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Numero do processo: 18050.010694/2008-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa:
AFERIÇÃO INDIRETA
Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou
contribuinte o ônus da prova em contrário.
JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.073
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1534; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 262 1 261 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.010694/200829 Recurso nº 506.315 Voluntário Acórdão nº 230201.073 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2011 Matéria Salário Indireto Ajuda de Custo, Diária, ValeTransporte Recorrente ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL E CULTURAL CAMAÇARI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato e Adriano Gonzales Silvério. Ausência momentânea : Wilson Antonio de Souza Correa Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.010694/200829 Acórdão n.º 230201.073 S2C3T2 Fl. 263 3 Relatório Trata o presente de auto de infração, lavrado em 15/12/2008, através do qual o contribuinte acima identificado está sendo notificado a recolher as contribuições previdenciárias, relativas a parte do segurados, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, apuradas indiretamente com base nas informações prestadas na RAIS, no período de 01/2004 a 12/2004. O relatório fiscal de fls. 38/47, diz que a remuneração foi apurada indiretamente, frente às divergências existentes do confronto das folhas de pagamento apresentadas nas versões impressa e digital e pela falta de apresentação da contabilidade. Aduz o relatório que o levantamento se refere a pagamento de prolabore, de diárias e ajuda de custo de forma contínua, de valores relativos a antecipação salarial sem a devida compensação e de valores relativos a transporte, tudo em desconformidade com a legislação vigente. Após a apresentação de defesa, Acórdão de fls. 249/251, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, repisando os argumentos expendidos na peça de defesa e arguindo em síntese: a) a improcedência do arbitramento porque os valores existentes a maior nas folhas de pagamento não se referiam a salário; b) que os valores a maior constantes da RAIS na competência 01/2004, eram resultado de informações em duplicidade e da folha impressa de maneira incorreta; c) que a eventual falta ou não exibição do livro Diário não restringiu a apuração das contribuições; d) que tem a intenção de pagar ou parcelar as parcelas incontroversas que se refere à fl.256, como vale transporte, ajuda de custo, diárias, antecipação salarial e prolabore, pois admite que foram pagas em folha e não tributadas. Requer o julgamento deste auto de infração em conjunto com o AI 37.210.8490, que seja julgado insubsistente e declarada improcedente a autuação fiscal, aduzindo que disponibiliza a sua documentação contábil para exame complementar. Não foram oferecidas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. O levantamento foi efetuado por aferição indireta, tomando por base os valores informados pela recorrente na RAIS, tendo em vista que as folhas de pagamento apresentadas em meio papel e arquivos magnéticos continham divergências que não puderam ser sanadas com base na contabilidade da empresa porque esta não foi apresentada. Quanto a utilização da aferição indireta, é de se notar que a contribuição previdenciária é espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou autolançamento, com previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, competindo a esta, posteriormente, conferir o procedimento e homologálo. No âmbito da Receita Federal do Brasil, o AuditorFiscal examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como outros elementos subsidiários, e, com estes elementos postos a sua disposição, verifica se o lançamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologandoo. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, o auditor deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A prerrogativa de arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias, bem como, aferir indiretamente a contribuição previdenciária devida e lançála de ofício, encontra embasamento legal no art. 148 do CTN, do qual o art. 33, §§ 3º, 4º e 6º da Lei n 8.212/91 são corolários: CTN "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Lei n.º 8.212/91 Art.33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11, as contribuições incidentes a título de substituição e as devidas a outras entidades e fundos(Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.010694/200829 Acórdão n.º 230201.073 S2C3T2 Fl. 264 5 §1ºÉ prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestarem todos os esclarecimentos e informações solicitados, o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) §2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.(Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (...) Desta forma, reitero que as folhas de pagamento com inconsistências e a falta de apresentação da contabilidade para se apurar os valores corretos relativos a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, permitiu a apuração do crédito por aferição indireta. A recorrente não se insurge quanto à natureza das verbas lançadas, admitindo que constavam das folhas de pagamento e não sofreram tributação, bem como aduz que vai promover o parcelamento ou recolhimento da contribuição, motivo pelo qual não me detenho no assunto. Quanto à solicitação de julgamento em conjunto com o auto de infração n.º 37.210.8490, informo que o referido recurso, que trata da parte patronal das contribuições previdenciárias incidentes sobre as mesmas verbas aqui tratadas, também foi distribuído a esta relatora, ao qual foi negado provimento. Por derradeiro quando a argüição da recorrente de que disponibiliza sua documentação contábil, faço referência ao que dispõe o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, que limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, conforme disposições abaixo transcritas , in verbis: DECRETO Nº 70.235 DE 6 DE MARÇO DE 1972 DOU DE 7/3/72 Art.16. A impugnação mencionará: ... Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente;( acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.( acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) Não cabe a alegação da recorrente em sede recursal de que pode disponibilizar a documentação contábil, eis que precluso o prazo para apresentação das provas. Também, não houve nos autos demonstração de exceção que ensejasse o recebimento das mesmas em fase recursal. Desta forma, precluso o direito da recorrente, haja vista que a essência da preclusão vem a ser a perda, extinção ou consumação do exercício de ato processual pela inércia da parte, no lapso de tempo prescrito por lei. Por oportuno, registro que nenhuma prova veio anexada à defesa ou ao recurso. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004403/2007-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/08/2007
Ementa: GRUPO ECONÔMICO. AS EMPRESAS INTEGRANTES SÃO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIAS PERANTE A PREVIDÊNCIA SOCIAL. – Empresas integrantes de grupo econômico de qualquer natureza são responsáveis solidárias perante a legislação do custeio previdenciário.
INFRAÇÃO CONTINUADA. NÃO CONFIGURAÇÃO.
De fato ocorreram diversos descumprimentos de obrigações acessórias, e cada obrigação descumprida enseja a lavratura de um auto de infração. Os diversos autos de infração lavrados não possuem o mesmo fundamento jurídico. No presente caso, a empresa foi autuada por deixar de prestar à fiscalização previdenciária as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.081
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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materia_s : Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/08/2007 Ementa: GRUPO ECONÔMICO. AS EMPRESAS INTEGRANTES SÃO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIAS PERANTE A PREVIDÊNCIA SOCIAL. – Empresas integrantes de grupo econômico de qualquer natureza são responsáveis solidárias perante a legislação do custeio previdenciário. INFRAÇÃO CONTINUADA. NÃO CONFIGURAÇÃO. De fato ocorreram diversos descumprimentos de obrigações acessórias, e cada obrigação descumprida enseja a lavratura de um auto de infração. Os diversos autos de infração lavrados não possuem o mesmo fundamento jurídico. No presente caso, a empresa foi autuada por deixar de prestar à fiscalização previdenciária as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente HANSON MÁQUINAS LTDA ME Recorrida DRJFLORIANÓPOLIS/SC Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/08/2007 Ementa: GRUPO ECONÔMICO. AS EMPRESAS INTEGRANTES SÃO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIAS PERANTE A PREVIDÊNCIA SOCIAL. – Empresas integrantes de grupo econômico de qualquer natureza são responsáveis solidárias perante a legislação do custeio previdenciário. INFRAÇÃO CONTINUADA. NÃO CONFIGURAÇÃO. De fato ocorreram diversos descumprimentos de obrigações acessórias, e cada obrigação descumprida enseja a lavratura de um auto de infração. Os diversos autos de infração lavrados não possuem o mesmo fundamento jurídico. No presente caso, a empresa foi autuada por deixar de prestar à fiscalização previdenciária as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 213DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 214DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.004403/200784 Acórdão n.º 230201.081 S2C3T2 Fl. 196 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, III da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de prestar à fiscalização previdenciária as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme relatório fiscal às fls. 11 a 14. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls. 76 a 89. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento emitiu a Decisão, fls. 113 a 116, mantendo a autuação na integralidade. O recorrente não concordando com a decisão emitida pelo órgão fazendário interpôs recurso, fls.123 a 140. Alega em síntese: a) A falta de apresentação da documentação é justificada e não trouxe prejuízo ao Fisco; b) Deveria ser observado o disposto no art. 112 do CTN; c) Houve bis in idem; d) Deveria ser aplicado o princípio da consunção; e) Não é possível a caracterização do grupo econômico; f) requerendo provimento ao recurso interposto. A sociedade empresária HANSON AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL LTDA interpôs recurso na forma das fls. 142 a 159, repisando os argumentos da solidária. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 215DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator Os recursos foram interpostos tempestivamente, conforme informação à fl. 170. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Deve ficar claro que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é cediço, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. O art. 112 do CTN somente terá aplicação em caso de dúvida quanto às infrações e penalidades. Se não há dúvida dos fatos efetivamente ocorridos, cabe à fiscalização autuar conforme o dispositivo legal. In casu, não resta dúvida que o contribuinte não apresentou a documentação, fato reconhecido pelo próprio recorrente (fl. 125). Não assiste razão à recorrente ao afirmar que os autos de infração guardam relação entre si, sendo o caso de infração continuada, deveria ser aplicada uma única multa, observandose o princípio da consunção. De fato ocorreram diversos descumprimentos de obrigações acessórias, e cada obrigação descumprida enseja a lavratura de um auto de infração. Ao contrário do que afirma a recorrente, os diversos autos de infração lavrados não possuem o Fl. 216DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.004403/200784 Acórdão n.º 230201.081 S2C3T2 Fl. 197 5 mesmo fundamento jurídico. No presente caso, a empresa foi autuada por deixar de prestar à fiscalização previdenciária as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Por seu turno, o auto de infração (37.104.9580) foi lavrado na mesma ação fiscal tendo como situação fática a não apresentação dos livros Caixa/Registro de Inventário ou Diário e Razão relativos aos anos de 2005 e 2006. Ao contrário do afirmado pelas recorrentes restou caracterizada a existência de grupo econômico. Conforme demonstrado no relatório fiscal, no mesmo endereço funciona também outra empresa, HANSON AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL LTDA (AUTOMAÇÃO), CNPJ 03.997.714/000104. Essa empresa foi optante do SIMPLES até o anobase 2002, ano em que auferiu receita bruta de R$ 3.214.866,22 (livro diário / fls. 04/516) tendo passado a declarar o IRPJ pelo Lucro Presumido a partir do anobase 2003 devido ao excesso de receita em relação ao limite legal aplicável às micro empresas ou empresas de pequeno porte (incisos I e II do art. 9° da Lei 9317/96. Ainda no ano de 2002 o Sr. Gerson Hagemann, CPF 382.113.51900 (sócio gerente com 50% do capital) retirouse da AUTOMAÇÃO em 23/09/2002 e assinou contrato de constituição da empresa HANSON MÁQUINAS LTDA (MÁQUINAS) em 15/10/2002, juntamente com o Sr. Ervelino Marcoski, CPF 789.217.32934 que ingressou em ambas as empresas quase simultaneamente (AUTOMAÇÃO em 23/09/2002 e MÁQUINAS em 15/10/2002) ficando o primeiro com participação de 90% e o segundo com 10% do capital. Essa segunda empresa passou a operar no mesmo endereço da empresa já existente, à Rua Ruy Barbosa 2931 (sala 2) ou seja, no mesmo prédio e nas mesmas instalações produtivas. Há uma gestão financeira única, configurada no uso de contas de MÚTUO na contabilidade de ambas (a exemplo da conta 215060 MÁUQINAS/2004). Há confusão de receitas e custos, haja vista os valores contabilizados em MÁQUINAS no ano 2004, (livro diário/fis. 03/059) que mostra Receitas Líquidas R$ 178 mil; Custos R$ 154 mil; Despesas R$ 232 mil e Prejuízo R$ 213 mil. Houve transferência de volume substancial dos empregados da AUTOMAÇÃO para MÁQUINAS. Desse modo restou configurada a aplicação do disposto no art. 30, inciso IX da Lei n 8.212 de 1991. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 217DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Fl. 218DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 15586.001750/2008-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui infração
sujeita a lançamento de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de inscrever o segurado empregado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.775
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui infração sujeita a lançamento de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de inscrever o segurado empregado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, lavrado contra a empresa acima identificada, com fulcro no art. 17 da Lei n°8.213/91. De acordo com o Relatório Fiscal, fl. 82/87, da conferência dos registros contábeis com as folhas de pagamento, visando à validação da base de cálculo oferecida à tributação, foi constatado que a empresa não inscreveu segurados empregados a seu serviço no INSS, à saber: Mecânicos e supervisor. Inconformada com a Decisão de fls. 132/136 a empresa apresentou recurso onde alega em apertada síntese: Que a Recorrente nunca afirmou que trabalhava exclusivamente com contratos de supervisão ou líderes de equipe, conforme erroneamente constata a autoridade julgadora. Afirma que o "Controle de Apropriação Diária" não possui qualquer prisma tributário ou contábil, presta tãosomente para manter a cliente informada dos profissionais que estão trabalhando. Sustenta que o Auditor Fiscal se equivocou em considerar que o "Controle de Apropriação Diária" tratavase de controle dos funcionários da Contribuinte, quando na realidade tratase de controle da equipe (funcionários próprios e de outras empresas) supervisionada pela mesma. Defende que inexiste qualquer outro documento ou fato que indica que as pessoas relacionadas no "Controle de Apropriação Diária" seriam funcionários da Recorrente. Que apesar da Autoridade Fiscal afirmar ter se utilizado de provas indiciárias, na realidade utilizouse de simples presunção, sendo certo que o mesmo partiu de um documento, sem conteúdo substancial probatório. Insiste que apesar de não trataremse de funcionários da Recorrente, e sim funcionários de várias empresas que esta fazia supervisão, conforme será minuciosamente apreciado no mérito, o lançamento da multa é indevido, eis que os segurados não estavam inscritos no INSS não sendo obrigatório, portando, o preenchimento das obrigações acessórias, sendo ainda aplicada multa isolada por este fato, sendo indevida a cumulação. Para a recorrente, a multa aplicada no AI 37.180.4752 afasta a possibilidade de aplicação das multas por vícios no preenchimento de documentos dos respectivos funcionários, isso, pois, já constatado o "erro" mais grave, que é a ausência de inscrição no INSS. Requer por fim a reforma da r. decisão de primeira instância e a improcedência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001750/200806 Acórdão n.º 240101.775 S2C4T1 Fl. 149 3 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Inicialmente cumpre esclarecer que constitui fato gerador da obrigação acessória qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não constitua a obrigação principal. O descumprimento de obrigação acessória sujeita o infrator à multa de acordo com a legislação previdenciária, ou seja, tanto a obrigação quanto a multa aplicada tem previsão na legislação. Em que pese o inconformismo da recorrente, seus argumentos são desprovidos de suporte fático e jurídico capazes de macular o lançamento. O presente lançamento foi efetuado tendo em vista que a fiscalização verificou a existência de segurados não inscritos na Previdência Social, especificamente mecânicos e supervisor, conforme anexos do Relatório Fiscal. Diante de tal constatação, a recorrente foi autuada por afrontar o disposto no art. 17 da Lei n°8.213/91. Embora a recorrente tente em seu recurso demonstrar a inexistência de vínculo entre os segurados listados pela fiscalização, cumpre esclarecer que tais fatos foram objeto de análise nas Notificações Fiscais lançadas contra a recorrente, julgadas procedentes por este conselho, razão pela qual não serão novamente objeto de análise. Assim, não só correta foi a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo autoridade fiscal, como encontrase devidamente fundamentada a multa aplicada.. Desse modo, a autuação deve persistir integralmente. Portanto, tendo a autuação obedecido todos os preceitos legais e estando revestida dentro das formalidades legais, não há que se falar na improcedência do AI. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e, no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10768.004599/2008-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2010
RECURSO. PRAZO.
Não se conhece do recurso voluntário interposto após esgotado o prazo legalmente estabelecido.
Numero da decisão: 1201-000.460
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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Numero do processo: 35588.002866/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.019
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 10/2001, anteriores a 11/2001, devido à aplicação da regra
decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto da Redatora Designada. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do inciso I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator. Redatora designada: Bernadete de Oliveira Barros.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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PREV NFLD Recorrente PROFARMA DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 10/2001, anteriores a 11/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto da Redatora Designada. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do inciso I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator. Redatora designada: Bernadete de Oliveira Barros. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MAURO JOSE SILVA, 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MAURO JOSE SILVA, 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35588.002866/200761 Acórdão n.º 2301002.019 S2C3T1 Fl. 1.245 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.052.7720, lavrada em 17/11/2006, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre , no período de 01/01/2001 a 31/12/2005, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 832.212,08, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 21/11/2006, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 256/271, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. Na DecisãoNotificação de fls. 1165/1168, a DRP/Rio de Janeiro concluiu pela procedência integral do lançamento, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 11/05/2007, fls. 1172. O recurso voluntário, apresentado em 29/06/2007, fls. 1177/1195, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Argumenta que alguns pagamentos que apresentou constam do Relatório de Documentos Apresentados – RDA, mas não foram considerados na apuração do tributo devido, pois não constam do Discriminativo Analítico de Débito – DAD. Aduz que a incorporadora não pode suportar multa por infração da incorporada, por conta de interpretação do art. 132 do CTN. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MAURO JOSE SILVA, 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Vencido Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. DECADÊNCIA A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MAURO JOSE SILVA, 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35588.002866/200761 Acórdão n.º 2301002.019 S2C3T1 Fl. 1.246 5 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MAURO JOSE SILVA, 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MAURO JOSE SILVA, 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35588.002866/200761 Acórdão n.º 2301002.019 S2C3T1 Fl. 1.247 7 “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.933 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MAURO JOSE SILVA, 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MAURO JOSE SILVA, 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35588.002866/200761 Acórdão n.º 2301002.019 S2C3T1 Fl. 1.248 9 Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados à reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. No Resp 973.933SC, o STJ entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento. Aqui tratamos de lançamento de ofício e sabemos que este só pode ser realizado após a constatação da omissão do contribuinte em relação ao seu dever de calcular o montante do tributo a ser antecipado e realizar o pagamento. Seria possível, no dia seguinte ao fato gerador, a fiscalização efetuar lançamento de ofício, com aplicação de penalidades, sabendo que o contribuinte ainda dispõe de prazo legal para efetuar o pagamento? Evidentemente que não, pois, insistimos, o lançamento de ofício só pode ser realizado após transcorrido o prazo para o contribuinte efetuar o pagamento. Não pode passar sem ser notado que para fatos geradores ocorridos no último mês do ano essa circunstância pode ser relevante. No caso das contribuições regidas pela Lei 8.212/91, por exemplo, o prazo para pagamento, desde outubro de 2008 conforme estabelecido pela Lei 11.933/2009, é o 20º dia do mês subseqüente ao da competência. Logo, os fatos geradores ocorridos em dezembro de 20XX ensejam crédito tributário que deve ser adimplido em janeiro de 20(XX+1), o que resulta em considerar que o lançamento somente poderia ser realizado em 20(XX+1) e o dies a quo da decadência somente ocorre no primeiro dia de janeiro de 20(XX+2). Não obstante nossa posição sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, deixamos de aplicála a partir de janeiro de 2011 em virtude do conteúdo do art. 62 A do Regimento deste CARF que obriga a todos os Conselheiros a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ julgados na sistemática do art. 543C. Assim, mesmo Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MAURO JOSE SILVA, 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA 10 para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, consideraremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MAURO JOSE SILVA, 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35588.002866/200761 Acórdão n.º 2301002.019 S2C3T1 Fl. 1.249 11 O RDA Relatório de Documentos Apresentados de fls. 43/116 aponta que houve recolhimentos nos períodos que interessam para a discussão sobre decadência. Logo, segundo nosso entendimento acima transcrito, é de ser aplicado o art. 150, §4º até a data de início da fiscalização. Para os fatos geradores não homologados tacitamente até data de início da fiscalização, aplicamos o art. 173, inciso I do CTN. Dessa maneira, foram atingidos pela caducidade os fatos geradores até 03/01/2001. Nas demais questões, não conhecemos do recurso em vista da desistência da recorrente. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER EM PARTE e, na parte conhecida, e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, de modo a excluir os fatos geradores ocorridos 03/01/2001. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 11DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MAURO JOSE SILVA, 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA 12 Voto Vencedor Conselheira Bernadete de Oliveira Barros Permitome divergir do entendimento manifestado pelo Conselheiro Relator, em relação à aplicação da regra de decadência, pelas razões a seguir expostas. O Relator vota por excluir do débito, por decadência, os valores lançados até a competência 01/2001. Entende que deve ser aplicado o art. 150, §4º, do CTN, até a data de início da fiscalização, e o art. 173, inciso I do mesmo diploma legal, para os fatos geradores não homologados tacitamente até data de início da fiscalização. Contudo, entendo que, nos casos em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso presente, verificase que houve recolhimento antecipado da contribuição, conforme informação constante do RDA, aplicandose, portanto, o prazo previsto no dispositivo legal citado acima. Dessa forma, considerando que o débito se refere às competências compreendidas entre 01/2000 e 12/2005, e considerando que o sujeito passivo tomou ciência da NFLD em 21/11/2006, entendo que devam ser excluídos todos os débitos lançados até a competência 10/2001, inclusive. Nesse sentido, voto por dar provimento parcial ao recurso, para que se exclua do valor do débito, por decadência, o valor lançado até a competência 10/2001, inclusive. Em relação às demais matérias, acompanho o entendimento do relator. É como voto. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 17/06/2011 por MAURO JOSE SILVA, 16/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARRO S, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10283.000044/2006-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
RECURSO EXOFFÍCIO.
IRPJ. GLOSA DE DESPESAS EM PESQUISA E DESENVOLVIMENTO.
Nega-se provimento ao recurso interposto pela autoridade julgadora “a quo”, quando a decisão recorrida identificou, corretamente, que a contribuinte comprovou o desembolso de recursos destinados à pesquisa e desenvolvimento, tornando a glosa das despesas correspondentes indevidas.
Numero da decisão: 1202-000.557
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 RECURSO EXOFFÍCIO. IRPJ. GLOSA DE DESPESAS EM PESQUISA E DESENVOLVIMENTO. Negase provimento ao recurso interposto pela autoridade julgadora “a quo”, quando a decisão recorrida identificou, corretamente, que a contribuinte comprovou o desembolso de recursos destinados à pesquisa e desenvolvimento, tornando a glosa das despesas correspondentes indevidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Nereida de Miranda Finamore Horta, Jorge Celso Freire da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Meigan Sack Rodrigues. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.000044/200668 Acórdão n.º 120200.557 S1C2T2 Fl. 2 2 Relatório Trata o presente processo da lavratura de Auto de Infração para a exigência do IRPJ, acrescido da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e dos juros de mora, pela taxa Selic, relativo aos anos calendário de 2000 e de 2001, totalizando um valor lançado de R$ 817.204,96, fls. 05 a 13. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, fls. 06 a 11, a irregularidade apurada pela fiscalização foi a glosa de despesas com programas de Pesquisa e Desenvolvimento relativos aos pagamentos efetuados a IEL – Instituto Euvaldo Lodi, sem que houvesse a comprovação efetiva da prestação dos serviços. Além disso, os trabalhos do Agente fiscal também tinham como objetivo averiguar se teria havido a correta “aplicação da porcentagem mínima”, 5% sobre o faturamento bruto de bens de informática da pessoa jurídica fiscalizada, no mercado interno, em relação aos projetos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), de que trata a Lei nº. 8.387/91 com as alterações introduzidas pela Lei nº. 10.176/01, para fins de gozo de benefícios fiscais. Após a ciência do Auto de Infração, a empresa apresentou sua impugnação, mediante arrazoado, de fls. 1228 a 1254, apresentando as seguintes alegações nos termos do que consta do relatório do Acórdão da DRJ/Belém, de fls. 1380 a 1384, que adoto e transcrevo em parte: “DESPESAS. GLOSA. 2) Em relação ao anocalendário de 2000, a impugnante ratifica que a materialidade dos pagamentos efetivados e das despesas correspondente está devidamente comprovada pelas notas fiscais n° 000338 e n° 000430. Os referidos documentos estão preenchidos com todos os elementos probantes das operações que amparam as despesas glosadas; 3) Da mesma forma, os extratos bancários coletados comprovam os repasses de recursos ao IEL, bem como os lançamentos contábeis; 4) No que se refere à legitimidade dos valores aplicados, estão todos atestados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pela SUFRAMA, que são os órgãos competentes para examinar, aprovar ou glosar as parcelas dos investimentos em comento; 5) A fiscalização teceu comentários sobre desenvolvimento tecnológico sem dispor de conhecimento adequado para tanto. Neste particular, o Decreto n° 3.000, de 1999, não permite este tipo de entendimento, conforme reprodução do disposto no artigo 349 do mencionado diploma legal; 6) Para ratificar o exposto no item anterior, a impugnante junta cópia do Ofício Conjunto n° 015/2005/SEPIN/SUFRAMA, mediante o qual o Secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia e a Superintendente da SUFRAM apresentam dados extraídos de relatórios referentes aos anos calendário de 1997 a 2001, os quais indicam que a impugnante cumpriu as obrigações estipuladas no art. 1° do Decreto n° 1.855, de 1996, tendo em vista que efetuou o desembolso mínimo obrigatório de 5% com P&D; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.000044/200668 Acórdão n.º 120200.557 S1C2T2 Fl. 3 3 7) Nos mencionados relatórios constam mensão expressa aos desembolsos efetivados junto ao IEL, conforme cópia dos extratos n° 022/2005 e 024/2005. Tal fato implica na improcedência da glosa efetivada pela fiscalização; 8) Por outro lado, a FUCAPI e o IEL, que receberam recursos da impugnante, são entidades privadas credenciadas pelo CAPDA para recepção de recursos de investimento em P&D. Assim, se ocorreu alguma espécie de problema entre os profissionais autônomos e empregados referentes à execução dos projetos de P&D, tal fato não implica em responsabilização da impugnante; 9) No que se refere ao anocalendário de 2001, a impugnante estaria obrigada a realizar investimentos tecnológicos na ordem de R$ 1.748.284,15, mas aplicou o total de R$ 2.562.105,38. Desse último montante, R$ 1.298.934,56 foram efetivados junto a FUCAPI e ao IEL; 10) A impugnante, nos anoscalendário de 2000 e 2001 era integralmente isenta do IRPJ. Além disso, apurou prejuízo nos mencionados períodos; 11) Como pode ser constatado na cópia do extrato n° 024/2005, o projeto Sapiens Circus faz parte do projeto cuja proposta foi aprovada pela SEPIN e pelo MCT; 12) A impugnante destaca a relevância do projeto e anexa à sua defesa as provas relativas a prospectos de divulgação, indicando a coordenação e articulação conjunta da FIEAM e do IEL; 13) A fiscalização teria efetivado a glosa exclusivamente em decorrência de denúncia apócrifa, fato que motivou o pedido de providência do Ministério Público.” Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 019.880 da DRJ/Belém, de fls. 1380 a 1384, contendo o seguinte ementário: DESPESAS. GLOSA. No caso da prestação de serviços que envolvam desenvolvimento tecnológico, as provas apresentadas pelo sujeito passivo comprovando o serviço somente podem ser desqualificadas por meio de perito, sendo incabível a imposição de lançamento de ofício com base em juízo de valor. MULTA QUALIFICADA. É inexequível a qualificação da multa de ofício quando não houver a prova cabal de que o sujeito passivo agiu com dolo, a manifesta vontade de fraudar. Lançamento Improcedente Os principais fundamentos utilizados no acórdão recorrido se resumem nos seguintes pontos, transcritos em parte do voto condutor: “5. Há que perquirir, inicialmente, se os fatos apurados em relação aos terceiros envolvidos no processo podem justificar a imposição de penalidade à impugnante. As provas do processo indicam que a impugnante agiu de boafé, e por isso não pode ser responsabilizada por qualquer fato envolvendo os terceiros que lhe prestaram o serviço. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.000044/200668 Acórdão n.º 120200.557 S1C2T2 Fl. 4 4 6. O fato de o IEL não ter registrado contabilmente a integralidade das operações referentes a serviços prestados à impugnante não pode amparar a glosa de despesas. Como a impugnante iria saber se os valores pagos haviam sido regularmente registrados na contabilidade do prestador do serviço? 7. Outra questão relevante referese à comprovação dos serviços prestados. Na descrição dos fatos a fiscalização informa que foram apresentados as notas fiscais e os extratos bancários dos pagamentos pelos serviços prestados. A própria fiscalização confirma que se tratou de serviço prestado. 8. Malgrado a condição de serviço prestado, e as provas apresentadas, a fiscalização glosou as despesas com o argumento de que a impugnante deixou de apresentar outros papéis e documentos que confirmassem a realização do serviço. [...] 10. Se havia dúvidas sobre a prestação do serviço, caberia à fiscalização desqualificálo por meio da prova de que não houve o desenvolvimento tecnológico. E para tanto, a fiscalização necessitaria de apoio de um perito no assunto, salvo se houvesse a confirmação de que a fiscalização seria perita no assunto em comento. Entretanto, não há qualquer prova no processo indicando que a fiscalização detinha conhecimentos tecnológicos suficientes para tornar desnecessária a presença de um perito. 11. A qualificação da multa de ofício para 150% também é improcedente. Não há nos autos a comprovação do evidente intuito de fraude. A qualificação da multa de ofício demanda, sempre, a comprovação do dolo porque o evidente intuito de fraude não comporta a forma culposa. A impugnante apresentou à fiscalização as provas que dispunha para comprovar os serviços prestados, mormente as notas fiscais e os extratos bancários. O simples fato de a fiscalização não considerar as provas apresentadas como comprovantes das operações não pode lastrear a imposição da qualificação da multa de ofício.” Em razão do valor do crédito tributário cancelado, à época da decisão proferida, ter sido superior ao valor do limite de alçada, a DRJ/Belém recorreu de ofício a este CARF, de acordo com o artigo 34, inciso I do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações posteriores. Sobre a mesma matéria, foi lavrado Auto de Infração do IPI, relativo ao ano de 2000, porque a empresa não teria comprovado a realização efetiva do investimento tecnológico compulsório em P&D — Pesquisa e Desenvolvimento (não atendendo, portanto, o disposto no parágrafo 3° do art. 2° da Lei n° 8.387/91). Dita autuação foi julgada improcedente pelo órgão julgador de primeira instância, com recurso de ofício a este CARF, tendo sido negado provimento ao recurso nos termos do Acórdão nº 340100.319 da 3ª Seção/ 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, sessão de 19 de outubro de 2009 (processo administrativo nº 10283.000045/200611. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.000044/200668 Acórdão n.º 120200.557 S1C2T2 Fl. 5 5 O recurso atende aos requisitos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, combinado com o estabelecido na Portaria MF n.° 375, de 07 de dezembro de 2001, vigente à época da edição do acórdão recorrido, portanto dele conheço. A questão principal do presente processo diz respeito em verificar se o registro das despesas com programas de Pesquisa e Desenvolvimento P&D cujos pagamentos foram efetuados ao Instituto Euvaldo Lodi IEL, podem ser considerados dedutíveis para fins de apuração do imposto de renda da pessoa jurídicaIRPJ. Na descrição dos fatos efetuados pela fiscalização temse, em síntese, que ditas despesas não foram consideradas dedutíveis porque não teria havido a comprovação da efetiva prestação dos serviços. Já os fundamentos utilizados no acórdão recorrido, foram no sentido de que a fiscalização não se aprofundou no exame da matéria e, se havia dúvidas sobre a prestação dos serviços efetuados pelo Instituto Euvaldo Lodi IEL, caberia ao agente fiscal desqualificálos por meio de provas da inexistência dos programas de desenvolvimento tecnológico. Analisando os documentos constantes dos autos verifico a existência de notas fiscais de prestação de serviços emitidas pelo Instituto Euvaldo Lodi – IEL, tendo como cliente a autuada, Philips da Amazônia Indústria Eletrônica Ltda., cujos valores foram devidamente registrados na contabilidade desta última. Avançando ainda mais, verifico que juntamente com a impugnação, a autuada anexa uma cópia do Oficio Conjunto nº 015/2005/SEPIN/SUFRAMA, órgãos vinculados ao Ministério de Ciência e Tecnologia e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, atestando a aplicação, pela autuada, dos recursos financeiros mínimos em pesquisa e desenvolvimento, fls. 1295. Acompanham o referido ofício, Extratos emitidos por esses mesmos órgãos com a discriminação dos vários projetos de pesquisa e desenvolvimento, os valores envolvidos e as Instituições Convenentes Executoras, fls. 1296 a 1310. Entre as Instituições Convenentes Executoras dos projetos de pesquisa e desenvolvimento, P&D, encontrase o Instituto Euvaldo Lodi – IEL, fls. 1306 e 1307, o que vem a atestar a informação de que os serviços constantes das notas fiscais emitidas por esse Instituto teriam sido efetivamente prestados. Se a fiscalização tinha suspeitas de que os pagamentos realizados pela autuada ao Instituto Euvaldo Lodi – IEL não se referiam aos descritos nas notas fiscais apresentadas, deveria aprofundar as suas investigações, trazendo provas consistentes da imaterialidade dos documentos apresentados pela autuada. E como acertadamente abordou o Acórdão da DRJ/Belém, os gastos a que se referem os documentos apresentados pela contribuinte dizem respeito à projetos de pesquisa e desenvolvimento P&D a que estava obrigada, sendo que, caso restassem dúvidas acerca da efetiva prestação dos serviços pagos ao Instituto Euvaldo Lodi – IEL deveria o agente fiscal ter se socorrido de terceiros ou de um perito capacitado para analisar a materialidade dos serviços prestados. Por último, conforme já mencionado no relatório deste Acórdão, registrese que o recurso de ofício em relação ao Auto de Infração do IPI, versando sobre a mesma matéria Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10283.000044/200668 Acórdão n.º 120200.557 S1C2T2 Fl. 6 6 do presente processo, teve o seu provimento negado nos termos do Acórdão nº 340100.319, da 3ª Seção/ 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, sessão de 19 de outubro de 2009, cópia nas fls. 1425 a 1429. Em face do exposto, voto para que seja negado provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 13807.007489/2002-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/1998
INCENTIVO FISCAL. FINAM e FINOR. DATA EXAME REGULARIDADE FISCAL.
A contribuinte tem o direito de ver examinada a sua regularidade fiscal na data da opção pelo incentivo, que ocorreu com a entrega da respectiva declaração DIRPJ. Aplicação da Súmula CARF nº 37.
Numero da decisão: 1202-000.500
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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FINAM e FINOR. DATA EXAME REGULARIDADE FISCAL. A contribuinte tem o direito de ver examinada a sua regularidade fiscal na data da opção pelo incentivo, que ocorreu com a entrega da respectiva declaração DIRPJ. Aplicação da Súmula CARF nº 37. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Fl. 351DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.007489/200287 Acórdão n.º 120200.500 S1C2T2 Fl. 352 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Valéria Cabral Géo Verçoza, Nereida de Miranda Finamore Horta e João Bellini Júnior. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos, adoto o relatório do Acórdão nº 16 22.024 da DRJ/São Paulo I, de fls. 273 a 279: “Trata o presente processo do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, relativo ao período de apuração 01 de janeiro a 31 de julho de 1998, protocolado em 26/06/2002 pelo contribuinte acima identificado (fl. 01). 2. Conforme dados constantes na Declaração de Rendimentos apresentada (Ficha 10 — Aplicações em Incentivos Fiscais fls. 121, 271 e 272), a contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda aos fundos de investimento FINAM e FINOR, tendo realizado recolhimentos específicos a este último fundo de investimento no período de apuração ora discutido, de acordo com as cópias dos DARFs de fls. 140 a 143, confirmados pelos extratos do sistema Sinal 08, de fls. 144 e 145. 3. Todavia, no processamento eletrônico da DIRPJ, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, conforme cópia do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fls. 04 e 181 a 186), o que motivou a apresentação do PERC, que foi indeferido no Despacho Decisório de fl. 188, em razão de irregularidades da contribuinte (fls. 177 a 179 e 187) perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). 4. Irresignada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 190 a 195, protocolizada em 17/12/2008, e acompanhada dos documentos de fls. 196 a 269, alegando em síntese que: 4.1. Há erro no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais discutido no presente processo que é referente à Declaração de Rendimentos do período 01 de janeiro a 31 de julho de 1998 e que tem um recolhimento destinado ao FINOR no valor de R$ 44.703,42 e cinco recolhimentos destinados ao FINAM no valor total de R$ 293.723,55 (cópias dos comprovantes de arrecadação às fls. 216 a 221), pois foram considerados também os dois DARFs destinados ao FINOR, relativos ao período de apuração 01 de agosto a 30 de setembro de 1998, no valor total de R$104.331,99, aplicações estas que estão sendo discutidas no processo 13807.007490/200210 e os dois DARFs destinados ao FINOR, relativos ao período de apuração 01 de outubro a 31 de dezembro de 1998 (em 1998 houve três declarações devido a cisões parciais), no valor total de R$57.552,18 discutido no processo 13807.007491/200256 (cópias dos três Extratos das Aplicações em Incentivos Fiscais às fls. 213 a 215); 4.2. A autoridade administrativa verificou a regularidade fiscal da contribuinte na data em que analisou o PERC, contudo, a melhor interpretação para a definição da data da regularidade fiscal é a da entrega da DIPJ, uma vez que a regularidade fiscal da contribuinte deve corresponder ao período a que o beneficio fiscal se refere; Fl. 352DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.007489/200287 Acórdão n.º 120200.500 S1C2T2 Fl. 353 3 4.3. Os débitos inscritos em dívida ativa, apontados pelo Despacho Decisório, não podem constituir motivo de indeferimento do PERC, conforme a seguir demonstrado: 4.3.1. A inscrição em dívida ativa n° 80.6.04.03182228 foi objeto de pedido de revisão protocolado em 05/07/2004, pendente de análise até o momento (fls. 222 a 230); 4.3.2. A inscrição em divida ativa n° 80.2.07.01644336 está sendo objeto de exceção de préexecutividade (fls. 231 a 269).” Na sequência, a DRJ/ São Paulo I deferiu parcialmente o pedido da contribuinte, concluindo por retificar o extrato das aplicações em incentivos fiscais de fl. 04, conforme itens 5 e 6 do voto condutor e, quanto ao mérito, indeferiu o pedido de revisão de concessão de incentivos fiscais, porque a contribuinte não teria demonstrado a situação de regularidade fiscal na data da emissão do Despacho Decisório da DIORT/DERAT/SP, condição exigida pelo artigo 60, da Lei n° 9.069, de 1995, cujo ementário do Acórdão abaixo se transcreve: “Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/1998 TRIBUTOS FEDERAIS. QUITAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. INCENTIVO OU BENEFÍCIO FISCAL. INDEFERIMENTO. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de beneficios ou incentivos fiscais. Exercício: 1999 FUNDOS DE INVESTIMENTO. APLICAÇÃO. DARF ESPECÍFICO. PERÍODO DE APURAÇÃO. VALORES. EXTRATO DAS APLICAÇÕES. Na hipótese de aplicação nos fundos de investimento FINOR, FINAM e FUNRES por meio de recolhimento com DARF específico somente devem constar no extrato de aplicações os pagamentos relativos ao período de apuração do imposto ao qual a declaração de rendimentos se refere. Solicitação Deferida em Parte” Cientificada do Acórdão da DRJ em 30/07/2009, fls. 280verso, e inconformada com o resultado, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em 31/08/2009, fls. 281, repisando praticamente os mesmos argumentos apresentados na sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. Fl. 353DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.007489/200287 Acórdão n.º 120200.500 S1C2T2 Fl. 354 4 O recurso voluntário foi apresentado tempestivamente e dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre esclarecer que a matéria referente à correção dos valores constantes dos extratos de aplicações nos incentivos fiscais FINOR e FINAM foi acolhida pelo Acórdão da DRJ, tendo sido retificado o extrato das aplicações nesses incentivos, de fls. 04, 104 a 132, 271 e 272, nos termos do voto condutor, não sendo objeto do presente recurso. Já a controvérsia remanescente, gira em torno do atendimento do art. 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, que trata da comprovação da quitação de tributos e contribuições federais para fins de gozo do benefício fiscal de aplicação de parte do imposto de renda devido em fundos regionais de desenvolvimento (FINOR e FINAM). Assim dispõe o citado art. 60: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Pois bem. A dúvida que se instaurou diz respeito em esclarecer qual a data que deve ser considerada para a comprovação da quitação de tributos e contribuições federais para fazer jus ao incentivo fiscal. O Acórdão recorrido se manifestou no sentido de que o momento de verificação da regularidade fiscal é a data de expedição do Despacho Decisório. Assim, nessa data, referido Despacho identificou pendências de débitos fiscais controlados no processo administrativos nº 10880.534576/200401 (inscrição na Dívida Ativa da União n° 8060403182228), e nº 13807.002107/200318 (inscrição na Dívida Ativa da União n° 8020701644336), controlados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), indeferindo o direito aos incentivos. Já a recorrente, alega que o órgão julgador deveria examinar a situação fiscal da empresa na época da opção pelo incentivo fiscal, ou seja, na data da entrega da DIRPJ, e não na data do exame do PERC pela autoridade fiscal quando da emissão do Despacho Decisório. Efetivamente, este colegiado tem se deparado, por diversas vezes, com dúvidas a respeito do momento em que deve ser verificada a situação fiscal dos contribuintes que desejam usufruir de benefícios e incentivos fiscais. Se na data da entrega da declaração DIPJ, quando foi feita a opção pelo incentivo, ou se na data do exame do PERC pela unidade administrativa de origem. Com efeito, essa matéria encontrase sumulada neste órgão julgador, conforme prescreve a Súmula CARF nº 37, aprovada pela Portaria CARF nº 052, de 21 de dezembro de 2010, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a Fl. 354DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.007489/200287 Acórdão n.º 120200.500 S1C2T2 Fl. 355 5 que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. (grifei) Como se percebe da leitura da Súmula acima transcrita, a jurisprudência se consolidou no sentido de que a comprovação da regularidade fiscal deve se dar na data da opção pelo incentivo fiscal feita com a entrega da declaração DIPJ, podendo tal regularidade ser comprovada em qualquer fase do Processo Administrativo Fiscal. Pois bem. Não existe nos autos comprovação da regularidade fiscal na data da entrega da declaração DIRPJ, relativa ao período de 01/01/1998 a 31/07/1998, que foi entregue em 1998. Assim, quando do exame do direito ao incentivo pela autoridade competente, a exigência de comprovação da regularidade fiscal, prevista no art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, deve se ater aos possíveis débitos existentes na data da opção pelo incentivo, que ocorreu com a entrega da DIRPJ, nos termos da Súmula CARF nº 37. Esse entendimento vem sendo confirmado pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, em recente julgamento levado à efeito entre 13 e 15 de dezembro de 2010, no processo nº 10768.023289/9949, que abaixo se noticia: “IRPJ. FINOR. Pedidos de revisão e ordem de emissão de incentivos fiscais. A 1ª Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso da PGFN contra o acórdão recorrido 10195982, assim ementado: “PEDIDOS DE REVISÃO E ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS – CRITÉRIOS PARA DEFERIMENTO: A jurisprudência desta Câmara tem se pautado em analisar os Pedidos de Revisão de Ordem e Emissão de Incentivos Fiscais sob os seguintes parâmetros: para fins de cumprimento do disposto no artigo 60 da Lei 9.069/95 os débitos a serem comprovados pelo contribuinte são aqueles existentes à época da opção; pode o contribuinte, em caso de pendência, regularizá los mediante quitação ou suspensão da exigibilidade a qualquer tempo durante o processamento de seu pedido de revisão.” (Processo: 10768.023289/9949) Pelo exposto, voto no sentido de que seja dado provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito da interessada em ver examinada a sua regularidade fiscal na data da opção pelo incentivo, que ocorreu com a entrega da respectiva declaração DIRPJ. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 355DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.007489/200287 Acórdão n.º 120200.500 S1C2T2 Fl. 356 6 Fl. 356DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.005975/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/2006
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA
DE ANTECIPAÇÃO DO
TRIBUTO.
Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida
incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu
serviço, aplicase
o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois
tratase
de lançamento de ofício.
REMUNERAÇÃO DECLARADA OU NÃO EM GFIP
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a
remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que
lhe prestam serviços
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito
administrativo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.030
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, devido à aplicação da regra
decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, devido a avaliação por rubrica lançada, nos termos do voto da Relator(a). O Conselheiro Marcelo Oliveira acompanhou o voto vencedor por suas conclusões; II) Por unanimidade de votos: em negar provimento às demais alegações da Recorrente, nos termos do voto da Relator(a). Redator designado: Adriano Gonzáles Silvério
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/2006 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. REMUNERAÇÃO DECLARADA OU NÃO EM GFIP A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, devido a avaliação por rubrica lançada, nos termos do voto da Relator(a). O Conselheiro Marcelo Oliveira acompanhou o voto vencedor por suas conclusões; II) Por unanimidade de votos: em negar provimento às demais alegações da Recorrente, nos termos do voto da Relator(a). Redator designado: Adriano Gonzáles Silvério
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2092; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 315 1 314 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.005975/200735 Recurso nº 259.788 Voluntário Acórdão nº 230102.030 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de maio de 2011 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente MS TRANSPORTES E TURISMO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/2006 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. REMUNERAÇÃO DECLARADA OU NÃO EM GFIP A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, devido a avaliação por rubrica lançada, nos termos do voto da Relator(a). O Conselheiro Marcelo Oliveira acompanhou o voto vencedor por suas conclusões; II) Por unanimidade de votos: em negar provimento às demais alegações da Recorrente, nos termos do voto da Relator(a). Redator designado: Adriano Gonzáles Silvério Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Adriano Gonzales Silvério Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Ausência momentânea: Wilson Antonio De Souza Correa Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10380.005975/200735 Acórdão n.º 230102.030 S2C3T1 Fl. 316 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Conforme Relatório Fiscal (fls. 124), constitui fato gerador da contribuição lançada o pagamento de remunerações aos segurados empregados e aos contribuintes individuais que prestaram serviços à notificada, extraídas dos resumos das folhas de pagamento das GFIP's. A autoridade notificante informa que foi recolhida apenas parte das contribuições devidas e que foram omitidas das GFIP's, em alguns casos, parte das remunerações pagas a segurados empregados, em especial, o adicional noturno e 1/3 de férias, assim como, também foram omitidas, em alguns meses, as remunerações pagas aos sócios. Esclarece, ainda, que a recorrente declarou, de forma equivocada, a opção do SIMPLES nas GFIP's de 01/2004 a 11/2006, quando, na verdade, a empresa não era, à época, optante do referido sistema de tributação. Consta, também, que os levantamentos que integram a NFLD são: DAL, referentes as competências 08/1996 e 11/1996; FPA: resultante do confronto das folhas de pagamento e RAIS com as GRPS recolhidas nas competências de 05/1996 e 06/1996; FPG: contribuições relativas às remunerações pagas a sóciagerente e aos empregados declaradas em GFIP e NGF: remuneração paga a sóciagerente e aos empregados (adicional noturno e 1/3 de férias), não declaradas em GFIP. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0811.262, da 5a Turma da DRJ/FOR, (fls. 265, vol. II), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 281 ), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega que a NFLD foi lavrada indevidamente, posto estar maculada com uma série de vícios insanáveis de inconstitucionalidade e ilegalidade, em termos materiais e formais, e padece do vício de inconstitucionalidade da utilização dos valores obtidos pelo cruzamento de FGTS com RAIS da empresa como base de cálculo das contribuições de seguridade social, SEST, SENAT, SEBRAE, INCRA E FNDE/SALÁRIO EDUCAÇÃO cuja base de cálculo estabelecida por lei é a folha de salários. Discorre sobre o documento RAIS e aponta mais um fato que, segundo entende, vicia a NFLD, que seriam os créditos que a empresa dispõe, vislumbrados pelo fiscal responsável pelo auto, ditos como considerados pelo Fiscal Julgador na decisão ora recorrida, mas que não foram abatidos no cômputo do valor arbitrado das contribuições. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Reafirma que, na ocasião da fiscalização a que foi submetida, a recorrente agiu diligentemente e entregou todos os documentos solicitados, portanto, sem omissão alguma, o que é confirmado pelo fato de que, à época da referida primeira fiscalização, não foi lavrado nenhum auto ou multa pelo descumprimento de obrigação acessória, qual seja, a de entregar ou disponibilizar documentos para a fiscalização, o que faz cair por terra o lançamento com supedâneo no art. 149, V do Código Tributário Nacional. Sustenta que os lançamentos efetuados, ainda que fossem legítimos, não ensejariam a constituição do crédito tributário, pois tais valores referemse a incidências anteriores ao prazo decadencial de cinco anos, previsto expressamente no art. 173 do Código Tributário Nacional; Defende que não basta ao Julgador alegar a impossibilidade de ser discutido, em âmbito administrativo, a inconstitucionalidade de dispositivos legais, mas ele precisa também embasar sua decisão, levando em consideração, sobretudo o princípio da menor onerosidade ao contribuinte. No mérito, insurgese contra a multas aplicadas, alegando que o contribuinte não pode sofrer com o arbitramento de ônus tributário irreal e desproporcional até mesmo com a sua capacidade contributiva. Quanto à opção ao SIMPLES, reconhece que ocorreu erro material em determinado período, mas que, apesar do documento contábil estar preenchido de forma equivocada, o recolhimento das contribuições devidas foram realizadas nos moldes dos não optantes, o que denota a boafé do contribuinte e ressalta o erro material existente. Alega inconstitucionalidade e ilegalidade da contribuição ao INCRA, SEBRAE, e da taxa SELIC para fins tributários. É o relatório. Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a recorrente alega decadência de parte do débito. Verificase que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10380.005975/200735 Acórdão n.º 230102.030 S2C3T1 Fl. 317 5 Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Verificase que os levantamentos DAL e PFA estão totalmente decadentes, independente da regra do CTN a ser aplicada. Para o levantamento FPG, aplicase a regra contida no art. 150, §4o, do CTN, uma vez que houve recolhimento antecipado, conforme RADA e RDA, e que a própria fiscalização informa que o débito se refere à diferença de contribuições devidas . No caso do levantamento NGF, a fiscalização deixa claro que se trata de contribuição incidente sobre verbas que a recorrente não considerava como base de cálculo da contribuição previdenciária, não informada em GFIP, tratandose, portanto, de lançamento de ofício, para o qual não houve adiantamento do tributo, caso em que se aplica o disposto no art. 173, do CTN, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10380.005975/200735 Acórdão n.º 230102.030 S2C3T1 Fl. 318 7 A NFLD foi consolidada em 20/12/2006, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 29/12/2006, conforme AR de fls. 142. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito apenas para os valores lançados nas competências compreendidas entre 04/2000 a 11/2001, para o levantamento NGF, e de 01/2000 a 12/2000, para o levantamento FPG. Assim, acato a preliminar de decadência. As alegações trazidas pela recorrente de que a NFLD padece do vício de inconstitucionalidade por utilizar valores obtidos pelo cruzamento de FGTS com RAIS como base de cálculo das contribuições não serão objeto de análise por esta Conselheira, tendo em vista que o levantamento que utilizou o batimento RAIS x folha de pagamento x GRPS foi totalmente alcançado pela decadência qüinqüenal. A recorrente afirma, ainda, que não foram considerados, para abatimento no cômputo do valor arbitrado das contribuições, créditos que a empresa dispõe. Contudo, ela apenas alega que é possuidora desses créditos, mas não prova o alegado. Não discrimina quais seriam os valores recolhidos e não apropriados pela fiscalização e nem traz, aos autos, documentos que comprovem suas afirmações. A recorrente poderia ter trazido elementos aos autos para fazer prova de suas argumentações, o que não ocorreu nem em sede recursal. Porém, a empresa não trouxe outros elementos para serem analisados por este Conselho. O art. 333 do Código de Processo Civil estatuiu que o ônus da prova cabe a quem alega. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados aos autos. Daí a necessidade de se juntar elementos comprobatórios dos fatos alegados. Já a fiscalização discriminou, nos relatórios RADA e RDA, que integram a NFLD, todos os valores recolhidos pela empresa e que foram utilizados para abater o valor da contribuição devida. Dessa forma, não procede o argumento de que não foram apropriados créditos de que é possuidora. A notificada insiste em afirmar que agiu diligentemente e entregou todos os documentos solicitados, sem omissão alguma, o que é confirmado pelo fato de que, à época da referida primeira fiscalização, não foi lavrado nenhum auto ou multa pelo descumprimento de obrigação acessória de deixar de entregar ou disponibilizar documentos para a fiscalização, o Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 que faz cair por terra o lançamento com supedâneo no art. 149, V do Código Tributário Nacional. Porém, essas alegações são estranhas e totalmente impertinentes ao processo sob análise, pois em nenhum momento a fiscalização fez alusão a uma “primeira fiscalização” ou afirmou que o supedâneo do lançamento seria o art. 149, V, do CTN. A autoridade lançadora deixou muito claro, nos relatórios integrantes da NFLD, quais foram os fatos geradores que ensejaram o lançamento em discussão, citando, inclusive, todos os autos lavrados na ação fiscal, sendo que, ao contrário do que afirma a recorrente, entre eles consta o AI n°. 44.047.3993, lavrado pela não apresentação dos livros contábeis e notas fiscais de serviços, apesar de solicitados por meio de TIAD. Assim, constatase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. A notificada defende a reforma do acórdão recorrido e argumenta que não basta ao Julgador alegar a impossibilidade de ser discutido, em âmbito administrativo, a inconstitucionalidade de dispositivos legais, mas ele precisa também embasar sua decisão, levando em consideração, sobretudo o princípio da menor onerosidade ao contribuinte. No entanto, constatase que o Relator do Acórdão recorrido apreciou todas as alegações apresentadas pelas impugnantes que, no seu julgamento, eram importantes para a tomada de decisão, já que, conforme jurisprudência do STJ, o órgão julgador não está obrigado a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção. O Relator do Acórdão combatido demonstra a convicção do julgador diante dos fatos e argumentos que lhes foram apresentados, seja pela auditoria fiscal, seja pela notificada. Ocorre que os argumentos trazidos pela recorrente não foram suficientes para que os julgadores de primeira instância se convencessem da improcedência do lançamento Com relação ao entendimento de que o julgador administrativo não pode escusarse da apreciação dos argumentos ofertados pela recorrente alegando tratarse de matéria inconstitucional, é oportuno esclarecer que o Decreto 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal no âmbito federal determina que: Art.26A.No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10380.005975/200735 Acórdão n.º 230102.030 S2C3T1 Fl. 319 9 A esse respeito, a Portaria RFB 10875/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais de que tratam os artigos 2° e 3° da Lei 11457, de 16 de março de 2007, determina: Art. 18. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: I tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; II haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República ou, nos termos do art, 40 do Decreto n° 2.346/97, pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional. Nesse sentido também se manifestou a Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, conforme Parecer/CJ nº 2.547/2001: (...) Ante o exposto, esta Consultoria Jurídica posicionase no sentido de que a Administração deve absterse de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos em concreto, de leis, dispositivos legais e atos normativos que não tenham sido assim expressamente declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes ou reconhecidos pela Chefia do Poder Executivo. Assim, a autoridade julgadora, como agente da Administração, não está obrigada a apreciar as alegações de inconstitucionalidade de dispositivos legais, já que está impedida de aplicálas. No mérito, verificase que recorrente não nega que tenha deixado de recolher a totalidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações informadas por ela mesmo em GFIP, e sobre aquelas não declaradas na GFIP, como parte do prolabore pago à sóciagerente e sobre os valores relativos ao adicional noturno e 1/3 de férias concedidos aos empregados. Ela apenas alega inconstitucionalidade/ilegalidade das contribuições, aos Terceiros SESC/SENAC, INCRA e SEBRAE e taxa SELIC. Entretanto, a cobrança das contribuições aos terceiros possui previsão legal, e a legislação que ampara tais exações consta discriminada no Relatório de Fundamento Legal do Débito – FLD Da mesma forma, a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados possuem respaldo em dispositivos legais vigentes à época do lançamento. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 Portanto, não há que se falar em ilegalidade das referidas cobranças. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. Cumpre observar, ainda, que o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tais matérias, por meio dos Enunciados 02/2007 e 03/2007, transcritos a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Enunciado nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto por CONHECER DO RECURSO e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do valor do débito, por decadência, os valores lançados até a competência 12/2000, inclusive, para o levantamento FPG, e até 11/2001, inclusive, para os demais levantamentos. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Voto Vencedor Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Redator Designado. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10380.005975/200735 Acórdão n.º 230102.030 S2C3T1 Fl. 320 11 Apenas em relação à contagem do prazo decadencial ouso divergir em parte da Ilustre Conselheira Relatora, uma vez que a meu ver deve ser aplicado como regra decadencial nesse caso apenas aquela prevista no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, cujo dies a quo é o da ocorrência do fato gerador. Isto porque tenho para mim que a autuação versa somente sobre um fato gerador, qual seja, aquele arrolado pela Constituição Federal no artigo 195, inciso I, “a”, que nos autos revelase em pagar remuneração a segurados empregados ou contribuintes individuais. Assim tratandose do mesmo fato gerador no qual, como se extrai dos autos e conforme exposto no minucioso relatório da Conselheira Relatora, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, havendo de ser aplicado o prazo decadencial qüinqüenal, que tem como termo inicial de contagem a ocorrência do fato gerador, como decidiu o Colendo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, entendimento esse que deve ser acatado, por força do disposto no mencionado artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A ementa do paradigma está assim redigida: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). Fl. 11DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” Diante do exposto e tendo em vista que o contribuinte foi intimado da NFLD em 29/12/2006, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para considerar decadentes os fatos geradores lançados até novembro de 2001, não se incluindo a competência de dezembro de 2001, por força do disposto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Adriano Gonzales Silvério Conselheiro Fl. 12DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 18186.001290/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1998
Ementa: PEDIDO DE REVISÃO.
O pedido de revisão tem natureza similar à da ação rescisória, sem efeito suspensivo, sendo medida excepcional, pois busca rescindir a coisa julgada administrativa, para possibilitar novo julgamento pela instância competente.
Numero da decisão: 2302-000.899
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda
seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido de revisão de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Não houve o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade do pleito revisional. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Marco André Ramos Vieira.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Recorrida DRP EM SÃO PAULOSUL/SUL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1998 Ementa: PEDIDO DE REVISÃO. O pedido de revisão tem natureza similar à da ação rescisória, sem efeito suspensivo, sendo medida excepcional, pois busca rescindir a coisa julgada administrativa, para possibilitar novo julgamento pela instância competente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido de revisão de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Não houve o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade do pleito revisional. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Marco André Ramos Vieira. (assinado digitalmente) MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. (assinado digitalmente) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva e Edgar Silva Vidal. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 Relatório Tratase de revisão de ofício apresentado pelo então Conselheiro da 2ª CAJ, do CRPS, Dr. Jorge Luis Moran, que, em síntese, suscitou [fl. 211]: 1. Na sessão de julgamento do dia 23/02/2006, acompanhei o entendimento exarado pela ilustre Conselheira Relatora no sentido de não conhecer do pedido de revisão, formulado pelo órgão previdenciário, do Acórdão n° 02/00047/2002 (fls. 146 a 148), mantendose, assim, a decisão pelo conhecimento do recurso interposto pelo sujeito passivo e pelo seu provimento. 2. Contudo, compulsando os autos, mais 'especificamente o relatório fiscal, observo que o agente notificante não analisou qual era a atividade preponderante da empresa, conforme definido no art. 26, §1°, do Decreto n° 2.173/97 (atividade que ocupa maior número de segurados empregados, trabalhadores avulsos ou médicosresidentes). Limitou o dito relatório a considerar que a atividade econômica preponderante é a de fabricação de outros defensivos agrícolas, em razão do enquadramento feito pela própria empresa (informação do cartão de CNPJ) e do fato de que a receita preponderante decorria da venda no mercado interno de produtos de fabricação própria. 3. Ora, deveria o agente fiscal ter demonstrado.a quantidade de segurados empregados ocupados em cada uma das atividades da empresa; Inclusive na atividade meio. Deveria ter elaborado um quadro, indicando, por competência, quantos segurados laboravam em escritório (atividades administrativas) e quantos atuavam na fábrica (atividade fim), de modo que se pudesse identificar a atividade preponderante e, por conseguinte, o correspondente grau de risco. 4. A referida omissão, a meu entender, é motivo de nulidade do lançamento fiscal, uma vez que não se declinou o motivo fático para rever o enquadramento e, com isso, terminouse por cercear o direito de defesa da recorrente e por deixar de cumprir os requisitos do art. 37 da Lei n° 8.212/91. Aceitouse como premissa o autoenquadramento realizado, deixandose de atentar para a definição de atividade preponderante dada pelo regulamento então vigente. 5. Apontase, ainda, que o parâmetro utilizado para se concluir pela preponderância da atividade administrativa (escritório), conforme consta no Acórdão n° 02/00047/2002 (fI. 148), foi aquele informado pela recorrente em sua peça recursal (fI. 120) e apurado com base na RAIS, sem que tenha a fiscalização se aprofundado na .comprovação dessa informação (diligência fiscal para analisar outros documentos da empresa, como.tolhas de pagamento, por exemplo). 6. Destarte, entendo que o referido acórdão. por não ter vislumbrado a omissão do relatório fiscal, conforme acima exposto, é passível de. revisão com fulcro no art. 60, IV, do Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 18186.001290/200728 Acórdão n.º 230200.899 S2C3T2 Fl. 2 3 RICPRS (vício insanável), pelo que, em procedimento de revisão de ofício da decisão colegiada, determino a notificação das partes no processo para que se manifestem no prazo comum de trinta dias, antes de submeter o presente entendimento à apreciação da 2ª Câmara de Julgamento, tudo nos termos do art. 60, §2°, do RICRPS. Por meio de Despacho de fls. 229/231 [n. 205591/2008], o i. Presidente da então 2ª CAJ deferiu o efeito suspensivo ao pedido e designou ad hoc este Conselheiro como relator. É o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Relator DO NÃO CONHECIMENTO DO PEDIDO DE REVISÃO DE OFÍCIO APRESENTADO De acordo com o previsto no art. 60 da Portaria MPS n ° 88/2004, que aprovou o Regimento Interno do CRPS, a admissibilidade de revisão é medida extraordinária. A revisão é admitida nos casos de os Acórdãos do CRPS divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, aprovados pelo Ministro da pasta, bem como do AdvogadoGeral da União, ou quando violarem literal disposição de lei ou decreto, ou após a decisão houver a obtenção de documento novo de existência ignorada, ou for constatado vício insanável, nestas palavras: Art. 60. As Câmaras de Julgamento e Juntas de Recursos do CRPS poderão rever, enquanto não ocorrida a prescrição administrativa, de ofício ou a pedido, suas decisões quando: I – violarem literal disposição de lei ou decreto; II – divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do MPS aprovados pelo Ministro, bem como do AdvogadoGeral da União, na forma da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; III depois da decisão, a parte obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de assegurar pronunciamento favorável; IV – for constatado vício insanável. § 1º Considerase vício insanável, entre outros: I – o voto de conselheiro impedido ou incompetente, bem como condenado, por sentença judicial transitada em julgado, por crime de prevaricação, concussão ou corrupção passiva, diretamente relacionado à matéria submetida ao julgamento do colegiado; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 II – a fundamentação baseada em prova obtida por meios ilícitos ou cuja falsidade tenha sido apurada em processo judicial; III – o julgamento de matéria diversa da contida nos autos; IV – a fundamentação de voto decisivo ou de acórdão incompatível com sua conclusão. § 2º Na hipótese de revisão de ofício, o conselheiro deverá reduzir a termo as razões de seu convencimento e determinar a notificação das partes do processo, com cópia do termo lavrado, para que se manifestem no prazo comum de 30 (trinta) dias, antes de submeter o seu entendimento à apreciação da instância julgadora. § 3º O pedido de revisão de acórdão será apresentado pelo interessado no INSS, que, após proceder sua regular instrução, no prazo de trinta dias, fará a remessa à Câmara ou Junta, conforme o caso. § 4º Apresentado o pedido de revisão pelo próprio INSS, a parte contrária será notificada pelo Instituto para, no prazo de 30 (trinta) dias, oferecer contrarazões § 5º A revisão terá andamento prioritário nos órgãos do CRPS. § 6º Ao pedido de revisão aplicase o disposto nos arts. 27, § 4º, e 28 deste Regimento Interno. § 7º Não será processado o pedido de revisão de decisão do CRPS, proferida em única ou última instância, visando à recuperação de prazo recursal ou à mera rediscussão de matéria já apreciada pelo órgão julgador. § 8º Caberá pedido de revisão apenas quando a matéria não comportar recurso à instância superior. § 9º O não conhecimento do pedido de revisão de acórdão não impede os órgãos julgadores do CRPS de rever de ofício o ato ilegal, desde que não decorrido o prazo prescricional. § 10 É defeso às partes renovar pedido de revisão de acórdão com base nos mesmos fundamentos de pedido anteriormente formulado. § 11 Nos processos de benefício, o pedido de revisão feito pelo INSS só poderá ser encaminhado após o cumprimento da decisão de alçada ou de última instância, ressalvado o disposto no art. 57, § 2º, deste Regimento. Como dito no relatório, tratase de revisão de ofício apresentado pelo então Conselheiro da 2ª CAJ, do CRPS, Dr. Jorge Luis Moran, que, em síntese, suscitou [fl. 211]: 1. Na sessão de julgamento do dia 23/02/2006, acompanhei o entendimento exarado pela ilustre Conselheira Relatora no sentido de não conhecer do pedido de revisão, formulado pelo órgão previdenciário, do Acórdão n° 02/00047/2002 (fls. 146 a 148), mantendose, assim, a decisão pelo conhecimento do recurso interposto pelo sujeito passivo e pelo seu provimento. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 18186.001290/200728 Acórdão n.º 230200.899 S2C3T2 Fl. 3 5 2. Contudo, compulsando os autos, mais 'especificamente o relatório fiscal, observo que o agente notificante não analisou qual era a atividade preponderante da empresa, conforme definido no art. 26, §1°, do Decreto n° 2.173/97 (atividade que ocupa maior número de segurados empregados, trabalhadores avulsos ou médicosresidentes). Limitou o dito relatório a considerar que a atividade econômica preponderante é a de fabricação de outros defensivos agrícolas, em razão do enquadramento feito pela própria empresa (informação do cartão de CNPJ) e do fato de que a receita preponderante decorria da venda no mercado interno de produtos de fabricação própria. 3. Ora, deveria o agente fiscal ter demonstrado.a quantidade de segurados empregados ocupados em cada uma das atividades da empresa; Inclusive na atividade meio. Deveria ter elaborado um quadro, indicando, por competência, quantos segurados laboravam em escritório (atividades administrativas) e quantos atuavam na fábrica (atividade fim), de modo que se pudesse identificar a atividade preponderante e, por conseguinte, o correspondente grau de risco. 4. A referida omissão, a meu entender, é motivo de nulidade do lançamento fiscal, uma vez que não se declinou o motivo fático para rever o enquadramento e, com isso, terminouse por cercear o direito de defesa da recorrente e por deixar de cumprir os requisitos do art. 37 da Lei n° 8.212/91. Como consignado acima, o então Presidente da 2ª CAJ, do CRPS, Dr. Mário Humberto Cabus Moreira, manifestou “seu acordo com a Revisão de Ofício proposta”. Em atendimento a essa manifestação, o i. Presidente desta Câmara entendeu que já havia sido deferido o seguimento do pedido e concedeu o efeito suspensivo. Apesar desse entendimento, peço vênia para discordar do acolhimento/conhecimento do pedido de revisão protocolizado, tendo em vista possibilidade de nova apreciação, por parte do Conselheiro ad hoc, dos pressupostos de admissibilidade. É sabido que o pedido de revisão tem natureza similar à da ação rescisória, sem efeito suspensivo, sendo essa medida excepcional, pois busca rescindir a coisa julgada administrativa, para possibilitar novo julgamento pela instância competente. A propósito, a inteligência do §1º, do art. 60, inciso III, da Portaria MPS n. 88/2004 é taxativa para o conhecimento de pedido de revisão por vício insanável: § 1º Considerase vício insanável, entre outros: I – o voto de conselheiro impedido ou incompetente, bem como condenado, por sentença judicial transitada em julgado, por crime de prevaricação, concussão ou corrupção passiva, diretamente relacionado à matéria submetida ao julgamento do colegiado; II – a fundamentação baseada em prova obtida por meios ilícitos ou cuja falsidade tenha sido apurada em processo judicial; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 III – o julgamento de matéria diversa da contida nos autos; IV – a fundamentação de voto decisivo ou de acórdão incompatível com sua conclusão. Ressalto, ainda, que o art. 57, §2º, RICRPS manifesta que é do Colegiado a prerrogativa para análise da admissibilidade do pedido de revisão. Nesse sentido, realizandose o cotejo entre a justificativa colacionada na revisão de ofício e o dispositivo acima elencado, não há, ao meu sentir, possibilidade de subsunção com o objetivo de rescisão da coisa julgada administrativa. Na Carta Cidadã de 1988 há dispositivo expresso que salvaguarda a segurança jurídica e a coisa julgada [art. 5º, XXXVI]. Assim, para que uma decisão transitada em julgado, protegida pelo manto da coisa julgada seja rescindida, fazse mister a plena demonstração e enquadramento pelo Interessado de eiva constante do decisum guerreado. Além disso, mesmo que essa mudança de entendimento quanto à análise dos documentos juntados ao lançamento repercuta em declaração de vício, entendo que o decisum [Acórdão 02/00047/2002 – fls. 146/148], ao decidir em favor do contribuinte observou, outrossim, o disposto no §3º, do art. 59, do Decreto n. 70.235/72, pois, no acórdão juntado as fls. 146148, a então 2ª CAJ analisou todos os argumentos dispostos no pedido de revisão de ofício: (...) – Considerando que a Recorrente comprovou possuir 04 estabelecimentos, sendo que o estabelecimento matriz, barra 001/70 com 125 segurados, fls. 124; o estabelecimento barra 00331, escritório de revenda, com 1 segurado; o estabelecimento 002/50, fabrica, com 67 segurado, fls. 126 e o estabelecimento 00421, o escritório de revenda, com 20 segurados, fls. 127, temos que nos termos do art. 202, do Decreto 3.048/99, a atividade preponderante é a desenvolvida na matriz (escritório administrativos); Considerando que o disposto na ON INSS/AFAR n. 002/97, que determina no item 2.2.1, que “para fins de enquadramento não serão considerados os empregados que prestam serviço em atividade meio, assim entendida, aquelas que auxiliam ou complementam indistintamente as diversas atividades econômicas da empresa, como por exemplo: administração geral de recepção, faturamento, cobrança, contabilidade, vigilância, etc”, extrapola o disposto no Inciso II, do art. 22, da Lei n. 8.212/91 e no art. 202, do Decreto 3.048/99, impondo inclusive condição que afasta o enquadramento do SAT da realidade das empresas; e, impondo inclusive condição que afasta o enquadramento do SAT da realidade das empresas; e Assim, entendo, data máxima venia, incabível a subsunção do fundamento colacionado na peça revisional ao disposto no inciso IV, do art. 60. Dessa forma, entendo que o pedido sob análise não preenche os pressupostos que impingem ao julgador administrativo a rescisão da coisa julgada administrativa material para prolação de novel decisum. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 18186.001290/200728 Acórdão n.º 230200.899 S2C3T2 Fl. 4 7 Portanto, CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo não conhecimento do pedido de revisão apresentado. Sala das Sessões, em 15 de março de 2011 MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR RELATOR Fl. 7DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
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Numero do processo: 10980.005653/2006-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2005
EXCLUSÃO DO REGIME ATIVIDADE VEDADA
Conforme Súmula CARF nº 57: “A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal”.
Numero da decisão: 1201-000.565
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR
preliminar de nulidade e, no mérito, DAR provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR preliminar de nulidade e, no mérito, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Fl. 342DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10980.005653/200646 Acórdão n.º 120100.565 S1C2T1 Fl. 307 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, João Bellini Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz . Relatório DA EXCLUSÃO E DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das peças inaugurais do presente feito: Trata o processo de manifestação de inconformidade pela exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, por motivo de exercício de atividade vedada. 2. O Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples DRF/Curitiba n° 147, emitido em 09/06/2008, à fl. 208, excluiu o contribuinte do regime do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2004, por incorrer na vedação prevista no art. 9 0, incisos V, XII, "f' e XIII da Lei n° 9.317, de 1996. 3. Intimada do ADE em 25/06/2008, conforme documento de fl. 252, tempestivamente, em 25/07/2008, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 212/239, por meio de seu procurador, conforme instrumento de fl. 240, instruída com os documentos de fls. 241/251, que se resume a seguir: Proteção constitucional às microempresas e EPP a. Cita o art. 179 da CF/88, que prevê tratamento diferenciado às microempresas e EPP, que remete ao legislador a competência para definir o que seja microempresa ou EPP, dando origem à Lei 9.317/96, de forma que, aparentes colisões de direitos ou restrições devem ser interpretadas de modo a melhor atender ao comando constitucional; Violação ao direito do contraditório e ampla defesa b. Reclama que o SRF não atendeu aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, previstos na Constituição, já que em nenhum momento durante o curso do processo administrativo foi dado prazo para que a empresa se manifestasse a respeito das alegadas vedações de suas atividades para inscrição no Simples; c. Aduz que não se pode aceitar que após o ADE apenas o prazo de recurso seja válido para garantir o contraditório e a ampla defesa, e assim, deve ser declarado nulo o ADE; Vedação às empresas que prestam serviços de construção civil Fl. 343DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10980.005653/200646 Acórdão n.º 120100.565 S1C2T1 Fl. 308 3 d. Cita trecho do despacho decisório, em que o auditor fiscal alega que as atividades realizadas pelos empregados da empresa são privativas de engenheiro eletricista, mecânico ou metalurgista; e. Contesta esse entendimento, uma vez que a restrição imposta pela lei às empresas que se dediquem à construção de imóveis, no próprio §4° deixa claro que se trata de obras de construção civil, não podendo a elas compararse os serviços que lhe auxiliam, até porque, não se encontra listada no mencionado parágrafo a atividade desenvolvida pelo contribuinte; f. Pondera que a interpretação da norma não pode andar sem que se estabeleça limites, ou não restariam contribuintes que pudessem optar pelo referido sistema; g. Afirma que as atividades de manutenção elétrica prestadas pela empresa são feitas por eletricistas, e portanto não exigem preparação específica ou habilitação legalmente exigida, o que ó demonstra que este prestador de serviços não pode ser comparado ao engenheiro ou até mesmo a um técnico, o quais prestam serviços que se encontram listados dentre os que ensejam na vedação à opção; h. Cita decisões do Conselho de Contribuintes e dos tribunais; i. Entende que a interpretação extensiva, para tentar equiparar as atividades de manutenção elétrica em geral à atividade de construção de imóveis é totalmente equivocada, porque os serviços prestados pela empresa são muito mais singelos e não pressupõem formação profissional específica; j. Argumenta que restrições devem ser interpretadas de forma restritiva e não extensiva, como ocorreu no despacho decisório; k. Assevera que um ato declaratório normativo não pode restringir um direito previsto na Constituição ou em lei, porque as restrições de direito só podem ser feitas por lei em sentido estrito e desde que previamente autorizadas pela Constituição, jamais por ato normativo infralegal; assim, não se pode aplicar o ato declaratório para se ampliar uma vedação, por ferir o princípio da legalidade; Ação judicial transitada em julgado 1. Informa que a empresa ingressou com a ação 2006.70.00.0176660, perante a Justiça Federal em Curitiba, contra o INSS para que fosse decretada a ilegalidade da referida contribuição para o INSS relativa à recorrente, por ser optante do Simples, bem como a condenação do réu à restituição dos valores retidos e dos que vierem a ser retidos até a data da concessão da tutela antecipada, desde 01/07/2007 (data de início das atividades da empresa) a título de contribuição previdenciária no percentual de 11% incidente sobre as notas fiscais de prestação de serviços, prevista no art. 31 da Lei n° 8212/91, tendo em conta a opção pelo Simples; Fl. 344DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10980.005653/200646 Acórdão n.º 120100.565 S1C2T1 Fl. 309 4 m. Explica que a decisão foi favorável no sentido de julgar procedente os pedidos, para determinar ao INSS que se abstenha de exigir da tomadora de serviços que contrate com a autora, a retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, exigência essa que reconheço como ilegal por ser a autora optante pelo Simples, bem como condeno o réu a restituir os valores retidos e não compensados, desde 01/01/2004, corrigidos pela Selic, a partir da retenção indevida; n. Acrescenta que a decisão foi confirmada pelo TRF da 4ª Região e já transitou em julgado; o. Observa que, no caso em tela, caberia ao INSS (hoje sucedida pela SRF) ter alegado fatos impeditivos ao direito da contribuinte em juízo, para que pudesse provar o alegado, mas que em nenhum momento o INSS alegou tais fatos (locação de mão de obra, atividades de construção civil ou engenharia) durante a ação judicial, e sequer juntou cópia aos autos da representação fiscal; p. Conclui que não pode agora, quando do momento do pagamento da ação querer, via administrativa, desconsiderar decisão judicial e pretender ainda a exclusão do Simples, retroativamente, descumprindo, repitase, decisão proferida nos autos da ação judicial, cuja cópia anexa; Locação de mão de obra x Prestação de serviços que envolva mão de obra q. Contesta um dos fundamentos para a exclusão, de que disponibilização do fornecimento de mão de obra para a área elétrica, manutenção e montagem industrial, orçando o preço do valor hora homem; r. Explica que o objeto do contrato social é a prestação de serviços, e é possível prestação de serviços especializados sem mão de obra especializada, sendo óbvio que há um custo de mão de obra para prestação de serviços, não obstante, também há um custo de materiais para tanto; s. Relata que na Sadia os serviços realizados foram de instalação eletromecânica e robótica, além de instalação de equipamentos inoxidáveis, sendo óbvio que durante o período dos serviços foi disponibilizado pessoal da empresa para que fizessem as devidas instalações, mas isto não se trata nem de serviço de engenharia nem de locação de mão de obra; t. Esclarece que, na prestação de serviços o que se pretende é o resultado final, que foi contratado; e que no contrato da Sadia, por exemplo, foram contratados os serviços de pequenos reparos de instalações elétricas, reparos em quadros elétricos, montagem de pequenas instalações elétricas em geral, montagem de tubulações em inox, funilaria, confecção de peças diversas, montagens mecânicas em geral; Fl. 345DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10980.005653/200646 Acórdão n.º 120100.565 S1C2T1 Fl. 310 5 u. Segue explicando que nos contratos de prestação de serviços o que se contrata é o serviço a ser prestado, o resultado final, mesmo que isso envolva mão de obra e material; diversamente, os contratos de locação de mão de obra têm cunho personalíssimo, não se confundindo com a prestação de serviço; v. Afirma que os tribunais têm excluído a retenção da contribuição para o INSS de empresa prestadora de serviços que esteja inscrita no Simples, portanto pressupondo que não é um impeditivo que a empresa preste serviços; w. Cita decisão do Conselho de Contribuintes; x. Anota que, na locação de mão de obra, determinada empresa contrata o fornecimento de mão de obra de outra pessoa jurídica, sendo que os trabalhos a executar e os trabalhadores ficarão sob ordens da locatária, embora o vínculo empregatício permaneça como a locadora; y. Lembra que o contrato social menciona "comércio a varejo de máquinas e peças industriais, fabricação de máquinas e equipamentos industriais, serviços de manutenção industrial e reparos em estruturas metálicas", o que, por si só, não é suficiente a caracterizar a atividade de locação de mão de obra, impondose a investigação das circunstâncias que envolvem a prestação do serviço; z. Justifica que os contratos celebrados para contratação de serviços não deixam seus funcionários permanentemente na contratada, nem tampouco mudam sua subordinação, sendo que eventual diligência nos locais pode demonstrar o alegado; aa. Quanto aos serviços prestados dentro do estabelecimento da tomadora do serviço, tal situação por si só não condiciona o trabalho a ser subordinado, pois alguma diretriz a ser seguida pelo prestador de serviço não implica necessariamente em trabalho subordinado, e além disso, as máquinas de manutenção industrial são muito pesadas, devendo o serviço ser prestado no local de trabalho; bb. Aduz tratarse de simples prestação de serviços no setor de manutenção industrial e reparos em estruturas metálica, havendo ampla autonomia e controle de suas ações por parte do contribuinte, não caracterizando locação de mão de obra, além de que não resto demonstrada a subordinação ou a pessoalidade, que tampouco foi citada no relatório fiscal; cc. Em ralação ao contrato com a Bunge, explica que não se trata de qualquer serviço de limpeza mas serviço específico industrial, uma vez que silão é o local onde ser armazena soja e a referida limpeza está dentro da manutenção industrial; Retenção de 11% a título de INSS nas notas fiscais Fl. 346DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10980.005653/200646 Acórdão n.º 120100.565 S1C2T1 Fl. 311 6 dd. Rebate a insistência da DRF, que alega que a retenção de 11% nas notas fiscais de prestação de serviços na forma do art. 31 da Lei 8212/91 demonstra a cessão de mão de obra, que parte do pressuposto de que cessão e locação de mão de obra são a mesma coisa; ee. Afirma que a cessão de mão de obra pode acontecer em qualquer prestação de serviço e não se confunde com a locação de mão de obra, e além disso, não era a contribuinte, mas os contratantes que faziam a retenção para o INSS; e tanto a empresa não concordava com a retenção que ingressou com a ação judicial, obtendo declaração de inexigibilidade de retenção de referida contribuição, em decisão transitada em julgado; ff. Aponta que, de acordo com o parágrafo terceiro do art. 31 da Lei 8212/91, qualquer empresa prestadora de serviço poderia estar ali abrangida, não se confundindo com empresa locadora de mão de obra, conforme jurisprudência do STJ; gg. Conclui que resta claro que, por ser empresa do Simples, não estaria sujeita à retenção de 11%, eis que essa forma de pagamento é incompatível com a maneira de pagamento unificado nos termos da Lei do Simples, razão porque foi a ação julgada totalmente procedente, de forma que não se pode confundir cessão de mão de obra com locação de mão de obra; Violação à legislação tributária hh. Quanto à alegação de que a empresa deixou de informar, mensalmente, em GFIPs, os salários de contribuições e as correspondentes contribuições previdenciárias devidas sobre valores por ela pagos a segurados contribuintes individuais, o que levaria à aplicação do art. 14, V da Lei 9.317/96, requer prazo de 15 dias para juntar os documentos comprovando que cumpriu regularmente as obrigações tributárias; Retroatividade da exclusão ii. Afirma que a lei, por força do art. 15, II, previa que a exclusão do Simples deveria surtir efeitos a partir da ocorrência das hipóteses previstas nos incisos III a XVIII do art. 9°, dispositivo este que gerava muita polêmica; jj. Acrescenta que, com a Medida Provisória 252 o dispositivo foi alterado, de modo que os efeitos da exclusão passaram a ocorrer a partir do mês subseqüente ao da ciência do ADE, e não mais do fato que a ensejou; e que na mesma oportunidade foi incluído o inciso VI ao art. 15, que prescreve que, os efeitos da exclusão ocorrem a partir do ano calendário subseqüente ao da ciência do ADE; kk. Entende que isso significa que o contribuinte não será tributado na forma comum, a partir do fato motivador da exclusão, o que certamente encerra com a discussão, e que as medidas representam um avanço na legislação do Simples; corrigido o erro da redação original, a União estará evitando Fl. 347DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10980.005653/200646 Acórdão n.º 120100.565 S1C2T1 Fl. 312 7 ações judiciais, e o contribuinte não estará sendo pego de surpresa, podendo programar suas finanças para suportar a exclusão; ll. Cita decisões do Judiciário, rechaçando a retroatividade do ADE;. mm. Alega que o ADE deve ficar vinculado ao despacho decisório, que, por sua vez, em nenhum momento falou em exclusão retroativa; e que, no caso em tela, após 4 anos e 6 meses depois da inclusão ao Simples, não cabe ao fisco excluíla com efeitos retroativos, em total afronta ao princípio da segurança jurídica; nn. Pede que os efeitos surtam apenas a partir do mês subseqüente ao da intimação do contribuinte; Pedido oo. Requer: i) anulação do ADE; ii) efeitos a partir do mês subseqüente ao da intimação; iii) produção de provas em direito admitidos, tais como juntada de novos documentos, especialmente em relação à GFIPs, diligência nos locais onde são realizadas as prestações de serviços, perícia nos locais, prova testemunhal, etc. 4. É o relatório. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 254 a 266) negou provimento à manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita, que bem sintetiza os fundamentos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. PEDIDO GENÉRICO NÃO FORMULADO. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Nos termos da legislação do PAF, os pedidos de perícia sem indicação de perito e quesitos são considerados como não formulados, e toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA NO PROCEDIMENTO DE EXCLUSÃO. APLICABILIDADE SOMENTE NA FASE LITIGIOSA DA IMPUGNAÇÃO. Fl. 348DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10980.005653/200646 Acórdão n.º 120100.565 S1C2T1 Fl. 313 8 Descabe suscitar violação ao princípio do contraditório, eis que tal norma não incide no procedimento de exclusão do Simples, de índole inquisitiva, sendo aplicável somente na fase litigiosa de impugnação ao lançamento. AÇÃO JUDICIAL FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. RECONHECIMENTO DO DIREITO DE NÃO RETENÇÃO DE 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL. NÃO INFLUÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. ALCANCE DA COISA JULGADA. CAUSA DE PEDIR. Ação judicial favorável ao contribuinte, em que se reconheceu o direito de não retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, não encerra óbice à exclusão da empresa do Simples quando a matéria discutida administrativamente o direito de estar no Simples , configura mera causa de pedir na demanda judicial, o que tem como conseqüência a não submissão dessa questão à autoridade da coisa julgada. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Deve ser mantida a exclusão, se o contrato social da empresa contempla atividades vedadas ao ingresso no Simples (serviços de manutenção de equipamentos industriais), cabendo ao contribuinte o ônus da prova de que não exerce tais atividades. EXCLUSÃO DO SIMPLES. SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ALCANCE ABRANGENTE SERVIÇO DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS. Os serviços de construção civil, vedados no Simples, possuem conceito abrangente, alcançando qualquer serviço executado em obra que se agregue ao solo ou subsolo da construção, incluindo os serviços de instalações elétricas. SIMPLES. SERVIÇOS CONTRATADOS. LOCAL E MODO DE EXECUÇÃO DEFINIDOS PELA CONTRATANTE. PAGAMENTO POR VALOR DA MÃO DE OBRA. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. ATIVIDADE VEDADA. A prestação de serviço em que o profissional da contratada fica à disposição da contratante, seguindo suas ordens e orientações, quanto ao local e forma de execução do serviço, com pagamento efetuado em função do valor da mão de obra, caracteriza locação de mão de obra, que é atividade vedada ao ingresso no Simples. Fl. 349DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10980.005653/200646 Acórdão n.º 120100.565 S1C2T1 Fl. 314 9 LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. EQUIPARAÇÃO PARA EFEITOS DE EXCLUSÃO. Os contratos de locação de mão de obra e cessão de mão de obra não possuem distinção relevante, para efeito de permanência no Simples, sendo ambos vedados. EFEITOS DA EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. TERMO DE INÍCIO. MP N° 2.15834/2001. MÊS SEGUINTE À DATA DA SITUAÇÃO EXCLUDENTE. A partir da Medida Provisória n° 2.158/34, de 27/07/2001, o termo de início dos efeitos da exclusão do Simples, por motivo de atividade vedada, volta a ter como parâmetro a data da ocorrência da situação excludente, e não mais a data em que se procedeu a exclusão do Simples. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário, às fls. 270 a 304, praticamente se limitou a reiterar ipsis litteris os argumentos já aduzidos na peça de defesa inaugural. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Antes de nos debruçarmos sobre o objeto da lide, cumpreme reafirmar o que já destaquei no relatório. O recurso voluntário é, na verdade, uma cópia praticamente exata da impugnação. A defesa, em momento algum, combateu qualquer dos fundamentos da decisão recorrida. Resumiuse apenas a reproduzir ipsis litteris o que já havia apresentado na reclamação inicial. Tecidas essas considerações, cumpreme apenas verificar a correção da decisão de primeiro grau em face das alegações originais. Contraditório A decisão recorrida alinhase à perfeição ao entendimento pacificado neste Colegiado, segundo o qual a atividade tributária dividese em duas fazes: uma procedimental, outra processual. Fl. 350DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10980.005653/200646 Acórdão n.º 120100.565 S1C2T1 Fl. 315 10 A primeira possui caráter inquisitivo, como um inquérito policial, e visa à adoção das medidas necessárias à constituição do crédito tributário pelo lançamento. Abaixo, transcrevo súmula deste Colegiado que retrata esta posição: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Só após o lançamento iniciase a fase litigiosa, o processo administrativo propriamente dito, na qual devem ser franqueados todos os direitos constitucionais próprios ao processo, como a ampla defesa e o contraditório. Pois bem, o procedimento para a elaboração e publicação do ato de exclusão do simples apresenta natureza inquisitiva justamente em razão de compor a fase do lançamento. Desse modo, decidir em contrário seria deixar de cumprir a súmula acima reproduzia, cujo caráter, para este Colegiado, é vinculante. Ação judicial Como bem asseverou a decisão recorrida, só a parte dispositiva das decisões judiciais propagam efeitos jurídicos. Assim, o contribuinte não obteve tutela para ingressar ou permanecer no regime favorecido. Tal circunstância é que foi adotada pelo juízo para decidir sobre a incidência na fonte, ou seja, foi “causa de pedir” na inicial, e fundamento no julgado; nada mais. Manutenção e reparo de equipamentos industriais Um dos fundamentos adotados pela DRJ para manter a exclusão do simples é o fato de a autuada exercer atividades de “serviços de manutenção industrial”, conforme seu próprio contrato social. Esse fundamento, contudo, não pode ser mantido em razão da aplicação da Súmula CARF nº 57, de caráter vinculante para este Colegiado. Abaixo, a transcrevemos: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Esse fundamento não legitima, pois, a exclusão do sistema favorecido. Construção civil – serviços de instalação elétrica Fl. 351DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10980.005653/200646 Acórdão n.º 120100.565 S1C2T1 Fl. 316 11 A DRJ expõe as razões que a levaram a considerar que o contribuinte realiza atividades de construção civil no seguinte trecho da decisão recorrida: Com relação à atividade de construção civil, o contribuinte não logrou melhor sorte. As evidências estão contidas no contrato de prestação de serviços, firmado entre o contribuinte e a Sadia S/A, às fls. 16/30, contraído em 03/02/2004. Nesse pacto, a contratada é identificada como sendo "pessoa jurídica prestadora de serviços no ramo/área de atividade de manutenção elétrica em geral", que foi contratada para executar "pequenos reparos de instalações elétricas, reparos em quadros elétricos, montagem de pequenas instalações elétricas em geral e acompanhamento dos funcionários da Sadia”. 35. Conforme se depreende da leitura do parágrafo quarto do art. 9° da Lei 9.317/96, retrocitado, o legislador conferiu uma concepção vasta à atividade de construção de imóveis, que alcança qualquer obra que se agregue ao solo ou subsolo da construção. Abaixo transcrevo o dispositivo legal que serviu de base para a exclusão e como fundamento da decisão recorrida: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) V que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; (meu negrito) Pois bem, só uma “concepção” bem “vasta” para enquadrar uma empresa dedicada à manutenção elétrica em geral dentre aquelas dedicadas “à construção de imóveis”. A tributação diferenciada e favorecida criada pela Lei nº 9.317/96 possui esteio constitucional sólido: os artigos 179 e inciso IX do art. 170, dispositivos que determinam o estabelecimento por todos os entes políticos de regimes jurídicos diferenciados, inclusive quanto a obrigações tributárias, para as microempresas e empresas de pequeno porte com o fito de incentiválas. As razões desse tratamento diferenciado não se limitam à realização, sob o aspecto material, do primado da igualdade. Seus objetivos são mais amplos e auspiciosos, sobre os quais já me debrucei em artigo publicado em revista especializada. Abaixo, transcrevo minhas considerações: O tratamento jurídico diferenciado e favorecido dispensado às empresas de menor porte seguramente atende ao primado isonômico do ponto de vista substantivo: tratar os iguais igualmente, e os desiguais desigualmente na medida de suas desigualdade. Todavia, seus fundamentos jurídicos são sobremaneira mais amplos e os intuitos constitucionais muito mais auspiciosos. Fl. 352DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10980.005653/200646 Acórdão n.º 120100.565 S1C2T1 Fl. 317 12 Conforme leciona José Afonso da Silva1, a Constituição Brasileira adota o modelo dirigente. É sobremaneira minuciosa ao conduzir o Legislativo e os demais Poderes a adotar medidas conforme finalidades estatuídas. Tece não só escopos, mas também diretrizes, limites, condições e até, não raro, os meios a serem adotados para a consecução dos fins pretendidos. Tantos pormenores no patamar superior da ordem jurídico nacional decorrem do momento histórico em que se situou o constituinte para edificar um ordenamento jurídico capaz de atender, a um só turno, o clamor por novas e vastas conquistas sociais, sem deixar de firmemente garantir direitos individuais próprios da concepção políticoliberal. É no equilíbrio entre o modelo liberalclássico, que conclama a presença mínima estatal a fim de possibilitar a realização máxima da personalidade humana por meio de sua liberdade de escolha e de ação, e o socialintervencionista, segundo o qual o Estado é a única organização social capaz de saciar as necessidades básicas daqueles incapazes de se autoprover, bem como de conter as forças destrutivas internas do modo produtivo capitalista, que se assentam os ditames de nossa Constituição; e para se manter eqüidistante entre ideologias aparentemente antagônicas, necessariamente precisa ser minuciosa. O compromisso entre duas concepções ideológicas, supostamente irreconciliáveis, impôs ao constituinte um enorme esforço enunciativo. Exigiu a adoção de uma moldura constitucional dirigente; repleta, assim, de ditames que governam a atuação dos Poderes Públicos, pormenor a pormenor. O Capitalismo é o modelo jurídicoeconômico contemplado pela Constituição e, assim, bens produtivos e modo de produção devem essencialmente ficar sob domínio privado. Essa opção se esteia na premissa de a liberdade econômica viabilizar a ação da lei causal da competição, que estimula agentes privados a produzir mais, melhor e com menos recursos materiais e humanos, o que conduz ao contínuo incremento quantitativo e qualitativo das utilidades disponíveis para toda sociedade. Essa visão sobremaneira otimista acerca do liberalismo econômico foi rechaçada pela História, apesar de retornar periodicamente como doutrina dominante por meio de contornos teóricos mais rebuscados, como no atual Neoliberalismo, cuja apregoada desregulamentação financeira levou quase à desintegração do sistema financeiro mundial neste ano de 2008. Além do Capitalismo, nos moldes do Liberalismo Clássico, não promover a alocação econômica da forma mais condizente com os anseios do grosso das nações e suas populações, a concepção da liberdade exacerbada, a total ausência de regulação das forças produtivas, resultam, não raro, na própria destruição das bases capitalistas. A experiência humana comprovou que o 1 Aplicabilidade das normas constitucionais, pág. 135166. Fl. 353DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10980.005653/200646 Acórdão n.º 120100.565 S1C2T1 Fl. 318 13 Estado não é a única forma de organização social repressora; os próprios detentores privados do capital sem os controles adequados reprimem o desenvolvimento alheio e destroem, de tempos em tempos, a si mesmos. O Capitalismo, numa moldura jurídica liberal clássica, pode ser comparado a um alazão selvagem, dotado de tamanha força motora, que num irrefreado impulso a galope pode não só esmagar criaturas menores, mas até mesmo fraturar suas próprias pernas. Deve, portanto, ser guiado à “rédeacurta”, sob pena de derrubar e ferir de morte seu próprio condutor – o Estado. Dessa forma, o modelo constitucional brasileiro comprometese, a par de configurarse economicamente capitalista, com o determinante papel regulamentar tendo por escopo mitigar as fraquezas desse modelo, em especial, pela manutenção de suas bases, isto é, a liberdade concorrencial e a realocação produtiva; ademais, apresenta destacada inspiração social. Busca prover a população dos meios mínimos necessários para uma vida digna. Elege igualmente o compromisso de dotar a população em geral de inúmeros direitos considerados, ao lado da liberdade, essenciais: a saúde, a educação, a cultura, etc. O equilíbrio entre esses dois modelos – o Capitalistaliberal e o Intervencionistasocial – informa toda a ordem jurídico constitucional e, portanto, seus setores, como o Sistema Tributário Nacional. Ao lado de enunciados constitucionais típicos do primeiro modelo, como os princípios da legalidade tributária, da anterioridade, do nãoconfisco, as imunidades dos templos de qualquer culto e dos partidos políticos, a vedação a concessão de incentivos fiscais a empresas públicas e sociedades de economia mista em detrimento do setor privado, há um sem número de outros que buscam, mediante regras tributárias, cumprir as funções regulatórias e assistenciais, tais como a seletividade do IPI, a diferenciação das alíquotas do ITR em razão da produtividade da terra, a progressividade no tempo do IPTU, as exceções aos princípios da estrita legalidade na fixação das alíquotas dos impostos regulatórios (II, IE, IPI e IOF), dentre tantos outros. A tributação diferenciada e favorecida das empresas de menor porte é mais um daqueles dispositivos constitucionais de índole intervencionistasocial. Busca por meio de um só mecanismo atingir dois intentos: (i) o de mitigar as distorções do modelo liberal em prol das próprias bases capitalistas e (ii) o de atender aos mais diversos direitos sociais. Em relação ao primeiro escopo, como já destacamos, o livre mercado, nos moldes do liberalismo clássico, é incapaz de sustentar suas próprias bases. Ele apresenta distorções, as quais impõem ao Estado interferir nos domínios privados com a finalidade de promover reparos. Uma das principais disfunções do modelo liberal é a dificuldade (às vezes até inviabilidade) de novas empresas se implantarem em mercados dominados por Fl. 354DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10980.005653/200646 Acórdão n.º 120100.565 S1C2T1 Fl. 319 14 empresas de grande porte, o que macula o primado da livre concorrência – um dos princípios eleitos pelo constituinte como informador da atividade econômica nacional (art. 170, inciso IV, CF). A livre concorrência é um dos mais importantes pilares do Capitalismo e uma das principais justificativas para a adoção desse modelo econômico. Num ambiente em que os agentes concorrem entre si, são impulsionados a produzir mais e melhor, o que repercute não em benefício próprio, mas para a sociedade como um todo. Em mercados, contudo, já dominados por grandes corporações empresariais, ainda que não se configurem monopólios ou oligopólios que intencionalmente pratiquem ações para evitar o surgimento de novos concorrentes, sua estrutura de negócio já amadurecida e com expressivos ganhos de escala é, por si só, um fator inibidor do surgimento de concorrentes, especialmente, de pequeno porte econômico. Assim, a tributação favorecida de pequenas empresas estimula o surgimento de novas empresas mesmo em atividades já sob o domínio de agentes econômicos de elevado porte. Não por acaso, a lei que hoje regula a tributação favorecida (Lei Complementar nº 123/06) exclui do favor a empresa “resultante ou remanescente de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de pessoa jurídica” (art. 3º, § 4º, inciso IX); afinal, o objetivo constitucional de cunho econômico é fomentar o surgimento de novos empreendimentos – que eles nasçam, cresçam e amadureçam – e não o desmembramento dos já existentes. Ao lado do escopo reparador de disfunções liberais, a tributação favorecida das microempresas e empresas de pequeno porte possui destacado intuito social. Um outro relevante princípio da ordem econômica, inscrito na Carta Constitucional, é a busca do pleno emprego (art. 170, inciso VIII). O emprego e, portanto, o trabalho, constitui um dos mais importantes direitos da ordem social (“Art. 193. A ordem social tem como base o primado do trabalho”). Como são as empresas de menor porte econômico que, proporcionalmente, mais empregam, o estabelecimento de um regime tributário favorecido para as menores unidades produtivas é um importante meio que o Constituinte impôs ao legislador para atender a um dos mais relevantes fins de contorno social: o trabalho. O trabalho é sobremaneira relevante em razão de, por seu intermédio, outros tantos direitos poderem ser minimamente conquistados. Quem está empregado e, portanto, recebe salário ao final de cada mês, terá melhores condições, sem a necessidade de intervenção direta do Estado, de obter saúde, educação, cultura, desporto; enfim, todos os demais direitos da ordem social são indiretamente intensificados. Em suma, o Constituinte ao determinar às Entidades Políticas o estabelecimento de um regime tributário diferenciado e favorecido para as empresas de menor porte fixou um meio de política tributária a ser implementado com o fito de se atingir, Fl. 355DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10980.005653/200646 Acórdão n.º 120100.565 S1C2T1 Fl. 320 15 não um, mas vários escopos constitucionais alinhados com os diversos compromissos aparentemente antagônicos de manutenção de um sistema produtivo privado sob bases capitalistaliberais ao lado de um Estado regulador e assistencialista. O regime diferenciado tem assim o escopo de promover a criação, a manutenção e o desenvolvimento dessas empresas com o fito de concretizar diversos valores constitucionalmente consagrados. Exerce assim a função extrafiscal de mover o pequeno empreendedor para investir e é sob esse critério teleológico que a legislação infraconstitucional deve ser interpretada. Não há, a meu ver, como dar tamanha amplitude, à luz desta legislação, ao sentido de “dedicada à construção de imóveis” para atividades de manutenção e até de instalação de equipamentos elétricos e, desse modo, excluílas do regime. Esse fundamento também não legitima a exclusão do sistema favorecido. Locação de mão de obra Relativamente ao fundamento atinente à locação de mão de obra, a autoridade de primeiro grau assim fundamenta sua decisão: 41. Essas características estão presentes no já mencionado contrato de prestação de serviços, firmado entre o contribuinte e a Sadia S/A, às fls. 16/30, contraído em 03/02/2004. No termo aditivo de fls. 33/34, fazse referência a um "contrato de prestação de serviços de mão de obra para pequenos reparos em instalações elétricas, reparos em quadros elétricos, montagem de pequenas instalações elétricas em geral e acompanhamento de profissionais empregados da contratante". De acordo com o objeto do contrato, os serviços foram prestados nas dependências da Sadia, unidade de Paranaguá, e consistiam em reparos em instalações elétricas em geral. Os serviços eram sempre executados de acordo com ordens de serviços expedidas pela Sadia, as quais definiam como os serviços deveriam ser efetuados (escopo, descrições técnicas, prazos etc). Além disso, a remuneração recebida pelo contribuinte era calculada em função de valores de mão de obra, conforme proposta enviada pela contratada, à fl. 20, contendo tabela de preços (valor/hora/homem) para uma série de qualificações. 42. Na representação fiscal foram ainda anexadas as notas fiscais de prestação de serviços n° 155 1156, emitidas em 01/03/2005 pelo contribuinte contra a Bunge Armazéns Gerais Ltda, à fl. 144. Na descrição dos serviços, consta que foram executados "serviços de mão de obra para limpeza interna de armazéns com fornecimento de equipamentos", e "serviços prestados durante o período de 16/02/05 a 28/02/05, conforme Fl. 356DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10980.005653/200646 Acórdão n.º 120100.565 S1C2T1 Fl. 321 16 cartão ponto xerox em anexo", que também evidenciam que o contribuinte efetivamente fez locação de mão de obra. (...) 44. A propósito da retenção de 11% para o INSS, não procede a tese da peticionante, que procura distinguir a atividade de cessão de mão de obra da locação de mão de obra. A respeito disso, o conceito de cessão de mão de obra foi introduzido pela Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia 10 (dez) do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33 desta Lei (Alterado pela Lei n° 11.488 de 15/6/2007 DOU DE 15/5/2007 Edição extra) ...... § 3º. Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mão deobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei n°9.711, de 20.11.98) (Grifouse) (grifos originais) 45. Verificase, portanto, que a definição legal de cessão de mão de obra, estipulada na legislação previdenciária, contempla os mesmos traços distintivos do contrato de locação de mão de obra, já mencionados anteriormente, quais sejam: serviço prestado nas dependências da contratante ou em local por ela indicado, e mão de obra posta à disposição da contratante. O instrumento normativo não especifica a forma de pagamento, já que é aberto a qualquer natureza a forma de contratação; no entanto, é óbvio que, na prática, a remuneração pactuada nos contratos de cessão de mão de obra seguirá a forma usual, sendo fixada em função do valor homem/hora, conforme livre acordo com a contratada. Em suma, para efeito de vedação no Simples, nenhuma diferença relevante existe entre as modalidades contratuais de locação de mão de obra e cessão de mão de obra, ao contrário do que argumenta a interessada. Com base nos mesmos dispositivos legais de que a decisão de primeiro grau se embasou e nos mesmos elementos de prova, posicionome diametralmente oposto. No contrato de fls. 21, consta como uma das obrigações da recorrente: “Apresentar relatório pormenorizado do andamento dos trabalhos ao preposto da Sadia, nomeado como gestor deste Contrato e identificado na ORDEM DE SERVIÇO”. Essa Fl. 357DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10980.005653/200646 Acórdão n.º 120100.565 S1C2T1 Fl. 322 17 atribuição não se coaduna com uma empresa que loca mãodeobra, mas sim com uma que é responsável pela execução do serviço (a pessoa jurídica e não o funcionário). O fato de o dimensionamento do valor a ser pago da sadia à contratada em função de horas trabalhadas em função da qualificação dos funcionários também não é apto a qualificar a atividade da recorrente como “locação de mãodeobra”. Do contrário, até escritórios de advocacia que fixam sua remuneração com base nas horas dedicadas por seus advogados também deveria ser assim qualificados. Cobrar por um serviço de limpar um local para instalar um equipamento, justamente quando a sua função contratual é instalar equipamentos, também não caracteriza locação de mão de obra e nem, numa única nota fiscal, constar a referência à xérox de um cartão de ponto. Ora, neste último caso, se o controle de ponto fosse exercido pela contratante, o que poderia caracterizar a locação de mão de obra, seria esta que o endereçaria à contratada e não o inverso. Por fim, cumpreme destacar a justamente o mesmo trecho legal sublinhado pela autoridade julgadora de primeiro grau (§ 3º, art. 31 da Lei nº 8.212/91): § 3º. Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Nada nos autos – pelo contrário – comprova que houve qualquer prestação de serviços contínuos. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 358DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10980.005653/200646 Acórdão n.º 120100.565 S1C2T1 Fl. 323 18 Fl. 359DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME
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