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Numero do processo: 10950.005530/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
NULIDADE. FALTA DE INDICAÇÃO DA CSLL NO MPF.
DESNECESSIDADE. Se as infrações apuradas, em relação a tributo ou
contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com
base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa.
LUCROS NÃO DECLARADOS. RECEITAS OMITIDAS E NÃO DECLARADAS. GLOSA DE DESPESAS. REDUÇÃO DA BASE IMPONÍVEL POR DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Não afeta a exigência a mera alegação de que o lucro tributável seria anulado pela depreciação incentivada de bens do ativo imobilizado, dissociada de qualquer demonstração acerca da efetiva existência de bens passíveis de depreciação nos períodos autuados, e dos montantes ainda dedutíveis.
ATIVIDADE RURAL. ABATE DE AVES. No âmbito da incidência do
Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, não se caracteriza como atividade rural, o abate, resfriamento, congelamento, despojamento, corte e embalagem de aves, realizados com a utilização de equipamentos e maquinários automatizados, não usualmente empregados pelos criadores nas atividade rurais.
OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. AUMENTO DE CAPITAL EM MOEDA CORRENTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E DO EFETIVO INGRESSO. A falta de comprovação da origem e do efetivo ingresso dos suprimentos de caixa efetuados por sócios, a título de aumento de capital, autoriza a presunção de utilização de recursos mantidos à margem da contabilidade e justifica o lançamento de ofício para
cobrança do imposto devido.
GLOSA DE CRÉDITOS DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS EM SISTEMÁTICA CUMULATIVA. RECONSTITUIÇÃO DO CUSTO DO PERÍODO FISCALIZADO. AUSÊNCIA DE PROVA. A mera alegação de que os créditos glosados em outro procedimento fiscal teriam reduzido o custo do período fiscalizado não autoriza sua dedução do lucro tributável apurado em lançamento de ofício. Os créditos são deduzidos na apuração não-cumulativa
no momento da aquisição dos insumos, ou até mesmo em períodos subseqüentes se não forem absorvidos de imediato, ao passo que os
insumos adentram ao estoque, e somente configuram custo quando as
mercadorias são vendidas. Inadmissíveis ajustes no lucro tributável se não demonstrada a repercussão dos créditos glosados no resultado dos períodos de apuração autuados, mormente considerando que o sujeito passivo não concordou com a glosa e permanece discutindoa
administrativamente.
MULTA DE OFÍCIO. Legítima a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência.
Numero da decisão: 1101-000.926
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em: 1) por unanimidade de votos,
REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à caracterização da atividade rural, votando pelas conclusões os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva;
3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à omissão de receitas presumida a partir de suprimentos de numerário; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao erro na apuração de base de cálculo; e 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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FALTA DE INDICAÇÃO DA CSLL NO MPF. DESNECESSIDADE. Se as infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. LUCROS NÃO DECLARADOS. RECEITAS OMITIDAS E NÃO DECLARADAS. GLOSA DE DESPESAS. REDUÇÃO DA BASE IMPONÍVEL POR DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Não afeta a exigência a mera alegação de que o lucro tributável seria anulado pela depreciação incentivada de bens do ativo imobilizado, dissociada de qualquer demonstração acerca da efetiva existência de bens passíveis de depreciação nos períodos autuados, e dos montantes ainda dedutíveis. ATIVIDADE RURAL. ABATE DE AVES. No âmbito da incidência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, não se caracteriza como atividade rural, o abate, resfriamento, congelamento, despojamento, corte e embalagem de aves, realizados com a utilização de equipamentos e maquinários automatizados, não usualmente empregados pelos criadores nas atividade rurais. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. AUMENTO DE CAPITAL EM MOEDA CORRENTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E DO EFETIVO INGRESSO. A falta de comprovação da origem e do efetivo ingresso dos suprimentos de caixa efetuados por sócios, a título de aumento de capital, autoriza a presunção de utilização de recursos mantidos à margem da contabilidade e justifica o lançamento de ofício para cobrança do imposto devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 55 30 /2 00 8- 24 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 3 2 GLOSA DE CRÉDITOS DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS EM SISTEMÁTICA CUMULATIVA. RECONSTITUIÇÃO DO CUSTO DO PERÍODO FISCALIZADO. AUSÊNCIA DE PROVA. A mera alegação de que os créditos glosados em outro procedimento fiscal teriam reduzido o custo do período fiscalizado não autoriza sua dedução do lucro tributável apurado em lançamento de ofício. Os créditos são deduzidos na apuração nãocumulativa no momento da aquisição dos insumos, ou até mesmo em períodos subseqüentes se não forem absorvidos de imediato, ao passo que os insumos adentram ao estoque, e somente configuram custo quando as mercadorias são vendidas. Inadmissíveis ajustes no lucro tributável se não demonstrada a repercussão dos créditos glosados no resultado dos períodos de apuração autuados, mormente considerando que o sujeito passivo não concordou com a glosa e permanece discutindoa administrativamente. MULTA DE OFÍCIO. Legítima a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à caracterização da atividade rural, votando pelas conclusões os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à omissão de receitas presumida a partir de suprimentos de numerário; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao erro na apuração de base de cálculo; e 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório AGRO INDUSTRIAL PARATI LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 24/09/2008, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 11.588.240,57. A autoridade julgadora de 1a instância resumiu as infrações apontadas nos lançamentos de IRPJ e CSLL nos seguintes itens: 3.1. diferença entre o lucro líquido apurado na Demonstração do Resultado do Exercício e o resultado tributável declarado no 4º trimestre/2004, além da falta de declaração em DCTF do imposto de renda correspondente ao resultado tributável constante da Demonstração do Resultado do Exercício dos anoscalendário de 2006 e 2007, conforme descrito no item 1 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 2123), com infração ao disposto nos arts. 249, 250, 251, 275 e 926 do RIR de 1999: . anocalendário de 2004 – 4º trimestre....................R$ 1.441.935,30 . anocalendário de 2006 – anual.............................R$ 3.904.241,21 . anocalendário de 2007 – anual.............................R$ 8.111.336,67 3.2. omissão de receita caracterizada pela falta de comprovação da efetiva entrega e da origem de numerários fornecidos por sócios para aumento de capital, conforme descrito no item 2 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 2123), com infração ao disposto no art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e arts. 249, II, 251, parágrafo único, 279, 282 e 288 do RIR de 1999: . anocalendário de 2005 – 4º trimestre...................R$ 250.000,00 3.3. omissão de receita correspondente à diferença entre a receita bruta escriturada nos livros Registro de Saídas e Registro de Apuração do ICM e os valores contabilizados no Livro Diário, conforme descrito no item 3 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 2123), com infração ao disposto nos arts. 249, II, 251, parágrafo único, 278, 279, 280 e 288 do RIR de 1999: . anocalendário de 2005 – 1º trimestre..................R$ 652.574,38 . anocalendário de 2005 – 2º trimestre.................R$ 810.970,99 . anocalendário de 2005 – 3º trimestre.................R$ 826.004,84 . anocalendário de 2005 – 4º trimestre.................R$ 32.438,83 3.4. glosa de despesas com arrendamento de bens em face da falta de comprovação do pagamento e da efetividade da despesa, conforme descrito no item 4 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 2123), com infração ao disposto nos arts. 249, I, 251, parágrafo único, 299 e 300 do RIR de 1999: . anocalendário de 2006 – anual..........................R$ 1.680.000,00 A omissão de receita caracterizada pela falta de comprovação da efetiva entrega e da origem de numerários supridos por sócios ensejou, também exigências reflexas de Contribuição ao PIS e COFINS. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 5 4 Impugnando a exigência, a contribuinte apresentou os argumentos por ela assim sintetizados: a) A nulidade do lançamento da exigência fiscal relativo à CSLL, ante a ausência de Mandado de Procedimento Fiscal especifico para a apuração das irregularidades apontadas. b) A inexistência de lucro não declarado, eis que o Fisco desconsiderou as despesas com depreciação acelerada que deveriam ter sido deduzidas na apuração do lucro real/prejuízo fiscal efetivo da contribuinte; c) A ilegalidade do lançamento decorrente da desconsideração dos registros contábeis relativos ao aporte de capital no valor de R$ 250.000,00, porque não existe na lei autorização para a utilização de presunção na hipótese vertente. d) Erro na apuração da Base de Cálculo do IRPJ e da CSLL nos anos de 2005 e 2006, porque a autoridade administrativa desprezou as glosas dos créditos do PIS e da COFINS procedidas pelo Fisco (Proc. Adm. 10950.005533/200868), que deveriam ter sido deduzidas da base de cálculo dos referidos tributos. c) A improcedência da exigência de multa de oficio de 75%, eis que o Lucro considerado pelo Auditor Fiscal como não declarado em relação ao anocalendário de 2007, foi devidamente informado pela Recorrente na DIPJ correspondente apresentada em 30/06/2008, ou seja, no prazo para a sua apresentação e antes da inclusão desse período no Mandado do Procedimento Fiscal (09/07/2008). A Turma julgadora rejeitou estes argumentos. O acórdão que apreciou a impugnação está assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITA. PROVA DIRETA. DIFERENÇA ENTRE O LUCRO LÍQUIDO APURADO NAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS E O RESULTADO TRIBUTÁVEL DO IMPOSTO DECLARADO EM DIPJ/DCTF. Constitui prova direta de omissão de receita a constatação de diferença entre o lucro líquido, antes da dedução do IRPJ e da CSLL, apurado nas demonstrações financeiras elaboradas pela interessada e o resultado tributável correspondente ao imposto declarado em DIPJ/DCTF. ATIVIDADE RURAL. ABATE DE AVES. O abate de aves para ser enquadrado como atividade rural deve ser feito pelo próprio produtor rural, com equipamento e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matéria prima produzida na unidade rural explorada, e não com utilização de máquinas e equipamentos típicos da atividade industrial. ATIVIDADE RURAL. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. DEPRECIAÇÃO INTEGRAL NO PRÓPRIO ANO DE AQUISIÇÃO. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 6 5 Somente os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão se depreciados integralmente no próprio ano de aquisição. OMISSÃO DE RECEITA. VALORES SUPRIDOS POR SÓCIOS PARA AUMENTO DE CAPITAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E DO EFETIVO INGRESSO. A falta de comprovação da origem e do efetivo ingresso dos suprimentos de caixa efetuados por sócios, a título de aumento de capital, autoriza a presunção de desvio de receitas da contabilidade e justifica o lançamento de ofício para cobrança do imposto devido. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL. DEDUÇÃO DO PIS E DA COFINS NÃO CUMULATIVOS LANÇADOS DE OFÍCIO. Como a contribuinte não reconheceu a procedência dos valores exigidos a título de PIS e Cofins em autuação, constante de processo fiscal diverso, decorrente de glosa de créditos no regime nãocumulativo, enquanto persistir controvérsias a respeito desses lançamentos descabe cogitar da dedução de tais valores da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Legítima a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência. DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL. Tratandose de tributações reflexas de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constantes do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao PIS, à Cofins e à CSLL. Cientificada da decisão de primeira instância em 17/12/2008 (fl. 406), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 14/01/2009 (fls. 409/435), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Reafirma a nulidade do lançamento de CSLL por vício formal, dado que consoante o disposto no art. 2o do Decreto nº 3.724/2007, a Fiscalização não estava autorizada a auditar tributos não objeto do mandado de procedimento fiscal que lhe foi outorgado. Transcreve doutrina acerca da indispensabilidade do MPF, e pede o cancelamento da exigência. Opõese à imputação de lucro não declarado, porque teria sido indevidamente desconsiderada a depreciação acelerada. Defende seu direito independentemente da declaração da depreciação acelerada em sua DIPJ, consoante lhe autoriza o art. 314 do RIR/99. Aponta a existência de saldo de imobilizado operacional no valor de R$ 15.023.113,08, passível de dedução na base tributável, e passa a demonstrar que desenvolve atividade rural. Em suas palavras: A Recorrente produz aves em regime de parceria rural, que compreende a remessa pela empresa aos integrados (produtores rurais pessoas físicas) de "pintosdeum dia", rações, medicamentos e demais insumos necessários à produção dos frangos de corte; os quais permanecem nas instalações destes para a cria e engorda por um período médio de 45 dias e, posteriormente, são encaminhados para as instalações da empresa. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 7 6 Desta forma, produz cortes de frangos para a alimentação humana, desenvolvendo processos de beneficiamento (abate e corte), acondicionamento (embalagem dos cortes) e novo beneficiamento (resfriamento, congelamento e destinação ao mercado). Entende que a atividade de criação, engorda e posterior abate desses frangos constitui atividade tipicamente rural, nos termos do art. 2o, inciso IV da Lei nº 8.023/90. Observa que a atividade de transformação também caracterizase como atividade rural, para afirmar que a definição do produto industrializado da legislação do IPI é imprestável para caracterizar ou não certa atividade como rural. Acrescenta que: 1) o volume do abate e as condições em que são abatidas as aves não altera a natureza rural da atividade; 2) não transforma frangos em produto novo, mas apenas beneficia e acondiciona sua carne; 3) a transformação exigiria a produção de derivados da carne; 5) a sofisticação no procedimento ou o porte da empresa não lhe retiram o caráter de atividade rural; 6) o abate de aves exige instalações adequadas, com equipamentos padronizados; 7) o aprimoramento tecnológico em benefício da higiene e sanidade dos produtos deve estar presente em quaisquer abatedouros; 8) a legislação do IPI não serve para se buscar o verdadeiro sentido e alcance da Lei nº 8.023/1990; 9) a classificação de processos é diferenciada por tributo, como se vê, por exemplo, na legislação previdenciária (art. 247 da Instrução Normativa SRP nº 03/2005); 10) as normas que regulam a Contribuição Social Rural – CSR também confirma que o beneficiamento e o acondicionamento não retiram a condição de produto rural dos mesmos (art. 25, §3o da Lei nº 8.870/94 e art. 25, §3o da Lei nº 8.212/91). Subsidiariamente aduz que mesmo se considerado como de transformação o processo pelo qual passam os francos produzidos e comercializados pela Recorrente, ainda assim sua atividade seria rural, com fundamento no art. 2o, inciso V da Lei nº 8.023/90. Reportase a entendimento neste sentido veiculado nos Acórdão nº 10194.540 e 10194.191, do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes. Enfatiza o comparativo histórico da definição de atividade rural traçado nestes acórdãos, demonstrando que este conceito foi ampliado na legislação vigente, e novamente reportase às exigências sanitárias para sua atividade, citando a Portaria nº 210/98, do Secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, bem como à exposição de motivos da Lei nº 8.023/90. Conclui que sua atividade é inequivocamente rural pois, sob o enfoque da Lei nº 8.023/90, a recorrente: a) desenvolve inequivocamente a atividade de avicultura produzindo sua matéria prima; b) beneficia e acondiciona o frango sem alterar sua composição e características naturais, apenas viabiliza o seu consumo; c) o abate é feito por ela mesma (que cria o frango) com utensílios próprios da atividade avícola, exclusivamente de matériaprima de sua produção. Ou seja, não abate aves de terceiros nem presta esse tipo de serviço para terceiros; d) o abate de frangos equivale à conversão da laranja em suco, com acondicionamento, pois esta atividade, igualmente se vale de processos máquinas modernas de processamento sem desnaturar a atividade rural Prossegue opondose à presunção de omissão de receitas asseverando que a desconsideração dos registros a titulo de aumento de capital da Recorrente é totalmente indevida, eis que, na realidade, não encontra amparo nem na lei e nem tampouco no decreto que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Fl. 528DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 8 7 renda e proventos de qualquer natureza. Invoca o princípio da legalidade expresso na Constituição e no art. 97 do CTN, e assevera que o Fisco não pode lançar mão de presunções simples (não amparadas em lei), sem se desincumbir do dever de provar a efetiva ocorrência do fato gerador do tributo. Em seu entendimento, a administração fazendária desvirtua os fatos com o objetivo de enquadrálos nas hipóteses legais de presunção, sem que estas realmente tenham se verificado ou sem demonstrar de forma objetiva a sua ocorrência, o que não lhe é autorizado. Cita doutrina contrária à presunção de omissão de receitas a partir de suprimentos não comprovados, e concluiu que a Fiscalização não produziu a prova necessária, consoante exige a interpretação extraída dos arts. 3o, 112 e 142 do CTN, reportandose a julgados administrativos neste sentido. Novamente afirma a existência de erro na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, defendendo que caso os autos de infração, relativos as contribuições ao PIS e a COFINS, correspondentes aos meses de competência de fevereiro/2005 a dezembro/2006, reunidos no processo administrativo n° 10950.005533/200868, sejam mantidos devem ser deduzidos da presente impugnação. Menciona que o referido lançamento decorre da glosa de créditos na apuração nãocumulativa daquelas contribuições, observa que os créditos são contabilizados como redutores do custo da mercadoria, e assim aumentam o lucro. Logo, se os créditos são glosados, a redução do custo é indevida, assim como também o é o aumento que produziram no lucro. Opõese à aplicação da multa de ofício sobre a exigência pertinente ao ano calendário 2007, vez que o correspondente lucro foi devidamente informado pela Recorrente na DIPJ correspondente apresentada em 30/06/2008, ou seja, no prazo da sua apresentação e antes da inclusão desse período no Mandado de Procedimento Fiscal (09/07/2008). Invoca o disposto no art. 44, inciso I, e no art. 61, §2o, ambos da Lei nº 9.430/96, para concluir que somente é possível a aplicação da multa moratória em tais casos. Complementa, nos termos do art. 7o, §1o do Decreto nº 70.235/72, e da doutrina que cita, que há perda da espontaneidade apenas se a fiscalização tiver relação com a infração cometida. Nestes termos, pede o cancelamento integral da exigência. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 9 8 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente com referência à argüição de nulidade do lançamento referente à CSLL, consoante já exposto pela autoridade julgadora de 1a instância, tendo sido consignado no MPFFiscalização nº 09.1.05.00.2008001840 (fl. 342) que o procedimento fiscal alcançou o IRPJ dos anoscalendário de 2004 a 2007, assim como o PIS e a Cofins do período de janeiro/2005 a dezembro/2006, não há que se falar em ausência de MPF específico autorizando a fiscalização da CSLL, em face de o artigo 9º da Portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de 2007, estabelecer que na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. Deve ser rejeitada, portanto, a preliminar de nulidade do lançamento. Passando ao mérito, a contribuinte aborda conjuntamente as seguintes infrações: · Lucros não declarados: o resultado do período adotado como ponto de partida para as adições e exclusões que conduziriam ao lucro real e à base de cálculo da CSLL no 4o trimestre de 2004 (R$ 65.381,70) é inferior ao lucro líquido do exercício, espelhado na demonstração de resultado correspondente (R$ 1.507.317,09). De forma semelhante, nos anoscalendário 2006 e 2007, a demonstração de resultado do exercício e as demonstrações de lucro real e de base de cálculo da CSLL apontam lucros tributáveis de R$ 3.904.241,21 e R$ 8.111.336,67, referências para IRPJ e CSLL devidos que não foram declarados em DCTF nem recolhidos. · Receitas não contabilizadas: divergências entre as receitas escrituradas nos livros fiscais e no Livro Diário, estas consolidadas nos balancetes de fls. 41/45, relativamente aos quatro trimestres de 2005; · Glosa de despesas de arrendamento de bens, contabilizada em 31/12/2006 e não justificada pela contribuinte. A recorrente se opõe à base de cálculo apurada aduzindo que foram desconsideradas as despesas com depreciação acelerada que deveriam ter sido deduzidas na apuração do lucro real/prejuízo fiscal efetivo da contribuinte. Defende que o art. 314 do RIR/99 autoriza o aproveitamento instantâneo da despesa de depreciação no próprio ano de aquisição do bem, mediante exclusão do valor correspondente na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Aponta a existência de imobilizado operacional equivalente a R$ 15.023.113,08, e discorre longamente sobre a caracterização de sua atividade como rural. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 10 9 Inicialmente cumpre ter em conta que, relativamente ao lucro não declarado no 4o trimestre de 2004, a autoridade julgadora de 1a instância bem observou que a divergência apurada decorria de majoração dos custos dos produtos vendidos na apuração da base tributável, também estampada na DIPJ, quando comparada com a demonstração de resultado do exercício. Vejase: Em relação ao valor tributável do 4º trimestre/2004, do confronto entre a Demonstração de Resultado do ExercícioDRE do período de 01/10/2004 a 31/12/2004 (fl. 24) e a Ficha 06A (Demonstração do Resultado – PJ em Geral) do 4º trimestre/2004 da DIPJ 2005 (fl. 53), verificase que a diferença de R$ 1.441.935,30 originase de divergência no valor do custo dos produtos vendidos, cujo valor na DRE corresponde a R$ 14.802.882,84, enquanto na DIPJ 2005 foi informado R$ 16.244.818,14. Analisandose a Ficha 04A (Custo dos Bens e Serviços Vendidos – PJ em Geral) do 4º trimestre da DIPJ 2005 (fl. 49), verificase que o custo dos produtos de fabricação própria vendidos foi assim apurado: CUSTO DOS PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA VENDIDOS: 01. Estoques no início do período de apuração......................R$ 2.684.763,25 02. Compras de insumos à vista..............................................R$ 0,00 03. Compras de insumos a prazo ............................................R$ 16.709.681,95 04. Remuneração a dirigentes da indústria ............................R$ 0,00 05. Custo do pessoal aplicado na produção ...........................R$ 553.920,96 06. Encargos Sociais ...............................................................R$ 233.327,65 07. Alimentação do trabalhador .............................................R$ 0,00 08. Manutenção e reparo de bens aplicados na produção .....R$ 0,00 09. Arrendamento mercantil....................................................R$ 0,00 10. Encargos de depreciação, amortização e exaustão ..........R$ 0,00 11. Constituição de provisões .................................................R$ 0,00 12. Serviços prestados por PF sem vínculo empregatício.......R$ 0,00 13. Serviços prestados por pessoa jurídica.............................R$ 0,00 14. Royalties e assistência técnica – país................................R$ 0,00 15. Royalties e assistência técnica – exterior..........................R$ 0,00 16. Outros custos.....................................................................R$ 166.396,45 17. () Estoques no final do período de apuração...................R$ 4.103.272,12 18. Custo dos produtos de fabricação própria vendidos ........R$ 16.244.818,14 Logo, é totalmente irrelevante a alegação de ter direito à depreciação acelerada incentivada de 100% sobre os bens para uso da atividade rural no próprio ano de aquisição, porquanto no 4º trimestre/2004 a interessada não informou parcela alguma de depreciação de bens aplicados na produção, seja na ficha 04A (Custos dos bens e Serviços Vendidos – PJ em Geral), seja na ficha 09A (Demonstração do Lucro Real – PJ em Geral), observandose que na primeira ficha deveria constar o encargo de depreciação dos bens da atividade calculado à taxa normal, enquanto na segunda constaria o complemento para atingir o valor integral do bem, que constitui exclusão para fins de determinação do lucro real da atividade rural a ser controlada na parte “B” do Lalur. Salientese que a partir do período de apuração seguinte ao de aquisição dos bens, o encargo de depreciação normal que vier a ser registrado na escrituração comercial deveria ser adicionado ao resultado líquido correspondente à atividade rural desses períodos subseqüentes, efetuandose a baixa do respectivo valor no saldo da depreciação incentivada controlado na parte “B” do Lalur, conforme determina o art. 14 da IN SRF nº 257, de 2002, mas reversão alguma foi efetuada na Demonstração do Lucro real das DIPJ 2006, 2007 e 2008. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 11 10 Ademais, da análise da Ficha 04A da DIPJ 2005 denotase que a diferença de R$ 1.441.935,30 no custo dos produtos vendidos do 4º trimestre/2004 somente poderia decorrer de registro a maior das compras de insumos a prazo (R$16.709.681,95) ou subavaliação do estoque final de produtos (R$ 4.103.272,12), mas justificativa alguma nesse sentido não foi apresentada pela impugnante. De outro lado, o benefício fiscal invocado pela recorrente está assim previsto no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99: Art. 314. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 5º). Logo, tratase de opção a ser exercida pela contribuinte em sua apuração. E tratandose de incentivo fiscal, seu registro não se dá na contabilidade, mas sim mediante exclusões do lucro líquido. Neste sentido é a Instrução Normativa SRF nº 257/2002: Art. 14. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição. § 1 º O encargo de depreciação dos bens, calculado à taxa normal, será registrado na escrituração comercial e o complemento para atingir o valor integral do bem constituirá exclusão para fins de determinação da base de cálculo do imposto correspondente à atividade rural. § 2 º O valor a ser excluído, correspondente à atividade rural, será igual à diferença entre o custo de aquisição do bem do ativo permanente destinado à atividade rural e o respectivo encargo de depreciação normal escriturado durante o período de apuração do imposto, e deverá ser controlado na Parte B do Lalur. § 3 º A partir do período de apuração seguinte ao da aquisição do bem, o encargo de depreciação normal que vier a ser registrado na escrituração comercial deverá ser adicionado ao resultado líquido correspondente à atividade rural, efetuandose a baixa do respectivo valor no saldo da depreciação incentivada controlado na Parte B do Lalur. § 4 º O total da depreciação acumulada, incluindo a normal e a complementar, não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem. § 5 º No caso de alienação dos bens, o saldo da depreciação complementar existente na Parte B do Lalur, será adicionado ao resultado líquido da atividade rural no período de apuração da alienação. § 6 º Não fará jus ao benefício de que trata este artigo, a pessoa jurídica rural que direcionar a utilização do bem exclusivamente para outras atividades estranhas à atividade rural própria. § 7 º No período de apuração em que o bem já totalmente depreciado, em virtude da depreciação incentivada, for desviado exclusivamente para outras atividades, deverá ser adicionado ao resultado líquido da atividade rural o saldo da depreciação complementar existente na Parte B do Lalur. § 8 º Retornando o bem a ser utilizado na produção rural própria da pessoa jurídica, esta poderá voltar a fazer jus ao benefício da depreciação incentivada, excluindo do resultado líquido da atividade rural no período a diferença entre o custo de aquisição do bem e a depreciação acumulada até a época, fazendo os devidos registros na Parte B do Lalur. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 12 11 Idênticas orientações constam no art. 104 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004. Nestes termos, o fato de a contribuinte dispor de significativo montante em seu ativo imobilizado é insuficiente para afetar a exigência, pois, ao deixar de promover as exclusões no momento da aquisição dos bens, a contribuinte passou a depreciálos contabilmente segundo o prazo de sua vida útil, não podendo valerse duplamente daqueles valores para reduzir a base aqui autuada e o resultado de períodos posteriores. Acrescentese, ainda, a possibilidade de itens de imobilizado terem sido baixados, assim representando custo na apuração de ganho de capital em momento futuro. Além disso, o valor de ativo imobilizado por ela apontado aproximase daquele indicado em seu balanço patrimonial ao final do anocalendário 2007, ao passo que as exigências questionadas reportamse às apurações iniciadas desde o 4o trimestre de 2004. Por sua vez, apenas a parcela de R$ 8.804.138,72 daquele montante existia no início do ano calendário 2007, e dentre ela estão computados terrenos, não alcançados pela depreciação incentivada. Assim, para pretender a depreciação incentivada, além de defender o seu direito a ela, a recorrente deveria demonstrar materialmente as parcelas correspondentes a bens adquiridos desde o período autuado, e que não se sujeitaram a depreciações ou baixas posteriores, para assim serem passíveis de dedução do lucro tributável. Não lhe basta aventar a possibilidade de uma dedução para afastar a base tributável erigida a partir de infrações claramente evidenciadas em seus registros contábeis e fiscais. Ainda, observase que mesmo a argumentação jurídica da recorrente acerca da caracterização de sua atividade como rural está dissociada de provas. A afirmação de que promove, apenas, o abate, corte, resfriamento/congelamento e a distribuição das aves não está demonstrada por qualquer documento juntado aos autos. De outro lado, o contrato social que instrui a impugnação aponta como objeto social de seus diversos estabelecimentos, além do abate, preparação e comércio de aves, também a fabricação de conservas e subprodutos de aves e pequenos animais; indústria, comércio e preparação de rações para aves e pequenos animais; preparação e comércio de produtos de carne e de pescado; fabricação de conserva de peixes, crustáceos e moluscos, dentre outros. Recordese que o benefício fiscal em questão em princípio não foi aproveitado pela contribuinte em sua escrituração – em suas DIPJ (fls. 46/124) nenhum resultado é destacado como decorrente de atividade rural – e seu debate somente veio aos autos porque veiculado em impugnação, depois de constatadas outras infrações que resultaram em lucro tributável nos períodos fiscalizados. Assim, para pretender o cancelamento integral da exigência, incumbiria à interessada a prova de que teria, de fato, direito ao benefício fiscal, em montante suficiente para excluir o lucro tributável decorrente de quaisquer das atividades por ela exercidas. De toda sorte, tem razão a autoridade julgadora de 1a instância ao concluir que a contribuinte não teria direito a referido incentivo, na medida em que utilizaria máquinas e equipamentos com elevado grau de elaboração industrial. Em suas palavras: A definição de atividade rural consta do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, com a redação dada pelo art. 17 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, in verbis: Fl. 533DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 13 12 “Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas." (Grifouse) Logo, considerase atividade rural tanto a exploração da avicultura como a transformação de produtos decorrentes dessa atividade, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada. Cumpre destacar que a produção em larga escala, com utilização de maquinário moderno e métodos apurados, está mais caracterizando uma produção industrial que uma atividade rural, pois a exploração da atividade da avicultura prevista na Lei 8.023, de 1990, se restringe tãosomente a criação e comércio de aves, vivas ou abatidas pelo próprio criador, de forma artesanal, sem a utilização de máquinas e equipamentos típicos da atividade industrial. O objetivo do legislador foi beneficiar aquele produtor rural que produz em uma escala de produção dentro dos limites permitidos com o emprego de equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, obtendo uma margem de lucro inferior à dos que possuem máquinas e equipamentos com elevado grau de elaboração industrial. Assim, empresas nas mesmas condições que a autuada, não podem se beneficiar de um incentivo que efetivamente não lhes foi direcionado. Dessa forma, uma vez constatado que a interessada não exerceu atividade rural, é forçoso concluir que não poderia, de qualquer forma, excluir do lucro real os valores decorrentes da depreciação acelerada incentivada de 100% do valor dos bens do ativo permanente imobilizado adquiridos no ano. Como se vê, é a lei que restringe o conceito de atividade rural à exploração de avicultura, assim concebida como cultura de aves, mas admite a transformação do produto decorrente desta atividade (aves e ovos), desde que não alterada sua composição e suas características in natura, e apenas se feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais. Ou seja, admite que as aves não sejam necessariamente vendidas vivas, mas também abatidas e em partes, desde que este processamento seja feito pelo próprio agricultor ou criador, em instalações rurais. A recorrente busca equiparar sua situação àquela analisada no Acórdão nº 10194.540, consistente na atividade desenvolvida por Frangosul S/A Agro Avícola Industrial. Todavia, do voto vencido do I. Conselheiro Valmir Sandri extraise abordagem que sustenta o mesmo entendimento veiculado pela autoridade julgadora de 1a instância: Fl. 534DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 14 13 Primeiramente, podendo citar texto acostado pela própria Recorrente (fls. 199/202), a produção em larga escala, com utilização de maquinário moderno e métodos apurados, obriga a caracterizar a atividade que aquela exerce como de natureza evidentemente industrial. Nos termos definidos no texto acima mencionado, inclusive, poderseia chamála "avicultura industrial", em que, tomando por base atividade rural (cultura de aves), fazse uso da produção industrial para explorála com melhores resultados. Portanto, conceitualmente, não se poderia caracterizar a atividade exercida pela Recorrente por rural, mas sim, como industrial, no caso, indústria extrativa animal, que não mais faz parte do rol das atividades beneficiadas pela Lei n. 8.023/90. Destarte, satisfeito o aspecto material da discussão, há que se debater sobre a possibilidade de aplicar este entendimento sob o pálio da legislação de regência, vez que, como argumenta a Recorrente, não haveria esta definição em lei, o que levaria a excluir parecer emitido em processo de consulta sem haver modificação no fundamento legal. Todavia, este entendimento não deve prosperar, pois que, de fato, houve mudança no enquadramento legal da situação, no que acompanho argumento utilizado pela autoridade a quo, a seguir transcrito: "Agora, o art. 2° do referido diploma (Lei n° 8.023/90) não inclui a atividade industrial extrativa vegetal ou animal entre as atividades rurais, mesmo admitindo a transformação de produtos agrícolas e pecuários, sendo expresso, no inciso V, o afastamento de atividade que "configure procedimento industrial", ainda que haja alguma forma de transformação. Não se pode interpretar que a exclusão da palavra indústria (utilizada na legislação anterior), ao referirse à extração vegetal e animal, seja inócua. A nova lei aumentou o leque de atividades consideradas rurais, por um lado, mas, por outro, afastou procedimentos industriais deste leque, o que ficou claramente expresso no inciso V". De fato, os dispositivos revogados excluíam expressamente do conceito de atividade rural, pelas empresas, as atividades de transformação de seus produtos ou subprodutos, ao passo que a Lei n. 8.023/90, não mais restringiu para efeito do conceito de atividade rural a transformação de produtos agrícolas ou pecuários, desde que não alteradas a composição e as características do produto in natura e não configure procedimento industrial feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada. Isto significa dizer que, além dos benefícios fiscais decorrentes da atividade específica da agricultura e da pecuária, poderiam ainda, beneficiarse como atividade rural, as atividades de transformação destes produtos (agrícolas e pecuários), desde que não alteradas a composição e as características do produto in natura e não configurasse procedimento industrial. Por outro lado, a Lei nova ao ampliar o conceito de atividade rural, incluiu expressamente a avicultura como decorrente da atividade rural, mas não incluiu no conceito de atividade rural a transformação deste produto, conforme o fez para os produtos agrícolas ou pecuários, mesmo que não alteradas a composição e as características do produto in natura, e não configure procedimento industrial. A conclusão a que se chega é que, a exploração da atividade da avicultura prevista na Lei 8.023/90, se restringe tãosomente a criação e comércio de aves, vivas ou abatidas pelo próprio criador, de forma artesanal, sem a utilização de máquinas, equipamentos e utensílios industriais. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 15 14 Prova disto está no art. 17, da Lei nr. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que veio alterar o inciso V, art. 2°., da Lei 8.023/90, para incluir, além da atividade de agricultura e pecuária, as demais atividades rurais enumeradas nos incisos I a IV do referido artigo, ali incluída a atividade da avicultura, em que é admitida a transformação, sem que sejam alteradas a composição e as características do produtos in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador. Ainda, compulsando aos autos, verificase que a criação de aves abatidas pela Recorrente é feita por diversos avicultores, sob a forma de parceria rural avícola, conforme modelo de contrato às fls. 146/152 dos autos, em que a contribuinte fornece aos avicultores os lotes de pintos, ração e medicamentos necessários para o desenvolvimento das aves, e estes, se comprometem a entregar as aves criadas para abate, tendo direito a uma participação nos resultados, de acordo com o desempenho apresentado em cada lote, ou seja, a Recorrente compra o quinhão do criador, pela performance apresentada naquele lote. Disto, defluise que a atividade desenvolvida pela Recorrente não caracterizase como atividade rural, porquanto, não preenchido o requisito da Lei nr.8.023/90, qual seja, a avicultura, atividade do setor primário da economia, sobre o qual não podem concorrer procedimentos de características industriais para a obtenção de seus produtos. Para corroborar o entendimento acima, verificase às fls. 303/304 dos autos que a Recorrente há tempo vem requerendo junto a Secretaria da Receita Federal restituição e/ou compensação de créditos de I.P.I., referente à aquisição de mercadorias e material de embalagens, como também, a incentivos fiscais estabelecidos no DL 1.136/70, relativo à aquisição de máquinas, aparelhos e equipamentos de fabricação nacional, destinado à instalação, ampliação ou modernização, por considerarse estabelecimento industrial fabricante de produto não tributado. Neste sentido, a própria Recorrente, por ocasião do Recurso Voluntário interposto perante o Conselho de Contribuintes, no Processo n. 13053000047/9407 (matéria I.T.R. e CONTAG), se qualifica como tendo sua atividade voltada "para o beneficiamento de produtos avícolas, tarefa essa de industrialização e jamais rural" (fl. 309 dos autos). Da mesma forma, alega naquele processo que seus empregados estão vinculados ao sistema geral da Previdência Social, ex vi do artigo 7°., caput da Constituição Federal/88, e que seus sindicatos são também urbanos, quais sejam, o dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentação e Técnicos Agrícolas de Nível Médio do RS, conforme se verifica à fl. 309 também dos autos. Ora, o que não pode é, num determinado processo se declarar perante a mesma Instituição como industrial para fazer jus aos benefícios decorrentes de crédito de I.P.I. na exportação e de incentivos fiscais, como também para eximirse do pagamento do I.T.R. e CONTAG, para em outro processo que exige tributos com base na atividade industrial anteriormente declarada, afirmar que exerce exclusivamente atividade rural, com o fito de se beneficiar dos incentivos tributários oferecidos para este tipo de atividade. Desta forma, e por tudo o mais que consta dos autos, entendo que não merece qualquer reforma a bem fundamentada decisão recorrida em relação à matéria ora questionada, a qual peço vênia para adotála, integralmente, como se minha fosse, ou seja, considerar a atividade exercida pela Recorrente excluída dentre aquelas com benefícios fiscais, constante na Lei n° 8.023/90, não havendo, portanto, o que se falar em "interpretação personalíssima" da fiscalização, conforme alega a Recorrente, pois que se trata exclusivamente de determinação legal. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 16 15 Importante observar que este entendimento não prevaleceu no acórdão recorrido, em razão de a maioria da Câmara firmar a prevalência de decisão em processo de consulta formulado pela recorrente, mas na vigência da legislação anterior à Lei nº 8.023/90, na medida em que a alteração decorrente da revogação dos dispositivos anteriores não alteraria substancialmente o contexto que justificou a resposta dada à consulente. É certo que o voto vencedor ataca também outros fundamentos do voto vencido, inclusive assim afirmando: não dá para concordar com as assertivas feitas pelo nobre Relator: a uma, porque o abate de aves, seu resfriamento, o corte e a embalagem, não têm sua caracterização como atividade rural, vinculada ou da dependência do número de animais sacrificados; a duas, porque nada existe no texto legal que autorize a interpretação restritiva dada à regra jurídica sob análise; a três, porque não é a produção em maior ou menor escala, muito menos a substituição da mãodeobra por métodos mais modernos de abate, despojamento, corte, resfriamento e embalagem das aves abatidas, que têm o condão de dar classificação à atividade industrial. Todavia, é possível, sim, concluir que o abate de aves, seu resfriamento, o corte e a embalagem encontra limitações legais para se caracterizar como atividade rural. Isto porque estas atividades não se incluem na avicultura em si – como dito, cultura, ou produção, de aves e ovos – mas sim caracterizam transformação de produto decorrente desta atividade, sem alteração da composição e das características do produto in natura, a qual somente é admitida como atividade rural na forma do inciso V do art. 2o da Lei nº 8.023/91, ou seja, quando feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais. Está patente que a lei, ao falar em transformação de produtos sem alteração da composição e das características deste em natura, não adotou o conceito da legislação de IPI, como defende a recorrente. A transformação, naqueles termos, necessariamente deve importar na obtenção de espécie nova, conseqüência expressamente afastada pela lei. Assim, se alguma equiparação pode ser feita entre a legislação do IPI e o conceito de transformação da Lei nº 8.023/90, ela se dá, justamente, nas atividades de beneficiamento e acondicionamento, que a contribuinte afirma realizar, e assim o faz em larga escala, consoante evidências dos autos. De fato, o próprio balanço patrimonial da autuada, juntado à sua impugnação, denota o perfil de sua atividade: em 2007 foram investidos R$ 4.363.601,99 na aquisição de máquinas e equipamentos, R$ 1.451.024,80 em veículos e R$ 1.716.567,15 em imobilizações em andamento, correspondentes a construção de matrizeiro, ampliação de frigoríficos e de incubatórios, bem como de fábrica de ração, além de aviários. Evidente sua atividade industrial, totalmente distante da atividade rural, esta possivelmente exercida apenas pelos parceiros rurais que cultivam as aves posteriormente destinadas à indústria para abate. Registrese, ainda, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, apreciando recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 101 94.540, adotou o entendimento exteriorizado no voto vencido do Conselheiro Valmir Sandri, e aqui adotado. O correspondente Acórdão no 9101001.234 está assim ementado: ATIVIDADE RURAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Para efeitos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, não se caracteriza como atividade rural, definida pelo art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990, o abate, resfriamento, congelamento, despojamento, corte e embalagem de aves, realizados com a Fl. 537DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 17 16 utilização de equipamentos e maquinários automatizados, não usualmente empregados pelos criadores nas atividade rurais. Não caracterizada a atividade rural, contemplada com o benefício fiscal da Lei nº 8.023/1990, o resultado da atividade deve ser tributado de acordo com as regras válidas para as pessoas jurídicas que desenvolvem atividades não incentivadas.A recorrente argumenta que a sofisticação do procedimento seria decorrente das exigências sanitárias impostas à sua atividade, e aplicável a abatedouros de qualquer porte. Isto, porém, só induz a conclusão de que estes abatedouros de menor porte também não exerceriam atividade rural. Outras comparações ainda são promovidas na defesa, com vistas a demonstrar a imprecisão da legislação tributária acerca da caracterização da atividade rural e da conceituação de produto rural, mas não se pode olvidar que, consistindo o benefício fiscal em questão em antecipação de despesas e conseqüente redução do lucro tributável antes do momento em que tal redução seria contabilmente admissível, há clara dispensa de encargos moratórios pela postergação de recolhimento dos tributos, impondose a aplicação do art. 111, inciso I, do CTN: interpretase literalmente a legislação tributária que disponha, dentre outros, sobre a exclusão do crédito tributário. Considerando, assim, que a contribuinte não demonstrou jurídica ou materialmente ter direito à depreciação incentivada prevista para as atividades rurais, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário neste ponto, mantendo as exigências decorrentes da constatação de lucros não declarados, de receitas não contabilizadas e de glosa de despesas de arrendamento. Na seqüência, a contribuinte questiona a presunção de omissão de receitas que lhe foi imputada, em razão da falta de comprovação da efetiva entrega dos numerários ao caixa da empresa, bem como da origem dos recursos correspondentes aos valores escriturados como suprimentos de caixa a título de aumento de capital social, pelos sócios. A contribuinte foi intimada a produzir esta prova conforme documento de fl. 4, e ausente resposta, a autoridade fiscal concluiu pela ocorrência de omissão de receitas, com fundamento nos arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 282, e 288, do RIR/99. Especialmente o art. 282 do RIR/99 assim dispõe: Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). Às fls. 125/126 consta a alteração contratual apontando a integralização das parcelas de R$ 250.000,00 (Célio Batista Martins) e de R$ 2.500,00 (sócia Tânia Mara Nuvoli Pauka) em moeda corrente nacional. A recorrente argumenta que a desconsideração dos registros a titulo de aumento de capital da Recorrente é totalmente indevida, eis que, na realidade, não encontra amparo nem na lei e nem tampouco no decreto que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Diz Fl. 538DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 18 17 que o Fisco não pode lançar mão de presunções simples (não amparadas em lei), sem se desincumbir do dever de provar a efetiva ocorrência do fato gerador do tributo. Todavia, a presunção adotada pela Fiscalização está prevista em lei, e decorre do que normalmente ocorre em casos reais, nos quais os sócios que aportam capital em espécie na pessoa jurídica, mas não conseguem provar a origem e a efetiva integra destes valores à sociedade, estariam, na verdade, integrando à contabilidade da pessoa jurídica os recursos mantidos à sua margem. Diz a recorrente, com base em doutrina que transcreve, que os suprimentos de caixa somente se prestariam a arbitrar o valor das receitas omitidas quando a escrituração do sujeito passivo denotasse a movimentação de recursos não estribados em receitas ou passivos legítimos. Este, porém, não é o entendimento esposado pela vasta jurisprudência administrativa, consoante ementas de acórdãos a seguir transcritos: IRPJ – SUPRIMENTO – Se o supridor, sócio da pessoa jurídica, não comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com o numerário suprido, a origem externa à empresa destes mesmos valores, há presunção júris tantum de que houve omissão de receita, pois, se a origem do numerário não for externa, evidentemente a fonte do dinheiro utilizado é a própria empresa. (Acórdão nº 10175.653, sessão de 21 de janeiro de 1985). IRPJ – OMISSÃO DE RECEITA – Os suprimentos de Caixa efetuados por sócios de sociedade não anônima, titular de firma individual ou administrador da companhia cuja origem e efetiva entrega do numerário utilizado nas operações deixarem de ser comprovados através de documentação hábil e idônea, com coincidência de datas e valores, estarão sujeitos à tributação como receita omitida pela pessoa jurídica. Irrelevante, no caso, a capacidade econômica e financeira retratada na declaração de rendimentos do supridor. (Acórdão nº 10179.006, sessão de 15 de agosto de 1989). SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO – Presumese omissão de receitas as importâncias supridas pelo sócio à pessoa jurídica, quando esta não logra comprovar a origem e a efetiva entrega dos recursos supridos. (Acórdão nº 101 84.749, sessão de 17 de fevereiro de 1993). SUPRIMENTOS DE CAIXA Os suprimentos de caixa efetuados pelos sócios e os aumento de capital em dinheiro desde que restem incomprovados a origem e o efetivo ingresso dos recursos no patrimônio da pessoa jurídica,geram a presunção de omissão de receitas que cabe a empresa afastar. (Acórdão nº 10191.024, sessão de 13 de maio de 1997). OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE CAIXA POR SÓCIOS — Os suprimentos de numerário atribuídos a sócios da pessoa jurídica, cujos requisitos cumulativos e indissociáveis de efetividade de entrega e origem dos recursos não forem devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea,coincidente em datas e valores, devem ser tributados como receitas omitidas pela empresa. (Acórdão nº 10194.489, sessão de 29 de janeiro de 2004). IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS — SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. O fato de constar na escrituração da empresa que houve suprimento de numerário por sócio, implica na obrigação da mesma comprovar, a efetiva entrega do numerário bem como sua origem, para que não fique caracterizada a omissão de receitas. A não comprovação por parte da contribuinte autoriza a presunção, nos termos do art. 282 do RIR/99, de que esses valores se originaram de recursos da pessoa jurídica, provenientes de receitas mantidas à margem da tributação. Tratase de presunção Fl. 539DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 19 18 legal, em que cabe à contribuinte o ônus da prova. (Acórdão nº 10708.405, sessão de 25 de janeiro de 2006). OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Os aumentos de capital integralizados pelos sócios, em forma de recursos ao caixa da empresa, devem ter sua origem e efetiva entrega comprovados por documentação hábil, sob pena de configurar omissão de receita. (Acórdão nº 10322.892, sessão de 28 de fevereiro de 2007). SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO — O suprimento de valores pelos sócios da pessoa jurídica se sujeita à comprovação de requisitos essenciais, cumulativos e indissociáveis, no tocante à origem e à efetividade da entrega dos recursos, que deverão ser coincidentes em datas e valores. Somente infirmam a presunção de omissão de receitas as provas concomitantes da origem dos recursos utilizados e da efetividade de sua entrega à pessoa jurídica. A ausência tãosomente de uma delas já é bastante suficiente para autorizar a presunção legal de omissão de receitas. Não elide essa presunção legal se o supridor, in casu, tãosomente comprovar a origem externa à empresa destes recursos e não conseguir comprovar a efetiva entrega dos mesmos. (Acórdão nº 140100.097, sessão de 27 de agosto de 2009). SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Caracteriza omissão de receita o suprimento de numerário por sócio, não comprovada a efetividade da entrega dos recursos ou, ainda que comprovada a efetividade da entrega, a não comprovação de sua origem. (Acórdão nº 1302000.890, sessão de 12 de setembro de 2012). Tanto o é que as ementas de julgados administrativos referidos pela recorrente apenas abordam a impossibilidade de lançamento fundando em presunções simples, que ensejam dúvida acerca dos fatos por meio delas afirmados. Assim, ausente qualquer prova da origem e da efetiva entrega do numerário destinado pelos sócios a aumento de capital da autuada, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário e mantida a imputação de omissão de receitas. Quanto ao alegado erro na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, pretende a recorrente que caso os autos de infração, relativos as contribuições ao PIS e a COFINS, correspondentes aos meses de competência de fevereiro/2005 a dezembro/2006, reunidos no processo administrativo n° 10950.005533/200868, sejam mantidos devem ser deduzidos da presente impugnação. Menciona que o referido lançamento decorre da glosa de créditos na apuração nãocumulativa daquelas contribuições, observa que os créditos são contabilizados como redutores do custo da mercadoria, e assim aumentam o lucro. Logo, se os créditos são glosados, a redução do custo é indevida, assim como também o é o aumento que produziram no lucro. A autoridade julgadora de 1a instância rejeitou o pleito da interessada argüindo que os valores exigidos a título de Contribuição ao PIS e COFINS estariam com a exigibilidade suspensa, motivo pelo qual seria indedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL nos períodos fiscalizados, a teor do art. 344, §1o do RIR/99. Todavia, em que pese o valor envolvido possa, em algumas circunstância, ser o mesmo, a pretensão da recorrente não é deduzir os tributos lançados, mas sim considerar, por inteiro, o custo de mercadoria vendida que teria sido minorado por conta do desconto de créditos utilizados na apuração não cumulativa daquelas contribuições. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 20 19 É possível, na sistemática nãocumulativa, que a contribuição seja calculada sobre o faturamento seja contabilizada por inteiro como despesa, e os créditos que reduzem seu recolhimento sejam descontados das contas de custos e despesas correspondentes. Neste sentido, inclusive, foram as orientações do Conselho Federal de Contabilidade no Comunicado Técnico no 01/2003: Lei nº 10.637/2002 PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO – FORMA DE CONTABILIZAÇÃO Com o advento da lei supra epigrafada, a contribuição para o PIS e PASEP tornaramse contribuições nãocumulativas. Neste sentido, deve ser adotado, quanto a estas contribuições, a mesma sistemática conferida à Contabilização do ICMS, uma vez que estas geram créditos em relação a operações anteriores . Em conta específica (Recuperação de PIS) deve ser contabilizado o crédito valendo como redutor do custo da mercadoria ou da despesa na prestação de serviços. Quando da venda da mercadoria ou da prestação do serviço, o valor do PIS, contabilizado em conta específica redutora da Receita. [...] Caso assim proceda o contribuinte, o resultado do exercício, ao longo do tempo, é reduzido, apenas, pelo valor da contribuição líquida devida. Portanto, o lançamento de ofício daquelas contribuições, em razão da glosa de crédito indevidamente descontados na apuração nãocumulativa, não ensejariam novas despesas tributárias a serem contabilizadas, mas poderiam, sim, permitir a reconstituição de custos e despesas antes reduzidos pelo desconto daqueles créditos. Contudo, para ter direito à reversão desta alegada redução de custos, a contribuinte minimamente deveria demonstrar que, de fato, promoveu o desconto daqueles créditos com efeitos na apuração do lucro tributável do período correspondente. Relevante destacar, aliás, a impropriedade da contribuinte ao resumir a questão a uma redução de custos, pois sendo sua atividade industrial, como antes demonstrado, os créditos seriam descontados no momento em que os insumos são adquiridos e destinados a estoque de matériasprimas ou de produtos para revenda. Na sequência, só no momento da venda dos produtos haveria, de fato, efeito no resultado do período. Isto é o que se conclui do disposto na legislação que disciplina a apuração nãocumulativa: a) Lei nº 10.637/2002 e alterações (Contribuição ao PIS): Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao Fl. 541DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 21 20 concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] b) Lei nº 10.833/2003 e alterações (COFINS): Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1o do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; [...] Assim, a glosa de créditos em apuração nãocumulativa das Contribuições ao PIS e da COFINS não repercutiria necessariamente na apuração do lucro tributável correspondente ao período de apuração no qual foram utilizados. Seria necessário que a apuração de custos fosse reconstituída de modo a demonstrar em que momento o desconto de créditos, se efetivamente promovido no registro de estoques, minorou os custos computados na apuração do lucro tributável. Acrescentese, ainda, a possibilidade de a contribuinte não ter dado aos valores glosados tratamento de crédito escritural, na medida em que na incidência não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS os créditos não têm propriamente esta natureza, como têm os créditos na apuração nãocumulativa do IPI e do ICMS. Em tais condições, os insumos e despesas seriam registrados por seu valor integral, e inexistiria a repercussão aventada pela recorrente. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 22 21 Ademais, a recorrente deveria demonstrar que os créditos glosados correspondem, efetivamente, a parcelas dos custos e despesas, e não a créditos presumidos, que não mantêm esta vinculação com elementos integrantes do resultado do período. Considerese, ainda, a permissão legal de que o crédito não aproveitado em determinado mês possa sêlo nos meses subseqüentes, de modo que a glosa fiscal pode sequer corresponder ao período de apuração no qual o crédito foi descontado do insumo adquirido. Por fim, para pretender a recomposição do lucro tributável, a contribuinte deveria concordar com a glosa de créditos que foi promovida, o que não se verificou, posto que o correspondente litígio aguarda apreciação na 3a Seção de Julgamento deste Conselho. Diante do exposto, resta claro que também aqui a contribuinte apenas faz alegações, sem qualquer suporte fático que se preste a desconstituir a base tributável apurada pela autoridade fiscal. Por estas as razões, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário quando a este aspecto. E, quanto aos questionamentos dirigidos contra a aplicação da multa de ofício, a autoridade julgadora de 1a instância muito propriamente demonstrou que a contribuinte não praticou qualquer ato espontâneo que pudesse afastála. Assim, são adotadas aqui as razões de decidir expostas pelo I. Julgador Ney Kazuo Kusakariba: Protesta contra a multa de ofício de 75%, ao argumento de que a exigência da multa punitiva em relação ao anocalendário de 2007 seria totalmente indevida, posto que a multa moratória poderia ter sido aplicada; que o lucro considerado pelo auditorfiscal como não declarado em relação ao anocalendário de 2007 foi devidamente informado na DIPJ correspondente, apresentada tempestivamente em 30/06/2008, antes da inclusão desse período no MPF; que assim, não há que se falar em ausência de declaração do lucro, mas sim em mero atraso, motivo pelo qual apenas poderia ser exigida multa de mora de 20%; que como a auditoria em relação ao anocalendário de 2007 foi incluída no MPF após a apresentação da DIPJ, não há que se falar em perda da espontaneidade. Contudo, cabe destacar que desde a instituição da Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF pela IN SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998 (cujos termos básicos foram mantidos pelas diversas instruções normativas que a sucederam, estando em vigor nos anoscalendário de 2006 e 2007 as IN SRF nºs 583, de 20 de dezembro de 2005, e 695, de 14 de dezembro de 2006), a declaração da pessoa jurídica – que passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa JurídicaDIPJ (instituída pela Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998) – não constitui mais instrumento de confissão de dívida, passando a ser apenas uma obrigação acessória, razão pela qual os valores do IRPJ e da CSLL nela informados não mais podem ser enviados para a inscrição em Dívida Ativa da União. Como a DCTF é desde então o instrumento hábil para inscrição de débitos em dívida ativa e cobrança judicial, os saldos de, respectivamente, R$ 2.003.834,17 e R$ 730.020,30 de IRPJ e CSLL a pagar do exercício de 2008, informados na DIPJ 2008 (fls. 117 e 119v), cujos débitos deveriam ter sido pagos em quota única até o último dia útil do mês de março/2008, deveriam obrigatoriamente ter sido confessados na DCTF mensal relativa a março/2008 (apresentada em 08/05/2008, às fls. 376380). Como a interessada deixou de confessálos nessa DCTF, devem ser exigidos por intermédio de auto de infração com o acréscimo da multa de lançamento de ofício. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 23 22 Por conseguinte, correta está a aplicação da multa de ofício de 75% prevista no art. 44, I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, in verbis: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...)” (Grifouse) Dessa forma, verificase que são descabidas as alegações de defesa apresentadas pela interessada, porquanto a multa de ofício de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é de aplicação obrigatória para a exigência formalizada em lançamento de ofício. Diante de todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 544DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10950.005530/200824 Acórdão n.º 1101000.926 S1C1T1 Fl. 24 23 Fl. 545DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 18471.000407/2003-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1998
DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte o ônus da prova da legitimidade dos lançamentos que importem redução do crédito tributário. A dedutibilidade das despesas está condicionada à comprovação de sua existência e necessidade às atividades da empresa.
Numero da decisão: 1301-000.601
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, afastar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova da legitimidade dos lançamentos que importem redução do crédito tributário. A dedutibilidade das despesas está condicionada à comprovação de sua existência e necessidade às atividades da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, afastar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Observase pela análise do presente processo que em desfavor da recorrente foi lavrado Auto de Infração (fls. 172 – 179). O Termo de Verificação Fiscal está contido às folhas 166 a 170. Referido auto de infração prestouse para formalização e exigência de crédito tributário relacionado ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social (CSLL), ambos com multa de 75% e juros de mora. Depreendese ainda, que o lançamento foi efetuado em virtude de procedimento fiscal no qual se efetivou glosa de despesas, assentando a Fiscalização, que a recorrente foi intimada a apresentar documentação referente a despesas, a justificar a necessidade e a provar o efetivo pagamento, deixando de comprovar devidamente os valores relacionados no bojo do auto de infração. Cientificada da autuação (fls. 172 e 176), a recorrente apresentou Impugnação (fls. 203 – 218), alegando em síntese, que a exação é indevida, abusiva e arbitrária, restrita a aspectos superficiais e que ao mencionar "valor tributável ou imposto", tomase patente a imprestabilidade da autuação. Argumentou ainda que houve inversão do ônus da prova pelo Fisco, bem como, falta de clareza na imputação causando assim, cerceamento do direito de defesa e implicando a nulidade do lançamento. No mais, aduziu que na falta de comprovação documental da parcela glosada, a escrituração da despesa se encontrava apoiada em documentos e recibos que se constituiriam em provas hábeis das despesas e que falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços e dos requisitos de dedutibilidade das parcelas glosadas a exigência não poderia prosperar frente aos elementos de prova anexados, sendo que o ônus da prova (quanto à despesa não ser necessária) era do Fisco e que juntou contratos de prestação de serviços, notas fiscais, requereu diligência e pugnou pela improcedência do lançamento. A 3ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 299 a 305, manteve o auto de infração assentando que o lançamento foi efetuado com observância dos requisitos do artigo 142 do CTN, não se configurando qualquer violação aos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/72, porquanto a recorrente foi regularmente intimada, tendo recebido cópia do auto de infração e que está se encontrava descrita de forma detalhada e capitulada, sendo que a recorrente demonstrou pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a autuação. Assentouse ainda, que a indicação, no auto de infração, de se tratar de "valor tributável ou imposto" não prejudica o entendimento do lançamento, uma vez que o Termo de Verificação deixou claro os valores das despesas que objeto da glosa e, nos Demonstrativos de Apuração do IRPJ (fl. 174) e da CSLL (fl. 178), os valores exigidos se encontram demonstrados. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 18471.000407/200315 Acórdão n.º 130100.601 S1C3T1 Fl. 2 3 Assentouse ainda, que em se tratando do pedido de perícia ou diligência, caberia observar que o inciso III, do artigo 16, do Decreto 70.235/72, determina que a impugnação apresentada deve necessariamente mencionar "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir" e que o mesmo artigo aduz em seu § 4°, que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrado motivo de força maior, se refira a fato ou a direito superveniente, ou se contraponha a razões ou a fatos trazidos aos autos posteriormente. Dito isso, entendeu a decisão recorrida que o contribuinte não pode se eximir do ônus da prova mediante solicitação de perícia ou diligência, indeferindose a solicitação de perícia ou diligência. Quanto ao mérito, entendeu a decisão recorrida que as despesas têm o condão de reduzir o Lucro Real e, consequentemente, o crédito tributário, de sorte que seria ônus do interessado provar a existência e o preenchimento dos requisitos de necessidade, usualidade e normalidade e que a ausência ou falha em qualquer dos requisitos elencados impossibilitaria o incurso do ato ou fato econômico à categoria de despesa, permanecendo mero dispêndio, aquém da possibilidade de dedução no sistema jurídicotributário de determinação do lucro tributável. Nessa toada, consignouse que a prova não se faz apenas com a apresentação de Notas Fiscais, mas com a demonstração da relação do pagamento com o serviço prestado e que a demonstração da efetiva prestação dos serviços é condição de dedutibilidade, sendo o ônus da prova dos valores escriturados do interessado, não podendo prosperar a alegação do interessado no sentido de caber à fiscalização a prova da não veracidade dos fatos escriturados e estes devem estar embasados em documentos hábeis e idôneos. Na sequência a decisão recorrida enfrentou minudentemente a imputação contida no item 1 do Termo de Verificação, relembrando que a Fiscalização efetuou a glosa de diferença de R$ 4.828,00, apontando que a recorrente foi intimada a comprovar o valor de R$ 39.633,00, contabilizado a titulo de aluguel e condomínio tendo comprovado o montante de R$ 34.805,00 e que os documentos apresentados em sede de impugnação foram os mesmos já apresentados à fiscalização, sendo que as notas fiscais de folhas 259 e 262 foram aceitas pela fiscalização e totalizam o montante comprovado (R$34.805,00). Analisando o documento de folha 260, concluiuse que se tratava de documento interno denominado "Cópia de Cheque", sem qualquer valor probante, motivo pelo qual, remanesceria sem comprovação a diferença de R$4.828,00. Quanto ao item 2 da autuação, relembrou a decisão recorrida que a Fiscalização efetuou glosa de despesas (R$ 3.400,00 e R$ 3.921,30) contabilizadas a título de aluguel e condomínio, uma vez que a recorrente "comprovou apenas o depósito em conta de terceiro, sem apresentar notas fiscais que descriminasse que tipo de produto ou serviço foi adquirido". Diante disso, afirmouse que os documentos apresentados em sede de impugnação foram os mesmos já apresentados à Fiscalização, consistentes nos recibos de depósito em conta corrente (fls. 263 264) e tais documentos não comprovariam as referidas despesas e nem mesmo as identificariam, considerando, portanto, não comprovadas as despesas glosadas (R$ 3.400,00 e R$ 3.921,30). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 4 Quanto ao item 3 do Termo de Verificação, seguiuse a mesma sistemática relembrando que a Fiscalização efetuou glosa de despesas (R$ 10.060,29 e R$ 3198,80) uma vez que a recorrente "não apresentou qualquer documento que justificasse sua dedutibilidade como despesa", ocorrendo que na impugnação, o único documento apresentado foi a nota fiscal de folha 265, que não teria qualquer relação com as despesas glosadas (não há identidade de valor, nem de data), considerando assim, não comprovadas as despesas glosadas (R$ 10.060,29 e R$ 3.198,80), concluindo, entendeu a decisão que o item 4 do Termo de Verificação, que por igual turno glosou despesas com serviços prestados por “Viga Assessoria Contábil e Planejamento Ltda.”, tendo em vista que a recorrente, intimada a comprovar a efetiva prestação dos serviços, não apresentou relatórios descrevendo as atividades desenvolvidas mensalmente e o contrato, além de não ter sido registrado, não especificaria os serviços, sendo que os cheques utilizados para pagamento das referidas despesas foram depositados em conta corrente de Orla DTVM Ltda. Relembrou ainda, que a Fiscalização apurou que a empresa Viga apresenta DIPJ como inativa e não informou a existência de qualquer receita de prestação de serviços no ano calendário 1998, considerandose, em face do exposto, que as notas fiscais seriam insuficientes para a comprovação das despesas e os documentos apresentados em sede de impugnação foram os mesmos já apresentados à Fiscalização — notas fiscais e cópias dos cheques (fls. 266 295) e que estes, como observado pela Fiscalização, em face dos fatos apurados e relatados acima, não seriam aptas a comprovar as referidas despesas. Fundamentouse ainda, que a nas Notas Fiscais de Serviços apresentadas, a discriminação seria genérica (serviços de assessoria contábil), sendo que no caso de despesa de prestação de serviços, a Nota Fiscal de Serviços deveria discriminar detalhadamente os serviços prestados, mantendose a glosa e os lançamentos dela decorrentes. Devidamente cientificada da decisão desfavorável (fl. 312), a contribuinte interpôs Recuso Voluntário (fls. 313 – 323), reiterando os argumentos e pugnando por provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, conheçoo. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 18471.000407/200315 Acórdão n.º 130100.601 S1C3T1 Fl. 3 5 Cuidase aqui, como detalhado no relatório, de glosa de despesas ante a não comprovação das despesas deduzidas. Às folhas 166 a 170 a Fiscalização delineou cuidadosa descrição dos fatos demonstrando em quatro tópicos a não comprovação integral das despesas deduzidas e subsequentemente glosadas. A decisão recorrida, cotejando o panorama das provas produzidas pela recorrente, entendeu que esta não comprovou a efetividade das despesas, porquanto os documentos apresentados em nada inovariam em relação àqueles apresentados à época da autuação. Com razão a decisão recorrida. A glosa foi levada a efeito ante a não comprovação da efetividade na despesa considerada incorrida, motivo pelo qual, competia à contribuinte o ônus de evidenciar a legitimidade dos lançamentos, porquanto a dedução implica em redução do crédito tributário, não subsistindo assim, os argumentos da recorrente quanto à suposta inversão do ônus da prova. Tratandose de dedutibilidade de despesas, é dever inafastável do contribuinte, comprovar todos os requisitos impostos à dedutibilidade, motivo pelo qual, não prosperam as alegações preliminares da recorrente e pela natureza da prova a ser produzida, negase qualquer pedido de diligência ou perícia. No mérito, de igual forma são improcedentes os argumentos da contribuinte, registrandose nesse mister que o Recurso Voluntário em nada inovou nos fundamentos afastados pela decisão recorrida. Com efeito, a glosa contida no primeiro item do cuidadoso relatório da autuação (fls. 166 – 170), se deu em vista de uma diferença, cuja efetividade, a recorrente foi intimada a comprovar, mas, em relação a parcela glosada não o fez. No mesmo sentido da decisão recorrida, observo que os documentos apresentados após a lavratura do auto de infração foram os mesmos já apresentados ainda no curso da fiscalização e são de fato, imprestáveis para comprovar as diferenças, porquanto as notas fiscais de folhas 259 e 262 já foram aceitas e compõem o valor cuja dedutibilidade foi reconhecida, sendo certo afirmar que o documento interno denominado "Cópia de Cheque", encartado na folha 260, que não tem a necessária força probante para demonstrar a certeza do pagamento. Já o segundo tópico das constatações da Fiscalização, cuja manutenção da glosa foi reconhecida pela decisão recorrida, observase que a contribuinte contabilizou despesas de aluguel e condomínio, mas comprovou apenas o depósito em conta de terceiro, ocorrendo, novamente, que os documentos apresentados, consistentes nos recibos de depósito em conta corrente (fls. 263 264) não têm de fato, o condão de comprovar as despesas e por corolário, tornálas dedutíveis. Subsiste também as constatações da Fiscalização, ao se observar os itens 3 e do Termo de Verificação, tendo em vista que a nota fiscal de folha 265, não guarda qualquer relação com as despesas glosadas e os serviços que teriam sido prestados por “Viga Assessoria Contábil e Planejamento Ltda.”, ainda carecem de comprovação hábil e idônea que indique efetiva prestação dos serviços, e como assinalado pela decisão recorrida e pela Fiscalização a empresa Viga apresenta DIPJ como inativa e não informou a existência de qualquer receita de prestação de serviços no ano calendário 1998. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 6 Por essas considerações, afasto qualquer preliminar de nulidade e no mérito, voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, assinalando que as despesas glosadas carecem de comprovação, por parte do contribuinte, da satisfação dos requisitos autorizadores da dedutibilidade como despesas, mantendose a exigência fiscal decorrente do impacto da dedução indevida, aplicandose o mesmo entendimento aos eventuais reflexos na CSLL. Sala das Sessões, em 30 de junho de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000569/2008-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DEPÓSITOS BANCÁRIOS, CHEQUES ADMINISTRATIVOS
DEPOSITADOS A CRÉDITO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS
RECURSOS,
Comprovada a origem dos recursos utilizados na compra/emissão de cheques
administrativos creditados nas contas correntes bancárias da interessada, os
referidos valores devem ser excluídos da base de cálculo da omissão de
receita_
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
TRIBUTAÇÃO REFLEXA, CSLL.PIS, COFINS
Aplica-se a, tributação reflexa idêntica solução
Numero da decisão: 1401-000.293
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado: a) negar provimento ao recurso de oficio; b) dar provimento ao recurso voluntário, (assinada digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Presidente, 2.4iu.)9:.,.(-111: por ',, r,f1ANEL)AL „ NACM1ER .,}2 , 0'. --) ..'2()10 por FERKI.,-;ND(1 Ur” coror.s DE íOAi 02:C!!.:1',20 10 por FERNANDE)1.1...1 1::: 1.)E 1 (:)S Em¡wio 21:09r2f3 10 pob Msdér'g) da F-azond Dl . ARI MI • 1:1 2 (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator, EDITADO EM: 02/09/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Manos, Antonio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira e Karem Jureidini Dias. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 558-560): No dia 03/07/2008 por ocasião do encerramento do procedimento de .fiscalização, fbram lavrados os Autos de Infração do IRPJ e reflexos (PIS, CUPINS e CSLL), atinentes ao ano-calendário 2003, cujo crédito tributário lançado de oficio perfaz o montante de R$ 8 619.936 40, assim discriminado por. exação fiscal.. [ Infração imputada: OMISSÃO DE RECEITAS CONTABILIZADOS Faio gerador 31/12/2003 - 9.421 121,23 [ DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO Valor tributável da infração RS O sujeito passivo tomou ciência dos Autos de Infração em 08/07/2008 por via postal, confin me Aviso de Recebimento - AR (fl 463); apresentou impugnação em 06/08/2008 (fls. 465/468), juntando, ainda, os documentos das fls. 469/553. Extrai-se da impugnação: I) O sujeito passivo alegou que, por ocasião da auditoria da Receita Federal e da lavra/ura dos Autos de Inflação, .foram computadas em duplicidade as transferências entre contas bancárias de mesma natureza ou titularidade, que, nesse sentido, deve ser excluído do montante tributável apurado pela Fiscalização a quantia de R$ 8.020 046,64 relativa a movimentação financeira no Banco Regional de Brasília —BRB, quanto [ao] ano-calendário 2003, confbrine demonstrativos nas fls. 469 e 471/472 2) A interessada alegou, ainda, que não estão sujeitos à triburação 9' valores etinentes. aos cheques adniin lisrat(yos no par pu( itviE$ DE r,AATT.(.js Aulentaa.(:) riirjWialawitç:iri 1 ir) ,: Y2L) pea KmArl Do LUC GOJ"....1E.',.:; DE. i',Af'd Emitido 24,-W2r,) klinist,.:-.1.10 da Fa..,ervia ERKPAD() (:-.4(:)JVIE.',.:; DE. 2 1)[E. ARI N11- H 3 Processo n" 14041 000569/2008-69 S1-C411 Acórdão n.° 1401-00.293 R 709 valor de RS 1.857.181,16 (cheques administrativos cancelados), cujos valores retornaram à conta movimento, confirmes demonstrativos nas fis. 471 e 473 Por fim, a impugnante pediu a improcedência do lançamento fiscal, pela inexistência de omissão de receitas. A 2" Turma da DM Brasília (DF), por maioria de votos, julgou procedente em parte o lançamento, por meio do Acórdão n° 0.3-27.299, assim ementado (v, fls. 555-566): Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE RESSOA JUIÚDICA - Ano-calendário- 2003 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI 9,430/96, ART.42) CHEQUES ADMINISTRATIVOS DEPOSITADOS A CRÉDITO NA CONTA CORRENTE BANCÁRIA DA INTERESSADA, PRESUNÇÃO LEGAI, DE OMISSÃO DE RECEITAS INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO RELATIVA Embora os depósitos a crédito dos cheques administrativos nas contas correntes bancárias da interessada estejam comprovados nos autos, situação que revela o cancelamento desses cheques, não restou comprovada a origem dos valores ou recursos que utilizara para compra/emissão dos cheques administrativos. Sem essa comprovação da origem desses recursos que serviram de lastro para a emissão dos cheques administrativos, não há que se falar em mero retorno dos valores à conta movimento, pois a utilização de valores não escriturados e de origem não comprovada configuram, por presunção legal que não elidida pelo sujeito passivo, omissão de receitas. VALORES TRANSFERIDOS ENTRE CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS DE MESMA TITULARIDADE RECEITAS COMPUTADAS EM DUPLICIDADE, COMPROVA 0'0 REVISÃO DO LANÇAMENTO FISCAL. As provas carreadas aos autos comprovam que os valores movimentados atinentes às operações de transferência entre contas correntes bancárias de mesma tilidaridade )(Oram computados em duplicidade. Por isso, revisa-se, nessa parte, o lançamento fiscal. LANÇAMENTOS REFLEKOS CSLL, PIS E COFINS. Os lançamentos decorrentes seguem a sorte do lançamento principal, cm face da intima conexão dos fatos e dos elementos probatórios, e pela inexistência de razão .juridica para decidir diversamente Lançamento Procedente em Parte d;;; ;:t 1ârAn yáni;;;; 2-1,01);;2011) por VIVIANE VIDAL kIVAGNER ;.;;•.;t FERNA.1;;;0 1,") LUIZ GOMES DE ;,.."01n 1";1-0.13 ,; ter:rd;do tijit;r:i1re;11 ,a ;;;;rl; 1 111: 1 :20 10 p;;;;r 1±1-11 ,.1ANDO 1.J.J;/. G01,..10,1;.1. rih.;;, MAI ;OS Frnjt¡dc, i7,n 1 2.1.';32;.)10 re1r) K .liclis1;'..;rir) da Fazerda 3 i\11 1• 4 Em face da exoneração de crédito tributário além do limite de alçada, o colegiado julgador a quo submeteu o Acórdão ao reexame necessário deste Conselho Administrativo, Intimada desse Acórdão em 12/12/2008 (tis 577), a contribunte apresentou em 12/01/2009 o Recurso Voluntário de fls. 578-581, apresentando novos elementos de prova que, em sua opinião, seriam suficientes para comprovar a origem dos valores que serviram de lastro para a emissão dos cheques administrativos Apresentou novo demonstrativo de cheques administrativos cancelados, reduzindo o valor global destes cheques de R$ 1,857.181,16 (valor mencionado na impugnação) para R$ 1.699 749,75 (v fls. 584 e 636) É o relatório, Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Os recursos atendem aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecidos Recurso de oficio O colegiada julgador a quo excluiu da base tributável do CSLL, PIS e COE INS o montante de RS 8.020.046,64, referente a valores de transferências entre contas correntes bancárias de mesma titularidade, que foram computados em duplicidade no levantamento realizado pela autoridades autuantes. O voto condutor do Acórdão recorrido analisou detalhadamente as aludidas operações, ocorridas a cada mês. Desta forma, resultou claramente demonstrado o cômputo em duplicidade daqueles valores A titulo de ilustração, transcrevo a seguir as considerações do Acórdão recorrido, referente aos valores computados em duplicidade no mês de fevereiro de 2003 (fls.. 563): a) quanto ao mês de fev/2003: R$ 71.9.757,88 O Quadro demonstrativo da movimentação . financeira no BRB- 2003- depósitos a crédito - no montante de R$ 50.295 891,07, elaborado pela Fiscalização, desde o início, abarca ou contempla o depósito a crédito do valor de R$ 719.757,88, de 25/02/2003, conta corrente 015004739-8 e o depósito a crédito (iransférência Doc D), de mesmo valor, na conta 015005018-6, do dia 26/02/2003 (lis. 172/176). Nos demonstrativos nas fls. 207/208, que abarca a movimentação financeira a crédito nas contas correntes mantidos no BRB e no Banco do Brasil, também, o citado valor permanece computado em duplicidade, quanto ao mês de kv/2003 (R$ 50.295.891,07 + R$ 182.129,70 = R$ 50 478 020,77) E, assim, permanece em todos os demonstrativos anexos ao Auto de Infração do IRPJ e reflexos (fls. 428/430). vIVIANE ,»D»..1.. WAGNER . pc:r FERVJ,J1"»,-.) LUIZ Auterdiumio (")4.0-1,2;.) (..} Enlitklo 2.,,1ir.)W"2(.' I ç) DL CA N.'11T1 11 5 Processo n" 14041 000569/2008-69 SI-C4T1 Acórdão n " 1401-00,293 Fl 710 Como prova derradeira de que houve - na segunda movimentação — a transferência do mencionado valor entre contas correntes da interessada, tem-se os extratos bancários, na integra, dessas contas correntes, onde o valor entra a crédito em 25/02/2003 e sai a débito da primeira em 26/02/2003, e ingressa a crédito na segunda, em 26/02/2003 (fls. 82/83 e 134, do Anexo 1, Volume 1) Portanto, deve ser excluído o valor de R$ 719-757,88 (1év/2003) que foi computado em duplicidade. Considerações semelhantes foram apresentadas em relação aos valores computados em duplicidade em todos os outros meses de 2003, conforme se verifica às fls. 563-568. Do exposto, conclui-se que agiu com prudência, justiça e correção o colegiado julgador a gila, ao excluir da base de cálculo dos tributos e contribuições lançados o valor computado em duplicidade, correspondente às transferências efetuadas entre as diversas contas bancárias mantidas pela contribuinte, ora Recorrente. Voto, pois, por negar provimento ao presente recurso de oficio. Recurso voluntário Na fase recursal, a contribuinte apresentou novos elementos de prova que, em sua opinião, seriam suficientes para comprovar a origem dos valores que serviram de lastro para a emissão dos cheques administrativos, Aceito a juntada destes documentos, com fundamento no art. 16, § 4', "c" do Decreto if 70.235/72. Dentre os novos documentos juntados aos autos pela Recorrente, destaca-se o novo demonstrativo de cheques administrativos cancelados. O referido demonstrativo reduziu o valor global destes cheques de RS 1.857„181,16 (valor mencionado na impugnação) para R$ 1.699.749,75 (v. fls. 584 e 6.36). O Acórdão recorrido não aceitou excluir os valores destes cheques administrativos da base de cálculo do tributos, com base nos seguintes argumentos (fls. 569): Os depósitos a crédito da conta corrente da interessada dos cheques administrativos revelam que os referidos cheques )(Oram cancelados. Entretanto, não se pode afirmar que os valores retornados à conta movimento já tivessem sido objeto de tributação anteriormente (receita tributável), na escrita contábil da interessada Não há prova alguma nos autos que a operação de compra/emissão dos cheques administrativos tenha se dado com recursos contabilmente escriturados (contrapartida) Não há comprovação da origem dos recursos ou dos valores que serviram de lastro para compra ou emissão dos cheques administrativos ,..111 :24 por vIVIANE ';,VAGNER. 024:A1 '201 r) por FERNANDO. I.U2 GC.I:E .S; DE Autenhc:ad p 0:2/0:)/2010 pur FERNANDO LUIZ oomFs ivIA11.0!: FD-ntFio vi pào fvlirtálo da Enzend 131 CA RI MI' I' 6 Por conseguinte, inexiste duplicidade de cômputo de receita Incabível a subtração dos valores do valor tributável apurado pela Fiscalização. Contrapondo-se a este entendimento, assim se manifestou a Recorrente (fis. 580): Realçando este argumento, a ora Recorrente anexa ao presente Recurso, os Razões das Contas — Caixa e Bancos Conta/Movimento onde estão lançados os registros respectivos de emissão e cancelamento dos cheques administrativos, identificando assim a origem dos mencionados títulos de crédito. Esclarece, por oportuno, contestando o Acórdão, que está comprovada nos quadros que integram o presente Recurso, a origem para emissão e cancelamento dos cheques administrativos por bancos, além dos demais documentos necessários a justificar que não houve omissão de receitas como parcialmente entendeu a c Turma A partir das considerações da Recorrente, considero comprovada a origem dos recursos que foram utilizados nas operações de compra/emissão dos cheques administrativos mencionados nas relações de fls. 584 e 636, que totalizam o valor de RS 1„699349,75, O referido montante deve ser subtraído da base de cálculo utilizada nos presentes lançamentos. Verificando a parte final do Acórdão recorrido, constata-se que o valor remanescente da base de cálculo (omissões de receita) era de apenas R$ 1.401,074,59, após a exclusão dos valores computados em duplicidade, procedida pelo colegiada julgador a gruo. Procedendo-se à exclusão dos valores correspondentes aos cheques administrativos, comprovados por ocasião do Recurso, .verifica-se que não remanesce qualquer valor como base de cálculo dos presentes lançamentos Em outras palavras, concluo que a Recorrente logrou elidir integralmente a presunção de omissão de receitas apurada pelo Fisco, uma vez que resultou justificada a origem de todos os depósitos identificados em suas contas conentes. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao presente recurso voluntário, para excluir integralmente as exigências fiscais de que trata o presente processo. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Manos Relator Airid (j 1( ...1ffiÀ'g r I pOr VPA,A NE. í.).'21)*2f..,IL FERI,JiV,11-X.) LIJIZ GOMES AutetIlicw.to FERI,IArlOC.) H)12: {')E 1 ()S Emilidci ,')rn 24:09 ,20 rÁir.istl!.rjr.) (ia Fi:--zendr:t MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO Processo n° : 14041.000569/2008-69 Interessado : CIA URB, DA NOVA CAPITAL DO BRASIL —NOVACAP Acórdão n° : 1401-00,293 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3', do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, Brasília, / O/Z.0.10 kiv)r iDwolltc,,, c-1D Keollrirnânsteia de Sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ 1 apenas com ciência; [] com Recurso Especial; [1 com Embargos de Declaração,
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Numero do processo: 11618.001036/2005-91
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 NULIDADE Não restou caracterizada nenhuma das hipóteses que poderiam macular a autuação pelo vício da nulidade, conforme previsto no art. 59 do Decreto 70.235/1972 - PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA Incabível a realização de perícia quando se encontram no processo todos os elementos que permitem formar a livre convicção do julgador. Além disso, as perícias e diligências não se destinam a suprir o ônus probatório que incumbe ao Contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS - SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO REALIZADO POR SÓCIO DA PESSOA JURÍDICA Se não restar comprovada com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a efetividade da entrega e a origem dos recursos supridos por sócio da pessoa jurídica, tais valores devem ser tributados como omissão de receita, nos termos da presunção legal contida no Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, §3º, e Decreto-Lei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II, conforme também explicitado no art. 282 do Decreto nº 3.000/1999 - Regulamento do Imposto sobre a Renda. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Fl. 820 DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/2005-91 Acórdão n.º 1802-00.986 S1-TE02 Fl. 789
Numero da decisão: 1802-000.986
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003 NULIDADE Não restou caracterizada nenhuma das hipóteses que poderiam macular a autuação pelo vício da nulidade, conforme previsto no art. 59 do Decreto 70.235/1972 PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA Incabível a realização de perícia quando se encontram no processo todos os elementos que permitem formar a livre convicção do julgador. Além disso, as perícias e diligências não se destinam a suprir o ônus probatório que incumbe ao Contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO REALIZADO POR SÓCIO DA PESSOA JURÍDICA Se não restar comprovada com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a efetividade da entrega e a origem dos recursos supridos por sócio da pessoa jurídica, tais valores devem ser tributados como omissão de receita, nos termos da presunção legal contida no DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II, conforme também explicitado no art. 282 do Decreto nº 3.000/1999 Regulamento do Imposto sobre a Renda. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Fl. 820DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 789 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho . Fl. 821DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 790 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, conforme autos de infração de fls. 4 a 60, nos valores de R$ 247.538,27, R$ 16.131,68, R$ 79.626,29 e R$ 74.455,38, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de 75% e os juros moratórios. A autuação abrangeu os anoscalendário de 2001 a 2003. Em 2001, a apuração do IRPJ e CSLL foi realizada pelo Lucro Real Trimestral. Em 2002 e 2003, pelo Lucro Presumido. Os fundamentos do lançamento e os argumentos de impugnação estão muito bem descritos na decisão de primeira instância, Acórdão nº 1121.022 (fls. 729 a 737): Auto de Infração Contra a empresa supra qualificada foram lavrados os Autos de Infração a seguir especificados, para exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social, PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, CSLL e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, COFINS: (...) De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 06 a 10, foi constatada omissão de receita da atividade no curso dos anoscalendários de 2001 a 2003 devido a existência de suprimento de numerário, por parte do sócio Churchill Cavalcanti César, sem que tenha havido comprovação da origem dos recursos supridos por parte do supridor ou da empresa fiscalizada. Tudo conforme Demonstrativo de Aportes de Capital e Notas Explicativas às fls. 68 a 70, onde consta a análise de todos os suprimentos de numerários à vista das respostas do contribuinte com a justificativa para a autuação de cada valor individualmente. Foi efetuado lançamento para os fatos geradores listados às fls. 06 a 10 com enquadramentos legais discriminados, fls. 07 e 10. O procedimento fiscal se encontra descrito com detalhes no Termo de Verificação Fiscal às fls. 62 a 67. Fl. 822DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 791 4 Impugnação Devidamente intimada, a autuada, por seu representante, documento à fl. 209, apresentou impugnação às fls. 584 a 608 fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. Após identificação da empresa e detalhamento das infrações autuadas, a defesa requer realização de perícia tendo em vista considerar não ter havido apreciação plena dos atos e fatos ensejadores da suposta omissão de receitas, sobretudo das provas produzidas sobre a disponibilidade financeira do supridor, com base no art. 17 do Decreto 70.235/1972 transcrito à fl. 589. Considera ser a perícia procedimento indispensável ao julgamento da impugnação e não há como negar a sua realização, uma vez cumprido o parágrafo único do artigo acima referido sob pena de limitação pelo fisco dos meios de prova da impugnante o que implicaria em cerceamento ao pleno direito de defesa, transcreve jurisprudência do 1º Conselho de Contribuintes sobre a questão. A defesa elege como cerne da questão a disponibilidade financeira, a contemporaneidade e a efetividade dos suprimentos realizados pelo sócio majoritário da empresa, fato que considera absolutamente comprovado ao longo da fiscalização. Indica seu perito e endereço e formula seis questões a serem respondidas às fls. 590 e 591. DO MÉRITO Acusa o lançamento de ter se apoiado numa simples presunção, afirma que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte, art. 9, § 1º do Decretolei 1.598/1977 e que o fisco examinou sua contabilidade bem como a documentação que a instruiu, confirmando a efetividade das operações, nada encontrando de irregular nem declinando algo que pudesse, de longe, sustentar a presunção de omissão de receitas.E, no entanto a lei exige prova de que a escrituração contenha vício ou omissão capaz de comprometêla. O lançamento envolve diversos aportes para efeito de aumento de capital ou não, partindo de disponibilidades do sócio supridor, cuja origem é inquestionável, sobretudo pela sua condição de empresário com diversas atividades especialmente a pecuária, detalhe que passou desapercebido pelos autuantes que, apesar dos esclarecimentos nesse sentido, promoveram o lançamento exofício. A defesa transcreve o art. 282 do RIR/1999 que trata de Omissão de Receitas no caso de suprimento de numerário por sócios da empresa e afirma que a lei fixa os requisitos que precisam estar presentes cumulativamente para que o fisco possa se utilizar do dispositivo: “provar a omissão de receita”, provar a não efetividade da entrega e restar não comprovada a origem dos Fl. 823DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 792 5 recursos. O que não aconteceu no caso, pois a escrita contábil foi aprovada pelo fisco, caso contrário teria sido desclassificada e o lucro teria sido arbitrado, então, não restando dúvida quanto à capacidade do supridor e constatado que os valores dos suprimentos transitaram regularmente pelas suas contas bancárias, comprovando a efetiva entrega e que a origem daquelas importâncias está na venda de gado, não subsiste razão para o lançamento. Baseado em Acórdão da 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes que transcreve à fl. 195 afirma a defesa que o entendimento do “art. 181 do RIR/1980” é que não é o suprimento em si que motiva a omissão de receita, ele se apresenta apenas como parâmetro do arbitramento da receita omitida e a causa desse arbitramento é a existência de omissão de receita na escrituração da empresa provada por indício ou qualquer outro elemento de prova em exame, transcreve também, sobre a matéria, jurisprudência do Tribunal Federal de Recursos, fl. 596. O sócio Churchill Cavalcanti César promoveu os suprimentos com recursos de origem comprovada, não resta dúvida sobre a contemporaneidade dos mesmos com destinação específica, as importâncias questionadas foram tributadas na origem e não são passíveis de tributação na destinação. A efetiva entrega se faz presente nos extratos bancários e contabilidade da empresa. O lançamento, atividade vinculada que constitui o crédito tributário, não pode se apoiar em suposições nem em presunções, como se extrai da redação do art. 142 do CTN, deve se fundamentar em fatos concretos. São feitas referências a doutrinadores e as limitações constitucionais ao poder de tributar a partir do art. 150 da CF/1988. A defesa faz um relato sobre as presunções no Direito Tributário, fls. 597 a 606, citando jurisprudência judicial, administrativa e opinião de tributaristas para corroborar seu entendimento sobre a impossibilidade do uso de presunções contra o contribuinte em matéria fiscal, com exceção das previstas em lei. E, continua, reafirmando que as parcelas tributadas como suprimento de caixa decorreram de aportes realizados nos termos da legislação de regência e devidamente comprovados pois, a mesma importância saiu da conta do sócio e entrou na conta da empresa, presentes os pressupostos da comprovação da origem, efetiva entrega e contemporaneidade dos valores disponibilizados à empresa pelo seu sócio majoritário. Logo, tratandose de presunção juris tantum, que admite prova em contrário, prova produzida com documentação hábil e idônea, afastase o lançamento de omissão de receitas com base em suprimento de caixa, por indevido e precário como recomenda a torrencial jurisprudência administrativa. Mesmo entendimento deve ser aplicado aos autos reflexos. Fl. 824DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 793 6 Ao final requer preliminarmente seja acolhida a solicitação de realização de perícia e, no mérito, seja deferida sua impugnação em relação ao Auto matriz e seus reflexos. Como mencionado, a DRJ Recife/PE considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001, 2002, 2003 PERÍCIA CONTÁBIL INDEFERIMENTO. Descabe perícia quando as informações necessárias à fundamentação da autuação encontramse nos autos e os termos processuais forem confeccionados em estrita observância da legislação aplicável. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO Se não for comprovada com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a efetiva entrada do dinheiro e sua origem, a importância suprida será tributada como omissão de receita. AUTOS REFLEXOS. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação dele decorrente. Lançamento Procedente Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 16/05/2008, a Contribuinte apresentou em 08/08/2008 o recurso voluntário de fls. 751 a 779, onde reitera exatamente as mesmas razões de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, alega a nulidade da decisão recorrida, por ter imotivadamente negado o pedido de perícia, eis que tal pedido, que foi renovado em sede de recurso, cumpriria as formalidades inscritas no artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. A decisão, portanto, teria implicado no cerceamento do direito de defesa. Este é o Relatório. Fl. 825DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 794 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Quanto à tempestividade do recurso, é importante registrar que a ciência da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento ocorreu por meio de Edital, afixado em 02/05/2008 (fls. 743), em razão de a intimação por via postal, enviada para o endereço cadastral da pessoa jurídica, ter resultado improfícua, nos termos do art. 23, § 1º, II, do Decreto nº 70.235/1972 PAF. Como o recurso voluntário só foi apresentado em 08/08/2008, bem depois de esgotado o prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, ela estaria intempestivo. Há inclusive um Termo de Perempção juntado aos autos, às fls. 744. Depois da intimação mencionada acima, houve uma outra, encaminhada por via postal e depois por Edital, afixado em 28/07/2008 (fls. 750), como já havia ocorrido anteriormente, mas esta outra intimação serviu apenas para o envio de Carta Cobrança (que antecede a execução fiscal), eis que já estaria precluso o direito à apresentação de recurso. Não obstante estes fatos, consta do Edital de fls. 743 que ele foi: AFIXADO EM: 02/05/2008 DESAFIXADO EM: 16/05/2008 Na sessão anterior, quando o processo foi inicialmente analisado, houve um debate sobre o critério de contagem do prazo para a ciência por Edital, especificamente aquele contido no artigo 23, § 2º, IV do Decreto nº 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, (...) II por via postal, (...) III por meio eletrônico, (...) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I – (...) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Fl. 826DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 795 8 § 2° Considerase feita a intimação: (...) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) A controvérsia surgiu porque há entendimento no sentido de que este prazo não deve seguir totalmente as regras contidas no art. 5º do mesmo PAF: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Realmente não se trata de um prazo de natureza propriamente processual, já que ele não fixa termo para a prática de atos no processo. Seu escopo é tão somente demarcar o momento em que o sujeito passivo é considerado cientificado, e a partir daí é que se iniciaria a contagem do prazo para a apresentação do recurso, agora sim, com a exclusão do dia de início, a inclusão do dia de vencimento, considerandose ainda os dias de expediente normal no órgão, etc. Como uma intimação pode perfeitamente ocorrer em dia que não há expediente normal (p/ ex., no sábado, quando ela é feita via postal), entendo seja defensável o afastamento de pelo menos uma das regras contidas no art. 5º, para considerar que a ciência ficta (décimo quinto dia após a publicação do edital) também poderia recair em dia que não há expediente normal (sábado, p/ ex.). Por outro lado, cabe destacar que o mesmo Decreto nº 70.235/1972 não prevê qualquer exceção para as regras gerais contidas em seu art. 5º. A questão é polêmica. A Receita Federal já se manifestou sobre o assunto, por meio da Solução de Consulta Interna nº 5 Cosit, de 14 de novembro de 2002: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO CONTAGEM DO PRAZO DE INTIMAÇÃO POR MEIO DE EDITAL X DECADÊNCIA. Para efeito de intimação por meio de edital, não se aplicam as normas gerais de contagem de prazos processuais previstos no processo administrativo fiscal, eis que a contagem se inicia sempre no dia seguinte ao de sua publicação ou afixação e se encerra, impreterivelmente, no décimo quinto dia seguinte, mesmo se essas datas recaírem em dia não útil. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, arts. 173, inciso I, e 210; Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, arts. 5o e 23, § 2o, inciso III. (grifos acrescidos) Fl. 827DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 796 9 Apesar das controvérsias mencionadas, vêse que pelo próprio critério defendido pela Receita Federal o prazo iniciado em 02/05/2008 (sextafeira) deveria findarse em 17/05/2008 (sábado), mas o Edital foi desafixado no dia 16/05/2008, ou seja, um dia antes de se aperfeiçoar a ciência ficta, o que acabou tornando nula a intimação. Deste modo, restando comprometida a ciência da decisão de primeira instância, que deveria ter ocorrido no mês de maio, tenho como tempestivo o recurso apresentado somente no mês de agosto (08/08/2008). Como o recurso está dotado dos demais pressupostos para a sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. PRELIMINAR Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de IRPJ e reflexos cujos fatos geradores ocorreram no curso dos anoscalendário de 2001 a 2003. A autuação está fundamentada em omissão de receita apurada com base em suprimento de numerário por parte do sócio Churchill Cavalcanti César, sem que tenha havido a comprovação da efetiva entrega e da origem de parte dos recursos supridos nestes três anos. A presunção legal que fundamenta o lançamento está contida no art. 282 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda: Art.282.Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). Preliminarmente, a Recorrente alega nulidade da decisão recorrida, por ter imotivadamente negado o pedido de perícia, argumentando que esse pedido cumpre as formalidades inscritas no artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, e que a decisão, portanto, teria resultado no cerceamento do seu direito de defesa. Os quesitos a serem respondidos pela perícia, apresentados pela Contribuinte, tanto na impugnação, quanto agora no recurso, são os seguintes: 1) Sendo a empresa optante pelo lucro real, quando se inicia e termina o fato gerador do imposto? 2) Tratandose de fato gerador complexivo, como se define a contemporaneidade? 3) Há efetivamente contemporaneidade entre os valores objeto de aportes ou suprimentos realizados pelo sócio majoritário da empresa? Fl. 828DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 797 10 4) Uma vez decorrentes de vendas de gado e atividade empresarial do contribuinte, devidamente comprovadas restaria alguma dúvida quanto a origem dos valores supridos? 5) Tendo os valores circulados através de contas bancárias e devidamente registrados na contabilidade da empresa, esse fato efetivamente não comprova a efetiva entrega dos valores destinados aos aportes? 6) Considerando os quesitos formulados para efeito de perícia, no conjunto, há duvidas sobre a origem, contemporaneidade e efetiva entrega dos aportes realizados pelo Sr. Churchill Cavalcanti César? O primeiro ponto a destacar é que a realização de diligência ou perícia não se destina a suprir o ônus probatório da Contribuinte, especialmente quando a prova diz respeito a apresentação de documentos que devem lastrear sua escrituração contábil e fiscal. O segundo aspecto é que a Contribuinte inverteu toda a lógica da presunção legal relativa a suprimento de numerário, eis que é dela o ônus de comprovar cumulativamente os elementos descritos na norma legal (“a efetividade da entrega e a origem dos recursos”), e não da Fiscalização em comprovar que não houve a efetiva entrega e nem a alegada origem. Com efeito, a Contribuinte está obrigada a apresentar os documentos que dão suporte aos fatos registrados em sua escrituração. Assim, uma vez intimada para isso, e não conseguindo apresentar documentos que atestem a efetiva entrega e a origem dos recursos que ingressaram em seu patrimônio como suprimento de numerário realizado por pessoa indicada no referido art. 282 do RIR/99, resta caracterizado o indício de omissão de receita a que se refere este mesmo dispositivo. Tal indício é tão forte que a norma legal estabeleceu a partir dele uma presunção legal de omissão de receita, que será arbitrada com base no valor destes mesmos recursos. Feito esses comentários, é interessante verificar quais foram os fundamentos apresentados pela Delegacia de Julgamento para a negativa do pedido de perícia: A contribuinte requer a realização de perícia, conforme inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/1972 e suas alterações, no entanto, no caso em análise, não há necessidade, para o desfecho da lide, de realização de perícia haja vista não existirem dúvidas a serem resolvidas. O momento oferecido à contribuinte para comprovar seus argumentos se concretizou justamente no contraditório administrativo instaurado pela impugnação. Cumpre à autuada, mediante exame do Auto de Infração e de seus anexos, comparandoos com os dados e documentos constantes da sua escrita contábil e fiscal, atacar os pontos que julgar equivocados e juntar as provas necessárias a sua defesa, na própria impugnação. Entretanto, deixando a interessada de fazêlo neste momento processual, não cabe a realização de perícia para suprir sua inação. Os motivos pelos quais a fiscalização não considerou devidamente comprovados os aportes efetuados pelo sócio Fl. 829DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 798 11 majoritário da empresa estão listados no Demonstrativo de Suprimentos de Numerário à fl. 70 e foram os seguintes: 1 Foi apresentado, como justificativa, valor recebido pelo sócio em data e valor diversos do suprimento; 2 Foi apresentado, como justificativa, cheque emitido pelo sócio em data e valor diversos do suprimento; 3 Foram apresentados, como justificativa, valor recebido e cheque emitido pelo sócio em data e valor diversos do suprimento; 4 Não foi apresentada qualquer justificativa; 5 Foi justificada apenas parte do valor, mais precisamente R$ 314.500,00, correspondente ao somatório dos seguintes valores: R$ 9.500,00, R$ 105.000,00 e R$ 200.000,00. As respostas às questões levantadas nada acrescentam no sentido de infirmar a presunção legal, o fato gerador do imposto não interfere na contemporaneidade exigida pela presunção legal no caso de suprimento de numerário, aqui a contemporaneidade ocorre com a coincidência de data e valores dos débitos e créditos, saída de determinado valor do patrimônio do supridor em determinada data e entrada do mesmo valor na mesma data na empresa suprida, tudo comprovado com documentação hábil e idônea. Maiores detalhes serão colocados na análise às questões de mérito neste voto. Pelas razões expostas está indeferido o pedido de perícia nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 e suas alterações posteriores. Vale mencionar que os referidos motivos, indicados acima pelos números de 1 a 5, apenas complementam a planilha de fls. 68/69, onde estão relacionados individualmente os suprimentos examinados, com a indicação, para cada um deles, da “conta contábil”, “data”, “valor” e “folhas” onde constam os documentos apresentados pela Contribuinte para a comprovação das operações. A perícia realmente revelouse desnecessária. Como mencionado pela DRJ, a análise de mérito deixa isso ainda mais evidente. Assim, estão corretos os fundamentos da decisão recorrida quanto ao pedido de perícia, pelo que os adoto não só para afastar a alegada nulidade, como também para negar a renovação do pedido feita em sede de recurso, eis que se encontram no processo todos os elementos que permitem formar a livre convicção do julgador, os quais, como restará esclarecido adiante, são suficientes para a aplicação da referida presunção legal de omissão de receitas. MÉRITO É importante transcrever as informações constantes do Termo de Verificação Fiscal de fls. 61 a 67, para verificar os fatos que ensejaram a lavratura dos questionados autos de infração: Fl. 830DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 799 12 (...) 4. Da omissão de Receitas decorrentes de suprimentos de numerário Nos anos de 2001 a 2003, a análise dos livros comerciais do contribuinte, mais precisamente do Livro Razão, demonstrou a existência de várias operações de suprimento de numerário, por parte do sócio Churchill Cavalcanti César. Foram localizadas as seguintes contas contábeis em nome do referido sócio, tendo havido suprimento de numerário em todas elas: a) Conta Contábil n° 2.1.01.06.001 — Créditos de Diretores e Acionistas — Churchill Cavalcanti César; b) Conta Contábil n° 2.2.01.01.002 — Contrato de Mútuo — Churchill Cavalcanti César; c) Conta Contábil n° 2.2.01.02.001 — Créditos de Diretores e Acionistas — Churchill Cavalcanti César. Através dessas contas contábeis, o sócio Churchill Cavalcanti César entregou à empresa recursos que totalizaram R$ 1.817.362,36 ( Um milhão, oitocentos e dezessete mil, trezentos e sessenta e dois reais e trinta e seis centavos ) nos anos de 2001 a 2003. Foram o contribuinte sob fiscalização e o sócio Churchill Cavalcanti César intimados, por meio de Termo de Intimação, a comprovar a efetiva entrega e a origem dos recursos aportados, tendose juntado planilha discriminando os valores aportados mês a mês. Vide folhas 237 a 243. Em resposta, o contribuinte sob fiscalização e o seu sócio entregaram respostas idênticas em 28 de setembro de 2004, tendo juntado planilha e farta documentação, a fim de justificar os aportes efetuados. A resposta compreendeu o período de abril de 2001 a dezembro de 2002. Vide folhas 244 a 500. Analisadas as respostas entregues de forma pormenorizada, pôdese constatar que alguns aportes foram devidamente justificados, pois foram apresentados documentos cheques, comprovantes de depósito coincidentes em data e valor aos aportes. A maioria dos suprimentos, porém, não foi comprovada. Vários cheques de emissão do sócio foram apresentados para comprovação, entretanto com data de emissão e valor diferentes do suprimento. Também foram apresentados, como pretensa prova inconteste da origem dos aportes de capital na empresa, documentos que comprovariam o recebimento de valores, por parte do sócio, em montante suficiente para justificar o aporte. Mais uma vez não se logrou afastar a presunção legal de omissão de receitas em virtude da divergência de datas e valores Fl. 831DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 800 13 entre os suprimentos e os valores que teriam sido recebidos pelo sócio. Em 25 de fevereiro de 2005, o contribuinte entregou a resposta ao Termo de Intimação, datado de 01 de setembro de 2004, em relação ao ano de 2003, tendo mais uma vez juntado farta documentação, a fim de comprovar os suprimentos desse ano. Vide folhas 501 a 534. Pelos mesmos motivos explicitados no parágrafo anterior, não foi afastada a presunção de omissão de receitas, uma vez que não se demonstrou cabalmente que os recursos aportados na empresa tiveram origem no patrimônio do sócio supridor. Em sua resposta às intimações para comprovação da origem dos aportes de capital, o sócio Churchill Cavalcanti César forneceu a planilha constante das folhas 369 a 371, onde apresentou um fluxo financeiro de sua pessoa física de modo a demonstrar que teria capacidade financeira para efetuar os aportes contabilizados em seu nome. Ainda que se tenha como idôneas as informações ali contidas, aspecto que a fiscalização não perquiriu, por desnecessário, a demonstração da capacidade financeira do supridor não ilide a presunção de omissão de receitas na pessoa jurídica se não for cabalmente provado que os recursos aportados na empresa tiveram origem no patrimônio do sócio supridor. A fim de consolidar a análise efetuada, elaboramos planilha denominada “Demonstrativo de Suprimento de Numerário” onde discriminamos os valores supridos um a um, indicando se a origem foi, ou não, comprovada. Em caso de não comprovação da origem dos recursos, os motivos constam indicados na quinta coluna da planilha. Na sexta coluna são indicadas as folhas onde constam os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação dos suprimentos. Folhas 68 a 70. Conforme se poderá observar na referida planilha, foram justificados R$ 709.000,00, restando suprimentos no total de R$ 1.108.362,36 ( um milhão, cento e oito mil, trezentos e sessenta e dois reais e trinta e seis centavos), em relação ao período total de abril de 2001 a novembro de 2003, para os quais o contribuinte não ilidiu justificadamente a presunção de omissão de receitas, estabelecida no Decreto 3000/99 artigo 282. (...) Vêse que após um exame minucioso de cada um dos suprimentos realizados no período em questão, que somaram R$ 1.817.362,36, a Fiscalização considerou como comprovados R$ 709.000,00, e a parte não comprovada (R$ 1.108.362,36) foi objeto de autuação. Toda esta análise está sintetizada na planilha de fls. 68 a 70, que indica, para cada uma das operações, a “conta contábil” em que ela foi escriturada, a “data” do suprimento, seu “valor”, o “motivo” pelo qual ele foi considerado não comprovado, e ainda as “folhas” onde constam os documentos apresentados pela Contribuinte para comprovar os suprimentos. Fl. 832DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 801 14 Ao apreciar os argumentos trazidos na impugnação, a Delegacia de Julgamento teceu as seguintes considerações: A jurisprudência administrativa se manifestando sobre o assunto é unânime em entender que os suprimentos de caixa que não estejam devidamente comprovados caracterizamse como indícios veementes de omissão de receita, visto que os aspectos da origem e entrega dos recursos constituemse em requisitos cumulativos e indissociáveis, exigindo dupla comprovação sem que a existência de um dispense a do outro. Necessário se faz que seja produzida prova irrefutável, coincidente em datas e valores, da transferência dos recursos da pessoa física para o patrimônio da pessoa jurídica, tendo em vista que quando a prova produzida não for suficiente à comprovação, configurada está a ocorrência da presunção de que os recursos dados como supostamente fornecidos à empresa se originaram em receitas auferidas pela própria pessoa jurídica provenientes da prática de omissão de receitas passíveis, portanto, de tributação. A comprovação da origem dos recursos significa a necessidade de ser demonstrado, através de elementos hábeis, que os recursos tidos como do sócio foram percebidos por ele de fontes estranhas à sociedade ou se da empresa foram submetidos anteriormente a regular contabilização. Já para que se configure a efetividade da entrega é necessário que os documentos apresentados se enquadrem como hábeis e idôneos, sejam coincidentes em datas e valores e tenham sido emitidos por terceiros, não bastando para fins probatórios, apenas, a regularidade formal da escrita da empresa ou simples alegações da defesa, se estas não estiverem respaldadas em outras provas documentais. O simples registro do suprimento na contabilidade da empresa ou a sua alegação de que efetivamente houve o recebimento, sem que seja produzido ou demonstrado tal fato através de qualquer outro elemento, não se constitui em meio de prova, isto é, não é suficiente para que se considere como documento hábil a elidir a presunção que a operação de suprimento traduz, precipuamente quando os fatos se referirem a entrega de numerários por sócio da pessoa jurídica. Acrescentese ainda, que não houve qualquer questionamento, por parte da fiscalização, relativamente à escrita contábil da empresa, como aliás constata a defesa, na qual estão registrados os suprimentos de caixa efetuados pelo seu sócio, tanto que se deseja a comprovação da origem e efetiva entrega do numerário que supriu por diversas vezes o caixa da autuada conforme contas constantes da contabilidade.Para autuar omissão de receitas não é imprescindível haver a desclassificação da escrita fiscal e contábil e conseqüente arbitramento do lucro, como sugere a defesa. Fl. 833DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 802 15 Da análise do dispositivo transcrito, concluise que, na hipótese de suprimentos de caixa, efetuados por sócios ou acionistas, a legislação do imposto de renda estabelece que cabe à pessoa jurídica provar, com documentos adequados, os registros de sua contabilidade, inclusive o efetivo ingresso do numerário no caixa da empresa, e a sua efetiva entrega, pelos supridores, presumindose, quando não for produzida essa prova, que os recursos tiveram origem em receita omitida da escrituração. A comprovação deve ser cumulativa e indissociável tanto da origem dos recursos na pessoa física dos supridores como o de sua efetiva entrega à empresa, coincidentes em datas e valores. A comprovação isolada da existência de numerário e não da origem ou da efetiva entrega não são suficientes para desfazer a presunção de omissão de receita. Também é irrelevante a capacidade econômica e financeira do supridor se não forem atendidas as exigências legais. Importa ressaltar que não se está tributando operações de empréstimos ou adiantamentos de sócios, até porque estes “empréstimos” ou “adiantamentos” não estão comprovados. O que se está tributando são ingressos que, por não terem sua origem comprovada, são considerados pela lei, e não pelo arbítrio ou imaginação da autoridade fiscal, receitas omitidas. No caso em análise se verifica da leitura do item 1 do Termo de Verificação Fiscal às fls. 61 a 67 que a empresa solicitou, e teve seu pleito atendido, por várias vezes, prorrogação de prazo para apresentação de documentos solicitados no Termo de Início e nas intimações feitas durante o procedimento fiscal. Também se verifica que o sócio fez vários suprimentos de numerário a empresa no valor total de R$ 1.817.362,36 durante os anos de 2001 a 2003 através das contas contábeis 2.1.01.06.001 – Créditos de Diretores e Acionistas – Churchill Cavalcanti César; 2.2.01.01.002 – Contrato de Mútuo – Churchill Cavalcanti César e 2.2.01.02.001 Créditos de Diretores e Acionistas – Churcill Cavalcanti César e, por intimação, foram acionados empresa e sócio para comprovar a efetiva entrega e a origem dos recursos aportados, conforme planilha discriminando os valores aportados mês a mês, fls. 237 a 243. Inicialmente, em 28/09/2004, foram apresentadas planilhas e farta documentação referente ao período de abril de 2001 a dezembro de 2002 e após, em 25/02/2005, foram apresentados mais documentos a fim de comprovar os suprimentos ocorridos em 2003. A documentação entregue foi analisada de forma detalhada concluindo a fiscalização pela comprovação de parte dos aportes realizados no montante de R$ 709.000,00 restando não comprovado o valor de R$ 1.108.362,36, objeto do lançamento questionado. Fl. 834DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 803 16 Todo levantamento e estudo realizado nos documentos apresentados, pela empresa e sócio, se encontram consolidados na planilha “Demonstrativo de Suprimento de Numerário” às fls. 68 a 70, onde estão discriminados os valores supridos um a um indicando se houve ou não comprovação do aporte, o motivo e as folhas do processo onde se encontram os documentos apresentados e analisados. Repetindo, por ser o cerne da questão, razão da autuação, os motivos pelos quais a fiscalização não considerou devidamente comprovados os aportes efetuados pelo sócio majoritário da empresa estão listados no Demonstrativo de Suprimentos de Numerário à fl. 70 e foram os seguintes: 1 Foi apresentado, como justificativa, valor recebido pelo sócio em data e valor diversos do suprimento; 2 Foi apresentado, como justificativa,cheque emitido pelo sócio em data e valor diversos do suprimento; 3 Foram apresentados, como justificativa, valor recebido e cheque emitido pelo sócio em data e valor diversos do suprimento; 4 Não foi apresentada qualquer justificativa; 5 Foi justificada apenas parte do valor, mais precisamente R$ 314.500,00, correspondente ao somatório dos seguintes valores: R$ 9.500,00, R$ 105.000,00 e R$ 200.000,00. A defesa se refere genericamente às conclusões da fiscalização sobre a não aceitação da comprovação dos aportes realizados pelo sócio da empresa e seus motivos quando poderia ter se reportado a cada aporte realizado e cada motivo relatado na planilha Demonstrativo de Suprimentos e apresentado documentos capazes de comprovar os requisitos legais exigidos para infirmar a presunção legal, se contrapondo aos motivos listados pela fiscalização e que levaram a conclusão pela não comprovação da origem dos aportes realizados. Na própria intimação para que a empresa fizesse prova do efetivo recebimento dos recursos, bem como da origem dos mesmos foram sugeridas formas de comprovação para cada um dos casos ocorridos: depósito em dinheiro, depósito em cheque, transferências entre contas bancárias e nos casos de pagamentos de despesas da empresa pelo sócio, fls. 237 e 238. Contrariamente, se limitou a tecer comentários sobre a presunção no direito tributário, sobre o equívoco que representa o lançamento apoiado em presunção se valendo ainda de pedido de perícia para suprir a ausência de provas de sua parte. O Decreto n° 70.235/1972 e alterações posteriores, determina em seu artigo 16, inciso III, que a impugnação apresentada deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que Fl. 835DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 804 17 possuir, aduzindo ainda em seu § 4° que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, “precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual”. Deste modo, é ônus do interessado juntar aos autos os elementos de prova que possui. Não pode dele se eximir mediante solicitação de perícia. Concluise que o lançamento é procedente, pois, apesar dos seus argumentos, a autuada não conseguiu atender a nenhum dos requisitos exigidos, trazendo aos autos provas documentais que demonstrassem, a efetividade da entrega, coincidente em datas e valores com as respectivas operações e com recursos do sócio, única forma de se livrar da imputação de irregularidade. (grifos acrescidos) O grande problema dos documentos e argumentos apresentados pela Contribuinte, ainda na fase de auditoria, é que não basta que o supridor tenha capacidade financeira de fazer os aportes, uma vez que é necessária a comprovação de têlos realmente feito, com base em documentos coincidentes em datas e valores. Além disso, apesar da detalhada análise feita pela Fiscalização sobre cada um dos suprimentos e correspondentes documentos apresentados para a sua comprovação, a Contribuinte optou, desde a fase de impugnação, por atacar genericamente as conclusões do trabalho de auditoria, tecendo comentários sobre a presunção no direito tributário, sobre o equívoco que representa o lançamento apoiado em presunção, requerendo perícia para suprir o ônus de prova que lhe incumbe, quando deveria ter apresentado documentos capazes de efetivamente comprovar cada uma das operações em questão, ou pelo menos confrontado individualmente as conclusões da Fiscalização, com base nos documentos já apresentados. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte adotou esta mesma estratégia, reiterando exatamente os mesmos argumentos contidos em sua impugnação, e, por isso, não conseguiu infirmar a presunção legal de omissão de receitas e nem refutar os fundamentos transcritos acima, pelo que os adoto nesta decisão, para também manter o lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 836DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 805 18 Fl. 837DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13805.003398/97-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1992
Ementa:
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Descabe falar em cerceamento do direito de defesa na situação em que a exigência formalizada objeto de contestação em sede de recurso decorre, única e exclusivamente, da ausência de apresentação de documentos que, nos termos da lei, deveriam compor o acervo do fiscalizado. A demora no encaminhamento do processo à unidade local da Receita Federal não produziu, no caso, abalos de qualquer natureza ao exercício do contraditório.
IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE NA FONTE SOBRE RECEITAS QUE INTEGRAM A BASE DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO.
Nos termos do disposto no artigo 55 da Lei nº 7.450, de 1985, a compensação do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos, impõe ao contribuinte o dever de apresentar o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos citados rendimentos.
Numero da decisão: 1301-001.043
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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INOCORRÊNCIA. Descabe falar em cerceamento do direito de defesa na situação em que a exigência formalizada objeto de contestação em sede de recurso decorre, única e exclusivamente, da ausência de apresentação de documentos que, nos termos da lei, deveriam compor o acervo do fiscalizado. A demora no encaminhamento do processo à unidade local da Receita Federal não produziu, no caso, abalos de qualquer natureza ao exercício do contraditório. IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE NA FONTE SOBRE RECEITAS QUE INTEGRAM A BASE DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO. Nos termos do disposto no artigo 55 da Lei nº 7.450, de 1985, a compensação do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos, impõe ao contribuinte o dever de apresentar o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos citados rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 33 98 /9 7- 73 Fl. 113DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1018.09403.OIZF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.003398/9773 Acórdão n.º 1301001.043 S1C3T1 Fl. 101 2 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 114DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1018.09403.OIZF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.003398/9773 Acórdão n.º 1301001.043 S1C3T1 Fl. 102 3 Relatório SAINT LOUIS PARTICIPAÇÕES LTDA. (atual denominação de LOPES CONSULTORIA DE IMÓVEIS S/A), já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, que manteve, em parte, o lançamento tributário efetivado, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e multa por atraso na entrega de declaração, relativas ao anocalendário de 1991. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 34), a Fiscalização, tomando por base as disposições do art. 55 da Lei nº 7.450, de 1985, promoveu a glosa de deduções relativas a imposto de renda retido na fonte em razão da falta de apresentação dos respectivos informes de rendimentos. Em sede de impugnação (fls. 40/43), a contribuinte argumentou: que teria ocorrido cerceamento do direito de defesa devido ao fato de a Fiscalização ter demorado para encaminhar o processo à Agência da Receita Federal para tomada de vista; que teria ocorrido cerceamento de defesa, também, no próprio processo, porque os fiscais autuantes não teriam juntado os documentos relativos ao cruzamento da malha fonte, provavelmente, para dificultar a defesa; que requeria que o processo fosse baixado em diligência para que a Delegada da Receita Federal de São Paulo juntasse o documento relativo ao citado cruzamento da malha, devolvendo o prazo de dezenove dias para complemento da impugnação; que a multa seria indevida por dois motivos: a) porque a declaração teria sido entregue dentro do prazo fixado, vez que a Portaria 362, de 29/04/1992, prorrogou o prazo de entrega da DIRPJ/1992 até 14/05/1992 (fls. 46); e b) porque o então Primeiro Conselho de Contribuintes teria se pronunciado no sentido de que a multa de mora por atraso na entrega da declaração não é cumulativa com a multa de oficio; que a Fiscalização teria sido efetivada de forma muito rápida, alguns dias antes de completar o prazo decadencial, e, por terem decorridos cinco anos, ela não teria tido tempo de localizar os comprovantes de informes de rendimentos no prazo concedido; que anexava à impugnação os informes de rendimentos relativos aos valores de imposto de renda na fonte compensados na declaração e não aceitos pela Fiscalização, no valor de R$ 23.474.896,40, os quais corresponderiam a 39.317,48 UFIR (doc. 7); que, por terem decorrido cinco anos, não teria sido possível conseguir a totalidade dos informes de rendimentos porque algumas empresas não estariam mais em atividade; Fl. 115DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1018.09403.OIZF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.003398/9773 Acórdão n.º 1301001.043 S1C3T1 Fl. 103 4 que, não obstante o disposto no item anterior, juntava cópia das notas fiscais/faturas emitidas (doc. 8) que comprovariam os destaques do imposto de renda na fonte no valor de R$ 17.246.734,14! (28.886,09 UFIR); que o Fisco não poderia, por se tratar o lançamento de atividade plenamente vinculada, deixar de cobrar o que é devido, mas, por outro lado, não poderia cobrar o que é indevido; que, se o Fisco não permite a compensação do imposto de renda retido na fonte devidamente recolhido e informado na DIRF da fonte retentora só porque a empresa beneficiária dos rendimentos não tem os informes de rendimentos, estaria cobrando imposto em duplicidade sobre o mesmo rendimento; que o artigo 112 do CTN dispõe que a lei tributária que define infrações, ou lhes comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza de seus efeitos, sendo que a Fiscalização não seguiu essa regra ao não considerar o imposto retido na fonte e informado na Dirf da fonte pagadora, só porque a beneficiária do rendimento não tinha o informe de rendimento. A já citada 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 02877, de 07 de março de 2003, pela procedência parcial do lançamento. O referido julgado restou assim ementado: IRPJ. IRRF. COMPENSAÇÃO. – O imposto de renda retido na fonte sobre receitas auferidas somente poderá ser compensado na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. – Comprovado que a entrega da DIRPJ ocorreu dentro do prazo legal, é insubsistente a exigência. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 68/70, por meio do qual reiterou as considerações acerca do alegado cerceamento do direito de defesa; reiterou o pedido para que fosse realizada diligência para que fosse trazido aos autos o documento relativo ao cruzamento entre os valores retidos pelas fontes pagadoras e os compensados na declaração (Dirpj); alegou que a não aceitação da compensação do imposto retido na fonte foi efetuada sem que fosse consultada a Dirf apresentada pelas fontes retentoras; e, por fim, que manter a tributação significaria cobrança em duplicidade. Em sessão realizada em 11 de novembro de 2010, esta Primeira Turma Ordinária, por meio da Resolução nº 1301000.022, decidiu pela conversão do julgamento em diligência para que fosse trazido aos autos o extrato das DIRFs referente ao período. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo informou que não é possível atender ao solicitado, haja vista que os extratos não mais se encontram disponíveis no acervo daquela unidade. É o Relatório. Fl. 116DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1018.09403.OIZF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.003398/9773 Acórdão n.º 1301001.043 S1C3T1 Fl. 104 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Em conformidade com o Termo de Constatação de fls. 34, a contribuinte, na apuração do saldo do imposto a pagar relativo ao anocalendário de 1991, indicou para compensação o montante de 77.667,38 UFIR a título de imposto de renda retido na fonte. Porém, intimada a apresentar os comprovantes de retenção fornecidos pelas fontes pagadoras, apresentou documentos que possibilitaram comprovar, apenas, o total de 9.524,19 UFIR. Em vista do exposto e com fundamento no art. 55 da Lei nº 7.450, de 1985, a Fiscalização promoveu a glosa de compensação do imposto de renda retido na fonte no valor correspondente a 68.143,19 UFIR (77.667,38 UFIR – 9.524,19 UFIR). A autoridade fiscal reproduziu no processo (fls. 35/36) os valores registrados pela contribuinte no ANEXO 3 da declaração relativa ao anocalendário de 1991 (DIRPJ/92), que relaciona as fontes pagadoras e indica os valores retidos a título de imposto de renda, e formalizou, ainda, exigência relativa à multa por atraso na entrega da declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Em sede de primeira instância, foi afastada a multa por atraso na entrega da declaração e, a partir da análise da documentação acostada aos autos pela contribuinte, foram acolhidos comprovantes de retenção carreados ao processo por meio da peça impugnatória interposta, exonerandose, por decorrência, parte do crédito tributário constituído. Por meio da peça recursal, a contribuinte sustenta, inicialmente, a ocorrência de cerceamento do direito de defesa, haja vista o fato de o auto de infração ter sido lavrado em 30 de abril de 1997 e o processo administrativo correspondente ter permanecido na Divisão de Fiscalização até o dia 19 de maio do mesmo ano. Considerada a natureza da infração imputada (falta de apresentação de comprovantes de retenção do imposto), descabe falar em cerceamento do direito de defesa, eis que, nos termos da lei (art. 55 da Lei nº 7.450, de 1985), já por ocasião da execução do procedimento de fiscalização a Recorrente estava a obrigada a apresentar os documentos relativos às deduções promovidas na apuração do imposto. Ademais, inexiste indicação de qualquer natureza de que o fato alegado (demora no encaminhamento à Agência da Receita Federal) tenha afetado o exercício do seu direito de defesa, pois, além do prazo que lhe foi oportunizado para apresentação da impugnação, ela poderia, ainda, exercer com plenitude tal direito, como efetivamente fez, por meio de interposição de recurso voluntário, momento em que poderia também aportar a documentação exigida no curso da ação fiscal. A Recorrente reiterou o pedido para que fosse realizada diligência visando colher informações acerca das informações prestadas pelas fontes pagadoras (valores do imposto retido pelas fontes pagadoras). A solicitação foi acolhida por esta Primeira Turma de Fl. 117DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1018.09403.OIZF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.003398/9773 Acórdão n.º 1301001.043 S1C3T1 Fl. 105 6 julgamento, como já visto, contudo, não produziu qualquer efeito, eis que a documentação requerida já não se encontrava nos arquivos da Receita Federal. Não obstante, penso que a medida, qual seja, conversão do processo em diligência com intuito de encontrar documentos que possibilitassem confirmar retenções de imposto registradas pela contribuinte na declaração apresentada à Receita Federal, representou esforço do órgão julgador na busca da verdade material, mas, uma vez inexitosa, não pode servir como argumento para recepcionar deduções de imposto desamparadas dos documentos exigidos pela lei. Nesse contexto, em que a contribuinte não aportou ao recurso documentos além dos que já foram adequadamente apreciados pela Turma Julgadora de primeira instância, não há como reconhecer retenção em extensão maior da que foi acolhida pela decisão combatida. Assim, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 118DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1018.09403.OIZF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WILSON FERNANDES GUIMARAES em 18/09/2012 09:49:06. Documento autenticado digitalmente por WILSON FERNANDES GUIMARAES em 18/09/2012. Documento assinado digitalmente por: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 21/09/2012 e WILSON FERNANDES GUIMARAES em 18/09/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 15/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP15.1018.09403.OIZF Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 3EEA982C2913252EB72DCB42CB0318AF9F904D80 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 138050033989773. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10480.000969/2003-30
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1997
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS - IMPLICAÇÕES COM O TRIBUTO APURADO NO FINAL DO ANO
Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido), e, sendo assim, a obrigatoriedade de seu recolhimento não fica afastada seja em função de apuração de prejuízo, seja em função de
apuração de tributo em valor menor que o total das estimativas não pagas. Pelo contrário, tal obrigatoriedade subsiste integralmente, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/96, já consideradas no presente caso as alterações promovidas pela
Lei 11.488/2007 (retroatividade benigna).
MULTA - EFEITO DE CONFISCO
O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de oficio implicaria no afastamento de norma legal vigente (artigo 44 da Lei 9.430/96), por suposto vício de inconstitucionalidade, e falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente.
Numero da decisão: 1802-000.392
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Sergio Luiz Bezerra Presta e João Francisco Bianco, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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MINISTÉRIO DA FAZENDA:. :r• ..,,,,, .ii- CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISNI r . —.. :.= PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10480.000969/2003-30 Recurso n° 157.870 Voluntário Acórdão a° 1802-00.392 — r Turma Especial Sessão de 12 de março de 2010 Matéria IRPJ Recorrente OLICO RENOVADORA DE PNEUS LTDA. Recorrida 3' TURMA/DRJ-RECIFE/PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IREI Ano-calendário: 1997 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS - IMPLICAÇÕES COM O TRIBUTO APURADO NO FINAL DO ANO Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido), e, sendo assim, a obrigatoriedade de seu recolhimento não fica afastada seja em função de apuração de prejuízo, seja em função de apuração de tributo em valor menor que o total das estimativas não pagas. Pelo contrário, tal obrigatoriedade subsiste integralmente, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, * 1 0, IV, da Lei 9.430/96, já consideradas no presente caso as alterações promovidas pela Lei 11.488/2007 (retroatividade benigna). MULTA - EFEITO DE CONFISCO O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de oficio implicaria no afastamento de norma legal vigente (artigo 44 da Lei 9.430/96), por suposto vício de inconstitucionalidade, e falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2. Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Sergio Luiz Bezerra Presta e João Francisco Bianco, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. 9../ i c-------------'s---- i ESTER MARQUES LINS DE " a SA — Presi e -- • e. ,--;... e- J LIE OLIVEIRA Fe • ' ',/ CO " A — Relator.J , EDITADO EM: ..0 8 AB ! 2010 Particip. •dee da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), João Francisco Bianco (Vice-Presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel e Sérgio Luiz Bezerra Presta (Suplente Convocado). - . .... _ __ .. .. 2 Processo n 10480.000969/2003-30 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.392 Fl. 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que considerou parcialmente procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, no valor de R$ 91.128,20, estando incluído nesse montante a multa de oficio de 75% e os juros moratórios; e também relativo à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, no valor de 27.294,12, conforme Auto de Infração de fls. 210 a 217. A exigência fiscal abrange o ano-calendário de 1997. Em relação ao IRPJ, o Relatório da Ação Fiscal, às—fls. 218 a 220, traz as seguintes informações: A partir do Balancete de dezembro ((ls. 178 a 189), calculamos a receita líquida por atividade, o lucro da exploração, a isenção do imposto e o imposto de renda (/ls. 196 e 197). Registre-se que, tendo em vista que o contribuinte até a presente data não nos apresentou o Lalur, utilizamos no cálculo do imposto de renda o lucro real constante na declaração de rendimentos O. 26). Glosamos o valor informado como "saldo negativo de períodos anteriores" tendo em vista a não existência de tais saldos conforme pudemos verificar nas declarações de rendimentos dos anos-calendários de 1995 e de 1996 (fls. 190 a 193). Apuramos o valor de R$ 41.404,01, mas como o contribuinte já havia declarado na D1RPJ/98 o valor de R$ 7.54245, ou seja, tal valor já está sendo controlado pelos sistemas da Si??, estamos lançando apenas a diferença. Quanto à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, o mesmo relatório registra que: Apesar do não cumprimento das obrigaçães acessórias acima citada baseados nos balancetes mensais, elaboramos as planilhas de fis. 202 a 209, onde calculamos, mês a mês, a receita liquida por atividade, o lucro da exploração, a isenção do imposto e o imposto de renda com base nos balancetes de suspensão/redução. Confrontamos os valores do imposto de renda calculados com base na estimativa (fls. 199 e 201) com os valores calculados com base nos balancetes de suspensão/redução (fls. 203, 205, 207 e 209) e identificamos os valores que deveriam ter sido recolhidos (finita intitulada "imposto a pagar", fls. 199 e 201). Deduzimos de tais valores os já declarados (seja em DCTF, D1RPJ/98, ou REF1S) ou pagos (II. 195) (o maior dos dois) e encontramos os valores passíveis de multa de oficio de 75% Sobre esses valores aplicamos o percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e encontramos os valores das multas isoladas mês a mês. Instaurada a fase contenciosa, com a impugnação de fls. 225 a 232, a Contribuinte apresentou os seguintes argumentos, conforme descritos na decisão de primeira - instância, Acórdão no 11-17.125, de fls. 272 a 281: 9., 3 Inicia descrevendo a sua atividade (recapagem e revenda de pneumáticos em gemi), discorrendo em seguida acerca da política econômica adotada pelo governo ao longo dos últimos anos, discorrendo sobre as várias dificuldades pelas quais passou o setor produtivo nacional e na sua atividade em particular. Em seguida, alega ser os valores dos autos de infração exagerados e improcedentes, afirmando não possuir "acervo líquido neste montante" e que a autoridade administrativa não havia observado o princípio da não confiscariedade do tributo disposto no artigo 150, IV da Constituição Federal. Afirma que havia optado pelo REFIS, encontrando-se com os pagamentos em dia e não tendo sido excluído do referido programa, e que não seria legal a cobrança do débito do IRPJ já que o período de apuração seria de 01/1997 a 06/2002. Protesta pela 'juntada de documentos e planilhas que demonstram o alegado e os cálculos do imposto legalmente devido sem expurgos monetários "e -pela sustentação oral caso se faça necessário para dirimir quaisquer dúvidas sobre esta defesa" e perícia contábil. Requer seja o Auto de Infração julgado improcedente, argumentando que com a transferência dos débitos para o parcelamento consolidado do REFIS, não existiria infração punível. Requer, também, caso não seja cancelado o lançamento, seja concedido "parcelamento administrativo especial em 240 meses de amortização com expurgo total do IRPJ quanto a cobrança de juros moratórios de 1% ao mês, atualização monetária, multas pecuniárias de 2% entre outros valores acessórios que não condizem com a realidade da impugnante." Finaliza requerendo seja "impugnado totalmente" o lançamento por 'falta de razoabilidade, proporcionalidade, agressão ao princípio constitucional da não confiscatoriedade dos tributos (art. 150 IV da CF/88), dentre outras ilegalidades a serem apuradas pelo procedimento Administrativo Tributário Federal" Conforme mencionado, a DRJ Recife/PE considerou parcialmente procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 DIFERENÇA APURADA EN7RE VALOR ESCRITURADO E DECLARADO/PAGO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA: Considera-se não impugnada matéria que não tenha sido expressamente contestada pela contribuinte. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ DEVIDO COM BASE EM ESTIMATIVAS MENSAIS: É devida multa de oficio lançada isoladamente, quando constatado que a (1.„. 4 Processo n° 10480.00096912003-30 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00392 PI. 3 contribuinte deixou de efetuar o recolhimento obrigatório do IRPJ sobre a base estimada. DÉBITO CONFESSADO. FALTA DE COMPROVAÇÃO:Descabido o argumento da defesa de que os valores lançados de oficio já haviam sido confessados à Receita Federal, por intermédio do programa REFIS, vez que não veio acompanhado de prova. LEGISLAÇÃO. CARÁTER CONFISCATORIO:A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a legislação tributária vigente. PERÍCIA CONTÁBIL: Descabe perícia quando as informações necessárias á fundamentação _da autuação encontram-se nos autos e os termos processuais forem confeccionados em estrita observância da legislação aplicável. APRESENTAÇÃO DE PROVA: O momento oportunizado pela legislação para apresentação de prova no processo administrativo fiscal é no momento da apresentação da impugnação. PEDIDO DE PARCELAMENTO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAR: Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento apreciar pedido de parcelamento. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997 MULTA ISOLADA. RETROAÇÃO DE LEGISLAÇÃO MENOS GRAVOSA: Aplica-se ao fato pretérito, objeto de processo ainda 1 não definitivamente julgado, a legislação que imponha penalidade menos gravosa do que a prevista na legislação vigente ao tempo da sua prática. Lançamento Procedente em Parte Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 27/12/2006, a Contribuinte apresentou em 16/0112007 o recurso voluntário de fls. 287 a 294, onde desenvolve os seguintes argumentos: - a Câmara Superior de Recursos Fiscais tem expressado o entendimento de que as multas isoladas por falta do recolhimento mensal da antecipação do IRPJ e da CSLL por estimativa não seriam exigíveis, porque, entre outros argumentos, versariam sobre desatendimento de mera obrigação acessória apurada após o encerramento do ano-calendário, sem repercussão na órbita do tributo; porque deveria prevalecer apenas o imposto (definitivo) efetivamente apurado com base no lucro real, ou porque se apurou prejuízo no ano-calendário; - a multa aplicada não se coaduna com o principio do não-confisco, principio esse que decorre do disposto no inciso IV do artigo 150 da CF; 9 5 - a vedação do confisco no Direito Tributário é matéria pacífica na doutrina e na jurisprudência, sendo inconstitucional a legislação que dispõe de forma diversa; - o confisco atenta contra o direito de propriedade e a segurança jurídica, princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988; - não se concebe uma multa de tal valor, até porque a Recorrente não causou nenhum dano à União, uma vez que é participante do REFIS, conforme restou comprovado pelos documentos que instruíram a defesa monocrática. Ao final do recurso, a Contribuinte requer seja tomado Subsistente os valores aplicados a título de multa isolada, juros de mora e multa proporcional sobre o IRPJ. Este é o Relatório. • id Processo n° 10480.000969/2003-30 SI-TE02 Acórdão nd 1802-00.392 Fl. 4 V080 Conselheiro JOSÉ DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA, Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Não há propriamente um litígio sobre o fato gerador anual do IRPJ em 31/12/1997, conforme apurado pela Fiscalização, e que configura o primeiro item da autuação. Em seu recurso, a Contribuinte argumenta apenas contra a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas de IRPI ao longo de 1997 e contra o percentual da multa de oficio que acornp-anha-o IRPJ lançado no final do ano. - A norma que estipula multa isolada para o não recolhimento de estimativas mensais está contida no art. 44 da Lei 9.430/1996, e ela deve ser aplicada ainda que tenha sido "apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente", conforme prevê o inciso IV do §1 0 deste artigo, em sua redação original: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1- de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 11- cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: 1 - 11 - 111 - IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano- calendário correspondente; 7 Não vislumbro outra interpretação possível para a parte final do texto acima transcrito, senão a de que a referida multa deve ser exigida da pessoa jurídica ainda que esta tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Com efeito, a clareza da redação não possibilita entendimento diverso, a menos que se admita o afastamento de norma legal vigente, tarefa que não compete à Administração Tributária. Além disso, a hermenêutica jurídica ensina que se deve preferir a inteligência dos textos que tome viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade. Nesse caso, o entendimento contrário implicaria na supressão ou inutilidade de todo o adendo estabelecido pelo inciso IV acima (ainda que tenha apurado ...). Também é importante destacar que o texto legal diz "ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ...." e não "ainda que venha a ser apurada prejuízo fiscal ...", numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. Tudo isso que se disse até aqui serve para demonstrar que as estimativas mensais, de fato, configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador de 31 de dezembro. Sua natureza jurídica, inclusive, a faz destoar totalmente do padrão traçado pelo art. 113 do CTN (que trata das obrigações tributárias), pois ela é uma obrigação que surge antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Seu pagamento, por outro lado, nada extingue, gerando apenas um registro contábil de crédito a favor do contribuinte, a ser aproveitado no filtro. Além disso, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, essa obrigação existe mesmo que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Ou seja, existe ainda que não haja tributo devido. Portanto, não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido), e, sendo assim, a obrigatoriedade de seu recolhimento não fica afastada seja em função de apuração de prejuízo, seja em função de apuração de tributo em valor menor que o total das estimativas não pagas. Pelo contrário, tal obrigatoriedade subsiste integralmente, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade acima transcrita. E ainda que assim não fosse, caberia assinalar que não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas. No que toca à alegação da Recorrente sobre a desproporcionalidade e o efeito de confisco da multa de oficio, cujo acolhimento implicaria no afastamento de norma legal vigente (art. 44, I, da Lei 9.430/96), por suposta inconstitucionalidade, cabe ressaltar que falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. _ Oportuno lembrar que apenas de modo excepcional, havendo prévia decisão por parte do Supremo Tribunal Federal, e cumpridos os requisitos do Decreto n° 2.346/97 ou do art. 103-A da Constituição, o que não ocorre no presente caso, é que a Administração Pública deixaria de aplicar a referida norma legal. Ç[ 8 Processar? 10480.000969/2003-30 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00392 Fl. 5 Essa matéria, inclusive, já foi sumulada pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes: Súmula I° CC n o 2- O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Embora a Contribuinte não tenha desenvolvido qualquer argumento sobre os juros de mora, solicitando apenas o seu afastamento ao final do recurso, o mesmo pode ser dito em relação a eles. Incumbe a esse órgão julgador cumprir as normas legais que se encontram em pleno vigor, no caso, o § 3° do art. 5° e o art. 61 da Lei n° 9.430/1996, aplicando-as às situações concretamente verificadas. Quanto à menção ao REFIS, observo que não consta dos autos qualquer_ comprovação de que os valores objeto do lançamento sob exame tenha sido incluídos naquele parcelamento. Finalmente, registro que a decisão de primeira instância já aplicou a retroatividade benigna para fins de reduzir a multa isolada de 75% para 50%, em razão das alterações promovidas pela Lei 11.488/2007 no art. 44 da Lei 9.430/1996. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 12 de março de 2010.12 de março de 2010 _a_ 61 se de Oliveira Ferraz Corrêa • 9
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000328/2004-96
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2007
Ementa: SUSPENSÃO DE ISENÇAO – OMISSÃO DE RECEITAS – CUSTO DE BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS – COMPROVAÇÃO INIDÔNEA E GLOSA DE CUSTOS - ERRO NÃO JUSTIFICADO -
Uma vez desatendidos requisitos legais exigidos para o gozo do benefício de isenção tributária, como previsto no art. 12 da Lei nº 9.532/97, ainda plenamente vigentes e eficazes, correta a suspensão da isenção.
E, uma vez não comprovado oferecimento de receitas próprias, por força de contrato, ainda que seu objeto tenha sido terceirizado, sem transitar pela contabilidade do sujeito passivo, é de se manter a acusação fiscal.
Por falta, igualmente, de provas em contrário sobre acusação de inidoneidade de documentos fiscais (notas fiscais “frias”), assim como pela ausência de prova de erro de fato por custos majorados acima dos documentos fiscais auditados, também deve ser mantido o lançamento de ofício.
Por guardarem estrita relação de causa e efeito com o lançamento do IRPJ CSLL, devem ser mantidos as exigências do PIS e da COFINS.
Recurso negado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 108.09.500
Decisão: ACORDAM os MEMBROS DA OITAVA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso quanto a suspensão da isenção e, também, NEGAR provimento ao recurso em relação ao lançamento de IRPJ e reflexos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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ementa_s : SUSPENSÃO DE ISENÇAO – OMISSÃO DE RECEITAS – CUSTO DE BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS – COMPROVAÇÃO INIDÔNEA E GLOSA DE CUSTOS - ERRO NÃO JUSTIFICADO - Uma vez desatendidos requisitos legais exigidos para o gozo do benefício de isenção tributária, como previsto no art. 12 da Lei nº 9.532/97, ainda plenamente vigentes e eficazes, correta a suspensão da isenção. E, uma vez não comprovado oferecimento de receitas próprias, por força de contrato, ainda que seu objeto tenha sido terceirizado, sem transitar pela contabilidade do sujeito passivo, é de se manter a acusação fiscal. Por falta, igualmente, de provas em contrário sobre acusação de inidoneidade de documentos fiscais (notas fiscais “frias”), assim como pela ausência de prova de erro de fato por custos majorados acima dos documentos fiscais auditados, também deve ser mantido o lançamento de ofício. Por guardarem estrita relação de causa e efeito com o lançamento do IRPJ CSLL, devem ser mantidos as exigências do PIS e da COFINS. Recurso negado. Recurso Voluntário Negado.
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Processo n° Recurso nO Matéria Acórdão nO Sessão de Recorrente Recorrida CCOIIC08 Fls. I MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA 14041.000328/2004-96 146.366 Voluntário IRPJ E OUTROS - Exs.: 2000 a 2004 108-09.500 05 de dezembro de 2007 FUNDAÇÃO FRANCO-BRASILEIRA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO - FUBRAS 2' TURMA/DRJ-BRASÍLlA/DF Ementa: SUSPENSÃO DE ISENÇAO - OMISSÃO DE RECEITAS - CUSTO DE BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS COMPROVAÇÃO INIDÔNEA E GLOSA DE CUSTOS - ERRO NÃO JUSTIFICADO - Uma vez desatendidos requisitos legais exigidos para o gozo do benetlcio de isenção tributária, como previsto no art. 12 da Lei n° 9.532/97, ainda plenamente vigentes e etlcazes, correta a suspensão da isenção. E, uma vez não comprovado oferecimento de receitas próprias, por força de contrato, ainda que seu objeto tenha sido terceirizado, sem transitar pela contabilidade do sujeito passivo, é de se manter a acusação fiscal. Por falta, igualmente, de provas em contrário sobre acusação de inidoneidade de documentos fiscais (notas fiscais "frias"), assim como pela ausência de prova de erro de fato por custos majorados acima dos documentos fiscais auditados, também deve ser mantido o lançamento de otlcio. Por guardarem estrita relação de causa e efeito com o lançamento do IRPJ CSLL, devem ser mantidos as exigências do PIS c da COFINS. Recurso negado. , ' Processo n' 14041.000328/2004-96 Acórdão n,' 108-09.500 CCOI/C08 Fls. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FUNDAÇÃO FRANCO-BRASILEIRA DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO - FUBRAS. ACORDAM os MEMBROS DA OITAVA CÃMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso quanto a suspensão da isenção e, também, NEGAR provimento ao recurso em relação ao lançamento de IRPJ e reflexos, nos tennos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. M Presidente ORLAND~ Relator ALVES BUENO FORMALIZADO EM: 2 ~ J A I 2 O O 8 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA, MARGIL MOURÃO GIL NUNES, CÃNDIDO RODRIGUES NEUBER, MARIAM SEIF e KAREM JUREIDINI DIAS. Ausente, justificadamente, o Conselheiro NELSON LÓSSO FILHO. 2 Processo n° 14041.000328/2004-96 Acórdão n.O 108-09.500 Relatório CCOI/C08 Fls. 3 Trata-se de auto de infração de IRPJ e reflexos na CSLL, PIS e COFINS, relativamente aos anos-calendário de 1999,2000,2001 2002 e 2003, lavrado em 12.12.04 e cientificado ao contribuinte em 17.12.04, em razão da (i) omissão de receitas caracterizada pcla ausência de contabilização das receitas obtidas no contrato celebrado com a CODESP - Companhia Docas do Estado de São Paulo; (ii) glosa de custos, em virtude da contabilização de documentos fiscais inidôneos; (iii) cassação da isenção da Fundação, que exigiu o lançamento de oficio do lucro operacional escriturado e apurado nos livros Diários de 1999, 2002 e 2003. A Ação Fiscal que culminou na lavratura do presente auto de infração decorreu de mandado de procedimento fiscal instaurado para verificação obrigatória do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto de Renda Pessoa Juridica nos anos de 1999 a 2000, posteriormente ampliado para os anos de 200 I, 2002 e 2003. Procedendo à investigação de referida empresa, a fiscalização, de plano, constatou, por meio das informações constantes da DIPJ entregues no periodo de 1999 a 2003, que a Fundação se auto enquadrou como entidade isenta. Por esse motivo, a fiscalização passou a verificar se a mencionada entidade estava cumprindo os requisitos necessários ao gozo da isenção. De acordo com a Notificação Fiscal, fls. 469 a 498, a Fundação teve sua isenção tributária suspensa em razão da apuração de existência de diversas irregularidades cometidas por esta instituição fiscalizada, consistente, resumidamente, na: • escrituração contábil não registrada nos anos de 1999 a 2003 = afronta ao art. 12, 92°, alinea "c", da Lei nO9.532/97; • ausência de comprovação documental das despesas escrituradas nos anos de 1999 a 2003 = afronta ao art. 12,92°, alínea "d" da Lei nO9.532/97; • aplicação de recursos em desacordo com os seus objetivos sociais = afronta ao art. 12, 92°, alinea "b" da Lei nO9.532/97; • contabilização de notas fiscais "frias" nos anos de I999 a 2003, impedindo a comprovação da aplicação inte!,'fal desses recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos = afronta ao art. 12,92°, alínea "b" da Lei nO9.532/97; • remuneração a diretores no ano de 1999 = afronta ao art. 12,92°, alínea "a" da Lei nO 9.532/97; • atividade empresarial nos anos de 1999 a 2003 = afronta ao art. 15, da Lei nO9.532/97 Assim sendo, publicado, em 08. I2.04, o Ato Declaratório Executivo n° 4 I, determinando a suspensão da isenção tributária da Fundação, conforme processo nO 14041.000105/2004-29, ="~",'~'p,~Ii',',li,,"""',""",,"', m,,,,?,,, ': Processo nO 14041.000328/2004-96 Acórdão n.O 108-09.500 CCOIIC08 Fls. 4 inconformidade, a qual fora negado provimento e, posteriormente, apresentado recurso voluntário, o mesmo aguarda julgamento, nos termos do documento anexo ao presente. De referida suspensão da isenção tributária da Fundação, resultou o presente lançamento, com base nas infrações à legislação fiscal apuradas pela fiscalização. Do confronto das notas fiscais de serviços emitidas, nos anos de 1999 a 2003, com a escrituração apresentada pela Fundação, verificou-se que a nota fiscal nO450, com valor de RS 8.745.125,54, fls. 499, referente ao contrato de prestação de serviços finnado entre a CODESP e a FUBRAS, não estava escriturada e nem cancelada. Intimada a prestar esclarecimentos, a CODESP apresentou, fls. 501 e ss., copias das notas fiscais emitidas pela FUNDAÇÃO, acompanhadas dos documentos comprobatórios da quitação, devidamente contabilizados, bem como cópia do acordo judicial celebrado entre as partes e os respectivos Alvarás judiciais, devidamente contabilizado. Por sua vez, igualmente intimada a prestar esclarecimentos acerca dos documentos emitidos pela Fundação relacionados aos pagamentos dos serviços prestados à CODESP, a FUBRAS afirmou que a Nota Fiscal nO450 não foi escriturada no Livro Diário por ter sido cancelada, não havendo qualquer recebimento dos valores da NF 450 em virtude da realização de acordo judicial. Esclareceu, também, que os únicos pagamentos realizados pela CODESP foram feitos em juízo e repassados aos executores finais dos serviços prestados, não ingressando na Entidade. Diante disso, do confronto das informações prestadas pela CODESP e pela FUBRAS sobre o contrato DP/26-A 2000, a fiscalização conclui pela existência de omissão de receitas, devido às notas fiscais não contabilizadas como receitas da FUBRAS, afastando a alegação desta de que detenninados valores não foram contabilizados porque foram pagos diretamente aos executores diretos dos serviços, uma vez que a Entidade era contratada da CODESP e beneficiária dos recursos judiciais. Intimada a apresentar as notas fiscais de serviços contabilizadas nos anos de 1999 a 2003, a título de serviços prestados pJ ou serviços de terceiros PJ, a FUBRAS encaminhou à fiscalização as citadas notas fiscais, conforme Tenno de Retenção lavrado em 19.02.04. A fim de verificar a idoneidade das notas fiscais apresentadas pela FUBRAS, como comprobatórias de suas despesas, a fiscalização realizou pesquisas nos cadastros da SRF e do GDF, bem como circularizações junto aos responsáveis das pessoas jurídicas emitentes das notas fiscais. A título exemplificativo, impende destacar relato da fiscalização, fls. 27, acerca da investigação sobre a nota fiscal emitida pela empresa Acuri Projetos Construções e Comércio Lida. à FUBRAS: "Apurou-se a contabilização de pagamentos nos valores de R$400.000,00 e R$295. 000, 00, respectivamente, em 20/12/2000 e 28/12/2000, à empresa Acuri Projetos Construções e Comércio Ltda., CNPJ 334.569.376/0001-33 (nO copiado da própria nota .fisca/), 4 Processo n" 14041.000328/2004-96 Acórdiio no" 108-09.500 representados pelas notas fisxais nOs 130 e 139 nas mesmas datas (fls. 368/369). Intimada a responsável legal pela referida empresa, por meio dos Termos de Intimação, clljas ciências ocorreram em 22/04/2004 e 20/07/2004, a Sra. Ana Maria da Costa Reis, CPF 027.536.422-49, informou nas correspondências de 30/04/2004 e 28/07/2004 que desconhece a emissão das notas fiscais de serviços nOs 130 e 139, de 20/12/2000 e 28/12/2000, que desconhece e nunca manteve contato e nem prestou serviços à FUBRAS, como também desconhece a solicitação de impressão das notas em 20/10/2000, pois na referida data a sua empresa, já tinha sido desativada, ou seja, dado baixa pelos órgãos competentes em Manaus. Informou, ainda, que desconhece também a Gráfica São José Ltda. Que consta no rodapé da nota fiscal em questão. " (fls. 371). CCOI/C08 Fls. 5 o resultado desse trabalho foi a glosa das notas fiseais relacionadas às fls. 69 a 78, por conterem as seguintes irregularidades: • Notas Fiscais Frias emitidas por empresas inexistentes no CNP J ou de empresas que declararam não terem prestado os serviços descritos nas Notas Fiscais; • Notas Fiscais Frias de empresas com autorização para impressão de documentos fiscais - AIDF inválidas ou de outras pessoas jurídicas. Restou comprovada, desse modo, que a FUBRAS utilizou notas fiscais frias na contabilização de custos/despesas relativos à prestação de serviços pelas subcontratadas. Com relação a esse fato, na impugnação à notificação fiscal que propôs a suspensão da isenção tributária, a FUBRAS alegou que as notas fiscais apresentadas pelos seus prestadores foram emitidas por empresas regulares, que os serviços aconteceram e foram atestados por seus usuários e que é vitima e não culpada pelas irregularidades cometidas pelas prestadoras de serviços terceirizadas. A fiscalização esclareceu que não questionou a execução dos serviços constantes dos contratos assinados pela FUBRAS, mas sim a documentação comprobatória dos lançamentos contábeis relativos às despesas com as prestadoras de serviços. Diante da comprovação da inidoneidade das notas fiscais apresentadas pela FUBRAS à fiscalização, com base em acórdãos deste E. Conselhos de Contribuintes, adicionou ao lucro real o somatório anual das despesas/custos apurados, como também agravou a multa de oficio em razão do evidente intuito de fraude. Dando continuidade ao procedimento fiscal, a fiscalização reintimou a FUBRAS a apresentar as notas fiscais restantes, tendo em vista que a intimação anterior fora parcialmente atendida. A FUBRAS informou que todas as notas fiscais existentes no arquivo já haviam sido entregues, fato que indicava haver graves inconsistências nos lançamento do Livro Razão, solicitando, naquela oportunidade, prazo para refazer sua contabilidade. 5 Processo n' 14041.000328/2004-96 Acórdün n.' 108-09.500 CCOI/C08 Fls. 6 Passados 56 dias desse pedido, a fiscalização intimou a FUBRAS a apresentar seus Livros Diário e Razão dos anos de 1999 a 2003, porém não obteve resposta por parte da entidade fiscalizada, procedendo a nova intimação, a qual também não foi atendida. No total transcorreu mais de 270 dias sem que a FUBRAS comprovasse sua alegação de erro em sua escrita. A fiscalização constatou que os somatórios dos valores das notas ficais das pessoas juridicas prestadoras de serviços para a FUBRAS são inferiores aos totais contabilizados nos Livros Diários e Razão, não havendo comprovação da documentação contábil dos custos/despesa contabilizados, motivo pelo qual procedeu à glosa dos valores de referidos valores e adição dos mesmos na apuração do Lucro Real e da CSLL. Intimada a apresentar as DIPJ's e os respectivos recibos de entrega dos anos de 1999 a 2003, optando por uma das formas de tributação, haja vista a suspensão da isenção tributária, a FUBRAS solicitou prorrogação do prazo para atendimento da intimação e, posteriormente, alegou impossibilidade de proceder à opção por estar analisando a melhor forma de tributação a ser adotada. Considerando que a FUBRAS não optou pela forma de tributação e que a movimentação financeira estava contabilizada, a escrituração estava assentada em livros Diários e Razão, os balanços anuais foram levantados e transcritos nos livros Diários, a fiscalização tributou o resultado apurado pelo Lucro Real, realizando os ajustes necessários. Destacou a fiscalização que, no ano de 2003, o contribuinte apurou o resultado parcialmente, porque não levou para a sua conta de resultado todas as receitas e despesas efetuadas no ano, porque passou a oferecer como receita apenas a parcela referente à "taxa de administração". Porém esse procedimento é incorreto, pois, além desta taxa não ter previsão nos contratos firmados, nesses a FUBRAS não figura como administrador e sim como prestador de serviço. Com isso, a fiscalização procedeu aos ajustes nos resultados da FUBRAS do ano de 2003, conforme planilha às fls. 93. Ao presente AIIM de IRPJ e reflexos foi apresentada impugnação, tempestivamente, tendo o contribuinte tecido a seguinte argumentação: - Equivocada a decisão que suspendeu a isenção da FUBRAS, uma vez que esta entidade submete-se a todas as nonnas pertinentes às fundações, inclusive sendo supervisionada pelo Ministério Público que semprc abonou as atividades por ela desenvolvidas, conforme Parecer nO099/01-PJFEIS; - A FUBRAS é detentora de vanos Atestados de Capacidade Técnica, que demonstram a capacidade técnica e eficiência dos serviços prestados, expedidos por Órgãos e Entidades de gabarito incontestável, razão pela qual não se pode rechaçar sua natureza jurídica e institucional; - Referidos atestados demonstram que a FUBRAS não atua como sociedade comercial, muito menos com intuito de lucro, mas sim para a obtenção de meios financeiros para que a ínstituição possa perseguir e alcançar suas finalidades e manter sua estrutura operacíonal; 6 Processo n' 14041.000328/2004-96 Acórdão 11.' 108-09.500 CCOI/C08 Fls. 7 - O enquadramento, de oficio, da FUBRAS no regime tributário de Lucro Real é improcedente, tendo em vista que a própria fiscalização rechaça os documentos fiscais da FUBRAS, ao apontar que os Livros Diários dos exercícios de 1999 e 200 I não foram registrados no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas e que o do exercício de 2003, bem como as Demonstrações Contábeis não seriam parte intel,'fante do seu arquivamento; - Se a Autoridade entende que há omissão de receita, não haveria como utilizar a apuração do Lucro Real porque a entidade jamais contribuiu com base nessa forma de apuração, tendo em vista a natureza jurídica da entidade como isenta; - Ilegal a lavratura do teono de suspensão da isenção da FUBRAS com a concomitante intimação para apresentação de DIPJ's e opção por uma das modalidades de tributação, sem aguardar uma decisão definitiva sobre aquela primeira; - Contestável o Superávit Líquido do Exercício de 2003 transformado pela Fiscalização em Lucro Líquido do exercício no montante de R$65.180,62; - Sem adentrar ao mérito da questão relativa à emissão de Nota Fiscal para o contrato celebrado com a CODESP, o valor considerado na base de cálculo do IRPJ e da CSSL como suposta omissão de receita da FUBRAS no montante de R$7.498.804,94 não é identificada a correspondência desse valor como o considerado no Teono de Verificação Fiscal - R$ 7.167.424,07, havendo uma diferença de R$331.380,87; - As supostas omissões de receitas pertinentes ao contrato celebrado com a CODESP, totalizando no exercício de 2001 o valor de R$118.808,34 e no exercício de 2003 o valor de R$ 7.498.804,94, foram decorrentes de notas fiscais que não foram aceitas pela CODESP, ensejando que a FUBRAS acionasse na justiça a postulação de seus direitos; - Nulo o auto de infração, devido ao fato do valor considerado como tríbutável, no montante de R$7.498.804,94 divergir daquele demonstrado no Termo de Verificação Fiscal de R$ 7.557.284,32, representando uma diferença de R$58.479,38; - Não foi computada na base de cálculo da CSLL, nos períodos-bases de 2000 e 200 I o Resultado Líquido do Exercício, sendo apurado Déficit, tal como foi consignado no cálculo do IRPJ; - A Fiscalização procedeu à glosa dos valores lançados pela FUBRAS em sua contabilidade, sem se atentar para o fato de que a entidade esclareceu que a contabilidade estava sendo reprocessada de modo a corrigir eventuais inconsistências e incorreções que foram constatadas; - Por fim, aduz não ser possível responsabilizar a FUBRAS pelo recebimento de algumas notas fiscais consideradas inidôneas pela fiscalização, seja porque a entidade sempre agiu de boa-fé ou ainda porque as notas fiscais não foram consideradas em sua totalidade. Em vista aos argumentos apresentados pela impugnante, a DRJ - Brasília/DF manifestou-se em tis. 1279/1307, nos teonos seguintes: 7 Processo n' 14041.000328/2004-96 Acórdão n.' 108-09.500 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídíca - IRPJ ExerGÍcío: 1999. 2000. 2001, 2002, 2003. Ementa: SUSPENSio DE ISENÇio Entídades constítuídas para fins não lucrativos que não cumprem os requisítos para gozo do beneficío da isenção tributária previstos na Lei n09.532/97 não se caracterizam como isentas de tributos. Mantida a suspensão. GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS Nio COMPROVADAS O slyeito passivo não apresentou as notas fiscais que comprovassem o excesso de despesas por ele escriturado, muito menos comprovou a alegação de que havia erro material em sua contabilidade. GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS BASEADAS EM NOTAS FISCAIS FRIAS Integram os autos provas suficíentes das irregularidades existentes em notas fiscais emitidas por supostos prestadores de serviços. O sujeito passivo não apresentou os respectivos contratos, que seriam indiciários da boa-fé. OMISSA-O DE RECEITA Considerado o valor de omissão demonstrado na descrição dos fatos. Correção do montante utilizado para cálculo dos tributos, com sua conseqüente redução. FALTA DE COMPENSAÇio DE TRIBUTOS RETIDOS NA FONTE. O slyeito passivo não apresentou provas das retenções de tributos alegadas. LUCRO REAL. Com a suspensão da isenção, o contribuinte somente pode ser tributado pelo lucro real, já que a opção pelo lucro presumído devería ter sído manifestada com o pagamento da prímeíra ou lÍníca quota do imposto devido correspondente ao prímeíro período de apuração de cada ano- calendárío. Como não houve subsunção nas hipóteses para arbítramento, correta a apuração do IRPJ com base no lucro real. ERRO NA BASE DE CALCULO DA CSLL. Retifícada a apuração da CSLL para os anos 2000 e 2001, haja vista que não foi considerado o déficít apurado pelo sujeíto passivo. CCOI/C08 Fls. 8 Lançamento Procedente em Parte. " Assim, entendeu a autoridade julgadora "a quo" que restou demonstrada a procedência da decisão que suspendeu a isenção tributária da FUBRAS, em razão desta Entidade não ter apresentado provas suficientes para afastar a imputação de não cumprimento dos requisitos impostos pela Lei nO 9.532/97 para gozo do beneficio fiscal, consistente na ""'ç'o do ,=""mçã, , direto,;"pli~ç'o do '=0"' ,m d,,,,,roo com~. Ohj".O: Processo o' 14041.000328/2004-96 Acórdào o.' 108-09.500 CCOI/C08 Fls. 9 SOCIaiS;escrituração contábil não registrada; falta de comprovação documental das despesas escrituradas nos anos de 1999 a 2003 e contabilização de notas fiscais frias nos anos de 1999 a 2003. No que tange ao lançamento tributário procedido pela fiscalização, a autoridade julgadora "a quo" afastou os argumentos de defesa apresentados pela FUBRAS, explanando sobre o acerto da fiscalização na tributação da FUBRAS pelo lucro real, uma vez que o arbitramento dos lucros é medida mais gravosa para o contribuinte, além de não ter sido configurada nenhuma das hipóteses legais que autorizam sua adoção, bem como apontando a ausência de provas da ausência de compensação de impostos e tributos retidos e da boa-fé na contabilização de notas fiscais frias. Com relação às supostas falhas de apuração por parte da fiscalização, a autoridade julgadora "a quo" deixou clara sua insubsistência, uma vez que o Termo de Verificação Fiscal demonstra com solar clareza os procedimentos adotados. Sendo procedente, apenas, a alegação da FUBRAS de erro na apuração da base de cálculo da CSLL referente aos anos 2000 e 200 I, a autoridade julgadora "a quo" determinou o abatimento dos défieits apurados nas DIPJs entregues à SRF. o contribuinte, tempestivamente, interpôs seu recurso voluntário, reafirmando as alegações aduzidas em sua peça inicial de defesa. É o Relatório. 9 Processo n' 14041.000328/2004-96 Acórdão n,o 108-09.500 Voto Conselheiro ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO, Relator CCOI/C08 Fls. 10 Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal dele tomo conhecimento. Primeiramente e como questão prejudicial deve-se analisar, como o fez a decisão de primeira instância, a manutenção, ou não, da suposta isenção tributária, como decorrente da suspensão de oficio mediante o Ato Declaratório Executivo n° 41, de 08 e outubro de 2004, que é objeto do processo n° 14041.00010512004-29, em apenso a este, após o que se adentra na apreciação dos lançamentos tributários, principal e decorrentes, objetos do presente processo. A Recorrente, a tls. 1317 dos autos, afinna, categoricamente, que a FUBRAS é entidade "ISENTA", sendo que, a tls 1320, pugna pela defesa asseverando que "Portanto, inexiste dissonância entre os objetivos gerais e específicos da Fundação e suas atividades, sendo estas o instrumento de consecução daqueles, razão pela qual jamais poderia ser suspensa a imunidade a pretexto dos argumentos deduzidos pela Autoridade Fiscal." Evidencia-se, assim, que a própria Recorrente se confunde em relação a dois distintos institutos de Direito Tributário, a isenção e a imunidade. A bem de elucidar a questão do entendimento aqui exarado, faz-se necessário pontuar, didática e dOl,'I11aticamente,o que constitue a isenção tributária e o que é a imunidade jurídica tributária. Analise-se, em primeiro, o instituto da imunidade tributária. O professor Paulo de Barros Carvalho, conceitua imunidade como sendo: "classe finita e imediatamente determinável de normas juridicas, contidas no texto da Constituiç"o Federal, e que estabelecem, de 1l1Odo expresso, a incompetência das pessoas juridicas de direito constitucional interno para expedir regras instituidoras de tributos que alcancem situações e;pecíjícas e slificientemente caracterizadas. " / Ensina o aludido professor, abrindo tal definição: 1- As imunidades tributárias são somente aquelas explicitadas pela Constituição Federal; I Curso de Direito Tributário, aulor citado, Ed. Saraiva, 17' ed. 2005, p. 185 10 Processo 0° 14041.000328/2004-96 Acórdão 0.° 108-09.500 CCOI/C08 Fls. 1\ 2- Como normas jurídicas estão compreendidas na regIaO ôntica do jurídico-normativo, vale dizer, "o que não estiver permitido, estará proibido" aplicável à disciplina do direito público; 3- As normas que estipulam imunidades estabelecem proibição inequivoca no que tange a emissão de regras jurídicas instituidoras de tríbutos. Normas, portanto, que estabelecem a incompetência; 4- Normas que impedem, assim, a instituição de tríbutos, dirígidas às pessoas investidas de personalidade politica no campo tributário. Desta feita, finna-se, claramente, que a imunidade deve ser encontrada no texto constitucional. E difere das isenções, novamente valho-me dos ensinamentos do professor Paulo de Barros Carvalho, que aduz: "São proposições normativas de tal modo diferentes na composição do ordenamento positivo que pouquíssimas são as regiões de contato. Poderíamos sublinhar {(io-somente três sinais comuns: a circunstância de serem normas jurídicas válidas no sistema; integrarem a classe de regras de estrutura; e tratarem de matéria tributária. Quanto ao mais, uma distância abissal separa as duas espécies de unidades normativas. O preceito de imunidade exerce a fitnção de colaborar, de uma forma especial, no desenho das competências impositivas. São normas constitucionais. Não cuidam da problemática da incidência. atuando em instante que antecede. na lógica do sistema, ao momento da percussão tributária. Já a isenção se dá no plano da legislação ordinária. Sua dinâmica pressupõe um encontro normativo, em que ela, regra de isenção, opera como expediente redutor do campo de abrangência dos critérios da hipótese ou da conseqüência da regra- matriz do tributo. ,.2 A imunidade atua no campo que antecede a incidência tríbutária, enquanto a isenção no campo da incidência tríbutáría, disciplinada por lei ordináría e não constitucional. No caso, vejamos a suposta imunidade jurídico tributáría que podería ser invocada na defesa da Recorrente, que, ao final, não se presta para tanto. Assim dispõe o art. 150, inciso VI, letra "c" , S 4° da CF/88, a saber: " Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte. é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municipios: VI - instituir impostos sobre: aj ... bj... 2 Obra citado, a.cit. p. 188 11 Processo n' 14041.000328/2004-96 Acórdão n.' 108-09.500 c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos de lei. j'3" ... CCOI/C08 Fls. 12 J 4" - As vedações expressas no inciso VI, alíneas b e c, compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. " Com tal prescrição constitucional, o CTN, lei complementar a Constituição de 1988, estabeleceu os requisitos necessários para o gozo de tal imunidade tributária, a saber: "Art. 14. O disposto na alínea "c" do inciso VI do art. 9° é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: 1- não distribuirem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer titulo; 11- aplicarem integra!mente,no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; I1I- manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revistidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão." Uma vez colocado o quadro legal, em acepção geral, do instituto da imunidade, cabe verificar se a Recorrente tem natureza juridica e atividades ao abrigo do instituto constitucional em comento. Como afirma a própria Recorrente, fls. 1316, a FUBRAS é uma fundação, criada em 13 de dezembro de 1978, de caráter privado, sem fins lucrativos, cabendo, neste ato, reproduzir a análise efetuada pela autoridade julgadora "a quo", fls, 1291: "Atentando para o estatuto do sujeito passivo (fls. 462), em seu art. 1" consta que sua destinação são "atividades de natureza científica, técnica e educativa voltadas para o conhecimento da realidade brasileira ". Ora, a educação é apenas um dos objetivos estipulados pelo sujeito passivo, mas não o único. Tal entendimento é reforçado, quando verífica-se no art. 2" parágrafo 2" do mesmo estatuto, que, entre outras atividades, constituem objetivos específicos a elaboração de pesquisas sócio-econômicas, voltadas para o interesse nacional, prestação de serviços técnicos a órgãos governamentais e a empresas e implantar sistema de comunicações ligado a centro de computações no exterior, para dar condições de pesquisa à Fundação e órgãos que lhe sejam vinculados. Corroborando ainda mais o entendimento de que não se trata de fimdação de caráter educacional, as ./Is. 18/25 estão relacionados 12 Processo n' 14041.000328/2004-96 Acórdão n.' 108-09.500 alguns comratos realizados pelo sujeito passivo, indicando a realização de atividades técnicas de desenvolvimento de softwares, de contratação de pessoal, de serviços de biblioteconomia, de consultoria e assessoria, etc. Onde a educação nessas atividades? Para sacramentar, transcrevo trechos da impugnação apresentada relativameme ao processo dos autos de infração de IRPJ, CSLL,PIS e COFINS, n" 14041.000328/2004-96 (fls. 1182 e 1183) , ao qual o processo de suspensão da isenção está apensado: " Em razão da Fundação ser uma emidade voltada para pesquisa e desenvolvimento ( ..)" e " O objetivo principal da FUBRAS é desenvolver e elaborar estudos, projetos, trabalhos e pesquisas no campo da administração pública e privada, incluindo recuperação de tributos. ". No processo de sllspens(io o sujeito passivo se declara instituiçào educativa, já no processo dos autos de infração, declara-se instituiçcio de pesquisas e estudos; ou seja, ele muda de área de atuação de acordo com seu interesse. " Realidade insofismável que dejlui da leitura e verificação das peças do trabalho fiscal, e da decisão da DRJ, é que a FUBRAS desenvolve e desenvolveu atividades mais abrangentes que a educação no seu semido estrito de qualquer atividade educacional em si, para isso basta consultar-se o objeto do Ata da Criaçcio da emidade, que reza: "A Fundação Franco Brasileira de Pesquisa e Desenvolvimento - FUBRAS é uma instituição de caráter privado, sem fins lucrativos, com prazo indeterminado de duraçcio e de acordo com seus Estatutos destina-se a exercer atividades de natureza ciemifica, técnica e educativa voltadas para o conhecimento da realidade brasileira. Sendo que no art. 2" de seus Estatutos estabelecem os objetivos gerais e especificos no campo das ciências exatas e aplicadas. Constituem objetivos gerais da Fundação: promover estudos e pesquisas sobre Brasília como cidade administrativa, como centro de integraçcio nacional e pólo de desenvolvimento regional e como sede de organismos internacionais. E constituem objetivos e.\pecificos da Fundaçcio as seguintes atividades: a) preparar recursos humanos em níveis de pós-graduaçcio e doutoral;b) elaborar pesquísas sócío- econômícas voltadas para o ímeresse nacional;c) prestar servíços técnicos a ôrgãos govemamemais e a empresas;d) celebrar convênios com instituições internacionais para o desenvolvimento de estudos e pesquisas; e)realizar cursos de alto nível em convênio com organismos internacionais;j) publicar e divulgar a produção intelectual em edições especializadas;g) criar um centro de documentação em língua francesa, para atender aos interesses nacionais e de países francophones;h) implantar um sistema de comunicações ligado a centros de computação no exterior, para dar condições de pesquisa à Fundação e órgãos que lhe sejam vinculados. " (fls. 485/486). CCOI/C08 Fls. 13 Bem se constata a amplitude do objeto prestacional da FUBRAS, que, inequivocamente, não se limita a ser exclusivamente instituição de educação, como o trabalho da fiscalização fartamente comprovou com os negócios contratuais juntados nestes autos. Nesse sentido insta consignar que o próprio sujeito passivo em suas DIPJs, por sua própria iniciativa, informou a SRF que era uma empresa isenta, conforme Ficha I da re eridas declarações, a tls .1067, 1084, 1101 e 1147 destes autos, 13 Processo n' 14041.000328/2004-96 Acórdão n.' 108-09.500 CCOI/C08 Fls. 14 Está comprovado, a fls. 486 a 493, da Notificação Fiscal, que a FUBRAS efetivamente não é entidade exclusiva de educação, prestando serviços de variadas assessorias técnicas e outros que reforçam o entendimento que a mesma não se enquadra nos termos da imunidade constitucional jurídica tributária aqui definida. Em face disso, seja pelo objeto amplo da FUBRAS, seja pelas provas coligidas na Notificação Fiscal, a fls. 469 e seguintes, sou por reconhecer que a FUBRAS, ainda que seja fundação sem fins lucrativos, não exerceu precipua e preponderantemente atividade educacional, não fazendo jus, portanto, de se abrigar sob os efeitos na nonna constitucional que veda sua tributação pela imunidade conforme aqui descrita. Assim, neste mister, com acerto o trabalho fiscal e a decisão de primeira instãncia quando apreciam o mérito da suspensão à luz de lei ordinária, qual seja. Artigo 15 e parágrafos da Lei n° 9.532/97, que trata especificamente, na sua competência, do instituto da isenção. Referido diploma legal estabelece, em seu art. 12 e parágrafos todos os requisitos necessários ao gozo correto do beneficio isencional. Sobre isso se debruçou a autoridade fiscal e decidiu a DRJ quanto a notificação para suspensão da isenção. Confira-se se a FUBRAS satisfez todos os requisitos legais para se enquadrar como isenta. Enfatize-se, para elucidar a presente interpretação, que a lei isencional estabelece pontuais requisitos que devem, em sua completude, ser analisados conjunta e integradamente, não se podendo admitir o atendimento de um ou outro, e assim se dar por aplicada o texto legal isencional. No que se refere as isenções é pacifico o entendimento que se deve interpretar a legislação de maneira literal, ou seja, limitada e objetiva, sem se valer de outros métodos aplicáveis no sistema do direito positivo. A interpretação deve ser textual e, acrescento, no caso, integrada sem separações por requisito, completa mesmo, vez que a lei exige tal preenchimento cumulativo dos requisitos. A Notificação Fiscal, fls. 469 a 495, elenca, categoricamente, os motivos fáticos e juridicos que ensejaram a suspensão da suposta isenção tributária. Passa-se, neste ato, a análise se a FUBRAS cumpriu os dispositivos legais que contém os requisitos para o reconhecimento da isenção tributária: -Aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais: 1- É fato apurado e comprovado no processo apenso - fls. 165/170 - que a FUBRAS emitiu cheque nominal a Antonio de Pádua Rosa do Nascimento, no valor de R$ 79.000,00, não obstante o mesmo ter alegado não ter sido beneficiário de tal numerário, e não saber a que fim foi dado tal pagamento; 2- É fato comprovado, no processo apenso - fls. 176 - pagamentos de R$ 75.000,00 e R$ 76.500,00, m",O,",~,h"'l"~"mio., "F=",~" d, A"i, F,=imMo<, ,~do ~" ~":: Processo n' 14041.000328/2004-96 Acórdão n.' 108-09.500 CCOI/C08 Fls. 15 que entregou os valores sacados para empresas prestadoras de serviços da FUBRAS ,quais sejam, Micro & Macro Informática - Comunicação e Consultoria LIda. e Exittus Assessoria em Recurso Humanos LIda. Nesse sentido, diligenciada a FUBRAS a mesma apresentou notas fiscais de serviços para as citadas pessoas juridicas. Todavia, quanto a empresa EXITTUS foi apurado pela fiscalização que a mesma teve baixa no Governo do Distrito Federal no ano de 1998, sendo a nota fiscal emitida contra a mesma na data de 13/01/2000, tendo colhido depoimento do representante legal da EXITTUS que não forneceu nenhum recibo ou qualquer outro documento fiscal ao Sr. Francisco de Assis ou diretamente a FUBRAS (fls. 03 do processo apenso). No que se refere a Micro & Macro Informática, apurou a fiscalização que tanto o endereço como o CNPJ são da empresa Viva Verde Paisagismo e Publicidade LIda., cujo representante legal declarou desconhecer a FUBRAS (fls. 04 do processo apenso). Intimada ainda a FUBRAS a apresentar os contratos celebrados com as aludidas empresas, a mesma declarou que não foram fonnalizados. Destarte, também não conseguiu comprovar a realização dos serviços, ainda que intimada para tanto. Neste aspecto, portanto, restou descumprida a exigência legal do art. 12, parágrafo 2° , alínea "b" da Lei nO9.532/97, posto não ter aplicado integralmente os seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Por somente os fatos relatados seria suficiente reconhecer que a FUBRAS não satisfez as determinações legais para se beneficiar da isenção. Nesse sentido invoca-se, novamente, quanto a interpretação, o disposto no art. 111, inciso II do CTN que prescreve a literalidade para o reconhecimento da isenção, como fundamento jurídico para sufragar o entendimento de suspensão da isenção, decidido pela autoridade administrativo "a quo". Não obstante essa consideração interpretativa jurídica, o trabalho da fiscalização avançou, com precisão e profundidade, na análise de outras operações supostamente contratuais, com emissão de documentos fiscais pela FUBRAS, que, por sua vez, restaram caracterizadas não serem realizações verdadeiras, faticamente, de contratos celebrados, chamadas pela autoridade fiscal de "notas frias", assim como apurou irregularidades graves na escrituração contábil de operações indigitadas, envolvendo muitas empresas, com CNPJs e endereços de outras empresas, cuidando o auditor de diligenciar com depoimentos de representantes legais, de pesquisa em cadastro do Governo do Distrito Federal, conforme se pode conferir pela leitura da Notificação Fiscal a fls. 04 até 16 e respectiva documentação que suporta essas conclusões, citadas no corpo do respectivo relatório, ao qual inteiramente me reporto para fundamentar meu entendimento sobre a violação do art. 12, parágrafo 2° , alíneas "b" e "c" da Lei n° 9.532/97, uma vez comprovado o desvio de finalidade quanto aos recursos da própria instituição em análise, assim como irregularidades /,'Taves - escrituração de notas fiscais sem suporte contratual e fático - na escrituração de seus receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que deveriam assegurar a respectiva exatidão, mas que não tiveram o condão para certificar o cumprimento dessa exigência legal neste aspecto. Cabe frisar, como bem analisado, na decisão "a quo" que a liminar concedida em parte pelo STF ( Acórdão publicado em 13/02/2004) na ADIN suspendeu a vigência do pará/,'Tafo 1° , alínea "f" , pará/,'Tafo2° , ambos do art. 12 , do caput do art. 13 e do art. 14 da Lei n° 9.532, a qual aguarda julgamento, nesta data, mediante consulta direta no SJ. do STF, \] 15 Processo n" 14041.000328/2004-96 Acórdão n." 108-09.500 não atingindo, portanlo, os dispositivos que fundamentam provados contra a FUBRAS. CCOI/C08 Fls. 16 a isenção suspendida pelos fatos Diante todo o exposto, e pelas provas fartamente carreadas aos presentes autos, comungo do mesmo entendimento da decisão de primeira instância, reportando-me também aos autos do processo apenso n° 14041.000105/2004-29, com base no conjunto probatório documental relatado pela autoridade fiscalizadora, no sentido de manter a suspensão da isenção -- prevista na Lei n° 9.532/97, uma vez não cumpridas as suas exigências para o gozo de tal beneficio, por violações comprovadas do disposto nas alíneas "b", "c" e "d", do pará!,'fafo 2°, do art. 13, combinado com o art. 15, parágrafo 3°. Eis como voto quanto ao processo suspensivo da isenção em comento, apenso. Ante o exposto, passo a analisar o presente processo principal, de autuação tributária, relativo ao IRPJ, CSLL e decorrentes de PIS e COFINS. A Recorrente inicia a sua argumentação lembrando a naturcza juridica da FUBRAS, como fundação sem fins lucrativos, e o Parecer do Ministério Público n° 099/01 que endossou as atividades praticadas pela entidade, a fim de finnar o entendimento que a entidade é uma fundação que não fugiu a seus propósitos educacionais, e como tal, deveria ser enquadrada como imune. Com bem registrado pela decisão "a quo", não se questiona a imunidade neste processo, mesmo porque a própria entidade se declarou isenta, e sim o beneficio da isenção nos termos previstos pela Lei n° 9.532/97. Também igualmente bem anotado pela decisão "a quo", o parecer do Ministério Público apenas atesta a amplitude das atividades da Recorrente, para reconhecer que a mesma atuava em cumprimento aos seus estatutos, ou seja, corrobora o entendimento de que os objetivos gerais e especificos foram cumpridos, e, com efeito, para o presente caso, reforça a tese da amplítude dos objetivos da entidade, já analisada anterionnente, que justificou, por sua vez, o afastamento do instituto da imunidade para a proximidade da suposta isenção, já suspensa pelos motivos anterionnente explicitados. Portanto, insubsistentes, novamente, os argumentos aduzidos em preliminar para sustentar a aplicação da imunidade tributária, cabendo reafirmar os argumentos deste voto no sentido de aplicação da isenção e sua suspensão de oficio. Quanto ao mérito, insurge-se a Recorrente pela adoção do regime de tributação do lucro real adotado pela fiscalização. Com a suspensão da isenção, a autoridade fiscal intimou a Recorrente para apresentar as DIPJs. de 1999 a 2003, com a opção da forma de tributação, concedendo-lhe dez dias para atendimento, prorrogado por uma vez, no mesmo prazo, obtendo da Recorrente a resposta de que estava reavaliando todos seus lançamentos contábeis para viabilizar a melhor forma de tributação a ser adotada e requereu mais 40 (quarenta) dias, que foi indeferido, pelo motivo de que desde a o inicio da ação fiscal, em -7/10/2003, a Recorrente foi intimada para apresentar Livro Diário, Razão e Balancetes de 1998 a 2003, DCTFs e DIRFs dos mesmos periodos. _~. \} 16 Processo n" 14041.000328/2004-96 Acórdão n." 108-09.500 CCOI/C08 Fls. 17 Assim, no Termo de Verificação Fiscal, a fls 37, foi consignado o seguinte: "Como o contribuinte não fez a opção pela forma de tributação quando intimada e considerando que no periodo de 1999 a 2003: a movimentação financeira estava contabilizada, a escrituração estava assentada em livros Diários e Razão, foram levantados os balanços anuais e transcritos nos Livros Diários, e segundo a mesma foi feita sob regime de competência, optou-se por tributar o resultado apurado pelo LUCRO REAL realizando ajustes necessários (glosas de custos não comprovados, glosa de custos comprovados por notas fiscais inidôneas, e omissão de receita). Os valores lançados nesta infração foram obtidos na apuração de resultado transcritos nos livros diários e declarados na DIPl -ISENTA como superávit, com exceção do ano de 2003." A Recorrente insiste que a documentação contábil - Livros Diários de 1999 a 200 I não estavam registrado/protocolados em cartório competente, bem como as demonstrações contábeis não estavam arquivadas em cartório, sustentado a necessidade de se adotar o arbitramento para tal apuração das infrações tributárias. Não assiste razão à Recorrente. Como disse a DRl, com a suspensão da isenção, somente caberia a tributação por lucro real anual ou arbitrado, pois para o lucro presumido deveria ter sido feita a opção com cumprimento do disposto no art. 26, parágrafo 10 da Lei n° 9.430/96, e como se auto- enquadrou isenta não exerceu regularmente tal faculdade, em tempo oportuno, a despeito do prazo concedido para tal opção, mesmo extemporaneamente, pela intimação fiscal. Como é iterativa e pacifica jurisprudência desse Primeiro Conselho de Contribuintes o arbitramento do lucro é medida extrema, somente possivel quando esgotadas todas as possibilidades de apurar-se o lucro pelo regime de lucro real e presumido e a contabilidade ser imprestável, inequivocamente para tanto, o que não foi nem é o presente caso, posto que, pela leitura do Tenno de Verificação Fiscal, a fls.20 até 38, está bem demonstrada, não obstante algumas irregularidades da escrita fiscal e documentos fiscais, que a contabilidade se prestou para a determinação do lucro real, descartando-se a utilização do regime de lucro arbitrado o qual, diga-se, seria seguramente mais gravoso ao sujeito passivo. Correto, a meu ver, o procedimento fiscal pela aplicação do regime de tributação pelo lucro real. Alega ainda, a Recorrente ofensa a sic "vários principios tributários", sem indicar precisamente quais, pelo fato da intimação para o exerci cio da opção ser feita em 10 dias, mais 10 dias, esquecendo-se, propositalmente, que o Termo de Inicio de Fiscalização foi dado ciência em 07/10/2003, tls 97, com o que solicitou-se livros, documentos fiscais e balancetes, sendo atendida a fls. 99, 101, 102 (onde informou somente a existência de balanços anuais), fls. 105, fls. 107,108, 109, 110, III (comprovantes de despesas), 113, 114, 115, 116, 117, 118, 119, 120/121, 127, 187/188/189/190/191 e outras intimações para apresentações de notas fiscais, contratos, cheques etc que demonstram, suficientemente, existir contabilizações e documentação hábil a sustentar o procedimento adotado pelo sr. Auditor ao aplicar o regime de lucro real, com a concessão de prazo para exercicio apenas da opção pelo sujeito passivo, porém esse resolveu se justificar com base na exigüidade do prazo para tanto, mesmo após atender reiteradas intimações sobre documentos contábeisltiscais extraidas de sua escrituração contábil. Portanto o argumento genérico sobre violação de principios tributários não pode prosperar em face às provas produzidas nestes autos. 17 Processo nO 14041.000328/2004-96 Acórdão no" 108-09.500 CCOIIC08 Fls. 18 Continua a argumentar a Recorrente que não foi considerada a necessana compensação de impostos e contribuições retidos por órgãos públicos e empresas privadas, como já suscitado em sua peça inicial de defesa. Na esteira da decisão de primeira instância, o ônus da prova cabe a quem alega, no caso, a Recorrente, e assim como na primeira fase nada produziu no sentido de comprovar as retenções alegadas, igualmente, nesta fase recursal, constata-se apenas os argumentos sem qualquer respaldo probatório, razão pela qual nenhum reparo merece a decisão de primeira instância neste aspecto. Argúi, ao final, a Recorrente, que, não obstante algumas notas fiscais serem consideradas inidôneas, tal fato não pode ser abrangido às atividades desenvolvidas pela mesma, contaminando-as pelo mesmo motivo, devendo prevalecer o principio da boa fé da FUBRAS sobre as demais operações, que não poderiam ter sido glosadas, com adição das despesas/custos na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. A defesa genérica e sem provas reais igualmente não procede, o sr. Auditor fiscal, considerando o levantamento de notas fiscais "frias", intimou a Recorrente para apresentar os respectivos contratos e relacionar as pessoas fisicas a eles correspondentes, sem resposta positiva documental neste sentido, assim como apurou, com consultas em cadastros da SRF e Governo do Distrito Federal, bem como depoimentos pessoais dos representantes legais de pcssoas juridicas envolvidas, que ora o CNPJ não conferia, ora a empresa foi baixada, com emissão de nota fiscal depois da baixa, ora o CNPJ era de outra empresa, ora os representantes legais desconheciam a FUBRAS e afirmaram não ter qualquer relação comercial/profissional com a mesma etc. evidenciando, com fortes indícios, a inidoneídade de certos e especificos documentos fiscais, sobre os quais, frise-se, utilizou-se para incluir na apuração tributária em comento, e não englobando todo o movimento das operações fiscais de entradas e saídas da FUBRAS, o que se isso tivesse ocorrido, seria passível de correção, contudo, fato comprovado está nos autos que a autoridade fiscal apenas glosou as notas fiscais inidôneas. E, impende enfatizar, a prova do contrário, caso fosse possível, caberia a Recorrente e, mesmo tendo a presente oportunidade perante esta instância recursal, nada foi produzido a seu favor. Isto posto, considerando que as infrações apuradas: I - omissão de receitas, pela falta ou insuficiência de contabilização das receitas obtidas no contrato celebrado com a CODESP, nos anos de 2001 a 2003, posto que a Recorrente não trouxe, nesta fase recursal, qualquer comprovação de in!,'t"esso, ainda que parcial, em sua contabilização, mesmo que tenha realizado acordo judicial para tal recebimento, mantendo a alegação de que o numerário depositado em juízo foi levantado e pago diretamente os executores de serviços, sem oferecer a tributação receita própria contratada pela CODESP, sendo certo que a autoridade fiscal deduziu pequeno valor contabilizado e reconhecido, mantenho o lançamento de of1cio neste item por ausência igualmente de provas que elidam a apuração fiscal especifica; 2- custos dos bens ou serviços vendidos, comprovação inidônea, referente aos anos de 1999 até 2003, com base no relatório da fiscalização a fls. 24 até 35, por carência também de prova documental em contrário que afastasse o levantamento fiscal de emissões de notas fiscais "frias", com o que deve ser mantido o lançamento neste item; 18 Processo nO 14041.000328/2004-96 Acórdão no" 108-09.500 CCOI/C08 Fls. 19 3- custos ou despesas não comprovadas - glosas de custos, de 1999 até 2003, obtidos pelas diferenças entre os totais contabilizados nos Livros Razão, sob os títulos "serviços prestados pJ" e "serviços de terceiros PJ", nas contas de despesas e os somatórios dos valores das notas fiscais das pessoas juridicas prestadoras de serviços apresentadas pela FUBRAS, que alegando erro de fato na contabilização - "erro de classificação" - porém mesmo várias vezes intimado (fls. 36/37 do TVF), durante o procedimento fiscalizatório, e na impugnação e na fase recursal o sujeito passivo nada comprovou sobre o alegado erro, razão pela qual também deve ser mantido esse último item infracional. Diante tais considerações sobre as razõcs recursais, e nada tendo produzido probatoriamente que pudesse eivar de nulidade, seja formal, ou material, ou no mérito tomar insubsistente o lançamento de oficio, nos termos detalhadamente relatado pela digna autoridade fiscal em Termo de Verificação Fiscal a fls. 20 até 38, não cabe outra decisão senão aquela que reconhece a procedência do mesmo, mediante o que, sou por negar provimento ao recurso voluntário. Em igual sentido, pela comprovada omissão de receita apurada para o IRPJ e CSLL, em razão da relação de Íntima causa e efeito para o PIS e a COFINS quanto a tal omissão, julgo igualmente procedentes tais lançamentos decorrentes. EÍs como voto. Sala das Sessões-DF, em 05 de dezembro de 2007. LVES BUENO 19 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019
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Numero do processo: 10315.000320/2006-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 105-01.387
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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Numero do processo: 16327.000861/2003-04
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário: 1998
PEREMPÇÃO.
Não se conhece do recurso interposto além do prazo fixado no artigo 33 do Decreto 70.235, de 1972, por perempto, mormente quando a recorrente não ataca a intempestividade.
Numero da decisão: 1803-000.823
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestividade, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PEREMPÇÃO. Não se conhece do recurso interposto além do prazo fixado no artigo 33 do Decreto 70.235, de 1972, por perempto, mormente quando a recorrente não ataca a intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestividade, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Benedicto Celso Benício Júnior, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.000861/200304 Acórdão n.º 180300.823 S1TE03 Fl. 447 2 Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Conforme Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 278 a 284, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, relativa à apuração de preços de transferência nas operações de importação de empresas vinculadas, durante o anocalendário de 1998, foi verificado o seguinte: Da empresa A contribuinte é uma empresa que, mormente, atua como distribuidora de bacalhau importado, em sua grande maioria, de vinculadas, sem realizar qualquer tipo de industrialização. Do histórico dos procedimentos A contribuinte foi intimada a apresentar as seguintes informações, para fins de verificação da observância da legislação de preço de transferência, no que tange às importações realizadas no anocalendário de 1998: 1) demonstrativo das pessoas físicas ou jurídicas consideradas vinculadas; 2) método(s) adotado(s), por bem, serviço ou direito, para a apuração do preço de transferência; e 3) planilhas de memória de cálculo de suporte ao método adotado. A empresa optou pelo método PIC, tendo apresentado as planilhas com a memória de cálculo dos preçosparâmetro, juntamente com todas as importações de 1998 e os respectivos preços praticados, além das faturas de compras de empresas não vinculadas e os tipos de bacalhau similares. Intimada a justificar uma diferença existente entre o valor total de importações e o valor computado na DIPJ99 (anocalendário de 1998) como Compras de mercadorias a Prazo, em Custo das Mercadorias Revendidas, a contribuinte apresentou documentos comprobatórios dos custos, que não apresentaram qualquer diferença relevante. Da metodologia adotada Previamente ao início da auditoria, a fiscalização pesquisou o funcionamento da comercialização do bacalhau. Adotou como unidade de medida comercial a "caixa", que é a forma usual de revenda praticada no mercado. Conforme o tipo de bacalhau, as caixas podem ser de papelão (25 kg) ou de madeira (50 kg). Os bacalhaus foram divididos em 5 tipos: 1) Porto (caixas de 50 kg); 2) Cod (caixas de 25 kg); 3) Ling (caixas de 25/50 kg); 4) Saithe (caixas de 25 kg); e Zarbo (caixas de 25 kg). A distinção Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.000861/200304 Acórdão n.º 180300.823 S1TE03 Fl. 448 3 entre Porto e Cod deuse em função de este ser comercializado em caixas de 25 kg, e, aquele, em caixas de 50 kg. Esses 5 tipos foram subdivididos em subcategorias, de acordo com a quantidade de peixes dispostos em cada caixa. Evidenciouse que, para cada tipo, caixas com uma menor quantidade de peças (peixes maiores e com melhor corte) eram negociadas a valores mais elevados. Da apuração dos preços de transferência Na ficha 20 da DIPJ99, não foi informado o método para a apuração do preço parâmetro. Só foi informado que não havia ajustes a serem feitos e a lista das empresas vinculadas. Por ocasião da fiscalização, a contribuinte optou pelo método PIC, uma vez que seria de apuração mais simplificada, além de resultar em um ajuste menor, comparado ao PRL (faculdade legal da contribuinte). Ademais, como as vinculadas no exterior realizaram operações com empresas não vinculadas no Brasil, a obtenção de dados para apuração do preçoparâmetro tornar seia mais factível. Comparandose os dados sobre importações de vinculadas fornecidos pela contribuinte com os constantes nos sistemas da Secretaria da Receita Federal (SRF), observouse consistência, sendo irrelevantes as diferenças encontradas. Na apuração dos preçosparâmetro houve divergência, uma vez que a contribuinte não computou em seu cálculo algumas faturas, e, em outras, considerou como FOB preços que já embutiam o frete, majorando o valor do preçoparâmetro. Além disso, para a apuração dos preçosparâmetro, a fiscalização utilizou, por uma questão de coerência, somente dados de operações entre vinculadas no exterior com não vinculadas no Brasil e importações da própria contribuinte de não vinculadas, constantes nos sistemas da SRF. Dessa feita, a contribuinte não poderia alegar desconhecimento de tais operações, nem mesmo discordar, quando, em alguns casos (detalhados às fls. 283 e 284), a similaridade entre tipos informada pela contribuinte não foi considerada, em virtude de, nos sistemas da SRF, existirem operações com tipo idêntico. Dos ajustes Após análise de todo material disponível, a fiscalização concluiu, pelos motivos expostos às fls. 283 e 284, que haveria ajuste em 11 subcategorias (planilhas anexas, fls. 285 a 288, 290 a 292, e 293 a 303), a seguir relacionadas: Cod 10/12 Ling 25 16/20 Zarbo 10/12 Cod 13/15 Ling 50 08/10 Zarbo 13/15 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.000861/200304 Acórdão n.º 180300.823 S1TE03 Fl. 449 4 Cod 16/20 Ling 50 11/15 Zarbo 16/20 Cod 21/30 Ling 50 16/20 O total geral do ajuste foi de R$ 208.038,26 (fls. 290 a 292). (...) DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 17/03/2003 (fls. 306 e 310), a contribuinte, por meio de sua advogada, regularmente constituída (fl. 336), apresentou, em 14/04/2003, a impugnação de fls. 321 a 335, alegando, em síntese, o seguinte: DO DIREITO Não foi informado pela impugnante ajustes na DIPJ99 pois, verificando todas as importações realizadas no exercício, e levando em consideração a época em que foram realizadas relativamente à variação cambial, as condições reais de negócio e a margem de tolerância diferencial, entendeu por não haver situações às quais pudesse imputar a ocorrência de eventuais ajustes. Tal situação está pautada em disposição legal, qual seja a Lei n° 9430/96, regulamentada pela IN SRF n° 243/2002 (artigo 9°). Ademais, sendo certo que as comparações em vários casos foram feitas entre produtos similares, aplicarseá, sem prejuízo do artigo supracitado, o artigo 10 da referida IN. Contudo, nada impede que, por vezes, algumas diferenças irrelevantes sejam encontradas nas declarações prestadas pelos contribuintes, e, conforme podese depreender da própria autoridade fiscal, a impugnante obteve êxito em demonstrar cabalmente a inexistência ou irrelevância das demais diferenças apontadas pelo Fisco. Nesse particular, importante observar que a autoridade fiscal procedeu à exclusão de aproximadamente 14 produtos, o que vem a corroborar com o fato de que realmente a contribuinte não detinha qualquer obrigação de informar ajustes, pois que não existiam. Infelizmente, por não levar em consideração determinados aspectos fáticos e legais, a autoridade fiscal acusou ajustes a serem realizados em 11 produtos, que igualmente deverão ser desconsiderados. Senão vejamos: Da variação cambial Não obstante a necessidade de apuração das operações realizadas no exercício investigado, em se tratando de operações internacionais (importações), a variação cambial entre uma e Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.000861/200304 Acórdão n.º 180300.823 S1TE03 Fl. 450 5 outra época das operações a serem comparadas dentro do mesmo exercício é de fundamental relevância. Qualquer cálculo matemático que ignore tal fator encontrará resultado diverso do real, pois que considerados valores diferentes, em épocas diferentes, como se equivalentes fossem. Infelizmente, foi como procedeu a autoridade fiscal, realizando os cálculos e ignorando qualquer variação cambial, a despeito da enorme discrepância entre as taxas de conversão encontradas, ou, então, utilizandose de outros critérios de cálculo do preçoparâmetro, em dissonância do estabelecido em lei. Nesse sentido, observese o artigo 11 da IN SRF n° 243/2002. Assim não procedeu a fiscalização, como bem se pode verificar pelas planilhas ora acostadas (docs. 3 a 13). Os períodos de aquisição foram desconsiderados, e não houve o ajuste cambial determinado pela legislação vigente, de modo que não se poderá firmar convicção quanto a eventual conduta passível de autuação da contribuinte, vez que a situação cambiária nacional foi extremamente oscilante no decorrer de 1998, mormente em seu segundo semestre. Da margem de divergência A legislação pátria (artigo 38 da IN SRF n° 243/2002) também estabelece um índice de tolerância, até o qual não haverá o guerreado ajuste. A contribuinte apresenta, então, novas planilhas, simplificadas, com os cálculos estimados, e a cada uma delas a correspondência com as planilhas elaboradas pelo Auditor Fiscal, acostadas aos autos. Em todas as planilhas os cálculos foram feitos considerandose os mesmos períodos de apuração. Além do já exposto acerca da variação cambial e da margem de divergência, destaquese as seguintes observações da impugnante (fls. 327 a 334): Cod 10/12 (planilha doc. 3) A comparação feita entre os mesmos períodos, sem variação cambial prejudicial ao cálculo, importou na ausência de ajuste a ser realizado. Cod 13/15 (planilha doc. 4) Aplicandose a margem legal de divergência de 5%, percebese não haver ajuste a ser realizado. Cod 16/20 (planilha doc. 5) Da planilha apresentada pela autoridade fiscal podese depreender não haver possibilidade de comparação em razão Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.000861/200304 Acórdão n.º 180300.823 S1TE03 Fl. 451 6 das épocas em que se deram os negócios investigados. Sem o ajuste cambial, tornase impraticável qualquer ajuste. Cod 21/30 (planilha doc. 6) O Auditor Fiscal informou que não aceitou como tipo similar o Cod 13/15, indicado pela contribuinte como parâmetro, pois entendeu que o Cod 16/20 aproximarseia muito mais em termos de características e preço de mercado. Ora, a legislação (artigo 28 da IN SRF n° 243/2002) define o conceito de similaridade, não podendo o contribuinte ficar sujeito a discricionariedades através das quais possa ser prejudicado. O Cod 13/15 é, nos termos da lei, igualmente similar ao Cod 21/30, cabendo à contribuinte a escolha entre os dois. Também nesse caso, o preço praticado não excede o preço parâmetro, inexistindo ajuste a ser aplicado. Ling 25 16/20 (planilha doc. 7) A planilha demonstra uma grande diferença entre os preços praticados em dólar pela empresa vinculada e pela não vinculada. No período que deve ser verificado para efeito de apuração de eventual ajuste, qual seja, março de 1998, a impugnante adquiriu em quantidade de mercadoria o número de 256 de sua empresa vinculada (Nord Morue S.A.), enquanto que a aquisição de empresa não vinculada (Sunnmorfisk AS) somou 550 em quantidade de mercadoria, significando uma compra maior em mais de 50%, de tal sorte que facilmente se nota a existência de uma negociação em termos de preço da mercadoria, aliás, nada mais natural na prática mercadológica. O próprio artigo 9°, §1°, inciso II, da IN SRF n° 243/2002 reconhece tal possibilidade, que deveria ter sido aplicada pela autoridade fiscal quando da auditoria realizada. Com isso, impossível qualquer comparação, pois que dela fatalmente advirá resultado que não corresponderá à realidade. Ling 5008/10, Ling 50 16/20 e Zarbo 10/12 (planilhas docs. 8, 10 e 11) A similaridade argüida pela contribuinte não foi acatada pela autoridade fiscal, preferindo considerar a seu critério outras operações, conforme depreendese da planilha.Ora, a escolha não cabe à autoridade, mas sim ao contribuinte, nos termos do artigo 40 da IN SRF n° 243/2002. O artigo 8 da IN SRF n° 243/2002 é claro ao dar a opção de escolha do método PIC, não fazendo qualquer menção a qualquer dispositivo que autorizasse o Fisco a não aceitar as operações utilizadas como parâmetro. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.000861/200304 Acórdão n.º 180300.823 S1TE03 Fl. 452 7 Assim carente de qualquer respaldo legal as planilhas apresentadas pelo Fisco. Ling 5011/15 (planilha doc. 9) Aqui cabe a adequação, fazendose os cálculos com base nas mesmas épocas de aquisições, com taxas cambiais semelhantes. Zarbo 13/15 (planilha doc. 12) Mister a adequação do preço praticado levandose em conta apenas os períodos equivalentes às operações consideradas como parâmetro. Zarbo 16/20 (planilha doc. 13) Fundamental a adequação do preço praticado levandose em conta apenas os períodos equivalentes às operações consideradas como parâmetro. DO PEDIDO Por todo o exposto, requer a impugnante que seja anulado o Auto de Infração, e a produção de provas periciais e contábeis, caso seja necessário.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: Da variação cambial a) O art. 11 da IN SRF n° 243/2002 é inaplicável ao caso, pois referese a comparações entre importações realizadas em períodos de apuração diferentes, e todas as importações consideradas, tanto de vinculadas quanto de não vinculadas, referemse ao mesmo anocalendário, qual seja, 1998. b) Ao contrário do que entende a impugnante, a variação cambial foi, como deveria ser, considerada na apuração dos preços praticados e dos preçosparâmetro de todos os produtos (vide planilhas de fls. 290 a 303), nos exatos termos do artigo 7° da IN SRF n° 243/2002. c) Dessa forma, carecem de fundamentação os novos demonstrativos apresentados pela contribuinte (de apuração de preços praticados e de preçosparâmetro, apenas com as importações relativas aos meses em que houve importação tanto de vinculada quanto de não vinculada). Dos ajustes Cod 10/12, Cod 13/15, Cod 16/20, Ling 5011/15, Zarbo 13/15, e Zarbo 16/20 d) Para todos esses produtos o questionamento referese, exclusivamente, à variação cambial (argumento improcedente) e à margem de divergência (a ser observada). e) Para todos os produtos supracitados, a margem de divergência supera os 5% estabelecidos pelo artigo 38 da IN SRF n° 243/2002, conforme demonstrativo: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.000861/200304 Acórdão n.º 180300.823 S1TE03 Fl. 453 8 Produto Preço praticado Preçoparâmetro Margem de divergência (%) Cod 10/12 193,61 170,19 12,10 Cod 13/15 185,59 152,60 17,78 Cod 16/20 180,26 138,44 23,20 Ling 50 11/15 365,94 299,47 18,16 Zarbo 13/15 136,01 123,62 9,11 Zarbo 16/20 128,80 118,42 8,06 Margem de divergência = preço praticado preçoparâmetro x 100 preço praticado Cod 21/30 f) Na apuração do preçoparâmetro, tanto pela fiscalização quanto pela contribuinte, não foram encontradas importações desse exato tipo de bacalhau entre empresas não vinculadas. g) A contribuinte havia utilizado, como tipo similar o Cod 13/15, não aceito pela fiscalização, que entendeu que o Cod 16/20 era o tipo mais próximo ("mais similar"), em termos de características e preço de mercado. h) Os tipos de bacalhau Cod 13/15, Cod 16/20 são relativamente similares ao Cod 21/30 (de menor qualidade, de menor preço), mas sua utilização na apuração do preço parâmetro, por se tratar, evidentemente, de produtos de qualidade diferente, depende de ajuste de preço, nos termos do artigo 90 da IN SRF n° 242/2002. i) Não tendo havido esse ajuste de preços pela contribuinte (o qual reduziria o preço parâmetro), incorreto o preçoparâmetro por ela apurado. j) Quanto à apuração por parte da fiscalização, a falta de ajuste beneficiou a contribuinte (a fiscalização apurou um preçoparâmetro maior que o que seria apurado após o ajuste decorrente da diferença de qualidade), não prejudicando, portanto, a autuação (menor do que deveria ser, quanto a este produto). Ling 25 16/20 k) A contribuinte não informou o preçoparâmetro, nem o tipo similar, tendo a fiscalização utilizado as importações da empresa com não vinculadas. l) Analisandose a planilha de fl. 297 (com todas as importações, sem as indevidas exclusões pleiteadas pela contribuinte, analisadas no item "DA VARIAÇÃO CAMBIAL"), não se verifica a alegada defasagem de quantidade. m) Os preços de aquisição, de vinculadas e de não vinculadas, estão num mesmo patamar, à exceção, na importação de vinculada 230 unidades ao preço unitário de US$ 230,07. Essa importação contradiz toda a argumentação da impugnante, pois pratica o maior preço exatamente em sua maior aquisição. n) Além disso, a contribuinte não comprova que em suas importaçõe de em te . as não vinculadas houve redução de preço por maior quantidade adquirida. Destaquese que, a Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.000861/200304 Acórdão n.º 180300.823 S1TE03 Fl. 454 9 contribuinte teria condições para trazer aos autos essa prova (são aquisições da própria contribuinte), nos termos do artigo 9° da IN SRF n° 243/2002. Ling 50 16/20 o) No cálculo do preçoparâmetro desse produto, a contribuinte utilizou apenas 2 importações (fl. 36) e a fiscalização outras 4 (fl. 330). p) Não houve, no caso, prejuízo à contribuinte, pois os preços considerados pela fiscalização, em todas as importações de não vinculadas, são superiores aos considerados pela contribuinte. q) Dessa forma, há que se manter a exigência relativa ao ajuste correspondente a esse produto (margem de divergência de 9,72%). Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, reproduz os argumentos tecidos na impugnação, acrescentando apenas argumentos relativos à exorbitância da multa aplicada, e seu caráter confiscatório. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 03/12/2007, uma segundafeira (AR de fls. 392). O recurso foi protocolado em 04/01/2008, uma sextafeira (fls. 397). A autoridade administrativa que encaminhou os autos a este Conselho exarou despacho com o seguinte teor (fls. 445): “Analisada a documentação do Recurso Voluntário apresentado, foi constatada a irregularidade quanto à representatividade para interposição deste. Em 30/04/2008, o contribuinte recebeu intimação de n° 08.180/1810/2008 (fl. 414) para que providenciasse, no prazo de 05(cinco) dias, a documentação necessária para regularização do citado recurso, ou seja: • Identificação do signatário do recurso; • Instrumento de mandato devidamente outorgado ao signatário mediante Procuração e Contrato Social atualizado. Em resposta à intimação, o contribuinte protocolizou nesta EQCOB os documentos de fls. 415 a 443 que não atendem ao solicitado. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.000861/200304 Acórdão n.º 180300.823 S1TE03 Fl. 455 10 Conforme as irregularidades apresentadas e ainda tendo em vista a apresentação intempestiva de Recurso Voluntário, fls. 397 a 412, proponho o encaminhamento dos autos ao Primeiro Conselho de Contribuintes para julgamento da admissibilidade do presente recurso conforme artigo 35 do Decreto 70.235/72.” Por ocasião da resposta à intimação para regularizar a represetação processual, a recorrente ratificou o recurso voluntário interposto, e pleiteou o seu julgamento, em face da juntada de todos os documentos pertinentes para comprovar a regularidade processual. Ocorre que a questão da regularidade processual sequer necessita ser analisada, uma vez que a contribuinte interpôs o recurso voluntário em 04/01/2008, depois de transcorridos mais de 30 (trinta) dias da ciência da decisão, implicando, portanto, na sua perempção, exvi do artigo 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. O prazo para interposição do recurso voluntário encerrouse em 02/01/2008, uma quartafeira. Ante todo o exposto, não conheço do recurso, por perempto. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10768.017905/98-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 1994
EMBARGOS. OBSCURIDADE.
Constatada obscuridade na fundamentação da decisão, acolhese
os embargos nessa parte, para esclarecer a razão da exclusão da glosa, para no mérito, manter a decisão anterior de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.
LUCRO REAL CUSTOS OU DESPESAS COMPROVAÇÃO.
Apresentada prova documental exclui-se do lançamento o valor glosado a título de custos ou despesas.
Numero da decisão: 1402-000.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e os acolher parcialmente, para sanar obscuridade no acórdão 1402-00.092, de 26.01.2010, para no mérito, manter a decisão anterior de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1900; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.017905/9813 Recurso nº 149.187 Embargos Acórdão nº 140200.698 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de agosto de 2011 Matéria IRPJ Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado GENERALI DO BRASIL CIA. NACIONAL DE SEGUROS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1994 EMBARGOS. OBSCURIDADE. Constatada obscuridade na fundamentação da decisão, acolhese os embargos nessa parte, para esclarecer a razão da exclusão da glosa, para no mérito, manter a decisão anterior de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. LUCRO REAL CUSTOS OU DESPESAS COMPROVAÇÃO. Apresentada prova documental excluise do lançamento o valor glosado a título de custos ou despesas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e os acolher parcialmente, para sanar obscuridade no acórdão 140200.092, de 26.01.2010, para no mérito, manter a decisão anterior de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.017905/9813 Acórdão n.º 140200.698 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional interpostos contra o acórdão 140200.092, de 26.01.2010, em face de obscuridade e omissão/contradição. O acórdão negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento ao recurso voluntário. Os embargos dizem respeito somente ao julgamento do recurso voluntário. Obscuridade Inicialmente, a PFN transcreveu a seguinte parte do voto condutor do acórdão: Na sessão de 07.11.2007, o recurso foi convertido em diligência, para que autoridade fiscal verificasse se os valores provisionados na conta reserva de sinistros a liquidar foram efetivamente pagos, ainda que em períodos de apuração seguintes, e também para que se manifestasse em relação à documentação apresentada com o recurso. As constatações da autoridade fIscal constam no quadro aposto no relatório acima. Para a provisão relativa aos sinistros dos itens 2 a 5, 7, 10 a 19 e 21, 23 a 24, os mesmos .foram liquidados por pagamento posteriormente ao encerramento do anocalendário de 1994. Devese excluir do lançamento os correspondentes valores tributáveis, em razão da documentação apresentada. Também deve ser excluído o valor relativo ao sinistro do item 20, devido a engano da fiscalização Para OS itens 6 e 9 há registros contábeis de que houve pagamento e há avisos de sinistros. Para os sinistros dos itens 8 e 25, há avisos dos sinistros e informação de que estiveram pendentes até a data da sua anulação, sem pagamento de indenização. Na mesma linha de raciocínio utilizado no julgamento do recurso de oficio, devese aceitar a documentação apresentada como prova. Também para os demais itens está comprovada documentalmente a consistência das contabilizações, em conta de provisão. Aplicase às exigências decorrentes o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, por se tratar dos mesmos fatos. CONCLUSÃO Do exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário. A Procuradora da Fazenda Nacional, argumenta que em relação aos itens 1, 6, 8, 9, 22 e 25, no relatório de diligência, de fls. 1121/1129, concluiu que no que tange aos itens 8, 22 e 25, não houve qualquer pagamento de indenização por parte da seguradora, conforme se extrai dos documentos de fls. 478, 977/979, 1013/1014 e 1088; em relação aos Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.017905/9813 Acórdão n.º 140200.698 S1C4T2 Fl. 3 3 itens 6 e 9, não houve comprovação de pagamento, não tendo o contribuinte sequer apresentado documentos com esse objetivo; e ainda, no que toca ao item 1, o valor provisionado na reserva de sinistros a liquidar deveria ter sido baixado do sistema de sinistro da empresa desde fevereiro de 1992. Salienta que tais conclusões, a priori, conduziriam à manutenção do lançamento referente aos itens citados, mas que, o colegiado decidiu cancelar as exigências referidas, contrariando as conclusões do relatório de diligência fiscal, sem indicar as razões pelas quais entendeu de maneira diversa. Destaca, que de fato, no que tange aos itens 6, 8, 9 e 25, consta apenas a informação de que seria utilizada no recurso voluntário a mesma linha de raciocínio do recurso de ofício, mas que, não restou claro o posicionamento adotado. E que, conforme se extrai da argumentação expendida no julgamento do recurso de ofício, a documentação apresentada por ocasião da impugnação foi aceita para que não houvesse cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que o agente fiscal autuante não havia indicado o motivo de sua rejeição, mas que, diferente é a situação dos documentos apresentados por ocasião do recurso voluntário, pois, não haveria que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de exposição das razões pelas quais a fiscalização não aceitou os documentos, porque à época da lavratura do auto de infração, o contribuinte não havia sequer apresentado documentação referente aos itens ora analisados. Acrescenta que, ademais, atendendo à resolução 10700.684, a fiscalização analisou os documentos juntados às fls. 328/1089, fundamentado suas conclusões no relatório de fls. 1122/1129. Conclui que o colegiado deve esclarecer suas razões de decidir, elucidando: a) os motivos pelos quais entende que o raciocínio utilizado no recurso de ofício deve ser aplicado também para o julgamento do recurso voluntário; b) os instrumentos de convencimento que levaram a Câmara a divergir das conclusões expostas no relatório de diligência fiscal. Salienta que em relação aos itens 1 e 22, não há manifestação específica do colegiado, mas apenas afirmação geral de que estaria documentalmente comprovada a consistência das contabilizações. Entende ser necessário que sejam apontados os documentos considerados pela Turma para formar sua convicção. Aduz que ao deixar de explicitar os motivos pelos quais divergiu das conclusões expostas no relatório de diligência fiscal e considerou comprovadas as despesas relativas aos itens 1, 6, 8, 9, 22 e 25, o colegiado findou proferir decisão obscura no que tange a sua fundamentação. Contradição/omissão No relatório de diligência fiscal concluiuse que não houve pagamento de sinistro; constatouse que a seguradora fiscalizada se recusou a efetuar o pagamento por ter detectado a ocorrência de irregularidades em relação ao sinistro ocorrido nas dependências do segurado, circunstância reconhecida pela contribuinte, e ao exonerar o crédito tributário relativo ao item 22, sob o argumento de estar comprovada a consistência da contabilização, o Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.017905/9813 Acórdão n.º 140200.698 S1C4T2 Fl. 4 4 colegiado terminou por proferir decisão em contrariedade às provas constantes nos autos e às próprias informações constantes no relatório do voto, sendo que essa circunstância relevante para o deslinde do feito não foi abordada no voto. Conclui que considerando que a Câmara não se manifestou especificamente quanto a esse item, fazse mister que se posicione quanto à apontada contradição/omissão. Em síntese, a Procuradora da Fazenda Nacional, afirma que a decisão está eivada de vícios: a) obscuridade quanto à fundamentação do acórdão, ou seja, à exposição das razões que levaram o colegiado a divergir das conclusões expostas no relatório de diligência fiscal e considerar comprovadas as despesas relativas aos itens 1, 6, 8, 9, 22 e 25; b) contradição com a prova dos autos e as informações constantes no relatório, dado que o colegiado decidiu estarem comprovadas as despesas relativas ao item 22, apesar do próprio contribuinte ter reconhecido que não houve pagamento de indenização ao segurado. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima Os embargos são tempestivos e devem ser conhecidos. Os embargos dizem respeito ao decidido em relação ao recurso voluntário, mais precisamente, em relação à glosa de custos – reserva de sinistros a liquidar – vida e outros ramos, em que a Turma Julgadora manteve a glosa do valor de R$ 536.175,38, do ano calendário de 1994. Referese a alguns dos itens glosados. Constato que se o Procurador da Fazenda Nacional não entendeu o voto condutor do acórdão, tendo alegado contradição/omissão e principalmente obscuridade, é porque ele precisa ser melhor fundamentado. Pela Resolução nº 10700.684, de 07.11.2007, foi determinada a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscal verificasse se os valores provisionados na conta reserva de sinistros a liquidar foram efetivamente pagos, ainda que em períodos de apuração seguintes, e também deveria se manifestar em relação à documentação apresentada com o recurso. A autoridade fiscal elaborou relatório em relação a cada item de sinistro, entretanto, não elaborou relatório conclusivo quanto à glosa ser devida ou indevida. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.017905/9813 Acórdão n.º 140200.698 S1C4T2 Fl. 5 5 Os embargos se referem somente aos itens de sinistros enumerados no relatório de diligência de nºs. 1, 6, 8, 9, 22 e 25. A tabela abaixo contém as informações fornecidas pelo autor da diligência determinada por este colegiado. Nº do Sinistro Constatação 1 Prov. Contábil da reserva em 1991. Particip. Seg. debitada IRB 02/92. O valor provisionado na reserva de sinistros a liquidar deveria ter sido baixado do sistema de sinistro da empresa desde fevereiro de 1992. (sinistro de cosseguro aceito nº 11.00049.91, valor de R$ 8.478,47). 6, 9 De acordo com a tela do sistema de sinistros da Generali, fls. 381 (6) e fls. 485 (9), a ocorrência do sinistro foi avisada à seguradora em 14.11.94, data da provisão contábil da reserva. Foi liquidado em 12.01.95 (6) e em 05.01.95 (9), por pagamento. Não foram apresentados documentos que comprovassem o pagamento do sinistro. 6: 53.00269.94 – R$ 7.934,34; 9: 22.00080.94 – R$ 7.008,00. 8 De acordo com a tela do sistema de sinistros da Generali (fls. 479), a ocorrência do sinistro foi avisada à empresa em 01.09.1993, data da provisão contábil da reserva. O sinistro mantevese pendente até à data da sua anulação, ocorrida em 19.06.95, sem pagamento de indenização, conforme descrito em tela do sistema de fls. 478. – sinistro 53.00185.93 – R$ 10.933,14 – (obs. Mantido o encerramento do sinistro s/i, haja vista que conforme sentença anexada ao MI449/96 do Gejur/MZ, a Generali foi excluída do feito pela prescrição do caso 10.06.96.) 22 Prov. Contábil em 09/93. O pagamento do sinistro não ocorreu valor R$ 74.344,45. – sinistro 15.00003.93.001 – Na perícia efetuada pela seguradora, conforme docs. De fls. 1003 a 1014, foram constatadas irregularidades em relação ao sinistro ocorrido nas dependências do segurado. De acordo com as telas de sinistros da seguradora (fls. 977 a 979) não houve o pagamento do sinistro. O processo foi encerrado em 1996. 25 De acordo com informações constantes na tela do sistema de sinistros da Generali, fls. 1088, a ocorrência do sinistro foi avisada à seguradora em 02.02.94, data de seu provisionamento contábil e liquidado sem pagamento de indenização em 11.12.96. – sinistro 31.00016.94 – Valor R$ 11.194,93. Devese registrar que não se sabe para quais sinistros, não houve apresentação da documentação durante a ação fiscal e para quais a documentação foi considerada incompleta e que documentação estaria faltando, assim a Turma Julgadora concluiu que, em relação à documentação apresentada, como não havia sido declinado o motivo da rejeição da documentação apresentada e a glosa se deu em razão da falta de comprovação, para que não houvesse cerceamento do direito de defesa, todos os documentos apresentados com a impugnação foram aceitos como prova. Para melhor entendimento da matéria, transcrevo a descrição da infração contida no relatório do voto condutor do acórdão embargado: 2) Glosa de custos ou despesas não comprovados (itens 2.1 e 2.2 do TVF – constituição da reserva de sinistros): Valor apurado conforme exame efetuado na conta “reserva de sinistroSP – sinistros a liquidar vida” e “sinistros a liquidar – outros ramos” no mês de dezembro, cujos valores selecionados não foram comprovados, em sua totalidade, glosandose o montante de R$ 148.101,20 e de R$ 1.656.706,79, respectivamente. Em relação ao ramo vida, consta no TVF que a empresa registra em sua Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.017905/9813 Acórdão n.º 140200.698 S1C4T2 Fl. 6 6 contabilidade, os montantes de comprovação e aprovação do documental apresentado pelo segurado, para solicitação de pagamento do sinistro. Foram selecionadas amostras de vários valores provisionados ao longo do mês de dezembro. No decorrer do teste, verificouse que a contabilização de alguns montantes cujos dossiês que comprovassem efetivamente a consistência de suas contabilizações, em conta de provisão, não foram apresentados durante o trabalho fiscal ou encontramse com o documental precário, não tendo sido, portanto, aceito. Para os outros ramos, a empresa registra todas as operações relacionadas com as solicitações de pagamentos de sinistros, que se encontram em fase de comprovação e aprovação de seu efetivo pagamento, cuja contrapartida registrase no grupo de contas – 321. Efetua assim uma provisão de dispêndios futuros. Da amostragem selecionada do mesmo mês demonstra os valores autuados; Constatase que a fiscalização trabalhou com as provisões pendentes em dezembro de 1994. Chegase a essa conclusão, porque os sinistros ocorreram em várias datas, inclusive em anos anteriores. A Resolução CNSP nº 05/71, determina: 1 – Conceituação 1.1 Para garantia de suas operações, as sociedades seguradoras constituirão reservas técnicas, de conformidade com as presentes Normas, compreendendo: 1.12 Reservas Técnicas comprometidas, ou provisões, destinadas ao atendimento do evento já ocorridos: a) Reserva de Sinistros a Liquidar 4 Da Reserva de Sinistros a Liquidar 4.1. A Reserva de Sinistros a Liquidar será constituída mensalmente e corresponderá, na data de sua avaliação à quantia total das indenizações a pagar por sinistros ocorridos, deduzida a parcela relativa à recuperação de resseguros cedidos. 4.2 No cálculo dessa Reserva tomarseão por base: a) o valor convencionado, em caso de ajuste entre o Segurado e a Seguradora; b) o valor reclamado pelo Segurado, quando não tenha sido impugnado pela Seguradora; c) o valor estimado pela Seguradora, quando não tenha o Segurado indicado a avaliação do dano; d) o valor igual à metade da soma da importância reclamada pelo Segurado e da oferecida pela Seguradora, no caso de divergência de avaliação; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.017905/9813 Acórdão n.º 140200.698 S1C4T2 Fl. 7 7 e) o valor resultante da sentença transitada em julgado; J) o valor máximo de responsabilidade por vítima e por tipo de dano, nos seguros obrigatórios e de responsabilidade civil. Portanto, a Reserva de Sinistros a Liquidar é uma Reserva Técnica e o art. 346 do RIR/94 autoriza a sua apropriação como encargos do exercício. Assim, podese ter em estoque, reservas constituídas em anos anteriores e no próprio ano, e os pagamentos/liquidação poderão ocorrer no próprio ano ou em anos seguintes. Com o pagamento, ou com a baixa sem pagamento, se realiza a reversão da provisão. No caso da não ocorrência do pagamento esse valor deverá ser acrescentado ao Lucro Bruto. A despesa é incorrida quando do recebimento do aviso do sinistro. Do exposto, em relação aos sinistros questionados pela PFN, podemos afirmar: a) item 1: A provisão contábil da reserva foi efetuada no ano de 1991 e o valor provisionado na reserva de sinistros a liquidar deveria ter sido baixado do sistema de sinistro da empresa desde fevereiro de 1992: A despesa incorreu em 1991 e não está impactando o resultado em 1994, e se deveria ter sido baixada em 1992, caso tenha havido alguma infração, esta teria ocorrido no ano de 1992. b) Itens 6 e 9: As provisões contábeis ocorreram em 1994, e os sinistros foram liquidados em 1995, por pagamento, não tendo sido apresentados comprovantes desses pagamentos: A ocorrência dos sinistros foi avisada à seguradora em 14.11.94 e não há elementos neste processo para afirmar que não tenham ocorrido; em relação à falta de comprovação dos pagamentos, se porventura ocorreu alguma infração, esta se deu no ano de 1995. c) Item 8: A provisão contábil foi constituída em 1993 e o sinistro mantevese pendente até à data de sua anulação, ocorrida em 19.06.95, sem o pagamento de indenização: Assim, a despesa foi incorrida em 1993 e não impactou o resultado em 1994. Se ocorreu alguma infração, esta se deu em 1995. d) Item 22: A provisão contábil foi constituída em 1993, o pagamento do sinistro não ocorreu porque foram constatadas irregularidades em relação ao sinistro ocorrido nas dependências do segurado e o processo foi encerrado em 1996: A despesa incorreu em 1993 e se ocorreu alguma infração, esta se deu em 1996. e) Item 25: A ocorrência do sinistro foi avisada à seguradora em 02.02.94, data de seu provisionamento contábil e foi liquidado sem pagamento de indenização em 11.12.96: A despesa se refere ao mês de fevereiro de 1994, e se ocorreu alguma infração, esta se deu em 1996. Assim, reconheço a existência de obscuridade no acórdão por fundamentação incompleta, mas não reconheço a existência de omissão/contradição. Do exposto, oriento meu voto para conhecer os embargos e os acolher parcialmente, para sanar obscuridade no acórdão 140200.092, de 26.01.2010, para no mérito, Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.017905/9813 Acórdão n.º 140200.698 S1C4T2 Fl. 8 8 manter a decisão anterior de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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