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Numero do processo: 10680.726869/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/12/2004, 15/01/2005
COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE.
O aproveitamento do pagamento a maior de um débito para extinção de outros débitos, ainda que do mesmo tributo, só se faz por compensação, incidindo, portanto, os acréscimos legais devidos na compensação após o vencimento do débito.
COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A correta declaração e o pagamento ou compensação antes de qualquer medida de fiscalização são requisitos para o reconhecimento da denúncia espontânea.
Numero da decisão: 3301-003.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Companhia Energética de Minas Gerais - CEMIG, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Valcir Gassen, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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MULTA DE MORA. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. O aproveitamento do pagamento a maior de um débito para extinção de outros débitos, ainda que do mesmo tributo, só se faz por compensação, incidindo, portanto, os acréscimos legais devidos na compensação após o vencimento do débito. COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A correta declaração e o pagamento ou compensação antes de qualquer medida de fiscalização são requisitos para o reconhecimento da denúncia espontânea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Companhia Energética de Minas Gerais CEMIG, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Valcir Gassen, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 68 69 /2 01 1- 91 Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10680.726869/201191 Acórdão n.º 3301003.218 S3C3T1 Fl. 339 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório da DRJ/BHE no Acórdão 02 46.467 1ª Turma da DRJ/BHE (fls. 231/236): (...) Inicialmente, em 31/08/2007, a interessada transmitiu PER/Dcomp, visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS, efetuado em 15/07/2004, relativo ao período de apuração de 30/06/2004. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 32), em 07/10/2009, no qual não homologa a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em 20/10/2009, a contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório (tela à fl. 63) e apresentou, em 19/11/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 03/06, alegando, em síntese, que a não homologação ocorreu em virtude da não retificação da DCTF referente ao 2º trimestre de 2004, pelo que, para sanar a irregularidade, apresentou, em 04/11/2009, DCTF retificadora, alterando o valor devido da contribuição e apurando, assim, um crédito a compensar, no valor de R$ 448.801,15. Em 27/06/2011, a 1ª Turma desta Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/BHE) proferiu o Acórdão nº 0233.027, reconhecendo o direito creditório alegado. Em 20/10/2011, a DRF/BHE notificou a contribuinte do Acórdão e da cobrança do saldo devedor remanescente da compensação efetuada. De acordo com o termo de ciência e notificação, a contribuinte teria o prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência, para, “se for o caso”, apresentar Recurso Voluntário ao CARF. Em 24/11/2011, a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 70/81), em que, em resumo, questiona a incidência de multa e juros de mora sobre os valores compensados, o que resultou na homologação apenas parcial dos débitos, por insuficiência do crédito reconhecido pela DRJ. Em 22/08/2012, a Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) proferiu o Acórdão nº 3302001.773 (fls. 123/128), onde decidiu por não conhecer do Recurso Voluntário, com a orientação de que a petição seja apreciada e decidida inicialmente pela autoridade da RFB de 1ª Instância. Cientificada do Acórdão em 07/05/2013 (AR às fls. 140/141), a contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade, Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10680.726869/201191 Acórdão n.º 3301003.218 S3C3T1 Fl. 340 3 em 06/06/2013, com os mesmos argumentos já apresentados no documento denominado “Recurso Voluntário”, em discordância à incidência de multa e juros de mora sobre os valores dos débitos informados na Dcomp, sintetizados a seguir. Aduz que o que a empresa fez foi realocar os pagamentos de PIS realizados anteriormente na modalidade nãocumulativa, transferindoos para a modalidade cumulativa, motivo pelo qual não seria razoável admitir a exigência de multa, já que não houve ausência de recolhimento, mas simples recolhimento em modalidade diversa. Também defende que, na apresentação do PER/Dcomp, a empresa efetuou Denúncia Espontânea dos débitos, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional, o que afastaria a exigência da multa, devendo o tributo ser recolhido apenas com o acréscimo dos juros de mora, conforme foi efetuado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, com a seguinte Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/2004 COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. O aproveitamento do pagamento a maior de um débito para extinção de outros débitos, ainda que do mesmo tributo, só se faz por compensação, incidindo, portanto, os acréscimos legais devidos na compensação após o vencimento do débito. COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera ocorrida a denúncia espontânea, quando o contribuinte compensa o débito mediante apresentação de DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls 242/251) e alegou em síntese que: Não incidiria a multa de mora sobre seu débito porque não se caracterizaria a mora. Afirmou que houve efetivo pagamento no regime da nãocumulatividade, quando o correto seria o regime cumulativo. Assim, "o que ocorreu na compensação foi, tão somente, uma realocação de pagamento de PIS/PASEP e não um pagamento em atraso da contribuição a ensejar a aplicação de multa" e concluiu que "não há justificativa para a incidência de multa, devendo a mesma ser decotada do 'débito' apurado pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte". Por outro lado, segundo a contribuinte, a compensação dos débitos em pauta equipararseia à denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional, o que excluiria qualquer a imputação da multa. Afirma que "os valores compensados relativos aos débitos de PIS/PASEP com fato gerador ocorrido em novembro e dezembro de 2004, Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10680.726869/201191 Acórdão n.º 3301003.218 S3C3T1 Fl. 341 4 foram pagos em 15/07/2004. Desta forma, o pagamento ocorreu antecipadamente, antes do vencimento. Apenas as retificações ocorreram em momento posterior. E mesmo que o pagamento tenha sido realizado antes do vencimento, os juros de mora foram devidamente quitados, conforme comando do art. 138 do CTN". O pedido da contribuinte foi o seguinte: Em face do exposto, a Recorrente pede o provimento do presente Recurso, e assim seja homologada integralmente a compensação pleiteada por meio da PERD/COM no 39731.77768.310807.1.3.040040, sem aplicação de multa sobre os débitos declarados, de acordo com as razões apontadas. (grifos no original) A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negou o recurso voluntário com a seguinte Ementa (fl. 305): Data do fato gerador: 15/12/2004, 15/01/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO INEXISTENTE. FALTA DE CONTESTAÇÃO. A falta de contestação do fundamento utilizado para a não homologação da Dcomp prejudica a apreciação e julgamento das demais razões mérito expendidas no recurso voluntário. DÉBITOS. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A apreciação e julgamento da incidência de multa de mora, na extinção de débitos tributário, mediante Dcomp não homologada, sob o argumento de que ocorreu a denúncia espontânea dos créditos tributários correspondentes aos débitos cuja compensação não foi homologada, ficou prejudicada. Recurso Voluntário Negado. A contribuinte tomou ciência da decisão (fl. 313) e apresentou recurso voluntário (fls 316/318), alegando que: Dessa forma, resta claro que a Delegacia da Receita Federal reconheceu o direito creditório da Embargante, entretanto, deixou de homologar integralmente a compensação declarada, em razão de atribuir multa de mora aos débitos compensados, já que não reconheceu a denúncia espontânea realizada pela Embargante. Assim, observase que a Embargante efetivamente atacou todos os argumentos que foram objeto da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, deixando este Colegiado de se manifestar sobre os mesmos, o que pretende sanar por meio da oposição dos presentes embargos. O pedido da contribuinte foi de que os embargos fossem "conhecidos e providos, de modo que a argumentação acerca da aplicação do instituto da denúncia espontânea seja conhecida, consubstanciandose no cancelamento da multa aplicada e na homologação integral da compensação pleiteada." Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10680.726869/201191 Acórdão n.º 3301003.218 S3C3T1 Fl. 342 5 Considerando que houve omissão que "implicou desenvolvimento equivocado do voto e das respectivas conclusões", os embargos de declaração foram admitidos pelo Despacho S/Nº – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (fls. 333/337). Voto Os presentes embargos são tempestivos e se verifica na decisão embargada omissão que gerou desenvolvimento equivocado do voto e das respectivas conclusões. Desse modo, os embargos da contribuinte preenchem os requisitos de admissibilidade e deles tomo conhecimento. Primeiramente, sobre a alegação de que teria havido uma mera realocação de pagamentos, devido ao recolhimento pela modalidade equivocada, cumpre as disposições dos §§ 1º e 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, 1996: § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. A Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, vigente à época do envio do PER/Dcomp, assim dispunha sobre a matéria: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Art. 29. A autoridade da SRF que não homologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de não homologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (...) Art. 30. O tributo ou contribuição objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. (grifos nossos) Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10680.726869/201191 Acórdão n.º 3301003.218 S3C3T1 Fl. 343 6 Convém lembrar que as regras contidas nesses dispositivos da IN SRF foram mantidas nas IN RFB de nº 900, de 30 de dezembro de 2008 (arts. 36 a 38) e 1.300, de 20 de novembro de 2012 (arts. 43 a 45), que substituíram a IN SRF nº 600/2005. Dessa forma, a legislação é clara e direta ao determinar que somente a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário e que, se houver interregno de tempo entre o vencimento do débito e a compensação, são devidos os acréscimos legais. Portanto, conforme concluiu a DRJ/BH "enquanto a compensação não for declarada, o débito que se pretende compensar encontrase em aberto e, se a compensação se fizer depois do vencimento fixado em lei, a extinção do débito compensado terá sido com atraso" e, consequentemente, são devidos os acréscimos legais. Quanto ao reconhecimento da denúncia espontânea com base no art. 138 do Código Tributário, cabe retomar a cronologia dos fatos e, para tanto, transcrevemos trecho da Manifestação de Inconformidade (fl. 4) Foi emitido o Despacho Decisório n° 848544105, (doe. 02), que não homologou a compensação objeto do PER/DCOMP 39731.77768.310807.1.3.040040, transmitido em 31/08/2007 (doe. 03). A Requerente apurou no mês de junho/2004 o montante devido de R$ 10.875.988,13 referente à PIS/PASEP (Código: 6912) e em 15.07.2004 efetuou o recolhimento por meio de DARF (doe. 04), entregou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 2 o trimestre de 2004 em tempo hábil. Todavia, em virtude de ter sido constatado erro na apuração da base de cálculo desta Contribuição, a Requerente efetuou nova apuração do PIS/PASEP referente ao período de junho/2004, perfazendo um valor de R$ 10.388.200,52, gerando o recolhimento a maior de R$ 487.787,61, porém por erro material, não efetuou a retificação da DCTF correspondente, no entanto já havia efetuado a retificação da DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais referente ao 2o trimestre de 2004 (doe. 05). Em 31/08/2007 a Requerente por meio do PER/DCOMP n° 39731.77768.310807.1.3.040040, pleiteou a compensação do crédito original na data da transmissão de R$ 448.801,16 com os seguintes débitos: > PIS/PASEP fato gerador de novembro/2004 código 8109 Valor principal: R$ 38.245,31 e encargos de R$ 15.122,20 perfazendo um total de R$ 53.367,51; > PIS/PASEP fato gerador de dezembro/2004 código 8109 Valor principal: R$195.202,60 e encargos de R$ 74.489,31 perfazendo um total de R$ 269.691,91. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10680.726869/201191 Acórdão n.º 3301003.218 S3C3T1 Fl. 344 7 Essas compensações podem ser comprovadas na DCTF Retificadora 4o trimestre 2004 (doc.07) e DACON Retificadora 4o Trimestre 2004 (doe. 08). No entanto, a autoridade fiscal não homologou a compensação por meio do Despacho Decisório em epígrafe, adotando como fundamento legal o disposto nos Art. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Complementamos com excerto do Relatório do Acórdão 0246.467 1ª Turma da DRJ/BHE (fl. 232): A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 32), em 07/10/2009, no qual não homologa a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em 20/10/2009, a contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório (tela à fl. 63) e apresentou, em 19/11/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 03/06, alegando, em síntese, que a não homologação ocorreu em virtude da não retificação da DCTF referente ao 2º trimestre de 2004, pelo que, para sanar a irregularidade, apresentou, em 04/11/2009, DCTF retificadora, alterando o valor devido da contribuição e apurando, assim, um crédito a compensar, no valor de R$ 448.801,15. (grifos nossos). Colacionamos o art. 138 do Código Tributário Nacional: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. No caso em análise, a contribuinte verificou erro na apuração dos tributos, realizou a retificação do DACON em 18/09/2007 (conforme documento às fls. 44), mas somente apresentou a DCTF retificadora depois de cientificada da não homologação da compensação pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) era uma obrigação acessória, cujo descumprimento implicava multa pecuniária, e sua função era subsidiar a fiscalização dessas contribuições; fiscalização que é realizada com base na declaração do contribuinte (DCTF). O Dacon não tem o condão de substituir a declaração da Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10680.726869/201191 Acórdão n.º 3301003.218 S3C3T1 Fl. 345 8 contribuinte; a declaração é indispensável, por natureza, para o regular pagamento ou compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação. Desse modo, como a correta declaração e o pagamento ou compensação antes de qualquer medida de fiscalização são requisitos para o reconhecimento da denúncia espontânea, esta não se aplica ao presente caso. Em face do exposto, voto no sentido de conhecer dos embargos de declaração, por serem tempestivos e por se configurar a omissão alegada, e rejeitálos pelas razões de mérito expostas. Sala de Sessões, em 22 de fevereiro de 2017. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 345DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.901616/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. ERRO NA APURAÇÃO DO DÉBITO. COMPROVAÇÃO.
No caso de erro a maior na apuração do débito, é dever do contribuinte comprovar o erro e demonstrar o valor correto, sem o que não pode ser admitida a correção. No entanto, diligência fiscal conclusiva no sentido de reconhecer o erro do contribuinte e indicar o valor correto do débito a ser compensado é fundamento suficiente para reconhecimento do direito do contribuinte.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS COMPENSAÇÃO.
É pré-requisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida.
Numero da decisão: 3301-003.219
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a correção do valor do débito e o direito de crédito nos termos da diligência efetuada.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. ERRO NA APURAÇÃO DO DÉBITO. COMPROVAÇÃO. No caso de erro a maior na apuração do débito, é dever do contribuinte comprovar o erro e demonstrar o valor correto, sem o que não pode ser admitida a correção. No entanto, diligência fiscal conclusiva no sentido de reconhecer o erro do contribuinte e indicar o valor correto do débito a ser compensado é fundamento suficiente para reconhecimento do direito do contribuinte. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS COMPENSAÇÃO. É pré-requisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a correção do valor do débito e o direito de crédito nos termos da diligência efetuada. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. ERRO NA APURAÇÃO DO DÉBITO. COMPROVAÇÃO. No caso de erro a maior na apuração do débito, é dever do contribuinte comprovar o erro e demonstrar o valor correto, sem o que não pode ser admitida a correção. No entanto, diligência fiscal conclusiva no sentido de reconhecer o erro do contribuinte e indicar o valor correto do débito a ser compensado é fundamento suficiente para reconhecimento do direito do contribuinte. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS COMPENSAÇÃO. É prérequisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a correção do valor do débito e o direito de crédito nos termos da diligência efetuada. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 16 16 /2 00 6- 51 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 16327.901616/200651 Acórdão n.º 3301003.219 S3C3T1 Fl. 137 2 Gassen, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Por economia processual, adoto o relatório deste Tribunal administrativo constante da Resolução nº 3301000.151– 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária (fls. 109/113): BANCO ITAÚ S.A., devidamente qualificado nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 39/44 contra o acórdão nº 0528.807, de 17/05/2010, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas SP, fls. 31/34, que não reconheceu o direito creditório alegado, não homologando a compensação declarada, por meio de PER/Dcomp transmitida em 22/05/2003 (fl. 09), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Trata se de Despacho Decisório, fl. 09, que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada em 27/02/2008, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade em 26/03/2008, fls. 04/08, alegando, em síntese: a) a não homologação eletrônica impede o contribuinte de exercer o direito constitucional de ampla defesa, pois falta ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação. No caso em tela, seguramente, o fisco não trouxe aos autos do processo nenhum elemento que, por si, realmente desse suporte ao que alegou como fato motivador da não homologação da declaração de compensação, exceto a descrição dos valores apurados. Por isso é que, além da circunstância de em qualquer ramo do direito incumbir o ônus da prova àquele que alega determinado fato como constitutivo de seu direito (vale dizer, à Receita Federal quanto ao fato constitutivo de seu direito, isto é, do imposto a que se julga credor), em matéria de direito administrativo, seja ela de direito tributário ou não, o ato administrativo há de ser sempre e necessariamente motivado. Ora, a falta de apuração da matéria (demonstração de que os valores foram utilizados em outros pagamentos, por exemplo), por parte da autoridade fiscal, acarreta a total impossibilidade de o contribuinte exercer sua prerrogativa constitucional de ampla defesa. Portanto, o ato administrativo deve sempre atender às formalidades impostas, devendo permitir ao contribuinte apreender o motivo e o fato (sic) está sendo autuado, a fim de que possa se defender ou, caso concorde com a autoridade fiscal, recolher o tributo apurado. Entretanto, o auto de infração em tela, ao arrepio das normas mencionadas, não demonstrando o que alega, impede que o contribuinte apresente sua defesa corretamente, o que, por si só, já o torna nulo de pleno direito; Fl. 137DF CARF MF Processo nº 16327.901616/200651 Acórdão n.º 3301003.219 S3C3T1 Fl. 138 3 b) foram cometidos erros na declaração de compensação, cujo valor do débito corresponde à totalidade do tributo do período, tributo esse que teve parte já paga e, portanto, não fora compensada. c) o valor de débito apresentado em DCTF (doc. 08) pelo peticionante, também contém erro que deve ser observado, especificamente, o campo pagamento com DARF, pois apresentou valor maior de débito; d) o peticionante requer que seja alterado de ofício as informações da DCTF, de acordo com os dados informados no demonstrativo (doc. 07) visando contemplar o crédito ora não homologado. A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Ano calendário: 2003 Compensação. Pagamento indevido ou a maior. Argüição de nulidade. Despacho decisório. Motivação. Válida a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. Despacho Decisório Eletrônico. Fundamentação. Cerceamento de Defesa. Na medida em que o despacho decisório que não homologou a compensação declarada teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo, não há falar em cerceamento de defesa, máxime quando a manifestação de inconformidade demonstra o entendimento das razões do despacho decisório. Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade. Retificação. Impossibilidade. A retificação dos débitos declarados em declaração de compensação está submetida a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. Compensação. Créditos. Comprovação. É prérequisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Tempestivamente, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 39/44, acrescido dos documentos de fls. 45/107, apresentando os seguintes argumentos: a) após uma sucessão de diversos erros que relaciona, a contribuinte localizou trinta e cinco pequenos valores recolhidos a maior com os quais compôs o total a ser compensado com débitos de IOF no montante de R$13.931,23; b) a verdade material deve ser privilegiada acolhendose as provas trazidas aos autos, afastandose, por conseguinte, a verdade formal, de modo a não exigir valor que não possua respaldo na legislação, em observância ao princípio da estrita legalidade do direito tributário. Por fim, requer a homologação da compensação pretendida e, se necessário, a alteração de ofício das Per/Dcomp e DCTF transmitidas, nos termos do art. 147, § 2º do CTN; o cancelamento da cobrança efetivada através do processo n° 16327.720190/200866 e, ainda, protesta pela juntada dos documentos em anexo. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 16327.901616/200651 Acórdão n.º 3301003.219 S3C3T1 Fl. 139 4 Uma vez distribuído o recurso voluntário interposto neste Tribunal, o então Relator do caso, acompanhado pela turma julgadora, baixou o processo diligência nos seguintes temos (fls. 109/113): Conforme relatado, a interessada transmitiu PER/Dcomp em 22/05/2003 (fl. 09), cuja compensação não foi homologada em virtude de que, na data da transmissão da declaração de compensação, o crédito indicado encontravase totalmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, inexistindo disponibilidade do valor declarado na Dcomp. Por sua vez a contribuinte alega ter havido erro no preenchimento do Per/Dcomp e da DCTF relacionadas ao crédito controvertido. A interessada menciona que apurou e declarou o IOF devido em 12/02/2003 como sendo R$ 257.710,65 (257.109,48 + 601,17), quitado por meio de dois DARF. Posteriormente, constatou que o valor devido seria de R$271.040,71, gerando uma insuficiência de R$13.330,06. Entretanto, esquecendose do DARF de R$601,17, entendeu ser devedora de R$13.931,23, cujo valor tencionou quitar por meio de trinta e cinco Dcomp, dentre as quais vinte seis não foram homologadas. Devido a ausência de apresentação de declarações retificadoras e, ainda, preenchimentos equivocados das DCTF e PER/Dcomp transmitidas, tais equívocos acarretaram a cobrança não do valor relacionado à compensação, e sim, do valor total relativo ao período de apuração, em cada um desses vinte seis processos, ou seja, está lhe sendo exigido o pagamento de vinte seis DARF de valor principal de R$271.040,71, além de multa e juros. De se ressaltar que os procedimentos de restituição, ressarcimento e compensação são intensamente regrados de modo a evitar a saída indevida de valores dos cofres públicos, bem assim, a extinção do crédito tributário pela compensação irregular. Nessa toada cabe ao administrado a observância das regras impostas, e não à administração fazendária se sujeitar a análises casuísticas em contradição com o regramento. Por outro lado, no presente caso, sendo constatada a veracidade dos argumentos apresentados, estarseia exigindo pagamento de valores extremamente elevados em relação ao que de fato pudesse ser devido. Assim, em homenagem aos princípios da proporcionalidade, formalidade moderada e da verdade real, que devem nortear o processo administrativo fiscal e, ainda, de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem analise os documentos acostados aos presentes autos e, caso entenda necessário, intime a contribuinte a comprovar a pertinência e veracidade das alegações supramencionadas, em duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda, quanto à existência e disponibilidade do indébito, conforme abaixo: a) visando à constatação de que de fato as declarações apresentadas encontramse equivocadas e, caso os equívocos fossem saneados, a exigência correta limitarseia ao valor a compensar pretendido, ou seja, cerca de treze mil reais, acrescidos de multa e juros: b) demonstrar e existência do indébito alegado, bem como sua condição de haver suportado o ônus financeiro do IOF retido na qualidade de responsável. Posteriormente, o fiscal diligente deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo nas PER/Dcomp Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16327.901616/200651 Acórdão n.º 3301003.219 S3C3T1 Fl. 140 5 apresentadas. Na sequência a contribuinte deverá ser intimada para que, no prazo de trinta dias, caso entenda conveniente, apresente manifestação, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolver os autos para este Conselho, para julgamento. Realizada a diligência, assim concluiu a fiscalização (fl. 78): Respondendo aos quesitos levantados pelo Conselho: a) de fato, a PER/DCOMP nº 15713.22687.220503.1.3.042007 é equivocada, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria de R$ 99,36, conforme demonstrativo de fls. 28. Este é o valor a ser cobrado caso a compensação não seja homologada. b) quanto ao alegado direito creditório de R$ 80,53, informado no demonstrativo de fls. 28, o contribuinte não apresentou nenhum documento ou explicação sobre a razão pela qual aquele valor teria sido recolhido a maior. Tal valor não se encontra disponível nos sistemas da Receita conforme tela de fls. 116. Em seguida, o contribuinte foi intimado (fls.119/120 ) e se manifestou nos seguintes termos (fls. 122/123): 4. Após a análise de toda a documentação anexada aos autos, a Autoridade Fiscal conclui que: de fato, a PER/DCOMP nº 15713.22687.220503.1.3.042007 é equivocada, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria de R$ 99,36, conforme demonstrativo de fls. 28. Este é o valor a ser cobrado caso a compensação não seja homologada. 5. Assim, a conclusão da Autoridade Fiscal corrobora com os argumentos da Requerente, ou seja, de fato constatouse o equívoco no preenchimento do Perd/Dcomp e a cobrança indevida no valor de R$ 271.040,71. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. O objeto deste processo corresponde às questões respondidas na diligência solicitada por meio da Resolução nº 3301000.151– 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária. A diligência foi conclusiva no sentido de que a PER/DCOMP nº 15713.22687.220503.1.3.042007 realmente estava incorreta, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria de R$ 99,36. Assim, não sendo homologada a compensação, é este o valor que deve ser cobrado. Concluise também na diligência que o alegado direito creditório no valor de R$ 80,53 não foi devidamente Fl. 140DF CARF MF Processo nº 16327.901616/200651 Acórdão n.º 3301003.219 S3C3T1 Fl. 141 6 comprovado e nem foi encontrado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não devendo portanto, este ser reconhecido Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o erro alegado pelo contribuinte na declaração do débito e, consequentemente, reconhecer o débito no valor correto de R$ 99,36; e, por outro lado, não reconheço o crédito pleiteado no valor de R$ 80,53. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.903624/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3301-001.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem à luz dos documentos fiscais apresentados no recurso voluntário, realize a verificação do crédito pleiteado pela Recorrente..
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem à luz dos documentos fiscais apresentados no recurso voluntário, realize a verificação do crédito pleiteado pela Recorrente.. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem à luz dos documentos fiscais apresentados no recurso voluntário, realize a verificação do crédito pleiteado pela Recorrente.. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 14-53.182 - 11ª Turma da DRJ/SPO (fls 64/72): Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o PIS/Pasep, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração maio de 2004, no valor de R$ 119.181,13, transmitido através do PER/Dcomp nº 16334.29560.271205.1.3.04-0007. A DEINF São Paulo não homologou a compensação por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 25, emitido em 20/04/2009, já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 28/04/2009 (fl. 62), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2/11, em data incerta, pois o carimbo da unidade de origem está ilegível, para alegar que teria apurado incorretamente a contribuição. Inicialmente, teria apurado R$ 356.961,22, quando na realidade, o valor devido correto seria R$ 237.780,09. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 03 62 4/ 20 09 -8 4 Fl. 219DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3301-001.359 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.903624/2009-84 Afirmou que ao apurar a base de cálculo da contribuição, teria deixado de deduzir as despesas de captação, conforme alínea “a”, do inc. I, do § 6º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, erroneamente contabilizadas na conta COSIF nº 819.99.00-6 (outras despesas operacionais). Também teria alterado o ajuste de MTM (ajuste a valor de mercado dos títulos), em virtude de modificação no balancete da empresa. Do mesmo modo, teria incorrido em erro ao tributar a receita de exportação de serviços (conta COSIF nº 717.70.00.8), em desacordo com o inc. III, art. 14 da MP nº 2.158- 35/2001. Defendeu a aplicação dos Princípios da Legalidade e da Verdade Material. Citou jurisprudência administrativa acerca da comprovação de erros de fato. Juntou Balancete, DIPJ e DCTF retificadoras, planilha simplificada de apuração do PIS e da Cofins, além de demonstrativo contendo os ajustes de MTM, de despesa de captação e de receita de exportação. Concluiu, para requerer o provimento de seu recurso, com a homologação da compensação, e para solicitar a realização de diligências a fim de comprovar suas alegações. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que não homologou a compensação, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2004 PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA DE DOCUMENTOS. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. A apresentação de prova documental deve ser feita no momento da impugnação. Considera-se não formulado o pedido de diligência quando não atendidos os requisitos exigidos pela Lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 98/119), no voto serão abordados os questionamentos. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Fl. 220DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3301-001.359 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.903624/2009-84 Segundo a Recorrente, o crédito objeto da PERDCOMP nº 16334.29560.271205.1.3.04-0007 foi gerado em razão de ter recolhido contribuição ao PIS, em 15/06/2004, no montante de R$ 356.961,22, quando o correto era R$ 119.181,13. Alega que o recolhimento indevido se deu porque teria deixado de deduzir as despesas de captação e variação cambial negativa. Apresenta o quadro abaixo: A Recorrente destaca que, demonstrando boa fé, aumentou a base de cálculo da contribuição. A Recorrente afirma que o demonstrativo detalhado das alterações da base de cálculo está na planilha de Ajuste da Base de Cálculo do PIS/COFINS, o qual está fundamentado no balancete contábil já apresentado, bem como nos razões contábeis juntados ao Recurso Voluntário. Dessa forma, a Recorrente demonstrou que recolheu indevidamente o montante de R$ 119.181,13. A Recorrente informou que a recomposição da base foi efetuada com base em revisão da apuração de PIS/COFINS utilizando como suporte o balancete da entidade Recorrente e que esse balancete foi devidamente auditado por auditoria independente e apresentado para o Banco Central do Brasil. A Recorrente juntou declaração do responsável sobre a autenticidade do balancete. Pugna, a Recorrente, pela prevalência do princípio da verdade material sobre o erro de fato. Ressalta que retificou a DCTF (apesar de não ter retificado a Dacon). Assevera que a retificação foi posterior ao despacho decisório, mas isso não indica em qualquer grau dolo ou fraude. A decisão de piso foi desfavorável à Recorrente. Conclui-se na decisão a quo que a retificação após o despacho decisório somente poderia ser deferida se comprovado o erro por meio de documentação hábil contábil e fiscal, mas não teria sido apresentada documentação hábil a respaldar o pleito. Não se admitiu o pedido de diligência depois da impugnação, por se entender que estaria precluso. Considerando, contudo, o conjunto de documentos e informações apresentados pela Recorrente, é possível verificar que a contabilidade da empresa respalda a alegação de que houve erro de fato considerando também que realmente não há nos autos elemento que evidencie fraude ou dolo, o que transparece é que a contribuinte simplesmente quis corrigir um erro que lhe ocasionou um pagamento a maior para o Fisco. Dessa forma, proponho converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem à luz dos documentos fiscais apresentados no recurso voluntário realize a verificação do crédito pleiteado pela Recorrente. Fl. 221DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3301-001.359 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.903624/2009-84 (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000248/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/01/2004
IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE.
A decisão proferida no processo decorrente deve seguir a mesmaorientação decisória prolatada no processo principal.
Numero da decisão: 3301-005.331
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Ari Vendramini , Salvador Candido Brandão Junior, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. A decisão proferida no processo decorrente deve seguir a mesmaorientação decisória prolatada no processo principal. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Ari Vendramini , Salvador Candido Brandão Junior, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 02 48 /2 00 9- 81 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13971.000248/200981 Acórdão n.º 3301005.331 S3C3T1 Fl. 105 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (fls55/71): O processo administrativo, posteriormente ao seu protocolo, foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos irão pautarse na numeração estabelecida no processo eletrônico. Contra a contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 08/13, totalizando o crédito tributário de R$ 1.378.042,53, inclusos multa de ofício e juros de mora. De acordo com o Termo de Verificação da Infração, fls. 14/17, configurouse infração pelo não recolhimento do valor correspondente ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, apurado em valor negativo em janeiro de 2004 no montante de R$ 568.147,82, durante a análise do processo administrativo nº 13971.720012/200531, sem possibilidade de recuperação em períodos de apuração posteriores. Conforme itens 5 e 14 do Termo de Verificação da Infração, o presente processo foi apensado ao de nº 13971.720012/200531, pois o mesmo é decorrente daquele. Regularmente cientificada do auto de infração, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 21/47, a seguir sintetizada: 1. Alega que o presente auto de infração não procede, sendo indevido o valor cobrado, reiterando e ratificando os argumentos produzidos em manifestação de inconformidade no processo nº 13971.720012/200531, a seguir reproduzidos. 2. DCP Linha 24 Acréscimo no mês do valor excluído no ano anterior (Item 199 a 203): A Impugnante durante a fiscalização atendeu a determinação do mesmo (vide item 200, referente a Intimação n° 465/2008) e efetuou a retificação da DCP do 4o trimestre/2003 na Linha 23, da Ficha 4C, na medida que havia informado na DCP do 1o trimestre/2004, na Linha 24, da Ficha 4B o valor de R$ 473.314.409,03 correspondente ao valor excluído no último trimestre de 2003, e não como pretende que o valor da Linha 24 seja R$ '0,00'. Houve, reconhecidamente pelo Sr. AFRFB, a retificação da DCP do 4o trimestre/2003, inclusive sua determinação, e que contraditoriamente não aceita para cálculo do crédito em análise. Basta, para confirmar esta assertiva, a simples leitura dos Itens 37 e 38, confirmandose que aquele processo está em andamento e, no presente momento, em diligência determinada pela Relatora para reapreciar os cálculos. Neste novo procedimento já será considerada a retificação da DCP do 4o trimestre/2003, ocorrida em 03 e 16/12/2008, já com o valor de R$ 473.314.409,03 na Linha 23, da Ficha 4C. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13971.000248/200981 Acórdão n.º 3301005.331 S3C3T1 Fl. 106 3 Assim, o acréscimo realizado pela Impugnante na DCP do 1o trimestre/2004, na Linha 24, da Ficha 04B do valor de R$ 473.314.409,03 excluído no ano anterior está correto e deve ser considerado para o cálculo do crédito. 3. DCP Linha 22 Utilizados na produção no mês Compras com direito ao crédito no mês (1) Glosas dos bens que não constituem MP. PI ou ME (Item 46 a 55): Sobre as aquisições de combustíveis, produtos para tratamento de água e bens de manutenção, a requerente entende, com invocação do art. 82, I, do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto no 87.981, de 23 de dezembro de 1982 (RIPI, de 1982), e do Parecer Normativo CST no 65, de 1979, que a glosa é indevida, porque tais itens são insumos, na qualidade de produtos intermediários, que são consumidos no processo de industrialização, mesmo que de forma indireta, portanto, perfeitamente enquadrados no art. 1o da Lei no 9.363, de 1996. Apresenta “Parecer Técnico sobre a industrialização do Óleo de Soja” para defender que há situações particulares e específicas em cada processo de industrialização, de forma que em alguns os combustíveis acabam por terem contato com o produto. Cita doutrina e jurisprudência, administrativa e judicial, em apoio à sua tese. 4. DCP Linha 22 Utilizados na produção no mês MP, PI e ME considerados na apuração dos "Utilizados na produção" (Item 56 a 80): No item 69, o Sr. AFRFB exclui da base de cálculo do crédito os bens identificados com indicadores 1Produto Acabado, 2MatériaPrima/Insumo e 4Consumo. Especificamente quanto ao indicador Produto Acabado, o mesmo não se caracteriza como bem para revenda e, por se tratar de produção da própria Impugnante, será utilizado como insumo nas etapas posteriores. Ademais, o produto acabado faz parte do 'estoque final' anterior excluído da base de cálculo, não originando crédito naquele período. Quanto ao indicador MatériaPrima/Insumo, afirmase que há ocorrência de registros no Estoque Inicial de bens produzidos pela empresa sem a respectiva compra. Entretanto, cabe lembrar que exatamente por estar no estoque inicial que não houve aquisição no período posterior, sendo que o valor correspondente faz parte da exclusão da DCP anterior. 5. DCP Linha 22 Utilizados na produção no mês Ajuste dos arquivos "Compras Totais", "Estoque Final" e "Revendas" (Item 81 a 87): As compras de sementes de girassol e caroço de algodão com CFOP 1102/2102 utilizadas por filiais de comércio e armazéns, na verdade por erro de preenchimento da NF deveria ter sido 1.101 ou 2.101, posto que essas matérias primas foram adquiridas para industrialização nas filiais de Bauru e Ourinhos. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13971.000248/200981 Acórdão n.º 3301005.331 S3C3T1 Fl. 107 4 Em relação ao Óleo degomado, não houve compras com fim específico de exportação ou para comercialização. Todas as entradas com qualquer CFOP foram realizadas por transferência de filiais da própria impugnante. Os CFOPs 1.501 ou 2.501 geraram engano para o fisco, porque os CNPJ dos fornecedores ou remetentes são os mesmos constantes na base do 84046101/. 6. DCP Linha 22 Utilizados na produção no mês Compras com direito ao crédito no mês (2) Glosas das aquisições sem incidência da Cofins (aquisições de Pessoas Físicas e Cooperativas não incidência de PIS e COFINS) (Item 129 a 138): Em relação às glosas das aquisições de insumos que não sofreram a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas), alega a requerente que a Lei no 9.363, de 1996, não previu expressamente a necessidade de o fornecedor dos insumos ser contribuinte dessas contribuições, além do que o objetivo do Processo 13971.000248/200981 crédito fiscal, por ela instituído, conforme Exposição de Motivos no 120, de 23 de março de 1995, da Medida Provisória no 948, de 23 de março de 1995, visava à redução do custo dos produtos brasileiros exportados, sob a premissa básica de que não se deve exportar tributos. Sobre esse assunto, a requerente também cita e transcreve jurisprudência, para embasar seu entendimento. 7. DCP Linha 22 Utilizados na produção no mês Compras com direito ao crédito no mês (3) Glosa por não comprovação das aquisições (Item 139 a 142): Anexa as anexas cópias das notas fiscais n° 010564, 001596, 000941, 000943, 000654, 024435, 024556, 024672, 024676, 0024680, 124788, não entregues por ocasião da fiscalização. 8. DCP Linha 22 Utilizados na produção no mês (Item 143 a 153): Reitera que a Impugnante não tem como 'admitido' nenhuma das glosas que lhe foram imputadas, e que constam dos quadros constantes dos itens 143 a 153. Muito pelo contrário, esta manifestação deixa evidenciado que os valores aplicados pelo Sr. AFRFB não são os corretos e deverão ser trazidos à realidade conforme pretendido. 9. DCP Linha 22 Utilizados na produção no mês Óleo de soja deqomado (Item 154 a 160): No Item 155, nas 'compras totais', há que se observar que as operações com valores de R$ 6.033.793,50 e 8.610.000,00 na verdade se refere a mútuo mercantil, e não compra. De outro lado, a operação no valor de R$ 19.914.705,16 foi uma transferência de outro estabelecimento da Impugnante com fim de exportação. O CFOP 1.501 ou 2.501 nem sempre representa Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13971.000248/200981 Acórdão n.º 3301005.331 S3C3T1 Fl. 108 5 'compras'. Neste caso, os remetentes são filiais da Bunge CNPJ 84046101/. Na linha das 'revendas', a operação de valor R$ 64.458.788,83 se refere a óleo de soja recebido em transferência de outra filial. No caso o CFOP 7.102 está errado, mas nem por isso impede a adequada compreensão da operação. 10. Por último, requer o cancelamento da exigência do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A lide no presente caso relacionase ao processo no 13971.720012/2005 31, o qual foi decidido pela Resolução no. 3301005.330, da qual reproduzimos o voto. Cumpre colacionar trecho Resolução nº 3301000.162 (fls. 600 e seguintes), que converteu o julgamento da lide em diligência: É necessário confirmar se foi considerada alguma exclusão do valor utilizado em produtos em elaboração e acabados não vendidos, linha 23 da ficha 4B do DCP, no cálculo do crédito presumido de IPI relativo ao 4º trimestre de 2003 efetuado na diligência, para que tal valor possa ser acrescido no trimestre seguinte. Em face do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que o processo seja encaminhado à DRF respectiva, para: a) Anexar o resultado da diligência elaborada no processo 13971.720011/200597; b) Informar se a “exclusão no mês do valor utilizado em produtos em elaboração e acabados não vendidos”, linha 23 da ficha 4B do Demonstrativo de Crédito PresumidoDCP do 4º trimestre de 2003, foi considerada no cálculo final elaborado na diligência acima referida em valor diferente do informado no DCP (“0,00”), e em caso afirmativo, informar tal valor. c) Apresentar demonstrativo do cálculo do crédito presumido de IPI relativo ao 1º trimestre de 2004, considerando a influência do resultado da diligência referida na alínea “a”. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13971.000248/200981 Acórdão n.º 3301005.331 S3C3T1 Fl. 109 6 d) Cientificar a recorrente do resultado dessa diligência, para, querendo, apresentar manifestação no prazo de 30 (trinta) dias. f) Após, deve o presente processo retornar a este colegiado para dar prosseguimento no julgamento. Na diligência, conforme Informação Fiscal às fls. 688, as conclusões foram: Diante do despacho de fl. 6871, passo a informar o resultado da diligência solicitada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, às fls. 683 (último parágrafo) e 684: a) Resultado da diligência elaborada no processo 13971.720011/200597 anexado conforme requisitado; b) Conforme consta da TABELA 16 do termo anexo, verificase que não houve exclusão de valor utilizado em produtos em elaboração e acabados não vendidos. Foi aceito, assim, o valor informado pelo contribuinte no DCP, de zero (“0,00”) ao final do trimestre; c) Uma vez que não houve exclusão de valor utilizado em produtos em elaboração e acabados não vendidos no trimestre anterior, não há alteração na apuração do crédito presumido efetuada até o momento nos presentes autos, prevalecendo o cálculo de fls. 615617; d) Intimação da recorrente para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, acerca da conclusão da diligência a ser efetuada com ciência da presente peça; f) Retorno ao CARF para prosseguimento do julgamento após a providência do item “d”. A Recorrente afirma que houve erro no trabalho fiscal, nos seguintes termos: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13971.000248/200981 Acórdão n.º 3301005.331 S3C3T1 Fl. 110 7 . Explica a Recorrente: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13971.000248/200981 Acórdão n.º 3301005.331 S3C3T1 Fl. 111 8 Defende que (...) Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13971.000248/200981 Acórdão n.º 3301005.331 S3C3T1 Fl. 112 9 Assevera a Recorrente que se trata de um erro material no preenchimento da DCP, possível de retificação e saneamento de ofício pela autoridade fiscal e requer que seja reconhecido seu crédito. Caso necessário, solicita nova diligência e o recálculo do crédito. Contudo, como se trata de pedido de ressarcimento, cabe ao Contribuinte comprovar seu crédito, no que não logrou êxito no presente processo. Dessa forma, a decisão de primeira instância não merece retoques e, desta forma, proponho manter a decisão por seus próprios fundamentos. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Diante do exposto e considerando a decisão do Processo no 13971.720012/200531, proponho por manter integralmente a decisão recorrida e voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13971.000248/200981 Acórdão n.º 3301005.331 S3C3T1 Fl. 113 10 Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.011377/2004-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÃO DESONERADA DO IPI. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL EM CURSO.
Não se conhece do mérito coincidente com o objeto de ação judicial em curso impetrada pela interessada, devendo prevalecer a decisão final a ser exarada pelo Poder Judiciário.
Numero da decisão: 3301-005.343
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira , Marcelo Costa Marques D´ Oliveira, Ari Vendramini , Salvador Candido Brandão Junior, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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AQUISIÇÃO DESONERADA DO IPI. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. Não se conhece do mérito coincidente com o objeto de ação judicial em curso impetrada pela interessada, devendo prevalecer a decisão final a ser exarada pelo Poder Judiciário. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira , Marcelo Costa Marques D´ Oliveira, Ari Vendramini , Salvador Candido Brandão Junior, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Adoto o relatório constante da decisão recorrida (fls. 110 e seguintes): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 13 77 /2 00 4- 59 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 19647.011377/200459 Acórdão n.º 3301005.343 S3C3T1 Fl. 186 2 O interessado identificado em epígrafe apresentou, em 23/11/2004, pedido de ressarcimento de IPI no valor de R$ 49.011,84, por suposto saldo credor do imposto, apurado em outubro/2004, em decorrência da aquisição de insumos isentos e/ou tributados à alíquota zero. Posteriormente enviou a PER/DCOMP n° 08835.15437.251104.1.3.019562, declarando a compensação de débitos de IPI, PIS/PASEP e COFINS apurados também no mês de outubro de 2004 com aquele suposto crédito de IPI, requerendo sua homologação. Embora o interessado haja omitido inicialmente qualquer informação acerca de existir, ou não, amparo judicial ao seu pleito, apurouse a existência de demanda judicial contra a Fazenda da União no âmbito do processo judicial n° 2002.83.00.0044607, cujo objeto se vincula ao pedido no presente processo administrativo. O Setor competente do SECAT, em consulta ao sítio eletrônico do E. STJ, obteve as informações anexadas às fls.65/68, que evidenciam a interposição de recurso especial n° 644.500 ( 2004/00318349) com relação à AMS 82188PE, correspondente ao processo original cujo número foi identificado acima, pendente de julgamento. O interessado apresentou esclarecimentos acerca das demandas judiciais, conforme consta às fls.51/52 que corroboram o apurado pelo SECAT/DRF/REC. Consta, às fls.50, informação fiscal da equipe de fiscalização do IPI do SEFIS/DRF/REC, propondo o indeferimento do pedido pelas seguintes razões: (i) o que o interessado aponta como insumos tributados à alíquota zero (fls.09/17), são na realidade produtos cuja saída se dá com suspensão do imposto, por força do disposto no artigo 43 do RIPI/2002 ( Decreto n° 4.544/2002), portanto não geram crédito de IPI e, muito menos, da forma calculada, com a utilização de alíquota de 10% sobre o valor das saídas; (ii) O que o interessado identifica como sendo insumos isentos (fls.18/48), são produtos tributados com alíquota zero, ou com alíquota positiva, para cujas saídas não houve destaque do IPI; e (iii) nos termos do art.11 da Lei 9.779/99, apenas é passível de ressarcimento o saldo credor de IPI acumulado ao final de cada trimestrecalendário, depois de abatidos os débitos gerados pelas saídas dos produtos elaborados, e nunca os meros créditos ocorridos em determina o mês, conforme deseja o interessado. Concluiuse, então, pela inexistência de saldo credor de IN passível de ressarcimento quanto ao período de apuração indicado. Foi, então, proferido o Despacho Decisório DRF/REC de fls.71, adotando os fundamentos expostos no Termo de Informação Fiscal de fls.69/70, e determinando assim: "1, não reconhecer o direito creditório pleiteado referente a ressarcimento de IPI do terceiro trimestre de 2004; 2. declarar não homologadas as compensações de débitos constantes das PER/DCOMP 08835.14437.251104.1.3.019562; 3. determinar a cobrança dos débitos de IPI indevidamente compensados constantes das supracitadas PER/DCOMP. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 19647.011377/200459 Acórdão n.º 3301005.343 S3C3T1 Fl. 187 3 Ao ... SEORT, para dar ciência ao interessado, ressalvandolhe o direito de apresentar manifèstação de inconformidade perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife, no prazo de 30 dias a contar da ciência deste ...". Regularmente intimada em 27/10/200, conforme AR de fls.73, foi protocolada a manifestação de inconformidade, cujo teor integral se encontra às fls.75/82, em 05.11.2008, inicialmente no processo n° 19647.019256/200889, depois anexado aos presentes autos, em 02/01/2009, conforme despacho de fls.79. As principais razões de inconformidade podem ser essencialmente resumidas assim: 1. Acusase efetivo descumprimento de decisão judicial (REsp n° 644.500), pedese o reconhecimento do direito de manutenção dos créditos de IPI no caso de suspensão do imposto, a observação da incidência do §5° do art.29 da Lei n° 10.684/2003, e, por fim, a correção monetária (dos créditos de IPI). 2. Em face do entendimento administrativo, corroborado na decisão ora vergastada, que não reconhece o direito da ora manifestante de se apropriar dos créditos decorrentes das aquisições de insumos desonerados, em seu livro de IN (RAIPI), impetrouse Mandado de Segurança (processo n° 2002.83.00.0044667/PE). O pleito judicial foi deferido pelo E. 1RF/5a Região em sede de apelação. A ora Defendente passou, então, a aproveitar seus créditos extemporâneos de IR fundada na decisão judicial, a qual, ressaltase, está em vigor. O processo judicial encontrase para a apreciação de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, no âmbito do REsp n° 644500. 3. Nesse diapasão, a Defendente materializou a compensação de seus créditos de IN com débitos seus relacionados a tributos administrados pela SRF, de acordo com a legislação de regência, e nos moldes exigidos pelo art.74 da Lei 9.430/96., que autorizou a compensação realizada pelo próprio contribuinte sujeito à condição homologatória ulterior da Fazenda. 4. Reitera que todas as compensações materializadas, dentre elas a que enseja o processo administrativo em foco, foram realizadas em total conformidade com os termos da decisão judicial cuja ementa está transcrita às fls.77 (AGTR n° 42.173/PE e MAS n° 82.188PE). Aliás, há Parecer emitido pela própria Procuradoria da Fazenda Nacional, provocada a se manifestar nos autos do processo administrativo n° 10480.010459/200290, reconhecendo o direito da Impugnante nos seguintes termos: "(..) A decisão na MAS merece ser cumprida respeitandose seus estritos termos: deverá ser observado o direito efetivamente reconhecido no acórdão, o qual, como se depreende da cópia anexada, autoriza o particular tão somente a utilizarse dos créditos advindos das aquisições de INSUMOS sob ISENÇÃO OU ALIQUOTA ZERO, ATRAVÉS DE COMPENSAÇÃO COM O PRÓPRIO IPI OU COM OUTROS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. Tendo por pressuposto os limites da decisão colegiada nos do AMS n° 82.188PE, passaremos, pois , a responder os questionamentos bem colocados ao fim do Termo de Verificaçâ'o Fiscal: a) há direito ao creditamento do IPI no livro de registros de apuração do IPI, diante da situação atual da apreciação da lide Fl. 187DF CARF MF Processo nº 19647.011377/200459 Acórdão n.º 3301005.343 S3C3T1 Fl. 188 4 judicial e recursos diversos?Resposta: Em razão da existência de ordem liminar e de decisão favorável proferida em Apelacão, há direito ao creditamento do 1P1 no RAIPI, porém exclusivamente quanto asa aquisições de insumos sob isenção ou alíquota zero (...)".(Grifos da manifestante) 5. Com efeito, nada obstante o reconhecimento da vigência e efetividade da decisão judicial, houve seu descumprimento, posto que desconsidera o direito reconhecido judicialmente de aproveitamento dos insumos desonerados, bem como a incidência de correção monetária, de modo que o ato administrativo ora rechaçado incorre em flagrante ilegalidade. Sobre o direito ao crédito na aquisição de insumos desonerados e sua correção monetária apresenta a ementa de julgado, a qual ora se transcreve (conforme está às fis.79): "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL 1P1. CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS SUJEITOS À ALIQUOTA ZERO, ISENTOS OU NÃOTRIBUTADOS. APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS. RESIS7'ÊNCI4 DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCL4 SÚMULA 168/ST1 1. A Primeira Seção, ao apreciar os Embargos de Divergência n° 468.926/SC, relatados pelo Ministro Teori Zavascki, entendeu ser devida a correção monetária dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos e matériaprima utilizados na fabricação de produtos sujeitos á alíquota zero, isentos ou não tributados, quando o ente público impõe resistência ao aproveitamento dos créditos. 2. Precedente do STF. 3. "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado" (Súmula 168/STJ). 2. Embargos não conhecidos. (STJ:S1 PRIMEIRA SEÇÃO: EREsp 614660/pr; W em 11/05/2005)". 6. Deve ser considerada a pacífica jurisprudência do STJ no sentido de reconhecer o direito à correção monetária dos créditos reconhecidos, bem como dos valores que restarem validados posteriormente. 7. Quanto à forma de apuração dos créditos, Com efeito a decisão existente em favor da Impugnante termina por alargar a interpretação costumeiramente dada à incumulatividade do IPI, para efeito de garantir aos adquirentes de insumos desonerados de IPI, o direito de apuração do crédito nessas operações. Por inexistir valor destacado, do IPI, no corpo das respectivas notas fiscais, a apuração do crédito se faz pela aplicação da alíquota prevista para a operação de saída do produto final, aplicada sobre o valor de aquisição do insumo desonerado. Sendo essa a única forma de se obter a efetividade do direito salvaguardado pelo Poder Judiciário à ora Defendente. O procedimento fiscal materializado em planilha (fls...), desrespeita a decisão judicial em pleno vigor que, certa ou errada, é favorável à Impugnante e deve ser cumprida pelo órgão fazendário, sob pena de infringência ao postulado da divisão de poderes albergado em Fl. 188DF CARF MF Processo nº 19647.011377/200459 Acórdão n.º 3301005.343 S3C3T1 Fl. 189 5 nossa Carta Magna. Eis um dos motivos ensejadores da reforma ora pleiteada, a planilha fiscal que subsidia a decisão combatida desrespeita a decisão judicial favorável, sob a premissa falsa de inexistência dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de nsumos isentos de IPI ou submetidos à alíquota zero. 8. Ademais, a referida planilha fiscal glosou créditos referentes ao IPI suspenso. Assim dispõe o art.29 da Lei 10.637/2003, verbis: "Art.29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, á elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3,4,7,89,10,11,12,15,16,17,18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados — TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei no 10.684, de 30.5.2003). §50. A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial, fabricante das referidas matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem". 9. Não é por outra razão que o §3° do art.5° da Lei 9.826/99, c/a redação dada pela Lei 10.485/2002, já assegurava no caso de suspensão do IPI a manutenção e utilização dos créditos de IPI. Assim, diante de todo o acima exposto, caracterizada a improcedência da decisão em vergaste, seja pela glosa indevida de créditos que possui a defendente, seja pelo efetivo descumprimento da decisão judicial em favor da Impugnante, seja, ainda, pelo inequívoco direito à correção monetária, requer seja reformada a decisão em foco. Conforme consta às fls. 104, foram apresentadas manifestações de inconformidade contra os despachos decisórios proferidos nos processos n° 19647.001993/200311, 19647.001064/200492, 19647.003297/200349, 10480.007213/2003 11, 19647.011377/200459, 19647.000212/200451, 19647.002282/200444 e 19647.003145/200427, constatandose ausência das assinaturas dos outros sócios da sociedade limitada no instrumento procuratório pertinente, com infração a cláusula do contrato social. Houve intimação da empresa interessada para que suprisse os presentes autos com nova procuração. Cumprida a exigência, conforme consta às fls.105/106, foi o processo remetido a esta DRJ para julgamento. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 19647.011377/200459 Acórdão n.º 3301005.343 S3C3T1 Fl. 190 6 Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou parcialmente procedente, com a seguinte ementa (fl. 108): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÃO DESONERADA DO IPI. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. Não se conhece do mérito coincidente com o objeto de ação judicial em curso impetrada pela interessada, devendo prevalecer a decisão final a ser exarada pelo Poder Judiciário. SAÍDA COM SUSPENSÃO DO IPI. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO NA AQUISIÇÃO ISENTA OU SUBMETIDA À ALÍQUOTA ZERO Não sendo tributado o produto final porque imune, isento, submetido à alíquota zero ou mesmo nãotributado NT, ainda que a aquisição do insumo se desse com suspensão do imposto, remanesceria direito de crédito relativo á aquisição onerada. Segundo o entendimento oficial, na cadeia de produção industrial, da aquisição do insumo onerada pelo IPI resultará direito de crédito. No presente caso, no entanto, tratamse de aquisições de insumos isentas do IPI ou submetidas à alíquota zero. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A CORREÇÃO MONETÁRIA DE CRÉDITO ESCRITURAL. Não há previsão legal de atualização monetária de créditos escriturais. Não se confunde a natureza do crédito de IPI decorrente de eventual aquisição de MP, PI ou ME, utilizados na fabricação do produto final com a de um mero indébito, posto que aquele obedece a regime jurídico especial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 141 e seguintes), no qual a Recorrente assevera que não há concomitância nas esferas administrativa e judicial, defende seu direito à restituição/ressarcimento e também solicita que sejam analisadas suas declarações de compensação. Voto Fl. 190DF CARF MF Processo nº 19647.011377/200459 Acórdão n.º 3301005.343 S3C3T1 Fl. 191 7 Conselheira Liziane Angelotti Meira Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Defende a Recorrente seu direito de utilizar créditos relativos a decisão judicial ainda não transitada em julgado. Observese, contudo, que a utilização de crédito ainda pendente de decisão judicial definitiva encontrase expressamente vedada no art. 170A do CTN, e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, os quais transcrevemos: Código Tributário Nacional Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Lei nº 9.430, de 1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado;ou (grifouse) Cabe consignar a informação de que o processo judicial em pauta teve trânsito em julgado com decisão desfavorável à Recorrente, com a seguinte ementa: AMS 82188/PE (2002.83.00.0044607) APTE : ENGARRAFADORA IGARASSU LTDA ADV/PROC : FÁBIO HENRIQUE DE ARAÚJO URBANO e outros APDO : FAZENDA NACIONAL ORIGEM : 7ª Vara Federal de Pernambuco (Especializada em Questões Agrárias) RELATOR : DESEMBARGADOR FEDERAL VLADIMIR SOUZA CARVALHO (Ementa) Tributário. Retorno dos autos para, se for o caso, se proceder a adequação do acórdão, nos termos do art. 543B, § 3º, do Código de Processo Civil, por destoar do entendimento adotado em repercussão geral, RE 562.980, que tem como questão Fl. 191DF CARF MF Processo nº 19647.011377/200459 Acórdão n.º 3301005.343 S3C3T1 Fl. 192 8 controvertida o creditamento de IPI em relação à aquisição de insumos ou de produtos intermediários aplicados na fabricação de produtos finais sujeitos à alíquota zero ou isentos. 1. O entendimento do Supremo Tribunal Federal é de apenas haver direito constitucional a créditos de IPI, com supedâneo no princípio da não cumulatividade, quando se verifica superposição impositiva, com a incidência tributária na operação antecedente e também na de saída dos produto, exceto diante de previsão de lei específica, o que não é o caso dos autos, vez que se trata aqui de insumos sujeitos à alíquota zero, isentos ou não tributados e produto final tributado. 2. O acórdão recorrido destoa do entendimento do Supremo Tribunal Federal ao conferir à apelante o direito aos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos isentos ou tributados à alíquota zero, diante de produto final tributado. 3. Adequação do julgado ao entendimento do Supremo Tribunal Federal, passando se a negar provimento à apelação da Empresa. (Acórdão) Vistos, etc. Decide a Egrégia Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, adequar o acórdão recorrido, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas constantes dos autos. Recife, 10 de março de 2015. (Data do julgamento) Ademais, adotase o entendimento constante da decisão de piso no sentido de que (fl. 114): No caso concreto, segundo as informações colhidas pela DRF/REC, e corroboradas pela manifestante, a demanda judicial proposta contra a Fazenda Nacional tem objeto em parte coincidente com o proposto no presente processo administrativo. As informações anexadas evidenciam a interposição de recurso especial (REsp n° 644.500 2004/00318349) com relação à AMS 82188PE, correspondente ao processo original n° 2002.83.00.0044607, pendente de julgamento. Não cabe no presente processo reconhecer ou autorizar matéria submetida e decidida pelo Poder Judiciário. Portanto, não se toma conhecimento da parte do mérito que coincide com o objeto da ação judicial em curso, e quanto ao mérito remanescente, desbordante da lide judicial, propõese manter o indeferimento do pedido. Diante do exposto, voto por conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 192DF CARF MF Processo nº 19647.011377/200459 Acórdão n.º 3301005.343 S3C3T1 Fl. 193 9 Fl. 193DF CARF MF
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Numero do processo: 14766.000197/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL.
Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966, combinado com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996.
O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte.
Numero da decisão: 3301-005.335
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira , Marcelo Costa Marques D´ Oliveira, Ari Vendramini , Salvador Candido Brandão Junior, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1565; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 119 1 118 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14766.000197/200986 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.335 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2018 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente ENGARRAFADORA IGARASSU LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966, combinado com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira , Marcelo Costa Marques D´ Oliveira, Ari Vendramini , Salvador Candido Brandão Junior, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 76 6. 00 01 97 /2 00 9- 86 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 14766.000197/200986 Acórdão n.º 3301005.335 S3C3T1 Fl. 120 2 Adoto o relatório constante da decisão recorrida (fls. 75/78), abaixo transcrito: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade interposta pela Engarrafadora Igarassu Ltda., CNPJ nº 02.560.074/000108, em contrariedade ao Despacho Decisório de fls. 14/15, que não homologou a compensação declarada nos PER/DCOMP de fls. 02/09, por utilizar crédito de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, relativo ao 2º trimentre de 2004. A base legal do lançamento encontrase nos autos. Em 06/07/2009 (fl. 30), a interessada foi cientificada da glosa dos créditos de IPI e, em 03/08/2009, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 31/54, na qual alega, em síntese, o quanto segue: que se dedica ao engarrafamento e padronização de vinho, refrigerante etc.; que formulou os PER/DCOMP de n°s. 24078.70516.150704.1.3.011824 e 32832.80277.240804.1.3.01 1425 com a finalidade de ver compensado saldo credor de IPI no montante de R$ 99.198,00 com débitos do próprio IPI ou de outros tributos e contribuições administrados pela Receita Federal; que, contudo, os pedidos de compensação não foram homologados, em razão de suposto vício formal, conforme razões expostas no despacho decisório de fls. 14/15; que, em razão da não homologação das PER/DCOMP, apresenta a presente manifestação de inconformidade para informar que impetrou o Mandado de Segurança (processo nº 2002.83.0044607/PE), a fim de ver reconhecido o direito ao crédito de IPI decorrente de aquisições de insumos desonerados; que seu pleito foi deferido em sede de apelação pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por decisão que se encontra em vigor até a presente data; que, a partir de então, passou a compensar seus créditos de IPI com débitos de tributos administrados pela Receita Federal, nos moldes previstos na legislação de regência e acobertada por parecer emitido pela Procuradora da Fazenda Nacional; que lhe é assegurado pela Lei nº 10.485, de 2002 e por medida judicial o direito ao creditamento do IPI e, portanto, o pedido de compensação se reveste de conteúdo material, tendo sido rejeitado unicamente em razão da forma; que a obrigatoriedade de transmissão do PER/DCOMP por meio eletrônico só surgiu após a edição da IN SRF nº 460 de 18/10/2004, data posterior à apresentação dos pedidos analisados no processo; Fl. 120DF CARF MF Processo nº 14766.000197/200986 Acórdão n.º 3301005.335 S3C3T1 Fl. 121 3 que tal obrigatoriedade corresponde a uma singela obrigação acessória; que, superada a questão relativa ao vício formal, o pedido de compensação apresenta conteúdo material suficiente e segue as exigências legais; que há uma desproporcionalidade entre o descumprimento de uma obrigação acessaria e a sanção imposta, qual seja, a não homologação dos pedidos de compensação apresentados pela interessada; que, demonstrada a materialidade do crédito presumido de IPI, decorrente da compra no mercado interno de insumos e produtos industrializados, encontrase caracterizado o direito à compensação e, por conseguinte, deve ser reformada a decisão recorrida para homologar as compensações declaradas. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou parcialmente procedente, com a seguinte ementa (fl. 75): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO. Somente poderão ser objeto de compensação os créditos do sujeito passivo reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, salvo nos casos em que a referida decisão expressamente ordene a compensação antes do trânsito em julgado ou afaste a incidência do art. 170A da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 83/115), no qual a Recorrente assevera que não há concomitância nas esferas administrativa e judicial, defende seu direito à restituição/ressarcimento e também solicita que sejam analisadas suas declarações de compensação. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Defende a Recorrente seu direito de utilizar créditos relativos a decisão judicial ainda não transitada em julgado. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 14766.000197/200986 Acórdão n.º 3301005.335 S3C3T1 Fl. 122 4 Observese, contudo, que a utilização de crédito ainda pendente de decisão judicial definitiva encontrase expressamente vedada no art. 170A do CTN, e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, os quais transcrevemos: Código Tributário Nacional Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Lei nº 9.430, de 1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado;ou (grifouse) Cabe consignar a informação de que o processo judicial em pauta teve trânsito em julgado com decisão desfavorável à Recorrente, com a seguinte ementa: AMS 82188/PE (2002.83.00.0044607) APTE : ENGARRAFADORA IGARASSU LTDA ADV/PROC : FÁBIO HENRIQUE DE ARAÚJO URBANO e outros APDO : FAZENDA NACIONAL ORIGEM : 7ª Vara Federal de Pernambuco (Especializada em Questões Agrárias) RELATOR : DESEMBARGADOR FEDERAL VLADIMIR SOUZA CARVALHO (Ementa) Tributário. Retorno dos autos para, se for o caso, se proceder a adequação do acórdão, nos termos do art. 543B, § 3º, do Código de Processo Civil, por destoar do entendimento adotado em repercussão geral, RE 562.980, que tem como questão controvertida o creditamento de IPI em relação à aquisição de insumos ou de produtos intermediários aplicados na fabricação de produtos finais sujeitos à alíquota zero ou isentos. 1. O entendimento do Supremo Tribunal Federal é de apenas haver direito constitucional a créditos de IPI, com supedâneo no princípio da não cumulatividade, quando se verifica superposição impositiva, com a incidência tributária na operação antecedente e também na de saída dos produto, exceto diante de previsão de lei Fl. 122DF CARF MF Processo nº 14766.000197/200986 Acórdão n.º 3301005.335 S3C3T1 Fl. 123 5 específica, o que não é o caso dos autos, vez que se trata aqui de insumos sujeitos à alíquota zero, isentos ou não tributados e produto final tributado. 2. O acórdão recorrido destoa do entendimento do Supremo Tribunal Federal ao conferir à apelante o direito aos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos isentos ou tributados à alíquota zero, diante de produto final tributado. 3. Adequação do julgado ao entendimento do Supremo Tribunal Federal, passando se a negar provimento à apelação da Empresa. (Acórdão) Vistos, etc. Decide a Egrégia Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, adequar o acórdão recorrido, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas constantes dos autos. Recife, 10 de março de 2015. (Data do julgamento) Ademais, adotase o entendimento constante da decisão de piso no sentido de que (fl. 77): Conforme consta dos autos, o mérito referente à existência, ou não, do direito creditório pleiteado constitui objeto de ação judicial proposta pela interessada em desfavor da Fazenda Nacional perante a Justiça Federal de Pernambuco (Mandado de Segurança – processo nº 2002.83.0044667). Houve decisão favorável à contribuinte proferida pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (Apelação em Mandado de Segurança – processo nº 82188), mas ainda não transitada em julgado. O processo, atualmente, aguarda o julgamento de Recurso Extraordinário apresentado pela União, no Supremo Tribunal Federal (RE 606703). Não cabe no presente processo reconhecer ou autorizar matéria submetida e decidida pelo Poder Judiciário. Portanto, não se toma conhecimento da parte do mérito que coincide com o objeto da ação judicial em curso, e quanto ao mérito remanescente, desbordante da lide judicial, propõese manter o indeferimento do pedido. Diante do exposto, voto por conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 123DF CARF MF Processo nº 14766.000197/200986 Acórdão n.º 3301005.335 S3C3T1 Fl. 124 6 Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 10821.000600/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 08/02/2005 a 30/11/2005
AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA.
A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional.
INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66.
O registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria objeto de exportação, fora do prazo previsto na legislação de regência, tipifica a infração prevista na alínea e do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente.
Numero da decisão: 3301-006.047
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir as multas aplicadas nos casos sujeitos a despacho pós-embarque em que as informações foram prestadas dentro do prazo de dez dias.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 08/02/2005 a 30/11/2005 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66. O registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria objeto de exportação, fora do prazo previsto na legislação de regência, tipifica a infração prevista na alínea e do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir as multas aplicadas nos casos sujeitos a despacho pós-embarque em que as informações foram prestadas dentro do prazo de dez dias. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETOLEI Nº 37/66. O registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria objeto de exportação, fora do prazo previsto na legislação de regência, tipifica a infração prevista na alínea ‘e’ do inciso IV do art.107 do Decreto Lei nº 37/66, sujeitandose à penalidade correspondente. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir as multas aplicadas nos casos sujeitos a despacho pósembarque em que as informações foram prestadas dentro do prazo de dez dias. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 00 06 00 /2 00 9- 12 Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 3301006.047 S3C3T1 Fl. 340 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão da DRJ/SP1, (fls. 126/135): Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 01/12/2009, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência da multa por registro intempestivo dos dados de embarque, em operação de exportação , preceituada no art. 15, 17, 24, 27, 30 a 32, 36 a 43, 52 a 55, 59 a 60 do Decreto 4.543/02, no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/03 e art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27/04/1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 1.096/2010. Relata a autoridade fiscal que as mercadorias despachadas através das DDE’s relacionadas às fls. 95/97 foram embarcadas em navios descritos na mesma listagem, sempre com mais de 07 (sete) dias contados da data do efetivo embarque. Assim, pelo fato de não ter registrado no Siscomex os dados de embarque daquelas mercadorias, na forma e prazo estabelecidos no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27/04/1994, o contribuinte foi autuado para exigência da multa prevista no inciso IV, item “e” do art. 107, do Decretolei nº 37/66, alterado pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/03, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por evento infracional. Ao todo foram 92 registros intempestivos (v. fls. 95/97), sendo que a multa aplicada (por DDE) totalizou o valor de R$ 460.000,00 (quatrocentos e sessenta mil reais) para o Auto de Infração. Ciente do teor do Auto de Infração, e inconformada com o mesmo, a autuada apresentou sua peça impugnatória às fls. 109/114 , cujos principais argumentos podem ser assim descritos: 01 Por razões alheias à vontade da Impugnante, como o atraso das informações que deveriam ser prestadas pelos exportadores, as referidas DDEs não puderam ser entregues dentro do prazo estabelecido. Resta, portanto, demonstrado que a Impugnante não deixou de prestar informações sobre veiculo ou carga nele transportada. Apenas o fez com atraso, hipótese diferente da prevista na penalidade cominada. 02 Alega ilegitimidade passiva , por entender que não lhe pode ser cominada a penalidade prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, já que a Impugnante não reveste a condição, Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 3301006.047 S3C3T1 Fl. 341 3 conforme o relato fiscal, de transportador internacional legal no Pais, ou seja, a Impugnante não é empresa transportadora que promova transporte nacional ou internacional e nem é prestadora de serviços de transporte internacional ou agente de carga, mas apenas uma agência de navegação que tem por fim prover todas as necessidades do navio no porto de destino. 03 – Alega ter direito ao benefício do instituto da denúncia espontânea, pois que a prestação de informações foi feita antes do início de qualquer procedimento administrativo. 04 Se devida fosse a multa, entende que esta deveria ser aplicada uma única vez por veiculo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Por meio do Acórdão no 1644.20223ª Turma da DRJ/SP1, julgouse improcedente a impugnação com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 08/02/2005 a 30/11/2005 MULTA POR REGISTRO INTEMPESTIVO DE DADOS DE EMBARQUE. Aplicase a multa por registro intempestivo dos dados de embarque no Siscomex, relativamente a despachos de exportação, quando o mesmo ocorrer além do prazo de sete dias, em face da nova redação do art. 37 da IN SRF nº 28/94, dada pela IN SRF no 1.096/ 2010, ao amparo da retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN. A base legal para a penalidade encontrase consubstanciada no art. 107 do DecretoLei nº 37/66, inciso IV, alínea “e”. A multa é calculada por embarque em veículo transportador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 08/02/2005 a 30/11/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o Agente marítimo, no caso de também ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Derrogação da Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos. DecretoLei nº 37/66, art. 32, com redação dada pelo DecretoLei nº 2.472/88 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/02/2005 a 30/11/2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Em relação à figura da denúncia espontânea, contemplada no art. 138 do CTN, e, no art. 102 do DecretoLei nº 37/66, frisese a sua inaplicabilidade ao fato, porque, juridicamente, somente é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso em relação ao registro com atraso, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria, que se torna ostensivo com o decurso do prazo para tal fixado. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 3301006.047 S3C3T1 Fl. 342 4 A Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 152/160), que teve provimento por meio do Acórdão no 3801003.254– 1ª Turma Especial (fls.183/191), com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/02/2005 a 30/11/2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Cientificada do acórdão mencionado, o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 193/199 ), suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei no 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de Despacho 3100390 – 1ª Câmara (fls 201/202), e a Recorrente apresentou contrarrazões (fls 207/215). O Recurso Especial foi provido em parte, por meio do Acórdão no 9303003.590– 3ª Turma (fls. 256/264) com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/02/2005 a 30/11/2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Determinouse ainda na referida decisão o seguinte (fl. 264) Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 3301006.047 S3C3T1 Fl. 343 5 para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Dessarte, conforme determinado pelo acórdão referido, os autos do processo em referência foram reencaminhados a esta Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para apreciação das questões trazidas no Recurso Voluntário do Recorrente que não foram objeto de deliberação. Por meio da Resolução no. 3301000.506 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, esta turma solicitou à unidade de origem que emitisse relatório evidenciando, em relação a cada a penalidade aplicada, as seguintes informações: 1. a modalidade de despacho de adotada pela Recorrente; 2. a data de embarque; 3. a data de registro da declaração de exportação; e 4. a data de registro dos dados de embarque no Siscomex. Determinouse também que, após concluídas as diligências, a unidade de origem deveria cientificar o contribuinte do relatório elaborado, dandolhe prazo de 30 dias para se pronunciar. A Recorrente se manifestou sobre a diligência às fls. 318/321. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário foi tempestivo e atendeu aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. No Recurso Voluntário (fls. 152/160) a Recorrente alegou em síntese os seguintes itens: I DA TEMPESTIVIDADE II. DO LANÇAMENTO III. DA DECISÃO RECORRIDA IV. DA ANÁLISE DOS FATOS V. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA Sobre o item I, já houve manifestação conhecendo o Recurso. No item II, a Recorrente faz referência à infração e à respectiva penalidade constantes do Auto de Infração. No item III, é transcrita a ementa decisão recorrida. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 3301006.047 S3C3T1 Fl. 344 6 No item IV, questionase a multa aplicada, defendendo inexistência de infração, e, por outro lado, havendo a infração, alegase que estaria configurada sua ilegitimidade, além da denúncia espontânea. Tendo em conta que nesta decisão não cabe se manifestar sobre a denúncia espontânea, colacionamos os demais aspectos deste item do Recurso Voluntário: 6. Contudo, é ainda absurda a imposição da multa pretendida pela fiscalização sob o pressuposto de registro intempestivo de dados de embarque, ausência de ilegitimidade passiva e inaplicabilidade da denúncia espontânea contemplada no art. 138 do CTN e no art. 102 do DecretoLei nº 37/66, com base no Art. 107, inc. IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66, com redação dada pelo Art. 77 da Lei nº 10.833/2003, que dispõe, in verbis: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga;" 7. Estabelece o artigo 3º da IN SRF nº 28, de 27 de abril de 1994 que: "Art. 3º O despacho de exportação terá por base declaração formulada pelo exportador ou por seu mandatário, assim entendido o despachante aduaneiro ou o empregado, funcionário ou o servidor especificamente designado." 8. Salientase que tendo a autoridade aduaneira se baseado, para aplicação da respectiva penalidade, no art. 37 da IN SRF nº 28, de 27/04/1994, com redação dada pelo art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 1096, de 13/12/2010, contrariou o disposto no art. 56, da referida IN SRF nº 28/94, já que o art. 37 estabelece o prazo de 07 (sete) dias para o transportador efetuar o registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria, enquanto que o inciso III do art. 56 confere o prazo de até 10(dez) dias contado após a conclusão do embarque ou transposição de fronteira, para o exportador efetuar a declaração para o despacho aduaneiro de exportação. 9. Consequentemente, a informação relativa ao embarque no Siscomex só pode ser levada a efeito pelo transportador após o exportador efetuar o registro da respectiva declaração de exportação. Considerando que o exportador tem prazo, devidamente autorizado pela norma de regência, superior a 07 (sete) dias para a realização do despacho, após o embarque, há que se concluir que, para estes casos, não se pode aplicar o disposto no art. 37 da IN SRF nº 28/94 , com pretende a fiscalização aduaneira, haja vista a clara incompatibilidade entre os prazos definidos nos respectivos comandos normativos, o que torna insubsistente o crédito tributário total exigido. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 3301006.047 S3C3T1 Fl. 345 7 10. Caso pudesse considerar como infração a conduta da Recorrente, hipótese que se cogita apenas para argumentar, ainda assim não seria cabível a aplicação de qualquer penalidade, iso porque a Recorrente não é empresa transportadora de mercadorias e nem tampouco empresa de transporte internacional expresso portaaporta ou agente de carga A Recorrente é tão somente uma agência marítima que se destina a atender as necessidade do navio no porto de destino. (...) 15. Ainda, não pode prosperar o entendimento do v. Acórdão de que evidenciase, no caso, a responsabilidade do agente marítimo, quando tal agente tem atuação no País, como representante do transportador marítimo estrangeiro, uma vez que esta tem que estar prevista em lei e o agente marítimo não é responsável solidário, vez que lei assim não estabeleceu. 16. Neste diapasão, encontrase sedimentada jurisprudência do extinto, mas sempre Egrégio Tribunal Federal de Recursos e do Colendo Superior Tribunal de Justiça com fulcro no artigo 121, parágrafo único, inciso II, do Código Tributário Nacional, Lei Complementar. Reza o artigo 121, parágrafo único, inciso II, do CTN: "Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei." 17. Portanto, o agente marítimo é consoante o art. 4o da IN RFB 800/2007 representante da empresa de navegação, mas não responsável solidário com este com relação à eventual exigência de penalidades decorrentes de infração à legislação aduaneira. 18. Assim, se o legislador ordinária pretendesse impor a penalidade em discussão à agência marítima, o teria feito de forma expressa, e se não o fez não cabe ao intérprete fazêlo, em respeito ao princípio da tipicidade fechada que norteia direito tributário brasileiro. Por sua vez, no item V, a Recorrente apresenta seus argumentos relativos à ilegitimidade de sua autuação como responsável, transcrevemos: 19. A Recorrente também não pode ser cominada a penalidade prevista na alínea "e", do Inciso IV, do art. 107 do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/03, já que a Recorrente, agente de navegação, não reveste a condição de empresa de transporte internacional e nem é prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta ou Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 3301006.047 S3C3T1 Fl. 346 8 agente de carga, mas apenas, uma agência marítima que tem por fim promover todas as necessidades do navio no porto de destino. 20. Com efeito, qualquer equiparação de uma agência de navegação à uma empresa de transporte internacional ou a uma prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta aporta ou agente de carga para efeito de cominação da penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto Lei no 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/03, caracteriza, para todos os efeitos legais, extrapolação do poder de regulamentar da autoridade administrativa. 21. Neste diapasão, segue a IN nº 800/2007, que em seu art. 4º estabelece: "Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1º Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador." 22. Ainda, preceitua o art. 5ºda IN nº 800/2007 que: "Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga." 23. Portanto, nem o comando legal mencionado, . 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/03, e nem tampouco a IN nº 800/2007, que por aquele deveria estar autorizada, imputam a responsabilidade solidária à agência marítima, mormente no que tange à penalidade pretendida pela fiscalização. 24. Consequentemente, representação não se confunde com responsabilidade solidária para fins tributários, daí porque às agências marítimas, como no caso da Recorrente, não pode ser imputada a multa prevista pelo art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/03. 25. E, nesse sentido, decidiu pela ilegitimidade passiva das agências marítimas, no Recurso Voluntário no 506.150, processo no 10711.003636/200644, a 2a Turma Ordinária, 1a Câmara, da 3a Seção, do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 26. A lei e a jurisprudência não dispõem responsabilidade à agência de navegação no que tange à assunção de ônus pertinente à multa estabelecida pelo art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo Art. 77 da Lei no Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 3301006.047 S3C3T1 Fl. 347 9 10.833/03, sendo esta única e exclusivamente de responsabilidade da empresa transportadora. 27. Consequentemente, qualquer equiparação de uma agência de navegação à uma empresa de transporte internacional para efeito de cominação da penalidade pretendida pela fiscalização, caracteriza, para todos os efeitos legais, extrapolação do poder de regulamentar da autoridade administrativa. A peça básica, no seu relato fiscal, chama a agência de navegação de uma companhia de navegação, quando assim a identifica no auto de infração. 28. Ademais, exige a legislação de regência a identificação do sujeito passivo, art. 142 do CTN, no caso, a pessoa do transportador, o que não se acha devidamente esclarecido na peça fiscal. De se dizer que o auto de infração, por si só, não traz qualquer informação capas de ao menos, contribuir para a identificação do transportador. 29. Ainda há que se considerar, conforme se depreende da parte final do caput do art. 9o do Decreto no. 70.235/72, que os autos de infração deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. 30. Portanto, as ações da fiscalização devem estar devidamente consubstanciadas por provas que sustentem o fato acusado, o que no caso do presente auto de fato não aconteceu. 31. Dessa forma, ao se pesquisar sobre a pessoa que atuou na condição de transportador para fins de aplicação da norma disposta, respectivamente nos art. 37 e 32, ambos do DecretoLei no 37/66, ficase diante dos autos que integram o presente processo, sem a devida resposta, uma vez que dito os autos nada informaram a respeito. 32. Assim, não procede o ato administrativo do lançamento que imputa sujeição passiva sem carrear aos autos prova dessa condições. Inúmeras decisões nesse sentido há estão sendo proferidas pela 1a Turma de Julgamento da DRJ/FNS. Alega a Recorrente, no subitem 8 do item IV do Recurso Voluntário, a incompatibilidade entre o art. 37 da IN SRF nº 28, de 27/04/1994, com redação dada pelo art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 1096, de 13/12/2010 (que prevê um prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque), e o art. 56 do mesmo diploma normativo (o qual prevê um prazo de até dez dias contados do embarque ou da transposição da fronteira para registro da declaração de exportação no Siscomex). Sobre essa questão, anotese que a alegação não consta da impugnação (fls 109/114) e, conseqüentemente, houve preclusão consumativa. Contudo, vale ter presente que a alegação não prospera também pelo seu mérito. O art. 56 da IN SRF nº 28/94 prevê prazo específico de despacho pós embarque para os bens constantes do art. 52 do mesmo ato normativo; o prazo de dez dias é para registro da declaração de exportação e início do despacho aduaneiro de exportação. O objetivo da declaração de exportação, que deve ser prestada em regra pelo exportador e antes do embarque, é iniciar o despacho de exportação, permitir o gerenciamento Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 3301006.047 S3C3T1 Fl. 348 10 das informações pelo Siscomex, a conferência aduaneira e o desembaraço. Na declaração de exportação, são fornecidas informações com foco na fiscalização da mercadoria. Contudo, nos casos previstos no art. 52 da IN SRF nº 28/94, seja porque são vendas no mercado interno a não residente, seja porque se trata de lojas francas, combustível ou outros casos a critério do chefe da unidade local da RFB, permitiuse que a declaração de exportação fosse registrada depois do embarque. Outra situação é a prestação de informação sobre o embarque das mercadorias exportadas, que cabe ao transportador, agente de carga ou qualquer pessoa que, em nome do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos. A prestação dessa informação serve para o Fisco conhecer e controlar o fluxo internacional de mercadorias, gerenciar esses dados e verificar eventuais desvios, descaminhos, contrabandos. Portanto, as informações constantes da declaração de exportação e a informação sobre o embarque são distintas, com finalidades diversas e com regimes jurídicos, inclusive prazos, distintos. Ou seja, o prazo para a declaração de exportação nada tem que ver com o prazo para informação do embarque. Dessarte, no presente caso, correta a aplicação da penalidade por descumprimento do prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28/94, conforme consta do Auto de Infração. Do Termo de Diligência Fiscal, verificase a data em que foram registrados, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, especialmente a adoção de despacho a posteriori (fl. 309/311 ): 1.b. Modalidade de despacho adotada nos demais itens: Procedimento especial autorizado pelo art. 52 da IN SRF n.º 28/1994, com a redação dada pela IN SRF n.º 510, de 14/02/2005 (“O registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação, no SISCOMEX, poderá ser efetuado após o embarque da mercadoria ...”), conforme discriminação a seguir. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 3301006.047 S3C3T1 Fl. 349 11 Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 3301006.047 S3C3T1 Fl. 350 12 O prazo, nos termos da legislação vigente, considerado no auto de infração foi de sete dias após o embarque. Contudo, verificase, nos casos de despacho pósembarque, o prazo de dez dias é para registro da Declaração de Exportação e início do Despacho Aduaneiro de Exportação. Dessa forma, nos casos sujeitos a despacho pósembarque em que as informações foram prestadas dentro do prazo de dez dias, a razão pertence à Recorrente. Para verificação do cumprimento desse prazo, deve ser considerada a informação fiscal em resposta à diligência, constante das fls. 433/434. Nos demais casos, deve ser mantida a exação. Necessário se volver à análise da lei e da legislação concernente à responsabilidade da Recorrente pela infração. O DecretoLei nº 37/66 que prevê, em seu art. 37, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, o dever de prestar informações ao Fisco, nos seguintes termos: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 3301006.047 S3C3T1 Fl. 351 13 § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (...) (grifouse) O art. 107 do DecretoLei nº 37/66, também com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, prevê a multa pelo descumprimento desse dever, nos seguintes termos: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (grifouse) No exercício da competência estabelecida pelo art. 107, IV, "e", do Decreto Lei nº 37/66, foi editada a Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, que nos seus arts. 4º e 5º, equipara ao transportador a agência de navegação representante no País de empresa de navegação estrangeira: Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1º Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. (grifouse) No caso em pauta, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a Recorrente concorreu para a prática da infração, necessariamente, ela responde pela correspondente penalidade aplicada, de acordo com as disposições sobre responsabilidade por infrações constantes do inciso I do art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...). O art. 135, II, do CTN determina que a responsabilidade é exclusiva do infrator em relação aos atos praticados pelo mandatário ou representante com infração à lei. Em consonância com esse comando legal, determina o caput do art. 94 do Decretolei n° 37/66 que constitui infração aduaneira toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 3301006.047 S3C3T1 Fl. 352 14 inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos”. Por sua vez, em relação à Súmula 192 do extinto TRF, trazida pela Recorrente, perfilhase a conclusão constante do Acórdão no 1644.20223ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 130/131), de que essa Súmula, anterior à atual Constituição Federal, encontrase superada porque em desacordo com a evolução da legislação de regência. Com o advento do Decreto Lei nº 2.472/1988, que deu nova redação ao art. 32 do DecretoLei nº 37/1966, o representante do transportador estrangeiro no País foi expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação. Nesse mesmo sentido, a responsabilidade solidária por infrações passou a ter previsão legal expressa e específica com a Lei nº 10.833/2003, que estendeu as penalidades administrativas a todos os intervenientes nas operações de comércio exterior. Dessa forma, na condição de representante do transportador estrangeiro, a Recorrente estava obrigada a prestar as informações no Siscomex . Ao descumprir esse dever, cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, e, com supedâneo também no do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, deve responder pessoalmente pela infração em apreço. Transcrevese Ementa de decisão do CARF no mesmo sentido, Acórdão n° 3401003.884: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/01/2004 a 18/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE EMBARQUE. SISCOMEX. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA. REPRESENTAÇÃO. A agência marítima, por ser representante, no país, de transportador estrangeiro, é solidariamente responsável pelas respectivas infrações à legislação tributária e, em especial, a aduaneira, por ele praticadas, nos termos do art. 95 do Decretolei nº 37/66. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CLAREZA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Descritas com clareza as razões de fato e de direito em que se fundamenta o lançamento, atende o auto de infração o disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, permitindo ao contribuinte que exerça o seu direito de defesa em plenitude, não havendo motivo para declaração de nulidade do ato administrativo assim lavrado. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETOLEI Nº 37/66. O contribuinte que presta informações fora do prazo sobre o embarque de mercadorias para exportação incide na infração tipificada no art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decretolei nº 37/66, sujeitandose à penalidade correspondente. Recurso voluntário negado. (grifei) Consignase, por fim, que esse entendimento é amplamente adotado na jurisprudência recente deste Conselho, conforme se depreende das seguintes Acórdãos: no 3401003.883; no 3401003.882 ; no 3401003.881; no 3401002.443; no 3401002.442; no 3401002.441, no 3401002.440; no 3102001.988; no 3401002.357; e no 3401002.379. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10821.000600/200912 Acórdão n.º 3301006.047 S3C3T1 Fl. 353 15 Considerando que foi demonstrada a infração e a legitimidade passiva da Recorrente para responder pela multa capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, mas que também devem ser excluídas as multas aplicadas nos casos sujeitos a despacho pós embarque em que as informações foram prestadas dentro do prazo de dez dias, voto dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 353DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.904917/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO.
Verificada contradição ou omissão no acórdão embargado, cumpre acolher os embargos, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-005.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes e corrigir a parte dispositiva para negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes e corrigir a parte dispositiva para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO. Verificada contradição ou omissão no acórdão embargado, cumpre acolher os embargos, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes e corrigir a parte dispositiva para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 49 17 /2 01 1- 16 Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10840.904917/201116 Acórdão n.º 3301005.858 S3C3T1 Fl. 398 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do despacho de embargos: Tratase de embargos de declaração manejados em tempo hábil pelo contribuinte, em face do Acórdão proferido por este colegiado, sob os pressupostos regimentais da obscuridade e da omissão. Segundo a embargante, houve obscuridade no Acórdão porque enquanto a conclusão da relatora foi no sentido de negar provimento ao recurso, na folha de rosto do Acórdão constou que o recurso não fora conhecido pelo colegiado. Segundo a embargante, houve omissão na fundamentação do voto da relatora, uma vez que existindo decisão judicial transitada em julgado, deixou de constar o motivo pelo qual esta não prevaleceu no caso concreto. A decisão embargada teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2007 RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Recurso Voluntário Negado Os embargos de declaração foram aceitos para "quanto à obscuridade aferida entre a conclusão da relatora e o resultado consignado na folha de rosto" e foram rejeitados nos demais aspectos. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O contribuinte apresentou embargos de declaração, os quais foram admitidos em relação à obscuridade aferida entre a conclusão da relatora e o resultado consignado na folha de rosto. Afirma, a Embargante, que o Acórdão em pauta contém obscuridades cujos esclarecimentos são essências ao correto desfecho do processo e conclui: Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10840.904917/201116 Acórdão n.º 3301005.858 S3C3T1 Fl. 399 3 A razão assiste à Recorrente. Realmente houve um erro entre o relatório, a votação e o resultado consignado. Transcrevo integralmente o voto da decisão embargada: O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Quanto ao pedido de de julgamento simultâneo do processo no 0611000/639/11 (na verdade, este é o número do Mandado de Procedimento Fiscal), cumpre anotar que os processos conexos estão sendo julgamos neste mesma sessão, a saber: 13603.724419/201174 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904913/201120 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904915/201119 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904916/201163 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904917/201116 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904918/201152 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904919/201105 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904920/201121 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904921/201176 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904922/201111 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904923/201165 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904924/201118 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904925/201154 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904926/201107 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904927/201143 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904928/201198 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904929/201132 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904930/201167 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10840.904917/201116 Acórdão n.º 3301005.858 S3C3T1 Fl. 400 4 A Recorrente alegou que o fato de possuir tutela antecipada na Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 lhe garante o não destaque do IPI nas notas fiscais, a não escrituração destes valores no livro de apuração de IPI e o conseqüente saldo credor nele apurado para ressarcimento, ou seja, que tem o direito líquido e certo ao ressarcimento em discussão. Defende, nesse sentido, inaplicabilidade do art. 20 da IN RFB no 600/2005, e o seu direito de destacar o IPI em suas notas fiscais de saída, em decorrência da ação judicial. Cabe, contudo, colacionar o art. 20 da IN mencionada (que regulava a matéria na época): Art. 20. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que a pessoa jurídica não se encontra na situação mencionada no caput. Importante também transcrever o artigo que exige, mesmo para o caso de decisão judicial definitiva, a habilitação do crédito: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; III a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10840.904917/201116 Acórdão n.º 3301005.858 S3C3T1 Fl. 401 5 V a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VI a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. § 4º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 3º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a V do § 2º; ou II as pendências a que se refere o § 3º não forem regularizadas no prazo nele previsto. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Seguimos o entendimento da decisão recorrida de não há qualquer direito ao ressarcimento deferido pela sentença judicial não definitiva. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10840.904917/201116 Acórdão n.º 3301005.858 S3C3T1 Fl. 402 6 De acordo com o art. 170A do CTN, é defeso efetuar compensações de débitos mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial em trâmite, ou seja, ainda não julgado definitivamente. Ou seja, só há crédito oponível à Fazenda Pública com o desfecho em definitivo favorável ao particular da demanda judicial. Conforme se destacou na decisão recorrida, o direito pretendido com a ação judicial somente será liquido e certo quando a sentença, se favorável ao contribuinte, transitar em julgado e operar seus efeitos. No entanto, este direito, não respaldava o ressarcimento, que era expressamente vedado pelo art. 20 da IN SRF nº 600, de 2005 (disposição idêntica encontrase vigente no art. 42 da IN RFB nº 1717, de 2017). Dessa forma, adotase o entendimento da decisão recorrida de que somente é permitido o ressarcimento do imposto após a utilização dos créditos de IPI escriturados pelo contribuinte na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados, além de ser vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Portanto, a matéria discutida na ação judicial altera o valor do saldo de IPI apurado nos trimestres em referência e, consequentemente, correto o procedimento do Fisco que refez a escrita fiscal, incluindo os débitos discutidos judicialmente, para calcular o real saldo (devedor/credor) dos trimestres analisados. Por outro lado, mesmo que se concordasse com a Recorrente, contrariamente a determinação expressa da legislação, que ela poderia utilizar créditos com fulcro em decisão judicial não transitada em julgado, ela estaria sujeita à habilitação do seu crédito, o que não efetuou. O cumprimento dessa obrigação acessória é imprescindível para que o Fisco tenha conhecimento e controle deste crédito e é condição para o exercício do direito de creditamento. Portanto, ainda que se adotasse este entendimento, defendido pela Recorrente o qual não adotamos deveria ser mantida a glosa por falta de habilitação do crédito. Dessarte, mantémse, por seus próprios fundamentos, o entendimento constante da decisão recorrida. Quanto à informação juntada pela Recorrente de que houve trânsito em julgado em seu favor na Ação Anulatória no 0029523662003.4.03.6100, não há efeito direto sobre o presente processo administrativo. Não se pode tratar aqui do mérito levado ao Judiciário, pois, conforme a Súmula nº 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10840.904917/201116 Acórdão n.º 3301005.858 S3C3T1 Fl. 403 7 a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Tendo em consideração o voto transcrito, proponho que seja alterado o resultado do julgamento para o seguinte: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Dessarte, voto no sentido de acolher os embargos, sem efeitos infringentes e corrigir a parte dispositiva para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 403DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.903418/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
IPI. RESSARCIMENTO. DESPACHO ELETRÔNICO.
É de se manter intacto o montante deferido no despacho decisório quando a manifestação de inconformidade não logra êxito em demonstrar qualquer inconsistência no processamento eletrônico do PER DCOMP
Numero da decisão: 3301-006.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 IPI. RESSARCIMENTO. DESPACHO ELETRÔNICO. É de se manter intacto o montante deferido no despacho decisório quando a manifestação de inconformidade não logra êxito em demonstrar qualquer inconsistência no processamento eletrônico do PER DCOMP
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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RESSARCIMENTO. DESPACHO ELETRÔNICO. É de se manter intacto o montante deferido no despacho decisório quando a manifestação de inconformidade não logra êxito em demonstrar qualquer inconsistência no processamento eletrônico do PER DCOMP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no. 09-58.026 - 3ª Turma da DRJ/JFA: Em análise no presente processo o litígio decorrente do Despacho Decisório de fl. 4, emitido eletronicamente pelo SCC quando da análise dos PERDCOMPs a seguir discriminados, por intermédio dos quais a contribuinte identificada pretendeu utilizar o saldo credor do IPI apurado no 1º trimestre/2004, valor R$ 281.742,75 para a compensação de débitos, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 34 18 /2 00 9- 12 Fl. 360DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.489 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.903418/2009-12 Da análise eletrônica pelo SCC resultou o RECONHECIMENTO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO, da ordem de R$ 187.425,63 e HOMOLOGAÇÃO PARCIAL das DCOMP transmitidas, na forma indicada na planilha retro, em razão da “constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado”. Cientificado do Despacho Decisório e intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não-homologação parcial das compensações com os acréscimos moratórios pertinentes, em 04/05/2009 (fls. 290/291), manifestou a pleiteante a sua inconformidade em 13/05/2009, por meio do arrazoado de fls. 02/03, alegando, em síntese: cerceamento do direito de defesa, por falta de fundamentação do indeferimento do pleito, ofuscando o entendimento dos fatos, por não haver compatibilidade entre informações e conclusões da decisão; crédito que não existia”, conforme atestam as cópias do RAIPI e das notas fiscais de aquisição anexas; direito creditório a ser utilizado na homologação das compensações declaradas e o cancelamento do cobrança; É o relatório, no essencial. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou parcialmente procedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Demonstrados no despacho decisório e nos anexos que o acompanham e integram, com absoluta clareza, os fatos e motivos que ensejaram o não reconhecimento parcial do direito creditório e a não-homologação, também parcial, das DCOMPs, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 I- SALDO CREDOR RESSARCÍVEL. REDUÇÃO EM VIRTUDE DE ERRO NO PREENCHIMENTO DO PER/DCOMP NO PERÍODO. CORREÇÃO DO ERRO. DEFERIMENTO. Fl. 361DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.489 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.903418/2009-12 É de ser reformado o despacho decisório quando restar comprovado que o reconhecimento parcial do direito creditório decorreu, em parte, de erro cometido pelo contribuinte no preenchimento do PER/DCOMP no período, ao informar o estorno de valor utilizado relativo a trimestres de apuração anteriores no campo errado, conforme atestam os dados dos sistemas de controle. II- SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR. AJUSTE DOS VALORES JÁ UTILIZADOS. A análise eletrônica é levada a termo de forma ampla e encadeada, de modo que todos os PER DCOMP transmitidos são analisados não só quanto aos elementos pertencentes ao trimestre de referência, como também aos elementos de ligação entre os trimestres (saldo de abertura e fechamento). O Sistema de Controle de Crédito e Compensação ao processar os PER/DCOMPs promove o ajuste do Saldo Credor do Período Anterior, que será igual ao saldo credor apurado ao final do trimestre calendário anterior, ajustado pelos valores dos saldos credores reconhecidos nos PER/DCOMPs de trimestres anteriores, refletindo, assim, na apuração do valor do saldo credor passível de ressarcimento em um dado trimestre. III- DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO DEFERIDO. HOMOLOGAÇÃO. A permissão para a compensação de débitos tributários somente se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez reconhecido em parte o direito creditório indicado pela interessada para compensar os débitos objeto da DCOMP em análise, cabe a sua homologação, até o limite do direito creditório reconhecido. Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. (fls. 316/322), no qual a Recorrente no qual repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. No voto serão abordados os questionamentos. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. A Recorrente alega que cometera erros de escrituração e, por isso, Autoridade Fiscal considerou diversos créditos de IPI como não ressarcíveis no período, notadamente, em fevereiro e março de 2004 e junta a seguinte tabela: Fl. 362DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.489 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.903418/2009-12 No entanto, a Recorrente não junta a prova de suas alegações, apenas informa que as juntará e solicita diligências: No entanto, o valor de R$ 31.692,75 foi considerado como não ressarcível em face de erros na escrituração da contribuinte, conforme poderá ser comprovado em diligência, a qual protesta pela realização. A contribuinte também informa que apresentará os documentos necessários à comprovação do erro na sua escrituração assim que conseguir reunir todo o acervo probatório, o qual não foi apresentado neste momento diante do exíguo prazo para apresentação do presente recurso, que transcorreu no período das festas e feriados de final de ano (a ciência da decisão recorrida ocorreu em 21/12/2015). O art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) exige a liquidez e certeza dos créditos para a realização da compensação. Portanto, não basta a Recorrente alegar erro, mas é seu ônus apresentar e comprovar suas afirmações com toda documentação pertinente, o que não fez até presente momento, julho de 2019. Por essa razão, propõe-se manter integralmente a decisão de piso. CONCLUSÃO Destarte, tendo em conta o exposto, proponho NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Fl. 363DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.489 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.903418/2009-12 Fl. 364DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720058/2017-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO.
Verificada a omissão no acórdão embargado, cumpre dar provimento aos embargos, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-006.482
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para esclarecer a matéria referente à retroatividade para afastar a multa de ofício. Vencida a conselheira Semíramis de Oliveira Duro, que dava efeitos aos embargos para manter a multa de ofício. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto, a Conselheira Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO. Verificada a omissão no acórdão embargado, cumpre dar provimento aos embargos, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para esclarecer a matéria referente à retroatividade para afastar a multa de ofício. Vencida a conselheira Semíramis de Oliveira Duro, que dava efeitos aos embargos para manter a multa de ofício. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto, a Conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 58 /2 01 7- 87 Fl. 589DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.482 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720058/2017-87 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante Despacho s/nº – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que admitiu os embargos em pauta: Trata-se de embargos de declaração em tempo hábil pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 3301-004.833. Segundo a ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, existe omissão no Acórdão embargado porque o voto não analisou o título judicial vigente na data do lançamento, o qual não tratou da mesma matéria versada no processo administrativo. Além de omisso, o Acórdão também foi contraditório, uma vez que reconheceu a concomitância a partir do "fato novo" (Acórdão do TRF da 3ª Região), mas afastou a multa de ofício lançada em tempo pretérito, quando não havia nenhuma medida judicial obstando seu lançamento. É a síntese do necessário. Defende a ilustre Procuradoria que: Nesta senda, além de OMISSO, o acórdão ora Embargado apresenta vício de CONTRADIÇÃO, uma vez que expressamente reconheceu a existência da concomitância a partir do “fato novo”, qual seja, o acórdão do TRF da 3a Região. Ora, uma vez reconhecido pelo acórdão o “fato novo”, é inerente conceber que antes da referida decisão não há que se falar em afastamento da multa de ofício, porquanto à época da lavratura do auto de infração não havia qualquer decisão judicial que obstasse a cobrança da multa de ofício, tal como expresso na dicção do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Nesse contexto, faz-se mister que o Colegiado se manifeste para esclarecer a OMISSÃO e a CONTRADIÇÃO apontadas, uma vez que não há falar-se em afastamento da multa de ofício, uma vez que o acórdão não analisou o título judicial vigente à época do lançamento. Destaque-se que tal esclarecimento revela-se necessário para permitir às partes a perfeita compreensão do que foi decidido pelo Colegiado Diante do exposto, os embargos foram parcialmente admitidos nos seguintes termos: A omissão não é exatamente aquela alegada pela Procuradoria, pois pelo contexto do voto percebe-se que a Conselheira Liziane tinha consciência de que o lançamento de ofício precedeu o Acórdão do TRF 3ª Região. A omissão consiste na falta de fundamentação para a exclusão da multa. É o Relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Cumpre esclarecer que esta Relatora considerou fato novo a decisão do TRF da 3a Região, publicada em 10 de abril de 2018. Essa decisão determinou, em termos declaratórios e retroativos, os lindes do processo judicial e estes contornos, portanto, no entendimento do voto da Relatora, valem desde o início da lide. Nesse sentido parecem bastante elucidativas as palavras constantes do próprio Acórdão do TRF, no sentido de que a decisão tem um caráter explicativo, ou seja, retroativo ao início da lide processual. Reproduzimos o trecho da decisão do TRF da 3a Região constante da decisão embargada: ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, negar Fl. 590DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.482 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720058/2017-87 provimento ao apelo dos impetrantes, bem como dar parcial provimento ao Processo nº 16327.720098/201648 Acórdão n.º 3301004.833 reexame necessário e à apelação da União, para reformar em parte a sentença a fim de tão somente explicitar a respeito da incidência das contribuições sociais em debate sobre os valores decorrentes do exercício de atividades operacionais pelo contribuinte (da venda de mercadorias, da prestação de serviços e de mercadorias e serviços), incluídas as receitas financeiras, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. (grifou-se). Na decisão embargada, conclui-se que: Diante de tal decisão, cabe a este CARF reconhecer a concomitância, reconhecer a suspensão da exigibilidade da sentença conferida pelo Poder Judiciário, de acordo com ao 151 do CTN. Cabe também exonerar a multa de ofício, nos termos do art. 63 da Lei no 9.430, de 1996. Ou seja, cumpre esclarecer que na decisão recorrida entendeu-se que o TRF explicitou que a decisão e, consequentemente também a lide, ab ovo, trata da incidência das contribuições sociais em debate sobre os valores decorrentes do exercício de atividades operacionais pelo contribuinte (da venda de mercadorias, da prestação de serviços e de mercadorias e serviços), incluídas as receitas financeiras. Nesse contexto, aceitou-se, na decisão embargada, o entendimento do TRF de que há concomitância, desde o início, entre os processos administrativo e judicial e, somente por isso, decidiu-se também exonerar a multa de ofício, nos termos do art. 63 da Lei no 9.430, de 1996. Diante do exposto, voto no sentido acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes para esclarecer a omissão, na forma indicada. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Declaração de Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro Trata-se de embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 3301-005.186, sob o argumento de que houve omissão no voto vencedor do acórdão embargado, que não teria analisado o título judicial vigente na data do lançamento (se tratava ou não da mesma matéria versada no processo administrativo), bem como contradição, uma vez que reconheceu a concomitância a partir do "fato novo" (Acórdão do TRF da 3ª Região), mas afastou a multa de ofício lançada em tempo pretérito, quando não havia nenhuma medida judicial obstando seu lançamento. A despeito da admiração e respeito extremos que nutro pela Ilustre Redatora do voto vencedor, ouso divergir quanto ao afastamento da multa de ofício. Fl. 591DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.482 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720058/2017-87 Penso que os embargos da PGFN devem ser acolhidos em sua integralidade, pelas razões que podem ser sintetizadas da seguinte forma: (i) As receitas decorrentes das atividades do setor financeiro estão sujeitas à incidência das contribuições do PIS e da COFINS, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§ 5º e 6º do mesmo artigo, da Lei nº 9.718/98. (ii) A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência das contribuições não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF. O auto de infração não foi lavrado com suporte nesse dispositivo inconstitucional. (iii) Não há concomitância desde a origem, porquanto o mandado de segurança tal como intentado não tem o mesmo objeto do presente processo administrativo. Isso porque, na origem, o provimento judicial obtido no caso concreto silenciou em relação à abrangência do que seriam receitas de prestação de serviços e venda de mercadorias das instituições financeiras (e, por exclusão, do que seriam “receitas financeiras” de instituições financeiras) para fins de tributação pelas contribuições. (iv) Houve a superveniência de fato novo: a publicação da decisão do TRF da 3ª Região, em 10 de abril de 2018, no Mandado de Segurança citado, Apelação/Reexame n° 0021437-04.2006.4.03.6100-SP. No caso concreto, apenas no acórdão do TRF 3ª Região, houve a ampliação do provimento judicial para abarcar as receitas financeiras. Ainda que extra ou ultra petita, a decisão do TRF deve ser observada. (v) Apenas diante do acórdão proferido pelo TRF 3ª Região é que os objetos deste processo administrativo e do judicial passaram a se aproximar. Por isso, há concomitância apenas a partir da prolatação do acórdão do TRF da 3ª Região, em 10 de abril de 2018. (vi) O art. 63 da Lei nº 9.430/96 dispensa do lançamento de multa de ofício as hipóteses que enumera, no caso, na data da lavratura do auto de infração não havia causa suspensiva do crédito, tampouco concomitância, o que legitima a aplicação da multa de ofício. Em suma, antes do advento do Acórdão do TRF 3ª Região, não havia concomitância de objeto entre o processo judicial e o processo administrativo; tal concomitância surgiu apenas com o referido Acórdão do TRF 3ª Região; dessa forma, como a concomitância se estabeleceu após o lançamento de ofício, cabe a aplicação do art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. No sentido de que não havia concomitância entre o mandado de segurança e a autuação objeto de processo administrativo antes do advento do acórdão do TRF 3ª Região, foram preferidos dois acórdãos por esta 1ª Turma, da mesma empresa, mesma ação judicial, referentes a períodos de apuração anteriores, nos quais restou consignada expressamente a ausência de concomitância (o processo n o 16327-720236/2013-46, acórdão n° 3301002.884 e processo n° 16327.720082/2013-92, acórdão n° 3301-002.885, mantidos, inclusive pela 3ª Turma da CSRF). No mais, ratifico o teor do voto vencido, como fundamentação para reconhecimento de omissão e contradição no voto vencedor do acórdão embargado. Conclusão Por conseguinte, voto por acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes para manter a multa de ofício. Fl. 592DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.482 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720058/2017-87 (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Fl. 593DF CARF MF
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