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Numero do processo: 10510.000605/2005-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2000
Per/Dcomp. Estimativas Quitadas por Compensação. Efeitos da Consideração da Parcela redutora de 1/3 da Cofins em Exercício Financeiro Anterior. Possibilidade de Consideração.
O saldo de CSLL apurado em 31/12, após a compensação legal de 1/3 da Cofins disciplinada pelo artigo 3º da Lei 9.718/99, se negativo, poderá compensar estimativas do tributo em períodos subsequentes, ou CSLL devida no ajuste, consoante inteligência do artigo 9º, parágrafo 2º, da Instrução Normativa SRF nº 06/1999.
Numero da decisão: 1302-001.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(documento assinado digitalmente)
ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Relatora
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ESTIMATIVAS QUITADAS POR COMPENSAÇÃO. EFEITOS DA CONSIDERAÇÃO DA PARCELA REDUTORA DE 1/3 DA COFINS EM EXERCÍCIO FINANCEIRO ANTERIOR. POSSIBILIDADE DE CONSIDERAÇÃO. O saldo de CSLL apurado em 31/12, após a compensação legal de 1/3 da Cofins disciplinada pelo artigo 3º da Lei 9.718/99, se negativo, poderá compensar estimativas do tributo em períodos subsequentes, ou CSLL devida no ajuste, consoante inteligência do artigo 9º, parágrafo 2º, da Instrução Normativa SRF nº 06/1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 06 05 /2 00 5- 17 Fl. 435DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 2 Relatório Este processo administrativo foi trazido a julgamento em virtude da conexão verificada entre o seu objeto e o objeto do processo nº 10510.900023/200885, consoante Resolução nº 180100.073, deliberada em 17 de janeiro de 2012, naqueles autos, juntada ao presente às efls. 374 a 382. Resumindo o presente caso, a Recorrente pleiteia direito creditório consubstanciado em Saldo Negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 1999, para compensar a estimativa de CSLL, relativa a março de 2000, no valor de R$ 308.491,80. Ocorre que o Saldo Negativo de CSLL relativo àquele ano foi objeto de autuação fiscal, cuja exigência de tributo foi formalizada no processo administrativo nº 10510.002160/200429. A Turma de Julgamento de Primeira Instância assim relata e aprecia o litígio instaurado: Tratase de Manifestação de Inconformidade (fls. 28/42 e 68/82) contra o Despacho Decisório da Delegada da Receita Federal do Brasil de Aracaju (fl. 20), que, aprovou o Parecer Técnico Saort n° 163/2005 (fls. 21 e 22), não reconhecendo o direito creditório pleiteado pelo interessado, relativo ao saldo negativo da CSLL do exercício de 2000 e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada as fls. 03/08. De acordo com o Parecer Técnico Saort no 163/2005, a configuração da inexistência do direito creditório requerido se deu em razão de o interessado ter sido submetido a procedimento de fiscalização, do qual resultou a desconstituição do saldo negativo da CSLL do anocalendário de 1999 e o lançamento relativo a Contribuição Social apurada no ajuste anual, conforme os documentos de fls. 08 a 17. [...] Conforme relatado, o contribuinte mostrase inconformado com o não reconhecimento do direito creditório pleiteado e a nãohomologação da compensação declarada, argüindo, basicamente, que estes dependem do julgamento do Auto de Infração formalizado no processo n° 10510.002160/200429, ainda pendente, por meio do qual foi efetuada a glosa de parte da dedução relativa à 1/3 da Cofins efetivamente paga, utilizada na liquidação de parcela da CSLL levada ao ajuste anual do anocalendário de 1999. Efetivamente, no Auto de Infração de que trata o processo administrativo n° 10510.002160/200429 foi feita a citada glosa, resultando na inexistência do saldo negativo no valor de R$308.491,80 e em lançamento de CSLL devida no ajuste anual do anocalendário de 1999, no valor de R$250.950,83. E em razão disso, o Parecer Seort em litígio concluiu pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado, correspondente ao saldo negativo do anocalendário de 1999, por ser inexistente. [...] Fl. 436DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 10510.000605/200517 Acórdão n.º 1302001.803 S1C3T2 Fl. 3 3 Ademais, cumpre destacar que o acórdão n° 1513.589 l a Turma da DRJ/SDR, de 29 de agosto de 2007 (fls. 111/116), proferido no processo n° 10510.002160/200429, manteve a glosa ali efetuada e julgou procedente o conseqüente lançamento da CSLL referente ao ajuste anual do anocalendário de 1999. [...] Inconformada, a recorrente apresentou o recurso voluntário arguindo: a) apensamento destes autos ao processo nº 10510.002160/200429 para julgamento em conjunto; b) discorre sobre razões de fato e de direito a respeito da possibilidade da compensação de 1/3 da Cofins com a CSLL devida e apurada em 1999, matéria afeta àqueles autos; e, c) solicita o deferimento do direito creditório e a homologação da compensação pleiteada. Ao votar a conversão do julgamento na realização de diligências, nos autos nº 10510.900023/200885, a turma julgadora concluiu que este processo além de estar inevitavelmente conectado ao deslinde dos autos nº 10510.002160/200429, também conecta se àquele, que cuida do Per/Dcomp cujo objeto é o Saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000. Os autos nº 10510.002160/200429 já foram apreciados em sede recursal e o nº 10510.900023/200885 está sendo decidido simultaneamente a este. A Resolução pode ser assim resumida, aproveitandose trecho redigido nos autos nº10510.900023/200885: Os limites do litígio ora instaurado firmase no valor que está sendo objeto do processo administrativo nº 10510.000605/200517, relativo à homologação ou não de crédito que poderá vir a quitar a estimativa de CSLL de março de 2000, que compõe, por sua vez, a base de cálculo negativa de CSLL ora discutida, e exaustivamente discutida, nestes autos. Com efeito, cabe em parte razão à recorrente. Não há como negar que a decisão proferida naquele processo, em segunda instância, tem repercussão direta no deslinde deste. A ver que no próprio acórdão vergastado a turma julgadora houve por bem e corretamente aplicar as decisões sobre os demais processos que discutiram as compensações das estimativas de CSLL relativas ao anocalendário de 2000. Entendo, todavia, que também não desmerece razão a turma julgadora ao indeferir o pedido de sobrestamento destes autos, por absoluta falta de previsão de norma processual para este fim. Também não é admissível que se dê provimento ao protestado pela recorrente, visto que não se pode reconhecer crédito que não foi ainda definitivamente reconhecido, o que só acontecerá, no caso, com a homologação dada por sentença irrecorrível, ou efetivo pagamento. Não ocorrendo nenhum dos dois fatos, estando sob condição futura, incabível o deferimento deste valor nestes autos, de forma antecipada. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 4 Aduzindo a estas considerações, em pesquisa a outros processos de compensação da mesma instituição financeira, extrai a notícia de que a estimativa de CSLL relativa a março de 2000 foi quitada com a compensação de parte da base de cálculo negativa da CSLL apurada em 1999. O recorrente foi autuado e o procedimento fiscal culminou na alteração do valor informado na DIPJ/00, anocalendário de 1999, da referida CSLL. Compulsando o processo administrativo pertinente a esta autuação, nº 10510.002160/200429, verifico que foi exarado o recente Acórdão nº 130100.749/ 11, dando provimento à recorrente. No entanto, dos referidos autos, atualmente disponível no sistema eprocesso, não verifico a cópia da DIPJ/00 em apreço, nem os efeitos naquela base de cálculo de CSLL. Ainda que fosse possível esta verificação, não conseguiria adiantar os efeitos no processo administrativo que trata da compensação da estimativa de CSLL relativa a março de 2000 (10510.000605/200517). Daí que o julgamento deste litígio fica a depender, de forma intrínseca e inevitável, dos efeitos do Acórdão nº 130100.749/11 na apuração do valor de CSLL relativa ao anocalendário de 1999 e, por conseqüência, na solução do processo administrativo nº 10510.000605/200517. Desta forma, foi solicitado que a autoridade fiscal designada ao feito que juntasse aos autos a cópia do Acórdão nº 130100.749/11 explicitando os seus efeitos na composição do Saldo Negativo de CSLL do anocalendário de 1999 e, por consequência, se a CSLL estimada relativa ao mês de março de 2000 foi devidamente compensada com este saldo, o que solucionaria o conflito do presente litígio. Também solicitouse, por prevenção, a remessa deste processo nº 10510.000605/200517 para o julgamento conjunto com o processo nº 10510.900023/200885. No Relatório Fiscal de efls. 391 a 395, a autoridade fiscal esclarece que procedeu a juntada do Acórdão nº 130100.749/11 (efls. 383 a 390) e mais: [...] Entretanto, segundo consta do Acórdão nº 130100.749/11 (fls. 416/423), não obstante o cancelamento do Auto de Infração relativo à Contribuição sobre o Lucro Social – CSLL, relativo ao exercício de 2000, não cabe, no presente caso, o reconhecimento de direito creditório de CSLL e da COFINS, decorrente da compensação de 1/3 da COFINS com a CSLL, haja vista que o § 3º, art. 8º da Lei nº 9.178/1999, veda expressamente tal procedimento, como bem demonstra o Relator em seu voto, abaixo transcrito (parcialmente): (...) Gira a lide em torno do permissivo estabelecido nos parágrafos 1º a 4º do art. 8º da Lei nº 9.718/1999, que produziu efeitos entre fevereiro/1999 e dezembro do mesmo ano. Eis o dispositivo em comento: Art. 8º Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 10510.000605/200517 Acórdão n.º 1302001.803 S1C3T2 Fl. 4 5 § 1º A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. § 2º A compensação referida no § 1º: I somente será admitida em relação à COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta; II no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 3º Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes. § 4º A parcela da COFINS compensada na forma deste artigo não será dedutível para fins de determinação do lucro real." (...) Por outro lado, a lei estabelece expressamente que da aplicação do procedimento de compensação em tela “não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes”. De se observar que a compensação de 1/3 da COFINS com a CSLL é claramente um benefício fiscal, devendo ser interpretada literalmente, à luz do art. 111 do CTN. Não se cuida, aqui, de repetição de indébito, mas da outorga do permissivo de compensação de parte de tributo devido e pago (COFINS) para extinguir outro tributo igualmente devido (CSLL). Assim sendo, concluise pela inexistência de saldo negativo da CSLL, referente ao exercício de 2000, anocalendário 1999, pois, não fora a dedução de 1/3 da Cofins efetivamente paga, no valor de R$ 660.071,51, terseia uma CSLL a pagar na ordem de R$ 367.273,68, como bem se vê a seguir: FICHA 30 CÁLCULO DA CSLL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO 01. LUCRO LIQUIDO ANTES DA CSLL 10.803.329,82 13. SOMA DAS ADIÇÕES 53.177.642,89 20. SOMA DAS EXCLUSÕES 51.304.515,90 23. BASE DE CALCULO DA CSLL 12.676.456,81 24. CSLL APURADA 1.366.013,48 26.()RECUPERACAO DE CREDITO DE CSLL 2 1 1 .782,59 27.()CSLL MENSAL PAGA POR ESTIMATIVA 75 8 .765,50 30.()CSLL RETIDA NA FONTE POR ORGAO PUBLICO 28 . 1 9 1 ,7 1 31. CSLL A PAGAR 367.273,68 Fl. 439DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 6 (grifos não pertencem ao original) Às efls. 401 a 413 a recorrente manifestouse sobre o resultado das diligências realizadas, alegando que a autoridade fiscal diligente equivocouse ao tratar da matéria, reiterando que faz jus ao valor de R$ 308.491,80, pois, em suma, defende: Da simples leitura da lei(*) verificase que a compensação de até um terço da COFINS está limitada ao valor da CSLL apurada (devida), nada tratando sobre formação ou não do saldo negativo ou CSLL a pagar no período. Ou seja, o que a lei impede é que a utilização do valor correspondente a 1/3 da COFINS efetivamente paga não supere o valor apurado a título de CSLL no período. Caso isto aconteça, por expressa determinação legal, não pode o contribuinte pleitear a sua utilização em outros períodos subsequentes ou restituição. (*) Artigo 8º e §§ da Lei nº 9.718/99 Prossegue tecendo considerações sobre o descabimento da autuação fiscal realizada no processo nº 10510.002160/200429 e sobre orientações da RFB (Secretaria da Receita Federal do Brasil) a respeito do tema e jurisprudência administrativa invocada em seu favor. Conclui demonstrando que o valor do 1/3 da Cofins efetivamente pago no anocalendário de 1999 (R$ 660.071,51) não ultrapassou o valor da CSLL devida (R$ 1.366.013,49), pelo que restou um saldo de CSLL a pagar, ainda, de R$ 705.941,97. Conclui: A conclusão apresentada no acórdão restringese, tal qual determina a lei, a indicar que a compensação do montante equivalente a 1/3 da COFINS efetivamente paga no período não pode exceder a CSLL apurada (devida). De forma algum, a referida decisão, até porque estaria contra legem, poderia impedir a sua utilização e formação do saldo negativo nos termos previstos na legislação. Fez sustentação oral a patrona da recorrente, Dra. Hanna Carolina M. Tavares (OAB/BA nº 28.184). É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora O Recurso Voluntário já foi conhecido, por tempestivo. Importante salientar, conforme relatado, que este processo trata da estimativa de CSLL relativa a março de 2000, no valor de R$ 308.491,80, que, por sua vez, compõe o Saldo Negativo de CSLL, relativo ao anocalendário de 2000, matéria tratada no processo nº 10510.900023/200885. Ocorre que a estimativa de CSLL, março de 2000, foi compensada com o Saldo Negativo de CSLL do anocalendário de 1999. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 10510.000605/200517 Acórdão n.º 1302001.803 S1C3T2 Fl. 5 7 E, no que respeita ao Saldo Negativo de CSLL daquele ano, 1999, a empresa sofreu autuação fiscal devido a consideração na formação deste saldo (CSLL) de valores recolhidos a título de Cofins e a compensação permitida legalmente de 1/3, nos termos do artigo 8º da Lei nº 9.718/99. Este assunto foi amplamente debatido e tratado no processo nº 10510.002160/200429, que culminou no Acórdão nº 130100.749/11, cuja decisão já transitou em julgado, juntado às efls. 416 a 423. Por conseguinte, a solução de ambos os litígios tratados nos processos fiscais nºs 10510.900023/200885 e neste decorre do Saldo Negativo de CSLL e da sua composição, conforme já discorrido no relatório, na deliberação das diligências solicitadas, relatório fiscal e manifestação da recorrente a respeito deste relatório. O Acórdão nº 130100.749 restou assim ementado, reprisese: COMPENSAÇÃO. 1/3 DA COFINS. No período de vigência dos parágrafos do art. 8º da Lei nº 9.718/1999, o contribuinte tem o direito de compensar até 1/3 (um terço) da COFINS efetivamente paga com a CSLL devida, sendo que a lei não faz restrições quanto à tempestividade dos pagamentos da COFINS, nem obriga a que sejam anteriores ao pagamento da CSLL. No entanto, dessa compensação não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes, por disposição expressa da mesma lei. No texto dispositivo do acórdão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário interposto, para cancelar o lançamento, sem que isso implique, em qualquer hipótese, o reconhecimento de qualquer direito creditório de CSLL nem de COFINS passível de restituição ou compensação em favor do contribuinte, por vedação direta da lei. Em trecho elucidativo do votocondutor, restou explicitado; Por outro lado, a lei estabelece expressamente que da aplicação do procedimento de compensação em tela “não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes”. De se observar que a compensação de 1/3 da COFINS com a CSLL é claramente um benefício fiscal, devendo ser interpretada literalmente, à luz do art. 111 do CTN. Não se cuida, aqui, de repetição de indébito, mas da outorga do permissivo de compensação de parte de tributo devido e pago (COFINS) para extinguir outro tributo igualmente devido (CSLL). Em conclusão, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto e o cancelamento do lançamento. Ressalto que esta decisão não implica, em hipótese alguma, o reconhecimento de qualquer direito creditório de CSLL nem de COFINS passível de restituição ou compensação em favor do contribuinte, por vedação direta da lei. (grifos não pertencem ao original) Daí surge o litígio a ser ora apreciado. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 8 A recorrente defende a tese que o alcance e os efeitos desta decisão não maculam o Saldo Negativo de CSLL apurado na DIPJ/00 (ac 1999), pois a parcela compensada referente a 1/3 da Cofins redundou em valor inferior à CSLL devida, se não houvesse a referida compensação. Assim demonstra em trecho da manifestação sobre a diligência realizada e no que respeita às conclusões fiscais dispendidas: No caso concreto, portanto, a apuração do saldo negativo pode ser corretamente assim demonstrada: FICHA 30 CÁLCULO DA CSLL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO 01. LUCRO LÍQUIDO ANTES DA CSLL R$ 10.803.329,82 13. SOMA DAS ADIÇÕES R$ 53.177.642,89 20. SOMA DAS EXCLUSÕES R$51.304.515,90 23. BASE DE CÁLCULO DA CSLL R$12.676.456,81 24. CSLL APURADA R$ 1.366.013,48 25. () 1/3 DA COFINS EFETIVAMENTE PAGA R$ 660.071,51 26. () RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO DA CSLL R$211.782,59 27. () CSLL MENSAL PAGA POR ESTIMATIVA R$ 758.765,50 30. () CSLL RETIDA NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO R$ 28.191,71 31. CSLL A PAGAR (R$ 292.797,83) Verificase, assim que o montante referente a1/3 da COFINS efetivamente paga no período pelo Requerente não ultrapassou o montante apurado a título de CSLL, razão pela qual pode ser integralmente utilizado, restando ainda um saldo a título de CSLL no montante de R$ 705.941,97: (...) [...] A conclusão apresentada no acórdão restringese, tal qual determina a lei, a indicar que a compensação do montante equivalente a 1/3 da COFINS efetivamente paga no período não pode exceder a CSLL apurada (devida). De forma algum, a referida decisão, até porque estaria contra legem, poderia impedir a sua utilização e formação do saldo negativo nos termos previstos na legislação. A despeito das conclusões da autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências realizadas, a tese esposada pela recorrente encontra guarida na legislação tributária e o assunto foi melhor explicitado na Instrução Normativa SRF nº 06/1999, artigo 9º, em seu parágrafo 2º, in verbis: Art. 9º No caso de pessoas jurídicas que apuram a CSLL anualmente, a compensação referida no art. 7° poderá ser efetuada por ocasião do pagamento dos valores devidos por estimativa ou do saldo apurado em 31 de dezembro. § 1º No pagamento por estimativa, a compensação poderá abranger a parcela compensável da COFINS correspondente ao próprio mês a que se referir ou a meses anteriores do mesmo anocalendário. § 2º Na apuração do saldo devido em 31 de dezembro serão observados os seguintes procedimentos: I da CSLL apurada poderá ser deduzido até um terço da COFINS relativa aos meses correspondentes ao próprio ano calendário; II o saldo apurado na forma do inciso anterior: Fl. 442DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 10510.000605/200517 Acórdão n.º 1302001.803 S1C3T2 Fl. 6 9 a) se negativo, não será restituído e nem poderá ser compensado em períodos posteriores; b) se positivo, dele será deduzido os valores da CSLL, efetivamente pagos sob a forma de estimativa mensal; III o saldo remanescente, na hipótese da alínea "b" do inciso anterior: a) se positivo, corresponderá à CSLL a pagar; b) se negativo, será considerado como parcela compensável da CSLL, em períodos posteriores, na forma da legislação vigente. (grifos não pertencem ao original) Salientese que nestes autos não há que se abrir rediscussão a respeito da compensação autorizada pelo artigo 8º da Lei nº 9.718/99, nem tampouco do valor do Saldo Negativo da CSLL do anocalendário de 1999, matérias transitadas em julgado, mas restringir seá a dar a correta interpretação à decisão exarada no Acórdão nº 130100.749 quanto aos efeitos da compensação dos valores compensados a título de 1/3 da Cofins na repercussão do Saldo Negativo da CSLL nos períodos subsequentes. Assim sendo, para efeitos de Saldo de CSLL a ser aproveitado em períodos subsequentes, não se deve extrair o valor informado a título de 1/3 da Cofins, na DIPJ/00, e correta a pretensão da recorrente em relação ao direito creditório pleiteado nos presentes autos. A legislação concernente à matéria veda somente que o valor do 1/3 da Cofins ultrapasse o valor da CSLL devida apurada no anocalendário de 1999, a fim de não gerar repetição de indébito, por si só considerado, mas não veda que seja computado até este limite e posteriormente aproveitado o Saldo Negativo de CSLL em períodos subsequentes. A estimativa de CSLL de março de 2000, por conseguinte, no valor de R$ 308.491,80, pode ser devidamente compensada com o Saldo Negativo de CSLL, consoante apurado pela recorrente, no valor de R$ 292.797,83, respeitada a devida atualização monetária. Compete ao órgão executor deste acórdão realizar os cálculos para verificar a suficiência do crédito, após a atualização monetária nos moldes legais. Voto, por todo o exposto, em dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório consubstanciado no Saldo Negativo de CSLL, relativo ao ano calendário de 1999, no valor original de R$ 292.797,83, e homologar a compensação da estimativa de CSLL, relativa a março de 2000, até o limite deste, observandose a atualização monetária devida. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 443DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 10 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 15/03/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por EDELI PER EIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915931/2008-65
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA
O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso, não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentou-se em mais de um motivo.
VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. NÃO CABIMENTO
Em tese, os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante, estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus.
Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3802-001.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento.
.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral pela Recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho, OAB/PE nº 30.248.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/08/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso, não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentou-se em mais de um motivo. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. NÃO CABIMENTO Em tese, os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante, estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório. Recurso Voluntário negado.
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NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso, não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentouse em mais de um motivo. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. NÃO CABIMENTO Em tese, os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante, estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário pra NEGARLHE o provimento. . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 31 /2 00 8- 65 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela Recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho, OAB/PE nº 30.248. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 102), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. MICROLITE SOCIEDADE ANÔNIMA, insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1630.842, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo –DRJ/SP1, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo o crédito tributário formalizado contra a referida Recorrente. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da manifestação de inconformidade, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: Em 26/8/2008, Despacho Decisório não homologa Pedido Eletrônico de Restituição (PER)Declaração de Compensação (DComp) de fl. 1, por falta de crédito no DARF da contribuição acima citada (código de receita: 2172; fato gerador: 31/08/2000). O Valor foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo compensável. O débito compensado nesta declaração é de: Cofins Não Cumulativa; código de receita: 5856; de fevereiro de 2004; no valor de R$ 8.905,34 (fl 9). A base da decisão são os artigos 165 e 170, do CTN, e no art. 74, da Lei 9.430/96. Foram emitidas mais 90 Decisões, cada qual formando um processo (de 10880.915886 até 10880.915976, conjunto ao qual estes autos pertencem). Em 24/9/2008, a empresa deduz sua inconformidade (fl 10 e seguintes) na qual: diz que as Declarações de Compensação tratam de créditos do mesmo tipo e prova, não fracionáveis; pede para apensar todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; argui: nulidade, pela falta de intimação Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915931/200865 Acórdão n.º 3802001.946 S3TE02 Fl. 104 3 prévia para prestar esclarecimentos; que devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; que recolheu indevidamente Pis e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 em vendas à ZFM que não geram obrigação fiscal, pois equiparadas a exportação (DL 288/67); diz juntar as notas fiscais e demonstrativos da base de compensação, planilhas das bases de cálculo e demonstrativo contábil. Ao final, requer a emissão de novo Despacho em face da prova e/ou homologação das compensações deste e dos demais autos que pleiteia anexar. Junta documentos da representação processual e societários. Não acatando as razões aduzidas pela Recorrente na instância a quo, a 9ª Turma da DRJ/SP1, resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Vejase: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de pagamento a um débito próprio expressa a inexistência do direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar a não homologação de compensação. A alegação de existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/08/2000 VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÕES SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. O art. 4º do DecretoLei nº 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Irresignado com a decisão supra, o sujeito passivo interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 60 e seguintes) pleiteando a nulidade do Acórdão recorrido, alegando que a decisão foi construída com base em premissas confusas e obscuras, bem como enfatizando o direito que ampara seu pedido, consubstanciado na equiparação das vendas para a Zona Franca de Manaus à exportações – o que explicita ter ocorrido recolhimento indevido de PIS e COFINS sobre as receitas daí oriundas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar o Acórdão (fl. 102), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise de apenas parte das razões recursais. Tratase de recurso destinado a reconhecer a validade da compensação realizada pelo sujeito passivo, que alega haver indevidamente submetido à tributação por PIS e COFINS as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. Preliminar Como questão preliminar aduzse a nulidade do Acórdão recorrido, por haver sido “construído com base em premissas confusas e obscuras, que impossibilitam o pleno exercício do direito de defesa da Recorrente, no caso concreto”. O art. 59 do Decreto 70.235/72, que rege o processo tributário administrativo em âmbito federal, traz como uma das causas de nulidade a preterição do direito de defesa. No entanto não vislumbro no caso nulidade do Acórdão, especialmente porque a decisão recorrida traz um argumento escalonado para não acolher o pleito do contribuinte, a saber: a) a impossibilidade de se reconhecer o direito de crédito à Recorrente, diante da Solução de Divergência Cosit nº 07, que limitaria as isenções a apenas alguns produtos, não sendo genérica para qualquer venda realizada para a Zona Franca de Manaus, nos termos do art. 14 da MP 203725; b) ultrapassada a questão acima, a inexistência de comprovação da materialidade do crédito em termos concretos. O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso (ou mesmo, ao seu ver, lacônico), não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentouse em mais de um motivo. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915931/200865 Acórdão n.º 3802001.946 S3TE02 Fl. 105 5 Tanto assim que a Recorrente não só identificou os fundamentos do Acórdão, como o presente Recurso ataca o ponto que parece mais sensível ao contribuinte – a existência, ao seu ver, de exoneração de PIS e COFINS sobre as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus. Desse modo, não acolho o argumento de nulidade do Acórdão. Vale o aforismo jurídico: pas de nullité sans grief. Mérito Quanto ao mérito, o ponto nodal referese à existência, ou não, de exoneração de PIS e COFINS sobre as receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. A celeuma tem origem no fato de o art. 40 do ADCT/88 (Atos das Disposições Constitucionais Transitórias) ter estendido para o ordenamento constitucional de 1988 o regime tributário da Zona Franca em Manaus, nos seguintes termos: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Esse regime tributário, como cediço, teve início por intermédio do Decretolei nº 288/67, porém seguramente a determinação constitucional estende toda a exoneração fiscal existente no ordenamento anterior para o Sistema Tributário atual. Esse é o comando expresso do art. 40 do ADCT, cujo prazo veio a ser prorrogado por mais 10 anos por força do art. 92 das mesmas Disposições Constitucionais. A discussão que pode ser travada é quanto à interpretação da expressão das características “de exportação” sobre a Zona Franca de Manaus, especialmente diante da imunidade constitucional que as exportações possuem sobre as contribuições especiais. De todo modo, há normas infraconstitucionais de observância irrefutável pelo CARF, que trazem regramento jurídico distinto da imunidade. E, como se sabe, a Súmula nº. 2, do CARF, impede que se avalie a constitucionalidade dessas normas, que em última análise afetam a permissibilidade de exclusão, ou não, dessas receitas da base de cálculo de PIS e da COFINS. Referidas normas estavam contidas, durante o período compreendido pelos casos trazidos à lume, pela Medida Provisória nº 2.037, a qual, em sua redação original e em vinte e quatro reedições posteriores, dispôs que não estavam abarcadas por isenção as receitas oriundas de vendas para a Zona Franca de Manaus, “a partir de 1o de fevereiro de 1999” (redação do § 2o do art. 14). Essa redação somente veio a ser modificada diante de decisão do STF na ADIMC 2348, cujo mérito terminou não sendo julgado por perda de objeto da ação direta. A decisão, que afastava com efeitos ex nunc a aplicação da norma acima sobre as receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus, levou o governo federal a, na vigésima Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 quinta reedição da MP nº 2.037, considerar isentas também as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. E a rigor, a interpretação de que a isenção estava concedida à Zona Franca de Manaus se deu por supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do rol de vedações à aplicação da isenção constante do art. 14 da MP nº 2.037. Passavase, então, a reconhecer que a isenção para a ZFM estava compreendida no inciso II do art. 14, o qual dispunha sobre a exportação de mercadorias para o exterior. Esforço interpretativo conjunto com o art. 40 do ADCT, portanto (e que, frisese, remete à imunidade do art. 149 da CRFB, não a isenção). De todo modo, em termos infraconstitucionais o que se tem é: somente se isentaram as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS a partir de dezembro de 2000, pois o início da vigência da MP nº 2.03725 ocorreu no dia 21 daquele mês. Importante destacar que não entendo que a isenção tenha sido concedida em caráter retroativo a 1o de fevereiro de 1999, como defendem alguns diante de uma leitura fria do caput do art. 14 da MP nº 2.03725. A rigor, a alteração legislativa que suprimiu a vedação à isenção das vendas para a Zona Franca de Manaus deve ser apreciada em conjunto com a própria decisão do STF, que suspendeu a aplicação da MP n° 2.037, em reedição anterior, com efeitos ex nunc na ADIMC 2348. A disposição do caput tratando do dia 1o de fevereiro de 1999 existe desde a edição originária da MP nº 2.037. Assim, o fato de reedição posterior da MP permitir uma leitura apriorística de que, desde fevereiro de 1999, não havia vedação à isenção, não significa que ocorra uma exótica “isenção retroativa”. Afinal, tratase da mesma MP nº 2.037, que, pelas regras constitucionais vigentes à época, podia ser reeditada quantas vezes fossem necessárias. De todo modo, ao menos em tese os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório, restando prejudicada a análise de todo o remanescente – inclusive a prova dos autos. Conclusão Destarte, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915931/200865 Acórdão n.º 3802001.946 S3TE02 Fl. 106 7 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 18471.000143/2003-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/2002
DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DIREITO DO CONTRIBUINTE.
O depósito judicial do montante integral do crédito tributário questionado suspende a sua exigibilidade, na forma prevista no art. 151, inciso II, do CTN. É direito do contribuinte depositar em juízo o valor do crédito tributário questionado, com a finalidade de suspender a sua exigibilidade até que se resolva de forma definitiva as questões que integram a lide judicial.
LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.
Não cabe o lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa, inclusive na hipótese de depósito judicial do seu montante integral.
LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incidem juros moratórios sobre o crédito tributário que esteja com sua exigibilidade suspensa por depósito judicial do seu montante integral.
Numero da decisão: 3201-002.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Laís Lapoente Peixoto, OAB/RJ nº 88688.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. RECONHECIMENTO DE RECEITA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ATÉ 03/12/2001. REGIME DE COMPETÊNCIA. Para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2001, no caso das pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias submetidas ao regime de tributação com base no lucro real, o valor total da receita auferida com as vendas de bens imóveis integra o faturamento, base de cálculo da contribuição, no mês da efetivação das vendas. É de se excluir do total do crédito tributário lançado os valores da Cofins incidentes sobre receitas imobiliárias, apurados, pelo regime de caixa na parte que exceder os valores devidos da Cofins apurados pelo regime de competência. ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS. RECONHECIMENTO DE RECEITA. FATOS GERADORES OCORRIDOS A PARTIR DE 04/12/2001. REGIME. O MESMO ADOTADO PARA O IMPOSTO DE RENDA. A partir de 04/12/2001, com a vigência da Medida Provisória nº 2.221/2001, as pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias devem adotar, para efeito de apuração da Cofins, o mesmo regime de reconhecimento de receitas adotado para o imposto de renda. Em se adotando o regime de caixa, não é de se incluir na base de cálculo da contribuição os valores recebidos referentes a vendas efetuadas anteriormente a 04/12/2001. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/2002 DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DIREITO DO CONTRIBUINTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 01 43 /2 00 3- 91 Fl. 3083DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000143/200391 Acórdão n.º 3201002.017 S3C2T1 Fl. 3.084 2 O depósito judicial do montante integral do crédito tributário questionado suspende a sua exigibilidade, na forma prevista no art. 151, inciso II, do CTN. É direito do contribuinte depositar em juízo o valor do crédito tributário questionado, com a finalidade de suspender a sua exigibilidade até que se resolva de forma definitiva as questões que integram a lide judicial. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Não cabe o lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa, inclusive na hipótese de depósito judicial do seu montante integral. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros moratórios sobre o crédito tributário que esteja com sua exigibilidade suspensa por depósito judicial do seu montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Laís Lapoente Peixoto, OAB/RJ nº 88688. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 590 a 598, lavrado pela Defic/Rio de Janeiro em decorrência de falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, consubstanciando exigência de crédito tributário no valor total de R$ 5.245.412,03, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 11/1998, 10/1999 a 12/2002, à multa de ofício de 75% e aos juros de mora calculados até 30/12/2002. Fl. 3084DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000143/200391 Acórdão n.º 3201002.017 S3C2T1 Fl. 3.085 3 2. Relata o Auditor no Termo de Constatação datado de 03/10/2002 (fls. 577/588) que: 2.1 Em 27/03/2002 foi entregue à Contribuinte Termo de Início de Fiscalização, solicitando que fossem fornecidas a esta fiscalização planilhas demonstrativas do faturamento da empresa no período citado, possibilitando que fosse verificada a base de cálculo dos tributos administrados pela SRF; 2.2 Solicitados pedidos de prorrogação, respondeu a empresa ao citado Termo, em 13/08/2002, apresentando as receitas do período solicitado; 2.3 Verificadas diferenças, foi elaborado Termo de Intimação, datado de 03/09/2002, solicitando que fossem esclarecidas as diferenças apuradas; 2.4 Não tendo sido dirimidas todas as dúvidas e/ou diferenças apuradas por esta fiscalização, lavramos o presente Termo de Constatação onde são descritas as incorreções apuradas por esta fiscalização; 2.5 Entre os documentos apresentados pela empresa, foram anexadas cópias de processos judiciais, nos quais esta figura como autora, a seguir discriminados: Mandado de Segurança nº 98.00458549, Ação Declaratória nº 98.00090134, Mandado de Segurança nº 99.00.123301, Mandado de Segurança nº 99.00.119630; 2.6 Da análise das informações prestadas pela Contribuinte, sopesada a grande quantidade de pedidos efetuados junto ao Poder Judiciário, verificase a obtenção das seguintes autorizações judiciais: 2.6.1 Direito de efetuar o recolhimento da Contribuição para o PIS com base na Lei Complementar nº 07/1970, até a entrada em vigor da Lei nº 9.718/1998; 2.6.2 Liminar suspendendo a exigibilidade da Cofins, pelo depósito em juízo dos valores, nos exatos limites dos créditos questionados; e 2.6.3 Concessão de Segurança, apenas para declarar a inexistência de relação jurídica tributária entre a empresa e a União que obrigue a empresa a recolher a Cofins com base de cálculo constituída apenas pela receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, abstendose a União de qualquer sanção a este título; 2.7 No tocante à documentação apresentada pela Contribuinte, verificamse, em relação à Cofins, os seguintes fatos: 2.7.1 No ano de 1997, a empresa não declarou os débitos em DCTF, porém efetuou os recolhimentos da Cofins, não havendo, portanto, tributo a ser lançado; Fl. 3085DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000143/200391 Acórdão n.º 3201002.017 S3C2T1 Fl. 3.086 4 2.7.2 No ano de 1998, a empresa não declarou os débitos em DCTF, porém efetuou os recolhimentos da Cofins, não havendo, portanto, tributo a ser lançado, exceto em relação ao mês 11/1998, cujo pagamento foi efetuado a menor. Desta forma, será lançado com imposição de penalidades, o valor correspondente às diferenças nas vendas de unidades concluídas, da forma que se expõe (apresenta quadro demonstrativo); 2.7.3 No ano de 1999, a partir de fevereiro, possuindo a Contribuinte decisão judicial concedendo a suspensão da exigibilidade da Cofins nos exatos limites dos valores questionados, serão lançadas as diferenças apuradas por esta fiscalização, com imposição de penalidades, da forma como segue (apresenta quadro demonstrativo); 2.7.4 Da análise do quadro relativo ao ano de 1999, obtémse uma base de cálculo da Cofins no mês 10/1999 correspondente a R$ 2.471.381,33; 2.7.5 Os valores depositados não são objeto de lançamento em DCTF por parte da empresa. Entretanto, no período compreendido entre julho e outubro de 1999, o contribuinte possuía ação judicial que lho permitia depositar tais valores em juízo. Desta forma, serão lançados, sem a imposição de penalidades, os valores referentes às bases de cálculo da Cofins correspondentes a esses meses, na forma como segue (apresenta quadro demonstrativo); 2.7.6 No entendimento do juízo de direito proferidor da sentença originária de Mandado de Segurança impetrado pela própria empresa, não possui a Contribuinte, a partir de novembro de 1999, direito de efetuar depósitos com o intuito de suspender a exigibilidade do crédito. Assim, serão lançados com imposição de penalidades, os valores de Cofins não abrangidos pela sentença proferida em 03/11/1999, conforme decisão do juízo de direito. São os seguintes os valores referentes aos meses 11/1999 e 12/1999 (apresenta quadro demonstrativo); 2.7.7 Pelo fato de a Contribuinte possuir decisão judicial impedindo que a ela sejam impostas sanções e não tendo sido os débitos decorrentes de outras receitas (financeiras, etc.) declarados pela Contribuinte em DCTF, será lavrado Auto de Infração com exigibilidade suspensa, sem a imposição de penalidades, no tocante a estas receitas, nos termos da ação judicial, visando garantir o direito da União, ao final do processo. Desta forma, serão consideradas as bases de cálculo a seguir expostas (apresenta quadro demonstrativo); 2.7.8 No ano 2000 receberá tratamento análogo ao ano de 1999. Possuindo a Contribuinte decisão judicial concedendo a suspensão da exigibilidade da Cofins nos exatos limites dos valores questionados, serão lançadas as diferenças apuradas por esta fiscalização, da forma com segue (apresenta quadro demonstrativo); Fl. 3086DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000143/200391 Acórdão n.º 3201002.017 S3C2T1 Fl. 3.087 5 2.7.9 Da análise do quadro relativo ao ano de 2000, obtémse uma base de cálculo da Cofins no mês 01/2000 correspondente a R$ 212.293,33; 2.7.10 Pelas razões já expostas no subitem “2.7.6”, serão lançados com imposição de penalidades, os valores de Cofins referentes ao anocalendário de 2000, os valores não abrangidos pela sentença proferida em 03/11/99, na parte excedente à decisão do juízo de direito, da forma como segue (apresenta quadro demonstrativo); 2.7.11 No anocalendário de 2000, será lavrado Auto de Infração com exigibilidade suspensa, sem a imposição de penalidades, no tocante a Outras Receitas, visando garantir o direito da União, ao final da ação judicial. Desta forma, serão consideradas as bases de cálculo a seguir expostas (apresenta quadro demonstrativo); 2.7.12 No anocalendário 2001, excluindose os valores referentes a “Outras Receitas”, as demais receitas da empresa, sejam da prestação de serviços, sejam da incorporação e venda de imóveis próprios, deveriam ter sido utilizadas pela Contribuinte no cômputo da base de cálculo da Cofins, o que não foi feito. Desta forma, serão lançados com imposição de penalidades os valores concernentes à Cofins sobre essas receitas, da forma como segue (apresenta quadro demonstrativo); e 2.7.13 No anocalendário 2001, os valores referentes a “Outras Receitas” novamente serão lançados, sem a imposição de penalidades, em virtude de decisão judicial datada de 03/11/1999. Serão consideradas as bases de cálculo a seguir expostas (apresenta quadro demonstrativo). 3. Nesse mesmo Termo, foi concedido à Contribuinte o prazo de 20 (vinte) dias para que fossem esclarecidos os pontos nele suscitados, juntandose documentação comprobatória do alegado. 4. No Termo de Constatação (fls. 599/610) anexado ao Auto de Infração (fls. 590/598) relata o Auditor que: 4.1 Em réplica efetuada ao Termo de Constatação datado de 03/10/2002 (fls. 577/588), a Contribuinte apresentou a seguinte documentação: 4.1.1 Mandado de Segurança interposto contra a decisão prolatada no processo Mandado de Segurança nº 99.00123301, objetivando obter a concessão de liminar para que os depósitos efetuados continuem à disposição do Juízo Monocrático, para poder continuar depositando em juízo os valores da Contribuição para o PIS referente aos próximos meses e para que os depósitos efetuados e futuros continuem à disposição do Juízo Federal até o trânsito em julgado da sentença; 4.1.2 Decisão do Mandado de Segurança supracitado, concedendo medida liminar inaudita altera pars, para que os depósitos judiciais possam continuar à disposição do Juízo Fl. 3087DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000143/200391 Acórdão n.º 3201002.017 S3C2T1 Fl. 3.088 6 Monocrático e os valores do PIS devido em relação aos próximos meses possam continuar a ser depositados, até o julgamento final do Mandado de Segurança nº 99.00123301; e 4.1.3 Certidão da 27ª VF/RJ, informando que o processo 99.00119630 encontrase concluso ao MM. Juiz Federal; 4.2 Pelo exposto, foi alterado por esta fiscalização, em virtude da decisão judicial proferida, o lançamento do PIS nos anos calendário 1999, 2000 e 2001, os quais serão lançados sem imposição de penalidades, com a exigibilidade suspensa, apenas para assegurar o direito da Fazenda Nacional, da forma como segue (apresenta quadro demonstrativo); 4.3 Em que pese não constar do Termo de Constatação anterior, em virtude de não terem sido informadas as bases de cálculo pela empresa, será lançada a Contribuição para o PIS, no ano calendário de 2002, analogamente ao ano de 2001, sem a imposição de penalidades, com exclusão dos valores efetivamente pagos, em conseqüência de decisão judicial, da forma como segue (apresenta quadro demonstrativo); 4.4 Em relação à Cofins, não apresentou a Contribuinte qualquer nova documentação, sendo mantidos, portanto, os fundamentos fáticos do Termo de Constatação anterior; 4.5 No anocalendário 2002, excluindose os valores referentes a “Outras Receitas”, as demais receitas da empresa, sejam da prestação de serviços, sejam da incorporação e venda de imóveis próprios, deveriam ter sido utilizadas pela Contribuinte no cômputo da base de cálculo da Cofins, o que não foi feito. Desta forma, serão lançados com imposição de penalidades os valores concernentes à Cofins sobre essas receitas, da forma como segue (apresenta quadro demonstrativo); e 4.6 No anocalendário 2002, os valores referentes a “Outras Receitas” serão lançados, sem a imposição de penalidades, em virtude de decisão judicial datada de 03/11/1999. Serão consideradas as bases de cálculo a seguir expostas (apresenta quadro demonstrativo). 5. Os dispositivos legais infringidos constam no quadro “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 592 do referido Auto de Infração. 6. Cientificada em 28/01/2003 (fl. 590), a Interessada, inconformada, apresentou, em 26/02/2003, a impugnação de fls. 623 a 636, na qual alega, em síntese, que: 6.1 A exigibilidade dos créditos tributários lançados de ofício encontrase suspensa pelos depósitos judiciais efetuados e pelo efeito suspensivo concedido ao recurso de Apelação interposto pela ora Impugnante nos autos do Mandado de Segurança nº 99.00119630, o que invalida a imposição de multa e juros de mora; 6.2 É insubsistente a tese sustentada pelo Auditor, de que os depósitos judiciais efetuados nos autos do Mandado de Segurança nº 99.00119630, a partir de novembro de 1999, não Fl. 3088DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000143/200391 Acórdão n.º 3201002.017 S3C2T1 Fl. 3.089 7 teriam o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Isso porque depositar o crédito tributário controvertido é uma faculdade outorgada aos contribuintes pelo CTN, donde, enquanto a lide pendente estiver de julgamento final, nada poderá impedir que sejam efetuados, conforme consagrado pela jurisprudência uniforme do E. STJ; 6.3 Estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário, na forma do art. 151, inciso II, do CTN (fls. 158/287 e doc. 2), é absolutamente impróprio adicionar multa e juros de mora ao lançamento de ofício. Para sustentar a sua tese transcreve diversas ementas de acórdãos dos Conselhos de Contribuintes; 6.4 Mesmo que assim não fosse, o que se admite somente a título de argumentação, o Recurso de Apelação interposto pela Impugnante contra a decisão proferida pelo Juízo da 27ª VF/RJ foi recebido no efeito suspensivo, situação que, como leciona José Carlos Barbosa, atinge toda a eficácia da decisão, e não apenas o efeito executivo que ela possa ter; 6.5 Ao adotar tão incomum entendimento, a Fiscalização não apenas desrespeitou a decisão que recebeu o Recurso no duplo efeito, mas também violou a própria sentença de mérito prolatada pela 27ª VF/RJ, segundo a qual os depósitos só deverão ser convertidos em renda da União Federal quando ocorrer o trânsito em julgado da sentença (fls. 502/513), circunstância não verificada até esta data, pois o Recurso de Apelação encontrase ainda pendente de julgamento, conforme certifica o relatório de andamento processual extraído do sítio do TRF2ª Região (doc. 3, fls. 693/698); 6.6 Em outubro de 1999, o AFRF utilizou base de cálculo de origem desconhecida e ainda cobrou novamente o tributo pelo processo nº 18471.000145/200381; 6.7 Informou o AFRF, no Termo de Constatação (fl. 584), que o valor da base de cálculo da Cofins apurada (R$ 5.103.617,76) seria a soma das receitas da atividade imobiliária e da prestação de serviços, exigindo, então, a Cofins sobre uma suposta diferença de R$ 2.471.381,33. Ocorre que a soma da receita da atividade imobiliária e da prestação de serviços da Impugnante nesse período é de R$ 2.603.206,44, conforme consta da planilha de fl. 130 entregue à Fiscalização; e 6.8 A diferença apurada de R$ 2.508,21, referente ao mês 11/1998, decorre da compensação do valor devido com parte do valor de R$ 6.588,88, recolhido a maior no mês anterior. 7. Por fim, requer que: 7.1 Os argumentos expendidos nos Mandados de Segurança nºs 97.01021754 e 99.00119630 sejam tomados como pertencentes a esta Impugnação; 7.2 Seja julgado o lançamento improcedente. Fl. 3089DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000143/200391 Acórdão n.º 3201002.017 S3C2T1 Fl. 3.090 8 8. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. 9. Por meio da RESOLUÇÃO DRJ/RJOII Nº 093, de 26 de fevereiro de 2007, (fls. 738 a 745), esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência. nos termos do voto da relatora. 10. O resultado da diligência foi consignado no Relatório Fiscal, anexado às fls. 1432 a 1434, no qual o Auditor informa que: 10.1 Em Termo de Intimação lavrado foi solicitado à Contribuinte que informasse se as receitas imobiliárias cujos valores foram informados no "Quadro 1” das planilhas por ele preenchidas, anexadas às folhas 73, 76 a 82 e 574 a 576 foram reconhecidas pelo regime de caixa ou competência, juntando documentação comprobatória devidamente embasada em sua escrita fiscal em relação aos fatos alegados; 10.2 Em atendimento a Contribuinte apresenta resposta (cópia às páginas 773 do Processo Administrativo) esclarecendo que as receitas imobiliárias foram reconhecidas pelo regime de caixa, para apuração da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS juntando cópia dos Livros razão (cópia às páginas 774 a 1264 do Processo Administrativo) dos anos calendário de 1998 a 2002 da conta contábil 255.97 Recebimentos a Apropriar no Exercício; 10.3 Intimada, esclarece a Contribuinte (fl. 773) que não possui receitas imobiliárias reconhecidas pelo regime de competência para a apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins; 10.4 No mês de outubro de 1999, ocorreu um equívoco por parte desta fiscalização, no somatório das receitas auferidas pela empresa. A coluna denominada "Receita Total" demonstra a totalização dos valores referentes a "Receita da Venda de Bens e Produtos do Mercado Interno" e "Receita da Prestação de Serviços", as quais foram informadas pelo contribuinte nas planilhas constantes das páginas 68 a 85 do Processo Administrativo; 10.5 O valor correto referente ao mês de outubro de 1999 seria R$ 2.603.206,44 referente ao somatório da receita da venda de mercadorias no valor de R$ 2.577.949,76 e receita da prestação de serviços no valor de R$ 25.256,68; 10.6 A base de cálculo considerada em todos os meses é o somatório da receita da venda de mercadorias no mercado interno com a receita de serviços. Deste valor é calculado pelo sistema de papéis de trabalho o valor da Cofins devida, o qual está assinalado nas folhas 89 do Processo Administrativo, no quadro "Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada". Deste valor de Cofins devido, são excluídos os valores declarados em DCTF pelo contribuinte e/ou efetivamente pagos no referido mês; Fl. 3090DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000143/200391 Acórdão n.º 3201002.017 S3C2T1 Fl. 3.091 9 10.7 No mês 11/1998, constava dos sistemas desta SRF o valor de R$ 16.955,44, conforme pode ser verificado na planilha de fl. 89 do Processo Administrativo. O valor de R$ 16.955,44 considerado por esta fiscalização como efetivamente pago é o somatório dos pagamentos nos valores de R$ 15.583,49 e R$ 1.371,95 efetuados pelo contribuinte. O valor total da receita informada pelo contribuinte às folhas 73 do Processo Administrativo é de R$ 973.182,40, daí resultando um valor de Cofins a pagar de R$ 19.463,60. A contribuinte pagou efetivamente R$ 15.583,45. O procedimento fiscal consistiu em lançar a diferença de R$ 2.506,16; e 10.8 Intimada a esclarecer se a compensação por ela alegada fora registrada na escrituração contábil da empresa, a Contribuinte apresentou memória de cálculo onde pretende demonstrar "a operação de crédito do direito, utilizado na compensação de tributo não escriturado, mas contida na conta de provisão mediante apuração". 11. No procedimento de diligência foram anexados ao presente os documentos de fls. 748 a 1444. 12. Cientificada do resultado da diligência em 21/08/2008 (fl. 1431), a Impugnante sobre ele se manifestou às fls. 1446 a 1449, alegando que o auditor recebeu da Impugnante os esclarecimentos e a documentação solicitados e ao examinálos: 12.1 Reconheceu expressamente que chegou a uma ignorada base de cálculo de R$ 6.800.071,32, que, segundo o Termo de Constatação (fl. 607), seria a soma das receitas da atividade imobiliária e da prestação de serviços, no valor de R$ 5.103.617,76, com a receita financeira de R$ 1.742.321,23, quando, na realidade, a soma dessas receitas no período é de R$ 2.603.206,44; e 12.2 Não contrariou a alegação da Impugnante de que teria computado duplamente os valores relativos a variações monetárias dos preços das unidades imobiliárias vendidas, na base de cálculo da Cofins, e de que teria, no mês 11/1998 efetuado compensação no montante de R$ 2.508,21, com pagamento realizado a maior no mês anterior do mesmo anocalendário, limitandose a anexar os documentos fornecidos pela Impugnante e reproduzir seus esclarecimentos, o que implica em concordância tácita com a impugnação. 13. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. 14. Foram por mim anexados, às fls. 1451 a 1522, os seguintes documentos: extratos de pesquisas efetuadas nos sítios da Justiça Federal/RJ (1451 a 1454) e do TRF2ª Região (fls. 1465 a 1521), referentes ao processo Mandado de Segurança n° 99.00.119630; e extrato de pesquisa efetuada no sistema de informação da RFB – CNPJ CONSULTA (fl. 1522). 15. Por meio da RESOLUÇÃO DRJ/RJOII Nº 135, de 18 de fevereiro de 2009, (fls. 1523 a 1526), esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fl. 3091DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000143/200391 Acórdão n.º 3201002.017 S3C2T1 Fl. 3.092 10 16. O resultado da diligência foi consignado no Relatório Fiscal, anexado às fls. 2588/2589, no qual consta que em atendimento solicitado na RESOLUÇÃO DRJ/RJOII Nº 135, de 18 de fevereiro de 2009, (fls. 1523 a 1526), a Contribuinte foi intimada a: 16.1 Anexar aos autos a cópia de eventuais alterações ao Estatuto Social, acostado às fls. 724 a 733, e da ata que elegeu a atual diretoria da sociedade; 16.2 Anexar aos autos procuração para representar a sociedade perante a Receita Federal do Brasil, se for o caso; 16.3 Informar se a Dra. Maria das Dores Oliveira, signatária de todos os documentos entregues pela empresa no curso da diligência anteriormente efetuada teria, a essa época, poderes para representar a empresa devendo ser anexada a procuração por meio da qual teria sido a ela concedido tal poder; 16.4 Informar se ficam ratificadas as informações prestadas pela Dra. Maria das Dores Oliveira, signatária de todos os documentos entregues pela empresa no curso da diligência anteriormente efetuada; 16.5 Informar se as cópias acostadas aos autos pela Impugnante durante o procedimento de diligência anterior conferem com os documentos originais (fls. 751 a 1441); 16.6 Informar se dentre os valores recebidos ate 03/12/2001 referentes a vendas efetuadas até esta data, discriminados na coluna "valor principal" do relatório denominado "lista de recebimentos por dia" (fls 794 a 1150), existe algum que tenha sido recebido no mesmo mês em que foi efetivada a venda correspondente; situação na qual há correspondência na apuração pelo regime de caixa e o de competência. Existindo tal situação devem ser esses valores discriminados mensalmente; 16.7 Informar se dentre os valores recebidos a partir de 04/12/2001, discriminados na coluna “valor principal" do relatório denominado "lista de recebimentos por dia" (fls. 1150 a 1264), existem valores referentes a vendas efetuadas a partir desta data. Existindo tal situação devem ser esses valores discriminados mensalmente; e 16.8 Apresentar documentação comprobatória das informações acima solicitadas. 17. Nesse mesmo relatório o auditor designado para efetuar a diligência informa que: 17.1 O item 1 foi atendido através da documentação anexada às fls. 1579 a 1590; 17.2 O item 2 foi atendido através da documentação anexada às fls. 1550 a 1551; 17.3 O item 3 foi atendido através da documentação anexada às fls. 1592 e 1593 17.4 O item 4 foi atendido através da documentação anexada à fl. 1596; Fl. 3092DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000143/200391 Acórdão n.º 3201002.017 S3C2T1 Fl. 3.093 11 17.5 O item 5 foi atendido através da documentação anexada à fl. 1604; 17.6 O item 6 foi atendido através da documentação anexada às fls. 1605 a 2587; e 17.7 Sobre o item 7 o sujeito passivo não se manifestou. 18. No procedimento de diligência foram anexados ao presente os documentos de fls. 1542 a 2592. 19. Cientificada do resultado da diligência em 27/07/2010 (fl. 2591), a Impugnante sobre ele não se manifestou. 20. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. 21. Foram por mim anexados, às fls. 2593 a 2652, os seguintes documentos: extratos de pesquisa efetuada nos sítios da Justiça Federal/RJ e do TRF2ª Região referentes ao processo Mandado de Segurança nº 99.00.119630 (fls. 2593 a 2639); e extratos de pesquisa efetuada nos sistemas de informação da RFB – SINAL07 (fls. 2640 a 2652). 22. Foi julgado o feito por meio do Acórdão DRJ/RJOII nº 13 38.120, de 31/10/2011, nos seguintes termos: “Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, para, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado: a) Excluir do total do crédito tributário lançado referente à Cofins, o montante correspondente a R$ 768.324,36, assim como a multa de ofício de 75% (R$ 576.243,27) e os juros de mora correspondentes, conforme discriminado nas planilhas constantes do item “117” do voto; b) Manter o crédito tributário lançado referente à Cofins no valor de R$ 1.821.869,08 e declarar a suspensão da sua exigibilidade por depósito judicial do montante integral, cancelando em relação a esses créditos a multa de ofício de 75% (R$ 1.366.401,81) e os juros de mora correspondentes, conforme discriminado nas planilhas constantes do item “117” do voto; e c) Manter, sem suspensão de exigibilidade, o crédito tributário lançado referente à Cofins no valor de R$ 2.703,49, assim como a multa de ofício de 75% (R$ 2.027,62) e os juros de mora correspondentes (R$ 1.924,39), conforme discriminado nas planilhas constantes dos itens “117” e “118”do voto.” 23. Nos itens “104” e “105” do voto desse Acórdão, a Relatora assim se pronunciou: “104. Para os fatos geradores ocorridos nos meses 01/2002 a 12/2002, em atendimento ao solicitado na RESOLUÇÃO DRJ/RJOII Nº 135, de 18 de fevereiro de 2009, (fls. 1523 a 1526), a Impugnante foi intimada a informar se dentre os valores recebidos a partir de 04/12/2001, discriminados na coluna Fl. 3093DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000143/200391 Acórdão n.º 3201002.017 S3C2T1 Fl. 3.094 12 “valor principal" do relatório denominado "lista de recebimentos por dia" (fls. 1150 a 1264), existiriam valores referentes a vendas efetuadas a partir desta data. Esses valores deveriam ser discriminados mensalmente, e todas as informações deveriam vir acompanhadas da documentação que as comprovasse. 105. Cientificada, a Impugnante não se manifestou e nem anexou qualquer documentação que possibilitasse a verificação da correção dos valores da receita imobiliária por ela informados no "Quadro 1"das planilhas de fls. 574 a 576 e utilizados pelo Auditor na apuração das bases de cálculo da Cofins nos meses 01/2002 a 12/2002. Como esses valores não foram impugnados, é de se considerar que tenham sido corretamente tributados.24. O processo foi encaminhado à Dicat/EQCAU/DRF RJ1.” 25. Posteriormente, foi verificada a existência nesta Delegacia de petição, protocolada em 26/08/2010, referente ao processo em epígrafe, por meio da qual a Impugnante vem se manifestar sobre o Relatório Fiscal de fls. 2588/2589 e apresentar a documentação solicitada referente às vendas efetuadas a partir de 04/12/2001. 26. A respeito do Relatório Fiscal a Impugnante alega não ter o que comentar, uma vez que o seu autor limitouse a relatar o que solicitou e a anexar o que lhe foi fornecido, sem emitir juízo de valor. 27. Como a referida petição e a documentação que a acompanha não tinham sido anexadas aos autos quando do julgamento do feito por meio do Acórdão DRJ/RJOII nº 1338.120, de 31/10/2011, estas não foram apreciadas. 28. Em função disso, foi solicitada a devolução do processo para que as referidas peças fossem a ele anexadas e para que fosse verificado se as informações nelas contidas alterariam o resultado do julgamento. 29. O processo foi restituído a esta Delegacia tendo sido a petição e os documentos anexados ao processo (fls. 2768 a 2994). Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/10/1999 a 31/12/2002 ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. RECONHECIMENTO DE RECEITA. FATOS Fl. 3094DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000143/200391 Acórdão n.º 3201002.017 S3C2T1 Fl. 3.095 13 GERADORES OCORRIDOS ATÉ 03/12/2001. REGIME DE COMPETÊNCIA. Para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2001, no caso das pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias submetidas ao regime de tributação com base no lucro real, o valor total da receita auferida com as vendas de bens imóveis integra o faturamento, base de cálculo da contribuição, no mês da efetivação das vendas. É de se excluir do total do crédito tributário lançado os valores da Cofins incidentes sobre receitas imobiliárias, apurados, pelo regime de caixa na parte que exceder os valores devidos da Cofins apurados pelo regime de competência. ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS. RECONHECIMENTO DE RECEITA. FATOS GERADORES OCORRIDOS A PARTIR DE 04/12/2001. REGIME. O MESMO ADOTADO PARA O IMPOSTO DE RENDA. A partir de 04/12/2001, com a vigência da Medida Provisória nº 2.221/2001, as pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias devem adotar, para efeito de apuração da Cofins, o mesmo regime de reconhecimento de receitas adotado para o imposto de renda. Em se adotando o regime de caixa, não é de se incluir na base de cálculo da contribuição os valores recebidos referentes a vendas efetuadas anteriormente a 04/12/2001. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/10/1999 a 31/12/2002 DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DIREITO DO CONTRIBUINTE. O depósito judicial do montante integral do crédito tributário questionado suspende a sua exigibilidade, na forma prevista no art. 151, inciso II, do CTN. É direito do contribuinte depositar em juízo o valor do crédito tributário questionado, com a finalidade de suspender a sua exigibilidade até que se resolva de forma definitiva as questões que integram a lide judicial. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Não cabe o lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa, inclusive na hipótese de depósito judicial do seu montante integral. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros moratórios sobre o crédito tributário que esteja com sua exigibilidade suspensa por depósito judicial do seu montante integral. Fl. 3095DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000143/200391 Acórdão n.º 3201002.017 S3C2T1 Fl. 3.096 14 PAGAMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É de se cancelar o lançamento de crédito tributário que já tenha sido extinto por pagamento. COMPENSAÇÃO. IN SRF Nº 21/1997, ART. 14. NÃO INFORMADA EM DCTF. NÃO REGISTRADA NA CONTABILIDADE. DESCONSIDERAR. A compensação efetuada na forma prevista no art. 14 da IN SRF nº 21/1997, deveria ser informada em DCTF e registrada na contabilidade da empresa. Somente a correta e integral contabilização dos procedimentos de compensação levados a efeito pela Interessada poderia comprovar que determinado débito restou adimplido por esta forma de extinção. Não é de se considerar efetuada a compensação alegada pela Impugnante quando não informada em DCTF nem registrada na escrituração contábil da empresa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão quanto ao crédito tributário exonerado foi objeto de recurso de ofício. Em que pese a instância a quo ter concedido direito a contribuinte de recorrer desta decisão ao CARF, não consta do presente processo o documento que atesta a ciência do sujeito passivo, bem como a data em que ela teria sido efetuada. Constatase que a decisão não foi objeto de recurso voluntário, apenas de um pedido de anexação de documentos por parte do sujeito passivo. Diante da dúvida quanto à ciência pelo sujeito passivo do Acórdão nº 13 40.014, proferido pela 4ª Turma da DRJ/RJ2, bem como quanto à data em que teria ocorrido esta ciência, este colegiado decidiu pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora procedesse com a anexação aos autos dos documentos comprobatórios da intimação. A unidade preparadora, em despachos de fls. 3070 e 3076, informou a anexação dos avisos de recebimento às fls. 3068/3069, enviando o processo ao CARF para prosseguimento. É o relatório Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso de ofício atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 3096DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000143/200391 Acórdão n.º 3201002.017 S3C2T1 Fl. 3.097 15 A primeira matéria a ser enfrentada referese ao cancelamento da multa de ofício e dos juros de mora em relação aos débitos com a exigibilidade suspensa por depósito judicial. Em análise aos autos, verificase que houve imposição, à recorrente, de multa de ofício e aos juros moratórios. A decisão recorrida, reconhecendo que os valores questionados estavam amparados por depósito judicial e que deveriam ter sido efetuados com a exigibilidade suspensa, por força do art. 151, inciso II, do CTN, excluiu do lançamento os valores pertinentes à multa de ofício e aos juros moratórios. Irrepreensível a decisão recorrida. Aos créditos objetos dos depósitos judiciais realizados em sua integralidade mas ainda não convertidos em renda se aplica a regra da suspensão da exigibilidade, o que impede a exigência da multa de oficio e dos juros de mora. Este entendimento encontrase em sintonia com a jurisprudência deste Conselho, como demonstra o acórdão CSRF/02172, cuja ementa reproduzse abaixo: NORMAS PROCESSUAIS. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. DEPÓSITOS JUDICIAIS INTEGRAIS. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. É obrigatória a constituição do crédito tributário nos casos de medida judicial, com depósito do montante integral do tributo, para prevenir a decadência, não havendo que se falar em aplicação da multa de oficio e juros de mora em relação a esses créditos, convertidos ou não em renda, desde que integralmente depositados em Juizo. A própria súmula CARF nº 5 é explícita ao afirmar a inexigibilidade dos juros de mora em relação a tributo depositado em juízo. Dessa forma, negase provimento ao recurso de ofício quanto a esta matéria. No que diz respeito ao lançamento efetuado referente ao mês 11/1998, no valor de R$ 3.880,15, restando comprovado a inclusão na apuração da base de cálculo tributada o valor da Receita de Serviço, e que sobre o qual já teria sido recolhida a contribuição no valor de R$ 1.371,95, novamente mostrase correta a decisão recorrida ao excluir do total do crédito tributário lançado este montante, por já ter sido extinto por pagamento. Quanto ao lançamento efetuado referente ao mês 10/1999, demonstrado em procedimento de diligência fiscal que houve erro na apuração da base de cálculo tributável, correta a decisão recorrida ao aplicar a base de cálculo corrigida à exigência fiscal. Por fim, quanto a forma de apuração da receita imobiliária que integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, novamente mostrase irrepreensível a decisão recorrida. Em se tratando de empresas optantes pelo lucro real, até a entrada em vigor de MP 2.221/01, em 04/12/2001, o valor total da receita auferida com a venda de imóveis integra o faturamento, base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins, no mês da efetivação das vendas, independentemente do recebimento. Fl. 3097DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000143/200391 Acórdão n.º 3201002.017 S3C2T1 Fl. 3.098 16 Após 04/12/2001, contudo, conforme estabelecido pelo artigo 2º da MP 2.221/01, deve ser adotado o mesmo regime de reconhecimento de receitas adotado para o imposto de renda. Transcrevese abaixo excerto da decisão recorrida que versa sobre a matéria, a qual adotase como razão de decidir deste voto: [...] 100. De plano, cabe registrar que a regra geral contida nas normas tributárias no que tange ao reconhecimento de receitas é o regime de competência, regime adotado pelas empresas para registrar as suas mutações patrimoniais, conforme determinado no art. 177 da Lei nº 6.404, de 15/12/1976 – Lei das S.A.. Eis o que diz a norma: “Art. 177 A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (...)” (grifouse) 101. Um dos princípios contábeis referidos no dispositivo acima citado é também o da Competência, assim definido na Resolução CFC nº 750/1993: “Seção VI – O Princípio da Competência Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. (...)” 102. Como pode ser observado, pela leitura do art. 177, da Lei das S.A., o legislador conferiu especial importância à correta observância do regime de competência, em contraposição ao regime de caixa. 103. No que concerne à legislação tributária pertinente à Contribuição para o PIS e à Cofins, até janeiro de 1999, inexistia, qualquer dispositivo legal que autorizasse a adoção do regime de caixa na apuração da base de cálculo dessas contribuições. 104. A partir de 1º de fevereiro de 1999, em virtude do disposto no art. 7º da Lei nº 9.718, de 1998, passou a ser admitida a utilização do regime de caixa no caso de construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, caso no qual não se enquadra a Impugnante: Fl. 3098DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000143/200391 Acórdão n.º 3201002.017 S3C2T1 Fl. 3.099 17 “Art. 7º No caso de construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, o pagamento das contribuições de que trata o art. 2º desta Lei poderá ser diferido, pelo contratado, até a data do recebimento do preço. Parágrafo único. A utilização do tratamento tributário previsto no caput deste artigo é facultada ao subempreiteiro ou subcontratado, na hipótese de subcontratação parcial ou total da empreitada ou do fornecimento.” 105. Posteriormente, o art. 18 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999 (atualmente, art. 20 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001), veio dispor sobre a condição para a adoção do regime de caixa na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins, pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro presumido: “Art. 20. As pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro presumido somente poderão adotar o regime de caixa, para fins da incidência da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, na hipótese de adotar o mesmo critério em relação ao imposto de renda das pessoas jurídicas e da CSLL.” 106. No caso em tela, a Impugnante adotou o regime de tributação com base no lucro real, submetendose, quanto às atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis, ao disposto nos artigos 410 a 414 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999). 107. Os artigos 412 e 413 do RIR/1999 tratam, respectivamente, da opção pelo custo orçado e da possibilidade de reconhecimento do lucro bruto proporcionalmente à receita da venda recebida: “Art. 412. Se a venda for contratada antes de completado o empreendimento, o contribuinte poderá computar no custo do imóvel vendido, além dos custos pagos, incorridos ou contratados, os orçados para a conclusão das obras ou melhoramentos a que estiver contratualmente obrigado a realizar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 28). (...)” “Art. 413. Na venda a prazo, ou em prestações, com pagamento após o término do anocalendário da venda, o lucro bruto poderá, para efeito de determinação do lucro real, ser reconhecido nas contas de resultado de cada período de apuração proporcionalmente à receita da venda recebida, observadas as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 29): (...)” Fl. 3099DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000143/200391 Acórdão n.º 3201002.017 S3C2T1 Fl. 3.100 18 108. Em virtude do disposto nos artigos acima transcritos a Impugnante, para efeitos de determinação do lucro real, optou pelo reconhecimento do lucro bruto, proporcionalmente à receita recebida, ou seja, o IRPJ e a CSLL, foram tributados com base no regime de caixa. 109. Ocorre que, não obstante a existência da opção de utilização do regime de caixa na apuração do IRPJ e da CSLL, não havia quaisquer dispositivos aplicáveis à Contribuição para o PIS e à Cofins que fundamentassem a adoção desse regime de apuração e reconhecimento de receitas quando decorrentes da venda de imóveis, no caso das pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro real. 110. Questionada sobre o assunto, a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação manifestouse no sentido de que o valor total da receita auferida com a venda de imóveis integra o faturamento, base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins, no mês da efetivação das vendas, independentemente do recebimento. Esse entendimento encontrase expresso na Solução de Divergência nº 2, de 28 de junho de 2001, cuja ementa, publicada no Diário Oficial da União de 6 de julho de 2001, segue abaixo transcrita: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: BASE DE CÁLCULO – VENDA DE BENS IMÓVEIS. O valor total da receita auferida com as vendas de bens imóveis ou direitos a eles relativos efetuadas à vista e/ou a prazo, de conformidade com o instrumento público ou particular de compra e venda ou de promessa de compra e venda, integra o faturamento (receita bruta), base de cálculo da contribuição, no mês da efetivação das vendas. As pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro presumido podem adotar o regime de caixa, para fins de incidência da contribuição para o PIS/Pasep, desde que adotem o mesmo critério em relação ao IRPJ e à CSLL. Dispositivos Legais: Lei nº 9.715, de 1998; Lei nº 9.718, de 1998; Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, atual Medida Provisória nº 2.11332, de 2001; IN SRF nº 40/89, de 1989; e IN SRF nº 104/98, de 1998. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ementa: BASE DE CÁLCULO – VENDA DE BENS IMÓVEIS. O valor total da receita auferida com as vendas de bens imóveis ou direitos a eles relativos efetuadas à vista e/ou a prazo, de conformidade com o instrumento público ou particular de compra e venda ou de promessa de compra e venda, integra o faturamento (receita bruta), base de cálculo da contribuição, no mês da efetivação das vendas. As pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro presumido podem adotar o regime de caixa, para fins de incidência da Cofins, desde que adotem o mesmo critério em relação ao IRPJ e à CSLL. Fl. 3100DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000143/200391 Acórdão n.º 3201002.017 S3C2T1 Fl. 3.101 19 Dispositivos Legais: Lei Complementar nº 70, de 1991; Lei nº 9.718, de 1998; Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, atual da Medida Provisória nº 2.11332, de 2001; e IN SRF nº 104/98, de 1998.” (grifouse) 111. Posteriormente, com a edição da Medida Provisória nº 2.221, de 4 de setembro de 2001 (DOU de 05.09.2001), com vigência a partir de 04/12/2001, as pessoas jurídicas que explorassem atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, deveriam adotar, para efeito de apuração da Contribuição para o PIS da Cofins, o mesmo regime de reconhecimento de receitas adotado para o imposto de renda: “Art. 2º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), devidas pelas pessoas jurídicas, inclusive por equiparação, de que trata o art. 30 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, seguirão o mesmo regime de reconhecimento de receitas previsto na legislação do imposto de renda.” Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 3101DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 19515.002667/2006-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de recurso voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente impugnação.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Tratando-se de lançamento por homologação, o prazo para a Fazenda Pública constituir o lançamento decai em 5 anos contados da data do fato gerador desde que haja pagamentos. Em não havendo pagamento, aplica-se a regra do art. 173, I, do CTN.
DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade da decisão recorrida quando aquela enfrentou a matéria impugnada.
COMPRAS NÃO REGISTRADAS. OMISSÃO DE RECEITAS.
A não-escrituração das aquisições de mercadorias, detectada através do cotejo de informações de fornecedores com os valores das compras declarados pela empresa fiscalizada, autoriza a presunção de omissão de receitas.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. PROSSEGUIMENTO NA GERÊNCIA DOS NEGÓCIOS. OMISSÃO DE RECEITA.
São solidariamente responsáveis os sócios de fato pela prática de interposição de pessoas e prosseguimento na gerência da pessoa jurídica, com a adoção de conduta que caracteriza omissão de receita, o que demonstra o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador dos tributos exigidos, que é condição para a atribuição da responsabilidade solidária.
Numero da decisão: 1402-002.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, , I) quanto à responsabilidade solidária: i) não conhecer do recurso voluntário apresentado pelo Sr. Ronaldo Rodrigues Pereira; ii) negar provimento aos recursos voluntários apresentados pelos coobrigados, Sr. Ubilar Ivan Machado e Sr. Luciano Geraldo Porto; e II) quanto ao lançamento: afastar as preliminares de decadência e de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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E IND. DE BEBIDAS LTDA. (responsáveis solidários Ubilar Ivan Machado de Oliveira e Luciano Geraldo Porto) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de recurso voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente impugnação. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tratandose de lançamento por homologação, o prazo para a Fazenda Pública constituir o lançamento decai em 5 anos contados da data do fato gerador desde que haja pagamentos. Em não havendo pagamento, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN. DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da decisão recorrida quando aquela enfrentou a matéria impugnada. COMPRAS NÃO REGISTRADAS. OMISSÃO DE RECEITAS. A nãoescrituração das aquisições de mercadorias, detectada através do cotejo de informações de fornecedores com os valores das compras declarados pela empresa fiscalizada, autoriza a presunção de omissão de receitas. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. PROSSEGUIMENTO NA GERÊNCIA DOS NEGÓCIOS. OMISSÃO DE RECEITA. São solidariamente responsáveis os sócios de fato pela prática de interposição de pessoas e prosseguimento na gerência da pessoa jurídica, com a adoção de conduta que caracteriza omissão de receita, o que demonstra o interesse AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 67 /2 00 6- 79 Fl. 16955DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.956 2 comum na situação que constituiu o fato gerador dos tributos exigidos, que é condição para a atribuição da responsabilidade solidária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, , I) quanto à responsabilidade solidária: i) não conhecer do recurso voluntário apresentado pelo Sr. Ronaldo Rodrigues Pereira; ii) negar provimento aos recursos voluntários apresentados pelos coobrigados, Sr. Ubilar Ivan Machado e Sr. Luciano Geraldo Porto; e II) quanto ao lançamento: afastar as preliminares de decadência e de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. Fl. 16956DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.957 3 Relatório UBILAR IVAN MACHADO, LUCIANO GERALDO PORTO E RONALDO RODRIGUES PEREIRA, arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído contra a empresa BRAGABEL COM E IND DE BEBIDAS LTDA recorrem a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Contra a empresa em epígrafe foi lavrado o auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ – de fls. 405 a 417, em razão de omissão de receitas, caracterizada pela falta de contabilização de compras efetuadas, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 348 a 362. A autuação em referência teve como enquadramento legal os artigos 249, inciso II, 251, caput e parágrafo único, 279, 281, inciso II, e 288 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR – Decreto n° 3.000/1999), os artigos 6o, § 2o, 7o e 12, § 2o, do Decretolei n° 1.598/1977, o artigo 2o da Lei n° 2.354/1954, os artigos 24 e 25 da Lei n° 9.249/1995, o artigo 44 da Lei n° 4.506/1964 e o artigo 40 da Lei n° 9.430/1996. Em decorrência dos mesmos fatos, foram também lavrados os seguintes autos de infração: Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 418 a 424). Enquadramento legal: artigos 1o e 3o da Lei Complementar n° 7/1970, artigo 24, § 2o, da Lei n° 9.249/1995, artigos 2o, inciso I, 8o, inciso I, e 9o da Lei n° 9.715/1998, artigos 2o e 3o da Lei n° 9.718/1998 e artigos 1o, 3o e 4o da Lei n° 10.637/2002; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 425 a 430). Enquadramento legal: artigo 1o da Lei Complementar n° 70/1991, artigo 24, § 2o, da Lei n° 9.249/1995, artigos 2o, 3o e 8o da Lei n° 9.718/1998, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/1999 e reedições e da Medida Provisória n° 1.858/1999 e reedições, e artigos 2o, inciso II e parágrafo único, 3o, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/2002; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 431 a 439). Enquadramento legal: artigo 2o, “caput” e parágrafos, da Lei n° 7.689/1988, artigos 19 e 24 da Lei n° 9.249/1995, artigo 1o da Lei n° 9.316/1996, artigo 28 da Lei n° 9.430/1996, artigo 6o da Medida Provisória n° 1.858/1999 e reedições e artigo 37 da Lei n° 10.637/2002. Da referida ação fiscal resultou a apuração do crédito tributário a seguir discriminado, já incluída a multa de lançamento de ofício, bem como os juros de mora calculados até 30/11/2006: IRPJ.....................R$ 190.593.263,56 PIS...........................R$ 9.052.882,98 Fl. 16957DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.958 4 COFINS.................R$ 22.925.657,53 CSLL......................R$ 68.776,972,91 No Termo de Verificação Fiscal de fls. 348 a 362 foram consignados os seguintes fatos, em síntese: no curso da ação fiscal, foram expedidos diversos Termos de Intimação (fls. 10 a 12 e 227 a 306), lavrados em 10/02/2005, 25/05/2005, 12/08/2005 e 22/08/2005, especificados no item “I – A – Dos Fatos” (fls. 348 e 349); em 09/09/2005, compareceu o sócio Ronaldo Rodrigues Pereira, entregando cópias de representação encaminhada ao Ministério Público Federal e de requerimento ao Delegado da Polícia Federal para instauração de inquérito policial, ambos contra: 1) Diogo Teruel Lopes Sobrinho; 2) Luiz Alberto Machado de Oliveira; 3) Ubilar Ivan Machado de Oliveira; 4) Luciano Geraldo Porto; e 5) Adolpho Benedicto Pizzi, além de outros documentos, todos constantes do Anexo D; em 16/09/2005, o sr. Adolpho Benedicto Pizii, procurador, promoveu a entrega parcial de livros e documentos (fls. 308 e 309); em 27/10/2005, foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal (fls. 314 a 316), em que se registrou a entrega parcial de livros e documentos, a renúncia da procuração dos srs. Adolpho Benedicto Pizii e Flávio Camilo da silva, a falta dos livros: Diário Geral dos anoscalendário de 2002 e 2003; apuração do Lucro Real dos anoscalendário de 2001 a 2003; Registro de Inventário dos anoscalendário de 2001 a 2003 e, ainda, a falta de atendimento a diversos Termos de Intimação (discriminados à fl. 350); o contribuinte foi alertado, por meio de Termos de Constatação, Instrução e Intimação Definitiva, datados de 12/08/2005 (procurador) e 22/08/2005 (sócios José Márcio Euzébio Alves e Ronaldo Rodrigues Pereira) e pelo Termo de Constatação Fiscal de 27/10/2005 (endereçado aos sócios citados), de que a recusa não justificada da exibição de registros específicos pertinentes ao ramo de negócio da empresa caracterizaria embaraço à fiscalização. Em conseqüência, foi lavrado auto de infração relativo a multa por embaraço à fiscalização (Processo n° 19515.003005/200535), bem como lançada a multa majorada de 112,5%, por infringência ao artigo 959, incisos I, II e III do RIR/1999; de acordo com informações prestadas pela Junta Comercial do Estado de São Paulo, a empresa fiscalizada teve os seguintes sócios quotistas no período de 2001 a 2003: de 01/01/2001 a 18/06/2001: Oscar Donizete Braga, CPF n° 321.132.69104, e Frederico Maldonado Arruda, CPF n° 285.499.45153; de 19/06/2001 a 16/04/2002: Ubilar Ivan Machado Oliveira, CPF n° 005.190.91892, e Luciano Geraldo Porto, CPF n° 082.701.88867; de 17/04/2002 a 31/12/2003: Ronaldo Rodrigues Pereira, CPF n° 760.239.23887, e José Márcio Euzébio Alves, CPF n° 053.213.87834. a partir das denúncias feitas pelo sócio quotista Ronaldo Rodrigues Pereira à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, a fiscalização procedeu aos Termos de Declarações dos envolvidos, devidamente explicitado no Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 01, emitido para UBILAR IVAN MACHADO DE Fl. 16958DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.959 5 OLIVEIRA, CPF n° 005.190.91892 e no Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 02, emitido para LUCIANO GERALDO PORTO, CPF n° 082.701.88867; procedida a circularização/diligência junto aos maiores fornecedores da empresa fiscalizada, SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A, CNPJ n° 61.186.888/000193, e CERVEJARIAS KAISER BRASIL S/A, CNPJ n° 19.900.000/000176, os referidos fornecedores apresentaram os documentos constantes dos Anexos A e B, que evidenciam o montante das vendas efetuadas à empresa fiscalizada nos anoscalendário de 2001 a 2003; do confronto dos valores das compras declarados nas DIPJ da fiscalizada com os pagamentos efetuados à KAISER e à SPAL, foram apuradas diferenças a tributar , consolidadas na tabela constante do subitem D.3 (fl. 356), relativas a omissão de receita caracterizada pela não contabilização de compras. Nos Termos de Sujeição Passiva Solidária nos 01 e 02, já referidos (fls. 363 a 397), o autuante reproduz a descrição dos fatos que motivaram o lançamento, contida no Termo de Verificação Fiscal, e apresenta um resumo das declarações constantes do Anexo D, prestadas pelos denunciados como sócios ocultos pelo sócio Ronaldo Rodrigues Pereira. A empresa foi cientificada do lançamento em 11/12/2006, por via postal (fls. 442 e 443), por intermédio dos sócios Ronaldo Rodrigues Pereira e José Márcio Euzébio Alves. Os indicados como sujeitos passivos solidários, Luciano Geraldo Porto e Ubilar Ivan Machado de Oliveira, foram cientificados, também por via postal, em 11/12/2006 e 12/12/2006, respectivamente (fls. 441 e 444). Às fls. 460 a 470, consta a impugnação de UBILAR IVAN MACHADO DE OLIVEIRA, apresentada em 11/01/2007, por procuradoras legalmente habilitadas (fl. 471), com as seguintes alegações, em síntese: em nenhum momento a empresa foi intimada na pessoa do requerente ou constatada sua presença na empresa; os atuais sócios e administradores da empresa autuada, mesmo sendo reiteradamente intimados a dar satisfações ao Fisco e restando inertes, só depois de receberem a “Intimação definitiva com a finalidade de caracterizar embaraço à Fiscalização”, apresentaram cópias de representações feitas junto ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal, em face do requerente e demais exsócios e supostos sócios ocultos, formalizadas na mesma data em que o sócio Ronaldo compareceu à Receita Federal para “atender” a intimação definitiva; nenhuma conclusão se pode tirar dos depoimentos prestados pelos denunciados e, mesmo que esses depoimentos apontassem o requerente como responsável pela administração financeira e tributária da empresa autuada, não serviriam como prova para caracterizar eventual solidariedade tributária, por se tratar de meras alegações de pessoas com interesse em se eximir de qualquer responsabilidade que venha a ser apurada; não foi demonstrado o nexo causal entre a suposta infração imputada e os depoimentos existentes, que não imputam ao requerente qualquer interesse ou responsabilidade pelas compras efetuadas na empresa, tanto no aspecto financeiro, como no tributário, bem como não apontam qualquer indício de que o requerente tivesse acesso à administração da sociedade; Fl. 16959DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.960 6 o termo de sujeição passiva lavrado contra o requerente deve ser anulado, por ausência de amparo fático e legal, pois em nenhum momento foi comprovada ligação ou o interesse do requerente nos negócios da empresa autuada, a teor do artigo 124, inciso I, do CTN, principalmente depois de seu afastamento do quadro societário, não se podendo presumir a responsabilidade tributária, conforme dispõe o artigo 896 do Código Civil; durante o pequeno intervalo de tempo em que permaneceu como sócio da Bragabel (18/06/2001 a 16/04/2002), o requerente jamais exerceu qualquer papel de administrador ou responsável tributário da empresa, nunca praticou um ato de gestão sequer, tampouco outorgou procuração para tanto, além de não ter tido qualquer conhecimento, nem intermediado qualquer negociação com os fornecedores SPAL e KAISER, apenas conhecia socialmente algumas pessoas que lá trabalhavam; o denunciante Ronaldo em momento algum comprovou qualquer ato de gestão do requerente na condução da empresa autuada; no documento fiscal da empresa Bragabel (DECA, fls. 472 a 475), o requerente consta como “participante 4” da sociedade, confirmando que este não assinava pela empresa; o requerente entrou na sociedade como investidor, por vislumbrar um bom negócio, não tendo feito qualquer retirada e se retirando meses depois, recebendo apenas o que investiu, sob a forma de maquinário, destinado a novo investimento; nos depoimentos colhidos, todos afirmam não ter conhecimento de que o requerente era sócio, quanto mais responsável pela gestão da empresa; pelos demonstrativos fornecidos pelas empresas Spal e Kaiser, os maiores valores da suposta movimentação teriam se dado a partir do 2o trimestre de 2002, quando o requerente não era mais sócio; o atual sócio Ronaldo Rodrigues Pereira sempre foi o contador da empresa autuada e posterior sócio gerente, gestor de todo o negócio, não se admitindo que, através de representações protelatórias e mentirosas, tente se eximir de infrações que, se ocorridas, foram por ele causadas; uma vez inexistente a responsabilidade solidária do requerente, este não pode responder por multa de 112,5% aplicada sobre o suposto débito, em razão de embaraço à fiscalização, ao qual não deu causa, pois nunca foi responsável pela guarda de livros e documentos ou mesmo pela prestação de quaisquer informações acerca da empresa autuada, além de não mais fazer parte de seu quadro societário; quando foi pessoalmente intimado a comparecer perante o Fisco, o fez, nomeou procurador e atendeu o quanto solicitado; os sócios atuais têm total responsabilidade pelas cominações previstas por embaraço fiscal, pois foram intimados e sempre buscaram escusarse de prestar as informações que somente eles possuíam; ainda que fosse possível imputar ao requerente a responsabilidade tributária solidária pelas infrações e tributos não pagos pela empresa Bragabel, o ilícito tributário imputado não merece prosperar, pois a Fiscalização concluiu que houve a infração apenas pelas notas fiscais de venda apresentadas pelos dois Fl. 16960DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.961 7 fornecedores, sem se preocupar em verificar se houve realmente a entrada destas mercadorias no estabelecimento da autuada; o ilícito tributário pode não ter sido cometido pela empresa autuada, suposta destinatária das mercadorias, mas sim pelas próprias fornecedoras, podendo a divergência estar nas remetentes e não na destinatária; uma vez que o requerente não teve acesso aos mínimos elementos esclarecedores que justifiquem a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária, tais como os documentos mencionados, as planilhas apresentadas, as notas fiscais relacionadas e o inteiro teor dos depoimentos prestados, requer lhe seja conferido livre acesso para obtenção de cópias reprográficas da íntegra do presente procedimento, bem como a devolução do prazo recursal nesta esfera, sob pena de se configurar o cerceamento do direito de defesa. Às fls. 479 a 495, anexouse a impugnação de LUCIANO GERALDO PORTO, apresentada em 09/01/2007, por procurador (fls. 495 e 496), na qual o interessado alega, em síntese, que: por não haver nos autos nada que indique a relação entre o impugnante e os pagamentos não contabilizados supostamente realizados pela empresa Bragabel, concluise que os seguintes motivos determinaram a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária contra o impugnante: a) a consignação meramente formal do nome do impugnante no requerimento de instauração de inquérito policial e na representação ao Ministério Público, ambos realizados pelo atual sócio da empresa, Ronaldo Rodrigues Pereira; b) a mentirosa declaração de Ubilar Ivan Machado Oliveira no sentido de que o impugnante cuidava da administração da empresa, que incluía o controle financeiro sobre os pagamentos e recebimentos; e c) o fato objetivo de o impugnante haver permanecido na qualidade de sócio da empresa, no curto período entre 18/06/2001 e 16/04/2002; o impugnante não foi indicado pelos atuais sócios, Ronaldo Rodrigues Pereira e José Márcio Euzébio Alves, como sócio de fato da empresa; a inclusão do nome do impugnante se deve exclusivamente ao fato de ter ostentado, durante curto período de tempo, a condição de sócio da Bragabel; o impugnante era funcionário da empresa, assim como o denunciante Ronaldo, até que foi convidado para fazer parte da sociedade, o que pode ser confirmado por diversas pessoas que tiveram contato com a empresa (declarações às fls. 500 e 509); no período em que permaneceu como sócio, atuava na área estritamente administrativa (folha de pagamento, despesas, acompanhamento da instalação da fábrica e desenvolvimento de produtos), conforme declarado à autoridade fiscal em 01/11/2006; a afirmação de Ubilar quanto à responsabilidade do impugnante pela administração da empresa é inverídica e não encontra respaldo em nenhum outro elemento constante nos autos; Ubilar não só era o dono de fato da empresa, como era quem autorizava todo e qualquer pagamento feito pela empresa; os atuais sócios, Ronaldo e José Márcio, apontaram Ubilar, ao lado de outros, como sócio de fato da empresa Bragabel; Fl. 16961DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.962 8 as próprias pessoas denunciadas por Ronaldo (Diogo Teruel, Luiz Alberto e Carlos Lopes Coutinho) indicam que Ubilar era o contato comercial da empresa Bragabel; o funcionário da área administrativa da empresa, Fabiano Joaquim dos Santos, afirmou que o impugnante apenas cumpria as ordens para a instalação da fábrica que vinham do escritório do Sr. Ubilar, pelo Sr. Josino, e não mantinha nenhuma atribuição comercial com compras e vendas de bebidas e que quem detinha conhecimento e autorizava operações de compra de bebidas na Spal e Kaiser eram os Srs. Ubilar e Diogo L. Teruel, esclarecendo ainda que o numerário necessário ao pagamento de despesas era sempre requerido ao Sr. Josino, representante do Sr. Ubilar (fls. 506 e 507); Dirceu Lamonica Teixeira, contratado para assessorar a área de marketing da empresa, declarou que as atribuições do impugnante eram apenas de administração da parte fabril, sem relação com a área comercial, e que as despesas e pagamentos tinham que ter aprovação prévia dos Srs. Ubilar, Josino, Luiz Alberto e Diogo (fls. 503 e 504); de acordo com o Termo de Responsabilidade anexo (fls. 512 a 514), a empresa ÁGUA DE BEBÊ IND. E COM. LTDA., de propriedade de Ubilar, adquiriu a totalidade dos ativos da Bragabel, composto por instalações e maquinários, passando inclusive a ficar estabelecida no mesmo endereço dessa empresa, tratandose de mais um indicativo de que Ubilar sempre foi o real titular da Bragabel; Ubilar mentiu também ao informar que não fez retirada de lucros da Bragabel, porquanto a DIPJ da empresa revela que ele recebeu rendimentos (fl. 171); a falta de correspondência entre o período dos supostos pagamentos não contabilizados (2001 a 2003) e o período de permanência do impugnante na sociedade (18/06/2001 a 16/04/2002) é mais um indicativo de que ele não tinha conhecimento e não controlava tais operações; conforme se observa pelos relatórios anexos (fls. 516 a 525), extraídos do arquivo pessoal do impugnante, que revelam pedidos de abastecimento de dinheiro feitos por ele a Ubilar e Josino, o impugnante trabalhava apenas com gastos relativos a obras, contas a pagar e insumos administrativos, mas nunca com aquisição de bebidas; as declarações dos funcionários César e Jaime (fls. 501, 501, 509 e 510) também confirmam que o impugnante não detinha poder sobre a disposição do dinheiro da empresa, o que era sempre controlado por Ubilar; a responsabilização de sócios pelas dívidas tributárias da sociedade só podem seguir a disciplina dos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, ou seja, nos casos de dissolução irregular da sociedade ou prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; o interesse comum a que se refere o artigo 124, inciso I, do CTN deve representar a efetiva prática do fato gerador da obrigação tributária e não a mera existência de qualquer interesse, como por exemplo a expectativa de lucro; Fl. 16962DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.963 9 a situação econômica do impugnante, que sempre foi modesta e pode ser observada pelas suas declarações de rendimentos, é incompatível com a prática de atos fraudulentos, ainda mais nos montantes vultosos indicados pela autuação; Ubilar, real titular da Bragabel e responsável pela área comercial da empresa, já esteve envolvido, como pessoa física, em negociações de valores extremamente vultosos, conforme documentos apresentados pelo denunciante Ronaldo (fls. 139, 149 e 158 do Anexo D); o impugnante não realizou e a autoridade fiscal não demonstrou ou provou, pagamentos não contabilizados à Spal ou à Kaiser, empresas totalmente desconhecidas no seio das atribuições do impugnante dentro da Bragabel e, por esse motivo, não pode ser por tais atos responsabilizado, nos termos dos artigos 134 e 135 do CTN; caso o julgador considere não comprovada a natureza das atribuições do impugnante na empresa, pelos depoimentos anexos, prestados por pessoas que tiveram contato com a Bragabel no período em que lá trabalhou, requer o deferimento de diligência para oitiva das pessoas indicadas nos referidos depoimentos; caso não sejam acolhidas as argumentações do impugnante, deve ser reconhecida a decadência dos créditos tributários anteriores a 11/12/2001, nos termos do artigo 150, § 4o, do CTN; o impugnante não pode ser responsabilizado por períodos que não guardam correspondência com o período de permanência dele na sociedade; é inviável a exigência de multa majorada, por embaraço à fiscalização, contra o impugnante, uma vez que, quando a fiscalização foi iniciada, este não era mais sócio da empresa, não tendo sido intimado a prestar os esclarecimentos e documentos requeridos. Às fls. 529 a 533, consta petição assinada por RONALDO RODRIGUES PEREIRA em conjunto com um advogado, apresentada em 12/01/2007, na qual o peticionário, após arrolar as razões pelas quais nenhum ilícito poderia serlhe imputado (fls. 530 a 533), requer: a) o sobrestamento do presente feito até que se apure os “reais responsáveis por todas as transações e sonegações realizadas”, conforme requerido ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal; b) a atribuição da multa aplicada ao sr. Adolpho Benedicto Pizii, gestor da empresa autuada e detentor de toda a documentação requerida pela fiscalização; c) a exclusão do impugnante de toda e qualquer obrigação; e d) a atribuição de todas as responsabilidades pelo pagamento das multas apuradas aos reais sócios da empresa autuada, Diogo Teruel Lopes Sobrinho, Luiz Alberto Machado de Oliveira, Ubilar Ivan Machado de Oliveira e Luciano Geraldo Porto.” A decisão de primeira instância, representada, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento e não conheceu da impugnação apresentada pelo sócio Ronaldo Rodrigues Pereira, por intempestiva. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 Fl. 16963DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.964 10 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Não se toma conhecimento da impugnação apresentada mais de 30 (trinta) dias após a data da ciência do lançamento. IRPJ. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Não se caracteriza o lançamento por homologação quando não ocorre o pagamento antecipado, hipótese em que o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do crédito Tributário é regido pelo disposto no artigo 173 do CTN. CSLL. PIS. COFINS. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento relativo às contribuições sociais decai em dez anos, segundo dispõe o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991. COMPRAS NÃO REGISTRADAS. OMISSÃO DE RECEITAS. A nãoescrituração das aquisições de mercadorias, detectada através do cotejo de informações de fornecedores com os valores das compras declarados pela empresa fiscalizada, autoriza a presunção de omissão de receitas. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. PROSSEGUIMENTO NA GERÊNCIA DOS NEGÓCIOS. OMISSÃO DE RECEITA. São solidariamente responsáveis os sócios de fato pela prática de interposição de pessoas e prosseguimento na gerência da pessoa jurídica, com a adoção de conduta que caracteriza omissão de receita, o que demonstra o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador dos tributos exigidos, que é condição para a atribuição da responsabilidade solidária.” Em despacho de 17/06/2008, fls. 689, a Unidade de Origem – Derat/SP – faz os seguintes registros quanto ao prosseguimento do feito: Juntei, nesta data, ao presente processo, os documentos dos recursos voluntários enviados pelos responsáveis tributários, de fls. 646/687, que numerei e rubriquei. Tratase do Auto de Infração do IRPJ e reflexos (fls. 405/417), com ciência efetuado por via postal para os sócios Luciano Geraldo Porto (em 11/12/2006), Ronaldo Rodrigues Pereira (em 11/12/2006), José Mareio Euzébio Alves (em ll/12/2006) e Ubilar Ivan Machado (em 12/12/2006), conforme exposto no despacho da Defis I na fl. 445 Os sócios Ubilar Ivan Machado, Luciano Geraldo Porto e Ronaldo Rodrigues Pereira apresentaram as suas impugnações constantes nas fls. 460/536. O sócio José Mareio Euzébio Alves não apresentou sua impugnação. A impugnações apresentadas foram julgadas pela DRJ/SPOI através do Acórdão N° 1613.772 (fls. 568/589), que considerou o lançamento procedente, e não conheceu a impugnação apresentada pelo sócio Ronaldo Rodrigues Pereira por considerála intempestiva. O contribuinte, os sócios e responsáveis solidários foram intimados da decisão do Acórdão acima através das intimações nas fls. 590/593, 604/612, 613/621, 622/630 e 631/39, sendo que: Fl. 16964DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.965 11 o contribuinte Bragabel Comércio e Indústria de Bebidas Ltda foi cientificado da decisão através do edital 552/2007 (fl. 595) em 29/11/2007; Ubilar Ivan Machado foi cientificado da decisão do Acórdão em 23/04/2008 (fl. 642); Luciano Geraldo Porto foi cientificado da decisão do Acórdão em 22/04/2008 (fl. 643); Ronaldo Rodrigues Pereira foi cientificado da decisão do Acórdão em 22/04/2008 (fl. 644); José Mareio Euzébio Alves foi cientificado da decisão do Acórdão em 23/04/2008 (fl. 645). Os sócios Ubilar Ivan Machado, Luciano Geraldo Porto e Ronaldo Rodrigues Pereira protocolaram os seus recursos em 12/05/2008, 20/05/2008 e 20/05/2008, respectivamente. Assim sendo, proponho o encaminhamento do processo ao Primeiro Conselho de Contribuintes para julgamento dos recursos voluntários apresentados. Dos recursos voluntários Do recurso do Sr. Ubilar Ivan Machado Apresenta, fls. 704/718, recurso voluntário trazendo as seguintes questões: 1) Quanto à sujeição passiva. Alega errônea configuração do art. 124 do CTN. Aduz que o inciso I, utilizado pelos auditores para fundamentar o termo de sujeição passiva relaciona a solidariedade entre os devedores com o interesse comum que possuam na situação que constitui o fato jurídico tributário. Argumenta, nessa esteira que, na prática, tornase impossível demonstrar tal ligação, ainda mais no caso em tela, onde sequer se tenta demonstrar o suposto interesse do recorrente. Conclui pedindo a anulação do termo de sujeição passiva por falta de amparo fático e legal para subsistir. 2) Quanto à responsabilidade em relação às multas de 112,5%. Alega inexistência de responsabilidade objetiva em relação à atribuição dessa penalidade à sua pessoa. Aduz que a obrigação de apresentação dos documentos requeridos pela Receita Federal seria atribuição exclusiva do responsável pela contabilidade da empresa, o sócio Ronaldo Rodrigues Pereira. 3) Da distinção entre os períodos abrangidos no lançamento e aquele em que foi sócio da empresa autuada. Alega que foram distintos os períodos da autuação (anoscalendário 2001 a 2003) e aquele em que foi sócio da empresa (18/06/2001 a 16/04/2002), e que jamais teria exercido qualquer papel de administrador ou responsável tributário da empresa, nunca praticou um ato sequer de gestão, tampouco outorgou qualquer procuração para tanto. Fl. 16965DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.966 12 Nesse sentido considera absurdo não somente imputar a ele responsabilidade pelo período em que foi sócio, uma vez que não exercia atos de gestão que pudessem implicar em responsabilização tributária, quanto mais em relação ao período posterior a abril de 2002, quando já nem estava mais na sociedade e sequer tinha interesse em seus negócios e transações. 4) Quanto ao ilícito tributário (omissão de receitas). Considera descabidas as afirmações dos autuantes, feitas com base em fiscalização a terceiras empresas fornecedoras, de que houve burlo ao fisco, em razão de não contabilização de pagamentos de supostas compras. Aduz que a conclusão a que chegaram os autuantes se deu com base apenas nas notas fiscais de venda apresentadas pelos dois fornecedores (Spal e Kaiser), sem se preocupar em verificar se houve realmente a entrada destas mercadorias no estabelecimento da autuada. Nas palavras do recorrente: ... Como se pode garantir que todas essas operações indicando remessa de mercadorias para a Bragabel refletem a realidade dos fatos? Onde estaria o "erro", em mercadorias cuja entrada foi omitida ou em falsas declarações de saída? Simplesmente declararam os Srs. Auditores em ilícito tributário baseado em planilhas de Excel (!!!) e notas fiscais de venda de prováveis fornecedores, sem de fato constatar se realmente houve a transação comercial, se houve o recebimento das mercadorias pela Bragabel, que é realmente o fato gerador do tributo, pelo menos para a autuada. Quanto à decisão recorrida, entende que não merecem acolhida os argumentos que serviram de base para rechaçar a ausência de provas. Transcrevo a parte de interesse, do recurso apresentado. ... É que tal decisão, baseiase, única e exclusivamente em presunções sem comprovação válida, conforme se verifica verbis: "Fls. 883 (DRJ/SPO) "Extraise dos autos que as empresas Spal e Kaiser eram fornecedores habituais da autuada, o que se verifica pelos depoimentos constantes do Anexo D e pelos elementos acostados aos anexos A e B. Se as notas fiscais tivessem sido emitidas graciosamente por fornecedores, a autuada haveria de negar — enfaticamente — as aquisições. Por outro lado, não se pode conceber a razão pela qual empresas cuja idoneidade não foi contestada emitiram notas fiscais, representativas de vendas em montante superior a R$288.000.000,00 — sujeitandose aos tributos delas decorrentes — se as operações não tivessem ocorrido." Ora, Emérito julgador, a decisão, no intuito de dar suporte as acusações infundadas recheia suas razões com interpretações puramente subjetivas. Senão vejamos: em primeiro lugar, afirma que "se as notas fiscais houvessem sido emitidas 'graciosamente' teriam de ser negadas 'enfaticamente'. Ninguém Fl. 16966DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.967 13 emitiria notas fiscais "graciosamente" (graciosamente = de graça). Ou existe uma obrigação de fazêla ou um interesse por trás disso. Quanto a negativa das omissões apontadas no auto, essas foram devidamente negadas, mas a decisão procura desmerecêla porque não foi feita "enfaticamente"; em um segundo momento, procura dar veracidade a seus argumentos prestigiando a idoneidade dos fornecedores, para por fim, afirmar que eles não declarariam vendas em elevado montante sem ser verdade, porque se sujeitariam ao recolhimento de tributos dessas vendas decorrentes. Todavia, mais uma vez, a afirmação permanece no plano das presunções e suposições, uma vez que não há sequer a comprovação do recolhimento de todos os tributos pagos pelos fornecedores em virtude de tais supostas vendas. O fato de fornecedores terem declarado a existência de mais vendas do que foi declarado pela Bragabel em compras, não é prova conclusiva de que esta última burlou o fisco, pois se toda a mercadoria ali descrita não foi recebida, e muito menos suas notas fiscais, nada poderia a empresa declarar ao Fisco! O ilícito tributário pode não ter sido cometido pela empresa autuada, suposta destinatária das mercadorias, mas sim pelas próprias fornecedoras. A divergência pode estar nas remetentes e não na destinatária! Como ter certeza, baseandose apenas nas declarações das remetentes ? Do recurso do Sr. Luciano Geraldo Porto Apresenta, fls. 725/741, recurso voluntário trazendo as seguintes questões: 1) Quanto à sujeição passiva: Aduz que, após a apresentação de sua impugnação e documentos (fls. 479/525), foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/SP01 o acórdão de fls. 568/589 que, muito embora não tenha demonstrado qualquer participação sua nas infrações fiscais apontadas e não afirme que exercia de fato a gestão da empresa, concluiu pela manutenção do recorrente no pólo passivo da autuação, apenas e tãosomente em razão da previsão abstrata de administração constante no contrato social (fls. 588), mesmo e apesar de os próprios denunciantes (Ronaldo e José Márcio) haverem apontado, quando ouvidos pela autoridade fiscal, quem eram os sócios de fato da empresa autuada e quem cuidava dos pagamentos (o que não incluía o recorrente), conforme fls. 389 dos autos principais e fls. 01 e 04 do Anexo D. Sustenta que a inclusão do seu nome na denúncia levada a efeito por Ronaldo devese exclusivamente ao fato de haver ostentado, durante curto período de tempo, a condição formal de sócio da empresa BRAGABEL, e não por haver efetivamente praticado qualquer ato na condição de dono da empresa ou realizado qualquer negociação de bebidas com fornecedores. 2) Preliminar de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa: Alega que requereu, de maneira fundamentada, a realização de diligências, para a oitiva de diversas pessoas, tudo a fim de "Provar que o impugnante não cuidava da parte comercial na empresa BRAGABEL, não fazia pagamentos a fornecedores de bebidas e não tinha qualquer controle sobre as finanças da empresa, sendo funcionário subordinado e restrito a atribuições meramente administrativas (despesas administrativas, manutenção, folha de pagamento, pessoal etc.)." Fl. 16967DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.968 14 Considera que, em um caso como o que se ora analisa, seria essencial a diligência, haja vista a circunstância de o recorrente não ser sócio de fato e de não cuidar da área comercial da empresa, o que afastaria implicações gravíssimas (responsabilidades tributária e criminal pelas omissões de receitas descritas no auto de infração). Assim, entende que, nos termos do art. 28, do Decreto 70.235/72, o julgador de primeira instância deveria ter se manifestado expressamente sobre o pedido de diligência ou perícia. Dessa forma, o acórdão recorrido, ao não apreciar o pedido de diligência do recorrente, macularia de nulidade insanável aquela decisão, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72. Considera, também, vício que acarretaria a nulidade do acórdão recorrido o fato de ter requerido e não constar resposta naquela decisão quanto ao argumento de que não poderia ser responsabilizado por períodos que não guardam qualquer correspondência com o período de permanência dele na sociedade (18/06/2001 a 16/04/2002). 3) Decadência: Reitera os termos da impugnação. Considera que todos os tributos constituídos no auto de infração possuem lançamento por homologação (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), o que, pela sistemática do art. 146, III, b, da Constituição, combinado com o art. 150, §4º, do CTN, atribui a eles um período decadencial de cinco anos, haja vista a falta de demonstração de qualquer fraude praticada por si. Propugna pela declaração de decadência de todo e qualquer tributo anterior a 11/12/2001. 4) Multa por embaraço à fiscalização: Também argumenta nulidade da decisão recorrida por não ter apreciado a alegação de que ele não poderia ser responsabilizado por multas relativas a embaraços de que ele não deu azo ou em relação aos quais não teve qualquer conhecimento. No mais, mesmo que não se reconheça a nulidade, requer sejam apreciadas as razões do recorrente quanto à impossibilidade de aplicação de multa por embaraço àquele que não o causou. Do recurso do Sr. Ronaldo Rodrigues Pereira Apresenta, fls. 743/745, recurso voluntário trazendo as seguintes questões: 1) Sobrestamento do feito Reitera o requerimento de que haja o sobrestamento do feito até que seja apurado o inquérito MPF — 08.1.90.002005025124, tendo em vista que ali se apontará os verdadeiros responsáveis pelos débitos da empresa BRAGABEL. 2) Questões de mérito: Questiona a responsabilização solidária com os seguintes argumentos, que transcrevo de sua peça recursal: Fl. 16968DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.969 15 1) Conforme consta do histórico da intimação 1628/2008, o ora Recorrente nunca foi responsável de fato da empresa ora autuada. 2) O próprio histórico da intimação demonstra, de forma inequívoca que os verdadeiros donos e responsáveis pelos débitos apontados são DIOGO TERUEL LOPES SOBRINHO, LUIZ ALBERTO MACHADO DE OLIVEIRA, UBILAR IVAN MACHADO DE OLIVEIRA e LUCIANO GERALDO PORTO. 3) É fato de que os atuais sócios e administradores, dentre eles o ora Recorrente nunca responderam as intimações. O motivo pelo qual e que nunca receberam essas intimações que era endereçadas à empresa e sonegadas, desprezadas ou outro destino a elas eram dados pelos reais sócios: DIOGO TERUEL LOPES SOBRINHO, LUIZ ALBERTO MACHADO DE OLIVEIRA, UBILAR IVAN MACHADO DE OLIVEIRA e LUCIANO GERALDO PORTO. 4) Como consta do histórico, o ora Recorrente Ronaldo jamais exerceu qual quer ato de gestão na condução da empresa autuada. 5) Conforme depoimento constantes às fl.s 479/495 demonstra de forma, incontestável que o ora Recorrente fala a verdade ; 6) Demonstra, ainda, que o verdadeiro sócio Ubilar, realizou retiradas da sociedade (fls. 171) ; 7) Ao contrário do que afirma, o verdadeiro sócio Ubilar, é ele quem mente e protela essa situação, já que é o responsável por todas as atividades da empresa BRAGABEL; 8) Todas as provas colhidas na intimação que deu origem ao credito tributário, demonstram, de forma inequívoca de que o verdadeiro responsável por todas os atos praticados pela empresa Bragabel foi o Sr. UBILAR IVAN MACHADO DE OLIVEIRA. 9) Dessa forma, por todos os motivos já colocados na impugnação (não conhecida) e por todos os fatos constantes dos autos onde consta do voto da Ilustre Veronica Lima Schafran, concluiuse de que o verdadeiro titular da Bragabel foi UBILAR IVAN MACHADO DE OLIVEIRA. Ato continuo, o processo foi encaminhado a este conselho para julgamento em segunda instância administrativa. Em 03/11/2008 apresenta o Sr. Ubilar complemento ao recurso voluntário, fls. 749/754, em que argumenta: 1) Decadência do lançamento quanto ao fato gerador de 30/06/2001: Aduz que o fato gerador consubstanciado no período de 30 de junho de 2001, à luz do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional está fulminado pelo instituto da decadência e assim não poderia e não pode permanecer no lançamento, até porque a multa vem qualificada como de 75% e a sua majoração (50%) não decorre de fraude, dolo ou simulação, mas apenas de argüido "embaraço à fiscalização". 2) Questão de mérito: Fl. 16969DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.970 16 Alega que, ao fato gerador decaído e aos demais fatos geradores não decaídos, o lançamento estaria mal conformado, na medida em que, se tratando de omissão de compras, não se observou a mansa e pacifica jurisprudência consubstanciada nos acórdãos do Conselho de Contribuintes, particularmente quanto ao entendimento de que a simples tributação de uma compra não registrada, sem a atribuição de qualquer custo, implica em desrespeito ao fato gerador maior do tributo que é a disponibilidade econômica ou jurídica, ou seja, o lucro, de tal sorte que não se pode presumir que uma omissão não tenha precedentemente o respectivo custo; e de que, nas hipóteses em que o preço de venda final do produto seja conhecido, e no caso o é em se tratando de bebidas, o lançamento deve ser performado pelo sistema do lucro arbitrado, representativo pela diferença entre o preço de compra e o preço de venda. 3) Multa por embaraço: Argumenta que a aplicação da penalidade por embaraço à fiscalização não subsiste na medida em que, operando o lançamento não por arbitramento, a fiscalização teve acesso a todos os dados do sujeito passivo. Em sessão de 04/08/2010 este Conselho resolveu converter o julgamento em diligência, fls 756/765, na forma a seguir transcrita. Conforme relatado, os Srs. Ubilar Ivan Machado, Luciano Geraldo Porto e Ronaldo Rodrigues Pereira, arrolados como sujeitos passivos solidários da exigência, apresentaram recursos voluntários, que cabe ser apreciado. Em procedimento de revisão do relatório e voto que elaborei para o presente processo, visando me preparar para a sessão de julgamento, depareime com uma questão que anteriormente não havia atentado. Conforme termo de verificação fiscal, fls. 348362, a infração tributária que ensejou o lançamento foi omissão de receitas, em face de omissão de pagamento de compras de produtos para revenda, junto as empresas SPAL (fabricante Cocacola) e Cervejaria Kaiser. A base legal do lançamento está no art. 281, inciso I, do regulamento do imposto de renda de 1999, cuja matriz legal é o art. 40 da Lei 9.430 de 1996. A fiscalização obteve cópias de todas as notas fiscais emitidas pelos fornecedores, juntadas em anexos aos autos, bem como planilhas discriminando tais compras, que foram consolidadas às fls. 242303. Ocorre nesses demonstrativos não consta a data do pagamento tampouco o valor pago, ou seja, a fiscalização tomou como base de cálculo as compras e não os pagamentos destas. É certo que a quase totalidade dessas compras foram pagas, do contrario as fornecedoras não continuariam vendendo. Também é usual o pagamento em curto prazo. Todavia, entendo que a base de cálculo deve ser compatibilizada com a norma que estabelece a tributação, sobretudo nas hipóteses de presunção legal. Além disso, é de bom alvitre trazer aos autos a prova do efetivo pagamento, identificando sua forma, e se possível os responsáveis pela emissão de eventuais cheques utilizados para esse fim. Diante do exposto propugno pela conversão do julgamento em diligência para: Fl. 16970DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.971 17 1) Sejam novamente apuradas bases, as omissões de receitas, com base nos valores efetivamente pagos aos fornecedores em suas respectivas datas, consolidando por mês/trimestre. A seguir, fazer nova apuração os valores a serem tributados. 2) Se necessário, intimar a SPAL e a Kaiser para, se possível, identificar a forma de pagamento utilizada pela empresa. Em se tratando de pagamentos em cheques, identificar o banco e o emissor, bem como os 3 maiores valores pagos a cada mês, e solicitar cópia desses cheques à instituição financeira. 3) Apurar o valor médio mensal do preço de venda dos produtos objeto da omissão de compras, com vista a apurar a margem de lucro obtido pela contribuinte. 4) verificar se houve pagamento do PIS e Cofins por substituição/antecipação/concentração tributária. A Fiscalização pode fazer outras verificações e procedimentos, em estrita consonância com o escopo da diligencia visando seu êxito. Ao final, deverá lavrar termo consubstanciado e cientificar a contribuinte para, caso deseje, manifestarse no prazo de 30 dias. Em resposta, a DEFIS/SPO apresentou, em 14/06/2012, o Relatório Fiscal de fls. 16.714/16.716, a seguir transcrito: Conforme Resolução nº 140200022 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, cujos membros decidiram converter o julgamento em diligência, conforme fls. 608 a 702 do PAF Nº 19515.002667/200679, conforme transcrito abaixo: Diante do exposto propugno pela conversão do julgamento em diligência para: 1) Sejam novamente apuradas bases, as omissões de receitas, com base nos valores efetivamente pagos aos fornecedores em suas respectivas datas, consolidando por mês/trimestre. A seguir, fazer nova apuração os valores a serem tributados. 2) Se necessário, intimar a SPAL e a Kaiser para, se possível, identificar a forma de pagamento utilizada pela empresa. Em se tratando de pagamentos em cheques, identificar o banco e o emissor, bem como os 3 maiores valores pagos a cada mês, e solicitar cópia desses cheques à instituição financeira. 3) Apurar o valor médio mensal do preço de venda dos produtos objeto da omissão de compras, com vista a apurar a margem de lucro obtido pela contribuinte. 4) verificar se houve pagamento do PIS e Cofins por substituição/antecipação/concentração tributária. A Fiscalização pode fazer outras verificações e procedimentos, em estrita consonância com o escopo da diligencia visando seu êxito. Ao final, deverá lavrar termo consubstanciado e cientificar a contribuinte para, caso deseje, manifestarse no prazo de 30 dias. Fl. 16971DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.972 18 De posse do MPF D 0819000.2011.037554, em 29/03/2012, lavramos o Termo de Início de Ação Fiscal, enviado pelo correio com Aviso de Recebimento, com ciência na data de 03/04/2012, no qual solicitamos: 1 Contrato Social atualizado e últimas alterações; 2 Segue em anexo, para ciência do contribuinte o despacho de fls. 698 a 702 (todas frente e verso) do PAF Nº 19515.002667/200679, exarado pelo CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 1ª Seção de Julgamento. 3 – Intimamos o contribuinte a atender os itens abaixo: 3.1 – Entregamos neste ato no formato excel as planilhas: Bragabel_Spal.xls e Bragabel_kaiser.xls, gravadas em CD. Solicitamos a criação e preenchimento das colunas: data do pagamento, valor do pagamento, forma do pagamento (p.ex: cheque), Banco, Agência e Contacorrente, e a origem dos recursos, bem como a identificação do responsável pela assinatura do cheque ou ordenante do pagamento (Ted/Doc). 3.2 – identificar os três maiores valores de cada mês e apresentar cópias do comprovante de pagamento (cheques/doc/Ted/ordem de pagamento). A documentação deverá ser entregue na mesma ordem das planilhas. 3.3 – informar e comprovar os valores de pagamento do PIS e COFINS por substituição/antecipação/concentração tributária, se houver. 3.4 – apresentar o valor médio mensal do preço de venda dos produtos objeto da omissão de compras. Em anexo a este termo, enviamos ao contribuinte cópia integral do PAF 19515.002667/200679, composto de 8699 folhas, digitalizado e gravado em um CD. Não houve qualquer manifestação ou atendimento por parte do contribuinte. Em 04/06/2012, lavramos o Termo de Reintimação Fiscal, enviado pelo correio, cujo Aviso de Recebimento – AR, retornou com a indicação de MUDOUSE. QUANTO AOS FORNECEDORES SPAL E KAISER: A fim de instruir o processo, solicitamos as diligências vinculadas para as empresas abaixo: CONTRIBUINTE: SPAL INDUSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A Fl. 16972DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.973 19 ENDEREÇO : AV ENGENHEIRO ALBERTO DE ZAGOTTIS, 352 JURUBATUBA São Paulo SP CEP: 04675901 C.N.P.J. : 61.186.888/000193 MPF Nº : 08.1.90.002011000620 ATV. FISCAL : DILIGÊNCIA Em 29/03/2012, lavramos o Termo de Início de Ação Fiscal, enviado pelo correio com Aviso de Recebimento – AR, datado de 03/04/2012. Em 03/05/2012, a empresa através de requerimento, solicitou uma dilação do prazo por mais 30 dias, no que foi atendida. Em 01/06/2012, a empresa através de cartaresposta informa que: apesar de todos os seus esforços, não localizou em seus arquivos os documentos solicitados no Termo de Início de Ação Fiscal em epígrafe, uma vez que tratamse de documentos de período anterior a 5 anos. CONTRIBUINTE: CERVEJARIAS KAISER BRASIL S.A ENDEREÇO : AV PRES HUMBERTO DE A. C. BRANCO, 2911 PARTE RIO ABAIXO JACAREI SP CEP: 12321150 C.N.P.J. : 19.900.000/000176 MPF Nº : 08.1.90.002011000611 ATV. FISCAL : DILIGÊNCIA Em 29/03/2012, lavramos o Termo de Início de Ação Fiscal, enviado pelo correio com Aviso de Recebimento – AR, datado de 05/04/2012. Em 04/05/2012, a empresa através de requerimento, solicitou uma dilação do prazo por mais 30 dias, no que foi atendida. Em 01/06/2012, a empresa através de cartaresposta informa que: apesar de todos os seus esforços despendidos, não localizou em seus arquivos os documentos solicitados no Termo de Início de Ação Fiscal em epígrafe, uma vez que tratamse de documentos de período anterior a 5 (cinco) anos. CONCLUSÃO: Considerando que não houve qualquer manifestação ou atendimento do contribuinte BRAGABEL COMERCIO E INDUSTRIA DE BEBIDAS LTDA às intimação e reintimação e que os fornecedores SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S.A E CERVEJARIA KAISER BRASIL S.A. responderam às intimações declarando que não localizaram em seus Fl. 16973DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.974 20 arquivos os documentos solicitados, uma vez que tratam se de documentos de período anterior aos últimos 5 anos, não é possível o atendimento ao despacho de fls 608 a 702 do PAF 19515.002667/200679. Portanto, fica prejudicado o atendimento ao despacho de fls 608 a 702 do PAF 19515.002667/200679, eis que a empresa não atendeu as intimações e os fornecedores alegaram que não localizaram os arquivos e documentos solicitados. Em 05/12/2012, nova diligência, de fls. 16.726/16.730, foi deliberada por este Conselho para que se desse ciência do resultado da diligência anterior aos responsáveis solidários UBILAR IVAN MACHADO, LUCIANO GERALDO PORTO E RONALDO RODRIGUES PEREIRA, também recorrentes. Em 26/06/2013, fls. 16.946/16.948, o relatório de diligência fiscal apresenta resposta à diligência última nos seguintes termos: Conforme Resolução nº 1402000.159 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, cujos membros decidiram converter o julgamento em diligência, conforme fls. 8794 A 8798 do PAF Nº 19515.002667/200679, conforme transcrito em parte abaixo: Ocorre os responsáveis solidários, UBILAR IVAN MACHADO, LUCIANO GERALDO PORTO E RONALDO RODRIGUES PEREIRA, também recorrentes, não foram cientificados do resultado da diligência. Resta então volver os autos à unidade de origem para cientificalos do resultado da diligência e, caso desejem, possam apresentar manifestação no prazo de 30 dias, inclusive cumprir as solicitações efetuadas pela Fiscalização à empresa, reproduzidas no relatório acima. De posse do MPF D 08.1.90.002013009906, em 08/04/2013, lavramos os três Termos de Intimação Fiscal intimando os sócios, relacionados abaixo, enviados pelo correio com Aviso de Recebimento: 1) SÓCIO : LUCIANO GERALDO PORTO – CIÊNCIA EM 11/04/2013 ENDEREÇO : R BARTIRA, 1222 APTO 181 PERDIZES São Paulo SP CEP: 05009000 C.P.F : 082.701.88867 2) SÓCIO : RONALDO RODRIGUES PEREIRA – CIÊNCIA EM 11/04/2013 ENDEREÇO : R GARDENIA, 141JD DAS FLORESOSASCO SP CEP:06110240 C.P.F. : 760.239.23887 3) SÓCIO: UBILAR IVAN MACHADO – CIÊNCIA EM 12/04/2013 Fl. 16974DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.975 21 ENDEREÇO : R ARTHUR JORGE, 1367 APTO 1102 CENTRO CAMPO GRANDE MS CEP: 79010210 C.P.F : 005.190.91892 Solicitamos nos três termos: ..................................... Conforme Voto da RESOLUÇAO 1402000.1594ª CAMARA/2ª TURMA ORDINARIA, tratase de cientificar os responsáveis solidários do resultado da diligência efetuada na empresa BRAGABEL COMERCIO E INDUSTRIA DE BEBIDAS LTDA – ME, e caso desejem, possam apresentar manisfestação no prazo de 30 dias, inclusive cumprir as solicitações efetuadas pela Fiscalização à empresa, reproduzidas na Resolução acima citada. Entregamos junto a este termo, os arquivos digitais abaixo, gravadas em CD: • No formato excel as planilhas: Bragabel_Spal.xls e Bragabel_kaiser.xls. Solicitamos a criação e preenchimento das colunas: data do pagamento, valor do pagamento, forma do pagamento (p.ex: cheque), Banco, Agência e Conta corrente, e a origem dos recusos, bem como a identificação do responsável pela assinatura do cheque ou ordenante do pagamento (Ted/Doc); • No formato pdf: cópia integral do PAF 19515.002667/200679 digitalizado e gravado em um CD. Segue em anexo, recibo de entrega de arquivos digitais gerado pelo programa SVA – Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais. Código de Identificação Geral do(s) Arquivo(s): 267fbf64db452970 23eb0774076611b3 Data/Hora da Geração do Relatório: 08/04/2013 15:41:28 .................... RESPOSTA DE LUCIANO GERALDO PORTO: ............... De pronto, o requerente informa que não tem qualquer possibilidade de dar cumprimento às solicitações da fiscalização, consistentes no preenchimento das planilhas no formato excel denominadas Bragabel_Spal.xls e Bragabel_kaiser.xls, bem como de identificar Fl. 16975DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.976 22 valores relativos a pagamentos e/ou tributos e preço de vendas dos produtos objeto da alegada omissão de receitas. Isso porque, conforme já demonstrado nas defesas do requerente (impugnação e documentos às fls. 505/525 e recurso às fls. 720/736), este nunca teve poder ou atribuições de compra e venda de bebidas nem de qualquer outro bem da empresa autuada BRAGABEL. Ficou cristalinamente demonstrado que o requerente LUCIANO trabalhou exclusivamente no setor administrativo, coordenando a construção da fábrica e desenvolvimento de produtos, sem qualquer ingerência ou participação no setor comercial e, ainda, sem qualquer controle financeiro da empresa, sendo mero funcionário. ....................... RESPOSTA DE RONALDO RODRIGUES PEREIRA ................. DA IMPOSSIBILIDADE DE FORNECIMENTO DAS INFORMAÇÕES SOLICITADAS AO ORA PETICIONÁRIO EM RAZÃO DE NÃO TER JAMAIS EXERCIDO CARGO DE GERÊNCIA JUNTO À BRAGABEL COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE BEBIDAS LTDAME. ...................... RESPOSTA DE UBILAR IVAN MACHADO FOI CIENTIFICADO DA INTIMAÇÃO, PORÉM NÃO ATENDEU A INTIMAÇÃO. CONCLUSÃO Portanto, concluímos o atendimento ao despacho de fls 8794 A 8798 do PAF 19515.002667/200679, eis que os responsáveis solidários, UBILAR IVAN MACHADO, LUCIANO GERALDO PORTO E RONALDO RODRIGUES PEREIRA, também recorrentes, foram cientificados do resultado da diligência, sendo que sócio Ubilar nem sequer se manifestou, enquanto que os sócios Luciano e Ronaldo se manifestaram sem adicionar qualquer informação solicitada. É o relatório. Fl. 16976DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.977 23 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar Os recursos voluntários apresentados por Ubilar Ivan Machado, Luciano Geraldo Porto e Ronaldo Rodrigues Pereira, protocolados, respectivamente, em 12/05/2008, 20/05/2008 e 20/05/2008, são tempestivos. De início, observase que a impugnação apresentada pelo Sr. Ronaldo Rodrigues Pereira, fls. 529 a 533, não foi conhecida pela Delegacia de Julgamento (DRJ), por ter sido apresentada após o prazo estabelecido no artigo 15 do Decreto n° 70.235/1972. Desse modo, a teor do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15/96, considerou aquela DRJ a matéria como não impugnada, sem instauração do contraditório. Não instaurado o contraditório, não pode este CARF tomar conhecimento do recurso apresentado pelo Sr. Ronaldo Rodrigues Pereira, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o processo administrativo fiscal. Deixo de conhecer, portanto, do recurso voluntário apresentado pelo Sr. Ronaldo Rodrigues Pereira. Os demais recursos voluntários, apresentados pelos Srs. Ubilar Ivan Machado e Luciano Geraldo Porto, reúnem os demais pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Deles, portanto, tomo conhecimento. Passo à análise das matérias constantes daqueles recursos. Da preliminar de decadência Preliminarmente, argumentam ambos os recorrentes que na data da autuação já havia expirado o prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento dos créditos tributários anteriores a 11/12/2001, nos termos do artigo 150, §4o, do Código Tributário Nacional, haja vista não haver nos lançamentos demonstração de qualquer fraude, dolo ou simulação praticada. De fato, não se constata nos lançamentos conduta fraudulenta da empresa diretamente relacionada com os fatos geradores da autuação. Tanto é que a multa de ofício lançada não foi qualificada pelos autuantes, nos termos do art. 44, §1°, da Lei n° 9.430/96 mas apenas agravada por embaraço à fiscalização, a teor do §2º daquele mesmo artigo. Ainda assim, não cabe razão aos recorrentes. Inicialmente, quanto à decadência da CSLL, PIS e Cofins, cabe destacar que, com a edição da Súmula Vinculante n.º 8 do STF, a constituição dos créditos da seguridade social passou a observar as regras contidas no Código Tributário Nacional CTN. Assim, de forma diversa do entendimento esposado na decisão recorrida, que considerava o prazo decadencial para as contribuições para a seguridade social como sendo de Fl. 16977DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.978 24 dez anos, há que se aplicar àquelas o prazo decadencial de cinco anos para constituição do crédito tributário de acordo com as regras estabelecidas naquele Código e a seguir analisadas. Com efeito, a questão da contagem do prazo decadencial para IRPJ, CSLL, PIS e Cofins foi definitivamente julgada pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo (Art. 543C da Lei nº 5869/1973 CPC), conforme REsp nº. 973.733SC. Referida decisão vincula aquelas proferidas por esse Conselho, consoante art. 62, §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, in verbis: Art. 62 ... §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, conforme entendeu o Egrégio STJ no REsp nº. 973.733SC, nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, inexistindo pagamento antecipado, aplicase o prazo decadencial previsto no artigo 173, I do CTN que, por sua vez, não tem aplicação cumulativa/concorrente com o prazo do artigo 150, §4º do CTN. A contrário senso, existindo registro de pagamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS por parte do contribuinte que se caracterize como antecipação, deverá ser aplicado o art. 150, §4º do CTN. Em consonância com o entendimento acima, foi editado o Parecer PGFN/CAT Nº 16/07/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em despacho de 18/08/2008, cujo excerto das conclusões se transcreve abaixo: [...] d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação deve se aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN; [Grifei]. No presente caso, os lançamentos tiveram por base omissão de receitas apuradas para os períodos conforme quadro abaixo. TRIMESTRE/ANO OMISSÃO DE RECEITA 1° TRIM/2001 0,00 2º TRIM/2001 726.946,34 3° TRIM/2001 0,00 Fl. 16978DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.979 25 4° TRIM/2001 6.707.961,88 TOTAL/2001 7.434.908,22 1° TRIM/2002 15.937.509,59 2º TRIM/2002 44.793.986,40 3° TRIM/2002 56.031.548,88 4° TRIM/2002 100.491.540,15 TOTAL/2002 217.254.585,02 1° TRIM/2003 36.494.047,27 2° TRIM/2003 11.418.615,38 3° TRIM/2003 0,00 4º TRIM/2003 0,00 TOTAL/2003 47.912.662,65 Assim, tendo em vista que a ciência dos lançamentos se deu em 12/12/2006, a dúvida que remanesce, em relação à decadência, referese ao fato gerador ocorrido em 30/06/2001, relativo ao segundo trimestre de 2001. Com efeito, perscrutandose os autos constatase que não ocorreu pagamento antecipado do IRPJ para aquele período, uma vez que o sujeito passivo não apurou resultado tributável, conforme se verifica na Ficha 09A – Demonstração do Lucro Real – da DIPJ/2002 (fl. 156). Da mesma forma, quanto à CSLL, ao PIS e à COFINS, a empresa também não apurou valores a pagar em 30/06/2001 (Fichas 17, 19A e 20A da DIPJ/2002, fls. 162, 167 e 173). Ademais, constatase, também, que a contribuinte optou pela tributação na sistemática de Lucro Real, apurado trimestralmente (fl. 141). Nessa esteira, em relação ao fato gerador ocorrido em 30/06/2001, a regra a ser aplicada é a constante do artigo 173, I do CTN. Assim, é de se concluir que o lançamento poderia ter sido efetuado no início do terceiro trimestre de 2001 e que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ocorrera em 01/01/2002, tendo como termo final a data de 31/12/2006. Destarte, não havia fatos geradores decaídos em 12/12/2006, quando da ciência do lançamento. Afasto a preliminar suscitada em ambos os recursos. Passo à análise dos pontos específicos de cada um dos recursos conhecidos. Do recurso voluntário apresentado pelo Sr. Ubilar Ivan Machado 1) Quanto ao ilícito tributário (omissão de receitas). Considera o recorrente serem descabidas as afirmações dos autuantes, feitas com base em fiscalização a terceiras empresas fornecedoras, de que houve burlo ao fisco, em razão de não contabilização de pagamentos de supostas compras. Aduz que a conclusão a que chegaram os autuantes se deu com base apenas nas notas fiscais de venda apresentadas pelos dois fornecedores (Spal e Kaiser), sem se preocupar em verificar se houve realmente a entrada destas mercadorias no estabelecimento da autuada. Nas palavras do recorrente: Fl. 16979DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.980 26 ... Como se pode garantir que todas essas operações indicando remessa de mercadorias para a Bragabel refletem a realidade dos fatos? Onde estaria o "erro", em mercadorias cuja entrada foi omitida ou em falsas declarações de saída? Simplesmente declararam os Srs. Auditores em ilícito tributário baseado em planilhas de Excel (!!!) e notas fiscais de venda de prováveis fornecedores, sem de fato constatar se realmente houve a transação comercial, se houve o recebimento das mercadorias pela Bragabel, que é realmente o fato gerador do tributo, pelo menos para a autuada. Quanto à decisão recorrida, entende que não merecem acolhida os argumentos que serviram de base para rechaçar a ausência de provas. Transcrevo a parte de interesse, do recurso apresentado. ... É que tal decisão, baseiase, única e exclusivamente em presunções sem comprovação válida, conforme se verifica verbis: "Fls. 883 (DRJ/SPO) "Extraise dos autos que as empresas Spal e Kaiser eram fornecedores habituais da autuada, o que se verifica pelos depoimentos constantes do Anexo D e pelos elementos acostados aos anexos A e B. Se as notas fiscais tivessem sido emitidas graciosamente por fornecedores, a autuada haveria de negar — enfaticamente — as aquisições. Por outro lado, não se pode conceber a razão pela qual empresas cuja idoneidade não foi contestada emitiram notas fiscais, representativas de vendas em montante superior a R$288.000.000,00 — sujeitandose aos tributos delas decorrentes — se as operações não tivessem ocorrido." Ora, Emérito julgador, a decisão, no intuito de dar suporte as acusações infundadas recheia suas razões com interpretações puramente subjetivas. Senão vejamos: em primeiro lugar, afirma que "se as notas fiscais houvessem sido emitidas 'graciosamente' teriam de ser negadas 'enfaticamente'. Ninguém emitiria notas fiscais "graciosamente" (graciosamente = de graça). Ou existe uma obrigação de fazêla ou um interesse por trás disso. Quanto a negativa das omissões apontadas no auto, essas foram devidamente negadas, mas a decisão procura desmerecêla porque não foi feita "enfaticamente"; em um segundo momento, procura dar veracidade a seus argumentos prestigiando a idoneidade dos fornecedores, para por fim, afirmar que eles não declarariam vendas em elevado montante sem ser verdade, porque se sujeitariam ao recolhimento de tributos dessas vendas decorrentes. Todavia, mais uma vez, a afirmação permanece no plano das presunções e suposições, uma vez que não há sequer a comprovação do recolhimento de todos os tributos pagos pelos fornecedores em virtude de tais supostas vendas. O fato de fornecedores terem declarado a existência de mais vendas do que foi declarado pela Bragabel em compras, não é prova conclusiva de que esta última burlou o fisco, pois se toda a mercadoria ali descrita não foi recebida, e muito menos suas notas fiscais, nada poderia a empresa declarar ao Fisco! Fl. 16980DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.981 27 O ilícito tributário pode não ter sido cometido pela empresa autuada, suposta destinatária das mercadorias, mas sim pelas próprias fornecedoras. A divergência pode estar nas remetentes e não na destinatária! Como ter certeza, baseandose apenas nas declarações das remetentes? Com efeito, entendo descabidos os argumentos do recorrente nesse ponto. A fiscalização não concluiu que houve a infração apenas pelas notas fiscais de venda apresentadas pelas fornecedoras Spal e Kaiser, sem se preocupar em verificar se houve realmente a entrada das mercadorias no estabelecimento da autuada. Primeiramente, como bem pontuou a decisão recorrida, as empresas Spal e Kaiser eram fornecedoras habituais da autuada, o que se verifica pelos depoimentos constantes do anexo D e pelos elementos acostados aos anexos A (Spal) e B (Kaiser). Não se pode conceber a razão pela qual essas empresas, cuja idoneidade não foi sequer contestada, emitiriam milhares de notas fiscais, representativas de vendas em montante superior a R$ 288.000.000,00, contabilizadas em seus livros fiscais, registradas nos livros de saída de mercadorias (fls. 14.081/14.086), comprovas a liquidação dos pagamentos (fls. 13.854/14.074) – sujeitandose aos tributos delas decorrentes – se as operações não tivessem ocorrido. Além disso, se as notas fiscais tivessem sido emitidas graciosamente pelos fornecedores, a própria autuada haveria de negar – enfaticamente as aquisições. O que se constata nos autos é que as diversas intimações e reintimações para que a empresa se pronunciasse acerca das notas fiscais de venda apresentadas pelas fornecedoras, cuja destinatária era a autuada, quedaramse sem respostas. Vide, por exemplo, termo de intimação fiscal de fls. 268, 332, termo de verificação fiscal e respostas às diligências deliberadas por este CARF, cujos excertos transcrevo abaixo. Do termo de verificação fiscal, fls. 374/388: A empresa BRAGABEL foi intimada, em 12/ago./2005, pelo TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL, a confirmar a relação de notas fiscais obtidas na circularização junto a empresa SPAL INDUSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A. Este termo também faz parte dos termos não atendidos, relatados no Termo de Verificação Fiscal do AUTO POR EMBARAÇO à FISCALIZAÇÃO. ... Após a análise dos elementos e documentos apresentados pelo contribuinte, em confronto com os elementos e documentos recebidos da circularizagão/diligência nas empresas: SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A, CNPJ n° 61.186.888/000193 e CERVEJARIAS KAISER BRASIL S/A, CNPJ no 19.900.000/000176, ficou constatada a não contabilização de pagamentos de compras dos r. fornecedores, em infringência ao artigo 281, inciso II do RIR/99, Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999, combinado com o artigo 40 da Lei do Ajuste Tributário n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e que intimada não foi justificada em nenhum momento pela empresa, e como conseqüência, foi lavrado o auto de infração de multa por embaraço à fiscalização, consignado no processo administrativo fiscal n° 19515.003005/200535, tendo como conseqüência, o agravamento de penalidade MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO de 75%, majorada em 50%, passando a ser de 112,5% (cento e doze e meio por cento) por infringência ao artigo 959, incisos I, II, III do RIR/99. Fl. 16981DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.982 28 Do relatório fiscal de fls. 16.714/16.716, em resposta à diligência deliberada na Resolução nº 140200.022 desta Turma: ... De posse do MPF D 0819000.2011.037554, em 29/03/2012, lavramos o Termo de Início de Ação Fiscal, enviado pelo correio com Aviso de Recebimento, com ciência na data de 03/04/2012, no qual solicitamos: ... 3 – Intimamos o contribuinte a atender os itens abaixo: 3.1 – Entregamos neste ato no formato excel as planilhas: Bragabel_Spal.xls e Bragabel_kaiser.xls, gravadas em CD. Solicitamos a criação e preenchimento das colunas: data do pagamento, valor do pagamento, forma do pagamento (p.ex: cheque), Banco, Agência e Contacorrente, e a origem dos recursos, bem como a identificação do responsável pela assinatura do cheque ou ordenante do pagamento (Ted/Doc). ... Não houve qualquer manifestação ou atendimento por parte do contribuinte. Em 04/06/2012, lavramos o Termo de Reintimação Fiscal, enviado pelo correio, cujo Aviso de Recebimento – AR, retornou com a indicação de MUDOU SE. ... CONCLUSÃO: Considerando que não houve qualquer manifestação ou atendimento do contribuinte BRAGABEL COMERCIO E INDUSTRIA DE BEBIDAS LTDA às intimação e reintimação e que os fornecedores SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S.A E CERVEJARIA KAISER BRASIL S.A. responderam às intimações declarando que não localizaram em seus arquivos os documentos solicitados, uma vez que tratamse de documentos de período anterior aos últimos 5 anos, não é possível o atendimento ao despacho de fls 608 a 702 do PAF 19515.002667/200679. Portanto, fica prejudicado o atendimento ao despacho de fls 608 a 702 do PAF 19515.002667/200679, eis que a empresa não atendeu as intimações e os fornecedores alegaram que não localizaram os arquivos e documentos solicitados. Do relatório fiscal de fls. 16.946/16.948, em resposta à diligência deliberada na Resolução nº 1402000.159 desta Turma: ... De posse do MPF D 08.1.90.002013009906, em 08/04/2013, lavramos os três Termos de Intimação Fiscal intimando os sócios, relacionados abaixo, enviados pelo correio com Aviso de Recebimento: 1) SÓCIO : LUCIANO GERALDO PORTO – CIÊNCIA EM 11/04/2013 ... Fl. 16982DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.983 29 2) SÓCIO : RONALDO RODRIGUES PEREIRA – CIÊNCIA EM 11/04/2013 ... 3) SÓCIO: UBILAR IVAN MACHADO – CIÊNCIA EM 12/04/2013 ... Solicitamos nos três termos: ..................................... Conforme Voto da RESOLUÇAO 1402000.1594ª CAMARA/2ª TURMA ORDINARIA, tratase de cientificar os responsáveis solidários do resultado da diligência efetuada na empresa BRAGABEL COMERCIO E INDUSTRIA DE BEBIDAS LTDA – ME, e caso desejem, possam apresentar manisfestação no prazo de 30 dias, inclusive cumprir as solicitações efetuadas pela Fiscalização à empresa, reproduzidas na Resolução acima citada. Entregamos junto a este termo, os arquivos digitais abaixo, gravadas em CD: • No formato excel as planilhas: Bragabel_Spal.xls e Bragabel_kaiser.xls. Solicitamos a criação e preenchimento das colunas: data do pagamento, valor do pagamento, forma do pagamento (p.ex: cheque), Banco, Agência e Contacorrente, e a origem dos recusos, bem como a identificação do responsável pela assinatura do cheque ou ordenante do pagamento (Ted/Doc); .................... RESPOSTA DE LUCIANO GERALDO PORTO: De pronto, o requerente informa que não tem qualquer possibilidade de dar cumprimento às solicitações da fiscalização, consistentes no preenchimento das planilhas no formato excel denominadas Bragabel_Spal.xls e Bragabel_kaiser.xls, bem como de identificar valores relativos a pagamentos e/ou tributos e preço de vendas dos produtos objeto da alegada omissão de receitas. Isso porque, conforme já demonstrado nas defesas do requerente (impugnação e documentos às fls. 505/525 e recurso às fls. 720/736), este nunca teve poder ou atribuições de compra e venda de bebidas nem de qualquer outro bem da empresa autuada BRAGABEL. Ficou cristalinamente demonstrado que o requerente LUCIANO trabalhou exclusivamente no setor administrativo, coordenando a construção da fábrica e desenvolvimento de produtos, sem qualquer ingerência ou participação no setor comercial e, ainda, sem qualquer controle financeiro da empresa, sendo mero funcionário. ....................... RESPOSTA DE RONALDO RODRIGUES PEREIRA DA IMPOSSIBILIDADE DE FORNECIMENTO DAS INFORMAÇÕES SOLICITADAS AO ORA PETICIONÁRIO EM RAZÃO DE NÃO TER JAMAIS EXERCIDO CARGO DE GERÊNCIA JUNTO À BRAGABEL COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE BEBIDAS LTDAME. Fl. 16983DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.984 30 ...................... RESPOSTA DE UBILAR IVAN MACHADO FOI CIENTIFICADO DA INTIMAÇÃO, PORÉM NÃO ATENDEU A INTIMAÇÃO. CONCLUSÃO Portanto, concluímos o atendimento ao despacho de fls 8794 A 8798 do PAF 19515.002667/200679, eis que os responsáveis solidários, UBILAR IVAN MACHADO, LUCIANO GERALDO PORTO E RONALDO RODRIGUES PEREIRA, também recorrentes, foram cientificados do resultado da diligência, sendo que sócio Ubilar nem sequer se manifestou, enquanto que os sócios Luciano e Ronaldo se manifestaram sem adicionar qualquer informação solicitada. Assim, tal qual entendeu a decisão recorrida, tenho por comprovada a ocorrência das operações de venda para a autuada de acordo com os elementos apresentados pelas fornecedoras, constantes dos anexos A e B. Nessa esteira, foram tributadas as diferenças entre os valores das compras declarados nas DIPJ da empresa autuada e os pagamentos efetuados às fornecedoras (Spal e Kaiser), uma vez configurada a presunção legal de que os recursos utilizados para o pagamento das compras que deixaram de ser contabilizadas são provenientes de receitas anteriormente omitidas, a teor do disposto no artigo 40 da Lei nº 9.430/1996 e do art. 281 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, in verbis. Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 2°, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 40): ... II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; ... (grifei) Ressaltese que a presunção de que se valeu a autoridade fiscal é juris tantum ou relativa, podendo, portanto, ser elidida pela prova em contrário. Assim, caberia tãosomente à interessada ou aos responsáveis solidários a comprovação de sua improcedência. Instados a fazêla, quedaramse inerte conforme relatado acima. Quanto aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL, a eles se aplica a mesma decisão proferida em relação ao IRPJ, devido à estreita relação de causa e efeito existente entre o lançamento principal e seus decorrentes. Por todo o exposto, há que se negar provimento ao recurso voluntário quanto a esse tópico. 2) Quanto à sujeição passiva e a alegada distinção entre os períodos abrangidos no lançamento e aquele em que foi sócio da empresa autuada. Fl. 16984DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.985 31 Alega o recorrente errônea configuração do art. 124 do CTN. Aduz que o inciso I, utilizado pelos auditores para fundamentar o termo de sujeição passiva relaciona a solidariedade entre os devedores com o interesse comum que possuam na situação que constitui o fato jurídico tributário. Argumenta, nessa esteira que, na prática, tornase impossível demonstrar tal ligação, ainda mais no caso em tela, onde sequer se tenta demonstrar o suposto interesse do recorrente. Conclui pedindo a anulação do termo de sujeição passiva por falta de amparo fático e legal para subsistir. Alega, ainda, que foram distintos os períodos da autuação (anoscalendário 2001 a 2003) e aquele em que foi sócio da empresa (18/06/2001 a 16/04/2002), e que jamais teria exercido qualquer papel de administrador ou responsável tributário da empresa, nunca praticou um ato sequer de gestão, tampouco outorgou qualquer procuração para tanto. Nesse sentido considera absurdo não somente imputar a ele responsabilidade pelo período em que foi sócio, uma vez que não exercia atos de gestão que pudessem implicar em responsabilização tributária, quanto mais em relação ao período posterior a abril de 2002, quando já nem estava mais na sociedade e sequer tinha interesse em seus negócios e transações. Quanto à responsabilidade solidária do recorrente, entendo que a decisão recorrida bem enfrentou a questão, pelo que adoto seus fundamentos como razão de decidir no presente voto, na forma a seguir apresentada. No tocante à responsabilidade solidária atribuída ao impugnante, cumpre reproduzir o artigo 124, inciso I, do CTN, em que se fundamentou a lavratura do Termos de Sujeição Passiva Solidária n° 01: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” Mencionese a lição de Hugo de Brito Machado, em Curso de Direito Tributário, Editora Malheiros, 12ª edição, 1997, pág. 101, que discorre sobre a referida norma: “As pessoas com interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação de pagar um tributo são solidariamente obrigadas a esse pagamento, mesmo que lei específica do tributo em questão não o diga. É uma norma geral, aplicável a todos os tributos.” A título ilustrativo, citese o seguinte julgado do TRF 4ª Região, que trata da atribuição da responsabilidade tributária, com fundamento no mesmo dispositivo legal: “II. Nos moldes do CTN, art. 124, a hipótese legal diz respeito à ligação do terceiro, de modo direto, por força de interesse jurídico ou econômico, à situação prevista como fato gerador da obrigação tributária. ....” (TRF4ª Região. AC 1999.04.01.0027885/RS. Rel.: Des. Federal Márcio Antônio Fl. 16985DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.986 32 Rocha. 2ª Turma. Decisão: 04/05/00. DJ de 19/07/00, pp. 154/155.).(Destaques da transcrição). Atentese ainda que não seria demasiado atribuir aos sócios de fato, na hipótese de interposição de pessoas, responsabilidade de natureza pessoal, de acordo com o regramento expresso no artigo 135 do CTN, a seguir transcrito: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações Tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (Grifouse) Todavia, a responsabilidade pessoal prevista no artigo 135 do CTN não exclui a obrigação do contribuinte pelo adimplemento do crédito tributário, de acordo com os ensinamentos de Luiz Alberto Gurgel de Faria (“Código Tributário Nacional Comentado – Doutrina e Jurisprudência”, Coordenador: Vladimir Passos de Freitas – Ed. Revista dos Tribunais, págs. 535 e 536), a seguir reproduzidos: “Prosseguindo na disciplina da responsabilidade dos terceiros, o CTN cuida, agora, dos casos em que há prática de ato com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, estendendo a obrigação, em caráter pessoal, não só àqueles referidos no artigo anterior como também aos mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A grande diferença entre a regra atual e a do dispositivo acima transcrito é que a responsabilidade deixa de ser supletiva para assumir um caráter de solidariedade. A justificativa é plausível: aqui, há a prática de um ato ilícito pelo responsável, seja violando a lei, seja desrespeitando o contrato ou estatuto da sociedade em que trabalha. Há quem defenda que o fato da responsabilidade ser “pessoal” afastaria qualquer obrigação dos contribuintes, que ficariam, pois, exonerados. Não penso assim. A responsabilidade exclusiva do agente pode se restringir às infrações, nos casos devidamente previstos no art. 137, a ser estudado infra. Mas quanto ao tributo em si, não vejo como excluir os contribuintes da solidariedade, afinal de contas são eles que detêm relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, ou seja, são eles que realizam o fato previsto na lei como tributável, ainda que por seus representantes. Como se admitir, por exemplo, que uma empresa deixe de recolher o Imposto sobre Produtos Industrializados (questão que, embora controvertida, vem sendo admitida na jurisprudência como hipótese de infração da lei) e que, por tal motivo, apenas o diretor financeiro que Fl. 16986DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.987 33 deixou de fazer o recolhimento seja responsabilizado, olvidando se qualquer obrigação da empresa? (...) Creio que o caminho não seja esse. A se pretender a exoneração, certamente o legislador a faria de forma expressa. Assim não tendo laborado, não há como se alcançar a ilação pretendida por alguns, de modo que a responsabilidade do contribuinte subsiste, de forma solidária, com a dos terceiros apontados no preceptivo. Questões muito fluentes nos Tribunais envolvendo o preceptivo em foco dizem respeito à dissolução irregular de sociedades e ao não recolhimento de tributos. No primeiro caso, a jurisprudência praticamente já se firmou, com acerto, pela responsabilidade solidária dos sóciosgerentes. No segundo, vem igualmente predominando a tese da imputabilidade dos administradores.” A opinião de Hugo de Brito Machado também não destoa daquela acima transcrita (Curso de Direito Tributário, 12ª ed., Malheiros, pág. 115): “.... A lei diz que são pessoalmente responsáveis, mas não diz que sejam os únicos. A exclusão da responsabilidade, a nosso ver, teria de ser expressa. Com efeito, a responsabilidade do contribuinte decorre de sua condição de sujeito passivo direto da relação obrigacional tributária. Independe de disposição legal que expressamente a estabeleça. Assim, em se tratando de responsabilidade inerente à própria condição de contribuinte, não é razoável admitirse que desapareça sem que a lei o diga expressamente. Isto, aliás, é o que se depreende do disposto no art. 128 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação”. Pela mesma razão que se exige dispositivo legal expresso para a atribuição da responsabilidade a terceiro, também se há de exigir dispositivo legal expresso para excluir a responsabilidade do contribuinte.” Observese, ainda, que não há limitações quanto às provas que podem ser produzidas no processo administrativo, devendose admitir, em princípio, qualquer classe de prova das que se aceitam na legislação processual vigente. Nada obsta o uso de indícios e presunções no curso do processo administrativo, cabendo, para aferir a sua validade como elemento de prova, a análise em cada caso. Para elucidar a questão é oportuno transcrever texto da lavra de Antônio da Silva Cabral, em Processo Administrativo Fiscal, Ed. Saraiva, 1993, pág. 305: '2. As provas admissíveis. Vale para o processo fiscal a mesma regra do art. 332 do CPC: "Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funde a ação ou a defesa". Se os fatos são múltiplos e se a própria lei não Fl. 16987DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.988 34 consegue abranger a multiplicidade das hipóteses fáticas, a prova destes também há de ser feita por qualquer meio, desde que não ofenda a lei ou a moral.' Mais à frente continua o ilustre autor (pág. 311): '8. Valor da prova indireta. Em direito fiscal conta muito a chamada prova indireta. Conforme consta do Ac. CSRF / 01 0.004, de 26101979, "A prova indireta é feita a partir de indícios que se transformam em presunções. Constitui o resultado de um processo lógico, em cuja base está um fato conhecido (indício), prova que provoca atividade mental, em persecução do fato conhecido, o qual será causa ou efeito daquele. O resultado desse raciocínio, quando positivo, constitui a presunção". O fisco se utiliza da prova indireta, mediante indícios e presunções, sobretudo para descobrir omissões de rendimentos ou de receitas.' Passase agora à apreciação dos fatos que indicam a prática de interposição de pessoas. Conforme consta do Anexo D destes autos, o sócio de direito RONALDO RODRIGUES PEREIRA formalizou representação ao Ministério Público Federal e apresentou requerimento para instauração de inquérito policial à Polícia Federal (fls. 07 a 20 do Anexo D), nos quais arrola diversas pessoas, dentre elas UBILAR IVAN MACHADO DE OLIVEIRA, como sócios de fato da empresa autuada. Aos referidos órgãos, o peticionário informou que aceitou o pedido do Sr. DIOGO TERUEL LOPES SOBRINHO para integrar o quadro societário da empresa autuada por dever de gratidão, uma vez que sua família fora amparada em momento de grande dificuldade financeira, e diante da análise contábil que procedera nos elementos a ele disponibilizados, que entendeu correta. Acrescentou que a permanência dele no quadro social da Bragabel seria por um curto período, quando novamente os sócios iriam reassumir a empresa. Nesse ínterim, a responsabilidade pelos serviços contábeis caberia a outro contador, Adolpho Benedicto Pizii. Tais alegações encontram respaldo nos seguintes elementos: a) dos depoimentos das pessoas denunciadas por RONALDO ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal, colhidos pela fiscalização, destacamse os seguintes esclarecimentos: DIOGO TERUEL LOPES SOBRINHO (fls. 209 a 211 do Anexo D) alega que atuava na Bragabel, na intermediação de vendas; que intermediava vendas da Spal e da Kaiser para as adegas; que RONALDO foi seu contador durante vários anos e que com JOSÉ MÁRCIO não teve relacionamento próximo; que UBILAR e CARLOS LOPES COUTINHO eram os contatos entre o declarante e as fábricas Spal e Kaiser; CARLOS LOPES COUTINHO (fls. 216 a 218 do Anexo D) afirma que era consultor da Panamco (Spal), distribuidora oficial da Kaiser; que UBILAR era sócio da Bragabel no período em que manteve contato comercial com a referida empresa; que não conhece RONALDO e conhece JOSÉ MÁRCIO apenas de vista; UBILAR IVAN MACHADO DE OLIVEIRA (fls. 253 a 256) declara que as empresas Bragabel e Água de Bebê, da qual é sócio, funcionaram no mesmo Fl. 16988DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.989 35 endereço e que as máquinas e equipamentos recebidos da primeira fizeram parte do capital inicial da segunda; LUCIANO GERALDO PORTO (fls. 264 a 267 do Anexo D) alega que UBILAR era a pessoa que detinha conhecimento e autorizava as operações de compra de mercadorias na Spal e na Kaiser; que durante o período em que integrou a sociedade, RONALDO e JOSÉ MÁRCIO eram empregados exclusivos da parte fabril/operacional e não tinham contato com a Spal e a Kaiser; que UBILAR era o proprietário da empresa Água de Bebê, que ficou com o parque industrial da Bragabel e ambas as empresas funcionaram no mesmo endereço. b) na tentativa de descaracterizar eventual responsabilidade da empresa Água de Bebê, nos termos dos artigos 132 e 133 do CTN, foi firmado o Termo de Responsabilidade de fls. 512 a 514, entre essa empresa e a Bragabel, obviamente não oponível ao Fisco (artigo 123 do CTN), no qual consta que a totalidade do ativo da Bragabel foi vertido à Água de Bebê, cujo representante legal é o Sr. UBILAR. Todavia, não há que se cogitar de erro na identificação do contribuinte, uma vez que a empresa Bragabel permanece ativa perante o Fisco Federal e dada a existência de operações comerciais entre as fornecedoras Spal e Kaiser e a Bragabel até o segundo trimestre de 2003, conforme Anexos A e B. c) a Bragabel foi cancelada perante o Fisco Estadual em 22/10/2002, com data retroativa a 31/08/2002, sendo que o sócio RONALDO não reconhece como sua a assinatura nos documentos de cancelamento (fls. 24 (ref. doc. 18) e 74 a 83 do Anexo D). d) RONALDO afirma que continua tendo uma vida modesta, enquanto os denunciados tiveram um crescimento astronômico em seus patrimônios, conforme procura demonstrar ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal. e) em declaração prestada à Fiscalização (fls. 318, 319 e 323 a 325), RONALDO e JOSÉ MÁRCIO declaram que nada receberam como sócios quotistas, mas apenas por serviços prestados, o primeiro como contador. RONALDO esclarece, ainda, que as contas correntes eram movimentadas por LUIZ ALBERTO MACHADO DE OLIVEIRA (irmão de UBILAR) e DIEGO TERUEL LOPES (filho de DIOGO), conforme procurações de fls. 42 a 45 do Anexo D. Assim, cai por terra toda a argumentação da defesa de UBILAR IVAN MACHADO DE OLIVEIRA, no sentido de afastar a conclusão de ocorrência de interposição de pessoas. Em verdade, as interpostas pessoas, no caso concreto, integraram, sim, o negócio jurídico, mas de forma defeituosa, já que, efetivamente, não há qualquer indício de que obtiveram proveito econômico com sua participação na sociedade, pois apenas foram remunerados por serviços prestados. Diversamente do que alega o impugnante, há nos autos elementos suficientes para a formação da convicção de que este, apesar de formalmente terse desligado do quadro societário, permaneceu como sócio de fato da empresa autuada, manifestandose, de forma inequívoca, o seu interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos exigidos. Desse modo, correto está o procedimento adotado pela Fiscalização ao eleger UBILAR IVAN MACHADO DE OLIVEIRA como sujeito passivo solidário. Assim, também quanto a esse tópico, nego provimento ao recurso voluntário apresentado. Fl. 16989DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.990 36 3) Quanto à responsabilidade em relação às multas de 112,5%. Alega inexistência de responsabilidade objetiva em relação à atribuição dessa penalidade à sua pessoa. Aduz que a obrigação de apresentação dos documentos requeridos pela Receita Federal seria atribuição exclusiva do responsável pela contabilidade da empresa, o sócio Ronaldo Rodrigues Pereira. Com a devida vênia, entendo de forma diversa. A solidariedade discutida acima inclui, além dos tributos, a responsabilização pela multa agravada, aplicada à autuada em razão da caracterização de embaraço à fiscalização, que ocorre independentemente de intimação pessoal do sócio, por se tratar de responsabilidade objetiva, nos termos do artigo 136 do CTN. Nessa esteira, basta a falta de atendimento das solicitações do Fisco, sem justificativa, como de fato ocorreu, para que seja cabível o agravamento da multa. Do recurso voluntário apresentado pelo Sr. Luciano Geraldo Porto 1) Quanto à sujeição passiva. Aduz que, após a apresentação de sua impugnação, foi proferido acórdão pela 3ª Turma da DRJ/SP01 que, muito embora não tenha demonstrado qualquer participação sua nas infrações fiscais apontadas e não afirme que exercia de fato a gestão da empresa, concluiu pela manutenção do recorrente no pólo passivo da autuação, apenas e tãosomente em razão da previsão abstrata de administração constante no contrato social, mesmo e apesar de os próprios denunciantes (Ronaldo e José Márcio) haverem apontado, quando ouvidos pela autoridade fiscal, quem eram os sócios de fato da empresa autuada e quem cuidava dos pagamentos (o que não incluía o recorrente), conforme fls. 389 dos autos principais e fls. 01 e 04 do Anexo D. Sustenta que a inclusão do seu nome na denúncia levada a efeito por Ronaldo devese exclusivamente ao fato de haver ostentado, durante curto período de tempo, a condição formal de sócio da empresa BRAGABEL, e não por haver efetivamente praticado qualquer ato na condição de dono da empresa ou realizado qualquer negociação de bebidas com fornecedores. Com a devida vênia, entendo descabidos os argumentos do recorrente quanto a esse ponto, mormente quanto às razões de decidir constantes do voto condutor da decisão recorrida. Ao contrario do que propugna o recorrente, os fundamentos daquela decisão, quanto a essa matéria, vão além da alegada previsão abstrata de administração da empresa e a recorrente, constante no contrato social . Vejase o excerto da decisão recorrida, na parte de interesse. Não obstante haja indícios suficientes de que o sócio UBILAR exercia a gestão da empresa, o entendimento de que o impugnante era também responsável pela área comercial se deve ao que consta da Cláusula Sétima da terceira alteração contratual (fl. 211), a seguir transcrita: “CLÁUSULA SÉTIMA: A gerência e a administração da sociedade será exercida pelo sócio LUCIANO GERALDO PORTO, que se incumbirá de todas as suas operações comerciais e administrativas, ao qual caberá representar a sociedade em juízo ou fora dela, cabendolhe exclusivamente o direito de fazer Fl. 16990DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.991 37 uso da denominação social, assinando isoladamente em todos os negócios da sociedade”. Tal circunstância fragiliza a argumentação do impugnante de que era responsável apenas pela administração da parte fabril, restando despicienda a realização de diligência com vistas a confirmar depoimentos de terceiros acostados aos autos pela defesa. Outrossim, apesar de declarar (fls. 264 a 267 do Anexo D) que UBILAR sempre foi o real titular da Bragabel, o impugnante anuiu na transferência da empresa para interpostas pessoas (fls. 215 a 220). A questão da responsabilização dos sócios de fato nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN, inclusive pela multa majorada, já foi objeto de análise neste voto, aplicandose igualmente a ambos os indicados como sujeitos passivos solidários. (grifei). Ora, o argumento de existência de previsão de poderes de gerência e administração da empresa, constante no contrato social, foi apenas um dos utilizados na decisão recorrida, e nem foi o principal! Além desse, há que se destacar a participação da recorrente ao anuir na transferência da empresa para interpostas pessoas (fls. 215 a 220) . Ademais, o mais importante: é que a questão da responsabilização dos sócios de fato nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN, já havia sido objeto de análise naquele voto, por ocasião da análise da responsabilidade solidária do Sr. Ubilar, aplicandose igualmente a ambos os indicados como sujeitos passivos solidários. Assim, cai opor terra o argumento do recorrente quanto à fundamentação da decisão recorrida. Destarte, pelos argumentos acima e aqueles já analisados neste voto quanto à sujeição passiva do Sr. Ubilar, argumentos igualmente válidos para o caso ora discutido, há que se negar provimento ao recurso quanto a esse ponto. 2) Quanto à preliminar de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa. Alega que requereu, de maneira fundamentada, a realização de diligências, para a oitiva de diversas pessoas, tudo a fim de "Provar que o impugnante não cuidava da parte comercial na empresa BRAGABEL, não fazia pagamentos a fornecedores de bebidas e não tinha qualquer controle sobre as finanças da empresa, sendo funcionário subordinado e restrito a atribuições meramente administrativas (despesas administrativas, manutenção, folha de pagamento, pessoal etc.)." Considera que, em um caso como o que se ora analisa, seria essencial a diligência, haja vista a circunstância de o recorrente não ser sócio de fato e de não cuidar da área comercial da empresa, o que afastaria implicações gravíssimas (responsabilidades tributária e criminal pelas omissões de receitas descritas no auto de infração). Fl. 16991DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.992 38 Assim, entende que, nos termos do art. 28, do Decreto 70.235/72, o julgador de primeira instância deveria ter se manifestado expressamente sobre o pedido de diligência ou perícia. Dessa forma, o acórdão recorrido, ao não apreciar o pedido de diligência do recorrente, macularia de nulidade insanável aquela decisão, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72. Também nesse caso entendo não caber razão ao recorrente. A decisão recorrida explicitamente rechaçou a diligência pleiteada, não havendo que se falar em nulidade daquele decisum por falta de apreciação. Vejase o excerto daquela decisão. Não obstante haja indícios suficientes de que o sócio UBILAR exercia a gestão da empresa, o entendimento de que o impugnante era também responsável pela área comercial se deve ao que consta da Cláusula Sétima da terceira alteração contratual (fl. 211), a seguir transcrita: “CLÁUSULA SÉTIMA: A gerência e a administração da sociedade será exercida pelo sócio LUCIANO GERALDO PORTO, que se incumbirá de todas as suas operações comerciais e administrativas, ao qual caberá representar a sociedade em juízo ou fora dela, cabendolhe exclusivamente o direito de fazer uso da denominação social, assinando isoladamente em todos os negócios da sociedade”. Tal circunstância fragiliza a argumentação do impugnante de que era responsável apenas pela administração da parte fabril, restando despicienda a realização de diligência com vistas a confirmar depoimentos de terceiros acostados aos autos pela defesa. Considera, ainda, vício que acarretaria a nulidade do acórdão recorrido o fato de ter requerido e não constar resposta naquela decisão quanto ao argumento de que não poderia ser responsabilizado por períodos que não guardam qualquer correspondência com o período de permanência dele na sociedade (18/06/2001 a 16/04/2002). Com efeito, também descabido o argumento apresentado. Como já analisado acima, a questão da responsabilização dos sócios de fato nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN, já havia sido objeto de análise naquele voto, por ocasião da análise da responsabilidade solidária do Sr. Ubilar, aplicandose igualmente a ambos os indicados como sujeitos passivos solidários. Nesse sentido, vejase o excerto do acórdão recorrido. Diversamente do que alega o impugnante, há nos autos elementos suficientes para a formação da convicção de que este, apesar de formalmente terse desligado do quadro societário, permaneceu como sócio de fato da empresa autuada, manifestandose, de forma inequívoca, o seu interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos exigidos. Afasto, pois, a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. 3) Multa por embaraço à fiscalização: Fl. 16992DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002667/200679 Acórdão n.º 1402002.079 S1C4T2 Fl. 16.993 39 Também argumenta nulidade da decisão recorrida por não ter apreciado a alegação de que ele não poderia ser responsabilizado por multas relativas a embaraços de que ele não deu azo ou em relação aos quais não teve qualquer conhecimento. No mais, mesmo que não se reconheça a nulidade, requer sejam apreciadas as razões do recorrente quanto à impossibilidade de aplicação de multa por embaraço àquele que não o causou. Com a devida vênia, entendo de forma diversa. Como já visto quando da análise do recurso do Sr. Ubilar, análise esta válida para ambos os recorrentes, a solidariedade discutida acima inclui, além dos tributos, a responsabilização pela multa agravada, aplicada à autuada em razão da caracterização de embaraço à fiscalização, que ocorre independentemente de intimação pessoal do sócio, por se tratar de responsabilidade objetiva, nos termos do artigo 136 do CTN. Nessa esteira, basta a falta de atendimento das solicitações do Fisco, sem justificativa, como de fato ocorreu, para que seja cabível o agravamento da multa. Conclusão Por todo o exposto, voto: I) quanto à responsabilidade solidária: i) não conhecer do recurso voluntário apresentado pelo Sr. Ronaldo Rodrigues Pereira; ii) negar provimento aos recursos voluntários apresentados pelos coobrigados, Sr. Ubilar Ivan Machado e Sr. Luciano Geraldo Porto; e II) quanto ao lançamento: afastar as preliminares de decadência e de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 16993DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10480.724337/2010-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 03/01/2006 a 23/10/2006
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA NA FASE DE PROCEDIMENTAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O processo administrativo fiscal desenvolve-se em duas fases: (i) fase inquisitória ou persecução fiscal, onde a autoridade tributária investiga e colhe elementos para formalizar o crédito tributário e (ii) a fase litigiosa, iniciada com impugnação do sujeito passivo. Somente com a fase litigiosa instaurase plenamente o contraditório, abrindose ao sujeito passivo a oportunidade para exercer plenamento o direito de defesa, com todos os meios de prova cabíveis.
REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO E APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI APÓS O ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE.
No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o ato de desembaraço aduaneiro da mercadoria encerra a fase de conferência aduaneira com a liberação da mercadoria importada, dando início a fase de revisão aduaneira, em que a autoridade fiscal, por dever ofício, deve proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário e na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na Declaração de Importação (DI).
PROVA EMPRESTADA. LAUDO PERICIAL PRODUZIDO EM OUTRO PROCESSO. VALIDADE COMO MEIO DE PROVA. POSSIBILIDADE.
Os laudos e pareceres técnicos sobre produto importado idêntico, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, são meios de prova válidos e eficazes, quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 03/01/2006 a 23/10/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FARINHA DE TRIGO FORTIFICADA. ENQUADRAMENTO NA NCM. O produto farinha de trigo fortificada com ácido fólico e ferro, contendo menos de 0,5% de cloreto de sódio (sal), classificase no código NCM 1101.00.10, conforme a Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) nº 1 e Regra Geral Complementar (RGC) nº 1. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 03/01/2006 a 23/10/2006 CERTIFICADO DE ORIGEM. PRODUTO COM CLASSIFICAÇÃO DIFERENTE. DESQUALIFICAÇÃO DO CERTIFICAÇÃO. AFASTAMENTO DO REGIME DE PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. POSSIBILIDADE. Constatada diferença entre a classificação fical consignada no certificado de origem e a resultante da verificação aduaneira das mercadorias, a autoridade tributária pode desqualificar o referido certificado de origem e afastar a preferência tarifária própria do regime do Mercosul. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 03/01/2006 a 23/10/2006 ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DECLARAÇÃO INEXATA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A descrição inexata do produto na Declaração de Importação (DI), que acarreta incorreta classificação fiscal do produto na NCM, subsomese perfeitamente à hipótese da infração por declaração inexata descrita no inciso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 43 37 /2 01 0- 94 Fl. 2369DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A 2 I do art. 44 da Lei 9.430/1996, independentemente da existência de dolo ou máfé do importador, por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO SUJEITO A LICENCIAMENTO NÃO AUTOMÁTICO. AUSÊNCIA DA LI. APLICABILIDADE. Ainda que não haja dolo ou máfé por parte do importador, a falta de Licença Importação (LI) para produto sujeito a licenciamento nãoautomático, incorretamente classificado na Declaração de Importação (DI), configura a infração administrativa ao controle das importações por falta de LI, sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria, se ficar comprovado que a descrição do produto foi insuficientemente para sua perfeita identificação e enquadramento no código correto da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. MULTA REGULAMENTAR. APLICABILIDADE. O incorreto enquadramento tarifário do produto na NCM constitui infração regulamentar por erro de classificação fiscal, descrita no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, sancionada com a multa aduaneira ou regulamentar de 1% (um por cento) do valor da mercadoria. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 03/01/2006 a 23/10/2006 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA NA FASE DE PROCEDIMENTAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O processo administrativo fiscal desenvolvese em duas fases: (i) fase inquisitória ou persecução fiscal, onde a autoridade tributária investiga e colhe elementos para formalizar o crédito tributário e (ii) a fase litigiosa, iniciada com impugnação do sujeito passivo. Somente com a fase litigiosa instaurase plenamente o contraditório, abrindose ao sujeito passivo a oportunidade para exercer plenamento o direito de defesa, com todos os meios de prova cabíveis. REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO E APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI APÓS O ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o ato de desembaraço aduaneiro da mercadoria encerra a fase de conferência aduaneira com a liberação da mercadoria importada, dando início a fase de revisão aduaneira, em que a autoridade fiscal, por dever ofício, deve proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário e na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na Declaração de Importação (DI). Fl. 2370DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.724337/201094 Acórdão n.º 3302003.077 S3C3T2 Fl. 2.370 3 PROVA EMPRESTADA. LAUDO PERICIAL PRODUZIDO EM OUTRO PROCESSO. VALIDADE COMO MEIO DE PROVA. POSSIBILIDADE. Os laudos e pareceres técnicos sobre produto importado idêntico, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, são meios de prova válidos e eficazes, quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 3/285), em que formalizada a exigência de crédito tributário no valor de R$ 6.946.146,70, composto de Imposto sobre a Importação (II), acrescido de juros moratórios e multa de ofício, multa regulamentar por erro de classificação fiscal e multa do controle administrativo, por falta de Licença de Importação (LI). Em decorrência do lançamento do II, foi formalizado a exigência da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação, acrescidas de juros moratórios e multa de ofício, no valor total de R$ 46.938,00. O valor total geral do crédito tributário lançado importou em R$ 7.001.050,99. De acordo com o Relatório de Fiscalização de fls. 2023/2041, no período de 3/1/2006 a 23/10/2006, a autuada realizou importações de 24.650,50 toneladas de “Mistura para elaboração de massas (macarrão ou massas alimentícias frescas), marcas Letizia e Favorita”, que foram classificadas no código NCM 1901.90.90 e desembaraçadas sem o recolhimento do Imposto de Importação (II), ao amparo da margem de preferência tarifária de 100% (cem por cento), aplicada às mercadorias originárias do Mercosul, prevista no Acordo de Complementação Econômica (ACE) 18/1991, e consignadas em Certificados de Origem do Mercosul, expedidos nos termos do Instrução Normativa SRF 149/2002, em que constavam a mesma descrição da mercadoria apresentada nas respectivas DI. Fl. 2371DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A 4 Submetida a procedimento de revisão aduaneira, a fiscalização apurou que o produto importado era “Farinha de trigo fortificada, contendo menos de 0,5% de cloreto de sódio (sal de cozinha)” e classificado no código 1101.00.10 da NCM. Em decorrência, os respectivos Certificados de Origem foram desqualificados, porque expedidos para mercadoria diferente da importada, e a preferência desconsiderada e o produto importado foi submetido a tratamento tributário estabelecido para mercadorias originárias de terceiro país, sujeito à alíquota do II de 12%, de acordo com a Resolução CAMEX 21/2003. Ainda em face dessa irregularidade, a mercadoria foi considerada importada ao desamparo de Licenciamento de Importação (LI) e sancionada com a multa de 30% (trinta por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, prevista no art. 169, I, alínea “b”, do Decretolei 37/1966, com a redação da Lei 6.562/1978, e art. 6º, caput e § 1º do Decreto 660/1992. E por ter sido classificada incorretamente na NCM, foi aplicada a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro, de acordo com o art. 84, caput e inciso I, da MP 2.15835/2001, observados os limites mínimos e máximos definidos no § 1º do art. 84 da citada MP e no caput do art. 59 da Lei 10.833/2003. Por conta da majoração da alíquota do II, de forma reflexa, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação foi majorada, o que resultou no lançamento dos valores das diferenças das referidas contribuições. Em sede de impugnação (fls. 2045/2094), autuada apresentou as razões de defesa, que foram assim resumidas no relatório que integra a decisão de primeiro grau: Nas preliminares: 1 Nulidade do auto de infração, em razão de: Violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório, em razão de não lhe ter sido concedido prazo para manifestação acerca dos laudos técnicos que deram respaldo às conclusões da autoridade, previamente às autuações. Alega que tal conduta teria impedido o seu acesso às amostras colhidas e lacradas pelo Fisco para fins de produção de contraprova (não apresenta qualquer documento que ateste a formulação de petição e seu indeferimento). Cita jurisprudência em que assenta suas conclusões a respeito da violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório; Violação ao princípio da verdade material, em razão de que a autoridade fiscal limitase a imputar valores com base em presunção, sem observar laudo anteriormente obtido, elaborado por engenheiro credenciado pela RFB, atestando tratarse, a amostra do produto importado através da DI 06/09603803, objeto dos presentes AI, de mistura para fabricação de massas. Transcreveu afirmações contidas nesse laudo, tais como: 1) o produto era uma mistura; 2) a mistura era mais recomendada para a fabricação de macarrão e massas; e 3) apesar de ser uma mistura, o produto, em essência, era constituído por farinha de trigo aditivada de outros componentes, destinado principalmente à fabricação de macarrão e massas. 2 Necessidade de nova perícia Na hipótese de não serem adotadas as conclusões do laudo técnico que entende contradizer aqueles apresentados pela autoridade fiscal, pleiteia a realização de uma nova perícia, de acordo com o Decreto nº 70.235/72. Apresenta as razões da Fl. 2372DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.724337/201094 Acórdão n.º 3302003.077 S3C3T2 Fl. 2.371 5 perícia e indica quesitos e assistente técnico (às fls.2.093 e 2.094). 3 Revisão Aduaneira Alega que as operações de importação do produto sob análise foram realizadas pela empresa de forma reiterada e aceita pela autoridade administrativa alfandegária, já que foram desembaraçadas inúmeras DI, contendo as mercadorias objeto da autuação, sem qualquer ressalva, o que implica na homologação expressa do ato administrativo, não podendo a Administração pura e simplesmente rever os seus atos sob o fundamento de que outro deveria ter sido o procedimento fiscal relativo à classificação das mercadorias importadas. Acrescenta, ainda, que boa parte das mercadorias importadas foram selecionadas para inspeção física e documental (canal vermelho) e, mesmo assim, não houve qualquer problema, tendo sido liberadas, sem qualquer exigência. Incabível, portanto, a cobrança de multas e juros de mora. No mérito: 4 O produto importado O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) editou a Instrução Normativa (IN) nº 08, de 02.06.2005, que dispõe sobre a definição de misturas alimentícias à base de farinha de trigo para alimentação humana, a saber: “2.4 Preparados à base de farinha de trigo para a alimentação humana: produto que pode conter ingredientes, aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia, apropriados para a produção de pães, bolos, tortas, massas, empadas, quitutes, pizzas ou outros produtos típicos de confeitaria, que, com adição de água ou fermento ou ovos ou gordura ou outros ingredientes, e preparado segundo as instruções presentes na embalagem, deve produzir o produto típico designado na rotulagem, sem a necessidade de adição de outros aditivos alimentates.” A mistura é considerada a “farinha de trigo”, com a inclusão de “ingredientes”, “aditivos alimentares” e “coadjuvantes de tecnologia”, que são definidos na mesma IN, a saber: “2.5. Ingrediente: toda substância, incluídos os aditivos alimentares, que se emprega na fabricação ou preparo de alimentos, e que está presente no produto final em sua forma original ou modificada. 2.6. Aditivos alimentares: substâncias autorizadas pelo Ministério da Saúde que são adicionadas à Farinha de trigo e que têm por objetivo ajustar e padronizar a qualidade funcional da farinha para determinado fim ou, ainda, para melhorar as características do produto final.” Fl. 2373DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A 6 “2.7. Coadjuvante de tecnologia: toda substância, excluindo os equipamentos e os utensílios, utilizados na elaboração ou conservação de um produto, que não se consome por si só como ingrediente alimentar e que se emprega intencionalmente na elaboração de matériasprimas, alimentos ou seus ingredientes, para obter uma finalidade tecnológica, durante o tratamento ou elaboração, devendo ser eliminada do alimento ou inativada, podendo admitirse no produto final a presença de traços da substância ou seus derivados.” (Grifos acrescentados) Afirma que o cloreto de sódio é um ingrediente que, adicionado à farinha de trigo, a transforma em uma mistura, tal como previsto nas normas mencionadas do MAPA. Acrescenta, ainda, que a IN do MAPA nº 08/2005 também destaca que, nos preparados à base de farinha de trigo para a alimentação humana, deverão constar rótulos com a lista de ingredientes, modo de preparo do produto final e seu uso proposto, nos seguintes termos: “7.1.2.1.2 Para os Preparados à base de farinha de trigo para a alimentação humana conceituados por este Regulamento Técnico, deverão constar de rótulo adequado a lista de ingredientes, modo de preparo do produto final e seu uso proposto, com a denominação “Mistura para + uso a que se propõe e produto final.” Os produtos importados apresentavam rótulos, com a indicação de que se tratavam de: “mistura para elaboração de massas alimentícias”, o que não foi levado em consideração pela autuação. A IN do MAPA citada é a principal norma que deveria ser levada em consideração para a autuação da empresa. Cita as NESH a respeito das Posições 1101 e 1901, afirmando que farinhas adicionadas de outros produtos para serem utilizadas como preparações alimentícias, in casu, o cloreto de sódio, devem ser enquadradas na Posição 1901, como fez o importador. De acordo com o laudo de identificação apresentado, de responsabilidade de Engenheiro da UFPE credenciado junto à RFB, as mercadorias importadas caracterizamse como misturas e não farinha de trigo pura, como tentam fazer crer os laudos utilizados pela autuação. Tratandose os produtos importados de misturas, exatamente como consta nos respectivos Certificados de Origem, caem por terra, não apenas o valor do imposto cobrado, mas também o das multas, além dos juros de mora, devendo ser decretada a improcedência dos AI ora combatidos. Não pode ser aplicado conceito inexistente à época das importações analisadas, como pretende a autoridade lançadora ao destacar que só se poderia considerar “mistura” as “farinhas de trigo” com percentual de 0,5% de sal, em peso. Fl. 2374DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.724337/201094 Acórdão n.º 3302003.077 S3C3T2 Fl. 2.372 7 Esse novo conceito somente foi inserido no mundo jurídico no ano de 2008, decorrente da reunião do Comitê Técnico nº 1, da Comissão de Comércio do Mercosul, que editou os Ditames de Classificação nºs 01 e 02, incorporados ao ordenamento jurídico brasileiro por meio do ADE RFB nº 01, de 2008. Além do mais, o cloreto de sódio é inegavelmente um ingrediente e, portanto, não se pode dar razão ao argumento de que apenas nos casos em que houver uma concentração desse substância acima do percentual de 0,5% é que o produto poderá ser classificado como mistura. Se o sal é um ingrediente, a sua presença na farinha de trigo altera a sua classificação para mistura, tal qual previsto na IN do MAPA nº 08/2005. 5 Princípios da razoabilidade e proporcionalidade, da segurança jurídica, moralidade administrativa e da boa fé do contribuinte O que ocorreu foi tão somente uma operação de cunho comercial, que não pode ser caracterizada como fraude, o que infringe o princípio constitucional do livre comércio. A ausência de prejuízo ao fisco e a boa fé da impugnante devem anular a exigência, evitando a punição desmedida do contribuinte. É incontestável a ilegalidade da exigência imposta à impugnante, porque afronta os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade que regem a conduta da Administração Pública para com os seus administrados. A interpretação dada pela administração para impor uma nova classificação fiscal exige a aplicação dos princípios da razoabilidade e da moralidade administrativa, nos termos do artigo 37, da Carta Magna, e no artigo 2º da Lei nº 9.784, de 1999. 6 A acumulação de multas Tratase de tripla imposição de multas, em razão de única e adequada conduta. Cita diversas ementas de Acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. 7 O pedido Por todo o exposto, requer que os lançamentos sejam julgados nulos ou totalmente improcedentes. Protesta, ainda, pela posterior produção de provas pelos meios de direito permitidos, tais como juntada de novos documentos e apresentação de novos quesitos para a perícia requestada. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 2186/2218), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e mantido o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: Fl. 2375DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A 8 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 03/01/2006 a 23/10/2006 Mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC) são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum (NCM/TEC), aprovada pelo Decreto nº 2.376, de 1997, e objeto da atualização vigente a partir de 2002. O produto importado, “Farinha de trigo fortificada com ácido fólico e ferro, contendo menos de 0,5% de cloreto de sódio (sal)”, classificase no código NCM 1101.00.10, conforme a Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) nº 1 e Regra Geral Complementar (RGC) nº 1. Regime de Origem do Mercosul. Consequências. Constatada diferença entre a classificação consignada nos Certificados de Origem e a resultante da verificação aduaneira das mercadorias, resta afastada a preferência tarifária própria do regime do Mercosul. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Período de apuração: 03/01/2006 a 23/10/2006 Falta do recolhimento do II. Multa de ofício de 75%. Cabe o lançamento do imposto, nos termos dos Decretos nºs 4.543, de 2002, acrescido dos juros de mora e da multa de 75%, nos termos da Lei nº 9.430, de 1996, por força do agravamento da alíquota do imposto, de 0% para 12%, em decorrência da reclassificação fiscal da mercadoria importada. Classificação incorreta de mercadoria. Multa de 1% sobre valor aduaneiro. A incorreção da classificação da mercadoria, em código da NCM/TEC indicado pelo importador, evidenciouse, cabendo, portanto, a aplicação da multa proporcional ao seu valor aduaneiro (1%), de acordo com o artigo 84, inciso I, da MP nº 2.158, de 2001, c/c artigo 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833, de 2003. Infração ao Controle Administrativo das Importações. Multa de 30% sobre o valor aduaneiro da mercadoria. Mercadoria importada ao desamparo de licenciamento, nos termos do artigo 169, inciso I, alínea “b” e § 2º, inciso I, do Decreto lei nº 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003, sujeitase à multa administrativa ao controle das importações, quando incorretamente descrita e/ou com a falta de elementos necessários à sua identificação e correta classificação tarifária na NCM/TEC, de acordo com o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12, de 1997. Fl. 2376DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.724337/201094 Acórdão n.º 3302003.077 S3C3T2 Fl. 2.373 9 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 03/01/2006 a 23/10/2006 Insuficiência do recolhimento da Cofins. Multa de ofício de 75%. Cabe o recolhimento dessa contribuição, acrescida dos juros de mora e da multa de 75%, nos termos da Lei nº 10.865, de 2004, c/c o Decreto nº 4.543, de 2002, e Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que ficou comprovada a incorreção da classificação da mercadoria no código adotado pelo importador, acarretando a alteração da base de cálculo dessa contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 03/01/2006 a 23/10/2006 Insuficiência do recolhimento do PIS/PASEP. Multa de ofício de 75%. Cabe o lançamento dessa contribuição acrescida dos juros de mora e da multa de 75%, nos termos da Lei nº 10.865, de 2004, c/c Decreto nº 4.543, de 2002, e Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista que ficou comprovado o erro da classificação fiscal da mercadoria no código adotado pelo importador, acarretando a alteração da base de cálculo dessa contribuição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 03/01/2006 a 23/10/2006 Laudos Periciais. Fase inquisitorial. Não obrigatoriedade de ciência A ausência de ciência ao contribuinte, durante a fase inquisitorial da ação fiscal, dos laudos periciais que identificam as mercadorias e consubstanciam os lançamentos, não implica em cerceamento do direito de defesa, posto que tal procedimento somente é necessário após a formalização do lançamento para fins de início da fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Perícia. Indeferimento. Dispensável a produção de laudo técnico sobre os produtos, uma vez que não foi esse o motivo da autuação, e, sim, a sua incorreta classificação fiscal na NCM/TEC, ao amparo das RGI do SH nºs 1 e 6. Além do mais, os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para a formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Pedido indeferido, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação do artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, c/c artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 2377DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A 10 Período de apuração: 03/01/2006 a 23/10/2006 Revisão Aduaneira. Não se considera alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa, no exercício do lançamento, para os efeitos do artigo 146 do Código Tributário Nacional (CTN), o reexame da classificação fiscal utilizada pelo importador, e a decorrente reclassificação dos produtos importados em código da NCM/TEC diverso daquele informado nas declarações. Em 4/1/2013, a autuada foi cientificada da referida decisão (fl. 2239). Inconformada, em 1/2/2013, protocolou o recurso voluntário de fls. 2240/2295, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, em preliminar, a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida por ofensa aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, sob argumento de que órgão julgador a quo não fez qualquer menção a alegação de ausência de prejuízo ao fisco federal e de cômputo dos tributos recolhidos no auto de infração, que fora suscitada na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia envolve questões preliminares e mérito, que serão a seguir analisadas. I Preliminar de Nulidade da Decisão de Primeira Instância A recorrente alegou nulidade da decisão recorrida por ofensa aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, sob argumento de que órgão julgador a quo não fez qualquer menção às alegações de ausência de prejuízo ao fisco federal e de cômputo dos tributos recolhidos no auto de infração, que fora suscitada na peça impugnatória. Sem razão a recorrente. Embora tais alegações, de fato, não tenham sido abordadas no voto condutor do julgado recorrido, certamente, essa ausência não trouxe qualquer prejuízo ao contraditório e ao amplo direito defesa da recorrente, haja vista que tais argumentos não teriam qualquer repercussão no resultado final do julgamento, por se tratar de questões, evidentemente, sem qualquer relevância para o deslinde da controvérsia. A primeira, sabidamente, tratase de aspecto sem importância, para fins de lançamento e cobrança do crédito tributário, por se referir, respectivamente, a ato vinculado e a regime de responsabilidade objetiva. E a segunda, por ser matéria estranha aos autos. Além disso, o voto condutor da decisão recorrida analisou, com profundidade, todos as questões relevantes para o julgamento da demanda e apresentou a motivação e os fundamentos jurídicos em consonância com o resultado julgamento, portanto, sem qualquer ofensa ao contraditório e ao direito de defesa da recorrente, que foram plenamente exercidos por meio das robustas peças defensivas colacionadas aos autos. Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.724337/201094 Acórdão n.º 3302003.077 S3C3T2 Fl. 2.374 11 Em relação ao assunto, o Supremo Tribunal Federal (STF), nos autos do AI RGQO 791.292/PE, julgado sob o regime da repercussão geral, reafirmou a sua jurisprudência no sentido de que o art. 93, IX, da Constituição Federal exigem que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Por essas razões, rejeitase a presente preliminar de nulidade. II Preliminares de Nulidade das Autuações A recorrente alegou nulidade das autuações (i) por impossibilidade de utilização de prova emprestada, (ii) por impossibilidade de alteração da classificação fiscal por erro de direito, após o desembaraço aduaneiro da mercadoria, (iii) por ausência de prejuízo ao Fisco e boafé da recorrente e (iv) por falta de indicação de tributos recolhidos. Da impossibilidade de utilização de prova emprestada. A recorrente alegou nulidade das autuações com base no argumento de que as autuações foram fundamentadas em laudo do elaborado por Laboratório de Análise L. A. Falcão Bauer (Labana), com base em produtos importados pela recorrente em datas dinstintas das que foram objeto das questionadas autuações, que atestavam ser os produtos importados farinha de trigo e não mistura para elaboração de macarrão, conforme descrito nos Certificados de Origem e respectivas DI. Não procede a alegação da recorrente. No âmbito do procedimento de classificação fiscal de mercadoria, tal modalidade de prova é expressamente admitida, desde que atendidos os requisitos do § 3º do art. 30 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal (PAF), a seguir transcrito: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. § 2º A existência no processo de laudos ou pareceres técnicos não impede a autoridade julgadora de solicitar outros a qualquer dos órgãos referidos neste artigo. § 3º Atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) quando tratarem de máquinas, aparelhos, equipamentos, veículos e outros produtos complexos de fabricação em série, do Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A 12 mesmo fabricante, com iguais especificações, marca e modelo. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos não originais) No caso, conforme explicitado no subitem IV.1 do Relatório Fiscal (fls. 2031/2033), a fiscalização utilizou os dados e informações dos citados 11 (onze) laudos técnicos, elaborados Labana, e das respectivas DI colacionadas aos autos (fls. 336/383), cujos produtos analisados foram as mesmas “misturas para elaboração de massas alimentícias frescas”, importadas pelo própria recorrente, todas indicadas como tendo sido fabricadas pela Cargil SACI, da Argentina. Da análise dos citados Laudos e respectivas DI, extraise que as mercadorias neles descritas têm a mesma descrição, marca e fabricante das mercadorias objeto das presentes autuações. Também não existe o alegado vício de ilegalidade suscitado pela recorrente, por afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa, sob o argumento de que não fora cientificada, durante a fase de realização do procedimento fiscal, dos resultados dos citados laudos técnicos que nortearam a autuação. Sabidamente, o PAF desenvolvese em duas fases. A primeira fase, denominada de fase procedimental ou não contenciosa, disciplinada nos arts. 7º a 13 do Decreto 70.235/1972, destinase a persecução fiscal, isto é, a coleta de provas destinadas a comprovar os fatos alegados e por essa característica tem natureza inquisitorial ou investigatória. E a segunda fase, denominada de fase processual ou contenciosa, que tem início com a impugnação do auto de infração pelo autuado e regida pelos art. 14 e seguintes do citado Decreto. Na fase inquisitorial (ou não contenciosa) ainda não é momento propício para o exercício do contraditório e ampla defesa, pois, nesta fase, ainda não há a formalização da exigência do crédito tributário, o que ocorre somente com a conclusão do lançamento, mediante a ciência da autuação por parte do sujeito passivo. Em suma, as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam na segunda etapa do processo administrativo fiscal (em sentido amplo), iniciado com a impugnação do autuado, conforme expressamente determinado no art. 14 do PAF. Por força dessa condição, não tem cabimento a alegação de cerceamento do direito de defesa durante a fase de execução do procedimento de fiscal, por não ser ainda o momento propício para o exercício de tais prerrogativas. No caso em tela, na forma da legislação vigente, a autuada foi oportunizado contraditar os citados laudos técnicos e os demais elementos probatórios que serviram de fundamento para as autuações, com todos os meios de prova ao seu dispor. E se tais prerrogativas foram adequadamente exercidas, conforme se constata nos elementos colacionados aos autos pela recorrente, nas duas oportunidades em que se manifestou nos autos, certamente, não existe a alegada afronta ao contraditório e a ampla defesa. A recorrente alegou ainda afronta ao princípio da verdade real, com base no argumento de que autoridade fiscal utilizouse de mera presunção para proceder as questionadas autuações. Essa alegação também não procede, pois, conforme já mencionado, a prova utilizada pela fiscalização foi baseada em um conjunto probatório robusto, em especial, por meio laudos técnicos que atendem plenamente os requisitos legais, porque produzidos a partir da análise de mercadoria idêntica importada pela recorrente e objeto de outros despachos aduaneiros. Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.724337/201094 Acórdão n.º 3302003.077 S3C3T2 Fl. 2.375 13 Por essas razões, se foi garantido à autuada o exercício do contraditório e o pleno exercício do direito de defesa, rejeitase a presente alegação de nulidade das autuações. Da impossibilidade de alteração da classificação fiscal por erro de direito, após o desembaraço aduaneiro. A recorrente alegou que as operações de importação do produto foram feitas de forma reiterada e a classificação fiscal aceita pela autoridade alfandegária, o que implicava na homologação expressa dos respectivos atos administrativos. Para a recorrente, a fiscalização não poderia mais alterar o enquadramento tarifário do produto, porque a revisão do lançamento, em razão da mudança da classificação fiscal, apenas poderia ser realizada por erro de fato, jamais por erro de direito, pois a situação jurídica já havia se consolidado. Sem razão à recorrente. Sabidamente, o despacho aduaneiro de importação é um procedimento de natureza mista, realizado com o objetivo de liberar (ou desembaraçar) a mercadoria importada e, simultaneamente, a apurar o crédito tributário devido na operação de importação. Em razão dessa especificidade, ele realizase em duas etapas distintas e sequenciais: a fase conferência aduaneira e a fase de revisão aduaneira, conforme estabelece os arts. 50, 51 e 54 do Decreto lei 37/1966, a seguir transcritos: Despacho Aduaneiro […] Art. 50. A verificação da mercadoria, no curso da conferência aduaneira ou em qualquer outra ocasião, será realizada por Auditor Fiscal do Tesouro Nacional, na presença do importador ou de seu representante, e se estenderá sobre toda a mercadoria importada, ou parte dela, conforme critérios fixados em regulamento. Art. 51. Concluída a conferência aduaneira, sem exigência fiscal relativamente a valor aduaneiro, classificação ou outros elementos do despacho, a mercadoria será desembaraçada e posta à disposição do importador. 1º Se, no curso da conferência aduaneira, houver exigência fiscal na forma deste artigo, a mercadoria poderá ser desembaraçada, desde que, na forma do regulamento, sejam adotadas as indispensáveis cautelas fiscais. 2º O regulamento disporá sobre os casos em que a mercadoria poderá ser posta à disposição do importador antecipadamente ao desembaraço. […] Seção II Conclusão do Despacho Art. 54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A 14 no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o artigo 44 deste Decreto Lei. (grifos não originais) Nos termos do art. 504 do Regulamento de Aduaneiro de 2002 – RA/2002 (Decreto 4.543/2002), vigente na época dos fatos, a fase conferência aduaneira, que se inicia com registro da DI e se encerra com o ato de desembaraço aduaneiro (liberação da mercadoria), tratase de ato proferido pela autoridade fiscal com a finalidade identificar o importador, verificar a mercadoria e a correção das informações relativas a sua natureza, classificação fiscal, quantificação e valor, e confirmar o cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação. Nesta fase, induvidosamente, o objetivo principal é a liberação da mercadoria, que, por razões óbvias (indisponibilidade da mercadoria, custo de armazenagem etc.) do interesse do importador, devem liberadas com a maior brevidade possível. Por sua vez, a fase de revisão aduaneira, que se inicia com o ato de desembaraço aduaneiro e se encerra (i) na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado, ou (ii) com o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da DI, tem por finalidade apurar regularidade do pagamento dos tributos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. Nesta fase, o objetivo principal da atividade fiscal é apurar e lançar eventual diferença de crédito tributário devida e não recolhida pelo importador. O procedimento de revisão aduaneira encontrase previsto no art. art. 54 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo Decretolei 2.472/1988, que, de modo expresso, remete ao regulamento o estabelecimento da forma de realização do citado procedimento, nos termos a seguir transcrito: Art. 54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da Declaração de que trata o artigo 44 deste Decreto lei. (grifos não originais) Cabe ainda ressaltar que o disposto no citado preceito legal está em perfeita consonância com o disposto no art. 149, I e V, do CTN, a seguir transcrito: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; [...] V – quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte1; [...] (grifos não originais) Dessa forma, com respaldo no citado art. 54, o procedimento revisão aduaneiro, na época dos fatos, encontravase disciplinado no art. 570 do RA/2002, que 1 O art. 150 do CTN dispõe sobre o lançamento por homologação realizado no âmbito do despacho aduaneiro de importação. Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.724337/201094 Acórdão n.º 3302003.077 S3C3T2 Fl. 2.376 15 estabeleceu os requisitos e prazo de realização do citado procedimento, nos termos que segue transcrito: Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei no 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o, e Decretolei no 1.578, de 1977, art. 8o). § 1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. (grifos não originais). Da leitura do preceito regulamentar em destaque, verificase que há expressa autorização legal, para fim de verificação da regularidade (i) do pagamento dos tributos devidos na operação de importação, (ii) da aplicação de benefício fiscal à mercadoria importada e (iii) da exatidão das informações prestadas pelo importador na DI. Nessas hipóteses, a única restrição legal diz respeito à observância do prazo de 5 (cinco) anos, contado a partir do registro das DI. No caso, em todas as DI que serviram de base para processamento dos despachos aduaneiros objeto das autuações, a recorrente solicitou aplicação da margem de preferência tarifária de 100% (cem por cento), prevista no ACE 18/1991 (Acordo do Mercosul). Dessa forma, conforme explicitado no Relatório Fiscal de fls. 2023/2041, a ação fiscal, que resultou nas autuações em questão, teve por objeto avaliar a regularidade das respectivas operações de importação, notadamente, o direito do produto efetivamente importado, e não o declarado na DI, à redução integral do Imposto sobre a Importação pleiteado. Além disso, no curso do correspondente procedimento fiscal, a fiscalização apurou que o produto importado não fora corretamente descrito nas DI e nos respectivo Certificados de Origem pela autuada. Segundo a fiscalização, as informações coletadas durante o procedimento de fiscalização indicaram que o produto, efetivamente importado, que fora declarado nas respectivas DI como “misturas para elaboração de massas alimentícias (macarrão etc.)” e classificado no código NCM 1901.90.90, na verdade, tratavase de “farinha de trigo fortificada”, classificado no código NCM 1101.00.10. Fl. 2383DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A 16 Assim, ao contrário do alegado pela recorrente, o lançamento encontrase devidamente respaldado no art. 149, I e V, do CTN, combinado com o disposto no art. 54 do Decretolei 37/1966, pois, se trata de cobrança de crédito tributário decorrente de irregularidade apurada em relação a benefício fiscal irregularmente pleiteado, no âmbito dos correspondentes despachos aduaneiros de importação, em razão de informação inexata, ou seja, incorreta descrição do produto importado nas respectivas DI. Ademais, o produto despachado foi descrito de forma sumária e incorreta nas próprias DI, não sendo possível a sua necessária identificação para fins de classificação fiscal na NCM. Por sua vez, o procedimento de classificação fiscal compreende duas etapas. A primeira cingese ao aspecto técnico da classificação fiscal e consiste na precisa identificação física da mercadoria, mediante a correta descrição da mercadoria na DI, com todas as características necessárias e suficientes ao correto enquadramento tarifário do produto na NCM. A segunda etapa diz respeito ao aspecto jurídico da classificação fiscal e consiste no correto enquadramento tarifário do produto na NCM, com base nas 6 (seis) Regras Gerais Interpretativas do Sistema Harmonizado (RGI/SH) e 2 (duas) Regras Complementares da NCM, bem como nas Notas de Seção, de Capítulo, de Subposição e Complementares. Com base nos elementos colacionados aos autos, verificase que as autuações não foram motivadas por erro de direito (aspecto jurídico), conforme alegou a recorrente, mas por erro de fato (aspecto técnico), consistente no equívoco, quanto à identificação física da mercadoria, cujas características informadas na DI não correspondiam ao produto efetivamente importado, conforme apurou a fiscalização no citado Relatório Fiscal. No caso, o erro de classificação fiscal apurado pela fiscalização seria de direito e não de fato, se o produto estivesse corretamente descrito nas DI, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, o que, segundo os elementos probatórios coligidos aos autos, não ocorreu nos despachos aduaneiros de importação objeto das questionadas autuações. Por todas essas razões, resta demonstrada a improcedência da alegada impossibilidade de reclassificação do produto importado pela recorrente e, em consequência, rejeitase a preliminar de nulidade das autuações suscitada pela recorrente. Da ausência de prejuízo ao Fisco e boafé da importadora. A recorrente alegou que, diante da ausência de prejuízo ao Fisco e da boafé da recorrente, as autuações deveriam ser anuladas, evitando punição desmedida do importador, com afronta os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, que regem a conduta da Administração Pública. Não procede a alegação da recorrente. No que tange ao falta de prejuízo ao Fisco, asseverou a recorrente que dever seia levar em consideração, que independente do produto importado ser farinha de trigo ou mistura, não haveria qualquer ganho efetivo aos cofres da recorrente, vez que a tributação era exatamente a mesma, logo não havia qualquer razão jurídica ou mesmo econômica que levasse a recorrente à proceder com eventual prática dolosa. Segundo a recorrente, se houve algum prejuízo, o que admitia apenas por hipótese, este fora causado pelo exportador ao Fisco da Argentina, que eventualmente deixara de recolher o Imposto de Exportação (IE) de 20% (vinte por cento), fixado para o produto, mas nunca do Fisco brasileiro. De fato, a fiscalização informou que as alíquotas do II para os citados produtos eram as mesmas e que, a partir do ano de 2002, quando o Governo Argentino elevou a alíquota do IE para 20% (vinte por cento) da farinha de trigo, muitos fabricantes argentinos Fl. 2384DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.724337/201094 Acórdão n.º 3302003.077 S3C3T2 Fl. 2.377 17 pararam de exportar para o Brasil farinha de trigo, classificada regularmente no código 1101.00.10 da NCM e passaram a vender produtos denominados de “Misturas” ou “Pré Misturas”, produtos esses que estariam incluídos na Posição 19.01, porém, sujeitos ao IE com alíquota menor de 5% (cinco por cento). Portanto, diferentemente do alegado pela recorrente, há interesse econômico sim, ainda que indiretamente, na importação da “mistura de farinha trigo”, haja vista que a alíquota do IE era bem menor do que alíquota da “farinha de trigo”, o que, certamente, implicava menor preço de compra. Ademais, não se pode olvidar que essa condição comercial favorável à recorrente implica concorrência desleal com os demais fabricantes do produto. No que tange à ausência de prejuízo ao Fisco, tratase de aspecto que não interfere no dever de lançamento do crédito tributário, uma vez configurado o descumprimento da preferência tarifária pleiteada, haja vista que a atividade de lançamento é plenamente vinculada, tendo a autoridade fiscal a obrigação de proceder a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilidade funcional. Em relação à alegada boafé, os elementos coligidos aos autos evidenciam que não houve, principalmente, a deficente descrição do produto, cujas informaçoes foram extraídas dos documentos de importação fornecidos pela empresa exportadora. Ademais, trata se de aspecto subjetivo, que, em face da natureza objetiva da responsabilidade tributária, não tem qualquer implicação sobre higidez das autuações. Por todas essas razões, também fica demonstrada a improcedência do argumento de que houve afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Por se tratar de ato vinculado, sabidamente, as autuações em apreço não comporta análise desse jaez. Com base nessas considerações, rejeitase a presente preliminar de nulidade. Da falta de indicação dos tributos recolhidos. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que se tivesse se equivocado quanto a classificação fiscal do produto que importara, o que não ocorrera, ainda assim não poderia ser exigido o imposto da recorrente, porquanto toda a mercadoria adquirida no mercado internacional fora admitida com a classificação fiscal prevista, inclusive no documento fornecido pelo exportador. Além disso, alegou a recorrente a adoção de práticas reiteradas por parte da autoridade alfandegária, por força do disposto no art. 100 do CTN, que excluiria a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora. Tais alegações dizem respeito ao mérito das autuações e serão abordadas a seguir. III Da Realização de Nova Prova Pericial No recurso em apreço, a recorrente reafirmou o seu pedido de realização de prova pericial, sob argmento de que as autuações estavam fundamentadas em laudos técnicos equivocados. Fl. 2385DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A 18 Embora o referido pedido de perícia atenda os requisitos fixados no art. 16, IV, do PAF, não há razão para o seu deferimento, por ser descenessária a realização de nova prova pericial, haja vista que, conforme anteriormente demonstrado, os laudos técnicos emitidos pelo L. A. Falcão Bauer, colacionados aos autos pela fiscalização, atendem todos requisitos previstos no art. 30, § 3º, do Decreto 70.235/1972, conforme anteriormente demonstrado. Logo, se tais Laudos são considerados prova hábil e idônea, consequentemente, as conclusões neles apresentadas constituem prova técnica adequada e suficiente, para fim de identificação do produto importado pela recorrente. Com efeito, as análises e ensaios realizados pelo Labana foram suficientes para obter as informações técnicas necessárias para fins de classificação fiscal do produto no âmbito da NCM, de modo que eventual procedimento complementar com o intuito de proceder a identificação do produto revelase de todo desnecessário, uma vez que não trará qualquer elemento adicional relevante para o deslinde da controvérsia. Além disso, da leitura dos quesitos formulados pela recorrente, não é possível vislumbrar qualquer necessidade da produção da prova pericial requerida, pois já se encontra provado nos autos que o produto não é farinha de trigo pura, mas farinha trigo contendo alguns componentes que não desnatura a sua classificação fiscal no código tarifário da farinha de trigo. Logo, também, por essa motivo, não se vislumbra razão plausível para que seja, agora, efetuada nova perícia, fundada nos citado quesitos formulados pela recorrente. Por todas essas razões, por considerar prescindíveis, com respaldo no art. 18, caput, do PAF, propõese o indeferimento da realização da prova pericial requerida. IV Da Análise das Questões de Mérito Em relação ao mérito, o ponto fulcral da controvérsia cingese à identificação do produto importado pela recorrente no período de 3/1/2006 a 23/10/2006. Antes de analisar a questão controvertida, para melhor compreender os fundamentos fáticos e jurídicos das autuações, é oportuno apresentar um breve contextualização dos fatos que motivaram o litígio em apreço. Da contextualização fática das autuações. Segundo o citado Relatório Fiscal, a segurança jurídica em torno da classificação fiscal da farinha de trigo foi abalada a partir do ano de 2002, quando o governo argentino instituiu o Impostos sobre a Exportação (IE) sobre vários de seus produtos primários e derivados industrializados. Os cereais, incluindo o trigo, foram os principais produtos atingidos com a aplicação da alíquota de 20% (vinte por cento) do citado imposto, que foi extendido também às farinhas de trigo. Em relação as importações brasileiras, logo após a imposião do IE na Argentina, observouse um fenômeno curioso: muitos fabricantes argentinos pararam de exportar para o Brasil farinha de trigo classificada regularmente no código 1101.00.10 da NCM e passaram a vender somente “Misturas” ou “Prémisturas”, produtos que incluídos na Posição 1901, mas que se sujeitavam ao imposto, porém com a alíquota menor de 5% (cinco por cento). Na época, noticiou a imprensa Argentina que muitos produtos exportados para o Brasil como sendo “Misturas” não continham nada mais além da própria farinha e sal. Em resumo, segundo o noticiário daquele País, estava havendo manipulação na produção e denominação da farinha de trigo, de sorte a incluíla em classificação diversa da que lhe era pertinente, com o intuito de evitar o pagamento integral do IE. Para melhor entendimento do caso, segue relacionados os produtos envolvidos e os respectivos códigos NCM: Fl. 2386DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.724337/201094 Acórdão n.º 3302003.077 S3C3T2 Fl. 2.378 19 a) 1101.00.10: Farinha de trigo; b) 1901.20.00: Misturas e pastas para a preparação de produtos de padaria, pastelaria e da indústria de bolachas e biscoitos da posição 1905; c) 1901.90.90: Outras preparações (à base de farinha de trigo). Com base nos dados das importações, extraídas da base de dados oficial existente no País, segundo Tabela de fl. 2025, a fiscalização apurou, no período de 2001 a 2009, oscilações bruscas nas quantidades dos referidos produtos importados para o Brasil, conforme relado a seguir, in verbis: a) As importações brasileiras de farinha de trigo da Argentina, em 2001, totalizaram aproximadamente de 142 mil toneladas. Em 2002, início da tributação das exportações, o volume importado de farinha recuou 42,91%, totalizando 81 mil toneladas. Em 2003, foram importadas pífias 9 mil toneladas, ou seja, queda de 93,7% em relação ao primeiro ano da série; b) Em 2001, por sua vez, foram importadas apenas 10 mil toneladas das chamadas "prémisturas para panificação" (código 1901.20.00). Em 2003, no entanto, o volume importado do mesmo produto atingiu 256 mil toneladas, ou seja, um salto de 2.457%. O nível de importação anual de "prémisturas" continuou na casa das 200 mil toneladas até 2006; c) Por outro lado, as outras "preparações" de trigo do código 1901.90.90, que não chegavam a mil toneladas anuais nos anos de 2001 (141 toneladas) e 2002 (55 tonelas, atingiram o ápice de 110 mil toneladas em 2005. O crescimento das importações relativas a esse item foi de 78.378% (setenta e oito mil, trezentos setenta e oito por cento) no período comentado. Ainda de acordo com a referida Tabela, a partir de 2006, observase uma oscilação em sentido contrária a ocorrida até ano de 2009, ou seja, aumento das importações de farinha de trigo e redução das “Misturas” ou “Prémisturas”, o que é explicado pelos fatos a seguir transcritos, extraídos do citado Relatório Fiscal: 1) servidores da aduana brasileira perceberam que as “preparações” de trigo despachadas não apresentavam diferenças essenciais relativamente à farinha de trigo costumeiramente importada, gerando discussão sobre a sua classificação; 2) os importadores, com base nas informações prestadas pelos exportadores estrangeiros, argumentavam que as preparações continham aditivos ou outros ingredientes que as diferenciavam da farinha de trigo original. A diferença mais significativa apontada seria a adição de sal de cozinha (cloreto de sódio); 3) diante dos crescentes conflitos, o Órgão Central da RFB, a Coana, desencadeou, a partir de agosto de 2006, a operação denominada de “Farinha do mesmo Saco”, que consistia em Fl. 2387DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A 20 um maior rigor para a liberação das prémisturas de trigo, inclusive com a retirada, conforme o caso, de amostras para ensaios no Laboratório de Análises Aduaneiras (Labana) da Alfândega do Porto de Santos; 4) grande parte das amostras analisadas pelo referido laboratório revelou que os produtos importados eram farinhas de trigo fortificadas com ferro e ácido fólico, podendo conter outros aditivos e serem adicionadas de cloreto de sódio. A função do sal não foi especificada, uma vez que tal produto não constava em referências bibliográficas como aditivo próprio para farinha de trigo; 5) com base nessas informações, as autoridades aduaneiras passaram a determinar a reclassificação das mercadorias da Posição 1901 para o a 1101 (código 1101.00.10), desqualificando os Certificados de Origem apresentados e, por conseguinte, cobrando o II aplicável às farinhas de trigo originárias de fora do Mercosul, bem como penalidades pecuniárias; 6) como decorrência do recrudescimento da fiscalização aduaneira no Brasil e de possíveis perdas comerciais e tributárias observadas pelo governo argentino, resultantes das operações “dissimuladas”, em outubro de 2006, foram uniformizadas em 10% as alíquotas do imposto sobre farinha de trigo e suas preparações; 7) a equivalência entre as alíquotas, como conseqüência, neutralizou as vantagens advindas das operações “dissimuladas” e o mercado foi normalizado a partir de 2007. No que tange às importações realizada pela recorrente, as ocilações no volume das importações dos citados produtos também não foram diferentes. Com efeito, de acordo com Tabela de fl. 2205, constatase que nos meses de janeiro a outubro 2006, antes do desemcadeamento da citada operação “Farinha do mesmo Saco”, a recorrente importou apenas produtos classificados no código NCM 1901.90.90 (preparações), entretanto, nos meses seguintes, isto é, de novembro a dezembro, ela importou apenas farinha de trigo do código NCM 1101.00.10. Diante desse contexto fático, passase a análise do ponto central da controvérsia, ou seja, a identificação do produto importado pela recorrente, objeto das presentes autuações. Da indentificação do produto. Nas autuações em questão, com respaldo no art. 30, § 3º, do PAF, a fiscalização baseouse nos Laudos Técnicos elaborados pelo Labana (fls. 336/393), que, conforme ateriormente demonstrado, atendem todos requisitos necessários para fim de indentificação física do produto efetivamente imporado pela recorrente. O mesmo não pode ser dito em relação ao Laudo Técnico de fls. 2121/2125, elaborado por engenheiro credenciado perante a Alfândega do Porto de Suape, em face das graves deficiências que apresenta, tornandoo imprestável, para fim de identificação da mercadoria analisada. Fl. 2388DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.724337/201094 Acórdão n.º 3302003.077 S3C3T2 Fl. 2.379 21 Com efeito, diferentemente do Laudo Técnico do Labana, o Laudo em comento não apresenta a composição físicoquímica do produto analisado, limitando apenas a comparar os espectros da amostra com a do produto de referência. E dita comparação, em que pese revelar semelhanças ou diferenças entre os produdos, não define e nem quantifica os seus constituintes. Além disso, o autor do Laudo limitouse a afirmar, mas sem comprovar, a existência de corante e aglutinante no produto, sem contudo apresentar argumentos que justificassem afirmar que a mercadoria analisada era própria para elaboração de macarrão e, tampouco, para ser considerada uma “preparação”. E entra em evidente contradição quando afirmou, in verbis: “Apesar de ser uma mistura, em essência, o produto é farinha de trigo” . Por tadas essas deficiências, o citado Laudo não atende os requisitos previstos no art. 36, I e III, da Instrução Normativa SRF 157/1998, com a alteração realizada pela Instrução Normativa SRF 152/2002, que segue transcrito: Art. 36. Os laudos técnicos emitidos por instituições e peritos credenciados, destinados a identificar e quantificar mercadoria importada ou a exportar, deverão conter, expressamente, conforme o caso, os seguintes requisitos: (Incluído pelaIN SRF nº152, de 08/04/2002) I – explicitação e fundamentação técnica das verificações, testes, ensaios ou análises laboratoriais empregados na identificação da mercadoria; (Incluído pelaIN SRF nº152, de 08/04/2002) II – exposição dos métodos e cálculos utilizados para fundamentar as conclusões do laudo referente à mensuração de mercadoria a granel; (Incluído pelaIN SRF nº152, de 08/04/2002) III – indicação das fontes, referências bibliográficas e normas internacionais empregadas na elaboração do laudo, e cópia daquelas que tenham relação direta com a mercadoria objeto de verificação, teste, ensaio ou análise laboratorial. (Incluído pelaIN SRF nº152, de 08/04/2002) [...] Art. 37. Os laudos técnicos que se apresentem sem os requisitos previstos no artigo anterior não serão aceitos podendo, entretanto, ser sanadas as falhas ou omissões, no prazo de cinco dias úteis da ciência da intimação da autoridade fiscal, da Divisão de Administração Aduaneira (Diana) ou da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana), conforme o caso. (Incluído pelaIN SRF nº152, de 08/04/2002) Em suma, o Laudo Técnico em comento não apresenta os elementos conclusivos necessários e suficientes, com vistas a determinação do enquadramento tarifário do produto importado pela recorrente. Em razão dessa condição, revelase de todo imprestável, para fim de prova da indentificação do mencionado produto. Da classificação fiscal do produto. Fl. 2389DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A 22 Assim, fica demonstrado que apenas os referidos Laudos do Labana são reputados elementos de prova hábeis e idôneos, para fim de indentificação do produto efetivamente importado pela recorrente. Em decorrência, os seus dados, informações e concluões serão aqui utilizados para fim de definir a classificação fiscal do produto importado pela recorrente, objeto das autuações em questão. De acordo com os referidos Laudos Técnicos, a mercadoria analisada não se tratava de “Mistura e Pastas para a Preparação de Produtos de Padaria, Pastelaria e da Indústria de Bolachas e Biscoitos”, mas sim de "Farinha de Trigo fortificada com Ácido Fólico e Ferro”, contendo percentual de Cloreto de Sódio (Sal) variável entre 0,4% a 0,37%. Outro dado relevante da composição química do produto que levou a desqualificar o produto como “Mistura ou Prémisturas” e a identificálo como “Farinha de Trigo fortificada com Ácido Fólico e Ferro” foi constatação, com base nas amostras do produto analisadas, da ausência de ingredientes chave como açúcar, gordura e fermento e presença apenas de farinha de trigo, ácido fólico e ferro (fortificantes) e de cloreto de sódio (sal) abaixo do percentual de 2%. De acordo com os citados Laudos Técnicos, as “Mistura ou Prémisturas para Panificação são normalmente constituídas de Farinha de Trigo, Sal, Açúcar, Gordura e Fermento. A mercadoria analisada tratase de Farinha de Trigo fortificada contendo menos que 2% de Cloreto de Sódio (Sal)” (grifos não originais). Assim, na ausência dos demais componentes caracterizadores da mistura, segundo os citados Laudos, se o percentual de cloreto de sódio (sal) ficar abaixo do percentual de 2% (dois por cento) o produto seria “Farinha de Trigo fortificada” e não uma “Mistura ou Prémistura para panificação”. É importante destacar que, além do aspecto qualitativo (presença dos componentes caracterizadores da mistura), no caso em tela, deve ser levado em conta também o aspecto quantitativo de alguns dos componentes da mistura (proporção do componente presente no produto), a exemplo do cloreto de sódio (sal). Face a controvérsia que suscitou no âmbito dos países membros do Mercosul, a matéria foi submetida à apreciação do Comitê Técnico nº 1 da Comissão de Comércio do Mercosul, que aprovou os Ditames de Classificação nº 01/072 e nº 02/073 que tratam, 2 "DITAME DE CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA Nº 01/07 DO COMITÊ TÉCNICO Nº 1 DA COMISSÃO DE COMÉRCIO DO MERCOSUL TENDO EM VISTA: A Decisão Nº 03/03 do CONSELHO DO MERCADO COMUM e o Artigo 5º da Resolução Geral Nº 1598 da ADMINISTRAÇÃO FEDERAL DE RENDAS PÚBLICAS DA REPÚBLICA ARGENTINA, relativo à mercadoria denominada “Mistura para preparação de produtos de padaria à base de farinha de trigo fortificada com vitaminas e minerais e adicionada de melhorador de panificação, emulsificantes e sal, em uma proporção superior a 0,5% em peso”. CONSIDERANDO: I. Que o caso foi submetido à consideração dos demais ESTADOS PARTES, havendo consenso de acordo com o estabelecido no numeral 5 do Anexo da Decisão CMC N0 03/03. II. Que a mercadoria a classificar definese como: Mistura para preparação de produtos de padaria à base de farinha de trigo fortificada com vitaminas (por exemplo: vitamina B1, vitamina B2, ácido fólico) e minerais (por exemplo, ferro), com adição de melhoradores de panificação (por exemplo, metabissulfito de sódio, azodicarbonamida), emulsificantes (por exemplo, estearoil lactato de sódio) e uma proporção de sal (cloreto de sódio) superior a 0,5 % em peso. RESULTANDO: Que por aplicação da Regra Geral para Interpretação do S.H. 1 (Nota 1 b) do Capítulo 11, Nota 2 b) 1) do Capítulo 19 e texto da posição 19.01) e da Regra Geral para Interpretação do S.H. 6 (texto da subposição 1901.20), a mercadoria em estudo se classifica no código 1901.20.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul (N.C.M.) aprovada pela Resolução GMC Nº 70/06 e suas modificações". 3 "DITAME DE CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA Nº 02/07 DO COMITÊ TÉCNICO Nº 1 DA COMISSÃO DE COMÉRCIO DO MERCOSUL TENDO EM VISTA: A Decisão Nº 03/03 do CONSELHO DO MERCADO COMUM e o Artigo 5º da Resolução Geral Nº 1598 da ADMINISTRAÇÃO FEDERAL DE RENDAS Fl. 2390DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.724337/201094 Acórdão n.º 3302003.077 S3C3T2 Fl. 2.380 23 respectivamente, da classificação fiscal do produto denominado “mistura para preparação de produtos de padaria à base de farinha de trigo fortificada” e “farinha de trigo fortificada”. Os mencionados Ditames foram aprovados pela Diretriz nº 17/07 da Comissão de Comércio do Mercosul (CCM), a seguir reproduzida: MERCOSUL/CCM/DIR. Nº 17/07 DITAMES DE CLASSIFICAÇÃO COM BASE NA DECISÃO CMC Nº 03/03 TENDO EM VISTA: O Tratado de Assunção, o Protocolo de Ouro Preto e a Decisão Nº 03/03 do Conselho do Mercado Comum. CONSIDERANDO: Que se faz necessário estabelecer a classificação tarifária da mercadoria denominada “Mistura para preparação de produtos de padaria à base de farinha de trigo fortificada com vitaminas (por exemplo: vitamina B1, vitamina B2, ácido fólico) e minerais (por exemplo, ferro), com adição de melhoradores de panificação (por exemplo, metabissulfito de sódio, azodicarbonamida), emulsificantes (por exemplo, estearoil lactato de sódio) e uma proporção de sal (cloreto de sódio) superior a 0,5% em peso”. Que se faz necessário estabelecer a classificação tarifária da mercadoria denominada “Farinha de trigo fortificada com vitaminas (por exemplo: vitamina B1, vitamina B2, ácido fólico) e minerais (por exemplo, ferro), com adição de melhoradores de panificação (por exemplo, metabissulfito de sódio, azodicarbonamida), emulsificantes (por exemplo, estearoil lactato de sódio) e uma proporção de sal (cloreto de sódio) inferior ou igual a 0,5% em peso”. A COMISSÃO DE COMÉRCIO DO MERCOSUL APROVA A SEGUINTE DIRETRIZ: Art. 1 – Aprovar os Ditames de Classificação Tarifária Nº 01/07 e 02/07 do Comitê Técnico Nº 1 desta Comissão. Art 2 – Os Estados Partes deverão incorporar a presente Diretriz a seus ordenamentos jurídicos internos antes de 01/I/08. PÚBLICAS DA REPÚBLICA ARGENTINA, relativo à mercadoria denominada “Farinha de trigo fortificada com vitaminas e minerais e adicionada de melhorador de panificação, emulsificante e sal em uma proporção inferior ou igual a 0,5% em peso”. CONSIDERANDO: I. Que o caso foi submetido à consideração dos demais ESTADOS PARTES, havendo consenso de acordo com o estabelecido no numeral 5 do Anexo da Decisão CMC N0 03/03. II. Que a mercadoria a classificar definese como: Farinha de trigo fortificada com vitaminas (por exemplo: vitamina B1, vitamina B2, ácido fólico) e minerais (por exemplo, ferro), com adição de melhoradores de panificação (por exemplo, metabissulfito de sódio, azodicarbonamida), emulsificantes (por exemplo, estearoil lactado de sódio) e uma proporção de sal (cloreto de sódio) inferior ou igual a 0,5% em peso. RESULTANDO: Que por aplicação da Regra Geral para Interpretação do S.H. 1 (Nota 2 do Capítulo 11 e texto da posição 11.01) e da Regra Geral Complementar 1 (texto do ítem 1101.00.10), a mercadoria em estudo se classifica no código 1101.00.10 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (N.C.M.) aprovada pela Resolução GMC Nº 70/06 e suas modificações". Fl. 2391DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A 24 No Brasil, a referida Diretriz foi internalizada por meio do Ato Declaratório Executivo da RFB 1/2008, publicado no DOU de 15.1.2008, cujo artigo único, tem o seguintee teor, in verbis: Artigo único. As mercadorias a seguir especificadas se classificam nos seguintes códigos da Tarifa Externa Comum (TEC) aprovada pela Resolução CAMEX nº 43, de 22 de dezembro de 2006: Ditame de Classificação Mercadoria Código NCM 01/06 Bebida alimentícia à base de soja, mesmo adicionada de suco de fruta, de cacau ou aromatizada, acondicionada para venda a retalho 2202.90.00 01/07 Mistura para preparação de produtos de padaria à base de farinha de trigo fortificada com vitaminas (por exemplo, vitamina B1, vitamina B2, ácido fólico) e minerais (por exemplo, ferro), com adição de melhoradores de panificação (por exemplo, metabissulfito de sódio, azodicarbonamida), emulsificantes (por exemplo, estearoil lactato de sódio) e uma proporção de sal (cloreto de sódio) superior a 0,5%, em peso 1901.20.00 02/07 Farinha de trigo fortificada com vitaminas (por exemplo, vitamina B1, vitamina B2, ácido fólico) e minerais (por exemplo, ferro), com adição de melhoradores de panificação (por exemplo, metabissulfito de sódio, azodicarbonamida), emulsificantes (por exemplo, estearoil lactato de sódio) e uma proporção de sal (cloreto de sódio) inferior ou igual a 0,5%, em peso 1101.00.10 Analisando os teor dos referidos atos, verificase que, para fim de classificação fiscal, o percentual máxima, em peso, do cloreto de sódio (sal) na composição da farinha de trigo, classificda no código NCM 1101.00.10, foi determinada: [...] por aplicação da Regra Geral para Interpretação do S.H. 1 (Nota 2 do Capítulo 11 e texto da posição 11.01) e da Regra Geral Complementar 1 (texto do ítem 1101.00.10), a mercadoria em estudo se classifica no código 1101.00.10 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (N.C.M.) aprovada pela Resolução GMC Nº 70/06 e suas modificações. Portanto, embora editado após os fatos objeto da presente autuação, por se tratar de norma meramente interpretativa, o citado Ato Declaratório Executivo RFB, tem sim Fl. 2392DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.724337/201094 Acórdão n.º 3302003.077 S3C3T2 Fl. 2.381 25 aplicação retroativa, conforme expressamente determina o art. 106, I, do CTN. Logo, fica afastada a alegação da recorrente, no sentido de que o percentual fixado no citado Ato não pederia ser aplicado de forma retroativa. Também fica afastada a alegação da recorrente de que, ao caso em tela, deveria ser aplicada os critérios de classificação da Instrução Normativa MAPA 8/2005, por se tratar de norma estranha e contrariar os critérios de classificação fiscal, fixados nas normas específicas sobre o assunto, especialmente, nas Notas Explicativa do Sistema Harmonizado (NESH). Dessa forma, para fim de classificação fiscal, a definição de “mistura para preparação de produtos de padaria à base de farinha de trigo fortificada” exige a presença no produto de cloreto de sódio (sal) acima do 0,5% (meio por cento) e não de 2% (dois por cento), como asseverado nos Laudos Técnicos paradigmas. Nesse sentido, é oportuno asseverar que tal afirmação não macula os resultados técnicos efetivamente obtidos a partir da análise das amostras do produto (percentual dos componentes existentes e demais dados técnicos), posto que, para fim de enquadramento tarifário, o conceito adotado pelo Órgão técnico não pode prevalecer sobre as definições contidas nas normas e regras de classificação fiscal. De fato, nos termos do art. 30 do PAF, “os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência” e, como sabido, não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. No presente caso, tendo em conta os resultados apresentados nos mencionados Laudos Técnicos emitidos pelo Labana, em todas as amostras analisadas, constatou a presença de cloreto de sódio (sal) abaixo do percentual de 0,5% em peso, a conclusão é que os produtos importados pela Recorrente são de fato farinha de trigo fortificada, classificada no código NCM 1101.00.10, conforme entendimento da Fiscalização e do Órgão de julgamento de primeira instância. No mesmo sentido, o entendimento manifestado, por unanimidade, pelas demais Turmas de Julgamento deste Conselho, em outros processos da própria recorrente sobre o mesmo tipo de infração, que, a título de exemplo, pode ser confirmado nos enunciado das ementas dos julgados que seguem transcritos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃODEMERCADORIAS Data do fato gerador:12/09/1996 [...] FARINHA DE TRIGO FORTIFICADA. A mercadoria “Farinha de trigo fortificada com ácido fólico e ferro contendo 0,07% de cloreto de sódio (sal)” classificase no código NCM 1101.00.10, conforme Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3402002.291, de 22/8/2013, rel. Alexandre Gomes) ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Fl. 2393DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A 26 Datadofatogerador: 18/10/2006 [...] IMPORTAÇÃO. “OPERAÇÃO FARINHA DO MESMO SACO”. RECLASSIFICAÇÃOFISCAL. Tendo a Recorrente importado produto cuja composição revela tratarse de farinha enriquecida, ou seja, farinha acrescida de ínfimas quantidades de outras substâncias (vitaminas, sal e outros), sem acréscimo de qualquer das substâncias previstas nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) para a posição declarada (NCM 1901.90.90, correspondente a preparações alimentícias), com supedâneo nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), temse que o produto em questão deve ser classificado na posição NCM 1101.00.01, correspondentea farinha de trigo. (CARF, 3ª Seção, 2ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3202000.529, de 17/7/2012, rel. Gilberto Castro Moreira Junior) Da cobrança dos tributos devidos. Nos Certificados de Origem que supostamente acobertavam as operações de importação em apreço, os produtos importados pela recorrente foram descritos como “Mistura para elaboração de macarrão” ou “Mistura para elaboração de massas alimentícias frescas”, e enquadrados no código NCM 1901.90.90, ao passo que, no ato de conferência aduaneira, o produto efetivamente importado foi identificado como farinha de trigo fortificada, classificado no código NCM 1101.00.10. Tal irregularidade, resultou na desqualificação dos mencionados Certificados de Origem, para fins de reconhecimento do tratamento tributário preferencial, previsto ACE nº 18, conforme estabelece o art. 10 da Instrução Normativa SRF 149/2002, a seguir transcrito: Art. 10. O Certificado de Origem apresentado será desqualificado pela autoridade aduaneira, para fins de reconhecimento do tratamento preferencial, quando ficar comprovado que não acoberta a mercadoria submetida a despacho, por ser originária de terceiro país ou não corresponder à mercadoria identificada na verificação física, conforme os elementos materiais juntados, bem assim quando: [...] Parágrafo único. Na hipótese de desqualificação do Certificado de Origem, a importação ficará sujeita à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país, mediante a constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração. Dessa forma, uma vez comprovado que mercadoria descrita nas DI e respectivos Certificados de Origem não corrrespondem a que foi efetivamente importada, as respectivas operações de importação passaram a ser sujeitas à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país. É oportuno esclarecer que o disposto na referida Instrução Normativa está em consonância com o disposto no art. 14 do Anexo da Decisão 1/2004 do Conselho do Mercado Comum do Mercosul 1/2004 (Decisão CMC 1/2004), instituída pelo Quadragésimo Quarto Fl. 2394DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.724337/201094 Acórdão n.º 3302003.077 S3C3T2 Fl. 2.382 27 Protocolo Adicional ao ACE 18, executado no País por meio do Decreto 5.455/2005, a seguir transcrito: Artigo 14 O certificado de origem é o documento que permite a comprovação da origem das mercadorias, devendo acompanhar as mesmas em todos os casos sujeitos à aplicação do Regime de Origem do MERCOSUL. Esse certificado deverá satisfazer aos seguintes requisitos: Ser emitido por entidades certificadoras autorizadas; Identificar as mercadorias a que se refere; Indicar, inequivocadamente, que a mercadoria a que se refere é originária do Estado Parte de que se trate nos termos e disposições do presente Regime. No mesmo sentido, é oportuno ainda ressaltar que as alíneas “e”, “f” e “h” do item “A” do Anexo IV da referida Decisão delimita o erro formal e não formal, bem como os procedimentos nos casos em que detectados, nos termos a seguir reproduzidos: e) Em caso de se detectarem erros formais na confecção do certificado de origem, avaliados como tais pelas as Administrações Aduaneiras, caso, por exemplo de inversão no número de faturas, ou em datas, menção errônea do nome ou domicilio do importador, etc. não se demorará o despacho da mercadoria, sem prejuízo de resguardar a renda fiscal através da aplicação dos mecanismos vigentes em cada Estado Parte. Serão considerados erros formais todos aqueles erros que não modificam a qualificação de origem da mercadoria. [...] f) Não serão aceitos Certificados de Origem que mereçam observações diferentes daquelas descritas na alínea “e”. h) Os casos enumerados na alínea “e” deverão ser comunicados pela administração aduaneira à repartição oficial quando se aplique o tratamento tarifário correspondente ao âmbito de extra zona. Também serão comunicados os casos em que exista diferença entre a classificação consignada no Certificado de Origem e a resultante da verificação aduaneira da mercadoria, sem prejuízo da aplicação dos procedimentos aduaneiros previstos em cada Estado Parte para tais infrações. (grifos não originais) Assim, ao fazer a ressalva de que, além dos erros formais (definidos na alínea “e”), devem ser também comunicadas as divergências de classificação fiscal resultante da verificação da mercadoria, o texto deixa expressamente consignado que (i) tal divergência não se insere no rol dos considerados erros formais e (ii) autoriza ainda que cada Estado Parte adote os procedimentos previstos na legislação interna aduaneira interna. Assim, fica demonstrado que os certificados de origem apresentados pela recorrente foram corretamente desqualificados, em consequência, deve ser aplicado o tratamento tarifário extrazona e exigido o Imposto de Importação (II), conforme procedeu a fiscalização. Fl. 2395DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A 28 Da legadade das multas aplicadas. Em face da infração, a fiscalização aplicou as seguintes multas: a) de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto lançado, fixada no art. 44, I da Lei 9.430/1996; b) do controle administrativo das importações de 30% (trinta por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, prevista no art. 169,I, “b”, do Decretolei 37/66; e c) multa por classificação incorreta da mercadoria na NCM, instituída no art. 84, I, da Medida Provisória 2.15835/2001. A recorrente alegou era ilegal tripla imposição de multa, em razão de única e adequada conduta, especialmente, antes do advento da Lei 11.488/2007. Sem razão a recorrente. O art. 18 da Lei 11.488/2007, que deu nova redação ao art. 18 da Lei 10.833/2003, trata da aplicação da multa isolada nos casos de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, matéria estranha aos autos. Não há na legislação qualquer óbice à aplicação cumulativa das três multas em questão, uma vez que se trata de penalidades decorrentes de infrações distintas, conforme a seguir explicitado. Também não se aplica ao caso em tela a dispensa das referidas penalidades, inclusive dos juros moratórios, por força do disposto no art. 100 do CTN, pois o ato de desembaraço aduaneiro não caracteriza prática reiterada de homologação de ato administrativo, como alegou a recorrente, mas mero ato de desembaraço da mercadoria. No âmbito do despacho aduaneiro, a classificação fiscal é declarada pelo importador na DI, logo, havendo erro em relação a essa informação, certamente, ao declarante deve ser imputada tal prática e não à autoridade alfandegária. Por essas razões, ficam rejeitadas as referidas alegações. Da multa de ofício. A multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto lançado, fixada no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, destinase a sancionar a infração por declaração inexata e o erro na descrição do produto e na indicação da classificação fiscal, induvidosamente, trata de fato que se subsume perfeitamente à hipótese típica da referida conduta infracionária. No âmbito dos tributos incidentes sobre a operação de importação, somente é possível o afastamento da referida penalidade nas circunstâncias excludentes expressamente prevista no enumerada no Ato Declaratório Interpretativo SRF(ADI/SRF) n°13, de 10 de setembro de 2002, onde se lê: Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, Fl. 2396DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.724337/201094 Acórdão n.º 3302003.077 S3C3T2 Fl. 2.383 29 em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Art. 2º Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) Cositnº 10, de16 de janeiro de 1997. Da simples leitura do ADI, verificase que a hipótese de erro de classificação não faz parte das condutas taxativamente elencadas no referido ato. Aliás, essa previsão existia no citado ADN Cosit 10, que foi expressamente revogado pelo art. 2º do referido ADI, antes do fato infracional objeto das autuações. Portanto, a multa de ofício foi corretamente aplicada e deve ser mantida, porque encontra amparo legal no art. 44, I, da Lei 9.430/1996. Da multa do controle administrativo das importações. A infração administrativa ao controle das importações por falta de LI e a respectiva penalidade encontramse previstas na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decreto lei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, a seguir transcrita: Art. 169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: I importar mercadorias do exterior: (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. [...] (grifos não originais). Com a implantação do Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) – Módulo Importação, todo controle aduaneiro, administrativo e cambial das importações brasileiras passou a ser realizado no âmbito do referido Sistema. Na nova sistemática de controle administrativo das importações, a Guia de Importação (GI) foi substituída pela LI, que passou a ser o novo documento base do controle administrativo das importações, conforme estabelecido no § 1º do art. 6º4 do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992. Na data em ocorreu a operação de importação objeto da presente autuação, o controle administrativo das importações encontravase disciplinado na Portaria Secex nº 4 "Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. (...)" Fl. 2397DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A 30 35/2006. De acordo com o art. 6º da referida Portaria, o citado controle foi dividido nas seguintes modalidades: a) importações dispensadas de licenciamento; b) importações sujeitas a licenciamento automático; e c) importações sujeitas a licenciamento nãoautomático. Nos termos do caput do art. 7º5 da citada Portaria, a regra geral passou a ser a dispensa de licenciamento. O licenciamento automática passou a ser exigido apenas para as operações de drawback e para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex (art. 8º6). Por fim, o licenciamento nãoautomático foi estabelecido para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e nas operações de importações definidas no art. 9º7 da referida Portaria. No novo regramento, somente as operações de importação, processadas segundo o regime estabelecido para as duas últimas modalidades, a falta de emissão da LI caracteriza a prática da infração em comento. No caso em tela, a farinha de trigo, importada pela recorrente, classificado no código NCM 1101.00.10, estava sujeito anuência prévia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), portanto, tratandose de produto sujeito a Tratamento Administrativo, o licenciamento da operação era obrigatório. Entretanto, ainda que obrigatória a emissão da LI, a referida infração não se materializa se configurado se atendidas as condições previstas no Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit nº 12, de 1997, a seguir transcrito: (...) não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (grifos não originais). 5 "Art. 7. Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tãosomente providenciar o registro da Declaração de Importação (DI) no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Secretaria da Receita Federal (SRF)". 6 "Art. 8º Estão sujeitas a Licenciamento Automático as seguintes importações: I – de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex; também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic, para simples consulta, prevalecendo o constante do aludido Tratamento Administrativo; II – as efetuadas ao amparo do regime aduaneiro especial de drawback". 7 "Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as seguintes importações: I – de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic para simples consulta, prevalecendo o constante do aludido Tratamento Administrativo; onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio do licenciamento não automático, por produto; II – as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: a) sujeitas à obtenção de cotas tarifária e não tarifária; b) ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio; c) sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); d) sujeitas ao exame de similaridade; e) de material usado; f) originárias de países com restrições constantes de Resoluções da ONU; g) substituição de mercadoria, nos termos da Portaria MF n.º 150, de 26 de julho de 1982". Fl. 2398DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10480.724337/201094 Acórdão n.º 3302003.077 S3C3T2 Fl. 2.384 31 A excludente prevista no referido ADN, induvidosamente, não se aplica ao caso em tela, porque o produto não foi corretamente descrito com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Portanto, corretamente aplicada a penalidade em apreço, cuja cobrança deve ser mantida nos termos propostos pela fiscalização. Da multa por classificação incorreta. A multa regulamentar por classificação fiscal incorreta encontrase prevista no inciso I do art. 84 da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir transcrito: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; [...] No caso em tela, a referida infração encontrase devidamente caracterizada, haja vista que a autuada atribuiu ao produto importado o código NCM 1901.90.90, quando o correto seria o código 1101.00.10 da NCM. Dessa forma, deve ser mantida a cobrança da referida multa, conforme proposto no Auto de Infração em apreço. V Da Conclusão Por todo o exposto, votase por rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter na íntegra o acordão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 2399DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /03/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROS A
score : 1.0
Numero do processo: 13045.000654/2003-10
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 18/08/1998, 02/09/1998, 07/10/1998/
DRAWBACK SUSPENSÃO. ASPECTOS FORMAIS. ADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR.
Constatado que as divergências apuradas pela fiscalização aduaneira se afiguram de natureza formal, resta adimplido do cumprimento do regime de drawback, modalidade suspensão, na medida em que ocorreu a efetiva saída das mercadorias discriminadas no ato que formalizou a concessão do respectivo regime, inclusive no que diz respeito às transações acordadas para se realizarem sem cobertura cambial.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3202-005.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Joel Miyazaki Presidente ad hoc
Nanci Gama Relatora
José Luiz Feistauer de Oliveira Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Vanessa Albuquerque Valente, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto, Nanci Gama. Ausente o Conselheiro Heroldes Bahr Neto.
Nome do relator: Irene Souza da Trindade Torres
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Joel Miyazaki Presidente ad hoc Nanci Gama Relatora José Luiz Feistauer de Oliveira Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Vanessa Albuquerque Valente, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto, Nanci Gama. Ausente o Conselheiro Heroldes Bahr Neto.
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ASPECTOS FORMAIS. ADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR. Constatado que as divergências apuradas pela fiscalização aduaneira se afiguram de natureza formal, resta adimplido do cumprimento do regime de drawback, modalidade suspensão, na medida em que ocorreu a efetiva saída das mercadorias discriminadas no ato que formalizou a concessão do respectivo regime, inclusive no que diz respeito às transações acordadas para se realizarem sem cobertura cambial. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Joel Miyazaki – Presidente ad hoc Nanci Gama – Relatora José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Vanessa Albuquerque Valente, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto, Nanci Gama. Ausente o Conselheiro Heroldes Bahr Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 04 5. 00 06 54 /2 00 3- 10 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZ AKI 2 Relatório Por bem relatar os fatos, transcrevese o relatório constante da decisão a quo: Trata o presente processo da cobrança do Imposto de Importação (II), no valor de R$ 299.464,78, acrescida de multa de ofício, no valor de R$ 224.598,59, e juros de mora, no valor de R$ 277.777,15, em virtude de inadimplemento do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, na modalidade Suspensão, operação especial sem cobertura cambial, formalizada por meio do Auto de Infração de fls. 01 a 10 e Relatório de Fiscalização de fls. 11 a 16. Conforme se depreende dos autos, a interessada obteve o Ato Concessório de Drawback 001897/0003210, emitido em 07.11.1997, com prazo de validade até 06.05.1998, autorizando a epigrafada a importar com suspensão de tributos o insumo IMINOESTIBENO, para posterior exportação do produto CARBAMAZEPINA. Posteriormente, por meio de Aditivos ao Ato Concessório, foi prorrogado o prazo de validade constante no item 29 para 30.04.1999 (fólios 62 a 66). Consta no relatório elaborado pela fiscalização que relativamente ao aspecto quantitativo, tanto as importações, como as exportações, foram realizadas com observância do estabelecido no Ato Concessório e legislação de regência. No entanto, procedendo ao exame dos Registros de Exportação constantes no Relatório de Comprovação de Drawback, evidenciou que: a beneficiária procedeu à exportação de mercadorias sem cobertura cambial no valor de US$ 23.424.003,03, que adicionadas às exportações com cobertura cambial realizadas no valor de US$ 9.000.160,29, chegou ao montante total de exportação de US$ 32.424.163,32; o montante de importação realizada sem cobertura cambial perfez a quantia de US$ 29.860.054,15, de um total de importação apurado de US$ 30.349.630,40, apontando um inadimplemento parcial, em valor, de US$ 2.564.109,17 (US$ 32.424.163,32 (Exportação Total) US$ 29.860.054,15 (Importação sem Cobertura Cambial)), caracterizando um ingresso de divisas superior ao autorizado em ato concessório; representa um ganho cambial apurado de 8,45% (US$ 2.564.109,17 / US$ 30.349.630,40 ). Prosseguindo, a fiscalização informa que da proporção de 1,285 existente entre exportações e importações originalmente previstas para o regime (US$ 38.881.646,14 e US$ 30.262.866,74) e tendo em vista que a diferença entre exportações realizadas e previstas foi de US$ 6.457.482,82 (US$ 38.881.646,14 US$ 32.424.163,32), apurouse um montante FOB no valor de US$ 5.025.278,46, a título de importação não beneficiada pelo regime. Com base nessas constatações, a fiscalização apropriou o respectivo saldo de divisas com o valor aduaneiro das mercadorias ingressadas por meio das Declarações de Importação n° 98/09989547, 98/08654550, 98/08654541 e 98/08120067, até zerálo; aplicando nessas importações a alíquota do II vigente na data do fato gerador (5%), para apurar um crédito tributário total de R$ 801.840,52, conforme antes discriminado. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZ AKI Processo nº 13045.000654/200310 Acórdão n.º 3202005.274 S3C2T2 Fl. 344 3 Por fim, a fiscalização salienta que as notas fiscais de saída que ampararam as exportações indicam o mesmo montante em dólares americanos que os consignados nos Registros de Exportação respectivos, reafirmando o inadimplemento parcial do regime aduaneiro especial de Drawback amparado no Ato Concessório n° 001897/0003210, haja vista o que preceitua a Consolidação do Regime de Drawback (CND), aprovada pelo Comunicado DECEX n° 21, de 11.07.1997. Cientificada da autuação em 08.08.2003 (fl. 01), a impugnante apresentou a defesa de fls. 140/141, acompanhada dos documentos de fls. 142 a 186, argumentando que: as autoridades lançadoras, com relação aos RE's sem cobertura cambial de n° 98/0101664001, 98/0223630001 e 98/0293304001, deixaram de considerar os valores de US$ 1.868.801,34, US$ 2.014.860,57 e US$ 2.573.820,91, respectivamente, tendo em vista que por um equívoco da interessada o campo 9L destes registros não foi preenchido; referido equívoco não deveria ter sido considerado, pois caso fosse observado o campo 25 dos referidos RE's, perceberia que consta expressamente indicado que estes valores se referem ao Valor de Importação sem Cobertura Cambial, referente ao AC n° 001897/0003210; agregando estes três valores aos demais apurados pela fiscalização a título de exportação efetuada com e sem cobertura cambial chegasse à cifra de US$ 38.881.646,14, qual seja, o montante idêntico ao apontado no Relatório Fiscal a título de exportação prevista. Ante o exposto, provada a improcedência da ação fiscal, requer seja cancelado o débito tributário indevidamente reclamado. É o Relatório. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou o lançamento improcedente, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 18/08/1998, 02/09/1998, 07/10/1998 DMWBACK SUSPENSÃO. ASPECTOS FORMAIS. ADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR. Constatado que as divergências apuradas pela fiscalização aduaneira se afiguram de natureza formais, resta adimplido do cumprimento do regime de drawback, modalidade suspensão, na medida em que ocorreu a efetiva saída das mercadorias discriminadas no ato que formalizou a concessão do respectivo regime, inclusive no que diz respeito às transações acordadas para se realizarem sem cobertura cambial. Lançamento Improcedente Dessa decisão foi apresentado recurso de ofício ao Terceiro Conselho de Contribuintes, conforme determina o artigo 29 da Portaria MF n9 375, de 7 de dezembro de 2001. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZ AKI 4 É o relatório. Voto Conselheiro Suplente José Luiz Feistauer de Oliveira – redator ad hoc Por intermédio de Despacho, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF incumbiume o Presidente da Câmara a formalizar o Acórdão, cujo relator original, Conselheira Nanci Gama, não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original. Como bem destacou a decisão recorrida, para descaracterizar o adimplemento do drawback, tomase necessário demonstrar que a exportação não ocorreu, ou que os insumos não foram empregados nos produtos exportados, ou que as exportações não obedeceram ao prazo previsto, etc. Nesse sentido, não há reparo a fazer na decisão recorrida, que entendeu assistir razão ao contribuinte por entender que o preenchimento incorreto dos Registros de Exportação (descumprimento de obrigação acessória), em nenhuma hipótese pode ser motivo de exigência dos tributos suspensos, que constituem obrigação tributária principal. Tratamse de obrigações de natureza jurídica distinta, que não se confundem, conforme se observa do CTN. Assim, o fato o fato de a beneficiária não haver indicado em campo próprio do Registro de Exportação (RE), a parcela do valor da mercadoria importada sem cobertura cambial, não autoriza a glosa da operação de exportação para efeito de comprovação do adimplemento do regime. O adimplemento do do Regime Aduaneiro Especial de Drawback suspensão consiste, em sua essência, na efetiva exportação dos produtos indicados no Ato Concessório, dentro do prazo pactuado, conforme a fiscalização atesta que a beneficiária cumpriu. Consta dos autos que foi efetuado o Despacho de Exportação das mercadorias de nome comercial CARBAMAZEPINA e devidamente quantificadas no RE. Portanto, presumese que as mercadorias foram exportadas. Caberia ao Fisco o ônus de provar que não ocorreu a efetiva exportação. Como bem disse o voto da decisão a quo, “considerando que o ônus da prova das infrações atribuídas ao contribuinte incumbe ao Fisco (artigo 142 do CTN), a glosa das exportações alcançadas no procedimento fiscal somente seria legítima na hipótese de descaracterização dos documentos que instruem os Despachos de Exportação correspondentes, o que não ocorreu no caso dos autos. (...) perquirindo os extratos dos Registros de Operações de Exportação, juntados pela impugnante às fls. 146 a 172, podemos depreender que as informações não prestadas nos campos próprios (09L O9C ou 09D), referentes ao esquema de pagamento total/valor sem cobertura cambial e o valor relativo ao efetivo pagamento da exportação (valor total menos a parcela sem cobertura cambial) foram efetivamente consignadas nos campos 24 Dados do Fabricante e 25 Observação/Exportador, suprindo, ao meu sentir, sobremaneira a falha cometida pela beneficiária do regime, uma vez que informou o valor total da operação, o valor referente à importação sem cobertura cambial, o valor líquido da exportação, ou seja, com cobertura cambial, assim como a que ato concessório se refere a exportação em trato (fls. 150/151, 159/160 e 168/169)”. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZ AKI Processo nº 13045.000654/200310 Acórdão n.º 3202005.274 S3C2T2 Fl. 345 5 Em conclusão, não há como negar que os produtos especificados no RE foram efetivamente exportados. A simples falha na elaboração do RE, quando muito prejudica o controle fiscal, e deveria ser punida com penalidade específica. Tal fato, contudo, não constitui prova suficiente para afirmar que as exportações não teriam ocorrido. Ante ao exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício. E estas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Fl. 235DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZ AKI
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Numero do processo: 10675.000774/2006-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.181
Decisão: RESOLUÇÃO
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, determinar a conversão do recurso em diligência para que a ARF em Patos de Minas verifique a data efetiva da postagem do Recurso Voluntário de fls. e retorne os autos para julgamento desse Conselho com a confirmação de tal informação
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
RONALDO APELBAUM - Relator.
EDITADO EM: 01/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (presidente da turma), Ronaldo Apelbaum (vice-presidente), João Otavio Opperman Thome, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada), Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RONALDO APELBAUM
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decisao_txt : RESOLUÇÃO Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, determinar a conversão do recurso em diligência para que a ARF em Patos de Minas verifique a data efetiva da postagem do Recurso Voluntário de fls. e retorne os autos para julgamento desse Conselho com a confirmação de tal informação MARCELO CUBA NETTO - Presidente. RONALDO APELBAUM - Relator. EDITADO EM: 01/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (presidente da turma), Ronaldo Apelbaum (vice-presidente), João Otavio Opperman Thome, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada), Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Figueiredo Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLUÇÃO Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, determinar a conversão do recurso em diligência para que a ARF em Patos de Minas verifique a data efetiva da postagem do Recurso Voluntário de fls. e retorne os autos para julgamento desse Conselho com a confirmação de tal informação MARCELO CUBA NETTO Presidente. RONALDO APELBAUM Relator. EDITADO EM: 01/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (presidente da turma), Ronaldo Apelbaum (vicepresidente), João Otavio Opperman Thome, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada), Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Figueiredo Neto. RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração de Imposto de Renda e reflexos decorrente de exclusão do contribuinte da sistemática do SIMPLES. Considerando que o relatório elaborado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .0 00 77 4/ 20 06 -5 5 Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10675.000774/200655 Resolução nº 1201000.181 S1C2T1 Fl. 1.731 2 pela DRJ de Juiz de Fora (MG) é bastante claro e detalhado a respeito das infrações e andamento dos autos, passo a reproduzilo para fins de suportar o presente julgamento: "Foram lavrados pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Uberlândia/MG, em 17/03/2006, os Autos de Infração do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas — IRPJ (fls10/16) no valor de R$ 301.815,78; da Contribuição Social sobre Lucro Líquido — CSL ( fls. 17/20) no valor de R$ 41.764,01; da Multa Isolada pela falta de recolhimento das Contribuição Social sobre Base Estimada (fls. 427/429), no valor de R$ 97.596,72; da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 826/837), no valor de R$ 737.821,24 e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS (fls. 1229/1240) no valor de R$ .197.425,44, os quais totalizam um crédito tributário no montante de R$ 4.376.423,19. Salientese, por oportuno, que foram anexados os processos 10675.000775/2006608, 10675.000776/200644 e 10675.000777/200699, conforme documentos de fls.1656/1659, cumprindo a Portaria SRF n° 6129/05. No Termo de Verificação Fiscal de fls.21/22, está relatado que nos anos calendário de 2002 e 2003, a empresa optou pelo SIMPLES e no anocalendário de 2004 efetuou recolhimento pela sistemática do Lucro Presumido, apresentando as respectivas DCTFs. Confrontandose a receita escriturada no Registro de Saídas de Mercadorias com a declarada no SIMPLES constatouse que a empresa declarou, em média, 10% de seu faturamento. O mesmo ocorreu em 2004 relativamente ao PIS e a COFINS. Como a empresa excedeu o limite máximo de faturamento para as empresas optantes pelo SIMPLES, no próprio ano de início das atividades foi emitido Ato Declaratório Executivo n° 018/2005, para excluíla desse sistema, do qual teve ciência em 15/06/2005. A empresa apresentou os Livros Diário, Razão, balanços e balancetes dos anos calendário de 2002 a 2004, bem como o DACON e os Balanços ou Balancetes de Suspensão, em atendimento a intimações dos dois primeiros anos. "Levando em conta os elementos apresentados pelo contribuinte, elaborouse os DEMONSTRATIVOS DE CÁLCULO, os quais serviram de bases para os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS." Em 26/04/2006, a empresa apresenta sua impugnação, cujos argumentos são basicamente os mesmos, para todos os autos. Sobre as infrações em si, o contribuinte não apresentou nenhuma discordância, reclamando somente da alta carga tributária, que o teria levado a priorizar a folha de pagamento de salários ao pagamento dos tributos, assim a sua inadimplência parcial não teve conotação dolosa, segundo seu entendimento. Diz a seguir que a empresa foi desenquadrada do Simples desde o início de suas atividades, "sem que fosse considerado o mês subseqüente ao desenquadramento, como também não considerou valores pagos, enquanto na condição de optante do Simples". Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10675.000774/200655 Resolução nº 1201000.181 S1C2T1 Fl. 1.732 3 Entende que foi aplicada multa confiscatória contrariando os princípios constitucionais. Afirma que o intuito de fraude não pode ser presumido é necessário que se prove. "Não tem a intenção de fraudar o erário quem escritura corretamente seus livros de entrada e saídas de mercadorias, suporte básico para se apurar o faturamento da empresa, pois mediante este é que se apura todos os tributos..." "Também não tem intuito de fraude quem sem nenhum embaraço causa a fiscalização • colocando a sua disposição todos os documentos..." Entende o contribuinte que houve um recolhimento parcial de tributo declarado, o que poderia ser equiparado a denuncia espontânea que exclui qualquer penalidade nos termos do art. 138 do CTN. A multa aplicada além de desproporcional está além da capacidade contributiva do contribuinte. "Além da multa de 150% sobre o valor do tributo o fisco instituiu uma multa independente sem identificar a base de cálculo e o percentual aplicado o que constitui um excesso de exação..." Discorre sobre o pensamento de alguns autores para mais adiante concluir que " destarte o princípio constitucional aqui inserto que proíbe a instituição de tributo com efeito de confisco é de tudo e em tudo aplicável as penalizaçães tributárias." Além disso, reclama da aplicação dos juros com base na SELIC. Este é o relatório." Em sua decisão de fls. 1743 a 1750, a DRJ de Juiz de Fora determinou o abatimento dos valores pagos pela empresa dos valores lançados, a aplicação da retroatividade benigna para a penalidade relativa às estimativas que deixaram de ser recolhidas (art. 44, II da Lei 9.430/96) e manteve a multa isolada de 150% sobre os tributos que deixaram de ser recolhidos por conta da exclusão da empresa da sistemática do SIMPLES. De acordo com o voto, a aplicação da multa majorada se deve ao fato de que a empresa, de forma reiterada e sistemática, recolhia aproximadamente 10% do valor devido a título de tributos e que a receita bruta havia extrapolado em mais de sete vezes os limites determinados pela legislação do SIMPLES. O acórdão da DRJ/Juiz de Fora foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: IRPJ, CSL, PIS e COFINS A parcela paga tempestivamente pela empresa, deve ser deduzida do valor lançado. RETROATIVIDADE BENIGNA Aplicase a ato ou fato pretérito, a lei que comine penalidade menos severa do que aquela prevista na legislação vigente ao tempo de sua prática. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10675.000774/200655 Resolução nº 1201000.181 S1C2T1 Fl. 1.733 4 Lançamento Procedente em Parte Notificado o contribuinte dessa decisão em 17 de outubro de 2006, apresentou Recurso Voluntário alegando, em breve síntese, a inaplicabilidade da multa de 150%, baseado no fato de que o contribuinte não agiu para reduzir a tributação, tanto que apresentou as planilhas e documentos fiscais, retirando o caráter doloso de sua atitude. E, ademais, que com a adesão ao REFIS para pagamento dos valores dos tributos também demonstraria a inexistência de atitude dolosa. Remetidos os autos ao presente Conselho, foram inicialmente distribuídos à 2ª Turma Especial dessa Seção e devolvidos para redistribuição por conta dos dispositivos constantes das Portarias MF 256/2009 e 03/2008, por se tratar de exoneração superior a R$ 1.000.000,00. Após nova distribuição, em 18 de julho de 2013 o Conselheiro Marcelo Cuba Netto solicitou a redistribuição dos autos para outro relator, por ter participado do julgamento na DRJ de Juiz de Fora. Ressaltese, por fim, que esse acórdão abarca ainda os processos administrativos 10675.000775/200608, 10675.000776/20064 e 10675.000777/200699, que são os lançamentos reflexos ao auto de infração lançado no presente processo. É o relatório. RESOLUÇÃO Conselheiro Ronaldo Apelbaum, Relator Em primeiro lugar, cumpre verificar se o Recurso Voluntário foi apresentado pelo recorrente de forma tempestiva. O Decreto 70.235/1972, em seu art. 33, dispõe que o prazo para apresentação do recurso deve se dar dentro de 30 dias após a ciência da decisão da DRJ. De acordo com as fls. 1770 (renumerada, antiga fls. 1708 do processo em papel), a recorrente foi cientificada no dia 17 e outubro de 2006. Contados 30 dias da data da ciência, o prazo final para apresentação do Recurso Voluntário seria 16 de novembro de 2006. Embora o Recurso Voluntário esteja datado de 16 de novembro de 2006, não foi protocolado diretamente na ARF de Patos de Minas/MG, mas sim enviado pelos Correios. Embora legítima a forma utilizar para protocolar o Recurso, não é possível identificar com clareza nos autos a data de postagem da correspondência (fls. 1776), conforme pode ser evidenciado na imagem abaixo, extraída das fls. mencionada. Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10675.000774/200655 Resolução nº 1201000.181 S1C2T1 Fl. 1.734 5 A mera fotografia do carimbo, que também não demonstra sua origem, parece mostrar a data de 18 de novembro de 2006, o que tornaria o presente apelo intempestivo. Não há qualquer outra análise ou evidência nos autos relativa à data de apresentação o Recurso Voluntário. Por conta desse fato, proponho a conversão do recurso em diligência para que a ARF em Patos de Minas verifique a data efetiva da postagem do Recurso Voluntário de fls. e retorne os autos para julgamento desse Conselho com a confirmação de tal informação. Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 18471.001339/2005-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
OMISSÃO DE RECEITA. COMPRA E VENDA DE MERCADORIA SEM TRANSITAR NA CONTA DE ESTOQUE. NÃO DEMONSTRADA..
Deve ser cancelado o lançamento quando não configurada a omissão de receitas, pois equivocou-se o autuante quando entendeu que os valores creditados à conta de ativo e debitados à despesa se tratavam de omissão de vendas e, por sua vez, os valores debitados à conta de ativos e creditados à despesa se tratavam de omissão de compras, já que não houve impacto no resultado contábil o lançamento do mesmo montante a débito e a crédito da conta de despesa.
OMISSÃO DE RECEITA. COMPRA DE EQUIPAMENTO COM LANÇAMENTO EM CONTA DE DESPESA. NÃO DEMONSTRADA.
Deve ser cancelado o lançamento quando verificado que o autuante analisou apenas a primeira parte dos lançamentos contábeis efetuados, ou seja, o lançamento a débito de contas a receber e a crédito de despesa, o qual foi, pelo menos no que tange a despesa, anulado pelo lançamento a débito de despesa e a crédito de estoque.
Equivocado o enquadramento legal da autuação no art. 41 da Lei 9.430/96, o qual trata de levantamento quantitativo por espécie das quantidades de mercadorias adquiridas para revenda (§ 3º do mesmo dispositivo), mesmo porque impossível fazê-lo apenas pela análise da escrituração contábil.
GLOSA DE DESPESAS. PERDA NA REALIZAÇÃO DE CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Deve ser mantido o lançamento quando a recorrente não logra demonstrar que atendia as condições de dedutibilidade das despesas (valor, data de vencimento e devedor), para os débitos até R$ 5.000,00 por operação, inclusive com apresentação de lastro documental, ainda que por amostragem.
DECADÊNCIA. COFINS e PIS.
Aos lançamentos de Cofins e de Contribuição para o PIS, aplica-se o prazo de cinco anos estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que o art. 45 da Lei 8.212/91 já foi definitivamente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (Súmula Vinculante nº 8).
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS.
Numero da decisão: 1302-001.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de NULIDADE da decisão de 1a. instância; 2) por unanimidade de votos, INDEFERIR o pedido de conexão; 3) por unanimidade de votos, ACOLHER PARCIALMENTE a arguição de decadência; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao item 001 do auto de infração de IRPJ; 5) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao item 002 do auto de infração de IRPJ; 6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao item 004 do auto de infração de IRPJ, divergindo a Conselheira Talita Pimenta Félix, que convertia o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente TELERJ CELULAR S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 OMISSÃO DE RECEITA. COMPRA E VENDA DE MERCADORIA SEM TRANSITAR NA CONTA DE ESTOQUE. NÃO DEMONSTRADA.. Deve ser cancelado o lançamento quando não configurada a omissão de receitas, pois equivocouse o autuante quando entendeu que os valores creditados à conta de ativo e debitados à despesa se tratavam de omissão de vendas e, por sua vez, os valores debitados à conta de ativos e creditados à despesa se tratavam de omissão de compras, já que não houve impacto no resultado contábil o lançamento do mesmo montante a débito e a crédito da conta de despesa. OMISSÃO DE RECEITA. COMPRA DE EQUIPAMENTO COM LANÇAMENTO EM CONTA DE DESPESA. NÃO DEMONSTRADA. Deve ser cancelado o lançamento quando verificado que o autuante analisou apenas a primeira parte dos lançamentos contábeis efetuados, ou seja, o lançamento a débito de contas a receber e a crédito de despesa, o qual foi, pelo menos no que tange a despesa, anulado pelo lançamento a débito de despesa e a crédito de estoque. Equivocado o enquadramento legal da autuação no art. 41 da Lei 9.430/96, o qual trata de levantamento quantitativo por espécie das quantidades de mercadorias adquiridas para revenda (§ 3º do mesmo dispositivo), mesmo porque impossível fazêlo apenas pela análise da escrituração contábil. GLOSA DE DESPESAS. PERDA NA REALIZAÇÃO DE CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser mantido o lançamento quando a recorrente não logra demonstrar que atendia as condições de dedutibilidade das despesas (valor, data de vencimento e devedor), para os débitos até R$ 5.000,00 por operação, inclusive com apresentação de lastro documental, ainda que por amostragem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 39 /2 00 5- 65 Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 2 DECADÊNCIA. COFINS e PIS. Aos lançamentos de Cofins e de Contribuição para o PIS, aplicase o prazo de cinco anos estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que o art. 45 da Lei 8.212/91 já foi definitivamente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (Súmula Vinculante nº 8). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de NULIDADE da decisão de 1a. instância; 2) por unanimidade de votos, INDEFERIR o pedido de conexão; 3) por unanimidade de votos, ACOLHER PARCIALMENTE a arguição de decadência; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao item 001 do auto de infração de IRPJ; 5) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao item 002 do auto de infração de IRPJ; 6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao item 004 do auto de infração de IRPJ, divergindo a Conselheira Talita Pimenta Félix, que convertia o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acórdão n˚ 9.764 da 1ª Turma da DRJ/RJO1, cuja ementa assim dispõe: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. DESCABIMENTO. Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.779 3 Descabe a alegação da ocorrência de cerceamento do direito de defesa, quando os prazos concedidos estão de acordo com a legislação e as peças que compõem os autos descrevem, de forma clara e precisa, tanto as irregularidades apuradas, como as devidas capitulações legais infringidas. Preliminar rejeitada. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Iniciase a contagem do período decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o tributo poderia vir a ser lançado, na forma do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Preliminar rejeitada. PERÍCIA. NEGADA. A perícia se reserva A elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA APÓS A IMPUGNAÇÃO. REQUISITOS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos1 ou razões posteriormente trazidos aos autos. OMISSÃO DE RECEITAS. A insuficiência de registro na escrituração comercial de compras e vendas revelase a omissão de receitas. CUSTOS OU DESPESAS. COMPROVAÇÃO. Computase na apuração do resultado do exercício somente os custos ou as despesas que, além de guardarem conexão com atividade explorada e com a manutenção da fonte de receita, forem comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. PESSOA DOMICILIADA NO EXTERIOR. DESPESAS INDEDUTIVEIS. São indedutiveis como despesas operacionais as importâncias pagas a pessoas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica na falta de contrato de prestação de serviços averbado no INPI ou da comprovação da efetividade desses serviços. DESPESAS COM DOAÇÕES. LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. Dada a expressa disposição legal vedando a dedutibilidade de despesas com doações, os gastos desta natureza configuramse mera liberalidade da empresa, consideramse tais despesas como indedutiveis para fins de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. DECADÊNCIA. LEI ESPECIFICA. O instituto da decadência, quanto às contribuições, regese segundo lei específica (Lei 8.212/91), em obediência ao disposto no § 4° do art. 150 do CTN. O prazo decadencial para as contribuições é de 10 anos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos demais lançamentos, com os quais compartilhe o mesmo fundamento de fato, ressalvados os casos em que outras razões de ordem jurídica lhes deteiminem tratamento diverso. Lançamento Procedente Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 4 A recorrente tomou ciência da decisão recorrida na sextafeira de 31/03/2006, conforme AR a fls. 521, e interpôs recurso voluntário em 02/05/2006 (doc. a fls. 556 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que se trata de Auto de Infração lavrado contra a Recorrente para a cobrança de tributos e contribuições federais pelos seguintes fundamentos: 1) OMISSÃO DE RECEITAS caracterizada pela compra e venda de aparelhos sem documentação comprobatória contabilizada diretamente na conta de despesa de n° 320.81.290, sem transitar na conta de estoque ou similar, no valor de R$ 21.677.179,74; 2) OMISSÃO DE RECEITAS caracterizada pela compra de equipamentos, em 31/03/2000, com lançamento contábil na conta de despesa n° 320.81.290, sem transitar na conta de estoque, tendo como contrapartida a conta n° 112.31.310, com a discriminação em dólar, no valor de R$ 3.529.584,04; 3) GLOSA DE CUSTOS. A empresa, através das contas n°s 312.89.120 e 312.29.140, baixou como despesas valores que alega ter faturado e não identificado o pagamento, porém não comprova a operação individualizada contabilmente por cliente, nos valores de R$ 900.427,87 (conta 312.29.140) e R$ 460.206,89 (conta 312.89.120); 4) BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR, conforme detalhado no Anexo ao auto de infração, a empresa contabilizou indevidamente como despesa de Assistência Técnica com Exterior, até 30/11/2000, o valor total de R$ 16.350.533,63; 5) DESPESA INDEDUTÍVEL, deduziu indevidamente como despesas de doações de cartão celular as cortesias efetuadas que constam da conta n° 312.89.820, no valor de R$ 2.459.843,55 em 30.11.2000; e, 6) GLOSA DE DESPESA porque a empresa não comprovou através de qualquer documentação hábil que os valores contabilizados como PERDA POR NÃO PAGAMENTO DE ASSINANTE NA CONTA n° 312.89.150, mensalmente de forma sintética, em valores superiores a R$ 5.000,00, sem discriminar o assinante e seus dados, a data que alega ter sido faturado, os valores individualizados e demais elementos de comprovação, no valor total de R$ 65.574.194,40; b) que se faz necessário a realização de perícia no presente caso e a sua não realização implica em cerceamento do direito de defesa; c) que a limitação imposta pelo § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 é inconstitucional por incompatível com o princípio da verdade material; d) que, com o advento da Lei n° 8.383, de 1991, o imposto de renda das pessoas jurídicas passou a ser devido mensalmente, à medida que os lucros fossem auferidos e, portanto, com a obrigatoriedade de as empresas apurarem a base de cálculo e o imposto devido a cada mês, sendo que, nenhuma solução de continuidade houve com a superveniência das Leis n° 8.541, de 1992, e 8.981, de 1995, que mantiveram o sistema de bases correntes para as pessoas jurídicas; e) que relativamente à contribuição social sobre o lucro, determinam os diplomas legais acima citados que a ela aplicamse as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas (art. 38 da Lei n° 8.541/92 e art. 57 da Lei n° 8.981/95); f) que o auto de infração foi lavrado em 18/10/2005, tendo a Recorrente tomado ciência em 20/10/2005 e nele foram lançados fatos geradores de janeiro a e setembro de 2000, logo, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN, operouse a preclusão total, decaindo o direito de a Fazenda Nacional constituir o suposto crédito tributário, não havendo, assim, que se exigir da Recorrente o pagamento do imposto de renda e das contribuições ao PIS, COFINS e CSLL relativas aos meses de janeiro a setembro de 2000 porque atingidas pela decadência; g) no que tange à omissão de receita pela compra e venda de aparelhos sem transitar na conta de estoque, pelo lançamento a débito e a crédito da mesma conta, sustenta que: Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.780 5 g.1) que, em 01/01/2000, a recorrente implantou novo sistema contábil, denominado SAP/R3, em substituição ao sistema anterior, denominado SISCORP, sendo que o novo sistema possui nomenclaturas do plano de contas diferentes das anteriores, razão pela qual foi necessária a segregação dos valores de uma única conta em uma ou mais contas, conforme denotase facilmente pela simples comparação entre o plano de contas do mês de dezembro de 1999 (sistema SISCORP), e o plano de contas do mês de janeiro de 2000, quando já se encontrava em uso o sistema SAP. (doc. n° 03); g.2) que, em decorrência da implantação do novo sistema contábil (SAP/R3— parametrização do módulo MM), para transferir os saldos das contas patrimoniais da antiga nomenclatura para a nova, tendo em vista a impossibilidade de inclusão, por exemplo, da conta referente aos aparelhos analógicos, a Recorrente utilizou em contrapartida a conta de despesa n° 320.81.290, debitando e creditando o mesmo valor, ou seja, levou a débito da conta n° 320.81.290 o total de R$ 10.838.589,72 e a crédito, R$ 10.838.589,72 (valor total que não pôde ser lançado no sistema SAP, por dificuldades operacionais), anulando qualquer efeito no resultado do exercício, conforme podese verificar pela cópia das folhas correspondentes do livro Razão de janeiro e fevereiro de 2000. (doc.n° 4); g.3) que, tanto é assim, que a conta despesa nº 320.81.290 foi criada e utilizada apenas para esse fim, conforme se pode auferir pela cópia do balancete sintético da empresa referente ao anocalendário de 2000 (doc. nº 5), o qual demonstra que a referida conta não possui movimentação desde março do referido ano; g.4) que faltou, na verdade, foi uma análise detalhada da conta n° 320.81.290 (fls. 7415 do PTA), pois os lançamentos efetuados pela Recorrente não afetaram o resultado do exercício e, conseqüentemente, a base de cálculo do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro; h) no que tange à omissão de receita pela compra de equipamento com lançamento em conta de despesa, sustenta que: h.1) que alega a Fiscalização que a Recorrente deixou de contabilizar custos referente à aquisição de aparelho celular digital LGC 330W, em 31.03.2000, no valor de R$ 3.529.584,04, contabilizado diretamente na conta de resultado, de n° 320.81.290, sem transitar na conta de estoque, em contra partida a conta n° 112.31.310; h.2) que tratase de bonificação recebida de seus fornecedores que, na compra de uma determinada quantidade de produtos, faz jus a uma bonificação (em aparelhos) estipulada em dólares americanos; h.3) que recebeu a bonificação de R$ 3.529.373,18 da LG ELECTRONICS, equivalente a US$ 1.500.000,00 e US$ 499.984,00, a Recorrente contabilizou a crédito da conta de despesa n° 320.81.290 (Outras Perdas Baixadas Almoxarifado) em contrapartida da conta n° 112.31.310 (Contas a Receber) (fls. 75) e, ato contínuo, debitou a conta de estoque (112.76.100) pelo valor equivalente dos aparelhos recebidos, em contrapartida da conta n°112.31.310 (Contas a Receber) (fls. 76 a 80); h.4) que, para fins de determinar a base de cálculo do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro, o crédito em uma conta de despesa tem o mesmo efeito de um lançamento em conta de receita a primeira reduz a despesa e, conseqüentemente, aumenta o lucro; i) no que tange à glosa de custos pela não comprovação da operação individualizada por clientes: fraude contra a impugnante e contas canceladas, sustenta que: Fl. 2782DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 6 i.1) que, não obstante tenha apresentado os arquivos magnéticos com as informações solicitadas, a Fiscalização glosou os valores lançados nas contas de n°s 312.89.120 (Fraude) e 312.89.140 (Contas Baixadas Faturamento) porque a Recorrente não comprovou “a operação individualizada contabilmente por cliente”; i.2) que a Recorrente mantém milhares de contratos de prestação de serviços de telefonia, logo, a exigência de juntada aos autos de relatório contendo as operações individualizadas por cliente, é absurda; i.3) que as informações solicitadas pelo Fisco encontramse à disposição na sede da Recorrente, no sistema de origem e que o indeferimento da perícia implica em cerceamento do direito de defesa da Recorrente; i.4) que a legislação do imposto de renda permite a dedução das perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica (art. 340 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999); i.5) que, no caso de créditos sem garantia (hipótese dos autos) de valor até R$ 5.000,00, por operação, vencidos há mais de seis meses, independente de iniciados os procedimentos judiciais para seu recebimento, podem ser registrados como perda; i.6) que, no caso de empresas mercantis, a operação será caracterizada pela emissão da fatura, mesmo que englobe mais de uma nota fiscal (art. 24, §§ 2° e 3°); i.7) que, no caso dos autos, a fatura emitida para cada cliente constitui a operação que fundamenta o registro da perda, assim e embora da análise do razão analítico da Recorrente (doc. 05, da Impugnação) registre valores superiores a R$ 5.000,00, na verdade tratase de lançamento que engloba diversos clientes na mesma situação, logo, o detalhamento da conta se faz necessário e a não concessão do prazo requerido prejudicou sobremaneira a Impugnante; i.8) que o lançamento não pode prevalecer porque, além de contaminado pelo vicio da nulidade, as perdas efetivamente ocorreram em decorrência das fraudes (linhas clonadas) e do cancelamento de faturas emitidas em duplicidade (doc. n° 06, da Impugnação); j) no que tange à glosa de despesa por falta de comprovação, sustenta que: j.1) que tratase de glosa dos lançamentos registrados na conta nº 312.89.150, “Perda por não Pagamento de Assinante” (fl. 73) ao argumento de que a impugnante “deixou de comprovar através de documentação hábil esta operação” j.2) que considerando a complexidade do sistema e o exíguo prazo para cumprimento da intimação nos moldes solicitados, solicitou prazo de 75 (setenta e cinco) dias para desenvolver um programa especifico capaz de detalhar as informações desejadas; j.3) que a Fiscalização, contudo, não concedeu o prazo e tributou o total da conta (R$ 65.574.194,40) "não só por infração ao disposto no art. 340 do RIR por não individualizar os valores inferiores a R$ 5.000,00, mas principalmente por ter deixado de comprovar a veracidade das despesas quando alega e não comprova a falta de recebimento das assinaturas (...)"; j.4) que a Recorrente anexa ao presente Recurso o demonstrativo dos lançamentos contábeis referentes ao anocalendário de 2000 (mês a mês), contendo o total das receitas e o valor das perdas contabilizadas, acompanhadas das folhas do livro Razão contábil e do livro Diário dos meses correspondentes, onde fica claramente demonstrada a contabilização das receitas tributadas, com a identificação dos valores das perdas em confronto com as receitas, restando claro que os valores glosados pela fiscalização estavam incluídos no "contas a receber".(doc. n° 06); Fl. 2783DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.781 7 l) no que tange à glosa de despesa com assistência técnica, científica ou tecnológica – beneficiário no exterior, sustenta que: l.1) que Fiscalização glosou a importância de R$ 16.350.533,63 por entender que a Impugnante teria cometido as seguintes irregularidades: (a) falta de avaliação e averbação pelo INPI do contrato de prestação de serviços de consultoria; (b) negativa do INPI para averbação na forma de pagamento estabelecido no contrato que é contrario à legislação em vigor; (c) infração ao disposto nos itens I e II da IN SRF n° 005/74 que disciplinou a Lei n° 5.772/71 (Código de Propriedade Industrial); e (d) falta de comprovação da efetividade dos serviços prestados; l.2) que, em 10.01.2000, a Recorrente formalizou junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial — INPI, processo de consulta e posterior averbação do Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria celebrado com a TELEFÔNICA INTERNACIONAL S/A — TISA, sociedade unipessoal sediada na cidade de Madrid, Espanha (fls. 57, 92 a 102); l.3) que os itens “a” e “e” do Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria celebrado com a TELEFÔNICA INTERNACIONAL S/A — TISA, sociedade unipessoal sediada na cidade de Madrid, Espanha (fls. 57, 92 a 102), não se ajustam às determinações da Lei n° 9.279/96 (legislação que substituiu a Lei n° 5.772/71) porque o INPI só efetua registro de atos que impliquem transferência de tecnologia, contratos de franquia e similares para produzirem efeitos em relação a terceiros (art. 211 da Lei n° 9.279/96), no mesmo sentido, as orientações do Ato Normativo INPI n° 135/1997; l.4) que a reformulação de estrutura organizacional e disponibilização de pessoal não significa transferência de tecnologia, logo, o INPI, ao solicitar esclarecimentos à Recorrente, noticiou que aqueles itens não seriam passíveis de averbação, mas isto não significa, em absoluto, que o contrato estaria invalidado e, portanto, não averbado; l.5) que a Fiscalização questionou a efetividade dos serviços prestados; l.7) que serviços de assistência técnica na área de telefonia ajustamse ao conceito de despesa necessária a atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte, logo, são despesas operacionais normais e usuais ao tipo de atividade da empresa (art. 299 do RIR/99); l.8) que, em decorrência do aporte técnico e do conhecimento do negócio pela TISA às operadoras de telefonia, foi possível a introdução da tecnologia digital, a ampliação do centro de atendimento ao cliente, redução da taxa de habilitação e do preço do aparelho, lançamento do sistema prépago, do emocion (serviço de acesso à Internet pelo celular), dentre outros; l.9) que solicitou, junto a Telefônica Internacional S/A, os relatórios técnicos da prestação de serviços de telecomunicações. Até o momento não conseguiu obter a documentação completa das operações descritas; l.10) que a não averbação do contrato no INPI não constitui óbice para que a Recorrente possa deduzir os pagamentos efetuados a título de assistência técnica; l.11) que possível a dedutibilidade das despesas pagas durante a tramitação do processo de averbação no INPI; m) no que tange à glosa de despesas com doações de cartão celular, sustenta que: Fl. 2784DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 8 m.1) que a Fiscalização afirma que a recorrente teria contabilizado indevidamente como despesa de doação com cartão celular, os valores distribuídos através de cartões prépagos, sem discriminação individual dos beneficiários; m.2) que a conta n° 312.89.820 registra, na verdade, custo dos cartões de Packs (doc. n° 07, da Impugnação), logo, se é custo operacional, não há falar em discriminação individual dos beneficiários; m.3) o custo de produção dos bens ou dos serviços prestados constitui redução da receita bruta (art. 290 do RIR/99 c/c art. 187 da Lei no 6.404/76) e que uma reclassificação contábil nas contas demonstraria que o resultado do exercício permaneceria, logo, não houve prejuízo na apuração da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social.; m.4) que a administração tributária, em solução de consulta, manifestouse no sentido de que: “Aparelhos entregues gratuitamente por empresas de telefonia. São dedutiveis, para os efeitos do imposto de renda e da CSLL, o custo de aparelhos entregues gratuitamente pelas empresas de telefonia a seus clientes em cumprimento de programas de fidelidade” (Dec. 6ª RF 250/00); m.5) que com muito mais razão, são dedutíveis as despesas com os cartões de Packs por se tratar de cortesia a clientes. Em resposta à diligência solicitada pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, a DRF/RJO/DIFIS (no doc. a fls. 1840) informou que: “A Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência — Resolução . n° 1051.298, de fls. 374/376, para que se procedesse a verificação dos novos documentos apresentados pela interessada após o oferecimento do recurso voluntário. Tal documentação se constitui de dois CDs, de fls. 256 (documentos n° 3 e 4), Cópias de notas fiscais de entradas e saídas, de fls. 258/330 (documento nº 5) e o Certificado de Averbação de fatura de serviços de assistência técnica junto ao INPI fls. 361. OS CDs visam a comprovação dos custos e despesas relativos aos itens de nº 001 e 002 do Auto de Infração (fls. 36/37), os quais se referem a perdas por cancelamento de faturas, fraudes e inadimplência dos assinantes. As glosas se deveram, de acordo com a descrição dos fatos, pela falta de identificação e individualização das operações que lhes deram origem, bem como, consequentemente, da falta de comprovação de registro das respectivas receitas que, anteriormente, deveriam ter sido oferecidas à tributação. Nesse aspecto, os arquivos apresentados, dissociados dos registros contábeis e da documentação suporte, não atendem aos requisitos legais para comprovação de custos e despesas, além de não serem conclusivos, já que se limitam a relacionar dados detalhados de receitas e perdas, individualizadas por cliente. Quanto às notas fiscais, teriam o condão de refutar o item de n° 004 do referido auto de inflação (fls. 38/39), qual seja, a indedutibilidade de doações de cartões telefônicos por falta de previsão legal. Os documentos acostados são notas de compra (fls. 315/330) e venda (fls. 258/314) de aparelhos celulares, emitidas, respectivamente, pela interessada e por seu fornecedor. A descrição das notas de venda deixa claro que os mencionados cartões são, efetivamente, oferecidos como bônus. Portanto, também não trazem aos autos qualquer fato novo que possa modificar o lançamento. Fl. 2785DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.782 9 Por fim, a título de impugnação ao item de n° 003 (fls. 37/38), juntou o mencionado Certificado de Averbação da fatura dos serviços que teriam sido prestados pela sua sócia estrangeira, no período compreendido entre o 4º trimestre de 2.000 e o 2° trimestre de 2006. Referido documento, no entanto, não encerra todos os requisitos legais exigidos para a dedução de despesas de tal natureza, além de não refutar todas as irregularidades apontadas na descrição dos fatos, como a falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços faturados. Dessa forma, cumprida a diligência solicitada, sem que se tenha verificado qualquer fato que possa resultar em alteração do lançamento original, proponho o retorno do processo ao PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.” A fls. 1839 e segs., a recorrente, já cientificada do relatório de diligência, assim se pronuncia: “Não obstante o auto de infração (doc. 01) narrar fatos do ano calendário de 2000, o lançamento consubstanciado nos presentes autos (Recurso n° 164.929) referese ao período de apuração 01/01 a 30/11/2000 em razão da incorporação ocorrida em 30/11/2000. O lançamento referente a dezembro/2000 (doc. 02) compõe o processo de n° 18471.001408/200531, distribuído à Quinta Câmara deste Primeiro Conselho de Contribuintes (Recurso nº 154.149). Registrese que, além de constar dos dois processos mencionados (cujos Recursos Voluntários são os de n°s 164.929 e 154.149), a infração (item "d" supra) glosa das despesas de assistência técnica no exterior pela "falta de avaliação e averbagão no INPI do contrato, falta de explicitação do custo homem/hora; infração aos itens I e II da IN SRF 005/74 e falta de comprovação da efetividade do serviço" também foi objeto de lançamento nos anoscalendários de 2001, 2002 e 2003, cujo crédito tributário integra os autos do processo n° 18471.001653/200629 (doc. 03), igualmente distribuído à Quinta Câmara deste Primeiro Conselho (Recurso n° 164.450 — em pauta de julgamento na sessão de 17.12.2008). De se ver que os fatos e elementos de prova das supostas irregularidades discutidas nestes autos são idênticas às matérias objeto dos Recursos n°s 154.149 e 164.450. É dizer, o mesmo contrato de assistência técnica com a TELEFÔNICA INTERNACIONAL S/A TISA gerou a glosa das despesas dele decorrente em três autos de infração distintos, ao fundamento da suposta não averbação daquele no INPI. Ora, de acordo com o § 1° do art. 9° do Decreto nº 70.235/72, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, as exigências relativas ao mesmo sujeito passivo serão objeto de um só processo, contendo todas as notificações de lançamento e auto de infração. Assim é que as provas necessárias para o deslinde do litígio nestes autos já estão produzidas nos processos distribuídos à Quinta Câmara (Recurso n° 154.149 e 164.450). Fl. 2786DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 10 Deveras, a instrução probatória nos autos dos processos mencionados encontrase em estágio mais avançado, enquanto, nos presentes autos, está ainda a depender da manifestação desta Colenda Câmara quanto ao pedido de perícia negado pela DRJ. Todavia, nos autos do processo n° 18471.001408/200531 (Recurso n° 154.149), foram efetuadas diligências por ordem da Câmara responsável pelo julgamento daquele processo, abordando os fatos referentes ao mesmo anocalendário de que tratam os presentes autos, tendo sido auditadas, inclusive, as contas contábeis examinadas pela fiscalização que deram suporte ao auto de infração ora objurgado. Assim, dada a conexão entre os processos citados, necessária a reunião de todos ou, pelo menos, o julgamento em conjunto dos mesmos a fim de que a solução seja uniforme, evitando decisões díspares e contraditórias acerca dos fatos in examine. Ressaltese que em razão dos inúmeros documentos apresentados pela Recorrente no Recurso n° 154.149 (arquivos magnéticos com as informações individualizadas por cliente em CD’s os quais contêm a descrição detalhada de toda a Receita provisionada pela Recorrente no período de abril a julho de 2000, bem como a composição das perdas ocorridas em dezembro de 2000 cuja origem é a receita contabilizada em maio e junho de 2000 , também com detalhamento cliente a cliente; contrato de prestação de serviços por residente no exterior devidamente averbado no INPI), os autos foram baixados em diligência, ocasião em que todas as informações restaram confirmadas no Relatório da diligência (Resolução n° 1051.298) na medida em que a autoridade fiscal constatou que os arquivos apresentados pela Recorrente relacionaram "dados detalhados de receitas e perdas individualizadas por cliente". Ora, o fundamento daquela autuação restou totalmente esvaziado com o resultado da diligência fiscal. Quanto à glosa das despesas de assistência técnica no exterior, a discussão tornouse despicienda porque, em 16 de novembro de 2006, a Recorrente recebeu, como última etapa dos procedimentos que visavam à averbação do Contrato/Fatura junto ao INPI, o CERTIFICADO DE AVERBAÇÃO DE TECNOLOGIA n° 060915/01, emitido de acordo com a Lei n° 9.279/96 — Lei da Propriedade Industrial (doc. 04). Não houve negativa do INPI para averbar contrato como quer acreditar a Fiscalização. Como se não bastasse, além da glosa das despesas de assistência técnica no exterior objeto desses autos, a Fiscalização, em relação à matéria, também procedeu a outro lançamento, a titulo de imposto de renda na fonte sobre os valores lançados a crédito do passivo ao argumento de que os créditos decorrentes das provisões de assistência técnica constituiriam fato gerador do imposto (processo n° 18471.001342/200589), além do auto de infração já mencionado, a título de imposto de renda e contribuição social nos anoscalendários de 2001, 2002 e 2003 (processo n° 18471.001653/200629 — Recurso n° 164.450, doc. n° 03, cit.) No processo n° 18471.001342/200589, a base de cálculo do imposto de fonte teve como fundamento o mero lançamento das provisões, seus Fl. 2787DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.783 11 ajustes e variações cambiais correlatas. A autuação foi promovida com base nos registros contidos nas contas do razão de nºs 313.31.610 (conta de despesa de assistência técnica), 211.28.100 e 211.21.194 (conta do passivo, relativa à provisão de assistência), relativos ao contrato de consultoria celebrado entre a Recorrente e a TELEFÔNICA INTERNACIONAL S/A — TISA. Os lançamentos nos dois processos consideram os mesmos fatos, ou seja, no processo n° 18471.001653/200329 a Fiscalização glosou a conta de despesa por falta de comprovação; no processo n° 18471.001342/200589, considerou a conta de passivo para tributar as provisões como se fato gerador do imposto de fonte fosse. No julgamento do processo n° 18471.001342/200589 prevaleceu a tese da Recorrente eis que a simples celebração do contrato e lançamentos contábeis não autorizam a exigência do IRRF, sendo imprescindível a efetiva remessa dos valores aos beneficiários no exterior a teor do parágrafo único do art. 708 do RIR/99. A decisão foi mantida por este Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda na apreciação do recurso de oficio interposto (Acórdão nº 10248.271 – doc. 05). Ocorre que no processo de n° 18471.001342/200589 também existem documentos suficientes para a comprovação da despesa glosada nestes autos. Senão vejamos: (a) fls. 22 a 28 (doc. 06): fichas de razão da conta n°211.28.100 e 211.21.194 — Provisão de Assistência Tel.Mov., cujos registros alcançam o período de 31.01.2002 a 31.12.2004. Conforme se afirmou, esses créditos decorrem das provisões lançadas na conta n° 313.31.610 despesa de assistência técnica; (b) ao longo do período de 2001 a 2004, a Recorrente efetuou apenas duas remessas para pagamento das despesas de assistência técnica: R$ 33.556.843,77 e R$ 21.726.301,09 (cf. relatório detalhado do razão — fls. 28 doc. 06, cit.). Com efeito, somente em 30/04/2004 ocorreu a transferência dos recursos sujeitos ao IRRF (código 0422), ou seja, remessa ao exterior dos serviços de assistência técnica relativo ao contrato de consultoria; (c) em 30/04/2004 o imposto de fonte tornouse exigível, pois foi nesse momento que ocorreu o fechamento do câmbio relativo aos créditos a favor dos beneficiários estrangeiros R$ 33.556.843,77 e R$ 21.726.301,09 (cf. relatório detalhado do razão — fls. 28 doc. 06, cit.). (d) ato continuo, a Recorrente procedeu ao recolhimento integral do IRRF devido, à aliquota de 15%, conforme demonstram os comprovantes de arrecadação em anexo (doc. 07). Ora, os documentos de arrecadação (doc. 07, cit.), além de comprovar o pagamento do imposto de renda fonte, atestam a efetividade da remessa dos recursos ao exterior e a legitimidade da despesa de assistência técnica para fins de dedutibilidade nestes autos, razão pela Fl. 2788DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 12 qual a base de cálculo do IRRF (valor da remessa) há de ser acatada como prova hábil e idônea da despesa. Ou seja, a própria ação fiscal (processo n° 18471.001342/200589) que pretendeu tributar as provisões decorrentes do contrato de assistência técnica pressupõe e legitima a despesa com assistência técnica. O resultado do julgamento corrobora a assertiva, uma vez que foi acatada a origem do pagamento de IRRF como sendo a despesa decorrente do contrato de assistência técnica, bem como a tributação pelo IRRF somente no momento da remessa. Concluise, por derradeiro, que os processos administrativos referidos relacionados com o presente trazem robusto e relevante material probatório que não deve ser ignorando sob pena de afronta ao principio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal. Assim, o exame de tais processos é essencial ao deslinde dos presentes autos, pois demonstrará que os frágeis fundamentos adotados pela fiscalização não se sustentam e não são compatíveis com a realidade dos fatos. 2. DO PEDIDO Diante do exposto, pede a Recorrente a remessa desses autos à Quinta Câmara deste Primeiro Conselho tendo em vista a íntima relação de causa e efeito entre os processos acima citados. Sucessivamente, pedese a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade administrativa se pronuncie sobre as alegações da Recorrente os documentos ora juntados e analise os processos referidos que tratam de matéria semelhante à versada nos presentes autos”. Ao ser novamente colocado em pauta de julgamento, a Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário, resolveu converter o julgamento em diligência (Resolução nº 10301.898 a fls. 2015), “a fim de franquear ao contribuinte uma derradeira oportunidade, no âmbito administrativo, de reunir e apresentar a comprovação hábil das despesas glosadas relativas aos os itens 3 e 4 da autuação”. Em resposta à diligência, a DRF/Londrina concluiu o seguinte (a fls. 2345): “Em razão do objeto da presente djligiência ser o cotejamento da documentação com as contas contábeis, a presente auditoria tornouse totalmente prejudicada pela falta da disponibilização dos documentos solicitados nas várias intimações efetuadas. Somente as contas do razão, apresentadas pelo contribuinte, não são suficientes para subsidiar, o contido no voto vencedor da Resolução n. 10301.898 que dentre suas considerações determinou a conversão do processo em diligência para que no âmbito administrativo fosse apresentado a comprovação hábildas despesas glosadas com o propósito de se efetuar o cotejamento entre os registros contábeis e a documentação apresentada. A empresa, desde o início dos trabalhos, não demonstrou nenhum interesse em atender a auditoria. Limitouse a tomar ciência do Termo de Intimação inicial, em 01/03/2012, na portaria da empresa, digase de passagem um local impróprio para tratar de assunto de tamanha relevância. Nessa ocasião, apenas informou que faria o encaminhamento da intimação a um escritório na cidade de São Paulo aonde seriam tomadas as providências necessárias. As demais tratativas foram descritas no início da presente Informação Fiscal. Fl. 2789DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.784 13 Diantede todo o exposto, estamos devolvendo o processo 18471.001339/200565 ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Primeira. Seção Segunda Câmara sem a análise pretendida por.esse órgão. Os documentos formalizados no curso da presente diligência encontramse na pasta DOCUMENTOS DIVERSOS / DOCUMENTOS DILIGÊNCIA no sistema eprocesso.” Em 10 de junho de 2013, o julgamento foi novamente convertido em diligência, para que a DRF/Londrina desse ciência do resultado da diligência à recorrente e lhe concedesse prazo para se manifestar nos autos. Cientificada do resultado da diligência, a recorrente assim se manifestou (doc. a fls. 2389): “Como se vê, a empresa apresentou os razões contábeis glosados pelo auto de infração e que deveriam ser objeto de verificação na diligência e os registros de faturas inadimplidas que embasam a contabilidade. E os documentos apresentados são hábeis a demonstrar o saldo da conta de perdas por inadimplência em 31.12.2000, que foram glosados pelo auto de infração em referência. No intuito de comprovar o seu bom direito, a Recorrente contratou a opinião técnica de renomada empresa de auditoria independente, que concluiu pela idoneidade dos controles de perda por inadimplência da empresa, bem como do saldo de R$ 69.772.942,06 contabilizados na conta 312.89.150 (Perda por Não Pagamento de Assinantes), relativos a faturas de valor inferior a R$ 5.000,00 vencidas a mais de 180 dias. (...) Na mesma toada, quando o contribuinte apresenta escrituração contábil regular, o art. 924 do RIR/995 determina que, para desacreditar uma informação lançada nos livros contábeis da empresa, é preciso que a autoridade fiscal prove de maneira inequívoca a inveracidade dos fatos. Entretanto, isto não ocorreu, já que o lançamento se limitou a glosar a totalidade das despesas sem apresentar outra justificativa que não fosse a suposta falta de documentos de controle da inadimplência, questão já superada pelos documentos e pelo laudo da empresa independente de auditoria. Sendo assim, considerando que a Recorrente ostenta escrituração contábil regular e idónea, respaldada por controles adequados e consistentes, claro está que a glosa das perdas por inadimplência de valores inferiores a R$ 5.000,00 deve ser cancelada. O que não se pode admitir é a manutenção da glosa integral de despesas com inadimplência devidamente contabilizadas, como se uma empresa que presta serviços de telefonia móvel para milhões de clientes não tivesse sequer uma fatura inadimplida em todo o ano calendário 2000. 5. DO PEDIDO. Pelo exposto, a Recorrente pede a reabertura da diligência e a manifestação do Fisco sobre os documentos apresentados, e, posteriormente a remessa dos autos ao CARF para julgamento do recurso voluntário.” Posteriormente, a fls. 1992, a recorrente informa que Fl. 2790DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 14 “Contudo, a Recorrente, dentro do prazo legal, para efeito do que dispõe a Lei nº 11.941, de 27.05.2009, e nos termos do caput do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22.07.2009, na redação da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 11, de 11.11.2009, requer a DESISTÊNCIA PARCIAL do Recurso Voluntário apenas no que toca: (a) ao item "005" do auto de infração relativo ao IRPJ, capitulado como "DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA OU TECNOLÓGICA BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR/ INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS"; (b) à CSLL, porém apenas com relação à dedução indevida de despesas com assistência técnica no exterior (conforme excerto acima, extraído do próprio auto de infração) renunciando expressamente ao direito sobre o qual a defesa dos aludidos itens do AI se funda.”. Em 07/01/2014, a recorrente apresentou nova petição (a fls. 2488), na qual informa que desiste parcialmente do recurso voluntário de forma irretratável, renunciando expressamente ao direito sobre o qual se funda o processo administrativo exclusivamente em relação aos itens abaixo: a) item "005" do auto de infração relativo ao IRPJ, capitulado como "DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA OU TECNOLÓGICA", bem como o lançamento de CSLL decorrente; b) item “006" do auto de infração relativo ao IRPJ, capitulado como "DESPESAS INDEDUTÍVEIS", bem como lançamento de CSLL decorrente. Na mesma petição, a recorrente requer o prosseguimento no julgamento do recurso voluntário aviado nestes autos em relação aos demais itens que foram objeto da autuação. Em 03/06/2014, esta Turma converteu o julgamento em diligência, para para que a Unidade de Origem informasse se houve a efetiva quitação dos referidos débitos, juntando aos autos o despacho de deferimento de pagamento à vista, e adotasse eventuais providências da sua alçada, após o que, retorne os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Em petição endereçada à DEMAC/SP (a fls. 2551 e segs.), a recorrente informa que: “Ocorre que a Recorrente quitou à vista os débitos aqui tratados nos itens (v) glosa de despesas com assistência técnica paga a beneficários no exterior; e (vi) glosa de despesas com doações de cartão celular, com os benefícis concedidos pela Lei 11.941/2009 (conforme comprovantes anexos – doc. 03), cujo prazo de adesão foi reaberto pela Lei 12.865/2013, nos seguintes termos: (...) Atendendo aos dispositivos acima, a Recorrente desiste parcialmente do recurso voluntário de forma irretratável, renunicando expressamente ao direito sobre o qual se funda o processo administrativo exclusivamente em relação aos itens abaixo: item "005" do auto de infração relativo ao IRPJ, capitulado como "DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA OU TECNOLÓGICA", bem como o lançamento de CSLL decorrente; Fl. 2791DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.785 15 item “006" do auto de infração relativo ao IRPJ, capitulado como "DESPESAS INDEDUTÍVEIS", bem como lançamento de CSLL decorrente.” Posteriormente, em petição a fls. 2620, a recorrente informa que: “Nesse espeque, seguindo a própria distinção estabelecida pelo fiscal autuante, as equerentes efetuaram exclusivamente o pagamento dos débitos referentes ao item 003 relativo ao IRPJ, capitulado como “Custos ou Despesas Não Comprovadas, Glosa de Custos”, bem como o lançamento de CSLL correspondente: (...) Seguem abaixo o valor do (principal) dos débitos pagos no REFIS, salientando que, por óbvio, o pagamento também abarca os consectários legais (cf. doc. nº 03 cit): Tributo IRPJ (Cód. 2917) CSLL (cód. 2973) Base tributável R$ 1.360.634,76 R$ 1.360.634,76 Principal R$ 340.158,68 R$ 108.850,78 .................................................................................................................” Por último, importante a transcrição das seguintes tabelas constantes do “Extrato do Processo” a fls. 2768: AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ Extinções / Eventos / Saldo Principal / (Valor Referencial) % multa 2917 12/2000 MENSAL REAL 27.737.992,45 75,00 Transferido para: 16151720.137/201402 614.960,89 75,00 Transferido para: 12448727.026/201271 4.087.633,40 75,00 Transferido para: 16151720.142/201415 340.158,68 75,00 Saldo de Principal e Multa Vinculada 22.695.239,48 75,00 AUTO DE INFRAÇÃO CSLL Extinções / Eventos / Saldo Principal / (Valor Referencial) % multa 2973 12/2000 MENSAL REAL 8.876.157,58 75,00 Transferido para: 16151720.137/201402 196.787,48 75,00 Transferido para: 12448727.026/201271 1.308.042,69 75,00 Transferido para: 16151720.142/201415 108.850,78 75,00 Fl. 2792DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 16 Saldo de Principal e Multa Vinculada 7.262.476,63 75,00 É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por advogado com poderes para tal (docs. a fls. 1996 a 2000), razão pela qual dele conheço. Do cerceamento do direito de defesa Preliminarmente, cabe ressaltar que não procede a alegação de cerceamento do seu direito de defesa, em razão de a autoridade julgadora de primeira instância ter negado os pedidos de perícia. Primeiro, conforme pacífica jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, só há falar em cerceamento do direito de defesa in casu, se demonstrado o prejuízo causado pela não realização da diligência, o que a recorrente não logrou demonstrar. Por sua vez, a prova pericial tem como destinatário o julgador e só ele pode avaliar a sua necessidade, a qual, por óbvio, não se faz necessário para conhecimento das questões postas em julgamento nos presentes autos. Por último, todas as oportunidades foram dadas à recorrente para produzir as suas provas de defesa, inclusive com a realização de diligência especificamente para isso. Em consulta feita no dia 28/05/2013, verifiquei que os autos do PAF nº 18471.001342/200589 já não se encontravam sequer na base de dados do Eprocesso, o que indica que já houve a extinção do processo administrativo, razão pela qual fica prejudicada a análise do pedido de conexão (ou julgamento conjunto) deste PAF com o PAF nº 18471.001342/200589. Da decadência Com relação à preliminar de mérito suscitada, também não tem razão a recorrente, pois não há créditos tributários extintos pela decadência nos lançamentos ora em análise. Não procede o entendimento da recorrente de que o fato gerador do IRPJ seja mensal, pois, em 2000, já estava em vigor a Lei nº 9.430/96, a qual só prevê duas modalidades de apuração: fatos geradores trimestrais ou anual. Ademais, a recorrente optou pelo lucro real anual, conforme prova a sua DIPJ a fls. 8 dos autos. Assim, aplicandose a regra do art. 150, § 4º, do CTN, para o fato gerador do IRPJ e da CSLL de 30/11/2000 (em razão da incorporação), o Fisco poderia efetuar o lançamento até 30/11/2005, logo, como a ciência do auto de infração se deu 20/10/2005, não há falar em decadência de créditos do IRPJ e da CSLL. Notese que se aplica à CSLL o prazo de cinco anos do art. 150, § 4º, do CTN pelo mesmo motivo a seguir abordado no tocante à Cofins e ao PIS. No que toca aos créditos de Cofins e de Contribuição para o PIS, aplicase o prazo de cinco anos estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que que o art. 45 da Lei 8.212/91 já foi definitivamente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (Súmula Vinculante nº 8). Logo, estão extintos pela decadência os créditos relativos ao fato Fl. 2793DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.786 17 gerador de 31/03/2000 (referentes à Omissão de Receita Operacional caracterizada pela não contabilização de custos de aquisição de aparelho celular digital LGC330W, em 31/03/2000), cujos montantes perfazem: Cofins............R$ 105.887,52 (doc. a fls. 138); PIS..................R$ 22.942,29 (doc. a fls. 133). Do mérito No mérito, cabe, inicialmente, fixar quais matérias ora em julgamento. O auto de infração do IRPJ foi dividido nos seguintes itens: 001 OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS Valor tributável...........R$ 21.677.179,74 002 OMISSÃO DE RECEITAS MERCADORIAS, MATÉRIASPRIMAS E OUTROS INSUMOS NÃO CONTABILIZADO) Valor tributável...........R$ 3,529.584,04 003 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE CUSTOS Valor tributável...........R$ 1.360.634,76 004 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS Valor tributável...........R$ 65.574.194,40 005 – DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA OU TECNOLÓGICA BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR / INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAI: Valor tributável...........R$ 16.350.533,63 006 DESPESAS INDEDUTIVEIS Valor tributável...........R$ 2.459.843,55 Fl. 2794DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 18 O valor do IRPJ (apenas o principal) calculado sobre o valor tributável dos itens 3, 5 e 6 são os seguintes: IRPJ (valor do principal) – R$ ITEM 003 340.158,68 ITEM 005 4.087.633,40 ITEM 006 614.960,89 Assim, conforme tabela transcrita no relatório e diante das duas petições apresentadas pela recorrente, fica claro que tais valores (juntamente com seus acréscimos legais) foram transferidos para os PAFs nº 16151720.142/201415, 12448727.026/201271 e 16151720.137/201402. Da mesma forma, foram transferidos para os mesmos processos os créditos de CSLL e acréscimos legais incidentes sobre as mesmas bases, conforme tabela também constante do relatório. Os motivos de tais transferências constam das petições apresentadas pela recorrente e referidas no relatório. Diante disso, remanesce para ser julgado nestes autos os itens 001, 002 e 004 do auto de infração do IRPJ Dos autos de infração da Contribuição para o PIS e da Cofins, remanesce apenas o valor tributável no montante de R$ 21.677.179,74, decorrente do item 001 do auto de infração do IRPJ, pois os créditos de Cofins e PIS calculados sobre o valor tributável no montante de R$ 3,529.584,04 (item 002 do auto de infração do IRPJ), conforme tratado anteriormente, foram alcançados pela decadência. Do auto de infração da CSLL, por sua vez, remanescem para serem julgados os seguintes subitens: DO ITEM 001 do AIIRPJ Da omissão de receita pela compra e venda de aparelhos sem transitar na conta de estoque, pelo lançamento a débito e a crédito da mesma conta. Item do AICSLL Valor Tributável Item equivalente do AIIRPJ Situação R$ 1.360.634,76 003 Transf. outro PAF R$ 65.574.194,40 004 Em julgamento R$ 16.350.533,63 005 Transf. outro PAF 001 R$ 2.459.843,55 006 Transf. outro PAF R$ 21.677.179,74 001 Em julgamento 002 R$ 3,529.584,04 002 Em julgamento Fl. 2795DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.787 19 Com relação aos argumentos de defesa acerca deste tópico, cabe ressaltar que não são convincentes, pois, primeiro, é difícil imaginar que o novo sistema contábil (SAP) adotado pela recorrente fosse tão rígido que impossibilitasse a inclusão de novas contas. Isso mesmo, alega a recorrente que o equivocado lançamento a débito e a crédito de conta de despesa foi ocasionado pelo fato de que para transferir os saldos das contas patrimoniais da antiga nomenclatura para a nova, tendo em vista a impossibilidade de inclusão, a Recorrente utilizou em contrapartida a conta de despesa n° 320.81.290. É inaceitável a alegação de que lançamentos contábeis equivocados foram feitos deliberadamente para resolver problemas tecnológicos. Ademais, conforme dispõe o art. 226 da Lei 10.406/02, a escrituração contábil prova contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Por outro lado, cabe analisarmos os lançamentos contábeis entre as contas de despesa nº 32081290 “Outras Perdas de Baixas – Almoxarifado de Operação” e a conta de ativo nº 11276100 – Material destinado à venda (aparelhos/acessórios) no período compreendido entre 01/01/2000 a 29/02/2000, em que foi creditado e debitado em cada uma dessas contas o montante de R$ 10.838.589,72, conforme Relatório Detalhado do Razão a fls. 76 e 77. Isso porque, tem razão a recorrente quando sustenta que não houve impacto no resultado contábil o lançamento do mesmo montante a débito e a crédito da conta de despesa. Primeiramente, ressalto que o autuante entendeu que os valores creditados à conta de ativo e debitados à despesa se tratavam de omissão de vendas e, por sua vez, os valores debitados à conta de ativos e creditados à despesa se tratavam de omissão de compras. Sustenta o autuante (auto de infração a fls. 123) que: “A empresa através da conta N.32081290 ( OUT PERDAS BAIXADAS ALM. OPERAÇÃO) baixou diversos aparelhos celulares sem discriminação de modelo, número de série, valor unitário, sem identificar a baixa no estoque, bem como não apresentou nenhum LAUDO de destruição emitido pela fiscalização, conforme solicitado em nosso Termo de Intimação em anexo.”. Ora, se a situação estava assim configurada, não havia que se falar em omissão de vendas, mas de glosa de despesa (por inobservância do disposto no art. 291 do RIR), mesmo porque não foram apontados pelo autuante outros elementos de prova de que os referidos celulares foram efetivamente vendidos. Com relação aos lançamentos a crédito da conta de despesa ( OUT PERDAS BAIXADAS ALM. OPERAÇÃO), conclui o autuante que seriam omissões de compra. Tratase, in casu, de uma presunção hominis, tanto que o autuante enquadrou a situação fática no art. 24 da Lei nº 9.249/95, o qual não versa sobre presunção legal de omissão de receitas. Ou seja, o lançamento se fundou unicamente em um indício de omissão de receita, o que certamente não é suficiente para manutenção da autuação. Ademais, o próprio autuante desvincula as operações que levaram aos lançamentos a débito daquelas que levaram aos lançamentos a crédito da conta de despesa, pois entende que a primeira se refere a omissão de venda e a segunda, a omissão de compras. Assim sendo, se analisarmos a autuação do que foi denominado “omissão de compras” isoladamente, verificase que não há nada a ser tributado, pois o valor todo foi oferecido a tributação na medida em que foi lançado a crédito da conta de despesa. Por essas razões, concluo que deva ser exonerado o contribuinte dos créditos tributários relativos ao item 001 do auto de infração do IRPJ, bem como os seus correlatos nos autos de infração da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS. Assim, deve ser excluído das bases tributáveis lançadas do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 21.677.179,44 e exonerado o Fl. 2796DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 20 recorrente dos créditos tributários lançados de Cofins e Contribuição para o PIS do fato gerador de 30/11/2000. DO ITEM 002 do AIIRPJ Da omissão de receita pela compra de equipamento com lançamento em conta de despesa Neste item da autuação (item 002 do AI do IRPJ a fls. 131/132), o autuante afirma que se trata de omissão de receita pela não contabilização de custos de aquisição de aparelho celular digital LGC330W, em 31/03/2000, no valor de R$ 3.529584,05. A recorrente, por sua vez, alega que se trata de bonificação recebida de LG ELECTRONICS, pois na compra de uma determinada quantidade de produtos, faz jus a uma bonificação (em aparelhos) estipulada em dólares americanos. Do mesmo Relatório a fls. 77, verificase que os lançamentos contábeis foram os seguintes: primeiro, lançado a crédito da conta de despesa nº 32081290 “Outras Perdas de Baixas – Almoxarifado de Operação” e a débito de contas a receber nº 11231310, em dois lançamentos, o total de R$ 3.529.584,05; posteriormente, mas no mesmo dia, lançado o mesmo valor a débito da conta de despesa nº 32081290 “Outras Perdas de Baixas – Almoxarifado de Operação” e a crédito da conta de ativo nº 11276100 – Material destinado à venda (aparelhos/acessórios). Ora, ao se analisar os equivocados lançamentos contábeis da recorrente não se pode deduzir, à míngua de qualquer outra prova, que se trate de mercadorias recebidas em bonificações. Por outro lado, há que refletir sobre os lançamentos efetuados, os quais resultaram, ao final, em: a) um débito e crédito no mesmo valor na conta de despesa – Outras Perdas de Baixas; b) débitos em conta de ativo contas a receber nº 11231310, no montante de R$ 3.202.877,37; e c) crédito em conta de ativo Material destinado à venda (aparelhos/acessórios) nº 11276100, no valor de R$ 3.202.877,37. Como se vê, em um primeiro momento não houve impacto em resultado, pois houve um débito e crédito de mesmo valor na conta de despesa. Noutro ponto, não faz o menor sentido o crédito à conta de estoque e o débito em contas a receber, pois, caso se tratasse de mercadoria recebida em bonificação não havia porque impactar tais contas. É certo porém que a recorrente adquiriu a mercadoria, seja como bonificação como alega, ou com a utilização de recursos não escriturados (receitas omitidas) como sustenta a Fiscalização. Por outro lado, o autuante analisou apenas a primeira parte dos lançamentos efetuados, ou seja, o lançamento a débito de contas a receber e a crédito de despesa, o qual foi, pelo menos no que tange a despesa, anulado pelo lançamento a débito de despesa e a crédito de estoque. Além disso, enquadrou a situação no art. 41 da Lei 9.430/96, o qual trata de levantamento quantitativo por espécie das quantidades de mercadorias adquiridas para revenda (§ 3º do mesmo dispositivo), algo que não foi verificado pela Fiscalização, mesmo porque impossível fazêlo apenas com base no Razão da conta de despesa. Além disso, não pode a fiscalização a partir unicamente desses lançamentos, concluir que a recorrente não fez o registro de entrada da mercadoria em seu controle de estoque, nem muito menos assegurar que realmente não foi uma bonificação que afetou o custo da mercadoria vendida a posteriori. Até entendo que lançamentos tão esdrúxulos como esses levam a se suspeitar da conduta da recorrente, mas cabia o aprofundamento da auditoria, para se chegar à conclusão Fl. 2797DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.788 21 de que se tratava realmente de uma omissão de compras. Por essa razão, entendo que deva ser excluído das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 3.529.584,04. Observo que, com relação à Cofins e à Contribuição para o PIS, os créditos relativos a essa omissão de receita (fato gerador de 31/03/2000) já estavam extintos pela decadência como demonstrado anteriormente. DO ITEM 004 do AIIRPJ Da glosa de despesa por falta de comprovação Tratase, neste item, de glosa de despesa de Perda na realização de crédito no ano de 2000, no valor total em 30/11/2000 de R$ 65.574.194,40 e, em 31/12/2000, de R$ 4.198.747,60, lançadas na conta n° 312.89.150 (PERDA POR NÃO PAGAMENTO DE ASSINANTES). O Anexo ao auto de infração a fls. 121, informa que: “Conforme discriminado no auto de infração a empresa não comprovou através de qualquer documentação hábil que os valores contabilizados como PERDA POR NÃO PAGAMENTO DE ASSINANTE NA CONTA N° 312.89.150, mensalmente de forma sintética, em valores superiores a R$5.000,00 sem discriminar o assinante e de seus dados, a data que alega ter sido faturado, os valores individualizados e demais elementos de comprovação. A própria empresa em sua resposta ao nosso Termo de Intimação ao solicitar um prazo de 15 dias para tentar comprovar estas operações, admite não ter qualquer controle em sua contabilidade.”. Realmente, a fls. 88, consta resposta da recorrente à intimação fiscal para que detalhasse individualmente por data as receitas correspondentes aos clientes inadimplentes, no qual a recorrente afirma que: “Pela complexidade de localização das receitas por mês de competência das perdas contabilizadas por cada cliente, em razão de que a identificação das receitas de prestação de serviços não necessariamente coincide com a data da efetiva emissão do documento fiscal, haja vista que em cada nota fiscal emitida é possível que esteja contida a cobrança de até 3 (três) meses pretéritos da prestação de serviços, necessário seria o desenvolvimento de um programa sistêmico especifico para possibilitar a entrega da informação nos moldes estabelecidos no item n° 1 do Termo de Intimação. Pelo exposto, requer a concessão de um prazo de 75 dias, para que seja possível o cumprimento do item n° 1 do citado Termo de Intimação. Informamos também, que as apropriações Contábeis das receitas no ano de 2000, foram contabilizadas de forma sintética, segregada por cada item da receita da prestação de serviço.”. Fl. 2798DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 22 Já na segunda oportunidade que teve para demonstrar que atendia as condições de dedutibilidade das despesas com perda no recebimento de créditos, a recorrente assim se manifestou: “Como se vê, a empresa apresentou os razões contábeis glosados pelo auto de infração e que deveriam ser objeto de verificação na diligência e os registros de faturas inadimplidas que embasam a contabilidade. E os documentos apresentados são hábeis a demonstrar o saldo da conta de perdas por inadimplência em 31.12.2000, que foram glosados pelo auto de infração em referência. No intuito de comprovar o seu bom direito, a Recorrente contratou a opinião técnica de renomada empresa de auditoria independente, que concluiu pela idoneidade dos controles de perda por inadimplência da empresa, bem como do saldo de R$ 69.772.942,06 contabilizados na conta 312.89.150 (Perda por Não Pagamento de Assinantes), relativos a faturas de valor inferior a R$ 5.000,00 vencidas a mais de 180 dias. Quando a Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes franqueou uma segunda oportunidade, após o recurso voluntário, para que a recorrente apresentasse a comprovação hábil das despesas glosadas relativas ao item 004 da autuação, o que se verificou foi o total desinteresse da recorrente em apresentar os documentos exigidos, se não vejamos, mais uma vez, como a Autoridade Diligenciadora se manifestou: A empresa, desde o início dos trabalhos, não demonstrou nenhum interesse em atender a auditoria. Limitouse a tomar ciência do Termo de Intimação inicial, em 01/03/2012, na portaria da empresa, digase de passagem um local impróprio para tratar de assunto de tamanha relevância. Nessa ocasião, apenas informou que faria o encaminhamento da intimação a um escritório na cidade de São Paulo aonde seriam tomadas as providências necessárias. As demais tratativas foram descritas no início da presente Informação Fiscal. : ' Diantede todo o exposto, estamos devolvendo o processo 18471.001339/2005 65 ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Primeira. Seção Segunda Câmara sem a análise pretendida por esse órgão. Os documentos formalizados no curso da presente diligência encontramse na pasta DOCUMENTOS DIVERSOS / DOCUMENTOS DILIGÊNCIA no sistema eprocesso.” Ao se manifestar sobre a diligência, a recorrente, então, informa (a fls. 2395) que tinha controles auxiliares (CAR) ao razão contábil, os quais possuíam informações analíticas com dados dos clientes, valores a receber, data de emissão e data de vencimento dos títulos (vide doc. a fls. 2469). Disso fica a pergunta, se realmente tinha esse CAR – arquivos gerencias ref. às contas a receber, por que não disponibilizou para a Fiscalização? Por que não disponibilizou às autoridades diligenciadoras nas duas vezes em que o processo foi baixado em diligência? Por que respondeu ao Fiscal autuante que não tinha qualquer controle? Além disso, cabia a recorrente demonstrar que atendia as condições de dedutibilidade das despesas (valor, data de vencimento e devedor), para os débitos até R$ 5.000,00 por operação, inclusive com apresentação de lastro documental, ainda que por amostragem. Logo, mantenho nas bases tributáveis do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 65.574.194,40. Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: a) reconhecer extintos, pela decadência, os créditos de Cofins e Contribuição para o PIS, referentes ao fato gerador de 31/03/2000, no valor, respectivamente, de R$ 105.887,52 e R$ 22.942,29; Fl. 2799DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.789 23 b) exonerar a contribuinte dos créditos de Cofins e de Contribuição o PIS, relativo ao fato gerador de 30/11/2000, no valor, respectivamente, de R$ 650.315,38 e R$ 140.901,66; e c) excluir das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 25.206.763, 48, decorrente do cancelamento do lançamento consubstanciado nos itens 001 e 002 do auto de infração do IRPJ e seus correlatos no auto de infração da CSLL. d) manter os lançamentos do item 004 do auto de infração do IRPJ e o correlato do auto de infração da CSLL (ref. ao valor tributável de R$ 65.574.194,40). Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 2800DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10805.720426/2014-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MATÉRIA CONEXA. APRECIAÇÃO. NECESSIDADE.
A reunião ao processo de Manifestação de Inconformidade relativa a Despachos Decisórios, cujos indeferimentos repousam exatamente na alegação de que o direito creditório encontra-se nele sendo apreciado, é medida que se impõe, sob pena de cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Ato decisório de primeiro grau que se cancela, para que outro seja prolatado, abrangendo, dessa vez, o juízo acerca da admissibilidade da compensação tributária pleiteada.
Numero da decisão: 1301-001.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, cancelar a decisão exarada em primeira instância.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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MATÉRIA CONEXA. APRECIAÇÃO. NECESSIDADE. A reunião ao processo de Manifestação de Inconformidade relativa a Despachos Decisórios, cujos indeferimentos repousam exatamente na alegação de que o direito creditório encontrase nele sendo apreciado, é medida que se impõe, sob pena de cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Ato decisório de primeiro grau que se cancela, para que outro seja prolatado, abrangendo, dessa vez, o juízo acerca da admissibilidade da compensação tributária pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, cancelar a decisão exarada em primeira instância. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 04 26 /2 01 4- 85 Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 428 2 Relatório Cuida o presente processo de pedidos de restituição e declarações de compensações, cujo direito creditório indicado, no montante de R$ 5.103.104,82, diz respeito a saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2004. Registro, primeiramente, que consta dos autos, às fls. 02, o seguinte despacho: O contribuinte Caraíba Metais S/A, CNPJ 15.224.488/000108, o qual foi incorporado pela Paranapanema S/A, CNPJ 60.398.369/000126, declarou em sua DIPJ do anocalendário 2004 um Saldo Negativo de IRPJ no valor de R$ 5.103.104,82. Para utilizar o Saldo Negativo em Questão o contribuinte transmitiu PER/DCOMP’S em um montante de R$ 1.292.449,93. Para controlar o crédito foi formalizado o processo 13502.720396/200942 e para controlar os débitos o processo 13502.720397/200997. Inicialmente a solicitação do contribuinte havia sido indeferida pela DRF, mas a DRJ/SDR reconheceu parcialmente um direito creditório no valor de R$ 3.424.095,93, conforme Acórdão de fls. 1328/1352. Para que seja dado seguimento o crédito em questão será divido em 3 partes conforme a tabela abaixo: PROCESSO VALOR COMENTÁRIO 13502.720396/200942 R$ 1.292.449,93 Valor já deferido e parcialmente utilizado 10805.720425/201431 R$ 2.131.646,00 Valor já deferido e não utilizado 10805.720426/201485 R$ 1.679.008,89 Valor ainda em questionamento TOTAL R$ 5.103.104,82 Valor total pleiteado O crédito dos processos 13502.720396/200942 e 10805.720425/201431 será utilizado com Restituição ou com a Compensação de Ofício, na existência de débitos. O processo 10805.720426/201485 por sua vez será encaminhado para Julgamento no CARF. O presente processo, portanto, recebeu o número 10805.720426/201485, para tratar especificamente da parcela de crédito pleiteada pela contribuinte e que não foi reconhecida nas instâncias precedentes, e foi formado com as peças integrantes do processo administrativo nº 13502.720396/2009421. Sirvome de fragmentos do relatório constante da decisão de primeiro grau para retratar os fatos e as razões de defesa inicialmente trazidas pela contribuinte. 1 Esclareço, inclusive, que, em razão dessa peculiaridade, em uma primeira apreciação, o presente processo foi considerado sem condições de julgamento, visto que o arquivo a ele associado era o correspondente ao processo nº 13502.720396/200942. Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 429 3 Trata o presente de Manifestação de Inconformidade apresentada contra decisão proferida pela DRF de Camaçari através do Despacho Decisório DRF/CCI Nº 0023/2010 de 24/09/2009 emitido pelo seu titular, que indeferiu os Pedidos de Restituição PER e Declarações de Compensação abaixo relacionados, vinculados ao saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2004, que na forma da DIPJ retificadora apresentada em 01/12/2009, indicava o valor de R$ 5.103.104,82 conforma parcelas abaixo: FICHA 12 A – CÁLCULO DO IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01. À ALÍQUOTA DE 15% 19.025.297,71 03. ADICIONAL 12.659.531,81 10. ISENÇÃO E REDUÇÃO DO IMPOSTO 31.341.551,88 13. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE 1.292.631,72 17 IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA 4.153.750,74 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 5.103.104,82 No exercício do direito ao saldo negativo acima informado, o contribuinte Protocola os seguintes Pedidos de Restituição PER: ... Além dos Pedidos de Restituição acima citados, com base no mesmo saldo negativo apurado em 2004, foram apresentadas as seguintes Declarações de Compensação – DCOMP, que integram o processo 13502720.397/200997 que tramita apensado ao presente: ... Como visto, do direito creditório referente ao saldo negativo informado na DIPJ do anocalendário de 2004 (5.103.104,82), o contribuinte exerce parcialmente o seu possível direito apresentando Pedidos de Restituição – PER no montante de R$ 1.292.449,93 e Declarações de Compensação no montante de R$ 1.042.796,99 (Processo 13502720.397/200997) em valores originais, o que perfaz um total de R$ 2.335.246,92. Baixado para tratamento manual, o pedido foi indeferido com base nos seguintes argumentos: 1 DA ISENÇÃO DO IRPJ “Inconsistências na apuração do Lucro da Exploração (Ficha 08 fl. 137), no que tange aos valores informados a título de "Tributos e Contribuições – Exigibilidade Suspensa", quando confrontados com os valores consignados, sob o mesmo título, na apuração do Lucro Real (Ficha 09A fl. 369), razão pela qual foi refeito o cálculo do lucro da exploração, bem como do imposto incidente sobre lucro da exploração da atividade isenta, parcela essa utilizada como dedução do imposto de renda sobre o lucro real apurado no ajuste anual”. No caso específico, em razão da diferença em relação aos tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, cujo valor correto seria R$ 90.381.670,41 Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 430 4 e não o valor de R$ 97.103.390,06 informado pelo contribuinte, a parcela isenta foi reduzida de R$ 31.341.551,88 para R$ 29.662.542,99. 2 DO IRRF INCIDENTE SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS “Em relação aos rendimentos de aplicações financeiras do ano anterior (ano calendário 2003), não foi apresentada a correspondente documentação contábil (Livro Razão), limitando o interessado a indicar que as referidas receitas estariam inclusas em conta n.° 3513.001, conforme quadro da fl. 148”. “Por outro lado, quanto às receitas financeiras supostamente auferidas no ano calendário 2003, que teriam sido resgatadas no ano seguinte, dando causa à parcela do IRRF no anocalendário 2004, não restou comprovado que as referidas receitas estariam efetivamente relacionadas à parcela do IR retido na fonte no ano de 2004, tampouco restou demonstrado a sua inclusão na composição da Linha 24, da Ficha 06A, da DIPJ 2004, anocalendário 2003”. “Assim sendo, resta demonstrada a impossibilidade de se utilizar parcela do IRRF, relativo ao anocalendário 2004, no valor de R$ 154.647,32 (cento e cinqüenta e quatro mil, seiscentos e quarenta e sete reais e trinta e dois centavos), correspondente às receitas financeiras cujo oferecimento à tributação não restou comprovado, no montante de R$ 773.236,60 (segundo MAFON 2004, código de receita 3426, alíquota aplicável: 20%)”. Dessa forma, o IRRF passível de ser utilizado como dedução do imposto de renda sobre o lucro real apurado no ajuste anual monta R$ 1.137.984,40 (R$ 1.292.631,72 R$ 154.647,32), valor este a ser transcrito para a Linha 13, da Ficha 12A, da DIPJ 2005. 3 DO IR PAGO POR ESTIMATIVA “Inferese da consulta ao sistema FISCEL, anexada à fl. 58, que as parcelas de estimativa mensal de IRPJ referentes aos PA janeiro/2004 e fevereiro/2004, declaradas em DCTF, às fls. 56/57, como quitadas por meio de Liminar em Mandado de Segurança n° 1998.33.00.0156928, encontramse controladas no processo n° 13502.720003/200739, formalizado em razão de expediente de Auditoria Interna de DCTF, que tratou os débitos em comento, confessados pelo interessado, vinculados à referida ação judicial”. “Ao se consultar o sistema SIEF PROCESSO, à fl. 71, verificase que esses débitos encontramse inscritos em dívida ativa, desde a data de 02/04/2007, segundo consulta a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, às fls. 72/73. Dessa forma, apesar de estarem sendo controlados e cobrados pelo processo n° 13502.720003/200739 cabe a sua glosa, pois os referidos débitos não podiam ser objeto de compensação, conforme ementa do Acórdão da Apelação que confirma a sentença da ação judicial supracitada, que determina que os créditos "devem ser utilizados somente para a apuração contábil, afastandose quaisquer das hipóteses de repetição do indébito ou da compensação, seja na forma da Lei n° 8383/91, seja na da Lei n° 9430/96", vide fls. 366 a 368, e neste caso, uma vez que os débitos, relativos às estimativas, não poderiam ser objeto de compensação, concluise que tais estimativas, no valor total de R$ 4.153.750,74, não devem ser mantidas na composição do saldo negativo de IRPJ/2005 (uma vez que não efetivamente quitadas), devendose, também, como contrapartida, abrir expediente junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional no sentido de que as estimativas aqui glosadas não continuem a ser cobradas no respectivo processo de controle/cobrança, que é o de n° 13502.720003/200739”. 4 CONCLUSÃO Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 431 5 Assim sendo, fezse a reconstituição de ofício da Ficha 12A da DIPJ 2005, ND 1393871 DV03, à fl. 140, conforme abaixo, a partir das informações prestadas pelo contribuinte na respectiva DIPJ, observados, ainda, os valores demonstrados nos parágrafos acima, que foram objeto de confirmação, totalizando um imposto de renda a pagar no valor de R$ 884.302,13 (oitocentos e oitenta e quatro mil, trezentos e dois reais e treze centavos), ressaltandose que não será efetuada representação fiscal à Seção de Fiscalização (SAFIS) desta Delegacia, em virtude do decurso do prazo decadencial, conforme o inciso I, do art. 173, do CTN, para fins de lançamento do IRPJ a pagar apurado, bem como das multas de ofício (isoladas) que seriam cabíveis pelo não pagamento ou recolhimento da estimativa mensal do imposto, consoante prescrição dos incisos I e II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. FICHA 12 A – CÁLCULO DO IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01. À ALÍQUOTA DE 15% 19.025.297,71 03. ADICIONAL 12.659.531,81 10. ISENÇÃO E REDUÇÃO DO IMPOSTO 29.662.542,99 13. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE 1.137.984,40 17 IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA 0,00 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 884.302,13 Cientificada da decisão em 22/03/2010 (fl. 403), o contribuinte apresenta manifestação de Inconformidade em 22/04/2010 (fls. 443 a 450), alegando em síntese, o seguinte: a) DA NULIDADE DA RETIFICAÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO DO ANOCALENDÁRIO DE 2004 Segundo o despacho decisório recorrido, o pedido de restituição não foi deferido, tendo em vista que existiriam inconsistências na apuração do Lucro da Exploração do anocalendário de 2004, reduzindo, consequentemente, a parcela isenta do imposto em R$ 1.679.008,89. Em verdade, o que a DRF fez foi retificar o cálculo do Lucro da Exploração e, consequentemente, retificar o saldo negativo de IRPJ do período em debate. Ocorre, porém, que padece de total nulidade a retificação do Lucro da Exploração e, consequentemente, do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 levadas a efeito pela DRF, já que se trata de valor homologado e, portanto, imutável. Tratandose o imposto lançado na DIPJ de tributo apurado no ano de 2004, no âmbito do lançamento por homologação (artigo 150 do CTN), o prazo decadencial para o questionamento de qualquer valor constante da DIPJ expirou em 31.12.2009, sendo certo que inexistindo revisão do lançamento, nos termos do artigo 149 do Código Tributário Nacional, este valor tornase imutável. Portanto, encontrandose homologado o saldo negativo apontado na DIPJ do anocalendário de 2004, incabível sua alteração para mitigar o direito creditório do Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 432 6 contribuinte, conforme, inclusive, já decidiu o CARF (cita o Acórdão prolatado no Recurso n° 157.009 Oitava Câmara, Sessão de 23/01/2008). Desta forma, por estar homologado o valor de Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, é nula de pleno direito a retificação do Lucro da Exploração e, consequentemente, do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 levadas a efeito pela DRF, razão pela qual tal retificação não pode mitigar o direito creditório da Manifestante. b) DA IMPROCEDÊNCIA DO NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO DE IRRF NO VALOR DE R$ 154.647,32 NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ A DRF, a despeito de ratificar, nos sistemas da SRFB e através dos informes de rendimentos apresentados pela Manifestante, a existência do crédito de IRRF da monta de R$ 1.292.631,72 (fls. 381), relativo a receitas financeiras, deixou de incluir no saldo negativo de IRPJ em debate (anocalendário 2004) o valor de R$ 154.647,32, ao argumento de que as correspondentes receitas financeiras, no montante de R$ 773.236,60, relativas a aplicações financeiras auferidas no ano calendário de 2003 e que teriam sido resgatadas no ano seguinte, dando causa à parcela de IRRF acima citada, não tiveram sua tributação comprovada pela Manifestante através da apresentação de cópia do Livro Razão. Em outras palavras, a Autoridade Administrativa deixou de reconhecer o crédito de IRRF do contribuinte em razão da não apresentação do Livro Razão relativo aos rendimentos de aplicações financeiras, e a comprovação de seu oferecimento à tributação na DIPJ/2004 (anocalendário 2003). Pois bem, nesta oportunidade a Manifestante apresenta: • Cópia do Livro Razão do anocalendário de 2003 contas 35.13. (Contas de Resultado Rendimentos Financeiros) e 11.06 (Contas de Ativo Aplicações Financeiras) (DOC. 02 mídia eletrônica); • DIPJ 2004 anocalendário 2003 (DOC. 02 mídia eletrônica); • Balancete Contábil do anocalendário de 2003 (DOC. 03); • Planilha indicativa da composição das linhas da ficha 06A da DIPJ/2004, relativas as receitas e despesas financeiras (DOC. 04); • Planilha com a composição detalhada da linha 24 (Outras Receitas Financeiras) da ficha 06A da DIPJ/2004 (DOC. 05); • Razão contábil da conta 11.06 (Aplicações Financeiras) organizada por banco e com saldo da conta em 31.12.2002 (DOC. 02 mídia eletrônica); • Planilha Resumo da Movimentação das Aplicações Financeiras no ano de 2003, Rendimentos recebidos e IRRF retido no período (DOC. 06). A documentação apresentada, inequivocamente, demonstra a tributação no anocalendário de 2003 das Receitas de Aplicações Financeiras da Ordem de R$ 773.236,60, que compõe os R$ 9.067.221,66 oferecidos à tributação na DIPJ/2004, ficha 06A, linha 24, em obediência ao princípio da competência. Desta forma, restando comprovada a tributação dos rendimentos de aplicações financeiras do ano de 2003, deve ser reformado o r. despacho decisório de modo a incluir no Saldo Negativo em debate o crédito de IRRF relativo no valor de R$ 154.647,32. Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 433 7 c) DO INEQUÍVOCO DIREITO A UTILIZAÇÃO DO VALOR RECOLHIDO A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO NOS MESES DE JANEIRO E FEVEREIRO DE 2004 NO SALDO NEGATIVO DE IRPJ DO PERÍODO A DRF deixou de reconhecer no cálculo do Saldo Negativo de IRPJ do ano calendário de 2004 o crédito do contribuinte relativo às Estimativas dos meses de Janeiro e Fevereiro de 2004, no valor total de R$ 4.153.750,74, ao argumento de tais valores, quitados inicialmente por meio de compensação autorizada pela liminar em Mandado de Segurança n° 1998.33.00.0156928, são objeto de cobrança através do Processo Administrativo n° 13502.720003/200739 em razão de decisão que revogou a referida liminar. Ocorre, contudo, o r. despacho não considerou que referidos débitos de estimativa de IRPJ foram pagos/parcelados através do processo administrativo n° 19608.004291/200941 (DOC. 07), cuja cópia segue anexa. Diante do recolhimento dos valores de Estimativas dos meses de Janeiro e Fevereiro de 2004, no valor total de R$ 4.153.750,74, através do processo administrativo n° 19608.004291/200941, é inequívoco o direito do contribuinte ao reconhecimento de seu crédito, sob pena de enriquecimento ilícito por parte da Fazenda Nacional. d) DA REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA CONTÁBIL Caso após análise das informações e documentos apresentados na presente Manifestação V. Sas. entendam necessária a produção de outras provas que comprovem a tributação dos rendimentos de aplicações financeiras do ano de 2003, com o conseqüente reconhecimento do crédito de IRRF de R$ 154.647,32 no valor do Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, requerse a realização de diligência, ou perícia para comprovar que os itens glosados pelo despacho decisório não devem prevalecer. Em se decidindo pela perícia, a Manifestante indica como seu assistente o Contabilista Sergio Libralon, cujo endereço profissional é o mesmo da Manifestante, formulando ainda os seguintes quesitos: Indica quesitos que justificariam seus argumentos. Pugna ao final, pela procedência da Manifestação de Inconformidade. Em razão dos questionamentos acima citados, e pela busca da verdade material, foi proposta a realização de diligência por parte do órgão de origem, para adoção das seguintes providências saneadoras: I. Intimar o contribuinte para apresentar planilha demonstrativa, por aplicação, informando as datas e os respectivos lançamentos efetuados no ano calendário de 2003, na conta 35.13.001, no valor total de R$ 773.236,60, valor este que segundo a Impugnante, estaria inserido no valor global de R$ 9.067.221,66 (Ficha 06 A Linha 24) de receitas financeiras oferecidas à tributação no ano calendário de 2003. II. Emitir relatório circunstanciado sobre o Parcelamento em tramitação na Procuradoria da Fazenda Nacional, através do Processo nº 19608.004291/200941, especialmente se as estimativas dos meses de janeiro e fevereiro de 2004 objeto do Processo de Cobrança 13502.720003/200739, podem ser consideradas como efetivamente pagas e por conseguinte aptas a integrar o saldo negativo apurado no anocalendário de 2004 utilizandose os mesmos parâmetros atualmente utilizados pelo Manual da DIPJ 2011, e Manual de Fiscalização conforme abaixo: Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 434 8 (...) III. Elaborar relatório conclusivo e cientificar o contribuinte do resultado da análise, para que, no prazo de 30 (trinta) dias após a ciência, possa se manifestar. Por meio do Relatório de fls. 1.287 a 1.291, a diligência foi realizada, e terá seu mérito analisado no decorrer deste voto. Intimada do resultado da diligência, o contribuinte se manifesta por meio do documento de fls. 1.297 a 1.304, afirmando resumidamente, o seguinte: DO RECONHECIMENTO DO IRRF E DAS ESTIMATIVAS Após a realização da diligência e a apresentação dos documentos exigidos, a SEORT proferiu despacho recalculando o Saldo Negativo para R$ 3.424.095,93 (três milhões, quatrocentos e vinte e quatro mil, noventa e cinco reais e noventa e três centavos), pois reconheceu (i) o IRRF da ordem de R$ 154.647,00 e (ii) o pagamento das estimativas da ordem de R$ 4.153.750,74. Portanto, após a realização de diligência, o valor de R$ 3.424.095,93 é incontroverso, devendo a DRJ dar provimento à manifestação de inconformidade quanto a esta parte. DA NULIDADE DE RETIFICAÇÃO DO SN DO ANOCALENDÁRIO DE 2004 As supostas inconsistências relativas à apuração do Lucro da Exploração, que culminou na redução da parcela isenta do imposto de R$ 31.341.551,88 para R$ 29.662.542,99, sequer foram objeto de análise pela SEORT. Caso referido ponto tivesse sido objeto de análise da diligência, certamente as autoridades administrativas concluiriam pela regularidade dos valores declarados e da parcela. E, ainda que os documentos não fossem capazes de atestar a regularidade da apuração do Lucro da Exploração, o que se admite apenas para argumentar, ainda assim o Saldo Negativo pleiteado há de ser integralmente deferido e as compensações declaradas homologadas. Isso porque há patente nulidade quanto à retificação do Lucro da Exploração do anocalendário de 2004. Senão vejamos. Padece de total nulidade a retificação do Lucro da Exploração e, consequentemente, do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 levadas a efeito pela DRF, já que se trata de valor homologado e, portanto, imutável. Tratandose o imposto lançado na DIPJ de tributo apurado no ano de 2004, no âmbito do lançamento por homologação (artigo 150 do CTN), o prazo decadencial para o questionamento de qualquer valor constante da DIPJ expirou em 31.12.2009, sendo certo que inexistindo revisão do lançamento, nos termos do artigo 149 do Código Tributário Nacional, este valor tornase imutável. Portanto, encontrandose homologado o saldo negativo apontado na DIPJ do anocalendário de 2004, incabível sua alteração para mitigar o direito creditório do contribuinte, conforme, inclusive, já decidiu o CARF, verbis: ... Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 435 9 Portanto, à época da ciência do despacho decisório (22/03/2010) já havia transcorrido o prazo para que o fisco federal efetuasse qualquer revisão no Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, consoante a mais abalizada jurisprudência administrativa. E, ainda que fosse possível a revisão do Saldo Negativo do anocalendário de 2004, o que se admite apenas para argumentar, ainda assim não estaria correta a redução do crédito pleiteado pela ora peticionária. O procedimento correto seria a eventual lavratura de auto de infração, nos termos do o artigo 9º do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 11.941/09, como se passa a expor. O artigo 9º do Decreto n° 70.235/72, na redação anterior dada pela Lei n° 8.748, de 1993, estabelecia que: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." A Medida Provisória n° 449/08, posteriormente convertida na Lei n° 11.941/09, alterou este dispositivo, que passou a vigorar com a seguinte redação: “Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. Retirouse da cabeça do normativo o termo "a retificação de prejuízo fiscal". Na verdade, o auto de infração referente à retificação de prejuízo é do tipo em que não se exige crédito tributário (obrigação de dar). Exigese, neste caso, apenas uma obrigação de fazer, exatamente a retificação dos prejuízos glosados. Na verdade, retirouse aquela hipótese do caput para ampliar a possibilidade de as autoridades administrativas procederem à lavratura de auto de infração quando não existisse crédito tributário. Foi por isso que a Medida Provisória em tela inseriu o § 4º ao artigo 9º do Decreto n° 70.235/72, cuja redação é a seguinte: "§ 4º O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário". Ou seja, com a alteração da MP 449/08 se passou a exigir a lavratura de auto de infração em todas as hipóteses em que haja violação à legislação tributária, mas que não resulte na "exigência de crédito tributário", e não apenas naquela situação prevista na legislação anterior de retificação de prejuízo. Com esta nova redação, a legislação exige a lavratura de auto de infração em qualquer situação em que as autoridades questionem a origem, certeza e liquidez do crédito tributário. Aliás, esta é a manifestação expressa da Exposição de Motivos Interministerial n° 161/2008 MF/MP/MAPA/AGU, relativa à Medida Provisória n° 449/08, que asseverou: ... Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 436 10 Desta forma, a partir desta alteração normativa, qualquer questionamento de crédito tributário por parte das autoridades administrativas devem ser objeto de auto de infração. Não há dúvida, portanto, que a partir da alteração legislativa acima mencionada deverá ser objeto de auto de infração qualquer questionamento quanto a eventual crédito do contribuinte, aplicandose a este, naturalmente, todas as regras estabelecidas pelo Código Tributário Nacional e pela legislação fiscal inerentes a qualquer autuação fiscal, inclusive a questão do prazo quinquenal. Portanto, é incabível a redução do Saldo Negativo nos autos de um processo de restituição/compensação, como ocorreu no caso vertente, uma vez que o procedimento correto seria, se de fato fosse comprovada as inconsistências relativas à apuração do Lucro da Exploração, seria a lavratura de auto de infração, entretanto, já se escoou o prazo para tanto. DO PEDIDO Pelo exposto, considerando o resultado da diligência efetuada pela SEORT, é inconteste o IR pago por estimativa e o IRRF que compuseram o Saldo Negativo do AnoCalendário de 2004, o que, por si só, deflagrou o recalculo do Saldo Negativo para R$ 3.424.095,93, impondose o provimento da manifestação de inconformidade neste tocante. O montante remanescente da ordem de R$ 1.679.008,89 sequer foi objeto de análise pela SEORT, mas deverá ser reconhecido em decorrência das provas colacionadas aos autos. Independentemente das provas, a redução da parcela isenta do imposto em R$ 1.679.008,89 afigurase nula, não só em decorrência do prazo previsto no artigo 150 do CTN, mas também por violar o artigo 9º do Decreto 70.235/72. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, Bahia, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 15 33.325, de 05 de setembro de 2013, pela procedência parcial da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabível a compensação ou restituição do saldo negativo apurado, se presentes a liquidez e a certeza do direito creditório pleiteado. VERIFICAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DE TRIBUTOS. LANÇAMENTO VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 1.368/1.381, por meio do qual sustenta: a necessidade de ser declarada a possibilidade de utilização imediata do montante de R$ 1.053.490,73, reconhecido pelo acórdão recorrido e que foi objeto do pedido Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 437 11 formalizado no PER 07474.60668.230310.1.6.020793 (retificador do PER nº 03548.09370.091209.1.2.020223); a ocorrência de mero erro de preenchimento da DIPJ, relativamente à inconsistência apontada no cálculo do lucro da exploração; e a nulidade da retificação do Lucro da Exploração e, por conseqüência, do saldo negativo de IRPJ do ano de 2004, já que se trata de valor homologado e, portanto, imutável. Ao final, a Recorrente protesta pela realização de diligência ou perícia, caso o Colegiado entenda ser necessária a produção de outras provas. É o Relatório. Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 438 12 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida a lide de pedidos de restituição e declarações de compensação, cujo direito creditório a eles relacionados referese a saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2004, no montante de R$ 5.103.104,82. A Delegacia da Receita Federal em Camaçari, Bahia, unidade administrativa que primeiro apreciou a matéria, indeferiu as solicitações. A Turma Julgadora de primeira instância, apreciando Manifestação de Inconformidade, reconheceu a existência de crédito no valor de R$ 3.424.095,93. Pelo que se depreende do despacho de fls. 02, a partir da decisão exarada em primeira instância, a Delegacia da Receita Federal em Santo André2, São Paulo, resolveu desmembrar a matéria objeto de controvérsia (liquidez e certeza do crédito pleiteado) da seguinte forma: a) no processo originalmente formalizado (13502.720396/200942) manteve, apenas, o direito creditório reconhecido em primeira instância e que foi utilizado para fins de compensação tributária (R$ 1.292.449,03); b) no processo nº 10805.720425/201431, passou a controlar o direito creditório reconhecido em primeira instância mas que não foi utilizado para fins de compensação tributária (R$ 2.131.646,00); e c) no presente processo, manteve tão somente o crédito que não foi reconhecido pela autoridade julgadora de primeira instância (R$ 1.679.008,89). Como antes relatado, embora a análise dos pedidos da contribuinte tenha sido dividida em três “partes”, ao menos até a data em que referida divisão foi efetuada, o presente processo e o de nº 10805.720425/201431 foram constituídos com as mesmas peças que integravam, naquela ocasião, o processo original (13502.720396/200942). Em sua peça recursal a contribuinte afirma, preliminarmente, que transmitiu pedidos de restituição que, somados, alcançaram o montante de R$ 5.102.922,43, sendo que, do referido crédito, o valor de R$ 1.078.155,72 foi utilizado para compensar débitos de sua titularidade. Alega que na Manifestação de Inconformidade apresentada, além de comprovar o crédito e requerer o seu deferimento integral, apontou a ausência de análise do PER 07474.60668.230310.1.6.020793, que seria retificador do PER nº 03548.09370.091209.1.2.02.223. Diz que referido PER retificador não constou da relação de 2 A pessoa jurídica que apurou o crédito (CARAÍBA METAIS S/A) foi incorporada pela PARANAPANEMA S/A, cuja sede é em SANTO ANDRÉ, São Paulo. Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 439 13 fls. 3723 . Esclarece que foi proferido Despacho Decisório (rastreamentos nº 861132395 e 861132404) analisando de forma isolada apenas o PER nº 07474.60668.230310.1.6.020793, o que ensejou a apresentação de Manifestação de Inconformidade em 05 de maio de 2010, na qual demonstrou a correlação entre os “processos” e a necessidade de julgálos conjuntamente. Diz que a referida Manifestação de Inconformidade foi juntada aos autos. Em seguida, afirma que foi proferido despacho (fls. 523), no qual há reconhecimento de que estava em análise nos autos o valor de R$ 5.103.104,82, englobando inclusive o PER nº 07474.60668.230310.1.6.02 0793. Assinala que o acórdão proferido em primeira instância não contemplou o referido pedido de restituição, o que estaria lhe impedindo de “levantar”, de imediato, o crédito de R$ 1.053.490,734, já reconhecido. Analisando os documentos reunidos ao processo, extraio as seguintes informações: i) por meio de MEMORANDO datado de 11 de março de 2011 (fls. 201), a Delegacia da Receita Federal em Santo André solicitou à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador que fosse juntado ao processo nº 13502.720396/200942, para fins de análise conjunta, a Manifestação de Inconformidade protocolada em 05 de maio de 2010 pela Recorrente, cujo objeto era o PER 07474.60668.230310.1.6.020793, retificador do PER nº 03548.09370.091209.1.2.02.223 (fls. 202/213); ii) os despachos decisórios (eletrônicos) relativos aos PER/DCOMP nºs 03548.09370.091209.1.2.02.223 e 07474.60668.230310.1.6.020793, juntados ao processo às fls. 257 e 256, respectivamente, trazem como motivos para os indeferimentos os seguintes: matéria já apreciada e direito creditório não reconhecido (03548.09370.091209.1.2.02.223) e PERD/DCOMP não admitido pois o documento original já foi objeto de decisão administrativa (07474.60668.230310.1.6.020793); iii) o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Camaçari, que embora tenha sido datado de 26 de fevereiro de 2010 foi juntado às fls. 371/387, ao relacionar as declarações de compensação vinculadas ao saldo negativo de IRPJ do ano de 2004, não faz referência ao PER/DCOMP nº 03548.09370.091209.1.2.02.223, que, de acordo com o registro feito no despacho decisório de fls. 257, foi transmitido em 09 de dezembro de 2009; iv) obviamente que o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Camaçari de fls. 371/387, tendo sido emitido em fevereiro de 2010, não poderia fazer referência ao PER/DCOMP nº 07474.60668.230310.1.6.020793, que, em conformidade com o documento de fls. 256, só foi transmitido 23 de março de 2010; v) ao apresentar, em 22 de abril de 2010, Manifestação de Inconformidade ao Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Camaçari de fls. 371/387, a contribuinte assinalou: Tratase de Pedido de Restituição de Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao ano calendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 5.103.104,82 (cinco milhões, cento e três mil, cento e quatro reais e oitenta e dois centavos), objeto das Perdcomps 25899.60112.030308.1.6.020272; 15782.42049.230305.1.2.027078, 3 Na referida folha, que integra o Despacho Decsiório nº 0023/210 da Delegacia da Receita Federal em Camaçari, consta quadro no qual são listados os PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO formalizados pela contribuinte. 4 O referido valor representa a diferença entre o que foi reconhecido em primeira instância (R$ 3.424.095,93) e a soma do que, segundo a Recorrente, já foi utilizado (R$ 1.078.155,27 + R$ 1.292.449,93). Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 440 14 20157.51452.220305.1.2.027648, 11786.23637.030308.1.06.020444, bem como do Perdcomp n° 03548.09370.091209.1.2.020223, que não constou da relação de fls. 372 (DOC. 01). (GRIFEI) vi) às fls. 522, a Delegacia da Receita Federal em Camaçari presta o seguinte esclarecimento: O presente processo trata de Declaração de Compensação (DCOMP Eletrônica), em que a interessada utiliza crédito oriundo de Saldo Negativo de IRPJ/2005, para compensação com débitos próprios administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). O DESPACHO DECISÓRIO DRF/CCl/Sarac n° 0023/2010 (fls 371 a 387), indeferiu os pedidos de restituição e não homologou a compensação suscitada pelo interessado, o qual, ao ser cientificado da referida decisão, em 22/03/2010 (fl. 403), manifestou, tempestivamente, em 22/04/2010, inconformidade, às fls. 443 a450. Em que pese o Pedido de Restituição Eletrônico (PER n° 03548.09370.091209.1.2.020223) não ter constado na relação da folha 372, já existe Despacho Decisório de indeferimento do referido PER, vide fl. 522, pelo motivo de se tratar de matéria já apreciada pela autoridade administrativa, e em cuja analise não foi reconhecido direito credit6rio suficiente para atendimento do pedido. [...] O ato decisório recorrido, embora ao reconhecer o direito creditório no montante de R$ 3.424.095,93 faça menção expressa no sentido de que devem ser homologadas “as declarações de compensação que integram este PAF, até o limite do saldo remanescente do direito creditório ora reconhecido”, salvo melhor juízo, efetivamente não tratou do PER/DCOMP nº 03548.09370.091209.1.2.02.223, bem como do seu retificador (PER/DCOMP nº 07474.60668.230310.1.6.020793). Digo isso porque o relatório estampado na referida decisão reproduz a relação que havia sido consignada no Despacho Decisório de fls. 371/387, que, como já visto, não contemplava tais pedidos. Ademais, a fragmentação da matéria em discussão, nos termos do despacho de fls. 02, ao considerar como crédito parcialmente utilizado para fins de compensação o montante de R$ 1.292.449,43, reafirma que as declarações de compensação consideradas foram tão somente as relacionadas no Despacho Decisório DRF/CCl/Sarac n° 0023/2010 (fls. 371/387). Diante de tais considerações, por entender que a apreciação acerca da admissibilidade do PER/DCOMP nº 07474.60668.230310.1.6.020793, retificador do de nº 03548.09370.091209.1.2.02.223, não pode ser feita por este Colegiado, haja vista a impossibilidade de se suprimir instância julgadora, conduzo meu voto no sentido de decretar o cancelamento da decisão exarada em primeira instância, para que outra seja prolatada, contemplando, dessa vez, a Manifestação de Inconformidade de fls. 202/213. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 441 15 Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 19515.003619/2005-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 11/08/1999 a 25/08/1999
PREJUDICIAL DE MÉRITO. DECADÊNCIA.
Transcorrido o prazo qüinqüenal para a constituição dos créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, deverá ser declara a decadência, posto que já extinto o próprio direito que vigorava em favor da Fazenda Pública quando da formalização do auto de infração. Prejudicial de mérito materializada.
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3301-002.695
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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E IND. DE PAPEL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 11/08/1999 a 25/08/1999 PREJUDICIAL DE MÉRITO. DECADÊNCIA. Transcorrido o prazo qüinqüenal para a constituição dos créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, deverá ser declara a decadência, posto que já extinto o próprio direito que vigorava em favor da Fazenda Pública quando da formalização do auto de infração. Prejudicial de mérito materializada. Recurso ao qual se dá provimento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 19 /2 00 5- 17 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Campinas (efls. 84/87), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento formalizado contra o sujeito passivo, nos termos do Acórdão nº 0521.569, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 11/08/1999 a 25/08/1999 Ementa: CPMF. DECADÊNCIA. O prazo decadencial das contribuições destinadas à seguridade social é de dez anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Lançamento Procedente Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Tratase de Auto de Infração da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão Financeira CPMF, fls. 44/48, que constituiu o crédito tributário total de R$ 4.574,20, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/11/2005. Como se verifica pela leitura do Termo de Constatação, a atuação fiscal decorre da análise das informações referentes à CPMF não retida e não recolhida, prestadas pelas instituições financeiras junto às quais a contribuinte foi titular de conta corrente. Cientificado do lançamento em 04/01/2006, o sujeito passivo apresentou impugnação em 01/02/2006, fls. 51/53, alegando, em síntese, a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Diz a impugnante: Fazendose, pois, a contagem do prazo de 5 (...) cinco anos, aplicável ao caso, verificase, tornandose como referência, o último período cobrado, ou seja, agosto de 1999. Iniciandose a contagem do prazo de decadência a partir do primeiro dia do exercício seguinte (1° de janeiro de 2000) àquele em que poderia ter sido efetuado, concluise que o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário findou em 01 de janeiro de 2005. Ao fim, requer a juntada de provas e a realização de perícias, tendo juntado Parecer Técnico EconômicoFinanceiro às fls. 67/73. Cientificada da referida decisão em 15/10/2008 (vide AR de efls. 91), a interessada, em 28/10/2008 (efls. 92), apresentou o recurso voluntário de efls. 92/158, onde aduz preliminarmente a nulidade da decisão recorrida por cerceamento ao seu direito de defesa, e repisa sua tese em favor da decadência do lançamento perpetrado contra si, além de outros argumentos que integram sua extensa peça recursal. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Fl. 187DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 19515.003619/200517 Acórdão n.º 3301002.695 S3C3T1 Fl. 181 3 Da preliminar. O recurso é tempestivo e há que ser conhecido por preencher os demais requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Decadência. Prejudicial de mérito. Tratamos da decadência na parte alusiva ao mérito por entendermos que seu exame não diz respeito a questões de natureza preliminar, como a nulidade. Com efeito, uma vez caracterizada a decadência, o próprio mérito resta irremediavelmente prejudicado, não ensejando mais qualquer discussão relativamente ao direito. Decadência, como se sabe, é uma das causas da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 156, inciso V). Aliás, não sem razão é que o artigo 269, inciso IV, do Código de Processo Civil, estabelece que “haverá resolução de mérito [...] quando o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição” (grifei). Traçados esses breve comentários sobre a decadência e de seus efeitos no plano da legitimidade do direito, passemos ao exame do caso específico objeto da lide. Da decadência do direito de constituir o crédito tributário. As contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social – CSLL, COFINS, PIS/PASEP e CPMF –, diante da obrigatoriedade legal que exige a antecipação de seu recolhimento sem o prévio exame da autoridade administrativa, se enquadram como tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional – CTN. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipase à atuação da autoridade administrativa. Dessa forma, somente se sujeitam às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários satisfeitos pela via do pagamento. Em outras palavras, o CTN condiciona a contagem do prazo, tal como definida no artigo 150, ao efetivo pagamento do tributo. Essa conclusão está em sintonia com o § 1º do mesmo dispositivo, segundo o qual “o pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento”. Sobre essa questão Luciano Amaro ensina o seguinte1: Na prática, o “dever de antecipar o pagamento” significa que o sujeito passivo tem o encargo de valorizar os fatos à vista da norma aplicável, determinar a matéria tributável, identificarse como sujeito passivo, calcular o montante do tributo e pagálo, sem que a autoridade precise tomar qualquer providência. E o lançamento? Este – diz o Código Tributário Nacional – operase por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento da atividade exercida pelo devedor, nos termos do dispositivo, homologaa. A atividade aí referida outra não é senão a de pagamento, já que esta é a única providência do sujeito passivo 1 Direito Tributário Brasileiro. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 364/365. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 tratada no texto. Melhor seria falar em “homologação do pagamento”, se é isso que o Código parece ter querido dizer. (grifo nosso) Como conseqüência, não havendo pagamento, não há o que se homologar, e, nesse caso, a extinção do crédito tributário não ocorre após o decurso do prazo definido no § 4º do artigo 150 do CTN, sujeitandose, então, à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal, aplicável também se demonstrada fraude ou simulação (cujo conceito envolve o dolo). Em tais hipóteses, o dies a quo para contagem do prazo decadencial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. No caso presente, o lançamento da CPMF relativa aos fatos geradores ocorridos em agosto de 1999 se deu em 04/01/2006. Considerando a regra do artigo 173, inciso I, do CTN já que não houve pagamento antecipado , temse que, quando da formalização do lançamento, já se encontrava definitivamente extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pela decadência, vez que expirado o prazo de 5 anos prescrito pelo CTN. Na contagem do prazo decadencial a instância a quo aplicou a regra do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, segundo a qual o direito de a Seguridade Social constituir seus créditos extinguirseia em dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido formalizado. Não obstante, cumpre destacar que o dispositivo em tela foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. De fato, em respeito ao princípio constitucional da reserva de lei complementar, no qual se fundou sólida jurisprudência judicial e administrativa, o STF aprovou, em 12/06/2008 (DOU de 20/06/2008), a Súmula Vinculante no 8, segundo a qual “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com efeito, o reconhecimento da natureza tributária das contribuições sociais, por força do artigo 195 da Constituição Federal, implicou sua subsunção à regra inserta no artigo 146, III, “b”, da lei maior, onde se exige que o estabelecimento de normas gerais sobre decadência e prescrição tributárias se dê mediante a edição de lei complementar. Assim, definida a inconstitucionalidade formal dos dispositivos da Lei no 8.212/91 acima citados, válido, também para as contribuições sociais, as regras de prescrição e decadência estabelecidas pelo Código Tributário Nacional, já comentadas acima. Releva, finalmente, ressaltar que os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/91 foram expressamente revogados pelo artigo 13, inciso I, alínea “a”, da Lei Complementar no 128, de 19/12/2008. Deixase de examinar os demais argumentos aduzidos pelo sujeito passivo em vista do presente entendimento pelo provimento do recurso no que pertine ao mérito da contenda. Da conclusão Diante de todo o exposto, voto para dar integral provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, com a consequente exoneração da exigência do Fl. 189DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 19515.003619/200517 Acórdão n.º 3301002.695 S3C3T1 Fl. 182 5 tributo e demais consectários constantes do auto de infração (multa de ofício e juros de mora), uma vez extinto o crédito tributário pela decadência (CTN, artigo 156, inciso V). Sala de Sessões, em 08 de dezembro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 190DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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