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Numero do processo: 10435.721365/2014-29
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013
Ementa
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS.
A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1001-000.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 13 65 /2 01 4- 29 Fl. 64DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente processo sobre lançamento (fl. 27), no qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao mês de março de 2013. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 2/18) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de denúncia espontânea.. A decisão de primeira instância (efls. 33/35) manteve o crédito tributário. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/08/2014 (efl. 38) a Interessada interpôs recurso voluntário em 04/09/2014 (efls. 41/60), em que aduz, em resumo (repetindo argumentos da impugnação): que a Recorrente entregou a DCTF em atraso, de forma espontânea, antes de qualquer procedimento da fiscalização em exigilas; que é inaplicável qualquer forma ou nominação de multa, quando da efetivação da denúncia espontânea e pagamento do tributo devido ou parcelamento deste, já que a expressão contida na lei se for o caso afasta a multa na hipótese de cumprimento espontâneo dá obrigação tributária, seja ela principal, acessória ou acessória que se tornou principal; apresenta acórdãos do Conselho de Contribuintes que corroborariam a tese de que o cumprimento a destempo, mas espontâneo e antes de qualquer exigência da administração fazendária, autorizaria a aplicação do disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, a fim de caracterizar a inexigibilidade da multa pretendida; que no acórdão recorrido.já na descrição do voto condutor, observarseia o equívoco do ilustre julgador ao considerar a DCTF como uma obrigação acessória desvinculada de natureza tributária, pois seria certo que as informações prestadas na referida declaração (DCTF) são situações tributárias ocorridas na empresa. Se exige informações das situações tributárias ocorridas na empresa, como desvinculála da ocorrência do fato gerador dos tributos. que até mesmo nos casos de pedidos de parcelamento há que se considerar a denúncia espontânea para elidir exigência de qualquer multa; seria absurdamente incoerente admitirse aplicação de penalidade a este contribuinte de forma idêntica à qual lhe seria aplicada caso permanecesse inerte, aguardando eventual manifestação da autoridade fazendária. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso voluntário é tempestivo. Definiu acertadamente a decisão de primeira instância que a entrega da DCTF constituise em obrigação acessória, desvinculada de natureza tributária, pois assim prevista nos §§ 2º e 3º do art. 113 do CTN: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10435.721365/201429 Acórdão n.º 1001000.115 S1C0T1 Fl. 65 3 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Mesmo nos casos de entrega espontânea da declaração, antes de qualquer procedimento por parte do Fisco, a aplicação de multa como a prevista no art. 7º da Lei nº 10.426/2002 permanece pertinente, uma vez que, em se tratando de obrigação acessória, a ela não se aplica o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea da infração (art. 138 do CTN) se refere à multa de ofício que acompanha a obrigação principal. A multa aplicada pela falta de entrega, ou entrega após o prazo legalmente estabelecido, nada tem a ver com o fato gerador da obrigação tributária principal. Tratase, sim, de uma penalidade decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória formal. Este é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a respeito da matéria, já tendo sido, inclusive, objeto da Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Adiantese que o § 2º do art. 7º da Lei nº 10.426/2002 prevê uma redução da multa aplicada, nos casos de a declaração ser apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício (redução à metade) ou uma redução a 75% no caso da declaração ser apresentada no prazo fixado em intimação, respeitados os limites mínimos estabelecidos no parágrafo 3º do mesmo artigo. Desta forma, é evidente que, ao contrário do que alega a recorrente, a imposição da penalidade está legalmente prevista, mesmo neste caso de apresentação espontânea da declaração (com ou sem paramento ou parcelamento do tributo), com a devida redução da multa à metade. Adiciono, no que se refere às decisões administrativas e judiciais apontadas, relacionamse a litígio entre partes específicas em que o sujeito passivo não foi parte do processo e/ou tratam de decisão sem força vinculante por não se enquadrar no disposto no RICARF, em especial em seus artigos 62, 72 e 74 (Portaria MF nº 343, de 2015). Desta forma, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 66DF CARF MF 4 Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000278/2006-62
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. CTN, ART. 173, I. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. CPC/1973, ART. 543-C, REPETITIVO. RICARF/2015, ART. 62, §2º.
Da falta de comprovação de pagamento do tributo decorre a aplicação do artigo 173, I, do CTN, rejeitando-se a alegação de decadência. Reprodução do entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733, decidido sob o regime do artigo 543-C, do Código de Processo Civil/1973, nos termos do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 343/2015, artigo 62, §2º).
Numero da decisão: 9101-002.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. CTN, ART. 173, I. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. CPC/1973, ART. 543-C, REPETITIVO. RICARF/2015, ART. 62, §2º. Da falta de comprovação de pagamento do tributo decorre a aplicação do artigo 173, I, do CTN, rejeitando-se a alegação de decadência. Reprodução do entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733, decidido sob o regime do artigo 543-C, do Código de Processo Civil/1973, nos termos do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 343/2015, artigo 62, §2º).
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CTN, ART. 173, I. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. CPC/1973, ART. 543C, REPETITIVO. RICARF/2015, ART. 62, §2º. Da falta de comprovação de pagamento do tributo decorre a aplicação do artigo 173, I, do CTN, rejeitandose a alegação de decadência. Reprodução do entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733, decidido sob o regime do artigo 543C, do Código de Processo Civil/1973, nos termos do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 343/2015, artigo 62, §2º). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 02 78 /2 00 6- 62 Fl. 2795DF CARF MF 2 Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL em face do Acórdão n. 10196.979 (Efls. 2629 ss.), proferido pela 1a Câmara do antigo 1o. Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência dos três primeiros trimestres de 2001 com relação ao IRPJ e à CSLL e aos meses de janeiro a novembro de 2001, no que tange à Contribuição ao PIS e à COFINS, afastando também a multa isolada aplicada pela falta de recolhimento de estimativas, por se entender não sêla possível concomitantemente com a multa de ofício. O Auto de Infração (Efls. 1855 ss.) foi cientificado à contribuinte em 18.12.2006 para a cobrança de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS, em função de omissão de receitas por sua não contabilização, comprovação da origem ou efetividade da entrega de numerário no período de 31.03.2001 a 31.12.2002, com a imposição de multa isolada pelo não recolhimento de estimativas. Insurgindose contra a autuação, a recorrida apresentou Impugnação Administrativa (Efls. 1893 ss.) (a) esclarecendo as operações das quais teriam resultado omissão de receitas no entender fical, dentre elas que havia um conta corrente com sua controladora HOUSE PARTICIPAÇÕES, que fez aporte de capital devidamente registrado em sua contabilidade, afirmando também (b) que haveria apresentado documentos, (c) a nulidade do lançamento, por omissão da objetiva descrição dos fatos, no que concerne à quantidade de mercadorias adquiridas e respectivas notas de compra, (d) a decadência relativa ao período de março, junho e setembro de 2001, (d) que a multa isoalda teria sido abolida da legislaçao tributária pela MP n. 303/2006 e (e) a ilegalidade da taxa Selic. O posicionamento da Administração Tributária, no entanto, foi parcialmente mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (Efls. 2153 ss.), em decisão assim ementada: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001, 31/12/2002, Fl. 2796DF CARF MF Processo nº 13864.000278/200662 Acórdão n.º 9101002.874 CSRFT1 Fl. 2.796 3 31/01/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002 PROVAS. A impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, bem corno os pontos de discordância e as razões e provas que possuir a contribuinte. Somente se admite a dilação do prazo para formação de prova documental quando preenchido um dos requisitos do art. 16, 4°, do Decreto no. 70.235, de 1972, o que não se logrou demonstrar nestes autos. ENDEREÇAMENTO DAS INTIMAÇÕES. É prevista a intimação do sujeito passivo no domicílio tributário, assim considerado o do endereço postal, eletrõnico ou de fax, pelo contribuinte fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Presentes nos autos a descrição dos fatos, termos e documentos cientes a caracterizar todos elementos do fato jurídico tributário, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001, 31/12/2002, 31/01/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002 REGISTROS CONTÁBEIS Devem ser amparados por documentos hábeis, quais sejam, aqueles que tem os requisitos e qualidades indispensáveis para comprovar os lançamentos contábeis e produzir os efeitos jurídicos. PRESUNÇÕES Na apuração da omissão de receita, o Fisco não sofre qualquer restrição e, assim, quando sua prova não estiver estabelecida na legislação Fiscal, pode realizála através de todos os meios admitidos em Direito, inclusive com base em presunção simples, desde que firmada com indícios veementes. OBSERVÂNCIA DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. É na fase do processo legislativo que se deve guardar obediência ao princípio da capacidade contributiva e à existência de acréscimo patrimonial, mediante identificação da classe de contribuintes, da matéria tributável, da determinação da base de cálculo e da alíquota incidente, para fins de tributação do imposto de renda. Presumemse preenchidos tais pressupostos na edição 'de norma válida, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido, que caracteriza e dimensiona cada hipótese de incidência do tributo, inclusive naquelas que versam sobre presunção legal de omissão de receita, cumprindo ao Fisco, tão somente, ao identificar a ocorrência do fato jurídico tributário previsto na norma de incidência do imposto, formalizar a exigência do correspondente crédito tributário. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO Não comprovada a origem de valores identificados como receita de exportação, mantidos em conta de reserva para aumento de capital, impõese a tributação, a título de omissão de receita. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO Os aportes de capital efetuados pelos sócios devem ser demonstrados através de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, com a finalidade de comprovar a origem externa de recursos e a transferência dos mesmos para a empresa, sob pena de caracterizar omissão de receita, nos termos da legislação vigente. OMISSÃO DE COMPRAS Comprovado pelo Fisco, mediante documentos fiscais emitidos pelos fornecedores da empresa, que a contribuinte omitiu o registro de compras, resta caracterizada a omissão de receita, por expressa previsão legal. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA DO ART. 44, 1°, IV, DA LEI 9.430/96. A falta do recolhimento da estimativa devida em razão da apuração de omissão de receita enseja a aplicação da multa isolada, prevista no ar!. 44, 1°, IV, da Lei n. 9.430, de 1996. Com fulcro no princípio da retroatividade benigna, retificase a exigência para ajustála ao percentual de 50%, face alteração da redação do dispositivo legal que a fundamenta. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. Fl. 2797DF CARF MF 4 142, parágrafo único do CTN (lei no. 5.172/66), devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001, 31/12/2002, 31/01/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002 IRPJ. DECADÊNCIA Na ausência de pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial de 5 anos se desloca para a regra prevista no art. 173, I, do CTN. Observada a apuração trimestral no ano calendário de 2001 e a autonomia dos períodos de apuração, não se vislumbra a decadência do lançamento cientificado em 18/12/2006. CSLL. PIS. COFINS. DECADÊNCIA As contribuições em comento, ao se enquadrarem no conceito de Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social, instituído no art. 195 da Constituição Federal de 1988, obedecem a contagem do prazo decadencial de 10 anos, prevista no art. 45 da Lei n. 8.212, de 24 de julho de 1991. SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Lançamento Procedente em Parte.” Em face dessa decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (Efl. 2249 ss.) tratando de pontos em comum com a impugnação antes apresentada, e também sobre (a) a necessidade de observância do prazo de 20 dias para a resposta a intimações, (b) cerceamento do direito de defesa, (c) utilização de prova ilícita, (d) decadência, (e) não efetivação do aumento de capital pela HOUSE PARTICIPAÇÕES, (f) vedação ao confisco, (g) proporcionalidade e capacidade contributiva e (h) ilegalidade da taxa Selic. Como adiantado, o Acórdão n. 10196.979 (Efls. 2629 ss.), proferido pela 1a Câmara do antigo 1o. Conselho de Contribuintes, deu provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência dos três primeiros trimestres de 2001 com relação ao IRPJ e CSLL e aos meses de janeiro a novembro de 2001, no que tange à Constribuição ao PIS e à COFINS, afastando também a multa isolada aplicada pela falta de recolhimento de estimativas, em razão de sua concomitância com a multa de ofício, com a seguinte ementa: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO NULIDADE – Inexistindo qualquer falha, irregularidade ou vício formal ou material no auto de infração, em cuja lavratura foram observados todas as determinações do Decreto n. 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Improcede a alegação de cerceamento do direito de defesa quando o procedimento fiscal fundamentouse em levantamentos realizados junto aos clientes da fiscalizada e, ainda, tendo o fisco juntado aos autos os elementos de prova, além da realização das diligências e intimações necessárias para o deslinde da questão. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IRPJ PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Consoante jurisprudência firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, após o advento da Lei n. 8.383/91, o Imposto de Renda de Pessoas Juridicas é lançado na modalidade de lançamento por homologação e a decadência do direito de constituir crédito tributário regese pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional. CSLL PIS COFINS DECADÊNCIA Por se tratar de tributos cuja modalidade de Fl. 2798DF CARF MF Processo nº 13864.000278/200662 Acórdão n.º 9101002.874 CSRFT1 Fl. 2.797 5 lançamento é por homologação, expirado cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. IRPJ OMISSÃO DE RECEITA SUPRIMENTOS DE CAIXA NÃO COMPROVADOS Os suprimentos de numerário. atribuídos a sócios da pessoa jurídica, cujos requisitos cumulativos e indissociáveis de efetividade de entrega e origem dos recursos não forem devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, devem ser tributados como receitas omitidas pela empresa. OMISSÃO DE RECEITA RECEITA DE EXPORTAÇÃO Não comprovada a origem de valores identificados como receita de exportação, mantidos em conta de reserva para aumento de capital, impõese a tributação, a título de omissão de receita. OMISSÃO DE RECEITA FALTA DE REGISTRO DE COMPRAS Devidamente comprovada pela fiscalização a omissão do registro de compras, bem como o respectivo pagamento das mesmas no próprio anocalendário, deve ser mantido o lançamento de oficio constituído a título de omissão de receitas. JUROS MORATÓRIOS TAXA SELIC Súmula l° CC n° 4: A partir de l° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. IRPJ MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS PREJUÍZO FISCAL Após o encerramento do ano calendário, a base de cálculo para efeitos de aplicação da multa isolada tem como limite o saldo do tributo a pagar na declaração de ajuste, não sendo cabível, portanto, a sua imposição na inexistência de base tributável. VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade, ACOLHER a preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL em relação dos três primeiros trimestres de 2001 e das contribuições para COFINS nos meses de janeiro a novembro de 2001 e, quanto ao mérito, DAR provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada sobre a base de cálculo estimada nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Sandra Maria Faroni, Valmir Sandri, Caio Marcos Cândido, João Carlos de Lima Junior, José Sérgio Gomes (suplente convocado), José Ricardo da Silva (relator), Aloysio José Percínio da Silva, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vicepresidente) e Antônio Praga (presidente da turma).” A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (Efls. 2681 ss.) sustentando que, (i) não havendo pagamento, a contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário em questão regerseia pelo artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, e (ii) a possibilidade de aplicação de multa pela falta de recolhimento de estimativas, mesmo encerrado o ano calendário, devendose reformar a decisão a quo para se manter a proferida em primeira instância. O Recurso Especial foi recepcionado por Despacho de Admissibilidade (Efls. 2737 ss.) somente no que diz respeito à decadência, negandoa no que concerne à multa isolada, pelas seguintes razões: “Em primeiro lugar, do exame dos acórdãos recorrido e paradigma, verificase equívoco da recorrente no sentido de que os acórdãos confrontados não tratam de aplicação de multa de ofício cumulativa com a multa isolada, mas tão somente de exigências de multa isolada. Do Fl. 2799DF CARF MF 6 acórdão recorrido constase que foi identificada omissão de receitas que justificou a recomposição das estimativas devidas no curso do anocalendário, de modo que resultou recolhimento a menor do IRPJ apurado com base nas estimativas nos meses de janeiro, março, abril e junho de 2002, e considerando que a contribuinte apurou prejuízo fiscal no referido ano calendário houve a exigência apenas de multa isolada, como se lê às fls. 1.907, 1.909 e 2.126. O acórdão paradigma também trata apenas de exigência de multa isolada em função de recolhimentos a menor de estimativas referentes aos meses de junho, agosto, setembro e outubro de 2004 e de alguns meses de 2.005, em função de determinadas compensações efetuadas pela contribuinte que reduziram indevidamente as bases de cálculo das estimativas dos referidos meses, fls. 2.157 e 2.159, versando o litígio apenas quanto ao montante das estimativas para base de cálculo da multa isolada. Quanto ao outro fundamento utilizado no recurso especial, qual seja, a possibilidade de lançamento da multa isolada após o encerramento do anocalendário, a recorrente também não logrou estabelecer dissídio jurisprudencial, diante da inexistência de similitude fática entre os acórdãos paragonados, nos quais, igualmente foram aplicados os mesmos dispositivos legais, o art. 44, S 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/1996, porém em situações fáticas distintas (…).” A decisão foi confirmada em reexame de admissibilidade (Efls. 2743 ss.): “A Fazenda Nacional suscitou dissídio jurisprudencial alegando, em síntese, que a Câmara a quo julgou ser incabível a cobrança cumulada de multa de lançamento de ofício com a multa isolada, pelo não pagamento do tributo devido por estimativa após o encerramento do respectivo anocalendário, ao contrário do entendimento expresso no acórdão n° 10809.355, que interpretou o art. 44 da Lei n09.430/1996, no sentido de ser cabível a exigência da multa isolada em lançamento após o ténnino do periodo de apuração. A análise dos fundamentos do Despacho denegatório, exarado pelo Presidente da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF, indica que, de fato, não restou caracterizado o argüido dissenso jurisprudencial, visto que os acórdãos recorrido e paradigma conquanto versando sobre a aplicação das disposições do art. 44, S 1°, inciso IV, da Lei no. 9.430/1996, trataram de situações fáticas diversas. Constatouse que os acórdãos confrontados não tratam de aplicação de multa de oficio cumulativa com a multa isolada, mas apenas de exigência de multa isolada; o acórdão recorrido admitiu o lançamento da múlta isolada, após o encerramento do anocalendário, observado os saldos dos tributos devidos apurados na DIPJ; a exigência da multa isolada foi excluída por outro motivo, a ocorrência de prejuizo fiscal; no acórdão paradigma, n° 108 09.355, estas duas situações fáticas: possibilidade de lançamento da multa isolada após encerrado o anocalendário e sua inaplicabilidade na hipótese de ocorrência de prejuízo fiscal, não foram apreciadas expressamente; dos fundamentos dos votos vencido e vencedor do paradigma, verificase que nele também se admitiu o lançamento da multa isolada após o encerramento do anocalendário, observado o limite dos saldos dos tributos apurados na DIPJ, com base no entendimento adotado no acórdão no. CSRF/0104.915, constatandose, portanto, convergência de interpretação das disposições do art. 44, S 1°, inciso IV, da Lei no. 9.430/1996, ao invés de divergência. Assim, revisados os fundamentos do Despacho denegatório constataseescorreita a negativa de seguimento do recurso especial não merecendo nenhum reparo.” Passase, então, à apreciação do recurso especial no que se refere à questão do prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos a “lançamento por homologação”, considerando a relevância de seu pagamento e hipóteses que autorizam o deslocamento do referido prazo para o artigo 173 do Código Tributário Nacional. Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Fl. 2800DF CARF MF Processo nº 13864.000278/200662 Acórdão n.º 9101002.874 CSRFT1 Fl. 2.798 7 PRELIMINARES Tempestividade do Recurso Especial Anteriormente à análise do mérito, verificarseá a tempestividade do recurso e o preenchimento dos requisitos para o seu conhecimento. Consta na efl. 2679 recebimento do processo pela PGFN em 11.03.2010, com seu retorno ao CARF no dia 04.04.2010 (Efl. 2735), portanto, aplicandose o artigo 79 do Regimento Interno do CARF, parágrafos 1o. e 2o, considerase o presente recurso tempestivo. Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, (1) na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (i) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (ii) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; (iii) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF; ou (2) de sua interposição, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. Pois bem, como já registrado, a parcela do recurso especial que visava à desconstituição da multa isolada não foi recepcionada e, portanto, não foi devolvida à competência de julgamento deste colegiado, restando, então, a apreciação da decadência. Fl. 2801DF CARF MF 8 Voltandose ao caso concreto, observase que o acórdão recorrido decidiu que, independentemente de pagamento, os tributos exigidos nessa autuação (IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS) se sujeitariam ao lançamento por homologação e, assim, necessariamente ao prazo quinquenal de decadência do artigo 150, parágrafo 4o., do Código Tributário Nacional, deslocado para o artigo 173, I, do CTN, somente nas hipóteses em que configurado dolo, fraude ou simulação. Por sua vez, no intuito de afastar a decisão a quo, que seguindo esse racional declarou a decadência do direito de constuição dos créditos tributários dos três primeiros trimestres de 2001, com relação ao IRPJ e à CSLL, e aos meses de janeiro a novembro de 2001, no que tange à Constribuição ao PIS e à COFINS, a Fazenda Nacional sustenta que, não havendo o pagamento do imposto, aplicase o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, no lugar do seu artigo 150, parágrafo 4o, na linha que seguiu o único paradigma apresentado (Acórdão CSRF/910100.460). Nesse sentido, identificase divergência no tocante à relevância do pagamento para aplicação do artigo 150, parágrafo 4o., do CTN, com o consequente deslocamento do termo de início do prazo para o artigo 173, I, do mesmo código. Por essas razões, VOTASE POR CONHECER o recurso especial. MÉRITO Considerando a divergência identificada, delimitase que seu objeto referese à relevância da existência de pagamento para a aplicação do artigo 150, parágrafo 4o., e consequente deslocamento do prazo para o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, tendo como suporte fáctico lançamento de ofício cientificado ao contribuinte em 18.12.2006 para a cobrança de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS, em função de omissão de receitas por sua não contabilização, comprovação da origem ou efetividade da entrega de numerário, no período de 31.03.2001 a 31.12.2002. Com efeito, considerase que o impropriamente chamado “lançamento por homologação”, porque lançamento é atividade privativa de autoridade administrativa nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, referese às situações em que a lei transfere ao sujeito passivo o ato de constituição do crédito tributário – ato este que se difere e é pressuposto lógico e cronológico do pagamento. Assim se compreende que, ocorrido o fato gerador de um tributo sujeito ao lançamento por homologação, em regra, fluiria o prazo decadencial de cinco anos para o lançamento de ofício pela Fazenda caso não constituído o crédito pelo sujeito passivo ou, não havendo apenas o pagamento, surgiria a possibilidade direta de cobrança. Na realidade, não se vislumbra propriamente que o fisco estaria Fl. 2802DF CARF MF Processo nº 13864.000278/200662 Acórdão n.º 9101002.874 CSRFT1 Fl. 2.799 9 homologando um pagamento, sobretudo como pressuposto para se considerar constituído o crédito e aplicável então o artigo 150, parágrafo 4o. do Código Tributáro Nacional; o contrário: o que interessa, sim, é a verificação de sua constituição, para se definir se se inicia o prazo decadencial do seu direito de fazêlo. Noutras palavras, na linha adotada, o prazo que se opera não é para a referida homologação, ainda que tácita; mas de decadência do direito do fisco de proceder ao lançamento de ofício, na hipótese de o contribuinte não realizar a atividade de constituição que lhe atibuiu aprioristicamente a lei. Daí se entender a indiferença, nesse ponto, do pagamento para a aplicação do prazo decadencial do art. 150, mas apenas a necessidade de possibilitar o acesso ao fisco ao fato gerador e sua compatibilização com o artigo 173, I , que deslocaria o prazo para o primeiro dia do exercício seguinte, somente no caso de dolo, fraude ou simulação, conforme disposição final do parágrafo 4o. do mencionado artigo 150. Nesse sentido e de forma objetiva, considerandose que o IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS são tributos sujeitos ao chamado “lançamento por homologação”, aplicase o artigo 150, parágrafo 4o., do CTN, independentemente da existência de pagamento, porque o que se mostra relevante, na leitura que se faz dessa espécie, é a constatação da constituição ou não do crédito pelo sujeito passivo, a partir do acesso dadoa ao Fisco para o conehcimento do fato gerador, como no caso a apresentação de declaração. Desse modo, na medida em que o lançamento de ofício foi cientificado ao contribuinte em 18.12.2006, relativo a fatos geradores de 03/2001 a 12/2002, mantémse a decisão do colegiado a quo para reconhecer a decadência dos três primeiros trimestres de 2001 com relação ao IRPJ e CSLL e aos meses de janeiro a novembro de 2001, no que tange à Constribuição ao PIS e à COFINS. Nesse sentido, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial, mantendose a decisão a quo e a extinção do crédito tributário em função da decadência. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora Designada Fl. 2803DF CARF MF 10 Com a devida vênia, divirjo do entendimento da Ilustre Relatora com relação à decadência alegada nos autos. Com efeito, ausente comprovação de pagamento dos tributos em análise, há que se aplicar o prazo decadencial estabelecido pelo artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; A divergência com o voto da Ilustre Relatora é a respeito da interpretação dos artigos 150, §4º e 173, alinhandose ao acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Recurso Especial nº 973.733, decidido sob o regime do artigo 543C, do Código de Processo Civil/1973 e, portanto, de aplicação obrigatória por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Regimento Interno vigente (Portaria nº 343/2015, em seu artigo 62, §2º). Destaco trechos da ementa do acórdão em julgamento daquele Recurso Especial nº 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (...) 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, Fl. 2804DF CARF MF Processo nº 13864.000278/200662 Acórdão n.º 9101002.874 CSRFT1 Fl. 2.800 11 sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 12/08/2009) A falta de pagamento comprovado nos autos impõe a aplicação do artigo 173, I, do CTN, em observância ao repetitivo acima citado. Nesse sentido, a mera declaração de rendimentos (DIPJ) não é suficiente para aplicação do artigo 150, §4º, do CTN, conforme entendimento da maioria deste Colegiado. Por tais razões, dou provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 2805DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000920/00-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9101-000.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para esclarecimentos e juntada de cópias dos processos judiciais e informações controladas nos processos administrativos de nº 16327.000793/99-09 e 16327.000842/2008-84. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição da Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para esclarecimentos e juntada de cópias dos processos judiciais e informações controladas nos processos administrativos de nº 16327.000793/9909 e 16327.000842/200884. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição da Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 92 0/ 00 -2 1 Fl. 645DF CARF MF Processo nº 16327.000920/0021 Resolução nº 9101000.034 CSRFT1 Fl. 646 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra acórdão da 1ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. À ocasião, a Câmara deu provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, para admitir a dedução da base de cálculo do valor contribuição social, conforme acórdão cuja ementa se transcreve a seguir: NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE Não é nulo o lançamento que se reporta aos dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda vigente na data dos fatos que lhe deram causa. NORMAS PROCESSUAIS DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. A submissão da matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio, cuja exigibilidade fica adstrita à decisão definitiva do processo judicial. IRPJ — CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS — PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA — INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. No anoscalendário de 1995 e 1996 vigorava o artigo 43 e seus §§ da Medida Provisória n° 812/94, convertida em Lei n° 8.981/95. A Resolução n° 1.748/90 do Banco Central do Brasil dizia respeito apenas aos aspectos contábeis e estatísticos das instituições financeiras, sem qualquer efeito na determinação do lucro real. DEDUÇÃO DA CSLL DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL Nos anoscalendário de 1995 e 1996, os tributos e contribuições são dedutíveis segundo o regime de competência, exceto se sua exigibilidade estiver suspensa nos termos dos incisos II a IV do a rt. 151 do CTN. Recurso provido em parte. Destacase trecho do acórdão, sob relatoria da exConselheira Sandra Faroni, no que trata do que ainda está em discussão neste processo (fls. 329/344, volume 1): Sobre a dedutibilidade do valor da Contribuição Social de sua própria base de cálculo e da base de cálculo do imposto de renda, assiste razão à recorrente. Efetivamente, a indedutibilidade só vigora a partir da Lei 9.316/96, inaplicável, pois, para os anos calendário de 1995 e 1996. A autoridade julgadora manteve o lançamento tal como constou do auto de infração sob a alegação de que o §1 ° do art. 41 da Lei 8.981/95 exclui da dedutibilidade os valores dos tributos ou contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos dos incisos II a IV do art. 151 do CTN, e que a exigibilidade da contribuição está suspensa nos termos do inciso Ill (impugnações e recursos). Ocorre que, quando da formalização da exigência do IRPJ, o valor do crédito correspondente Fl. 646DF CARF MF Processo nº 16327.000920/0021 Resolução nº 9101000.034 CSRFT1 Fl. 647 3 à CSLL não estava com sua exigibilidade suspensa, devendo, pois, ser considerado na apuração da base de cálculo do imposto de renda. Finalmente, quanto à limitação da compensação de prejuízos, que a Recorrente submeteu ao Poder Judiciário, é preciso considerar que nosso sistema jurídico não comporta que uma mesma questão seja discutida, simultaneamente, na via administrativa e na via judicial. Porque, uma vez que o monopólio da função jurisdicional do Estado é exercido através do Poder Judiciário, o processo administrativo, nesses casos, perde sua função. Portanto, em relação à limitação da compensação de prejuízos, não tomo conhecimento do recurso. Pelas razões expostas, dou provimento parcial ao recurso apenas para determinar que o valor da contribuição social apurado através do presente procedimento seja deduzido de sua própria base de cálculo e da base de cálculo do Imposto de Renda. Em 28/03/2001, a Procuradoria foi intimada quanto ao acórdão (fls. 345), interpondo recurso especial na mesma data (fls. 346/356). Neste recurso, sustenta divergência na interpretação a respeito do abatimento da CSLL da base de cálculo do IR e da própria CSLL, indicando como paradigmas os acórdãos: (i) 10805.766, no qual decidido que "a dedução prevista no item 7 da IN nº 198/98 fica comprometida em relação à contribuição social lançada de ofício, haja vista que a dedutibilidade dos tributos e contribuições, segundo o regime de competência para cálculo do Lucro Real, está restrita aos valores constantes da escrita comercial" (ii) 10804.559, do qual se extrai: "nas hipóteses de lançamento de ofício, não é pertinente invocar a dedutibilidade da própria contribuição para apuração da sua base tributável, porque só admitida para valores contabilizados"; (iii) 10804.058, constando deste acórdão que "incabível a dedutibilidade na determinação do lucro real, da Contribuição Social apurada em ação fiscal" O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas (fls. 678/680) Dentre os paradigmas acostados, a elucidativa para a divergência proposta, a ementa do Acórdão nr. 10804.058, de 18.03.97 (verbis): "DEDUÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES — Incabível a dedutibilidade, na determinação do lucro real, da Contribuição social apurada em ação fiscal." Aduz, ainda, o mesmo aresto, em seu voto (verbis): (...) Sou de opinião que a dedutibilidade de tributos de que trata o artigo 225 do RIR/80 somente se justifica quando regularmente contabilizada no curso do exercício social, não sendo cabível tal dedução se a contribuição está sendo exigida por força de ação fiscal." No mesmo sentido desse "decisum" (Ac. 10804.058) vão os demais arestos trazidos à colação, Ac. 10804.559 e Ac. 10805.766. Fica ressaltado que o "r. acórdão" decidiu pela dedutibilidade da C. Social s/ L. Líquido da base de cálculo do IR, e de sua própria base de cálculo, ao contrário do acórdão confrontante, Ac. 10804.058, cujo entendimento é pela indedutibilidade dessa Contribuição. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 16327.000920/0021 Resolução nº 9101000.034 CSRFT1 Fl. 648 4 Fica comprovada a divergência pretendida pela recorrente, porque as teses opostas são distintas para a mesma norma e fatos comuns aos dois acórdãos. Diante do exposto, e no uso de competência conferida pelo parágrafo 40 do art. 33 do précitado RI (Portaria MF nr. 55/98), DOU SEGUIMENTO ao Recurso Especial interposto nestes autos, pela PFN, por terem sido atendidos os pressupostos de admissibilidade. Em 27/11/2001, a contribuinte foi intimada quanto ao acórdão da Turma Ordinária, opondo embargos de declaração em 30/11/2001 (fls. 397/405) e contrarrazões ao recurso especial em 12/12/2001 (fls. 416). Em suas contrarrazões, alega que (i) os acórdãos indicados como paradigmas estão ultrapassados pela 8ª Câmara do Primeiro Conselho, pleiteando seja negado seguimento ao recurso especial; (ii) no mérito, sustenta que fatos geradores ocorreram em 1995 e 1996, portanto, anteriormente à vigência da Lei nº 9.316/96. A eventual aplicação retroativa significaria violação ao artigo 5º, XXXVI e 150, II, b, da Constituição Federal. Diante disso, requer seja negado provimento ao recurso especial. Os embargos de declaração não foram conhecidos, remetendose os autos à CSRF para julgamento do recurso especial da Procuradoria (fls. 504). A contribuinte apresentou recurso especial em 29/05/2006 (fls. 516, volume 2), alegando divergência na interpretação da lei tributária a respeito da possibilidade de juntada de argumentos e documentos a qualquer tempo no processo administrativo, indicando como paradigmas os acórdãos CSRF 0304.194, 10243.006 e 30130777. O Presidente da 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes negou seguimento ao recurso especial da contribuinte (fls. 545), sendo por esta interposto recurso de Agravo em 23/03/2007 (fls. 549/555). O Presidente da CSRF rejeitou o Agravo (fls. 567). Após a intimação da contribuinte, o débito mantido foi transferido para o processo administrativo 16327.000842/200884, para continuidade da cobrança. Ademais, os presentes autos retornaram para julgamento do recurso especial da Procuradoria (fls. 578). Em 1º/03/2010, a contribuinte informou a quitação dos débitos controlados no processo administrativo nº 16327.000842/200884 (IRPJ), mediante conversão dos depósitos judiciais efetuados nos autos dos Mandados de Segurança nº 2008.61.00.0229489 (ano base 1995) e 96.00777675 (ano base 1996), nos termos da Lei nº 11.941/2009. (fls. 582/584, volume 2). Informa que não desistiu ou renunciou ao direito relacionado à CSLL em debate no presente processo administrativo, requerendo o prosseguimento do seu julgamento. Em 16/10/2008, a contribuinte foi intimada a complementar depósitos judiciais efetuados nos autos do Mandado de Segurança 96.00777675 (processo administrativo nº 16327000842/200884) e para apresentar planilha demonstrando os débitos e valores a que se referem depósitos judiciais efetuados naquele processo. Em 10/11/2008, a contribuinte prestou esclarecimentos sobre os depósitos judiciais, sustentando que "o depósito realizado no MS nº 96.00777675 abarcou a multa de ofício, que realizou o complemento do depósito no valor de R$ 44.784,36, bem como realizou o pagamento da diferença de IRPJ, no valor total de R$ 2.965.261,89" (fls. 608, volume 2). Diante disso, foi suspensa a exigibilidade dos débitos controlados no processo administrativo nº 16327.000642/200884 (fls. 614). Fl. 648DF CARF MF Processo nº 16327.000920/0021 Resolução nº 9101000.034 CSRFT1 Fl. 649 5 Anoto que extrai trecho da sentença disponível no site da Justiça Federal de São Paulo tratando do Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0229489: (...) No presente caso, questiona a impetrante a autuação sofrida referente à apuração de CSLL nos anoscalendário 1995 e 1996 e, subsidiariamente, pretende que seja afastada multa de ofício aplicada sobre parcela da mesma contribuição social, no ano de 1996.Verifica se pela documentação juntada que a impetrante foi intimada em 24/04/2008 (fl. 267 e 516) da decisão final da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na mesma ocasião foi intimada a recolher aos cofres da Fazenda Nacional os débitos discriminados.Nesse passo, concluise que o ato capaz de produzir lesão ao direito do impetrante, atacável por meio deste mandamus , teve sua contagem iniciada, em 24 de Abril de 2008. De consequente, o prazo decadencial de cento e vinte dias estabelecido pela legislação de regência do mandado de segurança (art. 18), fluiu por inteiro antes do ajuizamento do presente writ (15 de Setembro de 2008). Isto Posto e considerando tudo o mais que dos autos consta, reconheço a decadência supra referenciada e julgo extinto o feito com resolução de mérito, nos termos do artigo 18 da Lei 1.533/51.O imposição de multa de 75% (fls. 8/14). É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O trecho disponível no sítio da Justiça Federal de São Paulo não revela o exato teor da medida judicial, isto é, se esta trata do tema em discussão em recurso especial interposto a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Eventual discussão judicial do tema tratado neste processo administrativo, ou sua desistência, poderia impactar no resultado do julgamento por esta Turma da CSRF. Originalmente, o processo administrativo recebeu o número 16327.000793/99 09 e, posteriormente, desmembrado nos processos nº 16327.000920/0021 (ora em julgamento) e 16327.000842/200884 (fls. 638). É possível que a unidade de origem tenha cópias reprográficas dos processos judiciais e informações controladas nos demais processos administrativos relacionados acima (16327.000793/9909 e 16327.000842/200884). Caso não haja tais informações e cópias, poderá intimar a contribuinte a apresentálas. Diante disso, proponho a devolução do processo à unidade de origem, para esclarecimentos e juntada das seguintes cópias: 1) cópia das petição inicial do Mandado de Segurança nº 96.00777675 2) cópia de todas as decisões proferidas no MS nº 96.00777675 (sentença, acórdão de agravo de instrumento, se o caso, acórdão em julgamento de recurso de apelação e eventuais acórdãos do STJ e STF, julgando recursos apresentados a estes Tribunais); Fl. 649DF CARF MF Processo nº 16327.000920/0021 Resolução nº 9101000.034 CSRFT1 Fl. 650 6 3) certidão de inteiro teor do Mandado de Segurança nº 96.00777675 (mais completa que certidão de objeto e pé); 4) cópia da petição de desistência do Mandado de Segurança (96.00777675), se existente 5) cópia da decisão que tenha homologado esta desistência. 6) petição inicial do Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0229489 7) todas as decisões proferidas no MS nº 2008.61.00.0229489 (sentença, acórdão de agravo de instrumento, se o caso, acórdão em julgamento de recurso de apelação e eventuais acórdãos do STJ e STF, julgando recursos apresentados a estes Tribunais); 8) certidão de inteiro teor do MS nº 2008.61.00.0229489; 9) cópia da petição de desistência deste MS 2008.61.00.0229489, se existente. 10) cópia da decisão que tenha homologado esta desistência; 11) certidão de inteiro teor deste processo. Ao final, entendo pertinente que a unidade de origem apresente relatório de diligência, atestando se os débitos em discussão no presente processo administrativo foram objeto de medida judicial proposta pela contribuinte e de desistência para adesão ao programa da Lei nº 11.941/2009. Além disso, a unidade de origem poderá apresentar outras informações que julgue pertinentes, cientificando a contribuinte quanto ao resultado da diligência e, depois de tais providências, retornando os autos para julgamento por esta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 650DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.736682/2011-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2007
RECURSO DO CONTRIBUINTE
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO.
As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, sendo mandatória, na forma legalmente prevista, a participação do sindicato na comissão, quando da negociação do acordo.
RECURSO DA FAZENDA NACIONAL
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2007 RECURSO DO CONTRIBUINTE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, sendo mandatória, na forma legalmente prevista, a participação do sindicato na comissão, quando da negociação do acordo. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1770; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.075 1 1.074 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12448.736682/201183 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202005.708 – 2ª Turma Sessão de 29 de agosto de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL e BANCO BRASCAN S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL e BANCO BRASCAN S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2007 RECURSO DO CONTRIBUINTE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituirse em incentivo à produtividade, sendo mandatória, na forma legalmente prevista, a participação do sindicato na comissão, quando da negociação do acordo. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 66 82 /2 01 1- 83 Fl. 1075DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado). Relatório Os Recursos Especiais tratam de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte e pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2301003.752, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de créditos previdenciários, COMPROT 12448.736682/1183, lançado pela fiscalização, conforme abaixo especificado: 2. Autos de Infração da obrigação principal: a) DEBCAD 37.342.7328– referese às contribuições sociais relativas à parte patronal inclusive ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT. b) DEBCAD nº 37.342.7336 referese às contribuições devidas Terceiros (FNDE e INCRA). 3. Auto de Infração da obrigação acessória – DEBCAD 37.342.7344 (CFL 68), lavrado por infração ao disposto na Lei nº 8.212/91, art. 32, inciso IV e parágrafo 5º, acrescentado pela Lei nº 9.528/97 c/c art. 225 inciso IV, parágrafo 4º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, por ter a empresa apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A infringência Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 9202005.708 CSRFT2 Fl. 1.076 3 da obrigação acessória sujeitou a empresa à multa capitulada no artigo 32, parágrafo 5º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e artigo 284, inciso II (com a redação do Decreto 4.729/03) e art. 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. O Contribuinte apresentou a impugnação, contudo, a 13ª Turma da DRJ/RJ1, às fls. 347/360, julgou totalmente procedente o lançamento. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 363/386, requerendo, dentre outros pedidos, a) o sindicato foi regularmente convocado para participar da negociação, mas não compareceu, ou seja, a falta de participação do sindicado no acordo do PLR se deu por culpa exclusiva deste; b) o TST adotou, nos autos do RO em Ação Anulatória 562.430/1999.1, o entendimento de que a falta de participação do sindicato na negociação do programa de PLR não retira a validade do acordo; c) ainda que a recorrente não tivesse convocado o sindicato na celebração do acordo, os pagamentos de PLR efetuados não poderiam ser descaracterizados como tal, uma vez que esta suposta irregularidade não afetaria a verdadeira natureza dos pagamentos a título de PLR; d) quanto ao caráter eventual dos pagamentos, colaciona ementa de acórdão proferido pelo CARF, o qual conceitua ganho eventual como as importâncias pagas em razão de evento futuro e incerto, sendo irrelevante o fato de o seu pagamento ter sido previamente ajustado entre as partes em instrumentos de negociação; e) a multa aplicada deve ficar limitada ao percentual de 20%, nos termos do art. 61, da Lei 9.430/96; e f) é aplicável a multa do art. 32A, da Lei nº 8.212/91, aos casos de descumprimento de obrigação acessória, mesmo quando há, simultaneamente, suposto descumprimento de obrigação principal. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 595/609, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. O PRL pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA. MULTA LIMITADA A 20%. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu Fl. 1077DF CARF MF 4 cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. Às fls. 614/625, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial em relação à seguinte matéria: retroatividade benigna. Consignou, inicialmente, que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que hora se reporta. Isso porque, o que se encontrava em julgamento era exatamente o auto de infração, por descumprimento de obrigação acessória, qual seja, apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em que também se exigia as contribuições apuradas em decorrência da mesma ação fiscal. Contudo, o colegiado a quo entendeu que, por se tratar de infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal que deve retroagir para regulamentar a multa aplicada é o art. 32A da Lei nº 8.212/91, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício. Entretanto, o acórdão paradigma considera que, havendo lançamento de contribuições previdenciárias, o dispositivo legal aplicado passa a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91 sob pena de bis in idem, conforme entendeu a Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Às fls. 628/632, a 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência arguida, uma vez vislumbrada a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigmas, configurando a divergência jurisprudencial apontada. O acórdão paradigma versa sobre o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, em que também se lavrou NFLD em decorrência da mesma ação fiscal. Verificouse que no acórdão paradigma consignouse que o dispositivo legal aplicado passou a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo. Às fls. 640/663, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial em relação a seguinte matéria: exigência da participação do sindicato nas negociações do PLR. O acórdão recorrido entendeu que a não participação do sindicato nas negociações do PLR da empresa implicou no descumprimento do art. 2º, inc. I da Lei 10.101/00, independentemente do argumento de que essa ausência se deu por culpa exclusiva do sindicato que, embora previamente convocado, deixou de indicar representante para comparecer à referida reunião. Já os acórdãos paradigmas divergem do alcance dado ao mesmo dispositivo legal, na hipótese em que o sindicato é previamente convidado pela empresa a participar da comissão de negociação, mas deixa de indicar seu representante para compor a referida comissão de negociação. Às fl. 1019/1042, o Contribuinte apresentou contrarrazões, alegando preliminarmente a não interposição de recurso especial fazendário contra a parte do acórdão recorrido que conclui pela limitação do percentual da multa de mora. No mérito, requereu a manutenção do acórdão na parte recorrida. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 1050/1052, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso do Contribuinte. Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 9202005.708 CSRFT2 Fl. 1.077 5 Às fl. 1057/1063, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, ratificando os argumentos da decisão para requerer a sua manutenção na parte recorrida pelo Contribuinte. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Recursos Especiais interpostos pelo Contribuinte e pela Fazenda Nacional são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de créditos previdenciários, COMPROT 12448.736682/1183, lançado pela fiscalização, conforme abaixo especificado: 1. Autos de Infração da obrigação principal: a) DEBCAD 37.342.7328– referese às contribuições sociais relativas à parte patronal inclusive ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT. b) DEBCAD nº 37.342.7336 referese às contribuições devidas Terceiros (FNDE e INCRA). 2. Auto de Infração da obrigação acessória – DEBCAD 37.342.7344 (CFL 68), lavrado por infração ao disposto na Lei nº 8.212/91, art. 32, inciso IV e parágrafo 5º, acrescentado pela Lei nº 9.528/97 c/c art. 225 inciso IV, parágrafo 4º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, por ter a empresa apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A infringência da obrigação acessória sujeitou a empresa à multa capitulada no artigo 32, parágrafo 5º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e artigo 284, inciso II (com a redação do Decreto 4.729/03) e art. 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado Contribuinte trouxe para análise a seguinte divergência: exigência da participação do sindicato nas negociações do PLR. Já o Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência sobre retroatividade benigna. Passo a análise individualizada do mérito de cada recurso. Fl. 1079DF CARF MF 6 RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PAGAMENTO DE LUCROS E RESULTADOS PLR O pagamento da participação nos lucros e resultados para trabalhadores, empregados ou não de uma empresa, sem o recolhimento da contribuição previdenciária, está assegurado pelo artigo 7º, inciso XI, da CF. O dispositivo estabelece que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa. Assim, se a participação dos lucros está excluída do conceito de remuneração, a contribuição incidirá apenas sobre os demais rendimentos, estes sim, de caráter remuneratório. I. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – INCIDÊNCIA REGULAMENTADA POR LEI ABRANGE UNICAMENTE RENDIMENTOS ADVINDOS DO TRABALHO. O legislador ordinário foi muito zeloso ao instituir o a base legal de custeio previdenciário, o fazendo de modo expresso na Constituição Federal, em seu art. 195, I, “a”. Contudo, para melhor esclarecer detalhes de sua aplicabilidade tratou de disciplinar a aplicação do referido artigo, por meio da edição da Lei nº 8212/91, conhecida como Lei de Custeio da Previdência Social. Observando tanto o artigo 195 da CF/88, como a referida Lei de Custeio, depreendemos que a tributação previdenciária está claramente limitada a rendimentos do trabalho. A doutrina é maciça neste sentido, como podemos observar as pontuações de ZAMBITTE IBRAHIM: “Tanto histórica como normativamente, a contribuição previdenciária é delimitada a rendimentos do trabalho, tendo em vista o objetivo das prestações previdenciárias em substituir rendimentos habituais do trabalhador, os quais, por regra, são derivados da atividade laboral. Ou seja, a legislação vigente, de forma muito clara, delimita a incidência previdenciária, em qualquer hipótese, a rendimentos do trabalho.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Partindo da premissa que a contribuição previdenciária é devida tão somente sobre as parcelas recebidas a título de remuneração pelo trabalho, são incabíveis as alegações da Fazenda Nacional de que as parcelas advindas de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, devam sofrer tal incidência. Isso por que a PLR tem relação intrínseca com remuneração do capital – lucro. Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 9202005.708 CSRFT2 Fl. 1.078 7 Essa distinção é fundamental para que possa compreender o motivo da não incidência de contribuição previdenciária patronal sobre a Participação nos Lucros e Resultados – PLR, recebidas por empregados e administradores. Para melhor compreendermos, é preciso levar em conta que a participação referida – PLR, tem uma relação intrínseca com o resultado auferido, ela depende exclusivamente do êxito, enquanto que a remuneração advinda do trabalho independe do risco para ser adimplida, basta a contraprestação do trabalho. Professor Zambitte Ibrahim bem esclarece esta dicotomia entre as referidas verbas: “É também intuitivo, mesmo para o público leigo, que um conceito não se confunde com o outro. É natural e facilmente perceptível que o trabalho, de modo algum, possui liame imediato com o lucro. Não são incomuns as situações de empresários que, mesmo após longa dedicação ao seu mister, não alcançam qualquer proveito econômico e, não raramente, ainda observam relevante perda patrimonial. Já para trabalhadores, com ou sem vínculo empregatício, o rendimento do trabalho é assegurado pela lei, pois não cabe a eles o risco da atividade econômica, o qual, por natural, é assumido pelo empresário. Seus rendimentos traduzem mera contraprestação pela atividade profissional desempenhada”. O próprio ordenamento jurídico tratou de fazer esta distinção, quando elencou no Código Tributário Nacional, por meio do art. 43, os tipos de Rendimentos, que ensejam a aplicação do Imposto de Renda: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção” (grifei) Da leitura do artigo da lei, extraise que a renda tributável, para fins do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, é aquela decorrente do produto do capital e/ou trabalho. Contudo resta evidente que a lei tratou de classificar a renda como: produto do capital, produto do trabalho ou da combinação de ambos, ou seja, cada uma possui um conceito próprio. No caso em tela se estivéssemos discutindo a incidência de imposto de renda, não haveria qualquer dúvida que este seria aplicável sobre ambas. Ou seja, “se há incremento patrimonial – e este é o aspecto nuclear do imposto sobre a renda – proveniente de lucros da atividade econômica pelo empresário ou, cumulativamente, das retribuições pecuniárias pelos seus serviços, há, em qualquer hipótese, renda tributável.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Isso por que a base de incidência do Imposto de renda engloba proventos de ambas as naturezas: trabalho e capital. Contudo, o mesmo não ocorre para fins previdenciários, Fl. 1081DF CARF MF 8 pois a CF/88 mesmo após a EC nº 20/98, optou por tributar, somente os rendimentos do trabalho. Assim, “ao contrário do imposto sobre a renda, a incidência previdenciária é circunscrita aos rendimentos do trabalho, unicamente. A disposição é categórica e cristalina. Ainda que permita a inclusão de trabalhadores sem vínculo empregatício, somente valores derivados do trabalho podem sofrer a respectiva tributação. Como não poderia ser diferente, caminha no mesmo sentido a regulamentação infraconstitucional da matéria, em estrita observância do mandamento constitucional”. (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). II. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – LIMITAÇÕES LEGAIS DE INCIDÊNCIA A EC nº 20/98, ampliou as possibilidades de incidência da cota patronal previdenciária, o que foi disciplinado posteriormente pela Lei nº 9.876/99, que deu nova redação ao art. 22, I da Lei nº 8.212/91, responsável pela previsão da cota patronal previdenciária: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (grifei). Observese que o legislador ordinário ao disciplinar as inovações trazidas pela Emenda Constitucional citada, alargou a incidência da cota patronal previdenciária, mas desta vez, com a competência tributária prévia devidamente estabelecida. No entanto, como se percebe do preceito reproduzido, a incidência é, ainda, restrita aos rendimentos do trabalho. Para melhor compreender esta alteração – ampliação da base de incidência da cota patronal é necessário mencionar que a alteração produzida pela nova lei foi unicamente no sentido de incluir outros segurados além da categoria dos empregados. Não por incluir valores outros além dos rendimentos do trabalho, mas, unicamente, pela inserção de remunerações pagas ou devidas a outros segurados, além de empregados. Mantendo, portanto, a mesma regra quanto ao tipo de rendimentos, qual seja, que este seja advindo do trabalho. Ainda citando Professor ZAMBITTE IBRAHIM: “Este sempre foi o real objetivo da alteração constitucional, aqui devidamente conquistado. Novamente, não há qualquer previsão na Lei nº 8.212/91 que albergue a incidência de contribuições previdenciárias sobre os lucros e resultados de diretores nãoempregados. Não é de imposto de renda que se trata, mas sim de contribuição previdenciária. Neste ponto, merece referência a Lei nº 8.212∕91, no art. 28, III, a qual prevê, como saláriodecontribuição de contribuintes individuais, a remuneração auferida em Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 9202005.708 CSRFT2 Fl. 1.079 9 uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria. O pagamento de lucros e resultados, como visto, não reflete remuneração, pois não se trata de rendimento do trabalho. Aqui, não há inclusão de tais valores na base previdenciária, seja do segurado ou da empresa. Como reconhece o próprio Regulamento da Previdência Social RPS, no art. 201, § 5º, somente na hipótese de ausência de discriminação entre a remuneração do capital e do trabalho, na precisa dicção do RPS, é que haverá a potencial incidência sobre o total pago ou creditado ao contribuinte individual, haja vista a comprovada fraude.” Diante da citação feita pelo doutrinador, mister se faz a leitura do dispositivo legal apontado, art. 201, § 5º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em sintonia com a Constituição e a Lei nº 8.212/91, que expressamente reconhece a dualidade entre rendimentos do capital e trabalho, especialmente quando voltados a segurados contribuintes individuais: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (grifei) Com a reclassificação dos segurados da Previdência Social advinda da Lei nº 9.876/99, que criou o segurado contribuinte individual, mediante a unificação das categorias autônomo, equiparado a autônomo e empresário, houve uma rígida adequação de tais segurados ao mesmo regramento. A ideia geral é no sentido de que contribuintes individuais somente terão a respectiva incidência previdenciária sobre os valores que visarem retribuir o trabalho, e nunca o capital. O que deixa nítida a não incidência da Contribuição Previdenciária patronal sobre a PLR paga no caso concreto dos autos. III –LEI 10.101/2000 – FORMALIDADES PARA IMPLEMENTAÇÃO DA PLR. A Lei 10.101/2000 disciplina as formalidades necessárias para a caracterização de Participação nos Lucros e Resultados. Assim um conjunto de disposições esclarecem quando se trata ou não de parcela não remuneratória e isenta de contribuições previdenciárias. Isso se faz necessário, logicamente, para evitar que o instituto seja desvirtuado, ou que, verbas de natureza remuneratória sejam taxadas como pagamento de Fl. 1083DF CARF MF 10 PLR., com o fim unicamente de burlar o sistema tributário e não pagar contribuições previdenciárias. Dentre estes requisitos formais, temos, a negociação entre empregadores e empregados, por meio de comissão, integrada também por um representante do sindicato da categoria ou de convenção/acordo coletivo. Assim como requisitos materiais com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição do seu cumprimento, periodicidade da distribuição, vigência e prazos de revisão. E o critério de pagamento pode ter por base, entre outros, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade ou de programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Lei 10.101/2000 – nova redação dada 2003 Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I Comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II Convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. § 3º Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I A pessoa física; II A entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4º Quando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1o deste artigo: I A empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 9202005.708 CSRFT2 Fl. 1.080 11 II Não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. O caso dos autos discute o possível descumprimento de uma destas formalidades, exigência da participação do sindicato nas negociações do PLR. O acórdão recorrido entendeu que a não participação do sindicato nas negociações do PLR da empresa implicou no descumprimento do art. 2º, inc. I da Lei 10.101/00, independentemente do argumento de que essa ausência se deu por culpa exclusiva do sindicato que, embora previamente convocado, deixou de indicar representante para comparecer à referida reunião. Conforme resta consignado no próprio acordo: (a) a reunião de negociação contou com a participação do consultor trabalhista ASSAD LUIZ THOMÉ, que esclareceu aos presentes que o sindicato foi previamente notificado para indicar representante para integrar a Comissão, conforme publicação feita em jornal de grande circulação (fl. 332), em que foram indicados o dia, horário e local da reunião; (b) decidiuse, por unanimidade de votos, aguardar por 30 minutos o comparecimento de representante do sindicato para dar início à reunião; transcorrido esse prazo, e sem que nenhum representante do sindicato tivesse comparecido, sem prévia justificativa, a reunião foi iniciada; e (c) após discussão de todas suas cláusulas, as partes aprovaram o Acordo. E deste modo, tendo sido convidado e não tendo interesse em participar considero válidas as alegações do Contribuinte. Assim, a participação do sindicato na hipótese prevista no art. 2º, I, da Lei nº 10.101/00 não pode ser interpretada como indispensável à celebração do respectivo instrumento; o que deve sempre ocorrer é a prévia convocação do sindicato. Todavia, se o sindicato se omite e não comparece, as negociações feitas não podem ficar paralisadas nem ser desconsideradas, já que isso, além de prejudicar os empregados, contrariaria os princípios da livre negociação e da razoabilidade, ferindo os objetivos da própria Lei nº 101.101/00. Observese ainda, que a comissão de empregados participou de toda a negociação, fls 185, tendo, portanto, conhecimento das questões pactuadas. E que se tratava de acordos replicados, sendo que no ano anterior foi acompanhado e depositado no Sindicato. Ressalto que, conforme alega o Contribuinte a única alteração ocorrida no acordo foi a referente a Clausula 12, que é favorável aos empregados. É fato que as isenções devem ser interpretadas literalmente, conforme previsão expressa do Código Tributário Nacional, contudo a análise sistemática da norma exige uma conjugação com outros diplomas legais. Fl. 1085DF CARF MF 12 Para a Receita Federal, a participação do Sindicato é obrigatória e cabe à empresa tomar todas as medidas necessárias para tanto, mesmo que isso exija uma medida judicial. Discute atualmente no Tribunal Administrativo a aplicação do Art. 616, da CLT, nos casos em que houver a recusa do Sindicato em participar de negociações coletivas. Discordo totalmete desta possibilidade, o artigo 616 da CLT é aplicável somente aos casos de recusa do Sindicato na participação de negociações visando à elaboração de Convenções ou Acordos Coletivos de Trabalho. No caso do PLR firmado a partira da discussão com a comissão nos moldes da Lei, importa tão somente que a empresa comprove que houve a convocação do Sindicato para participação das negociações e que este por deliberalidade própria deixou de anuir as negociações. Portanto, diante da jurisprudência atual sobre o tema, a ausência do Sindicato quando devidamente intimado, não deve ser considerado requisito para descaracterização do PLR. O argumento é tão valido que era inclusive, correspondia ao entendimento da composição anterior deste colegiado. Diante do exposto conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para no mérito darlhe provimento. Vencida quanto ao Recurso do Contribuinte que era prejudicial do Recurso da Fazenda Nacional, passo a sua análise. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 9202005.708 CSRFT2 Fl. 1.081 13 aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Fl. 1087DF CARF MF 14 Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 9202005.708 CSRFT2 Fl. 1.082 15 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, Fl. 1089DF CARF MF 16 do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 9202005.708 CSRFT2 Fl. 1.083 17 Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei Fl. 1091DF CARF MF 18 nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Sendo assim dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Diante do exposto conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para mérito darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, ouso divergir quanto a seu posicionamento de mérito quando da análise do Recurso Especial de iniciativa do contribuinte. Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 9202005.708 CSRFT2 Fl. 1.084 19 Inicialmente, de se reproduzir a base legal da exclusão do conceito de salário de contribuição da participação nos lucros ou resultados da empresa, contida no art. 28, §9o., caput e alínea "j", da Lei no 8.212, de 1991, verbis: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;(grifei) Condicionada, assim, a exclusão do conceito de salário de contribuição dos valores pagos a título de PLR à observância dos requisitos previstos em lei específica, mais especificamente, in casu, na Lei no. 10.101, de 2000. Bem assim condicionada à obediência aos critérios da referida Lei a desvinculação dos valores pagos a título de PLR do conceito de remuneração, na forma do art. 7o., XI da CRFB, a seguir reproduzido: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;(grifei) De interesse, para o deslinde do presente litígio, os requisitos constantes daquele diploma legal em seus arts. 2o. e 3o., em especial o contido em seu art. 2o., inc. I, aqui reproduzidos em sua redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores em questão, expressis verbis: Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;(grifei) II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; Fl. 1093DF CARF MF 20 II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. §3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I a pessoa física; II a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4o A periodicidade semestral mínima referida no § 2opoderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. (...)" Analiso. A propósito, inicialmente, de se ressaltar que não vislumbro como associar a característica de necessário rendimento de capital à Participação de Lucros e Resultados auferida, uma vez que tal tese implicaria, em meu entendimento, que se assumisse Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 9202005.708 CSRFT2 Fl. 1.085 21 serem os empregados necessariamente participantes do capital social da empresa, qualidade reservada somente aos sócios do empreendimento. Ou seja, entendo que só se poderia fazer a construção de que há um necessário rendimento de capital (e não de trabalho) disponibilizado, para o caso de empregados que se revestissem da qualidade de acionistas ou quotistas da empresa e que, assim, houvessem subscrito e/ou integralizado capital no empreendimento, recebendo rendimentos decorrentes desta qualidade de sócios e não se confundindo, destarte, com outros empregados, quando estes últimos, tal como no caso em questão, não sejam detentores de ações ou quotas. Entendo, a propósito, que, neste caso (empregados ou trabalhadores não acionistas ou quotistas), o que os empregados estão, sim, a auferir, é uma remuneração decorrente de seu trabalho, ainda que de natureza variável, dependente de metas e regras vinculadas a critérios capazes de alterar o montante a ser recebido. Ou seja, com a devida vênia aos que esposam entendimento contrário, em meu entendimento reservase o conceito de necessário rendimento de capital auferido àqueles que efetivamente contribuíram com este fator de produção (capital) para fins de realização do ciclo empresarial, normalmente em detrimento da contribuição com o fator trabalho (como no caso dos trabalhadores). Feita tal digressão inicial, entendo que a melhor interpretação a ser dada aos dispositivos (arts. 2o. e 3o. da Lei no 10.101, de 2000) deve ser no sentido de que se busca, a partir do texto legal, um binômio de aumento de produtividade e garantia de participação aos empregados, de forma a que seja atingido, pela empresa, um maior nível de competitividade e, consequentemente, pela economia nacional como um todo, sem que se abra mão, todavia, de que este aumento de competitividade (e consequente rentabilidade empresarial) seja revertido, em parte, aos empregados que colaboraram diretamente para tal aumento. Mais especificamente para o caso sob análise, que se concentra no descumprimento ao estabelecido no art. 2o., I, da Lei no. 10.101, de 2000, em linha com o entendimento majoritário esposado por esta Turma, entendo que de forma a que se possa usufruir da não incidência quanto a quaisquer dos pagamentos efetuados decorrentes de determinado acordo de PLR, a legislação estabeleceu uma série de requisitos a serem observados, aí inclusa a necessária participação do sindicato no processo de negociação através de comissão escolhida pelas partes, de forma, notese, a que se garanta a participação dos empregados e reversão em seu favor de parcela do aumento de produtividade atingido. Conforme muito bem observado por excerto de voto da autoridade julgadora de 1a. instância (7a. Turma de Julgamento da DRJ/BHO), no âmbito do processo 13603.722445/201168 (que seu origem ao Acórdão 9202005.719, de lavra desta Turma) o que se tem é que: "Em linhas gerais, o legislador, tanto o da Lei nº 8.212/1991, quanto o da Lei nº 10.101/2000, possibilitou ao empregador que concedesse a participação de seus empregados no resultado da empresa sem a incidência de encargos sociais e fiscais, desde Fl. 1095DF CARF MF 22 que cumprisse requisitos e condições para que os pagamentos não se configurassem em outra forma disfarçada de remuneração, resultando, numa última análise, em prejuízo de contribuições à Seguridade Social". Quanto à necessária participação do sindicato, ainda, conforme muito bem sustentado pelo recorrido: "(...) Tal entendimento encontra esteio no Supremo Tribunal Federal que já se pronunciou no sentido de que a negociação requerida para fins da PLR é coletiva, não sendo prescindível a participação do sindicato, consoante ADIn nº 1.3611 DTF– TRT 3ª R., 1ª T., RO nº 8.610/96, Rel. Mônica S. Lopes, DJMG 12/10/96, p. 5. (...)" Desta maneira, uma vez descumprido o preceito legal, que traz como mandatória, na composição da comissão de negociação, a participação do sindicato (e não seu simples convite à participação), entendo cabível a caracterização de quaisquer pagamentos/recebimentos a título de PLR como de natureza remuneratória, ou seja, não há que se cogitar de aplicação da hipótese de não incidência (desvinculação da remuneração) para nenhuma das parcelas pagas, quando do referido descumprimento por determinado programa de PLR. Assim, diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1096DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.902460/2008-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de DCOMP apresentada pelo DIMARI INDUSTRIAL DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA., CNPJ 89.420.372/000126, para fins de formalizar a compensação de determinado crédito oriundo de pagamento a maior com determinado débito de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, o direito creditório não foi reconhecido, sob a alegação de insuficiência de crédito. Mais precisamente, aduz a autoridade fiscal competente que o DARF vinculado ao pretenso pagamento a maior já teria sido utilizado para quitar débito informado pelo próprio contribuinte em DCTF, não restando saldo disponível. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que o crédito, na verdade, diz respeito a Saldo Negativo, e não pagamento a maior propriamente dito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .9 02 46 0/ 20 08 -0 0 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11065.902460/200800 Resolução nº 1201000.302 S1C2T1 Fl. 3 2 A DRJ não conheceu o pleito do contribuinte, sob duas premissas: (i) de que o processo administrativo fiscal não se prestaria a retificar DCTF; e (ii) de que a contribuinte não teria atacado os fundamentos do despacho decisório, que foi emitido com base em DCTF válida, eficaz e espontaneamente apresentada. A empresa, então, apresentou recurso voluntário, por meio do qual esclarece que houve erro de fato no preenchimento da DCOMP, e não da DCTF, sendo a negativa de análise do direito creditório fato que viola os princípios da eficiência, razoabilidade, proporcionalidade, verdade material e o artigo 112 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.294, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 11065.902152/200876, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.294): O recurso voluntário atende os pressupostos formais e materiais, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Na DCOMP ora em análise, o contribuinte indicou como origem do crédito um pagamento a maior feito a título de estimativa. Como, porém, a DCTF indica a existência de débito no mesmo montante, o despacho eletrônico não acusou a existência de crédito. Por ocasião da Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, o contribuinte esclarece que, na verdade, o crédito diz respeito ao Saldo Negativo apurado no ano, e não a estimativa, assumindo que teria se equivocado no preenchimento da origem exata do crédito. E para justificar esse alegado erro, a contribuinte anexa a sua DIPJ, que realmente indica a apuração de Saldo Negativo no ano, assim como uma planilha que resume as compensações efetuadas com tal saldo. Já a decisão de primeira instância não analisou o mérito da questão, tendo indeferido o pleito por razões de incompetência. Nesse contexto, entendo que o mero erro de fato não é suficiente para não homologar a compensação, em razão dos princípios da legalidade e verdade material, sendo necessária a apreciação do mérito propriamente dito. Do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para que, diante das informações e documentos trazidos pela Recorrente na Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11065.902460/200800 Resolução nº 1201000.302 S1C2T1 Fl. 4 3 defesa e recurso, seja verificado o mérito da existência, suficiência e disponibilidade do crédito de Saldo Negativo alegado. Após a conclusão desta diligência, deve ser cientificada a contribuinte acerca do Relatório Conclusivo, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e, em seguida, retornem os autos para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.987797/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1458; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.987797/201281 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.978 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2017 Matéria Restituição Recorrente CAMARGO & VARGAS G4 CORRETAGEM DE SEGUROS LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 77 97 /2 01 2- 81 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.987797/201281 Acórdão n.º 1401001.978 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.987797/201281 Acórdão n.º 1401001.978 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.987797/201281 Acórdão n.º 1401001.978 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.952545/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1801-000.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar o julgamento do litígio para a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção, por prevenção, em vista da necessidade de os julgamentos dos processos referidos serem realizados de forma conjunta, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar o julgamento do litígio para a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção, por prevenção, em vista da necessidade de os julgamentos dos processos referidos serem realizados de forma conjunta, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar o julgamento do litígio para a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção, por prevenção, em vista da necessidade de os julgamentos dos processos referidos serem realizados de forma conjunta, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório COMPANHIA BRASILIANA DE ENERGIA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1445.190, da DRJ Ribeirão Preto, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 52 54 5/ 20 12 -3 1 Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10880.952545/201231 Resolução nº 1801000.383 S1TE01 Fl. 272 2 O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação nº 18405.69275.240409.1.3.023540 (fl. 143), que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 139, com a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou se: ... O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 2, cujos argumentos são assim resumidos no relatório do acórdão recorrido (fl. 125): Defende a manifestante que a insuficiência do crédito constatada pelo despacho decisório em litígio não se confirma, posto que indevida a multa de mora de 20% aplicada sobre o débito excedente, cuja compensação restou não homologada. Isso porque, em 30/01/2006, teria protocolado consulta formal junto à Receita Federal do Brasil buscando esclarecer dúvidas relativas à exigência de IRPJ e CSLL cujos fatos geradores ocorreram em 31/12/2005 (vencimento 31/01/2006), dando ensejo ao processo administrativo n° 19679.001131/200663. Relata que em 30/09/2006, antes que a consulta fosse solucionada, a empresa teria sido incorporada pela sociedade Transgás Empreendimentos S/A. Esta, por sua vez, fora posteriormente incorporada pela manifestante. Não havendo resposta no processo citado, a contribuinte teria iniciado novo processo de consulta, em 21/12/2006, sob o n° 11610.012639/200670, fazendo referência ao anteriormente protocolado. Afirma que somente em 03/04/2009 fora notificada do resultado da solução de consulta n° 64/2009, tendo procedido à transmissão da DCOMP em análise dentro do prazo de 30 dias previsto na legislação, razão pela qual considera indevida a cobrança de multa sobre o débito em litígio, nos termos do artigo 14 da IN RFB n° 740/07. Além disso, parte do saldo negativo em análise seria formado por estimativas compensadas através de DCOMPs que, apesar de ainda não homologadas, encontramse pendentes de julgamento, pelo que legítima sua utilização na composição do crédito Dessa forma, entende a contribuinte que o crédito de saldo negativo em litígio deve ser integralmente reconhecido, homologandose integralmente a DCOMP em análise. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10880.952545/201231 Resolução nº 1801000.383 S1TE01 Fl. 273 3 A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fl. 234), com a fundamentação assim sintetizada: (i) mesmo estando confessada a estimativa do tributo, em não sendo homologada a compensação, ela deve ser tida por inexistente, não podendo compor o saldo negativo ; (ii) a multa de mora combatida é devida em razão de o contribuinte não ter realizado o pagamento do tributo devido dentro do prazo legal, considerando que a compensação realizada não tem o mesmo efeito de um pagamento, para fins de verificação da espontaneidade. A decisão adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2006 ESTIMATIVAS COMPENSADAS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Segundo orientações da PGFN, não integram o saldo negativo as estimativas, cuja compensação não foi homologada administrativamente, por se tratarem de meras antecipações de tributos, cuja exigibilidade não tem o caráter de certeza e liquidez necessário à cobrança e inscrição em dívida ativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 CONSULTA. EFICÁCIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DCOMP. Conforme entendimento enunciado na Nota Técnica Cosit n. 19 de 2012, não considerase ocorrida a denúncia espontânea com a simples apresentação de DCOMP. Apenas o pagamento do débito efetuado até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, é suficiente para evitar a aplicação de multa de mora, relativamente à matéria consultada. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não deve ser homologada a compensação quando inexistente o crédito informado na respectiva declaração. Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fl. 245, trazendo os argumentos a seguir sintetizados (140): Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10880.952545/201231 Resolução nº 1801000.383 S1TE01 Fl. 274 4 i) A glosa das estimativas utilizadas para composição do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2006, em razão das DCOMPs apresentadas pela liquidação dessas estimativas não terem sido homologadas, é manifestamente ilegal, uma vez que a Recorrente interpôs recursos contra as decisões que não homologaram as referidas DCOMPs, os quais ainda encontramse pendentes de julgamento perante esse Egrégio Conselho. ii) O fato de o débito ter sido liquidado por "compensação" ao invés de "pagamento" em nada prejudica o direito do consulente de não se sujeitar ao pagamento da multa de mora. O relevante é que a liquidação do débito ocorra dentro do prazo de 30 dias da ciência da solução de consulta. iii) em razão de uma parcela do crédito utilizado na DCOMP não ter sido confirmada, a multa de mora foi aplicada sobre a totalidade do débito, como se nenhuma parcela desse débito tivesse sido liquidada dentro do mencionado prazo de 30 dias; iv) o procedimento de imputação proporcional é manifestamente ilegal, seja por ausência de fundamento legal, seja por afronta ao artigo 43 da Lei 9.430/96, conforme jurisprudência deste Egrégio Conselho.. É o relatório. Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. A presente lide contém duas questões que demandam uma solução: a primeira relativa ao crédito parcialmente reconhecido e a segunda relativa à exigência de multa de mora no âmbito do crédito tributário que se pretende extinguir por compensação. O contribuinte declarou, em sua DCOMP, possuir crédito oriundo do saldo negativo de IRPJ do ano 2006 no valor de R$ 524.981,86, sendo R$ 148.081,96 em razão de IRRF sobre aplicações financeiras e restante em razão de estimativas mensais que foram quitadas por compensação. A primeira parcela supracitada foi totalmente reconhecida em despacho decisório, mas a segunda parcela foi apenas parcialmente reconhecida, tendo sido glosadas as estimativas de janeiro a maio, restando R$ R$ 237.594,01 sem reconhecimento (fl. 141). As cinco compensação que quitariam as estimativas glosadas foram apreciadas no processo nº 10880.923906/201070. O fundamento da glosa dessas compensações é o fato de elas terem sido não homologadas. Todavia, o recorrente contraargumenta apontando o fato de que não há decisão administrativa definitiva sobre tais compensações, uma vez que há recurso pendente de decisão. Argumenta, ainda, que o fato de as compensações não terem sido homologadas não impede a utilização das respectivas estimativas no saldo negativo do Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10880.952545/201231 Resolução nº 1801000.383 S1TE01 Fl. 275 5 correspondente ano, uma vez que essas estimativas foram confessadas e serão cobradas de qualquer forma. É pacífico o entendimento, no âmbito do processo administrativo fiscal, que não cabe lançamento tributário para exigir estimativa mensal quando já houve a apuração do tributo anual, conforme o enunciado da Súmula Carf nº 82: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Por outro lado, a execução fiscal de estimativa confessada somente ocorrerá caso essa estimativa tenha sido utilizada na composição do respectivo saldo negativo, uma vez que, nesse caso, a execução terá como objeto a correspondente parcela do tributo anual. Esse entendimento é extraído do Parecer PGFN/CAT/Nº 88/2014, cuja conclusão está abaixo transcrita: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Portanto, em sendo glosadas as estimativas em tela, da composição do saldo negativo do IRPJ de 2006, não haverá a respectiva execução fiscal, mesmo que essas estimativas tenham sido confessadas. Ademais, conforme inteligência do artigo 2º da Lei nº 9.430, de 1996, o que se aproveita no saldo negativo não é a dívida, mas sim a sua quitação, ou seja, a riqueza antecipadamente entregue ao erário para a quitação do imposto devido no final do ano. No caso, não há essa entrega de riqueza, uma vez que a compensação foi não homologada. Ainda que a Fazenda pudesse intentar um processo de execução, não se sabe se o crédito tributário seria satisfeito, o que dependeria da subsistência da empresa após o lapso temporal transcorrido ou ainda da sua saúde econômica. Mesmo que o crédito tributário fosse quitado ao final de hipotética execução fiscal, isso certamente ocorreria após um longo período de discussão na esfera judicial. Tal fato, em si, já configura um enriquecimento sem causa do contribuinte, uma vez que este teria, já no final de 2006, um saldo negativo passível de compensação, correspondente ao valor que somente pagaria no futuro, em data incerta e valor não sabido. Todavia, na espécie, a não homologação das referidas compensações não está lastreada em decisão administrativa definitiva, o que significa dizer que a Administração Tributária ainda pode rever seu posicionamento e considerar quitadas, por compensação, as estimativas ora glosadas. De fato, consulta no sistema eProcesso aponta que o processo supracitado possui recurso voluntário ainda não apreciado, com julgamento convertido em Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10880.952545/201231 Resolução nº 1801000.383 S1TE01 Fl. 276 6 diligência. Encerrar a questão sobre o saldo negativo quando ainda está em discussão questão sobre parcela que o compõe não é medida de justiça. Portanto, no presente momento, não há como decidir sobre o saldo negativo, uma vez que o processo nº 10880.923906/201070 faz litispendência. Ademais, verificase que há identidade de partes nos referidos processos e há interseção na causa de pedir, o que autoriza o reconhecimento da continência entre eles, nos termos do artigo 104 do Código de Processo Civil pátrio: Art. 104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Ainda conforme o referido códice em seu artigo 105 (acima transcrito), a medida a ser tomada é o julgamento simultâneo dos processos interrelacionados. Diante do exposto, voto por declinar do julgamento do litígio e remeter o presente processo para a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento deste CARF, para ser julgado em conjunto com o processo nº 10880.923906/201070. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679866/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 16/03/2007
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.129
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 16/03/2007 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1579; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.679866/200980 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.129 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2017 Matéria Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Recorrente TIM CELULAR S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 16/03/2007 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 66 /2 00 9- 80 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.679866/200980 Acórdão n.º 3401004.129 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de despacho decisório eletrônico, emitido pela Delegacia de Administração Tributária que não homologou as compensações declaradas em virtude de não ter havido apuração de pagamento indevido, uma vez que o pagamento foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. 2. Intimada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese: (i) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP; (ii) alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros 147 Despachos Decisórios, todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte; (iii) reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; (iv) alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; (v) discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese; (vi) alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado; (vii) discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" (sic); (viii) alega que qualquer agente fiscal que "(...) analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tão somente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa" em apreço; (ix) ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; (x) a necessidade da observância aos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e doutrina; (xi) exigüidade do prazo para apresentar 148 defesas em apenas trinta dias e informa que "(...) já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito"; (xii) a necessidade de suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP; (xiii) a nulidade do despacho decisório; e (xiv) a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.679866/200980 Acórdão n.º 3401004.129 S3C4T1 Fl. 4 3 3. A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) proferiu o Acórdão DRJ nº 16027.681, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: COFINS Data do fato gerador: 16/03/2007 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÔS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL — NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Creditório Não Reconhecido 4. A contribuinte, intimada, interpôs, recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.679866/200980 Acórdão n.º 3401004.129 S3C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.105, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.679797/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.105): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: "A manifestação de inconformidade apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Dela tomase conhecimento. Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. Realmente, o caso presente se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 01, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. A contribuinte alega falta de fundamentação para a não homologação mas deveria ser obvio até mesmo para contribuinte que ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito , em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior, estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório e a contribuinte pode se defender amplamente como o fez. Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.679866/200980 Acórdão n.º 3401004.129 S3C4T1 Fl. 6 5 Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER?DCOMP , observase que a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCOMP retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. A retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e de compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais , tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório. Ora, como a própria manifestante reconhece, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Somente na manifestação de inconformidade é que o Fisco teve ciência que agora a contribuinte entende ter havido erro no preenchimento das DCTF. Cabe lembra à douta reclamante que a conduta Fisco Federal é pautada em documentos formais e oficiais e, se a contribuinte resta inerte e não promove a tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Não e demais ressaltar que a RFB não está à disposição de particulares para satisfazer interesses privados e a comprovação que qualquer direito creditório alegado, é tarefa exclusiva dos contribuintes, não sendo tarefa do Fisco promover alterações em declarações fiscais para reconhecer suposto direito creditório que a contribuinte julga possuir. Aliás a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equívoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Ao final da manifestação de inconformidade, a requerente protesta pela produção de todos os meios de prova, apresentação Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.679866/200980 Acórdão n.º 3401004.129 S3C4T1 Fl. 7 6 de documentos, inclusive diligencias, para corroborar sua argumentação. O processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/1972 que em seu art. 16, I1I assim dispõe, in verbis: Conforme expressamente previsto no Decreto n° 70.235/1972, em seu artigo 16, § 4% somente na ocorrência de algumas das hipóteses nele ventiladas é que será possível deferir a juntada de provas documentais posteriormente ao prazo de apresentação da impugnação. A impugnante trouxe os documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal pedido. Como se vê do dispositivo transcrito, a ocasião para apresentação de provas, visando a comprovar o equívoco cometido no preenchimento da DCTF, é no ato de apresentação da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Cabe ressaltar que, até a presente data, dez meses após a apresentação da manifestação de inconformidade , nenhuma documentação foi apresentada nela contribuinte, que se limitou a apresentar DCTF retificadora , não embasada por qualquer documentação comprobatória. Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: (...). (...) No caso presente, sendo obrigação da contribuinte apresentar provas do que alega , preferindo não fazêlo, a Receita Federal não promove qualquer ação a respeito, limitando a julgar o processo com os documentos constantes no processo. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, considerandose que essa DCTF retificadora foi apresentada após o despacho decisório, que apreciou as compensações declaradas. Em face do exposto, e para concluir, VOTO por considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não reconhecendo qualquer direito creditório e não homologando a PER/DCOMP" (seleção e grifos nossos). 7. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.679866/200980 Acórdão n.º 3401004.129 S3C4T1 Fl. 8 7 disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 8. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 9. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 10. Tal, no entanto, não ocorreu, tendo a contribuinte realizado defesa genérica com fundamento de que teria tido de se defender de um grande número de despachos decisórios em um exíguo espaço de tempo. Contudo, reservouse a ora recorrente a repetir os mesmos argumentos em suas razões de recurso voluntário, demorandose longamente em questões doutrinais ou de constitucionalidade, o que inviabiliza, de todo, até mesmo a proposta de eventual conversão do feito em diligência para que se verifique a procedência de suas alegações, uma vez que não há de se realizar questionamento genérico em tal momento processual. 11. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.679866/200980 Acórdão n.º 3401004.129 S3C4T1 Fl. 9 8 12. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 13. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 104DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.900496/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. SALDO NEGATIVO. CONFIRMAÇÃO DE RETENÇÕES, DECLARAÇÃO E OFERTA A TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS PELA UNIDADE LOCAL. HOMOLOGAÇÃO.
Se a própria Fiscalização atesta a lisura da postura fiscal e contábil do contribuinte, confirmando a origem e a existência do direito creditório, precisamente nos valores efetivamente inseridos nas DCOMPs, a compensação pretendida deve ser integralmente homologada.
Numero da decisão: 1402-002.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito adicional no valor de R$ 319.792,30; homologando-se as compensações ainda pendentes até esse limite.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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CRÉDITO. SALDO NEGATIVO. CONFIRMAÇÃO DE RETENÇÕES, DECLARAÇÃO E OFERTA A TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS PELA UNIDADE LOCAL. HOMOLOGAÇÃO. Se a própria Fiscalização atesta a lisura da postura fiscal e contábil do contribuinte, confirmando a origem e a existência do direito creditório, precisamente nos valores efetivamente inseridos nas DCOMPs, a compensação pretendida deve ser integralmente homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito adicional no valor de R$ 319.792,30; homologandose as compensações ainda pendentes até esse limite. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 04 96 /2 01 0- 11 Fl. 834DF CARF MF Processo nº 10640.900496/201011 Acórdão n.º 1402002.766 S1C4T2 Fl. 835 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 835DF CARF MF Processo nº 10640.900496/201011 Acórdão n.º 1402002.766 S1C4T2 Fl. 836 3 Relatório Trata se de Recurso Voluntário (fls. 64 a 69) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Juiz de Fora/MG (fls. 47 a 53) que julgou totalmente improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 02 a 19), mantendo integralmente o r. Despacho Decisório (fls. 20), que homologou apenas parcialmente o crédito pleiteado pelo Contribuinte, por meio de DCOMP (fls. 39). Tendo em vista que tratase de retorno de diligência, anteriormente determinada através do v. Resolução nº 1801000.327 (fls. 653 a 657), exarada pela extinta C. 1ª Turma Especial da 3ª Câmara dessa 1ª Seção, adoto, a seguir, o seu completo e preciso relatório: Tratase de recurso voluntário face decisão da DRJ em Juiz de Fora/MG, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IRRF. RECEITAS FINANCEIRAS. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. Não oferecidas à tributação, como determina a legislação de regência, as receitas financeiras que deram origem ao Imposto de Renda retido na Fonte, não há como reconhecer o direito creditório correspondente aos respectivos valores retidos. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a prova documental deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes deste diploma legal. Com base nas DIRFs apresentadas pelos 3 CNPJs relacionados, concluiu o acórdão recorrido que “para que a totalidade das retenções de Imposto de Renda retido na fonte apontadas no pedido de compensação (R$ 669.269,53), fossem aceitas, necessário seria ter sido oferecido à tributação a título de Receitas Financeiras o montante de R$ 3.589.367,88”, o que não teria ocorrido. Assim, com base no Art. 2º, parágrafo 4º, da Lei nº 9.430, de 1996 e manifestando não ter sido produzido prova contábil de Fl. 836DF CARF MF Processo nº 10640.900496/201011 Acórdão n.º 1402002.766 S1C4T2 Fl. 837 4 oferecimento das correspondentes receitas financeiras à tributação, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Manteve, com isso, em seu inteiro teor, o Despacho Decisório. Inconformado, apresenta o contribuinte recurso voluntário, alegando em síntese: a) Que anexou à sua manifestação de inconformidade, além dos documentos comprobatórios das retenções, planilhas ("Movimentação Aplicações Financeiras cujos resgates ocorreram no período ...." – fls. 17 a 29) que apresentariam em detalhes a sequência dos rendimentos nominais de cada aplicação financeira e seus valores oferecidos à tributação, além de ter colocado à disposição da Fiscalização sua escrita contábil para diligência e conferência (item 6 da manifestação); como assim autoriza o inciso IV do art. 16 do Dec. 70.235/1972; b) Que, em atendimento ao princípio da verdade material, e com fulcro no Art 16, §4º, alínea “c”, do Dec.70.235/72 traz à colação todos os lançamentos do Livro Razão referentes a cada um dos rendimentos auferidos nas várias aplicações financeiras das quais originaram os créditos ora pleiteados, devidamente lançados em regime de competência, em seus respectivos períodos de apuração, desde o primeiro rendimento nominal até o último que lhe foi creditado antes do resgate da aplicação (cf. Planilha "Movimentação Aplicações Financeiras cujos resgates ocorreram no período ...."), de modo a contrapor a afirmativa do acórdão recorrido no sentido da não comprovação da tributação das referidas receitas. c) Que em seguida foram anexados os balancetes relativos aos mesmos períodos de apuração, de modo a comprovar que a receita advinda destas contas contábeis, equivalentes às aplicações financeiras em análise compuseram a base de cálculo lançada na DIPJ de cada exercício correspondente. Ao fim, ressaltando estar atendido o requisito do art. 2º, §4º inciso III da Lei 9.430/96, pleiteia a reforma integral do despacho decisório e da decisão recorrida, que concluíram pela denegação do direito creditório pleiteado. É o relatório. Foram os seguintes os termos da Resolução determinada: Presentes os pressupostos recursais, conheço do presente recurso. Relatado, passo à análise de questão, em meu ver, imprescindível de ser esclarecida, para propiciar um correto julgamento de mérito. Fl. 837DF CARF MF Processo nº 10640.900496/201011 Acórdão n.º 1402002.766 S1C4T2 Fl. 838 5 Verificando o acórdão impugnado, se identifica que este concluiu que “a contribuinte não trouxe à colação qualquer prova contábil de que tenha oferecido as correspondentes receitas financeiras à tributação (de forma proporcional ao IRRF), o que poderia ter sido feito mediante a juntada de sua escrituração comercial e fiscal...” (grifo nosso). Sob o pretexto de contrapor tal alegação, o contribuinte apresenta, em sede de recurso voluntário, Livro Razão e balancetes, para, somando se à cópia de comprovante de rendimentos outrora juntada, demonstrar ter oferecido à tributação o IRRF que lhe foi retido. Tenho que a documentação fiscal e contábil trazida pelo contribuinte em seu recurso voluntário não se enquadra na alínea “c” do §4º, Art. 16 do Decreto 70.235/72, posto que objetiva fazer prova em seu favor da procedência do objeto deste processo (comprovação de oferecimento das receitas financeira à tributação) e não contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos pelo acórdão recorrido. Entretanto, embora a aplicação daquele dispositivo seja a regra, posto implicar em celeridade e economia o processo administrativo tributário, esta C. 1ª Turma Especial tem adotado o entendimento de que a juntada extemporânea de documentos, a evidenciar verossimilhança nas alegações do contribuinte, justifica o afastamento do rigor do texto legal preclusivo, como forma de se assegurar o contraditório e a ampla defesa. Entendo que no presente caso merece ser avaliada a comprovação trazida, ainda que serodiamente, pelo contribuinte aos autos, como forma de certificar a não ocorrência, no presente caso, de equívoco costumeiramente verificado quando se trata de comprovação de saldo negativo de IRRF sobre aplicações financeiras, consoante adverte a doutrina especializada: O CARF vem negando a restituição ou compensação do saldo negativo de IRPJ quando decorrente de imposto retido na fonte dizendo: para a determinação do saldo negativo de IRPJ, restituível ou compensável, não basta a prova da retenção do imposto, é imprescindível a comprovação de que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram devidamente oferecidas para a apuração do lucro real (ac. 110300.265 no DOU de 300311, 180200.647 no DOU de 140311, 110100.428 no DOU de 290711, 120100.381 no DOU de 080811 etc). Tratamse de decisões absurdas prolatadas por conselheiros sem conhecimento da matéria. Uma empresa que tem várias aplicações em fundos de investimento terá que apropriar mensalmente os rendimentos mas a retenção do imposto de renda ocorre no mês de resgate, ainda que parcial, e semestralmente, ainda que não haja resgate. Como vai provar no PER/DCOMP as contabilizações de todas essas receitas financeiras? A diligência é indispensável mas é mais fácil negar a compensação. [...] As empresas poderão sofrer autuação Fl. 838DF CARF MF Processo nº 10640.900496/201011 Acórdão n.º 1402002.766 S1C4T2 Fl. 839 6 injusta em relação ao imposto de renda sobre receitas financeiras porque o momento da retenção difere do momento do auferimento das receitas. Pelo que se observa na DCOMP (fl. 32) o saldo negativo apurado nos presentes autos teria por origem retenções na fonte relativas ao 1º trimestre de 2006. De outro lado, os informes de rendimento apresentados pelo contribuinte indicam que as receitas financeiras decorreriam da aplicação de fundos de investimento. Ora, nesse caso, não se pode extrair da DIRF deste período exata proporcionalidade entre o imposto retido e o oferecido à tributação pelo contribuinte. Isso porque, enquanto o aspecto temporal da hipótese de incidência do IRPJ, no presente caso, é trimestral (observando se o regime de competência), o do IRRF pode ser semestral e/ou instantâneo: Lei nº 11.033/2004 (Altera a tributação do mercado financeiro e de capitais) Art. 1º. Os rendimentos de que trata o art. 5º da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, relativamente às aplicações e operações realizadas a partir de 1º de janeiro de 2005, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte, às seguintes alíquotas: [...]§ 2º No caso dos fundos de investimentos, será observado o seguinte: I os rendimentos serão tributados semestralmente, com base no art. 3 o da Lei nº 10.892, de 13 de julho de 2004, à alíquota de 15% (quinze por cento), sem prejuízo do disposto no inciso III deste parágrafo; II na hipótese de fundos de investimentos com prazo de carência de até 90 (noventa) dias para resgate de quotas com rendimento, a incidência do imposto de renda na fonte a que se refere o inciso I deste parágrafo ocorrerá na data em que se completar cada período de carência para resgate de quotas com rendimento, sem prejuízo do disposto no inciso III deste parágrafo; III por ocasião do resgate das quotas, será aplicada alíquota complementar de acordo com o previsto nos incisos I a IV do caput deste artigo. Sendo assim, o seguinte problema de ordem prática pode ocorrer, consoante alerta HIGUCCI: Receitas financeiras. O CARF tem decidido que os rendimentos de aplicações financeiras referentes a fundos de investimentos de renda fixa devem ser tributados na medida em que auferidos, independente do resgate das quotas, mesmo no caso de lucro presumido (ac. n° 180500.017/ 2009 no DOU de 150411). Seguindo essa decisão, não havendo resgate, como a retenção é semestral, em dois trimestres do ano a empresa terá rendimentos sem imposto retido a compensar e nos dois trimestres imposto retido maior que o devido. Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10640.900496/201011 Acórdão n.º 1402002.766 S1C4T2 Fl. 840 7 A decisão é correta porque nos fundos de investimentos os rendimentos são creditados diariamente, estando disponíveis para o investidor efetuar o saque. Tratase de crédito incondicionado. Nesse sentido, citese advertência contida à fl. 13 no próprio informe de rendimentos fornecido por um dos agentes de retenção (banco HSBC): O(S) VALOR(ES) CORRESPONDENTE(S) A "RENDIMENTOS TRIBUTADOS" DESTE DOCUMENTO NÃO DEVE(M) SER CONFUNDIDO(S) COM O(S) DE "RENTABILIDADE MENSAL" DEMONSTRADO(S) NO EXTRATO MENSAL E NA POSIÇÃO ANALÍTICA DE FUNDOS DE INVESTIMENTO. O "RENDIMENTO TRIBUTADO ATENDE ÀS DISPOSIÇÕES DA LEI PARA FINS FISCAIS (TRIBUTAÇÃO DO IRF E DO IOF), ENQUANTO A "RENTABILIDADE MENSAL" CORRESPONDE AO RENDIMENTO BRUTO INTEGRAL AUFERIDO PELO FUNDO NO MÊS, SEM LEVAR EM CONSIDERAÇÃO AS CARACTERÍSTICAS DE CADA INVESTIMENTO, NEM AS DISPOSIÇÕES FISCAIS. Sendo assim, me parece plausível a alegação do contribuinte, em seu recurso voluntário, de que: [...] os rendimentos nominais das aplicações financeiras que geraram o IRRF objeto do PER/DCOMP (demonstrativo do CRÉDITO) vinham sendo oferecidos à tributação em cada competência/período de apuração desde o ano de 2002, data da aplicação mais pretérita neste processo. Daí a, a impossibilidade de se aferir somente na DIPJ 2005 rendimentos proporcionais ao IRRF correspondentes aos resgates havidos nas referidas aplicações financeiras no anos de 2004.” Por todo o exposto, dentro das atribuições conferidas pelo Art. 29 do Decreto 70.235/1972, converto o presente julgamento em diligência para que, à luz da documentação trazida aos autos, seja esclarecido o oferecimento ou não à tributação, e em que montante, das receitas financeiras que deram origem ao Imposto de Renda retido na Fonte apontado pelo contribuinte, tudo não apenas com base na DIRF do período, mas observandose a peculiariedade de que os rendimentos de aplicações financeiras são oferecidos à tributação à medida em que auferidos, enquanto a incidência na fonte se dá forma do Art. 1º, §2º da Lei nº 11.033/2004. Devidamente encaminhado o processo à Unidade Local, o Contribuinte foi intimado a apresentar documentação e registros contábeis que comprovassem a oferta à tributação dos valores dos rendimentos sujeitos ao IRRF (fls. 663), sendo trazidos autos, por meio de Petições (fls. 667 a 829), a documentação probante solicitada e planilhas explicativas. Fl. 840DF CARF MF Processo nº 10640.900496/201011 Acórdão n.º 1402002.766 S1C4T2 Fl. 841 8 Ato contínuo, a Autoridade Fiscal elaborou o Relatório solicitado (fls. 830 a 832), concluindo pela higidez da postura fiscal da Recorrente, reconhecendo a oferta dos valores questionados à tributação e a procedência integral do compensação declarada. Não consta dos autos a ciência do Contribuinte sobre o resultado da diligência. Na sequência, os autos foram retornaram para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 841DF CARF MF Processo nº 10640.900496/201011 Acórdão n.º 1402002.766 S1C4T2 Fl. 842 9 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Como anteriormente já verificado, reiterase que o Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Ainda que o presente processo, originalmente, tenha sido objeto de conhecimento e deliberação por Turma de outra Câmara dessa mesma Seção, em face da sua extinção e renúncia do mandato do I. Conselheiro Relator, o julgamento meritório por essa C. 2ª Turma Ordinária não representa afronta ao disposto no RICARF/MF vigente. Mesmo não tendo sido ofertado prazo ao Contribuinte para se manifestar após a elaboração e juntada do Relatório de Diligência, fato que, ordinariamente poderia ensejar nulidades processuais, diante do desfecho do presente voto, a seguir aduzido, entende se que restará superado qualquer prejuízo à Parte, sendo de seu próprio interesse a resolução da demanda na presente oportunidade. Como se observa, a controvérsia que permanece na presente contenda gira em torno da suposta ausência de comprovação de oferta à tributação dos rendimentos objeto de incidência do IRRF que formou o saldo negativo que fora utilizado pelo Contribuinte na DCOMP nº 09754.55443.080507.1.7.027264 (fls. 39). Do valor total de R$ 669.269,53 pleiteado, o r. Despacho Decisório apenas reconheceu R$ 319.792,30 como saldo negativo efetivamente existente. No v. Acórdão, a motivação da não homologação de tal parcela do crédito apurado tornase mais clara: Consta ainda do documento intitulado Análise das Parcelas de Crédito (que integra o Despacho Decisório), ter sido reconhecido para a manifestante direito creditório no valor de R$ 319.792,30, de um valor total solicitado de R$ 669.269,53. Conforme tabela a seguir, a diferença reside na confirmação parcial ou na não confirmação das retenções na fonte efetuadas Fl. 842DF CARF MF Processo nº 10640.900496/201011 Acórdão n.º 1402002.766 S1C4T2 Fl. 843 10 pelas seguintes fontes pagadoras, com as respectivas justificativas: Para comprovar as retenções efetuadas, a contribuinte trouxe à colação os respectivos Informes de Rendimentos, dentre outras alegações. (...) Diante de tais preceitos, é indubitável que somente é dedutível do Imposto de Renda devido ao final do período de apuração o Imposto Retido Fonte, incidente sobre as receitas computadas na determinação do lucro real. Decorre daí que para a determinação do saldo negativo do IRPJ, passível de ser restituído ou compensado, quando composto apenas de Imposto retido, não basta a prova da regular retenção do Imposto. É imprescindível a comprovação de que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram devidamente computadas na determinação do lucro real. Em síntese, concluise que o ato de verificação da certeza e liquidez do indébito tributário relativo ao saldo negativo do IRPJ, em sede de análise de declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo, não está limitado aos valores das antecipações recolhidas no respectivo período de apuração, devendo atingir, também, a verificação da regularidade da determinação da base de cálculo apurada pelo contribuinte. (...) Esclareçase, ainda, que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor da contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [artigo 923] Por fim, não é por demais o registro de que o ônus da prova do direito de repetição recai sobre o sujeito passivo, quem o invoca, e que o princípio da verdade material não vai a ponto de vincular a Administração na produção e/ou apresentação de documentos fora do universo de seus registros. Destarte, a juntada de documentos que demonstrem a efetividade e liquidez do crédito que a interessada aduz possuir e a Fl. 843DF CARF MF Processo nº 10640.900496/201011 Acórdão n.º 1402002.766 S1C4T2 Fl. 844 11 comprovação de que as receitas financeiras correspondentes às retenções de Imposto na fonte efetuadas foram devidamente oferecidas à tributação, de acordo com as normas legais, é obrigação da pretendente, o que não ocorreu, no caso. Assim, podese concluir que a parcela de IRRF não confirmada, R$ 349.477,23, que resulta da diferença entre a parcela de IRRF total declarada e a parcela confirmada e reconhecida, (R$ 669.269,53 R$ 319.792,30), foi corretamente glosada pelo sistema que trata eletronicamente as declarações de compensação. Resta certo que, mesmo tendo a Recorrente acostado os Informes de Rendimento referentes ao IRRF, a DRJ a quo apontou a ausência de qualquer prova de que tais valores foram, efetivamente, computados na apuração fiscal do período de referência. Diante de tal postura, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente acosta seus Livros Razão do período, preenchidos dentro do regime de competência, Balancetes e planilhas explicativas (fls. 94 a 291), além de suas próprias declarações de tributos federais do período. Quando da apreciação do feito pelo I. Relator Alexandre Fernandes Limiro, este ressalva a possibilidade de desencontros cronológicos entre o critério de incidência do IRPJ (no caso, trimestral) e do IRRF sobre aplicações financeiros (instantâneo ou semestral). Também aceita a documentação acosta após a prolatação do v. Acórdão recorrido e determina Diligência, para que a Unidade Local apure a efetiva oferta de tais receitas à tributação. Confirase: Pelo que se observa na DCOMP (fl. 32) o saldo negativo apurado nos presentes autos teria por origem retenções na fonte relativas ao 1º trimestre de 2006. De outro lado, os informes de rendimento apresentados pelo contribuinte indicam que as receitas financeiras decorreriam da aplicação de fundos de investimento. Ora, nesse caso, não se pode extrair da DIRF deste período exata proporcionalidade entre o imposto retido e o oferecido à tributação pelo contribuinte. Isso porque, enquanto o aspecto temporal da hipótese de incidência do IRPJ, no presente caso, é trimestral (observandose o regime de competência), o do IRRF pode ser semestral e/ou instantâneo: (...) Sendo assim, me parece plausível a alegação do contribuinte, em seu recurso voluntário, de que: Fl. 844DF CARF MF Processo nº 10640.900496/201011 Acórdão n.º 1402002.766 S1C4T2 Fl. 845 12 [...] os rendimentos nominais das aplicações financeiras que geraram o IRRF objeto do PER/DCOMP (demonstrativo do CRÉDITO) vinham sendo oferecidos à tributação em cada competência/período de apuração desde o ano de 2002, data da aplicação mais pretérita neste processo. Daí a, a impossibilidade de se aferir somente na DIPJ 2005 rendimentos proporcionais ao IRRF correspondentes aos resgates havidos nas referidas aplicações financeiras no anos de 2004.” Por todo o exposto, dentro das atribuições conferidas pelo Art. 29 do Decreto 70.235/1972, converto o presente julgamento em diligência para que, à luz da documentação trazida aos autos, seja esclarecido o oferecimento ou não à tributação, e em que montante, das receitas financeiras que deram origem ao Imposto de Renda retido na Fonte apontado pelo contribuinte, tudo não apenas com base na DIRF do período, mas observandose a peculiariedade de que os rendimentos de aplicações financeiras são oferecidos à tributação à medida em que auferidos, enquanto a incidência na fonte se dá forma do Art. 1º, §2º da Lei nº 11.033/2004. Assim, então, manifestouse, conclusivamente, a Autoridade Fiscal: Foi assumido que as aplicações resgatadas no 1º trimestre de 2006, responsáveis pelas retenções utilizadas na formação do Saldo Negativo, são as informadas pela empresa nas tabelas apresentadas. As planilhas às folhas 820 a 822 apresentam os rendimentos registrados no livro Razão para cada uma dessas aplicações, no período de outubro/2003 a março/2006. O total das receitas registradas, por instituição financeira, é resumido a seguir. Verificase que as aplicações indicadas pelo contribuinte tiveram receitas registradas no livro Razão em valor compatível com o informado na Dirf pelas fontes pagadoras (folhas 823 a 825). Essas receitas também são compatíveis com as retenções pleiteadas e confirmadas em Dirf: Fl. 845DF CARF MF Processo nº 10640.900496/201011 Acórdão n.º 1402002.766 S1C4T2 Fl. 846 13 Também foi verificado que as receitas registradas no livro Razão, contas Rendimentos CDB e Juros/Correções, são iguais às informadas nos balancetes, conforme planilhas às folhas 826 e 827. Por fim, foi conferida a composição das receitas financeiras informadas nas DIPJ relativas aos anos calendários 2003 a 2006, a partir dos balancetes. Foram consideradas como componentes da receita financeira as contas indicadas pelo contribuinte nas cópias dos balancetes (fls. 257 a 291). Em todos os períodos, as contas que registram as receitas de aplicações financeiras (Rendimentos CDB e Juros/Correções) foram incluídas nas receitas financeiras. As planilhas às folhas 828 e 829 mostram que os valores de receita financeira obtidos a partir dos balancetes coincidem com as receitas tributadas nas DIPJ. Dessa forma, concluo, s.m.j., que as receitas de aplicações financeiras foram registradas no livro Razão ao longo do período em que estiveram ativas e que esses valores compuseram as receitas financeiras tributadas nas DIPJ. Proponho o retorno do processo ao CARF para prosseguimento.(destacamos) Primeiramente se observa que a Autoridade Fiscal identifica que as receitas financeiras percebidas, objeto de incidência do IRRF que deu origem ao crédito pretendido, foram devidamente lançadas no Livro Razão do Contribuinte. Logo depois, afirma que tais valores são compatíveis com as retenções pleiteadas e confirmadas em Dirf. Por fim, não restando dúvidas, a Fiscalização confirma que o numerário referente ao crédito utilizado na DCOMP em tela, além de compatível com a DIRF e os Informes de Rendimento apresentados, é o mesmo efetivamente declarado em DIPJ. Posto isso, não só é cristalino o direito da Recorrente à integralidade do crédito utilizado na compensação, como tal fato foi comprovado e atestado pela própria Unidade Local. Fl. 846DF CARF MF Processo nº 10640.900496/201011 Acórdão n.º 1402002.766 S1C4T2 Fl. 847 14 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, reformandose o v. Acórdão recorrido, para reconhecer o direito ao crédito adicional no valor de R$ 319.792,30; homologandose as compensações ainda pendentes até esse limite. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 847DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.904985/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADORA E DARF. AUSÊNCIA DE DCTF. PROVAS INSUFICIENTES. RECURSO DESPROVIDO.
Em sede de pedido de restituição cabe ao contribuinte fazer prova do seu alegado direito, conforme artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I do CPC/73 (vigente à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015.
A Recorrente apresentou DACON retificadora e DARF do suposto pagamento indevido, todavia, não se mostraram provas mínimas para o fim desejado, revelando-se provas precárias, insuficientes.
Numero da decisão: 3401-004.214
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADORA E DARF. AUSÊNCIA DE DCTF. PROVAS INSUFICIENTES. RECURSO DESPROVIDO. Em sede de pedido de restituição cabe ao contribuinte fazer prova do seu alegado direito, conforme artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I do CPC/73 (vigente à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015. A Recorrente apresentou DACON retificadora e DARF do suposto pagamento indevido, todavia, não se mostraram provas mínimas para o fim desejado, revelandose provas precárias, insuficientes. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versam os autos sobre recurso voluntário, oriundo de processo de PER/DCOMP, no qual o sujeito passivo indicou suposto crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição apurado sob o regime da nãocumulatividade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 49 85 /2 01 2- 18 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10925.904985/201218 Acórdão n.º 3401004.214 S3C4T1 Fl. 3 2 O pedido da recorrente foi indeferido através do Despacho Decisório Eletrônico que instrui os autos, onde informouse que o pagamento indicado estava totalmente utilizado para a quitação de débitos da Contribuinte, não restando crédito disponível. Irresignada, apresentou manifestação de inconformidade defendendo que recolheu contribuições indevidamente, vez que não tinha efetuado exclusões da base de cálculo da referida contribuição, previstas em lei. Apresentou DACON retificadora onde apura saldo credor, de modo que o recolhimento feito anteriormente, mostrase indevido, logo, passível de restituição. Asseverou que, por um lapso, deixou de retificar tal informação em DCTF e que a informação em DACON é suficiente para demonstrar seu direito. Defende que a circunstância de não retificar a DCTF não inviabiliza a restituição de valores comprovadamente indevidos. Sobreveio acórdão nº 07030.966 da DRJ/FNS, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, de acordo com a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Regularmente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde essencialmente repisa os argumentos da manifestação de inconformidade, afirmando possuir o direito pleiteado e citando o Acórdão nº 3302002.104 do CARF como jurisprudência que entende amparar seu pleito. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.207, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.904977/201271, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10925.904985/201218 Acórdão n.º 3401004.214 S3C4T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.207): "I. Do conhecimento e admissibilidade dos recursos voluntário O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente fora cientificada da decisão da DRJ, em 21/05/2013 (efl. 64), vindo a ser interposto recurso voluntário, 19/06/2013. Assim, preenchidos os requisitos formais de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II. Do mérito O julgamento deste processo servirá de paradigma aos demais processos vinculados, seguindo, portanto, a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Como se viu do Relatório acima, entende a Recorrente que faz jus a compensação da contribuição para o PIS, referente ao mês de abril 2005, vez que teria o recolhido indevidamente, não excluindo de sua base de cálculo parcelas autorizadas pela legislação de regência. Para dar azo ao seu suposto direito, em 21/08/2009, apresentou DACON retificador. O artigo 16 do Decreto 70.235/72 exige que o contribuinte apresente provas documentais no momento da impugnação, porém, este E. Tribunal tem flexibilizado em razão do princípio da verdade material, possibilitando que o sujeito passivo produza provas em momento posterior. Em casos em que o contribuinte não traz qualquer prova DARF, DCTF, Livros contábeis, etc), este CARF tem entendido que tal ônus é da parte que pleiteia o crédito, dentre outros, acórdão 3401003.652, referente ao processo 13888.900243/201467, de minha relatoria, o qual também serviu de paradigma. Diz a Recorrente que tentou fazer sua DCTF retificadora logo após o despacho decisório, porém recebera informação "... (mensagem de erro) de que o prazo para a retificação de informações havia expirado." (efl. 68), porém, não há nos autos tal prova. Defende que seus créditos são advindos de ter deixado de excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS, parcelas legalmente admitidas pela legislação de regência (artigo 15 da Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10925.904985/201218 Acórdão n.º 3401004.214 S3C4T1 Fl. 5 4 MPV 2.158351; artigo 17, da Lei 10.684/20032 e artigo 1° da Lei 10.676/20033. As hipóteses de exclusão contidas nas legislações referidas são variadas, porém, a Recorrente apenas trouxe a prova no DACON, o qual não traz a origem destes créditos, ou seja, o nexo causal da retificação com a real existências destes tais créditos, ou qualquer explicação ou elemento de prova que indique com precisão o valor do pleito à restituir; e o DARF, do recolhimento supostamente indevido. Como se sabe, em sede de pedido de restituição e/ou compensação, o ônus da prova cabe ao contribuinte, por força do artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I, do CPC/1973 (vigência à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015, o 1 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. 2 Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1o da Medida Provisória no 101, de 30 de dezembro de 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. 3 Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1o As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2o Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3o O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10925.904985/201218 Acórdão n.º 3401004.214 S3C4T1 Fl. 6 5 que, no caso dos autos, no entender deste relator, não fora feito pela Recorrente. O DACON e DARF juntados pela Recorrente não são provas suficientes para comprovar, minimamente, o direito à restituição perseguido, revelandose provas precárias para este fim. Dispositivo Com estas considerações, conheço do recurso voluntário e lhe nego provimento." Registrese que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a recorrente trouxe como provas de seu suposto crédito, apenas a DACON retificadora e DARF, sendo estes, consoante entendimento exposto, elementos insuficientes para comprovar o direito à restituição. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 78DF CARF MF
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