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Numero do processo: 37342.000532/2005-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2004
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2004 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 34 2. 00 05 32 /2 00 5- 07 Fl. 179DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 180DF CARF MF Processo nº 37342.000532/200507 Acórdão n.º 2201004.238 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 181DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 37342.000532/200507 Acórdão n.º 2201004.238 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 183DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora.” Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.722551/2015-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
Numero da decisão: 2001-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
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Numero do processo: 19311.720251/2012-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/05/2009
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT/RAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE.
Para fins de apuração da alíquota aplicável às contribuições SAT/RAT, é de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à autoridade tributária revê-lo a qualquer tempo, sendo cabível o lançamento no caso de constatação de contribuições não declaradas e recolhidas.
Numero da decisão: 9202-006.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/05/2009 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT/RAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. Para fins de apuração da alíquota aplicável às contribuições SAT/RAT, é de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à autoridade tributária revê-lo a qualquer tempo, sendo cabível o lançamento no caso de constatação de contribuições não declaradas e recolhidas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado).
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SAT/RAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. Para fins de apuração da alíquota aplicável às contribuições SAT/RAT, é de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à autoridade tributária revêlo a qualquer tempo, sendo cabível o lançamento no caso de constatação de contribuições não declaradas e recolhidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 02 51 /2 01 2- 71 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 19311.720251/201271 Acórdão n.º 9202006.593 CSRFT2 Fl. 190 2 Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2803002.322, prolatado pela 3a. Turma Especial da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 14 de maio de 2013 (efls. 147 a 153). Ali, por maioria de votos, deuse provimento parcial ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/05/2009 SAT/GILRAT. REENQUADRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO. ATIVIDADE PREPONDERANTE PELO NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO FÁTICA. O reenquadramento de alíquota do SAT/GILRAT realizada pela fiscalização deve ser motivada com demonstração fática da atividade preponderante dos estabelecimentos na correspondência do número dos seus funcionários em cada atividade. A ausência de análise in loco é causa de nulidade por vício material. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Decisão: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão em 22/07/2013 (efl. 154), sua Procuradoria apresentou, em 19/08/2013 (efl. 165), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009 (efls. 155 a 164). Alegase, no pleito, quanto à matéria admitida, divergência em relação ao decidido pela 2a Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho, em, no âmbito do Acórdão no. 2302002.404, de ementa e decisão a seguir transcritas. Acórdão 2302002.404 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. ENQUADRAMENTO EM GRAU DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE.Considera se preponderante a atividade que ocupa, na empresa como um todo, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, sendo irrelevante para tal enquadramento se tais segurados ocupam cargos na atividade meio ou na atividade fim da empresa. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 19311.720251/201271 Acórdão n.º 9202006.593 CSRFT2 Fl. 191 3 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o auto enquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos. ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE VALE ALIMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador na forma de vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91.Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº 8.212/91, até a competência 11/2008, inclusive, período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 19311.720251/201271 Acórdão n.º 9202006.593 CSRFT2 Fl. 192 4 Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) De acordo com o inciso II do art. 22 da Lei 8.212, de 1991, a empresa encontrase obrigada a recolher a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Já o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048, de 1999, mais especificamente em seu art. 202, §3o., dispõe que, por atividade preponderante, para os fins colimados pela Lei de Custeio da Seguridade Social, deve ser considerada a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos; b) Conforme consignado no acórdão paradigma, o grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é mensurado conforme a atividade econômica preponderante da empresa, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999; c) O aludido Anexo V, de acordo com a redação dada pelo Decreto 6.042, de 12 de fevereiro de 2007, trazia a “relação de atividades preponderantes e correspondentes graus de riscos (conforme classificação nacional de atividades econômicas)” e apresentava o seguinte código: “84116/00 – Administração pública em geral”. Registrese, assim como procedeu o acórdão paradigma, que existem atividades que são desenvolvidas tanto pela iniciativa privada, quanto pelo poder público, a exemplo da atividade educacional. Tal fato, contudo, não exclui a natureza da atividade como sendo de administração pública, para passar a ser uma atividade econômica strictu sensu, como quer fazer crer o contribuinte. Tratandose de Administração Pública a classificação se estende pelo Grupo “84.1 Administração do estado e da política econômica e social” e se completa com a classe “84.116 Administração pública em geral” e subclasse “84116/00 Administração pública em geral”, conforme a Estrutura detalhada CNAE, independentemente de o servidor/segurado exerça atividade educacional, de saúde, econômica, etc. Vale destacar que, segundo informa o Relatório Fiscal, este também passou a ser o entendimento do próprio Contribuinte a partir da competência de junho de 2009. Com efeito, a circunstância de que a maioria dos segurados/empregados vinculados ao Contribuinte trabalhe na área de ensino fundamental não tem o condão de alterar a classificação do Contribuinte no CNAE de órgão da administração pública em geral para estabelecimento de ensino; d) A atividade preponderante das Prefeituras Municipais é justamente a de ‘administração pública em geral’ e, não, especificamente (ou simplesmente), a prestação de serviços de saúde, de educação, de segurança, de assistência social, de limpeza, de fiscalização (das posturas ou tributos municipais), serviços burocráticos e administrativos, em geral etc Deste modo, sendo a atividade da Administração Pública em Geral, CNAE 84116/00, classificada pela legislação previdenciária como de grau de risco médio, correspondendo à alíquota de SAT de 2%, não merece quaisquer reparos o presente lançamento. Assim, requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o inteiro teor da decisão de 1a. instância. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 19311.720251/201271 Acórdão n.º 9202006.593 CSRFT2 Fl. 193 5 O pleito fazendário restou regularmente admitido, na forma de despacho de efls. 167 a 171. Após a ciência da autuada em 01/04/2015 (efl. 175), esta apresentou contrarrazões de efls. 176 a 184, onde alega que: a) A legislação federal determina que o grau deva ser determinado pela atividade preponderante da empresa e não registrada como CNAE principal, assim entendida aquela exercida pelo maior número de empregados, consoante Soluções de Consulta emanadas da RFB e decisões do STJ colacionadas, este último definindo que a alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro (Súmula n. 351 do STJ); b) No caso da Administração Pública Municipal, a alíquota do SAT deve ser considerada em decorrência da atividade econômica com maior número de servidores públicos e não a CNAE "Administração Geral". É fato notório que as Prefeituras tem a maior servidores na área da educação, e também nas áreas administrativas que passam a ser as atividades preponderantes que desenvolvem; c) Teria provado tal fato, visto que já demonstrou que possui 880 (oitocentos e oitenta) servidores dos seus 1925 (hum mil novecentos e vinte e cinco) servidores públicos na área de educação. Já foram anexados aos autos, em sede de impugnação, a relação dos servidores da Prefeitura da Estância de Atibaia, bem como dos gastos para com os mesmos, discriminando de forma específica por área que ocupam que ora ratifica; d) Deste modo, o SAT não pode ser calculado pela alíquota de 2% CNAE "Administração Pública em Geral", mas sim pela alíquota de 1% que é relativa ao CNAE "Ensino Fundamental", de acordo com o Anexo V, do Decreto n° 6.957, de 2009. Requer, assim, que seja negado provimento ao Recurso Especial. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e passo a sua análise de mérito. Tratase aqui de situação fática onde o contribuinte autuado, na forma de elementos de efls. 29 a 59, reconhecia em sua GFIP como CNAE fiscal o código 84116/00, tendo tal enquadramento sido o utilizado pela Fiscalização para fins de lançamento. Baseouse o lançamento na constatação de a contribuinte ter utilizado, para fins de recolhimento da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do Fl. 193DF CARF MF Processo nº 19311.720251/201271 Acórdão n.º 9202006.593 CSRFT2 Fl. 194 6 trabalho (SAT/GILRAT), a alíquota de 1%, quando, contrariamente, estabelecia o anexo V do Decreto no. 3048, de 1999 (Regulamento da Previdência Social), com sua redação dada pelo Decreto no. 6.042, de de 2007, uma alíquota aplicável de 2%, a viger a partir de junho de 2007, tendo sido, assim, objeto de lançamento as diferenças não declaradas/recolhidas. A propósito, em plena consonância com o relatado pela fiscalização, verifica se que estabelecia o mencionado Decreto no. 6.042, de 2007: Art.2o Os Anexos II e V do Regulamento da Previdência Social passam a vigorar com as alterações constantes do Anexo a este Decreto. (...) Art.5o Este Decreto produz efeitos a partir do primeiro dia: (...) I do quarto mês subseqüente ao de sua publicação, quanto à nova redação do Anexo V do Regulamento da Previdência Social (...) ANEXO V RELAÇÃO DE ATIVIDADES PREPONDERANTES E CORRESPONDENTES GRAUS DE RISCO(CONFORME A CLASSIFICAÇÃO NACIONAL DE ATIVIDADES ECONÔMICAS) (...) CNAE7 DESCRIÇÃO % NOVO 84116/00 Administração 2% Pública em Geral Ainda, estabelecia, a propósito, o art. 202 do mesmo Regulamento da Previdência Social, em sua redação vigente à época, quanto ao enquadramento para fins de determinação da alíquota aplicável à contribuição SAT/RAT: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: Fl. 194DF CARF MF Processo nº 19311.720251/201271 Acórdão n.º 9202006.593 CSRFT2 Fl. 195 7 I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. §1o As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. §2o O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. §3o Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. §4o A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo.(Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007) §6oVerificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos.(Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007). (...) § 13. A empresa informará mensalmente, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência SocialGFIP, a alíquota correspondente ao seu grau de risco, a respectiva atividade preponderante e a atividade do estabelecimento, apuradas de acordo com o disposto nos §§ 3oe 5o.(Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 2007). Fl. 195DF CARF MF Processo nº 19311.720251/201271 Acórdão n.º 9202006.593 CSRFT2 Fl. 196 8 Da leitura dos dispositivos acima, resta clara a correção do procedimento da autoridade fiscal: A empresa, pertencente à Administração Pública Direta, não obstante ter, na época dos fatos geradores objeto do lançamento, a obrigação legal de declarar em GFIP e recolher a contribuição sob análise à alíquota de 2% (consoante inclusive o enquadramento constante de elementos por ela produzidos de efls. 29 a 59), o fez em alíquota inferior, ou seja, autoenquadrandose erroneamente no que diz respeito à alíquota aplicável (ainda que, repita se, mantivesse, internamente, o registro de seu CNAE fiscal correto) restando perfeitamente cabível, destarte, a revisão pela autoridade fiscal e o consequente lançamento realizado. Ainda, no que diz respeito à argumentação da autuada de que teria a maior parte de seus beneficiários atuando em atividades administrativas/educacionais, de forma a que ficasse caracterizada outra atividade preponderante na forma do §3o. do referido art. 202 (argumentação à qual, notese, acedeu o recorrido), de se notar que a recorrente não foi capaz de trazer elementos de prova que sustentassem tal alegação, ressaltandose que os elementos de efls. 77 a 103 referemse ao quadro de pessoal da Prefeitura em 04/2012, competência muito posterior aos fatos geradores em análise. Assim, com a devida vênia, não se pode se garantir que guardem tais elementos qualquer relação com o quadro de pessoal existente à época dos fatos geradores em questão, o que impede, em meu entendimento, que possam ser utilizados para fins de eventual conclusão pela necessidade de alteração do CNAE utilizado e consequente desconstituição do lançamento. Ainda, respaldando integralmente a aplicação de tal percentual, de se aceder aqui à breve argumentação da autoridade julgadora de primeira instância, que resume perfeitamente meu entendimento sobre o tema e é assim aqui adotada como razão de decidir adicional, verbis: "(...) Ora, para a atividade “Administração pública em geral” o código CNAE é 84116/00, válido durante todo o período do lançamento fiscal, a alíquota é 2%. A eventual circunstância de que a maioria dos segurados/empregados vinculados ao Contribuinte trabalhe na área de ensino fundamental (para a qual alíquota seria de apenas 1%), conforme alegação da Impugnação, não tem o condão de alterar a classificação do Contribuinte no CNAE de órgão da administração pública em geral para estabelecimento de ensino. Os estabelecimentos de ensino têm CNAE específicos, que pressupõe um conjunto de profissionais voltados direta ou indiretamente para a atividade de ensino, é evidente. Neste conjunto de profissionais podese incluir além do pessoal diretamente ligado à atividade pedagógica propriamente (os professores e afins), todo o pessoal de apoio (limpeza, cozinha etc). E é justamente deste conjunto de atividades, considerando a incidência de acidentes do trabalho e a demanda por benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, que é determinada e fixada a respectiva alíquota de contribuição previdenciária. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 19311.720251/201271 Acórdão n.º 9202006.593 CSRFT2 Fl. 197 9 O mesmo raciocínio se aplica aos empregadores classificados como “administração pública em geral”, para a qual também há um conjunto de atividades, do qual se extrai o respectivo grau de risco. Ou seja, a atividade preponderante das Prefeituras Municipais é justamente a de “administração pública em geral” e, não, especificamente (ou simplesmente), a prestação de serviços de saúde, de educação, de segurança, de assistência social, de limpeza, de fiscalização (das posturas ou tributos municipais), serviços burocráticos e administrativos, em geral etc, pois somente a partir deste raciocínio é que se pode dar validade às disposições do parágrafo quarto do artigo 202 do Decreto 3.048/1999, segundo o qual “A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V”. (...)" Diante do exposto, considero escorreito o lançamento realizado, e, destarte, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 197DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.934312/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2007
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.198
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2007 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 43 12 /2 00 9- 39 Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.934312/200939 Acórdão n.º 3402005.198 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.884, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.934312/200939 Acórdão n.º 3402005.198 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.934312/200939 Acórdão n.º 3402005.198 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.934312/200939 Acórdão n.º 3402005.198 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.934312/200939 Acórdão n.º 3402005.198 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11080.934312/200939 Acórdão n.º 3402005.198 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11080.934312/200939 Acórdão n.º 3402005.198 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11080.934312/200939 Acórdão n.º 3402005.198 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11080.934312/200939 Acórdão n.º 3402005.198 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000400/2008-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS. ARGUMENTO DA NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE SER CONHECIDA DE OFÍCIO PELO JULGADOR.
A necessidade ou não de realização de lançamento de ofício para alteração da base de cálculo dos débitos em pedido de ressarcimento é matéria que deve ser alegada pela parte interessada, não se tratando de hipótese que deva ser reconhecida de ofício pelo Juiz.
Transpondo a análise para a nova legislação processual civil (Código de Processo Civil de 2015), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, verifica-se terem sido ampliadas as possibilidades de atuação de ofício do julgador nos autos do processo, inclusive requisitando e determinando a realização de provas quando entender necessário à solução do litígio. No entanto, com relação aos argumentos e requerimentos que devem ser veiculados pelas partes, não se observa a condição do julgador de trazer as alegações "de ofício", salvo as hipóteses ali previstas e questões de ordem pública, situação que não se configura nos presentes autos.
Numero da decisão: 9303-006.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento com retorno dos autos ao Colegiado de origem, para apreciação das glosas relativas à não inclusão na base de calculo do PIS dos valores relativos ao credito presumido de ICMS e das transferências para terceiros de saldos credores do ICMS decorrentes de exportação.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS. ARGUMENTO DA NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE SER CONHECIDA DE OFÍCIO PELO JULGADOR. A necessidade ou não de realização de lançamento de ofício para alteração da base de cálculo dos débitos em pedido de ressarcimento é matéria que deve ser alegada pela parte interessada, não se tratando de hipótese que deva ser reconhecida de ofício pelo Juiz. Transpondo a análise para a nova legislação processual civil (Código de Processo Civil de 2015), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, verifica-se terem sido ampliadas as possibilidades de atuação de ofício do julgador nos autos do processo, inclusive requisitando e determinando a realização de provas quando entender necessário à solução do litígio. No entanto, com relação aos argumentos e requerimentos que devem ser veiculados pelas partes, não se observa a condição do julgador de trazer as alegações "de ofício", salvo as hipóteses ali previstas e questões de ordem pública, situação que não se configura nos presentes autos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento com retorno dos autos ao Colegiado de origem, para apreciação das glosas relativas à não inclusão na base de calculo do PIS dos valores relativos ao credito presumido de ICMS e das transferências para terceiros de saldos credores do ICMS decorrentes de exportação. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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RESTITUIÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALIBEM ALIMENTOS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS. ARGUMENTO DA NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE SER CONHECIDA DE OFÍCIO PELO JULGADOR. A necessidade ou não de realização de lançamento de ofício para alteração da base de cálculo dos débitos em pedido de ressarcimento é matéria que deve ser alegada pela parte interessada, não se tratando de hipótese que deva ser reconhecida de ofício pelo Juiz. Transpondo a análise para a nova legislação processual civil (Código de Processo Civil de 2015), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, verificase terem sido ampliadas as possibilidades de atuação de ofício do julgador nos autos do processo, inclusive requisitando e determinando a realização de provas quando entender necessário à solução do litígio. No entanto, com relação aos argumentos e requerimentos que devem ser veiculados pelas partes, não se observa a condição do julgador de trazer as alegações "de ofício", salvo as hipóteses ali previstas e questões de ordem pública, situação que não se configura nos presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento com retorno dos autos ao Colegiado de origem, para apreciação das glosas relativas à não inclusão na base de calculo do PIS dos valores relativos ao credito presumido de ICMS e das transferências para terceiros de saldos credores do ICMS decorrentes de exportação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 04 00 /2 00 8- 35 Fl. 415DF CARF MF Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 9303006.608 CSRFT3 Fl. 416 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 383 a 389) com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3302001.741 (fls. 357 a 381) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 18/07/2012, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de créditos presumidos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam, subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência de tais Contribuições necessário seja efetuado lançamento de oficio. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 9303006.608 CSRFT3 Fl. 417 3 PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de Pis e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ. DESPESAS PÓS PRODUÇÃO. MANIPULAÇÃO E PRESERVAÇÃO DE MERCADORIAS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não se equipara a despesa de armazenagem as despesas incorridas com manipulação de mercadorias destinadas a exportação, necessárias à manutenção de sua integridade física ou a seu embarque, incorridas na zona primária ou na zona secundária. Por falta de previsão legal, tais despesas não geram direito a crédito do PIS e da Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte (grifouse) O processo originase de pedido de ressarcimento/compensação de saldo credor de COFINS nãocumulativo do 3º trimestre de 2007. Houve a glosa do crédito pela não inclusão na base de cálculo da COFINS nãocumulativa os valores referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros, mantida em sede de julgamento de manifestação de inconformidade. Na apreciação do recurso voluntário, entendeu o Colegiado a quo por acolher, de ofício, a preliminar de necessidade de lançamento dos valores relativos à rubrica em questão, provendo em parte a insurgência da Contribuinte. Nessa oportunidade, não resignado em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial e alega divergência com relação à possibilidade de conhecimento de ofício de prejudicial referente à necessidade de lançamento em auto de infração de reajuste na base de cálculo do débito em pedidos de ressarcimento de PIS e COFINS nãocumulativos. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigma o acórdão nº 20403.669. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) se o Contribuinte não alegou argumento que lhe era favorável, não pode o julgador suprir providência que exclusivamente cabia ao interessado, subvertendo o princípio do devido processo legal e as demais prescrições legais sobre o ônus da impugnação especificada dos fatos, da proibição de julgamento extra petita e da preclusão; (b) o artigo 128 do Código de Processo Civil/1973, então vigente, revela que a lei processual consagrou o princípio da adstrição do julgador ao pedido da parte, como decorrente do princípio dispositivo. Assim, o órgão julgador de segunda instância deve decidir também de acordo com a matéria inserta no recurso voluntário; Fl. 417DF CARF MF Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 9303006.608 CSRFT3 Fl. 418 4 (c) o acórdão recorrido é nulo no ponto atacado, por ter concedido matéria de ofício, que não foi objeto do recurso voluntário, nos termos do art. 460 do Código de Processo Civil/1973; (d) por fim, requer o provimento do recurso especial para restabelecer a decisão da DRJ em seu inteiro teor. Foi dado seguimento ao recurso especial, nos termos do despacho S/Nº, de 10/11/2015 (fls. 403 a 406), proferido pelo Ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte tomou ciência do recurso especial da Procuradoria e não apresentou contrarrazões (fls. 413). O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio eletrônico, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, cingese a controvérsia à possibilidade de conhecimento de ofício de prejudicial referente à necessidade de lançamento em auto de infração de reajuste na base de cálculo do débito em pedidos de ressarcimento de PIS e COFINS nãocumulativos. Com a devida vênia ao acórdão proferido pelo Colegiado a quo e embora possa reconhecer e concordar com fundamentos relativos à necessidade de realização do lançamento de ofício para alterar a base de cálculo do tributo pretendido ressarcir, não se verifica a Fl. 418DF CARF MF Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 9303006.608 CSRFT3 Fl. 419 5 possibilidade de o julgador conhecer da preliminar de ofício. Tratase de matéria que deve ser suscitada pelas partes envolvidas no processo administrativo. Há entendimento deste Conselho em ambos os sentidos: ser necessário o lançamento para alterar a base de cálculo do tributo pretendido ressarcir; bem como existir a possibilidade de ser verificada a correção da base de cálculo nos próprios autos do pedido de ressarcimento/compensação, tendo em vista a necessidade de tornar a obrigação líquida e certa para que ocorra o pagamento pelo Poder Público do montante a ressarcir. Portanto, a necessidade ou não de realização de lançamento de ofício é matéria que poderia ter sido alegada pela parte desde o início da discussão travada no processo administrativo, não se tratando de hipótese que deva ser reconhecida de ofício pelo Juiz. Transpondo a análise para a nova legislação processual civil (Código de Processo Civil de 2015), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, verifica se terem sido ampliadas as possibilidades de atuação de ofício do julgador nos autos do processo, inclusive requisitando e determinando a realização de provas quando entender necessário à solução do litígio. No entanto, com relação aos argumentos e requerimentos que devem ser veiculados pelas partes, não se observa a condição do julgador de trazer as alegações "de ofício", salvo as hipóteses ali previstas e as questões de ordem pública, como a prescrição e a decadência, exemplificativamente. Para elucidar o raciocínio, são transcritos abaixo alguns dos dispositivos do novo CPC/2015 demonstrando os momentos em que o juiz atuará de ofício nos autos: CPC/2015 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. [...] Art. 278. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos, sob pena de preclusão. Parágrafo único. Não se aplica o disposto no caput às nulidades que o juiz deva decretar de ofício, nem prevalece a preclusão provando a parte legítimo impedimento. [...] Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: I inexistência ou nulidade da citação; II incompetência absoluta e relativa; Fl. 419DF CARF MF Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 9303006.608 CSRFT3 Fl. 420 6 III incorreção do valor da causa; IV inépcia da petição inicial; V perempção; VI litispendência; VII coisa julgada; VIII conexão; IX incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização; X convenção de arbitragem; XI ausência de legitimidade ou de interesse processual; XII falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar; XIII indevida concessão do benefício de gratuidade de justiça. §1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. §2º Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. §3º Há litispendência quando se repete ação que está em curso. §4º Há coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em julgado. §5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. [...] Art. 370. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito. Parágrafo único. O juiz indeferirá, em decisão fundamentada, as diligências inúteis ou meramente protelatórias. [...] Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: I indeferir a petição inicial; II o processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes; III por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias; Fl. 420DF CARF MF Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 9303006.608 CSRFT3 Fl. 421 7 IV verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; V reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; VI verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; VII acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; VIII homologar a desistência da ação; IX em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição legal; e X nos demais casos prescritos neste Código. §1º Nas hipóteses descritas nos incisos II e III, a parte será intimada pessoalmente para suprir a falta no prazo de 5 (cinco) dias. §2º No caso do § 1o, quanto ao inciso II, as partes pagarão proporcionalmente as custas, e, quanto ao inciso III, o autor será condenado ao pagamento das despesas e dos honorários de advogado. §3º O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. §4º Oferecida a contestação, o autor não poderá, sem o consentimento do réu, desistir da ação. §5º A desistência da ação pode ser apresentada até a sentença. §6º Oferecida a contestação, a extinção do processo por abandono da causa pelo autor depende de requerimento do réu. §7º Interposta a apelação em qualquer dos casos de que tratam os incisos deste artigo, o juiz terá 5 (cinco) dias para retratarse. [...] Art. 493. Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomálo em consideração, de ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a decisão. Parágrafo único. Se constatar de ofício o fato novo, o juiz ouvirá as partes sobre ele antes de decidir. [...] Fl. 421DF CARF MF Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 9303006.608 CSRFT3 Fl. 422 8 Art. 803. É nula a execução se: I o título executivo extrajudicial não corresponder a obrigação certa, líquida e exigível; II o executado não for regularmente citado; III for instaurada antes de se verificar a condição ou de ocorrer o termo. Parágrafo único. A nulidade de que cuida este artigo será pronunciada pelo juiz, de ofício ou a requerimento da parte, independentemente de embargos à execução. [...] Art. 938. A questão preliminar suscitada no julgamento será decidida antes do mérito, deste não se conhecendo caso seja incompatível com a decisão. §1º Constatada a ocorrência de vício sanável, inclusive aquele que possa ser conhecido de ofício, o relator determinará a realização ou a renovação do ato processual, no próprio tribunal ou em primeiro grau de jurisdição, intimadas as partes. §2º Cumprida a diligência de que trata o § 1o, o relator, sempre que possível, prosseguirá no julgamento do recurso. §3º Reconhecida a necessidade de produção de prova, o relator converterá o julgamento em diligência, que se realizará no tribunal ou em primeiro grau de jurisdição, decidindose o recurso após a conclusão da instrução. §4º Quando não determinadas pelo relator, as providências indicadas nos §§ 1o e 3o poderão ser determinadas pelo órgão competente para julgamento do recurso. (grifouse) Importa registrar não se estar analisando se, na hipótese de discordância da base de cálculo do tributo, deveria ou não a Autoridade Fiscal promover o respectivo lançamento, mas sim se esse argumento pode ser suscitado de ofício pelo Relator. E, nesta hipótese, entendese deva ser suscitado pela parte do processo a quem aproveitaria essa declaração de vício do ato administrativo, e não suscitada de ofício pelo julgador. Consectário lógico da presente decisão é que ficam restabelecidas as glosas decorrentes da não inclusão na base de calculo do PIS dos valores relativos ao credito presumido de ICMS e das transferências para terceiros de saldos credores do ICMS, devendo os autos retornar ao Colegiado a quo para decidir o mérito das referidas discussões. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 11686.000400/200835 Acórdão n.º 9303006.608 CSRFT3 Fl. 423 9 Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, com retorno dos autos ao Colegiado de origem, para apreciação das glosas relativas à não inclusão na base de calculo do PIS dos valores relativos ao credito presumido de ICMS e das transferências para terceiros de saldos credores do ICMS decorrentes de exportação. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 423DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720026/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS
A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos reflexos, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009
AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. AUDITORIA FISCAL. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA.
O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Enunciado da Súmula CARF nº 8.
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis.
MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE DOLO.
Justifica-se a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nas hipóteses em que não restar configurado o intuito doloso, aplica-se a penalidade de 75%.
Numero da decisão: 1301-002.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, e os pedidos diligência e de perícia, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%. Ausente momentânea e justificadamente o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Breno do Carmo Moreira Vieira.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos reflexos, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009 AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. AUDITORIA FISCAL. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Enunciado da Súmula CARF nº 8. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE DOLO. Justifica-se a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nas hipóteses em que não restar configurado o intuito doloso, aplica-se a penalidade de 75%.
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DE PLÁSTICOS REFORÇADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos reflexos, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. AUDITORIA FISCAL. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Enunciado da Súmula CARF nº 8. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratandose da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 00 26 /2 01 3- 15 Fl. 359DF CARF MF Processo nº 19311.720026/201315 Acórdão n.º 1301002.984 S1C3T1 Fl. 360 2 disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE DOLO. Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nas hipóteses em que não restar configurado o intuito doloso, aplicase a penalidade de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, e os pedidos diligência e de perícia, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%. Ausente momentânea e justificadamente o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Breno do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 19311.720026/201315 Acórdão n.º 1301002.984 S1C3T1 Fl. 361 3 Relatório OURO GLASS INDÚSTRIA E COM. DE PLÁSTICOS REFORÇADOS LTDA recorre a este Conselho em face do acórdão nº 0127.122 proferido pela 1ª Turma da DRJ em Belém que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: I – DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins), e de Contribuição Patronal Previdenciária, referente ao anocalendário de 2008, com os lançamentos discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 11.2012). TRIBUTO IMPOSTO R$ JUROS DE MORA R$ MULTA – R$ TOTAL – R$ IRPJ 338.931,40 128.273,89 508.397,08 975.602,37 PIS 110.668,66 41.907,77 166.032,97 318.629,40 COFINS 510.870,93 193.420,66 766.306,38 1.470.597,97 CSLL 183.913,50 69.631,39 275.870,24 529.415,13 TOTAL 3.294.244,87 A impugnante tomou ciência do auto de Infração em 25/03/2013.(fls. 235). II– DAS INFRAÇÕES LANÇADAS 2. A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária, a saber: 2.1 – OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 2.2 – DA MULTA QUALIFICADA DE 150% Fl. 361DF CARF MF Processo nº 19311.720026/201315 Acórdão n.º 1301002.984 S1C3T1 Fl. 362 4 CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA Em razão dos fatos apurados, fica configurada a prática de sonegação, definida pelo artigo 71 da Lei n? 4.502/64, justificandose a penalidade de ofício de duplicada (150%), prevista no § 1º do artigo 44 da Lei n? 9.430/96, alterados pelo artigo 14 da Lei n 11.488/2007. Artigo 71 da Lei nº 4.502/64 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. III DA IMPUGNAÇÃO 3 Em 24/04/2013, a Empresa apresentou impugnação ao Auto de infração (fls. 237/259), e alega em síntese: a) Ser inválido o procedimento fiscal por ser a auditoria atividade privativa de contador; b) Tece comentários sobre a forma de tributação das pessoas jurídicas, ressaltando que no momento da imputação da omissão de receita, a autoridade administrativa “dispunha de todos os elementos contábeis e livros obrigatórios”, afirmando ainda que “A única base para a alegação de omissão de receitas foi a confrontação de NOTAS FISCAIS COM QUANTIDADE DE BOLETOS DE COBRANÇA, SEM NENHUM OUTRO ELEMENTO DE CONVICÇÃO dentro da realidade contábil da IMPUGNANTE”. c) Prossegue: “Ao ignorar que os pagamentos são parcelados de uma mesma nota fiscal acarretamse diversos boletos, sem caracterizar a omissão de receitas ou cobrança sem notas fiscais de origem, resta impugnado o critério fiscal, pois ausente o cumprimento da legislação. A referida OMISSÃO de RECEITA foi alvo de AFERIÇÃO DE ORIGEM DA RECEITA OMITIDA para apuração a sua REPERCUSSÃO ECONÔMICA RESULTANDO NEGATIVO QUALQUER ELEMENTO de OMISSÃO DE RECEITA. Desta feita, por opção do AFRFB este realizou a aferição indireta da receita auferida e do eventual lucro tributável bem como da base de cálculo para fins de IPI e outras contribuições e Impostos, independente da alegada omissão de receitas Fl. 362DF CARF MF Processo nº 19311.720026/201315 Acórdão n.º 1301002.984 S1C3T1 Fl. 363 5 decorrente de apuração indireta de movimentação de boletos bancários, depósitos em conta e outras movimentações financeiras visto que, isoladamente, a presente apuração não é capaz de gerar nenhum efeito, em que pese as considerações já realizadas anteriormente, necessário se faz apreciar a possibilidade fática da omissão da receita, alternativa outra não restou que não a AFERIÇÃO DO LUCRO POR ARBITRAMENTO com a ESTIMATIVA DE RECEITAS.”; d) Em seguida, faz histórico da legislação acerca do tema, manifestando entendimento de que “Quando da análise da aferição da RECEITA DA IMPUGNANTE, notase claramente que o procedimento administrativo que imputou uma omissão de receita no valor de R$ mais de R$ 9.800.000, 00 (nove milhões e oitocentos mil reais) o fez em afronta aos princípios norteadores decorrentes da Lei 8981/95.”; e) “A obrigação tributária é decorrente da aferição de um fato potencialmente tributável previsto em lei que a estabeleça, assim sendo, a mera declaração de rendimentos ou de receita, mesmo que voluntária, desprovida de realidade fática , não é passível de ensejar ao ente tributante a possibilidade de exigir o tributo.”; f) “Para casos como o constatado no presente procedimento, cuja RECEITA BRUTA NÃO É CONHECIDA diante da desconsideração da receita declarada pela autuante, a legislação estabelece o procedimento adequado a ser enquadrado no caso vertente, ressaltando que o teor da autuação lavrada pelo fisco federal se encontra ao arrepio da lei e não encontra amparo.”; g) “O procedimento fiscal aplicável está regulado no disposto no artigo 51 da Lei 8981/95, que dispõe sobre o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, QUANDO NÃO CONHECIDA A SUA RECEITA BRUTA, (...)” h) “Ainda, para melhor elucidar a total impossibilidade legal de imputação de omissão de receita pelo montante integral do valor constante da suposta movimentação financeira, isto pura e simplesmente como realizado, que imprescindível se faz a apreciação do dispositivo legal que respaldaria a imputação realizada.”; i) Acrescenta: “A Lei n° 8.846 de 21 de janeiro de 1994 estabelece a possibilidade de apuração pela autoridade fiscal de valores decorrentes de suposta omissão de receitas, senão vejamos : (...) A imputação de omissão de receita no montante apresentado pela autoridade fiscal NÃO ENCONTRA AMPARO LEGAL E FÁTICO, pois A APURAÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA SÃO MEROS INDÍCIOS DE OMISSÃO DE RECEITA, não dispensando a aferição pela autoridade de saldo tributável, eventualmente omisso. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 19311.720026/201315 Acórdão n.º 1301002.984 S1C3T1 Fl. 364 6 Assim SENDO NÃO SUBSISTEM AS PENDÊNCIAS ALEGADAS ESTANDO PLENAMENTE SATISFEITAS AS OBRIGAÇÕES FISCAIS, SENDO nula a autuação quando regular a sua situação fiscal, RAZÃO PELA QUAL IMPRESCINDÍVEL A REFORMA DA DECISÃO PROFERIDA PELA AUTUANTE, até porque gerando tributos que não são devidos pela condição suspensiva e sua manutenção no simples até o presente momento.”; j) “O contribuinte, ora impugnante NÃO PODE SER RESPONSABILIZADO PELO DESTINO ATRIBUÍDO AC SEU PRODUTO, SENDO CERTO QUE IMPOSSÍVEL PREVER QUAL USO SERÁ REALIZADO DO RESERVATÓRIO APÓS A VENDA”; k) “No mais, não houve nenhum procedimento pelo autuante para aferir o produto industrializado, limitandose ao procedimento documental.”; l) “A omissão desta diligências acarreta o cerceamento de defesa e afronta ao artigo 5o LV da CF , tornando nula a decisão administrativa.”; m) A impugnante alega que o direito à ampla defesa foi violado, pois o RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO não coincide com a realidade; n) Pede diligência nos seguintes termos: Diante de todo o exposto requer finalmente dignese esta UNIDADE DE JULGAMENTO venha determinar a realização de todas as diligências necessárias à instrução do presente processo , nos termos do artigo 14 , II da Lei 13.457/2009, em especial a prova pericial contábil e técnica para aferir o produto industrializado pela autuada. .............................................................................................................. .......... Desta feita imprescindível seja apreciada integralmente a defesa apresentada, acarretando a omissão em sua decisão nulidade e inexigibilidade , inclusive impondo a autoridade administrativa eventual crime funcional , a ser apurado em procedimento próprio , se mantida a omissão o) Dos pedidos: Requer finalmente, seja acolhida integralmente a impugnação apresentada, ANULANDO O AUTO DE INFRAÇÃO e a MULTA supra epigrafado, afastando a exigência de valores relativo a falta de pagamento de tributos por omissão de receitas, inexistindo práticas passíveis de autuação fiscal, especialmente por tratarse de estrito cumprimento da legalidade. . Requer a anulação do AI por ser lavrado por auditor fiscal que não preenche as condições de habilitação profissional em Ciências contábeis, afastando todos Fl. 364DF CARF MF Processo nº 19311.720026/201315 Acórdão n.º 1301002.984 S1C3T1 Fl. 365 7 os efeitos do trabalho realizado, diante de ser atividade regulamentada. Requer seja desconsiderado o levantamento técnico contábil POR ABSOLUTA FALTA DE AMPARO FÁTICO E TÉCNICO PASSÍVEL, pois necessário faz se a capitulação adequada ao fatos narrados, o que inocorre no caso vertente, razão de sua nulidade, visto que as receitas apresentadas e declaradas pelo impugnante são corretas e correspondem ao efetivo faturamento da empresa, restando IMPUGNADO A EXIGÊNCIA E A IMPUTAÇÃO DE DIFERENÇAS DE IRPJ E SEUS REFLEXOS no PIS, COFINS, CSSL e todos os demais incidentes, inclusive multas. Protesta por todos os meios de prova em direito admitidas, em especial a prova pericial a qual desde já apresenta os quesitos:". a) Como foi apurado o valor da receita tributável? b) Há algum outro indicio de operação comercial e industrial que não sejam movimentações financeiras diversas? c) Esclareça qual a diferença entre piscina e reservatório ? d)Os produtos da impugnante são reservatórios? Requer finalmente, caso entenda esta autoridade administrativa pela manutenção do AI , o que se admite apenas em hipótese , requer seja RELEVADA A MULTA ou se inviável REDUZIDA A MULTA diante da comprovada ausência de dolo ou intenção do autuado.(grifamos) Requer seja apresentada a impugnação para manifestação fiscal e após realizadas as provas requeridas . Requer todas as intimações sejam realizadas em nome de Dr Eduardo Birkman , OAB/SP n° 93.497 , estabelecido à Rua Suinã , 235, Atibaia , São Paulo, CEP 12.949310 . Requer finalmente seja JULGADO IMPROCEDENTE e ANULADO o Auto de infração e Multa integralmente , por ser a única forma de se fazer prevalecer a mais lidima.” p) A Impugnante, ao fundamentar seus argumentos, menciona decisões administrativas e judiciais. Analisando a impugnação apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 04 de outubro de 2013 (fl. 308), apresentando recurso voluntário de fls. 310342 em 17 de outubro de 2013. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 19311.720026/201315 Acórdão n.º 1301002.984 S1C3T1 Fl. 366 8 Em síntese, reafirma os argumentos de sua impugnação, requerendo ainda a nulidade do julgamento de primeira instância por ausência do devido processo legal e inexistência de efetivo julgamento. É o relatório. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 19311.720026/201315 Acórdão n.º 1301002.984 S1C3T1 Fl. 367 9 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade do recurso, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 PRELIMINARES 2.1 NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ – INEXISTÊNCIA DE EFETIVO JULGAMENTO Alega genericamente a recorrente que a decisão recorrida seria nula por inexistência de efetivo julgamento. Analisando a argumentação da recorrente, constatase que não há qualquer apontamento da irregularidade que teria a decisão de primeira instância. Além disso, observo que a decisão enfrentou todos os pedidos realizados pela impugnante, fundamentandoos suficientemente, não havendo que se falar em qualquer espécie de nulidade ou prejuízo ao exercício da ampla defesa por parte da recorrente. Por essa razão, rejeito a arguição de nulidade da decisão de primeira instância. 2.2 DA EXIGÊNCIA DE CONTADOR PARA SE PROCEDER À AUDITORIA FISCAL Aduz a recorrente que o AuditorFiscal da Receita Federal autuante não possuiria inscrição no Conselho Regional de Contabilidade (CRC), o que inviabilizaria a realização de perícia contábil. A matéria, que jamais chegou a gerar maiores controvérsias, atualmente já é alvo de enunciado de Súmula editada pelo CARF. Vejase o teor do enunciado número 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. No mais, os fundamentos da decisão recorrida rebatem à exaustão qualquer argumentação complementar sobre o tema, razão pela qual, com a devida vênia, os transcrevo a seguir: Primeiramente, há que se distinguir a perícia contábil, atividade exercida por contabilistas, da auditoriafiscal, atividade exercida por auditoresfiscais. Da consulta à obra Dicionário de Contabilidade, de A. Lopes de Sá e Ana M. Lopes de Sá (7ª ed. rev. e ampl., São Paulo, Atlas, 1983), vemos que o verbete “perícia contábil” possui os significados de “verificação de Fl. 367DF CARF MF Processo nº 19311.720026/201315 Acórdão n.º 1301002.984 S1C3T1 Fl. 368 10 registros contábeis; análise para verificar a exatidão de fatos registrados; processo usado na técnica da Contabilidade para obter dados pela verificação de registros realizados” (p. 319). No verbete “perícia fiscal” encontramos: “exame de escrita efetuado por agentes fiscais nos livros do contribuinte, para verificar a exatidão do pagamento de tributos. O fisco costuma realizar seu trabalho mediante Programas de Fiscalização” (p. 320). No mesmo dicionário (p. 32), encontramos que auditoria tem o mesmo significado que perícia, tendo sido mais usada nos últimos tempos por se tratar de palavra com origem na língua inglesa (auditing), língua essa que vem predominando na seara administrativa e contábil. Assim, quando um contador, que inegavelmente deve ser registrado no Conselho Regional de Contabilidade (CRC), faz uma auditoria, seu escopo é bem diferente do abrangido pelo agente do Fisco, ao fazer uma auditoriafiscal. Aquele verifica as operações e os lançamentos usualmente com a finalidade de emitir um parecer técnico de auditoria, atestando que as demonstrações financeiras da empresa correspondem à realidade dos fatos e obedecem aos princípios de contabilidade geralmente aceitos. O pano de fundo é a lei comercial. Destinatários são os acionistas e o mercado acionário em geral. O Estado não verifica direta e regularmente a competência e a integridade dos profissionais que exercem tal atividade. Isso toca aos CRCs. Já o AuditorFiscal, como agente do Estado, verifica operações contábeis tãosomente com o objetivo de certificarse do fiel cumprimento das obrigações tributárias. O pano de fundo predominante é a lei fiscal. O conhecimento contábil é meramente instrumental. Seu trabalho não servirá para dar qualquer informação à sociedade, mas para cobrar tributos que eventualmente não tenham sido pagos. Quem verifica sua competência e integridade, por meio da Administração Direta, é o próprio Estado, maior interessado em que sua atividade seja exercida da forma mais eficiente possível. Quem define suas atribuições é a lei federal, que não condiciona, em momento algum, que ele seja registrado em qualquer órgão. Sequer se lhe exige a formação em Contabilidade. Assim, para verificar o cumprimento das obrigações fiscais dos contribuintes, o AFRF se serve dos documentos e da contabilidade da empresa. Isso não significa, em hipótese alguma, que o AFRF esteja desempenhando funções reservadas legalmente aos contadores habilitados, tais como confecção e assinatura de demonstrativos contábeis, mas apenas servindose do trabalho produzido pelos contadores para sua fiscalização. Por fim, cabe salientar as súmulas são de observância obrigatória por parte dos membros do CARF, nos termos do art. 72 do Anexo II do RICARF. Rejeito, assim, também essa arguição de nulidade suscitada. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 19311.720026/201315 Acórdão n.º 1301002.984 S1C3T1 Fl. 369 11 2.3 DA AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO DE FAZER PROVA CONTRA SI MESMO A recorrente argumenta que não seria obrigada a apresentar os extratos bancários, tampouco comprovar a origem dos créditos em suas contas bancárias De fato, não pode a fiscalização exigir o cumprimento dessas obrigações. Uma vez intimado a apresentar os extratos bancários, pode ou não o contribuinte fazêlo. Não o apresentando, a autoridade fiscal dispõe dos poderes elencados na Lei Complementar 105 e no Decreto nº 3.724, de 2001, para buscar acesso a essas informações do contribuinte diretamente das instituições financeiras, desde que cumpridos os pressupostos legais e regulamentares para tanto. Após isso, a fiscalização intimou a recorrente a comprovar a origem dos depósitos, o que não foi realizado durante o procedimento fiscal, tampouco na apresentação de sua impugnação e do recurso voluntário ora em análise. A intimação para apresentação da comprovação da origem dos créditos em contas bancárias está prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, novamente o contribuinte não está obrigado a fazer essa comprovação. Contudo, assim não procedendo, dispõe esse dispositivo legal que os créditos em questão serão considerados como receitas auferidas. Conforme se observa, o procedimento adotado pelo Fisco está em absoluta sintonia com o disposto na legislação, não havendo que se falar em qualquer nulidade no lançamento. No mais, os argumentos da recorrente dizem respeito ao mérito da exigência e serão analisados em ponto específico deste voto. 2.3 DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA E DE PERÍCIA A Recorrente requereu em sua impugnação, e também em sede de recurso voluntário, a realização de diligência e de perícia a fim de, em resumo, demonstrar que grande parte dos recursos movimentados em suas contas correntes diz respeito a valores estranhos ao seu faturamento e que a falta de diligência para aferição do produto industrializado fabricado pela empresa caracterizaria cerceamento do direito de defesa. O pedido foi indeferido pela decisão recorrida de forma fundamentada. Além de requerer a declaração de nulidade da decisão de primeira instância, a requerente renova o pedido de diligência e de perícia. O inciso IV do art. 16 e o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993), assim dispõem: Art. 16 – A impugnação mencionará: [...] Fl. 369DF CARF MF Processo nº 19311.720026/201315 Acórdão n.º 1301002.984 S1C3T1 Fl. 370 12 IV – As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 09/12/93). [...] Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, tanto a perícia quanto a diligência objetivam a comprovação de elementos ou fatos que o contribuinte não pôde trazer aos autos. No caso ora examinado tratase da exigência de tributos sobre suposta omissão de receitas baseada em presunção legal insculpida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Para elidir a presunção de omissão de receitas baseadas em depósitos bancários bastaria ao recorrente demonstrar que determinados depósitos possuíam origem em operação que não denotava a obtenção de renda. Tanto em sua impugnação, quanto em sede de recurso voluntário, o contribuinte limitouse a argumentar de que muitos dos depósitos não se referiam à renda, sem trazer à baila elementos suficientes que pudessem comprovar suas alegações, conforme será analisado com mais quando do julgamento do mérito da lide. Dessa forma, resta demonstrada a desnecessidade de diligência, uma vez que, conforme dispõe o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, compete à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. Diante do exposto, indefiro o pedido de diligência e perícia, bem como a arguição de nulidade da decisão de primeira instância. 3 MÉRITO A recorrente é acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em sua defesa, argumenta a recorrente que não se admitiria o levantamento indireto de receitas no caso concreto, e que se o Fisco entende que não poderia ser considerada conhecida sua receita deveria arbitrar o lucro com base nos critérios específicos previstos no art. 51 da Lei nº 8.981, de 1995. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 19311.720026/201315 Acórdão n.º 1301002.984 S1C3T1 Fl. 371 13 Ora, equivocase a recorrente em sua argumentação. Não há que se falar em não conhecimento de sua receita bruta, tampouco em aferições indiretas para determinar seu lucro. A exigência diz respeito a omissão de receitas com base em presunção legal estampada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, transcrita alhures. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 374, inciso IV, do Código de Processo Civil – CPC/2015 – equivalente ao art. 334, inciso IV, do CPC/1973), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 374. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 19311.720026/201315 Acórdão n.º 1301002.984 S1C3T1 Fl. 372 14 Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. A recorrente foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente. Para a turma julgadora de primeira instância, não houve comprovação da origem dos créditos em suas contas, uma vez que meras alegações não possuem o condão de comprovar a origem dos valores depositados ou creditados em suas contas bancárias. Em sede de recurso voluntário não foram apresentados quaisquer novos documentos. Nesse contexto, impende concluir que competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirmou, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido dispõe os art. 373 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (CPC/2015, em consonância com o art. 333 do CPC 1973): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 19311.720026/201315 Acórdão n.º 1301002.984 S1C3T1 Fl. 373 15 Corroborando tal tese, convém transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte Fl. 373DF CARF MF Processo nº 19311.720026/201315 Acórdão n.º 1301002.984 S1C3T1 Fl. 374 16 do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) De acordo com o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a autoridade administrativa encontrase submetida ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de examinar outras questões como as suscitadas pelo Contribuinte em seu recurso, uma vez que às autoridades tributárias cabe aplicar a lei e obrigar seu cumprimento. O princípio da legalidade, assentado no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, e o previsto no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, vinculam a atividade do lançamento à lei, sob pena de responsabilidade funcional. No caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria. Por fim, cabe ressaltar que o tema já foi pacificado no âmbito do processo administrativo fiscal com a edição da Súmula 26 do CARF, a seguir transcrita: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” A respeito da Súmula 182 expedida pelo extinto Tribunal Federal de Recursos, referiase à legislação já revogada (art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90), portanto, não aplicável ao art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ante o exposto, confirmase a omissão de receita apurada em depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 19311.720026/201315 Acórdão n.º 1301002.984 S1C3T1 Fl. 375 17 4 LANÇAMENTOS REFLEXOS Os lançamentos do Programa de Integração Social, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Lucro Arbitrado) foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS, conforme dispões o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, que assim dispõe: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Assim, como a omissão de receita foi mantida para fins de exigência de IRPJ, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter essas exigências nas mesmas condições em relação à CSLL, PIS e Cofins, ante a íntima relação de causa e efeito. 5 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Alega o recorrente que a penalidade aplicada deveria ser relevada, ou se inviável, reduzida. Pois bem, a multa de 150% sobre o imposto de renda e contribuições apuradas com base com base em provas diretas, prevista no art. 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, foi aplicada tendo em vista a intenção dolosa do contribuinte de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador (multa qualificada). Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 375DF CARF MF Processo nº 19311.720026/201315 Acórdão n.º 1301002.984 S1C3T1 Fl. 376 18 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Como visto, nos termos do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 19311.720026/201315 Acórdão n.º 1301002.984 S1C3T1 Fl. 377 19 Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. Tratandose de lançamento baseado em omissão de receitas com base em presunção legal estampada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996), entendo não restar caracterizado o dolo, uma vez ausente qualquer elemento adicional à própria exigência do tributo. Por conseguinte entendo ser aplicável o Enunciado nº 25 da Súmula CARF, assim vazado: “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” Em relação ao pedido para relevar a multa aplicada, não há base legal para tanto, uma vez que as penalidades ora em discussão continuam em plena vigência, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. No que se refere às citações de acórdãos administrativos, cumpre destacar que não se aplicam ao presente processo, a teor do art. 100, do CTN, por inexistir lei que lhes atribua eficácia normativa; cabe ressaltar, ainda, que no tocante a decisões judiciais, em que a interessada não figura em qualquer dos polos da relação jurídica, as mesmas somente têm efeito entre as partes componentes dos respectivos processos judiciais. Desse modo, voto por reduzir multa de ofício para 75%. 6 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar as arguições de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, e os pedidos de diligência e de perícia, e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001931/2004-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9101-000.056
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para dar ciência ao contribuinte do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade, oportunizando-lhe a reabertura de prazo para a apresentação de novas contrarrazões, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner, Rogério Aparecido Gil (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que entenderam não ser necessária a conversão do julgamento em diligência.
(assinatura digital)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Rogério Aparecido Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para dar ciência ao contribuinte do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade, oportunizandolhe a reabertura de prazo para a apresentação de novas contrarrazões, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner, Rogério Aparecido Gil (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que entenderam não ser necessária a conversão do julgamento em diligência. (assinatura digital) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Rogério Aparecido Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 93 1/ 20 04 -1 4 Fl. 879DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 879 ___________ Relatório e voto Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em que figura como interessado JANSSEN CILAG FARMACÊUTICA LTDA. Em sede de contrarrazões, o contribuinte requer seja não conhecido o recurso especial interposto pela PFN, tendo em vista: (i) "ausência de fundamentação e de coerência lógica interno do recurso"; (ii) ausência de paradigma hábil para demonstrar a divergência; (iii) ausência de transcrição do inteiro teor da ementa. Quanto à “ausência de fundamentação e de coerência lógica interno do recurso”, o contribuinte apresenta em suas contrarrazões exposição de que não haveria conexão entre o fim das frases formuladas em uma das páginas com o início das seguintes. Expõe que, embora a numeração das páginas seja sequencial, não há conexão lógica entre estas. O contribuinte despendeu considerável esforço argumentativo a fim de demonstrar a aludida “ausência de fundamentação e de coerência lógica interno do recurso”, in verbis: Fl. 880DF CARF MF Processo nº 16327.001931/200414 Resolução nº 9101000.056 CSRFT1 Fl. 880 3 Fl. 881DF CARF MF Processo nº 16327.001931/200414 Resolução nº 9101000.056 CSRFT1 Fl. 881 4 Fl. 882DF CARF MF Processo nº 16327.001931/200414 Resolução nº 9101000.056 CSRFT1 Fl. 882 5 Fl. 883DF CARF MF Processo nº 16327.001931/200414 Resolução nº 9101000.056 CSRFT1 Fl. 883 6 Fl. 884DF CARF MF Processo nº 16327.001931/200414 Resolução nº 9101000.056 CSRFT1 Fl. 884 7 Compulsando os autos, é possível verificar situação distinta da narrada pelo contribuinte em suas contrarrazões: no eprocesso, as páginas do recurso especial da PFN apresentam sequência lógica e há conexão entre o fim de uma página e o início da outra. No entanto, também é possível vislumbrar o tenha levado o contribuinte à compreensão exposta em sede de contrarrazões. Verificase dos autos que: (i) o recurso especial da PFN foi apresentado em forma física, como era o procedimento em 2011; (ii) o recurso foi impresso “frente e verso”, o que se pode ser verificado pela posição dos furos das folhas que as mantinham afixadas aos autos, com a intercalação dos furos nos lados esquerdo e direito das folhas; (iii) houve a numeração apenas da face de cada uma dessas folhas, não sendo oposta numeração no verso destas. Partindose do princípio da boafé entre as partes litigantes, o esforço argumentativo do contribuinte leva a crer terlhe sido fornecidas cópias apenas da face das aludidas folhas, todas numeradas e sequenciais, embora não lhe tenham sido fornecidas cópias do verso das folhas do recurso especial interposto pela PFN (estas não numeradas). Em outras palavras, tudo leva a crer que o Tribunal forneceu ao contribuinte cópia apenas parcial do referido recurso especial. Em face do princípio do devido processo legal, contraditório e da ampla defesa, compreendo que o julgamento do recurso especial não pode ter prosseguimento antes de ser garantido ao contribuinte efetiva ciência do inteiro teor do recurso especial interposto pela PFN, oportunizandolhe a apresentação de novas contrarrazões. Vale observar que parte do Colegiado considerou desnecessária tal providência. Foi, inclusive, ventilada a possibilidade da parte apresentar contrarrazões a um recurso sem ter acesso ao conteúdo deste. Permissa vênia, não compartilho desse posicionamento. Deve ser assegurado às partes pleno conhecimento do inteiro teor das peças processuais, assegurandolhes o efetivo exercício do contraditório e da ampla defesa. Caso contrário, o processo tornarseia um jogo de azar, em que um litigante teria que arriscar toda a sorte de argumentos a fim de tentar defenderse daquilo que não sabe se foi ou não alegado. É exatamente isso que se verifica nas contrarrazões do contribuinte, quando este alega que o recurso especial da PFN não deveria ser conhecido, pois não teria sido transcrito o inteiro teor da ementa do acórdão paradigma n. 10322.441: compulsando os autos, verificase que a referida ementa foi efetivamente transcrita pela PFN, mas boa parte dessa transcrição consta no verso de uma das folha (aparentemente não fornecida o contribuinte). Novamente, tudo leva a crer que a referida alegação do contribuinte se dá por não lhe ter sido fornecida cópia integral do recurso especial, obrigandolhe a “arriscar” toda a sorte de argumento para tentar exercer o seu direito de defesa. Portanto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso especial em diligência, a fim de que seja fornecida ao contribuinte cópia integral do recurso especial interposto pela PFN acompanhada do despacho que o admitiu, oportunizandolhe nova apresentação de contrarrazões ao recurso especial no prazo regimental. Após a adoção das aludidas providências, os autos devem retornar a este Conselheiro para prosseguimento do julgamento. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Fl. 885DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.724527/2014-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009, 2010, 2011
DECADÊNCIA. MULTA. VALOR DA MERCADORIA INTRODUZIDA IRREGULARMENTE NO PAÍS.
Em se tratando de Auto de Infração para apurar a aplicação de multa calculado sobre o valor da mercadoria introduzida irregularmente no país, a legislação de regência é a aduaneira e não a tributária, uma vez que a exigência não tem natureza de tributo. Assim, o prazo decadencial é estabelecido pelos arts. 139 do Decreto-lei n. 37/66 e 753 do Regulamento Aduaneiro, os quais estabelecem que o prazo para a constituição da sanção é de 05 (cinco) anos e tem como termo inicial a data da infração.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3302-005.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários para afastar a cobrança da multa imposta sobre as notas fiscais emitidas em data anterior a 05.12.2009.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 10/05/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud , José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Júnior, Raphael M. Abad, e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009, 2010, 2011 DECADÊNCIA. MULTA. VALOR DA MERCADORIA INTRODUZIDA IRREGULARMENTE NO PAÍS. Em se tratando de Auto de Infração para apurar a aplicação de multa calculado sobre o valor da mercadoria introduzida irregularmente no país, a legislação de regência é a aduaneira e não a tributária, uma vez que a exigência não tem natureza de tributo. Assim, o prazo decadencial é estabelecido pelos arts. 139 do Decretolei n. 37/66 e 753 do Regulamento Aduaneiro, os quais estabelecem que o prazo para a constituição da sanção é de 05 (cinco) anos e tem como termo inicial a data da infração. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários para afastar a cobrança da multa imposta sobre as notas fiscais emitidas em data anterior a 05.12.2009. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 45 27 /2 01 4- 49 Fl. 6910DF CARF MF 2 EDITADO EM: 10/05/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud , José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Júnior, Raphael M. Abad, e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de fls. 6.8006.823, proferida pela 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo: Os interessados foram autuados em face de “PRODUTO ESTRANGEIRO EM SITUAÇÃO IRREGULAR – CONSUMO OU ENTREGA A CONSUMO”, multa capitulada no artigo 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, no valor de R$ 2.350.872,80. Os fundamentos da autuação constam de Relatório de Procedimento Fiscal anexo ao auto de infração (fls. 6490 e ss.). Em síntese: 1. Foi submetida a procedimento fiscal a empresa LCD Telecon Comércio de Equipamentos de Informática Ltda. (LCD), visando à verificação da regularidade fiscal de mercadorias estrangeiras comercializadas entre julho/2009 e dezembro/2011. 2. No período fiscalizado, LCD possuía nome empresarial H. L. Vieira Comércio e Importação Ltda. e era administrada pelo sócio Wladimyr Brandão Vieira (WLADIMYR). 3. A fiscalização teve origem em ocorrência policial envolvendo contrabando e descaminho (IPL 099/2011 – documento 3 – fls. 70 a 94). Mercadorias estrangeiras estavam sendo descarregadas em estabelecimento da fiscalizada. Nota fiscal apresentava indícios de inidoneidade (fl. 6491). 4. O Decreto nº 7.212/2010 estabelece obrigações para estabelecimentos que efetuarem venda de produtos a revendedores. Cita artigos 14, 392, inciso I, 396, inciso I, e 407, inciso I. 5. Os artigos 413 e 415 do Decreto nº 7.212/2010 estabelecem requisitos para emissão de notas fiscais. O artigo 394 estabelece os casos de inidoneidade de notas fiscais e o artigo 427 as hipóteses em que as notas são consideradas sem de valor legal. 6. A fiscalização aduz (fls.6500 e 6501): A legislação tributária também estabelece obrigações para o adquirente de produtos destinados a comércio. Entre as obrigações, o comerciante destinatário deverá verificar se os documentos que acompanham as mercadorias satisfazem todas as prescrições do Regulamento. Caso constate alguma irregularidade, para eximirse de responsabilidade, o recebedor/adquirente deve comunicar por escrito o remetente, conservando em seu arquivo cópia do documento com prova de seu recebimento, conforme previsto no art. 327 do Decreto nº 7.212/2010. Fl. 6911DF CARF MF Processo nº 11060.724527/201449 Acórdão n.º 3302005.412 S3C3T2 Fl. 3 3 De acordo com o exposto, verificase que é obrigação da pessoa jurídica que receber mercadorias para comércio conferir se a documentação fiscal que as acompanha possui todos os requisitos previstos no regulamento. Tal obrigação visa, entre outras coisas evitar a utilização na economia de documentos inidôneos, muitas vezes falsos, utilizados para acobertar a comercialização de mercadorias de origem ilícita (oriundas de furto; roubo, descaminho, contratação, etc.). (Observação: Os artigos do Decreto 7.212/2010, reproduzidos acima, correspondem aos artigo 14, 266, 320, 322, 323, 333, 339 e 353 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 RIPI 2002, vigente até 15/06/2010) 7. Apresenta detalhes do procedimento fiscal executado (tópico 4 do Relatório de Procedimento Fiscal) e da análise dos documentos obtidos (tópico 5 – fls. 6507 e ss.). 8. Foram examinadas informações de fabricantes e fornecedores dos produtos comercializados pela LCD (tópicos 5.1 e 5.2 do Relatório de Procedimento Fiscal). 9. No tópico 5.3 do Relatório de Procedimento Fiscal consta a análise das notas fiscais em nome dos fornecedores da LCD. 10. Em nenhuma das notas fiscais consta o número de série dos equipamentos. 11. Também foi constatado nas notas descrição incompleta dos produtos, ausência do modelo, marca, etc. 12. O documento 162 (fls. 6262 a 6372), anexo ao Relatório de Procedimento Fiscal, apresenta a análise das irregularidades constatadas nas notas fiscais emitidas pelos fornecedores e informações a respeito de eventual resposta dos fornecedores a questionamentos da fiscalização. 13. A fiscalização conclui (fl. 6534): Tendo em vista a ausência das informações obrigatórias nas notas fiscais, os documentos são considerados inidôneos e sem valor, fazendo prova somente em favor do fisco, nos termos dos artigos 394 e 427 do Decreto nº 7.212/2010. Consequentemente, uma vez que as notas fiscais são inidôneas e sem valor legal, não se prestam para comprovação da origem regular das mercadorias estrangeiras comercializadas pela empresa LCD. 14. A fiscalização discorre a respeito do “dever de cautela dos comerciantes” (tópico 6 do Relatório de Procedimento Fiscal). 15. A empresa LCD não atuou com a diligência esperada de um comerciante, adquirindo mercadorias sem qualquer cuidado quanto à sua procedência, origem e demais aspectos pertinentes a sua atividade. O Decreto nº 7.212/2010, artigo 327, estabelece o dever de cautela. 16. A autoridade aduaneira conclui que houve a infração capitulada no artigo 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964 e no artigo 704 do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro). 17. Foi imputada responsabilidade solidária a WLADIMYR (tópico 9 do Relatório de Procedimento Fiscal), com fundamento na Lei nº 4.502/1964, artigo 62, CTN, artigo 135, inciso III, e Regulamento Aduaneiro, artigos 673 e 674 (fls. 6537 e 6538). Fl. 6912DF CARF MF 4 O valor lançado corresponde ao somatório dos valores apontados na planilha “Demonstrativo do Crédito Tributário” (fls. 6373 a 6484). Respondem pela infração a empresa LCD, que revendeu as mercadorias estrangeiras introduzidas irregularmente no país e seu sócio administrador à época dos fatos, Wladimyr Brandão Vieira, que agiu com infração à lei. Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária em face de WLADIMYR (fls. 6542 e 6543). LCD foi intimada em 5/12/2014 (fl. 6544) e WLADIMYR em 12/12/2014 (fls. 6557 a 6560). Os Recorrentes apresentaram impugnações (fls.6.8336.862; 6.8736.904), aduzindo, em síntese, o quanto segue1: 1. Preliminar de decadência. No demonstrativo do crédito tributário (documento 163 do auto de infração) constam períodos superiores a 5 anos, o que é vedado pela legislação (artigo 173, I, do CTN). 2. O auto de infração foi lavrado em 28/11/2014. Devem ser excluídos os meses de julho a novembro de 2009 da base de cálculo da multa aplicada. 3. Os fatos geradores anteriores a 5 anos estão alcançados pela decadência. Os períodos fiscalizados devem abranger apenas os fatos geradores ocorridos a partir de 28/11/2009. 4. Necessária a exclusão de cerca de 6 meses do auto de infração com base nos artigos 173, I, e 150, § 4º, do CTN. 5. Seguindo a regra do CTN, artigo 173, inciso I, o prazo para o Fisco efetuar o lançamento de ofício deve ter início no exercício (mês) subseqüente àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, que consiste no mês de entrega da GFIP/DCTF, documento que constitui o crédito tributário e que permite ao Fisco efetuar o lançamento após analisar as informações prestadas, inclusive os créditos do imposto apropriados indevidamente. Cita julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). 6. Nulidade do auto de infração por deficiência de fundamentação legal. O artigo 83, I, da Lei nº 4.502/1964 somente é aplicável se a empresa não apresenta documento fiscal o que no caso em tela ocorreu em menos de 0,1% dos casos solicitados (documento 162 do Relatório Fiscal). 7. O Relatório Fiscal menciona a aplicação do Decreto nº 7.212/2010 mas não há menção a artigo de lei ou da lei que determine a aplicação da inidoneidade das notas fiscais apresentadas, o que dificulta a defesa no processo administrativo. 8. Não há capitulação legal referente à inidoneidade dos documentos fiscais e ofensa ao artigo 10, IV, do Decreto nº 70.235/1972. Faz citações. 9. Não merece punição aquele que agiu de boafé. 10. Das empresas supostamente fraudulentas ou que emitiram documentos fiscais com erro de preenchimento, cerca de 100% ainda possuem cadastro ativo junto à Receita Federal. São empresas regularmente estabelecidas. 1 Trecho extraído do relatório da decisão de piso. Fl. 6913DF CARF MF Processo nº 11060.724527/201449 Acórdão n.º 3302005.412 S3C3T2 Fl. 4 5 11. A Lei nº 4.502/1964, artigos 48 e 53, determina os requisitos para determinar se um documento fiscal pode ou não ser considerado inidôneo. 12. O Decreto nº 7.212/2010 determinou como causa de inidoneidade situações que na lei não são motivos de declaração de inidoneidade, como é o caso do inciso VI do artigo 48 da Lei nº 4.502/1964. 13. Cita o princípio constitucional da reserva legal e o artigo 64, § 1º, da Lei nº 4.502/1964. 14. Se há algum defeito na nota fiscal emitida, deve ser cobrado do emissor e não da empresa que adquiriu o produto em boafé de empresa regularmente estabelecida. 15. O Decreto nº 7.212/2010 possui eficácia limitada no tempo, posto que foi publicado em 15/6/2010 e está sendo aplicado retroativamente no auto de infração. 16. Discorre sobre a boafé (fl. 6577 e ss.). A impugnante adquiriu produtos no território nacional de empresas que continuam ativas no site da Receita Federal (em 7/5/2015). 17. Apesar de constar como materialmente falsa a nota emitida pela empresa Vira Mania (Sthal e Barth Ltda.), possui todas as características legais determinadas pela lei, o que determina a boafé do comprador. A empresa estava estabelecida a cerca de 150 metros do impugnante, aberta ao público e a menos de 3 quadras da Receita Federal. 18. A impugnante, antes de comprar um produto, averiguou se a empresa emitente estava ativa no site da Receita Federal e essa situação nunca se modificou. 19. Apenas cerca de 0,1% dos comprovantes de pagamento não foi encontrado. É compreensível em face da elevada monta de transações comerciais e do período. Não restou comprovado que a impugnante fazia parte de qualquer esquema fraudulento utilizando empresas. 20. Eram verificados o contrato social e a inscrição na Receita Federal dos fornecedores, procedimento usual no mercado. Cita julgados. 21. Entendem os tribunais superiores que, havendo a comprovação de que a mercadoria foi adquirida dentro do Brasil de empresa regularmente estabelecida, cabe a aplicação da boafé, descaracterizadora das responsabilidades aventadas (CTN, artigo 136). Faz citações. Em 28 de agosto de 2015, foi proferida decisão, julgando, por unanimidade de votos, improcedentes as impugnações apresentadas pelos Recorrentes, nos termos da ementa abaixo sintetizada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2009, 2010, 2011 AUTORIDADE FISCAL E ADUANEIRA. AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Auto de infração fundamentado no Regulamento do IPI (decretos 7.212/2010 e 4.544/2002) no que tange à imputação de inidoneidade de notas fiscais. Acatouse o comando do artigo 10, inciso IV, do Decreto 70.235/1972. A empresa autuada utilizouse de documentos falsos, inidôneos e/ou sem valor legal para acobertar a entrada Fl. 6914DF CARF MF 6 de mercadorias estrangeiras. Não atuou com a diligência esperada de um comerciante, adquirindo mercadorias sem qualquer cuidado quanto à sua procedência, origem e demais aspectos pertinentes a sua atividade. Rejeita se a alegação de boafé. Acolhese, nos termos do Relatório de Procedimento Fiscal, o lançamento da penalidade de multa (Lei 4.502/1964, artigo 83, inciso I), com responsabilização solidária de sócio. Intimados da decisão de piso em 18.09.2015 e 13.10.2015 (fls. 6.830 e 6.870), os Recorrentes impuseram recurso voluntário em 02.10.2015 e 11.11.2015 (fls. 6.833 6.862; 6.8736.904), respectivamente, reproduzindo os mesmos argumentos apresentado nas impugnações.. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo I Tempestividade Os Recorrentes foram intimadas da decisão de piso em 18.09.2015 e 13.10.2015 (fls. 6.830 e 6.870) e protocolaram Recursos Voluntário em 22.04.2009 (em 02.10.2015 e 11.11.2015 (fls. 6.8336.862; 6.8736.904), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/722. Desta forma, considerando que os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Destacase, que os recursos interpostos pelas partes são idênticos e serão analisados conjuntamente. II Questões preliminares II.1 Nulidade do Auto de Infração por Deficiência da Fundamentação Legal Alegam os Recorrentes ofensa ao artigo 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, uma vez que não restou no fundamento legal a inclusão do artigo de lei para a imputação de inidoneidade das notas fiscais apresentadas, o que impede a compreensão da cominação legal. Com todo respeito aos Recorrentes, não vejo que o Auto de Infração tenha alguma nulidade de fundamentação, considerando que o relatório de procedimento fiscal, parte integrante do Auto de infração, apresentou todos os fatos e fundamentos que embasaram o lançamento. Nesse contexto, destacase a fiscalização citou diversos artigos do Decreto nº 7.212/2010 (vide fls.6.4936.501) que dizem respeito aos procedimentos/preenchimentos de Notas Fiscais, bem como sobre os preceitos legais que disciplinam as causas que caracterizam inidoneidade dos documentos. 2 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 6915DF CARF MF Processo nº 11060.724527/201449 Acórdão n.º 3302005.412 S3C3T2 Fl. 5 7 Além disso, os fatos narrados pela fiscalização demonstram claramente os motivos que a levaram declarar a inidoneidade das notas fiscais, inexistindo, portanto, qualquer defeito no lançamento que cerceasse o direito de defesa dos contribuintes. Nestes termos, entendo inexistir nulidade do lançamento fiscal. II.2 Prejudicial de mérito Prazo decadencial Conforme devidamente explicitado anteriormente, o presente processo diz respeito a cobrança da multa tipificada no artigo 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964 c/c artigo 704, do Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 6.759/2009, que assim dispõe: "Art . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dêle saído ou nêle permanecido desacompanhado da nota de importação ou da notafiscal, conforme o caso; *** Art. 704. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I; e DecretoLei no 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 1o, alteração 2ª)." Como se vê, o presente Auto de Infração não tem natureza tributária, tratandose, tão e somente de aplicação de multa em razão da comercialização de produtos de origem estrangeira introduzidos irregularmente no país. Deste modo, as normas que tratam do instituto da decadência, previstas no artigos 150, §4º, e 173, I, ambos do Código Tributário Nacional não se aplicam ao caso em comento, mas sim a disposições previstas nas legislações aduaneiras. Neste ponto, tanto o artigo 139 do Decreto nº 37/663 quanto o artigo 753, do Decreto nº 6.759/20094 preceituam, que na hipótese de imposição de penalidades, o prazo para a constituição desta sanção é de 05 (cinco) anos contados da data da infração, sendo que no presente caso, a data da infração, para o cômputo do prazo decadencial, é a data de emissão das notas fiscais constantes no demonstrativo do crédito tributário carreado às fls. 6.3736.484. Portanto, considerando que as notas fiscais que deram ensejo a cobrança da multa exigida nestes autos dizem respeito ao período de julho/2009 a 12/2011 e, que o contribuinte foi notificado da autuação em 05.12.2014, está decaída a parcela da multa imposta sobre as notas fiscais emitidas em data anterior a 05.12.2009. 3 Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. 4 Art. 753. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 139). Fl. 6916DF CARF MF 8 III Mérito III.1 Inidoneidade das Notas Fiscais Inicialmente é imperioso destacar que o lançamento em comento teve origem na ocorrência policial envolvendo contrabando e descaminho praticado pelo Sr. Lamaison Guaberlei dos Santos Mota, preso em flagrante descarregando mercadorias estrangeiras. Juntamente com as mercadorias foram localizados notas fiscais emitidas pelas empresas FB Distribuidora e Strahl e Barth Ltda. com destino à empresa HL Vieira Comércio e Importação Ltda., anterior denominação da Recorrente. Diante dos indícios de irregularidades envolvendo as empresas, a fiscalização estendeu a análise a outros fornecedores da Recorrente, onde restou constatado outras irregularidades, a saber: (i) notas fiscais preenchidas sem a descrição correto do produto; (ii) ausência de informação sobre a origem das mercadorias (importadas ou de origem nacional); (iii) empresas com inscrição baixada junto às respectivas Secretarias Estaduais de Fazenda SEFAZ; (iv) empresas constituídas e que atuaram por curto período de tempo; (v) empresas omissas em relação à declaração de tributos; (vi) empresas com registro de irregularidades aduaneiras em processos judiciais e/ou administrativos. Além disso, a fiscalização realizou procedimento fiscal e constatou que a maioria das mercadorias comercializadas pela Recorrente eram de origem estrangeira (produtos eletrônicos), considerando que os produtos não eram fabricados no território nacional, conforme se verifica nas informações prestadas às fls. 6.5076.512, onde os produtores das mercadorias afirmam que no período fiscalizada não possuíam filial no Brasil. Tais fatos levaram a fiscalização proceder o lançamento fiscal para cobrança da multa aqui exigida, considerando que as mercadorias comercializadas pela Recorrente não tinham origem lícita e estavam acompanhadas de documentos inidôneos. Em sua defesa, os Recorrentes alegam que (i) não merece punição aquele que agiu de boafé; (ii) das empresas supostamente fraudulentas ou que emitiram documentos fiscais com erro de preenchimento, cerca de 100% ainda possuem cadastro ativo junto à Receita Federal; (iii) a Lei nº 4.502/1964, artigos 48 e 53, determina os requisitos para determinar se um documento fiscal pode ou não ser considerado inidôneo, sendo que o Decreto nº 7.212/2010 determinou como causa de inidoneidade situações que na lei não são motivos de declaração de inidoneidade, como é o caso do inciso VI do artigo 48 da Lei nº 4.502/1964; (iv) cita o princípio constitucional da reserva legal e o artigo 64, § 1º, da Lei nº 4.502/1964; (v) se há algum defeito na nota fiscal emitida, deve ser cobrado do emissor e não da empresa que adquiriu o produto em boafé de empresa regularmente estabelecida; e (vi) o Decreto nº 7.212/2010 possui eficácia limitada no tempo, posto que foi publicado em 15/6/2010 e está sendo aplicado retroativamente no auto de infração. Pois bem. Nos termos do artigo 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964 c/c artigo 704, do Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 6.759/2009, se não provada a importação regular da mercadoria, deve, então, ser aplicada a multa igual ao valor da mercadoria. Por seu turno, consoante prevê o art. 95, I, do DecretoLei nº 37/66, tal sanção pode ser imputada a quem quer que concorra para a prática da infração ou dela se beneficie, o que afasta a alegação Recorrente no sentido de exigir a multa apenas da empresa emissora da nota fiscal. Todavia, a jurisprudência tem exceptuado da regra geral a hipótese do adquirente de boafé; boafé essa que se presume com a comprovação da aquisição, no Fl. 6917DF CARF MF Processo nº 11060.724527/201449 Acórdão n.º 3302005.412 S3C3T2 Fl. 6 9 mercado interno, da mercadoria importada mediante nota fiscal emitida por estabelecimento regular. Na hipótese dos autos, os Recorrentes não fizeram prova da regularidade das operações, tendo apenas alegado que as empresas das quais adquiriram os produtos estavam com o cadastro ativo no site da Receita Federal, conforme demonstram certidões carreadas no processo. Por seu turno, o conjunto de todos os indícios e provas apurados pela fiscalização em relação as empresas fornecedores deixam claro que as operações foram originadas de operações irregulares, posto que referidas empresas (i) não tinham habilitação no Siscomex para realizar a importação dos produtos estrangeiros; (ii) estavam com situação "Inapta" na SEFAZ; e (iii) as notas fiscais emitidas não cumpriram as determinações de preenchimento previstas no Decreto nº 7.212/2010, conforme se verifica no relatório de fls. 6.4906.539. Sobre o assunto, destacase trechos do trabalho fiscal sobre alguns dos fornecedores, sendo que as demais empresas que realizam negócios com a Recorrente apresentam os mesmos problemas abaixo noticiados, a saber: a) Fornecedor: Alphacom Materiais para Escritórios e Eletrônicos Ltda. Não tem habilitação no Siscomex, ou seja, não poder atuar como importadora; A empresa possui característica própria de empresa "noteira" (constituída há pouco tempo e não mais localizada); As notas fiscais são inidôneas uma vez que não cumprem os requisitos estabelecidos no Decreto nº 7.212/2010. Entre os problemas constatados nas notas fiscais, podese citar: Descrição incompleta da mercadoria, falta do número de série dos produtos, ausência da informação se o produto é importado ou adquirido no mercado interno. b) Fornecedor: Flexus Comércio de Produtos para Informática Ltda. Não tem habilitação no Siscomex, ou seja, não poder atuar como importadora; Inapta da SEFAZSP desde 31/03/2010; Emitiu notas fiscais em benefício da Recorrente entre 04 e 08/2010. As notas fiscais são inidôneas uma vez que não cumprem os requisitos estabelecidos no Decreto nº 7.212/2010. Entre os problemas constatados nas notas fiscais, podese citar: Descrição incompleta da mercadoria, falta do número de série dos produtos, ausência da informação se o produto é importado ou adquirido no mercado interno. c) Fornecedor: Contabilista Papelaria e Informática Ltda. A empresa LCD apresentou seis notas fiscais "em papel" da empresa Contabilista em o período de 07 e 08/2010 Fl. 6918DF CARF MF 10 Consulta ao sistema Sintegra revelou que o referido estabelecimento estaria obrigado a emitir nota fiscal eletrônica NFe, desde 19/05/2010 e, portando, não poderia ter emitido notas "em papel" após essa data. A empresa Contabilista declarou que: (i) as notas fiscais apresentadas pela empresa LCD não forma emitidas pela empresa Contabilista; (ii) Provavelmente, as referidas notas tenham sido fraudadas, clonadas e/ou adulteradas e que a empresa não comercializa os produtos mencionados nas notas; (iii) no período de emissão das notas fiscais, a filial de Joinvile emitiu apenas notas fiscais eletrônicas; e (iv) a empresa Contabilista nunca manteve nenhuma relação comercial com a Recorrente. d) Fornecedor: Fernando Carteli da Silva Eletrônicos. Consulta ao site da SEFAZ/PR revelou que a inscrição estadual da empresa foi cancelada em 10/2011. Entre 03/2011 e 10/11 a empresa emitiu mais 400 notas fiscais, nunca declaradas a RFB. Não habilitado no Siscomex. As notas fiscais são inidôneas uma vez que não cumprem os requisitos estabelecidos no Decreto nº 7.212/2010. Entre os problemas constatados nas notas fiscais, podese citar: Descrição incompleta da mercadoria, falta do número de série dos produtos, ausência da informação se o produto é importado ou adquirido no mercado interno. Como se vê, a fiscalização comprovou que os fornecedores das mercadorias adquiridas pela Recorrente estavam em situação irregular e emitiram notas fiscais em total desacordo com a legislação e, que os Recorrentes não tomaram as cautelas necessárias para realizar negócios com referidas empresas, deixando de proceder a correta análise da situação cadastral dos fornecedores junto aos órgãos competentes, bem como de averiguar as incorreções no preenchimentos dos documentos fiscais. Portanto, a alegação de boafé arguida pelos Recorrentes deve ser afastada. Já em relação a utilização dos preceitos normativos previstos no Decreto nº 7.212/2010 para declarar a inidoneidade das notas fiscais, insta tecer que referida norma constitui o Regulamento dos Imposto sobre Produtos Industrializados em substituição ao regulamento objeto do Decreto nº 4.544/2002. No Decreto nº 4.544/2002 já haviam normas disciplinando sobre as regras quanto ao preenchimento das referidas notas fiscais e para declarar a inidoneidade de notas fiscais, os quais foram reproduzidas pelo Decreto nº 7.212/2010, não havendo, como pretende os Recorrentes, que se falar em eficácia limitada no tempo. III.2 Impossibilidade da determinação da responsabilidade subsidiária do exsócio Na época do período fiscalizado, a empresa LCD era administrada pelo sócio Wladimyr Brandão Vieira, sendo este incluído no polo passivo do presente processo, nos termos do artigo 135, III, do CTN e do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37/66, que assim disciplinam: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 6919DF CARF MF Processo nº 11060.724527/201449 Acórdão n.º 3302005.412 S3C3T2 Fl. 7 11 I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. *** Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...)" Em sua defesa, o Recorrente Wladimyr Brandão Vieira alega que não restou comprovado pela fiscalização que o sócio tivesse agido, para suportar a responsabilidade subsidiária, com excesso de poderes, infração a lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa. Com todo respeito aos argumentos suscitados pelo Recorrente, entendo que a sujeição passiva deve ser totalmente mantida, posto que os fatos e documentos carreados aos autos, demonstram de forma clara que o administrar da empresa LCD participou de toda operação considerada irregular e assumiu os riscos do negócio ao deixar de proceder à análise da origem das mercadorias, bem como da situação cadastral dos fornecedores das mercadorias. Deste modo, resta comprovado que o Recorrente se benefíciou com as operações irregulares noticiados neste processo, devendo responder pelo pagamento da multa juntamente com a empresa LCD. IV Conclusão Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade arguida pelos Recorrentes e, no mérito dou parcial provimento aos Recursos Voluntários para afastar da cobrança a parcela da multa imposta sobre as notas fiscais emitidas em data anterior a 05.12.2009, em face da decadência. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 6920DF CARF MF
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Numero do processo: 13984.720732/2016-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014
PRAZO RECURSAL. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
É intempestivo o recurso apresentado após o prazo de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida não podendo ser conhecido, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 2201-004.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de tempestividade argúida e não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. É intempestivo o recurso apresentado após o prazo de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida não podendo ser conhecido, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de tempestividade argúida e não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 07 32 /2 01 6- 19 Fl. 504DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão da DRJ/SDR de fls. 386/396, por bem relatar os fatos ora questionados. 1 Autuação Tratase de Autos de Infração referentes ao lançamento de ofício de créditos tributários por descumprimento de obrigação tributária principal, assim composto: Ao serem constatadas divergências de enquadramento nas declarações GFIP dos códigos CNAE, FPAS e SAT/RAT, foi realizado procedimento de diligência fiscal junto à autuada. Durante o procedimento, a autuada foi instada a se manifestar sobre os fatos verificados e a apresentar esclarecimentos e documentos, inclusive decisões administrativas ou judiciais que porventura embasassem sua conduta. As seguintes observações foram apresentadas pelo AuditorFiscal no termo de diligência (fls. 129137): 1° A empresa COMPANHIA DE HABITAÇÃO DO PARANÁ é uma empresa enquadrada como sociedade de economia mista, portanto seu FPAS é o 507 e não o 582 de órgão público; 2° Como empresa Sociedade de Economia Mista e enquadrada no FPAS 507 deve recolher contribuição para Outras Entidades denominadas Terceiros: FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, portanto o código de TERCEIROS a ser informado na Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13984.720732/201619 Acórdão n.º 2201004.464 S2C2T1 Fl. 505 3 GFIP é o "0079" — alíquota "5,8%" e não o código "0000" alíquota "0,0%"; 3° Como empresa Sociedade de Economia Mista e enquadrada no FPAS 507 seu enquadramento no CNAE é o 41204/00 — alíquota RAT 3% e não o CNAE 84124/00 — alíquota RAT 1%. Seu FAP conforme extraído do sistema no ano de 2012 é de 1,2627%, 2013 é de 1,7401% e 2014 é de 0,8514% e não 1% conforme informado na GFIP; A autuada prestou esclarecimentos por meio do Ofício nº 3989/2016/SUJU (fls. 166173) e forneceu cópia do seu estatuto social e de documentos relacionados a processos judiciais. No ofício, afirmou, resumidamente, que: a) “não atua no ramo econômico da construção civil”, mas “formula a política habitacional do Estado, coordena e viabiliza a construção de empreendimentos populares para a população de baixa renda ou que se encontra em áreas de risco, por meio de parcerias administrativas (convênios e termos de cooperação técnica firmados com Municípios, associações de moradores, empresas construtoras, etc”; b) “a COHAPAR somente organiza os empreendimentos, possibilitando a construção, já que as empresas privadas não possuem meios para construir residências para essa parcela da população que possui baixa renda”, sendo que “as construtoras não conseguem oferecer as residências a preços módicos, quando ainda é necessário arcar com toda a infraestrutura do empreendimento, principalmente água, luz e esgoto”; c) “a partir de estudos internos, bem como diante de diversas manifestações do Poder Judiciário, no ano de 2012, a Autoridade Administrativa [da COHAPAR] decidiu alterar o enquadramento da empresa, adequandoo à sua realidade fática, sempre fiel a seu Estatuto Social. Foi adotado o código FPAS 582 [órgão público] e o CNAE 8411/60 [Regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços sociais], tendo em vista tratarse de empresa prestadora de serviço público típico de Estado. A alteração possui supedâneo legal, haja vista que compete a cada empresa seu próprio enquadramento”; d) ajuizou a ação ordinária declaratória nº 5071039 81.2014.404.7000 perante a Justiça Federal no Paraná, na qual obteve sentença, ainda não transitada em julgado, em que lhe foi reconhecida imunidade tributária recíproca, prevista no art. 150, inciso IV, alínea a, da Constituição Federal, mesmo sendo uma sociedade de economia mista, restando claro que ela “presta serviço público típico de Estado, não visa ao lucro, não compete com as empresas do ramo da construção civil e, ainda, o Estado do Paraná detém 99,9999% do capital social subscrito”; Fl. 506DF CARF MF 4 e) ajuizou mandado de segurança nº 500773511.2014.404.7000 perante a Justiça Federal no Paraná, visando à concessão de segurança para que as autoridades fiscais se abstivessem de reclassificar de ofício o seu código FPAS, tendo a segurança sido denegada em primeira instância pelo fato de a autuada se constituir numa sociedade de economia mista, mas ainda sub judice, com “palpáveis chances de reversão”. De acordo com o relatório fiscal (fls. 4043), a autuada é uma sociedade de economia mista estadual que presta serviços na área de habitação, realizando atividades de “formular, coordenar e implantar políticas públicas de habitação, incluindose o estudo, planejamento, coordenação, execução, recuperação, orientação, análises, fiscalização, apoio técnico, comercialização, financiamentos, dentre outros”. Desde 2012, a autuada declarou 1% como alíquota de SAT/RAT. A partir de meados 2012, ela alterou a sua classificação de atividade principal para atribuição do código FPAS, alterandoo de 507 para 582, e passou a declarar código de terceiros 0000 em GFIP, zerando a contribuição para as outras entidades e fundos. Diante desse cenário, foi promovida de ofício a reclassificação da sua atividade principal para o CNAE 43991/01, com reenquadramento no código FPAS 507 e no código de terceiros 0079, mediante a lavratura dos Autos de Infração ora sob exame, conforme relatório fiscal. O crédito lançado corresponde à diferença de contribuição para o SAT/RAT, decorrente da diferença entre as alíquotas apurada e declarada/arrecadada, e à contribuição para os terceiros (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE). As bases de cálculo adotadas foram as declaradas pela própria autuada mediante GFIP. Os demonstrativos de cálculo constam das fls. 4448. A autuada foi cientificada do lançamento em 25/08/2016 (fls. 37 38 e 132). 2 Impugnação A autuada apresentou impugnação em 14/09/2016 (fls. 175198). Em síntese, alegou que alterou o cadastro da sua atividade econômica junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB em 26/07/2012, mediante a alteração do CNAE 84.11.6/00 (Administração Pública em geral) para o CNAE 84.1.2.4/00 (regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços sociais). Concomitantemente a tal alteração, enquadrouse no FPAS 582 (órgão público). Especificamente em relação ao período de janeiro a julho de 2012, argumentou que já havia efetuado os recolhimentos conforme o enquadramento no código FPAS 507. Os recolhimentos foram feitos mediante GPS, com código de terceiros 0067 informado em GFIP, sendo que as contribuições para o SESI e o SENAI foram arrecadadas diretamente mediante convênio com tais entidades. Pediu o expurgo dos lançamentos relativos a terceiros no referido período. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13984.720732/201619 Acórdão n.º 2201004.464 S2C2T1 Fl. 506 5 Asseverou que possui decisão judicial (fls. 237240) em seu favor no Mandado de Segurança nº 100001289.2015.4.01.3400, que tramita perante a 6ª Vara Federal do Distrito Federal, nos seguintes termos: “Pelo exposto, confirmo a decisão que deferiu o pedido liminar e concedo a segurança para anular a Notificação de Débito n° 03812/DN e para determinar que a autoridade impetrada abstenhase de exigir da Impetrante a contribuição adicional ao SENAI e de promover novos lançamentos em seu desfavor”. Pediu o expurgo dos lançamentos relativos ao SENAI. Afirmou que já havia sido autuada diretamente pelo SESI e pelo SENAI (fls. 241254) em relação a fatos geradores objeto do presente Auto de Infração, conforme processos: 3812/DN e 3813/PR (SENAI, 08/2012 a 03/2013); 3814/PR (SESI, 08/2012 a 03/2013) 17863/DN e 17865/PR (SENAI, 04/2013 a 09/2015); 17864/PR (SESI, 04/2013 a 09/2015). Juntou partes de alguns dos termos de autuação. Pediu o expurgo “relativamente aos supostos fatos geradores das mesmas contribuições e períodos”. A autuada alegou que a Autoridade Fiscal deixou de reclassificar a sua atividade principal antes de autuála, conforme prescreve o §1º do art. 109B da Instrução Normativa RFB nº 971/2009 (IN 971), tendo se restringido a considerar inaplicável o uso do FPAS 582 pela autuada em decorrência da sua natureza jurídica (sociedade de economia mista), sem motivar o seu reenquadramento em outro código FPAS. Ainda que se considere que o AuditorFiscal entendeu que a autuada deveria se classificar no FPAS 507, ele deixou de indicar os fundamentos da relação entre o objeto social da autuada e a classificação na classe da Confederação Nacional da Indústria, conforme art. 109C da IN 971. A COHAPAR integra a Administração Pública Indireta do Estado do Paraná, na forma de sociedade de economia mista, tendo sido criada pela Lei Estadual n° 5.113, de 14 de maio de 1965: Art. 10. Fica o Poder Executivo autorizado a constituir, na forma desta Lei, a COMPANHIA DE HABITAÇÃO DO PARANÁ COHAPAR , com a finalidade de estudar o problema da habitação popular, inclusive do tipo "favela", e o planejamento e execução de suas soluções, em coordenação com os diversos órgãos estaduais, municipais e outros, proporcionando àqueles que tenham pequenos rendimentos, a aquisição, ampliação, ou construção de moradia própria, assim na zona urbana como na rural, desde que não sejam proprietários de outra casa”. A autuada transcreveu na impugnação os seus objetivos, constantes do seu estatuto social, bem como excertos da Lei Complementar Estadual nº 119/2007, que instituiu o Sistema Estadual de Habitação de Interesse Social – SEHIS. Concluiu que “não se trata de atuação de entidade da Administração Pública Indireta no mercado, em condições de igualdade com o setor privado, mas sim de agente orientador dos órgãos públicos e da iniciativa privada com atuação na área habitacional e agente promotor de programas de governo”. Fl. 508DF CARF MF 6 Para a autuada, o CNAE por ela adotado desde julho de 2012 é o mais adequado às atividades por ela desenvolvidas: CNAE 84.124/00 regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços sociais, no qual se inclui a regulação, controle, definição de política e coordenação de atividades voltadas a melhorar o bemestar da população quanto a saúde, educação, cultura, esporte, lazer, meio ambiente, habitação, serviços urbanos, ação social, etc. Entende estar abrangida pelo conceito de “entidade do Poder Público”, constante do inciso I do art. 109A da IN 971, que atribui a tais entidades a nãoincidência da contribuição para terceiros. Argumentou que, dada a sua forma de atuação, é uma sociedade de economia mista anômala, não se lhe aplicando a vedação constante do art. 173, §2°, da Constituição Federal, que estabelece que “as empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado”. Sendo “instrumento de ação do Estado”, a COHAPAR possui “característica de fundo”. Voltou a frisar a composição do seu capital social e a existência de decisão judicial favorável à imunidade tributária recíproca. Afirmou que alterou o seu enquadramento sindical do SINDUSCON (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná) para o SESCAPPR (Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado do Paraná) e que não possui no seu quadro funcional cargos típicos da atividade de construção civil (Servente, MeioProfissional, Profissional, Contramestre e Mestre de Obras). Sobre a contribuição para o SAT/RAT, a autuada argumentou que efetua os recolhimentos conforme o CNAE 84.124/00. Pleiteou o reconhecimento do seu autoenquadramento no FPAS 582 como correto e o cancelamento dos Autos de Infração. 2 A decisão da DRJ julgou procedente em parte exonerando boa parte do crédito tributário, conforme decisão ementada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 Ementa: SESI E SENAI. CONVÊNIO E TERMO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA E FINANCEIRA. ARRECADAÇÃO PELOS TERCEIROS. Durante a vigência de convênio e termo de cooperação técnica e financeira, a arrecadação da contribuição é feita diretamente ao SESI e ao SENAI. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 13984.720732/201619 Acórdão n.º 2201004.464 S2C2T1 Fl. 507 7 SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. CÓDIGO FPAS 582. INAPLICABILIDADE. As sociedades de economia mista possuem personalidade jurídica própria, não sendo abrangidas pelo conceito de “'órgãos do poder público e equiparados (União, Estados e Municípios e respectivas autarquias e fundações públicas, OAB e conselhos de fiscalização de profissão regulamentada)”, que são sujeitos ao código FPAS 582. CONSTRUÇÃO CIVIL. CÓDIGO FPAS 507. Possuindo personalidade jurídica de direito privado (já que é sociedade de economia mista) e estando voltada para o planejamento e execução de projetos e programas habitacionais (dentre eles, a construção de unidades habitacionais), correto o enquadramento no código de recolhimento FPAS 507, o qual é destinado às empresas cujas atividades se relacionam com a indústria da construção civil. CÓDIGO FPAS. RECLASSIFICAÇÃO. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade competente para reclassificar de ofício a atividade principal e os códigos CNAE e FPAS do contribuinte. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RENÚNCIA DA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. Em respeito ao princípio da unicidade de jurisdição, a lei impede a discussão administrativa de matéria que já tenha sido levada ao conhecimento do Judiciário. Tendo o contribuinte dado início à ação judicial, resta caracterizada a renúncia à discussão administrativa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 3 Cientificado da decisão de piso o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. (426/454), mantendo praticamente os mesmos argumentos da impugnação e ao final requer o provimento do recurso com o cancelamento do auto de infração, não há recurso de ofício apesar da procedência em parte da defesa em decorrência que o valor do crédito exonerado está abaixo do limite de alçada. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 510DF CARF MF 8 4 O Acórdão nº 1541.692 da 6ª Turma da DRJ/SDR foi cientificado ao contribuinte através do Termo de Registro de mensagem de ato oficial na caixa postal DTE em 01/03/2017 às fls. 414 contendo a seguinte informação: 5 Logo em seguida, às fls. 415 há a ciência eletrônica por decurso de prazo ao contribuinte: Fl. 511DF CARF MF Processo nº 13984.720732/201619 Acórdão n.º 2201004.464 S2C2T1 Fl. 508 9 6 Portanto, iniciouse o prazo para o contribuinte apresentar o recurso voluntário no prazo de 30 dias (art. 33 do Decreto 70.235/72), a partir do dia 17/03/2017 (sextafeira) e portanto o seu prazo esgotouse em 15/04/2017, um sábado, prorrogandose para o primeiro dia útil a seguir que foi 17/04/2017 (art. 5º do Decreto 70.235/72). 7 Às fls. 422 houve a emissão do termo de perempção por parte da autoridade preparadora certificando o decurso de prazo na interposição de recurso voluntário: 1. Transcorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias (Decreto nº 70.235/1972, art.33) e não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, lavrase este termo de perempção na forma da legislação vigente. 2. Esgotado o prazo da cobrança amigável, sem que tenha sido cumprida a exigência fiscal, o processo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva (art.21, §3º do Decreto 70.235/1972). Fl. 512DF CARF MF 10 8 O Recurso Voluntário somente foi apresentado em 15/05/2017, segunda feira, conforme atesta o carimbo de protocolo de recepção à fl. 426 na própria unidade da RFB em Curitiba, domicílio fiscal do contribuinte e às fls. 502 despacho de encaminhamento da unidade da RFB para o CARF reconhecendo a intempestividade do Recurso com preliminar de tempestividade. 9 Apesar da preliminar aventada pelo contribuinte o recurso não merece ser conhecido diante da sua intempestividade. 10 Veja que a justificativa do contribuinte de que a intimação na modalidade eletrônica é nula não prospera, pois às fls. 501 a unidade da RFB providenciou o histórico de opção da contribuinte em relação à forma de recebimento das informações via caixa postal e consta a adesão da recorrente ao DTE Domicílio Tributário Eletrônico, (ciência pelo eCAC), desde o dia 15/08/2014 e com seu cancelamento no dia 15/05/2017, mesmo dia da protocolização do recurso, (mesmo que intempestivo) via física na unidade da RFB de Curitiba, tentando criar a nulidade. 11 Veja que de acordo com alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF): Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) I por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) II por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Redação do inc. III dada pelo art. 113 da Lei n.º 11.196/2005) (...) § 2º Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) Fl. 513DF CARF MF Processo nº 13984.720732/201619 Acórdão n.º 2201004.464 S2C2T1 Fl. 509 11 III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (grifos não pertencem ao original). 12 A respeito do assunto os seguintes julgados desse E. CARF: Ementa Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. AC. 3001000.171 J. 25/01/2018 Rel. Conselheiro ORLANDO RUTIGLIANI BERRI 1ª Turma Extraordinária 3ª SEC Ementa Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 JULGAMENTO EM 1ª INSTÂNCIA. QUÓRUM MÍNIMO REGIMENTAL. Se no julgamento do processo na DRJ, a turma julgadora estava composta por 3 (três) julgadores, o quórum mínimo previsto no §6º do art. 4º da Portaria MF nº 341/2011 foi atendido, devendo se afastar pedido de nulidade da decisão proferida. FORMAS DE INTIMAÇÃO. INTIMAÇÃO VIA ELETRÔNICA. POSSIBILIDADE. Conforme alínea "a" do inciso III do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade fiscal pode intimar a empresa sobre os atos processuais por meio eletrônico, endereçada a seu domicílio tributário eletrônico (DTE), conforme adesão da empresa ao DTE. Sendo assim, as intimações feitas por meio do Fl. 514DF CARF MF 12 DTE carregam a legitimidade necessária ao bom andamento do processo administrativo fiscal. CARTÓRIO. DECLARAÇÃO FIRMADA. PERÍODO POSTERIOR À CIÊNCIA ELETRÔNICA. A declaração firmada em cartório não tem o condão de infirmar a forma de ciência conferida por uma lei fiscal, no caso, o Decreto nº 70.235/1972, ainda mais quando a referida declaração remete a período muito posterior à ciência via eletrônica. RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO A DESTEMPO. NÃO CONHECIMENTO. Se a empresa apresentou recurso voluntário após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do resultado do acórdão da DRJ, o recurso voluntário não deve ser conhecido, por sua intempestividade. AC 1401002.106 J. 17/10/2017 Rel. Conselheiro LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA 1ªTO4ªCAM1ªSEC 13 Por fim, cabe ressaltar que o exame do recurso voluntário compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, quando interposto contra decisão das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, inclusive quanto à tempestividade do recurso, conforme prevê o artigo 35 do já citado PAF: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. 14 Nesse mister, por força das disposições da norma acima reproduzida, o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Assim, ante as considerações acima, por se tratar de pleito intempestivo, não há como se vislumbrar a abertura da via recursal ao recorrente, nos termos rígidos das regras processuais de preclusão temporal a que este órgão administrativo não pode se furtar. 15 Desse modo, voto por não tomar conhecimento do Recurso Voluntário, em vista de sua intempestividade. Conclusão 16 Diante do exposto, com fundamento na legislação competente e nas disposições acima mencionadas, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO ante a sua intempestividade na forma da fundamentação acima. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 515DF CARF MF Processo nº 13984.720732/201619 Acórdão n.º 2201004.464 S2C2T1 Fl. 510 13 Fl. 516DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.001989/2007-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1996 a 31/12/1998
Ementa:
FISCALIZAÇÃO TOTAL DA EMPRESA PRESTADORA. MPROCEDÊNCIA DO CRÉDITO LANÇADO NA TOMADORA REVISÃO DO LANÇAMENTO.
Comprovada a ocorrência de ação fiscal na empresa contratada, com exame de sua contabilidade por todo o periodo de abrangência do lançamento, ou lançados os débitos por aferição indireta, verifica-se incabível a sua constituição por solidariedade na empresa contratante, a teor dos atos normativos que regem o tema.
Numero da decisão: 2202-004.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício
(Assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Presidente Substituto.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício (Assinado digitalmente) Waltir de Carvalho - Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.
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MPROCEDÊNCIA DO CRÉDITO LANÇADO NA TOMADORA REVISÃO DO LANÇAMENTO. Comprovada a ocorrência de ação fiscal na empresa contratada, com exame de sua contabilidade por todo o periodo de abrangência do lançamento, ou lançados os débitos por aferição indireta, verificase incabível a sua constituição por solidariedade na empresa contratante, a teor dos atos normativos que regem o tema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício (Assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 19 89 /2 00 7- 53 Fl. 518DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, no que couber, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I (RJ) (fls. 473/475): Tratase de crédito tributário lançado pela Fiscalização (NFLD 37.048.2590), em substituição à NFLD 35.007.3546, julgada nula pela 4ª CJ do CAJ/CRPS, apurado com base nos elementos indicados no Relatório Fiscal de fls. 41/44, pertinente às contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa, as destinadas ao financiarnento da complementação das prestações por acidentes do trabalho SAT (para as competências até 06/97) e ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (para as competências a partir de 07/97) e segurados. Não foram apuradas contribuições sociais devidas a terceiros, conforme conclusão do Parecer/CJ n° 1710 de 05/O4/99, por se tratar de lançamento com base no instituto da solidariedade paritária. O valor do presente lançamento é de R$ 7.281.115,22, consolidado em 14/12/2006. 2. A responsabilidade solidária, prevista no art. 31 da Lei 8.212/91, com as alterações do art. 2° da Lei 9.032/95 e art. 4° da Lei 9.129/95, incidiu no presente caso devido ao não cumprimento, por parte do sujeito passivo, dos requisitos necessários para elidirse do gravame jurídicotributário, originando, ainda, o arbitramento do débito, confonne autorizado pelo § 3° do art. 33 da Lei 8.212/91, mediante a aplicação do percentual de 40% determinado nas Ordens de Serviço INSS/DAF 51, de 06/10/92 , 165, de 11/07/97 e 176, de 05/12/97, sobre o valor bruto das Notas Fiscais/Faturas/recibos de serviços executados mediante cessão de mão de obra. 3. A prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra, devidamente relacionada no Relatório Fiscal, e cientificada do procedimento por AR, é a pessoa jurídica ABB LTDA (ASEA BROWN BOVERI LTDA), CNPJ 43211325/000126. 4. Notificada por via postal, a empresa prestadora contestou o lançamento através do instrumento de fls. 49/67, anexando os documentos de fls. 69/97, e aduzindo os argumentos a seguir reproduzidos, em síntese: 4.1. a conclusão de que os serviços prestados constituem cessão de mão de obra advém de mera presunção. 4.2. não foi realizada a individualização das contribuições devidas pelos segurados empregados da impugnante, a fim de verificar se o teto máximo de contribuição não foi recolhido. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10073.001989/200753 Acórdão n.º 2202004.341 S2C2T2 Fl. 519 3 4.3. o crédito tributário exigido está extinto pela decadência, nos termos do art. 156, V do CTN. 4.4. a base de cálculo dos valores supostamente devidos é ilegal, uma vez que baseada em decreto. 4.5. é ilegal a imputação de responsabilidade aos diretores da empresa tomadora. 4.6. a mão de obra envolvida nos serviços jamais foi posta à disposição do contratante. 4.7. não há qualquer débito em nome da impugnante passível de exigência. 4.8. somente se pode cogitar a imputação de responsabilidade solidária se for previamente constituído um débito em nome do devedor principal. 4.9. como a impugnante jamais foi intimada de qualquer ato administrativo tendente a constituir o crédito tributário, não pôde comprovar que os valores supostamente devidos estão extintos pelo pagamento. DA INFORMAÇÃO FISCAL 5. Às fls. 100, a Seção de Contencioso Administrativo da DRP/Caxias faz retomarem os autos à Fiscalização, para esclarecer acerca da existência de serviços prestados mediante cessão de mão de obra na situação tratada nos autos ou justificar eventual impossibilidade de fazêlo em face da apresentação deficiente da documentação solicitada amparada em auto de infração regularmente emitido mediante emissão de Relatório Fiscal Complementar e reabertura do prazo de defesa dos interessados. 6. Em atendimento, a Informaçao Fiscal de fls. 188/190 esclarece que os contratos de prestação de serviços cujas cópias aduna às fls. 106/187, prevêem que o planejamento e a execução dos serviços, bem como o fornecimento de pessoal qualificado e especializado são de responsabilidade da contratada, e que as encomendas de serviço são feitas com o uso de mão de obra da contratada. 6.1. Outrossim, informa que, embora a AFRFB Notificante nao tenha mencionado o fato em seu Relatório, houve no decorrer da ação fiscal a lavratura do Auto de Infração AI Debcad n° 37.048.4169, por não ter o contribuinte apresentado todos os documentos solicitados à época. DA SEGUNDA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA 7. Em adendo às razões anteriormente expendidas, a empresa prestadora, dentro do prazo disponibilizado, aduz os seguintes argumentos. Fl. 520DF CARF MF 4 7.1. Reedita a tese de extinção dos créditos lançados pelo decurso de prazo decadencial, com base na Súmula Vinculante n° 08 do STF. 7.2. No mérito, reitera as razões da primeira impugnação. DA IMPUGNAÇÃO DA TOMADORA 8. Reaberto o prazo para apresentação de defesa, a Companhia Siderúrgica Nacional CSN impugna tempestivamente o lançamento, fls. 315/334, deduzindo as razões a seguir reproduzidas: 8.1. os débitos lançados estão extintos, uma vez que o acórdão de nulidade lavrado pela 4” CJ do CRPS, nos autos da NFLD originária, baseouse integralmente no ferimento às garantias constitucionais da ampla defesa e do contraditório, tratandose, portanto, de vício material, que não autoriza o deslocamento da regra decadencial para o art. 173 do CTN. 8.2. outrossim, tratase de autuação em razão de responsabilidade solidária, tema que tem cunho exclusivamente material, não havendo que se falar em vício formal na hipótese. 8.3. Isto posto, se não houve reabertura do prazo para lançamento, impõese a conclusão de que decaiu o direito de constituir o crédito tributário por parte do sujeito ativo, que é de cinco anos, a teor do art. 173 I do CTN. 8.4. No mérito, alega que a responsabilidade solidária prevista no art. 31 da Lei 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, deve ser observada no momento da exigibilidade do crédito, não na sua constituição, sendo obrigatória a averiguação, por parte da fiscalização, da efetiva inadimplência da prestadora antes de efetuar qualquer lançamento contra a tomadora. 8.5. Reproduz o art. 37 da Lei 8.212/91, concluindo que somente pode ser lavrada notificação de débito se constatada pela fiscalização a ausência de recolhimento de contribuição. 8.6. a mera constatação de que a empresa prestadora não sofreu fiscalização à época em que prestou serviços à impugnante, não tendo sido sequer intimada para apresentar qualquer tipo de documento, não é suficiente para justificar o procedimento de apuração de débitos, eis que não foi efetuada, em momento algum, a análise da escrituração contábil da prestadora para fins de verificação da sua adimplência. 8.7. Tendo ocorrido o correto pagamento por parte da empresa prestadora de serviços, e são fortes os indícios de que tenha havido, estará configurada a situação prevista no art. 125, I do CTN, que estende aos demais obrigados na solidariedade os efeitos do pagamento efetuado por um deles. 8.8. Invoca o Parecer 2376/2000 editado pela Consultoria Juridica do Ministério da Previdência Social, e a Orientação Interna INSS/DIREP n° 7, de 17/06/2004, destacando trecho em que é recomendada uma sistemática de acompanhamento de Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10073.001989/200753 Acórdão n.º 2202004.341 S2C2T2 Fl. 520 5 cobrança visando evitar o lançamento de crédito já extinto ou que já esteja sendo discutido ou cobrado judicial ou administrativamente. 8.9. Ressalta que a prestadora já trouxe aos autos Guias da Previdência Social que comprovam o recolhimento do débito ora cobrado. 8.10. Em nome do princípio da Verdade Material, protesta pela conversão do feito em diligência, para que se proceda à aferição dos livros contábeis da prestadora. 8.11. Aduna arestos e excertos doutrinários em abono de suas teses. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) deu integral provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 471): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Periodo de apuração: 01/02/1996 a 31/12/1998 SOLIDARIEDADE ENTRE TOMADOR E PRESTADOR DOS SERVIÇOS A responsabilidade solidária não comporta beneficio de ordem, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante, sem que haja apuração prévia no prestador de serviços artigo 220 do Decreto n° 3.048/99, c/c artigo 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional Enunciado 30 do CRPS. FISCALIZAÇÃO TOTAL DA EMPRESA PRESTADORA. IMPROCEDÊNCIA DO CRÉDITO LANÇADO NA TOMADORA REVISÃO DO LANÇAMENTO. Comprovada a ocorrência de ação fiscal na empresa contratada, com exame de sua contabilidade por todo 0 periodo de abrangência do lançamento, ou lançados os débitos por aferição indireta, verificase incabível a sua constituição por solidariedade na empresa contratante, a teor dos atos normativos que regem o tema. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Fl. 522DF CARF MF 6 Tratase de recurso de ofício contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que exonerou o crédito tributário por não ter o auditor fiscal analisado as informações disponíveis relativas a todos os devedores solidários, nos seguintes termos: 16. O entendimento anterior da Administração Previdenciária, vigente à época do lançamento, era que a manutenção do lançamento por solidariedade na empresa contratante seria justificado pela incerteza quanto à possibilidade de reabertura de fiscalização, ou mesmo de futura refiscalização, na empresa contratada que já havia sido fiscalizada com exame de contabilidade no periodo do lançamento por solidariedade, pela possibilidade de serem então encontradas notas fiscais ainda não contabilizadas pela contratada. 17. Apesar disso, desde o Parecer/CJ n° 2.376/2000 tal entendimento vem internamente mudando, num processo que, atualmente, assume a seguinte fonnulação: Q constatar que um ou mais dos devedores solidários havia sido objeto de Auditoria Fiscal Previdenciária com exame da contabilidade. o AFPS deveria absterse de constituir o crédito previdenciário, caso não houvesse divergências entre os valores das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços examinados na Auditoria. 19. De acordo com a Portaria MPS/SRP/DEFIS n° 02, de 05 de fevereiro de 2007 Anexo II, item 8.4.3, o auditor deverá analisar as informações disponiveis relativas a todos os devedores solidários, visando à verificação da regularidade da obrigação tributária a ser exigida, de forma a evitar o lançamento de crédito já extinto ou que já esteja sendo discutido ou cobrado judicial ou administrativamente. 20. Tal providência, a nosso ver indispensável à constituição do lançamento substitutivo, deixou de ser observada pela Auditoria Fiscal, o que, em principio, contamina o ato, levando à sua nulidade. Entretanto, nesse caso, a declaração de nulidade que de outro modo seria incontomável, é obstada pela regra processual prevista no § 3° do art. 59 do Decreto 70.235/72, nos seguintes termos: § 3". Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronuncíará nem mandará repetir 0 ato ou suprirlhe a falta. 21. É exatamente a hipótese dos autos, como demonstrado a seguir. 22. Com base no relatório extraído do sistema Cadastro Nacional de Ações Fiscais CNAF, fls. 420, constatamos que a empresa prestadora foi fiscalizada, com exame do período de apuração do presente débito. 23. Desta forma, as competências contempladas na presente NFLD, O2/96 a 12/98, já foram objeto de fiscalização na prestadora de serviços através do procedimento fiscal n°. 09399837 24. Em face do exposto, dou provimento a impugnaçao para excluir in totum o crédito tributário. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10073.001989/200753 Acórdão n.º 2202004.341 S2C2T2 Fl. 521 7 É como VOTO.. O procedimento adotado pela fiscalização de arbitrar diretamente a base de cálculo das contribuições previdenciárias com base no valor das notas fiscais, sem ouvir previamente a prestadora, tornou a falta de apresentação da documentação pela Recorrente uma presunção absoluta de inadimplência dos tributos, o que não pode ser admitido. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 524DF CARF MF
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