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Numero do processo: 10930.904409/2012-00
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 09 /2 01 2- 00 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904409/201200 Acórdão n.º 3803004.759 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904409/201200 Acórdão n.º 3803004.759 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904409/201200 Acórdão n.º 3803004.759 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900495/2012-14
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação.
INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO.
O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 95 /2 01 2- 14 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta contribuinte transmitiu declaração de compensação em que compensou o débito discriminado no referido PeR/DComp servindose de suposto crédito de pagamento a maior de PIS. Despacho Decisório da DRF/Aracaju reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente a DComp, por insuficiência de crédito. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Manifestante alegou que: a) a falta de retificação da DCTF não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; b) discorreu sobre o direito à compensação administrativa, fazendo menção à legislação pertinente, tendo ainda tratado da retificação da DCTF e das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a Declaração de Compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Belo Horizonte consignou que o fato evidenciado pelo Despacho Decisório é que o crédito utilizado pela Contribuinte foi alocado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de compensação, além do montante já considerado na decisão. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 08/03/2014, 15 dias após a disponibilização da decisão na caixa postal eCAC, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2014, em que identificou que a origem do crédito era pagamento indevido sobre as receitas decorrentes do fornecimento de medicamentos sujeitos à alíquota zero, com tributação concentrada no produtor, nos termos da Lei nº 10.147/00, com liminar deferida no processo judicial nº 2009.34.00.0314472, confirmada na segurança concedida, em trâmite na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, ascendidos os autos ao TRF1ª Região em 02/05/2001 para o reexame necessário. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10510.900495/201214 Acórdão n.º 3803006.194 S3TE03 Fl. 79 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para admissibilidade, portanto dele conheço. Com efeito, na manifestação de inconformidade a Contribuinte não identifica a origem do crédito que utiliza na declaração de compensação e não anexa documentos nem sua escrita fiscal e contábil para comprovar a sua alegação de pagamento a maior. No recurso voluntário a Recorrente apresentase como substituída no mandado de segurança coletivo impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, ação que teve como objeto a exclusão da base de cálculo das contribuições apuradas por hospitais e clínicas das receitas obtidas com o fornecimento de medicamentos na prestação de serviços, uma vez que tais medicamentos estão sujeitos à incidência concentrada e da alíquota zero relativamente aos demais agentes da cadeia de circulação desses produtos. Anexa Certidão Narrativa de Objeto e Pé contendo o andamento do processo e em que é atestada a concessão de liminar, a posterior concessão da segurança, a subida dos autos para reexame necessário e seu estado de concluso para o relator. Com este argumento a Recorrente inova a sua defesa, trazendo questão que não foi posta perante o juízo de primeiro grau. Reza o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que o impugnante deve arguir na impugnação todas as questões de fato e de direito, bem como apresentar todos os documentos que fazem a prova das alegações. Os processos de restituição, ressarcimento e compensação são de iniciativa do interessado, que se constitui em sujeito ativo no processo fazendo a afirmação do seu direito ao crédito e à concomitante compensação, cabendo a ele, dessa forma, o ônus de instruir o processo com as provas dos fatos constitutivos do seu direito. No presente caso, além de o novo argumento repercutir na supressão da primeira instância, que deixou de apreciar o mérito ora colocado, a Recorrente trouxe apenas a prova quanto à certeza do seu crédito, decorrente da existência da ação judicial em que é parte na condição de substituída processual, com provimento do pedido reconhecendo o direito de não se submeter ao pagamento do PIS/Cofins, porém não se desincumbiu de demonstrar a sua liquidez, comprovandoo por meio de controle segregado dos produtos alvo da exclusão da base de cálculo, bem como, adicionalmente, por meio da escrita contábil e fiscal. Os argumentos da Recorrente apoiados apenas no documento apresentado corresponde à pretensão de obter o provimento do recurso voluntário com base no direito em tese. A prova da certeza do crédito é necessária, mas insuficiente, porquanto não assegura minimamente a existência do seu direito material. Desse modo, a Recorrente apresenta uma defesa que não tem força para lhe favorecer, pois é elementar que restasse provada a materialidade do direito alegado, sintetizada, pelo menos, num demonstrativo de recuperação de crédito, tecnicamente consistente e facilitador de uma possível diligência fiscal, de vez que apresentada apenas na segunda instância. Somente assim, poderia a Recorrente obter, quando menos, alguma parcela de êxito no presente julgamento. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Dessarte, a carência de elementos probatórios que ministrassem em favor da sua alegação realça tão só a inovação no argumento de defesa, que, ante a correção da decisão recorrida, não tem índole bastante para ser conhecida. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso por inovação no argumento de defesa. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13362.720686/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ITR. ALIENAÇÃO DE PARTE DO IMÓVEL. INCIDÊNCIA SOMENTE SOBRE A PARTE REMANESCENTE.
Comprovada a alienação de parte da área do imóvel, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR incide apenas sobre a parte remanescente.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 2101-002.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007 ITR. ALIENAÇÃO DE PARTE DO IMÓVEL. INCIDÊNCIA SOMENTE SOBRE A PARTE REMANESCENTE. Comprovada a alienação de parte da área do imóvel, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR incide apenas sobre a parte remanescente. Recurso de ofício negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior e Eivanice Canário da Silva.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 ITR. ALIENAÇÃO DE PARTE DO IMÓVEL. INCIDÊNCIA SOMENTE SOBRE A PARTE REMANESCENTE. Comprovada a alienação de parte da área do imóvel, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR incide apenas sobre a parte remanescente. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior e Eivanice Canário da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 36 2. 72 06 86 /2 00 9- 38 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) (fls. 38/45), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 05/08, lavrado em 21 de dezembro de 2009, em virtude da falta de recolhimento do ITR, verificada no exercício de 2007. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 DA ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. Cabe reduzir a área total inicialmente declarada, em razão de alienações parciais, as quais foram comprovadas com documentação hábil, nos moldes da legislação pertinente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 38). É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 21/12/2009, que intimou o contribuinte a recolher o crédito tributário referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício de 2007, referente ao imóvel denominado “Fazenda Santa Teresa”, com área declarada de 63.420,0 ha., localizado no município de Bom Jesus PI. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada procedente em parte, para alterar a área total do imóvel de 63.420,0 ha. para 50.320,0 ha., em face da comprovação da venda de 13.100,0 ha. por meio da documentação acostada aos autos, reduzindose, assim, o imposto suplementar apurado pela fiscalização de R$ 1.324.978,00 para R$ 630.512,80, acrescido de juros de mora e multa de 75%. Inferese das certidões de inteiro teor dos imóveis rurais de que ora se trata (fls. 21/25) que houve sucessivas alienações em ambos os imóveis até que se chegasse à área atual de cada um deles, num total de 13.100,0 ha. (10.600,0 ha. da Fazenda Lagoa dos Patos e 2.500,0 ha. da Fazenda Santa Teresa II). Ressaltese que o contribuinte não juntou aos autos a certidão do imóvel Fazenda Santa Teresa, cuja área corresponde a 48.220,0 ha., o que impede a análise das alienações registradas na referida matrícula. Assim, a fundamentação do acórdão recorrido quanto à alteração da área total do imóvel deve ser mantida in totum: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13362.720686/200938 Acórdão n.º 2101002.503 S2C1T1 Fl. 60 3 “Pois bem, da análise dos documentos apresentados pela contribuinte, é possível afirmar que, em 01/01/2005, 13.100,0 ha das áreas das Fazendas Santa Teresa II e Fazenda Lagoa dos Patos não pertenciam mais à contribuinte (5.000,00 ha + 2.000,00 ha + 600,0 ha + 1.000,00 ha + 1.000,00 ha + 1.000,00 ha + 2.500,0 ha), sendo somente essas as alienações devidamente comprovadas nos autos, por meio de documentação hábil (Matrícula dos Imóveis), fls. 18 a 20. Portanto, para o exercício 2007, a área total do imóvel deve ser 50.320,0 ha (63.420,0 ha 13.100,0 ha) e não 33.683,9 ha, conforme alegado pela contribuinte em sua impugnação. Importante reiterar que a diferença entre a área solicitada pela contribuinte em sua impugnação e a área apurada neste Acórdão é decorrente de não terem sido acatadas as alienações referentes à Fazenda Santa Teresa (48.220 ha), cuja área não foi readquirida com o nome de Fazenda Santa Teresa II (31.583,9 ha.), pois a contribuinte não juntou aos autos documentação comprobatória (Matrícula da área de 48.220,0 ha) como fez para as demais áreas.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 61DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13896.001841/2003-08
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/1998
FATURAMENTO. ESTORNO.
Os estornos de receita, alegados pelo contribuinte e confirmados em diligência fiscal pela Delegacia de origem devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição da COFINS, não integrando o conceito de faturament
Numero da decisão: 3803-005.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/1998 AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. ERRO MATERIAL. UTILIZAÇÃO DE CREDITÓRIO COMPROVADO. POSSIBILIDADE. A ausência de DCTF retificadora configura erro material que não impossibilita o uso de crédito devidamente comprovado pelo contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/1998 FATURAMENTO. ESTORNO. Os estornos de receita, alegados pelo contribuinte e confirmados em diligência fiscal pela Delegacia de origem devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição da COFINS, não integrando o conceito de faturament Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 18 41 /2 00 3- 08 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Campinas/SP que julgou procedente em parte a Impugnação apresentada em decorrência da lavratura de auto de infração, em que se exigiram parcelas da Cofins devidas nos meses de novembro e dezembro de 1998 no total de R$ 44.260,73 até a data da lavratura. A autuação decorrera do fato de que o pagamento declarado em DCTF destinado a compensar a contribuição devida nos períodos supra identificados não fora localizado nos sistemas internos da Receita Federal. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu o cancelamento do auto de infração alegando que o saldo compensado seria devido, em razão do fato de que, conforme demonstraria a DCTF, teria ocorrido pagamento a maior da contribuição em outubro de 1998. Segundo o então Impugnante, o faturamento do mês de outubro teria sido de R$ 1.293.815,38, valor esse que multiplicado pela alíquota de “3%” (sic) 1, representaria uma Cofins devida de R$ 25.876,31, e não de R$ 43.082,19, conforme fora recolhido por meio de DARF. Junto a sua Impugnação, o contribuinte trouxe aos autos cópias (i) do DARF relativo ao recolhimento da Cofins do período de apuração outubro/1998, (ii) de planilhas por ele elaboradas contendo a apuração da contribuição, (iii) da DCTF original e (iv) de documentos societários (fls. 13 a 41). A DRJ Campinas/SP manteve em parte o crédito tributário, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO COM PAGAMENTOS NÃO LOCALIZADOS. Ausente prova da existência e da disponibilidade do crédito utilizado em compensação, mantémse a exigência. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações com DARFs não localizados, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, 1 A alíquota de 3% da Cofins só passou a vigorar a partir de 1º de fevereiro de 1999, nos termos da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998 (artigos 8º e 17, I), convertida na Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13896.001841/200308 Acórdão n.º 3803005.299 S3TE03 Fl. 11 3 convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Destacou o julgador de piso que o Impugnante informara na DCTF do 4º trimestre de 1998 o recolhimento de R$ 43.082,19, valor esse que fora vinculado ao débito da Cofins de mesmo valor de outubro de 1998 (fl. 30). Ressaltouse, ainda, que, de acordo com o teor da DIPJ/1999 original ativa (anocalendário 1998), o faturamento apurado pelo sujeito passivo no mês de outubro de 1998 perfaria o montante de R$ 2.154.109,51, valor esse diverso do informado na Impugnação, e que, não havendo provas que infirmassem o débito declarado na DCTF, inviável seria o reconhecimento do indébito utilizado na compensação pretendida. Cientificado da decisão por edital em 17 de julho de 2012, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 14 de agosto de 2012, repisou o mesmo argumento de defesa apresentado na Impugnação e reiterou seu pedido ou, alternativamente, a baixa dos autos em diligência à repartição de origem para se comprovar o erro cometido no preenchimento da DCTF, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) a base de cálculo da Cofins de outubro de 1998, declarada em DCTF, encontravase equivocada, tendo sido essa a razão da existência do recolhimento a maior, no montante de R$ 34.783,35, utilizado na compensação dos débitos da contribuição devida em novembro e dezembro do mesmo ano; b) os documentos anexados ao recurso demonstrariam a correta base de cálculo da contribuição em outubro de 1998, constando da página 22 do livro Razão o estorno do valor de R$ 1.739.167,93, fato esse que teria acarretado a redução da base de cálculo de R$ 2.154.109,51 para a base real de R$ 414.941,60; c) a ausência de DCTF retificadora não infirmaria a correta base de cálculo da contribuição comprovadamente apurada, conforme vasta jurisprudência do CARF e de Tribunais Regionais Federais, em que se reconhece que o erro no preenchimento das declarações não pode implicar em exigência de tributo indevido; d) caso o Fisco venha a alegar alguma dúvida quanto às informações registradas contabilmente, a ele competiria, exclusivamente, a prova da existência de vício na escrituração, uma vez que esta faz prova em favor do contribuinte; e) conforme doutrina de Marcos Vinicius Neder, “a prova que decorre de presunção simples é tida pelo Direito como precária, pois normalmente sacrifica o que raramente ocorre pelo que se verificou repetidamente em situações no passado” (fl. 127); f) considerando que a DCTF fora apresentada em 2 de fevereiro de 1999, na data da lavratura do auto de infração, ocorrida em 12 de junho de 2003, terseia transcorrido o prazo 5 (cinco) anos previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, para a homologação da compensação declarada. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos, além dos documentos que já haviam sido apresentados na Impugnação, cópias (i) de novas planilhas por ele elaboradas, (ii) de parte do Razão Analítico referente ao 4º trimestre de 1998 e (iii) de relações identificadas como “Demonstrativo de Contas” (fls. 188 a 245). A 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, em observância ao princípio da verdade material e ao art. 29 do Decreto Federal nº 70.235/72, concluiu que o material probatório apontava para a possível existência de crédito por parte do sujeito passivo. O julgamento foi convertido em diligência, para que a repartição de origem examinasse a escrita fiscal do contribuinte, a fim de apurar a COFINS devida nos períodos de novembro e dezembro de 1998, concedendo oportunidade ao contribuinte para que se manifestasse sobre o resultado da diligência. A DRF compulsou os registros contábeis juntados pelo interessado do 4º trimestre de 1998 e constatou que: a) a quase integralidade do faturamento do contribuinte adveio de prestação de serviços; b) no mês de outubro de 1998 o contribuinte efetuou estorno do valor de R$ 1.739.168,00, como suscitado em sede de Recurso Voluntário; c) a partir do Razão Analítica da conta “Rendas – FIF SANTANDER INTELIGENTE 60”, na qual o contribuinte registrava as receitas concernentes à taxa de administração de referido fundo, podese deduzir tratarse o montante de R$ 1.739.167,93, também estornado, dos rendimentos auferidos pela carteira do fundo, os quais, mesmo que composta por recursos do próprio interessado, não estariam, então, sujeitos à incidência da COFINS nos moldes da LC nº 70/91; d) da simples comparação dos registros contábeis com as informações entregues pelo contribuinte, salta evidente que a receita bruta oferecida à tributação do IRPJ no anocalendário 1998 guarda consistência com a “Receita de Prestação de Serviços” do balancete encerrado em 31 de dezembro de 1998; e) a receita bruta do 4ª trimestre de 1998 foi de R$ 1.275.235,54, do qual, uma vez deduzidas as parcelas do faturamento oferecidas à tributação da COFINS dos meses de novembro e dezembro, restaria para outubro o exato montante de R$ 414.941,60 e, conseqüentemente, um débito da COFINS de R$ 8.298,83, como esgrimido pelo interessado no Recurso Voluntário. O contribuinte, ciente das confirmações a respeito dos lançamentos realizados, manifestouse ratificando todos os termos do seu recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator Preliminarmente contribuinte afirma que ocorreu homologação tácita da compensação declarada prevista no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, para a Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13896.001841/200308 Acórdão n.º 3803005.299 S3TE03 Fl. 12 5 homologação da compensação declarada., uma vez que a lavratura do auto de infração, ocorreu 5 anos após a apresentação da DCTF Porém, nos documentos juntados aos autos extraise que a DCTF foi apresentada em 2 de fevereiro de 1999 (fls. 22), e a ciência do Auto de Infração ocorreu em 1º de julho de 2003 (fls. 47), portanto, 4 anos e 5 meses após a apresentação da DCTF. A homologação tácita apenas teria operado, apenas, no caso do contribuinte ter sido cientificado do Auto de Infração após 2 de fevereiro de 2004. Rejeitada a preliminar, passo ao mérito. Esta turma identificou um estorno no valor de R$ 1.739.167,93, identificado como “estorno apropriação receita FIF inteligente 60 a maior”, porém sem os elementos das demais variáveis envolvidas no cálculo da contribuição do período. Em razão dos indícios que apontavam para a existência do crédito negado, o recurso voluntário foi devidamente submetido a diligência em prestígio ao princípio da verdade material e em conformidade com o art. 29 do Decreto Federal 70.235/1972. citase: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Em resposta ao pedido de diligência (fls. 281 a 283), a DEINF/SP confirmou o estorno de R$ 1.739.167,93 que reduziu a base de cálculo de R$ 2.154.109,51 para a base real de R$ 414.941,60 em outubro de 1998. Também verificou a consistência de todos os dados prestados pelo contribuinte e confirmou que o pagamento realizado pelo recorrente era suficiente em relação ao 4º trimestre de 1998. Percebese que o crédito tributário alegado pela Fazenda Nacional advém de erro no preenchimento da DCTF, em que foram inseridos indevidamente valores estornados pelo contribuinte. Entendimento pacificado, não apenas nessa turma, é de que meros erros materiais, como o errôneo preenchimento de DCTF, não impedem a utilização de crédito líquido e certo, como disposto no Art. 170 do Código Tributário Nacional. Citase o posicionamento da 2º Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF no Acórdão de nº 3102001.638: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do Fato Gerador: 18/06/2003 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DILIGÊNCIA. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE COMPROVAM O INDÉBITO. HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Sendo apresentado em diligência, os documentos que impediram a homologação do pedido de compensação. Fica comprovada o recolhimento a maior do IOF. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Provido em Parte Observase que a não retificação de DCTF não tem o condão de inviabilizar o crédito do contribuinte e as informações esgrimidas pelo contribuinte foram confirmadas por meio de diligência, comprovandose o estorno de R$ 1.739.167,93. Assim, não há obste ao aproveitamento do crédito por parte do contribuinte a não ser pelos requisitos puramente formais. Não se deve primar pelo rigorismo formal para prejudicar o sujeito passivo e em benefício do enriquecimento ilícito da fazenda. Conclusão Restou claro após a realização da diligência que o contribuinte possui o direito creditório pretendido, o qual não deve ser prejudicado por meras formalidades. Os erros materiais incorridos pelo contribuinte não tem o condão de invalidar a compensação requerida. Por todo o exposto voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório pretendido. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 11080.720028/2011-00
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
Tributação reflexa. Csll.
Em se tratando da mesma situação de fato, deve-se aplicar ao lançamento de CSLL o mesmo entendimento do IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Maria de Lourdes Ramirez (Relatora) e Ana de Barros Fernandes que negavam provimento ao recurso por entender que o ágio não poderia ser amortizado antecipadamente. Designado o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA Sendo a decisão devidamente motivada e fundamentada, não há que se falar em nulidade. O fato dela não ter rebatido ponto a ponto as razões da defesa não implica vício. A desídia da defesa, que deixou de apresentar adendo à impugnação antes da data do julgamento de 1a. instância, e nas condições previstas em lei, não pode dar causa à nulidade da decisão, por cerceamento de direito de defesa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 GLOSA DE DESPESA COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO PAGO. INOCORRÊNCIA DE VÍCIOS NOS NEGÓCIOS JURÍDICOS CELEBRADOS. NORMA TRIBUTÁRIA DE CARÁTER INDUTOR. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. LEGALIDADE. A legislação não apenas permite como estimula a ocorrência de incorporação para o aproveitamento de ágio pago na aquisição de participações societárias. Não tendo ficado caracterizada a ocorrência de quaisquer vícios nos negócios jurídicos celebrados, devem ser admitidos os seus efeitos correspondentes, com o consequente cancelamento do auto de infração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando da mesma situação de fato, devese aplicar ao lançamento de CSLL o mesmo entendimento do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 00 28 /2 01 1- 00 Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Maria de Lourdes Ramirez (Relatora) e Ana de Barros Fernandes que negavam provimento ao recurso por entender que o ágio não poderia ser amortizado antecipadamente. Designado o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 1a. Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos, manteve integralmente as exigências de IRPJ e de CSLL consubstanciadas nos autos. Por muito bem descrever os fatos adoto o relatório do acórdão proferido pela 1a. Turma de Julgamento da DRJ em POA/RS: Contra o contribuinte foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 912/919) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 920/928). O total do crédito tributário lançado atingiu o montante de R$ 280.608,88. Segundo o Relatório da Ação Fiscal de folhas 929/963, a autuação devese, em síntese, ao seguinte: 1. Em 30/08/2006 os sócios da Auto Viação Navegantes Ltda., CNPJ 90.291.436/000170, Sr. Alexandre Schwec, Sra. Maria Schwec e Sra. Josiane Nunes Schwec, efetuaram a venda das quotas de capital que detinham naquela sociedade para a Viação Santa Tereza de Caxias do Sul Ltda. (70% das quotas) e para a Sogil – Sociedade de Ônibus Gigante Ltda. (30% das quotas), conforme informado nas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Física do anocalendário de 2006. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.720028/201100 Acórdão n.º 1801001.988 S1TE01 Fl. 3 3 2. A venda foi efetivada a um valor superior ao valor constante nas DIRPF dos sócios, gerando para estes um ganho de capital (com recolhimento do imposto de renda a alíquota de 15%). Para as compradoras a operação faz surgir um ágio na aquisição do investimento passível de aproveitamento fiscal mediante amortização, em regra, quando da venda do investimento, conforme disciplina dos arts. 385, 391 e 426 do Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99). 3. Ocorre que as sociedades compradoras, visando a amortização imediata do ágio, procederam a uma reorganização societária, com subscrição de capital na empresa “veículo” Navpar Ltda. e posterior cisão desta. 4. A reorganização societária foi realizada da seguinte forma: Em 10/08/2006 as pessoas físicas Alexandre Schwec e Maria Schwec constituíram a pessoa jurídica Navpar, conforme contrato social registrado na Junta Comercial do Rio Grande do Sul em 30/08/2006, tendo como objeto social a participação no capital de outras sociedades e sede no mesmo endereço da Viação Navegantes, integralizando o capital social mediante a transferência das quotas da Viação Navegantes pelo valor constante na DIRPF. O capital social da Viação Navegantes, no total de R$ 3.328.500,00, ficou distribuído da seguinte forma: Navpar com 33.284 quotas, no valor total de R$ 3.328.400,00, e Josiane Nunes Schwec com 1 quota, no valor de R$ 100,00. Somente na data de 31/08/2006 foi procedida a alteração contratual na Viação Navegantes incluindo a Navpar como sócia. 5. Em 21/08/2006 (antes mesmo do Contrato de Constituição da Navpar ter sido registrado na Junta Comercial do Rio Grande do Sul, o que se deu apenas em 30/08/2006, e também antes da formalização da Alteração Contratual da empresa Navegantes, a qual se deu apenas em 31/08/2006), foi assinado o contrato de venda dos direitos e obrigações patrimoniais da sociedade Navegantes através da venda das quotas sociais da empresa Navpar, entre os então vendedores: Maria Schwec, Alexandre Schwec, e Josiane Nunes Schwec (sócios da empresa Navegantes), e as então compradoras: a fiscalizada e a empresa Sogil, pelo preço ajustado de R$ 22.800.000,00, sendo 70% pagos pela primeira e 30% pela segunda. 6. O objeto do contrato foi, literalmente, os "direitos e obrigações patrimoniais da sociedade empresária Auto Viação Navegantes Ltda., inscrita no CNPJ/MF sob n. 92.821. 370/000108, NIRE n. 43.200.288.917, através da aquisição das quotas de sua Controladora Navegantes Participações Ltda." 7. Em 31/08/2006 foi promovida alteração e consolidação do Contrato Social da Navpar, com registro na Junta comercial no dia 18/09/2006, alterando a Denominação Social para Navegantes Participações Ltda., sendo o Capital Social distribuído na proporção de 70% para a Viação Santa Tereza e 30% para a Sogil. 8. Em 30/09/2006 foi formalizada alteração contratual de reratificação, cisão total e extinção da sociedade Navpar, com aprovação da cisão total do patrimônio líquido contábil da sociedade e a versão do mesmo, no valor de Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 R$ 1.220.455,38, em favor das sócias, à razão da participação de cada uma no capital social, conforme Laudo de Avaliação Contábil de 18/08/2006, que constitui o anexo II da alteração contratual. 9. Em razão dessa operação foi gerado um ágio de R$ 6.229.830,00, que passou a ser amortizado, a partir do mês de setembro de 2006, à razão de 1/60. 10. Dos fatos acima relatados, a fiscalização concluiu à luz dos arts. 385, 391 e 426 do Regulamento do Imposto de Renda que as empresas compradoras da Auto Viação Navegantes Ltda. se valeram de uma reorganização societária utilizando uma terceira empresa, a Navpar, para se enquadrar na exceção prevista no art. 386 do referido Regulamento, que permite a amortização do ágio à razão de 1/60 ao mês. 11. Tal conclusão é reforçada pelos seguintes elementos: 11.1. O contrato social de constituição da Navpar foi testemunhado pelas Sras. Alexandra Ferreira Pinto e Karine Fior Moraes e visado pela advogada Luciana Malinowski Meira Jung, todas vinculadas à Martinelli Advocacia Empresarial. 11.2. O escritório Martinelli Advocacia Empresarial prestava serviços para a Viação Santa Tereza e para a Sogil e não prestava serviços para a Auto Viação Navegantes, para a Navpar e para as pessoas físicas de seus sócios, conforme informações da própria banca de advogados, prestadas em atendimentos a intimações da fiscalização. 11.3. Em atendimento à intimação, o contador do Sr. Alexandre e Sra. Maria Schwec, Sr. Luis Paulo Sfredo, informou ter sido o responsável pelo cálculo do ganho de capital auferido pelas pessoas físicas vendedoras com a venda da Auto Viação Navegantes, num trabalho conjunto com a Martinelli Advogados, na pessoa da Sra. Luciana Meira. 11.4. O contrato de compra e venda de quotas sociais, celebrado entre Maria Schwec, Alexandre Schwec e Josiane Nunes Schwec e a Auto Viação Navegantes e com a Sogil, firmado em 21/08/2006, tinha como objeto a venda dos direitos e obrigações patrimoniais da sociedade empresária Auto Viação Navegantes Ltda., inscrita no CNPJ/MF sob o n. 92.821.370/000108, NIRE n. 43.200.288.917, através da aquisição das quotas de sua Controladora Navegantes Participações Ltda. 11.5. No referido contrato (cláusula quinta, alínea “a”) foi estipulado a título de “sinal” o pagamento de R$ 2.000.000,00, sendo que as demais parcelas seriam pagas a partir de 31/08/2006 (cláusula quinta, alíneas “b” e “c”) momento em que seria transferida aos compradores a totalidade das quotas da Navpar, ou seja, o instrumento contratual, assinado em 21/08/2006, amarrava a operação à data de 31/08/2006, quando de fato o Auto Viação Navegantes passaria a ser controlada pelos compradores. 11.6. Para que a Auto Viação Navegantes passasse a ser administrada pelos compradores em 31/08/2006, foram firmados dois instrumentos contratuais nessa data: (i) a Navpar promoveu alteração contratual elegendo como novos administradores os sócios das empresas compradoras (Sérgio Tadeu Pereira, Fernando Osório Ribeiro e José de Jesus Teiga Junior). No Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.720028/201100 Acórdão n.º 1801001.988 S1TE01 Fl. 4 5 referido instrumento contratual, item I, refere à cessão de 33.285 quotas realizadas por Maria e Alexandre Schwec na data de 31/08/2006. Ou seja, coloca que a cessão das quotas da Navpar se deu em 31/08/2006, e não em 21/08/2006, além de fazer referência ao número de 33.285 (nº de quotas da Auto Viação Navegantes) quotas, quando em verdade o capital social da Navpar era constituído por 3.233.900 quotas. (ii) A Auto Viação Navegantes promoveu alteração contratual em 31/08/2006, registro na JUCRGS em 28/09/2006, em que a Navpar já aparece representada pelos novos administradores (os mesmos da autuada e da Sogil), e na qual a Sra. Josiane aliena sua quota (01) à autuada. Uma segunda alteração contratual (re ratificação de alteração contratual), também de 31/08/2006, mas só registrada na JUCRGS em 23/03/2007, retificou a alteração contratual anterior, fazendo constar que a quota da exsócia Josiane teria sido, na verdade, alienada para a própria Auto Viação Navegantes, permanecendo em tesouraria. 11.7. A Sogil antes de se tornar efetivamente sócia direta da Auto Viação Navegantes, em 27/09/2006 e em 29/09/2006, realizou aporte de adiantamentos para futuro aumento do capital social. 11.8. A curta duração da Navpar, que foi constituída em 10/08/2006 e vendida em 21/08/2006, antes do registro do contrato social na JUCERGS em 30/08/2006, e cindida em 30/09/2006. 11.9. Apesar da Navpar ter sido formalmente constituída em 10/08/2006, passando a deter, a partir dessa data, o investimento na Auto Viação Navegantes, esta somente procedeu a sua Alteração Contratual incluindo a nova sócia em 31/08/2006. 11.10. Além das informações das pessoas físicas dos sócios da Auto Viação Navegantes nas DIRPF, que efetivaram a venda da sociedade em 31/08/2006, todos os fatos convergem para esta data. 11.11. Os sócios da Auto Viação Navegantes informaram na DIRPF a venda direta dessa sociedade, e não da Navpar, e efetuaram o recolhimento do imposto de renda considerando como custo do investimento a participação detida na Auto Viação Navegantes. 12. Conclui que, em função dos fatos acima descritos, a situação não se enquadra no previsto no inc. III do art. 386 do Regulamento do Imposto de Renda, motivo pelo qual foram glosadas as despesas com amortização do ágio, para fins de apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e lavrados os autos de infração objeto do presente processo. O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 998/1024, alegando, em síntese, o seguinte: 13. A nulidade do auto de infração em razão da inaplicabilidade dos dispositivos legais invocados pelo autuante para a discutida exigência e em razão do da violação do Princípio da Legalidade por imputar ao contribuinte infração não prevista em lei. Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 14. Mérito. Com o falecimento do sócio fundador, nos idos de 2001, a administração da Auto Viação Navegantes passou a ser gerida pela Sra. Maria Schwec (viúva) e Alexandre Schwec (filho). Com a dificuldade em sincronizar os interesses mãe e filho, estes optaram por vender a empresa Viação Navegantes, o que despertou interesse da ora impugnante em atuar no Município de Porto Alegre. 15. Superados os procedimentos relativos à negociação, depois de afastarse em razão das ofertas realizadas, tomou conhecimento que os sócios da empresa Navegantes optaram por construir uma segunda sociedade, a Navpar, com o objetivo de dirimir os conflitos familiares, pois assim as atividades operacionais da empresa Navegantes ficariam a cargo de um único administrador. Ademais, possibilitou que eventuais compradores pudessem adquirir a Navpar, se auto organizar, sem alterar dados cadastrais da Viação Navegantes (CNPJ, inscrições, etc) o que acarretaria na perda da concessão do serviço de transporte público de passageiros firmados com o Município de Porto Alegre. 16. Esse seria efetivamente o propósito negocial. 17. Por fim, com o escopo de otimizar a administração da empresa controlada (viação Navegantes), reduzir custos com administração, integrar e aprimorar as atividades operacionais, a ora impugnante e a empresa Sogil optaram por cindir e absorver a empresa controladora Navpar. Dessa forma, com a absorção do patrimônio em decorrência da cisão total da empresa Navpar, as novas sócias acabaram por substituir a Navpar no contrato social da empresa navegantes, alteração contratual reflexa e necessária, e, por conseguinte, ao abrigo do disposto no art. 386, inc. III, do Decreto nº 3.000, de 1999. 18. Todo o procedimento foi realizado em consonância com as leis vigentes no País, nada podendo lhe ser imputado que contrarie norma legal. Isso porque não existia lei que proibisse ou vedasse a realização da operação, bem assim é público que efetivamente as transações foram realizadas as claras e com o registro documental. 19. Ao contrário das razões fiscais, a constituição da Navpar não se deu em vista do simples aproveitamento da despesa relativa à amortização do ágio. Os elementos citados pela autoridade administrativa sequer justificam o enquadramento da empresa como “veículo”, uma vez que todas as operações foram realizadas de forma regular, em observância aos ditames legais em regência. 20. Os indícios apontados pela fiscalização não se prestam a tirar ilação de que ocorreu negócio jurídico estruturado. O fato é que os contribuintes podem adotar a forma jurídica que lhes parecer mais adequada, desde que não seja ilícita, proibida ou vedada por lei, como reiteradamente de modo manso e já pacificado vem decidindo o E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 21. Inexistindo norma proibitiva ou que obrigue o contribuinte a determinado comportamento, ou crie obrigação, não há como poder exigir dele comportamento que não se encontre expressamente previsto ou determinados por lei. Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.720028/201100 Acórdão n.º 1801001.988 S1TE01 Fl. 5 7 22. Além do mais, é válido observar que aos contribuintes é assegurado o princípio da livre iniciativa, previsto constitucionalmente, art. 1º e art. 170 da Constituição Federal, como basilar da ordem econômica Brasileira, que equivale ao direito que todos têm de lançaremse ao mercado da produção de bens e serviços por sua conta e risco, aí incluídas as atividades de gestão e de empresa. 23. Em relação à CSLL, especificamente, alega que não há previsão legal para a adição pretendida pela Autoridade Fiscal na sua base de cálculo, pois os valores indedutíveis para o imposto de renda, não são necessariamente indedutíveis para a CSLL, sem a devida previsão legal para tanto, pois somente a lei pode fixar a base de cálculo de tributo. 24. Em relação à aplicação de juros sobre a multa de ofício, alega que, embora prevista legalmente, não são autorizadas a incidirem uma sobre a outra. Ao teor do parág. único do art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, a previsão legal de incidência dos juros de mora é apenas sobre tributos e contribuições, não havendo competência para autorizar a incidência sobre qualquer outra espécie que não possua a mesma natureza jurídica. Por fim, o contribuinte requer o acolhimento da impugnação para, com base nas preliminares argüidas, seja cancelada a exigência fiscal, ou que sejam acatadas as razões de mérito, que de igual maneira ensejaram a desconstituição da infração. O impugnante apóia seus argumentos em acórdãos administrativos e judiciais e na festejada doutrina tributária brasileira. A Turma Julgadora de 1a. Instância manteve as exigências. Iniciou por afastar a preliminar de nulidade dos lançamentos e, no mérito, concluiu tratar o caso de planejamento tributário fundado em aparente observância das normas legais, mas que traria no seu bojo a artificialidade e a simulação com objetivo único de impedir o pagamento dos tributos devidos pela pessoa jurídica, mediante a constituição de nova sociedade com a integralização de capital com quotas de capital de outra pessoa jurídica, avaliada com base na rentabilidade futura, para gerar um ágio e, posteriormente, proceder à incorporação de uma pela outra para tornar possível a amortização do ágio à razão de 1/60, conforme permissão legal prevista no inciso III do art. 386 do Regulamento do Imposto de Renda. Salientou não ser admissível atos e negócios praticados em aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, visando disfarçar o real objetivo da operação que seria unicamente o de reduzir o pagamento de tributos. Contextualizou historicamente o ágio à época do lançamento do Programa Nacional de Desestatização observando que o legislador resolveu beneficiar fiscalmente operações desse jaez, permitindo a redução do lucro tributável pelas importâncias registradas a título de ágio quando da aquisição do investimento, conforme previsão do art. 8º, “b”, da Lei nº 9.532, de 1997. E conclui: A regra constante dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, não foi destinada especificamente para as operações de privatização. A norma está direcionada para Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 toda e qualquer pessoa jurídica que se enquadre na hipótese legal. Por tal motivo, diversos contribuintes, dentro e fora do âmbito das privatizações, têm lançado mão do benefício fiscal. Ao Fisco toca o encargo de verificar a adequação do enquadramento, porquanto possível a prática de atos artificiais com a finalidade de buscar o enquadramento beneficiado, reduzindo os encargos tributários. É disso que trata o presente caso. O autuante considerou que o procedimento de constituição da Navpar foi forjado, simulado, pois foi realizado sob orientação da assessoria jurídica dos adquirentes da Auto Viação Navegantes Ltda. e que teve como único objetivo gerar um ágio interno para que os adquirentes daquela pessoa jurídica passassem a amortizálo imediatamente. As provas e a cronologia dos fatos trazidos aos autos pelo autuante, e que foram escrupulosamente resumidas no relatório acima, não deixam dúvida a esse respeito. As normas legais citadas pelo autuante não abrigam aqueles que se posicionam artificialmente diante dela. Nada impede que os contribuintes busquem formas de pagar menos tributos, mas o procedimento deve estar dentro daquilo que é autorizado pelo ordenamento jurídico, mas sem o mascaramento dos atos praticados para o atingimento desses objetivos, como é o caso dos autos. Os demais argumentos de defesa, relativos à falta de previsão legal para tributação da CSLL, e incidência de juros de mora sobre a multa de ofício foram afastados. Consta dos autos que a empresa foi notificada da decisão em 22/09/2011 (fl. 1.158 do p.d.) e em 18/10/2011 apresentou recurso voluntário. Em razões preliminares invoca a nulidade da decisão recorrida, caracterizada por cerceamento do direito de defesa, por ter desconsiderado, a Turma Julgadora de 1a. instância, as razões de defesa adicionais apresentadas após a protocolização da impugnação, após a prolação daquela decisão, mas antes da ciência daquele “decisum”, julgadas essenciais para o deslinde da matéria, por esclarecer e reforçar a tese da defesa. Nesse contexto aduz: Em meio aos argumentos trazidos é de se ressaltar aquele que aponta especificamente para certo elemento do qual se socorreu a autoridade lançadora para a formalização do lançamento, qual seja apresentação das declarações do imposto de renda dos vendedores da NAVPAR, supostamente a confrontar a materialidade da aquisição pela RECORRENTE. Sobre o assunto, em sua impugnação complementar, trouxe ela a informação nova de que tais declarações dos VENDEDORES – Alexandre e Maria Schwec – foram retificadas, conforme noticia oral fornecida por aqueles e, dessa forma, confirmandose a alegação de erro, conseqüentemente, esvaziase a acusação assim fundamentada no Termo de Verificação Fiscal. Afirma que a coincidência entre a data de protocolização das razões adicionais e a data da decisão de 1a. instância não pode ser óbice ao conhecimento das razões aditivas, razão pela qual deveriam os autor retornar àquela autoridade para apreciálas, em respeito ao duplo grau de jurisdição. Considerou que a decisão recorrida foi omissa, ainda, por ter se abstraído de apreciar o tema juros sobre multa de ofício, ao argumento de lhe ser vedado afastar aplicação de norma legal legitimamente inserida no ordenamento jurídico, e por afirmar que, até o momento daquele julgamento, não haveria nos autos a alegada incidência de juros sobre multa. Isto porque, observa, no corpo do auto de infração haveria a previsão da incidência, confirmada Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.720028/201100 Acórdão n.º 1801001.988 S1TE01 Fl. 6 9 quando do recebimento de guia de recolhimento – DARF – no qual restaram computados referidos juros no cálculo do débito atualizado. Inicia o mérito observando que a NAVPAR nunca teria sido “empresa veículo”, qualidade que fora infelizmente atribuída pela auditoria fiscal. Afirma que as declarações de IRPF dos exsócios da autuada, Maria e Alexandre Schwec, que subsidiaram as conclusões da fiscalização, continham erro quando consideraram, no cálculo do ganho de capital e do IRRF sobre a venda “como custo do investimento a participação detida na empresa Navegantes e não na Navpar”. Nesse sentido observa: Aqui, caso não aceita a preliminar de nulidade, impõese a baixa dos autos, pela emissão de resolução em diligência, até em face do sigilo bancário que protege Alexandre e Maria e que a RECORRENTE não ousa quebrar. No que tange à prática de planejamento tributário ressaltada na decisão recorrida, reitera os fatos e considerações deduzidos na impugnação, ou seja, que além da empresa Navegantes e Navpar possuírem os mesmos sócios majoritários, ambas possuíam capital social de mesmo valor, de forma que o surgimento do ágio não teria se dado na constituição da Navpar, mas sim quando a empresa recorrente, a partir da avaliação de rentabilidade futura, adquiriu sua participação societária por importância maior – R$ 22.800.000,00. Destaca que o caso presente em nada se assemelha a utilização de empresa veículo considerada aquela constituída com a única finalidade de transferir um ágio já existente para sua incorporadora – pois a Navpar não possuía nenhum ágio registrado em seu patrimônio, razão pela qual não poderia transferir, para sua incorporadora, algo que não possuía. Afirma que o desejo de adquirir a Navegantes nunca foi negado, e que a eventual existência de outros motivos não divulgados para a constituição da Navpar nada teriam a ver com a recorrente ou com a prática de planejamento tributário. A constituição prévia da Navpar teria se mostrado um facilitador e incrementou o interesse dos compradores na aquisição. E prossegue: ... E de mais a mais, como também não se poderá negar, a possibilidade de adquirir uma empresa (NAVPAR) que pudesse através de sua controlada (NAVEGANTES), franquear a entrada da RECORRENTE em uma fatia de mercado extremamente importante como o Município de Porto Alegre, se apresentava como um negócio bastante promissor, como de fato foi. Assim, a partir da concretização do negócio, e então na qualidade de controladora da NAVEGANTES, passou a RECORRENTE a investir fortemente nesse novo mercado. Inclusive porque sendo a NAVEGANTES empresa participante de certo consórcio constituído para a racionalização do serviço de transporte naquele Município de Porto Alegre, tornouse viável para ela, RECORRENTE, a adoção de vários procedimentos que, de um lado favorecem a prestação do serviço em melhores condições para a população da região e, de outro lado, propiciam redução de gastos. Dessa forma, inclusive, é que foi possível, por exemplo, a renovação da frota dos ônibus, que assegurou maior segurança e conforto aos usuários. Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Nesse passo não pode a autoridade lançadora afirmar, como afirmou, que a constituição da NAVPAR teve como único objetivo o aproveitamento tributário. A compra da participação societária da NAVPAR e a sua posterior incorporação foram regulares e tiveram por finalidade alavancar os negócios da RECORRENTE em Porto Alegre. E o aproveitamento tributário foi a decorrência legal da operação realizada, não podendo ser desconsiderado pela fiscalização. Alega que o planejamento tributário projetado pela auditoria fiscal careceria de verdade material, já que não apontado qualquer artifício de que teria se valido, nem qualquer ato supostamente dissimulatório teria sido descaracterizado pela fiscalização, o que apontaria pela regularidade do negócio realizado. Defende que a multa calculada em 75% do principal é exacerbada, renovando a discussão sobre a dedutibilidade da CSLL e de todos os argumentos de defesa deduzidos na impugnação inicial e na complementar, como a não incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Shirley F. Marcon Chalita, OAB/SP nº 171.294 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. 1 Preliminares 1.1 NULIDADE DA DECISÃO DE 1A. INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA Invoca, a recorrente, a nulidade da decisão da Turma Julgadora de 1a. Instância ao argumento de que aquela autoridade teria deixado de analisar novas razões de defesa deduzidas em aditamento à impugnação inicial. O aditamento, segundo alega, teria sido apresentado em 29/08/2011, ocasião em que, como admitiu a recorrente nas razões recursais, já havia se dado o julgamento em 25/08/2011 na DRJ/POA/RS, da impugnação apresentada. Compulsando os autos não localizei qualquer documento ou informação que prove a afirmação da defesa. Não se encontra anexado nos autos o referido aditamento, nem a recorrente trouxe, junto ao recurso ora analisado, cópia da peça devidamente protocolizada. Tampouco existe qualquer informação do órgão de origem preparador ou até mesmo da DRJ/POA/RS no sentido de que a defesa teria apresentado qualquer adendo à impugnação. Sequer a recorrente, nas razões recursais, reproduz os argumentos que alega ter deduzido no adendo, limitandose a mencionar que teria constado da nova peça, além de “relevantes razões adicionais de fato e de direito”, a informação de que os antigos sócios da empresa autuada, Alexandre e Maria Schwee, haviam retificado suas DIRPF em razão da constatação de erro de preenchimento, o que “esvaziaria a autuação”. Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.720028/201100 Acórdão n.º 1801001.988 S1TE01 Fl. 7 11 Como admitiu em suas razões recursais o conhecimento, pela DRJ/POA/RS, das razões de defesa deduzidas no adendo foi impossibilitado pela própria recorrente que teria apresentado o aditivo quando o julgamento da impugnação já havia sido realizado, formalizado e registrado em ata. Assim, certo é que a desídia, a desatenção, a negligência, foi da recorrente e não da autoridade julgadora da DRJ que, repito, sequer teve conhecimento do adendo. Contudo, para argumentar, ainda que referido adendo fosse apresentado antes da data do julgamento em 1a. instância da lide, seria imprescindível que a defesa solicitasse, formalmente, à autoridade competente da DRJ/POA/RS, autorização para apresentação extemporânea de razões adicionais de defesa, e desde que ficasse demonstrado, nessa petição, a ocorrência de uma das hipóteses previstas no § 4 º do art. 16 do Decreto n º 70.235, de 1972. Nesse sentido o Decreto n º 70.235, de 1972 – com força de lei – que regula o processo administrativo fiscal, é claro ao dispor: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. ... Mas a desatenção da defesa acabou por prejudicar, também, a possível apreciação das razões adicionais por este Colegiado, possibilidade prevista no § 6º do mesmo artigo 16: § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Assim, além de impedir o conhecimento do suposto aditamento pela DRJ, restou impossibilitado o conhecimento do adendo também por este Colegiado. A conclusão é confirmada pela postura da defesa que optou por omitir, das razões recursais, as informações inseridas nas alegadas DIRPF retificadoras dos sócios – que ao final poderiam levar ao Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 “esvaziamento” da acusação, como afirmou – preservandoos de quebra de sigilo e, com isso, obstaculizando a avaliação da viabilidade de análise dos dados das declarações retificadoras face aos fatos descritos na autuação . Por tais razões a alegação de cerceamento do direito de defesa aduzida pela recorrente se mostra totalmente infundada. Da mesma forma se mostra meramente protelatória a mesma alegação de cerceamento de direito de defesa, desta vez por omissão de apreciação das razões de defesa atinentes à incidência de juros sobre multa. Isto porquê a autoridade analisou as alegações e as respondeu. Se o pronunciamento da DRJ a respeito do assunto não atendeu a contento às ânsias da defesa, isso não pode ser motivo para se anular aquele decisium por cerceamento de defesa. Afastase, portanto, a preliminar suscitada. 2 Mérito. A questão central posta nos autos é, em síntese, a legitimidade, ou não, das operações praticadas pela empresa recorrente, que envolveram reorganizações societárias e geração de ágio na compra de ações. Todos os fatos que envolveram a operação se encontram exaustivamente narrados. Para a defesa todas as operações praticadas foram legítimas e o único interesse foi o de realmente adquirir a Navegantes, ainda que com ágio, e a utilização da Navpar teria se mostrado um facilitador, incrementando os interesses dos compradores nas aquisições. Para a auditoria fiscal a empresa recorrente se utilizou de práticas nefastas de evasão fiscal, mediante reorganização societária com a utilização de “empresa veículo” com o intuito específico de usufruir do benefício de amortização de ágio pago por ocasião de compra de quotas da empresa Auto Viação Navegantes Navegantes, para fins de apuração de IRPJ e de CSLL em valores menores que os efetivamente devidos. É certo que a recorrente lançou mão de um planejamento tributário visando economizar tributo, restando apenas analisar se o planejamento tributário in casu, foi legítimo, ou seja, se pode ser oponível à Fazenda Pública. O tema envolve a antiga discussão entre evasão fiscal e elisão ou planejamento tributário. A jurisprudência administrativa nessa questão tem adotado como subsídio os estudos e conclusões do Ilustre Professor Marco Aurélio Greco1 assim como teses e conclusões de outros estudiosos e doutrinadores, tem servido de norte à formação da convicção no âmbito do julgamento do tema planejamento tributário. A Ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni que por muitos anos atuou neste Colegiado, em caso similar a este, ao analisar recurso voluntário e aproveitandose do raciocínio desenvolvido em voto proferido em Turma Julgadora de 1. instância, reproduziu lições do autor (Ac. 10196.724). Ao se referir ao que chama de planejamento oponível e não oponível ao Fisco, situou, neste último caso, a simulação e a fraude. Na questão da oponibilidade ou não do planejamento ao Fisco o ilustre professor Marco Aurélio Greco observa que o interprete, ao analisar uma operação de planejamento tributário, deve atentar para existência de algumas condições, dentre as quais cita: (a) Operações Estruturadas em Seqüência; (b) Operações Invertidas; (c) Operações entre Partes Relacionadas; (d) Uso de Sociedades (conduit companies, sociedades aparentes; 1 Greco, Marco Aurélio, Planejamento Tributário, São Paulo, Dialética, 2004 Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.720028/201100 Acórdão n.º 1801001.988 S1TE01 Fl. 8 13 sociedades fictícias; sociedades efêmeras; interpostas pessoas), dentre outros, que servem, na lição do Mestre, de sinal de alerta. No presente caso identificamse algumas dessas situações. Vejamos: 1 Operações Estruturadas em Seqüência: O caso em foco é composto de operações estruturadas em seqüência. Ou seja, há uma seqüência de etapas em que cada uma corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial que se encadeia com o subseqüente. Assim, cada etapa só tem sentido se existir a que lhe antecede e se for deflagrada a que lhe sucede. Observese: Até 30/08/2006: A Auto Viação Navegantes – Navegantes, tinha um capital social de R$ 3.328.500,00 e como sócios: Alexandre Schwee (16.169 quotas – R$ 1.616.900,00); Maria Schwee (17.115 quotas – R$ 1.711.500,00) e Josiane Schwee (1 quota – R$ 100,00). Seqüência de operações: Em 10/08/2006 – confecção do Contrato de Constituição da Navegantes Participações – Navpar, pelo qual Alexandre e Maria constituem a Navpar com quotas da Navegantes, na seguinte proporção: Alexandre integraliza 1.569.650 quotas – R$ 1.569.650,00 mediante transferência de 16.169 quotas da Navegantes e Maria integraliza 1.664.250 quotas – R$ 1.664.250,00, mediante a transferência de 17.115 quotas da Navegantes Em 21/08/2006 – Assinatura do contrato de venda dos direitos e obrigações patrimoniais da Navegantes pelos sócios Josiane, Alexandre e Maria – estes dois últimos com quotas da Navpar – para a Sogil (30%) e a Visate (70%) pelo preço de R$ 22.800.000,00. Em 30/08/2006 Registro do Contrato de Constituição da Navegantes Participações – Navpar, passando a Navegantes a ter como sócias a Navpar (99,999%) e Josiane (0,001%) Em 31/08/2006: Alteração do contrato social da Navpar, retirandose da sociedade Alexandre e Maria, que haviam transferido suas quotas na empresa para Sogil e Visate. Assim, a Navpar passou a ter como sócias a Sogil (30%) e a Visate (70%) Em 30/09/2006: Alteração Contratual, Reratificação, Cisão e Extinção total da Navpar, instrumento pelo qual, dentre retificações e ratificações, houve cisão total do Patrimônio Líquido em favor da Sogil e da Visate e conseqüente extinção da Navpar. Uma operação estruturada como a que ora está sendo examinada indica a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto, indicando, também, uma causa jurídica única. Nesta hipótese, devese examinar se há motivos autônomos ou não, pois se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. No caso examinado nenhum motivo autônomo se apresenta nos autos que venha a justificar a realização de cada uma das etapas da operação. Isto é, não existia uma finalidade diferente para cada etapa das operações que as justificasse. A finalidade era uma Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 única e somente seria obtida ao término de todas as etapas. Tais circunstâncias levam, assim, a apreciar a operação como um todo, sem que se perca de vista, no entanto, as peculiaridades de cada etapa de que a operação se compõe. Outro dado relevante nestas operações em etapas e que também se faz presente neste caso, diz respeito ao tempo decorrido entre cada uma delas. Isto significa que se deve aferir a razoabilidade do tempo que transcorreu entre uma etapa e outra para que seja possível considerar cada uma delas separadamente como operações autônomas e, portanto, com efeitos próprios em relação ao Fisco. Na situação examinada, nenhum evento externo ocorreu que justificasse a seqüência de operações em espaço de tempo tão exíguo. A ponto de, por exemplo, terem ocorrido no mesmo mês de agosto de 2006, (i) a constituição da Navpar, com quotas da Navegantes, (ii) a reavaliação do patrimônio da Navegantes, que passou de um capital social de R$ 3.328.500,00 para R$ 22.800.000,00; (iii) a transferência dos direitos patrimoniais da Navegantes para a Sogil e Visate com venda das quotas da recém constituída Navpar e, em setembro, (iv) cisão total e extinção da Navpar A premência com que as operações foram realizadas já denotavam que elas faziam parte de uma seqüência de etapas, encadeadas com as anteriores e a depender das posteriores, visando a busca de um fim determinado, pois nenhum evento externo a coagir ou exercer pressão sobre a situação ocorreu que justificasse a velocidade com que as operações foram realizadas. 2 Uso de Sociedades Outro fato importante sobre o qual chama a atenção o Prof. Greco envolve o uso de sociedades. Neste sentido, o elemento relevante quando se está perante uma pessoa jurídica não é apenas a sua existência formal. Tão ou mais importante, em matéria tributária, que o preenchimento das formalidades legais para sua constituição é a identificação do empreendimento que justifica sua existência. A criação de uma pessoa jurídica tem sentido na medida em que, de acordo com o Prof. Greco, corresponda à vestimenta jurídica de um determinado empreendimento econômico ou profissional. A idéia de empresa é o núcleo a ser investigado. O próprio Código Civil dá a definição de empresa, no "caput" do artigo 966, ao dispor: Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Algumas situações, aplicáveis ao caso concreto, mencionadas pelo Prof Greco, podem se apresentar quanto ao uso de sociedades e que merecem especial atenção, a saber: empresas de passagem Empresa de passagem é uma pessoa jurídica criada apenas para servir como canal de passagem de um patrimônio ou de dinheiro, sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. Tratase de uma operação que serve apenas para transitar um patrimônio ou um determinado recurso. No presente caso, a única função da Navpar no conjunto de operações realizadas foi servir de veiculo para a transferência de ações da Navegantes para a Sogil e a Visate e nada mais. ) sociedades efêmeras Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.720028/201100 Acórdão n.º 1801001.988 S1TE01 Fl. 9 15 Sociedades efêmeras ou de curta duração são aquelas que nascem para morrer ou para serem extintas tão logo cumpram seu papel em determinada operação. O simples fato de a sociedade ser efêmera não significa que a operação estará contaminada, mas ser efêmera gera uma indagação quanto ao motivo pelo qual teve tão curta existência. Por que foi criada e extinta naquele dia ou em tão pouco tempo? Por vezes, dentro de um planejamento a sociedade é criada para participar de determinado negócio ou receber determinado patrimônio em trânsito para uma outra pessoa jurídica, eventualmente ligada à figura do ágio, como diz o Prof. Greco; feito isto, pode desaparecer. Este foi exatamente o caso da Navpar. Constituída formalmente em 30/08/2006, cujos sócios também o eram da outra empresa participe da triangulação e, uma vez tendo cumprido o seu papel predeterminado no conjunto das operações que compõem a operação maior, foi extinta logo a seguir, em 30/09/2006, sem que nenhum fato externo tenha concorrido para este fim. Em suma, no presente caso, o caráter efêmero da Navpar é outro ponto relevante a ser considerado. No caso concreto, as operações se enquadram como operações preocupantes, conforme lição do Prof. Greco. É claro que, desde o início das operações, a intenção dos sócios sempre foi a de vender suas participações societárias na Navegantes para a Sogil e para a Visate. E o intuito foi o de vender com lucro, vale dizer, por um valor maior do que aquele registrado no Patrimônio da sociedade. Tanto isto é certo que, os sócios, com efeito, consignaram o fato em suas DIRPF, apuraram o respectivo ganho de capital sobre o lucro auferido e ofereceram o ganho a tributação. Contudo, fazer a transação, assim, dessa simples maneira, geraria, como de fato gerou, um desembolso maior na aquisição da Navegantes pela Sogil e Visate, pela mais valia da primeira; mas, nos termos da legislação, esse desembolso não poderia ser deduzido de imediato, mas apenas quando da realização do investimento. É justamente nesse momento, por ocasião da realização do investimento, que se dá o encontro entre as receitas e as despesas geradas pelo negócio. E é nesse momento que a amortização do ágio se torna dedutível. Os artigos 385 e 391 do RIR/99, que têm por matrizes legais os artigos 20 e 25 do Decretolei nº 1.598, de 1977 e artigo 1º do Decretolei nº 1.730, de 1979, estatuem que na avaliação de investimento pelo patrimônio líquido o custo de aquisição da participação em sociedade coligada ou controlada deve ser desdobrado em valor do patrimônio líquido correspondente à participação societária adquirida e em ágio porventura observado, sendo que não se computam as contrapartidas da amortização desse ágio na determinação do lucro real. Ainda, o parágrafo único deste artigo 391 determina que, concomitantemente com a amortização do ágio na escrituração comercial, deverá ser mantido controle no livro LALUR para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento. Todavia, caso a empresa absorva o patrimônio de outra em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, como também na hipótese da empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária (controladora), e em sendo fundamento econômico do Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 16 ágio o valor de rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados de exercícios futuros, admitese a dedutibilidade, para fins do imposto de renda e contribuição social, do encargo de amortização à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Eis o regramento inserto no artigo 386 do RIR/99 – cuja matriz é a Lei n º 9.532, de 1997 e as seguintes exceções: “Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (...) § 6º. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): (...) II – a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. (...) É evidente, assim, que a constituição e a interposição da Navpar no negócio teve por objetivo único, o aproveitamento imediato do ágio como dedução na apuração dos tributos. É claro que a operação foi articulada pelas pessoas físicas que, direta ou indiretamente, controlavam o capital das empresas envolvidas, para criar, formalmente, uma situação que se enquadrasse na possibilidade de deduzir despesas de amortização de ágio, advinda com a publicação da Lei n° 9.532/97. A sucessão dos atos, a proximidade temporal entre eles e a extinção da empresa por cisão revelam que nunca houve a intenção real de constituir a Navpar (em 30 de agosto de 2006 e extinta em 30 de setembro de 2006) para efetivamente operar segundo seu objetivo social, mas sim de criar uma sociedade efêmera, de passagem, que possibilitasse um registro de ágio a ser amortizado por empresas do grupo. Os fatos descritos e os elementos de prova constantes dos autos, refletem ausência de qualquer propósito negocial ou societário na constituição e posterior cisão realizada, restando caracterizada a utilização da cindida Navpar como mera "empresa veículo" para transferência do ágio, tudo com o escopo de redução do lucro real e da base de cálculo da CSLL, em verdadeiro abuso de direito. Já tive a oportunidade de me manifestar a respeito do tema2, ocasião em que consignei que, segundo Renato Martins Prates3, há abuso de direito quando o ato jurídico 2 Breves Noções sobre o Planejamento Tributário, Tributação em Foco, IPET 2013 Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.720028/201100 Acórdão n.º 1801001.988 S1TE01 Fl. 10 17 praticado, “embora aparentemente legitimado pela ordem jurídica, ultrapassa as fronteiras do exercício regular do direito”. O Código Civil de 2002, em seu art. 187, ao construir a teoria do abuso de direito com base na boafé, registra que “comete ilícito o titular de um direito que, ao exercê lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes.” Assim, a noção de abuso passou a ser entendida como uma conduta que, embora lícita, mostrase desconforme com a finalidade que o ordenamento pretende naquela circunstância fática alcançar e promover. O abuso de direito é uma figura construída para inibir práticas que, embora observem legislação específica, implicam, no seu resultado, uma distorção no equilíbrio do relacionamento entre as partes, seja pela utilização de um poder ou de um direito em finalidade diversa daquela para a qual o ordenamento assegura sua existência, seja pela sua distorção funcional, por implicar inibir a eficácia da lei incidente sobre a hipótese, sem uma razão suficiente que a justifique. Consiste o abuso de direito, portanto, num limite funcional do direito. Em suma, não há dúvida de que a empresa tem o direito constitucional de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício deste direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito. Como tal, uma vez provado tratarse de operação com esta razão principal, como restou provado nestes autos pelos motivos expostos neste voto, pode o Fisco recusarse a aceitar seus efeitos no âmbito tributário de modo a neutralizar os efeitos fiscais do excesso abusivo. Apenas para ilustrar o posicionamento aqui adotado, colaciono ementa do Acórdão n º 10323.290, de 05/12/2007, do então Primeiro Conselho de Contribuintes. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL UTILIZAÇÃO DE "EMPRESA VEÍCULO. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato continuo, o evento da incorporação ocorreu no dia seguinte. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa veículo" para transferência do ágio à incorporadora. Diante das conclusões do presente voto fica esvaziada a argüição da defesa, no sentido de que não há previsão legal que determine a adição, à base de cálculo da CSLL, de quotas de amortização de ágio, pois, como visto, do ágio, como previsto na Lei 9.532, de 1996, não tratou a operação. A questão, ao final, se refere a mera despesa, indedutível tanto na apuração do IRPJ como na apuração da CSLL. 3 Prates, Renato Martins. Interpretação Tributária e a Questão da Evasão Fiscal. Del Rey. Belo Horizonte, 1992 p. 87 Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 18 Contudo, apenas por amor ao debate, também já me pronunciei sobre referida alegação em recente voto proferido em julgamento nesta mesma Turma. Em se tratando de ágio, a lei teria, por finalidade, permitir um controle contábil do ágio e da sua amortização, sem que haja qualquer efeito fiscal até a alienação ou liquidação do investimento e, por essa interpretação, no caso da apuração da base de cálculo da CSLL, como não há norma expressa que autoriza a dedução da despesa com amortização de ágio, não haveria que se falar nessa renúncia fiscal. Assim, ao contrário do que defende a recorrente, a dedutibilidade na CSLL da despesa com a amortização de um ágio não é assegurada em face da ausência de norma que estabeleça a adição dessa rubrica. Na verdade, a despesa com a amortização de um ágio, mesmo dedutível para fins de IRPJ, não seria dedutível para a CSLL porque não há previsão legal autorizandoa. No que toca à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, cumpre consignar que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício está amparada nas disposições do art. 61 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de seguinte teor: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1o. de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3o. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3o. do art. 5o., a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nesse contexto, a multa de ofício é débito para com a União e decorre de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos dos seguintes dispositivos do Código Tributário Nacional (Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966): Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. [...] Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. [...] Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.720028/201100 Acórdão n.º 1801001.988 S1TE01 Fl. 11 19 da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Decorre, assim, das expressas disposições legais, que ao crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora. E o crédito tributário é definido como aquele decorrente da obrigação principal, que tem por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também da penalidade pecuniária e, nesse sentido, sequer se poderia afirmar que a multa de ofício não seria decorrente da exigência de tributos e contribuições. Na verdade, a exigibilidade dos tributos e contribuições é o fundamento para a própria exigibilidade da multa de ofício. A própria Lei nº. 9.430, de 1996, no artigo 43, prevê expressamente a incidência de juros de mora sobre a multa de mora e os juros de mora devidos, isolada ou conjuntamente, e não teria sentido admitir a incidência dos juros de mora sobre a multa de mora e sobre os próprios juros de mora lançados exofficio e afastar a incidência nos casos de multa objeto de lançamento de ofício. Não há discrimine na legislação que ampare tal distinção. É a seguinte a redação do artigo 43: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ademais,o Decretolei n° 1.736, de 20 de dezembro de 1979, ao estatuir que os débitos perante a Fazenda Nacional sujeitamse a juros de mora quando não pagos nos vencimentos, definiu como valor originário o débito fiscal excluído das parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do Decreto Lei nº 1.025, de 1969, ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. Por sua vez, o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430 em foco reprisa a incidência de juros à taxa Selic sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Nesse sentido vem se solidificando a jurisprudência deste órgão colegiado, como se verifica das ementas de acórdãos de recentes julgados proferidos por este CARF: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n°9.430/96. (Acórdão 120200.138 – 1a. Seção. 2a. Câmara. 1a. Turma Ordinária. Sessão de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei n" 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 20 aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155 – 1a. Seção. 4a. Câmara. 1a. Turma Ordinária. Sessão de 28 de janeiro de 2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). E, ainda, o recente julgado da 1a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferido no Acórdão 910100.539, em sessão realizada em 11 de março de 2010 de relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Do referido julgado, sobreleva extrair os seguintes trechos: O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1 0, do CTN: [...] A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§10). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.720028/201100 Acórdão n.º 1801001.988 S1TE01 Fl. 12 21 A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. [...] A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. Com relação à penalidade aplicada sobre os tributos exigidos nos presentes autos é de se esclarecer que a multa ao percentual de 75% corresponde à multa exigida nos casos de lançamento de ofício. A penalidade instituída pelo artigo 44 da Lei n º 9.430, de 1996, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, qual seja, a falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributos devidos, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontrase em perfeita consonância com a legislação em vigor. A propósito, em relação aos argumentos de ilegalidade e inconstitucionalidade de comandos normativos legitimamente inseridos no sistema jurídico, cumpre transcrever o posicionamento consensual deste órgão, como se verifica da seguinte súmula: Súmula CARF no. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que respeita à inconformidade da recorrente em relação à incidência de juros calculados com base na taxa SELIC, este órgão de julgamento já consolidou seu entendimento, como se verifica do enunciado de súmula abaixo reproduzido: Súmula CARF n º 4. A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 22 Por tais razões voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Voto Vencedor Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca, Redator Designado 1 Preliminares No que diz respeito à preliminar de nulidade suscitada, acompanho integralmente as razões expostas no voto da E. Relatora, Conselheira Maria de Lourdes Ramirez. 2 Mérito A questão deduzida nos autos envolve a amortização de ágio efetivamente pago, gerado com base na expectativa de rentabilidade futura e com origem em operação realizada entre partes não relacionadas. É de se ressaltar que a sociedade incorporada (NAVPAR) foi caracterizada como empresaveículo pela Fiscalização, justamente em razão de ter sido constituída para o propósito de viabilizar a amortização glosada após a sua incorporação pela (VISATE). É interessante notar que as autuações envolvendo o aproveitamento fiscal do ágio vêm se tornando cada vez mais frequentes, sendo o assunto objeto de livros, congressos e seminários. Entretanto, ainda não é possível afirmar com precisão qual é o posicionamento final do CARF a respeito da matéria. De todo modo, como as operações de amortização de ágio vêm sendo tratadas pela Fiscalização, ora como planejamentos tributários simulados, ora como planejamentos tributários desprovidos de propósito negocial, tenho que a análise do presente caso deve partir daí. Em que pese certa divergência na doutrina, planejamento tributário pode ser definido “como a técnica de organização preventiva de negócios, visando a uma legítima Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.720028/201100 Acórdão n.º 1801001.988 S1TE01 Fl. 13 23 economia de tributos.”4 De fato, e não há qualquer problema em se admitir isso, o que se busca é a obtenção da estrutura mais eficiente do ponto de vista do pagamento de tributos, desde que o contribuinte assuma as consequências jurídicas dos atos por ele praticados. Em outras palavras, é preciso que os negócios jurídicos realizados gerem os efeitos pretendidos, o que certamente vai além da mera troca de papéis, assinaturas e carimbos. No entanto, afirmar que o contribuinte deve assumir os efeitos jurídicos dos atos por ele praticados não pode levar à conclusão de que é preciso verificar a existência de uma motivação não tributária, o que vem sendo chamado de teste do propósito negocial. A economia de tributos é motivação suficiente, desde que se possa verificar, com base no conjunto probatório, as consequências jurídicas da estrutura eleita pelo contribuinte. É justamente por isso que a importação de teorias anglosaxônicas, como business purpose test, step transaction doctrine e substance over form desrespeita a CF/88 e aplica precedentes obtidos em países que não tiveram o mesmo cuidado que o legislador brasileiro teve: o de regular, com minúcias, no âmbito constitucional, garantias, princípios e regras de direito tributário. E é justamente na CF/88 que se deve buscar o fundamento para aplicar o entendimento diverso. A liberdade de escolha do caminho (lícito) menos oneroso decorre diretamente do texto constitucional, que assegura aos cidadãos o direito fundamental de liberdade (artigo 5º), bem como, de forma mais específica, a liberdade de exercício de atividade econômica (artigo 170). É justamente em razão dessas garantias que o Estado não pode impor ao contribuinte a adoção de uma determinada forma societária, a escolha das sociedades com quem irá contratar, o tempo de duração da sociedade que deseja criar ou a fixação do modo como vai adquirir ou pagar por uma participação societária.5 É preciso dizer que não se está aqui defendendo a liberdade total, como se não houvesse limites ao planejamento tributário. É claro que existem limites. Eles apenas não podem estar baseados em critérios não previstos em lei, mormente quando tais critérios são incompatíveis com a ordem constitucional. Penso que assiste razão ao Professor Humberto Ávila quando afirma que “os contribuintes jamais podem ser tributados com base em considerações gerais sobre igualdade ou solidariedade; eles somente podem ser tributados com base naquilo que foi instituído na lei instituidora do encargo ou da desoneração.”6 Pois bem. A economia lícita de tributos deve ser buscada pelo contribuinte e não se exige a presença de um motivo não tributário. Diante desse cenário, cabe ao Fisco identificar se os negócios jurídicos celebrados geraram os efeitos pretendidos pelo sujeito passivo. Nesse contexto, a autoridade administrativa deve investigar a presença de vícios capazes de macular: (i) a existência do negócio jurídico (simulação e dissimulação); ou (ii) a sua validade (abuso de direito, abuso de forma e fraude à lei). 4 TORRES, Heleno Taveira. Direito Tributário Internacional: planejamento tributário e operações transnacionais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 37. 5 ÁVILA, Humberto. Ágio com Fundamento em Rentabilidade Futura. Empresas do Mesmo Grupo. Aquisição mediante Conferência em Ações. Direito à Amortização. Licitude Formal e Material do Planejamento. Revista Dialética de Direito Tributário (RDDT), nº 205. São Paulo: Editora Dialética, 2012, p. 171. 6 ÁVILA, Humberto. Ágio com Fundamento em Rentabilidade Futura. Empresas do Mesmo Grupo. Aquisição mediante Conferência em Ações. Direito à Amortização. Licitude Formal e Material do Planejamento. Revista Dialética de Direito Tributário (RDDT), nº 205. São Paulo: Editora Dialética, 2012, p. 174. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 24 Tenho que não estão aqui presentes quaisquer dos vícios apontados acima. Vejamos. No que diz respeito à simulação, vale conferir as lições de Caio Mário da Silva Pereira:7 “Consiste a simulação em celebrarse um ato que tem aparência normal, mas que, na verdade, não visa ao efeito que juridicamente devia produzir, mas enganosa. (...). Pode a simulação ser absoluta ou relativa. Será absoluta, quando o ato encerra confissão, declaração, condição ou cláusula não verdadeira, realizandose para não ter eficácia nenhuma. (...) A simulação se diz relativa, também chamada dissimulação, quando o ato tem por objeto encobrir outro de natureza diversa (e.g., uma compra e venda para dissimular doação), ou quando aparenta conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem realmente se conferem ou transmitem.” No presente caso, não se pode afirmar que nada aconteceu. É incontestável a ocorrência de atos diversos, tais como: constituição e incorporação de sociedades, aquisição de investimento com ágio, efetivo pagamento, apuração de ganho de capital, recolhimento do tributo correspondente e amortização fiscal do ágio. Todos esses atos foram regularmente praticados, registrados perante as autoridades competentes e objeto de declarações à Receita Federal do Brasil. Assim, não se pode falar em simulação. A conclusão não pode ser outra quando se está diante da verificação da ocorrência de dissimulação. Os negócios jurídicos celebrados foram justamente os declarados pela recorrente e pelas demais sociedades envolvidas na estrutura. Não há sequer um indício de que os contribuintes em questão tenham buscado dissimular a ocorrência do fato gerador, fazendo com que a autoridade administrativa acreditasse em algo que não ocorreu. Salvo melhor juízo, não se está aqui diante de qualquer vício que possa macular a existência do negócio jurídico. Se algum vício há, este só pode estar relacionado à validade dos negócios jurídicos praticados. As provas trazidas aos autos, bem como o regime jurídico do ágio no Brasil, contudo, apontam em sentido oposto. Ágio nada mais é do que a capacidade de produção anormal de lucros, ou seja, lucros superiores ao custo do capital total aplicado.8 Esse conceito evoluiu para a definição atual, que prevê o registro do ágio somente após a alocação do valor de custo aos ativos tangíveis e intangíveis identificáveis, inclusive os até então não reconhecidos. Assim, ágio é, por definição, o mais intangível dos ativos,9 representando apenas o valor residual decorrente da diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor justo de todos os ativos identificáveis da adquirida, sejam eles tangíveis ou intangíveis, 7 PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil, vol. I. Rio de Janeiro: Forense, 1989, 11. ed., p. 367. 8 LOPES, Alexsandro Broedel; MARTINS, Eliseu. Do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura – algumas considerações contábeis. In: LOPES, Alexsandro Broedel Lopes; MOSQUERA, Roberto Quiroga (Coord.). Controvérsias JurídicoContábeis (Aproximações e Distanciamentos). São Paulo: Editora Dialética, 2012. v. 3. p. 36. 9 LOPES, Alexsandro Broedel; MARTINS, Eliseu. Do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura – algumas considerações contábeis. In: LOPES, Alexsandro Broedel; MOSQUERA, Roberto Quiroga (Coord.). Controvérsias JurídicoContábeis (Aproximações e Distanciamentos). São Paulo: Editora Dialética, 2012. v. 3. p. 42. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.720028/201100 Acórdão n.º 1801001.988 S1TE01 Fl. 14 25 estejam registrados contabilmente ou não. Logo, apenas a rentabilidade futura passa a ser reconhecida como verdadeiro ágio contábil. A despeito das recentes modificações impostas ao tratamento contábil e fiscal do ágio, é de se ressaltar que desde o advento da Lei nº 9.532/97 os efeitos tributários do ágio exercem relevante influência sobre as decisões de investimentos que envolvem empresas brasileiras. Ainda que a definição do preço a ser pago por um determinado negócio dependa de questões eminentemente mercadológicas, a possibilidade (ou não) de dedução fiscal da mais valia é fortemente levada em consideração na decisão de investimento. O Governo Brasileiro tinha absoluto conhecimento disso quando pôs em prática o seu plano de privatização de diversas empresas estatais. A par de questões econômicas ligadas à (in)eficiência do Poder Público para exercer as atividades em questão, diversos outros fatores foram levados em consideração para a atração do investidor privado, dentre eles, o tributário. Considerando que os ativos de boa parte das estatais brasileiras estavam sucateados e a possibilidade de expansão e melhoria dos serviços assim que a atividade fosse transferida para o setor privado, era natural que o preço pretendido pelo Governo – e efetivamente pago pelo investidor – superasse o valor contábil dos bens adquiridos. Nesse contexto, foi editada a referida Lei nº 9.532/97, que em seu artigo 7º disciplinou os efeitos fiscais do ágio. Em linhas gerais, atendidas determinadas condições, o ágio passou a ser fiscalmente dedutível, o que pode representar uma “devolução” de 34% do sobrepreço pago, sob a forma de um crédito tributário. O que buscou o legislador foi induzir a aquisição de participações societárias com ágio, por meio da correspondente “concessão” de um crédito tributário. O caráter indutor da norma foi bem observado por Edmar Oliveira Andrade Filho: 10 “Diante de todo o exposto, é possível concluir que o artigo 7° da Lei n° 9.532/97, alterado pela Lei n° 9.178/98, criou uma alternativa de planejamento tributário por indução. De fato, a lei garante um benefício que só pode ser usufruído pelas sociedades envolvidas em processo de reorganização societária, e que não pode ser usufruído quando há simples aquisição de participação societária com ágio. De fato, sem que ocorra a incorporação, fusão ou cisão, o ágio pago na aquisição de participação societária poderá ser amortizado na contabilidade, mas não terá qualquer efeito fiscal até que ocorra a alienação ou liquidação do investimento. O benefício fiscal sob análise, caso seja efetivamente utilizado, fará com eu o retorno do investimento – a aquisição de ações – seja acelerado. Tratase de um incentivo fiscal que permite a dedução de despesas, com reflexos no fluxo de caixa do adquirente da participação societária em que o ágio tenha sido pago com fundamento na expectativa de rentabilidade futura.” Nessa linha, quem estrutura operações para aproveitar o ágio gerado age por indução, buscando realizar a finalidade da norma concessiva da exoneração. Em que pese a reiterada discordância do Fisco, é preciso dizer que enquanto a norma prevista na Lei nº 9.532/97 estiver em vigor ela não pode ter a sua aplicação negada por meio de autos de infração. Uma norma democraticamente inserida no ordenamento jurídico deve ser dele retirada também de forma democrática. Se o citado artigo 7º permanece em vigor há tantos 10 ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. IRPJ e CSLL. Planejamento Tributário por Indução legal: a Amortização do Ágio nas Reorganizações Societárias. IN: PEIXOTO, Marcelo Magalhaes (Coord.) Planejamento tributário. São Paulo: Quartier Latin, 2004, p. 531. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 26 anos, é de se acreditar que o seu poder de fomentar investimentos supera o sacrifício imposto à arrecadação. Do exposto, não se pode conceber qualquer alegação de abuso de direito no caso dos autos. Não é possível abusar de uma posição jurídica incentivada pelo ordenamento jurídico. Não se pode falar igualmente em abuso de forma quando todos os requisitos legais dos atos e negócios praticados foram preenchidos. A Recorrente, com o objetivo explícito e declarado de se aproveitar da amortização fiscal do ágio, se organizou e praticou todos os atos necessários ao seu aproveitamento. Nessa linha, tampouco se pode falar em fraude à lei. A possibilidade de amortização fiscal do ágio está expressamente prevista, assim, se a autuação não discute a existência do ágio, ou, ao contrário, se não há dúvida quanto à sua existência, como no presente caso, jamais se poderá falar em fraude à lei, muito antes o contrário. Não bastasse isso, o presente caso parece estar em linhas com recentes decisões deste Conselho. A jurisprudência administrativa11 tem adotado os seguintes critérios para considerar válida a amortização fiscal do ágio: i) Efetivo pagamento: para que o ágio seja legítimo é importante que ocorra o efetivo pagamento (não necessariamente em pecúnia) pela aquisição da participação societária que o gerou; ii) Partes independentes: uma vez que o ágio fiscal pressupõe uma diferença positiva entre o valor de mercado de uma empresa e o seu valor patrimonial contabilizado, é importante que a negociação do preço ocorra entre partes não ligadas; iii) Comprovação da lisura na fundamentação do ágio: o valor do ágio e sua fundamentação na expectativa de rentabilidade futura deve ter base documental, de preferência em laudo técnico que utilize premissas coerentes e comprováveis e que tenha sido assinado por empresa independente em data anterior à aquisição. iv) Alteração do controle acionário após a operação: como o ágio fiscal pressupõe uma incorporação, esperase que haja alteração do controle acionário da empresa absorvida. Todos os requisitos apontados acima estão aqui presentes. Estáse diante de ágio pago, gerado em operação que envolve partes independentes e cuja comprovação está baseada em laudo técnico. Evidentemente, por se tratar de operações entre partes não relacionadas, houve alteração de controle após a operação. Por fim, destaquese que a utilização de empresaveículo para amortização do ágio externo não é vedada pelo ordenamento jurídico. Ao contrário, é estimulada pelo artigo 8º da Lei 9.532/97, que admite a manutenção do benefício fiscal do ágio quando a empresa incorporada for aquela que detinha o investimento adquirido com ágio. 11 Vejase o acórdão do caso GEOPLAN: “GLOSA DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO. A apresentação de provas documentais junto a impugnação, que foram objeto de verificações em diligência fiscal, elide o lançamento. (...) AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PREMISSAS. As premissas básicas para amortização de ágio, com fulcro nos art. 7o., inciso III, e 8o. da Lei 9.532 de 1997, são: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Cumprida ou não questionadas essas premissas, cancelase a glosa. Recurso de Oficio Negado e Recurso Voluntário Provido.” (1ª Seção, 4ª Câmara, 2ª TO, AC 1402001.264, PTA nº 18471.000808/200791, Rel. Antonio José Praga de Souza, julgado em 04.12.2012) Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.720028/201100 Acórdão n.º 1801001.988 S1TE01 Fl. 15 27 Ora, qual o sentido em se autorizar a manutenção do ágio em incorporações reversas (da controladora pela controlada), senão o de permitir a fruição do beneficio quando a empresa operacional não puder ser incorporada, ou isso for inconveniente? O que não se pode admitir é que o ágio amortizável seja formado exclusivamente em decorrência da empresaveículo. No caso em apreço, o ágio teria sido formado independentemente da utilização da empresaveículo face à presença dos requisitos expostos anteriormente. Dessa forma, a utilização da faculdade prevista nos artigo 252 da LSA e 8º da Lei nº 9.532/97 não pode ser taxada de ilegal e inoponível ao Fisco12 (até mesmo porque nenhum prejuízo trouxe ao Erário). Por tais razões voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca 12 Nesse sentido: “INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRÊNCIA. A reorganização empresarial, sob amparo dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco.” (1ª Seção, 4ª Câm., 2ª TO, AC 1402001.409, Rel. Leonardo de Andrade Couto, julgado em 10.07.2013) Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/07/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11080.724939/2011-06
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. APOSENTADORIA. REFORMA. PENSÃO.
São isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de moléstia grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
IRPF - MOLÉSTIA GRAVE - ALIENAÇÃO MENTAL - DOENÇA DE ALZHEIMER O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de "moléstia grave" previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de pensão.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a isenção dos rendimentos recebidos da fonte pagadora Ministério da Defesa Exercito Brasileiro, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ISENÇÃO. APOSENTADORIA. REFORMA. PENSÃO. São isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de moléstia grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial. IRPF MOLÉSTIA GRAVE ALIENAÇÃO MENTAL DOENÇA DE ALZHEIMER — O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de "moléstia grave" previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de pensão. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a isenção dos rendimentos recebidos da fonte pagadora Ministério da Defesa – Exercito Brasileiro, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 49 39 /2 01 1- 06 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11080.724939/201106 Acórdão n.º 2801003.535 S2TE01 Fl. 116 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 8a Turma da DRJ/POA (Fls. 81), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Mediante Notificação de Lançamento, de fls. 10/14, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do imposto de renda pessoa física, acrescido de multa de ofício e juros de mora no valor total de R$ 449,15, calculados até 31/05/2011, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2008, anocalendário de 2007. A fiscalização informa às fls. 11/12 que procedeu à glosa de despesas médicas, no valor de R$ 15.981,20, relativamente a Clínica Geriátrica Conviver. O notificado, por intermédio de representante, apresentou impugnação conforme instrumento de fls. 02/05, alegando, resumidamente, que a Clínica Geriátrica Conviver tem como atividade econômica principal “clínica e residência geriátrica” – código 87.11501, conforme demonstra o registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica e o registro no cadastro do ISSQN do município de Porto Alegre, sendo válida a dedução da despesa com a referida clínica. É o relatório. Passo adiante, a 8ª Turma da DRJ/POA entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis e/ou não comprovadas mediante documentação hábil e idônea, poderão ser glosadas pela autoridade lançadora. Cientificado em 20/12/2011 (Fls. 88), o Recorrente, por sua representante, interpôs Recurso Voluntário em 09/01/2012 (fls. 90 a 93), argumentando em síntese: (...) Foi apresentada prova de que a clínica Geriátrica Conviver encontrase inscrita no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica da República Federativa do Brasil, como Clínica Geriátrica Fl. 116DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11080.724939/201106 Acórdão n.º 2801003.535 S2TE01 Fl. 117 3 Conviver Sociedade Simples Ltda, sob o número 08.585.902/000149, tendo como código e descrição da atividade econômica principal 87.11501 – clínicas e residências geriátricas – e, como código e descrição das atividades econômicas secundárias 86.30502 – atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares. E que esses códigos descritos anteriormente constam na Comissão Nacional de Classificação (CNAE 2.0), na Seção Q, referente à saúde humana e serviços sociais, mesma Seção onde estão classificados os hospitais. Com relação ao registro junto ao Cadastro Nacional e Estabelecimento de Saúde – CNES do Ministério da Saúde, segundo consta do CNES, o gestor do Sistema, no Rio Grande do Sul, é a Secretaria Municipal de Saúde, com competência para registrar os estabelecimentos de saúde. E, conforme informações obtidas junto à Secretaria de Saúde Municipal, órgão também responsável pelo alvará de funcionamento da referida Clínica, tal estabelecimento somente será cadastrado no CNES se viesse trabalhar junto ao SUS, caso contrário apenas os médicos, responsáveis técnicos pelo estabelecimento, precisam possuir o cadastro no CNES. E é o que se verifica no caso em apreço, em que os responsáveis técnicos pela Clínica Geriátrica Conviver, a Médica Geriátrica Doutora Bárbara Agra Louzada (CRM 24104) e o Doutor Geraldo Zanini Louzada (CRM 3205), possuem registro junto ao CNES, respectivamente , nº 3824748 e nº 3824713. (...) Por oportuno, acrescenta que o beneficiário da isenção do pagamento de imposto de renda, por ser o contribuinte portador do Mal de Parkinson, foi concedido no ano de 2008, por ter sido pleiteado somente posteriormente pela sua representante, haja vista a necessidade de efetuar, preliminarmente, a interdição e curatela. (...) Em 20 de novembro de 2013, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, Resolveram converter o julgamento em diligência, com base nos fatos de que, conforme se verifica nos autos, o recurso foi apresentado pela Sra. Ana Flávia Dorr Becker; que informa ser herdeira e representante do contribuinte, que veio a falecer no ano de 2009; no entanto, por não constar nos autos documentos que atestem ser a Sra. Ana Flávia Dorr Becker, a representante legal do espólio do contribuinte autuado. Realizada a diligência, retornou o auto para ser julgado. É o Relatório. Voto Fl. 117DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11080.724939/201106 Acórdão n.º 2801003.535 S2TE01 Fl. 118 4 Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Embora o lançamento se refira a glosa de despesas médicas, outra matéria alegada desde a impugnação do lançamento merece ser analisada; posto que afetará diretamente o lançamento. Tal matéria é a alegação de isenção dos rendimentos do auto em virtude da existência de moléstia grave à época dos fatos geradores. Em sua impugnação, e em seu recurso, o contribuinte combate a glosa da despesa médica, entre outras alegações, com o argumento de que os seus rendimentos seriam isentos em razão da existência de moléstia grave à época dos fatos; e que, portanto, a glosa da dedução com despesa médica não leva a qualquer lançamento. A isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: "Art. 6° XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma” Acerca do tema, o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o §4º do mesmo artigo, assim dispõe: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); Fl. 118DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11080.724939/201106 Acórdão n.º 2801003.535 S2TE01 Fl. 119 5 A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: Art. 30 — A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6" da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios." De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, ou reforma, ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Após a análise dos documentos apresentados, principalmente os documentos de folhas 16 e 22 dos autos, não restam dúvidas de que o recorrente era portador da doença de Alzheimer, desde de 2003, que lhe garantia a isenção sobre proventos de aposentadoria reforma ou pensão a partir desta data. Podemos então constatar que, desde 2003, o recorrente já era portador da Doença de Alzheimer, caracterizada pela síndrome demencial, constituída da demência senil, e comprometimento da memória; é de ser entendido, desta forma, que o contribuinte já se encontrava em estado de alienação mental. Esta matéria — alienação mental em face da Doença de Alzheimer — foi objeto de assentado estudo, no âmbito da Sexta Câmara, pelo Conselheiro Antônio Augusto Silva Pereira de Carvalho, formado em Medicina e Advocacia, advindo o Acórdão 10613.418, de 02.07.2003, cuja ementa é a seguinte: IRPF PEDIDO DE RESTITUIÇÃO VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE PENSÃO ISENÇÃO DEMÊNCIA NA DOENÇA DE ALZHEIMER 1. A demência na Doença de Alzheimer tem como uma de suas manifestações o que, na falta de melhor expressão, tratase como "alienação mental"; via de conseqüência, segundo dispõem os incisos XIV e XXI do artigo 6° da Lei n° 7.713/1988, na redação que lhes foi dada pelo artigo 47 da Lei n° 8.451/92, estão isentos do imposto de renda os valores que o doente receber a titulo de pensão. 2. A fixação de um termo no qual se tem como estabelecida determinada enfermidade, na falta de informação constante de laudo oficial, deve levar em conta outros elementos de convicção, desde que não impugnados pelo Estado Administração e merecedores de fé. Recurso provido. Dito Acórdão da Sexta Câmara foi submetido à Câmara Superior de Recursos Fiscais na sessão de 29.11.2004, que sob a relatoria do Conselheiro Remis Almeida Estol, foi confirmado nos termos do Acórdão CSRF/01 05.165, ementa, in verbis: Fl. 119DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11080.724939/201106 Acórdão n.º 2801003.535 S2TE01 Fl. 120 6 IRPF RESTITUIÇÃO MOLÉSTIA GRAVE ALIENAÇÃO MENTAL DOENÇA DE ALZHEIMER Quando o quadro clinico de "alienação mental e/ou demência" decorrer da Doença de Alzheimer, fica caracterizado o pressuposto de "moléstia grave" previsto na legislação, devendo ser reconhecida a isenção do imposto sobre os rendimentos da aposentadoria percebidos pelo paciente. Recurso especial negado. Resta então analisar se os proventos do recorrente se referiam, à época dos fatos, a aposentadoria, ou a reforma, ou a pensão. Compulsando os autos, verifico que o recorrente, com 80 anos de idade à época dos fatos, apresentou em sua DIRPF como única fonte de rendimentos o Ministério da Defesa – Exercito Brasileiro. Também observo que os comprovantes de pagamentos da época dos fatos, contidos nas folhas 57 e seguintes, informam que o contribuinte já se encontrava reformado. Assim, entendo que o recorrente logrou êxito em provar que os seus rendimentos eram oriundos de reforma, e que era, à época, portador de moléstia grave. Tendo, portanto, direito à isenção pleiteada no ano de 2007. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer a isenção dos rendimentos recebidos da fonte pagadora Ministério da Defesa Exercito Brasileiro. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 120DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10580.725709/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
IR - COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL
A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA -MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
JUROS DE MORA
Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 2202-002.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de oficio, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator), Rafael Pandolfo e Guilherme Barranco de Souza, que proviam o recurso. O Conselheiro Rafael Pandolfo apresentará declaração de voto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Ausente justificante o conselheiro Fabio Brun Goldschmidt.
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo Declaração de voto
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco De Souza, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite. Ausente justificadamente o conselheiro Fabio Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 57 09 /2 00 9- 38 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO 2 JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de oficio, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator), Rafael Pandolfo e Guilherme Barranco de Souza, que proviam o recurso. O Conselheiro Rafael Pandolfo apresentará declaração de voto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Ausente justificante o conselheiro Fabio Brun Goldschmidt. (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez– Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo – Declaração de voto Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco De Souza, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite. Ausente justificadamente o conselheiro Fabio Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.725709/200938 Acórdão n.º 2202002.622 S2C2T2 Fl. 101 3 Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ R$ 146.536,58, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação tempestivamente. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – DRJ/SDR, negou provimento a impugnação, nos termos do acórdão 1523.136, de 24 de março de 20 Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário, onde reitera os argumentos da impugnação. Em sessão de julgamento ocorrida em 23 de janeiro de 2013, tendo em vista a natureza dos rendimento ser percebidos de maneira acumulada, foi sobrestado o julgamento do mesmo através da resolução, 2202000.431. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO 4 Tendo em vista a Portaria 545 do Ministério da Fazenda que revogou os dispositivos que permitiam ao sobrestamento, os autos retornaram para julgamento. É o relatório Fl. 254DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.725709/200938 Acórdão n.º 2202002.622 S2C2T2 Fl. 102 5 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior Natureza Indenizatória Do Valor Recebido Antes de adentramos ao mérito da questão, gostaria de fazer um breve histórico de como originou a questão objeto de julgamento. Inicialmente devemos analisar as disposições do artigo 6º da Lei nº. 9.655/98, que tratou concedeu o abono variável a partir de 1 de janeiro de 1998 aos membros do Poder Judiciário: “Art. 6º: Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Referido dispositivo legal faz menção ao artigo 93, inciso V da Constituição Federal, condicionando a produção de efeitos do abono até a data de vigência de futura Emenda Constitucional alterando o comando constitucional mencionado. A Emenda Constitucional nº. 19, de 04 de Junho de 1998, alterou o dispositivo constitucional mencionado: “Art. 93: (...) V os vencimentos dos magistrados serão fixados com diferença não superior a dez por cento de uma para outra das categorias da carreira, não podendo, a título nenhum, exceder os dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. (redação anterior à EC 19/98) Fl. 255DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO 6 V o subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores corresponderá a noventa e cinco por cento do subsídio mensal fixado para os Ministros do Supremo Tribunal Federal e os subsídios dos demais magistrados serão fixados em lei e escalonados, em nível federal e estadual, conforme as respectivas categorias da estrutura judiciária nacional, não podendo a diferença entre uma e outra ser superior a dez por cento ou inferior a cinco por cento, nem exceder a noventa e cinco por cento do subsídio mensal dos Ministros dos Tribunais Superiores, obedecido, em qualquer caso, o disposto nos arts. 37, XI, e 39, § 4º.” (redação dada pela EC 19/98) A forma de cálculo e de pagamento foi disciplinado pelo artigo 2º, da Lei nº. 10.474/2002: “Art. 2º: O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº. 9.655, de 2 de junho de 1998, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida por Magistrado, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1º: Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos Magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº. 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2º: Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. § 3º: O valor do abono variável da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo.” O Supremo Tribunal Federal STF ao editar o artigo 1º da resolução n° 245, de 12 de dezembro de 2002 definiu a natureza jurídica indenizatória do abono previsto no artigo 2º da Lei nº. 10.474/2002, nos seguintes termos: “Art. 1º: É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº. 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal.” Assim a partir da edição da Resolução n° 245/02 do STF o abono variável de que trata o artigo 2° da Lei n° 10.474/02 tem natureza indenizatória, portanto não é passível de ser tributado pelo imposto de renda. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.725709/200938 Acórdão n.º 2202002.622 S2C2T2 Fl. 103 7 O “abono variável” devido aos Magistrados do Estado do Bahia, objeto de discussão no presente caso tem como fundamento legal nos artigos 4º e 5º, da Lei 8.730 de 09 de setembro de 2003: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Nos termos da referida norma legal, entendo que foi pago aos membros do Poder Judiciário do Estado da Bahia abono variável nos mesmos moldes do que dispõe o artigo 2°, da Lei n° 10.747/02. Nesse sentido entendo que o “abono variável” concedido aos Magistrados Estaduais pela Lei n° 8.073 de 2003, tem natureza idêntica àqueles concedidos à Magistratura Federal e ao MPF, portanto tem natureza indenizatória nos termos do que dispõe a Resolução do STF n° 245/02, não sendo portanto fato gerador do imposto de renda nos termos do que dispõe o artigo 43 do CTN. Além do mais não vejo inconstitucionalidade na Lei Estadual ao atribuir natureza indenizatória a tal valor, caberia a União no caso ingressar com ação judicial pertinente para questionar a constitucionalidade de tal Lei, fato esse que não ocorre no presente caso. Neste sentido, conheço do recurso e no mérito dou provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 257DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO 8 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Inobstante o respeitável entendimento desenvolvido pelo Ilustre Conselheiro Relator, no caso em análise e com sua vênia, a minha convicção não permite acompanhálo. Exponho a seguir as razões. O lançamento teve por base valores recebidos a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Vale ressaltar que não é a denominação que se dá aos rendimentos pagos que vai determinar sua natureza tributável (ou não), mas os efeitos que esses recebimentos têm sobre o patrimônio do Autuado. De acordo com o Parágrafo 3º, do artigo 43 da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), com redação dada pelo art. 1º. da Lei Complementar No. 104, de 10 de janeiro de 2001, a incidência do imposto de renda independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Conforme o mandamento previstos no parágrafo 6º. do art. 150 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), com redação da Emenda Constitucional No. 3, de 17 de março de 1993, notase que a determinação expressa de que a isenção somente poderá ser concedida mediante lei específica. No caso somente a legislação do imposto sobre a renda define, de forma expressa, os rendimentos percebidos por pessoas físicas que são isentos do imposto. Acrescentese, por pertinente, que o CTN dispõe no art. 111 que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), no qual não consta relacionado como isento as diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de "indenização" ou "valores indenizatórios. No que toca a ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do imposto de renda incidente na fonte que não foi objeto de retenção. Urge registrar que a repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Em suma, o fato de o produto da arrecadação ficar para o Estado não altera a competência tributária definida na Constituição, que é da União, conforme de definido no art. 153, III. No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, pela quebra do princípio da capacidade contributiva e apropriação de vantagem, , acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer Fl. 258DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.725709/200938 Acórdão n.º 2202002.622 S2C2T2 Fl. 104 9 instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). No relativo a Lei n° 10.477, de 2002, cabe observar, que a mesma restringe se ao abono variável aplicável aos membros do Poder Judiciário Federal. Esse abono, especificamente, foi considerado de natureza indenizatória pelo STF e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 529, de 2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda. Em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na referida Lei Estadual que criou a isenção. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável da Lei n° 10.474, de 2002, seria alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. Tal entendimento é expressamente corroborado pelo Parecer PGFN/CAT n° 2.158, de 2005, e pela Solução de Consulta n° 47, da Superintendência da 7" Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, estendendose os efeitos da Resolução STF n° 245, de 2002, tão somente ao Ministério Público Federal e à Magistratura Federal. Não se pode olvidar também que é defeso ao aplicador do Direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. Quanto à alegação de que, como a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora, é dela que deve ser exigido o imposto. Ocorre que, sem prejuízo da responsabilidade de reter e recolher o imposto, permanece o dever do beneficiário dos rendimentos de declarálos para fins de apuração do imposto devido, quando do ajuste anual. O Contribuinte é o beneficiário dos rendimentos, que não pode se furtar à tributação porque a fonte pagadora não procedeu à retenção do Imposto. É dizer, sendo a retenção do imposto pela fonte pagadora mera antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, não há falar em responsabilidade pelo imposto concentrada exclusivamente na fonte pagadora. Este Conselho já pacificou esse entendimento, conforme verificase da Súmula a seguir: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). No que referente ao uso de alíquotas incorretas pela autoridade fiscal, da revisão do lançamento, notase que não há qualquer reparo a ser realizado no mesmo. Para conferência das alíquotas mensais aplicadas recomendase a consulta do link a seguir: http://www.receita.fazenda.gov.br/pagamentos/pgtoatraso/tbcalcir.htm, e não aquele apontado no recurso. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO 10 No que toca a natureza de rendimentos recebidos acumuladamente, e a solicitação de considerar o rendimento em conjunto com os outros rendimentos do recorrente, tendo em vista aspectos das decisões do STJ (julgamentos repetitivos), o lançamento está impecável, já que cumpriu o entendimento judicial de que devem ser consideradas as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos tributados. Os demonstrativos de fls. 8 e 19/21 são claros neste sentido que se referem a diferenças salariais de abril/94 a agosto/2001, pagas nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Enfim, não há qualquer prejuízo para o recorrente, já que os mesmos foram calculados pelo regime de competência que no geral é mais favorável aos contribuintes. O fisco adotou a forma mais benéfica no cálculo do imposto, recordandose que as decisões do CARF não podem agravar os lançamentos. No relativo a necessidade de exclusão das parcelas isentas e de tributação exclusiva, não há provas da falha apontada pelo recorrente. A alegação de que outros itens poderiam estar presentes no mesmo item de observação rendimentos isentos – deveria ser provada, confirmando uma eventual deficiência do lançamento. Cabe adicionalmente registrar, que as parcelas relativas à conversão da URV, de rendimentos tributáveis, os juros compensatórios ou moratórios pagos em decorrência do atraso no seu pagamento, também são tributáveis, conforme disposto no art. 55, inciso XIV, do Decreto No. 3000, de 26 de março de 1999, RIR/99. Art.55.São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): ... XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Quanto à incidência da multa de ofício, esta tem previsão expressa em dispositivo de lei. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte ter oferecido os rendimentos à tributação e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 260DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.725709/200938 Acórdão n.º 2202002.622 S2C2T2 Fl. 105 11 Entretanto não pode se deixar de reconhecer que o recorrente teria sido induzido a erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora. Incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comportando multa de ofício. A inclusão de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, na parte relativa a rendimentos não tributáveis, seguindo a rubrica constante do comprovante de rendimento fornecido pela fonte pagadora, demonstra que o contribuinte fora induzido a erro. Nesses casos excluise a penalidade, pois houve erro escusável por parte do declarante. Nesse sentido este conselho já tem se pronunciado, tal como se depreende do Acórdão 10421.668 : MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. No que toca ao juros de mora é de se manter o lançamento, tendo em vista que o mesmo não tem a intenção de penalizar, mas de compensar o sujeito passivo pelo atraso no pagamento. Em face do exposto e da pertinência da cobrança do imposto, é de se manter o juros de mora. Urge registrar que o STJ não declarou a inconstitucionalidade do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, restando pacificado no CARF que, com o advento da referida norma, teria aplicação a taxa Selic como índice de correção monetária e juros de mora, afastandose a aplicação do CTN, o que justifica a incidência de atualização do débito fiscal não recolhido, a partir do seu vencimento. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). No tocante a aplicação do tratamento prescrito na Instrução Normativa RFB No. 1.127/2011 relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Urge registrar que a norma citada disciplina a apuração e tributação dos rendimentos recebidos a partir de 28 de julho de 2010, não se aplicando portanto ao caso concreto. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Redator Designado Fl. 261DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO 12 Declaração de Voto Conselheiro Rafael Pandolfo Concordo com as razões e conclusões brilhantemente deduzidas pelo ilustre relator, mas peço vênia para reforçar sua linha argumentativa com outros pontos que considero pertinentes à fundamentação de decisão favorável ao recorrente. O auto de infração questiona a qualificação “indenizatória” conferida à verba paga a título de diferenças de URV, porquanto o Estado da Bahia estaria concedendo isenção de tributo federal — ou seja, desrespeitando sua competência tributária —, e justifica a tributação dos valores em questão com fulcro no art. 43 do CTN, e no art. 3º da Lei nº 7.713/88. Esse fundamento possui inúmeras fragilidades. Além da ausência de competência da administração pública federal para considerar inválida e negar vigência a disposição legal presente em lei estadual (que até o momento goza de presunção de validade), a qual já foi levantada pelo ilustre Conselheiro relator, posso elencar ao menos outras duas. A primeira, de índole tributária, diz respeito ao efeito jurídico que a disposição empreendida pelo ato normativo baiano exerce. Ao dizer que as verbas eram indenizatórias, a Lei Estadual nº 8.073/2003 está tão somente reconhecendo que essas verbas têm a mesma natureza das verbas pagas aos magistrados federais e aos membros do Ministério Público Federal, que foram consideradas não tributáveis pelos pareceres normativos da PGFN. Essa é a única exegese possível, sob pena de discriminação incompatível com a diretriz traçada pelo art. 150, II, da Constituição, que veda qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função, independentemente da denominação jurídica. No que as diferenças percebidas pelos magistrados baianos são diferentes das recebidas por juízes federais e integrantes do Ministério Público Federal? Se a pergunta não for validamente respondida, penso que a tributação e casuística, tangenciando o excesso de exação. A segunda, de índole financeira, diz respeito ao verdadeiro impactado pela alegada renúncia fiscal operada pelo Estado da Bahia ao editar a lei estadual. Isso porque os rendimentos foram classificados como rendimentos do trabalho assalariado, os quais, nos termos do art. 7º da Lei nº 7.713/88 estão sujeitos ao IRRF: Art. 7º Ficam sujeito à incidência do imposto de renda na fonte, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei: I os rendimentos do trabalho assalariado, pagos ou creditados por pessoas físicas ou jurídicas; II os demais rendimentos percebidos por pessoas físicas, que não estejam sujeitos à tributação exclusiva na fonte, pagos ou creditados por pessoas jurídicas. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.725709/200938 Acórdão n.º 2202002.622 S2C2T2 Fl. 106 13 Nessa senda, o art. 157, I, da Constituição Federal prevê que o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos pelo Estado, suas autarquias ou fundações por ele mantidas pertence ao próprio Estado: Art. 157. Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal: I o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem; É o presente caso, haja vista que a URV foi paga pelo Tribunal de Justiça da Bahia, órgão do Estado da Bahia. Dessa forma, esses valores deveriam ter sidos tributados na fonte, e a suposta isenção concedida pelo Estado da Bahia iria impactar tão somente em sua arrecadação. Em suma: o próprio Estado da Bahia suportou o ônus do seu suposto favor fiscal, de modo que não pode a União se aproveitar deste acontecimento para cobrar tributo que, inexistisse a controvérsia acerca da incidência de IRPF sobre os valores, nunca lhe caberia. Ainda, existem precedentes da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta sessão que reconhecem a não incidência de IRPF sobre os valores recebidos a título de URV pelos procuradores do Ministério Público da Bahia — caso análogo, que difere apenas quanto ao ato normativo que disciplinou o pagamento da URV —, com fulcro na Resolução STF nº 245/2002 e no Parecer PGFN nº 923/2003: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Voluntário Provido Fl. 263DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO 14 (CARF. 2ª Seção. 1ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 2102 002.775. Rel. José Raimundo Tosta Santos. Julg. em 19/11/13) Não fosse suficientes tais argumentos, ressaltase, por fim, que existem precedentes do STJ que reforçam a não incidência do IRPF sobre os valores recebidos a título de URV pelos magistrados da Bahia, estendendo a elas o mesmo tratamento dispendido aos valores recebidos pelos magistrados federais, que tiveram tal direito reconhecido pela Resolução STF nº 245/02: EMENTA TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. (STJ. 2ª Turma. REsp n. 1.187.109/MA. Rel. Min. Eliana Calmon. Julg. em 17/08/10) Assim sendo, com base nos fundamentos do eminente relator e desta declaração de voto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 264DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 16327.000181/2005-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Eduardo de Andrade, Gilberto Baptista, Hélio Eduardo de Paiva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Eduardo de Andrade, Gilberto Baptista, Hélio Eduardo de Paiva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 18 1/ 20 05 -4 4 Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000181/200544 Resolução nº 1302000.306 S1C3T2 Fl. 1.910 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 130200.337 proferido por esta 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara, em 05/08/2010, com a seguinte ementa: DECADÊNCIA 5 ANOS TRIBUTO POR HOMOLOGAÇÃO Em 1999, o contribuinte apurou e pagou o tributo que entendeu devido bem corno cumpriu regularmente suas obrigações acessórias. O prazo que o fisco possui para homologar o autolançamento é de cinco anos contados da conclusão do fato gerador, 31/12/1999. O lançamento cientificado em 03/02/2005 é caduco. O colegiado deu provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, cancelando a exigência da CSLL, por reconhecer a decadência do lançamento. Cientificada em 14/04/2011, a Procuradoria da Fazenda Nacional, com base no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs embargos de declaração em 15/04/2011 para que o julgador esclarecesse as razões e as provas, constantes do processo, que demonstram o pagamento do IRPJ e da CSLL, para fins de aplicar o artigo 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional. Na sessão de 09/05/2012, esta turma de julgamento houve por bem converter o julgamento do recurso em diligência, por meio da Resolução nº 1302000.179, na qual a conselheira relatora, anteriormente designada, assim fundamentou o pedido de diligência: Os embargos são procedentes e lhes acolho. No processo não consta a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) e nem qualquer Documento de Arrecadação da Receita Federal (DARF) ou informe de rendimento, que possam comprovar a incidência de imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) e contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), quer seja por estimativa ou na fonte. O documento de folhas 3 é na realidade um extrato do lançamento e não um comprovante de pagamento de imposto. Verificamos, pelos registros do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), que houve prejuízo fiscal no anocalendário de 1999, por isso não houve IRPJ ou CSLL a pagar ao final do ano. Logo, não há evidência, no processo, de que foram recolhidos IRPJ e CSLL para fins de aplicar o artigo 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, evoco o recurso especial repetitivo de número Resp 973733/SC do Superior Tribunal de Justiça, de 12/08/2009, publicado em 18/09/2009 (http://www.decisoes.com.br/v29/index.php?fuseaction=tributaria.pesquisar_ger al_for m#ixzz1uNlYENvl). Cumpre acolher os embargos para aplicar o prazo de que trata o artigo 173 do Código Tributário Nacional a fim de determinar a decadência do direito de lançar. Nesse ponto, notase que o fato gerador foi concluído em 31/12/1999, começando a contar o prazo decadencial em 01/01/2001, tendo ele expirado em 01/01/2006. O lançamento efetuado em 03/02/2005 não resta, portanto, decaído. Assim, cabe enfrentar as demais matérias discutidas no processo. A contribuinte alega nulidade do lançamento fiscal, pois o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) estaria expirado. Vale notar que todos os atos de fiscalização foram feitos em mandatos Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000181/200544 Resolução nº 1302000.306 S1C3T2 Fl. 1.911 3 (sic) de procedimentos fiscais integralmente válidos. Ocorre que em 25/01/2005 houve uma última prorrogação do mandato apenas para que o lançamento pudesse ser concluído e citado, como foi, em 03/02/2005. Assim, apegase a Recorrente em mera questão formal, pois dessa última prorrogação foi citada em 10/02/2005. Embora o auditor fiscal tenha sido o mesmo, ele não exerceu, no novo prazo, qualquer novo ato de fiscalização, apenas concluindo a fiscalização que já antes havia iniciado. Para aterme à formalidade, fico com aquela que trata do processo administrativo fiscal e elucida, no artigo 10 do Decreto 70.235/72, o rol completo das condições de validade do lançamento. Dentre elas, não consta a citação do MPF. Assim, rejeito a preliminar de nulidade oposta pela Recorrente. Prossigo para avaliar o mérito da matéria. Discutese, enfim, a dedutibilidade, no anocalendário de 1999, dos seguintes valores, itens 1 e 2 abaixo. R$ 1.431.003,45, equivalentes a 50% da provisão para sinistros ocorridos, mas não reportados (IBNR) (Resolução CNSP n o. 18/98). R$ 7.844.044,48, a título de contribuição para consórcios e fundo de seguro habitacional – FESA (Resolução 25/67 do Banco Nacional da Habitação (BNH), DecretoLei 2.291/86, Resolução Conselho Monetário Nacional (CMN) 1.277/87, inciso I, artigo 2° do DecretoLei n°2.406, de 05/01/88, e Lei 7.739/89). Neste ponto, a autoridade fiscal não discute a existência ou exigibilidade da despesa, apenas afirma que ela seria uma provisão de 1998, indedutível no ano de 1999. Já a DRJ alega que a despesa não deveria existir, pois a Circular SUSEP 84/99, que exigiu a contabilização dos prêmios cedidos ao FESA, é válida apenas para as operações constituídas a partir do anocalendário de 1999, não se aplicando às operações realizadas até 1998, com base nas quais a provisão feita pela empresa foi constituída. Avaliando o roteiro contábil anexo à Circular SUSEP 84/99, o que ele manda fazer é a recorrente registrar os prêmios recebidos como ativos e passivos e reconhecer, em resultado, como redução do passivo, apenas o percentual relativo ao prêmio de co seguro que lhe cabe, que é de 4%. Até o ano de 1998, a empresa seguia a Circular SUSEP 09/93 e, segundo o que depreendi do procedimento contábil adotado, vinha reconhecendo os prêmios recebidos em ativos, assim também os prêmios pagos em passivo no percentual de 88,4%, o valor residual seria um saldo líquido de prêmios pagos e recebidos, reconhecido como receita, dos quais ainda deveriam ser deduzidas as comissões a pagar, como despesa, sendo que o valor líquido representaria o prêmio de 4% do prêmio bruto que cabe à seguradora recorrente. No anocalendário de 1999, a SUSEP determinou que a Seguradora Roma não deveria mais reconhecer a receita bruta e a despesa de comissões a pagar, mas sim deveria reconhecer diretamente em resultado a receita líquida, sendo a comissão a pagar um passivo que não mais deveria transitar pelo resultado como despesa. Como a partir da vigência da nova Circular SUSEP a Recorrente não poderia mais reconhecer despesas de repasses à SASSE, por essa ocasião, o que fez a Recorrente foi conciliar os saldos de suas obrigações contratuais e comparar com o saldo de ativos e passivos que tinha reconhecidos decorrentes do seguro habitacional carregado de anos passados para poder adequarse à nova forma de contabilização. Quanto à sua contabilidade, esclarece a interessada o seguinte. Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000181/200544 Resolução nº 1302000.306 S1C3T2 Fl. 1.912 4 No mês de outubro/98 do total de prêmios 456.292.165,11 FTRD's calculandose somente o percentual à título de repasse (88,4%) resulta em 403.362.273,96 FTRD's devolvidos nos meses de dezembro/98, janeiro/99 e março/99. No mês de novembro/98 do total de prêmios 468.541.933,83 FTRD's. No mês de novembro/98, calculandose somente o percentual à titulo de repasse (88,4%) resulta em 414.191.069,51 FTRD's devolvidos nos meses de janeiro/99, fevereiro/99 e abril/99. E, no mês de dezembro/98 do total de prêmios 444.587.781,25 FTRD's calculandose somente o percentual à titulo de repasse (88,4%) resulta em 393.015.598,63 FTRD's devolvidos nos meses de fevereiro/99, março/99 e maio/99. Considerando o Anexo I, bem como o Anexo II (da Impugnação), na data base de 31/12/98 a recorrente teria um saldo a pagar (à SASSE) de janeiro/99 a maio/99 o montante de (...) que equivale a R$ 11.784.111,42. Adicionando a diferença entre o valor devido a SASSE e o efetivamente pago no decorrer de 1999 no montante de R$ 31.208,58 totaliza um saldo devedor de R$ 11.815.320,00, no entanto a recorrente tinha provisionado apenas o montante de R$ 3.931.275,52 conforme cópia do RAZÃO CONTÁBIL, constante ANEXO IIII (quatro), equivalente a um faturamento líquido, restando ainda, o montante de R$ 7.884.044,48 a ser reconhecido, o qual foi feito no anobase de 1999. Assim, vale observar que a Circular SUSEP 84/99 não criou nenhuma nova obrigação financeira, para as operações novas, que já não fosse aplicável às operações antigas. Pela legislação supra referida no caput deste item 2 e pelos contratos anexados ao processo, é notório que a despesa de comissão à FESA é devida e necessária para que a seguradora receba o prêmio do seguro. A recorrente é uma das coseguradoras do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Os prêmios dos seguros habitacionais nesse sistema ficam divididos da seguinte maneira. [...] Tabela Segundo a Recorrente, assim, o pagamento da diferença apurada de R$ 7.884.044,48 era devido em maio de 1999 e só foi quantificado em 1999, em função da Resolução CNSP 18/98 e Circular 84/99. Tratase de um “contas a pagar”, embora leve o nome de “provisão”. Por outro lado, fica evidente que a Recorrente vinha reconhecendo provisões de comissões a pagar à SASSE em valor inferior ao devido, provavelmente apenas quando a SASSE a cobrava desses valores. Possivelmente, portanto, quando a SASSE a cobrava dessas comissões, a Recorrente lançava a diferença não provisionada como despesa do exercício e a deduzia. Nesse sentido, cumpre converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora possa, por favor, verificar o seguinte. 1 Verificar a base analítica que chega à obrigação contratual de comissões a pagar à SASSE no montante de R$ 11.815.320,00, vis à vis as obrigações contratuais da Recorrente, em 31/12/1998. 2 Conciliar contabilmente a composição da provisão de comissões a pagar à SASSE visando confirmar a inexistência de provisão no valor indicado no item 1 em 31/12/1998. Conciliar assim o ajuste de exercícios anteriores realizado pela Recorrente em 1999, relativamente a 31/12/1998, para ajustar o saldo dessa provisão. Confirmar que tal ajuste foi feito a débito de conta de patrimônio líquido e não resultado do exercício de 1999. Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000181/200544 Resolução nº 1302000.306 S1C3T2 Fl. 1.913 5 3 Confirmar que tal provisão tenha efetivamente sido paga à SASSE e baixada do passivo, ao longo de 1999. 4 Confirmar que o valor correspondente não foi lançado à despesa do exercício de 1999 conforme os pagamentos tenham sido feitos à SASSE ou, se foi, confirmar que tenha sido revertido, de tal sorte a não afetar o lucro do exercício de 1999, tributável, antes das demais adições e exclusões. Tal verificação visa garantir que a despesa não foi deduzida em duplicidade: ao sensibilizar o resultado de 1999 e depois como exclusão de ajuste de exercícios anteriores. 5 – Confirmar que tais despesas de comissões, no montante de R$ 7.884.044,48 não foram deduzidas em 1998 na apuração do imposto de renda e da contribuição social. 6 Intimar a Recorrente para que apresente a documentação necessária para efetuar as análises 1 a 4 incluindo, mas não se limitando a: 6.1. cálculo analítico dos prêmios recebidos de seguro habitacional antes dos repasses indicados pela legislação e conciliação contábil com os saldos ativos e passivos correspondentes em 31/12/1998, bem como cômputo do percentual relacionado à obrigação de repasse à SASSE nessa mesma data. 6.2. Conciliação do cálculo apresentado pelo item 6.1. com o saldo da provisão de comissões a repassar à SASSE em 31/12/1998, bem como lançamento contábil dos R$ 7.884.044,48 a título de ajuste de exercícios anteriores, feito em 1999. 6.3. Confronto do lucro líquido de 1998, base para a apuração do imposto de renda e contribuição social, e demonstração de que os R$ 7.884.044,48 não estão ali inseridos, bem como demonstração de que não houve exclusão desse valor no cálculo dos tributos devidos de 1998. 6.4. Razão contábil da conta de provisão de comissões a pagar à SASSE de 1998 e 1999 demonstrando a conciliação 6.2. 6.5. Razão contábil da conta de despesa de comissões a pagar à SASSE em 1999, bem como abertura analítica da competência que originou tal despesa (1998 ou 1999), acompanhada de demonstração e conciliação contábil analítica. 6.6. Lançamentos contábeis que demonstram o pagamento das comissões devidas à SASSE relacionadas ao saldo de 31/12/1998 ajustado, no montante de R$ 11.815.320,00, demonstrando o crédito na conta de disponibilidades da empresa (ou conta transitória equivalente) e o débito na conta de provisão. Caso o débito tenha sido efetuado à conta de resultado, apresentar demonstração e comprovação de que tal despesa não foi deduzida no cálculo do imposto de renda, tendo sido adicionada ou revertida contabilmente em 1999. 6.7. Outros esclarecimentos e documentos que a Recorrente entender oportuno apresentar. 7 Caso a despesa efetivamente não tenha sido deduzida em 1998 e não tenha sido deduzida em duplicidade em 1999. Verificar o lucro real da empresa no ano calendário de 1998, antes da compensação de prejuízos, bem como o lucro real em 1999, antes da compensação de prejuízos, para verificar se o deslocamento da despesa, de 31/12/1998, para 1999, gerou prejuízo à autoridade fiscal. Apurar se o deslocamento da despesa de 1998 para 1999 gerou menos prejuízo fiscal acumulado para a empresa ou menos imposto a pagar, na soma dos dois anos. Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000181/200544 Resolução nº 1302000.306 S1C3T2 Fl. 1.914 6 8 Elaborar relatório conclusivo da diligência para constatar se as comissões devidas à SASSE no montante de R$ 11.815.320,00 em 31/12/1998 efetivamente foram pagas ao longo de 1999 e se não houve uma dedução extra no cálculo do lucro real e da contribuição social, quer a seja em 1998 ou 1999. 9 Intimar a contribuinte do resultado da diligência para que se manifeste, impreterivelmente, em 30 dias da citação de tal intimação. 10 Anexar a manifestação da interessada ao processo e devolvêlo a este Conselho para julgamento. Encaminhados os autos para a unidade de origem a autoridade fiscal designada para a realização das diligências, após receber resposta ao Termo de Intimação enviado para a interessada, elaborou Relatório Final de Diligências, nestes termos: O Processo n° 16327.000181/200544 em julgamento no CARF foi convertido em diligência, Resolução n° 1302000.179, para que fossem verificados e comprovados diversos itens conforme deliberação daquele conselho. Intimado a esclarecer e a comprovar os itens conforme determinação do CARF, o contribuinte respondeu em 25/09/2012 que não encontrou em seus arquivos, documentos suficientes para responder aos detalhados questionamentos efetuados no Termo de Diligência n° 1, esclarecendo que todos os esforços foram feitos para a obtenção de outros documentos contábeis e tributários do período 1998 e 1999, porém não obtiveram sucesso. O contribuinte acrescenta ainda que acredita que a documentação e explicações já apresentadas em outras intimações referentes a este processo administrativo, sejam suficientes para comprovar que foi pago à SASSE o total de R$ 11.815.320,00 em 1999 e que não houve dedução duplicada desta despesa nos cálculos do IRPJ e da CSLL em 1998 e 1999. Como o contribuinte não apresentou nenhuma documentação necessária para efetuar as análises não foi possível constatar se as comissões devidas à SASSE no montante de R$ 11.815.320,00 em 31/12/1998 foram efetivamente pagas ao longo de 1999 e se não houve uma dedução extra no cálculo do lucro real e da contribuição social em 1998 ou 1999. Diante do exposto intimo o contribuinte do resultado desta diligência para que se manifeste, impreterivelmente, no prazo de 30 dias do recebimento deste, para que em seguida o processo seja devolvido para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. Intimada do Relatório Final de Diligências, a interessada apresentou manifestação, na qual se reporta ao Termo de Diligência nº 1 e apresentou diversos documentos e planilhas, consistentes em cerca de 1.000 páginas, nestes termos: MARES MAPFRE RISCOS ESPECIAIS SEGURADORA S/A, inscrita no CNPJ/MF sob n° 87.912.143/000158, com sede à Av. das Nações Unidas n.° 11.711, 21° andar, cidade de São Paulo SP, por seu representante legal, em resposta ao termo de diligência n° 1, apresenta os seguintes esclarecimentos e documentos aos itens constantes no referido Mandado de Procedimento Fiscal: 1 Livro LALUR de 1999 arquivo no CD entregue (Anexo I). 2 Balancetes mensais de 1998 a 1999 arquivos no CD entregue (Anexo I). Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000181/200544 Resolução nº 1302000.306 S1C3T2 Fl. 1.915 7 3 A fim de comprovar a obrigação contratual de comissões a pagar à SASSE, no montante de R$ 11.815.320,00, estão sendo disponibilizados o Acordo para Cessão de Cosseguro, celebrado com a SASSE Companhia Nacional de Seguros Gerais (Anexo II), e demonstrativo dos valores que compõem o total do "ajuste de exercícios anteriores" registrado em 1999 (Anexo III). O valor efetivamente contabilizado em 1999, referente à apuração do exercício de 1998, no montante de R$ 7.884.044,48 (Anexo III), é composto pelo cálculo do FESA adicionado aos Sinistros Pagos a partir de janeiro de 1999, conforme demonstrado no quadro apresentado (Anexo IV), subtraído o valor de R$ 3.931.275,52 que representa o saldo da conta em 31.12.1998 (Anexo V). A liquidação financeira dos montantes apresentados no Anexo IV e, que compõem o total do demonstrativo do Anexo III, estão relacionados nos demonstrativos de pagamentos (Anexo VI) e conciliados com os razões disponibilizados no arquivo eletrônico e, través das representações numéricas podem ser feitos os cruzamentos entre esses três arquivos. Os valores constantes no quadro do Anexo IV estão em FTRD, moeda utilizada para as operações de seguros à época, sendo, portanto, necessária a conversão para efetuarmos as respectivas conciliações. Adicionalmente, reiteramos que os valores provisionados foram deduzidos corretamente na apuração de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, e que os pagamentos realizados à SASSE tiveram seus registros efetuados diretamente nas contas em que foram provisionados, conforme conciliações apresentadas. 4 Razão contábil das contas "22212 Coseguro cedido emitido" e "22417 Contas à pagar ao FESA/FCVS" arquivo no CD entregue (Anexo I). 5 Vide item 3. 6 Vide item 3. 7 Conforme LALUR de 1999 disponibilizado, verificase que o montante de R$ 7.884.044,48 foi deduzido na apuração do imposto de renda e da contribuição social no ano calendário 1999. 8.1 Cópia do Registro Geral de Cosseguros Aceitos Cobrados em 1998 Ramo Seg.Habitacional Sist.Financ, onde estão representados os valores que compõem os prêmios recebidos do período (anexo VII). 8.2 Vide conciliação apresentada no item 3. 8.3 Vide LALUR de 1999 disponibilizado. 8.4 Vide item 3. 8.5 Vide item 3. 8.6 Vide conciliação apresentada em resposta ao item 3. Considerando a complexidade de conciliação entre os valores provisionados, bases de cálculo e registros contábeis, característicos da operação de cosseguros aceitos, entendemos ser necessária explicação presencial por esta Seguradora, para a qual nos colocamos à disposição. Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000181/200544 Resolução nº 1302000.306 S1C3T2 Fl. 1.916 8 Tendo em vista que num primeiro momento a interessada havia se manifestado no sentido de que não havia encontrado em seus arquivos nenhum documento novo para atender à intimação e que entendia que os elementos constantes do processo eram suficientes para comprovar a dedutibilidade da despesa glosada, a autoridade preparadora, ao receber a manifestação acima da interessada, simplesmente anexoua aos autos, sem qualquer análise, e encaminhouos a este conselho para julgamento . É o relatório. Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000181/200544 Resolução nº 1302000.306 S1C3T2 Fl. 1.917 9 Voto Tratase de retorno de diligência determinada por este colegiado, por meio da Resolução nº 1302000.179, de 09/05/2012, realizada pela unidade de origem. Analisando os elementos trazidos ao autos pela autoridade preparadora, verifico que a diligência restou inconclusiva, na medida em que os elementos apresentados pela interessada em sua manifestação de 30/11/2012, não foi objeto de qualquer análise por parte da autoridade fiscal incumbida da realização do procedimento. Ocorre que, num primeiro momento a interessada havia se manifestado no sentido de que não havia encontrado em seus arquivos nenhum documento novo para atender à intimação e que entendia que os elementos constantes do processo eram suficientes para comprovar a dedutibilidade da despesa glosada. Assim, a autoridade preparadora, ao receber a manifestação referida da interessada, simplesmente anexoua aos autos, sem qualquer análise, e encaminhouos a este conselho para julgamento Não obstante, é imprescindível que a autoridade fiscal proceda à análise dos elementos apresentados pela interessada,com vistas ao atendimento dos itens 1 a 5, 7 e 8 da diligência, e ainda se a recorrente apresentou todos os elementos especificados no item 6 da solicitação, na forma expressa na Resolução nº 1302000.179: 1 Verificar a base analítica que chega à obrigação contratual de comissões a pagar à SASSE no montante de R$ 11.815.320,00, vis à vis as obrigações contratuais da Recorrente, em 31/12/1998. 2 Conciliar contabilmente a composição da provisão de comissões a pagar à SASSE visando confirmar a inexistência de provisão no valor indicado no item 1 em 31/12/1998. Conciliar assim o ajuste de exercícios anteriores realizado pela Recorrente em 1999, relativamente a 31/12/1998, para ajustar o saldo dessa provisão. Confirmar que tal ajuste foi feito a débito de conta de patrimônio líquido e não resultado do exercício de 1999. 3 Confirmar que tal provisão tenha efetivamente sido paga à SASSE e baixada do passivo, ao longo de 1999. 4 Confirmar que o valor correspondente não foi lançado à despesa do exercício de 1999 conforme os pagamentos tenham sido feitos à SASSE ou, se foi, confirmar que tenha sido revertido, de tal sorte a não afetar o lucro do exercício de 1999, tributável, antes das demais adições e exclusões. Tal verificação visa garantir que a despesa não foi deduzida em duplicidade: ao sensibilizar o resultado de 1999 e depois como exclusão de ajuste de exercícios anteriores. 5 – Confirmar que tais despesas de comissões, no montante de R$ 7.884.044,48 não foram deduzidas em 1998 na apuração do imposto de renda e da contribuição social. [...] 7 Caso a despesa efetivamente não tenha sido deduzida em 1998 e não tenha sido deduzida em duplicidade em 1999. Verificar o lucro real da empresa no ano calendário de 1998, antes da compensação de prejuízos, bem como o lucro real em 1999, antes da compensação de prejuízos, para verificar se o deslocamento da despesa, de 31/12/1998, para 1999, gerou prejuízo à autoridade fiscal. Apurar se o deslocamento Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000181/200544 Resolução nº 1302000.306 S1C3T2 Fl. 1.918 10 da despesa de 1998 para 1999 gerou menos prejuízo fiscal acumulado para a empresa ou menos imposto a pagar, na soma dos dois anos. 8 Elaborar relatório conclusivo da diligência para constatar se as comissões devidas à SASSE no montante de R$ 11.815.320,00 em 31/12/1998 efetivamente foram pagas ao longo de 1999 e se não houve uma dedução extra no cálculo do lucro real e da contribuição social, quer a seja em 1998 ou 1999. Observo que, em face da complexidade dos cálculos, planilhas e documentos apresentados pela interessada, fazse imprescindível a análise in loco, por parte da autoridade fiscal, com vistas a verificar se os elementos apresentados, atendem ao que foi solicitado no item 6 da resolução e se estão em consonância com os registros contábeis, conforme advertiu a própria da interessada em sua manifestação de 30/11/2012, in verbis: Considerando a complexidade de conciliação entre os valores provisionados, bases de cálculo e registros contábeis, característicos da operação de cosseguros aceitos, entendemos ser necessária explicação presencial por esta Seguradora, para a qual nos colocamos à disposição. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, com vistas ao atendimentos do disposto nos itens 1 a 5, 7 e 8 da Resolução nº 1302000.179, de 09/05/2012, conforme determinado por esta turma de julgamento, elaborando relatório conclusivo, do qual deverá ser dado ciência à interessada e oferecido prazo para sua manifestação. Sala de Sessões, em 06 de maio de2014 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
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Numero do processo: 11065.721169/2013-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
Ementa:
FRACIONAMENTO DA MÃO DE OBRA EM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES
O fracionamento da mão de obra necessária a consecução dos objetivos sociais de uma empresa em outra optante pelo SIMPLES se traduz em prejuízo para a Seguridade Social, devido ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, devendo o vínculo se dar com a suposta tomadora dos serviços. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formando-se o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST)
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.186
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário para desconsiderar a prestação de serviço através de pessoa jurídica interposta, considerando toda a mão de obra empregada no processo produtivo do sujeito passivo como de sua responsabilidade quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 Ementa: FRACIONAMENTO DA MÃO DE OBRA EM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES O fracionamento da mão de obra necessária a consecução dos objetivos sociais de uma empresa em outra optante pelo SIMPLES se traduz em prejuízo para a Seguridade Social, devido ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, devendo o vínculo se dar com a suposta tomadora dos serviços. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formando-se o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST) Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 Ementa: FRACIONAMENTO DA MÃO DE OBRA EM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES O fracionamento da mão de obra necessária a consecução dos objetivos sociais de uma empresa em outra optante pelo SIMPLES se traduz em prejuízo para a Seguridade Social, devido ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, devendo o vínculo se dar com a suposta tomadora dos serviços. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST) Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário para desconsiderar a prestação de serviço através de pessoa jurídica interposta, considerando toda a mão de obra empregada no processo produtivo do sujeito passivo como de sua responsabilidade quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 11 69 /2 01 3- 91 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.721169/201391 Acórdão n.º 2302003.186 S2C3T2 Fl. 300 3 Relatório Trata o presente, de recurso interposto contra decisão de primeira instância, consubstanciada no Acórdão de fls. 264/272, que pugnou pela procedência do lançamento relativo às contribuições previdenciárias patronais, àquelas destinadas aos riscos ambientais do trabalho e àquelas arrecadadas para as terceiras entidades, incidentes sobre a remuneração de segurados que prestaram serviço à autuada através da interposta pessoa jurídica VITÓRIA BRASIL CALÇADOS LTDA.ME, no período de 01/2010 a 12/2011. O Processo Administrativo Fiscal – PAF engloba os seguintes DEBCAD’s: * 51.031.5321, referente à cota patronal e SAT incidente sobre a remuneração de segurados empregados e a cota patronal sobre a remuneração de contribuintes individuais, e * 51.031.5330, referente às contribuições arrecadadas para os Terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. O Auto de Infração de Obrigação Principal foi lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 11/04/2013. De acordo com o Relatório Fiscal de fls.27/34, a situação fática encontrada na auditoria fiscal demonstrou que a recorrente se valeu de mão de obra interposta pela pessoa jurídica VITÓRIA BRASIL CALÇADOS LTDA.ME, para executar o seu processo produtivo visando atingir seus objetivos sociais. A seguir me reporto ao relatório fiscal que embasou o levantamento, sob os seguintes aspectos: a empresa VITÓRIA BRASIL CALÇADOS LTDA. ME, foi constituída em 03/02/2006, por exempregado da recorrente. Conforme planilhas elaboradas pelo Fisco , nos anos de 2006 e 2007, os segurados empregados migraram da recorrente para a VITÓRIA, continuando a exercer as mesmas funções, o atendimento para a realização de auditoria nas duas empresas foi feito pelo Sr. Amarildo Giovani Bertoldi, empregado registrado em ambas, contador e irmão dos sócios da recorrente, em visita efetuada o Fisco constatou que a recorrente e a empresa VITÓRIA estão situadas no mesmo espaço físico, não sendo possível identificar onde começa e termina cada uma das empresas envolvidas. A entrada e saída são únicas, assim como a expedição e na fachada do prédio há a identificação de ambas, água e energia elétrica fornecidas apenas pela recorrente, Fl. 301DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 foram apresentados dois contratos de aluguel onde consta o endereço da recorrente como Rua São Leopoldo, nº 186 e da VITÓRIA como Rua São Leopoldo n.º 186, sala 2. Ambos firmados na mesma data sem firma reconhecida, sem registro em cartório, a proprietária do imóvel é a Sra.Ana Paula Bertoldi, registrada como empregada da recorrente e locatário o Sr. Oldair José dos Santos Cavalheiro, empregado registrado na recorrente de 2005 a 2007, a atividade preponderante das empresas envolvidas é a fabricação de calçados, utilizam o mesmo parque fabril, os sócios de ambas são da mesma família, ou ex empregados, a recorrente era inscrita no SIMPLES até 2007, quando devido ao seu faturamento foi excluída. Na mesma época foi criada a VITÓRIA, optante do SIMPLES e exercendo suas atividades com empregados migrados da recorrente e assumindo a parte excedente do faturamento para permitir a permanência no Sistema e assim desobrigando a recorrente de recolher a cota patronal da contribuição previdenciária. Às fls. 29/30 do processo, consta planilha exemplificando a quantidade de empregados e o faturamento dos anos de 2005 a 2011, cópias de reclamações trabalhistas indicam que as empresas constam como reclamadas nos processos comprovando a dependência financeira, nas GFIP’s os telefones informados no cadastro das empresas é o mesmo, o responsável também é o mesmo e as informações de remessa responsável Ada recorrente são com o CNPJ, nome do responsável e endereço da VITÓRIA. Da constatação efetuada pelo Fisco resultou este Auto de Infração, onde os empregados da VITÓRIA estão sendo considerados como se da recorrente fossem e dela estão sendo cobradas as contribuições patronais apuradas através dos valores declarados nas GFIP’s da prestadora ce serviços VITÓRIA BRASIL CALÇADOS LTDA. Após a impugnação, Acórdão de fls. 264/272, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) a falta de competência territorial para julgar o processo, o que deveria ter ocorrido na jurisdição de origem; b) que não praticou qualquer ilegalidade, já que a doutrina sustenta e permite o planejamento tributário para diminuir a carga tributária; c) que a autoridade fiscal devia provar a ocorrência do fato gerador para a invalidação ou desconsideração do negócio jurídico; d) que as duas empresas geram empregos e não contrariam as normas legais. Por fim, requer o recebimento e provimento do recurso para que seja declarada a improcedência do processo, a insubsistência dos autos de infração e a nulidade dos créditos tributários. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.721169/201391 Acórdão n.º 2302003.186 S2C3T2 Fl. 301 5 É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade devendo ser conhecido e examinado. Da Preliminar A recorrente argúi a falta de competência territorial para o julgamento do processo por Delegacia da Receita Federal de Julgamento de jurisdição diversa do domicilio tributário do contribuinte. Informo à recorrente que a constituição, o funcionamento e a competência de julgamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento DRJ, se dá através de Portarias emitidas pelo Ministério da Fazenda e os processos distribuídos às DRJ observam às prioridades estabelecidas na legislação, a semelhança e conexão de matérias, a capacidade de julgamento e a competência material de cada DRJ, de forma que não há qualquer óbice a que um processo de uma jurisdição de uma Delegacia da Receita Federal do Brasil seja julgado por Delegacia da Receita Federal de Julgamento de outra jurisdição, como ocorreu no caso presente. Ademais, consta das fls. 263, do processo que o mesmo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA, tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013), e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013), e conforme definição da CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial da Receita Federal do Brasil. Do Mérito De acordo com o relatório fiscal da autuação às fls.27/34, o crédito previdenciário decorre da situação fática existente e relatada pela fiscalização no que concerne à descaracterização dos serviços prestados por interposta pessoa jurídica. As evidências descritas pelo auditor fiscal e às quais nos reportamos, já que compõem o relatório e por economia processual deixamos de aqui copiálas, dão conta de que a recorrente utilizou a empresa VITÓRIA BRASIL CALÇADOS LTDA., optante do SIMPLES como interposta pessoa na contratação de empregados visando o não recolhimento da contribuição previdenciária patronal. A fiscalização relata que em verificação física efetuada no sujeito passivo foi constatado que as empresas funcionam no mesmo local onde labora a recorrente; que é impossível distinguir quais funcionários são de uma empresa ou de outra, que os funcionários estão todos alocados no mesmo parque fabril, com máquinas e equipamentos comuns, que não há pagamentos de despesas por conta da empresa prestadora de serviços VITÓRIA BRASIL CALÇADOS LTDA., como aluguel, energia elétrica, água, etc. que na frente do estabelecimento há placas indicativas do nome de ambas as empresas que também utilizam o mesmo nome em seus produtos (calçados ANAFLEX). Fotos às fls. 91/97. Com relação à composição societária, todos os sócios são membros da mesma família e tabela constante das folhas 29/30 do relatório fiscal evidencia que a recorrente Fl. 304DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.721169/201391 Acórdão n.º 2302003.186 S2C3T2 Fl. 302 7 era optante do SIMPLES até 2007, quando seu faturamento extrapolou o limite legal para opção. Neste momento, foi criada a empresa prestadora de serviços VITÓRIA BRASIL CALÇADOS LTDA.ME, com o faturamento excedente da outra, mas dentro dos limites impostos pela legislação, sendo que os empregados forma transferidos da recorrente para a prestadora. Tal procedimento demonstra que as empresa VITÓRIA foi criada com o intuito de deixar de recolher a cota patronal das contribuições previdenciárias. A fiscalização constatou, portanto, que as empresas exerciam suas atividades de forma complementar ficando a mão de obra necessária ao processo produtivo alocada na empresa optante pelo SIMPLES desonerandose da cota patronal das contribuições previdenciárias, enquanto a receita pela produção se dá na autuada, tributada pelo lucro real, que possui um reduzido número de funcionários. Os elementos de convencimento expostos pela auditoria fiscal explicitam que as empresas são interdependentes o que se comprova pela dependência financeira e operacional, onde as instalações, maquinários, água, energia elétrica são cedidos pela recorrente à prestadora de serviço, que trabalha exclusivamente para ela. A recorrente em suas razões não traz qualquer fato novo capaz de elidir a autuação, limitandose a negar os fatos, dizer da falta de provas e que é lícito fazer planejamento tributário. Ao contrário do que afirma a recorrente, entendo que a autuação está bem apoiada em evidências trazidas no relatório fiscal e documentos de fls. 91 em diante. As exploram a mesma atividade econômica no mesmo parque fabril, no mesmo endereço, restando comprovado que todos os empregados trabalham de fato para a autuada. Os segurados prestam serviço de forma habitual em funções que não se prestam a serviço autônomo, permanecem cumprindo horário nas dependências da recorrente, e são a ela subordinados. Destarte, é de se informar à recorrente, que a forma escolhida para reduzir seus custos, não encontra guarida na legislação vigente, porquanto trata de uma simulação na contratação formal de mão de obra por empresa optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresa e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, onde estão obrigadas apenas ao recolhimento da contribuição relativa à cota do empregado e dispensadas da contribuição patronal, ao passo que não possuem receita tampouco estrutura operacional para manter uma linha de produção, o que vem a ser suprido pela suposta “tomadora dos serviços”, no caso a recorrente, que é a responsável por toda a receita advinda do faturamento com a produção, mas que não possui mão de obra no processo produtivo e por isso se ilide do pagamento da cota patronal das contribuições previdenciárias. Da forma como disposta esta relação entre as pessoas jurídicas envolvidas é notório o prejuízo causado à Seguridade Social, pois a mão de obra empregada no processo produtivo não serve de base para a incidência da contribuição previdenciária, pois se dá em empresa que possui um baixo faturamento, o que lhe permite ser optante do SIMPLES, enquanto a receita fica para a empresa que deve contribuir também com a cota patronal das contribuições previdenciárias, mas por possuir um reduzido número de empregados, pouco recolhe, ou seja, a Previdência Social é que vai arcar com a sangria em seus cofres, na medida em que a mão de obra que produziu o alto faturamento, não serve de base para a incidência contributiva previdenciária. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Reitero que por todos os dados constantes do processo é possível aferir que os serviços são prestados por empresa interposta na contratação formal de mão de obra, servindo para a recorrente se elidir do pagamento da cota patronal da contribuição previdenciária. Desta forma, correta está a constituição do crédito previdenciário, relativamente à folha de pagamento das empresa interposta, cujos valores foram tomados como salário de contribuição para a incidência da contribuição patronal de responsabilidade da recorrente. Foi desconsiderada a prestação de serviço através da empresa interposta, por todas as circunstâncias, motivos e evidências relatadas na notificação, para considerar toda a mão de obra empregada no processo produtivo da recorrente como de sua responsabilidade quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias. A capacidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em desconsiderar contratos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo é muito clara na leitura da legislação previdenciária em conjunto com o Código Tributário Nacional CTN. Vejamos o disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN: Art. 116. (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Pela leitura do artigo 33 da Lei n.º 8.212/91 e do parágrafo 2º do artigo 229 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, também fica claro que o Auditor Fiscal da Previdência Social pode desconsiderar o contrato pactuado, quando o segurado preencher as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º do Decreto. LEI N.º 8.212/91 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. DECRETO N.º 3.048/99 Art. 229. (...) § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado (grifei). Fl. 306DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.721169/201391 Acórdão n.º 2302003.186 S2C3T2 Fl. 303 9 O referido art. 9º traz o rol de segurados obrigatórios da Previdência Social. No inciso I estão as situações de enquadramento dos segurados empregados, sendo que a relação pactuada nos contratos desconsiderados nessa notificação pode ser observada na alínea "a" (idêntica redação do art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei n.º 8.212/91): Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; No mesmo sentido, também o Tribunal Regional Federal da 4ª Região já vinha decidindo, não deixando dúvidas quanto a essa possibilidade: PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO. RECONHECIMENTO DE RELAÇÃO DE EMPREGO. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS. 1 A competência da Justiça do Trabalho não exclui a das autoridades que exerçam funções delegadas para exercer a fiscalização do fiel cumprimento das normas de proteção do trabalho, entre as quais se incluem o direito à previdência social. 2 No exercício de suas funções, o fiscal pode tirar conclusões diferentes das adotadas pelo contribuinte, sob pena de se consagrar a sonegação. Exigese, contudo, que a decisão decorrente da fiscalização seja fundamentada, quer para que não se ofenda ao princípio da legalidade, ou para que o contribuinte possa exercer o seu direito de defesa. 3 Apelação a que se nega provimento. (AMS n.º 89.04.079543PR, Ac. TRF 400003018, de 20/02/92, 1ª Turma, Rel. Juiz Hadad Viana, DJ de 18/03/92, pág. 5937). A desconsideração das empresas prestadoras de serviços, decorreu da realidade fática encontrada pela fiscalização, qual seja, a existência de relação de emprego entre as pessoas físicas e a empresa ora autuada. E, diante de tal situação, a fiscalização previdenciária tem o poderdever de perquirir acerca da real natureza da relação de trabalho para fins de cobrança da contribuição previdenciária devida. Este é também o entendimento do Egrégio Tribunal Regional Federal da 5ª Região: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. EQUÍVOCO NA INDICAÇÃO DA DECISÃO RESCINDENDA. PRELIMINAR SUPERADA. OBJETO DA AÇÃO ORIGINÁRIA: ANULAÇÃO DE NOTIFICAÇÃO FISCAL EM RAZÃO DA INCOMPETÊNCIA DO INSS PARA CARACTERIZAR RELAÇÃO DE EMPREGO. FUNDAMENTO DA SENTENÇA E DO ACÓRDÃO (RESCINDENDO) DE PROCEDÊNCIA DO PEDIDO: INCONSTITUCIONALIDADE DA EXPRESSÃO Fl. 307DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 "AUTÔNOMOS E ADMINISTRADORES" (ART. 3O, DA LEI N.º 7.787/89). CARACTERIZAÇÃO DE ERRO DE FATO (ART. 485, IX, DO CPC). DESCONSTITUIÇÃO DA DECISÃO RESCINDENDA E NOVO JULGAMENTO. DETENÇÃO PELO INSS DE PODERES PARA RECONHECER RELAÇÃO DE EMPREGO PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS. RELAÇÃO DE EMPREGO CARACTERIZADA. INEXISTÊNCIA DE PROVA ACERCA DA CONDIÇÃO DE TRABALHADOR AUTÔNOMO, A INFIRMAR A AUTUAÇÃO FISCAL. PROCEDÊNCIA. ... 6 .A FISCALIZAÇÃO DO INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL DETÉM PODERES PARA PERQUIRIR ACERCA DA NATUREZA DA RELAÇÃO DE TRABALHO QUE VINCULA DUAS OU MAIS PESSOAS, PARA FINS DE COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA, CONFORME SEJA O CASO. A ATUAÇÃO INVESTIGATIVA DOS FISCAIS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ESTÁ VOLTADA AO CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA, À PERFECTIBILIDADE DE EFEITOS PREVIDENCIÁRIOS. O RECONHECIMENTO DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA, PARA ESSA FINALIDADE ESPECÍFICA, NÃO TRANSBORDA PARA ALCANÇAR A GERAÇÃO DE EFEITOS TRABALHISTAS, DA MESMA FORMA QUE NÃO PODE FICAR ATRELADO AOS RESULTADOS QUE DECORRERIAM DE EVENTUAL CONTENDA NA JUSTIÇA ESPECIALIZADA, ALTERCAÇÃO ESTA CUJO AJUIZAMENTO FICA NA DEPENDÊNCIA DA VONTADE DO EMPREGADO. A IDENTIFICAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO, NA VIA ADMINISTRATIVA, CONSTITUI UMA FASE PRÉVIA E INDISPENSÁVEL AO LANÇAMENTO DO TRIBUTO PELO AGENTE ARRECADADOR. 7 .HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE SE, DA REALIDADE FÁTICA, EMERGE CARACTERIZADA A RELAÇÃO DE EMPREGO, NÃO HÁ COMO DEIXAR DE SE RECONHECER OS EFEITOS QUE DELA DECORREM PELO FATO DE NÃO ESTAR, A RELAÇÃO EMPREGATÍCIA, DOCUMENTALMENTE REGISTRADA COM ESSA CONFIGURAÇÃO. 8 .DEMONSTRADA A RELAÇÃO DE EMPREGO, PELAS PROVAS COLIGIDAS AOS AUTOS, NÃO INFIRMADAS PELA PARTE RÉ. 9 .PROCEDÊNCIA DO JUDICIUM RESCISSORIUM. (AR 2675 PE, Ac. TRF 500066668, Pleno, dec. unân. De 25/09/2002, DJ de 02/12/2002, pág. 575, Rel. Des. Fed. Francisco Cavalcanti). Impossível negarse a existência de "prejuízo" para a Previdência Social, advindo com a prestação de serviços nos moldes em que feitos, já que não há recolhimento de contribuições previdenciárias na relação havida entre duas pessoas jurídicas. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.721169/201391 Acórdão n.º 2302003.186 S2C3T2 Fl. 304 11 Por derradeiro, é de se ressaltar que a autoridade lançadora não se baseou em meros indícios, mas sim em um conjunto de documentos e outros elementos observados durante a fiscalização. Saliento, ainda, que não ocorreu a despersonificação da pessoa jurídica, mas a análise conjunta da situação fática e de todos os elementos colhidos durante a ação fiscal que permitiu caracterizar os vínculos com a Previdência Social dos segurados que prestavam serviço através das empresa interpostas para com a recorrente. Podese verificar que os serviços prestados estão ligados à atividade meio e fim da autuada, são efetuados nas dependências dessa, mediante remuneração mensal, com caráter não eventual. Também, o Tribunal Superior do Trabalho já se pronunciou pela ilegalidade da contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vínculo diretamente com o tomador, quando existente a pessoalidade e subordinação, como no presente caso. Enunciado do TST Nº 331 Contrato de prestação de serviços. Legalidade Revisão do Enunciado nº 256 O inciso IV foi alterado pela Res. 96/2000 DJ 18.09.2000 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6019, de 3.1.74). Reitero que a desconsideração da pessoa jurídica não está declarando nula a personificação, mas quer dizer que a mesma é ineficaz para a prática de determinados atos como a prestação de serviços que aqui se evidenciou. Este auto de infração não está tratando da despersonificação da pessoa jurídica, apenas não está considerando a interposição de pessoa jurídica na prestação de serviços por empregados na atividade fim da recorrente. Apenas para corroborar o entendimento, é de se ver que vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, portanto, constatada divergência entre o que realmente foi ajustado numa determinada relação jurídica e as condições averiguadas na sua execução, deve prevalecer a realidade dos fatos. Quando há discrepância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em documentos ou acordos, prevalece a realidade dos fatos, o que vale é a natureza das funções exercidas pelos segurados no caso concreto. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 309DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10935.006503/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
DECADÊNCIA - TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO - APLICAÇÃO DO ART. 173, I, CTN.
O prazo para constituição do crédito tributário, quando originado de dolo, fraude ou simulação inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
SIMULAÇÃO - VÍNCULO DE EMPREGO CARACTERIZADO - CONTRATO DE PARCERIA DESCONSIDERADO.
A ocorrência dos requisitos da relação de emprego, pessoalidade, subordinação, não eventualidade e onerosidade estão perfeitamente demonstrados nos autos, ensejando a caracterização de segurados como empregados.
SALÁRIO EDUCAÇÃO
Salário Educação - Inteligência da súmula 732, do Supremo Tribunal Federal, pela constitucionalidade da contribuição.
SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO.
A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelando-se constitucional, portanto, a sua instituição pelo §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003.
CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. LEGITIMIDADE. ARRECADAÇÃO.
A contribuição destinada ao INCRA não foi revogada pela instituição da contribuição ao SENAR.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA CONFISCATÓRIA.
A multa de ofício aplicada decorre de expressa disposição legal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
APLICABILIDADE DA TAXA SELIC - INTELIGÊNCIA DA SÚMULA Nº 4 CARF.
Pacífica a possibilidade de aplicação da Taxa SELIC em tributos federais, inclusive objeto de entendimento sumulado por este órgão julgado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.365
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) rejeitar a arguição de decadência; ii) rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva; iii) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e iv) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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O prazo para constituição do crédito tributário, quando originado de dolo, fraude ou simulação iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SIMULAÇÃO VÍNCULO DE EMPREGO CARACTERIZADO CONTRATO DE PARCERIA DESCONSIDERADO. A ocorrência dos requisitos da relação de emprego, pessoalidade, subordinação, não eventualidade e onerosidade estão perfeitamente demonstrados nos autos, ensejando a caracterização de segurados como empregados. SALÁRIO EDUCAÇÃO Salário Educação Inteligência da súmula 732, do Supremo Tribunal Federal, pela constitucionalidade da contribuição. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelandose constitucional, portanto, a sua instituição pelo §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. LEGITIMIDADE. ARRECADAÇÃO. A contribuição destinada ao INCRA não foi revogada pela instituição da contribuição ao SENAR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 65 03 /2 01 0- 81 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA CONFISCATÓRIA. A multa de ofício aplicada decorre de expressa disposição legal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC INTELIGÊNCIA DA SÚMULA Nº 4 CARF. Pacífica a possibilidade de aplicação da Taxa SELIC em tributos federais, inclusive objeto de entendimento sumulado por este órgão julgado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) rejeitar a arguição de decadência; ii) rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva; iii) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e iv) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração sob Mandado de procedimento Fiscal (MPF) nº 0910100.2010.004835 e DEBCAD n° 37.298.2832, tendo como objeto às contribuições patronais devidas para outras entidades ou fundos (terceiros), incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, no período de apuração compreendido entre 01/2005 a 12/2007, cuja ciência foi obtida pela ora Recorrente em 14/10/2010. Inferese que o crédito tributário tem origem na transferência simulada de empregados da empresa Diplomata S/A Industrial e Comercial, tributada pelas contribuições previdenciárias sobre a folha de salários, para a Diplomata Agro Avícola, pessoa jurídica sujeita à tributação sobre a produção rural. Os fatos geradores do presente auto foram separados por código, da seguinte forma: F1 Folha empregados não inscritos: contribuição previdenciária incidente sobre remuneração paga aos trabalhadores da DIPLOMATA S/A INDUSTRIAL E COMERCIAL, mas que estavam registrados na empresa DIPLOMATA AGRO AVÍCOLA LTDA e de acordo com as atividades que desenvolviam, estão vinculados ao FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) 531; F2 Folha empregados não inscritos 507: contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos trabalhadores que são segurados empregados da empresa DIPLOMATA S/A INDUSTRIAL E COMERCIAL, mas que estavam registrados na empresa DIPLOMATA AGRO AVÍCOLA LTDA., e pela atividade que desenvolviam, estão vinculados ao FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) 507; F3 Folha empregados não inscritos 531: competência de 13/2007 referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos trabalhadores da empresa DIPLOMATA S/A INDUSTRIAL E COMERCIAL, mas que estavam registrados na empresa DIPLOMATA AGRO AVÍCOLA LTDA e de acordo com as atividades que desenvolviam, estão vinculados ao FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) 531; F4 Folha empregados não inscritos 507: competência de 13/2007 referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos trabalhadores da empresa DIPLOMATA S/A INDUSTRIAL E COMERCIAL, mas que estavam registrados na empresa DIPLOMATA AGRO AVÍCOLA LTDA e de acordo com as atividades que desenvolviam, estão vinculados ao FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) 507; Segundo o relatório fiscal (fls. 31/47): ü a empresa Diplomata S/A Industrial e Comércio, sempre se enquadrou no FPAS 507 ou 531, recolhendo as contribuições patronais sobre a folha de pagamento de seus Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 empregados, até que, em 10/2001, grande parte de seus empregados foram transferidos para a empresa Diplomata Agro Avícola, se enquadrou na FPAS 604 e 744; ü após as transferências verificouse uma sensível diminuição na soma dos valores recolhidos pelas duas empresas, embora o número de empregados tenha permanecido constante no início, e aumentado no decorrer do período; ü analisando a composição societária, dados cadastrais e endereço (fls. 34/35), constatou se que no mesmo endereço da matriz da empresa Diplomata Agro Avícola funciona uma filial da Diplomata S.A Industrial e Comercial, bem como no mesmo endereço de uma filial da empresa Diplomata Agro Avícola, funciona outra filial da Diplomata S.A Industrial e Comercial. Portanto, a empresa Diplomata Agro Avícola não possui nenhuma sede própria; ü analisando os documentos apresentados pela Recorrente no curso da fiscalização, tais como fichas de registro de empregados, livros contábeis, GFIP Guias de Recolhimentos do FGTS e Informações a Previdência Social, constatouse que a empresa Diplomata S/A Industrial e Comercial era quem cuidava de toda a parte de recursos humanos e de contabilidade da Diplomata Agro Avícola. Além disso, observouse que o principal sócio e administrador das duas empresas é o Sr. Jacob Alfredo Stoffels Kaefer; ü as empresas Diplomata Agro Avícola e Diplomata S/A Industrial e Comercial firmaram "contrato de parceira rural integrada" com o objetivo único de fornecimento de mãodeobra da primeira para a segunda. Verificouse que os trabalhadores da empresa Diplomata Agro Avícola não desempenhavam atividades de produção rural, mas funções ligadas à empresa Diplomata Industrial e Comercial (processos de industrialização de frango e produção de ração), conforme fls.36/37; ü no ano de 2007, ao término da suposta parceria, verificouse caminho inverso, pois quase a totalidade dos empregados da empresa Diplomata Agro Avícola retornaram para a Diplomata S/A Industrial e Comercial. Novamente a mudança foi apenas na parte documental, pois os empregados continuaram exercendo as mesmas funções, no mesmo local e da mesma forma que sempre exerceram; ü com base na análise dos documentos contábeis e conforme confirmado pela própria Diplomata Agro Avícola, a empresa não possuía: (i) imóveis, veículos ou qualquer outro equipamento no ativo imobilizado; (ii) movimentos em conta caixa ou conta bancos (não possuía sequer conta corrente bancária); (iii) todos os custos da empresa Diplomata Agro Avícola são representados por salários, encargos trabalhistas e previdenciários, ou seja, a empresa praticamente não tem qualquer outro custo ou despesa com instalações, manutenção, ou mesmo outras despesas operacionais (tais como aluguel, energia, água, telefone); ü verificouse que os pagamentos de todas as despesas, e em especial dos salários dos empregados que estavam registrados na Diplomata Agro Industrial, sempre foram feitos diretamente pela Diplomata S/A Industrial e Comercial, através de transferência bancária direta aos empregados ou através de recursos do seu caixa; ü além das evidências acima mencionadas, que já demonstram que os empregados registrados na Diplomata Agro Avícola eram, na verdade, empregados da Diplomata S/A Industrial e Comercial, essa situação foi também comprovada "in loco" pela Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 4 5 Fiscalização do Ministério do Trabalho, tendo sido lavrado o Auto de Infração N° 011755504. Diante de todas essas circunstâncias, a Autoridade concluiu que os empregados formalmente registrados na empresa Diplomata Agro avícola mantinham, na prática, vínculo de emprego com a empresa autuada. Ou seja, concluiu que a autuada simulou a existência de registros de empregados na empresa Diplomata Agro Avícola para diminuir, de forma evasiva, a sua carga tributária. O Auto de Infração foi então lavrado em nome da empresa Diplomata S.A Industrial e Comercial, considerando como base de cálculo as informações constantes das folhas de pagamento e de GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social da empresa Diplomata Agro Avícola. Para aplicação da multa, utilizouse da inteligência do art. 106, II, c, do CTN, sendo aplicada a multa menos gravosa, qual seja, a prevista na legislação vigente à época do fato gerador (Lei 8.212/91) em detrimento a penalidade disposta na MP 449. Devidamente intimada em 14/10/2010, a empresa Diplomata S.A Industrial e Comercial apresentou impugnação às fls. 50/107, tempestivamente, alegando em sede preliminar: Decadência do crédito tributário, uma vez que a ciência do contribuinte ocorreu em 14/10/2010 e as contribuições exigidas são de 01/2005 a 12/2007; Que deveria figurar apenas como devedora solidária e não como devedora principal, razão pela qual o lançamento deveria ser nulo. Nulidade por insuficiência de fundamentação na autuação, considerando que não foram descritos pormenorizadamente os fatos e a incidência de tais fatos nas hipóteses genericamente previstas em leis. Defende ainda a nulidade da autuação sob a alegação de que não se vislumbra nos autos a forma como foram realizados os cálculos, o que acabou por violar o direito de ampla defesa. No mérito, o contribuinte, ora Recorrente, alegou, em síntese: inconstitucionalidade do salário educação; inconstitucionalidade do adicional do SEBRAE, uma vez que teve sua criação através de lei ordinária e não de lei complementar como dispõe a Constituição; inconstitucionalidade da exigência do INCRA, uma vez que suas funções foram atribuídas a um novo órgão – o SENAR; pelo contrato de parceriarural e parceriaruralintegrada, a empresa Diplomata Agro Avícola se responsabiliza pela criação dos frangos de corte, fornecendo pessoal, energia elétrica, água, materiais de consumo, limpeza e material de formação de cama para aves, cabendo a Diplomata S.A a aquisição do resultado da produção; a atividade da empresa Diplomata Agro Avícola resumese à produção rural própria e integrada de ovos férteis, criação de pintos de um dia e aves in natura; ao passo que a Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 empresa Diplomata S.A. Industrial e Comercial se dedica a produção e industrialização de produtos rurais; o lançamento não pode se basear em incertezas, mas em provas robustas; se comprometeu, por meio do contrato de parceria, a garantir recursos financeiros (empréstimos) a título de adiantamento para que a própria Diplomata Agro Avícola pudesse arcar com parte de suas despesas de custeio, entre elas de transporte, medicamentos, água, luz entre outras atividades inerentes. Em razão disso, a Diplomata S.A tornouse credora dos valores adiantados. a multa aplicada é confiscatória e, portanto, inconstitucional. Ademais, alega que a Taxa SELIC não deve ser aplicada, tendo em vista que tem natureza remuneratória e não moratória, devendo ser adotado juros de 1% ao mês, previstos no art. 161, §1º do CTN. Ao apreciar a impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Em Curitiba (PR) julgoua totalmente improcedente, mantendo incólume o crédito tributário, nos termos do acórdão abaixo ementado: Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O prazo de decadência para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando comprovadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. SIMULAÇÃO. VÍNCULO DE EMPREGO. ENQUADRAMENTO. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. Atendidas as condições legais, pode a fiscalização desconsiderar o vínculo pactuado e proceder a caracterização do trabalhador como segurado empregado. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. É vedado a autoridade julgadora administrativa afastar a aplicação, por inconstitucionalidade de tratado,acordo, tratado internacional, lei decreto ou ato normativo. SALÁRIOEDUCAÇÃO.SÚMULA STF. È constitucional a cobrança da contribuição do salário educação é constitucional, conforme pacificado pela Súmula 732 do STF. INCRA. EXIGIBILIDADE. SENAR. A contribuição destinada ao INCRA não foi revogada pela instituição da contribuição ao SENAR, visto que as citadas contribuições possuem natureza e destinações distintas. SEBRAE. EXIGÊNCIA POR LEI ORDINÁRIA. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 5 7 É constitucional a cobrança de contribuição destinada ao SEBRAE por lei ordinária. Impugnação Improcedente Intimada em 08/04/2011 (fl.123) da decisão proferida pela primeira instância administrativa, e irresignado com a mesma, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, às fls.124/184, em 10.05.2011, reiterando todos os argumentos já apresentados na impugnação. É o relatório. Decido. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Decadência Preliminarmente, alegou a Recorrente, com base na previsão contida no art. 150, § 4º, do CTN, que o crédito tributário ora em comento resta decaído, tendo em vista que o Auto de Infração tem a competência compreendida entre 01/2005 a 12/2007, tendo o contribuinte tomado ciência em 14/10/2010. Da análise das provas carreadas no Auto de Infração, percebese como veremos adiante que houve simulação praticada pelo contribuinte, ora Recorrente, de modo que o prazo decadencial passa a ter início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em se tratando de tributos cujo lançamento se dá por homologação, o prazo para a homologação é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, considerandose extinto o crédito quando decorrido o prazo sem o pronunciamento da fazenda. É o que preconiza o art. 150, § 4º, do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Da análise da parte final do dispositivo acima transcrito, constatase que o prazo decadencial na hipótese dos autos, simulação, será regido pela regra geral do art. 173, I, do CTN. Dito isto, levando em consideração que o Auto de Infração referese a contribuições patronais destinadas a Seguridade Social, de competências compreendidas entre 01/2005 a 12/2007, não há que se falar em decadência uma vez que, nos termos do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial da primeira competência lançada teve início em 01/2006 (exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), findandose em 31/12/2010. Como o crédito tributário foi constituído em 14/10/2010 (ciência da recorrente), não há que se falar em escoamento do prazo decadencial. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 6 9 Assim, rejeitase a preliminar de decadência, suscitada pela Recorrente. ILEGITIMIDADE PASSIVA No que toca a preliminar de ilegitimidade passiva, sustenta a Recorrente que, por não ser a devedora principal do lançamento, apenas poderia ser incluída no pólo passivo da autuação como devedora solidária, em razão de pertencerem ao mesmo grupo econômico da Empresa Diplomata Agro Avícola. Não merece prosperar o quanto alegado pela Recorrente, a um porque como veremos no mérito do voto, o contrato de parceria não passou de uma mera simulação entre as empresas; a duas, porque em se tratando de empresas de um mesmo grupo econômico, como alegado pela própria Recorrente, há solidariedade na arrecadação e recolhimento das contribuições devidas à Seguridade Social, nos termos do art. 30, IX da Lei 8.212/91, abaixo transcrito: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Assim, poderia o Fisco exigir o cumprimento da obrigação tributária de ambos ou devedores ou de apenas um deles, cabendo àquele que cumprir a obrigação o direito de regresso contra o outro devedor solidário. Esse também é o entendimento da jurisprudência administrativa sobre o assunto: (CARF Segunda Seção MATÉRIA: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF ação fiscal ACÓRDÃO: 2302002.634 Data de decisão: 14/08/2013) Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/03/2003 GRUPO ECONÔMICO. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR DO TRIBUTO. O art. 30, IX da Lei nº 8.212/1991, que impõe a responsabilidade solidária das empresas do mesmo grupo econômico pelo pagamento das contribuições previdenciárias, deve ser interpretado conforme os dispositivos do Código Tributário Nacional que tratam da matéria, quais sejam, os arts. 124 e 128. Restando comprovado pela fiscalização que as empresas apontadas como co responsáveis compartilhavam de quadro de pessoal e de mesma direção, controle ou administração, devem ser consideradas como solidariamente responsáveis. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. ART. 133 DO CTN. ESTABELECIMENTO COMERCIAL OU FUNDO DE COMÉRCIO. A legislação tributária prevê a responsabilidade por sucessão tanto na hipótese de transferência do fundo de comércio, quanto na transferência de estabelecimento comercial, sendo este, nos termos do art. 1.142 do CC/02, o complexo de bens destinados ao exercício da empresa, enquando aquele é o sobrevalor Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 atribuído ao estabelecimento, em decorrência de sua perspectiva de produzir resultados. Dessa forma, rejeito a preliminar de ilegitimidade passiva suscitada pelo Recorrente. DA ALEGADA NULIDADE DA AUTUAÇÃO Em suas razões de recurso, alega a Recorrente que os fatos que deram origem ao lançamento não forma pormenorizados nem apresentados cálculos explicativos de como a Autoridade chegou ao valor lançado. Não merece prosperar a alegação da Recorrente, uma vez que o relatório Fiscal apresenta de forma detalhada os fatos que ensejaram a autuação, os fundamentos legais e a apuração dos créditos tributários, como bem ressaltou a decisão proferida pela DRJ: Observase dos autos que a autoridade lançadora esmerouse em subsumir com excelência o fato à norma, elaborando um minucioso relatório fiscal, demonstrando ao contribuinte o que deve e por que deve. O relatório fiscal e anexos detalha com meridiana clareza os fatos geradores (remunerações pagas a segurados empregados), a origem da apuração do crédito (GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e folha de pagamento da empresa Diplomata Agro Avícola em razão da simulação) e citação dos dispositivos legais que regem a matéria tributável. Ademais, o auto de infração destacou que o crédito tributário foi apurado com base na GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e folhadepagamento da empresa Diplomata Agro Avícola. A referida documentação, aliás, é de inteiro conhecimento da autuada, já que os setores contábil e de recursos humanos da Empresa Diplomata Agro Avícola responsável pela confecção das GFIP e folhas de pagamento eram centralizados na própria empresa Diplomata S.A. Industrial e Comercial, não podendo, desse modo, alegar ignorância dos fatos geradores. Por sua vez, o DD Discriminativo do Débito, aponta além da base de cálculo, as alíquotas aplicadas, os crédito e deduções aproveitadas, a incidência de juros e multa, explicitando, assim, a apuração do cálculo tributário, tudo em consonância as exigências prescritas no art. 142 do CTN (...) Portanto, não merece acolhida a alegação da Recorrente de nulidade da autuação por insuficiência de fundamentação ou por falta de clareza da apuração do crédito tributário lançado. DA SIMULAÇÃO No mérito, por entender que o voto proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ se posicionou de forma clara e precisa sobre a existência de simulação no negócio jurídico firmado entre as empresas Diplomata S.A Industrial e Comercial e Diplomata Agro Avícola, bem como considerando que a Recorrente não trouxe aos autos qualquer argumento ou elemento novo no Recurso Voluntário ora apreciado, apenas limitando Fl. 205DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 7 11 se a reproduzir os argumentos já aventados na impugnação, utilizo os fundamentos expostos pela decisão de 1ª instância, os quais se encontram abaixo transcritos: “A empresa Diplomata S.A Industrial e Comercial em razão de suas atividades econômicas (industrialização e comercialização de produtos rurais) estabelecidas no art.3° do seu Estatuto Social, encontrase vinculada aos códigos de FPAS 507 e 531, contribuindo desse modo, sob sua folhadepagamento.A empresa Diplomata Agro Avícola, por sua vez, motivada pelo seu objeto social (produção avícola), tem sua tributação substituída pela comercialização rural. A partir de 10/2001 a maioria dos trabalhadores da empresa Diplomata Industrial foram transferidos para a empresa Diplomata Agro Avícola. Desde então, novos trabalhadores passaram a integrar os quadros da Diplomata Agro Avícola. Não obstante por meio da formalização de um "contrato de parceria rural integrada" firmado entre as citadas empresas, os trabalhadores formalmente registrados na empresa Diplomata Agro Avícola (parceiraoutorgada) continuaram prestando serviços à empresa Diplomata S.A Industrial e Comercial. A autuada ao proceder o registro da maior parte dos empregados na Diplomata Agro Avícola, empresa enquadrada no regime de contribuição substituída pela comercialização rural, passava a se beneficiar, dessa sistemática contributiva mais favorecida. Ao passo que, mantendo baixa massa salarial na empresa notificada, reduzia seus encargos tributários sobre a folhade pagamento. Os contornos descritos de uma aparente normalidade de planejamento tributário, se revelaram em sua essência, no entanto, um condenável expediente de evasão fiscal. Isso porque, embora presente a formalização de um contrato de parceria rural, os trabalhadores transferidos para a empresa Diplomata Agro Avícola permaneceram executando suas atividades nas dependências da antiga empregadora, nas mesmas funções e em condições idênticas de labor desempenhados anteriormente. Vale dizer, a empresa Diplomata S.A. continuou dirigindo e controlando a execução dos serviços prestados pelos empregados da empresa "parceira", estabelecendo, desse modo, autêntica relação empregatícia com esses mesmos trabalhadores. O art.149 do CTN, em casos dessa natureza, traz a possibilidade do Fisco realizar o lançamento de ofício: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administJativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio Fl. 206DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 12 daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Logicamente, o lançamento pressupõe a reunião de provas com o propósito de demonstrar a ocorrência da simulação para beneficiar o sujeito passivo. Certo de que a simulação deixa rastros, cabe ao Fisco reunir os elementos indiciários e promover a exigência devida. A propósito, Galvão Telles disserta com propriedade a respeito do tema: "A simulação deixa quase sempre vestígios que a denunciam: há fatos, circunstâncias que a experiência aponta como sintomas ou indícios do caráter ficticios ou imaginário de um ato jurídico. (...) A simulação representa um esforço de construção artificial, distanciada e deformada da realidade, e raras vezes essa construção será um todo lógico e coerente, que forme cobertura completa de fatos. A verdade vem à superfície e denunciasse através de brechas daquela construção. Os indícios que fazem presumir a simulação serão particularmente convincentes se se tornar aparente motivo simulatório".(Manual dos Contratos em geral. P. 172/174)': No caso, entendo que elementos contidos nos autos são bastantes persuasivos em retratar a ocorrência do simulacro empregado pela empresa, objetivando se esquivar de suas obrigações previdenciárias. Vejamos: Natureza das atividades desenvolvidas A empresa Diplomata Agro Avícola (parceiraoutorgada), sob a roupagem de "parceria rural integrada" como dito, passou a ceder sistematicamente seus trabalhadores a notificada. Consoante se verifica das fichas de registros de empregados, os trabalhadores desempenhavam as mais variadas funções: motorista, auxiliar de câmera fria, auxiliar de produção de sala de corte, atendente de portaria em depósito de fábrica de ração, operador de secador em fábrica de ração, operador de caldeira, encarregado de evisceração, encarregado de miúdo, encarregado de sala de embalagem, etc. A natureza dos serviços descritos não só se mostramse incompatíveis com o objeto da empresa Produtora Rural (atividades rurais), como se afeiçoam necessárias às atividades industriais (atividades de frigoríficos, abaste de aves e fabricação e comercialização de ração) do contribuinte. Por outro lado, os serviços acima descritos se mostraram distanciados, outrossim, do próprio objeto contratual da parceria, qual seja de produção de pintos de corte de um dia (Cláusula primeira do contrato de parceria rural, fls.157). Aliás, a autoridade lançadora bem destacou essa situação em seu relatório fiscal: Essa simulação fica ainda mais clara quando se observa que na realidade os funcionários da empresa Diplomata Agro Avícola Ltda, nunca exerceram as atividades previstas nos contratos de parceria, mas sim sempre trabalharam nos frigoríficos e na fábrica de ração da empresa Diplomata S/A Industrial e Comercial, exercendo funções relacionadas a atividade industrial desta empresa, e não atividades rurais relacionadas ao contrato de parceria e ao suposto objeto social da Diplomata Agro Avícola. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 8 13 Ora, resta evidente o desvio de finalidade do contrato dito de "parceria rural integrada". Os préstimos habitualmente desempenhados pelos supostos rurícolas, em sua imensa maioria, são estranhos à atividade tipicamente de produção rural. Desse modo, o desenvolvimento de atividades de comercialização e industrialização pelos trabalhadores da "empresa outorgada" atua como fator desqualificante da parceria rural. Por outro lado, se observa que os segurados empregados laboravam nas dependências da empresaoutorgante, como se contrato de cessão de mãodeobra fosse. Terceirização, portanto, irregular, visto que era permeada pela submissão dos trabalhadores aos controles da notificada, bem como ligada a atividade fim do empreendimento e não as de meio. A propósito, a terceirização de atividades necessárias e permanentes para manutenção da empresa contratante e, portanto, não limitadas as de meio , nos termos do enunciado da Súmula 331 do TST, autoriza a formação do vínculo com a tomadora. I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandSse o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário. III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei n° 7.102, de 20061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta Aliás, o Ministério do Trabalho em verificação in loco, observou essa grave ocorrência e noticiou a existência das irregularidades à Receita Federal do Brasil por meio da Representação n°706/2007 encaminhado pelo ofício MPT/PRT 12/SC/SC/Chapecó n°56072007. A autoridade do Ministério do Trabalho, lavrou, ainda, na oportunidade, o Auto de Infração n° 011755504, pelo fato da empresa admitir ou manter empregados sem o respectivo registro no livro de empregados. É pertinente a transcrição do conteúdo do Auto de Infração a esse respeito: "Em fiscalização na empresa ficou constatado que a mesma utiliza na execução de sua atividade fim, atividade frigorífica com abate de aves e fábrica e transporte de ração, empregados que não estão devidamente registrado no seu quadro de empregados. A Autuada vem utilizado em números de 30.04.2007, 1.025( mil e vinte cinco) empregados de outra empresa para realizar suas atividades. A empresa "prestadora" que mantêm o vínculo de emprego (registro) dos referidos empregados é a DIPLOMATA AGRO AVÍCOLA LTDA, CNPJ 03.720.774/000266. Esta empresa temse configurado nesta relação com autêntica intermediadora de mãodeobra. (...) Não foi apresentado contrato de prestação de serviços entre a autuada e a Diplomata Agro Avícola, mas ressaltasse que mesmo que este exista a terceirização terseia como ilícita de acordo como entendimento expressado pelo TST na súmula 331, em que fica claro ser ilícita a terceirização de atividade fim da empresa, como as de abate de frangos e transporte de ração que figuram no objeto social da autuada.” O contrato de parceria como apresentado afigurase como instrumento ilícito de redução de carga tributária, visto que a empresa autuada se beneficiava da mãodeobra intermediada Fl. 208DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 14 por outra, sem pagar o correspondente tributo (contribuição incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados). Nesse panorama, o vínculo previdenciário se forma com a empresa autuada, sendo, portanto, correto imputar lhe o crédito tributário. Centralização administrativa, financeira e patrimonial e risco do Empreendimento. Foi constatado pela autoridade lançadora que o controle de pessoal, contábil, administrativo e financeiro da Diplomata Agro Avícola Ltda eram exercidos pela empresa Diplomata Industrial e Comercial; situação reveladora de uma única empresa e, por conseguinte, de um só empregador. Registrese que não é aceitável o argumento da empresa de que a concentração desses setores internos se justifica em razão da existência de grupo econômico, com objetivo de racionalizar custo. Ora, como dito alhures nesse voto, direção comum de empresas com personalidades jurídicas distintas pressuposto do grupo econômico não é sinônimo de confusão patrimonial, financeira, contábil e de pessoal entre empresas. Por outro lado, observase que a empresa Diplomata Agro Avícola não, apresentou patrimônio e capital suficientes para gerir suas atividades empresariais. Tal fato foi confirmado pela própria empresa que, em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal apresentou declaração, com data 05/04/2010, informando que: 1) Não possui Imóveis integrando o seu Ativo imobilizado. 2) Não possui Veículos Integrando o seu Ativo Imobilizado. 3) Não possui Arquivos de Controle Patrimonial. 4) Não possui conta Bancária. Ademais, a sede e filiais da empresa Diplomata Agro Avícola foram constituídas, conforme consta do item 15 e 16 do Relatório Fiscal, nos mesmos endereços da empresa autuada, que, por si só, caracteriza um forte indício de se tratar de um mesmo estabelecimento produtivo. Além da empresa não possuir registros em seu ativo permanente, não apresentou qualquer autonomia financeira. Aliás, revelou se, peculiar o fato da empresa não apresentar conta bancária ou mesmo dinheiro em espécie registrado em seu caixa para fazer frente as suas despesas dependendo, para tanto, de recursos financeiros da Diplomata S/A Industrial. É pertinente transcrever as observações da autoridade lançadora contida em seu Relatório Fiscal a esse respeito: Além da ausência de ativo permanente que representa o patrimônio da empresa, a Diplomata Agro Avícola não possui autonomia financeira, dependendo dos recursos da Diplomata S/A Industrial para pagar suas despesas, inclusive salários, ressaltandose o fato de sequer possuir conta bancária. (...) Por não possui conta bancária, seria normal supor que os recursos utilizados nas suas atividades fossem movimentos através do caixa, ou seja, em espécie. Entretanto conforme se observa pela análise de seus livros contábil (Diário e Razão) a empresa não possui Fl. 209DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 9 15 nenhum lançamento na conta "Caixa ". De acordo com as normas contábeis, a conta "Caixa ", pertence ao grupo de contas do Ativo Circulante onde são registrados os ativos financeiros da empresa, que possuem liquidez imediata, em outras palavras, "dinheiro em espécie ". E continua: Ou seja, o fato de não possuir conta bancária e não possuir "Caixa " significa dizer que a empresa Diplomata Agro Avícola nunca movimentou nenhum recurso financeiro por conta própria. Destacase que o pagamento dos salários dos empregados registrados na empresa Diplomata Agro Avícola, aliás, era feito diretamente pela empresa Diplomata S.A. Industrial e Comercial, através de transferência bancária direta aos empregados ou recursos de seu caixa. O pagamento de despesas operacionais, inclusive das remunerações dos trabalhadores, sinalizam que os riscos de toda atividade produtiva era assumido apenas pela empresa Diplomata S.A. Industrial e Comercial. Ora, a transferência completa dos riscos da atividade econômica é incompatível com a ideia de autonomia empresarial que se espera de uma pessoa jurídica. Entendo que a onerosidade suportada pela empresa autuada, nessas circunstâncias, revela sua faceta empregadora e, portanto, sujeito passivo das contribuições sociais apuradas. Destacase que não é crível imaginar qual empresa, na prática, aceitaria assumir até R$3.000.000,00 a título de pagamento de salários dos funcionários de outra empresa, bem como o pagamento de tributos e demais despesas operacionais (disposições contidas nos arts. 1º e 2º do contrato de parceria) a uma empresa que possui capital social de apenas R$50.000,000 (capital social estabelecido no Contrato Social) e apresenta sistematicamente receita incompatível para honrar seus compromissos. A empresa Diplomata Agro Avícola, mesmo estando registrada nos órgãos competentes e adquirida personalidade jurídica de sociedade empresarial, não apresentou todos os elementos que são gerados quando da criação da pessoajurídica, quais sejam: patrimônio e domicílios próprios. Assim, entendo que a empresa autuada é a única empregadora que se utiliza da forçade trabalho alheia como fator de produção. Registrese que em visita realizada pela fiscalização nas dependências das empresa autuada, foi constatado que os empregados formalmente registrado na empresa Diplomata Agro Avícola encontravamse uniformizados e com identificação no crachá da empresa Diplomata S.A. Industrial e Comercial, o que torna inobjetável com quem o vínculo de subordinação jurídica era estabelecido. Concluise, portanto, que o contrato firmado de parceria rural integrada, foi criada com intuito de ocultar o verdadeiro sujeito Fl. 210DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 16 passivo e mascarar a ocorrência dos fatos geradores, devendo, assim ser desconsiderado. Vínculo de emprego A autoridade lançadora entendendo que os vínculos de emprego formalizados com a empresa Produtora Rural são reconhecidamente, na prática, da empresa Diplomata S.A. Industrial e Comercial, adotou o procedimento descrito no art. 229 do Decreto Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Dec.3048/99 , in verbis: Art. 229(...J §2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado." A Lei n° 8.212/91, por sua vez, dispõe a respeito da condição de segurado empregado: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. Assim, cabe destacar didaticamente os elementos indicativos do vínculo de emprego autorizadores do lançamento. Onerosidade Como restou demonstrado, a empresa autuada era quem diretamente assalariava os empregados da outra, por meio de transferência bancária. Não eventualidade Para fins previdenciários, considerase serviço prestado em caráter não eventual, aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa, conforme art.9°, § 4 o do regulamento aprovado pelo Dec.3048/99. Conforme demonstrado nos autos, a mãodeobra foi alocada em atividade necessária a realização do objeto social da empresa autuada a saber: atividade de frigorífico, abate de aves e outras atividade industriais da empresa. Subordinação — Os trabalhadores exerciam atividades industriais e comerciais nas dependências da autuada, estando, inclusive, devidamente uniformizados e identificados como empregados da empresa Diplomata Industrial e Comercial. Desse modo, se apresentavam para o público em geral como empregados da empresa autuada e como tal devem ser considerados. O controle das atividades laborais eram realizado pela autuada, visto que serviços executados pelos trabalhadores se relacionavam ao seu objeto social. Destacase que a Diplomata Agro Avícola não possui condições de suportar os encargos com a massa salarial e nem os riscos do empreendimento como um todo, fazendo a Diplomata S.A. Industrial as suas vezes. A constatação do Ministério do Fl. 211DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 10 17 Trabalho, igualmente, robustece a existência da relação empregatícia entre a empresa autuada e os empregados registrados na empresa Diplomata Agro Avícola Ltda. O conjunto probatório é, portanto, particularmente convincente em demonstrar o uso de ardil pela autuada para obter uma vantagem tributária que não seria obtida pelas vias normais. Desse modo, entendo, que o lançamento não merece qualquer reparo. De fato, a Fiscalização levantou diversos elementos que comprovam a existência de simulação no negócio jurídico firmado entre as empresas, dentre os quais destacamse: ü as empresas funcionam nos mesmos endereços; ü o principal sócio e administrador das duas empresas é a mesma pessoa Sr. Jacob Alfredo Stoffels Kaefer; ü os trabalhadores da empresa Diplomata Agro Avícola não desempenhavam atividades de produção rural, mas funções ligadas à empresa Diplomata Industrial e Comercial (processos de industrialização de frango e produção de ração); ü com base na análise dos documentos contábeis e confirmado pela própria Diplomata Agro Avícola, a empresa não possuía: (i) imóveis, veículos ou qualquer outro equipamento no ativo imobilizado; (ii) movimentos em conta caixa ou conta bancos (não possuía sequer conta corrente bancária); ü todos os custos da empresa Diplomata Agro Avícola são representados apenas por salários, encargos trabalhistas e previdenciários, sendo que a empresa praticamente não possuía qualquer outro custo ou despesa com instalações, manutenção, ou mesmo outras despesas operacionais (tais como aluguel, energia, água, telefone); ü até mesmo os salários dos empregados da Diplomata Agro Avícola eram pagos pela Diplomata S/A Industrial e Comercial; Além de todas essas evidências, o Fiscal autuante ainda demonstrou que essa situação foi também confirmada "in loco" pela Fiscalização do Ministério do Trabalho, devidamente formalizada no Auto de Infração N° 011755504, lavrado pela referida instituição. Diante de todo manancial probatório que foi levantado pelo Auditor Fiscal autuante, resta evidenciado que os empregados registrados na Diplomata Agro Avícola eram, na verdade, empregados da Diplomata S/A Industrial e Comercial, e, portanto, a existência de simulação na “parceria rural” firmada por essas empresas. SEBRAE Não merece prosperar a alegação de necessidade de lei complementar para instituição da contribuição para o SEBRAE. Isso porque, o STF já decidiu que a contribuição para o SEBRAE é contribuição de intervenção no domínio econômico (art. 149, caput, da CF/88). Fl. 212DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 18 Da mesma forma, o STF, também pacificou o entendimento de que não é necessária lei complementar para que seja instituída contribuição de intervenção no domínio econômico – CIDE. Daí que, logicamente, tendo a contribuição destinada ao SEBRAE natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico, não há que se falar em observância ao art. 146, III, da CF: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. C.F., art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. As contribuições do art. 149, C.F. contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, C.F., isto não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, C.F., decorrente de “outras fontes”, é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: C.F., art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: C.F., art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. II. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do D.L. 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE, no rol do art. 240, C.F. III. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º, do art. 8º, da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. IV. R.E. conhecido, mas improvido” (DJ 7.5.2004). (STF RE: 564901 RJ , Relator: Min. CÁRMEN LÚCIA, Data de Publicação: DJe231 DIVULG 09/12/2009 PUBLIC 10/12/2009). Assim, não há que se falar em ilegalidade da cobrança da contribuição ao SEBRAE, pois desnecessária lei complementar para sua instituição. INCRA No que toca a contribuição destinada ao INCRA, não há que se falar em substituição dessa pela contribuição ao SENAR. Isso porque, a constitucionalidade da contribuição destinada ao INCRA já foi objeto de recurso representativo de controvérsia, sujeito ao procedimento do art. 543C do CPC. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 11 19 A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o alcance da norma infraconstitucional. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. A hermenêutica, que fornece os critérios ora eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori, infungíveis para fins de compensação tributária. A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o themaiudicandum, impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art. 97 do CTN). A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei 7.787/89. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois porcento) – destinada ao Incra– não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 20 distintas as razões que ditaram as exações sub judice, ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdades regionais. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. (RECURSO ESPECIAL Nº 977.058 –RS (2007/01903560) RELATOR: MINISTROLUIZ FUX) Assim, em observância ao art.62A do regimento Interno desse Conselho, o entendimento da jurisprudência deve ser observado, conforme abaixo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, entendo pelo cabimento da cobrança da contribuição destinada ao INCRA. SALÁRIO EDUCAÇÃO Com relação ao salário educação, cumpre salientar que ele já foi julgado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), inclusive em sede de Ação Declaratória de Constitucionalidade, com decisão com efeito vinculante, eficácia “erga omnes” e aplicação “ex tunc”, tendo sido pacificado o entendimento de que sua cobrança é constitucional, por meio da Súmula nº 732 do STJ, vejamos: É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1998 e no regime da lei 9.424/1996. MULTA A Recorrente alega que a multa aplicada é confiscatória e, portanto, inconstitucional. No entanto, a análise dessa alegação não é cabível nessa instância, pois o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sedimentado na Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS Por fim, no que toca a incidência da Taxa SELIC, alegou a Recorrente que ensejaria enriquecimento ilícito por parte da União, uma vez que está tem natureza Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 12 21 remuneratória e não moratória, conforme circular do BACEN 2868/99, ofendendo o princípio da legalidade e capacidade contributiva, implicando em efeito confisco. Sobre a aplicabilidade da Taxa SELIC, esse Egrégio Conselho já pacificou as discussões, conforme sedimentado na Súmula n°4: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nessa esteira de pensamento, não há que se afastar a aplicabilidade da Taxa SELIC, estando esta em conformidade com o ordenamento jurídico. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, julgando totalmente PROCEDENTE o Auto de Infração DEBCAD n° 37.298.2832. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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