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Numero do processo: 10882.900899/2008-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 08 99 /2 00 8- 01 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900899/200801 Acórdão n.º 9303004.001 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.967, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900899/200801 Acórdão n.º 9303004.001 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900899/200801 Acórdão n.º 9303004.001 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900899/200801 Acórdão n.º 9303004.001 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900899/200801 Acórdão n.º 9303004.001 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900899/200801 Acórdão n.º 9303004.001 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900899/200801 Acórdão n.º 9303004.001 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.733516/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física - IRPF os valores pagos a título de pensão alimentícia quando restar comprovado, além do efetivo pagamento, que esses pagamentos decorreram do cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual.
DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA ABATIDAS DO DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. INDEDUTIBILIDADE
As quantias subtraídas do décimo terceiro salário a título de alimentos não podem ser abatidas na Declaração de Ajuste Anual - DAA tendo em vista que a pensão alimentícia judicial descontada do décimo terceiro salário já constituiu dedução desse rendimento, sujeito à tributação exclusiva na fonte, e seu abatimento na Declaração de Ajuste implicaria na duplicação da dedução.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e dar-lhe parcial provimento, para restabelecer a dedução de R$ 18.378,65 (dezoito mil, trezentos e setenta e oito reais e sessenta e cinco centavos), a título de pensão alimentícia judicial.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF os valores pagos a título de pensão alimentícia quando restar comprovado, além do efetivo pagamento, que esses pagamentos decorreram do cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual. DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA ABATIDAS DO DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. INDEDUTIBILIDADE As quantias subtraídas do décimo terceiro salário a título de alimentos não podem ser abatidas na Declaração de Ajuste Anual DAA tendo em vista que a pensão alimentícia judicial descontada do décimo terceiro salário já constituiu dedução desse rendimento, sujeito à tributação exclusiva na fonte, e seu abatimento na Declaração de Ajuste implicaria na duplicação da dedução. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 35 16 /2 01 4- 11 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e darlhe parcial provimento, para restabelecer a dedução de R$ 18.378,65 (dezoito mil, trezentos e setenta e oito reais e sessenta e cinco centavos), a título de pensão alimentícia judicial. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 11080.733516/201411 Acórdão n.º 2402005.506 S2C4T2 Fl. 84 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FORTALEZA – DRJ/FOR, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda das Pessoas Físicas IRPF, fls. 5/11, ano calendário 2012 / exercício 2013, a qual resultou em alteração do imposto a restituir de R$ 14.772,28 (catorze mil, setecentos e setenta e dois reais e vinte e oito centavos) para R$ 4.121,88 (quatro mil, cento e vinte e um reais e oitenta e oito centavos). De acordo com a Notificação de lançamento, o crédito foi constituído em razão da glosa de valores deduzidos i) a título de Contribuição à Previdência Privada FAPI, R$ 11.350,91 (onze mil, trezentos e cinquenta reais e noventa e um centavos), por falta de previsão legal para seu desconto em rendimentos recebidos acumuladamente; ii) com dependentes, R$ 1.974,72 (um mil, novecentos e setenta e quatro reais e setenta e dois centavos), por falta de comprovação da relação de dependência; iii) com pensão alimentícia, R$ 19.375,20 (dezenove mil, trezentos e setenta e cinco reais e vinte centavos), por falta de apresentação de comprovantes relativos à pensão; iv) a título de despesas medicas, R$ 6.027,88 (seis mil, vinte e sete reais e oitenta e oito centavos), pela não apresentação de documentos aptos a comprovar as despesas. O Recorrente apresentou impugnação por meio do documento de fl. 2, com as seguintes alegações em relação às deduções consideradas indevidas: a) FAPI: o valor informado foi extraído da DIRF da empresa; b) dependentes: a glosa é indevida pois a dependente é companheira com quem o contribuinte tem filho ou vive a mais de cinco anos; c) pensão alimentícia: a informação foi retirada da DIRF da empresa; d) despesas medicas: não apresentou contestação. A DRJ/FOR julgou a impugnação parcialmente procedente, conforme se descreve a seguir: a) dedução com FAPI: a glosa foi mantida por não haver previsão legal para a dedução em relação a Rendimentos Recebidos Acumuladamente em razão de decisão Judicial (Reclamatória Trabalhista); b) dedução com pensão alimentícia: a glosa foi mantida visto que não foi comprovado que o pagamento da pensão decorreu de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou ainda, de escritura pública; c) dedução com dependentes: a dedução foi restabelecida em razão da comprovação da relação de dependência. Por ocasião do recurso voluntário o sujeito passivo limitouse a apresentar documentos (fls. 64/74) que informam a existência de decisões judiciais e outros expedientes determinando o pagamento de pensão alimentícia em favor de i)Ana Maria Scotto Vargas, representante de seu filho menor, no percentual de 20% (vinte por cento) de seus rendimentos, Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 4 a partir de 1º/10/1986; e ii) Tânia Maria Amaral Goulart, representante de Guilherme Goulart Vargas e Gabriel Goulart Vargas, no percentual de 30% (vinte por cento) de seus rendimentos, decisão datada de 25/01/1994, tendo o percentual sido reduzido para 15% (quinze por cento) com a exoneração dos alimentos de Guilherme Goulart Vargas (doc. de fl. 72, de 23/8/2012). Apresentou ainda laudo pericial atestando ser portador de moléstia grave com o objetivo de reafirmar seu direito à tramitação processual prioritária. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 11080.733516/201411 Acórdão n.º 2402005.506 S2C4T2 Fl. 85 5 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. No que se refere à possibilidade de dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia da base de cálculo do IRPF, o inciso II do art. 4º e a alínea “f” do inciso II do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, dispõem: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: [...] II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; [...] Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Grifei) O Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda – RIR, regulamenta a hipótese de dedução dos valores pagos sob a forma de pensão alimentícia, nos seguintes termos: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 6 § 2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. § 3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. § 4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). (Grifei) De acordo com as disposições normativas reproduzidas acima, as deduções de despesas com pensão alimentícia na DAA devem obedecer cumulativamente aos seguintes requisitos: i) a comprovação do efetivo pagamento aos alimentados; e ii) que esses pagamentos decorram do cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual. No caso sob análise, o contribuinte apresentou, ainda por ocasião da impugnação, comprovantes de rendimentos do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, com informações sobre o desconto de pensão no valor de R$ 6.150,21 (sobre a remuneração mensal) e R$ 268,87 (em relação ao 13º salário) – fl. 13 e; da Companhia Estadual de Energia Elétrica – CEEE com descontos a titulo de alimentos de R$ 12.228,44 (sobre a remuneração mensal) e R$ 727,81 (em relação ao 13º salário) – fls. 14/17. Tendo a DRJ/FOR mantido a glosa dos valores deduzidos como pensão por entender que não houve por comprovado que os alimentos decorriam de decisão judicial, o Recorrente complementou a documentação, exibindo os seguintes expedientes emitidos pela Justiça de Porto Alegre: a) ofício datado de 25/1/1994 (fl.71), solicitando providências para que fosse implantado desconto de 30% dos rendimentos do contribuinte, em favor de Tânia Maria Amaral Goulart, representantes dos autores da Ação Judicial; b) ofício, de 23/8/2012 (fl. 72), solicitando providência no sentido de adequar o desconto em folha de pagamento do Recorrente, a título de alimentos em favor dos filhos Guilherme Goulart Vargas e Gabriel Goulart Vargas, ficando o contribuinte exonerado dos alimentos quanto ao filho Guilherme e a pensão reduzida para 15% de seus rendimentos; e c) ofício de 17/10/2013 (fl. 73), solicitando providência no sentido de suspender o desconto em folha de pagamento de Paulo Rubens Vargas, a título de alimentos em favor do Gabriel Goulart Vargas; Com base nos documentos referidos acima, é possível concluir que além da comprovação do efetivo pagamento, feito por meio dos comprovantes de rendimentos, o Recorrente também logrou atestar a existência de decisão judicial a respaldar o pagamento da pensão, sendo lícita sua dedução. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 11080.733516/201411 Acórdão n.º 2402005.506 S2C4T2 Fl. 86 7 Por outro lado, do exame da DAA, constatase que os valores deduzidos pelo Recorrente abrangem, além do que fora descontado da remuneração mensal, as quantias subtraídas a título de alimentos do décimo terceiro salário, cabendo esclarecer que, tendo em vista que a pensão alimentícia judicial descontada do décimo terceiro salário já constituiu dedução desse rendimento, sujeito à tributação exclusiva na fonte, seu abatimento também na Declaração de Ajuste implicaria na duplicação da dedução, não havendo amparo na legislação vigente para a adoção de tal procedimento. Em vista do exposto, entendo que somente constitui parcela dedutível da DAA os valores descontados da remuneração mensal do sujeito passivo, que corresponde a R$ 18.378,65 (dezoito mil, trezentos e setenta e oito reais e sessenta e cinco centavos). As quantias indicadas nas declaração de rendimentos emitidas pelas fontes pagadoras como descontadas a título de alimentos do décimo terceiro salário (R$ 268,74+R$ 727,81) têm caráter meramente informativo e, pelas razões já mencionadas acima, não podem ser abatidas no ajuste anual. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de R$ 18.378,65 (dezoito mil, trezentos e setenta e oito reais e sessenta e cinco centavos), a título de pensão alimentícia judicial. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.726277/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO.
Somente pode ser utilizado como dedução na Declaração de Ajuste Anual o valor de pensão alimentícia pago nos termos do acordo judicial homologado, não sendo possível a dedução no Ajuste Anual da parcela referente ao décimo terceiro salário, que está sujeito à tributação exclusiva. Comprovada a existência da pensão alimentícia judicial, bem como seu pagamento, cancela-se a glosa anteriormente efetuada.
DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. FILHOS DE PAIS SEPARADOS COM PAGAMENTO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA.
No caso de filhos com pais separados, o responsável pelo pagamento da pensão alimentícia judicial pode deduzir o valor pago a este título, sendo vedada a dedução do valor correspondente ao dependente, que somente é permitida àquele que detiver a guarda judicial do filho menor.
DEDUÇÃO DE PECÚLIO
Não são dedutíveis para a apuração da base de cálculo do IRPF as importâncias pagas a título de pecúlio.
Numero da decisão: 2301-004.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO, reconhecendo a dedutibilidade, da base de cálculo do IRPF, do valor de R$18.818,81, a título de pensão alimentícia judicial.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 14/09/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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COMPROVAÇÃO. Somente pode ser utilizado como dedução na Declaração de Ajuste Anual o valor de pensão alimentícia pago nos termos do acordo judicial homologado, não sendo possível a dedução no Ajuste Anual da parcela referente ao décimo terceiro salário, que está sujeito à tributação exclusiva. Comprovada a existência da pensão alimentícia judicial, bem como seu pagamento, cancela se a glosa anteriormente efetuada. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. FILHOS DE PAIS SEPARADOS COM PAGAMENTO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. No caso de filhos com pais separados, o responsável pelo pagamento da pensão alimentícia judicial pode deduzir o valor pago a este título, sendo vedada a dedução do valor correspondente ao dependente, que somente é permitida àquele que detiver a guarda judicial do filho menor. DEDUÇÃO DE PECÚLIO Não são dedutíveis para a apuração da base de cálculo do IRPF as importâncias pagas a título de pecúlio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO, reconhecendo a dedutibilidade, da base de cálculo do IRPF, do valor de R$18.818,81, a título de pensão alimentícia judicial. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/09/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 62 77 /2 01 4- 43 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1270.898, exarado pela 21ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I (fls. 85 a 93 – numeração dos autos eletrônicos). Reproduzo do relatório do acórdão recorrido: A notificação de lançamento (fl. 05) foi lavrada em decorrência de revisão da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda (DAA), referente ao exercício 2012, ano calendário 2011, tendo sido apurado crédito tributário de R$15.724,42. Conforme a descrição dos fatos e enquadramento legal (fls. 07 a 11), foram apuradas as seguintes infrações: 1) dedução indevida de previdência privada, no valor de R$385,71, por falta de comprovação, não constando desconto de previdência privada em Dirf da fonte pagadora; 2) dedução indevida com dependentes, no valor de R$3.779,28, por falta de comprovação da relação de dependência de Thiago Rabello Pinto e Ana Flavia Rabello Pinto; 3) dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$31.109,82, por falta de apresentação de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública fixando pensão alimentícia para Vanda Maria Pinto e Vera Lucia Moura Godinho; 4) dedução indevida de despesas com saúde, no valor de R$ 689,00, por falta de comprovação da despesa referente à Gente Clube de Vida Promoções. Cientificado do lançamento em 26/06/2014 (fl. 78), o contribuinte o impugnou em 07/07/2014 (fl. 02), alegando, no que é relevante ao recurso voluntário, que: (a) não houve dedução indevida de previdência privada, pois o valor foi pago como pensão e pecúlio conforme extratos da sociedade Capemi, não localizando os papéis restantes, mas os contracheques do Governo do Estado do RS corroboram os descontos mensais nas rubricas; (b) a dedução de dependente referese a dois filhos com até 21 anos que residem com o contribuinte e (c) não houve dedução indevida de pensão alimentícia judicial, havendo erro no valor declarado, cujo valor correto é R$31.310,12 resultado da soma auferida mensalmente pelas duas mulheres mais o 13º. salário de ambas, conforme declaração da fonte pagadora. A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, considerando comprovada a despesa com saúde (R$689,00) e restabelecendo parcialmente a dedução a dedução de previdência privada no valor de R$192,02. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 174DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.726277/201443 Acórdão n.º 2301004.804 S2C3T1 Fl. 174 3 Anocalendário: 2011 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. FILHOS DE PAIS SEPARADOS COM PAGAMENTO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. No caso de filhos com pais separados, o responsável pelo pagamento da pensão alimentícia judicial pode deduzir o valor pago a este título, sendo vedada a dedução do valor correspondente ao dependente, que somente é permitida àquele que detiver a guarda judicial do filho menor. DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. São dedutíveis para a apuração da base de cálculo do IRPF as importâncias pagas a título de contribuição à previdência privada, para as quais o sujeito passivo apresente documentação hábil a comprovar as contribuições, desde que preenchidos os requisitos legais para a dedução, mantendose a glosa sobre a parte declarada e não comprovada. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. Somente pode ser utilizado como dedução na Declaração de Ajuste Anual o valor de pensão alimentícia pago nos termos do acordo judicial homologado, não sendo possível a dedução no Ajuste Anual da parcela referente ao décimo terceiro salário, que está sujeito à tributação exclusiva. DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. A ciência dessa decisão ocorreu em 15/12/2014 (aviso de recebimento EBCT, fl. 97). Em 09/01/2015, foi apresentado recurso voluntário (fls. 99 a 100), no qual é asseverado, em síntese, que: (a) Ana Flavia... e Thiago... residiram em seu endereço por vários anos, usufruindo moradia, alimentação e o uso de móveis e utensílios; recebiam correspondências e pessoas de suas relações; por isso enquadraramse perfeitamente nas deduções para "filho (a) solteiro (a) até idade de 21 anos"; (b) em relação à dedução da previdência privada: declarou dedução de R$385,71, entre pensão e pecúlio, não sendo aceita a dedução de R$193,69 referente ao pecúlio; desde 02/1977 acertou com a Capemisa contrato único para descontos mensais nas duas modalidades; desconhece a razão de não constar previdência privada no demonstrativo anual de rendimentos, já que tais descontos constam nos contracheques do Governo do Estado do RGS; nunca requereu quaisquer dos benefícios; estão corretos os descontos para Capemisa em pensão e pecúlio em sua declaração de ajuste anual (DAA); desde fevereiro/1977 sofre os descontos; é filiado ao “Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Rio Grande do Fl. 175DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Sul”, IPERGS, pois é funcionário público civil, aposentado desde 1996; e os descontos, são mensais e sobre o 13º Salário, como o I.R. Retido na Fonte, que totalizou R$ 3.828,66; questiona por que no AnoCalendário 2008 foi pago pelo Governo do Estado do RGS, e depois, até o AnoCalendário 2012, pelo IpergsRegíme Próprio de Previdência Social RS, com CNPJ próprio e no anobase 2013, sua fonte pagadora passou a ser Gestor Previdenciário do RS; (c) em relação à dedução da pensão alimentícia judicial, estão corretos os valores declarados, acrescidos dos 13ºs salários, pagos às exmulheres; para VERA..., não foi aceito incluir na dedução o 13º salário, embora a obrigatoriedade desse desconto em seu contracheque; se foi descontado todos os meses, e obrigado a pagar pensão em um 13º mês (também chamado 13º salário), deve ser permitida sua dedução; sobre VANDA..., não fez jus à dedução dos valores pagos a ela por não comprovar decisão judicial, muito embora percentuais e valores estejam caracterizados nos contracheques; questiona se: (1) o comprovante anual de rendimentos desse próprio órgão federal, bem como os citados contracheques do Governo RS, de nada valem para comprovação? (2) será que terão valor e credibilidade somente documentos da Receita Federal? (3) pagaria ele percentuais e valores para duas mulheres à titulo de pensão, incluindo 13º salário, se não houvesse decisão Judicial? (5) que demais documentos esperam os Auditores que eu encontre, de duas malfadadas uniões de quase 30 anos atrás? (6) é necessário "chifre" para identificar um bovino, ou mesmo uma bengala para reconhecer um cego? (7) essa rigorosa exação dos auditores que julgaram seu processo, e que talvez examinem seu recurso, é exercida quando da análise das contas dos grandes empresários, políticos, dos funcionários públicos de alto escalão das estatais, etc...?.. O pedido consiste em “senso comum” quando do exame de seu recurso. Em 12/04/2016, esta 1ª Turma, pela Resolução 2301000.599, solicitou diligência para que “seja oportunizado ao contribuinte a prova da guarda dos filhos que possui com Vera Lucia Moura Godinho, pela juntada aos autos da sentença na ação de alimentos, do acordo homologado judicialmente, ou por certidão cartoral de seu conteúdo” (efls. 155 a 159). Em 31/05/2016, o contribuinte peticionou, afirmando: (a) não ter cometido ato ilegítimo ao pôr dois filhos como dependentes em sua declaração de ajuste anual (DAA); (b) “"Guarda de Filhos Documentada" e "Guarda Realmente Exercida" diferem, pois a mulher recebendo "Pensão" apropriase do valor, causando assim a fuga de algum filho e o retorno de outro à casa do Pai (meu caso), que passa a sustentálos em "dose dupla" sem recorrer a uma Justiça ávida por cobranças judiciais e a uma rede de advogados que nada fazem, sofrendo grande abalo psicológico”; (c) “documento anexo do filho Thiago..., onde ele diz comigo residiu até os 22 anos (texto grifado)”; (d) “minhas Declarações são feitas por algum filho e à meu pedido, ambos acreditando os dados inseridos eivados de legalidade. Um Governo que tem a corrupção em seu cerne pressupõe que todo cidadão age de igual maneira, que vai sempre descumprir Leis em vantagem própria; mas não acontece isso, pois Governos quebrados buscam sempre restringir desembolsos com Normas, Resoluções, etc..., que ferem o principio da criação de um Benefício (no meu caso os Dependentes). As Autoridades Fazendárias precisam cobrar sonegadores Empresariais, Políticos, Esportistas, funcionários públicos do alto Escalão, e não pressionar cidadão "Pessoa Física" sem benesses quaisquer. É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.726277/201443 Acórdão n.º 2301004.804 S2C3T1 Fl. 175 5 Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DEDUÇÃO DE DESPESA COM DEPENDENTE Nesta questão, o acórdão recorrido foi prolatado com as seguintes razões: Conforme previsão contida no § 4º do art. 77, do Decreto 3.000 de 26 de março de 1999, no caso de filhos de pais separados somente pode considerar os filhos como dependente aquele que tiver ficado com a guarda judicial, como segue: (...) Conforme se identifica nas Certidões de Nascimento de Thiago Rabello Pinto e Ana Flávia Rabello Pinto, fls. 31/32, estes são filhos do Contribuinte e de Vera Lucia Moura Godinho. Foi apresentado o Ofício emitido pelo Juiz da Comarca de Porto Alegre, 33, no qual ficou determinado o desconto em folha de pagamento na fonte pagadora do Contribuinte decorrente de pensão alimentícia a ser paga a Vera Lucia Moura Godinho. Considerandose que ocorreu a separação do Contribuinte de Vera Lucia Moura Godinho e que houve pagamento de pensão alimentícia, concluise que o Contribuinte não detém a guarda judicial dos filhos que pertence a Vera Lucia Moura Godinho. Dessa forma, considerandose que o Contribuinte não detém a guarda judicial de Thiago Rabello Pinto e Ana Flávia Rabello Pinto, mantémse a dedução indevida de dependente. De fato, o art. 77 do Decreto 3.000, de 1999 (RIR 99), estabelece os critérios de dedutibilidade dos dependentes, frisando, em seu § 4º, que “No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente”: Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): ... Fl. 177DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; ... § 2º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º). § 3º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 2º). § 4º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 3º)." Intimado a comprovar, documentalmente, a guarda dos filhos que possui com Vera Lucia Moura Godinho, o contribuinte refere que possui guarda de fato, não documentada (efl. 164), e não guarda judicial. Não há reparos, portanto, a serem feitos na decisão recorrida. DA DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA Os fundamentos da decisão recorrida são os seguintes: Sobre a dedutibilidade da contribuição à previdência privada, a Lei nº 9.250, de 1995, em seu artigo 8º, estabelece que: "Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) e) às contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social;" (...) Destacase, ainda, o que dispõe o art. 11, da Lei nº 9.532/1997, a respeito das condições e limite para a dedutibilidade das contribuições a entidades de previdência privada: "Art. 11. As deduções relativas às contribuições para entidades de previdência privada, a que se refere a alínea e do inciso II do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Fl. 178DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.726277/201443 Acórdão n.º 2301004.804 S2C3T1 Fl. 176 7 Individual Fapi, a que se refere a Lei nº 9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. (Redação dada pela Lei nº 10.887, de 2004) (...) § 5º. Excetuamse da condição de que trata o caput deste artigo os beneficiários de aposentadoria ou pensão concedidas por regime próprio de previdência ou pelo regime geral de previdência social.(Redação dada pela Lei nº 10.887, de 2004)" Da legislação acima transcrita extraise que, a partir do ano calendário 2005, com a vigência da Lei nº 10.887/2004, são condições para a dedutibilidade das contribuições a entidades de previdência privada: i) serem destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; ii) terem sido pagas pelo próprio contribuinte, segurado do plano de previdência; iii) estarem limitadas a 12% do total de rendimentos tributáveis declarados; e iv) recolhimento de contribuições à previdência oficial, exceto beneficiários de aposentadoria ou pensão concedidas por regime próprio de previdência ou pelo regime geral de previdência social. Na Declaração de Ajuste Anual, fls. 75, o Contribuinte informou pagamento à previdência privada Capemisa Vida e Previdência o valor de R$ 385,71. Foram juntados aos autos os Comprovantes de Pagamentos, fls. 15/27 e os Extratos Individuais de Plano Previdenciário Capemisa Previdência, fls. 28 e 30, os quais se referem a contribuições referentes à "pecúlio" e "pensão", respectivamente. Não existe previsão legal para dedução de contribuições efetuadas como pecúlio, uma vez que as contribuições devem ser destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social. Assim, somente devem ser considerados como contribuições à previdência privada os valores informados nos comprovantes de pagamento e no Extrato Individual com o título de "pensão", que totalizam R$ 192,02, como segue: (...) (Grifouse.) Não há reparos a fazer na decisão recorrida. De fato, não há previsão legal para a dedução do pecúlio que o contribuinte paga à Capemisa. Quanto a seus questionamentos referentes à razão social de sua fonte pagadora (Governo do Estado do RGS, IpergsRegíme Próprio de Previdência Social RS ou Fl. 179DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Gestor Previdenciário do RS), quem poderá lhe dirimir a dúvida, que é totalmente estranha ao presente processo administrativo fiscal, é sua própria fonte pagadora. DA DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Tal questão foi enfrentada pela autoridade recorrida nos seguintes termos: O tema da dedução tributária dos gastos incorridos com pensão alimentícia é tratado pelo art. 4º, II, da Lei nº 9.250/1995, in verbis. Art. 4 Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de acordo ou decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais. O Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3000, de 26/03/1999, por sua vez, dispõe em seus artigos 78 e 83 que: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). (...) Art. 83. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas (Lei N° 9.250, de 1995, art. 8°, e Lei N° 9.477, de 1997, art. 10, inciso I): I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas ao somatório dos valores de que tratam os arts. 74, 75, 78 a 81, e 82, e da quantia de um mil e oitenta reais por dependente. Com a alteração promovida pelo art. 21 da Lei nº 11.727, de 2008, foi acrescentada ao texto legal a possibilidade do referido cumprimento se dar, também, por escritura pública nos termos a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil. (...) Portanto, como se vê, os dispositivos legais são claros, condicionando a dedutibilidade das importâncias pagas a título de pensão alimentícia à existência de uma decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou escritura pública, nos moldes da legislação supracitada. Importante destacar que o fato de existir uma determinação judicial ou escritura pública Fl. 180DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.726277/201443 Acórdão n.º 2301004.804 S2C3T1 Fl. 177 9 para o pagamento da pensão, por si só, não autoriza a dedução. É necessário que o contribuinte comprove, também, o efetivo pagamento. Da mesma forma, a comprovação do efetivo pagamento não supre a apresentação da decisão judicial ou do acordo homologado judicialmente ou escritura pública. (Grifouse.) Como visto, a dedutibilidade dos valores pagos a título de pensão alimentícia requer que sejam satisfeitas duas condições concomitantemente: (1) a existência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou escritura pública e (2) a comprovação do pagamento da pensão. Em sua DAA (efl. 74), o recorrente informou pagamento de pensão alimentícia judicial a suas exesposas Vanda Maria Pinto (R$ 20.444,48) e Vera Lucia Moura Godinho (R$ 10.665,34). A autoridade preparadora glosou as despesas de pensão alimentícia por falta de apresentação de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública fixando pensão. Foi apresentado o Ofício 204/93, pelo qual o Juiz da Segunda Vara Cível de Porto Alegre determina ao Tesouro do Estado do RS o desconto mensal, em folha de pagamento do recorrente, de pensão alimentícia a ser paga a Vera Lucia Moura Godinho (efl. 33); por sua vez, o Comprovante de Rendimentos e de Retenção do IRRF, identifica desconto de pensão alimentícia em nome de Vera Lucia Moura Godinho no valor de R$9.817,13 e de R$848,21 de 13º salário (efl. 13). O valor de décimo terceiro salário é sujeito à tributação exclusiva na fonte não podendo a pensão alimentícia referente a tais rendimentos ser utilizada como dedução no cálculo do imposto devido na DAA, conforme previsão do art. 638 do RIR 99: Art. 638. Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário (CF, art. 7º, inciso VIII) estão sujeitos à incidência do imposto na fonte com base na tabela progressiva (art. 620), observadas as seguintes normas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 26, e Lei nº 8.134, de 1990, art. 16): (...) III a tributação ocorrerá exclusivamente na fonte e separadamente dos demais rendimentos do beneficiário; IV serão admitidas as deduções previstas na Seção VI. (Grifou se.) A valor relativo à pensão alimentícia judicial, no valor de R$9.817,13 já foi reconhecido pela decisão recorrida. Quanto à pensão alimentícia informada como devida para Vanda Maria Pinto, a decisão recorrida considerou provado o desconto pelo Comprovante de Rendimentos e de Retenção do IRRF (efl. 14), mas manteve a glosa, por entender ser necessário, também, Fl. 181DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 dever ser juntados aos autos documentos que comprovem a existência de decisão judicial que determina pagamento de pensão alimentícia. Porém, penso que as provas juntadas aos autos: (a) comprovante de rendimentos pagos e de imposto sobre a renda retido pela fonte, informando a retenção de R$18.818,81 a título de pensão (efls. 13 e 14) e (b) contracheques mensais, em que consta o referido desconto da pensão, no montante de 30% de seus rendimentos (afora outro desconto de pensão alimentícia de 20%, que, como visto, é depositado na conta de Vera Lucia Moura Godinho) (fls. 15 a 26), são suficientes para comprovar a existência da pensão alimentícia para Vanda Maria Pinto. Voto, portanto, por conhecer do recurso voluntário para julgálo PARCIALMENTE PROCEDENTE, reconhecendo a dedutibilidade, da base de cálculo do IRPF, do valor de R$18.818,81, a título de pensão alimentícia judicial. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 182DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10783.725498/2011-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE
PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei nº. 12.996/2014, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado.
Numero da decisão: 9202-005.048
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em face do pedido de parcelamento por parte do sujeito passivo.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei nº. 12.996/2014, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em face do pedido de parcelamento por parte do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 07 83 .7 25 49 8/ 20 11 -7 1 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Especial do Procurador Especial do Procurador 2ª Turma 2ª Turma zembro de 2016 zembro de 2016 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS - DESISTÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS - DESISTÊNCIA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL COMERCIAL MUNIZ CENTER LTDA COMERCIAL MUNIZ CENTER LTDA AA Fl. 230DF CARF MF 2 Relatório Trata-se de Recurso Especial, de e-fls. 149/162, interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 2803-003.380, julgado na sessão do dia 16 de julho de 2014, pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção, o qual deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 SIMPLES. ADESÃO. NÃO COMPROVAÇÃO Não demonstrada a adesão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, são devidas as contribuições patronais à Seguridade Social. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente, referente no AI DEBCAD 37.315.801-7. Recurso Voluntário Provido em Parte De acordo com a DRJ, a autuação apresenta os seguintes fundamentos: a) AI DEBCAD nº 37.315.799-1 - período 07/2007, 10/2007 a 12/2008 (inclusive 13º salário), valor original de R$ 111.599,32: contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, incluídos os valores destinados ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT e contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre remunerações pagas a contribuintes individuais; b) AI DEBCAD nº 37.315.800-9 - 07/2007, 10/2007 a 11/2008 e 13º salário/2007, valor original de R$ 22.800,13: contribuições sociais devidas às outras entidades e fundos incidentes sobre Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10783.725498/2011-71 Acórdão n.º 9202-005.048 CSRF-T2 Fl. 231 3 remunerações pagas a segurados empregados FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE; c) AI DEBCAD nº 37.315.801-7, FL 68 07/2007, 10/2007 a 11/2008 e 13º salário/2007,valor original de R$ 30.488,60: como as remunerações foram informadas em GFIP, mas com a informação de opção ao SIMPLES, resultou em que as remunerações não foram tratadas pela empresa como bases de cálculo para fins de contribuição da cota patronal. Foi aplicada penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, infração ao artigo 32, IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, combinado com o artigo 225, IV, § 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do Regulamento da Previdência Social –RPS. 2. Informa ainda a Auditoria Fiscal que a empresa esteve aderida ao SIMPLES FEDERAL até a competência 06/2007. A empresa solicitou em 10/07/2007 a inclusão no SIMPLES NACIONAL, todavia a solicitação foi indeferida em 01/10/2007. Entretanto, no período de 07/2007 e 10/2007 a 12/2010 entregou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, informando estar aderida ao SIMPLES; Diante de tal lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação de e-fls. 71/86, requerendo a desconstituição da exigência fiscal. A 10ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, conforme acórdão nº 12-55.086, de e-fls. 109/120, julgou procedente o lançamento. Intimado de tal decisão, houve a interposição de Recurso Voluntário, e-fls. 122/135, que foi julgado pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção, na sessão do dia 16 de julho de 2014, pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção, o qual deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para que fosse efetuado o cálculo da multa constante no AI DEBCAD 37.315.801- 7, de acordo com o art. 32-A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico ao Contribuinte. A comparação dar-se-á no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art. 2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. Após a decisão que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de e-fls. 149/162, requerendo a reforma do acórdão recorrido, no ponto que determinou a aplicação do art. 32-A, da Lei 8.212/91, em detrimento do art. 35-A, do mesmo diploma legal, requerendo que seja verificado, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35-A da MP 449/2008. Acórdão nº 2401-00.127, utilizado como paradigma, apresenta a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 Fl. 232DF CARF MF 4 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, trata-se de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 150, 4º, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP - Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA - APLICAÇÃO Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Acórdão referente ao processo nº 35415.001129/2006-41) Conforme despacho de e-fls. 178/181, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido, sendo o processo encaminhado à origem para intimação do Contribuinte. O Contribuinte intimado, conforme AR de e-fls. 183, apresentou contrarrazões de e-fls. 184/193 e documentos de e-fls. 194/228, informando que foi realizado o parcelamento do débito, nos termos da Lei nº 12.996/2014. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva - Relatora O Recurso Especial interposto pela PGFN é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, assim dele conheço. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10783.725498/2011-71 Acórdão n.º 9202-005.048 CSRF-T2 Fl. 232 5 Conforme contrarrazões de e-fls. 184/193 e documentos de e-fls. 194/228, o Contribuinte informa que houve a adesão ao parcelamento da Lei nº 12.996/2014. Consoante disposto no art. 78, §3º do RICARF – Portaria MF nº 343/2015 – está caracterizada a desistência do sujeito passivo da presente discussão: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para declarar a definitividade dos débitos lançados. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 234DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.720607/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO.
São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão.
No caso, a decisão embargada não enfrentou argumentos suscitados no recurso voluntário. Nada obstante, estes não são suficientes para alterar o conteúdo decisório.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 1401-001.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração opostos, apenas para suprir a omissão apontada, rerratificando o Acórdão nº 1401-001.316, de 25 de setembro de 2014, sem efeitos infringentes.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas-Bôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Julio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração opostos, apenas para suprir a omissão apontada, rerratificando o Acórdão nº 1401-001.316, de 25 de setembro de 2014, sem efeitos infringentes. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas-Bôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Julio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
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Embargante TRANSPACÍFICO LOCAÇÃO DE VEÍCULOS EIRELI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO. São cabíveis embargos de declaração para suprir omissão de acórdão. No caso, a decisão embargada não enfrentou argumentos suscitados no recurso voluntário. Nada obstante, estes não são suficientes para alterar o conteúdo decisório. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração opostos, apenas para suprir a omissão apontada, rerratificando o Acórdão nº 1401001.316, de 25 de setembro de 2014, sem efeitos infringentes. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar VillasBôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 06 07 /2 01 2- 49 Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13227.720607/201249 Acórdão n.º 1401001.739 S1C4T1 Fl. 1.128 2 Yoshihara Arcangelo Zanin, Julio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos por TRANSPACÍFICO LOCAÇÃO DE VEÍCULOS EIRELI contra a decisão proferida no Acórdão nº 1401001.316, de 25 de setembro de 2014, que, por maioria, negou provimento ao recurso voluntário e restou assim ementado e decidido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE Recurso voluntário sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. As provas obtidas do Fisco Estadual na fase de fiscalização são admissíveis no processo administrativo fiscal desde que submetidas a novo contraditório por justamente não prejudicarem o direito de defesa do contribuinte. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Identificada à ausência de registro de depósitos na escrita contábil da empresa cabe ao contribuinte apontar a sua origem e justificar a sua não escrituração. O efeito de sua desídia consiste na atribuição aos valores não justificados a condição de receitas omitidas, a teor do art. 42 da lei 110 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). EXCLUSÃO DO SIMPLES. FATURAMENTO ACIMA DO LIMITE. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A presunção de omissão de receitas não ilidida pela contribuinte gera o efeito de estipularse a receita bruta anual da empresa neste mesmo valor. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13227.720607/201249 Acórdão n.º 1401001.739 S1C4T1 Fl. 1.129 3 Ultrapassado o limite legal anual para se manter no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte SIMPLES, correta a sua exclusão. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para a Seguridade Social INSS SIMPLES Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações na apuração do “quantum” devido na sistemática do SIMPLES, deve ser observado para os lançamentos decorrentes o que foi decidido para o lançamento principal, no que couber. MULTA QUALIFICADA. Aplicase a multa qualificada de 150% restando caracterizada a conduta reiterada de omissão na declaração e pagamento dos tributos devidos, Declaração Anual do Simples Nacional “zerada” INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar às preliminares e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. , nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Vencido o Conselheiro Maurício Pereira Faro que desqualificava a multa de ofício. O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira acompanhou pelas conclusões.no mérito. Em seu arrazoado, sustenta a embargante que, no r. acórdão, houve omissões, obscuridades e contradições. Depois, a título de "cabimento dos embargos de declaração", alega, em síntese, os seguintes motivos: (i) o acórdão embargado afirmou que a prova emprestada é admissível desde que submetidas a novo contraditório, porém, a empresa não foi intimada para esclarecer valores de sua movimentação financeira durante os procedimentos de fiscalização; e (ii) a razão para a qualificação da multa foi o envio de declaração retificadora "zerada", entretanto, houve pagamentos dezoito dias após a transmissão da declaração e esta não poderia ser retificada quando estava sob ação fiscal. Em face disso, requer que os embargos sejam acolhidos e providos. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13227.720607/201249 Acórdão n.º 1401001.739 S1C4T1 Fl. 1.130 4 Na análise da admissibilidade dos embargos, assim me pronunciei: A embargante alega, de forma genérica, a presença de omissões, obscuridades e contradições, no entanto, não demonstra a conexão de tais vícios com o conteúdo argumentativo do cabimento dos embargos. Isso, por si só, poderia ensejar a rejeição dos embargos, mas, ainda assim, em homenagem à prudência, entendo que se deva tentar buscar algum vício nos motivos apresentados. Quanto ao primeiro motivo, há que se deixar claro que o contraditório mencionado pela decisão embargada é aquele que se perfaz com o início da fase litigiosa, ou seja, com a apresentação da impugnação e, não, no decorrer do procedimento fiscal. Vejase, sobre isso, o seguinte trecho do voto condutor daquela decisão: No caso do processo administrativo fiscal, a grande maioria das provas apresentadas pelo Fisco ocorre na fase oficiosa. O Decreto nº 70.235, de 1972, art. 7º, I, explicita que o procedimento fiscal iniciase com a lavratura escrita do primeiro ato de ofício. Entretanto, a fase litigiosa iniciase unicamente com a apresentação da impugnação de lançamento, conforme determinado no art. 15. Dessa forma, tudo o que for apurado pela Fiscalização na fase instrutória do processo administrativo representa, em princípio, prova legítima. No presente caso, o empréstimo da prova, que resultou da própria Fiscalização, ocorreu antes do início da discussão administrativa, de forma que não resultou prejudicado o direito de defesa da interessada. Por outro lado, no tocante ao segundo motivo, de fato, a decisão recorrida não enfrentou a alegação de que houve pagamentos após a transmissão da declaração e de que esta não poderia ser retificada quando estava sob ação fiscal. Isso, é verdade, constou como uma das alegações no recurso voluntário (fls. 43 e 44 daquela peça recursal). Como essa alegação poderia ser considerada uma omissão, entendo que, neste ponto, cabem os embargos. Com base nesse pronunciamento, o Presidente desta Turma proferiu, então, o seguinte despacho admitindo parcialmente os embargos: Com fundamento nas razões expendidas na informação retro, declaro a procedência das alegações suscitadas, de forma que ADMITO os embargos de declaração interpostos por TRANSPACÍFICO LOCAÇÃO DE VEÍCULOS EIRELI, em face do Acórdão nº 1401001.316, de 25 de setembro de 2014, para suprir a omissão quanto à alegação de que a multa deveria ser desqualificada porque houve pagamentos após a transmissão da declaração e esta não poderia ser retificada quando estava sob ação fiscal. Nos termos do artigo 65, § 7º, do Anexo II, do RICARF, devolvo os presentes autos para análise dos embargos e posterior inclusão em pauta de julgamento. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13227.720607/201249 Acórdão n.º 1401001.739 S1C4T1 Fl. 1.131 5 É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Os embargos são tempestivos e, conforme decidido pelo Sr. Presidente, deles tomo conhecimento para suprir a omissão quanto à alegação de que a multa deveria ser desqualificada porque houve pagamentos após a transmissão da declaração e esta não poderia ser retificada quando estava sob ação fiscal. Como relatado, a razão para a qualificação da multa foi o envio de declaração retificadora "zerada", entretanto, a embargante alega que houve pagamentos dezoito dias após a transmissão da declaração e esta não poderia ser retificada quando estava sob ação fiscal. Extraise do relatório da decisão embargada a seguinte motivação para a qualificação da multa: 2.3 – DA MULTA QUALIFICADA DE 150% O sujeito passivo apresentou em sua Declaração Anual do Simples Nacional (DASN), transmitida em 27/06/2011, às 14:19:32, com Número do Recibo igual a 02.07.11178.01044042 e Autenticação 00232.97764.35395.80920, haver auferido receitas iguais a 0 (zero) durante o período sob ação fiscal enquanto a movimentação bancária analisada demonstra que as receitas auferidas correspondem a R$ 28.702.199,70 (vinte oito milhões setecentos e dois mil cento e noventa e nove reais e setenta centavos). O encaminhamento da Declaração Anual do Simples Nacional “zerada” demonstra, de forma cabal, a intenção do contribuinte em omitir informações ao Fisco. Por sua vez, o voto condutor da decisão recorrida de primeira instância resume as razões da defesa contidas na impugnação: ........................................................................................................................ A conduta tipificada pela fiscalização não foi dolosa. Logo, não pode ser classificada como fraudulenta ou de sonegação fiscal. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13227.720607/201249 Acórdão n.º 1401001.739 S1C4T1 Fl. 1.132 6 Com efeito, toda a escrituração contábil foi confiada a um profissional da área contábil, que não realizou seu mister a contento, induzindo a erro a impugnante. É certo que agiu a impugnante culposamente(imprudência e negligência), mas não dolosamente no que tange a apresentação da DASN zerada, tal fato configura como erro, notadamente como foram efetuados todos os pagamentos, ainda que em atraso, relativos a declaração original, o que se pode comprovar nos próprios sistemas da RFB. (grifamos) ........................................................................................................................ A aplicação da multa gravada no patamar de 150%, somente é possível quando houver o evidente enquadramento nas condutas previstas, nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Logo, se não houver enquadramento nas condutas previstas nos artigos retrocitados, a multa deve ser anulada. Este enquadramento somente é possível se restar efetivamente comprovado o intuito de fraude, isto é, o entendimento subjetivo do agente fiscal que poderá atribuir o enquadramento em determinada conduta fraudulenta e sim a sua comprovação, o que não ocorreu no presente caso. A DRJ, salvo melhor juízo, não concordou com a pretensão da impugnante no sentido de que haveria que se comprovar, através dos sistemas da Receita Federal, que houve pagamentos em atraso relativos à declaração original. Isso porque não tratou do assunto e fundamentou sua decisão de manter a multa qualificada alegando que "a empresa impediu ou retardou o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, não podendo ser acolhida a alegação da empresa". Em outras palavras, calouse sobre a pretensão da impugnante. A empresa, porém, também nada acrescentou sobre o tema em seu recurso voluntário. Diante do silêncio da DRJ, podia e devia trazer os comprovantes dos pagamentos aos quais se refere. Mas, não, preferiu repetir o argumento dizendo que os referidos pagamentos podiam ser comprovados nos sistemas da Receita Federal. Confirase (fls. 43 e 44 dessa peça recursal): Com citado alhures, toda a escrituração contábil foi confiada a profissional da área contábil, que não realizou seu mister a contento, induzindo em erro a recorrente. É certo que agiu a recorrente culposamente (imprudência/negligência), mas não dolosamente. No que tange à apresentação da DASN zerada, tal fato também se configura em erro, notadamente quando foram efetuados todos os pagamentos, ainda que em atraso, relativos à declaração original, o que se pode comprovar nos próprios sistemas de RFB. Ademais, qualquer retificação de declaração, uma vez iniciado o procedimento fiscal, não surte efeito, porquanto não há mais a espontaneidade, a teor do § 1º do art. 7º do Decreto 70.235/72, e vejase que in casu se trata de declaração anual simplificada, em relação a qual, mesmo "zerada", teve os recolhimentos Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13227.720607/201249 Acórdão n.º 1401001.739 S1C4T1 Fl. 1.133 7 efetuados em relação à declaração original, inclusive não há relação alguma com os tributos ora lançados. Igualmente, nada foi acrescentado nos embargos. Ora, dizer que bastava ao julgador verificar nos sistemas da Receita Federal é querer inverter o ônus da contraprova. Não é possível desqualificar a multa com base na simples alegação de que houve pagamentos espontâneos referentes à declaração original apresentada. É fato que tal declaração informou valores "zerados". Isso configura sonegação e foi o motivo da qualificação da multa (vide a página 9 do Termo de Verificação de Infração Fiscal). Se o contribuinte possuía a prova de que efetuou pagamentos, referentes aos tributos lançados, em valores que razoavelmente corresponderiam aos tributos devidos com base nas receitas do período (conforme apuradas com base na presunção legal motivadora da autuação), isso poderia, realmente, ser um motivo para o afastamento da qualificação. Mas, isso não foi provado. Era fácil trazer essa prova aos autos. Bastava juntar os DARFs. Nada obstante, é bem provável que, se existem, esses DARFs revelariam valores muito inferiores aos mencionados. Outrossim, manteriase o entendimento de que houve sonegação. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de acolher os embargos de declaração opostos, apenas para suprir a omissão apontada, e, assim, incluir em suas razões de decidir os motivos pelos quais a multa qualificada deve ser mantida, rerratificando o Acórdão nº 1401001.316, de 25 de setembro de 2014, sem efeitos infringentes. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10711.722649/2011-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/10/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.467
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1886; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.722649/201183 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302003.467 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo, no que for relevante, o relatório da decisão de piso proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 26 49 /2 01 1- 83 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722649/201183 Acórdão n.º 3302003.467 S3C3T2 Fl. 3 2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar a irregularidade apurada que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali identificado. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita, que entende ser cabível para cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e, apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional. Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722649/201183 Acórdão n.º 3302003.467 S3C3T2 Fl. 4 3 embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento. A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo integralmente o crédito constituído. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.395, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10711.006561/201030, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.395): 1. Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar 2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato gerador Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados em seu recurso voluntário, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/20081." 1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumpri a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722649/201183 Acórdão n.º 3302003.467 S3C3T2 Fl. 5 4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela afirma ser impossível existir mais de uma penalidade para o mesmo fato, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma: "No caso sob análise não houve uma infração. Examinandose as ocorrências citadas pela fiscalização, verificase que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos. Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações são idênticas, uma vez que são diferente seus objetos materiais." Já em relação ao segundo ponto (aplicação da solução de consulta interna Cosit nº 8/2008), a fiscalização justificou seu afastamento com base nos seguintes argumentos. "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob exame. As informações cujos atrasos na prestação deram ensejo ao lançamento são referentes a importação de mercadorias, enquanto a citada decisão soluciona consulta relativa à exportação. Cada um desses tipos de operações envolve peculiaridades próprias, especialmente no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem na legislação regente e não podem ser desprezadas. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos correspondentes conhecimentos eletrônicos (CE). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Pois bem. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que não houve comprovação da existência de duplicidade de cobrança por parte da fiscalização, tampouco argumentos capazes de infirmar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou " que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos". Sequer um demonstrativo analítico, com os registros relativos as operações tratadas em cada processo apontado no recurso foram produzidas pela Recorrente, em total desrespeito ao artigo 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou inexplicavelmente de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte, restando, assim, prejudicado a análise dos demais argumentos por ela suscitado. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722649/201183 Acórdão n.º 3302003.467 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Mérito 3.1. Ilegalidade do Auto de Infração O presente processo administrativo diz respeito a exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional". Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os contribuintes que descumprirem as obrigações acessórias, na forma e nos prazos instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa. Além disso, a obrigação do agente de carga de prestar as informações à Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722649/201183 Acórdão n.º 3302003.467 S3C3T2 Fl. 7 6 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722649/201183 Acórdão n.º 3302003.467 S3C3T2 Fl. 8 7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduzse a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto ou arribada. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 5º Os CE de serviço informados até a atracação ou registro do passe de saída serão dispensados dos prazos de antecedência previstos nesta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 6º Para os manifestos de cargas nacionais, as informações a que se refere o inciso II do caput devem ser prestadas antes da solicitação do passe de saída. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) *** Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão não lhe assiste. Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal do Brasil (vide artigo 22, da IN 800/2007 e IN 899/2008), passaram a ser obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do artigo 50, a saber: (i) sobre a escala; e (ii) sobre as cargas transportadas, que permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos. Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais obrigações previstas no parágrafo único do artigo 50, sob pena de ensejar a aplicação da multa em comento. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722649/201183 Acórdão n.º 3302003.467 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, considerando que a obrigação do agente de cargas de apresentar as informações antes da atracação da embarcação era obrigatória, entendo legítima a penalidade imposto à Recorrente. No mais, destacase que o artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos". Ou seja, referido dispositivo equipara o agente de carga ao transportar para efeitos de aplicação da multa em comento. Este destaque se faz necessário na medida em que a Recorrente suscitou a aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária acessória em apreço que no seu texto normativo prevê a obrigação somente ao transportar distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo referido artigo. Cita a definição de "transportar" e "agente de cargas" do Dicionário Aurélio como fonte de direito privado. O artigo 110 do CTN prevê: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios, para definir ou limitar competências tributária. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, suas razões não merecem respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do Dicionário Aurélio não é fonte de direito privado e, a duas porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados, ou nas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios. Portanto, considerando que o Decreto 37/66 e a IN 800/2007 não alteraram definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a alegação da Recorrente neste ponto. Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de tributo antes da vigência da lei que os instituiu, ao que passo que no presente a discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem. O artigo 3º, do Código Tributário Nacional é claro ao definir tributo como sendo "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." 2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722649/201183 Acórdão n.º 3302003.467 S3C3T2 Fl. 10 9 Como se vê, o legislador ao estabelecer que tributo não constitui sanção de ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o fato gerador proveniente de ato ilícito. Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. Ricardo Paulo Rosa Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 15504.002891/2008-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/10/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Hipótese em que havendo lançamento apenas da obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35-A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96.
Recurso Especial da Fazenda Provido
Numero da decisão: 9202-005.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 31/10/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Hipótese em que havendo lançamento apenas da obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35-A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Recurso Especial da Fazenda Provido
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/10/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Hipótese em que havendo lançamento apenas da obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Recurso Especial da Fazenda Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 28 91 /2 00 8- 09 Fl. 459DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração para cobrança de Contribuição Previdência decorrente de diferenças apuradas entre as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e Guias da Previdências Social GPS. Conforme relatório fiscal de fls. 150 cobrase o tributo incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e administradores, correspondentes às contribuições patronais da previdência social (empresa e RAT) e de Outras Entidades , apuradas no período de lançamento do crédito de 03/1999 a 10/2005. Em sua impugnação o Contribuinte alegou decadência parcial do crédito tributário, necessidade de revisão do lançamento em razão de supostos créditos não compensados/considerados pela autoridade fiscal e subsidiariamente requereu a relevação multa com base no extinto art. 291, §1º do Decreto nº 3.048/99 Regulamento da Previdência Social (RPS). A então Delegacia de Julgamento da Secretaria de Receita Previdência julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento. Recurso Voluntário de fls. 333/348 reiterando a tese de defesa. Por meio do Acórdão 2403000.709, a 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho deu provimento parcial ao recurso, reconhecendo com base no art. 150,§4º do CTN a decadência dos fatos geradores anteriores a 07/2001, inclusive, e determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial questionando o critério adotado na aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 15504.002891/200809 Acórdão n.º 9202005.093 CSRFT2 Fl. 459 3 Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Apesar de não ter sido o entendimento inicial desta relatora, após exaustivos debates sobre o tema, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 461DF CARF MF 4 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. Assim, é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Para ilustrar o entendimento cito, os fundamentos do voto proferido pela Ilustre Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no acórdão nº 9202003.909, os quais adoto como razões de decidir: No presente caso, os fatos geradores ocorreram à luz de legislação posteriormente alterada, de sorte que a aferição acerca de eventual retroatividade benigna deve ser levada a cabo mediante comparação da redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores, com a sua nova redação, conferida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: Redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 462DF CARF MF Processo nº 15504.002891/200809 Acórdão n.º 9202005.093 CSRFT2 Fl. 460 5 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste Fl. 463DF CARF MF 6 artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento.” (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Esclareçase que, independentemente da denominação que se dê à penalidade, há que se perquirir acerca do seu caráter material, e nesse sentido não há dúvida de que, mesmo na antiga redação do art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, estavam ali descritas multas de mora e multas de ofício. As primeiras, cobradas com o tributo recolhido após o vencimento, porém espontaneamente. As últimas, cobradas quando do pagamento por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício. Além disso, tanto os demais tributos como as contribuições previdenciárias têm seu regramento básico estabelecido pelo Código Tributário Nacional, que não só determina que a exigência tributária tem de ser formalizada por meio de lançamento, como também especifica as respectivas modalidades: lançamento por homologação, lançamento por declaração e lançamento de ofício. Cada uma dessas modalidades está ligada ao grau de colaboração verificado por parte do sujeito passivo. No caso dos tributos e contribuições federais, foi adotado de forma genérica o lançamento por homologação, que atribui ao sujeito passivo o dever de calcular o valor devido e efetuar o seu recolhimento, independentemente de prévia ação por parte da Autoridade Administrativa. Por outro lado, se o sujeito passivo deixa de cumprir com essas obrigações, o Fisco pode exigir o tributo por meio de lançamento de ofício. Nesta sistemática, qualquer que seja o tributo ou contribuição, e Fl. 464DF CARF MF Processo nº 15504.002891/200809 Acórdão n.º 9202005.093 CSRFT2 Fl. 461 7 independentemente da denominação atribuída ao lançamento, claramente são visualizadas duas formas de recolhimento fora do prazo estabelecido: aquele efetuado espontaneamente, passível de aplicação de multa de mora; e aquele efetuado por força de ação fiscal, aplicável aí a multa de ofício, mais onerosa. Assim, embora a antiga redação do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora” para as contribuições previdenciárias, não há dúvida de que os incisos componentes do dispositivo legal já continham a descrição das duas condutas tipificadas nos dispositivos legais que regulavam os demais tributos federais: pagamento espontâneo e pagamento efetuado por força de ação fiscal, conforme os ditames do CTN. Nesse sentido, para aplicação da retroatividade benigna com base no art. 106 do CTN, quando da execução do julgado deverá a autoridade preparadora comparar a multa do art. 35, II da Lei nº 8.212/91 (com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) e a 'nova' multa prevista no art. 35A a qual nos remete ao art. 44 da Lei nº 9.430/96. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 465DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11762.720111/2013-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012
ISENÇÃO DE PARTES, PEÇAS E COMPONENTES DESTINADAS A EMBARCAÇÕES NACIONAIS. REALIZAÇÃO DE EXAME DE SIMILARIDADE. OBRIGATORIEDADE.
1. Estão sujeitas ao prévio exame de similaridade as importações amparadas por isenção ou redução do imposto de importação, exceto as situações previstas em legislação específica.
2. Está sujeita a prévio de similaridade a isenção do imposto na importação de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e de embarcações nacionais ou ao emprego na conservação, modernização e conversão de embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), uma vez que não há na legislação específica ou em ato normativo da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) permissão para não realização do referido exame.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012
ISENÇÃO DE PARTES, PEÇAS E COMPONENTES DESTINADAS A EMBARCAÇÕES NACIONAIS. REALIZAÇÃO DE EXAME DE SIMILARIDADE. OBRIGATORIEDADE.
1. Estão sujeitas ao prévio exame de similaridade as importações amparadas por isenção ou redução do IPI, vinculado à importação, exceto as situações previstas em legislação específica.
2. Está sujeita a prévio de similaridade a isenção do IPI, vinculado à importação, de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e de embarcações nacionais ou ao emprego na conservação, modernização e conversão de embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), uma vez que não há na legislação específica ou em ato normativo da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) permissão para não realização do referido exame.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012
EXAME DE SIMILARIDADE. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é exigível prévio exame de similaridade, para fim de concessão do benefício da redução a 0 (zero) da alíquota da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação sobre a operação de importação de materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou pré-registradas no Registro Especial Brasileiro (REB).
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012
EXAME DE SIMILARIDADE. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é exigível prévio exame de similaridade, para fim de concessão do benefício da redução a 0 (zero) da alíquota da Cofins-Importação sobre a operação de importação de materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou pré-registradas no Registro Especial Brasileiro (REB).
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012
MULTA MORATÓRIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. EXISTÊNCIA DE MEDIDA LIMINAR PREVIAMENTE À AUTUAÇÃO. COBRANÇA APÓS TRANSCORRIDO O PRAZO DE 30 DIAS DA DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA . POSSIBILIDADE.
Se há medida liminar previamente ao lançamento de crédito tributário sub judice, não cabe a aplicação da multa de ofício ou moratória na autuação, porém, esta última será devida após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias contado da data da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição (art. 63 da Lei 9.430/1996).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA JUDICIAL. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração (Súmula CARF nº 48).
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO AO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CABIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
MANDADO DE SEGURANÇA NÃO TRANSITADO EM JULGADO. PREJUDICIALIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE.
O processo administrativo deve ter seguimento até seu desfecho final, porém a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa até o trânsito em julgado da decisão judicial definitiva.
IMPOSIÇÃO INDEVIDA DE MULTA MORATÓRIA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A imposição de multa de mora, ainda que indevida, não representa vício de nulidade do auto de infração, por não constituir afronta a qualquer requisito formal ou material do auto de infração.
CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DISTINTOS. AUTOS DE INFRAÇÃO DISTINTOS. MESMO SUJEITO PASSIVO. ÚNICO PROCESSO. CABIMENTO.
Em relação ao mesmo sujeito passivo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, por expressa previsão legal (art. 9º, § 1º, do Decreto 70.235/1972), autos de infração formalizados para exigência de cada tributo integrarão único processo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em reconhecer a concomitância para as importações realizadas a partir de 13/06/2012, em relação ao Imposto de Importação e o IPI vinculado, vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que reconhecia a concomitância de todas as operações objeto do autos. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a exigência do II e do IPI para as importações realizadas em data anterior a 13/06/2012, vencidos a Conselheira Lenisa Prado, Relatora, e os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a exigência das Contribuições para o PIS e para a Cofins e as exigências de multa de mora. Esteve presente o Dr. Leonardo V. Correia de Melo - OAB 137.721 - RJ.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lenisa Rodrigues Prado - Relatora.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em reconhecer a concomitância para as importações realizadas a partir de 13/06/2012, em relação ao Imposto de Importação e o IPI vinculado, vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que reconhecia a concomitância de todas as operações objeto do autos. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a exigência do II e do IPI para as importações realizadas em data anterior a 13/06/2012, vencidos a Conselheira Lenisa Prado, Relatora, e os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a exigência das Contribuições para o PIS e para a Cofins e as exigências de multa de mora. Esteve presente o Dr. Leonardo V. Correia de Melo - OAB 137.721 - RJ. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado - Relatora. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 ISENÇÃO DE PARTES, PEÇAS E COMPONENTES DESTINADAS A EMBARCAÇÕES NACIONAIS. REALIZAÇÃO DE EXAME DE SIMILARIDADE. OBRIGATORIEDADE. 1. Estão sujeitas ao prévio exame de similaridade as importações amparadas por isenção ou redução do imposto de importação, exceto as situações previstas em legislação específica. 2. Está sujeita a prévio de similaridade a isenção do imposto na importação de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e de embarcações nacionais ou ao emprego na conservação, modernização e conversão de embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), uma vez que não há na legislação específica ou em ato normativo da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) permissão para não realização do referido exame. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 ISENÇÃO DE PARTES, PEÇAS E COMPONENTES DESTINADAS A EMBARCAÇÕES NACIONAIS. REALIZAÇÃO DE EXAME DE SIMILARIDADE. OBRIGATORIEDADE. 1. Estão sujeitas ao prévio exame de similaridade as importações amparadas por isenção ou redução do IPI, vinculado à importação, exceto as situações previstas em legislação específica. 2. Está sujeita a prévio de similaridade a isenção do IPI, vinculado à importação, de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e de embarcações nacionais ou ao emprego na conservação, modernização e conversão de embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), uma vez que não há na legislação específica ou em ato normativo da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) permissão para não realização do referido exame. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 EXAME DE SIMILARIDADE. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é exigível prévio exame de similaridade, para fim de concessão do benefício da redução a 0 (zero) da alíquota da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação sobre a operação de importação de materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou pré-registradas no Registro Especial Brasileiro (REB). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 EXAME DE SIMILARIDADE. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é exigível prévio exame de similaridade, para fim de concessão do benefício da redução a 0 (zero) da alíquota da Cofins-Importação sobre a operação de importação de materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou pré-registradas no Registro Especial Brasileiro (REB). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 MULTA MORATÓRIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. EXISTÊNCIA DE MEDIDA LIMINAR PREVIAMENTE À AUTUAÇÃO. COBRANÇA APÓS TRANSCORRIDO O PRAZO DE 30 DIAS DA DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA . POSSIBILIDADE. Se há medida liminar previamente ao lançamento de crédito tributário sub judice, não cabe a aplicação da multa de ofício ou moratória na autuação, porém, esta última será devida após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias contado da data da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição (art. 63 da Lei 9.430/1996). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA JUDICIAL. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração (Súmula CARF nº 48). CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO AO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CABIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). MANDADO DE SEGURANÇA NÃO TRANSITADO EM JULGADO. PREJUDICIALIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. O processo administrativo deve ter seguimento até seu desfecho final, porém a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa até o trânsito em julgado da decisão judicial definitiva. IMPOSIÇÃO INDEVIDA DE MULTA MORATÓRIA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A imposição de multa de mora, ainda que indevida, não representa vício de nulidade do auto de infração, por não constituir afronta a qualquer requisito formal ou material do auto de infração. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DISTINTOS. AUTOS DE INFRAÇÃO DISTINTOS. MESMO SUJEITO PASSIVO. ÚNICO PROCESSO. CABIMENTO. Em relação ao mesmo sujeito passivo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, por expressa previsão legal (art. 9º, § 1º, do Decreto 70.235/1972), autos de infração formalizados para exigência de cada tributo integrarão único processo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 ISENÇÃO DE PARTES, PEÇAS E COMPONENTES DESTINADAS A EMBARCAÇÕES NACIONAIS. REALIZAÇÃO DE EXAME DE SIMILARIDADE. OBRIGATORIEDADE. 1. Estão sujeitas ao prévio exame de similaridade as importações amparadas por isenção ou redução do imposto de importação, exceto as situações previstas em legislação específica. 2. Está sujeita a prévio de similaridade a isenção do imposto na importação de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e de embarcações nacionais ou ao emprego na conservação, modernização e conversão de embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), uma vez que não há na legislação específica ou em ato normativo da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) permissão para não realização do referido exame. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 ISENÇÃO DE PARTES, PEÇAS E COMPONENTES DESTINADAS A EMBARCAÇÕES NACIONAIS. REALIZAÇÃO DE EXAME DE SIMILARIDADE. OBRIGATORIEDADE. 1. Estão sujeitas ao prévio exame de similaridade as importações amparadas por isenção ou redução do IPI, vinculado à importação, exceto as situações previstas em legislação específica. 2. Está sujeita a prévio de similaridade a isenção do IPI, vinculado à importação, de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e de embarcações nacionais ou ao emprego na conservação, modernização e conversão de embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), uma vez que não há na legislação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 01 11 /2 01 3- 63 Fl. 11361DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 específica ou em ato normativo da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) permissão para não realização do referido exame. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 EXAME DE SIMILARIDADE. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é exigível prévio exame de similaridade, para fim de concessão do benefício da redução a 0 (zero) da alíquota da Contribuição para o PIS/PasepImportação sobre a operação de importação de materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou préregistradas no Registro Especial Brasileiro (REB). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 EXAME DE SIMILARIDADE. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é exigível prévio exame de similaridade, para fim de concessão do benefício da redução a 0 (zero) da alíquota da Cofins Importação sobre a operação de importação de materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou préregistradas no Registro Especial Brasileiro (REB). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 MULTA MORATÓRIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. EXISTÊNCIA DE MEDIDA LIMINAR PREVIAMENTE À AUTUAÇÃO. COBRANÇA APÓS TRANSCORRIDO O PRAZO DE 30 DIAS DA DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA . POSSIBILIDADE. Se há medida liminar previamente ao lançamento de crédito tributário sub judice, não cabe a aplicação da multa de ofício ou moratória na autuação, porém, esta última será devida após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias contado da data da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição (art. 63 da Lei 9.430/1996). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA JUDICIAL. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração (Súmula CARF nº 48). CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO AO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CABIMENTO. Fl. 11362DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.362 3 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). MANDADO DE SEGURANÇA NÃO TRANSITADO EM JULGADO. PREJUDICIALIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. O processo administrativo deve ter seguimento até seu desfecho final, porém a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa até o trânsito em julgado da decisão judicial definitiva. IMPOSIÇÃO INDEVIDA DE MULTA MORATÓRIA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A imposição de multa de mora, ainda que indevida, não representa vício de nulidade do auto de infração, por não constituir afronta a qualquer requisito formal ou material do auto de infração. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DISTINTOS. AUTOS DE INFRAÇÃO DISTINTOS. MESMO SUJEITO PASSIVO. ÚNICO PROCESSO. CABIMENTO. Em relação ao mesmo sujeito passivo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, por expressa previsão legal (art. 9º, § 1º, do Decreto 70.235/1972), autos de infração formalizados para exigência de cada tributo integrarão único processo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em reconhecer a concomitância para as importações realizadas a partir de 13/06/2012, em relação ao Imposto de Importação e o IPI vinculado, vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que reconhecia a concomitância de todas as operações objeto do autos. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a exigência do II e do IPI para as importações realizadas em data anterior a 13/06/2012, vencidos a Conselheira Lenisa Prado, Relatora, e os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a exigência das Contribuições para o PIS e para a Cofins e as exigências de multa de mora. Esteve presente o Dr. Leonardo V. Correia de Melo OAB 137.721 RJ. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Relatora. Fl. 11363DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório A questão tem início em procedimento de fiscalização1 sobre as importações registradas pela contribuinte no período de outubro/2008 a dezembro/2012, oportunidade em que foi constatado que: "em diversas declarações de importação (DI), registradas pela fiscalizada no período de outubro de 2008 a dezembro de 2012, o imposto de importação e demais tributos incidentes na importação equivocadamente não foram devidamente recolhidos. Entretanto, estes tributos deveriam ter sido pagos integralmente, já que houve descumprimento dos requisitos e condições para fruição das isenções ou das reduções pleiteadas pelo importador" (fl. 7619 grifos no original). A conclusão a que chegou o fiscal resultou na lavratura de auto de infração para a constituição de crédito referente aos tributos próprios de importação (II, IPI, PIS e COFINS Importação) cominado com incidência de juros de mora e multa de ofício, importando na exigência de R$ 18.258.236,45. Cientificada sobre o referido lançamento, o contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 10169/10214), oportunidade na qual alega, em síntese: O único fundamento utilizado pelo fiscal para determinar a constituição do crédito tributário foi que "deveria ter sido realizado o exame de similaridade para fins de garantia da isenção e da redução a zero em relação aos tributos incidentes sobre as importações realizadas pela contribuinte". Tal assertiva foi arrimada nas Leis n. 8.032/90, 8.402/92 e 9.493/97, e no Regimento Aduaneiro (Decretos n. 4.543/02 e 6.759/09); Existe mandado de segurança coletivo2 impetrado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima SYNDARMA que tramita perante a Seção Judiciária do Distrito Federal. Em agravo de instrumento interposto no mandamus foi decretada a suspensão da exigibilidade dos valores relativos ao II e IPI sobre as "importações em curso e daquelas feitas durante a demanda"; O exame de similaridade para fins de fruição da isenção e redução das alíquotas dos tributos exigidos é o objeto do mandado de segurança informado, motivo pelo há de ser reconhecida a prejudicialidade deste processo administrativo em face ao judicial. Assim, este processo deve ser suspenso, em atenção à regra inserta no § 5º do art. 265 do Código de Processo Civil; 1 Inaugurado pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal n. 04/2013 (fl. 7647). 2 Mandado de Segurança n. 0028166.42.2012.4.01.3400, impetrado em 13/06/2012, em trâmite perante a 4ª Vara Federal. Fl. 11364DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.363 5 Não houve o reconhecimento de que parte dos créditos tributários deveriam "ter sido constituídos com exigibilidade suspensa" o que afastaria a imposição da multa punitiva (art. 63 da Lei n. 9.430/96); "Ao reunir créditos tributários com exigibilidade plena com outros, com exigibilidade suspensa, a D. Autoridade Fiscal faz verdadeira confusão, tanto que procedeu com o lançamento da multa de mora em face de créditos tributários com exigibilidade suspensa". A 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) converteu o julgamento da impugnação em diligência (fls. 10552/10567), a fim de que fossem confeccionadas duas tabelas de demonstrativos de cálculo, as quais deveriam apresentar: TABELA I Constituída pelo total (soma dos créditos tributários) até a data de 13/06/2012, com separação por tributo e respectiva incidência da multa de ofício e juros de mora; TABELA II Constituída pelo total (soma dos créditos tributários) a partir da data de 13/06/2012 (inclusive), com separação por tributo e respectiva incidência da multa de ofício e juros de mora. A Turma julgadora esclarece que "os créditos tributários da TABELA I receberão o julgamento referentes às PRELIMINARES e do MÉRITO, consoante às alegações apresentadas na impugnação". Já os créditos tributários resultantes da TABELA II "estarão acobertados pela CONCOMITÂNCIA" (fl. 10567). Após ultimada a diligência fiscal3, a contribuinte apresentou nova impugnação (10575/10618), onde reconhece ter renunciado na esfera administrativa sobre os questionamentos acerca dos valores relativos ao II e IPI, uma vez que essa discussão está sendo travada nos autos do mandado de segurança já mencionado. Contudo, ressalta a contribuinte, "aquela medida judicial não faz menção ao PISImportação e a COFINSImportação, motivo pelo qual a concomitância vislumbrada é apenas parcial, e não total" (fl. 10578). A 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo julgou improcedente a impugnação em acórdão assim ementado: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 01/06/2012 Fruição das isenções ou das reduções de tributos devidos em importações, concedidas a partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações. O regime somente beneficia mercadoria sem similar nacional. 3 Consta no despacho de encaminhamento a seguinte ressalva:"Por oportuno, ressaltase que cobramos os tributos renunciados com base no estabelecido no art. 12 do DecretoLei n. 37/66; e arts. 118 e 120 do Decreto n. 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro RA); acrescidos dos juros e da multa de mora, que não apresenta caráter punitivo, mas deixamos de propor a aplicação de qualquer multa de ofício por vedação expressa do inciso II do artigo 155 do CTN e artigo 121 do Decreto n. 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro)" (fl. 10572 grifos no original). Fl. 11365DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 Concomitância. O objeto do Mandado de Segurança Coletivo é específico para a exigência do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados. O presente Auto de Infração exige multa de mora. Inaplicável a legislação invocada, por se referir à multa de ofício. De acordo com a legislação, a isenção do imposto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado. Estão sujeitas ao licenciamento não automático as importações amparadas por benefícios fiscais isenção ou redução do imposto de importação. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, motivo pelo qual os autos do processo ascenderam a este Conselho. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, Relatora. A contribuinte foi cientificada sobre o teor do acórdão proferido pela instância de origem em 9/5/2014 (aviso de recebimento postal à folha 11122) e tempestivamente interpôs o recurso voluntário em 10/6/2014, motivo pelo qual tomo conhecimento sobre as razões contidas no apelo. 1. PRELIMINARES: 1.a) Sobre o Mandado de Segurança Coletivo impetrado em favor do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima. Concomitância. Multa de mora. A recorrente trouxe em sua impugnação a cópia da petição inicial do Mandado de Segurança Coletivo n. 0028166.42.2012.4.01.3400 (fls. 10290/10314), impetrado em 13/6/20124. O mandamus foi impetrado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima SYNDARMA5, contra futuros atos a serem praticados pelo Secretário da Receita Federal do Brasil e pelo Coordenador Geral da Administração Aduaneira COANA. Em liminar foi requerido que: 4 Vale lembrar que o Auto de Infração se refere ao período de outubro/2008 a dezembro/2012. 5 A contribuinte Empresa de Navegação Elcano S.A é listada como empresa associada do Syndarma (Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima). Essa informação foi obtida no seguinte endereço eletrônico: http://www.syndarma.org.br/associadas.php Fl. 11366DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.364 7 "(i) em relação às importações em curso, e àquelas que venham a ser feitas ao longo desta ação, proibir as d. Autoridades Impetradas de exigir das Afiliadas do Impetrante, em todo o território nacional, a comprovação da inexistência de similar nacional de partes, peças e componentes destinados ao emprego na revisão, reparo, manutenção, conservação, modernização e conservação de embarcações, sem prejuízo do atendimento das demais condições previstas nas Leis n. 8.032/90 e 9.493/97; e (ii) determinar, via de consequência, o desembaraço dos bens importados nessas hipóteses, caso venham a ser objeto da ilegal exigência aqui combatida e seja ela a única causa para a não liberação das mercadorias" (fl. 10312 grifos no original). No mérito o sindicato autor requereu: "(a) declarar o direito líquido e certo as Afiliadas do Impetrante a importar, com isenção de II e IPI, partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção, assim como à conservação, modernização e conversão de suas embarcações, sem a necessidade de comprovação da inexistência de similar nacional, desde que atendidas às condições específicas previstas na Lei n. 8.032/90 e na Lei n. 9.493/97 e esmiuçadas nos artigos 174 e 181 do Regulamento Aduaneiro;e (b) por conseqüência, anular os autos de infração e/ou demais atos de fiscalização/cobrança já lavrados contra as Afiliadas do Impetrante para exigir o pagamento do II e do IPI, haja vista que as operações são isentas dos referidos tributos nos termos das Leis n. 8.032/90 e 9.493/97". (fls. 10313/10314) Em 7/8/2012 foi proferida decisão6 em que foi provido o Agravo de Instrumento n. 004446342.2012.4.01.00007, oriundo do mandado de segurança acima mencionado, para "determinar a suspensão da exigibilidade dos valores referentes ao II e IPI incidentes sobre as importações em curso e àquelas que venham a ser feitas ao longo do trâmite desta ação pelas filiadas do Sindicato autor, bem como para que sejam adotados todos os procedimentos para o regular desembaraço aduaneiro das mercadorias, independentemente do pagamento dessas exações, desde que o único óbice seja a referida exigência" (fl. 10324 grifos nossos). Os fundamentos acolhidos na decisão proferida no agravo de instrumento foram, no que interessa, os seguintes: "As condições para a isenção do II e do IPI estão descritas no art. 136, II, "i" (art. 2º, II, "j" da Lei n. 8.032/1990, e art. 1º, inciso IV, da Lei n. 8.402/1992) e "q" (art. 11 da Lei n. 6 Decisão monocrática encontrada às folhas 10316/10325 dos autos eletrônicos. Cópia da petição do agravo de instrumento de onde se extraiu a decisão está às folhas 10330/ 10361. 7 Contra essa decisão foi interposto agravo regimental ainda não julgado pela 8ª Turma do TRF1. Cumpre informar que existe apelação interposta sobre a decisão denegatória proferida pela 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, que aguarda julgamento. Dessa forma vige, até a presente data, a decisão proferida no Agravo de Instrumento n. 004446342.2012.4.01.0000. Fl. 11367DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 8 9.493/1997); art. 174 (Decreto 7.044/2009); e, art. 181 (art. 11 da Lei n. 9.493/1997), todos do Regulamento Aduaneiro Decreto 6.759/2009 (...)". "Dentre as condições estabelecidas na lei não há menção expressa quanto à necessidade de comprovação da inexistência de similar nacional para efeito da aplicação da norma isentiva. Destaco que o Decreto 7.212/2010, que regulamenta a cobrança, fiscalização, arrecadação e administração do IPI, também não previu a apuração da similaridade como condição para usufruto da isenção, exigiu, tãosomente, que tais serviços sejam realizados em estaleiros navais brasileiros, conforme redação do art. 11 da Lei n. 9.493/1997". O Termo de Início e Intimação Fiscal n.04/2013 que deu início a autuação dos autos foi lavrado em 03/01/2013. Consta no Relatório de Fiscalização anexo ao Auto de Infração que a lavratura do auto de infração se deu porque: "De acordo com a legislação vigente à época das importações fiscalizadas, o regime de isenção em questão somente beneficiaria mercadoria sem similar nacional (DecretoLei n. 37, de 1966, art. 17). Sendo assim, foram selecionadas as Declarações de Importação (DI) registradas pelo importador para as quais não foram encontradas licenças de importação (LI) vinculadas que atestassem a realização do exame de similaridade legalmente exigido. Tal fato foi confirmado por esta fiscalização, conforme será demonstrado adiante". (fl. 10262 grifos no original). Estão sendo exigidos no auto de infração objeto do processo administrativo sob julgamento todos os tributos incidentes sobre todas as importações de partes e peças realizadas pela recorrente no período de outubro/2009 a dezembro/2012, o que corresponde às seguintes cifras: IPI R$ 3.412.270,31 II R$ 8.122.445,97 PIS R$ 1.199.309,08 COFINS R$ 5.524.211,09 A instância de origem reconheceu que o questionamento entabulado nos autos do mandado de segurança abarca parcialmente os créditos tributários inseridos no auto de infração sob análise. Sobre essa conclusão não existem reparos a fazer. Assim, remanescem sob discussão os créditos de II, IPI, PIS/COFINS Importação constituídos até 13/6/2012, bem como a multa moratória decorrente. Os créditos objeto do processo sob julgamento foram listados pelo Serviço de Fiscalização Aduaneira 1 (Sefia 1/EAD 1) na Tabela I abaixo reproduzida: Tabela I Total dos Créditos tributários até 13/06/2012 Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) Imposto R$ 1.970.985,46 Juros de Mora R$ 481.297,43 MULTA DE MORA R$ 394.197,09 Valor do Crédito Apurado R$ 2.846.479,98 Imposto de Importação (II) Imposto R$ 4.643.553,64 Fl. 11368DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.365 9 Juros de Mora R$ 1.071.017,89 MULTA DE MORA R$ 928.710,73 Valor do Crédito Apurado R$ 6.643.282,26 Programa de Integração Social (PIS) Contribuição R$ 692.548,58 Juros de Mora R$ 160.284,72 MULTA DE MORA R$ 143.543,77 Valor do Crédito Apurado R$ 991.343,03 Contribuição p/Financiamento S. Social (COFINS) Contribuição R$ 3.189.920,01 Juros de Mora R$ 738.382,29 MULTA DE MORA R$ 637.983,97 Valor do Crédito Apurado R$ 4.566.286,27 Credito Tributário Total R$ 15.047.391,54 Apesar de reconhecer a existência de decisão proferida em sede de mandado de segurança, o que afasta a exigibilidade do montante lançado no auto de infração, a instância de origem indefere o pedido do cancelamento da cobrança da multa de mora, essa prevista no art. 61 da Lei n. 9.430/1996. É fato incontroverso que a contribuinte está amparada por decisão judicial favorável, vigente até a presente data. Desse modo, entendo que a situação dos autos se enquadra e está submetida a regra dos §§ 1 e 2º do art. 63, da Lei n. 9.430/96: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento da multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição de ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou a contribuição. Ressalto que não há se aventar a aplicação do verbete n. 5 da Súmula CARF8 a hipótese dos autos, já que o auto de infração questionado é posterior a impetração do mandado de segurança, o que, ao meu ver, afasta a premissa inicial que é a do tributo devido, passível de exigência a partir de seu vencimento. 8 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa a sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 11369DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 10 O artigo 125 do Código Civil/2002 (aplicado subsidiariamente ao CTN) esclarece que diante de condição suspensiva que na hipótese dos autos é a existência da decisão judicial favorável à pretensão do contribuinte enquanto esta não se consolidar, não se terá adquirido o direito do Fisco em exigir o pagamento do tributo. É pressuposto do exame de validade da exigência da multa de mora perquirir a validade da própria exigibilidade do imposto de importação. Não se pode validar multa ou acréscimo moratório por suposto inadimplemento se o imposto de que se trata não é exigido. Ninguém pode ser sancionado por descumprimento de exigência ilegal. Ilegal o tributo, ilegal seus consectários. Evidente, portanto, a relação de prejudicialidade entre a matéria multa e acréscimos moratórios e a matéria da exigibilidade do imposto de importação na hipótese dos autos. Pois, caso acolhida a pretensão deduzida perante o Poder Judiciário quanto à alegação de ilegalidade da cobrança do imposto de importação, igual destino deverá ter a apreciação da legalidade da multa e acréscimo moratório sancionador do eventual inadimplemento daquele imposto. Do mesmo modo, se o Judiciário concluir pela regularidade da pretensão fiscal referentes aos tributos, vinculado a esta decisão estará este Conselho, sob pena de, por absurdo completo, verse o contribuinte onerado pelo Judiciário e desonerado pelo Executivo. Trago a conhecimento precedente exarado por este Conselho em situação análoga aos fatos narrados nos autos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 07/11/2011 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível, apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 07/11/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. MULTA DE MORA. AÇÃO JUDICIAL. DECISÃO ANTERIOR AO FATO IMPONÍVEL. No caso de propositura de ação judicial é afastada a multa de mora sobre o crédito tributário, no período que vai da concessão da medida judicial até 30 dias após a data da publicação da decisão que considerar devido o tributo.(Processo Fl. 11370DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.366 11 Administrativo n. 15771.722007/201193, Acórdão n. 3803 006.474, 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamentos, sessão de 17/09/2014). Deste modo, somente será devida a multa de mora caso a decisão judicial hoje vigente seja reformada, e, somente, se o contribuinte não recolher o montante devido no prazo de 30 após a data da decisão judicial que considerar devido o tributo. 1.b) Auto de Infração. Exigência de créditos tributários suspensos e exigíveis. Prejuízo ao contribuinte. Art. 59, inciso II, do Decreto n. 70.235/192. A ora recorrente se insurge contra a reunião, em um único auto de infração, dos créditos tributários com exigibilidade plena e aqueles com exigibilidade suspensa, ao argumento que essa cobrança resulta em prejuízo para a sua defesa, o que ensejaria a decretação da nulidade do auto de infração, diante do que dispõe o art. 59 do Decreto n. 70.235/1972, o qual transcrevo: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará asa providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta". A Lei n. 9.784/1999 traz em seu artigo 55 o seguinte texto: "Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que representarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração". Da leitura das normas acima transcritas, percebese que o alegado prejuízo sofrido pela ora recorrente não é hipótese de anulação do ato administrativo. Em sentido oposto a interpretação conferida pelo contribuinte, percebese que a intenção do legislador é aproveitar o ato administrativo, ainda que eivado de nulidade, mas esvaziando o seu potencial ofensivo. A pretendida anulação do auto de infração esbarra em um potencial prejuízo ao erário, já que os créditos lançados contra o contribuinte são objeto de processos em duas instâncias, o que implica na possibilidade que esses créditos venham a ser reconhecidos tanto na via judicial quanto na administrativa. Fl. 11371DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 12 Por ser pertinente ao ponto aqui discutido, trago a baila o entendimento de Ada Pellegrini Grinover 9: "A decretação de nulidade implica perda de atividade processual já realizada, transtornos ao juiz e às partes e demora na prestação jurisdicional almejada, não sendo razoável, dessa forma, que a simples possibilidade de prejuízo dê lugar à aplicação da sanção; o dano deve ser concreto e efetivamente demonstrado em cada situação" Desse modo, entendo que não merece prosperar a pretensão da recorrente em anular o ato administrativo sob julgamento. 1.c) Prejudicialidade do Processo Administrativo. Mandado de Segurança ainda não transitado em julgado. A recorrente aduz outra questão preliminar, a qual transcrevo: "Há, ainda, uma questão de prejudicialidade que deveria ter sido reconhecida na esfera administrativa, vez que o pedido principal formalizado nos autos do Mandado de Segurança Coletivo, em caso de concessão de segurança de forma definitiva, terá o condão de determinar o cancelamento dos valores constituídos no Auto de Infração em epígrafe em relação ao 'II' e ao 'IPI'. A mesma conclusão deverá ser verificada em face do 'PIS/PASEP Importação' e da 'COFINSImportação', vez que estes somente foram exigidos por suposta infringência àqueles impostos incidentes sobre a importação, especificamente no que se refere à suposta exigência de exame de similaridade" (fl. 11127). No entanto, o auto de infração foi lavrado com escopo (dentre outros) de prevenir a decadência do crédito tributário, uma vez que sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e não houve o reconhecimento do direito pleiteado pela Autoridade Aduaneira. Desse modo, é correto afirmar que o auto de infração é forma válida para a constituição do crédito, já que seu conteúdo esta adstrito unicamente ao lançamento. Ademais, o Decreto n. 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, é regido pelo princípio da oficialidade10, que obriga a administração a impulsionar o processo até a decisão final. Portanto, por força do citado princípio, o processo administrativo deve ter seguimento até o desfecho final, porém a exigibilidade do crédito tributário deverá ficar suspensa, até o trânsito em julgado da decisão judicial definitiva. Da leitura do pedido formulado no mandado de segurança, percebese que a própria recorrente reconhece a necessidade da ultimação do processo judicial para a suspensão do processo administrativo. É o que se extrai do seguinte trecho: "(ii) a procedência do pedido, confirmandose a medida liminar pleiteada, se concedida, e concedendose a segurança para: (a) declara o direito líquido e certo das Afiliadas do Impetrante a importar, com isenção de II e de IPI, partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção, assim como à conservação, modernização e conversão de suas 9 GRINOVER, Ada Pellegrini e outros. As Nulidades no Processo Penal, 6ª ed., RT, São Paulo, 1997, p. 26/27. 10 A abordagem sobre o princípio da oficialidade foi inspirada no voto condutor do Acórdão n. 3102002.246, proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fl. 11372DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.367 13 embarcações, sem a necessidade de comprovação da inexistência de similar nacional, desde que atendidas às condições específicas previstas na Lei n. 8.032/90 e na Lei n. 9.493/97 e esmiuçadas nos artigos 174 e 181 do Regulamento Aduaneiro; e (b) por conseqüência, anular os autos de infração e/ou demais atos de fiscalização/cobrança já lavrados contra as Afiliadas do Impetrante para exigir o pagamento do II e do IPI, haja vista que as operações são isentas dos referidos tributos nos termos das Leis n. 8.032/1990 e 9.493/1997" (fls. 10313/10314). Assim, não há como reconhecer a prejudicialidade do processo administrativo em tela. 2. MÉRITO: 2.a) IPI e II. Isenção. Similaridade com produto nacional. Normas aplicáveis. São informações extraídas do Relatório de Fiscalização Anexo ao Auto de Infração: "De acordo com a legislação vigente à época das importações realizadas, o regime de isenção em questão somente beneficiaria mercadoria sem similar nacional (Decreto Lei n. 37, de 1966, art. 17). Sendo assim, foram selecionadas as Declarações de Importação (DI) registradas pelo importador para as quais não foram encontradas licenças de importação (LI) vinculadas que atestassem a realização do exame de similaridade legalmente exigido. Tal fato foi confirmado por esta fiscalização, conforme será demonstrado adiante" (fl. 7620 grifos no original). "De acordo com o caput do artigo 17 do DecretoLei n. 37/66, a isenção do imposto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado; e no parágrafo único deste mesmo artigo são apresentadas as exceções, onde no inciso I, combinado com o inciso VII do artigo 15 deste mesmo DecretoLei, fica concedida a isenção do imposto de importação aos materiais de reposição e conserto para uso em embarcações ou aeronaves estrangeiras." (fl. 7625 grifos no original). "Assim, ante os requisitos e condições expressos na Lei n. 8.032/90 e na legislação que regulamenta as isenções pleiteadas, percebese que a empresa importadora não cumpriu os requisitos e condições legalmente previstos, não fazendo jus aos benefícios fiscais de isenção do Imposto de Importação (II) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI Importação), bem como ao benefício da redução de alíquota do PIS Importação e da COFINS Importação para nenhuma das mercadorias constantes das DIs objeto desta autuação, Fl. 11373DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 14 destinadas às embarcações já identificadas, de bandeira brasileira, consoante disposição dos artigos 118, 120 e 201 do Decreto n. 6.759/09" (fl. 7630 grifos no original). Verificase do trecho acima transcrito que a autuação fiscal se deu exclusivamente pela inexistência das licenças de importação que comprovassem a realização do exame de similaridade. Não há qualquer menção sobre eventual destinação incorreta do bem importado. Ao julgar as alegações trazidas pelo contribuinte na impugnação oferecida sobre a exigência tributária, a instância de origem assentiu com a conclusão a que chegou o fiscal autuante, ao acolher os seguintes argumentos: "O exame de similaridade é mecanismo de apoio à indústria nacional há muito existente, tendo sido instituído pelo Decreto Lei n.37/66, conforme artigos 17 a 21". "De acordo com o caput do artigo 17 do DecretoLei n. 37/66, a isenção do imposto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado; e no parágrafo único deste mesmo artigo são apresentadas as exceções, onde no inciso I, combinado com o inciso VII do artigo 15 deste mesmo DecretoLei, fica concedida a isenção do imposto de importação aos materiais de reposição e conserto para uso em embarcações ou aeronaves estrangeiras. A interpretação literal dos dispositivos acima apresentados não deixa nenhuma dúvida de que a isenção do imposto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, estando excluídos desta condição os materiais de reposição e conserto para uso de embarcações ou aeronaves, estrangeiras. Portanto, concluise que materiais de reposição e conserto para uso de embarcações ou aeronaves, nacionais, não estão excluídas do disposto no caput do artigo 17, ou seja, no caso de produtos destinados a navios brasileiros, só estão isentos do imposto de importação os produtos sem similar nacional". Diante dos motivos que ensejaram a autuação fiscal e os adotados no acórdão ora recorrido, é imprescindível analisar a legislação vigente e pertinente. DecretoLei n. 37/1966 (dispõe sobre o imposto de importação, reorganiza os serviços aduaneiros e dá outras providências) Art. 17 A isenção do imposto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado. Parágrafo único. Excluemse do disposto neste artigo: I Os casos previstos no artigo 13 e nos incisos IV a VIII do artigo 15 deste decretolei e no artigo 4º da Lei n. 3.244, de 14 de agosto de 1957. Art. 15 É concedida isenção do imposto de importação nos termos, limites e condições estabelecidos no regulamento: VII aos materiais de reposição e conserto para uso de embarcações ou aeronaves, estrangeiras. Fl. 11374DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.368 15 Lei n. 8.032/1990 (dispõe sobre a isenção ou redução do imposto de importação e dá outras providências). Art. 2º As isenções e reduções do Imposto de Importação ficam limitadas, exclusivamente: II aos casos de: j) partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações. Decreto 6.759/2009 (que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, controle e tributação das operações de comércio exterior). Art. 118. Observadas as exceções previstas em lei ou neste Decreto, a isenção ou a redução do imposto somente beneficiará mercadoria sem similar nacional e transportada em navio de bandeira brasileira. Art. 201. São dispensados da apuração de similaridade: V partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão e manutenção de aeronaves ou embarcações, estrangeiras. Constatase, da leitura da legislação acima transcrita, que a isenção tributária reclamada pela ora recorrente é benefício fiscal concedido subjetivamente ao importador11, não sendo obrigatória a comprovação de similaridade. Os requisitos são os mesmos, desde a edição do DecretoLei n. 37/1966. Não pode a Autoridade Aduaneira, no exercício de suas funções, ampliar a lista dos requisitos para fruição da redução/isenção das alíquotas de tributos incidentes na importação, sob pena de ofensa ao art. 111, II, do CTN e ao art. 113 do Decreto n. 4.543/2002, que especificamente aduz que "interpretarseá literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre a outorga de isenção ou de redução do Imposto de Importação" . É nesse mesmo sentido o pronunciamento da Superintendência Regional da Receita Federal da 8ª Região, o qual reproduzo: Processo de Consulta n. 273/05 Superintendência Regional da Receita Federal SRRF/ 8ª RF IMPORTAÇÕES. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. AERONAVES E EMBARCAÇÕES. Devese interpretar literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre a outorga de isenção ou redução do Imposto de Importação. A isenção à importação de partes, peças e 11 Entendimento partilhado pela Superintendência Regional da Receita Federal da 8º Região no Processo de Consulta n. 308/99, que traz a seguinte ementa: "Ementa: COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS, PARA MERCADORIAS IMPORTADAS COM ISENÇÃO. A concessão de isenção para partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações sujeitase à comprovação da quitação de tributos e contribuições de que trata o art. 60 da Lei n. 9.069/1995, visto tratarse de benefício fiscal concedido subjetivamente ao importador, não se enquadrando no Ato Declaratório Normativo COSIT n. 7/1998". Fl. 11375DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 16 componentes será reconhecida somente aos bens destinados a reparo, revisão e manutenção de aeronaves e de embarcações, efetivamente utilizadas no transporte comercial de cargas ou de passageiros, descabendo o benefício fiscal se tais partes, peças e componentes se destinarem à aplicação em aeronaves e em embarcações novas e potencialmente utilizáveis no transporte comercial de cargas ou de passageiros. Dispositivos legais: art. 111, inciso II, da Lei n. 5.172, de 1966; art. 113, 135, inciso II, "i" e '172 do Decreto n. 4.543, de 2002; Lei n. 8.032/90, art. 2º, inciso II, "j", e 3º, Lei n. 8.402/92, art. 1º, inciso IV. Ademais, quando diante de um aparente conflito entre norma geral e lei específica, a LICC (DecretoLei n. 4.657/1942), no §2º do seu artigo 2º impõe que se adote o critério da especialidade, o que resulta na prevalência da legislação específica, que na hipótese dos autos é o Regulamento Aduaneiro. Diante do exposto, concluo que a exigência feita pela Autoridade Aduaneira que fossem apresentadas as licenças de importação que comprovassem a realização do exame de similaridade do produto importado não encontra arrimo na legislação pertinente, de modo que, nesse ponto, o auto de infração há ser cancelado. 2.b) Redução das alíquotas de PIS/COFINS Importação condicionadas aos requisitos concessivos da isenção do IPI e II. Ao considerar que a recorrente não havia preenchidos os requisitos para a fruição do benefício fiscal (isenção do II e IPI), o fiscal lavrou a exigência também sobre PIS/COFINS Importação, ante a seguinte lógica: "O artigo n° 120 do Decreto n° 6.759/2009 (RA) estabelece o pagamento dos TRIBUTOS ao beneficiário no caso de descumprimento dos requisitos e das condições para fruição das ISENÇÕES OU DAS REDUÇÕES, que deixarem de ser recolhidos na importação. E a definição de Tributos estabelecida no artigo 3° do CTN, alcança as contribuições, neste caso, os Programas Social e de Formação do Patrimônio do servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação. Para dirimir qualquer dúvida que possa pairar sobre a cobrança destas contribuições no caso de descumprimento dos requisitos e das condições para fruição das isenções ou das reduções destes tributos faremos breve histórico da legislação correspondente. A Lei n° 10.865/2004 instituiu, a partir de 1° de maio de 2004, a Contribuição para os Programas Social e de Formação do Patrimônio do servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Fl. 11376DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.369 17 Exterior COFINSImportação, tendo definido como fato gerador a entrada de bens estrangeiros no território nacional. A base de cálculo das citadas contribuições foi definida como o valor que serviu de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições. Sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior, o caput do artigo 8° da Lei 10.865/2004 determina a aplicação de uma alíquota de 1,65% para o PIS/PASEPImportação e de uma alíquota de 7,6% para a COFINSImportação, sendo estabelecidas, nos parágrafos que compõem esse mesmo artigo 8°, alíquotas diferenciadas para as mercadorias ali relacionadas. Especificamente em relação aos bens objeto das importações em estudo, o artigo 8°, § 12, inciso VII, da Lei n° 10.865/2004, alterado pela Lei 11.774/2008, estabelecia que: Lei 10.925/2004 Art. 8°(...) § 12. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas das contribuições, nas hipóteses de importação de: I materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou préregistradas no Registro Especial Brasileiro; ( Redação dada pela Lei n° 11.774, de 17 de setembro de 2008 ). (Grifamos). Utilizando a prerrogativa expressa no artigo 8°, § 13, inciso II, da Lei n° 10.865/2004, que dispõe que o Poder Executivo regulamentará a utilização do benefício da alíquota 0 (zero) de que tratam os incisos I a VII do § 12 deste artigo, o Presidente da República fez publicar o Decreto n° 5.171, de 6 de agosto de 2004, que assim dispunha: Art.4o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINSImportação nas operações de importação de: I materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou préregistradas no Registro Especial Brasileiro; (Redação dada pelo Decreto n° 6.887, de 25 de junho de 2009) Como se vê, de forma semelhante à isenção dos impostos de importação e sobre produtos industrializados analisada anteriormente, os textos das Leis n° 10.865/2004 e n° 10.925/2004 e do Decreto n° 5.171/2004 revelam claramente que essas reduções de alíquotas do PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação também estavam, inicialmente, condicionadas única e exclusivamente à destinação dos bens. Somente materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, Fl. 11377DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 18 conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou préregistradas no Registro Especial Brasileiro, e como demonstrado nos itens 4.1 e 5.1 deste Relatório, a ELCANO não cumpriu requisitos e condições para fruição da isenção e redução dos tributos incidentes na importação". (fls. 7640/7643 grifos no original) No entanto, como já dito no capítulo anterior, não existe previsão legal para a exigência de comprovação de semelhança do produto importado com produto nacional. Essa constatação surge da leitura das normas que regem as contribuições em comento. A Lei n. 10.865/2004, no seu artigo 8º, § 12. inciso I, reduz a zero as alíquotas das contribuições, nas hipóteses de importação de partes, peças e componentes destinados ao emprego na conservação, modernização e conversão das embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro (inciso I). Tal redução foi mantida na Lei n. 11.774/2008 e também no Decreto n. 5.171/2004, os quais seguem in verbis: Lei n. 11.774/2008 Art. 3º Os arts. 8º, 28 e 40 da Lei n. 10.865, de 30 de abril de 2004, passam a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 8 (...) § 12 (...) I materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou préregistradas no Registro Especial Brasileiro. Art. 28. X materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou préregistradas no Registro Especial Brasileiro. Decreto n. 5.171/2004 (com a redação conferida pelo Decreto n. 5.268/2004) Art. 4º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação nas operações de importação de: I materiais e equipamentos, inclusive partes, peças e componentes, destinados ao emprego na construção, conservação, modernização, conversão ou reparo de embarcações registradas ou préregistradas no Registro Especial Brasileiro (Redação dada pelo Decreto n. 6.887, de 2009). Fl. 11378DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.370 19 Assim, entendo que não há de prosperar a autuação fiscal, devendo esta ser cancelada. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração no que concerne a cobrança dos créditos de II, IPI, PIS/COFINS Importação constituídos até 13/6/2012. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Com base no bem elaborado relatório da nobre Conselheira Relatora, verificase que a controvérsia cingese a questões preliminares, prejudicial de mérito e de mérito. Em relação às questões preliminares e prejudicial de mérito, este Relator está de acordo com as conclusões apresentadas pela i. Relatora, mas, com a devida vênia, discorda de parte dos fundamentos apresentados. Por essa razão, em relação às referidas questões, para melhor compreensão das razões da discordância, este Relator apresenta, a seguir, declaração de voto. Dada essa circunstância, neste voto serão apreciadas apenas as questões de mérito. Da análise da questão de mérito. No mérito, o cerne da presente controvérsia cingese à questão atinente à necessidade da anotação de inexistência de similar nacional no documento ou no registro informatizado de importação pelo órgão competente (o DECEX), para que a recorrente pudesse fazer jus aos benefícios da isenção do II e do IPI e da redução da alíquota a zero da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação, relativos às importações de materiais de reposição e conserto para uso de embarcações ou aeronaves nacionais, realizadas no período de outubro de 2008 a dezembro de 2012. Em relação ao II e ao IPI, em 13/6/2012, por meio do Mandado de Segurança Coletivo nº 0028166.42.2012.4.01.3400, impetrado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima, ao qual a recorrente é filiada, a matéria foi submetida ao crivo do Poder Judiciário, cujo objeto da demanda pode ser extraído a partir do teor dos pedidos formulados na petição inicial (fls. 10290/10314), formulados em caráter liminar e definitivo, nos termos a seguir transcritos: (i) a concessão da medida liminar, para: a) em relação às importações em curso e àquelas que venham a ser feitas ao longo desta ação, e para fins de outorga da isenção do II e do IPI e desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, determinar que as d. Autoridades Impetradas abstenhamse de exigir das Afiliadas do Impetrante a comprovação da inexistência de similar nacional de partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão, manutenção, Fl. 11379DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 20 conservação, modernização e conversão de suas embarcações, sem prejuízo do atendimento às exigências previstas nas Leis nos 8.032/90 e 9.493/97 e nos artigos 174 e 181 do Regulamento Aduaneiro, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário relativo aos tributos supostamente devidos nos termos do inciso IV do artigo 151 do CTN: e b) determinar o desembaraço dos bens importados nessas hipóteses, caso o único óbice seja a ilegal exigência aqui combatida. (ii) a procedência do pedido, confirmandose a medida liminar pleiteada, se concedida, e concedendose a segurança para: (a) declarar o direito líquido e certo das Afiliadas do Impetrante a importar, com isenção de II e IPI, partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção, assim como à conservação, modernização e conversão de suas embarcações, sem a necessidade de comprovação da inexistência de similar nacional, desde que atendidas às condições específicas previstas na Lei n° 8.032/90 e na Lei n° 9.493/97 e esmiuçadas nos artigos 174 e 181 do Regulamento Aduaneiro; e (b) por conseqüência, anular os autos de infração e/ou demais atos de fiscalização/cobrança já lavrados contra as Afiliadas do Impetrante para exigir o pagamento do II e IPI, haja vista que as operações são isentas dos referidos tributos nos termos das Leis n°s 8.032/90 e 9.493/97. (grifos não originais) Da simples leitura dos textos transcritos, verificase que a demanda visa a obtenção de provimento judicial no sentido de dispensar os filiados do impetrante da necessidade de comprovação da inexistência de similar nacional dos produtos por eles importados no curso da ação e, em consequência, anular os autos de infração já lavrados. Também ratifica o objeto da referida ação judicial, o teor da primeira e da segunda sentença, esta proferida após interposição dos embargos de declaração, cujos dispositivos seguem transcritos: Sentença Embargada: Não tendo nada a acrescentar àquelas razões. Adotoas com a devida vênia e CONCEDO A ORDEM para garantir às filiadas do Sindicato impetrante o direito de importar, com isenção de II e IPI, partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção, assim como à conservação, modernização e conversão de suas embarcações, sem a necessidade de comprovação da inexistência de similar nacional, desde que o único óbice seja aquela exigência. Custas deverão ser reembolsadas. Sem honorários. Sentença após Embargos de Declaração: ACOLHO os embargos e doulhes PROVIMENTO. A sentença deve se estender também os atos já efetivados contra as Impetrantes, pelas mesmas razões e fundamentos nela lançados. Fl. 11380DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.371 21 Declaro a sentença, portanto, para incluir em seu dispositivo a declaração de nulidade dos autos de infração e demais atos de fiscalização ou cobrança, lavrados contra as Afiliadas do Impetrante, onde se exige o pagamento do II e IPI. Os demais termos da sentença permanecem como estão. Publiquese. Registrese. Intimemse. Assim, se a medida judicial foi estendida para alcançar, inclusive, os autos de infração já lavrados, com muito mais razão, no entendimento deste Relator, ela também alcança as autuações futuras, a exemplo das autuações objeto dos presentes autos de infração, que foram lavrados em 30/8/2013. Dessa forma, em relação à cobrança do II e do IPI, a referida ação judicial tem o mesmo objeto dos presentes autos e abrange todo o período da autuação e não apenas a partir de 13/6/2012 até 31/12/2012, como alegou a recorrente e entenderam o Órgão de julgamento de primeiro grau e a nobre a Relatora. Dessa forma, em relação à essa parte meritória da lide, resta devidamente caracterizada a concomitância com o mencionada ação judicial. Logo, ao submeter à apreciação do Poder Judiciário tal questão, tacitamente, a recorrente renunciou à discussão dela na esfera administrativa, como consequência direta da aplicação do princípio da unicidade ou inafastabilidade de jurisdição, insculpido no inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal de 1988 (CF/88), que veicula a seguinte mensagem normativa: “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Por força desse princípio, sabidamente, o monopólio do exercício da jurisdição cabe ao Poder Judiciário, a quem incumbe o pronunciamento definitivo sobre os conflitos originários da aplicação da legislação tributária. No caso presente, como a matéria litigiosa foi submetida à análise do Poder Judiciário, obviamente, carece de sentido e efeito jurídico concreto e efetivo a manifestação deste Colegiado acerca do assunto, haja vista que, se corroborar o entendimento judicial, seria inócua, ou se decidir em sentido diverso, estaria contrariando ou descumprindo a decisão judicial, o que seria mais grave. Além disso, em consonância com o referido princípio, há na legislação infraconstitucional preceito legal determinando, expressamente, a proeminência do julgamento proferido no âmbito do Poder Judiciário, a exemplo do artigo 1º, § 2º, do Decretolei 1.737/79, e do art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80. De acordo com os referidos comandos legais, a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou após à autuação, com o mesmo objeto, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. No mesmo sentido, consolidouse a jurisprudência deste Conselho, com a edição da Súmula CARF nº 1, de adoção obrigatória por todos os Conselheiros deste Órgão de julgamento, cujo enunciado segue transcrito: SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão Fl. 11381DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 22 de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por todas essas razões, em relação ao II e ao IPI, não se toma conhecimento da questão atinente à exigência do prévio exame similaridade, por se encontrar sub judice. Da análise dos lançamentos do II e do IPI referente às importações ocorridas antes de 13/6/2012. Vencido na questão atinente à abrangência da concomitância para todo o período da autuação, este Conselheiro foi designado redator do voto vencedor, em relação à questão de mérito restrita a parte das autuações que trata da exigência do II e do IPI, referente às importações realizadas a antes de 13/6/2012. Dessa forma, aqui será analisada apenas a controvérsia atinente à necessidade da anotação de inexistência de similar nacional no documento ou no registro informatizado de importação pelo órgão competente (o DECEX), para que a recorrente pudesse fazer jus aos benefícios da isenção do II e do IPIImportação, relativos às importações de materiais de reposição e conserto para uso de embarcações ou aeronaves nacionais, realizadas no período de outubro de 2008 até 13/6/2012. Inicialmente, cabe esclarecer que, no âmbito das operações de importação, a concessão da isenção ou redução do II e do IPIImportação12, prevista em leis esparsas (Lei 8.032/1990 e Lei 9.493/1997, por exemplo) e consolidada nos arts. 136 e 137 do RA/2009, está sujeita a requisitos gerais e especiais. Os requisitos especiais, geralmente, vinculados à qualidade do importador ou à destinação dos bens, encontramse estabelecidos em preceitos legais esparsos (art. 2º da Lei 8.032/1990 e art. 11 da Lei 9.493/1997, por exemplo) e regulamentados nos arts 139 a 189 do RA/2009 (Seção VI), dos quais merecem destaque os arts. 174 e 181, que tratam dos requisitos específicos dos bens importados pela recorrente, objeto das presentes autuações, que seguem transcritos: Art. 174. A isenção do imposto, na importação de partes, peças e componentes, será reconhecida aos bens destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e de embarcações. (Redação dada pelo Decreto nº 7.044, de 2009). [...] Art. 181. A isenção do imposto na importação de partes, peças e componentes destinados ao emprego na conservação, modernização e conversão de embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro será reconhecida somente se os serviços forem realizados em estaleiros navais brasileiros (Lei no 9.493, de 1997, art. 11). Por sua vez, os requisitos gerais encontramse estabelecidos no art. 17 do Decretolei 37/1966 e no art. 2º do Decretolei 666/1969, e consolidados no art. 118 do RA/2009, a seguir reproduzido: Art. 118. Observadas as exceções previstas em lei ou neste Decreto, a isenção ou a redução do imposto somente beneficiará 12 Os mesmos requisitos e condições exigidos para concessão do benefício da isenção ou redução do II foram extendidos ao IPI pelo art. 3º, I, da Lei 8.032/1990, regulamentado pelo art. 245, I, do RA/2009. Fl. 11382DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.372 23 mercadoria sem similar nacional e transportada em navio de bandeira brasileira (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 17; e DecretoLei no 666, de 2 de julho de 1969, art. 2o, caput). (grifos não originais) Da simples leitura do referido preceito regulamentar, extraise que, salvo as exceções previstas lei ou no referido Decreto regulamentar, a isenção ou a redução do imposto “somente beneficiará mercadoria sem similar nacional e transportada em navio de bandeira brasileira.” Portanto, em relação às mercadorias importadas, via de regra, são dois os requisitos gerais necessários para gozo da isenção ou redução do II e IPIImportação: a) a mercadoria importada não tenha similar nacional; e b) a mercadoria seja transportada em navio de bandeira brasileira. Nesse sentido, dispõe o art. 12313 do RA/2009, que integra a Seção II do citado Regulamento, que estabelece os requisitos e condições gerais para concessão da isenção ou redução dos referidos impostos. O requisito do transporte em navio de bandeira nacional, por ser matéria estranha a lide, não será aqui analisado. Em face da especificidade da lide, aqui será apreciado somente o requisito atinente à inexistência de mercadoria similar no País. Previamente, cabe ressaltar que, por ser um requisito geral, somente as operações ou mercadorias expressa e taxativamente especificadas em lei ou no RA/2009, bem como as expressamente autorizadas pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), estão dispensadas do cumprimento do requisito da similaridade, segundo o disposto no art. 199 do RA/2009, que segue transcrito: Art. 199. A anotação de inexistência de similar nacional no documento ou no registro informatizado de importação, ou de enquadramento da mercadoria nas hipóteses referidas no art. 204, é condição indispensável para o despacho aduaneiro com isenção ou redução do imposto. Parágrafo único. Excetuamse da exigência de anotação as mercadorias compreendidas no § 3º do art. 193, no art. 201 e as que forem expressamente autorizadas pela Secretaria de Comércio Exterior. (grifos não originais) Dentre outras, a maior parte das operações e das mercadorias dispensadas da anotação de inexistência de similar nacional estão relacionadas no art. 201 do RA/2009. Da análise do referido preceito regulamentar, verificase que apenas as importações de partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão e manutenção de embarcações estrangeiras foram dispensadas da referida exigência, conforme estabelecido no inciso V, que segue transcrito: Art. 201. São dispensados da apuração de similaridade: [...] 13 Art. 123. As disposições desta Seção aplicamse, no que couber, a toda importação beneficiada com isenção ou com redução do imposto, salvo expressa disposição de lei em contrário. Fl. 11383DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 24 V partes, peças e componentes destinados a reparo, revisão e manutenção de aeronaves ou embarcações, estrangeiras (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 17, parágrafo único, inciso I); [...] (grifos não originais) No caso, inexiste controvérsia de que as importações das partes, peças, componentes, materiais e equipamentos eram destinadas para reposição, reparo e manutenção de embarcações nacionais, portanto, não estavam alcançadas pela exceção estabelecida no art. 201, V, do RA/2009. E além da falta de previsão legal ou regulamentar, não há notícia nos autos de que a Secex tenha dispensado as referidas operações de importação do prévio exame de similaridade. Ao contrário, por meio do art. 31 da Portaria Secex 23/2011, vigente na data das importações, a Secex reafirmou o entendimento aqui esposado de que estariam dispensas do prévio exame de similaridade as importações beneficiadas com a isenção ou redução dos referidos impostos somente as situações expressamente previstas em lei ou no RA/2009. Para afastar qualquer dúvida, reproduz o inteiro teor do referido preceito normativo: Art. 31. Estão sujeitas ao prévio exame de similaridade as importações amparadas por benefícios fiscais – isenção ou redução do imposto de importação, exceto as situações previstas em legislação específica. Dessa forma, fica demonstrado que não havia previsão legal ou regulamentar e tampouco autorização expressa, por parte da Secex, no sentido de dispensar a realização de prévio exame de similaridade em relação aos bens importados pela recorrente com os benefícios da isenção ou redução do II e do IPIImportação. E a dispensado referido exame similaridade deverá constar de ato normativo específico editado pela Secex, a exemplo, autorização concedia para as importações cursadas ao amparo do regime drawback, modalidades suspensão e isenção, que se encontra expressamente estabelecida no art. 79 da Portaria Secex 23/2011, a seguir transcrito: Art. 79. As importações cursadas ao amparo do Regime não estão sujeitas ao exame de similaridade e à obrigatoriedade de transporte em navio de bandeira brasileira. Portanto, diferentemente alegado pela recorrente, a obrigatoriedade do prévio exame de similaridade tratase de requisito geral, estabelecido no caput do art. 17 do Decreto lei 37/1966 e aplicável a todas as importações, incluindo aquelas previstas no art. 2º da Lei 8.032/1990, no art. 11 da Lei 9.493/1997 e em qualquer outro preceito legal, que se encontram consolidadas nos arts. 136 e 137 do RA/2009. De outra parte, enfatizase novamente, estão dispensados do prévio exame de similaridade somente os benefícios de isenção ou redução, expressamente excepcionados pelo parágrafo único do art. 17 do Decretolei 37/1966, regulamentado pelo art. 201 do RA/2009, ou em qualquer outro preceito legal, a exemplo do § 6º do art. 3º da Lei 11.484/2007, incluído pela Lei 12.767/2012. Como todas as isenções e reduções estabelecidas no Decretolei 37/1966 foram revogadas pelo art. 1º da Lei 8.032/1990 e não apenas as do art. 15 do referido diploma legal, a aplicação do entendimento da recorrente tornaria sem efeito ou inaplicável a exigência de prévio exame de similaridade para todas as isenções ou reduções do II e do IPIImportação e não só para os produtos por ela importados. Em outras palavras, a aplicação de tal Fl. 11384DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.373 25 entendimento resultaria na revogação tácita de todas as normas estabelecidas em lei, em regulamento e portaria da Secex sobre a exigência do prévio exame de similaridade, com graves consequências, para os produtores nacionais e para economia brasileira como um todo. Com base nessas considerações, fica demonstrado que a isenção do II e do IPIImportação, prevista para as importações de partes, peças, componentes, materiais e equipamentos utilizados na reposição, reparo e manutenção de embarcações nacionais (art. 2º, II, “j”, da Lei 8.032/1990), bem como as partes, peças e componentes destinados ao emprego na conservação, modernização e conversão de embarcações registradas no REB (art. 11 da Lei 9.493/1997), realizadas pela recorrente, estavam sujeitas a prévio exame de similaridade. Assim, na ausência de anotação de inexistência de similar nacional nos correspondentes registros informatizados de importação, é devida a cobrança do II e do IPI Importação, referente às operações de importação do período de outubro de 2008 até 13/6/2012, conforme discriminado na Tabela I de fl. 10.570. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter a exigência do II e do IPIImportação, referente às operações de importação realizadas no período de outubro de 2008 até 13/6/2012, que se encontram discriminados na Tabela I de fl. 10.570. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Declaração de Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Nesta declaração de voto serão analisadas apenas as questões preliminares e a prejudicial de mérito. Das questões preliminares. Em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade do auto de infração: a) por nítido vício material no critério de lançamento, em ração da imposição da multa de mora no auto de infração e a manutenção da sua cobrança em sede de decisão de primeira instância; e b) por indevida reunião, em único auto de infração, de créditos tributários com exigibilidade plena e créditos tributários com exigibilidade suspensa, o que, além de dificultar o andamento do processo e eventual cobrança do crédito tributário, também dificultava o exercício do direito de defesa da autuada. Não procede a primeira alegação. A imposição de penalidade, incluindo a multa de mora, não representa vício de nulidade do auto de infração, por não constituir afronta a qualquer requisito formal ou material do auto de infração. Fl. 11385DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 26 Diferentemente do alegado pela recorrente, a legalidade da imposição da multa moratória, por representar mero acessório do valor do tributo lançado, induvidosamente, tratase de questão de mérito, que será analisada em tópico específico deste julgado. Também não procede, a alegação de nulidade do auto de infração sob o argumento de que foram reunidos, em único auto de infração, créditos tributários com exigibilidade plena e créditos tributários com exigibilidade suspensa. De fato, no caso em tela, ao contrário do afirmado pela recorrente, para cada tributo foi formalizado um auto de infração específico, os quais se encontram colacionados aos autos nas fls. 1714/2124 (II), 3651/4014 (IPIImportação), fls. 5402/5814 (CofinsImportação) e fls. 7202/7616 (Contribuição para o PIS/PasepImportação). E esse procedimento está em consonância com disposto no caput do art. 9º e seu § 1º, do Decreto 70.235/1972, que determinam, respectivamente, que (i) a exigência do crédito tributário será formalizada em autos de infração distintos para cada tributo, porém, (ii) se formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. Além disso, não há qualquer óbice, que, no mesmo auto de infração, sejam lançados créditos tributários sem e com exigibilidade suspensa, o que não ocorreu, nas presentes autuações, conforme será demonstrado no tópico em que apreciadas as questões meritórias. Também não restou demonstrado pela recorrente a alegada dificuldade no exercício do seu direito de defesa. Ao contrário, as robustas peças defensivas coligidas aos autos, na fase impugnatória e na atual fase recursal, revelam que a recorrente não só compreendeu a motivação das autuações, como delas se defendeu adequadamente. Com base nessas considerações, rejeitase ambas as preliminares de nulidade das autuações suscitadas pela recorrente. Da questão prejudicial de mérito. No recurso em apreço, a recorrente alegou que o único fundamento do lançamento do crédito tributário em questão estava baseada no fato de que, para fazer jus aos benefícios da isenção do II e do IPI, bem como da redução da alíquota a zero da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação, era necessária a existência de prévio exame de similaridade ou o reconhecimento da dispensa do referido exame pela autoridade competente. Dessa forma, como a referida questão fora submetida à apreciação do Poder Judiciário, por meio do Mandado de Segurança Coletivo nº 0028166.42.2012.4.01.3400, nos termos do art. 265, IV, “a”, do revogado Código de Processo Civil (CPC) art. 31314, V, “a”, do vigente CPC , o julgamento deste processo estaria prejudicado, em decorrência, ele deveria ser suspenso/sobrestado até o julgamento definitivo do referido processo judicial, ante a necessária preponderância da decisão judicial em face da decisão administrativa. 14 "Art. 313. Suspendese o processo: [...] V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; [...]" Fl. 11386DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11762.720111/201363 Acórdão n.º 3302003.256 S3C3T2 Fl. 11.374 27 No atual Regimento Interno do CARF (RICARF/2015), aprovado pela Portaria MF 343/2015, as hipóteses de suspensão ou sobrestamento do julgamento dos processos, no âmbito deste Conselho, encontramse estabelecidas no art. 6º, que tem a seguinte redação, in verbis: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: [...] § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. [...] Da simples leitura do referido preceito regimental, verificase que o fato de a mesma questão objeto deste processo ter sido submetida à apreciação do Poder Judiciário não representa motivo para suspensão ou sobrestamento do presente julgamento. Assim, se existe norma específica que disciplina a suspensão ou sobrestamento do julgamento dos processos em tramitação neste Conselho, por conseguinte, fica afastada a aplicação das hipóteses de suspensão, estabelecidas no art. 313, V, “a”, do vigente CPC, que tem aplicação restrita a esfera judicial. Em relação a matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário, se demonstrada a concomitância com o objeto da presente lide, tal fato constitui motivo suficiente para não conhecimento da matéria por este Colegiado, em face da renúncia tácita às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, por parte do autor da demanda judicial, mas não suspensão ou sobrestamento do julgamento, como pretendido pela recorrente. No caso, inexiste controvérsia em relação ao fato de que a questão atinente à necessidade do prévio exame de similaridade ou do reconhecimento da sua dispensa pelo órgão competente (o DECEX) fora submetida ao crivo do Poder Judiciário. Porém, há controvérsia quanto ao prazo e a extensão do objeto da referida ação judicial, que será analisada no tópico específico sobre o mérito da demanda. Entretanto, independentemente do prazo e da extensão do objeto da citada ação judicial, induvidosamente, tal circunstância não constitui causa suficiente para a suspensão ou sobrestamento do julgamento deste processo neste Conselho. Com base nessas considerações, assim como a i. Relatora, rejeitase a presente prejudicial de mérito. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 11387DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /09/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13607.720365/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO QUE NÃO QUESTIONA A DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. ALEGAÇÃO DE APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE LITÍGIO
Se o contribuinte não questiona, na peça recursal, as razões expendidas na decisão de 1ª instância administrativa, demonstrando a concordância com o que foi ali indicado, tal redunda em ausência de litígio administrativo.
A apresentação da PER/DCOMP implica na análise da mesma pela Receita Federal, que dará a devida resposta ao contribuinte, sobre seu pedido de restituição.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2202-003.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PAULO FRANCISCO DE AVELAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO QUE NÃO QUESTIONA A DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. ALEGAÇÃO DE APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE LITÍGIO Se o contribuinte não questiona, na peça recursal, as razões expendidas na decisão de 1ª instância administrativa, demonstrando a concordância com o que foi ali indicado, tal redunda em ausência de litígio administrativo. A apresentação da PER/DCOMP implica na análise da mesma pela Receita Federal, que dará a devida resposta ao contribuinte, sobre seu pedido de restituição. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 7. 72 03 65 /2 01 2- 19 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13607.720365/201219 Acórdão n.º 2202003.498 S2C2T2 Fl. 208 2 Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), na folha 158 e ss., complementandoo ao final: Tratase de Requerimento de Restituição de Valores Indevidos (fls.2/5), protocolizado em 18/7/2012, no qual o contribuinte pleiteia a restituição das contribuições previdenciárias recolhidas no período compreendido entre a data do seu pedido aposentadoria (26/07/2010) e o deferimento do benefício (que ocorreu em 26/09/2011). Juntamente com o pedido foram apresentados os documentos de fls.6/84. Após análise, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sete Lagoas, por meio do Despacho Decisório de fls.86/87, indeferiu o pedido, por não ter sido utilizado o programa PER/DCOMP para a sua apresentação. O contribuinte foi intimado da decisão em 20/8/2014 (conforme Aviso de Recebimento de fls.88/89) e, em 17/9/214, protocolou a manifestação de inconformidade de fls.91/99, na qual, basicamente: solicita celeridade na tramitação do processo por ser idoso e ter prioridade nos termos da lei; descreve os fatos que ensejariam a restituição dos valores pleiteados; afirma que o Despacho Decisório contraria os direitos e garantias fundamentais, incluindo o direito de petição, do devido processo legal e da ampla defesa e do contraditório; aduz que o indeferimento do pedido em razão de não ter sido feito eletronicamente por meio de PER/DCOMP baseouse em meras Resoluções da RFB, que na hierarquia das leis, descrita no artigo 59 da CF/1988 estão no último lugar; assevera que não se pode cercear o direito de alguém apenas porque essa pessoa não tem conhecimento em como operar um sistema eletrônico da RFB (extremamente complexo e burocrático, e que apresenta dificuldades até mesmo para contadores) para efetuar seu pedido; alega que tal procedimento configura abuso de autoridade, que torna nula a decisão e cita jurisprudência; reafirma que não há justificativa para que a RFB se negue a atender sua petição com base apenas em assertiva sem embasamento legal, já que Resoluções são hierarquicamente inferiores às leis e à jurisprudência; Fl. 208DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13607.720365/201219 Acórdão n.º 2202003.498 S2C2T2 Fl. 209 3 aduz que, inclusive, que a RFB reconheceu a procedência do seu pleito, conforme se depreende do segundo parágrafo do Despacho Decisório; cita jurisprudência e conclui que faz jus à restituição pleiteada; requer o provimento de seu recurso, reforma da decisão e restituição dos valores pleiteados. Ao analisar a questão, a DRJ em Belo Horizonte/MG, assim tratou, em suma: a) de acordo com o artigo 39, § 1º da IN RFB nº 900/2008 (vigente à data de protocolo do pedido) e de acordo com o artigo 46, § 1º da IN RFB nº 1.300/2012, a autoridade competente da RFB deve considerar como não formulado o pedido de restituição quando o sujeito passivo não tenha utilizado o programa PER/DCOMP. Como o pedido foi indeferido por ter sido considerado não formulado, não caberia apresentação manifestação de inconformidade. Todavia, tendo a manifestação do contribuinte sido processada e encaminhada à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ para apreciação cabe a este órgão julgador pronunciarse sobre a mesma. Contudo dela não se toma conhecimento, uma vez que no presente caso não há litígio a ser apreciado no âmbito da competência da DRJ. Dessa decisão o contribuinte foi cientificado em 10/02/2015 (fl. 162), apresentando recurso voluntário em 24/02/2015, data da postagem na ECT (fl. 165). Em sede de recurso diz que, preliminarmente, "informa que já efetuou o requerimento de todo o pedido de restituição junto ao PER/DCOMP, em 05/02/15, conforme comprovam os requerimentos cujas cópias estão anexas" ; trata de seu direito à restituição, discorrendo sobre os fatos e do tratamento de seu pedido de aposentadoria por tempo de serviço junto ao INSS e PEDE o provimento integral de seu recurso deferindolhe a restituição pleiteada. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Imaginese alguém que não querendo utilizarse do sistema da Receita Federal para entrega de declarações de ajuste anual do imposto de renda das pessoas físicas, escreva seus rendimentos em uma folha de papel e protocole no balcão de atendimento. Ou alguém que com o título de eleitor em mãos, citando seus direitos constitucionais de cidadania, recusese a votar usando a urna eletrônica e exija o cômputo de seu voto entregando um papel com o nome de seus candidatos ao presidente da seção eleitoral. O recorrente, por sua representante legal, toma as normas da RFB como mera burocracia, sem nenhum fim em si mesmas e as quais não estaria obrigado a seguir. Entretanto, diz o artigo 100 do CTN que "são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas." Fl. 209DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13607.720365/201219 Acórdão n.º 2202003.498 S2C2T2 Fl. 210 4 Ensina Leandro Paulsen que, no âmbito do direito administrativo, são correntes as lições no sentido de que os atos da administração somente vinculam os seus servidores. Em matéria tributária, porém, tais atos da administração projetam efeitos junto aos contribuintes, vinculandoos. (PAULSEN, Leandro. Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 15 ed. Livraria do Advogado: 2013, p. 869) O recorrente alegou, para não cumprir a forma estabelecida para requerer restituição que entende cabível, que o sistema eletrônico era "burocrático e complexo" e citou princípios constitucionais. Não foi demonstrada nenhuma impropriedade ou ilegalidade no sistema PER/DCOMP (programa de pedido eletrônico de ressarcimento ou restituição e declaração de compensação) que impedisse o contribuinte, assim como todos os outros contribuintes do universo alcançado pelas normas da Receita Federal, de utilizálo. Desde a primeira folha destes autos, consta que o contribuinte foi devidamente orientado sobre o procedimento a ser adotado. Já no rodapé da folha 02 temos que "insistência para protocolo apesar da orientação de que deveria ser feito via per/dcomp", anotado pela servidora que recebeu o pedido. Ao utilizar a via errada, teve seu pedido indeferido, sem análise de mérito, pela Delegacia da RFB de origem. Apresentou impugnação, que não foi analisada pela DRJ sob a alegação de ser incabível, nos casos em que a DRFB de origem deixa de conhecer do pedido formulado sem a utilização de PER/DCOMP. Apresentou recurso voluntário onde, preliminarmente, informa que "já efetuou o pedido de restituição junto ao PER/DCOMP", anexando os comprovantes de protocolo na folha 177 e seguintes, em 05/02/2015. Fora isso, fala do direito à aposentadoria, que é matéria de competência do INSS, e das razões pelas quais entende que contribuiu para o sistema previdenciário, indevidamente, por cerca de 14 meses além do necessário. Mas eventual contribuição indevida ou a maior será, justamente, analisada no processamento de seu PER/DCOMP e não neste processo, onde não questiona a decisão da DRJ que decidiu não conhecer de sua impugnação, não tendo se manifestado sobre o mérito do pedido. Ao contrário, segue a decisão, apresentando o pedido via formulário eletrônico, devidamente. Voltandose ao início, o pedido eletrônico não é "mera burocracia" mas o instrumento adequado e útil através do qual a Receita Federal analisará o mérito da questão da restituição. De seu resultado, se desfavorável ao contribuinte, caberão impugnação e recurso voluntário, nos termos das regras do processo administrativo fiscal. Não é nestes autos, portanto, que se apreciará isso e o que consta do pedido do recurso é impróprio. Em conclusão, VOTO por não conhecer do recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 210DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13607.720365/201219 Acórdão n.º 2202003.498 S2C2T2 Fl. 211 5 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 19679.012736/2004-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
INCENTIVO FISCAL - FINAM. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. COMPROVADA AUSÊNCIA DE DÉBITOS À ÉPOCA DA OPÇÃO.
A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos.
Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo.
Numero da decisão: 1402-002.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 INCENTIVO FISCAL FINAM. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. COMPROVADA AUSÊNCIA DE DÉBITOS À ÉPOCA DA OPÇÃO. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 27 36 /2 00 4- 18 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 331 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 332 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 275 a 328) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I (fls. 266 a 272) que manteve o r. Despacho Decisório de indeferimento (fl. 185) do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC (fl.4). A opção pelo incentivo ao FINAM foi feita pelo ora Recorrente, METRO DADOS Ltda., na sua DIPJ 2002, relativa ao anocalendário de 2001. Em face da denegação da emissão do incentivo pretendido, o PERC foi, em 25/09/2004, apresentado por procurador do Contribuinte, trazendo inúmeras Fichas de sua DIPJ do período em questão, resumo explicativo de ações judiciais ajuizadas, certidão de objeto e pé, cópias de peças, depósitos e decisões de Mandado de Segurança que debatia a dedutibilidade do PIS, cópia de pedido de desistência, conversão de depósitos em renda e petições dirigidas à RFB informando tal quitação (fls 7 a 154). Devidamente processado o Pedido e após a juntada de Consulta de Declarações IRPJ e Extrato de Informação de Apoio a Emissão de Certidão, em junho de 2008, a Fiscalização regional emitiu a Intimação nº 260/2008 (fl. 165), trazendo em seu bojo, assinaladas, as pendência a serem regularizadas e documentos a serem apresentados pela empresa: Fl. 332DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 333 4 Na sequência, sem manifestação do Contribuinte, os autos foram instruídos com Extrato de Informação de Apoio a Emissão de Certidão Consulta ao SISBACEN, Certidões Conjunta de Tributos Federais e de FGTS e ficha de "diagnóstico do PERC" (fls. 166 a 183) e encaminhados para despacho. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 334 5 Imediatamente após, foi exarado o r. Despacho Decisório (fls. 185) em 02/09/2008, indeferindo PERC, por haver pendências impeditivas, apontadas em diagnóstico interno feito na mesma semana: Diante de tal revés, o ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade(fls. 188 a 261), alegando que a Fiscalização deveria ter analisado apenas os débitos existentes na data da opção pelo benefício, bem como demonstra, individualmente, a improcedência ou a inexigibilidade dos débitos apontados nas consultas anteriores à r. Decisão combatida. Acosta aos autos cópias de certidões, peças e decisões judiciais, pedidos de revisão de inscrições em dívida ativa, anteriormente protocolados, e outros documentos pertinentes. Ato contínuo, a DRJ de São Paulo I proferiu o v. Acórdão (fls. 266 a 272) ora recorrido, indeferindo o pedido contido na Manifestação de Inconformidade. De tal v. Acórdão, desatacamse a ementa e os seguintes trechos: Fl. 334DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 335 6 (...) (...) (...) Fl. 335DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 336 7 (...) (...) (...) Fl. 336DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 337 8 Em face do v. Acórdão, o Recorrente interpôs o Recurso Voluntário (fls. 275 a 328), agora sob apreço, repisando os argumentos da Manifestação de Inconformidade e acostando novos documentos, referente a ações judiciais, cancelamento de inscrições em dívida ativa, todos visando à comprovação da ausência ou da suspensão da exigibilidade dos débitos antes apontados pelo sistema da RFB. Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 338 9 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como demonstram os autos, pode se constatar, inicialmente, que em momento algum foi feita a análise específica da existência de débitos ativos em face da Recorrente, no momento da opção ao benefício de investimento no FINAM (DIPJ de 2002). Todas as manifestações das Autoridades Fazendárias julgadoras se voltaram a verificar as pendências constantes no sistema da Receita Federal do Brasil nos momentos de análise e apreciação de procedência do PERC, o que foi feito no ano de 2008. Nesse sentido, o Parecer que fundamenta a r. Decisão que primeiro indeferiu o PERC se limita a atestar que feita nova análise da regularidade fiscal, foi constatado que ainda havia pendências impeditivas a liberação do Incentivo, conforme consta no relatório à pagina 179, brevemente concluindo que tendo em vista que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei 9069/95, art 60), proponho que o processo de PERC Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, do exercício de 2002, seja indeferido. Essa é fundamentação da denegação ao Contribuinte, não se aprofundando na origem das pendências, apenas remetendo às consultas efetuas em agosto de 2008. E, por sua vez, no v. Acórdão recorrido a situação é muito semelhante, afirmando que, tendo em vista que a verificação da regularidade fiscal da contribuinte possui uma natureza essencialmente dinâmica, o despacho decisório realizou uma análise atualizada da situação da contribuinte e concluiu que, em 02/09/2008, data de expedição do despacho decisório, a contribuinte se encontrava em situação irregular. (...) feitas essas considerações, concluise que o momento apropriado para a verificação da regularidade fiscal da contribuinte é justamente a data de expedição do Despacho Decisório. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 339 10 Já em relação à comprovação de inexistência ou inexigibilidade dos débitos encontrados, o v. Acórdão, em suma, decide da seguinte forma: primeiro reconhece a comprovação de inexigibilidade dos débitos cadastrados no PROFISC (sendo estes os únicos anteriores à opção pelo benefício na DIPJ de 2002), declarando que estão extintos ou suspensos: (...) Em relação àqueles inscritos em Dívida Ativa da União, alegase que a RFB não possuiria competência para adentrar o mérito de tais supostos créditos lançados, restando prejudicada a análise dessas provas. Confirase: (...) Por fim, o v. Acórdão atesta que não teria o contribuinte feito qualquer prova acerca do suposto débito em cobrança incluído no banco de dados do SIEF. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 340 11 Feitas tais considerações sobre o v. Acórdão a quo, primeiramente, fica claro que o indeferimento do PERC se deu em razão da existência de supostos débitos em aberto no momento em que o primeiro decisório foi exarado, qual seja setembro de 2008 (consultas efetuada em agosto do mesmo ano). Mas, como acima demonstrado, aqueles débitos cuja a origem era anterior à opção pelo benefício, considerados como ativos e exigíveis até as consultas de 2008, tiveram sua exigibilidade ou prevalência elidida por prova na Manifestação de Inconformidade, restando expressamente afastados como óbice ao benefício no v. Acórdão. Posto isso, todas as supostas pendências que ainda obstariam a emissão de ordem para o investimento incentivado têm sua origem posterior à apresentação da DIPJ 2002 ou prova de recolhimento dos seus correspondentes DARFs (vide fl. 270, em relação àqueles inscritos em Dívida Ativa, e fl. 164, no que tange àqueles incluídos no SIEF). Os débitos que permaneceriam em aberto tornaramse exigíveis entre 2004 e 2007, de acordo com informações contidas nos próprios documentos acostados pela Fiscalização. Claramente, o v. Acórdão deve ser reformado à medida em que colide frontalmente com o teor da Súmula 37 e com a jurisprudência majoritária deste E. CARF/MF. Súmula CARF nº. 37 "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72." O sentido dessa norma (artigo 60 da Lei nº 9069/95) não é tolher o direito do contribuinte ao usufruto dos benefícios os quais em questão, possuem, inclusive, intenção final de fomento econômico regional mas apenas condicionar o seu gozo à quitação ou regularização de eventuais débitos e pendências fiscais em aberto. E foi exatamente isso a que procedeu o Recorrente, demonstrando a extinção e inexigibilidade daqueles únicos débitos que poderiam, pela sua data de origem, ser exigíveis ao tempo da opção efetuada. Assim, uma vez elidida a constatação de que, na data da entrega da DIPJ de 2002, o contribuinte poderia possuir débitos de tributos ou contribuições federais plenamente Fl. 340DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO Processo nº 19679.012736/200418 Acórdão n.º 1402002.317 S1C4T2 Fl. 341 12 exigíveis, não há mais a motivação legal (art. 60 da Lei nº 9.069/95) que impedia a fruição do benefício optado. Ainda que novos débitos tenham surgido após a data da entrega da declaração, estes apenas terão relevância para a concessão de benefícios nos períodos posteriores, temporalmente correspondentes a tais créditos tributários ativos. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reformar o v. Acórdão recorrido e deferir o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivo Fiscal, em seus termos, concedendo ao contribuinte o benefício pretendido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 28/0 9/2016 por CAIO CESAR NADER QUINTELLA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por LEONARDO DE ANDRADE C OUTO
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