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Numero do processo: 10945.720056/2007-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF
Exercício: 2005
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.
Deve ser mantida a GLOSA de IMPOSTO de RENDA RETIDO na FONTE
(IRRF) declarado pelo sujeito passivo, quando não restar comprovado que o valor da retenção refere-se aos rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.631
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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Deve ser mantida a GLOSA de IMPOSTO de RENDA RETIDO na FONTE (IRRF) declarado pelo sujeito passivo, quando não restar comprovado que o valor da retenção referese aos rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Célia Maria de Souza Murphy e Gonçalo Bonete Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 27/28) interposto em 10/12/2009 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (PR) (fls. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 21/22), do qual o Recorrente teve ciência em 10/11/2009 (fl.26), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 12 a 16, lavrado em 07 de março de 2007, em decorrência de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte e omissão de rendimentos tributáveis, verificada no anocalendário de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FIS1CA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MATÉRIA NÃOIMPUGNADA. Considerase nãoimpugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela contribuinte. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Não logrando o contribuinte comprovar mediante documentação hábil e idônea a retenção do imposto na fonte, é de se manter a glosa do valor pleiteado na declaração de ajuste anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação (fls.27/28) argumentando, em síntese, que: a) Cometeu um equívoco na elaboração de sua declaração do imposto de renda pessoa física, exercício de 2005, anocalendário de 2004, ao declarar que havia recebido rendimentos tributáveis oriundos do Banco Itaú S/A, no montante de R$ 21.704,04, com retenção do imposto de renda na fonte no valor de R$ 5.161,10; b) No anocalendário de 2004 percebeu rendimentos do Banco Itaú S/A, no entanto, relativos ao espólio de sua mãe, Srª EUNICE MARIA BLAUTH – CPF 488.363.11920, à título de herança; c) Tendo os rendimentos sido tributados na declaração do espólio, não devem ser novamente tributados na sua transferência ao herdeiro, pois nessa operação já consideramse rendimentos isentos. d) Quanto à omissão de rendimentos mencionados no acórdão de 1ª Instância, no valor de R$ 7.523,69, os mesmos poderiam ter sido declarados, sendo únicos rendimentos e, portanto, não alcançados pela tributação em decorrência de não atingirem o valor tributável da tabela progressiva da época. Por fim, requer retificação de sua declaração de ajuste do exercício de 2005, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10945.720056/200752 Acórdão n.º 2101001.631 S2C1T1 Fl. 2 3 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. De início, cabe ressaltar que a presente discussão cingese à compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, relativo à fonte pagadora BANCO ITAÚ S.A (CNPJ 60.701.190/000104). Em sua impugnação o Recorrente carreou aos autos os seguintes documentos alusivos à sua genitora: a) Certidão de óbito (fls.32); b) Declaração de ajuste anual simplificada – 2005 – Retificadora (fls. 33/35); e c) DIRF/Retificadora – Resumo do Beneficiário (fls.37) Conforme se extrai dos documentos acostados, o contribuinte não comprova as alegações constantes do recurso voluntário, no sentido de comprovar que os rendimentos são de titularidade do espolio, nem a comprovação da retenção do imposto. Quanto a retificação da declaração de ajuste, pleiteada pelo Recorrente, há que se observar o disposto no artigo 832 do RIR/99, que reza: Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (DecretoLei nº 1.967, de 1982, art. 21, e DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6º). Com efeito, não é cabível a retificação de declaração após iniciado o procedimento de ofício, o que não significa que o lançamento seja imutável, mormente em presença de evidente erro material. Em tese, constatandose que o contribuinte havia declarado como recebidos do BANCO ITAÚ S.A. valores lançados em sua declaração de ajuste anual como rendimentos tributáveis, quando não o eram, bem como informado erroneamente o valor do imposto retido alusivo ao recebimento, deve o lançamento ser retificado, com a finalidade de adaptálo à verdade material. No entanto, embora tenha tido oportunidade de comprovar inequivocadamente os erros argüidos, o contribuinte não o fez. Caso fosse essa essa a situação fática, fácil seria perceber que os demais valores tributáveis percebidos pelo Recorrente no ano de 2004, no montante de R$ 7.523,69, não seriam alcançados pela tributação por se tratar de valor não passível de alíquota específica da tabela progressiva anual do imposto de renda pessoa física, abaixo reproduzida, consoante o artigo 1º da Lei nº 10.451, de 10 de maio de 2002. Tabela Progressiva Anual Base de cálculo em R$ Alíquota % Parcela a deduzir do Imposto R$ Até 12.696,00 De 12.696,01 até 25.380,00 Acima de 25.380,00 15 27,5 1.904,40 5.076,90 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Ademais, ressaltese, ainda, que o valor de R$ 16.500,00, percebido pelo Recorrente do espólio de sua genitora, seria inferior ao limite estabelecido no artigo 1º, Inciso II da Instrução Normativa SRF nº 507 de 11 de fevereiro de 2005, in verbis: Art. 1º Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao exercício de 2005 a pessoa física residente no Brasil, que no anocalendário de 2004: (...) II recebeu rendimentos isentos, nãotributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma foi superior a R$ 40.000,00 (quarenta mil reais); Diante do exposto, nego provimento ao recurso. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13154.000416/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. VALORES PEDIDOS PELA RECORRENTE JÁ ACATADOS PELA AUTORIDADE LANÇADORA. IMPOSSIBILIDADE DE MAJORAÇÃO DA DEDUÇÃO.
As despesas médicas comprovadas nos autos já foram acatadas pela
autoridade lançadora.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-002.120
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. VALORES PEDIDOS PELA RECORRENTE JÁ ACATADOS PELA AUTORIDADE LANÇADORA. IMPOSSIBILIDADE DE MAJORAÇÃO DA DEDUÇÃO. As despesas médicas comprovadas nos autos já foram acatadas pela autoridade lançadora. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 03/07/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Fl. 111DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Em face da contribuinte ISABEL MARTINS DE SOUZA MORAES, CPF/MF nº 106.369.00134, já qualificada neste processo, foi lavrada, em 24/09/2007, notificação de lançamento, a partir da revisão de sua declaração de ajuste anual do ano calendário 2004. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 5.690,86 MULTA DE OFÍCIO R$ 4.268,14 À contribuinte foram imputadas as seguintes infrações: Dedução Indevida com Dependentes. Glosa do valor de R$ 3.816,00, correspondente à dedução indevida com dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência, conforme abaixo discriminado. ISIS MARTINS DE SOUZA MORAES, MAIOR DE 24 ANOS; MIGUEL MARTINS DE SOUZA, MORAES MAIOR DE 21 ANOS, NÃO COMPROVOU A CONDIÇÃO DE UNIVERSITÁRIO DATA DE NASCIMENTO 1981; MARIA MARTINS DE OLIVEIRA, MAIOR DE 24 ANOS. Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 16.878,01, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. (...) COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS INTIMADO, COMPROVOU DESPESAS MÉDICAS NO VALOR TOTAL DE R$ 38.034,31. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 4ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0419.459, de 27 de janeiro de 2010. A decisão acima restabeleceu o dependente Miguel Martins de Souza Moraes, filho menor de 24 anos da autuada no anocalendário auditado, estudante universitário, e restabeleceu a despesa médica com a Unimed (R$ 2.439,11). A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 09/04/2010 (fl. 73). Irresignada, interpôs recurso voluntário em 10/05/2010 (fl. 74). No voluntário, a recorrente alega, em síntese, que apresentou os recibos médicos na forma da legislação de regência, devendo as despesas médicas glosadas serem restabelecidas, com cancelamento do lançamento. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13154.000416/200881 Acórdão n.º 210202.120 S2C1T2 Fl. 2 3 É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que a contribuinte foi intimada da decisão recorrida em 09/04/2010 (fl. 73), sextafeira, e interpôs o recurso voluntário em 10/05/2010 (fl. 74), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 11/05/2010, terçafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo, devese anotar que a discussão nesta instância versa unicamente sobre a glosa de despesas médicas. A recorrente deduziu a título de despesas médicas na declaração de ajuste anual auditada o montante de R$ 54.912,32 (Kennedy Esteve Lima – R$ 10.000,00; Unimed – R$ 2:439,11; Associação de Recuperação da Saúde – R$ 10.590,00; Somed – R$ 20.005,20; Instituto Nacional do Seguro Social – R$ 1.684,01; Dental Guimarães – R$ 194,00; Hospital Samaritano Ltda. – R$ 10.000,00 – fls. 26 e 27), tendo pugnado apenas o restabelecimento do importe de R$ 43.034,31 na impugnação (prestadores Kennedy, Unimed, Somed e Associação recuperação da saúde) Já a autoridade lançadora havia reconhecido as despesas médicas no importe de R$ 38.034,31, glosando o montante de R$ 16.878,01, valores estes que totalizavam R$ 54.912,32, o montante informado na declaração de ajuste anual. Apesar da precariedade da descrição da infração, pois a autoridade fiscal não discriminou nominalmente as despesas médicas acatadas (ou as rejeitadas), inferese que o montante acatado é oriundo dos recibos emitidos pelos prestadores Unimed (R$ 2.439,11), Associação de Recuperação da Saúde (R$ 10.590,00), Somed (R$ 20.005,20) e Kennedy Esteves (R$ 5.000,00), que montam exatamente R$ 38.034,31, sendo que, para este último prestador, a fiscalização somente acatou metade da despesa declarada, pois, como se vê nas fls. 51 e 52, o contribuinte apresentou dois recibos idênticos de R$ 5.000,00, para fazer valer uma dedução de R$ 10.000,00. Essa inferência, do que foi acatado e rejeitado pela autoridade lançadora, decorre da identidade até as unidades de centavos da soma dos recibos em discussão, como aqui se demonstrou. Dessa forma, não deveria a decisão a quo ter restabelecido a despesa com a Unimed (R$ 2.439,11), pois esta já havia sido acatada pela autoridade lançadora. Entretanto, não cabe a esta instância agravar a situação do contribuinte, pois não tem poderes para tanto. Concluindo, considerando que a contribuinte somente pediu desde a impugnação o restabelecimento de um montante de despesas médicas de R$ 43.034,31, comprovando documentalmente apenas um total de R$ 38.034,31, pois não se pode acatar uma despesa de R$ 10.000,00 com o prestador Kennedy Esteves, já que os recibos apresentados (2) deste prestador são idênticos (ambos de R$ 5.000,00, emitidos na mesma data), vêse que não há qualquer valor adicional a deferir como despesa médica em favor da recorrente, pois tudo que ela comprovou já lhe tinha sido deferido pela autoridade lançadora. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 114DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13971.004624/2009-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 04/03/2004 a 09/11/2006
RESPONSABILIDADE. INFRAÇÕES. IMPORTAÇÃO. SOLIDARIEDADE. AUTUAÇÃO ISOLADA DO IMPORTADOR DE FATO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
A ausência do importador de direito na autuação (ocultante) não exclui a responsabilidade do autuado (importador de fato / ocultado).
PROVIMENTO DE RECURSO DE OFÍCIO QUE ANALISA PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. REENVIO AO TRIBUNAL A QUO.
Na hipótese de a decisão de primeira instância pela nulidade da autuação, em sede preliminar, sem análise do mérito da impugnação, ser revertida em segunda instância, devem os autos ser remetidos ao tribunal a quo, para apreciação dos argumentos expostos na impugnação, ainda não analisados, a partir do decidido na última instância administrativa, para que não se configure supressão de instância.
Numero da decisão: 3403-001.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, determinando-se o retorno dos autos à DRJ para apreciação dos demais argumentos da impugnação.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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INFRAÇÕES. IMPORTAÇÃO. SOLIDARIEDADE. AUTUAÇÃO ISOLADA DO IMPORTADOR DE FATO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ausência do importador de direito na autuação (ocultante) não exclui a responsabilidade do autuado (importador de fato / ocultado). PROVIMENTO DE RECURSO DE OFÍCIO QUE ANALISA PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. REENVIO AO TRIBUNAL A QUO. Na hipótese de a decisão de primeira instância pela nulidade da autuação, em sede preliminar, sem análise do mérito da impugnação, ser revertida em segunda instância, devem os autos ser remetidos ao tribunal a quo, para apreciação dos argumentos expostos na impugnação, ainda não analisados, a partir do decidido na última instância administrativa, para que não se configure supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, determinandose o retorno dos autos à DRJ para apreciação dos demais argumentos da impugnação. Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 46 24 /2 00 9- 15 Fl. 3625DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls. 2727 a 29681), aplicando multa no valor aduaneiro da mercadoria (R$ 19.318.221,60), diante da impossibilidade de aplicação da pena de perdimento, em virtude da “não localização ou consumo das mercadorias importadas irregular ou fraudulentamente, em função de prática utilizada pela autuada, legalmente definida como dano ao Erário” (“interposição fraudulenta na importação, mediante ocultação do sujeito passivo, comprador ou responsável pela operação”). Na autuação, lavrada em 16/11/2009, com amparo no art. 23, § 3o do Decretolei no 1.455/1976, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002, narrase que a empresa promoveu importações de mercadorias da marca “Taschibra” por intermédio da empresa Proimport Brasil LTDA (Proimport), que registrava as Declarações de Importação (DI) em nome próprio (declarando ser importadora e adquirente das mercadorias). Informase ainda que: (a) em 27/6/2003, em procedimento especial de fiscalização aberto contra a empresa All Home Com. Imp. e Exp. LTDA (All Home) fls. 5 a 6, constatouse que esta ocultava a empresa Brasilux Ind. e Com. Imp. e Exp. LTDA (Brasilux) em operações de importação, gerando, em 5/7/2007, a autuação de fls. 7 a 99, mantida pelo julgador administrativo em primeira instância (fls. 100 a 133); (b) em diligência efetuada na Brasilux (MPF de fl. 134), foram retidos, em 5/7/2007, os documentos relacionados às fls. 137 e 138, apurandose que as importações anteriormente efetuadas pela All Home, a partir de 19/12/2003 passaram a ser feitas pela Proimport; e (c) convertido o MPF de diligência em fiscalização, intimouse, então, em 24/3/2009, a Proimport a apresentar documentos referentes às 175 declarações de importação indicadas às fls. 139 e 140 e, em 9/6/2009, a empresa Brasilux a apresentar os livros relacionados à fl. 187, e os documentos e arquivos complementares (cópias dos documentos apresentados e de solicitações adicionais às fls. 142 a 186, e 195 a 2723); (d) constatouse que, em dezembro de 2003, a Brasilux deixou de operar com a interposta All Home que 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 3626DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403001.912 S3C4T3 Fl. 3.626 3 estava sob procedimento fiscal passando a operar com a interposta Proimport, empresa Fundapiana, fato claramente observado na planilha I (fl. 383), o que perdurou até 2006, quando a empresa Proimport passou, como importadora por encomenda, a registrar formalmente DI em nome da encomendante Brasilux (em que pese ter havido, após a formalização, uma 175a e última DI da Proimport acobertando fraudulentamente a Brasilux); (e) as 175 DI objeto da autuação abarcam o período de 4/3/2004 a 9/11/2006, tendo operado a decadência em relação às declarações de importação anteriores; (f) embora o tipo infracional seja objetivo (ocultação do real adquirente), não demandando a averiguação dos benefícios obtidos com a fraude, destacamse na autuação alguns deles, como: (1) a quebra da cadeia do IPI (com sonegação desse tributo, cf. exemplos de fls. 2745 a 2750), (2) a fuga à parametrização (que direciona a seleção fiscal para canais diferentes dos que seriam cabíveis se informada fielmente a operação recordandose que à época em que a Proimport começa a operar as DI da Brasilux estavam sendo direcionadas para o canal cinza, de análise mais rigorosa), e (3) a burla aos controles aduaneiros (habilitação e estimativas de importação, permitindo a duas outras empresas administradas pelo sócio majoritário da Brasilux, Sr. Afonso Luiz Schreiber Eletrobrasil e World Brasil situadas no mesmo endereço da Brasilux, importarem além de seus limites permitidos pela RFB); (g) o Sr. Afonso Luiz Schreiber assumiu a administração da All Home (que teve sua habilitação para operar no comércio exterior cancelada em 2004, por inatividade) em 21/12/2007 (com 99,8% de participação, sendo os outros 0,02% em nome de Natalie Schreiber Filippi), em substituição a seu irmão, Sr. Germano Schreiber, com alteração da empresa para o mesmo endereço da Brasilux; (h) a marca “Taschibra” está registrada no INPI na titularidade da empresa ALS Administradora de Bens, que tem como sócioadministrador majoritário o Sr. Afonso Luiz Schreiber (com 50%, sendo os outros 4 sócios também da família Schreiber, detendo 12,5 % de participação cada); (i) com base em informações do sítio da “Taschibra”, com domínio registrado em nome da Brasilux, e no sítio da Fl. 3627DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 própria Brasilux (onde a empresa é chamada de “Brasilux/Taschibra” fls. 2764 e 2765), verificouse a existência de uma filial da “Brasilux/Taschibra” em Xangai/China, onde são fabricados os produtos importados para o Brasil; (j) o nome “Taschibra”, conforme se informa no sítio, é uma homenagem ao inventor Thomas Alva Edson, ao fundador da empresa Afonso Luiz Schreiber, à China e ao Brasil, o que só endossa a clara conexão direta entre a empresa brasileira e a chinesa; (k) “Taschibra” e Brasilux são nomes usados indistintamente em diversos documentos da empresa, na lista telefônica, nas placas indicativas da empresa, outdoors etc.; (l) as mercadorias importadas nas 175 DI objeto da autuação, oriundas da China, ostentavam, em regra (1067, de um total de 1087 itens) a marca “Taschibra”, sendo descritas na DI, na fatura comercial e no conhecimento de carga como sendo da marca “Taschibra”; (m) as 175 DI foram registradas em nome da Proimport, que indicava ser a importadora e a adquirente dos produtos da marca “Taschibra” (sendo que havia determinação normativa de indicação da natureza da operação conta e ordem, inicialmente no campo informações complementares ou em campo próprio da DI); (n) após a importação, a Proimport revendia as mercadorias (99,3% delas ao grupo “Taschiba”/Brasilux), e a análise da documentação apresentada comprova que a empresa Brasilux era responsável por suprir os recursos à empresa Proimport antes da remessa destes ao fornecedor estrangeiro, independentemente de sua posterior revenda ser para o grupo “Taschibra” ou não; (o) a Proimport, assim, registrava importações da marca Taschibra oriundas da China e as revendia à própria Taschibra brasileira (com todos os benefíciso fiscais e extrafiscais daí decorrentes, e em oposição à legislação vigente); (p) vários elementos, como a alteração de um embarque da empresa World Brasil para Proimport, mediante autorização do Sr. Afonso Luiz Schreiber (fls. 2780 a 2784), a demonstração de que a Brasilux efetuava o pagamento das despesas inerentes ao despacho aduaneiro (v.g. fls. 2785, 2814, 2817, 2822, e 2825, bem assim a solicitação de numerário de fls. 2933/2934), e a posse de documentos relativos ao despacho pela Fl. 3628DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403001.912 S3C4T3 Fl. 3.627 5 Brasilux (por exemplo, casos de faturas ainda em fase de elaboração na Brasilux, com correções, inclusive de valor, depois incorporadas à fatura definitiva de posse da Proimport v.g. fls. 2789, 2792, 2794, 2798 e 2819), endossam ainda mais a prática da interposição fraudulenta; (q) a empresa Brasilux, se fosse mera adquirente de produtos importados pela Proimport, não teria acesso às despesas da importadora, aos trâmites operacionais do despacho de importação (como os problemas enfrentados no recebimento de mercadorias da China fls. 2937/2938), detalhes do embarque (há inclusive fax da transportadora à Brasilux após o embarque das mercadorias fl. 2847), preços de compra da mercadoria no exterior, nem acesso direto ao exportador estrangeiro; (r) os fornecedores chineses das mercadorias importadas diretamente pela Brasilux (92 DI) no mesmo período das importadas por intemédio da Proimport (175 DI) são comuns, e há documentos que demonstram o contato direto do representante da Brasilux com o fornecedor (v.g. no caso de diferença na conferência de mercadorias fls. 2696 a 2705); (s) a autuada não só concorreu para a prática da infração como foi a artífice e principal beneficiária do esquema engendrado; (t) a interposição fraudulenta é caracterizada como dano ao Erário, ensejador da pena de perdimento; (u) intimada a apresentar as mercadorias importadas para fins de aplicação da pena de perdimento (fls. 2719/2720), a autuada não o fez, tendo respondido (fls. 2722/2723) com a alegação de não possuir informações acerca de 174 DI, pois as mercadorias não foram importadas pela Brasilux (afirmando que na 175a importação foi por encomenda e a mercadoria foi consumida); e (v) sendo a alegação da empresa totalmente avessa ao constatado na autuação, e sendo a 175a DI resultante de adulteração de documentos somada a ausência de escrituração contábil da operação, ambos comprovados na autuação, a falta de apresentação das mercadorias enseja a aplicação da multa prevista no art. 23, § 3o do Decretolei no 1.455/1976, no valor aduaneiro destas (com a conversão do câmbio na data do registro de cada DI, perfazendo o total de R$ 19.318.221,60). Fl. 3629DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 Cientificada da autuação em 25/11/2009 (fl. 2968), a empresa Brasilux apresenta impugnação em 21/12/2009 (fls. 2990 a 3041), sustentando que: (a) após dois anos da retenção de documentos, em decorrência de diligência amparada por MPFD, a empresa recebeu termo de início de procedimento fiscal, sendo intimada a apresentar documentos, e cientificada da conversão do MPFD em MPFF (de fiscalização); (b) depois de apresentar os documentos solicitados, a empresa foi intimada, em 30/10/2009, a apresentar, em 10 dias, mercadorias relativas a diversas declarações de importação, para fins de aplicação da pena de perdimento, sem que lhe fosse permitido apresentar quaisquer esclarecimentos; (c) em resposta (fls. 2722/2723), a empresa informou que as mercadorias de uma das DI foram consumidas, mas que não possuía informação sobre as outras 174 DI, solicitando ao fisco que detalhasse ao menos as Notas Fiscais de Entrada relativas a cada mercadoria, para que a empresa pudesse localizálas (destacandose que o fisco paradoxalmente estava de posse da documentação referente às DI); (d) sem análise da resposta da empresa, sobreveio então a autuação objeto do presente processo, imputando à empresa o cometimento de infração advinda de sua própria ocultação fraudulenta, mediante a utilização de interposta pessoa, nas 175 DI resgistradas pela Proimport; (e) houve irregularidade na prorrogação da validade do MPF, por inobservância das formalidades imprescindíveis (ausência de informação ao sujeito passivo das prorrogações e inexistência de demonstrativo de emissão e prorrogação do MPF), o que implica extinção do mandado, e invalidez do lançamento (por incompetência do agente); (f) quanto aos documentos apreendidos na Brasilux, (1) as “papeletas de quitação de fechamento de câmbio” são documentos internos de controle da importadora (Proimport), que não possuem valor probante, não tendo sido comprovada a origem das solicitações; e (2) não se reconhece a origem dos email e documentos apócrifos utilizados na autuação, e que não constam do relatório de documentos retidos, o que prejudica a liquidez e a certeza de sua licitude; (g) parte dos créditos lançados já restaram atingidos pela decadência, não se aplicando o CTN por não se estar tratando de crédito tributário, devendo reger a matéria o Fl. 3630DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403001.912 S3C4T3 Fl. 3.628 7 art. 139 do Decretolei no 37/1966 (ou, alternativamente, o Decreto no 20.910/1932, que leva ao mesmo resultado), e ainda que se entenda tratarse de crédito tributário, há de se aplicar a regra do art. 150, § 4o do CTN, por ter ocorrido antecipação/pagamento de tributos (o que também resulta na mesma conclusão: a de que estava decaído o direito de lançar multa relativa às DI registradas antes de 25/11/2004, retroagindo cinco anos da ciência da autuação); (h) a marca “Taschibra” em território chinês não pertence à impugnante, mas ao próprio fabricante de lâmpadas chinês, e os dados levantados pelo fisco sobre a marca e as empresas All Home, Eletrobrasil e World Brasil não são pertinentes ao caso concreto; (i) a Brasilux nunca negou a existência do grupo econômico, nem o fato de ser cessionária da marca “Taschibra” (de fato as empresas Brasilux, All Home, Eletrobrasil e World Brasil possuem sócios em comum, e as operações realizadas pela All Home foram efetivamente realizadas irregularmente, tanto é que este débito já foi objeto de parcelamento no âmbito da Lei no 11.941/2009, e isso não pode levar à conclusão de que a empresa continua atuando irregularmente); (j) não há continuidade delitiva, pois a ocultação do adquirente mediante interposição de pessoas apenas foi considerada infração a partir da MP no 66/2002, e nesse primeiro momento abrangeu somente as importações realizadas por conta e ordem de terceiros; (k) as operações realizadas pela Proimport foram por encomenda (modalidade que posteriormente foi contemplada pela Lei no 11.281/2006), com recursos próprios da importadora, sem que a Brasilux fornecesse ou antecipasse qualquer suporte financeiro às operações de importação; (l) ao mesmo tempo em que afirma existir continuidade delitiva, com simples alteração do ocultante (de All Home para Proimport), a autoridade autuante adota procedimento diferente nas duas autuações: naquela, a interposta pessoa foi notificada, justamente por ser a agente da fraude (vez que ela é que registra a DI), sendo a Brasilux solidária, enquanto nesta a interposta pessoa nada sofreu, o que é estranho, pois a situação é idêntica; (m) a pessoa que se interpõe é que realiza as condutas que caracterizam o núcleo do tipo legal da pena de Fl. 3631DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 perdimento, portanto é ela que deve ser apenada com o perdimento das mercadorias; (n) não há que se falar em fraude ou simulação se não houver supressão de tributo ou ocultação de real beneficiário da operação, ou seja, se o sujeito omitido não for equiparado a importador (no caso, o encomendante ainda não o era); (o) é evidente que a infração prevista na MP no 66/2002 somente se aplicava às importações por conta e ordem, pois apenas nessa hipótese o real adquirente se equiparava ao importador, nos termos do art. 79 da MP no 2.158/2001, passando a abranger as importações por encomenda apartir da Lei no 11.281/2006; (p) as importações por encomenda sem identificação do encomendante, antes da vigência da Lei no 11.281/2006, não eram tipificadas como infração; (q) para a configuração da interposição fraudulenta são necessários dois agentes, o ocultador e o ocultado, devendo ambos serem responsabilizados pelo fisco (como na autuação anterior, da All Home); (r) é impossível o ocultado realizar o núcleo da conduta, e por isso é uma aberração aplicar somente a ele a pena de perdimento, pois estarseia punindo só o mandante, e não o agente da infração; (s) a suposta ocultante, a empresa Proimport, não foi punida justamente por não haver irregularidade nenhuma nas importações, sendo que sequer foi solicitada a correção das DI pelo fisco; (t) mesmo que se configurasse a infração, a falta de responsabilização da autora da infração implicaria impossibilidade de aplicação de penalidade à Brasilux, pois segundo os princípios de direito penal, a renúncia concedida a um réu se estende a todos; (u) na DI no 06/13570833, o encomendante foi devidamente identificado, como se observa na fl. 1473, não havendo que se falar em interposição fraudulenta (o que ocorreu foi simplesmente substituição do importador contratado, que tinha atingido suas quotas de importação concedidas pelo fisco “Radar”), visto que a Brasilux adquiriu as mercadorias e foi inclusive equiparada a contribuinte do IPI nessa operação, e, ao contrário do que afirma a fiscalização, houve contabilização da operação (que não foi constatada pelos fiscais porque ocorreu com atraso, em 2007); Fl. 3632DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403001.912 S3C4T3 Fl. 3.629 9 (v) a Brasilux é encomendante, e não uma singela adquirente de mercadorias no mercado interno, e por isso tem acesso a informações do importador e indica o que será importado, tudo dentro do permitido pelo § 3o do art. 11 da Lei no 11.281/2006; (w) todas as despesas (como tributos incidentes na importação, capatazia , armazenagem, frete, honorários de despachante, fechamento de câmbio etc) eram suportados pela Proimport, com recursos próprios desta, não tendo havido qualquer antecipação de numerário da Brasilux à Proimport (pelo contrário, a Proimport é que financiava a Brasilux); (x) a importadora, utilizando dos mecanismos comerciais, retardava o fechamento de câmbio, que as vezes era quitado após o pagamento das duplicatas (daí as “papeletas de quitação do fechamento” em data posterior a pagamentos de duplicatas); (y) a empresa junta aos autos documentação elaborada pela Proimport que demonstra os pagamentos realizados e recebidos em 18 importações, afirmando que carrearia aos autos posteriormente as demais, em virtude de dificuldade de obtenção junto à importadora em tempo exíguo, e, usando como exemplo a DI no 04/09048199, explica o mecanismo de pagamentos de duplicatas pela Brasilux à Proimport, e sua desvinculação cronológica com o fechamento de câmbio; (z) para configurarse adiantamento de valores, o pagamento deve ser procedido dentro do desencadear da operação de importação por encomenda; (aa) a Proimport tem capacidade financeira para efetuar as importações, o que poderia ter sido verificado pela fiscalização, que optou por não incluíla no polo passivo; (bb) ainda que se entenda que a operação não foi por encomenda, ad argumentandum, não houve importação por conta e ordem, pois a importadora não possuía habilitação para tal; (cc) a equiparação do encomendante ao importador, pela Lei no 11.281/2006, instituiu nova obrigação tributária, e, portando deveria respeitar o princípio da anterioridade (de exercício e nonagesimal), somente cabendo a pena de perdimento ou a multa substitutiva a partir de 2007, pois tais penalidades são diretamente vinculadas à Fl. 3633DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 10 existência de responsabilidade advinda da equiparação do encomendante ao importador; (dd) não houve dano ao Erário, pois não ocorreu dano patrimonial ao fisco, nem quebra da cadeia do IPI (pois, mesmo que houvesse equiparação, grande parte das mercadorias não é tributada na saída), nem fuga aos controles aduaneiros (pois a contratação de trading companies e empresas com limites maiores de importação é lícita). (ee) não se pode imputar à Brasilux a pena de perdimento (ou multa substitutiva) no caso de mercadorias adquiridas pela Eletrobrasil, All Home e World Brasil, pois a Brasilux não é nem foi detentora da posse ou propriedade das mercadorias; e (ff) no caso em análise, não houve comprovação da não localização, da transferência ou do consumo das mercadorias importadas (em virtude de não ter havido por parte da autuada, quando intimada, condições de manifestarse sobre mercadorias importadas pela Proimport e que, em diversos casos, sequer eram a ela destinadas); e (gg) a solicitação da Brasilux para que fosse detalhada a mercadoria que se solicitava apresentar não foi considerada pela fiscalização. Em 27/8/2010, ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 3610 a 3618), tendo o julgador a quo analisado somente a questão da sujeição passiva (entendida como suficiente para a nulidade do lançamento, com a procedência da impugnação), concluindo que: (a) o adquirente e o encomendante das mercadorias importadas não podem ser solidários pelos tributos sem que se tenha determinado e autuado o contribuinte; (b) a previsão legal de os acusados responderem pela infração “conjunta ou isoladamente” não permite que o autuante eleja entre eles aquele que deve responder pela infração (em outras palavras, identificados mais de um infrator todos devem ser autuados conjuntamente); (c) parcial razão cabe à interessada quando afirma que a não autuação da importadora “Proimport Brasil Ltda” fere seu direito de defesa em razão de não possibilitar a apresentação da documentação fiscal e contábil daquela empresa (cumpre verificar que os registros, documentos contábeis e bancários e esclarecimentos da importadora de direito, aquela em nome de quem foram registradas as Declarações de Importação, são de fundamental importância para se comprovar a correção das operações de importação realizadas); Fl. 3634DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403001.912 S3C4T3 Fl. 3.630 11 (d) o auto de infração padece de vicio de sujeição passiva, uma vez que foi lavrado em afronta ao disposto nos artigos 121 e 142 do CTN; e (e) houve preterição do direito de defesa. O processo foi remetido então a este CARF, com recurso de ofício, nos termos do 34 do Decreto no 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei no 9.532/1997, e do art. 1o da Portaria MF no 3/2008, em virtude do montante exonerado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A decisão de primeira instância, objeto de recurso de ofício, tem a seguinte ementa: “ILEGITIMIDADE PASSIVA. VÍCIO. Padece de vicio o lançamento efetuado com erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária.” A DRJ considera que o erro na identificação do sujeito passivo reside na ausência do ocultante no polo passivo da autuação: “O presente caso não se trata de exigência de tributos, mas sim de multa por infração. Todavia, a infração acusada tem evidentes reflexos tributários, inclusive ressaltados na peça acusatória quando se demonstra o dano financeiro ao Erário em razão da burla equiparação do adquirente de mercadoria importada aos contribuintes do imposto sobre produtos industrializados. Assim, não há como se afastar das normas que definem a solidariedade do adquirente e do encomendante predeterminado de mercadorias importadas, com o importador. E nesse âmbito há que se concluir que o adquirente e o encomendante das mercadorias importadas não podem ser solidários pelos tributos sem que se tenha determinado e autuado o contribuinte. (grifo nosso) Passase, assim, de pronto, a analisar a sujeição passiva, buscando identificar a escorreição ou não da decisão de primeira instância. Fl. 3635DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 12 Da sujeição passiva O Código Tributário Nacional trata da sujeição passiva em seus arts. 121 a 127, cabendo destacar que: “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.” (...) “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei.. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” Inquestionável, no presente processo, que a empresa Brasilux, autuada, tinha interesse comum na importação das mercadorias pelo importador de direito (Proimport) a ela destinadas, pois ambas as empresas previamente acordaram as condições da introdução das mercadorias no território nacional e sua posterior transferência para a Brasilux, participando a Brasilux ativamente do processo de importação. Por diversas ocasiões, em sua impugnação, a autuada o reconhece explicitamente, afirmando que as operações eram feitas por sua encomenda: “78. [...] é imperioso elucidar que a Impugnante nunca negou a existência de grupo econômico, nem o fato de ser cessionária da marca Taschibra”. 79. As empresas All Home, Eletrobrasil, World Brazil e Brasilux de fato possuem sócios em comum, e as operações realizadas à época pela All Home, em home. da Impugnante ,foram efetivamente realizadas irregularmente, tanto que este débito já foi objeto de parcelamento no âmbito da Lei n. 11.941/2009.” (...) “141. Deste modo, as importações realizadas pela sistemática de encomenda sem identificação do encomendante, no período em questão, são absolutamente regulares, pois a legislação não exigia a identificação deste nos documentos atinentes à importação” (...) “178. Contudo, e que isto fique bem claro, a Impugnante não é uma singela adquirente de mercadorias, mas uma encomendante de mercadorias prédeterminadas, ou seja, ao contrário do que afirmam os agentes fiscais, a Impugnante não adquire simplesmente mercadorias no mercado nacional a fim de cumprir seu objeto social, mas as encomenda! E encomendar significa identificar o que será importado, significa ter acesso e repassar imformações ao importador, enfim, significa indicar o que, quando e qual quantidade será importada”.(grifos no original) Fl. 3636DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403001.912 S3C4T3 Fl. 3.631 13 Não se apresenta, assim, a mínima margem de dúvida de que a empresa autuada é solidariamente obrigada em relação ao crédito tributário. Sem embargo, ante a ausência da importadora de direito (Proimport) no polo passivo da autuação, há de se destacar duas observações. A primeira remete ao parágrafo único do artigo 124 do Código Tributário Nacional (que estabelece não haver benefício de ordem na solidariedade tributária). Sobre tal comando, ensina Luciano Amaro: “Por cuidarse de solidariedade passiva, situação na qual o credor tem a prerrogativa de exigir de qualquer dos co obrigados (ou de todos) o cumprimento da obrigação, seria desnecessário dizer, como faz o parágrafo único do art. 124, que a ‘solidariedade referidas neste artigo não comorta benefício de ordem’.” 2 (grifo nosso) A conclusão da DRJ, de que não se pode exigir crédito tributário de responsável solidário sem que se tenha autuado o contribuinte, assim, encontra obstáculo interpretativo no art. 124 do CTN, pois a inexistência de benefício de ordem não se coaduna com a obrigatoriedade de autuação de um, de outro, ou de ambos os membros do polo passivo da relação tributária. A segunda observação referese à natureza da exigência fiscal. Vejase que o montante exigido é a título de penalidade, e não de tributo. A multa a que se refere a autuação decorre da impossibilidade de aplicação da pena de perdimento às mercadorias irregular ou fraudulentamente importadas, ante sua não localização ou seu consumo. A aplicação da pena de perdimento está prevista na legislação aduaneira (principalmente nos DecretosLeis no 37/1966 e no 1.455/1976), que lhe outorga tratamento sensivelmente distinto daquele delineado na legislação tributária (inclusive no que se refere a ritos e instâncias julgadoras). O julgador a quo não deixou de tomar em conta esse fator, trazendo ao voto condutor do acórdão o art. 95 do DecretoLei no 37/1966, que afirma responder pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie, seja o importador, o adquirente de mercadorias por conta e ordem, ou o encomendante predeterminado. De tal comando, extrai o julgador a quo que: “Identificados os infratores todos devem responder pela infração conjuntamente. No outro sentido, no caso de se identificar apenas um dos infratores este responderá isoladamente. Essa é a interpretação que deve se dar aos dispositivos legais em trato. Portanto, a previsão legal de os acusados responderem pela infração "conjunta ou isoladamente" não permite que o autuante eleja entre eles aquele que deve responder pela infração. Em outras palavras, identificados mais de um infrator todos devem Ser autuados conjuntamente, conforme previsão legal. Como visto, não foi esse o procedimento adotado pela fiscalização, que autuou unicamente a pessoa jurídica que 2 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 308309. Fl. 3637DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 14 concluiu ser a real adquirente das mercadorias importadas.” (grifo nosso) Vêse novamente que o julgador relaciona a ausência do coautor da infração na autuação à exoneração da responsabilidade do autuado. Tal leitura do comando legal apresenta contradição lógica. Vejamse, além do inciso I, os incisos V e VI do comando legal: “Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006)”. Levada adiante a interpretação do julgador de primeira instância, seria ilógico que os incisos V e VI utilizassem a expressão “conjunta ou isoladamente”, visto que tais operações (conta e ordem e encomenda) são realizadas de forma conjunta (entre importador e adquirente, ou importador e encomendante), e um eventual acobertamento ou ocultação não poderia ser praticado somente com a ação de um operador, como reconhece a própria decisão de piso: “Não se pode olvidar que, ainda que se comprove que a real adquirente das mercadorias importadas tenha sido a mentora da fraude acusada, a infração não teria como ser cometida sem o envolvimento direto da importadora que registrou as Declarações de Importação em seu nome.” Não se pode confundir a prática conjunta ou isolada com a responsabilidade conjunta ou isolada. É não só possível, mas frequente que agentes que concorrem conjuntamente para a prática de uma infração respondam de forma isolada, em autuações distintas, e, às vezes, com penalidades distintas. Nesse sentido vale recordar decisão recente, exarada no âmbito deste CARF, em caso que guarda notória relação com o tratado no presente processo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO [...] PENA DE PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. SUJEIÇÃO PASSIVA. IMPORTADOR OSTENSIVO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não sendo possível a cominação da pena de perdimento e identificado o importador oculto no curso da fiscalização, o importador ostensivo estará sujeito à multa de 10% da operação (Lei nº 11.488/2007, art. 33) e à multa substitutiva correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria importada (DecretoLei nº 1.455/1976, art. 23, V, § 3º). Esta será devida solidariamente pelo importador oculto, na condição de coautor, ou por qualquer outra pessoa que se enquadre nas Fl. 3638DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403001.912 S3C4T3 Fl. 3.632 15 demais hipóteses de responsabilização solidária do art. 95 do DecretoLei nº 37/1966, notadamente aquele que se beneficia com a prática da infração. Não há erro na imputação subjetiva quando o auto de infração impõe a penalidade apenas a um dos coautores identificados.” 3 Convém ainda transcrever excerto do voto condutor do referido julgamento do CARF, acolhido unanimemente pela Turma4: “Com efeito, o exame dos autos mostra que a empresa (...), ao figurar formalmente na documentação de importação, agiu como importadora ostensiva de mercadorias destinadas à Recorrente (...) (importadora oculta). A Recorrente (...), por sua vez, embora não tenha figurado formalmente em nenhum documento de importação, coordenava a operação e se utilizava da importadora ostensiva (...) para internalizar mercadorias destinadas à (...).” “Diante disso, constatada a impossibilidade de cominação da pena de perdimento, a Fiscalização, à luz da legislação aplicável e dos precedentes do Carf acerca da interposição fraudulenta, deveria ter cominado à importadora ostensiva (...) a multa de 10% da operação acobertada (Lei nº 11.488/2007, art. 33) e a multa substitutiva do perdimento (DecretoLei nº 1.455/1976, art. 23, V, § 3º); esta última, em solidariedade com o importador oculto (...) e com a (...), que, no caso, coordenou e auferiu vantagem financeira com a operação, concorrendo e se beneficiando com a prática do ato (DL 37/1996, art. 95, I). A Fiscalização, entretanto, deixou de penalizar a importadora ostensiva, cominando a pena substitutiva do art. 23, § 3º, apenas aos demais coautores. Esse equívoco, todavia, não implica a nulidade do auto de infração, porque a omissão de um dos coautores não afasta a responsabilidade dos demais agentes que concorreram para a prática do ato. Não há, destarte, uma interdependência entre as relações jurídicas, porque a responsabilidade solidária, na hipótese, decorre da coautoria. Tanto é assim que, na maioria dos casos, o importador ostensivo é punido de forma autônoma, mesmo quando não identificado o real adquirente. É o que ocorre na interposição fraudulenta por presunção, que é caracterizada, nos termos do § 2º do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/1976, sempre que o importador não é capaz de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação. Da mesma forma, se o importador ostensivo, embora identificado, deixa de ser penalizado porque a autoridade fazendária entendeu que apenas a multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 lhe seria aplicável, subsiste a responsabilidade do importador oculto e dos demais coautores (como, no caso, a ...).” 3 Acórdão 380200.914, CARF/2a TE/3a Seção, Rel. Cons. Solon Sehn, unânime, sessão de 21.mar.2012. 4 Suprimindose o nome das empresas envolvidas. Fl. 3639DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 16 Improcedente, assim, a decisão de primeira instância no aspecto analisado. A ausência do importador de direito (Proimport) na autuação não exclui a responsabilidade do autuado (importador de fato). A decisão de piso traz ainda, ao final (em que pese não estar explicitamente presente na ementa tal argumento), como motivação ensejadora da nulidade, a preterição do direito de defesa, fazendo referência ao art. 59, II do Decreto no 70.235/1972. Entende o julgador que a ausência do importador de direito (Proimport) na sujeição passiva constituiu um obstáculo à defesa da importadora de fato autuada (Brasilux), como se percebe em excerto que antecede a referida parte final do voto condutor do acórdão: “Assim, há que se acatar que parcial razão cabe à interessada quando afirma que a não autuação da importadora "Proimport Brasil Ltda" fere seu direito de defesa em razão de não possibilitar a apresentação da documentação fiscal e contábil daquela empresa. Cumpre verificar que os registros, documentos contábeis e bancários e esclarecimentos da importadora de direito, aquela em nome de quem foram registradas as Declarações de Importação, são de fundamental importância para se comprovar a correção das operações de importação realizadas.” Passase, a seguir, a tratar desse segundo tema, igualmente importante na identificação da procedência do entendimento do julgador a quo. Do direito de defesa A empresa autuada, como se percebe do já exposto, efetuou importações por meio da empresa Proimport, o que é uníssono e incontestável. Na autuação, a conduta imputada é de que a autuada, importadora de fato (Brasilux), importou por intermédio de interposta pessoa, de forma fraudulenta. São juntados ao processo os documentos referentes a todas as 175 Declarações de Importação objeto da autuação (extrato da declaração e documentos instrutivos). Quando o fisco solicita à autuada a apresentação das mercadorias importadas para fins de aplicação da pena de perdimento (fls. 2719/2710), a empresa informa (fls. 2722/2723) que a mercadoria de uma das DI foi consumida, e que, em relação às outras 174 DI: “[...] não possui, em seus registros, quaisquer informações relativas às respectivas importações, o que leva a concluir que não foram importadas pela Brasilux.” Verificando a documentação apreendida na empresa, e as alegações em sede de impugnação que confirmam ser as mercadorias importadas por encomenda da Brasilux à empresa Proimport, sendo que a Brasilux é que definia preços, quantidades e outros fatores relevantes da importação, é irrazoável a alegação de desconhecimento. Contudo, nessa etapa do processo ainda não estava instaurado o contencioso, que tem início com a ciência da autuação. Inaugurado o contencioso, a empresa obteve cópia da documentação referente à autuação e documentos complementares constantes no presente processo (fl. 2986), e teve à sua disposição a íntegra do processo, onde consta, como aqui explicitado, toda a documentação instrutiva das 175 Declarações de Importação, o que lhe permitiria facilmente vincular, com base em seu registro de entrada, as notas fiscais correspondentes a tais declarações. Contudo, persistiu na impugnação a alegação de cerceamento de defesa pela Fl. 3640DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.004624/200915 Acórdão n.º 3403001.912 S3C4T3 Fl. 3.633 17 impossibilidade de acesso à documentação do Proimport (empresa que, repitase, era mera importadora de bens para destinação previamente acordada à Brasilux, nos termos por esta estabelecidos). Não se vê, assim, a apontada mácula à defesa da autuada, cabendo também aqui, pela notória relação com o tratado no presente processo, transcrever a citada decisão recente unanimemente exarada no âmbito deste CARF: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO [...] CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NEGATIVA DE ACESSO À DOCUMENTAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não há que se falar em cerceamento de direito de defesa por negativa de acesso à documentação, uma vez que a procuradora da Recorrente requereu e obteve cópia integral dos autos do processo.” 5 Destarte, concluise pela improcedência da decisão de primeira instância, o que ensejaria a manutenção da autuação. Contudo, a análise dos demais argumentos da empresa expostos na impugnação não foi feita no julgamento de primeira instância, tendo em vista o entendimento, em sede preliminar, pela nulidade da autuação. E a análise inaugural de tais argumentos por este CARF ensejaria supressão de instância, aí sim ocasionado preterição do direito de defesa. Destaquese entendimento também recentemente proferido por este CARF em caso análogo (embora versando sobre tema diverso). “[...] RECURSO DE OFÍCIO. PROVIMENTO PARCIAL AFASTANDO A DECADÊNCIA. RETORNO DOS AUTOS À INSTÂNCIA A QUO PARA APRECIAÇÃO DO MÉRITO. Processo Administrativo Fiscal é refratário ao proferimento de decisões que comportem qualquer forma de preterição do direito de defesa, as quais já nascem marcadas sob o estigma da nulidade. A reforma da decisão de 1ª Instância, em sede de recurso de ofício, que implique o afastamento da declaração de decadência integral do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário correspondente, impõe o retorno dos autos ao órgão julgador de origem, para que este profira decisão em que seja apreciado o mérito das razões de fato e de direito suscitadas pelo Impugnante, em sede de defesa administrativa.” 6 Tendo em conta o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso de Ofício, para afastar as premilinares de ilegitimidade passiva e preterição do direito de defesa, 5 Acórdão 380200.914, CARF/2a TE/3a Seção, Rel. Cons. Solon Sehn, unânime, sessão de 21.mar.2012. 6 Acórdão 2302001.803, 2a Seção/3aCâmara, Rel. Cons. Arlindo da Costa e Silva, unânime, Sessão de 16.mai.2012. Fl. 3641DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 18 reenviando os autos à DRJ de origem, para apreciação dos demais argumentos expostos na impugnação, para que não se configure supressão de instância. Rosaldo Trevisan Fl. 3642DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 13653.000853/2009-55
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de pensão alimentícia, as importâncias pagas em face das normas do Direito de Família quando em cumprimento de decisão judicial.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-002.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a glosa de pensão alimentícia no valor de R$ 12.912,15. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Luiz Claudio Farina Ventrilho, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima e Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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DEDUÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de pensão alimentícia, as importâncias pagas em face das normas do Direito de Família quando em cumprimento de decisão judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a glosa de pensão alimentícia no valor de R$ 12.912,15. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Luiz Claudio Farina Ventrilho, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 3. 00 08 53 /2 00 9- 55 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13653.000853/200955 Acórdão n.º 2801002.904 S2TE01 Fl. 67 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 16.143,60, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, referente ao exercício de 2005, os seguintes fatos: dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 25.824,30; omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 15.414,59. O interessado apresentou a impugnação de fl. 02 deste processo digital, instruída com os documentos de fls. 9/17, que foi julgada procedente em parte para restabelecer parcialmente a glosa relativa à dedução de pensão alimentícia, no valor de R$ 12.912,15. Cientificado da decisão de primeira instância em 15/03/2011 (fl. 37 deste processo digital), o interessado interpôs, em 01/04/2011, o recurso de fls. 38/39. Nas razões recursais aduz, em síntese, que: Mediante Ação Revisional de Alimentos requereu ao Juiz da Comarca de Itajubá a redução do valor descontado de seus vencimentos líquidos a título de pensão alimentícia judicial. Através do Ofício nº 409, de 23 de abril de 2004, o Juiz de Direito da 1ª Vara Cível de Itajubá determinou o depósito de 60% (sessenta por cento) de seus vencimentos líquidos na conta corrente de Flávia Tatiane Valentim de Oliveira. Em momento algum é citado depósito em nome de qualquer outro(a) alimentado(a). Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para restabelecer a dedução de pensão alimentícia em seu valor total. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. No recurso o Interessado não questiona a omissão de rendimentos apontada pela Fiscalização, de forma que a controvérsia se restringe à glosa parcial de pensão alimentícia, mantida pela decisão recorrida sob o fundamento de que a filha do Interessado, Karina Cristiane Valentim de Oliveira, já era, no anocalendário de 2004, maior de 21 anos de idade e não houve a comprovação de que estava cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau, tampouco de que a mesma estava incapacitada física ou mentalmente para o trabalho. Não obstante concordar, in totum, com a tese desenvolvida na decisão de piso, no sentido de que somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as pensões alimentícias pagas aos filhos menores ou maiores de idade quando incapacitados para Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13653.000853/200955 Acórdão n.º 2801002.904 S2TE01 Fl. 68 3 o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência, ou até 24 anos, se estudantes, penso que, no caso em análise, a decisão merece reforma. É que nos autos da Ação Revisional de Alimentos nº 324020063968 houve a determinação judicial para que, a partir de 23/04/2004, a única beneficiária dos alimentos pagos pelo Recorrente fosse sua filha Flávia Tatiane Valentim de Oliveira (Ofício nº 409/2004, da 1ª Vara Cível da Comarca de Itajubá, à fl. 17), que, no anocalendário de 2004, contava com 19 anos, conforme comprova a tela CPF anexada à fl. 27 deste processo digital. Observo, ainda, que o Interessado anexou ao recurso cópias de peças processuais de Ação de Exoneração de Alimentos, por ele ajuizada, que não deixa nenhuma dúvida de que a filha Karina Cristiane Valentim de Oliveira já não mais figurava, no ano calendário de 2004, como pensionista do pai, ora Recorrente. Assim, a totalidade da pensão alimentícia deduzida na declaração de ajuste anual do Recorrente destinouse à sua filha Flávia Tatiane Valentim de Oliveira, menor de 21 anos de idade no anocalendário de 2004. Nesse contexto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a glosa de pensão alimentícia no valor de R$ 12.912,15. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10715.000012/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/02/2006, 07/02/2006, 14/02/2006, 21/02/2006, 02/03/2006, 18/04/2006/
EXPORTAÇÃO. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS.
O descumprimento da obrigação de registro de dados de embarque no SISCOMEX no prazo previsto na legislação constitui embaraço a fiscalização.
APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE.
Aplica-se a retroatividade benigna prevista na alínea b do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, alterado pela IN SRF n° 510/05, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN RFB nº 1.096/10, que estabeleceu o prazo de 7 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, para todas as modalidades de transporte.
APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF No. 02.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/02/2006, 07/02/2006, 14/02/2006, 21/02/2006, 02/03/2006, 18/04/2006/ EXPORTAÇÃO. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS. O descumprimento da obrigação de registro de dados de embarque no SISCOMEX no prazo previsto na legislação constitui embaraço a fiscalização. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE. Aplica-se a retroatividade benigna prevista na alínea b do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, alterado pela IN SRF n° 510/05, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN RFB nº 1.096/10, que estabeleceu o prazo de 7 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, para todas as modalidades de transporte. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF No. 02. Recurso Voluntário provido em parte.
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EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS. O descumprimento da obrigação de registro de dados de embarque no SISCOMEX no prazo previsto na legislação constitui embaraço a fiscalização. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE. Aplicase a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, alterado pela IN SRF n° 510/05, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN RFB nº 1.096/10, que estabeleceu o prazo de 7 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, para todas as modalidades de transporte. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF No. 02. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 00 12 /2 01 0- 11 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício veiculado através de auto de infração (fls. 02/ss) para a cobrança da multa isolada, no valor de R$ 75.000,00, por registro intempestivo dos dados de embarque de exportação no Siscomex, prevista no art. 107, inc. IV, alínea "e", do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório O presente processo trata da exigência do valor de R$ 75.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 09, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em fevereiro de 2006 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "AUTO DE INFRAÇÃO n° 0717700100100577109" (fl . 09), descumprindo, portanto, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/94, alterado pelo artigo 1° da IN/SRF 510105, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/94, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000012/201011 Acórdão n.º 3202000.663 S3C2T2 Fl. 134 3 Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 14 a 26 alegando, em síntese, que: a equivocada fundamentação legal da penalidade aplicada torna nulo o auto de infração, conforme se depreende do inciso IV do artigo 10 combinado com o inciso II do artigo 59, ambos do Decreto 70.235/72, eis que cerceia o direito de defesa da impugnante, uma vez que a multa não corresponde à infração supostamente praticada; a manutenção da cobrança da multa vai de encontro aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da isonomia, que devem ser observados pela Administração Pública, uma vez que a própria impugnante prestou todas as informações devidas e de forma espontânea; a multa contraria o disposto no inciso VI do artigo 2° da Lei 9.784/99 e no parágrafo 2° do artigo 113 do CTN, pelo fato de não possuir qualquer finalidade específica a ela relacionada ou necessidade de proteger determinado bem jurídico, pois após o desembaraço aduaneiro da mercadoria embarcada considerase concluído todo o procedimento fiscalizatório, não havendo qualquer possibilidade de se caracterizar dano ao erário; as normas utilizadas para embasar a aplicação da multa estão desvinculadas do interesse de aprimorar a fiscalização e a arrecadação de tributos, eis que toda fiscalização e recolhimento relativo a tributos já foram efetivamente efetuados; a penalidade, da forma como aplicada no caso vertente, viola os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, pois o valor da multa não se altera, independentemente do quantitativo de registros informados intempestivamente, também porque seu valor é muitas vezes superior ao da multa por embaraço à fiscalização, cuja aplicação depende do valor aduaneiro da mercadoria e do caráter doloso, enquanto que o pequeno atraso na inclusão das informações no Siscomex não causa qualquer prejuízo à fiscalização; o artigo 107 inciso IV alínea "e" do Decretolei 37/66 9 ao mencionar a expressão "deixar de prestar informações", não se aplica ao caso sob exame eis que a impugnante inseriu absolutamente todos os dados de embarque das mercadorias no Siscomex, conforme determinado pela Receita Federal; diversas datas de embarque de mercadorias nas aeronaves da impugnante corresponderam a sextasfeiras, sábados e domingos ou vésperas de feriado, mas que por razões econômicas não é viável a manutenção de pessoal especializado da impugnante para realizar atividades operacionais exclusivas no Siscomex. Portanto, foi exatamente por esses motivos e em atendimento aos princípios da finalidade e da motivação que foi proferida a Solução de Consulta 215/04, que não deixa dúvida quanto à impossibilidade de se realizar o início da contagem de prazo para registro das informações no Siscomex nas retro mencionadas datas, razão pela qual devem ser declarados nulos Fl. 176DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 os lançamentos da multa relativamente àquelas averbações realizadas no primeiro dia útil subseqüente ao respectivo embarque; até o ano de 2008 o Siscomex Exportação registrava às averbações tempestivamente realizadas com novas, logo, em caso de qualquer divergência que impedisse a averbação automática, as empresas aéreas tinham que excluir a informação equivocada para posteriormente incluir a correta, porém, para fins de contagem de prazo, o Siscomex levava em consideração a data da inserção da informação correta; por razões alheias a vontade do transportador aéreo o registro da DDE não pôde ser efetuado no exíguo estabelecido pela legislação, não obstante ter sempre agido espontaneamente e em total transparência, efetuando, por conseguinte, o registro no menor prazo possível; por diversas vezes no decorrer dos anos que antecederam 2009 o Siscomex apresentou falhas e, por conseguinte, permaneceu indisponível, impossibilitando as transportadoras e demais intervenientes de inserir os dados de embarque das mercadorias transportadas no prazo regular, não podendo, por conseguinte, ser responsabilizada por fato alheio a sua vontade; a inobservância dos prazos regulamentares tão somente acarreta embaraço à fiscalização quando impacta de modo negativo a capacidade de arrecadar do fisco, o que na é o caso em apreço, pois não houve qualquer prejuízo à fiscalização quanto às mercadorias exportadas, sendo irrelevante para o direito tributário, por conseguinte, a conduta infracional supostamente praticada pela impugnante. Por todo exposto, requer seja acolhida a presente defesa e, por conseguinte, declarada a nulidade do auto de infração, bem como a desconstituição do crédito tributário apurado. É o relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão n.º 0721.672 de 22 de outubro de 2010 (folhas 57/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/02/2006, 07/02/2006, 14/02/2006, 21/02/2006, 02/03/2006, 18/04/2006. INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/02/2006, 07/02/2006, 14/02/2006, 21/02/2006, 02/03/2006, 18/04/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000012/201011 Acórdão n.º 3202000.663 S3C2T2 Fl. 135 5 Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; evidenciada a ausência de qualquer violação às disposições do Processo Administrativo Fiscal ou do Código Tributário Nacional, descabe a nulidade do auto de infração. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário; logo resta incabível afastar sua aplicação, sob pena de responsabilidade funcional. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/03. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/02/2006, 07/02/2006, 14/02/2006, 21/02/2006, 02/03/2006, 18/04/2006 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. DENUNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. NATUREZA OBJETIVA DA INFRAÇÃO. O instituto da denúncia espontânea, não alcança as penalidades aplicadas em razão do descumprimento de obrigações acessórias autônomas, como é o caso da informação dos dados de embarque de mercadoria destinada à exportação, prestada fora do prazo estabelecido normativamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, infração essa que tem natureza objetiva e cuja sanção colima disciplinar o cumprimento tempestivo da obrigação acessória por parte dos transportadores e seus representantes. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veículo transportador. Impugnação Improcedente Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 Crédito Tributário Mantido A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ – Florianópolis em 21/12/2010 (folhas 69/71) interpôs Recurso Voluntário em 19/01/2011 (fls. 72/ss), onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação, além de argumentar sobre suposto “fato novo” trazido com a edição da Instrução Normativa SRF nº 1.096, de 13/12/2010, que “deixou de definir como infração a conduta correspondente à inserção de dados de embarque de mercadorias no Siscomex dentro do prazo de 7 dias”. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A controvérsia em discussão nestes autos referese à aplicação da multa ao transportador por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Para facilitar a análise da matéria, convém inicialmente transcrever o referido dispositivo legal: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga (grifei). O dispositivo legal acima transcrito tem por finalidade penalizar o comportamento daqueles que impedirem ou retardarem o fluxo normal de registros de dados no SISCOMEX, ocasionando acúmulo desnecessário de pendências no Sistema, o que levou o legislador a estabelecer expressamente que o descumprimento de obrigações acessórias, na forma e prazo previstos pela Receita Federal, acarretaria a aplicação de multa. A obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Fl. 179DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000012/201011 Acórdão n.º 3202000.663 S3C2T2 Fl. 136 7 Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. Quanto à forma e ao prazo para informação de dados no SISCOMEX pelo transportador, a redação original do artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94 dispunha: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no S1SCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. (grifei) A IN SRF n° 510/05, deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, prescrevendo o prazo de 2 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, nos casos de transporte efetuado por via aérea. Posteriormente, o artigo 1º da IN SRF n° 1.096 de 13 de dezembro de 2010, deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, estabelecendo o prazo de 7 dias, para todas as modalidades de transporte, verbis: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contado da data da realização do embarque. §1° Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. §2° Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 8 §3° Os dados de embarque da mercadoria poderão ser informados pela fiscalização aduaneira nas hipóteses estabelecidas em ato da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana).” (grifei) Muito bem. Neste passo, importante registrar que após muito refletir sobre a aplicação da retroatividade benigna a situações como a que se apresenta nesse litígio, estou alterando entendimento anterior já adotado nessa Turma (quando acompanhei a i. relatora no Acórdão nº 3202000.544, que votou no sentido de não aplicar a retroatividade), por entender que a situação fática posta nesses autos amoldase perfeitamente à hipótese de retroatividade benigna. Senão vejamos. A matéria em tela comporta a seguinte interpretação. A Constituição Federal estabelece a regra da irretroatividade da lei como corolário do princípio da segurança jurídica, exceto para beneficiar o réu (art. 5º, XL). Nesse diapasão, o CTN consagrou no artigo 106, inciso II, alíneas “a”, “b”, e “c”, três hipóteses em que a lei nova elide os efeitos da incidência da norma anterior: a) a lei nova já não mais define determinado ato, como infração; b) a lei nova deixa de tratar o ato como contrário a qualquer exigência legal de ação ou omissão (desde que não tenha ocorrido fraude, nem falta de pagamento de tributo exigido); c) a pena menos severa substitui a mais grave da legislação anterior. O professor Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário, 17ª edição, p. 95) afirma que “as duas primeiras alíneas dizem quase a mesma coisa. Toda a exigência de ação ou de omissão consubstancia um dever, e todo o descumprimento de dever é uma infração, de modo que foi redundante o legislador ao separar as duas hipóteses”. Muito embora concorde que a ponderação do jurista é extremamente pertinente, no caso em tela, a meu sentir, a hipótese prevista na alínea “b” amoldase melhor à situação fática. Isto porque a legislação nova (IN SRF n° 1.096/2010) deixou de tratar o ato praticado não registrar os dados de embarque da mercadoria no Siscomex no prazo de 2 dias (previstos na IN SRF n° 28/94 alterada IN SRF n° 510/05) – como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão (alínea “b”), uma vez que a nova norma prescreve, agora, o prazo de 7 dias. Em outras palavras, o ato de não registrar os dados de embarque da mercadoria no SISCOMEX, quando efetivado em até 7 dias, deixou de ser apenado pela nova norma. Assim, tratandose a espécie dos autos de ato não definitivamente julgado, em face do princípio da retroatividade benigna, com fundamento no art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b”, do CTN, há que se proceder à exoneração da multa aplicada especificamente para aqueles casos em que o registro dos dados de embarque da mercadoria no Siscomex tenham ocorrido em até 7 dias nos termos do que dispõe a IN SRF n° 1.096, norma que atualmente regula a matéria. Em situação muito semelhante à tratada nestes autos, a RFB já se manifestou na Solução de Consulta Interna nº 8 da COSIT, de 14/02/2008, com relação à retroatividade benigna em relação aos prazos para prestação de informação no Siscomex: “SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA Nº 8 COSIT DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS APÓS O PRAZO. Aplicase a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Fl. 181DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000012/201011 Acórdão n.º 3202000.663 S3C2T2 Fl. 137 9 Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN SRF nº 510, de 2005. (...)” Portanto, aplicandose a retroatividade benigna devem ser excluídas da autuação fiscal os embarques cujos registros de dados foram efetuados no Siscomex no prazo de até 7 dias. Resta, então, apenas um embarque cujos dados foram informados após o prazo de 7 dias, para o qual deverá ser mantida a multa aplicada, conforme tabela abaixo elaborada a partir dos dados informados pela fiscalização à folha 9: DDE: Data de embarque: Data da informação no sistema: Voo: Dias de atraso: 20601155130 05/02/06 18/04/06 AR/1255 13 Na contagem dos prazos foi considerada a forma prescrita pelo caput do artigo 210 da Lei 5.172/66 CTN que determina os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Destarte, comprovado que a Recorrente descumpriu o prazo para prestar informação dos dados de embarque de mercadorias no sistema restou perfeitamente tipificada a infração prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 (com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03), sujeitando o infrator à multa no valor de R$ 5.000,00 por embarque. Passemos a análise dos demais pontos arguidos pela Recorrente. Não procede a alegação de que houve erro na capitulação legal do auto de infração. No caso em tela a conduta praticada pela interessada, ao deixar de prestar informações sobre veículo ou carga transportada no Siscomex, no forma e prazo previstos pela RFB, subsomese perfeitamente a hipótese normativa prescrita pelo artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Como muito bem destacado pelo voto condutor da decisão de primeira instância, a referida multa é aplicada em razão do simples descumprimento da obrigação acessória, não se cogitando de ter havido, ou não, embaraço à fiscalização. Quanto às alegadas “falhas do Siscomex” ou “indisponibilidades de acesso ao sistema”, entendo que estas não têm o condão de afastar a aplicação de penalidades, por falta de previsão legal. No tocante ao argumento da Recorrente de que houve ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e do suposto caráter confiscatório das multas aplicadas, entendo que o Contencioso Administrativo não é a instância competente para a discussão destas matérias. Nesta esfera se faz o controle da legalidade na aplicação da legislação tributária aos casos concretos, sem adentrar no mérito de eventuais inconstitucionalidades de leis regularmente editadas segundo o processo legislativo, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário (artigo 102 da CF/88). Este Colegiado pode reconhecer apenas inconstitucionalidades já declaradas, definitivamente, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, ou nas demais situações expressamente previstas nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009, Fl. 182DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 10 condições que não se apresentam no presente caso. Neste sentido, inclusive, foi aprovada a Súmula CARF No. 02, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, mantendo a multa no valor de R$ 5.000,00 em relação apenas a um embarque para o qual os dados foram informados após o prazo de 7 dias no Siscomex. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 183DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 18471.000011/2004-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO.
Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
No presente caso, a devida intimação de todos cotitulares não ocorreu, motivo de provimento do recurso do sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-002.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso do Contribuinte e não conhecer do recurso da Fazenda Nacional, prejudicado por perda de objeto.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso do Contribuinte e não conhecer do recurso da Fazenda Nacional, prejudicado por perda de objeto. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire.
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CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. No presente caso, a devida intimação de todos cotitulares não ocorreu, motivo de provimento do recurso do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso do Contribuinte e não conhecer do recurso da Fazenda Nacional, prejudicado por perda de objeto. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 00 11 /2 00 4- 41 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18471.000011/200441 Acórdão n.º 9202002.514 CSRFT2 Fl. 276 3 Relatório Tratase de Recursos Especiais por contrariedade e por divergência, fls. 0215 e 0246, interposto pela PGFN e pelo sujeito passivo, respectivamente, contra acórdão, fls. 0173, que decidiu dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXTRATOS BANCÁRIOS. NORMA DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA A Lei n° 10.174, de 2001, que alterou o art. 11, parágrafo 3°, da Lei n° 9.311, de 1996, de natureza procedimental, por força do que dispõe o art. 144, § 1 0 do Código Tributário Nacional tem aplicação aos procedimentos tendentes à apuração de crédito tributário na forma do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, no prazo de que dispõe a Fazenda Nacional para a constituição do crédito tributário. IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FORMA DE APURAÇÃO. NULIDADE Os rendimentos omitidos pelo contribuinte cuja tributação não seja definitiva, mas antecipação do imposto devido declaração de ajuste, configura o fato gerador anual do imposto de renda. Não sendo definitiva a tributação dos rendimentos omitidos em face de depósitos bancários de origem incomprovada é correto o procedimento fiscal que realiza o levantamento mensal, para averiguar os limites legais, inclusive se apura o imposto mediante a aplicação da tabela progressiva anual (soma das tabelas mensais). IRPF DECADÊNCIA DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre no mês dos créditos, a teor do artigo 42, § 4°, da Lei n° 9.430/96. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de oficio operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 40 e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA Na hipótese de conta corrente mantida em conjunto, cujas informações dos contribuintes tenham sido apresentadas em separado e inexistindo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos presumidamente omitidos será imputado a cada titular, mediante divisão entre o total desses rendimentos pela quantidade de titulares, Fl. 287DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 1RPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, sendo que não se pode admitir a transferência do montante tributado em um mês como origem de recursos para o mês seguinte, por ausência de amparo legal e, ainda, pela falta de comprovação de que tais valores foram sacados e novamente depositados no mês subseqüente. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos estes autos de recurso interposto por ANA CRISTINA DAS NEVES DUARTE. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento em face da aplicação retroativa dos efeitos da Lei n° 10.174, de 2001, e pelo erro na forma de tributação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Roberta Azeredo Ferreira Pagetti e Wilfrido Augusto Marques; e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para acolher a decadência do lançamento quanto ao mês de maio do anocalendário de 1999. Vencidos os Conselheiros Luiz Antônio de Paula, Ana Neyle Olímpio Holanda e José Ribamar Barros Penha. Designado como redator do voto vencedor quanto às preliminares o Conselheiro José Ribamar Barros Penha. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. A regra decadencial a ser aplicada deve ser a expressa no I, Art. 173 do CTN, pela ausência de pagamento antecipado; 2. Por outro lado, o IRPF possui fato gerador complexivo e somente estaria perfeito e acabado em 31/12, não se operando, assim, os efeitos da decadência, por qualquer regra; 3. Pelo exposto, espera o conhecimento e provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0229, deuse seguimento ao recurso especial da PGFN. O sujeito passivo apresentou seu recurso especial, fls. 0246, argumentando, em síntese, que: 1. No lançamento com base em contas conjuntas fazse necessária a prévia intimação de todos os cotitulares, não bastando, somente o rateio dos valores na elaboração do lançamento; 2. Pelo exposto, espera e confia que seu recursos era conhecido e provido. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18471.000011/200441 Acórdão n.º 9202002.514 CSRFT2 Fl. 277 5 O sujeito passivo apresentou, também suas contrarrazões, fls. 0253, argumentando, em síntese, que a decisão expressa no acórdão recorrido, sobre a decadência, deve ser mantida. Por despacho, fls. 0263, deuse seguimento ao recurso especial do sujeito passivo. A PGFN apresentou, também suas contrarrazões, fls. 0266, argumentando, em síntese, que não é necessária a intimação de todos os cotitulares da conta bancária, em caso de lançamento que tem por base depósitos bancários, pois somente metade dos valores foi tributado, como determina a legislação. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator RECURSO ESPECIAL DO SUJEITO PASSIVO Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e com jurisprudência divergente e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O sujeito passivo alega que no lançamento com base em contas conjuntas fazse necessária a prévia intimação de todos os cotitulares, não bastando, somente o rateio dos valores na elaboração do lançamento. Nessa questão, novamente, Súmula do Conselho determina o resultado. Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Notese, para registro, que não há exceção expressa na Súmula. Portanto, nem mesmo a divisão pela média dos valores apurados, como no caso dos autos, poderia sanar o vício da ausência da prévia intimação, confirmado pelo acórdão recorrido, fls. 0196. Assim, como está determinado na Súmula nulo de forma integral o lançamento, pois, como consignado no acórdão recorrido, a conta corrente na qual foram constatados depósitos bancários sem origem comprovada tinha como titulares a recorrente, Sra. Ana Cristina das Neves Duarte e seu marido, Sr. Antônio dos Santos Dâmaso. Provido, portanto, o recurso do sujeito passivo, nos termos acima, resta prejudicado o recurso da Fazenda Nacional que pretendia discutir a ocorrência da decadência, pelo disposto no I, Art. 173 do CTN – e definir o fato gerador do IRPF como complexivo, somente estando perfeito e acabado em 31/12 de cada ano. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte, nos termos dos fundamentos acima expostos, resultando prejudicado o recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 290DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18471.000011/200441 Acórdão n.º 9202002.514 CSRFT2 Fl. 278 7 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11831.002919/2001-61
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1990, 1991
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DIVERSIDADE DE SITUAÇÕES FÁTICAS.
Nos casos em que não há similitude fática entre os acórdãos comparados não deve ser conhecido o Recurso Extraordinário porque não se caracteriza a divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade.
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. TESE JURÍDICA SUPERADA.
Não se admite como paradigma o acórdão cuja tese esteja superada. No caso, a tese do acórdão paradigma foi objeto de julgamento tanto pelo Superior Tribunal de Justiça, quanto pelo Supremo Tribunal Federal, nas sistemáticas dos artigos 543, b e c, do Código de Processo Civil, inexistindo, portanto, matéria divergente a ser uniformizada.
Numero da decisão: 9900-000.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do da , por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Extraordinário. Vencidos os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Henrique Pinheiro Torres, Julio César Alves Ramos, Marcelo Oliveira, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Rodrigo da Costa Possas.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1990, 1991 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DIVERSIDADE DE SITUAÇÕES FÁTICAS. Nos casos em que não há similitude fática entre os acórdãos comparados não deve ser conhecido o Recurso Extraordinário porque não se caracteriza a divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. TESE JURÍDICA SUPERADA. Não se admite como paradigma o acórdão cuja tese esteja superada. No caso, a tese do acórdão paradigma foi objeto de julgamento tanto pelo Superior Tribunal de Justiça, quanto pelo Supremo Tribunal Federal, nas sistemáticas dos artigos 543, b e c, do Código de Processo Civil, inexistindo, portanto, matéria divergente a ser uniformizada.
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NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DIVERSIDADE DE SITUAÇÕES FÁTICAS. Nos casos em que não há similitude fática entre os acórdãos comparados não deve ser conhecido o Recurso Extraordinário porque não se caracteriza a divergência jurisprudencial requisito de admissibilidade. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. TESE JURÍDICA SUPERADA. Não se admite como paradigma o acórdão cuja tese esteja superada. No caso, a tese do acórdão paradigma foi objeto de julgamento tanto pelo Superior Tribunal de Justiça, quanto pelo Supremo Tribunal Federal, nas sistemáticas dos artigos 543, “b e “c”, do Código de Processo Civil, inexistindo, portanto, matéria divergente a ser uniformizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Extraordinário. Vencidos os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Henrique Pinheiro Torres, Julio César Alves Ramos, Marcelo Oliveira, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Rodrigo da Costa Possas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 29 19 /2 00 1- 61 Fl. 826DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 11831.002919/200161 Acórdão n.º 9100000.340 CSRF‐PL Fl. 827 2 (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Versam os presentes autos sobre pedido de restituição (fl.01) formulado em 14/11/2001, referente a recolhimentos indevidos do Imposto sobre Lucro Líquido ocorridos nos exercícios de 1990 a 1991. Foi proferido despacho decisório EQPIR/PJ (fls. 24/26), por meio do qual foi indeferido o pedido do contribuinte sob o fundamento de que o direito de pleitear a restituição/compensação de tributos, no presente caso, decaiu em razão do decurso do prazo de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento, fundamentandose nos artigos 165 e 168, I, do CTN, bem como do Ato Declaratório SRF nº 96/99. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 28/40), por meio da qual afirmou que para a verificação da extinção de seu direito de pleitear a restituição do indébito o termo inicial para a contagem do prazo decadencial deve ser a data da publicação da Resolução do Senado Federal n° 82/1996, ocorrida em 19/11/1996, emitida em função de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal no controle difuso ou da data da publicação da Instrução Normativa 63/97, que ocorreu em julho de 1997, sendo em qualquer situação não se verifica a extinção do direito. A mencionada Resolução do Senado Federal foi publicada com a seguinte redação: O Senado Federal resolve: Art. 1º É suspensa a execução do art. 35 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, no que diz respeito à expressão “o acionista” nele contida. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 11831.002919/200161 Acórdão n.º 9100000.340 CSRF‐PL Fl. 828 3 Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Revogamse as disposições em contrário. E a instrução normativa SRF 63/97 foi publicada com a seguinte redação: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e em vista do que ficou decidido pela Resolução do Senado nº 82, de 18 de novembro de 1996, e com base no que dispõe o Decreto nº 2.194, de 7 de abril de 1997, resolve: Art. 1º Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações. Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica às demais sociedades nos casos em que o contrato social, na data do encerramento do períodobase de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. Art. 2º Ficam os Delegados e Inspetores da Receita Federal autorizados a rever de ofício os lançamentos referentes à matéria de que trata o artigo anterior, para fins de alterar, total ou parcialmente, o respectivo crédito da Fazenda Nacional. Art. 3º Caso os créditos de natureza tributária, oriundos de lançamentos efetuados em desacordo com o disposto no art. 1º, estejam pendentes de julgamento, os Delegados de Julgamento da Receita Federal subtrairão a aplicação da lei declarada inconstitucional. Art. 4º O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica às empresas individuais. Art. 5º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Art. 6º Revogase as disposições em contrário Entretanto, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP manteve o indeferimento do pedido de restituição (fls. 50/60) e o acórdão proferido foi assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1989 e Fl. 828DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 11831.002919/200161 Acórdão n.º 9100000.340 CSRF‐PL Fl. 829 4 01/01/1990 a 31/12/1990 Ementa: ILL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida” Todavia, este E. Conselho Administrativo ao apreciar a matéria, tanto em grau de Recurso Voluntário quanto em grau de Recurso Especial, entendeu que o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição do Imposto de Renda sobre o Lucro Líquido (Art. 35, da Lei n° 7.713/88) pago indevidamente, é a data da e publicação da Resolução do Senado Federal n° 82/1996, ocorrida em 19/11/1996. Nesse sentido, imperioso se faz transcrever a ementa do acórdão ora recorrido: “IRF — ILL SOCIEDADE ANÔNIMA RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS DECADÊNCIA O marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro líquido, pago por sociedades anônimas, se dá em 22.11.96, data de publicação da Resolução do Senado n° 82. Recurso negado” A Fazenda Nacional apresentou Recurso Extraordinário (fls.224/241) nos termos do artigo 9º do Regimento Interno desta E. Câmara Superior, aprovado pela Portaria MF nº 147 de 25/06/2007, oportunidade em que alegou que o acórdão recorrido (CSRF/04 00.542, proferido na sessão da CSRF de 21/03/2007) diverge da jurisprudência de outras turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho quanto à forma de contagem do prazo decadencial para pleitear a restituição de indébito. Trouxe aos autos, como paradigma, o acórdão CSRF/0202256, de 24/04/2006, assim ementado: “NORMAS PROCESSUAIS REPETIÇÃO DE INDÉBITO — PRESCRIÇÃO. O DIES A QUO PARA CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO É O DA DATA DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO PAGAMENTO ANTECIPADO E O TERMO FINAL É O DIA EM QUE SE COMPLETA O QÜINQÜÊNIO LEGAL, CONTADO A PARTIR DAQUELA DATA. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA — NÃO SE CONHECE DO RECURSO NA PARTE EM QUE NÃO CONFIGURADA A DIVERGÊNCIA DE Fl. 829DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 11831.002919/200161 Acórdão n.º 9100000.340 CSRF‐PL Fl. 830 5 INTERPRETAÇÃO LEGAL, EM FACE DE DIFERENÇAS NOS ESCOPOS FÁTICOS DOS ACÓRDÃOS EM COMPARAÇÃO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO” A tese sustentada pelo acórdão paradigma foi a de que o dies a quo para a contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o data da extinção do crédito tributários pelo pagamento antecipado, afastando a tese dos 5 mais 5, na qual a contagem do prazo extintivo do direito de repetição só se iniciaria após a homologação do pagamento antecipado e se exauriria com o transcurso dos 5 anos, contados desta data. Verificase que o debate existente no acórdão paradigma envolve, exclusivamente, a definição da aplicabilidade da tese dos 5 anos ou dos 5 mais cinco e, em nenhum momento suscita hipótese de exceção capaz de postergar o termo inicial para a contagem do prazo prescricional. Por fim, ao analisar as teses sobre o marco inicial do prazo para a repetição indébito, entendeu que, em qualquer hipótese, prevalece a contagem do prazo a partir do pagamento antecipado, conforme expressamente previsto na Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O Recurso foi apresentado tempestivamente, entretanto, não preenche os demais requisitos de admissibilidade. Primeiramente, verificase, no caso, a inexistência de similitude fática entre os casos confrontados, o que enseja o nãoconhecimento do recurso extraordinário da Fazenda Nacional. No presente caso, o cerne da questão é a definição do termo inicial para a verificação da extinção do direito do contribuinte de pleitear a restituição de indébito decorrente recolhimento de imposto de renda incidente sobre Lucro Líquido pago por Sociedade Anônima. O acórdão recorrido afastou a decadência do direito do contribuinte de pleitear a restituição do indébito porque entendeu que o termo inicial é a data da publicação da Resolução do Senado 82/96, ato administrativo que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 35 da Lei n° 7.713/88, senão vejamos: (...) Dessa feita, o termo inicial para a fluência do prazo decadencial, no presente caso, é a data da edição da Resolução do Senado n° 82/96, ato administrativo que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 35 da Lei n° 7.713/88.(...) Fl. 830DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 11831.002919/200161 Acórdão n.º 9100000.340 CSRF‐PL Fl. 831 6 A Fazenda Nacional apresentou Recurso Extraordinário afirmando a existência de divergência de posicionamento entre Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho e trouxe o acórdão CSRF /0202.256 como paradigma, no intuito de demonstrar a divergência suscitada. Sustentou, ainda, que pretende o reconhecimento da decadência que, segundo seu posicionamento, deve ter como termo inicial a data do pagamento conforme disposto nos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional. Notase que, em sede de Recurso Especial, o acórdão paradigma pretende afastar a tese adotada pela turma julgadora de que o direito do contribuinte em pleitear a restituição do indébito extinguese após dez anos da ocorrência do fato gerador (tese dos cinco mais cinco). A tese defendida no acórdão paradigma é a de que, com o advento da LC 118/05, em se tratando de norma expressamente interpretativa , deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do artigo 106, I, do CTN. Assim, vêse que não há no caso do acórdão paradigma qualquer espécie de ato capaz de permitir a discussão acerca da possibilidade de deslocamento do termo inicial da contagem do prazo prescricional nos casos em que há reconhecimento da administração no sentido de que o valor recolhido é, de fato, indevido. Diferentemente, o acórdão recorrido envolve o debate acerca do termo inicial para a contagem do prazo prescricional nos casos em que há pronunciamento da autoridade administrativa, por meio de uma instrução normativa e, conseqüentemente, a discussão cinge se, exclusivamente, a possibilidade de prorrogar o termo a quo da verificação do direito do contribuinte à repetição do indébito. Portanto, o acórdão paradigma cuida de debate envolvendo a definição da aplicação da tese dos cinco anos ou dos cinco mais cinco, sem envolver qualquer questão que pudesse causar a prorrogação do termo inicial para a contagem do prazo prescricional do contribuinte para pleitear a repetição do indébito, conforme se verifica no caso do acórdão recorrido. Assim, a partir da leitura do acórdão CSRF /0202.256 extraise que não resta demonstrada a divergência, ora alegada pela Fazenda Nacional, porque não se verifica similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. E, como se não bastasse a ausência de similitude fática entre os acórdãos confrontados, observo que o acórdão acostado como paradigma apresenta tese jurídica superada, ou seja, que já não recepciona mais qualquer debate, senão vejamos. A tese do acórdão CSRF/0202.256, também não serve como paradigma, pois apresenta como fundamento a lei 118/05, a qual teria, segundo o entendimento do Recorrente, caráter interpretativo. Nesse ponto cumpre ressaltar trecho do voto do acórdão paradigma: (...) Entretanto, com a edição da Lei Complementar nº 118, de 09/06/2005, cujo artigo 3º deu interpretação autêntica ao artigo 168, I, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito Fl. 831DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 11831.002919/200161 Acórdão n.º 9100000.340 CSRF‐PL Fl. 832 7 ao lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º da lei 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel Lei Complementar. Esclareça, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no artigo 106, I, do CTN. Assim, a tese adotada pelo acórdão paradigma é insubsistente e não merece sequer ser objeto de debate, porque é matéria pacificada pela jurisprudência tendo em vista que foi objeto de julgamento tanto pelo Superior Tribunal de Justiça, quanto pelo Supremo Tribunal Federal, nas sistemáticas dos artigos 543, “b e “c”, do Código de Processo Civil. A jurisprudência atual foi sedimentada no sentido de que a Lei Complementar 118/05 não tem caráter de norma interpretativa, porque trouxe, em seu texto, inovação, ao reduzir o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido e por isso sua aplicação obrigatória a todos casos, independentemente das peculiaridades existentes em cada caso concreto, conforme defendido no acórdão paradigma, não se justifica. Nesse sentido, acerca do caráter da lei 118/05 e da sua aplicabilidade, o Supremo Tribunal Federal consignou em recente decisão, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621 – RS (04/08/2011), o seguinte entendimento: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 09 DE JUNHO DE 2005. (...) A LC 118/05, embora tenha se auto – proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação á autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 11831.002919/200161 Acórdão n.º 9100000.340 CSRF‐PL Fl. 833 8 A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando de imediato , pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo da vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomasse ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela de seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente à ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do artigo543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Cumpre salientar que, em que pese a oposição de Embargos de Declaração contra o mencionado julgado, a questão a ser esclarecida envolve, exclusivamente, a possível modulação no tempo dos efeitos de sua decisão e, portanto, a matéria decidida não está pendente de discussão. E, o entendimento do julgado mencionado já foi adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede Recurso Especial Representativo de Controvérsia, o que se verifica no julgamento do Recurso Especial 1.269.570/MG, que restou assim ementado: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, Fl. 833DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 11831.002919/200161 Acórdão n.º 9100000.340 CSRF‐PL Fl. 834 9 DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. Do exposto, temse que, ainda que não se entendesse pelo não conhecimento do recurso em razão da ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, o Recurso Extraordinário ainda não merece conhecimento porque a possível divergência entre Turmas da Câmara Superior deste Conselho foi superada a partir dos mencionados julgados analisados na sistemática prevista no artigo 543, B e 543, C do Código de Processo Civil. Ora, compete ao Pleno a uniformização de decisões divergentes das turmas da CSRF, ou seja, a matéria a ser levada ao Pleno se resumirá à divergência, em tese, entre duas turmas da CSRF, conforme artigo 76, § 1º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Nessa sistemática, ainda que à época da interposição do Recurso Extraordinário (04/2009), bem como de sua admissibilidade (06/2009), se pudesse constatar ou admitir alguma divergência entre decisões das turmas da CSRF, a partir da jurisprudência sedimentada pelo STF no julgamento do RE 566.621, ocorrido em 04/08/2011, no qual aplicouse a sistemática do artigo 543, B, do CPC, esta deixou de existir e, isto porque, o entendimento ali adotado tem aplicabilidade obrigatória nos julgamentos no âmbito do CARF, conforme artigo 62 – A, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Para corroborar com o exposto, insta destacar o que prevê o artigo 67, §10, do Regimento Interno do CARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. §10. O acórdão cuja tese, na data da interposição do recurso , já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. Apesar do dispositivo transcrito referirse ao julgamento do Recurso Especial interposto perante ao CARF, este demonstra a sistemática que deve se adotar no julgamento de Fl. 834DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 11831.002919/200161 Acórdão n.º 9100000.340 CSRF‐PL Fl. 835 10 questões no âmbito administrativo, em qualquer instância, para a garantia da segurança jurídica e da igualdade de todos perante a lei. Assim, tendo em vista que inexiste discussão acerca do debate pretendido pela Fazenda Nacional ao apresentar o Recurso Extraordinário, já que a jurisprudência está pacificada e qualquer suposta divergência foi superada, não há matéria pendente de uniformização, o que leva ao não conhecimento do Recurso apresentado, já que este tornouse inócuo por seus próprios fundamentos. Desta feita, diante de todo o exposto, não conheço do Recurso Extraordinário apresentado. É como voto. (Documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 11831.002919/200161 Acórdão n.º 9100000.340 CSRF‐PL Fl. 836 11 Fl. 836DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR
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Numero do processo: 10530.724134/2010-65
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2006 IRPJ – SIMPLES, CSLL – SIMPLES E CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURIDADE SOCIAL – INSS – SIMPLES. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. OMISSÃO DE RECEITAS. VALOR TRIBUTÁVEL DA INFRAÇÃO. MATÉRIA INCONTROVERSA. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. Nas razões do recurso, a recorrente não objetou questões de fato e de direito quanto ao valor tributável da infração imputada “Omissão de Receitas” em relação às exações fiscais citadas acima. Matéria incontroversa acerca da qual operou-se a preclusão, não mais cabendo sua discussão na órbita administrativa. PIS. COFINS. ALÍQUOTA ZERO. BENEFÍCIO FISCAL INCOMPATÁVEL COM O SIMPLES FEDERAL. A opção pelo Simples Nacional é incompatível com a utilização de qualquer outro benefício ou tratamento fiscal diferenciado, ou mais favorecido, aplicável aos tributos e contribuições federais, tais como suspensão, isenção ou alíquota zero. As alíquotas zero da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não beneficiam as empresas optantes pelo Simples Nacional, as quais ficam impedidas de reduzir ou excluir os respectivos percentuais integrantes da alíquota do Simples Nacional. PIS-SIMPLES. COFINS-SIMPLES. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. OMISSÃO DE RECEITAS. Restando comprovada pelo fisco nos autos a infração omissão de receitas, devem ser mantidos os lançamentos fiscais.
OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS.
FRAUDE/SONEGAÇÃO FISCAL. DOLO. MULTA QUALIFICADA.
O comportamento consistente do contribuinte em declarar parcela ínfima de suas receitas ao fisco federal, para fins de apuração do pagamento unificado de tributos pelo sistema SIMPLES torna notório o intuito de retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, das circunstâncias materiais da obrigação tributária, justificando a aplicação da multa qualificada A reiteração da omissão de receita, bem como a significância dos valores omitidos, permitem concluir que a infração não decorreu de mero erro cometido pelo sujeito passivo, e sim de sua vontade livre e consciente de evadirse do pagamento dos tributos devidos, caracterizando o evidente intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada,no percentual de 150%.
MULTA QUALIFICADA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ARGUIÇÃO
DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
A multa de ofício constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal .
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1802-001.208
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2006 IRPJ – SIMPLES, CSLL – SIMPLES E CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURIDADE SOCIAL – INSS – SIMPLES. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. OMISSÃO DE RECEITAS. VALOR TRIBUTÁVEL DA INFRAÇÃO. MATÉRIA INCONTROVERSA. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. Nas razões do recurso, a recorrente não objetou questões de fato e de direito quanto ao valor tributável da infração imputada “Omissão de Receitas” em relação às exações fiscais citadas acima. Matéria incontroversa acerca da qual operou-se a preclusão, não mais cabendo sua discussão na órbita administrativa. PIS. COFINS. ALÍQUOTA ZERO. BENEFÍCIO FISCAL INCOMPATÁVEL COM O SIMPLES FEDERAL. A opção pelo Simples Nacional é incompatível com a utilização de qualquer outro benefício ou tratamento fiscal diferenciado, ou mais favorecido, aplicável aos tributos e contribuições federais, tais como suspensão, isenção ou alíquota zero. As alíquotas zero da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não beneficiam as empresas optantes pelo Simples Nacional, as quais ficam impedidas de reduzir ou excluir os respectivos percentuais integrantes da alíquota do Simples Nacional. PIS-SIMPLES. COFINS-SIMPLES. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. OMISSÃO DE RECEITAS. Restando comprovada pelo fisco nos autos a infração omissão de receitas, devem ser mantidos os lançamentos fiscais. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. FRAUDE/SONEGAÇÃO FISCAL. DOLO. MULTA QUALIFICADA. O comportamento consistente do contribuinte em declarar parcela ínfima de suas receitas ao fisco federal, para fins de apuração do pagamento unificado de tributos pelo sistema SIMPLES torna notório o intuito de retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, das circunstâncias materiais da obrigação tributária, justificando a aplicação da multa qualificada A reiteração da omissão de receita, bem como a significância dos valores omitidos, permitem concluir que a infração não decorreu de mero erro cometido pelo sujeito passivo, e sim de sua vontade livre e consciente de evadirse do pagamento dos tributos devidos, caracterizando o evidente intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada,no percentual de 150%. MULTA QUALIFICADA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. A multa de ofício constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal . O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
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RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. OMISSÃO DE RECEITAS. VALOR TRIBUTÁVEL DA INFRAÇÃO. MATÉRIA INCONTROVERSA. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. Nas razões do recurso, a recorrente não objetou questões de fato e de direito quanto ao valor tributável da infração imputada “Omissão de Receitas” em relação às exações fiscais citadas acima. Matéria incontroversa acerca da qual operouse a preclusão, não mais cabendo sua discussão na órbita administrativa. PIS. COFINS. ALÍQUOTA ZERO. BENEFÍCIO FISCAL INCOMPATÁVEL COM O SIMPLES FEDERAL. A opção pelo Simples Nacional é incompatível com a utilização de qualquer outro benefício ou tratamento fiscal diferenciado, ou mais favorecido, aplicável aos tributos e contribuições federais, tais como suspensão, isenção ou alíquota zero. As alíquotas zero da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não beneficiam as empresas optantes pelo Simples Nacional, as quais ficam impedidas de reduzir ou excluir os respectivos percentuais integrantes da alíquota do Simples Nacional. PISSIMPLES. COFINSSIMPLES. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. OMISSÃO DE RECEITAS. Restando comprovada pelo fisco nos autos a infração omissão de receitas, devem ser mantidos os lançamentos fiscais. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.724134/201065 Acórdão n.º 1802001.208 S1TE02 Fl. 2 2 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. FRAUDE/SONEGAÇÃO FISCAL. DOLO. MULTA QUALIFICADA. O comportamento consistente do contribuinte em declarar parcela ínfima de suas receitas ao fisco federal, para fins de apuração do pagamento unificado de tributos pelo sistema SIMPLES torna notório o intuito de retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, das circunstâncias materiais da obrigação tributária, justificando a aplicação da multa qualificada A reiteração da omissão de receita, bem como a significância dos valores omitidos, permitem concluir que a infração não decorreu de mero erro cometido pelo sujeito passivo, e sim de sua vontade livre e consciente de evadirse do pagamento dos tributos devidos, caracterizando o evidente intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada, no percentual de 150%. MULTA QUALIFICADA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. A multa de ofício constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal . O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.724134/201065 Acórdão n.º 1802001.208 S1TE02 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.566/573 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Salvador (fls.551/558) que julgou improcedente a impugnação, mantendo a exigência do crédito tributário atinente aos autos de infração do IRPJ – Simples e reflexos (CSLL, PIS, Cofins e Contribuição para Seguridade Social INSS) do anocalendário 2006. Quanto aos fatos: em 01/09/2010, foram lavrados os citados autos de infração, no âmbito do Simples Federal, para constituição do crédito tributário do anocalendário 2006, cujo valor perfaz o montante de R$ 397.139,83, estando inclusos os valores correspondentes à multa qualificada de 150% e aos juros de mora calculados até 31/08/2010 (fls. 02/53); a) discriminação do crédito tributário lançado: Auto de Infração Principal Juros de Mora (calculados até 31/08/2010) Multa Qualificada (150%) Total Folhas IRPJ Simples 8.631,31 3.577,14 12.946,94 25.155,39 03/09 PIS Simples 6.325,42 2.617,30 9.488,12 18.430,84 10/16 CSLL Simples 9.880,60 4.192,58 14.820,87 28.894,05 17/24 COFINS Simples 29.537,37 12.532,29 44.306,02 86.375,68 25/32 Contrib. Seg. Social INSS Simples 81.561,90 34.379,15 122.342,82 238.283,87 33/30 TOTAL 397.139,83 infração imputada (fl. 05), in verbis: (...) 001 – OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO ESCRITURADAS (...) Valor tributável (Omissão de Receitas): R$ 1.726.403,86. integra os autos de infração o Termo de Verificação Fiscal que descreve, narra, os fatos quanto à infração Omissão de Receitas – Receitas Não Escrituradas (fls. 54/57), in verbis: (...) A empresa, optante pelo Simples Federal no anocalendário de 2006 (AC/2006), entregou Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica DSPJ zerada para aquele ano, tendo efetuado recolhimentos Simples no valor de R$ 568,21 (fls. 473/490). Fl. 586DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.724134/201065 Acórdão n.º 1802001.208 S1TE02 Fl. 4 4 Optante pelo lucro presumido no AC/2007, entregou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ informando receita bruta anual de R$ 70.124,70 para o referido ano, sem, contudo, confessar os respectivos débitos, já que entregou DCTF e Dacon do período zeradas. Fez recolhimentos a título de IRPJ e CSLL lucro presumido e de PIS e Cofins em valores aproximados à correspondente receita bruta informada na DIPJ. Entretanto, entregou ao fisco do Estado da Bahia Declaração e Apuração do ICMS DMA onde confessa saídas de mercadorias de R$ 750.897,72 no AC/2006 e de R$ 2.005.304,62 no AC/2007. Tais informações foram obtidas ao amparo do Convênio de Cooperação Técnica firmado entre a Secretaria da Receita Federal e a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia em 12/02/1999. Intimada reiteradamente a apresentar livros e documentos fiscais e contábeis, não os apresentou, alegando "... que foi impossível reescrever os Livros Contábeis dos períodos de 2006 e 2007 ..., por falta de documentação". Trouxe, contudo, demonstrativo intitulado "Movimento de Venda" onde discrimina data, cliente e valor de cada faturamento realizado nos anos sob fiscalização e, ainda, sua totalização mensal e anual. No demonstrativo apresentado pela autuada é declarado faturamento de R$ 1.679.900,86 no AC/2006 e R$ 2.118.880,94 no AC/2007, implicando omissão de receitas nestes exatos valores,(...) Não satisfeita com essas informações, a fiscalização, ainda, circularizou, por amostragem, vários clientes da contribuinte e apurou a existência de vendas com notas fiscais cujos valores não constavam do citado demonstrativo “Movimento de Venda”. De modo que, no encerramento do procedimento de fiscalização, restou apurado valor tributável Omissão de Receitas, quanto ao anocalendário 2006, o montante de R$ 1.726.403,86, assim discriminado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 54/57): 2006 2007 Janeiro 116.764,57 241.755,60 Fevereiro 108.400,48 190.377,56 Março 112.985,00 323.394,71 Abril 102.921,49 243.636,93 Maio 124.095,93 215.902,98 Junho 131.732,63 173.877,79 Julho 235.907,67 139.225,87 Agosto 171.788,67 155.543,37 Setembro 147.012,79 119.519,07 Outubro 163.248,60 107.902,75 Novembro 204.188,06 127.493,88 Dezembro 107.357,97 136.631,98 Total 1.726.403,86 2.175.262,49 Obs: o presente processo trata, apenas, dos autos de infração do Simples do anocalendário 2006. Enquadramento legal: Fl. 587DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.724134/201065 Acórdão n.º 1802001.208 S1TE02 Fl. 5 5 auto de infração do IRPJSimples: Lei nº 9.249/95, art. 24; Lei nº 9.317/96, arts. 2º§ 2º, 3º§ 1º e alínea “a”, 5º, 7º§ 1º, e 18; Lei nº 9.732/98, art. 3º; RIR/99, arts. 186, 188 e 199; e Lei nº 9.430/96, art. 44, II, § 1º, c/ redação da Lei nº 11.488/2007, c/c art. 19 da Lei nº 9.317/96. lançamentos reflexos: fundamentos legais estão consignados nos respectivos autos de infração. Em 02/09/2010, a contribuinte tomou ciência, pessoalmente, dos autos de infração e do Termo de Encerramento do procedimento fiscal, por intermédido de seu representante legal –sócio (fls. 04, 11,18, 26, 34 e 52). A impugnação, parcial, ao feito fiscal foi apresentada em 01/10/2010 (fls. 493/512), cujas razões, em síntese, são as seguintes: a) multa qualificada: que a qualificação da multa, por conduta de fraude/sonegação fiscal, não merece prosperar; que, em momento algum, a contribuinte agiu de máfé/dolo ou utilizouse de qualquer expediente ardiloso para ocultar, impedir ou dificultar, o interesse do fisco no tocante à fiscalização e à arrecadação dos tributos correspondentes, não havendo, portanto, subsunção da conduta, dos fatos, ao disposto no art. 71 da Lei nº 4.502/64; que todo esse embaraço ocorreu por desorganização contábil da contribuinte decorrente de crise financeira que assolou o Vale do São Francisco, no período objeto do lançamento fiscal, por fatores climáticos adversos locais e pela crise mundial que se enfrentava na época, afetando muito a fruticultura irrigada da região (principalmente as culturas de uva e manga), gerando inadimplência em massa, o que dificultou a escrituração contábil e a obtenção dos lucros; que a contribuinte, não obstante, agiu de forma positiva junto à autoridade fiscalizadora, já que os valores apurados pela RFB são, por demais, razoáveis frente aos valores apresentados pela empresa autuada quando do procedimento fiscal; que a contribuinte declarou à fiscalização faturamento de R$ 1.679.900,86 para o ano de 2006 e de R$ 2.118.880,94 para o ano de 2007, enquanto que a Receita Federal apurou para o ano de 2006 o valor de R$ 1.726.403,86 e para o ano de 2007 o valor de R$ 2.175.262,49; que os valores estão bem próximos, o que demonstra a boafé da contribuinte; que, por conseguinte, não houve dolo na omissão de receitas, nem tampouco intuito de impedir a constituição da obrigação tributária principal; que a multa de ofício duplicada, quer dizer qualificada, é confiscatória e, portanto, inconstitucional. b) insubsistência dos autos de infração do PISSimples e da Cofins Simples: que é incabível cogitarse de exigência de crédito tributário a título da Contribuição para o PIS e à Cofins, haja vista que a Lei nº 10.925/2004 isentou a comercialização de produtos oriundos da atividade agrícola; que, se a União pretende cobrar tributo sobre aquilo que legalmente isentou, desconhece, por conseguinte, ato emanado de sua própria autoridade; que isso implica propagar a insegurança jurídica aos contribuintes; Fl. 588DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.724134/201065 Acórdão n.º 1802001.208 S1TE02 Fl. 6 6 Por fim, ante o exposto, a recorrente pediu: que seja afastada a multa de ofício qualificada pela não configuração de dolo na conduta de omissão de receitas e pelo não cometimento da prática de ocultar ou dificultar a ação do fisco Federal; que, caso o entendimento seja diverso, pelo menos seja reduzida a multa de 150% para 75%, pois – naquele patamar – a multa é confiscatória/inconstitucional; seja desconstituído o crédito tributário da Contribuição para o PIS e da Cofins, pois, relação aos produtos agrícolas comercializados, a receita auferida é isenta dessas exações fiscais; e Ainda, a recorrente protestou provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, inclusive pericial. A decisão a quo, infensa às razões suscitadas pela contribuinte, julgou a impugnação improcendente, mantendo a exigência do crédito tributário cuja ementa do acórdão transcrevo (fl.551), in verbis: (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. Considerandose que a pessoa jurídica entregou Declaração Anual Simplificada zerada à Receita Federal e declarou elevados valores de receita bruta ao Fisco Estadual, procede o lançamento dos imposto e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. SIMPLES FEDERAL. ALÍQUOTA ZERO DO PIS E DA COFINS. As alíquotas zero da Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS não beneficiam as empresas optantes pelo Simples Federal. Assim, não poderão elas, a esse título, reduzir a zero o percentual correspondente, integrante da alíquota do regime simplificado. MULTA QUALIFICADA. TIPIFICAÇÃO. A multa proporcional qualificada é aplicável aos casos em que se verifica evidente intuito de sonegação fiscal, caracterizado pela redução deliberada da base de cálculo dos tributos devidos. CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Na instância administrativa não se discute a constitucionalidade de atos legais, por ser uma competência exclusiva do Poder Judiciário. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.724134/201065 Acórdão n.º 1802001.208 S1TE02 Fl. 7 7 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Irresignada com esse decisum do qual tomou ciência em 13/12/2010 (fl. 564), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 12/01/2011 (fls. 567/573), deduzindo as seguintes razões, em síntese: a) autos de infração: PISSimples e CofinsSimples: que, embora não se possa falar em isenção propriamente dita (PIS e Cofins), mas tãosomente redução de alíquotas dessas exações fiscais, a decisão a quo laborou em erro ao consignar que o benefício fiscal da alíquota zero da Contribuição para o PIS e da Cofins (vendas internas de insumos e defensivos agrícolas) somente tem aplicação às pessoas jurídicas enquadradas no regime normal de tributação, e não ao regime de tributação do Simples; que, diversamente da decisão ora atacada, no art. 1º da Lei nº 10.925/2004 inexiste restrição às empresas optantes do Simples Federal. Não cabe ao interprete distinguir onde a lei não distinguiu. Diferentemente do entendimento da decisão recorrida, o citado dispositivo legal deve ser aplicado literalmente, sem restrição à forma de tributação ou ao regime de apuração do Simples Federal (CTN, art. 111). b) multa qualificada: que, relativamente à multa qualificada, também observase equívoco no julgamento de primeira instância, visto que não restou caracterizada a figura do dolo ou da má fé; que, além de tudo, a multa de 150% é desproporcional, confiscatória/inconstitucional, pois afronta o disposto no art. 150, incisos IV e V, da Constituição Federal; que a não entrega das declarações ao fisco configura descumprimento de obrigação acessória; que, não obstante, na fase de fiscalização forneceu todas as informações para o lançamento do crédito tributário; que, por conseguinte, não se justifica a qualificação da multa de ofício; que agiu, portanto, de forma positiva junto ao fisco, quando do procedimento de fiscalização, fornecendo os dados e informações de faturamento, configurando a boafé; que a aplicação de multa qualificada pressupõe a comprovação do elemento subjetivo do tipo, ou seja, o dolo, o intuito de fraude, fato não configurado, no caso; que a omissão de receitas, mera irregularidade, decorreu de inexatidão de declaração, sujeita apenas à multa proporcional de 75%, pela falta da intenção de fraudar; Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu provimento ao recurso na parte recorrida, ou seja: (i) a aplicação de alíquota zero (PIS e Cofins) às vendas internas de insumos e defensivos agrícolas de que trata o art. 1º da Lei nº 10.925/2004 e (ii) redução da multa de 150% para 75% pela não configuração do intuito de fraude fiscal quanto à infração imputada “Omissão de Receitas”. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.724134/201065 Acórdão n.º 1802001.208 S1TE02 Fl. 8 8 É o relatório. Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, a exigência tributária diz respeito aos autos de infração do IRPJSimples e reflexos (CSLL Simples, PISSimples, Cofins Simples e Contribuição para a Seguridade Social – INSS Simples), anocalendário 2006, pela imputação da infração “Omissão de Receitas”, com aplicação de multa qualificada, no patamar de 150%. A infração “Omissão de Receitas”, quanto ao valor tributável dessa infração, é matéria incontroversa nos autos em relação ao IRPJSimples, à CSLLSimples e à Contribuição para Seguridade Social – INSS – Simples, pois a recorrente, nas razões do recurso, não objetou questões de fato e de direito. Tratase, por conseguinte, de matéria preclusa, não mais cabendo sua discussão na órbita administrativa. Entretanto, nas razões do recurso, a recorrente busca a reforma da decisão recorrida quanto: a) aos autos de infração da Contribuição para o PIS – Simples e da Cofins Simples, argumentando que a fiscalização, quando da lavratura dos autos de infração, deixou de aplicar o benefício fiscal – alíquota zero – para essas exações fiscais, quanto às receitas auferidas no anocalendário 2006 decorrentes da comercialização, no atacado e varejo, de produtos agríciolas (Lei nº 10.925/2004, art. 1º); b) à multa qualificada em relação a todas os autos de infração lavrados (objeto deste processo), pleiteando a redução do patamar de 150% para 75%, pois não estaria configurado, caracterizado, o dolo de fraude/sonegação fiscal. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo diretamente à análise do mérito da matéria controvertida. PIS E COFINS. ALÍQUOTA ZERO. LEI Nº 10.925/2004 (ART. 1º). BENEFÍCIO FISCAL INAPLICÁVEL ÀS PESSOAS JURÍDICAS DO SISTEMA SIMPLES. A contribuinte tem, como objeto social, o comércio varejista e atacadista de produtos agrícolas, máquinas, equipamentos agrícolas e alimentícios, conforme Instrumento da Quarta Alteração Contratual – consolidação – Clásula Terceira, de 10/03/2005 (fls. 514/518), in verbis: TERCEIRA – O objeto é o comércio varejista e Atacadista de Produtos Agrícolas (adubos, defensivos, fertilizantes, mudas e sementes), coméricio varejsita e Atacadista de Máquinas, Fl. 591DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.724134/201065 Acórdão n.º 1802001.208 S1TE02 Fl. 9 9 Aparelhos e equipamentos para o uso Agropecuário, Comércio varejista e atacadista de Hortifrutigranjeiros (frutas, legumes e verduras) e Comércio varejista e Atacadista de Produtos Alimentícios. No anocalendário 2006, período objeto dos autos de infração aplicados, a recorrente estava enquadrada no SIMPLES, por opção. Nesse sistema de tributação, a pessoa jurídica tem: tributação com alíquotas mais favorecidas e progressivas, de acordo com a receita bruta auferida; recolhimento unificado e centralizado de impostos e contribuições federais, com a utilização de um único DARF (DARFSIMPLES), podendo, inclusive, incluir impostos estaduais e municipais, quando existirem convênios firmados com essa finalidade; cálculo simplificado do valor a ser recolhido, apurado com base na aplicação de alíquotas unificadas e progressivas, fixadas em lei, incidentes sobre uma única base: a receita bruta mensal; dispensa do pagamento das contribuições, instituídas pela União, destinadas ao Sesc, Sesi, Senai, Senac, Sebrae e seus congêneres, bem assim das relativas ao salário educação e à Contribuição Sindical Patronal. Em face desse tratamento tributário privilegiado, à pessoa jurídica do SIMPLES é vedada a utilização ou a destinação de qualquer outro benefício ou valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. Vale dizer, as ME e as EPP, inscritas no SIMPLES, não poderão gozar de nenhum outro benefício ou tratamento fiscal diferenciado ou mais favorecido, além daqueles expressamente previstos na legislação específica do SIMPLES, inclusive em relação à substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução da base de cálculo, isenção, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Por conseguinte, o benefício fiscal da alíquota zero para o PIS e à Cofins de que trata o art. 1º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 não se aplica às pessoas jurídicas do SIMPLES, mas sim às empresas do regime normal de tributação. Apenas, a título ilustrativo, transcrevo os termos do art. 1º da Lei nº 10.925/04, in verbis: Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: I adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n o 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matériasprimas; Fl. 592DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.724134/201065 Acórdão n.º 1802001.208 S1TE02 Fl. 10 10 II defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI e suas matériasprimas; III sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio, em conformidade com o disposto na Lei n o 10.711, de 5 de agosto de 2003, e produtos de natureza biológica utilizados em sua produção; IV corretivo de solo de origem mineral classificado no Capítulo 25 da TIPI; V produtos classificados nos códigos 0713.33.19, 0713.33.29, 0713.33.99, 1006.20, 1006.30 e 1106.20 da TIPI; VI inoculantes agrícolas produzidos a partir de bactérias fixadoras de nitrogênio, classificados no código 3002.90.99 da TIPI; VII produtos classificados no Código 3002.30 da TIPI; e VIII (VETADO) Parágrafo único. O Poder Executivo regulamentará a aplicação das disposições deste artigo Como já dito, o regime do SIMPLES, por configurar tratamento tributário favorecido criado por legislação específica, implica vedação à utilização de outros incentivos ou benefícios fiscais, mormente quando concedidos aos contribuintes do regime normal de tributação. A propósito, a RFB, por intermédido da Solução de Consulta nº 123, de 18/11/2010, publicada no D.O.U. em 06/12/2010, de forma expressa, tratou dessa incompatibilidade de utilização de qualquer outro benefício fiscal pelos contribuintes do Simples Nacional, principalmente o benefício da alíquota zero de que trata o art. 1º da Lei nº 10.925/2004, in verbis: ASSUNTO: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples EMENTA: SIMPLES NACIONAL. PIS/PASEP. COFINS. ALÍQUOTA ZERO. A opção pelo Simples Nacional é incompatível com a utilização de qualquer outro benefício ou tratamento fiscal diferenciado, ou mais favorecido, aplicável aos tributos e contribuições federais, tais como suspensão, isenção ou alíquota zero. As alíquotas zero da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não beneficiam as empresas optantes pelo Simples Nacional, as quais ficam impedidas de reduzir ou excluir os respectivos percentuais integrantes da alíquota do Simples Nacional. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº 123, de 2006; Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008; Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.724134/201065 Acórdão n.º 1802001.208 S1TE02 Fl. 11 11 Conforme demonstrado, o benefício fiscal de que trata o art. 1º da Lei nº 10.925/04 não se aplica aos contribuintes do SIMPLES Federal/Nacional. Logo, o valor tributável da infração omissão de receitas não cabe reparo. Por conseguinte, deve ser mantida, integralmente, a infração Omissão de Receitas, em relação aos autos de infração da Contribuição para o PISSimples e da Cofins Simples. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE/SONEGAÇÃO FISCAL. DOLO. A recorrente, nas razões do recurso, rebelouse contra a aplicação da multa de ofício de 150% (multa qualificada) em relação à infração imputada “Omissão de Receitas” do anocalendário 2006, objeto dos autos, argumentando que: a) entregara a Declaração Simplificada do Simples, exercício 2007, ano calendário 2006, com valores zerados, por mera desorganização contábil, decorrente do contexto adverso da economia local do Vale do São Franciso e mundial que dificultou, na época, a realização dos lucros; b) não obstante, na fase de fiscalização fornecera todas as informações para o lançamento do crédito tributário; que agira, destarte, de forma positiva junto ao fisco, quando do procedimento de fiscalização, fornecendo os dados e informações de faturamento, configurando a boafé; c) por conseguinte, não se justificaria a qualificação da multa de ofício, pela não configuração do dolo de fraude/sonegação fiscal; que, além disso, a multa qualificada é desproporcional, confiscatória/inconstitucional; que deveria ser reduzida para o patamar de 75%. Não merece prosperar a irresignação da recorrente. Diversamente do alegado pela contribuinte, a entrega de declaração Simplificada do SIMPLES com valores zerados para o anocalendário 2006 não decorreu de mera desorganização contábil ou de suposto contexto econômico local ou mundial desfavorável, mas sim de intuito de fraude em sentido amplo, que abarca a figura jurídica da sonegação fiscal, do propósito de ocultar do fisco federal a totalidade das receitas auferidas e de dificultar ou retardar o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores dos tributos federais. Esse comportamento ou conduta da contribuinte se protraiu no tempo, por vários exercícios. Vale dizer, no ano seguinte, ou seja, no anocalendário 2007, embora já com opção manifestada pelo Lucro Presumido, a contribuinte, novamente, prestou informações inverídicas ao fisco federal, ocultando mais de 90% (noventa por cento) das receitas auferidas na respectiva DIPJ. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.724134/201065 Acórdão n.º 1802001.208 S1TE02 Fl. 12 12 Esse modus operandi consta descrito, narrado, pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, o qual é parte intregrante dos autos de infração (fls. 54/57) e que transcrevo a seguir, in verbis: (...) A empresa, optante pelo Simples Federal no anocalendário de 2006 (AC/2006), entregou Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica DSPJ zerada para aquele ano, tendo efetuado recolhimentos Simples no valor de R$ 568,21 (fls. 473/490). Optante pelo lucro presumido no AC/2007, entregou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ informando receita bruta anual de R$ 70.124,70 para o referido ano, sem, contudo, confessar os respectivos débitos, já que entregou DCTF e Dacon do período zeradas. Fez recolhimentos a título de IRPJ e CSLL lucro presumido e de PIS e Cofins em valores aproximados à correspondente receita bruta informada na DIPJ. Entretanto, entregou ao fisco do Estado da Bahia Declaração e Apuração do ICMS DMA onde confessa saídas de mercadorias de R$ 750.897,72 no AC/2006 e de R$ 2.005.304,62 no AC/2007. Tais informações foram obtidas ao amparo do Convênio de Cooperação Técnica firmado entre a Secretaria da Receita Federal e a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia em 12/02/1999. Intimada reiteradamente a apresentar livros e documentos fiscais e contábeis, não os apresentou, alegando "... que foi impossível reescrever os Livros Contábeis dos períodos de 2006 e 2007 ..., por falta de documentação". Trouxe, contudo, demonstrativo intitulado "Movimento de Venda" onde discrimina data, cliente e valor de cada faturamento realizado nos anos sob fiscalização, e, ainda, sua totalização mensal e anual. No demonstrativo apresentado pela autuada é declarado faturamento de R$ 1.679.900,86 no AC/2006 e R$ 2.118.880,94 no AC/2007, implicando omissão de receitas nestes exatos valores,(...) Não satisfeita com essas informações, a fiscalização, ainda, circularizou, por amostragem, vários clientes da contribuinte e apurou a existência de vendas com notas fiscais cujos valores não constavam do citado demonstrativo “Movimento de Venda”. De modo que, no encerramento do procedimento de fiscalização, restou apurado valor tributável Omissão de Receitas, quanto ao anocalendário 2006, o montante de R$ 1.726.403,86, e quanto ao anocalendário 2007 o montante de R$ 2.175.262,49 (fls. 54/57). Em face disso, a fiscalização da RFB, quando da lavratura dos autos de infração do SIMPLES (IRPJ, CSLL, PIS , Cofins e Contrib.para Seguridade Social – INSS) do anocalendário 2006, qualificou a multa de ofício (150%) para a infração OMISSÃO DE RECEITAS, consoante Termo de Verificação Fiscal (fl. 57), in verbis: Fl. 595DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.724134/201065 Acórdão n.º 1802001.208 S1TE02 Fl. 13 13 (...) 3. MULTA QUALIFICADA A reiterada entrega de declarações sem débitos à Receita Federal, a par dos altos valores de faturamento apurados na ação fiscal e, ainda, o reconhecimento contemporâneo dos débitos perante o fisco estadual afastam a hipótese de erro, evidenciando que a autuada intencionalmente agiu com dolo perarante o fisco federal. Este comportamento, tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade tributária federal da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e com reflexo na sua obrigação do pagamento de tributo, classificada como de sonegação fiscal pelo artigo 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, implica o presente lançamento tributário com multa de ofício duplicada, conforme determinado pelo § Io, art. 44, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e, em tese, crime contra a ordem tributária, tipificado nos incisos I e II, artigo Io, da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, sendo objeto de Representação Fiscal para Fins Penais dirigida ao Ministério Público Federal. (...) O elemento subjetivo do tipo, o dolo, na conduta de sonegação fiscal é patente. Sendo assim, não há reparo a fazer na imputação do fisco, pois a conduta da contribuinte subsume, perfeitamente, ao art.71 da Lei nº 4.502/64, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. II – (...) Ainda, cabe destacar que os tributos federais no Sistema SIMPLES são apurados, mensalmente, com base na receita bruta. A recorrente, nos anoscalendário 2006 e 2007 omitiu a maior parte de suas receitas, em todos os meses desses anos, conforme demonstrativo de omissão de receitas já transcrito no relatório. É evidente, salta aos olhos, a conduta dolosa da contribuinte, ao informar, sistematicamente, ao fisco federal as receitas decorrentes da exploração da atividade, a menor, como forma de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua Fl. 596DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.724134/201065 Acórdão n.º 1802001.208 S1TE02 Fl. 14 14 natureza ou circunstâncias materiais. O que é suficiente para manter a qualificação da infração Omissão de Receitas. A alegação da recorrente de que, no final, no procedimento de investigação fiscal teria colaborado com o fisco, fornecendo demonstrativo da receita bruta cujos valores ficaram bem próximos dos apurados pelo fisco não descacteriza, não afasta, o dolo de sonegação fiscal, pois o crédito tributário objeto dos autos só restou a salvo da decadência, em face do procedimento repressivo e tempestivo de fiscalização da RFB, mediante Convênio de Cooperação Técnica com a Secretaria de Estado da Fazenda local. Como demonstrado, a contribuinte, até então, impediu ou retardou, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal dos tributos federais, sua natureza ou circunstâncias materiais. Na verdade, a recorrente só forneceu o demonstrativo de receitas, quando constatou que o fisco já havia conseguido os valores das receitas junto à Secretaria de Fazenda do Estado. Nessa situação, os precedentes jurisprudencias deste CARF, também, são pela manutenção da qualificação da multa de ofício pela infração imputada “Omissão de Receitas”. Vale dizer, nos casos em que os contribuintes declaram receita bruta efetiva ao fisco estadual e apenas valor irrisório, insignificante, de receita bruta ao fisco federal. Senão vejamos: MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. A omissão expressiva de receitas em vários períodos consecutivos demonstra ter a autuada agido com dolo, caracterizando o evidente intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada, no percentual de 150%.(Acórdão nº 10709.340, sessão de 16/08/2008, Relator Jayme Juzrez Grotto). MULTA QUALIFICADA. IRPJ. Comprovado que o contribuinte omitiu integralmente suas receitas e o imposto de renda devido em suas declarações de rendimentos (DIPJ) e de tributos devidos (DCTF), durante períodos de apuração sucessivos, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracterizase a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996.(Acórdão nº 910101.202, sessão de 17/10/2011, Relator Alberto Pinto S. Jr.). MULTA QUALIFICADA. A reiteração da omissão de receita, bem como a significância dos valores omitidos, permitem concluir que a infração não decorreu de mero erro cometido pelo sujeito passivo, e sim de sua vontade livre e consciente de evadirse do pagamento dos tributos devidos.(Acórdão nº 1201 00.483, sessão de 25/05/2011, Relator Regis Magalhães Soares de Queiroz e Marcelo Cuba Netto Redador do voto vencedor). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que Fl. 597DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.724134/201065 Acórdão n.º 1802001.208 S1TE02 Fl. 15 15 houver o evidente intuito de fraude definido na forma da lei e caracterizado em procedimento fiscal, in casu, declarar à Receita Federal, bem como recolher os tributos sobre o valor em torno de 10% de seu faturamento mensal efetivo, escriturado no livro registro de saídas e declarado à Secretaria Estadual de Fazenda. (Acórdão nº 140200.505, sessão de 31/03/2011, Relator Antônio José Praga de Souza). MULTA QUALIFICADA. O comportamento consistente do contribuinte em declarar parcela ínfima de suas receitas ao fisco federal, para fins de apuração do pagamento unificado de tributos pelo sistema SIMPLES torna notório o intuito de retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, das circunstâncias materiais da obrigação tributária, justificando a aplicação da multa qualificada.(Acórdão nº 9101001.197, sessão de 07/10/2011, Relator Valmir Sandri). O princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirigese ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtarse à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, pois em matéria de penalidade não há que se falar em capacidade congtributiva, incide na pena em abstrato quem assume o risco de ser flagrado cometendo ilícito fiscal. Nesse sentido, transcrevo o seguinte precedente deste CARF: "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 10242.741, sessão de 20/02/1998). Ademais, não cabe ao órgão de julgamento administrativo conhecer, no mérito, de arguição de inconstitucionalidade de lei, cuja questão está sumulada neste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, deve ser mantida a multa qualificada (150%) em relação à infração “Omissão de Receitas quanto aos autos de infração do IRPJSimples, CSLLSimples, PIS Simples, CofinsSimples e Contribuição para a Seguridade Social – INSS – Simples. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 598DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.724134/201065 Acórdão n.º 1802001.208 S1TE02 Fl. 16 16 Fl. 599DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 13886.001473/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PRELIMINAR AFASTADA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Somente são consideradas nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa da parte, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INOCORRÊNCIA.
O preenchimento equivocado da DIRPF - da qual conste rendimento recebido de pessoa física no campo destinado à informação sobre rendimentos de pessoa jurídica - não implica em qualquer omissão por parte do contribuinte que assim se equivocou. Não havendo omissão, incorreta a manutenção do lançamento.
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova - por quaisquer outros meios - de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas.
Numero da decisão: 2102-002.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas para, no mérito, em DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para cancelar a parcela do lançamento relativa à omissão de rendimentos recebidos de pessoa física.
Assinado Digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 05/12/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANÁRIO DA SILVA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 PRELIMINAR AFASTADA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente são consideradas nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa da parte, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INOCORRÊNCIA. O preenchimento equivocado da DIRPF - da qual conste rendimento recebido de pessoa física no campo destinado à informação sobre rendimentos de pessoa jurídica - não implica em qualquer omissão por parte do contribuinte que assim se equivocou. Não havendo omissão, incorreta a manutenção do lançamento. IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova - por quaisquer outros meios - de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2195; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 76 1 75 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13886.001473/200813 Recurso nº 111.111 Voluntário Acórdão nº 2102002.388 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2012 Matéria IRPF Recorrente SONIA MARIA NARDINI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 PRELIMINAR AFASTADA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente são consideradas nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa da parte, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INOCORRÊNCIA. O preenchimento equivocado da DIRPF da qual conste rendimento recebido de pessoa física no campo destinado à informação sobre rendimentos de pessoa jurídica não implica em qualquer omissão por parte do contribuinte que assim se equivocou. Não havendo omissão, incorreta a manutenção do lançamento. IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova por quaisquer outros meios de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas para, no mérito, em DAR PARCIAL provimento ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 00 14 73 /2 00 8- 13 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Recurso, para cancelar a parcela do lançamento relativa à omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 05/12/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANÁRIO DA SILVA. Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento fls. 26/28 para exigência de IRPF em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas (aluguéis – no valor de R$ 9.818,30), e ainda em razão da glosa das despesas médicas deduzidas por ela (estas no total de R$ 17.500,00), no Exercício 2006. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/14, por meio da qual requereu o seu cancelamento, alegando: a) nulidade do lançamento por falta de motivação; b) nulidade por ausência de suporte legal que o justificasse; c) no mérito, trouxe cópias dos recibos relacionados aos serviços cuja dedução pleiteou, e afirmou que declarou corretamente os valores recebidos a título de aluguel; e d) pugnou pela exclusão da aplicação da taxa Selic ao crédito tributário exigido. Na análise de suas alegações, os integrantes da DRJ em São Paulo decidiram pela manutenção parcial do lançamento. Foram rejeitadas as preliminares e, no mérito, foi revisto o valor das glosas de despesas médicas, tendo sido reputada como comprovada a despesa de R$ 500,00 com a Clínica Cardiológica Prof. B. Tranchesi.. A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 49/57, por meio do qual reiterou os pedidos contidos em sua impugnação no que diz respeito às preliminares de nulidade e também ao mérito (quanto à possibilidade de dedução das despesas e quanto à inexistência de omissão de rendimentos). Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13886.001473/200813 Acórdão n.º 2102002.388 S2C1T2 Fl. 77 3 Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 16.04.2010 – sextafeira, como atesta o AR de fls. 48v.. O Recurso Voluntário foi interposto em 17.05.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRPF em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas (aluguéis) e também em razão da glosa de despesas médicas declaradas pela Recorrente. Como preliminares de seu recurso, a Recorrente reitera duas questões suscitadas em sede de Impugnação, ambas relacionadas a nulidades no lançamento. A primeira delas diz respeito a uma nulidade no lançamento por não ter o mesmo sido motivado, e a segunda diz respeito à ausência de suporte legal para o mesmo. A decisão recorrida afastou ambas as preliminares, pelos seguintes motivos: 0 contribuinte alega nulidade do lançamento por inobservância dos princípios da legalidade, finalidade, motivação, com ausência de descrição dos fatos geradores e fundamento jurídico de forma clara impossibilitando sua identificação e o exercício da ampla defesa, bem como por ausência de suporte legal. (...) Ao contribuinte foi dada a oportunidade de ampla defesa e do contraditório tanto que a utilizou ao impugnar o lançamento, discorrendo e apresentando cópias de documentos que demonstram seu pleno conhecimento dos fatos apurados pela fiscalização. Pelo exposto, temse, portanto, que a Autoridade Tributária Autuante agiu com estrita observância das normas legais que regem a matéria, não tendo como prosperar as alegações de nulidade do lançamento. Tal entendimento deve ser mantido. Isto porque o fundamento legal para o lançamento está devidamente elencado na Notificação, tanto é assim que a Recorrente teve chance de se defender, e menciona a norma que fundamenta o lançamento em sua Impugnação, de forma que não houve qualquer violação ao seu direito de ampla defesa. Da mesma forma, o lançamento não carece de motivação, pois esta motivação está contida no Código Tributário Nacional, que assim determina: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim é que toda vez que a autoridade fiscal apurar uma infração à lei tributário (no caso, o art. 8º da Lei nº 9.250/95) deverá ela efetuar o lançamento de ofício, exatamente como ocorreu no caso vertente. Por estes motivos, as preliminares suscitadas pela Recorrente não merecem acolhida. No que diz respeito ao mérito do lançamento aqui em discussão, a Recorrente afirma que não houve qualquer omissão de rendimentos e que os valores gastos com profissionais médicos devem ser por ela deduzidos por se enquadrarem na hipótese legal de dedução. Quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, consta da Notificação que a Recorrente teria omitido o valor total de R$ 9.818,30, extraído de DIMOB apresentada por W.PA. Imóveis Ltda.. A decisão recorrida manteve esta parcela do lançamento, baseada nos seguintes argumentos: Da Omissão de Rendimentos de Aluguéis Recebidos de Pessoa Física — DIMOB. 0 contribuinte alega que declarou os aluguéis consignados em DIMOB e apresenta a relação de fls. 15/17 onde constam rendimentos de aluguéis recebidos tanto de pessoa fisica quanto de pessoa jurídica. 0 presente lançamento a titulo de omissão de rendimentos de aluguel referese aos rendimentos recebidos de pessoa fisica e não declarados pelo contribuinte, conforme Declaração de Ajuste Anual — AC 2005, As lis. 332/37. 0 contribuinte declarou somente os valores referentes ao rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica e, deixando de declarar os valores recebidos de pessoa física incorreu cm omissão de rendimentos estando correto o lançamento, inclusive com ratificação pelo próprio documento apresentado pelo contribuinte, as fls. 15/17, quando informa os valores de alugueis recebidos de pessoas fisicas. De fato, consta da DIRPF apresentada pela Recorrente para o Exercício 2006 que a mesma declarou ter recebido rendimentos tributáveis naquele ano no valor total de R$ 54.196,84. Tais valores lhe teriam sido pagos por pessoas físicas e jurídicas, como se constata às fls. 33 dos autos – mas foram todos declarados dentro do quadro da DIRPF destinado à informação sobre rendimentos recebidos de pessoa jurídica, como demonstra o seguinte quadro, extraído da referida DIRPF: Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13886.001473/200813 Acórdão n.º 2102002.388 S2C1T2 Fl. 78 5 Da leitura do referido quadro é possível verificar que a Recorrente declarou, equivocadamente no campo destinado à informação sobre rendimentos recebidos de pessoa jurídica – ter recebido o valor de R$ 9.818,30 de pessoas físicas, cujos CPF podem ser verificados no quadro acima. Este valor é exatamente o valor da omissão imputada à Recorrente através do lançamento que aqui se analisa. Por este motivo, está correta a alegação da Recorrente de que declarou corretamente o valor em questão, não havendo que se falar em qualquer omissão de tais rendimentos. O simples fatos de ter declarado o rendimento em campo não apropriado não implica em qualquer omissão de sua parte. Assim, deve ser cancelado o lançamento no que diz respeito à alegada omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. A outra parcela do lançamento, como se viu, diz respeito à glosa de despesas médicas no valor de R$ 17.500,00. O fundamento para a glosa das despesas declaradas pela Recorrente fora a falta de comprovação das mesmas. Consta da Notificação que a Recorrente fora intimada a comprovar tais despesas, mas quedarase inerte, deixando de apresentar quaisquer documentos que as suportassem, o que implicou na referida glosa. Por ocasião da Impugnação, a Recorrente anexou aos autos os recibos que comprovariam tais despesas, no valor total de R$ 17.500,00, composto pelos seguintes pagamentos: Prestador Valor Recibo GRAZIELA FERNANDES POLTRONIERI R$ 7.000,00 18/20/21/24 CLINICA DENTARIA DO POVO SC LIDA R$ 10.000,00 19/21/23 CLIN.CARDIOL. PROF.B.TRANCHESI SC LTDA R$ 500,00 19/22 Deste montante, a decisão recorrida reputou como comprovada a despesa de R$ 500,00 com a Clínica Cardiológica Prof. B. Tranchesi., já que o recibo apresentado Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 preenchia os requisitos legais para tanto. O argumento utilizado para justificar a não aceitação de todos os demais recibos apresentados foi: Em principio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado e preenchidos com todos os requisitos legais exigidos. No entanto, é de se ter em conta, ao examinar esta questão, que a comprovação das despesas havidas por meio de recibos é muito frágil. A apresentação destes documentos, em muitos casos, deve servir apenas como ponto de partida para a comprovação das despesas declaradas, não podendo a autoridade fiscal se satisfazer apenas com eles. Os pagamentos efetuados devem ser especificados e comprovados e os recibos devem conter a informação precisa dos serviços prestados e identificação do beneficiário dos mesmos. A simples apresentação dos recibos de despesas médicas não comprova a efetividade do pagamento ou dos serviços prestados pelos profissionais. A prova definitiva e incontestável das despesas é feita com a apresentação de documentos que comprovem a transferência de numerário (o pagamento) e dos documentos que comprovem a realização do serviço (radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras). A apresentação de recibos, por si só, como já dito acima, não tem a capacidade de provar a prestação de serviços e o pagamento dos mesmos. Quanto aos documentos apresentados, temos que: a) Os recibos emitidos pela Americana Sistema Odontológico de Saúde Ltda, As fls. 23, não especificam o tratamento e não identificam o beneficiário de tais tratamentos. b) Os recibos emitidos por Graziela Fernandes Poltronieri, As fls. 18, 20/21 e 24, não identificam o beneficiário do tratamento e não consta o endereço do profissional. c) Quanto aos recibos emitidos pela Clinica Cardiológica Prof B. Tranchesi S/C Ltda, As fls. 19 e 22. por preencherem todos os requisitos legais em seu original, podem ser acolhidos para efeito de dedução de despesa pleiteada, no valor total de R$ 500,00. Tal decisão merece ser mantida. De fato, a legislação fiscal prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento. Sem que tais provas sejam feitas, está correta a glosa das despesas médicas não comprovadas. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13886.001473/200813 Acórdão n.º 2102002.388 S2C1T2 Fl. 79 7 (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) No caso em exame, o Recorrente trouxe aos autos os recibos emitidos pelos profissionais em comento (cf. demonstrado acima), dos quais realmente não consta o endereço do profissional emitente (caso dos recibos emitidos por Graziela Fernandes Poltronieri). Já em relação aos recibos de despesas com a Clínica Odontológica, realmente os mesmos deixam de demonstrar quais os serviços prestados, o que inviabiliza a sua aceitação como hábeis e suficientes a demonstrar a efetividade das mencionadas despesas. Vale ressaltar ainda que em ambos os casos, diante da expressividade dos valores dispendidos, caberia à Recorrente ter trazido outros documentos que demonstrassem e justificassem as despesas em questão, mormente quando a decisão recorrida foi bastante enfática e explícita quanto às razões para que os recibos apresentados não fossem aceitos. Caberia à Recorrente ter trazido argumentos e documentos suficientes a rechaçar os argumentos lá expendidos, de forma a demonstrar a efetividade de tais serviços, que não foram sequer descritos – ainda que de maneira simples e leiga. Por isso, entendo que devem ser mantidas as glosas efetuadas através do lançamento em exame. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 Diante do exposto, VOTO no sentido de REJEITAR as preliminares suscitadas para, no mérito DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para cancelar a parcela do lançamento relativa à omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 75DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 11543.002831/2010-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Simples Nacional Ano-calendário: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o transcurso do prazo assinalado no artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72 (30 dias).
Numero da decisão: 1301-000.861
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso, por intempestivo.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o transcurso do prazo assinalado no artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72 (30 dias). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Verificase que por meio do Ato Declaratório Executivo de folha 15, a recorrente foi excluída do SIMPLES Nacional “em virtude de possuir débitos daquele regime especial, com exigibilidade não suspensa”. Cientificada da exclusão (fl. 20), a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 01 – 12), alegando em síntese que deseja quitar seus débitos, no entanto, somente pode fazêlo mediante parcelamento ordinário previsto na Lei nº 10.522/2002, defendendo que a vedação ao parcelamento não encontra respaldo legal e não se afigura razoável, pugnando pelo deferimento de prazo razoável para efetivar o parcelamento dos seus débitos. A 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 24 a 27, indeferiu a solicitação da recorrente, observando primeiramente que o presente processo versa apenas a exclusão do SIMPLES levada a efeito contra a ora recorrente por meio do Ato Declaratório Executivo de folha 15, não se cuidando da cobrança de qualquer débito. Assim verificado, destacou a decisão recorrida não ser de competência daquela DRJ manifestarse acerca do pedido de parcelamento, porquanto tal mister competiria à unidade da RFB do domicílio fiscal da recorrente, assentando, a despeito disso, que não haveria previsão legal que permitisse o parcelamento de débito apurado no regime do SIMPLES. No mais, assentou que a exclusão levada a efeito baseouse na existência de débitos sem exigibilidade suspensa, incidindo assim, na vedação contida no artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006 e verificando a consulta aos débitos da recorrente, encartada na folha 25, mantevese a citada exclusão. Devidamente cientificada da decisão desfavorável (fl. 29) a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando que deseja quitar seus débitos mediante parcelamento ordinário e novamente pugnando lhe seja oportunizado prazo razoável para aderir ao parcelamento. É o relatório. Voto Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 11543.002831/201085 Acórdão n.º 1301000.861 S1C3T1 Fl. 2 3 Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Sem embargo às considerações da recorrente, ao menos quanto ao mérito dessas, o presente Recurso Voluntário não pode ser conhecido, porquanto apresentado intempestivamente. Com efeito, assim entabula o artigo 33 do Decreto 70.235/72, in verbis: Artigo 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) (meus os grifos e as supressões) Tal prazo, como cediço, contase nos termos do artigo 5º do já referido Decreto, que assim versa: Artigo 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Observese que a recorrente tomou ciência do acórdão recorrido em 15 de fevereiro de 2011 (terçafeira), conforme aviso de recebimento de folha 29, sendo este juntado aos autos em 23 de fevereiro de 2011, ocorrendo que o protocolo do Recurso Voluntário fora efetivado apenas em 28 de março daquele ano (segundafeira), conforme consta da primeira página de se recurso (fl. 30), daí porque, forçoso é considerálo intempestivo, eis que ultrapassada a data limite de sua interposição. Frente ao exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário Sala das Sessões, em 16 de março de 2012. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
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