Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10380.015567/2001-04
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/1996, 31/05/1996
DECADÊNCIA
Nos casos de lançamento por homologação, ausente dolo, fraude ou simulação, e constatando-se pagamento antecipado, a decadência se opera após o decurso do prazo de cinco anos, contado do fato gerador.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. FATO GERADOR.
O Imposto de Renda Pessoa Física incidente sobre ganhos de capital na alienação de bens e direitos constitui tributação definitiva, não se sujeitando ao ajuste anual, considerando-se ocorrido o fato gerador no mês do recebimento.
Recurso Extraordinário Negado
Numero da decisão: 9900-000.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Extraordinário.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Redatora-Designada ad hoc.
EDITADO EM: 04/11/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Júnior, Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karen Jureidini Dias, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos de Lima Júnior, José Ricardo da Silva (Relator), Alberto Pinto Souza Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Fabíola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Pleno
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/04/1996, 31/05/1996 DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, ausente dolo, fraude ou simulação, e constatando-se pagamento antecipado, a decadência se opera após o decurso do prazo de cinco anos, contado do fato gerador. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. FATO GERADOR. O Imposto de Renda Pessoa Física incidente sobre ganhos de capital na alienação de bens e direitos constitui tributação definitiva, não se sujeitando ao ajuste anual, considerando-se ocorrido o fato gerador no mês do recebimento. Recurso Extraordinário Negado
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10380.015567/2001-04
anomes_publicacao_s : 201511
conteudo_id_s : 5545648
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9900-000.274
nome_arquivo_s : Decisao_10380015567200104.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JOSE RICARDO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10380015567200104_5545648.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Extraordinário. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Redatora-Designada ad hoc. EDITADO EM: 04/11/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Júnior, Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karen Jureidini Dias, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos de Lima Júnior, José Ricardo da Silva (Relator), Alberto Pinto Souza Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Fabíola Cassiano Keramidas.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
id : 6177121
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122413809664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1735; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 326 1 325 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.015567/200104 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.274 – Pleno Sessão de 07 de dezembro de 2011 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Decadência Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida FRANCISCO DE PAULA ROCHA AGUIAR ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/1996, 31/05/1996 DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, ausente dolo, fraude ou simulação, e constatandose pagamento antecipado, a decadência se opera após o decurso do prazo de cinco anos, contado do fato gerador. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. FATO GERADOR. O Imposto de Renda Pessoa Física incidente sobre ganhos de capital na alienação de bens e direitos constitui tributação definitiva, não se sujeitando ao ajuste anual, considerandose ocorrido o fato gerador no mês do recebimento. Recurso Extraordinário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Extraordinário. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. MARIA HELENA COTTA CARDOZO – RedatoraDesignada ad hoc. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 55 67 /2 00 1- 04 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 09/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/1 1/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 EDITADO EM: 04/11/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Júnior, Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karen Jureidini Dias, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos de Lima Júnior, José Ricardo da Silva (Relator), Alberto Pinto Souza Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Fabíola Cassiano Keramidas. Relatório Primeiramente, cabe esclarecer que apresento relatório, voto e ementa no presente acórdão, tendo em vista que o relator originário, Conselheiro José Ricardo da Silva, deixou o Colegiado sem promover a formalização da peça decisória (Despacho de Designação ad hoc de fls. 325). Tratase de Auto de Infração, em face da omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, compensação indevida de Imposto de Renda na Fonte e classificação indevida de rendimentos (fls. 06 a 14). A ciência do lançamento ocorreu em 28/11/2001 (fls. 114). Em sessão plenária de 25/01/2006, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou o Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 10247.329 (fls. 223 a 232), assim ementado: “DECADÊNCIA HOMOLOGAÇÃO GANHO DE CAPITAL TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA DIRPF AJUSTE ANUAL – Sendo o lançamento das pessoas físicas por homologação, o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador que, no caso, ocorre quando da alienação do imóvel. AJUDA DE CUSTO ISENÇÃO Somente pode ser considerada isenta a ajuda de custo, verba eventualmente recebida pelo contribuinte para atender despesas com transporte, frete e locomoção do mesmo e sua família, no caso de mudança permanente de domicílio em decorrência de remoção de um município para outro. Quando paga habitualmente, sem que haja mudança de domicílio, deve integrar os rendimentos tributáveis, na declaração de ajuste anual, tenha ou não havido retenção na fonte. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS INCIDÊNCIA As verbas de ajuda de custo e indenização pelo comparecimento a convocação extraordinária não estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda Pessoa Física. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 09/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/1 1/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10380.015567/200104 Acórdão n.º 9900000.274 CSRFPL Fl. 327 3 RESPONSABILIDADE Tratandose da exigência do imposto apurado na declaração de ajuste anual, descabe invocar a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA DA UNIÃO A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Preliminar acolhida. Recurso parcialmente provido.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência em relação ao ganho de capital. Vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka que não a acolhe. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da exigência o montante a título de remuneração por convocação extraordinária, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 234 a 242), cujo provimento foi negado em 04/03/2008, prolatandose o Acórdão CSRF/04 00.828, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1996. DECADÊNCIA — Sujeitandose o rendimento das pessoas físicas à incidência na declaração de ajuste anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4° do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro, tendo o fisco cinco anos, a partir dessa data, para efetuar o lançamento” Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Extraordinário de fls. 277 a 293, visando a revisão do julgado pelo Pleno. Ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 386/2008, de 02/10/2008 (fls. 291 a 293). Em seu Recurso Extraordinário, a Fazenda Nacional requer, em síntese, que seja aplicado o art. 173, inciso I, do CTN, tendo em vista que não teria sido efetuado pagamento antecipado. Nesse passo, quanto aos fatos geradores ocorridos em 30/04/1996 e 31/05/1996, o lançamento poderia ser efetuado ainda em 1996, fazendo com que o início do prazo decadencial fosse para o dia 1º de janeiro de 1997, de sorte que, contandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria em 31/12/2001. Como a ciência do auto se deu em 28/11/2001 (fls. 114), o lançamento não teria ocorrido a destempo. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 09/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/1 1/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 Cientificado do acórdão recorrido e do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional em 10/11/2008 (AR de fls. 295), o Contribuinte ofereceu, em 11/11/2008, as Contrarrazões de fls. 301 a 308, contendo os seguintes argumentos, em síntese: deve ser mantida a aplicação do art 150, § 4º, do CTN, uma vez que a ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa não é propriamente o pagamento mas sim toda a atividade procedimental desenvolvida pelo Contribuinte; além disso, o Contribuinte pagou o Imposto de Renda apurado na sua declaração de rendimentos relativa ao ano em tela, e se não houve destaque específico do imposto decorrente do ganho de capital é detalhe que não muda o regime jurídico do lançamento por homologação. Voto Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO, RedatoraDesignada ad hoc Primeiramente, cabe esclarecer que apresento o voto a seguir, tendo em vista que o relator originário, Conselheiro José Ricardo da Silva, deixou o Colegiado sem promover a formalização da peça decisória (Despacho de Designação ad hoc de fls. 325). Assim, ressalvo que o presente voto não reflete o meu posicionamento sobre a matéria. O Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Auto de Infração, em face da omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, compensação indevida de Imposto de Renda na Fonte e classificação indevida de rendimentos (fls. 06 a 14). A ciência do lançamento ocorreu em 28/11/2001 (fls. 114). O objeto do Recurso Extraordinário é a decadência, declarada em relação ao ganho de capital, cujos fatos geradores ocorreram em 30/04/1996 e 31/05/1996. De plano, ressaltese que não há tributo cujo regime de lançamento seja o “de oficio”, originalmente. O lançamento de oficio é efetuado de forma residual, em relação a tributos cujo regime é “por declaração” ou “por homologação”, em que tenha havido irregularidade no mecanismo de apuração ou recolhimento por parte do contribuinte, demandando a intervenção da autoridade administrativa, no sentido de efetuar um lançamento complementar em relação ao período de apuração. Considerandose que o imposto de renda encontrase entre os tributos cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de apurar o montante devido e antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, dito tributo amoldase à sistemática de lançamento por homologação, em que a contagem do prazo decadencial, salvo os casos de dolo, fraude e simulação, encontra respaldo no § 4º, do artigo 150, do CTN, hipótese na qual os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 09/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/1 1/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10380.015567/200104 Acórdão n.º 9900000.274 CSRFPL Fl. 328 5 Assim, no caso dos autos, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, portanto o prazo decadencial de cinco anos, para a constituição de eventual crédito pelo Fisco, deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, ou seja, da ocorrência do fato gerador, constatandose pagamento antecipado, conforme afirma o Contribuinte em sede de Contrarrazões. Destarte, considerandose que a ciência do lançamento ocorreu em 28/11/2001 (fl. 114), correto o acórdão recorrido, no ponto em que reconheceu a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em 30/04/1996 e 31/05/1996. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. MARIA HELENA COTTA CARDOZO – RedatoraDesignada ad hoc Fl. 330DF CARF MF Impresso em 09/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/1 1/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/11/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10711.004067/2005-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3102-000.116
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
camara_s : 3ª SEÇÃO
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10711.004067/2005-73
conteudo_id_s : 5542708
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3102-000.116
nome_arquivo_s : Decisao_10711004067200573.pdf
nome_relator_s : Beatriz Veríssimo de Sena
nome_arquivo_pdf_s : 10711004067200573_5542708.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
id : 6171262
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-10-29T13:48:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: C:\Users\14675722172\Desktop\3102.xps; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: 14675722172; dcterms:created: 2015-10-29T13:47:12Z; Last-Modified: 2015-10-29T13:48:20Z; dcterms:modified: 2015-10-29T13:48:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: C:\Users\14675722172\Desktop\3102.xps; xmpMM:DocumentID: uuid:0ecf8a50-809f-11e5-0000-920e51c173dd; Last-Save-Date: 2015-10-29T13:48:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2015-10-29T13:48:20Z; meta:save-date: 2015-10-29T13:48:20Z; pdf:encrypted: false; dc:title: C:\Users\14675722172\Desktop\3102.xps; modified: 2015-10-29T13:48:20Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: 14675722172; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: 14675722172; meta:author: 14675722172; dc:subject: ; meta:creation-date: 2015-10-29T13:47:12Z; created: 2015-10-29T13:47:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; Creation-Date: 2015-10-29T13:47:12Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: 14675722172; producer: GPL Ghostscript 9.05; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: GPL Ghostscript 9.05; pdf:docinfo:created: 2015-10-29T13:47:12Z | Conteúdo =>
_version_ : 1713048122450509824
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720212/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
DEPÓSITO VOLUNTÁRIO. Conforme art. 645 do Código Civil Brasileiro, o depósito de coisas fungíveis, em que o depositário se obrigue a restituir objetos do mesmo gênero, qualidade e quantidade, regular-se-á pelo disposto acerca do mútuo.
MÚTUO COM FINS ECONÔMICOS. CARACTERIZAÇÃO. Conforme o art. 591 do Código Civil Brasileiro, o mútuo com fins econômicos, presumem-se devidos juros, o que não ocorreu no caso dos autos.
DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o fisco lançar tributos que deveriam ter sido feitos por homologação e sem pagamento parcial antecipado do tributo devido se inicia no primeiro dia do ano seguinte ao que o lançamento deveria ter sido feito. (REsp 973.733/SC julgado pelo rito do (art. 543-C do CPC).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira que exoneravam do auto de infração o lançamento relativo à multa isolada.
Maria Cleci Coti Martins
Presidente Substituta e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 DEPÓSITO VOLUNTÁRIO. Conforme art. 645 do Código Civil Brasileiro, o depósito de coisas fungíveis, em que o depositário se obrigue a restituir objetos do mesmo gênero, qualidade e quantidade, regular-se-á pelo disposto acerca do mútuo. MÚTUO COM FINS ECONÔMICOS. CARACTERIZAÇÃO. Conforme o art. 591 do Código Civil Brasileiro, o mútuo com fins econômicos, presumem-se devidos juros, o que não ocorreu no caso dos autos. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o fisco lançar tributos que deveriam ter sido feitos por homologação e sem pagamento parcial antecipado do tributo devido se inicia no primeiro dia do ano seguinte ao que o lançamento deveria ter sido feito. (REsp 973.733/SC julgado pelo rito do (art. 543-C do CPC). Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10280.720212/2007-46
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5573998
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-004.064
nome_arquivo_s : Decisao_10280720212200746.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIA CLECI COTI MARTINS
nome_arquivo_pdf_s : 10280720212200746_5573998.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira que exoneravam do auto de infração o lançamento relativo à multa isolada. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6308236
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122463092736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.720212/200746 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.064 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente FERNAO DIAS AGROPECUÁRIA S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 DEPÓSITO VOLUNTÁRIO. Conforme art. 645 do Código Civil Brasileiro, o depósito de coisas fungíveis, em que o depositário se obrigue a restituir objetos do mesmo gênero, qualidade e quantidade, regularseá pelo disposto acerca do mútuo. MÚTUO COM FINS ECONÔMICOS. CARACTERIZAÇÃO. Conforme o art. 591 do Código Civil Brasileiro, o mútuo com fins econômicos, presumemse devidos juros, o que não ocorreu no caso dos autos. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o fisco lançar tributos que deveriam ter sido feitos por homologação e sem pagamento parcial antecipado do tributo devido se inicia no primeiro dia do ano seguinte ao que o lançamento deveria ter sido feito. (REsp 973.733/SC julgado pelo rito do (art. 543C do CPC). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 02 12 /2 00 7- 46 Fl. 12111DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria, em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira que exoneravam do auto de infração o lançamento relativo à multa isolada. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 12112DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10280.720212/200746 Acórdão n.º 2401004.064 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso Voluntário que visa reverter a decisão do Acórdão 0116.762, da 1a. Turma da DRJ/BEL que considerou procedente em parte a impugnação do contribuinte para os tributos lançados no processo. A ciência ao Acórdão de Impugnação ocorreu em 09/07/2010(sextafeira). O Recurso Voluntário (efl. 10788) foi interposto em 11/08/2010(quartafeira). A decisão a quo está assim ementada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 DILIGÊNCIA. Compete à autoridade julgadora decidir sobre a necessidade da realização de diligencia. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 ATIVIDADE DA PESSOA JURÍDICA. A atividade da pessoa jurídica não se restringe à operacionalidade do estabelecimento empresarial, vez que alcança também as atividades financeiras e quaisquer outras atividades que importem em mutação patrimonial da empresa. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o fato indiciário corresponde efetivamente a um fato jurídico tributário, nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Estão sujeitos a exação do imposto de renda na fonte os pagamentos realizados pela pessoa jurídica, contabilizados ou não, realizados sob qualquer forma, em que a fonte pagadora não logre êxito em comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a operação que deu causa ao pagamento. IRRF. SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo da obrigação principal é o contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato Fl. 12113DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 gerador, ou o responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. No caso do IRRF, o contribuinte do imposto é o beneficiário do pagamento, todavia o responsável pela retenção e recolhimento do imposto é a fonte pagadora, mormente quando se trata de tributação exclusiva na fonte. A recorrente apresenta as seguintes razões. A exigência do imposto, multa e juros foi cobrada sem que houvesse demonstração do critério de cálculo tendo em vista a base ser o outro imposto, isto é, aquele que deveria ter sido retido na fonte na época do pagamento dos valores aos beneficiários. Entende que foi penalizado duas vezes, com a cumulação de penas. Existe decadência parcial dos valores lançados relativamente aos fatos geradores de 01/01/2002 a 11/07/2002, pois a ciência do lançamento data de 11/07/2002. Apresentou farta documentação que o órgão julgador de primeira instância se recusou a apreciar. O lançamento deve ser cancelado porque o que ocorreu foi a devolução de recursos da recorrente para o acionista sr. Fernando Vergueiro, que teria indicado(conta e ordem) outras pessoas para receber os valores. São operações de entrega (e devolução) de numerário no regime de depósito (arts. 627 e ss do Código Civil). Tal operação não se caracteriza nem mesmo como empréstimo. No caso de depósito, o depositário (no caso a recorrente) é mero guardião da coisa depositada. Os recursos financeiros, no caso, pertencem exclusivamente ao acionista da recorrente, sr. Fernando Vergueiro. Tais recursos jamais pertenceram ao patrimônio do depositário (recorrente). Tampouco foram utilizados para aumentar o capital da empresa, conforme comprovado pelos documentos da Junta Comercial (Doc. 2 juntado aos autos). Assim, no ano 2002 não houve aumento de capital da sociedade. Os recursos em questão foram recebidos pelo acionista a título de indenização por desapropriação de imóvel pela Municipalidade de São Paulo, conforme documentos às fls. 36 e seguintes. Recebeu a indenização em parcelas e, por questões de segurança, optou por aportar os recursos como mero depósito na recorrida. Também poderia ser utilizada para aumentar o capital societário, caso desejasse. Considerou que seria um contrato voluntário, conforme art. 646 do Código Civil. Cita jurisprudência do STJ corroborando a tese de que o contrato de depósito voluntário pode ser verbal e se o objeto for coisa fungível, desde que comprovado. Comprova o alegado através da DIRPF doc. 3, em que discrimina os valores como "depósito para futuro aumento de capital". É o relatório. Fl. 12114DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10280.720212/200746 Acórdão n.º 2401004.064 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O prazo para a interposição de Recurso Voluntário encerraria em 10/08/2010. O documento fora postado em São Paulo em 09/08/2010 e, portanto, tempestivo. Desta forma, considerando que o recurso atende aos requisitos legais, deve ser conhecido. Decadência O recorrente tomou ciência do lançamento em 11/07/2002. Alega decadência dos tributos cujos fatos geradores ocorreram até aquela data. O art. 150 do Código Tributário Nacional estabelece o prazo de 5 anos para a Receita homologar o lançamento do tributo declarado pelo contribuinte ou constituir o lançamento de ofício, caso necessário. Para os tributos lançados por homologação, no qual o recorrente teria efetuado pagamento parcial antecipado, a contagem do prazo se inicia a partir do fato gerador. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No presente caso, devemos observar o entendimento do STJ, o qual, através de sua Primeira Seção, no julgamento do REsp 973.733/SC de relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), firmou entendimento no sentido de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, para a fixação do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é necessária a consideração sobre (i) constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, e (ii) a existência ou não de pagamento antecipado para se decidir sobre a aplicação do inciso I do art. 173 ou do § 4º do art. 150, ambos do CTN: Fl. 12115DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 12116DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10280.720212/200746 Acórdão n.º 2401004.064 S2C4T1 Fl. 5 7 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Considerando que não houve pagamento parcial, por exclusão, a contagem do prazo decadencial para este lançamento se inicia a partir de 01/01/2003, expirando em 31/12/2008, conforme determina o artigo 173, I, do Código Tributário, a seguir transcrito. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; ... Portanto, não assiste razão ao recorrente nesse aspecto, tendo em vista que a ciência do lançamento ocorreu antes de expirado o prazo decadencial para os fatos geradores relativos ao ano 2002. A recorrente alega que os valores pagos a terceiros foram devoluções do depósito que o principal sócio fez na empresa. Teria provado que os valores advinham de indenização decorrente de desapropriação pelo poder público e que o pagamento a terceiros teria sido por conta e ordem do sócio, o depositário dos valores. Contudo, conforme informações no processo, a empresa, apesar de não ter desenvolvido atividades no imóvel rural de sua propriedade, auferiu receitas nos anos considerados. Assim, houve atividade e, portanto, não se pode afirmar que os aportes feitos pelo sócio não teriam sido utilizados pela empresa para vários fins, como por exemplo, comprovar capacidade financeira junto à órgão governamental. Por outro lado, o depósito de coisas fungíveis, como é o caso, regese pelo disposto acerca de mútuo. E nenhum contrato de mútuo fora anexado aos autos. E mesmo que se admitisse a possibilidade de mútuo, ainda assim, deverseia obedecer ao disposto no art. 591 do Código Civil, relativamente ao mútuo para fins econômicos. Ainda, conforme o art. 646 do Código Civil Brasileiro, o depósito voluntário provase por escrito. Art. 591. Destinandose o mútuo a fins econômicos, presumemse devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual. Art. 645. O depósito de coisas fungíveis, em que o depositário se obrigue a restituir objetos do mesmo gênero, qualidade e quantidade, regularseá pelo disposto acerca do mútuo. Art. 646. O depósito voluntário provarseá por escrito. Muito embora tenha enfatizado que os valores nunca chegaram a integrar o capital social, não existem documentos suficientes no processo que poderiam corroborar de forma definitiva essa afirmação, ou que, pelo menos, possibilitasse caracterizar tais depósitos Fl. 12117DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 como mútuo. Observo que foram anexados aos autos partes da DIRPF do sócio com o objetivo de comprovar que os valores teriam sido depositados na empresa para futuro aumento de capital. O documento à efl.64/66, a recorrente informa que o aporte de capital do acionista controlador Fernando Vergueiro seria "com vistas a executar projeto de dendê apresentado à ADA Agência de Desenvolvimento da Amazônia (sucessora da SUDAM) para solucionar os problemas trazidos pela invasão (os invasores receberiam áreas para plantar dendê, que a empresa processaria)." Informou ainda que a Agência de Desenvolvimento da Amazônia não deu andamento ao pedido, que está inerte há anos. No mesmo documento declara que o acionista então resolveu retirar o aporte feito, à medida em que fossem vencendo as aplicações feitas por sua conta e ordem para pagar despesas de seu escritório de advocacia e gastos pessoais. Tais pagamentos nada têm a ver com a Fernão Dias Agropecuária e Florestal S/A. e esta seria a justificativa para esses gastos terem sido debitados na conta do acionista controlador. O recorrente informou que a empresa estava inativa há 20 anos e que a contabilidade era feita regularmente apenas para registrar os lançamentos contábeis referentes a depósitos de aumento de capital, sua aplicação por conta do acionista, e retiradas havidas. Não possui a posse dos livros contábeis, pois estariam na propriedade invadida. Ao mesmo tempo que alega não possuir a posse da propriedade devido à invasão por mais de 20 anos em 2007 (então, desde 1987, aproximadamente), não é compreensível que os livros fiscais e contábeis relativos aos anos 2003 a 2005 estivessem na propriedade, uma vez que a mesma estaria interditada. Deduzse dos autos que o sócio controlador utilizou a empresa para fins pessoais, depositando valores, fazendo aplicações bancárias, e outros pagamentos que em nada teriam ligação com a fiscalizada. O que não fica claro no processo são os reais motivos de tal modo de agir do sócio controlador. Considerando ser uma pessoa esclarecida, titular de escritório de advocacia, não se pode considerar a hipótese de ignorância da lei e das implicações tributárias dos atos perpetrados. Desta forma, voto por afastar as preliminares e negar provimento ao recurso. Recurso Voluntário a que se nega provimento. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 12118DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10314.006767/2011-23
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 19/07/2011, 02/08/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário.
MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01.
DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO.
Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo.
JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE.
Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-004.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/07/2011, 02/08/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE. Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10314.006767/2011-23
anomes_publicacao_s : 201511
conteudo_id_s : 5546895
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-004.133
nome_arquivo_s : Decisao_10314006767201123.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 10314006767201123_5546895.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 6183475
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122467287040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2121; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 213 1 212 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.006767/201123 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802004.133 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria PAF MANDADO DE SEGURANÇA Recorrente SOCIEDADE BENEFICIENTE ISRAELITA BRASILEIRA "HOSPITAL ALBERT EINSTEIN" Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 19/07/2011, 02/08/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE. Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não interrompe sua fluência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 67 67 /2 01 1- 23 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 212), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA "HOSPITAL ALBERT EINSTEIN", interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0732.550, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, que não conheceu a impugnação quanto à matéria de mérito objeto de enfrentamento concomitante na instância administrativa e na esfera judicial. Também, que conheceu e rejeitou os protestos da impugnante quanto à exigência dos juros de mora. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Versa o presente processo sobre a constituição do crédito tributário formalizado nos Autos de Infração de fls. 04 a 28, cientificados em 26.08.2011, em que são exigidos o Imposto de Importação, acrescido dos juros de mora calculados até 29.07.2011, o Imposto Sobre Produtos Industrializados, vinculado à importação, a Contribuição para o PISImportação e a Contribuição para o COFINSImportação, perfazendo um montante de R$ 91.589,45. Através das declarações de importação (DI) nº 11/13369444, 11/13371236 e 11/13371449, registradas em 19.07.2011, a empresa epigrafada importou mercadorias sem proceder ao recolhimento dos tributos incidentes sobre a respectiva operação por força da liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 000732469.2011.4.03.6100, impetrado perante a 26ª Vara Cível de São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea Fl. 214DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.006767/201123 Acórdão n.º 3802004.133 S3TE02 Fl. 214 3 “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. A autoridade lançadora informa que as mercadorias em apreço foram entregue em atenção ao despacho exarado no mandado de segurança supracitado e atendendo o disposto no MEMO/SACAT/ALF/SPO nº 128, de 28 de julho de 2011 (fls. 29). No item 1do referido expediente, a autoridade competente, expõe o que segue: “1. Nos termos da liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 0000732469.2011.4.03.6100, da 26 Vara Federal/SP, proposta pela SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA – HOSPITAL ALBERT EINSTEIN, contra o Inspetor Alfandegário da Receita Federal em São Paulo, objetivando o desembaraço das mercadorias descritas na inicial, sem o recolhimento de Imposto de Importação, IPI, PIS e COFINS, o juízo assim se manifestou:”CONCEDO A LIMINAR para o fim de assegurar o direito da impetrante em obter o desembaraço aduaneiro dos bens relacionados na inicial, sem que lhe seja exigido o recolhimento do imposto sobre produtos industrializados IPI, do imposto de Importação II, do PIS e da COFINS”. Ainda, a autoridade lançadora salienta que: “Assim, esta fiscalização entende que a imunidade citada no inciso VI do artigo 150 da Constituição Federal não abarca os impostos incidentes na importação de bens, pois os mesmos não são definidos como impostos sobre patrimônio, renda ou serviço. Considerando por todo o exposto, e por considerar a pleiteada imunidade incabível, lavramos o presente Auto de Infração para a constituição dos respectivos créditos tributário, apurado em face do não reconhecimento da imunidade, somado aos acréscimos legais devidos”. Dos autos se depreende também que a inicial que deu azo à citada ação mandamental foi protocolada em 05.05.2011, ocasião que a impetrante assim se manifesta em seu pedido: “DO PEDIDO Uma vez demonstrado o direito líquido e certo do Impetrante de não ser compelido a recolher os tributos acima mencionados e presentes os requisitos “fumus boni iuris” e “periculum in mora”, bem como a flagrante ilegalidade do ato coator atacado, requerse: 1 – a concessão de MEDIDA LIMINAR, inaldita altera pars, sem qualquer espécie de caução, para assegurar seu direito líquido e certo de, nos termos da Constituição Federal, proceder o desembaraço dos bens citados à pagina 02/03, sem o recolhimento dos tributos federais (Imposto de Importação, IPI, PIS e Cofins). Fl. 215DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 2 – que seja oficiado o Ilmo. Sr. INSPETOR ALFANDEGÁRIO DA RECEITA FEDERAL DE SÃO PAULO (Rua Celso Garcia, nº 3580), para que realize o desembaraço dos bens abaixo mencionados, que aguardarão o início dos procedimentos aduaneiros no EADI/São Paulo – CNAGA (Av. das Nações Unidas, nº 22452 – Jurubatuba São Paulo/SP), sem a apresentação das guias comprobatórias de recolhimento dos tributos em questão. (...) 5 – por fim, que à época da prolação da sentença seja concedida DEFINITIVA SEGURANÇA, nos estritos termos constitucionais, ou seja, para que a Impetrante não seja obrigada a recolher os aludidos tributos e, por fim, para que a autoridades coatora indicada se abstenha da prática de qualquer ato tendente a restringir esse seu direito, tais como a lavratura de auto de infração e a conseqüente imposição de penalidades. (...)”. Corroborando a informação supra, dos autos emerge também a decisão exarada, em 06.05.2011, pelo Juízo a quo, que assim se manifestou: “CONCEDO A LIMINAR para o fim de assegurar o direito da impetrante em obter o desembaraço aduaneiro dos bens relacionados na inicial, sem que lhe seja exigido o recolhimento do imposto sobre produtos industrializados IPI, do imposto de Importação II, do PIS e da COFINS”. Irresignada com os lançamentos, a importadora autuada ofereceu defesa administrativa protocolada em 15.09.2011 para, de início, alertar que o crédito tributário em tela está com a exigibilidade suspensa por força da liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 000732469.2011.4.03.6100, da 26ª Vara Cível de São Paulo, e reafirmar as considerações aduzidas na respectiva inicial, alegando, por conseguinte, o direito à imunidade tributária do artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção do artigo 195, parágrafo 7º, da Constituição Federal, por entender que preenche todos os requisitos para fruição dos benefícios fiscais que faz jus as instituições de assistência social, em arrimo à sua pretensão. Prosseguindo na sua defesa, alega que ainda que o tributo fosse devido, no presente caso não seria possível a aplicação dos juros moratórios, em razão do disposto no inciso IV do artigo 151 do CTN. Assevera que estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa por conta do deferimento de medida liminar que lhe foi deferida não há falar em aplicação de juros, pois se não pode ser cobrar o referido tributo, não há, por decorrência, como entender que esteja em mora. Cita, em seu favor, doutrinas e jurisprudências sobre os temas em debate. Ante o exposto, requer seja declarada a insubsistência do auto de infração ora combatido. Este é o Relatório.” Fl. 216DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.006767/201123 Acórdão n.º 3802004.133 S3TE02 Fl. 215 5 Indeferida a impugnação apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 19/07/2011, 02/08/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial em que se discute idêntico objeto da impugnação apresentada em face de autuação fiscal importa em renúncia do contribuinte em contestála na instância administrativa, devendo, por conseguinte, declarar a definitividade da respectiva exigência tributária, haja vista a prevalência da decisão judicial sobre a administrativa e em cumprimento do princípio constitucional da unicidade de jurisdição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/07/2011, 02/08/2011 JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICABILIDADE. Os juros de mora não têm natureza punitiva e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em face de medida liminar deferida em mandado de segurança não tem o condão de interromper sua fluência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Florianópolis – DRJ/FNS, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual pede: (i) o sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) A ausência de fluência de juros por conta de medida liminar deferida em mandado de segurança; (iii) nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) a insubsistência do referido auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 212), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço parcialmente do Recurso e passo à análise de apenas parte das razões recursais. O presente Recurso Voluntário, como indicado ao final do relatório, dividese em quatro itens: (i) O sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) A ausência de fluência de juros por conta de medida liminar deferida em mandado de segurança; (iii) A nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) A insubsistência do referido auto de infração. Ocorre que o item (i) foi trazido somente em sede recursal, revelandose inovações argumentativas. Restam aplicáveis, portanto, os arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, de modo que inviável conhecer tais alegações sob pena de supressão de instância. Ao seu turno, o item (iv) também não merece ser conhecido, dado que efetivamente há identidade de objetos entre o mérito do recurso e o mandado de segurança. Vejase: Verificase nos autos, junto a impugnação, haver sido feita a juntada da petição inicial do writ, bem como cópia da Conclusão da Justiça Federal no Processo nº 000732469.2011.4.03.6100, impetrado perante a 26ª Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo, que se encontram anexados ao processo às fls. 78 e seguintes do processo digital, que permite tal constatação. Segue transcrito abaixo um trecho da peça inicial elaborado pela Recorrente ao Juízo, que já elucida a matéria: "(...) DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA A Constituição Federal estabelece as limitações constitucionais ao poder de tributar, prevendo os casos de imunidade tributária, entre as quais dispõe as abaixo transcritas, na qual, como veremos, se enquadra perfeitamente a Impetrante. Estabelece o artigo 150, VI, "c" da Constituição Federal: "Art. 150 — Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao.contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI— instituir impostos sobre: Fl. 218DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.006767/201123 Acórdão n.º 3802004.133 S3TE02 Fl. 216 7 (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei."Já o parágrafo 7º do artifo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: (...)". Já o parágrafo 7o do artigo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: "Art. 195 (...)...: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." No mesmo diapasão, no Voto da Decisão da DRJ às fls. 179/186, fica consignado que (grifouse): "(...) Conforme se depreende do relatório supra, a impugnante, antes do lançamento, já ingressara com Mandado de Segurança Preventivo processo nº 000732469.2011.4.03.6100, impetrado contra o Chefe da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo, perante a 26ª Vara Cível da 1ª Subseção Judiciária em São Paulo, tendo por objeto de discussão idêntica matéria tratada neste processo, obtendo liminar autorizando o desembaraço aduaneiro das mercadorias internadas por meio das DI nº 11/13369444, 11/13371236 e 11/13371449, registradas em 19.07.2011, sem o pagamento dos tributos incidentes na respectiva operação... De toda sorte, resta clara a identidade de objetos (que inclusive levaram o Recorrente a pedir o sobrestamento do processo até decisão final do mandado de segurança), o que torna inviável o conhecimento do Recurso nesse aspecto. Assim, cabível o conhecimento e julgamento do item (ii e iii) do Recurso Voluntário, relativo ao pleito da ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela e da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa diante da impetração do mandado de segurança pelo contribuinte. Então, vamos a eles. ii) Da ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela A Recorrente alega em seu recurso serem inaplicáveis os juros de mora em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, concedida em face de liminar em mandado de segurança. Não assiste razão a recorrente. Não obstante o acima asseverado, cabenos analisar a aplicabilidade dos juros de mora, matéria não submetida ao crivo do Poder Judiciário na referida ação mandamental, Fl. 219DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 porquanto esta teve caráter preventivo e, assim, quando da sua propositura, ainda não haviam sido formalizados os presentes lançamentos tributários. A exigência dos juros de mora está conforme as normas legais vigentes e qualquer esforço tendente a afastar sua aplicação, por entendêla inconstitucional, somente poderá advir de demanda pleiteada judicialmente, pois este órgão julgador é incompetente para apreciar questões que se referem à inconstitucionalidade de normas legais legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Esse entendimento já foi pacificado e foi nesse sentido que foi editada a Súmula nº 5, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), publicada no DOU de 22.12.2009, que assim expressa: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. iii) Da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa Ora, compulsando os autos fica claro que sua demanda judicial está restrita ao direito à imunidade tributária com base no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção declarada no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal, guerreado na medida liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº nº 000732469.2011.4.03.6100, da 26ª Vara Cível da 1ª Subseção Judiciária Federal em São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. Ressaltase que foi proferida sentença que concedeu a segurança pleiteada pela Recorrente,nos autos do Mandado de Segurança. Pois bem. Diante disso, todas as suas alegações na esfera administrativa quanto ao tema deixam de ser passíveis de análise, conforme inteligência do art. 1º e 2º do DecretoLei nº 1.737/1979 e o artigo 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/1980, dada a absoluta identidade de discussão com a matéria tratada na via judicial. Acertada, portanto, a decisão recorrida ao reconhecer a renúncia à esfera administrativa. Apenas aproveito o ensejo para transcrever o art. 38 e seu parágrafo único, da Lei de Execuções Fiscais, por serem de clareza hialina: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifei) Fl. 220DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.006767/201123 Acórdão n.º 3802004.133 S3TE02 Fl. 217 9 Não por outro motivo o CARF editou a Súmula nº 01, na qual restou consignado que: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não há nulidade a ser reconhecida sobre a decisão originária que, acertadamente, reconheceu a existência de concomitância entre o argumento de mérito da impugnação e o mandado de segurança impetrado pelo sujeito passivo. Conclusão Ante todo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000706/2010-89
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2803-000.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolve o colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime a parte da oportunidade de apresentar as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) conexos supra mencionados, no prazo de 30 (trinta) dias, decorrido o prazo que o processo seja remetido à autoridade fiscal para que: (1) indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindo-a de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) responda todos os questionamentos complementares trazidos pela petição protocolizada antes da presente resolução, bem como analise as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) de restituição conexo caso sejam efetivamente apresentadas pela parte; (4) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestar-se, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão os seguintes conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 14033.000706/2010-89
anomes_publicacao_s : 201509
conteudo_id_s : 5527497
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2803-000.286
nome_arquivo_s : Decisao_14033000706201089.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : GUSTAVO VETTORATO
nome_arquivo_pdf_s : 14033000706201089_5527497.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolve o colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime a parte da oportunidade de apresentar as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) conexos supra mencionados, no prazo de 30 (trinta) dias, decorrido o prazo que o processo seja remetido à autoridade fiscal para que: (1) indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindo-a de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) responda todos os questionamentos complementares trazidos pela petição protocolizada antes da presente resolução, bem como analise as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) de restituição conexo caso sejam efetivamente apresentadas pela parte; (4) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestar-se, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão os seguintes conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
id : 6136988
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122494550016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2268; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14033.000706/201089 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2803000.286 – 3ª Turma Especial Data 10 de março de 2015 Assunto CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CONSTRUTORA RV LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolve o colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime a parte da oportunidade de apresentar as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) conexos supra mencionados, no prazo de 30 (trinta) dias, decorrido o prazo que o processo seja remetido à autoridade fiscal para que: (1) indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) responda todos os questionamentos complementares trazidos pela petição protocolizada antes da presente resolução, bem como analise as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) de restituição conexo caso sejam efetivamente apresentadas pela parte; (4) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 00 70 6/ 20 10 -8 9 Fl. 850DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14033.000706/201089 Resolução nº 2803000.286 S2TE03 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão os seguintes conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Tratase de recurso voluntário, de autoria da contribuinte. Esclareço e registro que fui designado, conforme consta nos autos, relator AD HOC, para formalização da resolução proferida. A designação ocorreu pelo motivo do relator responsável original ter deixado o CARF antes da formalização da resolução, não possuindo mais competência para tanto. Ocorre que o relator responsável original pelo processo não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, o relatório, histórico, análise que fez dos autos, que levaram o colegiado a decidir pelo que consta em ata. Conseqüentemente, por não possuir competência para tanto, registro o ocorrido, a fim de que as partes interessadas tenham ciência dos fatos. É o relatório. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14033.000706/201089 Resolução nº 2803000.286 S2TE03 Fl. 4 3 Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Esclareço que o conselheiro relator não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, sua resolução, com suas razões, que levaram o colegiado a decidir pelo resultado consignado em ata. Conseqüentemente, reproduzo somente o resultado, a fim de não extrapolar a determinação e a competência que possuo. CONCLUSÃO: Devido ao exposto, reproduzo o resultado devidamente consignado em ata, que foi, por em converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime a parte da oportunidade de apresentar as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) conexos supra mencionados, no prazo de 30(trinta) dias, decorrido o prazo que o processo seja remetido à autoridade fiscal para que: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) responda todos os questionamentos complementares trazidos pela petição protocolizada antes da presente resolução, bem como analise as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) de restituição conexo caso sejam efetivamente apresentadas pela parte; (4) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 24/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720692/2011-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
IRPJ E CSLL. FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, tornou-se juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo ano-calendário.
IMPOSTO PAGO PELA PESSOA FÍSICA. REQUALIFICAÇÃO.
Requalificada juridicamente, por abusiva, a operação de alienação das ações da BM&F pela contribuinte a seu sócio majoritário S.A., deve-se requalificar também o imposto de renda efetivamente pago pela pessoa física do sócio naquela operação.
Revela-se abusiva e, portanto, deve ser desconsiderada para fins tributários, a alienação de ações da BM&F S.A. promovida pela a pessoa jurídica a seu sócio majoritário pouco antes da oferta pública inicial daquelas ações, quando provado que tal alienação foi realizada com o único propósito de reduzir a incidência dos tributos e contribuições que seriam devidos pela pessoa jurídica se fosse ela própria a participar da IPO.
Numero da decisão: 1201-001.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apenas para requalificar o pagamento do IRPF feito pelo sócio em pagamento de IRPJ da contribuinte, devendo a autoridade fazendária de jurisdição do sujeito passivo proceder à liquidação. Vencida a Conselheira Ester Marques, que negava provimento ao recurso voluntário, e os Conselheiros João Figueiredo e Gilberto Baptista, que lhe davam provimento.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 IRPJ E CSLL. FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, tornou-se juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo ano-calendário. IMPOSTO PAGO PELA PESSOA FÍSICA. REQUALIFICAÇÃO. Requalificada juridicamente, por abusiva, a operação de alienação das ações da BM&F pela contribuinte a seu sócio majoritário S.A., deve-se requalificar também o imposto de renda efetivamente pago pela pessoa física do sócio naquela operação. Revela-se abusiva e, portanto, deve ser desconsiderada para fins tributários, a alienação de ações da BM&F S.A. promovida pela a pessoa jurídica a seu sócio majoritário pouco antes da oferta pública inicial daquelas ações, quando provado que tal alienação foi realizada com o único propósito de reduzir a incidência dos tributos e contribuições que seriam devidos pela pessoa jurídica se fosse ela própria a participar da IPO.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16327.720692/2011-24
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5573999
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-001.359
nome_arquivo_s : Decisao_16327720692201124.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCELO CUBA NETTO
nome_arquivo_pdf_s : 16327720692201124_5573999.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apenas para requalificar o pagamento do IRPF feito pelo sócio em pagamento de IRPJ da contribuinte, devendo a autoridade fazendária de jurisdição do sujeito passivo proceder à liquidação. Vencida a Conselheira Ester Marques, que negava provimento ao recurso voluntário, e os Conselheiros João Figueiredo e Gilberto Baptista, que lhe davam provimento. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
id : 6308237
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122524958720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2478; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720692/201124 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.359 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de fevereiro de 2016 Matéria IRPJ E CSLL ELISÃO FISCAL ABUSIVA Recorrente CORRETORA SOUZA BARROS CÂMBIO E TÍTULOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 NORMA GERAL ANTIELISIVA. EFICÁCIA. O art. 116, parágrafo único, do CTN requer, com vistas a sua plena eficácia, que lei ordinária estabeleça os procedimentos a serem observados pelas autoridades tributárias dos diversos entes da federação ao desconsiderarem atos ou negócios jurídicos abusivamente praticados pelos sujeitos passivos. No que concerne à União, há na doutrina nacional aqueles que afirmam ser ineficaz a referida norma geral antielisiva, sob o argumento de que a lei ordinária regulamentadora ainda não foi trazida ao mundo jurídico. Por outro lado, há aqueles que afirmam ser plenamente eficaz a referida norma, sob o argumento de que o Decreto nº 70.235/72, que foi recepcionado pela Constituição de 1988 com força de lei ordinária, regulamenta o procedimento fiscal. Dentre as duas interpretações juridicamente possíveis deve ser adotada aquela que afirma a eficácia imediata da norma geral antielisiva, pois esta interpretação é a que melhor se harmoniza com a nova ordem constitucional, em especial com o dever fundamental de pagar tributos, com o princípio da capacidade contributiva e com o valor de repúdio a praticas abusivas. ATO JURÍDICO. ABUSIVIDADE. Revelase abusiva e, portanto, deve ser desconsiderada para fins tributários, a alienação de ações da BM&F S.A. promovida pela a pessoa jurídica a seu sócio majoritário pouco antes da oferta pública inicial daquelas ações, quando provado que tal alienação foi realizada com o único propósito de reduzir a incidência dos tributos e contribuições que seriam devidos pela pessoa jurídica se fosse ela própria a participar da IPO. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 92 /2 01 1- 24 Fl. 979DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 3 2 IRPJ E CSLL. FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, tornouse juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo ano calendário. IMPOSTO PAGO PELA PESSOA FÍSICA. REQUALIFICAÇÃO. Requalificada juridicamente, por abusiva, a operação de alienação das ações da BM&F pela contribuinte a seu sócio majoritário S.A., devese requalificar também o imposto de renda efetivamente pago pela pessoa física do sócio naquela operação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apenas para requalificar o pagamento do IRPF feito pelo sócio em pagamento de IRPJ da contribuinte, devendo a autoridade fazendária de jurisdição do sujeito passivo proceder à liquidação. Vencida a Conselheira Ester Marques, que negava provimento ao recurso voluntário, e os Conselheiros João Figueiredo e Gilberto Baptista, que lhe davam provimento. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1635.928, exarado pela 7ª Turma da DRJ 1 em São Paulo SP. Conforme relatado em seu termo de verificação fiscal, a autoridade tributária acusa a contribuinte em epígrafe haver cometido as seguintes infrações à legislação do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2007: a) falta de inclusão, nas bases de cálculo dos tributos acima referidos, do ganho de capital percebido na devolução do patrimônio de entidades isentas, quais sejam, a Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa, e a Bolsa de Mercadorias e Futuros BM&F (desmutualização das bolsas); b) falta de inclusão, nas bases de cálculo dos tributos antes referidos, de parte ganho líquido auferido com a alienação das ações da BM&F S.A. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 4 3 Em razão dos ilícitos acima descritos a autoridade lavrou auto de infração para exigência do IRPJ e da CSLL devidos, acrescidos de multa de ofício e de juros de mora. Ademais, impôs multa isolada pela insuficiência no pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, decorrentes das diferenças apuradas nos itens “a” e “b” retro. Como vistas à melhor compreensão da infração mencionada no item "b", retro, importante reproduzir os seguintes trechos do TVF (fl. 470 e ss.): DA ALIENAÇÃO DE AÇÕES BM&F S.A. AO SR. MARCOS DE SOUZA BARROS Conforme aventado em tópicos anteriores, a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. vendeu a seu acionista majoritário, Sr. Marcos de Souza Barros, 8.891.662 ações da BM&F S.A. ao preço unitário de R$ 11,00. A operação se deu através do documento chamado "Instrumento Particular de Compromisso de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F e Outras Avenças", datado de 1o de novembro de 2007. É de se notar, contudo, que a despeito de tal documento só ter sido formalizado em 1o de novembro de 2007, as evidências dos fatos mostram claramente que a negociação fora efetivada em data anterior, inclusive com o conhecimento e a aprovação da BM&F. Senão vejamos: Em 04 de setembro de 2007, a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. assinou o Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F, passando a integrar o rol das "partes" e assumindo a obrigação de alienar 35% das ações que a ela seria atribuída no processo de desmutualização. De acordo com a cláusula terceira do referido Instrumento Particular de Assunção de Obrigações, cuja data é de 17 de agosto de 2007, 10% das ações seria destinado à investidora estratégica "General Atlantic" (GA Latin America Investments, LLC) e 25% seria destinado à alienação no IPO. Seu compromisso com o IPO, portanto, era da ordem de 2.469.906 ações. A Lei do Mercado de Valores Mobiliários (Lei n.° 6.385, de 07 de dezembro de 1976), dispõe em se artigo 19 que nenhuma emissão pública de valores mobiliários será distribuída no mercado sem o prévio registro na Comissão de Valores Mobiliários. No caso da oferta pública inicial das ações da BM&F S.A., o pedido de registro foi instruído com o prospecto preliminar cujo protocolo na CVM data de 28 de setembro de 2007. Considerandose, porém, que deste documento já constava como acionista vendedor o Sr. Marcos de Souza Barros, com uma oferta de 8.891.662 ações (com o exercício de Opção de Ações Suplementares), ou de 7.731.880 ações (sem o exercício de tal opção), podemos depreender então que desde 28 de Fl. 981DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 5 4 setembro de 2007, pelo menos, a corretora já havia vendido ao sócio as referidas ações. Não fosse assim, por ocasião do protocolo do pedido de registro da oferta pública a BM&F S.A. ainda não teria como acionista o Sr. Marcos de Souza Barros, no lugar da Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A., que então deveria ali ter constado, com uma oferta de apenas 2.469.906 ações. Outro documento em que fica também evidenciado o comprometimento da corretora com a venda total das ações que ela receberia no processo da desmutualização é o próprio "Extrato de Movimentação de Ativos", documento emitido pela instituição custodiante, Banco Bradesco S.A. No terceiro dia após a "implantação" das ações houve uma "vinculação" do saldo, compreendendo a parte da venda à General Atlantic e a parte da venda ao Sr. Marcos de Souza Barros. Agora, sem mais as eventuais dúvidas sobre a anterioridade da negociação, que antecede até mesmo a data da desmutualização ocorrida em 01 de outubro de 2007, resta concluir que as partes envolvidas na negociação tinham bastante informações a respeito das condições em que provavelmente se daria a oferta pública inicial das ações da BM&F S.A. Passaremos então a uma rápida análise dos fatos: O prospecto preliminar da oferta pública apresentado à CVM no dia 28 de setembro de 2007, estimava um preço unitário de mercado situado entre R$ 14,50 e R$ 16,50, com a possibilidade de que eventualmente fosse fixado um valor fora desta faixa, embora a confirmação do preço ainda estivesse na dependência da realização do procedimento de "bookbuilding", no qual os investidores institucionais apresentariam suas ordens de compra no contexto da oferta. A BM&F S.A. considerou na relação dos acionistas vendedores um preço unitário médio de R$ 15,50. Não obstante o mercado já apontasse para essa faixa de preço por ação, a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A., tendo reservado a parcela comprometida com a alienação à General Atlantic, negociou com o Sr. Marcos de Souza Barros todo o remanescente das ações que receberia da BM&F S.A., ao preço unitário de R$ 11,00. A venda, de 8.891.662 ações, foi documentada pelo "Instrumento Particular de Compromisso de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F e Outras Avenças", datado de 1o de novembro de 2007. Com evidente intuito de justificar o preço praticado na operação, constou do referido instrumento particular que tal valor era superior ao de mercado, assim reconhecido, tendo em vista o "Contrato de Aquisição ", celebrado em 20 de setembro de 2007 entre a Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A., a Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F e a GA Latin America Investments, LCC, através do qual este fundo de investimento concordava em adquirir ações da BM&F S.A., representando 10% (dez por cento) da participação acionária em uma base de diluição plena por um valor da compra total de Fl. 982DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 6 5 R$ 900.000.000,00 (novecentos milhões de reais) e mais um pagamento especial de R$ 100.000.000,00 (cem milhões de reais). Não resta dúvida de que este valor não era o mais apropriado para ser tomado como valor de mercado, uma vez que sabidamente as tratativas com o grupo General Atlantic já vinha de longa data, apenas foi formalizado com o "Contrato de Aquisição" em 20 de setembro de 2007. É possível, por exemplo, ver no considerando da letra "f" e na cláusula 3.2. do Instrumento Particular de Assunção de Obrigações datado de 17 de agosto de 2007, ao qual as partes se aderiram, que o tal grupo já fazia parte do esquema da desmutualização, na qualidade de investidor estratégico. Ademais, o preço a ser praticado com a General Atlantic envolvia uma operação global da ordem de 90.187.729 ações no valor de R$ 1.000.000.000,00 (um bilhão de reais), não comparável com a operação aqui analisada, de apenas 8.891.662 ações. O Decreto Lei n.° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, no § 5o do artigo 60, embora tratando de bem negociado freqüentemente no mercado, ou em bolsa, fala das vendas efetuadas em condições normais de mercado, que tenham por objeto bens em "quantidade" e em qualidade semelhantes. O instrumento particular relativo à venda promovida pela Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A., a favor do Sr. Marcos de Souza Barros, contempla algumas condições resolutivas cujas ocorrências seriam determinantes para a efetivação do negócio. Verificadas essas condições, o preço ajustado de R$ 11,00 por ação seria pago na mesma data da liquidação financeira que constasse do "Prospecto Definitivo de Oferta Pública de Distribuição Secundária de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S. A.". Por outro lado, já no primeiro dia útil seguinte ao da assinatura do instrumento particular da compra, o Sr. Marcos de Souza Barros firmou o "Anexo IIA Termo de Adesão e Procuração (Pessoa Física)" aderindo à oferta pública das ações, desde que o preço por ação ofertada fosse fixado no procedimento de "bookbuilding" em valor igual ou superior a R$ 14,00 (quatorze reais). Lembramos que o primeiro documento citado data de 1o de novembro de 2007 e o segundo é de 05 de novembro de 2007, compreendendo neste intervalo de tempo um feriado nacional, seguido de um sábado e um domingo. Visto por todos estes ângulos, é possível concluir que ao realizar a compra das ações mediante cláusulas contratuais de natureza resolutória o Sr. Marcos de Souza Barros iria auferir um ganho de pelo menos R$ 3,00 (três reais) por ação, valor este que se obtém deduzindose do preço mínimo da oferta no IPO (R$ 14,00) o custo de aquisição ajustado com a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. (R$ 11,00). Ressaltamos que o preço mínimo por ação, aqui considerado, foi aquele que Fl. 983DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 7 6 constou do citado "Anexo IIA Termo de Adesão e Procuração (Pessoa Física) ". Nesta operação o comprador não precisaria dispor de nenhum recurso financeiro próprio, pois tudo se resolveria com um repasse parcial do valor obtido na oferta pública inicial, programado para coincidir com a data daquela liquidação financeira. Fica claro, portanto, que a venda das 8.891.662 ações da BM&F S.A. feita pela Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A., a favor do Sr. Marcos de Souza Barros, tinha o evidente e único propósito de proporcionar um ganho de capital ao acionista majoritário, através de sua participação direta no evento da oferta pública inicial. Considerandose que a alienação no IPO ocorreu pelo preço de R$ 20,00 (vinte reais) por ação, temos então que a pessoa jurídica vendedora deixou de se apropriar de um resultado positivo correspondente a R$ 9,00 (nove reais) para cada ação vendida, isto é, o valor que ela teria obtido com sua participação direta na oferta pública, menos o valor de R$ 11,00 que ela considerou na venda ao acionista, Sr. Marcos de Souza Barros. DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO MEDIANTE OPERAÇÕES ESTRUTURADAS A operação realizada na forma explicitada no tópico anterior se enquadra no contexto de um caso típico de "planejamento tributário", em que a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. vislumbrava a possibilidade de proporcionar um ganho de capital ao acionista majoritário, Sr. Marcos de Souza Barros, com a menor incidência possível de tributos e contribuições sociais. O esquema operacional adotado neste planejamento tributário consistiu na alienação de uma grande parcela das ações que lhe caberia no processo de desmutualização da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F, a favor do Sr. Marcos de Souza Barros, acionista que na época detinha 99,99% do capital da corretora, para que ele, como pessoa física, participasse da oferta pública inicial das ações da BM&F S.A. O sócio minoritário com 0,01% do capital era seu filho, Sr. Carlos Alberto Botelho de Souza Barros. A expectativa do mercado, na época, era de que no evento que viria a ocorrer em data próxima, as referidas ações fossem negociadas por um preço unitário compreendido na faixa entre R$ 14,50 e R$ 16,50, como já tivemos a oportunidade de mencionar também no tópico anterior. No entanto, pelo preço unitário de R$ 11,00, a corretora vendeu ao sócio majoritário as 8.891.662 ações no valor total de R$ 97.808.282,00, sendo importante ressaltar que o pagamento desta transação ocorreria somente na data da liquidação financeira da oferta pública inicial. Fl. 984DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 8 7 Considerandose que a oferta feita pelo Sr. Marcos de Souza Barros estava condicionada à fixação do preço em valor igual ou superior a R$ 14,00 por ação, segundo consta do Termo de Adesão e Procuração (Pessoa Física), a conclusão lógica é no sentido de que seu ganho seria de pelo menos R$ 26.674.986,00 (8.891.662 ações x R$ 3,00 por ação). (...) O alvo principal, portanto, era a transferência de parte do ganho a favor da pessoa física do sócio, no tocante ao que excedesse ao preço unitário de R$ 11,00, neste caso os R$ 26.674.986 00, pelo menos, em detrimento de um ganho menor da corretora. Com isso, verificase também uma vantagem de natureza tributária, uma vez que a incidência de tributos e contribuições sociais na pessoa jurídica é maior do que na pessoa física, pelas seguintes motivos: a) Na pessoa jurídica o ganho líquido seria tributado pelo Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) à alíquota de 15% acrescido de um Adicional de 10%, portanto, haveria uma incidência total de 25%. b) Ainda na pessoa jurídica o ganho líquido sofreria uma incidência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) à alíquota de 9%, além da incidência da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) à alíquota de 0,65% e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) á alíquota de 4%. c) Com o ganho de capital da pessoa física a tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Física seria de apenas 15%. Com esse subterfúgio e dado o fato de que o preço alcançado na oferta pública inicial foi de R$ 20,00, o valor do ganho transferido para a pessoa física do acionista acabou superando as expectativas, pois, quando se podia contar com pelo menos R$ 26.674.986,00 (8.891.662 ações x R$ 3,00 por ação), ele se efetivou por um valor notoriamente superior, de R$ 80.024.958,00 (8.891.662 ações x R$ 9,00 por ação), aumentando também o valor do benefício fiscal. A operação em tela faz parte das chamadas "operações estruturadas", que no presente caso é de fácil compreensão e pode resumidamente ser assim descrita: A Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. era detentora de alguns títulos patrimoniais de uma associação civil sem fins lucrativos chamada Bolsa de Mercadorias & Futuros, que estava passando por um processo de reestruturação para transformála em uma sociedade empresarial com fins lucrativos sob a denominação de Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A. Este processo passou a ser conhecido como "Desmutualização da BM&F". Fl. 985DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 9 8 Neste processo, os títulos de propriedade da corretora que estavam avaliados pela importância total de RS 9.879.625,00 lhe assegurava o direito de receber 9.879.625 ações da nova sociedade, pelo valor unitário de R$ 1,00, totalizando R$ 9.879.625,00. Este seria o valor das ações que constaria da contabilidade. Resguardado os dez por cento dessas ações, em virtude do compromisso de venda ao investidor estratégico (Grupo General Atlantic), pelo valor unitário de R$ 11,088, as 8.891.662 ações remanescentes estariam livres para que a corretora as destinasse à oferta pública inicial, que sabidamente ocorreria em breve, uma vez que o pedido de registro junto à Comissão de Valores Mobiliários já tinha sido protocolado no dia 28 de setembro de 2007. A partir desta data, nem mesmo os investidores menos avisados poderiam alegar desconhecimento do preço que as referidas ações poderiam alcançar no mercado, na faixa entre R$ 14,50 e R$ 16,50 por ação (preço médio de R$ 15,50, considerado pela própria BM&F S.A., conforme prospecto preliminar). Assim, mesmo diante de uma clara possibilidade de alienar suas ações pela importância estimada de R$ 137.820.761,00 (8.891.662 ações ao preço unitário de R$ 15,50, previsto no prospecto preliminar) a corretora as vendera ao Sr. Marcos de Souza Barros pelo valor de R$ 97.808.282,00 (8.891.662 ações ao preço unitário efetivo de R$ 11,00), abrindo mão de obter um ganho adicional da ordem de R$ 40.012.479,00. Aqui não havia sequer alguma vantagem financeira temporal para a corretora, visto que contratualmente o pagamento se daria somente no dia da liquidação financeira do IPO, data em que ela poderia receber um valor maior, caso a venda na oferta pública ocorresse em seu próprio nome. A pessoa física (Sr. Marcos de Souza Barros) só faria o pagamento quando recebesse os recursos da venda no IPO. Projetando uma falsa imagem de que a operação estaria sendo realizada a preço de mercado, houve a abordagem desse tema em uma das cláusulas contratuais, mal comparando o preço praticado com aquele que seria o preço da alienação ao investidor estratégico. Dizemos mal comparando, primeiro, porque naquela alienação o valor global chegaria a R$ 1.000.000.000,00 (hum bilhão de reais) para um volume de 90.187.729 ações, o que resultaria em um valor unitário maior, de R$ 11,088, depois, porque aquela era uma operação com características especiais, podendo ser citadas as tratativas que já vinham de longa data, o perfil do comprador que se apresentava como investidor estratégico, o considerável volume de ações envolvendo a transação, e, talvez outras mais que nem precisariam ser aqui mencionadas. Sem qualquer outra motivação de ordem econômica e/ou financeira, resta concluir que a operação foi estruturada para se prestar única e exclusivamente à transferência de parte do Fl. 986DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 10 9 ganho da pessoa jurídica para a pessoa física do sócio, esta última sujeita a uma incidência tributária menor que a imposta às pessoas jurídicas. A respeito da nova visão sobre as questões ligadas ao planejamento tributário, inclusive como o do presente caso, envolvendo operação estruturada, o professor e doutor Marco Aurélio Greco, autor do livro "Planejamento Tributário", 2a edição, Dialética, São Paulo 2008, nos ensina: (...) No caso concreto em análise, todos os elementos caracterizadores da "Operação Estruturada em Seqüência" estão à mostra, quais sejam: a) A seqüência de etapas, compreendendo: 28/09/2007 Inclusão "antecipada" do comprador (Sr. Marcos de Souza Barros) no prospecto preliminar com o qual foi instruído o pedido de registro da oferta pública de ações da BM&F S.A., com indicação das 8.891.662 ações ofertadas ao preço médio de R$ 15,50 por ação. 19/10/2007 Vinculação "antecipada" de todas as ações recebidas no processo de desmutualização, junto à instituição financeira custodiante, Banco Bradesco S.A., compreendendo as 987.963 da General Atlantic, mais as 8.891.662 anunciadas no prospecto preliminar. O compromisso formal com a oferta pública inicial ainda era aquele em nome da Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A., para cerca de 2.469.906 ações (apenas 25% do que ela viria a receber). Somente em 05 de novembro de 2007 é que foi formalizada a adesão em nome do Sr. Marcos de Souza Barros, com a oferta de 8.891.662 ações. 01/11/2007 Formalização da venda através do Instrumento Particular de Compromisso de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F e Outras Avenças, relativamente às 8.891.662 ações ao preço unitário de R$ 11,00, com pagamento de R$ 97.808.282,00 previsto para ser efetivado somente no dia da liquidação financeira da oferta pública inicial. Assim, o comprador não precisaria dispor de recursos próprios, pois, o pagamento seria efetuado com parte do valor obtido no IPO, embolsando o restante. 05/11/2007 Formalização da adesão do comprador (Sr. Marcos de Souza Barros) à oferta pública de distribuição secundária de ações ordinárias, para render as 8.891.662 ações, desde que o preço fosse fixado em valor igual ou superior a R$ 14,00 por ação, conforme Termo de Adesão e Procuração (Pessoa Física). Sem assumir qualquer risco e sem dispor de qualquer recurso próprio ele iria obter um ganho de capital de, pelo menos, R$ 3,00 por ação. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 11 10 29/11/2007 Alienação relativa a 7.731.880 ações no valor de R$ 154.637.600,00 (preço de R$ 20,00 por ação), na oferta pública inicial, em nome do Sr. Marcos de Souza Barros. Este número de ações corresponde exatamente à quantidade ofertada, sem considerar o exercício de "Opção de Ações Suplementares". A liquidação financeira ocorreu em D+3 (terceiro dia útil), ou seja, no dia 04 de dezembro de 2007. 04/12/2007 Pagamento feito pelo Sr. Marcos de Souza Barros a favor da corretora, correspondente a 7.731.880 ações no valor de R$ 85.050.680,00, com parte dos recursos vindos da venda no IPO. 04/12/2007 Alienação relativa a 1.159.782 ações no valor de R$ 23.195.640,00 (preço de R$ 20,00 por ação), também na oferta pública inicial e igualmente em nome do Sr. Marcos de Souza Barros. Este número de ações corresponde exatamente à quantidade prevista para o exercício de "Opção de Ações Suplementares", perfazendo o volume global da oferta, de 8.891.662 ações. 07/12/2007 Pagamento feito pelo Sr. Marcos de Souza Barros a favor da corretora, correspondente a 1.159.782 ações no valor de R$ 12.757.602,00, com parte dos recursos vindos da venda de "Ações Suplementares" no IPO. Assim, encerrase o pagamento das 8.891.662 ações no valor total de R$ 97.808.282,00. b) O objetivo da operação: Repasse de uma parte do ganho líquido que a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. iria apurar no evento da oferta pública inicial, pela alienação de ações da BM&F S.A. que ela receberia no processo de desmutualização. O repasse era da pessoa jurídica (Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A.) para a pessoa física do principal acionista (Sr. Marcos de Souza Barros), que detinha 99,99% do seu capital, mas isto deveria ocorrer de tal forma que o ganho não transitasse por contas de resultado, na contabilidade da pessoa jurídica. c) A causa jurídica: Caso a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. participasse diretamente da oferta pública inicial, todo o ganho líquido que fosse apurado na alienação das ações da BM&F S.A. mantidas em seu próprio nome, ficaria sujeito às normas de incidência tributária aplicáveis às pessoas jurídicas, mais onerosas do que as que são aplicáveis às pessoas físicas. Enquanto os ganhos líquidos auferidos pelas pessoas jurídicas estavam sujeitos à incidência de 15% de 1RPJ, 10% de Adicional, 9% de CSLL, 0,65% de PIS e 4% de COFINS, Fl. 988DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 12 11 os ganhos de capital auferidos pelas pessoas físicas sofriam uma incidência única de apenas 15%. Nada impedia, no entanto, que após ser tributado na pessoa jurídica o ganho auferido fosse distribuído na forma de lucro. Resta claro, portanto, que a contribuinte buscou na operação estruturada uma maneira de efetuar o repasse do ganho, sem antes submetêlo à incidência tributária pela legislação aplicável às pessoas jurídicas. d) A inexistência de motivos autônomos que justifiquem as seguidas etapas: A corretora dispunha de todas as condições necessárias para participar diretamente da oferta pública inicial onde poderia realizar a pretendida alienação de ações aa BM&F S.A., sem se valer de qualquer etapa intermediária. Assim procedendo, ela receberia o valor da operação na mesma data em que receberia o valor da venda efetuada ao Sr. Marcos de Souza Barros, dada a condição resolutiva constante do contrato e que de certo modo justificava a fixação de uma data futura para o pagamento, coincidente com a data da liquidação da oferta pública inicial. A principal diferença neste caso é que sem a etapa intermediária a corretora faria a alienação pelo real preço de mercado, aliás, muito maior do que aquele efetivamente praticado com o acionista. Uma vez apurado o ganho na pessoa jurídica e submetidoo à incidência tributária cabível ela poderia então fazer uma distribuição de lucro no valor desejado. Vêse, pois, que nada justifica a alienação feita a favor do seu principal acionista, às vésperas do evento da oferta pública inicial, principalmente por saberse que os ativos alienados (ações) tiveram origem em títulos patrimoniais mantidos ao longo de anos e anos no ativo permanente da instituição vendedora. (...) Aqui entra um outro tema a ser analisado, qual seja, o direito de autoorganização do contribuinte que não é absoluto. O próprio ordenamento jurídico impõe limites ao exercício dessa liberdade, sem o que estaria aberto o caminho para uso das patologias reprimidas pelo Direito, dentre as quais a que diz respeito ao "Abuso do Direito", a todos aqueles que dispusessem de algum recurso para contratar uma assessoria tributária. Aceitar pacificamente uma clara operação estruturada em seqüência como a que acabamos de desnudar, evidentemente seria ignorar os limites da liberdade de autoorganização. A operação consistiu em repasse parcial de ganhos líquidos, de uma pessoa jurídica para a pessoa física de um dos sócios, o principal deles, que detém 99,99% do capital, sabendose ainda Fl. 989DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 13 12 que o outro sócio com 0,01% da participação societária é filho do primeiro. Também sobre esta questão, o citado livro "Planejamento Tributário" de Marco Aurélio Grego nos traz o seguinte ensinamento: (...) DO ABUSO DE DIREITO EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA No tópico anterior, abordamos a questão dos limites que o ordenamento jurídico impõe ao exercício do direito de auto organização do contribuinte, sem o que estaria aberto o caminho para uso das patologias reprimidas pelo Direito, dentre as quais a que diz respeito ao "Abuso do Direito". Vimos também, naquela oportunidade, os abalizados ensinamentos do ilustre professor e doutor Marco Aurélio Grego, esposados em seu livro "Planejamento Tributário", 2a edição, Dialética São Paulo 2008, a respeito da aplicabilidade dessa limitação em matéria tributária, bem como, as conseqüências decorrentes dos excessos praticados. A figura do "Abuso do Direito" já era discutida na vigência do Código Civil de 1916, mas havia divergências a respeito, todavia, com o advento do Código Civil Brasileiro instituído pela Lei n.° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, a questão ficou bem mais clara, inclusive com a possibilidade de o abuso de direito ser qualificado como hipótese de ato ilícito, como previsto no artigo 187, que assim dispõe: LIVRO III DOS FATOS JURÍDICOS TÍTULO III DOS ATOS ILÍCITOS Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. O artigo 1o da Lei Complementar n.° 104, de 10 de janeiro de 2001, também tratou dessa questão ao incluir o parágrafo único ao artigo 116 do Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966), que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; I I tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 14 13 Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária, (incluído pela Lei Complementar n.° 104, de 10 de janeiro de 2001) DA DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS Cabe, inicialmente, deixar claro que os atos ou negócios jurídicos abordados neste tópico compreendem toda a seqüência de atos e operações (conjunto) criada para que noventa por cento das ações da BM&F S.A. que a Corretora Souza Barros S.A. receberia no processo da desmutualização fosse alienada, na oferta pública inicial, em nome do Sr. Marcos de Souza Barros. Estes atos e negócios jurídicos são todos aqueles já exaustivamente examinados em um dos tópicos precedente intitulado "DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO MEDIANTE OPERAÇÕES ESTRUTURADAS". Assim, pretendiase que, no conjunto, o ganho líquido ficasse dividido entre uma pessoa jurídica e uma pessoa física, da seguinte forma: A Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. contabilizaria um ganho líquido equivahnte a R$ 10,00 por ação (R$ 11,00 adotado como preço de venda à pessoa física, menos os R$ 1,00 de custo contábil), portanto, pelo lote de 8.891.662 ações haveria um ganho de R$ 88.916.620,00. Este valor teria a incidência tributária normal, de acordo com as regras impostas às pessoas jurídicas. O Sr. Marcos de Souza Barros ficaria com um ganho de capital de, pelo menos, RS 3,00 por ação (R$ 14,00 de preço mínimo autorizado em sua oferta para venda no IPO, menos RS 11,00 que pagaria pela compra da pessoa jurídica). Se a alienação fosse efetivada pelo valor mínimo de R$ 14,00 por ação, seu ganho relativo ao lote de 8.891.662 ações já seria de R$ 26.674.986,00, a ser tributado segundo as regras aplicáveis às pessoas físicas (menos onerosa), mas o beneficio seria tanto maior quanto maior fosse o preço alcançado na negociação. Como visto, toda a seqüência dos atos e negócios jurídicos compreendida neste "planejamento tributário" se volta para uma clara intenção de repassar ao Sr. Marcos de Souza Barros, parte dos ganhos líquidos que a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. poderia auferir na alienação das ações da BM&F S.A., no evento da oferta pública inicial, e tudo isso deveria ocorrer com a menor incidência tributária possível. Contudo, para obter o efeito desejado adotouse o mecanismo que consistiu na venda das próprias ações a serem alienadas na oferta pública inicial, de modo tal que por ocasião deste evento uma parte dos ganhos fosse apurada já na pessoa física do Fl. 991DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 15 14 beneficiário do repasse, ficando assim afastada da incidência tributária na pessoa jurídica; a partir daí tudo passaria a ser visto como absolutamente normal. O que não soa nada normal, todavia, é a ocorrência de um fato nunca almejado por qualquer pessoa, seja física ou jurídica, em que ela deva abrir mão de um potencial e anunciado ganho, simplesmente para favorecer a um "terceiro". Isto não seria concebível na seara dos negócios, pois um contrato com este perfil jamais seria celebrado com "terceiros" comuns; no presente caso, a negociação só interessava à corretora se formatado daquele modo e com aquela pessoa física (acionista detentor de 99,99% do capital). Ademais, cada etapa da operação estava atrelada a uma etapa seguinte, ou viceversa. Senão vejamos, novamente: A venda das ações da corretora era a primeira condição para que o Sr. Marcos de Souza Barros pudesse participar diretamente da oferta pública inicial e em seu nome auferir o ganho de capital. Sem esta venda não haveria ações a serem ofertadas pela pessoa física, podendo ainda ser lembrado que o ato de incluílo no prospecto preliminar também dependia dessa negociação. Essa venda se deu mediante contrato com condição resolutiva, condicionando sua efetivação à consolidação de todas as condições contidas no contrato firmado com a GA Latin America Investments, LLC, sem o que, provavelmente, a realização da oferta pública inicial ficaria comprometida. Caso essa hipótese viesse a ocorrer, a venda da pessoa jurídica para a pessoa física não faria mais sentido, porque a intenção não era simplesmente vender as ações. Era preciso que o Sr. Marcos de Souza Barros as revendesse no IPO, por um preço maior, e com os recursos da liquidação financeira efetuar, na mesma data, o pagamento à corretora. Vêse, assim, que só com o concurso de todas as etapas do plano o pacto firmado através do "Instrumento Particular de Compromisso de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F e Outras Avenças", datado de 1o de novembro de 2007, já mencionado em outras oportunidades anteriores, viria a se consolidar. É, portanto, plenamente passível de desconsideração, nos termos do parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966), os atos e os negócios jurídicos envolvidos nesta operação estruturada em seqüência, porque, como restou demonstrado, farta e exaustivamente, foram praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência dos fatos geradores do imposto e das contribuições da pessoa jurídica e a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. DA CARACTERIZAÇÃO DO ABUSO DO DIREITO E SUAS CONSEQÜÊNCIAS Fl. 992DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 16 15 Diante dos temas abordados nos quatro tópicos precedentes, intitulados "DA ALIENAÇÃO DAS AÇÕES BM&F S.A. AO SR. MARCOS DE SOUZA BARROS", "DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO MEDIANTE OPERAÇÕES ESTRUTURADAS", "DO ABUSO DO DIREITO EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA" e "DA DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS", resta demonstrado a perfeita caracterização do "Abuso do Direito", presente na operação exposta. Em conseqüência do "Abuso do Direito" desconsideramos, para fins de aplicação da legislação tributária, todos os atos e negócios jurídicos intermediários envolvidos na mencionada operação, atribuindo à Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. também a parte do ganho de capital auferido em nome do Sr. Marcos de Souza Barros, como se fora ela quem diretamente tivesse participado das alienações no evento da oferta pública inicial. A diferença tributável a ser considerada será, portanto, correspondente ao valor global de R$ 80.024.958,00, já demonstrado no tópico intitulado "DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO MEDIANTE OPERAÇÕES ESTRUTURADAS", mas que demonstraremos em novo formato no quadro seguinte: (...) Inconformada com a autuação a interessada propôs impugnação ao lançamento onde contesta a exigência do IRPJ, da CSLL e das multas isoladas. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação em acórdão assim ementado (fl. 789 e ss.): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. VENDA DAS AÇÕES DA BM&F S/A NA OFERTA PÚBLICA INICIAL PELA PESSOA FÍSICA DO SÓCIO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. Não produzem efeitos perante o Fisco as operações realizadas sem propósito negocial, com o único intuito de economia tributária, especialmente quando se constata a ocorrência de abuso de direito, vício que macula o negócio jurídico de ilicitude. Mantémse a desconsideração da venda das ações da BM&F S/A realizada pela pessoa física do sócio da corretora, tributandose a pessoa jurídica pelos ganhos obtidos. LANÇAMENTO DE CSLL. Aplicamse ao lançamento da CSLL as mesmas conclusões e razões de decidir consideradas para o lançamento do IRPJ, por serem comuns os seus fundamentos fáticos e jurídicos. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 17 16 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR DE ESTIMATIVAS. EXIGÊNCIA CONJUNTA COM A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 prevê a possibilidade de lançamento concomitante da multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas e da multa vinculada por falta ou insuficiência de recolhimento do tributo apurado anualmente. DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. TRIBUTAÇÃO DA DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CONCOMITÂNCIA. Nos termos do artigo 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/80, a propositura de mandado de segurança ou outra ação judicial discutindo o crédito tributário implica na renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e na desistência de recurso acaso interposto. Deixase de conhecer da impugnação no que se refere à aplicação do art. 17 da Lei nº 9.532/97 ao processo de desmutualização. LANÇAMENTO DE VALORES DEPOSITADOS EM JUÍZO A MENOR. POSSIBILIDADE. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. É possível exigirse, por meio de lançamento, crédito tributário correspondente à insuficiência de depósitos judiciais, o que não se caracteriza como exigência de complementação dos depósitos realizados. O cálculo dos valores considerados insuficientes devido à falta de inclusão da multa de mora, no caso de depósito realizado em atraso, deve obedecer ao método da imputação proporcional. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário onde alega, em síntese, o seguinte (fl. 811 e ss.): a) o lançamento encontrase eivado de ilegalidade uma vez que fundamentado no art. 116, parágrafo único, do CTN, norma essa que está privada de eficácia normativa enquanto não for promulgada a lei ordinária nela expressamente prevista. Ao contrário do afirmado na decisão de primeiro grau, tratase de norma de eficácia contida, e não de eficácia limitada, daí porque, como dito, somente produz efeitos após sua regulamentação por lei ordinária; b) a venda, ao sócio, das ações representativas da participação da Corretora no capital de BM&F S.A. representou um risco assumido pelo adquirente, e não uma venda favorecida ou abusiva; c) quanto à desmutualização das bolsas é de se dizer que em tal processo não houve devolução do patrimônio da Bovespa e da BM&F à contribuinte, e sim mera substituição dos títulos patrimoniais daquelas associações civis por ações das empresas Bovespa S.A. e BM&F S.A.; Fl. 994DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 18 17 d) na eventualidade de não serem acolhidas as razões acima, pede seja deduzido dos tributos lançados o valor do imposto de renda pago pela pessoa física do sócio, incidente sobre o ganho auferido com a venda das ações da BM&F S.A. na IPO; e) é incabível a exigência de multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL quando, concomitantemente, é exigida multa de ofício pela falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos ao final do anocalendário. Em 23/12/2013 a interessada protocolou junto à DEINF/SP petição de desistência parcial, por meio da qual desiste do recurso voluntário no que toca ao IRPJ e à CSLL, bem como renuncia a quaisquer alegações de direito em que se fundamentou o recurso. Trazidos os autos à apreciação da Turma, e tendo em conta que o pedido de desistência parcial revelouse impreciso quanto a seu objeto, o Colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Por todo o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência a fim de que a autoridade fazendária de jurisdição do sujeito passivo: a) elabore relatório informando, com base no pedido de parcelamento e/ou em outros elementos de que dispuser, se a petição de desistência protocolada em 23/12/2013 abrange a totalidade do IRPJ e da CSLL lançados, ou limitase ao IRPJ e à CSLL incidentes sobre o ganho de capital auferido na desmutualização das bolsas. Caso não haja elementos de prova, informe a situação; b) intime a recorrente a, se assim lhe convier, apresentar contrarrazões ao relatório de diligência no prazo de 20 (vinte) dias de sua ciência. Realizada a diligência a autoridade local elaborou relatório onde conclui que a desistência parcial teve como objeto, apenas, o IRPJ e a CSLL incidentes sobre o ganho de capital percebido na devolução, aos associados, do patrimônio da Bovespa e da BM&F (desmutualização das bolsas). Intimada para tanto, a recorrente manifestou sua concordância com os termos do relatório e diligência. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) DA ALEGADA INEFICÁCIA DO ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN Fl. 995DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 19 18 Em sua peça recursal a interessada afirma ser incabível a exigência do crédito tributário lançado com base em planejamento tributário abusivo, haja vista que a eficácia do a seguir transcrito art. 116, parágrafo único, do CTN, introduzido pela Lei Complementar nº 104/2001, dependeria de regulamentação por lei ordinária, algo que ainda não ocorreu: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Pois bem, realmente a doutrina majoritária afirma que, como ainda não foi promulgada a lei ordinária que a regulamentaria, a norma sob exame não possui eficácia jurídica. Entretanto há estudiosos em Direito Tributário que, embora em minoria, entendem que ao menos no plano federal o art. 116, parágrafo único, do CTN, é plenamente eficaz. É o caso do professor Ricardo lobo Torres que sobre o assunto afirma o seguinte1: Resta saber se o art. 116, parágrafo único, do CTN, trazido pela LC nº 104/2001 é de aplicação imediata. Parecenos que fica na dependência de normas federais, estaduais ou municipais de caráter procedimental para que possa ser aplicado. Tendo surgido a norma antielisiva por lei complementar federal, a regra procedimental ordinária correspondente não será apenas federal, mas deverá operar no âmbito do processo administrativo fiscal da União, dos Estados e dos Municípios. Se as legislações desses entes da federação já possuírem regras de procedimento administrativo que permitam a aplicação da norma antielisiva, nada obsta a incidência imediata do art. 116, parágrafo único, do CTN. Afinal de contas, a LC nº 104/2001 não está introduzindo uma novidade no direito brasileiro, senão que veio explicitar o que já era aplicado pelos Tribunais sob a forma de combate à fraude à lei ou ao abuso de forma jurídica. (Grifamos) Sucede que o Governo Federal optou por baixar a MP nº 66/2002, introduzindo desnecessárias complicações na sistemática da norma antielisiva. Mas a medida provisória foi recusada pelo Congresso Nacional. De modo que, no plano federal, as normas que regulam o processo tributário administrativo podem ser aplicadas nos casos de elisão abusiva, embora sejam rudimentares e lacunosas. (Grifamos) Em outras palavras, de acordo com Torres o art. 116, parágrafo único, do CTN, sendo uma norma nacional, é imediatamente aplicável aos entes da federação que já 1 Ricardo lobo Torres, in “Planejamento Tributário: Elisão Abusiva e Evasão Fiscal”, Elsevier, 2ª ed., p. 52. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 20 19 possuam normas sobre o procedimento administrativo fiscal, como é o caso da União, cuja regulação é feita pelo Decreto nº 70.235/72, recepcionado pela nova ordem constitucional com status de lei ordinária. Havendo, então, duas interpretações para o mesmo dispositivo legal (a majoritária e a minoritária), caberá a esta Turma, ao menos em relação ao caso sob exame, decidir qual das duas deverá prevalecer. Mas a interpretação de normas jurídicas pelo aplicador do Direito não é um ato de vontade, ou seja, havendo duas interpretações possíveis, deverá o aplicador verificar qual delas é a “correta”, segundo as regras de hermenêutica jurídica. E em um sistema como o adotado em nosso país, de supremacia da Constituição, a primeira providência nos casos em que houver duas interpretações possíveis para a mesma norma jurídica é verificar se há incompatibilidade entre alguma delas e a Carta Magna. Feito isso, e acaso ambas sejam compatíveis, devese verificar se alguma delas melhor concretiza as normas constitucionais. Se ambas as interpretações bem concretizarem a Constituição, passase às demais regras de hermenêutica jurídica a fim de verificarse qual delas é a “correta”. Mas, no caso dos presentes autos essa última providência não será necessária, como se verá a seguir. A Carta de 1988, como é cediço, instituiu uma enorme quantidade de direitos e garantias fundamentais, bem como atribuiu ao Estado o dever de concretizálos. E uma vez que a concretização de direitos exige o dispêndio de vultosos recursos públicos2, recursos esses obtidos pelo Estado principalmente via tributação, surge por determinação constitucional, ao lado dos direitos e garantias fundamentais, o dever fundamental de pagar tributos3. Pois bem, planejamentos tributários abusivos são práticas, via de regra, arquitetadas por empresas de "consultoria tributária" e levados a efeito com intuito de dar um "quê" de legalidade a atos que, em verdade, têm como fim possibilitar ao contribuinte fugir ao seu dever fundamental de pagar tributos. Nesse sentido, interpretarse o art. 116, parágrafo único, do CTN, da forma defendida pela ora recorrente significaria uma licença para que determinados contribuintes deixassem de cumprir, ao menos até a promulgação da lei ordinária (e já se vão mais de 14 anos desde o advento da Lei Complementar nº 104/2001), o seu dever fundamental de pagar tributos, mediante a adoção de planejamentos tributários abusivos. Se assim fosse, o mencionado parágrafo único do art. 116 seria uma inovação legislativa com vistas a impedir que o fisco coibisse o referido ilícito, já que, como ressalta Torres, o combate à elisão fiscal abusiva já existia mesmo antes do advento da norma em questão. Além de não se coadunar com o dever fundamental da pagar tributos, a interpretação sustentada pela recorrente também constitui uma afronta ao princípio da capacidade contributiva, insculpido no art. 145, § 1º, da Constituição, já que os contribuintes que possuem maior capacidade econômica (justamente aqueles que possuem condições econômicas para contratar caras "consultorias" para implementação de planejamentos 2 Sobre o assunto vide Stephen Holmes e Cass Sunstein in “The Cost of Rights: Why Liberty Depends on Taxes”, W. W. Norton & Company, 1999. Entre nós vide Flávio Galdino in “Introdução à Teoria dos Custos dos Direitos: Direitos não nascem em árvores”, Lumen Juris, 2005. 3 Sobre o assunto vide a famosa obra de José Casalta Nabais, “O Dever Fundamental de Pagar Impostos”, Almedina, 2009. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 21 20 tributários) estariam sendo gravados com uma tributação inferior à sua capacidade, em detrimento da tributação incidente sobre os demais contribuintes. É de se ter em conta, ainda, que a nova ordem constitucional conferiu grande importância a valores morais, tais como a boafé e a função social do contrato, repudiando por conseguinte a adoção de praticas abusivas perpetradas seja pelo Estado seja pelos particulares. Em assim sendo, também aqui a interpretação defendida pela recorrente não se harmoniza com a Constituição na medida em que, segundo ela, enquanto não for promulgada a lei ordinária prevista no art. 116, parágrafo único, do CTN, o Fisco estaria impedido de coibir práticas abusivas. Por tudo o que foi dito, das duas interpretações possíveis para o art. 116, parágrafo único, do CTN, aquela que melhor se harmoniza com a nova ordem constitucional, em especial com o dever fundamental de pagar tributos, com o princípio da capacidade contributiva e com o valor de repúdio a praticas abusivas (valores da boafé e da função social do contrato), é sem dúvida aquela defendida pelo professor Ricardo lobo Torres. Ressaltese que não estamos aqui a afirmar que a interpretação proposta pela contribuinte seja inconstitucional, até porque este Conselho não é competente apreciar essa questão. O que estamos dizendo é que, das duas interpretações possíveis, seguramente a que melhor se harmoniza com a Constituição é a sustentada por Torres, daí porque, de acordo com as regras de hermenêutica jurídica, deve prevalecer sobre a interpretação defendida pela contribuinte. 3) DA ALIENAÇÃO DAS AÇÕES DA BM&F S.A. AO SÓCIO REQUALIFICAÇÃO DO NEGÓCIO Resolvida a questão da eficácia jurídica do art. 116, parágrafo único, do CTN, resta examinar se, no caso sob exame, houve abusividade na conduta da contribuinte, Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S/A, em alienar a seu sócio majoritário, Marcos de Souza Barros (participação de 99,99% no capital da Corretora os outros 0,01% pertence a seu filho, Carlos Alberto Botelho de Souza Barros), as 8.891.662 ações que possuía junto ao capital da BM&F S.A. Pois bem, a meu juízo está comprovada a abusividade na referida alienação em comento haja vista os seguintes fatos: a) 2007 foi, até então, o grande ano para as ofertas públicas iniciais ocorridas em bolsas brasileiras. Confira, a título exemplificativo, trechos da seguinte matéria publicada no UOL Notícias em 02/01/2008 (disponível em http://economia.uol.com.br/ultnot/2008/01/02/ult4294u906.jhtm): Ofertas públicas iniciais tiveram em 2007 seu grande ano (...) O ano de 2007 foi o ano do mercado das emissões públicas iniciais de ações, as conhecidas IPOs, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Do inglês "Initial Public Offering", que significa oferta pública inicial, as IPOs atingiram níveis recordes de número de operações, de volume financeiro, de número de investidores e de número de ações que mais se valorizaram no seu dia de estréia. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 22 21 (...) Ajuda a explicar o "sucesso" do mercado de IPOs o cenário conjuntural da economia brasileira. Atualmente se verifica um momento de crescimento da atividade econômica, a inflação está sob controle, as taxas de juro estão em declínio, e o crédito tem se expandido. Além disso, outro fator que contribui para que as operações de oferta públicas iniciais de ações venham ganhando tanto espaço no mercado de capitais brasileiro são as crises de crédito por que passam os mercados norteamericano e europeu, na medida em que esse fenômeno causa maior atração dos investidores internacional pelos negócios brasileiros. Com efeito, os investidores estrangeiros são os principais compradores das IPOs, desde que esse tipo de operação começou a ser praticada de modo consistente e regular no mercado de capitais brasileiro, em 2004. Naquele ano, os estrangeiros ficaram com R$ 3,1 bilhões de IPOs (cerca de 69,7% do total). Nos dois anos seguintes, esses investidores compraram R$ 3,4 bilhões (62,4%) e R$ 11,3 bilhões (73,3%), respectivamente. Em 2007, a participação do investidor internacional foi de 68,6%, o que equivaleu a R$ 37,8 bilhões. (...) b) neste cenário positivo (que iniciouse em 2006, conforme trecho final da matéria acima referida), ocorreu, em 26/10/2007 o IPO das ações da Bovespa Holding. Esta foi, até aquele momento, a mais bem sucedida oferta pública de ações ocorrida no Brasil. Confirase, a título exemplificativo, trechos das seguintes matérias publicadas no sítio da Folha de São Paulo, a primeira no dia anterior à IPO, em 25/10/2007 (disponível em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2510200702.htm) e a segunda no dia da IPO, em 26/10/2007 (disponível em http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2007/10/340036acaoda bovespaholdingdisparamaisde30emestreianabolsa.shtml): Abertura de capital da Bovespa bate recorde (25/10/2007) (...) A Bovespa conseguiu levantar um valor estimado ontem em R$ 6,625 bilhões na maior abertura de capital já feita no mercado brasileiro. O IPO (oferta pública inicial) foi o mais agitado do ano, com demanda recorde e alteração de preço no meio do processo. Até então, o maior IPO tinha sido o da Redecard, que conseguiu obter R$ 4,64 bilhões.Segundo a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), as ações saíram por R$ 23 teto do preço fixado pelos coordenadores. Os papéis começam a ser negociados amanhã no Novo Mercado da Bolsa. O dinheiro arrecadado vai para as corretoras já no dia 30. (...) Estimativas de profissionais do mercado apontam que a procura pelos papéis da Bovespa superou em muito a oferta realizada, podendo ter alcançado os R$ 40 bilhões. Essa forte procura Fl. 999DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 23 22 levou os coordenadores a mudarem a faixa de preço inicial para as ações de R$ 15,50 a R$ 18,50 para R$ 20 a R$ 23. (...) "Para as corretoras que abriram mão de parte de seu capital, o negócio foi muito bom em um primeiro momento", diz William Eid Júnior, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV. "Mas é preciso ver o desempenho das ações para avaliar se o negócio poderia ser ainda melhor." (...) Ação da Bovespa Holding dispara mais de 30% em estréia na Bolsa (26/10/2007) (...) A ação ordinária da Bovespa Holding dispara em sua estréia na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). O ativo é negociado a R$ 30, com valorização de 30,43%, nos primeiros negócios desta sextafeira e negócios da ordem de quase R$ 1 bilhão. A Bovespa Holding é a empresa criada para a "desmutualização" da organizadora do mercado acionário brasileiro. O IPO (oferta pública de ações) da Bovespa Holding movimentou mais de R$ 6 bilhões, em um das maiores operações do continente. (...) A oferta pública da empresa superou as expectativas tanto de preço quanto de demanda: o preço de R$ 23 bateu com o topo das projeções da próprio Bovespa Holding, e a procura pelos papéis superou as 250 milhões de ações ordinárias originalmente estimadas. (...) c) neste ambiente de grande euforia no mercado brasileiro de ações e, em especial, após o grande sucesso verificado na IPO das ações da Bovespa Holding acima mencionado, anunciou se a aguardada oferta pública das ações da BM&F S.A., que viria a ocorrer em 30/11/2007; d) todavia, mesmo diante deste cenário extremamente promissor no que tange ao preço que poderiam alcançar as ações BM&F S.A. na respectiva IPO, a contribuinte celebrou com seu sócio majoritário, em 01/11/2007, o "Instrumento Particular de Compromisso de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F e Outras Avenças" (fl. 119 e ss.), por meio do qual se comprometeu a alienar a este as 8.891.662 ações que possuía junto ao capital da BM&F S.A. pelo preço de R$ 11,00 por ação; e) referido preço de R$ 11,00 por ação da BM&F S.A. era, inclusive, inferior ao preço de R$ 11,09 que os detentores das ações da BM&F S.A. (entre eles a própria contribuinte), em 17/08/2007, se comprometeram a alienar ao investidor estratégico General Atlantic 10% das ações que possuíam no capital daquela Bolsa (vide "Instrumento Particular de Assunção de Obrigações" à fl. 90 e ss.). Em outras palavras, mesmo com o mercado de ações em "alta", no Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 24 23 dia 01/11/2007 a contribuinte comprometeuse a alienar a seu sócio as ações que possuía no capital da BM&F S.A. pelo preço unitário de R$ 11,00, valor esse inferior àquele pactuado dois meses e meio antes (17/08/2007), quando da venda de parte das ações à General Atlantic. A fim de ilustrar a euforia do mercado em data próxima à celebração do contrato de alienação ocorrida em 01/11/2007, transcrevemos a seguir trechos da matéria publicada no sítio da Folha de São Paulo em 29/10/2007 (disponível em http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u340661.shtml): Mercado se prepara para as ações da BM&F (...) Concluída a abertura de capital da Bovespa, as atenções do mercado financeiro e dos pequenos investidores de varejo se dirigem agora para o IPO (oferta pública inicial, na sigla em inglês) da vizinha BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), que deve acontecer ainda neste ano. A oferta não tem data definida, mas deve acontecer até o início de dezembro. Uma das líderes no mercado de derivativos, a BM&F é a quarta maior Bolsa de futuros do mundo, um mercado sofisticado que oferece instrumentos financeiros para diminuição de riscos e potencialização de lucros na negociação de commodities agrícolas, como soja, café e álcool, além dos mercados de juros, câmbio e ações. (...) Lucy Sousa, presidente da ApimecSP, afirma que o IPO da BM&F seguirá a mesma diretriz testada pela Bovespa. "A BM&F já é uma das maiores Bolsas de derivativos do mundo. As últimas parcerias feitas só reafirmam o seu papel importante de uma Bolsa de abrangência mundial", disse. (...) Para o matemático Marcos Crivelaro, da Fiap, a valorização na estréia das ações da Bovespa deve estimular a procura pela BM&F. "O sucesso da operação da Bovespa vai reforçar o interesse na BM&F, que tem produtos mais interessantes, é mais sofisticada e criativa. Quem apostou e ganhou vai querer dobrar agora. Mas é preciso ver se não há um exagero em tudo isso", disse. (...) f) no dia 05/11/2007 (o dia útil seguinte ao da celebração do compromisso de alienação, já que o dia 2 foi feriado nacional e os dias 3 e 4 caíram em final de semana) o sócio adquirente enviou à BM&F S.A. o "Anexo IIA Termo de Adesão e Procuração (Pessoa Física)" (fl. 105 e ss.) aderindo à IPO, desde que o preço por ação ofertada fosse fixado no procedimento de bookbuilding em valor igual ou superior a R$ 14,00. Dito de outro modo, no dia útil seguinte à celebração do compromisso de aquisição das citadas ações junto à Corretora, o sócio já não admitia um ganho inferior à R$ 3,00 por ação sobre o preço estipulado no contrato (R$ 11,00); Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 25 24 g) outro fato que chama muito a atenção no mencionado "Instrumento Particular de Compromisso de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F e Outras Avenças", celebrado em 01/11/2007 é que, conforme estabelecido em seu item 6, o sócio adquirente somente pagaria o preço de R$ 11,00 por ação à contribuinte na "data da liquidação financeira que constar do Prospecto Definitivo de Oferta Pública de Distribuição Secundária de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.". Ou seja, o sócio adquirente somente pagaria à contribuinte os R$ 11,00 por ação quando recebesse dos terceiros adquirentes o preço pela venda das mesmas ações na IPO (D + 3), algo que, segundo o Prospecto Definitivo somente ocorreria em 04/12/2007 (oferta base) e em 04/01/2008 (oferta de ações suplementares). Diante dos fatos acima expostos é de se perguntar: por que razão a contribuinte se comprometeria a alienar a seu sócio majoritário, em 01/11/2007, as 8.891.662 ações que possuía junto ao capital da BM&F S.A., pelo preço de R$ 11,00 por ação, com recebimento somente quando o sócio recebesse de terceiros pela alienação das mesmas ações na IPO que se realizaria em 30/11/2007? A contribuinte procura responder a essa questão afirmando, primeiramente, que se tratava de uma operação de risco, pois não havia garantia de que na IPO as ações da BM&F seriam efetivamente vendidas a um valor unitário superior a R$ 11,00. Alega que, neste sentido, o risco foi assumido pelo sócio adquirente. Pois bem, é verdade que em 01/11/2007 a Corretora e seu sócio majoritários não poderiam prever o valor que a ação da BM&F alcançaria na respectiva IPO que se realizaria no dia 30 do mesmo mês. No entanto, não é menos verdadeira a afirmação de que naquela data, tendo em vista os fatos antes narrados, era baixíssimo o risco de adquirirse ações da BM&F a um valor unitário de R$ R$ 11,00 (preço de alienação à General Atlantic, estabelecido dois meses e meio antes em 17/08/2007). Em outras palavras, embora houvesse risco, este era inegavelmente baixíssimo. E as pessoas que lidam com o mercado de ações (e a contribuinte e seu sócio estão entre elas) costumam bem calcular o risco do investimento. Por fim, não é demais lembrar que as expectativas do mercado estavam corretas, pois o valor unitário das ações da BM&F na IPO atingiram R$ 20,00 (este foi o valor por ação recebido pelo sócio na oferta pública). Em segundo lugar afirma a defesa que a alienação das ações ao sócio Marcos de Souza Barros em 01/11/2007 teve como propósito evitarse que a Corretora viesse a ser impedida de alienar as ações da BM&F na IPO, por meio de medida judicial que viesse a ser concedida nos autos do processo que travava com seu exsócio, Álvaro de Souza Barros. Não há aqui, a meu ver, propósito genuíno, mas mero pretexto. Tanto é assim que a alienação das ações ao sócio Marcos de Souza Barros não impediu o Juízo de conceder liminar proibindolhe de alienar as ações na IPO, conforme item 3 do "Comunicado ao Mercado" expedido pela Bovespa em 27/11/2007 (disponível em http://www.bmfbovespa.com.br/ptbr/mercados/acoes/ofertaspublicas/bolsademercadorias efuturosbmefsa10122007.aspx?idioma=ptbr): 3 Foi concedida liminar em 22 de novembro de 2007 impedindo o Acionista Vendedor Sr. Marcos de Souza Barros de vender suas Ações no âmbito da Oferta. Dessa forma, se até às 17h00 Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 26 25 do dia 28 de novembro de 2007, data de Fixação do Preço por Ação, tal Acionista Vendedor ainda estiver impedido de vender suas Ações, a Opção de Ações Suplementares será diminuída em 8.891.662 Ações, passando a ser de 30.132.448 Ações, sendo que as Ações que seriam alienadas por tal Acionista Vendedor na Oferta base serão alocadas proporcionalmente entre os demais Acionistas Vendedores. A liminar foi posteriormente revogada e o Sr. Marcos de Souza Barros participou da IPO da BM&F, e o valor discutido no processo foi bloqueado pelo Juízo até decisão definitiva sobre o direito do autor da ação, Álvaro de Souza Barros. Em verdade, por tudo o que se viu acima, a única razão crível para celebração da promessa de alienação havida em 01/11/2007 é a redução, por meio de práticas abusivas, do montante dos tributos devidos ao Fisco. Realmente, de acordo com os cálculos apresentados no TVF (fl. 479), se a própria contribuinte alienasse na IPO as ações que mantinha no capital de BM&F S.A., sofreria incidência tributária (IRPJ + CSLL + PIS + Cofins) de aproximadamente 65 milhões de reais, enquanto que, da forma como foi realizada (alienação ao sócio, havendo este alienado as ações na IPO), a alienação sofreu incidência tributária (IRPJ + CSLL + PIS + Cofins + IRPF) de cerca de 46 milhões de reais. Houve assim um ganho tributário abusivo em torno de 19 milhões de reais. Nestas condições, julgada abusiva a alienação das ações ao sócio majoritário, tal negócio jurídico deve ser requalificado, a teor do disposto no art. 116, parágrafo único, do CTN, tudo se passando como se fosse a própria contribuinte a alienar, na respectiva IPO, as ações da BM&F S.A. 4) DAS MULTAS ISOLADAS FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAIS DE IRPJ E CSLL Conforme já exposto em outras oportunidades, entendo que o cabimento, ou não, da multa isolada imposta pela falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, quando houver imposição concomitante da multa de ofício pela falta de pagamento anual do imposto e da contribuição, deve levar em consideração a norma vigente no momento de ocorrência do fato gerador da multa isolada. Mais especificamente, devese identificar se o regime jurídico regulador da imposição da multa isolada é aquele previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, ou se é o prescrito por aquele mesmo artigo, com a redação dada pela da Lei nº 11.488/2007, fruto da conversão da Medida Provisória nº 351/2007. Pois para os fatos ocorridos durante a vigência do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, venho acolhendo a tese defendida majoritariamente pelos membros deste Conselho segundo a qual não cabe a exigência da multa isolada prevista no parágrafo 1º, inciso V, daquele dispositivo quando houver também exigência da multa de ofício estabelecida em seus incisos I e II do caput. E embora haja mais de uma justificativa jurídica para essa tese, entendo que o não cabimento da imposição concomitante dessas duas multas tem como fundamento a dubiedade da redação do próprio art. 44 em sua redação original, dubiedade esta que deve ser resolvida a favor do sujeito passivo, a teor do disposto no art. 112, I, do CTN. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 27 26 Referida dubiedade, todavia, foi completamente afastada com a nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrita, daí porque para os fatos ocorridos a partir de 22/01/2007, data em que entrou em vigor Medida Provisória nº 351, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007, entendo não mais haver impedimento jurídico para imposição concomitante das multas previstas em seus incisos I e II, “b”: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) No caso dos autos as multas isoladas referemse a falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL cujos fatos geradores ocorreram, todos, após 22/01/2007, quando já estava em vigor a nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, motivo pelo qual, como dito antes, entendo não haver óbice legal para imposição concomitante da multa prevista em seu inciso I com aquela estabelecida no inciso II, alínea “b”. 5) PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Pede a recorrente que, na eventualidade de não serem acolhidos os argumentos de defesa, seja ao menos realizada a compensação entre os tributos lançados e o IRPF pago pelo sócio quando da alienação das ações da BM&F S.A. na oferta pública. Não há como acolherse o pedido de compensação, tendo em vista a inobservância do disposto no art. 74 da Lei nº9.430/96. No entanto, uma vez que houve a requalificação do negócio jurídico, tudo se passando como se fosse a própria contribuinte a alienar as ações da BM&F S.A. na respectiva IPO, devese também, a meu ver, requalificar o IRPF pago pelo sócio Marcos de Souza Barros na alienação daquelas mesmas ações na IPO. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720692/201124 Acórdão n.º 1201001.359 S1C2T1 Fl. 28 27 O valor do referido IRPF efetivamente pago pelo sócio, devidamente requalificado como IRPJ pago pela contribuinte, deve ser deduzido do imposto lançado. 6) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário apenas para requalificar o IRPF pago pelo sócio Marcos de Souza Barros em IRPJ pago pela contribuinte, devendo o órgão fazendário de jurisdição do sujeito passivo promover o ajuste no lançamento do IRPJ. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 23034.042586/2006-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO TERCEIROS. FNDE.
Contribuições devidas e não recolhidas ao FNDE são exigíveis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente a Conseheira Nathália Correia Pompeu
JOÃO BELLINI JÚNIOR - Presidente.
IVACCIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
.EDITADO EM: 16/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes. Ausente a Conseheira Nathália Correia Pompeu.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO TERCEIROS. FNDE. Contribuições devidas e não recolhidas ao FNDE são exigíveis. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 23034.042586/2006-91
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5559055
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.389
nome_arquivo_s : Decisao_23034042586200691.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : IVACIR JULIO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 23034042586200691_5559055.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente a Conseheira Nathália Correia Pompeu JOÃO BELLINI JÚNIOR - Presidente. IVACCIR JÚLIO DE SOUZA - Relator. .EDITADO EM: 16/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes. Ausente a Conseheira Nathália Correia Pompeu.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
id : 6254905
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122534395904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1690; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 23034.042586/200691 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.389 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕESPREVIDENCIÁRIAS Recorrente EMPRESA DE DESENVOLVIMENTO AGROPECUARIO DE SERGIPE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO TERCEIROS. FNDE. Contribuições devidas e não recolhidas ao FNDE são exigíveis. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente a Conseheira Nathália Correia Pompeu JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente. IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Relator. .EDITADO EM: 16/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes. Ausente a Conseheira Nathália Correia Pompeu. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 04 25 86 /2 00 6- 91 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Na forma do Acórdão n 15.26425, de fls. 59, a 6 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador Bahia DRJ/SBA ( BA) , julgando a Notificação para Recolhimento de Débito NRD n° 0000432/2006, lavrada pelo Ministério da Educação Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), para a constituição de crédito tributário relativo à contribuição SalárioEducação, prevista no § 5o do art. 212 da Constituição Federal, no valor original de R$ 35.910,00 (trinta e cinco mil novecentos e dez reais), além de juros e multa concedeu PROVIMENTO PARCIAL em razão de já terem sido alcançadas pela decadência as contribuições lançadas relativas às competências julho de 1996 a novembro de 2001. Na condução do voto a quo , em relação às competências a partir de dezembro de 2001, o i. Julgador asseverou que : " os documentos apresentados pelo impugnante não modificam em nada o lançamento, uma vez que apenas confirmam os valores das deduções utilizadas para o cálculo do valor das divergências. Tornese como exemplo a competência 12/2003. Segundo o demonstrativo de divergência por estabelecimento, fls. 06, a dedução efetuada pela empresa foi de R$ 1.512,00. Exatamente este é o valor da dedução para o SME constante da guia juntada pelo impugnante às fls. 35." Dessa forma manteve o lançamento em relação às contribuições relativas às competências 12/2001 a 12/2003. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 126. DA DILIGÊNCIA Às fls. requeri diligência, 190 cuja resumo abaixo se expressa: “ Entendo que a identidade de valores destacada pelo Relator a quo, não esgota hipótese de equívoco uma vez que a ação que resultou no lançamento, ao que parece, não foi presencial. Assim, os documentos trazidos à colação pelo Recorrente devem ser oferecidos ao órgão autuante para que se manifeste sobre a procedência dos argumentos. Desse modo, voto pela conversão do Recurso em diligência para que o órgão autuante se manifeste conclusiva e efetivamente sobre a procedência dos argumentos uma vez que não constam nos autos se tais documentos já teriam sido apreciados, desta forma, em primeira instância.” DA INFORMAÇÃO FISCAL A informação fiscal consta às fls 198. ´´E o Relatório. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 23034.042586/200691 Acórdão n.º 2301004.389 S2C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Conselheiro Ivaccir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE E DA ADMISSIBILIDADE O Recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Na forma da Resolução de fls. 190, esta e. Turma, em atenção ao voto de minha relatoria, para formação de minha convicção, resolveu converter o julgamento em DILIGÊNCIA. Na oportunidade diante dos argumentos postos pela Recorrente de que pagara a contribuição cobrada, requeri a autoridade que se manifeste conclusivamente sobre a procedência da autuação e, se fosse o caso, retificasse o que fosse insustentável dando ciência ao contribuinte do inteiro teor da Resolução e o da Informação Fiscal para , se quiser, interpor Recurso. Em atenção ao requerido, a autoridade autuante procedeu a Informação Fiscal de fls 198 com a definitiva informação abaixo transcrita: " 2.3 Como as RAIs apresentadas pelo contribuinte foram rejeitadas, tendo ele sido cientificado à época de tal fato, conforme atestam os documentos referenciados no item 2.1 acima, e o mesmo deixou de adotar os procedimentos adequados para regularizar a situação, então as deduções informadas nos documentos de arrecadação foram glosadas. Em decorrência da glosa, foi emitida eletronicamente a notificação para recolhimento de débito. 2.4 Diante dos fatos comprovados nos autos, entendo ser improcedente a alegação do contribuinte em seu recurso de que as deduções foram efetuadas corretamente. Conclusivamente, uma vez constatado que a documentação acostada ao recurso não trouxe aos autos qualquer fato modificativo ou extintivo para o crédito tributário constituído que já não tenha sido apreciado pela Delegacia Regional de Julgamento (DRJ), manifestome pela ratificação do saldo remanescente do crédito, conforme decidido pela DRJ. " Notificada da Resolução e da Informação fiscal, a empresa não se manifestou de modo a elidir a autuação. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Assim , em face a tudo que foi exposto, nego provimento as alegações da Recorrente. CONCLUSÃO Conheço do Recurso Voluntário para NO MÉRITO NEGAR´LHE PROVIMENTO. É como voto IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Relator Fl. 273DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 17613.720379/2014-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS. CORREÇÃO NO DECORRER DO PAF PELO PRESTADOR DE SERVIÇOS. VALIDADE.
A apresentação de recibos médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a sua idoneidade declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos prestados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física.
In casu, em que pese o contribuinte não haver comprovado totalmente os serviços deduzidos do IRPF no decorrer da ação fiscal, por ter apresentado recibos com informações faltantes, em sede de recurso voluntário trouxe à colação tais documentos devidamente retificados, impondo sejam admitidos para efeito da comprovação dos serviços prestados e efetividade do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial, de maneira a restabelecer a dedução das despesas médicas comprovadas (R$ 4.587,00), mantendo as demais glosas.
André Luís Marsico Lombardi - Presidente
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS. CORREÇÃO NO DECORRER DO PAF PELO PRESTADOR DE SERVIÇOS. VALIDADE. A apresentação de recibos médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a sua idoneidade declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos prestados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. In casu, em que pese o contribuinte não haver comprovado totalmente os serviços deduzidos do IRPF no decorrer da ação fiscal, por ter apresentado recibos com informações faltantes, em sede de recurso voluntário trouxe à colação tais documentos devidamente retificados, impondo sejam admitidos para efeito da comprovação dos serviços prestados e efetividade do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 17613.720379/2014-76
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5577074
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-004.118
nome_arquivo_s : Decisao_17613720379201476.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 17613720379201476_5577074.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial, de maneira a restabelecer a dedução das despesas médicas comprovadas (R$ 4.587,00), mantendo as demais glosas. André Luís Marsico Lombardi - Presidente Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6321683
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122536493056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1766; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17613.720379/201476 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.118 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2016 Matéria IRPF DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente CELSO LUIZ PAVAN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS. CORREÇÃO NO DECORRER DO PAF PELO PRESTADOR DE SERVIÇOS. VALIDADE. A apresentação de recibos médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a sua idoneidade declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos prestados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. In casu, em que pese o contribuinte não haver comprovado totalmente os serviços deduzidos do IRPF no decorrer da ação fiscal, por ter apresentado recibos com informações faltantes, em sede de recurso voluntário trouxe à colação tais documentos devidamente retificados, impondo sejam admitidos para efeito da comprovação dos serviços prestados e efetividade do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 03 79 /2 01 4- 76 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial, de maneira a restabelecer a dedução das despesas médicas comprovadas (R$ 4.587,00), mantendo as demais glosas. André Luís Marsico Lombardi Presidente Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 17613.720379/201476 Acórdão n.º 2401004.118 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório CELSO LUIZ PAVAN MAGALHÃES, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 4a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0437.109/2014, às fls. 55/56, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de dedução indevida de despesas médicas por falta de comprovação ou de previsão legal, em relação ao exercício 2013, conforme peça inaugural do feito, às fls. 05/10, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 26/04/2013, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Com mais especificidade, no decorrer da ação fiscal apurouse que os recibos anexados para a comprovação das deduções, eram eivados de vícios e falta de informações, motivo pelo qual o auditor efetuou as glosas. Igualmente, foram glosados os valores pagos a planos de saúde, os quais não foram objeto de contestação na impugnação nem recurso voluntário. Inconformada com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 64/65, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, suscita que diante da impossibilidade de sanear os recibos por conta própria, na forma que o julgador de primeira instância decidiu, entendeu por bem procurar os prestadores de serviços para emissão de documentos na forma que a legislação de regência exige. Em outras palavras, esclarece que, como a autoridade lançadora não aceitou os recibos colacionados no decorrer da ação fiscal, por estarem eivados de vícios, não podendo o contribuinte ter os preenchidos para sanar tal vício por ocasião da defesa inaugural, devendo ser retificados pelos profissionais responsáveis, colaciona nesta assentada novos recibos devidamente preenchidos pelos responsáveis. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, cancelando o debito fiscal, requerendo também prioridade na analise do seu recurso por ser idoso. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. De conformidade com a peça vestibular do feito, a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude de o contribuinte ter apresentado recibos tendentes a comprovar a efetividade e pagamentos dos serviços médicos faltando algumas informações, tais como, identificação completa do paciente, endereço dos emitentes, etc. Em sua defesa inaugural, o contribuinte entendeu por bem completar por conta própria as informações faltantes, a pretexto de não perder tempo procurando os prestadores de serviços médicos, não tendo, porém, o julgador de primeira instância aceitado tais documentos, sob o argumento de que somente aqueles profissionais poderiam sanear os vícios constantes dos recibos. Destarte, os recibos são instrumentos particulares que dão quitação a uma dívida, os quais são emitidos pelos credores, que no presente caso, são os profissionais da área de saúde que prestaram serviços ao contribuinte. Se a autoria dos recibos são dos profissionais que prestaram serviços, somente estes poderiam emendar ou complementar esses documentos, pois se isso for feito por terceiros, os documentos ficam adulterados. Por sua vez, o contribuinte trouxe aos autos em sede de recursos novos recibos devidamente preenchidos pelos profissionais emitentes, motivo pelo qual conheço dos documentos trazidos nessa fase, de acordo com a jurisprudência deste Conselho e em homenagem aos princípios do formalismo moderado e da verdade material. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “ Lei nº 9.250/1995 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;” “Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda Art 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 97DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 17613.720379/201476 Acórdão n.º 2401004.118 S2C4T1 Fl. 4 5 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). [...] Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...]” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, de fato, as despesas dedutíveis do imposto de renda, in casu, despesas médicas, deverão ser comprovadas, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu. In casu, a contribuinte no decorrer da ação fiscal fora intimada a comprovar as despesas deduzidas do seu imposto de renda, tendo apresentado os respectivos recibos, os quais não foram acolhidos pela fiscalização, que assim se pronunciou ao lavrar a notificação de lançamento: "1) DENISE L. B. KUNSCHI nos documentos apresentados não constam a identificação do paciente e o endereço da prestadora de serviços; 2) DENIS E. P. OTTONI no documento apresentado não consta a identificação do paciente; Fl. 98DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 3) ELISABETH SILVA RIBEIRO no documento apresentado não consta a identificação do paciente; 4) FERNANDA R. RANGEL nos documentos apresentados não constam a identificação do paciente, o endereço e o número do registro da profissional no órgão de classe; 5) FANCIELLY RANGEL NAVARRO nos documentos apresentados não constam a identificação do paciente, o endereço e o número do registro da profissional no órgão de classe; 6) UNIMED VITÓRIA despesas com juros/multa não são dedutíveis por falta de amparo legal; 7) BENEVIX ADMINISTRADORA DE BENEFÍCIOS LTDA. o contribuinte não incluiu as beneficiárias Marcela Pimenta Pavan e Bianca Pimenta Pavan como dependentes na Declaração IRPF. Glosa efetuada por falta de amparo legal = R$ 1.482,55." Do exame dos documentos (recibos) colacionados aos autos junto ao recurso voluntário, às fls. 67/88, em confrontação com a acusação fiscal, acima transcrita, constatase o seguinte: 1) DENISE L. B. KUNSCHI Recibos novos (3), fls. 67/69, no total de R$ 2.790,00, constando devidamente a identificação do paciente e o endereço da prestadora, rechaçando, portanto, a acusação fiscal; 2) DENIS E. P. OTTONI Recibo novo, fl. 88, no valor de R$ 220,00, constando a identificação do paciente, rechaçando, portanto, a acusação fiscal; 3) ELISABETH SILVA RIBEIRO Recibo novo, fl. 87, no valor de R$ 200,00, constando a identificação do paciente, rechaçando, portanto, a acusação fiscal; 4) FERNANDA R. RANGEL Recibos novos (5), fls 82/86, no total de R$ 1.377,00, constando a identificação do paciente, o endereço e o número do registro da profissional no órgão de classe, rechaçando, portanto, a acusação fiscal em parte; 5) FANCIELLY RANGEL NAVARRO Em que pese constar da fl. 08, da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a glosa de referida despesa, na tabela, de fl. 07, onde restaram especificadas as glosas, tal prestadora de serviços não fora listada, razão pela qual concluímos que, de fato, não ocorrera a glosa, nos conduzindo a não analisar os documentos pertinentes acostados aos autos; Em suma, ao analisar os novos recibos, de fls. 67/88, notase que algumas glosas não ficam comprovadas por tais documentos, enquanto outras estão comprovadas um certo valor e outras estão 100% corretas, conforme se depreende do quadro abaixo: PROFISSIONAL GLOSA RECIBOS Denise Líbia Braseghini R$ 2.790,00 R$ 2.790,00 Denis Epaminondas Pinheiro R$ 220,00 R$ 220,00 Elisabeth Silva Ribeiro R$ 200,00 R$ 200,00 Fernanda Ribeiro Rangel R$ 2.479,00 R$ 1.377,00 Rubem Carlos Werner R$ 5.980,00 R$ 0.000,00 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 17613.720379/201476 Acórdão n.º 2401004.118 S2C4T1 Fl. 5 7 Desta forma, acato parcialmente o pedido do contribuinte, no sentido de restabelecer integralmente a dedução das despesas médicas referentes a Denise Líbia Braseghini, Denis Epaminondas Pinheiro e Elisabeth Silva Ribeiro; parcialmente o referente a Fernanda Ribeiro Rangel no importe de R$ 1.377,00 comprovados, mantendo as demais glosas por estas não restarem comprovadas pelo contribuinte. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, parcialmente em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, no montante de R$ 4.587,00 (Quatro mil, quinhentos e oitenta e sete reais), de maneira a restabelecer a dedução das despesas médicas comprovadas, mantendo as demais glosas, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. Rayd Santana Ferreira. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720223/2014-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2010
DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O VALOR DEMONSTRADO E O DECLARADO.
Correto o Auto de Infração que exige valores de PIS apurados a partir do Dacon (Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais) elaborado pelo contribuinte se não houve a correspondente declaração em DCTF e tampouco restou comprovado seu recolhimento.
PENALIDADE. QUALIFICAÇÃO.
A retificação de DCTF, em sucessivos períodos, reduzindo para zero os débitos apurados no DACON e anteriormente declarados na DCTF, constitui dolo específico com o fim de sonegar tributo.
MULTA QUALIFICADA
O percentual da multa de ofício aplicada decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastá-lo sob a alegação de confisco, matéria que refoge ao conhecimento deste Colegiado nos termos da Súmula 02 do CARF.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-002.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2010 DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O VALOR DEMONSTRADO E O DECLARADO. Correto o Auto de Infração que exige valores de PIS apurados a partir do Dacon (Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais) elaborado pelo contribuinte se não houve a correspondente declaração em DCTF e tampouco restou comprovado seu recolhimento. PENALIDADE. QUALIFICAÇÃO. A retificação de DCTF, em sucessivos períodos, reduzindo para zero os débitos apurados no DACON e anteriormente declarados na DCTF, constitui dolo específico com o fim de sonegar tributo. MULTA QUALIFICADA O percentual da multa de ofício aplicada decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastá-lo sob a alegação de confisco, matéria que refoge ao conhecimento deste Colegiado nos termos da Súmula 02 do CARF. Recurso Voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.720223/2014-29
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5565714
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-002.895
nome_arquivo_s : Decisao_19515720223201429.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 19515720223201429_5565714.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antônio Carlos Atulim - Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6266757
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122540687360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 158 1 157 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720223/201429 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.895 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS Recorrente NAMBEI INDÚSTRIA DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA. Recorrida DRJ BELO HORIZONTE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2010 DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O VALOR DEMONSTRADO E O DECLARADO. Correto o Auto de Infração que exige valores de PIS apurados a partir do Dacon (Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais) elaborado pelo contribuinte se não houve a correspondente declaração em DCTF e tampouco restou comprovado seu recolhimento. PENALIDADE. QUALIFICAÇÃO. A retificação de DCTF, em sucessivos períodos, reduzindo para zero os débitos apurados no DACON e anteriormente declarados na DCTF, constitui dolo específico com o fim de sonegar tributo. MULTA QUALIFICADA O percentual da multa de ofício aplicada decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastálo sob a alegação de confisco, matéria que refoge ao conhecimento deste Colegiado nos termos da Súmula 02 do CARF. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antônio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 02 23 /2 01 4- 29 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.720223/201429 Acórdão n.º 3402002.895 S3C4T2 Fl. 159 2 Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Versam os autos lançamento de PIS, uma vez que os débitos declarados nas DACON (fls. 27 a 38) no período sob exame, não foram declarados em DCTF. A fiscalização, em procedimento interno, constatou valores de débitos de PIS declarados em DACON referente aos períodos acima indicados, sem estarem os mesmos declarados em DCTF ou recolhidos. Intimado a justificar tal fato (fls. 17/18), o contribuinte esclareceu que os valores constantes da DACON estavam corretos. Quanto às DCTF com valores zerados, arguiu que "o fez segundo orientação, eis que buscava a compensação dos valores devidos mediante a entrega de PER/DCOMP correspondente". E conclui que "em vista dos mesmos terem sido quitados mediante solicitação de compensação, os mesmos foram informados em DCTF, com os saldos zerados eis que não foi apurado saldo devedor em nenhum dos períodos informados". Em sequência, a fiscalização intimou o contribuinte a informar o número da(s) PER/DCOMP que teriam quitados os valores declarados em DACON, assim como suas cópias. Em resposta (fl. 26) a essa intimação, o procurador da empresa informou que não encontrou em seus arquivos bem como no CAC as PER/DCOMP objeto das compensações. Diante desses fatos, foi lavrado Auto de Infração (fls. 61/76) para exigência dos valores devidos e declarados nas DACON mas não declarados em DCTF. Afirma o Fisco no lançamento que em pesquisa aos sistema PER/DCOMP, não encontrou (dentre as várias enviadas pela empresa) nenhuma que contemplasse o PIS referente ao ano de 2010. Consignou ainda (item 6, fl. 63) que o contribuinte apresentou DCTF originais com débitos declarados de PIS e posteriormente as retificou, "zerando os valores anteriormente declarados (adotou este mesmo procedimento tanto para o PIS, quanto para a COFINS, quanto para a CSLL e também para o IRPJ)", acrescendo que as DCTF ativas são as últimas entregues. Cópia das DCTF encontramse às fls. 41/54. Em face de tal, entendeu a fiscalização que esse fato "caracteriza a intenção do contribuinte de retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da existência de débitos tributários", o que deu azo a aplicação da multa de ofício no patamar de 150%, nos moldes do art. 44, I, § 1º, da Lei 9.430/96, com redação da Lei nº 11.488/07, entendendo tratarse de sonegação, subsumindose os fatos ao inciso I do artigo 71 da Lei 4.502/64, transcrito na peça fiscal. Impugnado o lançamento (fls. 81/93), a 1ª Turma da DRJ Belo Horizonte manteve (fls. 112/122) o mesmo na íntegra. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.720223/201429 Acórdão n.º 3402002.895 S3C4T2 Fl. 160 3 Não resignada com a r. decisão, foi interposto o presente voluntário. Neste o contribuinte alega, em suma, que acreditava ter zerado os valores de DCTF por acreditar que havia compensado os débitos de PIS declarados em DCTF, mas que "ao buscar em seus arquivos contábeis não logrou encontrar qualquer documento que justificasse essa compensação, muito menos a retificação de suas DCTF!". Contudo, alega ter agido de boafé, uma vez que declarou os valores devidos nas DCTF por ela entregues antes das retificações, seja na DACON, seja na DIPJ exercício 2011. Aduz que as retificações se deram de forma equivocada e sem o consentimento da recorrente, tendo instaurado auditoria interna para apurar a falha contábil que originou essa indevida entrega das DCTF retificadoras. Demais disso, acresce que se tivesse o interesse de agir com dolo, fraude ou simulação para com o Fisco, não teria apresentado DACON e DIPJ com os valores devidos. Com base nessa assertiva, entende indevida a multa aplicada, "haja vista seu manifesto caráter abusivo e confiscatório", sobre o que discorre, concluindo que "exigese prova de que o contribuinte tenha procedido com fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, pois não basta ao fisco entender presente fortes evidências de intuito de fraude". Postula, ao fim, que a multa seja aplicada "em percentual igual ou inferior a 20%". É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lock Freire, Relator. Os fatos são bem claros: o contribuinte sistematicamente no decorrer do exercício 2010 apurava os valores de PIS nãocumulativo em sua DACON e o valor apurado era declarado em DCTF (rol dessas declarações às fls. 41/54). Assim, todos valores dos débitos constantes do quadro abaixo foram declarados em DCTF como débito dessa contribuição (código de receita 691201). Contudo, apurou o Fisco, todas essas declarações, posteriormente, foram retificadas por outras (as que hoje constam como ativas) que apresentavam saldo a pagar zerado. O quadro a seguir, que consta da exigência fiscal, é esclarecedor. A fiscalização percebendo tal fato em procedimento interno, intimou a empresa propiciando que a mesma esclarecesse o ocorrido. A resposta foi que tais débitos haviam sido objeto de compensação por meio de PER/DCOMP. A fiscalização, diligentemente, solicitou que o contribuinte informasse o nº da PER/DCOMP e cópia, uma vez que em consulta Fl. 160DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.720223/201429 Acórdão n.º 3402002.895 S3C4T2 Fl. 161 4 ao sistema PER/DCOMP encontrou várias enviadas pela então fiscalizada, embora nenhuma que contemplasse os débitos objeto da autuação. A resposta da ora recorrente (fl. 26) foi singela ao afirmar que não localizou a PER/DCOM objeto da alegada compensação com os débitos de PIS informados na DACON. E agora, em sede recursal, alega que "se surpreendeu ao tomar conhecimento de que as DCTFs por ela anteriormente entregues haviam sido Retificadas!", e que "já instaurou auditoria interna para apurar a falha contábil que originou a entrega indevida dessas DCTFs retificadoras...a fim de verificar o responsável por esse fato". Ou seja, inegável a indevida retificação zerando as DCTF. De outro turno, a alegação de que os débitos poderiam "ser facilmente comprovado por meio da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ) relativa ao anocalendário 2010...", em nada socorre a recorrente. Pois o fato, e disso se ela olvidou, é que tanto a DACON quanto a DIPJ de 2011, não se constituem em confissão de dívida como é o caso da DCTF. Portanto, dúvida não há quanto à liquidez e certeza dos valores exigidos. E bem andou a fiscalização, pois se há um débito tributário, não há prova de pagamento do mesmo e ele não está declarado em DCTF, a qual todos sabemos é uma declaração que se reveste da natureza de confissão de dívida, deve o agente fiscal constituir o crédito de ofício, sob pena de afronta ao art. 142 do CTN. Esses fatos são incontestes. Quanto à multa de 150 %, ela foi capitulada no art. 44, I, §1º, da Lei 9.430/96. O referido parágrafo assevera que "o percentual da multa de que trata o inciso I (75%) será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502 de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.". E , o agente fiscal apontou especificamente que a ação da empresa subsumiase à hipótese do art. 71, I, da Lei 4.502/64, qual seja, sonegação tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. Se a empresa, como dito, sistematicamente, reiteradamente, declarava em DCTF os valores como exatamente os apurava em DACON, e mesmo na DIPJ de 2011 como alega, e depois os retificava em novo envio de DCTF com débito zerado, fica patente a ação dolosa da empresa no sentido de burlar o Fisco da cobrança desse débito. Não resta dúvida que houve relação causal entre o agir da empresa e o efeito que buscava em não pagar os débitos de PIS. Tratase, portanto, de dolo específico com o fito de retardar, mascarar, o conhecimento do débito tributário pela autoridade fazendária. Assim, presente e provado o tipo penal a que alude o art. 71, I, da Lei 4.502/64, no qual arrimouse o lançamento para qualificar a multa aplicada, deve mesma ser mantida. Quanto à alegada natureza confiscatória do percentual da multa aplicada, refoge competência a este Tribunal administrativo para se pronunciar sobre mérito de constitucionalidade de lei, nos termos da Súmula nº 02 do CARF. Portanto, sem reparos ao percentual da multa aplicada, eis que a norma em que se arrima está valida, vigente e eficaz. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.720223/201429 Acórdão n.º 3402002.895 S3C4T2 Fl. 162 5 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 12448.733913/2011-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães Presidente
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 12448.733913/2011-05
anomes_publicacao_s : 201512
conteudo_id_s : 5554284
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-000.290
nome_arquivo_s : Decisao_12448733913201105.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 12448733913201105_5554284.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães
dt_sessao_tdt : Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
id : 6232453
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122556416000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1386; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 606 1 605 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.733913/201105 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.290 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 09 de dezembro de 2015 Assunto IRPJ Recorrentes SINOPEC PETROLEUM DO BRASIL LTDA FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães – Presidente (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 33 91 3/ 20 11 -0 5 Fl. 606DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/12/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 12448.733913/201105 Resolução nº 1301000.290 S1C3T1 Fl. 607 2 Relatório SINOPEC PETROLEUM DO BRASIL LTDA, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJI, que, por unanimidade de votos, negou provimento à impugnação e manteve os créditos tributários exigidos de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 3.350.487,62, e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 1.214.815,54, acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais acréscimos moratórios Consta da decisão recorrida o seguinte relato, do qual, apesar de sucinto, me valho: Do lançamento O presente processo tem origem nos autos de infração, lavrados pela DRF Rio de JaneiroI em 20/09/2011: de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 3.350.487,62, e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 1.214.815,54, acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais acréscimos moratórios. A autuação, conforme a descrição dos fatos do auto de infração e o Termo de Constatação, decorre de glosa de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL de períodosbase anteriores compensados indevidamente, uma vez que insuficientes, no anocalendário de 2009, no montante de R$ R$ 13.497.950,53 cada. A insuficiência foi resultado do auto de infração objeto do processo nº 11052.001125/201048, referente ao anocalendário de 2006, que alterou o valor do prejuízo apurado pela interessada, de R$ 10.291.813,07 para R$ 7.285.618,60, que, somando ao prejuízo de R$ 8.309.222,83 no anocalendário de 2007, resultou em saldo de prejuízos compensáveis de R$ 18.382.612,37, dos quais R$ 5.514.783,71 foram utilizados no ano de 2008, restando, portanto, ao final daquele ano, o saldo de R$ 10.080.057,72. Como a interessada utilizouse de R$ 23.578.008,25 de prejuízos a compensar no anocalendário de 2009, foi então glosada a diferença de R$ 13.497.950,53, que originou o auto de infração de IRPJ, objeto do presente processo. Enquadramento Legal: Arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999. Quanto à CSLL, a insuficiência foi resultado dos mesmos ajustes, pelo auto de infração objeto do processo nº 11052.001125/201048, no anocalendário de 2006, que resultou na glosa da diferença de base de cálculo negativa de CSLL de períodosbase anteriores compensada a maior, no igual montante de R$ 13.497.950,53, que originou o auto de infração de CSLL, também objeto do presente processo. Enquadramento Legal: Art. 2º e §§, e 3º (com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727/2008) da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 58 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 16 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Da Impugnação Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 20/10/2011, sua impugnação na qual descreve a autuação, argui a tempestividade, e alega, em síntese: Fl. 607DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/12/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 12448.733913/201105 Resolução nº 1301000.290 S1C3T1 Fl. 608 3 Que à exceção do art. 926 do RIR/1999, todo o enquadramento legal dos autos de infração de IRPJ e CSLL, que transcreve, corrobora os lançamentos por ela efetuados em sua contabilidade e ampara a sua absorção de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL. Que apresentou Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ/2007 retificadora, mas ainda estava processando as dos anoscalendário de 2007 a 2009. Admite que, em face de fiscalização, teve seu prejuízo apurado no ano de 2006 ajustado de R$ 10.291.813,07 para R$ 7.285.618,60, reclamando que o valor correto seria R$ 10.043.363,15, conforme DIPJ retificadora apresentada. Alega que apurou prejuízo de R$ 18.463.002,43 em 2007, mas que não pôde apresentar a DIPJ retificadora por ter entrado em novo processo de fiscalização, e que compensou no anocalendário de 2008 apenas R$ 4.298.357,33, concordando que compensou R$ 23.578.008,25 em 2009, tendo a fiscalização considerado apenas os registros constantes na base de dados da RFB sem se preocupar em avaliar a origem dos prejuízos. Discorre sobre as razões da existência de diferença entre a fiscalização e a contabilidade, como sendo os ajustes por ela efetuados com relação à contabilização de despesas de contrato de aluguel de equipamentos importados para emprego nas obras de construção desenvolvidas para o grupo Petrobrás. Encerra pedindo a reforma dos autos de infração e a extinção do crédito tributário. A ora Recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresenta recurso voluntário tempestivo, onde repisa os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, reiterando os mesmos pedidos que já haviam sido formulados no primeiro recurso. É o relatório. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/12/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 12448.733913/201105 Resolução nº 1301000.290 S1C3T1 Fl. 609 4 Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Contudo, do exame dos autos, constato que o processo não se encontra em condições de julgamento. Versa estes autos sobre glosa de saldo negativo de IRPJ e CSLL compensados no anocalendário de 2008, em razão de eventual insuficiência do alegado saldo. A insuficiência foi resultado do auto de infração objeto do processo nº 11052.001125/201048, referente ao anocalendário de 2006, que alterou o valor do prejuízo apurado pela interessada, de R$ 10.291.813,07 para R$ 7.285.618,60, que, somando ao prejuízo de R$ 8.309.222,83 no anocalendário de 2007, resultou em saldo de prejuízos compensáveis de R$ 18.382.612,37, dos quais R$ 5.514.783,71 foram utilizados no ano de 2008, restando, portanto, ao final daquele ano, o saldo de R$ 10.080.057,72. Como a interessada utilizouse de R$ 23.578.008,25 de prejuízos a compensar no anocalendário de 2009, foi então glosada a diferença de R$ 13.497.950,53, que originou o auto de infração de IRPJ, objeto do presente processo. No recurso o interessado alega que a redução do prejuízo apurado no ano calendário de 2006 não pode subsistir, haja vista a legalidade dos procedimentos adotados durante aquele exercício fiscal, argumentos estes que foram trazidos a colação nos autos do processo nº 11052.001125/201048, o qual carece de decisão definitiva. A bem da verdade, o referido processo encontravase distribuído ao Ilustre Colega Conselheiro Fábio Nieves Barreira. Com a renúncia do Ilustre Conselheiro, o processo se encontra aguardando novo sorteio para apreciação do recurso voluntário (situação constatada mediante consulta ao sistema eprocesso em 08/12/2015). Como se observa, pelo menos no que toca ao anocalendário 2008, a origem das diferenças objeto de discussão no presente processo reside em outros processos. Por certo que, no mérito, a decisão que se há de proferir aqui depende fundamentalmente do que vier a ser decidido lá. Se, por hipótese, vier a ser decidido no outro processo pela improcedência dos ajustes feitos pelo Fisco e pela correção do quanto apurado pelo sujeito passivo, isso implicará diretamente o restabelecimento dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de IRPJ e CSLL do anocalendário 2006, com efeitos sobre as glosas de compensações no anocalendário 2008, aqui discutidas. Caso, na hipótese contrária, lá vier a ser decidida a correção dos ajustes do Fisco, a decisão aqui deverá ser pela procedência das glosas em 2008. Com essas considerações, tenho por claro que não se há de examinar, neste processo, questões discutidas nos outros processos, especificamente acerca da correção ou não dos ajustes feitos pelo Fisco na apuração do resultado do anocalendário 2006. A correção ou não de tais ajustes é objeto do processos nº 11052.001125/201048. Lá é que foi feita a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa do IRPJ e CSLL no anocalendário 2006 e, por isso mesmo, lá é o foro adequado para essa discussão. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/12/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 12448.733913/201105 Resolução nº 1301000.290 S1C3T1 Fl. 610 5 A situação sob exame, à luz do Regimento Interno do CARF em vigor, pode ser caracterizada como “decorrência”, tal como prevê o art. 6º do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, verbis: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º, se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. [...] Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que: 1) Os autos sejam encaminhados à Unidade Preparadora, para que lá aguardem a decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 11052.001125/201048. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/12/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 12448.733913/201105 Resolução nº 1301000.290 S1C3T1 Fl. 611 6 2) A Unidade Preparadora faça acostar aos presentes autos cópia da decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 11052.001125/201048. 3) A Unidade Preparadora faça acostar aos autos extrato do sistema SAPLI, atualizado após o cumprimento da decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 11052.001125/201048. Concluída a diligência, deve ser dada ciência à recorrente do relatório conclusivo, concedendolhe prazo adequado para se manifestar nos autos, caso assim deseje. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito. Sala de Sessões, 09 de dezembro de 2015. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Relator Fl. 611DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/12/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES
score : 1.0
