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Numero do processo: 13808.001627/98-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1993
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO
Em que pese o princípio da eficiência dever ser um norte para a administração, inclusive a tributária, a demora na análise de pedido de restituição de crédito tributário supostamente pago indevidamente pelo contribuinte, não tem o condão de homologar tacitamente aquele pedido.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO
É dever do contribuinte, em pedido de restituição de crédito tributário, comprovar o seu direito creditório, inclusive com a apresentação de declarações retificadoras, como determinava a legislação vigente à época dos fatos geradores.
Numero da decisão: 1302-003.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, c conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela Conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1993 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Em que pese o princípio da eficiência dever ser um norte para a administração, inclusive a tributária, a demora na análise de pedido de restituição de crédito tributário supostamente pago indevidamente pelo contribuinte, não tem o condão de homologar tacitamente aquele pedido. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO É dever do contribuinte, em pedido de restituição de crédito tributário, comprovar o seu direito creditório, inclusive com a apresentação de declarações retificadoras, como determinava a legislação vigente à época dos fatos geradores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, c conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela Conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 16 27 /9 8- 01 Fl. 144DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Nos termos consignados nos autos, o presente processo administrativo se iniciou com pedido de restituição formalizado pelo contribuinte Bull Tecnologia da Informação Ltda., ora Recorrente, que foi protocolizado junto à repartição fazendária em 19/02/1998. A pedido se baseou, em síntese, no fato de o contribuinte ter supostamente pago a maior valor de IRPJ devido sobre o lucro inflacionário, na medida em que houve o pagamento daquele tributo, em cota única, em 19/02/1993, pela alíquota única de 5%, sem que houvesse respaldo legal para tanto. Em seu pedido (formulado em papel), o contribuinte alegou que, "diante da revogação da Lei 8.200/91, as empresas não mais estavam obrigadas a recolher o IR sobre o saldo credor da diferença de correção monetária IPC/BTNF, caso optassem, pelo recolhimento do IR sobre o lucro inflacionário, em cota única". Afirma, assim, que, mesmo com a edição da Lei nº 8.682/93, que convalidou os atos praticados com base na MP 312/93, "as empresas que recolhem o IR sobre o lucro inflacionário, no período de 11.02.93 a 14.07.93, pela alíquota de 5%, não estavam obrigadas a tal pagamento". Junta aos autos solução de consulta formulada por outro contribuinte, no qual a Receita Federal afirma que o IR "sobre o saldo credor da diferença de correção monetária IPC/BTNF na vigência da Medida Provisória 312/92" não seria devido pelos contribuintes. O pedido do Recorrente restou indeferido pela Receita Federal após transcorridos quase 14 anos, contados da data do pedido de restituição (intimação do contribuinte da decisão se deu em 16/02/2012). No despacho decisório, após concluir pela desnecessidade de pagamento do lucro inflacionário no período compreendido entre 11/02/1993 e 14/07/1993, consta a seguinte motivação para o indeferimento do pleito do Recorrente: 16. Portanto, somente com a recomposição dos ajustes do lucro real dos períodos base em questão, via apresentação de declarações retificadoras, é que se poderia verificar, por meio de comparação, se a interessada teria direito a algum valor a ser restituído. 17. Contudo, não consta nos autos, nem nos sistemas da Receita Federal, declarações retificadoras que demonstrem tal recomposição dos ajustes do lucro real dos períodosbase em questão, não sendo possível o cotejamento do valor pago a título de IRPJ na forma do art.31 da Lei nº 8.541/1992, tendo como hipótese de incidência o saldo credor da correção monetária IPC/BTNF (estabelecido pela Lei nº 8.200/1991), com os valores Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13808.001627/9801 Acórdão n.º 1302003.076 S1C3T2 Fl. 145 3 devidos a partir de 14 de julho de 1993 (Lei nº 8.682/1991), até a data do protocolo do presente processo. 18. Pelo exposto, apesar do imposto ter sido pago em período no qual a Lei nº 8.200/1991 estava revogada; considerando que citada Lei foi posteriormente revigorada pela Lei nº 8.682/1993; considerando que a interessada não procedeu ao ajuste contábil e fiscal das declarações de IRPJ dos períodos base em questão; não há que se falar em restituição, uma vez que o imposto sobre o lucro inflacionário, inclusive sobre o saldo credor da correção monetária BTNF/IPC permaneceu devido. Devidamente intimado da decisão proferida, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, que foi analisada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife (PE). Contudo, o pedido formulado não foi acatado por aquela DRJ, tendo o acórdão proferido recebido a seguinte ementa: RESTITUIÇÃO. REQUISITOS Nos termos do art. 170 do CTN, somente são restituíveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Manifestação de Inconformidade Improcedente O Recorrente foi intimado do acórdão proferido pela DRJ de Recife (PE), apresentando, em seguida, Recuso Voluntário, no qual alega, em síntese, (i) que houve homologação tácita do pedido de restituição, na medida em que houve o "transcurso de 14 anos entre o pedido feito e a primeira decisão comunicada" ao Recorrente; e (ii) que não podem subsistir os argumentos da DRJ, já que feita a retificação das declarações e que o seu direito creditório estava, de fato, comprovado. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado eletronicamente do teor do acórdão recorrido (fl. 132), em 01/11/2017, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 23/11/2017 (comprovante de fl. 135), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA SUPOSTA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Fl. 146DF CARF MF 4 Como demonstrado acima, o Recorrente apresentou pedido (em papel) de restituição de tributo pago indevidamente no dia 19/02/1998, sendo transcorridos 14 anos para que fosse proferida decisão administrativa, uma vez que a intimação do contribuinte quanto ao indeferimento do seu pleito só se deu em 16/02/2012. Assim, o Recorrente alega que houve a "homologação tácita" do seu pedido, o que imporia, em tese, o reconhecimento do seu direito creditório. Afirma que "o crédito da ora Recorrente já estava tacitamente aceito a partir de 20/02/2003, ou seja, 05 anos após o protocolo do pedido de ressarcimento." Invoca, para corroborar com as sua argumentações, o artigo 24 da Lei nº 11.457/07, que impõe que as decisões administrativas deverão, obrigatoriamente, ser proferidas no "prazo máximo de 360 dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." Não assiste razão ao Recorrente. Explicase. De pronto, devese registrar que compartilhase da indignação do contribuinte, que teve que aguardar 14 anos para a Administração proferir um simples despacho acerca de um pedido de restituição de tributos pagos indevidamente. Administração esta regida, dentre outros, pelo princípio da eficiência (artigo 37 da Constituição Federal de 1988). Com todo respeito, não se consegue enxergar eficiência neste caso. Contudo, apesar da inércia do órgão administrativo, que não entrega em tempo hábil as respostas aos pleitos dos contribuintes, não há embasamento legal que referende a tese de "homologação tácita" no caso de pedido de restituição de tributos pagos indevidamente. De fato, o disposto no § 5º, do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, fala em homologação tácita da compensação, no prazo de 05 anos, contados da apresentação do pedido pelo contribuinte. Vejas: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Entretanto, o dispositivo se aplica tão somente aos pedidos de compensação, porque, nestes casos, a autoridade fazendária tem o que homologar, que é justamente o pagamento do débito tributário, declarado no pedido de compensação. Já no pedido de restituição, não há o que homologar e, por consequência, não há que se falar em homologação tácita, como argumenta o Recorrente. Este entendimento já foi exarado em outros julgados proferidos por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13808.001627/9801 Acórdão n.º 1302003.076 S1C3T2 Fl. 146 5 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista. PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. PRAZO DECISÃO ADMINISTRATIVA. ART. 24, 5º DA LEI Nº 11.457/2007. 360 (TREZENTOS E SESSENTA) DIAS. INAPLICABILIDADE NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. O prazo previsto no art. 24, § 5º da Lei nº 11.457/2007 é aplicado aos julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte.Recurso Voluntário NegadoDireito Creditório Não Reconhecido (Número do Processo 12585.000525/201081 Acórdão nº 3302005.144 Sessão de 30/01/2018) (destacouse). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Fl. 148DF CARF MF 6 Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido.Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte (Número do Processo 10930.907064/201157 Acórdão 3302004.965 Sessão de 30/01/2018) (destacouse) Por outro lado, não se desconhece o teor do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007, que estipula o prazo de 360 dias, a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, para que a administração profira decisões. Contudo, mesmo tendose o entendimento de que esse dispositivo se aplica a toda a administração, inclusive aos órgãos vinculados ao Ministério da Fazenda, como no caso da Receita Federal do Brasil e do CARF, tal dispositivo não tem o condão de extinguir o crédito tributário ou de homologar tacitamente o pedido de restituição de tributos pagos indevidamente. Não há na legislação, em especial, no Código Tributário Nacional, previsão que acarrete nessa consequencia. In casu, uma vez transcorrido aquele prazo, fixado na legislação, entendese que o contribuinte, data venia, poderia ter se valido do Poder Judiciário para que este determinasse que a administração proferisse a pretendida decisão. São inúmeros os precedentes dos Tribunais que determinam/impõe que a administração profira decisões, quando há a constatação de morosidade por parte do poder público. Neste sentido, é o teor da decisão proferida no REsp 1138206/RS, que foi submetido, inclusive, à sistemática dos recursos repetitivos. Contudo, não se tem notícia nos autos que o contribuinte se insurgiu contra a morosidade do poder público, sendo temerário, neste momento processual, com base no artigo 24 da Lei nº 11.457/2007, se arguir a "homologação tácita" do pedido de restituição do indébito tributário. Mais uma vez reforçando que se compartilha da indignação do contribuinte, não se pode acatar, contudo, o argumento de que houve homologação tácita do pedido de restituição administrativa. Portanto, neste ponto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. Como restou acima relatado, o contribuinte, com base em entendimento consolidado pela Receita Federal do Brasil, formalizou (em papel) pedido de restituição de créditos tributários pagos indevidamente, uma vez que não existia previsão legal para cobrança e, por consequencia, pagamento de tributo efetivamente pago, via DARF, pelo contribuinte. Como se denota do pedido formulado, o crédito tributário se refere "a IR sobre o lucro inflacionário, no período de 11.02.93 a 14.07.93, pela alíquota de 5%" que, a princípio, foi efetivamente pago indevidamente pelo Recorrente. Da leitura dos autos (fls. 02 a 85), se verifica que o Recorrente embasou o seu pedido com vários documentos, dentre eles podese destacar: DARF de pagamento com código 3320, Declaração de Rendimentos 94 (ano calendário 1994) retificadora e LALUR. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13808.001627/9801 Acórdão n.º 1302003.076 S1C3T2 Fl. 147 7 Contudo, como demonstrado acima, ao indeferir o pleito do contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil argumentou que não poderia se analisar o direito creditório, porque o contribuinte não teria retificado as suas declarações, em especial que não teria recomposto os "ajustes do lucro real dos períodos base em questão". A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) ratificou aquele entendimento, quando julgou como improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente. Em seu Recurso Voluntário, o Recorrente, entretanto, não trouxe qualquer elemento ou até mesmo argumento que pudesse desconstruir o que restou assentado no Despacho Decisório e no acórdão recorrido. E, pela análise dos autos, em especial do LALUR juntado às fls. 72, inferese que não houve a devida recomposição do saldo credor do IPC/BTNF no período, para fazer a adição determinada no artigo 3º, inciso II, da 8.200/91. Desta forma, como razões de decidir, nos termos do artigo 57, parágrafo 3º do RICARF, adoto o que restou assentado no acórdão recorrido, in verbis: " A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dela se conhecendo. Não há nenhum reparo a ser efetuado no presente despacho. Nos termos do art. 170 do CTN3, para que o sujeito passivo postule a restituição/compensação de tributos é necessário que seu direito seja líquido e certo. Assim, à Administração, cabe investigar a certeza e liquidez do crédito suplicado. Já, ao interessado, fazer prova do seu direito, para o caso, a efetiva apuração do pagamento indevido ou a maior, além de evidenciar sua efetiva disponibilidade para a aspirada utilização. No caso em tela, conforme se relatou, constando igualmente no despacho decisório que ora se refuta, a interessada, tendo efetuado, em 19/02/1993, pagamento do IRPJ sobre o lucro inflacionário, quando se encontrava revogada a Lei nº 8.200/19914 5, optou pela tributação incentivada prevista no art. 31 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 19926, utilizandose dos valores apresentados nas declarações, já que não as retificou. Concluiu, portanto, que apesar do imposto ter sido pago em período no qual a Lei nº 8.200/1991 estava revogada, como foi posteriormente revigorada pela Lei nº 8.682/1993 e referido valor passou a constituir uma adição obrigatória ao lucro real dos exercícios (P.A.) encerrados a partir do advento dessa última lei, teria, a interessada, que ter efetuado a recomposição dos ajustes do lucro real dos períodos em questão, via apresentação de declarações retificadoras, o que não ocorreu, impedindo a comparação entre o valor pago a título de IRPJ na forma do art.31 da Lei nº 8.541/1992, tendo como hipótese de incidência o saldo credor da correção monetária IPC/BTNF (estabelecido pela Lei nº 8.200/1991), com os valores devidos a Fl. 150DF CARF MF 8 partir de 14 de julho de 1993 (Lei nº 8.682/1991), até a data do protocolo do pedido. Corretíssimo o entendimento da autoridade fiscal, que não se limitou à identificação do pagamento (momento em que foi efetuado), para concluir pelos atributos estatuídos pelo art. 170 do CTN, necessários à restituição/compensação, como quer fazer valer a manifestante. Ressaltese, ao optar, em momento posterior ao pagamento, pela tributação incentivada prevista no art. 31 da Lei nº 8.541/92, deveria ter a mesma evidenciado em sua contabilidade e declarações já apresentadas, estas últimas através de retificadoras7, ou, então, refutado a conclusão da autoridade fiscal, na manifestação apresentada, demonstrando "os efeitos da exclusão" ou "da não inclusão" do referido "pagamento indevido" na sua contabilidade, para considerálo apto a ser restituído/compensado. Lembramos a este respeito a regra contida no artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972, o qual regulamenta o Processo Administrativo Fiscal: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Logo, carecendo, o direito creditório pleiteado, dos atributos de certeza e liquidez, não há como postular a sua restituição/compensação em função do que dispõe o art. 170 do CTN. # CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o despacho. Por todo exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado, mantendo, na íntegra, o que restou decidido pela Turma Julgadora a quo. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.002738/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2004
NORMAIS GERAIS. PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE.
A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
Numero da decisão: 2401-005.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: Rayd Santana Ferreira
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2004 NORMAIS GERAIS. PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 27 38 /2 00 8- 73 Fl. 208DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 15504.002738/200873 Acórdão n.º 2401005.472 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório FUNDAÇÃO HOSPITALAR ESTADO DE MINAS GERAIS FHEMIG, contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão nº 0222.430/2009, às efls. 165/168, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, relativo a parte patronal e parte dos segurados, esta a partir de 04/2003, incidentes sobre a remuneração paga a segurados contribuintes individuais médicos residentes, em relação as competências de abril/1999 à fevereiro/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 89/101 e demais documentos que instruem o processo. O Relatório Fiscal sobre o fato gerado versa o seguinte: (...) 10 — Logo, baseado nos dispositivos legais transcritos no item anterior o médico residente é contribuinte obrigatório do Regime Geral de Previdência Social desde 07 de julho de 1.981, na 40 qualidade de autônomo, que atualmente é denominado contribuinte individual. Nessa condição, faz jus a todos os benefícios previdenciários da categoria. 11 — Considerando que a fiscalização previdenciária procedeu no sentido de identificar os pressupostos necessários ao enquadramento dos médicoresidentes como segurado obrigatório da Previdência Social observouse, criteriosamente, o disposto no § 15 do artigo 9 0 do Decreto n°. 3048/1999 com a redação dada pelo Decreto 3.265, de 29/11/1999,(...) Regularmente intimada e inconformada com a parte mantida pela Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 189/194, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa às alegações da impugnação, preliminarmente pugna pela realização de prova pericial para verificar o quantum efetivamente devido, haja vista a obrigatoriedade da ampla defesa, do contraditório e da indisponibilidade do interesse público. Aduz que este argumento, simples e direto, é suficiente para reformar a decisão e determinar que seja elaborada perícia a fim de se verificar os valores lançados, mediante acompanhamento dos trabalhos por expert indicado pela FHEMIG. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência do lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 210DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator ADMISSIBILIDADE Para conhecimento e analise do recurso voluntário, este deve obedecer o pressuposto de admissibilidade contido nos artigos 5° e 33 do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Como se extraí dos dispositivos encimados, o prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias. No presente caso, conforme as datas relatadas, o recurso é intempestivo. A contribuinte foi cientificada do acórdão de impugnação em 13/11/2009 (sextafeira), conforme AR de efls. 175, o prazo para a interposição se iniciou em 16/11/2009 (segundafeira); portanto, seu termo final foi o dia 15/12/2009 (terçafeira). Entretanto o recurso foi protocolado em 16/12/2009, ou seja, após o prazo legal para interposição do recurso. Por todo o exposto, não preenchidos os pressupostos de admissibilidade, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO POR SER INTEMPESTIVO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900384/2008-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/06/2000
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-007.064
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/06/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida INDÚSTRIA CERÂMICA FRAGNANI LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/06/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 84 /2 00 8- 10 Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10865.900384/200810 Acórdão n.º 9303007.064 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3401001.956, que, na parte de interesse ao presente julgamento, possui a seguinte ementa: (...) BASE DE CÁLCULO. SAÍDAS DE PRODUTOS EM BONIFICAÇÃO NÃO DEPENDENTES DA IMPLEMENTAÇÃO DE QUALQUER CONDIÇÃO. EXCLUSÃO PERMITIDA. PAGAMENTO A MAIOR CONFIRMADO PARCIALMENTE. Equiparamse aos “descontos concedidos incondicionalmente” a que alude a exclusão legal permitida da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins as “bonificações” perfeitamente identificadas com as notas fiscais de venda a que se referiram, ainda que não tenham constado desta, mas, sim, em outro documento fiscal apartado. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente recurso. Aduz divergência de interpretação da legislação tributária referente à conceituação de desconto incondicional. Para comprovar a divergência apresentou o acórdão nº 20403.303. Mediante despacho de exame de admissibilidade o Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF deu seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do especial interposto. Alternativamente, caso o Colegiado entenda pelo conhecimento do recurso, requer lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10865.900384/200810 Acórdão n.º 9303007.064 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.055, de 10/07/2018, proferido no julgamento do processo 10865.900236/200897, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.055): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. In caso, tratase de processo que retorna de julgamento em face da conclusão da diligência deliberada pelo Colegiado a quo por meio da Resolução nº 340100.083,de 27/10/2010. Após a conclusão de diligência, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP indeferiu os termos da Manifestação de Inconformidade por entender que: “As bonificações concedidas em mercadorias configuram descontos incondicionais, podendo ser excluídas da receita bruta para efeito de apuração da Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10865.900384/200810 Acórdão n.º 9303007.064 CSRFT3 Fl. 5 4 base de cálculo da Cofins, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento”. Com efeito, a 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3º Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, por entender que as bonificações para serem excluídas da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, há de serem caracterizadas como descontos incondicionais concedidos, assim definidos na INSRF n° 51, de 1978, devendo atender duas condições: constar em nota fiscal de venda dos bens, e não depender de evento posterior à emissão desse documento. A partir do resultado de diligência empreendida por requisição do Colegiado recursal, constatou que, não obstante as bonificações não tenham constado do corpo das notas fiscais de venda, uma parte delas teve a sua emissão na mesma data, ao mesmo cliente, com numeração seqüencial imediata, envolveu o mesmo transportador e as mesmas placas dos veículos transportadores. Sob essas condições, concluiu que a operação não dependia de evento posterior à emissão da nota fiscal de venda, concluindo que as mercadorias recebidas em bonificação configuravam descontos incondicionais concedidos”, considerando ainda irrelevante, porquanto não fundada em lei, o preenchimento da condição de que constem da própria nota fiscal de venda e não de um documento em separado desta. Por sua vez, a Fazenda Nacional aduz divergência à respeito da conceituação de desconto incondicional. Visando comprovar o dissenso aponta como paradigma, o Acórdão nº 204.03.303, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2003. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES RECEBIDAS. DESCARACTERIZAÇÃO. Somente se configura o recebimento de bonificação em mercadorias, cujo valor não é computado como receita para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins na forma definida na Lei n 9.718/98, quando constem discriminadas na própria nota fiscal de venda das mercadorias sobre a qual se concedeu a bonificação. Mercadorias recebidas gratuitamente, em nota fiscal própria, configuram doações, cuja contrapartida é obrigatoriamente registrada a conta de receita e tributada pelas contribuições na vigência daquela Lei. Recurso Voluntário Negado Relatório Em Termo de Verificação Fiscal de fls. 09 e 10 dos autos, a autoridade fiscal esclarece a divergência ocorrida entre os meses de fevereiro de 1999 e dezembro de 2000: "não inclusão das demais receitas auferidas" e não inclusão da totalidade das mercadorias recebidas em bonificação. No termo não há qualquer esclarecimento acerca das divergências verificadas nos demais meses, limitandose a autoridade a afirmar que os créditos utilizáveis pelo Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10865.900384/200810 Acórdão n.º 9303007.064 CSRFT3 Fl. 6 5 contribuinte na sistemática nãocumulativa já estavam considerados no lançamento.A ele se seguem planilhas demonstrativas da composição da base de cálculo adotada pela fiscalização, mês a mês, desde fevereiro de 1999. Delas, percebese que as contas adicionadas são as mesmas, seja na sistemática cumulativa, seja na nãocumulativa. A DRJ em Ribeirão Preto/SP houve por bem determinar a realização de diligência na qual a autoridade fiscal promovesse a juntada de cópias dos livros contábeis (razão e diário) que demonstrassem a contabilização das operações com mercadorias recebidas em bonificação e destinadas à revenda, "... ou seja, (das contas) de "Mercadorias Bonificadas e Mercadorias para revenda, bem como das respectivas contas de encerramento (contas para as quais foram transferidos os saldos daquelas)...verificando, na oportunidade, se os valores contabilizados são iguais aos tributados". Não houve determinação expressa para novos procedimentos, nem mesmo para ciência da interessada. Em suma, procurou demonstrar que as bonificações aqui tributadas não atenderiam às exigências constantes nos diverSos atos da SRF sobre o assunto (inclusive a publicação "perguntas e respostas citada pela impugnante em sua peça de defesa) para que possam ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins, qual seja a de figurarem nas notas fiscais de vendas, quais descontos incondicionais, como redutores do preço cobrado. No caso em discussão, seriam mercadorias recebidas por meio de notas fiscais próprias com a inserção do código fiscal de operações 5.99. Em que pese o exame de admissibilidade ter reconhecido o dissenso, pelo confronto entre as razões de decidir do acórdão recorrido e o excerto do voto condutor do paradigma, não se comprova divergência. A decisão recorrida deu provimento ao Recurso Voluntário, com base em perguntas e respostas da Receita Federal do Brasil (RFB) reconhecendo a existência de pagamento a maior no recolhimento da Contribuição, advindo da inclusão na base de cálculo do valor das mercadorias recebidas em bonificação. Já o acórdão paradigma apontado pela Fazenda Nacional, o qual foi objeto de Embargos de Declaração, acolhido com efeito infringente ( acórdão nº 220200.124) tendo o Colegiado excluído o valor das bonificações da base de cálculo das contribuições por entender que á luz da inconstitucionalidade declarada pelo STF ao disposto pelo parágrafo 1º do artigo 3º da lei nº 9718, em que essa cobrança, não caberia tributação do PIS e da COFINS. Como se vê, o paradigma apresentado, não demonstra nenhuma divergência, a tese encampada pela Fazenda Nacional, demonstra entendimento favorável a Contribuinte, pois prestam à demonstrar dissenso favorável, considerando a tributação do PIS/COFINS sobre bonificações concedidas, independente de seu enquadramento em "desconto incondicional". No acórdão recorrido, foi conferido a Contribuinte o direito de excluir as bonificações em que estivesse caracterizado o desconto incondicional, ou seja, mesmo não sendo as bonificações objeto da mesma nota fiscal, nas quais, em diligência, restou comprovada a emissão conjuntamente á nora fiscal de venda, estaria reconhecido o direito de excluir o montante correspondente ás bonificações de cálculo das contribuições. O paradigma, por meio dos Embargos de Declaração entendeu que a Contribuinte tinha o direito de excluir toda e qualquer receita "bonificação", visto que esta não Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10865.900384/200810 Acórdão n.º 9303007.064 CSRFT3 Fl. 7 6 se enquadra no conceito de faturamento ( base de cálculo constitucionalmente eleita para o PIS e COFINS) conforme entendimento do STF. Deste modo, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Dispositivo Ex positis, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução de divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional não foi conhecido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 519DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.720018/2017-68
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 27/11/2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando o retorno dos autos à DRJ para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando o retorno dos autos à DRJ para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 00 18 /2 01 7- 68 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11128.720018/201768 Acórdão n.º 3002000.208 S3C0T2 Fl. 199 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 16078.331 da DRJ/SPO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 20/01/2017, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa regulamentar, no valor de R$ 5.000,00, em virtude dos fatos a seguir descritos. Empresa de transporte internacional/prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta/agente de carga, deixou de prestar as informações sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executou, identificadas em Tabela anexa, parte constante deste Auto, na forma e no prazo estabelecidos pela RFB, na Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007 e Ato Declaratório Executivo Corep n° 3, de 28 de março de 2008. O Agente de Carga FOX CARGO DO BRASIL LTDA, CNPJ N°05317708000194, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico (CE) MHBL 151305250055255 a destempo em/a partir de 27/11/2013 16:21, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, com o registro extemporâneo do(s) Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL/MHBL 151305250659940. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) container(es) TEMU3499497, pelo Navio M/V SUNNY OASIS, em sua viagem 3206A, com atracação registrada em 29/11/2013 14:47. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são: ü Escala 13000402348, Manifesto Eletrônico 1513502858680, Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151305247691812, Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11128.720018/201768 Acórdão n.º 3002000.208 S3C0T2 Fl. 200 3 Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) MHBL 151305250055255, 151305248354356 e Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL/MHBL 151305250659940. Para o caso concreto em análise, a perda de prazo se deu pela inclusão do conhecimento eletrônico house em referência em tempo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico. Destaquese ainda que o Conhecimento Eletrônico (CE) MHBL 151305250055255 foi incluído em 27/11/2013 10:05, momento a partir do qual se tornou possível o registro do conhecimento eletrônico agregado. RESPONSÁVEL PELA INFRAÇÃO NO CASO Examinada a documentação juntada aos autos, especialmente os extratos com o registro da conclusão da desconsolidação, verificase que figura como agente de carga transportador/representante do NVOCC embarcador, para o(s) Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL/MHBL 151305250659940, a empresa FOX CARGO DO BRASIL LTDA, CNPJ N° 05317708000194. Nos termos das normas de procedimentos em vigor, a empresa supra é considerada responsável para efeitos legais e fiscais pela apresentação dos dados e informações eletrônicas na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil RFB. Diante do exposto, aplicase a multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), para cada ocorrência relatada acima, pelo descumprimento de obrigação acessória (prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil), com base na alinea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37, de 18/11/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Cientificado do auto de infração, por via eletrônica, em 17/02/2017 (fls. 97) o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 14/03/2017, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 101 à 119, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante em sua defesa alegou os seguintes pontos: · I. Preliminar. Da exigibilidade suspensa por força de decisão judicial. Preliminarmente, cabe ressaltar que o crédito tributário discutido no presente Auto de Infração está com sua exigibilidade suspensa, tendo em vista a antecipação dos efeitos da tutela concedida nos autos do Processo 000523886.2015.4.03.6100, em trâmite perante a 14a Vara Federal Cível de São Paulo/SP. · II. Da autuação. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 11128.720018/201768 Acórdão n.º 3002000.208 S3C0T2 Fl. 201 4 Segundo a fiscalização, o agente de carga Requerente não observou o prazo mínimo para prestação das informações relativas à conclusão da desconsolidação de 01 (um) conhecimento eletrônico, tendo sido as informações dos aludidos Conhecimentos Eletrônicos Agregados HBL prestadas de forma extemporânea. A fundamentação para a autuação na espécie, consiste no suposto fato de que a Requerente não obedeceu o disposto nos artigos 22 e 50 da IN NRFB n° 800/07, que estabelecem os prazos para prestação de informações pelo agente de carga, configurando esse atraso em descumprimento de obrigação acessória. Diante disso, concluiu a fiscalização que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente (art. 136 do CTN), impondo à Requerente, por conseguinte, a pena de multa pecuniária no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), com fundamento no art. 107, inciso IV, aliena “e”, do DecretoLei n° 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. · III Boa Fé e Inexistência de prejuízo à fiscalização. Trata o presente, de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, com a aplicação ao agente de carga da pena de multa pecuniária no valor de R$ 5.000,00 (Cinco mil reais). Da leitura da peça acusatória, verificase que a Requerente foi penalizada por não prestar informações na forma e no prazo estabelecido pela Receita Federal (RFB). Embora haja fundamentação no sentido de que a Requerente não prestou suas informações no prazo regulamentar, NÃO há quaisquer indícios de que a mesma tenha praticados atos contrários à boafé, causando eventual impedimento ou embaraço à ação da fiscalização. Do exame atento dos autos, observase que no primeiro momento em que se constatou o atraso, a Requerente informou prontamente à fiscalização todos os dados de sua responsabilidade, não causando qualquer prejuízo ao controle aduaneiro. · IV. Denúncia espontânea. Exclusão da penalidade aplicação da lei 12.350/2010. Precedente judicial proc. 0005238 86.2015.4.03.6100 4 Vara Cível Federal São Paulo. Tratase, na espécie, de auto de infração com imposição de penalidade administrativa (multa) imposta à Requerente por “suposta prestação extemporânea de informações no Sistema da Receita Federal”. No caso em tela, é evidente que todas as informações prestadas pela Requerente foram inseridas no "SISCARGA" antes da Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11128.720018/201768 Acórdão n.º 3002000.208 S3C0T2 Fl. 202 5 lavratura do auto de infração ora impugnado. (como também antes da atracação da respectiva embarcação). E, de fato, é incontroverso que o procedimento fiscalizatório só ocorreu após a notificação espontânea da Requerente, que se efetivou com a prestação das informações relativas à desconsolidação no SISCARGA, sendo certo de que todas as informações foram prontamente apresentadas antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização. Nem se diga, por outro lado, que não seria aplicável o instituto da denúncia espontânea, eis que segundo o artigo 683, §3° do Regulamento Aduaneiro (Decreto 6.759/09), depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. No caso dos autos, é indiscutível que todas as informações relativas à desconsolidação foram prontamente apresentadas pela Requerente antes da atracação do veículo transportador M/V SUNNY OASIS, que se efetivou somente em 29/11/2013, às 14:47 horas, sendo plenamente aplicável a esta o instituto da denúncia espontânea. · V Do pedido e requerimentos finais À vista do exposto e invocandose os doutos suplementos dos ilustres julgadores, pede e espera a Requerente que julgado T O T A L M E N T E IMPROCEDENTE o auto de infração ora impugnado, determinandose, outrossim, o cancelamento e conseqüente arquivamento do presente processo administrativo fiscal. Requer, ainda, seja imediatamente determinada a suspensão da cobrança do crédito tributário correspondente, nos termos do que dispõe o artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional. Derradeiramente, requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, em especial, prova pericial, bem como a juntada posterior de documentos, etc..." Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO) julgou a Impugnação de modo a não conhecêla, quanto à matéria objeto de ação judicial, e julgála improcedente, quanto à matéria diferenciada, por Acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/11/2013 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 11128.720018/201768 Acórdão n.º 3002000.208 S3C0T2 Fl. 203 6 A empresa de transporte internacional deixou de prestar informação sobre carga transportada. A multa está sendo aplicada à pessoa designada em lei para responder pela infração, não cabendo falar em cominação de pena transpassando a pessoa responsável. Configurada a infração, não é passível de denunciação com adimplemento posterior. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Não se conhece da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Suspensão de exigibilidade do crédito tributário. A existência do crédito tributário ocorre via lançamento. O lançamento é o procedimento necessário para que a Fazenda Pública se veja a salvo do ônus da DECADÊNCIA. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (173/187), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados e argumentando que não há concomitância entre o processo judicial e o administrativo, pois a recorrente figuraria apenas como substituída naquele. Ademais, alega que a decisão viola os Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11128.720018/201768 Acórdão n.º 3002000.208 S3C0T2 Fl. 204 7 A principal controvérsia posta sob análise cingese à existência ou não de concomitância entre o processo administrativo e o judicial em casos de ações coletivas propostas por associações de classe, da qual o contribuinte faça parte. Essa matéria se mostra, atualmente, pacificada no âmbito desta Corte, como demonstram os recentes Acórdãos: Acórdão 1402001.629: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastadas a concomitância e a renúncia à discussão administrativa, é de se reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância que deixou de apreciar todos os argumentos de impugnação. Nova decisão deve ser proferida, em atenção ao duplo grau de jurisdição previsto nas regras de regência do processo administrativo fiscal. Acórdão 9303005.472: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 30/09/2004 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11128.720018/201768 Acórdão n.º 3002000.208 S3C0T2 Fl. 205 8 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Recurso Especial do Procurador negado. Acórdão 9303005.057 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/1995 a 31/10/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. Ainda que haja alcance dos efeitos jurídicos da decisão para os representados da entidade, não se materializa a identidade entre os sujeitos dos processos, ou seja, autor da medida judicial e recorrente no âmbito administrativo, diante da qual é possível aferir a manifestação de vontade (critério subjetivo) que exige a renúncia. Assim, a existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Embora seja certo que as entidades de classe, quando propõem ações coletivas, estão agindo no interesse de seus filiados, também é correto supor que estes podem não ter manifestado sua concordância com a propositura daquelas ações. Mesmo quando assembléias aprovam o caminho judicial a ser seguido pela entidade, ainda assim, devemos ter em conta que a decisão da maioria não reflete, necessariamente, a vontade de todos os filiados. Creio oportuno trazer a colação as Súmulas do Supremo Tribunal Federal que ratificam a independência das entidades de classe, quanto à propositura de ações coletivas: Súmula STF nº 629 A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11128.720018/201768 Acórdão n.º 3002000.208 S3C0T2 Fl. 206 9 Súmula STF nº 630 A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. (grifos nossos) Assim, pareceme não ser razoável o reconhecimento da concomitância somente pela existência de uma ação coletiva movida por entidade de classe, da qual o contribuinte faça parte, sem que esteja clara a vontade deste, pois diferentemente das ações individuais, nas quais resta cristalina a intenção de o contribuinte optar pela via judicial, nas coletivas, isto, em princípio, não ocorre. Ademais, quando o sujeito passivo impetra uma ação individual versando sobre a mesma matéria discutida em processo administrativo, ocorre uma presunção legal absoluta da desistência tácita ao contencioso administrativo. Contudo, em ações coletivas, ajuizadas por substitutos processuais, não se aplica tal presunção, pois do contrário, estaria se violando os Direitos Constitucionais ao Contraditório e à Ampla Defesa. Desta forma, entendo não existir concomitância no presente caso. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.720315/2007-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO-CUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO.
Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Cofins não-cumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art. 13 da Lei nº 10.833/2003).
Numero da decisão: 9303-007.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO-CUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO. Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Cofins não-cumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art. 13 da Lei nº 10.833/2003).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃOCUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO. Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Cofins nãocumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art. 13 da Lei nº 10.833/2003). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 03 15 /2 00 7- 88 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10380.720315/200788 Acórdão n.º 9303007.141 CSRFT3 Fl. 233 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 200 a 206), contra Acórdão proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 187 a 196), sob a seguinte Ementa: Acórdão nº: 3403001.291 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. ATUALIZAÇÃO ENTRE O PEDIDO E O DEFERIMENTO. CABIMENTO. O direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data em que se concretiza o ressarcimento ao contribuinte, decorre da demora a que dá causa a própria Administração Tributária em reconhecer o direito do contribuinte. Entendimento judicial consolidado a respeito do ressarcimento de IPI (STJ, EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), inclusive em caráter de recurso repetitivo (STJ, REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009), que deve ser transportado para o PIS/Cofins não cumulativo. Recurso provido. Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 213), a PGFN alega que o artigo 13 da Lei n° 10.833/2003 veda expressamente a incidência da Taxa SELIC sobre créditos oriundos de ressarcimento da Cofins nãocumulativa. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 219 a 222). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Observados os requisitos e preenchidas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. A aplicação extensiva, para a Cofins nãocumulativa, das decisões judiciais vinculantes do STJ relativas à atualização pela Taxa SELIC de créditos do IPI solicitados em Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10380.720315/200788 Acórdão n.º 9303007.141 CSRFT3 Fl. 234 3 ressarcimento (ainda com ressalvas) é, com a devida vênia, descabida, pois, para a contribuição, há expressa disposição legal em contrário, na Lei nº 10.833/2003: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Há Acórdãos recentes desta mesma Turma neste sentido, como exemplificado a seguir (este, inclusive, de minha lavra): Acórdão nº 9303006.305 (de 26/01/2008) .................... CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento. Como é cediço dizer, “a lei me basta”, mas, sabendo que há posições em contrário, utilizome, em caráter enfático, da mesma jurisprudência do STJ aventada no Acórdão recorrido, para demonstrar que a relativa aos créditos do IPI não se aplica às contribuições, analisando, primeiramente, a contrario sensu, o que diz o Ministro Luiz Fux logo ao início da Ementa do Acórdão no REsp nº 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Notese também, que a Súmula nº 411, do mesmo STJ, só fala do IPI: Súmula 411: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10380.720315/200788 Acórdão n.º 9303007.141 CSRFT3 Fl. 235 4 Complementando (pois, conforme já dito, a lei me dá guarida, de forma expressa, ao não reconhecimento da aplicação da Taxa SELIC) as minhas razões de decidir, grifei o Item 2 da Ementa acima transcrita – e também parte da Súmula nº 411 –, para consignar que, ainda que este julgamento fosse aplicável também para PIS/Cofins, no caso concreto, não houve oposição estatal ilegítima (que se configura somente quando a decisão da Unidade de Origem foi revertida nas instâncias administrativas de julgamento), o que se vê reiterado, como causa para a aplicação da Taxa SELIC, na outra decisão do STJ trazida no Acórdão recorrido (REsp nº 993.164/MG, também de relatoria do Ministro Luiz Fux) a qual, apesar de versar sobre o Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº. 9.363/96), nada mais faz, em relação ao tema sob discussão, que dar “aplicação analógica” à primeira decisão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96 ... CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL... .................... 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Para comprovar que não houve reversão do decidido pela Unidade de Origem, transcrevo trecho do Relatório de Acórdão recorrido a respeito: Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep (*) transmitido pelo contribuinte em 14/03/2007, correspondente ao saldo de créditos acumulado no 1º trimestre de 2006 (fl. 1). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fortaleza/CE (DRF), por meio do Despacho Decisório de fls. 71, que ratificou as conclusões da Informação Fiscal de fls. 69/70, reconheceu o direito de crédito, destacando, no entanto, que sem a incidência de juros na forma SELIC, por se tratar de ressarcimento, ... (*) Na realidade, foi da Cofins (fls. 005). Na sua Manifestação de Inconformidade (fls. 140), o contribuinte pugna tão somente que o Despacho Decisório seja reformado “na parte em que negou o direito da Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10380.720315/200788 Acórdão n.º 9303007.141 CSRFT3 Fl. 236 5 Recorrente a incidência da SELIC sobre o valor do crédito da COFINS reconhecido administrativamente ...” (anotandose que a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente pela DRF/Fortaleza – fls. 151 a 153), único pedido, da mesma forma, reiterado no Recurso Voluntário (fls. 170). Por derradeiro, afasto aqui o argumento, que alguns defendem, de que o ressarcimento seria “espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei (a regra geral é só a possibilidade da compensação dos créditos da nãocumulatividade com débitos do próprio tributo). À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.726208/2017-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
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score : 1.0
Numero do processo: 10380.903294/2008-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.
É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ.
Pela inexistência de resistência injustificada, pois a parte inicialmente indeferida não foi revertida nos julgamentos do CARF, no presente caso, não deve haver a incidência da correção monetária sobre o valor a ser ressarcido
Numero da decisão: 9303-007.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ. Pela inexistência de resistência injustificada, pois a parte inicialmente indeferida não foi revertida nos julgamentos do CARF, no presente caso, não deve haver a incidência da correção monetária sobre o valor a ser ressarcido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ. Pela inexistência de resistência injustificada, pois a parte inicialmente indeferida não foi revertida nos julgamentos do CARF, no presente caso, não deve haver a incidência da correção monetária sobre o valor a ser ressarcido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 32 94 /2 00 8- 15 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10380.903294/200815 Acórdão n.º 9303007.410 CSRFT3 Fl. 196 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte SM PESCADOS INDÚSTRIA, COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO (fls. 85 a 150), com fulcro no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3803 001.459 (fls. 78 a 83) proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 06 de abril de 2011, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECOLHIMENTOS A DESTEMPO. MULTA DE MORA. A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%. JUROS SELIC. Descabe a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, que se opera tanto por meio da DCTF como da DComp, por meio desta após 31 de outubro de 2003. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10380.903294/200815 Acórdão n.º 9303007.410 CSRFT3 Fl. 197 3 Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus da prova do direito alegado, DIPJ e DCTF não são aptas a demonstrar a verossimilhança das bases de cálculo. Não resignada com o julgado na parte que lhe foi desfavorável, a Contribuinte interpôs recurso especial com base em divergência jurisprudencial quanto aos seguintes temas: (a) ser incabível a exigência de multa de mora na hipótese de os débitos não terem sido antes declarados à Receita Federal; (b) possibilidade de utilização da DIPJ como meio de prova documental; e (c) descaracterização da natureza escritural do crédito do IPI, ensejando a incidência da taxa Selic no ressarcimento. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os acórdãos n.º 140200.465, 120100.353 e 380200.690, respectivamente. O recurso especial teve parcial seguimento, tão somente quanto à atualização monetária do crédito presumido de IPI pela taxa Selic, conforme despacho s/n.º de 30/11/2015 (fls. 159 a 164), confirmado em sede de reexame de admissibilidade (fls. 165 a 167; e 175 a 176). A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 179 a 184), postulando a negativa de provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte, na parte em que admitido, atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10380.903294/200815 Acórdão n.º 9303007.410 CSRFT3 Fl. 198 4 Mérito No mérito, a controvérsia posta no recurso especial da Contribuinte cingese à incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI, pois descaracterizada a sua natureza de crédito escritural. Incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de crédito presumido de IPI No acórdão recorrido, entendeuse pela impossibilidade de incidência da taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI a ser ressarcido. Com relação à atualização do ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, pela taxa Selic, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de ser cabível a correção monetária, por meio do julgamento do recurso especial nº 1035847/RS, pela sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), que recebeu a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10380.903294/200815 Acórdão n.º 9303007.410 CSRFT3 Fl. 199 5 Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifouse) O caso julgado em sede de recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça aplicase ao presente processo administrativo, uma vez que também tratou de pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, decorrente de impedimento interposto por atos normativos infralegais para aproveitamento do benefício. Portanto, só deverá haver a incidência da correção monetária pela taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido quando houver resistência injustificada, conforme entendimento já consolidado neste Colegiado. No caso dos autos, não houve a oposição estatal ilegítima a obstar o aproveitamento do crédito presumido de IPI: o direito creditório da Contribuinte foi deferido parcialmente e as compensações homologadas parcialmente, nos termos do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fortaleza (fls. 06 a 13), não tendo havido alteração posterior, conforme se depreende do Acórdão n.º 3803001.459 (fls. 78 a 83). Portanto, não deve haver a incidência da correção monetária sobre o valor a ser ressarcido. Nesse sentido, é o entendimento já consolidado desta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se vê no Acórdão n.º 9303007.012, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL. DESCABIMENTO. O decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.035.847/RS, em acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), é que a atualização monetária não incide sobre créditos do IPI, a não ser que haja oposição estatal ilegítima, em ato que impeça a sua utilização, o que os descaracteriza como escriturais, exsurgindo aí a necessidade de atualizálos, sob pena de enriquecimento ilegal do Fisco. Tendo o direito creditório, já em primeira análise, sido reconhecido, ou, quando indeferido o Pedido de Ressarcimento, não tenha sido revertida a decisão denegatória da Unidade Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10380.903294/200815 Acórdão n.º 9303007.410 CSRFT3 Fl. 200 6 de Origem pelas instâncias administrativas de julgamento, não há que se falar, portanto, em aplicação da Taxa SELIC. Dispositivo Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13823.000496/2008-45
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. AUSÊNCIA DE PROVAS
Não havendo provas que justifiquem erro de fato ou quaisquer outras circunstancias que demonstrassem justificados motivos para o atraso, é devida a multa por entrega extemporânea da DCTF.
Numero da decisão: 1003-000.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. AUSÊNCIA DE PROVAS Não havendo provas que justifiquem erro de fato ou quaisquer outras circunstancias que demonstrassem justificados motivos para o atraso, é devida a multa por entrega extemporânea da DCTF.
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ATRASO NA ENTREGA. MULTA. AUSÊNCIA DE PROVAS Não havendo provas que justifiquem erro de fato ou quaisquer outras circunstancias que demonstrassem justificados motivos para o atraso, é devida a multa por entrega extemporânea da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 3. 00 04 96 /2 00 8- 45 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13823.000496/200845 Acórdão n.º 1003000.227 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1425.345, de 23 de julho de 2009, da 3ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, mantendo o lançamento da multa por atraso na entrega da DCTF. Aos 29/10/2008, a Recorrente apresentou impugnação contra Notificação de Lançamento de multa por atraso na entrega da DCTF do 2º Semestre de 2007. A DRJ/RPO analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucional idade de normas tributárias. MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que, em síntese, destaca: (i) que entregou a DCTF do 2º semestre de 2007 fora do prazo, porém quitou os tributos lançados na referida declaração, configurandose a denúncia espontânea, nos moldes do art. 138 do CTN; (ii) que qualquer cominação de penalidade só pode ser realizada se prevista em lei e não através de instrução normativa, restando ilegal a instituição da DCTF e a imposição de multa; (iii) que as multas não podem ser mantidas pois não se constata omissão ou negligência de sua parte, pois desconhecia que os créditos haviam sido transferidos à empresa, quando esta estava inativa. Requer, por fim, o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13823.000496/200845 Acórdão n.º 1003000.227 S1C0T3 Fl. 4 3 Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. O Decretolei nº 2.124, de 13.06.1984, autorizou o Ministro da Fazenda a instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal, bem como previu que o descumprimento dessas possíveis obrigações acessórias dariam ensejo a penalidades tributárias ex vide seu art. 5º: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. (...) § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do art. 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983 Por sua vez, com fundamento na Portaria Ministerial nº 118, de 28 de junho de 1984, o Ministro da Fazenda delegou esta competência para o Secretário da Receita Federal que através da Instrução Normativa nº 129, de 19.11.1986 (posteriormente alterada pelas Instruções Normativas n.ºs 73/96 e 255/2002), instituiu a obrigatoriedade de entrega da DCTF: Institui a Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, estabelece normas para seu preenchimento e apresentação e dá outras providências. O Secretário da Receita Federal, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto na portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, Resolve: 1 – instituir modelos da Declaração de Contribuições e Tributos Federais e estabelecer normas quanto ao seu preenchimento e apresentação, conforme instruções anexas." A Instrução Normativa nº 129 foi revogada e, na data do descumprimento da obrigação, estava em vigor a IN SRF nº 695, de 14.12.2006, a qual igualmente previa a entrega da DCTF. Outrossim, quanto a alegação de ausência de lei para instituição da DCTF, bem como a aplicação de multa em razão do seu descumprimento, é digno destacar que, em 24.04.2002, foi publicada a Lei nº 10.426, que, dentre outras providências, determinou: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13823.000496/200845 Acórdão n.º 1003000.227 S1C0T3 Fl. 5 4 Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Ide dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3odeste artigo; e(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Em razão disso, entendese haver previsão legal para a referida exigência. Outrossim, quaisquer discussão em relação à legalidade e ou constitucionalidade de normas legais não podem ser apreciados por este conselho. Esse entendimento está consolidado pela Súmula CARF nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. As Instruções Normativas são normas complementares administrativas no âmbito da Receita Federal e quaisquer ilegalidade ou inconstitucionalidade das mesmas deve ser decidido na esfera judicial. Portanto, é vedado ao CARF pronunciase sobre questões de constitucionalidade e legalidade de leis tributárias. Quanto à análise da denúncia espontânea, a Recorrente declara ter cumprido espontaneamente a falta de apresentação da DCTF antes de qualquer iniciativa ou providência por parte do Fisco e defende que o cumprimento espontâneo de obrigações acessórias está abrangido no art. 138 do CTN. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13823.000496/200845 Acórdão n.º 1003000.227 S1C0T3 Fl. 6 5 Inicialmente, cumpre observar que a Recorrente não contestou o atraso na entrega da declaração, nem o cálculo que foi realizado no tocante ao valor da multa, limitando se, apenas, a alegar a existência de denúncia espontânea para o caso em análise. Em relação à figura da denúncia espontânea, contemplada no art.138 do CTN, frisese a sua inaplicabilidade ao fato, porque, juridicamente, só é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso do atraso na entrega da declaração, que se toma ostensivo com o decurso do prazo fixado para a sua entrega tempestiva. O STJ já se posicionou sobre o assunto e, em decisão unânime da 1ª Turma, o RE da Fazenda Nacional n° 246.963/PR (acórdão publicado em 05/06/2000 no Diário da Justiça da União DJUe): Tributário. Denúncia espontânea. Entrega com atraso de declaração de contribuições e tributos federais DCTF. 1. A entidade "denúncia espontânea” não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Recurso especial provido. Oportuno transcrever partes do voto do relator, Min. José Delgado: A extemporaneidade na entrega de declaração do tributo é considerada como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento do tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. .. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador do mesmo. A multa aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte. Não obstante os fundamentos acima expostos, o CARF também já possui posição consolidada sobre a questão, conforme se depreende da Súmula 49 deste Conselho: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13823.000496/200845 Acórdão n.º 1003000.227 S1C0T3 Fl. 7 6 Em suma, a exoneração da multa pelo atraso na entrega de declaração fundada na denúncia espontânea não se aplica aos casos de multas decorrentes de descumprimento de obrigações acessórias. Isso se explica pelo fato da natureza da obrigação acessória, que é autônoma do tributo cobrado. Assim, quando se descumpre a obrigação acessória, nasce um direito autônomo à cobrança (art. 113, § 3°, do CTN). Isto posto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.725556/2017-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2016 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
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score : 1.0
Numero do processo: 10880.954277/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/10/1999
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - NÃO OFENSA. RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDONEA. Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior.
Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantém-se a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Numero da decisão: 3201-004.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/10/1999 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - NÃO OFENSA. RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDONEA. Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantém-se a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
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RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDONEA. Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 42 77 /2 00 8- 13 Fl. 188DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 129/135, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 1633.407 12ª Turma da DRJ/SP1, efls. 119/126, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação declarada de créditos de PIS/PASEP. O relatório da decisão da DRJ de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Tratam os autos do PER/DCOMP n° 18276.37162.130904.1.3.047979, transmitido em 13/09/2004, através do qual o Interessado declarou compensação no montante originário de R$3.135,41, relativa a pagamento indevido ou a maior de contribuição do PIS/PASEP (Código de Receita 8109), recolhida em 15/10/1999, com débito próprio de PIS/PASEP (Código de Receita 69121), referente ao Período de Apuração Agosto/2004. A DCOMP foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento de dados da Receita Federal do Brasil RFB, que emitiu em 24/11/2008 o Despacho Decisório (N° de Rastreamento) 808287235 (fls. 01), assinado pelo titular da unidade de jurisdição do contribuinte. De acordo com o Despacho Decisório, a compensação não foi homologada, uma vez que o pagamento indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório em 02/12/2008 (fls. 04), o contribuinte apresentou em 19/12/2008, a Manifestação de Inconformidade, de fls. 10/23, acompanhada de cópia dos seguintes documentos: Despacho Decisório; DCTF retificadora entregue em 17/12/2008; Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada; Termos de Constatação e Intimação; DARF; 11ª Alteração e Consolidação do Contrato Social (fls. 24/112). O contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade contra os Despachos Decisórios emitidos em 24/11/2008, a seguir relacionados: I Despacho Decisório n° 808287235 PER/DCOMP n°18276.37162.130904.1.3.047979 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10880.954277/200813 Acórdão n.º 3201004.079 S3C2T1 Fl. 189 3 II Despacho Decisório n° 808287292 PER/DCOMP n°27914.85422.140904.1.7.047979 III Despacho Decisório n° 808287244 PER/DCOMP n°40407.90177.130904.1.3.049509 IV Despacho Decisório n° 808287275 PER/DCOMP n°20959.23563.140904.1.3.044104 V Despacho Decisório n° 808287289 PERIDCOMP n°22129.33761.140904.1.3.049694 VI Despacho Decisório n° 808287394 PER/DCOMP n°16687.03044.110107.1.7.044464 VII Despacho Decisório n° 808287258 PER/DCOMP n°04565.96561.130904.1.3.045970 VIII Despacho Decisório n° 808287315 PER/DCOMP n°35943.70384.140904.1.3.044001 IX Despacho Decisório n° 808287227 PER/DCOMP n°11254.89273.130904.1.3.042464 X Despacho Decisório n° 808287332 PER/DCOMP n°39110.04198.140904.1.3.040446 XI Despacho Decisório n° 808287346 PER/DCOMP n°10629.40627.150904.1.3.046440 XII Despacho Decisório n° 808287377 PER/DCOMP n°14941.43651.110107.1.7.040017 XIII Despacho Decisório n° 808287403 PER/DCOMP n°24231.88556.110107.1.7.041341 XIV Despacho Decisório n° 808287385 PER/DCOMP n°15615.69845.110107.1,7.049020 XV Despacho Decisório n° 808287261 PER/DCOMP n°14114.19354.140904.1.3.042560 XVI Despacho Decisório n° 808287350 PER/DCOMP n°35141.00887.150904.1.3.047782 XVII Despacho Decisório n° 808287301 PER/DCOMP n°32304.57120.140904.1.3.041643 XVIII Despacho Decisório n° 808287329 PER/DCOMP n°37339.15595.140904.1.3.047000 Esclarece que "os créditos compensados em todos os PER/DCOMP relacionados a esses Despachos Decisórios são decorrentes de Levantamento Fiscal, conforme cópias dos Demonstrativos de Apuração, elaborados pelo Auditor Fiscal da RFB, Sr. Manoel Sanches Ponce, Matricula n° 0025963, que juntamos a esta Manifestação de Inconformidade". Fl. 190DF CARF MF 4 Informa que "do citado Levantamento Fiscal, foram apurados débitos referentes a cálculos e recolhimentos a menor de PIS e COFINS, pertinentes ao período de junho de 1999 a junho de 2004, conforme cópias dos Demonstrativos de apuração, os quais foram devidamente recolhidos, com DARF's. Foram também apurados créditos, referentes a cálculos e recolhimentos a maior, que resultaram nas compensações efetuadas nos PER/DCOMPs analisados na presente Manifestação de Inconformidade". Em seguida, em relação a cada um dos Despachos Decisórios contestados, o contribuinte cientifica que a DCTF relativa ao período do DARF informado, foi retificada para constar a apuração correta do débito, onde se pode visualizar o crédito, conforme planilha de apuração fiscal e demonstrativo elaborado pelo contribuinte contendo a descrição da base de cálculo apurada e o valor do imposto devido. O Interessado, afirmando ter demonstrado e esclarecido os fatos, requer seja acolhida a Manifestação de Inconformidade, solicitando a anulação dos Despachos Decisórios relacionados. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. O Acórdão n.º 1633.407 12ª Turma da DRJ/SP1 está assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/10/1999 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF APÓS CIÊNCIA DA DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. A apresentação de DCTF retificadora após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não altera a decisão proferida, uma vez que as instâncias julgadoras limitam se a analisar a correção do despacho decisório emitido. DCTF. RETIFICAÇÃO. CORREÇÃO DAS INFORMAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada de documentação hábil e suficiente que indique provável erro cometido no cálculo dos tributos devidos resultando em recolhimentos a maior. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Do Mérito A recorrente alega que a razão pela qual o Pedido de Compensação não foi homologado, “foi a ocorrência de lapso quando da elaboração da correspondente DCTF, não tendo restado discriminado o valor de crédito a que fazia juz a ora RECORRENTE, que só foi adequado quando da entrega da DCTF retificadora.” (efl. 131) Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10880.954277/200813 Acórdão n.º 3201004.079 S3C2T1 Fl. 190 5 Informa que procedeu a retificação da DCTF, de forma a fazer constar o valor do crédito pendente de reconhecimento. Sustenta que com a apresentação da DCTF retificadora, mesmo que após à cientificação do despacho decisório, cumpriu com os requisitos para a homologação do pedido de compensação de nº 18276.37162.130904.1.3.047979. Cita a seu favor jurisprudência do CARF quanto a prevalência da verdade real e argumentos constitucionais de motivação legal e fática e da ampla defesa e contraditório. (efl. 133) Sustenta, com fundamento no art. 147, § 2º, do CTN, que a falta da DCTF retificadora não é suficiente para negar impedir a homologação, uma vez que a mesma deveria ter sido retificada pela própria Receita Federal. Argumenta que os créditos a que faz juz foram apurados por meio de levantamento fiscal da própria Receita Federal, “constituindo, portanto, documento oficial e hábil à demonstração do direito invocado.” Logo, não haveria necessidade comprovação documental por parte da recorrente. (efl. 133) Retorna com os argumentos baseados na força do princípio da verdade material, para afirmar que a Receita Federal deve acolher a DCTF retificadora. Finalmente, pede o provimento do Recurso Voluntário para homologar o pedido de compensação ou, caso assim não se entenda, que o julgamento seja convertido em diligência de forma a possibilitar a reunião e apresentação de documentação complementar à comprovação da validade do crédito objeto da referida PER/DECOMP. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. Preliminarmente registro que a recorrente teve garantido o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa nas duas instâncias administrativas. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido de compensação, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). Citese jurisprudência do CARF sobre este ponto: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Câmara Superior de Recursos Fiscais. 3ª Turma Acórdão nº 9303006.266 do Processo 13896.902360/200818 Data: 25/01/2018 Fl. 192DF CARF MF 6 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). O entendimento deste órgão para admitir a comprovação do direito creditório em momento posterior ao despacho decisório está fundamentado no §1º do art. 147 do CTN. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiros, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. De acordo com tal dispositivo legal, cabe a recorrente comprovar o erro. Tal comprovação pode ser feita de diversas formas, inclusive por meio de planilhas, documentos contábeis, cópias de documentos, cupons, recibos e tantos outros. O fato é que o princípio da verdade material, alegado pela recorrente, exige provas que a ela competia trazer aos autos. Ainda que fosse na segunda instância, se juntasse as provas no recurso voluntário, certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. Ocorre que a recorrente não reúne provas na forma de documentação complementar, insistindo erroneamente em argumentar que o Demonstrativo de Apuração, elaborado pela Receita Federal seria suficiente. Sobre tal argumento, a DRJ se pronunciou alegando que o Demonstrativo de Apuração informa a inexistência de saldo. (efls. 122123) É improcedente a afirmação do contribuinte, pois o crédito compensado neste PER/DCOMP, no montante originário de R$3.135,41, relativo ao suposto pagamento, indevido ou a maior de contribuição do PIS/PASEP (Código de Receita 8109), recolhida em 15/10/1999, não decorre do Levantamento Fiscal noticiado, eis que o DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA juntado à Manifestação de Inconformidade (fls. 68/75) informa a INEXISTÊNCIA DE SALDO APURADO, fato confirmado na análise dos valores declarados pelo próprio Interessado na DCTF entregue à Receita Federal do Brasil, conforme telas de consulta que juntamos a estes autos (fls. 114/117) De fato, mesmo com boa vontade, o Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada, as efls. 68 75 dos autos, não deixa claro a existência de saldo creditório. Ao contrário, tratase de documento com anotações manuscritas, que necessitam de documentação complementar para tornar o crédito líquido e certo. Mesmo se o Demonstrativo fosse claro, ainda assim, não seria suficiente para garantir o direito. Faltaria a comprovação de erro por parte da recorrente no preenchimento da DCTF. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10880.954277/200813 Acórdão n.º 3201004.079 S3C2T1 Fl. 191 7 No caso em exame, a recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu, quando da manifestação de inconformidade e agora em fase de recurso voluntário, qualquer prova documental para demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF. Em grau de recurso não cabe fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Finalmente, observo que à autoridade julgadora administrativa é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa a princípios constitucionais. Nesse sentido, citase a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 194DF CARF MF
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