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Numero do processo: 13884.000994/2001-05
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2001
Ementa: II e IPI VINCULADO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS.
Equipamento para pintura de objetos de grande porte, composto de máquinas, elementos e acessórios que desempenham em conjunto e de forma integrada a função principal de pintura, além de preparar a superfície, limpar o ambiente e secar a tinta, classifica-se na posição 84.24.89.00 em razão de sua característica essencial.
Recurso voluntário desprovido.
Numero da decisão: 301-29908
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Nome do relator: IRIS SANSONI
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MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA PROCESSO N° : 13884.000994/2001-05 SESSÃO DE : 21 de agosto de 2001 ACÓRDÃO N° : 301-29.908 RECURSO N° : 123.645 RECORRENTE : EMBRAER - EMPRESA BRASILEIRA DE AERONÁUTICA S/A RECORRIDA : DRJ/CAMPINAS/SP , II e IPI VINCULADO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Equipamento para pintura de objetos de grande porte, composto de máquinas, elementos e acessórios que desempenham em conjunto e de • forma integrada a função principal de pintura, além de preparar a superfície, limpar o ambiente e secar a tinta, classifica-se na posição 84.24.89.00 em razão de sua característica essencial. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 21 de agosto de 2001 MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ Presidente em Exercício 25.0UT 2001 M <1)0~0741/t;ANSONI Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, LUIZ SÉRGIO FONSECA SOARES e FRANCISCO JOSÉ PINTO DE BARROS. Ausentes os Conselheiros. MOACYR ELOY DE MEDEIROS e PAULO LUCENA DE MENEZES. tmc . • • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.645 ACÓRDÃO N° : 301-29.908 RECORRENTE : EMBRAER - EMPRESA BRASILEIRA DE AERONÁUTICA S/A RECORRIDA : DRJ/CAMPINAS/SP RELATOR(A) : ÍRIS SANSONI RELATÓRIO Em ato de conferência aduaneira da DI n° 00/0791076-7, foi solicitado laudo técnico para identificação de um equipamento importado descrito como "estação cabine de pintura N.B. 20-073-2, próprio para reparação da superflcie, pintura de base de aeronaves, composto de: 3 casas de ar para ventilação, 2 sistemas de exaustão com lavadores, 1400 metros quadrados de paredes de vidro laço inoxidável, 1 sistema de pintura, 1 estufa tipo conveyor, 1 sistema para tratamento de afluentes, plataforma de 3 eixos e kit de montagem e instalação", classificado pelo contribuinte na posição 84.79.89.99 da TEC. Segundo o laudo técnico elaborado, as máquinas e elementos existentes, concorrem para, em conjunto, realizar a função determinada de pintura de aeronaves, onde o nível de qualidade e exigências técnicas devem ser obrigatoriamente atendidos. Segundo o assistente técnico "a função principal é a pintura de superflcie metálica, em ambiente limpo e controlado, por meio de pulverização de tinta líquida à base de poliuretano utilizando-se pistolas manuais operadas por pessoas devidamente equipadas e protegidas, posicionadas em plataformas. Nesse ambiente poderá ser observado um fluxo de ar laminar e descendente o qual retira do ambiente as partículas de tintas e solventes dispersas e as conduzem ao sistema de lavagem de ar e conseqüentemente para o tratamento de efluentes. Logo após a aplicação da tinta, são colocados painéis com luz infravermelha e a elevação da temperatura ambiente, o que reduz o tempo de secagem." O laudo tem como conclusão que as máquinas e equipamentos desempenham em conjunto e de forma integrada, a função de pintar objetos de grande porte. Em razão do laudo, a fiscalização alterou a classificação fiscal do bem para a posição 84.24.89.00 da TEC, que trata de: 84.24: Aparelhos mecânicos (mesmo manuais) para projetar, dispersar ou pulverizar líquidos ou pós; extintores, mesmo carregados; pistolas aerográficas e aparelhos 2 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.645 ACÓRDÃO N° : 301-29.908 semelhantes; máquinas e aparelhos de jato de areia, jato de vapor e aparelhos de jato semelhantes. 84.24.8: outros aparelhos 84.24.89.00: outros. Foi lançada a diferença de Imposto de Importação e IPI vinculado, juros moratórios, e multa por declaração inexata na área do imposto de importação. Em sua impugnação a autuada alegou, em síntese: a) a posição NBM adotada pela fiscalização não pode prevalecer, pois refere-se a aparelhos de pulverização de líquidos ou sólidos, • e isso não compreende equipamentos que possuam outros atributos de maior complexidade, como é o caso da estação de pintura dotada de dispositivos de limpeza, filtragem de ar, secagem e controle da umidade. b) A pulverização das tintas é apenas uma das etapas, e não expressa a finalidade para a qual o equipamento foi concebido. Trata-se de um equipamento que não se enquadra em nenhuma das posições NBM que prescrevem função definida, sendo por isso mais adequado o código 8479.89.99, tal como ocorre com inúmeros "ex" tarifários para máquinas dessa complexidade. c) A matéria em discussão comporta indagar o conceito de máquina e aparelho, pois os textos das posições do capítulo 84 inferem uma distinção entre ambos. A posição 84.24 seria para aparelhos. Ilen d) Ainda que houvesse diferença de tributos por desclassificação fiscal, não caberia a multa por declaração inexata da mercadoria. A autoridade julgadora de primeira instância cancelou a multa por declaração inexata em razão da correta descrição da mercadoria na DI, e manteve a desclassificação fiscal pelas seguintes razões: 1) Não procede a distinção conceituai entre máquina e aparelho pois tanto as posições 84.24 como 84.79 fazem referência a máquinas e aparelhos sem qualquer distinção. Verifica-se por exemplo que no "ex" do código 84.24.90.90, consta um componente de grande sofisticação, qual seja, um sistema automático para pintura de veículos. Ademais, a Nota 5 da Seção XVI, é altamente esclarecedora quanto à não existência 3 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.645 ACÓRDÃO N° : 301-29.908 de qualquer distinção entre os termos da máquina e aparelho, ao dispor que "para a aplicação destas notas, a denominação máquinas compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e demais materiais diversos citados nas posições dos capítulos 84 ou 85." 2) O fisco ao formular a exigência fiscal, baseou-se na Nota 4 da Seção XVI da Nomenclatura, citada no Auto de Infração, a qual reporta-se à combinação de máquinas ou sua constituição por elementos distintos, determinando a sua classificação no código correspondente à função principal que desempenha. E • a Nota 2 do Capítulo 84 por sua vez, determina que as máquinas e aparelhos suscetíveis de serem incluídos nos códigos 84.01 a 84.24 e ao mesmo tempo 84.25 a 84.80, permanecem nas posições 84.01 a 84.24, desfazendo assim por completo, eventuais dúvidas quanto à classificação do equipamento importado. 3) É de fundamental importância atentar para o laudo técnico onde o engenheiro designado revela que o equipamento sob análise é constituído de elementos distintos, porém necessários e obrigatórios para uma função determinada, no caso a pintura de aeronaves por meio de pulverização de tinta liquida, sendo esta a função principal e objeto da concepção do equipamento. 4) Deve-se levar em conta que a Regra 3 B das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado determina que os produtos compostos de vários elementos sejam classificados pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial. Em razão do disposto na Portaria SRF 4980/94, Anexo, F, 2.3, havendo julgamento de impugnação com recurso de ofício da autoridade de primeira instância, o processo deve ser desdobrado para seguimento do recurso voluntário em apartado. Este processo trata do recurso voluntário do contribuinte. Em seu recurso tempestivamente apresentado, e com depósito integral do crédito tributário, feito para retirada da mercadoria da Alfândega por ocasião da lavratura do Auto de Infração, a recorrente alega: \,_Y . . . a • • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.645 ACÓRDÃO N° : 301-29.908 a) O laudo técnico não caracteriza o produto como unidade integrada para pintura. A máquina em questão não é um simples aparelho para pulverização de líquidos, sendo esta apenas uma etapa da pintura em si, que não pode ser considerada isoladamente, visto possuir dispositivos de limpeza, filtragem de ar, secagem, controle de umidade, etc ... b) Há diferença entre os termos máquina e aparelho no Sistema Harmonizado, pois máquina é gênero, que se subdivide em diversas modalidades, que são máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e materiais diversos. • c) As Nesh da seção XVI demonstram que os aparelhos têm menor grau de complexidade ao informarem que "os aparelhos.... apresentados com a máquina com que são normalmente utilizados, seguem o regime da máquina...". d) Cita as notas 3 e 4 da Seção XVI que preconizam que as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto, e constituindo um corpo único, classificam-se de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. E que as combinações de máquinas constituídas de elementos distintos, mesmo separados, ou ligados entre si por condutos, cabos ou outros dispositivos, destinados a desempenhar uma função bem determinada, classificam-se na posição correpondente à função que desempenham. E afirma que se o texto da posição adotada pelo fisco fala em aparelhos para 41. dispersão de líquidos, como o são as pistolas aerográficas, não há ner, que se entender que uma unidade para pintura de aeronaves aí se classificaria. e) Reitera que a pulverização de tinta não se confunde com o conceito de pintura, posto que a pintura de objetos de grande porte não se resume na pulverização de tinta, mas envolve um complexo de atos, como a preparação da superfície que receberá a tinta. Além disso, haverá a secagem, filtração do ar, etc ... A pulverização da tinta não expressaria a finalidade para a qual a estação de pintura foi concebida. O Por esse motivo, entende que o equipamento não se enquadra em nenhuma das posições do capítulo, classificando-se na posição residual 84.79.89.99, pois lá se encontram vários equipamentos 5 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.645 ACÓRDÃO N° : 301-29.908 industriais de enorme elaboração tecnológica. Cita como exemplo, o "ex" 162 para máquina automática para aplicação de tinta verniz, e planificação de chapas de alumínio em bobinas, por sistema contínuo, com controle de tração, detector de microfuros a laser e medidor de camada por raio infra vermelho". O texto da posição 84.79 é para máquinas e aparelhos mecânicos com função própria, não especificados nem compreendidos em outras posições do capítulo 84. g) A nota 2 do Capítulo 84 da TEC, citada pela autoridade julgadora de primeira instância, diz respeito a máquinas que podem ser utilizadas em vários tipos de indústria, e não se aplica ao caso em • exame. A estação de pintura não é suscetível de ser classificada em mais de um código, já que não é utilizável em diversos ramos industriais. É o relatório. C 011 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.645 ACÓRDÃO N° : 301-29.908 VOTO As Notas da seção XVI da Nomenclatura de Mercadorias esclarecem a metodologia a ser utilizada na classificação fiscal objeto deste litígio: Nota 3: Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções difèrentes, 010 alternativas ou complementares, classificam-se de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. Nota 4: Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos ( mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos) de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do capítulo 84 ou 85, o conjunto classifica-se na posição correspondente à função que desempenha. Nota 5: Para a aplicação destas notas, a denominação máquinas, compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e materiais diversos citados nas posições dos capítulos 84 ou 85. •As NESH do capítulo 84, letra B, item 2, dispõem que as posições 84.02 a 84.24 agrupam outras máquinas e aparelhos que nelas se classificam principalmente em razão de sua função. Na posição 84.79 classificam-se as máquinas, aparelhos e intrumentos que não se incluam nas posições precedentes. E as NESH da posição 84.24 dispõem que essa posição engloba as máquinas e aparelhos utilizados para projetar, dispersar ou pulverizar vapor, líquidos ou produtos sólidos na forma de jato, dispersão, ou mesmo gota a gota ou em nuvem (spray). As alegações do contribuinte se concentram no fato de que entende que a estação de pintura não tem a função principal de pulverizar líquidos (no caso, tinta). E que as funções de limpeza e secagem não são complementares à função de pintar (pulverizar a tinta). Assim não haveria uma função principal, motivo pelo qual 7 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.645 ACÓRDÃO N° : 301-29.908 a classificação se daria numa posição residual de máquinas cuja função principal não está descrita na nomenclatura. Entretanto, não é o que se depreende da descrição feita na Declaração de Importação, na fatura comercial e no laudo técnico: trata-se de uma estação de pintura. A lavagem e a secagem são funções complementares: para que a pintura tenha um bom resultado, a superfície deve ser limpa, e depois de pulverizada a tinta, a secagem é acelerada em um ambiente limpo. A função principal é a pulverização da tinta. A lavagem e a secagem são feitas em função do processo de pintura. Não vejo dúvidas em classificar a estação como máquina de pulverizar líquidos, pois esta é a função principal. A limpeza prévia e a secagem são • acessórios e complementos da pintura (pulverização da tinta). Por esse motivo, em casos semelhantes, a Secretaria da Receita Federal, em procedimento de consulta fiscal, utilizou essa mesma classificação, na posição 84.24, subposição 89. Cito como exemplo: SRF. DH - CST (DCM) n° 328/90 (DOU 20/11/90): Máquina para pintar couros, constituída de braço oscilante com duas pistolas de pintura comandadas por microprocessador. Posição 84.24.89.99.00 da TIPI. SRF DH CST (DCM) n° 98/90: Máquina para lavagem de peças (carroçarias) após pintura por imersão, através de anéis de esguicho (spray) dotada ou não de tanque para posterior lavagem por imersão. Posição 84.24.89.99.00 da TIPI. • As alegações do contribuinte de que o texto adotado pelo fisco fala em aparelhos e não em máquinas (posição 84.24) não têm fundamento, pelas Notas da seção XVI citadas anteriormente, que esclarecem que máquinas e aparelhos não têm distinção. A citação do "ex" 162 da posição 84.79, para máquina que além de aplicar tinta ou verniz, também planifica chapas de alumínio em bobinas, com detector de microfuros a laser e medidor de camada por infra vermelho, só confirma a metodologia utilizada existente na nomemclatura de mercadorias e suas regras interpretativas. Nesse caso especifico, a máquina tem funções distintas, não se podendo identificar uma principal. Não se pode dizer que a planificação de chapas em bobinas, e detecção de microfuros sejam um complemento ou acessório do processo de pintura. Mas no caso deste processo a situação é outra. Há uma função principal descrita no laudo técnico. Por esse motivo, a classificação é feita pela função preponderante, independentemente de haver outras funções complementares, feitas por outras máquinas e aparelhos. 8 •, -4 1- . ' • MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.645 ACÓRDÃO N° : 301-29.908 Face ao exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2001 d)..tAo. â I IRIS SANSONMa i I 00 • 9 , . •, , • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n°: 13884.000994/2001-05 Recurso ri': 123.645 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Primeira Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n° 301.29.908. Brasília-DF, X° à3)(;-( Atenciosamente, oy de Medeiros Presidente da Primeira Câmara Ciente em aS flaKA4 • 4 ln NIU)" LEAN DR X) .F."19E EZNE4D\ 3 NOC OZWINL po cozpotà_ DA Page 1 _0010800.PDF Page 1 _0010900.PDF Page 1 _0011000.PDF Page 1 _0011100.PDF Page 1 _0011200.PDF Page 1 _0011300.PDF Page 1 _0011400.PDF Page 1 _0011500.PDF Page 1 _0011600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000277/2004-75
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2006
Ementa: DCTF 3°TRIMESTRE 2002. NORMAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Estando prevista na legislação em vigor a prestação de informações aos órgãos da Secretaria da Receita Federal e verificando o não cumprimento dessa obrigação acessória nos prazos fixados pela legislação é cabível a multa pelo atraso na entrega da DCTF. Nos termos da Lei nº 10.426 de 24 de abril de 2002 foi aplicada retroatividade mais benigna para o recorrente.
Numero da decisão: 303-33.940
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Sílvio Marcos Barcelos Fiúza
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Recorrida : DRERIBEIRÃO PRETO/SP DCTF 3 0 TRIMESTRE 2002. NORMAS DO PROCESSO ADMINIS TRATIVO FISCAL. Estando prevista na legislação em vigor a prestação de informações aos órgãos da Secretaria da Receita Federal e verificando o não cumprimento dessa obrigação acessória nos prazos fixados pela legislação é cabível a multa pelo atraso na entrega da DCTF. Nos termos da Lei n° 10.426 de 24 de 4111 abril de 2002 foi aplicada retroatividade mais benigna para o recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ir ANE E DAUD PRIETO Presi• nte • SILVIO MAR( C BARCELOS FIÚZA Relator Formalizado em: 3Q JAN 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nanci Gama, Zenaldo Loibman, Marciel Eder Costa, Nilton Luiz Bartoli, Tarásio Campeio Borges e Sergio de Castro Neves. DM . . • • . Processo n° : 13854.000277/2004-75, Acórdão n° : 303-33.940 RELATÓRIO Trata o presente processo do auto de infração de fl. 02, para exigência de multa regulamentar, por atraso de entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do ano de 2001, na quantia de R$ 800,00. Cientificada do lançamento, o contribuinte ora recorrente apresentou a impugnação de fl. 01 alegando, em síntese, que a autuação carece de previsão legal e fere o princípio da espontaneidade. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para a DRJ em Ribeirão Preto para julgamento. 411 A DRF de Julgamento em Ribeirão Preto — SP, através do Acórdão N° 8.967 de 29 de agosto de 2005, julgou o lançamento como procedente em parte, nos termos que a seguir se transcreve, omitindo-se apenas algumas transcrições de textos legais: "Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço da impugnação. A autuada, embora não conteste a sua obrigatoriedade de apresentação da DCTF 2002, cabe analisar esta questão preliminarmente. O art. 3° da Instrução Normativa SRF n° 126, de 1998, assim dispõe (transcreveu). A multa mínima de R$ 200,00 por trimestre inativo, foi criada pela a • Instrução Normativa SRF n° 255, de 2002, transcrito. Da leitura dos mandamentos acima, resta evidente que a multa mínima de R$ 200,00, estabelecida pelo artigo 7°, § 3°, I, da IN SRF n° 255, de 2002 somente tem cabimento quando a contribuinte durante o ano passa da condição de ativa para a inatividade. Ou seja, é condição sino qua non para a aplicação da multa mínima de R$ 200,00 que a interessada — durante o respectivo ano — tenha tido em algum trimestre atividade operacional, não-operacional, financeira ou patrimonial. Infere-se também que não há situação dpossível para aplicação dessa penalidad/ no primeiro trimestre doano, bem como em todos os trimestres.7,..._ 2 • • a Processo n° : 13854.000277/2004-75 Acórdão n° : 303-33.940 Nos presentes autos constituiu-se para todos os trimestres de 2001 a penalidade mínima de R$ 200,00 para empresas inativas que, baseado nos entendimentos supra, concluo: Para o 1° Trimestre: A multa deve ser cancelada pela ausência da condição de atividade anterior no ano; Para o 2° e 4° Trimestres: A multa deve ser cancelada por erro no enquadramento legal, uma vez que, foi lançada multa de contribuinte inativo para um contribuinte que teve atividade durante o trimestre, conforme declaração de rendimentos do exercício de 2002, fls. 15 e 18. Para o 3° Trimestre: Atestamos as condições de aplicabilidade da multa, ou seja, atividade em trimestre anterior (2° Trimestre, fl. 15) • e inatividade no trimestre, fls. 16/17, portanto, resta analisar asrazões impugnativas que passo a fazer a continuação. Vale lembrar que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais foi criada pela Instrução Normativa (IN) SRF n° 126, de 1998, com base na Portaria MF n° 118, de 1984, que delegou ao Secretário da Receita Federal a competência original do Ministro da Fazenda, prevista no art. 5° do Decreto-Lei n° 2.124, de 1984, de eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal. Assim, a exigência da entrega da declaração está respaldada em decreto-lei, que tem força de lei. Cumpre assinalar que a multa por atraso na entrega da DCTF está prevista na legislação tributária, cujos dispositivos encontram-se arrolados no citado auto de infração, não podendo as autoridades administrativas deixar de observar o seu cumprimento, nada importando se no período em apreço tenha havido, ou não, fato gerador de tributo ou contribuição, a ensejar o cumprimento de obrigação principal pelo contribuinte, eis que o § 3° do art. 113 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), é cristalino ao dispor que "a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária". Ademais, dentre os dispositivos enumerados pelo auto de infração, figura o art. 7° da Medida Provisória n° 16, de 27 de dezembro de 2001, cuja redação é a seguinte (transcrito). Com efeito, o que a disposição legal supra prevê é que o contribuinte será intimado a apresentar a declaração, no caso a DCTF, que não tiver sido apresentada, ou, ainda, para prestar . , . ' Processo n° : 13854.000277/2004-75• Acórdão n° : 303-33.940 esclarecimentos alusivos às incorreções ou omissões, por ventura, contidas nas informações prestadas através da declaração já apresentada. Claro está, portanto, que nenhuma das hipóteses em que está prevista a intimação do contribuinte se refere ao caso da espécie, em que a DCTF foi entregue pelo sujeito passivo após o prazo regularmente fixado para a sua apresentação. Para estes casos o que releva é tão-somente a parte in fine do supracitado dispositivo, na qual está prevista a sujeição do contribuinte às multas pela entrega a destempo da declaração, cumprindo assinalar que, mesmo para os demais casos, referida intimação pode ser dispensada a critério da autoridade administrativa incumbida da revisão da DCTF apresentada, a teor do que dispõem os artigos 1° e 3° da IN SRF n° 94, de 24 de dezembro de 1997 (transcrito). Assim, a multa legalmente prevista para a entrega a fora do prazo 41 devido das DCTF é, portanto, plenamente exigível, conforme o enquadramento legal vigente à época. Sobre a questão da Instrução Normativa (IN) SRF n° 255, de 11 de dezembro de 2002, esclarecemos que a revogação de instruções normativas anteriores estabelecida por esta IN vale apenas a partir da sua vigência, permanecendo em vigor as instruções revogadas para os fatos e atos ocorridos durante as respectivas vigências, ressaltando que a aplicação retroativa só é aplicável quando mais benéfica ao interessado. Acerca do instituto da denúncia espontânea, previsto no CTN, art. 138, elucido que este se aplica somente ao pagamento do tributo, não se estende às obrigações acessórias autônomas, como o dever de prestar informações ao Fisco por meio de declarações. Para corroborar este entendimento, vale transcrever ementas de O decisões do STJ, nas quais é ressaltada a obrigatoriedade do pagamento de multa na hipótese de inobservância do prazo de entrega de declarações, como segue (Transcrito). Não obstante as razões de defesa, conclui-se que a empresa estava sujeita a apresentação de DCTF no 3° Trimestre do ano de 2002 e deixou de cumprir tal obrigação acessória prevista na legislação tributária, sujeitando-se à penalidade aplicada. Pelo exposto, VOTO pela procedência parcial do lançamento." Inconformado com essa decisão de primeira instancia, e legalmente intimado o autuado apresentou com a guarda do prazo as razões de seu recurso cvoluntário para este Conselho de Contribuintes, cr orme documento que repousa às 4 . , • • . Processo n° : 13854.000277/2004-75 Acórdão n° : 303-33.940 fls. 32 / 37, onde alega e mantém o que foi referenciado em seu primitivo arrazoado, ratificando o pedido contido na impugnação quanto a denúncia espontânea, e repisando quanto ao aspecto tido como ilegal dado a irretroatividade da lei tributária, cabendo apenas à aplicabilidade da lei vigente na época de ocorrência do fato gerador, ao final, requereu o total provimento sie recurso para cancelar a multa exigida. f É o Relatório. Ig li O 1111 5 • . e• • e Processo n° : 13854.000277/2004-75 Acórdão n° : 303-33.940 VOTO Conselheiro Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Relator O Recurso é tempestivo, pois a autuada foi intimada através da INTIMAÇÃO 711/2005 datada de 07.11.2005 às fls. 29/30 e AR cientificado em 10.11.2005 que se contém ás fls. 31, interpondo Recurso Voluntário com anexos (fls. 31 a 39), devidamente protocolado na repartição competente em 01/12/2005, se encontra dispensado de apresentar garantia recursal nos termos da IN / SRF n° 264/02 (valor inferior a R$ 2.500,00), estando revestido das demais formalidades legais para sua admissibilidade, e sendo matéria de apreciação no âmbito deste Terceiro Conselho de Contribuintes, portanto, dele tomo conhecimento. OAssim, o Auto de Infração objeto do processo em referência, tratou da apuração do que se denomina "Multa Regulamentar - Demais Infrações — DCTF", por ter a recorrente atrasado a entrega das Declarações de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, no período referente a todo o ano de 2002, entretanto, após julgamento de primeira instância, resultou na multa mínima referente apenas ao 3° trimestre / 2002, cujo prazo final para entrega era 14/11/2001, somente fazendo em 14/01/2004, deixando de cumprir uma obrigação acessória, instituída por legislação competente em vigor, já que apresentou movimento financeiro no trimestre imediatamente anterior, fazendo prova a DIPJ 2002, às fls. 15. A luz das documentações e informações acostadas aos autos do processo ora em debate, é de se concluir que evidentemente a recorrente não cumpriu com essa obrigação dentro do prazo legal estatuído. Na realidade, mesmo a entrega espontânea, fora do prazo legal estatuído, não se encontra abrigada no instituto do art. 138 do CTN, por não alcançar 111 as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas. Nesse sentido, existem julgados com entendimento de que os dispositivos mencionados não são incompatíveis com o preceituado no art. 138 do CTN. Também há decisões, e é o pensamento dominante da maioria desse Conselho de Contribuintes no mesmo sentido, que é devida a multa pela omissão ou atraso na entrega da Declaração de Contribuições Federais. Portanto, a multa legalmente prevista para a entrega a destempo das DCTF's é plenamente exigível, pois se trata de responsabilidade acessória autônoma não alcançada pelo art. 138 do CTN, e não pode ser argüido o beneficio da espontaneidade, quando existe critério legal para aplicabilidade da multa. Assim é que, no que respeita a instituição de obrigações acessórias é giipertinente o esclarecimento de que o art. 113, § 2° do C ' igo Tributário Nacional - 6 - . e . e ' - Processo n° : 13854.000277/2004-75 Acórdão n° : 303-33.940 CTN determina expressamente que: "a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas e negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos". E como a expressão: legislação tributária compreende Leis, Tratados, Decretos e Normas Complementares (art. 96 do CTN), são portanto, Normas Complementares das Leis, dos Tratados e dos Decretos, de acordo com o art. 100 do CTN, os Atos Normativos expedidos pelas autoridades administrativas. O posicionamento do STJ, corrobora essas assertivas, em decisão unânime de sua Primeira Turma, provendo o RE da Fazenda Nacional n° 246.9631PR (acórdão publicado em 05/06/2000 no Diário da Justiça da União — DJU —e): "Tributário. Denúncia espontânea. Entrega com atraso da declaração de contribuições e tributos federais — DCTF. 1. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente • formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a exigência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CNT. 3. Recurso provido." Também é digno de transcrição o seguinte trecho do voto do relator, Min José Delgado: "A extemporaneidade na entrega de declaração do tributo é considerada como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento do tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações • principais e acessórias àquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador do mesmo. A multa aplicada é em decorrência do poder de policia exercido pela administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte". Finalmente, a multa aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória, já foi a mais benigna, reduzindo-se ao i Mimo, ou seja R$ 200,00, 7 Processo n° : 13854.000277t2004-75 Acórdão n° : 303-33.940 conforme previsto no Art. 7 0, § 2°, Inciso I, da Lei N° 10.426 de 24 de Abril de 2002, portanto, aplicando-se a retroatividade mais benigna para o contribuinte recorrente. Dessa forma, não tem do que se falar em ilegalidade de irretroatividade da lei tributária, pois no caso em comento, sua aplicação beneficiou exclusivamente o contribuinte. Assim sendo, Voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como Voto. Sala das Sessões 07 de dezembro de 2006. • SILVIO MARCOS BA CEL S FItiZA - Relator • E Page 1 _0019400.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019600.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1 _0019800.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1 _0020000.PDF Page 1
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Numero do processo: 13884.000202/2002-75
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2006
Ementa: INDENIZAÇÃO DE HORAS EXTRAS TRABALHADAS - O valor relativo ao pagamento de horas extras trabalhadas constitui-se remuneração por trabalhos efetuados, mesmo sob denominação de "indenização”, encontrando-se no campo de incidência do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, tanto na fonte quanto na Declaração de Ajuste Anual, de acordo com artigo 3° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988.
Recurso negado.
Numero da decisão: 104-21.364
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Oscar Luiz Mendonça de Aguiar
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Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SEBASTIÃO DIMAS DE SOUZA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. IAJWIA—WIC:eNtS4Q:A%&659d PRESIDENTE 2pé .e..0.41. AR LUIZ M D ÇA DE AGUIAR ELATOR FORMALIZADO EM: 4 MAR 2306 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 13884.000202/2002-75 Acórdão n2. : 104-21.364 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, MEIGAN SACK RODRIGUES, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO e REMIS ALMEIDA ESTOL. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 13884.000202/2002-75 Acórdão n2. : 104-21.364 Recurso n2. : 148.104 Recorrente : SEBASTIÃO DIMAS DE SOUZA RELATÓRIO Contra o contribuinte, já identificado nos autos, foi lavrado auto de infração, sob a acusação de omissão de rendimentos do trabalho com vínculos empregatício, percebidos de pessoa jurídica no ano-calendário de 1996, exercício de 1997, no valor de R$ 6.940,42. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 25/02/2002, fls. 44, o contribuinte apresentou impugnação em 26/02/2002, fls. 45/47, onde alega, em síntese, que: a) o valor supostamente omitido refere-se a indenização paga pela empregadora e homologada pela Justiça do Trabalho a título de horas trabalhadas (IHT) no período de 1998 a 1990. Na verdade, o pagamento de tal valor é uma compensação, um ressarcimento (indenização) por parte da empresa pela não implantação obrigatória da quinta turma de trabalho a tempo, e também por absoluta necessidade do serviço naquele período, substituindo por uma compensação pecuniária as folgas que foram geradas e não gozadas pelo requerente-contribuinte naquela época; b) tecnicamente, a referida indenização recebida pelo requerente- contribuinte referente às horas trabalhadas, por necessidade da empresa no período de 1988 a 1990, não constitui salário ou vencimento. Também C. IS 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 13884.000202/2002-75 Acórdão nQ. : 104-21.364 constitui acréscimo patrimonial a transformação daquelas horas trabalhadas em pecúnia, visto que buscou-se reparar com a referida indenização o dano sofrido pelo empregado pelo fato de não poder usufruir de suas legítimas folgas geradas naquele período de dois anos; c) a indenização em tela é legalmente considerada rendimento isento e não tributável, conforme entendimento dos nossos Tribunais Federal e Superior de Justiça. Analisando a impugnação apresentada, a 1 Q Turma da DRJ/Fortaleza-CE decidiu por manter o lançamento (fls. 7.3/77), em síntese, sob os seguintes argumentos: a) "O imposto em questão, incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. O termo 'proventos de qualquer natureza' é fórmula ampla da qual lançou mão o legislador para evitar controvérsias sobre o conceito de renda". b) "No caso do pagamento de diferença de horas extras, (Indenização de horas trabalhadas', como designado pela fonte pagadora), houve, efetivamente, uma aquisição de disponibilidade econômica por parte do beneficiário, como a qual seu patrimônio foi acrescido". Quanto à natureza, verifica-se que, no caso, trata-se de rendimentos oriundos do produto do trabalho, referentes à remuneração de horas trabalhadas além da jornada prevista constitucionalmente e paga em data posterior pagas em data posterior pagas em data posterior pagas em data posterior, figurando, portanto, no campo da incidência do imposto de renda. Assim, de acordo com o art. 32, § 42, transcrito, irrelevante é o fato de a fonte pagador ter 4 \ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n9. : 13884.000202/2002-75 Acórdão n9 . : 104-21.364 denominado as horas extras pagas como 'indenização de horas trabalhadas'"; c) é pacifica a jurisprudência administrativa acerca da questão, merecendo destaque as ementas dos acórdãos 104-17608, de 13 de setembro de 2000, 106-11259, de 14 de abril de 2000 e 102-44183, de 17 de maio de 2000, todos do Primeiro Conselho de Contribuintes. Intimado da decisão supra em 04/08/2005 (f Is. 82), o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário (f Is. 83/93), reiterando os argumentos trazidos na Impugnação de fls. 45/47, e mais, que: 1) o recorrente é funcionário da PETROBRÁS e trabalhava no regime de revezamento e sobreaviso durante quatorze dias seguidos, folgando nos quatorze dias seguintes. Com a promulgação da Constituição de 1988, deu- se a redução da jornada de trabalho dos que desempenhavam atividades em regime ininterrupto de revezamento e, contudo, o recorrente continuou com a mesma jornada de trabalho, passando, assim, a ter direito ao recebimento das horas extras trabalhadas que não foram pagas; 2) Tal situação persistiu até o ano de 1994, quando foi firmado acordo coletivo determinando-se a redução do horário de trabalho e o pagamento estimado dos valores estimados das horas extras como indenização em razão da modificação da jornada de trabalho; 3) quando da declaração do IR, no ano de 1997, referente ao ano-base 1996, o recorrente não se ateve ao fato de que a verba recebida era indenizatória, uma vez que as horas efetivamente trabalhadas já haviam sido tributadas na fonte quando do pagamento dos salários mensais. Assim, 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 13884.000202/2002-75 Acórdão n2. : 104-21.364 apresentou declaração retificadora, visando a restituição devida, tendo obtido o pagamento da referida restituição sem qualquer contestação, sendo, posteriormente, intimado para que efetuasse a devolução do citado valor com os acréscimos legais; 4) no caso em tela, restou demonstrado que o recorrente exercia jornada de trabalho em regime de revezamento e sobreaviso durante quatorze dias seguidos, folgando os quatorze dias seguintes, tratando-se portanto de horas extras ilegais, razão pela qual foi o mesmo indenizado pelas horas trabalhadas indevida e ilegalmente; 5) o Poder Judiciário já teve a oportunidade de apreciar a questão em tela, tendo decidido pela não incidência do IR, conforme acórdãos transcritos às fls. 87/90. Por outro lado, o valor recebido pelo recorrente não correspondeu ao valor comprovadamente apurado pelas horas extras trabalhadas e sim um "quantum" determinado, pago literalmente como uma "indenização", tendo em visa que as horas extras laboradas não foram devidamente pagas e a jornada de trabalho ter sido reduzida. Se houve omissão ou má fé na prestação das informações, foi por parte da fonte pagadora que induziu o recorrente a erro; 6) quanto aos juros aplicados, calculados pela taxa SELIC, os mesmos não podem prosperar, já tendo, inclusive, a 22 Turma do Egrégio Superior Tribunal de Justiça decidido que a natureza jurídica de direito privado que tem a SELIC não se coaduna com a natureza pública que é marcante e característica de toda e qualquer exação fiscal. Por outro lado, os juros de mora, na eventual hipótese de não acolhimento das razões suscitas , 6 -dg MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 13884.000202/2002-75 Acórdão n2. : 104-21.364 devem ser calculados a partir da data do efetivo recebimento dos valores pelo Recorrente, qual seja, após a apresentação de declaração retificadora; 7) quanto à multa, esta também é indevida, tendo em vista que a restituição não foi fruto de qualquer manobra manipulada pelo contribuinte, mas simplesmente requerida perante a SRF, que deferiu seu pedido. Em outras palavras, o contribuinte nada mais fez do que demonstrar sua realidade, sem sonegar qualquer informação ao Fisco. Assim, não tendo o recorrente agido de má fé, deve a multa ser cancelada, ou, se este não for o entendimento deste Conselho, que seja imputada à Petrobrás qualquer obrigatoriedade pelo pagamento de imposto devido, uma vez que as informações prestadas ao Recorrente e à Receita Federal são divergentes na sua forma e na origem. É o Relatório 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 13884.000202/2002-75 Acórdão n : 104-21.364 VOTO Conselheiro OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Pretende o recorrente a declaração de improcedência do auto de infração de que cuida o Processo Administrativo n 2 13884.000202/2002-75, sob a alegação de não- incidência do imposto em tela, vez que tem por indenizatória as verbas por ele percebidas em razão de horas excedentes de trabalho, no período compreendido entre 1988 e 1990. Não assiste razão ao recorrente. Com efeito, as quantias recebidas pelo recorrente têm evidente caráter remuneratório. Senão vejamos. O artigo 43 do Código Tributário Nacional, em consonância com o que dispõe o art. 153, § 22, da Constituição Federal, define o fato gerador do imposto de renda: "Art. 43. O imposto de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem c•mo fato gerador à aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica":3/4 I n • 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 13884.000202/2002-75 Acórdão n2. : 104-21.364 I — de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação entre ambos; II — de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. O recorrente foi autuado pela classificação indevida, na Declaração Anual de Ajuste, como isentos ou não tributáveis, de rendimentos recebidos da PETROBRÁS a título de "Indenização de Horas Trabalhadas — iHr, o que gerou o não recolhimento do imposto devido. O texto legal transcrito denota claramente o propósito do legislador em tributar os rendimentos que representem acréscimos patrimoniais ao contribuinte. Por essa razão, às verbas percebidas pelo recorrente, em virtude das horas excedentes de trabalho, revela-se como critério material idôneo a ser tributado através de IR. Segundo Misabel Derzi, tenda é, necessariamente, a livre disposição da parcela acrescida da riqueza, do excedente do que pode dispor alguém, pressupondo os gastos necessá dos para produzi-lo e mantê-lo. Está, portanto, integrada de sucessivos atos no tempo, afetada — de forma inafastável - pela idéia de período de tempo, mesmo que, dentro desse período de tempo, considerem-se tributáveis certos rendimentos eventuais, cuja fonte são permanente." Entende-se, destarte, que renda consiste em excedente, produto, fluxo ou acréscimo patrimonial. Tal conceito, de acordo com os preceitos legais e constitucional e abraçado pela melhor doutrina e jurisprudência, compreende, indubitavelmente, a verba remuneratória denominada de "Indenização por Horas de Trabalho — Hr, sobre a qual os dignos autuantes, com correção, fizeram incidir o Imposto sobre a Rendai 411 ri!' - 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n9. : 13884.000202/2002-75 Acórdão n9. : 104-21.364 Dessa forma, há de se concluir que apenas as indenizações recebidas em decorrência de despesas incorridas escapam ao alcance da tributação pelo Imposto sobre a Renda. Nas condições em que foram recebidas, tais verbas assumem inequívocos contornos remuneratórios. Com efeito, trouxeram acréscimos patrimoniais para o recorrente, ajustando-se perfeitamente à descrição do art. 43 do CTN. Ora, não se pode considerar como indenização o ingresso que representa uma evidente mais valia, agregando riqueza ao patrimônio individual preexistente, modificando a situação patrimonial anterior. Em verdade busca-se fugir à tributação, disfarçando parcelas nitidamente retributivas de um trabalho executado, embora em período excedente ao estabelecido. Tal conduta é repudiada pela legislação vigente, conforme parágrafo 3 9 do art. 39, da Lei 7.713/88, que nesses termos preceitua: "A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção da rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma ou a qualquer título". A jurisprudência administrativa é uníssona no sentido de que sobre essas verbas incide o Imposto sobre a Renda, conforme ementas a seguir transcritas, todos do Primeiro Conselho de Contribuintes: "IRPF - INDENIZAÇÃO DE HORAS EXTRAS TRABALHADAS - NATUREZA JURÍDICA - As parcelas percebidas a título de "Indenização de horas extras trabalhadas", embora assim denominadas pela fonte pagadora, configuram- se valores adicionais de horas extras, que constituem efetivamente contraprestação da atividade laborai, e não contraprestação por um dano sofrido a configurá-lo como indenização. (Acórdão 102-45661). IRPF - INDENIZAÇÃO DE HORAS EXTRAS TRABALHADAS - NATUREZA JURíDICA - As parcelas percebidas a título de - Indenização de Horas Extras Trabalhadas -, em que pese a nomenclatura utilizada pelaf • e to k RI ‘ • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo ng. : 13884.000202/2002-75 Acórdão n Q . : 104-21.364 pagadora, configuram-se valores adicionais de horas extras, que constituem efetivamente contraprestação da atividade laborai, e não contraprestação por um dano sofrido a configurá-lo como indenização. (Acórdão 102-45207). IRPF - Ex. 1996 - INDENIZAÇÃO DE HORAS EXTRAS TRABALHADAS - O valor relativo ao pagamento de horas extras trabalhadas constitui-se remuneração por trabalhos efetuados, mesmo sob denominação de "indenização de horas extras trabalhadas". Encontra-se no campo de incidência do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, tanto na fonte quanto na Declaração de Ajuste Anual, de acordo com artigo 30 da Lei n°7.713, de 22 de dezembro de 1988. (Acórdão 102-45287)." Corroborando a tese aqui defendida, seguem algumas decisões judiciais que caminham no sentido da incidência tributária sobre as verbas em comento: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE HORAS- EXTRAS. LEGALIDADE. 1. Não há óbice legal à incidência de imposto de renda sobre as importâncias recebidas como horas-extras, dado o seu caráter remuneratório (Lei 7.713/88 - art. 62, V). Precedentes. 2. Apelação improvida. (TRF - PRIMEIRA REGIÃO AC - APELAÇÃO CIVEL 199901001035254 UF: BA ÓRGÃO JULGADOR: SEGUNDA TURMA SUPLEMENTAR DATA DJ: 04/09/2003). PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. HORAS-EXTRAS. IMPOSTO DE RENDA .INCIDÊNCIA. 1. Os valores recebidos a título de horas-extras têm natureza de remuneração, correspondendo à contraprestação salarial pelo cumprimento de trabalho extraordinário, razão pela qual, constituindo produto de trabalho, representa acréscimo patrimonial, estando sujeitos à incidência do Imposto de Renda. Precedentes deste Tribunal Regional Federal. 2.Apelação improvida. (TRF - PRIMEIRA REGIÃO AC - APELAÇÃO CIVEL 200001000446828 UF: BA ÓRGÃO JULGADOR: QUARTA TURMA DJ DATA: 18/06/2003)." Quanto à alegada impropriedade da aplicação da SELIC, temos a dizer que ta referida taxa tem previsão legal, pelo que, enquanto não for declarada inconstitucion4 iu - 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 13884.000202/2002-75 Acórdão n2 . : 104-21.364 revogada por outra de igual ou superior hierarquia, deve ser aplicada pela autoridade administrativa tributária. No que tange à aplicação da multa, esta é conseqüência do comprovado cometimento da infração tributária em epígrafe, devendo, pois, ser aplicada. Diante do exposto e do que mais constar dos autos, voto no sentido de conhecer do recurso e negar-lhe provimento, mantendo incólume a decisão "a quo", que julgou procedente o auto de infração impugnado. Sala das Sessões - DF, em 26 de janeiro de 2006 —5c., SCAR LUIZ MEDN f NÇA DE AGUIAR 12 Page 1 _0011000.PDF Page 1 _0011100.PDF Page 1 _0011200.PDF Page 1 _0011300.PDF Page 1 _0011400.PDF Page 1 _0011500.PDF Page 1 _0011600.PDF Page 1 _0011700.PDF Page 1 _0011800.PDF Page 1 _0011900.PDF Page 1 _0012000.PDF Page 1
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Numero do processo: 13883.000314/2001-55
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2005
Ementa: COFINS. ISENÇÃO. SOCIEDADES CIVIS DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada deixaram de ser isentas da Contribuição para a Seguridade Social – Cofins a partir de abril de 1997, conforme disposto no art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. As instâncias administrativas não têm competência para apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. Recurso provido em parte .
Numero da decisão: 202-16470
Decisão: Por maioria de votos, deu-se provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, que davam provimento integral. Ausente o Conselheiro Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Antonio Zomer
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Recorrida : DRJ em Campinas - SP COFINS. ISENÇÃO. SOCIEDADES CIVIS DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada MINISTÉRIO DA FAZENDA deixaram de ser isentas da Contribuição para a Seguridade Segundo Conseiho de Contribuintes Social — Cofins a partir de abril de 1997, conforme disposto no CONFERE COM O 9,RIGIN211 art. 56 da Lei n2 9.430, de 1996. BresIlle-DF. em bar0 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ALEGAÇÃO DE • euza Takajuji INCONSTITUCIONALIDADE. Se:reféns da Segunda Chama As instâncias administrativas não têm competência para apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ODONTO CENTER ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA S/C LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, que davam provimento integral. Sala d essàes, em 7 de julho de 2005. 417, °aio Carlos Maura Presidente 44' • o o Zo • Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro e Maria Cristina Roza da Costa. Ausente o Conselheiro Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski. 1 • MINISTÉRIO DA FAZENDA , Segundo Conselho de ConInbuintes 22 CC-MFf", Ministério da Fazenda CONFERE COM O (11BIGIL n. , Segundo Conselho de Contribuintes Brasília-DF. em a / DL, Processo nt : 13883.000314/2001-55 46-aláttjuji ~Mins cle Segunda Cámane Recurso n9 : 124.474 Acórdão n't : 202-16.470 Recorrente : ODONTO CENTER ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA S/C LTDA. RELATÓRIO Trata o presente processo de pedido de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins relativa aos fatos geradores ocorridos entre fevereiro de 1997 e agosto de 2001, sob a alegação de ter havido pagamento indevido, de vez que a requerente, sendo sociedade civil, estaria isenta da referida contribuição, nos termos art. 62, II, da Lei Complementar n2 70/91. A Delegacia da Receita Federal em Taubaté — SP indeferiu o pedido (fls. 137/139), sob a fundamentação de que, para o período de abril de 1997 a agosto de 2001, com o advento da Lei n2 9.430, de 1996, as sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada ficaram obrigadas a contribuir para a seguridade social, e que não cabe à autoridade administrativa manifestar-se sobre inconstitucionalidade de lei. Acrescenta, quanto ao mês de fevereiro de 1997, que a Coordenação do Sistema de Tributação (Cosit) já firmou o entendimento de que a sociedade civil que optar pelo regime de tributação de lucro real ou presumido, na forma da Lei n2 8.541, de 1992, é sujeito passivo da Cofins. Cientificada da decisão, a contribuinte, dentro do prazo legal, apresentou manifestação i de inconformidade, requerendo que seja reconhecido o seu direito à restituição e compensação, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: . - a Lei Complementar 70, de 1991, isentou, da contribuição à Cofins, as • sociedades civis prestadoras de serviços profissionais relativos ao exercício de • profissão legalmente regulamentada; - as alterações promovidas pelo art. 56 da Lei ri 2 9.430, de 1996, fere frontalmente o princípio da hierarquia das leis, pois lei de natureza ordinária não tem força constitucional para alterar ou revogar lei complementar. Nesse sentido, cita decisões do Superior Tribunal de Justiça; - o Superior Tribunal de Justiça e o Conselho de Contribuintes já decidiram que a isenção da Cofins, concedida pela LC n 2 70/91 às sociedades civis prestadoras de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, independe do regime de tributação adotado para o Imposto de Renda. A Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Campinas - SP manteve o indeferimento em Acórdão assim ementado: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1997 a 31/08/2001 Ementa: RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. ' As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA 4P Segundo Conselho de Contribuintes CC-MFMinistério da Fazenda CONFERE COMO ORIGINAL t"fr Segundo Conselho de Contribuintes Brasília-DF, em 20 1_1J~ 11. Processo III : 13883.000314/2001-55 eu za ~tina da Segunda Cirnam Recurso TO : 124.474 Acórdão n9 I : 202-16.470 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/1997 a 31/03/1997 Ementa: RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. SOCIEDADE CIVIL. OPTANTE PELO LUCRO REAL OU PRESUMIDO. COFINS. Consoante Parecer Normativo Cosit 3/94, a sociedade civil que opta pela tributação pelo lucro real ou presumido é sujeito passivo da Cofins. Solicitação Indeferida". Em seu recurso, a empresa, garantindo que seu pleito encontra amparo na jurisprudência administrativa e judicial que apresenta, reedita os argumentos apresentados à DRJ, enriquecidos agora com dezenas de decisões do STJ, todas no sentido de que as sociedades civis de prestação de serviços relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada continuam isentas da Cofins, mesmo após a edição da Lei n 2 9.430/96. Por fim, requer o reconhecimento da isenção e a restituição/compensação dos valores indevidamente pagos a título de Cofins. E o relatório. 3 MINISTÉR IO DA FAZENDA.4+4 ° Ministério da Fazenda Fl. ”..:*" Segundo Conselho de Contribuintes Sceog uNndF oE CC-MFRC oEn roi n ema oe Coo; 2t Gib ui Ni n At e Ls Brasilia-DF. em to Zoar Processo 212 : 13883.000314/2001-55 Recurso 112 : 124.474 amar Acórdão n0 : 202-16.470 swelé.w. VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTONIO ZOMER O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais para ser admitido, pelo que dele conheço. A recorrente entende ser isenta do recolhimento da Cofins, por força do art. 6°, II, da Lei Complementar n2 70, de 1991, c/c Decreto-Lei n 2 2.397, de 1987, taxando de inconstitucionais as alterações procedidas pela Lei n2 9.430, de 1996, no regime de tributação das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada. O inciso II do art. 62 da Lei Complementar n2 70, de 1991, prescreveu que: "Art. 60 São isentas da contribuição: - as sociedades civis de que trata o art. I° do Decreto-Lei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987;" -A Lei n2 9.430, de 1996, nos arts. 55 e 66, assim dispôs: "Art. 55. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada de que trata o artigo 1° do Decreto-Lei n. 2.397(11), de 21 de dezembro de 1987, passam, em relação aos resultados auferidos a partir de I° de janeiro de 1997, a ser tributadas pelo Imposto sobre a Renda de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Art. 56. As sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada passam a contribuir para a seguridade social com base na receita bruta da prestação de serviços, observadas as normas da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991. Parágrafo único. Para efeito da incidência da contribuição de que trata este artigo, serão consideradas as receitas auferidas a partir do mês de abril de 1997." Além de alterar a forma de tributação das sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, igualando-as às demais pessoas jurídicas, o art. 88 da Lei n2 9.430/96 revogou os dispositivos que regulamentavam a constituição dessas sociedades, nos seguintes tentos: "Art. 88. Revogam-se: XIV- os artigos 1°e 2° do Decreto-Lei n. 2.397, de 21 de dezembro de 1987;" Como se vê, com a edição da Lei n2 9.430, de 1996, restaram revogadas, expressa ou tacitamente, as disposições que previam a isenção da Cofins para as sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, constituídas na forma do Decreto- Lei n2 2.397, de 1987. A impugnante questiona a constitucionalidade dessas alterações, principalmente em razão da suposta violação ao princípio da hierarquia das leis. Entretanto, os mecanismos de controle da constitucionalidade das leis estão regulados na própria Constituição Federal, todos passando necessariamente pelo Poder Judiciário, que detém com exclusividade essa prerrogativa. As instâncias administrativas de decisão não é dado negar aplicação a dispositivos de Lei ou Decreto por entendê-los inconstitucionais. J‘• 4 MINISTÉRIO DA FAZENDAáf a Segundo Conselho de Contribuintes 2íz CC-MF r, Ministério da Fazenda CONFERE COMO 0,1GINAL Fl. .n••' 't Segundo Conselho de Contribuintes Bresllis-DF. em lo 1 '7 ligar Processo n' : 13883.000314/2001-55 atlçafuji Recurso rt2 : 124.474 Secretária da Segunda Camara Acórdão n" : 202-16.470 Neste sentido posiciona-se a jurisprudência administrativa, bastando aqui citar o Acórdão n°202-15.431, de 16/02/2004, cuja ementa tem o seguinte teor: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITU- CIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente." Com relação aos inúmeros julgados do STJ apresentados pela recorrente, convém aqui anotar que o STF vem acatando os recursos da União que pretendem desconstituir tais decisões do STJ, entendendo que a questão da revogação ou não da isenção concedida pela LC rt- 70/91 às sociedades civis de prestação de serviços relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, pela Lei n2 9.430/96, é de cunho constitucional, estando dentro de sua órbita de competência, como se pode ver nas ementas abaixo transcritas: Rcl 2620 MC / RS Medida Cautelar na Reclamação. Min. Joaquim Barbosa. DJ de 07/06/2004: "DECISÃO: Trata-se de reclamação proposta pela União em face de decisão, proferida pela Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, que concedeu isenção da Cofins à sociedade civil prestadora de serviços. No caso em apreço, o Superior Tribunal de Justiça teria fundamentado sua decisão no pressuposto de que lei complementar somente pode ser revogada por outra lei complementar. Isso levaria à conclusão de que o art. 56 da Lei ordinária 9.430/1996 não poderia ter revogado a norma de isenção do art. 6°, II, da Lei Complementar 70/1991. Portanto, estaria o STJ desconsiderando o efeito vinculante da ADC 1, em que se teria decidido que a Lei Complementar 70/1991 não é uma lei materialmente complementar, mas, sim, ordinária, podendo ser modificada por lei ordinária posterior. Sustenta a União que o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar questão de índole manifestamente constitucional, teria incorrido em usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal, uma vez que "somente através da interpretação da Constituição Federal pode se extrair a existência, ou não, de tal principio [principio da hierarquia das leis], para que se possa concluir se lei ordinária pode, ou não pode, revogar lei complementar que não é materialmente desta natureza, como ocorre no caso vertente". Por fim, pede-se a concessão de medida liminar para cassar ou suspender a eficácia da decisão reclamada. Informações prestadas a fls. 203- 205. É o relatório. Decido. Ressalto, inicialmente, que estamos diante de reclamação em que se alega usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal, hipótese diversa da Rcl 2.517, de minha relatoria, anteriormente proposta pela União sobre o mesmo tema, mas que versava sobre garantia da autoridade de decisão desta Corte. In can:, entendo presentes os requisitos autorizadores da concessão da medida acauteladora, tendo em vista a relevância da questão constitucional em exame bem como os prejuízos à União decorrentes da decisão reclamada. Desse modo, defiro a liminar para suspender a eficácia da decisão do Superior Tribunal de Justiça até o julgamento final da presente reclamação." (Grifei) Na mesma linha, decidiu o Ministro Eros Grau, ao apreciar o Agravo Regimental apresentado no Agravo de Instrumento n 9 AI 502743-8 / RS, DJ de 14/12/200, p. 00031: "DECISÃO: Trata-se de agravo regimental contra decisão proferida pelo eminente Ministro Nelson Jobim, que negou seguimento ao agravo de instrumento por entender que a matéria suscitada no recurso extraordinário não foi debatida no acórdão recorrido e que a controvérsia envolve questão infraconstitucional, o que não é permitido emj. 5 • MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes 2° CC-MF Ministério da Fazenda rÇc CONFERE COM _O ORIGINAL_ Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Bratilia-DF. em ar, 1 124> Processo : 13883.000314/2001-55 Recurso n' : 124.474 seer#ketemuarcua segunktier; rucilimn Acórdão is9 : 202-16.470 recurso extraordinário. 2. A controvérsia gira em torno da alegação da agravada de que isenção tributária concedida por lei complementar não pode ser revogada por lei ordinária, tendo em vista a superioridade hierárquica daquela sobre esta. No caso concreto, observa-se que a Lei Complementar 70/91 concedeu, às sociedades civis, isenção do pagamento da COFINS. A Lei federal 9.430/96, por sua vez, revogou o • beneficio, circunstância que violaria o princípio da hierarquia das leis. 3. Afirma, • também, que a matéria tratada limita-se à discussão sobre aplicação de normas federais divergentes, cuja competência de apreciação é exclusiva do STJ e que a superior hierarquia de lei complementar em face de lei ordinária não é dada somente por sua materialidade, mas pela sua forma (fl. 246 a 251). 3. Por outro lado, a agravante aduz ser idônea a revogação da primeira lei mencionada pela superveniência do preceito normativo insculpido na segunda, tendo em vista que a LC 70/91, embora dita "complementar", seria materialmente ordinária. Daí não se falar em afronta ao princípio da hierarquia das leis, haja vista que ambas as normas envolvidas na espécie fática possuiria o mesmo status legal. Ao contrário, sustenta que, prevalecendo o entendimento de que a Lei Complementar 70/91 é, de fato, materialmente complementar, a Constituição do Brasil estaria sendo frontalmente violada nos artigos 146, 150, § 6 0 e 195, inciso 1 4. Em síntese, considerando-se que a LC 70/91 é materialmente complementar não seria idôneo revogar-se-lhe pela Lei 9.430/96, por ser esta ordinária; se aquela for materialmente ordinária, a superveniência desta a revoga. 5. O STJ adotou a tese da agravada, por vislumbrar que a revogação da LC 70/91 só poderia ter sido veiculada por outra lei complementar (fi. 204). 5. É o breve relatório. 6. O STF decidiu, ao analisar a Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 1/DF, Moreira Alves, D.1 de 16/06/95, que a LC n • 70/91, é materialmente ordinária, tendo em vista que a regência da COFINS, cujo preceito constitucional é o art. 195, 1, b, da CF/88, prescinde de legislação complementar, porque não se trata de matéria reservada expressamente pelo Texto Maior. Nesse contexto, vale lembrar os termos do voto do eminente Relator: A jurisprudência desta Corte, sob o império da Emenda Constitucional n e 1/69 - e a Constituição atual não alterou este sistema -, se firmou no sentido de que só se exige lei complementar para as matérias para cuja disciplina a Constituição expressamente faz tal exigência, e, se porventura a matéria, disciplinada por lei cujo processo legislativo observado tenha sido o da lei complementar, não seja daquelas para que a Carta Magna exige essa modalidade legislativa, os dispositivos que tratam dela se têm como dispositivos de lei ordinária. Ante o exposto, torno sem efeito a decisão anterior, dou seguimento ao presente agravo e determino a subida do recurso extraordinário, para melhor exame da matéria. Publique-se. Brasília, 24 de novembro de 2004. " (Grifei). Os Acórdãos do Segundo Conselho de Contribuintes, citados no recurso voluntário referem-se ao período anterior à edição da Lei n2 9.430/96. A jurisprudência mais recente deste Colegiado é no sentido de que a isenção das sociedades civis mencionadas no art. 1 2 do DL n2 2.397/87 foi revogada pelo art. 56 da Lei n2 9.430/96, valendo aqui transcrever, a titulo de exemplo, a ementa do Acórdão n 2 201-77.846, de 15 de setembro de 2004, gravada nos seguintes termos: "COFINS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo para pleitear restituição de pagamentos a maior ou indevidos expira-se após contados cinco anos destes pagamentos. SOCIEDADES CIVIS. Até março de 1997, as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada que tiveram registro civil das pessoas jurídicas e foram constituídas por pessoas fisicas 6 e • MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes CC-MF"Ctr: Ministério da Fazenda CONFERE COMO OBIGINAL_ Fl. vfr-T.,.: 4 Segundo Conselho de Contribuintes Brasilie-DE em ai zeva tb-> Processo n2 : 13883.000314/2001-55 euz a afiei Recurso g : 124.474 Secretária da &aguada Cirnam Acórdão n9 202-16.470 domiciliadas no país eram isentas da Cofins, sendo irrelevante o regime tributário adotado. Aplicação da Súmula te 276 do STJ. Recurso provido em parte." • Diante do exposto, é de se concluir que a isenção da Cofins para as sociedades civis de prestação de serviços de natureza legalmente regulamentada vigorou até março de 1997, e somente para aquelas sociedades constituídas nos moldes preconizados pelo Decreto-Lei n2 2.397/87. Desta forma, a recorrente tem direito à restituição/compensação das parcelas relativas a fatos geradores ocorridos anteriormente a abril de 1997, posto que a Lei Complementar n2 70/91, ao atribuir a isenção da Cofins às sociedades civis de que trata o art. 12 do Decreto-Lei n2 2.397, de 21 de dezembro de 1.987, não a vinculou à forma de apuração do Imposto de Renda, estabelecendo apenas as seguintes condições para o gozo do beneficio fiscal: 1 — ter como objetivo a prestação de serviços profissionais relativos ao exercício • de profissão legalmente regulamentada; 2 — ser registrada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas; e 3 — ser constituída por pessoas fisicas domiciliadas no País. Não se pode, pois, depreender que a opção pela forma de tributação de que tratava o art. 22 da Lei n2 8.541/92 (real ou presumido) tenha o condão de afastar tal isenção. Somente com a edição da Lei n2 9.430/96, art. 56, é que se tem a revogação expressa da aludida isenção, cujos efeitos se operaram a partir de abril de 1997. Assim, evidenciado nos atos constitutivos da empresa, fls. 60/64, o registro no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, bem como que o objeto da sociedade é a prestação de serviços odontológicos e que os sócios são pessoas fisicas domiciliadas no Brasil, deve-se reconhecer a isenção da recorrente no período anterior à eficácia da Lei n 2 9.430/96. Contudo, tendo em vista os elementos constantes dos autos, a empresa faz jus à restituição somente da parcela paga em março de 1997, cujo DARF encontra-se à fl. 95. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer como passível de compensação tão-somente o pagamento efetuado por meio do DARF de fl 95. Sala das Sessões, em 7 de julho de 2005. 41 A - *NI° 5 ER 7 Page 1 _0012200.PDF Page 1 _0012300.PDF Page 1 _0012400.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1
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Numero do processo: 13847.000654/96-67
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 1999
Ementa: ITR - CONTRIBUIÇÃO SINDICAL DO EMPREGADOR - ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - Este Colegiado Administrativo não é competente para declarar inconstitucionalidade de lei tributária, competência exclusiva do Poder Judiciário. CNA - A Contribuição para a CNA não se confunde com as contribuições pagas a sindicatos, federações e confederações de livre associação, instituído pelo Decreto-Lei nr. 1.166/71, artigo 4, e artigo 580 da CLT, com redação dada pela Lei nr. 7.047/82, possuindo caráter tributário e compulsório. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-11088
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Hélvio Escovedo Barcellos
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O. U. Gbad 2.9- De A G /_ . 05 / 19 93 •! . C et - . C 5151A, MINISTÉRIO DA FAZENDA Rui:rica ':,./a77431' ..:580 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13847.000654196-67 Acórdão : 202-11.088 Sessão •. 28 de abril de 1999 Recurso : 107.800 Recorrente : NELSON REGIAM Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP 1TR - CONTRIBUIÇÃO SINDICAL DO EMPREGADOR — ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE — Este Colegiado Administrativo não é competente para declarar inconstitucionalidade de lei tributária, competência exclusiva do Poder Judiciário. CNA - A contribuição para a CNA não se confunde com as contribuições pagas a sindicatos, federações e confederações de livre associação, foi instituída pelo Decreto-Lei n° 1.166/71, artigo 4° e artigo 580 da CLT c/ redação dada pela Lei n° 7.047/82, possuindo caráter tributário e compulsório. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: NELSON REGI ANI. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao reclino. Sala das Sessi -s, em 28 de abril de 1999 -/ O , Maçcos yinicius Neder de Lima Práidente /I/ 0,2.1.2. . (-- . 1Helvio Etc() edo Ba cello9 Relatofy Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Tarásio Campelo Borges, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Roberto Domingo, Ricardo Leite Rodrigues e Oswaldo Tancredo de Oliveira. LDSS/MAS/FCL8 I G13 . iét/Ale v; MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES k:55)3,L3-éi4, Processo : 13847.000654/96-67 Acórdão : 202-11.088 Recurso : 107.800 Recorrente : NELSON REGIANI RELATÓRIO Nelson Regiani é notificado, às fls.06, a pagar o ITR196 e contribuições acessórias, referente ao imóvel rural de sua propriedade, denominado "Sítio Primavera", localizado no Município de Dracena - SP, com área total de 80,6 ha, cadastrado na Receita Federal sob o n° 0725312.5. Às fls. 01/05, o contribuinte impugna tempestivamente o lançamento da Contribuição à CNA, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da sua cobrança, face ao preceito de que ninguém será obrigado a filiattse • ou manter-se filiado a sindicato, e ninguém poderá ser compelido a associar-se ou permanecer associado, previsto na Constituição Federal de 1988. Ao final de sua impugnação, solicita o cancelamento da exigência tributária, citando julgados de tribunais superiores. Fundamenta seu pleito no art. 5°, inciso XX, no art. 8°, inciso V e no art. 145, inciso II, todos da Constituição Federal de 1998. A Autoridade Monocrática, às fls. 13/15, mantém, na integra, o lançamento em decisão assim ementada: "ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis. CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS. EXCLUSÃO. INAPLICABILIDADE. A contribuição confederativa, instituída pela Assembléia-geral - C.F., art. 8°, IV - distingue-se da contribuição sindical, instituída por lei, com caráter tributário - C. /, art. 149 - assim compulsória. CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS. EXCLUSÃO. INAPLICABILIDADE. Os lançamentos das contribuições sindicais, vinculados ao do 1772, não se confundem com as contribuições pagas a sindicatos federações e confederações de livre associação, e serão mantidos quando realizados de 2 CHI MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •• Processo : 13847.000654/96-67 Acórdão : 202-11.088 acordo com a declaração do contribuinte e com base na legislação de regência." Ciente da decisão de primeira instancia, o sujeito passivo interpõe, tempestivamente, ás fls. 22/27, Recurso Voluntário, dirigido a este Segundo Conselho de Contribuintes, onde reitera o argumento expendido na impugnação. É o relatório. 3 - — - GIL MINISTÉRIO DA FAZENDA ç1. 'r SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,,,4 • • 1/4)e~ Processo : 13847.000654/96-67 Acórdão : 202-11.088 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR HELVIO ESCOVEDO BARCELLOS O recurso goza de todos os requisitos necessários para o seu conhecimento. O recorrente se insurgiu contra o lançamento da Contribuição à CNA alegando a inconstitucionalidade da cobrança desse tributo, visto que a CF/88 dispõe que ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado, e que ninguém será obrigado a filiar-se ou manter-se filiado a sindicato (CF /88, art. 50 , XX, art. 8°, V). Este Colegiado entende que a instância administrativa não possui competência para apreciar inconstitucionalidade de legislação tributária. A competência para tal julgamento está exclusivamente reservada ao Poder Judiciário (CF/88, artigo 102, inciso I, letra "a"). Assim sendo, vejo que a decisão singular não merece reforma. A titulo de informação, cabe ressaltar que a contribuição em tela não se confunde com as contribuições pagas a sindicatos, federações e confederações de livre associação. Sua exigência está estabelecida por lei em sentido estrito (Decreto-Lei n° 1.166/71, artigo 4° e artigo 580 da CLT c/ redação dada pela Lei n° 7.047/82), possuindo caráter tributário e, dessa forma, compulsório. Diante do exposto, nego provimento ao recurso. Sala das sessões em 28 de ab de 1999 / HELVIO E CO DCY'13ARLOS 4
score : 1.0
Numero do processo: 13847.000028/2003-98
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2005
Ementa: IRPF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - Se o contribuinte não está sujeito à entrega da declaração de ajuste anual, não pode ser penalizado pelo fato de tê-la entregue com atraso.
Recurso provido.
Numero da decisão: 104-20.911
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: José Pereira do Nascimento
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Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por WALDOMIRO PAGNOZZI MAYO. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. tRAWI IEVA-A-e•OTTA CARDO O PRESIDENTE -,-(000-pirr-áA DO NA-CIMENTO RELATOR FORMALIZADO EM: 0. 3 SET 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, MEIGAN SACK RODRIGUES, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO, OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR e REMIS ALMEIDA ESTOL. • - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA , Processo n°. : 13847.000028/2003-98 Acórdão n°. : 104-20.911, • Recurso n°. : 141.333 Recorrente : WALDOMIRO PAGNOZZI MAY0 , RELATÓRIO O contribuinte acima referenciado foi notificado a recolher a importância de R$ 165,74, referente multa por atraso na entrega da DIRPF, relativo ao exercício de 2002, ano-calendário 2001, conforme notificação de lançamento de fl. 02. Apresenta impugnação de fl. 01, onde alega que não incorreu em dolo, pois cumpriu a obrigação acessória, fora de prazo, por desconhecer que ainda constava no quadro societário da empresa Xadrez Tênis Clube, pois apresentara renúncia ao cargo em e. 30/03/1993, conforme comprovante à fl. 04. n.., A 4a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo — SP, julga o lançamento procedente com base no inciso III, art. 1° da IN SRF n° 110, de 28/12/2001, pois como aponta a pesquisa de fls. 17 e 23, o interessado consta ainda no quadro societário da empresa em questão, no exercício de 2002:O simples comunicado à presidência daquela empresa, comunicando a sua renúncia ao cargo, não é suficiente para a necessária comprovação. . , Cientificado em 24/052004, apresenta em 15/06/04, recurso de fls. 34/35, onde junta aos autos a Ata de Reunião da Diretoria Executiva do Xadrez Tênis Clube de Dracena, datada de 07/04/93, devidamente registrado no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas de Dracena — SP em 14/04/93, onde consta o afastamento do recorrente do quadro societário aquela empresa. É o Relatório. . 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • QUARTA CÂMARA i Processo n°. : 13847.000028/2003-98 Acórdão n°. : 104-20.911 VOTO Conselheiro JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. - Trata-se de recurso proferido pelo contribuinte, contra decisão da 4 a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP — II, que manteve o lançamento fiscal que está a exigir-lhe o recolhimento de multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual, relativa ao exercício de 2002. Em suas razões defensórias, argumenta que não estava sujeito a apresentação da declaração de ajuste anual relativa ao exercício de 2002, ano calendário de 2001, por não ter auferido rendimentos suficientes. Que também não mais pertencia à Diretoria da empresa Xadrez Tênis Clube, uma vez que apresentara renuncia do cargo em 30.03.1993. A decisão de primeira instância .manteve a exigência, sob o argumento de que, muito embora tivesse alegado haver renunciado a Presidência da entidade, não comprovou o contribuinte o alegado através de documentação hábil. Por ocasião do recurso voluntário, contudo, o contribuinte traz à colação .,..(fis.36), cópia da Ata a Reunião da Diretoria Executiva do Xadrez Tênis Clube de Dracena, devidamente registra a junto ao Cartório do Registro Civil das Pessoas Jurídicas de t 3 -- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 13847.000028/2003-98 Acórdão n°. : 104-20.911 Dracena, conforme certificado às fls. 36 verso, onde está noticiada sua renúncia da diretoria daquela entidade, bem como a posse do seu sucessor, ocorridos no dia 07 de abril de 1993. Assim, se o contribuinte não auferiu rendimentos que o sujeitasse a apresentação da declaração anual, como também não participava na qualidade de titular, sócio ou diretor de pessoa jurídica que o obrigasse a tal, não estava ele obrigado à apresentação da declaração. Ora, se não estava obrigado à apresentação da declaração, não pode ser ele penalizado pela não entrega, ou mesmo pela entrega em atraso da mesma, já que não houve desrespeito ao contido no artigo 10 da IN SRF n°110, de 2001 e, portanto, não cabe a aplicação da multa prevista no art. 88 da Lei n° 8.981 de 1995. Diante do exposto, e por entender de justiça, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 11 agosto de 2005 40011111111". - _ - e — REIRA DO NAS IMENTO 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13847.000106/92-68
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 1998
Ementa: ITR/92 - PRECLUSÃO - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO - SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA - 1- O contribuinte não pode inovar seu pedido na instância ad quem. 2 - Não pode a segunda instância conhecer e decidir matéria que não foi posta ao conhecimento da instância inferior, sob pena de ferir o duplo grau de jurisdição e, com ele, o devido processo legal. Neste sentido, quanto ao prazo de vencimento do lançamento, refeito e encargos moratórios, deve a autoridade julgadora monocrática sobre eles manifestar-se, para então, se for o caso, retornarem os autos a este Colegiado. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 201-71986
Decisão: Por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso, para correção de instância.
Nome do relator: Jorge Freire
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Neste sentido, quanto ao prazo de vencimento do lançamento, refeito e encargos moratórios, deve a autoridade julgadora monocrática sobre eles manifestar-se, para então, se for o caso, retomarem os autos a este Colegiado. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto por: JOSÉ BENEDITO DA ROCHA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por supressão de instãncia. Sala das Sessões, em 19 de agosto de 1998 "00, Luiza Hele - a . ante de Moraes Presidenta Jorge Freire Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Valdemar Ludvig, Rogério gustavo Dreyer, Ana Neyle Olímpio Holanda, João Berjas (Suplente), Sérgio Gomes Vellosa e Geber Moreira Felb/mas-fclb MIINISTERIO DA FAZENDA É:2 SEGUNDO CONSOA° DE CONTRIBUINTES N:tí,:?¡ WT2,- Processo : 13847-000106/9248 Acórdão : 201-71.986 Recurso : 104.321 Recorrente: JOSÉ BENEDITO DA ROCHA RELATÓRIO Decisão do Delegado de Julgamento da Receita Federal em Ribeirão Preto - SP, julgou parcialmente procedente a impugnação, determinando que o lançamento do ITR/92 fosse refeito considerando o VTNm como CR$ 348,94 UFIR por hectare_ Refeito o referido lançamento (fls. 26), foi emitida nova notificação com data de emissão de 30/10196, porém com data de vencimento de 04/12/92. O contribuinte tomou ciência deste segundo lançamento em 10/02/96 (fls. 27). Em 09/01/97, apresenta petição postulando a exoneração dos encargos moratórios, conforme planilha de consolidação de débitos fiscais (fls. 28), e pedindo que a incidência da correção monetária inicie somente em 09/12/93, face ao fato de a autoridade monocrática ter considerado como VTNm o constante na IN/SRF 86/93. Anima sua postulação por entender que nunca esteve em mora com a Receita. Pede, também, redução de 50% do lançamento referente à área de preservação florestal. De fls. 43/44. Contra-Razões da Fazenda Nacional. E o relatório. 2 ' . . MIINISTERIO DA FAZENDA jtf#5:ZO. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13847-000106/9248 Acórdão : 201-71.986 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JORGE FREIRE Quanto à postulação referente à isenção de área de reserva florestal, a matéria está preclusa, pelo que não conheço do recurso. Não pode o contribuinte nesta esfera inovar seu pedido. As demais alegações calcam-se em fato posterior a decisão monocrática, mais precisamente na execução da mesma, portanto matéria não submetida ao conhecimento da instância julgadora a que. Questão semelhante, também referente a encargos moratórios, já foi posta ao conhecimento deste Colegiado no Recurso n° 100.565. O julgamento de tal recurso deu margem ao Acórdão n° 201-70.838, de 02 de julho de 1997, assim ementado: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRECLUSÃO - DUPLO GRAU DE JURISDICÃO - SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA - 1 - Matéria de direito não colocada ao conhecimento da autoridade julgadora administrativa a quo é preclusa, não podendo dela conhecer a instância julgadora ad quem. 2 - Ao revés, também não pode a segunda instância conhecer e decidir matéria que não foi posta ao conhecimento da instância inferior, sob pena de ferir o duplo grau de jurisdição e, com ele, o devido processo legal. Neste sentido, quanto aos encargos moratórios, deve o Delegado da Delegacia da Receita Federal sobre eles decidir, para então, se for o caso, retornarem os autos a este Colegiado. Recurso não conhecido." Como na hipótese do mencionado Acórdão, o presente recurso caso conhecido, de igual forma estará maculando o duplo grau de jurisdição, com supressão da instância julgadora monocratica e, em conseqdênda, ferindo o preceito constitucional do devido processo legal, do qual aquele decorre. Forte neste argumento, NÃO CONHEÇO DO RECURSO, devendo se manifestar a autoridade julgadora de primeira instância sobre a pertinência dos encargos moratórios e o prazo de vencimento do lançamento refeito, para então, se for o caso, retornarem os autos a este Colegiado. Sala das sessões, em 19 de agosto de 1998 JORGE FREIRE 3
score : 1.0
Numero do processo: 13884.000132/99-16
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IRPF – RENDIMENTOS CUJO IMPOSTO NÃO FOI RETIDO PELA FONTE PAGADORA - RESPONSABILIDADE DO BENEFICIÁRIO - Aceitar que se exima o contribuinte de responsabilidade por não oferecer rendimentos a tributação, sob o argumento de que a fonte pagadora rotulou-os de isentos, é chancelar interpretação que leva ao absurdo de reconhecer como válido o erro de direito.
IRPF – MULTA DE OFÍCIO - Concretizada a hipótese legal de incidência da penalidade (declaração inexata, Lei nº 9.430/96, art. 44, I) não cabe a autoridade lançadora senão cominá-la ao contribuinte, em atenção ao princípio da responsabilidade objetiva inserto no art. 136 do CTN.
Recurso negado.
Numero da decisão: 106-11116
Decisão: Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Wilfrido Augusto Marques (Relator) e Sueli Efigênia Mendes de Britto. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Luiz Fernando Oliveira de Moraes.
Nome do relator: Wilfrido Augusto Marques
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-27T19:22:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-27T19:22:58Z; Last-Modified: 2009-08-27T19:22:58Z; dcterms:modified: 2009-08-27T19:22:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-27T19:22:58Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-27T19:22:58Z; meta:save-date: 2009-08-27T19:22:58Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-27T19:22:58Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-27T19:22:58Z; created: 2009-08-27T19:22:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2009-08-27T19:22:58Z; pdf:charsPerPage: 1720; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-27T19:22:58Z | Conteúdo => - !: 4, - • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n°. : 13884.000132/99-16 Recurso n°. : 119.883 Matéria : IRPF - Ex.: 1997 Recorrente : MAURÍCIO BIELLA DE SOUZA VALLE Recorrida : DRJ em CAMPINAS - SP Sessão de : 26 DE JANEIRO DE 2000 Acórdão n°. : 106-11.116 IRPF - RENDIMENTOS CUJO IMPOSTO NÃO FOI RETIDO PELA FONTE PAGADORA - RESPONSABILIDADE DO BENEFICIÁRIO - Aceitar que se exima o contribuinte de responsabilidade por não oferecer rendimentos a tributação, sob o argumento de que a fonte pagadora rotulou-os de isentos, é chancelar interpretação que leva ao absurdo de reconhecer como válido o erro de direito. IRPF - MULTA DE OFÍCIO - Concretizada a hipótese legal de incidência da penalidade (declaração inexata, Lei n° 9.430/96, art. 44, I) não cabe a autoridade lançadora senão cominá-la ao contribuinte, em atenção ao principio da responsabilidade objetiva inserto no art. 136 do CTN. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MAURÍCIO BIELLA DE SOUZA VALLE. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros VVilfrido Augusto Marques (Relator) e Sueli Efigénia Mendes de Britto. Designado para redigir o voto vencedor o onselheiro Luiz Fernando Oliveira de Moraes. rSinV Áfr "f" 40 Dál-GTrES DE OLIVEIRAae LUIZ FERNANDO O IRA DE ORFERNANDO RELATOR DESIG FORMALIZADO EM: -1 7 MAI 2060 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros THAISA JANSEN PEREIRA, RICARDO BAPTISTA CARNEIRO LEÃO e ROSANI ROMANO ROSA DE JESUS CARDOZO. Ausente o Conselheiro ROMEU BUENO DE CAMARGO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13884.000132/99-16 Acórdão n°. : 106-11.116 Recurso n°. : 119.883 Recorrente : MAURÍCIO BIELLA DE SOUZA VALLE RELATÓRIO Consoante noticia o auto de fls. 01/06, o contribuinte deixou de incluir como rendimentos tributáveis aqueles percebidos de pessoa jurídica (Centro Técnico Aeroespacial — CTA) a título de gratificações atrasadas (GATA e GDAA). Em análise aos argumentos colacionados pelo contribuinte em sua peça impugnatória a autoridade julgadora manteve subsistente a ação fiscal, ao entendimento de que `a incorreta informação prestada pela fonte pagadora não exime o contribuinte da obrigação de tributar, na declaração de ajuste anual, rendimentos para os quais não houver expressa previsão legal de isenção, não- incidência ou tributação exclusiva na fonte" (excedo da ementa — fl. 84). Irresignado, o contribuinte interpõe recurso voluntário a este Conselho de Contribuintes requerendo a reforma da decisão recorrida. Após relato dos fatos que ensejaram a ação fiscal, o contribuinte explicitou que por ocasião do pagamento das gratificações atrasadas a fonte pagadora indicou-as como rendimentos não tributáveis (fl. 64), seguindo a orientação da Secretaria de Recursos Humanos do MARE (rubrica 00063, fl. 69), não tendo as mesmas sido incluídas nos comprovantes de rendimentos pagos e retenção do imposto de renda na fonte (fl. 55). Por conseguinte, os servidores contribuintes lançaram os valores correspondentes no quadro relativo aos Rendimentos Isentos e não Tributáveis. Em preliminar, o Recorrente argüiu a presença de nulidades de pleno direito aventadas na Impugnação e que não foram analisadas pela Delegacia Regional de Julgamento de Campinas/SP, asseverando que "...foram argüidas na impugnação preliminares de nulidade com respaldo na incompetência da autoridade que intimou o ora recorrente, e também na omissão de informação 2 A-j7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13884.000132/99-16 Acórdão : 106-11.116 do expediente administrativo instaurado com relação a fonte pagadora, sendo que tais nulidades não foram analisadas pela autoridade quo" (..) Assim, com a devida vênia, entende o Recorrente que por tal lapso, imperdoável juridicamente, tal decisão deve ser considerada nula." (fl. 97). No mérito, asseverou que o CTA deveria figurar como sujeito passivo no procedimento, já que havia reconhecido o erro de lançamento da rubrica e a equivocada informação a seus servidores de que os rendimentos pagos deveriam ser considerados como não-tributáveis. Ainda no tocante a sua ilegitimidade passiva, aduz que os artigos 796, 891 e 919 do RIR194 atribuíram à fonte pagadora a responsabilidade pelo recolhimento do Imposto de Renda, persistindo essa responsabilidade mesmo quando não haja retido o imposto, asseverando que "...0 comando insculpido no artigo 891 do Regulamento de Imposto de Renda, deixa claro que deixando a fonte de reter o imposto na fonte, a responsabilidade passa a ser sua (..) De outro lado, o artigo 796 do mesmo diploma, esclarece como deve ser feita a assunção do ônus do imposto, que deveria ser retido na fonte. Ora, não quer dizer tal comando, que é uma opção da fonte assumir ou não o Ónus do tributo (...). Assim, numa interpretação finalistica das normas legais, chega-se a conclusão inarredável da responsabilidade da fonte pagadora, devendo a mesma figurar no polo passivo da presente obrigação tributária (..)" (fls. 101/102). Indica, ainda, que é irrelevante a natureza jurídica do empregador, argumentando que o fato da fonte pagadora ser um órgão Público não a exime de suas responsabilidades fiscais. Quanto à multa imposta, argüi a sua excessividade, uma vez que sendo o CTA e o MARE os responsáveis pelo não recolhimento do tributo, tendo estes órgãos reconhecido sua culpa, não se pode penalizar o contribuinte "por ter agido conforme sua orientação, sob pena de praticar-se a mais alta e inquestionável INJUSTIÇA"(fi. 111). É o Relatório. 3 . . • . MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13884.000132/99-16 Acórdão n°. : 106-11.116 VOTO VENCIDO Conselheiro VVILFRIDO AUGUSTO MARQUES, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n. 70.235 de 06 de março de 1972, tendo sido interposto por parte legítima. Quanto ao depósito prévio, foi deferida liminar no Mandado de Segurança n° 1999.61.03.001773-4 para que o recurso voluntário fosse recebido independentemente do depósito de 30% da exigência fiscal (fl. 121/127). Cumpridos os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Não se mostra juridicamente plausível a linha de argumentação esposada pelo contribuinte em sua preliminar. Inicialmente, após análise da Impugnação de fls. 47/52 não vislumbro tenha o contribuinte alegado a incompetência da autoridade autuante, nem tampouco tenha aduzido questão relativa à omissão de informação do expediente administrativo instaurado com relação a fonte pagadora. Deste modo, não há qualquer omissão na decisão proferida pela DRJ que possa implicar em nulidade da mesma. Não obstante, analisando as matérias postas pelo contribuinte, enquanto responsável pela instrução dos processos administrativos, ao técnico do tesouro nacional era dado solicitar informações relativas à ação fiscal, não havendo que se cogitar de nulidade nem tampouco de prejuízo, in casu. 4 (,7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13884.000132/99-16 Acórdão n°. : 106-11.116 De qualquer modo, tem-se que o ato processual de formalização da exigência tributária foi efetivado por agente competente, qual seja, auditor fiscal do tesouro nacional. Prosseguindo, quanto ao mérito, entendo que não se cogita nestes autos de ilegitimidade do sujeito passivo, já que a discussão nos autos cinge-se ao valor do imposto de renda devido na declaração de ajuste anual, estando correto o lançamento feito em nome do beneficiário do rendimento. Não obstante, quanto ao lançamento fiscal propriamente dito, passo a tecer as considerações deduzidas nos itens a seguir. A partir dos artigos 796, 891 e 919 do RIR/94 extrai-se que, na qualidade de responsável, a pessoa jurídica pagadora dos rendimentos é o sujeito passivo do imposto de renda incidente na fonte, estando obrigada a recolher o valor do imposto devido independentemente de ter feito a retenção. Assim, a partir da letra da lei tem-se que quando o imposto não for retido ou em assumindo a fonte o seu ónus, caberá ã fonte pagadora, na qualidade de contribuinte, efetuar o pagamento do imposto. Nestes autos, visualiza-se à evidência ter sido a fonte pagadora a autora da infração à legislação tributária, cabendo-lhe, portanto, a responsabilidade pelo pagamento do imposto. Não se faz pertinente atribuir à declaração de ajuste anual o caráter de saneamento de situações irregulares ou infrações, praticadas ao longo do exercício pela fonte pagadora que deixou de reter o imposto. De qualquer modo, por força do artigo 9., inciso IV, §1 . do CTN, é atribuída responsabilidade tributária às pessoas jurídicas de Direito Público e Privado, ao que a postergação no pagamento do imposto pela fonte pagadora implica em violação à legislação tributária, em patente prejuízo aos cofres públicos. 5 4,/ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13884.000132/99-16 Acórdão n°. : 106-11.116 Nestes autos, têm-se elementos abundantes no sentido do reconhecimento da infração pela fonte pagadora, logo, cabia-lhe reajustar a base de cálculo do imposto, entregando aos funcionários novo 'demonstrativo de rendimentos pagos e imposto de renda retido na fonte", munidos do qual seria-lhes possível pleitear a redução do imposto, ainda sob o abrigo do instituto da denúncia espontânea (art. 138, C.T.N.). Ao efetuar o pagamento das gratificações aos funcionários sem a retenção do imposto, tem-se que a fonte pagadora, ainda que tacitamente, assumiu o ônus tributário quanto à exação em comento. Desta feita, em momento posterior, cabia-lhe considerar o rendimento pago como líquido, reajustar a base de cálculo e providenciar o recolhimento do imposto devido. Somente se desoneraria caso comprovasse ter o beneficiário tributado o rendimento em sua declaração, consoante orientação esposada no Parecer Normativo COSIT n. 01, de 08/08/95, abaixo transcrito: 10. A única situação em que a fonte pagadora se eximiria da responsabilidade de retenção e recolhimento do imposto seria quando ficasse comprovado que o beneficiário já houvesse incluído o rendimento em sua declaração, conforme previsto no parágrafo único do art. 919 do RIR". In casu, o contribuinte declarou o rendimento auferido como não tributável, na esteira da orientação da fonte pagadora, não o tendo tributado, razão pela qual não se cogita da aplicação do parágrafo único do art. 919 do RIR. Em conclusão, reputo insubsistente o lançamento, em vista à violação ao principio da legalidade, já que: (i) não há amparo legal à tributação anual dos rendimentos oriundos do trabalho assalariado, já que a incidência do imposto ocorre no momento da percepção dos rendimentos, não cabendo à autoridade lançadora criar exceção não prevista na legislação de regência (Lei n. 7713/88); (ii) restaram descumpddas as orientações constantes dos arts. 891 e 919 do RIR/94; 6 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13884.000132/99-16 Acórdão n°. : 106-11.116 (iii) não se faz plausível corroborar com a postergação no pagamento do imposto realizada pela fonte pagadora, pois esta deveria tê-lo recolhido até o último dia útil do mês seguinte ao da retenção; (iv) o princípio constitucional da isonomia (CF/88, art. 150, inciso II) foi violado na espécie pois todos os demais contribuintes estão sujeitos ao regime, obrigatório, de pagamento do imposto no momento da percepção dos rendimentos; (v) o lançamento de ofício, sujeitando o contribuinte à multa de 75%, implicou em penalização daquele que, a princípio, não foi o autor da infração tributária. Ante o exposto, conheço do recurso e dou-lhe provimento a fim de cancelar o lançamento formalizado nestes autos. Sala das Sessões - DF, em 26 de janeiro de 2000 WI IDOt UGUS • MA UES 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13884.000132/99-16 Acórdão n°. : 106-11.116 VOTO VENCEDOR Conselheiro LUIZ FERNANDO OLIVEIRA DE MORAES, Relator Designado Discordo permissa venia da ilustrada Relatora que adota, quanto ao mérito da lide, a tese de ilegitimidade do sujeito passivo, firme no entendimento de que o crédito tributário somente poderia ser exigido da fonte pagadora. Alinho-me entre os que perfilham a tese de que eventual omissão da fonte pagadora no recolhimento de imposto de renda não afasta a responsabilidade do beneficiário dos respectivos rendimentos. Meu entendimento é de que a atribuição de responsabilidade pelo pagamento de imposto de renda à fonte pagadora, autorizada pelo arl 45, parágrafo único do CTN, submete-se à disposição geral sobre responsabilidade tributária contida no art. 128 da Lei Complementar, verbis: ART. 128 - Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (grifei) Atento ao comando legal de hierarquia superior, a legislação ordinária do imposto de renda contempla tanto hipóteses de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, como de responsabilidade compartida com o contribuinte. Em sendo o fato gerador a disponibilidade de rendimentos decorrentes do trabalho assalariado, espécie dos autos, não se exime o contribuinte de responsabilidade, pois, a teor do art. 8° da Lei n° 8.383, de 1991, o valor do imposto retido na fonte durante o ano-base será considerado redução do apurado na MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13884.000132/99-16 Acórdão n°. : 106-11.116 declaração de rendimentos e a exceção especificamente conferida ao décimo terceiro salário confirma o caráter de regra geral daquele tratamento tributário. A disposição transcrita é de clareza meridiana e vem merecendo a interpretação uniforme e reiterada da jurisprudência administrativa: a obrigação do contribuinte é de apurar, na declaração própria, o imposto sobre a totalidade dos rendimentos tributáveis recebidos, não servindo a falta de retenção na fonte como escusa para transmudá-los em rendimentos isentos ou não tributáveis, ainda que assim os tenha classificado a empregadora. É este também o entendimento consagrado pela Secretaria da Receita Federal, através da IN n° 49/89 consoante a qual são contribuintes do imposto de renda todas as pessoas físicas residentes ou domiciliadas no País, nos termos da legislação do imposto de renda, que aufiram rendimentos tributáveis, seja por incidência na fonte, seja por serem submetidos à tributação na declaração. Aceitar que se exima o contribuinte de responsabilidade por não oferecer rendimentos a tributação, sob o argumento de que a fonte pagadora rotulou-os de isentos, é chancelar interpretação que leva ao absurdo de reconhecer como válido o erro de direito. Sob este ponto de vista, o contribuinte estaria escusado de cumprir a lei porque lhe seria lícito desconhecer a natureza tributável dos rendimentos, por conta de equívoco ou má fé da fonte pagadora. Colocadas essas premissas, não há como se afastar a responsabilidade da pessoa física pelo imposto não retido pela fonte pagadora invocando-se o art. 919 do RIR194. Ali não se tem afirmação peremptória da responsabilidade exclusiva desta, de logo desmentida por seu parágrafo único, a apontar para a responsabilidade subsidiária daquele, em harmonia com o CTN e demais atos legais e normativos antes citados. A interpretação dessa disposição que se me afigura mais condizente com a sistemática do. imposto de renda é a seguinte: a) até a resentação da 9 ("( MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13884.000132/99-16 Acórdão n°. : 106-11.116 declaração de ajuste pelo beneficiário, a fonte pagadora é responsável única pelo imposto devido como antecipação que não tenha retido; b) apresentada a declaração de ajuste pelo beneficiário, nela incluídos e oferecidos à tributação os rendimentos, cujo imposto não foi retido pela fonte pagadora, a responsabilidade pelo imposto é daquele, mas juros e multa de mora recaem apenas nesta; c) apresentada a declaração de ajuste pela pessoa física, sem a inclusão dos rendimentos cujo imposto não foi retido pela fonte pagadora, a responsabilidade pelo imposto é compartida: por ambos, pois vedar-se a exigência do imposto, bem assim das penalidades cabíveis, de um ou de outro, resultaria em considerar que tanto a falta de retenção na fonte, como a omissão dos rendimentos tributáveis na declaração, são meras faculdades e não obrigações legais de cada um dos sujeitos passivos. Note-se que a solução preconizada no art. 796 do RIR194, para ressarcimento da fonte pagadora à Fazenda Nacional no caso de falta ou insuficiência na retenção do imposto, não pode ser considerada como regra geral, única e excludente da exigência na pessoa do contribuinte. Em se tratando de remuneração paga por pessoa de direito público, vislumbro óbices constitucionais e legais a que a importância disponibilizada ao contribuinte seja considerada líquida e procedido ao reajustamento do respectivo rendimento bruto. A remuneração de servidores públicos está jungida pela Constituição ao estrito princípio da reserva legal (art. 37, X) e, a aplicar-se a solução indicada na disposição regulamentar, estar-se-á contornando a vedação constitucional com o agravante de o ônus adicional recair sobre recursos públicos, cujos efeitos danosos não se restringiriam ao patrimônio do ente público diretamente atingido, mas alcançariam o conjunto da sociedade. Esta é a razão de a liberalidade com recursos públicos estar na mira do Direito Penal. Ao contrário da disposição perdulária da riqueza privada, onde a discricionariedade, em principio, é a regra, pois a ninguém, em princípio, é lícito interferir na manifestação, mesmo irresponsável, d vontade de particulares, a to ór/ . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 13884.000132/99-16 Acórdão n°. : 106-11.116 dilapidação de recursos públicos é tipificada como crime, porque sempre estarão presentes o conluio célere e o favorecimento ilícito. Tampouco pode se eximir o Recorrente do pagamento da multa de oficio e demais acessórios legais. Sua argumentação, a propósito do tema, é de lege ferenda e não resiste ao princípio da responsabilidade objetiva inserto no art. 136 do CTN. Concretizada a hipótese legal de incidência da penalidade (declaração inexata, Lei n° 9.430/96, art. 44, I) não cabe a autoridade lançadora senão cominá-la ao contribuinte. De resto, como vimos anteriormente, não há como se dissociar a responsabilidade da fonte pagadora e a do beneficiário dos rendimentos, mesmo porque o alegado erro quanto à natureza tributável das gratificações atingidas pelo auto de infração não pode ser creditado ao emaranhado das leis tributárias, por se tratar de um erro grosseiro, fruto de uma sucessão de falhas e desentendimentos burocráticos, facilmente perceptível por um servidor federal graduado como o Recorrente. Tais as razões, voto por rejeitar a preliminar de nulidade processual para, no mérito, negar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 26 de janeiro de 2000 LUIZ FERNANDO OLI Arr " • DE ORAES 11 Page 1 _0010900.PDF Page 1 _0011000.PDF Page 1 _0011100.PDF Page 1 _0011200.PDF Page 1 _0011300.PDF Page 1 _0011400.PDF Page 1 _0011500.PDF Page 1 _0011600.PDF Page 1 _0011700.PDF Page 1 _0011800.PDF Page 1
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Numero do processo: 13851.000723/95-47
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 1997
Ementa: IRPF - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS - INDENIZAÇÃO - Rendimentos percebidos em decorrência de acordo homologado na Justiça do Trabalho, decorrente de reclamação trabalhista, ainda que a título de "indenização" estão sujeitos a incidência do imposto de renda, desde que não se caracterizem como indenizações isentas, nos termos do inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/88.
IRPF - DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - SUJEITO PASSIVO - No regime de apuração do imposto de renda de pessoa física, por declaração, o sujeito passivo é o contribuinte a ela obrigado. A falta de retenção do imposto de renda pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos de sua obrigação de incluí-los na declaração de rendimentos para efeitos de tributação.
Recurso negado.
Numero da decisão: 106-08886
Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Genésio Deschamps
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IRPF - DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - SUJEITO PASSIVO - No regime de apuração do imposto de renda de pessoa física, por declaração, o sujeito passivo é o contribuinte a ela obrigado. A falta de retenção do imposto de renda pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da sua obrigação de inclui-los na declaração de rendimentos para efeitos de tributação. RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ANTONIO NATULINI. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o ,resente julgado. D I jji DRI 5 'n OLIVEIRA irr GBNËSIO DESCHAMPS RELATOR FORMALIZADO EM: j 5 MAI 1991. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MÁRIO ALBERTINO NUNES, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, HENRIQUE ORLANDO MARCONI, ANA MARIA RIBEIRO DOS REIS, ROMEU BUENO DE CAMARGO e ADONIAS DOS REIS SANTIAGO. MINISTÉRIO DA FAZENDA 2 PRIMEIRO CONSELHODE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 13851/000.723/95-47 ACÓRDÃO N'. : 106-08.886 RECURSO N'. : 09.904 RECORRENTE : ANTONIO NATULINI RELATÓRIO ANTONIO NATULINI, já qualificado neste processo, não se conformando com a decisão de fls. 23 a 26, exarada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão • Preto (SP), da qual tomou ciência, por AR, em 27.06.96, protocolou recurso dirigido a este Colegiado em 01.07.96 A presente questão surgiu com a impugnação apresentada pelo RECORRENTE contra a Notificação que recebeu, relativa a sua Declaração de Rendimentos do exercício de 1995 (ano-calendário de 1994), que lhe impunha um valor de imposto a pagar. Essa diferença era decorrente da alteração do valor de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, com a inclusão de valor que reputava como sendo de rendimentos isentos, do qual resultou a exigência de um montante de imposto de renda a pagar, diferente do que fizera constar em sua de Declaração de Rendimentos. Em sua petição o RECORRENTE alega que o valor da diferença considerada como rendimento tributável, corresponde a um valor que lhe foi pago a título de indenização, face ao acordo celebrando perante a Justiça do Trabalho, que o homologou. Este valor corresponde aos 90% (noventa por cento) dos valores que eram objeto da Reclamação Trabalhista, e que no acordo celebrado havia sido ajustado que seriam considerados pagos como verbas de natureza indenizatária, se tratando, portanto, de rendimento que se situa no quadro de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis. Apreciando a impugnação apresentada a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), manteve o a exigência fiscal sob os seguintes pressupostos: MINISTÉRIO DA FAZENDA 3 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 13851/000.723/95-47 ACÓRDÃO N°. : 106-08.886 a) que o valor acrescido à base de cálculo, decorrente do acordo judicial, refere-se a reposição das perdas relativas ao Plano Verão (URP de fevereiro de 1989), devidamente corrigidas e acrescidas de juros de mora e que apesar de constar no acordo que parte delas seriam consideradas como verbas de natureza indenizatória, tal acordo não pode excluir da tributação valores efetivamente tributáveis; b) que o imposto de renda tem como fato gerador a renda e proventos de qualquer natureza (art. 153, III, da CF), e a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica dessas rendas ou proventos (incisos I e II do art. 43 do CIN), e é irrelevante para qualificá-los a denominação dada (art. 4° do CTN), sendo que em relação a isenção o art. 176 do CTN consagra o princípio da legalidade; c) que em razão do acima, a Lei n° 7.713/88 em seu art. 3° estabelece a incidência do imposto de renda sobre o rendimento bruto auferido, sem qualquer dedução, exceto os casos previstos em seus arts. 9° e 14, e o art. 6°, hoje consolidado no art. 40 do RIR/94, que cuidam das isenções; d) que, em conseqüência, os rendimentos, abstraindo-se a sua denominação, acordos ou qualquer outra circunstância, estão sujeitos a incidência do imposto de renda, desde que não agasalhados no rol das isenções; e) que, no caso, ainda, a teor do art. 5° da Medida Provisória n° 32, de 15.01.89 (Lei n° 7.730, de 31.01.89, se tem a conotação exata de que os rendimentos relativos a fevereiro de 1989, e que são objeto do acordo judicial ora questionado, na verdade, correspondem a salários e não à indenização; f) que o Parecer Normativo CST n° 05/84, discorre sobre a hipótese em que a parcela de remuneração possa ser paga a título de indenização, e o § 3° do art. 45 do RIR194 MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 13851/000.723/95-47 ACÓRDÃO N°. : 106-08.886 estabelece a incidência do imposto de renda também sobre a atualização monetária e juros de mora nos casos de atraso de pagamento de remunerações, corroborado por jurisprudência deste Egrégio Conselho (Ac. 106-1.518/88). O RECORRENTE, não concordando com tal decisão, em seu recurso, faz inicialmente um histórico sobre a ação judicial de que resultou o "acordo judicial", para após dizer que, em tal acordo, foi reconhecido, através da MM. 3' Junta de Conciliação e Julgamento de Campinas, que 90 % (noventa por cento) dos valores seriam considerados como verbas indenizatórias, e tendo tal decisão transitado em julgado estaria protegida pelo disposto no inciso =VI, do art. 50 da Constituição Federal, que consagra o princípio da coisa julgada, pelo que estaria excluída a incidência do imposto de renda. Acrescentou, ainda, que houve equívoco da autoridade julgadora monocrática, entendendo que o valor recebido correspondia a aumento salarial, pois a aplicação do percentual de 26,05% não resultou em qualquer aumento salarial em seu favor, pois apenas foi calculado mês a mês com a finalidade de apurar o valor da indenização a ser paga a cada empregado, devendo-se atentar para o fato de que por se tratar de verba relativa a indenização não houve qualquer incidência de contribuições previdenciárias ou de FGTS. Finalizando, invocou o Parágrafo Único do art. 45 do Código Tributário Nacional, caso permanecesse o entendimento fiscal, para alegar não lhe caber nenhuma responsabilidade na presente questão, pois esta seria da fonte pagadora, que inclusive lhe forneceu o informe de rendimentos que utilizou de boa-fé, e pediu a reforma da decisão recorrida, com restabelecimento dos valores que apresentou em sua Declaração de Rendimentos. Chamada a se pronunciar, a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional em Ribeirão Preto (SP), entendeu não caber nenhuma ressalva ao ato administrativo do lançamento efetuado, já que o rendimento estava dentro do conceito de rendimento tributável, e não tendo o <s) MINISTÉRIO DA FAZENDA 5 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO /%1°. : 13851/000.723/95-47 ACÓRDÃO N°. :106-08.886 contribuinte nada de novo carreado aos autos que pudesse macular o ato fiscal, não há nada que possa conduzir a uma reforma do que foi decidido. É o Relatório. • -25/ MINISTÉRIO DA FAZENDA 6 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO • : 13851/000.723195-47 ACÓRDÃO • : 106-08.886 VOTO CONSELHEIRO GENÉSIO DESCHAMPS, RELATOR Analisando-se o processo, verifica-se que o RECORRENTE entendeu que o valor que percebeu em decorrência de um acordo trabalhista, homologado na justiça do trabalho, através do que se estipulou que seria caracterizado como "indenização", estaria isento do imposto de renda, como foi tratado por sua fonte pagadora, e assim incluiu em sua Declaração de Rendimentos do exercício de 1995 (ano-calendário de 1994). O entendimento da fiscalização fazendária, no entanto, foi diferente, classificando-o como rendimento tributável, como argumentado na decisão de primeira instância, de que tal rendimento não pode ser caracterizado como "indenização", e mesmo que assim o fosse, não se encontra entre aquelas indenizações cuja isenção encontra amparo no art. 6° da Lei n° 7.713/88. No próprio processo, verificando-se o "acordo judicial" firmado (fls. 10 a 16), nota-se, em várias de suas passagens, que o objeto da reclamação trabalhista interposta visava a reposição de perdas decorrentes do não reajustamento dos salários dos trabalhadores, bem como de abono, pela URP relativa ao mês de fevereiro de 1989, devidamente atualizadas e acrescidas de juros de mora. Mas em cláusula à parte (quinta) do referido acordo ficou declarado "as partes declaram que 90% (noventa por cento) dos valores pagos por força do acordo serão considerados como verbas de natureza indenizatória e, 10% (dez por cento), como verbas salariais". Embasado nesta última declaração de vontade entre as partes legítimas participantes do "acordo judicial", entende o RECORRENTE de que em sendo tal "acordo" sido 'ç-3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA 7 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 138511000.723195-47 ACÓRDÃO N°. : 106-08.886 homologado pela MM. Juíza Trabalhista da 3' Junta de Conciliação e Julgamento de Campinas, e como transitou em julgado, é de se aplicar o princípio constitucional da "coisa julgada", consagrado no inciso XXXVI do art. 5° da Constituição Federal, e, portanto, o rendimento em questão somente pode ser tratado como "indenização". Apesar das bem colocadas alegações do RECORRENTE, tal entendimento não tem como prevalecer. Em primeiro lugar porque a reclamação trabalhista e seu acordo versam exclusivamente sobre, como seu próprio nome diz, matéria trabalhista e não sobre matéria tributária, mesmo que se queira dar o título de "indenização" às verbas objeto deles, para fins de incidência de imposto de renda ou não. E note-se que foram as partes que ajustaram de que 90% das verbas seriam pagas a título de indenização trabalhista. Em segundo lugar, não é da competência da Justiça do Trabalho apreciar e decidir quaisquer questões vinculadas ao direito tributário. Sua competência fica restrita à matéria trabalhista. Mesmo que tivesse competência para apreciar e decidir questões dessa natureza, o Poder Competente para sua instituição e arrecadação necessariamente teria de participar na lide, para apresentar suas razões de fato e de direito, o que no caso, não ocorreu. Em terceiro lugar, a MM. Juíza Trabalhista limitou-se a homologar a vontade das partes, expressas através do "acordo", sem entrar em qualquer mérito de julgamento. E, independentemente da natureza jurídica de indenização que se quis dar às verbas pagas, este fato, não modifica a sua natureza específica _para fins de tributação pelo imposto de renda, seja como indenização, o que vejo como não sendo, seja como rendimento decorrente de vínculo de trabalho. Por isso, não há que se falar do referido "acordo" como "coisa julgada", pois o que se está tratando nesse processo, e não naquele, é matéria tributável que somente pode ser MINISTÉRIO DA FAZENDA 8 PRIMEMO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 13851/000.723/95-47 ACÓRDÃO Nts . : 106-08.886 oposta à Fazenda Pública. Assim, por estas mesmas razões, correta a decisão monocrática, ao entender que um acordo entre as partes não pode excluir da tributação valores efetivamente tributáveis, simplesmente por lhes dar denominação diversa da real, a teor do art. 40 do Código Tributário Nacional. Somente vale acrescentar, ainda, que o RECORRENTE afirma que sobre o valor questionado não houve qualquer incidência a titulo de contribuições previdenciárias, bem como não houve qualquer recolhimento de FGTS. Esta afirmação, ainda que desnecessária, tem em contrapartida os termos da sentença homologatória que determina que "deverá a Reclamada proceder à comprovação dos depósitos previdenciários, no prazo de 10 dias, nos termos do Prov. CR-02/93, do INSS." Essa determinação judicial é mais um indicio de que se está frente a verbas salariais e não de uma indenização. Pelo que consta do processo, também não se pode enquadrar as verbas pagas, ora objeto desse questionamento, como uma indenização geral, a título de uma reparação, em pecúnia, por perdas de direitos ou lesão de patrimônio do RECORRENTE. Sob esse pressuposto, então, poder-se-ia, admitir, que tal "indenização" não corresponde a acréscimo patrimonial, pois não se trata de renda nem de proventos, E nessa situação estar-se-ia frente, não a isenção, mas sim, a um aspecto de caráter mais amplo de não incidência. Mas a questão que se apresenta no caso é mais profunda: na rescisão do contrato de trabalho ou nos autos do processo não constam qualquer especificação da perda ou direito que lhe deu origem. Apenas há informações de que elas derivam de reposição decorrente do não reajustamento dos salários dos trabalhadores. Isto tudo não é suficiente para caracterizar a verba em questão como indenização para reposição de perdas patrimoniais do RECORRENTE. Pelo contrário ela tem muito mais a ver como sendo uma reposição de perdas salariais, que se sujeitam a tributação pelo imposto de renda. ri"?/ MINISTÉRIO DA FAZENDA 9 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 13851/000.723/95-47 ACÓRDÃO N°. : 106-08.886 Portanto, não há evidências do caráter indenizatório geral da verba em questão. E isto era essencial, para fins de avaliação de sua natureza para fins incidência de imposto de renda. Não é a simples declaração de que se trata de uma indenização que a transforma nessa natureza. Ou seja, nem sempre é o nome dado que identifica a natureza jurídica do rendimento ou da coisa. Assim, independentemente da natureza jurídica de indenização que se quer dar, esse fato não modifica a sua natureza específica para fins de tributação pelo imposto de renda. Era essencial estar declarado a perda, o dano ou direito concreto que visava reparar. E nem tampouco o RECORRENTE trouxe ao processo qualquer elemento que pudesse servir de referencial para caracterizar a natureza jurídica do rendimento objeto da incidência de imposto exigido_pelo ato fiscal. E a prova incumbe a quem alega. Então, à falta destes aspectos, é de se ter como uma vantagem que agregou ao patrimônio do beneficiário do rendimento, e como tal sujeita-se a incidência do imposto de renda. De outra parte, mesmo que se caracterizasse o valor questionado como "indenização", o que já foi acima rechaçado, mesmo assim não se está frente à uma indenização por rescisão de contrato de trabalho, contemplada como isenção, tanto pelo inciso XVIII do art. 40 do Decreto n° 1.041/94 (RIR/94), cuja base legal é o inciso V, do art. 6° da Lei n° 7.713/88 e art. 28, parágrafo único, da Lei n° 8.036/90, vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores. No caso não há evidências de que houve despedida ou rescisão de contrato de trabalho, e portanto, fora do enquadramento legal fundamental para gozo do beneficio. Quanto ao aspecto alegado pelo RECORRENTE, de que não seria o responsável pela imposição tributária, a qual seria de sua fonte pagadora, em razão do contido no art. 45 do Código Tributário Nacional, ele também não merece prosperar. sOi MINISTÉRIO DA FAZENDA 10 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 13851/000.723/95-47 ACÓRDÃO :106-08.886 Com efeito, o RECORRENTE pode não ser o sujeito passivo da obrigação no que tange a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, mas o é na qualidade de contribuinte de imposto de renda, através de sua Declaração de Ajuste Anual. E é através desta é que se está fazendo a exigência, mesmo que não tenha havido a retenção do imposto de renda, que se efetivada, inclusive, seria passível de compensação. Mesmo que se quisesse basear o amparo no acordo havido em Juízo, o que não é verdadeiro, este seria destituído de fundamento a teor do art. 123 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66), que estabelece que convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária. Portanto, identificado o RECORRENTE como contribuinte do imposto de renda de pessoa fisica, apurado na Declaração de Rendimentos, não há como descaracterizá-la como sujeito passivo. Quando muito, o RECORRENTE, na situação em que se encontra, poderia se insurgir contra a fonte pagadora, pelo não pagamento do imposto de renda se ele também tivesse assumido esse encargo, além das verbas pagas. De qualquer forma, não tendo havido desconto do Imposto de Renda na Fonte, pelo responsável, que assim descumpriu suas obrigações como substituto legal tributário, o ônus do imposto na Declaração de Rendimentos recai sobre o contribuinte, no caso o RECORRENTE, pois o imposto de fonte apenas representa uma antecipação daquele que, a final, é apurado na declaração. Ou seja, a falta de retenção do imposto na fonte pela fonte pagadora não exonera o contribuinte, beneficiário dos rendimentos, da obrigação de inclusão entre os rendimentos sujeitos a tributação, na declaração de rendimentos. Assim, por estas colocações não há como descaracterizar o RECORRENTE como contribuinte da exação ora exigida. "()I MINISTÉRIO DA FAZENDA 11 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO 1n1°. : 13851/000.723/95-47 ACÓRDÃO N°. :106-08.886 Por todo o exposto e por tudo o mais que consta do presente processo, conheço do recurso, por tempestivo e interposto na forma da lei, mas lhe nego provimento. Sala das Sessões - DF, em 17 de abril de 1997. GE SIr(~C4)(IAMPDES n 7 Page 1 _0048900.PDF Page 1 _0049100.PDF Page 1 _0049300.PDF Page 1 _0049500.PDF Page 1 _0049700.PDF Page 1 _0049900.PDF Page 1 _0050100.PDF Page 1 _0050300.PDF Page 1 _0050500.PDF Page 1 _0050700.PDF Page 1
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Numero do processo: 13847.000686/96-53
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2000
Ementa: LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO.
A ausência do Laudo Técnico de Avaliação do imóvel rural, acompanhado da respectiva ART, impossibilita a revisão do VTNm tributado.
CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS RURAIS.
As contribuições sindicais rurais são compulsórias e exigidas dos trabalhadores rurais e dos propriétarios de imóveis ruais, considerados empregadores, independentemente de filiações a sindicatos, federações e confederações.
CONTRIBUIÇÕES AO SENAR
A contribuição ao Senar é devida pelos proprietários de imóveis rurais de tamanho superior a três módulos fiscais e que apresentem GUT inferior a 80,0% ou GEE inferior a 100,0% e/ou que não obedeçam à legislação trabalhista.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 303-29.579
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MANOEL D'ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-11-10T15:06:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-11-10T15:06:12Z; Last-Modified: 2009-11-10T15:06:13Z; dcterms:modified: 2009-11-10T15:06:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-11-10T15:06:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-11-10T15:06:13Z; meta:save-date: 2009-11-10T15:06:13Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-11-10T15:06:13Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-11-10T15:06:12Z; created: 2009-11-10T15:06:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-11-10T15:06:12Z; pdf:charsPerPage: 1693; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-11-10T15:06:12Z | Conteúdo => _ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA PROCESSO N° : 13847.000686/96-53 SESSÃO DE : 05 de dezembro de 2000 ACÓRDÃO N° : 303-29.579 RECURSO N° : 121.172 RECORRENTE : AGROPECUÁRIA, COMERCIAL E INDUSTRIAL CAARAPÓ S/A RECORRIDA : DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. • A ausência do Laudo Técnico de Avaliação do imóvel rural, acompanhado da respectiva ART, impossibilita a revisão do VTNm tributado. CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS RURAIS. As contribuições sindicais rurais são compulsórias e exigidas dos trabalhadores rurais e dos proprietários de imóveis rurais, considerados empregadores, independentemente de filiações a sindicatos, federações e confederações. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR A contribuição ao Senar é devida pelos proprietários de imóveis rurais de tamanho superior a três módulos fiscais e que apresentem GUT inferior a 80,0% ou GEE inferior a 100,0% e/ou que não obedeçam à legislação trabalhista. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis. RECURSO QUE SE NEGA PROVIMENTO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 05 de dezembro de 2000 JO 7 • 1 ANDA COSTA • fr. idente M • OEL D'AS.UNÇÃO FER11kA GOMES Relat 2 1MAR2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, NILTON LUIZ BARTOLI, SÉRGIO SILVEIRA MELO, JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO e IRINEU BIANCHI. Ausente o Conselheiro ZENALDO LOIBMAN. tmc • _ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.172 ACÓRDÃO N° : 303-29.579 RECORRENTE : AGROPECUÁRIA, COMERCIAL E INDUSTRIAL CAARAPÓ S/A RECORRIDA : DRJ/RIBERÃO PRETO/SP RELATOR(A) : MANOEL D'ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES RELATÓRIO O presente relatório trata da Notificação de Lançamento (fl. 06), • emitida em 21/10/96, contra a contribuinte acima identificada, para exigir-lhe o crédito tributário relativo ao ITR e às contribuições sindicais rurais e ao Senar, exercício de 1996, no montante de R$ 22.397,91, incidente sobre o imóvel rural denominado Fazenda Castanhal, localizado no município de Aripuanã/MT. Inconformada com o valor do crédito tributário exigido, a interessada interpôs, tempestivamente, a impugnação (fls. 01/05), solicitando a nulidade do lançamento, a emissão de um novo lançamento, utilizando-se como base de cálculo o VTN declarado pela contribuinte, e a exclusão das contribuições sindicais do trabalhador, do empregador e ao Senar, sob as seguintes alegações: a) ilegalidade e inconstitucionalidade do lançamento, efetuado com base na IN n° 58/1996; b) a evolução do imposto nos exercícios de 94 e 95 e em 96, demonstra um descompasso pelo órgão tributante na fixação do VTNm para efeito do lançamento do ITR; c) com relação ao ITR/95 (também impugnado), o ITR/96 sofreu uma diminuição dos seus valores; contudo, com relação do ITR194 os valores mantiveram-se quase os mesmos, não obstante a significativa desvalorização ocorrida no valor das terras de 1994 para 1996; d) o VTNm tributado ficou acima da realidade do mercado imobiliário de terras, o que gera sua nulidade; e) as contribuições sindicais lançadas são flagrantemente inconstitucionais, pois a base legal que impunha, compulsoriamente, sua exigência, o Decreto-lei n° 1.166/1971, art. 40, § 1°, foi revogado pela Constituição Federal, art. 8°, V. Em 08/07/99, o lançamento foi considerado procedente com a seguinte ementa: ,2\7f . 2 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.172 ACÓRDÃO N° : 303-29.579 LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. A ausência do Laudo Técnico de Avaliação do imóvel rural, acompanhado da respectiva ART, impossibilita a revisão do VTNm tributado. CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS RURAIS. As contribuições sindicais rurais são compulsórias e exigidas dos trabalhadores rurais e dos proprietários de imóveis rurais, considerados empregadores, independentemente de filiações a sindicatos, federações e confederações. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. • A contribuição ao Senar é devida pelos proprietários de imóveis rurais de tamanho superior a três módulos fiscais e que apresentem GUT inferior a 80,0% ou GEE inferior a 100,0% e/ou que não obedeçam à legislação trabalhista. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis. Fundamenta o Sr. Dr. Delegado que: - no que toca à questão da requerente ter alegado a ilegalidade e inconstitucionalidade do lançamento do ITR e das contribuições sindicais rurais, cumpre dizer que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, atribuição reservada, no Direito pátrio, ao • Poder Judiciário; - lançamento do ITR11996, ora contestado, teve como fundamento as Leis n° 8.847/1994, n° 8.981/1995 e n° 9.065/1995, e não a Instrução Normativa n° 58/1996, como quer entender a interessada. Essa apenas fixou os VTNm por hectare para cada um dos municípios dos Estados da União, para efeito de cálculo do imposto, conforme determina a Lei n° 8.847/1994, art. 30, parágrafo 2'; - quanto às contribuições, informa-se que as pagas a sindicatos, a federações e confederações de livre associação distinguem-se das contribuições sindicais compulsórias de naturezas tributárias, nas quais se enquadram as contribuições sindicais do trabalhador e do empregador, ora exigidas; "j 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.172 ACÓRDÃO N° : 303-29.579 - ao contrário das alegações da requerente, os dispositivos norteadores da cobrança das contribuições sindicais rurais não foram declarados inconstitucionais, pelo contrário, foram mantidos pela Constituição Federal de 1988, Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, art. 10, § 2'; - já a contribuição ao Senar, tem sua exigência prevista na Lei n° 8.315/1991, art. 3°, VII, combinado com o Decreto-lei n° 1.989/1982, art. 1°; • _ para o cálculo do ITR11996, em cumprimento ao disposto no Decreto n° 84.685/1980, art. 7°, §§ 2° e 3° e na Lei n° 8.847/1994, art. 3°, § 2°, a Secretaria da Receita Federal utilizou o VTNm por hectare, fixado pela IN SRF 58/1996, rejeitando-se o VTN informado na DITR por ter sido inferior ao valor mínimo; - a impugnação administrativa do VTNm está prevista na Lei n° 8.847/1994, art. 3°, § 4°. No entanto, a requerente não apresentou laudo técnico de avaliação do referido imóvel rural, demonstrando que em 31/12/95, o VTN era inferior ao VTNm por hectare, fixado para as terras nuas do município de sua localização. A revisão do VTNm tributado só é possível mediante laudo técnico de avaliação do imóvel rural respectivo. Ausente o laudo, não há como revisá-lo. Tempestivamente, o contribuinte interpôs seu Recurso Voluntário 111 (fls. 22/27), alegando, em síntese, os mesmos argumentos trazidos na Impugnação. É o relatório. 4 e • • • J MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 121.172 ACÓRDÃO N° : 303-29.579 VOTO O Recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Trata-se da impugnação ao Valor da Terra Nua - VTN da propriedade rural denominada Fazenda Catanhal, localizada no município de Aripuanã/MT. A requerente não apresentou laudo técnico de avaliação do referido imóvel rural, demonstrando que em 31/12/95, o VTN era inferior ao VTNm por hectare, fixado para as terras nuas do município de sua localizsação. As contribuições sindicais rurais foram mantidas pela Constituição Federal de 1988, Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, art. 10, § 2 0, que assim dispôs: " sç 2°. Até ulterior disposição legal, a cobrança das constribuiçães para o custeio das atividades rurais dos sindicatos rurais será feita juntamente com a do imposto territorial rural, pelo mesmo órgão arrecadador." As contribuições sindicais, ora impugnadas, não se confundem com as contribuições pagas a sindicatos, federações e confederações de livre associação. A contribuição ao Senar, tem sua exigência prevista na Lei n° 8.315/1991, art. 3°, VII, combinado com o Decreto-lei n° 1.989/1982, art. 1°, sendo 110 exigida dos imóveis rurais do tamanho superior a 03 módulos fiscais que apresentem grau de utilização da terra (GUT) inferior 80,0%, ou grau de eficiência na exploração do imóvel (GEE) inferior a 100,0% e, ou que não obedeçam à legislação ambiental e trabalhista. Quanto à ilegalidade e inconstitucionalidade do lançamento do ITR e das contribuições sindicais rurais, alegadas pela requerente, cumpre dizer que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, atribuição reservada, no Direito pátrio, ao Poder Judiciário. Pelo exposto, voto para negar provimento ao recurso. Sala das pip- ões, em 05 d ít.i. - mbro de 2000 .4411~ 431 ANOEL D'ASS ÇÃO FERREIRA 29) kS - Relator 5 RCHERCULANOMINISTÉRIO DA FAZENDA • - • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA , Processo n.° : 13847.000686/96-53 Recurso n.° : 121.172 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador, Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n° 303-29.579 Brasília-DF, J6.0.2-4o1 Atenciosamente 2.° cc 3.• CÂMARA /. ......... . 5 . -Aff-• ,/ joao 1-141r ãaCToCtã 'Presidente da Terceira Câmara Ciente em: 21ck 200i. ?le& dea# C)9ianne PROLUNAUORA • A PALLIWA MPKINAt
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