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Numero do processo: 10070.000681/2003-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2003
Ementa Crédito Remanescente. Compensação
Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, decorrentes da sistemática não-cumulativa, que não puderem ser utilizados na dedução dos débitos da contribuição, poderão sê-lo na compensação de débitos próprios, relativos aos meses subsequentes, aplicação do § 4º do art. 3º da 10.833/2003.
Numero da decisão: 3401-002.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário.
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2003 Ementa Crédito Remanescente. Compensação Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, decorrentes da sistemática não-cumulativa, que não puderem ser utilizados na dedução dos débitos da contribuição, poderão sê-lo na compensação de débitos próprios, relativos aos meses subsequentes, aplicação do § 4º do art. 3º da 10.833/2003.
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Compensação Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, decorrentes da sistemática nãocumulativa, que não puderem ser utilizados na dedução dos débitos da contribuição, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, relativos aos meses subsequentes, aplicação do § 4º do art. 3º da 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 06 81 /2 00 3- 97 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Em 14 de abril de 2008 a RECORRENTE foi cientificada da decisão do Ilustre Delegado da Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro, que houve por bem não homologar a compensação realizada, sob o fundamento de que "apenas os créditos da Contribuição para o PIS/PASEP, decorrentes da sistemática nãocumulativa, que não puderem ser utilizados na dedução dos débitos da contribuição, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos e vincendos, relativos a outros tributos". A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade informando, resumidamente: que apurou ser devida a contribuição nos meses de janeiro e fevereiro de 2003, nos montantes de R$ 929.605,555 (novecentos e vinte e nove mil, seiscentos e cinco reais e cinqüenta e cinco centavos) e R $ 687.844,28 (seiscentos e oitenta e sete mil, oitocentos e quarenta e quatro reais e vinte e oito centavos); porém, antes de deduzir os créditos apurados nestes meses, compensou o montantes devidos com créditos do Processo Administrativo n° 10070.001685/9855. Ao assim proceder, não pôde utilizarse dos créditos de PIS apurado naqueles meses para a dedução do valor da contribuição devida, haja vista que a compensação com os créditos apurados no Processo Administrativo n° 10070.001685/9855 fora realizada no montante integral devido a título de PIS nos referidos meses. Por ter procedido à compensação do montante integral devido da contribuição, ao invés de recolher os montantes de R $ 380.463,20 (trezentos e oitenta mil, quatrocentos e sessenta e três reais e vinte centavos) e R$ 108.534,82 (cento e oito mil, quinhentos e trinta e quatro reais e oitenta e dois centavos), restaram à Recorrente créditos de PIS referentes a janeiro e fevereiro de 2003 que não pode utilizar. Por essa única razão, valeuse de referidos créditos para a dedução do valor do PIS devido no mês de março de 2003, no valor de R $ 563.300,22 (quinhentos e sessenta e três mil, trezentos reais e vinte e dois centavos) nos autos do Processo Administrativo n° 10070.000936/200311. O acórdão proferido pela 5a Turma julgou pela improcedência por não ter a RECORRENTE observado ordem de utilização dos créditos, e que "pela simples leitura dos dispositivos acima trazidos a contexto, não poderia a contribuinte, antes de confrontar com o PIS obtido mediante a aplicação da alíquota de 1,65% sobre o faturamento da empresa (cf. arts. Io e 2o da Lei n° 10.367/02), utilizar os créditos desta contribuição decorrentes do regime nãocumulativo para compensar com débitos de outros tributos." A DRJ decidiu em síntese: Fl. 288DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10070.000681/200397 Acórdão n.º 3401002.287 S3C4T1 Fl. 6 3 “As s u n t o : No r m a s Ge r a i s de Di r e i to T r i b u t á r i o Período de apuração: 01/12/2002 a 28/02/2003 PIS NãoCumulativo. Crédito Remanescente. Compensação com outros tributos. Apenas os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, decorrentes da sistemática nãocumulativa, que não puderem ser utilizados na dedução dos débitos da contribuição, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a outros tributos. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada.” A Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos acima. Este é em síntese o relatório. Voto Fl. 289DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Conselheira Relatora Angela Sartori O presente recurso tempestivo e segue os demais requisitos de admissibilidade por isto dele tomo conhecimento.. Preliminarmente cumpre esclarecer que não há dúvida acerca do crédito do PIS nãocumulativo utilizado somente em março e abril de 2003 (créditos da não cumulatividade apurados nos meses janeiro e fevereiro de 2003, não deduzidos dos débitos nestes dois meses). Consta no voto da DRJ que no processo n° 10070.001685/9855 a decisão da autoridade administrativa de origem somente reconheceu crédito no valor de R$ 1.620.196,30 do total solicitado de R$ 12.544.255,63. Portanto, cabe exigir os saldos devedores do PIS em jan e fev/2003, já que por opção do contribuinte os créditos da nãocumulatividade, em regra geral deduzidos no próprio mês, deixaram de ser utilizados assim e somente foram utilizados em março e abril de 2003. Sem deixar de reconhecer que, regral geral, os créditos da não cumulatividade devem ser deduzidos dos débitos no próprio mês, vejo que o § 4º não impõe a limitação contida na interpretação da DRJ e do órgão de origem. Com efeito, as limitações do art. 42, caput e § 7º da IN RFB 900/2008, transcritas no voto da DRJ, extrapolam a norma extraída do § 4º do art. 3º da Lei 10.833/2003, cuja redação informa: “§ 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes.” O parágrafo acima demonstra que tais créditos podem não ser aproveitados por diversos motivos, como erro na apuração, “esquecimento” ou compensação com outros créditos (esta a hipótese do presente processo). Diante do exposto, penalizar o contribuinte, impedindoo de aproveitar créditos não deduzidos em meses anteriores apenas porque não seguiu a sequência prevista nas IN, DCTF e DACON – primeiro, deduzir os créditos da nãocumulatividade, e somente depois efetuar compensações como a realizada pelo Recorrente , constitui ofensa à regra do § 4º, acima. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10070.000681/200397 Acórdão n.º 3401002.287 S3C4T1 Fl. 7 5 Para finalizar, descabe interpretar literalmente – ou restritivamente, diria melhor o art. 112 do CTN – a utilização dos créditos da nãocumulatividade, pois não se trata de isenção ou exclusão do crédito tributário. Apesar de a DRJ não empregar o citado dispositivo do CTN, a sua interpretação escorase na literalidade de dispositivos da INSRF 900/2008 (e anteriores), de modo por demais estreito, numa exegese que não parece a melhor. Diante do exposto dou provimento ao Recurso voluntário Relator Angela Sartori Relator Fl. 291DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.909721/2011-29
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
GLOSAS NÃO CONTESTADAS.
Consideram-se definitivas as glosas não contestadas
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS.
Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos.
RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
Inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 GLOSAS NÃO CONTESTADAS. Consideram-se definitivas as glosas não contestadas COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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Consideramse definitivas as glosas não contestadas COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 97 21 /2 01 1- 29 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909721/201129 Acórdão n.º 3801002.302 S3TE01 Fl. 262 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909721/201129 Acórdão n.º 3801002.302 S3TE01 Fl. 263 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Despacho Decisório (Eletrônico) – DDE do Delegado da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP que reconheceu parcialmente o direito de crédito pleiteado pelo interessado através do PER/DCOMP nº 30991.53010.241110.1.1.010895, transmitido em 24/11/2010, no valor de R$ 22.774,83, relativo ao 2º trimestre de 2006. Os motivos para o deferimento parcial foram a ocorrência de glosas de créditos considerados indevidos e a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Diante disso, o valor deferido (R$ 21.609,59), foi insuficiente para quitar integralmente os débitos declarados, resultando em homologação parcial das compensações vinculadas ao crédito, e na exigência de saldo devedor de R$ 9.235,71, à data da emissão do citado DDE. Foi apresentada manifestação de inconformidade tempestiva, na qual o contribuinte observa inicialmente que a exigibilidade do crédito tributário está suspensa em observância ao disposto no art. 151, inc. III do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) combinado com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Quanto ao mérito, afirma que não foi considerada a espontaneidade da manifestante, nem a correção dos créditos de IPI. A seguir informa que sua principal atividade consiste na indústria, comércio, importação e exportação de etiquetas e que adquire matéria prima e produtos intermediários onerados pelo IPI, dando saída a produtos tributados com alíquota zero quanto ao referido imposto. Discorre sobre o princípio da nãocumulatividade do IPI e a aplicação ao seu caso do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, concluindo ser legítimo o aproveitamento dos créditos para compensação com débitos administrados pela RFB. Quanto à glosa das aquisições feitas à empresa Flex Coat Produtos AutoAdesivos S.A., inscrita no CNPJ sob nº 48.062.707/000310, na situação de “Cancelado” no referido cadastro, alega que o estabelecimento em questão teve suas atividades encerradas em 12/2008, efetuando o encerramento/baixa nos cadastros da RFB com data retroativa e que tal fato não poderia ser lhe imputado com a glosa de créditos, porquanto adquiriu insumos com incidência de IPI. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909721/201129 Acórdão n.º 3801002.302 S3TE01 Fl. 264 4 Esclarece que as demais diferenças apontadas decorrem de multa moratória de 20%, que entende indevida, por aplicarse ao caso a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), uma vez que efetuou compensação, extinguindo o crédito tributário “sob ulterior verificação”. Posteriormente, e antes de qualquer procedimento de ofício do Fisco, declarou em DCTF originais e/ou retificadoras os valores devidos. Cita argumentos da doutrina e jurisprudência, e a Súmula 360 do Superior Tribunal de Justiça – STJ – concluindo que no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação a espontaneidade somente seria aplicada no caso de recolhimento a destempo, sem multa de mora, antes da constituição do crédito tributário pelo sujeito passivo, ou seja, antes da apresentação de qualquer tipo de declaração prevista na legislação de regência. Prossegue defendendo a atualização monetária do crédito pela Taxa Selic, a fim de neutralizar os efeitos da inflação, alegando que negála equivaleria a uma sanção e afrontaria os princípios da nãocumulatividade, equidade e da moralidade pública que proíbe o enriquecimento ilícito do Estado em detrimento do contribuinte. Aponta que não obstante a RFB venha negando sistematicamente a atualização, o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual CARF) e mesmo a Câmara Superior de Recursos Fiscais estariam reconhecendo tal direito. Observa que o argumento da Fazenda – falta de previsão legal para a atualização monetária – ofenderia o princípio constitucional da igualdade e que o industrial que dê saída a produtos não incentivados pode aproveitar os créditos na escrita fiscal, enquanto outro contribuinte que produza somente bens isentos está obrigado a pleitear ressarcimento de créditos sem correção. E mais, a lacuna existente no art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 1991 autorizaria, face ao disposto no art. 108 do CTN o emprego da analogia, para estender a correção monetária ao ressarcimento pleiteado. Recorre ainda ao Parecer da Advocacia Geral da União nº 96, de 11/06/1996, que conclui que “a correção monetária não constitui ‘plus’ a exigir expressa previsão legal”. Insurgese contra a aplicação da Taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios, considerandoa ilegal e inconstitucional. Finaliza solicitando a reforma do despacho decisório, para que seja homologada a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), às fls. 201/210, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909721/201129 Acórdão n.º 3801002.302 S3TE01 Fl. 265 5 ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para apreciação de aspectos relacionados com a inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. GLOSAS NÃO CONTESTADAS. Consideramse definitivas as glosas não contestadas. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, é incabível o abono de atualização monetária e de juros calculados pela Taxa Selic aos ressarcimentos de créditos do IPI. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A compensação de débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP deve ser acompanhada dos respectivos juros e multa de mora. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. A exigência de juros moratórios calculados pela taxa Selic encontra respaldo na legislação de regência, não podendo a autoridade administrativa afastar a sua aplicação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. 1. Pagamentos/compensações efetuados em atraso, sem o recolhimento de juros de mora não configuram denúncia espontânea. 2. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, não ilide o pagamento de multa moratória. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 215 a 237, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o Relatório. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909721/201129 Acórdão n.º 3801002.302 S3TE01 Fl. 266 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme já relatado, o direito creditório pleiteado pela Recorrente relativo ao ressarcimento de credito de IPI apurado no 2º trimestre de 2006 foi parcialmente deferido e as compensações vinculadas homologadas até o limite do crédito reconhecido.. No entanto, o valor dos débitos objeto de compensação excederam ao valor pleiteado, sendo declarados não homologados e resultando na homologação parcial da Declaração de Compensação, razão pela qual a Recorrente se insurge. Como se verifica no Demonstrativo Detalhamento da Compensação, às fls. 86, e reconhecido pela recorrente, a homologação parcial se deu em razão da glosas de créditos considerados indevidos e a incidência de acréscimos moratórios sobre os débitos compensados que já se encontravam vencidos na data do pedido de ressarcimento. Alega a Recorrente que não foi considerada a espontaneidade da manifestante, nem a correção dos créditos de IPI, insurgindose ainda contra glosa das aquisições feitas à estabelecimento na situação de “Cancelado” no cadastro CNPJ e a aplicação da Taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios, considerandoa ilegal e inconstitucional. Não assiste razão à Recorrente, vejamos: Preliminarmente, quanto as glosas de créditos considerados indevidos, consideramse definitivas as glosas não contestadas e em relação à glosa das aquisições feitas à empresa Flex Coat Produtos AutoAdesivos S.A., inscrita no CNPJ sob nº 48.062.707/000310, na situação de “Cancelado” no referido cadastro, a recorrente alega simplesmente que o seu encerramento/baixa nos cadastros da RFB se deu com data retroativa, fato que foi contestado pelo acórdão recorrido com base na informação constante do cadastro CNPJ, contudo sem juntar documentos comprobatórios, sendo que no caso compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, mantendose assim a glosa efetuada. A incidência de juros e multa de mora decorrente do não pagamento do tributo no seu vencimento tem previsão expressa no artigo 61, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1' de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1" A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 266DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909721/201129 Acórdão n.º 3801002.302 S3TE01 Fl. 267 7 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento A IN/SRF 900, de 30/12/2008, vigente à época, que disciplinava o procedimento de compensação, definiu as datas de valoração tanto do crédito como do débito do contribuinte, in verbis: Art. 36 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção; (...) Art. 38 . O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. A compensação, assim como o pagamento, é um instituto de extinção de obrigações conforme disposto no Código Tributário Nacional, em seus arts. 156, inciso II, e 170, no qual os créditos e débitos do contribuinte serão confrontados, num acerto de contas: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II – A compensação; (...) Art. 170. A lei pode nas condições e garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de crédito tributário com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo, contra a Fazenda Pública. Se considerada a extinção do crédito tributário pelo pagamento do tributo, a sua ausência no prazo legal acarreta a incidência de juros e multa de mora. Da mesma forma, Fl. 267DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909721/201129 Acórdão n.º 3801002.302 S3TE01 Fl. 268 8 se utilizada a compensação para a extinção do crédito tributário, sua formalização deve ocorrer no vencimento da parcela a ser compensada, sob pena de incidência de juros e multa de mora. No presente caso, o que fez a Administração Tributária foi valorar os débitos vencidos compensados até a data do ingresso do pedido de ressarcimento, conforme a legislação vigente, acrescendolhes os respectivos encargos moratórios. A autoridade administrativa reconheceu a existência do crédito tributário e o atendimento do procedimento de apresentação do pedido de compensação, contudo, não foi possível a homologação integral do pedido em decorrência da insuficiência de crédito, devido a incidência de juros e multa de mora. Portanto, correta a decisão recorrida. Alega a recorrente que é indevida a multa moratória de 20% por aplicarse ao caso a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), uma vez que efetuou compensação, extinguindo o crédito tributário “sob ulterior verificação”. Posteriormente, e antes de qualquer procedimento de ofício do Fisco, declarou em DCTF originais e/ou retificadoras os valores devidos. Consoante entendimento da Administração Tributária, a multa moratória destinase a compensar o sujeito ativo pelo atraso no pagamento do que lhe era devido e não tem sua aplicação excluída pela denúncia espontânea, sendo exigida sempre que o pagamento do tributo for efetuado espontaneamente, mas fora do prazo previsto na legislação específica. Por sua vez, o STJ tem entendido que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se o contribuinte promove o pagamento de tributos posteriormente ou concomitantemente incluídos ou alterados em declaração retificadora, faz jus ao benefício da denúncia espontânea, sem a multa de mora. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360∕STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: Fl. 268DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909721/201129 Acórdão n.º 3801002.302 S3TE01 Fl. 269 9 REsp 886.462∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423∕SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127∕138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (STJ, REsp 1.149.022, j. em 09/06/2010, DJ de 24/06/2010) Não obstante a discussão travada nos Tribunais judiciais e órgãos julgadores administrativos sobre o alcance do art. 138 do CTN e o entendimento de alguns doutrinadores de que a denuncia espontânea exclui a aplicação de qualquer multa, inclusive a moratória, que teria natureza punitiva e não indenizatória ou compensatória, no caso em tela, pelo que consta nos autos, tratamse de débitos compensados e posteriormente declarados pelo contribuinte em DCTF. Entretanto, admitindose a compensação como apta a produzir o efeito da denúncia Fl. 269DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909721/201129 Acórdão n.º 3801002.302 S3TE01 Fl. 270 10 espontânea, no cálculo do valor compensado deveriam ter sido computados os respectivos juros de mora, o que não ocorreu, não se aplicando assim o benefício da denúncia espontânea, estando o contribuinte, portanto, sujeito ao pagamento da multa moratória prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996. Conforme consta no próprio caput do art. 138 do CTN, a aplicação do instituto da denuncia espontânea não elide o recolhimento do tributo e dos juros de mora. Esta também é a lição de Luciano Amaro (Direito Tributário Brasileiro. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 1999. p. 427428),: Uma questão de difícil equacionamento diz respeito à exigibilidade da multa de mora, nos casos de denúncia espontânea de infração que tenha implicado falta de pagamento de tributo. O Código Tributário Nacional, no art. que estamos examinando, prevê que, nesses casos, a denúncia seja acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, silenciando quanto à exigência de multa de qualquer espécie. À vista disso, sustentouse, com apoio em acórdão do Supremo Tribunal Federal, que a multa de mora não é exigível se se trata de denúncia espontânea acompanhada do pagamento do tributo devido. O Superior Tribunal de Justiça reafirmou o anterior entendimento do Supremo. Poderseia, então, concluir que a multa de mora teria sido proscrita pelo Código Tributário Nacional, sendo inexigível em qualquer situação? Parece que não, pois o próprio Código se reporta às multas de mora no parágrafo único do art. 134, para dizer que, nas hipóteses ali referidas, somente são devidas penalidades de caráter moratório. Na opinião de Mitsuo Narahashi, o meio de compatibilizar os dois dispositivos do Código é entender que somente é exigível a multa de mora quando, notificado pelo Fisco, o devedor incorra em mora. Nesse caso (nãopagamento de tributo lançado, de cuja existência, pois, o Fisco tem efetivo conhecimento), não há o que’ denunciar’ espontaneamente. Ou seja, não é hipótese de aplicação do art. 138. Se, porém, se trata de infração, voluntária ou não, que tenha implicado ocultar ao Fisco o conhecimento do tributo devido, sua denúncia espontânea seria premiada com a exclusão da responsabilidade, afastandose inclusive a multa de mora, desde que haja, em contrapartida, o efetivo pagamento do tributo e dos juros de mora. No tocante à atualização monetária do crédito de IPI objeto do pedido de ressarcimento, como pleiteia a recorrente, inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI. Não obstante, esta questão foi objeto do recurso representativo da controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, conforme ementa abaixo: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909721/201129 Acórdão n.º 3801002.302 S3TE01 Fl. 271 11 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Sobre a questão, dispõe ainda a Súmula nº 411, do STJ: “É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco.” No entanto, no presente caso não se caracteriza a “resistência ilegítima”, exigida pela citado Tribunal para a atualização monetária do crédito em questão, visto que o crédito foi integralmente reconhecido, em prazo razoável, apesar de não haver disposição legal específica para tanto, bem como todo o entendimento aqui esposado está em consonância com aquele emanado dos tribunais superiores, proferidas na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C do CPC, não se verificando qualquer ofensa às normas ou decisões judiciais relativas à matéria. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.909721/201129 Acórdão n.º 3801002.302 S3TE01 Fl. 272 12 Desta forma, concluise que a correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal, nos termos do julgado proferido nos autos do Resp nº 1.035.847. Por derradeiro, no que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 272DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 19515.001391/2004-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1999
SERVIÇO DE RADIODIFUSÃO DE SOM E IMAGEM. OPERAÇÃO DE CISÃO DEVE SER SUBMETIDA À APROVAÇÃO DO MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES, EM OBSERVÂNCIA AO QUE DISPÕE O ARTIGO 38 DA LEI 4.117/62 QUE INSTITUIU O CÓDIGO BRASILEIRO DE TELECOMUNICAÇÕES, REGULAMENTADO PELO ARTIGO 28 DO DECRETO 52.795/63. IMPOSSIBILIDADE FORMAL DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. EXISTÊNCIA DE EFETIVO RECOLHIMENTO. VERDADE MATERIAL.
Em razão do princípio da verdade material, os tributos escriturados por determinado contribuinte não podem ser considerados como pagamento à beneficiário não identificado, bem como não podem ser considerados como não pagos, se existirem efetivos pagamentos, ocorridos por meio de CNPJ de outro contribuinte, desde que sejam empresas do mesmo grupo e por motivo justificado.
Numero da decisão: 1201-000.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação os pagamentos devidamente comprovados.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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OPERAÇÃO DE CISÃO DEVE SER SUBMETIDA À APROVAÇÃO DO MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES, EM OBSERVÂNCIA AO QUE DISPÕE O ARTIGO 38 DA LEI 4.117/62 QUE INSTITUIU O CÓDIGO BRASILEIRO DE TELECOMUNICAÇÕES, REGULAMENTADO PELO ARTIGO 28 DO DECRETO 52.795/63. IMPOSSIBILIDADE FORMAL DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. EXISTÊNCIA DE EFETIVO RECOLHIMENTO. VERDADE MATERIAL. Em razão do princípio da verdade material, os tributos escriturados por determinado contribuinte não podem ser considerados como pagamento à beneficiário não identificado, bem como não podem ser considerados como não pagos, se existirem efetivos pagamentos, ocorridos por meio de CNPJ de outro contribuinte, desde que sejam empresas do mesmo grupo e por motivo justificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação os pagamentos devidamente comprovados. (assinado digitalmente) FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 91 /2 00 4- 40 Fl. 8188DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ 2 (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de retorno de diligência determinada pelos membros da 2ª Turma, da 1ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão realizada em 03 de agosto de 2010. Naquela oportunidade o processo foi relatado nos termos a seguir transcritos: “Tratase de Auto de Infração relacionado a pagamento sem causa e diferença entre o valor apurado pela fiscalização e o valor escriturado e declarado pelo contribuinte a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no ano calendário de 1999 que gerou crédito tributário no valor de R$ 124.542.474,33 (cento e vinte e quatro milhões, quinhentos e quarenta e dois mil, quatrocentos e setenta e quatro reais e trinta e três centavos), atualizados até julho de 2004, incluídos juros de mora e multa da 75%. Do Termo de Verificação Fiscal (fls. 179/196), constatase que a empresa fiscalizada, “Editora Abril S.A”, CNPJ 02.183.757/0001 93, recebeu parcela do patrimônio da empresa denominada “Abril S.A”, CNPJ 44.597.052/000162, por meio de cisão parcial formalizada em Ata da Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 30.01.1999, juntamente com o protocolo e justificação de Cisão Parcial da “Abril S.A” e recepção de parcela de seu patrimônio pela empresa “Editora Abril S.A”, documentos estes que foram posteriormente aprovados pelo Ministro de Estado das Comunicações, em 02.07.1999. Ocorre que a fiscalização, em análise à documentação fiscal da empresa fiscalizada, “Editora Abril S.A”, verificou a existência de lançamentos de provisão e pagamentos de tributos federais. Apesar desta escrituração, a empresa não possui qualquer comprovante dos citados pagamentos referentes aos meses de janeiro a outubro de 1999. Intimada para esclarecer a situação, a empresa fiscalizada informou as operações societárias ocorridas, bem como demonstrou que as obrigações foram pagas com a utilização de CNPJ de empresa distinta. O representante fiscal, por sua vez, sob o fundamento de que as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes (art. 123, CTN), entendeu que houve descumprimento da obrigação tributária que não foi suprido por pedidos de retificação ou de compensação. Fl. 8189DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ Processo nº 19515.001391/200440 Acórdão n.º 1201000.881 S1C2T1 Fl. 268 3 A partir desta conclusão, realizou um processo de auditoria entre os meses de janeiro a outubro de 1999 e lavrou o presente auto de infração e imposição de multa. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação pleiteando, em apertada síntese, a decadência dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos entre janeiro a julho de 1999. Neste ínterim, alegou que antecipou o recolhimento do tributo e o pagamento efetuado ficou sujeito a ulterior homologação, nos termos do artigo 150, §4° do CTN. Assim, no momento da notificação do lançamento (30 de julho de 2004), já havia decadência incidente sobre os fatos geradores ocorridos entre janeiro e julho de 1999. Alegou também que o auto de infração seria nulo por exigir créditos tributários extintos por força de pagamento, nos termos do artigo 156, I do CTN. Isso porque o ato societário de cisão parcial da “Abril S.A” fez com que parcela do seu patrimônio fosse transferida para a Impugnante “Editora Abril S.A”. No entanto, por ser concessionário de serviço de radiodifusão de sons e imagens (televisão) a “Abril S.A” estava obrigada a submeter à aprovação da operação pelo Ministério das Comunicações, em observância ao que dispõe o artigo 38 da Lei n° 4.117/62 que instituiu o Código Brasileiro de Telecomunicações, regulamentado pelo artigo 28 do Decreto n° 52.795/63. Assim, após a aprovação da Assembléia Geral Extraordinária ocorrida em 30.01.1999, a empresa submeteu a respectiva ata para aprovação do Ministério das Comunicações, através de requerimento datado de 01.03.1999. O deferimento preliminar do pedido de aprovação pelo Ministro das Comunicações deuse apenas em 02 de julho de 1999, mediante a edição da Portaria n° 75. Em 25.08.1999 a “Abril S.A” foi oficiada sobre a aprovação da operação societária efetuada, ficando intimada a apresentar, dentro do prazo de 30 dias do recebimento do ofício, cópia autenticada da alteração contratual arquivada na Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP). Em 31.08.1999, a empresa protocolou a ata e a documentação pertinente na JUCESP, cujo arquivamento se deu em 21.09.1999. Após, comprovou, em 23.09.1999, o registro perante o Ministério das Comunicações o qual, finalmente, em 05.10.1999 homologou definitivamente a cisão parcial da “Abril S.A”, através da edição da Portaria n° 191 da Delegacia do Ministério das Comunicações em São Paulo. Por tudo isso, conclui que somente com a aprovação definitiva pelos órgãos administrativos, ocorrida em outubro de 1999, é que pode recolher todos os tributos de acordo com a legislação tributária pertinente, preenchendo os DARFs em seu próprio nome. Fl. 8190DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ 4 No mais, contestou o uso de presunções, sem fundamento legal, utilizados pela autoridade fiscal que, segundo seu entendimento, baseou em valores lançados pela editora cindida para fins de arbitramento, porém, rechaça os mesmos documentos para comprovação dos recolhimentos tributários. Afirma também que a não retificação das DCTF’s emitidas do primeiro ao quarto trimestre de 1999, configuraria, tão somente, falta de cumprimento de obrigação acessória, incapaz de gerar a penalidade de tamanha proporção, tal como exigida no presente AIIM. Salienta que quase todos os débitos descritos pela fiscalização como sujeitos à tributação pelo Imposto de Renda Retido na Fonte foram corretamente pagos pela empresa, haja vista que a fiscalização não levou em consideração lançamentos contábeis estornados e compensados, bem como, exigiu tributos em duplicidades. Finalmente, afirma que não houve pagamento sem causa e arrola uma planilha dos valores pagos pela empresa e contestados pela fiscalização. Finalmente, junta farta documentação na qual se tenta comprovar todos os argumentos exarados na defesa. Em seu julgamento, a Delegacia de Julgamento da Receita de Brasília – DF afasta a decadência pleiteada, afirmando que o lançamento de ofício está sujeito ao prazo decadencial previsto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional, de tal modo que para os fatos geradores ocorridos entre janeiro e dezembro de 1999, o termo a quo para a contagem do prazo decadencial iniciaria em janeiro de 2000 e, como a ciência da lavratura ocorreu em 30 de julho de 2004, não há que se falar em decadência. No mérito, mantém o lançamento fiscal. Afirma que uma das obrigações das empresas que aguardam a autorização do Ministério das Comunicações, é solicitar prévia autorização para modificar seus estatutos ou contrato social, fato este não realizado pela contribuinte. Ressaltou que a autoridade fiscal não se utilizou de presunção, mas sim dos valores escriturados na contabilidade da autuada. Da mesma forma, ressalta que a autuação não decorreu da falta de retificação da DCTF, mas sim, da falta de comprovação do recolhimento do IRRF pelo contribuinte. Finalmente afasta as alegações de erro, estorno e compensação afirmando, em resumo, que os documentos juntados pelo contribuinte não foram suficientes para comprovar suas alegações, bem como, afirma que o lançamento de valores estornados foram realizados com base na escrituração realizada pela própria empresa. Diante desta decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando os argumentos apresentados em sua defesa inicial. Distribuído para antiga primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, o Douto relator, Conselheiro Dr. Mário Junqueira Franco Júnior, houve por bem converter o julgamento em diligência, voto que foi unanimemente aprovado Turma, o qual transcrevo, in verbis (fls. 3197): Fl. 8191DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ Processo nº 19515.001391/200440 Acórdão n.º 1201000.881 S1C2T1 Fl. 269 5 “Conselheiro MARIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR, Relator Entendo necessário o retorno dos autos para a unidade fiscalizadora, em face da necessidade de comprovação dos recolhimentos acostados aos autos. Em verdade, alega a recorrente que, por uma questão de impossibilidade formal, os recolhimentos referentes a todos os tributos e contribuições dos meses de janeiro a outubro foram feitos com a utilização do CNPJ da empresa ABRIL S/A. A questão de fundo neste processo deriva da aceitação ou não destes recolhimentos, e da possibilidade de considerar o valor devido como já quitado, e não como divergência entre a contabilidade e a escrituração. Antes de solucionar tal intrincada questão, creio necessário que a unidade fiscalizadora promova a verificação dos recolhimentos efetuados, ainda que sob o CNPJ da empresa Abril S/A, com parecer conclusivo quanto a efetividade dos mesmos vis a vis os valores aqui cobrados. Após, entendo que esta Câmara poderá então decidir sobre a singularidade da situação suscitada pela recorrente. Após o relatório de diligência, que seja aberto prazo à recorrente, para, querendo, manifestarse sobre o mesmo. As preliminares suscitadas e as demais questões de mérito serão solucionadas após o cumprimento da diligência.” Assim, após a realização da diligência, as autoridades fiscais responsáveis lavraram documento com a síntese do ocorrido (fls. 5824/5825), no qual se relata que a empresa fora intimada a apresentar comprovação dos recolhimentos efetuados em nome da empresa “Abril S/A”. Em resposta a empresa apresentou documentos e informações (fls. 3208 a 5797), relacionando 620 itens de valores recolhidos ou compensados de Imposto de Renda na Fonte, cuja soma é de R$ 23.006.804,10 (vinte e três milhões, seis mil, oitocentos e quatro reais e dez centavos). Diante disto, a fiscalização chegou às seguintes conclusões: “1°) Na relação estão R$ 698.669,70 referentes ao Código de Tributo 0481 (IRRF sobre Juros e Comissões em Geral) relativamente a contratos de câmbio, recolhidos com o CNPJ das Instituições Bancárias onde as operações se deram. Entretanto, desse valor, R$ 99.324,42 estão sem o DARF que comprove o seu recolhimento. Fl. 8192DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ 6 2°) Dos valores relacionados, R$ 274.279,96 não apresentam os comprovantes de recolhimentos correspondentes. 3°) Dos valores relacionados, R$ 24.600,42 são de acréscimos legais em decorrência dos atrasos nos recolhimentos dos valores principais. 4°) Dos valores relacionados, informa que R$ 44.600,00 não apresentam comprovações por terem sido compensados. 5°) Dos valores relacionados, informa que R$ 89.424,33 não apresentam comprovações por se tratarem de estorno. 6°) Dos valores relacionados, informa que R$ 28.685,18 não apresentam comprovações por se tratarem de cobrança indevida referente ao INSS. Assim, os recolhimentos com o CNPJ n° 44.597.052/000162 no período, realmente comprovado, são de R$ 21.846.544,51. Ressaltese que houve comprovações de recolhimentos a maior que o relacionado em alguns casos, totalizando R$ 25.481,76. Desta forma, considerando os recolhimentos a maior, houve efetivamente o recolhimento com o CNPJ acima do valor de R$ 21.872.026,27. Relativamente ao item 4° acima – compensação de R$ 44.600,00 – a diligenciada apresentou apenas relações onde constam direitos referentes a tão somente R$ 31.400,00. Desta forma, estamos dando ciência ao contribuinte, deixando uma cópia, o qual dever, no prazo de 10 da ciência desta informação fiscal, querendo, apresentar sua manifestação, nos termos do artigo 44 da Lei n° 9.784/99.” Ciente do resultado da diligência, a contribuinte apresentou manifestação de fls. 5827/5836, afirmando ter havido cerceamento de defesa. Isso porque a conclusão da diligência estaria maculada por inconsistência formal, haja vista que por meio dela não é possível identificar na decisão informações relativas aos períodos a que se referem os créditos tributários, ou qualquer demonstrativo de cálculo que permita a análise da constatação dos valores sustentados pela autoridade fiscal. Ademais, sustenta que comprovou o pagamento de todos os valores devidos, não havendo qualquer diferença pendente de recolhimento. Por estas razões, requer que este E. Conselho reconheça o cerceamento de defesa ou, de forma subsidiária, reconheça que houve pagamento integral dos valores informados.” Fl. 8193DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ Processo nº 19515.001391/200440 Acórdão n.º 1201000.881 S1C2T1 Fl. 270 7 Em julgamento, o voto proferido se deu nos seguintes termos: “Pela análise perfunctória dos autos, verificase a possibilidade de parte do crédito tributário cobrado no presente AIIM estar abrangido pela decadência, fato este que será analisado por esta Câmara. Entretanto, o representante fiscal responsável pela diligência determinada nos presentes autos, constatou divergência de valores pagos pela contribuinte (fls. 5.824/5.5.825), sem contudo, discriminar o período a que se referem. A sua discriminação limitouse a descrever as origens dos débitos. Senão vejamos: “1°) Na relação estão R$ 698.669,70 referentes ao Código de Tributo 0481 (IRRF sobre Juros e Comissões em Geral) relativamente a contratos de câmbio, recolhidos com o CNPJ das Instituições Bancárias onde as operações se deram. Entretanto, desse valor, R$ 99.324,42 estão sem o DARF que comprove o seu recolhimento. 2°) Dos valores relacionados, R$ 274.279,96 não apresentam os comprovantes de recolhimentos correspondentes. 3°) Dos valores relacionados, R$ 24.600,42 são de acréscimos legais em decorrência dos atrasos nos recolhimentos dos valores principais. 4°) Dos valores relacionados, informa que R$ 44.600,00 não apresentam comprovações por terem sido compensados. 5°) Dos valores relacionados, informa que R$ 89.424,33 não apresentam comprovações por se tratarem de estorno. 6°) Dos valores relacionados, informa que R$ 28.685,18 não apresentam comprovações por se tratarem de cobrança indevida referente ao INSS.” Percebese que a análise da decadência possivelmente havida in casu, prescinde da verificação dos períodos em que ocorreram as divergências relatadas pela autoridade fiscal. Por esta razão, fazse necessária uma nova diligência para verificar, exatamente, a data de ocorrência dos fatos geradores que geraram os valores apurados entre os itens 1 a 6 do relatório de diligência elaborado pela autoridade fiscal (fls. 5.824/5.825), de modo que, somente após esta constatação, será possível a análise do mérito, propriamente dito. Fl. 8194DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ 8 Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que esta verifique a data da ocorrência dos pagamentos que geraram os valores apurados nos itens 1° a 6° da síntese da diligência (fls. 5.824/5.825), abrindo, posteriormente, vistas para que o contribuinte manifestese sobre o laudo conclusivo. É como voto.” Em atendimento à diligência solicitada, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a apresentar os esclarecimentos e documentos necessários para as verificações relativas às datas dos fatos geradores dos 6 (seis) itens em questão no processo. As conclusões alcançadas (fls. 8126/8128) relativamente aos meses dos fatos geradores e as respectivas somas dos valores foram as seguintes: “Item 1 PERÍODO VALOR R$ abr/99 28.935,66 mai/99 23.894,00 jul/99 4.554,68 ago/99 23.587,48 TOTAL 80.971,82 Do total questionado de R$ 99.324,42, a empresa informa que R$ 80.971,82 não possuem DARF, somente as planilhas Item 1 da decisão e Anexo XIII e que R$ 19.604,38 foram recolhidos conforme e mail do Bradesco. Todavia esses mesmos R$ 19.604,38 foram apresentados para justificar parte do item 3. Portanto, desse item 1, R$ 18.352,60 não pode ser identificado. Item 2 PERÍODO VALOR R$ jan/99 31.204,71 fev/99 19.614,86 mar/99 50.948,99 abr/99 64.297,64 mai/99 941,95 jun/99 7.474,12 out/99 2.412,84 nov/99 17.627,24 dez/99 79.771,54 TOTAL 274.293,89 Obs: De janeiro/99 a novembro/99 os DARFs não foram localizados; em dezembro/99, o valor total excede em R$ 14,03 (75.489,98 – 75.504,04 = 14,03) e foram apresentados apenas os comprovantes de arrecadação Fl. 8195DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ Processo nº 19515.001391/200440 Acórdão n.º 1201000.881 S1C2T1 Fl. 271 9 emitidos pela Receita Federal no montante de R$ 75.504,01 referentes ao mês de dezembro/1999; Item 3 PERÍODO VALOR R$ out/99 2.811,13 nov/99 7.949,41 dez/99 8.843,84 TOTAL 19.604,38 Obs: Apresentados informes do Banco no montante de R$ 19.604,38 não localizando a diferença de R$ 4.996,04 do total de R$ 24.600,42 (19.604,38 – 24,600,42 = 4.996,04); Item 4 PERÍODO VALOR R$ jan/99 44.600,00 Item 5 PERÍODO VALOR R$ jan/99 89.424,33 Item 6 PERÍODO VALOR R$ fev/99 28.685,18 Obs: Os itens 4, 5 e 6 foram justificados e comprovados através do email e cópia do auto de infração; (...)” O contribuinte não apresentou manifestação ao termo de encerramento de diligência fiscal (fl. 8182). Retornaram os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relator. Tratase de Auto de Infração relacionado a pagamento à beneficiário não identificado, bem como diferença entre o valor apurado pela fiscalização e o valor escriturado e declarado pelo contribuinte à título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no ano calendário de 1999 que gerou crédito tributário no valor de R$ 124.542.474,33 (cento e vinte e Fl. 8196DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ 10 quatro milhões, quinhentos e quarenta e dois mil, quatrocentos e setenta e quatro reais e trinta e três centavos), atualizados até julho de 2004, incluídos juros de mora e multa da 75%. Diante da autuação, a recorrente afirmou que, por uma questão de impossibilidade formal, os recolhimentos referentes a todos os tributos e contribuições dos meses de janeiro a outubro foram feitos com a utilização do CNPJ da empresa ABRIL S/A. Portanto, cumpre verificar a existência e possibilidade de aceitação ou não destes recolhimentos, bem como a possibilidade de considerar o valor devido como já quitado. Nesse contexto foram realizadas diligências, cujo resultado foi que, de fato, foram efetuados pagamentos pela empresa Abril S/A (CNPJ 44.597.052/000162) e o montante efetivamente comprovado foi de R$ 21.872.026,27. O resultado da primeira diligência foi o seguinte: “(...) Assim, os recolhimentos com o CNPJ n° 44.597.052/000162 no período, realmente comprovado, são de R$ 21.846.544,51. Ressaltese que houve comprovações de recolhimentos a maior que o relacionado em alguns casos, totalizando R$ 25.481,76. Desta forma, considerando os recolhimentos a maior, houve efetivamente o recolhimento com o CNPJ acima do valor de R$ 21.872.026,27.” Da análise dos autos é possível verificar que não havia possibilidade de o contribuinte Editora Abril S/A (CNPJ 02.183.757/000193) efetuar os recolhimentos em seu próprio nome, isto porque, por ser concessionário de serviço de radiodifusão de sons e imagens (televisão) estava obrigada a submeter a operação de cisão à aprovação do Ministério das Comunicações, em observância ao que dispõe o artigo 38 da Lei n° 4.117/62 que instituiu o Código Brasileiro de Telecomunicações, regulamentado pelo artigo 28 do Decreto n° 52.795/63. A operação relativa à cisão se deu conforme procedimento que segue descrito: (i) Na data de 30/01/1999, a Editora Abril S/A recebeu parcela do patrimônio de Abril S/A por meio de cisão formalizada em Ata de Assembléia. Ocorre que, conforme já exposto, por ser concessionária de serviço de radiodifusão de sons e imagens (televisão), estava a obrigada a submeter a aprovação da operação de cisão ao Ministério das Comunicações. (ii) Houve, em 02/07/1999, deferimento preliminar da operação pelo Ministério das Comunicações. (iii) Em 31.08.1999, a empresa protocolou a ata e a documentação pertinente na JUCESP, cujo arquivamento se deu em 21.09.1999. Após, comprovou, em 23.09.1999, o registro perante o Ministério das Comunicações o qual, finalmente. (iv) Em 05.10.1999 a operação foi homologada definitivamente através da edição da Portaria n° 191 da Delegacia do Ministério das Comunicações em São Paulo. Fl. 8197DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ Processo nº 19515.001391/200440 Acórdão n.º 1201000.881 S1C2T1 Fl. 272 11 Assim, restou demonstrado que o contribuinte Editora Abril SA estava impossibilitado de realizar os recolhimentos utilizando o seu CNPJ, bem como que somente com a aprovação definitiva pelos órgãos administrativos, ocorrida em outubro de 1999, é que pode recolher todos os tributos de acordo com a legislação tributária pertinente, preenchendo os DARFs em seu próprio nome. Dessa maneira, deve ser analisado se corretos os recolhimentos em nome da empresa cindida ou se assiste razão à fiscalização ao desconsiderálos. Nesse contexto, cumpre a análise dos fatos narrados no termo de verificação fiscal para examinar se, diante da situação peculiar ora em debate, teria razão a fiscalização ao afirmar: que “existe, conforme disposto no artigo 96 do CTN; leis, tratados decretos e normas complementares que versam sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. O princípio da estrita vinculação às hipóteses criadas pela legislação tributária, não deve dar espaço nem azo à qualquer forma de discricionarismo. Ou se opera dentro da legalidade ou fora dela. Não deve haver meio termo.” Cumpre verificar, desse modo, se ao princípio da estrita vinculação cabem exceções. No caso, a convivência entre as normas tributárias e as normas específicas do Ministério da Comunicação cria uma situação sui generis, pois enquanto a primeira determina obrigações tributárias à pessoa jurídica (Editora Abril), a segunda cria obstáculos à utilização do CNPJ desta empresa. Outrossim, constou no Termo de Verificação fiscal que “a instrução normativa SRF nº48, de 1995, dispõe sobre pedidos de cancelamento, retificação de erros e comprovação de pagamentos efetuados por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (REDARF). Também a Instrução normativa SRF nº 21, de 1997, no seu artigo 15, possibilitou, até a sua revogação pela IN/SRF/041, de 07/04/2000, a utilização de créditos de terceiros para fins de compensação de débitos relativos a impostos e contribuições administrados pela Receita Federal(...). Haviam portanto dispositivos suficientes para a correção das distorções mencionadas em esclarecimentos prestados pela empresa em 18/09/2002.” Ora, os atos elencados pela fiscalização caracterizam mera formalidade para demonstrar o cumprimento das obrigações tributárias. Além disso, o resultado de qualquer das hipóteses mencionadas levaria ao mesmo caminho das constatações fiscais. Cumpre destacar que no caso não se fala em recolhimento efetuado por terceira pessoa sem qualquer vínculo, já que tratase de situação decorrente de operação de cisão, portanto, envolve empresas do mesmo grupo. Assim, diante do princípio da verdade material, os tributos escriturados pela Editora Abril não podem ser considerados como pagamento à beneficiário não identificado, bem como, não se pode considerar que não foram pagos ou escriturados. No caso, os valores recolhidos devem ser aceitos, pois existiram efetivos pagamentos, os quais se deram por meio de CNPJ de empresa do mesmo grupo, por motivo justificado, qual seja, a demora no procedimento da cisão. Fl. 8198DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ 12 Do exposto, concluise que houve fato gerador, nasceu obrigação tributária e esta foi adimplida. A hipótese dos autos, situação sui generis, não pode gerar enriquecimento sem causa da Fazenda Nacional, nem obrigar o contribuinte a recolher tributo já recolhido. Portanto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir da tributação os pagamentos devidamente comprovados. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 8199DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ
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Numero do processo: 10865.903009/2008-13
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 03 00 9/ 20 08 -1 3 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.383 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a homologação apenas parcial em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1429.145, às fls. 106 a 114: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 5993), concernente ao período de apuração 05/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que no anocalendário de 2003 teria apurado saldo negativo de IRPJ e CSLL, no valor de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, que teriam sido informadas em DIPJ/2004. Os saldos negativos assim apurados teriam sido utilizados para compensação de débitos próprios, mediante transmissão de diversos PER/DCOMP; que teria incorrido em equívoco “quanto ao preenchimento relativo ao campo 'Tipo do Crédito', selecionou 'Pagamento Indevido ou a Maior' ao invés de 'Saldo Negativo de IRPJ', bem como relacionou os DARF's relativos ao pagamento por estimativa mensal, como o presente”. Em que pese o erro, a requerente teria direito ao crédito declarado, como estaria a comprovar a documentação anexa à manifestação de inconformidade; que “desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Requerente (apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL anocalendário/2003), seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional”; Fl. 366DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.383 S1TE02 Fl. 4 3 que os alegados créditos não teriam sido utilizados em qualquer outra compensação ou restituição, além daquelas informadas; Ao final, requer reconhecimento do direito creditório pleiteado e homologação integral das compensações efetuadas, bem como sejam as intimações dirigidas a seus procuradores (advogados). Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a homologação apenas parcial em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 05/08/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/09/2010, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, no intuito de afastar qualquer dúvida acerca do crédito pleiteado saldos negativos de IRPJ e CSLL, informa que está apresentando cópia de toda a documentação contábil mencionada pela decisão de primeira instância administrativa, que os originais destes documentos se encontram à inteira disposição para exame, e que se coloca à inteira disposição acerca de quaisquer outros documentos que venham a ser considerados como necessários. Na sessão realizada em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.297 (fls. 342 a 351), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP, para onde os autos foram encaminhados. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.383 S1TE02 Fl. 5 4 O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 362/363. Este é o Relatório. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.383 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. Conforme mencionado, o julgamento do presente recurso voluntário foi iniciado na sessão de 06/08/2013, ocasião em que esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.297 (fls. 342 a 351), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP. No presente processo, a Contribuinte questiona decisão que homologou parcialmente declaração de compensação por ela apresentada em 27/04/2004, na qual utilizou um alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente à estimativa de IRPJ do mês de maio/2003, no valor de R$ 65.222,70. A Delegacia de origem homologou em parte a compensação porque o referido pagamento havia sido parcialmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Do recolhimento de R$ 65.222,70, que daria origem ao reivindicado direito creditório, já haviam sido utilizados R$ 65.083,95 (para a quitação da própria estimativa declarada), restando saldo disponível de apenas R$ 138,75, conforme o Despacho Decisório de fls. 9. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que o tipo de crédito da compensação deveria ser “Saldo Negativo de IRPJ” em vez de “pagamento indevido ou a maior” de estimativa. Informou ter apurado no anocalendário de 2003 saldos negativos de IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, conforme a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentada à Receita Federal. Registrou também que havia vários outros processos e outros PER/DCOMP pendentes de análise, os quais relacionou, consignando que todos eles possuiriam origem no mesmo direito creditório (saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2003), e que seria oportuno que todos fossem analisados conjuntamente como saldo negativo. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve o que restou decidido pela Delegacia de origem. Em sua decisão, a DRJ fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, concluindo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Na presente fase de recurso voluntário, a Contribuinte reiterou os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, e juntou documentos contábeis e fiscais, no intuito de ver homologada a pretendida compensação. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.383 S1TE02 Fl. 7 6 Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.297, em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Além disso, registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo (e não mais porque o pagamento da estimativa estava alocado ao próprio débito de estimativa declarado em DCTF). Nesse contexto, e após tecer comentários sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, esta Turma julgadora elaborou a referida resolução, com o conteúdo final transcrito abaixo: [...] Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias dos seguintes documentos: DARF´s recolhidos ao longo de 2003; Demonstrativo de Rendimentos Financeiros e de Retenções de IR em 2003; Livro Razão contendo lançamentos nas contas “IRPJ pago por Estimativa”, “Contr. Soc. s/ Lucro pg. Estimat.” e “IRRF s/ Aplicação Financeira”; Livro Diário contendo lançamentos referentes aos pagamentos das estimativas de IRPJ e CSLL; Balanço de Suspensão de Novembro/2003; Balancetes de Verificação para cada um dos meses de 2003 (janeiro a dezembro); Balanço Anual de 2003; Demonstração de Resultado do Exercício; e Livro LALUR com registros em novembro e dezembro/2003. Pela DIPJ do anocalendário de 2003, às fls. 42, a Contribuinte apurou IRPJ anual no valor de R$ 78.332,30 e realizou deduções a título do Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT (R$ 1.913,09), dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente (R$ 600,00), de IR fonte (R$ 2.452,11) e de IR mensal pago por estimativa (R$ 630.038,98), o que resultou em saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 556.671,88. Nos meses de janeiro a outubro de 2003, a Contribuinte realizou recolhimentos de estimativa com base na Receita Bruta e acréscimos. Já nos meses de novembro e dezembro, ela suspendeu o pagamento das estimativas mediante balancetes de suspensão. O quadro abaixo indica os valores das estimativas mensais constantes da DIPJ e os valores dos DARF´s apresentados: PA Estimativas de IRPJ em 2003 DIPJ DARF jan/03 93.135,68 88.881,45 fev/03 64.065,05 56.171,72 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.383 S1TE02 Fl. 8 7 mar/03 66.840,37 66.352,13 abr/03 50.304,98 49.856,63 mai/03 65.076,12 65.222,70 jun/03 39.088,27 39.055,58 jul/03 82.839,95 82.843,14 ago/03 68.810,45 68.812,77 set/03 49.626,27 53.509,66 out/03 51.423,38 57.313,27 Total 631.210,52 628.019,05 A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Embora a indicação seja de existência de saldo negativo, ainda não é possível apurar o seu exato valor. Há divergências entre os valores das estimativas constantes da DIPJ e os DARF´s correspondentes. Além disso, a estimativa de julho foi recolhida em atraso, o que enseja imputação proporcional do pagamento para apartação correta da rubrica principal e dos acréscimos legais. Há também deduções a outros títulos que demandam requisitos específicos, ainda não examinados pela Delegacia de origem, porque o despacho decisório não tratou do reivindicado crédito sob a ótica de saldo negativo, o que deverá ser feito agora. A condução do exame do PER/DCOMP fez com que a documentação contábil e fiscal só fosse apresentada nessa fase processual. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente, e de outros que se entenda necessários: 1) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2003; o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais; o valor a ser considerado como dedução referente ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT; o valor a ser considerado como dedução referente aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente; o valor a ser considerado como dedução a título de IR fonte, levando em conta se as receitas correspondentes foram computadas pela Contribuinte na apuração do lucro real; Fl. 371DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.383 S1TE02 Fl. 9 8 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Limeira/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 362/363, nos seguintes termos: Trata este processo da declaração de compensação n.º 14463.63720.270404.1.3.04 8136 em que o contribuinte utilizou o pagamento da estimativa de IRPJ do mês de maio de 2003, no valor de R$ 65.222,70 para compensação de débito próprio. A compensação foi parcialmente homologada, porque parte do pagamento encontrase vinculada ao débito e aquela decisão foi mantida pela Delegacia de Julgamento. O contribuinte entrou com recurso alegando que havia se equivocado e que seu crédito era saldo negativo de IRPJ e não pagamento indevido. O argumento foi acatado pela 2ª Turma Especial do CARF que baixou o processo para diligência. Em consulta aos sistemas da RFB, foi verificado que o contribuinte entregou em 23.06.2009, pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003/exercício 2004, cuja via completa está sendo anexada a este processo. [...] O contribuinte induziu o nobre julgador a erro e provavelmente utilizou de máfé ao manter a alegação de que se tratava de saldo negativo quando já havia solicitado este mesmo crédito em outro procedimento. Não há dúvida de que a conversão do pedido feita pelo CARF implica a concomitância de pedidos do mesmo crédito, o que é extremamente temerário, principalmente porque entendimento semelhante foi proferido em outros processos do mesmo contribuinte ou seja, há o risco de se multiplicar indevidamente o crédito para o contribuinte, ressaltando que há mais processos com esta mesma matéria a ser apreciado pelo CARF. Assim, proponho o retorno deste processo àquela instância de julgamento para que se manifeste sobre a manutenção deste entendimento e a necessidade de realização da diligência, sugerindose que a declaração de compensação n.º 31383.04781.230609.1.6.02 1937 seja examinada para que se confirme que o próprio contribuinte incluiu o pagamento da estimativa de IRPJ do mês de maio de 2003, no valor de R$ 65.222,70 no rol dos pagamentos que geraram o saldo negativo de IRPJ desse mesmo período, o que só vem confirmar que o Fl. 372DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.383 S1TE02 Fl. 10 9 pagamento não era não é e nunca foi indevido e este processo não pode ser convertido em saldo negativo. Em síntese, a DRF/Limeira/SP registra: que a Contribuinte apresentou em 23/06/2009 um pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003 (PER/DCOMP nº 31383.04781.230609.1.6.02 1937, juntado aos autos); que a decisão do CARF implica na concomitância de pedidos do mesmo crédito; que a decisão do CARF em converter a compensação de estimativa em compensação de saldo negativo é temerária; e que o pagamento de estimativa não pode ser convertido em saldo negativo. Diante destes comentários, a DRF/Limeira devolveu o processo ao CARF, para que este órgão se manifeste sobre a manutenção de seu entendimento e sobre a necessidade da realização da diligência. A resolução proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF apresenta motivação adequada e suficiente. Quanto à solicitação de diligência, é oportuno relembrar que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”, e que quando “determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusar se de cumprilas”, conforme artigos 29 e 37 do Decreto 70.235/1972 (PAF), e artigo 36, § 3º, do Decreto 7.574/2011. Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.297, em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Não bastasse isso, esta Turma Julgadora também registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo (e não mais porque o pagamento da estimativa estava alocado ao próprio débito de estimativa declarado em DCTF). Não que esse entendimento seja imutável, mas há meios formais para revertêlo, a exemplo dos embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional, ou dos Recursos Especiais apresentados por aquele mesmo órgão. O fato é que ao servidor designado para o cumprimento de diligência não é dada a livre vontade para cumprir ou não as decisões do CARF. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.383 S1TE02 Fl. 11 10 De qualquer modo, a resposta dada pela Delegacia de origem, embora não atendendo ao que lhe foi solicitado, trouxe aos autos uma informação adicional relevante, que merece ser analisada no contexto dos fatos que envolvem o presente processo. A Contribuinte ingressou em 2004 com vários PER/DCOMP referentes a pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ e CSLL em 2003, entre eles o que configura objeto destes autos. Ela indicou que o crédito utilizado nestes PER/DCOMP decorreria de pagamentos individuais a título de estimativas mensais, em vez de indicar o saldo negativo do período anual (que é formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas). Em meados de 2008 foram proferidos os despachos decisórios negando a compensação, porque cada um destes pagamentos já havia sido utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (quitação da própria estimativa declarada em DCTF). A Contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, pleiteando que seu crédito fosse apreciado como saldo negativo, e não como pagamento indevido ou a maior de estimativa, e os processos vieram caminhando até a presente instância recursal. Nesse interregno, em 22/12/2008, a Contribuinte apresentou o pedido de restituição PER/DCOMP nº 04011.89490.221208.1.2.026498, retificado pelo PER/DCOMP nº 31383.04781.230609.1.6.021937, que foi mencionado na informação fiscal da Delegacia de origem. O fato de a Contribuinte ter apresentado o pedido de restituição acima referido, e continuar alegando que o crédito debatido nestes autos era mesmo referente a saldo negativo (o que implicava na concomitância de pedidos do mesmo crédito), foi entendido como uma provável máfé de sua parte. Mas é preciso considerar que caso não houvesse, nas instâncias de julgamento, a reversão da posição manifestada pela Delegacia de origem, uma nova solicitação do indébito (saldo negativo) somente após a conclusão dos processos de compensação certamente estaria prejudicada pelo prazo prescricional do art. 168, I, do Código Tributário Nacional, ainda que houvesse saldo negativo a ser restituído/compensado. Cabe registrar também que o PER/DCOMP mencionado na informação fiscal é referente a pedido de restituição. A Contribuinte não buscou a compensação de novos débitos com o mesmo crédito. Vêse que no contexto da decisão da Delegacia de origem, não havia outra maneira de a Contribuinte se resguardar da prescrição de seu alegado direito creditório (a não ser mediante a apresentação de um novo PER/DCOMP), principalmente porque depois de proferidos os despachos decisórios, os PER/DCOMP originais não podiam mais ser retificados (IN SRF 600/2005, art. 57). No recurso voluntário, a Contribuinte ainda destacou que havia vários outros processos envolvendo o mesmo crédito (saldo negativo em 2003), e que todos eles deveriam ser analisados em conjunto, sob a ótica de saldo negativo. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.383 S1TE02 Fl. 12 11 Não vislumbro a alegada máfé da Contribuinte, e nem óbice de natureza procedimental ao seu pleito. Nesse sentido, cabe ainda mencionar que sempre existe a possibilidade de os contribuintes apresentarem vários PER/DCOMP a partir do mesmo direito creditório, ainda que se trate de saldo negativo. E nos casos em que os contribuintes vão utilizando em partes um único crédito, há sempre o risco de este crédito não ser suficiente para a quitação de todos os débitos, seja em razão de um simples erro matemático na evolução do crédito, ou por um inadequado cômputo dos acréscimos moratórios no encontro de contas, etc. Esta é uma das razões pelas quais a declaração de compensação “extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação”, conforme o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/1996. Realmente, o ideal é que os PER/DCOMP que utilizam o mesmo crédito sejam examinados em conjunto. De todo modo, na medida em que o crédito vai sendo consumido em várias compensações, o resultado final dos PER/DCOMP posteriores (seja para fins de compensação ou de restituição) está sempre condicionado ao montante do crédito que remanesce dos PER/DCOMP anteriores, após a dedução das parcelas já restituídas ou compensadas. Isso é uma situação comum para o caso de vários PERDCOMP fundados no mesmo crédito. No caso, a DRF Limeira/SP informou que a Contribuinte ingressou com pedido de restituição do saldo negativo de 2003 (apresentado em 22/12/2008, e retificado em 23/06/2009), mas não esclareceu se houve algum exame sobre esse saldo negativo, se ele já foi restituído à Contribuinte, se a DRF está aguardando o desenrolar dos processos referentes às compensações, etc. Havendo algum saldo negativo a ser restituído/compensado, não entendo que a melhor decisão seja a de reconhecer o direito à restituição desse indébito e, por outro lado, insistir na exigência dos débitos que a Contribuinte pretende quitar por compensação com este mesmo direito creditório. Também não seria adequado condicionar a restituição do direito creditório (caso ele seja confirmado) ao pagamento dos débitos que poderiam ser com ele quitados por compensações declaradas pela própria Contribuinte. Por tudo o que já se disse sobre a relação entre as estimativas mensais e o saldo negativo que delas decorre, havendo confirmação de algum saldo negativo em 2003, a melhor solução é promover os encontros de contas pretendidos pela Contribuinte em seus PER/DCOMP, no limite do crédito reconhecido. Diante de todo esse contexto, é necessário que os autos novamente retornem à DRF Limeira/SP, para que aquela unidade: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.903009/200813 Resolução nº 1802000.383 S1TE02 Fl. 13 12 atenda ao já demandado na Resolução nº 1802000.297, proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF em 06/08/2013; informe se houve algum exame sobre o valor e a disponibilidade do saldo negativo de IRPJ em 2003, no contexto do PER/DCOMP nº 31383.04781.230609.1.6.021937; informe se houve restituição do crédito indicado no PER/DCOMP acima referido, relativo ao saldo negativo de IRPJ em 2003. No caso de a DRF estar aguardando o resultado final do PER/COMP objeto destes autos (bem como dos demais relacionados à mesma apuração do anocalendário de 2003), para dar encaminhamento ao PER/DCOMP nº 31383.04781.230609.1.6.021937 (que é posterior aos demais), é importante que fique consignada esta informação. Deste modo, voto no sentido de novamente converter o julgamento em diligência para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 376DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10380.011101/2004-74
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial.
IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - SALDO DE RECURSOS APURADO PELA FISCALIZAÇÃO NO MÊS DE DEZEMBRO.
Pelo princípio da unicidade da prova, o demonstrativo de evolução patrimonial elaborado pela autoridade lançadora identifica não apenas as presumidas omissões de rendimentos do contribuinte, mas também o saldo de recursos que, relativamente ao mês de dezembro do ano-calendário, deve ser transportado para janeiro do exercício subseqüente.
Recurso especial conhecido em parte e na parte conhecida, provido.
Numero da decisão: 9202-002.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage Redator-Designado
EDITADO EM: 21/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - SALDO DE RECURSOS APURADO PELA FISCALIZAÇÃO NO MÊS DE DEZEMBRO. Pelo princípio da unicidade da prova, o demonstrativo de evolução patrimonial elaborado pela autoridade lançadora identifica não apenas as presumidas omissões de rendimentos do contribuinte, mas também o saldo de recursos que, relativamente ao mês de dezembro do ano-calendário, deve ser transportado para janeiro do exercício subseqüente. Recurso especial conhecido em parte e na parte conhecida, provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Redator-Designado EDITADO EM: 21/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SALDO DE RECURSOS APURADO PELA FISCALIZAÇÃO NO MÊS DE DEZEMBRO. Pelo princípio da unicidade da prova, o demonstrativo de evolução patrimonial elaborado pela autoridade lançadora identifica não apenas as presumidas omissões de rendimentos do contribuinte, mas também o saldo de recursos que, relativamente ao mês de dezembro do anocalendário, deve ser transportado para janeiro do exercício subseqüente. Recurso especial conhecido em parte e na parte conhecida, provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 11 01 /2 00 4- 74 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – RedatorDesignado EDITADO EM: 21/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 17/12/2008, foi julgado o Recurso Voluntário nº 157.194, prolatandose o Acórdão 10249.460 (fls. 634 a 646), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999, 2000, 2001 DECADÊNCIA OCORRÊNCIA 0 imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, cujo prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que ocorre em 31 de dezembro de cada ano, por se tratar de fato gerador complexivo anual. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – SALDO EM FINAL DE PERÍODO APURADO EM FLUXO DE CAIXA TRANSPORTE PARA 0 EXERCÍCIO SUBSEQÜENTE INEXISTÊNCIA DOS SALDOS NA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS IMPOSSIBILIDADE Para o competente transporte entre exercícios dos saldos apurados em fluxo de caixa, mister que esses constem na declaração de bens e direitos. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA DEDUÇÃO PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Observados os demais requisitos legais, a dedução por pensão alimentícia é autorizada Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.011101/200474 Acórdão n.º 9202002.927 CSRFT2 Fl. 773 3 para as despesas incluídas no conceito de alimentos no âmbito das normas reguladoras do Direito de Família. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS As decisões judiciais e administrativas invocadas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assim, seus efeitos não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente se aplicam A. questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, A exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade de lei, que não é o caso dos julgados transcritos. A doutrina reproduzida não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, sobretudo em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Preliminar afastada. Recurso negado.” A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar e, no mérito, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Silvana Mancini Karam, Alexandre Naoki Nishioka, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que davam parcial provimento para restabelecer as deduções com pensão alimentícia.” Cientificado do acórdão em 07/05/2009 (AR de fls. 652), o Contribuinte interpôs, em 15/05/2009, o Recurso Especial de fls. 653 a 677, com fundamento nos artigos 7º e 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época, visando rediscutir as seguintes matérias: decadência; acréscimo patrimonial a descoberto; dedução de pensão alimentícia. Em 19/05/2009, o Contribuinte apresentou as razões complementares de Recurso Especial de fls. 680 a 688, versando sobre a dedução de pensão alimentícia judicial. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, conforme o Despacho nº 2200.012, de 25/01/2011 (fls. 694 a 696), confirmado pelo Despacho de Reexame nº 9202.012, da mesma data (fls. 697), admitindose a rediscussão das seguintes matérias: acréscimo patrimonial a descoberto – aproveitamento como origem, no exercício seguinte, do saldo apurado no final do exercício anterior; dedução de pensão alimentícia variável – o Recorrente aponta divergência de entendimento entre colegiados quanto à possibilidade de dedução, a título de pensão Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 alimentícia, de valores pagos de forma variável ao alimentando, para cobrir despesas específicas. Assim, à matéria “decadência” não foi dado seguimento. Em seu Recurso Especial, o Contribuinte apresenta, relativamente às matérias que tiveram seguimento, as seguintes razões, em síntese: não ocorreu qualquer variação patrimonial a descoberto, pois dita infração somente foi mantida devido à desconsideração, pelos fiscais autuantes e pelos julgadores de primeira e segunda instância, do saldo apurado pelos próprios fiscais em dezembro de 1999 para janeiro de 2000; tal procedimento adotado pelos fiscais e pelos eminentes julgadores, data vênia, é absurdo e fere princípios basilares do nosso Direito, como o da legalidade e o da razoabilidade, uma vez que não existe disposição legal que autorize a presunção do consumo integral de recursos em dezembro e, mesmo que houvesse, seria de todo fora de razões; tanto é assim que o único argumento utilizado para negar o aproveitamento do referido saldo é de que seria necessário estar consignado na declaração de rendimento e/ou comprovados pelo contribuinte; é evidente que tais valores não podem ser comprovados através da declaração de imposto de renda, uma vez que a mesma é anterior à fiscalização e foi desconsiderada pelos agentes fiscais; além disso, não se pode exigir que o contribuinte prove a existência de recursos cuja origem é afirmada unilateralmente pelo fisco, e mais, não se pode presumir que esses recursos cuja origem é afirmada pelo fico tenham sido consumidos integralmente pelo contribuinte no final do ano; se prevalecer o levantamento fiscal tais recursos não podem ser negados; se prevalecer o que foi declarado pelo contribuinte as diferenças no fluxo de caixa feito pelo fiscal simplesmente não existem. não tem qualquer sentido permitir que os valores da apuração fiscal permaneçam somente na parte em que favorece ao fisco, negando a existência de valores apontados nessa mesma apuração fiscal como base para a cobrança de imposto; a prova da existência do saldo em dezembro poderia ser exigida sim, mas dos próprios fiscais que a apuraram; quanto à dedução da pensão alimentícia judicial, conforme a legislação do imposto de renda (art.78, do RIR/99), é permitida a dedução dos valores gastos a esse titulo, nos exatos termos que dispõe a decisão judicial, sem limitação; assim, no caso de que se cuida, não cabe discussão, pois os gastos realizados pelo Recorrente pagando a pensão alimentícia, nos termos em que foram determinados pelo juiz, devem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda; a tese jurídica invocada na decisão recorrida, que procura delimitar o conceito de pensão alimentícia, na verdade confirma o acerto da dedução efetuada pelo Recorrente, pois de fato, pensão alimentícia é todo o encargo, seja em valores fixos ou Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.011101/200474 Acórdão n.º 9202002.927 CSRFT2 Fl. 774 5 variáveis ou ambos, estipulado pelo juiz, em sentença, como necessário à subsistência dos alimentados; é publico e notório, aliás, que os juizes de família nem sempre estipulam a pensão em valores fixos, por vezes ocorre, notadamente quando as despesas que a pensão alimentícia precisa atender não são fixas e uniformes, de o juiz determinar o pagamento direto de tais despesas, como forma de evitar os ajustes que seriam necessários todos os meses; foi precisamente o que ocorreu com o Recorrente, conforme se depreende da sentença cuja cópia foi juntada aos autos em momento de impugnação; não é razoável admitir que, se o juiz condenar um pai a pagar R$ 8.000,00 ou 40% de seu salário a titulo de pensão, tudo possa ser deduzido da base de imponível do IR, mas se, ao invés, condenar a pagar especificamente despesas tais e quais, essa dedução não possa acontecer. além disso, conforme documentação já acostada aos autos no momento da impugnação, é importante ressaltar que os filhos do Impugnante apresentaram declaração de imposto de renda, e submeteram à tributação o valor das pensões de que se cuida; desse modo, a glosa das pensões, aqui discutidas, implicará dupla tributa çâo do mesmo valor, o que a ordem jurídica brasileira não admite; resta, portanto, demonstrado, até não mais poder, a improcedência da decisão recorrida e da exigência fiscal de que cuida. Ao final, o Contribuinte pede o conhecimento e provimento do recurso. Em suas razões de recurso complementares, apresentadas em 19/05/2009 (fls. 680 a 688), o Contribuinte apresenta os seguintes argumentos, em resumo: a decisão recorrida manteve a glosa da dedução da pensão alimentícia por entender que "a pensão alimentícia pode compreender despesas extras dos filhos, contudo, deve estar compreendida no montante a ser pago, ou seja, o valor pago deve ser suficiente para cobrir as despesas, previamente determinadas pelas partes ou fixada pelo juiz.[...]. Destarte, a pensão alimentícia é a soma em dinheiro capaz de cobrir as despesas essenciais e imprescindíveis ao alimentado. Todavia, não há como considerar uma infinidade de gastos como "variáveis" (condomínio, energia, água, etc), sob pena de se transmudar a característica essencial do instituto da pensão alimentícia" entretanto, a parcela variável da pensão alimentícia que o Recorrente paga – por força de ordem judicial – integra o conceito de alimentos retirado da lei civil; a moradia é elemento essencial do conceito de alimentos e está assim expressamente referido no art. 1.701 do Código Civil, a saber: "Art. 1.701. A pessoa obrigada a suprir alimentos poderá pensionar o alimentando, ou darlhe hospedagem e sustento, sem prejuízo do dever de prestar o necessário à sua educação, uando menor. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Parágrafo único. Compete ao juiz, se as circunstâncias o exigirem, fixar a forma do cumprimento da prestação." no caso, a pensão alimentícia devida pelo Recorrente aos seus filhos menores envolve, além de outras despesas, o pagamento de "todos os encargos relativos ao imóvel onde residam os filhos, compreendendo despesas ordinárias e extraordinárias de condomínio, foro, IPTU, taxas e demais tributos, contas de energia elétrica, água e gás." (fls. 69); é da maior evidência que tais encargos correspondem ao ônus da moradia de seus filhos. Essa moradia está contida no dever jurídico do alimentante e pode ser paga in natura, cabendo ao juiz fixar a forma de cumprimento da obrigação; não há dúvida com relação a isso, nada justifica a glosa da pensão. Ao final, o Contribuinte pede que se leve em conta essas razões complementares, acolhendose o pedido recursal nos termos em que formulado. Cientificada do Recurso Especial e das razões complementares apresentados pelo Contribuinte em 25/02/2011 (fls. 698), a Fazenda Nacional ofereceu, na mesma data, as ContraRazões de fls. 700 a 726, contendo os seguintes argumentos, em resumo: em primeiro lugar, requer que as razões apresentadas às fls. 685/689 pelo Contribuinte a titulo de razões complementares ao Recurso Especial não sejam conhecidas, em face da ocorrência da preclusão consumativa; com efeito, a preclusão conceituase como a perda de uma faculdade processual, caracterizada pela dinâmica da superação das fases procedimentais, em homenagem ao principio da segurança, imanente tanto ao contencioso judicial quanto ao administrativo (cita doutrina de Fredie Didier Jr. e Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez); no caso presente, verificase a configuração inarredável do fenômeno da preclusão consumativa, posto que antes já validamente praticado o ato relativo à apresentação do Recurso Especial, conforme se observa às fls. 653/665; não encontra guarida, portanto, o oferecimento das chamadas razões adicionais, posto que já exaurido o ato e ultrapassado o momento oportuno; tal conclusão é tanto mais adequada quando se considera a ausência de previsão acerca dessa possibilidade, no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009 e mesmo no antigo Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007; por todos os motivos expostos, requerse, também em preliminar, o não conhecimento das razões adicionais inoportunamente apresentadas, posto que sobre elas regente o fenômeno da preclusão consumativa; cabe apontar ainda que o contribuinte indicou acórdão oriundo do mesmo órgão julgador prolator do acórdão recorrido; tratase do acórdão no 10245616 (fls. 674/675); assim, no que toca especificamente a esse aresto citado como paradigma, deixou o recorrente de observar o que dispunha o art. 7°, inciso II, do RICSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007: "Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.011101/200474 Acórdão n.º 9202002.927 CSRFT2 Fl. 775 7 especial interposto contra: (...) II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais". ademais, ainda que o precedente indicado pelo recorrente não tenha sido especificamente reformado até o presente momento, o fato é que a tese nele encartada já se encontrava superada quando da interposição do recurso especial de fls. 653/665, razão pela qual não merece seguimento; senão vejamos o reiterado posicionamento encampado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em sentido contrário ao defendido pelo recorrente: Acórdão: CSRF/0400.905 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — FLUXO FINANCEIRO MENSAL — SOBRAS DE RECURSOS AO FINAL DO ANOCALENDÁRIO — Na apuração de eventual acréscimo patrimonial a descoberto, o fluxo financeiro é elaborado mensalmente, transferindose as sobras de um mês para o subsequente, dentro do mesmo anocalendário, não cabendo a sua transposição para janeiro do ano seguinte, sem o respectivo suporte em Declaração de Ajuste Anual. Recurso Especial do Contribuinte Negado." Acórdão: CSRF/0400.663 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — FLUXO FINANCEIRO MENSAL — SOBRAS DE RECURSOS AO FINAL DO ANOCALENDÁRIO — Na apuração de eventual acréscimo patrimonial a descoberto, o fluxo financeiro é elaborado mensalmente, transferindose as sobras de um mês para o subseqüente, dentro do mesmo anocalendário, não cabendo a sua transposição para janeiro do ano seguinte, sem o respectivo suporte em Declaração de Ajuste Anual. Recurso especial do Contribuinte não conhecido. Recurso especial da Fazenda Nacional provido." Acórdão: CSRF/0400.659 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — FLUXO FINANCEIRO MENSAL — SOBRAS DE RECURSOS AO FINAL DO ANOCALENDÁRIO — Na apuração de eventual acréscimo patrimonial a descoberto, o fluxo financeiro é elaborado mensalmente, transferindose as sobras de um mês para o subseqüente, dentro do mesmo anocalendário, não cabendo a sua transposição para janeiro do ano seguinte, sem o respectivo suporte em Declaração de Ajuste Anual. Recurso especial negado." Acórdão: CSRF/0400.664 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — FLUXO FINANCEIRO MENSAL — SOBRAS DE RECURSOS AO FINAL DO ANOCALENDÁRIO — Na apuração de eventual acréscimo patrimonial a descoberto, o fluxo financeiro é elaborado mensalmente, transferindose as sobras de um mês para o seguinte, dentro do mesmo anocalendário, não cabendo a sua Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 transposição para janeiro do ano seguinte, sem o respectivo suporte nas Declarações de Ajuste Anual. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — FLUXO FINANCEIRO MENSAL — VALORES REGISTRADOS EM DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS — Não há como admitirse como origens valores expressivos registrados em espécie nas Declarações de Ajuste Anual dos anoscalendário de 1995 e 1996, objeto da fiscalização, sem a apresentação de declaração anterior que permita confirmar a alegação da efetiva existência do numerário desde 1993. Recurso especial do contribuinte negado. Recurso especial da fazenda nacional provido." assim, no ponto, o Recurso Especial perdeu o seu objeto, não servindo a pacificar divergência alguma, pois esta Eg. CSRF será acionada apenas e tãosomente para repetir um posicionamento que já externou em oportunidade anterior a posição explicitada no paradigma está superada e não mais corresponde ao que é decidido pela CSRF; como pugnar, então, pela existência de controvérsia jurisprudencial a ser solucionada, se, ao tempo da interposição do recurso, já havia pronunciamento conclusivo da CSRF? parece forçoso concluir, sobretudo à luz da norma regimental, que não há substrato para a divergência alegada pelo contribuinte; de fato, vejamos os dispositivos que regulavam o recurso especial à época de sua interposição pelo contribuinte, do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007: "Art. 7° Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 1º No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo. § 2° Para efeito da aplicação do inciso II, entendese como outra Câmara as que integram a atual estrutura dos Conselhos de Contribuintes ou as que vierem a integrála. § 3° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Câmaras que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ou que na apreciação de matéria preliminar decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 4º É cabível a interposição de recurso especial contra decisão que negar provimento a recurso de oficio. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.011101/200474 Acórdão n.º 9202002.927 CSRFT2 Fl. 776 9 § 5° 0 recurso especial interposto pelo sujeito passivo somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação das peças processuais. (...) Art. 15. 0 recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 1° Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7° deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade â lei ou â evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária â Fazenda Nacional. § 2° Na hipótese de que trata o inciso II do art. 7° deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência arguida, indicando a decisão divergente e comprovandoa mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente da Câmara recorrida. § 3° A cópia de publicação de ementa referida no § 2°, quando extraída da internet, deverá ser impressa diretamente da página dos Conselhos de Contribuintes ou da Imprensa Nacional. § 4º O recurso especial deverá ser protocolizado na unidade da administração tributária de jurisdição do sujeito passivo, quando por este interposto, e na secretaria da Câmara quando interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional credenciado. § 5º Não servirá de paradigma para a interposição do recurso de que trata o inciso II do art. 7° deste Regimento o acórdão que já tenha sido reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 6° Interposto o recurso especial, compete ao Presidente da Câmara recorrida, em despacho fundamentado, admitilo ou, caso não satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade, negarlhe seguimento. § 7° Se a decisão contiver matérias autônomas, a admissão do recurso especial poderá ser parcial, sendo facultada a interposição de agravo." notadamente, o juízo de admissibilidade recursal decompõese em várias etapas, razão pela qual os requisitos necessários ao prosseguimento do recurso são avaliados em mais de um momento, seja pela autoridade a quo, seja, até mesmo, pela CSRF, que pode conhecêlo ou não; Fl. 9DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 além disto, se o §5°, do art. 15 do Regimento Interno desta CSRF dispõe, peremptoriamente, que “não servirá de paradigma para a interposição do recurso de que trata o inciso II do art. 7° deste Regimento o acórdão que já tenha sido reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais", inexistindo brecha para que um recurso, reconhecidamente superado, alcance a CSRF, o mesmo se sustenta no caso sob exame; ora, não se nega aqui que, ordinariamente, os recursos regemse pela data da decisão, todavia, o caso em apreço não trata de divergência sobre a lei aplicável, mas, isto sim, sobre a validade de um paradigma; decerto, a atualidade do paradigma há que ser, a todo tempo, avaliada, sob pena de infração à disciplina regimental; é bom frisar, mais uma vez, que o se quer com a norma posta é uniformização de jurisprudência, evitando o julgamento de recursos inúteis, posto que calcados em matéria já decidida; o Poder Judiciário, ao enfrentar questão similar dentro deste âmbito dos recursos de uniformização de posicionamento, assevera que a decisão acerca da admissibilidade não está congelada no tempo, renovandose diante da modificação das circunstâncias que a embasavam; o Superior Tribunal de Justiça, por exemplo, não promoveria novo juízo de admissibilidade se fosse suficiente ao processamento do recurso a mera análise do paradigma, pelo julgador a quo, no ato da interposição; a propósito, verificamse duas súmulas neste sentido: "Não cabem embargos de divergência quando a jurisprudência do tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado. (CORTE ESPECIAL, julgado em 16.10.1996, DJ 22.10.1996 P. 40503)." "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida. (CORTE ESPECIAL, julgado em 18.06.1993, DJ 02.07.1993 p. 13283)." ante os argumentos expendidos, em sede preliminar, deve se inadmitir o recurso especial manejado, já que a posição atual desta CSRF é cristalina ao rejeitar que, na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, as sobras de recursos apuradas no final de um anocalendário possam ser transpostas para o anocalendário seguinte, sem o respectivo suporte nas Declarações de Ajuste Anual; quanto à outra matéria em relação à qual o recurso especial foi manejado, a insurgência do contribuinte não merece melhor sorte; em relação ao acórdão n° 10612.938, observase que não há a divergência jurisprudencial suscitada porque o acórdão paradigma e o acórdão recorrido estão sustentados em premissas fáticas diversas; vale aqui trazer à baila, por pertinentes , excertos da decisão de primeira instância e do acórdão adotado como parâmetro para demonstrar a ausência de similitude fática entre os acórdãos confrontados. Confirase: Decisão de primeira instância (no feito do acórdão n° 10612938) Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.011101/200474 Acórdão n.º 9202002.927 CSRFT2 Fl. 777 11 "Das Despesas com Pensão Judicial A segunda infração corresponde a uma glosa efetuada nos valores informados a titulo de pensão judicial nos exercícios de 1997, 1998 e 1999, nos valores de R$ 15.799,08, R$ 13.794,00 e R$ 9.780,90, respectivamente. Vale trazer a colação o enquadramento legal da infração, art. 8°, inciso II, alínea "f", da Lei n° 9.250/95, qual seja: "Art. 8°. A base de calculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos tributação definitiva; II das deduções relativas: f) As importâncias pagas a titulo de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais;" (grifos) Na subsunção do fato a norma, vimos que a legislação do imposto de renda é bem clara ao permitir somente a dedução das importâncias pagas a titulo de pensão em cumprimento de acordo homologado judicialmente, ou seja, somente o valor estipulado em juízo está sujeito à dedução na apuração da base de cálculo do imposto de renda. Quando intimado a comprovar os valores pagos a titulo de pensão judicial (fls. 106, 108/109 e 115/117), o contribuinte informou que foi estabelecido no acordo judicial uma pensão judicial com valor mínimo de Cz$ 12.000,00 mensais para as três filhas, a ser descontado em folha, devendo ser reajustado conforme os reajustes sofridos pela remuneração do alimentante. Para comprovar os fatos alegados, apresentou cópia da petição inicial da separação judicial consensual apresentada pelos cônjuges (fls. 83/88), da transcrição da sentença (fls. 81/82), proferida no processo de separação consensual, constante do Mandado Para Averbação da Sentença enviado ao Registro Civil de Aurilândia, e Escritura Pública de Declaração firmada pelo excônjuge (fls. 516/517 do volume III). Foi citado como embasamento do impugnante o parágrafo 7° da petição inicial da separação judicial consensual (fls. 86), chamado pelo impugnante de "acordo judicial" que previa: "0 Separando varão, contribuirá mensalmente com a importância mínima de Cz$ 12.000,00 (Doze mil cruzados) a titulo de prestação alimentícia para criação e manutenção das filhas, enquanto menores; (..)". Tal disposição correspondia à vontade das partes a ser submetida A apreciação do juízo competente, para que este proferisse a competente sentença. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 0 Juiz da 2a Vara de Família e Sucessões da comarca de Goiânia assim decidiu (fls. 81): "Vistos, etc ... Conforme consta da inicial, JOSEMAR PEREIRA DA SILVA e JUVERCINA FERREIRA DE SOUSA SILVA, (..) requerem a sua separação alegando que são casados desde 1.974, tendo três filhos, ainda menores, que ficarão sob a guarda da mãe, contribuindo o pai com a importância de CZ$ 12.000,00 mensais, a titulo de alimentos aos filhos; (...)". (grifos) Segundo um dos princípios basilares do Direito Processual Civil, o juiz é livre para decidir a lide, desde que fundamente sua decisão (art. 131 do Código de Processo Civil). 0 principio do livre convencimento do juiz aplicase também nos casos de acordos judiciais havidos em separações consensuais, quando, por exemplo, deve o juiz homologar o acordo, não sem antes adequálo aos ditames da lei e aos princípios da boafé e da lealdade processual. Isto é, não pode o juiz homologar acordo judicial contrário aos princípios acima, sob pena de nulidade da decisão. Não foi o ocorrido no processo em que se fixou a pensão judicial do contribuinte, haja vista que, muito embora o alimentante e as alimentandas, representadas pela mãe, tenham acordado no pagamento de uma pensão somente com valor mínimo, o e. Juiz da causa homologou o acordo deixando claro que o valor estabelecido como mínimo corresponderia ao valor da pensão, que passou, então, a ser um valor fixo mensal de Cz$ 12.000,00, conforme transcrição da sentença As fls. 81/82 dos autos. (...)” Voto vencedor do acórdão n° 10612938 "Neste sentido, as argumentações do Recorrente de que o valor consignado no acordo judicial era apenas um limite mínimo da obrigação do alimentante, podendo os pagamentos a este titulo serem alargados conforme a necessidade dos alimentandos e a disponibilidade econômica do alimentante. (...) Ora, os valores para cada uma das três alimentadas, trazidos para a atual moeda, representam um pouco mais de R$ 15,00, enquanto por outro lado, o Recorrente demonstra arcar com o pagamento, inclusive, das despesas com estudos universitárias destas). ficou claro que o cerne da questão discutida no paradigma era a (im)possibilidade de dedução no IR dos valores pagos a titulo de pensão alimentícia que excedessem o valor fixado no acordo homologado judicialmente; defendia o Fisco que somente poderia ser dedutível o valor fixado por acordo ou decisão judicial; o acórdão adotado como paradigma, por sua vez, adotou o entendimento de que "o valor consignado no acordo judicial era apenas um limite mínimo da obrigação do alimentante, podendo os pagamentos a este titulo serem alargados conforme a necessidade dos alimentandos e a disponibilidade econômica do alimentante"; considerou ademais que "Ora, os valores para cada uma das três alimentadas, trazidos para a atual moeda, representam um pouco mais de R$ 15,00, enquanto Fl. 12DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.011101/200474 Acórdão n.º 9202002.927 CSRFT2 Fl. 778 13 por outro lado, o Recorrente demonstra arcar com o pagamento, inclusive, das despesas com estudos universitárias destas"; não há como se ignorar que a preocupação estampada no aresto indicado como paradigma foi com a mantença provisional dos alimentados, com a educação e não com despesas com moradia (condomínio, água, energia, tributos, transportes, etc.) tal como sói ocorrer no presente feito; não houve ali qualquer discussão a respeito do que se poderia entender a respeito do que estaria inserto no conceito de alimentos, tal como se ponderou no acórdão recorrido; em suma, naquele feito (acórdão n° 10612938), a discussão era sobre a dedutibilidade das parcelas não fixadas expressamente em acordo ou decisão judicial; no acórdão recorrido, ao revés do acórdão indicado como parâmetro do dissídio, a discussão centrouse no fato de que, como bem explicitado na decisão de primeira instância e no acórdão recorrido, a pensão judicial foi fixada em duas parcelas, sendo uma delas variável englobando parcelas específicas que não se inserem no conceito de alimentos, segundo a ótica do Direito de Família, verbis: Decisão de primeira instância (acórdão recorrido) "De fato, da petição inicial, cópia fls. 67/74, a qual foi homologada judicialmente, consta que o autuado deve pagar pensão mensal composta de duas parcelas: uma fixa e outra variável. Ainda conforme a petição inicial a parcela variável foi assim definida: A parcela variável será representada pelo pagamento integral e direto, até a data dos respectivos vencimentos, de (I) todos os encargos relativos ao imóvel onde residam os filhos, compreendendo despesas ordinárias e extraordinárias de condomínio, foro, IPTU, taxas e demais tributos, conta de energia elétrica, água e gas, (II) das despesas referentes educação dos filhos, nelas incluídas as mensalidades escolares, (Ill) das despesas anuais referentes a matriculas, material e fardamento escolar, (IV) das despesas de serviços odontológicos médicos e hospitalares". Acórdão recorrido Ementa "IMPOSTO DE RENDA — PESSOA FÍSICA — DEDUÇÃO — PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL — Observados os demais requisitos legais, a dedução por pensão alimentícia é autorizada para as despesas incluídas no conceito de alimentos no âmbito das normas reguladoras do Direito de Família". Voto "Os valores estipulados na sentença judicial, tais como condomínio, energia, água, transporte, não são dedutíveis, por Fl. 13DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 não se tratar de alimentos, enquadrandose na definição mais ampla de pensão judicial, que não se confunde com a pensão alimentícia, a qual se restringe ao valor pago a titulo de rovisão, assistência ou manutenção, a uma pessoa por uma outra que, por força de lei, é obrigada a prover às suas necessidades alimentícias". no presente feito, a discussão pode ser resumida no conceito de alimentos, o que pode ser deduzido do IR a título de pensão alimentícia, ainda que fixado em acordo ou decisão judicial. é forçoso concluir, pois, pela ausência da demonstração do dissídio jurisprudencial ante a falta de demonstração de harmonia entre os parâmetros fáticos dos acórdãos confrontados; o mesmo raciocínio empregado acima deve ser aplicado com ainda mais razão ao acórdão n° 10423.339; vejamos o que restou consignado no decisório de piso e no acórdão indicado como parâmetro de divergência, litteris: Decisão de primeira instância Relatório "Neste processo o interessado contesta o auto de infração do imposto de renda do exercício 2000, onde foram reduzidos a zero o imposto na fonte (R$ 8.940,00) e as deduções de contribuição à Previdência Oficial (R$ 1.360,92), dependentes (R$ 3.240,00), despesas com instrução (R$ 1.700,00) e pensão alimentícia judicial (R$ 10.800,00). Em sua impugnação apresenta comprovantes de rendimentos com a contribuição previdenciária e imposto de renda na fonte declarados. Apresenta ainda recibos da pensão alimentícia e cópia de sentença judicial que a homologou. Concorda com as demais glosas. Como a sentença judicial estabelecia que a pensão alimentícia seria depositada em conta do Banco do Brasil, o contribuinte foi intimado a apresentar comprovantes bancários do seu depósito. Em resposta (fls. 68), afirma que estava impossibilitado de efetivar o depósito no banco, em cumprimento de decisão judicial." Voto "A impugnação foi apresentada com observância do prazo estabelecido no artigo 15 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, cabendo a apreciação do seu mérito. O comprovante de rendimentos apresentado pelo impugnante (fls. 09/16) atesta os valores da contribuição previdenciária e do imposto na fonte declarados. A pensão alimentícia, porém, não foi comprovada por documentos hábeis. Como o acordo homologado judicialmente determinava o pagamento da pensão através de depósitos no Fl. 14DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.011101/200474 Acórdão n.º 9202002.927 CSRFT2 Fl. 779 15 Banco do Brasil em Itajuipe (BA), não se pode concluir, sem outras provas, que os recibos apresentados pelo impugnante se refiram a estes pagamentos e não a outros quaisquer. Ou seja, o contribuinte não comprova o cumprimento do acordo judicial, que é o fato jurídico que lhe daria direito à dedução dos pagamentos efetuados. (...) Isto posto, voto pela procedência parcial do lançamento, para manter a exigência do imposto suplementar de R$ 2.865,75, acrescido de multa de oficio e juros de mora. Acórdão n° 10423339 "Do exame das peças do processo, verificase que o contribuinte havia pleiteado, no exercício em tela, dedução a titulo de pensão alimentícia no valor de R$ 10.800,00, conforme acordo homologado judicialmente (fls. 05 a 08). A dedução não foi aceita pela fiscalização, sob a justificativa de que o contribuinte não comprovara os depósitos dos respectivos valores na conta corrente especificada na decisão judicial. Não obstante, tal exigência não encontra respaldo na legislação vigente, que exige apenas que a pensão seja judicial, ou decorrente de acordo homologado judicialmente. Diante do exposto, DOU provimento ao recurso, lembrando que o contribuinte concordara com as glosas de dependentes e de despesas de instrução, e que a DRJ restabeleceu o IRRF e a dedução relativa a previdência." confrontandose o acórdão paradigma com o acórdão recorrido já transcrito alhures, é forçoso concluir pela ausência de similitude fática; o acórdão indicado como paradigma tratava de situação particular na qual, por força de decisão judicial, ficou determinado que o autuado ficou obrigado ao pagamento de pensão alimentícia por meio de depósitos bancários; contudo, tendo procedido às respectivas deduções desses valores do IR, o contribuinte não logrou comprovar o pagamento da pensão pelo meio judicialmente estabelecido; o acórdão indicado como divergência apontou que a legislação não faz essa exigência; é claro que a situação em nada se assemelha à estampada nesses autos. como já adiantado acima, não se analisará, em virtude da ocorrência da preclusão consumativa, o acórdão n° 10419608 (fl. 689), somente trazido aos autos, após a interposição do recurso especial, a título de "razões complementares"; cediço que as normas regimentais consignam como necessária à admissibilidade do recurso especial a demonstração da existência de divergência entre as interpretações adotadas em torno da legislação tributária pelo acórdão recorrido e qualquer outro acórdão de quaisquer das Câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais; Fl. 15DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 portanto, para caracterização do dissídio jurisprudencial, é imprescindível a demonstração de interpretações jurídicas que se mostrem contrárias, devidamente demonstrada a similitude fática entre os acórdãos confrontados; como visto, o ora recorrente não logrou êxito seja em demonstrar a existência do dissídio jurisprudencial para fins de admissibilidade de seu Recurso Especial, por todos os motivos acima expostos; por todas as razões acima expostas, não demonstrado o cumprimento dos requisitos regimentais para interposição e admissão do recurso especial de fls. 653/665, requer seja negado seguimento ao mesmo. caso ultrapassadas as digressões tecidas no tópico anterior, o que se admite apenas por amor ao debate, passase à análise da matéria objeto do recurso de fls. 653/665. quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto, a transposição de saldos positivos de caixa envolve dois aspectos: um que se refere ao aproveitamento do saldo dentro do mesmo exercício, de um mês para outro, e outro que se refere à transferência de saldo de um ano para outro; na primeira hipótese, a medida é cabível; a compensação dos saldos positivos de recursos dentro do mesmo exercício é efetuada sem que seja necessário inquirir o contribuinte acerca da efetiva existência dos recursos, pois inexiste uma declaração mensal de bens onde constem suas dividas e ônus, devendo ser considerado o saldo de disponibilidade no planilhamento do mês seguinte; contudo, em se tratando de transferência de saldo de um ano para outro, tal como é o caso dos autos, o mesmo entendimento não pode ser aplicado; isso ocorre dada a existência de uma declaração anual de rendimentos onde o contribuinte declara o montante de recursos disponíveis em 31 de dezembro, devendo ser considerado como disponível no inicio do exercício seguinte tãosomente o valor declarado, condicionandose ainda o aproveitamento à comprovação, por parte do contribuinte, da efetiva existência daqueles recursos; com efeito, esta comprovação é essencial para quem alega a existência desses recursos pois, sem a apresentação de documentos comprobatórios não há como considerálos como recursos dos anos subseqüentes, sob pena de se "criar" patrimônio não declarado pelo próprio contribuinte. assim, para ser considerada válida a transposição, a mesma deverá estar respaldada em documentos hábeis e idôneos, aliás, neste sentido é o comando do parágrafo único do art. 30 , da Lei n° 8.023/90, que assim preleciona: "Os livros ou fichas de escrituração e os documentos que servirem de base à declaração deverão ser conservados pelo contribuinte, à disposição da autoridade fiscal, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição". como não poderia deixar de ser, farta é a jurisprudência deste Conselho de Contribuintes que corrobora tal entendimento, sendo válido aqui transcrever algumas ementas neste sentido: Acórdão n.° 106.11315 "RECURSOS TRANSPOSIÇÃO PARA EXERCÍCIOS SEGUINTES COMPROVAÇÃO O saldo de recursos indicado no encerramento do ano calendário só é transferido para o ano Fl. 16DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.011101/200474 Acórdão n.º 9202002.927 CSRFT2 Fl. 780 17 seguinte quando sua existência estiver comprovada em documentação hábil e idônea." Acórdão 10246580 "IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SALDO DE RECURSO NO FINAL DO ANOCALENDÁRIO Sendo o imposto de renda das pessoas físicas devido mensalmente, o saldo de recursos verificado num mês pode ser utilizado para comprovar acréscimos patrimoniais ocorridos em meses subseqüentes, dentro do mesmo anocalendário, por inexistir a obrigatoriedade de apresentação de declaração mensal de bens e direitos e das dividas e ônus reais. Contudo, os saldos remanescentes ao final de cada anobase, em decorrência da obrigatoriedade da apresentação da declaração anual de bens e direitos e de dividas e ônus reais, somente se transferem para o anobase posterior, caso sejam incluídos na referida declaração e sua efetiva existência seja devidamente comprovada com documentação hábil e idônea". Acórdão n° 10612127 "ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — APROVEITAMENTO DOS SALDOS DO ANOCALENDÁRIO ANTERIOR Os recursos disponíveis no inicio do ano calendário só podem ser aproveitados mediante comprovação documental de sua real existência em 31/12 do anocalendário anterior e informação na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física". Acórdão n° 10610850 "ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Classificase como omissão de rendimentos, a oscilação positiva observada no estado patrimonial do contribuinte, sem respaldo em rendimentos tributáveis, não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. Para que o saldo de recurso, apurado no mês de dezembro, seja transferido para o anocalendário seguinte, o contribuinte deve apresentar documentos hábeis e idôneos que comprovem sua efetiva existência". Ademais, o voto condutor do Acórdão n° CSRF/0104.977 destaca ser este o entendimento que vem sendo encampado em diversos julgados deste Conselho, verbis: "O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, á vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte (Lei n°4.069, de 1962, art. 52). Em pesquisa à pagina do Primeiro Conselho de Contribuintes ê este o entendimento majoritário, quase único, conforme a seguir: Fl. 17DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 LEVANTAMENTO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO — SOBRAS DE RECURSOS. As sobras de recursos apuradas em levantamentos patrimoniais mensais realizadas pela fiscalização, devem ser transferidas para o mês seguinte, pela inexistência de previsão legal para se considerar como renda consumida, desde que seja dentro do mesmo anobase. (Ac. 10419.111, de 04.12.2002; 10418.852, de 09.07.2002; 10418.641, de 19.03.2002; 10418.632 de 19.03.2002). IRPF LEVANTAMENTO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO SOBRAS DE RECURSOS As sobras de recursos apuradas em levantamentos patrimoniais mensais realizados pela fiscalização, devem ser transferidas para o mês seguinte, pela inexistência de previsão legal para se considerar como renda consumida, desde que seja dentro do mesmo ano base. Tendo o contribuinte juntado aos autos, por ocasião do recurso, documentos que em sintonia com outros já constantes do processo comprovam recursos não considerados no julgamento singular, reduzse a exigência. (Acórdão 10418053, de 19.06.2001). ABRANGÊNCIA DA APURAÇÃO ... As sobras de recursos apuradas em um determinado mês devem ser transferidas para o mês seguinte, pela inexistência de previsão legal para que sejam consideradas renda consumida, porém eventual sobra constatada ao final de dezembro do ano calendário não pode ser considerada no cálculo de janeiro do ano seguinte caso não tenha constado de declaração de ajuste relativa ao ano calendário findo. Recurso negado. (Ac. 10244.290, de 06.06.2000) APURAÇÃO MENSAL SOBRAS DE RECURSOS No cálculo do acréscimo patrimonial, as sobras de recursos, detectadas dentro do ano calendário, devem ser automaticamente transpostas mês a mês, no "fluxo de caixa", até o mês de dezembro. No anocalendário subseqüente, somente podem ser utilizadas as sobras de recursos constantes na declaração de bens e rendimentos, tempestivamente apresentada. Recurso negado. (Ac. 10418.317, de 19.09.2001) SOBRAS DE RECURSOS As sobras de recursos apuradas em levantamentos patrimoniais mensais realizados pela fiscalização de janeiro a novembro, devem ser transferidas para o mês seguinte, pela inexistência de previsão legal para se considerar como renda consumida. 0 excesso de recurso em dezembro, mesmo que decorrente de levantamento patrimonial realizado pela fiscalização, somente poderá ser considerado em janeiro do ano seguinte se declarado e comprovado. Recurso parcialmente provido. (Ac. 102 42.341, de 12.11.1997) SOBRAS DE RECURSOS No cálculo do acréscimo patrimonial, as sobras de recursos detectadas dentro do ano calendário, devem ser automaticamente transpostas mês a mês, través do "fluxo d ecaixa", até o mês de dezembro. No ano calendário subseqüente, somente poderão ser utilizadas as sobras de recursos constantes na Declaração de Bens e Direitos. (Ac. 10418.591, de 24.01.2002) Fl. 18DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.011101/200474 Acórdão n.º 9202002.927 CSRFT2 Fl. 781 19 (...) Como visto, à autoridade fiscal, cabe, diante da comprovação de que contribuinte realizou recursos mais do que ofereceu a tributação, promover a exigência do crédito tributário. Faltalhe previsão legal para atribuir ao contribuinte valores que não foram declarados na oportunidade adequada. Assim, a declaração do contribuinte tornase preponderante ao levantamento realizado pelo fisco. Os saldos de recursos apurados em dezembro em Fluxo Financeiro, sendo incompatíveis com o declarado pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste anual, devem ser abandonados para efeitos tributários." fls.79 consoante, portanto, a jurisprudência majoritária deste e. Conselho, somente recursos cujas existências encontramse devidamente comprovadas nos autos, mediante documentação hábil e idônea, podem ser considerados como disponíveis no inicio do exercício seguinte; assim, merece prevalecer o entendimento segundo o qual, somente podem ser considerados como saldo de recursos de um anocalendário para o subseqüente, os valores consignados na declaração de rendimentos em 31 de dezembro do anocalendário respectivo e que lograram ser comprovados pelo contribuinte; quanto à pensão alimentícia, centrase o Recurso Especial na correta interpretação do art. 4°, inciso II, e do § 3°, do art. 8°, da Lei 9.250/95, que assim dispõem: "Art. 40. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: II as importâncias pagas a titulo de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais;" "Art. 8° A base de calculo do imposto devido no anocalendário serÁ a diferença entre as somas: (...) § 3° As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de calculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II deste artigo." Por sua vez, o art. 78, §§ 4° e 5°, do RIR/99, determina que: "Art. 78. Na determinação da base de calculo sujeita a incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a titulo de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive Fl. 19DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 20 a prestação de alimentos provisionais (Lei n° 9.250, de 1995, art. 4°, inciso II). § 4° Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a titulo de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei n°9.250, de 1995, art. 8°, § 3°). § 5° As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de calculo do imposto de renda na declaração anual, a titulo de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei n° 9.250, de 1995, art. 8°, § 3°)." fazendose uma interpretação sistemática dos dispositivos legais acima citados, observase que a legislação tributária admite sim a dedução na base de cálculo das pensões alimentícias pagas pelo contribuinte, contudo com certas limitações, abarcando somente os valores destinados à alimentação, educação e saúde; assim, cabe voltar a atenção para as disposições do Código Tributário Nacional; pensão alimentícia, em matéria de isenção do crédito tributário, regulase pela alínea "b" do inciso II c/c § 30 do art. 8° da Lei n° 9.250, de 1995 e pelo § 1° do art. 3° da Lei n° 7.713, de 1988, e, nos termos do art. 111 do CTN, só comportam interpretação literal (cita doutrina de Leandro Paulsen); assim, se o CTN determina a interpretação literal das normas tributárias relativas à isenção do crédito tributário, o aplicador da lei não pode, a contrário senso, valese da interpretação sistemática e teleológica, a fim de estender a isenção para abranger casos extralegi;. requer o contribuinte a dedução de determinados valores pagos a título de pensão alimentícia, da base de cálculo do IR devido, dentre eles os pagamentos referentes a contas de energia elétrica, água e gás, a taxas de condomínio, de IPTU e demais impostos e taxas incidentes sobre o imóvel residencial dos filhos beneficiários da pensão; questionamse as despesas arroladas pelo contribuinte, tidas como referente a moradia, isso porque as referidas despesas não integram a pensão como um valor único, encontrandose destacadas da mesma; a respeito das despesas destacadas, a legislação tributária apenas autoriza a dedução daquelas que digam respeito à alimentação, educação e saúde; confira, neste teor, o que dispõe a pergunta de n° 333, do material intitulado "Perguntas e Respostas" publicado pela Receita Federal: "333 — Sao dedutíveis os pagamentos estipulados em sentença judicial que excedam a pensão alimentícia? Somente é dedutível o valor pago como pensão alimentícia. As quantias pagas decorrentes de sentença judicial para cobertura de despesas médicas e com instrução, destacadas da pensão, são dedutíveis sob a forma de despesas médicas e despesas com instrução dos alimentandos, desde que obedecidos os requisitos e limites legais. Fl. 20DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.011101/200474 Acórdão n.º 9202002.927 CSRFT2 Fl. 782 21 Os demais valores estipulados na sentença, tais como alugueis, condomínio, transporte, previdência privada, não são dedutíveis. (Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8°, § 3°; Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), art. 78, §§ 4° e 50; Instrução Normativa SRF n° 15, de 6 de fevereiro de 2001, art. 50, § 2°)" (grifos acrescidos) observase que a interpretação adotada pelo recorrente é por demais extensiva e desconsidera os dispositivos legais acima mencionados; ora, parece claro que a pensão alimentícia é sim dedutível, porém, a partir do momento em que se destacam determinadas despesas, ainda que por determinação judicial, cada uma delas deverá ser analisada individualmente, para fins de dedução na base de cálculo do Imposto de Renda; e, neste diapasão, a lei apenas admite deduções de despesas relativas à educação, saúde e alimentação, o que não é o caso presente nos autos; ademais, dada à lucidez com que foi redigido, cabe observar o entendimento veiculado no voto vencido proferido pelo Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, nos autos do processo administrativo n° 10850.000012/0031, verbis: "Com a devida vênia dos que pensam em contrário, manifesto entendimento de que somente os alimentos pagos em dinheiro podem ser deduzidos como despesa com pensão judicial. As utilidades ou pagamentos in natura, tais como, prestações de financiamento imobiliário, condomínio, água, luz, telefone e IPTU, não devem compor tal dedução, por falta de previsão legal. Da mesma forma que qualquer pai de família arca com tais despesas sem deduzilas da base de cálculo do imposto de renda, não vejo razão para que o alimentante possa usufruir deste beneficio fiscal, sem expressa disposição legal que autorize." (fl. 109) portanto, considerando que, na presente hipótese, os valores foram deduzidos a titulo de despesas com moradia (IPTU, condomínio, contas de água, energia, gás, etc.), constatase que a glosa efetuada pela fiscalização foi correta, não merecendo reparos, neste ponto. logo, por todas as razões acima expostas e por seus próprios e jurídicos fundamentos, merece ser mantido o acórdão recorrido. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado seguimento ao Recurso Especial de fls. 653/677, interposto pelo Contribuinte ou, caso contrário, que seja negado provimento ao apelo. Pede também que não sejam conhecidas as razões adicionais apresentadas as fls. 685/689, em face da ocorrência da preclusão consumativa. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 22 Voto Vencido Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial, interposto pelo Contribuinte, é tempestivo, restando perquirir acerca do cumprimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Conforme o Despacho de Admissibilidade nº 2200.012, de 25/01/2011, confirmado pelo Despacho de Reexame nº 9202.012, da mesma data (fls. 694 a 697) admitiuse à Instancia Especial a rediscussão das seguintes matérias: acréscimo patrimonial a descoberto – aproveitamento como origem, no exercício seguinte, do saldo apurado no final do exercício anterior; dedução de pensão alimentícia variável – o Recorrente aponta divergência de entendimento entre colegiados quanto à possibilidade de dedução, a título de pensão alimentícia, de valores pagos de forma variável ao alimentando, para cobrir despesas específicas. Em sede de ContraRazões, oferecidas tempestivamente, a Fazenda Nacional pede o não conhecimento do Recurso Especial. No que tange à primeira matéria, argumenta que um dos paradigmas não pode ser aceito, já que proferido pelo mesmo Colegiado que prolatou o recorrido. Quanto ao outro paradigma indicado para a primeira matéria, este vazaria tese já superada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Relativamente à segunda matéria, pede o não conhecimento das razões adicionais apresentadas, tendo em vista a preclusão consumativa, e alega que os paradigmas indicados não guardam similitude fática com o acórdão recorrido. Quanto à primeira matéria – acréscimo patrimonial a descoberto – o Contribuinte indicou como paradigmas os Acórdãos 10616.591 e 10245.616. O segundo julgado indicado efetivamente não serve como paradigma, já que proferido pela antiga Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, mesmo Colegiado que exarou o acórdão recorrido, de nº 10249.460, o que era vedado pelo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, vigente à época da interposição do apelo: “Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: (...) II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 1º No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo. § 2º Para efeito da aplicação do inciso II, entendese como outra Câmara as que integram a atual estrutura dos Conselhos de Contribuintes ou as que vierem a integrála.” Fl. 22DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.011101/200474 Acórdão n.º 9202002.927 CSRFT2 Fl. 783 23 Importante salientar que o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, manteve tal vedação, em seu artigo 67: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF.” Destarte, no presente caso, não há como admitirse como paradigma o Acórdão 10245.616. Quanto ao primeiro paradigma indicado – Acórdão 10616.591 – este efetivamente foi reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão nº 9202002.057, de 21/03/2012, assim ementado, na parte relativa à matéria ora tratada: “(...) VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SALDO DE RECURSOS DE EXERCÍCIO ANTERIOR. Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um anocalendário para o subseqüente os valores consignados na declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte. Recurso especial provido em parte.” Como a reforma do acórdão ocorreu após a interposição do Recurso Especial, ausente súmula ou determinação regimental que oriente o julgamento em sentido contrário ao do paradigma, entendo que ele deve ser considerado apto a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial. Entretanto, não se pode negar que a jurisprudência histórica da Instância Especial é efetivamente no sentido do entendimento adotado no acórdão recorrido, e não no do paradigma. Assim, conheço do recurso no que tange à primeira matéria e, no mérito, adoto os fundamentos do voto vencedor do acórdão da CSRF, que reformou o paradigma e representa a jurisprudência majoritária do CARF, da lavra do Ilustre Conselheiro Gustavo Lian Haddad: “Comprovação do Acréscimo Patrimonial Por outro lado a Procuradoria da Fazenda Nacional pleiteia em suas razões de recurso a reforma do v. acórdão que, ao analisar o levantamento fiscal de acréscimo patrimonial a descoberto, acatou como origem para o mês de janeiro de 2003 o valor de R$ 67.824,75, correspondente ao saldo existente no mês de dezembro de 2002 na apuração do acréscimo patrimonial pela autoridade fiscal. Quanto a esta questão, filiome à corrente que entende que somente podem ser considerados como saldo de recursos de um anocalendário para o subseqüente, os valores consignados na Fl. 23DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 24 declaração de rendimentos em 31 de dezembro do ano calendário respectivo e/ou comprovados pelo contribuinte. Entendo que esta comprovação é essencial para quem alega a existência desses recursos. Sem a apresentação de documentos comprobatórios não há como considerálos como recursos dos anos subseqüentes, sob pena de se “criar” patrimônio não declarado pelo próprio contribuinte. Apenas para não deixar dúvidas, esclareço que tal entendimento, a meu ver, não é contraditório com o fato de que há, de fato, um aproveitamento de “sobras” de origens de um mês para o outro dentro do mesmo anocalendário. A razão para tanto é que não há obrigação por parte do contribuinte de apresentar declaração mensal de rendimentos, pelo que seria irrazoável considerar as “sobras” como tendo sido consumidas, diante da impossibilidade do contribuinte declarálas como não gastas. Não é o que ocorre quando considerados dois anoscalendários distintos. Transcrevo a seguir ementa de acórdão do antigo Conselho de Contribuintes que adota esse entendimento: “IRPF GASTOS INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DISPONÍVEL BASE DE CÁLCULO PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL – O Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 01/01/89, será apurado, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindose, quando comprovada pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurada através de planilhamento financeiro ("fluxo de caixa"), onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês pelo contribuinte. Entretanto, por inexistir a obrigatoriedade de apresentação de declaração mensal de bens, incluindo dívidas e ônus reais, o saldo de disponibilidade pode ser aproveitado no mês subseqüente, desde que seja dentro do mesmo anobase. Assim, somente poderá ser aproveitado, no ano subseqüente, o saldo de disponibilidade que constar na declaração do imposto de renda – declaração de bens, devidamente lastreado em documentação hábil e idônea.” (Ac 10417144). Verifico, no entanto, que em sua declaração de ajuste do exercício de 2003 (fls. 50/52) o contribuinte informou como dinheiro em espécie o valor de R$ 24.240,00, sendo que tal montante não foi considerado demonstrativo de variação patrimonial de fls. 36/37. Entendo que não há razão para serem desprezados tais valores na medida em que foi o próprio contribuinte quem os declarou tempestivamente, sendo que não foi feita qualquer prova pela fiscalização da inexistência desses valores. Em verdade, o demonstrativo de variação patrimonial demonstra que o acúmulo dessa quantia era plenamente possível ao apontar, em relação ao mês de dezembro de 2002, saldo de R$67.824,75. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja considerado como Fl. 24DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.011101/200474 Acórdão n.º 9202002.927 CSRFT2 Fl. 784 25 origem no demonstrativo de variação patrimonial, para o mês de janeiro de 2003, o valor de R$ 24.240,00.” No caso do acórdão recorrido, o Contribuinte informou na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2000, como dinheiro em espécie existente em 31/12/1998, o valor de R$ 233.750 (fls. 42), que foi considerado como recursos/origens no fluxo de caixa, em janeiro de 1999 (fls. 30). Entretanto, nada foi declarado em 31/12/1999 (fls. 42), portanto não há como aproveitarse o saldo remanescente de R$ 182.334,10, apurado no fluxo de caixa em dezembro de 1999, para janeiro de 2000. Quanto à segunda matéria – glosa de pensão alimentícia – foram indicados como paradigmas no Recurso Especial os Acórdãos 10612.938 e 10423.339. Ainda dentro do prazo recursal, o Contribuinte apresentou as razões complementares ao Recurso Especial (fls. 685 a 689), que a meu ver podem ser recebidas, eis que protocoladas dentro do prazo regimental, ficando o seu conhecimento, obviamente, a depender do juízo de admissibilidade. Entretanto, no que tange ao paradigma indicado nesta oportunidade – Acórdão 10419.608 – este sequer pode ser examinado, já que extrapolado o limite de dois julgados por matéria, previsto tanto no antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (art. 15, § 2º), como no Regimento Interno do CARF (art. 67, § 4º). Destarte, serão examinados apenas os dois paradigmas indicados no Recurso Especial – Acórdãos 10612.938 e 10423.339. Antes de proceder à análise desses julgados, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, assim entendida a diversidade de interpretações conferidas à lei tributária, obviamente que em face de situações fáticas semelhantes. Assim, a divergência só resta caracterizada quando, em situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Destarte, é imprescindível a análise das situações fáticas retratadas nos acórdãos recorrido e paradigmas, a ver se efetivamente guardariam semelhança. No caso do acórdão recorrido, tratase de pensão alimentícia homologada judicialmente, composta de duas parcelas, uma fixa e outra variável. Confirase o acordo judicial às fls. 69/70: “O Primeiro Suplicante prestará aos filhos pensão mensal composta de duas parcelas, uma fixa e reajustável e a outra variável, conforme a seguir especificado: 7.1. a parcela fixa, no valor em 1° de janeiro de 1994, de. CR$ 400.000,00 (quatrocentos mil cruzeiros reais ), ou seja, Cr$ 200,000,00 (duzentos mil cruzeiros reais ) para cada filho, que será depositada ate o 5° dia do mês vincendo, na conta corrente n° 57031959 do Banco Real Agência 0440 , e será reajustada mensalmente com base na variação do IGPM índice Geral de Preços, publicado pela Fundação Getúlio Vargas, ou, na falta deste, sucessivamente, pelo IPC, publicado pela FIFE e pela UFIR diária; 7.2. a parcela variável será representada pelo pagamento integral e direto, até a data dos respectivos vencimentos, de (I) Fl. 25DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 26 todos os encargos relativos ao imóvel onde residam os filhos, compreendendo despesas ordinárias e extraordinárias de condomínio, foro, IPTU; taxas e demais tributos, contas de energia elétrica, água e gás, (II) das despesas referentes à educação dos filhos, nelas incluídas as mensalidades escolares , (III) das despesas anuais referentes a matrícula, material e fardamento escolar, (IV) das despesas de serviços odontológicos, médicos e hospitalares.” A Fiscalização aceitou como dedução toda a parte fixa e, quanto à parte variável, realocou as despesas médicas e com educação, estas nos limites estabelecidos legalmente, e glosou as demais (Auto de Infração fls. 21 a 27): “Com base no Artigo 78, e seu parágrafo 4º do Decreto nº 3000/99 – RIR/99, o contribuinte somente pode deduzir de sua base de cálculo do imposto de renda a título de pensão alimentícia o montante pago em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Por este motivo os valores correspondentes às despesas médicas e as despesas com instrução dos alimentandos foram glosadas neste Auto de Infração. Por outro lado, levandose em consideração o parágrafo 5.° do mesmo Artigo acima citado, os valores glosados acima mencionados foram deduzidos da base de cálculo do imposto neste Auto de Infração, como despesas médicas e despesas com instrução, estas últimas, observado o limite previsto no Artigo 81 e seus parágrafos 1º e 3.° do RIR199. O fiscalizado ainda deduziu como pensão alimentícia vários dispêndios efetuados, sem, no entanto, existir previsão legal, tais como: despesas com condomínio, passagens, lentes de contato, óculos, computador, livros, apostilas, inscrição em vestibular, curso de inglês, vestuário, remédios, IPTU, taxa da SPU Secretaria do Patrimônio da União. Tais valores foram também glosados no presente Auto de Infração, conforme disposto no Artigo 78 –RIR/99.” Nesse passo, o acórdão recorrido assim registra: “Em mais uma passagem, o recorrente alega que a fiscalização glosou, indevidamente, a parte variável relativa à. dedução de pensão alimentícia, afirmando, ainda, que todo montante deduzido referese ao pagamento de pensão em cumprimento à decisão judicial. Inicialmente, cabe ser observado alguns aspectos importantes para concessão da pensão alimentícia. A lei estabelece um valor a ser pago a título de pensão alimentícia, para cobrir os diversos gastos com o alimentado. O valor determinado pela lei deve ser suficiente para cobrir despesas com alimentação, vestuário, educação, etc. Assim, o juiz decide de acordo com cada caso o valor a ser pago estipulando um ‘quantum’ capaz de cobrir a necessidade do alimentado. É certo que a pensão alimentícia pode compreender despesas extras dos filhos, contudo, deve estar compreendida no montante a ser pago, ou seja, o valor pago deve ser suficiente para cobrir Fl. 26DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.011101/200474 Acórdão n.º 9202002.927 CSRFT2 Fl. 785 27 as despesas, previamente determinada pelas partes ou fixada pelo juiz. O binômio necessidadepossibilidade define os contornos do valor dos alimentos. Assim, a quantificação do valor deve levar em conta o objetivo a que se propõe, ou seja, ‘alimentos’. Destarte, a pensão alimentícia é a soma em dinheiro capaz de cobrir despesas essenciais e imprescindíveis ao alimentado. Todavia, não há como considerar uma infinidade de gastos como ‘variáveis’ (condomínio, energia, água, etc), sob pena de se transmudar a característica essencial do instituto da pensão alimentícia. Com efeito, o próprio controle dos gastos efetivamente incorridos restaria prejudicado em função da vasta gama de despesas incorridas nesta rubrica. É o que se observa no presente caso. O pagamento das ‘parcelas variáveis’ são efetuadas através de depósito bancário na conta da excônjuge, sem, contudo, estar lastreado de toda documentação probatória correspondente. Cumpre ressaltar que a lei considera despesas como condomínio, água, luz, cursos de idiomas, etc., como não dedutíveis, para fins de apuração do imposto de renda da pessoa fisica. Nessa conformidade, não há como considerar as diversas despesas pagas pelo recorrente, a título de parcelas variáveis relativas a alimentos, como dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda.” Assim, resta claro que a discussão travada no acórdão recorrido não diz respeito a pagamento de pensão em valor maior que o fixado no acordo, nem à possibilidade de dedução de despesas médicas e de instrução pelo alimentante, tampouco à forma pela qual se operacionalizou o pagamento. A controvérsia reside tãosomente à dedução, a título de pensão alimentícia, de gastos que considerouse não haver previsão legal para exclusão da base de cálculo do Imposto de Renda, a saber: “(...) condomínio, passagens, lentes de contato, óculos, computador, livros, apostilas, inscrição em vestibular, curso de inglês, vestuário, remédios, IPTU, taxa da SPU Secretaria do Patrimônio da União.” Quanto ao primeiro paradigma – Acórdão 10612.938 – este não trata absolutamente da problemática acima retratada, mas sim da possibilidade de alteração do valor inicialmente fixado no acordo judicial, tendo em vista o binômio necessidade dos alimentandos versus disponibilidade econômica do alimentante. Assim, discutese se a dedução deve estar restrita ao valor fixado inicialmente pelo Juiz, no acordo, ou se à pensão alimentícia pode ser aplicada a cláusula rebus sic stantibus, o que no caso significou o pagamento de valor superior ao fixado. Confirase a ementa, relatório e voto vencedor do paradigma: Ementa “IRPF DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS Comprovada a realização das despesas médicas efetuadas com dependente por meio de documentos hábeis e idôneos, devese restabelecer a Fl. 27DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 28 dedução efetuada na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física.” Relatório “> Quanto à pensão alimentícia, nos termos do acordo de sua separação consensual, o contribuinte é obrigado ao pagamento de um valor mínimo de Cz$ 12.000,00 a suas três filhas; >Assim, além do montante descontado em folha de pagamento, pagou diretamente a sua exesposa os valores deduzidos como pensão alimentícia; > É pacífico na doutrina cível que a decisão ou estipulação de alimentos traz ínsita a cláusula rebus sic stantibus, ou seja, estabelecese um quantum que tem como pressuposto a possibilidade/necessidade existentes no momento de sua fixação. O passar do tempo pode lhe conferir o caráter de mutabilidade em razão da natureza continuativa e periódica da obrigação, que pode se transmudar com o tempo. Daí o binômio possibilidade do alimentante e necessidade do alimentando ser passível de alteração (fl. 486); > Nada impede, portanto, que o alimentante passe a contribuir com mais recursos, independentemente da instauração de uma ação revisional para tanto, até porque, no caso do impugnante, o acordo já previa um valor mínimo para a pensão e não um valor certo; >O Código Civil, em seu art. 401, prevê a hipótese na qual a quantia fixada como alimentos pode ser alterada quando sobrevier mudança na fortuna de quem os supre; > Em 1996, o valor descontado em folha de pagamento foi o correspondente a R$ 14,99 para cada alimentada, o que significa um montante irrisório; > Acompanham a impugnação os comprovantes dos depósitos bancários, para o pagamento complementar da pensão alimentícia, e uma escritura pública de declaração, firmada pelo excônjuge do impugnante; > O acordo de separação consensual estipulou o valor mínimo de Cz$ 12.000,00 e nestes termos foi homologado pelo juiz; >A legislação garante o direito de deduzir essas despesas da base de cálculo do tributo.” Voto Vencedor “Uma vez que a Lei 9.250/95 não enunciou disposição que adota valor fixo para a dedutibilidade de valores de pensão alimentícia, é de se considerar válido o acordo judicial, que dispõe valor variável conforme a necessidade dos alimentandos e a disponibilidade econômica do alimentante, que restou comprovado, razão pela qual devese restabelecer as deduções relativas às pensões alimentícias.” (...) as argumentações do Recorrente de que o valor consignado no acordo judicial era apenas um limite mínimo da obrigação do Fl. 28DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.011101/200474 Acórdão n.º 9202002.927 CSRFT2 Fl. 786 29 alimentante, podendo os pagamentos a este título serem alargados conforme a necessidade dos alimentandos e a disponibilidade econômica do alimentante. Não atentar a este entendimento significa reduzir o direito a um único enunciado prescritivo (Lei 9.250/95), ignorando as normas jurídicas relacionadas ao direito de família, à real atualização dos valores mencionados na sentença, bem como a interpretação do que dispõe a própria decisão judicial. Ora, os valores para cada uma das três alimentadas, trazidos para a atual moeda, representam um pouco mais de R$ 15,00, enquanto por outro lado, o Recorrente demonstra arcar com o pagamento, inclusive, das despesas com estudos universitárias destas. Ademais, se considerarmos apenas o enunciado prescritivo da Lei 9.250/95, verificamos que este “autorizou a dedutibilidade de importância decorrente de cumprimento de decisão judicial e não empregou a expressão ‘fixação’ da importância em decisão judicial”. (grifei) Assim, constatase que a discussão nesse paradigma, longe de adentrar a eventuais espécies de gastos admissíveis como pensão alimentícia, como ocorreu no recorrido, trata tãosomente da possibilidade de aumento do valor pago a título de pensão, sem a necessidade de ação revisional de alimentos. Aliás, a única área de interseção entre os dois julgados é o pagamento de despesas de instrução, que está registrado no paradigma: “Ora, os valores para cada uma das três alimentadas, trazidos para a atual moeda, representam um pouco mais de R$ 15,00, enquanto por outro lado, o Recorrente demonstra arcar com o pagamento, inclusive, das despesas com estudos universitárias destas.” (grifei) Nesse passo, longe de configurarse divergência jurisprudencial, recorrido e paradigma encontramse em total sintonia, já que, no julgado guerreado, as despesas com instrução foram aceitas, apenas foram reclassificadas conforme a sua espécie, dentro dos limites legais. Destarte, esse primeiro paradigma não se presta a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, já que as situações fáticas não são similares, a saber: no acórdão recorrido, tendo o Juiz estabelecido a pensão em duas partes, uma fixa e outra variável, o que se discute é a possibilidade de dedução de determinadas espécies de despesas, inseridas na parte variável; no acórdão paradigma, o que se discute é simplesmente a possibilidade de dedução de pensão alimentícia em valor superior ao fixado pelo Juiz, no acordo, sem necessidade de ação revisional, com base no binômio necessidade do alimentando / possibilidade do alimentante. O segundo paradigma – Acórdão 10423.339 – também não trata, de forma alguma, de discussão acerca da possibilidade ou não de dedução de determinadas espécies de Fl. 29DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 30 despesas, a título de pensão alimentícia judicial. Muito pelo contrário, esse paradigma trata tão somente de discussão acerca da forma pela qual se operacionalizou o pagamento da pensão alimentícia . Confirase a ementa, relatório e voto condutor desse aresto: Ementa “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2000 DEDUÇÃO PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Acatase como dedução na Declaração de Ajuste Anual o valor relativo a pensão alimentícia decorrente de acordo homologado judicialmente, independentemente da forma como seja efetuado o respectivo pagamento. Recurso provido.” Relatório “O recurso contém as seguintes razões, em síntese: constam do processo cópias do acordo homologado judicialmente e dos recibos mensais, onde estão registrados os valores e a assinatura de quem os recebeu; a combinação relativa ao depósito bancário foi suprimida pelo ato dopagamento efetivo direto; o fato é que a beneficiária recebeu a pensão, do contrário o contribuinte estariasujeito a prisão; não há previsão legal para a comprovação do pagamento de pensão por meio de depósito bancário, o que se exige é que o pagamento seja decorrente de sentença judicial ou homologada judicialmente; o contribuinte junta declarações firmadas pela excônjuge.” Voto “Do exame das peças do processo, verificase que o contribuinte havia pleiteado, no exercício em tela, dedução a título de pensão alimentícia no valor de R$ 10.800,00, conforme acordo homologado judicialmente (fls. 05 a 08). A dedução não foi aceita pela fiscalização, sob a justificativa de que o contribuinte não comprovara os depósitos dos respectivos valores na conta corrente especificada na decisão judicial. Não obstante, tal exigência não encontra respaldo na legislação vigente, que exige apenas que a pensão seja judicial, ou decorrente de acordo homologado judicialmente.” (grifei) Ora, claro está que esse paradigma nada tem a ver com o que se discute no acórdão recorrido. Com efeito, em nenhum momento se mencionou qualquer questão acerca da dedutibilidade de determinadas espécies de despesas, a título de pensão alimentícia judicial. O que se discute nesse julgado é simplesmente se é cabível a glosa da pensão alimentícia judicial, Fl. 30DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.011101/200474 Acórdão n.º 9202002.927 CSRFT2 Fl. 787 31 quando não comprovado o pagamento por meio de depósito na conta corrente especificada no acordo. Destarte, esse segundo paradigma também não se presta a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, razão pela qual não se pode conhecer da segunda matéria suscitada – glosa de pensão alimentícia judicial. Diante do exposto, conheço parcialmente do Recurso Especial, interposto pelo Contribuinte e, na parte conhecida, negolhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 31DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 32 Voto Vencedor Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Designado Não obstante a respeitável posição defendida pela Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora) e seguida pelos Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Otacílio Dantas Cartaxo, tenho adotado entendimento diverso no que se refere ao aproveitamento de saldos positivos ao final do período, apurados pela fiscalização, para fins de análise da variação patrimonial a descoberto do contribuinte. Com relação à tributação dos acréscimos patrimoniais, o artigo 43, inciso II, do Código Tributário Nacional, preceitua que: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. (Grifei) Já o artigo 3°, § 1°, da Lei n° 7.713/88 está disposto nos seguintes termos: Art. 3°. O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei. § 1°. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Portanto, a legislação considera fato gerador do imposto sobre a renda, entre outras hipóteses, os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Conforme consta no voto vencido, a matéria que chega à apreciação deste Colegiado envolve a possibilidade ou não de se admitir a transferência do saldo de R$ 182.334,10, de dezembro de 1999 para janeiro de 2000, apurado em demonstrativo fiscal de variação patrimonial elaborado pela fiscalização. Tenho como evidente que as informações apuradas pela autoridade lançadora nos demonstrativos de variação patrimonial não podem ser aproveitadas apenas quando implicam em omissão presumida de rendimentos. Inexiste justificativa (sequer por presunção legal) que autorize o desprezo, quando da análise da equação “origens X aplicações” de recursos, de saldo positivo ao contribuinte, ainda que isso ocorra no mês de dezembro. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10380.011101/200474 Acórdão n.º 9202002.927 CSRFT2 Fl. 788 33 Não se pode presumir que o saldo, no caso de R$ 182.334,10, tenha sido consumido em dezembro de 1999. Tal valor precisa compor o quadro de evolução patrimonial do contribuinte relativo ao anocalendário 2000, como origem de recursos no mês de janeiro. Prevalece, aqui, o princípio da unicidade da prova. O trabalho da fiscalização que apura acréscimos patrimoniais a descoberto também se presta para identificar origens de recursos para o contribuinte. Nos autos do processo administrativo n° 10768.007519/200432 (acórdão n° 10615.820), a Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto fez as seguintes considerações a respeito da matéria: Dessas normas inferese, que o lançamento de ofício ocorre quando o auditor fiscal prova que as informações prestadas pelo contribuinte nas declarações de BENS e de RENDIMENTOS não correspondem a VERDADE DOS FATOS. Se a justificativa para o lançamento de ofício está na comprovação de que as declarações de bens e de rendimentos são inverídicas, não se pode aceitar que o saldo de recurso informado pelo contribuinte na declaração de bens (desclassificada pelo fisco) seja considerado como verdadeiro. Na hipótese de lançamento de ofício por acréscimo patrimonial a descoberto, as informações constantes nas declarações de bens e de rendimentos são SUBSTITUÍDAS pelo FLUXO FINANCEIRO feito pelos auditores fiscais. É o demonstrativo feito pelo auditor (fluxo patrimonial e financeiro contendo origem/recursos, despesas/aplicações) que passa a ESPELHAR a verdadeira situação financeira e patrimonial do contribuinte. Para o Fisco, o valor probatório deste demonstrativo é indiscutível, pois é nesse que o fiscal demonstra a nova base de cálculo de imposto objeto do lançamento de ofício. Esse demonstrativo, em regra, é aceito pelos órgãos julgadores de primeira e segunda instância como meio de prova do acréscimo patrimonial a descoberto. Considerandose que esses demonstrativos comprovam a verdadeira situação patrimonial e financeira do contribuinte, o saldo apurado pelo auditor fiscal é que deve ser transportado para janeiro do ano seguinte. Admitir apenas a transferência do saldo originalmente registrado pelo contribuinte, considerado pelo auditorfiscal como inverídico, é considerar parte das declarações de bens e de rendimentos elaboradas pelo contribuinte como verdadeira e outra parte como falsa. Isso significa, aceitar a hipótese absurda de que um documento possa ser metade verdadeiro e metade falso, ou seja, mais ou menos verdadeiro, ou mais ou menos inexato ou inidôneo. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 34 Das duas uma, ou as informações originalmente prestadas fazem prova a favor do contribuinte, ou contra o contribuinte. Desclassificar as informações que prejudicam a pretensão do fisco, mas são favoráveis ao contribuinte e conservar outras que são convenientes a pretensão do fisco e prejudicam o contribuinte, não parece estar de acordo com o princípio de imparcialidade que norteia o julgamento dos processos neste órgão julgador de segunda instância do Ministério da Fazenda. Considerando que o ônus probatório é de quem alega, para que o saldo de recursos no mês de dezembro, devidamente apurado no fluxo patrimonial e financeiro, deixe de ser transportado para janeiro do ano seguinte, cabe ao auditor fiscal a prova de que foi consumido. Assim sendo, voto por admitir a transferência do valor de R$ 717.880,20, apurado pelo auditor fiscal como saldo em 31/12/2001, para janeiro de 2002. A ementa do referido julgado, na parte que interessa a este julgamento, é a seguinte: SALDO DE RECURSOS. TRANSFERÊNCIA PARA JANEIRO Admitese a transferência do saldo de recursos, relativo a dezembro do anocalendário, para janeiro do ano seguinte, desde que devidamente apurado em fluxo financeiro e patrimonial elaborado pelo auditorfiscal. Considero irretocáveis e concordo inteiramente com tais ponderações. Com esses fundamentos, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada neste aspecto, pois a pretensão do sujeito passivo merece acolhida. Diante do exposto, quanto à parte conhecida do recurso especial interposto pelo contribuinte, voto no sentido de darlhe provimento para admitir como origem de recursos o valor de R$ 182.334,10, em 01/01/2000. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assin ado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10920.004173/2010-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2005
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.908
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em não conhecer do recurso voluntário, pela intempestividade, na forma do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi, que entenderam por conhecer o recurso voluntário, de ofício. A conselheira Bianca Delgado Pinheiro entendeu pela nulidade do lançamento e o conselheiro André Luís Mársico Lombardi votou pela conversão do julgamento em diligência.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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decisao_txt : Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em não conhecer do recurso voluntário, pela intempestividade, na forma do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi, que entenderam por conhecer o recurso voluntário, de ofício. A conselheira Bianca Delgado Pinheiro entendeu pela nulidade do lançamento e o conselheiro André Luís Mársico Lombardi votou pela conversão do julgamento em diligência. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2041; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 102 1 101 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.004173/201059 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.908 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2014 Matéria Remuneração de Segurados: Parcelas em Folha de Pagamento Recorrente RIBEIRO E RIBEIRO MANUTENÇÃO E CONSERVAÇÃO DE VIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2005 RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em não conhecer do recurso voluntário, pela intempestividade, na forma do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi, que entenderam por conhecer o recurso voluntário, de ofício. A conselheira Bianca Delgado Pinheiro entendeu pela nulidade do lançamento e o conselheiro André Luís Mársico Lombardi votou pela conversão do julgamento em diligência. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 41 73 /2 01 0- 59 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal foi lavrado em 27/10/2010 e cientificado ao sujeito passivo acima identificado em 29/10/2010, referindose às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, apuradas através das folhas de pagamento e informações prestadas pela autuada em GFIP, nas competências de 09/2004 a 12/2005. De acordo com o relatório fiscal de fls. 11/14, este lançamento substituiu o de número DEBCAD 37.154.4777, lavrado em 20/11/2008, anulado por erro na identificação do sujeito passivo. Após impugnação, Acórdão de fls. 64/70, julgou o lançamento procedente em parte para excluir do mesmo as competências de 09/2004 a 09/2005, já que homologadas tacitamente, porque o vício que maculou o primitivo lançamento foi de natureza material. O contribuinte foi cientificado do Acórdão proferido através de correspondência enviada por Registro Postal, mas que foi devolvida com a indicação de que o contribuinte não mais se encontrava no endereço constante do cadastro da Receita Federal do Brasil. Desta forma, foi providenciada a ciência do autuado através da afixação de Edital, o que ocorreu na data de 30/07/2012, sendo desafixado em 29/08/2012. O contribuinte apresentou recurso voluntário, em 11/10/2012, argüindo em síntese: a) a irregularidade na intimação por edital; b) a ilegitimidade passiva e c) a inaplicabilidade da penalidade. Requer o cancelamento do auto de infração; efetuar sustentação oral e protesta pela produção de provas. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.004173/201059 Acórdão n.º 2302002.908 S2C3T2 Fl. 103 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. O sujeito passivo foi cientificado do Acórdão de fls. 64/70, através de Edital afixado em 30/07/2012 e desafixado em 29/08/2012, fls. 89, nos termos do artigo 23, §1º, inciso II , do Dec reto 70.235/72 Considerase recebida a intimação fiscal quinze dias após a afixação do Edital, nos termos do art. 22, §2º, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. Assim, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 14/08/212, fruindo até 13/09/2012. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 11/10/2012, conforme documento de fls. 90, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Pelo exposto, considerando que a recorrente não argúi a tempestividade, na peça recursal e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10855.902905/2009-65
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1802-002.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Marco Antonio Nunes Castilho.
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Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo com base no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/2009 e alterações posteriores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 29 05 /2 00 9- 65 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 O acórdão embargado, nº 1802001.779, de 06/08/2013, foi cientificado à empresa em 17/09/2013 (abertura de documento eletrônico), e, os embargos foram juntados em 23/09/2013, segunda feira. A embargante alega que o voto condutor no acórdão embargado existe obscuridade e contradição a ser sanada. Diz que é obscuro o acórdão embargado, “quando alega não se tratar de uma revisão da base de cálculo tributável, mas sim uma análise do crédito decorrente do saldo negativo, mas não esclarece como essa análise deve ser realizada e quais seus limites”. E também contraditório, “pois ao mesmo tempo que alega não se tratar de uma revisão da base de cálculo, declara ser um dever do fisco a análise do crédito desde a sua origem, ou seja, alega que a revisão da base de cálculo é seu dever.” Finalmente requer seja dado provimento aos embargos de declaração. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Os Embargos de declaração foram apresentados em 23/09/2013, no prazo regulamentar, portanto, tempestivos. Deles conheço. Conforme relatado, a Embargante alega que no voto condutor do acórdão embargado existe obscuridade e contradição a ser sanada. Diz que é obscuro o acórdão embargado, “quando alega não se tratar de uma revisão da base de cálculo tributável, mas sim uma análise do crédito decorrente do saldo negativo, mas não esclarece como essa análise deve ser realizada e quais seus limites”. E também contraditório, “pois ao mesmo tempo que alega não se tratar de uma revisão da base de cálculo, declara ser um dever do fisco a análise do crédito desde a sua origem, ou seja, alega que a revisão da base de cálculo é seu dever.” Como se vê, a Embargante faz um imbróglio ao confundir a falta de revisão de base de cálculo com a análise do crédito tributário pleiteado no PERDCOMP. Ora, havendo a pessoa jurídica adotado a tributação com base no lucro real esta é a base de cálculo do IRPJ, portanto, base de cálculo tributável do IRPJ. A afirmação dada no acórdão embargado é que para a conclusão da análise do crédito pleiteado no PER/DCOMP não houve revisão/alteração da base de cálculo/lucro real declarada na DIPJ/2004. Ao ser explicado que não houve revisão de base de cálculo é porque não houve qualquer procedimento, como por exemplo glosa de despesa, tendente a alterar a base de cálculo tributável declarada na DIPJ/2004, como expresso do seguinte modo: ... Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.902905/200965 Acórdão n.º 1802002.007 S1TE02 Fl. 3 3 Vale exalçar, que não se trata de revisão da base de cálculo tributável (lucro real) declarada na DIPJ/2004, e, sim, da análise de crédito decorrente do saldo negativo do IRPJ de 2003, por suposto pagamento a maior, a apuração do IRPJ devido, em que o contribuinte requer após a compensação com débitos de sua responsabilidade. ... GRIFEI O outro trecho mencionado nos embargos como havendo contradição é o seguinte: Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Como cediço, a base de cálculo é um dos aspectos quantificativos do fato gerador. Sobre a base de cálculo é aplicada a alíquota fixada em lei e por conseqüência apurado o IRPJ devido. O que se verificou especificamente nos autos do processo foi se de fato houve o pagamento a maior ou indevido do IRPJ, relativo ao ano calendário de 2003, pleiteado pelo interessado, a ser analisado desde a apuração do tributo suas deduções e pagamentos efetuados e finalmente constatar a legitimidade do indébito a ser restituído. O que significa analisar o crédito pleiteado sem limites, ou seja, em sua plenitude para se ter a liquidez e certeza na solução do litígio, o que não implica dizer que houve alteração da base de cálculo ou alíquota. Pretendia a Embargante, por meio do PERDCOMP, aproveitar o imposto retido na fonte de terceira pessoa jurídica beneficiária de rendimentos pagos pela recorrente, o que significa por essa via transversa, a dedução do IRRF de terceiro do IRPJ devido pelo Recorrente, para a formação de suposto saldo negativo de IRPJ, e, desse modo efetuar compensação de seus débitos com créditos de terceiros, procedimento expressamente vedado pela legislação vigente. Ao se analisar a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, tornouse necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer se houve pagamento a maior. Repetese: É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação. E nessa toada, constatou que o crédito pleiteado tem origem em IRRF de terceiro que a Embargante pretendia a sua dedução do IRPJ devido no ano calendário de 2003 para a formação de crédito tributário a ser compensado com débitos seus. Sendo a pretensão afastada conforme se decidiu no acórdão embargado Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Este é o entendimento expressamente concluído no acórdão embargado, sem qualquer obscuridade ou contradição. Nos termos do art. 65 do RICARF, com a redação dada pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, não se prestando o instrumento processual (embargos de declaração) para instigar à nova apreciação e julgamento. Com as considerações acima, entendo não estar presente no acórdão embargado qualquer das situações previstas no mencionado dispositivo regimental (obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos), razão pela qual voto no sentido de que sejam REJEITADOS os embargos de declaração. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 14485.000279/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2006
GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.
Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos da multa aplicada os valores relativos à nota fiscal em duplicidade e, ao final, a multa remanescente seja comparada com a prevista no artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2006 GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2116; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 124 1 123 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14485.000279/200804 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.857 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2013 Matéria SALÁRIO INDIRETO: PROGRAMA DE INCENTIVO Recorrente AEROCARTA S/A ENGENHARIA DE AEROLEVANTAMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2006 GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos da multa aplicada os valores relativos à nota fiscal em duplicidade e, ao final, a multa remanescente seja comparada com a prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 02 79 /2 00 8- 04 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Seguem transcrições da decisão recorrida: AUTO DE INFRAÇÃO GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração a lei. DECADÊNCIA PARCIAL. Obrigações acessórias previdenciárias decaem no prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, pois, não há que se falar em lançamento por homologação e conseqüente antecipação de pagamento para as mesmas. ATOS ADMINISTRATIVOS. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração. Outra conseqüência da presunção de legitimidade é a transferência do ônus da prova de invalidade do ato administrativo para quem a invoca. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. ALTERAÇÃO NOS CÁLCULOS E LIMITES DA MULTA. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, " c " , do CTN). NÃO HAVENDO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, A NORMA MAIS BENÉFICA APLICÁVEL É O ART. 35A DA LEI N° 8.212/91. No caso de omissão em GFIP de fatos geradores para os quais não houve recolhimento da respectiva contribuição previdenciária, não é aplicável o art. 32A da Lei n.° 8.212/91 acrescentado pela MP n.° 449/08, convertida na Lei n.° Fl. 125DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.000279/200804 Acórdão n.º 2402003.857 S2C4T2 Fl. 125 3 11.941/09, mas o art. 35A da mesma Lei também introduzido pelas citadas MP e Lei. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 05/06), a autuada deixou de incluir em GFIP os valores de remunerações constantes de Notas Fiscais referentes a prêmio ou incentivo, concedidos aos segurados empregados, por meio dos cartões de premiação, denominados "SIM CLUB"e "EXCHANGE CARD", fornecidos pela empresa SIM Incentive Marketing s/C Ltda e Expertise Comunicação Total S/C como resultado de Campanha de Incentivos. Os valores foram apurados das Notas Fiscais/Faturas emitidas pelas empresas mencionadas. Tais valores não foram considerados pela autuada como integrantes do salário de contribuição. A autuada teve ciência do lançamento em 09/05/2007 e apresentou defesa (fls. 62/64) onde alega que a GFIP é uma obrigação complementar de uma obrigação principal que é a remuneração dos empregados e, tal feito somente pode existir quando a obrigação principal existir. Argumenta que a Autoridade Fiscal no curso de sua fiscalização extrapolou sua competência e por PRESUNÇÃO caracterizou e autuou a empresa em relação às Notas Fiscais/Faturas das empresas: SIM Incentive e Marketing S/C ltda e Expertise Comunicação Total S/C Ltda, como salário aos empregados da empresa, não possuindo nenhum documento de que tal relação existisse. Como este auto trata de multa por descumprimento de uma obrigação acessória, vinculada diretamente à obrigação principal correspondente à NFLD DEBCAD n° 37.012.7021, que esta sendo discutida, fezse necessário o sobrestamento da presente autuação até o final da discussão. Pelo Acórdão nº 1623.718 (fls. 68/83) a 13ª Turma da DRJ/São Paulo I considerou o lançamento procedente em parte para reconhecer a decadência até a competência 11/2001. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 88/90), onde repete as alegações de defesa. O Processo principal nº 18186.000104/200733 foi convertido em diligência pela Primeira Turma da Terceira Câmara desta Segunda Seção. Assim, para se evitarem decisões conflitantes, este processo de obrigação acessória conexa também seguiu a mesma tramitação. Como resultado da diligência, foi trazida a seguinte informação: O julgamento foi convertido em diligência, para que fosse revista suposto lançamento de nota em duplicidade. Em procedimento de análise, a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo — DEFIS/SP, verificou a existência de lançamento em duplicidade, pelo que determinou a exclusão da Nota Fiscal no valor de R$9.149,00, mantendo, portanto, a Nota Fiscal no valor de R$ 9.152,50. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 No julgamento do recurso voluntário relativo ao processo principal foi proferido o acórdão nº 2301003.525: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a Nota Fiscal citada no resultado da diligência fiscal, nos termos do voto do Relator; b) negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). ... Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir a Nota Fiscal no valor de R$ 9.149,00, mantendo, portanto, a Nota Fiscal no valor de R$ 9.152,50 e, se mais benéfico à recorrente, aplicar a multa prevista no artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, com a redação conferida pela Lei nº 11.941/09. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.000279/200804 Acórdão n.º 2402003.857 S2C4T2 Fl. 126 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade dos recursos, passo ao exame. Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Portanto, rejeitamse as preliminares suscitadas. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.000279/200804 Acórdão n.º 2402003.857 S2C4T2 Fl. 127 7 No mérito Como já exposto, tratase de processo de obrigação acessória conexo com o processo principal nº 18186.000104/200733. Assim, no mérito e com relação aos fatos geradores, devem ser reproduzidas aqui as conclusões que nele se chegou através do acórdão nº 2301003.525: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a Nota Fiscal citada no resultado da diligência fiscal, nos termos do voto do Relator; b) negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). ... Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir a Nota Fiscal no valor de R$ 9.149,00, mantendo, portanto, a Nota Fiscal no valor de R$ 9.152,50 e, se mais benéfico à recorrente, aplicar a multa prevista no artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, com a redação conferida pela Lei nº 11.941/09. Melhor dizendo, deve ser excluída da autuação a parte da multa correspondente à nota fiscal a que se refere o resultado da diligência, considerada pela fiscalização em duplicidade. Multa aplicada É direito da recorrente a retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao seu exame, sobretudo para explicar porque não deve ser aplicada ao caso a regra no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Seguem transcrições: Art.26. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: ... Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e Fl. 130DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.000279/200804 Acórdão n.º 2402003.857 S2C4T2 Fl. 128 9 c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparandose com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Ao declarado e não pago é aplicada apenas multa de mora. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa aplicável? Somente a prevista no artigo 32A. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de agravamento) sobre a diferença de R$ 20.000,00 e, independentemente disso, a multa do artigo 32A em relação ao Fl. 132DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 valor não declarado. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a declaração constituiria o crédito tributário por confissão; portanto, sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as Fl. 133DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.000279/200804 Acórdão n.º 2402003.857 S2C4T2 Fl. 129 11 demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à Lei n° 11.941, de 27/05/2009 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a Fl. 135DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.000279/200804 Acórdão n.º 2402003.857 S2C4T2 Fl. 130 13 NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui Fl. 136DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32 A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.000279/200804 Acórdão n.º 2402003.857 S2C4T2 Fl. 131 15 Por tudo, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos da multa aplicada os valores relativos à nota fiscal em duplicidade e, ao final, a multa remanescente deve ser comparada com a prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 138DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10875.723006/2011-84
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS, APURAÇÃO PRECISA DOS ASPECTOS MATERIAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR E CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA.
A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito.
O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal.
Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF.
As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo.
A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição.
MULTA PECUNIÁRIA (LEI Nº 10.426/2002, ART. 7º). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA DISPOSIÇÃO LEGAL COMINATÓRIA DA PENALIDADE APLICADA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1802-001.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS, APURAÇÃO PRECISA DOS ASPECTOS MATERIAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR E CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 30 06 /2 01 1- 84 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.723006/201184 Acórdão n.º 1802001.946 S1TE02 Fl. 98 2 autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. MULTA PECUNIÁRIA (LEI Nº 10.426/2002, ART. 7º). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA DISPOSIÇÃO LEGAL COMINATÓRIA DA PENALIDADE APLICADA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.723006/201184 Acórdão n.º 1802001.946 S1TE02 Fl. 99 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 50/66 contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/Campinas (fls.38/43) que julgou improcedente a impugnação da Notificação de Lançamento – multa por atraso na entrega da DCTF do PA novembro/2010 , mantendo a exigência do crédito tributário lançado de ofício. Quanto aos fatos: consta da Notificação de Lançamento (fls. 31/32) que a contribuinte, em 29/08/2011, entregou ao fisco a DCTF do PA novembro/2010, com atraso de 08 (oito) meses. Ou seja: a) prazo limite para entrega tempestiva da DCTF: 21/01/2011; b) data de entrega: 29/08/2011. montante dos tributos/contribuições informados na DCTF: R$ 107.688,64; multa aplicada por entrega da DCTF em atraso: 2% ao mês calendário/fração, incidente sobre o montante de tributos/contribuições informados na DCTF; cálculo da multa: 16% x R$ 107.688,64 = R$ 17.230,18; redução da multa em 50% (entrega voluntária e a destempo da DCTF) = R$ 17.230,18 x 50% = R$ 8.615,09 (multa a pagar). Descrição dos fatos: A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais fora do prazo fixado enseja a aplicação de multa correspondente a 2% (dois por cento) sobre o montante de tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) (...) A multa aplicada foi reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração(...) Fundamentação Legal: Art. 7º da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. (...) A contribuinte tomou ciência, eletronicamente, da Noticação de Lançamente em 13/09/2011 – AR eletrônico (fl. 34), e apresentou impugnação ao lançamento fiscal em 07/10/2011 (fls.02/13), cujas razões, em síntese, são as seguintes: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.723006/201184 Acórdão n.º 1802001.946 S1TE02 Fl. 100 4 que o lançamento fiscal deve obedecer requisitos obrigatórios do ato administrativo sob pena de nulidade; que o lançamento objeto dos autos está eivado de vícios (ilegalidades substanciais) que o tornam nulo.Vale dizer: que o art. 7º da Lei 10.426/2002, o qual comina penalidade pecuniária pela entrega intempestiva de DCTF, fere princípio constitucional, por estabelecer e autorizar a aplicação de multa desproporcional, confiscatória; que é vedado o uso de tributo com efeito de confisco; que a limitação de tributar também estendese às multas por descumprimento de obrigação tributária, ainda que a multa não tenha natureza de tributo; que a multa fixada pela citada lei é excessiva, suficiente para inviabilizar a vida financeira da empresa punida; que, nesse sentido, invoca fato analógico (sic) do RIPI 2002 (Regulamento revogado pelo Decreto nº 7.212/2010): a) que o art. 16 da Lei nº 9.779/99 autorizou a RFB a criar, instituir obrigações acessórias por ato infralegal, o qual é matriz legal do art. 212 do RIPI 2002; que, por outro lado, a instituição de penalidade é matéria privativa de lei; b) que no RIPI 2002 o art. 212 seria genérico e o art. 368 seria específico para a DCTF; que, por conseguinte, a penalidade aplicável para entrega intempestiva de DCTF seria do art. 507 do RIPI, ou seja, R$ 31,65 e não o art. 506 do RIPI 2002 (art. 7º da Lei nº 10.426/202, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004); c) que o dispositivo específico prevalece em relação ao genérico. que, no caso, houve aplicação equivocada do art. 7º da Lei 10.426/2002; que o lançamento seja declarado nulo por ferir princípios básicos do ato administrativo, devendo, no mínimo, ser retificado; que é pacífica a jurisprudência do STF pela anulação ou redução de multa com feição confiscatória (citou alguns precedentes envolvendo multas no âmbito da legislação tributária dos Estadosmembros, multa moratória e ICMS). que a Administração Pública deverá observar a jurisprudência pacífica do STF sobre interpretação de texto constitucional, quanto à aplicação de multas pecuniárias. Por fim, a contribuinte, com base nessas razões, pediu a declaração de nulidade do lançamento fiscal, pois lastreado em norma flagrantemente confiscatória e inconstitucional. A DRJ/Campinas, à luz dos fatos e da legislação tributária de regência, julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme Acórdão de 27/03/2012 (fls.38/43), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2010 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.723006/201184 Acórdão n.º 1802001.946 S1TE02 Fl. 101 5 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco previsto na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 16/04/2012 – segundafeira (fls. 47/48), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16/05/2012 – quartafeira (fls. 50/66), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) Preliminar de nulidade do lançamento fiscal: que o fisco imputou 08 (oito) meses de atraso na entrega da DCTF e 16% de multa; que, na realidade, o referido atraso foi de 07 meses e 09 dias, posto que a entrega da DCTF deveria ter ocorrido em 21/01/2011, mas somente se efetivou em 29/08/2011; que, nesse sentido, a Lei n° 10.426/2002 (art. 7o, II) estabelece 2% (dois por cento) de multa AO MÊS OU FRAÇÃO sobre o montante de tributos informados na DCTF, ou seja, que se deve aplicar a fração quando for o caso; que o fisco deveria, na situação dos autos, ter apurado e imputado atraso de 07 meses completos e 09 (nove) dias, e não 08 (oito) meses calendário/fração; que, em face dessse vício do lançamento, a defesa da autuada restou prejudicada. Por conseguinte, a contribuinte pediu que seja reconhecida a nulidade do lançamento. 2) – Mérito: que a penalidade pecuniária aplicada, cominada pelo art. 7º da Lei nº 10.426/2002, não merece prosperar; que citado dispositivo legal viola, afronta a Constituição Federal, pois comina e autoriza a aplicação de multa desproporcional, confiscatória, não observando o princípio da capacidade contributiva; que, no caso, seria hipótese de aplicação da multa de R$ 31,65 (RIPI/2002, art. 368 c/c art. 507) e não da multa do art. 7º da Lei nº 10.426/2002 (art. 506), com redação Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.723006/201184 Acórdão n.º 1802001.946 S1TE02 Fl. 102 6 dada pelo art. 19 da Lei 11.051/2004; que deve prevalecer a norma especial em relação à norma geral; que é pacífica a jurisprudência do STJ pela anulação ou redução da multa de feição confiscatória (citou alguns precentes envolvendo multas no âmbito da legislação tributária dos Estadosmembros). que a Administração Tributária deverá observar a jurisprudência pacífica do STF sobre interpretação de texto constitucional, quanto a aplicação de multas. que, na hipótese improvável de suas teses não seram acatadas (nulidade do lançamento por multa confiscatória, erro na apuração do seu valor ou retificação do lançamento para exigência da multa de R$ 31,65), ainda assim a recorrente alega que o lançamento não merece prosperar em face de sua conduta de boafé, devendo ser aplicados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade para redução da penalidade para o patamar mínimo de 2% sobre o montante de tributos declarados na DCTF, e não 2% por mês calendário ou fração. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.723006/201184 Acórdão n.º 1802001.946 S1TE02 Fl. 103 7 Voto O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. O litígio versa acerca da exigência de multa pecunária por atraso na entrega de DCTF, ou seja, pela inobservância do prazo no cumprimento de obrigação acessória autônoma de que trata a IN RFB nº 974, de 27/11/2009 (art. 5º), que dispõe: Art. 5ºAs pessoas jurídicas devem apresentar a DCTF até o 15º (décimo quinto) dia útil do 2º(segundo) mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. (...) Está narrado na Notificação de Lançamento (fls. 31/32), conforme já exposto no relatório, que o prazo limite para entrega tempestiva da DCTF do PA novembro/2010 era 21/01/2011. Entretanto, a recorrente cumpriu essa obrigação acessória tãosomente em 29/08/2011. O cumprimento da obrigação acessória, por conseguinte, deuse 08 (oito) meses calendário ou fração, após expirado o prazo tempestivo. Foi aplicada multa de 16% sobre o montante dos tributos/contribuições informados na respectiva DCTF (multa de atraso de 2% por mês calendário ou fração, limitada ao montante de 20%), com redução de 50% do seu valor por cumprimento espontâneo da obrigação acessória, conforme demonstrativo de cálculo já transcrito no relatório. ENTREGA INTEMPESTIVA DE DCTF. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO DE MULTA PECUNIÁRIA. ERRO NA APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO E ERRO NA APURAÇÃO DO VALOR DA MULTA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. A recorrente, preliminarmente, suscitou nulidade da notificação de lançamento – multa por apresentação intempestiva da DCTF do PA novembro/2010, por vício na aplicação da legislação e na apuração do valor da penalidade, gerando prejuízo para sua defesa. De plano, rejeito a preliminar de nulidade suscitada, pois a notificação do lançamento da multa por descumprimento de prazo da obrigação acessória autônoma (apresentação intempestiva da DCTF) contém adequada descrição dos fatos, apuração precisa e perfeita dos fatos, do valor da multa e pertinente enquadramento legal, possibilitando amplo e pleno entendimento da infração imputada, não se justificando a alegação de prejuízo à defesa, pois não restou caracterizado o alegado vício de cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório. Primeiro, o auto de infração foi lavrado por AuditorFiscal competente, apresenta descrição completa dos fatos, matéria tributável, demonstrativo preciso e exato de Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.723006/201184 Acórdão n.º 1802001.946 S1TE02 Fl. 104 8 apuração da multa aplicada e pertinente enquadramento legal, tudo em consoância com o art. 10, III e IV do Decreto nº 70.235/72 e com o art. 142 do CTN. Com relação ao fundamento legal da multa, percentual da multa e apuração do respectivo valor, tudo está em consonância com a legislação de regência vigente na data da infração, ou seja, o art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei 11.051/2004. No entanto, a recorrente, ainda, apresentou tese contra o lançamento da multa de 2% ao mês calendário ou fração de mês calendário, invocando o RIPI/2002, o qual trata da obrigatoriedade de apresentação da DCTF pelos contribuintes do IPI, argumentando que o citado Regulamento estaria possibilitando, no caso, a aplicação da multa fixa de R$ 31,65, e não a multa do art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002; que, então, houve: a) equívoco na aplicação da lei que impõe penalidade, pois, em vez do fisco aplicar legislação específica para entrega em atraso da DCTF, norma mais favorável em termos de penalidade, houve, diversamente, aplicação de legislação cominando multa mais pesada, confiscatória e, além disso, teria ocorrido erro na apuração do valor da multa aplicada. b) que o atraso, na entrega, seria de apenas 07 meses e 09 dias. Não tem respaldo jurídico a argumentação da contribuinte. O RIPI 2002 foi revogado pelo RIPI 2010 (Decreto nº 7.212, de 15/06/2010). Não obstante, o art. 507 do RIPI 2002 tratava de multa de R$ 31,65 a cada falta de apresentação da declaração perídica do IPI (fundamento legal: DecretoLei nº 1.680, de 28/03/1979, art. 4º e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Já, o art. 506 do RIPI 2002 (art. 7º da Lei nº 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004) tratava da entrega intempestiva da DCTF. Essas multas permanecem em vigor no RIPI 2010, respectivamente nos arts. 594 e 593. Vale dizer, a multa de R$ 31,65 (art. 507/RIPI 2002 ou art.594/RIPI 2010) não se aplica ao caso objeto dos autos, pois tratase de multa aplicável a cada falta de apresentação da declaração periódica do IPI. No caso, a multa aplicada referese à entrega da DCTF em atraso, ou seja, 2% (dois por cento) sobre os tributos e contribuições informados na DCTF por mês calendário ou fração de mês calendário. Como demonstrado, diversamente da tese suscitada pela recorrente, não restou caracterizada a alegada violação de principíos, pois as obrigações acessórias são diversas para cada dispositivo legal suscitado do RIPI, um trata de falta de declaração do IPI e, outro, trata de entrega intempestiva de DCTF. Destarte, houve correta aplicação do art. 7º, II, da Lei 10.426/2002, com redação pelo art. 19 da Lei 11.051/2004, que, de forma expressa, literal, impõe multa de 2% ao mês calendário ou fração de mês calendário, para entrega intempestiva de DCTF. O texto do dispositivo legal é de aplicação direta, sentido literal, devido sua clareza, não comportando elucubração ou tese interpretativa. Cabendo lembrar, no caso, o brocardo latino in claris cessat interpretatio. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.723006/201184 Acórdão n.º 1802001.946 S1TE02 Fl. 105 9 A propósito, transcrevo o disposto no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2003, com redação do art. 19 da Lei 11.051/2004, in verbis: Art. 7oO sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I (...) II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III – (...) (Grifei) No caso, o fisco apurou atraso na entrega da DCTF de 08 meses calendário ou fração de anocalendário, conforme consta demonstrado na Notificação de Lançamento Fiscal. O cálculo da multa efetuado pelo fisco está correto, conforme demonstrado no relatório, pois, diversamente do alegado pela recorrente de que o mês seria o período sucessivo de 30 (trinta) dias completos a partir do termo final para entrega tempestiva da DCTF), a lei estabeleceu outro critério de contagem de prazo para aplicação da multa, qual seja: a contagem do prazo por mês calendário ou fração de mês calendário, a partir do termo final para entrega tempestiva dessa declaração. Assim, pela aplicação do texto legal, para efeito de apuração e aplicação da multa são, sim, 08 (oito) meses calendário ou fração de atraso na entrega da DCTF do PA novembro/2010. Portanto, não há ajuste ou reparo a fazer no valor da multa aplicada. Ademais, diversamente do alegado pela recorrente, apenas a falta de descrição dos fatos e a falta de enquadramentio legal da infração imputada têm o condão de nulificar o lançamento fiscal, que não é caso, pois a notificação de lançamento contém correta descrição dos fatos, preciso ou exato valor apurado da multa, e respectivo enquadramento legal. Se houvesse erro na apuração do valor da multa, que não é ocaso, poderia o julgador de ofício ou por provocação da contribuinte corrigir o lançamento sem prejuízo de sua validade, pois a questão seria de mérito, e não para apreciação em sede de preliminar. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.723006/201184 Acórdão n.º 1802001.946 S1TE02 Fl. 106 10 A jurisprudência do CARF é pacífica quanto à validade do lançamento fiscal que tem adequada descrição dos fatos e enquadramento legal. Nesse sentido, transcrevo ementas de precedentes jurisprundencais deste Egrégio Conselho Administrativo, in verbis: NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA – O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 10806.208, sessão de 17/08/2000). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável.(Acórdão nº 10417.253, sessão de 10/11/99). AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.723006/201184 Acórdão n.º 1802001.946 S1TE02 Fl. 107 11 direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 10248.141, sessão de 25/01/2007). Nesse sentido, também é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Portanto, ante a inexistência de vício no lançamento fiscal, rejeito a preliminar suscitada. INSTITUIÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPLEMENTAÇÃO DA DCTF. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO DE ENTREGA. APLICAÇÃO DE MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A recorrente alegou que o art. 7º, II, da Lei 10.426/2002, com redação do art. 19 da Lei 10.051/2004, comina multa desproprocional, confiscatória, por entrega em atraso de DCTF e, portanto, essa legislação seria inconstitucional, por violação do princípio do não confisco. Primeiro, a instuição de obrigações acessórias (prestações positivas ou negativas), no interesse da Administração Tributária, estão autorizadas por lei (sentido amplo) e implementadas em documento específico por normas infralegais, ou seja, por normas complementares (normas infralegais), em obediência aos arts. 96, 97 e 100 do CTN. No caso da DCTF (declaração de débitos e créditos federais), essa obrigação acessória autônoma foi implementada pela Instrução Normativa SRF nº 129/86, com fulcro no art. 5º do DL 2.124/84 e no art. 16 da Lei 9.779/99, sendo atualizada, a partir daí, periodicamente. A propósito, transcrevo o disposto no art. 5º do Decreto nº 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º (...) § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa (...) No mesmo sentido, dispõe o art. 16 da Lei nº 9.779/99: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.723006/201184 Acórdão n.º 1802001.946 S1TE02 Fl. 108 12 Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A dispensa de lei em sentido estrito para implementação de obrigação acessória (v. g., DCTF) é matéria pacífica no âmbito do Poder Judiciário. A propósito, transcrevo precedentes jurisprudenciais: 1) TRF/3ª Região, 6ª Turma, sessão de 04/07/2007, processo (AMS 16487 SP 2002.03.99.0164877), in verbis: (...) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CRIAÇÃO DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. A DCTF veio regulamentar a arrecadação e a fiscalização de tributos federais, tratandose, a bem da verdade, de mero procedimento administrativo, suscetível de criação por norma complementar, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da reserva legal em vistas a indelegabilidade da competência tributária. 2. (...) 3.(..). 4. O atraso na entrega da declaração de renda de pessoa física ou jurídica é infração de natureza nãotributária, em razão do descumprimento de uma obrigação acessória autônoma necessária ao exercício da atividade administrativa de fiscalização do tributo, não lhe sendo aplicável, portanto, a regra prevista no art. 138, do CTN. 5. Apelação e remessa oficial providas. Recurso adesivo improvido. (...) 2) – TRF/4ª Região, 1ª Turma, sessão de 23/06/2010, processo (AC 11264 PR 2004.70.01.0112645), in verbis EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. SELIC. ENCARGO LEGAL. DL N. 1.025/69. 1.A obrigação acessória de entrega da DCTF está prevista legalmente, sendo apenas regulamentada em instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, (...) Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.723006/201184 Acórdão n.º 1802001.946 S1TE02 Fl. 109 13 2. A incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por força de instrumento legislativo próprio (lei ordinária), sem importar qualquer afronta à Constituição Federal. 3. O encargo legal de 20%, referente à inscrição em dívida ativa, é constitucional, compõe o débito exeqüendo e é sempre devido nas execuções fiscais, substituindo, nos embargos, a condenação em honorários por expressa previsão legal (artigo 1º, do Decretolei nº 1.025/69). (...) 2) – TRF/5ª Região, 1ª Turma, sessão de 03/02/2005, processo (Apelação em MS 80402PE 2001.83.00.0192525), in verbis: TRIBUTÁRIO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. O atraso na entrega da declaração é considerado como sendo o descumprimento de uma atividade fiscal exigida por lei, não se confundindo com o nãopagamento do tributo. A imposição da multa por falta de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF tem amparo legal, configurando seu atraso, ou não entrega, em infração autônoma. Precedentes do STJ e desta Corte. Apelação não provida. (...) Em matéria de descumprimento de prazo para entrega tempestiva de declaração (v. g., DCTF) é inaplicável o art. 138 do CTN, quando cumprida a obrigação acessória a destempo e voluntariamente, pois tratase de obrigação autônoma, não relacionada com fato gerador de tributo ou contribuição, cuja infração configurase, simplesmente, pela perda do prazo fixado para cumprimento tempestivo dessa obrigação acessória. Nesse sentido, é a posição consolidada do STJ, in verbis: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido.” (STJ, Segunda Turma, RESP RECURSO ESPECIAL – 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.723006/201184 Acórdão n.º 1802001.946 S1TE02 Fl. 110 14 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ, 2ª Turma, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 916.168 SP 2007/00052315, sessão de 24/03/2009, Relator Min. Herman Benjamin). Feitos esses esclarecimentos quanto à instituição de obrigação acessória por lei em sentido amplo, passemos à questão da multa pecuniária. A multa pecuniária pela falta de entrega da DCTF ou pela entrega a destempo, está prevista em lei stricto sensu, ou seja, no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, in verbis: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) O dispostivo legal transcrito acima é norma específica para o descumprimento de obrigação acessória relativo à não entrega de DCTF no prazo regulamentar ou para entrega efetuada após vencido o prazo regulamentar. Por conseguinte, não tem sentido, não tem o menor cabimento a tese da recorrente de que a multa a ser aplicada, no caso dos autos, para evitar suposto efeito confiscatório, deveria ser a do art. 368 c/c art. 507 (RIPI/2002), pois essas normas do RIPI tratam de multa para hipótese de não entrega de declaração do IPI, obrigação acessória diversa, como já demonstrado quando do enfrentamento da preliminar suscitada. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.723006/201184 Acórdão n.º 1802001.946 S1TE02 Fl. 111 15 DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA PECUNIÁRIA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A contribuinte alegou da ilegalidade da multa; que teria caráter eminentemente confiscatório, violando, por conseguinte, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Como já dito alhures, a multa pela falta de apresentação ou entrega intempestiva da DCTF exige lei em sentido estrito; por isso, a multa, em abstrato, pela não apresentação da DCTF ou entrega extemporânea, está cominada na Lei nº 10.426/2002, art. 7º. No caso, foi aplicada a multa do art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002. Quanto à alegação de inconstitucionalidade desse dispositivo legal, incabível a apreciação, no mérito, de tal arguição, por falta de competência dos órgãos de julgamento administrativo, por ser matéria de competência do Poder Judiciário. Nesse sentido, a questão está sumulada neste Eg. Conselho Administrativo, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda, apenas para argumentar, o princípio do não confisco aplicase apenas para tributos (CF, art. 150, IV). A multa não é tributo. O princípio do não confisco dirigese ao legislador infraconstitucional e não ao julgador administrativo. Além disso, a multa pecuniária cominada, abstratamente, pela lei administrativotributária não segue o princípio da capacidade contributiva, mas sim o interesse jurídico tutelado, o interesse público. Na verdade, a pena pecuniária, em abstrato, fixada pela lei deve ser suficientemente significativa, para inibir ou afastar os contribuintes da prática de infração administrativofiscal, pelo receio, medo ou temor de serem apenados em concreto. Para aqueles contribuintes que a norma, em abstrato, não foi suficiente para demovêlos da conduta infracional independentemente do motivo, não resta ao fisco outro caminho, em face de sua atividade vinculada, a não ser a aplicação da lei ao caso concreto, para recompor, restaurar, a ordem jurídica violada. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.723006/201184 Acórdão n.º 1802001.946 S1TE02 Fl. 112 16 Por tudo que foi exposto, voto para REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10865.908892/2009-19
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2004
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada.
Numero da decisão: 3802-001.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 92 /2 00 9- 19 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 14 30.147, lavrado pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), em que não foi conhecida a Manifestação de Inconformidade da interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados, valendome, por oportuno, do relatório da decisão recorrida, por bem resumir as etapas processuais até então ocorridas e as alegações do sujeito passivo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face doDespacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito credit6rio a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS Processo nº 10865.908892/200919 Acórdão n.º 3802001.834 S3TE02 Fl. 112 3 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total A presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS 4 Ao analisar a manifestação de inconformidade, a 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO) entendeu por não conhecer da manifestação de inconformidade, considerando que é necessário que haja previsão legal para a existência de crédito de PIS/COFINS e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, questionando a decadência suscitada pela DRJ. Com base nesses argumentos, a Recorrente pede pela procedência de seu recurso para que sejam reconhecidos os créditos glosados. Os autos, após negativa de seguimento pela própria DRJ, seguiram ao CARF por odem judicial no Mandado de Segurança 000236188.2011.403.6109, para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, porém dele não tomo conhecimento, pelos motivos abaixo. A Recorrente traz em sua peça recursal os seguintes argumentos: (a) a nulidade da decisão recorrida por preterição do direito de defesa, bem como (b) a ausência de decadência suscitada pela DRJ. Compulsando os autos, verificase que a DRJ não deixou de conhecer a manifestação de inconformidade por decadência do crédito alegado, mas sim por não haver impugnação às razões para negativa de seu crédito em sede de despacho decisório. Assim, não só não há o que se cogitar de nulidade da decisão recorrida, a teor do art. 59 do Decreto 70.235/72, como também é nítido que os argumentos expendidos pelo sujeito passivo não podem ser conhecidos em virtude de determinação expressa do RPAF, que diz em seu artigo 17, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” A rigor, foi exatamente pela ausência de impugnação às razões do despacho decisório que a DRJ não acolheu a manifestação de inconformidade, conforme excerto transcrito abaixo: Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS Processo nº 10865.908892/200919 Acórdão n.º 3802001.834 S3TE02 Fl. 113 5 Porém, conforme relatado, observase que a contribuinte, em sua defesa, elencou argumentos que não tem qualquer ligação nem com o fato, nem com o período de apuração. Há uma extensa argumentação, repleta de jurisprudências e citações de jurisconsultos defendendo o prazo decadencial de 10 anos para pedir restituição, sendo que não há qualquer hipótese de decadência sendo aventada pela Receita Federal do Brasil no despacho decisório que não homologou a declaração de compensação. (...) Argumentou, em outra senda, que a esfera administrativa equivocouse de forma acintosa ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que a recorrente faz jus porque a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998. Ora, o pagamento que a recorrente declarou como indevido no PER/DCOMP é relativo ao período de apuração 28/02/2005, sem nenhuma correlação com o período anterior a outubro de 1998. E seguiu em descompasso fazendo alusão a documentos que não estão nos autos e argumentando que o despacho decisório teria considerado as DCOMPs como não declaradas ou transmitidas. Igualmente por esse descompasso a DRJ equivocadamente negou seguimento ao Recurso Voluntário, que seguiu por acertada determinação judicial para processamento neste Eg. CARF. Aplicase, ao caso em tela, interpretação analógica do art. 17 por se tratar de manifestação de inconformidade. Desta feita, não havendo sido aduzidos na reclamação os argumentos ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário, operandose o fenômeno da preclusão ao caso em tela. Assim, entendo que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente não pode ser conhecido, pela total ausência de identificação entre suas razões e a decisão que ele pretende combater. Conclusão Isto posto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS 6 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS
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