fiscais e perora que os artigos utilizados detêm inequívoco caráter declaratório, razão pela qual seria impossível sua transgressão. Complementa que a suspeita lançada de que a operação mercantil realizada não correspondeu a uma efetiva circulação de mercadoria no estabelecimento ou a uma transferência de propriedade de mercadoria ofende o principio constitucional da legalidade; afirma que o Fisco considerou, acima de tudo, os efeitos econômicos dos fatos na relação jurídica, mas que não é possível afastar o negócio jurídico realizado para buscar o sentido diverso dos fatos envolvidos na relação. Argumenta que o Fisco presumiu a infração, mas que a presunção do Fisco é de pouca validade no âmbito da aplicação do direito tributário. Conclui, outrossim, que a declaração de invalidade constitucional do auto de infração é um imperativo; perora que a tentativa do Fisco em transferir solidariamente a responsabilidade fiscal a sócios, dirigentes e exdirigente, caracteriza a teoria da despersonalização da pessoa jurídica, Fl. 2459DF CARF MF Processo nº 16408.001063/200634 Acórdão n.º 1201001.746 S1C2T1 Fl. 4 5 complementando que tal teoria se desenvolveu em face da necessidade de se coibir o abuso da finalidade de uma associação, com vistas a fins inconfessáveis, o que não seria o seu caso. Sustenta que o Código Civil confere autonomia patrimonial à pessoa jurídica, enquanto o Código de Processo Civil assegura que os bens particulares dos sócios não respondem pelas dividas contraídas pela sociedade, sendo nos casos previstos em lei; arremata sua argumentação acerca da personalidade das pessoas jurídicas dizendo que parece correto responder que a operação praticada pela contribuinte, do ponto de vista tributário, é perfeitamente realizável ao amparo da legislação aplicável, e que o direito tributário elege como fatos geradores determinados atos ou fatos econômicos e jurídicos que se deseja que sejam praticados, mas não obriga que seja adotada aquela forma jurídica, dentre as várias possibilidades admitidas no ordenamento jurídico; finaliza ponderando que, na hipótese de ser considerado procedente o lançamento, requer a aplicação por eqüidade, relevandose a aplicação de qualquer penalidade. 2 — Impugnação de fls. 665681, apresentada com referência a "AUTO DE INFRAÇÃO PIS/COFINS — Termo de Verificação 592/2006": aduz que a fiscalização lastreou suas argumentações e interpretações em elementos emprestados de relatório alienígena, imprestável para fundamentar as infrações, e que, como dito na impugnação complementada, o relatório emitido pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo se apresenta eivado de vícios de origem, produzido sobre coisa podre, e que foram declaradas judicialmente nulas as atitudes e procedimentos fiscais que deram origem àquele relatório; argumenta que o Termo de Verificação Fiscal se apresenta de formas contrapostas por atribuir a contribuinte omissão de receita, ao mesmo tempo que qualifica de inidôneos e questiona a efetividade dos negócios de exportação da contribuinte. Diz que, no mesmo ato em que o Fisco suscita a inexistência de operação de exportação, lavra o auto de infração por pretensa omissão de receita. Garante que omissão de receita não houve, porque as operações foram lastreadas em fornecimentos para o exterior, caracterizandose, ai, a nãoincidência das contribuições pretendidas; argúi que, na dicção do art. 14 da Medida Provisória n° 1.858, de 30/06/1999, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º/02/1999, são isentas da COFINS e do PIS as receitas de exportação de mercadorias para o exterior. Prossegue, em detalhado escorço histórico, digressionando sobre a evolução da legislação alusiva à. isenção dessas contribuições sobre receitas de exportação. Argumenta que o Superior Tribunal de Justiça já livrou duas cooperativas da incidência do PIS e da COFINS sobre as operações decorrentes de atos cooperativos, e que o Fl. 2460DF CARF MF 6 Ministro Relator, Luiz Fux declarou em seu voto que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria; diz estar patente no Termo de Verificação Fiscal e no auto de infração que o resultado operacional levantado referese exclusivamente a operações para o mercado exterior; argumenta que, para subsistir a responsabilidade de diretores e exdiretores da cooperativa haverá necessidade, primeiramente, de se desconstituir a personalidade jurídica da sociedade, o que não se admite de oficio, pela via administrativa. Argumenta que, A luz do art. 135 do CTN, para que se configure a responsabilidade fiscal dos administradores, pelo não pagamento do tributo originariamente devido pela sociedade, é necessária a comprovação de que os atos por eles praticados o foram com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; Adiciona que a questão da responsabilidade não é simplesmente objetiva, exigindo a comprovação do ato doloso ou culposo para induzir a responsabilidade pessoal dos que exercem a administração da sociedade. Enfatiza que o simples nãopagamento de tributo ou a ausência de bens da empresa passíveis de penhora, de per si, não caracterizam infração lei, suficiente a ensejar a responsabilidade pessoal do sóciogerente, e que a hipótese do art. 135 se funda na conduta dolosa ou culposa especificamente apontada pelo legislador. 3 — Impugnação de fls.684685, apresentada com referencia a "AUTO DE INFRAÇÃO BASE DE CÁLCULO — Termo de Verificação 592/2006": reitera a alegação de vicio pela utilização de relatório emitido pela SEFAZ do Estado de São Paulo; argúi que os autuantes não levaram em conta tratarse de operações voltadas para a exportação, o que modifica violentamente o conceito tributário. Adiciona que, por força da Emenda Constitucional n° 33, de 2001, que dá enfoque especial aos procedimentos de exportação, os encargos inerentes às operações financeiras e comerciais, necessariamente, têm que se adaptar ao texto constitucional vigente, sob pena de verse implantado o reverso da legalidade; 4 — Impugnação de fls.689714, apresentada com referência a "AUTO DE INFRAÇÃO CSLL — Termo de Verificação 592/2006": reitera a alegação de vício pela utilização de relatório emitido pela SEFAZ do Estado de São Paulo; reportandose à legislação de regência, reforça a argumentação de que as operações relativas a exportação, são merecedoras do beneplácito da isenção tributária. Aduz que a Emenda Constitucional n" 33, de 11/12/2001, criou verdadeira regra de imunidade, para eliminar qualquer possibilidade de criação ou manutenção de ônus tributário sobre as receitas decorrentes de exportação, relativamente às contribuições sociais, estendendo assim, para o universo das contribuições sociais, a regra que já havia para a Cofins, o PIS e a Fl. 2461DF CARF MF Processo nº 16408.001063/200634 Acórdão n.º 1201001.746 S1C2T1 Fl. 5 7 Contribuição Social devida pela Agroindústria, criada pela Lei ri° 10.256, de 09/07/2001; aduz que as contribuições para a COFINS, para o PIS e para a contribuição previdenciária já possuem regras especificas na legislação ordinária definindo sua exoneração fiscal sobre as receitas de exportação e que, entretanto, para a CSLL, não há ainda qualquer norma na legislação ordinária, mesmo recente, que permita a exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL. Adiciona que, com freqüência, a Secretaria da Receita Federal vem se pronunciando contrariamente à aplicação da imunidade neste caso. Acrescenta que se defende nos meios tributários a retirada das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL, e que essa pretensão já está sendo objeto de demandas judiciais. Na seqüência, tece vasta argumentação sustentando essa tese. Decisão da DRJ Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou procedente o lançamento. Recurso Voluntário Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário onde reproduz, em síntese, as mesmas razões expostas na impugnação ao lançamento (fl. 788 e ss.) e, ademais, requer sejam recebidos os documentos apresentados (fl. 813 e ss.). Resolução n. 1201000.175 Entendeu a 1°Turma da 2°Câmara que pela análise dos autos do processo verificouse que, apesar de haverem impugnado o lançamento, e de haverem sido mantidos como responsáveis tributários pela DRJ de origem, os Srs. Reno Ferrari, CPF n° 008.556.008 10, Renato Martin Ferrari, CPF nº 099.628.93801, e Reno Ferrari Filho, CPF n° 012.545.188 19, não foram cientificados da decisão de primeiro grau. Assim, resolveu a turma por converter o julgamento em diligência a fim de que as pessoas acima indicadas sejam intimadas a pagar o crédito tributário ou a interpor recurso voluntário no prazo de 30 dias da ciência da intimação. Em obediência à Resolução desta Turma, os contribuintes foram intimados, porém as intimações não foram entregues devido a mudança de endereço (fls.2444 a 2452). Fora afixado procedido Edital (fls.2453) desafixado em 10/02/2016. É o Relatório. Fl. 2462DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Assim, merece ser conhecido. Primeiramente, cabe aqui observar que não obstante o TVF fazer menção ao funcionamento fraudulento da Recorrente como mera empresa comercial travestida de cooperativa, o lançamento fiscal oram em análise abrange tão somente a omissão de receitas financeiras de variações cambiais ativas. Pois bem, do ponto de vista fático é importante registrar que a Recorrente não incluiu em suas DIPJs dos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003 as receitas decorrentes de variação cambial ativa. Tal assertiva vale para fins de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Faço tais considerações fáticas, pois, da leitura dos autos, percebi que a ora Recorrente não contesta o efetivo auferimento de tais receitas de variação cambial nem tampouco afirma que ofereceu tais receitas à tributação. Assim, existe concordância da Recorrente quanto aos elementos de fato que subsidiam o lançamento. Importante aqui ressaltar que a Recorrente traz argumentações diversas acerca de omissão de receita decorrente de vendas internas. Contudo, tais receitas não foram objeto do lançamento fiscal dos presentes autos, sendo, portanto, irrelevantes para o deslinde deste caso. Quando ao mérito da questão, é importante frisar que o tratamento tributário diferenciado dispensado às cooperativas, conforme previsto no art. 146, III, c da CF se referem aos atos cooperativos. Em outras palavras, o tratamento tributário diferenciado não se aplica de forma automática e direta a qualquer ato das cooperativas, mas tão somente aos seus atos cooperativos. Não são as cooperativas que recebem tratamento diferenciado mas os atos cooperativos. Cabe aqui então verificar se as receitas de variação cambial ativa omitidas pela Recorrente decorrem de atos cooperativos. Para tanto, importante destacar o conceito de ato cooperativo previsto no art, 79 da Lei n. 5.764/71: "Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria." Fl. 2463DF CARF MF Processo nº 16408.001063/200634 Acórdão n.º 1201001.746 S1C2T1 Fl. 6 9 Neste ponto, é importante verificar que no presente caso, a Recorrente recebia os produtos que exportava à título de compra e venda, situação esta prevista no parágrafo único do dispositivo legal acima que traz a definição daquilo que não é ato cooperativo. O próprio acórdão da DRJ traz evidência neste sentido: Do exemplo acima é possível verificar que a operação perpetrada não se refere à típico ato cooperativo por meio do qual o cooperado (produtor) entrega sua mercadoria à cooperativa para que esta a comercialize e divida o lucro ou prejuízo com o cooperado, após a dedução de todas as despesas administrativas. Existem nos autos, vários outros exemplos semelhantes em documentos de fls. 246248, 249251, 252254, 225257 e 258259. Aliás, conforme se vê nos autos, os próprios alienantes tratam as operações como se de compra e venda se tratasse., conforme se verifica nos documentos acostados no anexo 4 do TVF. Neste ponto, transcrevo mais um trecho do acórdão de 1°instância: Fl. 2464DF CARF MF 10 Destacase aqui que as empresas acima mencionadas não eram e não são associadas da Recorrente o que afasta a idéia de ato cooperativo. As constatações acima demonstram que as operações da Recorrente não tinham natureza de ato cooperativo mas de simples aquisição de mercadoria no mercado local para posterior exportação. E não é só. As observações até agora feitas tem um foco no aspecto formal das operações se compra e venda ou atos cooperativos em razão das partes envolvidas e tipo de operação (compra e venda x fornecimento de cooperado). Contudo, os autos demonstram que tais aquisições efetuadas no mercado local não existiram de verdade, vez que em momento algum a Recorrente desembolsou caixa por tais aquisições. Vejamos aqui trecho do acórdão de 1°instância: Fl. 2465DF CARF MF Processo nº 16408.001063/200634 Acórdão n.º 1201001.746 S1C2T1 Fl. 7 11 Desta forma, resta claro que não só as operações em análise não podem ser consideradas como atos cooperativos, mas também foram perpetradas de forma simulada. Assim, dúvidas não restam que a receita de variação cambial ativa percebida pela Recorrente não se referem, direta ou indiretamente (exportação de produtos de cooperados) a atos cooperativos e, portanto, devem ser tributadas, tendo sido acertados o lançamento fiscal e decisão da DRJ que manteve integralmente tal lançamento. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário apresentado para no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 2466DF CARF MF
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