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Numero do processo: 16327.900396/2009-91
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/07/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO.
Inexiste fundamento a justificar a inconformidade do contribuinte em face de homologação parcial de compensação quando o direito creditório invocado na peça irresignatória foi o reconhecido pela autoridade e aplicado, até o seu limite, em débitos consignados na DCOMP apresentada. Não cabe ademais, nas instâncias julgadoras o cancelamento da homologação já realizada.
Numero da decisão: 1802-001.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marco Antônio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO. Inexiste fundamento a justificar a inconformidade do contribuinte em face de homologação parcial de compensação quando o direito creditório invocado na peça irresignatória foi o reconhecido pela autoridade e aplicado, até o seu limite, em débitos consignados na DCOMP apresentada. Não cabe ademais, nas instâncias julgadoras o cancelamento da homologação já realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 03 96 /2 00 9- 91 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marco Antônio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.900396/200991 Acórdão n.º 1802001.960 S1TE02 Fl. 175 3 Relatório Tratam os presentes autos de homologação parcial de compensação, cujo crédito está em suposto pagamento a maior da CSLL – Estimativa Mensal do período de apuração 30/06/2003, recolhido através de DARF no código 2469 em 31/07/2003. O débito que se tentou compensar é de CSLL – Ajuste Anual do anocalendário de 2004. O saldo de crédito pleiteado corresponde ao montante de R$ 46.136,88. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente recurso voluntário, adoto o Relatório proferido pela 8a Turma da DRJ/SP1, consoante Acórdão n° 16 31.960, às efls. 72/73: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 01 a 03) a Despacho Decisório nº (de Rastreamento) 821096920 fl. 04), de 18/02/2009, no qual a autoridade homologou parcialmente, por insuficiência de direito creditório, a compensação declarada na DCOMP nº 21851.95457.280205.1.3.044298 (fls. 19 a 24). 2. Na Fundamentação da decisão, a autoridade informa que, consoante os sistemas de controle da RFB, o valor recolhido em DARF, em 31/07/2003, de R$ 2.845.022,90, código de receita 2469 (CSLL ENTIDADES FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL), relativo ao período de apuração de 30/06/2003, do qual seria parte o montante de R$ 46.136,88 declarado na DCOMP como indevido ou a maior (fl. 21), fora parcialmente utilizado na quitação de débitos do interessado, inexistindo, assim, crédito suficiente para a liquidação do débito declarado para compensação. 3. Em conseqüência, apurou saldo devedor consolidado para pagamento até 27/02/2009, referente ao débito indevidamente compensado mediante a referida DCOMP, de R$ 57.295,35, de principal, R$ 31.758,81, de juros, e de R$ 11.459,07. de multa. 4. Cientificado da decisão em 04/03/2009 (fl. 33), o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 03/04/2009 (fl. 01), oferecendo, em síntese, as seguintes informações e razões: i) o direito creditório invocado, de R$ 46.136,88, seria líquido e certo porque corresponderia à diferença a maior entre o recolhimento de R$ 2.845.022,90, em DARF (fl. 08), relativo à CSLLEstimativa de 06/2003, e o valor correto, de R$ 2.798.886,02 (R$ 46.136,88 = R$ 2.845.022,90 2.798.886,02), constante da DIPJ do referido ano (fl. 07); ii) o mencionado valor de recolhimento teria, ainda, sido declarado na DCTF do 2º trimestre de 2003 (fl. 10), a qual, porém, teria sido retificada, em 13/02/2009 (fl. 11), para conter o valor correto (fl. 12); Fl. 176DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 iii) em 27.02.2004 teria emitido indevidamente a DCOMP nº 42765.51132.270204.1.3.048142 (fls. 13 a 18) para compensar débito no valor de R$ 50.318,56, utilizando o mesmo crédito; iv) pelo exposto, pleiteia seja revisto o Despacho Decisório, homologandose a DCOMP nº 21851.95457.280205.1.3.04 4298 e cancelandose a DCOMP n° 42765.51132.270204.1.3.048142, já que o crédito teria sido integralmente utilizado. 5. É o Relatório. Na análise do caso, entendeu a nobre turma julgadora pela improcedência da Manifestação de Inconformidade interposta pela ora recorrente às efls. 1/3, conforme sintetizado pela seguinte ementa (efls. 70): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CRÉDITO DE PAGAMENTO ALEGADAMENTE A MAIOR. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. INSUFICIÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A mera alegação de que determinado débito de CSLL teria sido pago a maior, como também declarado a maior em DCTF, mesmo posteriormente retificada, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de documentos, registros e demonstrativos que evidenciem, de forma cabal, a efetiva ocorrência de erro na apuração que ensejou o pagamento e o preenchimento da DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da manutenção do lançamento através do Acórdão supracitado em 14/07/2011, a recorrente denotando sua irresignação apresentou Recurso Voluntário em 15/08/2011, às efls. 80/100, aduzindo em apertada síntese: i) pelo reconhecimento da tempestividade na proposição recursal realizada, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972; ii) pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário constante no referido Processo Administrativo Fiscal, nos termos do art. 151, III do Código Tributário Nacional e §11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Fl. 177DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.900396/200991 Acórdão n.º 1802001.960 S1TE02 Fl. 176 5 iii) pelo reconhecimento do direito líquido e certo do crédito pleiteado, o que comprova por meio da juntada de cópia do DARF recolhido e DIPJ do período, que determina o valor efetivamente devido do tributo, e pela “homologação tácita” do valor ali declarado como devido; iv) que a divergência entre DCTF e DIPJ não pode ilidir seu direito creditório, dado que a DCTF é obrigação “acessória”, sendo a formalização do crédito tributário documentalmente representada pela DIPJ e que deste fato, não pode ser negado seu direito ao crédito de recolhimento a maior (a recorrente expressamente dispõe que o crédito tributário declarado em DCTF para esse tributo foi ‘informado com erro’) e; v) que houve cerceamento do direito de defesa no momento de produção das provas, pois a autoridade julgadora analisou o direito creditório apenas à luz da DCTF, e não nos demais documentos apresentados que comprovam seu direito creditório, especialmente no que consta na DIPJ. Ao final, pede pela procedência de seu recurso e pela homologação de sua compensação. É o relato do essencial. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade determinados pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Dele, tomo conhecimento. A interposição de recurso na esfera administrativa feita de forma tempestiva, suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN), e especificamente in casu, que trata de não homologação de compensação, ao §11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a seguir transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. [...] Feitas essas considerações, passase à análise central do pleito, que envolve o reconhecimento do direito creditório pleiteado na PER/DCOMP, na forma do recolhimento a maior da CSLL – Estimativa Mensal do período de apuração 30/06/2003. Como se extrai do relatório, o contribuinte efetuou o recolhimento da CSLL – Estimativa Mensal, em DARF com as seguintes características (efls. 8): 02 Período de Apuração 30/06/2003 03 Número do CPF ou CGC 43.073.394/000110 04 Código da Receita 2469 05 Número de Referência 06 Data de Vencimento 31/07/2003 07 Valor do Principal 2.845.022,90 08 Valor da Multa 0,00 09 Valor dos Juros e/ou Encargos 0,00 10 Total 2.845.022,90 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.900396/200991 Acórdão n.º 1802001.960 S1TE02 Fl. 177 7 11 Autenticação Bancária (Pagto) 31/07/2003 A informação constante na DCTF original (efls. 9/10) entregue (12/08/2003), contempla como valor devido para esta epígrafe o montante de R$ 2.845.022,90. Houve a apresentação da DCTF retificadora (efls 11/12), em 13/02/2009, reduzindo o valor declarado para o montante de R$ 2.798.886,02. O contribuinte também entregou a Declaração Anual do Imposto de Renda (DIPJ) na data de 30/06/2004 (efls. 147/148), noticiando cálculo da CSLL – Estimativa Mensal do mês de Junho de 2003, demonstrando o valor devido de R$ 2.798.886,02. Em 27/02/2004, o contribuinte apresentou PER/DCOMP de n° 42765.51132.270204.1.3.048142, requisitando compensação cujo crédito original sustentou ser de R$ 45.715,05, após o que solicitou o cancelamento, em forma de manifestação de inconformidade. Em 28/02/2005, o contribuinte apresentou PER/DCOMP de n° 21851.95457.280205.1.3.044298, requisitando compensação pela utilização do mesmo crédito só que no valor de R$ 46.136,88, argumentando que a primeira entrega deveria ser cancelada. É sobre este último PER/DCOMP que trata o Despacho Decisório em análise, que homologou parcialmente a compensação declarada pelo contribuinte e foi expedido em 18/02/2009, tendo sido intimado o contribuinte em 04/03/2009. A informação ali constante dá conta de que o contribuinte já utilizou parte do crédito pleiteado na DCOMP 42765.51132.270204.1.3.048142, ficando disponível apenas o saldo de R$ 421,83 para utilização na presente compensação. Neste caso, a recorrente deveria ter entregue seu pedido de cancelamento antes da homologação ter sido realizada. O reconhecimento creditório através do Despacho Decisório concernente ao PER/DCOMP 42765.51132.270204.1.3.048142 ocorreu em 12/08/2008, ou seja, após o contribuinte ter entregue seu pedido de compensação em “duplicidade” utilizando duas vezes o mesmo crédito. Naqueles autos o direito creditório foi reconhecido e a compensação homologada até o limite da disponibilidade. Assim, restando um saldo de crédito, foi possível a utilização no presente processo, apenas do montante parcial ainda não utilizado, ou seja, disponível. Assim sendo, é de se manter a homologação parcial do pedido de compensação, na forma do Despacho Decisório, não havendo como cancelar a homologação já realizada devidamente controlado por outro Processo Administrativo Fiscal. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 181DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.016039/2007-50
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. EXIGÜIDADE DOS PRAZOS DAS INTIMAÇÕES FISCAIS. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento do direito de defesa ou contraditório quando, apesar da inobservância, por parte da Recorrente, de eventual prazo dado discricionariamente pela autoridade fiscal, é concedido outros momentos processuais para que se faça prova de todos os elementos necessários para tolher a pretensão fazendária.
SUJEIÇÃO PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVA.
Para a desconstituição da sujeição passiva autuada na ação fiscal, faz-se necessária a apresentação de provas aptas a provar o alegado.
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO.
O CARF é incompetente para se pronunciar à respeito de alegações de inconstitucionalidades de leis, nos termos da Súmula nº. 02 deste Conselho.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Fez sustentação oral o Dr. Hugo Mendes Plutarco- OAB/DF nº 25.090.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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EXIGÜIDADE DOS PRAZOS DAS INTIMAÇÕES FISCAIS. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento do direito de defesa ou contraditório quando, apesar da inobservância, por parte da Recorrente, de eventual prazo dado discricionariamente pela autoridade fiscal, é concedido outros momentos processuais para que se faça prova de todos os elementos necessários para tolher a pretensão fazendária. SUJEIÇÃO PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVA. Para a desconstituição da sujeição passiva autuada na ação fiscal, fazse necessária a apresentação de provas aptas a provar o alegado. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. O CARF é incompetente para se pronunciar à respeito de alegações de inconstitucionalidades de leis, nos termos da Súmula nº. 02 deste Conselho. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 60 39 /2 00 7- 50 Fl. 691DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Fez sustentação oral o Dr. Hugo Mendes Plutarco OAB/DF nº 25.090. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.016039/200750 Acórdão n.º 2403002.325 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 08 13.686, fls. 634/643, que julgou procedente o lançamento em epígrafe, mantendose incólume o crédito previdenciário, consubstanciado no AI DEBCAD 37.131.6111, no importe de R$ 384.924,81 (trezentos e oitenta e quatro mil novecentos e vinte e quatro reais e oitenta e um centavos). O Auto de Infração abrange o período de 01/2003 a 12/2006, tendo sido lavrado em 19/12/2007 e almeja o recolhimento de contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP, incidentes sobre os valores pagos a cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. O Relatório Fiscal, fls. 61/66, assim consigna: 3. DA AUDITORIA FISCAL PREVIDENCIÁRIA (...) 3.2. Apesar das sucessivas intimações para apresentação das notas fiscais/faturas de prestação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho e respectivos contratos, a empresa apresentou apenas parcialmente as notas e nenhum dos contratos, fato que motivou a lavratura do Auto de Infração – AI DEBCAD 37.143.5129. De posse das poucas faturas que nos foram apresentadas, verificamos que parte delas não foi informada em GFIP, sendo incluídas no presente documento. Por este motivo, foi lavrado o AutodeInfração – AI DEBCAD 37.143.5137. (...) 4. DOS FATOS E DO LEVANTAMENTO DO DÉBITO 4.1 Analisando as faturas de prestação de serviço por meio de cooperativas de trabalho, as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, foram constatadas ausências de recolhimentos, os quais encontramse discriminados no relatório “Discriminativo Analítico de Débito – DAD” anexo à esta notificação. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação por meio de instrumento de fls.96/106. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Fortaleza, DRJ/FOR, prolatou o Acórdão n° 0813.686, fls. 634/643, a qual julgou procedente o lançamento, conforme ementa a seguir transcrita: Fl. 693DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2006 CONTRIBUIÇÃO SOBRE VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DIRF. SUJEIÇÃO PASSIVA. A empresa apresentou notas fiscais onde consta como tomadora de serviços prestados por cooperativas. Assim, a exibição de contratos destas com terceira empresa, sem a prova irrefutável que esta era a tomadora dos serviços e responsável pelos pagamentos, não é suficiente para descaracterizar a primeira como devedora da contribuição prevista na Lei nº 8.212/91, art. 22, IV. CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NA LEI Nº 8.212/91, ART. 22, IV. BASE DE CÁLCULO. Nos contratos entre empresa e cooperativa médica, onde fica estipulada uma tabela de serviços e honorários, cujo pagamento é efetuado após o atendimento, a base de cálculo da contribuição prevista na Lei nº 8.212/91, art. 22, IV, é o valor dos serviços efetivamente realizados pelos cooperados. Lançamento Procedente DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 655/664, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: Preliminar de nulidade da NFLD em virtude de cerceamento do direito de defesa, com base na estipulação de prazos exíguos frente à quantidade de documentos solicitados pela auditoria, razão pela qual teria sido violado os princípios do devido processo legal e ampla defesa; Descaracterização da Recorrente como devedora, eis que consiste apenas em administradora de planos de saúde, ao passo que a vinculação direta das cooperativas se dá com a Fundação Francisca Feitosa e/ou Fundação Ana Lima. Nesta senda, os termos dos contratos estabelecidos entre as Fundações e a Recorrente, constituem prova irrefutável de que aquelas são as verdadeiras tomadoras dos serviços prestados pelos cooperados; Inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei nº. 8.212/91, eis que ao criar nova base de cálculo de incidência de contribuição previdenciária por meio de lei ordinária, Lei nº. 9.876/99, estaria sendo violado o princípio da reserva legal; É o relatório. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.016039/200750 Acórdão n.º 2403002.325 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fl.675, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Voltase a Recorrente contra os prazos estipulados pela autoridade fiscal, uma vez que diante da exigüidade que estes se revestiram, teria culminado no cerceamento do seu direito de defesa. Tal argumento, contudo, não merece prosperar. Isso porque não se vislumbra cerceamento do direito de defesa ou contraditório quando, apesar da inobservância por parte da Recorrente de eventual prazo dado discricionariamente pela autoridade fiscal, é concedido outros momentos processuais para que se faça prova de todos os elementos necessários para tolher a pretensão fazendária. A Recorrente, além dos prazos concedidos pelo auditor durante a fase fiscalizatória, ainda teve as oportunidades processuais, da impugnação e do Recurso Voluntário, na fase contenciosa, para apresentar todas as provas suficientes a elidir o valor autuado pela autoridade fiscal, o que não ocorreu no caso em tela. Portanto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. SUJEIÇÃO PASSIVA A Recorrente pretende eximirse da responsabilidade tributária das exações, alegando ser apenas intermediária dos serviços prestados por cooperativas e a Fundação Francisca Feitosa, conforme contrato particular entre ambas na qual fica estabelecido a total e exclusiva responsabilidade da Fundação pelas obrigações fiscais e previdenciárias advindos da referida relação contratual. Alguns pontos devem ser esclarecidos para melhor análise do mérito. 1 A HAPVIDA possui contrato com a Fundação Francisca Feito (atualmente Fundação Ana Lima) na qual estabelece à esta a responsabilidade tributária decorrente dos profissionais envolvidos na relação contratual. 2 A HAPVIDA é a responsável pelos serviços prestados, uma vez que assume a referida responsabilidade ante os beneficiários, os quais não possuem nenhuma relação com a Fundação, nem com os cooperados; Fl. 695DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 3 A HAPVIDA apresentou DIRF, nos exercícios de 2002 a 2006, enquadrandose como tomadora dos serviços prestados pelas cooperativas; 4 No mesmo procedimento fiscal, a Recorrente apresentou notas fiscais/faturas de serviços prestados pelas cooperativas em nome da HAPVIDA, elementos probatórios que apontam para a verossimilhança das informações trazidas pela autoridade fiscal no que concerne ser a HAPVIDA a real tomadora dos ditos serviços; 5 A Fundação Ana Lima possui contratos com as cooperativas de trabalho para a prestação de serviços, sendo contratualmente responsável pelos correlatos pagamentos. A fiscalização tomou por base para a imputação da sujeição passiva a DIRF apresentada pela empresa na qual consta como a tomadora dos serviços de cooperativas e fonte pagadora aos cooperados, apesar da existência de contrato em que se estabelece a Fundação como a responsável pelos pagamentos, utilizado como prova, dita irrefutável pela Recorrente, de que seria esta a verdadeira tomadora de serviços. Inobstante a celebração do dito contrato, não houve nos autos quaisquer provas de que a Fundação seria a real tomadora, ao passo que todos elementos apresentados apontam exclusivamente para a Recorrente, eis que elaborou a obrigação acessória (DIRF) colocandose como a tomadora, e conseguintemente, a responsável pelo tributo. Nesta senda, no contrato pactuado entre a HAPVIDA e a FUNDAÇÃO, fica estabelecido os pagamentos daquela à esta, cuja responsabilidade seria a oferta dos serviços dos cooperados. Ocorre, entretanto, que as únicas notas fiscais/faturas apresentadas referemse exclusivamente a serviços prestados pelas cooperativas diretamente à HAPVIDA, quando, segundo os contratos, deveriam ser prestados à Fundação, e os pagamentos da Recorrente deveriam ser àquela. Vêse, pois, que a real tomadora, tal qual como declarado na DIRF e notas fiscais, é a HAPVIDA, sem que houvesse a prova do contrário, a ser atestado pela Recorrente. Portanto, diante dos fatos presentemente discutidos, não sobejam dúvidas quanto à sujeição passiva do presente processo. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Voltase a Recorrente contra o art. 22, IV, da Lei nº. 8.212/91, ao pretender ver reconhecida a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que criou nova base de cálculo para a incidência de contribuição previdenciária por meio de lei ordinária, quando a Constituição reserva tal matéria exclusivamente para a lei complementar, violando, assim, o princípio constitucional da reserva legal. Ao contrário do que pretende a Recorrente, não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 2 do CARF, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Fl. 696DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.016039/200750 Acórdão n.º 2403002.325 S2C4T3 Fl. 5 7 Mister destacar que os incisos I e II do Parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF trazem exceções a essa regra, mas que, contudo, não sem aplicam ao caso em tela, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por esses motivos, este julgador não irá se pronunciar acerca das alegações de inconstitucionalidades se não estiverem nas exceções acima. DA MULTA APLICADA No que se referem à multa aplicada, mister se faz tecer alguns comentários. A multa teve por base o artigo 35 da Lei nº. 8.212/91. Contudo, com o advento da MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na lei anteriormente citada, houve mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 697DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 698DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.016039/200750 Acórdão n.º 2403002.325 S2C4T3 Fl. 6 9 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para dar parcial provimento, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 19515.000646/2004-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Esteve presente na sessão de julgamento a Dra. Simone Bastian, inscrita na OAB/SP sob o nº 269.300.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Mércia Helena Trajano DAmorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Esteve presente na sessão de julgamento a Dra. Simone Bastian, inscrita na OAB/SP sob o nº 269.300. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Mércia Helena Trajano D’Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 141/145 em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição ao PIS nos períodos de apuração 10/2000, 02/2001, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 64 6/ 20 04 -5 7 Fl. 3208DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.000646/200457 Resolução nº 3201000.397 S3C2T1 Fl. 3.209 2 04/2001 a 12/2001, 03/2002 a 10/2002 e 12/2002 a 12/2003, exigindo contribuição de R$ 1.531.343,74, multa de ofício de R$ 1.148.507,68 e juros de mora de R$ 224.044,17, perfazendo o total de R$ 2.903.895,59. No Termo de Verificação Fiscal de fl.129/130, o AFRFB autuante esclarece que: 1.A contribuinte não recolheu e/ou declarou a menor em DCTF, os valores apurados no Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada, relativos à contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, incidentes sobre o faturamento mensal, assim entendido como a totalidade da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, conforme definido na Lei 9.718/99, na MP 2.15835, e no Decreto 4.524/2002; 2. Os valores das bases de cálculo da referida contribuição foram informados pela empresa e constam nas planilhas denominadas “Informações Prestadas à SRF” que fazem parte do Questionário de Informações Gerais Prestadas pelo Contribuinte; 3. Cabe esclarecer que, nessas planilhas, as bases de cálculo da contribuição foram informadas da seguinte forma: a) no período de 09/2001 a 12/2001, os valores estão líquidos da exclusão a título de diferimento de receitas de obras públicas, nem tampouco apurou créditos referentes a insumos no período de 12/2002 a 12/2003, em que o PIS está sendo exigido sob a forma não cumulativa (Lei 10.637/02). O enquadramento legal encontrase a fls. 143/144. Cientificada em 24/03/2004, a interessada apresentou em 23/04/2004 a impugnação de fls. 148/173, na qual alegou: 1. Primeiramente, a impugnante esclarece que a intimação da presente autuação é nula, pois foi cientificado sobre a lavratura do Auto de Infração uma pessoa (sr. João Lopes Garcia) que não é representante legal e/ou procuradora da impugnante; 2. Nesse sentido, reza o disposto no artigo 23, I, do Decreto nº 70.235/72 e os artigos 238 e 247, do Código do Processo Civil; 3. Vale dizer, a pessoa cientificada da lavratura do Auto de Infração não tem poderes outorgados pela impugnante para a prática de tal ato e, por conseguinte, resta inquestionável a flagrante nulidade da intimação feita à impugnante, tendo em vista a inobservância das prescrições legais; 4. Ademais, sem adentrar na legitimidade ou não das pretensões fiscais, o fato é que o lançamento ocorreu de maneira absolutamente equivocada, uma vez que foi apurado débitos de PIS: 4.1. sobre base de cálculo equivocada, pois no período de 01/2002 a 12/2003, foi calculado o PIS sobre o faturamento e não sobre os efetivos recebimentos; 4.2. onde se considerou como base de cálculo para apuração da contribuição os recebimentos não só da impugnante, mas também das SCP´s; Fl. 3209DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.000646/200457 Resolução nº 3201000.397 S3C2T1 Fl. 3.210 3 4.3. sem considerar a existência de créditos decorrentes da sistemática não cumulativa prevista na Lei nº 10.637/02, relativos período de1/2002 a12/2003 (meses competência); e 4.4. não abateu da exigência apurada na presente autuação os recolhimentos efetuados a maior pela pessoa jurídica; 5. No caso concreto, o AFRF deveria ter deduzido o valor do crédito do PIS, em face da não cumulatividade, ter considerado as exclusões a título de diferimento de Receitas de Obras Públicas, relativas ao período de 01/2002 a 12/2003(mesescompetência), bem como segregado o valor correspondente à base de cálculo das SCP´s e da impugnante, ao invés de simplesmente determinar o recolhimento da exação em comento, ignorando tais fatos; 6. Resta claro, pois, que o AFRF desconsiderou que a lavratura de um Auto de Infração deve respeitar requisitos legais que preceituam de forma categórica que este tipo de procedimento foi concebido única e exclusivamente para buscar a verdade material e não, simplesmente, cobrar tributos de contribuintes; 7. Em outras palavras, a autoridade fiscal tinha a obrigação de recompor efetivamente o que havia de débito, ou seja, deveria ter investigado melhor. Repitase, a lavratura de um Auto de Infração tem como norte o princípio da verdade material; 8. Além disso, não foi considerado na apuração do PIS a existência de créditos no período em que a referida contribuição estava sendo recolhida sob a forma não cumulativa; 9. No Termo de Verificação Fiscal consta que a impugnante não apurou créditos, porém tal fato não foi verificado pela fiscalização que tem o dever, durante o procedimento fiscalizatório, de promover uma investigação aprofundada antes de efetuar o lançamento do débito; 10. A bem da verdade, o sr. AFRF chegou a inverter o ônus da prova – exigindo que a impugnante apresentasse planilha com a apuração dos créditos, ao passo que é ele próprio quem tem o dever de fundamentar e provar suas pretensões; 11. A inadmissibilidade do Fisco se isentar do ônus da prova, imputandoo ao contribuinte, é evidente, conforme denota diversos juristas; 12. Vale lembrar que à época da fiscalização, ou seja, antes de 24/03/2003 (ciência da lavratura do AI), não havia expirado o prazo para a entrega da DACON – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, que ocorreu, tão somente, em 31/03/2004; 13. A contribuinte não pode ser penalizada por não ter preenchido a DACON antes do prazo exigido pela própria Secretaria da Receita Federal, para simplesmente satisfazer as exigências do sr. AFRF que deveria ter realizado seu trabalho; 14. Entretanto, a fim de demonstrar sua boafé, bem como comprovar que é detentora de créditos de PIS, a impugnante faz questão de anexar Fl. 3210DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.000646/200457 Resolução nº 3201000.397 S3C2T1 Fl. 3.211 4 cópia da DACON, evidenciando os valores que deveriam ter sido considerados no momento da apuração da exigência do PIS; 15. Outro aspecto que se torna de suma importância comprovar é que foi utilizado uma base de cálculo equivocada, uma vez que no período de 01/2002 a 12/2003 foi calculado o PIS sobre o faturamento, e não sobre os efetivos recebimentos; 16. E é exatamente visando a verdade material é que a fiscalização deveria ter apurado a base de cálculo do período sobre os efetivos recebimentos e não sobre o faturamento; 17. A bem da verdade, o que se percebe é que o sr. AFRF, novamente, inverte o ônus da prova e, ao invés de apurar a base de cálculo do PIS, solicita ao contribuinte planilha discriminativa de tais valores; 18. Ora, é dever da fiscalização fundamentar e provar suas pretensões, e não simplesmente transferir o ônus da prova a impugnante, sendo conduta repudiada não só pela doutrina, como também pelo E.Conselho de Contribuintes; 19. Nesse sentido, a fim de demonstrar sua boafé, bem como comprovar que todos os valores relativos as obras públicas foram recebidos, a impugnante faz questão de anexar seu Razão para evidenciar que tais valores deveriam ter sido considerados no momento da apuração da contribuição em comento; 20. Outro equívoco cometido no lançamento relativamente a base de cálculo foi ter sido considerado para apuração os recebimentos não só da contribuinte mas também das SCP´s, não ocorrendo a segregação das receitas auferidas pelo sujeito passivo e pelas SCP´s, desvirtuando, por via de conseqüência, o lançamento tributário; 21.Tal fato é manifestamente comprovado pela planilha que a impugnante anexa aos autos, a qual demonstra que foram computados valores das SCP´s na base de cálculo da impugnante; 22. Outro aspecto que demonstra a fragilidade do Auto de Infração, no tocante a apuração do quanto devido, se refere ao fato do sr. AFRF não computar os recolhimentos a maior do PIS(créditos), relativamente ao período autuado; 23. No “Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada”, constante no Termo de Verificação Fiscal, o próprio autuante reconhece expressamente que a contribuinte recolheu a maior importâncias devidas a título de PIS e não efetuou a compensação com débitos dos períodos subseqüentes; 24. Por exemplo, no PA 09/2002, a impugnante teve como valor devido o montante de R$ 21.333,04 (coluna 1). Já na Coluna 2, foi discriminado o valor de R$ 34.389,11, que representa “Débitos Declarados” (valor recolhido). Ou seja, houve recolhimento a maior de PIS por parte da impugnante, no valor de R$ 13.056,07; 25.Entretanto, o crédito de R$ 13.056,07 não foi considerado pelo sr. AFRF quando da apuração do PIS para o período subseqüente(10/2002). Logo, fica amplamente demonstrado que parte Fl. 3211DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.000646/200457 Resolução nº 3201000.397 S3C2T1 Fl. 3.212 5 da suposta exigência a título de PIS é ocasionada pelo fato do sr. AFRF, apesar de reconhecer, não realizar a compensação dos valores recolhidos a maior em detrimento dos meses em que houve recolhimento a menor; 26. A obrigatoriedade por parte da fiscalização em recompor as apurações do PIS mediante compensação dos créditos é uma matéria há muito sedimentada na doutrina e na jurisprudência do Conselho de Contribuintes; 27. Vale salientar que a exigência a título de PIS relativamente ao período de 09/00 a 11/02, nos termos da Lei nº 9.718/98, é totalmente ilegal, fato reconhecido pelas cortes superiores, pois o termo Receita Bruta deve ser considerado, simplesmente, como a totalidade das receitas operacionais percebidas pela pessoa jurídica, de maneira que a incidência da contribuição sobre as demais formas de receita afronta o supramencionado dispositivo legal; 28. Pede a realização de diligência com vistas a comprovar o alegado, além do cancelamento do presente Auto de Infração e o arquivamento do processo administrativo instaurado. Junto com a impugnação, a contribuinte carreou aos autos Contrato Social, cópia dos Livros Fiscais e guias de recolhimento. Inicialmente, o julgamento da presente impugnação foi convertido em diligência por esta 5ª Turma/DRJ II, a quem compete a presente análise por força do disposto na Portaria RFB nº 10.706/2007, DOU 26/07/2007, a fim de: “1) juntada aos autos de cópia dos contratos de empreitada ou de fornecimento contratado com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou a sua subsidiária; 2) verificação se houve na escrita contábil e fiscal da contribuinte do diferimento da base de cálculo da contribuição em tela, nos períodos abrangidos pela autuação, com vistas à comprovação da consistência dos valores que pretende excluir; 3) esclarecer se a partir do PA 12/2002, do valor devido indicado nos demonstrativos de apuração do PIS – fl.136/137, foram descontados os créditos da contribuição, face à nãocumulatividade instituída pela Lei nº 10.637/2002; 4) averiguar se os créditos declarados nas DACON e nos demonstrativos carreados aos autos na fase litigiosa estão lastreados na escrita contábil/fiscal do contribuinte; 5) Caso haja divergência entre os créditos declarados e os escriturados, elaborar demonstrativo mensal com os créditos a serem utilizados nos PA´s 12/2002 a 12/2003.” Após a Diligência Fiscal, foi efetuado o Relatório de fl.2.912/2.915, onde consta que: “...... Fl. 3212DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.000646/200457 Resolução nº 3201000.397 S3C2T1 Fl. 3.213 6 A contribuinte apresentou cópias dos contratos que comprovam a execução de serviços para pessoas jurídicas de direito público; Não comprovou através da escrita contábil que efetuou o diferimento, ou seja, não existe conta contábil com o registro do diferimento, sendo efetuado através de controles extra contábil. ..... Com base nos demonstrativos elaborados pela contribuinte apuramos a base de cálculo mensal do PIS pelo regime de caixa (fls.2715), intimandoo a contestar no prazo de 30(trinta) dias a base de cálculo apurada, alertando que a falta de manifestação confirmaria os valores apurados conforme teor do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 16/09/2009 (fls.2638/2639). Em resposta a contribuinte alegou incorreções na apuração da base de cálculo do PIS, conforme relato às fls. 2716/2724, que passamos a resumir: ..... 2) Que essa alegação (não houve comprovação através da escrita contábil do diferimento das receitas) não corresponde à verdade e demonstra que o AFRF não atendeu à solicitação da DRF/RJ2, ou seja, não comprovou materialmente as alegações que deram origem à autuação fiscal. ..... 4) Que nesta nova diligencia a fiscalização insiste em computar como valor da base de cálculo do PIS valores que são de Sociedades em Conta de Participação. 5) Que as receitas da impugnante e das SCPs somente poderia ter sido devidamente realizada caso a fiscalização diligenciasse corretamente, ou seja, identificassem quais das faturas emitidas pela impugnante realmente a ela pertencem às suas SCPs. As alegações da contribuinte motivaram o Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 21/01/2010, onde demos conhecimento à mesma que a base de cálculo do PIS apurada pela fiscalização na presente diligência foi efetuada com base no regime de caixa, considerando as datas de recebimentos fornecidas nas planilhas elaboradas pela contribuinte e que constam da própria contabilidade, não havendo razões para as alegações mencionadas na resposta da mesma às fls. 2716/2724. Tendo em vista que a SCP não possui CNPJ e que o sócio ostensivo é o responsável pelo recolhimento dos tributos com a identificação do seu CNPJ, inclusive informar na sua própria DCTF, intimamos a contribuinte, para no prazo de 30(trinta) dias, informar e comprovar com a contabilidade das SCPs, quais das notas fiscais emitidas pertencem às mesmas, juntando as respectivas guias de recolhimento do PIS. ....... Fl. 3213DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.000646/200457 Resolução nº 3201000.397 S3C2T1 Fl. 3.214 7 A resposta da contribuinte consta apenas da juntada dos documentos que consta às fls. 2792/2852, não respondendo e não comprovando o que havia alegado anteriormente a respeito das SCP´s. Os pagamentos efetuados que constam das fls. 2847/2852 foram considerados quando da elaboração do Auto de Infração. Para atender os quesitos 3 a 5 da diligência elaboramos Termo de Intimação Fiscal de 27/05/2010, fls. 2853, intimando a diligenciada a apresentar os seguintes elementos: 1) Demonstrativo da apuração dos créditos do PIS com as respectivas DACON, face a não cumulatividade instituída pela Lei nº 10637/2002; 2) Razões contábeis com os respectivos documentos que deram origem aos lançamentos contábeis utilizados no demonstrativo do item 1. A contribuinte não comprovou os valores mencionados na apuração dos créditos da contribuição do PIS informados nas DACON em atendimento a intimação de 27/05/2010 divergentes das apresentadas anteriormente, conforme demonstrado no anexo denominado “Comparativo da DACON apresentada na Impugnação x DACON apresentada na Diligência”, fls. 2912 e 2913. ..” Após ciência da Diligência Fiscal, o contribuinte apresentou nova impugnação (fl.2.921/2.931), alegando em síntese que: 1. No Relatório de Diligência Fiscal, o autuante afirma que a base de cálculo do PIS apurada pela fiscalização foi efetuada com base no regime de caixa, em evidente contradição com o Termo de Verificação Fiscal; 2. Ou seja, apesar de mencionar a utilização do regime de caixa, a fiscalização ao lavrar o presente Auto de Infração ignorou tal modalidade de reconhecimento de receitas e despesas, o que revela a completa improcedência da autuação; 3. Se não bastasse isso, conforme já destacado em manifestações anteriores, a impugnante apresentou cópias dos contratos que comprovam a execução dos serviços para pessoas jurídicas de direito público e demonstrativos da apuração do PIS do período, a fim de comprovar as suas alegações realizadas desde a peça defensiva, as quais foram completamente ignoradas pela autoridade administrativa; 4. Daí porque a conclusão extraída na Diligência Fiscal não corresponde à verdade e demonstra que o AFRFB não atendeu à solicitação da DRJ/RJ2, ou seja, não comprovou materialmente as alegações que deram origem à autuação fiscal; 5. Como é cediço, o diferimento do pagamento do PIS no caso de prestação de serviços para órgãos da administração pública está previsto no artigo 7º da Lei nº 9.718/98. Sendo assim, o recolhimento do tributo em análise se dá pelo regime de caixa e não pelo de competência; Fl. 3214DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.000646/200457 Resolução nº 3201000.397 S3C2T1 Fl. 3.215 8 6. Naturalmente, a escrita contábil da impugnante respeita os princípios contábeis, de modo que a metodologia de apuração do PIS pelo regime de caixa somente poderia ser constatada pela fiscalização, mediante exame dos valores efetivamente recebidos; 7.E mais, a diligência insiste em computar como valor da base de cálculo do PIS valores que são de Sociedades em Conta de Participação; 8. A segregação entre as receitas da impugnante e das SCPs somente poderia ter sido devidamente realizada caso a fiscalização diligenciasse corretamente, ou seja, identificasse quais das faturas emitidas pela contribuinte e realmente a ela pertencem e quais pertencem às suas SCPs; 9. A título exemplificativo, a impugnante demonstrou que no mês de janeiro de 2003, diferentemente do quanto fora apontado pela fiscalização, a base de cálculo do PIS de R$ 4.629.385,21 corresponde a receitas das SCPs. Sendo assim, somente R$ 774.395,87 poderiam ser computados como receitas da impugnante, isto sem considerar os cruzamentos das contas contábeis de Caixa para fins de comprovação dos valores; 10. De qualquer forma, e para demonstrar definitivamente o equívoco da fiscalização e, conseqüentemente, a necessidade de cancelamento da autuação, juntase à presente Planilhas e cópias do Livro Razão Analítico do período objeto da autuação; 11. Resta evidente que a simples análise dos documentos apresentados por amostragem em oportunidades anteriores comprovam que as bases de cálculo utilizadas pela fiscalização na lavratura do auto de infração estão incorretas, o que atesta sua nulidade; 12. A despeito desses argumentos levantados, na conclusão da Diligência Fiscal, o autuante salienta que não foi comprovado o alegado anteriormente a respeito das SCP´s. Contudo, o ônus da comprovação da infração tributária é do Fisco, e não o contrário; 13. Isto porque, nos termos do artigo 142, do CTN, a completa verificação dos valores pertencentes às SCP´s deveria ter sido realizado pela autoridade administrativa, e não pela impugnante, que juntou documentos suficientes para comprovação de suas alegações; 14. Em relação à alegação de créditos de PIS tomados pela impugnante na sistemática nãocumulativa, conforme Lei nº 10.637/02, a Diligência Fiscal é inconclusiva, pois, ao sustentar a simples divergência nas informações prestadas pela empresa, acaba deixando de comprovar a verdade material dos fatos; 15.Por fim, é certo ainda que na apuração das bases de cálculo em referência também não foram considerados os recolhimentos a maior de PIS efetuados pela impugnante; 16. Diante do exposto, concluímos que a diligência levada a efeito pelo AFRFB confirma que o Auto de Infração está se pautando em presunções, de forma que o mesmo deve ser cancelado; Fl. 3215DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.000646/200457 Resolução nº 3201000.397 S3C2T1 Fl. 3.216 9 17. Diante do exposto, reiterando todos os argumentos expostos na impugnação e nas Manifestações anteriores, a impugnante requer o cancelamento integral do lançamento efetuado e o arquivamento do processo administrativo. Junto com a nova impugnação o contribuinte carreou aos autos Instrumento Particular de Mandato, Instrumento Particular de Re Ratificação e Consolidação do Contrato Social, documentos de identidade, planilhas com a Demonstração do PIS e COFINS das Notas Fiscais por data de recebimento e cópias do Razão Analítico. A instância a quo houve por bem julgar improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1336.102, de 07/07/2011, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000, 01/02/2001 a 28/02/2001, 01/04/2001 a 31/12/2001, 01/03/2002 a 30/04/2002, 01/06/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 31/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CIÊNCIA DO LANÇAMENTO CONTADOR. A ciência do recebimento do Auto de Infração pelo contador da empresa, atendendo este, desde o Termo de Início de Fiscalização, as requisições fiscais em nome da pessoa jurídica, não vicia o lançamento, pois o mesmo é preposto hábil para ciência do lançamento e do recebimento de cópia das peças fiscais. COMPARECIMENTO DO REPRESENTANTE LEGAL. A intimação do lançamento será nula se realizada sem a observância das prescrições legais, mas o comparecimento do representante legal do contribuinte para impugnar a exigência fiscal supre sua falta ou irregularidade. BASE DE CÁLCULO ALTERAÇÃO LEI Nº 9.718/98 INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, cabe o lançamento das contribuições sobre o Faturamento das pessoas jurídicas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar, cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e, além de alegálos, comproválos de forma cabal e cristalina. COMPENSAÇÃO/DCOMP A compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 3216DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.000646/200457 Resolução nº 3201000.397 S3C2T1 Fl. 3.217 10 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a empresa interpôs o recurso voluntário cabível, de forma tempestiva, reiterando, em síntese, os argumentos de defesa suscitados em sua peça impugnatória. Além disso, requer o reconhecimento de nulidade da decisão recorrida ora por ser contraditória e obscura, ora por ter cerceado o seu direito de defesa. E mais, requer o reconhecimento da inconstitucionalidade da aplicação da multa de ofício de 75% por ser confiscatória, bem como a apensação deste processo com o Processo nº 19515.000645/200411. O processo foi digitalizado, distribuído e encaminhado a este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Os elementos de prova acostados aos autos até a fase processual corrente são insuficientes para formar a convicção necessária dos membros deste colegiado para efeito de julgamento, razão pela qual a realização de diligência é medida que se faz pertinente, nos termos do art. 29 do diploma normativo supracitado. Com efeito, a Recorrente deverá ser intimada a apresentar, no prazo legal, os documentos que lastrearam a sua contabilidade, e, conseqüentemente, as informações prestadas nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – DACON apresentados pela Recorrente após a diligência requerida pela instância a quo. Em seguida, deverá ser intimada a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização para, em relação ao período autuado, segregar as receitas operacionais e não operacionais da Recorrente. Além disso, a autoridade preparadora deverá confirmar a procedência dos créditos informados pela Recorrente nos DACON de fls. 2855 a 2891, com base em todos os documentos carreados nos autos, inclusive aqueles apresentados após o julgamento de 1ª instância administrativa. Caso os créditos não sejam confirmados, no todo ou em parte, a autoridade preparadora devera justificar a manutenção da glosa fundamentadamente. Realizada a diligência pela autoridade preparadora, deverá ser dada vista à Recorrente para se manifestar, se for do seu interesse, pelo prazo de 30 (trinta) dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à Procuradoria da Fazenda Nacional. Realizados os procedimentos, devem os autos retornar a este Conselheiro para fins de julgamento. Fl. 3217DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 19515.000646/200457 Resolução nº 3201000.397 S3C2T1 Fl. 3.218 11 (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 3218DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10120.009574/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
Ementa:
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INSUBSISTÊNCIA PARCIAL.
Se, embora por caminhos jurídicos diversos, a conclusão dirige-se no sentido de decretar a insubsistência de parte dos créditos tributários constituídos, a decisão exarada em primeira instância deve ser ratificada, negando-se, assim, provimento ao recurso necessário interposto.
Numero da decisão: 1301-001.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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INSUBSISTÊNCIA PARCIAL. Se, embora por caminhos jurídicos diversos, a conclusão dirigese no sentido de decretar a insubsistência de parte dos créditos tributários constituídos, a decisão exarada em primeira instância deve ser ratificada, negandose, assim, provimento ao recurso necessário interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 95 74 /2 01 0- 11 Fl. 769DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.009574/201011 Acórdão n.º 1301001.321 S1C3T1 Fl. 770 2 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas aos anoscalendário de 2005. Por bem sintetizar os fatos apurados e argumentos expendidos pela autuada em sede de impugnação, adoto o relatório constante na decisão exarada em primeira instância. Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foram lavrados os autos de infração às fls. 440/451, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário abaixo discriminado, relativo ao anocalendário de 2005, incluindo juros de mora e multa proporcional, totalizando R$ 9.817.830,32: Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica IRPJ 6.310.705,44 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL 3.507.124,88 De acordo com a descrição dos fatos dos autos de infração, que remete ao Relatório de Fiscalização anexado às fls. 452/456, os lançamentos de ofício se fundamentam na constatação das irregularidades a seguir expostas. a) INSUFICIÊNCIAS DE RECOLHIMENTO DE IRPJ/CSLL Até o anocalendário de 2005, a empresa optou pela tributação do IRPJ e da CSLL pelo regime do lucro presumido, e, para reconhecimento de suas receitas, adotou o regime de caixa, determinando a base de cálculo do IRPJ e das contribuições (inclusive a CSLL) sobre a receita efetivamente recebida. A partir do anocalendário de 2006, a contribuinte optou pela tributação com base no lucro real, ficando desde então submetida ao regime de competência, e, assim, conforme o art. 1º da IN SRF nº. 345, de 2003, deveria encerrar em 31/12/2005 a adoção do regime de caixa, reconhecendo naquela data as receitas auferidas e ainda não recebidas, submetendoas à tributação, o que não ocorreu. A empresa, em relação às receitas auferidas de 2003 a 2005, permaneceu adotando o regime de caixa, e, diante deste cenário, a fiscalização refez o cálculo do IRPJ e da CSLL devidos em 31/12/2005 e recolhidos de 2006 a 2007 (postergação), conforme demonstrativos acostados às fls. 436 e 438, apurando insuficiências de recolhimento de R$ 146.424,96 e R$ 72.832,16, respectivamente, que estão sendo exigidas em lançamento de ofício, com os acréscimos legais. b) FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ/CSLL De outra parte, em razão da prática adotada pela contribuinte, a fiscalização constatou que as receitas faturadas em anoscalendário anteriores a 2006, ainda não recebidas, não foram submetidas à tributação, o que motivou o lançamento do IRPJ e da CSLL sobre essas receitas, nos valores de R$ 2.622.642,81 e R$ 1.466.055,46, respectivamente, com os devidos acréscimos legais, conforme discriminado nas planilhas de cálculo às fls. 435/438. Dentre as receitas acima computadas, a fiscalização enfoca o caso específico de recebíveis da Emsa transferidos para a empresa Ibuka Mineração Ltda. (CNPJ Fl. 770DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.009574/201011 Acórdão n.º 1301001.321 S1C3T1 Fl. 771 3 33.394.776/00192), destacados nas planilhas de apuração de PIS/Cofins apresentadas pela Emsa (fls. 406/428), que a justifica a operação com o argumento de que subscreveu e integralizou cotas do capital social da Ibuka mediante a transferência de direitos creditórios de sua titularidade, conforme 10ª Alteração Contratual e Consolidação da Ibuka e cujos valores foram tributados nesta última. Conforme verificado nos sistemas da RFB, a fiscalização constatou que a Ibuka, de fato, declarou em DCTF montante de débitos tributários compatível com as receitas relativos aos títulos que lhe foram transferidos pela Emsa, mas não recolheu a totalidade desses débitos, cujo saldo foi objeto de parcelamento não honrado, e, recentemente, a Ibuka optou pelo parcelamento da Lei nº. 11.941, de 1009, incluindo todos os débitos (fl. 291). Sobre essa situação, a fiscalização destaca que não há na 10ª Alteração Contratual e Consolidação da Ibuka nenhuma cláusula que obrigue esta empresa a recolher os tributos sobre as receitas relativas aos direitos transferidos pela Emsa, e, ainda que houvesse, vige a respeito o art. 123 do CTN, de sorte que não se pode considerar os pagamentos feitos pela Ibuka como se da Emsa fossem, nem a confissão feita via DCTF, pois não há previsão para tanto. E, mesmo que se aceitasse tal situação, para a qual não há previsão legal, a Emsa deveria ter sido excluída do Refis, instituído pela Lei nº. 9.964, de 2000, da qual é optante, por força do art. 5º., inciso II, deste diploma legal. Por fim, o recebimento dos títulos transferidos à Ibuka se dava na Emsa (lançamentos contábeis às fls. 430/433), o que, corroborado pela alteração contratual da Ibuka, demonstra que esta não se transformou em credora das instituições públicas e privadas devedoras da Emsa, pelo menos formalmente, razão porque tais quantias foram incluídas na base de cálculo das receitas da Emsa por ela não submetidas à tributação. Cientificada das exigências, por via postal, em 25/11/2010 (AR colado à fl. 459), a autuada apresentou em 23/12/2010 as petições impugnativas acostadas às fls. 475/507 (IRPJ) e 586/599 602/616 (CSLL), nas quais, após enfocar os fatos que fundamentam a autuação, ataca o procedimento fiscal com os argumentos a seguir sumariados. a) DA MUDANÇA DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO Evidenciase a patente ilegalidade e inadequação do entendimento adotado pela autoridade tributária que presidiu o procedimento, ao considerar devidos o IRPJ e a CSLL incidentes sobre receitas diferidas pela impugnante, decorrentes de contratos de longo prazo celebrados com entes públicos, pelo simples fato de o sujeito passivo ter alterado seu regime de apuração do IRPJ, porquanto tal simples mudança de regime tributário (do lucro presumido para o lucro real) não constitui hipótese de incidência ou fato gerador das exações em foco, à luz do disposto no art. 43 do CTN, a justificar a antecipação do oferecimento daquelas receitas diferidas que, via de regra, representam mera expectativa de receita. Esclarece que até o anocalendário de 2005 optou pela apuração do IRPJ pelo regime do lucro presumido, o que lhe permitia oferecer à tributação apenas as receitas efetivamente recebidas (regime de caixa), conforme faculdade expressamente contida no art. 13 da Lei nº. 9.718, de 1998, c/c a IN SRF nº. 104, de 1998. Para os anoscalendário de 2006 e subseqüentes, decidiu proceder à mudança daquele regime de tributação, passando a apurar o IRPJ pelo lucro real, mantendo, todavia, em relação às receitas auferidas nos períodos anteriores, a prática contábil e fiscal de somente oferecer à tributação as receitas efetivamente recebidas, pelo fato Fl. 771DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.009574/201011 Acórdão n.º 1301001.321 S1C3T1 Fl. 772 4 de todas as suas receitas decorrerem de contratos de empreitada com prazo de execução superior a um ano, celebrados com entidades governamentais, e, assim, serem aplicáveis as disposições específicas constantes dos arts. 407 e 409 do RIR/99. Neste caso, afirma que se impõe a prevalência da norma específica sobre a regra geral, como decidiu o Conselho de Contribuintes em caso análogo ao vertente, acrescentando, também, que a decisão pela manutenção da prática contábil anteriormente adotada teve sustento, inclusive, na prévia emissão de competente parecer jurídico de uma banca de advogados de notória especialização na matéria, a sociedade Braga & Marafon – Consultores e Advogados (do qual reproduz trechos), que, naquela oportunidade, apresentou entendimento favorável à manutenção da dita prática. Enfim, aduz que não há como aceitar a presuntiva precipitação da tributação sobre renda que, à época da mudança do regime de tributação da empresa, ainda não se encontrava disponível, já que, conforme exposto anteriormente, seu fato gerador somente se configura a partir de fato futuro: o efetivo pagamento, por parte da entidade governamental contratante, do preço acordado. b) DA TRANSFERÊNCIA DOS DIREITOS CREDITÓRIOS PARA A IBUKA A impugnante faz um relato de seu ingresso, em 02/05/2005, como sócia cotista da Ibuka Mineração Ltda., confirmando que utilizou para integralizar novas cotas de capital social desta, no valor de R$ 132.965.409,00, direitos creditórios de sua titularidade, com respaldo na própria legislação civilista vigente (Lei nº. 10.406, de 2002, art. 997, III e art. 1.081). Diante dessa operação societária permitida por lei e adotando a Ibuka a sistemática de apuração pelo regime do lucro presumido, a mesma registrou o aumento de capital lançando em sua contabilidade os valores a receber que lhe foram transferidos, bem como procedeu, à medida do recebimento desses valores, ao oferecimento destes à tributação, como receitas não operacionais, na forma do art. 521 do RIR/99. Ademais, é entendimento abraçado pela própria RFB que o valor pelo qual a pessoa subscritora confere bens integrantes de seu patrimônio a título de integralização de capital social de determinada pessoa jurídica constitui receita bruta para efeitos de tributação, como esclarece a Solução de Consulta nº 169, de 2010, de modo que é injustificado o fundamento da autoridade lançadora, no sentido de que não se pode considerar os pagamentos feitos pela Ibuka como se da Emsa fossem, nem a respectiva confissão de débitos feita via DCTF. Sobre o fato de terem sido pagos à Emsa os créditos transferidos à Ibuka, esclarece que atuou, no caso, com uma mera intermediária na percepção e posterior trespasse dos referidos valores, contabilizando tais quantias recebidas como “numerário em trânsito”. c) DA QUESTÃO EVENTUAL DE DECADÊNCIA Eventualmente, a prevalecer o errôneo entendimento firmado pela autoridade fiscal de que o fato gerador restaria configurado quando das contratações firmadas entre a impugnante e suas tomadoras de serviços, ainda assim grande parte dos lançamentos tributários encontrarseia definitivamente fulminada pela decadência. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.009574/201011 Acórdão n.º 1301001.321 S1C3T1 Fl. 773 5 Isto porque todo o crédito tributário objeto do auto de infração restou constituído em 19/11/2010, sendo certo, todavia, que, conforme entendimento firmado pelo mesmo autor do feito, grande parte do crédito tributário combatido possui fato gerador que remonta ao período anterior a 19/11/2005, cuja decadência ocorreu em razão do disposto no art. 150, § 4º., do CTN. d) DOS DESCONTOS INCONDICIONAIS Também em caráter eventual, protesta contra a indevida desconsideração pela autoridade fiscal, na apuração do montante tributável, da existência de valores representativos de descontos incondicionais concedidos sobre serviços prestados pela impugnante, no valor total de R$ 3.535.413,17, conforme consta de seu balancete analítico consolidado e documentos ora juntados. Ignorar esta exclusão constitui frontal violação ao art. 280 do RIR/99, c/c a IN SRF nº. 71, de 1978, que expressamente autorizam a dedução dos descontos incondicionais, como parcela redutora do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. No mesmo sentido, invoca ementa de Acórdão do então 1º Conselho de Contribuintes. e) DA NÃO INCIDÊNCIA DA CSLL S/ RECEITAS DE EXPORTAÇÃO Por fim, afirma que não se pode deixar passar o equívoco cometido pela autoridade lançadora, ao ter erroneamente considerado na base de cálculo da CSLL valores decorrentes de receita de exportação advindas de serviços prestados pela Emsa a pessoa jurídica domiciliada no exterior (no caso a empresa italiana IGECO SPA), no importe de R$ 26.338.984,10, constante do balancete consolidado de dezembro de 2003, em total dissonância com a decisão judicial proferida nos autos de Mandado de Segurança impetrado pela impugnante junto à Seção Judiciária de Goiás (proc. nº. 2008.35.00.01386847), decisum esse de efeitos oponíveis à Fazenda Nacional, mesmo ainda não transitado em julgado. Junta como provas cópias do contrato firmado com a empresa IGECO SPA, das invoices emitidas, dos contratos de câmbio respectivos e da sentença proferida nos autos do procedimento mandamental. Encerra manifestando a pretensão de provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, Distrito Federal, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº 0344.263, de 29 de julho de 2011, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: REGIME DE CAIXA. LUCRO PRESUMIDO. MUDANÇA PARA O REGIME DO LUCRO REAL. Adotando o sujeito passivo o regime de caixa e a tributação pelo lucro presumido até o anocalendário de 2005, a mudança para a tributação pelo lucro real, a partir do anocalendário subsequente, implica submeter à tributação as receitas Fl. 773DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.009574/201011 Acórdão n.º 1301001.321 S1C3T1 Fl. 774 6 contabilizadas e ainda não recebidas, em 31/12/2005, na forma determinada pelo art. 1º. da IN SRF nº. 345, de 2003. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. CRÉDITOS A RECEBER. Na tributação pelo lucro presumido e regime de caixa, constitui receita do subscritor, na data da operação, o valor pelo qual este transfere créditos a receber a título de integralização de capital social de empresa. DECADÊNCIA. Tendo o fato gerador ocorrido em 30/06/2005 e existindo pagamento deste período de apuração, considerase decaído o crédito lançado em 25/11/2010, diante da regra do art. 150, § 4º., do CTN. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Não há exclusões a fazer do valor apurado pela fiscalização, uma vez tendo este se baseado em planilhas elaboradas pelo sujeito passivo, na qual não estão incluídas as receitas de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, sobre cujo faturamento foram concedidos descontos incondicionais. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Não há exclusões a fazer do valor apurado pela fiscalização, uma vez tendo este se baseado em planilhas elaboradas pelo sujeito passivo, na qual não estão incluídas as receitas de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, que estariam a salvo da incidência da contribuição por decisão judicial. LANÇAMENTO DECORRENTE DOS MESMOS FATOS. Aplicase ao lançamento da CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento do IRPJ, formalizado a partir dos mesmos elementos fáticos. Diante da exoneração de parte do crédito tributário constituído, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício. Às fls. 766, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Goiânia informa que o crédito tributário que remanesceu em razão da decisão de primeira instância foi recolhido pela autuada, permanecendo nos autos, assim, os valores objeto do recurso de ofício. É o Relatório. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.009574/201011 Acórdão n.º 1301001.321 S1C3T1 Fl. 775 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o presente de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao anocalendário de 2005, formalizadas em razão da imputação das seguintes infrações: i) postergação do pagamento das exações, em virtude do recolhimento nos anos de 2006 e de 2007 de valores (receitas apropriadas pelo regime de caixa) que, em virtude da alteração do regime de tributação de lucro presumido para lucro real, deveriam ter sido tributados no anocalendário de 2005; ii) falta de recolhimento das exações, decorrente de receitas faturadas em anoscalendário anteriores a 2006, ainda não recebidas e que não foram submetidas à tributação, não obstante a mudança do regime de tributação. Tomando por base o RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO de fls 452/456, observo que as infrações imputadas à contribuinte foram lastreadas nos seguintes fatos e fundamentos: a) tendo a contribuinte optado pela tributação no anocalendário de 2006 com base no lucro real, ela deveria ter encerrado a tributação pelo regime de caixa no lucro presumido no quarto trimestre de 2005, reconhecendo as receitas auferidas e ainda não recebidas; b) a contribuinte auferiu receitas no período de 2003 a 2005 no montante de R$ 515.648.522,38, tendo oferecido à tributação o total de R$ 486.595.351,96, sendo que, deste valor, R$ 118.391.911,26 correspondiam a receitas auferidas em períodos anteriores a 2003; c) diante do exposto no item anterior, concluise que as receitas auferidas e tributadas no período de 2003 a 2005 alcançaram o montante de R$ 368.203.440,70 (R$ 486.595.351,96 R$ 118.391.911,26), restando, assim, o valor de R$ 147.445.081,68 (R$ 515.648.522,38 R$ 368.203.440,70), que deveria ter sido oferecido à tributação no período de apuração relativo ao último trimestre de 2005, nos termos do art. 1º da IN/SRF nº 345, de 2003; d) a contribuinte apresentou, em resposta à intimação, planilhas demonstrando a tributação, a partir de 2006, de receitas auferidas nos anos de 2003 a 2005; e) a contribuinte, em processo de subscrição e integralização de capital, transferiu para a empresa IBUKA MINERAÇÃO LTDA direitos creditórios, que foram oferecidos à tributação por essa empresa (IBUKA); Fl. 775DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.009574/201011 Acórdão n.º 1301001.321 S1C3T1 Fl. 776 8 f) a IBUKA declarou em DCTF montante compatível de débitos tributários com o incidente sobre as receitas derivadas dos títulos recebidos em integralização de capital; g) para a autoridade fiscal, “não se pode considerar os pagamentos feitos pela Ibuka como se da EMSA fossem, nem a respectiva confissão de débitos feita via DCTF, já que não há previsão legal para tanto.”; h) afirma a autoridade fiscal: 32. Conforme planilhas de cálculo para pagamento do PIS e da Cofins de fls. 406 a 428 (apresentadas também em resposta ao Termo de Intimação de 01/06/2010), o recebimento dos direitos transferidos à Ibuka se dava na EMSA (ver lançamentos contábeis relativos ao recebimento de alguns dos títulos transferidos à Ibuka às fls. 430 a 433), o que, corroborado pela alteração contratual da Ibuka (fls. 248 a 258), demonstra que esta não se transformou em credora das instituições públicas e demais empresas devedoras da EMSA, pelo menos formalmente. 33. Para melhor entendimento dos lançamentos contábeis acima mencionados, esclareçase que a EMSA procedeu à transferência do investimento na Ibuka para a AMC Construções e Participações Ltda. (empresa do mesmo grupo), conforme lançamento contábil de fls. 429, a qual considerava os recebimentos dos mencionados títulos como pagamentos da AMC (lançamentos de fls. 430 a 4331). Os montantes lançados derivaram, integralmente, do valor de R$ 147.445.081,68, que, para a Fiscalização, deveria ter sido oferecido à tributação no período de apuração relativo ao último trimestre de 2005. Tal montante, como visto, representa a diferença entre o montante de receitas auferidas no período de 2003 a 2005 (R$ 515.648.522,38) e o total dessas receitas que foi submetido à tributação (R$ 368.203.440,70). O valor de R$ 515.648.522,38 foi levantado com base em informações prestadas pela fiscalizada e registros contábeis analisados, enquanto o total pago (R$ 368.203.440,70) foi apurado por meio das declarações de informação (DIPJ) apresentadas. Assinala a Fiscalização (RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO, itens 20 a 33) que, em resposta à intimação, a contribuinte apresentou planilhas demonstrando a tributação, a partir de 2006, das receitas auferidas no período de 2003 a 2005. Apreciando outros documentos, a Fiscalização constatou que determinados débitos haviam sido confessados e pagos pela empresa IBUKA em razão da transferência de direitos creditórios feitos pela fiscalizada a título de integralização de capital. Tanto a confissão como os pagamentos acima referenciados, foram desprezados pela Fiscalização sob o fundamento de que a lei não abriga tal procedimento, sendo aplicável ao caso as disposições do art. 123 do Código Tributário Nacional. Os direitos creditórios transferidos pela fiscalizada para a IBUKA totalizaram R$ 132.965.409,00. A Turma Julgadora de primeira instância afastou, por caducidade do direito de lançar, a exigência decorrente da consideração, no montante a tributar (R$ 147.445.081,68), Fl. 776DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.009574/201011 Acórdão n.º 1301001.321 S1C3T1 Fl. 777 9 do valor correspondente aos direitos creditórios transferidos pela fiscalizada para a empresa IBUKA (R$ 132.965.409,00). Esse, enfim, é o objeto do recurso de ofício. Em conformidade com o entendimento esposado no voto condutor da decisão de primeiro grau, temos que: a) a subscrição de capital cuja integralização foi feita com a transferência de direitos creditórios se deu em 02 de maio de 2005; b) nos termos da Solução de Consulta nº 169, de 2010, quando a pessoa jurídica transfere para outra um ativo realizável de seu patrimônio, para fins de integralização de capital, no momento da citada transferência, havendo a correspondente baixa, o ativo envolvido é considerado realizado; c) tendo a fiscalizada adotado a tributação com base no lucro presumido e optado pelo regime de caixa, e sendo o ativo transferido representado por direitos creditórios, tais recebíveis são considerados realizados na data da integralização, devendo, neste momento, ser computados como receitas tributáveis. Em conclusão, assevera a decisão a quo que o montante utilizado na integralização de capital ficou sujeito à incidência tributária em 02 de maio de 2005, integrando, assim, as bases de cálculo correspondentes ao segundo trimestre de 2005, cujo fato gerador é considerado realizado em 30 de junho de 2005. Assegura que, em relação ao citado trimestre, a contribuinte declarou e efetuou pagamentos do IRPJ e da CSLL. Tendo por base tais fundamentos, a autoridade julgadora de primeira instância, lastreada nas disposições do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, decretou a caducidade do direito de a Fazenda constituir os créditos tributários, eis que a data limite para tal era 31 de junho de 2010 e os lançamentos só se efetivaram em 25 de novembro do referido ano. Não obstante, informa o ato decisório que o prejuízo para a Fazenda Pública “foi atenuado pelo fato de o referido valor haver sido tributado na pessoa jurídica IBUKA. Ressalva, ainda, “que a confissão destes débitos pela Ibuka em DCTF é meio suficiente para constituir o crédito tributário da Fazenda Pública, haja vista ser a DCTF instrumento hábil para cobrança administrativa, inscrição na Dívida Ativa e deflagração de execução fiscal, se necessária.” Conclui afirmando que tal confissão é definitiva, “não cabendo mais discussão da matéria em sede de contencioso administrativo.” Vêse, pois, que estamos diante de dois fundamentos, quais sejam: i) o adotado pela Fiscalização, que entende que, não obstante a transferência dos direitos creditórios, em virtude da ausência de amparo legal e de demonstração de que a recebedora dos títulos correspondentes passou a ser credora dos respectivos valores, a contribuinte autuada permaneceu com o dever de recolher os tributos incidentes sobre as receitas advindas dos referidos direitos creditórios; e ii) o esposado no voto condutor da decisão de primeiro grau no sentido de que, nos termos da Solução de Consulta nº 169, de 2010, quando a pessoa jurídica transfere para outra um ativo realizável de seu patrimônio, para fins de integralização de capital, este é considerado realizado no momento da transferência. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.009574/201011 Acórdão n.º 1301001.321 S1C3T1 Fl. 778 10 Embora não tenha convicção acerca da aplicação do entendimento estampado na Solução de Consulta nº 169 ao caso presente, não encontro na legislação de regência, também, norma capaz de servir de suporte para a tributação pretendida pela autoridade fiscal. Aqui, inclinome a considerar que, ressalvada a hipótese de desconsideração dos efeitos fiscais decorrentes da transmissão dos direitos creditórios, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos incidentes sobre os rendimentos produzidos pelos títulos recebidos em virtude da integralização de capital, na linha do sustentado na peça impugnatória, era da empresa investida. Relativamente à desconsideração dos efeitos fiscais decorrentes da transmissão dos direitos creditórios, situação que, a meu ver, poderia levar à procedência da autuação sobre o montante envolvido na operação, penso que a Fiscalização deveria ter aprofundado as suas investigações, de modo a trazer para os autos elementos indicativos da prática de ato simulatório. Assim, considerando tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 778DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 11030.902179/2012-42
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 21 79 /2 01 2- 42 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902179/201242 Acórdão n.º 3803005.274 S3TE03 Fl. 72 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o pedido de restituição formulado, relativo a indébito da Cofins devida em fevereiro de 2003, apurada com base na Lei nº 9.718, de 1998, no montante de R$ 1.722,12. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da Cofins, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de parte do livro Registro de Apuração do ICMS, de planilha de apuração da contribuição por ele elaborada, do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) e do DARF, que, segundo ele, comprovariam a origem do direito creditório pleiteado. A DRJ Porto Alegre/RS não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 7 de agosto de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 5 de setembro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902179/201242 Acórdão n.º 3803005.274 S3TE03 Fl. 73 3 Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1 ADC n° 18/DF Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902179/201242 Acórdão n.º 3803005.274 S3TE03 Fl. 74 4 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902179/201242 Acórdão n.º 3803005.274 S3TE03 Fl. 75 5 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11030.902181/2012-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 21 81 /2 01 2- 11 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902181/201211 Acórdão n.º 3803005.276 S3TE03 Fl. 71 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o pedido de restituição formulado, relativo a indébito da Cofins devida em abril de 2003, apurada com base na Lei nº 9.718, de 1998, no montante de R$ 2.497,16. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da Cofins, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de parte do livro Registro de Apuração do ICMS, de planilha de apuração da contribuição por ele elaborada, do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) e do DARF, que, segundo ele, comprovariam a origem do direito creditório pleiteado. A DRJ Porto Alegre/RS não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 7 de agosto de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 5 de setembro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902181/201211 Acórdão n.º 3803005.276 S3TE03 Fl. 72 3 Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1 ADC n° 18/DF Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902181/201211 Acórdão n.º 3803005.276 S3TE03 Fl. 73 4 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902181/201211 Acórdão n.º 3803005.276 S3TE03 Fl. 74 5 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723113/2011-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 31 13 /2 01 1- 11 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043. 337, julgado na sessão de 11 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POÁ), referente ao processo administrativo n° 11080.723113/201111, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. 4 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 203219, onde apresentou as suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. É o sucinto relatório. 5 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, 6 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda;” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. 7 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 14485.001920/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2000
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SEGURADOS EMPREGADOS - ESTAGIÁRIO - DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO - PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante nº 8São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
O lançamento foi efetuado em 28/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1999 a 02/2000, pela aplicação do art. 150, § 4º do CTN o crédito apurado encontra-se totalmente extinto. A existência de recolhimentos, mesmo que a outros títulos por parte da empresa, é determinante na aplicação da decadência consubstanciado no art. 150, § 4º do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2000 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SEGURADOS EMPREGADOS - ESTAGIÁRIO - DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO - PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante nº 8São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. O lançamento foi efetuado em 28/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1999 a 02/2000, pela aplicação do art. 150, § 4º do CTN o crédito apurado encontra-se totalmente extinto. A existência de recolhimentos, mesmo que a outros títulos por parte da empresa, é determinante na aplicação da decadência consubstanciado no art. 150, § 4º do CTN. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2000 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SEGURADOS EMPREGADOS ESTAGIÁRIO DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a “Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. O lançamento foi efetuado em 28/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1999 a 02/2000, pela aplicação do art. 150, § 4º do CTN o crédito apurado encontrase totalmente extinto. A existência de recolhimentos, mesmo que a outros títulos por parte da empresa, é determinante na aplicação da decadência consubstanciado no art. 150, § 4º do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 19 20 /2 00 7- 39 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.001920/200739 Acórdão n.º 2401003.285 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 35.904.1418 tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não descontadas em época própria, da empresa, bem como a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a destinada a terceiros, apuradas no período compreendido entre 01/1999 a 02/2000. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 34 a 44, Importante, destacar que a lavratura da AIOP deuse em 28/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 158 a 176. O processo foi baixado em diligência, fls. 187, para que fossem prestados esclarecimentos. Foi emitido relatório fiscal substitutivo, contendo a informação de elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais. Após cientificado dos termos da diligência , o recorrente manifestouse às fls. 207 e seguintes. A Decisão de 1 instância confirmou a procedência do lançamento, fls. 242 a 257. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 266 a 316, alegando preliminarmente a decadência do crédito, bem como alegando nulidade face os diversos vícios contidos no ato. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 376. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Preliminarmente, quanto ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido, à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 384DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.001920/200739 Acórdão n.º 2401003.285 S2C4T1 Fl. 4 5 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173, I do referido diploma. Contudo, embora seja esse o meu entendimento quanto a aplicação da decadência quinquenal, entendimento diverso tem sido ofertado por essa turma de julgamento, seguindo direcionamento da Câmara superior deste egrégio Conselho a respeito do tema. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Dessa forma, deixo de aplicar meu entendimento quanto a aplicação do art. 173, I ao presente caso, para aplicar o art. 150, § 4º do CTN, já que o entendimento descrito pela Câmara Superior é no sentido que existindo recolhimentos, mesmo que a outros títulos, ou seja, existência de recolhimentos de qualquer natureza, o que pode ser constatado por meio do TEAF e relatório de documentos apresentados, fl. 15, 16 e 32 dos autos. Face o exposto, considerando que o lançamento em questão foi efetuado em 28/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia e que os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1999 a 02/2000, pela aplicação do art. 150, § 4º do CTN o crédito apurado encontrase totalmente extinto. CONCLUSÃO Voto por CONHECER do recurso, para DARLHE PROVIMENTO face a aplicação da decadência quinquenal. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001388/2010-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/05/2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA.
A coisa julgada configura-se como causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se porventura houver.
RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA.
A Coisa Julgada Administrativa configura-se causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. ESCRITURAÇÃO FISCAL. GUARDA DE DOCUMENTOS.
A empresa tem, por obrigação legal, que proceder à escrituração fiscal, em títulos próprios de sua contabilidade, de todos os lançamentos representativos de fatos geradores das contribuições previdenciárias, no prazo máximo de 90 dias contados das suas ocorrências, devendo tais documentos fiscais ser arquivados na empresa, mantidos sob sua guarda, à disposição da fiscalização.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96).
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/05/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. A coisa julgada configura-se como causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda. O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se porventura houver. RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. A Coisa Julgada Administrativa configura-se causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. ESCRITURAÇÃO FISCAL. GUARDA DE DOCUMENTOS. A empresa tem, por obrigação legal, que proceder à escrituração fiscal, em títulos próprios de sua contabilidade, de todos os lançamentos representativos de fatos geradores das contribuições previdenciárias, no prazo máximo de 90 dias contados das suas ocorrências, devendo tais documentos fiscais ser arquivados na empresa, mantidos sob sua guarda, à disposição da fiscalização. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
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COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. A coisa julgada configurase como causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se porventura houver. RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. A Coisa Julgada Administrativa configurase causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. ESCRITURAÇÃO FISCAL. GUARDA DE DOCUMENTOS. A empresa tem, por obrigação legal, que proceder à escrituração fiscal, em títulos próprios de sua contabilidade, de todos os lançamentos representativos de fatos geradores das contribuições previdenciárias, no prazo máximo de 90 dias contados das suas ocorrências, devendo tais documentos fiscais ser arquivados na empresa, mantidos sob sua guarda, à disposição da fiscalização. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 13 88 /2 01 0- 39 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.001388/201039 Acórdão n.º 2302002.885 S2C3T2 Fl. 57 3 Relatório Período de apuração: 01/07/2007 a 31/05/2010 Data da lavratura do AIOP: 20/07/2010. Data da Ciência do AIOP: 20/07/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ no Rio de Janeiro I/RJ, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.276.7265, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre a remuneração de segurados obrigatórios do RGPS, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 22/23. De acordo com a resenha fiscal, a empresa Autuada foi excluída do Simples Nacional, mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/SAO nº 91/2010, de 08 de julho de 2010, a fl. 27 do PAF nº 11070.001381/201091, com efeitos retroativos a 1º de julho de 2007, do qual a empresa houvese por cientificada em 20/07/2010, em razão de ter oferecido embaraço à Fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estava obrigada, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estava intimada a apresentar, e pela falta de escrituração do livro caixa, ou por este não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária, na forma do disposto no art. 29, I e VIII da Lei Complementar nº 123/2006, consoante informações contidas no Processo Administrativo Fiscal nº 11070.001281/201091. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 26/31. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1236.583 14ª Turma da DRJ/RJ1, a fls. 32/41, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 12/05/2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 44. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 48/53, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Que as Microempresas são dispensadas de diversas obrigações contábeis, bastando que escriturem o livro caixa; Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Que o prazo de cinco dias úteis para a apresentação de livros e documentos foi exíguo, dificultando a defesa da empresa; · Que a Fiscalização não pode extrapolar na interpretação da legislação para criar uma situação de exclusão da empresa do Simples Nacional. Aduz que não houve embaraço à Fiscalização e que a inserção do termo “este” antes dos termos “não permitir” alterou a fundamentação legal; · Que ao procedimento administrativo aplicamse os seguintes princípios: Inquisitoriedade, cientificação, formalismo moderado ou informalismo, celeridade e o da motivação; Ao fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.001388/201039 Acórdão n.º 2302002.885 S2C3T2 Fl. 58 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 27/04/2011. Havendo sido o recurso voluntário postado na Agência dos Correios no dia 26 de maio do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente alega, dentre outras coisas, que as Microempresas são dispensadas de diversas obrigações contábeis, bastando que escriturem o livro caixa. Pondera também que o prazo de cinco dias úteis para a apresentação de livros e documentos foi exíguo, dificultando a defesa da empresa. Argumenta, ainda, que a Fiscalização não pode extrapolar na interpretação da legislação para criar uma situação de exclusão da empresa do Simples Nacional. Aduz que não houve embaraço à Fiscalização e que a inserção do termo “este” antes dos termos “não permitir” no texto do Ato Declaratório Executivo DRF/SAO nº 91/2010, de 08 de julho de 2010, alterou a fundamentação legal. Tais questões, todavia, não poderão ser conhecidas, apreciadas e julgadas no presente Recurso Voluntário em razão de terem pertinência unívoca e direta com o procedimento administrativo objeto do PAF nº 11070.001281/201091, que culminou na expedição do Ato Declaratório Executivo DRF/SAO nº 91/2010, de 08 de julho de 2010, a fl. 27. Conforme expressamente consignado no art. 3º do ADE DRF/SAO nº 91/2010, do qual o Recorrente tomou ciência em 20/07/2010, “Fica assegurado à empresa o direito ao contraditório e à ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo, o qual poderá ser exercido no prazo de 30 dias da ciência deste ato, mediante impugnação dirigida ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Santa Maria/RS”. Nessa vertente, o forum processual apropriado e único para o exercício do contraditório e da ampla defesa relativos às questões de fato e de direito das quais resultaram a emissão do Ato Declaratório Executivo DRF/SAO nº 91/2010 concentrase no Processo Administrativo Fiscal nº 11070.001281/201091, circunstância que esvazia a competência deste Colegiado para apreciar e julgar questões atávicas a outro Processo Administrativo Fiscal. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 “Não se tolera, em direito processual, que uma mesma lide seja objeto de mais de um processo simultaneamente.” (Humberto Theodoro Júnior) Mostrase auspicioso iluminar que no Processo Administrativo Fiscal nº 11070.001281/201091, acima referido, a empresa em tela ofereceu Manifestação de Inconformidade em face do Ato Declaratório Executivo DRF/SAO nº 91/2010, a qual foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 1236.581 14ª Turma da DRJ/RJ1, de 08 de abril de 2011. Insatisfeita, a empresa interpôs Recurso Voluntário perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual, igualmente, houvese por julgado improcedente, nos termos aviados no Acórdão nº 180100.975 – 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, de 12 de abril de 2012, do qual a Empresa foi cientificada em 24 de maio do mesmo ano, sendo o referido processo baixado em arquivo na data de 12 de julho de 2012. Dessarte, diante da flagrante relação de prejudicialidade entre as demandas objeto do PAF nº 11070.001281/201091 e a do vertente processo, a decisão proferida naquele irradia efeitos neste. Nessa perspectiva, a presente autuação já parte da premissa de que o Autuado encontrase despido do abrigo do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte desde 1º de julho de 2007, em razão do ADE DRF/SAO nº 91/2010, fruto do PAF nº 11070.001281/201091, não sendo admissíveis neste Processo Administrativo Fiscal qualquer discussão de mérito acerca das questões de fato e de direito que desaguaram na emissão do Ato Declaratório Executivo em tela, em virtude da existência de coisa julgada administrativa. Mostrase auspicioso enaltecer que, nos termos do inciso V do art. 267 do Código de Processo Civil, a Coisa Julgada figura como causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda. Código de Processo Civil Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232/2005) (...) V quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa julgada; (...) §3o O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não proferida a sentença de mérito, da matéria constante dos nº IV, V e VI; todavia, o réu que a não alegar, na primeira oportunidade em que Ihe caiba falar nos autos, responderá pelas custas de retardamento. (...) Art. 268. Salvo o disposto no art. 267, V, a extinção do processo não obsta a que o autor intente de novo a ação. A petição inicial, todavia, não será despachada sem a prova do pagamento ou do depósito das custas e dos honorários de advogado. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.001388/201039 Acórdão n.º 2302002.885 S2C3T2 Fl. 59 7 Parágrafo único. Se o autor der causa, por três vezes, à extinção do processo pelo fundamento previsto no no III do artigo anterior, não poderá intentar nova ação contra o réu com o mesmo objeto, ficandolhe ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em defesa o seu direito. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS O Recorrente pondera que o prazo de cinco dias úteis para a apresentação de livros e documentos foi exíguo, dificultando a defesa da empresa. Sem razão. A dilação quinquidiária assinalada pela Fiscalização à empresa para a apresentação de sua escrituração contábil decorre ex lege, estando expressamente prevista no §1º do art. 19 da Lei nº 3.470/58, incluído pela Medida Provisória nº 2.15835/2001. Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958. Art. 19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835/2001) §1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835/2001) §2º Não enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, §§ 2º e 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, o desatendimento a intimação para apresentar documentos, cuja guarda não esteja sob a responsabilidade do sujeito passivo, bem assim a impossibilidade material de seu cumprimento. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835/2001) Com efeito, dada a potencial impossibilidade de se apurar, imediatamente, o valor correspondente a cada operação a ser registrada na contabilidade, a legislação tributária concede um prazo de carência para que tais registros sejam lançados. Nessa toada, o §13º do art. 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, estipula que Fl. 64DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 os lançamentos contábeis referentes aos fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, só serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo tais lançamentos atender ao princípio contábil do regime de competência, além de registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Regulamento da Previdência Social Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. §14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. Não se deslembre que o art. 33 da Lei nº 8.212/91 outorgou à Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previdenciárias, atribuindo aos seus auditores fiscais a prerrogativa de examinar a contabilidade das empresas, ficando estas obrigadas a exibir todos os documentos e livros relacionados com tais contribuições sociais, e a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.001388/201039 Acórdão n.º 2302002.885 S2C3T2 Fl. 60 9 §1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Nessa esteira, o art. 32 da Lei nº 8.212/91 determina expressamente que a empresa é obrigada a preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos e a declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, mediante GFIP, todos os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS, devendo os documentos comprobatórios do cumprimento das tais obrigações instrumentais ficar arquivados na empresa, à disposição da fiscalização, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários a eles relativos, ou que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Código Tributário Nacional Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) §11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528/97). (grifos nossos) Da regra matriz acima revisitada defluem as normas assentadas no art. 37 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Guarda de Documentos Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Outra não é a determinação contida no art. 4º do DecretoLei nº 486/69, que dispõe sobre a escrituração e livros mercantis, ad litteris et verbis: DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Art. 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. No mesmo norte também apontam as diretrizes fixadas no art. 126, II da Lei Complementar nº 123/2006, que Instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: (...) II manter em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.001388/201039 Acórdão n.º 2302002.885 S2C3T2 Fl. 61 11 devidos e o cumprimento das obrigações acessórias a que se refere o art. 25 desta Lei Complementar enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Os preceptivos acima destacados não se atritam com as disposições encartadas no art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Dec. 3000/99. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Conservação de Livros e Comprovantes Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial §1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua §2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior §3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. No mesmo sentido apontam as normas cogentes do código civil: Código civil de 2002 Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. Nessa perspectiva, deflui dos dispositivos legais suso selecionados que a empresa tem, por obrigação legal, que proceder à escrituração fiscal em títulos próprios de sua contabilidade de todos os lançamentos representativos de fatos geradores das contribuições previdenciárias, no prazo máximo de 90 dias contados das suas respectivas ocorrências, devendo tais documentos fiscais ser arquivados na empresa, mantidos sob sua guarda, à disposição da fiscalização. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Diante de tal cenário, revelase o prazo de 5 dias úteis assinalado pela Fiscalização como suficiente para que a empresa disponibilizasse toda a documentação exigida pelos Auditores Fiscais. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS O Recorrente aproveitou a oportunidade concedida pela lei processual para inserir nos autos extensa discorrência sobre os princípios da inquisitoriedade, cientificação, formalismo moderado ou informalismo, celeridade e da motivação, os quais, no seu íntimo e exclusivo sentir, seriam aplicáveis ao procedimento administrativo. Mas olvidouse de indicar em qual específico ponto tal apontamento fundamenta sua pretensão de cancelamento do débito fiscal lançado. Não faz qualquer menção sobre eventual inobservância, pela Fiscalização, de tais princípios, tampouco demonstra e comprova qualquer desrespeito a eles pelos agentes do Fisco. Compulsando os autos, contudo, não logramos identificar qualquer violação aos princípios constitucionais que regem o lançamento tributário e Processo Administrativo Fiscal. Nas oportunidades em que teve para se manifestar nos autos do processo, o Recorrente quedouse inerte, não deduzindo razões tampouco as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a aduzir alegações pertinentes a outro Processo Administrativo Fiscal, incabíveis de serem apreciadas e julgadas neste, e a suscitar argumentações principiológicas e filosóficas acerca de princípios jurídicos supostamente aplicáveis ao Procedimento Administrativo, sem tecer considerações acerca do vínculo entre tais princípios e a sua pretensão de cancelamento do débito fiscal lançado, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando à distância do núcleo sensível do qual se irradiaram os fundamentos de Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.001388/201039 Acórdão n.º 2302002.885 S2C3T2 Fl. 62 13 fato e de direito que forneceram esteio ao lançamento em debate, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Optou, a seu risco, por exortar asserções ao vento, as quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10768.720381/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
COMPENSAÇÃO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS.
Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos compensados sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.919
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Gustavo Bastos, OAB/DF nº. 16.318.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESTITUIÇÃO Recorrente PETROBRAS DISTRIBUIDORA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 COMPENSAÇÃO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos compensados sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou se impedido. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Gustavo Bastos, OAB/DF nº. 16.318. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 03 81 /2 00 7- 11 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 6/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de restituição, cumulado com pedido de compensação de débitos próprios, com origem em pagamento a maior de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 534.256,82, referente ao período de outubro de 2003. Por meio do Despacho Decisório de fl. 53, a unidade de origem reconheceu o direito vindicado e homologou a compensação no limite do crédito reconhecido. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratase no presente processo de declaração de compensação (Dcomp) de débito da contribuição para o PIS, código 68242 do período de apuração 10/2003, mediante o aproveitamento de crédito proveniente de pagamento a maior a título de PIS, código 6912, relativo ao mesmo período de apuração. A autoridade fiscal, com base no Parecer Conclusivo nº 198/2009 (fls. 47 a 51), exarou o despacho decisório de fl. 52, no sentido de reconhecer integralmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 534.256,82 e homologar a compensação até o limite do crédito reconhecido. No Parecer Conclusivo consta consignado, resumidamente, que: a) O contribuinte declarou em DCTF e recolheu o PIS sob o código 69122 no valor de R$ 3.301.602,12. Na DIPJ o PIS foi declarado sob os códigos 6912 e 6824, perfazendo o total declarado em DCTF; b) Em face das divergências, o processo foi encaminhado à DEFIC para realização de diligência, tendo sido concluído que o valor devido para outubro de 2003 é de R$ 2.627.957,43 (já deduzida a retenção na fonte por órgão público) referente à alíquota geral para o PIS não cumulativo, código 6912 e de R$ 534.256,82 referente à alíquota diferenciada, código 6824, perfazendo o montante total de R$ 3.162.214,25; c) Embora no pedido de diligência constasse a solicitação para que o contribuinte fosse orientado a proceder às retificações nas informações prestadas à RFB, não houve qualquer alteração; d) Considerando os valores apurados pela fiscalização e o recolhimento efetuado, embora todo sob o código 6912, temse por configurado pagamento a maior de R$ 139.387,87; e) Por se tratar de débito do mesmo período de apuração do crédito aqui tratado, deve ser deduzido do que foi apurado pela fiscalização para que não seja cobrado em duplicidade. Assim sendo, o valor a ser considerado como “pagamento a maior” será o limite do que foi declarado em DCOMP, conforme se visualiza na planilha em anexo indicativa de todos os procedimentos adotados para os períodos de apuração de dezembro de 2002 a dezembro de 2003. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 6/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10768.720381/200711 Acórdão n.º 3202000.919 S3C2T2 Fl. 183 3 Cientificada do Parecer Seort e da correspondente carta cobrança em 29/06/2009 (fls. 60), a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade em 22/07/2009 (fls. 62 a 67), alegando, em síntese, que: a) O PER/DCOMP foi formalizado com vistas a promover a regularização do código DARF que apontava um único código de recolhimento 8109, quando o procedimento correto conduzia à necessidade de desdobramento do mesmo valor em dois códigos, 6912 e 6824; b) O procedimento de compensação teve essa única finalidade, em virtude da impossibilidade de se emitir novo DARF com a vinculação ao código de arrecadação correto, na forma do art. 10 da IN SRF 403/2004; c) O pagamento deuse tempestivamente e no valor exato da apuração, já contemplando o valor de R$ 534.256,82 na provisão de R$ 3.301.602,15; d) Todo o valor devido já estava nos cofres da Receita Federal desde o primeiro DARF. Em sendo assim, o saldo devedor é inexistente; e) Requer o recebimento da Manifestação com efeito suspensivo e a imputação adequada do pagamento a que se refere o PAF em questão. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II DRJ/RJ2 julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RJ2 n.º 1335.340, de 09/06/2011 (fls. 85/90), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 COMPENSAÇÃO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos compensados sofrem a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 99/103, por meio do qual repisa os mesmos argumentos já encartados em sua manifestação de inconformidade e também requer o seu recebimento com efeito suspensivo, além da análise conjunta, porque idênticos, com o processo n.º 16682.720923/201151. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 6/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A interessada apresentou PER/DCOMP visando restituir e posteriormente compensar crédito oriundo de pagamento a maior do PIS apurado em outubro de 2004. O valor que fora recolhido com o código de receita 6912 (PIS NÃO CUMULATIVO), no montante de R$ 3.301.602,12, equivaleria ao somatório de dois débitos do mesmo tributo, um no valor de R$ 2.767.345,33, a ser recolhido, como de fato foi, com o mesmo código de recolhimento, e outro no valor de R$ 534.256,82, que deveria ter sido recolhido com o código de receita 6824 (PIS – COMBUSTÍVEIS). Com a apresentação do PER/DCOMP, a interessada apenas pretendia corrigir o equívoco que cometeu quando recolheu conjuntamente os valores referidos. Ao apreciar o pleito, a unidade de origem deferiu na integralidade a restituição e homologou a compensação vinculada no exato montante do crédito reconhecido. A diferença reclamada mediante Carta de Cobrança decorre do fato de que a compensação só foi extinta na data da apresentação do PER/DCOMP, o que se deu em 22/07/2004. Com efeito, havia a obrigação, por imposição legal, de corrigir o crédito vindicado desde o dia do recolhimento a maior até data do envio do PER/DCOMP à RFB, bem como promover a correção do débito a ser compensado desde o seu vencimento, mas, neste caso, acrescido de multa e juros moratórios – porque, afinal, é na data da apresentação do PER/DCOMP que ocorre a extinção do débito pela compensação, ainda que sob condição resolutória. O fato de os valores terem sido recolhidos conjuntamente em 14/11/2003 não autoriza concluir que sobre o verdadeiramente não recolhido não devam ser computados os acréscimos legais cabíveis, pois, na verdade, o que houve foi um recolhimento a maior, quanto ao PIS não cumulativo, e uma inadimplência, quanto ao PIS – Combustíveis, erro só remediado com a apresentação do PER/DCOMP. Em essência, essa situação em nada difere de outras em que há recolhimento a maior de certo tributo, posteriormente em parte restituído e utilizado na compensação de valor não recolhido referente a tributo diverso. Em ambas as situações, a legislação, já reproduzida no voto condutor da decisão recorrida, determina a correção dos créditos e débitos (estes também acrescidos de multa de mora), tendo como referência a data de apresentação do PER/DCOMP. Correta, portanto, a decisão recorrida. No que concerne ao efeito suspensivo do Recurso, este se dá ex vi legis, apenas com a sua apresentação (§ 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996). Ante o exposto, voto por NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 6/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10768.720381/200711 Acórdão n.º 3202000.919 S3C2T2 Fl. 184 5 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 6/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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