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Numero do processo: 18471.001422/2005-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa:
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. VALORES LANÇADOS
EM CONTAS DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO.
A falta de comprovação de aumento de capital e de constituição de reserva podem ser indícios de omissão de receitas, mas não podem ser autuados como passivos fictícios, por ferirem princípios e lógica contábeis. Valores contabilizados em contas do patrimônio líquido não são exigibilidades, mas sim patrimônio a que os sócios têm direito.
EXIGIBILIDADES NÃO COMPROVADAS. SALDOS DE CONTRATOS COM PESSOAS LIGADAS. PERÍODO DIVERSO DO AUTUADO.
É de se exonerar a autuação de passivo não comprovado se o valor lançado pertence a outro exercício não objeto da fiscalização.
Despesas com juros e variações cambiais.
Demonstrado na impugnação e recurso a efetividade e regular contabilização das despesas, com farta documentação apresentada pela recorrente, deve-se exonerar o crédito tributário lançado em função de glosas das mesmas.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário:
2002
Numero da decisão: 1302-000.656
Decisão: ACORDAM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Marcos Rodrigues de Mello
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. VALORES LANÇADOS EM CONTAS DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. A falta de comprovação de aumento de capital e de constituição de reserva podem ser indícios de omissão de receitas, mas não podem ser autuados como passivos fictícios, por ferirem princípios e lógica contábeis. Valores contabilizados em contas do patrimônio líquido não são exigibilidades, mas sim patrimônio a que os sócios têm direito. EXIGIBILIDADES NÃO COMPROVADAS. SALDOS DE CONTRATOS COM PESSOAS LIGADAS. PERÍODO DIVERSO DO AUTUADO. É de se exonerar a autuação de passivo não comprovado se o valor lançado pertence a outro exercício não objeto da fiscalização. Despesas com juros e variações cambiais. Demonstrado na impugnação e recurso a efetividade e regular contabilização das despesas, com farta documentação apresentada pela recorrente, deve-se exonerar o crédito tributário lançado em função de glosas das mesmas. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2002
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PASSIVO FICTÍCIO. VALORES LANÇADOS EM CONTAS DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. A falta de comprovação de aumento de capital e de constituição de reserva podem ser indícios de omissão de receitas, mas não podem ser autuados como passivos fictícios, por ferirem princípios e lógica contábeis. Valores contabilizados em contas do patrimônio líquido não são exigibilidades, mas sim patrimônio a que os sócios têm direito. EXIGIBILIDADES NÃO COMPROVADAS. SALDOS DE CONTRATOS COM PESSOAS LIGADAS. PERÍODO DIVERSO DO AUTUADO. É de se exonerar a autuação de passivo não comprovado se o valor lançado pertence a outro exercício não objeto da fiscalização. Despesas com juros e variações cambiais. Demonstrado na impugnação e recurso a efetividade e regular contabilização das despesas, com farta documentação apresentada pela recorrente, devese exonerar o crédito tributário lançado em função de glosas das mesmas. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.474 2 ACORDAM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente e relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros. Marcos Rodrigues de Mello , Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Irineu Bianchi Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.475 3 Relatório Trata o presente processo de recursos de ofício e voluntário em relação ao acórdão DRJ que manteve parcialmente os lançamento formalizados através dos autos de infração lavrados pela Defic/RJ, referentes ao anocalendário de 2002, através dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 11.516.667,50 (fls. 676/680 e termo de constatação às fls. 671/675), a contribuição para o programa de integração social — Pis, no valor de R$ 405.966,05 (fls. 681/684), a contribuição para financiamento da seguridade social— Cofins, no valor de R$ 1.873.689,48 (fls. 685/688), e a contribuição social sobre o lucro líquido — CSLL, no valor de R$ 4.154.640,30 (fls. 689/693), acrescidos da multa de 75% e encargos moratórios. 2 Fundamentaram, materialmente, as exações de IRPJ: 2.1 Omissão de receitas — passivo fictício: intimado a apresentar os contratos de créditos com as pessoas ligadas, acompanhados das respectivas memórias de cálculos, variação cambial, juros e quitação do saldo de R$ 30.013.661,49, apresentado na DIPJ/2003 (ficha 39A, linha 16), o interessado só apresentou o balancete consolidado (fls. 346/362) e planilha de controle dos empréstimos (fls. 90/345). Assim, ficou caracterizada a omissão de receita, pela manutenção no passivo de obrigação incomprovada. 2.2 Omissão de receitas — passivo fictício: na incorporação da empresa Cafés Finos, cujo capital era de R$ 252.548,25 (fl. 399), o interessado teria aumentado este capital para R$ 1.722.902,56 (fl. 395). Da mesma forma, na incorporação da empresa Santos Dumont, o interessado teria aumentado o capital da incorporada em R$ 2.136.803,53 (fl. 389). Assim, os fatos foram caracterizados como omissão de receitas pela manutenção no passivo de obrigação incomprovada, no montante de R$ 3.607.157,84 (= R$ 1.722.902,56 — R$ 252.548,25 + R$ 2.136.803,53). • 2.3 Enquadramento legal dos passivos fictícios: art. 24 da Lei 9.249/1995; art. 40 da Lei 9.430/1996; arts. 249, II; 251 e parágrafo único; 279; 281, II; 288 do RIR/1999. 2.4 Omissão de receitas: através de levantamento nos livros de apuração do ISS, constatouse o montante anual de receitas com serviços prestados de R$ 4.291.769,98, enquanto que na DIPJ/2003 foi declarado R$ 1.747.789,98 (fl. 9). A diferença de R$ 2.543.980,46 foi autuada como receita omitida. 2.5 Omissão de receitas: intimado a justificar, com documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem do saldo da rubrica "reservas de lucros" (ficha 39A, linha 32, da DIPJ/2003 — fl. 48), cujo saldo é de R$ 26.291.516,27, o interessado apresentou o balancete consolidado (fls. 346/362). Assim, o valor foi autuado como omissão de receita pela manutenção no passivo de obrigação incomprovada. 2.6 Enquadramento legal dos parágrafos 2.4 e 2.5: art. 24 da Lei 9.249/1995. Arts. 249, I; 251 e parágrafo único; 278; 279; 280; 288 do RIR11999. 2.7 Glosa de despesas financeiras: falta de comprovação da variação cambial passiva, no valor de R$ 17.604.744,77, apresentado na ficha 6A, linha 32, da DIPJ/2003 (fl. 9). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.476 4 2.8 RIR/1999. Enquadramento legal: arts. 251, parágrafo único; 299, §§ 1° e 2'; 374, I, do 3 Pis, Cofins e CSLL. 3.1 Em conseqüência das infrações descritas nos parágrafos 2.1, 2.2, 2.4 e 2.5, lançouse o Pis e a Cofins. A CSLL é conseqüência direta de todas as infrações de IRPJ. 3.2 Enquadramentos legais citados às fls. 682, 686 e 690/691. 4 Ao impugnar as exigências, fls. 716/731 e documentos às fls. 732/1971, o interessado alega, em síntese, que: a diferença de R$ 2.543.980,46 encontrada entre o levantamento feito nos livros de apuração do ISS e a DIPJ, referese a erro no preenchimento da declaração. Na linha 5, da ficha 6A, da DIPJ (receitas de exportação não incentivada de produtos) foi incluída, tanto as exportações de produtos, como também as receitas de exportações de serviços; além do fato acima, na linha 8, da ficha 6A, da DIPJ (receita de prestação de serviços), cujo saldo é de R$ 1.747.789,52, estão abrangidas também as receitas das empresas Cafés Finos e Santos Dumont, incorporadas pelo interessado em 30/12/2002. Estas receitas já haviam sido declaradas na DIPJ de incorporação. Para elaboração da DIPJ do interessado, tomouse, equivocadamente, os balancetes consolidados das três empresas; somandose os valores apresentados nas linhas 5 (receitas de exportação), 6 (receitas de vendas de produtos no mercado interno) e 8 (receitas de prestações de serviços), da ficha 6A da DIPJ, obtémse o valor aproximado de R$ 24,6 milhões. Este valor corresponde à soma das receitas da Santos Dumont (cerca de R$ 4 milhões), da Cafés Finos (cerca de R$ 5,2 milhões) e do interessado (R$ 15 milhões); caso por absurdo não fosse cancelada a autuação, tal diferença não poderia ser tributada pelo Pis e Cofins, por tratar de receitas de exportações; não há como se falar, na situação autuada de falta de comprovação da reserva de lucros como omissão de receitas, em ocorrências das hipóteses descritas nos incisos I a III, do art. 281, do RIR/1999, apesar de se tentar adotar o sentido latu senso, que não é autorizado ou previsto pela legislação tributária, a qual deve ser interpretada restritivamente para fins de exigência de tributos; na incorporação da empresa Santos Dumont, gerouse o registro de uma reserva de cerca de R$ 26 milhões, vinculada ao custo incorrido pela Santos Dumont em momento anterior ao da incorporação, ao adquirir participação do interessado. Em virtude disso, a autuante afirmou que a origem de tal reserva não havia sido comprovada e equivocadamente enquadrou essa suposta não comprovação como passivo fictício latu senso; a norma abrange expressa e exclusivamente passivo de obrigações ou de exigíveis, conforme disposto no art. 180 da Lei 6.404/1976; a lei fiscal não pode ser estendida por analogia para a hipótese que não esteja expressamente prevista na legislação. A interpretação analógica, que pretendeu aplicar a legislação que trata de omissão de receita em decorrência de passivo de obrigações exigíveis a Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.477 5 supostas diferenças apuradas em relação a contas do patrimônio líquido, contraria frontalmente o princípio da tipicidade cerrada e da estrita legalidade que prevalecem no âmbito da tributação, conforme artigos 150 da Constituição e 97 do Código Tributário Nacional — CTN; em 9/12/2002, a empresa Santos Dumont (sucedida posteriormente pelo interessado) adquiriu ações do interessado pelo valor de R$ 500.000,00. Na ocasião o interessado possuía patrimônio líquido negativo no valor de R$ 26.121.381,15. Houve, portanto, pagamento de ágio, baseado em expectativa de rentabilidade futura. Por se tratar de investimento relevante, a Santos Dumont procedeu à contabilização na forma do artigo 385 do R]1R11999, segregando no seu ativo, o valor do ágio pago e o valor equivalente a sua participação no patrimônio líquido da empresa investida; nesse sentido, a Santos Dumont considerou como ágio a diferença integral entre o preço de aquisição por ela pago e o valor do patrimônio líquido da empresa adquirida, registrando um ágio de R$ 26.621.381,15. Os lançamentos contábeis foram a débito de "ágio de investimento" (R$ 26.621.381,15), á crédito de "contas a pagar" (R$ 500.000,00) e a crédito da conta de investimento avaliado pelo método de equivalência patrimonial (R$ 26.121.381,15); posteriormente a Santos Dumont foi incorporada pelo interessado. Com tal incorporação, o registro contábil do investimento no interessado detido pela Santos Dumont foi cancelado e a conta de ágio de investimento (R$ 26.621.381,15) foi transferido para a conta de ativo do interessado, em contrapartida de conta do patrimônio líquido, conforme determinação do art. 6° da Instrução n° 319, de 3/12/1999, da Comissão de Valores Imobiliários — CVM, complementada pela instrução n° 349, de 6/372001; esclareçase que o interessado nunca realizou a amortização fiscal do ágio em questão. O registro do ágio no ativo permanente, bem como a reserva relacionada não gerou quaisquer implicações fiscais. Salientase ainda que no valor autuado foi incluído R$ 170.134,12, já existente em 2001, com formação superior a 5 anos, estando decaída qualquer eventual alegação; o valor de R$ 17.604.744,77, referente a falta de comprovação dos juros e da variação cambial passiva, teve como principal motivo a apresentação de planilha que não atendia, em seus aspectos formais, a solicitação da autuante; apresenta planilhas e razão que dão suporte ao valor glosado; quanto ao saldo de créditos de pessoas ligadas, no valor de R$ 30.013.661,49 autuado como passivo fictício, observase que o saldo referese a 31/12/2001 (fl. 48) e não a 31/12/2002. Esclarece que do montante, quatorze contratos de mútuos foram celebrados pelo interessado, no decorrer de 1994 e 1995, com empresas sediadas no exterior (R$ 22.678.726,73), e quatro contratos com empresas no país (R$ 7.384.934,76); os empréstimos internacionais foram feitos de acordo com a legislação vigente, por meio de instituição financeira devidamente autorizada pelo Banco Central, de modo que todas as operações constam do sistema integrado de registro de operações de câmbio do Sisbacen; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.478 6 junta contratos de mútuos, extrato do Sisbacen que comprova o total de recursos ingressados no país, a natureza da operação, o remetente no exterior e o recebedor no país, bem como as instituições financeiras intervenientes no exterior e no país; os R$ 7.384.934,76 decorrem de contratos em conta corrente celebrados com outras empresas sediadas no país ora juntados, sendo que a movimentação de tais valores está devidamente comprovada no livro razão também juntado, afastando a alegação de se tratar de obrigações não comprovadas; quanto ao aumento de capital não comprovado, não há o que se falar em omissão de receita de passivo fictício latu senso. Isso porque não existe tal situação descrita em qualquer norma tributária, incluindo o artigo 281 do RIR/1999. Esta razão por si só bastaria para cancelar a autuação; como já relatado, em 30/12/2002 o interessado incorporou as empresas Cafés Finos e Santos Dumont. Com a incorporação, todos os ativos e passivos dos incorporados foram transferidos ao incorporador, gerando um aumento do patrimônio originário do interessado; na data da incorporação, a empresa Cafés Finos possuía um patrimônio líquido de R$ 1.722.902,56, que foi considerado pelo interessado como aumento de seu capital. Da mesma forma aconteceu com a empresa Santos Dumont. Só não foi considerada a conta que registrava a reserva de participação da Santos Dumont no interessado. A DRJ decidiu: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. VALORES LANÇADOS EM CONTAS DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. A falta de comprovação de aumento de capital e de constituição de reserva podem ser indícios de omissão de receitas, mas não podem ser autuados como passivos fictícios, por ferirem princípios e lógica contábeis. Valores contabilizados em contas do patrimônio líquido não são exigibilidades, mas sim patrimônio a que os sócios têm direito. EXIGIBILIDADES NÃO COMPROVADAS. SALDOS DE CONTRATOS COM PESSOAS LIGADAS. PERÍODO DIVERSO DO AUTUADO. É de se exonerar a autuação de passivo não comprovado se o valor lançado pertence a outro exercício não objeto da fiscalização. DESPESAS FINANCEIRAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para comprovação das despesas financeiras o interessado deve juntar o livro razão, as planilhas de cálculos e os respectivos contratos Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2002 Ementa: LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS, COFINS E CSLL. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.479 7 Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendemse aos lançamentos reflexos os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. Lançamento Procedente em Parte Destacase na decisão recorrida: Foram objeto de autuação as seguintes matérias: Omissão de receitas — passivo fictício (R$ 30.013.661,49). 8 A autuante tomou o saldo de R$ 30.013.661,49 como se fosse em 31/12/2002. Ocorre que o saldo é de 31/12/2001, conforme se observa na DIPJ à fl. 48 (ficha 39A, linha 16), que não foi objeto de fiscalização. Assim, o fato descrito na autuação, como tendo ocorrido em 31/12/2002, não se coaduna com a escrituração contábil do interessado. Em sendo assim, o lançamento correspondente não procede. Omissão de receitas — passivo fictício (R$ 3.607.157,84). 10 A Constituição Federal — CF, em seu art. 150, I, dispõe sobre o princípio da legalidade em nosso sistema tributário, segundo o qual não é permitido exigir ou aumentar tributo sem que a lei estabeleça; 11 O servidor público se submete ao princípio da estrita legalidade, que, segundo Alberto Xavier (Tipicidade da tributação, simulação e norma antielisiva. Dialética, São Paulo, 2001, p.18), 'fornece não apenas o fim, mas também o conteúdo da decisão do caso concreto, o qual se obtém por mera dedução da própria lei, limitandose o órgão de aplicação a subsumir o fato da norma, independentemente de qualquer valoração pessoal." 12 Outro princípio constitucional é o da tipicidade, inserido no art. 146, inciso III, alínea "a", o qual dispõe sobre a necessidade de lei complementar para definir o fato gerador, a base de cálculo e o sujeito passivo. 13 Estes dois princípios impõem a legalidade e a tipicidade ao fato tributário, que para produzir efeitos deve corresponder, em todos os seus elementos, ao tipo abstrato descrito em lei. A ausência de um dos seus elementos torna o fato atípico, não dando lugar à tributação. 14 Sendo o lançamento um ato administrativo de existência e quantitativo da prestação tributária a ser exigida, só pode ser pautado em norma tributária validamente editada antes da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, III, "a" da CF. 15 Ao caso sob exame, observo que a presunção de omissão de receita apurada com base no passivo fictício (art. 281, III, do RIR/1999), ocorre em situações que se apura a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. 16 No passivo são classificadas as obrigações da empresa, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo permanente, conforme disposto no artigo 180 da Lei 6.404/1976 (Lei das sociedades anônimas). Por outro lado, o patrimônio líquido, que é a diferença entre o ativo, o passivo e resultados de exercícios futuros, representa o valor Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.480 8 contábil pertencente aos sócios. No patrimônio líquido se encontra o capital, as reservas de capital, reservas de reavaliação, reservas de lucros e os resultados acumulados. Portanto, passivo não se confunde com patrimônio líquido. 17 Diante do exposto, valores lançados na conta de capital não podem ser autuados como passivo fictício, por afrontar os princípios e a lógica contábil. Assim, o lançamento não procede. Omissão de receitas: serviços prestados (R$ 2.543.980,46). 19 O interessado alega dois erros de preenchimento na DIPJ. O primeiro erro foi de considerar os valores das receitas das empresas incorporadas em sua declaração. O segundo erro foi de ter inserido na linha 5 (receita da exportação não incentivada de produtos), da ficha 6A (demonstração do resultado), as receitas de serviços exportados, excluindoas da linha 8 (receita da prestação de serviços). 20 Conforme apuração da autuante, o total de receitas de serviços do interessado foi de R$ 4.291.769,98 (fl. 672), obtido pelo livro de apuração de ISS. O total de mercadorias vendidas pelo interessado foi de R$ 10.843.737,54 (fl. 996), obtido no livro de apuração de ICMS. Assim, o total de receitas do interessado foi de R$ 15.135.507,52. Na DIPJ (fl. 9) o interessado declara o total de R$ 24.604.641,25 (= R$ 15.607.861,90 + R$ 7.248.989,83 + R$ 1.747.789,52). Portanto, foi declarado muito mais receita do que devia. Assim, não há o que falar em omissão de receita. Se o interessado deseja retificar sua declaração, com o intuito de excluir as receitas das empresas incorporadas, deve adotar os procedimentos próprios de retificação previstos na legislação. A impugnação ao lançamento não se presta para isto. 21 Assim, o lançamento não procede. Omissão de receita pela manutenção no passivo de obrigação incomprovada (R$ 26.291.516,27). 23 A autuação tem como base o saldo da conta de reservas de lucros. A origem do saldo decorre do saldo de balanço em 31/12/2001 (R$ 170.135,12), acrescido da reserva proveniente de ágio em investimentos (R$ 26.121.381,15), constituída por ocasião da incorporação da empresa Santos Dumont. 24 Aqui a razão expressa nos parágrafos 10 a 16 acima serve também para julgar improcedente o lançamento. Independentemente do acerto ou não da constituição da reserva no ano de 2002, reserva de lucro não se confunde com passivo, muito menos com obrigação. Ainda mais que o valor lançado no ano tem como contrapartida uma conta ativa, sem ter afetado contas de resultados. 25 Assim, o lançamento não procede: Glosa de despesas financeiras: falta de comprovação da variação cambial passiva (R$ 17.604.744,77). Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.481 9 27 Durante a fase de auditoria o interessado apresentou a seguinte composição do valor autuado (fl. 77): 28 Inicialmente os, valores das empresas Santos Dumont e Cafés Finos, independentemente de comprovação, não podem ser considerados dedutíveis na apuração do resultado do interessado, visto que estas empresas foram incorporadas em 30/12/2002. As despesas destas empresas se não foram, deveriam ser apresentadas em DIPJ própria, visto que não há previsão legal para apresentação de declaração em conjunto. 29 Quanto ao valor de R$ 794.446,17 (variação monetária passiva), o interessado apresenta o razão (fls. 1480/1482) e planilhas de cálculos às fls. 1520/1527 (contrato com o Unibanco). O interessado deveria . ter apresenta' do as demais planilhas de cálculos dos principais valores, bem como os respectivos contratos, inclusive do Unibanco que não foi apresentado. Assim, entendo que o valor não foi comprovado. 30 No que se refere ao valor de R$ 324.707,08 (Chile — juros), o interessado apresenta o razão (fl. 1483) e planilhas de cálculos às fls. 1580/1591. Ocorre que não localizei nos autos o contrato. Assim, entendo que o valor não foi comprovado. 31 Para o valor de R$ 632.464,45 (Washington — juros), o interessado apresenta o razão (fl. 1484) e planilhas de cálculos às fls. 1678/1689. Ocorre que não localizei nos autos o contrato. Assim, entendo que o valor não foi comprovado. 32 Quanto ao valor de R$ 635.163,28 (Sky Chefs — juros), o interessado apresenta o razão (fl. 1485) e planilhas de cálculos às fls. 1690/1701. Ocorre que não localizei nos autos o contrato. Assim, entendo que o valor não foi comprovado. 33 No que se refere ao valor de R$ 87.065,85 (Arlington Services Holding Co —juros), o interessado apresenta o razão (fl. 1486) e planilhas de cálculos às fls. 1702/1713. Ocorre que não localizei nos autos o contrato. Assim, entendo que o valor não foi comprovado. 34 Para o valor de R$ 14.440.714,11 (V.M.P. Intercompany), o interessado apresenta o razão (fls. 1487/1489) e planilhas de cálculos citadas nos parágrafos anteriores. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.482 10 Como já dito, os contratos não foram localizados nos autos. Assim, entendo que o valor não foi comprovado. 35 Por último, para o valor de R$ 229.064,21 (LSG Lufthansa Service Sky Chefs do Brasil — juros) o interessado apresenta o razão de fl. 1490 e planilhas de cálculos às fls. 1714/1749. Ocorre que não localizei nos autos o contrato. Assim, entendo que o valor não foi comprovado. 36 Diante do exposto, a glosa das despesas financeiras de R$ 17.604.744,77 deve ser mantida. O contribuinte foi cientificado da decisão em 21/03/2006 e apresentou recurso voluntário em 19/04/2006. Em seu recurso alega que, ao contrário do quanto afirmado pelos julgadores, a maior parte dos contratos relacionados com referida variação cambial passiva e juros havia sim sido anexada à impugnação. Que, devido a estreita ligação entre os diversos itens autuados, esses contratos relacionados à variação cambial passiva e aos juros foram referidos apenas ao item 5 do termo de constatação (que dizia respeito à suposta omissão de receitas pela manutenção no passivo de obrigação não comprovada no valor de R$ 30.013.661,49, valor este decorrente de (i) quatorze contratos de mútuo celebrados pela recorrente com empresas sediadas no exterior; e (ii) quatro contratos de conta corrente com empresas sediadas no país. Que os juros e variação cambial passiva glosados pela d. fiscalização, no valor de R$ 17.604.744,77, que ainda foi mantido na r. decisão da DRJ, estão relacionados aos contratos citados acima, os quais já foram juntados na impugnação. Conta n° 3.212.000.009 — R$ 794.446,17 15. Na composição da conta 3.212.000.009 do livro razão, foi registrada o valor de R$ 794.446,17, decorrente de : (i) variação cambial e juros gerados por Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) celebrados com o Banco ABC; (ii) variação cambial e juros gerados ACC celebrados com o Unibanco; (iii) variação cambial passiva de créditos da Recorrente atrelados ao dólar norteamericano (identificada pela Recorrente como "REA de débito para reajustar em NFF'); e também (iv) juros (taxa Selic) relativos à Auto de Infração de IRPJ e CSLL pago em março de 2002. A Recorrente demonstra os números dessa composição na tabela de fls. 2005 a 2010, transcrita de seu Livro Razão, conforme cópia anexa (doc. 05). Juntamente com tal cópia do Livro Razão, foram anexados os documentos comprobatórios dos números abaixo transcritos, principalmente os registros dos ACCs mencionados junto ao Banco Central do Brasil (que faz referência a taxa de juros aplicável) e suas planilhas correlatas. Também foram juntados o comprovante de pagamento de crédito tributário lançado no auto de infração referido, e alguns exemplos destacados na tabela abaixo (em razão de sua grande quantidade) dos valores mais relevantes da variação cambial de créditos denominada como "REA de débito para reajustar em NFF" juntamente com o contrato de fechamento de câmbio. Que, em relação aos valores de despesas relacionadas às empresas incorporadas Comissária Aérea Santos Dumont e Cafés Finos Recife, reconhece o equívoco da inclusão dos valores de R$ 171.929,28 e R$ 289.040,10, que foram corretamente glosados. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.483 11 Que o mesmo não ocorre quanto aos R$ 17.143.775,39 restantes. Apresenta para cada conta do livro razão planilha detalhada sobre os mútuos e contrato de conta corrente, indicando os juros e as variações cambiais incidentes. Em sessão realizada em 16 de abril de 2008, a 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, através da resolução 105001.384, converteu o julgamento em diligência expedindo o seguinte despacho: Tendo em vista que foram localizados no processo contratos apresentados pela recorrente que não foram levados em conta pela decisão recorrida, tornase necessário que sejam analisados pela autoridade preparadora e que seja elaborado relatório sobre os mesmos, em especial sobre os mútuos contratados com a recorrente Diante do exposto, voto no sentido de baixar o processo em diligência para que a autoridade preparadora analise os extratos e contratos apresentados, elaborando relatório sobre os mútuos contratados. Em atendimento ao pedido de diligência, a Delegacia de Fiscalização no Rio de Janeiro relatou: Tendo sido designado através do Mandado de Procedimento Fiscal/Diligência no 07.1.90.002009004747 para cumprir o solicitado pelo Primeiro Conselho de Contribuinte — 5' Câmara, conforme despacho de folhas 2.510 a 2.514, do processo em pauta, venho apresentar relatório sobre a análise dos extratos e contratos de mútuo fornecidos pelo contribuinte. Ao longo dos anos de 1994 e 1995, a empresa referenciada, celebrou 14 (catorze) contratos de mútuo, sendo 5 (cinco) com Caterair Chile S/A, 7 (sete) com a Caterair International Corporation, 1 (hum) com a Caterair InFlite Services de Mexico S.A e 1 (hum) contrato que resultou na transferência internacional interbancária com a LSG Lufthansa/Sky Chefs, conforme discriminamos: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.484 12 Assinou também, 4 (quatro) contratos de conta correntes, objetivando o financiamento em moeda nacional do capital de giro das empresas envolvidas, sendo os dois primeiros entre Caterair Serviços de Bordo e Hotelaria S/A e LSG Lufthansa Services Sky Chefs do Brasil Catering Refeições Ltda, respectivamente em 01.01.2000 e 01.01.2001 e os dois restantes entre Caterair Serviços de Bordo e Hotelaria S/A e Servcater Internacional Ltda, respectivamente em 01.01.2000 e 01.01.2001. Todos os 14 (catorze) atos, envolvendo moeda estrangeira, foram firmados através de instrumentos particular de contrato de mútuo, entre a Caterair Serviços de Bordo e Hotelaria S/A, pessoa jurídica de direito privado, com sede à Rua P, s/n, área de apoio do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, Ilha do Governador, RJ/RJ, CNPJ nº 33.375.601/000139, conforme abaixo se especifica, exceto o realizado com a LSG.... Lufthansa Services Sky Chefs do Brasil Catering Refeições Ltda. cujo contrato não foi encontrado. EMPRÉSTIMOS EM MOEDA ESTRANGEIRA ORIGEM CHILE 1 — Instrumento Particular de Contrato de Mútuo firmado entre Caterair Chile S/A, com sede à Areopuerto A Merino Benitez, s/n Casilla, Santiago, Chile, e Caterair Serviços de Bordo e Hotelaria S/A, já qualificada acima, no valor de R$ 842.648,38 (oitocentos e quarenta e oito mil e seiscentos e quarenta e oito reais e trinta e oito centavos), equivalentes a US$ 1.000.000,00 (hum milhão de dólares dos Estados Unidos), comprometendose a segunda, a pagar a importância mutuada em 1 (hum) ano, podendo ser prorrogado por mais 1 (hum) ano, através de mútuo Fl. 12DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.485 13 acordo das partes, firmado em 19 de outubro de 1994, assinando por Caterair Chile S/A, Gastón Vanlcilsdonk (Diretor Geral) e por Caterair Serviço de Bordo Hotelaria S/A, Sérgio Mellone Olgas (Diretor). Ficou estabelecido neste contrato, que sobre o saldo devedor do principal, incidiriam juros de Libor + 1 % (hum por cento) ao ano. A este contrato, foram feitos 7 (sete) aditamentos cujas datas são 19.10.1995, 19.10.1996, 19.10.1997, 19.10.1998, 19.10.1999, 19.10.2000 e 19.10.2001, aditamentos esses firmados pelos mesmos representantes intervenientes no contrato inicial, tanto por parte do mutuante como do mutuário. Através do informe SISBACEN, localizase uma transferência interbancária internacional (em moeda nacional), n o 05275.588594/0329 de 19.10.1994, no valor de R$ 842.648,38 (oitocentos e quarenta e dois mil e seiscentos e quarenta e oito reais e trinta e oito centavos), onde constam como intervenientes no pais, Banco Real S/A 05275, e no exterior, Banco Real Dei Uruguay 8451, operação essa, registrada como empréstimo de capital estrangeiro de longo prazo. OBS: I — A empresa coligada que cedeu os recursos tem sede no Chile. II — Os recursos ingressaram no Brasil através de uma instituição financeira sediada no Uruguai. III O mesmo caminho foi percorrido pelos demais empréstimos, inclusive, os fornecidos pelas empresas sediadas nos Estados Unidos e no México. Identificamos através do extrato do Banco Real, agência 05275, conta corrente 2.7010190, que em 20 de outubro de 1994 foi creditado nesta conta a importância mencionada no parágrafo anterior. Constatamos também, que no diário da empresa, a folhas 90, no dia 20 de outubro de 1994, encontrase registrado, como empréstimo do Chile, a mesma importância já citada. Verificamos finalmente, no demonstrativo de juros deste mútuo, que as taxas praticadas e os saldos finais apresentados não merecem reparos (folhas 1.882 a 1.907 e 2.415 a 2.478). Por tratarse de uma S/A, os atos praticados por seus diretores, deveriam ter o referendo da Assembléia Geral, além de constar do estatuto da empresa, a competência dos mesmos, para firmar compromisso dessa ordem, ainda que por delegação, não tendo sido possível, obter do contribuinte esse documento. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.486 14 2 Instrumento Particular de Contrato de Mútuo firmado entre Caterair Chile S/A, com sede à Areopuerto A Merino Benitez, s/n Casilla, Santiago, Chile, e Caterir Serviços de Bordo e Hotelaria S/A, já qualificada acima, no valor de R$ 208.553,00 (duzentos e oito mil e quinhentos e cinqüenta e três reais), equivalentes a US$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil dólares dos Estados Unidos), comprometendose a segunda, a pagar a importância mutuada em 1 (hum) ano, podendo ser prorrogado por mais 1 (hum) ano, através de mútuo acordo das partes, firmado em 25 de novembro de 1994, assinando por Caterair Chile S/A, Gastón Vankilsdonk (Diretor Geral) e por Caterair Serviço de Bordo Hotelaria S/A, Sérgio Mellone Olgas (Diretor). Ficou estabelecido neste contrato, que sobre o saldo devedor do principal, incidiriam juros de Libor + 1 % (hum por cento) ao ano. A este contrato, foram feitos 7 (sete) aditamentos cujas datas são 25.11.1995, 25.11.1996, 25.11.1997, 25.11.1998, 25.11.1999, 25.11.2000 e 25.11.2001, aditamentos esses firmados pelos mesmos representantes intervenientes no contrato inicial, tanto por parte do mutuante como do mutuário. Através do informe SISBACEN, localizase uma transferência interbancária internacional (em moeda nacional), n o 05275.5885940404 de 25.11.1994, no valor de R$ 208.553,00 (duzentos e oito mil e quinhentos e cinqüenta e três reais), onde constam como intervenientes no país, Banco Real S/A 05275, e no exterior, Banco Real Dei Uruguay 8451, operação essa, registrada como empréstimo de capital estrangeiro de longo prazo. OBS: I — A empresa coligada que cedeu os recursos tem sede no Chile. II — Os recursos ingressaram no Brasil através de uma instituição financeira sediada no Uruguai. III O mesmo caminho foi percorrido pelos demais empréstimos, inclusive, os fornecidos pelas empresas sediadas nos Estados Unidos e no México. Identificamos através do extrato do Banco Real, agência 05275, conta corrente 2.7010190, que em 25 de novembro de 1994 foi creditado nesta conta a importância mencionada no parágrafo anterior. Constatamos também, que no diário da empresa, a folhas 119, no dia 25 de novembro de 1994, encontrase registrado, como empréstimo do Chile, a mesma importância já citada. Verificamos finalmente, no demonstrativo de juros deste mútuo, que as taxas praticadas e aos saldos finais apresentados não merecem reparos (folhas 1.882 a 1.907 e 2.415 a 2.478). Fl. 14DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.487 15 Por tratarse de uma S/A, os atos praticados por seus diretores, deveriam ter o referendo da Assembléia Geral, além de constar do estatuto da empresa, a competência dos mesmos, para firmar compromisso dessa ordem, ainda que por delegação, não tendo sido possível, obter do contribuinte esse documento. 3 Instrumento Particular de Contrato de Mútuo firmado entre Caterair Chile S/A, com sede à Areopuerto A Merino Benitez, Casilla, Santiago, Chile, e Caterair Serviços de Bordo e Hotelaria S/A, já qualificada acima, no valor de R$ 209.669,58 (duzentos e nove mil e seiscentos e sessenta e nove reais e cinqüenta e oito centavos), equivalentes a US$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil dólares dos Estados Unidos), comprometendose a segunda, a pagar a importância mutuada em 1 (hum) ano, podendo ser prorrogado por mais 1 (hum) ano, através de mútuo acordo das partes, firmado em 02 de dezembro de 1994, assinando por Caterair Chile S/A, Gastón Vankilsdonk (Diretor Geral) e por Caterair Serviço de Bordo Hotelaria S/A, Sérgio Mellone (Diretor). Ficou estabelecido neste contrato, que sobre o saldo devedor do principal, incidiriam juros de Libor + 1 % (hum por cento) ao ano. A este contrato, foram feitos 7 (sete) aditamentos cujas datas são 02.12.1995, 02.12.1996, 02.12.1997, 02.12.1998, 02.12.1999, 02.12.2000 e 02.12.2001, aditamentos esses firmados pelos mesmos representantes intervenientes no contrato inicial, tanto por parte do mutuante como do mutuário. Através do informe SISBACEN, localizase uma transferência interbancária internacional (em moeda nacional), n o 05275.588594/0437 de 02.12.1994, no valor de R$ 209.669,58 (duzentos e nove mil e seiscentos e sessenta e nove reais e cinqüenta e oito centavos), onde constam como intervenientes no país, Banco Real S/A 05275, e no exterior, Banco Real Dei Uruguay 8451, operação essa, registrada como empréstimo de capital estrangeiro de longo prazo. OBS: I— A empresa coligada que cedeu os recursos tem sede no Chile. II — Os recursos ingressaram no Brasil através de uma instituição financeira sediada no Uruguai. III O mesmo caminho foi percorrido pelos demais empréstimos, inclusive, os fornecidos pelas empresas sediadas nos Estados Unidos e no México. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.488 16 Identificamos através do extrato do Banco Real, agência 05275, conta corrente 2.7010190, que em 05 de dezembro de 1994 foi creditado nesta conta a importância mencionada no parágrafo anterior. Constatamos também, que no diário da empresa, a folhas 18, no dia 02 de dezembro de 1994, encontrase registrado, como empréstimo do Chile, a mesma importância já citada. OBS: O registro deste empréstimo no diário foi feito 3 (três) dias antes do crédito na conta do Banco Real, conforme anteriormente explicitado. Verificamos finalmente, no demonstrativo de juros deste mútuo, que as taxas praticadas e aos saldos finais apresentados não merecem reparos (folhas 1.882 a 1.907 e 2.415 a 2.478). Por tratarse de uma S/A, os atos praticados por seus diretores, deveriam ter o referendo da Assembléia Geral, além de constar do estatuto da empresa, a competência dos mesmos, para firmar compromisso dessa ordem, ainda que por delegação, não tendo sido possível, obter do contribuinte esse documento. 4 Instrumento Particular de Contrato de Mútuo firmado entre Caterair Chile S/A, com sede à Areopuerto A Merino Benitez, s/n Casilla, Santiago, Chile, e Caterair Serviços de Bordo e Hotelaria S/A, já qualificada acima, no valor de R$ 209.173,32 (duzentos e nove mil e cento e setenta e três reais e trinta e dois centavos), equivalentes a US$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil dólares dos Estados Unidos), comprometendose a segunda, a pagar a importância mutuada em 1 (hum) ano, podendo ser prorrogado por mais 1 (hum) ano, através de mútuo acordo das partes, firmado em 09 de dezembro de 1994, assinando por Caterair Chile S/A, Gastón Vankilsdonk (Diretor Geral) e por Caterair Serviço de Bordo Hotelaria S/A, Sérgio Mellone Olgas (Diretor). Ficou estabelecido neste contrato, que sobre o saldo devedor do principal, incidiriam juros de Libor + 1 % (hum por cento) ao ano. A este contrato, foram feitos 7 (sete) aditamentos cujas datas são 09.12.1995, 09.12.1996, 09.12.1997, 09.12.1998, 09.12.1999, 09.12.2000 e 09.12.2001, aditamen;tos esses firmados pelos mesmos representantes intervenientes no contrato inicial, tanto por parte do mutuante como do mutuário. Através do informe SISBACEN, localizase uma transferência interbancária internacional (em moeda nacional), n° 05275.588594,0451 de 09.12.1994, no valor de R$ 209.173,32 (duzentos e nove mil e cento e setenta e três reais e trinta e dois Fl. 16DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.489 17 centavos), onde constam como intervenientes no pais, Banco Real S/A 05275, e no exterior, Banco Real Dei Uruguay 8451, operação essa, registrada como empréstimo de capital estrangeiro de longo prazo. OBS: I — A empresa coligada que cedeu os recursos tem sede no Chile. II — Os recursos ingressaram no Brasil através de uma instituição financeira sediada no Uruguai. III O mesmo caminho foi percorrido pelos demais empréstimos, inclusive, os fornecidos pelas empresas sediadas nos Estados Unidos e no México. Identificamos através do extrato do Banco Real, agência 05275, conta corrente 2.7010190, que em 09 de dezembro de 1994 foi creditado nesta conta a importância mencionada no parágrafo anterior. Constatamos também, que no diário da empresa, a folhas 50, no dia 09 de dezembro de 1994, encontrase registrado, como empréstimo do Chile, a mesma importância já citada. Verificamos finalmente, no demonstrativo de juros deste mútuo, que as taxas praticadas e aos saldos finais apresentados não merecem reparos (folhas 1.882 a 1.907 e 2.415 a 2.478). Por tratarse de uma S/A, os atos praticados por seus diretores, deveriam ter o referendo da Assembléia Geral, além de constar do estatuto da empresa, a competência dos mesmos, para firmar compromisso dessa ordem, ainda que por delegação, não tendo sido possível, obter do contribuinte esse documento. 5 Instrumento Particular de Contrato de Mútuo firmado entre Caterair Chile S/A, com sede à Areopuerto A Merino Benitez, s/n Casilla, Santiago, Chile, e Caterair Serviços de Bordo e Hotelaria S/A, já qualificada acima, no valor de R$ 210.165,84 (duzentos e dez mil e cento e sessenta e cinco reais e oitenta e quatro centavos), equivalentes a US$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil dólares dos Estados Unidos), comprometendose a segunda, a pagar a importância mutuada em 1 (hum) ano, podendo ser prorrogado por mais 1 (hum) ano, através de mútuo acordo das partes, firmado em 16 de dezembro de 1994, assinando por Caterair Chile S/A, Gastón Vanlcilsdonk (Diretor Geral) e por Caterair Serviço de Bordo Hotelaria S/A, Sérgio Mellone Olgas (Diretor). Ficou estabelecido neste contrato, que sobre o saldo devedor do principal, incidiriam juros de Libor + 1 % (hum por cento)ao ano. A este contrato, foram feitos 7 (sete) aditamentos cujas datas são 16.12.1995, 16.12.1996, 16.12.1997, 16.12.1998, 16.12.1999, Fl. 17DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.490 18 16.12.2000 e 16.12.2001, aditamentos esses firmados pelos mesmos representantes intervenientes no contrato inicial, tanto por parte do mutuante como do mutuário. Através do informe SISBACEN, localizase uma transferência interbancária internacional (em moeda nacional), n° 05275.588594,0464 de 16.12.1994, no valor de R$ 210.165,84 (duzentos e dez mil e cento e sessenta e cinco reais e oitenta e quatro centavos), onde constam como intervenientes no pais, Banco Real S/A 05275, .e .no exterior, Banco Real Dei Uruguay 8451, operação essa, registrada como empréstimo de capital estrangeiro de longo prazo. OBS: I — A empresa coligada que cedeu os recursos tem sede no Chile. II — Os recursos ingressaram no Brasil através de uma instituição financeira sediada no Uruguai. III O mesmo caminho foi percorrido pelos demais empréstimos, inclusive, os fornecidos pelas empresas sediadas nos Estados Unidos e no México. Identificamos através do extrato do Banco Real, agência 05275, conta corrente 2.7010190, que em 15 de dezembro de 1994 foi creditado nesta conta a importância mencionada no parágrafo anterior. Constatamos também, que no diário da empresa, a folhas 91, no dia 16 de dezembro de 1994, encontrase registrado, como empréstimo do Chile, a mesma importância já citada. OBS: Cabe registrar que o contrato e a transferência interbancária foram efetuados na mesma data, porém, no extrato do Banco Real este valor foi depositado um dia antes da assinatura do mútuo e também antes da transferência dos recursos pelo Banco Central. Verificamos finalmente, no demonstrativo de juros deste mútuo, que as taxas praticadas e aos saldos finais apresentados não merecem reparos (folhas 1.882 a 1.907 e 2.415 a 2.478). Por tratarse de uma S/A, os atos praticados por seus diretores, deveriam ter o referendo da Assembléia Geral, além de constar do estatuto da empresa, a competência dos mesmos, para firmar compromisso dessa ordem, ainda que por delegação, não tendo sido possível, obter do contribuinte esse documento. EMPRÉSTIMOS EM MOEDA ESTRANGEIRA Fl. 18DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.491 19 ORIGEM ESTADOS UNIDOS 6 Instrumento Particular de Contrato de Mútuo firmado entre Caterair International Corporation, com sede 6550 Rock Springs Drive, Bethesda, Maryland —USA e Caterair Serviços de Bordo Hotelaria S/A no valor de R$ 293.125,00 (duzentos e noventa e três mil e cento e vinte e cinco reais), equivalentes à US$ 350.000,00 (trezentos e cinqüenta mil dólares dos Estados Unidos), comprometendose a segunda, a pagar a importância mutuada em 6 (seis) meses, podendo ser prorrogado por mais 6 (seis) meses, através de mútuo acordo das partes, firmado em 10 de fevereiro de 1995, assinando por Caterair International Corporation, Harry D' Adrea (Diretor Financeiro) e por Caterair Serviços de Bordo Hotelaria S/A, Joel Rene Guerin (Diretor Financeiro) e Peter Walker Tenney (Procurador). Ficou estabelecido neste contrato, que sobre o saldo devedor do principal, incidiriam juros de 11,1 % (onze virgula um por cento) ao ano. Através do informe SISBACEN, localizase uma transferência interbancária internacional (em moeda nacional), n° 05275.588595/0133 de 13.02.1995 no valor de R$ 289.918,13 (duzentos e oitenta e nove mil e novecentos e dezoito reais e treze centavos), onde constam como intervenientes no país, Banco Real S/A 05275, e no exterior, Banco Real Del Uruguay 8451, operação essa, registrada como empréstimo de capital estrangeiro de longo prazo. OBS: I — A empresa coligada que cedeu os recursos tem sede nos Estados Unidos. II — Os recursos ingressaram no Brasil através de uma instituição financeira sediada no Uruguai. III O mesmo caminho foi percorrido pelos demais empréstimos, inclusive, os fornecidos pelas empresas sediadas no Chile e no México. Identificamos através do extrato do Banco Real, agência 05275, conta corrente 2.7010190, que em 13 de fevereiro de 1995 foi creditado nesta conta a importância mencionada no parágrafo anterior. Constatamos também, que no diário da empresa, a folhas 207, no dia 28 de fevereiro de 1995, encontrase registrado, como empréstimo de Washington USA, a mesma importância já citada. Verificamos finalmente, no demonstrativo de juros deste mútuo, que as taxas praticadas e aos saldos finais apresentados não merecem reparos (folhas 1.882 a 1.907 e 2.415 a 2.478). Fl. 19DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.492 20 Por tratarse de uma S/A, os atos praticados por seus diretores, deveriam ter o referendo da Assembléia Geral, além de constar do estatuto da empresa, a competência dos mesmos, para firmar compromisso dessa ordem, ainda que por delegação, não tendo sido possível, obter do contribuinte esse documento. Outra questão que hora levantamos diz respeito ao representante da Caterair Serviços de Hotelaria S/A no Brasil que assina este contrato, senão vejamos: A — Todos os contratos e aditivos firmados pela empresa nacional e a Caterair Chile S A tiveram a chancela do mesmo diretor brasileiro, isto no período de 18.10.1994 a 19.10.2001; B — No presente contrato são designados outros representantes sem que haja um instrumento procuratório específico, fato já ressaltado no parágrafo anterior. Também não foram apresentados aditivos a este contrato, o que pressupõe sua liquidação no prazo acordado, contudo, verifica se que, o demonstrativo de juros se estende até 31 de dezembro de 2001. 7 Instrumento Particular de Contrato de Mútuo firmado entre Caterair International Corporation, com sede 6550 Rock Springs Drive, Bethesda, Maryland —USA e Caterair Serviços de Bordo Hotelaria S/A no valor de R$ 291.375,00 (duzentos e noventa e um mil e trezentos e setenta e cinco reais), equivalentes à US$ 350.000,00 (trezentos e cinqüenta mil dólares dos Estados Unidos), comprometendose a segunda, a pagar a importância mutuada em 6 (seis) meses, podendo ser prorrogado por mais 6 (seis) meses, através de mútuo acordo das partes, firmado em 23 de fevereiro de 1995, assinando por Caterair International Corporation, Harry D' Adrea (Diretor Financeiro) e por Caterair Serviços de Bordo Hotelaria S/A, Joel Rene Guerin (Diretor Financeiro) e Peter Walker Tenney (Procurador). Ficou estabelecido neste contrato, que sobre o saldo devedor do principal, incidiriam juros de 11,1 % (onze vírgula um por cento) ao ano. Através do informe SISBACEN, localizase uma transferência interbancária internacional (em moeda nacional), n° 05275.588595/0155 de 23.02.1995 no valor de R$ 291.659,38 (duzentos e noventa e um mil seiscentos e cinqüenta e nove reais e trinta e oito centavos), onde constam como intervenientes no país, Banco Real S/A 05275, e no exterior, Banco Real Dei Uruguay 8451, operação essa, registrada como empréstimo de capital estrangeiro de longo prazo. OBS: I — A empresa coligada que cedeu os recursos tem sede nos Estados Unidos. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.493 21 II — Os recursos ingressaram no Brasil através de uma instituição financeira sediada no Uruguai. III O mesmo caminho foi percorrido pelos demais empréstimos, inclusive, os fornecidos pelas empresas sediadas no Chile e no México. Identificamos através do extrato do Banco Real, agência 05275, conta corrente 2.7010190, que em 23 de fevereiro de 1995 foi creditado nesta conta a importância mencionada no parágrafo anterior. Constatamos também, que no diário da empresa, a folhas 207, no dia 28 de fevereiro de 1995, encontrase registrado, como empréstimo de Washington USA, a mesma importância já citada. Verificamos finalmente, no demonstrativo de juros deste mútuo, que as taxas praticadas e aos saldos finais apresentados não merecem reparos (folhas 1.882 a 1.907 e 2.415 a 2.478). Por tratarse de uma S/A, os atos praticados por seus diretores, deveriam ter o referendo da Assembléia Geral, além de constar do estatuto da empresa, a competência dos mesmos, para firmar compromisso dessa ordem, ainda que por delegação, não tendo sido possível, obter do contribuinte esse documento. Outra questão que hora levantamos diz respeito ao representante da Caterair Serviços de Hotelaria S/A no Brasil que assina este contrato, senão vejamos: A — Todos os contratos e aditivos firmados pela empresa nacional e a Caterair Chile S A tiveram a chancela do mesmo diretor brasileiro, isto no período de 18.10.1994 a 19.10.2001; B — No presente contrato são designados outros representantes sem que haja um instrumento procuratório específico, fato já ressaltado no parágrafo anterior. Também não foram apresentados aditivos a este contrato, o que pressupõe sua liquidação no prazo acordado, contudo, verificase que, o demonstrativo de juros se estende até 31 de dezembro de 2001. 8 Instrumento Particular de Contrato de Mútuo firmado entre Caterair International Corporation, com sede 6550 Rock Springs Drive, Bethesda, Maryland —USA e Caterair Serviços de Bordo Hotelaria S/A no valor de R$ 262.340,00 (duzentos e sessenta e dois mil e trezentos e quarenta reais), equivalentes à US$ 300.000,00 (trezentos mil dólares dos Estados Unidos), Fl. 21DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.494 22 comprometendose a segunda, a pagar a importância mutuada em 6 (seis) meses, podendo ser prorrogado por mais 6 (seis) meses, através de mútuo acordo das partes, firmado em 07de março de 1995, assinando por Caterair International Corporation, Harry D' Adrea (Diretor Financeiro) e por Caterair Serviços de Bordo Hotelaria S/A, Joel Rene Guerin (Diretor Financeiro) e Peter Walker Termey (Procurador). Ficou estabelecido neste contrato, que sobre o saldo devedor do principal, incidiriam juros de 11,1 % (onze vírgula um por cento) ao ano. Através do informe SISBACEN, localizase uma transferência interbancária internacional (em moeda nacional), n° 05275.588595/0180 de 07.03.1995 no valor de R$ 262.023,30 (duzentos e sessenta e dois mil e vinte e três reais e trinta centavos), Real Dei Uruguay 8451, operação essa, registrada como empréstimo de estrangeiro de longo prazo. OBS: I – A empresa coligada que cedeu os recursos tem sede nos Estados Unidos. II – Os recursos ingressaram no Brasil através de uma instituição financeira sediada no Uruguai. III O mesmo caminho foi percorrido pelos demais empréstimos, inclusive, os fornecidos pelas empresas sediadas no Chile e no México. Identificamos através do extrato do Banco Real, agência 05275, conta corrente 2.7010190, que em 07 de março de 1995 foi creditado nesta conta a importância mencionada no parágrafo anterior. Constatamos também, que no diário da empresa, a folhas 258, no dia 16 de março de 1995, encontrase registrado, como empréstimo de Washington USA, a mesma importância de R$ 363.340,00 (trezentos e sessenta e três mil e trezentos e quarenta reais), divergente do valor creditado no Banco Real, agência 05275, em 13.02.1995. Verificamos finalmente, no demonstrativo de juros deste mútuo, que as taxas praticadas e aos saldos finais apresentados não merecem reparos (folhas 1.882 a 1.907 e 2.415 a 2.478). Por tratarse de uma S/A, os atos praticados por seus diretores, deveriam ter o referendo da Assembléia Geral, além de constar do estatuto da empresa, a competência dos mesmos, para firmar compromisso dessa ordem, ainda que por delegação, não tendo sido possível, obter do contribuinte esse documento. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.495 23 Outra questão que hora levantamos diz respeito ao representante da Caterair Serviços de Hotelaria S/A no Brasil que assina este contrato, senão vejamos: A – Todos os contratos e aditivos firmados pela empresa nacional e a Caterair Chile S A tiveram a chancela do mesmo diretor brasileiro, isto no período de 18.10.1994 a 19.10.2001; B – No presente contrato são designados outros representantes sem que haja um instrumento procuratório específico, fato já ressaltado no parágrafo anterior. Também não foram apresentados aditivos a este contrato, o que pressupõe sua liquidação no prazo acordado, contudo, verificase que, o demonstrativo de juros se estende até 31 de dezembro de 2001. 9 Instrumento Particular de Contrato de Mútuo firmado entre Caterair International Corporation, com sede 6550 Rock Springs Drive, Bethesda, Maryland –USA e Caterair Serviços de Bordo Hotelaria S/A no valor de R$ 70.747,48 (setenta mil e setecentos e quarenta e sete reais e quarenta e oito centavos), equivalentes à US$ 80.000,00 (oitenta mil dólares dos Estados Unidos), comprometendose a segunda, a pagar a importância mutuada em 6 (seis) meses, podendo ser prorrogado por mais 6 (seis) meses, através de mútuo acordo das partes, firmado em 02.06.1995, assinando por Caterair International Corporation, Harry D' Adrea (Diretor Financeiro) e por Caterair Serviços de Bordo Hotelaria S/A, Joel Rene Guerin (Diretor Financeiro) e Carlos Antônio Coraça de Brito (Procurador). Ficou estabelecido neste contrato, que sobre o saldo devedor do principal,;.incidiriam juros de 11,1 % (onze virgula um por cento) ao ano. Através do informe SISBACEN, localizase uma transferência interbancária internacional (em moeda nacional), n° 05275.588595/0521 de 02.06.1995 no valor de . i R$ 70.947,48 (setenta mil e novecentos e quarenta e sete reais e quarenta e oito—centavos), onde constam como intervenientes no país, Banco Real S/A 05275, e no exterior, Banco Real Del Uruguay 8451, operação essa, registrada como empréstimo de capital estrangeiro de longo prazo. OBS: I — A empresa coligada que cedeu os recursos tem sede nos Estados Unidos. II — Os recursos ingressaram no Brasil através de uma instituição financeira sediada no Uruguai. Fl. 23DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.496 24 III O mesmo caminho foi percorrido pelos demais empréstimos, inclusive, os fornecidos pelas empresas sediadas no Chile e no México. Identificamos através do extrato do Banco Real, agência 05275, conta corrente 2.7010190, que em 02 de junho de 1995 foi creditado nesta conta a importância mencionada no parágrafo anterior. Constatamos também, que no diário da empresa, a folhas 32, no dia 06 de junho de 1995, encontrase registrado, como empréstimo de Washington USA, a mesma importância já citada. Verificamos finalmente, no demonstrativo de juros deste mútuo, que as taxas praticadas e aos saldos finais apresentados não merecem reparos (folhas 1.882 a 1.907 e 2.415 a 2.478). Por tratarse de uma S/A, os atos praticados por seus diretores, deveriam ter o referendo da Assembléia Geral, além de constar do estatuto da empresa, a competência dos mesmos, para firmar compromisso dessa ordem, ainda que por delegação, não tendo sido possível, obter do contribuinte esse documento. Outra questão que hora levantamos diz respeito ao representante da Caterair Serviços de Hotelaria S/A no Brasil que assina este contrato, senão vejamos: A — Todos os contratos e aditivos firmados pela empresa nacional e a Caterair Chile S A tiveram a chancela do mesmo diretor brasileiro, isto no período de 18.10.1994 a 19.10.2001; B — No presente contrato são designados outros representantes sem que haja um instrumento procuratório específico, fato já ressaltado no parágrafo anterior. Também não foram apresentados aditivos a este contrato, o que pressupõe sua liquidação no prazo acordado, contudo, verifica se que, o demonstrativo de juros se estende até 31 de dezembro de 2001. 10 Instrumento Particular de Contrato de Mútuo firmado entre Caterair International Corporation, com sede 6550 Rock Springs Drive, Bethesda, Maryland —USA e Caterair Serviços de Bordo Hotelaria S/A no valor de R$ 457.700.00 (quatrocentos e cinqüenta e sete mil e setecentos reais), equivalentes à US$ 500.000,00 (quinhentos mil dólares dos Estados Unidos), comprometendose a segunda, a pagar a importância mutuada em 6 (seis) meses, podendo ser prorrogado por mais 6 (seis) meses, através de mútuo acordo das partes, firmado em 07 de julho de 1995, assinando por Caterair International Corporation, Harry D' Adrea (Diretor Financeiro) e por Caterair Serviços de Bordo Hotelaria S/A, Joel Rene Guerin (Diretor Financeiro) ,e Carlos Antônio Coraça de Brito (Procurador). Fl. 24DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.497 25 Ficou estabelecido neste contrato, que sobre o saldo devedor do principal, incidiriam juros de 11,1 % (•onze virgula um por cento) ao ano. Através do informe SISBACEN, localizase uma transferência interbancária internacional (em moeda nacional), n° 05275.588595/0675 de 07.07.1995 no valor de R$ 457.500,00 (quatrocentos e cinqüenta e sete mil e quinhentos reais), onde constam como intervenientes no pais, Banco Real S/A 05275, e no exterior, Banco Real Dei Uruguay 8451, operação essa, registrada como empréstimo de capital estrangeiro de longo prazo. OBS: I — A empresa coligada que cedeu os recursos tem sede nos Estados Unidos. II — Os recursos ingressaram no Brasil através de uma instituição financeira sediada no Uruguai. III O mesmo caminho foi percorrido pelos demais empréstimos, inclusive, os fornecidos pelas empresas sediadas no Chile e no México. Identificamos através do extrato do Banco Real, agência 05275, conta corrente 2.7010190, que em 07 de julho de 1995 foi creditado nesta conta a importância R$ • 457.700,00 (quatro centos e cinqüenta e sete e setecentos reais), divergente R$ 200,00 (duzentos reais) do valor registrado pelo Banco Central. Constatamos também, que no diário da empresa, a folhas 136, no dia 07 de julho de 1995, encontrase registrado, como empréstimo de Washington USA, a mesma importância constante do extrato do Banco Real. Verificamos finalmente, no demonstrativo de juros deste mútuo, que as taxas praticadas e aos saldos finais apresentados não merecem reparos (folhas 1.882 a 1.907 e 2.415 a 2.478). Por tratarse de uma S/A, os atos praticados por seus diretores, deveriam ter o referendo da Assembléia Geral, além de constar do estatuto da empresa, a competência dos mesmos, para firmar compromisso dessa ordem, ainda que por delegação, não tendo sido possível, obter do contribuinte esse documento. Outra questão que hora levantamos diz respeito ao representante da Caterair Serviços de Hotelaria S/A no Brasil que assina este contrato, senão vejamos: A — Todos os contratos e aditivos firmados pela empresa nacional e a • Caterair Chile S A tiveram a chancela do mesmo diretor brasileiro, isto no período de 18.10.1994 a 19.10.2001; B — No presente contrato são designados outros representantes sem que haja um instrumento procuratório específico, fato já ressaltado no parágrafo anterior. Fl. 25DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.498 26 Também não foram apresentados aditivos a este contrato, o que pressupõe sua liquidação no prazo acordado, contudo, verifica se que, o demonstrativo de juros se estende até 31 de dezembro de 2001. 11 Instrumento Particular de Contrato de Mútuo firmado entre Caterair International Corporation, com sede 6550 Rock Springs Drive, Bethesda, Maryland —USA e Caterair Serviços de Bordo Hotelaria S/A no valor de R$ 91.122,15 (noventa e um mil e cento e vinte e dois reais e quinze centavos), equivalentes à US$ 100.000,00 (cem mil dólares dos Estados Unidos), comprometendose a segunda, a pagar a importância mutuada em 6 (seis) meses, podendo ser prorrogado por mais 6 (seis) meses, através de mútuo acordo das partes, firmado em 17 de julho1995, assinando por Caterair International Corporation, Harry D' Adrea (Diretor Financeiro) e por Caterair Serviços de Bordo Hotelaria S/A, Joel Rene Guerin (Diretor Financeiro) e Carlos ' Antônio Coraça de Brito (Procurador). 1 Ficou estabelecido neste contrato, que sobre o saldo devedor do principal;" incidiriam juros de 11,1 % (onze virgula um por cento) ao ano. Através do informe SISBACEN, localizase uma transferência interbancária internacional (em moeda nacional), n o 05275.588595/0719 de 17.07.1995 no valor de R$ 91.112,15 (noventa e um mil e cento e doze reais e quinze centavos), onde constam como intervenientes no pais, Banco Real S/A 05275, e no exterior, Banco Real Dei Uruguay 8451, operação essa, registrada como empréstimo de capital estrangeiro de longo prazo. OBS: I — A empresa coligada que cedeu os recursos tem sede nos Estados Unidos. II — Os recursos ingressaram no Brasil através de uma instituição financeira sediada no Uruguai. III O mesmo caminho foi percorrido pelos demais empréstimos, inclusive, os fornecidos pelas empresas sediadas no Chile e no México. Identificamos através do extrato do Banco Real, agência 05275, conta corrente 2.7010190, que em 17 de julho de 1995 foi creditado nesta conta a importância mencionada no parágrafo anterior. Constatamos também, que no diário da empresa, a folhas 180, no dia 17 de julho de 1995, encontrase registrado, como empréstimo de Washington USA, a mesma importância constante do extrato do Banco Real. Fl. 26DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.499 27 Verificamos finalmente, no demonstrativo de juros deste mútuo, que as taxas praticadas e aos saldos finais apresentados não merecem reparos (folhas 1.882 a 1.907 e 2.415 a 2.478). Por tratarse de uma S/A, os atos praticados por seus diretores, deveriam ter o referendo da Assembléia Geral, além de constar do estatuto da empresa, a competência dos mesmos, para firmar compromisso dessa ordem, ainda que por delegação, não tendo sido possível, obter do contribuinte esse documento. Outra questão que hora levantamos diz respeito ao representante da Caterair Serviços de Hotelaria S/A no Brasil que assina este contrato, senão vejamos: A — Todos os contratos e aditivos firmados pela empresa nacional e a Caterair Chile S A tiveram a chancela do mesmo diretor brasileiro, isto no período de 18.10.1994 a 19.10.2001; B — No presente contrato são designados outros representantes sem que haja um instrumento procuratório específico, fato já ressaltado no parágrafo anterior. Também não foram apresentados aditivos a este contrato, o que pressupõe sua liquidação no prazo acordado, contudo, verifica se que, o demonstrativo de juros se estende até 31 de dezembro de 2001. 12 Através do informe SISBACEN, folhas 1.850, localizase uma transferência interbancária internacional (em moeda nacional), n o 05275.588595/0823 de 31.07.1995 no valor de R$ 367.513,20 (trezentos e sessenta e sete mil e quinhentos e treze reais e vinte centavos), onde constam como intervenientes no pais, Banco Real S/A 05275, e no Uruguai, Banco Real Dei Uruguay 8451, operação essa registrada como empréstimo de capital estrangeiro ao longo prazo. O Remetente desses recursos foi Caterair International Corporation. Identificamos através do extrato do Banco Real, agência 05275, conta corrente — • 2.7010190, que em 30 de outubro de 1995 foi creditado nesta conta a importância mencionada no parágrafo anterior. Constatamos também, que no diário da empresa, a folhas 295, no dia 31 de julho de 1995, encontrase registrado, como empréstimo Caterair International Corporation Washington USA, a mesma importância constante do extrato do Banco Real. OBS: I Com relação a este empréstimo em moeda estrangeira, em nenhum dos 13 (treze) volumes do processo, nem mesmo nas informações prestadas pelo contribuinte a este auditor em 08.07.2009, encontramos ou nos foi Fl. 27DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.500 28 apresentado contrato de mútuo ou de qualquer outra ordem em data compatível com a transferência efetuada, isto é, 31.07.1995. II – A empresa coligada que cedeu os recursos tem sede nos Estados Unidos. III – Os recursos ingressaram no Brasil através de uma instituição financeira sediada no Uruguai. IV O mesmo caminho foi percorrido pelos demais empréstimos, inclusive, os fornecidos pelas empresas sediadas no Chile e no México. Identificamos através do extrato do Banco Real, agência 05275, conta corrente 2.7010190, que em 17 de julho de 1995 foi creditado nesta conta a importância mencionada no parágrafo anterior. Constatamos também, que no diário da empresa, a folhas 295, no dia 31 de julho de 1995, encontrase registrado, como empréstimo de Washington USA, a mesma importância constante do extrato do Banco Real. Verificamos finalmente, no demonstrativo de juros deste mútuo, que as taxas praticadas e aos saldos finais apresentados não merecem reparos (folhas 1.882 a 1.907 e 2.415 a 2.478). Como não existe contrato e muito menos aditivo, anexo ao mesmo, que indique a data de sua liquidação ou mesmo das possíveis prorrogações, não se pode validar o demonstrativo de juros que se estende até 31.12.2001. 13 Através do informe SISBACEN, folhas 1.851, localizase uma transferência interbancária internacional (em moeda nacional), n o 05275.588595/1509 de 30.10.1995 no valor de R$ 1.905.693,00 (hum milhão e novecentos e cinco mil e seiscentos de noventa e três reais), onde constam como intervenientes no pais, Banco Real S/A 05275, e no Uruguai, Banco Real Del Uruguay 8451, operação essa registrada como empréstimo de capital estrangeiro ao longo prazo. O Remetente desses recursos foi LSG Lufthansa Services /Sky Chefs. Identificamos através do extrato do Banco Real, agência 05275, conta corrente 2.7010190, que em 30 de outubro de 1995 foi creditado nesta conta a importância mencionada no parágrafo anterior. Constatamos também, que no diário da empresa, a folhas 362, no dia 30 de outubro de 1995, encontrase registrado, como empréstimo Sky Chef Lufthansa Dallas USA, a mesma importância constante do extrato do Banco Real. Fl. 28DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.501 29 OBS: Com relação a este empréstimo em moeda estrangeira, em nenhum dos 13 (treze) volumes do processo, nem mesmo nas informações prestadas pelo contribuinte a este auditor em 08.06.2009, encontramos ou nos foi apresentado contrato de mútuo ou de qualquer outra ordem, em data compatível con‘. 5av transferência efetuada, isto é, 30.10.1995. EMPRÉSTIMO EM MOEDA ESTRANGEIRA ORIGEM MÉXICO 14 Instrumento Particular de Contrato de Mútuo firmado entre Caterair In —Flite Services de México S.A de C.V, com sede à Rua Aviación Militar, n°30, Col.Federal, México — DF e Caterair Serviços de Bordo Hotelaria S/A no valor de R$ 266.940,00 (duzentos e sessenta e seis mil e novecentos e quarenta mil reais), equivalentes à US$ 300.000,00 (trezentos mil dólares dos Estados Unidos),comprometendose a segunda, a pagar a importância mutuada em 6 (seis) meses, podendo ser prorrogado por mais 6 (seis) meses, através de mútuo acordo das partes, firmado em 06 de abril de 1995, assinando por Caterair In — Flite Services de México S.A de C.V, Juan Rogelio Diaz Salazar (Procurador) e por Caterair Serviços de Bordo Hotelaria S/A, Joel Rene Guerin (Diretor Financeiro) e Peter Walker Tenney (Procurador). Ficou estabelecido neste contrato, que sobre o saldo devedor do principal, incidiriam juros de Libor + 2 % (dois por cento) ao ano. Através do informe SISBACEN, localizase uma transferência interbancária internacional (em moeda nacional), n° 05275.588595/0273 de 06.04.1995 no valor de R$ 265.605,30 (duzentos e sessenta e cinco mil e seiscentos e cinco reais e trinta centavos), onde constam como intervenientes no país, Banco Real S/A 05275, e no exterior, Banco Real Dei Uruguay 8451, operação essa, registrada como empréstimo de capital estrangeiro de longo prazo. OBS Também não foram apresentados aditivos a este contrato, o que pressupõe sua liquidação no prazo acordado, contudo, verifica se que, o demonstrativo; de juros se estende até 31 de dezembro de 2001. I — A empresa coligada que cedeu os recursos tem sede no México. II — Os recursos ingressaram no Brasil através de uma instituição financeira sediada no Uruguai. Fl. 29DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.502 30 III O mesmo caminho foi percorrido pelos demais empréstimos, inclusive, os fornecidos pelas empresas sediadas no Chile e nos Estados Unidos. Identificamos através do extrato do Banco Real, agência 05275, conta corrente 2.7010190, que em 06 de abril de 1995 foi creditado nesta conta a importância mencionada no parágrafo anterior. Constatamos também, que no diário da empresa, a folhas 28, no dia 06 de abril de 1995, encontrase registrado, como empréstimo do México, a mesma importância já citada. Verificamos finalmente, no demonstrativo de juros deste mútuo, que as taxas praticadas e aos saldos finais apresentados não merecem reparos (folhas 1.882 a 1.907 e 2.415 a 2.478). Por tratarse de uma S/A, os atos praticados por seus diretores, deveriam ter o referendo da Assembléia Geral, além de constar do estatuto da empresa, a competência dos mesmos, para firmar compromisso dessa ordem, ainda que por delegação, não tendo sido possível, obter do contribuinte esse documento. Outra questão que hora levantamos diz respeito ao representante da Caterair Serviços de Hotelaria S/A no Brasil que assina este contrato, senão vejamos: A — Todos os contratos e aditivos firmados pela empresa nacional e a Caterair Chile S A tiveram a chancela do mesmo diretor brasileiro, isto no período de 18.10.1994 a 19.10.2001; B — No presente contrato são designados outros representantes sem que haja um instrumento procuratório específico, fato já ressaltado no parágrafo anterior. Também não foram apresentados aditivos a este contrato, o que pressupõe sua liquidação no prazo acordado, contudo, verifica se que, o demonstrativo; de juros se estende até 31 de dezembro de 2001. CONTRATOS DE CONTA CORRENTES ORIGEM BRASIL 15 Em 01.01.2000 foi celebrado contrato de conta corrente entre a Caterair Serviços de Bordo e Hotelaria S/A, empresa já qualificada, neste ato representada por seus procuradores, Paulo Gustavo Gonçalves Teixeira e José Donizete Bahia e LSG, de um dado e do outro, Lufthansa Services /Sky Chefs do Brasil Catering Refeições Ltda, sociedade brasileira com sede à cidade de São Paulo, Brasil, à Rua Libero Badaró, 346, 2° andar, sala 11, Centro, inscrita no CNPJ do Ministério da Fazenda sob o no 00.138.358/000185, também representada por seus procuradores Paulo Gustavo Gonçalves Teixeira e José Donizete Fl. 30DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.503 31 Bahia, no qual acordam, que, por serem empresas do mesmo grupo econômico LSG — Sky Chefs, e atuando no negócio de Catering, e por ser de interesse das partes e das finalidades comuns corporativas proceder sempre que haja demanda, a cessão do excesso de caixa que cada um tenha de tempos em tempos, com propósito de permitir o financiamento do capital de giro e as necessidades de caixa da empresa demandante (folhas 1.854 a 1.860). As regras estabelecidas neste instrumento prevêem entre outras coisas, o seguinte: A — Abertura de crédito em conta corrente sem o limite previamente estabelecido; B — Os recursos serão escriturados em contas especialmente abertas pra esse fim, pelo prazo de 5 (cinco) anos, renovado por outros 5 (cinco), se houver manifestação formal; C — Que os valores necessários poderão ser sacados de contas correntes existentes, informando sempre a outra parte formalmente, o valor sacado, tendo a parte cedente o prazo de 24 (vinte e quatro) horas, a partir do desembolso para concorda ou não com a operação, dandose como aceita a parcela sacada, se não houver manifestação contrária sobre aquele valor; D — Estabelece também que sobre o saldo devedor incidirão juros de 1 % (hum por cento) ao mês, que serão lançados mensalmente a crédito do respectivo credor; E — Que o montante devido poderá ser liquidado total ou parcialmente a qualquer tempo, tomandose em consideração, como data de vencimento, a indicada no contrato; F Que qualquer pagamento devido fora do prazo estabelecido neste contrato ficará sujeito a uma multa compensatória de 5% (cinco por cento) ao mês, adicionalmente, debitada em conta corrente, além dos juros estabelecidos. G Além dessas cláusulas, caso haja demanda judicial, a parte devedora, enquanto perdurar o processo e até a sua conclusão, ficará sujeita além dos juros de mora contratuais, à multa de 1% (hum por cento) ao mês, além de honorários advocatícios de 10 %) (dez por cento) sobre o valor da causa. Observase que este contrato, em nenhum momento, tratou de transferência de recursos do exterior para o Brasil, tratando se, portanto, de operação em moeda nacional distinto da transferência interbancária acima mencionada (item 14), cuja documentação contratual, garantidora da operação do empréstimo não foi apresentada. Quando da validação deste documento, assinaram tanto pelo contratante quanto pelo contratado, Paulo Gustavo Gonçalves Teixeira e André Andrade, este último não qualificado em contrato, não havendo também, nenhum Fl. 31DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.504 32 documento anexo ao mesmo, que o autorize a assinar pelas duas empresas. Quanto às planilhas de cálculos apresentadas, não há nenhum reparo a fazer, salvo quanto aos documentos que deveriam dar suporte a esses lançamentos, isto é; I — Não foram apresentados os pedidos e autorizações formais estabelecidos em contrato (folhas 1.854 a 1860 e folhas 1.875 a 1.887); II — Não foram apresentados os extratos bancários que comprove a efetiva movimentação dos recursos de uma conta para outra; III — Pela falta do documentário fiscal competente, não se pode também garantir em que data esses recursos foram efetivamente movimentados, inviabilizando a imputação de juros, bem como das multas compensatórias, caso tenham elas existido; Finalmente, observamos também, que em 01.01.2001, novo contrato, com idênticas características, foi novamente assinado, indicando que a cada novo período, um outro documento seria emitido como forma de prorrogação, dando margem que se possa entender que ao final da vigência deste segundo vencerse ia a obrigação. 16 Também em 01.01.2000 foi celebrado contrato de conta corrente entre a Caterair Serviços de Bordo e Hotelaria S/A, empresa já qualificada, neste ato representada por seus procuradores, Paulo Gustavo Gonçalves Teixeira e José Donizete Bahia de um dado, e do outro, Servcater Internacional Ltda, sociedade brasileira com sede à cidade de São Paulo, Brasil, à Rodovia Hélio Smidt s/n Setor 01, inscrita no CNPJ do Ministério da Fazenda sob o no 66.154.790/000178, também representada por seus procuradores Paulo Gustavo Gonçalves Teixeira e José Donizete Bahia, no qual acordam, que, por serem empresas do mesmo grupo econômico LSG — Sky Chefs, e atuando no negócio de Catering, e por ser de interesse das partes e das finalidades comuns corporativas proceder sempre que haja demanda, a cessão do excesso de caixa que cada um tenha de tempos em tempos, com propósito de permitir o financiamento do capital de giro e as necessidades de caixa da empresa demandante (folhas 1.861 a 1.867). As regras estabelecidas neste instrumento prevêem entre outras coisas, o seguinte: A — Abertura de crédito em conta corrente sem o limite previamente estabelecido; B — Recursos serão escriturados em contas especialmente abertas pra esse fim, pelo prazo de 5 (cinco) anos, renovado por outros 5 (cinco), se houver manifestação formal; Fl. 32DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.505 33 C — Que os valores necessários poderão ser sacados de contas correntes existentes, informando sempre a outra parte formalmente, o valor sacado, tendo a parte cedente o prazo de 24 (vinte e quatro) horas, a partir do desembolso para concorda ou não com a operação, dandose como aceita a parcela sacada, se não houver manifestação contrária sobre aquele valor; D — Estabelece também que sobre o saldo devedor incidirão juros de 1 % (um por cento) ao mês, que serão lançados mensalmente a crédito do respectivo credor; E — Que o montante devido poderá ser liquidado total ou parcialmente qualquer tempo, tomandose em consideração, como data de vencimento, a indicada no contrato; F Que qualquer pagamento devido fora do prazo estabelecido neste contrato ficará sujeito a uma multa compensatória de 5% (cinco por cento) ao mês, adicionalmente, debitada em conta corrente, além dos juros estabelecidos. G Além dessas cláusulas, caso haja demanda judicial, a parte devedora, enquanto perdurar o processo e até a sua conclusão, ficará sujeita além dos juros de mora contratuais, à multa de 1% (hum por cento) ao mês, além de honorários advocatícios de 10 % (dez por cento) sobre o valor da causa. Observase que este contrato, em nenhum momento, tratou de transferência de recursos do exterior para o Brasil, tratando se, portanto, de operação em moeda nacional distinto da transferência interbancária acima mencionada (item 14), cuja documentação contratual, garantidora da operação do empréstimo, não foi apresentada. Quando da validação deste documento, assinaram tanto pelo contratante quanto pelo contratado, Paulo Gustavo Gonçalves Teixeira e André Andrade, este último não qualificado em contrato, não havendo também, nenhum documento anexo ao mesmo, que o autorize a assinar pelas duas empresas. Quanto às planilhas de cálculos apresentadas, não há nenhum reparo a fazer, salvo quanto aos documentos que deveriam dar suporte a esses lançamentos, isto é; I — Não foram apresentados os pedidos e autorizações formais para saques conforme estabelecido em contrato (folhas 1.868 a 1.874); II — Não foram apresentados os extratos bancários que comprove a efetiva movimentação dos recursos de uma conta para outra; III — Pela falta do documentário fiscal competente, não se pode também garantir em que data esses recursos foram efetivamente movimentados, inviabilizando a imputação de juros, bem como das multas compensatórias, caso tenham elas existido; Fl. 33DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.506 34 Finalmente, observamos também, que em 01.01.2001, novo contrato, com idênticas características, foi novamente assinado, indicando que a cada novo período, um outro documento seria emitido como forma de prorrogação, dando margem que se possa entender que ao final da vigência deste segundo vencer seia a obrigação. OBSERVAÇÕES FINAIS Diante das análises acima, na qual em negrito procurouse dar ênfase aos pontos de maior relevância, relaciono abaixo, sinteticamente, essas imperfeições: I — Não conseguimos obter, na maioria dos contratos de mútuo, os documentos procuratórios (Atas de Assembléia ou Procurações Formais) que investissem que os signatários de poder distintivo para assumir em nome da empresa tais compromissos, vide doc. 08.06.2009. – I.i Existem contratos em que o representante qualificado na cláusula inicial não é o mesmo que assina o contrato. II — Em que pese a ligação entre empresas, não conseguimos entender e, muito menos, obter dos seus representantes, uma justificativa, plausível para o trânsito dosrecursos oriundos do exterior,tendo sempre como ponto de partida uma instituição financeira sediada no Uruguai, mesmo estando as coligadas instaladas em países diferentes da instituição financeira intervenientes, não se conseguindo perceber, efetivamente, a origem dos recursos. III — Em alguns contratos, não encontramos os aditivos que prorrogariam a validades dos mútuos, ficando desta forma, o pressuposto que na data da sua liquidação, os compromissos estariam honrados, e por conseqüência, os juros e correções imputados a partir daí não estariam corretos. IV — Os contratos de conta corrente celebrados para financiamento de capital de giro (em moeda nacional) entre as empresas são comprovados, unicamente, por lançamentos contábeis, não existindo documentário fiscal que valide essas operações. Por oportuno, questionamos também, os contratos assinados em 2000 cujos representantes das intervenientes, em um dos casos, não é o mesmo que se qualifica no contrato. Não havendo mais nada a esclarecer, encaminho o processo à superior consideração. Cientificada do relatório de diligência em 21/07/2010, a recorrente apresentou manifestação sobre o relatório em 24/08/2010. Fl. 34DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.507 35 Em sua manifestação afirma: No relatório de diligência fiscal, a d. autoridade fiscal concentrou sua análise em aspectos formais relativos aos contratos de mútuo, deixando de examinar com profundidade diversos documentos que evidenciam a efetividade dos contratos de mútuo celebrados com empresas sediadas no exterior, bem como dos contratos de contacorrente celebrados com as empresas LSG Lufthansa e Servcater. Em alguns trechos do relatório de diligência, é perceptível a preocupação da d. autoridade fiscal com aspectos formais que não têm o condão de invalidar os contratos de mútuo e conta corrente celebrados pela Recorrente. Para sistematizar os questionamentos feitos pela d. autoridade fiscal, listamos a seguir os principais aspectos formais apontados no relatório de diligência: (i) o ingresso dos recursos no Brasil por intermédio de uma instituição financeira sediada no Uruguai, embora as pessoas jurídicas mutuantes estivessem sediadas em países diferentes, como Chile, Estados Unidos e México (fl. 2909); (ii) falta de apresentação de documentos (atas de assembléias ou instrumentos de mandato procurações) que comprovassem que os signatários dos contratos tinham poderes para assumir obrigações em nome da Recorrente, especificamente em relação aos contratos de mútuo celebrados com as empresas nos Estados Unidos e México, bem como em relação aos contratos de conta corrente com a LSG Lufthansa e a Servcater; (iii) existência de contratos onde o representante qualificado na cláusula inicial não era o mesmo que assinava o contrato; (iv) não apresentação dos aditivos dos contratos de mútuo referentes aos itens 6 a 11 e 14 da tabela acima, o que levou. a d. autoridade fiscal a pressupor o vencimento dos empréstimos nos prazos inicialmente pactuados; (v) não apresentação de contrato de mútuo e aditivos referentes aos itens 12 e 13 da tabela acima; (vii) especificamente em relação aos contratos de conta corrente, a d. autoridade fiscal considerou que as planilhas de cálculos estavam corretas, mas que não foram apresentados os extratos bancários comprovando a efetiva movimentação dos recursos de uma contacorrente para outra. Passa a esclarecer: INGRESSO DE RECURSOS POR INTERMÉDIO DE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA NO URUGUAI Fl. 35DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.508 36 Conforme visto acima, em seu relatório de diligência, a d. autoridade fiscal sustenta que o ingresso dos recursos no Brasil ocorreu por intermédio de uma instituição financeira sediada no Uruguai, embora as pessoas jurídicas mutuantes estivessem sediadas em países diferentes, como Chile, Estados Unidos e México. Vejase: "A empresa coligada que cedeu recursos tem sede no Chile. Os recursos ingressaram no Brasil através de uma instituição financeira sediada no Uruguai. O mesmo caminho foi percorrido pelos demais empréstimos, inclusive, os fornecidos pelas empresas sediadas nos Estados Unidos e no México". Com o devido respeito, não merece prosperar o entendimento da d .autoridade fiscal, tendo em vista que qualquer pessoa jurídica multinacional pode ser titular de contacorrente no exterior, de forma que os recursos ingressados no Brasil poderiam ter sido enviados de qualquer país no qual a mutuante tivesse recursos disponíveis, independentemente do país onde estivesse sediado. Na atual conjuntura econômica, marcada pelo intenso fluxo comercial entre os mais diversos país do mundo, grande parte das empresas multinacionais necessitam ter contacorrente em outros países além daquele onde estão sediadas, com o objetivo de economizar recursos com gastos operacionais e administrativos, e reduzir a burocracia relativa ao ingresso e envio de recursos de um país para o outro. Apenas para ilustrar, uma empresa multinacional poderá manter contacorrente no exterior para evitar os custos relativos ao fechamento de câmbio nas remessas de recursos, evitando o pagamento da diferença entre a cotação do câmbio para a venda e para a compra ao ingressar e depois sair com os recursos do país. 9. Assim, considerando que as mutuantes são empresas multinacionais que atuam na área de fornecimento de serviços de bordo para companhias aéreas, em vôos domésticos e internacionais, é evidente que os recursos relativos aos contratos de mútuo celebrados com a Recorrente poderiam ingressar no Brasil por meio de conta corrente mantida por essas empresas junto ao Banco Real Del Uruquay, o que em nenhum momento prejudica a validade ou efetividade dos respectivos contratos de mútuos. Como se não bastasse isso, verificase, por meio da análise do relatório de diligência, que a própria autoridade fiscal constatou (i) o efetivo ingresso de recursos no pais, por meio da análise dos extratos bancários; (ii) o registro do empréstimo na escrituração contábil da Recorrente; e (iii) a conformidade das taxas praticadas e dos saldos finais com os contratos de mútuo. Vejase: "Identificamos através do extrato do Banco Real, agência 05275, conta corrente 2.7010190, que em 20 de outubro Fl. 36DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.509 37 de 1994 foi creditado nesta conta corrente a importância mencionada no parágrafo anterior. Constatamos também, que no diário da empresa, a folhas 90, no dia 20 de outubro de 1994, encontrase registrado, como empréstimo do Chile, a mesma importância já citada. Verificamos finalmente, no demonstrativo de juros deste mútuo, que as taxas praticadas e os saldos finais apresentados não merecem reparos (folhas 1.882 a 1.907 e 2.415 a 2.478)." Em vista disso, percebese claramente que não há qualquer irregularidade material nos contratos de mútuos celebrados pela ora Recorrente, na medida em que a própria autoridade fiscal constatou o efetivo ingresso dos recursos no Brasil por meio de (i) cópia dos extratos SISBACEN perante o Banco Central, (ii) cópia dos extratos bancários que comprovam o ingresso dos recursos em contacorrente da Recorrente, bem como (iii) cópia dos livros contábeis da Recorrente que comprovam o registro do empréstimo em sua escrituração comercial. DA SUPOSTA FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS PODERES DA REPRESENTAÇÃO O segundo aspecto mencionado pela d. autoridade fiscal em seu relatório de diligência diz respeito à suposta falta de comprovação dos poderes de representação dos diretores que assinaram os respectivos contratos de mútuo e conta corrente, especificamente em relação aos contratos de mútuo celebrados com empresas nos Estados Unidos e México, bem como em relação aos contratos de contacorrente com a LSG Lufthansa e a Servcater. Em relação aos contratos celebrados com a Caterair Inter Corporation (USA), a d. autoridade fiscal constatou que a Recorrente foi representada por Joe Rene Guerin (qualificado como diretor financeiro) em conjunto com Peter Walker Tenney (qualificado como procurador), ou por Joe Rene Guerin (qualificado como diretor financeiro) em conjunto com Carlos Antonio Coraça de Brito (qualificado como procurador). Contudo, a d. autoridade fiscal questionou a falta de apresentação de documentos que comprovassem os poderes de representação dos respectivos diretores e/ou procuradores, como, por exemplo, atas de assembléias ou instrumentos de mandato (procurações). Vejase: "Outra questão que hora (sic) levantamos diz respeito ao representante da Caterair Serviços de Hotelaria S/A no Brasil que assina esse contrato. (...) No presente contrato são designados outros representantes sem que haja um instrumento procuratório especifico, fato já ressaltado no parágrafo anterior.". Novamente, não merece prosperar o entendimento manifestado Rela d. autoridade fiscal, uma vez que todos os contratos foram Fl. 37DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.510 38 celebrados por profissionais que à época tinham poderes para representar a empresa. Ocorre que os respectivos contratos de mútuo foram celebrados há quase 15 anos atrás, o que tornou praticamente impossível a localização da documentação que comprova os poderes dos representantes que assinaram os documentos à época. Atualmente, a maior parte das grandes empresas contratam arquivos terceirizados para a manutenção de seus documentos, com o objetivo de garantir eficiência e qualidade na gestão de seus arquivos. Porém, sabese que mesmo com os altos investimentos feitos na gestão de documentos, nenhum documento costuma ser mantido por período tão longo' (aproximadamente 15 anos), motivo pelo qual a Recorrente não conseguiu localizar cópia da referida documentação, embora todos os contratos tenham sido celebrados por profissionais que à época tinham poderes para representar a empresa. Mas ainda que assim não fosse, o que se admite apenas para fins de argumentação, relembrese que a questão referente aos poderes de representação não traz qualquer conseqüência fiscal em relação aos contratos de mútuos. De fato, a questão relativa aos poderes de representação dos signatários do contrato traz conseqüências apenas no caso de inadimplemento do acordo por uma das partes, para fins de eventual comprovação da existência do contrato de mútuo. Isso porque, em eventual inadimplemento do contrato de mútuo, a empresa mutuaria poderia tentar se eximir de sua obrigação convencional de devolver o principal avençado no contrato de mútuo, com os respectivos encargos financeiros, alegando a invalidade do contrato por vício subjetivo (vício na manifestação de vontade), uma vez que o signatário do contrato não teria poderes para obrigála contratualmente. Porém, a comprovação dos poderes de representação apenas seria necessária no caso de eventual descumprimento do contrato de mútuo, hipótese em que a parte prejudicada precisaria procurar o Poder Judiciário para obtenção de tutela jurisdicional que compila o inadimplente ao cumprimento da obrigação convencionada. De todo modo, por se tratar de empréstimo realizado entre empresas do mesmo grupo, é evidente que não há que se falar em inadimplemento. Além disso, para fins fiscais, a validade (ou invalidade) dos negócios jurídicos não produz efeitos em relação ao Fisco, tendo em vista que o artigo 118 do Código Tributário Nacional (CTN) é claro no sentido de que a obrigação tributária independe da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes. "Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: Fl. 38DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.511 39 I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos;" A interpretação do artigo 118 do CTN leva à conclusão de que, mesmo que o contrato de mútuo fosse inválido no âmbito do direito civil, por falta de representação adequada (o que se admite apenas para fins de argumentação), ainda assim os efeitos fiscais relativos ao contrato permaneceriam válidos, inclusive para fins de reconhecimento das despesas com variação cambial passiva e juros. No presente caso, a própria autoridade fiscal constatou a existência dos contratos de mútuo e de todos os seus respectivos efeitos, por meio de (i) cópia dos extratos SISBACEN perante o Banco Central, (ii) cópia dos extratos bancários que comprovam o ingresso dos recursos em contacorrente da Recorrente, bem como (iii) cópia dos livros contábeis da Recorrente que comprovam o registro do empréstimo em sua escrituração comercial. Além disso, como será visto no item III a seguir, relembrese que os respectivos contratos de mútuos foram aprovados pela Assembléia Geral, por ocasião da apreciação das contas dos administradores e da análise das demonstrações financeiras. Dessa forma, ainda que os representantes que assinaram os contratos não tivessem poderes (o que se admite apenas para fins de argumentação), com a aprovação da Assembléia Geral, é evidente que os respectivos contratos de h'tEJ—o foram devidamente ratificados pelo órgão responsável pelas diretrizes das sociedades anônimas, o que afasta qualquer possibilidade de vício de representação. 24. Em vista disso, resta claro que a celebração dos contratos de mútuo realmente ocorreu, com a produção dos efeitos que lhe são próprios, por meio da efetiva transferência dos recursos emprestados, o que comprova que eventual irregularidade na representação dos seus signatários não tem o condão de afetar seus efeitos fiscais. DA APROVAÇÃO DA ASSEMBLÉIA GERAL Conforme relatado acima, a d. autoridade fiscal ainda sustentou, em relação à validade do contrato de mútuo, que os atos praticados pelos diretores estavam sujeitos à aprovação da Assembléia Geral, na medida em que a Recorrente está constituída sob a forma de sociedade anônima. Vejase: "Por se tratar de uma S/A, os atos praticados por seus diretores, deveriam ter referendo da Assembléia Geral, além de constar do estatuto da empresa, a competência dos mesmos, para firmar compromisso dessa ordem, ainda que por delegação, não tendo sido possível, obter do contribuinte esse documento." Fl. 39DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.512 40 26. Contudo, ao contrário do que sustenta a d. autoridade fiscal, a celebração de contratos de mútuo não está sujeita à aprovação da Assembléia Geral. O artigo 122 da Lei 6.404176 (Lei das S/A), ao relacionar as matérias de competência da Assembléia Geral, em nenhum momento listou qualquer hipótese que pudesse se aproximar da obrigatoriedade de aprovar os contratos de mútuos. Para facilitar a análise, transcrevese na íntegra o teor do artigo 122: "Art. 122. Compete privativamente à assembléiageral: I reformar o estatuto social; II eleger ou destituir, a qualquer tempo, os administradores e fiscais da companhia, ressalvado o disposto no inciso II do art. 142; III tomar, anualmente, as contas dos administradores e deliberar sobre as demonstrações financeiras por eles apresentadas; IV autorizar a emissão de debêntures, ressalvado o disposto no § 1° do art. 59; V suspender o exercício dos direitos do acionista (Art. 120); VI deliberar sobre a avaliação de bens com que o acionista concorrer para a formação do capital social; VII autorizar a emissão de partes beneficiárias; VIII deliberar sobre transformação, fusão, incorporação e cisão da companhia, sua dissolução e liquidação, eleger e destituir liquidantes e julgarlhes as contas; e IX – autorizar os administradores a confessar falência e pedir concordata." De acordo com a Lei 6.404/76, a Assembléia Geral é um dos órgãos que compõem sociedade anônima, formado basicamente por acionistas com direito a voto, embora os acionistas sem direito a voto também possam participar das deliberações sociais. A Assembléia Geral ordinária será convocada basicamente para a apreciação de três temas principais, quais sejam (i) tomar as contas dos administradores, examinar, discutir e votar as demonstrações financeiras; (ii) deliberar sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de dividendos; e (iii) eleger os administradores e os membros do conselho fiscal. Assim, dentre as funções da Assembléia Geral, destacase o dever de aprovar as contas dos administradores e as respectivas demonstrações financeiras, o que obrigatoriamente ocorre a cada ano, nos 4 (quatro) primeiros meses seguintes ao término do exercício social, em conformidade com o artigo 132 da Lei Fl. 40DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.513 41 das S/A. Isso significa que os contratos de mútuo celebrados pela Recorrente foram devidamente aprovados pela Assembléia Geral, ainda que indiretamente, no momento em que foram analisadas as contas apresentadas pelos administradores, em conformidade com a legislação em vigor. Realmente, os administradores das sociedades anônimas têm o dever elaborar e apresentar documentos anuais e demonstrações financeiras que evidenciem a situação econômicofinanceira da empresa e os resultados de suas operações, para apreciação e aprovação na Assembléia Geral. Após aprovação, os livros comerciais são submetidos a registro perante a Junta Comercial e as demonstrações financeiras são publicadas em jornais oficiais. Por essa razão, chegase à conclusão de que inevitavelmente os contratos de mútuo celebrados pela Recorrente foram aprovados pela Assembléia Geral, ainda que essa aprovação não tenha qualquer conseqüência para a validade do contrato de mútuo, nos termos acima comentados. Além disso, relembrese que o artigo 134 da Lei das S/A é claro no sentido de que a administração da companhia compete ao Conselho de Administração e à Diretoria, como se pode verificar a seguir: "Art. 138. A administração da companhia competirá, conforme dispuser o estatuto, ao conselho de administração e à diretoria, ou somente à diretoria." Em vista disso, percebese claramente que os diretores da Recorrente tinham poderes para celebrar os respectivos contratos de mútuo, independente de qualquer convocação da Assembléia Geral para deliberar o assunto. Na verdade, a despeito da enorme importância da Assembléia Geral para qualquer sociedade anônima, não se pode esquecer que, nos dias de hoje, a administração de qualquer sociedade anônima deve ser pautada por extremo profissionalismo, razão pela qual a Diretoria passou a ser o órgão efetivamente condutor dos negócios sociais. • De qualquer forma, as acionistas realmente interessados na condução dos negócios sociais (e não aqueles que apenas visam obter lucro com a especulação) têm seus direitos reservados, na medida em que compete à Assembléia Geral, discricionariamente, eleger ou destituir os administradores, o que garante a prevalência, ainda que indireta, da vontade dos acionistas no exercício da atividade econômica. Por todo o exposto, chegase à conclusão de que os contratos de mútuo não estão sujeitos à aprovação direta da Assembléia Geral, mas apenas à aprovação das respectivas contas e demonstrações financeiras, o que ocorre anualmente, em conformidade com a legislação em vigor. Mas ainda que assim não fosse, o que se admite apenas para fins de Fl. 41DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.514 42 argumentação, relembrese que eventual falta de aprovação do contrato de mútuo não traz qualquer conseqüência para fins fiscais, na medida em que o artigo 118 do CTN é claro no sentido de que os efeitos tributários das operações independem de sua validade no âmbito do Direito Privado. DA SUPOSTA AUSÊNCIA DE ADITIVOS CONTRATUAIS Conforme apontado no relatório de diligência, a d. autoridade fiscal questionou a falta de apresentação dos aditivos para prorrogação de alguns contratos de mútuo celebrados pela Recorrente (itens 6 a 11 e 14 da planilha acima), pressupondo o vencimento dos respectivos contratos na data previamente fixada, o que tornaria indedutíveis os juros e a variação cambial relativa ao período posterior ao suposto vencimento dos contratos. Vejase: "Também não foram apresentados os aditivos a este contrato, o que pressupõe sua liquidação no prazo acordado, contudo, verificase que o demonstrativo de juros se estende até 31 de dezembro de 2001." Inicialmente, devese esclarecer que, de acordo com o artigo 3° do Código Tributário Nacional (CTN), o crédito tributário deve ser cobrado por meio de atividade administrativa plenamente vinculada, na qual o administrador público está vigiado e conduzido pela lei, sem qualquer margem para a escolha da conveniência e oportunidade de sua autuação. "Art. 3º. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. • Isso significa que a d. autoridade fiscal não tem qualquer margem de autuação para a cobrança do crédito tributário, o que desautoriza a utilização de mera suposição para fins de glosa das despesas com juros e variação cambial relativa aos referidos contratos de mútuo. Ora, a partir de simples leitura do trecho do relatório de diligência acima transcrito, percebese que a d. autoridade fiscal foi clara no sentido de que a falta de apresentação dos aditivos pressupõe que os contratos de mútuo foram liquidados nos prazos avençados. Com o devido respeito, a d. autoridade fiscal jamais poderia pressupor que os contratos de mútuo foram liquidados no prazo fixado contratualmente, principalmente quando todo o conjunto probatório leva à conclusão diversa. Caso houvesse dúvida sobre a liquidação do contrato naquela data, a d. autoridade fiscal deveria ter se aprofundado na análise dos documentos fiscais da ora Recorrente, visando comprovar cabalmente que os contratos foram liquidados, e não fazer simples suposição, Fl. 42DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.515 43 com o objetivo de transferir para o contribuinte o ônus de comprovar que os contratos de mútuos não foram liquidados. Por certo, essa inversão do ônus da prova é completamente inválida, pois ainda transfere ao contribuinte o ônus de efetuar prova negativa, o que é inconcebível segundo as regras da teoria geral das provas que norteiam o nosso ordenamento jurídico. Além disso, os documentos anexados aos autos, como os extratos SISBACEN, os extratos bancários e os próprios livros contábeis não demonstram qualquer saída de recursos que pudesse configurar a quitação do empréstimo, o que comprova a falta de zelo da d. autoridade fiscal na averiguação da correição do lançamento, ao preferir a mera suposição em vez de buscar um juízo de certeza. Na realidade, após o vencimento dos prazos inicialmente pactuados, as partes concordaram em prorrogar o prazo de validade do empréstimo, o que foi feito sem maiores formalidades, por se tratar de empresas do mesmo grupo econômico. Como o mútuo é um contrato nãosolene, isto é, que não depende de qualquer formalidade especial para sua validade, as partes, na maior parte das vezes, optaram pela renovação por meio de simples acordo de vontades verbal, sem a celebração de qualquer aditivo. Até porque, tratavase de mera prorrogação, sendo que as condições contratuais permaneceriam inalteradas. Por todo o exposto, resta claro que não merece prosperar o entendimento da d. autoridade fiscal, tendo em vista que (i) as partes concordaram com a prorrogação dos contratos de mútuo; (ii) os documentos anexados aos autos, como os extratos SISBACEN, os extratos bancários e os próprios livros contábeis não demonstram qualquer saída de recursos que pudesse configurar a quitação do empréstimo; e (iii) d. autoridade fiscal deveria ter se aprofundado na análise de documentos fiscais visando comprovar cabalmente que os contratos foram liquidados, e não fazer simples suposição, com o objetivo de transferir para o contribuinte o ônus de comprovar que os contratos de mútuos não foram liquidados. LAPSO TEMPORAL NA CONTABILIZAÇÃO De acordo com os itens 3 e 5 do relatório de diligência, a d. autoridade fiscal questiona algumas diferenças na data de registro dos contratos de mútuo na escrituração contábil da Recorrente, em comparação com a data de efetivo ingresso dos recursos em sua contacorrente, por meio de análise dos respectivos extratos bancários. Vejase: Fl. 43DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.516 44 Item 3. "O registro do empréstimo no diário foi feito 3 (três) dias antes do crédito na conta do Banco Real, conforme anteriormente explicitado." Item 5. "Cabe registrar que o contrato e a transferência interbancária foram efetuados na mesma data, porém, no extrato do Banco Real este valor foi depositado um dia antes da assinatura do mútuo e também da transferência dos recursos pelo Banco Central." Com relação ao item 3 acima, a Recorrente esclarece que a pequena diferença de 3 (três) dias existente entre o dia lançamento contábil do contrato de mútuo e o efeito ingresso dos recursos junto à Instituição Financeira decorre do seguinte procedimento: após a assinatura do contrato, a Recorrente providenciou o registro do contrato de mútuo em sua escrituração contábil, independentemente do efetivo recebimento dos recursos. É possível concluir, portanto, que o procedimento acima não trouxe qualquer prejuízo ao Fisco Federal, na medida em que a própria autoridade fiscal constatou o efetivo ingresso dos recursos, ainda que 3 (três) dias depois, o que não tem o condão de invalidar o contrato de mútuo para fins de reconhecimento das despesas com juros e variação cambial passiva. Com relação à divergência temporal apontada no item 5 do relatório de diligência, a Recorrente esclarece que também não merece prosperar o entendimento manifestado pela d. autoridade fiscal. Como se sabe, toda entrada de capital estrangeiro deverá ser registrada no Banco Central. Porém, o registro do Banco Central deverá ser feito no prazo de 30 dias após a entrada do capital no Brasil, o que significa que as operações cambiais realmente devem ocorrer antes do registro, como efetivamente ocorreu no presente caso, no qual os recursos ingressaram na contacorrente da Recorrente antes do registro da operação no SISBACEN. Nesse sentido, o artigo 5° da Lei 4.131/62, que regulamenta a aplicação de capital estrangeiro no Brasil, prevê expressamente que o registro de investimento no Banco Central deverá ser realizado até 30 (trinta) dias da data de seu ingresso no país. Vejase: "Art. 50• O registro do investimento estrangeiro será requerido dentro de trinta dias da data de seu ingresso no Pais e independente do pagamento de qualquer taxa ou emolumento. No mesmo prazo, a partir da data de aprovação do respectivo registro contábil, pelo órgão competente da empresa, proceder seá ao registro dos reinvestimentos de lucros." Procedimento semelhante era aplicado aos empréstimos celebrados pela Recorrente há 15 anos atrás. Fl. 44DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.517 45 Em vista disso, percebese que o procedimento adotado pela Recorrente está em conformidade com a legislação em vigor, pois o registro da operação no Banco Central pode ser realizada após o ingresso de recursos na contacorrente da empresa. Além disso, ressaltese que a d. autoridade fiscal efetivamente constatou (i) o ingresso dos recursos em contacorrente de titularidade da Recorrente; (ii) o registro da operação perante o Banco Central; e (iii) a contabilização dos contratos de mútuo em sua escrituração comercial, o que demonstra cabalmente a efetividade dos contratos de mútuo para fins fiscais. EXTRATOS BANCÁRIOS RELATIVOS AOS CONTRATOS CONTA CORRENTE Com relação aos contratos de contacorrente celebrados com as empresas LSG Lufthansa e Servcater, a d. autoridade fiscal esclareceu que embora as planilhas de cálculo dos juros estivessem corretas, a Recorrente não havia apresentado os extratos bancários comprovando a efetiva movimentação dos recursos de uma contacorrente para outra. Vejase: "Quanto as planilhas de cálculos apresentadas, não há nenhum reparo a fazer, salvo quanto aos documentos que deveriam dar suporte a esses lançamentos, isto é: (..) II Não foram apresentados os extratos bancários que comprova a efetiva movimentação dos recursos de uma conta para outra". Assim, visando comprovar a efetividade dos contrato de conta corrente, a Recorrente anexa ao presente processo cópia dos extratos bancários que atestam a efetiva movimentação dos recursos em moeda nacional entre as contas correntes de titularidade dessas empresas (docs. 01, 02 e 03). Considerado que os cálculos dos juros foram considerados corretos pela d. autoridade fiscal no relatório de diligência, a Recorrente anexa ao presente processo cópia de seus extratos bancários, bem como cópia dos extratos bancários das outras duas empresas mutuantes, LSG Lufthansa e Servcater, com o objetivo de comprovar a efetiva movimentação dos recursos, conforme solicitado no relatório de diligência. Por meio de simples análise dos extratos bancários, percebese a efetiva movimentação dos recursos entre as contascorrentes de titularidade dessas empresas. As contascorrentes em questão são as seguintes: (i) LSG Lufthansa, agência 0046, contacorrente 580734 (ii) (ii) Caterair Serviços de Bordo, agência 0046, contacorrente 337473 (iii) (iii) Servcater, agência 0046, contacorrente 33745 49.3. Fl. 45DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.518 46 Para facilitar a visualização das transferências, a Recorrente demonstra exemplificativamente, na tabela abaixo, três transferências de recursos relativas aos contratos de conta corrente: VALIDADE DOS CONTRATOS DE MÚTUO Como visto acima, as supostas incoerências apontadas pela d. autoridade fiscal em seu relatório de diligência não tem o condão de invalidar o contrato de mútuo celebrado pela Recorrente, bem como seus efeitos para fins fiscais. Além disso, relembrese que a d. autoridade fiscal manifestouse pela aceitação dos demonstrativos de juros referentes aos contratos mútuos celebrados, atestando que a taxas praticadas e os saldos finais apresentados encontramse em conformidade com a legislação em vigor, não cabendo reparos. Acrescentese, ainda, que existência das obrigações (passivo) decorrentes dos contratos de mútuos em questão foi reconhecida pela 2 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), por ocasião do julgamento do processo administrativo n° 15374.000423/9971, no qual as autoridades julgadoras consideraram indevido o lançamento nesse aspecto, pois restou comprovada a efetiva realização dos empréstimos contabilizados no passivo da Recorrente (Acórdão DRJ/RJO n°00188, de 21 de fevereiro de 2002 juntado às fls. 27422749). Posteriormente, a referida decisão foi chancelada pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, por ocasião do julgamento do Recurso de Ofício n° 136.523 (Acórdão n° 10194.724 juntado às fls. 27502755). No caso em análise, a própria autoridade fiscal constatou (i) o efetivo ingresso de recursos no pais, por meio da análise dos extratos bancários; (ii) o registro do contrato de mútuo no Banco Central, por meio dos respectivos extratos SISBACEN; (iii) o registro do empréstimo na escrituração contábil da Recorrente (Livro Diário); e (iv) a conformidade das taxas Fl. 46DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.519 47 praticadas e dos saldos finais com os contratos de mútuo. Assim os documentos anexados ao presente processo administrativo desde a Impugnação já atestavam cabalmente a existência, a materialidade e a efetividade dos respectivos contratos de mútuo. Na esfera administrativa, a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é unânime no sentido de que o contrato de mútuo depende apenas da apresentação de documentos que comprovem o efetivo ingresso de numerário no país, como se pode verificar da ementa abaixo transcrita: "MÚTUO COM EMPRESA DOMICILIADA NO EXTERIOR. COMPROVAÇÃO DE INGRESSO DO NUMERÁRIO Se os lançamentos contábeis referentes aos valores mutuados com pessoa jurídica domiciliada no exterior estão embasados por documentos que comprovam o ingresso do numerário no país, deve ser aceita a dedução dos encargos financeiros previstos no contrato." (Acórdão n° 10323145, de 08/08/2007) Como se sabe, a prática comercial e a própria legislação civil admitem a existência e os efeitos do contrato verbal. Tanto é assim, que o contrato de mútuo é classificado pela doutrina como nãosolene, pois não exige forma especial para sua validade, podendo, inclusive, ser verbal. De qualquer forma, repitase, o extrato SISBACEN e demais documentos acostados, por si só, são suficientemente hábeis a comprovar a existência das operações de mútuo, não sendo necessários outros documentos subsidiários para dar suporte material à transação. Vale ressalvar que o extrato SISBACEN, além de comprovar o efetivo ingresso dos recursos mutuados no pais, é documento expedido pelo Sistema de Informações do Banco Central do Brasil, o que lhe garante total idoneidade. Assim, os extratos SISBACEN são por demais suficientes para ilidir quaisquer dúvidas que possam existir com relação à efetiva realização e exigibilidade dos empréstimos listados. É o Relatório. Fl. 47DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.520 48 Fl. 48DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.521 49 Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Relator O valor exonerado pela DRJ ultrapassa R$ 1.000.000,00 e deve ser conhecida. O recurso voluntário foi é tempestivo e também deve ser conhecido. Quanto ao recurso de ofício, entendo que não deve ser provido. A matéria exonerada em 1ª instância pode ser esclarecida pela própria ementa: Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. VALORES LANÇADOS EM CONTAS DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. A falta de comprovação de aumento de capital e de constituição de reserva podem ser indícios de omissão de receitas, mas não podem ser autuados como passivos fictícios, por ferirem princípios e lógica contábeis. Valores contabilizados em contas do patrimônio líquido não são exigibilidades, mas sim patrimônio a que os sócios têm direito. EXIGIBILIDADES NÃO COMPROVADAS. SALDOS DE CONTRATOS COM PESSOAS LIGADAS. PERÍODO DIVERSO DO AUTUADO. É de se exonerar a autuação de passivo não comprovado se o valor lançado pertence a outro exercício não objeto da fiscalização. Consta do voto condutor do acórdão, que acolho integralmente: Omissão de receitas — passivo fictício (R$ 30.013.661,49). 8 A autuante tomou o saldo de R$ 30.013.661,49 como se fosse em 31/12/2002. Ocorre que o saldo é de 31/12/2001, conforme se observa na DIPJ à fl. 48 (ficha 39A, linha 16), que não foi objeto de fiscalização. Assim, o fato descrito na autuação, como tendo ocorrido em 31/12/2002, não se coaduna com a escrituração contábil do interessado. Em sendo assim, o lançamento correspondente não procede. Omissão de receitas — passivo fictício (R$ 3.607.157,84). A Constituição Federal — CF, em seu art. 150, I, dispõe sobre o princípio da legalidade em nosso sistema tributário, segundo o qual não é permitido exigir ou aumentar tributo sem que a lei estabeleça; O servidor público se submete ao princípio da estrita legalidade, que, segundo Alberto Xavier (Tipicidade da tributação, simulação e norma antielisiva. Dialética, São Paulo, Fl. 49DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.522 50 2001, p.18), 'fornece não apenas o fim, mas também o conteúdo da decisão do caso concreto, o qual se obtém por mera dedução da própria lei, limitandose o órgão de aplicação a subsumir o fato da norma, independentemente de qualquer valoração pessoal." Outro princípio constitucional é o da tipicidade, inserido no art. 146, inciso III, alínea "a", o qual dispõe sobre a necessidade de lei complementar para definir o fato gerador, a base de cálculo e o sujeito passivo. Estes dois princípios impõem a legalidade e a tipicidade ao fato tributário, que para produzir efeitos deve corresponder, em todos os seus elementos, ao tipo abstrato descrito em lei. A ausência de um dos seus elementos torna o fato atípico, não dando lugar à tributação. Sendo o lançamento um ato administrativo de existência e quantitativo da prestação tributária a ser exigida, só pode ser pautado em norma tributária validamente editada antes da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, III, "a" da CF. Ao caso sob exame, observo que a presunção de omissão de receita apurada com base no passivo fictício (art. 281, III, do RIR/1999), ocorre em situações que se apura a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. No passivo são classificadas as obrigações da empresa, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo permanente, conforme disposto no artigo 180 da Lei 6.404/1976 (Lei das sociedades anônimas). Por outro lado, o patrimônio líquido, que é a diferença entre o ativo, o passivo e resultados de exercícios futuros, representa o valor contábil pertencente aos sócios. No patrimônio líquido se encontra o capital, as reservas de capital, reservas de reavaliação, reservas de lucros e os resultados acumulados. Portanto, passivo não se confunde com patrimônio líquido. Diante do exposto, valores lançados na conta de capital não podem ser autuados como passivo fictício, por afrontar os princípios e a lógica contábil. Assim, o lançamento não procede. Omissão de receitas: serviços prestados (R$ 2.543.980,46). O interessado alega dois erros de preenchimento na DIPJ. O primeiro erro foi de considerar os valores das receitas das empresas incorporadas em sua declaração. O segundo erro foi de ter inserido na linha 5 (receita da exportação não incentivada de produtos), da ficha 6A (demonstração do resultado), as receitas de serviços exportados, excluindoas da linha 8 (receita da prestação de serviços). 20 Conforme apuração da autuante, o total de receitas de serviços do interessado foi de R$ 4.291.769,98 (fl. 672), obtido Fl. 50DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.523 51 pelo livro de apuração de ISS. O total de mercadorias vendidas pelo interessado foi de R$ 10.843.737,54 (fl. 996), obtido no livro de apuração de ICMS. Assim, o total de receitas do interessado foi de R$ 15.135.507,52. Na DIPJ (fl. 9) o interessado declara o total de R$ 24.604.641,25 (= R$ 15.607.861,90 + R$ 7.248.989,83 + R$ 1.747.789,52). Portanto, foi declarado muito mais receita do que devia. Assim, não há o que falar em omissão de receita. Se o interessado deseja retificar sua declaração, com o intuito de excluir as receitas das empresas incorporadas, deve adotar os procedimentos próprios de retificação previstos na legislação. A impugnação ao lançamento não se presta para isto. Assim, o lançamento não procede. Não há reparo a fazer à decisão recorrida. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Passo a analisar o recurso voluntário. A parte não exonerada e que foi objeto de recurso voluntário é representada pela parte da ementa abaixo reproduzida: DESPESAS FINANCEIRAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para comprovação das despesas financeiras o interessado deve juntar o livro razão, as planilhas de cálculos e os respectivos contratos Justificando a manutenção dos valores lançados, manifestouse a DRJ em relação a todos os alegados empréstimos: “Ocorre que não localizei nos autos o contrato. Assim, entendo que o valor não foi comprovado.” Em sessão realizada em 16 de abril de 2008, a 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, através da resolução 105001.384, converteu o julgamento em diligência expedindo o seguinte despacho: Tendo em vista que foram localizados no processo contratos apresentados pela recorrente que não foram levados em conta pela decisão recorrida, tornase necessário que sejam analisados pela autoridade preparadora e que seja elaborado relatório sobre os mesmos, em especial sobre os mútuos contratados com a recorrente Diante do exposto, voto no sentido de baixar o processo em diligência para que a autoridade preparadora analise os extratos e contratos apresentados, elaborando relatório sobre os mútuos contratados. Reproduzo a tabela que descreve os empréstimos analisados na diligência: Fl. 51DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.524 52 Reproduzo o relatado pela autoridade diligente sobre o primeiro dos contratos: EMPRÉSTIMOS EM MOEDA ESTRANGEIRA ORIGEM CHILE Instrumento Particular de Contrato de Mútuo firmado entre Caterair Chile S/A, com sede à Areopuerto A Merino Benitez, s/n Casilla, Santiago, Chile, e Caterair Serviços de Bordo e Hotelaria S/A, já qualificada acima, no valor de R$ 842.648,38 (oitocentos e quarenta e oito mil e seiscentos e quarenta e oito reais e trinta e oito centavos), equivalentes a US$ 1.000.000,00 (hum milhão de dólares dos Estados Unidos), comprometendose a segunda, a pagar a importância mutuada em 1 (hum) ano, podendo ser prorrogado por mais 1 (hum) ano, através de mútuo acordo das partes, firmado em 19 de outubro de 1994, assinando por Caterair Chile S/A, Gastón Vanlcilsdonk (Diretor Geral) e por Caterair Serviço de Bordo Hotelaria S/A, Sérgio Mellone Olgas (Diretor). Ficou estabelecido neste contrato, que sobre o saldo devedor do principal, incidiriam juros de Libor + 1 % (hum por cento) ao ano. A este contrato, foram feitos 7 (sete) aditamentos cujas datas são 19.10.1995, 19.10.1996, 19.10.1997, 19.10.1998, 19.10.1999, 19.10.2000 e 19.10.2001, aditamentos esses firmados pelos mesmos representantes intervenientes no contrato inicial, tanto por parte do mutuante como do mutuário. Através do informe SISBACEN, localizase uma transferência interbancária internacional (em moeda nacional), n o 05275.588594/0329 de 19.10.1994, no valor de R$ 842.648,38 Fl. 52DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.525 53 (oitocentos e quarenta e dois mil e seiscentos e quarenta e oito reais e trinta e oito centavos), onde constam como intervenientes no pais, Banco Real S/A 05275, e no exterior, Banco Real Dei Uruguay 8451, operação essa, registrada como empréstimo de capital estrangeiro de longo prazo. OBS: I — A empresa coligada que cedeu os recursos tem sede no Chile. II — Os recursos ingressaram no Brasil através de uma instituição financeira sediada no Uruguai. III O mesmo caminho foi percorrido pelos demais empréstimos, inclusive, os fornecidos pelas empresas sediadas nos Estados Unidos e no México. Identificamos através do extrato do Banco Real, agência 05275, conta corrente 2.7010190, que em 20 de outubro de 1994 foi creditado nesta conta a importância mencionada no parágrafo anterior. Constatamos também, que no diário da empresa, a folhas 90, no dia 20 de outubro de 1994, encontrase registrado, como empréstimo do Chile, a mesma importância já citada. Verificamos finalmente, no demonstrativo de juros deste mútuo, que as taxas praticadas e os saldos finais apresentados não merecem reparos (folhas 1.882 a 1.907 e 2.415 a 2.478). Por tratarse de uma S/A, os atos praticados por seus diretores, deveriam ter o referendo da Assembléia Geral, além de constar do estatuto da empresa, a competência dos mesmos, para firmar compromisso dessa ordem, ainda que por delegação, não tendo sido possível, obter do contribuinte esse documento. Sobre o afirmado em sede de diligência. Manifestouse a recorrente: Passa a esclarecer: INGRESSO DE RECURSOS POR INTERMÉDIO DE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA NO URUGUAI Conforme visto acima, em seu relatório de diligência, a d. autoridade fiscal sustenta que o ingresso dos recursos no Brasil ocorreu por intermédio de uma instituição financeira sediada no Uruguai, embora as pessoas jurídicas mutuantes estivessem sediadas em países diferentes, como Chile, Estados Unidos e México. Vejase: "A empresa coligada que cedeu recursos tem sede no Chile. Os recursos ingressaram no Brasil através de uma instituição financeira sediada no Uruguai. O mesmo caminho foi percorrido pelos demais empréstimos, inclusive, os fornecidos pelas empresas sediadas nos Estados Unidos e no México". Fl. 53DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.526 54 Com o devido respeito, não merece prosperar o entendimento da d .autoridade fiscal, tendo em vista que qualquer pessoa jurídica multinacional pode ser titular de contacorrente no exterior, de forma que os recursos ingressados no Brasil poderiam ter sido enviados de qualquer país no qual a mutuante tivesse recursos disponíveis, independentemente do país onde estivesse sediado. Na atual conjuntura econômica, marcada pelo intenso fluxo comercial entre os mais diversos país do mundo, grande parte das empresas multinacionais necessitam ter contacorrente em outros países além daquele onde estão sediadas, com o objetivo de economizar recursos com gastos operacionais e administrativos, e reduzir a burocracia relativa ao ingresso e envio de recursos de um país para o outro. Apenas para ilustrar, uma empresa multinacional poderá manter contacorrente no exterior para evitar os custos relativos ao fechamento de câmbio nas remessas de recursos, evitando o pagamento da diferença entre a cotação do câmbio para a venda e para a compra ao ingressar e depois sair com os recursos do país. 9. Assim, considerando que as mutuantes são empresas multinacionais que atuam na área de fornecimento de serviços de bordo para companhias aéreas, em vôos domésticos e internacionais, é evidente que os recursos relativos aos contratos de mútuo celebrados com a Recorrente poderiam ingressar no Brasil por meio de contacorrente mantida por essas empresas junto ao Banco Real Del Uruquay, o que em nenhum momento prejudica a validade ou efetividade dos respectivos contratos de mútuos. Como se não bastasse isso, verificase, por meio da análise do relatório de diligência, que a própria autoridade fiscal constatou (i) o efetivo ingresso de recursos no pais, por meio da análise dos extratos bancários; (ii) o registro do empréstimo na escrituração contábil da Recorrente; e (iii) a conformidade das taxas praticadas e dos saldos finais com os contratos de mútuo. Vejase: "Identificamos através do extrato do Banco Real, agência 05275, conta corrente 2.7010190, que em 20 de outubro de 1994 foi creditado nesta conta corrente a importância mencionada no parágrafo anterior. Constatamos também, que no diário da empresa, a folhas 90, no dia 20 de outubro de 1994, encontrase registrado, como empréstimo do Chile, a mesma importância já citada. Verificamos finalmente, no demonstrativo de juros deste mútuo, que as taxas praticadas e os saldos finais apresentados não merecem reparos (folhas 1.882 a 1.907 e 2.415 a 2.478)." Em vista disso, percebese claramente que não há qualquer irregularidade material nos contratos de mútuos celebrados pela ora Recorrente, na medida em que a própria autoridade fiscal constatou o efetivo ingresso dos recursos no Brasil por meio de Fl. 54DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.527 55 (i) cópia dos extratos SISBACEN perante o Banco Central, (ii) cópia dos extratos bancários que comprovam o ingresso dos recursos em contacorrente da Recorrente, bem como (iii) cópia dos livros contábeis da Recorrente que comprovam o registro do empréstimo em sua escrituração comercial. DA SUPOSTA FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS PODERES DA REPRESENTAÇÃO O segundo aspecto mencionado pela d. autoridade fiscal em seu relatório de diligência diz respeito à suposta falta de comprovação dos poderes de representação dos diretores que assinaram os respectivos contratos de mútuo e conta corrente, especificamente em relação aos contratos de mútuo celebrados com empresas nos Estados Unidos e México, bem como em relação aos contratos de contacorrente com a LSG Lufthansa e a Servcater. Em relação aos contratos celebrados com a Caterair Inter Corporation (USA), a d. autoridade fiscal constatou que a Recorrente foi representada por Joe Rene Guerin (qualificado como diretor financeiro) em conjunto com Peter Walker Tenney (qualificado como procurador), ou por Joe Rene Guerin (qualificado como diretor financeiro) em conjunto com Carlos Antonio Coraça de Brito (qualificado como procurador). Contudo, a d. autoridade fiscal questionou a falta de apresentação de documentos que comprovassem os poderes de representação dos respectivos diretores e/ou procuradores, como, por exemplo, atas de assembléias ou instrumentos de mandato (procurações). Vejase: "Outra questão que hora (sic) levantamos diz respeito ao representante da Caterair Serviços de Hotelaria S/A no Brasil que assina esse contrato. (...) No presente contrato são designados outros representantes sem que haja um instrumento procuratório especifico, fato já ressaltado no parágrafo anterior.". Novamente, não merece prosperar o entendimento manifestado pela d. autoridade fiscal, uma vez que todos os contratos foram celebrados por profissionais que à época tinham poderes para representar a empresa. Ocorre que os respectivos contratos de mútuo foram celebrados há quase 15 anos atrás, o que tornou praticamente impossível a localização da documentação que comprova os poderes dos representantes que assinaram os documentos à época. Atualmente, a maior parte das grandes empresas contratam arquivos terceirizados para a manutenção de seus documentos, com o objetivo de garantir eficiência e qualidade na gestão de seus arquivos. Porém, sabese que mesmo com os altos investimentos feitos na gestão de documentos, nenhum documento costuma ser mantido por período tão longo' (aproximadamente 15 anos), motivo pelo qual a Recorrente não conseguiu localizar cópia da referida documentação, embora Fl. 55DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.528 56 todos os contratos tenham sido celebrados por profissionais que à época tinham poderes para representar a empresa. Mas ainda que assim não fosse, o que se admite apenas pára fins de argumentação, relembrese que a questão referente aos poderes de representação não traz qualquer conseqüência fiscal em relação aos contratos de mútuos. De fato, a questão relativa aos poderes de representação dos signatários do contrato traz conseqüências apenas no caso de inadimplemento do acordo por uma das partes, para fins de eventual comprovação da existência do contrato de mútuo. Isso porque, em eventual inadimplemento do contrato de mútuo, a empresa mutuaria poderia tentar se eximir de sua obrigação convencional de devolver o principal avençado no contrato de mútuo, com os respectivos encargos financeiros, alegando a invalidade do contrato por vício subjetivo (vício na manifestação de vontade), uma vez que o signatário do contrato não teria poderes para obrigála contratualmente. Porém, a comprovação dos poderes de representação apenas seria necessária no caso de eventual descumprimento do contrato de mútuo, hipótese em que a parte prejudicada precisaria procurar o Poder Judiciário para obtenção de tutela jurisdicional que compila o inadimplente ao cumprimento da obrigação convencionada. De todo modo, por se tratar de empréstimo realizado entre empresas do mesmo grupo, é evidente que não há que se falar em inadimplemento. Além disso, para fins fiscais, a validade (ou invalidade) dos negócios jurídicos não produz efeitos em relação ao Fisco, tendo em vista que o artigo 118 do Código Tributário Nacional (CTN) é claro no sentido de que a obrigação tributária independe da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes. "Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos;" A interpretação do artigo 118 do CTN leva à conclusão de que, mesmo que o contrato de mútuo fosse inválido no âmbito do direito civil, por falta de representação adequada (o que se admite apenas para fins de argumentação), ainda assim os efeitos fiscais relativos ao contrato permaneceriam válidos, inclusive para fins de reconhecimento das despesas com variação cambial passiva e juros. No presente caso, a própria autoridade fiscal constatou a existência dos contratos de mútuo e de todos os seus respectivos efeitos, por meio de (i) cópia dos extratos SISBACEN perante o Banco Central, (ii) cópia dos extratos bancários que comprovam Fl. 56DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.529 57 o ingresso dos recursos em contacorrente da Recorrente, bem como (iii) cópia dos livros contábeis da Recorrente que comprovam o registro do empréstimo em sua escrituração comercial. Além disso, como será visto no item III a seguir, relembrese que os respectivos contratos de mútuos foram aprovados pela Assembléia Geral, por ocasião da apreciação das contas dos administradores e da análise das demonstrações financeiras. Dessa forma, ainda que os representantes que assinaram os contratos não tivessem poderes (o que se admite apenas para fins de argumentação), com a aprovação da Assembléia Geral, é evidente que os respectivos contratos de h'tEJ—o foram devidamente ratificados pelo órgão responsável pelas diretrizes das sociedades anônimas, o que afasta qualquer possibilidade de vício de representação. 24. Em vista disso, resta claro que a celebração dos contratos de mútuo realmente ocorreu, com a produção dos efeitos que lhe são próprios, por meio da efetiva transferência dos recursos emprestados, o que comprova que eventual irregularidade na representação dos seus signatários não tem o condão de afetar seus efeitos fiscais. DA APROVAÇÃO DA ASSEMBLÉIA GERAL Conforme relatado acima, a d. autoridade fiscal ainda sustentou, em relação à validade do contrato de mútuo, que os atos praticados pelos diretores estavam sujeitos à aprovação da Assembléia Geral, na medida em que a Recorrente está constituída sob a forma de sociedade anônima. Vejase: "Por se tratar de uma S/A, os atos praticados por seus diretores, deveriam ter referendo da Assembléia Geral, além de constar do estatuto da empresa, a competência dos mesmos, para firmar compromisso dessa ordem, ainda que por delegação, não tendo sido possível, obter do contribuinte esse documento." 26. Contudo, ao contrário do que sustenta a d. autoridade fiscal, a celebração de contratos de mútuo não está sujeita à aprovação da Assembléia Geral. O artigo 122 da Lei 6.404/76 (Lei das S/A), ao relacionar as matérias de competência da Assembléia Geral, em nenhum momento listou qualquer hipótese que pudesse se aproximar da obrigatoriedade de aprovar os contratos de mútuos. Para facilitar a análise, transcrevese na íntegra o teor do artigo 122: "Art. 122. Compete privativamente à assembléiageral: I reformar o estatuto social; II eleger ou destituir, a qualquer tempo, os administradores e fiscais da companhia, ressalvado o disposto no inciso II do art. 142; Fl. 57DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.530 58 III tomar, anualmente, as contas dos administradores e deliberar sobre as demonstrações financeiras por eles apresentadas; IV autorizar a emissão de debêntures, ressalvado o disposto no § 1° do art. 59; V suspender o exercício dos direitos do acionista (Art. 120); VI deliberar sobre a avaliação de bens com que o acionista concorrer para a formação do capital social; VII autorizar a emissão de partes beneficiárias; VIII deliberar sobre transformação, fusão, incorporação e cisão da companhia, sua dissolução e liquidação, eleger e destituir liquidantes e julgarlhes as contas; e IX – autorizar os administradores a confessar falência e pedir concordata." De acordo com a Lei 6.404/76, a Assembléia Geral é um dos órgãos que compõem sociedade anônima, formado basicamente por acionistas com direito a voto, embora os acionistas sem direito a voto também possam participar das deliberações sociais. A Assembléia Geral ordinária será convocada basicamente para a apreciação de três temas principais, quais sejam (i) tomar as contas dos administradores, examinar, discutir e votar as demonstrações financeiras; (ii) deliberar sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de dividendos; e (iii) eleger os administradores e os membros do conselho fiscal. Assim, dentre as funções da Assembléia Geral, destacase o dever de aprovar as contas dos administradores e as respectivas demonstrações financeiras, o que obrigatoriamente ocorre a cada ano, nos 4 (quatro) primeiros meses seguintes ao término do exercício social, em conformidade com o artigo 132 da Lei das S/A. Isso significa que os contratos de mútuo celebrados pela Recorrente foram devidamente aprovados pela Assembléia Geral, ainda que indiretamente, no momento em que foram analisadas as contas apresentadas pelos administradores, em conformidade com a legislação em vigor. Realmente, os administradores das sociedades anônimas têm o dever elaborar e apresentar documentos anuais e demonstrações financeiras que evidenciem a situação econômicofinanceira da empresa e os resultados de suas operações, para apreciação e aprovação na Assembléia Geral. Após aprovação, os livros comerciais são submetidos a registro perante a Junta Comercial e as demonstrações financeiras são publicadas em jornais oficiais. Por essa razão, chegase à conclusão de que inevitavelmente os contratos de mútuo celebrados pela Recorrente foram aprovados pela Assembléia Geral, ainda que Fl. 58DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.531 59 essa aprovação não tenha qualquer conseqüência para a validade do contrato de mútuo, nos termos acima comentados. Além disso, relembrese que o artigo 134 da Lei das S/A é claro no sentido de que a administração da companhia compete ao Conselho de Administração e à Diretoria, como se pode verificar a seguir: "Art. 138. A administração da companhia competirá, conforme dispuser o estatuto, ao conselho de administração e à diretoria, ou somente à diretoria." Em vista disso, percebese claramente que os diretores da Recorrente tinham poderes para celebrar os respectivos contratos de mútuo, independente de qualquer convocação da Assembléia Geral para deliberar o assunto. Na verdade, a despeito da enorme importância da Assembléia Geral para qualquer sociedade anônima, não se pode esquecer que, nos dias de hoje, a administração de qualquer sociedade anônima deve ser pautada por extremo profissionalismo, razão pela qual a Diretoria passou a ser o órgão efetivamente condutor dos negócios sociais. • De qualquer forma, as acionistas realmente interessados na condução dos negócios sociais (e não aqueles que apenas visam obter lucro com a especulação) têm seus direitos reservados, na medida em que compete à Assembléia Geral, discricionariamente, eleger ou destituir os administradores, o que garante a prevalência, ainda que indireta, da vontade dos acionistas no exercício da atividade econômica. Por todo o exposto, chegase à conclusão de que os contratos de mútuo não estão sujeitos à aprovação direta da Assembléia Geral, mas apenas à aprovação das respectivas contas e demonstrações financeiras, o que ocorre anualmente, em conformidade com a legislação em vigor. Mas ainda que assim não fosse, o que se admite apenas para fins de argumentação, relembrese que eventual falta de aprovação do contrato de mútuo não traz qualquer conseqüência para fins fiscais, na medida em que o artigo 118 do CTN é claro no sentido de que os efeitos tributários das operações independem de sua validade no âmbito do Direito Privado. Entendo assistir razão à recorrente. A acusação fiscal foi de que as despesas financeiras/variação cambial passiva não haviam sido comprovadas pela recorrente. A decisão recorrida manteve a exação levando em conta que não teria localizado os contratos nos autos. Os contratos foram identificados e a diligência constatou que houve o ingresso dos recursos (demonstrativo Sisbacen), que houve o crédito em conta corrente e que não havia correção a fazer quanto a taxa de juros contratadas/contabilizadas e que houve o registro no livro diário das operações., mas questiona Fl. 59DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.532 60 o fato dos recursos terem ingressado pelo Uruguai, embora a empresa coligada que cedeu os recursos tenha sede no Chile e que por tratarse de uma S/A, os atos praticados por seus diretores, deveriam ter o referendo da Assembléia Geral, além de constar do estatuto da empresa, a competência dos mesmos, para firmar compromisso dessa ordem, ainda que por delegação, não tendo sido possível, obter do contribuinte esse documento. Concordo com o argumento da recorrente quanto à desnecessidade da Assembléia Geral aprovar a operação em análise e também não vejo impedimento para que os recursos tenham sido transferidos do Uruguai, de forma lícita e documentada junto ao Banco Central. Esse fato poderia levar ao aprofundamento de investigação fiscal para verificação da origem, mas não é suficiente para amparar a glosa, de forma isolada. Fica sem atendimento a questão da prova da atribuição dos signatários dos contratos em fazêlo. Sobre a matéria se manifestou a recorrente: Novamente, não merece prosperar o entendimento manifestado pela d. autoridade fiscal, uma vez que todos os contratos foram celebrados por profissionais que à época tinham poderes para representar a empresa. Ocorre que os respectivos contratos de mútuo foram celebrados há quase 15 anos atrás, o que tornou praticamente impossível a localização da documentação que comprova os poderes dos representantes que assinaram os documentos à época. Entendo assistir razão à recorrente. Embora constitua obrigação da recorrente demonstrar que os signatários dos contratos tivessem poderes para fazêlo, entendo também que deve haver razoabilidade na análise, pois quando da ação fiscal a recorrente foi intimada de forma bastante singela sobre a matéria (intimação de fls. 62 – 17/08/2005): 5. Apresentar as memórias de cálculo, discriminando principal, juros e índices utilizados, relativos a Variação Cambial no valor de R$ 17.604.744,77 consignado na DIPJ/2003 Ficha 06A L 32 .Já no termo de verificação de fls. 671 e seguintes, datado de 14/09/2005, consta: 4. Regularmente intimado a "apresentar as memórias de cálculo, discriminando principal, juros e índices utilizados, relativos à Variação Cambial (PASSIVA) no valor de R$ 17.604.744,77 consignado na DIPJ/2003 Ficha 06A L 32", o contribuinte limitouse a apresentar uma planilha denominada VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA onde não constam discriminados o principal, juros e índices utilizados. Assim, este item está sendo exigido neste auto de infração, caracterizado como glosa de despesas financeiras não comprovadas. A matéria agora litigiosa (demonstração dos poderes de representação) somente surgiu no momento da diligência (2010), sendo a ação fiscal de 2005 e os fatos ocorridos em 2002 ou antes (datas dos contratos). Entendo que a análise destes fatos deve levar em conta esta defasagem entre o momento da ocorrência do fato e a a exigência das provas que permitam a reconstrução do mesmo. Em data próxima da ocorrência do fato, muito maior é a possibilidade/obrigação de produção de prova pelo contribuinte. Afastandose a data da prova da data do fato, vão diminuindo as evidências e dificultando a ação probatória. Fl. 60DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.533 61 Também impacta na análise a relevância e força da prova exigida. Se não houvessem outros indícios congruentes que demonstrassem a existência dos mútuos (ingresso comprovado junto ao Banco Central, credito em conta bancária da empresa, correta contabilização os próprios contratos) a inexistência da prova dos poderes de representação poderia ter mais relevância, mas no caso concreto, de forma isolada, não lhe dou tanta relevância como foi dada pelo relatório da diligência. O mesmo raciocínio se aplica aos demais contratos de mútuo entre a recorrente e empresas ligadas no exterior. Reproduzo parte do relatório de diligência que compõem a presente lide. CONTRATOS DE CONTA CORRENTES ORIGEM BRASIL 15 Em 01.01.2000 foi celebrado contrato de conta corrente entre a Caterair Serviços de Bordo e Hotelaria S/A, empresa já qualificada, neste ato representada por seus procuradores, Paulo Gustavo Gonçalves Teixeira e José Donizete Bahia e LSG, de um dado e do outro, Lufthansa Services /Sky Chefs do Brasil Catering Refeições Ltda, sociedade brasileira com sede à cidade de São Paulo, Brasil, à Rua Libero Badaró, 346, 2° andar, sala 11, Centro, inscrita no CNPJ do Ministério da Fazenda sob o no 00.138.358/000185, também representada por seus procuradores Paulo Gustavo Gonçalves Teixeira e José Donizete Bahia, no qual acordam, que, por serem empresas do mesmo grupo econômico LSG — Sky Chefs, e atuando no negócio de Catering, e por ser de interesse das partes e das finalidades comuns corporativas proceder sempre que haja demanda, a cessão do excesso de caixa que cada um tenha de tempos em tempos, com propósito de permitir o financiamento do capital de giro e as necessidades de caixa da empresa demandante (folhas 1.854 a 1.860). As regras estabelecidas neste instrumento prevêem entre outras coisas, o seguinte: A — Abertura de crédito em conta corrente sem o limite previamente estabelecido; B — Os recursos serão escriturados em contas especialmente abertas pra esse fim, pelo prazo de 5 (cinco) anos, renovado por outros 5 (cinco), se houver manifestação formal; C — Que os valores necessários poderão ser sacados de contas correntes existentes, informando sempre a outra parte formalmente, o valor sacado, tendo a parte cedente o prazo de 24 (vinte e quatro) horas, a partir do desembolso para concorda Fl. 61DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.534 62 ou não com a operação, dandose como aceita a parcela sacada, se não houver manifestação contrária sobre aquele valor; D — Estabelece também que sobre o saldo devedor incidirão juros de 1 % (hum por cento) ao mês, que serão lançados mensalmente a crédito do respectivo credor; E — Que o montante devido poderá ser liquidado total ou parcialmente a qualquer tempo, tomandose em consideração, como data de vencimento, a indicada no contrato; F Que qualquer pagamento devido fora do prazo estabelecido neste contrato ficará sujeito a uma multa compensatória de 5% (cinco por cento) ao mês, adicionalmente, debitada em conta corrente, além dos juros estabelecidos. G Além dessas cláusulas, caso haja demanda judicial, a parte devedora, enquanto perdurar o processo e até a sua conclusão, ficará sujeita além dos juros de mora contratuais, à multa de 1% (hum por cento) ao mês, além de honorários advocatícios de 10 %) (dez por cento) sobre o valor da causa. Observase que este contrato, em nenhum momento, tratou de transferência de recursos do exterior para o Brasil, tratando se, portanto, de operação em moeda nacional distinto da transferência interbancária acima mencionada (item 14), cuja documentação contratual, garantidora da operação do empréstimo não foi apresentada. Quando da validação deste documento, assinaram tanto pelo contratante quanto pelo contratado, Paulo Gustavo Gonçalves Teixeira e André Andrade, este último não qualificado em contrato, não havendo também, nenhum documento anexo ao mesmo, que o autorize a assinar pelas duas empresas. Quanto às planilhas de cálculos apresentadas, não há nenhum reparo a fazer, salvo quanto aos documentos que deveriam dar suporte a esses lançamentos, isto é; I — Não foram apresentados os pedidos e autorizações formais estabelecidos em contrato (folhas 1.854 a 1860 e folhas 1.875 a 1.887); II — Não foram apresentados os extratos bancários que comprove a efetiva movimentação dos recursos de uma conta para outra; III — Pela falta do documentário fiscal competente, não se pode também garantir em que data esses recursos foram efetivamente movimentados, inviabilizando a imputação de juros, bem como das multas compensatórias, caso tenham elas existido; Finalmente, observamos também, que em 01.01.2001, novo contrato, com idênticas características, foi novamente assinado, indicando que a cada novo período, um outro documento seria Fl. 62DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.535 63 emitido como forma de prorrogação, dando margem que se possa entender que ao final da vigência deste segundo vencer seia a obrigação. 16 Também em 01.01.2000 foi celebrado contrato de conta corrente entre a Caterair Serviços de Bordo e Hotelaria S/A, empresa já qualificada, neste ato representada por seus procuradores, Paulo Gustavo Gonçalves Teixeira e José Donizete Bahia de um dado, e do outro, Servcater Internacional Ltda, sociedade brasileira com sede à cidade de São Paulo, Brasil, à Rodovia Hélio Smidt s/n Setor 01, inscrita no CNPJ do Ministério da Fazenda sob o no 66.154.790/000178, também representada por seus procuradores Paulo Gustavo Gonçalves Teixeira e José Donizete Bahia, no qual acordam, que, por serem empresas do mesmo grupo econômico LSG — Sky Chefs, e atuando no negócio de Catering, e por ser de interesse das partes e das finalidades comuns corporativas proceder sempre que haja demanda, a cessão do excesso de caixa que cada um tenha de tempos em tempos, com propósito de permitir o financiamento do capital de giro e as necessidades de caixa da empresa demandante (folhas 1.861 a 1.867). As regras estabelecidas neste instrumento prevêem entre outras coisas, o seguinte: A — Abertura de crédito em conta corrente sem o limite previamente estabelecido; B — Recursos serão escriturados em contas especialmente abertas pra esse fim, pelo prazo de 5 (cinco) anos, renovado por outros 5 (cinco), se houver manifestação formal; C — Que os valores necessários poderão ser sacados de contas correntes existentes, informando sempre a outra parte formalmente, o valor sacado, tendo a parte cedente o prazo de 24 (vinte e quatro) horas, a partir do desembolso para concorda ou não com a operação, dandose como aceita a parcela sacada, se não houver manifestação contrária sobre aquele valor; D — Estabelece também que sobre o saldo devedor incidirão juros de 1 % (um por cento) ao mês, que serão lançados mensalmente a crédito do respectivo credor; E — Que o montante devido poderá ser liquidado total ou parcialmente qualquer tempo, tomandose em consideração, como data de vencimento, a indicada no contrato; F Que qualquer pagamento devido fora do prazo estabelecido neste contrato ficará sujeito a uma multa compensatória de 5% (cinco por cento) ao mês, adicionalmente, debitada em conta corrente, além dos juros estabelecidos. G Além dessas cláusulas, caso haja demanda judicial, a parte devedora, enquanto perdurar o processo e até a sua conclusão, ficará sujeita além dos juros de mora contratuais, à multa de 1% Fl. 63DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.536 64 (hum por cento) ao mês, além de honorários advocatícios de 10 % (dez por cento) sobre o valor da causa. Observase que este contrato, em nenhum momento, tratou de transferência de recursos do exterior para o Brasil, tratando se, portanto, de operação em moeda nacional distinto da transferência interbancária acima mencionada (item 14), cuja documentação contratual, garantidora da operação do empréstimo, não foi apresentada. Quando da validação deste documento, assinaram tanto pelo contratante quanto pelo contratado, Paulo Gustavo Gonçalves Teixeira e André Andrade, este último não qualificado em contrato, não havendo também, nenhum documento anexo ao mesmo, que o autorize a assinar pelas duas empresas. Quanto às planilhas de cálculos apresentadas, não há nenhum reparo a fazer, salvo quanto aos documentos que deveriam dar suporte a esses lançamentos, isto é: I — Não foram apresentados os pedidos e autorizações formais para saques conforme estabelecido em contrato (folhas 1.868 a 1.874); II — Não foram apresentados os extratos bancários que comprove a efetiva movimentação dos recursos de uma conta para outra; III — Pela falta do documentário fiscal competente, não se pode também garantir em que data esses recursos foram efetivamente movimentados, inviabilizando a imputação de juros, bem como das multas compensatórias, caso tenham elas existido; Finalmente, observamos também, que em 01.01.2001, novo contrato, com idênticas características, foi novamente assinado, indicando que a cada novo período, um outro documento seria emitido como forma de prorrogação, dando margem que se possa entender que ao final da vigência deste segundo vencer seia a obrigação. OBSERVAÇÕES FINAIS Diante das análises acima, na qual em negrito procurouse dar ênfase aos pontos de maior relevância, relaciono abaixo, sinteticamente, essas imperfeições: Fl. 64DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.537 65 I — Não conseguimos obter, na maioria dos contratos de mútuo, os documentos procuratórios (Atas de Assembléia ou Procurações Formais) que investissem que os signatários de poder distintivo para assumir em nome da empresa tais compromissos, vide doc. 08.06.2009. – I.i Existem contratos em que o representante qualificado na cláusula inicial não é o mesmo que assina o contrato. II — Em que pese a ligação entre empresas, não conseguimos entender e, muito menos, obter dos seus representantes, uma justificativa, plausível para o trânsito dosrecursos oriundos do exterior,tendo sempre como ponto de partida uma instituição financeira sediada no Uruguai, mesmo estando as coligadas instaladas em países diferentes da instituição financeira intervenientes, não se conseguindo perceber, efetivamente, a origem dos recursos. III — Em alguns contratos, não encontramos os aditivos que prorrogariam a validades dos mútuos, ficando desta forma, o pressuposto que na data da sua liquidação, os compromissos estariam honrados, e por conseqüência, os juros e correções imputados a partir daí não estariam corretos. IV — Os contratos de conta corrente celebrados para financiamento de capital de giro (em moeda nacional) entre as empresas são comprovados, unicamente, por lançamentos contábeis, não existindo documentário fiscal que valide essas operações. Por oportuno, questionamos também, os contratos assinados em 2000 cujos representantes das intervenientes, em um dos casos, não é o mesmo que se qualifica no contrato. Sobre a matéria se manifestou a recorrente: EXTRATOS BANCÁRIOS RELATIVOS AOS CONTRATOS CONTA CORRENTE Com relação aos contratos de contacorrente celebrados com as empresas LSG Lufthansa e Servcater, a d. autoridade fiscal esclareceu que embora as planilhas de cálculo dos juros estivessem corretas, a Recorrente não havia apresentado os extratos bancários comprovando a efetiva movimentação dos recursos de uma contacorrente para outra. Vejase: "Quanto as planilhas de cálculos apresentadas, não há nenhum reparo a fazer, salvo quanto aos documentos que deveriam dar suporte a esses lançamentos, isto é: (..) II Não foram apresentados os extratos bancários que comprova a efetiva movimentação dos recursos de uma conta para outra". Assim, visando comprovar a efetividade dos contrato de conta corrente, a Recorrente anexa ao presente processo cópia dos extratos bancários que atestam a efetiva movimentação dos Fl. 65DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.538 66 recursos em moeda nacional entre as contas correntes de titularidade dessas empresas (docs. 01, 02 e 03). Considerado que os cálculos dos juros foram considerados corretos pela d. autoridade fiscal no relatório de diligência, a Recorrente anexa ao presente processo cópia de seus extratos bancários, bem como cópia dos extratos bancários das outras duas empresas mutuantes, LSG Lufthansa e Servcater, com o objetivo de comprovar a efetiva movimentação dos recursos, conforme solicitado no relatório de diligência. Por meio de simples análise dos extratos bancários, percebese a efetiva movimentação dos recursos entre as contascorrentes de titularidade dessas empresas. As contascorrentes em questão são as seguintes: (iv) LSG Lufthansa, agência 0046, contacorrente 580734 (v) (ii) Caterair Serviços de Bordo, agência 0046, contacorrente 337473 (vi) (iii) Servcater, agência 0046, contacorrente 33745 49.3. Para facilitar a visualização das transferências, a Recorrente demonstra exemplificativamente, na tabela abaixo, três transferências de recursos relativas aos contratos de conta corrente: Entendo que também em relação a este ponto do recurso a recorrente tem razão. O relatório de diligência afirma: Quanto às planilhas de cálculos apresentadas, não há nenhum reparo a fazer, salvo quanto aos documentos que deveriam dar suporte a esses lançamentos, isto é: I — Não foram apresentados os pedidos e autorizações formais para saques conforme estabelecido em contrato (folhas 1.868 a 1.874); Fl. 66DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.539 67 II — Não foram apresentados os extratos bancários que comprove a efetiva movimentação dos recursos de uma conta para outra; III — Pela falta do documentário fiscal competente, não se pode também garantir em que data esses recursos foram efetivamente movimentados, inviabilizando a imputação de juros, bem como das multas compensatórias, caso tenham elas existido; Entre os pontos ressalvados pela autoridade diligenciante considero mais relevantes a afirmação de que não há reparo a fazer quanto às planilhas de cálculo, mas, no entanto, não teriam sido apresentados os extratos bancários que comprovem a efetiva movimentação dos recursos de uma conta para outra. Verifico que a recorrente apresenta extratos bancários das contas LSG Lufthansa, agência 0046, contacorrente 580734, Caterair Serviços de Bordo, agência 0046, contacorrente 337473 e Servcater, agência 0046, contacorrente 33745, que seriam as empresas envolvidas no contrato de conta corrente citados. Tornase necessário decidir se a apresentação destes documentos apenas em fase de diligência determinada por este colegiado deva ser aceita. Apresento o contexto da apresentação dos documentos para maior transparência ao colegiado. Em intimação de fls. 62, datada de 17/08/2005, a Autoridade Fiscal determinou: No termo de constatação de fls. 671, datado de 14/09/2005, consta: Me parece que a decisão de glosa dos juros sobre os contratos de mútuo foi tomada em período exíguo (menos de um mês) sem que a fiscalização tivesse levado ao conhecimento da recorrente qual seria então a forma que deveriam ser prestadas as informações requeridas. Embora o ônus de prova dos custos e despesas seja do contribuinte, entendo necessário que se dê oportunidade para que essa prova seja produzida de forma eficaz. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.540 68 A DRJ decidiu manter a glosa, motivando com a não localização dos contratos. Em sede de recurso fica demonstrado que os contratos haviam sido apresentados e este colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para análise dos mesmos. Finalmente, o relatório de diligência entendeu que faltavam os extratos bancários para justificar os valores transferidos (objeto do contrato de contacorrente). Dispõe o Decreto 70.235/72 (PAF) sobre a matéria: Art. 16 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Entendo que nestes autos ocorre o que dispõe a alínea do § 4º do art. 16 acima transcrito. Embora tenha tido oportunidade de apresentação dos documentos em momento anterior (impugnação), até então, não houve nenhuma requisição específica para fazêlo sendo que, somente após o relatório de diligência ficou especificada a necessidade da apresentação dos extratos bancários. Por amostragem é possível verificar que há nos extratos de fls. 2973 e seguintes registro das transferência de recursos entre as contas (i) LSG Lufthansa, agência 0046, contacorrente 580734, (ii) Caterair Serviços de Bordo, agência 0046, contacorrente 337473 e (iii) Servcater, agência 0046, contacorrente 33745. Tendo a diligência afirmado que não há questionamento sobre o conteúdo das planilhas apresentadas, entendo que, demonstrada a transferência, apresentados os contratos e tendo sido regularmente contabilizado, não deve prosperar a glosa em questão. Quanto ao valor de R$ 794.446,17 (variação monetária passiva), o interessado apresenta o razão (fls. 1480/1482) e planilhas de cálculos às fls. 1520/1527 (contrato com o Unibanco). Segundo a decisão recorrida, o interessado deveria . ter apresentado as demais planilhas de cálculos dos principais valores, bem como os respectivos contratos, inclusive do Unibanco que não foi apresentado. Assim, entendeu que o valor não foi comprovado. Fl. 68DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.541 69 A recorrente traz cópia de seu livro razão, onde detalha a composição do valor acima. Traz aos autos documentação comprobatória de R$ 705.537,96 (valores lançados a débito, subtraídos dos valores lançados a crédito), ou seja, 89% do saldo da conta. A fiscalização intimou em 17/08/2005o contribuinte a demonstrar o valor lançado como variação cambial passiva (fls. 62) Em 29/08/2005, a recorrente apresenta resposta de fls. 72 e seguintes, onde detalha o valor de R$ 17.604.744,77, indicando as contas contábeis, incluindo a 3.212.000.009, que apresentava saldo de R$ 794.446,17 Em termo de constatação de fls. 673, datado de 14/09/2005 afirma a autoridade fiscal: A DRJ afirmou sobre o tema: A recorrente, sobre o tema afirma: A variação cambial passiva em questão decorre do fato de a Recorrente ter emitido nota fiscal para cobrança de um determinado crédito atrelado ao dólar em certo dia, mas ter recebido o respectivo pagamento em data posterior quando a taxa de conversão do dólar para o real se demonstrou menor do que aquela no dia da emissão da nota fiscal. A recorrente através do quadro de fls. 2012 (suportado com documentação anexa) demonstra o cálculo de cada um dos valores de variação cambial "destacados" a fls. 2005 a 2011, que correspondem a diferença entre o "valor de venda multiplicado por taxa de câmbio do dia da emissão da nota") e o "valor pago multiplicado taxa de câmbio do dia do efetivo pagamento") de cada um dos casos destacados. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001422/200534 Acórdão n.º 130200.656 S1C3T2 Fl. 3.542 70 Traz tabela de fls. 2005 e seguintes, demonstrativos de fls. 2012 a 2014, e documentos de fls. 2035 e seguintes, onde demonstra a ocorrência da variação cambial e sua regular contabilização. Nestes demonstrativos e documentos a recorrente logrou demonstrar cerca de 88% dos valores contabilizados neste item e, expressamente declara que o fez por amostragem, em função da quantidade excessiva de documentos. Fica evidenciado que a fiscalização intimou de forma genérica a recorrente em 17/08/2005 a comprovar todos os valores registrados como variação cambial. Em 14/09/2005, sem nova intimação para esclarecer o que entendeu não demonstrado, a fiscalização concluiu que o total de R$ 17.604.744,77, incluído o valor de R$ 794.446,17, não estavam comprovados. Embora durante a ação fiscal ainda não vigore o Princípio do contraditório, há a necessidade de uma busca mais intensa da verdade durante o procedimento. Se a prova dos valores contabilizados como variação monetária foi entendida como insuficiente, caberia à fiscalização intimar a recorrente a detalhála, pois havia indícios bastante fortes de que a variação monetária ativa teria ocorrido e que, portanto, seria dedutível da base de cálculo do IRPJ. A boa técnica de auditoria impõe a necessidade de buscar, por amostragem, a demonstração do ilícito. A intimação genérica para demonstrar todos os valores lançados em uma determinada conta não pode ser aceita, pois, dependendo da atividade, fica praticamente impossível de atender a fiscalização. Na impugnação e no recurso, a recorrente traz provas, por amostragem que atinge cerca de 88% do valor que incorreu na despesa, sendo, portanto, dedutível e insubsistente o lançamento. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e de dar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 3 de agosto de 2011 MARCOS RODRIGUES DE MELLO Fl. 70DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 14485.000433/2007-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1997 a 30/04/2004
DECADÊNCIA PENALIDADE. ARTIGO 173 CTN
Tratando-se de obrigação acessória não há que se falar em pagamento antecipado e posterior homologação, razão pela qual a regra decadencial é aquela prevista no artigo 173, inciso I, do CTB.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
Acompanhou o julgamento a patrona do contribuinte, Dra. Renata Tuma e Pupo OAB/DF 31412, escritório Pinheiro Neto Advogados.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 30/04/2004 DECADÊNCIA PENALIDADE. ARTIGO 173 CTN Tratandose de obrigação acessória não há que se falar em pagamento antecipado e posterior homologação, razão pela qual a regra decadencial é aquela prevista no artigo 173, inciso I, do CTB. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 04 33 /2 00 7- 59 Fl. 1028DF CARF MF 2 Acompanhou o julgamento a patrona do contribuinte, Dra. Renata Tuma e Pupo OAB/DF 31412, escritório Pinheiro Neto Advogados. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra– Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração para cobrança de multa prevista no artigo 32, IV, §5º da Lei 8212/91, diante da constatação de que não houve declaração em GFIP'S do período de 01/1999 a 04/2004 da Participação nos Lucros paga no período. Consta dos autos também a lavratura de NFLD para cobrança de contribuições sobre Participação nos Lucros paga em desacordo com a Lei 10.101 de 19/12/2000. No curso regular do processo administrativo a Impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada parcialmente procedente. Dessa maneira, tempestivamente foi interposto o competente Recurso Voluntário. Não foi apresentado Recurso de Ofício, tendo em vista que o valor exonerado não ultrapassou o limite de alçada vigente à época. No julgamento do Recurso Voluntário a 1ª, Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamentos deste Tribunal deu provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/199; com base no artigo 173, I, do CTN e para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei nº 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 30/04/2004 RECONHECIMENTO EXPRESSO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRIGAÇÃO DE INFORMAR OS FATOS GERADORS EM GFIP. A empresa é obrigada a declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 14485.000433/200759 Acórdão n.º 9202005.070 CSRFT2 Fl. 1.029 3 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Tratandose de obrigação acessória não há que se falar em pagamento antecipado e posterior homologação, razão pela qual a regra decadencial é aquela prevista no artigo 173, inciso I, do CTB. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve se efetivar pela comparação entre o valor da multa dos autos com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos lançamentos correlatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/199, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, que votou em aplicar a regra expressa no Art. 150 do CTN, em autuações conexas a existência de obrigações principais, em que foi aplicada a mesma regra decadencial; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei nº 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar Fl. 1030DF CARF MF 4 ao cálculo da multa por obrigação acessória o art. 32A, da Lei nº 8.212/91, caso este seja mais benéfico; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do Relator. Redator: Marcelo Oliveira. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Especial, tempestivamente, objetivando discutir a regra para contagem do prazo decadencial, se artigo 173, I, como entendeu a Turma a quo, ou 150, § 4º, ambos do CTN, como entenderam outras Turmas em julgamentos de casos semelhantes, bem como a aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. No que toca a controvérsia em relação ao prazo decadencial para que a Fazenda Pública lance a multa em questão, a Turma a quo se manifestou no seguinte sentido: Contudo, tratandose de descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em homologação de pagamento, razão pela qual aplicase a regra prevista no artigo 173, inciso I, do CTN. Sabendose que na espécie o período verificado está compreendido entre 12/1997 a 02/2000 e que a ora recorrente foi intimada do Auto de Infração em 02 de março de 2005, verificase que estão decadentes as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/1999. Pois bem. Hugo de Brito Machado tece os seguintes ensinamentos sobre a decadência do direito de lançar a penalidade: Questão interessante reside em saber quando começa o prazo de decadência do direito de constituir o crédito tributário se este consistir apenas na penalidade pecuniária. O prazo de decadência é prazo para lançar vale dizer, constituir o crédito tributário, que na verdade pode ter como conteúdo simplesmente a penalidade pecuniária. Pensamos que, se essa penalidade for autônoma, isto é, não estiver vinculada a qualquer tributo, o prazo decadencial começa do primeiro dia seguinte à data do cometimento do ilícito respectivo, pois a partir desse cometimento o lançamento da multa já poderia ter sido feito. Entretanto, tratandose de multa relacionada a um tributo, a determinação da data do início do prazo decadencial dependerá Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 14485.000433/200759 Acórdão n.º 9202005.070 CSRFT2 Fl. 1.030 5 de saber se esse tributo é lançado por homologação. Se for, e se tiver havido a apuração e correspondente homologação, a multa só poderá ser lançada em revisão do lançamento e, portanto, no prazo de cinco anos, iniciado da data do fato gerador do tributo, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. (in Curso de Direito Tributário, 26ª Edição, Malheiros Editores, pág. 225) A Segunda Turma do STJ, no julgamento do RESP 1.055.540/SC, tratando especificamente da multa pela falta de apresentação de GFIP ou fornecimento de dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas, entendeu que o prazo decadencial aplicável era aquele previsto no artigo 173, I, do CTN, no seguinte sentido: TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APRESENTAÇÃO DA GFIP OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO DECADÊNCIA REGRA APLICÁVEL: ART. 173, I, DO CTN. 1. A falta de apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), assim como o fornecimento de dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas configura descumprimento de obrigação tributária acessória, passível de sanção pecuniária, na forma da legislação de regência. 2. Na hipótese, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é regido pelo art. 173, I, do CTN, tendo em vista tratarse de lançamento de ofício, consoante a previsão do art. 149, incisos II, IV e VI. 3. Ausente a figura do lançamento por homologação, não há que se falar em incidência da regra do art. 150, § 4º, do CTN. 4. Recurso especial não provido. Pois bem. No presente caso estamos diante exatamente da multa pela falta de fornecimento de dados dos fatos geradores nas GFIP's apresentadas pelo Contribuinte. Logo a multa em questão foi aplicada pela falta de cumprimento de obrigação acessória. Nesse contexto, o prazo decadencial para a Fazenda Nacional efetuar o lançamento contase com base no artigo 173, I, do CTN. Mas considerando a retroatividade do artigo 106, do CTN, aplicase a penalidade prevista no artigo 32A, I, da Lei 8.212/91. Portanto, voto por negar provimento ao Recurso Especial quanto à tese defendida quanto à decadência. Mas não é só. Cingese também a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Fl. 1032DF CARF MF 6 A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 14485.000433/200759 Acórdão n.º 9202005.070 CSRFT2 Fl. 1.031 7 A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou Fl. 1034DF CARF MF 8 omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 14485.000433/200759 Acórdão n.º 9202005.070 CSRFT2 Fl. 1.032 9 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação Fl. 1036DF CARF MF 10 acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 14485.000433/200759 Acórdão n.º 9202005.070 CSRFT2 Fl. 1.033 11 I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1038DF CARF MF 12 No presente caso, a Turma a quo entendeu que devese comparar a multa constante dos autos com a resultante do cálculo da multa expressa no I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, com o que determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzidas as multas aplicadas nos lançamentos correlatos e caso seja mais benéfico à recorrente utilizar esse valor. O Contribuinte, em seu Recurso, pede a aplicação do artigo 32A, sem que seja efetuada a soma desta com a multa constante no artigo 35A, limitandose essa soma à 75%. Em face ao exposto, NEGO provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 1039DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727607/2009-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Numero da decisão: 9202-004.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 76 07 /2 00 9- 57 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10530.724190/200966. Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei 8.730/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada totalmente improcedente. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727607/200957 Acórdão n.º 9202004.114 CSRFT2 Fl. 323 3 Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Sobrestamento do feito dado que o STF reconheceu repercussão geral no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente; b) Os rendimentos previstos na Lei Estadual 8.730/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que seja reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que seja rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando, em síntese: a) Em consonância ainda com o art. 16 da Lei nº 4.506/64, serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado, para fins de incidência do Imposto de Renda, todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício de empregos, cargos ou funções. Logo, os valores recebidos a título de diferenças no cálculo da URV possuem natureza salarial e estão sujeitas ao imposto de renda. b) Não há Lei que isento do imposto de renda referidos rendimentos; Fl. 418DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 c) A Resolução STF nº 245/2002 é restrita ao abono variável aplicável aos membros da Magistratura da União, e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 923/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda também para os membros do MPF. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável das Leis n°s 10.477/2002 e 9.655/98 seria alargar as fronteiras da nãoincidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.091, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10530.724190/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.091): A solução do litígio será delineada através de itens que enfrentam de forma integral, os argumentos apresentados pela recorrente, respeitandose, ainda, a ordem dos quesitos apresentada, limitandose aqui, todavia, às matérias para as quais se deu seguimento ao pleito do contribuinte : a) Quanto à não incidência do IRPF pela natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à aplicação da Lei Estadual no. 8.730, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. Reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a.1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003: Fl. 419DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727607/200957 Acórdão n.º 9202004.114 CSRFT2 Fl. 324 5 Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias n os. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida Lei Estadual na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verificase sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas ao contribuinte pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos Fl. 420DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração. a.2) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Fl. 421DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727607/200957 Acórdão n.º 9202004.114 CSRFT2 Fl. 325 7 Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Veja se: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, o recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais constantes do auto de infração, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. a.3) Quanto aos efeitos do decidido no âmbito do RE 614.406/RS ao feito Reitero, também aqui, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória perceptível quando do servidor na ativa. Todavia, reconhecese aqui que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro Fl. 423DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727607/200957 Acórdão n.º 9202004.114 CSRFT2 Fl. 326 9 de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria eventualmente mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pela contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando a contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note se, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Feita tal digressão, verifico porém, que, no caso em questão, a autoridade fiscal já optou por tributar os valores com base nas alíquotas vigentes nos períodos que apurados o rendimento percebido a menor regime de competência (os rendimentos percebidos a menor referemse aos períodos de abril de 1994 a agosto de 2001) Acerca das tabelas progressivas/alíquotas aplicáveis aos meses de referência, de se consultar o resumo que se segue, que respalda a tabela utilizada pela autoridade autuante: Todavia, ainda que se tenha utilizado as alíquotas corretas, não há como se garantir que estivesse o autuado na faixa superior de recebimentos mensais para cada um dos meses de competência, uma vez que, notese, não se retroagiu, no lançamento, o momento de incidência aos meses dos anoscalendário de 1994 a 2001, constantes do demonstrativo detalhado fornecido pelo contribuinte em resposta à intimação da autoridade fiscal. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727607/200957 Acórdão n.º 9202004.114 CSRFT2 Fl. 327 11 Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de, nesta matéria, dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, tudo de acordo com o regime de competência. b) Quanto à incidência do IRPF sobre os juros de mora Para fins de solução do litígio quanto à esta matéria, de se perquirir a extensão dos efeitos da aplicação, ao presente feito, do decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do REsp 1.227.133/RS, quanto à incidência de juros de mora sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Tratase, notese, também de decisum de aplicação obrigatória neste Conselho, consoante art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF em vigor quando da prolação da decisão recorrida, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 e, ainda, conforme o art. 62, §1o. do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. A propósito, creio, em linha com o argumentado pela Fazenda Nacional em sede de contrarrazões, que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 estabelece: REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da Fl. 426DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez entender que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: 1) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e 2) se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima deve não incidir o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se obedeça o Fl. 427DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727607/200957 Acórdão n.º 9202004.114 CSRFT2 Fl. 328 13 julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. Aplicandose o acima disposto ao caso em questão: 1) Conforme já anteriormente delineado, entendo que não se está a tratar, aqui, de verba indenizatória, tendose concluído, no âmbito do presente voto, pela natureza remuneratória da verba principal de diferenças quando da conversão de Cruzeiro Real para URV sob análise, caracterizada, assim, a incidência do IRPF sobre tais verbas; 2) Verifico, também, que não se está a tratar de verbas recebidas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho; Concluo, assim, pela incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora em questão quando da aplicação do decisum vinculante constante do REsp 1.227.133/RS, a partir de sua interpretação detalhadamente estabelecida no âmbito do REsp 1.089.720/RS e, desta forma, nego provimento ao Recurso Especial da contribuinte também quanto a esta matéria. Destarte, diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso do Contribuinte, para determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação à verba recebida (inclusive juros) tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. É como voto. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 428DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 15868.000421/2010-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
GLOSAS. CRÉDITO PIS/COFINS. AUSÊNCIA DE PROVA. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO.
Cabe ao contribuinte fazer prova da existência do crédito pleiteado, deixando de fazê-la, cabe glosar o montante não comprovado, assim como, a tomada de crédito oriundo de aquisição de pessoas físicas e de pessoas jurídicas que a legislação de regência veda.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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(BRACOL HOLDING LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 GLOSAS. CRÉDITO PIS/COFINS. AUSÊNCIA DE PROVA. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. Cabe ao contribuinte fazer prova da existência do crédito pleiteado, deixando de fazêla, cabe glosar o montante não comprovado, assim como, a tomada de crédito oriundo de aquisição de pessoas físicas e de pessoas jurídicas que a legislação de regência veda. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 04 21 /2 01 0- 98 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário com o objetivo de modificar a decisão de piso que manteve intacto a glosa de crédito da COFINS apurado no período de 01.07.2007 a 30.09.2007. O crédito tributário pleiteado se refere à COFINS oriundo de exportação, com fundamento no § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, utilizado parcialmente, mediante a DCOMP nº 24489.92596.300708.1.3.09.3741 em compensação de débitos tributários da CPMF, objeto de lançamento de ofício no processo administrativo nº 13829.000176/200673, juntado aos autos mediante procedimento de apensarão. Em procedimento fiscal realizado com o objetivo de apurar a certeza e liquidez do crédito que se pretende utilizar no processo de compensação, a Fiscalização procedeu glosa, algumas por falta de apresentação da documentação necessária a comprovação do crédito, deferindo valor bem inferior ao montante solicitado. O contribuinte Irresignado com as glosas apresentou Manifestação de Inconformidade, aduzindo diversas preliminares e, no mérito alegou o direito de descontar os créditos oriundos dos pagamentos ocorridos a pessoas jurídicas. A título de comprovação carreou aos autos quatro notas fiscais. Em exame detalhado pela fiscalização, concluiu ausência do direito de tomar crédito sobre aquisições de pessoas físicas, para tanto, elaborou diversas planilhas partindo das informações prestadas pelo contribuinte e aquelas consignadas no DACON. O indeferimento do pleito consta do DESPACHO DECISÓRIO que encontra às fls. 140/ como se vê da ementa: “Despacho Decisório COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. O contribuinte que apurar crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) na forma da Lei nº 10.833/2003 e não puder utilizálo na dedução de débitos da respectiva contribuição, poderá fazêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e, na impossibilidade de utilizar esse crédito na forma acima citada, poderá solicitar, ao final do trimestre calendário, o seu ressarcimento em dinheiro, observado a legislação específica aplicável à matéria, principalmente quanto aos créditos que somente podem ser utilizados para a dedução da Contribuição devida e aos créditos passíveis de ressarcimento ou compensação. Pedido de Ressarcimento indeferido. Declarações de Compensação não homologadas. ” A motivação do indeferimento encontra calcada no relatório elaborado pela Fiscalização da DRF de Araçatuba (SAFIS), em decorrências das diversas glosas na base de cálculo do crédito, demonstradas em planilhas constantes do CD entregue ao contribuinte. Em razão dos ajustes realizados, a DRF refez o DACON do contribuinte com os novos valores apurados e constatou que o Interessado não tem saldo de crédito a ser ressarcido. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 146 e seguintes. A decisão de piso rechaçou todos os argumentos e manteve a glosa. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15868.000421/201098 Acórdão n.º 3302003.355 S3C3T2 Fl. 20 3 Transcrevo o relatório da decisão recorrida por bem espelhar a realidade dos autos pela riqueza dos detalhes: “Relatório. Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório não homologatório (fls.140/144) do Pedido de Ressarcimento nº 13297.44483.311007.1.5.090627 (fls.4) de créditos de COFINS do 3º Trimestre de 2007, no valor original de R$ 39.197.402,17 (trinta e nove milhões, cento e noventa e sete mil, quatrocentos e dois reais e dezessete centavos) para ser compensado com débitos informados nas Dcomp n°: 40311.82154.311007.1.3.090827 (fls.7), 32724.42571.160408.1.3.097476 (fls.10), 24489.92596.300708.1.3093741 (fls.13) e 22426.49396.310708.1.3.092897 (fls.16). A análise foi fundamentada no resultado do procedimento fiscal ocorrido na reclamante com o escopo de verificar a regular apuração e recolhimento do PIS e da COFINS, nos anoscalendário de 2004 e 2005, que resultou no Auto de Infração formalizado no processo administrativo nº 15868.720110/201120. O Relatório Fiscal (fls. 48/63) concluiu pela glosa de parte dos créditos utilizados pelo contribuinte, a partir de nova apuração realizada, tendo em vista o contribuinte não ter apresentado a memória de cálculo da apuração dos créditos descontados. A ciência do Despacho Decisório ocorreu através da Intimação nº 1447/2012 (fls.145) da DIORT – Divisão de Orientação e Análise da Tributária da DERAT Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo. Irresignado com o indeferimento do Pedido de Ressarcimento, o contribuinte apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 06/06/2012 (fls.146). Segundo o contribuinte, a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 29/05/2012, o que não pôde ser comprovado tendo em vista o Ar – Aviso de Recebimento não ter sido localizado, entretanto, conforme Despacho de Encaminhamento às fls. 216, podese concluir pela tempestividade tendo em vista a data a emissão da intimação ter ocorrido em 15/05/2012 e o protocolo da Manifestação em 06/06/2012. O contribuinte dividiu a Manifestação de Inconformidade em 4 partes: I Os Fatos, II O Direito, dividido em 2 partes com 14 subdivisões, III Pedido de diligência e perícia IV Pedido. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 Na alegação dos fatos o contribuinte informa em síntese que: 1) Protocolou Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS¹ apurados no 3º Trimestre de 2007; 2) A fundamentação legal para o indeferimento do Pedido de Ressarcimento foi a falta de apresentação de documentos pela recorrente e outras questões relacionadas a tal circunstância, tendo sido baseado no trabalho da Delegacia da Receita Federal de Araçatuba acerca da liquidez e certeza do Crédito pleiteado, em conformidade com o MPFF nº 8.1.90.0020 I022590, que transferiu temporariamente a competência da Derat SP para a DRF/Araçatuba 3) Informa que o período a ser fiscalizado, indicado no MPFF era de dezembro de 2002 a setembro de 2004. Na parte II – O Direito, o contribuinte alegou em síntese que: 1) O Despacho Decisório merece ser cancelado, com o retorno destes autos para a DERAT/SP com o fim de ser realizada uma nova fiscalização considerando a nulidade de todo o trabalho fiscal realizado pelos AFRF; 2) A nulidade de todo o trabalho fiscal decorre da observância dos termos do Mandado de Procedimento Fiscal, pelos seguintes motivos: a) a fiscalização deveria ter sido realizada no estabelecimento da Impugnante localizada no Município de São Paulo Capital e por AFRF com jurisdição sobre tal localidade vinculados a DERAT/SP, b) muitas intimações terem sido emitidas por apenas um dos AFRFBs, sem a participação do outro, não existindo no MPFF permissão para atuação individual dos AFRFBs mas apenas em conjunto com a consequente nulidade de todos os atos por eles emitidos de forma isolada e por fim, c) a inexistência de citação no MPFF da suposta Delegação de Competência; 3) Conclui que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF deveria ter sido emitido pelo Superintendente, e em assim não tendo ocorrido, clama pela inexistência de Ato Administrativo transferindo a competência para Araçatuba efetuar a fiscalização; 4) Invoca que mesmo que não existam as irregularidades até agora apontadas, persiste a nulidade decorrente do fato de as autoridades emitentes do MPFF serem servidores atuando em Delegação de competência relacionada a função de Delegado da Receita Federal do Brasil; 5) O Despacho Decisório emitido pela DRF/Araçatuba também deve ser anulado por ter sido emitido por autoridade incompetente porque somente o Delegado da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo possuía competência para emitir tal decisão conforme demonstra o artigo 57, caput da Instrução Normativa SRF n° 900,de 30 de dezembro de 2008; 6) Não existe autorização da referida Instrução Normativa para modificação da competência para emissão do Despacho Fl. 334DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15868.000421/201098 Acórdão n.º 3302003.355 S3C3T2 Fl. 21 5 Decisório, ocasionando a nulidade da decisão ora recorrida por ter sido emitida por autoridade incompetente, o Chefe da Saort Seção de Orientação e Análise Tributária da DRF/Araçatuba; 7) O Despacho Decisório também deve ser cancelado por ter sido emitido após o encerramento da fase instrutória de apuração do ressarcimento, sem intimação do contribuinte, desrespeitando a formalidade prescrita no art. 44 da Lei nº 9.784/99, procedimento essencial a sua validade; 8) O dispositivo citado garante a recorrente o direito de se manifestar, no prazo de 10 dias da instrução realizada pela fiscalização, especialmente para fazer suas observações e apresentar razões para garantir a apreciação do seu pedido de ressarcimento; 9) O posicionamento da fiscalização de que a Recorrente buscou embaraçar a fiscalização não merece ser acatado porque a empresa buscou apresentar à fiscalização todos os documentos solicitados e justificativas de suas operações; 10) Tendo os próprios AFRFs reconhecido a entrega de documentos a DEFIC e de diversos arquivos digitais, não haveria motivos para que fossem solicitados novos documentos e esclarecimentos, simplesmente emitiram um Parecer, sendo este posicionamento flagrantemente irregular, em conformidade com o art. 928 do Regulamento do Imposto de Renda; 11) A fiscalização agiu sem razoabilidade e contrariando diversos dispositivos legais, entre os quais os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.784/99; 12) Reitera sua intenção de apresentar todos os documentos fiscais e esclarecimentos que se fizerem necessários, estando os mesmos já à disposição da fiscalização no seu estabelecimento e que suportará consideráveis prejuízos por ter considerado o recebimento do direito creditório na definição do preço de exportação das mercadorias que foram exportadas; 13) Considerando as flagrantes demonstrações da existência das operações, a motivação do indeferimento não tem previsão legal; 14) Sendo a Recorrente uma das maiores empresas do setor do agronegócio brasileiro, como poderia a fiscalização entender que não teria nenhum crédito da contribuição para o PIS * no período do 3o Trimestre de 2007 ?; 15) Pelo entendimento dos AFRFs a Recorrente não teria nenhum direito e como isto pode ser admitido como válido considerando a impossibilidade da Recorrente exercer sua atividade sem adquirir insumos e serviços que garantem direito ao crédito ?; 16) Tais fatos demonstram a falta de razoabilidade do posicionamento dos AFRFs porque simplesmente negaram tais Fl. 335DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 fatos de forma integral, algo que contraria a razoabilidade das coisas e até todos os documentos que foram apresentados pela Impugnante; 17) Considerando isto, jamais poderia ter sido indeferido o Pedido de Ressarcimento, porque a fiscalização deveria ter continuado com as diligências no estabelecimento da Recorrente; 18) O Despacho Decisório merece ser cancelado por ter sido lavrado com base em um levantamento fiscal precário, por ter entre outros motivos, desconsiderado todos os documentos da Recorrente; 19) Como poderia ter o seu pedido de ressarcimento totalmente desconsiderado pelos AFRFs sem uma justificativa plausível e demonstração da totalidade dos créditos não serem legítimos ? 20) Basta a análise do Despacho Decisório e do Parecer SAORT para se apurar que os AFRFs contestaram pequenos elementos componentes do seu direito creditório, não tendo contestado os demais, demonstrando a insubsistência de suas alegações e falta da demonstração dos fundamentos de seu posicionamento. 21) Isto prejudica a ampla defesa da Recorrente, ofendendo o artigo 5o, inciso LV da Constituição Federal de 1988, por implicar, da forma em que foi lavrado, cerceamento do direito de defesa, existindo mansa e pacífica jurisprudência de ocasionar tal vício a nulidade da autuação; 22) Com fundamento no Princípio da Verdade Material, a Recorrente apresenta alguns documentos que comprovam o seu direito creditório e regularidade de suas operações, bem como requer diligência e perícia para que seja apurado a existência do seu direito creditório; 23) Nesta Manifestação a empresa está juntando alguns documentos comprobatórios do direito creditório porque, vários outros, por serem em grande quantidade, estão à disposição no seu estabelecimento. 24) Deve ser considerado por este juízo que a Impugnante possui direito ao Crédito da contribuição para o ¹PIS por adquirir insumos tributados no mercado interno, como pode apurado na Planilha de Apuração anexa cujo resultado remonta R$ 4.660.648,76 (quatro milhões seiscentos e sessenta mil, seiscentos e quarenta e oito reais e setenta e seis centavos) * (doc. 03); 25) Também está sendo anexada uma Nota Fiscal exemplificativa de aquisição de insumos no 3o Trimestre de 2007 para demonstrar que a Recorrente efetivamente adquiriu mercadorias como algo desconsiderado pela fiscalização (doc. 06); 26) A Recorrente também tem o direito ao ressarcimento com a incidência da SELIC, da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento até o seu efetivo ressarcimento e/ou compensação, por ser um índice de atualização monetária; Fl. 336DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15868.000421/201098 Acórdão n.º 3302003.355 S3C3T2 Fl. 22 7 27) O r. Despacho Decisório também deve ser reformado porque não homologou as compensações que já haviam sido homologadas tacitamente nos termos do artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 31 de dezembro de 1996. Na parte III da Manifestação de Inconformidade (fls. 164), o contribuinte solicita a realização de perícias e diligências para serem constatada, por este juízo, a existência do direito creditório pleiteado administrativamente. Formula quesitos e nomeia o perito. Na parte IV (fls.165), a Recorrente pede que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade para ser cancelado o r. Despacho Decisório para que esta DD. DRJ reconheça o direito creditório pleiteado no Pedido de Ressarcimento formulado pela Recorrente e a homologação das compensações correspondentes ao crédito reconhecido. Solicita que na hipótese desta DD. DRJ entender não ser possível reconhecer o direito creditório conforme pleiteado acima, que ao menos cancele o r. Despacho Decisório diante dos vícios demonstrados nesta Manifestação de Inconformidade para: 1) reconhecer a competência da DERAT/SP para atuar nestes autos determinando a realização de uma nova fiscalização, a ser realizada no estabelecimento da Recorrente localizado no Município de São Paulo, Capital, com a posterior emissão pelo Delegado da DERAT/SP de um novo Despacho Decisório analisando e deferindo o Pedido de Ressarcimento do Crédito da contribuição para o ¹PIS pleiteado pela Recorrente e homologando as compensações realizadas com o direito creditório correspondente, ou 2) sucessivamente, caso entenda ser competente para apreciar o Pedido de Ressarcimento a autoridade que emitiu o Despacho Decisório, que ao menos cancele esta decisão e determine a realização de novas verificações fiscais a serem realizadas no estabelecimento da Recorrente localizado no Município de São Paulo, Capital, com a posterior emissão de um novo Despacho Decisório analisando e deferindo o Pedido de Ressarcimento do Crédito da contribuição para o ¹PIS pleiteado pela Recorrente e homologando as compensações realizadas com o direito creditório correspondente. Requer, ainda, o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário de todos os débitos vinculados às compensações relacionadas a estes autos até a decisão final quanto ao pedido de ressarcimento. Requer, o reconhecimento da homologação das compensações declaradas a RFB no período igual ou superior a 5 (cinco) anos contados anteriormente a data da ciência do Despacho Decisório pela Recorrente no dia 29 de maio de 2012, por ter Fl. 337DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 8 ocorrido, em relação a tais casos, a homologação tácita e extinção definitiva do crédito tributário dos débitos compensados, nos termos do artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 31 dezembro de 1996, e artigo 29, §2° da IN SRF n° 600/2005. Requer, outrossim, a realização da perícia e diligência na forma pleiteada no tópico III, no qual estão satisfeitos os pressupostos exigidos pelo artigo 16, inciso IV c/c §1° do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. Reitera, ainda, estarem os documentos comprobatórios do direito creditório à disposição da fiscalização na sua sede e somente não está anexando os mesmos por serem em grande quantidade gerando o pedido de diligência e perícia. Requer, por fim, que também sejam intimados de todas as decisões proferidas nestes autos os advogados signatários da presente no seguinte endereço: Av. Brigadeiro Faria Lima n° 2012, 5o andar, São Paulo SP.” Inconformado com a decisão piso, da qual restou intimado em 30.09.2013 sobreveio o Recurso Voluntário, protocolado em 14 de outubro de 2013. Repulsou um a um os argumentos da decisão recorrida, e, em síntese manteve os seus argumentos sustentados na fase inicial, inicialmente aduz: Protocolou Pedido de Ressarcimento de Créditos da COFINS apurados no 3º trimestre de 2007, nos termos da Lei nº 10.833. Afirma que os autos foram encaminhados a Divisão de Orientação e Análise Tributária em São Paulo – DERAT/SP para apreciação e decisão quanto à procedência do crédito pleiteado e quanto à homologação das compensações vinculadas. Posteriormente os autos do processo foram encaminhados para a DRF/Araçatuba para serem realizados os trabalhos fiscais em razão da transferência temporária de competência da DERAT/SP para DRF/Araçatuba. Argui nulidade em razão de: 1) Indeferimento do Pedido de Perícia e Diligência e Nulidade pela falta de apreciação de Relevante Questão; 2) Ofensa ao MPF, para que fosse realizado nova fiscalização considerando a nulidade de todo o trabalho fiscal decorrente da inobservância dos termos do Mandado de Procedimento Fiscal, uma vez que a determinação que o procedimento deveria ser realizado no estabelecimento da impugnante, localizado em São Paulo, Capital e por AFRF com jurisdição sobre tal localidade vinculadas a DERAT/SP; 3) O MPFF deveria ter sido emitido pelo Superintendente e Inexistência de ato administrativo transferindo a competência para Araçatuba realizar a fiscalização. Constatado que as autoridades emitentes do MPFF e suas alterações foram servidores atuando em delegação Fl. 338DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15868.000421/201098 Acórdão n.º 3302003.355 S3C3T2 Fl. 23 9 de competência relacionada a função de Delegado da Receita Federal do Brasil, conduta que não pode ser considerada em razão realização de trabalho fiscal por outra unidade da RFB submetida a mesma Região Fiscal é diferente da unidade com jurisdição sobre o contribuinte, o impõe a necessidade do MPFF ser emitido exclusivamente pelo próprio Superintendente. 4) Nulidade do Despacho Decisório – Incompetência da DRF/Araçatuba e do Chefe da SAORT. O pedido prende se ao fato ter sido emitido por autoridade incompetente, visto que, somente o Delegado da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo possuía competência para emitir tal decisão conforme demonstra o artigo 57, caput da Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008; 5) Falta de intimação para Impugnante se manifestar sobre o fim da Instrução – Art. 44 da lei 9.784/99; 6) Outra se refere a apresentação dos documentos. Não houve embaraço a fiscalização; 7) Nulidade da incorreta e inexistente motivação. Erro e falta de motivação necessária para validade jurídica, pois a negativa total do crédito refle como a empresa não adquirisse insumos para a sua produção; 8) No mérito: 9) A legislação reconhece o direito creditório, o indeferimento do pedido somente no caso do contribuinte não possuir efetivamente o direito ao ressarcimento do crédito da COFINS. Sustenta a precariedade do levantamento fiscal, uma vez, que a fiscalização não poderia simplesmente ter encerrado as diligências diante do fato de ter a Recorrente apresentado documentos fiscais, porque deveriam ter requisitado esclarecimentos e eventualmente novos documentos. Deve prevalecer o princípio da Verdade material. Direito ao ressarcimento em garantido por lei. Pretende ver o crédito indeferido com acréscimo da SELIC até o efetivo ressarcimento ou compensado; 10) Cerceamento do Direito de Defesa. Sustenta que o não reconhecimento do direito creditório da contribuinte mediante apresentação de provas a fiscalização de sua existência configura cerceamento. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 10 11) Por derradeiro pede homologação tácita das compensações – prazo superior a cinco anos e diligência e perícia. É o que tinha a relatar. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo porque deve ser reconhecido. Existindo preliminares, impõe conhecêlas. 1 – Direito de Defesa e Cerceamento. Improcede os argumentos, haja vista, o acesso pleno ao processo administrativo, o não reconhecimento do direito creditório da contribuinte, mesmo tendo apresentado prova não configura cerceamento de direito, em verdade é matéria de fundo, pois em momento algum, tanto a fiscalização como o julgador de piso, negou a existência desse direito, deixou de conhecêlo por falta de prova e nos casos que a legislação deixou de outorgar. O processo administrativo rege pelo rito do Decreto 70.232/72 e alterações posteriores. Não conhecido o crédito pleiteado, oportunizou a indignação por meio da Manifestação de Inconformidade, decidido o assunto, pode o Interessado demonstrar sua irresignação por meio do voluntário, em sendo assim, não há de se falar em cerceamento. Assim, afasto preliminar. 2 Nulidade. OFENSA – MPF. É correntia sabença que o Mandado de Procedimento Fiscal é peça administrativa de planejamento e de controle das atividades de fiscalização, em síntese controle interno da Receita Federal do Brasil, onde se identifica o agente encarregado da ação fiscal. Controle esse que a ausência não acarreta nulidade do procedimento. Se o funcionário encarregado da fiscalização é o mesmo identificado no MPF, está autorizado a proceder às verificações, sendo assim, não justifica o pedido de nulidade. Portanto, a expedição do MPF é mero procedimento de controle interno, sendo assim, não macula o procedimento fiscal e tampouco o crédito tributário. Também vicia ação fiscal o fato da fiscalização darse em lugar distinto da sede da empresa, estabelecimento principal, o interesse público suplanta a burocracia, devendo o agente exercer sua atividade com objetivo de apurar a verdade. Esse assunto encontra pacificado por meio da Súmula CARF nº 27: Fl. 340DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15868.000421/201098 Acórdão n.º 3302003.355 S3C3T2 Fl. 24 11 “Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.” Como é de conhecimento geral, a nulidade está vinculada a ato de ilegalidade, pois a Administração Pública deve trilhar conduta em conformidade com o disposto no art. 37 da Constituição Federal. Em sendo assim, rechaço a preliminar argüida. COMPETÊNCIA PELA EMISSÃO MPFF. Resta claro inexistência de barreira em relação à fiscalização em jurisdição fiscal distinta daquela do contribuinte. Assim, cabe examinar se há no caso usurpação de competência o fato do MPFF ter sido emitido pelo Superintendente e inexistência de ato administrativo transferindo a competência para Araçatuba realizar a fiscalização. Também não assiste razão a Recorrente, a decisão encontra bem fundamentada, a qual adota como razão de decidir: “Em relação à transferência de competências, tal possibilidade está prevista no art. 249 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF no 95, de 2007, vigente à época, abaixo transcrito: Art. 249. Aos Superintendentes da Receita Federal do Brasil, Delegados da Receita Federal do Brasil, Delegados da Receita Federal do Brasil de Julgamento e InspetoresChefes da Receita Federal do Brasil das ALF e IRF de Classe Especial A, Especial B e Especial C incumbe ainda, no âmbito da respectiva jurisdição: (...) VII transferir, temporariamente, competências e atribuições entre unidades, subunidades e dirigentes subordinados, no interesse da administração. (...) (grifei) Portanto, também não se justifica a alegação da contribuinte, pois o superintendente regional pode transferir as competências e atribuições entre as unidades da RFB de sua jurisdição, como aconteceu no caso em questão com a edição da Portaria no 34, de 2008.” Assim, reputo a sustentação improcedente. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Sustenta irregularidade em razão de o Despacho Decisório ter sido emitido pela DRF/AraçatubaSP e do Chefe da SAORT. Alega que a competência está definida pelo disposto no artigo 57, caput da Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 12 O inconformismo se refere à inexistência de autorização de delegação de competência pela IN/SRF/900. Também não assiste razão a Recorrente, o art. 249 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF no 95, de 2007, outorga esse poder, basta perfunctória leitura do mencionado dispositivo: “Art. 249. Aos Superintendentes da Receita Federal do Brasil, Delegados da Receita Federal do Brasil, Delegados da Receita Federal do Brasil de Julgamento e InspetoresChefes da Receita Federal do Brasil das ALF e IRF de Classe Especial A, Especial B e Especial C incumbe ainda, no âmbito da respectiva jurisdição: (...) VII transferir, temporariamente, competências e atribuições entre unidades, subunidades e dirigentes subordinados, no interesse da administra.” Portanto, alegação não encontra respaldo, cabe afastála. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA MANIFESTAÇÃO. A previsão legal existente obriga a Administração Tributária a dar ciência ao contribuinte do lançamento, seja de ofício ou por meio de auto de infração. Concluída os atos fiscalizatório e lavrado o auto de infração ou emitido Despacho Decisório, negando total ou parcial o crédito pleiteado, ao contribuinte é dado ciência, querendo, impugnar ou apresentar Manifestação de Inconformidade, esses sim são os instrumentos disponíveis previstas pelo Decreto nº 70.235/72. O processo Administrativo é norteado pelo Decreto nº 70.235/72, aplicase subsidiariamente as disposições da Lei nº 9.784/99. No caso concreto, não há intimação para o contribuinte justificar ou atender depois de encerrado o procedimento fiscal, cabe a Administração Tributária dar ciência para defesa. Improcede a preliminar argüida; NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Sustenta a Interessada que há mácula decorrente de erro e falta de motivação necessária para validade jurídica, diante da negativa total do crédito, isso segundo o entendimento exposto, como se a empresa não tivesse adquirido os insumos para produção. Também não merece acolhimento. O Despacho Decisório elenca de modo extenso os motivos, tudo isso consubstanciado no relatório fiscal, que por sua vez é longo e aponta as causas da negativa de reconhecer o direito ao ressarcimento e compensação pleiteada. Sendo assim, a sustentação carece de demonstração contundente da inexistência de motivação. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Afirma o Recorrente ter decorrido mais de cinco anos entre o Pedido de Ressarcimento/Compensação e Despacho Homologatório, por essa razão ocorrida homologação tácita. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15868.000421/201098 Acórdão n.º 3302003.355 S3C3T2 Fl. 25 13 O protocolo é de 16 de setembro de 2008, no entanto, a transmissão do Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação, se refere 31.10.2007, a comunicação da decisão ocorreu em 16 de novembro de 2011. Contando da data de transmissão, constatada que a decisão foi proferida com menos de cinco anos, sendo assim, não procede aos argumentos da ocorrência de homologação tácita. MÉRITO. Inicialmente cabe dizer que o direito da tomada de crédito encontra amparado pelo art. 3º da Lei 10.833/2003: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: .. “§ 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. “ REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do Imposto de Renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. O regime nãocumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º da Lei nº 10.833/03, não autoriza à inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude à legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas as despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, da Lei Fl. 343DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 14 nº 10.833/03, onde se enumerou de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Já nos casos de IPI e de ICMS, como suas hipóteses de incidência estão associadas à circulação econômica da coisa, o direito de crédito que realiza a não cumulatividade resulta do ingresso desta e, eventualmente, de outras que interagem fisicamente entre si para, transformadas, se submeterem a uma nova incidência na etapa subseqüente da cadeia. É o oportuno trazer à colação a opinião expressada pelo então Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, nos autos do processo nº 13053.000037/200749: “Embora respeite a orientação, partilho de orientação diversa a respeito da abrangência do conceito insculpido no inciso II, do artigo 3o, das Leis no. 10.637/02 e 10.833/03. Observo, em primeiro lugar, que quando da promulgação dos diplomas legais em questão, a Constituição Federal não impunha a não cumulatividade em se tratando das contribuições arrecadadas para a Seguridade Social. Daí não defluia, todavia, estivesse o legislador infraconstitucional impedido de disciplinála no âmbito da contribuição ao PIS e da COFINS. Significava, tão somente, que a adoção e o regramento da técnica permaneciam na esfera de discricionariedade do legislador ordinário. Foi o que possibilitou a implementação, primeiramente no PIS e, depois, na COFINS, de uma não cumulatividade, digamos, “imprópria”. Imprópria por cotejar, de um lado, base de cálculo composta pela totalidade das receitas da pessoa jurídica e, de outro, não admitir senão determinadas deduções, definidas em lista taxativa. Imprópria também porque o direito de crédito garantido não corresponde, sempre e necessariamente, aos valores de PIS e de COFINS efetivamente devidos na incidência anterior. Aliás, dada a especificidade da hipótese de incidência das duas contribuições, é até mesmo inadequado falar, aqui, num sentido convencional de não cumulatividade. É que, enquanto o ICMS e o IPI – impostos em que a técnica encontra máxima aplicação – têm por hipótese de incidência operações sucessivas de uma mesma cadeia produtiva ou mercantil, o PIS e a COFINS gravam fato jurídico, a receita, cuja ocorrência é independente de acontecimentos anteriores ou posteriores. Quem chamou à atenção para a diferença foi Ricardo Mariz de Oliveira: “Realmente, a COFINS e a contribuição ao PIS, que são tributos cujas hipóteses de incidência são a receita ou o faturamento, a rigor sequer têm incidência multifásica, pois são devidos sempre que houver receita (de faturamento ou não), a qual se constitui em um substrato específico e isolado de qualquer outro fenômeno jurídico ou econômico.” Por isso, dirá o autor, “diferentemente de outros tributos, as duas contribuições podem incidir sobre as receitas de sucessivos faturamentos de uma mesma mercadoria, ou sobre as receitas de sucessivas alienações de um mesmo bem imóvel, ou sobre as receitas de sucessivas prestações de serviços para obtenção de Fl. 344DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15868.000421/201098 Acórdão n.º 3302003.355 S3C3T2 Fl. 26 15 um bem imaterial mais completo, ou sobre sucessivas receitas de alugueres mensais de um mesmo bem, e em muitas outras situações. Mesmo neste caso – adverte – as duas contribuições não são juridicamente plurifásicas, eis que tomam por substrato cada fato isolado e de per si, isto é, cada fato de ser auferida uma receita (Aspectos relacionados à “não cumulatividade” da COFINS e da Contribuição ao PIS. PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 27).” No caso concreto, a Fiscalização tomou as informações fornecidas pela Fiscalizada, procedeu a análise considerando os elementos ali contidos, número da nota fiscal, CFOP, a identificação do fornecedor e o insumo, e, confrontou os dados com os documentos fiscais, mesmo tratando de cópias, motivo que levou a solicitar as originais, bem como, o restante dos documentos. Do exame passou a segregar em planilhas distintas, assunto por assunto, glosou os créditos relativos aos documentos inexistentes relacionados nas planilhas fornecidas pelo Contribuinte, assim como, aqueles provenientes das aquisições não contempladas pelos incisos do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. A motivação da glosa restou destacada no roda pé de cada uma das planilhas devidamente justificado o procedimento, acresce dizer que esses demonstrativos foram juntados no processo administrativo de nº 15868.000421/201098, examinado em conjunto e colocado na mesma pauta de julgamento. Os fundamentos da autoridade administrativa para a glosa de sete itens, dos quais o contribuinte tomou crédito, como se extraí da planilhas foram os seguintes: 1) PAGAMENTO DE FRETE A PESSOA FÍSICA; 2) AQUISIÇÃO DE LENHA DE PESSOA FÍSICA POR ESTABELECIMENTO NÃO INDUSTRIAL; 3) AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS, ÁLCOOL e GASOLINA; 4) FRETE ENTRE ESTABELECIMENTO, INDUSTRIAL E COMERCIAL PAGO PESSOA JURÍDICA; 5) AQUISIÇÕES PARA INDUSTRIALIZAÇÃO (CFOP 1101) DE FERTILIZANTE; 6) (AQUISIÇÕES PARA COMERCIALIZAÇÃO – CFOP 1102) REFRIGERANTES E OUTRAS BEBIDAS; 7) (PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – (ISSQN) – CFOP 1933 E 2933); Os motivos das glosas dos itens acima foram assim justificados pela fiscalização: Fl. 345DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 16 Gerais 1) Nas aquisições de combustíveis, verificamos aquisições de álcool e gasolina, que não são utilizados ou consumidos no processo produtivo; 2) Nas aquisições de serviços de transportes por estabelecimento industrial ou comercial, verificamos despesas que não dão direito ao crédito; como por exemplo: Frete entre estabelecimentos do sujeito passivo. As despesas com fretes aqui relacionadas, objeto de glosas, referemse às transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do sujeito passivo. A título de exemplo, inserimos cópia de algumas notas fiscais no processo administrativo fiscal digital. 3) Nas aquisições para comercialização (CFOP 1102), verificamos aquisições de refrigerantes' e bebidas (tributação concentrada); 4) Nas aquisições de serviço tributado pelo ISSQN (CFOP 1933 e 2933), verificamos algumas despesas que não podem ser aceitas; Exemplo: 3.1 compra de carimbos, impressos, consertos de pneus e manutenção de veículo. 5) Nas aquisições, para industrialização (CFOP 1101), verificamos aquisições fertilizantes, que não podem ser considerados insumos; 6) Como confeccionamos planilhas específicas para serviços utilizados como insumos e bens para revenda, efetuamos um resumo no fim de cada mês para demonstrar os valores que serão transferidos para as planilhas específicas. No final as glosas remanescentes serão deduzidas da linha "bens utilizados como insumos". B) Específicos 1) O sujeito passivo foi intimado a apresentar comprovantes de pagamentos efetuados para BRASLEDER COUROS LTDA Foram comprovados os pagamentos de parte dos documentos fiscais apresentados. Para as compras relacionadas na planilha acima para este fornecedor, não foram apresentados comprovantes de pagamentos, embora o sujeito passivo tenha sido intimado e Reintimado a trazer os documentos relacionados na planilha 4 2) As filiais 002302 e 004500 não industrializam nada, somente servem de apoio para as unidades industriais (frigoríficos), portanto, glosamos todas as aquisições que se referem à "compra para industrialização" ou derivadas destas 3) As filiais 002566 e 002990 possuem cnae "criação de bovinos". As compras que não tem este objetivo foram glosadas por esta fiscalização, como "mudas de árvores"; 4) As despesas de transporte da Filial 003619 foram glosadas em razão da não apresentação. de documentos comprobatórios 5) As despesas de transporte da filial 003708 também foram glosadas em razão de não apresentação de documentos. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15868.000421/201098 Acórdão n.º 3302003.355 S3C3T2 Fl. 27 17 6) A Filial 000199 está sediada em São Paulo e funciona como "matriz" da empresa. Não há industrialização nesse estabelecimento 7) Glosamos todas as aquisições efetuadas de Xinguleder Couros, por falta de apresentação de documentos (notas fiscais, comprovantes de pagamentos, etc) 8) Glosamos todas as aquisições efetuadas de: Frinorte, Courotex, Tricon Energy e GIF grupo empresarial, feitas pelo estabelecimento (final 0006 01) Por falta de apresentação de documentos como notas fiscais e/ou comprovantes de pagamentos. , ' 9) Apesar de intimado a apresentar os documentos, o sujeito passivo, para o CNPJ de final 000865 não apresentou documentos para os seguintes fornecedores: a) Transportes Rosano Ltda; b) Xinguleder couros Itda; c) Lívia Laiz Correia Transp. Ltda; d) B Martins & Cia Transp e e) Corotex ind. E com. De couros Desta forma, glosamos TODAS as aquisições que indicavam estes fornecedores para falta de apresentação de documentos Todas as glosas foram devidamente justificadas: 1) AQUISIÇÕES DE PESSOA FÍSICA. O contribuinte apurou créditos sobre serviços de frete pagos as pessoas físicas, as quais não dão direito a crédito, conforme vedação expressa no art. 3º, § 3º, da Lei nº 10.637/2002. A fiscalização relacionou as notas fiscais de pessoa física e os valores glosados. 2) TRANSFERÊNCIA DE BENS ENTRE ESTABELECIMENTOS. A fiscalização alegou que o contribuinte tomou créditos sobre operações de transferência de bens entre estabelecimentos. Essas operações encontram classificadas nos CFOP (Transferência para comercialização). A fiscalização entende que os créditos originamse de aquisições. Na transferência entre estabelecimentos não existe aquisição, apenas mera movimentação de mercadorias entre estabelecimentos da pessoa jurídica. A fiscalização relacionou todas as notas com CFOP, e quantificou a glosa no montante descrito em cada mês. Constatase dos autos que o contribuinte foi passo a passo instado a justificar a tomada dos créditos relativos aos itens transcritos acima e trazer como prova os documentos haveis e idonês, o que não fez. Esse é o motivo principal das glosas das pessoas jurídica, cuja documentação foi parcialmente apresentada, mesmo intimada para tanto não o fez, bem como, deixou de juntar com a impugnação. Intimado a comprovar o pagamento efetuado para a empresa BRASLEDER COUROS LTDA., não conseguiu êxito. Nenhuma das glosas foi combatida diretamente pela Recorrente, especificamente aquelas referentes às filiais 002302 e 04500, justificada pela Autoridade Fiscal ao fundamento de que essas unidades não são produtoras, servem apenas como apoio para as unidades industriais, por essa razão todas as aquisições de “compra para industrialização” incluída na base de cálculo foram afastadas, consequentemente, reduzindo o crédito a ser tomado, não há uma linha contradizendo a tomada de decisão pela fiscalização. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 18 Destacase as glosas efetivadas em relação ao filiais 002566 e 002990 possuem cnae "criação de bovinos". Afirma a fiscalização que todas as compras que não tem este objetivo foram glosadas por esta fiscalização, como "mudas de arvores. Certo a Autoridade Autuante, pois atividade básica é criação de bovino, sendo assim, não justifica a tomada de crédito sobre esse tipo de aquisição. Os custos de frete praticados pela filial 003619 foram glosados em virtude da não apresentação de documentos comprobatórios, o mesmo aconteceu com a filial 003708. Também não apresentou qualquer resistência às glosas praticadas por falta de documentação em relação às aquisições efetuadas com as empresas Xinguleder Couros Ltda., Frinorte, Corutex Indústria e Comércio de Couros, Tricon Energy e GIF, Transportes Rosano Ltda., Lívia Laíz Corrêa Transporte Ltda.; Martins & Cia Transporte Sendo assim, após a recomposição das bases de cálculo dos créditos, a fiscalização chegou à conclusão de que o contribuinte não faz jus ao ressarcimento pleiteado, notificação pessoal do despacho de não homologação de compensação. A irresignação generalizada do modo desses autos é inaceitável, deve ser apontado o desacerto cometido pelo agente fiscal. O critério adotado na apuração dos créditos está correto, constatado inexistência de previsão legal e ausência de documentos capaz de comprovar, impõe a glosa, nesse sentido andou bem a fiscalização e a decisão de piso em manter a decisão do despacho decisório. A discordância deve vir acompanhada de prova capaz de convencer o julgador que a determinação do quanto que serviu de base estava distorcido da realidade dos fatos, portanto, cabia somente ao Interessado realizar essa demonstração mediante documentos idôneos. Ao deixar de contrariar apuração realizada pelo Fisco, perdeu oportunidade de fazer prova contrária capaz de mudar o curso da decisão hostilizada. O que deve ficar certo é de que o direito de tomar crédito foi acatado, sendo assim, não procede à alegação do contribuinte de que a glosa significa o mesmo de que afirmar que não houve as aquisições está distorcendo a verdade material, por essa razão não justifica a pedida perícia e tampouco de diligência para averiguar a documentação não apresentada no momento oportuno. Em sede de ressarcimento, não há dúvida de que ônus probante é do Interessado. Constatase de todo o inconformismo trazido, tanto em sede de impugnação, quanto recursal, o tema foi tratado pelo contribuinte de modo genérico, de modo que, restou para serem examinados os temas acima anotados. De outro lado, a fiscalização, cuidadosamente, detalha em sua planilha todos os itens glosados, mencionando o número da nota fiscal, CFOP e em boa parte descreve detalhe, permitindo o contribuinte impugnar e demonstrar o desacerto da fiscalização. O “Termo de Verificação Fiscal” e minucioso e esclarecedor, assim poucos se vêem, descrevem toda a metodologia e aponta a causa a justificar a glosa procedida. Todas as glosas procedidas restaram devidamente motivadas. Em sede de Manifestação de Inconformidade, o Interessado nada ancorou aos autos no sentido de refutá las, limitandose às alegações quanto ao direito, o que se repetiu no recurso voluntário. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15868.000421/201098 Acórdão n.º 3302003.355 S3C3T2 Fl. 28 19 Assim, o descontentamento explanado pela Recorrente não encontra eco capaz de modificar o julgamento de piso, que deve ser mantido pelos seus próprios fundamentos. Assim, tenho que não merece reparo o julgado de piso. Diante do exposto conheço do recurso e nego provimento. Domingos de Sá Filho Fl. 349DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 17546.001328/2007-63
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/01/2002
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. TERMO INICIAL.
Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Súmula CARF nº 101).
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212, DE 1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP Nº 449, DE 2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/01/2002 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. TERMO INICIAL. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Súmula CARF nº 101). APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212, DE 1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP Nº 449, DE 2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 13 28 /2 00 7- 63 Fl. 200DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (Relatório Fiscal de fls. 31/32), referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, às contribuições destinadas a terceiros e às contribuições pagas a título de Pro Labore, verificadas nas folhas de pagamento, termos de rescisão de contrato de trabalho, recibos de férias e RAIS, relativas ao período de 07/1998 a 01/2002 e GFIP's. A ciência do lançamento ocorreu em 12/09/2005 (fls. 36). Em sessão plenária de 14/08/2012, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 280301.746 (fls. 479 a 484), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/01/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. APURAÇÃO DEVIDA, COM BASE EM DOCUMENTOS FORNECIDOS E DECLARAÇÕES REALIZADAS PELO CONTRIBUINTE; Fulcro nos artigos 32, §2º, e 33, da Lei n. 8.212/1991, a NFLD foi lavrada considerando os próprios livros, declarações, e demais documentos do contribuinte, demonstrandose corretamente as bases legais e fáticas do crédito apurado, obedecendo o art. 142 do CTN. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E CONCOMITÂNCIA DE APRECIAÇÃO COM O PODER JUDICIÁRIO. NÃO APRECIADA PELO CARF. ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 17546.001328/200763 Acórdão n.º 9202005.108 CSRFT2 Fl. 200 3 O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Bem como, nos casos de concomitância de apreciação com o Poder Judiciário. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindose a multa moratória, ex oficio, desde que mais favorável ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para: a) declarar a extinção dos créditos tributários constituídos com base em fatos geradores ocorridos anteriormente à 01.01.2000, em razão da ocorrência de decadência; b) aplicar a multa moratória sobre os créditos constituídos em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo, não devendo ser realizada qualquer comparação conjunta com as sanções dos arts. 32A e art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela MP n. 449/2008 ou pela Lei n. 11.941/2009." O processo foi encaminhado à PGFN em 13/12/2012 (fls. 122), considerandose a intimação presumida em 12/01/2013. Em 11/01/2013 (fls. 123), a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. 124 a 145, visando rediscutir as seguintes matérias: termo inicial do prazo decadencial, quando aplicável o art. 173, I, do CTN (competência 12/1999); e aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Fl. 202DF CARF MF 4 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 106/2013, de 19/03/2013 (fls. 16 a 21). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega em síntese: quanto à decadência, que o termo inicial do prazo decadencial, quando aplicável o art. 173, I, do CTN, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, de sorte que a competência 12/1999 não teria sido alcançada pela decadência; no que tange à multa, ao invés de aplicarse o art. 35, caput da Lei nº 8.212, de 1991 (na atual redação conferida pela Lei n° 11.941, de 2009), que seja aplicado o art. 35A, da mesma lei, se mais benéfico ao Contribuinte. A empresa autuada não foi localizada (fls. 180 a 185), sendo declarada inapta, conforme o Ato Declaratório Executivo DRF/OSA nº 37, de 13/09/2013 (DOU de 17/09/2013), às fls. 186. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O apelo visa rediscutir as seguintes matérias: decadência; e aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Tratase de NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (Relatório Fiscal de fls. 31/32), referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, às contribuições destinadas a terceiros e às contribuições pagas a título de Pro Labore, verificadas nas folhas de pagamento, termos de rescisão de contrato de trabalho, recibos de férias e RAIS, relativas ao período de 07/1998 a 01/2002 e GFIP's. A ciência do lançamento ocorreu em 12/09/2005 (fls. 36). Quanto à decadência, no acórdão recorrido aplicouse o art. 173, I, do CTN, considerandose como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte ao fato gerador, considerando decaídos os períodos anteriores a 01/2000. A Fazenda Nacional, por sua vez, defende que o termo inicial do prazo decadencial, quando aplicável o art. 173, I, do CTN, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, de sorte que a competência 12/1999 não teria sido alcançada pela decadência. A matéria já se encontra pacificada no CARF, com a edição da Súmula CARF Nº 101, aprovada em 08/12/2014: Fl. 203DF CARF MF Processo nº 17546.001328/200763 Acórdão n.º 9202005.108 CSRFT2 Fl. 201 5 “Súmula CARF nº 101 : Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” Assim, considerandose que a Contribuinte foi cientificada do Auto de Infração em 12/09/2005 (fls. 36), e que os fatos geradores ora tratados ocorreram no período de 07/1998 a 01/2002, aplicandose o art. 173, I, do CTN, concluise que a decadência operouse somente até o período de 11/1999, inclusive, de sorte que o recurso deve ser provido. Quanto à multa aplicada, a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n 9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 204DF CARF MF 6 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdão nº 9202004.499, de 29/09/2016: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição Fl. 205DF CARF MF Processo nº 17546.001328/200763 Acórdão n.º 9202005.108 CSRFT2 Fl. 202 7 devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 206DF CARF MF 8 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão Fl. 207DF CARF MF Processo nº 17546.001328/200763 Acórdão n.º 9202005.108 CSRFT2 Fl. 203 9 deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 208DF CARF MF 10 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4ºO valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 17546.001328/200763 Acórdão n.º 9202005.108 CSRFT2 Fl. 204 11 Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, afastando a decadência relativamente à competência 12/1999 e determinando que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 210DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915954/2008-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2000
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2000 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 54 /2 00 8- 70 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915954/200870 Acórdão n.º 9303003.979 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801003.862, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 245DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915954/200870 Acórdão n.º 9303003.979 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915954/200870 Acórdão n.º 9303003.979 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915954/200870 Acórdão n.º 9303003.979 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915954/200870 Acórdão n.º 9303003.979 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915954/200870 Acórdão n.º 9303003.979 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915954/200870 Acórdão n.º 9303003.979 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10768.033530/94-51
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI
Período de apuração: 15/05/1993 a 31/05/1994
RENÚNCIA A VIA ADMINISTRATIVA. EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO. 1NOCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. APRECIAÇÃO.
POSSIBILIDADE — O exercício exclusivo da função jurisdicional do Estado através do Poder Judiciário impede que uma mesma questão seja discutida, simultaneamente, na via administrativa e na via judicial. O ingresso na via judicial para discutir determinada matéria implica abrir mão de fazê-lo pela via administrativa. 0 fundamento para o não conhecimento da matéria na instância
administrativa consiste em obstaculizar a ocorrência de conflitos entre as decisões, o não ocorre quando o processo judicial tenha sido julgado extinto sem
apreciação de mérito, por não possibilitar decisões conflitantes.
IPI. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA
MESMA EMPRESA. Reconhecidos não s6 a legitimidade dos créditos como direito de sua transferência para estabelecimento com o qual a empresa mantenha relação de interdependência, conforme previsto no Decreto n° 64.833/69. 0 Parecer JCF n° 08/92 da Consultoria-Geral da República, aprovado pelo Presidente da República, reconheceu o direito das empresas consulentes ao crédito gerado por vendas ao exterior, efetuadas diretamente ou
através de comercial exportadora, de produtos fabricados por empresa titular de Programa Especial de Exportação aprovado pela Comissão Befiex, detentora da cláusula de garantia na forma do estatuído no artigo 16 do Decreto-Lei no 1.219/72. 0 artigo 9° do Decreto-Lei no 1.219/72, ao fazer menção possibilidade de transferência dos valores provenientes do Decreto-Lei n°
491/69 a outras empresas participantes do mesmo programa, não atuou com intuito restritivo, mas, ao revés, teve por fim outorgar novas opções de utilizações dos créditos excedentes.
Recurso Especial parcialmente conhecido e provido da nessa parte
Numero da decisão: CSRF/02-03.690
Decisão: Acordam os membros do Colegiado: 1) por unanimidade de votos. em não conhecer do recurso especial, quanto a matéria que já foi objeto de agravo e rejeitada em matéria de expediente "correção monetária dos créditos"; 2) por maioria de votos, cm rejeitar a
preliminar de concomitância corn ação judicial suscitada pelo Conselheiro Relator, vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Julio Cesar Vieira Gomes, Elias Sampaio
Freire, Gileno Gurjdo Barreto e Antonio Praga e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, na parte conhecida, vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres
(Relator), que negava provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor Conselheiro Antonio Praga.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-12-28T20:16:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 5; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-12-28T20:16:24Z; Last-Modified: 2011-12-28T20:16:24Z; dcterms:modified: 2011-12-28T20:16:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:eb3d4343-a504-4590-9abb-c4dc9dcce6f3; Last-Save-Date: 2011-12-28T20:16:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-12-28T20:16:24Z; meta:save-date: 2011-12-28T20:16:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-12-28T20:16:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-12-28T20:16:24Z; created: 2011-12-28T20:16:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; Creation-Date: 2011-12-28T20:16:24Z; pdf:charsPerPage: 2315; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-12-28T20:16:24Z | Conteúdo => C SIt11" 1 '02 l'Is. 989 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA TURMA Processo n" 10768.033530/94-51 Recurso n° 201-099.066 Especial do Contribuinte Matéria IPI Glosa de crédito-prêmio - transferencia de créditos entre estabelecimentos Acórdão n" 02 -03.690 Sessão de 26 de novembro de 2008 Recorrente PNEUMATICOS MICHELIN LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 15/05/1993 a 31/05/1994 RENÚNCIA A VIA ADMINISTRATIVA. EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO. INOCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. APRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE —O exercício exclusivo da função jurisdicional do Estado através do Poder Judiciário impede que uma mesma questão seja discutida, simultaneamente, na via administrativa e na via judicial. 0 ingresso na via judicial para discutir determinada matéria implica abrir mão de fazê-lo pela via administrativa. 0 fundamento para o não conhecimento da matéria na instancia administrativa consiste em obstaculizar a ocorrência de conflitos entre as decisões, o não ocorre quando o processo judicial tenha sido julgado extinto sem apreciação de mérito, por não possibilitar decisões conflitantes. 'PI. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Reconhecidos não só a legitimidade dos créditos como o direito de sua transferência para estabelecimento corn o qual a empresa mantenha relação de interdependência, conforme previsto no Decreto n° 64.833/69. 0 Parecer JCF n° 08/92 da Consultoria-Geral da República, aprovado pelo Presidente da República, reconheceu o direito das empresas consulentes ao crédito gerado por vendas ao exterior, efetuadas diretamente ou através de comercial exportadora, de produtos fabricados por empresa titular de Programa Especial de Exportação aprovado pela Comissão Beflex, detentora da cláusula de garantia na forma do estatuido no artigo 16 do Decreto-Lei no 1.219/72. 0 artigo 9 0 do Decreto-Lei no 1.219/72, ao fazer menção possibilidade de transferência dos valores provenientes do Decreto-Lei n° 491/69 a outras empresas participantes do mesmo programa, não atuou com intuito restritivo, mas, ao revés, teve por fim outorgar novas opções de utilizações dos créditos excedentes. Recurso Especial parcialmente conhecido e provido da nessa parte Processo n' 10768.033530/94-51 Acórdão n." 02 -03.690 CS RF/T02 Ms. 990 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, quanto a matéria que já foi objeto de agravo e rejeitada em matéria de expediente "correção monetária dos créditos"; 2) por maioria de votos, em rejeitar preliminar de concomitância com ação judicial suscitada pelo Conselheiro Relator, vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Julio Cesar Vieira Gomes, Elias Sampaio Freire, Gileno Gurjão Barreto e Antonio Praga e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, na parte conhecida, vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres (Relator), que negava provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Praga. 8"---- Antonio Jg, é Praga de Souza — Presidente e Redator Designado. Henrique Pinheiro Torres - jxelatoi" Editado em 25/02/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Praga, Antonio Carlos Guidoni Filho, Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Gurjdo Barreto, 1 lenrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez López, Antonio Carlos Atulim, Leonardo Siade Manzan, Júlio César Vieira Gomes, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Manoel Coelho Arruda Junior e Antonio Lisboa Cardoso. Relatório Em 21/12/1994, foi lavrado auto de infração contra o sujeito passivo sob alegação de ter esse se creditado indevidamente do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI transferido de sua matriz e do estabelecimento 008 - Campo Grande. Sendo apresentados no auto de infração os seguintes fatos motivadores: - o estabelecimento Matriz da empresa Pneumáticos Michelin Ltda, julgando- se corn direito ao ressarcimento de créditos de IPI/Befiex do qual era beneficiário, ajuizou em 21/06/93 junto 6. Sétima Varal Federal um Mandado de Segurança Preventivo corn pedido de liminar. Visava a não ser compelido a estornar o crédito-prêmio de IPI não recebido em espécie, permitindo-lhe assim a compensação com o IPI devido em relação às suas operações internas; 2 Processo n 10768.033530/94-51 Acórdao n." 02-03.690 CSR l'f1 .02 l'Is. 991 - a liminar concedida em 29/06/93 proibiu a Receita Federal de ordenar qualquer estorno relativo ao crédito prêmio de IPI. Em 22/06/94 foi denegada a segurança e cassada a liminar; - antes, porém, do julgamento do mérito, a Matriz da Michelin, que por não ser contribuinte do imposto não utilizava livros fiscais corn lançamento de WI, vinha transferindo contabilmente os créditos-prêmios para o estabelecimento fabril de Campo Grande, RJ, que é contribuinte do imposto, e esse o repassava para outros estabelecimentos industriais da empresa; - denegada a segurança, os estabelecimentos da Michelin não estornaram esses registros contabeis/fiscais, o que motivou a lavratura de autos de infração em cada um dos estabelecimento beneficiados com a transferência de crédito-prêmio de IPI. 0 auto de infração fundamentou-se no seguinte enquadramento legal: art. 107, II, c/c 112, IV; 56; 57, III e 59; todos do RIPI aprovado pelo Decreto 87.981/82. Em 01/06/1995, o sujeito passivo apresentou impugnação, fls. 236/244, contestando o feito fiscal e requerendo por seu cancelamento. Argumentou em defesa de seu entendimento que: - a MATRIZ passou a fazer jus ao crédito-prêmio de IPI a partir de 16.05.1978, data na qual a Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação — BEFIEX aprovou o Programa Especial de Exportação - PEEX da contribuinte; - à MATRIZ foi então assegurada a fruição do crédito-prêmio de WI segundo as condições legais vigentes em 16.05.1978; - a efetivação do crédito-prêmio de IPI ocorria mediante sua utilização direta para compensar WI devido em operações internas (art. 1 do Decreto-Lei n° 491/69), podendo o respectivo saldo ser transferido para estabelecimentos industriais ou equiparados da empresa beneficiaria (Decreto n° 64.833/69, art. 3°, §§ 1° e 2°, alínea b), item I); - as transferências do crédito-prêmio ao impugnante, feitas pelo estabelecimento industrial principal da MATRIZ, onde centralizado o registro fiscal do crédito- prêmio de IPI, forma objeto de prévia comunicação da MATRIZ à Delegacia da Receita Federal (Decreto n° 64.833/69, art. 3°, §2°, alínea b) e , ainda, acobertadas por notas fiscais do referido estabelecimento industrial transmitente (RIPI/82, art. 236, XIII), somente na hipótese de a MATRIZ não ter cumprido o PEEX seria procedente a exigência do auto; - o Programa de Exportação foi fielmente cumprido, não existindo, inclusive, qualquer questionamento da fiscalização nesse sentido. Sobre esse ultimo ponto, continua a contribuinte, fl. 244: "2.15 Em nenhum moment(' o auto question(' a cumprimento do PEEX- logo, não poderia exigir o IPI que deixou de ser pago pelo hnpugncinte, ante ter sido a este transferido O crédito-prénzio de IPI a que a MATRIZ teve direito a partir de 16.05.1978 (data da celebração do PEEX). Qualquer 3 Process() n" 10768.033530/94-51 Acórdão n." 02-03.690 CSIL171'02 1 , 1s. 992 exigência nesse sentido obrigaria a que a .fiscalização antes provasse que a MATRIZ teria descumpricio o PEEX, por só a ela competir tcd prova, nos expresso termos da declaração firmada pelas autoridades cio BEFIEX" A Delegacia da Receia Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, instada pela peça impugnatória, fls. 461/468, ergueu a própria convicção do seguinte encadeamento de razões: - apesar dos atos legais que embasavam as concessões dos PEEX terem sido paulatinamente revogados, a legislação revogada continuou a regular os contratos firmados sob sua égide, em respeito ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito. Assim, as regras e as condições para a utilização do beneficio do crédito-prêmio acham-se no próprio Termo dc Aprovação e na legislação pertinente que vigorava a época; - essa legislação amparava as transferências dos créditos-prêmios. a que a matriz fizesse jus, através de exportações por ela efetuadas. Trata-se do D.L. 491/69 e do Decreto n° 64.833/69, além do próprio Termo de Aprovação. Dessa forma, a efetivação do crédito-prêmio se dava mediante sua utilização direta para compensar o IPI devido ern operações internas (§ 10 do art. 1° do Decreto Lei n° 491/69), podendo o respectivo saldo ser transferido para estabelecimentos industriais ou equiparados da empresa beneficiária (Decreto n°64.833/69, art. 3°, §§ 1° e 2°, alínea b, item I); - após o término do PEEX, na hipótese de não cumprimento de todos os compromissos contratados dentro do prazo, a Unido exigiria os impostos que deixaram de ser pagos em razão do aproveitamento dos benefícios e incentivos fiscais, dentre os quais, o crédito-prêmio (cláusula dezessete); - ocorre, contudo, que o Termo de Aprovação, além da já mencionada cláusula de garantia de gozo dos benefícios lá arrolados, continha, por outro lado, em sua cláusula dezoito, prazo para utilização dos mesmos, sendo que no caso do crédito-prémio, o término deste prazo coincidia com o termo final do programa, que era de 13 (treze) anos a contar da data de 22 de dezembro de 1978. - como os créditos foram transferidos a partir da segunda quinzena de maio de 1.993, foi correta a atuação, pois descabia a utilização do crédito-prêmio após o termo final do Programa, por falta de amparo legal; A Delegacia da Receia Federal de Julgamento no Rio de Janeiro decidiu. portanto, reconhecer procedente o lançamento realizado. Externado essa concepção por meio da Decisão DRJ/RJ/SEPIN/N° 07/96, sintetizada na seguinte ementa: "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS CRÉDITO COMO INCENTIVO À EXPORTAÇÃO — Crédito cie IPI decorrente do D. L. n° 491/69 e da participação da empresa eni Programa Especial de Exportação (PEE. Descabe a utilização dos benefícios gerados pelo PEEX após o vencimento do prazo fixado pelo Termo de Aprovação de Programa Especial de Expor/ação.. 4 Processo n 10768.033530/94-51 AcÓrchlo n.° 02-03.690 CSILIY1'02 Fls. 993 LANÇAMENTO PROCEDENTE." A Decisão monocrática trouxe ainda a foco que o feito encerrou-se na falta de amparo legal para as transferências, sobrestando a verificação do cumprimento de todo o Programa e a con fi rmação da origem dos créditos-prêmio. Dessa decisão insurge-se o contribuinte, apresentando em 27/03/1996 RECURSO VOLUNTÁRIO, fls. 477/490, no qual defendeu ser inaplicável a cláusula dezoito do PEEX, visto que não se poderia limitar a fruição de um direito que foi obstaculizado pela própria parte que se beneficia da existência do obstáculo criado. A contribuinte afirmou literalmente que: - inobstante o PEEX da MATRIZ ser anterior ao Decreto-Lei (DL) no 1.722, de 03.12.1979, e as Portarias MF nos 89, de 08.04.1981, e 292, de 17.12.1981, as autoridades governamentais vedaram à MATRIZ a utilização do crédito-prêmio de IPI para compensar o IPI devido em operações internas e the impuseram a única forma de utilização do crédito- prêmio de IPI prevista nos referidos atos normativos, qual seja, a de seu pagamento em espécie; - apesar da interrupção do pagamento em dinheiro do credito-prêmio de IPI a partir de 15.03.1990, bem como de todos os esforços envidados pela MATRIZ a partir de então, também relatados na seção 2. infra, autoridades governamentais continuaram impedindo a MATRIZ de utilizar, até 22.12.1991 (termo final do PEEX), o crédito-prêmio de IPI sob a forma de "compensação" do IPI devido nas operações realizadas internamente pelos seus estabelecimentos industriais ou equiparados, inosbtante a singularidade de sua situação. fl. 538, o sujeito passivo apresenta pedido, deterido, de juntada de substabelecimento de procuração. Ás fls. 540/553 requerimento, deferido, de juntada aos autos de copias das fotos das fábricas de Campo Grande—R.1 e Resende—RJ, por ela construídas como parte dos compromissos que celebrou com a Unido. fl. 554, em cumprimento ao disposto no § 2° do art. 39 do Regimento Interno do Segundo Conselho de Contribuintes, a Presidente da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes intimou o Procurador-Representante da Fazenda a tomar ciência dos documentos às fls. 540/553. A fl. 557, a Fazenda Nacional requereu, no que foi atendida, que os autos deste processo fossem devolvidos à repartição de origem, para que um dos procuradores da Procuradoria Estadual ou Seccional da respectiva jurisdição fiscal do sujeito passivo, apresente as contra - razões ao recurso interposto. As fls. 559/562, em observância ao disposto no art. 1° da Portaria MF n° 260/95, o Procurador da Fazenda Nacional apresentou suas CONTRA-RAZOES, manifestando pela manutenção integral da decisão recorrida. Argumentou a Fazenda que: - as afirmações aduzidas pela contribuinte constituem tentativa de desviar os julgadores da verdade apresentada pelos autos; Processo IV 10768.033530/94-51 AcórdAo n." 02 -03.690 CSRF/T02 l'Is. 994 - as razões apresentadas pela contribuinte limitaram-se a invocar prejuízos sofridos corn o advento do Decreto-Lei n° 1.722, de 03 de dezembro de 1979 e das Portarias MF "Vs 89, de 08 de abril de 1981 e 292, de 17 de dezembro de 1981, por meio das quais adotou-se o sistema de pagamento em espécie, substituindo ao sistema de compensação relativamente ao crédito — prêmio do 1PI; - os prejuízos alegados não guardam qualquer espécie de relação com o direito creditório contra a União aqui tratado, não cabendo a este processo abrigar discussões dessa natureza; - a recorrente incorreu em violação de contrato, especificamente cláusula dezoito, e portanto deve ser mantida a decisão de primeira instancia. As fls. 563/622, a contribuinte requereu juntada aos autos de documentação comprobatória da realização das exportações atinentes ao Programa Especial de Exportação. .À fl. 624, em solicitação à Presidenta da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, a Fazenda Nacional requereu, e lhe foi deferido, que os autos fossem baixados em diligência à repartição de origem, afim de que se manifeste sobre a apresentação dos documentos de fls. 565/622. As fls. 642/646, a Divisão de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal/RJ/CENO apresentou INFORMAÇÃO FISCAL sobre os documentos às fls. 565/622. Cumpre ressaltar que a Informação Fiscal propôs a devolução do presente processo ao Segundo Conselho para que esse julgue quanto à legalidade das transferências de crédito, sem a necessidade de diligência prévia. Em sessão plenária de 08 de junho de 1999, os membros da Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, acordaram, pelo voto de qualidade, cm negar provimento ao recurso. Deliberando por meio do Acórdão le 201-72.834, fls. 656/697, assim ementado: "IPI — CRÉDITO PRÉMIO - PROGRAMA BEFIEX - TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO PARA OUTRAS EMPRESAS — A ação de ressarcimento de créditos prêmios relativos ao JPI prescreve em cinco anos (Decreto-Lei 20.910/32) aplicando se lhe, no que couber, os princípios relativos à repetição do indébito tributário. A decisão definitiva pant *it() de fixação elo termo inicial da incidência de juros é aquela proferida em processo judicial. A Lei sci permite a utilização do beneficio até o prazo c/c 3 anas a partir da exportação geradora da quota, não ensejando, para o impretendido, que se considere ct exportação como 11177 conjunto de operações realizadas sob amparo do programa — (art. 3°, parágrafo 5° do Decreto-Lei le 1219/72. 0 crédito prêmio ã exportação de mcmufaturadas pelos fabricantes-exportadores comprometidos coin a execução de Programas Especiais de Exportação BEFIEX — (PEEX) tem fato gerador a compra vender mercamil aj model com o importador estrangeiro e se Ionia exigível, quando da efetiva exportação da mercadorki. Em face das disposições do Decreto- Lei le 491, c/c 1969 e do Decreto-Lei n° 1.219, de 1972, a garantia de manutenção do crédito prêmio alcwiça negócios de 6 Processo n 0768.033530194-51 Aeónho n." 02-03.690 CSRF/1•02 1 , 1s. 995 compra e venda mercantil ajustados até a data consignada mio respectivo Termo de Garantia, desde que as correspondentes exportações ocorram efetivamente nos prazos avençadas, contidos estes no período de execução do respectivo PEEX CORREÇÃO MONETÁRIA — Saldo credor originário de créditos acumulados não escriturados. Impossibilidade sem previsão legal. Precedentes do STF e STI. Recurso negado." Cientificado em 09.03.2000 da decisão imediatamente acima, 11. 698. o sujeito passivo apresentou EMBARGO DE DECLARAÇÃO ao citado Acórdão, fls. 700/714. Alegando existir omissão, dúvida e contradição, respaldou-se no art. 27, §1° do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes. Em Despacho às fls. 728/736, o Presidente da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, após manifestação do relator designado, fl. 728, rejeitou os embargos declaratórios apresentados. A rejeição foi fundamentada no entendimento de não ser embargo o meio processual próprio para o reexame de controvérsias quanto ao mérito das matérias já tratadas. Em 13/03/2002, o sujeito passivo apresentou RECURSO ESPECIAL, fls. 748/775, trazendo como paradigmas os Acórdãos nos 202-11.763 e 202-11.764, que em seu entender, examinaram matéria idêntica e deliberaram favoravelmente à contribuinte. Pelo Despacho n° 201-573, fls. 862/865, a Presidenta da Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes admitiu parcialmente o RECURSO ESPECIAL do sujeito passivo, quanto â. existência ou não de previsão legal que autorize a emissão de notas fiscais para transferência de créditos-prêmio de IPI, bem como da escrituração dos mesmos pelos estabelecimentos filiais destinatários, após vigência do termo final do respectivo PEEX. As fls. 867/870, o Procurador da Fazenda Nacional, em cumprimento ao disposto no §1° do art. 34 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, ofereceu CONTRA-RAZOES ao recurso especial. A Fazenda defendeu a perfeição do julgado de primeira instância e apoiou o próprio entender com apresentação da Decisão Supremo Tribunal Federal proferida quando do julgamento do RE N" 208234, em 16/04/2001, tendo por relator o Ministro Mauricio Corrêa; e por meio do Acórdão n° 203-03.996, da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Cientificada do Acórdão, do recurso especial interposto e do despacho que lhe deu seguimento parcial, a Fazenda Nacional apresentou contra-razões ao recurso, (ls. 867, advogando que a matéria está pacificada inclusive no Supremo Tribunal Federal e transcreve o acórdão proferido no RE n° 208.234, de 16/04/2001. Iniciado o julgamento, este Colegiado, por meio da Resolução 11° CSRF/02- 00.017, fls. 881, determinou a baixa dos autos ern diligência para que se respondessem a três quesitos: a) se os investimentos pactuados na cláusula vinte do TERMO DE APROVAÇÃO DE PROGRAMA ESPECIAL DE EXPORTAÇÃO foram comprovadamente realizados; 7 Process() n" 10768.033530/94-51 Acórchio n." 02-03.690 CSItlY1 .02 Fls. 996 b) se os créditos-prêmio transferidos para a recorrente decorreram de exportações realizadas ao abrigo do Programa Especial de Exportação em tela e que foram efetivadas até a data do encerramento de seu prazo de execução (22/12/91); c) se os créditos-prêmio foram transferidos pelo seu valor original ou sofreram correção monetária, caso positivo, esclarecer o procedimento adotado e indices empregados." Determinou-se, ainda, que o órgão local: - Elaborasse quadro demonstrativo comparativo entre os indices de correção monetária utilizados pela autuada e os indices oficiais da Secretaria da Receita Federal. indicando as diferenças encontradas devidamente totalizadas. Informasse sobre o destino dos pedidos de restituição que a empresa formulou a partir de março de 1991, que alega não ter recebido em espécie, e o fundamento da decisão que lhe negou a restituição. 0 resultado da diligência consta da Informação Fiscal de fls. 959/961. Em síntese: - os investimentos pactuados na cláusula vinte cio TERMO DE APROVAÇÃO DE PROGRAMA ESPECIAL DE EXPOR TAÇA superaram O montante contratado de USS141,700,000.00 (cento e quarenta e um milhões e setecentos mil dólares), conforme planilha e documentos comprobatórios anexados; - Os valores originais dos créditos-prémio transferidas para os estabelecimentos filiais autuados, recorrentes, decorreram de exporta0es realizadas ao abrigo do Programa Especial de Exportação sob exame e até a data do encerramento do seu prazo de execução (22/12/1991); (grifo do original) - os valores totals transferidos para os estabelecimentos filiais autuados, recorrentes, resultaram do somatório dos referidos valores originais e da con-eção monetária a eles aplicada, sent que das transferências efetuadas ienha resultado, em nenhum momenta qualquer saldo credor nas respectivas contas contábeis; (grifo do original) - os critérios' adotados pelo estabelecimento matriz da contribuinte para proceder à correção monetária dos créditos-prémio foram, efetivamente, aqueles descritos e mencionados pela contribuinte em sua correspondência datada de 18/11/2004 que se prestou para nos encaminhar, também, as planilhas de cálculo impressas e em arquivo eletrônico; - a diferença entre os critérios de atualização monetária utilizados pela contribuinte e aqueles utilizados pela Secretaria da Receita Federal ,são os diversos expurgos inflacionários determinados pelo Governo Federal, dai ser tarefa impossível de ser executada a determinução de se totalizar diferenças encontradas, porque cada ulna cias diferenças influencia diretamente cis outras, que, por sua vez, htfluencict outra, que, por sua vez, influenciam também os indices oficiais, de fi)rma que seriam infinhas as possibilidade de cruzamento emre si das &versus diferenças. - quanto à solicitação de apuração do destino dos pedidos de restiluição firmulados pela contribuinte a partir de 171C11^0 de 1991, não nos é possível chegar a qualquer conclusão, pois é faro notório que o Bal7C0 cio Brasil S/A 171117CCI efehtou qualquer controle sobre eles, limitando-se a ser um mero pagador contribuintes clos valores determinados pelo Poder Executivo, que, por sua vez, também não possui Processo n" 10768.033530/94-51 Acórdão n." 02 -03.690 C'SRI:f1•02 1:k. 997 qualquer controle por nós conhecido sobre os valores pagos, 111100 117e170S sobre os não pagos. - en .face desta total impossibilidade, tivemos que Milizar um critério inverso, ou seja, apurar, mediante exame da contabilidade da contribuinte e dos extra/os' do Banco do Brasil S/A, se os valores a que se referent os processos em epígrafe já haviam sido efetivamente recebidos e, portanto, encontravam-se contaminados pot. inaceitável bis in idem, podendo-se afirmar, coin base neste critério, que os valores contabilizados como não recebidos efetivamente não foram creditados na conic, corrente que a contribuinte sempre manteve no Banco do Brasil S/A. A seguir o Fisco passou a responder aos quesitos du diligência, nos seguintes termos, taillbé171 de forma resumida: a) se os investimentos pucluados na clausula 20 do Termo de Aprovação de Programa Especial de Exportação foram comprovadamente realizados: • a Secretaria da Receita Federal não dispõe desse tipo de infOrmuc,:ão, já que controle dos investimentos pactuados competia a Comissão de Acompanhamento dos Programas BEF1EX, à época subordinada ao MICT: • porém, tudo indica que não o foram, conforme se deduz du corre,yondência de 13.12.91, na qual Michelin informava que não poderia cumprir OS seus compromissos de investimentos antes do termo final do PEEX, ocorrido em 22.12.91; b) se os créditos-prêmio transferidos pant a Recorrente decorreram de exportações realizadas ao abrigo do Programa Especial de Exportação em tela e que fbram efetivadas até a data do encerramento de seu prazo de execução (22.12.91): • acreditando-se 17CIS listagens extemporaneamente anexadas pela contribuinte processo congênere relativo ao estctbelecimento de Barueri, SP, e inferindo-se que cis claim constantes da la cohma correspondam As claim de embarque da mercadoria, verifica-se que a maior parte realizou-se ohé ci data do encerramento do prazo de execução do programa; • contudo, algumas dessas &this referem-se ao ono de 1992, o que pode indicar embarques fora do prazo; • não ficou claro se as DCE (Declaração de Crédito à Exportação), a que correspondem os valores constantes da coluna DCE dessas' listagens, finwn protocolizadas no órgão competente que autorizava os pagamentos; • se o foram e o pagamento não foi liberado, pode-se tratar de exportações não amparadas pelo PEEX da Michelin; • todavia, se o órgão pagador recusou-se a protocoliair tais declarações, embora corretas, caberia a propositura de umu ação própria da marl: do .sujeito visando o recebimento dos créditos-prêmio não pagos em espécie: c) se os créditos-prêmio foram transferidos pelo seu valor original ou se sofrerani correção monetária, caso positivo, esclarecer o procedimento adoludo e indices empregados: • com base nas planilhas do referido processo congênere, percebe-se que as de referem-se, exclusivamente, a correção monetária de valores já recebidos, em espécie, duranie o ano de 1991; fa41/ () P rocesso IV 10768.033530 194-51 AcórclAo n.' 02-03.690 CS RI71 02 11s. 998 • as demais planilhas de n° 02 a 04 listam créditos-prémio prestunivelmente não pagos em dinheiro, relativos aos allOS de 1989 a 1992, corrigidos monelariamenle pelo co/in-Munn(' até 30.06.93„vendo que os indices aplicados constant das plaid/has; • observe-se que a verificação do adimplemento dos compromissos que fitzem jus aos créditos-prémio, dentro do prazo de duração do programa, têm de ser conjugados com a auditoria comábillfiscal da empresa vez que os PELY contemplavam vários benefícios na área do IR, cujas bases de cálculo devem ser examinadas; e • assim, entendemos que as referidas planilhas não podem ser examinadas separadamente, com o objetivo de se determinar o cantprimento do PEEX da Michelin, e se ela tem o direito ou não ao recebimento dos créditos- prémio porventura não pagos em dinheiro. Cumprida a diligência os autos retornaram a este Colegiado c foram inseridos na pauta de julgamento do dia 24 de julho de 2006. Iniciado o julgamento, propôs-se a retirada de pauta e o encaminhamento dos autos ao órgão de origem para que o sujeito passivo fosse intimado despacho de admissibilidade de fls. 862/865, facultando-lhe apresentar agravo regimental no prazo de 05 dias, contado do recebimento da intimação, já que a admissibilidade fora parcial em razão de os paradigmas apresentados para comprovar o dissídio jurisprudencial pertinente à atualização monetária versarem sobre decisões proferidas pelo Poder Judiciário. Distribuídos os autos para exame do agravo, a este Conselheiro coube a tarefa de examinar o pedido de reexame de admissibilidade. Por meio do parecer de fl. 974, opinou-se pelo não acolhimento do apelo do sujeito passivo. Devolvida a matéria h. Presidência da Camara Superior de Recursos Fiscais, predito parecer foi rechaçado, e, por meio do Despacho CSRF n° 57/2007, fls. 977 a 980, da Lavra do então vice-presidente da CSRF, deu-se provimento ao agravo. Submetido a plenário, em matéria de expediente, por unanimidade de votos, o agravo foi rejeitado por esta Turma. É o relatório. Processo n° 10768.033530/94-51 Acórdao n. 02-03.690 CSRF/T02 l'Is. 999 Voto Vencido Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso foi apresentado tempestivamente e admitido pela Se Presidenta da Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes apenas no tocante à existência ou não de previsão legal que autorize a emissão de notas fiscais para transferência de crédilos- prêmio de IPI, bem como da escrituração destes pelos estabelecimentos filiais destinatários, após vigência do termo final do respectivo PEEK A questão da atualização monetária desses créditos não logrou admissibilidade, mesmo após reexame em sede de agravo, o qual foi rejeitado, por unanimidade por esta Turma, em matéria de expediente. Desta feita, somente à questão relativa A. existência ou não de previsão legal que autorize a emissão de notas fiscais para transferência de créditos-prêmio de WI, hem como da escrituração destes pelos estabelecimentos filiais destinatários, após vigência do termo final do respectivo PEEX poderá ser aqui debatida. Todavia, antes de sua análise, é necessário, examinarmos duas questões preliminares, quais sejam, a eventual renúncia a via administrativa, consubstanciada no fato de a matéria objeto destes autos haver sido submetida ao crivo cio Poder Judiciário e, finalmente, o transito em julgado da questão ora em discussão. Inicialmente passo a examinar a possibilidade de renúncia tácita à via administrativa caracterizada pelo fato de a matéria objeto destes autos haver sido submetida ao crivo do Poder Judiciário. Neste sentido é a jurisprudência mansa e pacifica do Segundo Conselho de Contribuintes e, também, desta Camara Superior que têm aplicado a renúncia a. via administrativa quando o sujeito passivo procura provimento jurisdicional pertinente a matéria objeto do processo administrativo. Outro entendimento não caberia, pois a ordem constitucional vigente ingressou o Brasil na jurisdição una, como se pode perceber do inciso XXXV do artigo 5' da Carta Política da República: "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito". Com isso, o Poder Judiciário exerce o primado sobre o "dizer o direito" e suas decisões imperam sobre qualquer outra proferida por órgãos não jurisdicionais. Por conseguinte, os conflitos intersubjetivos de interesses podem ser submetidos ao crivo judicial a qualquer momento, independentemente da apreciação de instancias "julgadoras" administrativas. A tripartição dos poderes, confere ao Judiciário exercer o controle supremo e autônomo dos atos administrativos; supremo porque pode revê-los, para cassá-los ou anulá-lo; autônomo porque a parte interessada não está obrigada a recorrer As instancias administrativas antes de ingressar em juizo. De fato, não existem no ordenamento jurídico nacional princípios ou dispositivos legais que permitam a discussão paralela, em instancias diversas (administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza), de questões idênticas. Diante disso, a conclusão lógica é que a opção pela via judicial, antes ou concomitante à esfera administrativa, torna completamente estéril a discussão no âmbito não Processo o' 10768.033530/94-51 AcOra° n." 02-03.690 CSR Ff1 .02 l'Is. 1000 jurisdicional. Na verdade, corno bem ressaltou o Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, no voto proferido no julgamento do Recurso n° 102.234 (Acórdão 202-09.648), "tal opção ctcarrela em renúncia ao direito subjetivo de ver apreciada administrativamente a impugnação do lançamento do tributo com relação a mesma matéria sub judice.". Por oportuno, cabe citar o § 2° do art. 1° do Decreto-Lei n° 1.737/1.979, que, ao disciplinar os depósitos de interesse da Administração Pública efetuados na Caixa Econômica Federal, assim estabelece: Art. I° omissis § 2' A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito du Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Ao seu turno, o parágrafo único do art. 38 da Lei 6.830/1980 que disciplina a cobrança judicial da Divida Ativa da Fazenda Pública, prevê expressamente que a propositura de ação judicial por parte do contribuinte importa em renuncia à esfera administrativa, verbis: Art. 38. 0177iSSiS Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. A norma expressa nesses dispositivos legais é exatamente no sentido de vedar-se a discussão paralela, de mesma matéria, nas duas instâncias, até porque, como a Judicial prepondera sobre a administrativa, o ingresso em juizo importa em desistência da discussão nessa esfera. Esse é o entendimento dado pela exposição de motivo n° 223 da Lei 6.830/1980, assim explicitado: "Portanto, desde que a parte ingressa em juizo contra o mérito da decisão administrativa — contra o titulo materializado du obrigação — essa opção pela via superior e autônoma importa em desistência de qualquer eventual recurso porvemum interposto na in.slcincia inferior.". Esse entendimento leva à conclusão de ser irrelevante para caracterizar a renúncia, o resultado da ação judicial proposta, abrange inclusive os casos em que o processa tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento de mérito. Desta feita, havendo coincidência entre as matérias discutidas no Judiciário e na esfera administrativa, caracterizada está a opção pela via judicial. A simples leitura da descrição dos fatos demonstra que a matéria objeto destes autos é idêntica à deduzida em juizo, pois o auto de infração decorreu justamente do fato de que, após denegada a segurança, o contribuinte não ter estornado os créditos que foram compensados ou registrados em sua escrita fiscal. Esta informação consta da descrição dos fatos, A. if 03 (antepenúltimo parágrafo), nos termos seguintes: Denegada a segurança, os estabelecimentos da Michelin que se bene fi ciaram com a transferência desses Créditos-Prêmio, não procederam ao estorno dos mesmos em seus registros contábeis/fiscais, até a presente data, o que motivou a lavratura dos autos de infração, em cada estabelecimento envolvido, para cobrar de oficio o IPI que deixou de ser recolhido, conforme apuração em quadro anexo. 12 Process() IV 10768.033530/94-51 Acórdao u.° 02-03.690 Cs R1:1102 ris. 1001 Por essas razões é que a exação fiscal referente ao crédito-prêmio objeto do presente processo e, também, de ação judicial, tornou-se definitiva na esfera administrativa, nos termos postos no lançamento fiscal, já que a opção pelo Poder Judiciário importa em renúncia à discussão da matéria coincidente nos órgãos administrativos de julgamento. Com essas considerações, suscito, de oficio, a questão da renúncia tácita do sujeito passivo à via administrativa e, por conseguinte, voto no sentido de não conhecer do recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. Ultrapassada a preliminar da opção pela via judicial, passo, a examinar a questão da coisa julgada, que, também, é aqui suscitada de oficio. Compulsando-se os autos, verifica-se que o direito ao creditamento postulado pela reclamante no mandado judicial foi-lhe negado em razão de não haver sido comprovada a certeza e a liquidez dos créditos em exame. Aliás, este foi o fundamento da sentença, cujo excerto transcrevo abaixo: 13. in cant", a impetrante se comprometeu a realizar, chtrante o período de treze anos, investimento fixo global em montante não-iuferior a USS 141,7 bilhões cento e quarenta e um milhões e setecentos mil Mares), e caso assim o fizesse, gozaria da maintlençao dos benefícios e incentivos fiscais à exportação de produtos manufaturados (cláusula vigésima, do Certificado n°. 040 (fls.. 41/50). Contudo não demonstrou, de forma inequívoca e contundente, que efetivamente cumpriu sua obrigação, a ensejar a Fruição dos beneficios e incentivos fi scais previstos no compromisso. Note-se que a impetrante alega que cumpriu integralmente o compromisso (letra "b", do item 1.2 Fls. 03, e item 3.1.3 — Fl. 07), apresentando cópia do Oficio OF/SHE/DIO/COPS/BEFIEX/N° 09/92. Sucede que no próprio bojo do referido oficio, há referência que a adimplência contratual está sujeita à verificação Fiscal, em demonstração inequívoca da incerteza, ou no mínimo, dúvida quanto ao preenchimento dos requisitos de adimplência nas obrigações assumidas. Tal ponto, inclusive, foi objeto de observação pela autoridade impetrada, que argüiu a inexistência de prova de certeza e liquidez dos créditos mencionados pela impetrante (item 9 e 10, de fls. 66). 14. Diante da necessidade da produção de outras provas para comprovar, de fitrma inequívoca e clara, os fatos afirmados pela impetrante, não há direito liquido e certo a ensejar a concessão da segurança, sendo imperativa a sua denegação. "DECISUM":Ante o exposto, DENEGO a segurança pleitectda por PNEUMA TICOS MICHELIN LTDA., por ausc -mcia de direito liquido e certo, nos terms do art. 269, inciso I, do Código de Processo Civil, e em conseqiiéncia. CASSO a liminar concedida a fly. 62. de observar-se que, conforme demonstra o decisum da sentença cm comento, o pleito da interessada foi indeferido e o Processo extinto e contra esta decisão não foi oposto qualquer recurso, com isso, deu-se o trânsito em julgado, tornando-se imutável e indiscutível tal decisão. Ao caso, aplica-se, mulcais mulandis, a norma do artigo 474 do Código de Processo Civil, que reputa, passada em julgado a sentença de mérito, deduzidas c repelidas todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido. 13 Processo n 0 10768.033530/94-51 Acórdao n.° 02 -03.690 CSR 01102 Hs. 1002 Art 474. Passada em t julgado a sentença de mérito, reputar-se-ao dedlcickts e repelidas todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento conio refeição do pedido. Ora, urna vez transitada em julgado a questão no Poder Judiciário, não cabe sua análise por qualquer outro órgão desse Poder, menos ainda pelos integrantes da esfera administrativa. Diante disso, não há como contestar que os créditos-prêmio objeto deste processo e, também, do Judicial, não preenchem a condição de certeza e liquidez, pressupostos básicos da compensação. Assim, não há como rediscutir o aproveitamento desses créditos na forma de compensação, corno defende a autuada. Ultrapassadas as preliminares, passemos, de imediato, ao mérito da questão posta em debate, qual seja, o direito de transferência dos créditos-prêmio de WI e o conseguinte aproveitamento pelo estabelecimento que os recebeu. Várias são as causas que impediam a compensação feita pela reclamante; a primeira delas diz respeito a vedação expressa, por ato do Sr. Ministro da Fazenda que, por meio de Portaria, proibiu o registro desses créditos na escrita fiscal e o seu aproveitamento na forma de compensação com débitos referentes as saídas tributadas no mercado interno. Essa portaria, por não haver sido revogada ou anuladas, permaneceu vigendo e irradiando seus efeitos, de tal sorte a vincular toda a administração e, também, os administrados. Merece aqui ser lembrado que um dos atributos de todos os atos administrativos é justamente a presunção de legitimidade. Este atributo é que faz o ato administrativo produzir os efeitos que lhe são próprios, desde o momento de sua edição, ainda que apontada a existência de vícios em sua formação que possam acarretar sua futura invalidação, até sua revogação ou invalidação. Esta poderá ser feita tanto pelo Poder Judiciário quanto por autoridade administrativa de hierarquia igual ou superior a de quem praticou o ato; aquela (a revogação) é privativa da autoridade administrativa de hierarquia igual ou superior a de quem praticou o ato. Assim, preditas portarias poderiam ser invalidadas pelo Poder Judiciário ou pelo Ministro da Fazenda ou pelo Próprio Presidente da Republica. Já a revogação somente poderia ser efetivada por uma dessas duas autoridades, o que não ocorreu. Com isso, tal ato normativo deveria haver sido fielmente cumprido, mas não o foi por parte da autuada. A Michelin, sabedora do dever de observar a Portaria Ministerial, quando deixou de o lazer, socorreu-se do Poder Judiciário para evitar as sanções pertinentes, vindo a ser provisoriamente atendida, mas, no julgamento do mérito, a tutela jurisdicional foi-lhe negada. Neste caso, para não ser autuada deveria ter providenciado o estorno dos referidos créditos quando cessados os efeitos da medida judicial. Assim não procedendo, deu azo ao lançamento de oficio. A segunda razão a impedir a compensação feita pela autuada consiste, justamente, na falta de certeza e liqüidez dos créditos em exame, conforme ficou assentado na decisão judicial, com trânsito em julgado, nos termos seguintes: Contudo não demonstrou, de forma inequívoca e contundente, que efetivamente cumpriu sua obrigação, a ensejar a Fruição dos benefícios e incentivos fiscais previstos no compromisso. Note-se que a impetrante alega que cumpriu integralmente o 14 Processo n" 10768.033530/94-51 Acórdão n." 02-03.690 C81217162 Hs. 1003 compromisso (letra "b", do item 1.2 Fls. 03, e item 3.1.3 — Fl. 07), apresentando cópia do Oficio OF/SHE/DIO/COPS/BEFIEX/N° 09/92. Sucede que no próprio bojo do referido oficio, há referência que a adimplência contratual está sujeita a verificação Fiscal, em demonstração inequívoca da incerteza, ou no mínimo, dúvida quanto ao preenchimento dos requisitos de adimplência nas obrigações assumidas. Tal ponto, inclusive, foi objeto de observação pela autoridade impetrada, que argüiu a inexistência de prova de certeza e liquidez dos créditos mencionados pela impetrante (item 9 e 10, de lis. 66). 14. Diante da necessidade da produção de outras provas para comprovar, de/i.riiia inequívoca e clara, os fatos afirmados pela impetrante, não há direito liquid° e certo a ensejar a concessão da segurança, ,sendo imperativa a denegação. Registre-se, por oportuno, que a condição sine qua non para o sujeito passivo compensar, administrativamente, seus créditos corn débitos tributários é o reconhecimento por parte da Fazenda Pública da certeza e liqüidez dos valores a serem compensados. O dissenso fazendário sobre esses atributos dos créditos torna-os controversos e inviabiliza sua utilização. Nessa hipótese, somente com autorização judicial é que se pode fazer a compensação, mas como visto linhas acima, no caso em análise, não houve o provimento jurisdicional. Além disso, a principal prova trazida aos autos pela Michelin para comprovar o adimplemento das condições que lhe ensejariam o direito aos créditos em discussão foi a cópia do Oficio OF/SHE/DIO/COPS/BEFIEX/N° 09/92. Acontece, porém, que esse documento 6, justamente. o mesmo que foi apresentado pela reclamante perante o Poder Judiciário com o mesmo propósito da juntada a estes autos, qual seja, o de demonstrar o cumprimento de seu plano de exportação. Todavia, o órgão jurisdicional rechaçou o valor probante deste documento quando dispôs, em sentença (transitada em julgado), que este não demonstra de forma inequívoca e contundente os fatos afirmados pela impetrante. Assim sendo, entendo não ser licito a esfera administrativa emprestar a esse oficio valor probante maior do que lhe foi dado pelo Judiciário. As razões precedentes, a meu sentir, já seriam suficientes para justificar a glosa da compensação dos créditos-prêmio ora em discussão, mas, admitindo-se, apenas para sustentar o debate, que poderiam ser superadas, havia, no caso da utilização dos créditos pela filial de Itatiaia, objeto do presente processo, obstáculo, absolutamente, intransponível, que passo a detalhar a seguir: É de conhecimento de todos que na sistemática do IPI impera a autonomia dos estabelecimentos, por força da norma inserta no parágrafo único do artigo 51 do Código Tributário Nacional, nos termos seguintes: Art. 51 omissis Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considera-se contribuime autônomo, qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematunle. Da análise dessa norma, depreende-se que as obrigações e os haveres de cada um dos estabelecimentos de uma pessoa jurídica, no pertinente ao IPI, são personalíssimas. isto 6, são intransferíveis para outro estabelecimento, ainda que da mesma firma, salvo expressa autorização legal em contrário. Não destoando do comando dessa norma do CTN, a lei básica 15 Processo n" 10768.033530/94-51 Acórtiao n.' 02-03.690 C'SR 1'02 l'Is. 1004 do IPI veda a centralização da escrita destes estabelecimentos, isto 6, cada um deles deve manter sua própria escrituração, como manda o artigo 217 do RIPI 1982, que reproduz o comando do artigo 57 da Lei 4.502/1964. Autonomia dos Estabelecimentos Art. 217 Cada estabelecimento, seja ma/rir,, sucursal, filial, agéncia, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualqiier pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento Dentre os efeitos práticos gerados pela autonomia acima aludida, tem-se que cada estabelecimento, seja matriz ou filial, responderá individualmente, no pertinente ao IPI, por todos os atos que praticar, além de serem capazes de contrair direitos e obrigações, como se fossem dissociados dos demais da mesma firma. Assim é que os créditos e os débitos do estabelecimento Alfa, não se confundem com os do Alfa 1. Dai, se em determinado período dc apuração o estabelecimento matriz, por exemplo, registrar saldo credor e sua filial, saldo devedor, estes saldos não se comunicam, a matriz deve transferir o excesso de crédito para o período seguinte e a filial, recolher, no prazo legal, o valor correspondente ao débito apurado. Para melhor entendimento do que aqui se expõe, faz-se necessário analisar tratamento tributário dispensados pela legislação fiscal aos créditos de IPI. Em primeiro lugar, ha a sistemática normal de utilização dos créditos, assim considerada por ser inerente ao próprio mecanismo de apuração do imposto. Tal sistemática está assentada nos ditames do artigo 103 do RIPI/1982 e consiste na determinação de que os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais ou equiparados a industrial sejam utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. Se do confronto de débitos e créditos, resultar saldo credor, sera este transferido para o j periodo seguinte. A transferência de saldo de imposto verificado na escrita fiscal de um estabelecimento, para outro, mesmo pertencente à mesma firma, não está prevista no RIPI como forma de utilização do crédito autorizado por lei e relativo aos produtos recebidos para industrialização ou revenda. Desta feita, tendo em vista a falta de previsão legal e em face do principio da autonomia dos estabelecimentos, torna-se evidente não ser permitida a transferência de créditos de um estabelecimento para outro, mesmo em se tratando de matriz e filial. Por outro lado, o artigo 2° do Decreto-Lei n° 1.426/1975, que embasou o artigo 104 do RIPI/1982, dispôs que: 0 Ministro da Fazenda poderá estabelecer outras modalidades de aproveitame1110, inclusive através de compensução ou ressarcimento, dos créditos do Impost° sobre Produtos Industrializados assegurados ao.s. estabelecimentos industrials, quando fin- impossível sua recuperação normal pela sistemática de dedução do valor do impost() devido 11C1S operações infernos. Na regulamentação desse dispositivo legal foram baixadas diversas portarias ministeriais, hem como instruções normativas, que criaram para os créditos incentivados outras O artigo li da Lei 9.779/i permitiu que o saldo acumulado trimestralmente fosse utilizado para compensação com outros tributos ou ressarcidos em espécie. 1 6 Processo n 0 10768.033530/94-51 Acórdao n." 02-03.690 CSIZI:f 1'02 1:1s. 1005 formas de utilização do saldo credor quando este não pudesse ser compensado nas operações de mercado interno, inclusive o ressarcimento em espécie. Por fim, resta a sistemática de utilização dos créditos-prêmio e dos referentes aos insumos utilizados em produtos exportados. Para os primeiros, o Decreto IV 64.83311969, previu a possibilidade de transferência dos créditos de um estabelecimento para outro, nos termos seguintes: Art. 3" omissis § I" omissis § 2° Feita a dedução e havendo excedente de crédito, poderá o estabelecimento exportador: 0111iSSiS transferi-lo, mediante prévia comunicação por escrito ao órgão da Secretaria da Receita Federal a que estiver jwisdicionado pura a escrita fiscal: de outro estabelecimento industrial ou equiparado ct industrial, da niesina empresa; de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial com o qual mantenha relação de interdependência, atendida a conceituação cio artigo 21„§ 7", do Decreto lie 61.514, de 12 de outubro de 1967. A Portaria MF n° 292/81 vedou essa forma de utilização dos créditos-prêmio, determinando o ressarcimento em espécie. Todavia, ainda na vigência da norma permissiva da transferência de um para outro estabelecimento, o que recebia o crédito somente poderia utilizá-lo para dedução do IPI devido pelas operações que efetuasse, não podendo retransferi-lo para outro estabelecimento ainda que da mesma empresa, em vista da autonomia dos estabelecimentos. Voltando ao caso em análise, mesmo que se desconsiderasse a falta de certeza e liquidez dos créditos pretendidos pela Michelin e a vedação trazida pela portaria acima aludida, ainda assim, a transferência dos créditos pelo estabelecimento da filial no 08 (Campo Grande) para o da filial no 007 (Itatiaia), teria sido totalmente irregular, porquanto os créditos do estabelecimento exportador da Michelin foram transferidos para a filial IV 08 (Campo Grande), este, somente poderia utilizar tais créditos para compensar com o IPI devido em suas operações no mercado interno, jamais retransferi-los para outra filial (Itatiaia, n° 07), sob pena de ferir a autonomia dos estabelecimentos. Desta feita, também por esse ângulo, a transferência dos créditos pelo estabelecimento de Campo Grande (filial n° 8) e a sua utilização pela filial n° 07 (Itatiaia) foi completamente irregular. Registre-se, por oportuno, que o auto de infração objeto destes autos incluiu débitos diversos dos pertinentes à glosa dos créditos-prêmio em debate (vide demonstrativo de fls..), todavia, a via especial não foi para eles aberta. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. HENRI UE PINHEIRO TORRES 17 Processo IV 10768.033530/94-51 Acórddo n." 02-03.690 CSRF/T02 Hs. 1006 Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO PRAGA, Redator Designado Tendo em vista que a ilustre conselheira Josefa Marques — originalmente designado para redigir o voto vencedor — não mais compõe o colegiado, passo a fazê-lo. O conselheiro Relator Henrique Torres, propugnou pelo não conhecimento do recurso, por entender estar configurada a concomitância com ação judicial interposta pelo contribuinte, ainda que tenha sido arquivada sem o julgamento do mérito. O Colegiado, por sua maioria, divergiu entendendo que não há que se falar em concomitância nessa hipótese. Corroborando esse entendimento foi citado o acórdão 101-95304, cuja ementa elucida. RENÚNCIA Â VIA ADMINISTRATIVA- MANDADO DE SEGURANÇA — EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO — LANÇAMENTO EX °MCI() POSTERIOR — INOCORRENCIA DE CONCOMITÂNCIA — APRECIAÇÃO — POSSIBILIDADE — O exercício exclusivo cla finicaoptrisdicional cio Estado citruvés cio Poder Judiciário impede que Ulna illeS171C1 quesitio seja disc tank simunaneamente, na via achninistrativa e nu via judicial. O ingresso 11C1 via judicial para discutir determinada matéria implica abrir incio de fazê-lo pela via administrative). O fundamento para o ncio conhecimento c/a matéria na instáncia administrativa consiste cm obstaculifar a ocorrência cie conflitos en/re as decisões, o nc7o ocorre quando o processo judicial tenha sido julgado extinto sem apreciacáo de mérito, por ncio possibilitar decisões conflitantes. Nos fundamentos do voto condutor da lavra da ilustre conselheira Sandra Maria Faroni, destacam-se os seguintes fundamentos: A questão referente A. suposta renúncia à via administrativa é prejudicial da análise de mérito. Passo a analisá-la. Conforme tenho sempre me manifestado, o não conhecimento na instância administrativa de matéria submetida ao Poder Judiciário decorre do nosso sistema constitucional, que atribui ao Poder Judiciário o monopólio da jurisdição. Nesse sentido, cabe exclusivamente ao Poder Judiciário decidir definitivamente, e com obrigatoriedade de observação de suas decisões, sobre qualquer matéria. È claro que isso não exclui a possibilidade de auto- composição das partes interessadas, sem demandar a intervenção do Poder Judiciário (a prestação jurisdicional é direito, e não um dever do cidadão). Mas, uma vez submetida a matéria ao Poder Judiciário, s6 ao Poder Judiciário cabe sobre ela decidir. 0 sistema, em razão de prever o exercício exclusivo da função jurisdicional do Estado através do Poder Judiciário, não comporta que urna mesma questão seja discutida, simultaneamente, na via administrativa e na via judicial. Prevalece sempre o que for decidido na Justiça, e prosseguir corn o processo administrativo é despender inutilmente tempo e recursos , o que viola os princípios da moralidade e da economicidade, que 18 Processo n 10768.033530/94-51 Acórdfto n." 02-03.690 ('SRI:/102 1:k. 1007 devem informar a administração pública. Conseqüentemente, o ingresso na via judicial para discutir determinada matéria implica abrir mão de fazê-lo pela via administrativa . O fundamento para o não conhecimento da matéria na instância administrativa consiste em obstaculizar a ocorrência de conflitos entre as decisões. A propósito Alberto Xavier, em sua magistral obra "Do Lançamento- Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário "- Forense- 1999, ensina : " que o direito brasileiro veda é o exercício cumulativo dos meios administrativos e jurisdieionais de impugnação canto a opção or uns Oil outros não é excludente, a impugnação administrativa pode ser prévia ou posterior ao processo judicial, mas não pode ser simultânea. 0 principio da não cumulação opera sempre em beneficio do processo judicial : a propositura de processo judicial determina "ex lege" a extinção do processo administrativo; ao invés, a propositura de impugnação administrativa na pendência de processo judicial conduz à declaração de inadmissibilidade daquela impugnação, salvo ato de desistência expressa do processo judicial pelo particular." (negrito acrescentado) Ocorre que, no caso presente, não há riscos de decisões conflitantes, pois inexistente a concomitância. 0 mandado de segurança impetrado pela recorrente foi julgado extinto sem julgamento de mérito por força de desistência da parte autora. Como o auto de in fração foi lavrado após a extinção do feito, já não havia, naquele momento, qualquer impedimento relativo a concomitância. Não há como ocorrer o conflito, eis que o Poder Judiciário não emitiu juizo de mérito, não se configura a renúncia à instância administrativa. Isso porque restou decido no aludido acórdão que, mesmo o café não tendo sofrido industrialização, a empresa exportadora fez jus ao beneficio. O Colegiado sopesou o fato de estar claro na decisão (dispositivo) do acórdão paradigma que o contribuinte faz jus ao beneficio e que o fato de o voto vencedor não ter aprofundado nos fundamentos não pode prejudicar a caracterização da divergência. No mérito, os membros da Segunda Turma da Camara Superior,à maioria de votos, deu provimento ao recurso na parte conhecida, considerando os fundamentos do voto condutor do Acórdão CSRF 02-03.117, da lavra da ilustre Conselheira Maria Teresa Martinez Lopes , a seguir transcritos (verbis): Trata-se de discussão acerca da regularidade da apropriação de créditos do IPI, transferidos da Pirelli Pneus S.A. situada em Campinas, CNPJ n.° 59.179.838/0002- 18, relativos a credito-prêmio, originários de incentivos as exportações, realizadas ao amparo do Programa Befiex, cujas transferências se efetivaram através das notas fiscais elencadas A. fl. 04. A interessada invoca como suporte legal para a realização das transferências efetuadas, conforme expresso nas notas fiscais, o item 11, letra '6', parágrafo 2°, art. 3°, do Decreto n°64.833, de 17/10/69. Retornando ao passado, sob a égide da Constituição de 1969 foram editados diversos diplomas legais que trataram de incentivos fiscais, entre eles o instituído pelo art. 1° 1 9 Processo if 10768.033530/94-51 Accirdilo n." 02 -03.690 CSR17102 Fk. (008 do Decreto-Lei n° 491, de 05/03/1969, regulamentado por meio do Decreto n° 64.833, de 1969, que em seu art. 1°, §§ 1° e 2°, concedia As empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados, a titulo de estimulo fiscal, créditos sobre suas vendas para o exterior para serem deduzidos do valor do IPI incidente sobre as operações realizadas no mercado interno, resultando, assim, que os estabelecimentos exportadores de produtos nacionais manufaturados, lançavam em sua escrita fiscal urna determinada quantia a titulo de crédito do IPI, calculado como se devido fosse, sobre a venda de produtos ao exterior. Os parágrafos 1° e 2° do art. 1° do Decreto-Lei n°491/69 dispuseram sobre a forma de utilização daqueles créditos, a qual foi regulamentada pelo Decreto n° 64.833, de 17/07/69, estabelecendo no seu art. 3°, entre outras modalidades, a transferência para outro estabelecimento industrial da mesma empresa, ou corn a qual mantivesse relação de interdependência; Posterionnente, o Decreto n° 64.833/69 foi revogado pelo art. 4° do Decreto s/n°, de 25 de abril de 1991, DOU de 26/04/91. Dessa forma, defende a recorrente que as normas aplicáveis ao ressarcimento do crédito-prêmio são as previstas no RIPI/82, em seu art. 92, inc. 11, c/c os arts. 103 e 104, que não contemplam a hipótese de transferência em qualquer caso. Alega a D. Procuradora que (SIC) "que a Parecer JCF 08/93 indiretamente coullita COM o Decreto s/n°, sendo ambos atos normativos vigentes". No entanto, o crédito foi efetuado pela Pirelli Pneus S.A., estabelecimento de Campinas (SP), corn base no Parecer JCF n° 08 da Consultoria Geral da República, DOU de 12/11/92. 0 parecer reconheceu que a Pirelli Pneus S.A., como signatária de programa Befiex, fazia jus ao incentivo A. exportação, sob a forma de créditos do IPI, nos termos do Decreto-Lei n° 491/69 e do Decreto n° 64.833/69, relativamente As vendas contratadas até 31/12/89, corrigido monetariamente. Penso correto a afirmação da interessada quando alega que o Parecer JCI: 08, aprovado pelo Sr. Presidente da República, tem força vinculante para toda a Administração, a teor do parágrafo 2°, do art. 22, do Decreto 92.889/86. No mais, reitero os argumentos expostos pela decisão recorrida, os quais transcrevo como se fossem minhas as razões de decidir: Consta do voto da decisão recorrida o que a seguir peço vênia para transcrever: Restou demonstrado nos presentes autos que o estabelecimento da contribuinte recorrente, situado em Santo André - SP (autuado), recebeu de outra filial , localizada em Campinas - SP, crédito de IPI referente ao beneficio de exportação de que trata o Decreto-Lei n°491/68 (Reflex), nos termos que autorizavam o Decreto n°64.833/69 e o Parecer JCF n°08/92 da Consultoria-Geral da Republica, verbis: "E é verdade: o artigo 1° do Decreto-Lei n° 1.722 não objeto de regulamento consubstanciado em decreto presidencial. Entendo, pois, que. no particular atinente ao aprovellamento do crédito-prêmio, a questão hã de ser resolvida, na ausência desse regulamento, segundo os preceitos Decreto- Lei 491, de 1968 e do Decreto 64.833 de 17 de julho de 1969, flagrante é ilegalidade da Portaria 89/81 e 292/81, embora mais benéficas para o fabricante exportador." (item 85 do Parecer n° 08/92). certo, ou melhor, certíssimo, que os agentes administrativos estão vinculados ao entendimento e interpretação que a Administração Pública manifesta sobre o alcance 2(1 Processo n" 10768.033530/94-51 AcórcIdo n." 02 -03.690 CS121Y1•02 Hs. 1009 e a aplicação de dispositivos legais, como é o caso do Parecer JCF n° 08/92 emitido pela Consultoria- Geral da República. Assim, concessa venha, discussões sobre a aplicação do supracitado Parecer .1CF it° 08/92, da Consultoria-Geral da Republica, aprovado pelo Sr. Presidente da Republica, publicado no DOU de 12/11/92, com a que se observou na esfera inferior, extrapolam os limites da razoabilidade. De efeito, segundo se depreende dos autos administrativos, a contribuinte, escoimada na legislação então vigente (Decreto-Lei n° 491/68) e no referido Parecer JCF n° 08/92, escriturou o montante do crédito-prêmio relativo ao Befiex a que fazia jus no seu estabelecimento de Campinas, transferindo o excedente para o estabelecimento de Santo Andre, no período seguinte. Contudo, corroborando a tese ventilada pela contribuinte recorrente, entendo que o reconhecimento, pelo Parecer JCF n° 08/92, do direito ao credito-prêmio de 1P1 vem atrelado a. necessidade de se observar os termos contidos no Decreto-Lei n°491/68 e no Decreto n°64.833/69, a despeito da sua revogação pelo Decreto s/n°, de 25/04/91. nesse sentido que já se posicionou esse Egrégio Conselho de Contribuintes, verbis: "IP1 - CRÉDITO-PRÉMIO - BEFI EX - Reconhecido, não só a legitimidade dos créditos, como o direito de sua transferência para estabelecimento com o qual a empresa mantenha relação de interdependência, coufbrine previsto no Decreto n° 64.833/69. 0 Parecer JCF 08/92 da Consuhoria-Geral da República, aprovado pelo Presidente da República, reconheceu o direito das empresas consulentes ao crédito gerado por vendas ao exterior, efetuadas diretamente ou através de comercial exportadora, de produtos .fabricados 1)01 empresa titular de Programa Especial de Exportação aprovado pela Comissão BEFIEX, detentora da clausula de garantia na Prnut do estatuído 170 artigo 16 do Decreto-Lei n° 1.219/72. 0 artigo 9° do Decreto-Lei n° 1.219/72, ao fazer menção à possibilidade de transferência dos valores provenientes do Decreto-Lei n° 491/69 a outras empresas parlicipantes cio mesmo programa, não atuou C0171 711111110 restritivo, mas, ao revés, teve por Jim outorgar novas opçães de utilizagbes dos' créditos excedentes." (Acarclão n° 202-12.467, Rel.Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, por unanimidade, DJ de 12/09/2000). No mesmo sentido cita-se também os Acórdãos es 202-12.466, 202- 12.468, 202- 12.469, 202-12.470, 202-11.763 e 202-11.764. Ademais disso, verifica-se que a referida transferência de créditoprêmio de 11 3 1foi precedida de comunicação à repartição fiscal de sua jurisdição, restando atendido disposto no § 2°, "b", do art. 3°, do Decreto n°64.833269, verbis: "(.) IPL CRÉDITO GLOSADO. CRÉDITO PRÉMIO À EXPORTAÇÃO. TRANSFERÊNCIA. A transferência do crédito-prêmio à exporlação para empresa interdependente exige apenas e tão-somente a prévia comunicação por parte do estabelecimento cedente à repartição fiscal (..)." (Acórdão n° 201-77.352, Rel. Josefa Maria Coelho Marques, 02/12/2003). de se ressaltar ter o Parecer JCF n° 08/92, da Presidência da Republica, tratado do direito ao crédito-prêmio de IPI, e a possibilidade de sua transferência, ao remeter 21 Processo n° 10768.033530/94-51 Acórdao n." 02-03.690 CSR F1'02 l'Is. 1010 o assunto aos preceitos "do Decreto-Lei n 0491, de 1968 e do Decreto n° 64.833 de 17 de julho de 1969" motivo peia qual lhe assiste razão à interessada. Conclusão: Por todo o exposto, considerando que a transferência de credito-prêmio de 1P1, de que se beneficiou a empresa autuada, ocorreu com base no Parecer JCL' n° 08 da Consultoria Geral da República, VOTO no sentido de negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda nacional." No mesmo sentido desta decisão cabe citar os acórdãos CSRF/02-01.668 e 203-10.296. Diante do exposto, decidiu o colegiado, por maioria de votos conhecer cm parte o recurso para dar-lhe provimento apenas quanto a materia "transferência de credito entre estabelecimentos". ANTONIO PRA A - Redator Designado 22
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Numero do processo: 10650.000311/2004-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Dec 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 9202-000.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Câmara recorrida, para que esta complemente a análise de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Relatório
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Câmara recorrida, para que esta complemente a análise de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 50 .0 00 31 1/ 20 04 -1 8 Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10650.000311/200418 Resolução nº 9202000.050 CSRFT2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 04/14) relativo ao Imposto Territorial Rural – ITR do imóvel denominado Fazenda Boa Vista (NIRF 2.739.6673), localizado no município de Tapira/MG, relativo aos exercícios 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 2.447.068,80, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Segundo o relatório do auto de infração, no procedimento de análise e verificação das informações declaradas nas Declarações ITR, dos exercícios de 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003, e da documentação apresentada pela contribuinte, a fiscalização resolveu lavrar o presente auto de infração, alterando a área total do imóvel de 7.338,8 ha para 7.150,8 ha, para todos os exercícios considerados e glosar integralmente as áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada, respectivamente, com 916,4 ha e 4.296,8 ha, para os exercícios de 1999, 2000, 2001, e respectivamente, com 1.430,2 ha e 3.783,0 ha, para os exercícios de 2002 e 2003, além, de alterar a área utilizada como pastagens de 1.640,0 ha para 1.950,0 ha, para o exercício de 2000, de 1.640,0 ha para 1.264,0 ha, para o exercício de 2001, de 1.640,0 ha para 1.800,0 ha, para o exercício de 2002 e de 1.706,8 ha para 1.800,0 ha, para o exercício de 2003. Destacou, ainda, que para todos os exercícios considerados, a área tributada do imóvel foi aumentada, juntamente com a sua área aproveitável, com redução do Grau de Utilização dessa nova área utilizável. Conseqüentemente, para esses exercícios, foi aumentado o VTN tributado, bem como as respectivas alíquotas de cálculo, alteradas de 0,45% para 20,0%, para os exercícios de 1999 e 2001 e de 0,45% para 12,0%, para os exercícios de 2000, 2002 e 2003, para efeito de apuração dos impostos suplementares lançados através do presente auto de infração, conforme demonstrativos de fls. 09 (1999), 10 (2000), 11 (2001), 12 (2002) e 13 (2003). A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF julgado o lançamento procedente, mantendo o lançamento integralmente, fls. 100. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, fls. 150 e seguintes, o Colegiado, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência referente ao exercício de 1999, negou provimento ao recurso quanto à área de preservação permanente, deu provimento ao recurso quanto a área de reserva legal referente ao exercício de 2000; pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso quanto aos exercícios de 2001, 2002 e 2003; e, por maioria de votos, deu provimento ao recurso quanto à área destinada à mineração (jazida). Portanto, em sessão plenária de 12/11/2008, acolheuse a preliminar de decadência, prolatandose o Acórdão nº 30239.946, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRRITORIAL RURAL ITR Exercícios: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 ITR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, na hipótese dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é regido pelo art. 150, §4º, do Código Tributário Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10650.000311/200418 Resolução nº 9202000.050 CSRFT2 Fl. 4 3 Nacional (CTN), ou seja, será de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, o qual, a partir da vigência da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, se perfaz em 1º de janeiro de cada ano. ALTERAÇÃO DA ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. Para ser aceita a alteração da área Total do Imóvel a solicitação deve ser fundamentada em documento hábil e idôneo. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. ATO DELARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a utilização do Ato Declaratório Ambiental – ADA para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural pelo reconhecimento da isenção tributária prevista para as áreas de reserva legal declaradas pelo contribuinte. ÁREA DE MINERAÇÃO. EXCLUSÃO. As áreas de mineração não estão sujeitas à tributação, de acordo com o artigo 50, §4º, da Lei 4.504/1964 (Estatuto da Terra). TAXA SELIC. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração – ITR, cabe exigilo juntamente com a multa e os juros de mora aplicados aos demais tributos. Por expressa previsão legal, os juros de mora equivalem à taxa SELIC. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE”. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 09/08/2011 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, fls. 159 e seguintes, tempestivamente, em 06/09/2011, o Recurso Especial de Contrariedade à Lei, com fundamento no art. 7º, incisos I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 147 de 25/06/2007, e de Divergência, com fundamento no art. 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256, de 22/06/2009. Em seu recurso visa a reforma da decisão recorrida, devendo ser restabelecida a decisão de primeira instância de forma a manter o lançamento em sua inteireza. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2200 00.555, da 2ª Câmara, de 29/09/2011, fls. 190. Em seu Recurso Especial, a Recorrente traz as seguintes alegações em relação à decadência: · que o acórdão recorrido aplicou o art. 150, §4º, do CTN, indistintamente, sem qualquer ressalva, sem aferir sobre a existência ou não de pagamento antecipado, considerando apenas que, pelo ITR tratar se de tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, deveria ser aplicado o dispositivo mencionado, afastando implicitamente a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, mesmo diante da ausência de comprovação de recolhimento antecipado do tributo nos autos. · que para os tributos sujeitos a lançamento por homologação – em que o contribuinte calcula o montante devido e antecipa adequadamente o Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10650.000311/200418 Resolução nº 9202000.050 CSRFT2 Fl. 5 4 pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o CTN, no art. 150, §4º, estabelece o seguinte: · que é necessário, para o perfeito entendimento da legislação tributária, atentarse para o que dispõe o art. 149, V, do CTN, verbis: · que se o pagamento antecipado for inexato, negase a homologação e operase o lançamento de ofício (CTN 149, V); se omisso na antecipação do pagamento, nada há passível de homologação e a exigência se formalizará por ato de ofício da administração (CTN 149, V); e sendo o lançamento de ofício, para fins de contagem de prazo decadencial, não se aplica o art. 150, §4º, do CTN e sim, o art. 173, I, que assim dispõe: · que, portanto, não há que se falar em homologação do art. 150 do CTN prolatável no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador; ao contrário, sob o amparo do art. 149, V, a Administração poderá exercer o direito de lançar de ofício, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública na forma do art. 173 do CTN. · que esse entendimento já foi sedimentado e pacificado no âmbito do STJ e não deixa espaços para outras divagações ou interpretações, e diante disso tornase necessário voltar a atenção par o disposto no art. 62A do RICARF, verbis: · que o recolhimento antecipado do tributo deve estar devidamente comprovado nos autos e que declaração não equivale necessariamente à antecipação de pagamento, sendo que a constatação de que ocorreu o recolhimento antecipado do tributo deve derivar de provas carreadas aos autos e não advir de mera presunção por parte do julgador. · que a alegação de decadência é matéria de defesa que contém a afirmação de fato impeditivo do direito da União de exigir o crédito tributário, e sendo assim, nos termos do art. 333, inciso II, do Código de Processo Civil, o ônus da prova do pagamento é do contribuinte para fins de aplicação do art. 150, §4º, do CTN na contagem do prazo decadencial. · que a ausência de antecipação do recolhimento do tributo devido resta demonstrada de forma patente, ante a inexistência nos autos de qualquer documento hábil e suficiente à sua demonstração, e que o voto condutor da decisão de primeira instância deixa claro que aplicou o artigo 150, §4º, do CTN, independentemente da existência de recolhimento antecipado, entendimento esse que vai de encontro à tese atualmente dominante e que não se coaduna com o disposto no art. 62A do RICARF diante do entendimento expresso pelo STJ em recurso repetitivo sobre o tema. · que nesse contexto, adotando o regime geral de decadência previsto no Código Tributário Nacional, concluise que não há óbice ao lançamento de ofício formalizado, estando a matéria tratada no referido diploma legal, nos moldes do art. 173, inciso I. · que, para o ITR do exercício de 1999, cujo fato gerador ocorreu em 1° de janeiro de 1999, o lançamento poderia ser efetuado ainda no ano de Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10650.000311/200418 Resolução nº 9202000.050 CSRFT2 Fl. 6 5 1999, fazendo com que o início do prazo decadencial fosse conduzido para o dia 1º de janeiro de 2000 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado); contandose o prazo de cinco anos, temse que a decadência somente ocorreria em 01/01/2005, e como a ciência do lançamento aconteceu em 16/03/2004 (fl. 51), não houve lançamento a destempo. Cientificado do Acórdão nº 30239.946, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 18/11/2011 (sextafeira), o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 05/12/2013, contrarrazões, onde alega: · que, da leitura da emenda dos acórdãos apontados pela Fazenda como paradigmas para demonstração da divergência, verificase que estes, ao invés de denotarem entendimento diverso do emposado na decisão do recurso voluntário, fazem é confirmar referida decisão, uma vez que consta expressamente nessas decisões que o art. 150, §4º do CTN aplica se se houver recolhimento, ainda que parcial, e que o art. 173, I do CTN somente seria aplicável se não houvesse recolhimento nenhum. · que no caso sob análise, constou expressamente do auto de infração os valores recolhidos em cada exercício pela contribuinte, havendo, portanto, inequívoca antecipação do pagamento, ficando forçoso concluir que pela aplicação do entendimento dos acórdãos apontados pela Fazenda, é imperioso aplicarse o art. 150, §4º do CTN, nos exatos termos em que se procedeu na decisão recorrida. · que o Recurso Especial da Fazenda contempla ainda outra matéria, qual seja, a impossibilidade de exclusão da área destinada à mineração, mas que quanto a este ponto, não houve sequer a indicação das decisões que supostamente sustentariam a divergência, devendo, portanto, toda a argumentação sobre referida matéria ser sumariamente desconsiderada. · que o despacho que analisou a admissibilidade do Recurso Especial nem sequer se manifestou sobre estas alegações, cingindose a admitir o Recurso Especial, salvo melhor juízo, equivocadamente, quanto à matéria da decadência., e portanto, verificase que a Fazenda não demonstrou qualquer divergência capaz de sustentar o presente Recurso Especial, razão pela qual o mesmo não deve ser conhecido. É o relatório. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10650.000311/200418 Resolução nº 9202000.050 CSRFT2 Fl. 7 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA NACIONAL Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Procurador é tempestivo, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial a fls. 190/195. Todavia, embora o primeiro ponto a ser apreciado seja o questionamento acerca da conhecimento do Resp da PGFN, debruçandome sobre os autos, identifico um incidente que torna inviável a continuidade do julgamento, sendo necessário saneamento por parte da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento. Conforme já relatada no relatório desse voto, foi dado seguimento ao Resp da PGFN nos seguintes termos: Do simples confronto do voto do acórdão recorrido com a ementa e voto do acórdão paradigma, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é a contagem do prazo decadencial, se pela regra do art. 150, § 4 o ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN. Assim, o mero cotejo do voto condutor do acórdão recorrido com as ementas e votos dos acórdãos paradigmas já caracteriza a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Ou seja, o acórdão recorrido entende que a contagem da decadência, nos casos de lançamento por homologação, deve ser contado a partir da data do fato gerador (art. 150, § 4o , do CTN) enquanto os arestos paradigmas entendem que a contagem do prazo decadencial deve ser feita, diante da ausência de recolhimentos, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I, do CTN). Contudo, quando apreciamos a peça do recurso especial interposto pela PGFN, verificamos que o recurso argumenta contrariedade a lei e divergência quanto ao tópico da decadência e contrariedade à lei quanto à questão da área destinada à mineração – jazida. Porém, o Despacho de Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional não tratou da questão da contrariedade à lei em relação área destinada à mineração – jazida, restringindose à divergência em relação à decadência. Dessa forma, entendo deva o julgamento ser convertido em diligência para a complementação da admissibilidade do Resp da Fazenda Nacional. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10650.000311/200418 Resolução nº 9202000.050 CSRFT2 Fl. 8 7 Tão logo seja saneado o processo e devidamente cientificadas as partes, deve o processo retornar a esta relatora para continuidade do julgamento. Conclusão Face o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA à Câmara recorrida, para que esta complemente a análise de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 566DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.722940/2013-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
Poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. Deduções que não observem essas regras são irregulares.
O pagamento de pensão que não corresponde a obrigação alimentícia, não é dedutível da base de cálculo do IRPF.
Numero da decisão: 2202-003.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram desta sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. Deduções que não observem essas regras são irregulares. O pagamento de pensão que não corresponde a obrigação alimentícia, não é dedutível da base de cálculo do IRPF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 29 40 /2 01 3- 13 Fl. 107DF CARF MF 2 Participaram desta sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo da Notificação de Lançamento nº 2011/651449983525699, relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2011, ano calendário de 2010, por falta de comprovação de despesas médicas, no valor de R$ 7.883,54 e de pensão alimentícia no valor de R$ 16.965,00, resultando na diferença de imposto a pagar de R$ 6.833,34 acrescido de multa de ofício proporcional de 75% e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic. Inconformado o contribuinte questionou a exigência apresentando documentos relativos às despesas médicas e, com relação à pensão paga, anexou sentença proferida em 09/11/2007, que homologou o acordo de divórcio consensual e carta de sentença expedida em 25/09/2008 (fls. 12/22). Em procedimento administrativo de revisão do lançamento Termo Circunstanciado e Despacho Decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro DRF/RJ II (fls. 43/45) foi aceita a comprovação das despesas médicas em seu valor total e de parte (R$ 7.967,59) da dedução de pensão alimentícia, descontada pela fonte pagadora TELOS, CNPJ nº 42.465.310/000121, constante em DIRF. Mantida a glosa no valor de R$ 8.997,41 por falta de comprovação e recalculado o imposto a pagar para R$ 3.650,69 (fls. 44). Em sede de impugnação o contribuinte alegou ter pago no primeiro semestre de 2010 o valor de R$ 7.800,00 diretamente à exesposa, anexando os mesmos documentos já apresentados em sua primeira manifestação e também declaração por ela firmada (fls. 51/59). A decisão de primeira instância administrativa (fls. 65/69), consubstanciada no Acórdão nº 1268.008, exarado em 27/08/2014 pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, manteve a glosa do valor de R$ 8.997,41, declarado como pensão alimentícia sob o entendimento de que "o contribuinte deixou de comprovar o efetivo pagamento, bem como a obrigação fixada em decorrência de acordo estabelecido em decisão judicial, visto que os documentos juntados aos autos, às fls. 12/17 não ficou fixado a obrigação de pagamento de pensão alimentícia entre os conjuges..... A declaração de sua exesposa que teria recebido R$ 7.800,00 não é suficiente para atender um dos requisitos previstos na legislação...". Decisão fundamentada na alínea "f" do inciso II do art. 8º da Lei nº 9.250/1995, na redação dada pela Lei nº 11.727/2008. No referido acórdão foi verificado erro no cálculo realizado pela DRF/RJ II e recalculado o saldo de imposto a pagar que deve corresponder a R$ 2.474,29, conforme demonstrativo de fls. 68. Cientificado do Acórdão da DRJ/Rio de Janeiro em 31/10/2014 (Aviso de Recebimento de fls. 70), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 14/11/2014, conforme peça de fls. 74, trazendo as mesmas alegações produzidas na impugnação e afirmando que realmente pagou à sua exesposa, Sra. Albertina Maria Geddes Lemos Guarino, no período de janeiro a junho de 2010, o valor de R$ 7.800,00 referente a pensão alimentícia. Que na Sentença Judicial datada de 09 de novembro de 2007 não estava previsto o pagamento da pensão através de desconto em folha, de modo que no período de novembro de 2007 a junho de Fl. 108DF CARF MF Processo nº 18470.722940/201313 Acórdão n.º 2202003.562 S2C2T2 Fl. 108 3 2010 tais pagamentos foram realizados diretamente a ela. Que o desconto em folha se tornou obrigatório a partir de julho de 2010, através de solicitação da exesposa deferida em medida judicial. Ressalta que se não tivesse realizado o pagamento da pensão naquele período, certamente sua exesposa o teria acionado judicialmente para requerer tais valores. Anexa às fls. 80/88 as mesmas provas já produzidas no curso deste processo e também, às fls. 89/101, cópias dos demonstrativos de pagamento de benefício dos meses de janeiro a dezembro de 2010, recebidos da TELOS Fundação EMBRATEL de Seguridade Social. Ao final requer o cancelamento do débito fiscal. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar, relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. Após a aceitação dos documentos trazidos pelo contribuinte, restaram nestes autos a glosa de deduções de pensão alimentícia no valor de R$ 8.997,41 e imposto a pagar de R$ 2.474,29. O interessado recorreu do valor glosado correspondente a R$ 7.800,00, não recorrendo da diferença de R$ 1.197,41. Por força do art. 42 do Decreto nº 70.235/1972, a glosa de R$ 1.197,41 se tornou definitiva no âmbito administrativo, devendo ser dado seguimento à cobrança da diferença de IRPF correspondente a R$ 329,29. DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO A PAGAR NÃO CONTESTADO Descrição Valores 1) Total dos Rendimentos Tributáveis Declarados R$ 72.315,45 2) Omissão de Rendimentos Apurada R$ 3) Total das Deduções Declaradas R$ 24.848,54 4) Glosa de Dedução de Dependente R$ 5) Glosa de Dedução de Despesas Médicas 6) Glosa de Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi R$ 7) Glosa da Dedução de Despesas com Instrução R$ 8) Glosa de Dedução Indevida de Previdência Oficial R$ 9) Glosa de Dedução de Pensão Alimentícia não Contestada R$ 1.197,41 10) Prev. Oficial sobre Rendimento Omitido 11) Base de Cálculo Apurada (1+23+4+5+6+7+8+910) R$ 48.664,32 12) Alíquota % (conforme Tabela Progressiva Anual) 27,5 13) Parcela a deduzir do imposto (conforme Tabela Progressiva Anual) R$ 8.313,35 14) Imposto Apurado (11*1213) R$ 5.069,34 Ded. Inc. e/ou cont. prev. Emp. doméstico R$ 15) Total de Imposto Pago Declarado R$ 3.563,65 16) Glosa de dedução de Incentivo R$ 17) IRRF sobre infração e/ou CarnêLeão Pago R$ 18) Saldo do Imposto a Pagar Apurado e não contestado (1415+1617) R$ 1.505,69 19) Saldo do Imposto declarado R$ 1.176,40 20) Imposto já Restituído R$ 21) Imposto Suplementar não contestado (1819) R$ 329,29 Portanto, o valor em litígio corresponde a R$ 7.800,00 relativos a glosa de dedução de pensão no período de 01/2010 a 06/2010. Fl. 109DF CARF MF 4 A Administração Tributária pode exigir que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas realizadas quando entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim descritos: DecretoLeinº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Com relação à dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, a Lei nº 9.250/1995 assim dispõe: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (sem grifos no original) No acordo de divórcio consensual direto (fls. 80/82) consta que o cônjuge varão pensionará a cônjuge mulher com quantia equivalente a 33% (trinta e três por cento) da aposentadoria que recebe da TELOS Fundação Embratel de Seguridade Social, observando os descontos obrigatórios. A Sentença de homologação do acordo de divórcio, declarou o rompimento do vínculo matrimonial e expressamente exonerou as partes, reciprocamente, da obrigação alimentícia, por disporem de recursos próprios. Reproduzo: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 18470.722940/201313 Acórdão n.º 2202003.562 S2C2T2 Fl. 109 5 Assim, a pensão paga pelo notificado à Sra. Albertina Maria Geddes Lemos Guarino não se trata de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família de que trata a alínea "f" do inciso II do art. 8º da Lei nº 9.250/1995, não podendo ser deduzida da base de cálculo do IRPF. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário, mantendo o valor total de imposto a pagar de R$ 2.474,29, acrescido da multa de ofício e juros de mora correspondentes. (Assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726642/2009-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Numero da decisão: 9202-004.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 66 42 /2 00 9- 59 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10530.724190/200966. Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei 8.730/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada totalmente improcedente. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726642/200959 Acórdão n.º 9202004.109 CSRFT2 Fl. 323 3 Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Sobrestamento do feito dado que o STF reconheceu repercussão geral no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente; b) Os rendimentos previstos na Lei Estadual 8.730/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que seja reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que seja rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando, em síntese: a) Em consonância ainda com o art. 16 da Lei nº 4.506/64, serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado, para fins de incidência do Imposto de Renda, todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício de empregos, cargos ou funções. Logo, os valores recebidos a título de diferenças no cálculo da URV possuem natureza salarial e estão sujeitas ao imposto de renda. b) Não há Lei que isento do imposto de renda referidos rendimentos; Fl. 278DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 c) A Resolução STF nº 245/2002 é restrita ao abono variável aplicável aos membros da Magistratura da União, e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 923/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda também para os membros do MPF. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável das Leis n°s 10.477/2002 e 9.655/98 seria alargar as fronteiras da nãoincidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.091, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10530.724190/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.091): A solução do litígio será delineada através de itens que enfrentam de forma integral, os argumentos apresentados pela recorrente, respeitandose, ainda, a ordem dos quesitos apresentada, limitandose aqui, todavia, às matérias para as quais se deu seguimento ao pleito do contribuinte : a) Quanto à não incidência do IRPF pela natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à aplicação da Lei Estadual no. 8.730, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. Reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a.1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003: Fl. 279DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726642/200959 Acórdão n.º 9202004.109 CSRFT2 Fl. 324 5 Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias n os. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida Lei Estadual na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verificase sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas ao contribuinte pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos Fl. 280DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração. a.2) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Fl. 281DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726642/200959 Acórdão n.º 9202004.109 CSRFT2 Fl. 325 7 Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Veja se: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, o recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais constantes do auto de infração, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. a.3) Quanto aos efeitos do decidido no âmbito do RE 614.406/RS ao feito Reitero, também aqui, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória perceptível quando do servidor na ativa. Todavia, reconhecese aqui que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro Fl. 283DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726642/200959 Acórdão n.º 9202004.109 CSRFT2 Fl. 326 9 de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria eventualmente mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pela contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando a contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note se, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Feita tal digressão, verifico porém, que, no caso em questão, a autoridade fiscal já optou por tributar os valores com base nas alíquotas vigentes nos períodos que apurados o rendimento percebido a menor regime de competência (os rendimentos percebidos a menor referemse aos períodos de abril de 1994 a agosto de 2001) Acerca das tabelas progressivas/alíquotas aplicáveis aos meses de referência, de se consultar o resumo que se segue, que respalda a tabela utilizada pela autoridade autuante: Todavia, ainda que se tenha utilizado as alíquotas corretas, não há como se garantir que estivesse o autuado na faixa superior de recebimentos mensais para cada um dos meses de competência, uma vez que, notese, não se retroagiu, no lançamento, o momento de incidência aos meses dos anoscalendário de 1994 a 2001, constantes do demonstrativo detalhado fornecido pelo contribuinte em resposta à intimação da autoridade fiscal. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726642/200959 Acórdão n.º 9202004.109 CSRFT2 Fl. 327 11 Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de, nesta matéria, dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, tudo de acordo com o regime de competência. b) Quanto à incidência do IRPF sobre os juros de mora Para fins de solução do litígio quanto à esta matéria, de se perquirir a extensão dos efeitos da aplicação, ao presente feito, do decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do REsp 1.227.133/RS, quanto à incidência de juros de mora sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Tratase, notese, também de decisum de aplicação obrigatória neste Conselho, consoante art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF em vigor quando da prolação da decisão recorrida, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 e, ainda, conforme o art. 62, §1o. do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. A propósito, creio, em linha com o argumentado pela Fazenda Nacional em sede de contrarrazões, que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 estabelece: REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da Fl. 286DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez entender que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: 1) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e 2) se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima deve não incidir o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se obedeça o Fl. 287DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726642/200959 Acórdão n.º 9202004.109 CSRFT2 Fl. 328 13 julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. Aplicandose o acima disposto ao caso em questão: 1) Conforme já anteriormente delineado, entendo que não se está a tratar, aqui, de verba indenizatória, tendose concluído, no âmbito do presente voto, pela natureza remuneratória da verba principal de diferenças quando da conversão de Cruzeiro Real para URV sob análise, caracterizada, assim, a incidência do IRPF sobre tais verbas; 2) Verifico, também, que não se está a tratar de verbas recebidas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho; Concluo, assim, pela incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora em questão quando da aplicação do decisum vinculante constante do REsp 1.227.133/RS, a partir de sua interpretação detalhadamente estabelecida no âmbito do REsp 1.089.720/RS e, desta forma, nego provimento ao Recurso Especial da contribuinte também quanto a esta matéria. Destarte, diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso do Contribuinte, para determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação à verba recebida (inclusive juros) tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. É como voto. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 288DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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