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Numero do processo: 19515.000993/2005-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158-35/2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001.
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE.
Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001.
INEXISTÊNCIA DE OPERAÇÕES IMUNES NO PERÍODO. NECESSIDADE DE ENTREGA DA DIF.
A partir do momento da concessão do registro especial e a partir do momento em que realiza a primeira operação com papel imune, o contribuinte se sujeita ao controle do mesmo, devendo, obrigatoriamente, apresentar a declaração instituída para esse fim - DIF-Papel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período.
Numero da decisão: 9303-004.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à Unidade de Origem verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.15835/2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. INEXISTÊNCIA DE OPERAÇÕES IMUNES NO PERÍODO. NECESSIDADE DE ENTREGA DA DIF. A partir do momento da concessão do registro especial e a partir do momento em que realiza a primeira operação com papel imune, o contribuinte se sujeita ao controle do mesmo, devendo, obrigatoriamente, apresentar a declaração instituída para esse fim DIFPapel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 93 /2 00 5- 61 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 19515.000993/200561 Acórdão n.º 9303004.956 CSRFT3 Fl. 158 2 reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à Unidade de Origem verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 310100.181, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que deu provimento ao recurso voluntário para afastar a multa regulamentar pelo atraso na entrega da DIF Papel imune em períodos em que não houve movimentação (entrada e saída) de papel dessa natureza. Transcrevo a ementa do referido acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS DATA DO FATO GERADOR: 31/03/2003; 30/04/2003; 31/07/2003; 31/10'2003; 30/01/2004; 30/04/2004; 31/07/2004. DEVERES INSTRUMENTAIS. A norma jurídica que cria a DIF Papel Imune estabelece que estão obrigados a entrega aqueles que "realizem operações com papel" imune, sendo elemento necessário para constatarse o descumprimento da obrigação para aplicação da penalidade a constatação da realização das citadas operações. Recurso voluntário Provido. Irresignada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, sustentando que a partir do momento da concessão do registro especial e a partir do momento em que realiza a primeira operação com papel imune, o sujeito passivo passou a se sujeitar ao controle do mesmo, devendo, obrigatoriamente, apresentar a declaração instituída para esse fim DIFPapel Imune , independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade às fls. 139/140. Contrarrazões da contribuinte às fls. 147/153. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 19515.000993/200561 Acórdão n.º 9303004.956 CSRFT3 Fl. 159 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF (despacho de admissibilidade às fls. 139/140). A recorrente alega divergência em relação à imposição da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIFPapel Imune, apresentando como paradigma os Acórdão 20403.437. Enquanto o acórdão recorrido entendeu pela improcedência na aplicação da multa regulamentar pelo atraso na entrega da DIF Papel imune em períodos em que não houve movimentação (entrada e saída) de papel dessa natureza, o paradigma decidiu que mesmo não havendo operação com papel imune no período a declaração em tela deveria ser entregue, decorrendo daí a incidência da multa pelo cumprimento da obrigação acessória a destempo. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendidos os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIFPapel Imune, em casos de inexistência de operações com papel imune no período. No presente processo o sujeito passivo foi autuado pelo descumprimento de obrigação acessória, correspondente à apresentação de DIFPapel Imune. Verificada a omissão, a fiscalização calculou a multa aplicável em função do número de meses de atraso de cada declaração, conforme determina o art. 57, inciso I, da MP 2.15835/2001 c/c art. 16 da Lei 9.779/99. A matéria já é bastante conhecida nesta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, inclusive com um voto de minha lavra (Acórdão nº 9303003.399), no sentido de aplicar o instituto da retroatividade benigna com redução da multa, nos moldes do art. 1º, § 4º, inciso II, da Lei 11.945/09. A presente controvérsia deve ser analisada sob o ponto da legalidade dos atos normativos e por consequência da multa aplicada. Transcrevese abaixo a fundamentação legal que ampara a autuação perpetrada: Lei nº 9.779, de 19/01/1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Medida Provisória 2.15835/2001 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 19515.000993/200561 Acórdão n.º 9303004.956 CSRFT3 Fl. 160 4 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Instrução Normativa/SRF nº 71, de 24/08/2001 Art. 1° Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1° do Decretolei n° 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. (...) Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. (...) Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 34, de 27 de julho de 2001. Instrução Normativa/SRF nº 159, de 15/05/2002 Art. 2° A apresentação da DIF Papel Imune deverá ser realizada pelo estabelecimento matriz, contendo as informações referentes a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica que operarem com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Parágrafo único. A apresentação da DIFPapel Imune é obrigatória, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. (grifei) Fl. 160DF CARF MF Processo nº 19515.000993/200561 Acórdão n.º 9303004.956 CSRFT3 Fl. 161 5 Portanto, se a contribuinte adquire e utiliza o papel imune, ela estaria obrigada a apresentar as informações solicitadas pela Receita ao amparo do disposto no art. 16 da Lei nº 9.779/99, acima transcrito. Descumprindo esta obrigatoriedade, estaria sujeita à aplicação da multa prevista no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. No entanto, a Lei nº 11.945/2009, trouxe substancial alteração na legislação pertinente ao Registro Especial referente ao controle das operações realizadas com papel imune. Dispõe o seu art. 1º: Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2º O disposto no § 1º deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2º do art. 2º e no § 15 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8o da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e Fl. 161DF CARF MF Processo nº 19515.000993/200561 Acórdão n.º 9303004.956 CSRFT3 Fl. 162 6 II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. A nova legislação alterou a sistemática de aplicação da penalidade, afastando a imposição da penalidade aplicada por mês calendário de atraso, como previa o art. 57 da MP nº 2.15835/2001, passando a cominar multa única no caso de falta de apresentação da DIF Papel Imune no prazo estabelecido. No caso dos autos, discutese a obrigatoriedade de apresentação da declaração pelo contribuinte em períodos que não houve movimentação (entrada e saída) de papel dessa natureza. A IN SRF 159/2002 acima reproduzida esclarece a questão: a apresentação da DIFPapel Imune é obrigatória, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Com efeito, as empresas que operam com papel destinado a impressão de livros, jornais e periódicos (papel imune), ainda que não efetuem operações com esse papel em um dado período, permanecem obrigadas a apresentar a declaração em comento para esse período. Sendo assim, a partir do momento da concessão do registro especial e a partir do momento em que realiza a primeira operação com papel imune, a contribuinte se sujeita ao controle do mesmo, devendo, obrigatoriamente, apresentar a declaração instituída para esse fim DIFPapel Imune , independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso da Fazenda Nacional, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei 11.945/2009, resultando na manutenção das multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, calculadas conforme o referido dispositivo legal, cabendo à unidade preparadora verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.720826/2016-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
EXTRATOS BANCÁRIOS. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO.
Incabível alegação de quebra de sigilo bancário quando as informações foram requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei e a constituição do crédito tributário não se baseou em tais documentos.
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.
Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE.
Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o intuito de fraude.
NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelos acusados e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1402-002.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 EXTRATOS BANCÁRIOS. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Incabível alegação de quebra de sigilo bancário quando as informações foram requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei e a constituição do crédito tributário não se baseou em tais documentos. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o intuito de fraude. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelos acusados e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 08 26 /2 01 6- 79 Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.129 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2129DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.130 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelas pessoas físicas sujeitos passivos responsáveis solidários e representantes da empresa SD Climatização, que foi extinta/baixada por liquidação voluntária na Receita Federal em 23/03/2012, registro do distrato social na JUCESP e encerramento das atividades em 01/12/2011, face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil do que decidiu por manter integralmente as exigências perpetradas nos Autos de Infração (anocalendário 2011), relativas a omissão de receita, constatadas por meio de cruzamento das contas bancárias, cruzamento do SPED com a DACON e GIA (a DIPJ do anocalendário de 2011 não foi apresentada) e com diligência/circularização feita com terceiros que venderam mercadorias para a empresa extinta. As pessoas físicas foram responsabilizadas solidariamente, devido à fiscalização ter entendido que ocorreu dissolução irregular da sociedade (artigo 207 do Decreto 3000/99 e artigos 1102 à 1109 do C.C.) pela falta de quitação das obrigações tributárias, pela falta de apresentação da declaração de rendimentos no encerramento da liquidação e pela falta dos livros e documentos contábeis e fiscais da empresa, bem como pela prática de atos com infração à legislação, caracterizados como sonegação, conforme relatado no termo de verificação fiscal anexo. Como os representantessujeitos passivos responsáveis da empresa SD Climatização não apresentaram a documentação fiscal e contábil solicitada pela Fiscalização e informaram que os documentos foram extraviados, a fiscalização se viu obrigada a arbitrar o lucro com base no valor das compras efetuadas pela SD Climatização nos termos do inciso III do artigo 530 e inciso V do artigo 535, ambos do RIR/99. O valor das compras foi encontrado por meio da diligência feita em terceiros que venderam as mercadorias a empresa SD Climatização, após terem sido constatadas registros de notas fiscais eletrônicas de compras de mercadorias no SPEDNFe, bem como elevada movimentação de valores nas contas bancárias da empresa extinta, inclusive posteriormente ao período em que alegou ter sido baixada na Receita Federal e JUCESP. Após a descrição no TVF de hipótese de sonegação fiscal por parte dos responsáveis solidários, também foi aplicada multa qualificada de 150%. De resto, como o relatório do v. acórdão a quo descreve muito bem os acontecimentos tratados nos autos, aproveito para adotálo como relatório. Consta no processo que o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TDPF)/Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) 0819600.2014.00561.4 foi emitido em nome do sujeito passivo responsável LUIZ BARBOZA SANTOS CARDOZO, uma vez que o sujeito passivo contribuinte, a empresa S D CLIMATIZAÇÃO COMERCIO E SERVIÇOS LTDA, CNPJ 11.789.306/000195, foi extinta/baixada por liquidação voluntária na RECEITA FEDERAL DO BRASIL em 23/03/2012, bem como registrou distrato social na Junta Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.131 4 Comercial do Estado de SP, sob número 096.393/129, datado em 01/12/2011, no qual consta a informação de que a sociedade encerrou suas atividades em 01/12/2011, cabendo ao sócio LUIZ BARBOZA SANTOS CARDOZO, CPF 135.253.46816, a responsabilidade pela guarda dos livros e documentos da sociedade. De acordo com os documentos societários registrados na JUCESP, a administração da SD CLIMATIZAÇÃO era exercida, em conjunto ou separadamente, nos períodos sob fiscalização, pelos sócios administradores LUIZ BARBOZA SANTOS CARDOZO e SIDNEY TUNDA JÚNIOR. A contribuinte apresentou à RFB a DIPJ DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS DA PESSOA JURÍDICA relativa ao anocalendário de 2010 pelo lucro presumido, não apresentou declaração relativa ao período 01/01/2011 a 31/12/2011 e entregou a DIPJ do anocalendário de 2012 (01/01/2012 a 23/03/2012) como inativa/extinta. Foi expedida intimação para a apresentação, dentre outros, dos seguintes documentos: A DIPJ 2012/2011 ou o respectivo Recibo de entrega; Escrituração contábil legalmente estabelecida para o ano calendário 2011 para a empresa S D CLIMATIZAÇÃO COMERCIO E SERVIÇOS LTDA, composta pelo livro DIÁRIO ou CAIXA, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária; Livro Registro de Inventário da citada empresa contendo os registros dos estoques existentes no período entre 01/01/2011 e 01/12/2011, data do encerramento de atividades da empresa; Cópias das notas fiscais de entrada e de saídas de mercadorias em 2011 emitidas pelos estabelecimentos CNPJ 11.789.306/000195 e 11.789.306/000276 da empresa S D CLIMATIZAÇÃO COM. E SERV. LTDA. O SUJEITO PASSIVO RESPONSÁVEL não apresentou a documentação solicitada, bem como não apresentou qualquer manifestação ou justificativa para a falta dentro do prazo estabelecido, motivo pelo qual a fiscalização efetuou consultas externas sobre as operações da SD CLIMATIZAÇÃO constantes dos sistemas do SPED NFE (SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL NOTA FISCAL ELETRÔNICA) e das GIA ICMS SP Guias de Informação e Apuração do ICMS apresentadas à FAZENDA ESTADUAL DE SP. Diante dos elementos obtidos nos sistemas do SPED NFE e das GIA ICMS SP, a fiscalização encaminhou nova intimação ao SUJEITO PASSIVO RESPONSÁVEL, na qual reiterou as solicitações contidas na intimação anterior e solicitou a apresentação dos extratos de contas bancárias e de investimentos pela contribuinte no anocalendário de 2011. Solicitouse, também, a confirmação ou não da realização, do recebimento, do pagamento e da escrituração das compras efetuadas por meio das notas fiscais relacionadas no Anexo 1 do Termo de Intimação MPF 0819600.2014.00561.4/02, cujo valor totaliza R$ 46.017.276,62. Solicitou, ainda, esclarecimentos e comprovação a respeito da diferença de valores entre as receitas informadas pela contribuinte nas Dacon, Gia e aquelas apuradas por meio das Nfe constantes no Sped. O SUJEITO PASSIVO RESPONSÁVEL e seu procurador VALTER ROBERTO DICONO JÚNIOR, CPF 176.628.45826, compareceram nesta repartição em 26/05/2014 e apresentaram carta declarando não Fl. 2131DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.132 5 possuir os documentos da SD CLIMATIZAÇÃO solicitados por esta fiscalização, por motivo de extravio, bem como declarando a impossibilidade de restaurar a escrituração contábil e fiscal da empresa. O SUJEITO PASSIVO RESPONSÁVEL foi intimado e apresentou, em 30/06/2014, sem carta de encaminhamento, os seguintes extratos bancários da empresa SD CLIMATIZAÇÃO: 1) Extrato do período 12/04/2011 a 31/12/2011 da Conta 073781 da Agência 5589 do Banco ITAÚ UNIBANCO; 2) Extrato do período 03/01/2011 a 31/01/2011 da Conta 6,0084958 da Agência 1347 do Banco Real; 3) Extrato do período 01/02/2011 a 31/12/2011 da Conta 130010254 da Agência 4347 do Banco Santander; 4) Extrato do período 03/01/2011 a 29/12/2011 da Conta 1295209 das Agências 01112 e 33944 do Banco Bradesco. Tendo constatado divergências entre os valores informados na Dimof pelas instituições financeiras e aqueles constantes dos extratos apresentados pela contribuinte, a fiscalização emitiu RMF para o Bradesco, Santander e Itaú Unibanco. O cotejamento entre os extratos apresentados pelo SUJEITO PASSIVO RESPONSÁVEL e os apresentados pelo BRADESCO revelou que a fiscalizada deixou de apresentar a esta fiscalização os extratos da Conta 1295101 das Agências 01112 e 33944 desse banco, através da qual foi realizada a maior parte das transações financeiras da SD CLIMATIZAÇÃO em 2011. Foi constatado que os extratos bancários das contas mantidas pela SD CLIMATIZAÇÃO nos bancos BRADESCO, SANTANDER e ITAU UNIBANCO, anexados ao processo 13896720.826/201679, apresentavam movimentação financeira compatível com as compras efetuadas em 2011. Tendo em vista confirmar a efetiva realização das operações de compra, a fiscalização efetuou diligências nas empresas fornecedoras da SD CLIMATIZAÇÃO. Em atendimento às intimações encaminhadas pela fiscalização, as empresas LG ELECTRONICS DO BRASIL, CLIMAZON INDUSTRIAL, SPRINGER CARRIER, ELGIN INDUSTRIAL DA AMAZÔNIA e ELGIN S A apresentaram cartas e documentos que atestam a efetiva realização e a quitação das vendas para a empresa SD CLIMATIZAÇÃO, confirmando assim os dados obtidos por esta fiscalização no sistema SPED NFE. Conforme já relatado anteriormente, o SUJEITO PASSIVO RESPONSÁVEL deixou de apresentar os livros e a documentação contábil e fiscal da SD CLIMATIZAÇÃO, tendo sido arbitrado o lucro com base no valor das compras efetuadas pela empresa (R$ 46.017.276,62) e com fundamento no art. 530, III, e art. 535, V do RIR/1999. Os sócios administradores da SD CLIMATIZAÇÃO à época de sua dissolução e liquidação, e à época dos fatos geradores das obrigações tributárias ora lançadas, as pessoas físicas LUIZ BARBOZA SANTOS CARDOZO, CPF 135.253.46816, e SIDNEY TUNDA JÚNIOR, CPF 268.537.18852, foram responsabilizados de forma pessoal e solidária pelos créditos tributários ora lançados, pelos seguintes motivos: a) dissolução irregular da pessoa jurídica em decorrência da falta de quitação das obrigações tributárias da sociedade, da falta de apresentação da declaração de rendimentos no encerramento da liquidação e da falta de guarda dos livros e documentos contábeis e Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.133 6 fiscais e b) prática de atos com infração à legislação, caracterizados como sonegação. Foram lavrados os seguintes autos de infração: [...] O enquadramento legal para o lançamento dos tributos encontrase descrito nos autos de infração. Notificados do lançamento, Luiz Barboza Santos Cardozo e Sidney Tunda Júnior apresentaram a impugnação de fls.1933 a 1960, na qual alegam: ● A empresa SD Climatização Comércio e Serviços Ltda., registrou seu distrato social junto à Jucesp em 01/02/2011, encerrou suas atividades em 01/12/2011 e entregou a DIPJ 2012 na qual informou a sua extinção. Apesar disso e sem qualquer motivação, o impugnante Luiz foi cientificado do Termo de Início de Fiscalização, tendo informado a extinção da pessoa jurídica e que não possuía os documentos solicitados pelo fisco. ● Nulidade do auto de infração. Ofensa aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. ● Ausente qualquer motivação para a instauração de qualquer procedimento fiscalizatório: tampouco foi apontada qualquer situação que demonstrasse indício/ fraude/ irregularidade para com a fiscalização, o que demonstra a ausência de qualquer motivação capaz de legitimar o MPF aqui discutido. ● Violação à intimidade e à vida privada. Quebra indevida de sigilo bancário. O procedimento fiscal instaurado contra a extinta empresa e o Impugnante afrontou as garantias constitucionais dispostas no art. 5º, incisos X e XII da CF/88, na medida em que determinou que ela apresentasse todos os seus extratos bancários, relativos ao período compreendido no anocalendário de 2011. E nem se alegue que as previsões constantes da Lei Complementar n° 105/2001, da Lei n° 5.172/66, ou seja, do Código Tributário Nacional, da Lei n° 9.311/96 e/ou do Decreto n° 3000/99, ou seja, do RIR/99, estariam a amparar o acesso não consentido pelo contribuinte às informações bancárias protegidas pelo sigilo consagrado na Constituição Federal, cujos extratos foram apresentados, única e exclusivamente, para não ensejar a interpretação de que se estaria a embaraçar a ação fiscal. A violação da garantia constitucional conta com o apoio de importante precedente do Supremo Tribunal Federal (STF). Ademais, não se pode cogitar aqui que o próprio Impugnante é quem teria fornecido os extratos e, portanto, não teria ocorrido a quebra. De fato, o Impugnante Luiz forneceu seus extratos bancários, mas apenas e tão somente para não caracterizar embaraço a fiscalização, em outras palavras, é de se dizer que o Impugnante foi coagido a apresentar esses Fl. 2133DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.134 7 documentos, o que viola de forma clara e evidente o artigo 5º, inciso XII, da CF/88, com o que não se pode conformar. ● Violação à legalidade, ao contraditório e à ampla defesa com relação ao sócio impugnante Sidney. Nulidade do Termo de Sujeição Passiva O sócio Sidney nunca foi intimado de qualquer procedimento fiscal, de qualquer termo de intimação fiscal, tampouco teve conhecimento sobre qualquer decisão e/ou diligência efetuada pela fiscalização. O fisco impediu o acesso ao impugnante Sidney às informações constantes do procedimento fiscal, o qual, aliás, encerra a real motivação da ação fiscal, postura essa que obstaculizou o pleno exercício da defesa. Somente com o encerramento da ação fiscal é que o impugnante Sidney foi intimado da autuação, como sujeito passivo, inclusive, com o arrolamento de seus bens! E mais, somente após a lavratura do crédito tributário é que o impugnante Sidney tomou conhecimento de que supostamente agiu com dolo e/ou fraude para com o Fisco Federal e, nesse contexto, responderá com seus bens pessoais pelo crédito tributário supostamente devido. Em nenhum momento foi apontado e comprovado o dolo e/ou fraude cometida pelos sócios impugnantes, de modo que Sidney nunca teve a oportunidade de se manifestar no decorrer do procedimento fiscal e, agora, foram surpreendidos com a responsabilidade solidária e o arrolamento de bens e direitos pessoais. Antes que fosse lavrado o Auto de Infração a fiscalização DEVERIA TER INTIMADO O SÓCIO IMPUGNANTE SIDNEY a respeito das solicitações (requisição de documentos), de toda sorte, assim não o fez, de modo que, nesse momento, esse sócio Impugnante se encontra privado indevidamente de seu patrimônio, além de devassada sua privacidade. Há que se ressaltar que o contraditório e a ampla defesa estão assegurados ao contribuinte durante todo o processo administrativo fiscal, inclusive na DENOMINADA FASE OFICIOSA, CUJO CARÁTER É INQUISITORIAL, E NÃO APENAS EM DETERMINADA FASE PROCESSUAL. A ressalva de que o litígio só é instaurado a partir da impugnação constitui censurável ficção para afastar o contraditório e a ampla defesa durante a fiscalização, investigação ou, simplesmente, averiguação. NA VERDADE, O LITÍGIO NASCE JUNTO COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Sequer foram efetuados os Termos de Solidariedade Passiva. ● Não bastasse essa nulidade, fato é que os sócios Impugnantes não podem ser considerados solidários e responsáveis pelo malfadado crédito tributário que lhes vêm sendo impingido, isso porque, a uma, esse crédito não existe, a duas porque não praticaram nenhuma conduta descrita no artigo 135 do CTN capaz de lhe ensejarem essa solidariedade, tal como pretendido pela fiscalização. ● Ônus da prova. Inexistência de prova de fraude e/ou dolo. Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.135 8 A fiscalização não trouxe qualquer prova de que a extinta empresa tenha praticado fraude e/ou dolo, de modo que tais condutas não podem ser consideradas somente por ilações desprovidas de qualquer conteúdo probatório, de cujo ônus a fiscalização não se desincumbiu. Da mesma forma, não o fez com relação aos sócios impugnantes, aos quais sequer a fiscalização trouxe qualquer ilação, limitandose a afirmar que a sujeição passiva dos mesmos decorria de disposição legal. ● Exclusão dos sócios. A fiscalização — ao entender pela prática de condutas ilícitas como fraude e dolo, sem, contudo, fazer qualquer prova nesse sentido — e sem que lavrasse o Termo de Sujeição Passiva e Arrolamento de Bens e Direitos contra os sócios Impugnantes, acabou por qualificálos como responsáveis solidários, promovendo o Arrolamento de seus bens e direitos pessoais, repitase, sem que fosse dada a eles qualquer chance de manifestação. Os sócios de uma empresa somente podem ser responsabilizados pelo pagamento da dívida acaso tenham agido com dolo (artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional). No mais, cumpre salientar que o simples inadimplemento não pode ser caracterizado, por si só, como ato doloso dos sócios, assim como não se pode impingir conduta criminosa de sonegação fiscal em face da simples ausência de recolhimento do tributo. ● Caráter confiscatório da multa. Os impugnantes não praticaram qualquer ato que justificasse uma multa no percentual de 75%, tampouco praticaram quaisquer condutas fraudulentas, simuladas e/ou dolosas capazes de justificar a aplicação de uma multa no percentual de 150%. A multa aplicada não guarda qualquer respeito ao princípio da proporcionalidade, além de seu manifesto caráter confiscatório. A exigência da multa no presente caso, correspondente ao percentual de 150%, é considerada arbitrária incorrendo em verdadeiro locupletamento ilícito do fisco, o que causa repulsa em nosso o ordenamento jurídico, nos termos do artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Restou demonstrada a desídia da fiscalização em comprovar a alegada simulação, fraude e/ou dolo no PAF aqui discutido, de modo que não pode prevalecer a aplicação da multa agravada, tampouco a sua elevação. ● Requerse a exclusão da sujeição passiva solidária atribuída aos sócios Impugnantes, seja pelo fato de não terem participado de qualquer ato no procedimento fiscal (especialmente o Impugnante Sidney), seja pelo fato de que não houve qualquer prova no sentido de que eles respondam solidariamente, determinandose, por via de consequência, o imediato cancelamento dos Arrolamentos de Bens e Direitos expedidos nesse sentido. ● Ainda que não seja um desses o entendimento da autoridade julgadora, não se pode olvidar que a fiscalização deveria ter aplicado o art. 674 do RIR/1999 e não o art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, de modo que a presente autuação deve ser novamente analisada, Fl. 2135DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.136 9 juntamente com a multa impingida a qual é manifestamente abusiva e confiscatória e desprovida de qualquer razoabilidade e que, portanto, não deve prevalecer, devendo ser totalmente reavaliada a autuação ora combatida. Em seguida a DRJ de Ribeirão Preto proferiu v. acórdão (fls.2040/2052) mantendo integralmente o Auto de Infração e a responsabilidade solidária, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 EXTRATOS BANCÁRIOS. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Incabível alegação de quebra de sigilo bancário quando as informações foram requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei e a constituição do crédito tributário não se baseou em tais documentos. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o intuito de fraude. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelos acusados e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. Os sócios gerentes de pessoa jurídica extinta são responsáveis solidários pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. Impugnação Improcedente Fl. 2136DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.137 10 Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão exarada no v. acórdão, a Recorrente interpõe Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos da impugnação. Ato contínuo, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 2137DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.138 11 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, possui todos os requisitos previstos na legislação e os responsáveis solidários indicados no pólo passivo estão devidamente representados, motivo pelo qual deve ser admitido. Sujeição do lançamento: O lançamento foi feito tendo como sujeitos passivos as pessoas físicas que eram sócias administradoras da empresa SD Climatização, eis que a fiscalização verificou que a empresa foi extinta por meio de liquidação voluntária na Receita Federal em 23/03/2012, com registro do distrato social na JUCESP em 01/12/2011, indicando o encerramento de suas atividades na mesma data de 01/12/2011. O agente autuante constatou possíveis irregularidades no período entre 01/01/2011 e 31/12/2011 e lavrou Auto de Infração em 30/03/2016, com ciência dos antigos administradores em 31/03/2016, após a extinção da empresa SD Climatização. Como a empresa SD CLIMATIZAÇÃO COMERCIO E SERVIÇOS LTDA, CNPJ 11.789.306/000195, foi extinta, a fiscalização lavrou Autos de Infração contra os administradores Sr. Luiz Barbosa Santos Cardoso e Sidney Tunda Junior, como responsáveis solidários nos termos do artigo 135 do CTN, por ter entendido que ocorreu dissolução irregular da sociedade, nos termos do artigo 207 do Decreto 3000/99 e dos artigos 1102 à 1109 do C.C., devido a falta de quitação das obrigações tributárias, pela falta de apresentação da declaração de rendimentos no encerramento da liquidação e pela falta dos livros e documentos contábeis e fiscais da empresa, bem como pela prática de atos com infração à legislação, caracterizados como sonegação, conforme descrito no termo de verificação fiscal anexo ao lançamento de ofício. Sendo assim, face à constatação de possível irregularidade tributária no período em que as pessoas físicas acima indicadas eram administradoras da empresa que foi extinta antes do inicio do trabalho da fiscalização, entendo que os Autos de Infração foram lavrados contra os sujeitos passivos certos. Ora, como foi constatado apenas em 2016 uma possível irregularidade tributária no período de 01/01/2011 até 31/12/2011 e a extinção da SD Climatização ocorreu em 23/03/2012, momento em que deixou de ter personalidade jurídica, entendo que agiu corretamente a fiscalização ao interpretar a dissolução da empresa como irregular e inserir no pólo passivo da exigência, como responsáveis solidários, os administradores da época dos fatos geradores. Fl. 2138DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.139 12 O entendimento acima exposto vai no mesmo sentido da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que entendeu que quando extinta a empresa e, posteriormente, for constatada irregularidade tributária relativa a fatos geradores que ocorreram quando a empresa estava em atividade, o lançamento de ofício deve ser feito em nome dos representantes legais, na qualidade de responsáveis solidários. Sendo assim, entendo que o agente autuante agiu corretamente ao incluir os administradores no pólo passivo do lançamento de ofício. Em relação às nulidades alegadas: Os Recorrentes alegam que o auto de infração é nulo por ter ofendido os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Inicialmente, cabe pontuar que, segundo o art. 59 do PAF, somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, assim como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente, o que aqui não se verificou nos autos. A nulidade por desrespeito ao direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do PAF, somente ocorre nas quando proferidas decisões no curso do processo administrativo tributário que não permitiram a manifestação da parte prejudicada, ou quando são aplicáveis os princípios do contraditório e o da ampla defesa. No Processo Administrativo Tributário Federal, antes da apresentação da impugnação, não existe litígio e contraditório, sendo que após instaurado o processo abrese a oportunidade para que a parte interessada se defenda amplamente. Dessa forma, não procedente a alegação de nulidade no trabalho fiscal, bem como no lançamento de ofício, por não ter sido ofertada oportunidade para apresentação de defesa ao responsável solidário Sr. Sidney antes da lavratura do auto de infração, eis que a fiscalização é um procedimento inquisitório e a oportunidade para defesa na via administrativa é garantida apenas após a ciência de eventual auto de infração lavrado. No presente caso, não houve preterição ao direito de defesa, pois os responsáveis solidários foram cientificados da lavratura do Auto de Infração, tomaram conhecimento de todos os eventos que levaram à constituição do crédito tributário, da legislação que motivou o lançamento e lhes foi concedido o prazo legal para ter vista do processo, apresentar a impugnação e recurso, direito que foi exercido plenamente pelos responsáveis solidários, com apresentação da defesa e do recurso, ora em análise. Devese acrescentar que também não se verificou qualquer nulidade formal no lançamento ocasionada pela inobservância do que dispõe o art. 10 da mesma norma. Os autos de infração foram lavrados de acordo com todas as formalidades legais previstas no art. 142 do CTN, descrevendo os fatos dados como infringidos, a multa aplicada e correspondente fundamento legal. Fl. 2139DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.140 13 A fiscalização demonstrou no Termo de Verificação Fiscal os motivos de fato que ensejaram a lavratura dos Autos de Infração, informando a legislação que fundamentou o lançamento. Verificase que, na elaboração do presente lançamento, foi respeitada a determinação contida no art. 9º do PAF (já com a nova redação dada pela Lei nº 11.941/09) e não houve prejuízo aos responsáveis, tanto que eles ingressaram com a impugnação e interpuseram recurso, nos quais apresentaram as razões e fundamentos de sua discordância, litigando no processo administrativo contra a exigência do crédito tributário. Concluise, portanto, que os fatos que motivaram a autuação fiscal estão descritos na peça vestibular e no TVF, permitindo aos Recorrentes ampla defesa quanto às irregularidades a eles imputadas pela fiscalização. Após ter notado que a empresa SD Climatização não tinha apresentado a DIPJ do anocalendário de 2011 e ter verificado a extinção da empresa, em 2014 (conforme termo de inicio de fiscalização) decidiu solicitar aos responsáveis documentos e explicações. Como não conseguiu obter as respostas necessárias, começou a apurar o período e investigar as declarações da SD Climatização, constando por meio de diligências e extratos bancários possível irregularidade tributária. Assim, entendo que a autoridade fiscal atuou dentro dos limites impostos pela lei, instruindo o Auto de Infração com enorme quantidade de documentos que entende comprovam a infração imputada, motivando adequadamente a acusação, não se verificando qualquer vício que pudesse ensejar a nulidade do lançamento. Ademais, o lançamento está claro e preciso, tanto foi assim que a Recorrente conseguiu se defender de todos os pontos constantes no TVF e dos AIs, tentando refutar todos os pontos da acusação, restando comprovado nos autos que os princípios do devido processo legal e o da ampla defesa foram respeitados tanto no momento da fiscalização/autuação, como no curso deste processo, inexistindo o alegado cerceamento ao direito de defesa. Desta forma, não verifico caracterizado o alegado cerceamento do direito de defesa, motivo pelo qual, afasto a alegação de nulidade no lançamento, apontada pela Recorrente. Da quebra do sigilo bancário: Em relação à alegação dos Recorrentes de que se contrariou o princípio constitucional do sigilo bancário, devido à Fiscalização ter obtido dados bancários junto às instituições financeiras, sem autorização judicial, entendo que após a decisão do Pretório Excelso, abaixo colacionada, tal óbice e possível inconstitucionalidade deixaram de existir. Vejamos. Em relação à quebra de sigilo bancário sem autorização do judiciário e a argüição de inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105 e da Lei nº 10.174, ambas de 2001, o Pretório Excelso decidiu da seguinte forma, conforme pode se verificar da ementa abaixo colacionada: Fl. 2140DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.141 14 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a Fl. 2141DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.142 15 que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe 198 DIVULG 15092016 PUBLIC 16092016) No mesmo sentido: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20 112009 EMENT VOL0238307 PP01422 ) Desta forma, não verifico motivos para continuar sobrestado o processo conforme determinado pela Resolução 1102000.129, eis que o Supremo Tribunal Federal decidiu definitivamente a matéria relativa a quebra de sigilo bancário, devendo assim serem julgados os recursos interpostos pelas partes. Da constatação de omissão de receita: Após os Recorrentes não terem entregado os documentos solicitados e informado que eles haviam sido extraviados, sem a possibilidade de restauração da escrituração fiscal e contábil, a fiscalização então requereu a apresentação dos extratos bancários das contas da empresa SD Climatização referentes ao anocalendário de 2011. Vejamos a parte do TVF (paginas 9 e 10) que descreve este ponto: O SUJEITO PASSIVO RESPONSÁVEL, representado por seu procurador, foi cientificado em 26/05/2014 da intimação intitulada “TERMO DE INTIMAÇÃO – MPF 0819600.2014.00561.4/03”, cujos textos de interesse seguem transcritos na sequência, através da qual esta fiscalização solicitou a apresentação de cópias impressas e de arquivos digitais relativos aos extratos das contas bancárias e de investimentos mantidos pela SD CLIMATIZAÇÃO em 2011, reiterando as exigências contidas nos itens 2 e 3 do “TERMO DE INTIMAÇÃO – MPF 0819600.2014.00561.4/03”. [...] Fl. 2142DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.143 16 Em atendimento, o SUJEITO PASSIVO – RESPONSÁVEL apresentou em 30/06/2014, sem carta de encaminhamento, os seguintes extratos bancários da empresa SD CLIMATIZAÇÃO: 1) Extrato do período 12/04/2011 a 31/12/2011 da Conta 073781 da Agência 5589 do Banco ITAÚ UNIBANCO; 2) Extrato do período 03/01/2011 a 31/01/2011 da Conta 6.008495 8 da Agência 1347 do Banco Real; 3) Extrato do período 01/02/2011 a 31/12/2011 da Conta 130010254 da Agência 4347 do Banco Santander; 4) Extrato do período 03/01/2011 a 29/12/2011 da Conta 1295209 das Agências 01112 e 33944 do Banco Bradesco. Analisando os extratos bancários apresentados pelo SUJEITO PASSIVO – RESPONSÁVEL esta fiscalização observou que os extratos da Conta 1295209 das Agências 01112 e 33944 do banco Bradesco continham uma movimentação financeira expressivamente inferior à informada pela instituição financeira nas DIMOF – DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA – constituída por R$50.277.528,27 de débitos e R$49.629.115,96 de créditos, de modo que coube proceder à requisição das informações financeiras com base no §4º do art. 4º do Decreto 3.724/2001, para permitir o cotejamento entre as informações disponíveis na RFB e as apresentadas pelo SUJEITO PASSIVO – RESPONSÁVEL. A tabela da sequência mostra o resumo dos valores informados à RFB pelas instituições financeiras nas DIMOF relativas ao ano calendário de 2011. [...] Além disso, conforme consta das declarações DIMOF apresentadas pelas instituições financeiras, os valores debitados e creditados nas contas bancárias da empresa em 2011 totalizaram R$57.350.843,95 e R$56.227.395,77, respectivamente, fato que evidencia a realização de gastos ou investimentos em valor superior às receitas declaradas aos fiscos, configurando a hipótese de indispensabilidade do exame das informações junto às instituições financeiras, conforme previsão contida no Inciso V do Artigo 3º do Decreto 3724/2001. Diante do exposto, esta fiscalização formalizou SRMF – SOLICITAÇÃO DE EMISSÃO DE REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA em 01/07/2014, tendo resultado na emissão da RMF – REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA – 0812800 2014 000256, encaminhada ao ITAU UNIBANCO, a RMF 0812800 2014 000264, encaminhada ao BRADESCO, e a RMF 0812800 2014 000256, encaminhada ao banco SANTANDER. Os extratos e demais documentos encaminhados pelas referidas instituições foram anexados ao processo 13896720.826/201679, posto que se prestam a Fl. 2143DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.144 17 confirmar as operações financeiras efetuadas pela SD CLIMATIZAÇÃO. O cotejamento entre os extratos apresentados pelo SUJEITO PASSIVO RESPONSÁVEL e os apresentados pelo BRADESCO revelou que o fiscalizado deixou de apresentar a esta fiscalização os extratos da Conta 1295101 das Agências 01112 e 33944 desse banco, através da qual foi realizada a maior parte das transações financeiras da SD CLIMATIZAÇÃO em 2011. Os Recorrentes entregaram os extratos do período de 2011 solicitados pela fiscalização. Após a análise dos extratos entregues pelos Recorrentes, a agente autuante constatou que existia divergência entre os extratos dos Recorrentes e as informações relativas a movimentações financeiras constantes nas DIMOF entregues pelas instituições financeiras para a Receita Federal, entendendo ser necessário proceder com requisição direta junto às instituições financeiras nos termos do parágrafo 4º, do artigo quarto do Decreto 3.724/2001. Este ponto ficou bem claro no TVF, vejamos. Em atendimento, o SUJEITO PASSIVO – RESPONSÁVEL apresentou em 30/06/2014, sem carta de encaminhamento, os seguintes extratos bancários da empresa SD CLIMATIZAÇÃO: 1) Extrato do período 12/04/2011 a 31/12/2011 da Conta 07378 1 da Agência 5589 do Banco ITAÚ UNIBANCO; 2) Extrato do período 03/01/2011 a 31/01/2011 da Conta 6.0084958 da Agência 1347 do Banco Real; 3) Extrato do período 01/02/2011 a 31/12/2011 da Conta 130010254 da Agência 4347 do Banco Santander; 4) Extrato do período 03/01/2011 a 29/12/2011 da Conta 1295209 das Agências 01112 e 33944 do Banco Bradesco. Analisando os extratos bancários apresentados pelo SUJEITO PASSIVO – RESPONSÁVEL esta fiscalização observou que os extratos da Conta 1295209 das Agências 01112 e 33944 do banco Bradesco continham uma movimentação financeira expressivamente inferior à informada pela instituição financeira nas DIMOF – DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA – constituída por R$50.277.528,27 de débitos e R$49.629.115,96 de créditos, de modo que coube proceder à requisição das informações financeiras com base no §4º do art. 4º do Decreto 3.724/2001, para permitir o cotejamento entre as informações disponíveis na RFB e as apresentadas pelo SUJEITO PASSIVO – RESPONSÁVEL. Fl. 2144DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.145 18 A tabela da sequência mostra o resumo dos valores informados à RFB pelas instituições financeiras nas DIMOF relativas ao ano calendário de 2011. [...] Além disso, conforme consta das declarações DIMOF apresentadas pelas instituições financeiras, os valores debitados e creditados nas contas bancárias da empresa em 2011 totalizaram R$57.350.843,95 e R$56.227.395,77, respectivamente, fato que evidencia a realização de gastos ou investimentos em valor superior às receitas declaradas aos fiscos, configurando a hipótese de indispensabilidade do exame das informações junto às instituições financeiras, conforme previsão contida no Inciso V do Artigo 3º do Decreto 3.724/2001. Diante do exposto, esta fiscalização formalizou SRMF – SOLICITAÇÃO DE EMISSÃO DE REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA em 01/07/2014, tendo resultado na emissão da RMF – REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA – 0812800 2014 000256, encaminhada ao ITAU UNIBANCO, a RMF 0812800 2014 000264, encaminhada ao BRADESCO, e a RMF 0812800 2014 000256, encaminhada ao banco SANTANDER. Os extratos e demais documentos encaminhados pelas referidas instituições foram anexados ao processo 13896720.826/201679, posto que se prestam a confirmar as operações financeiras efetuadas pela SD CLIMATIZAÇÃO. O cotejamento entre os extratos apresentados pelo SUJEITO PASSIVO RESPONSÁVEL e os apresentados pelo BRADESCO revelou que o fiscalizado deixou de apresentar a esta fiscalização os extratos da Conta 1295101 das Agências 01112 e 33944 desse banco, através da qual foi realizada a maior parte das transações financeiras da SD CLIMATIZAÇÃO em 2011. Após o cotejamento dos extratos bancários, houve a constatação de que os Recorrentes deixaram de apresentar à fiscalização as transações financeiras da conta do Banco Bradesco S.A. Frente a tal fato, decidiu aprofundar sua investigação junto ao SPEDNFe, que demonstrou que a SD Climatização não emitiu notas fiscais em 2011, no entanto, a mesma consulta demonstrou uma enorme quantidade de notas fiscais emitidas por terceiros, tendo como destinatária a empresa SD Climatização. Vejamos a parte do TVF que nos interessa. 4. COMPRAS DA SD CLIMATIZAÇÃO EM 2011 – DILIGÊNCIAS EM FORNECEDORES Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.146 19 A consulta efetuada por esta fiscalização no sistema SPED – NFE mostrou que a empresa SD CLIMATIZAÇÃO não emitiu notas fiscais eletrônicas nesse sistema no período 01/01/2011 a 31/12/2011. No entanto, a mesma consulta mostrou expressiva quantidade de notas fiscais emitidas por terceiros tendo como destinatária a empresa SD CLIMATIZACÃO, totalizando R$46.017.276,62, conforme relação contida no ANEXO 01 do TERMO DE INTIMAÇÃO – MPF 0819600.2014.00561.4/02. Diante da referida constatação, os itens 4.a) a 4.e) do TERMO DE INTIMAÇÃO 02 solicitaram ao SUJEITO PASSIVO RESPONSÁVEL a apresentação de carta confirmando ou não, de forma expressa, a realização, o recebimento e o pagamento das compras sob comento, bem como solicitaram a comprovação do seu pagamento e da sua escrituração nos livros contábeis e fiscais. Analisando os itens das compras efetuadas pela SD CLIMATIZAÇÃO em 2011, listados por esta fiscalização no ANEXO 02 do TERMO DE INTIMAÇÃO – MPF 0819600.2014.00561.4/02, verificamos que foram adquiridas grandes quantidades de aparelhos, equipamentos e peças utilizadas para condicionamento de ar, tais como unidades condensadoras e evaporadoras, cortinas de ar, trocadores de calor etc., em consonância com o objeto social da empresa, que é a instalação e manutenção de sistemas de ar condicionado, ventilação e refrigeração. Nesse sentido, os itens 5.a) a 5.d) do TERMO DE INTIMAÇÃO 02 solicitaram ao SUJEITO PASSIVO RESPONSÁVEL a apresentação de esclarecimentos e documentos comprobatórios da escrituração contábil e fiscal do ingresso e da destinação dos itens adquiridos através as compras sob comento. Além disso, considerando que a SD CLIMATIZAÇÃO informou ter encerrado suas atividades em 01/12/2011 e procedeu à sua liquidação, o SUJEITO PASSIVO RESPONSÁVEL também foi intimado a esclarecer e comprovar quais mercadorias encontravamse em seu estoque na data da liquidação e qual a destinação conferida às mesmas. O item 6 do TERMO DE INTIMAÇÃO 02 questionou o SUJEITO PASSIVO RESPONSÁVEL sobre a expressiva divergência entre as compras informadas pela SD CLIMATIZACAO nas GIA ICMS SP, no valor de R$1.492.440,91, e as compras apuradas através do sistema SPED – NFE, no valor de R$46.017.276,63. Conforme relatado anteriormente, diante de todos os questionamentos efetuados por esta fiscalização, o SUJEITO PASSIVO RESPONSÁVEL limitouse a apresentar carta declarando não possuir quaisquer dos documentos da SD CLIMATIZAÇÃO solicitados por esta fiscalização, por motivo de extravio, declarando a impossibilidade de restaurar a escrituração contábil e fiscal da empresa e declarando que não Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.147 20 pode confirmar e nem mesmo negar qualquer informação relativa aos mesmos. Em resposta aos questionamentos da fiscalização acima colacionados, os Recorrentes se limitaram a informar que os documentos foram extraviados e por tal motivo não era possível entregálos. Assim, tendo em vista a constatação de realização de operações de compra por parte da SD Climatização, a fiscalização decidiu circularizar com as empresas vendedoras/fornecedoras, que responderam por meio de cartas e documentos a efetivação das operações e quitação/pagamento das mercadorias. Devido a tal fato, a fiscalização notou que os extratos bancários das contas mantidas pela SD CLIMATIZAÇÃO nos bancos BRADESCO, SANTANDER e ITAU UNIBANCO, anexados ao processo, apresentam movimentação financeira compatível com as compras efetuadas em 2011 pela SD Climatização, constatando assim omissão de receita. Vejam D. Julgadores, a fiscalização não presumiu simplesmente a omissão de receita conforme alegam os Recorrentes. No caso dos autos, foi feita uma investigação minuciosa, por meio de documentos e diligência com terceiros fornecedores da empresa SD Climatização, para se constatar a omissão de receita. Da mesma forma, entendo que a alegação dos Recorrentes de que a fiscalização inverteu o ônus da prov, não deve ser provida, eis que conforme pode se verificar na descrição dos fatos ocorridos no TVF, o agente autuante constatou diversas inconsistências entre as declarações da empresa SD Climatização e os documentos colhidos junto aos arquivos da Receita Federal, instituições financeiras e terceiros que se relacionavam com a empresa extinta e quando os Recorrentes responsáveis solidários foram notificados/intimados a apresentar explicações e documentos deixaram de responder se limitando a alegar que os documentos haviam sido extraviados. Conforme descrito no TVF, se pode constatar que a Fiscalização foi quem diligenciou e coletou diversos documentos que instruíram o Auto de Infração com vasto conteúdo probatório para imputar a infração de omissão de receita, sendo que os Recorrentes sequer apresentaram explicações e provas para desconstituir a receita omitida descoberta pelo agente autuante. Desta forma, entendo que a fiscalização demonstrou documentalmente a omissão de receita, que ocorreu por meio da constatação das compras feitas pela SD Climatização à margem da Fiscalização. Do arbitramento do lucro: Para este item, inicialmente é importante ressaltar que tanto por intermédio do Termo de Início de Fiscalização, quanto pelo Termo de Intimação Fiscal, os Recorrentes foram intimados a apresentar a escrituração dos registros contábeis e fiscais relativos ao Fl. 2147DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.148 21 período de janeiro a dezembro de 2011 e responderam para o agente autuante que tais documentos tinham sido extraviados e que seria impossível reconstituílos. Foi expedida intimação aos Recorrentes para a apresentação, dentre outros, dos seguintes documentos: A DIPJ 2012/2011 ou o respectivo Recibo de entrega; Escrituração contábil legalmente estabelecida para o ano calendário 2011 para a empresa S D CLIMATIZAÇÃO COMERCIO E SERVIÇOS LTDA, composta pelo livro DIÁRIO ou CAIXA, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária; Livro Registro de Inventário da citada empresa contendo os registros dos estoques existentes no período entre 01/01/2011 e 01/12/2011, data do encerramento de atividades da empresa; Cópias das notas fiscais de entrada e de saídas de mercadorias em 2011 emitidas pelos estabelecimentos CNPJ 11.789.306/000195 e 11.789.306/000276 da empresa S D CLIMATIZAÇÃO COM. E SERV. LTDA. Solicitouse, também, a confirmação ou não da realização, do recebimento, do pagamento e da escrituração das compras efetuadas por meio das notas fiscais relacionadas no Anexo 1 do Termo de Intimação MPF 0819600.2014.00561.4/02, cujo valor totaliza R$ 46.017.276,62. Solicitou, ainda, esclarecimentos e comprovação a respeito da diferença de valores entre as receitas informadas pela contribuinte extinta nas DACON, GIA e aquelas apuradas por meio das NFe constantes no SPED. Também foi intimada a apresentar os livros Lalur, Registros de Apuração, Demonstrativos de Apuração da CSLL, Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências, Registro de Inventário e nada apresentou. Assim, de acordo com a legislação tributária federal, como os sujeitos passivos responsáveis deixaram de apresentar os livros e a documentação contábil e fiscal da SD CLIMATIZAÇÃO, a fiscalização arbitrou o lucro com base no valor das compras efetuadas pela empresa extinta, no importe de R$ 46.017.276,62, com fundamento no art. 530, III, e art. 535, V, ambos do RIR/1999. Como a fiscalização não tinha como conhecer a receita bruta, aplicou o inciso V do artigo 535 do RIR/99, aplicando o percentual específico de quatro décimos do valor das compras de mercadorias efetuadas mensalmente. Como a SD climatização apresentou declarações DCTF relativas aos primeiro e segundo trimestres de 2011, nas quais declarou débitos de IRPJ sob lucro presumido e CSLL (DEMAIS) conforme valores mostrados na tabela constante na pagina 13 do TVF, a fiscalização os considerou e os deduziu os referidos valores de IRPJ e CSLL apurados nos Autos de Infração em epígrafe. Desta forma, entendo que agiu corretamente o Agente Fiscal de Rendas ao arbitrar o lucro utilizando o critério previsto nos artigos 530, inciso III e no artigo 535, inciso V, ambos do RIR/99. Da alegação de confiscatoriedade da multa aplicada: Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.149 22 A multa foi corretamente capitulada e aplicada de acordo com a infração praticada prevista na legislação. Da forma, deixo de acolher a alegação de confiscatoriedade da multa aplicada ao Auto de Infração, por estar impedido de analisar constitucionalidade de lei no processo administrativo tributário federal, nos termos da Súmula 2 deste E. CARF/MF. Da multa qualificada. Da documentação acostada por esta fiscalização restou evidenciado que os sócios administradores da SD Climatização prestaram, de forma intencional, informações falsas aos fiscos estadual e federal, com o evidente intuito de ocultar fatos geradores de obrigações tributárias de 2011, caracterizando a prática de infração à lei, na forma de sonegação, nos termos do art. 71 da Lei 4.502/64, cujo texto segue transcrito na sequência. Lei 4.502/64 (...) Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. (...) Importante ressaltar que, conforme verificado pela Fiscalização, os Recorrente entregaram extratos bancários com informações divergentes das constantes nas DIMOFs entregues pelas intuições financeiras à Receita Federal. Devido a tal divergência, a fiscalização requisitou que a instituições financeiras entregassem as informações relativas a todas as movimentações e aplicações financeiras, onde foi constatado que no extrato do Banco Bradesco entregue pelos Recorrentes apresentavam movimentações divergentes e inferiores das constantes nos documentos entregues pela instituição financeira. Tal conduta, no meu entender, além de comprovar o intuito de sonegar informação ao Fisco, ensejaria agravamento da multa para 225%, entretanto esta majoração não foi aplicada pela fiscalização e não pertence ao lançamento de ofício. Ademais, na consulta efetuada no sistema das GIA – ICMS SP mostrou que a empresa SD Climatização omitiu para o fisco estadual expressivo volume de compras em 2011, conforme mostrado na tabela da pagina 17 do TVF. Fl. 2149DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.150 23 As compras informadas nas GIA – ICMS SP totalizam apenas R$1.492.440,91 em 2011, no entanto, as compras apuradas através do sistema SPEDNFE e das diligências efetuadas por esta fiscalização totalizam R$ 46.017.276,63, ou seja, verificase que a empresa omitiu do fisco estadual e federal compras que totalizam R$44.524.835,72, caracterizando a prática de sonegação, pela evidente ação dolosa tendente a impedir o conhecimento de fatos geradores por parte das autoridades fazendárias. O sistema da GIA – ICMS SP mostra que a empresa SD Climatização informou para o fisco estadual receitas que totalizam R$5.068.589,31 em 2011. A consulta efetuada no DACON 2011 mostra que a empresa SD Climatização informou à RFB receitas que totalizam R$4.968.989,31 em 2011, em valores muito próximos aos informados ao fisco estadual, conforme comparativo mostrado na tabela da pagina 18 do TVF. Observase que as receitas informadas ao fisco estadual totalizam apenas R$5.068.589,31 em 2011, enquanto que as compras apuradas por esta fiscalização totalizam R$46.017.276,63 no mesmo período, resultando em expressiva divergência que não foi esclarecida pelos Recorrentes. Considerando que a empresa SD Climatização omitiu do fisco estadual e federal compras que totalizam R$44.524.835,72, resta evidenciado que as receitas informadas aos fiscos estadual e federal carecem de credibilidade, não só pela desproporção com as expressivas compras efetuadas, mas também pelo fato de que não foram apresentados quaisquer documentos que comprovem a destinação dos itens adquiridos. Ou seja, no presente caso, a empresa SD Climatização, no anocalendário de 2011, informou ao fisco estadual receitas no total de R$ 5.068.589,31 e, para a Receita Federal não apresentou DIPJ e informou no Dacon receita no valor de R$ 4.968.989,31, enquanto que restou comprovado no trabalho da fiscalização que tinha efetuado compras de mercadorias no valor total de R$ 46.017.276,63, fato que comprova a omissão de receitas e revela a conduta de impedir o conhecimento por parte do Fisco dos fatos geradores das obrigações tributárias. Cabe ressaltar que a falta de apresentação dos livros DIÁRIO ou CAIXA, REGISTRO DE ENTRADAS, REGISTRO DE SAÍDAS e REGISTRO DE INVENTÁRIO, impede o fisco de conhecer a destinação das compras no curso de 2011, bem como impede conhecer o estoque de insumos e mercadorias na data da liquidação da sociedade. Por fim, resta evidenciado que a falta de apresentação da documentação contábil e fiscal da SD Climatização, sob a frágil alegação de extravio, destinase a ocultar as operações de compras e vendas efetivamente realizadas pela empresa. É oportuno observar que a documentação acostada à GIA – ICMS SP mostra que a SD Climatização informou ao fisco estadual ter entrado em inatividade em 30/08/2011, tendo efetuado sua baixa nesse órgão nessa data, no entanto, conforme já visto, a empresa efetuou compras em setembro, outubro e novembro de 2011, revelando a prática de prestar informações falsas às autoridades fazendárias. Diante do exposto, resta evidenciada a prática de sonegação, caracterizada por omissões dolosas, tendentes a impedir o conhecimento por parte das autoridades fazendárias de fatos geradores de obrigações tributárias. Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.151 24 Da responsabilidade solidária dos sócios: Em relação a responsabilidade dos sócios administradores Luiz Barboza Santos Cardozo e Sidney Tunda Júnior, nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, entendo que deve permanecer. No presente caso, a responsabilidade foi aplicada devido a fiscalização ter entendido que a dissolução/extinção da empresa foi irregular e devido pratica de atos caracterizados pelo Auditor Fiscal como sonegação fiscal, eis que se constatou que no período em que a SD Climatização estava em atividade deixou de pagar imposto conforme infração de omissão de receita descrita do Termo de Verificação Fiscal. A responsabilização solidária não foi pautada apenas com base no fato de constarem no contrato social como administradores da empresa extinta. No presente caso, foi constatado infração de omissão de receita e prática dolosa de sonegação fiscal, visando reduziu ou zerar o pagamento do imposto por parte da empresa extinta. Ademais, somase ao fato de ter sido constatada a dissolução irregular, a ausência de patrimônio para arcar com o débito fiscal e a falta de entrega de documentos necessários previstos em lei quando se da baixa da empresa junto aos Órgãos competentes e a Receita Federal. Sendo assim, quando constatado a ausência de patrimônio da sociedade extinta para arcar com o débito fiscal, bem como a pratica de atos enquadrados como sonegação fiscal e a falta da entrega dos documentos necessários previstos em lei para se dar baixa de uma empresa, a dissolução irregular da sociedade enquadrase nos termos do artigo 135, inciso III do CTN. No presente caso, restou comprovado o proveito financeiro por parte das pessoas físicas administradoras e a participação na conduta que tentou se esquivar de pagar o imposto. A responsabilização foi devidamente fundamentada e demonstrada nos autos, como por exemplo a pratica de atos com excesso de poderes, extrapolando os limites do contrato social/estatuto da empresa, fatos que também restaram comprovados nos autos e foram incluídos no tópico do TVF para fundamentar a responsabilidade solidária dos sócios administradores. Em suma, a fiscalização fundamentou e demonstrou a participação, o benefício e o intuito doloso dos administradores de se esquivar de pagar o imposto. Sendo assim, face a demonstração específica da conduta dos sócios administradores e a fundamentação para incluílos no pólo passivo da exação tributária, entendo que deve ser mantida a responsabilidade solidária do Sr. Alberto Pereira e Reinaldo Pereira. Fl. 2151DF CARF MF Processo nº 13896.720826/201679 Acórdão n.º 1402002.786 S1C4T2 Fl. 2.152 25 Tributação Reflexa: Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento nos termos do meu voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 2152DF CARF MF
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Numero do processo: 13976.000039/2005-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
COFINS NÃO-CUMULATIVA. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, NÃO RETORNÁVEIS, ESSENCIAIS À GARANTIA DA INTEGRIDADE DO PRODUTO. DIREITO A CRÉDITO.
As embalagens, ainda para transporte (desde que não retornáveis), essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo - como as que acondicionam partes de móveis -, vertem sua utilidade diretamente sobre os bens em produção (requisito trazido no Subitem 14, a.3, da Solução de Divergência Cosit nº 7/2016, para que se enquadre no conceito de insumo), os quais, sem elas, não se encontram ainda prontos para venda, gerando, assim, a sua aquisição pelo industrial, direito a crédito na sistemática de apuração da contribuição, conforme inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS NÃOCUMULATIVA. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, NÃO RETORNÁVEIS, ESSENCIAIS À GARANTIA DA INTEGRIDADE DO PRODUTO. DIREITO A CRÉDITO. As embalagens, ainda para transporte (desde que não retornáveis), essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo como as que acondicionam partes de móveis , vertem sua utilidade diretamente sobre os bens em produção (requisito trazido no Subitem 14, “a.3”, da Solução de Divergência Cosit nº 7/2016, para que se enquadre no conceito de insumo), os quais, sem elas, não se encontram ainda prontos para venda, gerando, assim, a sua aquisição pelo industrial, direito a crédito na sistemática de apuração da contribuição, conforme inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 00 39 /2 00 5- 64 Fl. 282DF CARF MF Processo nº 13976.000039/200564 Acórdão n.º 9303005.934 CSRFT3 Fl. 283 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 204 a 231), interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, contra o Acórdão 3803000.975, de 8/12/2010, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF (fls. 193 a 198), sob a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. TRANSPORTE DA MERCADORIA. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica domiciliado no exterior, com pagamento em moeda conversível, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação, que não puderem ser deduzidos, poderão ser objeto de ressarcimento. O material de embalagem destinado ao acondicionamento para transporte dos produtos acabados gera direito a crédito na sistemática de apuração da Cofins não cumulativa. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 232 e 233), em apertada síntese, diz a PGFN, dentre outros argumentos secundários, que o conceito de insumo, a que se refere o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (que regula a Contribuição para o PIS nãocumulativa), quando fala em “bens ... utilizados como insumo na ... produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”, na falta de uma determinação da forma a ser adotada para a nãocumulatividade das contribuições para a seguridade social (art. 195, § 12, da Constituição Federal), deve ser buscado na legislação que historicamente vem determinando o seu alcance, que é a do Imposto sobre Produtos Industrializados. Isto está consubstanciado na IN/SRF nº 247/2002, sendo que o conceito de insumo que dá direito ao creditamento do IPI está minuciosamente delineado no Parecer Normativo CST nº 65/79, restringindoo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, não estando contempladas nesta última “espécie” as embalagens para transporte, mas tão somente as de apresentação. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 239 a 246), alegando, basicamente, que o conceito de insumo para a apuração de créditos PIS/Cofins possui critérios que lhe são próprios, e que não devem se restringir ao da legislação do IPI, pois assim não o teria feito o legislador. Em transcrição literal diz o seguinte (os grifos são originais): “... a definição do bem ou serviço como insumo para fins de creditamento do PIS e da Cofins apóiase em critério que resulta da análise do grau de relevância que o bem ou serviço apresenta em determinada cadeia econômica, ou seja, do exame da sua Fl. 283DF CARF MF Processo nº 13976.000039/200564 Acórdão n.º 9303005.934 CSRFT3 Fl. 284 3 essencialidade ou pertinencialidade à realização/produção do bem ou do serviço disponibilizado pela pessoa jurídica. No caso dos autos, temse que a recorrida ..., para comercializar sua produção nela emprega material de embalagem, insumo essencial à venda do produto, eis que levam em seu interior os móveis desmontados, juntamente com o esquema de montagem, não se trata de mera embalagem para transporte, são embalagens feitas sob medida, com acabamento que valorizam e acompanham o produto até o consumidor final.” No que tange à matéria fática, entendo que se faz importante, para que este Colegiado possa formar a sua convicção, aqui transcrever o que diz o Auditor no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal (fl. 134), quando faz referência às embalagens desconsideradas para fins de creditamento (o grifo é original): “... constatamos que os itens relacionados como matériaprima e material intermediário fazem, realmente, parte do processo produtivo. Entretanto, os materiais de embalagem indicados prestamse a compor embalagens de transporte (tratavamse de caixas de papelão e materiais de contenção, que, embora essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo, não continham rótulos dispensáveis ou indicações promocionais que tenham implicado em despesas mais elevadas em sua elaboração com o fim de valorizar o produto nelas acondicionado), e não de apresentação ...” É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF, pelo que dele conheço. Todos aqui certamente estão a par das inúmeras batalhas que se travam quase que diariamente no Contencioso (principalmente na área administrativa, mas também na judicial) sobre o conceito de insumos para fins de creditamento PIS/Cofins, e que tende hoje o CARF a adotar um conceito “intermediário”, entre o do IRPJ e o do IPI (que seria, este último, o defendido pela RFB, mas não é bem assim: ela defende um conceito para PIS/Cofins, conforme ainda será assentado). Mesmo neste conceito “intermediário”, a questão não está pacificada: uns consideram suficiente que o bem ou serviço seja utilizado na produção; outros que é necessário que o bem seja utilizado diretamente na produção; outros, que seja indispensável. Vejamos, a título de exemplo, um caso concreto: As indústrias, em regra, fornecem vestuário a seus operários da linha de produção. Os chamados “bluecollars” vestem roupas padronizadas nas montadoras de automóveis. São utilizadas na produção? Sim. São utilizadas diretamente na produção? Não. São indispensáveis? Não (ao menos de forma padronizada). Já os trabalhadores que fazem cortes de frango nas linhas de produção de frigoríficos usam “roupas” Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13976.000039/200564 Acórdão n.º 9303005.934 CSRFT3 Fl. 285 4 (EPI) que são exigidas pelas autoridades sanitárias. Estas são utilizadas na produção, mas não diretamente, e são indispensáveis. Uns entendem que nenhuma das duas vestimentas dá direito a crédito, outros que ambas dão e outros que só as segundas. Então, efetivamente, não é pacífico. A discussão, neste Processo, restringese somente a se as embalagens para transporte dariam ou não direito a crédito. Invoco – conforme já implicitamente adiantado – a mais recente norma que trata do assunto no âmbito da RFB (com caráter vinculante para as Unidades de Origem e também para as DRJ), que é a Solução de Divergência Cosit nº 7/2016 (cujo inteiro teor anexo às fls. 250 a 281), trazendo alguns excertos de interesse (com grifos meus e invertendo a ordem dos itens, para melhor refletir o que pretendo deixar consignado): 46. Outro ponto que merece destaque é que se mostra equivocada a afirmação de que a adoção da interpretação restritiva acerca do conceito de insumo na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins corresponderia à utilização da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). 47. Conforme se demonstrou acima, a adoção do conceito restritivo de insumo na legislação das aludidas contribuições decorre das regras constantes desta mesma legislação e não da adaptação da legislação de qualquer outro tributo. 48. Sem embargo, o ponto comum entre a legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, acerca do conceito de insumo, e a legislação do IPI é a exigência, mutatis mutandis, de relação direta e imediata entre o bem ou serviço em relação ao qual se pretende apurar crédito e o produto ou serviço final disponibilizado ao público externo. 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matéria prima); (...) a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou ... Fl. 285DF CARF MF Processo nº 13976.000039/200564 Acórdão n.º 9303005.934 CSRFT3 Fl. 286 5 Como visto, a própria Fiscalização diz que as embalagens para transporte em questão são “essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo”, pelo que entendo que se encaixam perfeitamente na exigência trazida na SD Cosit nº 7/2016, que é a de que os insumos “vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção”. O contribuinte produz móveis. Não é de se imaginar, por exemplo, que um tampo de mesa – ou o que quer que seja da espécie – seja simplesmente colocado no caminhão sem uma embalagem que o proteja. Apenas na área de exposição das lojas é que se encontram os móveis montados e, obviamente, fora de qualquer embalagem. Não estamos aqui diante de um saquinho de batatas fritas, de maçãs, ou de uma lata de leite condensado. E nem precisamos ir tanto a extremos. Um televisor, uma geladeira, um fogão, são transportados em caixas, que em seu interior (ou exterior, ou em ambos) têm isopores ou outros materiais de acondicionamento/proteção. Não há como se conceber que uma geladeira, por exemplo, seja transportada fora da caixa, como se vê na área de exposição das lojas. E o cliente, quando a recebe em sua casa, também a recebe acondicionada na mesma caixa (caso contrário, eu, por exemplo, de imediato pediria a sua devolução, ainda que pelo simples fato de não estar lacrada – o que indicaria que, provavelmente, já esteve em exposição, o que poderia comprometer, no mínimo, o seu acabamento). No caso concreto, qual é o produto destinado à venda a que se refere o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002? Os móveis ou (em regra) suas partes, devidamente embalados – sem que necessariamente este acondicionamento “objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional” (conceito, a contrario sensu, da embalagem para apresentação, trazido no art. 6º, § 1º, I, do RIPI/2002, vigente à época dos fatos geradores). Assim, nesta vasta gama de produtos aqui citados – ou cujas características se amoldam à categoria a qual aqui se pretendeu caracterizar –, com a necessária redundância, o produto efetivamente só está acabado quando acondicionado nas embalagens em que vai ser transportado, pelo que elas fazem, sim, parte do processo produtivo, havendo portanto o direito ao creditamento na sua aquisição. Ressalvese, no entanto, que embalagens retornáveis, como pallets, as quais servem unicamente ao transporte de qualquer produto que seja, não se enquadram no conceito de bens utilizados como insumos, pois, sobre elas ou em seu interior, já estão perfeitamente acabados os produtos destinados à venda. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 286DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000531/2009-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
GLOSA COM DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. INDEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 GLOSA COM DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. INDEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. INDEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 05 31 /2 00 9- 41 Fl. 141DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2007, ano calendário de 2006, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 49.863,13 bem como Omissão de Rendimentos, no valor de R$ 7.800,00 e glosa de compensação indevida de IRRF no valor de R$100,00. Na impugnação apresentada, o Impugnante alega, em síntese, que foi cumprida a exigência do disposto''no . art. 80 do RIR/99, com a apresentação dos recibos originais de pagamentos emitidos pelos prestadores de serviços, bem como requer seja realizada perícia contábil a fim de verificar se as pessoas mencionadas no lançamento receberam os valores declarados pelo requerente; que os prestadores dos serviços sejam ouvidos neste procedimento administrativo. Quanto à omissão de rendimentos não há contestação neste ponto, bem como não há defesa quanto à compensação indevida. Inclusive verificase às fls. 57 um DARF recolhido em 26/02/2009, portanto, após a ciência da notificação de lançamento ocorrida em 28/01/2009, fls. 02. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendose as glosas apontadas pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 07/12/2010 (fl. 101), o interessado interpôs, em 23/12/2010, o recurso de fls. 102/116. Nas razões recursais aduz preliminarmente a nulidade do processo por suposta violação aos princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal e , no mérito, roga que seja desconsiderado o lançamento fiscal objeto da notificação aqui ventilada impedindo, assim, a glosa dos valores declarados pelo contribuinte, tendo em vista que apresentou em oportunidade anterior os recibos originais de pagamentos efetuados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF de quem os recebeu, bem como as respectivas declarações que atestam a prestação de serviços médicos, de modo que sejam mantidos os dados e os lançamentos de sua declaração de renda do ano de 2007, anocalendário 2006. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Violação dos princípios da ampla defesa , contraditório e devido processo legal Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10855.000531/200941 Acórdão n.º 2001000.022 S2C0T1 Fl. 3 3 O Recorrente teve garantida as suas oportunidades de manifestação, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. Não há comprovação nos autos de cerceamento de defesa. Ao reverso, o contribuinte teve as chances para a produção de provas ao seu favor em diversos momentos, e a usufruiu. A autoridade lançadora não violou qualquer princípio constitucional ou cláusula pétrea, mas tão somente entendeu não ser fundamental a produção de determinadas provas para a formação do seu convencimento. Menciono aqui trecho da decisão da DRJ/SP2, qual me amparo para fundamentar a análise desta preliminar: "Assim, o rito estabelecido na legislação vigente para o processo administrativofiscal é: a) não concordando com a exigência fiscal, o autuado tem direito de apresentar sua inconformidade através da impugnação, dentro do prazo de 30 dias contados da data em que for feita a intimação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar (art. 15 do PAF); b) a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou, refirase a fato ou direito superveniente, ou, destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (art. 16 e § 4° do PAF); c) dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, o contribuinte, não concordando com a mesma, poderá interpor recurso voluntário. Tendo em vista que o pedido genérico para produção de novas provas, depois de apresentada a impugnação, ou seja, extemporaneamente, não se enquadra nas exceções previstas no § 40 do art. 16 do Decreto 70.23511972, é de se indeferir o referido pedido. Destaquese, ainda, que o processo administrativo fiscal, calcado no Decreto 70.235/1972, com alterações posteriores, não admite a produção de prova testemunhal. Por isso, acrescentese às razões do indeferimento acima, a ausência de previsão legal para que sejam ouvidas as pessoas prestadoras dos serviços médicos. No tocante ao pedido de'prova pericial, cumpre esclarecer que, apesar de ser facultado ao Sujeito Passivo o direito de pleitear a sua realização, em conformidade com o art.16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72 Processo Administrativo Fiscal PAF , com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93, compete à Autoridade Julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18,"caput ", do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). A realização de diligências e/ou perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de comprovantes hábeis e/ou esclarecimentos adicionais, que, por algum motivo justificável, Fl. 143DF CARF MF 4 não é possível ao impugnante fazêlo quando de sua impugnação, fato este que não se aplica à presente situação, tendo em vista que o contribuinte não anexou aos autos nenhum elemento inovador que necessitasse de sua efetivação, deixando, portanto, de atender o disposto no inciso IV, do art. 16, do PAF." Desta feita, não acolho a preliminar de nulidade, passando, assim, à análise do mérito. Mérito Glosa de despesas médicas . Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos originais dos pagamentos efetuados, relativos ao próprio tratamento, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF de quem os recebeu, além de declaração dos próprios prestadores de serviço, ratificando a existência dos fatos. A decisão de primeira instancia entendeu que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10855.000531/200941 Acórdão n.º 2001000.022 S2C0T1 Fl. 4 5 “[...] Conforme se depreende dos dispositivos supracitados, cabe ao beneficiário dos recibos provar que realmente efetuou o pagamento no valor constante no comprovante, bem como à época em que o serviço foi prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Em princípio, admite se como prova idônea de pagamentos os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Essa é a regra. Entretanto, o Fisco, pode solicitar provas não só dos pagamentos, mediante cópia de cheques nominativos e de extratos bancários, mas também provas de que os serviços foram prestados pelos profissionais. Este foi o procedimento adotado pela Fiscalização no caso em exame. A norma acima citada não dá aos comprovantes, ainda que revestidos de todas as formalidades, valor probante absoluto . A apresentação de recibos tem potencialidade probatória relativa e esta deve ser limitada por todos os elementos de convicção coletados pelo Auditor Fiscal no decorrer da ação fiscal, desde que o contribuinte os forneça. Face a alegação do impugnante, destacase que não há nenhum impedimento de que se façam pagamentos em moeda corrente, desde que o mesmo comprove tal fato, quando exigido, como, por exemplo, com apresentação de extratos onde constem os saques coincidentes em datas e valores dos recibos. O contribuinte, em que pesem os esforços expendidos, não logrou demonstrar a efetiva transferência dos valores correspondentes, sua justificativa, no entanto, é de que tãosomente efetuava os pagamentos em dinheiro. Tal afirmação à luz do bom senso, carece de razoabilidade, pois, tratando neste item somente de glosa de despesas médicas,no valor de R$ 49.863,13, ou seja, a despeito de tal demanda financeira, quer nos convencer ò impugnante que, sem qualquer exceção, em nenhum momento houve transferência de valor econômico por outro meio se não o de pagamento em espécie. “[...] A exigência, pela autoridade fiscal, de comprovação de pagamento dos serviços contratados pelo Recorrente, através de a apresentação de cópias dos cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias, saques e extratos bancários que registrem tais operações, coincidentes em datas e valores com as prestações de serviços, de fato me parece ser coerente diante do fato concreto, tendo em vista, principalmente, o valor envolvido em relação às despesas médicas. Nesta senda, entendo, ademais, que a fundamentação fiscal a qual deu amparo ao lançamento aqui analisado está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico. Senão vejamos o que dispõe o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999 : Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 145DF CARF MF 6 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. Por fim, ratifico a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Por isso mesmo, mais uma vez, entendo pela manutenção do crédito lançado, o qual restou claramente respaldado e fundamentado pela autoridade lançadora. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, declarando, pois, a manutenção do crédito fiscal pretendido pela autoridade lançadora. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004256/2007-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004
MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, por considerar, que, nestes casos, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, por considerar, que, nestes casos, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1924; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 299 1 298 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.004256/200738 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.877 – 3ª Turma Sessão de 18 de outubro de 2017 Matéria COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente GRECA TRANSPORTES DE CARGAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, por considerar, que, nestes casos, configurase a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 42 56 /2 00 7- 38 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10980.004256/200738 Acórdão n.º 9303005.877 CSRFT3 Fl. 300 2 Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pelo contribuinte, contra Acórdão 320200.301, DE 2/6/2011, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO INTEMPESTIVO. CABIMENTO. A exigência de multa de mora é devida quando comprovado que o pagamento do débito foi realizado a destempo. Em Recurso Especial, o contribuinte requer e reforma do acórdão sob o fundamento de que os pagamentos foram feitos anteriormente à apresentação da DCTF Retificadora na qual os valores foram confessados/majorados e antes do início do procedimento fiscal, e que, assim, estaria configurada a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, não cabendo, portanto, a cobrança de multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. A matéria tratada no presente recurso será somente o cabimento ou não da cobrança da multa moratória nos casos de pagamento a destempo, mas feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual se confessou o respectivo débito, e antes do início de qualquer procedimento fiscal. O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, sob a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Especial nº 1.149.022/SP, que trata da matéria, foi interposto pela autora, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que entendeu que não se Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10980.004256/200738 Acórdão n.º 9303005.877 CSRFT3 Fl. 301 3 configurava a denúncia espontânea o deliberado pagamento a destempo do tributo, não discutido judicialmente, cujo lançamento deve por ele ser efetuado. Em julgamento realizado pela Primeira Seção do STJ, em 09/06/2010, sob a Relatoria do Ministro Luiz Fux, foi julgado o mérito, na seguinte decisão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção ...). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira ...). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. (...) 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10980.004256/200738 Acórdão n.º 9303005.877 CSRFT3 Fl. 302 4 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O acórdão foi publicado em 24/06/2010 e o trânsito em julgado deuse em 30/08/2010. A decisão fala especificamente em pagamento concomitante com a retificação da DCTF, mas, pelo teor da decisão, da Súmula e dos precedentes nela citados (ainda que a contrario sensu), mais que claro e óbvio fica que o mesmo vale para pagamentos feitos anteriormente. Por força regimental – Portaria MF nº 256/2009, art. 62, § 2º, a decisão deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA PGFN/CRJ/Nº 1114/2012 (...) (...) 5. ... em resposta à consulta da RFB, segue em lista anexa a esta Nota a delimitação dos julgados proferidos pelo STF e STJ, relacionados pela RFB, para efeitos de que aquele órgão proceda ao cumprimento, no seu âmbito,do quanto disposto no Parecer PGFN 2025/2011. (...) 45 RESP 1.149.022/SP (...) Resumo: 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10980.004256/200738 Acórdão n.º 9303005.877 CSRFT3 Fl. 303 5 tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 303DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001106/2005-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº. 2.158-35/2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001.
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE.
Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/2001.
INEXISTÊNCIA DE OPERAÇÕES IMUNES NO PERÍODO. NECESSIDADE DE ENTREGA DA DIF.
A partir do momento da concessão do registro especial e a partir do momento em que realiza a primeira operação com papel imune, o contribuinte se sujeita ao controle do mesmo, devendo, obrigatoriamente, apresentar a declaração instituída para esse fim - DIF-Papel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Numero da decisão: 9303-004.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, calculados conforme o referido dispositivo legal, cabendo à Unidade de Origem verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº. 2.15835/2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/2001. INEXISTÊNCIA DE OPERAÇÕES IMUNES NO PERÍODO. NECESSIDADE DE ENTREGA DA DIF. A partir do momento da concessão do registro especial e a partir do momento em que realiza a primeira operação com papel imune, o contribuinte se sujeita ao controle do mesmo, devendo, obrigatoriamente, apresentar a declaração instituída para esse fim DIFPapel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 06 /2 00 5- 71 Fl. 382DF CARF MF Processo nº 19515.001106/200571 Acórdão n.º 9303004.952 CSRFT3 Fl. 383 2 Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento parcial, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, calculados conforme o referido dispositivo legal, cabendo à Unidade de Origem verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência, tempestivos, interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 340200.754, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, o qual deu parcial provimento ao Recurso da Contribuinte no sentido de reduzir a multa por falta ou atraso na entrega da DIF Papel Imune a uma incidência por declaração não entregue ou entregue fora do prazo. Transcrevo a ementa do referido acórdão: IPI – DIF PAPEL IMUNE MULTA REGULAMENTAR FALTA DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO TRIMESTRAL MP N° 2.15835 (ART.57) – INFRAÇÃO CONTINUADA – CUMULAÇÃO E MULTIPLICAÇÃO DE PENALIDADES PELO NUMERO DE MESES EM QUE A AUTUADA PERMANECEU INADIMPLENTE INADMISSIBILIDADE – PRINCÍPIOS DA INFRAÇÃO CONTINUADA E DA RAZOABILIDADE. A multa de R$ 5.000,00 prevista para cada infração à obrigação formal (falta de declaração), não pode ser aplicada cumulativamente, multiplicada pelo número de meses em que a Recorrente permaneceu inadimplente nas informações trimestrais que deveria prestar, vez que as infrações apresentam Fl. 383DF CARF MF Processo nº 19515.001106/200571 Acórdão n.º 9303004.952 CSRFT3 Fl. 384 3 se de forma seqüencial, ferindo o mesmo objeto da tutela jurídica e guardando afinidade com igual fundamento fálico, o que as caracteriza como comportamento de feição continuada, sujeitandoas a uma única sanção por período trimestral em que foi verificada a falta. A seqüência de várias infrações apuradas em uma única autuação caracteriza a chamada infração de natureza continuada, com aplicação de uma única multa agravada fixada para trimestre especifico em que se constatou a falta de apresentação de Declaração. Precedentes do STJ. Recurso provido em parte. Irresignada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, sustentando que a multa pela falta da entrega da DIFPapel imune deveria ser calculada em função do número de meses de atraso de cada declaração, conforme determina o art. 57, inciso I da MP nº 2.15835/2001. O Recurso Especial foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade às fls. 315 e 316. O sujeito passivo também interpôs Recurso Especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao cabimento da multa por falta de entrega da DIFPapel Imune, quando o contribuinte comprova que jamais operou com papel imune. Segundo suas alegações, “uma vez demonstrada a não obrigatoriedade da DIF Papel Imune pela Recorrente, porquanto nunca efetuara operações com papel imune, ou, quando menos, a inconstitucionalidade de referida obrigação acessória, ...” Requer, assim, a reforma parcial do acórdão, para determinar a anulação do auto de infração lavrado. O Recurso Especial do sujeito passivo foi também integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade às fls. 341/342. Contrarrazões da Fazenda Nacional às fls. 344/345. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF (despacho de admissibilidade às fls. 315 e 316). A recorrente alega divergência em relação à imposição da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIF Papel Imune, apresentando como paradigma o Acórdão 20218.446. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 19515.001106/200571 Acórdão n.º 9303004.952 CSRFT3 Fl. 385 4 Enquanto o acórdão recorrido entendeu pela aplicação da multa pela falta da entrega da DIFPapel imune com incidência única sobre cada declaração omitida, no acórdão paradigma foi mantida a multa aplicada pela fiscalização no valor total correspondente ao número de meses por atraso na entrega de cada declaração, tal como regulamentado pela legislação pertinente. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendidos os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. O recurso interposto pelo sujeito passivo também é tempestivo e foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF (despacho de admissibilidade às fls. 341 e 342). A recorrente alega divergência em relação à imposição da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIFPapel Imune, apresentando como paradigma o Acórdão 20219.987, que exonerou a penalidade em comento. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, também conheço do recurso do sujeito passivo. Portanto, as matérias devolvidas ao Colegiado cingemse às questões: a) Recurso especial da Procuradoria: da quantificação da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIFPapel Imune; b) Recurso especial da Contribuinte: do (não) cabimento da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIFPapel Imune. No presente processo, o sujeito passivo foi autuado pelo descumprimento de obrigação acessória, correspondente à apresentação de DIFPapel Imune. Verificada a omissão, a fiscalização calculou a multa aplicável em função do número de meses de atraso de cada declaração, conforme determina o art. 57, inciso I, da MP nº 2.15835/2001 c/c art. 16 da Lei nº 9.779/99. A matéria já é bastante conhecida nesta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, inclusive com um voto de minha lavra (Acórdão nº 9303003.399), no sentido de aplicar o instituto da retroatividade benigna com redução da multa, nos moldes do art. 1º, § 4º, inciso II, da Lei nº 11.945/09. A presente controvérsia deve ser analisada sob o ponto da legalidade dos atos normativos e por consequência da multa aplicada. Transcrevese abaixo a fundamentação legal que ampara a autuação perpetrada: Lei nº 9.779, de 19/01/1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Medida Provisória 2.15835/2001 Fl. 385DF CARF MF Processo nº 19515.001106/200571 Acórdão n.º 9303004.952 CSRFT3 Fl. 386 5 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Instrução Normativa/SRF nº 71, de 24/08/2001 Art. 1° Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1° do Decretolei n° 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. (...) Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. (...) Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 34, de 27 de julho de 2001. Instrução Normativa/SRF nº 159, de 15/05/2002 Art. 2° A apresentação da DIF Papel Imune deverá ser realizada pelo estabelecimento matriz, contendo as informações referentes a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica que operarem com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Parágrafo único. A apresentação da DIFPqpel Imune é obrigatória, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. (grifei) Fl. 386DF CARF MF Processo nº 19515.001106/200571 Acórdão n.º 9303004.952 CSRFT3 Fl. 387 6 Portanto, se a contribuinte adquire e utiliza o papel imune, ela estaria obrigada a apresentar as informações solicitadas pela Receita ao amparo do disposto no art. 16 da Lei nº 9.779/99, acima transcrito. Descumprindo esta obrigatoriedade, estaria sujeita à aplicação da multa prevista no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. Confirmase, assim, que a multa aplicada possui todo um arcabouço legal a lhe dar fundamento de validade. Discussões a respeito de eventuais inconstitucionalidades dos dispositivos legais acima citados, como pede a contribuinte, não são permitidas a esta corte de julgamento, a teor do que dispõe a súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No entanto, a Lei nº 11.945/2009 trouxe substancial alteração na legislação pertinente ao Registro Especial referente ao controle das operações realizadas com papel imune. Dispõe o seu art. 1º: Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2º O disposto no § 1º deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2º do art. 2º e no § 15 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 19515.001106/200571 Acórdão n.º 9303004.952 CSRFT3 Fl. 388 7 § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4º deste artigo será reduzida à metade. A nova legislação alterou a sistemática de aplicação da penalidade, afastando a imposição da penalidade aplicada por mês calendário de atraso, como previa o art. 57 da MP nº 2.15835/2001, passando a cominar multa única no caso de falta de apresentação da DIF Papel Imune no prazo estabelecido. O art. 1º da Lei nº 11.945, de 4/6/2009, produziu efeitos a partir de 16/12/2008. No entanto, tendo em vista que o presente processo encontrase pendente de julgamento, há que se considerar a norma benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), que, ao tratar da aplicação da legislação tributária, dispõe, verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” No caso dos autos, discutese ainda a obrigatoriedade de apresentação da declaração pelo contribuinte em períodos que não houve movimentação (entrada e saída) de papel dessa natureza. O art. 2°, parágrafo único, da Instrução Normativa SRF nº 159, de 16 de maio de 2002, acima transcrito, esclarece a questão: a apresentação da DIFPapel Imune é obrigatória, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Com efeito, as empresas que operam com papel destinado a impressão de livros, jornais e periódicos (papel imune), ainda que não efetuem operações com esse papel em um dado período, permanecem obrigadas a apresentar a declaração em comento para esse período. Sendo assim, a partir do momento da concessão do registro especial e a partir do momento em que realiza a primeira operação com papel imune, a contribuinte se sujeita ao controle do mesmo, devendo, obrigatoriamente, apresentar a declaração instituída para esse fim Fl. 388DF CARF MF Processo nº 19515.001106/200571 Acórdão n.º 9303004.952 CSRFT3 Fl. 389 8 DIFPapel Imune , independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial do sujeito passivo, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, calculados conforme o referido dispositivo legal, cabendo à unidade preparadora verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 389DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.000777/2007-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
BASE DE CÁLCULO. CIDE-REMESSAS AO EXTERIOR. VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO, INCLUINDO O IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO PELO DESTINATÁRIO. FATOS GERADORES E SUJEITOS PASSIVOS DIVERSOS, MAS COM INCIDÊNCIA SIMULTÂNEA.
O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da contribuição, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus do imposto. Apesar de terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento. Caberá ao adquirente, na qualidade de contribuinte, recolher a CIDE, e, na qualidade de responsável tributário, reter o imposto de renda. O valor da operação não se altera pela retenção, pois o instituto tem por fulcro apenas antecipar o devido pelo beneficiário no exterior em razão da obtenção da renda, já no momento do pagamento, para fins de facilitar o recolhimento do imposto e a sua fiscalização.
Numero da decisão: 9303-005.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CIDEREMESSAS AO EXTERIOR. VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO, INCLUINDO O IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO PELO DESTINATÁRIO. FATOS GERADORES E SUJEITOS PASSIVOS DIVERSOS, MAS COM INCIDÊNCIA SIMULTÂNEA. O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da contribuição, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus do imposto. Apesar de terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento. Caberá ao adquirente, na qualidade de contribuinte, recolher a CIDE, e, na qualidade de responsável tributário, reter o imposto de renda. O valor da operação não se altera pela retenção, pois o instituto tem por fulcro apenas antecipar o devido pelo beneficiário no exterior em razão da obtenção da renda, já no momento do pagamento, para fins de facilitar o recolhimento do imposto e a sua fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 07 77 /2 00 7- 91 Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.888 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 1.807 a 1.819), interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, contra Acórdão 3201000.437, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 1.791 a 1.805), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. NEGATIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Compete à autoridade julgadora de primeira instância decidir, em despacho fundamentado, sobre o pedido de perícia apresentado pelo contribuinte. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. BASE DE CÁLCULO. O Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações especificadas em Lei não integra a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide Remessas), instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar e observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, por expressa previsão legal. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.889 3 Foi dado seguimento (fls. 1.821 a 1.823) ao Recurso Especial, no qual a PGFN utilizase do seguinte paradigma: Acórdão nº: 3301001.683 (1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de Apuração: 05/06/2003 a 21/12/2004 CIDE. BASE DE CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. A base de cálculo da CIDE é o valor do serviço contratado, creditado e/ ou pago ao prestador no exterior. Inexiste amparo legal para a exclusão do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), em nome e por conta a licenciante, da base de cálculo desta contribuição. Recurso Voluntário Negado. Justifica a recorrente a divergência dizendo que ela “referese à interpretação concedida ao art. 2º da Lei nº 10.168/00, quanto à inclusão na base de cálculo da CIDE do valor atinente ao IRFonte” e “resta patente da simples leitura da ementa dos acórdãos. Porém, convém detalhar a fundamentação acatada nos votos condutores dos arestos, consoante se verifica das seguintes passagens ..." (transcreve excertos dos Votos dos acórdãos recorrido e do paradigma). No mérito, traz os seguintes argumentos basilares: "... a CIDE possui regime constitucionalmente estabelecido e, em conseqüência, bases de cálculo determinadas na própria Carta Magna. Nesse sentido, as contribuições de intervenção no domínio econômico estão previstas no artigo 149 da Constituição Federal, que assim determina: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (...) II incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; III poderão ter alíquotas: Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.890 4 a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada. Vêse que com o advento da EC nº 33/01, a Constituição Federal especificou, como bases de cálculo que devem ser eleitas pelo legislador ordinário quando da instituição de tal exação, o faturamento, a receita bruta, o valor da operação ou o valor aduaneiro. Com isso, afirmase que o disposto no artigo 149, § 2°, III da CF traz uma norma permissiva com um conteúdo restritivo, na medida em que limita as opções do legislador ordinário somente a uma das bases de cálculo que indica de forma exaustiva. (...) Assim, quando a Lei nº 10.168/00, alterada pela Lei 10.332/01, determina, no seu artigo 2º, a incidência da CIDE sobre os VALORES pagos, creditados, entregues, empregados ou remetido, a título de royalties ou da contraprestação de serviços, o que se quer dizer é que tais valores referemse ao VALOR BRUTO da operação, sem levar em conta os custos da pessoa jurídica contratada, ajustandose, com isso, a idéia legal de valores pagos à noção constitucional de faturamento, receita bruta e valor da operação, bases de cálculo eleitas pelo Poder Constituinte para a incidência da CIDE. (...) Essa, aliás, é a inteligência do artigo 344, § 3º do RIR (aplicado subsidiariamente à CIDE, nos termos do art. 3º, parágrafo único da Lei 10.168/01), ... ao tratar da dedutibilidade de custos e despesas, afirma que quando a fonte pagadora assume o ônus do IRF, devese considerar o tributo como parte integrante do valor pago ou creditado a terceiros, permitindolhes a dedução. Nesse sentido, o montante do custo ou despesa a ser deduzido pela fonte pagadora, no caso a recorrida, é composto do IRF devido cujo ônus foi por ela assumido." Cita o Ato Declaratório Interpretativo/SRF nº 25/2004 e a Solução de Divergência Cosit nº 17/2011. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 1848 a 1.862), com os argumentos que sintetiza em seus pedidos finais: i) não seja admitido em seu mérito o combatido recurso, tendo em vista que, não foi cumprida a formalidade do parágrafo oitavo do artigo 67 do Regimento Interno ... apenas e tão somente mencionou o dissídio jurisprudencial, sem indicar analiticamente os pontos de similitude e controvérsia; ii) não seja admitido em seu mérito o combatido recurso, tendo em vista que, não foi cumprida a formalidade essencial para recursos manejados, qual seja, indicar, atacar e motivar o motivo da reforma do acórdão recorrido, tendo em vista que, das folhas 4 e 5 do recurso, há mera indicação dos termos legais da, em tese, autorização para tributar a CIDE com base majorada, sem indicar os pontos do recurso combatido que merecem reforma; iii) em caso de não admissão dos pleitos anteriores, o que se admite apenas por amor ao argumento, requer a manutenção do acordão recorrido no ponto referente a exclusão do Imposto de Renda Retido na Fonte da base de Calculo da Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.891 5 CIDE, uma vez que não há qualquer justificativa para que o valor majorado artificialmente seja considerado, uma vez que ele não represente valor efetivamente pago, creditado, entregue, empregado ou remetido, mas sim, um acréscimo desvinculado destes verbos, bem como que a legislação atinente a CIDE não permite a majoração da Base de Cálculo com os valores retidos a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, motivo pelo qual deve prevalecer o entendimento do acórdão 3201000.437– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, em prevalência do acórdão paradigma trazido (Primeira Turma da Terceira Câmara da Terceira Seção, que, em novembro de 2012, por meio do acórdão nº 3301001.68). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Quanto à preliminar de admissibilidade do recurso (dividida em dois tópicos, mas que considero, para análise, em conjunto), a divergência jurisprudencial entre duas interpretações diametralmente opostas da legislação, nas palavras da PGFN (as quais endosso), “resta patente da simples leitura da ementa dos acórdãos”, ou seja, é tão flagrante que qualquer Auditor, Procurador ou Representante do Contribuinte, mesmo que nunca tenha enfrentado a questão, a perceberia, sendo a sua demonstração analítica uma redundância em si própria (como se diz, no popular, "chover no molhado"). Ainda assim, a recorrente cuida de transcrever excertos dos Votos dos dois acórdãos. Conheço, então, do Recurso Especial. No Mérito, a discussão cingese à inclusão ("gross up") ou não do IRRF na base de cálculo da CIDERemessas ao Exterior. Este assunto, no âmbito da RFB, encontrase pacificado, via Solução de Divergência Cosit nº 17, de 29/06/2011 (citada pela PGFN no Recurso Especial): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE BASE DE CÁLCULO CIDE. PESSOA JURÍDICA BRASILEIRA. ASSUNÇÃO DO ÔNUS DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF. Dispositivos Legais: arts. 97 e 123 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; art. 682, inciso I, do Decreto nº 3.000, de 26 de Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.892 6 março de 1999; Art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, com a redação dada pela Lei nº 10.332, de 19 de dezembro de 2001, e pela Lei nº 11.452, de 27 de fevereiro de 2007. Há decisão, relativamente recente (09/06/2016), desta mesma 3º Turma da CSRF, com composição não muito diversa, no mesmo sentido. Vejamos a Ementa do Acórdão nº 9303004.142: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 CIDE. BASE DE CÁLCULO. A contribuição incide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações contraídas, sendo considerada líquida a quantia enviada ao exterior. Sujeitase, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, a qual que conceitua o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, razão pela qual, na apuração da CIDE devese considerar o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue. Recurso Especial do Procurador Provido. A mesma empresa (uma gigante mundial do ramo alimentício) discutiu a mesma questão no Judiciário, tendo sido o TRF da 3ª Região claríssimo sobre a inclusão do IRRF da base de Cálculo da CIDE, em decisão publicada em 20/04/2016 (contra a qual foram opostos Embargos de Declaração pela autora, os quais foram pouco depois rejeitados, e interpostos Recursos Especial e Extraordinário, cuja admissibilidade ainda se encontra sujeita a apreciação pelo TRF): APELAÇÃO E REEXAME NECESSÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO DO IRRF DA BASE DE CÁLCULO DA CIDEROYALTIES PREVISTA NA LEI 10.168/00. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA SIMULTÂNEA, ENVOLVENDO SUJEITOS PASSIVOS DIVERSOS. CONCEITO DE RENDA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. SEGURANÇA DENEGADA. (grifei) 1. Nos termos da Lei 10.168/00, a CIDE tem por objetivo o custeio do Programa de Estímulo à Interação Universidade Empresa para o Apoio à Inovação, tendo por fato gerador a transferência onerosa de tecnologia detida por residente ou domiciliado no exterior para pessoa jurídica. Sua base de cálculo será a contraprestação ofertada, a título de remuneração pela transferência. 2. O imposto de renda retido na operação, por força do art. 710 do RIR/99, tem por fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica da renda auferida pelo residente no Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.893 7 exterior, tendo por base de cálculo também a contraprestação alcançada pela transferência. 3. Na espécie, não obstante terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento pela transferência da tecnologia. Caberá ao adquirente da tecnologia, na qualidade de contribuinte, recolher a CIDE, e, na qualidade de responsável tributário, reter o imposto de renda, tomando por base de cálculo de ambos o pagamento efetuado. 4. O valor da operação não se altera pela retenção, pois o instituto tem por fulcro apenas antecipar o que seria devido pelo titular da tecnologia no exterior pela obtenção da renda, já no momento do pagamento, para fins de facilitar o recolhimento do imposto e a sua fiscalização. 5. Entendimento obediente do previsto no art. 43 do CTN, pois nosso ordenamento adota um conceito de renda amplo para fins de tributação, bastando a sua disponibilidade econômica ou jurídica para a incidência tributária, independentemente do valor efetivamente auferido pelo contribuinte. Apesar do artigo questionado referirse ao imposto de renda, é plenamente aplicável à CIDE ROYALTIES, visto se valer do mesmo conceito ao caracterizar a base de cálculo da contribuição, como se percebe da redação idêntica utilizada no art. 2°, § 3°, da Lei 10.168/00 e no art. 710 do RIR/99. Ademais, o legislador não instituiu a dedução do IRRF do valor da operação para fins de incidência da CIDE, ou o inverso, até porque os contribuintes não são os mesmos. 6. Recurso de apelação e reexame necessário providos, denegandose a segurança com cassação da liminar. (Apelação/Reexame Necessário Nº 0016434 92.2011.4.03.6100/SP, Rel. Des. Federal Johonsom di Salvio, Publicação 20/04/2016) A transcrição de excertos do Voto do eminente Relator dispensa qualquer argumentação adicional (vejase que também é suscitada a convergência com a legislação do Imposto de Renda trazida no Recurso Especial): "O raciocínio fica mais claro se mantivermos o recolhimento do imposto de renda no momento do pagamento, mas agora de responsabilidade de seu contribuinte. Nesse caso, receberia os royalties devidos e recolheria a tributação, e tomaríamos como valor da operação aquele determinado no contrato, não descontando o imposto de renda recolhido. Por que, tornando o adquirente o responsável tributário pelo recolhimento, o raciocínio seria diferente ? Não o é, até porque o valor pago é sim aquele acordado pelas partes contratantes, recaindo sobre o mesmo os tributos devidos. Tudo o que o adquirente faz é reter o imposto de renda devido pelo titular da tecnologia justamente em razão do valor recebido. Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.894 8 Ao contrário do alegado pelas impetrantes, as normas em comento não trouxeram como base de cálculo o valor efetivamente pago, excluída a retenção, mas sim a disponibilidade de renda decorrente do contrato de transferência de tecnologia. Isso porque, conforme previsto no art. 43 do CTN, nosso ordenamento adota um conceito de renda amplo para fins de tributação, bastando a sua disponibilidade econômica ou jurídica para a incidência tributária, independentemente do valor efetivamente auferido pelo contribuinte. Apesar do artigo legal referirse ao imposto de renda, é plenamente aplicável à CIDE ROYALTIES, visto se valer do mesmo conceito ao caracterizar a base de cálculo da contribuição, como se percebe da redação idêntica utilizada no art. 2°, § 3°, da Lei 10.168/00 e no art. 710 do RIR/99. De forma a tornar a tributação mais próxima da realidade e atender à capacidade contributiva, o legislador elenca uma série de deduções da base de cálculo, possibilitando ao contribuinte reduzir o quantum tributário devido. O legislador não fez qualquer ressalva nesse sentido no caso, não permitindo a dedução do IRRF do valor da operação para fins de incidência da CIDE, ou o inverso, até porque os contribuintes não são os mesmos. Assim, ambos devem recair sobre o valor total do contrato, em respeito às normas de incidência em comento.” Matematicamente, teríamos o seguinte: Para se encontrar a base de cálculo da CIDE, há que tomar como referência o valor efetivamente remetido e fazer a recomposição (“cálculo por dentro” ou “gross up”) do valor bruto, antes da retenção do IRRF. Exemplifico: Valor do Contrato de Câmbio (Valor "Líquido" da Remessa): R$ 17.000,00 IRRF: 15 % Valor Bruto (Base de Cálculo da CIDE): R$ 17.000,00 / (10,15) = R$ 17.000,00 / 0,85 = R$ 20.000,00 Valor da CIDE: R$ 20.000,00 x 10 % = R$ 2.000,00. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.895 9 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama No que tange à base de cálculo da CIDE quando há assunção do ônus do IRF pelo tomador do serviço de residente ou domiciliado no exterior, peço vênia ao ilustre Conselheiro Presidente Rodrigo da Costa Pôssas para manifestar meu entendimento. Sendo assim, passo a discorrer sobre a base de cálculo da CIDE. Importante trazer, a priori, que a CIDE é uma contribuição que tem como sujeito passivo o tomador do serviço, e não o prestador de serviço residente no exterior, conforme os seguintes dispositivos da Lei 10.168/00 (Grifos meus): “Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Decreto nº 6.233, de 2007) (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2º A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) [...]” Ou seja, é diferente do IRF incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior, pois, nesse caso (CIDE), o contribuinte é o próprio prestador do serviço não residente. Ora, o próprio beneficiário da importância a ser recebida é o sujeito passivo. Tanto é assim que, em geral, após a recepção da “Invoice” pelo tomador do serviço, o tomador quando da liquidação do câmbio para pagamento ao não residente pela Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.896 10 prestação de serviço, deve apresentar DARF à Instituição Financeira autorizada a fechar o câmbio comprovando que reteve e recolheu 15% de IRRF sobre tal remessa direcionado ao prestador. Não obstante às situações corriqueiras, vêse que, eventualmente, por questões comerciais e, por conseguinte, contratuais, pode ser firmado “Agreement" entre o tomador do serviço e prestador de serviço não residente, prevendo a assunção do ônus do IRF devido pelo prestador ao tomador. Mas, em ambos os casos, o sujeito passivo continua claramente sendo o não residente. Tanto é assim, que na DIRF do tomador do serviço, deve constar o CNPJ e a NIF – Número de Identificação Fiscal do prestador de serviço não residente. Eis a IN SRF 1587/2015, que dispõe sobre a DIRF: “Art. 22. Na hipótese prevista no § 2º do art. 2º, a Dirf 2016 deverá conter as seguintes informações sobre os beneficiários residentes e domiciliados no exterior: I Número de Identificação Fiscal (NIF) fornecido pelo órgão de administração tributária no exterior; II indicador de pessoa física ou jurídica; III número de inscrição no CPF ou no CNPJ, quando houver; IV nome da pessoa física ou nome empresarial da pessoa jurídica beneficiária do rendimento; V endereço completo (rua, avenida, número, complemento, bairro, cidade, região administrativa, estado, província etc); VI país de residência fiscal; VII natureza da relação entre a fonte pagadora no País e o beneficiário no exterior, conforme Tabela constante do Anexo II desta Instrução Normativa; VIII relativamente aos rendimentos: a) código de receita; b) data de pagamento, remessa, crédito, emprego ou entrega; [...] Parágrafo único. O NIF será dispensado nos casos em que o país do beneficiário residente ou domiciliado no exterior não o exija ou nos casos em que, de acordo com as regras do órgão de administração tributária no exterior, o beneficiário do rendimento, remessa, pagamento, crédito, ou outras receitas, estiver dispensado desse número.” Continuando, temse que, quando, por questões comerciais, o tomador, responsável tributário por reter e recolher o IRF, assume o ônus do IRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO, deve observar para o cálculo do IRF, a base de cálculo descrita no art. 725 do RIR/99, in verbis (Grifos Meus): Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.897 11 “Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei nº 4.154, de 1962, art. 5º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 63, § 2º).” Sendo assim, caso haja previsão contratual de assunção do ônus do IRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO, o tomador deve “grossapar” o IRF – com o intuito de o beneficiário efetivamente receber o valor contratado sem os efeitos fiscais impostos pela autoridade fazendária do país do tomador. Não é demais ressaltar que o art. 725 do RIR/99 é plenamente aplicável para a hipótese de o tomador do serviço assumir o ônus do IRRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO, pois, por óbvio, abarcou essa hipótese ao expressar literalmente o termo “ônus do imposto DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO”. No que tange à CIDE, nos termos da Lei 10.168/00, vêse que o contribuinte/sujeito passivo não é o prestador de serviço não residente, mas sim o tomador do serviço. O que faz todo o sentido ser assim, vez que essa contribuição foi instituída com a pretensão de se estimular o desenvolvimento tecnológico e produtivo brasileiro. E para que haja tal estímulo deverseia imputar um “ônus financeiro” às pessoas jurídicas residentes no país que deixassem de contratar um residente para tomar serviço de um não residente, vez que, agindo dessa forma, desestimularia o setor produtivo no país desviando o “investimento” (recurso) ao exterior. Sendo assim, resta claro que o sujeito passivo da contribuição é o tomador de serviço – ou seja, que A CONTRIBUIÇÃO É DEVIDA PELO TOMADOR, e não pelo beneficiário do recurso (remuneração pela prestação do serviço), tal como ocorre com o IRRF. O que, a rigor, é de se afastar a aplicação do art. 725 do RIR/99 no cálculo de apuração da CIDE. Notase que faz todo o sentido aplicar o art. 725 do RIR/99 para a base de cálculo do IRRF, tendo em vista que se trata de tributo sujeito a retenção na fonte devido pelo beneficiário do recurso objeto da incidência desse imposto. E que, portanto, seria passível, por questões comerciais, de ter o ônus financeiro do imposto assumido pelo despendedor do referido recurso a ser remetido. O que, aplicar tal dispositivo à CIDE, extrapolaria matematicamente, economicamente, contabilmente e juridicamente a base de cálculo dessa contribuição, vez ser uma contribuição devida efetivamente pelo tomador do serviço prestado. E não se trata de contribuição a ser retida na fonte. A Cide não oneraria o prestador – o que, por óbvio, não há que se falar em assunção desse ônus, pois não é devido pelo beneficiário da remuneração, mas sim por seu despendedor. Para melhor elucidar, importante trazer ainda à baila o art. 2º, § 3º, da Lei 10.168/00, in verbis (Grifos meus): “Art. 2º (...) Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.898 12 (...) § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. [...]” Nos termos do dispositivo, vêse claro que a base de cálculo da CIDE é a remuneração dos serviços prestados – remuneração essa prevista no contrato. Ora, quando é firmado um “Agreement" entre o tomador e prestador, há uma clausula específica de remuneração – que traz um valor mensurável de remuneração e outra cláusula, no caso de se optar pelo “grossup”, de “disposições gerais” que traz expressamente a assunção pelo tomador do serviço do IRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO da remuneração. Sendo assim, ainda que haja previsão contratual determinado o “grossup” do IRF devido pelo beneficiário, a remuneração não se altera com tal disposição e, por conseguinte, a BASE DE CÁLCULO da contribuição. Não se altera a remuneração, em respeito à literalidade da Lei e aos termos contratuais (declaração de vontade das partes). A base de cálculo da CIDE não deve ser “reajustado”, pois sua base de cálculo é simplesmente a remuneração do prestador. Ora, reajustar a base de cálculo da CIDE, seria extrapolar as normas que regem sua instituição. E nem há previsão legal para tanto. E caso, por equívoco, se pretenda aplicar o art. 725 do RIR/99 por analogia, importante trazer os dizeres do art. 97 do CTN, in verbis (Grifos meus): “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo.” Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.899 13 Considerando o enunciado, temse que aplicar por analogia o art. 725 do RIR/99 feriria gravemente o art. 97 do CTN, vez que aumentaria o valor da contribuição, bem como extrapolaria a base de cálculo definida pela própria Lei 10.168/00 – que DEFINIU A BASE DE CÁLCULO COMO SENDO A REMUNERAÇÃO PELA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. E, ainda, caso se entenda que a legislação pertinente ao IR poderia ser aplicada subsidiariamente à CIDE, invocando o art. 3º, parágrafo único da Lei 10.168/01, in verbis: “Art. 3º Compete à Secretaria da Receita Federal a administração e a fiscalização da contribuição de que trata esta Lei. Parágrafo único. A contribuição de que trata esta Lei sujeitase às normas relativas ao processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários federais, previstas no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, bem como, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, especialmente quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis.” Não há que se aplicar ainda assim o art. 725 do RIR/99, pois o parágrafo único do art. 3º traz sua aplicação da legislação do IR apenas quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis. Em respeito à ciência do direito, a aplicação subsidiaria “no que couber” só pode dar em matéria na qual a Lei 10.168/00 for omissa, o que não ocorre quanto à base de cálculo da CIDE, fixada no § 3º do art. 2º dessa lei. A omissão existe quando houver apenas lacunas normativas – o que não ocorreu na legislação da CIDE, pois o legislador quando da feitura da Lei 10.168/00 trouxe claramente que a base de cálculo da CIDE é a remuneração pela prestação do serviço. Em vista de todo o exposto, entendo que não há que se falar em “grossapar” o IRRF na base de cálculo da CIDE. O que, por conseguinte, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1899DF CARF MF
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Numero do processo: 11050.003270/2005-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
COFINS NÃO-CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. SERVIÇOS TÉCNICOS TERCEIRIZADOS ESSENCIAIS NAS AÉREAS DE ENGENHARIA, PLANEJAMENTO E GESTÃO DE SISTEMAS DE CONTROLE DE QUALIDADE UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO DE PLATAFORMA DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
Por serem imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento e à manutenção do complexo processo produtivo da plataforma petrolífera destinada à venda, que constitui o objeto do mister social da Recorrente, as locações de serviços técnicos tercerizados prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país e habilitadas a presta-los, se inserem no conceito de insumo, assim como seus custos se inserem obrigatoriamente no custo do produto final (plataforma petrolífera) destinada à venda.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-006.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 COFINS NÃO-CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. SERVIÇOS TÉCNICOS TERCEIRIZADOS ESSENCIAIS NAS AÉREAS DE ENGENHARIA, PLANEJAMENTO E GESTÃO DE SISTEMAS DE CONTROLE DE QUALIDADE UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO DE PLATAFORMA DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Por serem imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento e à manutenção do complexo processo produtivo da plataforma petrolífera destinada à venda, que constitui o objeto do mister social da Recorrente, as locações de serviços técnicos tercerizados prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país e habilitadas a presta-los, se inserem no conceito de insumo, assim como seus custos se inserem obrigatoriamente no custo do produto final (plataforma petrolífera) destinada à venda. Recurso Especial do Procurador Negado.
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HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. SERVIÇOS TÉCNICOS TERCEIRIZADOS ESSENCIAIS NAS AÉREAS DE ENGENHARIA, PLANEJAMENTO E GESTÃO DE SISTEMAS DE CONTROLE DE QUALIDADE UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO DE PLATAFORMA DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Por serem imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento e à manutenção do complexo processo produtivo da plataforma petrolífera destinada à venda, que constitui o objeto do mister social da Recorrente, as locações de serviços técnicos tercerizados prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país e habilitadas a prestalos, se inserem no conceito de insumo, assim como seus custos se inserem obrigatoriamente no custo do produto final (plataforma petrolífera) destinada à venda. Recurso Especial do Procurador Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 32 70 /2 00 5- 16 Fl. 811DF CARF MF Processo nº 11050.003270/200516 Acórdão n.º 9303006.083 CSRFT3 Fl. 812 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, em face do Acórdão nº 3402001.982, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 COFINS NÃOCUMULATIVIDADE RESSARCIMENTO CONCEITO DE INSUMO CRÉDITOS RELATIVOS A SERVIÇOS TÉCNICOS TERCEIRIZADOS NAS AÉREAS DE ENGENHARIA, PLANEJAMENTO E GESTÃO DE SISTEMAS DE CONTROLE DE QUALIDADE UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO DE PLATAFORMA DE PETRÓLEO – LEIS Nº 10.637/02 E Nº 10.684/03. O princípio da não cumulatividade da COFINS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os serviços terceirizados utilizados no processo produtivo de bens e serviços. Em razão da natureza intangível dos serviços, associada à natureza do processo produtivo e não ao produto gerado resultante deste processo, o que qualifica um determinado serviço como insumo, não é o seu o contato físico com o produto, mas sim a sua imprescindibilidade à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção de outros Fl. 812DF CARF MF Processo nº 11050.003270/200516 Acórdão n.º 9303006.083 CSRFT3 Fl. 813 3 processos produtivos de bens ou serviços. Por serem imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento e à manutenção do complexo processo produtivo da plataforma petrolífera destinada à venda, que constitui o objeto do mister social da Recorrente, as locações de serviços técnicos tercerizados prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país e habilitadas a prestalos, se inserem no conceito de insumo, assim como seus custos se inserem obrigatoriamente no custo do produto final (plataforma petrolífera) destinada à venda (art. 290, inc. I do RIR/99) O presente processo referese a pedido de Ressarcimento de Crédito da COFINS NãoCumulativa, relativo ao período de apuração de 01/11/2005 a 30/11/2005, incidente sobre os serviços terceirizados utilizados no processo produtivo de bens e serviços, mais especificamente serviços técnicos terceirizados nas aéreas de engenharia, planejamento e gestão de sistemas de controle de qualidade nas áreas química, petroquímica, petróleo e congêneres. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para assegurar o direito ao ressarcimento dos créditos de COFINS e de PIS em relação às aquisições de serviços técnicos terceirizados nas aéreas de engenharia, planejamento e gestão de sistemas de controle de qualidade nas áreas química, petroquímica, petróleo e congêneres, efetivamente prestados ao contribuinte. A Fazenda apresentou recurso especial (fls. 714 a 734), suscitando divergência relativamente aos itens considerados como insumos: serviços técnicos terceirizados nas aéreas de engenharia, planejamento e gestão de sistemas de controle de qualidade. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento da COFINS, conforme despacho de admissibilidade (fls. 736 a 738). O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões (fls. 746 a 778). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Conforme relatado, o tempestivo recurso foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento de COFINS. Visando comprovar a divergência, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o Acórdão nº 20312.448, cujos inteiro teor da ementa foi transcrita no recurso. Fl. 813DF CARF MF Processo nº 11050.003270/200516 Acórdão n.º 9303006.083 CSRFT3 Fl. 814 4 O confronto das decisões comprova a divergência. Enquanto a turma a quo reconheceu como insumo as aquisições de serviços técnicos terceirizados nas aéreas de engenharia, planejamento e gestão de sistemas de controle de qualidade nas áreas química, petroquímica, petróleo e congêneres, efetivamente prestados ao contribuinte, por serem imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção de outros processos produtivos de bens ou serviços do contribuinte, não sendo necessário o contato físico com o produto, a decisão paradigma, em sentido contrário, adotou a interpretação restritiva do conceito de insumo, tal como prescreve a legislação do IPI e o PN CST 65/79. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, em especial os serviços técnicos terceirizados nas aéreas de engenharia, planejamento e gestão de sistemas de controle de qualidade. Os arts. 3º, inciso II das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF nº 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS e IN SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. A jurisprudência do CARF caminhou no sentido a considerar que o conceito de insumos trazido pelas normas de regência se posiciona de forma intermediária entre o conceito restritivo do IPI e aquele mais extensivo (do IRPJ). Soluções que aplicam puramente a legislação do IPI ou do IRPJ estão ficando como posições isoladas e não mais tem prosperado, em termos de votação das inúmeras turmas que tratam da matéria. Entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência Fl. 814DF CARF MF Processo nº 11050.003270/200516 Acórdão n.º 9303006.083 CSRFT3 Fl. 815 5 não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos. Em casos similares de minha relatoria (Acórdãos 9303002.630 e 9303 003.195), este colegiado aplicou esse conceito intermediário, entendendo como “insumo” aquele elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. O STJ tem reconhecido o direito aos créditos de PIS e COFINS com base no critério da essencialidade, conforme extraise do excerto da ementa do REsp 1.246.317: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Com efeito, o conceito a ser utilizado nesse voto será a relação direta com o processo produtivo, dentro do critério da essencialidade (se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção, e se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços), além de outras permissivas contidas na lei, por óbvio. Feitos todos esses comentários, passemos à análise dos insumos, objeto do presente caso: serviços técnicos terceirizados nas aéreas de engenharia, planejamento e gestão de sistemas de controle de qualidade. Assim dispõe o artigo 3º do Estatuto Social da companhia (fl. 9) acerca de seu objetivo social: Os itens glosados pela fiscalização relativos a serviços técnicos terceirizados nas aéreas de engenharia, planejamento e gestão de sistemas de controle de qualidade estão perfeitamente vinculados às atividades operacionais da recorrida. Conforme destacado no voto condutor do acórdão recorrido, constatase que tais serviços terceirizados destinados ao funcionamento, aprimoramento e manutenção da plataforma petrolífera destinada à venda são considerados essenciais ao processo produtivo. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 11050.003270/200516 Acórdão n.º 9303006.083 CSRFT3 Fl. 816 6 A Recorrida, em suas contrarrazões, faz referência expressa aos parágrafos 36 a 43 de seu recurso voluntário, nos quais demonstra detalhadamente os aspectos relacionados à construção da plataforma P53 e a importância dos serviços tomados. Analisando os fatos e as alegações da Recorrente, constatase que a decisão recorrida não merece reparos. Não adotamos o entendimento esposado pela Fazenda Nacional acerca da necessidade de contato físico para configurar o bem ou serviço como insumo, conforme previsto na legislação do IPI. De acordo com o nosso entendimento já explicitado no presente voto e em outros de nossa relatoria, adotamos o critério da essencialidade do bem e serviço na prestação de serviço ou produção. Concluise que os serviços técnicos terceirizados nas aéreas de engenharia, planejamento e gestão de sistemas de controle de qualidade são essenciais à construção, funcionamento, aprimoramento e manutenção da plataforma petrolífera, eis que a subtração desses insumos no seu processo produtivo acarretaria perda substancial de qualidade do produto. Nenhuma ressalva há que ser feita na decisão recorrida, e deve ser mantida a reversão da glosa relativa aos serviços tomados acima referidos. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendo integralmente a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 816DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002840/2005-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 28 40 /2 00 5- 91 Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11065.002840/200591 Acórdão n.º 9303005.316 CSRFT3 Fl. 378 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão 330100.619, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, que traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 BASE DE CÁLCULO, RECEITAS DE CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS. As receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros integram a base de cálculo da Cofins com incidência nãocumulativa. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO O saldo credor trimestral da Cofins nãocumulativa deve ser apurado levandose em conta que as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros integram a base de cálculo mensal dessa contribuição. O saldo credor apurado exclusivamente pela nãoinclusão de tais receitas na sua base de cálculo não constitui crédito financeiro passível de ressarcimento e/ ou de compensação. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para a atualização do ressarcimento pela taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. O contribuinte requer a reforma do acórdão no que tange à cessão à terceiros do crédito do ICMS, advindos da compra de insumos utilizados em mercadorias exportadas, ao argumento de que “...a recorrente alienou com deságio todos os valores referentes aos créditos de ICMS, não auferindo receita alguma, não podendo subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pela Cofins”. Alega, ainda, que “...tratase de titulo representantivo de parte patrimonial, mas que é anulada pelo encontro de contas. O que a empresa paga primeiramente, a titulo de 1CMS, tem o direito de creditarse posteriormente, em função de suas exportações. Se a empresa realiza cessão deste crédito, não há tributar a suposta capitalização, porque deixou de levar o suposto débito, quando o pagou.”. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11065.002840/200591 Acórdão n.º 9303005.316 CSRFT3 Fl. 379 3 Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, na seguinte decisão: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11065.002840/200591 Acórdão n.º 9303005.316 CSRFT3 Fl. 380 4 VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deuse em 05/12/2013. Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11065.002840/200591 Acórdão n.º 9303005.316 CSRFT3 Fl. 381 5 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 381DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.934836/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.764
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT HARALD S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 48 36 /2 00 9- 13 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10980.934836/200913 Acórdão n.º 3402003.764 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de PIS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10980.934836/200913 Acórdão n.º 3402003.764 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10980.934836/200913 Acórdão n.º 3402003.764 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10980.934836/200913 Acórdão n.º 3402003.764 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 120DF CARF MF
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