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Numero do processo: 10840.001068/2004-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, para sobrestar o presente processo até o trânsito em julgado das decisões a serem proferidas nas Execuções Fiscais nº 0011379-62.2008.403.6102 e nº 0006132-61.2012.403.6102, que correspondem aos Processos Administrativos nº 10840.002170/2004-22 e nº 10840.002996/2004-91.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, para sobrestar o presente processo até o trânsito em julgado das decisões a serem proferidas nas Execuções Fiscais nº 001137962.2008.403.6102 e nº 000613261.2012.403.6102, que correspondem aos Processos Administrativos nº 10840.002170/200422 e nº 10840.002996/200491. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1015 a 1044) interposto pelo Contribuinte, em 10 de janeiro de 2014, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 14 46.985 (fls. 1004 a 1007), de 26 de novembro de 2013, proferido pela 8ª Turma da Delegacia RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 01 06 8/ 20 04 -1 8 Fl. 3002DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.050 2 da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 750 a 759) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório referido Acórdão: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que não homologou as compensações declaradas, por ser inexistente o crédito utilizado nesta compensação. A empresa transmitiu, em 15/03/2004, PER/DCOMP n° 14983.36011.150304.1.3.01.8450, pedindo ressarcimento de IPI, relativos aos saldos credores de créditos básicos existentes, no 2° trimestre/2003 no valor de R$ 1.425.298,70 (Um milhão quatrocentos e vinte e cinco mil, duzentos e noventa e oito reais e setenta centavos) e declarando a compensação destes créditos com débito da COFINS códigos 5856, no montante de R$ 763.215,99 (Referido PERDCOMP foi retificado alterando o valor para R$ 741.468,68, redistribuído entre Pis e Cofins); débitos da COFINS código 2172 no valor de R$ 21.747,31; débitos da Cofins não cumulativo — código 5856, no valor de R$ 662.082,71. Perfazendo o montante compensado de R$ 1.425.298,70. A fiscalização constatou que a empresa já havia sido fiscalizada (MPF n° 08.1.09.002003001307) relativamente ao tributo IPI Imposto sobre Produtos Industrializados, correspondente ao período de 01/01/2000 a 28/02/2004 e, em decorrência da ação fiscal, foi reconstituída a escrita fiscal da contribuinte, conforme cópias das planilhas em anexo às fls 342 e 343, nas quais foram apurados saldos devedores (valores a pagar) no período de apuração: 01/01/2000 até 31/12/2003. O crédito tributário foi exigido por meio de Auto de Infração processo administrativo n° 10840.002170/200422. Considerando que a fiscalização apurou saldo devedor de IPI (IPI a Pagar) no período de 01/01/2000 a 31/12/2003 e que o valor de R$1.425.298,70, solicitado referese ao 2° trimestre de 2003, o ressarcimento foi indeferido, por ausência de saldo credor de IPI no citado período e as compensações não foram homologadas. Regularmente cientificada e irresignada com a decisão administrativa, a contribuinte ofereceu sua manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, fez as seguintes considerações: 1. A constituição do saldo devedor de IPI não é definitiva. De fato, em 15/08/2004, o DRFRP lavrou o AI MPF ng 0810900/00130/03, que originou o PA nº 10840.002170/200422, para cobrar da RECORRENTE suposto débito de IPI decorrente da glosa de crédito apropriado e relativo a aquisições de matérias primas isentas, no período de janeiro de 2000 a dezembro de 2003. Não houve renúncia à esfera administrativa e a exigibilidade do débito de IPI em questão está suspensa em razão da impugnação apresentada em 13/09/2004, nos autos do PA nº 10840.002170/200422. Dessa forma, ao contrário do afirmado na decisão recorrida, a constituição do saldo devedor de IPI, relativo ao período de janeiro de 2000 a dezembro de 2003, não definitiva. 2. O RESP e o RE interpostos pela RECORRENTE nos autos do MS n° 2004.61.02.0057496 encontramse pendentes de apreciação pelo Superior Tribunal Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.051 3 de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), respectivamente e: a) se forem integralmente providos terá sido reconhecido expressamente que o pedido do MS n° 2004.61.02.0057496 abrange o cancelamento do AI n° 00892, de 14/08/1997 e o direito da RECORRENTE de não ser mais compelida a estornar quaisquer créditos de IPI relativos a aquisição de matériaprima isenta posteriores ao AI n° 00892, de 14/08/1997 e b) a RECORRENTE tem direito à manutenção de quaisquer crédito de IPI decorrente de aquisição de matériaprima isenta, inclusive, os referentes ao período de janeiro de 2000 a dezembro de 2003; ou se forem improvidos a) terá sido reconhecido que o objeto do MS n° 2004.61.02.0057496 abrange apenas o cancelamento do AI n° 00892, de 14/08/1997 e b) a impugnação apresentada nos •autos do PA n° 10840.002.170/200422 terá que ser apreciada, pois não terá sido renunciada a esfera administrativa com a impetração do MS n° 2004.61.02.0057496. Por conseguinte, a decisão ora recorrida deve ser reformada, porque resta incólume a existência do crédito de IPI em questão. 3. O art. 74 da Lei n° 9.430/96 e alterações posteriores garante ao contribuinte o direito de pleitear administrativamente a compensação de tributos de espécies diferentes sem qualquer restrição. 4. Por sua vez, é pacifica a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no sentido de que o contribuinte tem direito de compensar tributos e contribuições de espécies diversas, em face da permissividade contida no art. 74 da Lei n° 9.430/96 (11 Turma, embargos de declaração no agravo regimental nos embargos de declaração no recurso especial nº 416.606, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ, Seção I, de 23/06/2003 e 2A Turma, RESP n° 487.647, Relator Ministro FRANCIULLI NETTO, DJ, Seção I, de 02.02.2004). Por fim concluiu que o direito da RECORRENTE de utilizar o referido crédito de IPI não está prescrito, porque utilizado dentro do qüinqüenio legal; e que tem direito de utilizar o crédito de IPI, devidamente corrigido pela taxa SELIC, nos termos do art. 39, § 4, da Lei nº 9.250, de 26/12/1995. Requereu que seja conhecida e provida a Manifestação de Inconformidade e reformada a decisão que não homologou a presente compensação. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 8ª Turma da DRJ/RPO, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 10 de janeiro de 2014, visando reformar a referida decisão. A 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por meio da Resolução nº 3301000.224 (fls. 1127 a 1129), de 28 de janeiro de 2016, resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Em 8 de setembro de 2016, em resposta ao pedido de diligência supracitado, o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto (SP) apresentou Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 2875 a 2877) visando verificar a regularidade do cumprimento das obrigações tributárias do Contribuinte. Houve, por parte do Contribuinte, em 6 de outubro de 2016, a interposição de Manifestação (fls. 2883 a 2889) acerca do Termo de Constatação acima referido. É o relatório. Fl. 3004DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.052 4 Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1446.985, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL INFERIOR AO MONTANTE SOLICITADO. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO. O saldo credor ressarcível do trimestrecalendário é resultante do confronto entre créditos e débitos do período na escrita fiscal; se há glosa de créditos em auto de infração, o montante do saldo credor ressarcível deve refletir a reconstituição da escrita fiscal resultante da autuação. A compensação somente pode ser admitida quando os créditos a favor do sujeito passivo forem líquidos e certos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Tendo em vista a negativa do Acórdão ora recorrido o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário requerendo que sejam homologadas integralmente as compensações realizadas, reforçando os argumentos expostos quando da manifestação de inconformidade sobre os seguintes pontos: 1) do direito ao crédito relativo à aquisição de insumos isentos (Concentrado adquiridos da RECOFARMA na Amazônia Ocidental (art. 82, III, do RIPI/2002); 2) do direito aos referidos créditos de IPI visto a coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo no. 91.00477834 em favor da AFBCC (Instituição da qual o Contribuinte seria integrante); 3) do direito ao crédito do IPI relativo à aquisição de matéria prima isenta oriunda de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus (art. 62, II, do RIPI/2002); 4) do direito à compensação com quaisquer débitos tributos e contribuições administrados pela RFB; e, 5) da impossibilidade de exigência de multa no presente caso em obediência o disposto no art. 76, II, a, da Lei no. 4.502/64. Por meio da Resolução nº 3301000.224 (fls. 1127 a 1129), de 28 de janeiro de 2016, de relatoria do il. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, por unanimidade de votos, resolveuse por converter o julgamento em diligência, com base nos seguintes fundamentos: A discussão do direito ao crédito de IPI na aquisição de produtos isentos, não é matéria que está sob análise no presente processo. De fato, o ressarcimento foi indeferido e a compensação não homologada com o fundamento de que não existia saldo credor de IPI, uma vez que foi efetuado lançamento do imposto por meio de auto de infração de que é objeto o processo administrativo nº 10840.002170/2004 22. Consta que no referido processo houve a glosa de créditos e lançamento de débitos, com reconstituição da escrita fiscal do IPI, sendo que o contribuinte teria apresentado impugnação, estando suspensa a exigência do crédito tributário lançado. Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.053 5 Consta informação às fls. 843 e seguintes, de que o crédito lançado foi apartado em mais dois processos administrativos distintos, cujos andamentos processuais seriam diferentes. Concluo que o deferimento ou não de créditos no presente processo está umbilicalmente ligado à manutenção ou não dos créditos tributários constituídos originalmente no processo administrativo nº 10840.002170/200422. Não se tem qualquer notícia da definitividade da constituição dos referidos créditos tributários. Portanto, proponho converter o presente julgamento em diligência, retornando o processo à unidade de origem para aguardar o trânsito em julgado das exigências constantes originalmente no processo nº 10840.002170/200422. Caso já sejam definitivas, juntar cópias das respectivas decisões e elaborar relatório consolidado, manifestandose a respeito da existência de eventual saldo credor no período a que se refere o presente processo. Intimar o contribuinte a respeito do resultado da diligência para que, se interessar, manifestese sobre ele no prazo de 30 dias. Após o encerramento da diligência, os autos devem retornar a este Conselho, para seu adequado julgamento. Como resposta à referida Resolução foi apresentada, em 8 de setembro de 2016, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto (SP), Termo de Constatação e Intimação Fiscal – IPI SEFIS nº 62/2016 (fls. 2875 a 2877) com o seguinte conteúdo: Foi efetuada junto aos estabelecimentos da contribuinte acima qualificada, fiscalização visando a verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) formalizado nos autos do processo administrativo fiscal no 10840.002170/200422, protocolizado na data de 13/08/2004, resultando no lançamento do crédito tributário constituídos nos autos dos documentos lavrados anexos ao citado processo. Às fls. 1127/1129 do processo administrativofiscal em comento, consta a conversão do julgamento da lide em diligência pela 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária do CARF (Resolução nº 3301000.224). Com o intuito de atender à solicitação efetuada pelo órgão julgador administrativo colegiado, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal no 08.1.09.002016003281, a seguir prestamos as informações necessárias ao atendimento do pleito: I DAS ALEGAÇÕES DA CONTRIBUINTE A contribuinte, resumidamente, alega que: 1) tem direito a crédito de IPI a compensar no período referente ao 2º trimestre de 2003. II DA SOLICITAÇÃO DO ÓRGÃO JULGADOR (CARF) O Órgão Julgador, em suma, argumenta e solicita: 1) o deferimento ou não dos créditos de IPI do processo em pauta depende da manutenção ou não nos créditos originalmente constituídos no processo no 10840.002170/200422; 2) que depois do trânsito em julgado e caso sejam definitivas as exigências constantes originalmente no processo no 10840.002170/200422: 2a) juntar cópias das respectivas decisões; Fl. 3006DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.054 6 2b) elaborar relatório consolidado, manifestandose a respeito da eventual existência de saldo credor no período relativo ao 2o trimestre de 2003; 3) intimar o contribuinte a respeito do resultado da diligência para que, se interessar, manifestarse sobre ele no prazo de 30 (trinta) dias. III–RESUMO DOS AUTOS DO PROCESSO No 10840.002170/200422 1) Finalidade do Procedimento Fiscal A ação fiscal teve como objetivo a verificação da regularidade cumprimento das obrigações tributárias do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos períodos de apuração do 1º decêndio de janeiro de 2000 ao 3º decêndio de dezembro de 2003; 2) Irregularidades Constatada Ao final dos trabalhos foi lavrado auto de infração em razão da constatação das seguintes ocorrências: 2a) glosa de créditos relativos a aquisição de matéria prima isenta; 2b) IPI não lançados nas saídas de bonificações; 2c) multa isolada de IPI não lançado com cobertura de crédito; 2d) créditos glosados de transferência entre estabelecimento da mesma empresa; 2e) créditos glosados de correção monetária sobre créditos extemporâneos. 3) Reconstituição da Escrita Fiscal da Contribuinte (Fiscalização) Durante os trabalhos de fiscalização o Fisco elaborou o Demonstrativo da Reconstituição da Escrita Fiscal da empresa juntado às folhas 87 a 93 do eprocesso no 10840.002170/200422; onde restou constatado: 3a) a existência de saldo devedor de IPI em todos os trimestres do anocalendário de 2003, inclusive no 2º trimestre/2003 (fls. 91 e 92 eprocesso no 10840.002170/200422); 3b) saldo devedor de IPI no 2º trimestre do anocalendário de 2003 no valor de R$ 2.417.220,85 (fls. 92 eprocesso no 10840.002170/200422). (grifouse). 4) Desmembramento do Processo A contribuinte apresentou impugnação e recursos judiciais que levaram ao desmembramento do processo original em dois outros processos, sendo: 3a) Processo original no 10840.002170/200422: permaneceu com o controle apenas dos valores lançados decorrentes da infração de glosa de créditos relativos a aquisição de matéria prima isenta; 3b) Processo apartado no 10840.002995200447: passou a controlar os valores lançados a título de IPI não lançados nas saídas de bonificações e multa isolada de IPI não lançado com cobertura de crédito; 3c) Processo apartado no 10840.002996200491: formalizado para controlar os valores lançados a título de créditos glosados de transferência entre estabelecimento da mesma empresa e créditos glosados decorrente da correção monetária sobre créditos. IV – SITUAÇÃO ATUAL DOS PROCESSOS (ORIGINAL E APARTADOS) Valendose das informações e documentos solicitados (fls. 2832/2833) e fornecidos pela Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Ribeirão Preto/SP (doc. fls. 2834/2867), temos a informar: 1) Processo original no 10840.002170/200422: Fl. 3007DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.055 7 Conforme cópia do documento datado de 05/07/2016 (fls. 2867) e documentos de fls. 2834/2864, juntados ao processo no 10840.001068/200418, o processo analisado neste item encontrase atualmente na PSFN/RPO em cobrança judicial do montante integral do crédito tributário lançado. Porém, foram opostos pela contribuinte, os embargos 000514967.2009.4.03.6102, nos quais houve sentença de rejeição integral (nenhum débito foi exonerado) e recurso de apelação contra essa sentença que se encontra pendente de julgamento. Há também decisão do Superior Tribunal de Justiça na MC 19988/RJ determinando suspensão de exigibilidade do crédito tributário controlado no presente processo. (grifouse). 2) Processo Apartado no 10840.002995/200447: Constatase na cópia do documento datado 05/07/2016 (fls. 2867) e documentos de fls. 2865/2866, anexados ao processo no 10840.001068/200418, que o processo apartado aqui em comento, atualmente encontrase na PSFN/RPO, sendo que o crédito tributário relativo à multa isolada de IPI não lançado com cobertura de crédito, inscrito em dívida ativa em cobrança executiva fiscal, foi liquidada por pagamento. Já o crédito tributário referente ao IPI não lançado nas saídas de bonificações foi exonerado por decisão judicial transitada em julgado e os débitos tiveram sua inscrição na dívida ativa excluída em virtude da citada decisão (documentos inseridos às fls. 1037 a 1064 do processo apartado). 3) Processo Apartado no 10840.002996/200491: A cópia do documento datado de 05/07/2016 (fls. 2867), inseridos no processo nº 10840.001068/200418 demonstram que o processo apartado aqui em pauta, atualmente encontrase na arquivo da PSFN/RPO, sendo que o crédito tributário de IPI lançado nos autos do processo foi integralmente mantido pelo CARF e inscrito em dívida ativa (documentos inseridos às fls. 1072 a 1153 do processo apartado). Atualmente em cobrança judicial, foram opostos os embargos 0006860 68.2013.4.03.6102, sendo que ainda não foi proferida decisão de primeira instância, de sorte que até o momento não houve nenhuma alteração no crédito em função da demanda judicial; 4) Reconstituição da Escrita Fiscal da Contribuinte (Diligência CARF) A fiscalização, no decorrer desta diligência, elaborou novo Demonstrativo da Reconstituição da Escrita Fiscal (fls. 2868/2874) observando as informações mencionados nos itens acima, isto é: 4a) foi efetuada a exclusão do crédito tributário referente ao IPI não lançado nas saídas de bonificações (fls. 2868 e 2874); 4b) foram mantidos os demais valores dos créditos tributários de IPI descritos nos itens “1 a 3” deste tópico; 4c) foi apurado saldo devedor de IPI em todos os mesescalendário do 2o Trimestre de 2003 (demonstrativo de fls. 2873/2874). V CONCLUSÃO Diante dos fatos acima expostos a fiscalização conclui que: 1) o crédito tributário constante nos autos do processo principal nº 10840.002170/200422, em seu montante integral, encontrase definitivamente constituído, inscrito em dívida ativa e em cobrança judicial, embora pendente de julgamento de recurso de apelação contra sentença judicial que rejeitou integralmente os embargos opostos pela diligenciada; (grifouse). 2) o crédito tributário inserido nos autos do processo apartado nº 10840.002995 200447 encontrase definitivamente constituído, sendo que parte foi liquidada Fl. 3008DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.056 8 mediante pagamento (multas isoladas) e parte foi exonerada em virtude de decisão judicial (bonificações); 3) o crédito tributário constante nos autos do processo apartado nº 10840.002996 200491, em seu montante integral, encontrase definitivamente constituído e inscrito em dívida ativa em cobrança judicial, porém, pendente de julgamento dos embargos à execução fiscal opostos pela empresa; (grifouse). 4) por fim, não há crédito de IPI a ser ressarcido ou compensado pela contribuinte no 2º trimestre do anocalendário de 2003 (vide item “III, 3” deste termo), conforme pode ser constatado no demonstrativo de reconstituição da escrita fiscal da recorrente anexado às fls. 2868/2874. (grifouse). INTIMAÇÃO Do prazo para Manifestação da Contribuinte: Fica a recorrente intimada, caso queira, a manifestarse sobre as conclusões exaradas nos autos do presente termo, no prazo de 30(trinta) dias contados da ciência deste. A resposta à presente intimação deverá ser prestada por escrito, datada e assinada pela contribuinte, ou seu representante legal, com indicação dos elementos que estão sendo apresentados. Os elementos a serem apresentados deverão ser encaminhados ao Auditor Fiscal signatário na DRF/Ribeirão Preto, situada na Avenida Maurílio Biagi no 1.870 – Bairro Santa Cruz – Ribeirão Preto/SP CEP 14.020570 (Fone: (16) 39131424). Para constar, e surtir os devidos efeitos legais, lavramos o presente termo em 02 (duas) vias de igual teor e forma, sendo que uma das vias, juntamente com cópia do “Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal (Diligência CARF)” é encaminhada à contribuinte para ciência via postal com Aviso de Recebimento (A.R.) O Contribuinte, por sua vez, apresentou, em 6 de outubro de 2016, Manifestação acerca do Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 2883 a 2889), em que pede que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário originalmente discutido no Processo nº 10840.002170/200422, e que seja determinado o sobrestamento do presente processo até o trânsito em julgado das decisões a serem proferidas nas Execuções Fiscais nº 001137962.2008.403.6102 e nº 000613261.2012.403.6102, que correspondem aos Processos Administrativos nº 10840.002170/200422 e nº 10840.002996/200491. Assim expõe: Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.057 9 (...) Fl. 3010DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.058 10 Constatase no Termo de Constatação e Intimação Fiscal – IPI SEFIS nº 62/2016 que há decisão do Superior Tribunal de Justiça por intermédio da Medida Cautelar (MC) nº 19.988/RJ determinando a suspensão de exigibilidade do crédito tributário controlado no processo nº 10840.002170/200422. Cabe lembrar o entendimento dessa Turma quando da conversão do julgamento em diligência, por intermédio da Resolução nº 3301000.224, que assim se pronunciou o relator: Concluo que o deferimento ou não de créditos no presente processo está umbilicalmente ligado à manutenção ou não dos créditos tributários constituídos originalmente no processo administrativo nº 10840.002170/200422. Não se tem qualquer notícia da definitividade da constituição dos referidos créditos tributários. (grifouse). Com esse pedido do Contribuinte de sobrestamento e com o voto proferido do il. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal e sua conclusão de que o presente processo está ligado necessariamente a outro processo, voto em converter o julgamento em diligência para o sobrestamento do presente processo até o trânsito em julgado das decisões a serem proferidas nas Execuções Fiscais nº 001137962.2008.403.6102 e nº 0006132 Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.059 11 61.2012.403.6102, que correspondem aos Processos Administrativos nº 10840.002170/200422 e nº 10840.002996/200491. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 3012DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.902082/2008-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para a apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias da ciência do acórdão de primeira instância. Recurso apresentado no 31º dia é intempestivo, não devendo ser conhecido.
Numero da decisão: 1302-003.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa.
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para a apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias da ciência do acórdão de primeira instância. Recurso apresentado no 31º dia é intempestivo, não devendo ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 20 82 /2 00 8- 66 Fl. 45DF CARF MF 2 A Empresa apresentou DComp eletrônica pleiteando a compensação de crédito de R$7.610,32 de pagamento a maior ou indevido de CSLL relativo a DARF arrecadado em 28 de março de 2002 no valor de R$26.533,87 com débitos de PIS dos períodos de abri de maio de 2004.. Despacho Decisório (DD) eletrônico (fl. 9) da DRF Joinville não reconheceu o direito creditório e nãohomologou a compensação pleiteada, uma vez que o pagamento estava totalmente vinculado ao pagamento da CSLL devida em fevereiro de 2002. Cientificada, a Empresa apresentou manifestação de inconformidade informando que teria se equivocado em relação ao tipo de crédito, que seria saldo negativo de CSLL e não pagamento indevido ou a maior. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que o despacho decisório não teria nenhum vício que determinasse sua alteração. Aduz que os documentos e a forma de comprovar a liquidez e certeza do crédito solicitado são diferentes quando tratados como pagamento indevido ou a maior e quando como saldo negativo de CSLL e que não teria competência originária para o reconhecimento de direito creditório, mas tão somente para se pronunciar sobre manifestação de inconformidade contra decisões proferidas pela autoridade fiscal. Não resignada, a Empresa apresentou Recurso Voluntário, alegando, resumidamente: cientificada do acórdão pessoalmente em 4 de abril de 2014, pede a alteração da decisão tomada pela DRJ uma vez que não há prejuízo ao erário, pois tem o direito ao crédito de saldo negativo de CSLL; o fato de ter se equivocado no pedido não invalida o direito de uso do crédito, já que ele existe na forma de saldo negativo; as instâncias que negaram o pedido não negaram a existência do crédito, não aceitam a mudança do tipo de crédito; o que não pode ocorrer é o contribuinte perder o direito, pois a compensação de saldo de 2002 não é mais permitida pelo decorrer do tempo. Requer a alteração do tipo de crédito para saldo negativo de CSLL e a homologação da compensação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Apesar da informação prestada pelo Recorrente em seu recurso, o Aviso de Recebimento de folhas 33 informa que o contribuinte foi cientificado da decisão da DRJ em 2 de abril de 2014 e apresentou seu Recurso Voluntário em 5 de maio de 2014, conforme carimbo na peça recursal (fl. 36). Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10920.902082/200866 Acórdão n.º 1302003.073 S1C3T2 Fl. 46 3 O prazo para a apresentação de recurso é de 30 dias da ciência, conforme estabelece o artigo 33 do Decreto nº 79.235, de 1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A contagem do prazo, por sua vez, é disciplinada pelo artigo 5º do mesmo Decreto: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Assim, o prazo de trinta dias deve ser contado a partir do dia 3 de abril de 2014 (inclusive), encerrandose no dia 2 de maio de 2014, sextafeira. A apresentação de recurso no dia 5 de maio de 2014 é intempestiva. Feita essa consideração, não conheço do Recurso Voluntário, por intempestivo. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.002376/2009-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2007 a 31/03/2007
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação.
INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".
Numero da decisão: 9303-007.092
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2144; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.002376/200979 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.092 – 3ª Turma Sessão de 11 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente YARA BRASIL FERTILIZANTES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 23 76 /2 00 9- 79 Fl. 659DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3403001.995, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo não reconheceu o direito de aproveitamento de créditos da contribuição sobre despesas com fretes para transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. A Contribuinte interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto a três matérias: (a) aproveitamento de créditos de PIS e COFINS não cumulativos sobre fretes entre unidades da própria empresa de produtos acabados; (b) aplicação do entendimento mais favorável ao Contribuinte, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional CTN; e (c) realização de diligência e possibilidade de juntada de novos documentos e elaboração de laudo técnico após a apresentação do recurso em primeira instância. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os seguintes acórdãos, respectivamente: (a) 3401002.075 e 340203.148; (b) 3302002.930; e (c) 3402002.906. No primeiro exame de admissibilidade foi dado seguimento parcial ao recurso, tão somente quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes de produtos acabados entre unidades da empresa, consoante despacho de admissibilidade do então Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Com a interposição de agravo pelo Sujeito Passivo, também foi dado seguimento ao tema relativo à possibilidade de apresentação de provas após o recurso à primeira instância, tudo nos termos do despacho do Presidente da Terceira Turma da CSRF, que acolheu o agravo nessa parte. Portanto, as matérias suscitadas no recurso especial da Contribuinte, que foram admitidas e serão objeto de análise por este Colegiado, referemse à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS decorrentes de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa e à apresentação de provas após o recurso à primeira instância. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.070, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 11080.002375/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.070): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. As matérias enfrentadas pela Recorrente em sede de apelo especial são referentes à: (a) possibilidade de apresentação de provas após o recurso na primeira instância; e (b) o reconhecimento do direito aos créditos de PIS e COFINS nãocumulativos oriundos de fretes entre estabelecimentos da mesma empresa, tendo sido admitida a discussão apenas em relação aos produtos acabados. 1. Apresentação de provas Para análise da admissibilidade do recurso especial quanto ao pleito de apresentação de provas após o recurso na primeira instância, importa trazer breve retrospecto da lide. A contenda administrativa originouse de pedido de ressarcimento de saldo credor acumulado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo, do segundo e terceiro trimestres de 2007, em razão da sua atividade exportadora. Em procedimento fiscal efetuado para confirmação da existência dos referidos créditos, a Autoridade Fiscal concluiu ser parcialmente procedente o pleito, pois (a) teria havido a transferência onerosa a terceiros de créditos de ICMS acumulados na escrita fiscal, sem oferecimento dos valores recebidos à tributação; e (b) a Contribuinte apropriouse de créditos sobre os dispêndios da contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, com inobservância do art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, que concede o direito ao crédito somente com relação ao frete pago na operação de venda. A conclusão da Fiscalização pela glosa parcial do pedido de restituição restou formalizada por meio de despacho decisório (fl. 26), contra o qual se insurgiu a empresa por meio de manifestação de inconformidade (fls. 36 a 55), esclarecendo que: não houve transferência onerosa de créditos de ICMS a terceiros, mas sim é beneficiária de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, tendo incentivo fiscal estadual consistente no crédito presumido equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação Fl. 661DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 5 4 própria; além disso, colacionando aos autos planilha demonstrativa, sustentou serem as remessas realizadas entre seus diversos estabelecimentos do País, em sua imensa maioria, de produtos semielaborados, com processo industrial concluído na unidade de destino, sendo que há apenas uma pequena parcela de transferência de produtos acabados. Defende a existência ao crédito nas duas hipóteses de frete. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 1025.008 2ª Turma da DRJ/POA, de 30 de abril de 2010 (fls. 72 a 75), ensejando a interposição de recurso voluntário (fls. 78 a 101). Na sessão de 03 de junho de 2011, o julgamento do recurso foi convertido em solicitação de diligência ao órgão de origem, consoante Resolução nº 3403000.208 (fls. 199 a 202), solicitando que: (a) trouxesse aos autos elementos documentais, dentre aqueles já colhidos no momento do procedimento fiscal, para comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de créditos de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pela Recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Após a determinação da diligência, o processo assim se desenrolou: [...] Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Intimado deste segundo Termo de Comunicação, a recorrente novamente manifesta se para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. [...] (grifouse) Retornados os autos ao CARF para análise do recurso voluntário, foi proferido o Acórdão nº 3403001.994 (fls. 289 a 297) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2013, ora recorrido, que lhe deu parcial provimento apenas para afastar a glosa dos créditos de PIS nãocumulativo sobre os valores decorrentes das transferências onerosas de créditos de ICMS a terceiros. Por outro lado, indeferiu os pedidos da Recorrente quanto à pretensão de créditos decorrentes da contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio Sujeito Passivo, seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados, sob dois fundamentos: (a) com as provas constantes nos autos quando determinada a realização de diligência não era possível desmembrar do total de fretes, aqueles que tivessem por objeto o Fl. 662DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 6 5 transporte de itens em fabricação; e (b) as planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Para clareza da assertiva, extraise trecho do acórdão recorrido que trata da matéria: [...] Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da contribuição ao PIS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3º, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3º. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos de PIS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 7 6 [...] Da fundamentação do acórdão recorrido, depreendese que foram dois os argumentos utilizados para o indeferimento do pedido de juntada de provas após o recurso em primeira instância: (a) a impossibilidade de juntada de novas provas; e (b) ainda que fossem admitidas, as planilhas produzidas unilateralmente pela Contribuinte e juntadas aos autos não têm valor probatório. Tratase de dois argumentos autônomos e cada um deles suficiente, por si só, para manutenção da decisão proferida pelo Colegiado a quo. A Recorrente, por sua vez, ao se insurgir quanto à juntada de provas, enfrentou e comprovou a divergência jurisprudencial tão somente com relação ao primeiro argumento: a (im)possibilidade de juntada de provas após o recurso em primeira instância. No acórdão paradigma nº 3402002.906 a discussão centrase nesse argumento, tanto que naquele caso houve a determinação de realização de diligência semelhante ao caso dos autos que culminou com a elaboração de um Laudo Técnico. Havendo dois fundamentos autônomos e não sendo atacados os dois, não deve ter prosseguimento o recurso especial com relação a essa matéria. Nesse sentido, é a Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Portanto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte com relação a essa matéria. 2 Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos de Produtos Acabados Com relação ao direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, temse que a divergência foi devidamente comprovada, devendo ter prosseguimento o apelo especial. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 664DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 8 7 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 665DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 9 8 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de Fl. 666DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 10 9 produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial Fl. 667DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 11 10 e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme afirmado pela Contribuinte e não contestado pela Fiscalização, está consolidado que os fretes entre os estabelecimentos da empresa são de matériaprima e uma pequena parte de produtos acabados, defendendo serem ambos passíveis de créditos, em consonância com o acórdão colacionado como paradigma (nºs 3401002.075 e 340203.148). A partir da descrição da atividade da Recorrente na peça do apelo especial, é possível chegarse a melhor compreensão quanto à essencialidade/pertinência do frete entre estabelecimentos, tanto de matériasprimas quanto de produtos acabados, para o seu processo produtivo. Reproduzemse os argumentos constantes às fls. 385 a 387, in verbis: [...] Vejase que no caso em comento os fretes praticados durante o processo produtivo são os seguintes: 1.Frete com a aquisição de matériaprima para fabricar fertilizantes (exemplo nitrogênio, fósforo e potássio); Fl. 668DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 12 11 2. Remessa para industrialização da matériaprima; 3. Frete do produto até outro estabelecimento da Recorrente para armazenagem e venda final. Ou seja, os produtos da Recorrente como condição para bem desempenharem sua função, são higroscópicos e, portanto, com absorção de umidade apresentam perda de suas plenas qualidades em período relativamente curto (cerca de 18 a 24 meses), não sendo adequado armazenálos por longo tempo. Por isso, é possível afirmar que, tal como ocorre no acórdão paradigma, o caso da Recorrente possui peculiaridades que fazem com que o seu processo produtivo não termine na fábrica, mas somente quando o produto industrializado acabado é entregue ao produtor rural, destinatário final, em condições aptas para uso na lavoura. Para minimizar a deterioração na qualidade e para evitar problemas de segurança no transporte, devese prestar atenção tanto às propriedades iniciais do fertilizante quanto aos procedimentos corretos de manuseio do fertilizante. O manuseio e o transporte correto do fertilizante devem ser baseados nas condições climáticas, no tipo de fertilizante e na forma como é expedido (granel ou sacos): [...] No caso em tela, a Recorrente possui sede em Porto Alegre e unidades em vários Estados da federação, existindo em determinados casos (embora muito menos usual do que a remessa de matéria prima) a remessa de produtos acabados destinados à venda. Isso é fácil de compreender: a unidade de Porto Alegre, por exemplo, pode ter em estoque determinado produto vendido pela unidade de Imperatriz, no interior do Maranhão. A fim de atender à demanda que lhe foi encaminhada, não se deve exigir que a empresa produza, no Maranhão, o fertilizante de que já dispõe estocado no Rio Grande do Sul, já que, como narrado linhas acima, o fertilizante se deteriora rapidamente com o passar do tempo, devendo sempre ser comercializado o produto que se encontra há mais tempo em estoque. Mas ao transportar a mercadoria até suas unidades pelo país, a contribuinte gasta um considerável montante em frete. Porém, se os bens transportados já estão destinados à venda, esse frete também deve estar sujeito aos créditos de PIS e de COFINS previstos nos artigos 3º, IX e 15, II da Lei nº 10.833/03, pois há apenas um deslocamento do trajeto que seria realizado originalmente, caso o produto saísse do estabelecimento industrial de Porto Alegre e fosse transferido diretamente ao comprador. [...] Nesse sentido, esse 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu os Acórdãos nºs 9303004.673, de 16 de fevereiro de 2017, de relatoria da nobre Conselheira Érika Costa Camargos Autran; e 9303005.156, de 17 de maio de 2017, cuja relatoria foi da ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os julgados foram assim ementados: Acórdão n.º 9303004.673 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2005 DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 13 12 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Recurso Especial do Procurador negado Recurso Especial do Contribuinte negado Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 14 13 Acórdão n.º 9303005.156 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. (grifouse) Pela argumentação exposta, há de ser reformado o acórdão recorrido e reconhecido o direito ao crédito com relação às despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. 3 Dispositivo Diante do exposto, o Recurso Especial da Contribuinte é conhecido somente em parte quanto à possibilidade de creditamento de PIS nãocumulativo na contratação de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, e, no mérito, dáse provimento ao recurso para ser reconhecido o direito ao crédito de PIS nãocumulativo das despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi Fl. 671DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 15 14 conhecido em parte e, na parte conhecida, o colegiado deulhe provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição sobre as despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 672DF CARF MF
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Numero do processo: 15521.000197/2010-55
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2009
Ementa:
ARBITRAMENTO. MOTIVO DE FORÇA MAIOR.
O fato de a documentação contábil e fiscal ter sido supostamente extraviada em virtude de inundação que atingiu o seu estabelecimento, não exime o contribuinte de envidar esforços no sentido de reunir elementos que lhe possibilite apurar as bases de cálculo dos tributos e contribuições devidos.
Presentes circunstâncias indicativas da total impossibilidade de apuração do efetivo resultado fiscal, o lucro deve ser arbitrado, seja por iniciativa do próprio contribuinte, seja pela autoridade administrativa competente, por meio de procedimento fiscal regular.
MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA
Nos termos da SÚMULA CARF nº 25, a presunção legal de omissão de
receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. No caso vertente, adicionalmente, não cuidou a autoridade responsável pelo procedimento fiscal de reunir elementos capazes
de criar a convicção de que, deliberadamente, a contribuinte deixou de escriturar seus livros e conservar em ordem e boa guarda a respectiva documentação de suporte, de modo a evitar a incidência dos tributos e contribuições devidos.
MATÉRIA TRIBUTÁVEL. QUANTIFICAÇÃO. CORREÇÃO.
A simples constatação de erros e omissões na determinação da matéria tributável, passíveis de serem corrigidos pela autoridade responsável pela revisão dos lançamentos, não implica nulidade dos feitos fiscais.
Numero da decisão: 1302-000.803
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, exonerando a qualificação da multa, vencido o Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello que mantinha a qualificação.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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MOTIVO DE FORÇA MAIOR. O fato de a documentação contábil e fiscal ter sido supostamente extraviada em virtude de inundação que atingiu o seu estabelecimento, não exime o contribuinte de envidar esforços no sentido de reunir elementos que lhe possibilite apurar as bases de cálculo dos tributos e contribuições devidos. Presentes circunstâncias indicativas da total impossibilidade de apuração do efetivo resultado fiscal, o lucro deve ser arbitrado, seja por iniciativa do próprio contribuinte, seja pela autoridade administrativa competente, por meio de procedimento fiscal regular. MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA Nos termos da SÚMULA CARF nº 25, a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. No caso vertente, adicionalmente, não cuidou a autoridade responsável pelo procedimento fiscal de reunir elementos capazes de criar a convicção de que, deliberadamente, a contribuinte deixou de escriturar seus livros e conservar em ordem e boa guarda a respectiva documentação de suporte, de modo a evitar a incidência dos tributos e contribuições devidos. MATÉRIA TRIBUTÁVEL. QUANTIFICAÇÃO. CORREÇÃO. A simples constatação de erros e omissões na determinação da matéria tributável, passíveis de serem corrigidos pela autoridade responsável pela revisão dos lançamentos, não implica nulidade dos feitos fiscais. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.534 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, exonerando a qualificação da multa, vencido o Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello que mantinha a qualificação. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.535 3 Relatório A 2ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de janeiro, Rio de Janeiro, tendo exonerado o crédito tributário constituído em desfavor de INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CHARQUES GMA DE ITAPERUNA, recorre de ofício a este Colegiado administrativo, amparada nas disposições da Portaria MF nº. 3, de 2008. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao anocalendário de 2008, formalizadas a partir da identificação de depósitos de origem não comprovada. Os lançamentos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL foram efetivados com base no lucro arbitrado, nos termos do disposto no inciso I do art. 530 do RIR/99. Por entender que se encontravam reunidos os pressupostos para a providência, a Fiscalização aplicou multa qualificada de 150%. Apreciando os argumentos expendidos pela autuada em sede de impugnação, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por meio do acórdão nº. 1238.862, de 26 de julho de 2011, julgou improcedente os lançamentos tributários efetivados. O referido julgado foi assim ementado: PENALIDADE QUALIFICADA Insustentável a qualificação de penalidade ao amparo de Lei nº 8.137/90, de natureza penal, não tributária. ARBITRAMENTO DE LUCROS Injustificável o arbitramento de lucro com base em depósitos/créditos bancários de pessoa jurídica que, comprovadamente sofreu intempérie natural, reconstitui sua escrituração em tempo hábil à verificação, não, imposição do fato gerador tributário. Por relevante, transcrevo, abaixo, excertos do voto condutor da decisão em referência. ... 5. Em preliminar, quanto a qualificação da penalidade, equivocase a fiscalização. A Lei n. 8.137/90 é de natureza penal; não tributária. Portanto, insustentável à pretendida qualificação. Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.536 4 5.1. Ocioso mencionar que, em sede tributária, somente é admissível a qualificação de penalidade quando presentes, e somente quando presentes quaisquer das hipóteses prescritas nos artigos 71 a 73, todos da Lei nº 4.502/64 (RIR/99, art. 958, II), assim mesmo, devidamente comprovadas, não presumidas, pela fiscalização. Nenhuma delas configurada no presente feito. ... 7.2. inquestionavelmente a pessoa jurídica, assim com os demais contribuintes residentes em Itaperuna/RJ, em janeiro/2009, sofreram as consequências de intempérie da natureza, a qual, inclusive, levou a administração municipal a declarar estado de emergência na cidade, fls. 1057/1070; 7.2.1. o contribuinte após cumprir as disposições do artigo 10 do DecretoLei n. 486/69 (RIR/99, art. 264, § 1º.), acerca do extravio e inutilização da documentação, fls. 169, procurou reconstituir sua escrituração contábil, sendo, esta liberada pela JUCERJA em 04/10/2010, após cumpridas exigências desta, fls. 449; 7.2.2. a fiscalização havia prorrogado o prazo de apresentação dos livros/documentos fiscais até 03/11/2010, intimando, no mesmo termo, a pessoa jurídica a "apresentar procuração especifica para assinar AUTO DE INFRAÇÃO junto a Secretaria da Receita Federal, em 03/11/2010", fls. 335 e verso; 7.2.3. na mesma intimação, foram exigidos todos os controles contábeis, extra contábeis, etc. (notas fiscais, etc.), que, de acordo com o fisco, "servirão de base para reconstituir os livros fiscais/contábeis, independente da apresentação dos livros". 7.2.4. Nesse contexto: 7.2.4.1. de um lado o próprio fisco reconheceu a ação do contribuinte de reconstituição da escrita contábil/fiscal; em corroboração, as fls. 423, o fisco formaliza da real necessidade de reconstituição dos livros contábeis. 7.2.4.2. de outro lado, a fiscalização já dispunha, deste 23/09/2010, de extratos bancários do BRADESCO, de notas fiscais de compras e de vendas, dentre outros documentos obtidos quer junto ao próprio contribuinte, quer junto a terceiros, fls. 256; 7.2.4.5. não poderia a fiscalização, sem prévia e expressa manifestação do sujeito passivo quanto à prorrogação antes mencionada, intimálo a tomar ciência de autuação fiscal já formalizada ex ante, como perpetrado. 7.2.5. Outrossim, ao contrário da proposição fiscal de que a pessoa jurídica já disporia arquivados junto à JUCERJA dos livros em questão, fls. 422/423, a petição de fls. 333, datada de 28.06.2010, protocolada em 13/07/2010, trata da autorização para mudança, a partir de 01/01/2009, da escrituração de informatizada ou eletrônica, impressa em papel contínuo, fechado em encadernação, para escrituração contábil digital (SPED). 7.2.5.1. Portanto, despicienda de factualidade a presunção fiscal de os livros atinentes ao ano calendário de 2008 já estarem arquivados naquele órgão. Mesmo porque, apenas nele são registrados; não arquivados, Decretolei nº 486/69, art. 4. (RIR/99, art. 264). 7.2.6. Nos termos do artigo 142 do CTN, e dos acórdãos nºs. 10189.595 do 1º Conselho de Contribuintes (hoje, CARF), e nº. 0102.590, da Câmara Superior de Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.537 5 Recursos Fiscais /lª. Turma, ementas reproduzidas às fls. 453, incumbe ao fisco a verificação do fato gerador imponível. Não, sua imposição, s.m.j., como prolatada nestes autos. Porquanto: A Autoridade tributária somente arbitrará o lucro, quando não lhe for possível, de outro modo, determinar o lucro real, pois este é a verdadeira base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica. Vícios formais passíveis de regularização, não são suficientes para determinar o arbitramento do lucro, quando existe escrituração e documentação lastreadora dos lançamentos.(Acórdão no 10189.595). 8. Quanto aos fundamentos materiais das exações: 8.1. de um lado, a escrituração contábil, reconstituída, do contribuinte, sequer foi examinada pela fiscalização, apesar do reconhecimento desta quanto à sua factibilidade e necessidade; 8.2. na mesma escrituração, acostada aos autos, os créditos/depósitos bancários se encontram nela consignados, a exemplo, do anexo III à impugnação, fls. 1468/1478; 8.3. para efeitos das autuações, a fiscalização sequer levou em conta as normas ínsitas no artigo 42 da Lei nº 9.430/69, considerou, como depósitos sem origem transferências de créditos por cheques do próprio favorecido, fls. 384/404 e 1487; idem, créditos em conta corrente inexistente, fls.1488/1489; não considerou cheques devolvidos, fls. 1479/1486; 8.4. mais grave: independentemente de manifestação do sujeito passivo, através da Intimação nº 0261, de 06/10/2010, intimou este a informar, em declaração prestada pelo sóciogerente/administrador com base nos valores constantes da planilha o que houve? a) omissão de receita por parte da fiscalizada, ou b) depósitos bancários de origem não comprovada por parte da empresa, fls. 322 e 416. 9. De todo o exposto inequívocos os insanáveis vícios legais e materiais das exações em comento, tornando insustentável a pretensão fiscal. Razões pelas quais dou provimento à impugnação. É o Relatório. Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.538 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o presente de RECURSO DE OFÍCIO impetrado pela autoridade julgadora de primeira instância em virtude de decisão exonerativa do crédito tributário constituído. Descrevo, primeiramente, os fatos refletidos nos autos. A contribuinte teve contra si a instauração de procedimento administrativo, conforme Termo de Início da Ação Fiscal (fls. 02/03), cientificado em 31 de maio de 2010 (fls. 04), em que, entre outros elementos, foram requisitados os livros de escrituração obrigatória. Em 09 de junho de 2010, apresentando parte da documentação requisitada pela Fiscalização, solicitou, relativamente aos livros contábeis, prorrogação do prazo para apresentação, alegando que estava encontrando dificuldades para localizálos (fls. 99). Em 30 de junho de 2010, requereu, ainda em relação aos livros contábeis, nova prorrogação do prazo para atendimento (fls. 05). Em 21 de julho de 2010, complementando a entrega de parte da documentação requisitada por meio do Termo de Início da Ação Fiscal, juntou cópia de publicação do extravio e inutilização de documentos, entre os quais os livros contábeis. O referido extravio, publicado em 05 de fevereiro de 2009, foi motivado, segundo alegou, pelas enchentes que atingiram o município de Itaperuna, local do seu domicílio fiscal (fls. 109 e 169). Às fls. 195/243, consta cópia da Declaração de Informações relativa ao ano calendário de 2008 (DIPJ/2009), entregue em 16 de outubro de 2009, sem registro de valores. De acordo com a Representação Fiscal de fls. 255/256, datada de 23 de setembro de 2010, temos que: i) o início da ação fiscal na contribuinte se deu por meio diligência, empreendida a partir de procedimento de fiscalização realizado na pessoa jurídica HSR COMÉRCIO DE CHARQUES, CNPJ nº 02.878.907/000183; ii) a partir da diligência, foi constatada expressiva movimentação financeira, fato que contrastava com a declaração de informações apresentada e com os valores tidos como inexpressivos (a título de IMPOSTO DE RENDA NA FONTE) que haviam sido registrados em DCTF; iii) foi verificado que no endereço indicado como domicílio fiscal da contribuinte funcionaram duas pessoas jurídicas do mesmo ramo, a FRIMAG DE Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.539 7 ITAPERUNA INDÚSTRIA DE CHARQUES LTDA e a REPRESENTAÇÃO DE CARNES E CHARQUES FONTANA LTDA. A Representação acima referenciada teve por finalidade propor a instauração de procedimento de fiscalização na contribuinte. Assim, foi lavrado Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 257/258), cientificado à contribuinte em 27 de setembro de 2010 (fls. 264), por meio do qual ela foi novamente intimada a apresentar os livros contábeis e fiscais. Em correspondência datada de 05 de outubro de 2010, a contribuinte requereu prorrogação do prazo para atendimento das solicitações feitas por meio do Termo de Início (fls. 260). Por meio de Termos de Intimação (fls. 265/269; 270/281; e 283/302), cientificados à contribuinte em 11 de outubro de 2010 (fls. 303 e 304), a autoridade responsável pelo procedimento fiscal, esclarecendo que haviam sido detectados créditos em conta corrente no Banco ITAÚ no montante de R$ 742.442,24 e no Banco BRADESCO nos montantes de R$ 562.163,16 e R$ 17.948.442,43, e que tal constatação não guardava compatibilidade com as informações prestadas na DIPJ (zerada) e nas DCTF (só valores de imposto na fonte), solicitou esclarecimentos à contribuinte. Nessa ocasião, detalhando os créditos identificados nas contas bancárias nºs 316013 (agência 1334, do BANCO ITAÚ), 1309 e 1007 (agência 3505 do BANCO BRADESCO), a Fiscalização intimou a contribuinte a comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações correspondentes. Em 19 de outubro de 2010, respondendo às intimações acima referidas, a contribuinte esclareceu (fls. 305): que, como já havia informado e comprovado, teve a sua documentação e livros fiscais extraviados em virtude de enchente; que estava buscando reconstituir sua escrita fiscal e contábil, e, nesse sentido, estava cumprindo exigências junto à Junta Comercial do Rio de Janeiro; que não teria ocorrido nem omissão de receitas nem depósitos de origem não comprovada; que, em virtude de estar enfrentando dificuldade junto às instituições financeiras para obter cópia de documentos, ficava impossibilitada de informar a origem dos créditos bancários, mas que, uma vez reconstituída a escrita, as referidas informações estariam consignadas nos históricos dos lançamentos dos livros comerciais e fiscais da empresa. Na ocasião, a contribuinte requereu prorrogação do prazo para complementar o atendimento das intimações. A contribuinte juntou aos autos cópia de ofício dirigido à Junta Comercial do Rio de Janeiro, datado de 14 de outubro de 2010, em que solicita autorização para refazer seus livros comerciais (fls. 307). Consta dos autos, às fls. 333, requerimento da contribuinte dirigido à Junta Comercial do Rio de Janeiro, datado de 28 de junho de 2010, solicitando autorização para, a Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.540 8 partir de 1º de janeiro de 2009, mudar a sua escrituração de informatizada ou eletrônica para digital. Em correspondência datada de 28 de outubro de 2010 (fls. 334), a contribuinte, fazendo referência do Termo de Início de Ação Fiscal, solicitou: INDUSTRIA E COMERCIO DE CHARQUES GMA DE ITAPERUNA LTDA, CNPJ 08.670.129/000119, por suas Advogadas, conforme cópia de Procuração anexa, em atendimento ao Termo de Início do Procedimento Fiscal em referência, vem, no prazo legal concedido requerer seja concedida a prorrogação do prazo de atendimento em mais 10 ( dez dias), haja vista estarem ainda os Livros Fiscais, reconstituídos, dependendo de registro na JUCERJA, conforme exposto na correspondência de 18 de outubro de 2010, quando foram juntados à mesma, cópias da documentação das providências tomadas pela contribuinte, junto a aquele órgão. Em outra correspondência, também datada de 28 de outubro de 2010, a contribuinte, agora fazendo referência aos Termos de Intimação lavrados pela Fiscalização, solicitou (fls. 335): INDUSTRIA E COMÉRCIO DE CHARQUES GMA DE ITAPERUNA LTDA., CNPJ 08.670.129/000119, por suas Advogadas, conforme cópia de Procuração anexa, requer seja concedida a prorrogação do prazo de atendimento em mais 10 ( dez dias), haja vista estar o empresário representante da empresa a depender ainda nesta data, da devolução dos Livros Fiscais, hoje em poder da JUCERJA, tudo conforme relatado por ele na correspondência de 18 de outubro de 2010. Por oportuno, ressalta que perdura também até a presente data a dificuldade de obter junto às instituições financeiras informações que embasam o atendimento das demais solicitações contidas nos Termos. No próprio corpo do referido documento de fls. 335, o responsável pelo procedimento fiscal assinalou: 1. que o prazo ficava prorrogado até 03 de novembro de 2010; 2. que, em 03 de novembro de 2010, a contribuinte deveria apresentar todos os controles contábeis e extracontábeis, notas fiscais, etc., que serviram de base para a reconstituição dos livros fiscais e contábeis, independentemente da apresentação dos livros; 3. que deveria ser lembrado que a movimentação financeira já havia sido apresentada, não havendo que se falar, portanto, em dependência de instituição financeira; 4. que deveria ser lembrado também que a primeira solicitação de prorrogação tinha ocorrido em 05 de outubro de 2010 e que a empresa vinha sendo diligenciada desde 30 de maio de 2010, o que revelaria período bastante ampliado para a apresentação dos documentos; 5. que a empresa só “requereu seus livros” à Junta Comercial em 15 de outubro de 2010. Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.541 9 Em 03 de novembro de 2010, a contribuinte apresentou à Fiscalização correspondência com o seguinte teor (fls. 338): INDUSTRIA E COMERCIO DE CHARQUES GMA DE ITAPERUNA LTDA, CNPJ 08.670.129/000119, por suas Advogadas, conforme cópia de Procuração anexa, vem apresentar: 1 Termo de Declaração assinado pelo sócio administrador da empresa se reportando à reconstituição da escrita fiscal/contábil da mesma. Cumpre esclarecer que, conforme consulta ao andamento de processos JUCERJA (cópia anexa), de 03/11/2010, o Processo encontrase na fase de AUTENTICAÇÃO. 2 Cópia da Procuração com Poderes para as signatárias desta representar a empresa relativamente ao MPF 07104.00201002145. A empresa entende que a escrituração elucidará as questões suscitadas nos referidos Termos, mas estando na dependência da JUCERJA, requer, se digne V. Sa, prorrogar o prazo de atendimento por mais 05 (cinco) dias, sendo certo, tão logo disponha de documentos outros cuja busca, conforme declarado pelo sócio administrador continua constante, colocará à disposição desta fiscalização. No corpo do referido documento, a Fiscalização assinalou que indeferia o pedido, haja vista que a contribuinte não havia apresentado, na data estipulada (03 de novembro de 2010) e independentemente dos livros, os documentos que serviram de base para a reconstituição da escrituração. Diante desse quadro, a autoridade fiscal lavrou os autos de infração de fls. 344/375, cientificados à contribuinte em 04 de novembro de 2010. Do Termo de Verificação Fiscal de fls. 380/436, parte integrante dos autos de infração lavrados, releva destacar as seguintes informações: i) a DIPJ referente ao período submetido à ação fiscal (anocalendário de 2008) foi apresentada com todos os valores zerados; ii) as DCTFs relativas aos primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2008 só registraram débito de IMPOSTO RETIDO NA FONTE; iii) na petição da contribuinte encaminhada à Junta Comercial do estado do Rio de Janeiro protocolizada em 13 de julho de 2010, consta, de forma expressa, a informação de que os livros comerciais anteriores aos que surgiriam, em meio digital, a partir de 1º de janeiro de 2009, já se encontravam arquivados no referido órgão; iv) o Termo de Declaração, referenciado pela contribuinte na correspondência de 03 de novembro de 2010, faz menção à existência de arquivo magnético, no qual constariam dados contábeis, porém, tal arquivo não foi apresentado à Fiscalização; v) de forma conclusiva, a autoridade fiscal consigna: 1. Por fim, em face da situação descrita, mais especificamente os DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, caracterizar omissão de informação e/ou prestação de declaração falsa à autoridade fazendária Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.542 10 com vistas à supressão de tributo, nos termos da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, constituindo dessa forma, em tese, hipótese de Crime Contra a Ordem Tributária, foi aplicada a multa qualificada e formalizada a respectiva Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal, a qual será apensada ao processo administrativo de exigência do crédito tributário, aguardando ambos os processos a manifestação da FISCALIZADA pelo prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do presente Termo de Verificação e do Auto de Infração, conforme determina a Portaria SRF n° 326, de 15 de março de 2005. ... Em sede de impugnação, a contribuinte trouxe, em apertada síntese, os seguintes argumentos (fls. 445/464): os prazos de cinco e dez dias corridos concedidos pela Fiscalização se deram em períodos de feriados nacionais e ponto facultativo na Receita Federal, contínuos a fins de semanas, portanto, em dias úteis o prazo foi exíguo; para atender na forma legal a empresa estava na dependência de outros órgãos e instituições, que não funcionaram nos feriados e fins de semanas; a ação fiscal teve inicio em 28/09/2010 e se encerrou com arbitramento de lucros em 04/11/2010; o prazo para a satisfação das exigências da fiscalização no procedimento fiscal que culminou com a lavratura do Auto de Infração na valor de R$ 3.637.543,78 durou pouco mais de 30 dias; o arquivo magnético, a que se refere o empresário Marcone Brum Lopes, que assinou o Termo de Declaração, serviu para recuperar dados relativos a lançamentos contábeis, que foram usados na reconstituição da escrita fiscal; não havia necessidade de entrega de arquivo magnético ao fiscal, porque os livros comerciais recuperados já tinham sido levados de ltaperuna para a JUCERJA, no Rio de Janeiro, para autenticação; foram observados os procedimentos legais para as hipóteses de "extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos, ou papéis de interesse da escrituração", conforme estabelecido no artigo 10 do Decreto lei 486/69; o fiscal não respeitou nem mesmo o prazo concedido por ele próprio, até o dia 03 de novembro, entendendose como abrangido na data, o expediente normal de atendimento da Receita Federal do Brasil em Campos dos Goytacazes, de 12 horas até 17 horas, pois, às 11h e 47 minutos do dia 03 de novembro. (fls. 380) antes mesmo do encerramento do expediente normal, o Termo de Verificação Fiscal, parte integrante e conclusiva do Auto de Infração já estava lavrado; em 28 de outubro de 2010, a empresa foi INTIMADA a apresentar "controles contábeis, extracontábeis (Notas Fiscais, etc.) que servirão de base para reconstituição dos livros contábeis". Não se tratava de REINTIMAÇÃO, quanto a estes itens, mas de INTIMAÇÃO; Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.543 11 o arquivo magnético propiciou a recuperação da escrita que estaria à disposição no dia 4 de novembro, não ocorrendo à empresa que deveria entregálo à Fiscalização, haja vista não ter sido intimada a fazêlo; a Fiscalização entendeu que a empresa informou à JUCERJA que possuía escrituração digital, quando, conforme a petição protocolada no referido órgão em 13 de julho de 2010, ela requereu a mudança da escrituração mercantil de informatizada ou eletrônica, impressa em papel continuo, fechada em encadernação, formatando livro, para Escrituração Contábil Digital, a partir de 01/01/2009, período não abrangido pela ação fiscal. (fls. 333 dos autos); a Fiscalização entendeu que a empresa já possuía escrituração digital, quando está claro na petição que a escrituração contábil digital seria a partir de 01/01/2009; a informação da empresa à JUCERJA, em petição protocolada em 13 de julho de 2010, período não abrangido pelo procedimento fiscal, de que possui livros arquivados é verdade no sentido técnico estabelecido pela IN/DNRC 107 de 23 de maio de 2008: a JUCERJA devolve os livros, no prazo de 30 dias, estabelecido no artigo 30 desta Instrução, mantendo o controle através de registros próprios, que não incluem a cópia física da escrituração em seu inteiro teor; a empresa demonstrou para o agente fiscal que sua escrita estava sendo reconstituída e que sua opção pelo lucro real tinha amparo legal. Afirmou que tinha condições de reconstituir sua escrita, respaldada por documentação hábil e idônea, em que pese os transtornos que as cheias do Rio Muriaé causaram não só a ela, mas a todo o município de Itaperuna; quando da vista aos autos, em 10/11/2010, a empresa tomou conhecimento da Representação Fiscal, datada de 23/09/2010, fls. 255/256, onde consta que encontrase em poder da fiscalização Notas Fiscais (compra e venda) que subsidiaram a conclusão do Auditor Representante Sr. Renato da Silva Braga de que as Notas Fiscais obtidas comprovavam a efetiva atividade comercial da empresa. Às fls. 256, consta relação de cópias de Notas Fiscais obtidas. Consta dos autos apenas relação das cópias das Notas Fiscais, não tendo a empresa vista de tais documentos; o que se pode concluir do contido nas fls. 255/256, é que o agente fiscal autuante tinha em seu poder material para verificar que a sua movimentação bancária tinha origem comprovada, que tinha efetiva atividade comercial e que tais documentos poderiam ser confrontados com a escrituração reconstituída; ao proceder ao arbitramento do lucro baseandose somente em movimentação bancária devidamente escriturada e lastreada por documentos hábeis e idôneos o agente fiscal recorreu à medida extrema do arbitramento do lucro, sem esgotar os meios ao seu alcance; os Livros Diário e LALUR juntados por cópia, aliados à documentação que lhes dá suporte, são a prova do que se afirmou à Fiscalização e que se requer sejam considerados para fins de comprovação de que os depósitos bancários, base do arbitramento têm sim origem comprovada, foram devidamente escriturados, não constituem omissão de receita, afastandose, inclusive, a presunção legal que se pretendeu imputar; Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.544 12 uma simples conciliação entre as contas eliminaria valores duplamente tributados, créditos cujas origens se encontram explícitos nos extratos entregues à Fiscalização; o fato apontado pelo autuante de que apurou divergências entre os valores não declarados em DIPJ e em DCTF e os valores creditados em conta corrente da empresa, não ampara o arbitramento do lucro, pois tais fatos não foram arrolados como fundamento para o arbitramento; não merece prosperar a tomada de posição da Fiscalização de rejeitar a opção da fiscalizada; o arbítrio do autuante transformou resultados fiscais negativos em resultados fiscais positivos, e teve como conseqüência a constituição do crédito tributário; não se pode dar guarida a procedimentos da fiscalização que têm como intuito o agravamento da situação do contribuinte, criando fatos geradores fictícios, com repercussões até mesmo na área penal; igual tratamento se aplica às contribuições, que, conforme se vê nas DACON apresentadas e nos documentos parte integrante dos autos, também não geraram pagamentos no decorrer do anocalendário, em virtude dos créditos apurados, sendo certo que os saldos são negativos; a apuração não foi questionada pela Fiscalização, que apenas desconsiderou as DACON apresentadas e partiu para o arbitramento; dentre as várias incoerências e contradições que levaram a ERRO DE LANÇAMENTO e vícios na base de cálculo, com lançamento indevido, destacase: valores tributados em duplicidade, decorrentes de reapresentação de cheques devolvidos, transferências entre contas da própria autuada, estorno de operações indevidas, etc., conforme relacionado nos anexos à impugnação como parte integrante desta, sendo: ANEXO IV cheques devolvidos, valores estornados, ANEXO V transferência entre contas correntes da própria empresa impugnante; da análise de tais anexos podese observar que, além de cheques devolvidos por insuficiência de fundos (ANEXO IV), foram tributados também valores decorrentes de transferências entre contas da própria empresa, devidamente demonstrados no ANEXO V (para maior clareza destacase os seguintes lançamentos: Banco Bradesco, conta corrente 1007 de 06/11/2008 no valor de R$ 59.000,00, histórico: "TRASF CC PARA CC PJ", originário de transferência do Bradesco conta corrente 1309. Idem da conta 1309 para a conta 1007, em 29/1212008, R$ 41.600,00. Também ocorreram transferências da conta 1007 – Bradesco para a conta corrente Itaú n° 316013, com histórico: "TED D 237.3505 IND E COM extratos bancários de fls. 03/98); referidos créditos, todos relacionados no ANEXO V, foram tributados como de origem não comprovada, no entanto há prova nos autos que se originam de transferências entre contas do mesmo titular, têm origem comprovada, decorrem das atividades da própria empresa e estão devidamente escrituradas em seus livros comerciais e fiscais; foram dados como movimentados no Banco Itaú (fls. 404/405 do Processo Termo de Verificação Fiscal) e tributados por falta de comprovação da origem, vários valores Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.545 13 que sequer transitaram pela conta do Banco Itaú de titularidade da contribuinte, nas datas e valores consignados pelo agente fiscal, conforme se verifica da análise dos extratos bancários anexos aos autos. Tais valores constam do Termo de Intimação 259 (fls.265/269), tendo a empresa sido intimada a "informar pormenorizadamente, valor a valor, comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, devendo haver compatibilidade entre data e valor com a documentação comprobatória"; exame do extrato bancário da conta em questão (fls. 88/98), permite verificar que não ocorreram os créditos especificados e tributados, conforme demonstrado no ANEXO VI. Tais valores totalizam R$ 697.028,54 e não têm origem comprovada, pois são inexistentes. Simplesmente não ocorreram os créditos em sua conta bancária, nas datas e valores especificados no Termo de Intimação 259 e na base de cálculo do auto de infração (Termo de Verificação Fiscal fls. 404/405), devendo serem excluídos da tributação; toda movimentação bancária da empresa foi devidamente contabilizada e decorre da sua regular atividade operacional. Não constitui omissão de receita. Compõe o resultado do exercício devidamente demonstrado no Diário e no LALUR; o Livro Razão reconstituído foi devidamente autenticado e encontrase na sede da empresa juntamente com os originais do Livro Diário, LALUR e documentos em que se sustentam, para os devidos fins; a escrituração reconstituída se sustenta em elementos confiáveis e cópias de documentos colhidos junto a diversas fontes com as quais realizou operações durante o período em questão, que podem ser facilmente conferidos a qualquer momento, tais como as cópias de notas fiscais juntadas, devidamente relacionadas no ANEXO II; da escrituração apresentada, que se encontra amparada por documentos hábeis e idôneos, podese afirmar que os depósitos bancários (créditos efetivamente líquidos) foram efetuados com recursos oriundos de vendas escrituradas, integram o saldo da conta caixa e não representam receita omitida; as jurisprudências transcritas provam e comprovam que a falta de apresentação das Declarações de Imposto de Renda ou as apresentações de tais documentos de forma incorreta não tipificam ação dolosa por parte da administração da pessoa jurídica; o indicio de omissão de receita, não pode ser fato para agravamento da multa. A jurisprudência é uníssona ao determinar que para que seja aplicada a multa qualificada a fraude tem que estar devidamente descrita e exaustivamente comprovada. A contribuinte, ao final da peça impugnatória, lista os documentos que, segundo afirma, foram juntados ao processo. São eles: Cópia de Procuração Cópia de Correspondência Protocolada na JUCERJA em 13/07/2010 Cópia do Livro Diário 002 com Folhas Numeradas de 001 a 500 04 Volumes Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.546 14 Cópia do Livro Diário 003 com Folhas Numeradas de 001 a 034 01 . Volume Cópia do Livro LALUR Anexo I: Comprovação da Enchente que atingiu a Empresa Anexo II: Relação de Notas Fiscais de Entrada 03 Volumes Anexo III: Depósitos Bancários X Escrituração Livro Diário Anexo IV: Relação de Créditos Estornados não considerados na conciliação Anexo V: Transferência entre Contas Correntes do mesmo titular Anexo VI: Valores que não transitaram pela conta corrente do Banco Itaú Penso, a partir da análise dos fatos antes descritos, que tanto a argumentação expendida pela contribuinte em sede de impugnação como a decisão exarada em primeira instância sejam merecedoras de reparos. Com efeito, no que tange à impugnação interposta pela contribuinte cabem as seguintes considerações: a) o procedimento administrativo levado a efeito na contribuinte, diferentemente do alegado, não se iniciou em 28 de setembro de 2010, mas, sim, em 31 de maio de 2010, por meio de diligência, conforme documentos de fls. 02/04; b) não encontram respaldo nos autos, portanto, os argumentos acerca de supostos reduzidos prazos para apresentação da escrituração e respectiva documentação de suporte, pois, conforme Termo de Início da Ação Fiscal de fls. 02/03, já em 31 de maio de 2010, data em que foi cientificada do referido Termo (fls. 04), a contribuinte foi intimada a apresentar os livros de escrituração obrigatória, tendo, inclusive, solicitado reiteradas prorrogações de prazo para atendimento; c) resta evidente que, se à época da última prorrogação concedida pela Fiscalização (03 de novembro de 2010), a contribuinte dispunha de arquivo magnético que havia sido útil “para recuperar dados relativos a lançamentos contábeis”, da totalidade ou parte dos documentos que também auxiliaram na reconstituição da escrituração e dos livros devidamente reconstituídos, tal documentação deveria ter sido apresentada à Fiscalização; d) não me parece razoável a suposição da contribuinte de que após inúmeras intimações “não havia necessidade da entrega de arquivo magnético ao fiscal”; e) apesar de cumprir, em parte, com as determinações contidas no art. 10 do DecretoLei nº 486/69, eis que a publicação em jornal de grande circulação do extravio da documentação contábil só foi providenciada no curso da ação fiscal, a contribuinte não observou o comando do art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda no sentido de remeter cópia da comunicação feita ao órgão competente do Registro do Comércio à Receita Federal; f) não encontro nos autos manifestação da Fiscalização capaz de produzir a conclusão de que ela tinha entendido que a empresa já possuía escrituração digital; Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.547 15 g) a petição protocolada em 13 de julho de 2010, diferentemente do alegado pela contribuinte, foi feita em período abrangido pelo procedimento fiscal, pois, como já dito, o referido procedimento foi iniciado em 31 de maio de 2010, com a ciência do TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL, que, nos termos do disposto nos parágrafos 1º e 2º do Decreto nº 70.235, de 1972, exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores pelo prazo de sessenta dias. Relativamente ao decidido em primeira instância, destaco: i) não se encontra em discussão o fato de que os contribuintes residentes no Município de Itaperuna no estado do Rio de Janeiro terem sofrido, em janeiro de 2009, “as conseqüências de intempérie da natureza”, mas, sim, se o procedimento adotado pela autoridade fiscal foi, diante de tal circunstância, regular; ii) o decisum, ao afirmar que o contribuinte cumpriu as disposições do art. 10 do DecretoLei nº 486/69, incorre no mesmo equívoco da contribuinte, vez que, como já dito, não foi observado, na íntegra, o disposto no art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99); iii) se, como afirma a decisão, a escrituração contábil da contribuinte havia sido liberada em 04 de outubro de 2010 pela Junta Comercial, por que ela não foi disponibilizada para a Fiscalização em 03 de novembro? iv) a decisão, ao emitir conclusões acerca dos prazos estabelecidos pela Fiscalização a partir da consideração de que o início do procedimento fiscal se deu em 28 de setembro de 2010, incorre, mais uma vez, em idêntico equívoco ao cometido pela fiscalizada (os fatos deveriam ser analisados a partir de 31 de maio de 2010, data em que foi instaurada a ação fiscal1); v) eventuais incorreções na determinação da matéria tributável não podem, a meu ver, servir de fundamento para a decretação da nulidade do lançamento. Tomando por base o assinalado no acórdão nº 10189.595, referenciado pela decisão de primeira instância, acompanho o entendimento de que “a autoridade tributária somente arbitrará o lucro quando não lhe for possível, de outro modo, determinar o lucro real..”. Penso que a situação retratada nos autos é exatamente essa, senão vejamos: a contribuinte, domiciliada em município atingido por enchente, teve, supostamente, sua escrituração extraviada, fato ocorrido em janeiro de 2009. Em fevereiro de 2009 publica, no Diário Oficial do estado, a ocorrência do extravio. Em 16 de outubro de 2009, apresenta à Receita Federal declaração sem registro de valores, isto é, sem a apuração da base de cálculo do imposto. Em 31 de maio de 2010 é instaurado procedimento fiscal contra a contribuinte, momento em que é requisitada a sua escrituração contábil. A contribuinte, em 09 e 30 de junho de 2010, sem fazer qualquer referência às providências que vinha adotando para recuperar a 1 Neste particular, cabe destacar que a "classificação" da natureza do procedimento administrativo, se DILIGÊNCIA ou FISCALIZAÇÃO, é de índole interna, sendo certo que, em qualquer das situações, o ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto, nos termos do art. 7º do Decreto nº 70.235/72, dá início ao procedimento fiscal. Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.548 16 documentação extraviada, requer prorrogação do prazo para apresentação da escrituração2. Em 21 de julho de 2010, mais uma vez sem qualquer pronunciamento acerca das providências que vinha adotando para reconstituir a escrita, noticia o extravio dos documentos. Em 27 de setembro de 2010 a contribuinte é mais uma vez intimada a apresentar a escrituração, e, em resposta, datada de 05 de outubro de 2010, solicita nova prorrogação. Novas intimações são encaminhadas à contribuinte em 11 de outubro de 2010. Em resposta, a contribuinte afirma que: a) vem buscando incessantemente reconstituir sua escrita fiscal e contábil; b) está cumprindo exigências da Junta Comercial no sentido de operacionalizar os registros. Nesse momento, a contribuinte junta cópia de ofício dirigido ao Presidente da Junta Comercial do estado do Rio de Janeiro, datado de 14 de outubro de 2010, em que requer autorização para refazer seus livros comerciais. Com o devido respeito a quem enxerga de modo diverso, penso que os fatos acima revelam de forma cristalina que a contribuinte, tendo a sua escrituração supostamente extraviada em razão de uma enchente, apesar de ter noticiado o fato (extravio) por meio de publicação em diário oficial, não adotou, em tempo hábil, providências que lhe possibilitasse apurar os tributos e contribuições devidos relativos ao anocalendário de 2008. Isto porque, transcorridos cerca de dez meses da ocorrência do evento, apresentou declaração de informações ao Fisco totalmente zerada, apesar de ter movimentado mais de dezoito milhões de reais em contas bancárias. Ademais, limitouse a confessar débitos única e exclusivamente decorrentes de imposto de renda retido na fonte. Considerados os elementos carreados aos autos, somente um ano e dez meses depois da ocorrência da enchente, e, ainda assim, no curso de um procedimento fiscal, é que se identifica documento indicativo do início de providências da contribuinte no sentido de reconstituir a sua escrita contábil (ofício dirigido ao Presidente da Junta Comercial do estado do Rio de Janeiro, datado de 14 de outubro de 2010, requerendo autorização para refazer livros comerciais). Partindo da premissa de que inexiste hipótese de dispensa de cumprimento das obrigações tributárias por parte do contribuinte vitimado por fato alheio à sua vontade, o certo é que a fiscalizada deveria ter envidado esforços para, com os elementos que pudesse reunir, apurar as bases de cálculo dos tributos e contribuições devidos. Contudo, não é isso que se colhe dos fatos retratados no processo, vez que, repisese, somente a partir da instauração do procedimento administrativo pela Administração Tributária é que algumas providências foram adotadas. Isto resta evidente pelas contradições refletidas nas respostas apresentadas à Fiscalização, em que, intimada a apresentar a documentação contábil, primeiro alega que encontra dificuldades para disponibilizála em razão do lapso de tempo, para, depois, argumentar que referida documentação foi extraviada. De qualquer forma, por qualquer ângulo que se analise a questão, resta indubitável que o único meio de apuração do IRPJ e da CSLL devidos, aceitável diante do tempo transcorrido entre o momento da ocorrência do suposto fato motivador do extravio e o vencimento legal das obrigações, seria com base no arbitramento do lucro, ainda que fosse por iniciativa própria. 2 Destaco que na correspondência datada de 09 de junho de 2010 (fls. 99) a contribuinte, sem fazer qualquer alusão à enchente, alega que não apresenta a os livros contábeis "tendo em vista que por força do lapso temporal já transcorrido estamos encontrando dificuldades em localizálos". Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.549 17 O que se observa, porém, é que a contribuinte, ao ver instaurada contra si procedimento fiscal, requereu inúmeras prorrogações de prazo para apresentação da documentação contábil (praticamente todas, aceitas pela Fiscalização), documentação essa que possibilitaria ao Fisco apurar as bases de cálculo efetivas das exações devidas, para, em momento imediatamente posterior aos lançamentos de ofício, informar que dispunha de documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar que nenhum tributo ou contribuição seria devido, seja em virtude de bases negativas (IRPJ e CSLL), seja em razão da ausência de apuração de débito (PIS e COFINS). Com a devida permissão, revelase absolutamente equivocado entender que, nas circunstâncias aqui descritas, o arbitramento do lucro não deveria ser realizado. Diante de todo o exposto, penso que o arbitramento do lucro promovido pela autoridade fiscal tem respaldo na legislação de regência, especialmente em virtude dos seguintes elementos: não existe, como já dito, possibilidade de dispensa do cumprimento de obrigações tributárias em razão de extravio de documentos causado por fato alheio à vontade da contribuinte; nessas circunstâncias, a contribuinte, além de noticiar o fato em jornal de grande circulação, deveria ter envidado esforços no sentido de reunir informações que lhe possibilitasse determinar as bases de cálculo dos tributos, ainda que por autoarbitramento; a Fiscalização concedeu prazo mais do que razoável para que lhe fossem apresentados documentos capazes de viabilizar a apuração do resultado efetivo; a contribuinte apresentou reiterados pedidos de prorrogação e, indicando causas contraditórias para explicar a falta de apresentação da sua escrituração contábil, não atendeu, satisfatoriamente, as intimações que lhe foram dirigidas. Nesse contexto, ainda que reste evidente que os documentos aportados ao processo pela contribuinte não possibilitam a aferição dos resultados fiscais alegados (a ausência do Livro Razão e da documentação de suporte, certamente, impossibilita a referida aferição), não cabe analisálos, eis que correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal no sentido de determinar o lucro por meio de arbitramento. Por razões diversas das declinadas na decisão de primeira instância, penso que a qualificação da multa não pode prosperar. Não identifico relevância no fato de o enquadramento legal utilizado para a aplicação da multa qualificada encontrarse equivocado. A meu ver, o importante é verificar se a conduta descrita nos autos amoldase ao tipo previsto na norma autorizadora da qualificação da penalidade. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 380/436, a autoridade fiscal, justificando a exasperação da multa, assinala: 1. Por fim, em face da situação descrita, mais especificamente os DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, caracterizar omissão de informação e/ou prestação de declaração falsa à autoridade fazendária com vistas à supressão de tributo, nos termos da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, constituindo dessa forma, em tese, hipótese de Crime Contra a Ordem Tributária, foi aplicada a multa qualificada e formalizada a respectiva Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal, a qual será apensada ao processo administrativo de exigência do crédito tributário, aguardando ambos os processos a manifestação da FISCALIZADA pelo prazo de 30 (trinta) dias contados Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.550 18 da ciência do presente Termo de Verificação e do Auto de Infração, conforme determina a Portaria SRF n° 326, de 15 de março de 2005. À evidência, a mera constatação da existência de depósitos bancários de origem não comprovada não autoriza a qualificação da multa. A súmula CARF nº 25, inclusive, é dirigida nesse sentido, senão vejamos: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Acrescentese que, no caso sob exame, em que pese a existência, nos autos, de fatos indicativos de omissão por parte da contribuinte no cumprimento de suas obrigações tributárias, não encontro elementos capazes de indicar que tal conduta foi deliberada (intencional) e objetivou evitar a incidência das exações devidas. Sou, pois, pela exclusão da qualificação da multa aplicada. No que diz respeito à matéria tributável apurada, exclusivamente decorrente de depósitos de origem não comprovada, penso ser necessárias algumas correções. De fato, a autoridade fiscal, ao promover o levantamento dos créditos promovidos nas contas correntes bancárias da contribuinte, deixou de excluir valores correspondentes a cheques devolvidos e a transferências entre contas. Diante disso, acolho a exclusão, da matéria tributável apurada, dos valores indicados no quadro abaixo, conforme RELAÇÃO DE CRÉDITOS ESTORNADOS (fls. 1.479/1.484) e TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS CORRENTES DO MESMO TITULAR (fls. 1.487), anexos IV e V da impugnação apresentada pela contribuinte. Deixo de considerar, entretanto, os valores apontados no ANEXO VI da impugnação (FATOS GERADORES INEXISTENTES – CC 316013 – ITAÚ), pois, em que pese eventuais erros na indicação da data dos créditos provocados pela interpretação dos extratos bancários, os montantes ali indicados constam dos extratos bancários de fls. 88, 89, 90, 91, 92, 93 , 95, 97 e 98 dos autos. MÊS A MATÉRIA TRIBUTÁVEL APURADA TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL – FLS. 426 B – CHEQUES DEVOLVIDOS C – TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE D – MATÉRIA TRIBUTÁVEL REMANESCENTE [A – (B + C)] JANEIRO 98.664,00 98.664,00 FEVEREIRO 154.491,16 154.491,16 MARÇO 119.922,64 119.922,64 ABRIL 586.901,41 1.000,00 585.901,41 MAIO 1.196.348,39 993,00 1.195.355,39 JUNHO 2.099.247,32 49.371,85 2.049.875,47 JULHO 2.259.219,49 40.136,86 2.219.082,63 Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.551 19 AGOSTO 2.052.663,95 32.980,64 2.019.683,31 SETEMBRO 2.574.365,39 13.046,48 48.000,00 2.513.318,91 OUTUBRO 2.944.489,79 92.087,49 79.000,00 2.773.402,30 NOVEMBRO 2.746.778,02 83.043,94 277.100,00 2.386.634,08 DEZEMBRO 2.419.956,27 73.129,76 257.600,00 2.089.226,51 TOTAL 19.253.047,83 385.790,02 661.700,00 18.205.557,81 Assim, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício para manter os lançamentos tributários efetivados, excluindo da matéria tributável apurada o montante de R$ 1.047.490,02, conforme quadro acima, e reduzir a multa de ofício aplicada, de 150% para 75%. Sala das Sessões, em 16 de janeiro de 2012 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 10380.724500/2010-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência no sentido de encaminhar os autos à PFN para se pronunciar quanto aos efeitos do art.24 da Lei nº 13.655/2018, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Eva Maria Los.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente)
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência no sentido de encaminhar os autos à PFN para se pronunciar quanto aos efeitos do art.24 da Lei nº 13.655/2018, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Eva Maria Los. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 24 50 0/ 20 10 -4 7 Fl. 2944DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase do lançamento tributário consubstanciado no auto de infração de IRPJ (fls. 02/12), no valor global de R$19.196.730,78. As infrações cometidas pelo contribuinte foram de exclusão/compensação não autorizada na apuração do lucro real, nas seguintes modalidades: (i) exclusão indevida de provisões não dedutíveis; (ii) exclusão indevida de pagamento do PAES; e por fim (iii) a inobservância do limite de 30% na compensação de prejuízos. Segundo o auditor fiscal: “Com efeito, a empresa que protagonizou as exclusões, em 31/12/2006, foi J MACÊDO S/A, CNPJ 72.027.014/000100, localizada na Rua Benedito Macêdo, n° 79, Cais do Porto, CEP 60.180000, na cidade de Fortaleza CE, incorporada, naquele mesmo dia, por ÁGUIA S/A, CNPJ 14.998.371/000119, com sede social na Via Centro, n° 374, BR 324, Km 20, Centro Industrial de Aratu, na cidade de Simões Filho, Estado da Bahia, que, digase de passagem, é pertencente ao mesmo grupo econômico e tem patrimônio liquido menor do que o da incorporada (a menor incorporou a maior) e vultosos prejuízo fiscal (da ordem de R$ 100.000.000.00) e base de cálculo negativa de contribuição social (cerca de R$ 83.000.000.00). Por relevante, note se que a incorporadora, Águia S/A, CNPJ 14.998.371/000119,No evento da incorporação, assumiu o nome empresarial e o endereço social de J MACÊDO S/A, CNPJ 72.027.014/000100.Assim, agora, temos duas J MACÊDO, uma, a incorporadora (antiga Águia S/A, CNPJ 14.998.771/000119), e a outra, a incorporada, de CNPJ 72.027.014/000100, que fez a exclusão indevida na DIPJ apresentada por motivo da incorporação, na data já citada. Por essa razão, o lançamento está sendo efetuado contra a sucessora, J MACÊDO S/A, CNPJ 14.998.371/000119.” Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 329/356) em face do lançamento, em 23/11/2010, com espeque nas seguintes argumentações: ILEGALIDADE DA GLOSA DA EXCLUSÃO DE PROVISÕES Caso, porém, o evento que a provisão garantia não venha ou não mais possa se concretizar, a provisão deverá ser revertida, sendo excluído o valor provisionado na apuração do lucro real e, simultaneamente, reconhecido no resultado do exercício. Nesse exato sentido é a didática lição da Conselheira SANDRA MARIA FARONI no voto proferido no Acórdão n.° 10195.899, de 6 de dezembro de 2006: ‘É inquestionável que a pessoa jurídica pode constituir as provisões consideradas necessárias para refletir sua real situação econômico financeira, devendo, todavia, adicionar ao lucro líquido as provisões consideradas indedutíveis, para efeito de apuração do Lucro Real. Nesse caso, no período em que ocorrer a reversão contábil da provisão Fl. 2945DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 4 3 previamente adicionada, o valor revertido pode ser excluído do lucro líquido para apuração do lucro real. Para justificar a exclusão são necessários dois pressupostos: (1) que quando da constituição da provisão o respectivo valor tenha sido adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real; (2) que tenha ocorrido a reversão contábil da parcela excluída, isto é, que o referido valor tenha sido contabilizado como receita do exercício, o que justifica a exclusão, dado que já ocorrera a tributação quando da constituição da provisão’. Os procedimentos acima indicados, quais sejam, adição das provisões não dedutíveis no momento da sua constituição e a sua exclusão, seja por ocasião do pagamento da obrigação provisionada, seja em razão de sua reversão (motivada pela não verificação do evento), com a contabilização do valor provisionado como receita do exercício, foram rigorosamente observados pela IMPUGNANTE. Sucede, no entanto, que a produção da prova documental de todos os eventos em questão é um processo complexo, que demanda uma verificação analítica de todos e cada um dos lançamentos contábeis dos valores provisionados de modo a poder identificar com precisão a sua respectiva adição na apuração do lucro real no ano de formação da provisão. Ocorre que para comprovar a adição de cada um dos valores referentes às provisões excluídas, a IMPUGNANTE necessitava fazer um levantamento dos registros contábeis dos anos anteriores, de modo a identificar com precisão e clareza o ano em que as provisões a que respeitam foram constituídas. E, nesse particular, enquanto foi mais simples comprovar provisões individuais de valores relevantes, como, por exemplo, a provisão "Vr. Ref IPI Dinel incorporado no PAEX" no valor de R$ 4.797.838,63, adicionada ao lucro real no ano de 2003 (doc. n.° 2), já não é tão fácil vincular as provisões de obrigações trabalhistas, eis que o valor adicionado por ocasião da constituição das provisões corresponde ao somatório dos valores estimados dos pedidos formulados em todas as reclamações trabalhistas ajuizadas contra a IMPUGNANTE, ao passo que os valores efetivamente pagos são, na maioria das vezes, distintos por refletirem os termos de acordos entabulados entre as partes. Essa peculiaridade faz com que as provisões para reclamações trabalhistas acabem tendo um caráter global e genérico, sendo adicionados os valores das contingências estimados com base nos pedidos formulados nas ações numa única conta que constitui um conjunto uno e indivisível, por outro lado, as exclusões, quando realizadas, observam rigorosamente os termos dos acordos celebrados, em valores, via de regra, inferiores aos inicialmente pedidos pelos reclamantes, o que, aliás, aponta para a adição de uma provisão maior do que a obrigação efetivamente materializada. Todas essas considerações servem para justificar as razões pelas quais a IMPUGNANTE não conseguiu, no prazo assinalado pela Fiscalização, realizar a vinculação entre a prévia adição dos valores provisionados e sua posterior exclusão. Na verdade este trabalho vinha Fl. 2946DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 5 4 sendo realizado pela IMPUGNANTE quando foi surpreendida com a notificação da lavratura dos autos de infração. A parte do trabalho que já se encontra concluída comprova, como se pode ver da documentação anexada (doc. n.° 3), que valores provisionados, excluídos em 2006, foram adicionados em períodos anteriores, ou mesmo no próprio ano base de 2006, e correspondem a obrigações pagas naquele mesmo ano. No que concerne às provisões objeto de reversão em 2006, a IMPUGNANTE esclarece que os lançamentos contábeis que comprovam referida reversão, cuja localização os autos de infração alegam não ter sido possível efetuar, foram devidamente apresentados à fiscalização, em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, em meio magnético, como determina o Ato Declaratório Executivo COFIS n.° 15, de 23 de outubro de 2001. Em relação às mesmas, a IMPUGNANTE também comprova através da documentação anexa (doc. n.°4) os anos de sua formação, bem como o lançamento a crédito de resultado do exercício do seu respectivo valor. No que respeita aos demais itens, notadamente as provisões trabalhistas, a IMPUGNANTE considera imprescindível a realização ou de diligência ou de perícia contábil para que seja esclarecido se as exclusões de provisões não dedutíveis levadas a cabo no exercício de 2006 e glosadas pelos autos de infração, teriam sido objeto de adição na apuração do lucro real em exercícios anteriores, em valor compatível com o de sua posterior exclusão. Assim, em obediência ao disposto no art. 16, IV, do Decreto n.° 70.235/72, a IMPUGNANTE requer, desde já, a realização das providências em questão e indica em separado, em documento anexo à presente impugnação (doc. n.° 5), para facilidade de identificação, o perito e respectiva qualificação, bem como formula os quesitos que deverão ser respondidos pela perícia contábil, norteando os respectivos trabalhos. ILEGALIDADE DA GLOSA DA EXCLUSÃO DO PAES No que respeita à glosa da exclusão no valor de R$ 4.169.101,14, referente a pagamentos ao parcelamento especial instituído pela Lei n.° 10.684, de 30 de maio de 2003 (PAES), a IMPUGNANTE esclarece que se trata de valores correspondentes a créditos de IPI sobre operações não tributadas, apropriados no passado pela IMPUGNANTE e tratados como créditos a compensar. Com a glosa pelo Fisco das compensações levadas a efeito com utilização de referidos créditos de IPI pela IMPUGNANTE, esta procedeu à provisão dos respectivos valores (R$ 17.895.063,92), adicionando os ao lucro real, como determina a legislação fiscal, como se verifica da documentação anexa (lançamentos contábeis e Lalur doc. n.° 6). Com a criação do PAES, a IMPUGNANTE optou, em 2005, pela inclusão do valor da dívida em referido programa (cfr. doc. n.° 7), dando baixa na provisão anteriormente constituída, e registrando os valores no "contas a pagar". Muito embora pelo regime de competência já pudesse a IMPUGNANTE ter procedido à exclusão do valor da provisão Fl. 2947DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 6 5 anteriormente constituída e adicionada ao lucro real a esse título, atendendo a orientação de seus auditores fiscais optou por somente proceder a referida exclusão pelo regime de caixa, por ocasião do efetivo pagamento das parcelas em que a dívida havia sido dividida no PAES, o que somente veio a ocorrer em 2006 (doc. n.° 8). ILEGALIDADE DA GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS Com efeito, no ano de 1999, no contexto de um amplo processo de reestruturação de negócios das empresas relacionadas (doc. n.° 9), os ativos operacionais da Águia S/A foram integralmente transferidos para a empresa J. Macedo Alimentos do Nordeste S/A, empresa que passou a concentrar as operações de alimentos. A partir daquela data, a Águia assumiu funções de holding pura, detentora de participações nas sociedades relacionadas. O novo modelo de negócios do Grupo exigiu a adoção de uma série de medidas visando melhorar as sinergias operacionais com (i) organização e concentração das atividades de produção e comercialização de farinhas de trigo, massas, biscoitos, misturas para bolos, etc; (ii) segregação das atividades que não se referiam a estes negócios; (iii) enxugamento de estruturas ociosas; (iv) eliminação de estruturas duplicadas; e (v) priorização da manutenção de empresas localizadas em regiões incentivadas. Foi precisamente no contexto de tal reestruturação que a IMPUGNANTE incorporou a J. Macedo S/A (CNPJ 72.027.014/000100), assim como também no mesmo período outras empresas relacionadas foram extintas. O fato de a IMPUGNANTE ter passado a adotar a denominação da incorporada, aliás, a sua denominação tradicional e pela qual é nacionalmente reconhecida não é suficiente para desqualificar a operação, acoimando a de artificial e com intuito puramente fiscal. Há muito se pacificou o entendimento de que, deparando se o administrador com dois caminhos igualmente legítimos para atingir um mesmo fim, um dos quais também apresenta um melhor resultado do ponto de vista econômico fiscal em comparação ao outro, não lhe é exigível optar pelo mais oneroso. O que importa ter presente é que a operação de incorporação seria realizada de qualquer forma e que a escolha do modelo levou em consideração, entre outros fatores, é inegável, a intenção de preservar o estoque de prejuízos fiscais legitimamente registrados pela Águia S/A no período em que exercia atividade industrial. Calça, aliás, como uma luva lição de MARIAM SEIF, Relatora de acórdão doutrinário sobre a matéria quando Presidente do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O direito à compensação dos prejuízos apurados em exercícios anteriores com o lucro do exercício está na base da própria sistemática da legislação do imposto de renda que incide sobre o somatório dos ganhos e perdas apurados pelas pessoas jurídicas. A ratio legis por trás desta nova sistemática estava em limitar o montante da compensação anual, assegurando ao Fisco uma Fl. 2948DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 7 6 tributação mínima, mas, por outro lado, reconhecendo o direito do contribuinte à compensação do montante integral dos prejuízos, conquanto diferida no tempo, como revela EDSON VIANNA DE BRITO, tido como mentor intelectual da norma. Como se vê tal norma jamais teve por intuito que a limitação de 30% fosse uma restrição definitiva ao direito do contribuinte à compensação de seus prejuízos fiscais. Pelo contrário, veio ela permitir a utilização dos prejuízos remanescentes em períodos posteriores por prazo indeterminado. É isso, aliás, o que se infere da exposição de motivos da Medida Provisória n.° 998/95, reedição das Medidas Provisórias n° 947/95 e 972/95, que deu origem, por conversão, à Lei n.° 9.065/95. Esse elemento histórico e finalístico da norma, por si só, já é suficiente para demonstrar que, na sistemática adotada pela lei, só há sentido em se aplicar o limite de 30% se os prejuízos fiscais puderem ser compensados por prazo indeterminado. A tais elementos soma se ainda a interpretação dada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que apenas considera válido o limite de 30% estabelecido inicialmente na Lei n.° 8.981/95, e tornado permanente pela Lei n.° 9.065/95, em razão de ter tornado possível a compensação integral dos prejuízos, em vista da abolição do prazo prescricional. É o que se conclui do acórdão relativo ao REsp n.° 183.155, assim ementado (no mesmo sentido, confira se os acórdãos relativos aos julgamentos do AgRg no REsp 499.175/SP; e REsp n.° 168.379/PR). A lógica do sistema pretendido pelo legislador quando da instituição da limitação de 30%, que assegurou a compensação do montante integral dos prejuízos fiscais, deixa de existir quando ocorre a extinção da pessoa jurídica, tendo em vista incidir nesta hipótese a limitação especial prevista no art. 33 do Decreto Lei n.° 2.341/87. A derrogação excepcional ao princípio da sucessão universal importa, nestes casos, na perda integral dos prejuízos acumulados, uma vez que não há a possibilidade jurídica de uma compensação futura devido à intransmissibilidade do direito, que se extingue, definitivamente e em sua totalidade, com a incorporação. Ora, quando a pessoa jurídica extinta não possui lucros do exercício compensáveis com seus prejuízos fiscais não se pode falar em conflito entre os limites previstos no Decreto Lei n.° 2.341/87 e na Lei n.° 9.065/95. Mas o mesmo já não ocorre quando a pessoa jurídica a ser extinta tem resultados positivos, capazes de isoladamente absorver seus prejuízos pela compensação. A aplicação cumulativa do limite de 30% nestes casos corresponde a uma desconsideração definitiva e já não mais temporária dos prejuízos, resultando em um decréscimo patrimonial. O pressuposto de aplicação do limite de 30%, consistente em reconhecer lhe a natureza de mero diferimento do direito à compensação dos prejuízos, deixa de existir neste caso. Nesta circunstância, a limitação quantitativa não mais representa a postergação do direito à compensação dos prejuízos fiscais, como pretendeu o legislador, mas a sua efetiva perda. Fl. 2949DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 8 7 Por tal razão é que, na hipótese de extinção da pessoa jurídica, falta o pressuposto lógico e intrínseco do art. 15 da Lei n.° 9.065/95, consistente na garantia de compensação futura dos prejuízos, por prazo indeterminado, pressuposto este que torna incompatível a aplicação de tal limite com o preceito do art. 33 do Decreto Lei n° 2.341/87, que impede a sua transmissão para a sucessora. E mais, ao se admitir a hipótese de que ambas as limitações pudessem conviver, se estaria permitindo a tributação do patrimônio do contribuinte em violação ao art. 43 do CTN e em contrariedade com o espírito da Lei n.° 9.065/95. Daí é que a única interpretação conforme a finalidade da norma e que permite validamente harmonizar tais limites com o nosso sistema tributário é a de que o limite de 30% fica afastado naqueles casos em que seja aplicável a limitação contida no art. 33 do Decreto Lei n.° 2.341/87. Isto se dá porque a regra especial do art. 33 do Decreto Lei .° 2.341/87 prevalece sobre a limitação geral estabelecida pela Lei n.° 9.065/95, quando houver a extinção da pessoa jurídica em razão de fusão, cisão ou incorporação. Em matéria tributária, aplicam se, em especial, as regras de interpretação previstas nos arts. 107 e 108 do CTN. Ora, a interpretação segundo os princípios gerais de direito tributário e de direito público conduzem à conclusão inequívoca de que o limite de 30% à compensação dos prejuízos não pode se aplicar cumulativamente com a perda do direito, pois interpretação contrária conduziria à ofensa aos princípios da capacidade contributiva, do não confisco e da vedação à tributação do patrimônio. [Aduziu decisões administrativas] OS ERROS COMETIDOS PELO AUTO DE INFRAÇÃO Para além das razões atrás desenvolvidas, que conduzem à total invalidade das exigências formuladas pelos autos de infração contra a IMPUGNANTE, passase de seguida a demonstrar os erros incorridos pela fiscalização na apuração do montante de tais exigências, pelo que, ainda que as mesmas viessem a ser mantidas por este órgão julgador, o que se admite apenas a título de argumentação, deverá, o seu valor, ser necessariamente recalculado, computandose as despesas com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT e a redução de imposto devido à incidência do lucro da exploração. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA DE SUCESSOR Por fim, a IMPUGNANTE se insurge contra a cobrança da multa de ofício formulada pelos autos de infração, tendo em vista que a mesma tem natureza punitiva, e, como tal, caráter personalíssimo, não podendo transbordar da pessoa do infrator, não sendo, assim, aplicável a eventuais sucessores, como é o caso da IMPUGNANTE em relação à J. Macedo S/A. Isso mesmo já restou pacificado na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos extintos Primeiro e Segundo Conselhos de Contribuintes, como se depreende das seguintes ementas de acórdãos proferidos por aqueles órgãos. Fl. 2950DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 9 8 Acórdão nº 0821.092 4ª Turma da DRJ/FOR Em 14/06/2011, a 4º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza proferiu acórdão DRJ/FOR 02/21.092, que julgou os lançamentos procedentes, recusando o pedido de perícia contábil relativamente à glosa de exclusão de provisões. Recurso Voluntário A Recorrente interpôs o recurso voluntário e a 2ª Turma da 1ª Seção de Julgamento do Carf entendeu por bem converter em diligência para certificar a autenticidade dos LALUR juntado aos autos, intimar a Contribuinte para que, no prazo de 90 dias, apresentasse demonstrativo detalhado das adições do valor das provisões constituídas nos anos de 2002 a 2006 ao lucro real do período correspondente, cuja realização/reversão serviu de base para os lançamentos, bem como a luz dos elementos constantes dos autos, dos LALUR’s de 2002 a 2006, dos demais elementos da contabilidade e do demonstrativo mencionado no item supra, verificar e atestar a efetiva adição, ao lucro real do período correspondente, do valor das provisões constituídas no anos de 2002 a 2006 que serviram, de base aos lançamentos, inclusive no tocante aos valores relativos do PAES. Após análise minudente da documentação trazida pelo contribuinte, foram identificadas as origens das adições ao lucro líquido em períodos pretéritos, que justificam o ajuste de exclusão das provisões glosadas em 2006, no valor de R$26.875.503,21, e foi reconhecida uma diferença (exclusões não comprovadas) de R$868.387,71. Nessa análise, a fiscalização alega ter encontrado inconsistências declinadas em relação apartada. Em relação à exclusão de valores referentes a pagamentos do PAES, a fiscalização atesta constar do processo DARF’s e guias de depósito judicial que comprovam o dispêndio de R$4.173.460,05. Após o retorno da conclusão da diligência, a Recorrente elaborou manifestação alegando que: i) A contribuinte contratou a auditoria independente Ernest Young para pontuar adequadamente as inconsistências do relatório fiscal trazido em atendimento à diligencia; ii) Nesse trabalho a referida auditoria trouxe subsídios que demonstram que a fiscalização deixou de considerar o saldo das provisões existentes em 2002 na incorporada J. Macedo Alimentos Nordeste S/A, no valor de R$2.330.505,30 (doc. 1, pag. 7 e anexo II); iii) Com efeito, a auditoria ainda concluiu que há legitimidade na exclusão de provisões no ano de 2006, indevidamente glosada pelo auto de infração; iv) No que diz respeito à glosa da exclusão no valor de R$4.169.101,14 referente a pagamentos ao parcelamento especial instituído pela Lei 10.684/2003, a diligência Fl. 2951DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 10 9 comprovou a existência de tais dispêndios através de DARF’s e depósitos judiciais atingindo o valor de R$4.173.460,05. Com efeito, após a referida manifestação a Recorrente apresentou novo pedido de conexão entre os processos administrativos 10380.724500/201047 e 10380.724501/2010 91 para que fossem julgados em conjunto para evitar decisões conflitantes, o que de plano se afasta, pois o processo que trata da CSLL foi, no último dia 02 de abril do corrente ano, distribuído à mesma relatoria de modo que não haverá decisão conflitante. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. As questões a serem dirimidas podem ser divididas em: (i) exclusão indevida de provisões não dedutíveis; (ii) inobservância do limite de 30% na compensação dos prejuízos; e (iii) exclusão indevida de pagamento do PAES. Questão de Ordem A Recorrente apresentou questão de ordem para fins de requerer a aplicação imediata do artigo 24, do DecretoLei nº 4.657/42, incluído pela Lei nº 13.655/2018, com o consequente cancelamento das respectivas autuações fiscais. Acerca da temática apresentada, vale trazer algumas ponderações. Da Aplicabilidade da LINDB ao CARF Inicialmente, cumpre consignar que a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) deve ser observada e aplicada por todos os Órgãos de Estado. A recente decisão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais chamou a atenção dos operadores ao afastar a aplicação desta Lei a atividade judicante do CARF, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. QUESTÃO DE ORDEM. CONHECIMENTO. Fl. 2952DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 11 10 Não se conhece de questão de ordem cujo conteúdo não tem pertinência com o objeto do Recurso Especial, tampouco é aplicável ao Processo Administrativo Fiscal.” (Processo nº 19515.003515/200774, Acórdão nº 9202006.996, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 21 de junho de 2018, Relatora Maria Helena Cotta Cardozo). Como fundamento, o voto condutor do r. Acórdão entendeu que a lei só “promoveu alterações na atuação dos órgãos de controle da Administração Pública, principalmente do Tribunal de Contas da União (TCU)”. Fez questão de consignar que “os dispositivos ora tratados basearamse na obra dos Professores Carlos Ari Sundfeld e Floriano de Azevedo Marques Neto, denominada Contratações Públicas e Seu Controle, o que não deixa margem de dúvida acerca da natureza essencialmente administrativa dos novos dispositivos”. No mais, registrou que “em nenhum momento a lei em tela sinaliza que seria dirigida à atividade judicante administrativa, como é o caso do CARF”, de modo que,“quando muito, a aplicação desta lei no CARF restringirseia às atividades essencialmente administrativas, afetas à sua SecretariaExecutiva”. Diante de tais colocações, os citados professores e coautores do anteprojeto da LINDB, manifestaramse na mídia. Vale conferir os seguintes trechos, verbis: Floriano de Azevedo Marques “A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro trata da aplicação da norma por todo o órgão que o faça no exercício de competência estatal. Me surpreende que este argumento tenha sido utilizado para gerar uma imunidade à Lei de Introdução – ou por acaso o Carf não utiliza a regra da Lei de Introdução sobre a vigência? Aplicar a LINDB na contratação ou exoneração de servidor público? Esta é uma interpretação contra legis." (...) "Se alguém achar que existe algum órgão que é imune à aplicação das Leis de Introdução”, ponderou, “este alguém está dizendo que algum órgão está imune à aplicação das regras do Direito”. Carlos Ari Sundfeld “A resposta quanto ao âmbito de incidência dos novos arts. 20 a 30 da Lei de Introdução é bem clara, a começar da ementa da lei que a alterou. Tratase de “disposições sobre segurança jurídica e eficiência na criação e aplicação do direito público”. Os dispositivos da lei 13.655 não são de direito administrativo em sentido estrito (isto é, sobre contratos administrativos, servidores públicos, serviços públicos e outros temas a cargo dos professores desse ramo), tampouco sobre controle da administração; a lei é geral de direito público. Seus dispositivos são abrangentes e serão observados nas operações jurídicas envolvendo o direito público em geral. Entendemse como tal as operações cuja tutela tenha como centro as autoridades administrativas, embora com fiscalização e participação de controladores externos e juízes. Em suma, os arts. 20 a 30 da Lei de Fl. 2953DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 12 11 Introdução tratam do direito público cuja aplicação primária seja administrativa. (...) Quanto à esfera administrativa, a lei não fez distinções nem previu tratamento especial ou imunidades para suas subdivisões. Logo, a Lei de Introdução reformada tem de ser observada por todas as autoridades administrativas, seja qual for sua atuação material específica (ativa, consultiva, controladora, licenciadora, reguladora, sancionadora, etc.), a legislação setorial a que está sujeita (contratual, concorrencial, tributária, etc.), sua vinculação organizacional (autoridades singulares, membros de colegiado, etc.) ou seu nível hierárquico (primeira instância, órgãos recursais, Chefe do Executivo, etc.). Eis então o âmbito objetivo de incidência da lei: situações de criação e aplicação do direito público sob tutela primária da administração pública como um todo. Ela impacta diretamente a aplicação dos direitos constitucional, tributário, administrativo (em sentido estrito), financeiro, ambiental, sanitário, concorrencial, previdenciário, de trânsito, enfim, os ramos do direito público. (...) Impor normas comuns a todos os administradores, controladores e juízes não significa desconhecer as especificidades de organização e funcionamento do controle externo e do Judiciário, tampouco as diferenças que existem na extensão de suas competências de aplicação das normas de direito público cuja tutela primária seja da administração. Para a sujeição de todos às mesmas normas sobre criação e aplicação do Direito, a Lei de Introdução levou em conta a necessidade de coerência normativa: nem o juiz, nem o controlador, podem invalidar, sancionar ou substituir as opções do administrador usando parâmetros de interpretação e decisão discrepantes dos que são naturais e exigíveis na função administrativa. A interpretação tributária feita pelo juiz tem de estar sujeita às mesmas diretrizes que vinculam o administrador tributário. Por identidade de razão, autoridades administrativas judicantes (como o CARF) não podem, para decidir casos, usar conjunto próprio e autônomo de referências jurídicas, diversas das que estão a vincular o administrador tributário ativo e o Poder Judiciário. Convém não esquecer que, ao menos nesse sentido, o Direito é uno, e que a autoridade judicante administrativa em matéria tributária nada mais faz do que aplicar o Direito, e não outra coisa qualquer.” (grifos nossos) Em vista do exposto, fica claro que a LINDB é plenamente aplicável ao CARF e, pessoalmente, não encontro qualquer sentido técnico, jurídico ou hermêutico para afastar os preceitos contidos na LINDB da atividade judicante administrativa. Fl. 2954DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 13 12 Não há dúvidas de que a LINDB é preceito norteador interpretativo que objetiva, em última análise, assegurar segurança jurídica e previsibilidade aos administrados e anseia pela almejada coerência normativa dada a unicidade do Direito. Nessa esteira, o primado da eficiência buscar atingir tais preceitos e garantir a satisfatividade das decisões na esfera administrativa. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. Assim sendo, a inobservância dos citados preceitos aqui descritos viola o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. Esses valores atrelados à eficiência, estabilidade e uniformidade são grandes marcos do CPC/2015 e devem liderar não só as iniciativas do Poder Judiciário, mas desafiar os órgãos do Legislativo e Executivo a cumprirem suas funções como verdadeiros guardiões da segurança jurídica. Dito isto, é fácil evidenciar que a LINDB está alinhada aos princípios que regem a Administração Pública, constantes do artigo 37 , da CF/88 e do artigo 2º , da Lei nº 9.784/99, às diretrizes processuais da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil) e, portanto, não há como afastar sua aplicação no âmbito do CARF. Da Pertinência da Questão de Ordem Suscitada É de conhecimento geral que o tema relacionado à possibilidade de prejuízo fiscal da pessoa jurídica incorporada ser compensada sem observância da chamada "trava de 30%" sempre foi muito controvertido neste Conselho e no Poder Judiciário ,tendo havido período em que claramente este Conselho formou linha majoritária no sentido de permitir o afastamento da mencionada trava nesta situação. Neste ponto, destaco o artigo 20 da LINDB: "Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão. Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas.” Fl. 2955DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 14 13 A devida motivação calcada em valores concretos, a observância prática dos efeitos da decisão proferida e a publicização de eventual mudança de posicionamento, são fundamentais para trazer coerência aos julgados, bem como asseguram que o administrado tenha ciência e previsibilidade para bem gerir suas atividades empresariais. Indo além, destaco que igualmente alinhado aos valores da segurança jurídica e da previsibilidade, está o disposto no artigo 24, da LINDB, que proíbe expressamente que a administração tributária dê aplicação retroativa a nova interpretação sobre a legislação tributária, verbis: "Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público." Notase que, o caput do citado dispositivo converge com os preceitos contidos no artigo 2º, parágrafo único, inciso XIII, da Lei nº 9.784/1999, artigo 100, incisos II, III e parágrafo único e artigo 146, do CTN. Confirase: Lei nº 9.784/1999 "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação." CTN "Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; Fl. 2956DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 15 14 Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo." "Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." (grifos nossos) Contudo, a polêmica trazida pelos operadores com relação a aplicação do artigo 24, da LINDB gira em torno das expressões "orientações gerais da época", entendidas como "jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público". No presente caso, a ora Recorrente compensou Prejuízo Fiscal de empresa extinta por incorporação sem observar a chamada trava de 30%. Neste sentido, invoca a Recorrente a aplicação do artigo 24, da LINDB, por considerar que a jurisprudência administrativa que permitia tal compensação sem observância sem a trava de 30% era majoritária na época dos fatos geradores objeto do lançamento fiscal. Para comprovar o alegado, apresenta relação de casos semelhantes ao presente, onde o aproveitamento fiscal de ágio foi considerado legítimo e plenamente válido: COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DE TERCEIROS. Não são de terceiros os débitos de uma mesma pessoa jurídica apenas com estabelecimentos diversos conforme separação determinada no regulamento do IPI. IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUIZO FISCAL LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA. A lei não traz qualquer exceção à regra que limita a compensação dos prejuízos fiscais à 30% do lucro líquido ajustado. Entretanto, havendo o encerramento das atividades da pessoa jurídica em razão de incorporação, não haverá meios dos prejuízos serem utilizados em anos subseqüentes, como determina a legislação. Neste caso, temse como legítima a compensação da totalidade do prejuízo fiscal, sem a limitação de 30%. Recurso voluntário provido. (CARF, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ReI. Cons. João Carlos de Lima Júnior, Ac. nº 10195.872, julgado em 09.11.2006) IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA Fl. 2957DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 16 15 À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. IRPJ APURAÇÃO DE ADICIONAL §5° DO ART. 67 DA LEI 8981/95 DEDUÇÃO DE RENDIMENTOS FINANCEIROS CÁLCULO DO CONTRIBUINTE Ao apurar o adicional no ano de 1995, devese levar em consideração a dedução prevista no 9 5º do art. 67 da Lei 8981/95. Se examinados os livros do contribuinte sem qualquer questionamento sobre a classificação dos rendimentos financeiros, os cálculos devem seguir a escrituração, em respeito ao art. 9º do Decretolei 1598/77. Recurso parcialmente provido. (CARF, Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ReI. Cons. José Henrique Longo, Ac. nº 10807.456, julgado em 02.07.2003) NORMAS PROCESSUAIS ARGÜiÇÃO DE NULIDADE Não é nula a decisão de primeira instância que não toma conhecimento de matéria submetida ao Poder Judiciário, IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJuízos. LIMITE LEGAl. BALANÇO DE CISÃO. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS O artigo 33 do Decretolei no 2.341/87 determina que a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida, dispondo seu parágrafo único que, no caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Em relação à parcela proporcional ao patrimônio líquido transferido, a limitação retiraria a possibilidade de compensação. Por essa razão, n.9 balanço da cisão, a parcela de prejuízos proporcional ao patrimônio transferido pode ser compensada independentemente da limitação de 30%. [...] Recurso provido em parte. (CARF, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ReI. Cons. Sandra Maria Faroni, Ac. n2 10807.456, julgado em 15.03.2004) Diante das razões técnicas e jurídicas aqui apresentadas e em vista da relação de julgados supra, evidencio que há fortes indícios de que a jurisprudência aplicável seria majoritária. Fl. 2958DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 17 16 Assim, considero prudente, em consonância com o princípio do contraditório, que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) seja intimada para se manifestar acerca do pleito em questão. Conclusão Diante do exposto, VOTO por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que os presentes autos sejam remetidos à unidade preparadora com o objetivo de intimar a PGFN para se manifestar acerca da questão de ordem suscitada pela Recorrente e, em especial, sobre a relação de decisões apresentadas que, a priori, demonstram ser o entendimento majoritário da época favorável à possibilidade de compensação de prejuízo fiscal de empresa incorporada sem observância da trava de 30% em casos semelhantes ao presente. Se for o caso, apresente rol de julgados para contrapor os apresentados pela Recorrente. Na sequência, retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 2959DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001332/2006-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
Lucro Presumido Omissão de Receitas Depósitos Bancários não Contabilizados (Origem não Comprovada)
Caracteriza omissão de receitas, não elidida pela defesa, a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Tributação.Reflexa: PIS, CSLL, Cofins
Aplica-se à exigência reflexa o que foi decidido quanto ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Assim, mantida plenamente a exigência referente ao IRPJ, o mesmo tratamento deve ser dado aos Autos de Infração reflexo.
Juros de Mora: Taxa Selic
Os juros de mora calculados com base na Taxa Selic são perfeitamente legais e constitucionais, dado que utilizados para atualizar monetariamente os débitos lançados a título de tributos e contribuições federais, tendo, portanto, natureza compensatória e não remuneratória.
Inconstitucionalidade/Ilegalidade de Leis.
Incabível a discussão de princípios constitucionais, ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis e/ou atos legislador no momento da criação da lei. Compete exclusivamente ao Poder Judiciário declarar a inconstitucionalidade das leis, porque se presumem constitucionais todos os atos emanados dos Poderes Executivo e Legislativo. Assim, cabe à autoridade administrativa apenas promover a aplicação das
Leis nos estritos limites de seu conteúdo.
Numero da decisão: 1402-002.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário quanto à inconstitucionalidade da taxa SELIC e na parte conhecida negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luís Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 Lucro Presumido Omissão de Receitas Depósitos Bancários não Contabilizados (Origem não Comprovada) Caracteriza omissão de receitas, não elidida pela defesa, a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tributação.Reflexa: PIS, CSLL, Cofins Aplica-se à exigência reflexa o que foi decidido quanto ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Assim, mantida plenamente a exigência referente ao IRPJ, o mesmo tratamento deve ser dado aos Autos de Infração reflexo. Juros de Mora: Taxa Selic Os juros de mora calculados com base na Taxa Selic são perfeitamente legais e constitucionais, dado que utilizados para atualizar monetariamente os débitos lançados a título de tributos e contribuições federais, tendo, portanto, natureza compensatória e não remuneratória. Inconstitucionalidade/Ilegalidade de Leis. Incabível a discussão de princípios constitucionais, ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis e/ou atos legislador no momento da criação da lei. Compete exclusivamente ao Poder Judiciário declarar a inconstitucionalidade das leis, porque se presumem constitucionais todos os atos emanados dos Poderes Executivo e Legislativo. Assim, cabe à autoridade administrativa apenas promover a aplicação das Leis nos estritos limites de seu conteúdo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2097; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 3.784 1 3.783 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001332/200633 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.918 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente TELENCOS TELECOMUNICAÇÕES COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 Lucro Presumido Omissão de Receitas Depósitos Bancários não Contabilizados (Origem não Comprovada) Caracteriza omissão de receitas, não elidida pela defesa, a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tributação.Reflexa: PIS, CSLL, Cofins Aplicase à exigência reflexa o que foi decidido quanto ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Assim, mantida plenamente a exigência referente ao IRPJ, o mesmo tratamento deve ser dado aos Autos de Infração reflexo. Juros de Mora: Taxa Selic Os juros de mora calculados com base na Taxa Selic são perfeitamente legais e constitucionais, dado que utilizados para atualizar monetariamente os débitos lançados a título de tributos e contribuições federais, tendo, portanto, natureza compensatória e não remuneratória. Inconstitucionalidade/Ilegalidade de Leis. Incabível a discussão de princípios constitucionais, ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis e/ou atos legislador no momento da criação da lei. Compete exclusivamente ao Poder Judiciário declarar a inconstitucionalidade das leis, porque se presumem constitucionais todos os atos emanados dos Poderes Executivo e Legislativo. Assim, cabe à autoridade administrativa apenas promover a aplicação das Leis nos estritos limites de seu conteúdo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 32 /2 00 6- 33 Fl. 692DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário quanto à inconstitucionalidade da taxa SELIC e na parte conhecida negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por TELENCOS TELECOMUNICAÇÕES' COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. no qual se insurge em face de decisão da DRJ de Fortaleza que por unanimidade de votos julgou totalmente improcedente a impugnação lançada em face de auto de infração lavrado por suposta omissão de receitas verificadas a partir de depósitos bancários não contabilizados. Ante ao minucioso relatório da DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: 2.1 Depósitos Bancários Não Contabilizados 2.1.1 Valores referentes a depósitos/créditos e investimentos realizados junto a instituições financeiras, em que o contribuinte, regularmente intimado não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Constatação Fiscal lavrado em 05/07/2006, com ciência ao contribuinte em 06/07/2006 (fls. 87/92), o que deu ensejo à lavratura do Auto de Infração em apreço; . 2.1.2 Assim, de acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, c/c o Termo de Constatação acima referenciado e o demonstrativo de fls. 92, foram apurados os seguintes valores tributáveis (fls. 97): Fl. 693DF CARF MF Processo nº 19515.001332/200633 Acórdão n.º 1402002.918 S1C4T2 Fl. 3.785 3 2.1.3 Enquadramento Legal: arts. 25 e 42 da Lei n° 9.430/96, c/c arts 528 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 RIR/99 (fls. 98). 2.2 Assim, em decorrência foram lavrados os autos: 2.2.1 Auto de Infração Contribuição para _o Programa 'de Integração Social PIS (fls. 99/ 105), com crédito tributário no valor total de R$ 227.047,94, inclusive os encargos legais, no qual foi apurada, em virtude da infração 2.1 do Auto de Infração do IRPJ, insuficiência na determinação da base de cálculo do PIS, conforme arts. 1° e 3°, da Lei Complementar n° 07/70, c/c o art. 24, § 2° da Lei n° 9.249/95 e arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I, e 9°, da Lei n° 9.715/98, c/c os arts. 2° e 3°, da Lei n° 9.718/98, sendo apurados os valores tributáveis discriminados em anexos próprios da peça impositiva, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal atinentes à citada Contribuição (fls. 104/105); 2.2.2 Auto de Infração Contribuição para o 'Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 106/112), com crédito tributário no valor total de R$ 1.047.914,70, inclusive os encargos legais, no qual foi apurada, em virtude da infração 2.1 do Auto de Infração do IRPJ, insuficiência na determinação da base de cálculo da Cofins, nos termos do art. 1°, da Lei Complementar n° 70/91; o art. 24, § 2° da Lei n° 9.249/95; arts. 2°, 3°, e 8° da Lei n° 9.718/98, com as alterações das Medidas Provisórias n°s 1.807/99 e 1.858/99 e suas reedições, sendo apurados os valores tributáveis discriminados em anexos próprios da peça impositiva, conforme Descrição dos Fatos e Enquadrarnento Legal atinentes à citada Contribuição (fls. 1 11/1 12); 2.2.3 Auto de Infração Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: CSLL (fls.113/118), com crédito tributário no valor total de R$ 375.070,72, inclusive os encargos legais, no qual foi apurada, em virtude das infrações 2.1 do Auto de Infração do IRPJ, insuficiência na determinação da base de cálculo da CSSL, nos termos do art. 2° e §§ da Lei n° 7.689/88; arts. 19 e 24, da Lei n° 9.249/95; art. 29 da Lei n° 9.430/96, c/c o art. 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições, sendo apurados os valores tributáveis discriminados em anexos próprios da peça impositiva, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal atinentes à citada Contribuição (fls. 117/118); ` 2.2.4 Total do crédito tributário lançado (fls. 04 e 120)..... R$ 2.282.445,26. Fl. 694DF CARF MF 4 2.3 Da aplicação da Multa de Ofício 2.3.1 Sobre o IRPJ, e as contribuições a título de PIS, Cofins e CSLL decorrentes das infrações descritas nos subitens 2.1; 2.2.1, 2.2.2 'e 2.2.3 supra, aplicouse a multa de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do art.i44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 (fls. 95, 102, 109 e 115); ` 3. Inconformado com as exigências, das quais tomou ciência em 06/07/2006 (fls. 96, 103, 110, 116 e 120), o contribuinte, ingressou com impugnação contra 0 lançamento em 25/07/2006 (fls. 122/147). Alega, em síntese, que: 3.1 o prazo concedido pela Fiscalização, de apenas 10 (dez) dias para que a impugnante comprovasse as diferenças entre as receitas declaradas e as receitas apuradas sob as quais fez incidir o Imposto de Renda por 'omissão de receita com base no art. 42 da Lei n° 9.430/96 foi insuficiente para que apresentasse as provas cabíveis, de sorte que seria mais conveniente que a administração pública nem sequer tivesse concedido tal prazo, sendo, pois, forçoso admitir que seria praticamente impossível atender ao que fora solicitado num tempo tão reduzido, o que se caracteriza em grave restrição ao seu direito de ampla defesa e ao contraditório garantido pelo art. 5°, da Constituição Federal, o qual deve ser também observado no processo administrativo; 3.2 está apresentando sua impugnação dentro do prazo regulamentar, de 30 (trinta) dias, tempestivamente, portanto, com a qual pretende demonstrar que haverá de ser declarada nula a infração a ela imputada, tudo em homenagem as regras mais elementares do Direito, restando provada a total improcedência das acusações feitas e a total inconsistência do enquadrarnento legal das pretensas infrações imputadas à impugnante, tendo por consequência o não cometimento de qualquer infração à legislação citada, conforme passa a demonstrar: 3.2.1 é notório que a autoridade administrativa encarregada de efetivar o lançamento tributário a que alude o art. 142 do CTN, conforme liçãodo Ricardo Mariz de Oliveira (in Resenha Tributária, Comentário Imposto de Renda, n° 8, 1° trimestre de 1985, p. 180), tem o dever de investigar os fatos, não se admitindo a realização do lançamento por mera suposição da ocorrência do fato gerador ou por simples presunção; 3.2.2 assim, a presunção no lançamento só é admissível nos estritos limites estabelecidos em lei, em casos excepcionais, portanto, e, ademais, possibilitando ao sujeito passivo, pela inversão do ônus da prova, demonstrar que o fato gerador não ocorreu ou que o valor lançado é descabido; 3.2.3 aduz ainda que é essa .“presunção da fiscalização”, vedada no ordenamento jurídico, que levou o agente fiscalizador da Receita Federal a lavrar tão “estapafúrdia exigência”, pelo que, valendose da inversão do ônus da prova, demonstrará o descabimento dos valores lançados; a) presumiu o servidor autuante, sem efetuar o aprofundarnento no levantamento fiscal e sem respaldo na farta prova documental que ora se junta os fatos que ensejararn a autuação, dado que o ponto de partida da presunção precisa ser conhecido, ou seja, deve partir do fato conhecido, uma vez que não se pode presumir de um fato desconhecido ou altamente improvável, conforme lição do Prof. Paulo Celso B. Bonilha, expendida em sua obra: Da Prova no Processo Administrativo Tributário, p.9394, que traz à colação (fls. 131/132); b) reforça tal entendimento trazendo à colação, no mesmo sentido, a opinião do Prof. Roque Antonio Carrazza, em Curso de Direito Constitucional Tributário, 18” ed., p.408409, o qual discorre sobre a presunção de inocência que vigora em nosso Estado de Direito até prova em contrário, de modo que uma pessoa só pode ser havida por violadora da ordem jurídica com base em fatos e dados consistentes e incontroversos (fls. 133); c) o aludido autor, defende ainda a tese de que a presunção de inocência a que alude o art. 5°, inciso LVII da Constituição Federal de 1988 não se restringe somente ao campo penal stricto sensu, se estendendo também sobre todos os episódios em que há um acusado, sempre que 'há o risco de uma sanção ou de ser atingido um bem jurídico prestigiado pela ordem constitucional, como a liberdade, a honra e a propriedade, hipótese em que todos se presumem inocentes, até demonstração cabal em contrário", cujo ônus deve recair sobre a figura do acusador; d) nesse sentido, a mesma regra de interpretação deve ser dada quando se trata da pretensão da Fazenda Pública de fazer exigências fiscais com base em presunções, pois “A pretexto de combater a fraude ou agilizar a arrecadação, à Fazenda Pública não é dado presumir fatos para compelir os contribuintes a pagar tributos ou a suportar multas fiscais. É que a liberdade e a propriedade das pessoas não podem navegar ao sabor das presunções, muito menos das ficções e indícios; Fl. 695DF CARF MF Processo nº 19515.001332/200633 Acórdão n.º 1402002.918 S1C4T2 Fl. 3.786 5 e) assevera ainda, que, a legislação da Receita Federal não contempla tais hipóteses como presunções júris tantum ou praesumpfio júris de ocorrência ou quantificação do fato gerador das contribuições exigidas, nem também faculta ao aplicador da lei, o poder de inovar na determinação da matéria tributável, dado seu campo de ação está limitado em verificar se o fato descrito como hipótese na lei ordinária de fato ocorreu; f) traz ainda em reforço ao entendimento acima esposado as opiniões dos Profs. Aires Femandino Barreto e Cléber Giardino, bem como o trecho do Acórdão unânime das Câmaras Cíveis Reunidas do Tribunal de Justiça de Minas Gerais proferido nos autos do Mandado de Segurança 6.561, no qual foi relator o Desembargador Rubem Miranda, cujo teor da Ementa diz: “Em se tratando de mandado de segurança impetrado por empresa autuada por agentes fiscais, deve ser concedida a segurança se restar demonstrado que o respectivo auto de infração foi lavrado com base em presunções, constituindo, destarte, prova deficitária e insuficiente de ação fiscal.” (fls. 137/138); g) temse, assim, como improcedente a incabível pretensão da Administração Pública de exigir tais exações, sobretudo porque são contestáveis diante de presunções relativas, sem qualquer esforço ou mesmo tentativa de comprovar, no processo, por meio de exame mais acurado na contabilidade da impugnante, que se estaria diante de eventual omissão de rendimentos. 3.2.4 Insurgese, também, contra os juros cobrados com base na Taxa Selic, argüindo a inconstitucionalidade e ilegalidade de sua aplicação. Alude, preliminarmente, sobre as três espécies de juros adotados no ordenamento jurídico brasileiro, quais sejam: a) indenizatórios; b) remuneratórios; e c) moratórios; para em seguida expor os argumentos contra a cobrança do referido gravame, fazendoo sob os seguintes argumentos: a) aduz que embora a Taxa Selic instituída pela Lei n° 8.981/95, tenha conferido a tal gravame a natureza de juros moratórios, não deve prosperar tal preceito , uma vez que o próprio Banco Central, define a Taxa Selic pelas Circulares BACEN n° 2.868/99, e n° 2.900/99, determinado que a referida taxa não fora instituída por lei, nem tampouco o foi a sua metodologia de cálculo, conforme definição dadas pelas circulares em apreço, segundo as quais: “Definese a Taxa SELIC como a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais.” (fls. I39); b) a referida Taxa tem por objetivo a remuneração do capital investido na compra de títulos da dívida pública federal, mas especificamente das letras do Banco Central do Brasil, conforme Resolução n° l.l24 do Conselho Monetário Nacional _ CMN, correspondendo, assim, à. média ajustada dos financiamentos apurados naquele sistema, calculado sobre o valor nominal pago no resgate dos títulos; c) somente podem participar do referido sistema as instituições financeiras, o Tesouro Nacional, Estados e Municípios e o Banco Central como instituição regulamentadora e controladora da SELIC; d) está claro que a Taxa Selic não possui natureza moratória, uma vez que consiste simplesmente num fenômeno monetário de pagamento em face do uso do dinheiro nas referidas negociações e oscilações mercadológicas de seus valores, conforme destaca o Excelentíssimo Ministro Otávio Galloti na ADIN n° 4930/DF, pois “...seu cálculo se baseia na variação do custo do dinheiro, que é influenciado pela liquidez do mercado.” (fis. 139); e) assim, tendo a Taxa Selic a natureza remuneratória, cristalina se configura a plena inconstitucionalidade de sua aplicação aos débitos fiscais, eis que afronta o disposto no art. 192, § 3°, da Constituição Federal, que estabelece o percentual de 12% ao ano para a taxa de juros reais a ser disciplina em lei complementar; f) por força do princípio da legalidade expresso no art. 5°, inciso II, da CF/88, segundo 0 qual “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” e que coloca a Constituição Federal como Lei Maior do ordenamento jurídico pátrio, bem como no art. 150, inciso I, da Carta Magna, que dispõe sobre o princípio da legalidade tributária, vedando aos entes políticos da federação (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) exigir ou aumentar tributos sem lei que o estabeleça, a lei tributária deverá, com base em tal dispositivo, observar a hierarquia das leis; g) o art. 161, § 1° do CTN, por sua vez, determina que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, calculados à taxa de 1% ao mês, salvo disposição em contrário, Fl. 696DF CARF MF 6 porém, de acordo com o art. 146 da Constituição Federal de 1988, cabe à lei complementar dispor sobre o crédito tributário, de sorte que se o Fisco pretende exigir os juros de mora acima do percentual estabelecido no art. 1561, § 1°, do CTN, somente por lei complementar poderia tal gravame ser estipulado; h) urna vez que o CTN foi recepcionado pelo § 5° do ADCT Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, com força de lei complementar, ainda que tal matéria não tivesse sido reservada ao nível de tal instrumento legislativo, somente um diploma de idêntica hierarquia poderia modificar a disposição do § 1°, do art. 161 do CTN; i) assim, quando o art. 84 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com a redação dada pelo art. 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, determina o cômputo de juros Selic nos débitos fiscais em atraso, tal disposição afronta o art. 146 da CF/88, o art. 34 do ADCT e 0 CTN, 0 que em síntese traduzse em infiingência à Lei Maior ~ a Constituição Federal, entendimento esse reforçado pela opinião de Nelson Nery Junior, que traz à colação (fls. 142/143); 3.2.5 Ainda quanto à ilegalidade da Taxa Selic, argúi que: a) tendo a Taxa Selic natureza remuneratória, não é aceita em nosso ordenamento jurídico, que somente aceita ser aplicado para corrigir débitos fiscais juros de natureza moratórios, Reforça tal argumento à luz das opiniões doutrinárias de Sacha Calmon Navarro Coelho e P. R Tavares Paes (fls. 144); b) outra afronta à Constituição Federal ocorre no tocante à inobservância do princípio da isonomia previsto no art. 5°, caput, inciso I, em face e o contribuinte está sendo constrangido ao pagamento excessivo de uma Taxa Selic, sendo esta onerosa e descabida, enquanto que a Fazenda Pública é obrigada ao pagamento de juros de seis por cento ao ano, conforme disposto na Lei n° 4.414/64, a qual determina juros de 6% (seis por cento) ao ano para correção do indébito tributário efetuado pelo contribuinte; c) o Superior Tribunal de Justiça afastou por diversas vezes a aplicação da Taxa de juros SELIC, ainda que este fosse expressamente prevista em contrato, quando a sua fixação fica a critério exclusivo de uma das partes. Sendo então a Taxa Selic definida por Circular emitida pelo Comitê de Política Monetária do BACEN, ela é instrumento de política monetária, flutuando de acordo com a necessidade do momento, não se compatibilizando, portanto, com o princípio da estrita legalidade tributária sob o qual estão orientadas as relações fiscocontribuinte, cidadãoEstado. 3.2.6 Traz ainda em complementação as diversas elucidações que vislumbram sobre o tema da inconstitucionalidade e ilegalidade da Taxa Selic o teor do informativo jurisprudencial n° 131 do STJ, publicado em 26/04/2002, no qual se deu o entendimento, com base nos diversos dispositivos legais supramencionados pela inconstitucionalidade e ilegalidade da Taxa Selic, determinandose sua exclusão, substituindoa, porém, pela incidência de correção monetária ejuros moratórios no percentual de 1% ao mês (fls. 145/146); 3.2.7 Cabe à Administração Tributária, perante o poderdever de tributar, respeitar o princípio da legalidade, sendo este a base de orientação da atividade estatal de cobrar tributos. No caso em questão, a persistir a exigência da Taxa Selic da forma como foi imputada¬ não refuta conclusão de que não há sequer previsão legal para a cobrança de juros moratórios sobre débitos de natureza tributária. 3.3 Ante o exposto, requer o acolhimento da presente impugnação, determinandose o cancelamento e o conseqüente arquivamento da exigência principal (IRPJ) e de seus reflexos. . O acórdão lavrado pela r. DRJ restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a renda da pessoa jurídica IRPJ AnoCALENDÁRIO: 2001. Lucro Presumido Omissão de Receitas – Depósitos Bancários não Contabilizados (Origem não Comprovada) Caracteriza omissão 'de receitas, não elidida pela defesa, a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos Fl. 697DF CARF MF Processo nº 19515.001332/200633 Acórdão n.º 1402002.918 S1C4T2 Fl. 3.787 7 quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tributaçã0.Reflexa: PIS, CSLL, Cofins Aplicase à exigência reflexa o que foi decidido quanto ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Assim, mantida plenamente a exigência referente ao IRPJ, o mesmo tratamento deve ser dado aos Autos de Infração reflexo. Juros de Mora: Taxa Selic ` Os juros de mora calculados com base na Taxa Selic são perfeitamente legais e constitucionais, dado que utilizados para atualizar monetariamente os débitos lançados a título de tributos e contribuições federais, tendo, portanto, natureza compensatória e não remuneratória. Inconstitucionalidade/Ilegalidade de Leis. Incabível a discussão de_ princípios constitucionais, ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis e/ou atos legislador no momento da criação da lei. Compete exclusivamente ao Poder Judiciário declarar a inconstitucionalidade das leis, porque se presumem constitucionais todos os atos emanados dos Poderes Executivo e Legislativo. Assim, cabe à autoridade administrativa apenas promover a aplicação das Leis nos estritos limites de seu conteúdo. Lançamento Procedente A contribuinte, ora recorrente, apresentou o presente Recurso Voluntário em que sustenta ausência de prazo para cumprir com as exigências fiscais, qual seja, 10 dias para comprovar com documentação hábil e idônea a origem dos depósitos. Reitera o quanto afirmado em sua impugnação acerca da presunção de omissão de receita, principalmente quanto a necessidade de o fisco comprovar o fato conhecido que levará a presunção do desconhecido. Reitera ainda os argumentos aduzidos pela ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa Selic, principalmente o quanto consta no informativo jurisprudencial n. 131 do STJ. É o relatório. Fl. 698DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O recurso foi tempestivamente interposto e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, merecer conhecimento. 2. DO MÉRITO: Inicialmente quanto ao prazo, é práxis comum em fiscalizações ser concedida a extensão do prazo nos casos em que o concedido não seja o suficiente para atendimento da requisição fiscal. Em nenhum momento foi solicitada tal faculdade ou mesmo quando se iniciou o contencioso administrativo, não se juntou qualquer documentação mínima apta a ilidir a presunção instituída pela art. 42 da Lei 9.430/1996. Em relação à necessidade de se provar o fato conhecido, concordo com a Recorrente que cabe a fiscalização comprovalo para então se verificarem os efeitos da presunção prevista em lei, o que caberá ao contribuinte elidir posteriormente. Assim decidi, por exemplo, nos autos do processo administrativo n. 10730.006483/200669, acórdão n. 1402 002.742, no que interessa, assim ementado: OMISSÃO DE RECEITA ATIVO NÃO COMPROVADO. PRESUNÇÃO. A acusação fiscal de ocorrência de omissão de receitas há de ser lastreada em seguros elementos de provas, ressalvadas as presunções legais, revelandose improcedente o lançamento tributário na parte em que efetuado com base em presunção de existência de "ativo oculto", insuficiente a autorizar presunção de omissão de receitas em face de ausência de previsão legal. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. Realizado o lançamento com a observância de todas as normas legais, cabe ao contribuinte fazer prova da efetividade dos valores contabilizados em seu passivo, devendo suas alegações ser acompanhadas de documentos hábeis e idôneos a demonstrar a verdade dos fatos, do contrário, aplicase a presunção legal da ocorrência de omissão de receitas, nos termos do artigo 40 da Lei n° 9.430, de 1996 que, por sua natureza “juris tantum”, deve ser infirmada pela parte contrária com provas robustas, o que não se viu nos autos presentes. Adotando a premissa de que cabe a fiscalização comprovar o conhecido e ao contribuinte afastar os efeitos da presunção, no caso concreto a juntada de informações recebidas das instituições financeiras é suficiente para demonstrar que existiram depósitos cuja origem não foi posteriormente comprovada pela Recorrente com documentação hábil e idônea. Por esta razão, mantemse o auto de infração quanto às receitas presumidamente omitidas. Quanta à inconstitucionalidade ou ilegalidade da aplicação da taxa Selic, este e. CARF não detêm competência para afastar sua aplicação por força do art. 62 do RICARF. E ainda que pudesse, quanto a sua constitucionalidade já decidiu o STF nos autos do RE 582.461 com Repercussão Geral reconhecida, Relatoria do Ministro Gilmar Mendes, assim ementado: 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 19515.001332/200633 Acórdão n.º 1402002.918 S1C4T2 Fl. 3.788 9 Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Conclusão semelhante foi alcançada no e. STJ, ao julgar a legalidade de sua aplicação aos tributos, conforme se depreende dos autos do REsp 879.844 / MG, relatoria do Ministro Luiz Fux, submetido a sistemática de recursos repetitivos, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. EXECUÇÃO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO EM LEI ESTADUAL. ART. 535, II, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 2. A Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, diante da existência de Lei Estadual que determina a adoção dos mesmos critérios adotados na correção dos débitos fiscais federais. (Precedentes: AgRg no Ag 1103085/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/08/2009, DJe 03/09/2009; REsp 803.059/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/06/2009, DJe 24/06/2009; REsp 1098029/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2009, DJe 29/06/2009; AgRg no Ag 1107556/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2009, DJe 01/07/2009; AgRg no Ag 961.746/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2009, DJe 21/08/2009) 3. Raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias. 4. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 582461, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "ICMS. Inclusão do montante do imposto em sua própria base de cálculo. Princípio Fl. 700DF CARF MF 10 da vedação do bis in idem. / Taxa SELIC. Aplicação para fins tributários. Inconstitucionalidade. / Multa moratória estabelecida em 20% do valor do tributo. Natureza confiscatória." 5. Nada obstante, é certo que o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 6. Com efeito, os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 7. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum, configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Assim, de se manter o acórdão proferido pela r. DRJ em sua integralidade. É como voto. Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 701DF CARF MF
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Numero do processo: 18108.002195/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/10/2004
SAT. ALÍQUOTA POR ESTABELECIMENTO.
Nos termos da Súmula 351 do STJ, a alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.
Numero da decisão: 2301-005.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital, Wesley Rocha eJuliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ALÍQUOTA POR ESTABELECIMENTO. Nos termos da Súmula 351 do STJ, a alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital, Wesley Rocha eJuliana Marteli Fais Feriato. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 21 95 /2 00 7- 74 Fl. 1564DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), São Paulo – Centro / SP, fls. 01334, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, nos seguintes termos: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DISCRIMINAÇÃO CLARA E PRECISA DOS FATOS GERADORES. INCONSTITUCIONALIDADE . A indicação clara e precisa, na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, dos fatos geradores das contribuições e períodos a que se referem é requisito de validade do ato de lançamento previdenciário. Alegações de inconstitucionalidade. Não é pertinente no processo administrativo. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 01300 a 01303, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a diferença, não recolhida, de contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT). Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo foram obtidos em folhas de pagamentos, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), documentação elaborada e apresentada pela empresa à fiscalização. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos. Em 20/04/2005 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0856 a 0876, acompanhada de anexos. Diante dos argumentos da defesa, a Delegacia solicitou esclarecimentos à fiscalização, fl. 01281. A fiscalização respondeu aos questionamentos, fls. 01284 e 01285. Diante dos argumentos da defesa, a Delegacia solicitou esclarecimentos à fiscalização, fl. 01281. A fiscalização respondeu aos questionamentos, fls. 01284 e 01285. Novamente, pelos motivos expostos, a Delegacia solicitou esclarecimentos à fiscalização, fl. 01287 e 01288. A fiscalização respondeu aos questionamentos, fls. 01291. A Delegacia solicitou que a fiscalização elaborasse Relatório Fiscal Complementar, fls. 01295. Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 18108.002195/200774 Acórdão n.º 2301005.543 S2C3T1 Fl. 3 3 O Fisco emitiu novo RF, fls. 01300 a 01303, em que há ciência da recorrente e reabertura de seu prazo para defesa. A recorrente apresentou defesa, fls. 01311 a 01331, onde alegou, em síntese, que: O Fisco não apontou no RF os estabelecimentos da empresa tidos como irregular perante o SAT, nem descreveu o motivo pelos quais tais estabelecimentos estariam erroneamente enquadrados para esse fim, motivo de nulidade do lançamento; O lançamento é nulo, pois não descreveu os elementos de convicção que levaram o Fisco à sua lavratura; Não há no lançamento demonstração de quais estabelecimentos teriam recolhido contribuições a menor; Como colocado, o lançamento não permite que seja discutida a efetiva existência de erro de recolhimento do SAT; Da forma como o lançamento foi feito à ofensa aos Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa, assim como desatenção ao devido processo legal; Há diferenças de SAT que já foram objeto de outros lançamentos, o que causa duplicidade de cobrança; Há exemplo, na competência 02/2000, citado para demonstrar que há lançamento em duplicidade e falta de consideração de recolhimento; Não há como entender de que forma o Fisco calculou os valores incluídos no presente lançamento; O Fisco deve utilizar a alíquota de SAT em razão de cada estabelecimento da recorrente; Por todo o exposto, pede e espera que seja acolhido o presente recurso, julgandose insubsistente a decisão, bem como o débito apontado pelo Fisco. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 01344 a 01365, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, as razões já expostas em sua impugnação, citadas acima. A Segunda Turma, da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF analisou os autos e decidiu converter o julgamento em diligência, fls. 01433, a fim de: “Para total esclarecimento da questão, necessitamos que o Fisco elabore planilha, por competência, onde conste o detalhamento dos créditos considerados. Ressaltamos que se ocorrerem considerações de lançamentos anteriores, há a necessidade de demonstração de como foi apurada a contribuição devida nestes Fl. 1566DF CARF MF 4 lançamentos anteriores, com o valor lançado e o respectivo crédito considerado.” O Fisco prestou esclarecimentos, fls. 01449. O sujeito passivou obteve ciência da diligência e apresentou suas alegações, em relação aos seguintes pontos, em síntese: A análise deve verificar a decadência dos créditos exigidos; A alíquota SAT deve ser aplicada por estabelecimento; Reitera que há duplicidade e erro na cobrança, como por exemplo, nos exemplos citados; Requer o provimento do recurso. Os autos retornaram ao CARF, para análise e decisão. Em 16 de abril de 2014, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF emitiu a Resolução n. 2301000.451, que converteu o julgamento em diligência fim de que o Fisco emita Parecer Fiscal Conclusivo, com provas do que alega, onde informe se em todo período correspondente ao presente lançamento (01/2000 a 10/2004) houve fiscalização anterior, com verificação de folhas de pagamentos e as GFIP´s. Em Relatório de Informação (fls. 1527 e ss) emitida pela Receita Federal foi informada a constatação de notificações de débito com competências coincidentes. A Recorrente apresentou manifestação (fls. 1540) ao resultado da diligência ressaltando que a própria fiscalização constatou que havia notificações de débito diferentes com competências coincidentes, de modo que se trata de duplicidade de lançamentos, o que demonstraria o "bis in idem" na tributação do SAT diante da duplicidade de débitos a alguns períodos. Ademais, a Recorrente reitera o argumento da decadência parcial relativa ao período de janeiro de 2000 a março de 2000, assim como ressalta a Súmula 351 do STJ e o Ato Declaratório n. 11/2011, que são no sentido de que a alíquota do SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa ou pela atividade preponderante quando houver apenas registro. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 18108.002195/200774 Acórdão n.º 2301005.543 S2C3T1 Fl. 4 5 Da Preliminar de Nulidade A nulidade no processo administrativo tributário federal é regida pelo artigo 59 do DecretoLei n. 70.235/72, que assim dispõe: Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. A Recorrente alega uma série de questões que implicariam potencial uma preterição ao seu direito de defesa, no entanto, diante do fato de que irei decidir no mérito a favor do sujeito passivo, entendo que a análise da preliminar de nulidade é desnecessária. Da Questão da Aplicação do SAT por Estabelecimento A Recorrente também alega a alíquota do SAT deve ser aferida por estabelecimento nos termos da Súmula 351 do STJ e do Ato Declaratório n. 11/2011, a seguir expostos: SÚMULA N. 351 A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Referência: Lei n. 8.212/1991, art. 22, II. Precedentes: EDcl nos EREsp 707.488PA (1ª S, 11.10.2006 – DJ 13.11.2006) EREsp 476.885SC (1ª S, 14.09.2005 – DJ 14.11.2005) EREsp 478.100RS (1ª S, 27.10.2004 – DJ 28.02.2005) EREsp 505.420SC (1ª S, 12.12.2005 – DJ 03.04.2006) EREsp 508.726SC (1ª S, 09.11.2005 – DJ 21.11.2005) Fl. 1568DF CARF MF 6 EREsp 678.668DF (1ª S, 11.04.2007 – DJ 07.05.2007) EREsp 724.265CE (1ª S, 14.12.2005 – DJ 06.03.2006) Primeira Seção, em 11.06.2008 DJe 19.06.2008 – ed. n. 164 ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 11, DE 20 DE DEZEMBRO DE 2011 (Publicado(a) no DOU de 22/12/2011, seção 1, página 36) A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120/2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro." JURISPRUDÊNCIA: Súmula nº 351 do STJ, DJe 19/06/2008; AgRg no Ag 1178683/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 28/09/2010; AgRg no Ag 1008620/BA, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/03/2010, DJe 12/04/2010; AgRg no AgRg no AgRg no REsp 1114033/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 17/11/2009; AgRg no Ag 1134164/SP, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 24/09/2009; REsp 947920 / SC, Rel. Min. ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; e REsp 842838/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2008, DJe 19/02/2009. Diante de todo o exposto, assiste razão à Recorrente. Da Questão do "Bis in Idem" Caso não seja acolhido o argumento de cálculo do SAT por estabelecimento, passamos a análise da questão do "Bis in Idem". Considerando os resultados da diligência constantes no Relatório de Informação (fls. 1527 e ss) emitida pela Receita Federal, de que foram constatadas notificações de débito diferentes com competências coincidentes. Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 18108.002195/200774 Acórdão n.º 2301005.543 S2C3T1 Fl. 5 7 Diante de tal constatação, não resta dúvida de que a NFLD relativa ao presente processo merece ser cancelada, pois se trata de caso de duplicidade de lançamentos sobre o mesmo fato gerador no mesmo período, de modo que resta clara o "bis in idem". Ante o exposto, dou provimento para o cancelamento do crédito tributário. Decadência Quinquenal e Aplicação da Decadência do Art. 150, §4º, do CTN Caso não seja acolhido os argumentos de cálculo do SAT por estabelecimento e a questão do "Bis in Idem", passamos a análise da aplicação de decadência. Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal STF na Súmula Vinculante nº8, de 12/06/2008, de eficácia retroativa para os contribuintes com solicitações administrativas apresentadas até a data do julgamento da referida Súmula, os créditos da Seguridade Social relativos ao período de 01/2000 a 08/2002 devem ser cancelados, uma vez que o lançamento tributário ocorreu após o lapso temporal quinquenal. Vale ressaltar, ainda, que a regra decadencial a ser aplicada é a do artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o entendimento de aplicação do artigo 150, §4º, do CTN quando houver recolhimentos consta inclusive na Súmula CARF nº 99, "in verbis": Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ante o exposto, aplicase a regra decadencial do artigo 150, §4º, do CTN, de modo que todos os fatos geradores anteriores a abril de 2000 se encontram atingidos pela decadência, uma vez que o prazo de cinco anos para constituição do crédito tributário se encerrou em abril de 2000, ao passo que a cientificação do auto de infração se deu em 20/04/2005. Conclusão Com base no exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade com fundamento no artigo 59, §3º, do DecretoLei n. 70.235/72 e conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 1570DF CARF MF 8 Fl. 1571DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.721425/2014-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 14 25 /2 01 4- 21 Fl. 3177DF CARF MF Processo nº 10670.721425/201421 Acórdão n.º 2402006.354 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 3178DF CARF MF Processo nº 10670.721425/201421 Acórdão n.º 2402006.354 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 3179DF CARF MF Processo nº 10670.721425/201421 Acórdão n.º 2402006.354 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 3180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.901244/2013-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF.
Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
Numero da decisão: 1301-003.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindose daí o rito processual ordinário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 12 44 /2 01 3- 34 Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10073.901244/201334 Acórdão n.º 1301003.336 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por maioria de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da inexistência do crédito alegado para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o valor a maior recolhido se deu basicamente pois desconsiderou os valores pagos em meses anteriores, apresentou planilha que demonstra como os cálculos ocorreram. O Acórdão recorrido entendeu que na data da transmissão das PerdComps o crédito não era líquido e certo, uma vez que as DCTFs não estavam retificadas, e todo o DARF alocado ao débito estava consumido, sem crédito algum, bem como porque o interessado não juntou provas e documentos. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que o acórdão recorrido deve ser anulado pois não se baseou na verdade material dos fatos, e simplesmente baseouse na DCTF que não foi retificada para não homologar as compensações, juntou as DCTFs retificadoras bem como os cálculos em que se basearam os pagamentos. É o relatório. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10073.901244/201334 Acórdão n.º 1301003.336 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.326, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10073.901241/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma tem como origem pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, relativo ao período de apuração de 31/08/2011. No presente processo, o crédito pleiteado tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente ao período de apuração de 30/09/2011. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.326): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pago a maior, pois ao efetuar o pagamento das estimativas mensais, não levou em consideração os valores já recolhidos em meses anteriores. Segundo o Despacho Decisório, todo o DARF relacionado estava alocado para um débito, de tal forma que não restou nenhum crédito disponível a ser compensado, não homologando a compensação pleiteada. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que na data da transmissão da Perdcomp, o crédito não se encontrava líquido e certo, bem como faltou ao recorrente trazer a prova do indébito tributário. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de IRPJ, antecipação, e segundo a recorrente quando realizou o pagamento do DARF para quitar a antecipação, não levou em consideração os valores pagos em meses anteriores, levandoo a pagar um valor maior. Apresentou planilhas em que se demonstra tal cálculo, e em sede recursal juntou a DCTF retificadora e livros de apuração. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10073.901244/201334 Acórdão n.º 1301003.336 S1C3T1 Fl. 5 4 O ponto aqui é que a DCTF foi somente retificada após o Despacho Decisório, não gerando a informação de crédito para a RFB. Porém, ainda que a DCTF tenha sido transmitida posteriormente ao Despacho decisório, é certo que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, nos termos do art. 19, da MP 199026/1999, dessa forma, prevalece a declaração retificadora. Ademais, no caso em tela, de acordo com a DIPJ, a recorrente apurou seu IRPJ em todos os meses do ano com base em balancete de suspensão ou redução, não caracterizando alteração de regime. Em situações semelhantes, temos o entendimento de que a retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impediria o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de desconsideração da DCTF retificadora. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem, refazendo sua análise diante da documentação apresentada." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10073.901244/201334 Acórdão n.º 1301003.336 S1C3T1 Fl. 6 5 pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 392DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000914/2010-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CORRELATA. MESMA DESTINAÇÃO DO AIOP
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos autos de infração de obrigações principais AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
MULTA PREVIDENCIÁRIA. FATOS GERADORES ANTERIORES À MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 2008, NÃO DECLARADOS EM GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. OBSERVÂNCIA ÀS NORMAS INFRALEGAIS.
Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre: (a) a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com (b) a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991.
Numero da decisão: 2301-005.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial, para desconsiderar do cálculo da multa, na sistemática vigente à época dos fatos geradores, as parcelas relativas aos AIOP nº 37.251.756-0 e 37.251.757-9 e determinar novo cálculo da multa nos termos do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, considerando maneira explicitada no art. 476-A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, vencidos os conselheiros Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Maurício Vital.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha.
Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CORRELATA. MESMA DESTINAÇÃO DO AIOP A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos autos de infração de obrigações principais AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores. MULTA PREVIDENCIÁRIA. FATOS GERADORES ANTERIORES À MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 2008, NÃO DECLARADOS EM GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. OBSERVÂNCIA ÀS NORMAS INFRALEGAIS. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre: (a) a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com (b) a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial, para desconsiderar do cálculo da multa, na sistemática vigente à época dos fatos geradores, as parcelas relativas aos AIOP nº 37.251.756-0 e 37.251.757-9 e determinar novo cálculo da multa nos termos do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, considerando maneira explicitada no art. 476-A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, vencidos os conselheiros Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Maurício Vital. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
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MESMA DESTINAÇÃO DO AIOP A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos autos de infração de obrigações principais AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores. MULTA PREVIDENCIÁRIA. FATOS GERADORES ANTERIORES À MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 2008, NÃO DECLARADOS EM GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. OBSERVÂNCIA ÀS NORMAS INFRALEGAIS. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplicase a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre: (a) a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com (b) a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35A, da Lei nº 8.212/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial, para desconsiderar do cálculo da multa, na sistemática vigente à época dos fatos geradores, as parcelas relativas aos AIOP nº 37.251.7560 e 37.251.7579 e determinar novo cálculo da multa nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, considerando maneira explicitada no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, vencidos os conselheiros Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Maurício Vital. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 14 /2 01 0- 67 Fl. 410DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório 1. Tratase de julgar Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face do Acórdão nº 0724.186 (efls 50/64), prolatado pela 6a Turma da DRJ/FNS, em sessão de julgamento realizado em 20 de abril de 2011. 2. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (efls 06), a exigência fiscal consiste em AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória), DEBCAD n° 37.274.9550, de 22/03/2010, em vista do de pretenso descumprimento do dever instrumental estatuído no artigo 32, IV e §§ 3º e 5º da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97. 3. O Recurso Voluntário interposto (efls 70/96) já foi submetido à apreciação prévia pelo Colegiado na sessão de julgamento realizada em 13 de março de 2012, tendo exarado a Resolução nº 2301000.209 (efls 355/360). 3.1. Transcrevese, por pertinente, trecho do Relatório de tal Resolução: Tratase de Auto de Infração nº 37.274.9550, no qual a autoridade fiscal exige multa pelo fato de a empresa ter deixado de entregar e recolher, nos termos dos §4º e §5º, inciso IV, do artigo 32 da Lei nº 8.212/91, as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social – GFIP, sem que tenham sido informados nessa declaração fiscal os fatos geradores da contribuição previdenciária apurados a partir da lavratura dos seguintes Autos de Infração: 1. Auto de Infração nº 37.251.7528 – Constituição de crédito tributário da contribuição previdenciária sobre a remuneração paga ao professor autônomo; 2. Auto de Infração nº 37.251.7595 – Constituição de crédito tributário da contribuição previdenciária individual sobre a remuneração paga ao professor autônomo; Fl. 411DF CARF MF Processo nº 11516.000914/201067 Acórdão n.º 2301005.575 S2C3T1 Fl. 411 3 3. Auto de Infração nº 37.251.7536 – Constituição de crédito tributário da contribuição previdenciária individual sobre a remuneração paga a título de direito autoral; 4. Auto de Infração nº 37.251.7609 – Constituição de crédito tributário da contribuição previdenciária individual sobre a remuneração paga ao bolsistas; 5. Auto de Infração nº 37.251.7560 – Constituição de débito do Programa de Alimentação, ausência de inscrição no respectivo programa; 6. Auto de Infração nº 37.251.7579 – Constituição de crédito tributário da contribuição previdenciária sobre o valor fornecido aos empregados, a título de ticket e de vale alimentação; Assim, embasandose nos Demonstrativos V a VI de fls. 8 e 9, que relacionam os valores correspondentes aos fatos geradores da contribuição previdenciária constituídos por meio das autuações acima mencionados, a D. Autoridade Fiscal, ao constatar a falta de declaração dessas quantias em GFIP, aplicou multa no montante total originário de R$194.946,00, com base no §5º, do artigo 32, da Lei nº 8.212/1991. Devidamente intimada a Recorrente apresentou tempestivamente impugnação, a qual, após ser submetida à apreciação da Delegacia da Receita Federal de julgamento em Florianópolis/SC, foi proferida decisão de fls. 50 a 64 que manteve integralmente a multa aplicada por ocasião da lavratura do Auto de Infração em referência, julgando, dessa forma, improcedente a defesa do contribuinte, nos seguintes termos: "Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008 Auto de Infração n° 37.274.9550 de 01/04/2010. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. REMUNERAÇÕES PAGAS A SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS São segurados obrigatórios da Previdência Social, como contribuinte individual, quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego. DIREITOS AUTORAIS E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais que prestam serviços à empresa, conforme prevê o art. 28, inciso III, da Lei n.° 8.212/91, pagas indevidamente a título de direito autoral. DIREITO AUTORAL Fl. 412DF CARF MF 4 A aplicabilidade das hipóteses de isenção conforme previsto no art. 28, § 9o , alínea "v"da Lei 8.212/91, só ocorre quando efetivamente comprovada a cessão de direitos autorais." 3.2. Transcrevese, excerto do voto contido em tal Resolução, da lavra do Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, à época, relator do presente processo: Da simples análise dos documentos acostados à NFLD nº 37.274.9550, percebese facilmente que a lavratura do Auto de Infração em exame se deve em decorrência da prática de suposta omissão de dados em GFIP, relativamente aos fatos geradores apurados nas autuações fiscais nºs 37.251.7528, 37.251.7595, 37.251.7536, 37.251.7609, 37.251.7560 e 37.251.7579. A partir dessa constatação, foi aplicada à Recorrente, de forma reflexa, multa por descumprimento de obrigação acessória no valor de R$ 194.946,00, nos termos do §5º, do artigo 32, da Lei nº 8.212/1991. Diante desse cenário, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário sustentando, basicamente, o pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor pago pela prestação de serviços e a não incidência desse tributo sobre a verba desembolsada a título de direito autoral, nos do artigo 28 da Lei nº 8.212/91. Não obstante as alegações recursais apresentadas pela Recorrente, fato incontroverso é que a aplicação da multa ora questionada foi lançada de forma reflexa em decorrência do lançamento do crédito tributário previdenciário objeto dos Autos de Infração nºs 37.251.7528, 37.251.7595, 37.251.7536, 37.251.7609, 7.251.7560 e 37.251.7579, conforme se depreende não só do relatório fiscal de fls. 5 a 11, mas também da r. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC (50/64), a qual atesta: "Tratase de Auto de Infração lavrado contra a empresa acima identificada, por ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O contribuinte deixou de declarar e recolher em GFIP a contribuição previdenciária decorrente dos fatos geradores apurados por meio dos Auto de Infração 37.251.7528, 37.251.7536, 37.251.7560, 37.251.7579, 37.251.7595 e 37.2517609, todos lavrados na mesma ação fiscal, pelo que lhe foi aplicada a multa no valor de R$ 194.946,00, conforme o relatório fiscal e demonstrativo (fis. 05/07)." Considerando, assim, que o lançamento da multa sob julgamento fora efetuado reflexamente somente com base nos fatos gerados apurados nos Autos de Infração citados na r. decisão supramencionada, isso significa que os fundamentos de fato e direito objetos dos processos administrativos relacionados detêm a mesma causa de pedir, de tal sorte que o resultado de Fl. 413DF CARF MF Processo nº 11516.000914/201067 Acórdão n.º 2301005.575 S2C3T1 Fl. 412 5 julgamento das apontadas autuações influenciará diretamente no desfecho da presente demanda. Como se vê, é patente a configuração da conexão entre todos os processos relacionados, o que impõe a necessária reunião de todos os autos para que sejam submetidos a julgamento da mesma Câmara para que se aplique sobre eles a mesma decisão, evitando, assim, a prolação de decisões contraditórias. ... Por toda essa razão, entendo que a decisão a ser tomada em todos aqueles autos, pode, sobremaneira, surtir efeitos na decisão aqui a ser proferida, motivo pelo qual é prudente emprestar do Código de Processo Civil o instituto jurídico processual da conexão previsto expressamente no artigo 103 do CPC, e aplicálo no caso dos presentes autos, analogicamente. Isso se faz necessário porque se for decidido nos autos das mencionadas autuações que a Recorrente não é obrigada a efetuar o recolhimento das contribuições previdenciárias sobre os fatos geradores lá constituídos, não haverá que se falar na multa ora aplicada, haja vista que, inexoravelmente, não lhe sobrevirá a obrigação de efetuar o pagamento. Daí porque, é necessário determinar, com fim específico de afastar a ventilada hipótese de decisões contraditórias, a reunião dos referidos processos administrativos fiscais, nos termos do artigo 6º do Regimento Interno do CARF, que assim dispõe: “Art. 6º Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo.” Contudo, certo da configuração da conexão entre os citados processos, devem, assim, ser os mesmos apensados e reunidos para que sejam julgados pela C. Câmara para a qual foi distribuído o primeiro processo. Portanto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que sejam os autos de todos os processos administrativos relacionados ao vertente caso, apensados ao presente processo administrativo, a fim de que sejam julgados simultaneamente pela Câmara para a qual foi distribuído o primeiro processo, conforme determina o artigo 6º do Regimento Interno dessa E. Corte. 4. Informação fiscal produzida em 13/11/2012, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF Florianópolis (efls 392/393) e, despacho datado 19 de abril de 2017 exarado pela Fl. 414DF CARF MF 6 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento (efls 407) fazem a anexação de decisões proferidas nos autos dos processos relativos aos AIOP. 4.1. Vejamos o quadro de tais decisões: PROCESSO DEBCAD (AIOP) DISPOSITIVO Acórdão nº 230201.718 (efls 362/369) Data da Sessão: 17/04/2012 11516.000903/201087 37.251.7528 ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008 Acórdão nº 230201.719 (efls 370/377) 11516.000904/201021 37.251.7536 ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Acórdão nº 230201.722 (efls 378/384) 11516.000910/201089 37.251.7595 ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Acórdão nº 230201.723 (efls 385/391) 11516.000911/201023 37.251.7609 ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n. 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Acórdão n" 2803003.179 (efls 399/402) 11516.000907/201065 37.251.7560 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Acórdão n" 2803003.896 (efls 403/406) 11516.000908/201018 37.251.7579 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 11516.000914/201067 Acórdão n.º 2301005.575 S2C3T1 Fl. 413 7 4.2. Vejamos o quadro de ementas : PROCESSO DEBCAD (AIOP) EMENTA Acórdão nº 230201.718– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2012 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2006 a 31/05/2009 Ementa: DIREITOS AUTORAIS. NÃO CONFIGURAÇÃO – PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. De fato, tratouse de uma prestação de serviço pelos segurados com fornecimento de materiais, o que se subsume às Contribuições Previdenciárias, haja vista não se desnaturar a obrigação de fazer. A análise a ser realizada é simples, e se resume a definir qual o conteúdo econômico do objeto contratado: a obra técnica produzida ou o serviço executado. A recorrente não comercializava o produto do resultado da pesquisa, vendia o conhecimento técnico dos segurados que lhe prestaram serviços. MULTA DE OFÍCIO. REGIME JURÍDICO A SER APLICADO. 11516.000903/201087 37.251.7528 Para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em GFIP há que se aplicar a multa de 75% (prevista no art. 44 da Lei 9.430). Acórdão nº 230201.719 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2012 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2006 a 31/05/2009 Ementa: DIREITOS AUTORAIS. NÃO CONFIGURAÇÃO – PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. De fato, tratouse de uma prestação de serviço pelos segurados com fornecimento de materiais, o que se subsome às Contribuições Previdenciárias, haja vista não se desnaturar a obrigação de fazer. A análise a ser realizada é simples, e se resume a definir qual o conteúdo econômico do objeto contratado: a obra técnica produzida ou o serviço executado. A recorrente não comercializava o produto do resultado da pesquisa, vendia o conhecimento técnico dos segurados que lhe prestaram serviços. 11516.000904/201021 37.251.7536 MULTA DE OFÍCIO. REGIME JURÍDICO A SER APLICADO. Fl. 416DF CARF MF 8 Para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em GFIP há que se aplicar a multa de 75% (prevista no art. 44 da Lei 9.430). Acórdão nº 230201.722 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2012 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 30/06/2009 Ementa: ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. AUSÊNCIA DE LEI. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e como tal interpretase literalmente, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, inciso I. MULTA DE OFÍCIO. REGIME JURÍDICO A SER APLICADO. 11516.000910/201089 37.251.7595 Para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em Gfip há que se aplicar a multa de 75% (prevista no art. 44 da Lei 9.430). Acórdão nº 230201.723 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2012 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 30/06/2009 Ementa: ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. AUSÊNCIA DE LEI. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e como tal interpretase literalmente, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, inciso I. MULTA DE OFÍCIO. REGIME JURÍDICO A SER APLICADO. 11516.000911/201023 37.251.7609 Para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, cujos valores não foram declarados em Gfip há que se aplicar a multa de 75% (prevista no art. 44 da Lei 9.430). Acórdão n" 2803003.179 – 3ª Turma Especial Sessão de 20 de março de 2014 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2009 11516.000907/201065 37.251.7560 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO "IN NATURA”. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 11516.000914/201067 Acórdão n.º 2301005.575 S2C3T1 Fl. 414 9 O auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Acórdão n" 2803003.896 – 3ª Turma Especial Sessão de 03 de dezembro de 2014 Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2009 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO "IN NATURA”. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. 11516.000908/201018 37.251.7579 O auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 5. Presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário apresentado, dele conheço e passo a sua análise. 6. A questão central do recurso voluntário sob exame consiste, pois, em decidir sobre a procedência ou não do autodeinfração (AI DEBCAD 37.274.9550) lavrado pela auditoria fiscal, por omissão em GFIP dos fatos geradores apurados nas AIOP indicadas no quadro que se apresenta a seguir: PROCESSO DEBCAD (AIOP) MATÉRIA (ITEM DO RELATÓRIO FISCAL) OBSERVAÇÕES 11516.000903/201087 37.251.7528 remuneração paga ao professor autônomo decisão definitiva 11516.000904/201021 37.251.7536 remuneração paga a título de direito autoral decisão definitiva 11516.000910/201089 37.251.7595 remuneração paga ao professor autônomo decisão definitiva 11516.000911/201023 37.251.7609 remuneração paga ao bolsistas decisão definitiva 11516.000907/201065 37.251.7560 Programa de Alimentação, ausência de inscrição no respectivo programa decisão definitiva 11516.000908/201018 37.251.7579 valor fornecido aos empregados, a título de ticket e de vale alimentação decisão definitiva Fl. 418DF CARF MF 10 7. Em vista do desfecho dos processos especificados no quadro precedente, é imperioso concluir que subsiste a infração pelo descumprimento do dever instrumental em relação aos fatos geradores correspondentes às obrigações principais lançadas nos processos especificados a seguir: 8. No que respeita aos processos 11516.000907/201065 (AIOP DEBCAD nº 37.251.7560) , e 11516.000908/201018 (AIOP DEBCAD nº 37.251.7579), não subsiste a infração pelo descumprimento da obrigação acessória. Por esse modo, tais valores precisam ser excluídos na apuração apresentada no quadro anexado às efls 8/9. Retroatividade Benigna. Critérios do cálculo da multa mais benéfica 9. A sistemática de cálculo das multas previdenciárias foi profundamente alterada com o advento da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. 10. No presente caso, verificase que a autuação ocorreu em 22/03/2010, com ciência em 01/04/2010, portanto em data posterior à nova sistemática de cálculo das multas. 11. Para as competências até novembro de 2008, inclusive, a multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação entre o valor resultante do cálculo vigente à época dos fatos geradores e o valor resultante da multa calculada com base no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) 11516.000903/201087 AIOP DEBCAD Nº 37.251.7528 11516.000904/201021 AIOP DEBCAD Nº 37.251.7536 11516.000910/201089 AIOP DEBCAD Nº 37.251.7595 11516.000911/201023 AIOP DEBCAD Nº 37.251.7609 Fl. 419DF CARF MF Processo nº 11516.000914/201067 Acórdão n.º 2301005.575 S2C3T1 Fl. 415 11 II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) 12. No caso dos autos, no momento da autuação, já havia sido elaborada planilha comparativa (efls 8/9) entre as multas vigentes na data do fato gerador e as multas supervenientes (alterações promovidas na Lei nº 8.212/91, pela Lei nº 11.941, de 2009). 12.1. Esclareçase, porém, que, para efeito do cálculo previsto no artigo 476, I, "a", da citada Instrução Normativa, é preciso desconsiderar as parcelas que dizem respeito ao AIOP DEBCAD nº 37.251.7560 e à AIOP DEBCAD nº 37.251.7579, e ato seguinte, perfazer a comparação determinada pelo inciso I do mesmo artigo. CONCLUSÃO 13. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para dar provimento parcial, para desconsiderar do cálculo da multa, na sistemática vigente à época dos fatos geradores, as parcelas relativas aos AIOP nº 37.251.7560 e 37.251.7579 e determinar novo cálculo da multa nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, considerando maneira explicitada no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. É como voto. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 420DF CARF MF
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