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5556937 #
Numero do processo: 10880.720854/2006-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 07/12/1979 a 01/04/1981 IPI. COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA. Compete à Terceira Seção de Julgamento a competência para julgamento de recurso relativo à compensação de crédito relativo ao IPI.
Numero da decisão: 1103-000.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para a Terceira Seção de Julgamento deste Conselho. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), André Mendes de Moura (Relator), Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira e Marcelo Baeta Ippolito.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.720854/2006­03  Acórdão n.º 1103­000.910  S1­C1T3  Fl. 3.817          2 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  contra  o  Acórdão  nº  14­033.542/2011  (fls.  3545/3550), da 8ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto­SP.  Os fatos estão assim descritos na decisão recorrida:  Trata­se de Manifestação de Inconformidade interposta em face  do  Despacho  Decisório  resultante  da  apreciação  das  declarações de compensação As fl. 007/356, por meio dos quais  o contribuinte pretende ter compensado o crédito total no valor  de R$5.669.844,39, em débitos do estabelecimento.  Conforme  informado  pela  contribuinte,  o  crédito  a  ser  compensado  tem  sua  origem  em decisão  judicial  transitada  em  julgado  que  deu  provimento  A  apelação  da  contribuinte  para  reconhecer  o  direito  ao  creditamento  do  IPI  nas  exportações  ("crédito prêmio"), concedido pelo Decreto­Lei n° 491, de 05 de  março de 1969, no período de 07/12/1979 a 01/04/1981, durante  o  qual  o  beneficio  teria  sido  indevidamente  suspenso  pela  Portaria Ministerial n° 960, de 07 de dezembro de 1979, editada  com fulcro no Decreto­Lei n°1.724, de 07 de dezembro de 1979,  suspensão  essa  considerada  inconstitucional  na  jurisprudência  dominante.  A  referida  decisão  judicial  consiste  no  Acórdão  do  TRF  da  3ª  Região,  proferido  em  20/10/1999,  no  curso  do  processo  n°  89.03.031739­4, transitado em julgado em 02/09/2002.  A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Administração  Tributária  em  São  Paulo  ­  SP,  em  22/06/2010,  mediante  Despacho  Decisório  de  fls.  3210/3213,  no  qual  a  autoridade  competente indeferiu o pedido, com base em relatório elaborado  pela fiscalização em virtude de não terem sido apresentados os  documentos necessários à apreciação do pedido.  A DRJ/Ribeirão Preto manifestou­se no seguinte sentido:  Homologação tácita das compensações  De pronto, verifica­se que os pedidos de compensação em exame  não  foram  objeto  de  nenhuma  restrição  quanto  à  sua  regularidade  formal  no  Despacho  Decisório  e  foram  formalizados entre 28/10/2003 e 28/02/2005.  (...)  No  caso  concreto,  o  despacho  decisório,  de  22/06/2010,  foi  cientificado  à  interessada  em  19/07/2010  (f1.  3218  verso).  No  entanto,  conforme  o  dispositivo  legal  exposto,  os  pedidos  de  compensação tiveram as respectivas homologações tácitas entre  28/10/2008  e  28/02/2010.  Logo,  na  ocasião  da  ciência  do  Fl. 4149DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.720854/2006­03  Acórdão n.º 1103­000.910  S1­C1T3  Fl. 3.818          3 despacho  decisório,  todas  as  compensações  já  se  encontravam  tacitamente homologadas.  Portanto, há que se reconhecer a homologação tácita de todas  as compensações.  Quantificação do crédito  Considerando que não há pedido de ressarcimento associado ao  presente  processo,  seu  objeto  restringe­se  à  verificação  da  procedência  das  compensações  pleiteadas.  Assim,  a  quantificação do crédito­prêmio de IPI reconhecido pela decisão  judicial só seria necessária como instrumento para a verificação  da procedência dessas  compensações;  em conseqüência,  com a  homologação tácita das compensações, essa quantificação perde  seu objeto.  Cabe  ressaltar  que  uma  eventual  análise  da  quantificação  dependeria  da  devida  comprovação  pela  contribuinte  dos  valores  envolvidos  e  o  indeferimento  pela  unidade  de  origem  aponta exatamente a insuficiência da documentação apresentada  em resposta às intimações realizadas.  Diante  de  todo  o  exposto,  a  quantificação  do  crédito  e  as  questões  atinentes  à  sua  comprovação  não  serão  aqui  adentradas,  restando  prejudicadas  pela  homologação  tácita  reconhecida.  Declaração de compensação apresentada em papel  Por último, observa­se nos autos a existência de Declaração de  Compensação,  referente  ao  crédito  de  que  trata  o  presente  processo,  apresentada  em meio  papel  (fl.  3208)  e  entregue  em  18/02/2010,  na  qual  está  anotado  pelo  servidor  que  a  recepcionou  que  somente  foi  recebida  por  insistência  da  contribuinte,  que  sustentou  que  o  formulário  utilizado  seria  o  meio  apropriado  (Anexo  VII  da  IN  RFB  n°  900,  de  30  de  dezembro de 2008).  Não  assiste  razão  à  contribuinte  na  entrega  de Declaração  de  Compensação em meio papel sem justificativa para tanto (...)  Em  face  do  exposto,  a  referida  declaração  entregue  em  papel  não será considerada no presente voto.  CONCLUSÃO  Por  todo  o  exposto,  voto  por  considerar  procedente  a  manifestação  de  inconformidade  para  aplicar  o  disposto  no  parágrafo  5°,  do  artigo  74,  da  Lei  n°  9.430  de  1996,  com  a  redação  dada  pela  Lei  n°  10.833,  de  2003,  às  compensações  declaradas  às  fls.  007/356,  devendo  a  contribuinte  manter  em  sua  escrita  fiscal  o  estorno  do  crédito  correspondente.  (grifos  originais)    Fl. 4150DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.720854/2006­03  Acórdão n.º 1103­000.910  S1­C1T3  Fl. 3.819          4 Assim, o colegiado julgou procedente a manifestação de inconformidade, por  unanimidade, sem, contudo, adentrar na quantificação do crédito e nas questões atinentes à sua  comprovação.   Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou petição de fls. 3559/3569,  e  documentos  probatórios  (dentre  os  quais  o  “Parecer  Técnico  Contábil  Extrajudicial  e  Memorial de Cálculos”), no qual fez os pedidos nos seguintes termos:  Face ao exposto, contatamos inexatidão material na decisão, que  podem ser detectadas na  simples  leitura do Acórdão,  tendo em  vista que está relatado o cumprimento das obrigações acessórias  e na conclusão do  julgado  tal  fato não está  sendo considerado  em  detrimento  ao  direito  liquido  e  certo  da  requerente,  reconhecido  pelo  Poder  Judiciário,  razão  esta  que  dá  o  bom  direito  ao  presente  requerimento  a  vista  do  art.  32  combinado  com os Arts. 29 e 30 do Decreto 70.235/72, para ser requerido o  quanto segue:  1  ­  seja  confirmado  o  direito  da  requerente  ao  crédito  reconhecido judicialmente, tendo em vista a Inicial de 06/09/85 e  o  Acórdão  exarado  pela  6ª.  Turma  do  TRF  da  3ª.  Região,  documentos estes já acostados aos autos;  2 ­ seja deferido, o montante de R$ 830.272.305,15 (oitocentos e  trinta milhões,  duzentos  e  setenta  e  dois  mil,  trezentos  e  cinco  Reais  e  quinze  centavos)  apurado,  na  planilha  elaborada  por  Perito Contábil, devidamente atualizada, a qual está respaldada  nas  informações  fornecidas  pela  CACEX,  com  base  na  legislação federal, Decreto 91.030/85 (Regulamento Aduaneiro)  e  a  IN/SRF  28  de  27/04/94.  Os  cálculos  foram  realizados  conforme  determinação  do  Manual  de  Cálculo  do  CNJ  e  o  Parecer nº 01 da AGU/MF de 1996, anexo.  3 ­ seja reconhecido que os documentos acostados aos autos são  suficientes para a quantificação do crédito, conforme consta no  relatório do R. Acórdão ora questionado.  4  ­  seja  deferida a  apresentação do Formulário  de  "Pedido  de  Habilitação  de  Crédito  Reconhecido  por  Decisão  Judicial  Transitada  em  Julgado",  bem  como  qualquer  outro  que  a  D.Autoridade  Julgadora  deste  Colegiado  entender  ser  necessário para cumprimento da decisão  judicial  transitada em  julgado; e / ou, no mínimo, por economia processual,  5 ­ seja ressarcido o montante apurado e deferido.  N.  termos  e  informando  que  o  recebimento  e  procedência  do  presente requerimento irá confirmar o direito liquido e certo de  um  montante,  fato  este  determinado  por  Decisão  Judicial  transitada  em  julgado,  caso  contrário,  este  Colegiado  estará  faltando  com  o  respeito  ao  Poder  Judiciário  e  sujeito  as  penalidades  cabíveis  pela  não  obediência  a  uma  determinação  judicial.  Fl. 4151DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.720854/2006­03  Acórdão n.º 1103­000.910  S1­C1T3  Fl. 3.820          5 A DRJ/Ribeirão Preto recebeu a petição como embargos, e no Despacho de  fls. 3740/3743, rejeitou o requerimento do contribuinte, no qual merecem destaque os seguintes  fragmentos da decisão:  Entendo  que,  a  rigor,  o  Acórdão  reportado  não  padece  de  inexatidão material ou erros de escrita e de cálculo, a demandar  a  sua  revisão  em  face  do  que  estatui  o  comando  legal  já  transcrito.  Cabe  ressaltar  que  o  processo  se  refere  especificamente  a  um  conjunto ("família") de Declarações de Compensação, nas quais  o  crédito  de  origem  é  informado  como  oriundo  do  processo  judicial  n°  89030317394  da  6ª  Vara  —  SP,  transitado  em  julgado  em  02/09/2002,  com  valor  inicial  disponível  de  R$  8.502.738,35.  Não  há  nenhum  pedido  de  ressarcimento  no  processo (PER), pois todos os documentos estão preenchidos no  campo ­ "Tipo de Documento" com a informação: "Declaração­  de  Compensação".  Como  todas  as  compensações  devidamente  formalizadas'  'foram  tacitamente  homologadas,  esgotando  parcialmente o  valor  indicado  como  crédito  nos  documentos,  e  não  havendo  pedido  acerca  de  eventual  crédito  ,excedente  ao  valor  total  compensado,  não  há  razão  para  a  apreciação  do  "quantum" de crédito do contribuinte.  A  verificação,  portanto,  somente  se  deu  em  respeito  as  compensações e não em relação ao valor total do crédito judicial  que o contribuinte ora alega em seu favor.  Quanto  a  alegação  de  que  o  pedido  de  ressarcimento  foi  efetuado  quando  da  habilitação  do  crédito,  nada  no  processo  indica  tal  fato.  A  empresa  não  apresentou  tal  documento  e  inexiste nos sistemas da Receita Federal  (Sief) qualquer pedido  de ressarcimento em nome do contribuinte.  Ademais,  o  processo  de  habilitação  de  crédito  judicial  não  é  instrumento hábil para se apresentar pedido de ressarcimento ou  para se apurar crédito deferido judicialmente.  De  qualquer  forma,  não  constava  dos  autos  tais  informações,  motivo pelo que o Acórdão não deve ser revisto, mesmo porque o  documento  de  fls.  1  demonstra  que,  à  época  da  análise  do  pedido,  não  existia  ação  judicial  cadastrada  para  o  sujeito  passivo  e  a  data  informada,  pelo  contribuinte,  para  a  habilitação  do  crédito  é  posterior  a  apresentação.das  Dcomp  em análise.  Além disso, não existe no processo qualquer documento hábil a  comprovar  a  existência  do  crédito  alegado  Pela  contribuinte  (exportação, isnumos,etc...).  Se o contribuinte quer ver apurado o crédito a  seu  favor e que  este valor lhe seja ressarcido, deve seguir a legislação em vigor  e  apresentar  o  pedido  pertinente  a  este  crédito,  apresentando  para  tanto  todos os documentos necessários a averiguação dos  mesmos.  Fl. 4152DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.720854/2006­03  Acórdão n.º 1103­000.910  S1­C1T3  Fl. 3.821          6 Por  outro  lado,  se  já  houve  a  apresentação  de  pedido  de  ressarcimento, este pedido será obrigatoriamente apreciado pela  autoridade administrativa e, se deferido, o valor será ressarcido  conforme determina a legislação de regência.  Isto  Posto,  nos  termos  do  artigo  27  da  Portaria  n°  341/2011,  rejeito o requerimento do sujeito passivo por considerar que os  erros  apontados  pelo  embargante  não  se  referem  a  lapso  manifesto ou a erros de escrita ou de cálculo de que tratam tanto  o artigo 32 do PAF.(grifos originais)  Conforme Despacho da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de  Administração Tributária em São Paulo, de fls. 3755, foi cientificada a contribuinte da decisão  em 10/01/2012, e interpôs o recurso voluntário de fls. 3763/3806 em 03/02/2012.  É o relatório.    Voto             Conselheiro André Mendes de Moura  O recurso foi interposto tempestivamente e reúne os demais pressupostos de  admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido.  Observa­se no relatório que o processo trata de declarações de compensação  no qual se discute o aproveitamento de crédito prêmio de IPI decorrentes de exportações.  Ocorre que o regimento Interno do Carf (Ricarf) aprovado pela Portaria MF  256/2009 atribuiu às turmas da Terceira Seção de Julgamento a competência para julgamento  de tal matéria, como se pode observar no art. 4º do Anexo II:  Art.  4°.  À  Terceira  Seção  cabe  processar  e  julgar  recursos  de  ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem  sobre aplicação da legislação de:  III ­ Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);  (...)  Art.  7°.  Incluem­se  na  competência  das  Seções  os  recursos  interpostos  em  processos  administrativos  de  compensação,  ressarcimento,  restituição  e  reembolso,  bem  como  de  reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária.  § 1°. A competência para o julgamento de recurso em processo  administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado,  inclusive  quando  houver  lançamento  de  crédito  tributário  de  matéria  que  se  inclua  na  especialização  de  outra  Câmara  ou  Seção.  (...)  Fl. 4153DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.720854/2006­03  Acórdão n.º 1103­000.910  S1­C1T3  Fl. 3.822          7 Portanto,  os  autos  devem  ser  transferidos  à  Terceira  Seção  de  Julgamento  para distribuição por sorteio a uma das turmas que integram aquele colegiado competente para  processar o julgamento do recurso voluntário interposto.  Diante  de  todo  o  exposto,  deve­se  declinar  competência  para  a  Terceira  Seção de Julgamento deste Conselho.    Assinatura Digital  André Mendes de Moura                                  Fl. 4154DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA

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5504026 #
Numero do processo: 13897.000245/2003-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 ESTORNO DO CRÉDITO NO LIVRO RAIPI. ERRO FORMAL. Meros erros formais na escrituração do estorno do créditos no livro de registro de apuração de IPI (RAIPI), não são suficientes, por si só, para o indeferimento do ressarcimento. No presente caso ficou demonstrado que houve o estorno, porém em linha diversa da prevista na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3301-002.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausentes justificadamente a conselheira Maria Teresa Martinez Lopez e o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13897.000245/2003­92  Acórdão n.º 3301­002.277  S3­C3T1  Fl. 253          2 Relatório  O contribuinte apresentou pedido de ressarcimento de crédito presumido de  IPI relativo ao 3º trimestre/2002 no valor de R$ 25.053,59, tendo como fundamento a Portaria  MF nº 38/97. Juntamente com o pedido apresentou declaração de compensação em papel de fl.  2 e posteriormente apresentou a DCOMP eletrônica nº 12743.34013.301003.1.3.01­3218, para  compensação de débitos nelas apontados.  Analisando  o  pedido,  o  Seort/DRF/Osasco,  fl.  132/134,  indeferiu  o  pedido  com o  fundamento de que o  crédito presumido do  IPI  solicitado não  foi  estornado da  forma  correta. Abaixo transcrição de parte da decisão:   “Através  de  análise  das  cópias  do  livro  Registro  de  Apuração  de  IPI  apresentadas,  verifica­se  que  o  contribuinte  não  efetuou  o  referido  estorno,  ou  o  efetuou  de  maneira  incorreta,  não  atendendo  ao  disposto  nas  normas  citadas  anteriormente.”  O contribuinte apresentou manifestação de  inconformidade,  fl. 152, na qual  afirma que foi efetuado o estorno no valor correto do pedido de ressarcimento e que, por erro  de  digitação,  informou  o  estorno  no  campo  012  –  “outros  débitos”.  Informa  que  efetuou  a  correção no Livro RAIPI do mês de março/2003 – folha 037.  A  8ª  Turma  da DRJ/Ribeirão  Preto  emitiu  o Despacho  nº  31,  por meio  do  qual,  determinou  a  realização  de  diligência  para  que  a  unidade  preparadora  analisasse  se  a  ausência de estorno se deveu a erro sanável na formalização do registro e, sendo este o caso,  que aprofundasse na análise do direito creditório e dos demais elementos do pedido.  Em  novo  Despacho  Decisório,  o  Seort/DRF/Osasco,  voltou  a  indeferir  o  pedido,  desta  vez  com  base  no  art.  349  do  Decreto  nº  2.637/98  (RIPI/98),  pois  o  Livro  de  Apuração do  IPI não estava registrado no órgão competente, seja da Fazenda Estadual ou da  Junta Comercial.  O  contribuinte  apresentou  nova manifestação  de  inconformidade  afirmando  em  síntese  que  os  equívocos  apontados  são meramente  formais  e  que  podem  ser  corrigidos  facilmente por  simples verificação por parte da  administração  tributária. Desta  feita  efetua  a  apresentação do termo de abertura do LAIPI, com registro na Junta Comercial.  Analisando  referida  manifestação,  a  8ª  Turma  da  DRJ/Ribeirão  Preto,  proferiu o Acórdão nº 14­38.744, de 25/09/2012, assim ementado:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002  RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.  É  ônus  processual  da  interessada  fazer  a  prova  dos  fatos  constitutivos de seu direito.  Fl. 253DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13897.000245/2003­92  Acórdão n.º 3301­002.277  S3­C3T1  Fl. 254          3 Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Não  concordando  com  referida  decisão,  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário por meio do qual faz as seguintes alegações em síntese:  ­ confirma o equívoco no preenchimento do campo indicado para estorno do  lançamento,  mas  que  atendeu  todas  as  intimações  e  exigências  do  fisco  e  que  efetuou  as  devidas correções;  ­  que  não  existem  duas  versões  do  Livro  de Registro  de Apuração  do  IPI.  Existe sim uma única versão, que podem ter tido divergência na numeração das folhas em face  de impressões em formato distintos, uma em formulário contínuo e outra em papel A4;  ­ que não pode ter afastado o seu direito apenas por questões formais de fácil  verificação por parte da autoridade administrativa;  ­ que o art. 15 da IN SRF nº 210, que determina o estorno dos créditos, não  deixa claro em qual campo estes estornos deverão ser lançados;  ­ cita jurisprudência administrativa em seu favor e pede o acatamento do seu  direito em nome da verdade material.  É o relatório.  Fl. 254DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13897.000245/2003­92  Acórdão n.º 3301­002.277  S3­C3T1  Fl. 255          4 Voto             Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal  O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de  admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento.  Para autorizar o crédito presumido de IPI a legislação tributária exige que o  estorno do crédito seja efetivado em sua escrituração fiscal. Para o período, vigia o art. 15 da  IN SRF nº 210/2002, in verbis:   Art. 15. No período de apuração em que for encaminhado à SRF  o “Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI”, bem assim em  que forem aproveitados os créditos do IPI na forma prevista no  art.  21  desta  Instrução  Normativa,  o  estabelecimento  que  escriturou  referidos  créditos  deverá  estornar,  em  sua  escrituração fiscal, o valor pedido ou aproveitado.  Está fartamente demonstrado no presente processo que o contribuinte efetuou  o estorno do crédito presumido. Desde a primeira análise efetuada pelo Seort/DRF/Osasco, foi  constatado que ele efetuou o estorno correspondente ao valor de R$ 25.053,59. Porém no lugar  de estornar na linha 011 – Ress. de Créditos – estornou na linha 012 – Outros débitos. Porém o  efeito  financeiro  é  o  mesmo.  No  caso  o  equívoco  no  preenchimento  está  claramente  demonstrado, sendo certo também que o contribuinte também providenciou o registro do Livro  de Apuração do IPI junto à Junta Comercial do Estado de São Paulo, corrigindo as duas falhas  formais que levaram a autoridade preparadora a indeferir o seu direito.  Entendo  que  os  erros  de  natureza  formal,  acima  esclarecidos,  não  são  suficientes para afastar o direito do contribuinte em ter analisado o seu direito creditório, nos  termos da Lei nº 9.363/96.  Neste sentido, transcrevo abaixo, jurisprudência desta 3ª Câmara:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000  ESTORNO DO CRÉDITO NO LIVRO RAIPI. ERRO FORMAL.  Constatado que houve o estorno do crédito no livro de registro  de  apuração  de  IPI  (RAIPI),  embora  em  linha  diversa  da  prevista  na  legislação,  há  que  se  reconhecer  o  direito  ao  ressarcimento do IPI, no valor apurado pela Autoridade Fiscal.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  (Acórdão  nº  3302­00278,  3ª  Câmara,  2ª  TO,  de  03/12/2009.  Relator Conselheiro Walber José da Silva)  Fl. 255DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13897.000245/2003­92  Acórdão n.º 3301­002.277  S3­C3T1  Fl. 256          5 Assim, em nome do princípio da verdade material e para resguardar também  os  interesses  da  Fazenda  Nacional,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  determinando  o  retorno  dos  autos  à  origem,  para  que  seja  analisado  o  mérito  do  direito  creditório do contribuinte.    Andrada Márcio Canuto Natal ­ Relator                               Fl. 256DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS

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5543403 #
Numero do processo: 10314.729219/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2253; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T2  Fl. 1.493          1 1.492  S3­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10314.729219/2012­56  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3202­000.262  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  24 de julho de 2014  Assunto  Solicitação de diligência  Recorrente  AGFA HEALTHCARE BRASIL IMPORTAÇÃO E SERVIÇOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o  julgamento em diligência..   Irene Souza da Trindade Torres Oliveira  ­ Presidente e Relatora   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros  Irene Souza da Trindade  Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago  Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.     Relatório  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a  transcrever:  “A  importadora  submeteu  a  despacho  aduaneiro,  através  das  declarações  de  importação  listadas  nos  autos,  “filmes  fotográficos”,  adotando  a  classificação  fiscal  3701.10.10,  relativa  a  chapas  e  filmes  para  raios  X  sensibilizados  em  uma  face,  da  Tarifa Externa Comum,  com alíquota  reduzida  a  zero para o  Imposto  sobre Produtos  Industrializados IPI.  A  fiscalização  entendeu  corretas  as  classificações  fiscais  3701.30.90,  para  os  filmes cuja dimensão de pelo menos um dos lados fosse superior a 255mm, 3701.91.00,  quando  forem  filmes  para  fotografia  a  cores  (policromos)  e  3701.99.00,  quando  consistirem  apenas  em  outros  filmes  em  razão  de  os  filmes  importados  não  serem  constituídos,  conforme  a  própria  interessada  relata  em  Termo  de  Esclarecimento,  de  duas  folhas mais  um  revelador,  como  estabelecem as NESH,  e  sim por  uma base  de  PET  emulsionada  e  coberta  de  uma  gelatina  protetora,  o  que  o  laudo  técnico  oficial     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .7 29 21 9/ 20 12 -5 6 Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.729219/2012­56  Resolução nº  3202­000.262  S3­C2T2  Fl. 1.494          2 confirma  ao  dizer  que  não  se  trata  de  filme  de  revelação  instantânea,  mas  sim  por  impressão térmica, não sendo exclusiva para diagnósticos que utilizam raios X.  Em razão das classificações fiscais 3701.30.90, para os filmes cuja dimensão de  pelo menos um dos lados seja superior a 255mm, 3701.91.00, quando forem filmes para  fotografia  a  cores  (policromos)  e  3701.99.00,  quando  consistirem  apenas  em  outros  filmes,  a  alíquota  do  imposto  sobre  produtos  industrializados  –  IPI  é  de  quinze  por  cento, o que gera a cobrança desse tributo, acrescido de multa de ofício (75% do valor  do  tributo) e de multa  regulamentar (1% do valor aduaneiro por erro de classificação  fiscal), bem como cobrança de COFINS e de PIS/PASEP, acrescida de multas de ofício  (75% do valor das contribuições), totalizando R$ 12.408.206,65.  A  interessada  apresentou  impugnação,  alegando,  objetivamente  em  sua  defesa  quanto aos autos de infração, que:  ­ filmes impressos não tem uma destinação específica, sendo a função atribuída  pelo uso a que se destinará.  ­  pelo  entendimento  da  fiscalização,  não  há  filme  fotográfico  que  atenda  aos  ditames  da NCM 3701.10.10,  pois  esta  não  faz  restrição  de utilização exclusiva  para  filmes de raio X.  ­ o Capítulo 37 engloba os métodos diretos e indiretos de gravação de imagem,  conforme Nota 2.  ­  os  filmes  importados  são  acoplados  a  equipamentos  de  diagnóstico  médico,  conforme padrão DICOM, não podendo ser utilizados para fotografias, microfilmagem  ou outras imagens que não sejam com a finalidade diagnóstica, devendo ser privilegiada  a destinação do produto para uso médico.  ­  caso  se  entendam  corretas  as  NCM  3701.30.90  e  3701.91.00,  não  haverá  necessidade de anuência prévia para a  importação da Agência Nacional de Vigilância  Sanitária – ANVISA.  ­  a  classificação  utilizada  pela  fiscalização  baseou­se  na  RGI  3  c,  de  caráter  residual, carecendo de legitimidade.  ­  a  multa  de  ofício  não  poderia  ser  aplicada  por  não  ter  havido  declaração  inexata.  ­  não  poderiam  ser  aplicadas  sanções  por  força  da  desclassificação  fiscal  das  mercadorias  por  ter  havido  boa  fé  e  seguido  as  normativas  da  ANVISA  e  a  prática  reiterada de todo o mercado, conforme artigos 100 e 112 do CTN.  ­ a aplicação cumulativa das multas de ofício e de 1% é incabível.  ­  a  reclassificação  fiscal  configura mudança  de  critério  jurídico,  nos  termos  do  art. 146 do CTN.  ­ protesta pela produção de laudo junto ao INT.  ­ requer a improcedência do auto de infração lavrado.  A DRJ­São Paulo  I/SP  julgou  improcedente  a  impugnação  (efls.  1.334/1.343),  nos termos da ementa adiante transcrita:  Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.729219/2012­56  Resolução nº  3202­000.262  S3­C2T2  Fl. 1.495          3 ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  IMPORTAÇÃO  II  Período  de  apuração: 09/01/2008 a 23/12/2010 Filmes para impressão térmica.  Filmes  utilizados  em  impressoras  que  trabalham  por  meio  de  fios­ resistores que quando aquecidos o sensibilizam, imprimindo a imagem  que  já  foi  processada  nos  equipamentos  médicos  digitais,  utilizados  sem raios­x em ultrassonografia, cintilografia, ressonância magnética  e  endoscopia,  além  de  angiografia,  tomografia  computadorizada  e  radiografia  computadorizada,  apresentam  corretas  classificações  tarifárias  3701.30.90,  quando  se  tratarem  de  outros  filmes  cuja  dimensão  de  pelo  menos  um  dos  lados  seja  superior  a  255mm,  3701.91.00,  quando  forem  outros  filmes  para  fotografia  a  cores  (policromos)  e  3701.99.00,  quando  consistirem  apenas  em  outros  filmes.  Impugnação  Improcedente Crédito Tributário Mantido  Irresignada,  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  perante  este  Colegiado  (efls. 1.354/1.418), alegando, em síntese:  ­  preliminarmente,  suscita  nulidade  da  decisão  recorrida  em  razão  de  alegada  alteração do critério jurídico. Afirma que a autuação se deu por aplicação da RGI/SH 3c, sendo  que a decisão recorrida teria mantido a reclassificação fiscal com fundamento nas RGI/SH nº. 1  e 6.   ­ afirma que houve desobediência ao princípio da segurança jurídica, visto que  sempre utilizou­se do  código  3701.10.10  para  efetuar  importações  das mercadorias,  as  quais  foram  submetidas  a  controle  antes  do  embarque,  por  ocasião  do  requerimento  da  licença  de  importação no SISCOMEX, sem que a Administração refutasse a classificação fiscal adotada;  ­  que  o  Laudo  Técnico  e  o  Parecer  acostados  à  impugnação  foram  ignorados  pela  autoridade  julgadora  administrativa  de  primeira  instância,  que  levou  em  consideração  apenas o Laudo expedido pelo Engenheiro Roberto Raya da Silva, o qual embasou a autuação.  Referidos  documentos  foram  encomendados  pela  entidade  de  classe  a  que  pertence  a  recorrente,  a  ABIMFI,  sendo  o  Laudo  Técnico  expedido  pelo  IPT­  Instituto  de  Pesquisas  Tecnológicas de São Paulo, e o Parecer, pela Sandlers & Travis Adivory Services Inc, todos no  sentido  de  afirmar  que  o  código  3701.10.10  seria  o  adequado  aos  filmes  importados  em  questão;  ­ que, para corroborar  sua defesa,  juntou ao  recurso voluntário Laudo Técnico  elaborado pelo INT­ Instituto Nacional de Tecnologia (elfs. 1.427/1.452)e Parecer Técnico de  lavra de professores do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (efls. 1.420/1.425);  No mérito, repisa os mesmos argumentos expendidos na impugnação:  Ao final, preliminarmente, requer a nulidade da decisão recorrida, por alteração  do critério jurídico. No mérito, requer o cancelamento do auto de infração e, subsidiariamente,  o  cancelamento  das  penalidades  e  dos  juros  de mora,  ou,  ainda,  apenas  o  cancelamento  das  multas aplicadas.      Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.729219/2012­56  Resolução nº  3202­000.262  S3­C2T2  Fl. 1.496          4 Voto  Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora   O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  as  demais  condições  de  admissibilidade, razões pelas quais dele conheço.  A  questão  ora  posta  diz  respeito  à  correta  classificação  fiscal  de  produtos  identificados  como  filmes  fotográficos,  importados  pela  autuada,  e  por  ela  classificados  na  posição 3701.10.10; já a Fiscalização promoveu a reclassificação dos produtos para os códigos  3701.30.90,  3701.91.00  e  3701.99.00.  Os  textos  dos  códigos  de  classificação  pretendidos  encontram­se abaixo transcritos:  3701  –  Chapas  e  filmes  planos,  fotográficos,  sensibilizados,  não  impressionados,  de  matérias  diferentes  do  papel,  do  cartão  ou  dos  têxteis;  filmes  fotográficos  planos,  de  revelação  e  copiagem  (cópia)  instantâneas, sensibilizados, não impressionados, mesmo em cartuchos  3701.10  –  Para  raios  X  3701.10.10  –  Sensibilizados  em  uma  face  3701.10.2 – Sensibilizados das duas faces 3701.10.21 – Próprios para  uso odontológico 3701.20.29 – Outros 3701.20 – Filmes de revelação e  copiagem instantânea 3701.30 – Outras chapas e filmes cuja dimensão  de  pelo  menos  um  dos  lados  seja  superior  a  255mm  3701.30.90  –  Outros  3701.9  –  Outros  3701.91.00  –  Para  fotografia  a  cores  (policromos)  3701.99.00  ­  Outros  O  Capítulo  37  engloba  os  produtos  para  fotografia e cinematografia. A Nota 2 do referido Capítulo afirma:  2. No presente Capítulo, o termo fotográfico qualifica o processo pelo  qual imagens visíveis são formadas, direta ou indiretamente, pela ação  da  luz  ou  de  outras  formas  de  radiação,  sobre  superfícies  fotossensíveis.  O  laudo  elaborado  pelo  engenheiro  Roberto  Raya  da  Silva  (efls.  418/463),  o  qual  embasou  a  autuação,  afirma,  em  conclusão,  que  “as  imagens  não  são  registradas  nos  filmes direta ou indiretamente pela ação da luz ou dos raios x”. Tal afirmativa parece sinalizar  pela  impossibilidade  da  classificação  do  produto  no  Capítulo  37,  tendo  em  vista  que,  para  enquadrar­se  neste  capítulo,  de  acordo  com  a  nota  2  acima  transcrita,  é  necessário  que  haja  uma ação, direta ou  indireta, da luz ou de outras  formas de radiação. Vez que a Fiscalização  concorda com a classificação na posição 3701, a afirmativa do laudo deixa a dúvida: seriam,  então, as imagens registradas nos filmes, direta ou indiretamente, pela ação de outras formas de  radiação que não raio X? Mas e a ultrassonografia, que utiliza ondas sonoras? Se não há ação,  direta ou indireta, de luz ou radiação, conforme afirma o laudo, como é possível classificar na  posição 3701, sendo o filme utilizado para imagens de ultrassononografia?  Por  sua  vez,  no  Laudo  formulado  pela  INT,  aquele  Instituto,  em  resposta  ao  quesito  nº  04  (efl.  1.449),  afirma que  há,  sim,  ação  do  raio  x  na  formação  das  imagens  que  utilizam os filmes fotográficos importados pela recorrente. Veja­se:  4.  As  imagens  visíveis  a  serem  registradas  nos  filmes  Drystar  serão  formadas pela ação do  raio X  (ou outro  tipo de  radiação)? Qual  é a  radiação que carrega a informação da imagem do paciente?  Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.729219/2012­56  Resolução nº  3202­000.262  S3­C2T2  Fl. 1.497          5 Resposta: As imagens visíveis, registradas nos filmes DRYSTAR, eram  formadas  por  sinais  elétricos  armazenados  na  memória  do  equipamento.  Após  a  exposição  do  Raio­X,  toda  a  informação  era  convertida em sinais elétricos para visualização nos monitores e para  impressão nos filmes DRYSTAR. Assim, os sinais elétricos, em código  binário,  carregavam  a  informação  da  imagem  do  paciente,  que  originalmente  vieram  veiculadas  na  radiação  do  Raio­X.  No  método  indireto,  há  duas  conversões,  de Raio­X para  luz,  e  esta,  para  sinais  elétricos.”  São,  assim,  Laudos  Técnicos,  elaborados  por  autoridades  competentes,  que  trazem  informações  diametralmente  opostas,  o  que,  no meu  entender,  leva  à  necessidade  da  elaboração  de  um  outro  Laudo  Técnico,  de  caráter  “oficial”,  elaborado  por  perito  credenciado junto à Receita Federal ou Instituição/Entidade de renome, diferentes daqueles que  já se pronunciaram nos autos, a fim de dirimir a questão posta, bem como sanar outras dúvidas  surgidas  quando da  análise da  controvérsia  instaurada  nestes  autos. Entendo,  ainda,  que,  em  razão  da  grande  especificidade  que  o  tema  impõe,  o  novo  Laudista  deverá  ter  formação/especialização  específica  na  área  de  produção  fotoquímica  ou  na  área  de  Física  Médica.  Os quesitos a serem respondidos no novo Laudo Técnico são os seguintes:  1. Identificar cada uma das mercadorias importadas objeto da reclassificação.  2. Tratam­se de  filmes  fotográficos, ou seja,  tratam­se de filmes utilizados em  processo pelo qual as imagens visíveis são formadas, direta ou indiretamente, pela ação da luz  ou de outras formas de radiação, sobre superfície fotossensível? Sim ou não? Justifique.  3. Os filmes, na forma como importados, podem ser destinados à aplicação em  diagnósticos de raios X? Sim ou não? Justifique.  4. Se respondido sim à pergunta anterior: podem ser destinados à aplicação em  diagnósticos de raios X, exclusivamente? Sim ou não? Justifique. Se não, em quais outros tipos  de diagnósticos podem ser aplicados? Explique.   5.  Independentemente de  se  tratar de método de  radiografia direta ou  indireta,  analógica ou digital, pode­se afirmar que não existem, ou nunca existiram,  filmes virgens ou  não impressos especialmente destinados à aplicação em diagnósticos de raios X? Sim ou não?  Justifique.  6.  Os  exames  que  utilizam  raio  X  para  formação  de  imagem,  mas  não  exclusivamente raio X, podem ser denominados de exame de raio X? Sim ou não? Justifique.   7. Nos dias de hoje, na área de diagnóstico médico, para ser considerado “exame  de raio X” basta que seja utilizado raio X para realização do exame, ainda que o raio X não seja  utilizado exclusivamente? Sim ou não? Explique.  8. No Brasil,  em  face do volume de  exames  realizados na atualidade, pode­se  dizer  que,  preponderantemente,  os  filmes,  na  forma  com  importados,  são  utilizados,  em  sua  grande maioria, para realizar exames de raio X? Sim ou não. Justifique. Pode­se dizer que há  uma função principal para tais filmes? Sim ou não? Justifique.  Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.729219/2012­56  Resolução nº  3202­000.262  S3­C2T2  Fl. 1.498          6 Devem,  ainda,  ser  respondidos  os  14  quesitos  apresentados  pela  contribuinte  quando  do  oferecimento  da  impugnação  (efls.1.824/1.827),  bem  como  ser  facultado  à  Fiscalização para, querendo, formular quesitos.  Pelo  exposto,  voto  no  sentido  de  que,  novamente,  seja  CONVERTIDO  O  JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA,  para  que  a  autoridade  preparadora  providencie  a  elaboração de Laudo Técnico conforme acima solicitado.  Após,  devem  ser  abertos  prazos  para  a  Fiscalização  e  a  contribuinte,  respectivamente, manifestarem­se,  caso  queiram.  Saliente­se  que  as manifestações  devem­se  limitar  à  apreciação  do  resultado  da  diligência,  não  sendo  cabível  revolver  questões  já  suscitadas quando do oferecimento do  recurso voluntário ou quando da  lavratura do Auto de  Infração.  Finalizada a instrução processual, devem os autos retornar a este Colegiado para  julgamento.  É como voto.  Irene Souza da Trindade Torres Oliveira  Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES

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Numero do processo: 11968.000707/2007-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 05/09/2006 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA ETAPA QUE ANTECEDE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO Só se discute cerceamento do direito de defesa a partir do momento em que tal direito pode ser exercido. Ou seja, a partir da etapa de impugnação. Não se fala em violação aos direitos A ampla defesa e ao contraditório na fase de investigação que antecede A lavratura do auto de infração. PEDIDO DE PERÍCIA. CONDIÇÕES Não há que se falar em nulidade por indeferimento de pedido de perícia quando os autos reúnem os elementos necessários à formação da convicção do julgador e, o que é mais relevante, o sujeito passivo não logra êxito em demonstrar a imprescindibilidade desse exame suplementar. FARINHA DE TRIGO FORTIFICADA. A mercadoria "Farinha de trigo forti ficada com ácido fólico e ferro contendo 0,07% de cloreto de sódio (sal)" classifica-se no código NCM 1101.00.10, conforme Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado.
Numero da decisão: 3302-002.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 05/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES

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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 05/09/2006 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA ETAPA QUE ANTECEDE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO Só se discute cerceamento do direito de defesa a partir do momento em que tal direito pode ser exercido. Ou seja, a partir da etapa de impugnação. Não se fala em violação aos direitos A ampla defesa e ao contraditório na fase de investigação que antecede A lavratura do auto de infração. PEDIDO DE PERÍCIA. CONDIÇÕES Não há que se falar em nulidade por indeferimento de pedido de perícia quando os autos reúnem os elementos necessários à formação da convicção do julgador e, o que é mais relevante, o sujeito passivo não logra êxito em demonstrar a imprescindibilidade desse exame suplementar. FARINHA DE TRIGO FORTIFICADA. A mercadoria "Farinha de trigo forti ficada com ácido fólico e ferro contendo 0,07% de cloreto de sódio (sal)" classifica-se no código NCM 1101.00.10, conforme Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 05/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES     2 (assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  ALEXANDRE GOMES ­ Relator.      EDITADO EM: 05/07/2014  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva  (Presidente),  Paulo Guilherme Deroulede,  Fabiola  Cassiano Keramidas, Maria  da Conceição  Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.  Relatório  Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório  produzido pela DRJ de Recife:  Trata­se  de  auto  de  infração  lavrado  em  desfavor  da  pessoa  jurídica  NAP  ALIMENTOS  LTDA,  onde  é  formalizada  a  exigência de Imposto de Importação, PIS e Cofins incidentes na  importação,  acrescidos  de  juros  e  multa  proporcional  a  tais  tributos,  além  das  multas  por  violação  ao  controle  administrativo  das  importações  e  pela  classificação  da  mercadoria  em  desacordo  com  a  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul (NCM).  Consigna a autoridade fiscal que o sujeito passivo promovera a  importação de  180  toneladas do produto denominado  "mistura  para  elaboração  de  massas  frescas,  marca  FAVORITA",  classificando­o no item 1901.90.90 da NCM, próprio para outras  preparações  alimentícias  de  farinha,  ao  invés  do  item  1101.00.10, próprio para farinha de trigo.  O suporte  fático para  tal  reclassificação  teria  sido extraído do  laudo técnico de análise n° 2283/2006­1', expedido pelo Centro  Tecnológico  de  Controle  da  Qualidade  ­  L.A.  Falcão  Bauer,  onde  foi  consignada  a  conclusão  de  que  o  produto  importado  tratar­se­ia  de  farinha  de  trigo  fortificada  corn  ácido  fólico  e  ferro, contendo 0,06% de cloreto de sódio (sal) e traços de ácido  ascórbico (vitamina c).  Informa  ainda  a  autoridade  fiscal  que,  após  a  ação  fiscal,  o  importador  passou  a  classificar  produtos  idênticos  ao  que  é  objeto do presente processo no código 1101.00.10.  Regularmente  cientificado  em  24/07/2007  2,  comparece  o  contribuinte ao processo em 09/08/20073 , alegando, em síntese:  Fl. 388DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11968.000707/2007­99  Acórdão n.º 3302­002.287  S3­C3T2  Fl. 387          3 1­ Nulidade do auto de infração em razão de:  1.1 ­ Violação ao principio da ampla defesa e do contraditório,  em razão de não lhe ter sido concedido prazo para manifestação  acerca  do  laudo  técnico  que  deu  respaldo  As  conclusões  da  autoridade previamente A autuação. Alega que tal conduta teria  impedido seu acesso As amostras colhidas e lacradas pelo Fisco  para  fins de produção de contraprova, sem todavia, apresentar  qualquer documento que ateste a  formulação  •de petição e  seu  indeferimento.  Cita  jurisprudência  em  que  assenta  suas  conclusões a respeito da violação ao principio da ampla defesa e  contraditório;  1.2  ­  Violação  ao  principio  da  verdade material,  em  razão  de  que a autoridade  fiscal se  limitara a  imputar valores com base  em presunção, sem observar laudo anteriormente obtido a partir  de solicitação de outra unidade administrativa da Secretaria da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  onde  seriam  apresentadas  conclusões diversas das assentadas pelo laudo que respaldou a  autuação.  2­  Imprestabilidade do  laudo  técnico 2.1 — Sustenta que seria  inadmissível  que  a  impugnante  não  conhecesse  seu  processo  produtivo e utilizasse produto sem saber da sua composição;  2.2  —  Aduz  que  a  importação  alvo  de  exigência  não  seria  a  primeira  realizada  pela  impugnante,  que  já  teria  adquirido  o  mesmo produto do mesmo fornecedor em outras oportunidades,  reiterando  que  laudo  anterior,  elaborado  por  engenheiro  vinculado A Universidade Federal de Pernambuco, demonstrara  que, diferentemente do alegado, tratar­se­ia de uma mistura, ad  itivada de outros componentes. Junta copia4 .  3­ Necessidade de nova perícia:  3.1 Na hipótese de não serem adotadas as conclusões do laudo  técnico  que  entende  contradizer  aquele  apresentado  pela  autoridade fiscal, pleiteia a realização de uma segunda perícia.  Indica quesitos e assistente.  Posteriormente, após o encerramento do prazo de impugnação,  traz ao processo nova petição onde pleiteia a nulidade do auto  de infração, nos termos do Acórdão 08­ 11.266, onde a 2 Turma  da  DRJ  Fortaleza  decidiu  anular  de  oficio  auto  de  infração  aparentemente idêntico ao que se debate no presente processo.  A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu  por bem julgar improcedente a defesa, em decisão que assim ficou ementada:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Data do fato gerador: 17/10/2006   CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA ETAPA QUE  ANTECEDE  LAVRATURA  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  Fl. 389DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES     4  Só  se  discute  cerceamento  do  direito  de  defesa  a  partir  do  momento em que tal direito pode ser exercido. Ou seja, a partir  da etapa de impugnação.  Não  se  fala  em  violação  aos  direitos  A  ampla  defesa  e  ao  contraditório na  fase de  investigação que antecede A  lavratura  do auto de infração.  PEDIDO DE PERÍCIA. CONDIÇÕES   Não há que se falar em nulidade por indeferimento de pedido de  perícia  quando  os  autos  reúnem  os  elementos  necessários  à  formação da convicção do julgador e, o que é mais relevante, o  sujeito  passivo  não  logra  êxito  em  demonstrar  a  imprescindibilidade desse exame suplementar.  ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS   Data do fato gerador: 17/10/2006  FARINHA DE TRIGO FORTIFICADA.  A mercadoria  "Farinha  de  trigo  fortificada  com  ácido  fólico  e  ferro contendo 0,07% de cloreto de sódio (sal)" classifica­se no  código  NCM  1101.00.10,  conforme  Regras  Gerais  de  Interpretação do Sistema Harmonizado.  ERRO NA IDENTIFICAÇÃO E NA CLASSIFICAÇÃO. REGIME  DE ORIGEM DO MERCOSUL. CONSEQUÊNCIAS.  Constatada  diferença  entre  a  classificação  consignada  no  Certificado  de Origem e  a  resultante da  verificação aduaneira  da mercadoria, resta afastada a preferencia tarifária própria do  regime do Mercosul.  Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido  Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde são reprisados  os argumentos lançados na Impugnação apresentada  É o relatório.    Voto             Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES  O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e  dele tomo conhecimento.  Conforme  se  depreende  do  relatório  acima  transcrito,  trata­se  de  auto  de  infração  decorrente  de  equivocada  classificação  fiscal  adotada  pela  Recorrente  para  produto  importado por ela.  Fl. 390DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11968.000707/2007­99  Acórdão n.º 3302­002.287  S3­C3T2  Fl. 388          5 Diante  do  Recurso  Voluntário  apresentado,  são  três  os  pontos  a  serem  analisados:  (i)  nulidade  do  auto  de  infração  diante  do  cerceamento  do  direito  de  defesa;  (ii)  Classificação Fiscal do produto importado; e (iii) ilegalidade da cumulação das multas.  A respeito das preliminares levantadas, sem razão a Recorrente.  A Recorrente alega o cerceamento do seu direito de defesa diante da ausência  da garantia ao contraditório no momento da elaboração do laudo produzido pela Fiscalização  em momento anterior a lavratura do auto de infração.  Como  bem  pontuou  a  decisão  recorrida,  com  a  instauração  do  processo  administrativo  que  se  inicia  com a  apresentação  da  impugnação  é que deve ser garantido  ao  contribuinte a oportunidade a ampla defesa e ao contraditório.  Assim determina a Carta magna:  "Art. 5° (...)  LV — aos litigantes, em processo  judicial ou administrativo, e  aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla  defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;"  Por sua vez, assim prescreve o Decreto 70.235/72 a respeito do termo incial  do processo administrativo fiscal:  Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.  Assim  a  ampla  defesa  e  o  contraditório  somente  passa  a  ser  uma  garantia  após a instaruação do processo administrativo fiscal.   No presente caso, o laudo produzido na fase de persecução fiscal, ou seja, em  momento  anteior  ao  lançamento,  foi  devidamente  questionado  pela  Recorrente  com  a  apresentação da Impugnação.  Não há reparos a fazer a decisão recorrida neste ponto.    Ainda  em  relação  a  necessidade  de  elaboração  de  prova  precicial,  mister  transcrever o que dispõe o decreto que regula o processo administrativo:  Art. 16. A impugnação mencionará:  IV ­ as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de  1993)  §  1º Considerar­se­á  não  formulado o  pedido  de  diligência  ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso  IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)  Fl. 391DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES     6 Art.  29.  Na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  as  diligências que entender necessárias.”  A  necessidade  de  realização  de  diligencia  pode  ser  aferida  pela  autoridade  administrativa, que mediante decisão fundamentada pode afasta­la.  No  caso  sob  análise,  a  partir  da  leitura  dos  quesitos  formulados  pelo  Recorrente,  verifico  inegável  similaridade  com  os  quesitos  respondidos  pelo  Laudo  que  a  contribuinte juntou ao processo, ficando patente a denecessidade de realização de nova perícia.   Faço  remissão  aos  fundamentos  da  decisão  recorrida  neste  ponto,  em  complemento aos acima transcritos.  Quanto ao mérito, melhor sorte não socorre a recorrente.  A  questão  relacionada  a  correta  classificação  a  ser  aplicada  ao  produto  importado pela Recorrente, já foi objeto de análise neste Conselho.  Transcrevo  como  razão  de  decidir,  os  argumentos  utilizados  pelo  eminente  Conselheiro  Gilberto  de  Castro  Moreira  Junior,  que  nos  autos  do  processo  nº  11968.000394/2007­79 assim decidiu:  O  laudo  técnico  requisitado  pela  fiscalização  concluiu  que  a  mercadoria  em  apreço  seria  “farinha  de  trigo  fortificada  com  ácido fólico e ferro, contendo 0,20% de cloreto de sódio (sal)”.  Para  a  correta  classificação  fiscal  de  uma  mercadoria,  é  necessário observar diversas regras, entre elas as Regras Gerais  para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI)  e as Regras Gerais Complementares (RGC). As primeiras regras  interpretativas  estão  previstas  no  artigo  1º  do RGC  e  do RGI,  vejamos:  RGC:  Art.  1  As  Regras  Gerais  para  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar  dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro  deste  último,  o  subitem  correspondente,  entendendo­­se  que  apenas  são  comparáveis  desdobramentos  regionais  (itens  e  subitens) do mesmo nível.  RGI:  Art. 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas  valor  indicativo.  Para  os  efeitos  legais,  a  classificação  é  determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de  Capítulo  e,  desde  que  não  sejam  contrárias  aos  textos  das  referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes (...) (g.n.)  A  fiscalização  entende  que  a  classificação  correta  para  as  mercadorias  seria  o  código  NCM  1101.00.10,  posição  do  produto farinha de trigo:  “1001  –  FARINHAS  DE  TRIGO OU MISTURA DE  TRIGO  E  CENTEIO  1001.00.10  –  Farinha  de  trigo”  De  seu  turno,  a  Fl. 392DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11968.000707/2007­99  Acórdão n.º 3302­002.287  S3­C3T2  Fl. 389          7 Recorrente  classificou  as  mercadorias  importadas  no  código  NCM  1901.90.90,  posição  correspondente  ao  produto  mistura  para macarrão:  “19.01 Extratos de malte;; preparações alimentícias de farinhas,  grumos,  sêmolas,  amidos,  féculas  ou  de  extratos  de malte,  que  não  contenham  cacau  ou  que  contenham  menos  de  40  %,  em  peso,  de  cacau,  calculado  sobre  uma  base  totalmente  desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras  posições;;  preparações  alimentícias  de  produtos  das  posições  04.01  a  04.04,  que  não  contenham  cacau  ou  que  contenham  menos  de  5  %,  em  peso,  de  cacau,  calculado  sobre  uma  base  totalmente  desengordurada,  não  especificadas  nem  compreendidas noutras posições.  1901.10  ­­  Preparações  para  alimentação  de  crianças,  acondicionadas  para  venda  a  retalho  1901.20  ­­  Misturas  e  pastas para a preparação de produtos de padaria, pastelaria e  da indústria de bolachas e biscoitos, da posição 19.05 1901.90 ­­  Outros  1901.90.10  ­­  Extrato  de  malte  1901.90.20  ­­  Doce  de  leite 1901.90.90 ­­ Outros” (g.n.)  Diante do fato de a RGI determinar a interpretação a partir dos  textos  das  posições  e  das  notas  de  seção  e  capítulo,  cumpre  então  examiná­­los  à  luz  das NESH  (anexo único da  Instrução  Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008):  11.01  Farinhas  de  trigo  ou  de  mistura  de  trigo  com  centeio  (méteil).  Esta posição compreende as farinhas de trigo ou de mistura de  trigo  com  centeio  (méteil  ou  meslin)  (isto  é,  os  produtos  pulverulentos  resultantes  da  moagem  dos  cereais  da  posição  10.01) que, além do teor de amido e de cinzas previstos na alínea  A)  da  Nota  2  deste  Capítulo  (ver  as  Considerações  Gerais),  satisfaçam  o  critério  de  passagem  numa  peneira  padrão,  nas  condições definidas na alínea B) da mesma Nota.  As farinhas desta posição podem ser melhoradas pela adição de  ínfimas  quantidades  de  fosfatos  minerais,  antioxidantes,  emulsificantes,  vitaminas  ou  de  pós  para  levedar  preparados  (farinhas fermentantes). A farinha de trigo pode, além disso, ser  enriquecida  pela  adição  de  uma quantidade  de  glúten  que,  em  geral, não ultrapasse 10%.  A  presente  posição  compreende  também  as  farinhas  denominadas  “expansíveis”  (“pré­­gelatinizadas”)  que  tenham  sido submetidas a um tratamento térmico que provoque uma pré­ ­gelatinização  do  amido.  Estas  farinhas  utilizam­­se  na  fabricação das preparações da posição 19.01, de beneficiadores  de  panificação,  de  alimentos  para  animais  ou  em  algumas  indústrias,  tais  como  a  indústria  têxtil,  a  do  papel  ou  a  metalúrgica (preparação de núcleos de fundição).  As  farinhas  que  tenham  sido  submetidas  a  tratamentos  complementares  ou  adicionadas  de  outros  produtos  a  fim  de  Fl. 393DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES     8 serem utilizadas como preparações alimentícias classificam­­se  geralmente na posição 19.01.  Também se excluem as farinhas misturadas com cacau (posição  18.06 se o teor de cacau, em peso, for igual ou superior a 40%,  calculado sobre uma base totalmente desengordurada, e posição  19.01, em caso contrário).  Por outro lado, as misturas alimentícias são assim descritas:  “19.01 Extratos de malte; preparações alimentícias de farinhas,  grumos,  sêmolas,  amidos,  féculas  ou  de  extratos  de malte,  que  não  contenham  cacau  ou  que  contenham  menos  de  40  %,  em  peso,  de  cacau,  calculado  sobre  uma  base  totalmente  desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras  posições;  preparações  alimentícias  de  produtos  das  posições  04.01  a  04.04,  que  não  contenham  cacau  ou  que  contenham  menos  de  5  %,  em  peso,  de  cacau,  calculado  sobre  uma  base  totalmente  desengordurada,  não  especificadas  nem  compreendidas noutras posições.  (...)  1901.90 Outros (...)  II.  Preparações  alimentícias  de  farinhas,  grumos,  sêmolas,  amidos, féculas ou de extratos de malte, não contendo cacau ou  contendo­­o numa proporção inferior a 40%, em peso, calculado  sobre  uma  base  totalmente  desengordurada,  não  especificadas  nem compreendidas em outras posições.  Esta  posição  compreende  um  conjunto  de  preparações  alimentícias,  à  base  de  farinhas,  grumos,  sêmolas,  amidos,  féculas  ou  de  extratos  de  malte,  cuja  característica  essencial  provenha destes constituintes, quer eles predominem ou não em  peso ou em volume.  A  estes  diversos  componentes  principais  podem  adicionar­­se  outras  substâncias,  tais  como  leite,  açúcar,  ovos,  caseína,  albumina,  gorduras,  óleos,  aromatizantes,  glúten,  corantes,  vitaminas,  frutas ou outras  substâncias destinadas a aumentar­ ­lhes as propriedades dietéticas, ou cacau desde que neste último  caso,  o  teor  em  peso  de  cacau  seja  inferior  a  40%  calculado  sobre  uma  base  totalmente  desengordurada  (ver  as  Considerações Gerais do presente Capítulo).  Convém  referir  que  estão,  todavia,  excluídas  as  preparações  contendo mais de 20%, em peso, de enchidos, carne, miudezas,  sangue,  peixe  ou  crustáceos,  moluscos  e  outros  invertebrados  aquáticos ou de uma combinação desses produtos (Capítulo 16).  Na acepção desta posição:  A)  Os  termos  “farinhas”  e  “sêmolas”  designam  não  só  as  farinhas e sêmolas dos cereais do Capítulo 11, mas também, as  farinhas, sêmolas e pós alimentícios de origem vegetal, qualquer  que  seja  o Capítulo  em que  se  incluam,  tal  como a  farinha  de  soja. Todavia, estes termos não abrangem as farinhas, sêmolas e  Fl. 394DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11968.000707/2007­99  Acórdão n.º 3302­002.287  S3­C3T2  Fl. 390          9 pós,  de  produtos  hortícolas  secos  (posição  07.12),  de  batata  (posição 11.05) ou de legumes de vagem secos (posição 11.06).  B) Os  termos “amidos” e “féculas” compreendem os amidos e  féculas  não  transformados  e  os  pregelatinizados  ou  solubilizados,  com  exclusão  dos  produtos  resultantes  de  uma  decomposição mais profunda dos amidos ou féculas, tal como a  dextrimaltose.  As preparações da presente posição podem ser líquidas, em pó,  em  grânulos,  em  pasta  ou  apresentar­­se  sob  qualquer  outra  forma sólida, como fitas e discos.  Muitas  vezes,  estes  produtos  destinam­­se  quer  à  preparação  rápida  de  bebidas,  papas,  alimentos  para  crianças,  alimentos  dietéticos,  etc.,  por  simples  dissolução  ou  ligeira  ebulição  em  água ou leite, quer à fabricação de bolos, cremes, pudins ou de  preparações culinárias semelhantes.  Podem também constituir preparações intermediárias destinadas  à indústria alimentar.  A título de exemplo, podem citar­­se como preparações incluídas  na presente posição:  1) As  farinhas  lácteas, obtidas por evaporação de uma mistura  de leite, açúcar e farinha.  2) As preparações constituídas por uma mistura de ovos e leite,  em pó, de extrato de malte e de cacau em pó.  3) O  racahout,  preparação alimentícia composta de  farinha de  arroz, de diversas féculas, de farinha de bolota doce, de açúcar e  de cacau em pó, aromatizada com baunilha.  4) As preparações constituídas por uma mistura de farinhas de  cereais  com  farinha  de  frutas,  a  maior  parte  das  vezes  adicionadas  de  cacau  em  pó,  ou  por  farinhas  de  frutas  adicionadas de cacau em pó.  5) O leite maltado e as preparações semelhantes constituídas por  uma mistura de  leite em pó e de extrato de malte,  com ou sem  açúcar.  6)  Os  Knödel,  Klösse  e  Nockerln,  contendo  ingredientes,  tais  como  sêmolas,  farinhas  de  cereais,  farinha  de  pão,  gorduras,  açúcar, ovos, especiarias, levedura, geléia ou frutas. Todavia, os  produtos desta natureza à base de farinha de batata, classificam­ ­se no Capítulo 20.  7)  As  massas  preparadas,  essencialmente  constituídas  por  farinha  de  cereal  adicionada  de  açúcar,  gorduras,  ovos  ou  de  frutas (incluídas as que se apresentem enformadas ou modeladas  na forma do produto final).  8) As pizzas não cozidas, constituídas por uma base de massa de  pizza  recoberta  de  diversos  outros  ingredientes,  tais  como  Fl. 395DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES     10 queijo,  tomate,  azeite,  carne,  anchovas.  As  pizzas  pré­­cozidas  ou cozidas são, todavia, classificadas na posição 19.05.  Independentemente  das  preparações  excluídas  deste  Capítulo  pelas Considerações Gerais, esta posição não compreende:  a)  As  farinhas  fermentantes  e  as  farinhas  denominadas  “expansíveis”  (“pré­­gelatinizadas”),  das  posições  11.01  ou  11.02.  b) As farinhas de cereais misturadas (posições 11.01 ou 11.02),  as farinhas e sêmolas de produtos hortícolas secos misturadas, e  as farinhas, sêmolas e pós de frutas misturados (posição 11.06),  sem qualquer outro preparo.  c) As massas alimentícias e o “couscous” da posição 19.02.  d) A tapioca e seus sucedâneos (posição 19.03).  e)  Os  produtos  de  padaria  inteira  ou  parcialmente  cozidos,  necessitando estes últimos de um cozimento suplementar antes de  serem consumidos (posição 19.05).  f) As preparações para molhos e os molhos preparados (posição  21.03).  g)  As  preparações  para  sopas  e  caldos,  as  sopas  ou  caldos  preparados  e  as  preparações  alimentícias  compostas  homogeneizadas (posição 21.04).  h) As proteínas vegetais texturizadas (posição 21.06).  ij) As bebidas do Capítulo 22.  Tenho entendido que a posição em apreço deixa claro que nela  se compreendem preparações alimentícias de farinhas, grumos,  sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte. O plural quer­ ­me  fazer  crer  que  o  produto  em  questão  comporta  sempre  o  acréscimo  de mais  de  um  cereal  ou  outra  substância,  assim,  a  preponderância de farinha de trigo sem quaisquer acréscimos de  outra  farinha  ou  substância  descrita  na  nota  explicativa,  denotaria  que  essa  não  seria  a  classificação  correta  para  o  produto em apreço.  Isto  porque,  em  nenhum  momento  a  nota  explicativa  trata  de  farinha  de  modo  isolado,  ou  no  singular.  O  substantivo  vem  sempre no plural.  Quando  examinamos  as  notas  explicativas  da  posição  NCM  1101, de início, faz­­se a seguinte discriminação: “Esta posição  compreende  as  farinhas  de  trigo  ou  de  mistura  de  trigo  com  centeio  (méteil  ou  meslin)”.  Embora  aqui  também  haja  o  emprego do plural (farinhas), vê­­se que a nota explicativa logo  trata do tipo de farinha que ela visa colher. Aqui temos também  farinhas, mas sempre de trigo, haja vista a expressa qualificação  da nota explicativa.  Quando  se  lê  as  notas  explicativas  da  posição NCM 1901,  tal  não ocorre. O substantivo  farinhas ali  inserido quer  fazer crer  Fl. 396DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11968.000707/2007­99  Acórdão n.º 3302­002.287  S3­C3T2  Fl. 391          11 que  se  trata  de  mais  de  uma  farinha,  não  apenas  farinha  de  trigo, ainda que enriquecida.  Além disso, as notas explicativas da posição NCM 1101 indicam  que  o  acréscimo  de  ínfimas  quantidades  de  fosfatos  minerais,  antioxidantes, emulsificantes, vitaminas e, no caso do glúten, em  quantidades  iguais  ou  inferiores  a  10%,  não  desnaturam  o  produto como farinha de trigo.  Diversamente  do  que  alega  a  Recorrente,  a  decisão  recorrida  não  adotou  retroativamente  o  entendimento  contido  no  Ato  Declaratório Executivo nº 1, de 2008, que no ditame 2 define a  posição  NCM  1101.00.10  para  farinha  de  trigo  que  contenha  proporção de cloreto de sódio igual ou superior a 0,5%.  Vê­­se que aquela decisão pautou­­se pelo confronto do texto da  posição  declarada  e  daquela  imputada  pelo  Fisco,  concluindo  que  não  se  tratava  de  mistura,  por  não  haver  nenhuma  das  substâncias previstas para a posição declarada.  Além disso,  levou em conta o  fato de o laudo  ter aferido que a  farinha analisada atendia ao disposto na Nota 2 do Capítulo 11,  que  leva  em  conta  o  teor  de  amido  e  cinzas,  bem  assim  a  granulometria apresentada pela farinha, ou seja, a pesagem da  substância  quando  submetida  a  peneira  de  certa  densidade,  sendo  que  os  testes  apontaram  que  o  produto  submetido  à  análise atendia aos teores e pesagens definidos na referida nota  de capítulo.  Assim,  a  classificação do  produto  em apreço  na posição NCM  1101.00.01  decorre  exclusivamente  de  sua  subsunção  aos  critérios  das  Regras  Gerais  de  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado (RGI­­SH).  Tendo  em  conta  que  à  mercadoria  em  apreço  foram  acrescentadas  ínfimas  quantidades  de  ácido  fólico  (vitamina  B12) e  ferro, acrescida de cloreto de sódio (sal), na proporção  de 0,20%, sem a adição de quaisquer das substâncias previstas  nas notas explicativas da posição 1901, e como bem observado  na decisão recorrida, há determinação legal no sentido de que a  farinha de trigo seja enriquecida com ácido fólico e ferro, tem­ ­se  que  as  demais  substâncias,  acrescidas  em  quantidades  ínfimas – o cloreto de sódio, à razão de 0,20%, inclusive – não  desnaturam a composição do produto para fins de classificação  fiscal, tratando­­ se, assim, de farinha de trigo.  Quanto  as  multas  de  oficio  e  pela  classificação  equivocada  aplicadas  cumulativamente, correta a decisão proferida pela DRJ de Recife.  Ambas as multas encontram­se previstas em Lei (Lei 9.430/96, art. 441e MP.  2.158­35/01 art. 842, inciso I) vigente e aplicável ao caso em concreto.                                                              1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou  diferença de tributo ou contribuição:   Fl. 397DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES     12 Destaco  que  ao  Conselheiro  é  vedado  afastar  dispositivo  de  lei  em  pleno  vigor  por  inscontitucionalidade  ou  ilegalidade  (art.  26  A  do  Decreto  70.235/72  e  62  do  Regimento Interno do CARF.).  Merece destaque o fato que, a  teor do que dispõe o art. 723 do RICARF, as  súmulas editadas pelo CARF são de aplicação obrigatória pelos julgadores.  Por  todo  o  exposto,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  Recurso  Voluntário,  nos  termos  do  voto  acima  transcrito  em  complemneto  as  razões  exaradas  na  decisão recorrida a qual faço remissão nos termos do art. 50, § 1º da Lei 9.784/99.  (assinado digitalmente)  ALEXANDRE GOMES ­ Relator                                                                                                                                                                                             I  ­  de  setenta  e  cinco  por  cento, nos casos de  falta de pagamento ou  recolhimento, pagamento ou  recolhimento  após  o  vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de multa moratória,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte    2 Art. 84. Aplica­­se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da  mercadoria:  I ­­ classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas  nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para  a identificação da mercadoria;; ou  3  Art.  72.  As  decisões  reiteradas  e  uniformes  do  CARF  serão  consubstanciadas  em  súmula  de  observância  obrigatória pelos membros do CARF.                                Fl. 398DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES

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5502005 #
Numero do processo: 13672.000271/2008-60
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSÊNCIA DE REQUISITO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13672.000271/2008­60  Acórdão n.º 2801­003.380  S2­TE01  Fl. 62          2 Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra  decisão  proferida  pela  7a.Turma da DRJ/BHE.  Por  bem  descrever  os  fatos,  reproduz­se  abaixo  o  relatório  da  decisão  recorrida:  Trata­se  de  Notificação  de  Lançamento  lavrada  contra  Maria  Cristina  Trindade  Barbosa,  fls.  05/07,  referente  ao  Imposto  de  Renda Pessoa Física Suplementar, cujo lançamento originou­se  da revisão dos dados informados na Declaração de Ajuste Anual  do exercício 2006, ano calendário 2005, conforme demonstrativo  abaixo:  Demonstrativo do Crédito Tributário   Imposto de Renda Pessoa Física­Suplementar 4.152,50   Multa de Ofício 3.114,37   Juros de Mora (calculado até 30/05/2008) 1.028,57   Valor do Crédito Tributário Apurado 8.295,44  A  exigência  decorreu  da  glosa  de  despesas  médicas  pleiteadas  com  os  profissionais  Vaneza  Ribeiro  Batista  Freire  (R$3.500,00),  Michele  Silva  Miranda  (R$2.000,00),  Sandro  Lúcio  O.  Gadbem  (R$4.100,00),  Eron  Furtado  Correa  (R$4.000,00)  e  Jesuíno  C.  da  Silva  (R$1.500,00),  totalizando  R$15.100,00, referente ao exercício 2006, anocalendário 2005.  Conforme  relatado  na  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal, fls. 06­verso, a glosa do valor de R$15.100,00 se deu por  falta de comprovação com documentação adequada. A auditoria  acrescenta  que  a  contribuinte  apresentou  apenas  recibos  incompletos,  não  se  informando  o  beneficiário  do  tratamento.  Salienta  que  para  o  profissional  Eron  Furtado  Correa,  existe  Súmula  Administrativa  de  Documentação  Tributariamente  Ineficaz.  A impugnação apresentada foi julgada improcedente, conforme acórdão de (  fls.42/50), assim ementado a seguir:  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IR PF  Exercício: 2006  DESPESAS  MÉDICAS.  BENEFICIÁRIOS  DOS  SERVIÇOS.  NÃO  ESPECIFICAÇÃO.  A  dedução  das  despesas  médicas  do  sujeito passivo e/ou de seus dependentes limita­se a pagamentos  especificados  e  comprovados  mediante  documentação  hábil  e  idônea que comprove os beneficiários dos serviços prestados.  PROVAS.  A  impugnação  deverá  ser  instruída  com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  cabendo  ao  contribuinte  produzir as provas necessárias para justificar suas alegações.  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13672.000271/2008­60  Acórdão n.º 2801­003.380  S2­TE01  Fl. 63          3 OITIVA  DE  TESTEMUNHAS.  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO  LEGAL.Inexiste  previsão  legal  para  oitiva  de  testemunhas  e  depoimentos pessoais no julgamento administrativo em primeira  instância.  PEDIDO  DE  PERÍCIA  NÃO  FORMULADO.  Considerar­se­á  não  formulado  o  pedido  de  perícia  que  deixar  de  atender  aos  requisitos  previstos  no  inciso  IV  do  art.  16  do  Decreto  n°  70.235/72.  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO. Fica a Administração Pública impossibilitada de  praticar quaisquer atos de natureza executória com a finalidade  de  satisfazer  ou  receber  os  créditos  oriundos  deste  processo  administrativo  na  incidência  de  qualquer  das  hipóteses  dos  incisos do artigo 151 do Código Tributário Nacional.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Cientificado da decisão de 1a  instância em 08.09.2011(fl.65), a contribuinte,  representado  por  seu  advogado,  apresentou  recurso  em  28.09.2011,  às  (fls.67/68).  Em  sua  defesa, argumentou em síntese o seguinte:  ●  Aduz  que  as  despesas  médicas  liquidadas  junto  as  profissionais  Vaneza  Ribeiro  Batista  Freire  e  Alexandra  Rosa  Oliveira,  não  foram  mencionadas  para  efeito  de  glosa,  estão  regularmente comprovadas.  ●  Alega  que  a  glosa  de  todas  as  despesas  médicas  demonstra  que não houve análise detida, aprofundada e individualizada dos  comprovantes apresentados.  ●  Argumenta  que  os  recibos  das  profissionais  Vaneza  Ribeiro  Batista Freire e Alexandra Rosa Oliveira atendem os requisitos  legais do art. 8o, $2o, inciso II, da Lei 9.250/1995.  ● Diz  ainda  que  a  falta  de  especificação  de  alguns  dados  dos  profissionais Sandro Lúcio Gadben e Juliana de Oliveira Takaki,  não tem o condão de macular a verdade das despesas, portanto,  deve ser considerada regular.  ●  Ao  final  requer  seja  julgado  inteiramente  procedente  o  presente recurso, por ser de inteira justiça  É o relatório Voto             Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade,  portanto merece ser reconhecido.  Fl. 63DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13672.000271/2008­60  Acórdão n.º 2801­003.380  S2­TE01  Fl. 64          4 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS   O  litígio  cinge­se  à  glosa  da  dedução  de  despesas  médicas  referentes  as  profissionais  Vaneza  Ribeiro  Batista  Freire  (R$3.500,00),  Michele  Silva  Miranda  (R$2.000,00),  Sandro  Lúcio O. Gadbem  (R$4.100,00),  Eron  Furtado Correa  (R$4.000,00)  e  Jesuíno C.da Silva (R$1.500,00),  totalizando R$15.100,00, por  falta de comprovação, ou por  falta de previsão legal para sua dedução.  Na  impugnação  a  contribuinte  não  apresentou  elementos  de  prova  que  suprissem as faltas apontadas pela fiscalização, nem tampouco nessa fase recursal.  Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso.  Assinado digitalmente  José Valdemir da Silva                              Fl. 64DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA

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5560776 #
Numero do processo: 11080.732414/2011-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2011 PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. IMPORTAÇÃO. SAÍDA. ESTABELECIMENTO COMERCIAL. EQUIPARAÇÃO. ESTABELECIMENTOINDUSTRIAL. A importação direta de produtos de procedência estrangeira por estabelecimento comercial e suas saídas (revendas) deste, ainda que não tenham sofrido quaisquer modificações, equiparam­no a estabelecimento industrial e, consequentemente, contribuinte do IPI. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-002.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte, Adriana Oliveira e Ribeiro, Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 1.148          1 1.147  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.732414/2011­36  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­002.574  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de abril de 2014  Matéria  IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS­IPI  Recorrente  ALLCOMP COMERCIO REPRESENTAÇÃO E IMPORTAÇÃO S.A  Recorrida  FAZENDA NACIONALl    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2011  PRODUTOS  DE  PROCEDÊNCIA  ESTRANGEIRA.  IMPORTAÇÃO.  SAÍDA.  ESTABELECIMENTO  COMERCIAL.  EQUIPARAÇÃO.  ESTABELECIMENTOINDUSTRIAL.  A  importação  direta  de  produtos  de  procedência  estrangeira  por  estabelecimento  comercial  e  suas  saídas  (revendas)  deste,  ainda  que  não  tenham  sofrido  quaisquer  modificações,  equiparam­no  a  estabelecimento  industrial e, consequentemente, contribuinte do IPI.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou­se provimento  ao recurso.  (assinado digitalmente)  JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Alves  Ramos  (Presidente),  Robson  Jose Bayerl,  Eloy  Eros  Da  Silva Nogueira,  Fernando Marques  Cleto Duarte, Adriana Oliveira e Ribeiro, Angela Sartori.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 24 14 /2 01 1- 36 Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE     2 Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  por  ALLCOMP  COMÉRCIO  REPRESENTAÇÃO E IMPORTAÇÃO S.A, em face do acórdão proferido pela Delegacia da  Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que por unanimidade de votos,  julgou improcedente a impugnação para manter a exigência formalizada no Auto de Infração.  O  pedido  do  contribuinte  refere­se  ao  lançamento  de  ofício  de  IPI  (fls.881/914), relativamente ao período 01/01/2007 a 31/03/2011, tendo em vista que a empresa  fiscalizada  deu  saída  a  mercadorias,  por  ela  importadas  diretamente,  a  título  de  venda,  empréstimo, consignação e locação, sem destaque daquele imposto nas notas fiscais de saída.     A Contribuinte foi cientificado da constituição do credito tributário e, por não  se conformar, apresentou impugnação (fls. 931/939).    O  acórdão  da  decisão  de  primeira  instância,  que  julgou  a  impugnação  apresentada pelo contribuinte, restou lavrado com a seguinte ementa (fls.1017/1024):    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2011  INDUSTRIAL  POR  EQUIPARAÇÃO  INCIDÊNCIA  DO  IPI  NA  SAÍDA,  A  QUALQUER TÍTULO, DO PRODUTO IMPORTADO  Os  estabelecimentos  importadores  de  produtos  de  procedência  estrangeira  que  derem  saída  a  esses  produtos  a  qualquer  título,  equiparam­se  a  estabelecimento  industrial,  e,  portanto,  são  contribuintes  do  Imposto  sobre  Produtos Industrializados  Desta forma, sujeitam­se a incidência do IPI no desembaraço aduaneiro e na  saída  do  estabelecimento  equiparado  à  industrial,  com  direito  ao  crédito  daquele e com dever de lançar este para fins de cálculo do valor do imposto  na conta gráfica do Livro de Apuração do IPI.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido    Intimada da decisão da instância a quo, em 06/06/2012, conforme faz Aviso  de recebimento da ECT de fls.1030, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário fls.1031/1043,  alegando em síntese que:    a)  É  incabível  a  incidência  de  IPI  quando  da  simples  revenda  de  produto  industrializado, sem que haja qualquer processo de industrialização deste  produto importado.  b)  Não  há  controvérsia  quanto  á  incidência  de  IPI  no  momento  do  desembaraço aduaneiro  c)  a  Recorrente  é  mera  importadora  e  revendedora  dos  produtos,  não  fazendo qualquer tipo de industrialização.  d)   Qualquer revenda de mercadoria sem ato de industrialização, não é fato  gerador  do  IPI,  os  tribunais  Regionais  Federais.  bem  como  o  Superior  Tribunal  de  Justiça,  já  consolidaram  entendimento  no  sentido  da  impossibilidade de dita tributação.  Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11080.732414/2011­36  Acórdão n.º 3401­002.574  S3­C4T1  Fl. 1.149          3   Ao  final,  requer  que  seja  reformada  a  decisão,  tendo  em  vista  o  posicionamento consolidado do Poder  Judiciário em casos  idênticos ora  tratado declarando a  ilegalidade de incidência de IPI sobre a venda de produtos importados.    Sem  contrarrazões  da  Fazenda  Nacional,  os  autos  foram  encaminhados  á  apreciação e julgamento por este Conselho.    É o relatório.    Voto             Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte ­ Relator    INCIDÊNCIA DE IPI  Cinge­se a controvérsia dos autos à sujeição da empresa ao pagamento de IPI  na saída de produtos de procedência estrangeira, estes importados diretamente por ela.  Segundo  o  regulamento  do  IPI,  aprovado  pelo  Decreto  nº  4.544,  de  16/12/2002, com matiz na Lei nº 4.502, de 30/11/1964, vigente à época dos  fatos geradores,  objetos do lançamento em discussão assim dispunha:  “Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros,  obedecidas as especificações constantes da Tabela de Inciedência do Imposto sobre  Produtos Industrializados – TIPI.  Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com  alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas  nas  respectivas  noras  complementares,  excluídos  aqueles  a  que  corresponde  a  notação “NT” (não­tributado).  Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas  no art. 4º, de que resulte produto  tributado, ainda que de alíquota zero ou  isento  (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º).  Art. 9º Equiparam­se a estabelecimento industrial:  I – os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que  derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I).  II  –  os  estabelecimentos,  ainda  que  varejistas,  que  receberem,  para  comercialização,  diretamente  da  repartição  que  os  liberou,  produtos  importados  por outro estabelecimentos da mesma firma;  III  –  as  filiais  e  demais  estabelecimentos  que  exercerem  o  comércio  de  produtos  importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento  do  mesmo  contribuinte,  salvo  se  aqueles  operarem  exclusivamente  na  venda  a  avarejo  e  não  estiverem  enquadrados  na  hipótese  do  inciso  II  (Lei  nº  4.502,  de  Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE     4 1964, art. 4, inciso II, e § 2º, Decreto­ lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª, e Lei  nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 37, inciso I);  (...)  Art. 24 São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte:  I – o importados, em relação ao fato gerador decorrente do desembaraço aduaneiro  de  produto  de  procedência  estrangeria  (Lei  nº  4.502,  de  1964,  art.  35,  inciso  I,  alínea a); e   (...)  Art 34 Fato gerador do imposto é (Lei 4.502, de 1964, art 2º):  I – o desembaraço aduaneiro do produto de procedência estrangeira; ou  II – a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equipara a industrial;”  Sustenta  a  recorrente  que  qualquer  revenda  de  mercadoria  sem  ato  de  industrialização, não é fato gerador do IPI, sendo assim, incabível a incidência de IPI quando  da  simples  revendas  de  produto  industrializado,  sem  que  haja  qualquer  processo  de  industrialização deste produto importado.  No  entanto,  não  possui  pertinência  o  argumento  de  que  somente  quem  participa do processo de industrialização é contribuinte do IPI, tampouco o argumento de que  cada incidência do IPI deve estar ligada a uma nova operação de industrialização, pois o fato  da denominação do tributo ser “Imposto sobre Produtos Industrializado” obrigatoriamente não  se refere necessariamente somente a imediata operação de industrialização.  O art. 51, II, do CTN, preleciona que “contribuinte do imposto é o industrial  ou quem a lei a ele equiparar”. Em vista disso, não há qualquer ilegalidade na exigência de IPI  na  saída  de  produtos  importados  do  estabelecimento  do  importador,  pois  o  importador  é  equiparado a estabelecimento industrial pelo art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, c/c o art. 51, II, do  CTN.  Insta mencionar  que o Superior Tribunal  de  Justiça  (STJ)  já  se  pronunciou  nesse  sentido  no  Recurso  Especial  1247788/SC  (DJe  24/10/2013)  e  no  Recurso  Especial  1385952/SC (DJe 11/09/2013), bem como esse Conselho em consonância com o entendimento  do Tribunal sustenta o mesmo entendimento. conforme ementa que transcrevo a seguir:  AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.  o auto de infração lacrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a  indicação  expressa  das  infrações  imputadas  ao  sujeito  passivo  e  das  respectivas  fundamentações  ,  constitui  instrumento  legal  e  hábil  à  exigência  do  crédito  tributário.  LANÇAMENTO. NULIDADE  É válido o lançamento efetuado de conformidade com as normas legais que regem o  procedimento administrativo fiscal.  Assunto: Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI  Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11080.732414/2011­36  Acórdão n.º 3401­002.574  S3­C4T1  Fl. 1.150          5 PRODUTOS  DE  PROCEDÊNCIA  ESTRANGERIRA.  IMPORTAÇÃO.  SAÍDA.  ESTABELECIEMTNO  COMERCIAL.  EQUIPARAÇÃO.  ESTABELECIMENTO  INDUSTRIAL.  A  importação  direta  de  produtos  de  procedência  estrangeria  por  estabelecimento  comercial e suas saídas (revendas) deste, ainda que não tenham sofrido quaisquer  modificações,  equiparam­se  a  estabelecimento  industrial  e,  consequentemente,  contribuinte do IPI.  PRODUTOS  DE  PROCEDÊNCIA  ESTRANGEIRA.  IMPORTAÇÃO  E  COMERCIALIZAÇÃO PELO PRÓPRIO ESTABELECIMENTO.  As  saídas  de  produtos  de  procedência  estrangeira,  importados  e  comercializados  pelo próprio estabelecimento, estão sujeitas ao IPI nos termos da legislação vigente.  OBIRGAÇÃO TRIBUTÁRIA. NOTA FISCAL. IMPOSTO. LANÇAMENTO. MULTA.  A  falta  de  lançamento  do  valor  do  imposto  na  respectiva  nota  discal  de  saía  dos  produtos do estabelecimento industrial ou equiparada enseja o lançamento de ofício  da multa, nos termos da legislação tributaria vigente.  MUTA DE OFÍCIO.  Nos  lançamentos  de  ofício,  para  constituição  de  crédito  tributário,  incide  multa  calculada  sobre  a  totalidade  ou  diferença  do  tributo  ou  contribuição,  lançados  segundo a legislação vigente.  MULTA. DUPLICIDADE.  A exigência de multa, no lançamento de ofício, não se confunde com a multa exigida  por falta e lançamento (destaque) do imposto na respectiva nota fiscal de saída do  produto do estabelecimento.  Recurso  Voluntário  negado  (Ac.  n.  3301­001.843  3ª  Seção,  3ª  Câmara,  1ª  turma  ordinária do CARF. Processo nº 10166.722457/2009­86. Data do julgamento 21 de  maio de 2013)  Dessa  forma,  diante  dos  argumentos  expostos  no  corpo  desse  decisório,  entendo que não é ilegal a incidência do IPI no momento da saída de produto de procedência  estrangeira do estabelecimento do importador, ainda que após a incidência anterior do tributo  no desembaraço aduaneiro, pois conforme art. 46, II e 51 parágrafo único do CTN os produtos  importados  estão  sujeitos  ao  pagamento  de  IPI  no  momento  da  saída  do  produto  do  estabelecimento importador, não só quando for objeto de insumo, mas também na operação de  revenda.  Diante disso, conheço do recurso voluntário da contribuinte para, no mérito,  negar­lhe  provimento,  reconhecendo  a  incidência  de  IPI  na  operação  de  revenda  de  produto  importado.  (assinatura digital)  Fernando Marques Cleto Duarte – Relator     Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE     6                                     Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE

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Numero do processo: 15586.000543/2005-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano-calendário 2000, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 316/323, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 2.555.482,09, calculados até 31/08/2005. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A contribuinte imperou Mandado de Segurança n° 2004.50.01.004047-0, para que não fosse promovida a quebra do sigilo bancário e a lavratura do auto de infração. Em sentença proferida por juízo de 1ª Instância, foi denegado o pedido de liminar em processo nº 2004.50.01.004047-0. Essa decisão, contudo, foi reformada em pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, nos autos do processo de Agravo de Instrumento nº 2004.02.01.0055880-1, recebido com efeito suspensivo, restando deferida a liminar. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: a) a validade do MPF expirou em 05/06/2004. Desta feita, qualquer prorrogação deste instrumento deveria ser notificada a defendente, por força dos arts. 12, 13 e 15 da Portaria SRF nº 3.007, de 26 de novembro de 2001, o que não se efetivou. b) os dados relativos a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) não podem ser usados pela fiscalização com o objetivo de lançar tributo ou se prestar ao papel de base de cálculo de tributo quando há outras hipóteses de aferição do fato gerador. c) a movimentação financeira constatada em contas de titularidade da impugnante resulta de sua atividade profissional, qual seja, produtora rural, sendo fruto da venda de produtos agrícolas. Defende, em verdade, a ocorrência de entradas e saídas de recursos que resultavam em lucro irrisório para a interessada. d) em seu entender, restando comprovado serem os depósitos bancários oriundos do exercício de atividade rural, deveria a fiscalização aplicar as regras de arbitramento ditadas pelo § 2º do art. 18 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, regulamentada pelo art. 60 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR). Cita farta jurisprudência neste sentido. e) a forma de tributar levada a cabo fere o art. 43 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), pois somente se acercaria de “valor, validade, eficácia e legitimidade a autuação caso houvesse a comprovação de aquisição de disponibilidade econômica e jurídica por meio de acréscimo patrimonial”. Sob tal aspecto, reproduz jurisprudência que corroboraria com sua tese ao defender a necessidade de evidência de sinais exteriores de riqueza neste tipo de lançamento. f) acusa o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de afronta ao princípio constitucional do silêncio em relação à produção de prova contra si mesmo, estando eivado, pois, de inconstitucionalidade. g) impossibilidade de aplicação retroativa dos mandamentos da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, para alcançar fatos geradores relativos ao ano-calendário de 2000. h) insurge-se com a aplicação de multa qualificada (150%) alegando ser incabível a compreensão do uso do direito de silêncio pela recorrente como evidente intuito de fraude justificável de sanção em tal monta. A 1ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro/RJ II julgou parcialmente procedente o lançamento, reduzindo a multa aplicada de 150% para 75%, conforme ementas transcritas: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal constitui simples instrumento de controle da administração tributária, não podendo eventual inobservância das normas que o disciplinam gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO ESPECÍFICA DE VALORES. A aplicação de normas de tributação específica, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos os rendimentos omitidos, somente pode ser efetivada diante da comprovação da origem dos depósitos bancários que deram causa a omissão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos mediante quantificação dos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, de qualquer instância, é impedido o exame da ilegalidade e da inconstitucionalidade da legislação tributária, haja vista ser a matéria de análise reservada, exclusivamente, ao Poder Judiciário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. USO DA BASE DE DADOS DA CPMF. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105, DE 2.001. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das Autoridades Administrativas. MULTA QUALIFICADA. A comprovação do evidente intuito de fraude, por meio de conduta dolosa, é necessária para caracterização da multa qualificada no montante de 150% do imposto devido. Lançamento Procedente em Parte (grifei) Contra a referida decisão foi interposto Recurso de Ofício a este Conselho Administrativo, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e Portaria MF nº 3/2008. Intimada da decisão de primeira instância em 04/01/2007 (fl. 367), Margareth Krohling apresenta Recurso Voluntário em 02/02/2007 (fl. 374), portanto, tempestivamente, sustentando, em linhas gerais, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano-calendário 2000, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 316/323, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 2.555.482,09, calculados até 31/08/2005. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A contribuinte imperou Mandado de Segurança n° 2004.50.01.004047-0, para que não fosse promovida a quebra do sigilo bancário e a lavratura do auto de infração. Em sentença proferida por juízo de 1ª Instância, foi denegado o pedido de liminar em processo nº 2004.50.01.004047-0. Essa decisão, contudo, foi reformada em pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, nos autos do processo de Agravo de Instrumento nº 2004.02.01.0055880-1, recebido com efeito suspensivo, restando deferida a liminar. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: a) a validade do MPF expirou em 05/06/2004. Desta feita, qualquer prorrogação deste instrumento deveria ser notificada a defendente, por força dos arts. 12, 13 e 15 da Portaria SRF nº 3.007, de 26 de novembro de 2001, o que não se efetivou. b) os dados relativos a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) não podem ser usados pela fiscalização com o objetivo de lançar tributo ou se prestar ao papel de base de cálculo de tributo quando há outras hipóteses de aferição do fato gerador. c) a movimentação financeira constatada em contas de titularidade da impugnante resulta de sua atividade profissional, qual seja, produtora rural, sendo fruto da venda de produtos agrícolas. Defende, em verdade, a ocorrência de entradas e saídas de recursos que resultavam em lucro irrisório para a interessada. d) em seu entender, restando comprovado serem os depósitos bancários oriundos do exercício de atividade rural, deveria a fiscalização aplicar as regras de arbitramento ditadas pelo § 2º do art. 18 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, regulamentada pelo art. 60 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR). Cita farta jurisprudência neste sentido. e) a forma de tributar levada a cabo fere o art. 43 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), pois somente se acercaria de “valor, validade, eficácia e legitimidade a autuação caso houvesse a comprovação de aquisição de disponibilidade econômica e jurídica por meio de acréscimo patrimonial”. Sob tal aspecto, reproduz jurisprudência que corroboraria com sua tese ao defender a necessidade de evidência de sinais exteriores de riqueza neste tipo de lançamento. f) acusa o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de afronta ao princípio constitucional do silêncio em relação à produção de prova contra si mesmo, estando eivado, pois, de inconstitucionalidade. g) impossibilidade de aplicação retroativa dos mandamentos da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, para alcançar fatos geradores relativos ao ano-calendário de 2000. h) insurge-se com a aplicação de multa qualificada (150%) alegando ser incabível a compreensão do uso do direito de silêncio pela recorrente como evidente intuito de fraude justificável de sanção em tal monta. A 1ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro/RJ II julgou parcialmente procedente o lançamento, reduzindo a multa aplicada de 150% para 75%, conforme ementas transcritas: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal constitui simples instrumento de controle da administração tributária, não podendo eventual inobservância das normas que o disciplinam gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO ESPECÍFICA DE VALORES. A aplicação de normas de tributação específica, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos os rendimentos omitidos, somente pode ser efetivada diante da comprovação da origem dos depósitos bancários que deram causa a omissão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos mediante quantificação dos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, de qualquer instância, é impedido o exame da ilegalidade e da inconstitucionalidade da legislação tributária, haja vista ser a matéria de análise reservada, exclusivamente, ao Poder Judiciário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. USO DA BASE DE DADOS DA CPMF. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105, DE 2.001. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das Autoridades Administrativas. MULTA QUALIFICADA. A comprovação do evidente intuito de fraude, por meio de conduta dolosa, é necessária para caracterização da multa qualificada no montante de 150% do imposto devido. Lançamento Procedente em Parte (grifei) Contra a referida decisão foi interposto Recurso de Ofício a este Conselho Administrativo, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e Portaria MF nº 3/2008. Intimada da decisão de primeira instância em 04/01/2007 (fl. 367), Margareth Krohling apresenta Recurso Voluntário em 02/02/2007 (fl. 374), portanto, tempestivamente, sustentando, em linhas gerais, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15586.000543/2005­83  Resolução nº  2201­000.182  S2­C2T1  Fl. 3          2 A  contribuinte  imperou Mandado  de  Segurança  n°  2004.50.01.004047­0,  para  que  não  fosse  promovida  a  quebra  do  sigilo  bancário  e  a  lavratura  do  auto  de  infração. Em  sentença proferida por juízo de 1ª Instância, foi denegado o pedido de liminar em processo nº  2004.50.01.004047­0. Essa decisão, contudo, foi reformada em pelo Tribunal Regional Federal  da  2ª  Região,  nos  autos  do  processo  de  Agravo  de  Instrumento  nº  2004.02.01.0055880­1,  recebido com efeito suspensivo, restando deferida a liminar.   Cientificada  do  lançamento,  a  interessada  apresentou  tempestivamente  Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:  a)  a  validade  do MPF  expirou  em  05/06/2004. Desta  feita,  qualquer  prorrogação deste instrumento deveria ser notificada a defendente, por  força  dos  arts.  12,  13  e  15  da  Portaria  SRF  nº  3.007,  de  26  de  novembro de 2001, o que não se efetivou.  b) os dados  relativos a Contribuição Provisória  sobre Movimentação  ou  Transmissão  de  Valores  e  de  Créditos  e  Direitos  de  Natureza  Financeira  (CPMF)  não  podem  ser  usados  pela  fiscalização  com  o  objetivo de lançar tributo ou se prestar ao papel de base de cálculo de  tributo quando há outras hipóteses de aferição do fato gerador.  c) a movimentação financeira constatada em contas de titularidade da  impugnante resulta de sua atividade profissional, qual seja, produtora  rural,  sendo  fruto  da  venda  de  produtos  agrícolas.  Defende,  em  verdade, a ocorrência de entradas e saídas de recursos que resultavam  em lucro irrisório para a interessada.  d)  em  seu  entender,  restando  comprovado  serem  os  depósitos  bancários  oriundos  do  exercício  de  atividade  rural,  deveria  a  fiscalização aplicar as regras de arbitramento ditadas pelo § 2º do art.  18  da Lei  nº  9.250,  de  26  de  dezembro  de  1995,  regulamentada pelo  art. 60 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR). Cita farta  jurisprudência neste sentido.  e) a forma de tributar levada a cabo fere o art. 43 da Lei nº 5.172, de  25  de  outubro  de  1966,  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  pois  somente  se  acercaria  de  “valor,  validade,  eficácia  e  legitimidade  a  autuação  caso  houvesse  a  comprovação  de  aquisição  de  disponibilidade  econômica  e  jurídica  por  meio  de  acréscimo  patrimonial”.  Sob  tal  aspecto,  reproduz  jurisprudência  que  corroboraria com sua tese ao defender a necessidade de evidência de  sinais exteriores de riqueza neste tipo de lançamento.  f)  acusa  o  art.  42  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  de  afronta ao princípio constitucional do silêncio em relação à produção  de  prova  contra  si  mesmo,  estando  eivado,  pois,  de  inconstitucionalidade.  g)  impossibilidade  de  aplicação  retroativa  dos  mandamentos  da  Lei  Complementar nº 105, de 10 de  janeiro de 2001, para alcançar  fatos  geradores relativos ao ano­calendário de 2000.  h)  insurge­se com a aplicação de multa qualificada  (150%) alegando  ser  incabível  a  compreensão  do  uso  do  direito  de  silêncio  pela  Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15586.000543/2005­83  Resolução nº  2201­000.182  S2­C2T1  Fl. 4          3 recorrente como evidente intuito de fraude justificável de sanção em tal  monta.  A 1ª  Turma  da DRJ  – Rio  de  Janeiro/RJ  II  julgou  parcialmente  procedente  o  lançamento, reduzindo a multa aplicada de 150% para 75%, conforme ementas transcritas:  MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. O Mandado  de  Procedimento  Fiscal  constitui  simples  instrumento  de  controle  da  administração  tributária,  não  podendo  eventual  inobservância  das  normas  que  o  disciplinam  gerar  nulidades  no  âmbito  do  processo  administrativo fiscal.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  TRIBUTAÇÃO ESPECÍFICA DE VALORES. A aplicação de normas de  tributação específica,  previstas na  legislação vigente à  época em que  auferidos  ou  recebidos  os  rendimentos  omitidos,  somente  pode  ser  efetivada  diante  da  comprovação  da  origem  dos  depósitos  bancários  que deram causa a omissão.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  Para  os  fatos  geradores  ocorridos  a  partir  de  01/01/1997,  a  Lei  nº  9.430,  de  1996,  em  seu  art.  42,  autoriza  a  presunção  de  omissão  de  rendimentos  mediante  quantificação  dos  valores  depositados  em  conta  bancária  para  os  quais  o  titular,  regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e  idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  ANÁLISE  DE  CONSTITUCIONALIDADE  E  LEGALIDADE.  INCOMPETÊNCIA DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. À autoridade  administrativa,  de  qualquer  instância,  é  impedido  o  exame  da  ilegalidade  e  da  inconstitucionalidade  da  legislação  tributária,  haja  vista  ser  a  matéria  de  análise  reservada,  exclusivamente,  ao  Poder  Judiciário.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  LANÇAMENTO.  USO  DA  BASE  DE  DADOS  DA  CPMF.  IMPOSSIBILIDADE  DE  APLICAÇÃO  RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105, DE 2.001. Aplica­ se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato  gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou  processos  de  fiscalização,  ampliando  os  poderes  de  investigação  das  Autoridades Administrativas.   MULTA QUALIFICADA. A comprovação do evidente intuito de fraude,  por meio de conduta dolosa, é necessária para caracterização da multa  qualificada no montante de 150% do imposto devido.   Lançamento Procedente em Parte (grifei)  Contra  a  referida  decisão  foi  interposto  Recurso  de  Ofício  a  este  Conselho  Administrativo, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e Portaria MF nº 3/2008.  Intimada da  decisão  de  primeira  instância  em 04/01/2007  (fl.  367), Margareth  Krohling  apresenta  Recurso Voluntário  em  02/02/2007  (fl.  374),  portanto,  tempestivamente,  sustentando, em linhas gerais, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação.  Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15586.000543/2005­83  Resolução nº  2201­000.182  S2­C2T1  Fl. 5          4 É o relatório.  Voto  Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator  O recurso reúne os requisitos de admissibilidade.    Cuida  o  presente  lançamento  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada,  prevista  no  artigo  42  da  Lei  n°  9.430/1996,  relativamente a fatos ocorridos no ano­calendário de 2000.  Com  visto  do  relatório,  a  contribuinte  impetrou  Mandado  de  Segurança  n°  2004.50.01.004047­0, para que não fosse promovida a quebra do sigilo bancário e a lavratura  do auto de infração. Em sentença proferida por juízo de 1ª Instância, foi denegado o pedido de  liminar  em  processo  nº  2004.50.01.004047­0.  Essa  decisão,  contudo,  foi  reformada  em  pelo  Tribunal Regional Federal da 2ª Região, nos autos do processo de Agravo de  Instrumento nº  2004.02.01.0055880­1, recebido com efeito suspensivo, restando deferida a liminar.  Por  sua  vez,  a  Procuradora  da  Fazenda  Nacional  interpôs  Recurso  Extraordinário,  RE  nº  607936,  tendo  o  Pretório  Excelso  determinado  o  sobrestamento  dos  autos, na forma do art. 543­B do CPC. Veja­se 1:    Origem:  ES ­ ESPÍRITO SANTO  RECTE.(S)  UNIÃO   PROC.(A/S)(ES)  PROCURADOR­GERAL DA FAZENDA NACIONAL   RECDO.(A/S)  MARGARETH KRÖHLING   ADV.(A/S)  RICARDO CORRÊA DALLA       Data  Andamento  Órgão Julgador  Observação    22/01/2010   Remessa externa dos autos,  Guia nº      Guia 704 ­ TRIBUNAL REGIONAL  FEDERAL 2A. REGIAO ­ RJ         21/01/2010   Determinada a devolução, art.  543­B do CPC   PRESIDÊNCIA    RE/601314.         19/01/2010   Autuado            Na análise do Recurso Extraordinário 601.314/SP, o Supremo Tribunal Federal  reconheceu a repercussão geral do tema: “Fornecimento de informações sobre movimentação  bancária  de  contribuintes,  pelas  instituições  financeiras,  diretamente  ao  Fisco  por  meio  de  procedimento  administrativo,  sem  a  previa  autorização  judicial.  Art.  6º  da  Lei  no  Complementar 105/2001.” Com o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro  no artigo 543­B, do CPC, penso que restou prejudicada a análise dos autos, pois o seguimento  do feito administrativo depende do resultado da ação judicial.                                                              1 http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=3823605    Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15586.000543/2005­83  Resolução nº  2201­000.182  S2­C2T1  Fl. 6          5 Diante disso, o julgamento deverá ser convertido em diligência para a Delegacia  da Receita Federal de origem aguardar o trânsito em julgado da ação judicial, a fim de cumprir  o que nela for decidido.  Ante a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah      Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH

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Numero do processo: 13819.910090/2011-37
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/04/2003 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/04/2003 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910090/2011­37  Acórdão n.º 3801­003.453  S3­TE01  Fl. 170          2 Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani,  Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel,  Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.    Fl. 175DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910090/2011­37  Acórdão n.º 3801­003.453  S3­TE01  Fl. 171          3   Relatório  Trata  o  presente  de  Recurso  Voluntário  apresentado  em  face  do  indeferimento de pedido de restituição (PER).  No  aludido  PER,  transmitido  eletronicamente,  a  contribuinte  indicou  a  existência de um crédito que não foi reconhecido pela autoridade por entender que não restava  crédito disponível para restituição considerando que todos os valores já estavam alocados para  pagamento em DCTF.  Cientificada  a  Contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  alegando  que  a  “autoridade  competente  deixou  de  observar  que  o  crédito  de  restituição  pleiteado refere­se a pagamento  indevido da referida contribuição, efetuado nos  termos do  já  declarado inconstitucional § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998”.  Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, requerendo, a final,  o provimento integral do presente recurso.  A DRJ  julgou  a Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  com base  na  seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do Fato Gerador: 14/11/2002  RESTITUIÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.  Correto  o  Despacho  Decisório  que  indeferiu  o  pedido  de  restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista  que  o  pagamento  alegado  como  origem  do  crédito  estava  integral  e  validamente  alocado  para  a  quitação  de  débito  confessado.  BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF.  É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº  9.718, de 1998, até a  sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de  maio  de  2009,  uma  vez  que  o  julgamento  do  STF  pela  inconstitucionalidade  da  ampliação  da  base  de  cálculo  contida  naquele dispositivo não  tem efeito  erga omnes,  só atingindo as  partes envolvidas.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformada  a  Recorrente  apresenta  o  presente  recurso  apontando  os  mesmos argumentos ante apontados e juntando balancete e demonstrativos referente ao crédito.   É o que importa relatar.  Fl. 176DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910090/2011­37  Acórdão n.º 3801­003.453  S3­TE01  Fl. 172          4     Voto             Conselheiro Sidney Eduardo Stahl,  Conforme  apontado  tratam­se  de  pedidos  de  restituição  de  valores  pagos  a  maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º  do  art.  3º  da  Lei  n.º  9.718/1998,  declarada  inconstitucional  pelo  Pleno  do Egrégio  Supremo  Tribunal  Federal  (STF),  no  julgamento  dos  Recursos  Extraordinários  n.ºs  357.950/RS,  358.273/RS,  390840/MG,  Relator  Ministro  Marco  Aurélio,  conforme  ementa  abaixo  colacionada:  CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE  ­ ARTIGO 3º,  §  1º,  DA  LEI  Nº  9.718,  DE  27  DE  NOVEMBRO  DE  1998  ­  EMENDA CONSTITUCIONAL Nº  20, DE  15 DE DEZEMBRO  DE 1998. O sistema  jurídico brasileiro não contempla a  figura  da  constitucionalidade  superveniente.  TRIBUTÁRIO  ­  INSTITUTOS  ­  EXPRESSÕES  E  VOCÁBULOS  ­  SENTIDO.  A  norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional  ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição,  o  conteúdo  e  o  alcance  de  consagrados  institutos,  conceitos  e  formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente.  Sobrepõe­se  ao  aspecto  formal  o  princípio  da  realidade,  considerados os elementos tributários.   CONTRIBUIÇÃO SOCIAL ­ PIS ­ RECEITA BRUTA ­ NOÇÃO ­  INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI  Nº  9.718/98.  A  jurisprudência  do  Supremo,  ante  a  redação  do  artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional  nº  20/98,  consolidou­se  no  sentido  de  tomar  as  expressões  receita  bruta  e  faturamento  como  sinônimas,  jungindo­as  à  venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços.  É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que  ampliou o  conceito de  receita bruta para envolver a  totalidade  das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente  da  atividade  por  elas  desenvolvida  e  da  classificação  contábil  adotada.  Destaca­se,  nesse  aspecto,  que  a  matéria  foi  reconhecida  como  de  “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no  RE 585.235, abaixo colacionado:  Decisão:  O  Tribunal,  por  unanimidade,  resolveu  questão  de  ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão  constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da  inconstitucionalidade  do  §  1º  do  artigo  3º  da  Lei  9.718/98  e  negar  provimento  ao  recurso  da  Fazenda  Nacional,  tudo  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencido,  parcialmente,  o  Senhor  Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão  do  processo  em  pauta.  Em  seguida,  o  Tribunal,  por  maioria,  Fl. 177DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910090/2011­37  Acórdão n.º 3801­003.453  S3­TE01  Fl. 173          5 aprovou proposta do Relator para edição de  súmula vinculante  sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões,  vencido  o  Senhor  Ministro  Marco  Aurélio,  que  reconhecia  a  necessidade  de  encaminhamento  da  proposta  à  Comissão  de  Jurisprudência.  Votou  o  Presidente,  Ministro  Gilmar  Mendes.  Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a  Senhora  Ministra  Ellen  Gracie  e,  neste  julgamento,  o  Senhor  Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008.  Assim, considerando­se o disposto no art. 62­A da Portaria MF n.º 256, de 22  de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento  Interno  do CARF),  deve­se  afastar  a  tributação  do  PIS  e  da COFINS  exigidas  com  base  no  disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998.  Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa.  Nada obstante, o órgão  judicante a quo esqueceu­se do dever da autoridade  preparadora  em zelar pela  instrução na busca da verdade material,  a  teor do disposto na Lei  9.784,  de  29  de  janeiro  de 1999,  artigo  292,  artigo  36,  inteligência  do  artigo  37,  artigo  38  e  artigo 393.  Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria  enriquecimento sem causa do Estado.  Especificamente  quanto  à  verdade  material,  transcrevo  oportunas  lições  de  Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López:  Em  decorrência  do  princípio  da  legalidade,  a  autoridade  administrativa  tem  o  dever  de  buscar  a  verdade  material.  O                                                              1 Art. 62­A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal  de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de  11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos  recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de  22.12.2010).  2    Art.  29.  As  atividades  de  instrução  destinadas  a  averiguar  e  comprovar  os  dados  necessários  à  tomada  de  decisão realizam­se de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito  dos interessados de propor atuações probatórias.  § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo.  § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizar­se do modo menos oneroso para  estes.  3 Art.  36. Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem  prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.  Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria  Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução  proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias.  Art. 38. O  interessado poderá,  na  fase  instrutória e antes da  tomada da decisão,  juntar documentos e pareceres,  requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo.  § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão.  §  2º.  Somente  poderão  ser  recusadas,  mediante  decisão  fundamentada,  as  provas  propostas  pelos  interessados  quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.  Art.  39. Quando  for  necessária  a  prestação  de  informações  ou  a  apresentação  de  provas  pelos  interessados  ou  terceiros,  serão  expedidas  intimações  para  esse  fim,  mencionando­se  data,  prazo,  forma  e  condições  de  atendimento.  Parágrafo único. Não  sendo atendida  a  intimação, poderá o órgão competente,  se  entender  relevante  a matéria,  suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão.  Fl. 178DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910090/2011­37  Acórdão n.º 3801­003.453  S3­TE01  Fl. 174          6 processo  fiscal  tem  por  finalidade  garantir  a  legalidade  da  apuração  da  ocorrência  do  fato  gerador  e  a  constituição  do  crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente  se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma  e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é  realmente  verdade,  independente  do  alegado  e  provado, Odete  Medauar  preceitua  que  "o  princípio  da  verdade  material  ou  verdade  real,  vinculado  ao  princípio  da  oficialidade,  exprime  que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais  como  se  apresentam  na  realidade,  não  se  satisfazendo  com  a  versão  oferecida  pelos  sujeitos  Para  tanto,  tem  o  direito  de  carrear  para  o  expediente  todos  os  dados,  informações,  documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos  aspectos considerados pelos sujeitos.  Segundo  Alberto  Xavier,  a  lei  concede  ao  órgão  fiscal  meios  instrutórios amplos para que  venha  formar  sua  livre  convicção  sobre  os  verdadeiros  fatos  praticados  pelo  contribuinte.  Nesta  perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a  corrigir  os  fatos  inveridicamente  postos  ou  suprir  lacunas  na  matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de  diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do  exame dos  elementos  comprobatórios,  constata­se que, no  caso  vertente,  os  documentos  apresentados  devem  ser  devidamente  examinados  para  se  apurar  se  os  referidos  créditos  estão  corretos.  É  importante  consignar que  compete  a  autoridade  administrativa,  com base  na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório.   Ante  ao  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da  contribuição, com fundamento na declaração de  inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da  Lei nº 9.718/1998.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Sidney Eduardo Stahl ­ Relator                                                                4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado  2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74.              Fl. 179DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910090/2011­37  Acórdão n.º 3801­003.453  S3­TE01  Fl. 175          7                   Fl. 180DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 10680.901869/2012-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: Não se aplica

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.177          2 Relatório  A  SAMARCO  MINERAÇÃO  S/A  apresentou  recurso  voluntário  contra  Acórdão  nº  02­46.021,  de  8  de  julho  de  2013,  proferido  pela  1ª  Turma  da  DRJ/BHE,  que  julgou por unanimidade de votos, procedente em parte a manifestação de inconformidade, de  sorte a:  · Cancelar as glosas efetuadas em relação às despesas com transmissão de  energia  elétrica,  recompondo  o  crédito,  nos  valores  constantes  na  planilha nº 15 da fiscalização (fl. 888); e   · Cancelar  em  parte  as  glosas  efetuadas  em  relação  aos  bens  do  ativo  imobilizado,  recompondo  o  crédito,  nos  valores  constantes  na  coluna  “Crédito com o Imobilizado” do demonstrativo constante do aditamento  da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte;  · Ressaltar que a DRF de origem deverá, ainda: (1) proceder à verificação  dos pagamentos efetuados, relativos às glosas sobre as quais não houve  litígio,  conforme  item  2  do  aditamento  apresentado  pela  reclamante,  e  efetuar os procedimentos necessários à extinção dos respectivos débitos;  e  (2)  Proceder  à  recomposição  dos  créditos  passíveis  de  ressarcimento/compensação,  conforme  planilhas  nºs  26  e  27  da  fiscalização,  homologando  as  DCOMPs  apresentadas  até  o  limite  dos  créditos apurados.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a  qual transcrevo a seguir:  “A  contribuinte  acima  identificada  apresentou  Pedido  de  Ressarcimento  – PER – de crédito de Cofins não­cumulativa – Exportação, relativo ao 1º trimestre  de  2009,  no  valor  de  R$  41.974.356,15,  com  posterior  encaminhamento  de  Declaração(ões) de Compensação – Dcomp – relativa(s) ao mesmo crédito.  Os  documentos  tiveram  processamento  eletrônico,  com  intervenção manual  do Serviço de Fiscalização da DRF/Belo Horizonte, que procedeu a auditoria para  verificação quanto à procedência dos créditos.  O  crédito  foi  reconhecido  parcialmente,  no  valor  de  R$  38.776.536,60,  em  face das glosas efetuadas pelo fisco, por entender que tais créditos não estavam em  consonância  com  o  disposto  na  legislação  que  rege  a  matéria.  Os  dispositivos  legais  infringidos  constam  no  Relatório  Fiscal  relativo  ao  Mandado  de  Procedimento Fiscal – MPF nº 0610100­2011.01427­0 (fls. 972/992).  Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.178          3 Em  conseqüência,  houve  homologação  parcial  de  sua(s)  Dcomp,  conforme  Despacho Decisório com nº de rastreamento 022394392, emitido em 04.05.2012 (fl.  434), do qual a contribuinte tomou ciência em 14.05.2012, conforme tela acostada à  fl. 994.  Em 13.06.2012,  foi  protocolizada  a manifestação  de  inconformidade  de  fls.  02/53 (anexos às fls. 55/433), contendo os elementos que se seguem.  TEMPESTIVIDADE  Informa  sobre  as  datas  de  ciência  do  Despacho  Decisório  e  da  apresentação da Manifestação  de  Inconformidade  no prazo  de 30  dias.  2.  OS  PONTOS  DISCORDANTES  QUANTO  AOS  CRÉDITOS  DE  PIS/COFINS.  BREVE RELATO DOS FATOS.  Nesse  item,  foram  levantados  os  pontos  de  discordância  em  relação  ao  Relatório da Fiscalização, a seguir sintetizados:  a) Que  a  fiscalização  demonstra  contradição  entre  a  própria  autuação  e  a  sua descrição do objeto social da empresa, posto que diversos créditos glosados são  oriundos de autênticos insumos para as atividades ali relacionadas;  b)  Que  a  fiscalização  deu  ao  conceito  de  insumos  a  mesma  interpretação  restritiva  do  IPI,  a  qual,  além  de  ultrapassada,  não  consta  em  lei  e  ainda  fere  o  princípio  da  confiança,  já  que  havia  uma  promessa  de  que  os  contribuintes  poderiam creditar­se de toda despesa e todo custo necessários à sua produção e ao  exercício de sua atividade;  c) Que alguns produtos foram glosados sob o argumento de que deveriam ter  sido contabilizados como bens do ativo imobilizado;  d) Que foram glosados produtos adquiridos com alíquota zero, o que, egundo  o  fisco,  estaria  impedido  pelo  §  2º  do  art.  3º  das  Leis  nºs  10.637/2002  e  10.833/2003;  e)  Que  a  fiscalização  entende  que  a  empresa  não  poderia  se  creditar  dos  dispêndios  com o  uso  dos  sistemas  de  conexão  e  de distribuição  de  energia, mas  apenas  com a  compra de energia, o que a contribuinte  considera um absurdo,  já  que não se pode dissociar uma coisa da outra e, além disso, segundo ele, haveria  dispositivo expresso determinando o creditamento sobre o custo de tal energia;  f) Que, apesar de a contribuição para o PIS  e a Cofins  terem como base a  totalidade  das  receitas,  a  fiscalização não  reconhece  a  contrapartida  (despesas  e  custos necessários à consecução das atividades), usando o argumento de que “nem  todos os custos, despesas ou encargos incorridos para a consecução do faturamento  Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.179          4 da  empresa  geram direitos  a  créditos,  (...)”,  glosando  itens  diversos.  Sobre  esses  itens, discorre, de forma individual, a saber:  f.1) Insumos e Serviços Utilizados no Mineroduto – que a fiscalização entende  que não se enquadram como insumos os gastos nele empregados, e que se trata de  transporte de produto em fase de elaboração, efetuado pela própria empresa, entre  seus estabelecimentos, não gerando direito a créditos. Sobre esse entendimento, a  contribuinte entende estarem indo de encontro à intenção contida no sistema de não  cumulatividade.  f.2)  Demais  Serviços  –  que  os  créditos  foram  glosados  por  referirem­se  a  gastos  com  serviços  utilizados  indiretamente  na  produção  do  minério,  não  se  enquadrando  no  conceito  de  insumo  e  que  a  fiscalização  elenca  alguns  desses  serviços, “a título exemplificativo”, conforme se segue:  f.2.1)  Aluguel  de  Veículos  –  que,  segundo  a  fiscalização,  não  se  encontra  listado no art. 3º do inciso IV das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Por outro  lado, a  contribuinte alega que os créditos  se  referem a  equipamentos e máquinas  empregados em seu processo produtivo.  f.2.2) Locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços  portuários  –  que  a  fiscalização  desconsiderou  a  atividade  de  administração  do  porto, constante no objeto social da empresa. Além disso, segundo a reclamante, as  dragas são utilizadas na mineração.  f.2.3) Serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos – segundo a  reclamante,  faltaram  motivo  e  motivação  para  a  glosa,  cuja  fundamentação  foi  apenas no sentido de não se constituírem insumos.  Além disso, alega que tal serviço busca o reaproveitamento do minério e está  inserido diretamente no processo produtivo.  f.2.4) Serviços de  topografia, operações de efluentes,  serviços de drenagem,  análises  físicas  e  químicas  –  que,  segundo  a  fiscalização,  são  empregados  em  etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo. A  contribuinte,  por outro  lado, entende que são empregadas ao longo do processo. Além disso, alega que há  exigência da legislação ambiental para a contratação desses serviços.  f.2.5) Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação  das  usinas  hidrelétricas  próprias  –  que  as  glosas  também  foram motivadas  com  base  no  conceito  de  insumo  –  do  qual  a  reclamante  discorda  –  e  devido  ao  entendimento  de  que  não  se  tratam  de  bens  e  serviços  em  contato  direto  com  o  produto final  f.3) Obras de Construção Civil – que as glosas foram efetuadas por  não se amoldarem ao conceito de insumo. Por sua vez, a reclamante sustenta que  Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.180          5 tais  obras  se  referem  a  manutenção  das  barragens,  e,  portanto,  essenciais  e  intrínsecas ao seu processo produtivo.  Resumindo o seu relato, a contribuinte infere que a fiscalização não detalhou  os produtos e serviços glosados, nem motivou suas glosas, ferindo o seu direito de  defesa.  3.  RECONHECIMENTO PARCIAL DA GLOSA.  PRODUTOS  SUJEITOS A  ALÍQUOTA ZERO. EQUÍVOCO GERADO PELO SISTEMA. PAGAMENTO.  No  que  diz  respeito  às  glosas  efetuadas  sobre  produtos  adquiridos  com  alíquota zero, a contribuinte admite que se creditou indevidamente, informando que  já procedeu à recomposição da conta gráfica, e que iria recolher o valor devido.  4.  DA  AUSÊNCIA  DE  MOTIVAÇÃO.  INSUBSISTÊNCIA  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  NECESSIDADE  DE  CANCELAMENTO  DA  AUTUAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO SEM DILIGÊNCIAS IN LOCO.  Seguindo  em  sua  explanação,  a  contribuinte  afirma  que  o  lançamento  está  eivado de nulidades, uma vez que a fiscalização se baseou em arquivos eletrônicos,  sem proceder a inspeção in loco, e, nesse sentido, segue argumentando sobre a falta  de motivação e da apresentação de provas por parte do fisco, e requer a declaração  de nulidade do lançamento fiscal.  5.  NOTAS  INTRODUTÓRIAS.  A  ATIVIDADE  DA  REQUERENTE  E  SEU  OBJETO  SOCIAL.  A  PECULIARIDADE  DA  SUA  PLANTA,  DESDE  A  SUA  CONCEPÇÃO.  No  item  5  de  sua  manifestação  de  inconformidade,  a  reclamante  faz  uma  detalhada descrição do objeto  social da empresa, do seu processo produtivo e da  sua planta integrada.  Sobre o seu objeto social, destaca­se que envolve a pesquisa, lavra de minério  em  todo  o  território  nacional,  industrialização  e  comercialização  de  minérios,  transporte e navegação no interior do porto,  inclusive para terceiros, importação,  para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e  distribuição  de  energia  elétrica  e  comercialização  de  carvão,  podendo  ainda  participar do capital de outras empresas como acionista ou quotista.  Sobre  seu  processo  produtivo,  explica  que  é  integrado,  da  mina  ao  porto,  sendo essa a concepção desde sua origem.  Descreve esse processo, desde a lavra, que se dá na unidade de Germano, em  Mariana  e Ouro  Preto  (MG),  passando  pelos  processos  de  separação  do  rejeito,  moagem, deslamagem, flotação, até o seu transporte, como polpa, para a unidade  de  Ubu,  em  Anchieta  (ES),  por  meio  de  minerodutos,  terminando  na  etapa  de  Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.181          6 pelotização,  citando  inclusive  os  diversos  produtos  utilizados  como  agentes  nesse  processo, explicando sua ação.  E  sobre  sua  planta  integrada,  discorre  sobre  a  sua  concepção,  ressaltando  que  não  se  trata  de  apenas  uma  empresa  de  mineração,  mas  uma  empresa  que  extrai minério e agrega valor ao produto, além de o exportar, daí a necessidade da  total integração do seu processo produtivo.  Acrescenta, ainda, os efeitos dessa integração nos resultados alcançados pela  empresa, ressaltando a sua importância.  6.  MÉRITO.  NÃO  CUMULATIVIDADE  PIS/COFINS.  A  CORRETA  INTERPRETAÇÃO  DO  CONCEITO  DE  INSUMOS  E  OS  EQUÍVOCOS  COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO.  Nesse  item,  a  manifestante  inicia  com  uma  longa  explanação  sobre  a  legislação relativa ao tema, desde o texto constitucional até a jurisprudência sobre  o assunto, incluindo­se a relação com as legislações do IRPJ e do IPI.  A  seguir,  adentra  na  questão  da  interpretação  do  conceito  de  insumos,  defendendo,  a  partir  dos  dispositivos  constitucionais  e  legais,  que  todo  bem  ou  serviço, que seja necessário à obtenção de receitas pela empresa, deve ser admitido  como gerador de crédito de PIS e Cofins.  Alega, ainda, em resumo: que a Constituição Federal reservou à lei apenas a  definição do setor econômico ao qual se destinaria a não­cumulatividade; que não  se  pode  utilizar,  para  a  não­cumulatividade  do  PIS  e  da  Cofins,  o  conceito  de  insumo que serve para o  IPI, dadas as diferenças entre  tais  tributos,  inclusive no  que  diz  respeito  aos  serviços,  não  incluídos  neste  (nesse  sentido,  cita  decisões  judiciais  que  consideram  a  essencialidade  como  a  condição  a  ser  observada  na  determinação do conceito); e que, devido às semelhanças do PIS e a Cofins com o  IRPJ, o conceito a ser adotado seria o mesmo adotado para esse imposto (citando  decisões judiciais e Acórdão do CARF nesse sentido).  Cita  alguns  exemplos  do  que  classifica  como  “equívocos  cometidos  pela  fiscalização quanto ao conceito de insumos”, qual o dos créditos relativos a gases e  combustíveis que a empresa utiliza nos fornos, e os relativos a óleos combustíveis  utilizados  nos  caminhões  que  transitam  na  Mina,  solicitando  que  esta  DRJ  considere  insubsistentes  a  glosas  efetuadas  ou,  caso  assim  não  entenda,  que  considere os insumos constantes de sua planilha anexa ou, em última instância, que  seja  feita  prova  pericial,  a  fim  de  demonstrar  que  todos  os  créditos  glosados  se  referem  a  produtos  e  serviços  essenciais  à  atividade  da  empresa  e,  portanto,  legítimos.  Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.182          7 A partir de então, procede à argumentação sobre a improcedência da glosa  para cada tipo de crédito, conforme se segue, de forma resumida.  BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – ATIVO IMOBILIZADO:  Em  relação  às  glosas  efetuadas  por  terem  sido  considerados  créditos  relativos a bens destinados ao ativo imobilizado, mais uma vez a reclamante alega  falta  de  motivação  do  lançamento,  pela  fiscalização.  Acusa,  ainda,  a  falta  de  manifestação  da  fiscalização  sobre  a  possibilidade  de  se  creditar  pro  rata,  nos  termos  do  inciso  VI  do  art.  3º  das  Leis  nºs  10.637/2002  e  10.833/2003,  caso  se  considere o bem como parte integrante do ativo imobilizado. De acordo com o seu  entendimento,  se  a  fiscalização,  ao  recompor  a  conta  gráfica  da  empresa,  não  considerou  as  parcelas  já  devidas  com  base  na  depreciação,  o  crédito  tributário  resultante das glosas caracteriza­se insubsistente. Em última instância, entende que  tal  recomposição deva ser  feita pela  fiscalização, caso não se considere o crédito  integralmente.  CRÉDITO SOBRE DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA:  Sobre os créditos sobre despesas com energia elétrica, a reclamante insurge  contra as glosas efetuadas sobre os insumos e serviços relativos às usinas próprias  da empresa e sobre os custos com transmissão e distribuição de energia (encargos  denominados TUSD).  No caso dos gastos empregados em suas usinas, argumenta que não haveria  sentido  em a aquisição de  energia das  concessionárias gerar mais  créditos que a  autoprodução,  uma  vez  que  o  Governo  Federal  incentiva  os  investimentos  com  produção  de  energia  elétrica.  Acrescenta  que  a  energia  elétrica  é  essencial  ao  processo produtivo da empresa e ressalta que a não­cumulatividade não é benefício  fiscal, mas apenas cumprimento de preceito constitucional, conforme já defendido  antes.  Quanto  aos  gastos  empregados  nos  encargos  de  distribuição,  segundo  o  entendimento  da  reclamante,  estão  contidos  nos  custos  incorridos  com  energia  elétrica, nos termos do inciso IX do art. 3º da lei nº 10.637/2002 e do inciso III do  art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Em defesa do seu entendimento, explica em detalhes o  modelo do setor elétrico brasileiro, concluindo que o  fato de os custos relativos à  distribuição de energia serem cobrados separadamente dos custos com a compra,  como é o caso da contribuinte, que se encontra na categoria de consumidor livre, é  irrelevante  para  a  sua  classificação  como  créditos  de  PIS  e  Cofins  passíveis  de  aproveitamento.  CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS:  Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.183          8 Sobre as glosas dos  créditos  relativos a  serviços,  a  reclamante  contesta,  de  forma  geral,  a  sua  falta  de  enquadramento,  pela  fiscalização,  do  conceito  de  insumo, e, a seguir, contesta alguns pontos do relatório em relação a cada serviço.  Serviços prestados no mineroduto:  Em  relação  aos  serviços  prestados  no  mineroduto,  insiste  no  conceito  de  planta  única  de  produção,  na  qual o mineroduto  seria  apenas  uma das  etapas,  a  saber, o ponto de ligação entre os dois estabelecimentos da empresa. Reforça seu  entendimento  sobre  a  possibilidade  de  creditamento  desses  serviços,  com  o  questionamento “o tributo plurifásico não cumulativo não deve ser neutro? Ora, se  a planta de MG pertencesse a uma empresa, o mineroduto a outra e a planta do ES  a uma terceira, os custos da primeira planta e do mineroduto seriam passíveis de  creditamento pela planta do ES, certo? Se assim o é, a requerente tem direito aos  créditos ora vindicados.”. Nesse sentido, segundo afirma, versa Acórdão do CARF,  que também transcreve.  Aluguel de veículos:  Sobre o creditamento dos gastos com aluguel de veículos, argumenta que o  contrato  também  prevê  a  locação  de  equipamentos,  como  caminhões  e  tratores  utilizados  na  mineração,  cujos  créditos  são  os  únicos  tomados  pela  empresa  e,  portanto,  dentro  da  previsão  do  inciso  IV  do  art.  3º  das  Leis  nºs  10.637/2002  e  10.833/2003.  Locação de dragas e reboque, serviço de rebocador, serviços portuários:  O mesmo argumento é utilizado em relação aos créditos relativos à locação  de  dragas  e  reboque  e  aos  serviços  de  rebocador  e  portuários.  Acrescenta  que,  nesse  item, a  legislação sequer  fala em insumos, mas simplesmente exige que  tais  máquinas e equipamentos sejam “aplicados nas atividades da empresa”. Explica a  natureza  do  afretamento,  concluindo  que  nada  mais  são,  em  sua  essência,  que  contratos de locação de embarcação, sendo que algumas modalidades (afretamento  por  viagem  e  por  tempo)  possuem  um  caráter  híbrido,  pois,  nesses  casos,  está  incutido  um  misto  de  locação  e  de  prestação  de  serviço,  já  que  os  custos  com  tripulação, manutenção, abastecimento, etc, correm por conta do fretador e não do  contratante  (afretador).  No  sentido  de  firmar  esse  entendimento,  cita  decisão  do  STJ e consulta à Superintendência Regional da Receita Federal – SRRF da 8ª RF,  versando  sobre  créditos  de  aluguéis.  Por  fim,  alega  que  a  própria  fiscalização  mencionara a administração do porto como uma das atividades da empresa, onde  seriam  empregadas  as  dragas  cujo  crédito  fora  glosado,  e  acrescenta  que  tais  dragas  também  são  utilizadas  na  atividade  de mineração,  como  provam  as  notas  Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.184          9 fiscais  que  listam  serviços  realizados  na  unidade  de Mariana/MG,  de  forma  que  requer a insubsistência das alegações fiscais quanto a este item.  Serviços de limpeza. Recolhimento e transporte de rejeitos:  Sobre os créditos relativos a  serviços de  limpeza,  recolhimento e  transporte  de rejeitos, a reclamante afirma que faltou motivo e motivação para as respectivas  glosas, uma vez que, segundo afirma, a fiscalização nada diz sobre esses serviços.  Assim, entende que poderá ser feita prova pericial, a fim de se comprovar que tais  serviços não se tratam de simples limpeza, mas de reaproveitamento de rejeitos, e  em obediência aos ditamos ambientais, intrínseco, portanto, ao processo produtivo.  Serviços  de  topografia,  operações  de  efluentes,  serviços  de  drenagem,  análises físicas e químicas:  Em  relação  aos  serviços  de  topografia,  operações  de  efluentes,  serviços  de  drenagem e análises físicas e químicas, a reclamante,  juntando notas fiscais como  prova, afirma que mais uma vez a fiscalização teria cometido equívoco, ao afirmar  que tais serviços são empregados em etapas posteriores ou anteriores ao processo  produtivo propriamente dito. Cita Acórdão, em que o CARF se pronuncia sobre os  serviços  de  terraplanagem,  e  decisões  sobre  o  entendimento  do  que  seja  considerado  o  processo  produtivo,  para  efeito  de  beneficiamento  do  ICMS,  argumentando que está pacificado o entendimento de que deva prevalecer o critério  da essencialidade na definição dos valores que podem ser creditados.  Serviços  e  insumos  utilizados  na  operação, manutenção  e  conservação  das  Usinas Hidrelétricas próprias:  No que diz respeito aos créditos relativos a serviços empregados nas usinas  hidrelétricas  próprias,  o  argumento  é  no  sentido  de que  os  insumos  utilizados na  autoprodução de energia também integram o produto final, na mesma linha do que  já foi longamente abordado.  Obras de construção civil:  E,  sobre  os  créditos  decorrentes  dos  serviços  denominados  “obras  de  construção  civil”,  afirma que  tais  obras  se  referem a manutenção  das  barragens  essenciais, intrínsecas ao processo produtivo, anexando notas fiscais que, segundo  ela, comprovam a natureza dos serviços. Insiste que faltou uma análise in loco, pela  fiscalização,  e  que  a  simples  análise  dos  contratos  já  permite  se  verificar  que  os  serviços  cujo  crédito  fora  glosado  são  imprescindíveis  ao  processo  produtivo  da  mineração.  7. DO PEDIDO DE PERÍCIA.  Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.185          10 Após  todos  os  seus  apontamentos  e  argumentações  sobre  a  improcedência  das  glosas  efetuadas,  conforme  acima  sintetizado,  a  contribuinte  aborda  a  necessidade de  se proceder a prova pericial, dada a complexidade e o volume de  informações apresentadas e tendo em vista que as discussões travadas no presente  processo dizem respeito à análise do processo produtivo da empresa e aos gastos  vinculados à sua atividade, em confronto com os fatos levantados pela autoridade  administrativa.  Nesse sentido, elenca diversos pontos que, a seu ver, deverão ser resolvidos  pela prova pericial, que vão desde a concepção da empresa, em sua origem, até o  detalhamento do bens que tiveram seus créditos glosados, indicando, inclusive, um  assistente técnico para a solicitada perícia.  Entre  os  pontos  levantados,  a  reclamante  questiona:  sobre  as  atividades  realizadas  pela  empresa  e  sobre  como  a  empresa  foi  concebida,  em  sua  origem;  sobre a existência ou não do direito a determinados créditos; sobre a composição  do  crédito  levantado  pela  fiscalização;  sobre  o  enquadramento  dos  encargos  de  energia elétrica glosados pela fiscalização no conceito de custo da energia; sobre a  essencialidade de determinados serviços no processo produtivo da empresa; sobre a  abrangência  de  determinadas  rubricas  que  tiveram  seus  créditos  glosados.  Pede,  ainda, que  sejam relacionados  (em planilhas) os  itens glosados  (bens  e  serviços),  com  informações  diversas  relativas  ao  produto,  sua  essencialidade  para  as  atividades da empresa e sobre a possibilidade de dedução de seu custo, para fins de  IRPJ e CSLL.  8. DO PEDIDO.  Conclui sua manifestação de inconformidade, pedindo que seja reconhecida a  insubsistência  do  Despacho  Decisório  ora  recorrido,  com  a  conseqüente  homologação da compensação efetuada e a extinção dos respectivos débitos.  Requer, ainda, a juntada posterior dos documentos faltantes da manifestação  de inconformidade.  9. ADITAMENTO.  Posteriormente, em 17.07.2012, a contribuinte juntou novos documentos (fls.  448/517),  solicitando  que  fossem  tomados  como  “aditamento”  às  razões  apresentadas anteriormente.  Inicialmente,  faz  um  breve  relato  dos  fatos,  resumindo  os  pontos  de  discordância  em  relação  às  glosas  efetuadas,  já  longamente  abordados  na  manifestação de inconformidade original.  Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.186          11 Sobre a parte da glosa relacionada a produtos sujeitos a alíquota zero, a qual  já  havia  reconhecido  inicialmente  como  devida,  acrescenta  planilhas,  demonstrando os  valores em  relação ao  total do crédito glosado, por  trimestre,  e  detalhando  os  valores  recolhidos  com  seus  acréscimos moratórios,  bem  como  os  respectivos comprovantes de pagamento.  Quanto  aos  créditos  relativos  a  aquisições  de  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado, repete as alegações iniciais sobre a possibilidade de se creditar parte  dos valores, relativa à depreciação dos bens, nos termos § 1º, III e § 14 do art. 3º da  Lei nº 10.833/2003, insistindo no fato de que a fiscalização deveria ter considerado  tais  créditos  e  recomposto  sua  conta,  já  que  procedeu  a  lançamento  tributário.  Acrescentou  planilhas  demonstrativas  dos  créditos  inicialmente  aproveitados  em  relação  aos  créditos  devidos  sobre  o  ativo  imobilizado,  com  as  respectivas  diferenças  apuradas,  as  quais,  segundo  entende,  devem  substituir  as  glosas  efetuadas,  além  de  outros  documentos,  no  sentido  de  comprovar  a  procedência  desses valores.  Embora  não  conste  na  manifestação  inicial,  a  reclamante  se  insurge  aqui  contra as glosas efetuadas sobre os créditos relativos a óleo combustível. Segundo  afirma, esses óleos seriam utilizados tanto para alimentar os fornos de pelotização  do minério, quanto para abastecer os caminhões utilizados na mina. Cita Solução  de Consulta da SRRF da 10ª RF e decisão do Conselho de Contribuintes de Minas  Gerais  –  CCMG,  relativa  ao  ICMS.  Defende  que  esta  DRJ  deve  julgar  “insubsistente o lançamento”, tendo em vista a impossibilidade de se analisar todos  os produtos glosados, e deferir a prova pericial, para análise dos julgadores.  Conclui,  pedindo,  mais  uma  vez,  que  seja  reconhecida  a  insubsistência  do  Despacho  Decisório  ora  recorrido,  com  a  conseqüente  homologação  da  compensação  efetuada  e  a  extinção  dos  respectivos  débitos,  além  de  requerer  a  reformulação do crédito tributário cobrado, considerando­se o pagamento parcial,  conforme comprovado.  E, mais uma vez, requer a juntada posterior de quaisquer documentos que se  façam necessários ao julgamento.  10. DILIGÊNCIA.  Em  11.03.2013,  esta  DRJ  emitiu  Resolução,  convertendo  o  julgamento  em  diligência, a fim de que fossem verificadas a origem e as utilizações das máquinas e  equipamentos que tiveram seus créditos glosados, e a conseqüente possibilidade de  descontos dos créditos relativos aos respectivos encargos com depreciação.  Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.187          12 Para a realização da diligência, o Serviço de Fiscalização da DRF de Belo  Horizonte  procedeu  à  abertura  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  –  MPF  nº  0610100.2013­ 00420­4,  intimando a  contribuinte,  em 16.04.2013, a apresentar a  documentação necessária, a qual foi apresentada em 07.05.2013.  Após  a  análise  da  documentação  apresentada,  a  Fiscalização  emitiu,  em  20.05.2013,  Relatório  Fiscal,  com  as  conclusões  abaixo  transcritas,  em  resposta  aos questionamentos desta DRJ:  1.  As  máquinas  e  equipamentos  foram  adquiridos  de  pessoas  jurídicas  e  foram  utilizadas  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  e/ou  prestação  de  serviços, conforme determinam a legislação de regência;  2. Ratificamos a veracidade dos cálculos juntados aos autos na manifestação  de  inconformidade  de  17/07/2012,  relativamente  aos  valores  de  créditos  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins  não­cumulativos  calculados  sobre  os  encargos  de  depreciação  dos  bens  do  ativo  imobilizado  que  foram  objetos  de  glosas  por  esta  fiscalização,  conforme  determinado  nos  dispositivos  legais  pertinentes  à  matéria  (art. 3º, § 14, art. 15 II, da Lei nº 10.833/2003, cujo § 14 foi incluído pelo art. 21 da  Lei nº 10.865/2004; art. 1º da Lei nº 11.774/2008).  Em  22.05.2013,  a  contribuinte  tomou  ciência  do  Relatório  Fiscal,  com  o  resultado  da  diligência,  não  apresentando,  no  prazo  que  lhe  foi  facultado,  quaisquer outros questionamentos.  É o relatório.”  A DRJ,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  procedente  em  parte  o  lançamento  tributário em acórdão com a seguinte ementa:   “ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  ­  COFINS  Período  de  apuração:  01/01/2009  a  31/03/2009  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS.  ATIVO  IMOBILIZADO.  Geram direito a crédito a  ser descontado da contribuição para o PIS e da  Cofins  apuradas  de  forma  não­cumulativa  os  encargos  de  depreciação  de  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos de pessoa jurídica e utilizados na produção de bens destinados à  venda.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS.  SERVIÇOS  RELACIONADOS  À  USINA.  Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.188          13 Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e  da  Cofins  apuradas  de  forma  não­cumulativa  os  gastos  com  serviços  relacionados à manutenção de máquinas e equipamentos da usina, por não  se classificarem como insumos na produção de minério.  NÃO­CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA.  Na  apuração  da  Contribuição  para  o  PIS  e  da  Cofins  não­cumulativas,  podem  ser  descontados  créditos  das  despesas  e  custos  relativos  à  energia  elétrica  adquirida  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  país,  incluindo­se  os  gastos  com  transmissão  e  distribuição  de  energia  elétrica  produzida  pelo  contribuinte ou adquirida de terceiros.  NÃO­CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. MINERODUTO.  Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e  da  Cofins  apuradas  de  forma  não­cumulativa  os  gastos  com  serviços  relacionados  a  mineroduto,  por  não  se  classificarem  como  insumos  na  produção de minério.  NÃO­CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULOS.  Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e  da  Cofins  apuradas  de  forma  não­cumulativa  os  gastos  com  aluguel  de  veículos,  por  falta  de  previsão  legal,  e  nem  os  gastos  com  aluguel  de  máquinas e equipamentos, que não sejam comprovadamente empregados na  produção de minério.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS.  LOCAÇÃO  DE  DRAGAS,  LOCAÇÃO  DE  REBOQUE,  SERVIÇO  DE  REBOCADOR,  SERVIÇOS  PORTUÁRIOS.  Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e  da Cofins  apuradas  de  forma  não­cumulativa  os  gastos  com  locações,  por  falta  de  previsão  legal,  nem  os  serviços  relacionados  ao  porto,  que  não  sejam comprovadamente empregados na atividade de navegação, por não se  classificarem  como  insumos  na  produção  de  minério.  Não  se  pode  considerar  o  simples  fato  de  uma determinada  atividade  constar  no  objeto  social da empresa suficiente para que  todo e qualquer  serviço relacionado  diretamente a essa atividade tenha seus créditos descontados do valor devido  pela empresa.  Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.189          14 NÃO­CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS.  SERVIÇOS  DE  LIMPEZA,  RECOLHIMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS.  Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e  da Cofins apuradas de forma não­cumulativa os gastos com serviços que não  são comprovadamente empregados diretamente na produção de minério.  SERVIÇOS DE TOPOGRAFIA, OPERAÇÕES DE EFLUENTES, SERVIÇOS  DE DRENAGEM, ANÁLISES FÍSICAS E QUÍMICAS Não  geram  direito  a  crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de  forma  não­cumulativa  os  gastos  com  serviços  que  não  são  empregados  diretamente na produção de minério.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS.  SERVIÇOS  RELACIONADOS  À  MANUTENÇÃO CIVIL.  Os  gastos  com  serviços  empregados  em  edificações  somente  podem  gerar  crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins, apuradas  de  forma  não­cumulativa,  em  relação  aos  respectivos  encargos  com  depreciação e amortização. Não se enquadram como insumo, para efeito de  gerarem direito a crédito, os gastos com serviços que não são empregados  diretamente na produção de minério.  NÃO­CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS.  Na  apuração  da  Contribuição  para  o  PIS  e  da  Cofins  não­cumulativas,  podem  ser  descontados  créditos  relativos  aos  gastos  com  combustível  consumido  nos  fornos  no  processo  produtivo,  mas  não  podem  ser  descontados  os  relativos  ao  combustível  consumido  nos  veículos  utilizados  na mina.  Manifestação  de  Inconformidade  Procedente  em  Parte  Direito  Creditório  Reconhecido em Parte”   Cientificado  do  referido  acórdão  em  4  de  outubro  de  2013,  a  interessada  apresentou recurso voluntário em 17 de outubro de 2013, pleiteando o provimento integral do  presente recurso, a fim de que seja parcialmente reformado o acórdão da DRJ para, de forma  sucessiva:  · Decretar  a  insubsistência  do  despacho  decisório,  porque  não  houve  inspeção  in  loco para constatar se os produtos e serviços se aplicam no  processo  produtivo  da Recorrente;  o  ato  administrativo  do  lançamento  Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.190          15 não  tem  a  correta  motivação,  o  que  impede  o  direito  de  defesa  pela  recorrente  e  não  pode  a  Fiscalização  elencar  os  produtos  e  serviços  apenas  de  maneira  exemplificativa,  pois  novamente  fere  o  direito  de  defesa da recorrente;  · Ad  argumentandum,  se  assim  não  entender,  devem  os  autos  serem  baixados  em  diligência  para  que  a  Receita  Federal  do  Brasil  informe,  detalhadamente, como se deu a reformulação do crédito tributário, uma  vez  que  a  ausência  da  memória  de  cálculo  impede  que  a  recorrente  verifique  a  exatidão  dos  números  apontados  como  remanescentes  do  crédito  tributário.  Além  disso,  deverão  ser  descontados  todos  os  combustíveis  que  participam  do  processo  produtivo  (com  base  na  planilha  elaborada  pela  fiscalização)  a  fim  de  que  se  dê  efetividade  à  decisão da DRJ.  · Ainda  de  forma  sucessiva,  a  decisão  recorrida  merece  ser  anulada,  retornando  os  autos  à  origem  para  elaboração  da  prova  pericial  ou,  se  assim  não  entender,  que  esta  prova  se  realize  por  determinação  da  segunda instância administrativa. Ad argumentandum,  se por absurdo o  CARF  não  entender  pela  nulidade  da  decisão  recorrida  pela  não  realização da prova pericial ou pela impossibilidade de realização desta,  por estarem os autos em segunda instância administrativa, requer sejam  os  autos  baixados  em  diligência  para  que  a  fiscalização  responda  aos  quesitos  acima  mencionados,  concedendo  vista  a  recorrente  para  que  também se manifeste sobre a apuração da fiscalização;  · No  mérito,  merece  ser  reconhecida  a  insubsistência  do  Despacho  Decisório  ora  recorrido,  com  a  reforma  parcial  da  decisão  recorrida  e  conseqüente homologação da compensação ora pleiteada e extinção dos  débitos fiscais nelas compensados, pois todos os produtos elencados são  consumidos  no  processo  produtivo,  sendo  essencial  a  este;  todos  os  serviços  são  utilizados  diretamente  no  processo  produtivo,  assim,  em  homenagem  a  não  cumulatividade  e  aos  precedentes  administrativos  e  judiciais existentes, o creditamento deve ser mantido.  É o relatório.    Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.191          16 Voto    Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora   Da admissibilidade     Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário  tempestivamente  interposto  pelo  contribuinte,  considerando  que  a  recorrente  teve  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  em  4  de  outubro  de  2013,  apresentando  a  recorrente  recurso  voluntário em 17 de outubro de 2013.    Depreendendo­se da análise dos processos vê­se que a lide em comento envolve  a  liquidez e a certeza do crédito de PIS e COFINS constituído pela  recorrente decorrente de  vários eventos.    Quanto  ao  conceito  de  Insumos,  primeiramente,  descreve  a  recorrente  as  atividades vinculadas ao seu objeto social,  trazendo, entre outros, o objeto que consta de seu  estatuto social:   “[...] pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização  e  comercialização  de minérios,  transporte  e  navegação  no  interior  do  porto,  inclusive  para  terceiros, importação para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas,  produção  e  distribuição  de  energia  elétrica  e  comercialização  de  carvão,  podendo  ainda  participar do capital de outras empresas como acionistas ou quotista.”    Descreve, assim, que a Samarco, quanto:  1. ao Objeto Social:   · Detém a  tecnologia  e  as  instalações  necessárias  à  extração  de minério,  seu beneficiamento, pelotização e embarque;  · Por meio de permanente evolução  técnica, extrai minério de baixo  teor  de ferro e o converte em produto de alta qualidade para a siderurgia, de  forma rentável e competitiva;  · O principal produto da empresa é a pelota de minério de ferro;  Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.192          17 · Para  atender  às  exigências  dos  clientes  em  escala  global,  produz  e  comercializa um número considerável de diferentes tipos de pelotas;  · Esta  flexibilidade  engloba  demandas  específicas,  conforme  o  tipo  de  tecnologia  de  redução  adotada  pelo  cliente,  seja  alto­forno  ou  redução  direta;  · A  pelota  de  minério  de  ferro,  dentre  as  matérias­primas  utilizadas  na  fabricação do aço, é um dos insumos de qualidade bem determinada, que  garante  aos  processos  de  redução  direta  e  alto­forno  elevada  produtividade e estabilidade;  2. Ao Processo Produtivo da Samarco:  · Executa  três  atividades  principais,  quais  sejam,  extração do minério de  ferro (lavra), beneficiamento e pelotização do minério e exportação das  pelotas;  Sendo:  1ª  Etapa  –  processo  de  tratamento  de  minério  bruto  (objeto  da  lavra):  o  minério  lavrado  passa  por  uma  instalação  de  peneiramento e britagem a seco. Esse minério alimenta os pré­moinhos  que alimentarão os moinhos primários.  2ª Etapa – processo de  concentração do  teor do minério  de ferro: Após esta etapa, a polpa é deslamada na ciclonagem. O material  é alimentado no circuito de flotação em coluna. Posteriormente, a polpa  alimenta os espessadores.  3ª  Etapa  –  processo  de  bombeamento  do  concentrado  para a Usina: A polpa é  transferida para os  tanques de estocagem para,  então,  ser  bombeada  pelo  mineroduto  até  as  usinas  de  pelotização  em  Ubu.  4ª  Etapa  –  processo  de  preparação  do  minério  concentrado: A polpa  recebida passa por diversas  etapas de preparação  do  minério,  sendo  elas:  torre  de  recebimento,  espessamento,  tanques  homogeneidade, filtragem, roller press e área de insumos (mistura).  5ª Etapa – processo de adição de insumos e formação das  pelotas:  Após  receber  as  adições  de  insumos  (carvão,  calcário  e  aglomerante) o minério segue para os discos pelotizadores, onde se inicia  Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.193          18 a  formação  das  pelotas  cruas.  Ao  serem  descarregadas  dos  discos,  as  pelotas  cruas  passam  por  um  processo  de  classificação  nas  mesas  de  rolos, sendo posteriormente  re­classificadas na alimentação do forno de  endurecimento.   6ª Etapa – processo de separação das pelotas e embarque  para exportação: após a etapa de queima das pelotas, as mesmas passam  por  um  conjunto  de  peneiras  que  separam  as  pelotas.  As  pelotas  são  empilhadas no pátio e posteriormente recuperada para o embarque.  3. À concepção de planta integrada:  · Possui  um  processo  de  produção  integrado,  da  mina  ao  porto,  que  garante alta eficiência produtiva e baixos custos operacionais;  · A planta demonstra que a Samarco foi concebida para ser não somente  uma  empresa  de  mineração,  mas  uma  empresa  que  extrai  o  minério,  passando este por um processo produtivo que agrega valor  ao produto,  uma  empresa  exportadora  –  o  que  justifica  o  processo  produtivo  ser  integrado  –  de  Minas  Gerais  (onde  está  a  matéria  prima)  ao  Espírito  Santo (onde se encontra o porto);  · A  integração  das  plantas  de MG  e  do ES busca maximizar  o  processo  produtivo,  agregar valor  ao minério  e deixar o produto pronto para  ser  exportado;  · A existência de atividades portuárias visa exatamente dar cabo da última  etapa de sua concepção de sua atividade: a exportação.    Descritas  todas  as  etapas  de  produção  e  justificação  da  adoção  da  planta  para  observância do objeto social da Samarco, passa a discorrer sobre o conceito de insumos.     O que, quanto a esse tema, traz a recorrente que:  · O texto constitucional não trouxe qualquer condicionante para aplicação  da não cumulatividade;  · Mesmo  que  se  aceite  as  limitações  constantes  nos  textos  legais,  o  conceito  de  insumo  não  poderia  ser  amesquinhado  com  a  analogia  ao  IPI, posto que as contribuições têm espectro amplo;  Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.194          19 · A Fiscalização  desconsiderou  o  conceito  restritivo  trazido  pela  própria  RFB.    Com efeito,  traz que com o advento da EC 42/2003, a  faceta exclusiva da não  cumulatividade aos tributos plurifásicos foi modificada, tendo sido acrescentado o parágrafo 12  ao art. 195 da CF/88:  “Art. 195(...)  §  12  A  Lei  definirá  os  setores  de  atividade  econômica  para  os  quais  as  contribuições incidentes na forma dos incisos I, b, e IV do caput serão não cumulativas.”    Aduz que o § 12 do art. 195 da CF, não obstante tenha deixado ao alvedrio do  legislador ordinário definir quais seriam os setores abrangidos pela não cumulatividade, nada  dispôs  sobre  os  contornos  desta  sistemática  não  cumulativa  imposta  (extensão  e  efeitos  do  creditamento), sendo certo que a definição da não cumulatividade aplicável defluiria da própria  natureza  do  fato  imponível  destas  contribuições,  em muito  divergente  da  materialidade  dos  demais tributos não cumulativos.    Em face da amplitude da materialidade dos  tributos  incidentes  sobre a  receita,  desenvolve  a  recorrente  que  o  cumprimento  da  não  cumulatividade  deveria  necessariamente  partir da premissa de que a efetiva depuração da base de cálculo das contribuições ocorre tão  somente quando creditadas todas as despesas incorridas para a formação da receita, sempre que  tais  despesas  forem  efetivamente  suportadas  pelo  contribuinte  e  se mostrarem  necessárias  à  atividade produtiva do contribuinte.    Assim, define a recorrente que certo é que a Constituição não outorgou poderes  ao legislador infraconstitucional para definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O  que, por conseguinte, conclui que a devida observância da sistemática da não cumulatividade  exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte. Sempre que estas se  mostrarem  essenciais  ao  exercício  de  sua  atividade,  devem  implicar  no  abatimento  de  tais  despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Neste sentido, a recorrente  destaca o duplo caráter da essencialidade discutida de natureza ontológica e jurídica.    Traz ainda:  Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.195          20 · as premissas que devem ser fixadas para a análise da repercussão da não  cumulatividade sobre a apuração da base tributável do PIS e a COFINS;   · que  a  não  cumulatividade  estabelecida  para  o  PIS  e  a COFINS  possui  suas  bases  nos  art.  195  e  foi  instituída  de  forma  ampla,  visando  o  afastamento da sobreposição tributária;   · que, assim, a observância ao preceito da não cumulatividade deve levar  em  consideração  a  própria  natureza  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  e  a  amplitude  da  base  de  incidência  econômica  de  modo  a  possibilitar  a  efetiva  depuração  de  base,  afastando  a  incidência  em  cascata  da  tributação,  premissa  maior  da  adoção  da  sistemática  não  cumulativa  em  qualquer  espécie  tributária;  o  que,  portanto,  deve­se  reconhecer a possibilidade de creditamento de todas as despesas que se  mostrem necessárias à atividade produtiva do contribuinte e que tenham  constituído  receita  de  outras  pessoas  jurídicas  em  razão  do  produto  ou  serviços adquiridos, evitando­se a sobreposição tributária;  · a  impossibilidade  de  se  aplicar,  por  analogia,  as  regras  atinentes  à  não  cumulatividade dos demais tributos plurifásicos (IPI e ICMS) ao regime  de  não  cumulatividade  imposto  pela  CF  ao  PIS  e  a  COFINS  –  o  que  afasta a possibilidade de se restringir o direito de creditamento ao que, na  sistemática  dos  impostos,  denomina­se  crédito  físico,  pois  as  despesas  que  afetam  a  receita  tributável  do  contribuinte  não  necessariamente  se  relacionam ou integram o produto final no processo produtivo;  · as disposições das Leis 10.637/02 e 10.833/03 regulam a sistemática do  creditamento  do  PIS  e  da  COFINS;  Não  obstante  a  posterior  constitucionalização da não cumulatividade atrelada as contribuições e a  amplitude do alcance do texto constitucional, a RFB passou a adotar uma  interpretação  restritiva  das  legislações,  entendendo  que  o  conceito  de  insumos deveria buscar o conceito do IPI;  · O que,  enfatiza  que,  de  acordo  com  a RFB,  a CF  teria  conferido  a  lei  ordinária  poderes  para  delimitar  os  contornos  de  uma  não  cumulatividade que a própria CF não limitou.    Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.196          21 Dessa  forma,  conclui  a  recorrente  que  se  torna  necessário  afastar  qualquer  espécie de interpretação que vislumbre o estabelecimento de critério restritivo para apuração de  créditos e extensivo para apuração da base de cálculo das contribuições, pelo que, em face da  elevação da não cumulatividade do PIS e da Cofins à esfera constitucional, não restam dúvidas  de que o rol de dispêndios ensejadores de créditos constante dos arts. 3º da Lei 10.637/02 e 3º  da  Lei  10.833/03,  possui  caráter  meramente  exemplificativo,  sendo  restritivas  apenas  as  vedações expressamente estabelecidas por lei.     Continuando,  manifesta  que  houve  equívocos  cometidos  pela  Fiscalização  quanto  ao  conceito  de  insumos,  em  relação  a  glosa  de produtos  que  participam do  processo  produtivo da Empresa,  tendo em vista que adotando um critério mais restritivo a fiscalização  tomou como base uma planilha informativa, na qual constavam dois questionamentos – quais  sejam, se o produto é desgastado no processo produtivo e se tinha contato físico com o minério  e sempre que a resposta à última coluna (contato físico com o produto) fosse “não”, glosava o  crédito. Assim,  traz  que  a  fiscalização  ignorou  que  nessa mesma  planilha  também  constava  expressamente a pergunta “usa no processo”.    Dos produtos utilizados no processo produtivo     Para  a  recorrente,  os  créditos  de  combustíveis  já  foram  restabelecidos  pela  decisão  da  DRJ  na  fundamentação,  pois  seguindo  o  entendimento  fiscal,  deveriam  ter  sido  glosados somente os lubrificantes que não participassem do processo produtivo – o que não foi  feito,  pois  os  lubrificantes  que  muito  embora  participassem  do  processo  produtivo  não  entravam  em  contato  direto  com  o minério,  foram  glosados  pela  fiscalização, mas mantidos  pela DRJ.    O que, entende a recorrente que merece ser restabelecido o crédito sobre todos  os  lubrificantes  e  graxas  que  atuam  diretamente  no  processo  produtivo,  a  fim  de  manter  a  coerência  fiscal consoante entendimento administrativo sobre o assunto e, acima de tudo, em  respeito a assentada decisão.    Para  tanto,  cita  alguns  produtos  glosados  pela  Fiscalização  e  que  são  diretamente utilizados no processo produtivo, tais como:  Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.197          22 · Soda Caustica líquida – insumo utilizado para regular o pH do minério e  para gelatinizar o amido;  · MONOAMINA – coletor utilizado no processo de flotação para separar  as partículas minerais de seus contaminantes (sílica).    Do combustível utilizado nos caminhões fora de estrada     Para  o  pedido  de  consideração  desses  combustíveis  para  fins  de  creditamento  das r. contribuições, argumenta a recorrente que este CARF acata os insumos imprescindíveis  ao  processo  produtivo,  mas  a  fiscalização  glosou  créditos  de  gases  e  combustíveis  que  a  empresa  utiliza  nos  fornos.  Etapa  primordial  e  nuclear  de  seu  processo  produtivo  na  pelotização do minério e, que, por sua vez, foi considerado como gerador de crédito pela DRJ  ainda  que  não  seja  aplicado  diretamente  no  produto,  mas  nos  fornos  que  são  utilizados  na  produção do minério.    Dos serviços utilizados como insumos     Quanto  aos  créditos  sobre  serviços  utilizados  como  insumos,  manifesta  a  recorrente que a  fiscalização glosou serviços essenciais e  intrinsecamente  ligados à atividade  produtiva da empresa, tais como:   · Serviços prestados no mineroduto;   · Aluguel de veículos;  · Locação de dragas,  locação de  reboque,  serviço  de  rebocador,  serviços  portuários;  · Serviço de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos;  · Serviços  de  topografia,  operações  de  efluentes,  serviços  de  drenagens,  análises físicas e químicas;  · Consorcio  UHE  Guilman­Amorim,  operação,  Manutenção  e  Conservação UHE Muniz Freire;  · Obras de Construção Civil.    Contesta,  portanto,  os  serviços  glosados,  trazendo defesa para cada  serviço. O  que passo a discorrer:  Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.198          23 Do Serviços prestados no mineroduto     Menciona a recorrente que o processo produtivo inicia­se em Germano e finaliza  com a exportação das pelotas de minério de ferro em UBU, sendo:  · a  extração  de  minério  e  a  remoção  de  material  estéril  realizadas  utilizando frota de equipamentos móveis de grande porte, aliada ao uso  de sistema de correias transportadoras;  · a polpa de minério concentrado transportada da unidade de Germano até  a unidade de UBU pelos minerodutos;  · quando a polpa chega a UBU, no município de Anchieta, começa a etapa  da pelotização;  · Posteriormente, os produtos são exportados.    Descreve  a  recorrente  que  a  fiscalização  entendeu  que  todos  os  insumos  e  serviços alocados no centro de custo do mineroduto não podem gerar o direito ao creditamento,  pois  os  atos  normativos  impõem  como  requisito  indispensável  para  ser  considerado  como  insumo  que  o  bem  ou  serviço  seja  aplicado  ou  consumido  diretamente  na  produção  ou  fabricação de bens destinados a venda.    Do aluguel de veículos ­ equipamentos     Especificamente  a  essa  questão,  ao  citar  o  art.  3º,  IV  das  Leis  10.637/02  e  10.833/03,  a  Fiscalização  entende  que  o  dispositivo  não  citou  aluguel  de  veículos,  o  que  conclui que a intenção do legislador era outorgar o direito a tal crédito.    Não obstante,  observa  que  a  empresa  não  toma o  crédito  com o  transporte  de  pessoas, mas apenas a locação de equipamentos.    A DRJ julgou a manifestação de inconformidade, afirmando que, muito embora  a  locação  tenha  sido  de  máquinas  e  equipamentos,  e  não  aluguel  de  veículos,  não  restou  comprovado que os equipamentos são diretamente empregados no seu processo produtivo.    Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.199          24 Quanto  à  locação  de  dragas,  locação  de  reboque,  serviço  de  rebocador,  serviços portuários, a recorrente traz a mesma literalidade do item anterior, posto que as leis  10.637/02  e  10.833/03,  em  seu  art.  3º,  inciso  IV  autorizam  o  creditamento  dos  valores  de  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa  jurídica,  utilizados  nas  atividades da empresa.    Traz que não se mencionam processo produtivo,  insumos, nada disso. O único  critério  é  que  os  prédios,  as  máquinas  e  os  equipamentos  locados  sejam  aplicados  nas  atividades da empresa.    Aduz que a decisão da DRJ afasta­se da  literalidade da  lei  na medida  em que  insistente que as atividades glosadas não servem à extração/industrialização do minério, mas  seriam somente de transporte.     A premissa trazida pela DRJ se traduz que muito embora a atividade portuária  esteja prevista no objeto social da empresa – o que caracterizaria os serviços e locações como  atividade da empresa, a recorrente não demonstrou que tais atividades foram praticadas durante  o período fiscalizado.    Entende o fisco que somente é devido o crédito da contribuição para o PIS e da  Cofins incidente sobre as despesas, caso os serviços tenham sido aplicados ou consumidos na  prestação de serviços portuários. Continua: “ Essa condição, contudo, não foi comprovada, ou  seja, não foram apresentados elementos capazes de afastar que as despesas incorridas foram  empregadas na atividade de transporte e navegação no interior do porto ou nas atividades de  escoagem do minério produzido pela própria empresa.”    Quanto  aos  contratos  de  afretamento  de  embarcações,  tem­se  que  há  três  espécies diferentes de contrato de afretamento:  · Afretamento a casco nu: contrato de aluguel. O afretador recebe o navio  e  será  responsável  por  providenciar  tripulação,  manutenção,  abastecimento, etc.  Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.200          25 · Afretamento por viagem: o navio é contratado pelo afretador para uma  única viagem, com destino e carga pré­estipulados. Todos os custos com  tripulação, manutenção, abastecimento, correrão por conta do afretador;  · Afretamento por tempo – nesse caso, o fretador disponibiliza do tempo.  Assim  como  nos  afretamento  por  viagem,  os  custos  permanecem  nas  mãos do fretador;    Quanto à locação de dragas, a recorrente traz que além de serem utilizadas nas  atividades  do  porto,  atividade  da  empresa  frente  ao  objeto  que  consta  de  seu  objeto  social,  também é utilizada na mineração.     Quando a locação de dragas foi feita no porto, traz a contribuinte que se trata  de  locação  de  equipamentos  para  uma  atividade  da  empresa  –  sendo  essencial  ao  processo  produtivo e sua atividade.     Quanto  aos  serviços  de  limpeza,  descreve  a  recorrente  que  a  fiscalização  apenas trouxe que não se tratam de insumos, não esclarecendo o motivo para tal entendimento.    Traz  também  que,  apesar  da  nomenclatura  dos  serviços,  não  se  tratam  especificamente de serviços de limpeza com o intuito de manter a higiene do local do serviço,  mas para reaproveitamento de resíduos e rejeitos.    E que tal reaproveitamento foi comprovado através de laudo técnico preparado  pela área responsável, explicitando passo a passo como se dá o reaproveitamento de rejeitos no  sistema produtivo.    Quanto  ao  pedido  da  recorrente,  caso  não  fosse  acatado  tal  prova,  solicita  a  baixa dos  autos em diligência ou a produção de prova pericial para que então se esclareça o  teor de cada uma destas atividades.    Quanto  aos  serviços  de  topografia,  operações  de  efluentes,  serviços  de  drenagem, análises e químicas, aduz a contribuinte que a fiscalização entende que se tratam  Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.201          26 de  etapas  posteriores  ou  anteriores  ao  processo  produtivo  e,  por  isso,  a  lei  não  assegura  o  creditamento.    Porém,  a  DRJ  reconhece  a  imprescindibilidade  dos  serviços:  “nenhum  dos  serviços aqui  tratados, como ensaios químicos e análises minerológicas,  (...)  são empregados  diretamente  na  produção  do  minério,  embora  não  se  possa  negar  a  sua  importância  para  o  melhor desempenho dessa atividade.”    A  recorrente manifesta  também, porém, que  as  análises  físicas  e químicas  são  realizadas ao longo do processo, pois sem a composição correta do produto em elaboração, o  produto final estaria comprometido.     Relativamente ao Tratamento de efluentes, traz que a despesa incorrida daria  direito ao crédito, por conta de uma exigibilidade disposta em legislação ambiental.    Quanto  aos  serviços  e  insumos  utilizados  na  operação,  manutenção  e  conservação das Usinas Hidrelétricas próprias, insurge que o relatório fiscal glosa parte das  despesas  com  energia  elétrica  especialmente  os  insumos  e  serviços  utilizados  nas  Usinas  próprias da empresa, os custos com a transmissão e distribuição de energia.    A  DRJ  quanto  a  transmissão  de  energia  e  sua  distribuição  entendeu  pela  procedência  da  manifestação  de  inconformidade,  uma  vez  que  a  contratação  do  uso  dos  sistemas de transmissão e distribuição de energia é necessária para este tipo de consumidor e,  nos termos da legislação setorial, obrigatória, as despesas realizadas a título de Encargo de Uso  da Rede Elétrica  (...) não podem ser dissociadas da energia propriamente dita,  consumida na  produção da empresa”.    Concluiu  a  DRJ  que  “independentemente  das  despesas  efetuadas  com  a  transmissão  de  energia  elétrica  serem  relativas  à  energia  produzida  pela  contribuinte  ou  à  energia  adquirida  de  terceiros,  são  passíveis  de  creditamento,  podendo  ser  descontadas  da  contribuição para o PIS ou da Cofins não cumulativa apurada”.    Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.202          27 Quanto  aos  insumos  utilizados  nas  Usinas  da  empresa,  entendeu  a  fiscalização  que  os  serviços  empregados  na  Usina  dizem  respeito  à  operação,  manutenção,  limpeza e conservação.   Quanto  às  obras  de  construção  civil,  a  recorrente  menciona  que,  diferentemente do que seria de fato, a DRJ diz que a barragem não se confunde com a atividade  de  produção  de  minério,  não  podendo  os  serviços  nela  empregados  serem  considerados  insumos.     Quanto  aos  serviços  glosados,  tais  como  desassoreamento,  manutenção  mecânica,  paradas  de  pátio,  a  recorrente  traz  que  somente  consta  da  manifestação  de  inconformidade  que  os  serviços  não  estão  intrinsecamente  ligados  ao  processo  produtivo  da  empresa.    Sendo  assim,  em  vista  de  todo  o  exposto  e  depreendendo­se  da  análise  dos  documentos  acostados,  em  homenagem  ao  princípio  da  verdade  material  que  permeia  o  processo  administrativo  tributário,  bem  como  para  fins  de  clarear  o  anoitecer  do  processo  produtivo, serviços e produto que aqui transitam, voto no sentido de converter o julgamento em  diligência, para que a unidade de origem:    · Intime  a  Recorrente  a  apresentar  laudo  de  renomada  instituição  que  descreva  detalhadamente  o  seu  processo  produtivo,  apontando  a  utilização  dos  insumos,  despesas,  custos  ora  glosados  na  produção  do  referido  bem  destinado  à  exportação,  ou  na  prestação  de  serviços  vinculados  ao processo produtivo  e  ao  seu objeto  social; Considerando  também que tal laudo deverá, entre outros:  o  demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento  como  insumo  e  o  motivo  pelo  qual  ele  é  indispensável  ao  processo produtivo;  o  esclarecer  o  teor  de  cada  uma  das  atividades  exercidas  pela  recorrente  vinculando  ao  processo  produtivo  ou  ao  seu  objeto  social.  · Cientifique  a  fiscalização  para  se  manifestar  sobre  o  resultado  da  diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário;   Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901869/2012­67  Resolução nº  3202­000.230  S3­C2T2  Fl. 1.203          28 · Cientifique o  contribuinte  sobre  o  resultado  da diligência,  para  que,  se  assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação,  nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11;  · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento.    Assinado digitalmente     Tatiana Midori Migiyama            Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES

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Numero do processo: 10980.001756/2008-07
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.297
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.001756/2008­07  Resolução nº  2801­000.297  S2­TE01  Fl. 187          2 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Decorrentes  de Ação Trabalhista.  Da  análise  das  informações  e  documentos  apresentados  pelo  contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  constatou­se  omissão  de  rendimentos  tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial  trabalhista,  no  valor  de  R$  96.579,77  auferidos  pelo  titular  e/ou  dependentes.  Na  apuração  do  imposto  devido,  foi  compensado  o  Imposto Retido na Fonte (IRRF)sobre os rendimentos omitidos no valor  de R$ 1.874,23.  Enquadramento Legal: Arts.l.° a 3.° e §§, da Lei n." 7.713/88; arts. 1.°  a 3.° da Lei n.° 8.134/90; arts.l.° e 15 da Lei n.° 10.451/2002; art.43 do  Decreto n.° 3.000/99 ­ RIR/99.  A  seguir,  elabora  um  demonstrativo,  onde  conclui  que  o  contribuinte  auferiu  rendimentos  tributáveis  decorrentes  da  referida  Ação  Trabalhista  no  montante  de  R$  188.154,57,  tendo  declarado  em  sua DIRPF R$  91.574,80,  considerando  a  diferença,  então,  omitida.  Inconformado,  o  contribuinte  apresentou  Impugnação  conforme  folha  02,  aduzindo,  em  síntese,  que  houvera  também  rendimentos  de  juros,  no  valor  bruto  de  R$  113.721,02,  mas  se  considerado  o  DARF  no  valor  de  R$  24.528,06,  recolhido  pela  fonte  pagadora a título de IRRF sobre esse valor, conforme seus cálculos, haveria imposto a restituir  de R$ 8.043,73, e não imposto a pagar.  Alega que houve procedimento incorreto da fonte, no informe de rendimentos, e  que declarou conforme as informações prestadas pela fonte pagadora.  Conhecida  pela  DRJ/CURITIBA,  a  manifestação  de  inconformidade  foi  convertida em Diligência, conforme Despacho proposto pelo Relator, nos seguintes termos, em  suma (fl. 56):  Na impugnação de fls. 01/04 o contribuinte contesta que a fiscalização  não  considerou  o  DARF  recolhido  em  12/2006  no  valor  de  R$  24.528,06  (documento  de  fl.  34)  e  que  declarou  os  rendimentos  tributáveis  com  base  nas  informações  prestadas  pela  fonte  pagadora  Brasil  Telecom  S/A,  CNPJ  76.535.764/0001­43,  no  comprovante  de  rendimentos emitido em 16/11/2006 (documento de fl. 32).  Posteriormente o  interessado apresenta a petição de  fl.  50,  anexando  novo comprovante de rendimentos emitido em 10/03/2008 pela mesma  fonte pagadora Brasil Telecom S/A (documento de fl. 51), alegando que  a fonte pagadora deverá retificar a DIRF.  Considerando  que  na  tela  de  fl.  52,  referente  à  DIRF  retificadora  entregue  em  14/05/2009  pela  fonte  pagadora  Brasil  Telecom  S/A,  a  despeito de ter sido emitido àquele novo comprovante de rendimentos,  consta  informação  de  rendimentos  pagos  ao  interessado  no  ano  calendário  de  2005  no  montante  de  R$  129.574,80,  valor  este  exatamente  igual ao  informado no comprovante de rendimentos de  fl.  32.  (...)  Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.001756/2008­07  Resolução nº  2801­000.297  S2­TE01  Fl. 188          3 Considerando,  ainda,  que  nos  autos  não  consta  a  documentação  e  o  detalhamento  dos  cálculos  referentes  aos  valores  apurados  na  autuação, ....  Proponho o encaminhamento deste processo à DRF/Curitiba­PR, a fim  de  que  se proceda a  juntada  da  documentação  e deste  detalhamento,  visando possibilitar o julgamento do litígio.  Ou seja, o Julgador sentiu necessidade de que fosse anexado o dossiê completo  da  autuação,  para  firmar  sua  convicção  sobre  os  valores  considerados  pelo  lançamento  de  ofício e também sobre a questão do DARF recolhido no valor de R$ 24.528,06, uma vez que na  DIRF  constante  dos  sistemas  da  RFB  não  havia  sido  retificada  a  informação  sobre  os  rendimentos  tributáveis  e o  IRRF, apesar de novo comprovante de  rendimentos emitido pela  fonte pagadora e apresentado posteriormente pelo contribuinte (fl. 33, 53, 54 e 126).  Realizada a Diligência, os autos retornaram àquela instância julgadora, que, em  resumo, assim se manifestou (fl. 130 e seguintes):  A matéria  em  litígio  refere­se  ao  lançamento  efetuado  em  virtude  de  omissão  de  rendimentos  tributáveis  no  valor  de  R$  96.579,77  (R$  188.154,57 ­ R$ 91.574,80), recebidos acumuladamente em virtude de  processo  judicial  trabalhista.  O  impugnante  protesta  que  a  Receita  "não  considerou  o  DARF  recolhido  pela  Brasil  Telecom  S/A  em  12/2006  no  valor  de  R$  24.528,06",  referente  a  "juros  de  mora",  acrescentando que no seu entendimento "o rendimento bruto dos juros  é R$ 113.721,02, ou seja R$ 89.192,96  (rendimento  líquido  jrs) + R$  24.528,06 (Retenção IRRF s/juros)."   (...)  Com efeito, constata­se que, em face da decisão de f l . 71 ( f l . 371 do  processo judicial) que homologou o acordo de fls. 65/70 (fls. 363/368  do processo judicial), celebrado entre as partes (Edemar Kaiss e Brasil  Telecom S/A) na reclamatória trabalhista n° 21979­2000­0651­09­01­ 03, que tramitou na 17a Vara do Trabalho de Curitiba­PR, foi devido  ao contribuinte reclamante o valor líquido de R$ 208.273,98. ...  Contata­se  também  que,  embora  à  fl.  51  tenha  sido  juntado  pelo  interessado o "Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de  Imposto de Renda na Fonte", supostamente emitido em 10/03/2008 pela  fonte pagadora Brasil Telecom S/A, em que consta a retenção (no ano  de 2005) de imposto de renda retido na fonte  (IRRF) compensável na  declaração  de  ajuste  anual  no  valor  de  R$  57.672,24,  não  existe  informação  prestada  em Declaração  de  Imposto  de Renda  Retido  na  Fonte  (Dirf)  pela  pessoa  jurídica  que  corrobore  este  valor.  Ao  contrário,  a  Dirf  retifícadora  apresentada  em  14/05/2009  pela  fonte  pagadora (telas de fls. 118/119) informa IRRF compensável no ajuste  no valor de R$ 34.702,37.  (...)  Contata­se  também  que,  embora  à  fl.  51  tenha  sido  juntado  pelo  interessado o "Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de  Imposto de Renda na Fonte", supostamente emitido em 10/03/2008 pela  fonte pagadora Brasil Telecom S/A, em que consta a retenção (no ano  Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.001756/2008­07  Resolução nº  2801­000.297  S2­TE01  Fl. 189          4 de 2005) de imposto de renda retido na fonte  (IRRF) compensável na  declaração  de  ajuste  anual  no  valor  de  R$  57.672,24,  não  existe  informação  prestada  em Declaração  de  Imposto  de Renda  Retido  na  Fonte  (Dirf)  pela  pessoa  jurídica  que  corrobore  este  valor.  Ao  contrário,  a  Dirf  retifícadora  apresentada  em  14/05/2009  pela  fonte  pagadora (telas de fls. 118/119) informa IRRF compensável no ajuste  no valor de R$ 34.702,37.  Assim,  conforme  cálculos  a  seguir,  impõe­se  reconhecer  como  sendo  rendimento  isento  e  não­tributável  o  valor  de  R$  22.883,79,  como  rendimento tributável sujeito ao ajuste anual o valor de R$ 174.401,74  e,  como  rendimento  de  tributação  exclusiva  na  fonte  o  valor  de  R$  11.777,46;  já  deduzidos,  de  forma  proporcional,  os  honorários  advocatícios pagos no montante de R$ 38.000,00.  (...)  Dessa forma, como o interessado ofereceu à tributação, na declaração  de  ajuste  anual  retificadora  de  fls.  43/46,  rendimentos  recebidos  na  reclamatória  trabalhista  no  montante  de  R$  91.574,80,  é  devida  a  manutenção do lançamento da diferença de omissão de rendimentos no  valor de R$ 82.826,94 (R$ 174.401,74 ­ R$ 91.574,80).(sublinhei)  (...)  Nesse sentido, impõe­se reconhecer que do IRRF no valor total de R$  36.578,60,  parte  refere­se  aos  rendimentos  tributáveis  sujeitos  ao  ajuste anual e parte refere­se aos rendimentos de tributação exclusiva  na fonte, conforme detalhado a seguir  (:..).  Portanto, o valor de IRRF compensável na declaração de ajuste anual  referente aos rendimentos omitidos é o montante R$ 33.805,15;...  Assim,  deu­se  o  julgamento  recorrido,  para,  não  considerando  o  DARF  complementar  recolhido  pela  fonte  pagadora  em  12/2006,  por  não  constar  a  informação  em  DIRF, considerar procedente  em parte o  lançamento,  tendo  reduzido  o valor da omissão,  conforme  acima  transcrito,  após  os  minuciosos  cálculos  e  considerações  que  efetuou.  Conseqüentemente,  reduziu­se  o  valor  de  imposto  suplementar  a  pagar,  passando­o  a  R$  10.138,93 mais encargos da multa proporcional e juros de mora.  Cientificado  dessa  Decisão  em  22/12/2011,  conforme  AR  na  folha  140,  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  em  23/01/2012  (fl.  141)  onde  manifesta­se,  novamente, apenas em relação a um único ponto. Vejamos:  Diz que a diferença entre o valor declarado em DIRPF e o valor encontrado pela  Autoridade  Fiscal,  decorrente  de  rendimentos  tributáveis  recebidos  em  decorrência  de Ação  Trabalhista, refere­se aos juros de mora recebidos, no valor de R$ 89.192,96. Acontece que a  Brasil Telecom S A (fonte pagadora) recolheu DARF no valor de R$ 24.528,06, em 12/2006,  tendo  emitido  novo  comprovante  de  rendimentos,  informando  o  valor  corrigido  dos  rendimentos  e  do  IRRF.  A  Turma  Julgadora  alegando  que  não  houve  informação  desse  recolhimento “complementar” em DIRF retificadora, entendeu como compensável apenas R$  34.702,37, não  aceitando os R$ 24.528,06. Alega que  elaborou  sua DIRPF de  acordo com a  Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.001756/2008­07  Resolução nº  2801­000.297  S2­TE01  Fl. 190          5 informação prestada pela fonte pagadora, que posteriormente lhe forneceu outro comprovante  de rendimentos e assim não houve omissão de rendimentos.  Argumenta que com a  tributação dos  juros e a consideração do  IRRF sobre os  mesmos, pelos cálculos que elabora, não há valor complementar a ser recolhido, pois o que se  verifica é um valor a restituir de R$ 8.043,73.  Dessa feita, pede que seja considerado o “incontroverso” pagamento do imposto  retido pela fonte pagadora no valor de R$ 24.528,06, passando­se a considerar que existe um  valor  a  ser  restituído  de R$  8.043,73.  Requer  ainda  a  expedição  de  ofício  à  fonte  pagadora  Brasil Telecom AS para que retifique, regularizando, a DIRF comentada.   É o relatório.   Voto  Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator.  O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades  legais,  dele  tomo  conhecimento.  Registro  que  como  o  prazo  encerrou­se  em  dia  de  sábado,  postergou­se o fim para o primeiro dia útil seguinte.  A  numeração  de  folhas  a  que  me  refiro  a  seguir  é  a  identificada  após  a  digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf).  Primeiramente,  em  relação  à  forma  de  tributação  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente, no mês em que foram disponibilizados ao contribuinte, em virtude de ação  reclamatória na  Justiça Trabalhista,  entendo que não está  em discussão nestes  autos. Mesmo  porque, a lide trabalhista foi encerrada com a realização de acordo homologado em juízo, como  se pode observar nas folhas 28 a 31. Assim, não se pode falar em verbas referentes a esse ou  aquele  período  específico,  uma  vez  que  as  partes  transigiram  sobre  parcelas  específicas,  concluindo por um valor “global”, a ser pago em parcela única.   Na  lição  clássica  de  Carnelutti,  para  que  haja  lide  ou  litígio  é  necessário  que  ocorra  “um  conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida”, sendo a pretensão “a exigência  de  uma  parte  de  subordinação  de  um  interesse  alheio  a  um  interesse  próprio”  (Apud  THEODORO JR. Humberto, Curso de Direito Processual Civil, 41 ed, Forense, Rio de Janeiro:  2004, p. 32).     Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ:  “Para  a  solução  do  litígio  tributário  deve  o  julgador  delimitar,  claramente,  a  controvérsia  posta  à  sua  apreciação,  restringindo  sua  atuação  apenas  a  um  território  contextualmente  demarcado.  Esses  limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro,  pela  resistência  do  contribuinte,  expressos  respectivamente  pelo  ato  de lançamento e pela impugnação....(grifei)  A  lei  processual  estabelece  regras  que  deverão  presidir  as  relações  entre os  intervenientes na discussão  tributária. A atuação dos órgãos  administrativos  de  julgamento  pressupõe  a  existência  de  interesses  opostos,  expressos  de  forma  dialética....Na  lição  de Calamandrei,  “o  processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e  Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.001756/2008­07  Resolução nº  2801­000.297  S2­TE01  Fl. 191          6 defesas,  na  qual  cada  um  dos  sujeitos  provoca,  com  a  própria  atividade, o movimento dos outros  sujeitos,  e espera,depois, deles um  novo  impulso....”Se  no  curso  deste  processo,  constatar­se  a  concordância  de  opiniões,  deve­se  por  fim  ao  processo,  já  que  o  próprio objeto da discussão perdeu o sentido. Da mesma forma, não há  o que julgar se o contribuinte não contesta a imposição tributária que  lhe  é  imputada.(NEDER,  Marcos  Vinícius  e  LOPEZ,  Maria  Teresa  Martinez. Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª ed,. Dialética,  São Paulo, 2004, p. 265/266)  ...esclarece Alberto Xavier que “nos caos em que o ato do lançamento  impugnável seja ‘cindível’, a impugnação pode ser apenas parcial, de  tal modo que o impugnante poderá individualizar o objeto do processo,  especificando  as  ‘questões  ou  pedidos  parciais’  que  pretende  impugnar,  ficando  as  demais,  em  virtude  da  renúncia  á  impugnação,  sujeitas  á  preclusão”(XAVIER.  Alberto.  Do  lançamento...2ª  ed.  Forense, São Paulo, 1997, p. 333, Apud NEDER, Op. Cit, p. 269)  Ressalvadas algumas matérias de ordem pública, a competência do julgador para  a revisão do lançamento restringe­se à hipótese prevista no art. 145 do CTN, sendo a revisão de  ofício de iniciativa exclusiva da RFB (art. 149 do CTN).   O Relatório delimita a matéria em litígio, que se concentra na consideração ou  não de IRRF recolhido pela fonte pagadora, mas não informado em DIRF. Esse é o pedido do  contribuinte, desde a impugnação.   Em princípio,  com base  no  informe de  rendimentos  que  consta  da  folha  33,  a  fonte pagadora, em 16/11/2006, considerou parte dos valores pagos em decorrência do acordo  celebrado em juízo como “verbas indenizadas”. O contribuinte informa que esse valor se refere  aos juros. Naquele comprovante, consta como IRRF sobre rendimentos tributáveis o valor de  R$ 34.702,37.  Em 19/08/2005,  a  fonte  pagadora  recolhera R$ 36.578,60  (fl.  125)  a  título  de  retenção  na  fonte,  valor  esse  considerado  pela  decisão  recorrida  na  sua  apuração  e  incontroverso neste processo.  Posteriormente,  o  contribuinte  apresenta  outro  comprovante  de  rendimentos  emitido  pela  mesma  fonte,  agora  com  valor  dos  rendimentos  tributáveis  aumentado  e  informação de IRRF de R$ 57.672,24, com data de emissão em 10/03/2008.  Na folha 126, consta outro DARF, com data de recolhimento em 14/12/2006, no  valor  de  R$  24.528,06.  É  esse  que  o  contribuinte  pede  que  seja  considerado  no  cálculo  do  imposto sobre a renda e que a DRJ não considerou pois, apesar de verificar o valor informado  no comprovante de rendimentos emitido posteriormente,  tal não condiz com o  informado em  DIRF, que permaneceu inalterada, nesse sentido.  Dessa  feita,  considerando  a  data  de  recolhimento,  posterior  ao  período  de  apuração,  e  a  não  informação  em DIRF,  para  que  possa  ser  devidamente  vinculado, VOTO  pela conversão do julgamento em Diligência a fim de que:  a)  a Unidade de origem verifique a situação de disponibilidade do  pagamento  conforme  DARF  que  consta  da  folha  126  destes  Fl. 191DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.001756/2008­07  Resolução nº  2801­000.297  S2­TE01  Fl. 192          7 autos.  Caso  esteja  disponível,  bloqueie  para  que  não  seja  empregado  em  outro  débito,  até  o  julgamento  final  deste  processo;  Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento.  Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada  Fl. 192DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN

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