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Numero do processo: 18471.001313/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2102-000.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 601.314, nos termos do artigo 62-A do Anexo II do RICARF.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 21/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 601.314, nos termos do artigo 62-A do Anexo II do RICARF. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 21/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 601.314, nos termos do artigo 62A do Anexo II do RICARF. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 21/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 31 3/ 20 07 -8 9 Fl. 435DF CARF MF Processo nº 18471.001313/200789 Resolução nº 2102000.165 S2C1T2 Fl. 436 2 Relatório Contra NAIR GOMES DE ARAUJO foi lavrado Auto de Infração, fls. 295/305, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2002 a 2004, exercícios 2003 a 2005, no valor total de R$ 539.632,97, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/08/2007. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 272/277, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 313/318, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente em parte julgamento, para cancelar a exigência relativamente ao anocalendário 2002 e reduzir a base de cálculo da infração do anocalendário 2004 para R$ 339.985,32. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 13/04/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 347, a contribuinte apresentou, em 04/05/2011, recurso voluntário, fls. 428/431, onde alega, em suma, que o crédito bancário, por si só, não pode ensejar o lançamento de omissão de rendimentos, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça. É o Relatório. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 18471.001313/200789 Resolução nº 2102000.165 S2C1T2 Fl. 437 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deveriam as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica em recurso administrativo, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. A interpretação conjunta da cabeça e do parágrafo primeiro do dispositivo regimental citado indicava que bastava o reconhecimento da repercussão geral para o sobrestamento do trâmite do recurso administrativo fiscal, não se fazendo maiores considerações sobre o procedimento de sobrestamento dos recursos extraordinários do próprio judiciário, como condicionante para o sobrestamento dos recursos da via administrativa. Essa era a interpretação das Turmas de julgamento do CARF. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, as controvérsias sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente e a incidente a partir da transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o Fisco (e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) vinham tendo o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF havia reconhecido a repercussão geral em ambas as matérias, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 – Relator o Min. Ricardo Lewandowski. Tema 228 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. Com a publicação da Portaria CARF nº 001/2012, que objetiva disciplinar os procedimentos do sobrestamento no âmbito do CARF, surgiram dúvidas sobre o cabimento do sobrestamento para o Tema 225, acima, em decorrência da redação do art. 1º, parágrafo único, da referida Portaria, pois o STF não teria determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários que versavam sobre a transferência compulsória do sigilo bancário para o Fisco (e retroatividade da Lei nº 10.174/2001), como se poderia ver na decisão que reconheceu a repercussão geral para o tema, no RE 601.314. Apreciando a controvérsia acima, no julgamento do processo 19647.009419/200653, sessão de 09 de fevereiro de 2012, pela Resolução 2102000.045, esta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção entendeu que a controvérsia espelhada no Tema 225 do STF deveria continuar tendo os julgamentos administrativos sobrestados, pois “o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por si só, tem como consectário lógico e inafastável o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários sobre a mesma matéria, pois não se pode imaginar que o STF reconheça a Fl. 437DF CARF MF Processo nº 18471.001313/200789 Resolução nº 2102000.165 S2C1T2 Fl. 438 4 repercussão geral e os RE possam continuar a tramitar, isso sem qualquer possibilidade de julgamento no STF, pois na Suprema Corte somente se apreciará o RE leading case”. E como exemplo do entendimento que tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no Tema 225, vejase despacho no Recurso Extraordinário 611.139, relator o Min. Luiz Fux, decisão de 07 de fevereiro de 2012. Ora se há o sobrestamento dos recursos extraordinários no rito da repercussão geral, aplicável o art. 62A, § 1º, do RICARF nos recursos com o Tema 225 no âmbito administrativo. Por tudo, no caso de controvérsias sobre a transferência compulsória do sigilo bancário (Lei complementar nº 105/2001) e retroatividade da Lei nº 10.174/2001, considerando que o STF também vem sobrestando o julgamento dos recursos extraordinários dessa matéria, devemse igualmente sobrestar os julgamentos administrativos nesta Turma de Julgamento, na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, aguardando que o STF resolva em definitivo a controvérsia sobre o Tema 225. No presente caso, verificase que os extratos bancários, que deram causa ao lançamento, foram obtidos mediante emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), conforme se infere do seguinte trecho extraído do Termo de Verificação Fiscal, fls. 273. A ação fiscal foi concentrada, principalmente, em dados bancários obtidos por força de afastamento de sigilo bancário, por via administrativa, dos contribuintes SERGIO MANOEL SOARES, CPF 593.225.94772 (filho) e DEISE DE SOUZA SOARES, CPF 848.305.30715 (nora, ex nora). A obtenção se deu de forma lícita e está lastreada em procedimento interno de Requisição de Movimentação Financeira junto às Instituições Financeiras com as quais os citados contribuintes mantêm relação comercial. A regularidade do procedimento está amparada por força da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001. Assim, devese sobrestar o julgamento do recurso voluntário, cumprindo o procedimento do art. 2º, § 1º, I, da Portaria CARF nº 001/2012. Ante o exposto, voto no sentido de sobrestar o julgamento do recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 438DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13052.000205/2004-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9303-000.012
Decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004
COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. SOBRESTAMENTO
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral (REs 634.981/RS e 606.107/RG), em razão do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Relator.
EDITADO EM: 28/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004 COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. SOBRESTAMENTO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral (REs 634.981/RS e 606.107/RG), em razão do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. Marcos Aurélio Pereira Valadão - Relator. EDITADO EM: 28/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004 COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. SOBRESTAMENTO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral (REs 634.981/RS e 606.107/RG), em razão do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator. EDITADO EM: 28/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 52 .0 00 20 5/ 20 04 -6 3 Fl. 427DF CARF MF Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 240 ___________ Relatório Por descrever os fatos do processo de maneira adequada adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório da decisão recorrida: O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria/RS. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: ‘A contribuinte supra identificada teve reconhecido em parte o direito ao ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e da contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep referente ao segundo trimestre de 2004, conforme constou do Despacho Decisório de 04 de agosto de 2005, que se encontra à fl. 52. Do valor pleiteado (R$ 162.536,34), foi reconhecido o valor de R$ 132.927,34 e negado o direito no valor de R$ 29.609,00. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal que se encontra as fls. 48 a 50, com o qual concordou o Despacho Decisório de fl 52, o valor negado decorreu de não ter a contribuinte incluído nas bases de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep a receita referente ao crédito presumido de IPI que lhe foi ressarcido, assim como a proveniente da cessão a terceiros de créditos do ICMS, além da glosa parcial dos créditos no regime de apuração nãocumulativo, em relação aos serviços de industrialização por encomenda que a fiscalização considerou não prestados pela empresa Calvados Dom Pedro Ltda., em vista da descaracterização da personalidade jurídica da mencionada empresa, que foi considerada fictícia. Por meio de seu procurador, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade que se encontra as fls. 55 a 59, argumentando, em síntese, que: O entendimento da contribuinte é de que, em face da legislação que estabelece a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, equivalente ao faturamento, ou receita bruta, e que deve corresponder ao conceito fundamental insculpido na própria Constituição Federal de 1988 (CF), em seu art. 195, não se inclui no conceito de faturamento os créditos de PIS, de Cofins e de ICMS, derivados da legislação especifica, ainda que esses créditos representem "objeto de troca", seja para amortizar débitos tributários, seja para transferência onerosa a terceiros, no caso do ICMS. De outra parte, entendeu a contribuinte estar demonstrada a impropriedade da conclusão da fiscalização em relação inexistência dos créditos relativos aos serviços terceirizados, derivados da contração da empresa Calvados Dom Pedro Ltda., que foi baseada na teoria da "desconstituição da personalidade jurídica", conforme explanado na impugnação apresentada ao lançamento do IPI constante do processo n° Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13052.000205/200463 Resolução nº 9303000.012 CSRFT3 Fl. 241 3 13052.000192/200511, que invoca sejam aproveitados neste processo, por guardar relação de estreita pertinência com a presente lide. Requereu a contribuinte que seja procedida a unificação ou o acostamento deste processo com o de lançamento de IPI, retro mencionado, em face da dependência, para que não se produzam decisões conflitantes; que seja sobrestada a apreciação destes processos até que a matéria relativa ao alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, introduzida pelo art. 3º, da Lei n° 9.718, de 1998, seja decidida pelo Supremo Tribunal Federal — STF; que seja desconsiderada e declarada nula a aplicação do Parágrafo único do art. 116 do CTN, na forma introduzida pela Lei Complementar n° 104, de 2001, que resultou na glosa de créditos neste procedimento; e que seja considerada insubsistente a glosa de parte dos créditos decorrentes da não inclusão na base de cálculo das contribuições dos montantes relativos aos créditos de PIS e de Cofins e da transferência de créditos de ICMS a terceiros. Dentre os documentos apresentados com a manifestação de inconformidade, constam os que se encontram às fls. 63 a 110, que consistem em cópia da impugnação apresentada no processo n° 13052.000192/200511, referente ao lançamento do IPI e de seus anexos de n° I a VIII. Às fls. 145 e 146, consta despacho da 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre — RS, devolvendo os autos que para lá haviam sido encaminhados por engano. Às fls. 148 a 153, foram anexadas informações sobre o julgamento administrativo do processo n° 13052.000192/200511 na DRJ em Porto Alegre — RS e no Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. A tempestividade da manifestação de inconformidade foi atestada à fl. 147.’ O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos lermos do acórdão DRJ/STM n 2 1810.125, de 19/12/2008, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria/RS, cuja ementa dispõe, verbis: ‘ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004 BASE DE CALCULO. CRÉDITOS DE ICMS. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI A cessão de créditos de ICMS e os créditos presumidos de IPI ressarcidos configuram receita que deve ser incluída na base de cálculo da Cofins. CRÉDITOS. SERVIÇOS. Podem ser calculados créditos referentes ao pagamento de serviços de industrialização por encomenda. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 13052.000205/200463 Resolução nº 9303000.012 CSRFT3 Fl. 242 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004 BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DE ICMS. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI A cessão de créditos de ICMS e os créditos presumidos de IPI ressarcidos configuram receita que deve ser incluída na base de cálculo do PIS/Pasep. CRÉDITOS. SERVIÇOS. Podem ser calculados créditos referentes ao pagamento de serviços de industrialização por encomenda. SOLICITAÇÃO DEFERIDA EM PARTE.’ O julgamento foi no sentido de deferir em parte, tendo em vista ter sido reconhecido o direito ao ressarcimento dos créditos de PIS/Pasep no valor de R$ 2.870,75 e de Cofins no valor de R$ 13.222,86, em relação à prestação de serviços de industrialização por encomenda pela empresa Calçados São Pedro Ltda. no 2° trimestre de 2004. Bem como, negar o direito ao ressarcimento de PIS/Pasep no valor de R$ 2.410,85 e de COFINS no valor de R$ 11.104,54, num total de R$ 13.515,39. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnat6ria. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. A ementa do julgado recorrido foi consubstanciada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004 BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DE ICMS. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI. A cessão de créditos de ICMS e os créditos presumidos de IPI ressarcidos são parcelas relacionadas A. redução de custo, logo, não são considerados parcelas de receita, portanto, não devem ser incluídas na base de cálculo de COFINS e de PIS/PASEP. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Irresignada com a decisão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial às fls. 198/213, no qual se insurge contra a decisão que não reconheceu a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros, e sobre os créditos de IPI ressarcidos. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13052.000205/200463 Resolução nº 9303000.012 CSRFT3 Fl. 243 5 O recurso foi admitido pela presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 230/231. A contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 235/236. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão – Relator. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese aos e sobre os créditos de IPI ressarcidos, e à incidência da Cofins sobre receitas decorrentes de cessão de créditos de ICMS. No que diz respeito aos segundo tema, há que se considerar que no RE 634.981/RS, julgado em: 07/05/2012, o Relator Min. Joaquim Barbosa decidiu que, tendo sido reconhecida a repercussão geral do tema no RE 606.107RG (rel. min. Ellen Gracie, DJe de 20.08.2010), deve ser observado o disposto no art. 543B e parágrafos do Código de Processo Civil, nos seguintes termos: DECISÃO : O Plenário do Supremo Tribunal Federal, apreciando o RE 540.41000, rel. min. Cezar Peluso, acolheu questão de ordem no sentido de “determinar a devolução dos autos, e de todos os recursos extraordinários que versem a mesma matéria, ao Tribunal de origem, para os fins do art. 543B do CPC” (Informativo 516, de 27.08.2008). Decidiuse, então, que o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil também se aplica aos recursos interpostos de acórdãos publicados antes de 03 de maio de 2007 cujo conteúdo verse sobre tema em que a repercussão geral tenha sido reconhecida. No presente feito, o recurso extraordinário versa sobre tema (Tema 283) em que a repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 606.107RG (rel. min. Ellen Gracie, DJe de 20.08.2010), assim ementado: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS nãocumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. 3. As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir uma definição quanto ao ponto. 4. Repercussão geral reconhecida.” Do exposto, nos termos do art. 328 do RISTF (na redação dada pela Emenda Regimental 21/2007), determino a devolução dos presentes Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13052.000205/200463 Resolução nº 9303000.012 CSRFT3 Fl. 244 6 autos ao Tribunal de origem, para que seja observado o disposto no art. 543B e parágrafos do Código de Processo Civil. Publiquese. Brasília, 7 de maio de 2012. Ministro JOAQUIM BARBOSA Relator.1 Pelo exposto, levando em conta art. 62A, § 2º, do RICARF, e a Portaria CARF nº 01, de 03 de janeiro de 2012, voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre a inclusão na base de cálculo da Cofins os valores referentes à cessão de créditos de ICMS a terceiros. Somente após decisão transitada em julgado do Colendo Tribunal sobre o tema é que o processo deve retornar a esta Turma para julgamento. Marcos Aurélio Pereira Valadão 1 Informação disponível no sítio do STF: http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=634981&classe=RE&origem =AP&recurso=0&tipoJulgamento=M) Fl. 432DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11159.000219/2010-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1102-000.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por declinar da competência para julgamento em favor de uma das Turmas da Terceira Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por declinar da competência para julgamento em favor de uma das Turmas da Terceira Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por declinar da competência para julgamento em favor de uma das Turmas da Terceira Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fl. 22, referente à multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON do mês de janeiro de 2010, formalizando a exigência de penalidade no valor de R$ 500,00. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 11 59 .0 00 21 9/ 20 10 -1 0 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11159.000219/201010 Resolução nº 1102000.181 S1C1T2 Fl. 119 2 Tal declaração deveria ter sido apresentada até 5/3/2010, mas foi entregue no dia 16/3/2010, já constando no recibo de entrega a informação de que estava em atraso, com emissão de Notificação de lançamento (fl. 24). Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 2 a 20), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância resumiu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fl. 67): a) Reclama de uma série de dificuldades criadas pela Receita Federal relativas a dificuldades técnicas e de informação; b) A nova regra de apresentação mensal do Dacon a partir de janeiro de 2010 somente foi disciplinada pela Instrução Normativa RFB n° 1.015, de 05.03.2010 (DOU de 08.03.2010), causando problema para as empresas; c) Alega falta de clareza na Instrução Normativa que vigorou até 07.03.2010, no que se refere à entrega do Dacon mensal pelas empresas que entregavam semestralmente, fato que somente foi aclarado com a IN 1.015, de 2010; d) Afirma haver constado informação errada no sítio da Receita Federal na internet, quando havia a previsão de prazos para apresentação dos demonstrativos mensal e semestral; e) Falta clareza e objetividade na sucessiva edição de atos para regulamentar a matéria em questão; f) Requer a revisão do lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) julgou procedente o lançamento, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 66 a 68): Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2010 Multa por Atraso na Entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. O DACON relativo ao mês de janeiro/2010 deveria ser apresentado até o 5º (quinto) dia útil do mês de março/2010 (05/03/10). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) a obrigação acessória de apresentação do DACON está prevista na legislação, e a autoridade administrativa não pode deixar de exigir a multa prevista pela inobservância do Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11159.000219/201010 Resolução nº 1102000.181 S1C1T2 Fl. 120 3 prazo de entrega, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional; b) a IN RFB nº 940, de 19 de maio de 2009, somente exigia que as pessoas jurídicas obrigadas ou optantes pela entrega mensal da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF deveriam apresentar o DACON mensal; c) com a edição da IN RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, a periodicidade da DCTF passou a ser mensal para todas as pessoas jurídicas. Logo, todos passaram a ser também obrigados ao DACON mensal a partir de 1º de janeiro de 2010, havendo a revogação tácita do DACON semestral; d) a IN RFB nº 1.015, de 5 de março de 2010, somente consolidou a nova disciplina de obrigatoriedade mensal. Cientificado da decisão de primeira instância em 20/10/2011 (fl. 77), o contribuinte apresentou, em 9/11/2011, o recurso de fls. 78 a 95, onde repete os argumentos da impugnação, pugnando pelo cancelamento da exigência. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em junho de 2013, numerado digitalmente até a fl. 117. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o breve relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo. Tratase de lançamento de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON. Tal declaração é utilizada para prestar informações sobre a apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Assim, a simples descrição do objeto do processo deixa claro que seu escopo está fora da competência de julgamento desta 1a Seção. Isso porque os incisos I e XXI do art. 4o do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, incluem o PIS e a Cofins, bem como as penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias a eles relativos, na competência da 3a Seção de Julgamento. Transcrevo: Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11159.000219/201010 Resolução nº 1102000.181 S1C1T2 Fl. 121 4 I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; (...) XXI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. (...) Diante do exposto, voto por declinar da competência de julgamento em favor de uma das Turmas da 3a Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720365/2006-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.121
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o feito em função da Repercussão Geral (inconstitucionalidade do RMF).
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o feito em função da Repercussão Geral (inconstitucionalidade do RMF). Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva - Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
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score : 1.0
Numero do processo: 16306.000072/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1803-000.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR DA COMPETÊNCIA para julgamento do presente processo à Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF, em face da íntima conexão e decorrência com os processos de nºs 11610.003064/2001-90, 11610.003065/2001-34 e 10880.910845/2006-02 (os dois primeiros apensados ao último), já distribuídos para julgamento àquela Turma, com fundamento nos arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR DA COMPETÊNCIA para julgamento do presente processo à Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF, em face da íntima conexão e decorrência com os processos de nºs 11610.003064/200190, 11610.003065/200134 e 10880.910845/200602 (os dois primeiros apensados ao último), já distribuídos para julgamento àquela Turma, com fundamento nos arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 06 .0 00 07 2/ 20 08 -1 8 Fl. 830DF CARF MF Processo nº 16306.000072/200818 Resolução nº 1803000.097 S1TE03 Fl. 830 2 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 762 a 766): Tratase de PER/DCOMPs (fls. 01 a 19) transmitidas para compensação de débitos com crédito originário de saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ/2003, ano calendário 2002. A autoridade fiscal competente para a análise do pedido baseou sua decisão nos seguintes termos: “O contribuinte acima identificado, através das DCOMPs nºs 06601.12621.120603.1.3.039729, 07637.35242.190903.1.7.030156, 13744.98277.190903.1.7.034422 e 27400.34584.190903.1.3.036410, de fls. 01 a 19, requer a compensação de débitos em aberto, no valor total originário de R$ 179.904,76, com o saldo credor de Contribuição Social sobre o Lucro apurada em sua declaração de IRPJ do anocalendário de 2002. (...) O PER/DCOMP nº 07.637.35242.190903.1.7.030156 (fls. 07 a 10) retificou o de nº 06601 .12621.120603.1.3.039729 e será admitido, tendo em vista não haver impedimentos legais, uma vez que a retificadora atendeu às exigências descritas nos arts. 55 a 58 da IN da SRF nº 460 de 18.10.2004 (abaixo transcritos), em vigor à época da protocolização de tais pedidos. (...) Nos processos administrativos de nºs 11610.003064/200190, 11610.003065/200134 e 10880.910845/200602 o contribuinte solicitou restituição dos saldos credores de CSLL dos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001. O interessado realizou compensações dos saldos credores de exercícios anteriores com os valores devidos a título de estimativa mensal nesses anos; sendo assim, foi intimado a comprovar as compensações, porém, não apresentou demonstrativo das compensações das estimativas devidas de CSLL com saldos de períodos anteriores, limitandose tão somente a apresentar um documento informando os saldos credores de CSLL dos períodos de 1995 a 1998. Destarte, nos processos citados, os saldos credores da CSLL dos anoscalendário de 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, constantes das respectivas declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, foram analisados, e efetuadas as devidas compensações com estimativas devidas. No presente processo, anexouse cópia da Decisão do processo nº 10880.910845/200602, às fls. 36 a 39, referente ao ano calendário de 2001, objeto de compensação de parte dos valores devidos a título de estimativa da CSLL no anocalendário de 2002. Analisando a cópia das Fichas 16 e 17 da declaração de IRPJ do anocalendário 2002 (fls. 20 a 23), verificouse que o contribuinte optou pela apuração anual, sendo que, no fim do anocalendário, apurou CSLL devida no valor de R$ 267.631,20 (linha 36 da Ficha 17), declarou Contribuição Social a título de estimativa de R$ 430.146,17 (linha 38 da Ficha 17), tendo apurado saldo credor de R$ 162.514,97. Conforme extrato do Sistema Sief (fls. 33 a 35), o contribuinte recolheu parcialmente, a título de estimativa, os valores devidos de CSLL nos meses de janeiro a Fl. 831DF CARF MF Processo nº 16306.000072/200818 Resolução nº 1803000.097 S1TE03 Fl. 831 3 dezembro de 2002 no total de R$ 152,28. Nos meses de janeiro a abril (R$ 25.143,44), os valores devidos a título de estimativa foram compensados, conforme Decisão do processo nº 10880.910845/200602, anexa às fls. 36 a 39, no total de R$ 145.064,88. Nos meses de maio a dezembro de 2002 DCTFs de fls. 25 a 32, o interessado compensou com saldos credores de períodos anteriores que, conforme analisado nos processos citados, o contribuinte não logrou comprovar; sendo assim, não poderão ser aceitas. Considerando que o contribuinte apurou CSLL de R$ 267.631,20 e comprovou estimativa de CSLL no total de R$ 145.217,16 (R$ 145.064,88 + R$ 152,28), apurase um saldo devedor de CSLL de R$ 122.414,04. Ficha 17 Cálculo da CSLL anocalendário de 2002 36. CSLL APURADA R$ 267.631,20 DEDUÇÕES 38. () CSLL MENSAL PAGA POR ESTIMATIVA R$ 145.217,16 42. CSLL A PAGAR R$ 122.414,04 Assim sendo, proponho o não reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo contribuinte DENTAL RICARDO TANAKA LTDA., CNPJ Nº 52.083.326/000123, e a consequente NÃO HOMOLOGAÇÃO das DCOMPs nºs 06601.12621.120603.1.3.039729, 07637.35242.190903.1.7.030156, 13744.98277.190903.1.7.034422 e 27400.34584.190903.1.3.036410, de fls. 01 a 19, e a cobrança do montante do débito de CSLL do anocalendário de 2002 no valor de R$ 122.414,04.” O contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório em 10/06/2008 (fl. 44), e apresentou, em 20/06/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 48 a 62, juntamente com as cópias de documentos de fls. 63 a 724, cujas principais alegações são a seguir transcritas: RAZÕES DA REFORMA DA R. DECISÃO DO DIREITO AO CRÉDITO Inicialmente, necessário informar que a contribuinte solicitou restituição de saldos credores de CSL apurados nos anoscalendário de 1999 e 2000, por meio dos processos administrativos nº 11610.003064/200190, nº 11610.003065/200134 e nº 10880.910845/200602, todos ainda pendentes de finalização na via administrativa. Nos mencionados processos administrativos, a contribuinte comprovou, perante a fiscalização, a efetiva possibilidade de deferimento do pedido de restituição e consequente homologação das compensações realizadas, apresentando todos os documentos que permitiram apurar a base de cálculo da CSL e concluir pela existência de saldo credor. Ocorre que a argumentação despendida e comprovada pela Recorrente, que reconhece o direito ao ressarcimento, foi parcialmente desconsiderada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, concluindo que o contribuinte não recolheu integralmente suas estimativas devidas, tendo compensado com crédito de períodos. Há direito da contribuinte à compensação pleiteada, eis que, consoante se demonstrará nas tabelas anexas, há saldo credores de CSL, passíveis de compensação. (...) Consoante já apontado no próprio despacho decisório que concluiu pela não homologação, o pedido de compensação efetuado por meio da DCOMP nº 19747.05469.090603.1.3.039090, é tempestivo. Ademais, resta claro que o pedido de compensação está em plena conformidade com os dispositivos legais que o regulam, quais sejam, IN SRF 600/2005, que disciplina a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo ou Fl. 832DF CARF MF Processo nº 16306.000072/200818 Resolução nº 1803000.097 S1TE03 Fl. 832 4 contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, bem como o artigo 168, do Código Tributário Nacional, abaixo transcritos: (...) Assim, resta claro, pelos textos legais citados que o pedido de restituição encontrase em conformidade com legislação vigente, sendo totalmente legal e tempestivo e, consoante demonstrativos de crédito anexo, deve ser reformada a r. decisão impugnada, para reconhecer o direito creditório e homologar a DCOMP n. 19747.05469.090603.1.3.039090. Nesta oportunidade juntamse documentos hábeis e idôneos a corroborar a existência do direito creditório. Também, a fim de demonstrar o recolhimento integral das estimativas, seguem demonstrativos da CSLL relativos aos anosbase de 1993 a 2004. No exercício de 1994, anobase 1993, conforme demonstrativo a seguir, anexo 01, foi apurado saldo no valor de 81.518,69 Ufir, dos períodos de 31.01.93 a 31.12.93, utilizandose, para compensar nos períodos posteriores, valor de 195.100,28 Ufir. No exercício de 1995, anobase 1994, foi apurado um saldo de R$ 35.379,04 (trinta e cinco mil, trezentos e setenta nove reais e quatro centavos), dos períodos de 31.12.93 a 31.12.94, restando saldo a ser compensado no valor de R$ 229.340,41 (duzentos e vinte nove mil, trezentos e quarenta reais e um centavo), conforme demonstrativo a seguir, anexo 02. No exercício de 1996, anobase 1995, do demonstrativo a seguir, anexo 03, obtevese um saldo a compensar no valor de R$ 348.738,82 (trezentos e quarenta e oito mil, setecentos e trinta oito reais e oitenta e dois centavos), dos períodos de 31.12.94 a 31.12.95. No exercício de 1997, anobase 1996, foi apurado saldo de R$ 31.362,87 (trinta e um mil, trezentos e sessenta dois reais e oitenta sete centavos), dos períodos de 31.12.95 a 31.12.96, restando a compensar saldo de R$ 198.936,42 (cento e noventa oito mil, novecentos e trinta seis reais e quarenta e dois centavos), como se depara do demonstrativo, anexo 04. No exercício de 1998, anobase 1997, foi apurado, dos períodos de 31.12.96 a 31.12.97, saldo de R$ 74.576,05 (setenta e quatro mil, quinhentos e setenta seis reais e cinco centavos), e saldo a compensar no valor de R$ 160.583,71 (cento e sessenta mil, quinhentos e oitenta três reais e setenta e um centavo), conforme demonstrativo, anexo 05. No exercício de 1999, anobase 1998, do demonstrativo, anexo 06, notase que foi apurado, dos períodos de 31.12.97 a 31.12.98, saldo no valor de R$ 61.555,26 (sessenta e um mil, quinhentos e cinquenta cinco reais e vinte seis centavos), e saldo a ser compensado em períodos posteriores de R$ 234.563,05 (duzentos e trinta quatro mil, quinhentos sessenta três reais e cinco centavos). No exercício de 2000, anobase 1999, foi apurado, dos períodos de 31.12.98 a 31.12.99, um saldo de R$ 141.254,22 (cento e quarenta um mil, duzentos cinquenta quatro reais e vinte dois centavos), e saldo a compensar no valor de R$ 286.200,41 (duzentos e oitenta seis mil, duzentos reais e quarenta um centavos), conforme demonstrativo, anexo 07. No exercício de 2001, anobase 2000, apurouse saldo de R$ 201.699,79 (duzentos e um mil, seiscentos e noventa nove reais e setenta e nove centavos), dos Fl. 833DF CARF MF Processo nº 16306.000072/200818 Resolução nº 1803000.097 S1TE03 Fl. 833 5 períodos de 31.12.99 a 31.12.00, e saldo a ser compensado de R$ 317.406,33 (trezentos e dezessete mil, quatrocentos e seis reais e trinta três centavos), como demonstra o anexo 08. No exercício de 2002, anobase 2001, foi apurado, dos períodos de 31.12.00 a 31.12.01, saldo de R$ 99.994,35 (noventa e nove mil, novecentos e noventa quatro reais e trinta cindo centavos), e saldo a compensar nos períodos posteriores no valor de R$ 376.443,78 (trezentos e setenta seis mil, quatrocentos e quarenta três reais e setenta oito centavos), como se nota do demonstrativo, anexo 09. No exercício de 2003, anobase 2002, verificase do demonstrativo, anexo 10, que foi apurado saldo de R$ 267.631,20 (duzentos e sessenta sete mil, seiscentos e trinta e um reais e vinte centavos), dos períodos de 31.12.01 a 31.12.02, e saldo a compensar no valor de R$ 162.514,97 (cento e sessenta e dois mil, quinhentos e quatorze reais e noventa e sete centavos). Isto posto, sem prejuízo da documentação ora juntada e, uma vez comprovado o saldo positivo de tributos recolhidos a maior, suficiente a extinguir o débito tributário apurado pela fiscalização, pela recomposição dos valores que ensejaram o pleito em comento, o reconhecimento do direito creditório é medida que se impõe. (...) Subsidiariamente, após a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ventilado, requer seja a decisão da presente manifestação de inconformidade proferida após a conclusão definitiva dos processos administrativos nº 11610.003064/200190, nº 11610.003065/200134 e nº 10880.910845/200602, nos quais se discute o direito creditório da contribuinte e que, até a presente data, encontramse pendentes de julgamento na esfera administrativa. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 761): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PRELIMINAR. PROCESSOS VINCULADOS. Não se pode atender a solicitação do contribuinte para que os presentes autos somente sejam julgados pela DRJ, após a decisão definitiva na esfera administrativa dos demais processos vinculados, quando um dos processos já se encontra em segunda instância de julgamento e sendo que cabe à Administração impulsionar o processo até sua conclusão final. Quanto aos demais processos, os mesmos estão sendo julgados simultaneamente para que possam ter prosseguimento concomitante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. Na determinação do saldo negativo da CSLL passível de ser restituído ou compensado, é necessária a comprovação do regular pagamento/compensação das estimativas que compõem o saldo negativo da CSLL. Quando as estimativas são compensadas com saldos negativos de períodos anteriores, os mesmos deverão estar devidamente comprovados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 09/09/2011 (fls. 785 numeração digital ND), a tempo, em 04/10/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 786 a 792 (ND), instruído com os documentos de fls. 793 a 820 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Fl. 834DF CARF MF Processo nº 16306.000072/200818 Resolução nº 1803000.097 S1TE03 Fl. 834 6 Em mesa para julgamento. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 16306.000072/200818 Resolução nº 1803000.097 S1TE03 Fl. 835 7 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Conforme se observa do Relatório deste Acórdão, a confirmação do saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), declarado no anocalendário de 2002, e pleiteado por meio dos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nºs 06601.12621.120603.1.3.039729, 07637.35242.190903.1.7.030156, 13744.98277.190903.1.7.034422 e 27400.34584.190903.1.3.036410, de fls. 01 a 19, depende, em parte, da confirmação do saldo negativo da CSLL declarado no anocalendário de 2001 (objeto do processo nº 10880.910845/200602), já que parte das estimativas que compõem aquele primeiro saldo negativo (do anocalendário de 2002) teria sido compensada com este último saldo negativo (do anocalendário de 2001). 2. Da mesma forma, a confirmação do saldo negativo da CSLL, declarado no anocalendário de 2002, depende, em parte, da confirmação dos saldos negativos da CSLL declarados em anoscalendário anteriores a 2001 (objeto dos processos nºs 11610.003064/200190 e 11610.003065/200134), já que parte das estimativas que compõem o saldo negativo do anocalendário de 2002 (objeto deste processo), e também o saldo negativo do anocalendário de 2001 (objeto do processo nº 10880.910845/200602, já anteriormente referido), teria sido compensada com aqueles saldos negativos (dos anoscalendário anteriores a 2001). 3. Dispõem os arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (grifouse): Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. [...]. Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...]. § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. 4. Observo, por oportuno, que constou da própria decisão recorrida a seguinte observação (fls. 762 – destacouse): Fl. 836DF CARF MF Processo nº 16306.000072/200818 Resolução nº 1803000.097 S1TE03 Fl. 836 8 Em se apresentando recurso contra o presente Acórdão, o processo deverá seguir preferencialmente para a mesma Câmara do CARF que está julgando o processo nº 10880.910845/2006 02. 5. Também a própria Recorrente, por ocasião de sua Manifestação de Inconformidade, assim se manifestou a este respeito (fls. 62): Subsidiariamente, após a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ventilado, requer seja a decisão da presente manifestação de inconformidade proferida após a conclusão definitiva dos processos administrativos nº 11610.003064/200190, nº 11610.003065/200134 e nº 10880.910845/200602, nos quais se discute o direito creditório da contribuinte e que, até a presente data, encontramse pendentes de julgamento na esfera administrativa. 6. Em pesquisa procedida n eProcesso – Processo Administrativo Digital, observei que os três processos, de nºs 11610.003064/200190, 11610.003065/200134 e 10880.910845/200602 (os dois primeiros apensados ao último), já foram distribuídos para julgamento para a Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) (Conselheiro Marcos Shigueo Takata). Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DECLINAR DA COMPETÊNCIA para julgamento do presente processo à Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF, em face da íntima conexão e decorrência com os processos de nºs 11610.003064/200190, 11610.003065/2001 34 e 10880.910845/200602 (os dois primeiros apensados ao último), já distribuídos para julgamento àquela Turma, com fundamento nos arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF). É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 837DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.013575/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2102-000.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário nº 614.406, que trata da tributação de rendimentos acumulados, nos termos do artigo 62-A do Anexo II do RICARF. Vencidos o Relator e a Conselheira Alice Grecchi, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente
Assinado digitalmente
ATILIO PITARELLI - Relator
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Mauricio Carvalho.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário nº 614.406, que trata da tributação de rendimentos acumulados, nos termos do artigo 62-A do Anexo II do RICARF. Vencidos o Relator e a Conselheira Alice Grecchi, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI - Relator Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Mauricio Carvalho.
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Acórdão os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário nº 614.406, que trata da tributação de rendimentos acumulados, nos termos do artigo 62A do Anexo II do RICARF. Vencidos o Relator e a Conselheira Alice Grecchi, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Mauricio Carvalho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 13 57 5/ 20 07 -1 3 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 11610.013575/200713 Resolução nº 2102000.151 S2C1T2 Fl. 45 2 Relatório O presente Recurso Voluntário é decorrente de decisão proferida em 06 de maio de 2.009, pela 3a Turma da DRJ/SP (fls. 22/24), que por unanimidade de votos manteve integralmente a exigência objeto do Auto de Infração lavrado em 23/10/2007 (fl. 10), no valor total de R$ 976,86, sendo R$ 574,02 a título de imposto de renda suplementar, R$ 402,84 de juros de mora, onde constam como infrações à legislação fiscal os fatos que originaram o lançamento, assim descritos: Omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica ou Física, decorrentes de trabalho com vinculo empregaticio. Inclusão de rendimentos tributáveis no valor de R$ 2.091,76 pagos pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo TRE/SP CNPJ 00.509.018/0021 67 (antigo) e CNPJ 06.302.492/0001 56 (atual),relativos A(s) parcela(s) da diferença de 11,98% da conversão do cruzeiro real para URV, do período de abril de 1994 a outubro de 2000, recebida(s) acumuladamente no ano de 2002. Esses rendimentos foram indevidamente considerados isentos ou não tributáveis e devem ser regularmente tributados conforme determinação do Tribunal de Contas da União constante do Acórdão n° 332/2005 Plenário TCU. Valores informados pelo TRE/SP em relações anexas ao Oficio TRE/SP n° 18.590/2007. Lançamento sem multa em consonância com orientação da Advocacia Geral da União emanada no Parecer AGU/AV01/2007. Enquadramento Legal: arts. 1 ° a 3 0 e 6° da Lei n° 7.713/88; arts. 1 ° a 3° da Lei n° 8.134/90; arts. 1 0 , 3° , 5° , 6° , 11 e 32 da Lei n° 9.250/95; art. 21 da Lei n° 9.532/97; Lei n° 9.887/99; arts. 1 ° , 2° e 15 da Lei n° 10.451/2002; arts. 43 e 44 do Decreto n° 3.000/99 RIR/1999. Notificada do lançamento, apresentou impugnação, alegando que é leigo no assunto, não houve dolo ou culpa de sua parte, e não observou que houve erro no seu informe de rendimentos. A decisão proferida manteve o trabalho fiscal, com fundamento no art. 136 do CTN, que afirma não interferir a intenção do agente para responder pela infração legal e que o contribuinte é o único responsável pelo preenchimento da sua DIRPF. Em grau de Recurso Voluntário a este colegiado, destacou que: a) é aposentado do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, do qual recebe seus vencimentos, e com o Informe de rendimentos fornecidos pelo TER, cumpre com sua obrigação de preencher e entregar anualmente sua DIRPF; b) intimado para prestar esclarecimentos, forneceu os documentos que dispunha e foi surpreendido com o Auto de Infração, por omissão do valor tributável de R$ 2.091,76, relativo a parcela da diferença de 11.98% da conversão do cruzeiro real para URV, do período de abril de 1994 a outubro de 2000, recebida acumuladamente no ano de 2002, que foram considerados isentos ou não tributáveis, que redundou na cobrança de R$ 976,76, sendo R$ 574,02 de IRPF suplementar e R$ 402,84 de juros de mora sobre o imposto suplementar; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11610.013575/200713 Resolução nº 2102000.151 S2C1T2 Fl. 46 3 c) que a DIPF foi entregue tomando por base o Informe de Rendas fornecido pelo TER, e nele consignava que tais rendimentos eram isentos ou não tributáveis, portanto, sem que concorresse com culpa ou dolo; d) refuta a decisão recorrida em todos os seus tópicos, demonstrando indignação por exigir de um contribuinte que só faz por cumprir suas obrigações fiscais, se ver obrigado a ter conhecimento na matéria tributária a ponto de corrigir o Informe de Rendimentos recebido do TER. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade com o prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto 70.235/72, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado, dele conhecendo. Inicialmente cabe destacar que tratase de matéria já conhecida deste colegiado, que em processos similares, reiteradamente, tem afastado a pretensão fiscal quando aprecia o mérito do lançamento, notadamente, nos casos dos magistrados e integrantes do Ministério Público do Estado da Bahia. Na sessão de 08 de junho de 2011, esta Turma de julgamento prolatou o Acórdão nº 2102001.337, unânime, na relatoria do Dr. Giovanni Chistian Nunes Campos, quando se apreciou a tributação da diferença de URV paga a um membro do Ministério Público da Bahia, com fundamento na Lei Complementar 20/83, que ora se toma como razão de decidir e abaixo se colacionam as razões lá deduzidas (em itálico): Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11610.013575/200713 Resolução nº 2102000.151 S2C1T2 Fl. 47 4 Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação – artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios – artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 – artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União – artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I – apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II – o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11610.013575/200713 Resolução nº 2102000.151 S2C1T2 Fl. 48 5 todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I – o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II – o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11610.013575/200713 Resolução nº 2102000.151 S2C1T2 Fl. 49 6 Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros da Magistratura do Estado da Bahia e do Ministério Público, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas – União e Estado da Bahia – e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF e Magistratura Federal com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros da Magistratura Estadual com base na lei ordinária 8.730/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Ainda, pela não tributação das diferenças de URV percebidas por magistrados estaduais, temse precedente do Superior Tribunal de Justiça, especificamente o REsp nº 1.187.109, relatora Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, sessão de 17/08/2010, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. Oportuno ainda ressaltar que esta Turma de Julgamento apreciou a mesma matéria em debate nestes autos, referente às diferenças de URV percebidas por magistrado do Estado da Bahia, quando prolatou o Acórdão nº 210201.565, sessão de 28/09/2011, unânime, na relatoria da Conselheira Núbia Matos Moura, assim ementado: Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11610.013575/200713 Resolução nº 2102000.151 S2C1T2 Fl. 50 7 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido Dos precedentes pertinentes aos valores pagos aos membros da Magistratura para os membros do Ministério Público diferem apenas o diploma legal, uma vez que para os membros do Ministério Público as diferenças foram determinadas pela Lei Complementar 20/2003, enquanto que para os magistrados, a mesma decorreu da lei ordinária n.o 8.730/2003, ambas do Estado da Bahia. Ora, se para os magistrados e integrantes do Ministério Público, Federal ou do Estado da Bahia, rendimentos decorrentes da conversão do cruzeiro real para URV foram considerados de natureza indenizatória, portanto, isentas do IRPF, pelo princípio da isonomia, independentemente do diploma legal, não há como manter a pretensão fiscal no presente caso, de mudar a natureza do rendimento de um aposentado do Tribunal Regional Eleitoral, a ponto de dele exigir o pagamento de imposto suplementar, por exigência exatamente igual. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11610.013575/200713 Resolução nº 2102000.151 S2C1T2 Fl. 51 8 Voto Vencedor Núbia Matos Moura, redatora designada Com a devida vênia, divirjo do ilustre relator. Para analisar se as diferenças de URV recebidas pelos servidores do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo são tributáveis ou não, trago trecho do voto da relatora, Ministra Eliana Calmon, no Recurso Especial nº 1.187.109 MA (2010/00570259), que é citado como jurisprudência nos acórdãos desta Turma, nas ocasiões em que foram consideradas isentas as diferenças de URV recebidas pelos membros da magistratura e do ministério público estaduais: Com efeito, esta Corte entendeu que as diferenças de URV possuem natureza remuneratória, consistindo em acréscimo patrimonial tributável pelo imposto sobre a renda,nos termos do art. 43, I do CTN. Contudo, tratandose de remuneração de magistrado, incide a Resolução 245 da Suprema Corte, que assim se encontra disposta: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. A Resolução em riste não faz qualquer distinção entre magistrados da União ou Magistrados dos Estados, de modo que o acórdão recorrido coadunase com a interpretação que a Suprema Corte deu ao tema. Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução245/STF: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. DIFERENÇA DE URV RECEBIDA POR SERVIDOR PÚBLICO. CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA E DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEGALIDADE.RESOLUÇÃO 245/STF. INAPLICABILIDADE. INEXIGIBILIDADE DA EXAÇÃO SOBRE A URV ORIUNDA DE DETERMINADA PARCELA DOS VENCIMENTOS (AUXÍLIOCONDUÇAO) E SOBRE OS JUROS MORATÓRIOS. QUESTÕES VENTILADAS ORIGINARIAMENTE NESTE AGRAVO. INOVAÇÃO RECURSAL.RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA NAOPROVIDO. 1. Os valores recebidos por servidor público pelo pagamento de diferenças da URV tem caráter remuneratório, motivo por que sobre essas quantias incide o imposto de renda e a contribuição previdenciária correspondente. 2. É inaplicável a Resolução Administrativa 245 do Supremo Tribunal Federal na espécie, uma vez que ela trata sobre as diferenças da URV referentes especificamente ao abono variável concedido aos magistrados pela Lei 9.655/98, cuja natureza indenizatória fora reconhecida no bojo da mencionada resolução. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11610.013575/200713 Resolução nº 2102000.151 S2C1T2 Fl. 52 9 3. Inviável a análise das pretensões relativas à nãoincidência do imposto de renda sobre as diferenças da URV oriundas da percepção do "auxíliocondução" e aos juros moratórios, uma vez que não foram deduzidas na exordial, debatidas na instância a quo, nem requeridas no recurso ordinário, mas, tãosomente, neste agravo, constituindo, pois, inovação recursal. 4. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no RMS 27.577/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA,julgado em 16/12/2008, DJe 11/02/2009) TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA DIFERENÇAS ORIUNDAS DA CONVERSÃO DE VENCIMENTOS DE SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL EM URV VERBA PAGA EM ATRASO NATUREZA REMUNERATÓRIA RESOLUÇAO2455/STF INAPLICABILIDADE. 1. As diferenças resultantes da conversão do vencimento de servidor público estadual em URV, por ocasião da instituição do Plano Real, possuem natureza remuneratória. 2. A Resolução Administrativa n. 245 do Supremo Tribunal Federal não se aplica ao caso, pois faz referência ao abono variável concedido aos magistrados pela Lei n.9.655/98. Ademais, não se trata de decisão proferida em ação com efeito erga omnes, de modo que não pode ser considerada como fato constitutivo, modificativo ou extintivo de direito suficiente para influir no julgamento da presente ação. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1285786/MA, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA,julgado em 20/05/2010, DJe 31/05/2010) Com essas considerações, conheço em parte do recurso especial e negolhe provimento. É o voto. Comose vê, o entendimento colhido do voto acima transcrito é de que as diferenças de URV recebidas por servidores públicos são tributáveis, fazendose distinção apenas no que se refere aos magistrados, sejam federais ou estaduais, posto que a Resolução n° 245, em seu art 1º, determinou que é de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ou seja, para os magistrados as diferenças de URV foram recebidas na forma de abono variável e provisório e sua isenção foi determinada pela Resolução nº 254, sendo certo que a própria Receita Federal estendeu tal entendimento para os membros do Ministério Público Federal, com supedâneo no Parecer PGFN nº 923/2003. Nestes termos, entendo que a Resolução nº 245 do STF somente se aplica aos magistrados e membros do ministério público, de modo que as diferenças de URV recebidas pelos servidores do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo são tributáveis. Ocorre que os referidos rendimentos, de que cuida o lançamento, foram recebidos de forma acumulada, de modo que devese aplicar o disposto no art. 62A, caput e § Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11610.013575/200713 Resolução nº 2102000.151 S2C1T2 Fl. 53 10 1º, do Anexo II, do RICARF, cuja determinação é no sentido de que sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deverão as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica nos recursos administrativos, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, a controvérsia sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ter o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF reconheceu a repercussão geral na matéria, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 228 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. Ante o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.003506/2010-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.219
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tania Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tania Mara Paschoalin, Jose Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tania Mara Paschoalin, Jose Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tania Mara Paschoalin, Jose Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade do contribuinte recorrente com a Notificação de Lançamento constante da fl. 144 e ss., originada a partir de procedimento de revisão em sua declaração de ajuste anual, do exercício de 2009, onde se verifica a seguinte descrição dos fatos: “Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação Trabalhista. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .0 03 50 6/ 20 10 -1 1 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10183.003506/201011 Resolução nº 2801000.219 S2TE01 Fl. 202 2 de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 144.473,16, auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 4.066,32.” Foi apresentada impugnação ao lançamento, conforme fls. 1, onde contribuinte alega, em síntese, que: Na análise do pedido de antecipação de processamento de declaração que incidiu em malha e apresentada espontaneamente à Receita Federal do Brasil, teve seu pedido negado e inda foi autuado por omissão, mas acredita que houve uma interpretação equivocada dos valores apresentados que passará a demonstrar; Partindo da sentença proferida conforme cópia dos autos do Processo n° 00891.2002.001.23.005, bem como nos termos do Laudo Pericial juntado, temse as seguintes verbas: “indenizatórias, tributação exclusiva e tributáveis”; Em consulta ao plantão fiscal da Receita Federal do Brasil, no intuito de dirimir eventuais dúvidas, fora aconselhado a fazer uma planilha demonstrando todos os valores recebidos, que culminou na entrega da quarta declaração retificadora, planilha que está anexa a seu requerimento. Portanto, vem requerer a impugnação e o devido cancelamento da Notificação de Lançamento, haja vista que procedeu conforme orientação, não omitindo rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação Trabalhista, e requerer a ratificação em todos os termos de sua Declaração Retificadora n° 4. O contribuinte anexou decisões judiciais, da Justiça Trabalhista, onde se discutiu o pagamento de verbas de naturezas diversas, em decorrência de contrato de trabalho que manteve com pessoa jurídica, recebendo, por fim, o “total bruto” de R$ 306.891,64, como informa o documento de fl. 52. A 4º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em Campo Grande/MS, após analisar pormenorizadamente a natureza das verbas trabalhistas recebidas, os cálculos apresentados pelo contribuinte e os valores lançados pela autoridade fiscal, concluiu que: “Conforme verificado acima, considerandose os valores informados pelo perito judicial, a apuração do imposto implica um valor de imposto suplementar ainda maior do que o apurado pela autoridade lançadora. Isso decorre, em grande parte, do fato de a autoridade lançadora ter considerado a totalidade do IRRF (sem excluir a parcela relativa ao décimo terceiro salário). Uma vez que, após a edição da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, que revogaram o parágrafo único do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, não existe mais previsão para agravamento da exigência no julgamento de primeira instância, a exigência deverá permanecer na forma como foi lançado o crédito tributário”. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10183.003506/201011 Resolução nº 2801000.219 S2TE01 Fl. 203 3 Inconformado com a decisão de 1ª instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde repisa cálculos de valores recebidos, brutos e líquidos, manifestase sobre verbas isentas ou não tributáveis, acrescenta que a Receita Federal, de “forma totalmente equivocada, ilegal e abusiva” desconsiderou tais valores que o recorrente “legalmente excluiu da tributação” e os caracterizou como omissão de rendimentos. Por fim, requer que “seja provido o presente recurso reconhecendose a nulidade da autuação”, bem como que seja reconhecida a não incidência do imposto sobre algumas das verbas recebidas em decorrência de rescisão de contrato de trabalho, mediante decisões da justiça trabalhista. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O lançamento versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, decorrentes de reclamação trabalhista, como pode ser constatado pela cópia do Laudo Pericial de fl. 52. Tais rendimentos foram tributados integralmente no mês em que foram recebidos, parte em janeiro de 2008, parte em junho de 2008, como se depreende da “complementação da descrição dos fatos”, constante da Notificação de Lançamento, fl. 06. A constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da Fl. 203DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10183.003506/201011 Resolução nº 2801000.219 S2TE01 Fl. 204 4 isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, que assim dispõe: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 1, de 03 de janeiro de 2012, estabelece que: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Diante do exposto acima, voto por SOBRESTAR o julgamento do presente recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10183.003506/201011 Resolução nº 2801000.219 S2TE01 Fl. 205 5 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /05/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720167/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os Membros deste Colegiado, por maioria de votos, SOBRESTAR o presente julgado, conforme determinação expressa pelo artigo 62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os Membros deste Colegiado, por maioria de votos, SOBRESTAR o presente julgado, conforme determinação expressa pelo artigo 62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Resolvem os Membros deste Colegiado, por maioria de votos, SOBRESTAR o presente julgado, conforme determinação expressa pelo artigo 62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .7 20 16 7/ 20 11 -5 1 Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 12 2 Relatório Contra a empresa epigrafada foram lavrados os autos de infração de fls. 769/810, que se prestaram a exigir o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e respectivos consectários legais, como também a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins e a Contribuição para o PIS/Pasep – PIS, relativos a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2007 (3º e 4º trimestre) e 2008, em razão da constatação de o sujeito passivo, devidamente intimado, não ter comprovado a origem dos depósitos realizados em sua conta bancária. Segundo relatado pelas autoridades fiscais que conduziram o procedimento de auditoria, a fiscalização originouse em atenção à requisição do Ministério Público Federal em São José do Rio Preto, por meio do Ofício MPF nº 3.006/2009 (fl. 719), no contexto de operação realizada pela fiscalização fazendária estadual e as Polícias Civil e Militar, denominada de “Operação Ouro Branco”, que visou apurar fraudes tributárias relacionadas ao mercado de borracha (utilização indevida de créditos de ICMS pelas “indústrias pneumáticas”, a saber: Goodyear do Brasil Produtos de Borracha Ltda e Pirelli Pneus Ltda). Assim como o sujeito passivo das autuações que redundaram no processo ora relatado, também a empresa SP LATEX COMERCIO DE ARTEFATOS DE BORRACHAS LTDA (CNPJ nº 04.303.887/000148) foi objeto de investigação pela Receita Federal, no contexto da mesma operação. No referido TDF, encontramse arroladas “as pessoas da organização” que atuaram nessas empresas, com a descrição individualizada de sua atuação, o esquema da fraude fiscal (que envolvia a participação de “chefes”, “laranjas”, “colaboradores” e “clientes”) e a operação realizada, que envolveu a execução de 30 Mandados de Busca “em diversos estabelecimentos, residências e imóveis rurais”. No desenvolvimento dos trabalhos de auditoria fiscal, a fiscalização federal requisitou “provas emprestadas” já produzidas pela fiscalização estadual e também pelo Ministério Público Estadual, conforme autorização do Juízo de Direito da 5ª Vara Criminal do Fórum de São José do Rio Preto, onde tramitou o processo criminal. O início do procedimento de fiscalização federal deuse por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal, datado de 29/10/2010 (fls. 45/48), por meio do qual requisitou se a apresentação dos livros fiscais e comerciais, além de outros documentos e informações, inclusive dos extratos das contas bancárias da empresa. Acerca do seu conteúdo foi pessoalmente cientificado o gerente de produção da fiscalizada, em 03/11/2011. Relatam as autoridades fiscais que foi procedida representação para fins de inclusão de ofício no quadro societário da fiscalizada do Sr. OSCAR VICTOR ROLLEMBERG HANSEN, em face das constatações ocorridas no procedimento fiscal, quando “ficou comprovado” que ele atuava como “administrador e proprietário de fato da empresa SOLBOR, desde 18/11/2006”, o que foi feito nos termos do art. 26 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.005/2010 (fls. 251/264). Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 13 3 A convicção no sentido que o Sr. OSCAR efetivamente atuou como proprietário e administrador da empresa desenvolveuse em face de “documentos/papéis” apreendidos pela fiscalização estadual, os quais encontramse descritos no TDF (fls. 742/749). Além desses, a fiscalização relatou os seguintes fatos que “também corroboraram a evidenciar que o Sr. Oscar já era o administrador e proprietário de fato da SOLBOR”: A O fato de em 24 de setembro de 2009, no desfecho das investigações da "Operação Ouro Branco", o Sr. Oscar Victor Rollemberg Hansen, acompanhado de seus advogados, compareceu ao Gabinete do GAECOGrupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado Núcleo de São José do Rio Preto SP, na presença dos Promotores de Justiça, para prestar Declaração a Termo. Na referida Declaração, depois de legalmente advertido do direito de permanecer calado sobre o que lhe fosse perguntado, o declarante esclareceu que, até a data da morte de seu pai, Roberto Lucato Hansen, ocorrida em 17 de novembro de 2006, ele não exerceu qualquer ato de administração nos negócios e nas empresas de seu genitor. Após tal fato, por ser herdeiro, tomou a frente administrativa dos negócios e empresas da família, dentre as quais a Solbor e a Agrolatex Agroindustrial (atual SP Látex), conforme fls. 619 a 640; B. O fato de em 07/10/2009, logo em seguida à deflagração da OPERAÇÃO OURO BRANCO (04/09/2009), ter sido formalizada a ALTERAÇÃO DE CONTRATO SOCIAL da empresa SOLBOR BENEFICIAMENTO DE LÁTEX LTDA (registrada na JUCESP em 08/10/2009), em que os sócios Francisco Borges de Sousa Júnior (com 3.000 quotas no valor de R$3.000,00) e Agrícola Carandá Ltda (com 147.000 quotas no valor de R$147.000,00), com o capital já totalmente integralizado, TEREM DOADO (a título GRATUÍTO) a totalidade do capital de R$150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais) a OSCAR VICTOR ROLLEMBERG HANSEN. Caracterizado ficou, que, os sócios laranjas transferiram a totalidade do capital ao real dono e administrador de fato, nada recebendo em contrapartida (doando as quotas), pois, se efetivamente não eram sócios de nada, também nada tinham a receberfls. 97 a 104. Em resposta ao referido Termo de Início de Procedimento Fiscal, a fiscalizada, por meio do referido Sr. Oscar, veio informar a impossibilidade de apresentar alguns dos livros fiscais solicitados, alegando estarem eles de posse da fiscalização estadual (conforme protocolo de entrega apresentado). Apresentou, tãosomente, o contrato social e suas alterações, e requereu mais 90 dias de prazo para a apresentação dos demais livros e documentos solicitados. Foilhe concedido um prazo adicional de 20 dias para tanto. Transcorrido o prazo concedido pelas autoridades fiscais, a fiscalizada manifestouse afirmando que os demais documentos solicitados também estariam “sob a guarda da Receita Estadual, e já foram solicitados conforme protocolo em anexo”. Aduziu, ademais, que: No entanto, a Fiscalizada está aguardando a devolução dos mesmos e, tão logo estes sejam recebidos, a Fiscalizada se compromete a fornecêlos a essa D.Fiscalização, com a devida identificação. Isso se faz necessário para que a Fiscalizada possa segregar e fundamentar os lançamentos bancários, em especial aqueles que derivam de mútuos e/ou outras operações de mero trânsito financeiro, bem como identificar os respectivos comprovantes. ..." Como não houve a apresentação dos extratos bancários, e considerando a existência de interpostas pessoas no quadro societário da fiscalizada, no período objeto da fiscalização, “foi emitida a RMFRequisição de Informação Sobre Movimentação Financeira Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 14 4 ao Banco Bradesco S/A, sob n° 08107002010001010, tendo a referida Instituição Financeira, nos fornecido os dados então solicitados fls. 265 a 618”. E, com base nas informações prestadas pela referida instituição financeira, e “considerando que até aquela data nenhum livro fiscal/contábil ou documento fora apresentado por parte do contribuinte”, foi elaborado o Termo de Intimação e Reintimação Fiscal (fls. 115/123), datado de 25/01/2011, por meio do qual a fiscalizada foi intimada a “comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos ingressados nas contas bancárias de titularidade de V.Sa., cujos créditos encontramse descritos na planilha” integrante do termo. Na mesma oportunidade, a fiscalizada foi reintimada a apresentar os livros comerciais (“Livros Diário e Razão ou Livros Caixa”). Referida intimação foi encaminhada pelos Correios, por meio de correspondência com Aviso de Recebimento (AR), que foi recebida no domicílio tributário da fiscalizada em 01/02/2011. Em resposta a essa intimação, inicialmente o Sr. OSCAR apresentou o Livro Caixa, relativo ao anocalendário de 2008 e informou que não escriturou o livro no ano calendário de 2007. Passados mais alguns dias, protocolou pedido de prorrogação de prazo para o atendimento da comprovação da origem dos créditos bancários, alegando, novamente, que “boa parte” dos documentos ainda estariam de posse da fiscalização estadual. Transcorrido o prazo adicional concedido pela fiscalização (15 dias), a fiscalizada manifestouse informando que “apesar de estar envidando seus melhores esforços, ainda não foi capaz de proceder ao levantamento da documentação solicitada”. A fiscalização analisou as informações contidas no LivroCaixa e concluiu que “os lançamentos efetuados não descreveram os dados necessários à identificação da operação que resultou o respectivo crédito/depósito, simplesmente utilizandose de históricos sem conteúdo esclarecedor, portanto, insuficiente à realização desta Auditoria Fiscal (conforme cópia do LIVRO CAIXA em anexo fls. 126 a 231).” Dessa forma, procedeuse a uma nova intimação para que a fiscalizada comprovasse a origem “dos recursos ingressados em sua conta bancária do Bradesco S/A”, assim como esclarecer a movimentação de valores de suas contas bancárias com origem/destino nas contas bancárias da empresa SP LÁTEX (já referenciada), conforme créditos relacionados nesse novo termo de intimação (fls. 235/247), datado de 21/03/2011, devendo a intimada apresentar “os respectivos comprovantes documentais, hábeis à justificação”. A ciência dessa nova intimação também ocorreu por via postal, cuja correspondência foi recebida em 25/03/2011. E a fiscalizada voltou a se manifestar nos mesmos termos da sua última manifestação. Em face disso, as autoridades fiscais relataram suas conclusões nos seguintes termos (fl. 763): Passados mais de quarenta dias de sua ciência, o contribuinte não apresentou quaisquer documentos comprovantes das operações relacionadas no último Termo lavrado por esta Fiscalização, mencionado anteriormente, tendo, até a presente data, somente apresentado o LIVRO CAIXA do anocalendário de 2008, e mesmo assim, imprestável e insuficiente a qualquer análise, principalmente quanto à auditoria fiscal proposta, já que não traz o devido histórico de cada lançamento efetuado, de forma a identificar a origem dos recursos creditados/depositados ou a aplicação dos recursos debitados na contacorrente do contribuinte (no Banco Bradesco S/A). Em rápida verificação nos lançamentos do referido Livro Caixa, podese observar que não seguiu as Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 15 5 normas contábeis regularmente aceitas, tendo partido de um saldo inicial "ZERO" e ainda efetuando lançamento referente ao ano anterior (2007), como se pode verificar na folha n° 2, logo no primeiro lançamento, com data de 02/01/2008: "integralização de Capital efetuada em 09/06/2007, no valor de R$150.000,00". Se o contribuinte quis demonstrar que durante todo o ano de 2007 só houve aquela entrada de recursos, já que nos declarou (respondendo à Intimação Fiscal) que não houve escrituração do Livro Caixa do anocalendário de 2007, distorcido ficou, já que verificamos ter havido grande movimentação financeira durante o ano de 2007. Se o objetivo do mencionado lançamento (retardado) foi de simplesmente "reforçar" seu CAIXA, também não conseguiu justificálo, pelo fato de ter infringido o princípio temporal, quanto à periodicidade. Concluído o procedimento investigatório, procedeuse a lavratura dos autos de infração já citados, que consideram a apuração do lucro pelo regime de arbitramento, com fulcro no disposto no art. 530, inc. II, do RIR/99, e aplicação da multa qualificada, justificada nos seguintes termos pelas autoridades fiscais: Do até aqui exposto, verificouse as formas dolosas e fraudulentas praticadas pelo contribuinte visando a sonegação dos Tributos incidentes, assim: • Quadro societário com sócios laranjas e omissão do real dono e administrador, conforme "item 1 e respectivos subitens" e "subitem 3.2", retro; • DIPJ Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica entregues com todos os campos de valores "zerados"; • Nenhum documento fiscalcontábil ou comprovante hábil apresentado, assim como nada comprovando quanto à origem dos recursos financeiros depositados/creditados nas contas bancárias. Em relação à utilização de laranjas, as autoridades fiscais manifestaramse nos seguintes termos: O contribuinte desenvolveu suas atividades com quadro societário em nome de "laranjas", ocultando durante todo o período sob fiscalização o seu real administrador e dono de fato, Sr. Oscar Victor Rollemberg Hansen, que somente apareceu como sendo o sócio unipessoal no Instrumento Particular de Alteração de Contrato Social com data de 07/10/2009 (registrado na JUCESP em 08/10/2009), quando recebeu, em DOAÇÃO, todas as quotas dos exsócios (100%), no valor de R$150.000,00 (cento e cinquenta mil reais), ou seja, o real dono da empresa somente passou a fazer parte do quadro societário da mesma, após a deflagração da "Operação Ouro Branco", ficando durante todo o período anterior, que inclui o período total sob fiscalização (2007 e 2008) exercendo suas atividades com o quadro societário composto de interpostas pessoas ("laranjas"), ou seja, operou com fraude e dolo, já que além de ter omitido o verdadeiro dono, também omitiu a respectiva receita decorrente dos depósitos/créditos realizados em sua contacorrente do Banco Bradesco S/A. A tabela 1 do referenciado TDF (fls. 765/766) consolida os valores mensais da omissão de receitas apuradas, relativas aos depósitos bancários sem origem comprovada, cujo montante do período fiscalizado atingiu a cifra de R$ 26.132.905,62. No polo passivo das autuações foi incluído como solidário o referido Sr. OSCAR VICTOR ROLLEMBERG HANSEN (CPF nº 214.423.97896), “por interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, nos termos do art. 124, inciso I, da Lei ns 5.172/66 (Código Tributário Nacional)”, conforme Termo de Sujeição Passiva Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 16 6 Solidária (TSPS) de fls. 813/814. A inclusão do Sr. OSCAR foi justificada nas conclusões do TDF, nos seguintes termos: Como já discorrido no "Item 1" deste Termo, sobre a "Operação Ouro Branco", em que no período sob fiscalização, claro ficou que o Sr. Oscar tanto foi o dono e administrador da Solbor quanto da SP Látex. Também ficou demonstrado no "subitem 3.4", que as transações financeiras entre as duas empresas foram intensas, de forma que os saldos credores das contas bancárias da SP Látex foram quase que totalmente transferidos/canalizados para a conta corrente da Solbor, no Banco Bradesco S/A (já que eram do mesmo dono). Nem necessitamos de outras requisições mais aprofundadas às Instituições Financeiras quanto aos lançamentos debitados nas contas bancárias das referidas empresas para se constatar que o Sr. Oscar (pessoa física) se beneficiou direta e/ou indiretamente dos recursos financeiros oriundos da atividade econômica exercida por ambas, podendo ser simplesmente detectado pelos históricos de alguns dos respectivos lançamentos, relacionados a seguir ... Também segue em anexo, o comprovante de depósito de 16/03/2007, no valor de R$1.385,00 creditado no Banco Real Agência 08150, Conta 87292671, a favor de OSCAR VICTOR ROLLEMBERG HANSEN, cujo cheque depositado foi emitido por AGROLATEX AGROINDUSTRIAL LTDA (atual SP Látex), do Banco do Brasil Agência 33715, conta 78956. O referido depósito foi apreendido na posse do sócio laranja da Solbor, Sr. Francisco Borges de Sousa Junior, através do AALD n° 18298094, de 04/09/2009 fis. 659 a 666. A ciência dos autos de infração, assim como do TSPS, foi procedida por meio de correspondências enviadas pelos Correios, recebidas em 22/06/2011, conforme fazem prova os Avisos de Recebimento de fls. 815/817. O sujeito passivo interpôs impugnação aos lançamentos em 22/07/2011, conforme peça de fls. 820/843, firmada por procuradora regularmente estabelecida (fls. 844/846), alegando, em síntese, que: a) a impugnação é tempestiva; b) “é pessoa jurídica de direito privado constituída na forma de sociedade limitada, que se dedica à industrialização do produto Granulado Escuro Brasileiro GEB vendido como matériaprima para indústrias pneumáticas e fabricado pela Impugnante a partir do cernambi (resultado de tratamento do látex extraído da seringueira), adquirido de produtores rurais”; c) “em sede preliminar, necessário se faz demonstrar que o presente Auto de Infração deve ser cancelado em razão da sua precariedade”. Isso porque “as provas utilizadas como base do presente Auto de Infração não comprovam a ocorrência de qualquer ilícito em relação aos tributos administrados na esfera federal”. É que referidas provas foram obtidas no âmbito da chamada operação “Ouro Branco”, a qual “tinha como objetivo específico apurar supostos crimes de sonegação fiscal ocorridos na esfera estadual”, nela não havendo qualquer menção de que “as empresas investigadas teriam cometido supostos crimes relativos a tributos federais”; d) portanto, “a prova que deu origem ao presente Auto de Infração não tem aptidão de demonstrar qualquer envolvimento de sócios ou terceiros com o não pagamento de tributos federais devidos pela Impugnante. E, nesse sentido, também não é suficiente para justificar a desconsideração da personalidade jurídica da Impugnante ou a responsabilização do Sr. Hansen com base no artigo 124, inc. I do Código Tributário Nacional”. Ademais, no lançamento de ofício o ônus da prova (“seguras e Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 17 7 convincentes”) recai sobre a fiscalização, conforme determina o art. 142 do CTN. Nesse sentido já se manifestou a jurisprudência administrativa, conforme ementas de acórdãos transcritas; e) “admitir que a operação OURO BRANCO seja suficiente como prova emprestada para provar (ou mesmo indicar) a ocorrência de ilícitos na esfera federal é afrontar o direito à ampla defesa e ao contraditório, previstos constitucionalmente”. Com efeito, “nos termos do entendimento pacífico do A. Supremo Tribunal Federal, não há que se falar em crime contra a ordem tributária antes de confirmada, na esfera administrativa, após o pleno exercício do devido processo legal, a existência, liquidez e exigibilidade da dívida, que deve ser objeto de lançamento regular pela autoridade administrativa, franqueandose, ato contínuo, ampla oportunidade para o sujeito passivo discutilo”. E no caso concreto tanto a impugnante como o Sr. OSCAR estão contestando a acusação do Fisco estadual, “sendo que o processo administrativo ainda está em trâmite, conforme fazem prova os inclusos documentos”; f) quanto à acusação da “suposta” omissão de receitas, encontravase impossibilitada de comprovar a origem dos depósitos bancários porque a documentação necessária para tanto se encontrava em poder da fiscalização estadual. Entretanto, “disponibilizou livrocaixa, devidamente escriturado, para auxiliar à D. Fiscalização em seu trabalho, enquanto tais dificuldades ainda não fossem superadas”; g) houve violação ao princípio da ampla defesa (e do contraditório) porque não deixou de comprovar a origem dos depósitos bancários e sim se encontrava impossibilitada de comproválos. Assim sendo, “não pode ser enquadrada na mesma categoria” dos contribuintes que se recusam de fazer tal comprovação, sob pena de “violação do princípio constitucional da igualdade em matéria tributária”; h) reconhece que “até o presente momento, a Impugnante não foi capaz de prestar todas as informações requisitadas, mas jamais se recusou a prestálas”; i) “não podem os depósitos bancários da Impugnante serem considerados omissão de receitas sem que isso tenha sido devidamente comprovado, o que, em nenhum momento, foi feito”; j) “o fato de a legislação admitir a tributação de depósitos não comprovados como omissão de receitas, não autoriza a Fiscalização a tributar, indiscriminadamente, toda e qualquer movimentação bancária. A tributação, quando cabível, deve ocorrer apenas após análise criteriosa da movimentação, pessoas envolvidas (origem e destino dos recursos) e documentação existente. A aplicação da lei não é uma atividade matemática, mas exige ponderação de fatos envolvidos, provas, elementos materiais e, especialmente, contexto. E o contexto da omissão de receitas não despreza, em nenhuma hipótese, o princípio da verdade material e da verificação de renda”, para não tornar o instituto legal em uma “arma a serviço do arbítrio e da injustiça”; k) “além de todas as ilegalidades e abusos expostos acima, o Auto de Infração em análise padece de vício insanável de dupla tributação de valores (bis in idem)”. Isso porque os lançamentos incluíram em sua base de cálculo valores de movimentação bancária da empresa SP LATEX, que foram objeto de lançamento efetuado contra ela (Processo Administrativo 16004720.166/201115). “Efetivamente, durante os anos de 2007 e 2008, a SP Látex transferiu parte de seus recursos para a Impugnante a título meramente gerencial e para suprimento de caixa e concentração dos fluxos em um só caixa. Essa transferência não gerou renda para a Impugnante, uma vez que não lhe trouxe qualquer acréscimo patrimonial. Ao contrário, esses recursos eram renda da SP Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 18 8 Látex possivelmente derivados de suas atividades regulares, e por ela foram (ou deveriam ter sido) regulamente oferecidos à tributação”. Os depósitos recebidos da SP LATEX, “cuja origem, aliás, foi perfeitamente identificada pela Fiscalização, foram originados da própria SP Látex”; l) a configuração, no caso concreto, da ocorrência do bis in idem impõe o cancelamento integral do auto de infração, “que incorreu em vício de iliquidez e incerteza”; m) a multa aplicada nos lançamentos é ilegítima porquanto tem caráter confiscatório. Ademais, a majoração do percentual básico não se aplica ao caso em tela porque “a Impugnante sempre prestou todas as informações ao Fisco na medida do possível, buscando apresentar toda a documentação requisitada durante a ação fiscalizatória que, inclusive, foi o que permitiu a materialização do lançamento em questão , sendo nítida a sua boafé”; n) ainda quanto à multa exasperada, as hipótese prescritas no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 não definem “de forma precisa a acepção que a D. Fiscalização teve com relação à conduta da Impugnante”. E essa situação deixa a impugnante “sem referência com respeito ao entendimento da D. Fiscalização sobre a sua própria conduta, i.e., que ação ensejou a capitulação da multa aplicada no Auto de Infração”. Isso é razão suficiente para o cancelamento da multa lançada, porque impossibilita o exercício da defesa “de forma ampla e adequada”. Não sabe ela, enfim, se descumpriu uma obrigação acessória ou qualquer das hipóteses prescritas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64; o) de resto, a respeito da multa aplicada nos autos, o antigo Conselho de Contribuintes já decidiu que a não se aplica a majoração da multa nos casos de “indícios ou mera presunção de omissão de receitas”, conforme se denota da ementa da decisão colacionada; p) a exigência de juros de mora sobre a multa lançada, “prática reiteradamente realizada pelas autoridades fiscais na lavratura de autos de infração”, é ilegal porque contraria o disposto no art. 61 da Lei nº 9.430/96, como já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes e também a Câmara Superior de Recursos Fiscais (citações). “Assim, na remota hipótese de ser mantido o lançamento aqui combatido, não há que se admitir a incidência de juros sobre a parcela da multa de ofício”; Concluiu requerendo o cancelamento dos lançamentos. “Sucessivamente”, requereu o cancelamento da multa ou, no mínimo, “a sua relevação”, assim como o cancelamento “da parcela dos juros incidente sobre a multa”. O Sr. OSCAR VICTOR ROLLEMBERG HANSEN também interpôs peça reclamatória (fls. 852/868 e anexos), “irresignado com os termos do Auto de Infração que o incluiu como responsável solidário”, que foi igualmente protocolada em 22/07/2011, e veio firmada por procuradoras regularmente estabelecidas (fls. 871/874). Na referida peça foram esposados os mesmos argumentos apresentados recém resumidos, acrescidos de específicos protestos acerca da sujeição passiva solidária, que seguem sintetizados: a) “jamais poderia ter sido responsabilizado solidariamente pelo débito da autuação ora combatida, tendo em vista que a empresa SOLBOR continua ativa e operando regularmente. Dessa forma, não há qualquer motivo para responsabilização solidária do Impugnante pelos tributos federais de uma empresa que está ativa perante a Secretaria da Receita Federal e Secretaria da Fazenda Estadual cumprindo com todas as suas obrigações tributárias”. Os documentos anexados ao recurso, que incluem cópias Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 19 9 de notas fiscais emitidas nesse ano de 2011 (assim como folha de salários pagos), comprovam sua situação ativa; b) ademais, em razão de ter sido enquadrada em regime especial de fiscalização pelo Fisco Estadual, até julho de 2010, suas operações eram rigorosamente fiscalizadas, fato esse que comprova sua regularidade; c) se a regularidade da empresa não bastar para excluir sua responsabilidade solidária, há que se considerar que, de qualquer forma, é ilegítima a sua figuração no pólo passivo da exigência fiscal, “pois, ao contrário do que estabelece o artigo 124, I, do CTN não existe qualquer interesse comum do Impugnante na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”; d) a definição da “verdadeira extensão e alcance semântico da expressão interesse comum”, é árida tarefa de interpretação para o “aplicador do Direito”, em razão da sua “vagueza e imprecisão”, como já oportunamente assinalado por Paulo de Barros Carvalho (citação). Por isso mesmo, na análise em questão impõese uma “extrema cautela” do intérprete/aplicador, “vigiando para que não haja transgressões à regra que estabelece a responsabilidade solidária em matéria tributária”, como alertado por “Marcus Vinícius Neder, Ilmo. Presidente da Sétima Câmara do E. Primeiro Conselho de Contribuintes” (citação). A lição que se extrai é que “a eleição de terceiro à condição de responsável solidário da obrigação tributária deverá atentar que, além de estar relacionado ao fato gerador, a pessoa física ou jurídica deverá possuir interesse jurídico comum em relação ao contribuinte ou responsável tributário. Esse interesse jurídico deverá decorrer da própria relação jurídica subjacente ao fato gerador da obrigação tributária, estando ambos terceiro e contribuinte do mesmo lado dessa relação jurídica que é pano de fundo da exação fiscal”. E “o entendimento do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é no sentido de que a responsabilização de terceiro pelo pagamento do tributo exige que este também participe da conduta que gera a obrigação tributária” (citação); e) o caso em tela reflete situação semelhante àquelas cuja a responsabilidade solidária pelo interesse comum foi afastada pelo CARF, “por meio dos julgados acima mencionados, nos quais se ampliou indevidamente a abrangência do dispositivo em tela para elencar como solidários terceiros que jamais participaram das condutas que geraram os fatos geradores autuados”; f) além das decisões/situações comentadas o atual CARF também já se posicionou no sentido de que “para que possa ser levado à condição de responsável solidário, o terceiro deve estar numa posição tal que possa ser considerado contribuinte, nos termos do artigo 121 do CTN” (citação). E, no caso concreto, “em nenhum momento ficou comprovado pela Fiscalização que o Impugnante participou das operações que constituíram o fato gerador dos tributos exigidos da SOLBOR”, assim como também não “ficou demonstrado que o Impugnante agiu com o objetivo de obter vantagens indevidas com o suposto não recolhimento dos tributos federais”; g) “as pretensas provas anexadas a esses autos pela Fiscalização não tiveram como condão demonstrar que o Impugnante teria obtido qualquer vantagem ilícita com o suposto recolhimento a menor de tributos federais”. Ademais, a simples falta de recolhimento de tributos não autoriza a responsabilização dos sócios e o redirecionamento da execução fiscal. Por fim, o fato de não figurar no contrato social da empresa “não é ilícito suficiente a comprovar que o Impugnante agiu com excesso de poderes e infração à lei que deu origem aos créditos tributários federais objeto do lançamento”. Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 20 10 O impugnante concluiu requerendo, “preliminarmente, o reconhecimento da precariedade do Auto de Infração”, que deve ser julgado improcedente. “No mérito”, pleiteou sua exclusão do pólo passivo. A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP), decidiu a matéria, por meio do Acórdão 1435.791, de 10/11/2011, julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. ILÍCITO TRIBUTÁRIO ESTADUAL. PROCESSO CRIMINAL. PROVA EMPRESTADA. INOCORRÊNCIA. Evidenciado nos autos que os créditos tributários contestados foram apurados a partir de provas obtidas diretamente no procedimento de auditoria do Fisco Federal, e não de prova emprestada produzida pelo Fisco Estadual, não há que se falar de dependência da lide administrativa estadual, assim como da solução do processo criminal, para fins do julgamento dessa instância. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CSLL. PIS. COFINS. Lavrado o auto principal (IRPJ), devem também ser lavrados os autos reflexos, nos termos do art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95, que devem seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem, observadas as especificidades de cada um. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA/IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 “BIS IN IDEM”. INOCORRÊNCIA. Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 21 11 Não se comprova nos autos a alegada bis in idem, uma vez que cada exigência fiscal contestada recaiu sobre os respectivos créditos bancários das empresas fiscalizadas, os quais demandam comprovação documental de que não se tratam de receitas tributáveis. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o evidente intuito de fraude. LANÇAMENTO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Os juros de mora que integraram os créditos tributários incidiram tãosomente sobre os respectivos valores dos tributos lançados. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOGERENTE DE FATO. INTERESSE COMUM. Comprovado nos autos que o sujeito passivo solidário efetivamente atuou como sóciogerente da empresa, consubstanciada encontrase a relação de interesse comum entre esse e a sociedade que gerenciava, uma vez que o auferimento de resultados dela diretamente o beneficiava. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 22 12 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas, Relator. Trata a lide de exigência de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS), formalizados em razão da constatação de o sujeito passivo, devidamente intimado, não ter comprovado a origem dos depósitos realizados em sua conta bancária. Em primeiro plano necessário esclarecer que, constatase do extenso e bem elaborado relatório dos autos que entre as matérias que objetivaram a lavratura do auto de infração em deslinde consta que os extratos bancários utilizados pela autoridade fiscal foram obtidos por meio de requisições de movimentação financeiras (RMF) junto ao Banco Bradesco. Em conseqüência e por disposições regimentais vigentes, aprecio, em primeiro lugar, a possibilidade de prosseguimento do julgamento submetido a este Colegiado. Constatada que dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, no que diz respeito ao princípio da legalidade do qual a autoridade administrativa não pode se afastar, está a questão inerente ao acesso dos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal, enfatizese ser a matéria principal dos presentes autos. No caso, tal matéria encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal em âmbito de Repercussão Geral, existindo representativo da controvérsia, e, portanto, presente a regra contida nos §§ 1º e 2º do artigo 62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, pelo que se impõe, de ofício, sobrestarse o feito até que sobrevenha decisão definitiva no Leadin Case, de forma a pacificar o entendimento prestigiandose a decisão da Corte Suprema e evitandose discussões desnecessárias. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Confirase abaixo a regra regimental aludida quanto ao processamento e julgamento junto ao CARF, o artigo 62A, parágrafos 1o. e 2o., do Regimento Interno, assim dispõe : Art. 62... § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Sendo assim, decido de ofício o sobrestamento do feito. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 10980.004695/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ ALBERTO SPITZ.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ ALBERTO SPITZ. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Paulo Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 04 69 5/ 20 09 -1 1 Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.508 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, LUIZ ALBERTO SPITZ, lavrouse contra o epigrafado Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao ano calendário de 2005, fls. 296 a 302, exigindo R$ 768.198,09 de imposto e R$ 576.148,56 de multa de ofício de 75%, além dos juros de mora, em razão da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Notase, da análise cuidadosa do processo, que os depósitos bancários em análise foram sido obtidas as informações mediantes RMFs de fls. 78. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.508 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314), bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.508 S2C2T2 Fl. 5 4 SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.508 S2C2T2 Fl. 6 5 AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.508 S2C2T2 Fl. 7 6 AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10120.002992/2010-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, determinar o SOBRESTAMENTO do processo, enquanto não sobrevier decisão do Supremo Tribunal Federal para o RE nº 240.785.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benicio Junior, Edeli Pereira Bessa, Jose Ricardo da Silva, Monica Sionara Schpallir Calijuri, Nara Cristina Takeda Ausente e Mônica Sionara Schpallir Calijuri.
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Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, determinar o SOBRESTAMENTO do processo, enquanto não sobrevier decisão do Supremo Tribunal Federal para o RE nº 240.785. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benicio Junior, Edeli Pereira Bessa, Jose Ricardo da Silva, Monica Sionara Schpallir Calijuri, Nara Cristina Takeda Ausente e Mônica Sionara Schpallir Calijuri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 02 99 2/ 20 10 -8 7 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório O contribuinte intimado por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal a apresentar os livros e documentos fiscais e contábeis referentes ao anocalendário 2007. Ante a não entrega dos livros contábeis (Diário e Razão ou Caixa), a contribuinte foi reintimada a apresentar os documentos faltantes, mas não atendeu ao pedido da Fiscalização. Diante da inação do contribuinte, a Fiscalização arbitroulhe o lucro, utilizando como base os valores das receitas brutas mensais constantes do Livro de Registro de Apuração de ICMS. Enquanto esses valores haviam sido declarados à Secretaria de Fazenda do Estado de Goiás, o contribuinte declarou valores zerados à Receita Federal. por meio da DIPJ 2008 (ano calendário 2007). Foi lavrado auto de infração exigindo IRPJ e CSLL (que chegou a este Conselho com o número de processo 10120.002993/201021); o presente processo decorrente do auto de infração que exige o PIS e a COFINS; ainda foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais, que consta do processo n. 10120.003034/201023. O contribuinte argüiu, em síntese, (i) a ilegalidade do procedimento fiscal, pugnando pela suficiência dos documentos apresentados; (ii) questiona o arbitramento, pois ele seria necessário apenas na hipótese de a pessoa jurídica ter deixado de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, o que não ocorrera; (iii) não comprovado o evidente intuito de fraude; (iv) e o valor do ICMS destacado na nota fiscal não deveria ter sido incluído na base de cálculo das contribuições (e cita precedente do STF). A DRJ julgou improcedente a impugnação, afirmando que não houve arbitramento de lucros, uma vez que a base de cálculo utilizada pela fiscalização foi o valor das receitas brutas mensais constantes do Livro de Registro de Apuração do ICMS, o que estaria em consonância com o base de cálculo própria das contribuições. Quanto à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, a DRJ manifestouse, afirmando que a Autoridade Administrativa não pode se furtar ao cumprimento da legislação tributária, pois sua atividade é plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. A douta DRJ analisa o argumento da Contribuinte que pugna pela aplicação da tese defendida pelo Min. Marco Aurélio em Recurso Extraordinário que lhe é favorável. Diz a Autoridade Julgadora de 1ª instância que o julgamento ainda não transitou em julgado e que o resultado daquele julgamento não aproveitaria a terceiros. Manteve ainda a DRJ a multa qualificada. O Recurso Voluntário argui, em síntese, (i) a nulidade do Auto de Infração por não ter o Fisco aprofundado a investigação e a colheita dos elementos de prova; (ii) a nulidade pela utilização dos valores destacados em notas fiscais de entrada e de saída de mercadorias como a base de cálculo, ao invés do faturamento; (iii) a impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; (iv) e a indevida qualificação da multa, uma vez que não ficou comprovado o evidente intuito de fraude. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.002992/201087 Resolução nº 1101000.105 S1C1T1 Fl. 4 3 Analisada a peça recursal pela 3ª Seção deste Conselho, entenderam por bem declinar a competência a esta 1ª Seção de Julgamento, porque o lançamento de PIS e de COFINS ora analisado é reflexo a infrações que deram azo à lavratura de Auto de Infração de IRPJ. Cabe ainda ressaltar que o processo administrativo n. 10120002993201021, referente às exigências de IRPJ e de CSLL, foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção, em junho de 2013, tendo sido negado provimento ao Recurso Voluntário. Aquele acórdão, porém, não se encontra formalizado. É o relatório Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR O Recurso Voluntário é tempestivo e, assim, dele tomo conhecimento. Dentre os pontos sob questionamento está a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Essa matéria está sob análise do Supremo Tribunal Federal, que recebeu o Recurso Extraordinário n. 240.785, reconhecendolhe a repercussão geral. Entendo que a análise do presente feito não pode ter lugar no momento presente, revelandose imperioso o seu sobrestamento, na esteira do §1o do art. 62A do Regimento Interno deste Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que reza, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. §1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. No que tange ao tema em referência, é inquestionável que o Supremo Tribunal vem sobrestando feitos que versam sobre a questão em análise – ante o reconhecimento da repercussão geral no Recurso Extraordinário n. 240.785–, o que se depreende da leitura do seguinte decisum, prolatado nos autos do Recurso Extraordinário n. 574.7069, litteris: Fl. 185DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.002992/201087 Resolução nº 1101000.105 S1C1T1 Fl. 5 4 “Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Grace”. (Recurso Extraordinário n. 574.7069, relatoria Ministra Cármen Lúcia) Nessa senda, diante da hialina incidência do supracitado §1o do art. 62A, determino o SOBRESTAMENTO do vertente feito até deslinde final do Recurso Extraordinário n. 240.785, em que se reconheceu a Repercussão Geral da quaestio iuris de que se cuida. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 186DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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