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Numero do processo: 10314.010354/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 02/01/2004, 05/03/2004
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. MULTA. DECADÊNCIA. Tratando-se da imposição de pena de perdimento, na hipótese do artigo 618, XXII do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002), por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-000.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a conselheira Irene Souza da Trindade Torre. Irene Souza da Trindade Torre - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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PENA DE PERDIMENTO. MULTA. DECADÊNCIA. Tratandose da imposição de pena de perdimento, na hipótese do artigo 618, XXII do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002), por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do Decreto Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a conselheira Irene Souza da Trindade Torre. Irene Souza da Trindade Torre Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 03 54 /2 00 9- 29 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.010354/200929 Acórdão n.º 3202000.548 S3C2T2 Fl. 268 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de recurso de voluntário de fls. 248/263, interposto contra o acórdão nº 1756.874 (fls. 218/237) da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (DRJSPOII), que julgou improcedente a impugnação (fls. 157/163) apresentada por MAXIMEAT ALIMENTOS LTDA, ora Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, in verbis: “Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 27/08/2009, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência da multa de controle administrativo, no valor de R$ 3.437.554,15 em virtude dos fatos a seguir descritos. No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no atendimento à programação do Serviço de Fiscalização Aduaneira da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo (IRF/SPO), foi realizada ação fiscal na empresa MAXI MEAT ALIMENTOS LTDA, com o objetivo específico de aplicar a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida, relativamente às importações efetuadas de forma irregular (interposição fraudulenta de terceiros no comércio exterior). O primeiro efeito (declaração de inaptidão), foi formalizado o processo administrativo no 13839.000434/200431. O segundo efeito (aplicação da pena de perdimento) constituiu o objeto da presente fiscalização. Dado que no caso em tela, as mercadorias já haviam sido destinadas a consumo no mercado interno, conforme declaração firmada pelo representante legal da empresa (fls. 148), aplicase a conversão do perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro, conforme o art. 23, § 3°, do DecretoLei n° 1.455176. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 29/10/2009 (fls. 3), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 25/11/2009, de fls. 172 à 178, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72, a impugnante alegou resumidamente que: Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.010354/200929 Acórdão n.º 3202000.548 S3C2T2 Fl. 269 3 A leitura do lançamento permite compreender claramente que a razão para a aplicação dessa pena reside no equivocado entendimento quanto à consumação factual da circunstancia autorizadora da aplicação da pena. Não ocorreu factualmente a hipótese e, por isso mesmo, a aplicação da pena, por conversão, não deve prosperar. Nas medidas de fiscalização referidas, a RFB entendeu por configurada a hipótese de interposição fraudulenta na operação de comércio exterior nas importações realizadas pela impugnante. A "motivação" para tanto, foi a alegada circunstância da falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Porém, como se demonstrará, o equivoco é evidente. A afirmação de que a MAXI MEAT teria praticado infração atinente à interposição fraudulenta não procede. Também não procede a afirmação de que essa presunção se sustentaria na medida em que os valores informados como rendimentos na DIPJ seriam insuficientes para comprovar a origem dos recursos utilizados na importação. Esses dados não condiziam com a realidade. É certo que tanto pela retificação das declarações, quanto pelos AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS CONTRA A MAXI MEAT, a própria RFB reconheceu que a receita bruta da empresa foi muito maior e, portanto, o bastante, com sobra, para garantir as operações. Restou provado que a Impugnante tinha recursos suficientes para suportar suas operações e, assim, improcedente por completo a acusação de interposição fraudulenta. É importante notar que as mercadorias ou foram liberadas por ordem judicial ou foram destinadas pela própria RFB: num e noutro dos casos, é evidente que a Impugnante não pode ser penalizada. O prejuízo causado pelo ato de apreensão, pela destinação das mercadorias pela RFB é incalculável, assim como incalculáveis são os prejuízos causados pela inaptidão de seu CNPJ. Até essa data a impugnante está com suas atividades paralisadas. A pretensão punitiva do Estado foi irremediavelmente fulminada pela decadência, diversamente do sustentado pelo lançamento. Basta verificar a data das importações e a data do lançamento para se constatar que tal se dá, à luz do único dispositivo legal aplicável à espécie: O CTN. Se não houve interposição fraudulenta qualquer, não poderia haver a apreensão e não poderia haver o perdimento ou a conversão em multa. Não tendo ocorrido as hipóteses legais autorizadoras da aplicação da pena (porque as mercadorias ou foram liberadas por ordem judicial ou foram destinadas no próprio recinto da RFB), igualmente indevida a multa. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.010354/200929 Acórdão n.º 3202000.548 S3C2T2 Fl. 270 4 A multa é duplamente confiscatória e ofende a CF/88. Explicase: tendo havido o perdimento de grande número e quantidade de mercadorias promovido pela própria autoridade lançadora, a Impugnante é penalizada duas vezes, sendo a primeira com a expropriação e a segunda, com pena pecuniária de valor equivalente ao das mercadorias. A jurisprudência tem rechaçado em matéria de penas pecuniárias o efeito de confisco, reconhecendo que também cabe a vedação constitucional ao capitulo penal tributário. O lançamento abarca uma contradição: se a impugnante fosse interposta pessoa no ato de importação, então não poderia ser devedora de tributos federais sobre a renda e o faturamento, relativamente às receitas auferidas com a mercancia de produtos importados ou não, como quer o auto de infração lavrado para esse fim; se é devedora daqueles tributos, então NÃO É INTERPOSTA nos atos de importação. É por essas razões de fato e de direito, que se espera seja reconhecida a decadência do lançamento ou, se superada essa preliminar, pelo mérito ou pelo Direito, seja dado provimento a esta impugnação, decretandose a improcedência do auto ou sua insubsistência, para que seja definitivamente arquivado. Postula pelo direito de provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, sem exceção. É o relatório.” Em sua decisão, a DRJSPII houve por bem manter totalmente o lançamento conforme o acórdão supracitado, cuja ementa foi assim formulada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 09/01/2004 Conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. A norma invocada do §2º do artigo 23 do Decreto Lei 1.455/76, presume interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Por força de presunção legal, cabe ao importado a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. O exame da proporcionalidade entre o fato infracional e o valor da multa não é passível de exame neste foro. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.010354/200929 Acórdão n.º 3202000.548 S3C2T2 Fl. 271 5 O princípio do non olet é amplamente aceito na doutrina e jurisprudência, não havendo qualquer contradição na postura da fiscalização em o impugnante figurar como impugnante como interposta pessoa e devedor de tributos federais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Inconformada com tal decisão, insurgese a Recorrente mediante o manejo de recurso voluntário, reiterando os argumentos já apresentados em sua impugnação. Em síntese, alega a Recorrente que: (i) preliminarmente, o prazo decadencial aplicável à espécie seria o do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, 5 (cinco) anos contados da data do fato gerador, com o que estaria fulminado o lançamento pela decadência; (ii) no mérito, alega que a presunção erigida pela d. autoridade tributária não se sustentaria face à insuficiência de rendimentos declarados em sua DIPJ, uma vez que sua capacidade econômica se justifica tanto pela retificação das referidas declarações, quanto pelo próprio auto de infração lavrado pela d. autoridade lançadora, que dá nota da suficiência de recursos para fazer frente ao volume de importações; (iii) a pena de perdimento teria caráter confiscatório, já que implica em dupla penalização, uma com a expropriação e a segunda com pena pecuniária correspondente ao valor das mercadorias; (iv) alega, por fim, que se fosse interposta pessoa no ato de importação, então não poderia ser devedora de tributos federais sobre a renda e o faturamento, relativamente às receitas auferidas com a mercancia de produtos. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.010354/200929 Acórdão n.º 3202000.548 S3C2T2 Fl. 272 6 Primeiramente, tendo em vista que a Recorrente sustenta tese de decadência como preliminar de defesa e que sua análise é prejudicial ao julgamento das demais matérias, fazse necessário tecer alguns comentários acerca do tema. Tanto a autoridade fiscal que lavrou o presente auto de infração quanto o julgador que o analisou na DRJSPOII já se dedicaram à análise dessa questão. Diferentemente do quanto defende a Recorrente, ambos entenderam que o dispositivo normativo aplicável ao caso seria o artigo 173, I do CTN, pois a regra do artigo 150, § 4º deveria ser afastada diante da configuração da interposição fraudulenta. Para o i. julgador, a decadência deve incidir da seguinte forma: “Regra geral – prevista no artigo 173, inciso I do CTN que prevê que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Regra especial – é retirada do artigo 150, parágrafo quarto e utilizada para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação e nos casos em que tenha ocorrido efetivamente a antecipação do pagamento. Determina que o início da contagem do prazo decadencial é a data do fato gerador. Ocorrendo dolo, fraude ou simulação nos casos de lançamento por homologação, aplicase a regra geral. [...] Para a situação em comento, lançamento de ofício, caracterizado pela lavratura do auto de infração, aplicase a regra geral. Destarte, o termo “a quo” para a contagem do prazo decadencial seria 01/01/2005, ou seja, cinco anos contados "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, uma vez que a Declaração de Importação mais antiga possui como data de registro 19/01/2004, sendo o termo “ad quem” a data de 31/12/2009.” Contudo, em que pese o acerto dos argumentos apresentados pela d. autoridade julgadora quanto à ordem dos prazos decadenciais regulados pelo CTN, este Colegiado, em harmonia com jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), tem entendido que, tratandose de conversão em multa de pena de perdimento, oriunda de infração à fiscalização aduaneira, deve ser aplicado o DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, diploma normativo que rege o controle aduaneiro. Isto porque, vindo o DecretoLei nº 37/66 a disciplinar a decadência em matéria aduaneira, reunindo num mesmo diploma temas de caráter administrativo e tributário, estabelecendose, notoriamente, para este último, prazo idêntico ao do CTN, temse que a priori o referido diploma alinhase com os dispositivos constitucionais que definiram o Sistema Tributário Nacional, em especial, o artigo 146, III, “b” da Constituição Federal, devendo ser aplicado, por se tratar de norma especial que cuidou inteiramente de matéria aduaneira. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.010354/200929 Acórdão n.º 3202000.548 S3C2T2 Fl. 273 7 Vale ressaltar, inclusive, que, assim como o CTN, o DecretoLei nº 37/66, embora anterior à Constituição Federal de 1988, também foi recepcionado à nova ordem jurídica. Assim, vindo o referido diploma a ser integralmente recepcionado pela Carta Magna, é ele que rege a relação jurídica que reclama solução nos presentes autos. Desse modo, superada questão relativa ao diploma que deve ser aplicado à espécie, passase a análise da infração e o prazo decadencial que dispõe a autoridade aduaneira para exercer sua atribuição funcional. Pois bem. A pena de perdimento de mercadorias prevista nos artigos 604, II e 618 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento Aduaneiro de 2002, se molda ao rol de penas de natureza administrativa (artigos 96, II e 105 do DecretoLei nº 37/66). Dessa forma, o prazo decadencial aplicável à pena dessa natureza deve ser aquele previsto no artigo 139 do mesmo DecretoLei, cujo teor é reiterado pelo art. 669 do Regulamento Aduaneiro. Dispõe o artigo 669 do Regulamento Aduaneiro de 2002: “Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei nº 37, de 1966, art. 139).” Assim, considerando que as infrações em apreço se deram entre 02 de janeiro de 2004 e 5 de março de 2004 (data de registro das declarações de importação listadas no auto de infração, relação das importações realizadas colacionada às fls. 17), o prazo decadencial da declaração de importação de prazo mais remoto revisado em auditoria aduaneira expiraria em 5 de março de 2009. Logo, como a autoridade aduaneira lavrou o auto de infração apenas em 21 de setembro de 2009, portanto, há mais de 5 (cinco) anos da data da infração, embora haja fortes indícios de fraude ao Erário, é evidente que ocorreu o decurso do prazo, impondose o reconhecimento da decadência, que acarreta o prejuízo na análise das demais matérias levantadas no recurso. Tal entendimento também se encontra em linha com a jurisprudência do STJ, conforme trecho do voto do Min. Teori Albino Zavascki que se pede venia para transcrever: “[...] O Decretolei nº 37/66, que dispõe sobre o imposto de importação e os serviços aduaneiros, estabelece, no que importa ao presente recurso, regras acerca das infrações e respectivas penalidades. Seu artigo 94 define como infração "toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos ". Fl. 273DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.010354/200929 Acórdão n.º 3202000.548 S3C2T2 Fl. 274 8 As penas previstas são as seguintes: ‘Art.96 As infrações estão sujeitas às seguintes penas, aplicáveis separada ou cumulativamente: I perda do veículo transportador; II perda da mercadoria; III multa; IV proibição de transacionar com repartição pública ou autárquica federal, empresa pública e sociedade de economia mista.’ No caso, conforme consta do documento de fl. 16, o impetrante foi autuado na infração prevista no art. 514, V, do Regulamento Aduaneiro (Decreto 91.030/85), e no art. 105, V, do Decretolei nº 37/66. Este último, assim preceitua: ‘Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) V nacional ou nacionalizada em grande quantidade ou de vultoso valor, encontrada na zona de vigilância aduaneira, em circunstâncias que tornem evidente destinarse a exportação clandestina’ Ocorre que o direito da Administração de impor as penalidades legalmente previstas sujeitase a um prazo decadencial previsto nos artigos 138 e 139 do referido DecretoLei: ‘Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contar seá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração.’ Sem razão a recorrente ao sustentar que ‘a prescrição alegada pelo recorrido referese a cobrança de tributos e não à pena de perdimento’ (fl. 205). Não é isso o que estabelecem os dispositivos transcritos. O prazo decadencial neles estabelecido é de cinco anos a contar da data da infração e se refere ao direito de impor qualquer das penalidades previstas no artigo 96, inclusive a pena de perdimento dos bens.” (STJ. Primeira Turma. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. RESP nº 643.185/SC. DJ 29/03/2007) Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário da Recorrente, reconhecendo a decadência do direito de o fisco lançar a multa de perda de Fl. 274DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.010354/200929 Acórdão n.º 3202000.548 S3C2T2 Fl. 275 9 perdimento, por ter decorrido mais de 5 (cinco) anos da data do fato gerador, contandose o prazo decadencial na forma do artigo 669 do Regulamento Aduaneiro de 2002. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 275DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 02/09/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 02/09/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 14120.000154/2009-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS OMISSÕES OU INCORREÇÕES
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a declaração - GFIP a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-001.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS OMISSÕES OU INCORREÇÕES Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a declaração GFIP a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 01 54 /2 00 9- 96 Fl. 744DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14120.000154/200996 Acórdão n.º 2403001.422 S2C4T3 Fl. 746 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – SELETA SOCIEDADE CARITATIVA E HUMANITÁRIA contra Acórdão nº 04025.309 – 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campo Grande MS, fls. 577 a 617, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.193.1649, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 151.700,00, retificado para R$ 135.300,00. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 78, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com omissão de fatos geradores (segurados empregados e contribuintes individuais) listados nos Anexos do Relatório Fiscal da Infração, nas competências 06/2004 a 13/2006. Ademais, o Relatório Fiscal da Infração expõe os critérios para determinação da penalidade, haja vista as alterações trazidas à legislação que rege a matéria pela Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, sendo que nos Anexos I a XI há demonstração detalhada da determinação da multa: 2.4. Foram alterados, conforme artigo 32A e pelo art 35A da Lei 8.212/91 alterados pela MP 449/2008 os cálculos das multas por falta de declaração em GFIP's com fundamento 78 e também multa de 75% de ofício. Por este fato temos que fazer a comparação: a) Sem declaração GIFP e com recolhimento: Calcular os valores calculados pelo fundamento 68 (100% da contribuição devida e não declarada em GFIP's) com a multa do fundamento 78 e o que for menor é que será utilizado por beneficiar a empresa, conforme artigo 106, inciso II item c do CTN. Teve multa com fundamento 68 e 78, vide Anexo VIII. b) Sem declaração GFIP e sem recolhimento: Calcular os valores calculados pelo fundamento 68 (100% da contribuição devida e não declarada em GFIP's) mais 24% de multa de mora com a multa de ofício de 75% (Artigo 35A da Lei 8.212/91 alterado pela MP 449) e o que for menor é que será utilizado por beneficiar a empresa, conforme artigo 106, inciso II item c do CTN. No caso, foi o do fundamento 68, vide Anexo IX. O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 29, informa que para cálculo das multas foram utilizados os seguintes Anexos: Fl. 746DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 ANEXO I SEGURADOS EMPREGADOS DECLARADOS NAS GFIP"S (RESUMO) COM COMPARATIVO COM A FOLHA DE PAGAMENTO; ANEXO II EMPREGADOS NA SEC DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (PREFEITURA) NÃO DECLARADO EM GFIP; ANEXO III AUTÔNOMO (CONTABILIDADE) NÃO DECLARADO EM GFIP; ANEXO IV EMPREGADOS (CONTABILIDADE) NÃO DECLARADO EM GFIP; ANEXO V TOTAL DE SEGURADOS E CONTRIBUIÇÃO NÃO DECLARADO EM GFIP (COM E SEM RECOLHIMENTO); ANEXO VI RESUMO FP COM QTE SEGURADOS E CONTRIBUIÇÃO NÃO DECLARADO EM GFIP (COM E SEM RECOLHIMENTO); ANEXO VII CÁLCULOS DA MULTA PARA AIOA (CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADAS EM GFIP'S) PARA VER LIMITE MÁXIMO DA MULTA; ANEXO VIII COMPARATIVO CÁLCULOS MULTA PARA AIOA (CONTRIBUIÇÕES COM RECOLHIMENTOS E NÃO EM GFIP'S); ANEXO IX COMPARATIVO CÁLCULOS DA MULTA PARA AIOA (CONTRIBUIÇÕES SEM RECOLHIMENTOS E NÃO EM GFIP'S); ANEXO X TOTAL DO VALOR DA MULTA CÓDIGO 68 E CÓDIGO 78; e ANEXO XI CÁLCULO DA MULTA APLICADA CÓDIGO 78. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, com a redação dada pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32A, "caput", inciso I e §§ 2º e 3º, incluídos pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 CTN. A Recorrente teve ciência do TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, às fls. 06 a 07, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0140100.2008.00121. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, é de 06/2004 a 12/2005. O contribuinte teve ciência do AIOA em 29.06.2009, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, às fls. 204 a 224, na qual alega em síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Fl. 747DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14120.000154/200996 Acórdão n.º 2403001.422 S2C4T3 Fl. 747 5 (i) Preliminarmente, alega a nulidade do auto de infração por seus fundamentos confusos que dificultariam o pleno exercício do direito de defesa. (ii) Ainda em sede preliminar, invocando a teoria dos motivos determinantes e com citações doutrinárias e jurisprudência administrativa e dos tribunais superiores, sustenta a existência de nulidades no auto de infração, pois estaria configurado erro de direito, ao se indicar, como fundamento legal o art 32A inciso II, da Lei 8.212/91, que corresponderia a R$ 20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, quando, na verdade, prevê a aplicação de multa de 2% ao mês calendário ou fração, sobre o valor das contribuições, quando a há falta ou atraso na entrega da declaração. (iii) No mérito, afirma inicialmente que o auto de infração não pode subsistir, pois inexistiriam omissões nas informações prestadas à autoridade fiscalizadora, uma vez que o problema estaria no sistema responsável pelo recebimento da GFIP, que substituiu a Guia original pela retificadora, excluindo parte dos dados anteriormente informados. (iv) Embora não conste como exigência na peça fiscal impugnada, insurgese contra o que considera majoração indevida da multa aplicada pelo "fundamento 78". (v) Em seguida, reafirmando a fragilidade do lançamento, enumera as irregularidades que entende nele existir. (vi) Após contestar a aplicação da Taxa SELIC, cumulada com juros, defende a necessidade de realização de prova pericial, para corroborar os argumentos apresentados na impugnação, indicando para tanto, assistente técnico e os quesitos a serem enfrentados. Houve Requisição de Informação Fiscal, às fls. 438 a 440: Verificase que o lançamento impugnado trata da exigência de multa por falta de cumprimento de obrigação acessória, de declarar corretamente os fatos previdenciários em GFIP, ao fundamento do art. 32A, II, Lei 8212/91: Dentre as alegações da defesa, encontrase as seguintes: a) que "os cálculos apresentados pela autoridade administrativa estão majorados em, no mínimo 11.376 empregados" (anexo A, f. 258); b) que "103 empregados da SAS (Prefeitura) que foram considerados pela fiscalização como não declarados em GFIP (anexo II do auto de infração), em verdade, foram regularmente declarados" (anexoB, f. 259260); c)que "24 empregados, que foram considerados como autônomos pela fiscalização e, portanto, não declarados em GFIP (anexo III Fl. 748DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 autônomo contabilidade), em verdade, foram regularmente declarados " (anexo C.f 261); d) que "pagamento [considerados como feitos a] de autônomos pela autoridade fiscalizadora (no anexo III), em verdade, representam compras de mercados e prestação de serviços por pessoas jurídicas " (anexo CI.f 262): e)que "21 empregados que a fiscalização considerou não ter sido declarados em GFIP (anexo IV — empregados contabilidade) foram, em verdade, regularmente declarados "(anexo D,f. 263); f) que "El, E2 e E3 ficam evidentes que os recolhimentos das contribuições previdenciárias foram efetivadas com regularidade, apresentandose pequenas diferenças em situações pontuais, que ora são a recolher e ora a compensar"(anexo El, E2,E3,f. 264281). Além disso junta por cópia documentos de f. 186226, com o objetivo de comprovar não tratase de fatos imponíveis da obrigação. Em virtude das alegações formuladas, e à vista de não constarem nos autos elementos suficientes para proceder à verificação do alegado, em especial quanto à contraposição dos dados dos anexos do relatório fiscal em relação aos anexos El, E2 e E3 da peça de defesa, tornase necessária diligência, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72. Solicitase: a) verificar as alegações enumeradas e, caso haja divergência entre os demonstrativos fiscais e os demonstrativos do contribuinte, que influenciem o valor da penalidade aplicada, juntar aos autos do processo, ainda que por amostragem, a origem das informações que embasaram a determinação do valor. b) caso tenha influência sobre o valor da penalidade exigida, verificar se os documentos apresentados constituem base de incidência da contribuição previdenciária, e quais os efeitos sobre o valor da penalidade; Solicitase à autoridade fiscal elaborar relatório sobre os questionamentos, inclusive sobre seus efeitos sobre o crédito tributário em litígio, que deve ser cientificado ao sujeito passivo com prazo de dez dias para manifestarse. Nos termos do art. 44 da Lei 9.784/99. Foi emitida Informação Fiscal, às fls. 542 a 544, com Anexo às fls. 435 a 540. 02. Considerando as alegações da entidade, tenho a informar: Os débitos apurados (Autos de Infração) na presente ação fiscal são somente de segurados e de obrigações acessórias (falta de declaração nas GFIP's) destas contribuições foram emitidos contra a entidade os Al's Autos de Infração abaixo listados: TIPO N°. DEBCAD VALOR LANÇADO (R$) MOTIVOS Al 35.193.1622 188.291,01 SEGURADO SEM APROPRIAÇÃO Fl. 749DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14120.000154/200996 Acórdão n.º 2403001.422 S2C4T3 Fl. 748 7 Al 35.193.1630 631.767,75 Al FUNDAMENTO 68 Al 35.193.1649 151.700,00 Al FUNDAMENTO 78 Al 35.193.1657 323.123,54 SEGURADO COM APROPRIAÇÃO • Lembrando também sobre a impugnação dos Autos de Infração (obrigação principal) : Pela legislação previdenciária antes do Ato Declaratório do Delegado (Art. 206, § 8o. inciso II, do Decreto 3.048/99) tem a emissão da Informação Fiscal (anexo 7) e dá prazo de 15 (quinze) dias para defesa e posteriormente ao Ato Declaratório aplicase o Art. 206, § 8o. inciso IV do Decreto 3.048/99 e terá o prazo de trinta dias contados da data da ciência da decisão, para interpor recurso com efeito suspensivo à Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ de Campo Grande/MS (Ari. 212, inciso I da Portaria MF no. 125, de 04/09/09 DOU 06/03/09 (Regimento Interno da Receita Federal do Brasil)). Lembrando o item acima de que não houve levantamento de débitos da parte patronal, somente de empregados, então não existe argumento para dizer que a fiscalização, antes de um eventual ato declaratório do Delegado da Receita Federal do Brasil que a entidade não é isenta foi efetuado lançamento de oficio. Tanto que não fizemos referência nos relatórios fiscais sobre isenção e/ou imunidade; • Quanto à nulidade do AI por cerceamento de defesa prescrito pela Lei no. 9.784/99 por estar confusa a fundamentação e como chegou aos valores levantados estão bem claros nos Anexos I a XI (fls. 31/185) e o relatório fiscal (fls. 28/30); • Quanto ao artigo 32, § 5o da Lei 8.212/91 foi revogado pela MP 449/2008 (convertido em Lei no. 11.941, de 27 de Maio de 2009), temos a informar que no relatório fiscal no item 2.8 itens "a" e "b" (fls.28/29) onde foi aplicado a norma anterior por ser mais benéfico como prescreve o artigo 106, inciso II item "c" do CTN; • Quando diz que não houve omissão nas informações, pois "as informações foram regularmente prestadas pela impugnante e, se houve erro, foi de processamento das guias GFIP,..." (fls. 217), tanto que conseguiam retirar certidão de regularidade fiscal e nem falta de recolhimentos está confessando que a somente a primeira informação estava correta e continua a impugnação "...substituição automática de uma GFIP completa por uma GFIP retificadora contendo apenas as informações dos funcionários contemplados com os benefícios do SalárioFamília, AuxílioMaternidade e AuxílioDoença" (fls. 219) e como aproveitamos somente a última antes da ação fiscal (a retificadora) ficou claro que estão incorretas. E está claro também que houve recolhimento parcial. E quanto à certidão tendo GFIP 's apresentados e guias recolhida não importa o valor (batendo as informações ou sendo recolhimento à maior) que a mesma será emitida, pois não provoca falha; • Quanto a ter sido considerado todos os prestadores de serviços como empregados está equivocado como podemos ver: Fl. 750DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 a) Temos dois Autos de Infração de obrigação principal (DEBCAD's 37.193.1622 e 37.193.1657) onde um levantamento é de em tese, crime de apropriação indébita (descontou do segurado e não repassou aos cofres públicos) e o outro não houve comprovação. b) O segundo levantamento é valor não descontado dos segurados EMPREGADOS e CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS e o primeiro somente de EMPREGADOS. Foram criados diversos levantamentos para deixar claro o relatório fiscal: AUT (autônomos contabilidade), DAL (acréscimos legais), EMP (empregados contabilidade), SAS (FP da SAS) e FP (FP difFP X GFIP), onde somente FP está no primeiro levantamento por ser valores descontados dos segurados empregados das folhas de pagamento e no segundo levantamento na FP tem somente glosa de salário família e as demais siglas. c) Resumindo: AI 37.193.1622 somente FP e AI Debcad 37.193.1657 tem FP (glosa de salário família) e demais siglas. Lembrando que a contribuição do segurado de contribuinte individual é 20% no caso de entidade filantrópica. d) Concluindo assim que no AI Debcad 37.193.1657 tem os anexo II a IV e somente o anexo III é de autônomos (contribuintes individuais) e os demais tinham todas as características de empregados; • Quanto aos valores pagos ao pessoal que prestam serviços voluntários recebem à titulo de ajudo de custo e diárias não foram comprovados com notas fiscais e/ou outros documentos e por isto considerados como recibos de pagamentos e sendo assim base de cálculo. Não eram reembolsos; • Quanto a multa CFL 78 do item "e " do relatório fiscal está incorreta por ter sido considerado um empregado sem informação em 8 campos errados e que o correto é ser considerado apenas 1 campo e de contribuinte individual de 7 também para 1 campo neste ponto estão com razão pois à época tínhamos este entendimento e logo após houve novo entendimento, então refizemos estes cálculos, conforme anexo 9 a 16substituindo os anexos I e V a XI do relatório fiscal, onde a multa CFL 78 passa de R$ 151.700,00 para R$ 33.200,00 (anexo 15substituto do anexo X do relatório fiscal) e a multa CFL 68 passa de RS 631.767,75para R$ 541.274,59 (vide o mesmo anexo). • Sobre a inconsistência do auto de infração (obrigação principal – fizemos referência de fls. do AI 37.193.1622) que levam à sua improcedência onde "os cálculos apresentados pela autoridade administrativa estão majorados em, no mínimo 11.376 empregados" (anexo A, f.148), temos a informar que as quantidades de segurados foram retiradas das folhas de pagamentos (arquivos digitais) apresentados pela entidade (ANEXO 1) e os valores declarados em GFIP (exportados à época), então para demonstração vamos às diferenças (...) Não existem estas diferenças de números de empregados já que comprovamos com os documentos acima. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14120.000154/200996 Acórdão n.º 2403001.422 S2C4T3 Fl. 749 9 • Sobre os anexos A a E do impugnante vamos pontuar para melhor entendimento: a) Lembrando que quando a entidade na impugnação (fls. 103) diz que "...não há ausência de recolhimento...e, tampouco, omissão de declaração... " queremos informar que em nenhum momento em nosso relatório fiscal (fls. 56/58) dizemos que não houve recolhimento ou declaração e sim que foram parciais (o levantamento é justamente o que estava faltando recolhimento e declaração) e continua a impugnação confirmando o erro de declaração dizendo que "...substituição automática de uma GFIP completa por uma GFIP retificadora contendo apenas as informações dos funcionários contemplados com os benefícios do SalárioFamília, AuxílioMaternidade e AuxílioDoença" (fls. 104). Houve recolhimentos maiores (efetuados antes da ação fiscal) que a declaração e aí demos a oportunidade para corrigir este erro (ver item 2.1.3 do relatório fiscal às fls. 56) e não o fez. Quando diz sobre anexos II a IV se refere ao AI 37.193.1657; b) O anexo A (depósitos efetuados à época) não deve ser considerado pois no item anterior sobre a defasagem de 11.376 empregados já dissemos que foram consideradas as últimas GFIP 's no nosso sistema e também a confissão no item "a " de que estavam erradas as declarações; c)Sobre os "103 empregados da SAS (Prefeitura) que foram considerados pela fiscalização como não declarados em GFIP (anexo II do auto de infração), em verdade, foram regularmente declarados " (anexo B, f. 149150), podemos ver que o AI 37.193.1657 tem o anexo II e tem valores pagos aos funcionários da SAS e tem recibos separados das folhas de pagamentos e por isto levantado separadamente. Não houve declaração nas GFIP's, conforme demonstro, por amostragem, relação dos nomes declarados em GFIP 's (sempre lembrando que é o último antes da ação fiscal) nos meses 09 e 10/04, 07/05 e 04/06 no anexo 3. Pode ter pessoas que prestaram serviços em dois setores com pagamentos separados. d) Sobre os "24 empregados, que foram considerados como autônomos pela fiscalização e, portanto, não declarados em GFIP (anexo III autônomo contabilidade), em verdade, foram regularmente declarados" (anexo C, f 151), repetimos o que foi dito no item "c "; e)Sobre o "pagamento (considerados como feitos a de autônomos) pela autoridade fiscalizadora (no anexo III), em verdade, representa compras de mercadorias e prestação de serviços por pessoas jurídicas" (anexo Cl, fl52) o que não podemos considerar uma vez que se fosse compras de mercadorias ou pessoas jurídicas teriam de emitir notas fiscais; f) Sobre os "21 empregados que a fiscalização considerou não terem sido declarados em GFIP (anexo IV empregados contabilidade) foram em verdade, regularmente declarados" (anexo D, f. 153), repetimos o que foi dito no item c. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 g) Sobre os anexo El, E2, E3,f. 154171 tenho a informar que foram todos aproveitados, conforme consta do relatório "RDA RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS" fls. 12/23 onde consta todos os recolhimentos apresentados à época, confirmamos com os valores constantes do relatório (impresso à época) "CCORCONSULTA CONTACORRENTE DE ESTABALECIMENTO" no anexo 4. E ainda tem o relatório "RADA RELATÓRIO DE APROPRIAÇÃO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS" fls. 24/29 por ter dois levantamentos e ainda os declarados em GFIP's que não levantamos por ser cobrança automática, mas no batimento entre o Anexo I do relatório fiscal (fls. 59/62) temos valores de deduções nas folhas de pagamentos que não foram abatidos pois induziunos ao equívoco devido os resumos de folhas de pagamentos do período de 06/04 a 03/05 não terem os valores de saláriomaternidade em sua totalização (anexo 1) e tinham discriminado, por segurado (anexo 5), entregue em arquivos digitais. Ambos estão no mesmo arquivo, como segue (demonstrativo no anexo 8 substituindo o ANEXO I do relatório fiscal no período 06/04 a 03/05). Alterar o débito de/para como segue : h) Somente estes meses foram alterados, pois os valores constantes dos Anexos El, E2, E3, f. 154171 tem valores diferentes dos apurados (a mais ou menos — valores pequenos) e como foram apresentadas as folhas em arquivos digitais para a fiscalização acreditamos que são os corretos. Inclusive as deduções estão divergentes; i) E com a informação do item anterior, refizemos os cálculos da multa acessória, • Sobre argumentação de a aplicação da taxa SELIC como fator de correção cumulado com juros, pois estes já estariam incluídos naquela taxa, devendo, portanto, ser afastada a cobrança do percentual de 1% sobre o valor devido, deixamos para a DRJse manifestar; Não há necessidade de perícia uma vez que todas as informações pedidas estão neste relatório fiscal de diligência e seus anexos, na contabilidade e nos Relatórios de Atividades dos anos 2004 a 2006por nós vistoriados. Ainda assim respondemos aos quesitos conforme anexo 6 e juntamos a Informação Fiscal no anexo 7; e • Foram emitidos anexos 1 a 8 (faz referências aos Autos de Infração Debcad 37.193.1622 e 37.193.1657) e que estão anexos O contribuinte atravessou Manifestação às fls. 547 a 561, reiterando os argumentos da Impugnação. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 04025.309 – 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campo grande MS, fls. 577 a 617, conforme Ementa a seguir: Assunto : Contribuições Sociais Previdenciárias Fl. 753DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14120.000154/200996 Acórdão n.º 2403001.422 S2C4T3 Fl. 750 11 Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2006 Obrigações Acessórias Processo administrativo fiscal O julgamento, no processo administrativo fiscal, consiste na verificação da consentaneidade do lançamento à legislação em vigor. NULIDADE Não ocorre nulidade quando o lançamento foi efetuado com base na legislação vigente, permitindo o conhecimento das razões e fundamentos da autuação, o estabelecimento do contraditório e o exercício da ampla defesa. Apresentação de GFIP incorreta Constitui infração punível com penalidade pecuniária a empresa apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Penalidade aplicável A multa sobre o valor das contribuições previdenciárias ficará sujeita a cálculo de acordo com a Lei 11.941/2009, por ocasião do pagamento ou do trânsito em julgado administrativo, cujo resultado deverá prevalecer se mais benéfico para o sujeito passivo. Perícias e Diligências A autoridade julgadora de primeira pode indeferir fundamentadamente os pedidos de diligências ou perícias, quando entendêlas prescindíveis ou impraticáveis. DEBCAD n° 37.193.1649 CFL68 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 4a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, pela rejeição das preliminares, pelo indeferimento do pedido de perícia e, no mérito, pela procedência parcial da impugnação, com a conseqüente manutenção parcial do crédito tributário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Dessa decisão cabe recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no prazo de 30 dias da ciência. Observase que a decisão proferida no Acórdão acima, foi pela procedência em parte em função de: Fl. 754DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 A determinação das multas com fundamento no art. 32, § 5 o da Lei 8.212/91 (denominado CFL 68) e no inciso I do art. 32A da Lei n° 8.212/1991 (denominado CFL 78) é realizado nas Tabelas 1 a 2 em seguida a este voto: TABELA 2 MULTA DO ART 3A, I, DA LEI N° 8.212/1991 (CFL 68) CONTRIBUIÇÃO PAGA E NÃO DECLARADA – 135.300,00 Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: Em sede preliminar (i) NULIDADE DA DECISÃO ADMINISTRATIVA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PROVA PERICIAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. No Mérito. (ii) QUESTÃO DA AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO PRECISA DO FUNDAMENTO LEGAL – CONFUSÃO DOS FUNDAMENTOS QUANDO DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Há, ainda, outra nulidade no auto de infração e relacionado ao fundamento legal do débito, isto porque a autoridade administrativa utilizouse de códigos (fundamento 78) p a r a efeito de aplicabilidade da multa sem apontar o fundamento legal. (iii) QUESTÃO DO CÁLCULO DA PENALIDADE IMPOSTA INTERPRETAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO QUE VIOLA A RAZOABILIDADE AUSÊNCIA DE OMISSÃO NAS INFORMAÇÕES, QUE FORAM TRANSFERIDAS VIA GFIP – ERRO DE TIPIFICAÇÃO DA PENALIDADE. (iv) AINDA A QUESTÃO DAS OMISSÕES DA GFIP FATOS GERADORES CONSIDERADOS A PARTIR DE JANEIRO/2004 GFIP RETIFICADORA QUE SOMENTE PODE SE SOBREPOR À ANTERIOR A PARTIR DE NOVEMBRO/2005 EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DAS PENALIDADES Fl. 755DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14120.000154/200996 Acórdão n.º 2403001.422 S2C4T3 Fl. 751 13 (v) A EXISTÊNCIA DE DUPLICIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE NÃO SE SUSTENTA. Em que pese a tentativa da autoridade julgadora de demonstrar que não há duplicidade nos autos de infração lavrados, a análise dos capítulos I (introdução) e II (fatos geradores) do relatório fiscal auto de infração AI identificados sob os números 37.193.1649 e 37.193.1657 demonstram que há identidade na autuação, pois em ambos os casos tratam de exigir o pagamento de "contribuições devidas e não recolhidas correspondentes as remunerações a empregados não declarados em GFIP, correspondentes às rubricas seguradoempregado (variável conforme a faixa salarial). (vi) IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DA TAXA SELIC E DE JUROS A QUESTÃO DA PERÍCIA. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 743. É o Relatório. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 743. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade da lavratura do auto de infração AIOA Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOA, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a de segurados. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.193.1649 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/20095 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: Fl. 757DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14120.000154/200996 Acórdão n.º 2403001.422 S2C4T3 Fl. 752 15 I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 758DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Fl. 759DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14120.000154/200996 Acórdão n.º 2403001.422 S2C4T3 Fl. 753 17 Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instrução para o Contribuinte, onde constam as instruções necessárias à empresa no tocante ao recolhimento, parcelamento, apresentação de defesa e demais informações; b. REPLEG Relatório de Representantes Legais, que identifica os sóciosgerentes / administradores da empresa e seus respectivos períodos de gestão; c. VÍNCULOS Relação de Vínculos, que relaciona todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão do seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; d. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. (B) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Fl. 761DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14120.000154/200996 Acórdão n.º 2403001.422 S2C4T3 Fl. 754 19 Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (i) NULIDADE DA DECISÃO ADMINISTRATIVA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PROVA PERICIAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Analisemos. Não vislumbro afronta ao direito de defesa da Recorrente pois a decisão de primeira instância fundamentou ser desnecessária a perícia posto que os quesitos apresentados pelo contribuinte estariam já esclarecidos nos autos, conforme se observa às fls. 577 a 617: PERÍCIA Diz o art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante. a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. A perícia requerida pela impugnante é desnecessária, posto que os quesitos apresentados ou são impertinentes ou são de resposta imediata à vista da legislação e dos documentos constantes dos autos, conforme se demonstra a seguir: 1) Ao se promover a exportação de dados da Guia da Previdência Social – GPS para a GFIP, o sistema de informática transmite a totalidade dos dados ou há a possibilidade de exportação sem alguns descontos efetuados? Efetivamente a GFIP pode ser preenchida "sem alguns descontos efetuados ", pois o programa de computador não tem como efetuar qualquer verificação se os "descontos efetuados no mundo fático " ocorreram ou não. Da mesma forma pode ser preenchida com descontos que não foram efetuados. Em qualquer caso, a declaração deve ser corrigida, preenchendo se a GFIP com a totalidade das informações corretas. Na falta de retificação, ou caso a retificação não seja suficiente para sanear as falhas, a empresa está sujeita a penalidades conforme a legislação aplicável. O envio dos dados da declaração para o órgão Fiscal, por meio eletrônico, reflete exatamente o que foi informado na declaração. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 Ocorrida a infração, é irrelevante, no julgamento administrativo, sua causa, responsabilidade ou intenção, à luz do disposto no art. 136 do Código Tributário nacional, segundo o qual "Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato ". 2) É possível afirmar se no caso da impugnante houve exportação incorreta de dados? Aplicase a resposta anterior. 3) A documentação acostada aos autos, especialmente aquela que se encontra digitalizada em DVD, cujos dados foram fornecidos pela Caixa Econômica Federal, permite a conclusão da autoridade fiscalizadora no sentido de que houve omissão de informações em GFIP e de recolhimento das contribuições previdenciárias devidas? A relação de recolhimentos efetuados em contas vinculadas do FGTS é elemento formal e materialmente distinto daqueles adequados para comprovar o cumprimento do dever instrumental de apresentar as Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Sócia GFIP, qual seja, o recibo da declaração e seu correspondente relatório nos quais constem a informação correta. E perfeitamente possível que os depósitos efetuados ao FGTS estejam corretos, mas a GFIP, original ou retificadora, omita informações ou as contenha de forma incorreta Reportese à resposta do quesito 1. 4) Os documentos acostados aos autos permitem concluir que todos os pagamentos realizados a terceiros são decorrentes de remuneração de trabalhadores vinculados à impugnante? Esta questão foi apreciada no processo 14120.000155/200931, e houve expedição do Acórdão n° 0424.815, de 08 de junho de 2011, da 4a Turma de Julgamentos desta Delegacia, com manutenção parcial do crédito tributário. 5) Dos recibos que foram considerados como pagamento de remuneração pela autoridade fiscalizadora existem pagamentos realizados a pessoas jurídicas ou a fornecedores e prestadores de serviços que não tem relação de emprego com a impugnante? Reportese à resposta do quesito 4. 6) Os documentos apresentados são aptos a comprovar que os pagamentos realizados e lançados na contabilidade como "outros pagamentos ou outros serviços de terceiros" também são decorrentes de reembolsos e não remuneração? Reportese à resposta do quesito 4. 7) Os dados relativos aos pagamentos de FGTS realizados e trazidos aos autos por intermédio de informação fornecida Fl. 763DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14120.000154/200996 Acórdão n.º 2403001.422 S2C4T3 Fl. 755 21 pela Caixa Econômica Federal permite concluir que o cálculo das omissões de declarações GFIP realizado pela fiscalização incorreu em equívoco? Desde o mês de novembro de 2005, com a versão 8 do sistema de declarações SEFIP, foi criado o conceito de "GFIP retificadora"para a Previdência Social, obrigando a informação da totalidade de trabalhadores, bases de cálculo e outros dados destinados à Previdência, sempre que houvesse uma complementação para o FGTS e/ou retificação de dados ou valores. Para o FGTS, continuou possível complementar a informação anterior. Para tanto, foi criado o indicativo de remuneração complementar para o FGTS, com a finalidade de informar o recolhimento ou declaração complementar para o Assim, após a apresentação de GFIPs retificadoras, é perfeitamente possível que as informações relativas ao FGTS estejam corretas, e as informações prestadas à Receita Federal do Brasil estejam incorretas ou omitidas. Reportese à resposta do quesito 1 . Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. DO MÉRITO (ii) QUESTÃO DA AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO PRECISA DO FUNDAMENTO LEGAL – CONFUSÃO DOS FUNDAMENTOS QUANDO DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Há, ainda, outra nulidade no auto de infração e relacionado ao fundamento legal do débito, isto porque a autoridade administrativa utilizouse de códigos (fundamento 78) para efeito de aplicabilidade da multa sem apontar o fundamento legal. Analisemos. Este tópico já está analisado no item (A), na qual considero não haver máculas à regularidade do lançamento. Senão, vejamos. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 78, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com omissão de fatos geradores (segurados empregados e contribuintes individuais) listados nos Anexos do Relatório Fiscal da Infração, nas competências 06/2004 a 13/2006. Ademais, o Relatório Fiscal da Infração expõe os critérios para determinação da penalidade, haja vista as alterações trazidas à legislação que rege a matéria pela Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, sendo que nos Anexos I a XI há demonstração detalhada da determinação da multa: Fl. 764DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 2.4. Foram alterados, conforme artigo 32A e pelo art 35A da Lei 8.212/91 alterados pela MP 449/2008 os cálculos das multas por falta de declaração em GFIP's com fundamento 78 e também multa de 75% de ofício. Por este fato temos que fazer a comparação: a) Sem declaração GIFP e com recolhimento: Calcular os valores calculados pelo fundamento 68 (100% da contribuição devida e não declarada em GFIP's) com a multa do fundamento 78 e o que for menor é que será utilizado por beneficiar a empresa, conforme artigo 106, inciso II item c do CTN. Teve multa com fundamento 68 e 78, vide Anexo VIII. b) Sem declaração GFIP e sem recolhimento: Calcular os valores calculados pelo fundamento 68 (100% da contribuição devida e não declarada em GFIP's) mais 24% de multa de mora com a multa de ofício de 75% (Artigo 35A da Lei 8.212/91 alterado pela MP 449) e o que for menor é que será utilizado por beneficiar a empresa, conforme artigo 106, inciso II item c do CTN. No caso, foi o do fundamento 68, vide Anexo IX. O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 29, informa que para cálculo das multas foram utilizados os seguintes Anexos: ANEXO I SEGURADOS EMPREGADOS DECLARADOS NAS GFIP"S (RESUMO) COM COMPARATIVO COM A FOLHA DE PAGAMENTO; ANEXO II EMPREGADOS NA SEC DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (PREFEITURA) NÃO DECLARADO EM GFIP; ANEXO III AUTÔNOMO (CONTABILIDADE) NÃO DECLARADO EM GFIP; ANEXO IV EMPREGADOS (CONTABILIDADE) NÃO DECLARADO EM GFIP; ANEXO V TOTAL DE SEGURADOS E CONTRIBUIÇÃO NÃO DECLARADO EM GFIP (COM E SEM RECOLHIMENTO); ANEXO VI RESUMO FP COM QTE SEGURADOS E CONTRIBUIÇÃO NÃO DECLARADO EM GFIP (COM E SEM RECOLHIMENTO); ANEXO VII CÁLCULOS DA MULTA PARA AIOA (CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADAS EM GFIP'S) PARA VER LIMITE MÁXIMO DA MULTA; ANEXO VIII COMPARATIVO CÁLCULOS MULTA PARA AIOA (CONTRIBUIÇÕES COM RECOLHIMENTOS E NÃO EM GFIP'S); ANEXO IX COMPARATIVO CÁLCULOS DA MULTA PARA AIOA (CONTRIBUIÇÕES SEM RECOLHIMENTOS E NÃO EM GFIP'S); ANEXO X TOTAL DO VALOR DA MULTA CÓDIGO 68 E CÓDIGO 78; e Fl. 765DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14120.000154/200996 Acórdão n.º 2403001.422 S2C4T3 Fl. 756 23 ANEXO XI CÁLCULO DA MULTA APLICADA CÓDIGO 78. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, com a redação dada pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32A, "caput", inciso I e §§ 2º e 3º, incluídos pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 CTN. Ainda assim, a decisão de primeira instância retificou o valor da multa, em função de: A determinação das multas com fundamento no art. 32, § 5 o da Lei 8.212/91 (denominado CFL 68) e no inciso I do art. 32A da Lei n° 8.212/1991 (denominado CFL 78) é realizado nas Tabelas 1 a 2 em seguida a este voto: TABELA 2 MULTA DO ART 3A, I, DA LEI N° 8.212/1991 (CFL 68) CONTRIBUIÇÃO PAGA E NÃO DECLARADA – 135.300,00 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iii) QUESTÃO DO CÁLCULO DA PENALIDADE IMPOSTA INTERPRETAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO QUE VIOLA A RAZOABILIDADE AUSÊNCIA DE OMISSÃO NAS INFORMAÇÕES, QUE FORAM TRANSFERIDAS VIA GFIP – ERRO DE TIPIFICAÇÃO DA PENALIDADE. Analisemos. Em relação ao cálculo da penalidade, analisouse no tópico (ii) acima. Em relação às informações transmitidas na GFIP, a análise será feita no item (iv) abaixo. (iv) AINDA A QUESTÃO DAS OMISSÕES DA GFIP FATOS GERADORES CONSIDERADOS A PARTIR DE JANEIRO/2004 GFIP RETIFICADORA QUE SOMENTE PODE SE SOBREPOR À ANTERIOR A PARTIR DE NOVEMBRO/2005 EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DAS PENALIDADES Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 78, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Fl. 766DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 Informações à Previdência Social – GFIP com omissão de fatos geradores (segurados empregados e contribuintes individuais) listados nos Anexos do Relatório Fiscal da Infração, nas competências 06/2004 a 13/2006. Ademais, o Relatório Fiscal da Infração expõe os critérios para determinação da penalidade, haja vista as alterações trazidas à legislação que rege a matéria pela Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, sendo que nos Anexos I a XI há demonstração detalhada da determinação da multa: 2.4. Foram alterados, conforme artigo 32A e pelo art 35A da Lei 8.212/91 alterados pela MP 449/2008 os cálculos das multas por falta de declaração em GFIP's com fundamento 78 e também multa de 75% de ofício. Por este fato temos que fazer a comparação: a) Sem declaração GIFP e com recolhimento: Calcular os valores calculados pelo fundamento 68 (100% da contribuição devida e não declarada em GFIP's) com a multa do fundamento 78 e o que for menor é que será utilizado por beneficiar a empresa, conforme artigo 106, inciso II item c do CTN. Teve multa com fundamento 68 e 78, vide Anexo VIII. b) Sem declaração GFIP e sem recolhimento: Calcular os valores calculados pelo fundamento 68 (100% da contribuição devida e não declarada em GFIP's) mais 24% de multa de mora com a multa de ofício de 75% (Artigo 35A da Lei 8.212/91 alterado pela MP 449) e o que for menor é que será utilizado por beneficiar a empresa, conforme artigo 106, inciso II item c do CTN. No caso, foi o do fundamento 68, vide Anexo IX. Observase que também foi lavrado AIOP nº 37.193.1649 na qual o crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social referente às contribuições parte dos segurados, devidas e não recolhidas à Seguridade Social correspondentes às remunerações a empregados não declarados em GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, no período de 06/2004 a 12/2005. Conforme o Relatório Fiscal deste AIOP, às fls. 56 a 58, as contribuições previdenciárias foram apuradas a partir de documentos e lançamentos contábeis, mas não recolhidas ou declaradas em GFIP. De qualquer forma, este tópico também já foi integralmente debatido em sede de decisão de primeira instância, na qual não e acolheu o argumento do contribuinte de que as GFIP foram efetivamente transmitidas, em que pesem não atenderem ao disposto no manual do SEFIP ocasionando um processamento incorreto. A argumentação da Recorrente se centra no sentido de que por problemas gerados por seu próprio processamento das folhas de pagamento viuse obrigada a fazer retificação das GFIPs já apresentadas, informando apenas os dados alterados. Ao assim proceder, as GFIPs originais foram incorretamente (em seu entender) substituídas pela GFIPs retificadoras, que continham apenas informações adicionais. Não obstante tal argumentação da Recorrente, conforme inclusive já ressaltado em sede de decisão de primeira instância, com a versão 8 do sistema SEFIP, a partir de 11.11.2005, foi criado o conceito de "GFIP retificadora" para a Previdência Social, obrigando a informação da totalidade de trabalhadores, bases de cálculo e outros dados Fl. 767DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14120.000154/200996 Acórdão n.º 2403001.422 S2C4T3 Fl. 757 25 destinados à Previdência, sempre que houver uma complementação para o FGTS e/ou retificação de dados ou valores. Desta forma, a Recorrente deveria ter transmitido a GFIP retificadora com a totalidade dos dados e não ter transmitido apenas os dados a serem retificados. Portanto, restou comprovado que a Recorrente não atendeu os requisitos do sistema SEFIP 8, fato que ocasionou diferenças na GFIP transmitida pela Recorrente. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. iv) A EXISTÊNCIA DE DUPLICIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE NÃO SE SUSTENTA. Em que pese a tentativa da autoridade julgadora de demonstrar que não há duplicidade nos autos de infração lavrados, a análise dos capítulos I (introdução) e II (fatos geradores) do relatório fiscal auto de infração AI identificados sob os números 37.193.1649 e 37.193.1657 demonstram que há identidade na autuação, pois em ambos os casos tratam de exigir o pagamento de "contribuições devidas e não recolhidas correspondentes as remunerações a empregados não declarados em GFIP, correspondentes às rubricas seguradoempregado (variável conforme a faixa salarial). Analisemos. Este tópico já foi integralmente debatido em sede de decisão de primeira instância, na qual não se acolheu o argumento do contribuinte de que haveria duplicidade do AIOP nº 37.193.1649 em relação a outro AIOP nº 37.193.1657: “Inexiste duplicidade de lançamento com referência às exigências formalizadas através dos autos de infração sob números DEBCAD 37.193.1622 e 37.193.1657. O valor exigido no lançamento sob DEBCAD 37.193.1622 corresponde ao demonstrado no anexo I ao relatório fiscal do lançamento aqui combatido, tem origem nas contribuições retidas dos segurados, reconhecidas pela entidade em suas folhas de pagamento, mas não declaradas ou recolhidas. O valor exigido no lançamento sob DEBCAD 37.193.1657 corresponde ao demonstrado nos anexos II a IV ao relatório fiscal do lançamento aqui combatido, tem origem nas contribuições não reconhecidas pela entidade, por entender que seus fatos geradores não ocorreram ou não se subsumiram às hipóteses de incidência da contribuição. Ainda que afirme a impugnante que exista a duplicidade, baseada em laudo pericial, esta afirmação sucumbe diante da simples lógica de que as contribuições exigidas sob n° DEBCAD 37.193.1622 tem sua base de cálculo proveniente da remuneração de segurados reconhecida pela entidade em sua Fl. 768DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 26 folha de pagamento, enquanto que as contribuições exigidas sob DEBCAD n° 37.193.1657 são aquelas cuja base de cálculo é negada pela entidade. Quanto à divergência de valores nos anexos El, E2 e E3 com a folha de pagamento, não se compreende porque deveria a autoridade fiscal esclarecêlos, visto que a apuração tanto da obrigação principal quando da acessória foi feita com base na folha de pagamento apresentada pela entidade em forma digital. Como os anexos El, E2 e E3 não foram elaborados pelo Fisco nem fundamentam qualquer exigência, não cabe à autoridade fiscal esclarecer porque estes divergem do consignado nas folhas de pagamento. Neste sentido, a decisão de primeira instância no processo relativo ao AIOP nº 37.193.1649 esclarece que foi também lavrado o auto de infração AIOP n° 37.193.1657, que foi objeto de impugnação pela entidade, de que resultou a formalização do processo n° 14120.000155/200931, e no qual são exigidas as contribuições correspondentes aos seguintes fatos geradores: a) pagamentos pela prestação de serviços por segurados contribuintes individuais, sem vínculo empregatício com a entidade; b) pagamentos pela prestação de serviços por segurados empregados à entidade, apurados na contabilidade, não incluídos nas folhas de pagamentos e não declarados em GFIPs; c) glosa de salário família, descontado a maior nas GFIPs; d) pagamentos a empregados que prestaram serviços à Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de Campo Grande, apurados a partir de recibos e da contabilidade, e não declarados em GFIPs. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (vi) IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DA TAXA SELIC E DE JUROS A QUESTÃO DA PERÍCIA. Analisemos. Tal argumento não procede pois não há a cobrança de juros no presente Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA, apenas havendo a exigência relativa ao valor da penalidade. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14120.000154/200996 Acórdão n.º 2403001.422 S2C4T3 Fl. 758 27 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 770DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10580.006922/2003-51
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1993
IRPF. PDV. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRECRICIONAL.
Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5).
Numero da decisão: 9900-000.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 24/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
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PDV. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRECRICIONAL. Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 24/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 69 22 /2 00 3- 51 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (doc. a fls. 64 e segs.), com fundamento no arts. 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007, em face do Acórdão n° 104 21.847, que negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para determinar que o prazo para restituição do indébito tributário, nos casos de valores de IR recolhidos sobre montantes recebidos a título de Programas de Demissão Voluntária PDV, tem início no momento em que o Poder Executivo reconhece (ou é obrigado a reconhecer por decisão judicial com efeito erga omnes) não mais ser devida a malfadada exação. Em breve síntese, a recorrente sustenta que: “pelo exame dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN, constatase que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, EXTINGUESE COM O DECURSO DO PRAZO DE CINCO ANOS, CONTADOS DA DATA DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. Em apoio ao seu argumento, sustenta que: “Esse entendimento, conforme ensina Leandro Paulsen, já se firmou na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: ‘A Primeira Seção do STJ, quando do julgamento dos Embargos de Divergência no REsp 435.835SC, em março de 2004, reconsiderou entendimento anterior para firmar posição, agora, no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade não influi na contagem do prazo para repetição ou compensação. Entendemos que prevaleceu a melhor orientação. Isso porque o prazo não se altera em função do fundamento do pedido de repetição, de modo que a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo, não tem implicação na sua contagem. Efetivamente, o direito à repetição não se origina da decisão do STF. Cada contribuinte, antes mesmo de qualquer decisão do STF, tem a possibilidade de buscar no Judiciário, o reconhecimento do direito à repetição ou à compensação com fundamento em inconstitucionalidade forte no controle difuso’(Grifou se). O posicionamento adotado no EREsp acima mencionado já se encontra pacificado naquela Corte. Foi inclusive reiterado, recentemente, pelo voto condutor do eminente Ministro Teori Albino Zavascki, no REsp 747.091/SC. Vejase: ‘Considerouse ser irrelevante, para efeito da contagem do prazo prescricional, a causa do recolhimento indevido (v.g., pagamento a maior ou declaração de inconstitucionalidade Fl. 87DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10580.006922/200351 Acórdão n.º 9900000.474 CSRFPL Fl. 81 3 do tributo pelo Supremo), eliminandose a anterior distinção entre repetição de tributos cuja cobrança foi declarada em controle concentrado e em controle difuso, com ou sem edição de resolução pelo Senado Federal (...)’ (Grifouse).” Em despacho a fls. 75, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais admitiu o Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, por entender que atendia aos pressupostos de recorribilidade. Cientificada do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, conforme AR a fls. 78, a contribuinte não apresentou contrarrazões. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Ao se analisar os fundamentos do acórdão recorrido, verificase que, in casu, que o voto do Relator se limitou a transcrever o que fora decidido pelo Acórdão CSRF/04 00.389, cuja conclusão a seguir transcrevo: “Da dicção da lei é de ser restituído ao sujeito passivo o valor de tributo indevido, cobrado ou pago espontaneamente em face da legislação aplicável. O prazo para protestar pela restituição, uma vez não providenciada pela Administração Tributária "independentemente de prévio protesto" deve ter como marco inicial a publicação da Instrução Normativa n° 165/98, ocorrida em 06.01.99, em conformidade com as disposições do inciso II, art. 168 do CTN. De fato, é o que se deve concluir por meio da integração das disposições do art. 168, inciso II, combinado com o art. 165, III, do CTN e os próprios termos da IN. Respaldo, ainda, nos princípios da estrita legalidade, pois, como visto não cabe exigir tributo sem lei que o autorize, e da moralidade administrativa, posto que aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir.” Como se vê, a decisão recorrida afastou a preliminar de prescrição da pretensão à repetição do indébito, por entender que a publicação da IN 165/98 que reconheceu ser indevida a exação se configurou em uma das hipótese do inciso III do art. 165 do CTN (reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória) e que, assim sendo, o prazo prescricional começaria a correr da data da sua publicação por força do disposto no art. 168, II, também do CTN. Ao analisar mais detidamente o acórdão paradigma (Acórdão n˚ 0202.088) aduzido pela recorrente, verifico que, embora o Relator tenha feito menção a posição predominante à época neste Colegiado, qual seja, a de que o dies a quo do prazo prescricional Fl. 88DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 4 se desloca para a data da publicação da Resolução Senatorial, essa não foi a ratio decidendi do julgado, mas sim, mero obiter dictum. Tanto é assim que na ementa do acórdão sequer qualquer menção foi feita acerca desse entendimento. Aliás, o Relator não poderia sustentar as duas posições ao mesmo tempo, ainda que, naquele caso, elas levassem ao mesmo resultado, pois elas são excludentes, razão que demonstra ainda mais o caráter acessório do comentário feito sobre a posição majoritária então vigente. Assim, a verificação da divergência deve ser feita à luz do posicionamento que efetivamente foi adotado no acórdão paradigma, qual seja, que o dies a quo do prazo prescricional é aquele indicado no art. 168, I, do CTN. Esclareçase, então, que a tese do acórdão recorrido (que o dies a quo do prazo prescricional da pretensão à restituição do indébito tributário passa a ser a data da publicação da IN SRF 165/98) diverge da decisão paradigma, pois, nesta, também havia ato reconhecendo ser indevida a exação, no caso a Resolução do Senado n˚ 49/95 (relativo à contribuição para o PIS cobrado com base nos DL 2.445/88 e 24449/88), mas, que mesmo assim, aplicou o art. 168, I, do CTN. Assim posso resumir a divergência como sendo: diante de ato do Poder Público reconhecendo ser indevida a exação aplicase o art. 168,I, do CTN ou os art. 165, III, c/c o art. 168, II, do CTN? Em face do exposto, voto por conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional. A decisão recorrida merece ser reformada, pois Instrução Normativa é veículo de interpretação da norma pela Administração Tributária, não se constitui em decisão definitiva da administração acerca de determinada matéria, mesmo porque sequer vincula este Colegiado, logo, como pode ser decisão definitiva? Assim, seja pela própria literalidade do art. 165 e 168 do CTN, seja pela descabimento de se considerar instrução normativa como decisão administrativa definitiva, há que se afastar, in casu, a aplicação do inciso III do art. 165, bem como do inciso II do art. 168. Resta, então saber qual o prazo prescricional, quando se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Sobre tal questão, já decidiu o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS; como também o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp n. 1.269.570MG. Tal posição jurisprudencial foi muito bem sintetizada na ementa do REsp 1089356/PR, a qual assim dispõe: REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09.06.2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI N. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09.06.2005 em diante, deve ser aplicado Fl. 89DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10580.006922/200351 Acórdão n.º 9900000.474 CSRFPL Fl. 82 5 o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09.06.2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei n. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Em suma, temos que: a) para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e Fl. 90DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 6 b) para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Todavia, o julgado acima transcrito foi além do decidido nos recursos representativos de controvérsia retro citados, pois sustentou que tais conclusões se aplicariam também em caso de pedido administrativo, ou seja, as mesmas considerações acerca da data do ajuizamento da ação de repetição de indébito, para fins de determinação do dies a quo do prazo prescricional, seriam também aplicáveis em caso de restituição pedida diretamente à Administração Tributária. Sobre tal ponto, embora não seja caso de aplicação do art. 62A, já que o referido recurso especial não foi julgado pela sistemática do art. 543C do CPC, adoto tal entendimento para então concluir que: a) para os pedidos administrativos de restituição relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação protocolizados de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e b) para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). In casu, como o pedido foi protocolizado em 27/08/2003, aplicase a cumulação dos prazos do art. 150, § 4˚, com o do art. 168, I, do CTN, ou seja, dez anos contados do fato gerador. Razão pela qual afasto a preliminar de prescrição e concluo ser tempestivo o pedido de restituição do IRPF que incidiu sobre as verbas de incentivo a participação em programa de demissão voluntária no ano de 1993. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para enfrentamento do mérito. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 91DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
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Numero do processo: 10283.720471/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 01).
Não conhecer do recurso.
Numero da decisão: 2202-002.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, tendo em vista a opção da Recorrente pela via judicial, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 01). Não conhecer do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, tendo em vista a opção da Recorrente pela via judicial, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 04 71 /2 00 8- 28 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN 2 Relatório MARIA DAS GRAÇAS GASPAR DE MELO, contribuinte inscrita no CPF/MF 201.788.16272, com domicílio fiscal na cidade Manaus, Estado Amazonas, à Rua Rio Javari, nº 39 – Quadra 34, Bairro Vieiravalves, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus AM, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 114/120, prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 124/130. Contra a contribuinte acima mencionado foi lavrado, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus AM, em 28/05/2008, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 65/74), com ciência através de AR, em 09/06/2008 (fls. 78), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 8.702,13 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 2004, correspondente ao anocalendário de 2003. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2004 onde a autoridade lançadora entendeu haver classificação indevida de rendimentos na DIRPF. Infração capitulada nos arts. 1° ao 3º e §§, da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 1º ao 3°, da Lei n° 8.134, de 1990; arts. 39 e 43 do RIR/99; art. 1º da Medida Provisória n ° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451, de 2002. A AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através do próprio Auto de Infração (fls. 65/74), entre outros, os seguintes aspectos: que emitiu o Termo de Inicio de Fiscalização, do qual foi cientificada a contribuinte por via postal com aviso de recebimento em 29/02/2008. Por esse Termo foi intimada a apresentar documentação comprobatória dos rendimentos isentos e não tributáveis, informados na Declaração de Ajuste Anual do exercício 2004, anocalendário 2003, a titulo de Ajuda de Custo, AuxílioMoradia e Abono Pecuniário; que no caso, a contribuinte requereu, mensalmente, no decorrer do ano calendário 2003, o pagamento de auxíliomoradia, comprovando, mediante nota fiscal de serviços, pagamento de despesas com hospedagem em valor inferior ao montante pago pelo Ministério Público do Estado do Amazonas. Os documentos fornecidos pela própria investigada demonstram que ela recebia, a título de auxíliomoradia, o equivalente a 10% do valor do vencimento mais gratificação de representação, independente do valor das despesas comprovadas. Conforme documentos disponibilizados à fiscalização, naquele ano a contribuinte recebeu o montante de R$ 11.568,90, tendo comprovado gastos com hospedagem no total de R$ 5.920,00; que dessa forma, a indenização paga a membros do Ministério Público Estadual para atender a despesa com moradia, calculada em 10% sobre a soma do vencimento e gratificação de representação, é tributada pelo imposto de renda na fonte. Diante do que determina a legislação, declino por formalizar o lançamento de oficio, qualificando como Fl. 195DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10283.720471/200828 Acórdão n.º 2202002.101 S2C2T2 Fl. 3 3 rendimento tributável a diferença entre o valor pago à contribuinte e o valor das despesas efetivamente comprovadas (R$5.648,90); que relativamente ao pagamento do ABONO PECUNIÁRIO, a contribuinte, Promotora de Justiça de 1º Entrância, fundamentada na Resolução n° 003/96, de 09 de abril de 1996, e no Ato PGJ n° 069/96, de 03 de dezembro de 1996, requereu A Procuradoria Geral de Justiça a conversão em pecúnia de 1/3 das férias pertinentes a lª e 2ª a etapas do exercício 2002/2003, totalizando 20 dias. Ressaltou em seu requerimento a não incidência do Imposto de Renda, consoante entendimento externado pelo Superior Tribunal de Justiça, nas Súmulas 125 e 136; que segundo os documentos disponibilizados pela contribuinte, a previsão legal da conversão de 1/3 das férias em abono pecuniário encontra abrigo nos artigos 33, III, e 361 da Lei Complementar Estadual n ° 011/93 (Lei Orgânica do Ministério Público do Estado do Amazonas) e no artigo 220, § 3°, da Lei Complementar Federal n° 75/93 (Estatuto do Ministério Público da União), aplicada subsidiariamente ao "parquet" amazonense; que nos exatos termos do requerimento formulado pela contribuinte, a PGJ deferiu o pedido de transformação de 1/3 das férias em pecúnia, resultando no pagamento do valor de R$ 8.012,00, sob a codificação 319011 Vencimentos e Vantagens Fixas / Pagamento referente a conversão de 1/3 (um terço) de Férias em Abono Pecuniário, exercício de 2002/2003, l ª e 2 ª etapas; que se extrai, do entendimento exarado pela PGFN, corroborado por julgados do Superior Tribunal de Justiça, que para o pagamento de férias não gozadas ter o caráter de indenização, deve ficar caracterizada a absoluta necessidade do serviço. A Administração deve determinar, em nome do interesse público, o impedimento do gozo das férias, sujeitandose a reparar, na forma de prestação pecuniária, o funcionário público pela parcela das férias não gozadas; que os documentos disponibilizados pela contribuinte atestam que a conversão das férias em pecúnia, na forma da citada Resolução, não se deu por absoluta necessidade de serviço, mas por discricionariedade da Administração Pública que acatou pedido formulado pela interessada; que, no entanto, não há lei federal que alcance a pretensão dos membros do Ministério Público do Estado, determinando isenção do imposto de renda sobre as férias não gozadas, convertidas em pecúnia, quando essa transformação não for por absoluta necessidade de serviço; que atender os requisitos legais, a parcela decorrente da conversão de 1/3 de ferias em abono pecuniário está sujeita à incidência do Imposto de Renda. O fato de a Procuradoria Geral de Justiça não ter efetuado a retenção do imposto na época própria, não afasta a obrigatoriedade de o contribuinte oferecer à tributação, na Declaração de Ajuste Anual, os rendimentos para os quais não houver previsão legal de isenção ou não incidência do imposto de renda. Irresignada com o lançamento a autuada apresenta, tempestivamente, em 01/07/2008, a sua peça impugnatória de fls. 82/99, instruído pelos documentos de fls. 110/112, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: Fl. 196DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN 4 que destarte, considerando que as verbas indenizatórias não constituem acréscimo patrimonial para a pessoa que os recebe, mas visam simplesmente recompor o patrimônio, não resta configurada hipótese que autorizaria a cobrança do imposto de renda, porquanto não se tem ingresso de riqueza nova no patrimônio daquela pessoa; que com fundamento nos dispositivos transcritos, editouse o Ato Declaratório n. 4, de 12.08.2002 (publicado no D.O.U. de 15.08.2002, • Seção I, p. 23) que dispensa o oferecimento de contestações e a interposição de recursos em processos que versem sobre a exigência do imposto de renda (IR) sobre o pagamento (in pecúnia) de férias não gozadas — por necessidade do serviço — pelo servidor público 15; que quando da conversão em pecúnia das férias nãogozadas (abono pecuniário), não há percepção de renda ou proventos, mas tãosomente uma transformação, uma permuta e não um acréscimo; que substituise o direito de fruição do descanso legalmente previsto pelo de ser ressarcido monetariamente. Em outras palavras: trocase o direito pelo dinheiro; que assim, tratandose de indenização, não se admite tributação, pois o referido numerário diz respeito exclusivamente ao empregado que se dispôs a sacrificar parte de seu repouso em função de necessidades outras, representando ressarcimento de perda suportada pelo empregado, em função da não fruição de seus direitos; que, portanto, não restando configurada hipótese de "renda" ou "proventos", porquanto não se tem ingresso de riqueza nova no patrimônio da pessoa, mas mera recomposição do patrimônio do membro do Ministério Público, não se afigura legitima a pretensão de ver exigido, em tal hipótese, o imposto de que trata o inciso III do art. 153 da CF/88; que tal verba, como se vê, não é perceptível por todos os membros do Ministério Público, mas tãosomente por aqueles que desempenham suas atribuições na maioria das Comarcas do interior do Estado do Amazonas, onde, ressaltese, há pouquíssimas residências para os membros do Ministério Público. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Quinta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Manaus – AM, concluíram pela procedência da impugnação em parte, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que assim, no caso sob exame seria puro academicismo aprofundar a discussão sobre as teses subjacentes as interpretações das partes litigantes, seria um prolongamento desnecessário da controvérsia, pois em decorrência de uma visão pragmática da Administração Tributária Federal, amparada pelo ordenamento jurídico, art. 19 da Lei 10.522/02, acatouse o entendimento jurisprudencial do STJ de que não incide imposto de renda sobre férias proporcionais convertidas em pecúnia. Nessa frequência, com o advento do Parecer PGFN/CRJ/n° 2141/2006 e do Ato Declaratório n° 5, de 7 de novembro de 2006, é forçoso reconhecer que não deve prosperar o lançamento de IRPF sobre as verbas recebidas em decorrência de férias indenizadas; que agora, no que diz respeito às isenções, o comportamento legal é outro, os rendimentos isentos são tratados de forma exaustiva. Para que a contribuinte seja beneficiado pela isenção tem que preencher todos os requisitos estabelecidos em lei para sua concessão; Fl. 197DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10283.720471/200828 Acórdão n.º 2202002.101 S2C2T2 Fl. 4 5 que a própria impugnante alega o caráter indenizatório do auxíliomoradia, em razão disso está, atrelado aos gastos efetivamente realizados, de forma a ressarcir o desfalque patrimonial sofrido pela contribuinte. Nesse passo está correto o procedimento adotado pela fiscalização que considerou os gastos efetivamente realizados pela contribuinte e tributou a diferença entre o valor recebido e o comprovado. Como a impugnante se restringiu ao debate teórico, não carreando aos autos nenhuma prova nova, mantémse o lançamento realizado a este titulo; que de tais regras, concluise pela inexistência de intimação postal na figura do procurador do sujeito passivo no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. Assim, se intimado a contribuinte, via postal, no endereço de seu advogado, tal ato pode ser questionado e tornado inválido, pois está em desconformidade com o artigo 23, inciso II e §§ 3º e 4°, do Decreto n° 70.235/1972. Sendo assim, indefiro o pleito da impugnante para ser cientificada no endereço de seu advogado. As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2003 IRPF. ISENÇÃO. REGIME PECULIAR. PROVAS. A lei não menciona de forma especifica e taxativa cada renda a ser tributada. Para configurar o fato gerador do 1RPF a lei exige apenas a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos. Já no que diz respeito exceção a tributação, tal como a isenção, o comportamento legal é outro, relaciona de forma taxativa uma a uma e na maioria das vezes estabelece as condições para o seu gozo. Assim, para que o autuado possa refutar o lançamento tributário, que reclassificou os rendimentos declarados, deve ir além das citações das normas isentivas e comprovar que sua situação fática preenche os requisitos legais necessários para o gozo de isenção tributária. FÉRIAS INDENIZADAS. PARECER PGFN APROVADO PELO MINISTRO DA FAZENDA. Art. 19 da Lei 10.522/02. APLICAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. O PARECER PGFN/CRJ/N° 2141/2006, aprovado pelo Ministro da Fazenda, acata o entendimento jurisprudencial do STJ de que não incide imposto de renda sobre férias proporcionais convertidas em pecúnia, não em razão de concordar com essa tese, mas em decorrência das sucessivas derrotas que sofreu no judiciário se opondo a tal entendimento. Como essa visão pragmática da Administração Tributária Federal está amparada pelo ordenamento jurídico, art. 19 da Lei 10.522/02, aplicase, também, na esfera administrativa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 198DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN 6 Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 08/02/2011, conforme Termo constante à fl. 144, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (09/03/2011), o recurso voluntário de fls. 124/130, instruído pelos documentos de fls. 131/132, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que tramita no Tribunal Regional Federal da 1a Região, em grau de Recurso, o Processo n° 2008.32.00.0026458 (Mandado de Segurança Coletivo) que tem como impetrante à ASSOCIAÇÃO AMAZONENSE DO MINISTÉRIO PÚBLICO — AAMP e impetrado o CHEFE DO SERVIÇO DE FISCALIZAÇÃO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL NO AMAZONAS; que, no referido processo, pretende a impetrante (AAAP) obter provimento jurisdicional que determine a suspensão da exigibilidade do imposto de renda sobre parcelas indenizatórias recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado do Amazonas — MPE/AM, a titulo de: abono pecuniário, auxilio—moradia e diárias. Pretende ainda, que o impetrado seja impedido de realizar procedimentos fiscalizatórios que tenham por objeto a incidência de imposto de renda sobre as referidas parcelas em relação aos membros do MPE/AM que ainda não foram notificados pela Receita Federal do Brasil; que ao despachar a Inicial, o Magistrado deferiu a liminar requerida determinando a suspensão da exigibilidade do credito tributário relativo aos lançamentos já efetivados relativos às parcelas indenizatórias a titulo de Abono Pecuniário, Auxilio Moradia e Diárias, pagas aos membros do Ministério Público do Estado do Amazonas; que, com efeito, em respeito ao que determina o Art. 151, IV, do Código Tributário Nacional, deveria e deve o recorrido suspender a exigibilidade do credito tributário lançado, até que outra decisão reforme a Sentença prolatada nos autos. "verbis": Art. 151. Suspendem a exigibilidade do credito tributário: I ao III "omissis"...; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança; que, posteriormente, em 03 de Agosto de 2009, após minucioso exame da matéria o Magistrado prolatou a Sentença n° 59/2009A (cópia anexa) concluindo pela concessão parcial da segurança pretendida, ou manteve a liminar concedida. "vejamos:" "Pelo exposto, concedo parcialmente a segurança para determinar à autoridade impetrada que se abstenha de exigir o imposto de renda sobre as parcelas pagas aos integrantes da impetrante a titulo de abono pecuniário, auxilio moradia e diárias."; que a sentença proferida, nos autos do MS em comento, é clara e cristalina, não deixando nenhuma dúvida sobre a suspensão da cobrança do imposto de renda sobre o abono pecuniário, auxilio moradia e diárias de todos integrantes da impetrante; que, vale ressaltar, que a autoridade impetrada foi devidamente intimada da Medida Liminar concedida, bem como, foi intimada da referida Sentença prolatada no Mandado de Segurança. Logo, não pode alegar desconhecimento das decisões e da tramitação do "writ", a favor dos membros da AAMP; que comprovase a afirmação acima, em virtude, da autoridade impetrada, ter recorrido da Liminar, através de Agravo, que manteve a Liminar e, posteriormente, recorrido da Sentença através de Apelação ao TRF da 1ª Região; Fl. 199DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10283.720471/200828 Acórdão n.º 2202002.101 S2C2T2 Fl. 5 7 que o recurso interposto contra a Sentença foi recebido e admitido somente no efeito devolutivo, não sendo concedido efeito suspensivo, o que mantém a eficácia da Sentença ate a decisão do TRF; que, todavia, insiste a recorrida em querer tributar os valores recebidos pela recorrente, a titulo de auxilio moradia, em flagrante desrespeito ao inciso IV, do art. 151 do CTN; que é evidente que é do conhecimento da recorrida, que a recorrente membro do Ministério Público do Estado do Amazonas, pois, dispõe de cadastro de dados, e também, consta na DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTE que a recorrente é membro do Ministério Publico do Estado do Amazonas e, conseqüentemente integrante da impetrante – ASSOCIAÇÃO AMAZONENSE DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO AMAZONAS – AAMP; que, portanto, face o tramite de processo sobre a matéria no Poder Judiciário, com sentença em fase de recurso, é sem dúvida dever do recorrido se abster de um pronunciamento na esfera administrativa, em termos decisórios, uma vez que, ao Poder Judiciário cabe a decisão soberana; que, destarte, requerse em preliminar, que seja suspensa exigibilidade do credito tributário e cumprida a decisão judicial que determinou ao recorrido que se abstenha de exigir o imposto de renda sobre a parcela recebida a titulo de auxilio de moradia; que a SRF editou o Ato Declaratório SRF n° 87, de 12 de Novembro de 1999, esclarecendo que para a outorga da isenção é necessário que haja o direito ao uso de imóvel funcional e ainda que o beneficiário comprove a pessoa jurídica de direito público o valor das despesas efetuadas em substituição a esse direito, mediante apresentação do contrato de locação ou recibo comprovando os pagamentos efetuados; que verificase que o Ato Declaratório acima citado, não Lei e nem Decreto, não podendo, portanto, regulamentar dispositivo de Lei e, nem pode estabelecer a tributação da diferença entre os valores recebidos e as despesas efetuadas em substituição a esse direito; verificase também, que o Ato Declaratório apenas estabelece a obrigação do beneficiário comprovar ao ente público as despesas que teve em substituição a esse direito, apresentando contrato de locação ou recibo comprovando os pagamentos efetuados; que assim, cabia a recorrente, do somente, comprovar, como de fato comprovou as despesas realizadas em substituição ao direito que tem ao imóvel funcional; que em consequência, por não ter força de Lei o Ato Declaratório antes citado, não é legal e justo que se proceda a tributação da diferença entre o valor recebido e o comprovado a titulo de auxíliomoradia. É o Relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN 8 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Preliminarmente, cabe aqui a discussão sobre a propositura, pela suplicante, de ação perante o Poder Judiciário. Alega a recorrente, que tramita no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em grau de Recurso, o Processo n° 2008.32.00.0026458 (Mandado de Segurança Coletivo) que tem como impetrante à ASSOCIAÇÃO AMAZONENSE DO MINISTÉRIO PÚBLICO — AAMP. Observase, que, no referido processo, pretende a impetrante (AAAP) obter provimento jurisdicional que determine a suspensão da exigibilidade do imposto de renda sobre parcelas indenizatórias recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado do Amazonas — MPE/AM, a titulo de: abono pecuniário, auxílio—moradia e diárias. Pretende ainda, que o impetrado seja impedido de realizar procedimentos fiscalizatórios que tenham por objeto a incidência de imposto de renda sobre as referidas parcelas em relação aos membros do MPE/AM que ainda não foram notificados pela Receita Federal do Brasil. Observase, ainda, que ao despachar a Inicial, o Magistrado deferiu a liminar requerida determinando a suspensão da exigibilidade do credito tributário relativo aos lançamentos já efetivados relativos às parcelas indenizatórias a titulo de Abono Pecuniário, Auxilio Moradia e Diárias, pagas aos membros do Ministério Público do Estado do Amazonas, conforme consta da sentença às fls. 161/169. Por fim observase, que, posteriormente, em 03 de agosto de 2009, após minucioso exame da matéria o Magistrado prolatou a Sentença n° 59/2009A (cópia às fls. 161/169) concluindo pela concessão parcial da segurança pretendida, ou seja, manteve a liminar concedida: “Pelo exposto, concedo parcialmente a segurança para determinar à autoridade impetrada que se abstenha de exigir o imposto de renda sobre as parcelas pagas aos integrantes da impetrante a titulo de abono pecuniário, auxilio moradia e diárias.". Assim, resta claro, que a sentença proferida, nos autos do MS em comento, é clara e cristalina, não deixando nenhuma dúvida sobre a suspensão da cobrança do imposto de renda sobre o abono pecuniário, auxilio moradia e diárias de todos integrantes da impetrante. Com efeito, como é tradição no Brasil, optouse por um regime constitucional de separação dos poderes, cabendo precisamente ao Poder Judiciário dirimir os conflitos de interesses de particulares e entre particulares e o Poder Público. Idêntica prerrogativa conferida ao Poder Executivo será sempre subsidiária e subordinada à do Judiciário, pois não se pode cogitar de que o provimento administrativo se sobreponha ao provimento judicial. Para resguardar este princípio constitucional, reiterado pelo art. 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830, de 1980 e no art. 16, § 2°, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, a Secretaria da Receita Federal baixou, em boa hora, o Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 03, de 14/02/1996, determinando que a matéria levada a conhecimento do Judiciário não seja renovada na instância administrativa, bem assim detalhando os procedimentos aplicáveis em tal hipótese. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10283.720471/200828 Acórdão n.º 2202002.101 S2C2T2 Fl. 6 9 Com a aplicação da norma complementar, o princípio do contraditório não resultou ferido, porque este já está assegurado na instância judicial, a cujas decisões haverá obrigatoriamente o fisco de se submeter. Tampouco o direito de petição foi obstruído, mas tal direito não está em absoluto subordinado à obrigatoriedade da Administração em examinar o mérito da matéria posta nas petições. Assim, a medida judicial não exclui a ocorrência do fato gerador e nem a constituição do crédito tributário, mas, sim a exigibilidade do crédito tributário constituído. É lógica tal conclusão que a despeito da decisão judicial, pode ser estabelecida à exigência por tributo não recolhido à data de seu vencimento mediante procedimento de ofício, instaurando procedimento de cobrança pela fiscalização, suspenso em seu seguimento pela medida sustadora da exigibilidade. A medida judicial não tem o condão de inibir a ação fiscalizadora tendente a prevenir a fluência do prazo decadencial, mas, apenas tolher a efetivação da cobrança até decisão definitiva. Não restam dúvidas de que a recorrente foi autuada pelo fato de não ter oferecido a tributação o valor do auxílio de moradia recebido, cuja incidência recai sobre a parcela sobre a qual não apresentou documentação hábil e idônea de que houve o real dispêndio dos valores recebidos. Da mesma forma, não pairam dúvidas de que, em 03 de agosto de 2009, o Magistrado prolatou a Sentença n° 59/2009A (cópia às fls. 161/169) concluindo pela concessão parcial da segurança pretendida. Ou seja, manteve a liminar concedida: “Pelo exposto, concedo parcialmente a segurança para determinar à autoridade impetrada que se abstenha de exigir o imposto de renda sobre as parcelas pagas aos integrantes da impetrante a titulo de abono pecuniário, auxilio moradia e diárias.". Assim, com as devidas vênias, não pairam dúvidas, para este relator, que a matéria está submetida à apreciação do Poder Judiciário. É cristalino, que a autuada está discutindo judicialmente a mesma matéria tributária e a Jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, firmouse no sentido de que as questões postas ao conhecimento do Judiciário implica em impossibilidade de discutir o mesmo mérito na instância administrativa, seja antes ou após o lançamento, posto que a decisão daquele Poder detém, no sistema jurídico pátrio, o poder jurisdicional. Ou seja, somente ao Poder Judiciário é outorgado o poder de examinar as questões a ele submetido de forma definitiva, com efeito de coisa julgada. Não há como divergir desta jurisprudência, já que compete ao Judiciário, em última análise, dizer qual seria o direito aplicável à espécie. Assim, proposta a ação perante o Poder Judiciário, não é lógico, muito menos correto, querer atribuir aos Tribunais Administrativos o poder de resolver a lide, já que a matéria “sub judice” foi atribuída à solução daquele poder, competente, para, repitase, em derradeira instância, dizer qual o direito efetivamente aplicável à espécie. É cristalino nos autos de que o valor autuado pela fiscalização é exatamente a matéria que a recorrente esta questionando na Justiça Federal. Assim sendo, neste processo, sobre esta matéria, nada mais pode se feito diante da perda de objeto em razão da discussão judicial. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN 10 Nessa ordem de juízo, deixo de apreciar, porque administrativamente inócuo, os fundamentos da exigibilidade do tributo em discussão, visto que submetidos à manifestação do poder jurisdicional (opção pela via judicial). Nesta linha de pensamento, voto por não conhecer do recurso, tendo em vista a opção pela Recorrente pela via judicial. Observando que a autoridade executora do acórdão deverá aguardar a decisão judicial transitada em julgado e, quando for o caso, tomar as providências cabíveis. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 203DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10970.720211/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FORA DO PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. O recurso apresentado após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo não merece ser conhecido. Recurso Voluntário não Conhecido
Numero da decisão: 2401-002.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso apresentado após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo não merece ser conhecido. Recurso Voluntário não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 02 11 /2 01 1- 18 Fl. 721DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório O processo em questão abrange duas lavraturas, quais sejam: a) Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP n.º 51.006.1206: no valor consolidado de R$ 407.749,37 (quatrocentos e sete mil, setecentos e quarenta e nove reais e trinta e sete centavos), relativo às contribuições previdenciárias dos segurados caracterizados pela fiscalização como empregados, não descontadas de sua remuneração, no período acima indicado; b) Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP n.º 51.006.1214: no valor consolidado de R$ 1.126.161,27 (um milhão, cento e vinte e seis mil, cento e sessenta e um reais e vinte e sete centavos), relativo às contribuições previdenciárias da empresa e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), no período acima indicado, as quais incidiram sobre a remuneração dos segurados caracterizados pela fiscalização como empregados. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 25/27, as pessoas físicas relacionadas no Anexo I foram caracterizadas como empregadas por estarem presentes os requisitos existentes na relação de emprego, conforme demonstra. Afirma ainda a Auditoria que a multa foi aplicada comparandose o cálculo efetuado de acordo com a legislação vigente da data da ocorrência dos fatos geradores (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com aquele efetuado de acordo com o art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, com redação dada pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009. O Município foi cientificado da autuação em 21/09/2011, fl. 02, e apresentou impugnação em 21/10/2011, fls. 677/681, em que alega, em síntese, não ter condições financeiras e orçamentárias para suportar o valor atribuído aos autos de infração, vez que não possui receita para realizar o pagamento. Em atenção ao princípio da razoabilidade, requer a relevação da penalidade. Afirma estar disposto a quitar seus débitos, mas precisa que o mesmo esteja parcelado, o que não foi possível, em virtude das multas e juros aplicados e das duas infrações terem sido lavradas em um único processo. Esclarece que, se a lavratura das autuações tivesse se dado em processos distintos, seria possível ao Município realizar o parcelamento simplificado, já que o valor de cada um não ultrapassaria o teto permitido para o referido parcelamento. Aduz que a penalidade imposta não pode levar à ruína o Município e prejudicar, por conseguinte, toda a sua população. Questiona, em decorrência dos fatos descritos, se precisa receber uma penalidade tão vultosa e onde está o fim educativo da referida penalidade. Requer, ao fim: a) a relevação da autuação e da penalidade imposta, visto que o Município pretende regularizar seus débitos; b) a concessão de parcelamento especial de 180 Fl. 722DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.720211/201118 Acórdão n.º 2401002.620 S2C4T1 Fl. 722 3 meses, tendo em vista que o Município não possui condições de arcar com os valores em parcela única; c) alternativamente, sejam desmembradas as autuações, para que possa ser efetuado o parcelamento do débito de forma simplificada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Juiz de Fora (MG) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo integralmente os créditos apurados, fls. 705/708. Assim justificouse no voto condutor do acórdão a manutenção das lavraturas: “Não obstante a irresignação do Município relativamente aos valores de multa e juros aplicados, devese esclarecer que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, a teor do disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Ademais, cabe destacar que os valores constantes do lançamento foram calculados pelo sistema informatizado de auditoria fiscal, de acordo com a legislação pertinente, a qual está descrita nos relatórios Fundamentos Legais do Débito, constantes dos autos. Por fim, devese esclarecer que não cabe a relevação da multa aplicada, por falta de previsão legal, e que eventual pedido de parcelamento deve ser formalizado junto ao setor competente, a quem cabe se pronunciar sobre o assunto. Do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a impugnação e manter o crédito tributário exigido.” Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual alega que os Auditores Fiscais laboraram em equívoco ao caracterizarem os prestadores de serviço temporários como segurados empregados. Sustenta não haver na espécie a ocorrência dos pressupostos fáticojurídicos necessários à caracterização do liame empregatício, quais sejam: não eventualidade, pessoalidade, subordinação e onerosidade. Justifica seu posicionamento com esteio na Lei n.º 8.666/1993. Advoga que o vínculo de emprego não pode ser presumido e que para que seja configurado há de se ter concomitantemente presentes no contrato de trabalho todos os requisitos previsto na Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Apresenta decisão judicial que abonaria sua tese. Ao final, protesta pela reforma do acórdão da DRJ, com consequente extinção dos créditos constantes do processo sob cuidado. É o relatório. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso não merece conhecimento, posto que não atende ao critério de tempestividade. A esse respeito, transcrevo despacho do órgão preparador, fl. 719, quando da análise dos seus aspectos formais: “DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO O contribuinte protocolou em 26/06/2012, o Recurso Voluntário constante de fls. 716 a 718, após transcorrido o prazo regulamentar que seria 20/06/2012.Diante do exposto, informo ser intempestivo o recurso apresentado.Encaminhese ao DF/CARF/MF, para prosseguimento.” Conclusão Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 724DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10882.722244/2011-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 29/02/2008, 31/03/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL.
A multa a ser aplicada em procedimento ex-officio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. O RE 582461/SP, julgado pelo STF em 18/8/2011, não trata de multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 29/02/2008, 31/03/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. A multa a ser aplicada em procedimento ex-officio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. O RE 582461/SP, julgado pelo STF em 18/8/2011, não trata de multa de ofício. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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PERCENTUAL. A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. O RE 582461/SP, julgado pelo STF em 18/8/2011, não trata de multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 22 44 /2 01 1- 83 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10882.722244/201183 Acórdão n.º 3302001.887 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado autos de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins, relativa a fatos geradores ocorridos nos dias 29/2/2008, 31/3/2008, 31/10/2008, 30/11/2008 e 31/12/2008, tendo em vista que a empresa não logrou prova, com notas fiscais idôneas, parte dos créditos das exações declaradas no DACON dos referidos períodos de apuração. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido às fls. 234/236. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Campinas SP julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 0535.667, de 7/11/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. JUROS DE MORA. SELIC. LEGALIDADE. O percentual da multa de ofício, assim como o índice usado para cálculo dos juros de mora decorrem de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastálos. Ciente desta decisão em 9/12/2011 (AR de fl. 244), a interessada ingressou, no dia 5/1/2012, com o recurso voluntário de fls. 248/259, no qual alega, em síntese, que: 1 vislumbrando a possibilidade de imprecisão nas informações do auto de infração, solicita a realização de perícia para garantir o contraditório e o devido processo legal, tendo carreado aos autos demonstrativos contábeis. Indica nome de seu perito. 2 nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, deve ser aplicado a decisão proferida pelo STF no RE 582461, julgado em 18/8/2011, “que fixou como razoável ou proporcional, o parâmetro de 20% para a fixação da multa”, para reduzir o percentual da multa de ofício aplicada de 75% para 20%. O percentual de 75% da multa lançada representa confisco. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10882.722244/201183 Acórdão n.º 3302001.887 S3C3T2 Fl. 4 3 O recurso voluntário atende às disposições legais. Dele se conhece. Trata este processo de autos de infração de PIS e de Cofins, não cumulativo, lavrado em razão da falta de comprovação dos crédito declarados pela empresa no DACON. Intimada a apresentar as notas fiscais que deram suporte aos créditos declarados no DACON, a empresa silenciou. Por continuar sem apresentar a documentação que deu suporte aos referidos créditos, a impugnação apresentada pela empresa autuada foi julgada improcedente pela DRJ em Campinas SP. Não se conformando, a empresa interessada apresentou recurso voluntário no solicita a realização de perícia e a aplicação, ao presente processo, da decisão proferida pelo STF no RE 582461/SP, julgado pelo rito do art. 543B do CPC, para reduzir a multa de ofício para o percentual de 20%. Em relação à perícia solicitada não vejo necessidade de sua realização porque o fato que ensejou a lavratura dos autos de infração foi a falta de apresentação das notas fiscais que embasaram os crédito declarados pela Recorrente no DACON. Vêse, com absoluta clareza, que não há matéria a requerer perícia para esclarecer questões de natureza contábil de difícil entendimento. Para provar o direito postulado, bastava a recorrente apresentar as notas fiscais solicitadas pela autoridade encarregada do lançamento. Pelas razões acima, entendo prescindível a realização da perícia solicitada e, com fulcro no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, indefiro o pedido da recorrente. Quanto ao mérito, a recorrente postula a redução do percentual da multa de ofício lançada de 75% para 20%, com fulcro na decisão proferida pelo STF no RE 582461/SP, cuja adoção é obrigatória pelo CARF, por força do disposto no art. 62A do seu Regimento Interno. Ocorre que o referido julgado tratou da multa moratória, devida pelo atraso no pagamento dos tributos. No caso dos tributos federais, a referida multa moratória tem o percentual máximo de 20%, conforme dispõe o § 2º, do art. 61, da Lei nº 9.430/96, em perfeita harmonia com a decisão do STF, acima referida. A multa lançada contra a recorrente é a prevista no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, com a redação da Lei nº 11.488/07, conforme consta da fundamentação legal do lançamento. Não está, portanto, este Colegiado obrigado a aplicar, ao caso concreto, a referida decisão do STF, posto que a matéria aqui tratada é completamente diversa daquela tratada no RE 582461/SP. Com relação as alegações de que a multa de ofício lançada é confiscatória e exorbitante, não cabe à autoridade administrativa, por absoluta falta de competência, conhecer referidas alegações, a teor dos arts. 97 e 102 da CF/88. Os juízos quanto ao princípio do não confisco tributário e da proporcionalidade da reprimenda em relação à falta têm como destinatário imediato o legislador ordinário e não autoridade administrativa. Estando o Fl. 355DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10882.722244/201183 Acórdão n.º 3302001.887 S3C3T2 Fl. 5 4 percentual da multa fixado em lei, cabe à Administração apenas velar pelo seu fiel cumprimento. Como se disse, a multa de ofício aplicada foi a prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/961, cuja vigência é incontestável. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001620/2008-93
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE SIMPLES
Exercício: 2005
OPÇÃO SIMPLES. IMPEDIMENTO.
Não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que se dedique à construção
de imóveis.
APLICAÇÃO DA LEI MATERIAL NO TEMPO.
A lei superveniente não alcança fatos ocorridos antes da sua eficácia, que se
regem pela lei então vigente.
EFEITO RETROATIVO.
A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no
ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza
meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de
seus efeitos.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e
jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.020
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
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ementa_s : ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2005 OPÇÃO SIMPLES. IMPEDIMENTO. Não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que se dedique à construção de imóveis. APLICAÇÃO DA LEI MATERIAL NO TEMPO. A lei superveniente não alcança fatos ocorridos antes da sua eficácia, que se regem pela lei então vigente. EFEITO RETROATIVO. A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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IMPEDIMENTO. Não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que se dedique à construção de imóveis. APLICAÇÃO DA LEI MATERIAL NO TEMPO. A lei superveniente não alcança fatos ocorridos antes da sua eficácia, que se regem pela lei então vigente. EFEITO RETROATIVO. A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Processo nº 11065.001620/200893 Acórdão n.º 180101.020 S1TE01 Fl. 68 2 (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente em Exercício Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/NHO/RS nº 14, de 10.03.2003, com efeitos a partir de 01.08.2004, fl. 45, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Motivo da exclusão: Atividade vedada (prestação de serviços no ramo da construção civil) Fundamentação legal: Lei n° 9.317, de 05.12.1996, art 9°, inciso V, c/c §4°; art 12; art. 14, inciso I; art.15, inciso II. Art. 2° A exclusão do SIMPLES surtirá os efeitos previstos nos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.317, de 1996, e suas alterações posteriores. Cientificada em 13.03.2009, fl. 46, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 13.04.2009, fls. 4748, com as seguintes alegações 1. A empresa foi comunicada em 13.03.2009 da exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições (Simples), cujo teor menciona o fato da mesma exercer atividade vedada pela legislação específica (art. 9° da Lei 9.317/96). Ocorre que a referida Lei não está mais em vigor desde 01/07/2007, tendo esta vigido som ente ate 30/06/2007, fato que nos leva a questionar a exclusão somente no momento atual. 2. A partir de 01/07/2007, data em que entrou em vigor o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES NACIONAL), criada pela Lei Complementar n° 123 de 14/12/2006, a empresa MIGROU automaticamente para o novo regime, procedimento este, efetuado pela própria Autoridade competente, e que agora manifesta a Exclusão. 3. A partir da nova legislação do SIMPLES NACIONAL (LC n° 123/2006), em vigor a partir de 01.07.2007, a Resolução CGSN n° 04 de 01.06.2007, Art. 12, parágrafo 3°, incisos X e XIII, é clara quando menciona a atividade de "serviços de reparos hidráulicos, elétricos, pintura e carpintaria em residências ou estabelecimentos civis ou empresariais..." e " construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada", respectivamente, atividade esta NÃO VEDADA e exercida pela empresa. Processo nº 11065.001620/200893 Acórdão n.º 180101.020 S1TE01 Fl. 69 3 4. Portanto, o ADE emitido, englobando dois períodos de legislações distintas, de 01/08/2004 a 30/06/2007 (quando a vigência reportavase à Lei 9317/96) e de 01/07/2007 até a presente data (vigência atual da LC n° 123/06), onde a primeira (Lei n° 9317/96) VEDA a atividade exercida pela empresa e a segunda (LC n° 123/06) ao contrário, possibilita a inclusão no SIMPLES NACIONAL de idêntica atividade, da mesma forma, deveria tratar os dois períodos distintamente. Pelas razões expostas, o contestante requer a V. Sª seja revista a decisão de EXCLUSÃO, visto que a empresa busca o tratamento correto da legislação que disciplina a matéria. N. Termos P. Deferimento Consta como resultado do Acórdão da 6ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 10 25.381, de 19.05.2010, fls. 51564: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/08/2004 SIMPLES. SOLICITAÇÃO DE INCLUSÃO RETROATIVA. ATIVIDADE VEDADA. INDEFERIMENTO. IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. A vedação ao exercício da opção pelo Simples, aplicável à atividade de construção de imóveis, abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como: a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações, pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias bem como quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Um dos princípios básicos do Direito Intertemporal é o da irretroatividade das leis, pelo qual uma lei presente ou futura não deverá atingir fatos pretéritos. Esse principio está consagrado na Carta Política de 1988, art. 5º, XXXVI, dentro dos direitos e garantias fundamentais do indivíduo. Notificada em 10.06.2010, fl. 56, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 09.07.2010, fls. 6164, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade no seguinte sentido O acórdão atacado não adotou a melhor solução ao caso em tela. Inicialmente, deve ser destacado que o fundamento para a exclusão da recorrente foi a verificação da emissão de faturas de prestação de serviços relacionados a construção civil. Entretanto, como bem colocado no acórdão recorrido, a empresa esta cadastrada no CNAE 82997/99 (outras atividades de serviços prestados principalmente as empresas não especificadas anteriormente). Ainda, no mesmo sentido, a descrição de suas atividades junto a JUCERGS é de manutenção industrial e comércio varejista de materiais de construção em geral. [...] Assim, da simples análise destes dados cadastrais da empresa, já se denota que a atividade exercida preponderantemente pela mesma não é a prestação de serviços relacionados a construção civil, como destacado no Ato Declaratório de Processo nº 11065.001620/200893 Acórdão n.º 180101.020 S1TE01 Fl. 70 4 Exclusão. Neste ponto, já é possível a verificação de que indevida a exclusão. A eventualidade da prestação de um serviço não pode acarretar no enquadramento de toda a atividade da empresa como aquela incompatível ao regramento do SIMPLES, considerada a legislação aplicável a época. Até porque, a natureza das atividades da recorrente pode requerer, em alguns casos, além da comercialização do produto, sua entrega e montagem, serviços os quais demandam remuneração. [....] Ainda, é de ser notado que as hipóteses prescritas na legislação quanto A vedação à inclusão no SIMPLES (art. 9° da Lei 9.317/96) não faz qualquer menção As atividades da requerente, decorrente o entendimento do ADE unicamente de Resolução expedida de Administração. Neste ponto, vejase que a disposição constitucional quanto à necessidade de tratamento diferenciado As empresas de pequeno porte faz expressa menção A necessidade de lei para sua instituição. [...] [...] Deste modo, em não havendo qualquer previsão legal a embasar a exclusão da autora do SIMPLES, fere as disposições constitucionais atinentes ao tema o ADE expedido pela DRF/NHO. Ainda, não apenas o dispositivo acima transcrito resta violado, como o próprio principio da legalidade tributária (art. 150, I da CF), vez que ao ser excluída do SIMPLES, sem qualquer previsão legal, a conseqüência é a majoração da carga tributária imposta à recorrente, sem qualquer disposição normativa neste sentido. Na verdade, em sentido diametralmente inverso deveria ser o entendimento da Administração, uma vez que a empresa atende a todos os requisitos necessários a sua manutenção no SIMPLES e, A margem da Constituição e da Lei, resta excluída do sistema de tratamento privilegiado de tributação. A corroborar a fundamentação acima exposta, vejase que posteriormente a edição da Lei Complementar no 123/06, na esteira do que dispunha a legislação antiga, foi editada a Resolução CGSN 04/2007 a qual, expressamente, dispõe que a atividade de prestação de serviços, nos moldes corno eventualmente levado a efeito pela recorrente, não veda a opção pelo SIMPLES NACIONAL. [...] Assim, concluise que para o deslinde pra presente questão não se pretende qualquer aplicação de legislação anteriormente A. sua vigência. Tratase da aplicação da legislação vigente, com base nos comandos constitucionais, notadamente quanto à necessidade de lei para reger o sistema de tratamento diferenciado prescrito no art. 179 da CF, o que restou flagrantemente violado pela indevida exclusão da recorrente, sem qualquer disposição legal a embasar o ato declaratório. Conclui Isto posto, REQUER seja recebido o presente recurso, sendo reformado o acórdão n° 1025.381 da 6a Turma da DRJ/P0A, de modo a ser acolhida a manifestação de inconformidade da recorrente, no sentido de ser revista a decisão de exclusão da mesma do SIMPLES, nos termos do ADE DRF/NHO n° 14/2009. Nestes Termos, Pede Deferimento É o Relatório. Voto Processo nº 11065.001620/200893 Acórdão n.º 180101.020 S1TE01 Fl. 71 5 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente menciona que o procedimento não poderia ter sido formalizado. A pessoa jurídica optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio alteração cadastral no prazo previsto em lei, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo administrativo fiscal1. Por esta razão foi exarado de forma regular o Ato Declaratório Executivo DRF/NHO/RS nº 14, de 10.03.2003, com efeitos a partir de 01.08.2004, fl. 45 por incorrer em circunstância excludente. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. A Recorrente defende que a norma que fundamenta o procedimento está revogada. No ordenamento jurídico vigora o princípio da irretroatividade da lei, como limitador ao direito de poder de tributar, salvo disposição normativa em contrário. Por esta razão o procedimento de exclusão sempre deve se reportar à data da ocorrência da situação impeditiva e se rege pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. No período de 01.01.1997 a 30.06.2007, relativo ao ato contestado, o Simples produziu validamente efeitos. A partir de 01.07.2007 começa a vigorar o regime diferenciado de cumprimento de obrigações principais e acessórias de tributos de todos os entes políticos, que não alcança fatos ocorridos antes da sua eficácia, por ser a eles superveniente2. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da exclusão do Simples. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação por expressa previsão legal. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas. A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da RFB que jurisdicione a pessoa jurídica optante, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a 1 Fundamentação legal: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 13 e art. 14 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. 2 Fundamentação legal: alínea "a" do inciso III do art. 150 da Constituição Federal, art. 30 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e art. 88 e art. 89 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Processo nº 11065.001620/200893 Acórdão n.º 180101.020 S1TE01 Fl. 72 6 imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência e de sua validade3. A exclusão de ofício tem cabimento no caso de pessoa jurídica obter receita bruta decorrente de circunstância impeditiva. O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis. Compreendese na atividade de construção de imóveis a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo, afasta a prestação de serviços exclusiva de reflorestamento. Abrange também as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como a construção, a demolição, a reforma e a ampliação de edificações, as sondagens, as fundações e as escavações, a construção de estradas e de logradouros públicos, a construção de pontes, de viadutos e de monumentos, a terraplenagem e a pavimentação, bem como a pintura, a carpintaria, as instalações elétricas e hidráulicas, a aplicação de tacos e azulejos e a colocação de vidros e esquadrias. Vale lembrar que deve ser excluída deste rol exemplificativo a pertença, que é um bem móvel, acessório, individual e autônomo destinado facilitar o uso do bem principal imóvel. Como não é fundamental para este, aquele pode ser retirado sem lhe alterar a substância, ou seja, não incorpora ao solo nem ao subsolo. Toda obra para ser considerada como de engenharia, de arquitetura ou de agronomia depende, para sua legalidade, da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) correspondente ao registro do contrato de prestação de serviços4. A hipótese de exclusão de ofício do Simples fundamentada na atividade de construção de imóveis, pressupõe a obtenção de receita proveniente da atividade vedada, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica. Tem cabimento o exame da situação fática. No Contrato de Prestação de Serviços acordado entre a Contratada/Recorrente e a Contratante/Bunge Fertilizantes S/A, está assinalado, fls. 0509 1. Objeto [...] A CONTRATADA obrigase a prestar à CONTRATANTE serviços de reforma dos banheiros e vestiário masculino, que serão prestados no estabelecimento da CONTRATANTE, indicado no preâmbulo do presente contrato, conforme orçamento s/n. ° de 28/06/2004, que rubricado pelas partes integra o presente instrumento. 3 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de1997, Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 32, de 22 de dezembro de 2004, art. 93 do Código Civil, Lei nº 6.496, de 07 de dezembro de 1977 e Ato Declaratório Normativo da Cosit nº 30, de 14 de outubro de 1999. Processo nº 11065.001620/200893 Acórdão n.º 180101.020 S1TE01 Fl. 73 7 1.2. Os serviços objeto do presente contrato serão executados por empregados da CONTRATADA, por ela devidamente registrados nos termos da Consolidação das Leis do Trabalho — CLT. [...] 4. Obrigações da Contratada [...] apresentar a,Contratante, se for o caso, antes do início dos serviços, cópia da 4º via da ART Anotação de Responsabilidade Técnica, conforme previsto na Lei Federal 6496/77, comprovando o recolhimento da taxa junto ao CREA Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. Nesse documento deverão ser observadas todas as informações necessárias ao seu completo preenchimento, deixando evidenciado, a responsabilidade do engenheiro pela Direção da Obra e Execução da Obra, além das demais classificações de responsabilidades atribuídas no presente contrato; No Contrato de Prestação de Serviços ajustado entre a Contratada/Recorrente e a Contratante/Unifertil S/A está registrado, fls. 1012 1. Objeto [...] A CONTRATADA obrigase a prestar à CONTRATANTE, o serviços de reparos e coloca;ao e troca de telhas no telhado dos pavilhões, localizados na unidade industrial da CONTRATANTE descrita no preâmbulo do presente contrato, conforme proposta, que rubricada pelas partes integra o presente contrato. Na Carta de Autorização nº 4500256251 emitida pela Petrobrás Transporte S/A para a Recorrente consta, fls. 1315 3. Objeto: Execução de pequenos serviços de manutenção predial e pintura no Terminal de Niterói — TENIT, pertencente ao TA/RS. No Contrato de Prestação de Serviços acordado entre a Contratada/Recorrente e a Contratante/Bunge Fertilizantes S/A, está assinalado, fls. 1620 2. Objeto Prestação de serviços de manutenção civil, pela CONTRATADA a CONTRATANTE, mediante solicitação da CONTRATANTE, através dos Pedidos que farão parte integrante do presente contrato. As Notas Fiscais de Serviços emitidas pela Recorrente correspondentes aos contratos mencionados estão juntadas às fls. 2137. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova pela defesa, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. A Recorrente discorda do efeito retroativo da exclusão. A norma trata o ato da exclusão do Simples como declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente expressamente prevista em lei, permitindo a retroação de seus efeitos, independentemente se efetuado por comunicação da pessoa jurídica ou de ofício. Tendo em vista a falta do procedimento voluntário, a exclusão de ofício deve ser efetivada por ato declaratório da autoridade fiscal que jurisdicione o sujeito passivo, assegurado o Processo nº 11065.001620/200893 Acórdão n.º 180101.020 S1TE01 Fl. 74 8 contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal. No caso constatada uma das situações excludentes, os efeitos da exclusão dáse a partir de 01.08.2004. A partir da data dos efeitos do ato, a pessoa jurídica fica sujeita às demais normas de tributação. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1124507/MG5, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16.06.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF6. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso7. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade8. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1124507/MG. Ministro Relator: Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de abril de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=9771400&sReg=20090029627 7&sData=20100506&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 6 Fundamentação legal: art. 12, art. 13, art. 14, art. 15 e art. 16 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 56. 7 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2.
score : 1.0
Numero do processo: 10166.000574/2008-12
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
São pressupostos de admissibilidade dos embargos de declaração a existência de obscuridade, omissão ou contradição entre a parte dispositiva e os fundamentos do acórdão ou omissão do colegiado quanto ao enfrentamento de tema a ele submetido.Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2802-001.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso que acolhia os Embargos de Declaração. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 18 de outubro de 2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso que acolhia os Embargos de Declaração. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 18 de outubro de 2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 05 74 /2 00 8- 12 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Trata o presente de exame de admissibilidade de Embargos de Declaração interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, às fls. 56 a 58, de forma tempestiva, contra o Acórdão nº 2802001.199, proferido em sessão de 29 de novembro de 2011, por esta 2ª Turma Especial, fls. fls. 596/597, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 Ementa: ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericialemitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso provido. A Procuradoria da Fazenda Nacional, com fulcro no artigo 65, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, Portaria MF nº 256/09, argumenta que houve omissão uma vez que o Colegiado deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração por considerar restarem comprovados os requisitos para gozo da isenção do IRPF a que faz jus o portador de moléstia grave.Todavia, deixou a Turma de analisar ponto relevante para o deslinde da controvérsia, a saber: a data do início do benefício fiscal Assim recorre a Fazenda Nacional: “Pois bem. No caso ora sob análise extraise, a partir do laudo médico de fls. 42/43, que o autuado é portador de neoplasia maligna desde junho de 2003. Temse, portanto, s.m.j., que o interessado só pode usufruir da isenção a partir da contração da doença, o que, segundo o laudo médico supracitado, ocorreu em junho de 2003. É a síntese dos fatos. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora Da análise dos fatos suscitados, entendo, pela leitura do acórdão embargado que a recorrente cometeu um equívoco, pois o colegiado considerou, com base no laudo médico fls. 39, que o contribuinte é portador de neoplasia maligna, desde junho de 2003. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.000574/200812 Acórdão n.º 2802001.585 S2TE02 Fl. 82 3 Quanto aos rendimentos referentes aos meses de janeiro, fevereiro, março, abril e maio de 2003, confrontando a DIRF fls. 26, com a Declaração de Ajuste apresentada pelo contribuinte para o Exercício 2004 (Nº processamento. 01/34.928.601) fls. 23, constatase que tais rendimentos foram devidamente tributados. Verifico, assim, que inexiste a omissão levantada no acórdão recorrido. Destarte, encaminho o meu voto no sentido de rejeitar os embargos interpostos. Brasília/DF, Sala de Sessões, 16 de maio de 2012. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 62DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10880.720983/2008-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994
INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA.
Em se tratando de pagamento indevido ou maior que o devido, nos termos do art. 165, I, c/c art. 168, I, do CTN, cujos pedidos de restituição ou compensação tenham sido efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº LC 118/05 (09.06.2005), relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplica-se o prazo previsto na legislação anterior, no caso, a tese dos 5+5 consagrada pelo E. STJ.
SEMESTRALIDADE DA BASE DE CALCULO DO PIS/PASEP. SÚMULA CARF Nº 15. De acordo com a Súmula nº 15, do CARF, o art. 6º da LC nº 7/70, trata de base de cálculo e não prazo de pagamento.
Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
Reconhecidos créditos financeiros a favor do contribuinte, cabe à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais, até o limite do montante dos créditos financeiros apurados.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3301-001.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Assinatura Digital
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
Assinatura Digital
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Em se tratando de pagamento indevido ou maior que o devido, nos termos do art. 165, I, c/c art. 168, I, do CTN, cujos pedidos de restituição ou compensação tenham sido efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº LC 118/05 (09.06.2005), relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplicase o prazo previsto na legislação anterior, no caso, a tese dos 5+5 consagrada pelo E. STJ. SEMESTRALIDADE DA BASE DE CALCULO DO PIS/PASEP. SÚMULA CARF Nº 15. De acordo com a Súmula nº 15, do CARF, o art. 6º da LC nº 7/70, trata de base de cálculo e não prazo de pagamento. Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO Reconhecidos créditos financeiros a favor do contribuinte, cabe à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais, até o limite do montante dos créditos financeiros apurados. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 09 83 /2 00 8- 55 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Assinatura Digital Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Assinatura Digital Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face da decisão da DRJ de São Paulo, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Contribuinte, ora Recorrente, sobre os pedidos de restituição requerido em 25/03/04 (fl. 02), cumulado com declaração de compensação, relativamente ao PIS/Pasep dos anoscalendários 1988 a 1995, cujo recolhimento se deu por força dos inconstitucionais Decretosleis nº 2.445/88 e 2.449/88, conforme sintetiza a ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Pedido de restituição apresentado em papel deve ser considerado não formulado, tendo em vista que este pedido deveria ser transmitido em forma eletrônica. COMPENSAÇÃO EM DCTF. A compensação informada em DCTF que for indeferida permite a imediata cobrança dos respectivos débitos, tendo em vista que a DCTF é instrumento de confissão de divida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Para melhor clareza dos assuntos discutidos no presente processo peço vênia para transcrever os seguintes trechos do relatório da decisão recorrida: 3. No que tange à decisão que considerou não formulado o Pedido de Restituição e não convalidadas parte das compensações foi facultada a apresentação de recurso ao Superintendente Regional da Receita Federal do Brasil. 4. Especificamente quanto a esta parte da decisão o contribuinte apresentou recurso de fls. 1.103/1.122, em 08/05/08, alegando em síntese: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10880.720983/200855 Acórdão n.º 3301001.629 S3C3T1 Fl. 1.605 3 4.1.em 1992, objetivando não recolher o PIS nos moldes dos Decretoslei nºs 2.445/88 e 2.448/88, ingressou com Medida Cautelar n° 92.0077126 e Ação Declaratória n° 92.00869589; 4.2.em 14/04/99 transitou em julgado decisão que declarou a inexistência de relação jurídica nos moldes dos Decretoslei nºs 2.445/88 e 2.448/88, cabendo ao contribuinte recolher o PIS com base na Lei Complementar n° 07/70; 4.3.assim, passou a ostentar crédito em face da União, pois recolheu o PIS com base nos Decretoslei nºs 2.445/88 e 2.448/88; 4.4.este crédito foi compensado com débitos vincendos de PIS, COFINS e IRPJ; 4.5.em 25/03/04, apresentou Pedido de Restituição, em papel, pois além da decisão judicial transitada em julgado pleiteava os expurgos inflacionários, pedido este que não poderia ser efetuado por meio eletrônico; Merece destacar, ainda, o trecho a seguir constante do voto condutor do acórdão: 29. Tendo em vista que os pagamentos a maior ocorreram entre 1988 e 1995 (fl. 09) qualquer restituição referente a estes pagamentos já teriam sido atingidos pela decadência, quando da protocolização do Pedido de Restituição que ocorreu em 25/03/04 (fl. 02). 30. A única exceção seria o "montante" reconhecido por decisão judicial que teve seu trânsito apenas em 12/04/99 (fl. 534), portanto não atingido pela decadência. 31. Tendo em vista que a decisão judicial que favoreceu o contribuinte somente afastava a aplicação dos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88 que deveriam ser substituídos pela Lei complementar n° 07/70, observase que tanto a aplicação dos expurgos inflacionários bem como a aplicação da tese da semestralidade não foram objeto de análise pelo Poder Judiciário. Destarte, estas matérias teriam sido atingidas pela decadência. Cientificada em 13/01/2010 (AR – fl. 1580) foi interposto o recurso voluntário de fls. 1581 e seguintes, em 03/02/2010, onde a Recorrente aduz, em síntese, que obteve o direito de recolher o PIS/Pasep com base na Lei Complementar nº 7/70, e não de acordo com o que determinava os inconstitucionais Decretosleis nºs 2.445/88 e 2.449/88, conforme decisão judicial com o devido trânsito em julgado, devendo serem homologadas as compensações declaradas, levandose em consideração a semestralidade da base de cálculo e ainda os expurgos inflacionários, conforme reiterada jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes (CARF). Alega, ainda, haver ocorrido a homologação tácita das compensações declaradas, relativo ao PIS vencido entre 15 de fevereiro a 15 de outubro de 2002, o que demonstra que a cobrança respectiva é totalmente impertinente. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Não bastasse a conclusão da homologação tácita dos pedidos de compensação, é de se nota que a pretensão da Autoridade Fiscal em não acolher a extinção dos créditos tributários do PIS, entre Janeiro e Setembro de 2002 decaiu, visto que os atos respectivos não foram adotados dentro do prazo de cinco anos, estipulados em lei. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase de acordo com as formalidades legais pertinentes, devendo o mesmo ser conhecido. Embora a ementa do acórdão é no sentido de não considerar formulado o pedido de restituição, pelo fato de ter sido feito em papel, quando deveria ter sido formulado em meio eletrônico, a decisão recorrida analisou o mérito do pleito, o que foi feito da seguinte forma (fls. 1571/1572): 27. De pronto, podemos separar o Pedido de Restituição em duas matérias. A primeira é a aplicação da sentença judicial transitada em julgado e a segunda são matérias que não foram levadas ao crivo do Poder Judiciário. 28. Por que esta distinção é importante? 29. Tendo em vista que os pagamentos a maior ocorreram entre 1988 e 1995 (fl. 09) qualquer restituição referente a estes pagamentos já teriam sido atingidos pela decadência, quando da protocolização do Pedido de Restituição que ocorreu em 25/03/04 (fl. 02). 30. A única exceção seria o "montante" reconhecido por decisão judicial que teve seu trânsito apenas em 12/04/99 (fl. 534), portanto não atingido pela decadência. 31. Tendo em vista que a decisão judicial que favoreceu o contribuinte somente afastava a aplicação dos Decretoslei nºs 2.445/88 e 2.449/88 que deveriam ser substituídos pela Lei complementar n° 07/70, observase que tanto a aplicação dos expurgos inflacionários bem como a aplicação da tese da semestralidade não foram objeto de análise pelo Poder Judiciário. Destarte, estas matérias teriam sido atingidas pela decadência Assim sendo, superada a questão quanto à forma do pedido de restituição, claro está que remanescem para discussão os seguintes pontos: a) decadência do direito à restituição; b) semestralidade da base de cálculo do PIS/Pasep; c) expurgos inflacionários; e, d) homologação das compensações até o limite dos créditos reconhecidos. Em relação ao prazo decadencial destinado à repetição do indébito de PIS/Pasep, entendo assistir parcialmente razão à Recorrente, porquanto, o pedido de restituição ocorreu em 25/03/2004 (fl.02), sobre os fatos geradores ocorridos nos anoscalendários 1988 a 1995, cujos recolhimentos se deram por força dos inconstitucionais Decretosleis nº 2.445/88 e Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10880.720983/200855 Acórdão n.º 3301001.629 S3C3T1 Fl. 1.606 5 2.449/88, cabendo ao contribuinte recolher o PIS/Pasep com base na Lei Complementar n° 07/70. No caso encontramse decaídas ao direito de repetir ou compensar, os recolhimentos ocorridos até fevereiro de 1994, aplicandose a tese dos 5+5, de acordo, inclusive, com recente decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE nº 566.621, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, no qual foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar nº 118, de 2005, que determinava a aplicação retroativa do seu artigo 3º – norma que, ao interpretar o artigo 168, I, do Código Tributário Nacional (CTN), fixou em cinco anos, desde o pagamento indevido, o prazo para o contribuinte buscar a repetição de indébitos tributários relativamente a tributos sujeitos a lançamento por homologação, e, em relação aos pleitos anteriores à vigência da novel LC, deve ser aplicada a sistemática anterior, qual seja, 10 (dez) anos contados da data do fato gerador. A decisão do E. STF, é assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe 195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) Logo, como a novel Lei Complementar entrou em vigor em 09/06/2005, por força do art. 4º da LC, na data do pedido de repetição/compensação ainda era aplicável a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador (“tese dos cinco mais cinco”). Assim, claro está que no presente caso, o direito ao pleito de restituição dos valores recolhidos a maior, em virtude dos inconstitucionais Decretoslei nºs 2.445/88 e 2.449/88, foi fulminado parcialmente pela decadência, remanescendo os fatos geradores a partir de março de 1994, inclusive. Outro ponto que enseja uma decisão, é quanto à semestralidade da base de cálculo do PIS/Pasep, em face da inconstitucionalidade dos Decretosleis nº 2.445/88 a 2.449/88, devendo ser aplicada a Súmula CARF nº 15, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Assim sendo, deve ser assegurado o direito à Recorrente, quanto ao indébito decorrente da aplicação da sistemática da semestralidade da base de cálculo do PIS/PASEP, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de até 10 (dez) anos anteriores ao pedido de restituição oposto em face do Poder Judiciário, o que ocorreu 1992, alcançando todo o período em que vigoraram os referidos Decretosleis nº 2.445/88 e 2.449/88. Igualmente, assiste razão à Recorrente quanto à atualização do indébito, isto é, Taxa Selic, a partir de janeiro de 1996 e expurgos inflacionários, acompanhando entendimento já seguido por outra Câmara desta colenda Terceira Seção, cuja ementa e decisório a seguir reproduzidos, in verbis: 320200.122 Acórdão Número do Processo: 11831.000472/200195 Órgão Julgador: Segunda Câmara/Terceira Seção De Julgamento Data da Sessão: 25/05/2010 Relator(a): Ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1990 a 31/10/1991 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial para que seja aplicada nos valores a serem compensados a taxa SELIC a partir de 10 de janeiro de 1.996 e os expurgos inflacionários, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro José Luiz Novo Rossari que negava Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10880.720983/200855 Acórdão n.º 3301001.629 S3C3T1 Fl. 1.607 7 provimento contra a taxa SELIC (Ac. nº 320200.122, julgado na sessão de 25/05/2010). (extraído do sitio eletrônico do CARF <http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurispr udencia/consultarJurisprudenciaCarf.jsf>, em 13/09/2012). Igualmente decidiu a CSRF: CSRF/0105.953 Acórdão Número do Processo: 10675.001424/200363 Órgão Julgador: Primeira Turma/Câmara Superior de Recursos Fiscais Data da Sessão: 11/08/2008 Relator(a): Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1996 COMPENSAÇÃO EXPURGOS INFLACIONÁRIOS A correção de indébitos tributários relativos a março, abril e maio de 1990 deve levar em conta os índices já pacificados pela jurisprudência, não contemplados na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08/97. Recurso especial negado. Decisão: Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Luciano de Oliveira Valença e Antonio Praga que deram provimento ao recurso para confirmar a aplicação dos índices de correção monetária oficiais na atualização dos créditos. Fez sustentação oral o advogado da contribuinte Dr. Anete Mair Maciel Medeiros OAB/DF 15787. (extraído do sitio eletrônico do CARF <http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisp rudencia/consultarJurisprudenciaCarf.jsf>, em 13/09/2012). Esse entendimento está de acordo com a jurisprudência do colendo Superior Tribunal de Justiça (STJ), inclusive em sede de recursos repetitivos, de reprodução obrigatória nos julgamentos do CARF, por força do art. 62A do RICARF: PROCESSO CIVIL. AÇÃO RESCISÓRIA. FGTS. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. PLANOS BRESSER (JUN/87) E COLLOR I (MAIO/90). AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR. PLANO COLLOR II (FEV/91). PROCEDÊNCIA. ADEQUAÇÃO DO JULGADO À JURISPRUDÊNCIA DO STJ PACIFICADA NOS TERMOS DO ART. 543C DO CPC. 1. A ação rescisória foi ajuizada para revisar os índices relativos aos expurgos inflacionários incidentes sobre a conta vinculada ao FGTS do réu. 2. No caso, o Supremo Tribunal Federal afastou a incidência da Súmula 343/STF, superando a fase do juízo rescindendo, restando o exame do pleito rescisório. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 8 3. Quanto aos índices correspondentes ao Plano Bresser (jun/87) e Collor I (maio/90), a autora carece do interesse de agir, uma vez que, no primeiro caso, o expurgo não foi inserido pelo decisum rescindendo e, no segundo, foi utilizado índice mais favorável à autora qual seja 2,49% ao invés dos 5,38% requeridos na inicial. 4. No atinente ao mês de fevereiro/1991, a rescisória deve ser julgada procedente para adequar o acórdão impugnado à jurisprudência do STJ pacificada no julgamento do REsp 1.111.201/PE, submetido ao rito dos recursos repetitivos, devendo a correção monetária ser realizada com base na TR, no percentual de 7%. Precedentes da Primeira Seção. 5. Processo extinto sem resolução do mérito em relação aos índices de correção monetária dos meses de junho 1987 e maio de 1990 e ação rescisória procedente quanto ao período de fevereiro de 1991. (AR 1.925/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/08/2012, DJe 30/08/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO PAGA A ADMINISTRADORES, AUTÔNOMOS E AVULSOS. PRESCRIÇÃO. SISTEMÁTICA DOS CINCO MAIS CINCO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS. JUROS COMPENSATÓRIOS. INDEVIDOS. SELIC. 01.01.1996. 1. Extinguese o direito de pleitear a restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação não sendo esta expressa somente após o transcurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais cinco anos contados da data em que se deu a homologação tácita (EREsp 435.835/SC, julgado em 24.03.04). 2. Na sessão do dia 06.06.07, a Corte Especial acolheu a arguição de inconstitucionalidade da expressão "observado quanto ao art. 3º o disposto no art. 106, I, da Lei n. 5.172/1966 do Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05 (EREsp 644.736PE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki). 3. Esse entendimento foi ratificado no julgamento do REsp 1.002.932/SP, Rel. Min. Luiz Fux (DJe de 18.12.09), submetido ao colegiado pelo regime da Lei nº 11.672/08 (Lei dos Recursos Repetitivos), que introduziu o art. 543C no CPC, quando se ressaltou que: (a) "em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002 (...))"; e (b) o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10880.720983/200855 Acórdão n.º 3301001.629 S3C3T1 Fl. 1.608 9 recolhimento indevido se ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica. 4. A compensação no âmbito do INSS, antes do advento da Lei 11.457/07, era permitida na forma disposta no art. 66, § 1º, da Lei 8.383/91 c/c o art. 39 da Lei 9.250/95, isto é, entre tributos e contribuições distintas, desde que da mesma espécie e apresentassem a mesma destinação orçamentária. Não há, portanto, autorização legal para a compensação dos valores indevidamente recolhidos pelo contribuinte com débitos relativos ao salárioeducação e ao SAT. 5. A partir do julgamento do REsp 796.064/RJ, Rel. Min. Luiz Fux (DJe de 10.11.08), a Primeira Seção consolidou o entendimento de que a compensação do indébito tributário, ainda que decorrente da declaração de inconstitucionalidade da exação, submetese às limitações impostas pelas Leis 9.032/95 e 9.129/95. Precedentes. 6. É firme o posicionamento, na Primeira Seção deste STJ, acerca dos indexadores e expurgos inflacionários a serem aplicados nas ações de compensação ou repetição de indébito tributário, de que devem ser utilizados os indicados no Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução 561/CJF, de 02.07.07, do Conselho da Justiça Federal, quais sejam: a) a ORTN de 1964 a fevereiro/86; b) a OTN de março/86 a dezembro/88; c) a BTN de março/89 a fevereiro/90; d) o IPC, nos períodos de janeiro e fevereiro/89 e março/90 a fevereiro/91; e) o INPC de março a novembro/1991; f) o IPCA série especial em dezembro/91; g) a UFIR de janeiro/1992 a dezembro/1995; h) a Taxa SELIC a partir de janeiro/96. 7. Esta Corte pacificou o entendimento de que não houve expurgo inflacionário no período do Plano Real. Precedentes. 8. São descabidos juros compensatórios na repetição de indébito e na compensação de tributos. Precedentes. 9. "Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária" (REsp 1.111.175/SP, Rel. Min. Denise Arruda, DJe de 10.09.09, submetido ao colegiado pelo regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08). 10. Recurso especial provido em parte. (REsp 1110310/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/06/2011, DJe 01/07/2011) TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRESCRIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PROVA DA NÃOREPERCUSSÃO. DESNECESSIDADE. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 10 INCIDÊNCIA. MATÉRIA PACIFICADA SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC. 1. Quanto ao argumento de que a compensação não seria possível, em virtude da ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado, a questão não foi enfrentada pela Corte de origem, estando ausente o requisito do prequestionamento. Aplicação da Súmula 211/STJ. 2. A Primeira Seção desta Corte, no REsp nº 1.002.932/SP submetido ao colegiado pelo regime da Lei nº 11.672/08 (Lei dos Recursos Repetitivos), concluiu que, "em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028 do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.")." 3. Mesmo em se tratando de tributo declarado inconstitucional, tanto pela via do controle concentrado como do difuso com resolução do Senado suspensiva da execução da norma o prazo prescricional, nas compensações ou restituições referentes a tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve ser contado com base na sistemática dos "cinco mais cinco". Precedente. 4. A contribuição social, criada pelo artigo 3º, inciso I, da Lei n. 7.789/89, e mantida pela Lei n. 8.212/91, é tributo direto, sendo desnecessária a comprovação de que não houve repasse do respectivo encargo financeiro 5. Os expurgos inflacionários também incidem na compensação e servem para recompor o valor real da moeda, razão pela qual não configuram enriquecimento sem causa do contribuinte. Matéria pacificada com base na sistemática dos recursos repetitivos. 6. Recurso especial conhecido em parte e não provido. (REsp 1122802/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2011, DJe 25/03/2011) TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO COM COFINS E CSSL. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEIS NºS 8.383/91 E 9.430/96. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER REQUERIMENTO DO CONTRIBUINTE PROTOCOLADO NA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. EXPURGOS. ÍNDICES. PRAZO PRESCRICIONAL. LEI INTERPRETATIVA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DATA DO PAGAMENTO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LC 118/2005. EFICÁCIA RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10880.720983/200855 Acórdão n.º 3301001.629 S3C3T1 Fl. 1.609 11 TEMA JÁ ANALISADO NA NOVEL SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. (RESP N. 1.002.932/SP). HONORÁRIOS. 1. In casu, a demanda foi ajuizada em 16.3.01, na qual pleiteia a recorrente a compensação de valores recolhidos indevidamente a título de FINSOCIAL com outros tributos. À época do ajuizamento da demanda, vigia a Lei n. 9.430/96, sem as alterações levadas a efeito pela Lei n. 10.637/02, sendo admitida a compensação entre quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, desde que atendida a exigência de prévia autorização daquele órgão em resposta a requerimento do contribuinte, que não podia efetuar a compensação por conta própria. 2. Ao julgar a lide, a instância ordinária não aludiu a existência de qualquer requerimento do contribuinte protocolado na Secretaria da Receita Federal. Dessa forma, sem afetar o direito a repetição de indébito dos contribuintes, não é possível reconhecer a possibilidade da compensação da referida taxa com outros tributos, ressalvandose o direito da parte autora de proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos pertinentes. 3. "A jurisprudência do STJ firmouse pela inclusão dos expurgos inflacionários na repetição de indébito, utilizandose seguintes índices de correção monetária aplicáveis desde o recolhimento indevido: IPC, de outubro a dezembro/89 e de março/90 a janeiro/91; o INPC, de fevereiro a dezembro/91, e a UFIR, a partir de janeiro/92 a dezembro/95, observados os respectivos percentuais: janeiro/1989 (42,72%), fevereiro/1989 (10,14%), março/1990 (84,32%), abril/1990 (44,80%), maio/90 (7,87%) e fevereiro/1991 (21,87%)" (REsp 882920/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/06/2008, DJe 13/08/2008) 4. A Primeira Seção desta Corte, no dia 25.11.2009, quando do julgamento do REsp n. 1.002.932/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux, pela sistemática do art. 543C, do CPC, introduzido pela Lei dos Recursos Repetitivos, afirmou a jurisprudência já adotada por esta Corte no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, na sistemática anterior à LC n. 118/05, o prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, mas sim na data da homologação expressa ou tácita do lançamento. Nesse sentido, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento, antes é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. 5. Vencida a Fazenda Pública, a fixação da verba honorária não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado, como base de cálculo, tanto o valor da causa, quanto o valor da condenação, ou mesmo um valor determinado pelo Fl. 11DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 12 julgador, nos termos do art. 20, § 4.º, do CPC o que não quer dizer que a fixação da verba honorária deve, obrigatoriamente, ser fixada por apreciação equitativa do juiz. 6. A revisão dos honorários, feita com base na análise das circunstâncias fáticas do caso, necessitaria o reexame do acervo fáticoprobatório. Portanto, tal reexame tornase inviável ao STJ face o impedimento prescrito na sua Súmula 7. 7. Recurso especial da União parcialmente provido para determinar que a compensação dos valores pagos indevidamente a título de FINSOCIAL somente seja realizada com parcelas da COFINS. 8. Recurso especial da Fotomática do Brasil Representações Ind. Com. Ltda.. não provido. (REsp 1045200/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/04/2010, DJe 05/05/2010) Caso o direito da contribuinte não tivesse sido fulminado parcialmente pela decadência, a mesma teria direito aos expurgados inflacionários, de acordo com remançosa jurisprudência do colendo STJ, todavia, como o direito da contribuinte não foi decaído quanto aos fatos geradores ocorridos a partir de março de 1994, inclusive, a atualização monetária do indébito em questão deverá ser efetuada mediante a aplicação UFIR, até dezembro/95 e, a partir de 01.01.1996, será corrigido à taxa SELIC até o mês anterior ao da restituição, acrescido de 1% relativamente ao mês em que for efetuada, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Por fim, reconhecidos créditos financeiros a favor do contribuinte, cabe à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais, até o limite dos créditos apurados. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, a fim de reconhecer o direito à repetição/compensação do indébito relativo aos fatos geradores ocorridos a partir de março de 1994, inclusive, reconhecendose a semestralidade da base de cálculo do PIS/Pasep, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 7/70, sem correção monetária, devendo ser homologadas as compensações até o limite do crédito apurado pela Unidade de Origem. Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2012 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 12DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 13671.000131/2003-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/1998 a 31/05/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NECESSIDADE DE SANEAMENTO.
Caracterizada a omissão [falta de indicação do resultado da votação], de se acolher os embargos para saneá-la, sem efeitos infringentes.
Embargos acolhidos parcialmente sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3401-002.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração e rerratificar o Acórdão de modo que em seu resultado conste: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relatório. Vencido o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, que admitia os embargos também na parte em que apontada a omissão quanto à declaração do vício do auto de infração, se forma ou material.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1998 a 31/05/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NECESSIDADE DE SANEAMENTO. Caracterizada a omissão [falta de indicação do resultado da votação], de se acolher os embargos para saneála, sem efeitos infringentes. Embargos acolhidos parcialmente sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração e rerratificar o Acórdão de modo que em seu resultado conste: “ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relatório. Vencido o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, que admitia os embargos também na parte em que apontada a omissão quanto à declaração do vício do auto de infração, se forma ou material. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 1. 00 01 31 /2 00 3- 97 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs tempestivamente embargos de declaração contra o Acórdão nº 340101.815, de 23 de maio de 2012, de minha relatoria, apontando omissão na parte relativa ao resultado do julgamento, vez que nela constara, verbis: “ACORDAM os membros do Colegiado, [Tabela de Resultados]”. Além disso, reclamou da ausência, no voto condutor, de uma declaração acerca da natureza do vicio que maculou o “processo administrativo”, argumentando depender de tal informação para fins de execução do julgado, tendo em vista os termos do caput do art. 173 do Código Tributário Nacional. No essencial, é o Relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13671.000131/200397 Acórdão n.º 3401002.027 S3C4T1 Fl. 211 3 Voto Conselheiro Relator Odassi Guerzoni Filho A Ata da Sessão de julgamento do dia 12 de maio de 2012, indica que o resultado do julgamento foi: “Por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso nos termos do voto do relator.”, de sorte que era esse o resultado que deveria ter constado do Acórdão. Por outro lado, e diferentemente do que constou dos embargos, este Relator não “entendeu nulo o presente processo administrativo fiscal”, mas, sim, entendeu nulo o auto de infração, e isso se deu, de forma claramente evidenciada no voto, pela falta de motivação. Aí está, portanto, a declaração da natureza do vício que maculou o lançamento, cabendo à Procuradoria da Fazenda Nacional ou à Administração Tributária, e não à Turma, a classificação do vício apontado acima como “material” ou “formal”, para os fins de execução do julgado e tendo em vista o disposto no inciso II do artigo 173, do Código Tributário Nacional1 Conclusão Pelo exposto, de se admitir os embargos apenas para rerratificar o resultado do julgamento que passa a ser: “ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.” Odassi Guerzoni Filho, Relator. 1 Art. 173 — 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II — da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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