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Numero do processo: 11522.000918/2010-66
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 26/08/2010
NULIDADE. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIOS, PLANILHAS, TABELAS QUE EXPÕE DE FORMA CLARA, OBJETIVA E PRECISA A INFRAÇÃO PRATICADA PELA RECORRENTE. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CLARA. OBJETIVA E ADEQUADA. LANÇAMENTO LASTREADO EM VIOLAÇÃO À LEI. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E GARANTIAS LEGAIS RESPEITADAS. CÁLCULO DA MULTA. APLICAÇÃO DA MULTA MÍNIMA DA ÉPOCA DO COMETIMENTO DA INFRAÇÃO. REVOGAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL QUE PERMITIA A APLICAÇÃO DA MULTA EM VIGOR NO MOMENTO DA LAVRATURA DO AUTO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o valor da multa mínima seja reformada, aplicando a multa mínima em vigor na competência dezembro/2007 e assim recalcular o valor final da multa aplicada no auto de infração, após a exacerbação pela aplicação da agravante pela ocorrência de dolo, conforme determina a legislação. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Lara dos Santos e Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 26/08/2010 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIOS, PLANILHAS, TABELAS QUE EXPÕE DE FORMA CLARA, OBJETIVA E PRECISA A INFRAÇÃO PRATICADA PELA RECORRENTE. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CLARA. OBJETIVA E ADEQUADA. LANÇAMENTO LASTREADO EM VIOLAÇÃO À LEI. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E GARANTIAS LEGAIS RESPEITADAS. CÁLCULO DA MULTA. APLICAÇÃO DA MULTA MÍNIMA DA ÉPOCA DO COMETIMENTO DA INFRAÇÃO. REVOGAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL QUE PERMITIA A APLICAÇÃO DA MULTA EM VIGOR NO MOMENTO DA LAVRATURA DO AUTO. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrente COOPERATIVA DOS PROPRIETÁRIOS DE VEÍCULOS E MÁQUINAS PESADAS EM GERAL DO ESTADO DO ACRE COOPERCAM. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/08/2010 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIOS, PLANILHAS, TABELAS QUE EXPÕE DE FORMA CLARA, OBJETIVA E PRECISA A INFRAÇÃO PRATICADA PELA RECORRENTE. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CLARA. OBJETIVA E ADEQUADA. LANÇAMENTO LASTREADO EM VIOLAÇÃO À LEI. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E GARANTIAS LEGAIS RESPEITADAS. CÁLCULO DA MULTA. APLICAÇÃO DA MULTA MÍNIMA DA ÉPOCA DO COMETIMENTO DA INFRAÇÃO. REVOGAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL QUE PERMITIA A APLICAÇÃO DA MULTA EM VIGOR NO MOMENTO DA LAVRATURA DO AUTO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o valor da multa mínima seja reformada, aplicando a multa mínima em vigor na competência dezembro/2007 e assim recalcular o valor final da multa aplicada no auto de infração, após a exacerbação pela aplicação da agravante pela ocorrência de dolo, conforme determina a legislação. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Lara dos Santos e Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 09 18 /2 01 0- 66 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000918/201066 Acórdão n.º 2803003.236 S2TE03 Fl. 135 2 (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000918/201066 Acórdão n.º 2803003.236 S2TE03 Fl. 136 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.213.7296, CFL.59, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, inciso I, alínea "a", e/ou dos segurados contribuintes individuais, conforme o disposto na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., "caput" e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alínea "a", conforme Relatório Fiscal da Infração – REFISC, de fls. 39, com período de apuração de 05/2005 a 12/2007, conforme Termo e Início de Ação Fiscal TIAF, de fls. 05 e 06. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 30/06/2010, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa, em 30/07/2010, as fls. 58 a 67, acompanhada dos documentos, de fls. 68 a 90. Consta, as folhas 113, Termo de Apensação (2) onde se esclarece que este processo foi juntado por apensação ao processo nº 11522.000909/201075, em 10/02/2012, sendo este último, considerado o principal. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0125.279 5ª, Turma DRJ/BEL, em 29/06/2012, fls. 114 a 122. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 30/08/2013, conforme AR, de fls. 123. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 126, recebido, em 30/09/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 126, e razões recursais, as fls. 127 a 133, desacompanhado de qualquer documento. Preliminar. · que o depósito prévio é desnecessário; Mérito. · que foi aplicada multa, pois a empresa deixou de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos trabalhadores, porém não consta dos autos os documentos de onde foram as informações extraídas, tais como: nomes dos segurados; bases de cálculo, as contribuições devidas as informações não retificadas pela cooperativa e as competências onde ocorreram as omissões; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000918/201066 Acórdão n.º 2803003.236 S2TE03 Fl. 137 4 · que os autos contém uma relação, mas que não é a reclamada no item anterior, sendo relativa aos Transportadores autônomos, porém estes constam das Ata de Assembleia da Cooperativa como cooperados, comprovando, assim, que estes segurados não são transportadores autônomos; · que é dever do fisco instruir o AI com todos os elementos que provam a infração, pois do contrário a recorrente fica impossibilitada de ter acesso aos documentos utilizados, violandose o artigo 9º, do Decreto 70.235/72, o que caracteriza cerceamento de defesa; · que as competências 05/2005 e 06/2005 estavam fulminadas pela decadência SV Nº 08 STF, devendo ser aplicado o artigo 150, §4º, do CTN, pois temse lançamento na modalidade homologação; · que apesar do REFISC dizer que os elementos de provas em si citados estão anexados nos autos, estas provas não estão especificadas, mas concluímos tratarse de: documentos contendo os fatos geradores; origem dos créditos, demonstrativos e etc, mas que todavia não estão anexados, salvos os relatórios gerados automaticamente com a emissão do AI; · que além das contradições do REFISC, erros nas bases de cálculo, falta de demonstrativos claros e precisos e dos vícios insanáveis, está a constituição do auto eivada de cerceamento de defesa do início ao fim, o que por si só leva a sua nulidade, pois o REFISC não atende as suas finalidades, não oportunizando a ampla defesa e contraditório, por não atender ao artigo 661, da IN MPS 03/2005 e o artigo 9º, do Decreto 70.235/72, devendo o crédito ser decretado improcedente, pois o fisco não provou sua origem; · que a multa foi aplicada em patamar muito acima do mínimo legal, sem justificativa, o que fere o direito do contribuinte, estando pacificado nos tribunais a necessidade de fundamentação para a exacerbação da multa, não havendo esta justificação por parte do fisco e sendo a infração considerado existente deve seu valor ser reduzido para o mínimo legal; · Requerimento: a) acolhimento das razões recursais, com a reforma da decisão a quo, decretandose a nulidade do lançamento; b) ou pela redução dos valores lançados. A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Não há despacho de encaminhamento ao CARF. É o Relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000918/201066 Acórdão n.º 2803003.236 S2TE03 Fl. 138 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Preliminar. A única preliminar suscitada referese a desnecessidade do depósito prévio, este matéria já estava ultrapassada, quando do lançamento do presente crédito, uma vez que tal exigência fora revogada pela MP 413/2008, convertida na Lei 11.727/2008. Mérito. No presente PAF, o que está lançado é multa por descumprimento de obrigação acessória, ou seja, o contribuinte recorrente deixou de cumprir com o seu dever legal e não cumpriu o seu dever instrumental, conforme definido no artigo 115, da Lei 5.172/66 e determinado pelo artigo 30, I, alínea “a” da Lei 8.212/91, bem como do artigo 4º, caput, da Lei 10.666/2003, ambos, c/c o artigo 216, I, “a”, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99. Ficou demonstrado de forma alabastrina pelos documentos apresentados que a empresa cooperativa recorrente possui trabalhadores em seu quadro funcional de várias categorias e assim sendo deve a recorrente arrecadar mediante desconto as contribuições pessoais desses trabalhadores, o que ela não fez. Aliás, o agente fiscal lançador bem esclareceu a questão, em seu REFISC, de fls. 39, nos trechos que a seguir transcrevo, onde fica expresso que apesar de se utilizar da mão de obra de trabalhadores de diversas categorias, não promove a arrecadação das contribuições mediante desconto da remuneração destes, violando, assim o seu dever legal. Na análise dos comprovantes de despesas apresentados pela empresa, verificouse o pagamento realizado a prestadores de serviço, na condição de pessoa física e a transportadores autônomos. Os beneficiários dos pagamentos foram caracterizados como contribuintes individuais e os valores recebidos pelos mesmos foram lançados como base de cálculo para o cálculo das contribuições previdenciárias. Em anexo, são apresentados dois relatórios, no qual relaciona os segurados, por competência, com o valor da remuneração e o valor da contribuição devida pelos mesmos. Dessa forma, a empresa deveria ter incluído na folha de pagamento os segurados empregados Dyeyme Ferreira Moraes da Costa e Thiago Barbosa de Assis e os segurados contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa, nas respectivas competências do pagamento. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000918/201066 Acórdão n.º 2803003.236 S2TE03 Fl. 139 6 Quanto aos contribuintes individuais, estão incluídos os prestadores de serviços autônomos, os administradores, os transportadores autônomos e os cooperados transportadores autônomos. Em anexo, são apresentados os relatórios (fls. 41 a 57), os quais detalham os segurados, por categoria, que prestaram serviços à cooperativa, as remunerações recebidas, a base de cálculo e o valor da contribuição devida pelos respectivos segurados. Dessa forma, a empresa deveria ter realizado ter descontado a contribuição devida pelos segurados contribuintes individuais, cuja alíquota era de 11% sobre valor da remuneração paga, devida ou creditada, em cada competência e dos segurados Dyeyme Ferreira Moraes da Costa e Thiago Barbosa de Assis, cuja alíquota era a da tabela vigente à época do fato gerador. Quanto as informações que a recorrente diz serem inexistentes no lançamento, tais como: nome dos cooperados não informados; para quais a remuneração foi informada a menor; base de cálculo e alíquotas aplicadas, comete novo engano a recorrente, pois estas informações estão todas nos autos do processo principal 11522.000909/201075, basta observar a planilha de fls.100 a 102, bem como os documentos, de fls. 1.298 a 1.318, corroborados pelos documentos, de fls. 1.330 a 1.365 e 1.367 a 1.368, todos fornecidos pela recorrente e que foram utilizados como base informações pelo agente, conforme itens 62 a 68, do REFISC que transcrevo, bem como no Relatório de Lançamentos – RL, de fls. 18 a 22, e itens 71 e 72, do REFISC, abaixo transcritos, constando estas informações e documentos dos autos do processo principal 11522.000909/201075. 62. Em resposta à intimação, a cooperativa apresentou as cópias das notas emitidas no período solicitado, sendo que na maioria delas estava escrito manualmente o nome dos cooperados que foram os beneficiários das respectivas notas, sem detalhar o valor recebido por cada um deles (fls. 33 a 72 do Anexo VI). 63. Neste caso, para obter o valor recebido por cada cooperado informado, dividiuse o valor total da nota pelo número de segurados informados. 64. Nas notas fiscais de serviços n° 21, 22, 23 e 24, não foram informados os nomes dos beneficiários, nem o valor recebido. 65. Como não houve o detalhamento da informação, dividiuse o valor total das notas pelo número de cooperados ativos na data de pagamento das respectivas notas. 66. Ressaltase que em alguns casos, foram informados nomes de trabalhadores que não eram cooperados filiados a COOPERCAM. Esses trabalhadores foram considerados como segurados contribuintes individuais na condição de transportadores autônomos, que serão tratados posteriormente no presente relatório. 67. Dessa forma, foi elaborado um relatório, no qual consta a relação dos trabalhadores beneficiados em cada nota fiscal, contendo o nome do segurado, se é cooperado ou não, a placa do veículo, o valor atribuído ao segurado, o valor total da nota, Fl. 139DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000918/201066 Acórdão n.º 2803003.236 S2TE03 Fl. 140 7 número da nota fiscal, data da emissão, data do pagamento e competência considerada para o cálculo (fls. 93 a 97). 68. Com base nas informações constantes no relatório descrito no item anterior, foi elaborado um outro relatório (fl. 99 a 100), no qual é agrupado por competência, o valor atribuído a cada cooperado, bem como a base de cálculo da contribuição previdenciário (20% do valor atribuído) e o valor da contribuição devida pelo segurado (11% sobre a base de cálculo). 71. Dessa forma, elaborouse um relatório (fl. 104) no qual consta a competência do pagamento, o nome do segurado, o valor total pago, a base de cálculo (20% do valor total), o desconto da contribuição previdenciária devida pelo segurado (11% sobre a base de cálculo até o limite máximo do salário de contribuição), os valores da base de cálculo e do desconto do segurado declarados na GFIP e a diferença entre as informações apuradas e declaradas na GFIP dos respectivos valores. 72. Dessa forma, para efeito de lançamento, consideraramse apenas os valores constantes nas colunas relativas às diferenças apuradas. As provas utilizadas pelo agente lançador e fornecidas estão todas inclusas nos autos e fazendo parte do presente lançamento e nos tópicos específicos de seu REFISC o agente lançador fez a devida correlação entre os fatos e as provas de forma clara, objetiva e precisa cita todos os elementos utilizados, o que se inicia no item 7, do REFISC e prossegue nos itens 12 a 14 e 26, sendo que neste último identifica os anexos elaborados relacionadoos com as folhas do processo, por sua vez nos item 28 a 30, cita os anexos e as respectivas folhas do processo, onde neste último cita especificamente o LRE – Livro Registro de Empregados. Retoma a respectiva correlação das provas nos itens 32 a 35, novamente, relacionando os anexos com as folhas do processo, o mesmo se passa com os itens 37; 39; 43; 49; 51 a 54; 58; 62; 67; 69; 71; 78; 85; 89; 93; 95; 98. Além de citar textualmente em várias passagens do REFISC os elementos de provas pelo nome como notas fiscais, GFIP, livros e etc, estando todas estas nos autos do processo principal Nº 11522.000909/201075. Aliás, quanto a isso o agente lançador é expresso em dizer, o que a seguir transcrevo, no REFISC dos autos principais, estando a empresa recorrente ciente disso deste o início. COMPOSIÇÃO DOS DÉBITOS 106. Os débitos apurados foram separados de acordo com o tipo (segurados, empresa e outras entidades), tendo como o de maior valor o processo principal e, os outros apensados a esse. Assim, os elementos de prova apresentados pelo contribuinte no presente relatório fiscal serão anexados apenas ao processo principal. (grifo do original). Verifico que todos os princípios informadores do procedimento e do processo administrativo fiscal estão contemplados e respeitados no presente PAF não havendo violação a qualquer um deles, em especial ao artigo 9º, do Decreto 70.235/72. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000918/201066 Acórdão n.º 2803003.236 S2TE03 Fl. 141 8 No presente crédito não ocorre a decadência suscitada pelo contribuinte recorrente e dois fatores demonstram a não ocorrência da decadência, inicialmente, e como asseverado pelo agente lançador REFISC ficou caracterizada a ocorrência de dolo por parte do contribuinte, condição essa que leva ao agravamento da multa e a aplicação da regra decadencial do artigo 173, I, da Lei 5.172/66, observe o trecho transcrito. Em conformidade com inciso II , do art. 290, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 08/05/1999, constitui circunstância agravante da infração, ter o infrator agido com dolo, fraude ou máfé. Na análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, verificase que o mesmo cometeu várias irregularidades como a contratação de segurados empregados com se fossem estagiários, numa clara tentativa de elidir as contribuições previdenciárias devidas, não declarar e não recolher as contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços e mesmo em relação aos cooperados declarou e informou apenas parte dos fatos geradores relativos a tais segurados. O agravante é que as irregularidades foram cometidas de forma sistemática, em todas as competências onde ocorreram fatos geradores de contribuição previdenciária, caracterizamse assim como prática reiterada de omissão dos referidos fatos geradores. Dessa forma, não resta dúvida que houve a intenção do contribuinte em reduzir a contribuição previdenciária devida pelo mesmo, havendo assim a ocorrência de dolo. Ainda, que o agente lançador não tivesse caracterizado o dolo a regra de decadência continuaria a ser do artigo 173, I, da Lei 5.172/66 para o lançamento em questão, pois estamos no campo da obrigação acessória e não existe antecipação da pagamento nesse caso, o que enseja a aplicação da regra exposta, veja o que diz o Superior Tribunal de Justiça – STJ. RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN Assim sendo, pela aplicação da regra do artigo 173, I, da Lei 5.172/66 seja pela ocorrência de dolo ou pela não realização da antecipação do pagamento, por se tratar de obrigação acessória, não se verifica a ocorrência de decadência, ficando mais esta alegação afastada. A simples leitura do REFISC da a exata noção da existência de todos os elementos exigidos pelo artigo 142, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 9º, do Decreto 70.235/72 e do atendimentos o artigo 661, da IN/SRP Nº 03/2005 apesar de que este artigo não estava mais em vigor quando do lançamento do crédito. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000918/201066 Acórdão n.º 2803003.236 S2TE03 Fl. 142 9 Seção II Relatório Fiscal Art. 661. O relatório fiscal objetiva a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, de forma a permitir o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, a propiciar a adequada análise do crédito e a ensejar ao crédito o atributo de certeza e liquidez para garantia da futura execução fiscal.(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) O agravamento da aplicação da multa está lastreado no artigo 290, II, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99, que autoriza tal exacerbação no caso da ocorrência de dolo. Todavia, entendo que a fixação do patamar mínimo da multa como sendo de R$ 1.410,79, nos termos da Portaria Interministerial MPS/MF Nº 350/2009, que divulgou o novo valor, está incorreto, pois o parágrafo 8º, do artigo 32, da Lei 8.212/91 que autorizava a aplicação do valor da multa vigente no momento da lavratura do auto de infração foi revogado pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009. Assim sendo, em obediência ao artigo 37, caput, da CRFB/88, princípio da legalidade, moralidade e eficiência, devese aplicar o artigo 106, II “c” c/c o artigo 112, IV, ambos, da Lei 5.172/66 e desta forma a multa mínima a ser aplicada deve ser a maior que estivesse em vigor no período de 05/2005 a 12/2007, pois em todas essas competências houve o cometimento da infração. A multa variou de 05/2005 – R$ 1.101,75 a 12/2007 – R$ 1.195,13 PT/MPS 142/2007, assim a multa aplicada no presente AI dever ser o valor mínimo em 12/2007 – R$ 1.195,13, multiplicado pelo índice de agravamento três vezes, conforme artigo 292, II, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99, o que leva a multa final ao valor de R$ 3.585,39. Indefiro o pedido de produção de provas posteriores, em regra, as provas devem ser produzidas nos termos do artigo 16, parágrafo 4º, do Decreto 70.235/72, não sendo mais possível produzilas por impossibilidade lógica findo o julgamento, em especial o de segunda instância. Destarte, inexiste quaisquer motivos para que se decrete a improcedência do presente lançamento. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial para que o valor da multa mínima seja reformada, aplicando a multa mínima em vigor na competência dezembro/2007 e assim recalcular o valor final da multa aplicada no auto de infração, após a exacerbação pela aplicação da agravante pela ocorrência de dolo, conforme determina a legislação. (Assinado digitalmente). Fl. 142DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000918/201066 Acórdão n.º 2803003.236 S2TE03 Fl. 143 10 Eduardo de Oliveira. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 16682.720516/2011-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2009
COMPETÊNCIA. DECLINAR.
No caso de litígios referentes à cobrança do PIS e da Cofins, decorrentes de procedimentos conexos aos fatos cujas apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ e da CSLL, deve ser declinada a competência para julgamento à Primeira Seção do CARF.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3202-000.894
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Carlos Eduardo Reis, OAB/RJ nº 114.108.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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COMPETÊNCIA. Recorrente FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2009 COMPETÊNCIA. DECLINAR. No caso de litígios referentes à cobrança do PIS e da Cofins, decorrentes de procedimentos conexos aos fatos cujas apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ e da CSLL, deve ser declinada a competência para julgamento à Primeira Seção do CARF. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Carlos Eduardo Reis, OAB/RJ nº 114.108. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 16 /2 01 1- 43 Fl. 2410DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16682.720516/201143 Acórdão n.º 3202000.894 S3C2T2 Fl. 2.411 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de lançamentos de ofício, veiculados por meio de autos de infração, para a exigência da Cofins, multa de ofício e juros moratórios, no montante de R$ 637.338.715,91, e do PIS, multa de ofício e juros moratórios, no montante de R$ 159.707.506,76, em decorrência (i) exclusão da base de cálculo, utilizada para apuração do PIS e da Cofins, das receitas de serviços de transmissão de energia elétrica prestada por Furnas à Itaipu Binacional; (ii) exclusão da base de cálculo, utilizada para apuração do PIS e da Cofins, das Quotas da Reserva Global de Reversão; (iii) inclusão como receita financeira, no mês de dezembro de 2007, da receita proveniente da reavaliação do passivo atuarial mantido junto à Fundação Real Grandeza. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Tratase de lançamentos que exigem do interessado acima as seguintes exações: PIS cumulativo (código 2986) no valor de R$ 21.936.350,68 e PIS não cumulativo (código 6656) no valor de R$ 53.729.283,68, acrescidos de multa de ofício de 75% e dos juros de mora (fls. 2.016/2.038); Cofins cumulativa (código 2960) no valor de R$ 92.804.880,81 e Cofins não cumulativa (código 5477) no valor de R$ 208.845.713,94, acrescidos de multa de ofício de 75% e dos juros de mora (fls. 2.039/2.061) Os lançamentos de PIS e de Cofins referemse a períodos de apuração compreendidos entre os meses de outubro de 2006 e dezembro de 2009. É parte integrante dos lançamentos o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 1911 e ss, o qual explicita os fatos e circunstâncias que levaram à autuação tanto do PIS/Pasep e da Cofins e das mencionadas multas, como também do IRPJ, da CSLL. Contudo, os lançamentos de IRPJ e CSLL foram consignados no processo 16682.720517/201198, julgado pela DRJ – RJO 1. O conteúdo do referido termo, no que concerne à autuação do PIS/Pasep e da Cofins, vai resumido abaixo: Considerações gerais acerca dos critérios de apuração do PIS/PASEP e da COFINS Explica o Autuante que a empresa construiu seus demonstrativos de apuração do PIS/PASEP e da COFINS de forma a segregar suas receitas por tipo de atividade. Esclarece que as receitas de transmissão de energia elétrica, por derivarem de contratos anteriores a 31/10/2003, sujeitamse ao sistema de cumulatividade de recolhimento dessas contribuições, nos termos do art. 109 da Lei 11.196/2005, c/c arts. 15 e 10, XI, "b" e "c" da Lei n° 10.833/2003. Fl. 2411DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16682.720516/201143 Acórdão n.º 3202000.894 S3C2T2 Fl. 2.412 3 Adicionalmente, aplicase o mesmo regime de apuração (cumulatividade, da Lei 9.718/98) às receitas de energia elétrica de curto prazo [energia elétrica produzida que excede, ou fica aquém ao montante contratado e que é comercializada no âmbito da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica CCEE], ex vi do disposto no art. 47 da Lei 10.637/02 (PIS/PASEP) e no art. 10 da Lei 10.833/03 (COFINS) c/c art.5° § 4º da Lei 10.848/04 c/c arts. 21, 41 e 42 da IN/SRF 247/02). Para o ano de 2007, foi verificada a compatibilidade entre os valores declarados no DACON e os informados nas planilhas de apuração apresentadas pelo sujeito passivo. Todavia, as informações do DACON não contemplam as contribuições incidentes sobre receitas decorrentes do RTE (Recomposição Tarifária Extraordinária, ver Nota n° 33 das Notas Explicativas às Demonstrações Contábeis de 2007) indicadas nas aludidas planilhas e apropriadas na contabilidade, fazendo com que os valores devidos de PIS/PASEP e COFINS apurados no DACON sejam inferiores aos informados nas referidas planilhas de apuração. Os lançamentos das contas PIS/PASEP a Recolher (21131410) e COFINS a Recolher (21131408) são igualmente compatíveis com as planilhas de apuração do PIS/PASEP e da COFINS apresentadas pelo sujeito passivo. Na contas 1.01.02.06.02.40 (11241239) Cofins Compensável e 1.01.02.06.02.41 (11241240) PIS/PASEP Compensável são lançados/controlados os créditos destas contribuições decorrentes das retenções na fonte e as "compensações" do ativo/passivo regulatório. No período de janeiro a julho de 2007 o DACON não contempla o valor das retenções na fonte de PIS/PASEP e de COFINS, o que igualmente interfere na apuração dos valores mensalmente devidos. Em sua resposta de 12/11/2010 (anexo ao ofício DCB.F.E.020.2010, item 02) o interessado afirma que deixou intencionalmente de utilizarse dos valores retidos na fonte a que faria jus, por preferir aproveitarse de créditos oriundos do recálculo das contribuições (PIS/PASEP e COFINS) incidentes sobre as receitas de serviços de transmissão de energia, (relativos ao período de fevereiro de 2004 a setembro de 2006), face à aplicação retroativa do regime da cumulatividade, regulada pelo art. 109 da Lei 11.196/05 c/c arts.15 e 10, XI, “b” e "c" da Lei 10.833/03 ["compensações" do ativo/passivo regulatório, referido nas Notas Explicativas às Demonstrações Contábeis n° 09 e n° 38]. No procedimento fiscal ora relatado, promoveuse nova apuração do valor das contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, com vistas a expurgar os efeitos das infrações apontadas no presente Termo e identificar os valores efetivamente devidos e as consequentes diferenças a serem exigidas de ofício. Nesta apuração, desconsiderouse a opção do sujeito passivo, em seu próprio benefício, deduzindose integralmente os valores retidos na fonte (como contemplado em suas planilhas de apuração), até porque a "compensação" pretendida não pode ser admitida por falta de cumprimento de requisito legal (falta de registro da correspondente DCOMP), como se demonstrará. No mesmo sentido, acompanhouse o contido nas planilhas de apuração produzidas pelo sujeito passivo, no que concerne à inclusão das receitas de RTE não consideradas na DACON, embora devidamente contabilizadas. Compensações de créditos tributários com inobservância das normas procedimentais de regência O sujeito passivo sustenta a titularidade de créditos de PIS/PASEP e de COFINS decorrentes de pagamentos indevidos (a maior) efetuados no período de fevereiro de 2004 a setembro de 2006. Esclarece que as referidas contribuições foram apuradas (e recolhidas) segundo regime geral a que estava submetido (regime da Fl. 2412DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16682.720516/201143 Acórdão n.º 3202000.894 S3C2T2 Fl. 2.413 4 não cumulatividade, das leis 10.833/03 e 10.637/02), mas que, todavia, suas receitas de prestação de serviços de transmissão de energia elétrica, decorrentes de contratos anteriores a 31/10/2003, a preços préestabelecidos, deveriam ter sido tributadas pelas regras da cumulatividade (da Lei 9.718/98), por força do estabelecido no art. 109 da Lei 11.196/05 c/c arts. 15 e 10, XI, "b" e "c" da Lei 10.833/03, e consoante orienta o seu órgão federal regulador, na Nota Técnica n°. 224/2006 SFF/ANNEL de 19/06/2006 [ver item 03 do anexo ao ofício DCB.F.E.020.2010, de 12/11/2010, emitido pelo interessado em resposta aos Termos de Intimação 05 e 06]. Assim, promovendo o recálculo das referidas contribuições para o período indicado e segundo o regime de apuração próprio (o da Lei 9.718/98), o contribuinte identificou créditos de PIS/PASEP e COFINS que entende fazer jus e que utilizou para a promoção de “compensações" com valores devidos de PIS/PASEP (de outubro de 2006 a janeiro de 2008) e de COFINS (p.a.s de outubro de 2006 a setembro de 2007), promovidas exclusivamente em sua escrita fiscal, com apoio de seus controles extra contábeis. As Notas Explicativas às Demonstrações Contábeis de 2007 n°. 09 e 38 fazem referência e quantificam os citados créditos de PIS/PASEP e COFINS (ali designados como: Ativo/Passivo Regulatório das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS). Verificouse, todavia, a ausência de registro nos sistemas da SRF de qualquer declaração eletrônica de compensação (DCOMP), ou processo de compensação, de iniciativa do sujeito passivo, tendente a formalizar os atos de compensação de créditos fiscais por ele pretendidos. Assim, no que concerne ao PIS/PASEP e à COFINS, no período de outubro de 2006 a dezembro de 2009, as correspondentes planilhas de apuração foram revisadas pela fiscalização expurgando os efeitos das compensações indevidas, de sorte a identificar as diferenças devidas (em cada período de apuração) a serem exigidas através do Auto de Infração a que o presente Termo se incorpora. Exclusões indevidas às bases de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS Quanto a esse item, o auditorfiscal relata que glosou diversos montantes lançados como "exclusões da receita bruta", pela empresa Impugnante, na determinação da COFINS e do PIS/PASEP, a saber: a) receitas de uso de rede elétrica ITAIPU (retransmissão, no território nacional, da energia gerada por ITAIPU, para as demais empresas do setor); b) quotas da Reserva Global de Reversão – RGR (Tratase de encargo do setor elétrico brasileiro, instituído pelo Decreto 41.019, de 26/02/1957, suportado pelas concessionárias de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica, administrado pela Eletrobrás e destinado ao financiamento da expansão e melhoria destes serviços públicos, bem como, dos estudos de inventário e viabilidade de aproveitamento de novos potenciais hidráulicos). Aplicação indevida da alíquota zero na apuração do PIS/PASEP e da COFINS A empresa considerou, indevidamente, como de natureza "financeira", sujeita à "alíquota zero" para efeito de determinação da COFINS e do PIS/PASEP, o resultado positivo proveniente da ajuste do passivo atuarial mantido junto à Fundação Real Grandeza, da qual FURNAS é patrocinadora. Esse ajuste ocorreu em 2007. Referido ajuste tem natureza de "reavaliação patrimonial" e sua classificação, como "receita financeira", afastou indevidamente a tributação do PIS/PASEP e da COFINS, que deveriam incidir sobre aludido valor. Os demonstrativos de folhas 1952 a 1983 apuram as diferenças de PIS e Cofins lançadas. Fl. 2413DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16682.720516/201143 Acórdão n.º 3202000.894 S3C2T2 Fl. 2.414 5 O enquadramento legal dos lançamentos pode ser observado às fls. 1945 e 1946. Da impugnação Irresignado com a autuação o interessado apresentou impugnação ao lançamento (fls. 2136/2188), na qual alega, em síntese que: os pressupostos dos lançamentos de COFINS e de PIS/PASEP são os mesmos que deram suporte ao lançamento de ofício do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da CSLL; logo, consoante legislação, doutrina e jurisprudência que cita, ambos os autos devem ser julgados pelo mesmo colegiado; a obrigatoriedade da forma de compensação por meio eletrônico, via PER/DCOMP, não pode ter prevalência absoluta sobre a essência do direito que assiste ao contribuinte, de se utilizar de créditos acumulados para quitar suas obrigações tributárias principais, posteriores aos recolhimentos feitos a maior ou indevidamente. Ora, esse dinheiro, recolhido a maior ou indevidamente configura genuíno PAGAMENTO ANTECIPADO À UNIÃO; tratamse, as exigências do auto de infração constituídas desse modo, de um autêntico e escancarado CONFISCO, praticado contra a contribuinte, em franco desacordo com os princípios basilares de Direito Tributário previstos na Constituição Federal; com a só verificação dos documentos contábeis e contratuais, estabeleceuse a presunção de a empresa ter cometido infração grave a ponto de serem desconsiderados seus créditos acumulados de PIS/PASEP e COFINS, o que demonstra inexistir, da parte da autoridade, qualquer preocupação com a verdade material a ser buscada; dessa maneira, pelas claras lesões aos princípios constitucionais da legalidade, moralidade, atrelados à imprescindibilidade da busca pela verdade material no processo administrativo, e, ainda, a garantia à ampla defesa, configurase total falta de suporte fático para a presente autuação, devendo a mesma, pois, ser declarada NULA, de imediato; o transporte da potência elétrica de ITAIPU BINACIONAL também constitui obrigação das empresas do grupo Eletrobrás, instituída em função do tratado de ITAIPU, por força da Lei n.° 5.899/73, que atribuiu a FURNAS e à Eletrosul a incumbência de construir e operar os sistemas de transporte de potência, até mesmo por razões de ordem política, de soberania e segurança nacionais, vindo, então, essas duas empresas, a prestar a ITAÍPU serviços de transporte da energia por ela produzida, nos termos dos arts. 3° e 6° da citada lei. O Fiscal autuante interpretou o AD SRF n.° 174/99 como inaplicável à situação vertente e considerou os recursos provenientes desse transporte de potência elétrica como base de cálculo da COFINS e do PIS. Ao contrário do que alega o Autuante, os serviços de FURNAS a ITAIPU decorrem de obrigação firmada em Tratado, pelo Brasil, configurando atividade essencial para que a energia gerada pela referida empresa binacional chegue aos seus destinatários. O AD SRF n.° 174/99 apenas adaptou o texto do AD CST n.° 147/94 à edição da Lei 9.718/98 e o estendeu ao PIS/PASEP. Em verdade, veio ratificar o entendimento vigente até então; a RGR (Reserva Global de Reversão) não deve compor a base de cálculo da COFINS e do PIS, porquanto constitui encargo do consumidor exigido em lei e destinado diretamente aos cofres da UNIÃO, incumbindo à Recorrente o ônus de efetuar o recolhimento e imediato repasse à ELETROBRAS, que é gestora desse fundo, no mês seguinte ao do ingresso de recursos. É absurdo considerar a RGR Fl. 2414DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16682.720516/201143 Acórdão n.º 3202000.894 S3C2T2 Fl. 2.415 6 como "receita", baseandose no fato de que está incluída no custo da tarifa, pois tal obrigatoriedade encontra respaldo na legislação específica do Setor Elétrico; no item V do Termo de Verificação Fiscal, o responsável pelo Feito desqualifica o ajuste positivo do passivo atuarial mantido pela empresa, junto à Fundação Real Grandeza, da qual é patrocinadora, que foi tratado como "receita financeira", quanto ao PIS/PASEP e à COFINS, logo, sujeita à alíquota zero, nos termos do art. 1º do Decreto 5.442/2005, § único, inciso II. Segundo o AuditorFiscal, esse valor teria natureza de reavaliação patrimonial daí resultando sua característica de receita tributável pelas citadas contribuições. O referido ajuste decorre de reversão de passivo atuarial, relacionado aos compromissos de FURNAS com a Fundação Real Grandeza, da qual é patrocinadora e que tem como principal benefício o pagamento de previdência privada (como complemento à aposentadoria da previdência oficial) aos funcionários da empresa. A partir de 1º /01/1999, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual, serão consideradas, no campo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido (e também da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins), como receitas financeiras, quando ativas, ou como despesas financeiras, quando passivas. Tal determinação foi baixada pela Lei n.° 9.718, de 1998, arts. 9º e 17, inciso II. que a multa de ofício é abusiva e que os juros calculados à taxa Selic fere princípios constitucionais que menciona. É o relatório. A 4ª Turma de Julgamentos da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro proferiu o Acórdão nº 1340.063, em 23 de fevereiro de 2012 (e folhas nº 2.233/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2009 COMPENSAÇÃO. EFETIVIDADE Só há efetiva compensação nos estritos termos em que este procedimento é declarado pelo contribuinte através da DCOMP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. TRANSPORTE DE POTÊNCIA ELÉTRICA ORIUNDA DE ITAIPU. Verificando não se tratar de prestação de serviços à Itaipu Binacional, mas de operações decorrentes da transmissão da energia dela comprada para venda, em nome próprio, às companhias concessionárias supridas, deve a tarifa de Transporte de Potência Elétrica Oriunda de Itaipu integrar a base de cálculo da Cofins. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. RESERVA GLOBAL DE REVERSÃORGR. Considerando que o valor da RGR integra o custo do concessionário do serviço público de energia elétrica e que o preço dos serviços prestados é composto pelo somatório desse custo com o valor dos encargos administrativos e operacionais e do lucro, não é pertinente excluir o valor da RGR do seu faturamento, para fins de apuração da base de cálculo da exação, haja vista a inexistência de previsão legal. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma Fl. 2415DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16682.720516/201143 Acórdão n.º 3202000.894 S3C2T2 Fl. 2.416 7 legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP COMPENSAÇÃO. EFETIVIDADE Só há efetiva compensação nos estritos termos em que este procedimento é declarado pelo contribuinte através da DCOMP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. TRANSPORTE DE POTÊNCIA ELÉTRICA ORIUNDA DE ITAIPU. Verificando não se tratar de prestação de serviços à Itaipu Binacional, mas de operações decorrentes da transmissão da energia dela comprada para venda, em nome próprio, às companhias concessionárias supridas, deve a tarifa de Transporte de Potência Elétrica Oriunda de Itaipu integrar a base de cálculo da Cofins. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. RESERVA GLOBAL DE REVERSÃORGR. Considerando que o valor da RGR integra o custo do concessionário do serviço público de energia elétrica e que o preço dos serviços prestados é composto pelo somatório desse custo com o valor dos encargos administrativos e operacionais e do lucro, não é pertinente excluir o valor da RGR do seu faturamento, para fins de apuração da base de cálculo da exação, haja vista a inexistência de previsão legal. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada regularmente cientificada do Acórdão proferido, em 20/07/2012 – sextafeira (efolhas 2273), interpôs Recurso Voluntário em 21/08/2012 (efls. 2276/ss), repisando os argumentos já trazidos na impugnação, além de tecer comentários sobre o voto constante da decisão recorrida. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou “Contrarrazões” às e folhas 2391 e seguintes. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, entretanto não deve ser conhecido por este 3º Seção de Julgamentos pelos motivos que passamos a expor. Como visto, o presente processo trata de lançamentos de ofício para a exigência do PIS e da Cofins, multas de ofício e juros moratórios, em relação a três matérias: Fl. 2416DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16682.720516/201143 Acórdão n.º 3202000.894 S3C2T2 Fl. 2.417 8 i. exclusão da base de cálculo, utilizada para apuração do PIS e da Cofins, das receitas de serviços de transmissão de energia elétrica prestada por Furnas à Itaipu Binacional; ii. exclusão da base de cálculo, utilizada para apuração do PIS e da Cofins, das Quotas da Reserva Global de Reversão; iii. inclusão como receita financeira, no mês de dezembro de 2007, da receita proveniente da reavaliação do passivo atuarial mantido junto à Fundação Real Grandeza. Pois bem. A meu ver, extraise da leitura do “Termo de Verificação Fiscal – IRPJ/CSLL/PIS/PASEP/COFINS” (fls. 1911/ss) que fatos e circunstâncias que levaram à autuação do PIS/Pasep e da Cofins também levaram à autuação do IRPJ e da CSLL (formalizados no processo 16682.720517/201198), especialmente em relação à matéria constante do item iii – inclusão como receita financeira, no mês de dezembro de 2007, da receita proveniente da reavaliação do passivo atual mantido junto à Fundação Real Grandeza. Destaquese, ainda, que a auditoria fiscal decorreu da emissão de um único Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização N° 07.1.90.002010003139 relativo aos seguintes tributos: IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, período de apuração: anocalendário 2007, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (efolha 1911). Deste modo, entendo que matéria em discussão neste processo é conexa àquela tratada no processo nº 16682.720517/201198 (IRPJ e da CSLL), e assim sendo, em cumprimento ao disposto no artigo 2º, inciso IV, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, deve ser declinada a competência para o julgamento deste processo à Primeira Seção, verbis: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos, quando os procedimentos sejam conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração pertinente à tributação do IRPJ. Diante do exposto, proponho o encaminhamento dos autos à Primeira Seção de Julgamentos do CARF para prosseguimento, por tratar de matéria conexa daquela constante do processo nº 16682.720517/201198. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 2417DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16682.720516/201143 Acórdão n.º 3202000.894 S3C2T2 Fl. 2.418 9 Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 35464.001395/2003-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/01/1997 a 31/12/1998
PRAZO - Súmula 99. APLICAÇÃO
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 04/1998, anteriores a 05/1998, devido à aplicação da súmula nº 099/CARF, nos termos do voto do(a) Relator(a); c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Corrêa - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/01/1997 a 31/12/1998 PRAZO - Súmula 99. APLICAÇÃO Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte
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NEW LYNE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 31/01/1997 a 31/12/1998 PRAZO Súmula 99. APLICAÇÃO ‘Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração’. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 04/1998, anteriores a 05/1998, devido à aplicação da súmula nº 099/CARF, nos termos do voto do(a) Relator(a); c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira – Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Corrêa Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 13 95 /2 00 3- 46 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 35464.001395/200346 Acórdão n.º 2301003.980 S2C3T1 Fl. 420 3 Relatório Antes de relatar as exações autuadas e seus consectários, mister trazer à baila que o processo em testilha é o mesmo do item seguinte da pauta, ou seja item 33, processo sob nº 35464.004577/200379, eis que ao protocolizar o Recurso Ordinário à Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, este (RO) tomou numeração nova (35464 .004577/200379), como se vê às fls. 171 dos autos, mas que objurga o AI DEBCAD do processo em tela, ou seja, sob nº 35.478.8825 Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a Recorrente, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, do financiamento da complementação das prestações por acidentes do trabalho (até a competência 06/1997), dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (para as competências a partir de 07/1997) e às contribuições destinadas aos Terceiros, abrangendo o período de 01/1997 a 13/1998. A fiscalização informa que constituem fatos geradores: a) as remunerações pagas aos segurados empregados, discriminadas nas folhas de pagamento, termos de rescisão de contrato; b) as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais, a título de pró labore e discriminadas nas folhas de pagamentos e Livros Diários. Urge trazer ao presente relatório que a DN n° 21.004/0681/2003 de 23/10/2003 (fls.140/163) e o acórdão n° 0001161/2004 de 16/08/2004 (fls.232/240), foram anulados pela Segunda Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência, mediante o acórdão n° 0000957/2005, que conheceu e deu provimento ao pedido de Revisão formulado pelo Serviço de Análise de Defesas e Recursos da Gerência Executiva em São Paulo SUL, mantendo o lançamento e anulando apenas a decisão de notificação, em razão da preterição do direito de defesa do contribuinte que não foi cientificado do resultado da diligência. Dessa forma, o processo foi saneado, conforme determinado pelo acórdão n° 0000957/2005, com a intimação do contribuinte (vide fls.308/309), que apresentou adendo à defesa (fls.310/323), tudo de acordo com os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Noticiada, apresentou impugnação com suas razões, cujas quais foram consideras pela decisão de piso como procedente em parte, havendo reconhecida a decadência parcial do lançamento para o período de 01/97 a 11/97 e 13/97, conforme o art.173, I do CTN e nos moldes da Súmula Vinculante do STF n° 08/2008. Em razão da procedência em parte da impugnação, recorreuse de ofício, em conformidade com o artigo 366 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, na redação dada pelo Decreto n.° 6.224, de 04/10/2007; do art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235/72, com alterações da Lei n o 10.522/02, e de acordo com o art. 1° da Portaria MF n° 03/2008, tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado excede a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Em 25/01/2010 foi noticiada da decisão, e com fim de anatematizála, no dia 24/02/2010 aviou Recurso Voluntário, onde sustenta a sua modificação, com o argumento de Fl. 429DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 decadência da emissão de novo Auto de Infração em substituição a NFLD nº 35.478.8333, anulado por vício formal, porque transcorreu mais de cinco anos. É a síntese do necessário. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 35464.001395/200346 Acórdão n.º 2301003.980 S2C3T1 Fl. 421 5 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator Os Recursos aviados são tempestivos e acodem os pressupostos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço, passando à analise. RECURSO DE OFÍCIO O Recurso de Ofício aviado preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Mas, no mérito, julgo improcedente, eis que houve aplicação correta da questão decadencial, havendo reconhecida a decadência parcial do lançamento para o período de 01/97 a 11/97 e 13/97, conforme o art.173, I do CTN e nos moldes da Súmula Vinculante do STF n° 08/2008. RECURSO VOLUNTÁRIO A base da defesa do presente recurso é a alegação que o AI em testilha foi emitido após cinco anos ao prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal. Sem razão. A Portaria RFB nº 3.014 de 29 de junho de 2011, que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos federais, em seu artigo 14, I, trata do prazo de valia do MPF, cujo qual não há extinção do MPF antes da conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio com a ciência do sujeito passivo. No caso em tela o MPF, mesmo com a substituição da NFLD pelo AI em testilha, não havia sido extinto, exatamente porque o procedimento fiscal ainda estava em curso, mesmo as decisões existentes, antes anunciadas. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF 99 Para a contagem do prazo decadencial mister que seja aplicada a Súmula CARF 99, cuja qual é determinante. ‘In verbis’: Súmula 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 Desta feita, levandose em conta a Súmula supra, há de se aplicar o artigo 150, § 4° do CTN, onde, para fins decadencial, contase o prazo do lançamento. No caso em tela, com a contagem com base no artigo mencionado, está decadente os lançamentos anteriores a maio de 1998. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, conheço do Recurso de Ofício, mas no mérito NEGOLHE PROVIMENTO. Quanto ao Recurso Voluntário, dele conheço para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para que seja aplicada a decadência com fulcro no artigo 150, § 4º do CTN, excluindo do lançamento o período anterior a maio de 1998. É como Voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator (assinado digitalmente) Fl. 432DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
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Numero do processo: 10783.720583/2010-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE- AUSÊNCIA DE ANÁLISE - ANULAÇÃO - Deve ser anulada, no sentido de ser proferida outra, a decisão de 1ª Instância Administrativa que não abrange todos os aspectos, quer preliminares, quer de mérito, abordados na peça da contribuinte. Processo que se anula, a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Processo Anulado
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3302-002.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, , Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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Processo que se anula, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Processo Anulado Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente); Fabíola Cassiano Keramidas, , Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 05 83 /2 01 0- 62 Fl. 5727DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte UM INSTRUMENTOS LTDA, CNPJ 01.973.719/000171. O recurso voluntário visa desconstituir a decisão proferida em 04 de abril de 2012 pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, por meio do Acórdão nº 07 28.057 1a Turma da DRJ/FNS, cujos membros, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do relatório e voto que integrou o julgado, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a interposição fraudulenta na operação de importação, quando a escrita contábil não serve para comprovação da origem dos recursos, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas APLICAÇÃO DAS MULTAS DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO E POR CEDER O NOME COM VISTAS AO ACOBERTAMENTO DE SEUS REAIS INTERVENIENTES OU BENEFICIÁRIOS. CABIMENTO DA CUMULATIVIDADE. A Lei n.° 11.488/2007, art. 33, atribuiu penalidade pecuniária dirigida diretamente àquele que cedeu o seu nome para acobertar a operação de comércio exterior de terceiros, não se tratando, pois, de abrandamento de uma penalidade para determinada infração, mas a introdução da aplicação de uma penalidade pecuniária diretamente sobre o agente da ação, independentemente da aplicação da pena de perdimento da mercadoria (ou multa caso a mesma não seja localizada ou tenha sido consumida), não se falando, portanto, de retroação mais benigna de lei.” Na origem trata do auto de infração de efls. 02/53, lavrado para a exigência da multa prevista no art. 23, § 3.°, do DecretoLei n.° 1.455/76, com redação dada pela Lei n.° 10.637/2002, no valor de RS6.145.031,03. Transcrevese do Acórdão recorrido os argumentos e citações dos elementos de prova trazidos pela fiscalização que sustentaram a autuação: “1) A autuada foi incluída em procedimento especial de fiscalização nos termos da IN SRF n.° 228/2002, onde foi constatada a prática das infrações identificadas como interposição fraudulenta e utilização de documentos ideologicamente falsos nas importações realizadas através das DI's relacionadas às fls. 04/07, todas registradas no ano de 2007. 2) A DI n.° 08/17413655 foi alvo de fiscalização, onde a importadora foi intimada a prestar esclarecimentos conforme intimação de fls. 87/88, tendo respondido às fls. 123/128. Segundo a fiscalização estas informações não foram Fl. 5728DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10783.720583/201062 Acórdão n.º 3302002.583 S3C3T2 Fl. 5.728 3 satisfatórias, o que originou o processo de perdimento de mercadorias n.° 12466.001041/201013. Alega a autoridade fiscal que nesse processo foram verificadas diversas irregularidades como a manipulação de preços e ocultação do real exportador. 3) Foi constatado que a empresa exportadora B. Brothers Cop. e a consolidadora Flier International cargo tiveram como sócio diretor o Sr. Marcelo Haddad que é sócio fundador da empresa Um Instrumentos, juntamente com sua mãe, sra. Urânia Elias Haddad (fls. 742/781). 4) De 2005 a 2009 a autuada importou por conta própria, conforme tabela às fls. 07, o montante de U$14.772.052,30, de mercadorias de diversas NCM's. Para assumir comércio de itens tão variados a autuada deveria possuir um departamento de vendas, que não possuía. Além disto, esta variedade de mercadorias é um indício da atuação de mais de um comprador especialista, que aponta para a interposição fraudulenta de terceiros. Também o fato de que um único exportador é responsável por 95% dos processos. 5) Cita outro processo administrativo de n.° 12466.002712/201055 onde foram apuradas irregularidades com o fornecedor HR Corporation, no qual foi demonstrado que a autuada nunca importou as mercadorias. 6) Demonstra a fiscalização que 91,8% das importações tiveram como exportador a empresa B. Brothers. Relata que essa empresa foi constituída inicialmente por Marcelo Haddad, tendo como diretora a esposa Sandra Maria Mora Luciano, e posteriormente substituído por Carlos Leonardo Barros. A empresa Flier teve como sóciodiretor Marcelo Haddad e foi transferida à Carlos Leonardo Barros. 7) Durante a fiscalização a autuada foi intimada a prestar esclarecimentos acerca do exportador e dos preços praticados, tendo respondido de forma não satisfatória (fls. 123/128). A fiscalização também demonstra às fls. 13 os valores importados nos anos de 1998 a 2009. Também conclui que havia vinculação entre exportador e importador. 8) Segue relatando as operações de importação por parte da Um Instrumentos, envolvendo o exportador, o consolidador estrangeiro e a captação por parte de Marcelo Haddad de pessoas físicas e jurídicas interessadas em adquirir mercadorias estrangeiras. 9) Para demonstrar os procedimentos adotados pela importadora, a fiscalização indica alguns documentos que demonstram a interposição e subfaturamento. São eles: DI 00/11608719 (fls. 806/817): indicação de outra empresa no "Notify Party" no BL; Contrato de Câmbio 05/003833 (fls. 812/817): contempla o pagamento de DI de 2000, demonstrando a despreocupação com quanto ao cumprimento de prazo de pagamento; DI's 05/00405497, 05/01780054, 05/02335771 e Fl. 5729DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 05/032887436 (fls. 818/874): as mercadorias foram compradas no exterior pela empresa National Diamond, conforme faturas e as notas fiscais de venda; DI 06/08320301 (fls. 911/923): tratado em outro processo, consta segunda versão da fatura para contratação de câmbio; DI 06/13139091 (fls. 924/968): a fatura verdadeira indica outra importadora; DI 06/13678057 (fls. 969/1005): tratado em outro processo foi constatado os reais interessados nas importações; DI 05/09652586 (fls. 901/910): idem à DI anterior; 10) A fiscalização relata o início da ação fiscalizatória, a visita na sede da empresa, as intimações feitas para apresentação de documentos e o estado precário que os mesmos se encontravam arquivados, a inclusão da empresa no procedimento especial de fiscalização, indicando que as infrações foram demonstradas nos processos n.°s 12466.002712/201055, 12466.001041/201013, 12466.1042/201050, 12466.001043/201002 e 12466.000634/201054. 11) Da não comprovação da condição financeira para atuar no comércio exterior: a fiscalização traz informações fiscais elaboradas em 05/04/2007 e 31/07/2007 (fls. 654/655, 663/665) nos procedimentos fiscais para revisão de habilitação, onde foram constatados a insuficiência da escrituração contábil e a divergência dela com os dados apresentados nas DIPJ's. Apresenta um quadro às fls. 26 com os dados constantes das DIPJ's dos anoscalendário de 1998 a 2007. Alega que a contribuinte apresentou um livro diário de 2005 escriturado de forma manual, com valores totais, imprestável para verificação contábil valores totais, sem identificação da origem, imprestável para análise da condição financeira (fls. 219/430). Não há registro individualizado das vendas, de DI, pagamento de câmbio, origem dos valores, etc... Por não ter sido comprovada a sua condição financeira e a origem dos valores envolvidos no comércio exterior, a empresa foi incluída no procedimento especial de fiscalização da IN SRF n.° 228/202. 12) Relata a fiscalização sobre a obrigatoriedade da escrituração contábil e dos livros obrigatórios que as pessoas jurídicas devem manter e que no entanto a autuada apresentou livros diários com valores totais, sem indicação de livros auxiliares, com movimentações incompatíveis com as DIPJ's apresentadas. Destaca alguns saldos registrados no final de cada ano num quadro demonstrativo às fls. 33/34. Como os livros não estão escriturados com observância da legislação própria, os mesmo não foram considerados hábeis para comprovação da condição financeira da autuada. 13) Sujeição passiva: a empresa UM Instrumentos, comanda pelo seu sócio Marcelo Haddad simulou operações de comércio exterior, registrando a empresa B. Brothers, também comandada por Marcelo Haddad, como exportadora, quando as mercadorias foram compradas de outras diversas empresas. A UM Instrumentos assumiu a responsabilidade registrando as DI's e Marcelo Haddad foi quem comprou as mercadorias no exterior, o principal interessado e portanto responsável pela internação das mercadorias em território nacional. São, Fl. 5730DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10783.720583/201062 Acórdão n.º 3302002.583 S3C3T2 Fl. 5.729 5 portanto, responsáveis nos termos dos arts. 121, 124, 136, do CTN, e 603 do Regulamento Aduaneiro. 14) A fiscalização faz um resumo dos procedimentos adotados pela importadora, juntamente com a exportadora e consolidadora estrangeira. Cita algumas DI's para demonstrar a variedade de mercadorias importadas e a forma de atuação da autuada (fls. 43/46). Referese também a existência de códigos vinculados aos números das faturas, identificando os diversos processos registrados. 15) Infração 1: "ocultação do sujeito passivo, do comprador ou do responsável pela operação de comércio exterior, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta." DecretoLei n.° 1.455/76, art. 23, V, §§ 1.° e 2.°; Lei n.° 4.502/64, art. 72. A empresa declarada como exportadora (B.Brothers) é interposta pessoa jurídica no exterior, que é controlada pelo mesmo sócio da Um Instrumentos, Sr. Marcelo Haddad, que é quem compra ou manda comprar as mercadorias no exterior. As mercadorias são encaminhadas à empresa Flier que consolida e providencia o embarque para o Brasil, ocultando os reais exportadores. Com o esquema montado, as empresas se aproveitam do subfaturamento e do não recolhimento de impostos. O contribuinte não comprovou a sua condição financeira e a origem dos valores envolvidos no comércio exterior. Seus argumentos não foram comprovados documentalmente. Os livros apresentados estão contabilizados pelos totais, sem observância da legislação própria, não discriminando a movimentação contábil, incorrendo na interposição fraudulenta em relação ao real importador da mercadorias (art. 618, § 5.°, Decreto n.° 4.5453/2002). Relaciona os valores aduaneiros correspondentes às DI's do ano de 2007 às fls. 54/55. 16) Infração 2: "falsificação ou adulteração de documento necessário ao embarque ou desembarque de mercadoria estrangeira." DecretoLei n.° 37/66, art. 105, VI.Conforme demonstrado, as operações de importação são simuladas pois omitem os reais vendedores (exportadores) e os documentos utilizados são material ou ideologicamente falsos,já que declaram que a exportadora era a empresa B.Brothers e com valores inferiores ao realmente A aplicação descrita motivaa aplicação da pena de perdimento. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 07/01/2011, por meio da Comunicação nº 307, de efl 3701, consoante se demonstra pelo extrato dos Correios denominado SL730484099BR, de efl 3702 e o responsável tributário foi cientificado em 10/01/2011, por meio do Comunicado SECAT/Vitória nº 306, consoante se constata pelo Aviso de Recebimento –AR de efl 3704. O Responsável Tributário não apresentou impugnação, tendo sido, então, lavrado o Termo de Revelia de efl.4029. Fl. 5731DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 A contribuinte UM INSTRUMENTOS LTDA apresentou a petição de efls 3709 a 3764, a qual foi postada em 09/02/2011, consoante se detecta pelo o envelope de efl. 3765, apresentando seus argumentos de defesa segundo os itens a seguir destacados: “ITEMPESTIVIDADE II OS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO I. PRELIMINARES 111. 1 O CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA 111. 2 AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO ESPECÍFICA DAS IRREGULARIDADES SUPOSTAMENTE PRATICADAS NOS PROCESSOS DE IMPORTAÇÃO III. 3 A PROVA EMPRESTADA E A IMPOSSIBILIDADE DE SE ESTENDER CONCLUSÕES A TODAS AS IMPORTAÇÕES DO CONTRIBUINTE IVMÉRITO A INEXISTÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA IV.1 A OFENSA AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E A CAPACIDADE FINANCEIRA DO AUTUADO E A BOAFE DA IMPUGNANTE IV. 2 A AUSÊNCIA DE OCULTAÇÃO DOS REAIS EXPORTADORES E IMPORTADORES IV. 3 AUSÊNCIA DE UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS MATERIAL OU IDEOLOGICAMENTE FALSOS IV. 4 A LEI N.° 11.488/2007 E A MULTA DE 10% V O PEDIDO” Ao encaminhar o processo para a Delegacia de Julgamento, o agente responsável proferiu o seguinte Despacho: “DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO O contribuinte principal apresentou impugnação intempestiva com preliminar de tempestividade, já o solidário não apresentou, sendo lavrado termo de revelia.Isto posto, envio para julgamento.” Em face da tentativa frustrada de cientificar a contribuinte do Acórdão proferido pela DRJ pela via postal (Intimação nº 046/2012 e AR , efl. 4049 a 4051), foi a mesma cientificada do Acórdão por meio de edital nº 082/52, afixado em 14 de maio de 2012. Em 15 de junho de 2012 interpôs recurso voluntário de efls 4055/4142, cujos argumentos estão distribuídos nos itens abaixo transcritos: “I – OS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO E A DECISÃO RECORRIDA III – AS RAZÕES DE REFORMA DA DECISÃO PRELIMINARES Fl. 5732DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10783.720583/201062 Acórdão n.º 3302002.583 S3C3T2 Fl. 5.730 7 III.1. UTILIZAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA. FATO INCONTROVERSO.NULIDADE DO LANÇAMENTO QUE SE IMPÕE. III.2. – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA: AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO ESPECÍFICA DAS IRREGULARIDADES SUPOSTAMENTE PRATICADAS NOS PROCESSOS DE IMPORTAÇÃO III.3. – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL: AUSÊNCIA DA ANÁLISE DA DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA E INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA MÉRITO III.3. – A IMPROPRIEDADE DA ALEGAÇÃO DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA III.4 – A MULTA PREVISTA NO ART. 33 DA LEI Nº 1488/2007 IV PEDIDO Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, podendo ser acolhido.Contudo, deixase de efetuar a análise de mérito em face da preliminar de nulidade a seguir analisada. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO Sabese que com a impugnação tempestiva do lançamento por parte do contribuinte, instaurase a fase litigiosa do procedimento (artigo 14 do Decreto nº 70.235/1972), momento a partir do qual se instala a competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ) para falar no processo (artigo 25, I, do Decreto nº 70.235/1972), suspendendose a exigibilidade do crédito tributário, consoante previsão contida na regra do Art. 151 do CTN. “Decreto nº 70.235/72 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.” “Artigo 151 do CTN: “Art. 151 Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: Fl. 5733DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 [...] III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; [...]” Porém, sendo intempestiva a impugnação, o litígio não se instaura, salvo se a tempestividade for suscitada pela contribuinte como preliminar. Neste sentido, o Ato Declaratório Normativo nº 15, de 12/07/1996, regulamentando os efeitos da impugnação intempestiva, assim estabelece: “IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA EFEITOS ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO N.º 15, de 12/07/1996: Processo administrativo fiscal. Impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem é objeto de decisão. O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art.151, inciso III do Código Tributário Nacional Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 e nos arts. 15 e 21 do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1.º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar.” (grifos nossos) O Decreto nº 70.235/72 estabelece prazo de 30 dias para apresentação da impugnação a partir da ciência do lançamento: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” No caso do presente processo, mais de um sujeito passivo integram o pólo passivo dos lançamentos, em razão das regras de atribuição de responsabilidade tributárias constantes do Código Tributário Nacional. São eles: Contribuinte: UM INSTRUMENTOS LTDA – CNPJ: 01.973.719/000171 Responsável tributário: MARCELO HADDAD SPOSITO CPF : 752.388.45715 E, consoante consta do relatório, as ciências dos lançamentos à contribuinte e ao responsável tributário deramse, respectivamente, em 07/01/2011 e em 10/01/2011, consoante se constata pelos documentos de efls.3701 a 3704. A contribuinte apresentou sua peça impugnatória em 09/02/2011. Fl. 5734DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10783.720583/201062 Acórdão n.º 3302002.583 S3C3T2 Fl. 5.731 9 O responsável tributário não apresentou impugnação, motivo pelo o qual a Unidade de Origem, contra este, lavrou o termo de revelia de efl.4029. No âmbito do Processo Administrativo FiscalPAF, a revelia não induz sequer a existência de litígio, trazendo como conseqüência, no caso, para o responsável revel, a declaração de definitividade da responsabilidade tributária. Já, acerca da petição apresentada pela contribuinte, o agente responsável da Unidade de Origem consignou ser a mesma intempestiva, Mas, em decorrência da contribuinte ter suscitado a tempestividade na referida petição, encaminha o processo para pronunciamento da DRJ competente, consoante se verifica no Despacho de efl. 4030. Entretanto, não obstante a existência do Despacho da DRF, acima mencionado, e a preliminar de tempestividade suscitada pela contribuinte, a Autoridade Julgadora de 1ª Instância administrativa, no Acórdão nº 0728.057 da 1 ª Turma da DRJ/FNS, prolatado em 04 de abril de 2012, não destinou sequer uma única linha acerca da análise da tempestividade suscitada, tendo centrado sua análise apenas na questão de mérito em função da qual julgou improcedente a impugnação. É sabido que, de acordo com o art. do 560 do CPC, utilizado subsidiariamente no PAF, a análise de questão preliminar deve ser feita antes de questões de mérito: “Art. 560. Qualquer questão preliminar suscitada no julgamento será decidida antes do mérito, deste não se conhecendo se incompatível com a decisão daquela. (...).” Portanto, tendo em vista que a contribuinte suscitou a tempestividade na petição apresentada às efls 3709 a 3764, mister se faz que a Autoridade julgadora de 1ª Instância pronunciese sobre a questão. Sobre a necessidade de apreciação de todas as alegações constantes da impugnação consta Jurisprudência precedente no Conselho de Contribuintes, consoante se demonstra: “PRELIMINAR AUSÊNCIA DE ANÁLISE ANULAÇÃO Deve ser anulada, no sentido de ser proferida outra, a decisão singular que não abrange todos os aspectos, quer preliminares, quer de mérito, abordados na peça impugnatória. Processo que se anula, a partir da decisão de primeira instância, inclusive.” (2º Conselho de Contribuintes/3a. Câmara/ACÓRDÃO n.º 203 06343 de 23/02/2000, publicado no DOU de 23/06/2000) “NULIDADE Decisão omissa quanto ao exame de argumentos apresentados para defesa do contribuinte deve ser declarada nula, por ensejar cerceamento do direito de defesa e supressão de instância (Decreto nº 70.235/72, artigos 31 e 59)”. (Acórdão n.º 20306323, de 22/02/2000, 2.º CC) Fl. 5735DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 Passar ao largo desta constatação, decidindo a questão em fase de recurso voluntário, é preterir o direito de defesa da contribuinte, com a supressão do 1º grau de jurisdição administrativa. CONCLUSÃO Assim, em face da omissão detectada no Acórdão nº 0728.057 1a Turma da DRJ/FNS acerca da tempestividade suscitada, e tendo em conta os princípios do duplo grau de jurisdição e o da ampla defesa, voto no sentido de anular o Acórdão, para que outra seja prolatada, com a devida análise da questão da tempestividade da peça interposta pela contribuinte às efls. 3709 a 3764, reabrindose o prazo para interposição de novo recurso voluntário unicamente da contribuinte, caso seja do interesse e vontade da mesma. Ressalvando a regra cogente trazida pelo o Decreto nº 70.235/72 que em seu Art. 28 estabelece: “Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar, será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)” É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ – Relatora. Fl. 5736DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10425.720042/2010-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 00 42 /2 01 0- 11 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) em que utiliza crédito decorrente de ressarcimento de Cofins apurada no regime não cumulativo, cujo saldo corresponde ao segundo trimestre de 2006. Despacho Decisório do DRF/Campina Grande/PB indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720042/201011 Acórdão n.º 3803006.168 S3TE03 Fl. 227 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente aos débitos declarados na DCOMP, as compensações não serão homologadas, implicando a cobrança dos valores indevidamente compensados, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS (próprio), que compõe o preço da mercadoria, integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS, que é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia (art. 1º, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.637/2002). RECEITA BRUTA DAS VENDAS DE BENS E SERVIÇOS. CONCEITO LEGAL. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, não se incluindo as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (art. 31, caput e parágrafo único, da Lei nº 8.981/95). ICMS. “DESTAQUE” MERAMENTE INFORMATIVO. O ICMS ao contrário do IPI, por disposição legal (art. 13, § 1º e inciso I da Lei Complementar nº 87/96), incide “por dentro” do valor da mercadoria e não é cobrado de forma destacada do comprador, constituindo a informação do seu valor na Nota Fiscal mera indicação para fins de controle. Cientificada da decisão em 22 de agosto 2012 irresignada, apresentou recurso voluntário em 31 de agosto de 2012, em que reiterou os termos da manifestação de Fl. 228DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720042/201011 Acórdão n.º 3803006.168 S3TE03 Fl. 228 5 A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não Fl. 231DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720042/201011 Acórdão n.º 3803006.168 S3TE03 Fl. 229 7 ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal tem como sujeito passivo o vendedor. Ademais, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 233DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10680.935176/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo.
No caso, as incorreções apontadas não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, que está devidamente fundamentado, ou se confundem com o mérito da lide.
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação - Súmula CARF nº 84.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1102-001.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo. No caso, as incorreções apontadas não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, que está devidamente fundamentado, ou se confundem com o mérito da lide. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação - Súmula CARF nº 84. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2238; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 144 1 143 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.935176/200972 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102001.071 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2014 Matéria IRPJ Compensação de estimativas Recorrente COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS CEMIG Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo. No caso, as incorreções apontadas não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, que está devidamente fundamentado, ou se confundem com o mérito da lide. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação Súmula CARF nº 84. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 51 76 /2 00 9- 72 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.935176/200972 Acórdão n.º 1102001.071 S1C1T2 Fl. 145 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarouse impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório PEDIDO DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débito de CSLL de julho de 2008 com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de IRPJ do mês de fevereiro de 2005 no valor de R$ 4.473.900,00, por meio do PER/DCOMP de fls. 46 a 50, enviado em 13/8/2008. O despacho decisório eletrônico de fl. 36, emitido em 7/10/2009, não homologou a compensação alegando “improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” A decisão se fundamentou nos arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 ( CTN), no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.935176/200972 Acórdão n.º 1102001.071 S1C1T2 Fl. 146 3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 10), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 70 a 71): 5.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 5.2 Informa que apurou o IRPJEstimativa Mensal no mês de fevereiro/2005 no montante de R$ 4.473.900,00, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente. 5.2.1 Acrescenta que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor do IRPJ (estimativa mensal) para o período, “acabou por apurar prejuízo e retificou a DCTF mensal de fevereiro/2005, gerando o recolhimento indevido de todo o montante anteriormente recolhido no valor de R$ 4.473.900,00”.(grifo e negrito do original) 5.2.2 A DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ. O indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP. 5.3 A autoridade fiscal Não Homologou a compensação declarada, exigindo do contribuinte o principal, multa e juros referentes ao débito compensado. “Todavia, a Requerente demonstrará ser totalmente ilegal a cobrança do saldo devedor acima referido, pleiteando pela homologação das compensações declaradas e a anulação do despacho decisório (...)”. 5.4 Tendo em vista a motivação apresentada pela DRF argumenta que “o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei nº 9.430, de 1996”. Invoca os arts. 2º e 74 da Lei nº 9.430, de 1996 para alegar que “não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada”. Afirma que a única restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Ilustra com acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes. 5.4.1 Argumenta que “a Requerente efetuou recolhimento antecipado de IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal, apurou antecipação superior à que seria efetivamente devida dentro do próprio mês.” Informa a retificação da DCTF, “tornando perfeitamente identificável o mês de geração do indébito tributário”. 5.4.2 Ressalta que a Instrução Normativa nº 900, de 2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 2005 revogou “a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação”. 5.5 Em outra linha argumentativa, o manifestante “requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e a presente impugnação, tempestivamente apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN”. Destaca ainda que “na hipótese de o despacho decisório em epígrafe não for reformado, considerase resguardado o seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional”. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.935176/200972 Acórdão n.º 1102001.071 S1C1T2 Fl. 147 4 5.6 Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o Despacho Decisório prolatado pela DRF e a homologação da compensação, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 68 a 82): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) rejeitouse a preliminar de nulidade do despacho decisório por não se verificar hipótese prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), pois a decisão foi prolatada por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, e o contribuinte tomou ciência do procedimento, da sua motivação e da capitulação legal correspondente; b) as estimativas de IRPJ e de CSLL se constituem em meras antecipações de um tributo que somente será apurado no final do anocalendário. Assim sendo, qualquer pagamento a maior somente é detectado no encerramento do período, com a apuração definitiva do tributo e traduzse no saldo negativo de IRPJ ou CSLL; c) as estimativas são apuradas, regra geral, pela aplicação de determinado percentual (variável em função da origem da receita auferida) sobre a receita bruta, mas podem ser reduzidas ou suspensas com o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.935176/200972 Acórdão n.º 1102001.071 S1C1T2 Fl. 148 5 Contudo, essa apuração deve ser efetuada até a data de vencimento do imposto (arts. 11 a 12 da IN SRF nº 93, de 1997); d) no caso, na data do vencimento da estimativa mensal, o contribuinte em questão apurou uma quantia a pagar, sendo esse o valor devido. Se, ao alterar o Balanço/Balancete do mês, o sujeito passivo encontrou um valor menor que o já efetivamente recolhido, a diferença somente poderia ser deduzida do tributo apurado quando do levantamento de balanços/balancetes em períodos posteriores (como tributo já antecipado) ou quando da apuração definitiva do tributo devido, no final do período, compondo o saldo negativo (art. 10 da IN SRF nº 93, de 1997); e) nos termos do art. 170 do CTN, a compensação tributária somente pode ocorrer se expressamente autorizada por lei, e mediante condições e garantias expressamente estipuladas, na hipótese inequívoca de créditos líquidos e certos. O dispositivo legal que autoriza a compensação tributária reportase à Lei nº 9.430, de 1996, que só permite a restituição do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL; f) a compensação de estimativas era expressamente proibida pelo art. 10 da IN SRF nº 460, de 2004, e pelo art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. A alteração do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, ao excluir a expressão “efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal”, não revogou a proibição, que decorre da própria lei, mas apenas passou a cuidar da hipótese de retenção indevida ou a maior; g) a jurisprudência administrativa favorável à tese da defesa tem eficácia restrita aos casos para os quais foram proferidas; h) inexiste previsão legal para preservar o direito à restituição, caso o contribuinte não tenha sucesso na compensação pleiteada neste processo; i) o direito de contestação na esfera judicial é garantido pela Constituição Federal. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 10/5/2010 (fl. 86), o contribuinte apresentou, em 9/6/2010, o recurso voluntário de fls. 89 a 109, onde afirma que: a) a decisão recorrida é nula porque (i) confundiu, em sua ementa, a data de pagamento do tributo a maior (31/3/2005) com o período de apuração (28/2/2005); (ii) rejeitou a nulidade do despacho decisório, matéria inexistente na impugnação; (iii) desconsiderou as provas dos autos, e, após tecer considerações acerca da compensação, imprimiu ao pagamento indevido a pecha de “mera antecipação de pagamento”, sem possibilitar ao contribuinte o aproveitamento de créditos para o adimplemento de outros tributos exigíveis e administrados pela Receita Federal do Brasil; b) nos arts. 2° e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, não há qualquer restrição à compensação de estimativas, que só existe no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Contudo, essa indevida restrição foi revogada pela Instrução Normativa n° 900, de 2008, que demonstra a mudança de entendimento da própria RFB com relação ao tema; Fl. 148DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.935176/200972 Acórdão n.º 1102001.071 S1C1T2 Fl. 149 6 c) não prospera o argumento da decisão recorrida de que o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução para apurar o IRPJ deve ser efetuado até a data de vencimento do imposto, pois o contribuinte pode fazer os ajustes na sua apuração mesmo após o encerramento do exercício do IRPJ, desde que dentro do prazo legal; d) caso se mantenha a decisão de não homologar a compensação, alternativamente, requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e o presente recurso, tempestivamente apresentados, são provas da interrupção da prescrição e do cumprimento do prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN; e) caso seu direito não seja reconhecido, considera resguardado seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do CTN. Ao final, requer a anulação da decisão recorrida ou o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação da compensação. Devido à informação da unidade de origem de que o presente processo discutia direito creditório contido no processo nº 10680.933172/200950, que já havia sido a mim distribuído, solicitei a distribuição destes autos, nos termos do art. 49, §7°, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, pedido deferido pelos Presidentes da Turma e da Câmara (fl. 142). Como consequência, o processo foi a mim distribuído, numerado digitalmente até a fl. 143. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente processo, não foram homologadas compensações de débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de IRPJ do mês de fevereiro de 2005, por não se admitir a restituição de estimativa, que só poderia compor o saldo negativo do final do anocalendário. Preliminarmente, o recorrente defende a nulidade da decisão recorrida porque (i) na sua ementa consta que o fato gerador é 31/3/2005, enquanto o correto é 28/2/2005; (ii) o acórdão rejeitou a nulidade do despacho decisório, matéria inexistente na impugnação; (iii) o julgado desconsiderou as provas dos autos, e, após tecer considerações acerca da compensação, imprimiu ao pagamento indevido a pecha de “mera antecipação de pagamento”, sem Fl. 149DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.935176/200972 Acórdão n.º 1102001.071 S1C1T2 Fl. 150 7 possibilitar ao contribuinte o aproveitamento de créditos para o adimplemento de outros tributos exigíveis e administrados pela Receita Federal do Brasil. De fato, na ementa da decisão recorrida, consta, como data do fato gerador, a data em que foi efetuado o pagamento indevido (31/3/2005 – DARF fl. 39), quando o correto seria 28/2/2005, por se tratar da estimativa de fevereiro de 2005. Contudo, o restante da decisão descreve corretamente qual o crédito em discussão, tratandose de simples erro na confecção da ementa. Já a discussão sobre a nulidade do despacho decisório, apesar de desnecessária, não traz qualquer prejuízo à defesa. Assim, apesar das incorreções apontadas existirem, elas não trazem qualquer nulidade à decisão recorrida, tratandose de simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos que, se necessário, poderiam ser sanadas de ofício pela autoridade competente. Contudo, nem mesmo essa providência é necessária, pois o conjunto do julgado deixa claro qual é o período a qual se refere o direito creditório, não existindo qualquer prejuízo para o sujeito passivo, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal – PAF. Finalmente, a suposta nulidade indicada no item “iii” decorre do próprio entendimento da autoridade julgadora de que estimativas não podem ser restituídas, e compõe o mérito da lide. Dessa forma, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas. No mérito, a evolução da jurisprudência se firmou de modo favorável à tese da defesa, entendendo ser possível a restituição de estimativas pagas a maior, deixando vinculada à apuração do final do ano apenas a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência. Já a tese de que a vedação à restituição das estimativas decorria da própria Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não é nem mesmo admitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que, por meio da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5 de dezembro de 2011, entendeu que art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, admitiu a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, e era preceito interpretativo da legislação, com efeitos retroativos. O item 10.3 da Solução de Consulta é taxativo ao afirmar que a Lei nº 9.430, de 1996, se refere apenas às estimativas recolhidas de acordo com a legislação. Transcrevo: 10.3 O contribuinte pode, por questões de praticidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas se preferir solicitar restituição ou compensar o indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário, poderá fazêlo, pois a Lei nº 9.430, de 1996, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, referese àquelas recolhidas em conformidade com o caput de seu art. 2º. Nesse último caso, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve deduzir apenas as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.935176/200972 Acórdão n.º 1102001.071 S1C1T2 Fl. 151 8 O mesmo ato normativo sepulta o argumento de que a constatação do erro no cálculo da estimativa somente poderia se dar até a data de vencimento do imposto, afirmando que isso pode ocorrer mesmo após o encerramento do ano calendário, como demonstra o trecho abaixo transcrito: 15. Como dito, somente as estimativas devidas na forma da Lei nº 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito a partir da data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual desses tributos. Assim, a simples alteração de interpretação da Administração Tributária já obrigaria o provimento do recurso, pois não é razoável entender que o sujeito passivo possa receber menos, em sede de recurso administrativo, do que aquilo que a própria autoridade fiscal já reconhece para os demais contribuintes, dado que as soluções de consulta da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) têm efeito vinculante no âmbito da RFB, sendo que o ordenamento veda esse comportamento contraditório (venire contra factum proprium). Contudo, desde a publicação da Súmula CARF nº 84, que fixou que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, esse entendimento passou a ser de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Dessa forma, reconhecese o direito à compensação de créditos de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Contudo, há que se observar que não houve a apuração efetiva do direito creditório, pelo cotejo das afirmações do contribuinte com sua contabilidade, pois a autoridade fiscal negou o direito preliminarmente, pela simples impossibilidade de utilização de estimativa como crédito. Não se apurou se, de fato, houve recolhimento indevido da estimativa de fevereiro de 2005, se o valor pago a maior não foi apropriado no saldo negativo apurado no final do anocalendário, e se o indébito não foi indicado em outras compensações. Dessa forma, deve o processo retornar à unidade de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 151DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.935176/200972 Acórdão n.º 1102001.071 S1C1T2 Fl. 152 9 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 10166.720033/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PRÊMIOS. NATUREZA SALARIAL.
Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual ou coletiva dos trabalhadores da empresa. Sendo contraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial e deve compor a base de cálculo da contribuição previdenciária.
ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO RELACIONADOS COM AS ATIVIDADES DA EMPRESA ENTENDIDOS COMO CURSOS DE CAPACITAÇÃO.
A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Os cursos de graduação e pós-graduação podem ser considerados cursos de capacitação e estão abrangidos pelo benefício desde que estejam relacionados com as atividades da empresa.
AUXÍLIO EXCEPCIONAL. NATUREZA JURÍDICA SIMILAR AO AUXÍLIO-CRECHE. EXISTÊNCIA DE ACÓRDÃO DO STJ TRANSITADO EM JULGADO COMO RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
O auxílio excepcional tem natureza jurídica similar ao auxílio-creche, tendo em conta que as pessoas com necessidades especiais necessitam de maior convívio e atenção familiar. A controvérsia sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre o auxílio-creche já foi objeto de Acórdão do STJ que transitou em julgado sob o regime do art. 543-C do CPC (Recurso Repetitivo), tendo sido decidido por aquele Tribunal que não há incidência da contribuição sobre tal benefício. Em função do conteúdo do caput do art. 62-A do RICARF, acatamos integralmente o conteúdo do decisum. Logo, de forma similar ao auxílio-creche, o auxílio excepcional deve ser excluído da base de cálculo da contribuição.
SALÁRIO-UTILIDADE. TEORIA FINALÍSTICA. HABITAÇÃO.
As utilidades fornecidas para o trabalho não possuem natureza salarial, ao passo que as utilidades fornecidas pelo trabalho possuem a natureza de salário indireto (salário-utilidade) e devem integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. No caso de habitação, a dispensabilidade de seu fornecimento induz à natureza salarial, em harmonia com a Súmula 367 do TST. Pagamento de aluguel em cidades com ampla oferta de imóveis permite a conclusão que tal benefício foi fornecido pelo trabalho e não para o trabalho.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
MAJORAÇÃO DA MULTA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. APLICAÇÃO A FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. POSSIBILIDADE SOMENTE SE FOR MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE.
A majoração da multa de ofício prevista no §2º do art. 44 da Lei 9.430/96 só é aplicável no lançamento das contribuições previdenciárias para fatos geradores anteriores a 12/2008 se esta penalidade revelar-se mais benéfica ao contribuinte em demonstrativo presente nos autos. Sem a caracterização de benefício ao contribuinte, a multa não pode retroagir.
DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA
O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. NATUREZA DE NOTITIA CRIMINIS. INCABÍVEL SUA DISCUSSÃO NA PRESENTE VIA.
A Representação Fiscal para Fins Penais tem natureza de notitia criminis e não é objeto de discussão no processo administrativo fiscal. Quando e se esta for enviada ao Ministério Público Federal, a recorrente poderá ser chamada a esclarecer o eventual ilícito na oportunidade do inquérito ou da resposta à denúncia.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.996
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em excluir do lançamento o auxílio excepcional, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em dar provimento ao recurso, no que tange ao auxílio educação, nos termos do voto do Relator; c) em retirar o agravamento da multa, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PRÊMIOS. NATUREZA SALARIAL. Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual ou coletiva dos trabalhadores da empresa. Sendo contraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial e deve compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO RELACIONADOS COM AS ATIVIDADES DA EMPRESA ENTENDIDOS COMO CURSOS DE CAPACITAÇÃO. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Os cursos de graduação e pós-graduação podem ser considerados cursos de capacitação e estão abrangidos pelo benefício desde que estejam relacionados com as atividades da empresa. AUXÍLIO EXCEPCIONAL. NATUREZA JURÍDICA SIMILAR AO AUXÍLIO-CRECHE. EXISTÊNCIA DE ACÓRDÃO DO STJ TRANSITADO EM JULGADO COMO RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF. O auxílio excepcional tem natureza jurídica similar ao auxílio-creche, tendo em conta que as pessoas com necessidades especiais necessitam de maior convívio e atenção familiar. A controvérsia sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre o auxílio-creche já foi objeto de Acórdão do STJ que transitou em julgado sob o regime do art. 543-C do CPC (Recurso Repetitivo), tendo sido decidido por aquele Tribunal que não há incidência da contribuição sobre tal benefício. Em função do conteúdo do caput do art. 62-A do RICARF, acatamos integralmente o conteúdo do decisum. Logo, de forma similar ao auxílio-creche, o auxílio excepcional deve ser excluído da base de cálculo da contribuição. SALÁRIO-UTILIDADE. TEORIA FINALÍSTICA. HABITAÇÃO. As utilidades fornecidas para o trabalho não possuem natureza salarial, ao passo que as utilidades fornecidas pelo trabalho possuem a natureza de salário indireto (salário-utilidade) e devem integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. No caso de habitação, a dispensabilidade de seu fornecimento induz à natureza salarial, em harmonia com a Súmula 367 do TST. Pagamento de aluguel em cidades com ampla oferta de imóveis permite a conclusão que tal benefício foi fornecido pelo trabalho e não para o trabalho. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91. MAJORAÇÃO DA MULTA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. APLICAÇÃO A FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. POSSIBILIDADE SOMENTE SE FOR MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. A majoração da multa de ofício prevista no §2º do art. 44 da Lei 9.430/96 só é aplicável no lançamento das contribuições previdenciárias para fatos geradores anteriores a 12/2008 se esta penalidade revelar-se mais benéfica ao contribuinte em demonstrativo presente nos autos. Sem a caracterização de benefício ao contribuinte, a multa não pode retroagir. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. NATUREZA DE NOTITIA CRIMINIS. INCABÍVEL SUA DISCUSSÃO NA PRESENTE VIA. A Representação Fiscal para Fins Penais tem natureza de notitia criminis e não é objeto de discussão no processo administrativo fiscal. Quando e se esta for enviada ao Ministério Público Federal, a recorrente poderá ser chamada a esclarecer o eventual ilícito na oportunidade do inquérito ou da resposta à denúncia. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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VERBAS REMUNERATÓRIAS Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUARIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PRÊMIOS. NATUREZA SALARIAL. Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual ou coletiva dos trabalhadores da empresa. Sendo contraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial e deve compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO RELACIONADOS COM AS ATIVIDADES DA EMPRESA ENTENDIDOS COMO CURSOS DE CAPACITAÇÃO. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Os cursos de graduação e pósgraduação podem ser considerados cursos de capacitação e estão abrangidos pelo benefício desde que estejam relacionados com as atividades da empresa. AUXÍLIO EXCEPCIONAL. NATUREZA JURÍDICA SIMILAR AO AUXÍLIOCRECHE. EXISTÊNCIA DE ACÓRDÃO DO STJ TRANSITADO EM JULGADO COMO RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O auxílio excepcional tem natureza jurídica similar ao auxíliocreche, tendo em conta que as pessoas com necessidades especiais necessitam de maior convívio e atenção familiar. A controvérsia sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre o auxíliocreche já foi objeto de Acórdão do STJ que transitou em julgado sob o regime do art. 543C do CPC AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 00 33 /2 01 0- 11 Fl. 993DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 268 2 (Recurso Repetitivo), tendo sido decidido por aquele Tribunal que não há incidência da contribuição sobre tal benefício. Em função do conteúdo do caput do art. 62A do RICARF, acatamos integralmente o conteúdo do decisum. Logo, de forma similar ao auxíliocreche, o auxílio excepcional deve ser excluído da base de cálculo da contribuição. SALÁRIOUTILIDADE. TEORIA FINALÍSTICA. HABITAÇÃO. As utilidades fornecidas para o trabalho não possuem natureza salarial, ao passo que as utilidades fornecidas pelo trabalho possuem a natureza de salário indireto (salárioutilidade) e devem integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. No caso de habitação, a dispensabilidade de seu fornecimento induz à natureza salarial, em harmonia com a Súmula 367 do TST. Pagamento de aluguel em cidades com ampla oferta de imóveis permite a conclusão que tal benefício foi fornecido pelo trabalho e não para o trabalho. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. MAJORAÇÃO DA MULTA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. APLICAÇÃO A FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. POSSIBILIDADE SOMENTE SE FOR MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. A majoração da multa de ofício prevista no §2º do art. 44 da Lei 9.430/96 só é aplicável no lançamento das contribuições previdenciárias para fatos geradores anteriores a 12/2008 se esta penalidade revelarse mais benéfica ao contribuinte em demonstrativo presente nos autos. Sem a caracterização de benefício ao contribuinte, a multa não pode retroagir. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 269 3 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. NATUREZA DE NOTITIA CRIMINIS. INCABÍVEL SUA DISCUSSÃO NA PRESENTE VIA. A Representação Fiscal para Fins Penais tem natureza de notitia criminis e não é objeto de discussão no processo administrativo fiscal. Quando e se esta for enviada ao Ministério Público Federal, a recorrente poderá ser chamada a esclarecer o eventual ilícito na oportunidade do inquérito ou da resposta à denúncia. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em excluir do lançamento o auxílio excepcional, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em dar provimento ao recurso, no que tange ao auxílio educação, nos termos do voto do Relator; c) em retirar o agravamento da multa, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 270 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação. O processo teve início com a Auto de Infração (AI) nº 37.236.6872, lavrado em 08/01/2010, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, parte da empresa, bem como adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(GILRAT/SAT), incidentes sobre verbas tidas como remuneratórias, no período de 01/2005 a 12/2005, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 2.711.207,81, fls. 02. Os levantamentos incluídos no lançamento foram resumidos pelo Acórdão a quo da seguinte maneira: Educação: PG Ressarcimento Aquisição Publicações Técnicas, Auxílio Elaboração de Tese, Auxílio Transp. Móbil. ﴾Conversão﴿, Pagamento Taxas Acadêmicas/Viagens Acadêmicas e PG Ressarcimento Locomoção Externa: Pelo exame das folhas de pagamento, verificouse que a empresa custeava despesas com cursos de pósgraduação para seus empregados, tendo justificado que “tais benefícios são pagos por meio de ressarcimento, com a devida comprovação da despesa, com exceção ao beneficio “Auxílio Elaboração de Tese ”, que é liberado por meio de solicitação do empregado em curso de pósgraduação, na etapa do curso correspondente à elaboração da tese.” A fiscalização considerou tal custeio como fato gerador de contribuição previdenciária por não se encontrar o Fl. 996DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 271 5 benefício ﴾salário indireto﴿ alcançado pela isenção de que trata a alínea “t” do §9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91. Prêmio: Prêmio Nacional de Equipes, Prêmio Institucional, Prêmio de Equipe por Subprojeto e Prêmio Chefia: Pelo exame das folhas de pagamento, a auditoria verificou a existência de pagamentos de prêmios de produtividade, pela EMBRAPA, aos seus empregados, sem oferecer tal remuneração à tributação ﴾valores pagos anualmente aos empregados que se destacam e atendem aos requisitos contidos no Manual do Sistema de Avaliação e Premi ação Por Resultados de n° 037.01.06.01.5.001 e demais alterações."﴿. A fiscalização considerou os referidos pagamentos como fato gerador de contribuição previdenciária por não se encontrarem alcançados pelas isenções de que trata o §9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91. Auxilio Excepcional: Foi verificado pela auditoria ﴾nas folhas de pagamento﴿ que, além do auxílio creche, a EMBRAPA paga, por sua liberalidade, o auxílioexcepcional, que corresponde a um valor pago aos seus empregados com a finalidade de auxiliá los nos gastos com a manutenção de filhos portadores de necessidades especiais, configurando, assim, um plus Fl. 997DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 272 6 na remuneração dos empregados beneficiados. A fiscalização considerou o referido pagamento como fato gerador de contribuição previdenciária por falta de fundamento legal para sua exclusão da base de cálculo. Aluguel: A auditoria encontrou documentos que comprovam o pagamento, pela EMBRAPA, de despesas com aluguel para os diretores da empresa, o que foi considerado salário indireto e, como tal, integrante do salário de contribuição do segurado empregado para fins de incidência das contribuições previdenciárias. Divergências Folha de Pagamento x GFIP x GPS Foi verificado pela fiscalização que a folha de pagamento da EMBRAPA apresentava remuneração maior do que a declarada em GFIP, como também que a empresa efetuou recolhimentos em GPS em valores superiores aos declarados. A auditoria apropriou os recolhimentos tanto aos valores declarados como àqueles constantes em folhas de pagamento e não declarados, mas ainda restaram divergências no recolhimento da Folha de Pagamentos. Como a fiscalizada não apresentou os arquivos digitais de Diário e Razão houve o agravamento em 50% da multa de ofício aplicada. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 273 7 Após tomar ciência pessoal da autuação em 11/01/2010, fls. 02, a recorrente apresentou impugnação, fls. 851/867, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 5ª Turma da DRJ/Brasília, no Acórdão de fls. 936/948, julgou a impugnação improcedente. A interessada foi cientificada em 25/01/2011. O recurso voluntário, apresentado em 15/02/2011, fls. 951/975, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos, aproveitando a síntese do Acórdão a quo: que foi autuada por ter entendido a fiscalização previdenciária que as verbas pagas pela empresa aos seus empregados, a título de custeio de pós graduação, prêmios de produtividade eventuais, auxílioexcepcional, pagamento de aluguel de imóveis utilizados por diretores da empresa, são verbas salariais; mas, ao contrário desse entendimento, cuidase de verbas indenizatórias, sobre as quais, conforme pacífica doutrina e jurisprudência dominante, não incide o tributo previdenciário; que, em não havendo rol taxado em lei, o ônus da prova da não ocorrência de parcela indenizatória não tributável ou da ocorrência de parcela salarial tributável é do fisco; que o AI deve ser anulado por terse chocado com o princípio da legalidade estrita tributária, que salvaguarda o contribuinte e também norteia a atuação dos órgãos de fiscalização; que os valores despendidos pela EMBRAPA com custeio de pós graduação de seus empregados não representam verba salarial, mas indenização paga aos que se qualificam no sentido de facilitar à empresa alcançar seu objetivo estatutário e legal, que é o desenvolvimento constante da pesquisa agropecuária no país; que referida despesa se enquadra perfeitamente no disposto no art. 28, §9°, alínea “t” ﴾parte final﴿ da Lei n° 8.212/91, haja vista que todos os empregados e dirigentes da empresa têm acesso a esse custeio, conforme Norma Interna da Fl. 999DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 274 8 EMBRAPA n° 037.05.03.02.001, aprovada pela Deliberação n° 017/97, da Diretoria Executiva; quanto aos prêmios, também não há incidência da contribuição social sobre os referidos valores, visto que são pagos por liberalidade do empregador e estão desvinculados da contraprestação de serviços pelo empregado; que não há habitualidade no seu pagamento e demandam o preenchimento de condições específicas estabelecidas pelo empregador para serem pagos servindo como estímulo para que o empregado atinja, com mais afinco, o princípio da eficiência; com relação ao auxílio excepcional, com muito mais razão, não há que se falar em tributação do pagamento feito ao empregado genitor de filhos com sérios problemas de saúde, pois, do contrário, constatase que “a desventura de gerar um filho excepcional gera aumento salarial ao empregado”; que é evidente a natureza indenizatória dessa verba, faltando tipicidade tributária para a exação; no que diz respeito à verba “aluguel”, também temse como inexistente o fato gerador de contribuição previdenciária, haja vista sua nítida natureza indenizatória, conforme jurisprudência; que, na verdade, “a EMBRAPA não paga a empregado seu qualquer verba para ajuda de custo de aluguel, apenas celebra contrato de locação, na qualidade de locatária, em favor de seu empregado, não havendo que falarse em pagamento a empregado”; por fim, alega que não há que se falar em divergência entre os dados constantes na folha de pagamento e os informados nas GFIP analisadas, uma vez que todas as verbas sobre as quais não se fez incidir a contribuição social em análise não são fatos geradores do tributo; conclui refutando, igualmente, as multas aplicadas por suposta inobservância de obrigação acessória, Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 275 9 devendo prevalecer, na íntegra, os lançamentos efetivados pela empresa, conforme requer. Argumenta, em adição, que a multa aplicada ofendeu a proporcionalidade e a razoabilidade. Acrescenta que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Aponta que teria direito à relevação da multa aplicada, pois preencheu os requisitos da legislação para tanto com base no art. 108 do CTN. Reclama da Representação Fiscal para Fins Penais (RFPFP) por entender não haver motivação para sua existência. É o relatório. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 276 10 Voto Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento, conforme veremos a seguir. Incidência da contribuição previdenciária sobre prêmios de produtividade Para elucidar a questão da incidência da contribuição previdenciária sobre os prêmios, temos que considerar que tais verbas são consideradas parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades ao serem atingidas determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um adicional em função do alcance de metas e resultados Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado. Tomemos algumas lições doutrinárias e jurisprudenciais. Segundo o professor Amauri Mascaro Nascimento, em seu livro Manual do salário, Ed. Ltr, p. 334, nestas palavras: "Prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência.” Nessa mesma linha, o ilustre professor Maurício Godinho Delgado, em seu livro "Curso de Direito do Trabalho", 3° edição, editora LTr, pág. 747, assim referese ao assunto: "C.). Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.(.). O prêmio, na qualidade de contraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial. (.). Não é diverso o posicionamento do STF acerca da natureza salarial dos prêmios, posto o descrito na súmula 209, nestes termos: "Súmula 209 — SalárioPrêmio, salário —produção. O salário produção, como outras modalidades de salário prêmio, é devido, desde que verificada a condição a que estiver subordinado, e Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 277 11 não pode ser suprimido, unilateralmente, pelo empregador, quando pago com habitualidade." Fixada a natureza salarial dos prêmios, passemos a examinar o regime jurídico das incidência tributária sobre os referidos pagamentos. A Constituição Federal, no seu artigo 195, I, alínea “a”, estabelece: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) O dispositivo constitucional transcrito cuida não de “remuneração”, não de “folha de pagamento”, fala de “folha de salários”. A “folha de salários” é composta por lançamentos onde constam o nome dos trabalhadores e todas as parcelas devidas a estes em decorrência do serviço executado. Assim, qualquer tipo de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais faz parte da “folha de salários”, que, nos termos da Carta Política de 1988, é a base de incidência da contribuição social devida pelos empregadores. Ademais, para que não restasse dúvidas sobre a amplitude da base de incidência da contribuição social em questão, o dispositivo constitucional transcrito acrescentou “....e demais rendimentos do trabalho”. Além da “folha de salários e demais rendimentos do trabalho”, também integram a base de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos do § 11 do artigo 201 da Constituição Federal, os “ganhos habituais do empregado, a qualquer título”. A seu turno, a Lei 8.212, de 24/07/1991, dispõe: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 278 12 da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação alterada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Assim, todas as parcelas que fazem parte da remuneração, creditadas a qualquer título, são base de incidência constitucional da contribuição em questão, devendo constar da contabilidade da empresa, excluídas apenas as arroladas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, face à isenção concedida por lei, entre as quais não se encontram os prêmios. Voltandonos para as especificidades do caso em análise, a recorrente admitiu que paga os prêmios para os empregados que se destacam, deixando os pagamentos perfeitamente amoldados à noção acima explanada, aptos, portanto, a compor a base de cálculo da contribuição. Incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos de gastos com educação. Requisitos para a isenção. Iniciamos a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre verbas pagas a título de auxílio educação tomando o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 279 13 a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Como se vê, a Constituição conferiu competência à União para instituir contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme o caput do art. 194 – que pode incidir, no caso do empregador, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art. 2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos habituais a qualquer título. Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde pelo menos a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes fatos geradores: · No caso dos empregadores, sobre a folha de salários e demais itens remuneratórios(rendimentos) pagos à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre os ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título; · No caso dos trabalhadores, não há expressa delimitação dos fatos geradores. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 280 14 Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno. No caso das contribuições para a seguridade social é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de forma mais específica, apesar de existirem outras contribuições destinadas a financiar a seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo). A referida lei determinou, em seu art. 11, que os empregadores, a quem denominou de empresas, seriam contribuintes de contribuições sociais “incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”(parágrafo único, alínea “a”)., sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que a contribuição incidiria o saláriodecontribuição, sendo este definido no art. 28. A definição das hipóteses de incidência da contribuição das empresas é encontrada no art. 22, o qual em seus quatro incisos estabelece a incidência de uma contribuição previdenciária geral sobre a remuneração dos empregados, uma contribuição previdenciária relacionada aos riscos do trabalho, uma contribuição previdenciária sobre contribuintes individuais e uma contribuição previdenciária devida sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. Interessanos para o momento a contribuição previdenciária das empresas cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são as hipóteses de incidência do inciso I: remunerações, ganhos habituais sobre a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação trabalhista. Assim, remuneração será aquilo que a CLT assim o considera. Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo que ultrapassam 50% do salário stricto sensu, as gratificações ajustadas, os abonos e as utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 281 15 A essa altura podemos concluir que as utilidades excepcionadas pela CLT não estão abrangidas pelo conceito de remuneração. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, a Constituição autorizou a incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os ganhos habituais dos empregados a qualquer título, ao passo que a Lei 8.212/91 instituiu a incidência da contribuição das empresas sobre os ganhos habituais dos empregados sob a forma de utilidades. No que tange aos fornecimentos de bolsas de estudo (educação) ou reembolso com gastos de educação, quis a CLT estabelecer que se trata de utilidade que deve ser excepcionada da noção de salário lato sensu, e, portanto, da noção de remuneração, mas isso não retira sua natureza de utilidade paga aos empregados que, sendo habitual, sofre a incidência da contribuição, conforme autorização constitucional e incidência positivada pela segunda parte do inciso I do art. 22 da Lei 8.212/91. A habitualidade, frisamos, é característica comum nesse tipo de utilidade. Estando no campo de incidência da contribuição, devemos observar quais os requisitos para a isenção. Vejamos o texto legal: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998); Portanto, para ser excluída da base de cálculo da contribuição previdenciária, a verba paga a título de auxílio educação ou reembolso de gastos com educação deve estar disponível a todos os empregados e o curso, de educação básica ou capacitação profissional, deve estar vinculado à atividade desenvolvida pela empresa. Interpretamos capacitação profissional de forma abrangente, incluindo no conceito os cursos superior e de pósgraduação, desde que relacionados à atividade da empresa. In casu, no item 32 do Relatório Fiscal observamos os esclarecimentos da empresa sobre a questão: “colocamos os seguintes esclarecimentos referentes as rubricas de: PG Ressarcimento Aquisição Publicação Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 282 16 Técnicas, Auxilio Transporte Móbil (conversão), Auxilio Elaboração de Tese, PG Taxas Acadêmicas/Viagens Acadêmicas e PG Ressarcimento Locomoção Externa, São Reembolsos efetuados para empregados em cursos de pósgraduação. ” “Tais benefícios são pagos por meio de ressarcimento, com a devida comprovação da despesa, com exceção ao beneficio “Auxílio Elaboração de Tese", que é liberado por meio de solicitação do empregado em curso de pós graduação, na etapa do curso correspondente a elaboração da tese.” A par da destinação das verbas pagas, a recorrente apresentou elementos de prova que demonstram que a criteriosa análise da relação entre os cursos de pósgraduação e as atividades da empresa, conforme Norma Interna aprovada pela Deliberação 17/97, e finalidades da empresa constantes do art. 2º da Lei 5.851/72. Assim, concluímos que os requisitos legais para o desfrute do benefício fiscal disponibilidade a todos os empregados e relação com a atividade da empresa restaram preenchidos, devendo as verbas pagas ou reembolsadas a título de custeio de educação serem excluídas do lançamento. Auxílio excepcional. Natureza jurídica similar de Auxíliocreche. Existência de Acórdão do STJ transitado em julgado como Recurso Repetitivo. Aplicação do art. 62A do RICARF. Com relação ao auxílio excepcional, entendemos ter a mesma natureza jurídica do auxíliocreche e, portanto, daremos o mesmo tratamento. As pessoas com necessidades especiais necessitam de maior atenção e convívio familiar e, nesse aspecto, demandam atenção similar àquela prevista no art. 389, §1º da CLT, o que autoriza a equipararmos o auxílio excepcional ao auxílio previsto no art. 389, §2º da CLT. Nesse sentido temos jurisprudência do TRF1: AC 1997.34.00.0228345 / DF; APELAÇÃO CÍVEL (...) 5. O "auxíliocreche" e o "auxíliobabá" ou "auxíliopréescola", não remuneram o trabalhador, mas o indenizam por ter sido privado de um direito previsto no art. 389, § 1º, da Consolidação das Leis do Trabalho (Portaria MiniTrab 3296/86), vendose, por conseguinte, forçado a pagar alguém para que vele por seu filho no horário do trabalho. Assim, como não integra o salário decontribuição, não há incidência da contribuição previdenciária. Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 283 17 Logo, passamos a analisar o direito aplicável ao auxíliocreche que será, de forma similar, aplicado ao caso. A controvérsia sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre o auxíliocreche já foi objeto de Acórdão do STJ que transitou em julgado sob o regime do art. 543C do CPC (Recurso Repetitivo), tendo sido decidido por aquele Tribunal que não há incidência da contribuição sobre tal benefício. Em função do conteúdo do caput do art. 62A do RICARF, acatamos integralmente o conteúdo do decisum a seguir reproduzido: STJ – Primeira Seção Resp 1.146.772 DIREITO PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 458, II E 535, I E II DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIOCRECHE. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 310/STJ. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Não há omissão quando o Tribunal de origem se manifesta fundamentadamente a respeito de todas as questões postas à sua apreciação, decidindo, entretanto, contrariamente aos interesses dos recorrentes. Ademais, o Magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos apresentados pelas partes. 2. A demanda se refere à discussão acerca da incidência ou não de contribuição previdenciária sobre os valores percebidos pelos empregados do Banco do Brasil a título de auxíliocreche. 3. A jurisprudência desta Corte Superior firmou entendimento no sentido de que o auxíliocreche funciona como indenização, não integrando, portanto, o salário de contribuição para a Previdência. Inteligência da Súmula 310/STJ. Precedentes: EREsp 394.530/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Primeira Seção, DJ 28/10/2003; MS 6.523/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJ 22/10/2009; AgRg no REsp 1.079.212/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJ 13/05/2009; REsp 439.133/SC, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 22/09/2008; REsp 816.829/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 19/11/2007. 4. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 5. Recurso especial não provido. Assim, votamos por excluir a verba paga a título de auxílio excepcional do lançamento. Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 284 18 Aluguel pago a Diretores. Natureza salarial. No que tange ao fornecimento de habitação e sua caracterização como salárioutilidade, o TST possui a Súmula 367 que esclarece em que situações a habitação fornecida pode ser considerada como salárioutilidade, in verbis: Súmula TST 367 Utilidades "in natura". Habitação. Energia elétrica. Veículo. Cigarro. Não integração ao salário. I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. II O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde. O conteúdo da Súmula 367, portanto, o qual adotamos integralmente para o caso por conta da aplicação do art. 110 do CTN, exige que o fornecimento de habitação seja dispensável para a realização do trabalho. Tal dispensabilidade, em regra, depende de prova que o fisco deve providenciar, salvo os casos em que for fato notório. In casu, os contratos que constam dos autos apontam que os imóveis locados localizavamse em cidades com boa disponibilidade de imóveis, como Brasília. Como qualquer trabalhador, os diretores ao serem convidados para trabalhar fora de seu domicílio devem ter considerado se o novo salário tornaria vantajosa sua nova situação. Em cidades com ampla oferta de imóveis, dispondo de salário adequado, os diretores poderiam providenciar seu novo domicílio. Com relação às utilidades, boa parte da doutrina e da jurisprudência do TST se alinhou à teoria finalística – originalmente defendida entre nós por José Martins Catharino na década de 1950 – que distingue as utilidades fornecidas “para o trabalho” das utilidades fornecidas “pelo trabalho”. As primeiras , “para o trabalho”, seriam funcionais, instrumentais, verdadeiros equipamentos de trabalho e, portanto, sem natureza salarial; as segundas, “pelo trabalho”, seriam contraprestativas e com natureza salarial. Não nos parece que o fornecimento de habitação em cidades com boa oferta de imóveis possa ser considerado de maneira similar a um equipamento de trabalho, pois a esmagadora maioria dos trabalhadores que lá trabalham arcam com o custo da habitação com seu próprio salário. Situação diferente seria o fornecimento de habitação em uma localidade inóspita e que não permitisse que o próprio trabalhador, de qualquer nível, acomodasse a si e a sua família. Concluo, portanto, existir nítido caráter contraprestativo no fornecimento de habitação para o caso em análise. Assim, entendo que a inclusão dos valores despendidos com habitação de diretores na base de cálculo da contribuição previdenciária atende aos desígnios da lei. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 285 19 Multa de ofício confisco A recorrente suscita em sua defesa o Princípio de Vedação ao Confisco previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, que veda à União utilizar tributo com efeito de confisco. É descabida a alegação de confisco quanto à exigência da multa, pois a vedação estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado o princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. A respeito da Representação Fiscal para Fins Penais Os argumentos quanto ao ilícito penal não são objeto da discussão administrativa regida pelo Decreto 70.235/72. Se foi lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais, com natureza de notitia criminis, quando e se esta for enviada ao Ministério Público, a recorrente poderá ser chamada a esclarecer o eventual ilícito na oportunidade do inquérito ou da resposta à denúncia. Afastamos, portanto, os argumentos dessa natureza. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 286 20 temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 287 21 (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 288 22 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 289 23 Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 290 24 lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 291 25 · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por oportuno, cabenos afastar a majoração da multa para 112,5% promovida pela fiscalização, uma vez que tal majoração só foi possível após a MP 449/2008 (12/2008) e os fatos geradores são anteriores a tal competência. Sendo incabível a aplicação retroativa de multa, salvo se demonstrado que é mais benéfica ao contribuinte, a majoração prevista no §2º do art. 44 da Lei 9.430/96, motivada pela não atendimento de intimação, só seria aplicável ao caso se a multa por não atendimento de intimação vigente à época dos fatos geradores fosse mais severa que o valor da majoração, o que não foi demonstrado. A ausência da discussão sobre a multa mais benéfica em relação ao desatendimento de intimação representa ausência dos pressupostos jurídicos e impõe o afastamento dessa parte do lançamento. Quanto aos argumentos fundados em proporcionalidade ou razoabilidade, havendo previsão legal para o lançamento das multas, não cabe na fase administrativa a consideração desse tipo de argumentos. No tocante à relevação da penalidade por ter agido de boafé, fundada no art. 108 do CTN, o art. 136 do CTN determina que a responsabilidade por infrações independe da intenção. Logo, mesmo agindo de boafé, mas com culpa negligência, imprudência ou imperícia, a recorrente deve ser responsabilizada pelas infrações apuradas. Por todo o exposto, voto no sentido CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, de modo a: (a) afastar do lançamento os levantamentos ED, ED1, EX, EX1; (b) até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, manter a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91; (c) afastar o agravamento da multa por desatendimento de intimações. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 2301003.996 S2C3T1 Fl. 292 26 Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 19515.721803/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
Ato Cooperativo. Prestação de Serviços a Terceiros.
A prestação de serviços feita pela cooperativa a terceiros não associados não se caracteriza como ato cooperativo.
COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. PREVISÃO LEGAL.
A formação da base de cálculo das cooperativas obedece ao regime geral das demais pessoas jurídicas, somente se admitindo as exclusões expressamente definidas na legislação de regência, sem o que se configura a redução indevida da contribuição.
EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VEDAÇÃO.
É vedado ao CARF o exame de constitucionalidade de dispositivo legal em vigor, segundo o art. 62 do Regimento Interno do CARF. Excepcionalmente, admite-se exclusivamente o afastamento de dispositivo declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal ou que envolva .crédito tributário objeto de: dispensa legal de constituição, ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, súmula da Advocacia-Geral da União ou parecer do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República.
SELIC. É legitima a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic. Súmula 04 do CARF.Aplicação obrigatória da decisão do Pleno do STF que julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral.
MULTA QUALIFICADA DE 150%. FALTA DE PROVA DO DOLO.
Afasta-se a aplicação da multa qualificada quando não restar comprovado nos autos a existência de dolo na omissão de informações em DCTF e em Dacon.
Ro Negado e RV Negado.
Numero da decisão: 3302-002.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Ato Cooperativo. Prestação de Serviços a Terceiros. A prestação de serviços feita pela cooperativa a terceiros não associados não se caracteriza como ato cooperativo. COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. PREVISÃO LEGAL. A formação da base de cálculo das cooperativas obedece ao regime geral das demais pessoas jurídicas, somente se admitindo as exclusões expressamente definidas na legislação de regência, sem o que se configura a redução indevida da contribuição. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VEDAÇÃO. É vedado ao CARF o exame de constitucionalidade de dispositivo legal em vigor, segundo o art. 62 do Regimento Interno do CARF. Excepcionalmente, admite-se exclusivamente o afastamento de dispositivo declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal ou que envolva .crédito tributário objeto de: dispensa legal de constituição, ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, súmula da Advocacia-Geral da União ou parecer do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República. SELIC. É legitima a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic. Súmula 04 do CARF.Aplicação obrigatória da decisão do Pleno do STF que julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral. MULTA QUALIFICADA DE 150%. FALTA DE PROVA DO DOLO. Afasta-se a aplicação da multa qualificada quando não restar comprovado nos autos a existência de dolo na omissão de informações em DCTF e em Dacon. Ro Negado e RV Negado.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TERCEIROS. A prestação de serviços feita pela cooperativa a terceiros não associados não se caracteriza como ato cooperativo. COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. PREVISÃO LEGAL. A formação da base de cálculo das cooperativas obedece ao regime geral das demais pessoas jurídicas, somente se admitindo as exclusões expressamente definidas na legislação de regência, sem o que se configura a redução indevida da contribuição. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VEDAÇÃO. É vedado ao CARF o exame de constitucionalidade de dispositivo legal em vigor, segundo o art. 62 do Regimento Interno do CARF. Excepcionalmente, admitese exclusivamente o afastamento de dispositivo declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal ou que envolva .crédito tributário objeto de: dispensa legal de constituição, ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, súmula da AdvocaciaGeral da União ou parecer do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República. SELIC. É legitima a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic. Súmula 04 do CARF.Aplicação obrigatória da decisão do Pleno do STF que julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral. MULTA QUALIFICADA DE 150%. FALTA DE PROVA DO DOLO. Afastase a aplicação da multa qualificada quando não restar comprovado nos autos a existência de dolo na omissão de informações em DCTF e em Dacon. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 03 /2 01 1- 91 Fl. 4013DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 ATO COOPERATIVO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TERCEIROS. A prestação de serviços feita pela cooperativa a terceiros não associados não se caracteriza como ato cooperativo. COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. PREVISÃO LEGAL. A formação da base de cálculo das cooperativas obedece ao regime geral das demais pessoas jurídicas, somente se admitindo as exclusões expressamente definidas na legislação de regência, sem o que se configura a redução indevida da contribuição. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VEDAÇÃO. É vedado ao CARF o exame de constitucionalidade de dispositivo legal em vigor, segundo o art. 62 do Regimento Interno do CARF. Excepcionalmente, admitese exclusivamente o afastamento de dispositivo declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal ou que envolva .crédito tributário objeto de: dispensa legal de constituição, ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, súmula da AdvocaciaGeral da União ou parecer do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República. SELIC. É legitima a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic. Súmula 04 do CARF.Aplicação obrigatória da decisão do Pleno do STF que julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral. MULTA QUALIFICADA DE 150%. FALTA DE PROVA DO DOLO. Afastase a aplicação da multa qualificada quando não restar comprovado nos autos a existência de dolo na omissão de informações em DCTF e em Dacon. Ro Negado e RV Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente); Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Fl. 4014DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.014 3 Relatório Tratamse de Recurso de Ofício interposto pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP1) em face de exoneração parcial do crédito tributário em razão da desqualificação da Multa de ofício, em conformidade com o art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, c/c a Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008, e de Recurso Voluntário em face do Acórdão DRJ 1637.859 6a Turma da DRJ/SP1, prolatado na Sessão de19 de abril de 2012, na parte em que foi mantido o lançamento. Na origem, cuidase de autos de infração lavrados contra a contribuinte em epígrafe, relativos à falta de recolhimento, nos períodos de apuração de janeiro/2006 a dezembro/2007, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 3614/3625) e da contribuição para o PIS/Pasep (fls. 3628/3639). A numeração de referência é sempre a da versão digital do processo. Para melhor entendimento dos fatos, transcrevese a seguir trecho do relatório do Acórdão ora recorrido até a fase da impugnação: “O autuante, no Termo de Constatação Fiscal (fls. 3603/3610), fundamentou o lançamento de ofício no fato de a contribuinte não ter recolhido a Cofins e o PIS/Pasep decorrentes das receitas obtidas com a prestação de transporte público, nem tampouco informado os valores devidos em DCTF Declaração de Débito e Créditos Tributários Federais, tendo ela apresentado o Dacon Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais em branco. Durante o procedimento fiscal o auditor fiscal intimou a contribuinte a prestar esclarecimentos, tendo ela informado que não havia efetuado recolhimentos a título de Cofins e PIS/Pasep porque não teriam sido auferidas receitas tributáveis, já que não haviam sido realizadas operações referentes a atos não cooperativos. Por essa razão, o autuante assim argumentou no citado Termo de Constatação Fiscal: ‘O ato cooperativo foi regulamentado pela Lei n° 5.764 de 16 de dezembro de 1971 e de acordo com o seu artigo 79 são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Excepcionando essa regra, essa própria lei permitiu a pratica de atos não cooperativos, os quais encontramse elencados nos seus artigos 85, 86 e 88, destacandose aqui a hipótese do artigo 86 a seguir reproduzido: (...) Todavia, os seus artigos 87 e 111 determinaram que os resultados positivos obtidos pelas cooperativas com essas operações constituem renda tributável e que deveriam ser contabilizados em separado de forma a permitir o cálculo para a incidência dos tributos. Fl. 4015DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 (...) Extraise que a prestação de serviço de transporte público de passageiros à Secretaria Municipal de Transportes da prefeitura de São Paulo (entidade pública não associada) sob regime de permissão são atos não cooperativos e, neste sentido, as receitas correspondentes sujeitamse à tributação na forma dos artigos 87 e 111. A despeito da denominação adotada pelas partes para essas receitas (...) e da classificação contábil atribuída pelo contribuinte para o seu registro, temse que encontramse no conceito de receita bruta definido pelo artigo 279 do RIR/99 Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000/99 (...). (...) Importante aqui ressaltar que com a edição da Medida Provisória n° 1.8586 de 29 de junho de 1999 e suas reedições (atual MP n° 2.158 35/2001), todas as receitas auferidas pelas cooperativas, inclusive as decorrentes de atos cooperativos, passaram a se sujeitar a incidência da COFINS, tendo em vista a revogação do inciso I do artigo 6° da Lei Complementar n° 70 de dezembro de 1991 pelo seu artigo 23, inciso II, letra "a", (artigo 93 da atual Medida Provisória n° 2.15835/2001. Ficaram isentas da COFINS somente as entidades e as operações nominalmente citadas no seu artigo 13 e 14 (...), aqui não incluída as atividades cooperativas. (...) Em relação ao PIS, com a não inclusão das cooperativas no rol das empresas sujeitas ao recolhimento com base na folha de salários estabelecida pelo retro transcrito artigo 13 [da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001], restou que tais entidades, igualmente passaram como regra a ser contribuintes na modalidade faturamento. Essas regras passaram a surtir efeitos a partir do mês de novembro/99, conforme o Ato Declaratório SRF n° 088 de 17 de dezembro de 1999. Com a introdução da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, o inciso X do artigo 8°da Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002 e inciso VI do artigo 10 da Lei n° 10.833 de 29 de dezembro de 2003, estabeleceram que as cooperativas em geral, excetuadas as cooperativas agropecuárias e de consumo, continuariam sujeitas a apuração dessas contribuições segundo as regras anteriores, ou seja, na apuração cumulativa da Lei n° 9.718 de 27 de novembro de 1998, com as alterações da Medida Provisória n° 1.8586/1999 e suas reedições, até a Medida Provisória n° 2.15835/2001, regra consolidada nos artigos 1°, inciso I, artigo 2° e artigo 33 da IN SRF n° 635/2006. (...) Assim sendo, não procede a tese aventada pelo contribuinte de "que não foram auferidas receitas tributáveis pelas referidas contribuições" porquanto "não foram realizadas operações referentes a atos não cooperativos", visto que, conforme restou aqui demonstrado, a quase totalidade das receitas auferidas provieram de serviços prestados a não associados (Secretaria Municipal de Transportes da prefeitura de São Paulo) na forma do artigo 86 da Lei 5.764/71. Ademais, conforme vimos, a partir de novembro de 1999 todas as receitas auferidas pelas cooperativas, de atos cooperativos ou não, Fl. 4016DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.015 5 passaram a se sujeitar a incidência do PIS e COFINS sobre o faturamento.’ A seguir o auditor fiscal fundamenta a qualificação da multa de ofício nos seguintes termos: ‘A DCTF e o DACON, demonstrativos nos quais o contribuinte deixou de informar os valores devidos do PIS e da COFINS, além de possuir natureza declaratória, são os principais instrumentos de controle da Receita Federal do Brasil que, por intermédio das informações nelas prestadas, possibilita a análise do crédito tributário e a cobrança executiva dos valores ali declarados e não recolhidos na forma e no prazo regulamentar. Conforme vimos, esses demonstrativos foram apresentados omitindose os valores devidos dessas contribuições, induzindo a administração tributária à conclusão equivocada da inexistência de débitos a recolher das referidas contribuições. Esses fatos (omissão de informações e falta de recolhimento) inserem se, em tese, no crime tipificado no inciso I do artigo 1°da Lei n° 8.137 de 27 de dezembro de 1990 c/c o inciso I do artigo 71 da Lei n° 4.502/64 (...), sujeitandose, portanto, nos termos do parágrafo 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996, à aplicação da multa qualificada, sem prejuízo da representação fiscal para fins penais determinada pelo artigo 1° da Portaria RFB n° 2.439 de 21 de dezembro de 2010 e artigo 47 do Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011: (...).’ Cientificada dos autos de infração em 25/11/2011, a contribuinte apresentou impugnações em 20/12/2011 (fls. 3651/3708 e 3772/3818), nas quais alega: ● a definição, o conceito e o desenho legal da natureza jurídica das cooperativas no Brasil é dado pela Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971. A Constituição Federal, em seu art. 5°, inciso XVIII, dá formato constitucional a esse diploma legal ao exigir que a criação de cooperativas devam atender à forma da lei. A referida lei, assim constitucionalizada, excluiu da incidência tributária todos os atos cooperativos; ● a ordem constitucional deixou claro que a cooperativa é uma sociedade civil, de natureza econômica, sem fins lucrativos e amplamente tutelada; ● qualidade de cooperativa prestadora de serviços, seus associados prestam serviços de transporte público de passageiros à Secretaria Municipal de Transportes da PMSP, vale dizer, na cooperativa de serviços, ASSOCIADOS SÃO OS PRESTADORES DE SERVIÇOS, de modo que, quaisquer valores recebidos pela cooperativa de trabalho pelos serviços prestados por seus associados (cooperados), AINDA QUE ESSES SERVIÇOS SEJAM PRESTADOS PARA PESSOAS NÃO ASSOCIADAS, É ATO COOPERATIVO, UMA VEZ QUE OS SERVIÇOS FORAM PRESTADOS INTEGRALMENTE PELOS COOPERADOS; Fl. 4017DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 ● seguir o entendimento do Ilmo. Fiscal, seria o mesmo que obrigar que todos os usuários de transporte público, juntamente com o tomador dos serviços de transporte, fossem associados à cooperativa; ● pelo entendimento do fiscal autuante, seria impossível a existência de uma cooperativa de transporte público, uma vez que os serviços somente poderiam ser prestados a outros cooperados, tornandose assim inviável a existência de cooperativa de transporte público, senão sujeitas à tributação; ● além da própria prestação de serviços de transporte público pelos cooperados, também são atos cooperativos típicos todas as atividades desenvolvidas pela Transcooper, ora impugnante, tais como: a operação e coordenação da programação de linhas de transportes de passageiros, a realização de cursos de capacitação profissional aos cooperados, proporcionar através de convênios serviços sociais, prestar serviços de interesse dos cooperados, entre outras atividades típicas da cooperativa; ● para caracterizar o ato cooperativo, o prestador de serviços é que deve ser obrigatoriamente o associado à cooperativa e não o usuário ou contratante do serviço. O entendimento contrário a este, teria apenas o condão de fulminar completamente à própria razão de existir uma cooperativa de serviços, pois, seria delimitado de forma ilegal a quem a cooperativa e seus cooperados poderiam prestar serviços, sendo que estes deveriam ser prestados somente entre seus associados, tornandose inviável à própria finalidade da cooperativa, uma vez que, a necessidade de prestação de serviços a terceiros não associados é que levou à criação da cooperativa, que, somente repassa os valores recebidos do tomador de serviços aos cooperados que são os prestadores de serviços, em total alusão à própria natureza jurídica da cooperativa; ● a primeira particularidade que desponta da leitura dos arts. 4° e 7° da Lei n° 5.764, de 1971, é o fato das cooperativas, especialmente as de trabalho, prestarem serviços diretamente aos seus associados, proporcionandolhes condições de organização e planejamento comum do trabalho, o qual é colocado à disposição dos usuários em geral. Assim, ao se associarem à autuada, os cooperados colocam sua atividade profissional à disposição da coletividade, verdadeira destinatária dos serviços de transporte realizados. Neste contexto, a autuada serve de mero instrumento a viabilizar a contratação global da atividade dos seus sócios,relacionando o trabalho destes em conjunto aos usuários dos seus serviços, de sorte que esse trabalho não perca sua individualidade e autonomia; ● na prática dos atos inerentes à sua finalidade, as cooperativas agem em nome dos seus sócios, diferentes das demais pessoas jurídicas, nas quais os sócios é que agem em nome da sociedade. A impugnante, pois, é mera mandatária (uma efetiva secretária) de seus associados, posto que a atividade que exerce é de proveito comum; Fl. 4018DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.016 7 ● basta uma simples leitura do Estatuto Social da autuada, especificamente do que diz respeito ao "CAPITULO II DO OBJETO ", para perceber que todas as suas atividades, sem distinção ou exceção de qualquer natureza são voltadas para o trabalho cooperativo em prol dos cooperados que nela são associados; ● os valores recebidos pelas cooperativas de serviços por serviços prestados por seus associados, ainda que às pessoas nãoassociadas, como é o caso em exame, indubitavelmente, é ato cooperativo, não devendo ser, portanto, tributados; ● a idéia fundamental para a caracterização do ato cooperativo é a presença do cooperado em uma das "pontas" do negócio; ● delimitada a abrangência do ato cooperativo, importa ressaltar, neste ponto das razões, que a prática destes atos produzirá valores que não estão na disponibilidade da cooperativa, ora autuada, simplesmente porque não lhe pertencem! Tais valores, num primeiro momento, podem parecer receitas próprias, impressão que logo se dissipa, quando constatamos que, na verdade, são repassadas integralmente aos sócioscooperados, na proporção de suas produções, assim as despesas também o são, em forma de rateio; ● a cooperativa, ora impugnante, não recebe qualquer remuneração pelos serviços prestados pelos cooperados, simplesmente repassando os valores recebidos da PMSP, em razão da permissão para a prestação de serviços de transporte público; ● o produto resultante da prática de atos cooperativos atosfim e/ou atosmeio não configura faturamento tão pouco receita, para fins de incidência da Cofins; ● sendo uma sociedade cooperativa de transporte de pessoas e cargas devidamente regulamentada, em conformidade com a Lei n° 5.764, de 1971, goza de isenção da Cofins, segundo o art. 6°, inciso I e II, da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991. Essa isenção está vigente, pois somente lei de patamar superior ou de mesmo nível poderia revogála; ● o ato cooperativo só pode receber tratamento tributário por meio de lei complementar, consoante art. 146, inciso III, alínea c, da Constituição Federal. O que foi feito pela Lei Complementar n° 70, de 1991; ● é inegável que estamos diante de um típico caso de não incidência tributária, uma vez que a impugnante não auferiu receita e a natureza jurídica dos atos praticados entre ela (Transcooper) e seus associados é estritamente de Ato Cooperativo, não passível de tributação, na forma da lei; ● não tem cabimento a arguição fiscal da existência de crime contra a ordem tributária, pois não foram informados valores devidos nas declarações simplesmente porque não há incidência Fl. 4019DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 tributária de Cofins e PIS/Pasep sobre as atividades da impugnante; ● não há que se falar em enquadramento de crime contra a ordem tributária, uma vez que não houve conduta dolosa por parte da impugnante, que simplesmente valeuse da legislação aplicável e mantémse em perfeita regularidade perante o fisco federal; ● a afirmativa lançada no relatório fiscal é completamente descabida e equivocada, uma vez que, a título de argumentação, ainda que fosse devido qualquer valor aos cofres públicos, não há a constituição definitiva do crédito tributário e, portanto, em sede de conclusão do trabalho fiscal, não há que se falar em valores efetivamente devidos ao fisco e, muito menos, que houve qualquer cometimento de crime contra a ordem tributária por parte da impugnante; ● o caráter estritamente remuneratório da taxa SELIC não permite sua utilização para qualquer outra finalidade que não seja remunerar o capital alheio, não se prestando para indenização objetivada nos juros moratórios (...). Nem se alegue, por outro lado, que a cobrança da taxa SELIC estaria autorizada legalmente Lei n° 9.065/95 com fulcro no artigo 161, § 1°, do Código Tributário Nacional, e que isto seria suficiente para legitimar sua incidência no caso concreto. Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que uma lei ordinária não pode, mesmo querendo, alterar a natureza das coisas, dandolhes contornos totalmente estranhos (e até opostos!) apenas para os legítimos fins da tributação. É precisamente o que proíbe o artigo 110 do Código Tributário Nacional (...). ● a Lei n° 9.065/95 não encontra fundamento no artigo 161, § 1°, do CTN, porque este dispositivo complementar autoriza a definição de outra taxa de juros, desde que contenha e reflita natureza moratória, e não remuneratória; ● dado que a Lei n° 9.065, de 1995, conferiu natureza remuneratória aos juros incidentes sobre os débitos tributários em atraso, resta concluir que só podem ser adotados os juros previstos no art. 161, § 1°, do CTN, ou seja, a taxa de um por cento ao mês; ● há de se ressaltar que, com a adoção da taxa Selic, os juros incidentes superam o quantitativo de 1% ao mês, sem que a respectiva norma sobre a matéria tivesse definido qual o percentual a ser cobrado; ● quando se trata de imputação de multa com caráter punitivo, nos moldes em que o fora no caso em tela, mister se faz que reste demonstrado não meros indícios de conduta dolosa ou fraudulenta pelo contribuinte, mas sim que haja a prova in concreto dessa conduta, o que não é de fato o caso em apreço, uma vez que, o pagamento do tributo não foi efetuado simplesmente porque a impugnante não é sujeito passivo do mesmo; ● a multa aplicada tem nítido efeito confiscatório, o que é vedado pelo art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Fl. 4020DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.017 9 Em apoio a seus argumentos, a impugnante cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, com entendimento de não estarem os atos cooperativos sujeitos à incidência da Cofins. Ao final requer que todas as intimações sejam efetuadas em nome de seus patronos.” A DRJ São Paulo, por meio do Acórdão DRJ 1637.859 6a Turma da DRJ/SP1, prolatado na Sessão de19 de abril de 2012 deu provimento parcial à impugnação, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 ATO COOPERATIVO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TERCEIROS. A prestação de serviços feita pela cooperativa a terceiros não associados não se caracteriza como ato cooperativo. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. Não comprovado nos autos a ocorrência dolosa de omissão de informações em DCTF e em Dacon, descabe a aplicação da multa de ofício qualificada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 ATO COOPERATIVO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TERCEIROS. A prestação de serviços feita pela cooperativa a terceiros não associados não se caracteriza como ato cooperativo. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. Não comprovado nos autos a ocorrência dolosa de omissão de informações em DCTF e em Dacon, descabe a aplicação da multa de ofício qualificada. Fl. 4021DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Cientificado em 24/07/2012 do resultado do julgamento de sua impugnação (AR de –efl. 3918), a contribuinte, irresignada com a decisão que manteve parcialmente o lançamento, apresenta em 22/08/2012, recurso voluntário (PIS/PASEP efls 3924 a 3961 e COFINS – efls 3962 a 4009), no qual, utilizandose dos mesmos argumentos da peça impugnatória, questiona: 1) a interpretação dada pelos autuante e a autoridade julgadora acerca do conceito de atos cooperativos, 2) a inconstitucionalidade das leis ordinárias que alteraram a isenção dos atos cooperativos prevista na LC 70/91, 3) a abrangência do faturamento em face das atividades de cooperativas, 4) o descabimento de crime contra a ordem tributária, 5) a aplicação da Taxa SELIC Ao final efetua o seu pedido: “... REQUER SEJA CONHECIDO E PROVIDO O PRESENTE RECURSO VOLUNTÁRIO, REFORMANDOSE O ACÓRDÃO RECORRIDO PARA O FIM DE DECLARAR A IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO FISCAL E CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO EM EPÍGRAFE, COM O ARQUIVAMENTO DO MESMO.” Na forma regimental, o processo foi distribuído a essa relatora. É o Relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O Recurso de Ofício foi interposto em face do crédito tributário exonerado pela Autoridade julgadora de 1ª Instância Administrativa exceder o limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 e, portanto, deve ser objeto de análise deste colegiado. O Recurso Voluntário, por sua vez, é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O cerne do litígio é a definição da correta base de cálculo do PIS e da Cofins, mais especificamente, no que se refere à incidência das contribuições sobre os serviços de transporte de passageiros pagos por terceiros à cooperativa e prestados por meio de seus cooperados. A Transcooper Cooperativa de Transporte de Pessoas e Cargas da Região Sudeste (antiga Transcooper Cooperativa de Trabalho dos Profissionais no Transporte de Passageiros em Geral da Região Sudeste), foi constituída em 11 de agosto de 1997, através da Assembléia Geral de Constituição de 11 de agosto de 1997, registrada na Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo sob n° 1377, tendo por objeto a defesa e a prestação de Fl. 4022DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.018 11 serviços à seus associados (artigo 2o do estatuto social com as alterações posteriores, consolidado em 19112010). Sendo permissionária do sistema de transporte coletivo concedida pela Secretaria Municipal de Transportes SMT da Prefeitura do município de São Paulo (Termos de Permissão n° 692/03, 693/03 e 695/03), atuou como prestadora de serviço público de transporte coletivo de passageiros, através de seus cooperados, a qual se constituiu como a sua atividade principal e sua principal fonte geradora de recursos. As autoridades de lançamento e de julgamento de 1ª instância administrativa entenderam devidas as contribuições do PIS E COFINS incidentes sobre as receitas decorrentes dessa atividade baseadas em duas fundamentações: 1) os serviços de transportes de passageiros decorrentes dos contratos firmados com a Secretaria Municipal de São Paulo não constituem atos cooperativos e 2) a legislação em vigor no período fiscalizado exigia a incidência das contribuições sobre as receitas das cooperativas, em face da revogação da isenção anteriormente existente. Por sua vez, a contribuinte defende que: 1) tais serviços constituem atos cooperativos; 2) os atos cooperativos não são atos comerciais e, portanto, não geram receitas, ocorrendo a não incidência; 3) a inconstitucionalidade das normas que revogaram a isenção prevista em Lei complementar. Registrese, de início, que essa matéria encontrase sob Regime de Repercussão Geral reconhecida nos autos do Recurso Extraordinário nº 598.0855/RJ. Inobstante haja ou não sobrestamento de outros recursos especiais na esfera judicial, tal fato não mais influencia o julgamento da mesma matéria no CARF, haja vista a alteração do Regimento Interno do CARF, ocorrida por meio da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013 que em seu art 1º revoga os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, afastando, assim, a figura do sobrestamento neste colegiado. Também, cabe ressaltar que o exame de constitucionalidade de dispositivo legal em vigor, é procedimento, regra geral, vedado a este órgão, segundo o art. 62 do Regimento Interno do CARF. Excepcionalmente, admitese exclusivamente o afastamento de dispositivo declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal ou que envolva .crédito tributário objeto de: dispensa legal de constituição, ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, súmula da AdvocaciaGeral da União ou parecer do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República. Desta forma, mister se faz analisar o histórico da legislação tributária atinente às Cooperativas, para ressaltar a legislação tributária em vigor na época dos fatos, cujo cumprimento é devido, salvo nas hipóteses imediatamente acima mencionados, o que não ocorreu. DO DIREITO A Constituição Federal de 1988, em seu art. 146, III, “c” estabeleceu: “"Art. 146 Cabe à lei complementar: Fl. 4023DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 12 III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre:... c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas". O tratamento diferenciado, genericamente previsto na Constituição, depende de lei para sua implementação. Mas, inobstante tal previsão constitucional, até o momento não foi inserido no ordenamento jurídico lei complementar com esta finalidade específica. Na esfera tributária federal existem, porém, leis que tratam da tributação das sociedades cooperativas, consoante se destacará adiante. Neste sentido, por pertinente, transcrevo trecho do voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro proferido no Acórdão nº 3102001.432, de 24 de abril de 2012: “Cabe aqui destacar a manifestação do Supremo Tribunal Federal nos autos do Mandado de Injunção nº 701DF: "MANDADO DE INJUNÇÃO OBJETO. O mandado de injunção pressupõe a inexistência de normas regulamentadoras de direito assegurado na Carta da República.Isso não ocorre relativamente às sociedades cooperativas e ao adequado tratamento tributário previsto na alínea 'c' do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal." No intuito de dar mais clareza aos fundamentos que orientaram o aresto, registro as anotações consignadas no Informativo Semanal do Pretório Excelso nº 3631. O Tribunal não conheceu de mandado de injunção impetrado pela Unimed Paulistana Cooperativa de Trabalho Médico em que se alegava omissão legislativa caracterizada pela não edição de lei complementar estabelecendo "adequado tratamento tributário dos atos cooperativos", nos termos do art. 146, III, c, da CF, e se requeria a concessão da ordem para afastar a "exigibilidade da retenção das contribuições alcançadas pela Lei nº 10.833/83 COFINS, PIS e CSLL" (CF: "Art. 146. Cabe à lei complementar:... III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre:... c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas."). Entendeuse, com base na jurisprudência do STF, inadequado o manejo do writ injuncional, em face da inexistência de situação configuradora de lacuna técnica que inviabilizasse o exercício de direitos e liberdades constitucionais (CF, art. 5º, LXXI), tendo em vista haver, no cenário jurídico, diversas leis ordinárias disciplinando sobre tributação das cooperativas (Lei 10.684/2003, art. 17; Lei 10.833/2003, art. 10, VI; Lei 10.865/2004, arts. 39 e 48; MP 9.718/98, art. 3º, §9º e art. 15). Ressaltouse que, apesar dessas normas não terem a envergadura complementar a que alude o art. 146, III, c, da CF, a discussão em torno da constitucionalidade das mesmas haveria de ser formulada em ação direta de inconstitucionalidade, sob pena de se conferir ao mandado de injunção contornos próprios de processo objetivo. MI 701/DF, rel. Min. Marco Aurélio, 29.9.2004. (MI701) 1 http://www.stf.jus.br/arquivo/informativo/documento/informativo363.htm Fl. 4024DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.019 13 A transcrição do excerto demonstra que o Pretório Excelso partiu do pressuposto de que há, no ordenamento jurídico, dispositivos legais que disciplinam o tratamento diferenciado ao ato cooperativo. Assim, a ausência de previsão legal que contemple o tratamento almejado não configura omissão, mas de silêncio eloquente do legislador. Em outras palavras, o tratamento diferenciado previsto na Constituição é aquele que o legislador previu. Se não o fez, há que se aplicar o tratamento geral, dispensado a qualquer outra pessoa jurídica.” Vejamos, então, uma síntese da legislação. De início, havia a isenção da COFINS concedida às sociedades cooperativas pela LC nº 70, de .1991, art. 6º: “Art. 6° São isentas da contribuição: 1 as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades;” Sabese que a isenção é forma de exclusão do crédito tributário (CTN, art. 175). Logo, para que se aplique, antes há de ter ocorrido a hipótese de incidência genericamente disciplinada na lei. Tratandose de Cofins, temse que, sob a égide da Lei Complementar n° 70/91, a hipótese de incidência da contribuição é a obtenção de receitas provenientes da venda de mercadorias ou serviços. Há de ocorrer, pois, uma venda para que se possa pensar em incidência, e depois, somente depois, em excluir o crédito tributário daí surgido. Disso resulta que a disposição do art. 6º, inciso I da Lei Complementar n° 70/91 implicitamente está a considerar que as cooperativas, em seus atos cooperativos, praticam, sim, vendas. Não obstante, tal isenção foi revogada pela Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, art.23, II. e suas reedições posteriores, até finalmente constar do art. 93, II, a, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: "Art. 93. Ficam revogados: (...) II a partir de 30 de junho de 1999: a) os incisos I e III do art. 6° da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991;". Relativamente ao PIS/PASEP, na vigência da Lei n° 9.715, de 1998, as cooperativas estavam sujeitas ao recolhimento com base na folha de salários, mas deviam pagar também a contribuição com base no faturamento do mês em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados: Fl. 4025DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 14 “Art. 2° A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; II pelas entidades sem fins lucrativos definidas como empregadoras pela legislação trabalhista e as fundações, com base na folha de salários; (...) § 1°As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, a contribuição calculada na forma do inciso I, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados.” Posteriormente, a Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, alterou substancialmente toda a sistemática do PIS/Pasep, mas foi a Medida Provisória n° 1.8586, de 29 de junho de 1999, que trouxe em seu art. 13 lista das pessoas jurídicas sujeitas ao PIS/Pasep com base na folha de salários, nela não incluídas as cooperativas. Essa medida provisória, em seu art. 23, inciso II, revogou expressamente o inciso II do art. 2° da Lei n° 9.715, de 1998. Com isso as cooperativas, como regra, passaram a ser contribuintes do PIS/Pasep na modalidade de faturamento, como previsto nos arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Como bem ressalvou o acórdão ora recorrido, “em 17/11/1999 foi editado o Ato Declaratório n° 88, no qual o Secretário da Receita Federal declarava que o PIS/Pasep e a Cofins seriam apurados em conformidade com a Medida Provisória n° 1.8587, de 1999, a partir do mês de novembro de 1999...” Apesar da instituição da sistemática nãocumulativa da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS por meio das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, as sociedades cooperativas continuaram na sistemática cumulativa de pagamentos destes tributos, na forma do art. 8º, X, da primeira Lei, e do art. 10, VI, da segunda2, estando, portanto, submetidas à Lei nº 9.718/98, que, em seu art. 2º, define a base de cálculo destas exações como o faturamento auferido pela pessoa jurídica. “Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. 2 Lei nº 10.637/2002 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: (...) X as sociedades cooperativas; ( Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003 ) Lei nº 10.833/2003 Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: ( Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005 ). (...) VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária, sem prejuízo das deduções de que trata o art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e o art. 17 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, não lhes aplicando as disposições do § 7º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e as de consumo; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 4026DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.020 15 Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica”. Assim, as cooperativas ficaram sujeitas à incidência do PIS e COFINS sobre a sua receita bruta, inclusive as decorrentes dos atos cooperativos, com as deduções legalmente previstas. O art. 15, da Medida Provisória (MP) nº 1.858/99, reeditada até a MP nº 2.15835/2001 que trata sobre as exclusões da base de cálculo do PIS e Cofins para as sociedades cooperativas foi assim redigido: “Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos”. Há ainda a previsão de novas exclusões por meio da Lei n° 10.676, de 22/05/2003, conversão da Medida Provisória n° 101, de 30/12/2002, que repetiu o texto do Decreto n° 4.524, de 17/12/2002 (Regulamento do PIS/Pasep e Cofins) e deixou expresso que a nova exclusão alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória n° 1.85810, de 26/10/99, ou, vale dizer, desde novembro de 1999. Observese a redação da Lei n° 10.676/2003: “Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1º As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. Fl. 4027DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 16 § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.858 10, de 26 de outubro de 1999.” Como se vê, não há´previsão para a exclusão de possíveis valores repassados aos associados em decorrência da prestação de serviços de transportes de passageiros. Não obstante a conclusão acima, tendo em vista as alegações da recorrente atinentes aos atos cooperativos, passase a efetuar análise, a partir da legislação vigente,do entendimento acerca do que seja uma cooperativa e o ato cooperativo. Para este mister, transcrevo a seguir partes pertinentes do voto, cujos fundamentos aqui tomo emprestados, de autoria do julgador de 1ª Instância Administrativa, Márcio André Moreira Brito, condutor do julgado proferido no Acórdão nº 1141.485, de 25 de junho de 2013: “57. A Lei nº 5.764, de 16/12/1971, recepcionada pela Carta Política de 1988, define a Política Nacional de Cooperativismo e assim dispõe em seu art. 3º sobre o contrato de sociedade cooperativa: ‘Art. 3º. Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro’ (g.n.). 58. A ausência de objetivo de lucro é um dos traços mais marcantes das cooperativas. Os associados, estes sim, direta ou indiretamente, visam a auferir alguma vantagem pessoal, sobretudo pecuniária, que será, ou não, tributada conforme a legislação aplicável. No entanto, a cooperativa ela em si não objetiva lucro. 59. O intuito das cooperativas, na forma do art. 4º, caput, da Lei Cooperativista (que a seguir parcialmente transcrevo) é prestar serviços aos associados: ‘Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...)’ (g.n.) 60. Conquanto não objetivem lucrar, evidentemente a cooperativa deve receber remuneração mensal de seus associados, conforme definido no seu Estatuto Social, para financiar os custos e as despesas incorridas na prestação dos serviços aos associados. Havendo sobras (excesso das remunerações em relação aos gastos operacionais), elas, ressalvada distinta previsão estatutária, devem retornar aos cooperados, proporcionalmente às operações por cada um realizadas perante a sociedade e havendo perdas (insuficiência das remunerações), estas, depois de amortizadas por valores acaso disponíveis nos Fundos Obrigatórios, serão rateadas entre os cooperados (arts. 4º, VII, art. 21, IV, e art. 44, II, todos da Lei nº 5.764/71). 61. Outro traço das cooperativas é que elas são constituídas intuito personae (art. 4º, IV, da Lei nº 5.764/71), ou seja, em Fl. 4028DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.021 17 atenção às pessoas dos cooperados, que, simultaneamente, são “donos” e usuários da cooperativa (Princípio da Dupla Qualidade). 62. Já o ato cooperativo é assim definido pelo art. 79, da Lei Cooperativista: ‘Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria’ (g.n.) 63. Como se vê, a lei brasileira atualmente vigente impõe ao ato cooperativo dois requisitos: (i) um subjetivo: dele deve participar, de um lado, uma cooperativa e, do outro, seu (s) associado (s) ou outra (s) cooperativa (s); e (ii) e outro objetivo: ele deve ser voltado para a consecução dos objetivos sociais da cooperativa. 64. Há países cuja legislação, de modo análogo à brasileira, só tem por cooperativos os atos praticados entre as cooperativas ou entre estas e seus associados. Exemplo é a Colômbia, como se vê no art. 7º, da Lei nº 79/88 daquele País, abaixo transcrito na redação original e livremente traduzida para o português: ‘Art.7º ... serán actos cooperativos los realizados entre si por las cooperativas o entre estas y sus propios associados, en desarrolo de su objeto social.’ ‘Art. 7º Serão atos cooperativos os realizados entre si pelas cooperativas ou entre estas e seus próprios associados, no desenvolvimento de seu objeto social’ 65. O modelo acima, contudo, não é universal. 66. Realmente, existem países em que a lei, dentro de certas situações que especifica, estende a noção de atos cooperativos àqueles praticados pela cooperativa com terceiros. É o caso da Argentina, como patenteia o art. 4º, da Lei Portenha nº 20.377, de 02/03/1973, a seguir vazado no vernáculo original e em português livremente traduzido: ‘Acto cooperativo ARTICULO 4. Son actos cooperativos los realizados entre las cooperativas y sus asociados y por aquéllas entre sí en el cumplimiento del objeto social y la consecución de los fines institucionales. También lo son, respecto de las cooperativas, los actos jurídicos que con idéntica finalidad realicen con otras personas. ‘Art. 4º. São atos cooperativos realizados entre as cooperativas e seus associados e por aquelas entre si, em cumprimento do objetivo social e da consecução dos fins institucionais. Fl. 4029DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 18 Também o são, a respeito das cooperativas, os atos jurídicos que, com idêntica finalidade, realizarem com outras pessoas’. 67. No Brasil, tramita no Congresso Nacional o PLP nº 198/2007, ainda não aprovado, que pretende estender a concepção de ato cooperativo, para alcançar, nos termos abaixo, os atos praticados pela cooperativa com terceiros por conta dos cooperados3: ‘Art. 2º Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus sócios, entre estes e aquelas ou entre cooperativas associadas, bem como os atos externos, quando vinculados às atividades dos sócios e por conta destes, em cumprimento ao objeto social e a finalidade da sociedade cooperativa.’ (g.n.) 68. Está claro, inclusive em suas justificativas (das quais extraio os fragmentos abaixo), que o PLP nº 198/2007 inova a definição de ato cooperativo constante do art. 79, da Lei nº 5.764/71: ‘Pertine uma proposta de se inovar, denominando alguns atos de mercado como também, de certo modo, cooperativos. Esta pertinência advém da conveniência em se enfatizar a unidade e o nexo das operações econômicas da cooperativa, entendidas essas como cadeias de atos que se iniciam com um ato bilateral cooperativo, tal como reconhece a doutrina e está consagrada na redação original do art. 79 da Lei 5.764/71, mas se projeta para o ambiente externo, de mercado, para efetivação de uma vantagem patrimonial, receita ou faturamento direto para o seu sócio . Essa inovação conceitual então se presta exatamente para designar que esses atos de mercado, quando circunscritos a uma operação da cooperativa, na qual está participante o seu sócio na dupla condição de dono e usuário, são praticados por conta deste.(...)’ (sublinhouse). 69. Em resumo: o conceito de ato cooperativo não é universal e deve ser buscado na legislação de cada País e, no caso do Brasil, a legislação ora vigente apenas reconhece como cooperativos os atos ‘praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si’ (art. 79, da Lei nº 5.764/71). 70. Inobstante, a lei brasileira não veda que a cooperativa negocie com não associados. Ao contrário, o art. 86, caput, da Lei nº 5.764/71, faculta que a cooperativa forneça “bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei”. Todavia, estes negócios com não associados não são atos cooperativos e devem ser tributados normalmente, aos moldes dos arts. 87 e 111, desta Lei, in verbis: “Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do ‘Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social’ e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. 3 O PLP 198/2007 ora está apensado ao PLP 271/2005, no qual foi designado Relator, na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio (CDEIC), o Deputado Federal Luiz Carlos Hauly, que apresentou substituto, que, embora reposicione e altere a redação das supraditas disposições, não lhe faz substanciais alterações Fl. 4030DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.022 19 (...) Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei.” (g.n.) Feitas as considerações gerais acima, passase à análise do caso vertente: A autuada é uma Sociedade Cooperativa de Transportes de Passageiros e Cargas e de seu Estatuto(anexado à efls. 08 a 37) podese extrair o seu Objeto(Art. 2º) – que, registrese, está em conformidade com as regras estabelecidas nos arts 4° e 7° da Lei n° 5.764, de 19714 e as atividades que pode praticar para o alcance de seu objeto(Art.3º): “Art. 2° A TRANSCOOPER tem por objeto a defesa e a prestação de serviços a seus Associados. Art. 3° para consecução do seu objeto, a TRANSCOOPER poderá: a) contratar serviços junto a pessoas físicas ou jurídicas de Direito Público ou Privado, para seus Cooperados, em condições e preços convenientes; b) representar os Cooperados perante pessoas físicas ou jurídicas de Direito Público ou Privado, obtendo linhas de financiamento, ou outros assuntos de interesse, em benefício dos Cooperados; c) fornecer aos Cooperados assistência, apoio logístico e outros meios que se fizerem necessários para melhor execução de seu trabalho, de maneira absoluta, excluindose toda e qualquer atividade exercida por Prepostos ou Auxiliares do Cooperado, não havendo qualquer relação empregatícia destes com a TRANSCOOPER; d) organizar o trabalho de modo a bem aproveitar a capacidade dos Cooperados, distribuindoos conforme suas aptidões e interesses coletivos; e) realizar em benefício de Cooperados interessados ou por interesse dos Tomadores de Serviço, Seguro de Vida Coletivo, Acidente de Trabalho e Acidentes Pessoais; f) proporcionar, através de convênio com pessoas físicas ou jurídicas de Direito Público ou Privado, serviços jurídicos e sociais, ou outros de interesse dos Cooperados; g) realizar cursos de capacitação cooperativista, profissional ou outros de interesse dos Cooperados; 4 Art. 4° As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...) Art. 7° As cooperativas singulares se caracterizam pela prestação direta de serviços aos associados. (destaques acrescidos) Fl. 4031DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 20 h) propor ações coletivas em defesa dos interesses dos Cooperados, inclusive mandado de segurança coletivo; i) prestar serviços de interesse dos Cooperados a pessoas Físicas ou Jurídicas j) estabelecer condições para prestar serviços sociais aos Cooperados, seus Familiares, Funcionários e suas Famílias; k) estabelecer condições para a construção e manutenção da sede própria da TRANSCOOPER e de suas eventuais Filiais; l) criação e manutenção de creche ou outra atividade social, a ser definida posteriormente em reunião da Diretoria Executiva, visando benefícios para os Cooperados, seus Familiares, os Funcionários e seus Familiares, além da Comunidade em Geral da Região em que estiver sediada a TRANSCOOPER; m) atuar no transporte de passageiros, quer seja nas jurisdições Municipais, Intermunicipais, Estaduais, Interestaduais ou Federais, compreendendo Transportes: Coletivo Urbano, Comunitário, Translado, Fretamento, Turismo, Executivos, Transporte Escolar, de Carga, misto de Cargas e Passageiros, outros de interesse da sociedade que, neste último caso, deverá constar de Ata de Reunião do Conselho de Administração que o autorizou; n) criar e manter Filiais, através da deliberação do Conselho de Administração, com ou sem estrutura de garagem, para guarda dos veículos, incluindo abastecimento e manutenção, de diversas formas, dos aludidos veículos, além de todo serviço necessário para cumprimento do presente Estatuto; o) manter a maior equidade possível entre todos os Cooperados; p) operar e coordenar a programação de linhas de transporte de passageiros de sua responsabilidade que lhe sejam conferidas a qualquer título; q) a TRANSCOOPER, para cumprimento dos objetivos anteriormente descritos, poderá comercializar bens de consumo, duráveis ou não, exclusivamente para seus Cooperados, acrescendo um valor que se destinará à sua manutenção e de suas Filiais, bem como celebrar Contratos para a comercialização de bens que se destinarão, exclusivamente aos Cooperados; r) os eventuais percentuais acrescidos ao valor de custo, obtidos na comercialização, por se tratar de ato cooperativo, deverão ser destinados à reserva legal e/ou distribuídos entre os cooperados de cada exercício; s) permitir a concessão de aval, carta de fiança, anuência, ou outro instrumento que o exija, até o limite a ser estabelecido em instrução normativa que é parte integrante do regimento interno da TRANSCOOPER; t) negociar com toda e qualquer instituição, inclusive bancária, as mais amplas formas comerciais para obter vantagem para a sociedade como um todo.” Fl. 4032DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.023 21 Das atividades previstas no art. 3º do seu Estatuto, acima transcrito, verifica se que especificamente aquela contida na letra “m” não se destina à seus associados, mas, sim, à terceiros, consoante previsto no art. 86, caput, da Lei nº 5.764/71, que, como já acima ressaltado, faculta que a cooperativa forneça “bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei”. De acordo com a previsão estatutária contida na letra “m” do Art. 3º, na condição de permissionária do sistema de transporte coletivo concedida pela Secretaria Municipal de Transportes SMT da Prefeitura do município São Paulo (Termos de Permissão n° 692/03, 693/03 e 695/03), atuou como prestadora de serviço publico de transporte coletivo de passageiros, através de seus cooperados, a qual se constituiu como sua atividade principal e sua principal fonte geradora de recursos. Ora, a Prefeitura Municipal de São Paulo é terceiro, que na situação, não detém a característica de cooperado. Assim, o contrato de Transporte de Passageiros firmado com terceiro, no caso a Prefeitura Municipal de São Paulo, não constitui ato cooperativo, por não preencher o requisito do art. 79, da Lei nº 5.764/71, que, merece ser repisado, apenas admite como cooperativos os atos “praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si”.Desta forma, mesmo na época em que existia a isenção da Cofins para os atos cooperativos, tal isenção não alcançava o resultado dessa prestação de serviços à terceiros, o qual deveria ser normalmente tributadas as receitas decorrentes deste ato, aos moldes dos arts. 87 e 111, da Lei nº 5.764/71. E, com mais razão a tributação hoje, tendo em vista a revogação da isenção da COFINS, consoante já acima tratada. Na mesma diretriz a decisão no RESP nº 487.854/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, DJ de 23/08/2004: ‘TRIBUTÁRIO ISS COOPERATIVA MÉDICA ATO COOPERADO ISENÇÃO. 1. As cooperativas podem praticar atos cooperados, ao coordenar e planejar o trabalho de seus associados, os quais recebem pelo trabalho realizado, com isenção de tributos, nos termos da Lei 5.764/71, artigo 79. 2. Diferentemente, podem as cooperativas na captação de clientes firmarem com este ato negocial, vendendo planos de saúde, recebendo dos terceiros importância pelo serviço realizado, sem isenção alguma porque de ato cooperado não se trata. 3. Hipótese dos autos em que a cooperativa age intermediando os serviços de seus próprios associados, os médicos, reunidos em prol de um trabalho comum, exercendo verdadeiro ato cooperativo. 4. Recurso especial improvido”. (g.n.) Portanto, legítima a inclusão, na base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, das receitas acima mencionadas. TAXA SELIC Deve, também, ser rechaçada a argüição da ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da taxa Selic como juros moratórios. A taxa de juros remuneratórios de créditos tributários pagos fora dos prazos legais de vencimento foi determinada pelo artigo 13 da Lei n° 9.065/95. Fl. 4033DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 22 Por outro lado, essa é matéria já sumulada no CARF, por meio da Súmula CARF no 4 (DOU de 22/12/2009) abaixo reproduzida: “Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Ainda sobre a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, na sessão do dia 18/05/2011, o Pleno do STF julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral. Nesse julgamento o STF reconheceu legítima a incidência da taxa Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Tal decisão é de aplicação obrigatório por parte deste CARF, nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno. DO RECURSO DE OFÍCIO Tendo em vista as fundamentações acima posta para a manutenção da tributação do PIS e COFINS sobre as receitas advindas de atos com terceiros, passase à análise do recurso de ofício, necessário em face da exoneração do Crédito Tributário acima do limite estabelecido na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. Tal exoneração deuse em decorrência do entendimento da Autoridade Administrativa de 1ª Instância de que a multa de Ofício não poderia ser a Multa qualificada, na ordem de 150%, por não existir nos autos a comprovação de dolo, motivo pelo o qual a reduziu para o patamar de 75%. Neste aspecto, não merece reparo a decisão que a reduziu para 75% (setenta e cinco por cento). De acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fl. 3609), o autuante, diante da omissão de informações na DCTF e no Dacon e sob o fundamento de que tal atitude teria induzido a administração tributária à conclusão equivocada da inexistência de débitos a recolher de PIS/Pasep e de Cofins, entendeu tratarse o fato do caso previsto no art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, uma das hipóteses previstas no § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, para a duplicação da multa de ofício: “Lei n° 4.502, de 1964 Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;” “Lei n° 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) (...) Fl. 4034DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.721803/201191 Acórdão n.º 3302002.569 S3C3T2 Fl. 4.024 23 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007)”. Não obstante a omissão de dados na DCTF e no Dacon tenha o efeito de retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, fazse necessário, para aplicação da multa de 150%, a comprovação de que essa omissão tenha sido dolosa, subsumindose, então, à hipótese do art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, por ser o dolo elemento essencial da hipótese. Entrementes não consta nos autos nenhuma prova da ocorrência do dolo.Sequer o autuante fez menção a este elemento. Apenas concluiu que a omissão, por si só, se enquadraria na hipótese do inciso I do art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964. Como bem ressaltou o julgador a quo, devese reconhecer que a questão da tributação das sociedades cooperativas, em razão das mudanças na legislação, da diversidade de tipos de cooperativas e das formas adotadas pelas cooperativas, tornouse há tempos de complexa natureza, encontrandose hoje, seja na doutrina, seja na jurisprudência, exemplos de posições antagônicas, muitas delas com entendimento semelhante ao exposto pela impugnante. Portanto, é completamente compreensível que a omissão da contribuinte tenha decorrido efetivamente de um entendimento que para a mesma seria o correto, tal qual justificou na sua resposta à intimação fiscal, no decorrer da fiscalização, acerca da não tributação do PIS e COFINS nas receitas decorrentes dos serviços prestados à Secretaria Municipal de Transportes SMT da Prefeitura do município São Paulo. O dolo poderseá restar configurada em caso de reincidência da recorrente, em matéria similar, depois de devidamente transitada em julgado decisão administrativa a ela desfavorável . Desta forma, não sendo possível concluir pela ocorrência de dolo unicamente com base nos fatos descritos e, não havendo provas nos autos de ação dolosa, devese mesmo afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%, conforme previsto no inciso I do Art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, mantendo, desta forma, o decidido no Acórdão nº DRJ 1637.859 6a Turma da DRJ/SP1. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto no sentido de Negar Provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário e, por decorrência, manter integralmente o crédito tributário nos termos proferido no Acórdão ora recorrido. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 4035DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 24 Fl. 4036DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 15374.920013/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003
IRPJ. DCOMP. RETIFICAÇÃO UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Verificada a insuficiência do direito creditório pleiteado pelo contribuinte na DCOMP. Incabível a retificação desta para substituir ou complementar o crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.741
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 IRPJ. DCOMP. RETIFICAÇÃO UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Verificada a insuficiência do direito creditório pleiteado pelo contribuinte na DCOMP. Incabível a retificação desta para substituir ou complementar o crédito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 179DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15374.920013/200891 Acórdão n.º 140200.741 S1C4T2 Fl. 0 2 2 Relatório TSN TRANSMISSORA SUDESTE NORDESTE S.A. com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que indeferiu seu pleito. Versa este processo sobre compensações identificadas pelo PER/DCOMP com demonstrativo de crédito nº 07726.41203.140605.1.3.035077. Através do Despacho Decisório nº 796759222 (fl. 8), não foram homologadas as compensações declaradas. O interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 10/29. Nesta peça, alega, em síntese, que os PER/DCOMP contêm erros materiais, como expõe. Encerra solicitando o cancelamento dos PER/DCOMP A decisão recorrida traz a seguinte ementa e voto condutor Ementa: COMPENSAÇÃO. Matéria nova não integra a lide. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Voto (...) No Despacho Decisório, a DERAT ressalva que não foi possível confirmar a apuração do saldo negativo, pois não foi identificado o período de apuração a que se refere o crédito informado. Na manifestação de inconformidade, o interessado não elide os fatos apontados no Despacho Decisório. Alega que os PER/DCOMP contêm erros materiais, como expõe demonstra não ter apurado saldo negativo. Solicita o cancelamento dos PER/DCOMP. As alterações pretendidas não podem ser entendidas como mero erro de preenchimento. O interessado introduz matéria nova e que, assim, não pode ser conhecida neste momento processual. A retificação da Declaração de Compensação somente pode ser admitida antes do Despacho Decisório que não homologou a compensação (art. 57 da IN nº 600/2005). Eventual pedido de retificação ou cancelamento do PER/DCOMP não pode ser apreciado neste momento processual, no qual já foi denegada a compensação. Tal análise não se insere no rol de competências das Delegacias de Julgamento. O Despacho Decisório deve ser mantido, por não terem sido elididos os fatos nele apontados. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15374.920013/200891 Acórdão n.º 140200.741 S1C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado tratase de DCOMP não homologada em face da inexistência do direito creditório. Em seu recurso voluntário, a contribuinte repisa as alegações no sentido de que incorreu em erros no preenchimento da DCOMP e que o credito seria de outra natureza. Alem disso afirma que já quitou os débitos que teriam sido compensados. Vejamos a transcrição de parte das alegações recursais. 8. E de fácil percepção que a decisão de primeira instância administrativa ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o Despacho Decisório n° 796759222, exala impropriedade e injuridicidade, conforme se verá: 9. De fato, nos dias 14 e 15 de junho de 2005, a Recorrente solicitou, mediante utilização do programa eletrônico PER/DCOMP, a compensação de crédito tributário relativo ao "Saldo Negativo de CSLL" referente ao anocalendário de 2003, exercício 2004, com débitos de CSLL (código 248401) apurados nos meses de . julho (R$ 145.070,09), agosto (R$ 19.832,09), áetembro (R$ . 20.694,64), outubro (R$ 23.851,57) e novembro (R$ 21.723,46) todos do ano calendário de 2004, conforme demonstrados nos PER/DCOMP's n°s:07726.41203.140605.1.3.035077, . 18577.37190.1.40605.1.3.037902, 09685.48955.140605.1.3.038530, 15446.82026.150605.1.3.036101, e 04851.44077.150605.1 ..3.030308. 10.Acontece que os PER/DCOMP's acima citados foram transmitidos equivocada e desnecessariamente. Todos deveriam ter sido cancelados por serern. totalmente inutil Ocorre que os erros cometidos nas informações procedidas nas Declarações só foram percebidos pela Recorrente após, a não homologação da compensação o que, a rigor, a impediu de fazer as devidas correções (retificações/cancelamentos). 11.0 primeiro erro diz respeito ao direito creditório neles informado, qUal não se refere a saldo negativo de CSLL dõ anocalendário. de 2003; exercício de 2004.. Até porque a Recorrente não apurot.i .. "Saldo Negativó de CSLL" em nenhum dos trimestres do .anocalendário de 2003, conforme demonstrado na DIPJ/2004, más tão somente efetuou pagamento a maior da contribuição. 12. Em verdade, o que ocorreu foi que, equivocadamente, a Requerente entendeu que deveria formalizar, via preenchimento dos PER/DCOMPs, a utilização da dedução do valor da CSLLFonte que foi retida pelas suas fontes pagadoras nos meses julho a novembro de 2004 da CSLL devida nos referidos meses. Mas, por ter sido, equivocadamente, considerado no PERDCOMP como saldo negativo da CSLL, para a composição do crédito foram relacionadas as fontes retentoras (entidades públicas federais) que efetuaram a retenção da CSLL .em relação aos pagamentos ocorridos nos meses janeiro a novembro •de 2004. 14.Vejase nos demonstrativos abaixo que o valor do crédito informado nosPER/DCOMP's em questão corresponde ao mesmo valor da CSLL retida na. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15374.920013/200891 Acórdão n.º 140200.741 S1C4T2 Fl. 0 4 fonte informada na linha 10, da ficha .16, da DIPJ/2005 (ressalvado os meses de julho e outubro de 2004): (...) 15. Pelo que se vê, o que de fato ocorreu foi que, .equivocadamente, a Recorrente entendeu que deveria formalizar, via preenchimento de PER/DCOMPs, a dedução da CSLUFonte que foi retida do valor da CSLL devida no mês da sua própria retenção, fato esse que ocorreu nos meses de. julho a novembro de 2004. 16. Portanto, como a Recorrente utilizou.— como dedução os valores que foram retidos na fonte de CSLI: no período de janeiro a novembro de 2004 do próprio ano calendário de 2004, conforme demonstrado na ficha 16, da DIPJ/2005, é patente que a formalização do pedido de compensação foi feita erroneamente pela Requerente e, por óbvio, como se encontra impedida de efetuar o cancelamento das mesmas — haja vista o. despacho denegatário da compensação — requereu tal procedimento de oficio, de maneira a regularizar a situação. 17. 0 segundo motivo que justifica a apresentação indevida e desnecessária dosPER/DCOMP's sob foco e corrobora a necessidade de cancelamento de Oficio de tais declarações, referese ao adimplemento de toda a dívida da CSLL apurada nos meses de julho a novembro de 2004. 18.Na ocasião em que foram apresentadas A RFB as compensações ora em questão, apenas restavam a Pagar os valores de R$ 124.121,06 (CSLL Jul/04) e R$ 2.594,27 (CSLL Out/04), que foram, posteriormente, pagos (em 04.12.2008); com .os.devidos encargos moratórios, conforme Comprovam. os DARF's anexados a Manifestação de Inconformidade, cujos números dos documentos são 08 e 14. 19.Acontece que a AUtoridade Julgadora ao julgar a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, objeto :do processo de crédito n° 15374 920.013/200891, entendeu que as razões expostas naquela peça de defesa, que dizem respeito a erros de preenchimento dos PER/DCOMID, significava a introdução :de *matêria nova e que, assim, não poderia ser Conhecidanaquele momento processual. 20.0ra, não se trata de matéria nova trazida à Manifestação de Inconformidade. As alegações nela contida retratam a realidade dos fatos. A ora Recorrente reconheceu que por erro de interpretação da legislação tributária apresentou os PER/DCOMP's sob foco A RFB e, ainda, pagou integralmente o débito. Portanto, não haveria outra alegação que não a de reconhecer 6 erro e requerer de oficio o cancelamento das PER/DCOMP's em testilha. (...) IV DO PEDIDO 26. Por todo o exposto, a Recorrente requer a V.Sas. que se dignem conhecer e dar provimento ao presente Recurso para declarar a insubsistência o Despacho Decisório no 796759222, para que não produza quaisquer efeitos, por ser medida de inteira JUSTIÇA! 27. Outrossim, protesta por. todos os meios de prova; inclusive diligência ou perícia para que seja constatada a verdade dos fatos .ora retratados e• homologada a compensação, posto que imotivada e decisão denegatória de Primeira Instância Administrativa. Pois bem, da análise do acima transcrito resta claro que não cabe mesmo razão ao recorrente quanto ao pleito para cancelar o despacho decisório, isso porque, as Fl. 182DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15374.920013/200891 Acórdão n.º 140200.741 S1C4T2 Fl. 0 5 alterações das DCOMP pleiteadas não se constituem em correção de erros, na verdade se trata de um novo pleito. Não se trata de erro de preenchimento da DCOMP, tal qual reconhecido em julgamentos anteriores desse colegiado, pois, o crédito originalmente apontado inexiste. Sobre a DCOMP, dispõe o art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (redação dada pelo art. 49 da lei 10.637/2002:) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (...) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; (A redação deste Inciso foi dada pelo Artigo 4º da Lei nº 11.051 de 29.12.2004.) (Grifei). A pretensão do contribuinte equivale a um novo pedido de compensação. Esse procedimento é expressamente vedado pela lei de regência, conforme acima grifado. Quanto as demais questões, entendo que os fundamentos do despacho decisório da DRF de origem e da decisão de 1a. instância igualmente não merece reparos. Outrossim, cumpre a Unidade de origem verificar as alegações do contribuinte no sentido de que o débito já estaria quitado, evitando assim cobrança em duplicidade. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 183DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
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Numero do processo: 13603.723862/2012-17
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010
AUSENTE SITUAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE COM REPERCUSSÃO GERAL QUE DETERMINE A APLICAÇÃO DAS DETERMINAÇÕES DO RICARF NESSE PONTO. O CRÉDITO ESTÁ FUNDANDO EM OUTRAS NORMAS AO INVÉS DAS NORMAS CONSIDERADAS INCONSTITUCIONAIS. A CONTRIBUIÇÃO AO SENAR É DEVIDA. PORÉM A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUBSTITUIÇÃO FICA EXCLUÍDA, ANTE A AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A DRJ DEMONSTROU QUE A ALEGAÇÃO DE ERRO ENTRE MANAD X GFIP E REPRODUÇÃO DOS SEGURADOS. CUIDA-SE DE ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE O QUAL ADOTEI. A MULTA E DEVIDA, POIS OS DEMAIS CRÉDITOS, TAMBÉM, O SÃO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do PAF o crédito lançado no DEBCAD - 51.001.488-7 (SENAR - FUNRURAL), ante a ausência de previsão em lei para a fixação da responsabilidade tributária por substituição, como demonstrado no voto.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010 AUSENTE SITUAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE COM REPERCUSSÃO GERAL QUE DETERMINE A APLICAÇÃO DAS DETERMINAÇÕES DO RICARF NESSE PONTO. O CRÉDITO ESTÁ FUNDANDO EM OUTRAS NORMAS AO INVÉS DAS NORMAS CONSIDERADAS INCONSTITUCIONAIS. A CONTRIBUIÇÃO AO SENAR É DEVIDA. PORÉM A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUBSTITUIÇÃO FICA EXCLUÍDA, ANTE A AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A DRJ DEMONSTROU QUE A ALEGAÇÃO DE ERRO ENTRE MANAD X GFIP E REPRODUÇÃO DOS SEGURADOS. CUIDA-SE DE ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE O QUAL ADOTEI. A MULTA E DEVIDA, POIS OS DEMAIS CRÉDITOS, TAMBÉM, O SÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do PAF o crédito lançado no DEBCAD - 51.001.488-7 (SENAR - FUNRURAL), ante a ausência de previsão em lei para a fixação da responsabilidade tributária por substituição, como demonstrado no voto. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010 AUSENTE SITUAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE COM REPERCUSSÃO GERAL QUE DETERMINE A APLICAÇÃO DAS DETERMINAÇÕES DO RICARF NESSE PONTO. O CRÉDITO ESTÁ FUNDANDO EM OUTRAS NORMAS AO INVÉS DAS NORMAS CONSIDERADAS INCONSTITUCIONAIS. A CONTRIBUIÇÃO AO SENAR É DEVIDA. PORÉM A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUBSTITUIÇÃO FICA EXCLUÍDA, ANTE A AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A DRJ DEMONSTROU QUE A ALEGAÇÃO DE ERRO ENTRE MANAD X GFIP E REPRODUÇÃO DOS SEGURADOS. CUIDASE DE ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE O QUAL ADOTEI. A MULTA E DEVIDA, POIS OS DEMAIS CRÉDITOS, TAMBÉM, O SÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do PAF o crédito lançado no DEBCAD 51.001.4887 (SENAR FUNRURAL), ante a ausência de previsão em lei para a fixação da responsabilidade tributária por substituição, como demonstrado no voto. (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 38 62 /2 01 2- 17 Fl. 867DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 868 2 Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 869 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 51.001.4879, que objetiva o lançamento da contribuição devida a outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 51.001.4887, que objetiva o lançamento da contribuição devida a outras entidades e fundos terceiros, decorrente da comercialização da produção rural adquirida de produtor rural pessoa física, bem como de contribuinte individuais – transportadores autônomos, e, ainda, o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 51.001.4895, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da comercialização da produção rural adquirida de produtor rural pessoa física, SAT/RAT e Rural, bem assim o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 51.001.49097, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária – cota patronal decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados e contribuintes individuais, SAT/RAT, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, e, por fim o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 51.001.4747 CFL.34, deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – REFISC, de fls. 432 a 441, com período de apuração de 01/2008 a 12/2009, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 574 e 575. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 18/12/2012, conforme Folha de Rosto dos Autos de Infração – AI, de fls. 387; 388; 398; 410 e 421. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, remetida via postal, envelope de remessa, as fls, 770, postado, em 16/01/2013, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 771 a 783, estando acompanhada dos documentos, de fls. 784 a 811. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0245.641 8ª, Turma DRJ/BHE, em 25/06/2013, fls. 813 a 825. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 25/07/2013, conforme Termo de Abertura de Documento, de fls. 835. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 836 a 844, recebida, em 05/08/2013, conforme carimbo, as fls. 836, acompanhado dos documentos, de fls. 845 a 864, onde se alega em síntese, o que abaixo segue. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 870 4 Mérito. · DEBCAD – 51.001.4895 (FUNRURAL) · que o RICARF no artigo 62A determina a aplicação da decisões definitivas de mérito do STF e STJ, no rito dos artigo 543B e 543C sejam reproduzidas nos julgamentos dessa casa; · que a contribuição rural por subrogação foi declarada inconstitucional pelo pleno do STF RE 3363.852 e depois com reconhecimento de repercussão geral no RE 596.177RS, assim sendo requerse o cancelamento do AI; · que o CARF em recentíssima decisão não publica decidiu a favor da tese de recorrente, não havendo fundamentos a viabilizar a cobrança, assim os autos devem ser anulados; · DEBCAD – 51.001.4887 (SENAR FUNRURAL) · que a contribuição para o SENAR apesar de não julgada no STF não pode prosperar, pois exigido da adquirente da produção rural por sub rogação, estando tal contribuição fundada no art. 1º, da Lei 8.315/91 e Lei 9.528/97 com a redação da Lei 10.256/2001, sendo a contribuição do empregador pessoa física; · que a responsabilidade foi imputada ao adquirente por Decreto o que viola o artigo 128, do CTN, tendo o TRF5 na APELREEX 00114298310104058100, assim decidido, não havendo como manter tal exigência no presente auto; · DEBCAD – 51.001.4909 (PATRONAL – FOLHA DE SALÁRIOS) – 51.001.4879 (TERCEIROS – FOLHA DE SALÁRIOS · que a recorrente no período da autuação cadastrava os transportadores na folha de salários, visando controlar o pagamento do frete, assim quem era cadastrado em janeiro permanecia no sistema para as demais competências ainda que não realizasse novos fretes; · que o arquivo Manad importava a folha considerando todos os transportadores empregados e assim a recorrente para enviar a GFIP tinha que corrigir manualmente, podendo isso ser verificado pela análise da contabilidade, que está disponível para tal, sendo que desde a impugnação a recorrente faz esse pedido; · DEBCAD – 51.001.4747 (MULTA) · que canceladas as autuações precedentes, não mais existirá divergência de informações, demonstrando a insubsistência desse lançamento; Fl. 870DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 871 5 · Dos pedidos e requerimentos: a) requer provimento ao recurso para cancelar integralmente todos os DEBCAD’S integrantes do PAF. A autoridade preparadora não se manifestou quanto a tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho, de fls. 865. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 21/11/2013, fls. 866. É o Relatório. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 872 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. DEBCAD 51.001.4895 (FUNRURAL) No caso tratado nesses autos, o artigo 62A, do RICARF não se aplica e a razão é simples, os RE’s 363.852 e 596.177 trazidos a coleção pela recorrente não se aplicam ao caso em análise, pois o fundamento jurídico deste lançamento, não foi o texto legal declarado inconstitucional nos julgados citados. Podese verificar da leitura do Fundamentos Legais do Débitos – FLD, de fls. 419 e 420 nas rubricas 213.11 – CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO ESPECIAL (SOBRE PRODUÇÃO RURAL) e 305 CONTRIBUIÇÃO (SEGURADO ESPECIAL) PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS EM RAZÃO DA INCAPACIDADE LABORATIVA, NA COMERCIALIZAÇÃO DO PRODUTO RURAL, são os que a seguir transcrevo, parcialmente. 213.11 CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO ESPECIAL (SOBRE PRODUÇÃO RURAL) Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 25 (com as alterações posteriores da Lei n. 10.256, de 09.07.01), I (com as alterações da Lei n. 9.528, de 10.12.97) parágrafos 3. e 4. (com as alterações da Lei n. 8.540, de 22.12.92 e posteriores da Lei n. 10.256, de 09.07.01); Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 9., VII, art. 200, parágrafos 4., 5., e 7. e art. 216, III e IV e parágrafo 5. 305 CONTRIBUIÇÃO (SEGURADO ESPECIAL) PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS EM RAZÃO DA INCAPACIDADE LABORATIVA, NA COMERCIALIZAÇÃO DO PRODUTO RURAL Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 25, (com a redação posterior dada pela Lei n. 10.256, de 10.07.2001, II (com a redação dada pela Lei n. 9.528, de 10.12.97) e parágrafos 3. e 4. (acrescentados pela Lei n. 8.540, de 22.12.92); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 9., VII, art. 200, II, parágrafos 4., 5. e 7., art. 216, III,IV e parágrafo 5. Além disso, a subrogação do artigo 30, IV, da Lei 8.212/91 na redação dada pelo artigo 1º, da Lei 8.540/92 , não consta como fundamento do lançamento. A obrigação do recolhimento pela adquirente está consubstanciado no artigo 30, III, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.488/2007 e 11.933/2009 é isso que consta da rubrica 801 – PRAZO E OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO – PRODUTOR RURAL, conforme consta abaixo. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 873 7 801 PRAZO E OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO PRODUTOR RURAL 801.12 Competências : 01/2009 a 12/2009 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, III (com alteração da Lei n. 9.528, de 10.12.97, da MP n. 351, de 22.01.07, convertida na Lei n. 11.488, de 15.06.07 e redação dada pela MP n. 447, de 17.11.08, convertida na Lei n. 11.933, de 28.04.2009); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 216, III, IV, VI e VII. A decisão do CARF que o contribuinte cita para aparar sua tese, não pode ser conformada com a situação dos autos, pois é uma mera notícia de jornal em uma entrevista de terceiro e não consta os dados da decisão, mas se na linha das judiciais citadas, também, não teria aplicação. DEBCAD – 51.001.4887 (SENAR – FUNRURAL) Demonstrada a insubsistência das alegações em relação a contribuição social propriamente dita, tendo a contribuição para o SENAR o mesmo fato gerador, a mesma base de cálculo e estando sua alíquota definida em lei é devida a contribuição. Todavia, no tocante a responsabilidade tributária por substituição atribuída ao adquirente da produção rural em decorrência do Decreto 790/93 assiste razão ao contribuinte, pois lei, jurisprudência e doutrina são uníssonos ao dizerem que só a própria lei pode atribuir tal responsabilidade a terceiros, observese os ensinamentos. Lei 5.172/66 – artigo 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Doutrina. Somente a lei pode atribuir, de modo expresso, a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa que não o contribuinte,... 1 Juirisprudência. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ART. 25, I E II, DA LEI 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. RE 363.852/MG. EC 20/98. CONSTITUCIONALIDADE A PARTIR DA LEI 10.256/2001. ADQUIRENTE DA PRODUÇÃO RURAL. ILEGITIMIDADE ATIVA PARA PLEITEAR A REPETIÇÃO. PRECEDENTE DO STJ. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. INEXIGIBILIDADADE. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE LEI EM SENTIDO FORMAL. 1. Sentença que julgou parcialmente 1 Fabretti, Láudio Carmargo. CODIGO TRIBUTÁRUA NACIONAL Comentado. 4ª Edição. Editora Atlas. 2003 São Paulo.pág. 161. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 874 8 procedente o pedido para declarar a nulidade de lançamentos efetuados contra a Autora, na qualidade de substituta tributária da contribuição social prevista no art. 25, I e II, da Lei 8.212/91, cujos fatos gerados sejam anteriores a outubro/2001, em face da inconstitucionalidade da cobrança de contribuição previdenciária sobre o resultado da comercialização da produção do produtor rural, pessoa física, até o advento da Lei 10.256/2001. 2. Consoante entendimento pacificado no col. STJ, o adquirente da produção rural não tem legitimidade ativa para pleitear a repetição da contribuição prevista no art. 25, I e II, da Lei 8.212/91, mas apenas para discutir a legalidade dessa exação (REsp nº 654.038/RS, 1ª Turma, Rel. Min. LUIZ FUX. DJU 17/10/2005). 3. Levandose em conta que o direito de anular o ato de lançamento tributário deve ser exercido pelo contribuinte no prazo qüinqüenal previsto no Decreto nº 20.910/32, impõese o reconhecimento da prescrição da pretensão anulatória dos créditos cujo prazo entre a data de notificação do lançamento e o ajuizamento da ação seja superior a cinco anos, ressalvados aqueles objeto de impugnação administrativa, quando o lustro prescricional começa a correr a partir da intimação da decisão irrecorrível proferida no procedimento fiscal. Apelo da Fazenda Nacional e remessa oficial providas, nesse ponto. 4. O STF, no julgamento do RE 363.852/MG (Min. Marco Aurélio, Pleno, DJ 23.04.2010), declarou a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, 25 e 30 da Lei 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n. 9.528/97, e instituiu a cobrança da contribuição previdenciária sobre o resultado da comercialização da produção agropecuária do produtor rural, pessoa física, com empregados. 5. Legitimação da contribuição a partir da edição da Lei 10.256/2001, editada posteriormente à edição da EC 20/98, que alterou o art. 195, I, "b" da Constituição, estabelecendo como base de incidência não só o faturamento ou lucro, mas também a receita. 6. A partir da Lei 10.256/2001, já respaldada na EC 20/98 que alterou o art. 195 da CF/88 e incluiu a "receita" no rol de fontes de custeio da seguridade social , ao contrário das antecessoras (Leis 8.540/92 e 9.528/97), surgidas na redação original do art. 195, e inconstitucionais por extrapolarem a base econômica então vigente, aplicamse os incisos I e II também ao empregador rural pessoa física, porquanto permaneceram válidos em relação aos segurados especiais. 7. No que se refere à contribuição para o SENAR (Serviço Nacional de Formação Profissional Rural), prevista no art. 6º da Lei 9.528/97, embora se afaste o reconhecimento da inconstitucionalidade seguindo orientação do STF e de nossas Cortes Regionais como, no caso em tela, não existe lei em sentido formal que preveja a substituição tributária, não poderia a exação ser cobrada do adquirente da produção rural com fundamento no Decreto 566/92, sob pena de afronta aos arts. 121, parágrafo único, II e 128, ambos do CTN. 8. Recurso da Autora provido, em parte, para declarar a inexigibilidade da cobrança da contribuição ao SENAR, em face da inexistência de lei formal que preveja a referida substituição tributária, com o reconhecimento da nulidade dos Fl. 874DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 875 9 lançamentos efetuados contra a Autora a esse título, respeitada a ocorrência da prescrição da pretensão anulatória. 9. Apelações e remessa ex officio parcialmente providas. (APELREEX 00055743520104058000, Desembargador Federal Francisco Wildo, TRF5 Segunda Turma, DJE Data::29/03/2012 Página::479.) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. ERRO MATERIAL E OMISSÃO. OCORRÊNCIA. 1. São cabíveis embargos de declaração quando o julgado apresentar omissão, obscuridade ou contradição. Inteligência do art. 535, I e II, do CPC. 2. Presença de erro material no aresto no sentido de reconhecer que a interposição do agravo de instrumento deuse pela empresa ASA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e não pelo SENAR. 3. Omissão no tocante à inexistência de lei que estabeleça como substituto tributário o adquirente de produto rural. 4. "No que se refere à contribuição para o SENAR (Serviço Nacional de Formação Profissional Rural), embora se afaste o reconhecimento da inconstitucionalidade seguindo orientação do STF e de nossas Cortes Regionais como, no caso em tela, não existe lei em sentido formal que preveja a substituição tributária, não poderia a exação ser cobrada do adquirente da produção rural com fundamento no Decreto 566/92, sob pena de afronta aos arts. 121, parágrafo único, II e 128, ambos do CTN." Precedente deste Regional (AGTR 111309/AL). 5. Embargos conhecidos e providos, sem efeitos infringentes. (EDAG 0012382972010405000002, Desembargador Federal Bruno Leonardo Câmara Carrá, TRF5 Terceira Turma, DJE Data::13/09/2011 Página::137.) (os destaque nos acórdãos são meus). Assim, entendo que a rubrica não deve permanecer. DEBCAD – 51.001.4909 (PATRONAL – FOLHA DE SALÁRIOS) – 51.001.4879 (TERCEIROS – FOLHA DE SALÁRIOS A argumentação aqui trazida é a mesma posta no primeiro grau e a DRJ em seu Acórdão realizou minuciosa verificação, onde constatou a improcedência das alegações, bem como a ausência de comprovação destas, razão pela qual adotamos aqueles esclarecimentos e os transcrevemos. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 876 10 Fl. 876DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 877 11 Fl. 877DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 878 12 Os esclarecimentos acima deixam claro a regularidade da situação e que as alegações não se sustentam. DEBCAD – 51.001.4747 (MULTA). Mantidas todas as exações lançadas nos autos não há razão para exclusão da multa. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.723862/201217 Acórdão n.º 2803003.319 S2TE03 Fl. 879 13 Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações suscitadas pela recorrente, exceto a relativa a substituição tributária. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe parcial provimento para excluir do PAF o crédito lançado no DEBCAD – 51.001.4887 (SENAR – FUNRURAL), ante a ausência de previsão em lei para a fixação da responsabilidade tributária por substituição, como demonstrado no voto. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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