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Numero do processo: 10830.721070/2009-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMI-ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
A transferência de matérias-primas extraídas das minas para as fábricas constitui-se em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostra-se imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa - frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindo-se no conceito de insumo.
Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias-primas), produtos semi-elaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização.
Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS não-cumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria.
Numero da decisão: 9303-007.083
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETE NO TRANSPORTE DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GALVANI INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMIELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 70 /2 00 9- 22 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10830.721070/200922 Acórdão n.º 9303007.083 CSRFT3 Fl. 3 2 Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10830.721070/200922 Acórdão n.º 9303007.083 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3302002.974 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo reconheceu o direito de crédito da contribuição sobre o frete pago no transporte de insumos entre estabelecimentos da empresa. A Fazenda Nacional alega divergência com relação ao entendimento adotado no acórdão recorrido de que existe previsão legal para crédito de PIS e COFINS nãocumulativos sobre valores de fretes pagos, pelo transporte entre estabelecimentos do mesmo proprietário, de insumos minérios extraídos de minas e enviados a complexos industriais. Sustenta existir direito ao crédito somente com relação ao frete na operação de venda, e quando o ônus for suportado pelo vendedor. Foi dado seguimento ao recurso especial mediante despacho de admissibilidade proferido pelo Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial postulando a negativa de provimento. É o Relatório. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10830.721070/200922 Acórdão n.º 9303007.083 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.071, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10830.721056/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.071): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS e COFINS não cumulativos os gastos incorridos com o pagamento de frete de insumos (minério e matéria prima) entre seus estabelecimentos industriais. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10830.721070/200922 Acórdão n.º 9303007.083 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10830.721070/200922 Acórdão n.º 9303007.083 CSRFT3 Fl. 7 6 de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10830.721070/200922 Acórdão n.º 9303007.083 CSRFT3 Fl. 8 7 tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10830.721070/200922 Acórdão n.º 9303007.083 CSRFT3 Fl. 9 8 se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. A controvérsia em exame gravita em torno da possibilidade de ser considerados como insumos os gastos decorrentes da contratação de fretes de matériasprimas entre estabelecimentos da mesma empresa, de fretes de insumos e de produtos em elaboração para transferência entre estabelecimentos da Contribuinte. Os minerais, principal insumo da produção dos fertilizantes, são extraídos pela Recorrida de minas distantes do complexo industrial, havendo a necessidade de seu transporte, por meio de frete pago a terceira pessoa jurídica, até o local da produção do fertilizante. A Contribuinte sustenta desenvolver atividade econômica em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não só pela fabricação do mesmo, como também pela extração dos minerais e o beneficiamento de uma parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Por isso, defende que as despesas com frete contratado na aquisição dos insumos, bem como para a realização das transferências de matériasprimas dos estabelecimentos mineradores para as unidades industriais são essenciais para o processo produtivo e confecção do produto fertilizantes. No caso dos autos, temse que a extração dos minerais ocorre em minas da própria Contribuinte que é a produtora dos fertilizantes, sendo que o principal insumo para a fabricação do seu produto são os minerais, portanto, necessários e essenciais à atividade da empresa. Para a movimentação da matériaprima até o estabelecimento onde é produzido o fertilizante, é preciso contratar frete pago a terceira pessoa jurídica. Tal frete, por estar diretamente ligado ao processo produtivo/fabril, deve ser considerado como insumo. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10830.721070/200922 Acórdão n.º 9303007.083 CSRFT3 Fl. 10 9 Conforme se verifica da descrição do processo produtivo efetuada pela Recorrida, a mesma atua em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável pela fabricação do mesmo e também pela extração e beneficiamento de parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Traz como exemplo, o concentrado de fosfático pó, que [...] é gerado e encaminhado de sua unidade de Lagamar, em Minas Gerais, para o Complexo Industrial da Paulínia, em São Paulo, onde, agregado a outros insumos, alguns dos quais adquiridos de terceiros, dá origem ao fertilizante, produto final daquela. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. No mesmo sentido, já se pronunciou essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento que resultou no Acórdão n.º 9303005.156, de relatoria da nobre conselheira Tatiana Midori Migiyama: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10830.721070/200922 Acórdão n.º 9303007.083 CSRFT3 Fl. 11 10 Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Por fim, nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.011523/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1996 a 31/12/2003
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Declarou-se impedida a conselheira Renata Toratti Cassini.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1996 a 31/12/2003 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1996 a 31/12/2003 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Declarouse impedida a conselheira Renata Toratti Cassini. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 15 23 /2 00 7- 16 Fl. 2809DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4 ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 – 4 ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 – 4 ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4 ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Admissibilidade. Fl. 2810DF CARF MF Processo nº 10680.011523/200716 Acórdão n.º 2402006.355 S2C4T2 Fl. 3 3 Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I – exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II – deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Fl. 2811DF CARF MF 4 Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 2812DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.674242/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/12/2001
PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços (ICMS) não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins.
O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-004.127
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/12/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços (ICMS) não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins. O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 42 42 /2 01 1- 91 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.674242/201191 Acórdão n.º 3201004.127 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição para o PIS, decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera da inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição, uma vez que referido imposto não se consubstancia em receita própria, tratandose de valor alheio aos limites constitucionais da incidência da contribuição, já tendo o Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizado exatamente nesse sentido, conforme se verifica no julgamento do RE 240.7852/MG. Solicitou, ainda, a realização de perícia capaz de atestar que os valores devidos a título de ICMS compuseram indevidamente a base de cálculo das contribuições, bem como a exatidão do montante a ser restituído. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 06051.812, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por ser, segundo ela, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, valor esse integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo o seguinte: (i) a base de cálculo da contribuição é a receita bruta, sendo que apenas os valores correspondentes ao resultado das atividades devem integrála, não alcançando, portanto, o ICMS; (ii) nem sempre o ingresso de capitais ou recursos financeiros na sociedade representa a entrada de receitas, mormente quando apartadas da aquisição do direito patrimonial sobre eles, como ocorre no caso do ICMS, haja vista sua absoluta incapacidade de alterar o patrimônio líquido da sociedade, dado constituirse de um direito do Estado; (iii) o conceito de receita, qualquer que seja a sua fonte de origem (de venda de bens ou serviços, financeiras, etc.), decorre sempre e necessariamente do exercício da atividade empresarial, representando, também, sempre e necessariamente, riqueza nova ingressando ao patrimônio da sociedade empresarial; (iv) o ICMS destacado nas notas fiscais de venda de mercadorias pela Recorrente não consubstancia receita própria, razão pela qual se trata de valor alheio aos Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.674242/201191 Acórdão n.º 3201004.127 S3C2T1 Fl. 4 3 limites constitucionais da incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins, seja de seu critério material, seja de seu critério subjetivo; (v) o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo da Cofins; (vi) ao caso se aplica o contido no art. 26A do Decreto 70.235/1972; (vii) a inconstitucionalidade arguida pode ser enfrentada em âmbito administrativo, em razão da decisão definitiva plenária proferida pelo Supremo Tribunal Federal; (viii) cita jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais em seu favor; (ix) a Lei 9.718/1998 e as que lhe sucederam jamais determinaram a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins; (x) uma vez demonstrado ser indevida a inclusão dos valores do ICMS na base de cálculo da Contribuição ao PIS e da Cofins, temse o direito de pleitear a restituição do quantum recolhido indevidamente a este título, respeitado o prazo de 5 (cinco) anos; (xi) necessidade de realização de prova pericial. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.674242/201191 Acórdão n.º 3201004.127 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.124, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo nº 10880.674237/201188, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.124): Assiste razão à Recorrente. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. Referida decisão possui a seguinte ementa: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) O Supremo Tribunal Federal STF já está a aplicar o entendimento firmado em outros processos, conforme se depreende do julgado adiante colacionado: Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.674242/201191 Acórdão n.º 3201004.127 S3C2T1 Fl. 6 5 "COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços – ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. Precedentes: recurso extraordinário nº 240.785/MG, relator ministro Marco Aurélio, Pleno, acórdão publicado no Diário da Justiça de 8 de outubro de 2014 e recurso extraordinário nº 574.706/PR, julgado sob o ângulo da repercussão geral, relatora ministra Cármen Lúcia, Pleno, acórdão veiculado no Diário da Justiça de 2 de outubro de 2017. REPERCUSSÃO GERAL – ACÓRDÃO – PUBLICAÇÃO – EFEITOS – ARTIGO 1.040 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Descabe a fixação dos honorários recursais previstos no artigo 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, quando se tratar de recurso formalizado em processo cujo rito os exclua. AGRAVO – MULTA – ARTIGO 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. Se o agravo é manifestamente inadmissível ou improcedente, impõese a aplicação da multa prevista no § 4º do artigo 1.021 do Código de Processo Civil de 2015, arcando a parte com o ônus decorrente da litigância protelatória."(RE 440787 AgRsegundo, Relator(a):Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe098 DIVULG 18052018 PUBLIC 21052018) Com a decisão proferida pela Corte Suprema, não mais prevalece o contido no REsp 1.144.469/PR do Superior Tribunal de Justiça STJ. O entendimento ora esposado encontra amparo no fato de o próprio Superior Tribunal de Justiça STJ não mais estar aplicando o seu antigo posicionamento. A Corte Superior de Justiça, de modo reiterado, está decidindo de acordo com o julgado no RE 574.706. A título ilustrativo, colacionase recentes decisões em tal sentido, verbis: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC/2015. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). 1. O recurso especial foi interposto na vigência do CPC/1973. Dessa forma, sujeitamse aos requisitos de admissibilidade nele previstos, conforme diretriz contida no Enunciado Administrativo n. 2 do Plenário do STJ. 2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra Cármen Lúcia, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para realizar a adequação prevista no art. 1.030, II do CPC/2015." (EDcl no AgRg no REsp 1276424/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2018, DJe 21/05/2018) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. JULGAMENTO DO TEMA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO PELO PRÓPRIO STJ. ADEQUAÇÃO AO DECIDIDO PELO STF. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.674242/201191 Acórdão n.º 3201004.127 S3C2T1 Fl. 7 6 1. A Jurisprudência pacífica desta Corte de Justiça possuía o entendimento de considerar legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ. Posicionamento este ratificado pela Primeira Seção do STJ no julgamento do Resp 1.144.469/PR, processado e julgado como representativo de controvérsia. 2. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, por ocasião da apreciação do RE 574.706RG/PR, com repercussão geral reconhecida, firmou tese contrária à fixada pela Primeira Seção do STJ. 3. Juízo de retratação exercido nestes autos (art. 1.040, II, do CPC/2015), para negar provimento ao apelo nobre da Fazenda Nacional." (REsp 1496603/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/04/2018, DJe 25/04/2018) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. INCIDÊNCIA DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA, PREVISTA NA LEI 12.546/2011. JULGAMENTO PELO STF, EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. RE 574.706/PR. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO PROVIDO, EM JUÍZO DE RETRATAÇÃO, PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, QUANTO AO TEMA OBJETO DA REPERCUSSÃO GERAL. I. Agravo interno aviado contra decisão que deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, contra acórdão que, negando provimento à Apelação e à Remessa Oficial, havia mantido a sentença que concedera o Mandado de Segurança. II. A Segunda Turma do STJ, considerando a jurisprudência pacífica da Corte, quando do julgamento do Recurso Especial interposto, no sentido da incidência do ICMS na base de cálculo da contribuição previdenciária substitutiva, prevista na Lei 12.546/2011, negou provimento ao Agravo interno do contribuinte. III. Entretanto, posteriormente, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 574.706/PR, sob o regime da repercussão geral, firmou a tese de que "o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS" (STF, RE 574.706/PR, Rel. Ministra CÁRMEN LÚCIA, TRIBUNAL PLENO, DJe de 02/10/2017), porquanto o valor arrecadado, a título de ICMS, não se incorpora ao patrimônio do contribuinte, e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS, contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social. Diante da nova orientação da Suprema Corte, o STJ realinhou o seu posicionamento (STJ, REsp 1.100.739/DF, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 08/03/2018; AgInt no AgInt no AgRg no AREsp 392.924/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe de 06/03/2018). Mutatis mutandis, a mesma lógica deve ser aplicada para a contribuição previdenciária substitutiva, prevista nos arts. 7º e 8º da Lei 12.546/2011, em razão da identidade do fato gerador (receita bruta). Com efeito, "os valores relativos ao ICMS não integram a base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta CPRB, prevista na Lei n. 12.546/11, porquanto não se incorporam ao patrimônio do contribuinte, é dizer, não caracterizam receita bruta, em observância à axiologia das razões de decidir do RE n. 574.706/PR, julgado em repercussão geral pelo STF, no qual foi proclamada a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS" Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.674242/201191 Acórdão n.º 3201004.127 S3C2T1 Fl. 8 7 (STJ, REsp 1.568.493/RS, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 23/03/2018). Em igual sentido: STJ, REsp 1.694.357/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe de 01/12/2017. IV. Nesse contexto, retornaram os autos por determinação da Vice Presidência do STJ, para fins do disposto no art. 1.040, II, do CPC/2015 , em face do aludido julgado do Supremo Tribunal Federal, em regime de repercussão geral. V. Agravo interno provido, para, em juízo de retratação, previsto no art. 1.040, II, do CPC/2015, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional." (AgInt no REsp 1592338/SC, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/04/2018, DJe 23/04/2018) Neste contexto, não há como negar plena efetividade ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, já que o próprio Superior Tribunal de Justiça STJ não mais aplica o entendimento firmado no REsp 1.144.469/PR. O mesmo posicionamento tem sido adotado pelos Tribunais Regionais Federais. Neste sentido: "EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. ENTENDIMENTO DO STF. RE 574.706/PR, SOB O RITO DA REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 69 STF. Conforme estabelecido pelo STF, no Tema 69, "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins" (Recurso Extraordinário com repercussão geral nº 574.706)." (TRF4, AC 5004059 55.2015.4.04.7215, SEGUNDA TURMA, Relatora LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, juntado aos autos em 09/07/2018) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS INFRINGENTES. RETRATAÇÃO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. ENTENDIMENTO DO STF. RE 574706/PR. TEMA 69 STF. Conforme estabelecido pelo STF, no Tema 69, "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins" (Recurso Extraordinário com repercussão geral nº 574.706)." (TRF4, EINF 2006.70.00.0284961, PRIMEIRA SEÇÃO, Relator ROGER RAUPP RIOS, D.E. 10/07/2018) "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ICMS. EXCLUSÃO BASE CÁLCULO. PIS E COFINS. SUSPENSÃO. RE 574.706. VINCULAÇÃO. AGRAVO IMPROVIDO. No caso, foram abordadas todas as questões debatidas pela Agravante, tendo sido apreciada a tese de repercussão geral, julgada em definitivo pelo Plenário do STF, que decidiu que "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". Cabe destacar que foi reconhecida a repercussão geral do RE 574.706/PR, e julgado o mérito do recurso pelo Plenário do STF, devendo os tribunais decidir no mesmo sentido do entendimento adotado, nos termos do art. 1.040, II do CPC, e incumbindo ao Relator decidir de forma monocrática, como prevê o art. 932 do CPC. Anotese que a diretriz jurisprudencial firmada deve ser observada pelos demais Tribunais, como tem reiteradamente decidido o próprio STF, que, inclusive, tem aplicado a orientação firmada a casos similares. Precedentes. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.674242/201191 Acórdão n.º 3201004.127 S3C2T1 Fl. 9 8 Quanto à alegação de que o feito deve ser sobrestado até a publicação do acordão, resultante do julgamento dos embargos de declaração a serem opostos pela Fazenda Nacional, cabe salientar o que restou consignado na r. decisão combatida de que a decisão proferida pelo STF no RE 574.706, independentemente da pendência de julgamento dos aclaratórios, já tem o condão de refletir sobre as demais ações com fundamento na mesma controvérsia, como no presente caso, devendo, portanto, prevalecer a orientação firmada pela Suprema Corte. Ademais, quanto à eventual insurgência relativa à possibilidade de modulação dos efeitos do julgado, ressaltase não ser possível, nesta fase processual, interromper o curso do feito apenas com base numa expectativa que até o momento não deu sinais de confirmação, dada a longevidade da ação e os efeitos impactantes que o paradigma ocasiona. A regra geral relativa aos recursos extraordinários, julgados com repercussão geral, é a de vinculação dos demais casos ao julgado, sendo que a inobservância da regra deve ser pautada em razões concretas. A tese de repercussão geral fixada foi a de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". A motivação dos embargos de declaração, embora não tenha sido acolhida, não permite a conclusão de que foram opostos em litigância de máfé ou com manifesto caráter protelatório. As razões recursais não contrapõem os fundamentos do r. decisum a ponto de demonstrar qualquer desacerto, limitandose a reproduzir argumentos os quais visam à rediscussão da matéria nele contida. Negado provimento ao agravo interno." (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap APELAÇÃO CÍVEL 369987 000198616.2017.4.03.6000, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MÔNICA NOBRE, julgado em 04/07/2018, eDJF3 Judicial 1 DATA:20/07/2018 ) "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS. ILEGALIDADE. STF. RE 574.706/PR. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 069. COMPENSAÇÃO. SÚMULA Nº 213 DO STJ. SUFICIÊNCIA DA PROVA DA CONDIÇÃO DE CREDORA TRIBUTÁRIA. 1. Ao apreciar o tema no âmbito do RE 574.706/PRRG (Rel. Min. Cármen Lúcia), o E. STF firmou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS." 2. Quanto à análise da compensação tributária em sede mandamental, o próprio C. STJ tem reiterado a aplicação do seu Enunciado 213, limitando, in casu, a prova à simples condição de credora tributária, por não se confundir com os fundamentos adotados no REsp 1.111.164/BA. 3. Apelação a que se dá parcial provimento, concedendose a segurança para determinar a exclusão, relativa à base de cálculo da COFINS e do PIS, da parcela relativa ao ICMS, autorizando a respectiva compensação, observado, contudo, o lustro prescricional (RE 566.621/RS, Rel. Min. Ellen Gracie), na forma da legislação de regência, notadamente com respeito ao disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe conferiu a Lei nº 10.637/02, artigo 170A do CTN e correção monetária com a incidência da Taxa SELIC, considerando que a presente ação mandamental foi ajuizada em 08/07/2008. 4. Acresçase, por oportuno, que a pendência de análise de modulação dos efeitos, pelo eventual acolhimento dos aclaratórios opostos no referido RE Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.674242/201191 Acórdão n.º 3201004.127 S3C2T1 Fl. 10 9 574.706/PR, não tem o condão de atrair o efeito suspensivo aqui perseguido, não merecendo, nesse viés, prosperar o argumento alinhavado pela União Federal nesse exato sentido, AC 2015.61.10.0085860/SP, Relator Desembargador Federal ANDRÉ NABARRETE, decisão de 08/03/2018, D.E. 23/03/2018; EDcl na AMS 2007.61.12.0077639/SP, Relator Desembargador Federal MARCELO SARAIVA, decisão de 26/03/2018, D.E. 05/04/2018, e AMS 2014.61.05.0105413/SP, Relatora Desembargadora Federal MÔNICA NOBRE, Quarta Turma, j. 21/02/2018, D.E. 22/03/2018. 5. Matéria reapreciada, em sede de juízo de retratação, por força do artigo 543B, § 3º, do CPC/73, aplicável à espécie." (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap APELAÇÃO CÍVEL 333152 001626088.2008.4.03.6100, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MARLI FERREIRA, julgado em 20/06/2018, eDJF3 Judicial 1 DATA:20/07/2018 ) Pertinentes são as palavras da Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, em voto proferido no processo 10580.721226/200701 (Acórdão 3301004.355): "Venho sustentando que, para fins de interpretação do § 2° do art. 62 do RICARF, negar a aplicação da decisão do RE n° 574.706 RG, com base no REsp n° 1.144.469/PR (julgado como recurso repetitivo e já transitado em julgado), é uma falácia. É uma falácia, porquanto o próprio STJ já alterou seu posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS, afastando a aplicação do REsp 1.144.469/PR, em virtude da decisão do STF, como se observa nas decisões citadas abaixo: (...) Por conseguinte, estando o acórdão do RE n° 574.706 RG desprovido de causa suspensiva, deve ser imediatamente aplicado. Defendo que tal situação se coaduna com a condição de “decisão definitiva de mérito”, para fins de aplicação do art. 62, § 2° do RICARF." Cito, ainda: "Os órgãos do Estado são entes sem vida, sem inteligência e sem sentimento; são dirigidos por gestores que assumem o compromisso constitucional de respeitar os princípios democráticos, dentre os quais o efetivo cumprimento das decisões judiciais. De outra forma, não faz sentido o próprio governo, integrante do sistema, desrespeitar as leis. A Fazenda Pública e os órgãos públicos de maneira geral, por não terem vida, não se sensibilizam com os fatos que ocorrem em seu derredor, diferentemente do que acontece com seus agentes políticos ou administrativos." (CARDOSO, Antonio Pessoa. Cumprimento das leis Estado deve ser referência de valores do Direito. Revista Consultor Jurídico, 25 de junho de 2011, 7h41) Um órgão administrativo de julgamento não aplicar o decidido em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal STF quando até mesmo o Superior Tribunal de Justiça STJ já não mais aplica o seu entendimento em sentido diverso é verdadeira afronta ao julgado pela mais Alta Corte do país. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.674242/201191 Acórdão n.º 3201004.127 S3C2T1 Fl. 11 10 Sobre a inteira e imediata aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, o Superior Tribunal de Justiça STJ assim decidiu: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 2. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes: RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido." (AgInt no AREsp 282.685/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/02/2018, DJe 27/02/2018) (nosso destaque) Do voto, destaco: "3. No mais, o Supremo Tribunal Federal fixou entendimento de que a existência de precedente sob o regime de repercussão geral firmado pelo Plenário daquela Corte autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma (RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016.)" Por fim, ressalto que esta Turma, em sua atual composição, decidiu por maioria de votos, em dar provimento a recurso do contribuinte, em processo no qual este relator foi designado para redigir o voto vencedor. Aludida decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005, 01/06/2005 a 30/11/2005, 01/03/2006 a 30/11/2006 MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Rejeitase a preliminar de nulidade quando nos autos está comprovado que a fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao MPF, não tendo o contribuinte demonstrado nenhuma irregularidade capaz de invalidar o lançamento. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS. GLOSA. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.674242/201191 Acórdão n.º 3201004.127 S3C2T1 Fl. 12 11 Correta a glosa de valores indevidamente incluídos no cômputo da base de cálculo dos créditos da nãocumulatividade, ressalvandose os valores glosados não comprovados pela fiscalização e os lançados com evidente lapso material. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. OPÇÃO A apropriação de crédito das contribuições mediante despesas com depreciação de bens calculadas de forma acelerada, na razão 1/48, nos termos do § 14, art. 3º da Lei 10.637/02 é opcional, o que significava impossibilidade de apropriação concomitante à regra do inciso III, do § 1ª do indigitado artigo. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. LEI Nº 11.051/2004 Imprescindível a comprovação do atendimento aos requisitos legais para o benefício fiscal da apuração da depreciação acelerada de que trata da Lei nº 11.051/2004. COFINS E PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 2 COFINS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para a Cofins o decidido em relação ao PIS lançado a partir da mesma matéria fática." (Processo nº 10530.004513/200811; Acórdão nº 3201003.725; Relator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira; sessão de 24/05/2018) Cito, ainda, decisão proferida por voto de desempate, que acolheu o pedido de restituição formulado pelo contribuinte: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. Comprovado tratarse de crédito tributário restrito ao PIS/Pasep apurado e recolhido sobre base de cálculo sem a exclusão do ICMS é de se reconhecer o direito à restituição do crédito pleiteado." (Processo nº Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.674242/201191 Acórdão n.º 3201004.127 S3C2T1 Fl. 13 12 10935.906300/201259; Acórdão nº 3001000.113; Relator Conselheiro Cássio Schappo; sessão de 24/01/2018) Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, no Recurso Extraordinário nº 574.706 e em conformidade com o que tem adotado o Superior Tribunal de Justiça STJ, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pela Recorrente em seus pedidos. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, no Recurso Extraordinário nº 574.706, e em conformidade com o que tem adotado o Superior Tribunal de Justiça STJ, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pela Recorrente em seus pedidos. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 13706.000349/2002-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO - CSLL
Exercício: 1998
ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO APÓS 0 ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO,
ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. INCERTEZA NO LANÇAMENTO.
Se o exame dos autos leva a fundadas dúvidas acerca dos valores
efetivamente devidos a titulo de estimativa de CSLL, não pode persistir o lançamento. Correta a decisão de primeira instância que afastou as exigências.
Numero da decisão: 1302-000.926
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso de oficio.
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO - CSLL Exercício: 1998 ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO APÓS 0 ENCERRAMENTO DO ANO- CALENDÁRIO , ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. INCERTEZA NO LANÇAMENTO. Se o exame dos autos leva a fundadas dúvidas acerca dos valores efetivamente devidos a titulo de estimativa de CSLL, não pode persistir o lançamento. Correta a decisão de primeira instancia que afastou as exigências. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio. Marcos Rodrigues de Mello — Presidente Waldir Veiga Rójiha — Relator el3s .vik 9 0 3•310C )3/n -2). Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Cristiane Silva Costa e Marcos Rodrigues de Mello. ir411!1' ■ ,..f.,r, tr,rn. f'..fifr' •-» 2.2 (J0-2 dc 241M-:.12i orn ,-V):2(‘.." 2 ;').;- \NALDIR,VFGA TZ; x-,f-IA ()kRir'S k.4=RSO EM 13;,,,U,,NC(2) 1 CAW' W. FL 82 Processo n° 13706.000349/2002-16 SI-c3T2 Acórdão n.° 1302-00.926 Fl. 82 Relatório IBM BRASIL - INDÚSTRIAS, MÁQUINAS E SERVIÇOS LTDA., já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 14.586.360,65, discriminado no Auto de Infração, à ti. 07. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do sintético e objetivo relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata-se do lançamento de oficio de fls. 07/08, que teve origem em auditoria interna da DCTF, relativo A. estimativa de CSLL apurada em março do ano- calendário 1997, no valor de R$ 5.407.563,08 — além da multa de oficio de 75% e os juros de mora. Inconformado, o interessado apresentou a impugnação de fls. 01/04, alegando, em apertada síntese, que cometeu um equivoco no preenchimento da DCTF, posto que o débito em comento refere-se à CSLL devida no ano-calendário de 1996, de acordo com a declaração de rendimentos de fl. 15. Apresenta o DARF referente ao pagamento do débito (fl. 14). Requer a declaração de improcedência da autuação. A DEMAC confirma que o pagamento está vinculado à débito de CSLL, período de apuração 31-12/96, data de vencimento 31/03/1997, no valor de R$ 5.407.563,08 (f1.67). A l a Turma da DRJ em Rio de Janeiro - I / RJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n ° 12-35.471, de 03/02/2011 (fls. 75/77), considerou improcedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido —CSLL Ano-calendário: 1997 ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO FORMALIZADO APÓS O FIM DO PERÍODO-BASE. No caso de ser verificada a falta de recolhimento das estimativas, após o término do ano-calendário, o lançamento de oficio abrangerá a multa isolada sobre as estimativas não pagas, a contribuição social devida, caso não recolhida, juntamente coin a multa de oficio e juros de mora sobre ela calculados. Como a exoneração de credito tributário superou o limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu de oficio a este Colegiado. A época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei n° 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF n° 3/2008. É o Relatório. tent() ass:rtado digitaimente conforme MP n" 2,200-2 de d4'OS'2 ;1,ado d::4:;a1m(?.nle cm 14/0312012 por WALER VEGA , ZOCI IA em 14M;2012 por SUELI TORRES SILVESTRF - VERSO FJVI ['MANGO DI CARI- MI 8.3 Processo n° 13706.000349/2002-16 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.926 Fl. 83 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Quanto â. admissibilidade do recurso de oficio, deve-se ressaltar o teor do art. 1° da Portaria MF n° 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1 0 0 Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de oficio sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a RS 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa exonerados em primeira instância, verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, o recurso de oficio é cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, a questão se afigura bastante simples. A autuação exige principal, multa e juros, da estimativa de CSLL supostamente devida em março de 1997. A autoridade julgadora em primeira instância evidenciou, inicialmente, a impropriedade da exigência do principal de estimativas, em lançamento efetuado após o encerramento do ano calendário, com base na legislação vigente. A seguir, demonstrou o alto grau de incerteza da exigência, em face da alegação da interessada, sustentada por evidências nos autos, de que teria havido erro no preenchimento da DCTF, e que o valor de R$ 5.407.563,08 seria, na verdade, o montante apurado no ajuste do ano-calendário 1996, e não, como constou na DCTF e no lançamento, estimativa de março do ano seguinte. Além disso, o valor consta dos sistemas da RFB como integralmente pago mediante DARF. Confira-se o seguinte excerto da decisão recorrida: [...] Descabido, pois, em face da legislação fiscal vigente, o lançamento de oficio da estimativa não recolhida, sendo cabível apenas, no caso, a exigência de multa isolada sobre o valor efetivamente devido e não recolhido. Outrossim, a CSLL apurada anualmente é que poderia ter sido lançado, mediante auditoria, o que não 6. o caso do presente processo. Por outro lado, o interessado alega que cometeu um equivoco no preenchimento da DCTF, posto que o débito em comento refere-se à CSLL devida no ano-calendário de 1996, de acordo com a declaração de rendimentos de fl. 15. A DEMAC confirma que o pagamento está vinculado à débito de CSLL, período de apuração 31-12/96, data de vencimento 31/03/1997, no valor de R$ 5.407.563,08 (f1.67). Na declaração de rendimentos referente ao ano-calendário de 1997, consta que o interessado levantou balanço de suspensão, não havendo estimativa a recolher (fl. 72/74). Em breve síntese, no caso concreto, a autoridade autuante não desenvolveu uma ampla4ividade de investigação dos fatos, deixando um alto grau de 6(3 tt- m Mi 2 200-2 (ie 24t(P3i r);;I - ',NALDIR VE1::Vt ROCA it', -iiiti )PRiiriS Sit VESTBE Vr RBC) FM BRANCO • Dl. CARE' Mi. H. 84 Processo n° 13706.000349/2002-16 SI -('312 Acórdão n.° 1302-00.926 Fl. 84 incerteza sobre os fatos constitutivos da obrigação tributária, o que leva a impossibilidade de exigência do tributo. Não faço reparos ao quanto decidido em primeira instância e, na esteira desse raciocínio, nego provimento ao recurso de oficio. Waldir Veiga cha diganimenti conforme MP n" 2.20a2 di 24/2ou1 • , ;;Ido digitalmente ern 14/03/2012 por WAL.Di2 VEIGA esso em 14/0812012 por SUELI TORRES SLVESTRE - VERSO EN: ER' f\t'iliC30 4
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001722/2009-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. DECLARAÇÕES. PROVA.
Quando o Fisco questionar os recibos e declarações de despesas médicas, o contribuinte deve apresentar outros elementos de prova que satisfaçam tais questionamentos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Todos os rendimentos auferidos pelas pessoas físicas, excetuando-se aqueles elencados na legislação, devem ser levados a tributação.
MP 202/04 - EXCLUSÃO - BASE DE CÁLCULO - IRPF
A MP nº 202/04, convertida na Lei nº 10.966/04, estabeleceu benefício fiscal de exclusão de R$100,00 (cem reais) mensais da base de cálculo do IRPF dos valores recebidos provenientes do trabalho assalariado pagos nos meses de agosto a dezembro do ano calendário de 2004.
Numero da decisão: 2002-000.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso (i) por maioria de votos em relação à omissão de rendimentos, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que lhe deu provimento; (ii) por voto de qualidade, em relação à glosa das despesas médicas, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento parcial; e (iii) por unanimidade de votos, em relação à glosa do IRRF. Designada para redigir o voto vencedor quanto à manutenção da glosa das despesas médicas a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Votou pelas conclusões, à manutenção da glosa das despesas médicas, a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. DECLARAÇÕES. PROVA. Quando o Fisco questionar os recibos e declarações de despesas médicas, o contribuinte deve apresentar outros elementos de prova que satisfaçam tais questionamentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Todos os rendimentos auferidos pelas pessoas físicas, excetuando-se aqueles elencados na legislação, devem ser levados a tributação. MP 202/04 - EXCLUSÃO - BASE DE CÁLCULO - IRPF A MP nº 202/04, convertida na Lei nº 10.966/04, estabeleceu benefício fiscal de exclusão de R$100,00 (cem reais) mensais da base de cálculo do IRPF dos valores recebidos provenientes do trabalho assalariado pagos nos meses de agosto a dezembro do ano calendário de 2004.
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DESPESA MÉDICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MP 202/04. Recorrente PILAR TENORIO DE ALBUQUERQUE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. DECLARAÇÕES. PROVA. Quando o Fisco questionar os recibos e declarações de despesas médicas, o contribuinte deve apresentar outros elementos de prova que satisfaçam tais questionamentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Todos os rendimentos auferidos pelas pessoas físicas, excetuandose aqueles elencados na legislação, devem ser levados a tributação. MP 202/04 EXCLUSÃO BASE DE CÁLCULO IRPF A MP nº 202/04, convertida na Lei nº 10.966/04, estabeleceu benefício fiscal de exclusão de R$100,00 (cem reais) mensais da base de cálculo do IRPF dos valores recebidos provenientes do trabalho assalariado pagos nos meses de agosto a dezembro do ano calendário de 2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso (i) por maioria de votos em relação à omissão de rendimentos, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que lhe deu provimento; (ii) por voto de qualidade, em relação à glosa das despesas médicas, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento parcial; e (iii) por unanimidade de votos, em relação à glosa do IRRF. Designada para redigir o voto vencedor quanto à manutenção da glosa das despesas médicas a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Votou pelas conclusões, à manutenção da glosa das despesas médicas, a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 17 22 /2 00 9- 46 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10640.001722/200946 Acórdão n.º 2002000.236 S2C0T2 Fl. 124 2 (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Redatora designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 38 a 44), relativa a imposto de renda da pessoa física pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas, omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, bem como compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 8.649,40, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efl. 02 a 36 dos autos, sob os seguintes fundamentos, conforme relatório da DRJ: 1)Não é exigência cabível, sob qualquer argumento legal, a correspondência entre as datas dos saques e dos pagamentos, vez que excluiria a possibilidade de saque anterior ao pagamento, bem como afastaria a liberalidade do recebedor em datar o recibo pelo dia de efetivo recebimento do valor pactuado e não da data de prestação do serviço”; 2) “A legislação do Imposto de Renda não especifica nos seus termos a necessidade de compatibilidade precisa entre o valor dos saques e dos respectivos pagamentos”; 3) Conforme determinações contidas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda, “a caracterização do direito à dedução de despesas com saúde se faz com a simples apresentação de recibo, constando os dados determinados pelo inciso III e, somente na falta de documentação, é que deve ser feita por cheque nominal”; 4) Mediante a apresentação dos recibos, o contribuinte cumpriu as determinações previstas por lei, não cabendo a Receita Federal exigir que comprove tais despesas Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10640.001722/200946 Acórdão n.º 2002000.236 S2C0T2 Fl. 125 3 de outra maneira, “até porque nenhuma pessoa é obrigada a manter, bem como a pagar suas despesas necessariamente através de conta bancária”; 5) Contudo, “com o propósito de solucionar esta pendência administrativa”, está anexando ao presente processo seus extratos bancários (Banco do Brasil S/A e Banco ITAÚ S/A) para demonstrar a veracidade dos documentos já apresentados à autoridade fiscal; 6) O valor glosado de R$ 600,00 consta no Comprovante Anual de Rendimentos lhe fornecido pelo IASERJ como “redutor de IRPF”, concedido pela Medida Provisória 202/2004; 7) Está anexando o único documento que possui, lhe encaminhado pela Prefeitura Municipal de Juiz de Fora, e que serviu para embasar os valores apontados em sua declaração de rendimentos IRPF/2005. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/JFA que por unanimidade, em 16/12/2011, no acórdão 0938.344, às efls. 94 a 102, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, apresentou recurso voluntário, às efls. 113 a 120, no qual alega, em resumo: · que os recibos são documentos hábeis a comprovar as despesas médicas; · que deve prevalecer a boa fé do contribuinte; · que não há nada na legislação que impeça o pagamento em espécie; · quanto a omissão de rendimentos, não se lembra de ter recebido qualquer outro valor da Prefeitura de Juiz de Fora; · que a MP n°202/04 concedeu benefício aos contribuintes, sendo utilizado conforme informações constantes às. efls. 09. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 23/03/2012, efls. 105, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 18/04/2012, efls. 113, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Foram glosadas as seguintes despesas médicas: Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10640.001722/200946 Acórdão n.º 2002000.236 S2C0T2 Fl. 126 4 · Márcio Mattos de Albuquerque, no valor de R$7.000,00; · Luiz Henrique Sotto Maior, no valor de R$4.000,00; · Eliana Cristina Abreu Silva Ferrarez, no valor de R$5.000,00. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10640.001722/200946 Acórdão n.º 2002000.236 S2C0T2 Fl. 127 5 O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10640.001722/200946 Acórdão n.º 2002000.236 S2C0T2 Fl. 128 6 quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10640.001722/200946 Acórdão n.º 2002000.236 S2C0T2 Fl. 129 7 Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Feitas estas considerações, às efls. 72 a 74 dos autos, o contribuinte junta recibos que atestam a contratação de serviços, no valor de R$4.520,00 realizado com a profissional MÁRCIO MATTOS DE ALBUQUERQUE, motivo pelo qual afasto a glosa da Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10640.001722/200946 Acórdão n.º 2002000.236 S2C0T2 Fl. 130 8 despesa médica. O remanescente, R$2.480,00, não foi comprovado, devendo permanecer a autuação. Quanto as despesas com a profissional ELIANA CRISTINA ABREU SILVA FERRAREZ, totalizando o valor de R$5.000,00, às efls. 75 a 76, recibos juntados não possuem identificação da profissional, devendo ser mantida a glosa. Às efls. 78 e 79 há recibos que comprovam a prestação de serviço do profissional LUIZ HENRIQUE SOTTO MAIOR, no valor de R$4.000,00. Em relação a autuação pela omissão de rendimentos, a DIRF apresentada pela Prefeitura de Juiz de Fora/MG, às efls. 92 e 93, não deixa qualquer margem de dúvida quanto aos pagamentos realizados ao contribuinte, totalizando o valor de R$14.371,92. Assim, mantenho a decisão da DRJ: A Fiscalização constatou, mediante batimento entre os rendimentos apontados na Declaração de Ajuste Anual IRPF/2005 do contribuinte e as informações prestadas à Receita Federal, mediante a entrega de Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), pela Prefeitura Municipal de Juiz de Fora, CNPJ 18.338.178/000103, que o impugnante não ofereceu à tributação do imposto de renda os rendimentos tributáveis recebidos da referida pessoa jurídica, no ano calendário de 2004,no montante de R$ 14.371,92, com retenção de imposto de renda na fonte, no valor de R$ 434,85, conforme Extrato DIRF de fls.92/93. Alega o interessado que já informou em sua DIRPF/2005, como rendimentos tributáveis recebidos da Prefeitura Municipal de Juiz de Fora, no ano calendário de 2004, a importância de R$ 45.974,22, com retenção de imposto de renda na fonte no valor de R$ 5.656,92, com base nos dados expressos no Comprovante Anual de Rendimentos anexado a fls.12, lhe fornecido pela mencionada pessoa jurídica Não assiste razão ao impugnante em sua argumentação. Os rendimentos por ele informados – corretamente – na Declaração de Ajuste Anual IRPF/2005 lhe foram pagos pela Prefeitura Municipal de Juiz de Fora a título de “rendimentos do trabalho assalariado”, conforme se observa no campo “natureza do rendimento” constante do documento de fls.12. Os rendimentos omitidos apurados pelo Fisco foram pagos ao notificado pela referida fonte pagadora, no anocalendário de 2004, a título de “rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício”, segundo informações expressas no Extrato DIRF de fls.92/93. Portanto, comprovada a efetiva ocorrência da infração em epígrafe. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10640.001722/200946 Acórdão n.º 2002000.236 S2C0T2 Fl. 131 9 Por fim, quanto a autuação relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, adoto os termos da decisão da DRJ, vez que tratase de rendimento isento e não tributável. O impugnante, em sua peça contestatória, afirma que o valor glosado pelo Fisco consta no item 11 do Comprovante Anual de Rendimentos lhe encaminhado pelo IASERJ Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro, anexado a fls.11, como “Redutor IRPF”, benefício concedido aos contribuintes assalariados pela Medida Provisória nº 202/2004. Segundo as determinações contidas na Medida Provisória nº 202 de 23/07/2004, convertida na Lei nº 10.996 de 15/12/2004, em seu artigo 1º: “Art. 1º Fica excluída, para fins de incidência na fonte e no ajuste anual do imposto de renda da pessoa física, a quantia de R$ 100,00 (cem reais) mensais do total dos rendimentos tributáveis provenientes do trabalho assalariado pagos nos meses de agosto a dezembro do anocalendário de 2004. Parágrafo único. O disposto no caput aplicase, também, ao décimo terceiro salário, para fins de incidência do imposto de renda na fonte.” (Grifos não originais). Portanto, equivocouse o notificado, ainda que influenciado pela terminologia adotada por sua fonte pagadora ao classificar a importância supra como “redutor” de imposto de renda retido na fonte. A importância em foco, na verdade, constitui “rendimento isento e não tributável” conforme se infere do texto legal acima transcrito. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento, afastando a glosa das despesas médicas com profissional LUIZ HENRIQUE SOTTO MAIOR. Afasto a glosa de R$4.520,00 do profissional MÁRCIO MATTOS DE ALBUQUERQUE, sendo mantida a glosa referente a R$2.480,00, que não foi comprovado. Mantenho a glosa das despesas com a profissional ELIANA CRISTINA ABREU SILVA FERRAREZ. Mantenho a glosa da compensação indevida do imposto de renda retido na fonte e a autuação relativa a omissão de rendimentos auferidos da Prefeitura de Juiz de Fora/MG. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10640.001722/200946 Acórdão n.º 2002000.236 S2C0T2 Fl. 132 10 Voto Vencedor Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Redatora designada. Com a devida vênia, divirjo do Conselheiro Relator quanto à glosa das despesas médicas. São dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física as despesas com saúde que se subsumam à previsão legal1, comumente conhecidas como despesas médicas. Em princípio, recibos e declarações que preencham os requisitos legais2 podem ser aceitos para comprovar o pagamento dessas despesas. Contudo, caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento, a autoridade fiscal pode exigir, a seu critério, elementos de prova adicionais, por força do disposto no art. 73 do Decreto 3.000/99 que estabelece que: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. §2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa. Dessa forma, quando a fiscalização fizer uso do preceito supracitado, cabe ao contribuinte apresentar outros documentos que confiram maior sustentação probatória aos recibos e declarações inicialmente apresentados. Assim, o ônus da prova das deduções tributárias é do contribuinte e não do Fisco. Este posicionamento é corroborado pelas decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, conforme se vê a seguir: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão 9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos 1 Art. 8º, II, a c/c § 2º da Lei 9.250/95 e art. 80 do Decreto 3.000/99. 2 Art. 8º, § 2º, III da Lei 9.250/95 e art. 80, § 1º, III do Decreto 3.000/99. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10640.001722/200946 Acórdão n.º 2002000.236 S2C0T2 Fl. 133 11 correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão 9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão 2401004.122, de 16/2/2016) Para atender a requisição da autoridade fiscal o contribuinte pode apresentar, por exemplo, prontuários, receituários, exames, orçamentos, comprovantes de transferências bancárias, cópias de cheques e as respectivas compensações, extratos bancários com saques compatíveis com o pagamento em dinheiro, registro dos pagamentos em faturas de cartão de crédito, dentre outros documentos, a depender do caso concreto, não sendo possível descrever aqui todas as possibilidades. Vale destacar que não há uma hierarquia préestabelecida entre os meios de prova e na busca da verdade material, o julgador forma seu convencimento, por vezes, a partir do conjunto probatório que evidencia uma dada situação de fato e não a partir de provas que isoladamente podem nada atestar. Destarte, é importante que o contribuinte, ao declarar deduções de despesas médicas, guarde, além dos recibos, outros elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados a fim de apresentálos ao Fisco em situações como esta. No mais, o contribuinte é livre para escolher efetuar os pagamentos em dinheiro, no entanto, ao fazêlo, abre mão da força probatória dos documentos bancários, restringindo sobremaneira o leque documental de que poderia fazer uso para comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas que declarou perante o Fisco. Desse modo, deve arcar com as conseqüências de suas escolhas, resguardandose com outras provas dos valores pagos e dos serviços prestados, além dos recibos e declarações, que como visto podem ser questionados pela autoridade fiscal. No caso em tela a fiscalização considerou os recibos e declarações apresentados pela contribuinte insuficientes para comprovar os pagamentos das despesas médicas uma vez que os valores foram considerados exagerados em relação aos rendimentos tributáveis declarados (fl. 39). Diante disso, cabia à contribuinte apresentar outros documentos que conferissem maior substrato fático aos recibos e declarações já apresentadas. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10640.001722/200946 Acórdão n.º 2002000.236 S2C0T2 Fl. 134 12 A DRJ demonstrou em sua decisão que os extratos bancários juntados pela contribuinte não comprovam os pagamentos em questão (fls. 99 e 100). Do confronto dos precipitados extratos bancários com os recibos emitidos pelos mencionados profissionais liberais observandose as datas e valores expressos nos referidos documentos, bem como o fato de que os pagamentos ora questionados teriam sido efetuados em dinheiro (saques), segundo afirmam os próprios emitentes nos documentos de fls. 87/89 nada foi comprovado conforme demonstrativo abaixo. No mais, a própria contribuinte informa, em sede de impugnação, que não há correspondência entre os pagamentos efetuados e as respectivas sessões (fl. 2), o que inviabiliza os extratos bancários enquanto prova, haja vista, não ser possível identificar correspondências entre pagamentos e saques nas condições declaradas pela contribuinte. Como os serviços foram prestados de forma contínua, em sessões sucessivas, os pagamentos foram realizados também parceladamente, sem a necessária correspondência entre o pagamento efetuado e as respectivas sessões, apenas cumprindo totalizar ao final do tratamento, o valor previamente estipulado. Os exames acostados aos autos (fls. 83 a 85) atestam prestação de serviços médicos, contudo, o que foi questionado pela fiscalização foram os valores pagos que, como visto acima, foram considerados exagerados em relação aos rendimentos tributáveis declarados. Logo, para o caso em tela, os exames são insuficientes para elidir os questionamentos da fiscalização. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer o recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004179/2010-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. LEI 10.256/2001.
É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (STF, Tese de Repercussão Geral 669.)
Numero da decisão: 2301-005.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (a) não conhecer do recurso na questão relativa à incidência de contribuição previdenciária sobre receitas de exportação, e respectivos encargos moratórios, e na questão afeta à exigência de garantias; no mérito, (b) negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do Ricarf, o conselheiro Reginaldo Paixão Emos não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll na reunião anterior. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Thiago Duca Amoni. Julgamento iniciado na reunião de 07/2018.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Thiago Duca Amoni, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. LEI 10.256/2001. É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (STF, Tese de Repercussão Geral 669.)
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EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. LEI 10.256/2001. É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (STF, Tese de Repercussão Geral 669.) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (a) não conhecer do recurso na questão relativa à incidência de contribuição previdenciária sobre receitas de exportação, e respectivos encargos moratórios, e na questão afeta à exigência de garantias; no mérito, (b) negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do Ricarf, o conselheiro Reginaldo Paixão Emos não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll na reunião anterior. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Thiago Duca Amoni. Julgamento iniciado na reunião de 07/2018. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 41 79 /2 01 0- 67 Fl. 5990DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Thiago Duca Amoni, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Relatório Tratase do Auto de Infração nº 37.212.5050, constituído em 29/07/2010 (e fl. 5853), para exigência de contribuições previdenciárias descontadas dos produtores rurais pessoas físicas, referentes ao período de 01/2006 a 12/2008, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção com a Recorrente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, devidas por subrogação. Inconformada, a Recorrente apresentou impugnação (efls. 5855 a 5879), na qual alegou: a) inconstitucionalidade da contribuição social do empregador rural, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991, mesmo após a edição da Lei nº 10.256, de 9 de julho de 2001, porque esta, ao alterar apenas o caput do 25 da Lei nº 8.212, de 1991, não teria o condão de validar os respectivos incs. I e II, declarados inconstitucionais no RE nº 363.852; b) os conceitos de receita e de faturamento não se aplicaria ao produtor rural, aplicandoselhe o conceito de resultado, nos termos do § 8º do art. 195 da Constituição Federal; c) imunidade das receitas decorrentes de exportação e, alternativamente, o descabimento de juros e multa moratórios sobre as contribuições incidentes sobre as receitas de exportação; e) a conexão e continência do presente processo com os que veiculam os autos de infração nº 37.212.5069, 37.212.5107, 37.212.5115 e 37.212.5182, sobre os quais deve a decisão deste processo deverá incidir direta ou indiretamente A impugnação foi considerada improcedente, nos termos do Acórdão nº 06 32.046 (efls. 5969 a 5974). No recurso voluntário (efls. 5980 a 5985), a Recorrente reafirmou os termos da impugnação e aduziu: a) inconstitucionalidade da exigência de garantias como condição para o apelo recursal, e b) o reconhecimento da conexão ou continência do presente processo com os autos de infração nºs 37.289.6375, 37.289.6332, 37.289.6480, 37.289.6383, 37.289.6391, 37.289.6464, 37.289.6472, 37.289.6421, 37.289.6448, 37.289.6430, 37.289.6413, 37.289.6405, 37.289.6367, 37.289.6456, 37.289.6340, 37.289.6359, 37.212.5034, 37.212.5042, 37.212.5050, 37.212.5077, 37.212.5085, 37.212.5093, 37.212.5123 e 37.212.5174. É o relatório. Fl. 5991DF CARF MF Processo nº 10935.004179/201067 Acórdão n.º 2301005.488 S2C3T1 Fl. 5.991 3 Voto João Maurício Vital Relator. 1 Do conhecimento O recurso é tempestivo. Segundo consta do Relatório Fiscal (efl. 1366), o auto de infração em análise referese tãosomente às contribuições descontadas dos produtores rurais e não declaradas em Gfip até o início da ação fiscal, as quais estão detalhadas nos levantamentos QC, QC1 e QC2 (efl. 815 a 888). Esta contribuição em tela está fundada no art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991 (e fl. 1296). A contribuição sobre a receita bruta de agroindústrias, definida no art. 22A da mesma lei, não compôs o lançamento. Não conheço, pois, da matéria relacionada à imunidade de receitas provenientes de exportação, bem como respectivos encargos moratórios, por ser alheia aos autos. Deixo de conhecer também da questão relativa à exigência de garantias porque não está na lide. Ademais, o recurso interposto não foi condicionado à prestação de qualquer garantia. Conheço do apelo, entretanto, quanto às demais matérias. 2 Das preliminares 2.1 DA CONEXÃO E DA CONTINÊNCIA ENTRE PROCESSOS Embora esta matéria não componha a lide, a Recorrente solicita o reconhecimento da conexão ou continência do presente processo com os autos de infração nºs 37.289.6375, 37.289.6332, 37.289.6480, 37.289.6383, 37.289.6391, 37.289.6464, 37.289.6472, 37.289.6421, 37.289.6448, 37.289.6430, 37.289.6413, 37.289.6405, 37.289.6367, 37.289.6456, 37.289.6340, 37.289.6359, 37.212.5034, 37.212.5042, 37.212.5050, 37.212.5077, 37.212.5085, 37.212.5093, 37.212.5123 e 37.212.5174. Admito a existência de conexão, nos termos do inc. I do § 1º do art. 6º do Regimento Interno do Carf (Ricarf) 1, entre este processo e os autos de infração nºs 37.212.506 9, 37.212.5107, 37.212.5115, não está provada a conexão com os demais autos de infração citados pela Recorrente.. A esse respeito, registrese que os processos resultantes da mesma ação fiscal foram distribuídos para o mesmo relator, de modo a, quando possível e necessário, presentes as 1 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; Fl. 5992DF CARF MF 4 iguais situações de fato e de direito e mesmos elementos de prova, procederse a conclusões convergentes. 3 Do mérito 3.1 DA INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PREVISTA NO ART. 25 DA LEI Nº 8.212, DE 1991 A Recorrente invocou o RE nº 363.852/MG para alegar a inconstitucionalidade dos incs. I e II do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991. O Egrégio Supremo afastou, por inconstitucionalidade, o art. 1º da Lei nº 8.540, de 1992, em razão da ausência de lei complementar. Admitiu, entretanto, o STF, que a inconstitucionalidade persistiria até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, viesse a instituir a contribuição. A matéria apreciada pelo STF pode ser assim sintetizada: a Lei nº 8.540, de 1992, instituiu a contribuição previdenciária sobre a receita, enquanto que o art. 195, inc. I, da Constituição Federal apenas previa, como bases imponíveis daquela exação, a folha de salários, o faturamento e o lucro. Porém, com o advento da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, o novo panorama constitucional passou a permitir a tributação sobre a receita e, nesse novo contexto, foi editada a Lei nº 10.256, de 2001, que deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991. A alegação da Recorrente de que o conceito de receita não se aplicaria ao produtor rural não tem qualquer fundamento teórico, doutrinário, jurisprudencial ou legal. Ao contrário, os incs. I e II do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991, definem como base imponível a receita bruta proveniente da comercialização da produção. O comando constitucional daqueles dispositivos é a alínea b do inc. I do art. 195 da Constituição Federal, e não o seu § 8º. Por fim, o STF firmou tese de repercussão geral, nos autos do RE nº 718.874, com o seguinte teor: Tema 669: É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Nos termos do § 2º do art. 62 do Ricarf, a tese é de observância obrigatória nos julgamentos do Carf. Portanto, não há como atribuir razão à Recorrente nesta matéria. 4 Conclusões Voto por não conhecer do recurso na questão relativa à incidência de contribuição previdenciária sobre receitas de exportação, e respectivos encargos moratórios, e na questão afeta à exigência de garantias; no mérito, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Fl. 5993DF CARF MF Processo nº 10935.004179/201067 Acórdão n.º 2301005.488 S2C3T1 Fl. 5.992 5 Fl. 5994DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12278.720414/2014-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 63.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Numero da decisão: 2401-005.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
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ISENÇÃO. Recorrente LÚCIA DIAS PACHECO ESPÓLIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 27 8. 72 04 14 /2 01 4- 91 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 12278.720414/201491 Acórdão n.º 2401005.755 S2C4T1 Fl. 91 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 3/6, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) anocalendário 2011, que apurou imposto suplementar de R$ 31.511,99, acrescido de juros de mora e multa de ofício, em virtude de omissão de rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave. Consta da descrição dos fatos que a contribuinte omitiu rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 355.990,88, indevidamente declarados como isentos, em razão do contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave para fins de isenção do imposto de renda, pois não foi apresentado laudo pericial emitido por serviço oficial. Em impugnação apresentada à fl. 2, o contribuinte contesta o lançamento efetuado, argumentando, em síntese, que os rendimentos são isentos por corresponderem a rendimentos de pensão recebidos por portadora de moléstia grave, conforme documentação anexada. A DRJ/JFA, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme acórdão 0962.671 de fls. 63/67, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS. PROVENTOS DE PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Os proventos de pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave especificada em lei serão considerados rendimentos isentos desde que a doença seja comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Consta do acórdão de impugnação que: A condição de pensionista da mencionada senhora foi acatada pela autoridade revisora, após análise da documentação apresentada durante a ação fiscal em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 380/2014. Quanto à segunda condição, observo que o contribuinte trouxe aos autos, durante a ação fiscal, entre outros documentos, a Declaração de fls.27 firmada em 11/03/2013 pelo médico ortopedista Dr. José Inácio Trevisanato em papel timbrado da Secretaria Municipal de Saúde/Prefeitura Municipal de Indaiatuba, e o Relatório Médico de fls.28, emitido em 19/12/2012 pelo médico ortopedistaoncologista Dr. Alejandro Fl. 91DF CARF MF Processo nº 12278.720414/201491 Acórdão n.º 2401005.755 S2C4T1 Fl. 92 3 Enzo Cassone em papel timbrado da Clínica ORTHOS, os quais não foram aceitos pela autoridade revisora. Juntamente com a peça contestatória, o contribuinte apresentou, para apreciação da autoridade julgadora, o Laudo Pericial anexado a fls.07, emitido em 02/10/2014 pelo médico cardiologista Dr. Luiz Carlos Chiaparine, declarando que a Sra. Lúcia Dias Pacheco era portadora desde 15/04/2009 de neoplasia maligna (CID 90). Contudo, no campo “carimbo de identificação do serviço médico oficial” do documento em pauta, foi aposto apenas “HOSPITAL DIA INDAIATUBA”, sequer o CNPJ foi indicado. Não há como comprovar, portanto, o enquadramento da referida instituição hospitalar como “serviço médico oficial, assim considerado aquele instituído e mantido pelo poder público do município, do estado, do distrito federal ou da União”. Observo também que não consta no mencionado documento o número de registro no órgão público (matrícula) do médico emitente do laudo pericial, de maneira a comprovar o seu vínculo com o serviço médico oficial. Considero, portanto, que o Laudo Pericial em foco não se reveste de todos os requisitos necessários para ser considerado elemento hábil a comprovar a ocorrência da moléstia grave. Cientificado do Acórdão em 31/3/17 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 70), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 25/4/17, fl. 72, no qual requer o deferimento do recurso, pois o laudo pericial apresentado está em conformidade com a lei, constando o CNPJ, o CRM do médico e número de matrícula. Apresenta novo laudo do Hospital Dia de Indaiatuba, fl. 74, no qual consta que a paciente é portadora de neoplasia maligna desde 15/4/09 (CID 90), no qual consta o CRM do médico e o CNPJ da instituição. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. ISENÇÃO Quanto a isenção, assim dispõe o CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] Fl. 92DF CARF MF Processo nº 12278.720414/201491 Acórdão n.º 2401005.755 S2C4T1 Fl. 93 4 II outorga de isenção; [...] Sobre o gozo da isenção do imposto sobre a renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, a Lei 7.713/88 determina que: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No mesmo sentido, o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), Decreto 3.000/99, assim dispõe: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] Fl. 93DF CARF MF Processo nº 12278.720414/201491 Acórdão n.º 2401005.755 S2C4T1 Fl. 94 5 § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Sendo assim, verificase que para a fruição da isenção, exigese o preenchimento cumulativo de três requisitos: a) que o rendimento seja proveniente de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o rendimento seja recebido por portador de moléstia grave relacionada em lei; e c) que a moléstia seja comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Acrescentese a isso o enunciado da Súmula Carf nº 63, aprovada em 29/11/10: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (grifo nosso) No presente caso, conforme ressaltado no acórdão recorrido, a condição de pensionista foi acatada, contudo afirmouse que o contribuinte deixou de apresentar laudo médico oficial que comprovasse a moléstia apontada. Conforme laudo de fl. 74 a contribuinte é portadora de neoplasia maligna desde 15/4/09 (CID 90), no qual consta o CRM do médico e o CNPJ da instituição, que se trata de hospital da Prefeitura de Indaiatuba, fato não reconhecido pela fiscalização e que determinou o lançamento (fl. 4 da notificação). Fl. 94DF CARF MF Processo nº 12278.720414/201491 Acórdão n.º 2401005.755 S2C4T1 Fl. 95 6 Assim, em que pese a ausência de número de matrícula do médico que emitiu o laudo, como entendido pela DRJ, entendo que restou comprovado que a contribuinte é portadora de moléstia grave, sendo o rendimento percebido isento, pois restaram preenchidos os requisitos legais para o gozo da isenção. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, dandolhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.007616/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. PROVA DIRETA.
Constitui-se prova direta da omissão de receitas aquela decorrente do confronto entre a escrituração contábil e os documentos que a lastreiam.
O dolo da contribuinte é inegável diante de lançamentos contábeis tão absurdos e repetidos, os quais afastam qualquer alegação de mero equívoco.
Numero da decisão: 1302-001.070
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Márcio Frizzo (relator).
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Multa de Ofício Qualificada Recorrente FS COMERCIO DE CONFECCOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. PROVA DIRETA. Constituise prova direta da omissão de receitas aquela decorrente do confronto entre a escrituração contábil e os documentos que a lastreiam. O dolo da contribuinte é inegável diante de lançamentos contábeis tão absurdos e repetidos, os quais afastam qualquer alegação de mero equívoco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Márcio Frizzo (relator). (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente. (assinado digitalmente) MÁRCIO RODRIGO FRIZZO Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Redator designado. EDITADO EM: 05/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Junior e Gulherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 76 16 /2 00 9- 21 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário, interposto em face do Acórdão da 5ª Turma da DRJ/POA, que manteve a aplicação da multa qualificada, julgando improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte contra o Auto de Infração n.º 01.202037. O presente processo tem origem no Mandado de Procedimento Fiscal n.º 10.1.01.002009008280, cujo objetivo era fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao anocalendário de 2006, quando o contribuinte fez a opção pelo Lucro Real. Foram expedidas intimações solicitando informações e documentos, o que foi atendido pela recorrida (fls. 61,63, 252 e 253). De posse das informações apresentadas, o auditor fiscal apurou a omissão de receitas representadas por saldos credores, constantes na conta “clientes diversos”, não contabilizados como receita e que, no decorrer da ação fiscal, foram admitidos como tal e declarados como receita em DIPJ retificadora. Melhor esclarecendo. Ao se analisar os livros fiscais, e toda demais documentações apresentadas pelo contribuinte, ficou constatado que as receitas de vendas são registradas através do débito na conta 100070 (“Clientes Diversos”) e crédito nas contas 400088 (“Revenda de Mercadorias”) e 400105 (“Venda de Prod. de Fab. Própria”), não existindo controle individual de clientes. Salientase que os valores referentes a este exercício, lançados nestas contas, guardam conformidade com o Livro Reg. De Saídas do ICMS, totalizando R$ 4.555.734,70. Observouse, outrossim, que os recebimentos das vendas, via bancos, eram registrados através do débito na conta “Bancos”, e crédito na conta 100070 (“Clientes Diversos”), aparentando adiantamentos de clientes, o que resultou em saldo credor mensal no montante de R$ 3.361.544,10, valor que foi transferido, em 31/12/2006, para a conta 201110 (“Adiantamento Rec. de Clientes”). Assim, o contribuinte foi intimado (fls. 254 e 255) a apresentar os extratos bancários, e outros documentos, e para identificar quando e quais clientes efetuaram os adiantamentos lançados na conta 10007, posteriormente transferidos para a conta 20111, quando prestou informações (fls. 264 a 266) de que houve um equívoco no lançamento de tais valores, anexando email trocado com sua contadora para corrigilo, e cópias da DIPJ retificadora, apresentada em 13/10/2009 (fls. 267 a 297). Neste sentido, restou caracterizado que, no anocalendário de 2006, o contribuinte deixou de declarar, na DIPJ (fls. 84 a 215), receitas auferidas e recebidas, como verificado através do Livro Razão, e, também, pelo reconhecimento do contribuinte de que o saldo credor da conta 100070 tratavase de receita tributável, caracterizando crime contra a ordem tributária, consoante art. 1º, inciso II, da Lei 8.137/90, aplicandose o disposto no art. 44, II, da Lei 9.430/96. Desta forma, houve a constituição de crédito tributário referente ao IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, bem como concernente a respectiva contribuição para o PIS e a COFINS, com multa de 150%, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário (fls. 01), o qual totalizou R$ 2.605.308,58. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.007616/200921 Acórdão n.º 1302001.070 S1C3T2 Fl. 497 3 Em face da constituição do crédito tributário em seu desfavor, o contribuinte apresentou impugnação, argumentando a impossibilidade de aplicação da multa do art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96, vigente à época, pelos seguintes motivos (fl. 236 e ss.): (i) A autoridade aplicou multa qualificada, no importe de 150%, com base no inciso II, do art. 44, da Lei 9.430/96, vigente à época; (ii) A omissão de receitas ocorreu de um equívoco de escrituração contábil da empresa, conforme comprovado por email entre a representante da empresa e sua contadora, através do qual requereu que fosse corrigido o registro, afirmando, ainda, que não houve intenção de praticar o crime de sonegação; (iii) O tipo penal do art. 71, da Lei 4.502/64, aplicável ao caso, exige conduta omissiva dolosa, o que restou descaracterizada pela apresentação do todos os documentos contábeis fiscais e a DIPJ retificadora; (iv) Portanto, uma vez não caracterizada o dolo na omissão das informações, inaplicável a multa qualificada de 150%, devendo incidir a multa simples, de 75%. A Quinta Turma de Julgamento da DRJ/POA declarou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão nº 1027.069 (fls. 436/438) e, portanto, manteve a multa qualificada, no importe de 150%, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150% quando demonstrado o evidente intuito de fraudar o fisco. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em razão da manutenção da multa qualificada, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 444/452) ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aduzindo em síntese: (i) Quando do procedimento de fiscalização, ao concluir pela existência de infração por omissão de receitas, os auditores aplicaram multa de 150%, fundamentada no art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96, revogado pela Lei 11.488/07; (ii) Em sendo a lei nova mais benéfica ao contribuinte do que a vigente na época do fato gerador, esta deve ser aplicada segundo o preceito exarado no art. 106, II, c, do CTN; Fl. 498DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 (iii) Ocorrido este evento, está instaurada a relação jurídica em face do sujeito ativo (União) e sujeito passivo (responsável), sendo que a extinção da referida obrigação ocorrerá apenas por uma das hipóteses previstas em lei, conforme o art. 97 do CTN; (iv) Assim, alega inconsistência no auto de infração e na aplicação da multa de 150%, devendo esta ser afastada integralmente; (v) Cita a súmula 14, do 1º Conselho de Contribuintes, ressaltando a necessidade de comprovação do dolo, o que não aconteceu; (vi) Requer a reforma da decisão proferida pela 5ª Turma de Julgamento, afastandose, assim, integralmente, a multa aplicada; (vii) Ressalta, outrossim, a inexistência de dolo pelo registro equivocado das receitas, requerendo, subsidiariamente, na hipótese de ser mantida a multa, que seja limitada a 50%, consoante art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. DA APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A aplicação de multa de oficio qualificada realizada pelo AFRFB, conforme notase no processo administrativo, ocorreu em decorrência dos seguintes fundamentos: (i) A empresa fiscalizada, no anocalendário de 2006, era optante pelo regime do Lucro Real, com manutenção de escrituração contábil completa; (ii) Nos livros Diário e Razão foram escrituradas as operações realizadas no AC de 2006, de forma a registrar a efetiva movimentação bancária; (iii) No entanto, ao receber dos clientes o produto das vendas e escriturar a crédito de clientes valores superiores aos debitados pelas vendas, resultando em saldo credor na conta patrimonial "Clientes Diversos", integrante do Ativo (Bens e Direitos) e, ao encerrar o Balanço Patrimonial, em 31/12/2006, transferir para o Passivo (obrigações) na conta "Adiantamento Rec. De Clientes", evidenciou a intenção dolosa de ocultar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da Fl. 499DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.007616/200921 Acórdão n.º 1302001.070 S1C3T2 Fl. 498 5 ocorrência do fato gerador, materializado na omissão de vendas e evidenciado no registro do saldo credor da conta "Clientes Diversos". (iv) Com a omissão de receita, a DIPJ registra prejuízo em todos os trimestres do AC 2006, pelo que não houve pagamento do IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; (v) A contribuição para a COFINS e para o PIS foi efetuada apenas nos limites das bases de cálculo constantes na contabilidade, bases estas inferiores às efetivamente incorridas; (vi) Nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF também foram declarados como tributos devidos somente montantes compatíveis com as bases de cálculo consignadas na contabilidade. Os motivos acima resumidamente enumerados foram utilizados pelo AFRFB como fundamento fático para que houvesse a incidência da qualificação da multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, § 1º da lei 9430/96, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. O dispositivo acima transcrito é claro ao vincular a aplicação da qualificação da multa aos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da lei 4502/64, que trata dos institutos da sonegação, fraude e conluio, nos seguintes termos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou Fl. 500DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Desta forma, não há dúvidas que no presente caso, pelos motivos expostos pelo AFRFB, e por mim resumidos logo no início desta argumentação, que a aplicação da multa qualificada de 150% teve como fundamento o fato de o contribuinte ter recebido receitas de vendas e escriturado como adiantamento de clientes (passivo), omitindo tais receitas da correspondente tributação, situação esta que, segundo o AFRFB, coadunase diretamente ao disposto no art. 71 ou 72 ou 73, da lei 4502/64. Desta forma ficou claro que o fato de o contribuinte ter escriturado receitas de vendas como adiantamentos, demonstrando pela DIPJ que apresentou prejuízo em todos os trimestres do AC 2006, foi entendida pela autoridade fiscal como caracterizadora da conduta dolosa do recorrente de se eximir do imposto devido e, portanto, merecedora da imposição da majoração da multa imposta de ofício. No entanto, tal entendimento se mostra equivocado uma vez que a simples conduta ora mencionada não pode, por si só, qualificar a multa prevista no art. 44, I da lei 9430/96. Explico. O AFRFB fundamentou o lançamento da multa qualificada sob o argumento de que poderseia inferir que as condutas do recorrente, quais sejam: escriturar receitas de vendas como adiantamentos, seriam suficientes para a caracterização da intenção dolosa e fraudulenta de impedir ou retardar através de meios ilícitos o conhecimento das infrações bem como a ocorrência dos fatos geradores, de forma a ocultar receitas auferidas ou não escrituradas/auferidas. É de se notar que, com a devida vênia, a conduta praticada pelo recorrente é punível segundo o disposto no inciso I do art. 44 da lei 9430/96, ou seja, com multa de 75% apenas. O evidente intuito de fraude é claramente o fundamento utilizado pelo AFRFB para aplicação da qualificação, uma vez que, segundo o auto de infração, o recorrente teria omitido receitas tributáveis, informadas como adiantamentos, escriturando prejuízos trimestrais, deixando, por consequência, de recolher IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, e, dessa forma, segundo o entendimento do ilustre AFRFB, teria deixado de escriturar receitas auferidas, através de meios escusos e fraudulentos. Resumidamente, o AFRFB entendeu que a conduta do recorrente, tanto nas informações prestadas na declaração do imposto de renda, quanto naquelas prestadas durante a fiscalização, foi com o único objetivo de diminuir o tributo devido. Veja que, no entanto, tal conduta caracteriza no máximo uma simples omissão de receita. Ora, a autoridade lançadora poderia a qualquer momento desconsiderar as informações e valores prestados e fazer o lançamento de ofício normal, que, frisese, possui multa prevista no valor de 75%. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.007616/200921 Acórdão n.º 1302001.070 S1C3T2 Fl. 499 7 A recorrente prestou todas as informações solicitadas pelo AFRFB, nas quais este se baseou para fazer o presente lançamento. Não obstante a aplicação da multa qualificada (art. 44, § 1º da lei 9430/96) ocorrer de forma generalizada pelas autoridades lançadoras, há de se buscar os casos que efetivamente resta comprovada a conduta evidentemente fraudulenta. Neste sentido existe amplo número de decisões deste Egrégio Conselho das quais colaciono alguns exemplos abaixo: MULTA AGRAVADA. INADMISSIBILIDADE. A apresentação de declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da multa qualificada. Descabe a aplicação da multa agravada quando, mesmo tendo informado receitas a menor, as receitas foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores escriturados no livro caixa. (Ac. 110300502 – CARF – 1ª Seção – 1ª Câmara – 1ª Turma – Rel. Hugo Correia Sotero, j. 30 de junho de 2011). MULTA DE OFÍCIO DE 150%. É cabível a aplicação da multa de ofício, no percentual de 150%, sobre os valores dos tributos exigidos, nos casos de evidente intuito de fraude, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Ac. 110300.502. – CARF – 1ª Seção – 2ª Câmara – 2ª Turma – Rel. Carlos Alberto Donassolo, j. 27 de junho de 2011). MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 150%. CABIMENTO. A qualificação da multa de ofício apenas é justificada quando a fiscalização devidamente demonstra o evidente intuito de fraude do contribuinte (art.44, II, da Lei nº 9.430/96, redação à época dos fatos geradores). (Ac. 140100.484 – 1ª Seção – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Rel. Eduardo Martins Neiva Monteiro, j. 24 de fevereiro de 2011). MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude. (1CC Proc. 15586.000733/200509 6ª C. Rel. Giovanni Christian Nunes Campos DOU 03.09.2008) Fl. 502DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 MULTA QUALIFICADA – CABIMENTO – Cabível a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, quando a contribuinte, mediante fraude, modifica as características essenciais do fato gerador e da obrigação tributária, reduzindo o montante do tributo. (Acórdão 10517.249. 1º Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Publicado em 15.10.2008). Neste sentido dispõe o art. 957, II do RIR/99: Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): [...] II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito e fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964,independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Neste contexto há de se asseverar que não há possibilidade de presunção da fraude. Os fatos que a caracterizem devem estar presentes e perfeitamente identificados nos autos, seja na conduta do recorrente, seja em omissões deliberadas. O que não se pode admitir é que o AFRFB entenda que a simples atitude de omitir receita, através do lançamento de receita de vendas (ativo) como adiantamentos (passivo), evidencie o dolo do contribuinte. É de se espantar que muitos entendam que a simples omissão de receitas ou rendimentos, a simples declaração inexata de custos, despesas, receitas, a classificação equivocada de receitas na DIPJ, falta de comprovação de determinada operação comercial ou ato financeiro, inclusão ou exclusão de qualquer valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, prestação de informações divergentes às levantadas pelo Fisco, entre outras, caracterizem a incidência da multa qualificada sob o fundamento de evidente intuito de fraude. Tais condutas de maneira alguma, por si só, com vênia aos que pensam em contrário, podem ser consideradas como atividades com evidente intuito de fraude. Há de se verificar positivamente no processo um plus fraudulento às condutas acima mencionadas para que se entenda pela aplicação da tal qualificadora, sob pena de se desvirtuar a natureza de cada instituto. O equívoco me parece estar exatamente nos casos de lançamento de oficio de tributos com base em presunção legal de omissão de receita ou rendimentos. A simples omissão de receita baseada na presunção legal e a inclusão de valores e informações nas declarações do imposto de renda não caracterizam de maneira alguma o evidente intuito de fraude. Estarseia em um perigoso processo de equiparação dos casos de simples infração fiscal de omissão de receita a casos graves caracterizadores de evidente atitude fraudulenta. As condutas que caracterizam a presunção legal de omissão de receita, aos quais se aplica a multa de 75%, em nada se assemelham aos casos de fraude manifesta, estes sim ensejadores da aplicação da multa majorada de 150%. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.007616/200921 Acórdão n.º 1302001.070 S1C3T2 Fl. 500 9 Tais condutas com evidente intuito de fraude em nada se assemelham ao praticado pelo recorrente, como disposto no auto de infração como fundamento para a aplicação de tão gravosa penalidade. O recorrente, ao escriturar receitas tributáveis como adiantamentos (não tributáveis), deveria ter sido, sim, penalizado pela infração de omissão de receita, mas jamais pela atitude evidente de fraude. Há grande distância entre a conduta do recorrente e àquelas que carecem de penalidade qualificada, como movimentações bancárias através de terceiros "laranjas", falecidos, adulteração de comprovantes, falsificação documental, falsidade ideológica, notas fiscais falsas ou calçadas, notas de empresas inexistentes, subfaturamentos na exportação entre outros. Estas condutas exemplificadas acima, sim, possuem grande teor fraudulento. Têm o evidente intuito de enganar ou ludibriar a autoridade lançadora de forma que totalmente aplicável o disposto no art. 44, § 1º da lei 9430/96. A simples constatação da omissão de receita evidencia a necessidade de tributação de ofício e com ela a aplicação da multa de ofício no valor de 75%. No entanto, conforme analisado no presente processo, não ficou evidente o intuito de fraude na conduta do recorrente, requisito necessário para que seja aplicada a multa de 150%. O AFRFB deve demonstrar de forma clara e através de fatos e informações presentes no auto de infração que o contribuinte agiu com dolo na tentativa de fraudar ou sonegar. A situação resumidamente consiste no seguinte resumo: (i) A negligência, equívoco, lapso, desorganização e até omissão proposital do contribuinte, que poderá ocasionar a presunção de omissão de receita, o que resulta na tributação de ofício e com ela a multa de 75%; (ii) O dolo evidente de fraudar através de condutas que efetivamente busquem ludibriar, falsificar, enganar, alterar com o resultado de sonegar tributos, desde que minuciosamente justificado e comprovado nos autos, resulta na multa majorada de 150%. Se passarmos a considerar a simples omissão de receita como fato ensejador da multa qualificada no valor de 150% o que ocorrerá com a multa de ofício normal 75%? De certo que se tornará letra morta de lei. Marco Aurélio Greco, examinando o descabimento da multa qualificada nos casos de suposta fraude com base no art. 44, II da lei 9430/96 que possui exatamente o mesmo texto legal do art. 957 do RIR/99, se manifesta no seguinte sentido: "Outra observação a ser feita é a de que a incidência do inciso II do artigo 44 da Lei n°9430/96, que leva à multa mais onerosa, supõe a ocorrência inequívoca de intuito fraudulento. Vale dizer, não é toda e qualquer hipótese de falta de pagamento, etc, prevista no inciso I que vai levar à multa em dobro. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Se não houve intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido — que levava ao enquadramento em regime ou previsão legal tributariamente mais favorável — não se trata de caso regulado pelo inciso II do artigo 44, mas sim de divergência de qualificação jurídica dos fatos; hipótese completamente distinta da fraude a que se refere o dispositivo. A multa agravada só tem cabimento se o elemento subjetivo do tipo for a fraude no sentido de enganar, esconder, iludir, etc. (GRECO. Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2004). Corroborando tal entendimento estão as razões do voto da cons. Heloiza Guarita Souza, ao analisar o instituto da simulação, proferidas no acórdão 10423.129, em 23 de abril de 2008 conforme abaixo: Porém, o que deve ser considerado é que a simulação, por si só, não é causa geradora de sonegação, fraude e conluio. Diante das premissas aqui expostas, pode até se admitir que as operações tenham sido simuladas, com o objetivo de evitar a ocorrência de fatos geradores de IRPJ e IRPF, mas, em momento algum, vejo a caracterização de intuito doloso ou a identificação de elementos e/ou negócios e atos jurídicos falsos, ilegítimos ou fraudulentos, capazes de caracterizar a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, isolada ou conjuntamente. As ações desenvolvidas pelas partes, os negócios jurídicos realizados estão dentro daquele verdadeiro direito do contribuinte de optar pela conduta menos onerosa tributariamente, arcando com os riscos dela inerentes, utilizandose, para tanto, da prática de atos totalmente lícitos, abertos, feitos às claras, transparentemente, de conhecimento público e geral. E, mais, principal e essencialmente, deve ser levado em conta, também, que, na época em que as operações foram realizadas, eram elas aceitas, lícitas, não havendo a "pecha" de ilícitas, sendo, inclusive, referendadas por esse Conselho de Contribuintes. Tratavase, pois, de operações de planejamento tributário (sim, reconhecidamente), mas tidos como possíveis e aceitos, já que lícitos todos os seus atos. Isso tudo, fundamentado naquela máxima de que o contribuinte não está obrigado a usar o caminho mais gravoso economicamente para concretizar os seus atos jurídicos, desde que não haja imposição legal expressa a esse respeito. Assumir que o evidente intuito de fraude pode ser presumido é desvirtuar não somente a sistemática do procedimento administrativo fiscal, mas todo o ordenamento jurídico brasileiro. Dessa forma, dou provimento ao recurso voluntário interposto pelo recorrente no sentido da não aplicação da multa de ofício qualificada em razão da inexistência de Fl. 505DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.007616/200921 Acórdão n.º 1302001.070 S1C3T2 Fl. 501 11 comprovação clara no presente processo administrativo por parte do AFRFB da efetiva conduta fraudulenta ou com evidente intuito doloso de sonegação fiscal. 3. CONCLUSÃO Ante ao exposto, dar provimento ao recurso voluntário, para manter a multa de ofício na sua forma simples, no patamar de 75%, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo – Relator. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto S. Jr. Com a devida vênia do I. Relator, ouso divergir do seu voto, pois entendo que, in casu, a prova da omissão de receitas não é indireta, razão pela qual cabe a qualificação da multa de ofício. Como se sabe, a presunção juris tantum é prova indireta que decorre de norma legal que autoriza o aplicador do Direito a presumir ocorrido um determinado fato não conhecido a partir da constatação da ocorrência de determinado indício. Por exemplo, a partir da constatação do saldo credor de caixa (indício), a norma autoriza que se conclua pela ocorrência da omissão de receitas. Da mesma forma, são indícios que autorizam a presunção legal de omissão de receitas: o passivo fictício, o suprimento de numerário, etc. No caso em tela, porém, a omissão de receitas está demonstrada e comprovada nos autos por prova direta, colhida da própria escrita contábil da contribuinte, razão pela qual não há falar em aplicação da Súmula CARF 14, se não vejamos como descreve a autoridade lançadora os lançamentos verificados nos livros da recorrente: “ c) No entanto, ao receber dos clientes o produto das vendas e escriturar a crédito de clientes valores superiores aos debitados pelas vendas, resultando em saldo credor na conta patrimonial "Clientes Diversos", integrante do Ativo (Bens e Direitos) e ao encerrar o Balanço Patrimonial em 31/12/2006, transferir para o Passivo (obrigações) na conta "Adiantamento Rec. de Clientes" evidenciou a intenção dolosa de ocultar o conhecimento por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador, materializado na omissão de vendas e evidenciado no registro do saldo credor da conta Clientes Diversos (fls. 102 a 183); d) Com a omissão de receita a DIPJ registra prejuízo em todos os trimestres do AC 2006 e não houve pagamento do IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido;”. O dolo da contribuinte é inegável diante de lançamentos contábeis tão absurdos e repetidos, os quais afastam qualquer alegação de ter sido por mero equívoco. Aliás, deixam claro que tinham o propósito de omitir receitas, ou seja, de evitar os lançamentos de receitas em resultado, o que se configura na conduta tipificada no art. 71 da Lei 4.502/64 impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. O fato de a escrita sempre ter estado a disposição do Fisco não desconstitui a conduta dolosa da recorrente no intuito de impedir ou retardar o conhecimento do Fisco das receitas omitidas. Com efeito, assumiu a recorrente o risco de sua conduta dolosa, pois, da mesma forma que tais lançamentos foram objetos de fiscalização, poderiam não o ser até que houvesse a decadência de tais créditos tributários. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto S. Jr. – Redator designado. . Fl. 507DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.007616/200921 Acórdão n.º 1302001.070 S1C3T2 Fl. 502 13 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 8/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 06/08/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10840.909826/2011-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 14/06/2002
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.191
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 14/06/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 26 /2 01 1- 69 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10840.909826/201169 Acórdão n.º 9303007.191 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.479, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/06/2002 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.909826/201169 Acórdão n.º 9303007.191 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.909826/201169 Acórdão n.º 9303007.191 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.909826/201169 Acórdão n.º 9303007.191 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10840.909826/201169 Acórdão n.º 9303007.191 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 158DF CARF MF
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Numero do processo: 10331.000193/2010-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, solicitando que a unidade preparadora junte aos autos a Declaração de Ajuste Anual (DAA) da contribuinte, referente ao ano calendário 2008/exercício 2009, para fins de comprovação de que André Luís Melo Soares foi declarado como dependente. Ainda solicita-se que a contribuinte carreie aos autos declaração de YARA CLÍNICA ODONTOLÓGICA LTDA e de JOSÉ FRANCISCO BEZERRA NUNES com indicação do registro profissional no órgão competente. Vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que votou contra a realização da diligência por entendê-la prescindível.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, solicitando que a unidade preparadora junte aos autos a Declaração de Ajuste Anual (DAA) da contribuinte, referente ao ano calendário 2008/exercício 2009, para fins de comprovação de que André Luís Melo Soares foi declarado como dependente. Ainda solicitase que a contribuinte carreie aos autos declaração de YARA CLÍNICA ODONTOLÓGICA LTDA e de JOSÉ FRANCISCO BEZERRA NUNES com indicação do registro profissional no órgão competente. Vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que votou contra a realização da diligência por entendêla prescindível. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 31 .0 00 19 3/ 20 10 -9 1 Fl. 64DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 65 ___________ RELATÓRIO Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 04 a 09), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de diversas despesas médicas indevidamente deduzidas, bem como a glosa de dedução indevida com despesas de instrução. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 3.803,46, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efl. 02 a 26 dos autos, sob fundamento de cometeu erro no preenchimento da DAA relativo ao valor de R$120,00 informado como despesa com instrução. Ainda, informa que as despesas médicas no valor de R$6.565,00 são próprias e R$5.080,00 são referentes a despesas com o dependente André Luís Melo Soares. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que por unanimidade, em 20/09/2013, no acórdão 0643.849, às efls. 47 a 50, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, apresentou recurso voluntário, às efls. 58 a 60, no qual alega, em resumo, que os recibos apresentados, efls. 10 a 23, são documentos hábeis para comprovação das despesas médicas. É o relatório. VOTO Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 26/09/2013, efls. 56, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 08/10/2013, efls. 58, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Primeiramente fazse necessário a delimitação da lide em sede de recurso voluntário. O contribuinte foi autuado pela glosa as seguintes despesas, conforme notificação de lançamento às e.fls09: · UNIMED PARNAÍBA COOPERATIVA R$4.205,15; · HOSPITAL DE OLHOS FRANCISCO VILAR R$4.515,00; · EDSON JANSEN PEDROSA DE MIRANDA R$80,00; Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10331.000193/201091 Resolução nº 2002000.032 S2C0T2 Fl. 66 3 · YARA CLÍNICA ODONTOLÓGICA LTDA. R$1.800,00; · JOSÉ FRANCISCO BEZERRA NUNES R$5.000,00; · ANDREIA DE MEDEIROS CUNHA R$250,00 · DESPESA COM INSTRUÇÃO R$120,00 Apresentada impugnação, a contribuinte não contesta a despesa com instrução no valor de R$120,00 e nem o valor deduzido com a UNIMED PARNAÍBA COOPERATIVA, no valor de R$4.205,15. A DRJ manteve a autuação sob os seguintes fundamentos: (...) 10. Como os documentos apresentados não identificavam o paciente, ndicando apenas a contribuinte como pagante do serviço, as despesas foram glosadas (art. 8º, §2º, II da Lei 9.250/1995). 11. Em sua defesa, a contribuinte alega que os valore glosados se referem a pagamento de despesas médicas próprias e de seu dependente, inclusive despesa glosada declarada como despesa com instrução, porém encaminha documentos (notas fiscais, recibos e declarações) que informam seu nome como pagante do serviço prestado, não identificando, ainda, o paciente que teria se submetido aos tratamentos. 12. Mera alegação desprovida de provas não tem o condão de alterar o ato administrativo devidamente motivado, pois este goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, cabendo ao contribuinte a obrigação de comprovar e justificar o que alega. 13. Concluise, portanto, que o pressuposto de fato do lançamento não foi afastado devendo ser mantida a glosa das despesas, conforme Notificação de Lançamento impugnada. Conclusão 14. Assim, VOTO pela improcedência da impugnação parcial apresentada e manutenção do crédito tributário exigido. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte reitera que os recibos emitidos por profissionais são documentos hábeis para comprovação da prestação de serviço. Feitas estas considerações, não constam nos autos documentação necessária para o desfecho da presente lide. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência solicitando que a unidade preparadora junte aos autos a Declaração de Ajuste Anual (DAA) da contribuinte, referente ao ano calendário 2008/exercício 2009, para fins de comprovação de que André Luís Melo Soares foi declarado como dependente. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10331.000193/201091 Resolução nº 2002000.032 S2C0T2 Fl. 67 4 Ainda solicito que a contribuinte carreie aos autos declaração de YARA CLÍNICA ODONTOLÓGICA LTDA e de JOSÉ FRANCISCO BEZERRA NUNES com indicação do registro profissional no órgão competente. (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 67DF CARF MF
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