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Numero do processo: 10925.000579/2003-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000
DECADÊNCIA.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula CARF nº 38).
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997.
A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento.
MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CABAL DA OCORRÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA. EXCLUSÃO.
Deve ser afastada a multa qualificada quando não se extrai dos autos a comprovação cabal da ocorrência de conduta dolosa do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2402-006.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a ocorrência da decadência em relação ao ano-calendário de 1997 e excluindo a qualificadora da multa de ofício, reduzindo seu percentual ao patamar ordinário de 75%.
Julgamento realizado na sessão de 17/1/19, com início às 14h.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente MARIA SALOMÉ MARIA DIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000 DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário (Súmula CARF nº 38). NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CABAL DA OCORRÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA. EXCLUSÃO. Deve ser afastada a multa qualificada quando não se extrai dos autos a comprovação cabal da ocorrência de conduta dolosa do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 05 79 /2 00 3- 93 Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.148 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a ocorrência da decadência em relação ao anocalendário de 1997 e excluindo a qualificadora da multa de ofício, reduzindo seu percentual ao patamar ordinário de 75%. Julgamento realizado na sessão de 17/1/19, com início às 14h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sérgio da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 4ª Tuma da DRJ/FNS, consubstanciada no Acórdão nº 2.970 (fls. 985 e seguintes), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Por meio do Auto de Infração às folhas 03 a 10, foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 64.962,27 (sessenta e quatro mil, novecentos e sessenta e dois reais e vinte e sete centavos), a título de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, acrescida de multa de ofício de 150 % e encargos legais devidos à época do pagamento, referente aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1997 a 2000. Em consulta à “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, às folhas 04 e 05, e ao “Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal”, às folhas ll a 20, verificase que a autuação se deu em razão da constatação da ocorrência de omissão de receitas, como caracterizado pela existência de valores creditados em contas bancárias, cujas origens não Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.149 3 logrou o contribuinte comprovar. Assim, com fundamento no artigo 42 da Lei n.° 9.430/96, foi efetuado o lançamento objeto do presente processo. Formalizada a autuação, foi a exação devida exigida com a adição de multa de ofício agravada de 150%, isto em face de que a conduta da contribuinte estaria a evidenciar intuito fraudulento, nos termos do inciso II do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96. Em razão da presença deste pretenso intuito de fraude é que foi formalizada, também, a representação fiscal para fins penais prevista na Portaria SRF n.° 2.752/2001 (constante do processo n.° 10925000580/200318). Irresignado com o feito fiscal, encaminhou o contribuinte, por meio de seu procurador mandato à folha 851, a impugnação às folhas 799 a 850, na qual expõe suas razões. Preliminarmente, alega o contribuinte, no item 02, as folhas 801 a 805, que à época do lançamento já não poderiam ter sido lançados os valores referentes aos fatos geradores ocorridos antes de 01/05/1998, pois em relação a eles já teria se operado a decadência do direito de a Fazenda Nacional assim proceder, nos termos do parágrafo 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional CTN. Como expressa de forma literal: “o lançamento de ofício foi cientificado à Impugnante somente em 02/05/2003, quando já havia expirado o prazo para a Fazenda Pública rever os lançamentos relativos a fatos geradores ocorridos antes de 01/05/1998, uma vez que já estavam homologados tacitamente” (folha 802). Entre as folhas 802 e 805, junta exemplos da jurisprudência administrativa que estariam a corroborar sua tese. No item 03, às folhas 805 a 808, alega o contribuinte a “inexistência de pressuposto para a imposição da multa agravada”. Afirma que atendeu a todas as intimações fiscais e que apresentou espontaneamente todos os seus extratos bancários, não havendo, nos autos, circunstâncias que justifiquem a majoração da penalidade. Traz novos exemplos da jurisprudência administrativa dando conta de que a falta de comprovação da fraude toma inaplicável a penalidade agravada. Já no item 04, às folhas 808 a 810, contesta o contribuinte a caracterização da omissão de receitas, fazendo por via da alegação de que a situação concreta estaria dentro dos limites dos parágrafos 3º e 6º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Afirma que, como o parágrafo 3° manda desconsiderar os valores inferiores a R$ 12.000,00 quando eles não somarem R$ 80.000,00 e o parágrafo 6° manda dividir entre os titulares de contas bancárias conjuntas os valores não justificados, não teriam sido ultrapassados aqueles limites em nenhum dos anos calendário fiscalizados. Alega que o valor total não justificado, depois de dividido com sua esposa e com seu filho Fernando, que são cotitulares das contas bancárias, ficaria dentro dos limites Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.150 4 definidos na norma, razão pela qual a omissão de receitas não teria restado evidenciada. Uma vez mais, traz exemplo da jurisprudência administrativa, com o fim de ver respaldada sua afirmação. A seguir, no item 05, às folhas 810 a 844, alega o contribuinte que “possui a devida origem de recursos para todos os depósitos realizados em suas contas bancárias” (folha 810) e afirma que autoridade fiscal teria desconsiderado as seguintes origens de recursos: (a) saque de R$ 2.706,00, referente à restituição de empréstimo compulsório associado à aquisição de veículo no ano de 1986; (b) “alvarás de receifa.de clientes” (folha 810), item sob o qual estão listados valores que, à evidência, teriam sido recebidos de clientes por conta de ações judiciais propostas (documentos às folhas 903 a 907); (c) “folhas de pagamento anexa” (folhas 810 e 811), item sob o qual estão listados valores que teriam sido recebidos a título de 'salários (os contracheques que estariam a respaldar os recebimentos estão às folhas 852 a 878); (d) “benefício da Previ de SEDENIR TAVARES DIAS” (folhas 811 e 812) e “benefício previdenciário de Sedenir Tavares Dias, sacados diretamente com o cartão de benefício” (folha 812), itens sob os quais estão listados os valores que teriam sido recebidos àqueles títulos (os documentos que estariam a respaldar os recebimentos 'estão às folhas 879 a 899); (e) devolução de empréstimo por parte de Luiz Antonio Ribeiro (folhas 812 e 813), efetuada por via de vários depósitos nas contas bancárias. Junta, à folha 914, declaração do mutuário, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções; (f) devolução de empréstimo por parte de Lar Imóveis Ltda. (folhas 813 e 814), efetuada por vários depósitos nas contas bancárias. Junta, às folhas 908 a 910, declaração da mutuária, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções; (g) empréstimo obtido junto a Aleodir Cavali, em junho de 2000, no valor de R$ 25.000,00 (folha 814). Junta, à folha 911, declaração do mutuante, com o fim de comprovar a existência do empréstimo; (h) venda, em 10/03/1998, de um automóvel para Adauto Luiz Viero, por R$ 4.000,00 (folha 814). Junta, à folha 912, declaração do comprador, com o fim de comprovar a realização do negócio; (i) empréstimo obtido junto a José Bittencourt Maria, no valor de R$ 7.000,00, devolvido no mesmo ano (folha 814). Junta, ã Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.151 5 folha 913, declaração do mutuante, com o fim de comprovar a existência do empréstimo; (j) R$ 6.700,00 relativos a depósito efetuado por Ivanor Luiz Maestri e relativo a ação judicial proposta contra a TELESC (folha 814). Junta, à folha 915, declaração do depositante, e às folhas 975 a 980, documentos relativos ã ação judicial mencionada, com o fim de comprovar a veracidade da alegação; (k) valores recebidos do Sindicato Rural de Capinzal, e que serviriam para pagamento de credores da empresa Teixeira Júnior. Os valores aparecem listados à folha 814 e estão instrumentados por declaração daquele Sindicato, à folha 924, e por demonstrativos relativos às suas composições, às folhas 925 a 940; (l) depósito no valor de R$ 15.450,00 por parte de Luiz Antonio Ribeiro, efetuado com o fim de reembolsar o contribuinte por empréstimo que este teria contraído em nome daquele. Junta, à folha 923, declaração do depositante, com o fim de comprovar a operação alegada; (m) devolução de empréstimo por parte de Odir Fontana (folha 814), efetuada por vários depósitos nas contas bancárias. Junta, ã folha 921, declaração do mutuário, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções; (n) devolução de empréstimo por parte de Cleonir Fontana (folha 815), efetuada por vários depósitos nas contas bancárias. Junta, à folha 920, declaração do mutuário, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções; (o) empréstimo obtido junto a Pedro Télis Panis, no valor de R$ 28.379,60 (folha 815). Junta, à folha 922, declaração do mutuante, com o fim de comprovar a existência do empréstimo; (p) depósitos efetuados pela empresa Sedenir Tavares Dias e Cia. Ltda. nas contas bancárias fiscalizadas (folhas 815 a 821). Junta demonstrativo dos depósitos e declaração da pessoa jurídica, às folhas 941 a 949, com o fim de comprovar as operações alegadas; (q) “valores contabilizados na empresa Comércio e Transportes Alto Alegre Ltda. e não considerados pela fiscalização” (folha 821); (r) “valores contabilizados na empresa Cerâmica Leal Ltda. e não considerados pela fiscalização” (folhas 821 e 822); (s) “saque através de guias de retiradas ou cheques das próprias contas para depósito total ou parcial, na mesma data ou em data posterior em contas de propriedade dos impugnantes (inciso I do § 3.” da Lei 9430/96)” (folhas 822 a 844). Junta lista relativa a estas operações. Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.152 6 Por fim, no item 06, às folhas 844 a 850, faz o contribuinte, com escudo em posições doutrinárias e jurisprudenciais, a defesa da tese de que a existência de depósitos bancários não é causa, por si só, para a caracterização da omissão de receitas. Elenca razões de variada ordem que não serão aqui minudentemente relatoriadas, em face daquilo que se declarará no voto deste Acórdão. A DRJ julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 2.970 (fls. 985 e seguintes), cuja ementa segue abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anoca1endário: 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa; DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO Constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos para lançamentos referentes ao IRPF, deslocase da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO – O reiteramento da conduta ilícita ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APLICABILIDADE É aplicável a multa de ofício agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: AFIRMAÇOES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO – O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. Lançamento Procedente Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.153 7 Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 1.007 e seguintes, reiterando os termos da impugnação apresentada. Por meio do Acórdão nº 10248.880 (fls. 1.074 e seguintes), foi dado provimento ao recurso voluntário do contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Exercício: 1998 Ementa: LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. Nos casos de contas bancadas em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e a infração de omissão de rendimentos deverá, necessariamente, ser imputada, em proporções iguais, entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto. Recurso provido. Contra a referida decisão a PGFN interpôs o competente recurso especial, o qual restou provido pela CSRF, nos seguintes termos: todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, a fim de elidir autuação, com base na presunção legal de omissão de receitas. In casu, houve a comprovação de que o cônjuge, respondendo desde o início a procedimento fiscal similar foi que, em sua quase totalidade responsável pela prestação de informações. Devolvase a câmara a quo para apreciação das questões não apreciadas (Acórdão nº 9202006.271, fls. 1.134 e seguintes). É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Da Decadência Aduz o Recorrente, em sede de preliminar, a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário referente aos depósitos bancários anteriores a 01/05/1998, à luz do art. 150, § 4º do CTN. Pois bem! Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.154 8 Sobre a matéria, o CARF possui o entendimento firme de que o fato gerador do imposto sobre a renda, nos casos de omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, como no caso concreto, considerase ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário. Esta é, inclusive, uma matéria sumulada por este Conselho. Vejamos o teor da Súmula CARF nº 38: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Assim, e sem mais delongas, como o caso vertente tem por objeto o IRPF referente aos AnosCalendários de 1997, 1998, 1999 e 2000, consideramse ocorridos os fatos geradores em 31/12/1997, 31/12/1998, 31/12/1999 e 31/12/2000, nos termos da Súmula CARF nº 38 em destaque. Pois bem!! Para os rendimentos sujeitos ao ajuste anual, a Lei 9.250/95, art. 7º e art. 13, parágrafo único, dispõem que: Art. 7º A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano calendário subsequente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. Art. 13. O montante determinado na forma do artigo anterior constituirá, se positivo, saldo do imposto a pagar e, se negativo, valor a ser restituído. Parágrafo único. Quando positivo, o saldo do imposto deverá ser pago até o último dia útil do mês fixado para a entrega da declaração de rendimentos. Tais dispositivos legais conferem ao imposto sobre a renda os contornos de um lançamento por homologação, aplicandose então, para se apurar a decadência, o comando do CTN, art. 150, § 4º. No presente caso, tendo o contribuinte apurado IRRF, conforme se infere das cópias das Declarações de Ajuste Anual acostadas aos autos a partir das fls. 48, resta indubitável a aplicação do comando inserto no susodito art. 150, § 4º do CTN, pelo que resta configurada a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento objeto do presente processo, conforme tabela abaixo: Ano Calendário Fato Gerador Termo Inicial (da decadência) Termo Final (da decadência) Ciência do Lançamento¹ Decaído? 1997 31/12/1997 31/12/1997 31/12/2002 02/05/2003 Sim 1998 31/12/1998 31/12/1998 31/12/2003 02/05/2003 Não 1999 31/12/1999 31/12/1999 31/12/2004 02/05/2003 Não 2000 31/12/2000 31/12/2000 31/12/2005 02/05/2003 Não ¹ AR fls. 802 Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.155 9 Assim, voto por acolher, em parte, a preliminar de decadência suscitada, declarando extinto o crédito tributário referente ao anocalendário de 1997. Do Mérito No que tange ao mérito, conforme exposto no relatório, o Recorrente, em sua peça recursal, reitera os termos da impugnação apresentada. Neste espeque, em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor, com exceção, apenas, da matéria referente à multa agravada, que será objeto de análise em tópico específico do presente voto: Não Caraterização da Omissão de Receitas (item 04, às folhas 808 a 810) Já no item 04, às folhas 808 a 810, contesta o contribuinte a caracterização da omissão de receitas, fazendo por via da alegação de que a situação concreta estaria dentro dos limites dos parágrafos 3º e 6° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Afirma que, como o parágrafo 3° manda desconsiderar os valores inferiores a R$ 12.000,00 quando eles não somarem R$ 80.000,00 e o parágrafo 6.” manda dividir entre os titulares de contas bancárias conjuntas os valores não justificados, não teriam sido ultrapassados aqueles limites em nenhum dos anos calendário fiscalizados. Alega que o valor total não justificado, depois de dividido com sua esposa e com seu filho Fernando, que são cotitulares das contas bancárias, ficaria dentro dos limites definidos na norma, razão pela qual a omissão de receitas não teria restado evidenciada. Uma vez mais, traz exemplo da jurisprudência administrativa, com o fim de ver respaldada sua afirmação. Em análise do arguido, há que se ter conta, de início, os termos dos dispositivos mencionados pelo contribuinte: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.156 10 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais ). (...) § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Como se pode inferir dos termos literais dos dispositivos transcritos, é certo, por um lado, que existem os limites de R$ 12.000,00 e de R$ 80.000,00 referenciados pelo contribuinte; por outro lado, entretanto, também é certo que tais limites não são aferíveis a partir da parcela rateada, a cada cotitular das contas bancárias, dos depósitos incluídos nestas contas. A regra do parágrafo 6° só tem aplicação depois de evidenciada a omissão de receitas, ou seja, no momento em que a autoridade lançadora tem de definir a sujeição passiva do lançamento que terá de formalizar. Por um exemplo, a questão se aclara. Constatado que contas bancárias possuem dois titulares e que há nelas R$ 85.000,00 de depósitos de pequeno valor (inferiores a R$ 12.000,00), não se pode, neste momento, dividir este montante, para efeito de aferir os limites do parágrafo 3° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96; a aferição, aqui, é em relação às contas bancárias como um todo. A seguir, não logrando os titulares da conta bancária comprovar a origem dos R$ 85.000,00, a omissão de receitas, por via presuntiva, estará conformada, o que obriga o lançamento de ofício para a exigência dos créditos tributários inadimplidos. Neste momento, o da autuação, é que entra a regra do parágrafo 6° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, devendo a autoridade lançadora dividir entre os dois titulares, em autuações separadas, a responsabilidade pela infração fiscal. Em outras palavras, no parágrafo 3.”, a Lei n° 9.430/96 trata de um critério de caracterização da omissão de receitas (se ocorreu ou não); já no parágrafo 6° a Lei estabelece um critério de rateio _que pressupõe a comprovação, em etapa anterior, da omissão de receitas. Assim, ao contrário do que afirma o contribuinte, há sim base legal para a caracterização da omissão de receitas. Desconsideração de Origens de Recursos (item 05, às folhas 810 a 844) Às folhas 810 a 844, alega o contribuinte que “possui a devida origem de recursos para todos os depósitos realizados em suas Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.157 11 contas bancárias” (folha 810) e afirma que autoridade fiscal teria desconsiderado as seguintes origens de recursos: (a) saque de R$› 2.706,00, referente à restituição de empréstimo compulsório associado à aquisição de veículo no ano de 1986; (b) “alvarás de receita de clientes” (folha 810), item sob o qual estão listados valores É evidência, teriam sido recebidos de clientes por conta de ações judiciais propostas (documentos às folhas 903 a 907); (c) “folhas de pagamento anexa” (folhas 810 e 811), item sob o qual estão listados v ores que teriam sido recebidos a título de salários. (os contracheques que estariam a respaldar os recebimentos estão às folhas 852 a 878); (d) “benefício da Previ de SEDENIR TAVARES DIAS” (folhas 811 e 812) e “benefício previdenciário de Sedenir Tavares Dias, sacados diretamente com o cartão de benefício” (folha 812), itens sob os quais estão listados os valores que teriam sido recebidos àqueles títulos (os documentos que estariam a respaldar os recebimentos estão às folhas 879 a 899); (e) devolução de empréstimo por parte de Luiz Antonio Ribeiro (folhas 812 e 813), efetuada por via de vários depósitos nas contas bancárias. Junta, a folha 914, declaração do mutuário, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções; (f) devolução de empréstimo por parte de Lar Imóveis Ltda. (folhas 813 e 814), efetuada por vários depósitos nas contas bancárias. Junta, às folhas 908 a 910, declaração da mutuária, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções; (g) empréstimo obtido junto a Aleodir Cavali, em junho de 2000, no valor de R$ 25.000,00 (folha 814). Junta, à folha 911, declaração do mutuante, com o fim de comprovar a existência do empréstimo; (h) venda, em 10/03/1998, de um automóvel para Adauto Luiz Viero, por R$ 4.000,00 (folha 814). Junta, à folha 912, declaração do comprador, com o fim de comprovar a realização do negócio; (i) empréstimo obtido junto a José Bittencourt Maria, no valor de R$ 7.000,00, devolvido no mesmo ano (folha 814). Junta, à folha 913, declaração do mutuante, com o fm de comprovar a existência do empréstimo; (j) R$ 6.700,00 relativos a depósito efetuado por Ivanor Luiz Maestri e relativo a ação judicial proposta contra a TELESC (folha 814). Junta, à folha 915, declaração do depositante, e às folhas 975 a 980, documentos relativos à ação judicial mencionada, com o fim de comprovar a veracidade da alegação; Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.158 12 (k) valores recebidos do Sindicato Rural de Capinzal, e que serviriam para pagamento de credores da empresa Teixeira Júnior. Os valores aparecem listados à folha 814 e estão instrumentados por declaração daquele Sindicato, à folha 924, e por demonstrativos relativos às suas composições, às folhas 925 a 940; (l) depósito no valor de R$ 15.450,00 por parte de Luiz Antonio Ribeiro, efetuado com o fim de reembolsar o contribuinte por empréstimo que este teria contraído em nome daquele. Junta, à folha 923, declaração do depositante, com o fim de comprovar a operação alegada; (m) devolução de empréstimo por parte de Odir Fontana (folha 814), efetuada por vários depósitos nas contas bancárias. Junta, à folha 921, declaração do mutuário, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções; (n) devolução de empréstimo por parte de Cleonir Fontana (folha 815), efetuada por vários depósitos nas contas bancárias. Junta, ã folha 920, declaração do mutuário, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções; (o) empréstimo obtido junto a Pedro Télis Panis, no valor de R$ 28.379,60 (folha 815). Junta, à folha 922, declaração do mutuante, com o fim de comprovar a existência do empréstimo; (p) depósitos efetuados pela empresa Sedenir Tavares Dias e Cia. Ltda. nas contas bancárias fiscalizadas (folhas 815 a 821). Junta demonstrativo dos depósitos e declaração da pessoa jurídica, às folhas 941 a 949, com o fim de comprovar as operações alegadas; (q) “valores contabilizados na empresa Comércio e Transportes Alto Alegre Ltda. e não considerados pela fiscalização” (folha 821); (r) “valores contabilizados na empresa Cerâmica Leal Ltda. e não considerados pela fiscalização” (folhas 821 e 822); (s) “saque através de guias de retiradas ou cheques das próprias contas para depósito total ou parcial, na mesma data ou em data posterior em contas de propriedade dos impugnantes (inciso I do § 3.” da Lei 9430/96)” (folhas 822 a 844). Junta lista relativa a estas operações. Numa análise inicialmente global das alegações postas, percebe se que elas podem ser divididas em dois grupos: * Primeiro, um composto por aquelas tendentes a demonstrar, tãosomente, que o contribuinte detinha origens de recursos suficientes para cobrir pane dos depósitos bancários, mas sem individualizar suas justificativas subitens (a), (b), (c), (d), (g), (h), (i) e (k). Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.159 13 * Segundo, um composto por aquelas destinadas a justificar, agora sim de maneira individualizada, uma outra parte dos depósitos levantados subitens (e), (f), (j), (1), (m), (n), (o), (p), (q), (r) e (s). Diante deste quadro, há que se ressaltar, desde já, qual é a responsabilidade atribuída pela lei ao contribuinte, no âmbito da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Como previsto no parágrafo 3°: “Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente [...]”, ou seja, não basta ao contribuinte, para afastar a presunção, a demonstração genérica de que detinha uma “situação econômica” compatível com os ingressos em suas contas bancárias; seu ônus vai além: precisa ele justificar, de forma individualizada, cada um dos depósitos bancários. Assim definida a responsabilidade do sujeito passivo, há que se dizer que as alegações constantes do primeiro grupo acima indicado, por se destinarem não ã comprovação individualizada de depósitos bancários, mas apenas à demonstração de que o contribuinte tinha origens de recursos em montante suficiente para cobrir as receitas omitidas aferidas por presunção legal, não serão aqui analisadas. É que mesmo que tais origens restassem devidamente demonstradas pelo sujeito passivo, mesmo assim elas não se prestariam ao cumprimento do ônus que o artigo 42 da Lei n° 9.430/96 atribui ao contribuinte. O que se pode fazer é analisar as alegações do segundo, dado que estas sim destinamse a justificar, individualizadamente, os ingressos nas contas bancárias. A tal tarefa destinase o restante desta parte do voto. Empréstimo de Luiz Antonio Ribeiro Alega o contribuinte a devolução de empréstimo por parte de Luiz Antonio Ribeiro (folhas 812 e 813), efetuada por via de vários depósitos nas contas bancárias. Junta, à folha 914, declaração do mutuário, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções. As razoes pelas quais não se pode acatar a justificativa do contribuinte já foram muito bem expressas pela autoridade lançadora, em seu relatório fiscal, à folha 14: (a) o contribuinte não declara os valores a receber em suas DIRPF (folhas 66 a 80); (b) inexiste documento bancário confirmando o repasse do dinheiro na data da realização do contrato, bem como a devolução do valor; (c) o contrato de mútuo apresentado durante a ação fiscal (folhas 469 e 470), não está revestido das formalidades necessárias para que possa valer contra terceiros (de se lembrar que, a teor do artigo 221 do Código Civil artigo 135 do antigo Código Civil , o instrumento particular só produz efeitos em relação a terceiros depois de levado a registro público); (d) as DIRPF de Luiz Antonio Ribeiro só reconheceram a dívida nas vias retificadoras encaminhadas depois da abertura da ação fiscal. Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.160 14 Por todas estas razões, não se pode acatar a alegação do empréstimo. A declaração de Luiz Antonio Ribeiro, juntada à folha 914, é tão inócua quanto o contrato de mútuo já apresentado, para fins de evidenciar minimamente o fato alegado. Empréstimo de Lar Imóveis Ltda. Alega o contribuinte a devolução de empréstimo por parte de Lar Imóveis Ltda. (folhas 813 e 814), efetuada por vários depósitos nas contas bancárias. Junta, às folhas 908 a 910, declaração da mutuária, com o fim de comprovar a existência do empréstimo e das mencionadas devoluções. Novamente não se pode acatar a justificativa do contribuinte, e também aqui pelas razões colocadas no relatório fiscal, às folhas 13 e 14: a) o contribuinte não declara os valores a receber em suas DIRPF (folhas 66 a 80); (b) inexiste documento bancário confirmando o repasse do dinheiro na data da realização do contrato, bem como a devolução do valor; (c) o contrato de mútuo apresentado durante a ação fiscal (folhas 474 e 475), não está revestido das formalidades necessárias para que possa valer contra terceiros. Não se pode, assim, acatar a alegação do empréstimo. Depósito de Ivanor Luiz Maestri Afirma o contribuinte que os R$ 6.700,00 depositados em 29/04/1997, o foram por Ivanor Luiz Maestri, e se referem a valor vinculado a ação judicial proposta contra a TELESC (folha 814). Junta, à folha 911, declaração do depositante, e às folhas 975 a 980, documentos relativos à ação judicial mencionada, com o fim de comprovar a veracidade da alegação. Aqui, a alegação não pode ser acatada, por uma só razão: não foi apresentado qualquer documento comprobatório, nem na ação fiscal, nem na oportunidade da impugnação que ora se aprecia. Temse, assim, uma “mera alegação”, que não pode suprir o ônus que o artigo 42 da Lei n° 9.430/96 atribui ao sujeito passivo. A declaração do depositante, à evidência, nada prova, por tratarse de manifestação unilateral, impassível de comprovar, em relação a terceiros, fatos passados. Depósito de Luiz Antonio Ribeiro Alega o contribuinte que o depósito no valor de R$ 15.450,00, efetuado em 30/05/1997, o foi por parte de Luiz Antonio Ribeiro, com o fim de reembolsálo por empréstimo que o próprio contribuinte teria contraído em nome daquele. Junta, à folha 923, declaração do depositante, com o fim de comprovar a operação alegada. Novamente aqui, por não estar a alegação acompanhada de documentos comprobatórios, mas tãosomente de uma Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.161 15 declaração unilateral do depositante que nada prova em relação a terceiros, não se pode dar razão ao sujeito passivo. Devoluções de empréstimos por parte de Odir Fontana e Cleonir Fontana Alega o contribuinte as devoluções de empréstimo efetuadas por parte de Odir Fontana (folhas 814) e de Cleonir Fontana (folha 815), efetuadas por vários depósitos nas contas bancárias. Junta, à folha 920 e 921, declarações dos mutuários, com o fim de comprovar a existência dos empréstimos e das mencionadas devoluções. Novamente aqui, não há documentação comprobatório da existência dos empréstimos e nem dos repasses de recursos paras as contas bancárias. Uma vez mais só se tem declarações unilaterais dos mutuários, que de nada valem para fins de prova no presente processo. Empréstimo obtido junto a Pedro Télis Panis Diz o contribuinte que o depósito de RS 28.379,60, realizado em 07/07/1998, devese a empréstimo obtido junto a Pedro Télis Panis (folha 815). Junta, à folha 922, declaração do mutuante, com o fim de comprovar a existência do empréstimo. Uma vez mais a alegação não pode ser acatada, por absoluta falta de provas. Não há qualquer documento que comprove o empréstimo e o responsável pela transferência do valor. Como sempre, há apenas uma declaração unilateral do mutuante, que de nada serve neste âmbito. Depósitos efetuados pela empresa Sedenir Tavares e Cia. Ltda. Entre as folhas 815 a 821, elenca o contribuinte uma longa lista de depósitos que teriam sido efetuados pela empresa Sedenir Tavares Dias e Cia. Ltda. nas contas bancárias fiscalizadas. Para comprovar o que afirma, junta, às folhas 941 a 949, declaração do sóciogerente da pessoa jurídica, que é o próprio contribuinte. Como sempre, o que traz o contribuinte, além da alegação, é uma declaração unilateral de uma das partes das pretensas operações realizadas (neste caso, a declaração é dele mesmo). Ou seja, novamente não há prova identificando o conteúdo das transferências. Valores contabilizados em pessoas jurídicas Alega o contribuinte que vários dos depósitos são valores contabilizados na empresa Comércio e Transportes Alto Alegre Ltda. (folhas 821) e na empresa Cerâmica Leal Ltda. (folhas 821 e 822), não tendo sido esta circunstância considerada pela autoridade fiscal. À evidência, está aqui diante de mais uma alegação sem comprovação. A única pretensa prova juntada são duas Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.162 16 declarações, emitidas pelo marido da própria contribuinte depois de iniciada a ação fiscal (folhas 593 e 594), destinadas a formalizar retificações de dados nas declarações das duas pessoas jurídicas acima indicadas, tudo com o fim de pretensamente validar a alegação trazida com a impugnação. A inocuidade das declarações é evidente: não só não servem para formalmente retificarem DIRPJ já entregues, como também não evidenciam a materialidade das operações alegadas. Saques para depósitos em outras contas dos impugnantes Afirma o contribuinte que foram efetuados saques através de guias de retiradas ou cheques das próprias contas para depósito total ou parcial, na mesma data ou em data posterior em contas de propriedade dos impugnantes (folhas 822 a 844). Junta lista relativa a estas operações. Uma vez mais a alegação não pode ser acatada por absoluta falta de comprovação. O certo é que as transferências comprovadas durante a ação fiscal já foram expurgadas pela autoridade lançadora, e que o expurgo de outras só é possível por via de sua evidenciação documental. Inacatável, portanto, mais este argumento do contribuinte. Conclusão Em face da falta de comprovação das alegações postas neste item, há que se considerar improcedentes as razões do contribuinte relativas à matéria abordada neste item. Impossibilidade de Caracterização da Omissão de Receitas com Base nos Depósitos Bancários (item 06, às folhas 844 a 850) Às folhas 844 a 850, faz o contribuinte, com escudo em posições doutrinárias e jurisprudenciais, a defesa da tese de que a existência de depósitos bancários não é causa, por si só, para a caracterização da omissão de receitas. Em análise da arguição posta, impõe se, desde já, bem caracterizar a existência de duas realidades distintas no que se refere ao uso da movimentação financeira como base para a caracterização da omissão de receitas. Estas duas realidades têm como delimitadores o artigo 6° da Lei n° 8.021/90 e o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõem: Lei n ° 8.021/90 Art. 6º O lançamento do oficio, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.163 17 Lei nº 9.430/96 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O que distingue uma realidade da outra, portanto, é que a partir de 01/01/1997 (data em que se tomou eficaz a Lei n° 9.430/96), a existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas tomouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio se juntar ao elenco já existente; com isso, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes, tal previsão não existia, e com isso o fisco precisava, nos estritos termos do parágrafo 5° e do caput do artigo 6° da Lei n° 8.021/90, não apenas constatar a existência dos depósitos, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre estes depósitos e alguma exteriorização de riqueza e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse ter dado ensejo à omissão de receitas. Percebese, deste modo, que o que aproxima as duas realidades é a circunstância de que ambas conformamse como presunções legais; o que as distingue, entretanto, é o fato de que as duas presunções legais atribuem diferenciados ônus, em termos de provas, à autoridade fiscal. Temse, de um lado, uma presunção mais sumária, a do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, que atribui ao fisco a simples evidenciação da existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada; e, de outro, uma presunção de evidenciação menos célere, a do artigo 6° da Lei n° 8.021/90, que atribui ao fisco não apenas a obrigação de constatar a existência dos depósitos bancários, mas também o estabelecimento de um nexo de causalidade entre tais depósitos e fatos concretos ensejadores do ilícito. À evidência, esta segunda hipótese, ao mesmo tempo que se afasta das feições de uma presunção típica, se aproxima mais de uma comprovação material de omissão de receitas. As presunções estão, desde há muito, incorporadas à nossa ordem jurídica. Por meio delas, estabelece a lei, com base naquilo que se observa na maior parte dos casos baseandose, portanto, na aplicação de um critério de razoabilidade , que ocorrida determinada situação fática, podese presumir, até prova em contrário esta a cargo do contribuinte , a ocorrência da omissão de receitas. Exemplos de hipóteses de presunção são aquelas incorporadas ao artigo 281 do RIR/99 (mas que desde há muito estão incluídas na legislação fiscal): Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.164 18 n.” 1.598, de 1977, art. 12, § 2.”, e Lei n."9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II – a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. A estas hipóteses vieram se juntar aquelas já acima indicadas incluídas no artigo 6º da Lei n° 8.021/90 e no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Feitas estas digressões, e evidenciada a absoluta licitude do estabelecimento de presunções legais, cumpre que se diga que em relação aos anoscalendário fiscalizados (1997 a 2000), as contestações da contribuinte mostramse despropositadas pelo simples fato de que a existência de depósitos bancários não escriturados ou com origem não comprovada é, por si só, neste anocalendário, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário. A jurisprudência juntada pela contribuinte, em nada a ajudam. É que como lá se pode ver, os acórdãos, muito embora prolatados depois da edição da Lei n° 9.430/96, se referem justamente a fatos geradores ocorridos no período anterior, quando vigia a Lei n° 8.021/90. De tal sorte, tais acórdãos estão aqui descontextualizados, e nada trazem que possa macular o feito fiscal. Da Multa Qualificada A Fiscalização fundamentou a aplicação da multa qualificada nas seguintes assertivas: A APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA (150%) Por tudo que foi exposto, constatamos a atitude violadora da lei adotada pelo contribuinte ao omitir rendimentos cuja comprovação dáse através da infração acima demonstrada. Com isso, deixa de pagar o tributo devido que ora se exige, com a aplicação da multa qualificada de 150%, estatuída art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96, estando presente um dos casos de evidente intuito "de fraude, definido no art. 71 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964: (verbis) Art 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.165 19 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou crédito tributário correspondente. O conceito de dolo encontrase no inciso I do art. 18 do Decreto Lei n° 2.848, de 07 de dezembro de 1940 Código Penal: crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Adotou a lei penal brasileira, para a conceituação do dolo, a teoria da vontade. Isto significa que o agente do crime deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrente. Há a consciência da conduta (ação ou omissão) e o consequente resultado, propiciado por esta ação ou omissão. Sendo assim, face ao exposto acima, aplicamos a multa de oficio de 150%, de acordo com o inciso II do artigo 44 da Lei n°.9.430/96. A meu ver a acusação fiscal não conseguiu demonstrar a ocorrência do dolo, consistente na vontade consciente de praticar a conduta contrária ao ordenamento tributário. Vejamos o que diz as normas utilizadas para fundamentar a imposição da multa qualificada, a qual está inserta na Lei n.º 9.430/1996: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" Pois bem, só cabe a aplicação da multa majorada nos casos em que o fisco consiga demonstrar a ocorrência das condutas de sonegação, fraude e/ou conluio. A mera recusa do fisco em aceitar as provas apresentados para comprovar a origem dos depósitos não é suficiente à aplicação de gravame de tamanha monta. Diante da acusação da ocorrência de sonegação e fraude, devemos nos debruçar sobre esses tipos legais constantes na Lei n.º 4.502/1964: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.166 20 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento." Observese que os tipos acima exigem que haja a comprovação de que ação/omissão sejam praticadas com dolo, que, na seara tributária, consiste num comportamento intencional de suprimir o recolhimento de tributos mediante artifícios que impeçam ou retardem o conhecimento do fato gerador pelo fisco ou, no caso da fraude, excluam/posterguem a ocorrência do fato gerador. Não consigo enxergar na espécie a demonstração inequívoca da existência de conduta dolosa consistente na declaração baseada em documentos falsos ou situação que se comprove inexistente. De se ressaltar que a juntada de extratos bancários para comprovar o empréstimo e o seu pagamento, além dos registros contábeis apresentados, não nos permite concluir que ali tenha havido falsidade intencional ou mesmo conduta deliberada de ludibriar o fisco. É esse entendimento que tem prevalecido nas decisões do CARF, quando se exige comprovação inequívoca da ocorrência da conduta dolosa para qualificação da multa. Trago à colação recente acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que manifesta claramente esse linha interpretativa: "MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, caracterizando está o tipo Fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Correta a aplicação da multa qualificada." (Acórdão nº 9202003.82708/ 03/2016) Mesmo se verificando que os documentos apresentados não serviram para afastar a imposição fiscal, devese considerar que para haver a imposição da multa qualificada, há de se demonstrar que a conduta teve caráter doloso, como é o caso de declarações de rendimentos ínfimos em relação ao apurado pelo fisco. Não deve prevalecer a qualificação, todavia, quando o sujeito passivo apresenta justificativas plausíveis para a origem dos valores depositados, que deixam de ser acatadas pelo fisco em razão do entendimento da falta de força probatória dos elementos trazidos pelo contribuinte. É essa a situação dos autos. Diante do exposto, entendo que a multa deve ser imposta no patamar ordinário de 75% do tributo devido. Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 10925.000579/200393 Acórdão n.º 2402006.873 S2C4T2 Fl. 1.167 21 Conclusão Por todo o exposto, concluo o voto no sentido de conhecer o recurso voluntário, para (i) acolher, em parte, a preliminar de decadência, declarando extinto o crédito tributário referente ao anocalendário de 1997 e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para desqualificar a multa aplicada, reduzindoa ao patamar ordinário de 75% do tributo devido. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 1167DF CARF MF
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Numero do processo: 16062.720155/2015-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
MULTA REGULAMENTAR. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS POR EMPRESA EM DÉBITO NÃO GARANTIDO.
As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, não poderão dar ou atribuir participação nos lucros a seus sócios ou quotistas, importando a sua desobediência em multa aos diretores e demais membros da administração superior que tiverem recebido as importâncias indevidas.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. MULTA. PERCENTUAL. LEGISLAÇÃO.
A multa a ser aplicada, no caso de distribuição de lucros, estando a empresa em débito não garantido para com a União, corresponde a 50% do montante distribuído a cada diretor e demais membros da administração superior, nos termos da legislação de regência.
Numero da decisão: 2402-006.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior.
Julgamento iniciado na sessão de 4/12/18, com início às 9h, e concluído na sessão de 17/1/19, com início às 14h.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS POR EMPRESA EM DÉBITO NÃO GARANTIDO. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, não poderão dar ou atribuir participação nos lucros a seus sócios ou quotistas, importando a sua desobediência em multa aos diretores e demais membros da administração superior que tiverem recebido as importâncias indevidas. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. MULTA. PERCENTUAL. LEGISLAÇÃO. A multa a ser aplicada, no caso de distribuição de lucros, estando a empresa em débito não garantido para com a União, corresponde a 50% do montante distribuído a cada diretor e demais membros da administração superior, nos termos da legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior. Julgamento iniciado na sessão de 4/12/18, com início às 9h, e concluído na sessão de 17/1/19, com início às 14h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 06 2. 72 01 55 /2 01 5- 66 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 16062.720155/201566 Acórdão n.º 2402006.863 S2C4T2 Fl. 302 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) de fls. 2 a 10, referente aos anoscalendário de 2009 a 2013, cuja ciência ao contribuinte se deu em 7/7/15, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 209. Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcrevemos os seguintes excertos do Acórdão nº 0267.073, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Belo Horizonte/MG, fls. 256 a 268: De acordo com o Auto de Infração, fls. 02/208, o motivo da autuação foi o recebimento de lucros de empresa em débito não garantido perante o Fisco Federal e/ou Previdência Social (INSS), por falta de recolhimento de tributo no prazo legal. A distribuição de lucros foi informada pela pessoa jurídica em sua declaração (DIPJ) e confirmada nas declarações do sujeito passivo (DIRPF). Consta das fls. 14 a 27 dos autos, Termo de Solidariedade e Responsabilidade Tributária – Grupo econômico – Fato gerador comum – Infração à lei – Lucros fictícios, onde a fiscalização detalha os passos seguidos e informa que durante os procedimentos de auditoria interna de DCTF previstos na IN RFB 1.110/2010, art. 8º, § 1º, realizados no contribuinte CBS (CNPJ 57.170.375/000117), verificouse que esse constitui uma única unidade administrativa e produtiva, sendo na realidade a mesma pessoa jurídica, ou ao menos levando a solidariedade à pessoa jurídica ELOS (CNPJ 04.868.082/000141). [...] O termo acostado às fls. 204 a 208 detalha a forma de aplicação da multa, legislação aplicável e cálculos efetuados para se chegar a seu montante e demais informações do procedimento realizado. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 210 a 234, alegando, em síntese que: Vício no auto de infração por inexistência de notificação para que o contribuinte prestasse esclarecimentos antes da autuação; Nulidade pela ausência de requisitos mínimos da autuação; Inexistência de repasse de valores; Possibilidade de realizar distribuição de capital pelo impugnante; Fl. 313DF CARF MF Processo nº 16062.720155/201566 Acórdão n.º 2402006.863 S2C4T2 Fl. 303 3 Caráter confiscatório da multa aplicada. Ao julgar a impugnação, a DRJ de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, conclui pela sua improcedência, consignando a seguinte ementa em sua decisão: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando necessariamente ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. MULTA REGULAMENTAR. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS POR EMPRESA EM DÉBITO NÃO GARANTIDO. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em DÉBITO, não GARANTIDO, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, não poderão dar ou atribuir participação nos lucros a seus sócios ou quotistas, importando a sua desobediência em multa aos diretores e demais membros da administração superior que houverem recebido as importâncias indevidas. INTIMAÇÃO PARA PRESENÇA DE PROCURADORES NO JULGAMENTO. Não há previsão legal na legislação que cuida do processo administrativo fiscal para a intimação para presença de procuradores em sessão de julgamento de primeira instância. A legislação de regência do processo administrativo fiscal não prevê a sustentação oral como meio de prova, ao contrário, a impugnação deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Cientificado da decisão de primeira instância, em 18/12/15, segundo o AR de fl. 272, o contribuinte, por meio de seu advogado (procuração de fls. 235 e 236), interpôs o recurso voluntário de fls. 274 a 293, em 15/1/16, no qual apenas repete e reforça argumentos da sua impugnação, nos seguintes termos, em síntese: DA INEXISTÊNCIA DE REPASSSE DE VALORES A AutoridadeFiscal autuou o Recorrente, todavia, não observou fatos que delineiam a não incidência na norma sob comento, notadamente em razão da falta de transferência de valores. O Recorrente por meio de lançamento contábil em razão dos lucros obtidos de sua atividade empresarial, realizou tão somente a movimentação de seu patrimônio líquido ativo, para o seu patrimônio passivo a longo prazo. Em razão da movimentação contábil, onde houve a transferência somente do patrimônio ativo para o passivo, sem qualquer efetiva transferência de valores aos sócios, conforme declaração Fl. 314DF CARF MF Processo nº 16062.720155/201566 Acórdão n.º 2402006.863 S2C4T2 Fl. 304 4 realizada tanto pela empresa, quanto pelo Recorrente em declaração de imposto de renda pessoa física. [...] Por meio dos argumentos lançados, verificamos que não houve a incidência do fato determinado pela lei, eis que o substrato fático necessário não se fez presente. A finalidade da lei é coibir a transferência de valores aos sócios em prejuízo ao ente tributante (União), fato que não ocorreu, determinando a insubsistência do auto. DA POSSIBILIDADE DE REALIZAR DISTRIBUIÇÃO DE CAPITAL PELO RECORRENTE [...] Quando pensamos na hipótese de incidência da norma, devemos observar que o lucro distribuído deve ser aquele do período do qual há o débito, não sendo cabível a imposição da multa, quando há distribuição de lucro anteriormente auferido pela pessoa jurídica que realizou a distribuição de lucro, como ocorreu no presente caso. Com isso, chegamos à conclusão de que a distribuição do lucro que foi obtido em momento anterior a existência do débito, não pode determinar a imposição de multa, porquanto o que se distribui é lucro pretérito, do qual poderia ter sido distribuído anteriormente e por motivo estratégico não o foi, mas que se tivesse sido distribuído não haveria a imposição da multa. Quando aplicamos o entendimento acima apresentado, observamos que o ato jurídico perfeito está sendo respeitado, porque o direito já existia anteriormente, somente foi utilizado no momento ao qual o titular do direito entendeu ser melhor, como ocorreu no presente caso. [...] Os próprios débitos constituídos que determinam a aplicação da multa conforme consta do auto de infração são posteriores ao ano de 2011, o que por si só já determina a minoração da multa nos termos apresentados. Não bastasse isso, observamos que os lucros distribuídos são aqueles anteriores à 2009, lucros que foram obtidos com as atividades exercidas de 2003 a 2008, fato que não foi observado pela autoridade fiscal que preferiu impor a multa ao Recorrente. [...] Outro ponto que não foi observado para a imposição da multa é de que a ELOS não possuía qualquer débito para que o lucro não pudesse ser distribuído, o que retira da mesma forma a ilegalidade. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 16062.720155/201566 Acórdão n.º 2402006.863 S2C4T2 Fl. 305 5 A proibição legal quanto à distribuição de lucro é determinada pela lei, onde não há possibilidade de analogia ou interpretação extensiva para a aplicação da punição, onde a pena deve estar restrita ao agente não podendo passar da esfera desta. DO PERCENTUAL DA MULTA APLICADA O § 2º do Artigo 32 a Lei 4.357/1964, determina a imposição da multa limitada a 50% (cinquenta por cento) do débito não garantido, onde não houve qualquer critério para a aplicação da multa sob comento. De primeiro é necessário observar que a multa aplicada não observou os critérios objetivos da lei, porquanto não foi observado qual o valor que estava garantido e com isso o percentual que deveria incidir. Ademais, os lucros distribuídos foram realizados pela importância de R$ 3.734.836,60 (Três Milhões, Setecentos e Trinta e Quatro Mil, Oitocentos e Trinta e Seis Reais e Sessenta Centavos), sendo que a multa aplicada somente ao Recorrente é superior ao dobro. Com a alegação acima formulada observamos o caráter de confisco da imposição da multa que é superior ao lucro transferido, o que determina desproporcionalidade da mesma. (Grifos no original) É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Da alegada inexistência de repasse de valores Segundo o Recorrente, por meio de lançamento contábil em razão dos lucros obtidos de sua atividade empresarial, realizou tão somente a movimentação de seu patrimônio líquido ativo, para o seu patrimônio passivo a longo prazo, havendo, pois, somente a transferência do patrimônio ativo para o passivo, sem qualquer efetiva transferência de valores aos sócios, conforme declaração realizada tanto pela empresa, quanto pelo Recorrente em declaração de imposto de renda pessoa física. Em primeiro grau de julgamento, assim discorreu a DRJ quanto a alegada inexistência de repasses: Fl. 316DF CARF MF Processo nº 16062.720155/201566 Acórdão n.º 2402006.863 S2C4T2 Fl. 306 6 Na peça de defesa, o contribuinte não questiona a caracterização do grupo econômico. Ele alega que não houve repasse de valores sendo que a empresa realizou somente a movimentação de seu patrimônio líquido ativo para o seu patrimônio passivo a longo prazo. No entanto, não são apresentadas provas cabais dessa alegação tais como cópias de livros Diário e Razão, acompanhados de toda a documentação que deu suporte às movimentações, de todas as empresas do grupo ou outros elementos suficientes a demonstrar a alegação. Junto a peça de defesa do processo principal, foram trazidos apenas balanços patrimoniais de vários anos da empresa Elos, onde fica demonstrado que essa empresa teve lucros significativos em todos os anos. Não foram trazidos os balanços das outras empresas do grupo econômico para permitir a análise completa do grupo. Os lucros recebidos foram declarados pelos sócios em suas declarações de ajuste anual. Assim, descabida a alegação de que não houve repasse e sim movimentação de um campo contábil para outro. Da transcrição acima, temse que o Recorrente não carreou aos autos, junto com sua impugnação, elementos de prova necessários para demonstrar sua alegação, tais como livros Diário e Razão de todas as empresas do grupo econômico, com os documentos das movimentações, ou outros elementos capazes de fazer a demonstração. Agora, com seu recurso voluntário, além de não fazer qualquer complementação probatória, o Recorrente se limita a repetir as alegações de sua impugnação. Ponderese que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, e, portanto, cumpria ao Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), o que não aconteceu no presente caso. Ademais, com base nos documentos constantes dos autos, constatase que a empresa ELOS teve lucro nos anoscalendário sob exame e que o Recorrente declarou, em suas DAAs, fls. 28 a 71, ter recebido lucros dessa empresa. Sendo assim, mantemos a decisão de primeira instância quanto a esse item do recurso voluntário. Da alegada possibilidade de distribuição de capital Segundo o Recorrente, o lucro distribuído corresponde a lucro pretérito (2003 a 2008), do qual poderia ter sido distribuído anteriormente e por motivo estratégico não o foi, mas que se tivesse sido distribuído não haveria a imposição da multa, uma vez que na época não tinha débito. Aduz, ainda, que o débito em questão diz respeito à empresa CBS e não deveria passar da esfera dessa. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 16062.720155/201566 Acórdão n.º 2402006.863 S2C4T2 Fl. 307 7 Pois bem, tendo em vista que o Recorrente repete as alegações recursais, sem trazer qualquer razão nova, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, transcreveremos, no presente voto, as razões de decidir da decisão de primeira instância, com as quais concordamos e adotamos: A auditoria fiscal fundamentou o lançamento da multa regulamentar pela distribuição de lucros por pessoa jurídica em débito não garantido por falta de recolhimento de imposto no prazo legal nos artigos 889 e 975 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, os quais têm como matriz legal o artigo 32 da Lei nº 4.357, de 1964, alterado pela Lei nº 11.051, de 2004: [...] Notese que a condição legal que determina a aplicação da multa regulamentar consiste na existência de débito não garantido, que no caso concreto foi demonstrada pela autoridade fiscal que salienta na fl. 03 dos autos que a Distribuição dos lucros foi informada pela pessoa jurídica em sua declaração (DIPJ), e confirmada nas declarações do sujeito passivo (DIRPF). É importante esclarecer que a norma instituidora da citada multa dispõe que a pessoa jurídica estará impedida de distribuir lucro enquanto estiver em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, de modo que a conduta vedada se aperfeiçoa no momento em que são distribuídos os lucros aos sócios, no caso, os anoscalendário 2009 a 2013. Quanto à expressão “débito não garantido”, temse que na legislação tributária federal, como regra, não exige garantia, ressalvadas algumas garantias previstas na legislação aduaneira e o depósito administrativo, que é uma faculdade do contribuinte, de forma que tendo o sujeito passivo efetuado o depósito ou prestado garantia por exigência da legislação tributária, estaria eximido da aplicação da penalidade de que se trata. Assim, deveria a pessoa jurídica, previamente à distribuição de lucros, procurar a Repartição Fazendária para prestar a garantia do débito de modo espontâneo, a fim de que não lhe fosse imputada ou a um de seus diretores, a penalidade de que ora se trata. Observase que a fiscalização realizou uma minuciosa pesquisa interna da situação cadastral, social e econômica das empresas do grupo e das atividades de industrialização desenvolvidas entre elas, demonstrando por meio do Termo de Solidariedade e Responsabilidade Tributária, a união entre as empresas ali citadas. Os débitos das empresas estão descritos no referido termo, fls. 22/25, inclusive constando ali depoimentos dos próprios sócios Fl. 318DF CARF MF Processo nº 16062.720155/201566 Acórdão n.º 2402006.863 S2C4T2 Fl. 308 8 afirmando que a empresa DR recebe valores referentes a Elos e CBS (pé da fl. 24). Da leitura atenta desse termo, fica patente que as referidas empresas trabalham em uníssono e constituem um verdadeiro grupo econômico, sendo que os débitos para com a União ficam centralizados em uma empresa, enquanto se distribui os lucros aos sócios, por meio de outra. [...] A defesa alega também que para valer a norma essa deveria incidir sobre a distribuição do lucro que ocorre no período para o qual há débito e que por isso a distribuição de lucro obtido em momento anterior a existência do débito não pode determinar a imposição de multa. Afirma que os lucros distribuídos são aqueles anteriores à 2009, lucros que foram obtidos com as atividades exercidas de 2003 a 2008, fato que não foi observado pela autoridade fiscal. Também essa alegação não se sustenta. A interpretação da lei em comento é de que a empresa ou o grupo não pode distribuir lucros aos sócios estando, no momento dessa distribuição, com débitos não garantidos perante a União. Na lei não há referência sobre o momento da obtenção dos referidos lucros. A definição desses momentos (obtenção e distribuição) é uma prerrogativa da própria empresa e de seus sócios que definem essas datas de acordo com seu plano estratégico de administração e com sua conveniência. As meras alegações do impugnante a respeito das datas de distribuição dos lucros e dos valores que ainda teria a distribuir trazidos na peça de defesa, não tem o condão de modificar o lançamento aqui em análise que é conclusivo de que houve distribuição de lucros havendo débitos do grupo econômico não garantidos junto à União. Do percentual da multa aplicada O Recorrente alega que a multa aplicada não teria observado os critérios objetivos da lei”, porquanto não teria sido observado qual o valor que estava garantido e com isso o percentual que deveria incidir. Alega, também, que teria sido aplicada multa em relação ao Recorrente em valor “superior ao dobro”, com caráter de confisco, o que determinaria a sua desproporcionalidade. Em que pese a defesa, aqui também não procedem as alegações recursais. Primeiramente, vajamos o que dispõe a Lei 4.357, de 16/7/64, com redação dada pela Lei 11.051, de 29/12/04, a respeito da multa ora em análise: Art 32. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Fl. 319DF CARF MF Processo nº 16062.720155/201566 Acórdão n.º 2402006.863 S2C4T2 Fl. 309 9 Assistência Social, por falta de recolhimento de impôsto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão: [...] b) dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos; § 1º A inobservância do disposto neste artigo importa em multa que será imposta: (Redação dada pela Lei nº11.051, de 2004) [...] II aos diretores e demais membros da administração superior que receberem as importâncias indevidas, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) dessas importâncias. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Conforme se observa nos dispositivos acima, a multa a ser aplicada, no caso de distribuição de lucros realizada em desacordo com o art. 32, corresponde a 50% do montante distribuído a cada diretor e demais membros da administração superior. Quanto à alegação de que a multa aplicada teria caráter confiscatório e seria desproporcional, impende ressaltar que o princípio do nãoconfisco, estabelecido na Constituição Federal de 1988, é dirigido ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico, por inconstitucional. Além do mais, independente do seu quantum, a multa, ora em análise, decorre de lei e deve ser aplicada, pela autoridade tributária, sempre que for identificada a subsunção da conduta à norma punitiva, haja vista o disposto no art. 142, § único, do CTN: Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Sendo assim, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade tributária aplicála, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos dela decorrentes. Portanto, improcedem as alegações recursais quanto à multa aplicada. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 320DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.917928/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2000
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua certeza e liquidez, sem o que não pode ser restituído, ressarcido ou utilizado em compensação. Faltando aos autos o conjunto probatório que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido.
Segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal, Processo Administrativo Fiscal e o Código de Processo Civil, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Numero da decisão: 3201-004.703
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente MULTI OPTICA DISTRIBUIDORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2000 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua certeza e liquidez, sem o que não pode ser restituído, ressarcido ou utilizado em compensação. Faltando aos autos o conjunto probatório que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal, Processo Administrativo Fiscal e o Código de Processo Civil, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 79 28 /2 00 9- 09 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 15374.917928/200909 Acórdão n.º 3201004.703 S3C2T1 Fl. 3 2 As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado anteriormente identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro I. O presente processo trata de PER/DCOMP com lastro em crédito de PIS que teria sido recolhido a maior. A Derat/RJO, por meio de despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, sob a alegação de que o pagamento informado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF pelo contribuinte. Para bem relatar os fatos, transcrevese trechos do relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Cientificada do despacho e da cobrança do débito declarado no PER/DComp, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade (...), na qual alega que: Incluiu no cômputo da receita bruta auferida (...) valores auferidos com vendas para a Zona Franca de Manaus. Foi justamente a quantia recolhida indevidamente, levandose em conta as vendas para a Zona Franca de Manaus, que a Requerente utilizou para fins de compensação com o débito indicado no PER/DCOMP. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 15374.917928/200909 Acórdão n.º 3201004.703 S3C2T1 Fl. 4 3 Aos contribuintes que porventura recolhem tributos indevidos ou a maior, há a possibilidade de reaverem esses valores por meio da repetição do indébito, de acordo com o art. 165, caput e inciso I, do CTN. O referido pagamento a maior devese, inicialmente, ao erro cometido pela Requerente ao pagar indevidamente o DARF para o recolhimento do tributo. Quanto às notas fiscais de venda, a Requerente pugna pela posterior juntada aos autos, uma vez que o exíguo prazo a impede de fazer a anexação nesse momento. O Código Tributário Nacional positiva expressamente a regra segundo a qual devem ser devolvidos ao contribuinte os valores por este pagos em virtude de pagamento a maior de tributos. A restituição constitui uma obrigação por parte de quem recebeu o pagamento indevido, e se impõe à Administração Tributária sempre que o contribuinte pagar a maior ou indevidamente um determinado tributo, de acordo com o estabelecido nos artigos 165 e seguintes do CTN. O direito de restituir o tributo pago de forma indevida é imperativo não só do CTN, mas também da Constituição da República. O direito do contribuinte de ressarcimento do indébito tributário, seja via restituição, seja via compensação, fundase em sólidas raízes constitucionais, sendo um corolário dos direitos à propriedade e ao devido processo legal, bem como dos princípios da legalidade e da moralidade. No que tange ao direito material propriamente dito, não recolhimento de PIS e COFINS nas saídas para a Zona Franca de Manaus é importante salientar tratarse de área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos especiais, estabelecidas com a finalidade de criar no interior do Estado do Amazonas um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento. Para implementação e manutenção do projeto na Zona Franca de Manaus, foi determinado que a "exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro." (artigo 4°, do DecretoLei n.° 288, de 28.02.67). Tais características permaneceram mesmo sob a égide da Nova Carta, uma vez que, consoante o artigo 40, do ADCT, a Zona Franca de Manaus ficou mantida como área de livre comercio e de incentivos fiscais. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 15374.917928/200909 Acórdão n.º 3201004.703 S3C2T1 Fl. 5 4 Vale dizer que as saídas de produtos destinados a estabelecimentos situados na Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, consideradas exportação. Concluise, desta forma, as saídas destinadas à Zona Franca de Manaus recebem igual tratamento tributário dispensado as vendas ao exterior. Ou seja, sobre as saídas destinadas à ZFM, não há que se falar em tributação pelas contribuições PIS e COFINS. A legislação evoluiu de tal forma que a considerar isentas do PIS e da COFINS as saídas para a Zona Franca de Manaus. Isto porque, inicialmente tentouse por meio da Medida Provisória n.° 1.8586, excluir da isenção da COFINS e da Contribuição ao PIS estas operações. A teor do disposto no artigo 14 da MP 1.8586, as receitas auferidas com base nas vendas de mercadorias para o exterior não seriam isentas da Contribuição ao PIS. Contudo, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 07.12.2000, deferiu Medida Cautelar nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade n.° 2.348, para o fim de suspender deste dispositivo legal a expressão que excluía da isenção do PIS, as receitas oriundas das vendas para estabelecimentos na Zona Franca de Manaus. Portanto, como nos termos do Decreto n.° 2.346/97, as decisões do Supremo Tribunal Federal que expressamente declarem a inconstitucionalidade de norma legal deverão ser observadas por toda a Administração Pública Federal. Em decorrência, foi editada a MP n°2.15835 que assim prevê: "Art. 14 Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 10 de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) 2° As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...)" Logo, a aplicação da legislação vigente, MP n° 2.15835, é categoricamente no sentido segundo o qual as saídas para a ZFM não são tributadas pela COFINS e pelo PIS. Destarte, é patentemente obrigatória e devida, por todos os motivos demonstrados, a repetição do indébito ora requerida. Aos valores indevidamente pagos, os quais ora requerse sejam repetidos, deve incidir a correção pela taxa SELIC, nos termos da Norma Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 07.06.97. A Autoridade Prolatora do Despacho Decisório cuja reforma se pretende baseouse apenas na DCTF. Mas, como mencionado anteriormente, o direito ao crédito é inegável, não se podendo Fl. 120DF CARF MF Processo nº 15374.917928/200909 Acórdão n.º 3201004.703 S3C2T1 Fl. 6 5 negálo apenas e tão somente porque na DCTF encontrase a informação de pagamento realizado como exigido à época de sua entrega. Houve mudança de regramento e, portanto, neste cenário, as peculiaridades do caso devem ser analisadas consideradas, não se podendo exigir retificação da DCTF, até porque a Requerente não mais pode fazêlo, haja vista o transcurso do prazo. Ante todo o exposto, requere o acolhimento da preliminar de nulidade da decisão atacada. Ultrapassada a preliminar antes referida, no mérito, seja acolhida a manifestação de inconformidade, para reformar parcialmente a decisão combatida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 12051.179, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2000 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário que visa a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 15374.917928/200909 Acórdão n.º 3201004.703 S3C2T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.700, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 15374.917927/200956, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.700): "Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para defini lo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 15374.917928/200909 Acórdão n.º 3201004.703 S3C2T1 Fl. 8 7 Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem, constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão Fl. 123DF CARF MF Processo nº 15374.917928/200909 Acórdão n.º 3201004.703 S3C2T1 Fl. 9 8 preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 15374.917928/200909 Acórdão n.º 3201004.703 S3C2T1 Fl. 10 9 documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Assim, é ônus da interessada comprovar a existência e o quantum de seu crédito, não cabendo imputar à autoridade administrativa o dever de pesquisar e encontrar créditos disponíveis para extinguir seus débitos declarados. Tal situação caracterizaria a inversão do ônus da prova, o que não se admite no presente caso. As diligências não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. De se ressaltar que não há dúvida envolvida no litígio a ser resolvida com diligência fiscal; ao contrário, é situação de completa ausência de prova material do direito pleiteado, em que a contribuinte apegase a supostas dificuldades na juntada, apresentação e análise de provas. Quanto à afirmação de que o princípio da verdade material impende a realização de diligência, é de se esclarecer que tal princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam Fl. 125DF CARF MF Processo nº 15374.917928/200909 Acórdão n.º 3201004.703 S3C2T1 Fl. 11 10 proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi, o que não se configura nos autos. A busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. O processo administrativo fiscal, conquanto admita flexibilização na apresentação de provas, não se coaduna com a supressão de instância e a inversão do ônus probatório Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.000093/2002-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE.
A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária.
Recurso especial do Procurador não conhecido.
Numero da decisão: 9303-007.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE. A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária. Recurso especial do Procurador não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 00 93 /2 00 2- 56 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13888.000093/200256 Acórdão n.º 9303007.919 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Procurador (fls. 156/161), admitido pelo despacho de fls. 193/196, contra o Acórdão 380301.276 (fls. 146/152), de 01/03/2011, que anulou o auto de infração eletrônico de exigência de IPI, motivado em "Proc jud não comprova" (fls. 13/14), tendo em vista que restou comprovado a existência da ação judicial. Em suma, alega a Fazenda que sendo o saldo a pagar igual a zero nas DCTF, deveria ter sido constituído de ofício o valor de IPI, no caso, para poder ser exigível. Ademais, entende que "o lançamento não poderia ter sido cancelado tãosomente porque foi localizado o processo informado em DCTF porque os valores do principal lançado têm sua base principal na falta de recolhimento e não na inexatidão da declaração, e a dois porque esse último fundamento apenas seria capaz de ocasionar a aplicação da multa de ofício nos termos do art. 90 da MP 2.15835/2001". Colaciona os arestos 20312.427 e 20310.006 como paradigmas. Pede, ao final, o provimento do recurso com o consequente reconhecimento da validade do auto de infração. Em contrarrazões (fls. 201/207), o contribuinte postula preliminarmente pelo não conhecimento do recurso porque um dos fundamentos para o provimento do mesmo fundouse na motivação inadequada do auto de infração, tendo em vista que se calcou na suposta inexistência de medida judicial que amparasse o não pagamento do imposto. Ademais, afirma, o recorrido reconheceu que existia à época da lavratura do auto de infração, medida judicial suspendendo a exigibilidade do crédito, pelo que não poderia a DRJ ter alterado o fundamento do lançamento. Alega que no paragonado 20312.427 não se discutiu "absolutamente nada sobre a motivação", tendo o voto vencedor referido que competiria, no âmbito administrativo, verificar se a compensação realizada tinha amparo em medida judicial e nada mais. Quanto ao outro paradigma, 20310.006, assevera que a discussão é de matéria "ainda mais alheia" àquela discutida no recorrido, referindose que a despeito de medida judicial autorizando a compensação de tributos, poderia haver lavratura de auto de infração, o que, a seu juízo, "em nada se parece com aquela relativa à falta de motivação/possibilidade de modificação do auto de infração, matéria controvertida no recorrido. Aduz, ainda, que o recorrido foi provido, também, por ter a autuada comprovado que comercializou no período da exação (janeiro a junho de 1997) unicamente açúcares abrangidos pela IN SRF 67/98, a qual reconheceu não ser devido o IPI, face à sua alíquota zero, exceção feita ao açúcar do tipo cristal standard. No mérito, pede o improvimento do especial. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator CONHECIMENTO Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13888.000093/200256 Acórdão n.º 9303007.919 CSRFT3 Fl. 4 3 Entendo que o especial não deva ser conhecido. A matéria travada que deu azo ao recorrido ser provido foi erro na motivação do lançamento, uma vez que embora o mesmo tenha cobrado os valores em aberto de IPI, o motivo indiscutível foi que o contribuinte declarou que não estava pagando com base em decisão judicial que suspendia o recolhimento daquele imposto para o tipo de açúcar que a empresa vinha dando saída. A DRJ, de sua feita, como bem demonstrado na declaração de voto do recorrido tentou emendar a motivação do lançamento ao reconhecer a existência da ação judicial, expungindo a multa. Não foi esta a matéria objeto dos paragonados. No 20312.427 foi exclusivamente a possibilidade de haver lançamento quando o saldo a pagar na DCTF foi, erroneamente no entender do Fisco, declarado como zerado. Na fundamentação do voto aclara que a questão não é o fato de ter ação judicial, mas sim a inexistência dos créditos alegados com base na ação judicial. De sua feita, no acórdão 20310.006, cingese a questão acerca da possibilidade de lançamento de ofício de valores declarados em DCTF quando os valores informados nesta declaração para os quais foram vinculados créditos indevidos resultam em saldo a pagar zerado. Portanto, entendo que não há a devida similitude fática a ensejar o conhecimento do especial. Contudo, obter dictum, verdade inconteste, como bem pontuado no recorrido, a autuada ajustou todas as DCTF do período abrangido pela IN SRF nº 67/1998 e pelo Ato Declaratório Executivo SRF 28/01, que veicularam entendimento da Administração Tributária reconhecendo que sobre os açúcares cristais, incluindo os comercializados pela empresa, não incidia IPI. Portanto, se tivéssemos que adentrar no mérito, seria para negar provimento ao especial porque o lançamento careceria de fundamento jurídico. DISPOSITIVO Ante o exposto, não conheço do recurso do Procurador por falta de similitude fática. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13888.000093/200256 Acórdão n.º 9303007.919 CSRFT3 Fl. 5 4 Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723165/2014-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2013
EMPRESA ARTIFICIAL. SIMULAÇÃO. VÍNCULO DIRETO.
Diante de empresa prestadora de serviços sem substrato real, mantida de modo artificial e justamente por seu contratante, impõe-se o reconhecimento da simulação tendente a ocultar o real titular da posição jurídica de empregador ou de contratante dos segurados contribuintes individuais.
Numero da decisão: 2401-005.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial ao recurso voluntário para que fossem aproveitados os recolhimentos efetuados na sistemática do Simples.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2013 EMPRESA ARTIFICIAL. SIMULAÇÃO. VÍNCULO DIRETO. Diante de empresa prestadora de serviços sem substrato real, mantida de modo artificial e justamente por seu contratante, impõe-se o reconhecimento da simulação tendente a ocultar o real titular da posição jurídica de empregador ou de contratante dos segurados contribuintes individuais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial ao recurso voluntário para que fossem aproveitados os recolhimentos efetuados na sistemática do Simples. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier
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SIMULAÇÃO. VÍNCULO DIRETO. Diante de empresa prestadora de serviços sem substrato real, mantida de modo artificial e justamente por seu contratante, impõese o reconhecimento da simulação tendente a ocultar o real titular da posição jurídica de empregador ou de contratante dos segurados contribuintes individuais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial ao recurso voluntário para que fossem aproveitados os recolhimentos efetuados na sistemática do Simples. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 31 65 /2 01 4- 24 Fl. 913DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 914 2 Relatório O presente processo envolve Recurso Voluntário e Recurso de Ofício contra decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte Impugnação apresentada contra os seguintes Auto de Infração: DEBCAD N° COMP MATÉRIA CÓDIGO LEVANTAMENTO VALOR TOTAL 51.064.2861 01/2009 a 13/2013 Contribuições previdenciárias parte patronal, inclusive SAT/RAT, incidentes sobre as remunerações de empregados pagas pela empresa e contribuições previdenciárias parte patronal, incidentes sobre as remunerações de contribuintes individuais pagas pela empresa. SP – REMUNERAÇÕES MALTA SP. R$8.343.771,09 51.064.2870 (fls. 20) 01/2009 a 13/2013 Contribuições previdenciárias parte dos segurados empregados e contribuintes individuais. SP – REMUNERAÇÕES MALTA SP. V.Atual.: 1.342.980,95 Juros: 340.666,29 Multa Of.: 2.014.471,64 Total: 3.698.118,88 51.064.2888 01/2009 a 13/2013 Contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos (terceiros). SP – REMUNERAÇÕES MALTA SP. R$2.093.348,88 Segundo o Relatório Fiscal (fls. 46/64), a empresa autuada, TML Transportes Ltda e Malta Serviços de Encomendas EIRELI – EPP (TML), simulou o fracionamento de parte de suas atividades para a empresa Malta Transportes São Paulo Ltda (Malta). Haveria unicidade empresarial. Haveria unicidade empresarial, ou seja, a Malta (Simples) não teria existência autônoma no mundo dos fatos, a integrar totalmente as atividades e o objeto social da TML, resultando como existente apenas a empresa TML (Lucro Real). As contribuições foram apuradas a partir das remunerações pagas aos empregados e contribuintes individuais informadas pela empresa Malta nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social (GFIP) e em suas folhas de pagamento. Para a fiscalização, revelariam a inexistência de fato da Malta (unicidade empresarial) e o fracionamento das atividades para fraudar a legislação tributária: (1) existência de vínculos de parentesco e confiança dos sócios da Malta com os sócios administradores da TML, empresas com mesma atividade; (2) dependência econômica (TML único cliente da Malta = 100% do faturamento, conforme Livro Caixa e Notas Fiscais); (3) receita bruta da Malta é inferior ao montante de remuneração paga a empregados e contribuintes individuais; (4) inexistência de atividade comercial na Malta; (5) Malta não possui qualquer veículo, mas registra grande quantidade de motoristas (CBO 7825), logo trabalham nos caminhões da TML; (6) conforme relação de empregados e respectivos cargos, extraídos das GFIP da Malta SP, notase a inexistência de empregados em cargos relacionados a recursos humanos, compras, vendas ou contabilidade; (8) o imóvel onde se situa a Malta, é uma casa comum sem qualquer indicação de ser uma empresa, bem como sem espaço para abrigar Fl. 914DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 915 3 qualquer veículo pesado, mercadorias, nem o contingente de empregados declarados em GFIP pela Malta; (9) elaboração e envio das GFIP das empresas Malta e da TML são feitas no mesmo local, no mesmo endereço IP, tratandose do mesmo computador, o mesmo endereço de contato, domínio de email (@maltatransportes.com.br) e telefone. A partir da competência 10/2012, ambas empresas passam a ter suas GFIP remetidas por outro responsável, idêntico para a TML e para a Malta. (10) TML pagou despesas da empresa Malta, conforme contabilidade da TML; (11) não há contrato de prestação de serviços por escrito entre Malta e a TML. Os "serviços prestados" nada têm de pontuais ou esporádicos. Conforme relatado no item 13.3, a média anual de serviços prestados é superior a um milhão de reais e as notas fiscais demonstram "pagamentos" feitos de forma habitual, com periodicidade mensal. É emitida uma única nota fiscal mensal contendo a simplória descrição dos serviços como "serviços prestados" e não contém, como ordinariamente acontece, qualquer detalhamento, indicação de relatório de apuração de valores devidos, retenção de tributos, indicação de conta corrente para depósito ou boleto bancário para pagamento; (12) a décima quinta alteração do contrato social da TML, de 31/01/2014, contém em sua cláusula segunda, a declaração de incorporação da Malta pela TML. Na cláusula terceira consta a previsão de extinção da Malta. Não foram aproveitados como créditos da TML eventuais recolhimentos previdenciários ou dos tributos do Simples Nacional da Malta em razão de ausência de previsão legal, bem como em razão de a apropriação desses valores consistir em prêmio à torpeza do fraudador do Fisco Previdenciário e um estímulo à prática de ilícitos tributários. Por fim, sustentando haver simulação, fraude e conluio, este entre os dirigentes da Malta e da TML, a multa de ofício foi qualificada. A TML apresentou impugnação (fls. 659/687) alegando, em síntese, que: a) Ilegalidade formal. Houve imputação de responsabilidade tributária por unicidade empresarial, ou seja, por grupo econômico, mas não há tal fundamentação nos Fundamentos Legais do Débito (FLD). b) Inexistência de fato gerador. Não ocorreu e a fiscalização não comprovou a existência dos elementos da relação laboral (subordinação; habitualidade; onerosidade/remuneração e pessoalidade). Logo, há improcedência do feito e/ou nulidade material do lançamento (CTN, art. 142; e jurisprudência). c) Inexistência de grupo econômico ou unicidade empresarial. A Malta iniciou suas atividades muito antes da impugnante. Parentesco não prova o grupo econômico. Não há prova de controle de direito e nem de controle ou influência significativa de fato. Ser a receita bruta da Malta inferior à remuneração dos segurados se justifica em face dos Relatórios de Horas Trabalhadas e acordo operacional, conforme resposta aos Termos de Fl. 915DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 916 4 Intimação Fiscal. Possuía atividade comercial autônoma, com funcionários próprios em vendas, departamento administrativo e operacional, não fazendo prova em sentido contrário pesquisa no "google". Os motoristas usavam caminhões próprios, logo não precisava de escritório, garagem ou depósito de mercadorias. Só era contratada nos picos de encomendas. O emprego de mesmo computador para algumas GFIPs não prova "simulação". Funcionário da era lotado no Departamento de Pessoal da autuada, a usar seus sistemas de folha de pagamento e prestar serviços autônomos de elaboração da folha de pagamento e GFIP da Impugnante. Não houve qualquer comprovação de integração com a Malta e, muito menos, domínio de uma sobre a gestão de outra. Alguns gastos da Malta foram saldados a título de adiantamento. O contrato de prestação de serviços não demanda forma especial (Código Civil, art. 107), havendo contrato verbal. A Malta foi incorporada por estar em dificuldades financeiras, com risco de falência, o que traria dificuldades operacionais para a TML pela dificuldade de se encontrar prestadoras de serviços de transporte. Malta e TML não funcionavam no mesmo endereço; não possuem sinalização de marca em comum; não possuem sócios em comum; possuíam seus próprios quadros de funcionários; os empregados de uma empresa não trabalhavam com uniforme ou crachá de outra e os exames laborais eram realizados separadamente. Esses fatos comprovam a inexistência de formação de grupo econômico. Transcreve jurisprudência. d) Inexistência de responsabilidade tributária por fatos geradores de outra sociedade. Mesmo que se conclua que uma empresa pertence a um grupo de sociedades, esse fato não transfere validamente a responsabilidade tributária a outra empresa de tal suposto grupo por fatos geradores que não realizou ou cuja realização e respectivo cumprimento de obrigações tributárias não determinou concretamente. e) Apropriação de recolhimentos da empresa e dos segurados. Os pagamentos efetuados no âmbito do SIMPLES devem ser considerados para fins de apuração de tributos quando o contribuinte é desconsiderado de tal sistemática, sob pena de erro na apuração do crédito tributário constituído de ofício e de apropriação indébita e enriquecimento ilícito do erário público. Não se trata de compensação a ser realizada nos moldes do artigo 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, mas de mero abatimento dos valores já recolhidos, razão pela qual não procede a alegação de ausência de previsão legal. Invoca decisões administrativas e judiciais e conclui ser obrigatório, bem como dever funcional, quando da constituição do novo fato jurídico tributário, considerar os valores já recolhidos dentro da sistemática do Simples Nacional e os atinentes à cota dos segurados (GPS), conforme apurados nos cálculos/planilhas em anexo. f) Multa. Não houve fraude ou simulação e, muito menos, a necessária e cabal comprovação de intuito doloso em tais supostas práticas (Lei n. 9.430/96, art. 44; e jurisprudência), logo indevida a qualificação da multa de ofício. Fl. 916DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 917 5 Do Acórdão prolatado pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (fls. 833/850), em síntese, se extrai:´ a) Os Fundamentos Legais do Débito – FLD expõem de modo detalhado os dispositivos legais lastreadores do lançamento. Não houve imputação de grupo econômico. Os FLD citam a legislação que trata de sonegação, fraude e conluio (art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964). b) Além do parentesco, as duas empresas possuem a mesma atividade. Não se atendeu apenas a picos de encomendas. Sem contrato escrito, valores elevados eram lançados nas notas fiscais com a simplória descrição: "serviços prestados. Malta não possuía estrutura, conforme prova. Livro caixa, notas fiscais, etc revelam que era mera fração, eis que totalmente dependente da TML e acordo operacional e Relatórios de Horas Trabalhadas não afastam constatações da fiscalização. Não se discute a caracterização da relação laboral, pois a relação de emprego dos referidos segurados é reconhecida pela Malta e a unicidade empresarial revela que a verdadeira empregadora é a TML. Isolados fatos apontados pela fiscalização não provariam, mas somados revelam unicidade das empresas. Somese ainda reconhecimento do envio comum das GFIPs por funcionário da Malta na TML, a utilizar estrutura da TML e a prestar serviços "autônomos" para a TML. Pagamento de despesas da Malta como adiantamento não é prática comum no mundo dos negócios, a revelar ausência de concorrência. Até mesmo para o pagamento de tributos a Malta dependia da TML, o que demonstra o conhecimento da empresa dominante da rotina empresarial da dominada, como custos, despesas, dívidas tributárias, folha de salários, etc, caracterizando o domínio da TML sobre a gestão da Malta, conforme afirmado pela fiscalização. A incorporação ocorreu após a edição da Lei nº 12.844, de 2013, que modificou a Lei nº 12.546, de 2011, dispondo em seu art. 8º, §3º, inciso XIV, sobre a substituição de alíquotas e bases de cálculo das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a folha de pagamento de empregados para o valor da receita bruta auferida pelo contribuinte, no caso das empresas de transporte rodoviário de cargas, com produção de efeitos a partir de 01/01/2014. Ou seja, no momento em que o fracionamento das atividades nas duas empresas deixou de ser vantajoso em termos tributários, ocorreu a incorporação. Como a simulação deixou de ser vantajosa, pelo contrário, as duas empresas separadas pagariam mais tributos do que juntas, assim, a empresa TML incorporou a empresa Malta, até porque de fato apenas existia a empresa TML. c) Não houve a caracterização de responsabilidade tributária solidária da empresa TML e sim de haver uma única empresa, sendo ela obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviço, havendo uma simulação na declaração desses segurados em GFIP pela empresa Malta (CC, art. 167; CTN, art. 149, VII). Houve simulação no intuito de se pagar menos tributos, restando caracterizadas as condutas dos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº Lei nº 4.502, de 1964. Correta a qualificação da multa. Fl. 917DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 918 6 d) Não cabe aproveitamento de recolhimentos do Simples, pois não houve exclusão (LC n° 123, de 2006, art. 21, § 10). Além disso, o § 6º do art. 56 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, expressamente impede a compensação de contribuições previdenciárias com os valores recolhidos indevidamente para o Simples Nacional. e) Quanto ao aproveitamento dos valores pagos através de GPS relativos à cota dos segurados, assiste razão à impugnante. As contribuições de segurados, correspondente ao período de 01/2009 a 13/2013, declaradas nas GFIP da empresa Malta, foram devidamente recolhidas e/ou lançadas em LDCG/DCG (competências 06/2010; 07/2010; 08/2010; 09/2010; 11/2010; 13/2010; 06/2011; 08/2011; 09/2011; 10/2011; 12/2011; 13/2011; 01/2012; 03/2012; 04/2012; 05/2012; 11/2012; 13/2012; 01/2013; 03/2013; 04/2013; 05/2013; 06/2013), conforme consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (CCORGFIP – consulta de valores a recolher x valores recolhidos x LDCG/DCG). g) Diante da procedência em parte da impugnação, resta cancelado o AI n° 51.064.2870 e mantidos os demais. Recorrese de ofício. Cientificada em 07/06/2016 (fls. 872), a autuada apresentou recurso voluntário e contrarrazões ao recurso de ofício (fls. 876/901) em 06/07/2016 (fls. 875) alegando, em síntese: a) Inexistência de fato gerador. A fiscalização não se desincumbiu em demonstrar e comprovar a existência dos elementos da relação laboral entre os empregados registrados da Malta e a recorrente (Lei n° 8.212/91, arts. 12, I, 22, I e II, e 37; Lei n° 8.213/91, art. 11, I; CLT, art. 3°; RPS, art. 229, § 2°; e CTN, art. 142). Logo, há total improcedência e nulidade dos Autos de Infração lavrados. b) Inexistência de grupo econômico ou unicidade empresarial. Há absoluto desencontro entre os “indícios” construídos pela fiscalização e a realidade de fato. Embora ignorado na decisão recorrida, a Malta iniciou suas atividades quase dez anos antes da impugnante, a demonstrar inexistência de simulação. Sócios não comuns membros de uma mesma família não caracterizam grupo econômico ou unicidade empresaria entre duas pessoas jurídicas distintas, sendo fato normal entre empresas de um mesmo ramo de atividade e não há vedação legal. Não restou comprovado controle de direito e nem controle ou influência significativa de fato. A Malta prestava serviços a outras empresas e a Nota Fiscal foi apresentada meramente a título exemplificativo. O fato de a receita bruta da Malta ser inferior ao montante de remuneração paga aos segurados se justifica em face dos Relatórios de Horas Trabalhadas e acordo operacional, conforme resposta aos Termos de Intimação Fiscal, tendo a decisão recorrida equiparado informalidade comercial com unicidade empresarial. A Malta possuía atividade comercial autônoma, tanto que contava com funcionários para vendas, administração e atividades operacionais e a fiscalização não comprova que as instalações não comportariam os funcionários. A pesquisa no "google" não prova inexistência, mas ser Fl. 918DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 919 7 empresa pequena e sem sobras para investimentos em propaganda e publicidade. O comparativo entre a relação de funcionários da Malta e pesquisa junto ao DETRAN (já anexada aos autos) revela que os motoristas trabalhavam usando veículos próprios, não tendo a Malta necessidade de espaço para abrigar veículos pesados, mercadorias ou motoristas. O fato de o mesmo computador elaborar GFIPs de ambas as empresas se justifica por funcionário da Malta ter sido lotado no Departamento de Pessoal da TML para utilizar o sistema de folha de pagamento da TML na elaboração da folha da Malta, tendo também prestado serviços autônomos de elaboração da folha da TML. Não há qualquer irregularidade. Não houve integração ou domínio na gestão da Malta, mas pagamento de gastos esporádicos da Malta (eventualmente em meses seguidos) a título de adiantamentos por serviços de transporte. A legislação admite contrato verbal de prestação de serviços, logo tal fato não configura prova de "grupo econômico" ou "unicidade empresarial". Eventual falência da Malta prejudicaria as atividades da recorrente. Assim, diante da oportunidade comercial e por consciência social, em observância ao princípio da livre iniciativa, a recorrente optou por incorporar a Malta, não havendo que se falar em simulação. Comprovam inexistência de grupo ou unicidade empresarial e a existência de autonomia funcional e econômica entre as empresas: (1) não estarem registradas e nem funcionar em mesmo endereço, conforme contratos de locação; (2) não possuírem sócio ou sinalização de marca em comum; (3) possuírem quadro funcional próprio com uniforme ou crachá próprio; e (4) exames laborais realizados separadamente, conforme contratos. Transcreve jurisprudência, a exigir prova cabal para caracterização de grupo econômico. c) Inexistência de responsabilidade tributária por fatos geradores de outra sociedade. A Constituição e a legislação exigem observância de requisitos para a atribuição/transferência de responsabilidade de uma sociedade para outra. (CF, arts. 145, § 1º, e 150, I; e CTN, arts. 121, 124, 128 e 97, III). Mesmo a existência de um grupo sociedades não transfere validamente a responsabilidade tributária a outra empresa por fatos geradores que não realizou ou cuja realização e respectivo cumprimento de obrigações tributárias não determinou concretamente. d) Planejamento tributário. Segundo a decisão atacada, houve simulação ao se realizar planejamento tributário. Não houve no mundo dos fatos simulação. Ainda que se admitisse a existência de planejamento tributário, a jurisprudência aceita a economia/redução de tributos por meios lícitos, sendo incorreta a imputação de simulação. e) Apropriação de recolhimentos. Os pagamentos efetuados no âmbito do SIMPLES devem ser considerados para fins de apuração de tributos quando o contribuinte é desconsiderado de tal sistemática, sob pena de erro na apuração do crédito tributário constituído de ofício e de apropriação indébita e enriquecimento ilícito do erário público. Não se trata de compensação a ser realizada nos moldes do artigo 73 e 74 da Lei n° 9.430/96 ou art. 56, §6°, da IN RFB n° 1.300/12, mas de mero Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 920 8 abatimento dos valores já recolhidos, razão pela qual não procede a alegação de ausência de previsão legal. Da mesma forma, não prospera a invocação pela decisão recorrida do art. 21, §10, da LC n° 123/06. Invoca decisões administrativas e judiciais e conclui ser obrigatório, bem como dever funcional, quando da constituição do novo fato jurídico tributário sob responsabilidade da recorrente, considerar os valores já recolhidos dentro da sistemática do Simples Nacional. f) Contrarrazões ao recurso de ofício. Pelas mesmas razões do tópico anterior (dever da autoridade fiscal em realizar a imputação dos pagamentos efetuados, sob pena de erro na apuração do crédito tributário constituído de ofício, além de se configurar apropriação indébita e enriquecimento ilícito do erário público), deve ser mantida a improcedência do AI n° 51.064.2870. g) Multa. Não houve fraude ou simulação e, muito menos, a necessária e cabal comprovação de intuito doloso em tais supostas práticas (Lei n. 9.430/96, art. 44; e jurisprudência), logo indevida a qualificação da multa de ofício. g) Pedido. Requer o recebimento e provimento ao recurso para (1) reconhecimento da insubsistência/improcedência da ação fiscal e cancelamento dos autos de infração; (2) sucessivamente, apropriação de valores recolhidos na sistemática do Simples; (3) sucessiva e subsidiariamente, o afastamento da multa qualificada por ausência de comprovação de dolo; e (4) por fim, o desprovimento do recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Presentes as condições de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso de ofício e do recurso voluntário. Inexistência de fato gerador. Segundo o recurso, não teria havido demonstração e nem comprovação da existência de relação laboral entre o recorrente e os empregados, sendo os Autos de Infração nulos ou improcedentes. Devemos ponderar que a fiscalização e o Acórdão recorrido consideraram que a Malta tinha existência meramente formal, ou seja, seria empresa de fachada mantida de forma artificial para a ocultação do real contratante dos trabalhadores formalmente vinculados à Malta. Provada a simulação acerca de quem se apresentava formalmente como contratante dos segurados empregados e dos segurados contribuintes individuais, a Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 921 9 argumentação do recorrente não prospera. Isso porque, é o recorrente quem ocupa a posição jurídica de contratante da mão de obra apenas aparentemente vinculada à Malta em razão da simulação havida. Não se cogita, portanto, de nulidade, estando o lançamento amparado nos arts.142 e 149, II, do CTN. Havendo provas da imputação fiscal, não há que se falar também em improcedência dos Autos de Infração. Essa questão, contudo, será apreciada no próximo item. Da unicidade empresarial ou da intermediação de mãodeobra por empresa artificial. A recorrente nega a titularidade dos fatos geradores apurados pela fiscalização, não seria sujeito passivo das obrigações tributárias e inexistiria nos autos prova dos elementos caracterizadores de vínculo direto dos trabalhadores, sendo irrelevantes os fatos apontados pela fiscalização. Além disso, não existiria grupo econômico e nem qualquer outra hipótese de responsabilização tributária. No seu entender, teria havido planejamento tributário caracterizado pela terceirização lícita de atividade fim mediante contrato verbal para atender picos de encomendas. No caso concreto, a fiscalização não atacou simplesmente o contrato de prestação de serviços verbal (nada impede ser verbal, contudo resta dificultada sua prova), mas a efetiva existência da empresa Malta, uma vez que a considerou como empresa de fachada mantida de forma artificial para a ocultação do real contratante dos trabalhadores e a indevida redução da carga tributária. Destarte, a fiscalização: (1) não desconsiderou a personalidade jurídica das empresas, eis que não se afastou a pessoa jurídica para se atingir os sócios (Código Civil, art. 50); (2) não imputou prática conjunta pelas sociedades dos fatos geradores, ou seja, não imputou a qualidade de coempregadores ou de cocontratantes para invocar a incidência do art. 124, I, do CTN; e (3) nem imputou a configuração de um grupo econômico para invocar a incidência do art. 124, II, do CTN conjugado com o art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991. O Relatório Fiscal é claro quanto à imputação à recorrente da titularidade da posição jurídica de única empregadora ou de única contratante dos contribuintes individuais, tendo a Cincar, segundo a fiscalização, existência meramente formal para a ocultação do real titular das posições jurídicas em tela. De fato, vista isoladamente, a titularidade da Malta por parentes e pessoas de confiança constituise em indício não conclusivo. Da mesma forma, a anterior constituição da Cincar, isoladamente, não é prova de inexistir simulação. A inexistência de atividade comercial em empresa que se propõe a prestar serviços para um único contratante, assumindo o risco de uma total dependência econômica, pode também ser tida, isoladamente, como não conclusiva. Nesse contexto, é extremamente significativo o fato de a receita bruta da Malta ser inferior ao montante da remuneração paga aos segurados. Os Relatórios de Horas Trabalhadas (fls. 296/299 e 359/364) revelam a ponderação de custos diversos acordados e de lucro acordado calculados a partir do custo das horas trabalhadas para a emissão das notas fiscais, ou seja, evidenciariam o alegado acordo operacional, ainda que num contexto de um contrato verbal. Tal situação, contudo, não tem o condão de afastar a constatação de a receita Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 922 10 bruta da Malta, declarada em DASN e confirmada nas notas fiscais de prestação de serviços, ser inferior à remuneração dos segurados informada em GFIP. Somese o fato de não possuir bens de produção (veículos) e de pretender provar a locação de veículos dos segurados mediante mera pesquisa junto ao Detran. A invocação em questão é totalmente inapta para comprovar a alegada locação, ainda que associada a um contrato de emprego ou de serviços autônomo também não carreados aos autos. O local onde se situava a Malta era casa comum e pequena sem qualquer identificação, sem espaço para abrigar veículo pesado, mercadorias ou o contingente de empregados declarados, conforme fotos de fls. 56. Entre 02/08/2010 e 12/03/2013, situouse em local diverso, mas próximo a filial da TML. Acrescentese ainda que o próprio recorrente reconhece de que empregado da Malta trabalhava dentro da TML a se utilizar do sistema da folha de pagamento da TML para elaborar as GFIPs da Malta e da TML, supostamente prestando serviços autônomos para a TML. Portanto, aflora dos autos que a Malta não possuía bens de produção e nem ao menos possuía um sistema de folha de pagamento, a empregar a estrutura organizacional da TML. Nos autos não identifiquei trabalhadores em departamento comercial ou de vendas e nem vendedores, não tendo a recorrente infirmado a constatação de não possuir nem telefone. Nesse ponto, já não estamos diante de elementos probatórios isolados, mas de um conjunto probatório indicativo de a Malta não exercer uma atividade econômica organizada, mas de ser meramente depositária de apenas um dos fatores de produção, ou seja, do fator de produção trabalho pertinente à empresa TML. Acrescentese ainda que não é verossímil a alegação de a prestação de serviços se dar apenas nos picos de encomendas, eis que a prestação de serviços se operou mensalmente e em valores significativos e sem a formalização de um contrato escrito, sendo a descrição das notas fiscais absolutamente lacônica. Em tal contexto, a total dependência econômica e a ausência de uma atividade comercial de captação de clientes, bem como a despreocupação com propaganda e publicidade, atestada pela presença insignificante da Malta na internet, a contrastar com a intensa presença da TML, ganham relevo. O fato de a receita bruta da Malta ser sistematicamente inferior ao montante da remuneração paga aos segurados somada à total dependência da TML e aos demais elementos presentes no conjunto probatório, em especial ao fato de a TML muitas vezes arcar diretamente com gastos de pessoal e tributos revela não haver omissão de receita ou supostos adiantamentos, mas a deliberada e calculada manutenção artificial da Malta para a indevida redução da carga tributária pela ocultação dolosa do real contratante dos trabalhadores. Assim, os elementos probatórios colhidos revelam não haver simplesmente vínculo de parentesco e confiança entre os sócios da Malta e os da TML, mas efetivo conluio entre os administradores da Malta e os administradores da TML para a instrumentalização da Malta em benefício de interesses ilícitos da TML. Por fim, resta patente a simulação quando, em razão de alteração legislativa, a TML absorve sua faceta artificialmente mantida. A artificialidade é tão gritante que a própria Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 923 11 recorrente tem de admitir que a Malta se consubstanciava em empresa insustentável e que sua falência prejudicaria as atividades da recorrente (acaba por reconhecer não suprir meros picos de encomenda) para tentar justificar a incorporação. Diante desse contexto fático, não se vislumbra a existência de uma regular cadeia produtiva em regime de terceirização lícita. Pelo contrário, há uma série consistente de provas a demonstrar que a Malta atuava em simbiose forçada, incapaz de subsistir enquanto empreendimento autônomo por ser mera faceta artificial do fator de produção trabalho integrante da organização dos fatores produtivos da TML, a fraudar, impedir e dificultar a aplicação da legislação tributária e previdenciária. Os fatos invocados pelo recorrente (estarem registradas e não funcionarem em mesmo endereço; não possuírem sócio, marca ou sinalização comum; quadro funcional formalmente distinto com uniforme e crachá próprio; e exames laborais separados) revelam a tentativa de se caracterizar a existência de autonomia funcional e econômica das empresas, contudo o conjunto probatório constante dos autos é consistente, como supra explicitado, no sentido de ter havido efetivamente simulação. Nesse contexto de fraude e evasão fiscal, admitese como cabível a vinculação direta da mãodeobra para com a TML, ainda que os segurados empregados e contribuintes individuais tenham sido formalmente contratados/inscritos pela Malta, eis que constatada a simulação. Reiterese ser desnecessária a explicitação dos elementos caracterizadores das relações de trabalho, já reconhecidas nas GFIPs da Malta, empresa de existência meramente formal e empregada apenas para ocultar o real contratante da mãode obra. Inexistência de responsabilidade tributária. Não se imputou fato gerador de outra sociedade. Provada a simulação, é o recorrente o contribuinte dos tributos lançados. Não se cogita de transferência de responsabilidade tributária. Planejamento Tributário. Conforme já demonstrado, houve simulação e não planejamento tributário lícito. Apropriação de recolhimentos. As contribuições de titularidade dos segurados (contribuintes) foram retidas e recolhidas em nome dos mesmos ainda que pelo contratante aparente, logo correta a retificação do lançamento empreendida pelo Acórdão de piso (cancelamento do AI n° 51.064.2870), pois restaram quitadas. O real contratante não efetuou em seu nome o recolhimento espontâneo das contribuições da empresa. Há formalmente recolhimento efetuado no âmbito do Simples Nacional pelo contratante simulado da mãodeobra, formalmente terceiro ao tempo dos fatos ainda que posteriormente tenha havido sua incorporação. Não houve exclusão do Simples Nacional, por conseguinte não se aplica o art. 21, § 10, da Lei Complementar n° 123, de 2006. Não há que se cogitar em compensação impeditiva do lançamento, eis que, como já observado pela decisão recorrida, as regras de regência da matéria não são compatíveis com tal postulação. Eventual compensação com o débito lançado deve ser devidamente formalizada pelo titular do recolhimento, no caso o próprio recorrente em razão da incorporação, perante o órgão competente e a ser por este devidamente apreciada. Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 924 12 Não se deve cogitar de pagamento espontâneo das contribuições da empresa, eis que os recolhimentos foram feitos por pessoa jurídica formalmente diversa ao tempo dos fatos e com base de incidência diversa do fato gerador do lançamento (prestação de serviços). Logo, não se configura erro na apuração do crédito tributário, apropriação indébita ou enriquecimento sem causa do erário, tendo a própria conduta ilícita do recorrente dado causa à situação em tela. Multa. Diante das provas constantes dos autos, impõese a conclusão de ter havido a prática de diversos atos simulados, como acima detalhado, a se ocultar o real contratante dos trabalhadores com o nítido intuito doloso de se obter indevida redução da carga tributária. Acertada, destarte, a qualificação da multa de ofício (Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, I e § 1°). Isso posto, voto por conhecer e negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 924DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.900066/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES DA LIDE. ORIGEM DO CRÉDITO.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo - no caso de compensação tributária, limitada pelo conteúdo do despacho decisório e pela defesa sobre a origem do crédito pleiteado -, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF não deve ser conhecida.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo de PIS/COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão.
Numero da decisão: 3402-006.076
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, não conhecer em parte do Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, quanto aos argumentos da ilegalidade da aplicação da SELIC e a inconstitucionalidade da multa aplicada; e (ii) por maioria de votos, quanto a exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES DA LIDE. ORIGEM DO CRÉDITO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo no caso de compensação tributária, limitada pelo conteúdo do despacho decisório e pela defesa sobre a origem do crédito pleiteado , de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF não deve ser conhecida. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo de PIS/COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão. Acordam os membros do Colegiado, não conhecer em parte do Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, quanto aos argumentos da ilegalidade da aplicação da SELIC e a inconstitucionalidade da multa aplicada; e (ii) por maioria de votos, quanto a exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 00 66 /2 00 8- 31 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1016.099, proferido pela DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, mantendo assim a negativa de homologação da compensação pretendida. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente contestou o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, afirmou que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base de cálculo tributável com base no disposto no art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/1998, gerando assim, indébitos compensáveis. Devidamente cientificada da decisão da DRJ, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde repisou os fundamentos desenvolvidos em sua manifestação de inconformidade, bem como acresceu os seguintes fundamentos: (i) a inclusão do ICMS na base de cálculo da exação em comento seria indevida; (ii) a ilegalidade da SELIC como fator de correção do crédito tributário; e, ainda (iii) a multa aplicada apresentaria caráter confiscatório, motivo pelo qual deveria ser afastada. É o relatório Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.073, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.900040/200892, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.073): "I. Do não conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 5. Conforme destacado no relatório desenvolvido no presente voto, parte dos fundamentos desenvolvidos no presente recurso voluntário inovam a lide, na medida em que externados apenas em sede de recurso voluntário. É o caso dos seguintes tópicos da peça recursal: (i) a inclusão do ICMS na base de cálculo da exação em comento seria indevida; (ii) a ilegalidade da SELIC como fator de correção do crédito tributário; e, ainda (iii) a multa aplicada apresentaria caráter confiscatório, motivo pelo qual deveria ser afastada. 6. Acontece que, em sua manifestação de inconformidade, o ora recorrente não desenvolveu tais fundamentos. Dessa feita, está precluso o direito do contribuinte, em sede de recurso voluntário, debater as exigências tratadas nos itens "ii" e "iii" alhures, nos exatos termos do disposto no art. 17 do Decreto n. 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 7. Não se tratando de questões de ordem pública, que poderiam ser reconhecidas de ofício e em qualquer grau de jurisdição, em razão da aplicação subsidiária do art. 485, § 3o, c.c. o art. 15, ambos do Novo Código de Processo Civil1, não 1 "Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: (...). 3o O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. (...)." Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 4 poderia o recorrente, em grau recursal, inovar a lide, sob pena de haver notória supressão de instância judicativa. 8. Neste sentido, não conheço dos fundamentos desenvolvidos pelo recorrente no sentido de combater (i) a ilegalidade da aplicação da SELIC, bem como (ii) a inconstitucionalidade da multa aplicada no caso em tela. (...)2 Lembremos que o presente processo fiscal iniciouse por manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de Porto Alegre relativo à COFINS, em virtude exame de declaração de compensação, a qual não foi homologada por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. Foi essa a motivação adotada pela Administração Tributária no despacho decisório, o qual impõe os limites do processo administrativo e a impossibilidade de sua alteração, nos moldes esculpidos pelo artigo 146 do CTN. A Recorrente, por sua vez, contestou o referido Parecer alegando que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título da Contribuição ao PIS e da COFINS, conforme disposição da Lei 9.718/98, constatou valores pagos a maior. O cerne da inconformidade da Recorrente foi o conceito de receita bruta, instituído pela lei acima referida, alegando ser o indébito que pleiteia decorrente da tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também afirma que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. Ou seja: segundo a própria Recorrente, o indébito tributário pleiteado, que fora utilizado para compensar débitos via declaração de compensação, são decorrentes de pagamentos indevidos porque fundados em interpretação equivocada do conceito de receita, discussão essa amplamente conhecida a respeito da Lei n. 9.718/98. Como poderia agora, nesse pé do processo administrativo, vir alegar que o indébito, na realidade, o crédito decorre da indevida inclusão do ICMS na base da cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS? Isso só demonstra a iliquidez e incerteza do crédito tributário utilizado pelo contribuinte, inclusive no que tange à sua base legal, tudo indo na contramão das determinações que regem a matéria (artigos 165 e 170 do "Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." 2 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu na discussão sobre o conhecimento do recurso voluntário quanto a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Íntegra do voto pode ser consultada no processo paradigma (11080.900040/200892) Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 5 Código Tributário Nacional, bem como o artigo 74 e seguintes da Lei n. 9.430/96). Mas a verdade é que nem isso a Recorrente alega. Em seu longo Recurso Voluntário, de repente passa a discorrer sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS (fls 54), em nenhum momento apontando nem provando como essa discussão implicaria no presente processo administrativo, no crédito utilizado na declaração de compensação ou porque foi extemporaneamente apresentada. Enfim, na hipótese de efetivamente a Recorrente ter direito à restituição de indébito tributário, decorrente da imprópria tributação das contribuições sociais com o ICMS compondo a sua base, deverá iniciar outro processo administrativo, requerendo pelas vias cabíveis a devolução de tais valores, demonstrando e provando a pertinência da decisão proferida pelo STF no RE n. 574.706. Eis aí o correto caminho processual a ter tomado. Tratase, portanto, de questão que além de extrapolar os limites do presente dissídio, é preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, e não vejo razão para o afastamento da citada regra in casu. Desta feita, a mencionada matéria de defesa não deve ser conhecida por este Colegiado. Por essas razões, especificamente com relação ao tópico da defesa atinente inclusão do ICMS na base da cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, voto no sentido de não conhêlo. (...) (ii.b) Do mérito propriamente dito 35. Superada a proposta acima, mister se faz a análise do mérito propriamente dito do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, o que faz nos seguintes termos. (...)3 (2) Do crédito vindicado pelo contribuinte com fundamento no inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998 39. A questão de fundo não é nova neste Tribunal e diz respeito a (in)aplicabilidade imediata do inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998, que assim prescreve: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). 3 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu no julgamento do mérito. Íntegra do voto pode ser consultada no processo paradigma (11080.900040/200892) Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (...). (grifos nosso). 40. A questão aqui travada foi bem tratada pelo acórdão n. 3302004.903, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que assim prescreveu em seu voto acompanhado a unanimidade pela turma julgadora: Esclarecida a situação a fática, examinase a seguir as normas objeto da controvérsia: Lei nº 9.718, de 1998: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;(grifei) A norma em destaque foi expressamente revogada pela alínea b do inciso IV da art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 2000: • Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000 (DOU, de 10/06/2000): Art.47.Ficam revogados: [...] IV a partir da publicação desta Medida Provisória: (...); b) o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.(grifei). Dos atos acima transcritos constatase que o inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718, de 1998 é uma norma que depende de regulamentação, tipificada portanto segundo Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 7 a doutrina abalizada como norma de eficácia limitada, que é aquela que depende de uma regulamentação e integração por meio de normas infraconstitucionais. É digno de nota que a matéria em tela foi objeto de vários precedentes nesse E. Conselho, a exemplo dos acórdãos: 380200.893, de 20/03/2012, 3302002.174, de 26/06/2013 e 3202001.051, de 20/01/2014. Nesse sentido, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão 3202001.051, de 20/01/2014, ex vi do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000 COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EFICÁCIA CONDICIONADA À EDIÇÃO DE NORMA REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. A Lei nº 9.718/98 admitia, em seu artigo 3º, § 2º, inciso III, a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, exclusão esta, contudo, condicionada à edição de norma regulamentadora. Tal norma de eficácia limitada, embora vigente, nunca chegou a ter eficácia, já que não editado o decreto regulamentador.(grifei) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Excertos do voto: Como visto, a decisão recorrida indeferiu o restituição solicitada e não homologou as compensações pleiteadas pela Recorrente, fundamentalmente, em decorrência da ausência de regulamentação, pelo Poder Executivo, da norma que previa a exclusão de valores computados como receitas e transferidos para terceiros (art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98). Por conseguinte, a declaração de compensação apresentada não pode ser homologada por Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 8 falta de certeza e liquidez dos indébitos utilizados. Não há reparos a fazer na decisão recorrida. De fato, o dispositivo legal acima referenciado – que, posteriormente, foi expressamente revogado pelo artigo 47, inciso IV, alínea “b”, da MP no 1.99118, de 09/06/2000, posteriormente convertido na Medida Provisória no 2.15835, de 2001 – tratava da possibilidade de exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS dos valores que, computados como receita, fossem transferidos para outra pessoa jurídica, contudo, “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, conforme se observa da simples leitura do preceito em comento, verbis: (...) Tais normas regulamentadoras, no entanto, nunca chegaram a ser editadas. Destarte, a norma em comento, embora vigente, nunca produziu efeitos.(grifei). Por esse motivo, a Secretaria da Receita Federal, inclusive, editou o Ato Declaratório nº 056, de 20 de julho de 2000, nos seguintes termos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. A meu ver, o próprio Poder Legislativo, ao criar a possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas para outra pessoa jurídica, condicionando a sua aplicação à edição de normas regulamentadoras a serem expedidas pelo Poder Executivo, demonstrou sua intenção de dar ao citado dispositivo natureza de norma de eficácia limitada. Por ausência de regulamentação tal norma tornouse inaplicável, já que não acompanhada dos comandos Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 9 operacionais e disciplinadores que o Poder Legislativo outorgara ao Poder Executivo para tanto.(grifei) Desse modo, não cabe a este órgão de julgamento, ao alvedrio de norma regulamentadora específica, dada sua inexistência, usurpar de competência que não é a sua para fixar, segundo seu juízo, as particularidades necessárias à eficácia do comando então previsto em lei. Nesse sentido, é remansosa a jurisprudência do CARF. Confiramse os seguintes acórdãos: nº 20180596, de 20/09/2007; nº 20218928, de 09/04/2008; nº 220100.334, de 05/06/2009; nº 3302000.725, de 08/12/2010; 380200.893, de 20/03/2012. O mesmo cunho decisório tem sido adotado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, a exemplo do AgRg no Ag 977750 SC, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES , SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2011, DJe 22/03/2011, cuja ementa e excertos do voto a seguir se transcrevem: PROCESSUAL CIVIL. VÍCIO DE OMISSÃO. ALEGAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA UNICIDADE RECURSAL. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, INC. III, DA LEI N. 9.718/98. NECESSIDADE DE REGULAMENTAÇÃO. 1. A via apropriada para questionar a existência de omissão, contradição ou obscuridade em decisão monocrática é a dos embargos de declaração, dirigido ao relator, e não a do agravo regimental. As finalidades dos recursos são diversas e a Segunda Turma não vem permitindo nestes casos a mescla de espécies recursais distintas, em atenção ao princípio da unicidade recursal. Precedentes. 2. O art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, que excluía da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores que, computados como receita, foram transferidos a outra pessoa jurídica , nunca teve eficácia, em virtude da ausência de norma regulamentadora exigida em tal dispositivo, posteriormente revogado com a edição da MP 1.99118/2000. (grifei). 3. Precedentes: AgRg no REsp 1074304/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 1.7.2010; AgRg no REsp 1072533/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 25.5.2009; AgRg no REsp 969.967/RS, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 26.11.2007; AgRg no Ag 913.463/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.10.2007; e AgRg no REsp 708.619/SC, Rel. Min. Denise Arruda, DJ 23.10.2006. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 10 4. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido Excertos do voto: Quanto ao mérito, a decisão merece ser mantida por seus próprios fundamentos, os quais transcrevo. Dessumese do exame dos autos que o entendimento sufragado pelo Tribunal de origem está perfeitamente alinhado com o posicionamento do STJ no sentido de não ser possível a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores que fossem transferidos a outra pessoa jurídica, ao integrarem a receita da empresa, pois tal procedimento dependia de regulamentação sobre a matéria, em atenção ao princípio da legalidade. (grifei). Entrementes, com o advento da MP n. 1.99118/2000, houve a revogação da norma que previa a exclusão pretendida (art. 3º, §2º, III, da Lei n. 9.718/98), o que retirou totalmente a sua eficácia no plano jurídico.(grifei). E mais recentemente no AgInt no AREsp 288345/ RN, AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL2013/00189748: Data do Julgamento 02/02/2017 Data da Publicação/Fonte DJe 08/02/2017 EMENTA [...]PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: [...] 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 11 [...] (REsp 1144469 PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2016, DJe 02/12/2016) (...). 41. Ademais, convém destacar que, em outros períodos que não o aqui tratado, o próprio contribuinte já possui decisões no sentido de afastar sua pretensão. É o que se observa dos seguintes acórdão deste Tribunal: 3803006.885, 3803006.876 e 3803006.884, dentre outros. 42. Assim, empregando como meu as razões de decidir externadas no acórdão n. 3302004.903 acima reproduzido e, ainda, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, encaminho meu voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer de parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 18490.720183/2015-69
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito.
Numero da decisão: 1003-000.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 49 0. 72 01 83 /2 01 5- 69 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 18490.720183/201569 Acórdão n.º 1003000.377 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1152.801, de 29 de abril de 2016, da 4ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório. A Recorrente apresentou pedido de compensação, PER/DCOMP nº 10579.97799.291210.1.3.048725, em razão de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior oriundo da CSLL paga por estimativa, código 2484, período de apuração 08/08/1980. O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 7.748,66, seria decorrente de pagamento indevido relativo ao DARF de valor R$ 7.851,47, recolhido em 30/10/2009. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico nº 292, de 13/05/2015, às fls. 16 e 17, a Autoridade Competente decidiu não homologar a compensação fundamentando o seguinte: O presente processo trata da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 10579.97799.291210.1.3.048725 (fls. 02/06), por meio da qual o contribuinte compensa débito com crédito proveniente de Pagamento Indevido ou a Maior, efetuado sob o código de receita 2484, período de apuração 08/08/1980, discriminado à fl. 04. À fl. 07, constatase que a partir das características do DARF discriminado na DCOMP, foi localizado o pagamento, mas integralmente utilizado para amortização de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP (...):. Diante do exposto, com base nas informações e documentos constantes deste processo e no uso da competência estabelecida pelo art. 302, inciso VI, da Portaria MF nº 203/2012, DOU de 17/5/2012, c/c a delegação prevista no art. 3°, III da Portaria DRF/BEL nº 107/2012, DOU de 22/8/2012 resolvo: a) NÃO RECONHECER o direito creditório correspondente a pagamento indevido ou a maior, código de receita 2484, período de apuração 08/08/1980, no valor original de R$ 7.748,66, por inexistência de crédito; b) NÃO HOMOLOGAR a compensação pretendida na DCOMP no 10579.97799.291210.1.3.04 8725; c) DETERMINAR A COBRANÇA do débito confessado na DCOMP acima mencionada, uma vez que a DCOMP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para cobrança dos débitos nela declarados, nos termos do art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/1996. A contribuinte apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade e defendeu o seguinte: (i) que efetuou pagamento indevido CSLLEstimativa (2484), referente ao mês de abril de 2006, no valor de R$ 7.748,66, via DARF, através de parcelamento PEPAR Fl. 82DF CARF MF Processo nº 18490.720183/201569 Acórdão n.º 1003000.377 S1C0T3 Fl. 4 3 (Proc. 10280901228/200839) e posteriormente sendo quitado pela Lei nº 11.941/2009, no dia 30/10/2009, sendo esse pagamento indevido compensado através do PER/DCOMP nº 10579.97799.291210.1.3.048725; (ii) pelo exposto, requereu a improcedência da cobrança e a homologação da compensação pleiteada. A DRJ/REC analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EXISTENTE Comprovada a existência de direito creditório, referente a pagamento indevido ou a maior, é permitida a sua utilização na extinção de débitos mediante apresentação de Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que repetiu os argumentos e provas acostados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente fundamenta seu recurso sob a alegação de que o crédito em análise foi gerado em razão de pagamento indevido de parcela relativa a CSLL (2484), referente ao mês de abril de 2006, no valor de R$ 7.748,66. Contudo, afirma que teria efetuado o pagamento do citado valor indevidamente, via DARF, e que foi posteriormente quitado pela Lei nº 11.941/2009, no dia 30/10/2009. A PER/DCOMP apresentada pela Recorrente de nº 10579.97799.291210.1.3.048725 (fls. 2 a 6), informa ser o crédito originado a partir do DARF, CSLL, código de receita 2484, com vencimento em 30/10/2009, no valor de R$ 7.851,47. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 18490.720183/201569 Acórdão n.º 1003000.377 S1C0T3 Fl. 5 4 A Autoridade administrativa, ao analisar a liquidez e certeza do crédito, identificou, através do Despacho Decisório (fls. 16 e 17), que o DARF informado no PER/DCOMP como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débito do processo nº 10280.901.228/200839, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP. A DRJ, ao analisar as informações da manifestação de inconformidade e confrontar com as informações constantes nos sistemas da RFB, verificou o seguinte: a contribuinte apresentou, em 14/06/2008, a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2007 –, relativa ao anocalendário de 2006, onde consta, no período de Abril/2006, na FICHA 16 CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO MENSAL POR ESTIMATIVA , CSLL a pagar no valor apurado de R$ 7.748,66: a contribuinte apresentou, em 25/10/2008, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF Retificadora relativa a Abril/2006, onde consta no período CSLL cód. 2484 no valor apurado de R$ 7.748,66: Por essa razão, a contribuinte formalizou o Processo nº 10280.901228/200839 com pedido de parcelamento, por meio do qual quitou o débito de CSLL, cód. 2484, do período de apuração abril/2006, no valor originário de R$ 7.748,66 (mesmo valor informado na DCTF),(...): Verificase que tanto a Impugnante quanto a Autoridade Fiscal somente se referiram ao Processo nº 10280.901228/200839, sendo justamente nesse processo onde se encontra vinculado o DARF no valor de R$ 7.851,47, recolhido em 30/10/2009. A Impugnante reconheceu a existência desse processo e não apresentou outros dados que supostamente caracterizassem pagamento em duplicidade de CSLL, cód. 2484, no período de apuração abril/2006. Constatase, portanto, que a Autoridade Fiscal procedeu corretamente ao não reconhecer o direito creditório pleiteado. Assiste razão à DRJ. Não há nos autos informações ou provas que pudessem corroborar as alegações de pagamento em duplicidade realizado pela contribuinte. Pelas informações constantes no processo, o DARF está alocado no processo de nº 10280.901.228/200839 e o parcelamento informado foi realizado para quitar o débito de CSLL do período. Não há outros documentos nos autos que suportem a alegação de pagamento em duplicidade. Ademais, todos os argumentos de defesa e as provas devem ser colacionadas na Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão do direito, nos moldes determinados pelo Decreto nº 70.235/1972, art.16. No presente caso, nem a manifestação de inconformidade nem o recurso voluntário esclarecem como foi realizado o pagamento em duplicidade e nem traz documentos que possam corroborar a tese ventilada nas defesas. A Lei nº 11.941/2009 alterou a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários e concedeu remissão nos casos em que Fl. 84DF CARF MF Processo nº 18490.720183/201569 Acórdão n.º 1003000.377 S1C0T3 Fl. 6 5 especificados na citada norma. A Recorrente, contudo, não informou se estava enquadrada nos requisitos da Lei, nem juntou qualquer documento que comprovasse ter havido a remissão no caso concreto, fato que também não foi identificado pelas autoridades administrativas que instruíram o processo. Isto posto, voto pela improcedência do recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/REC. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.723693/2010-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM PARCELA FIXA E COM BASE NA ASSIDUIDADE. AUSÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.
A parte da PLR paga em valor fixo, bem como a parte variável paga de acordo com a frequência do empregado, peremptoriamente, não atendem às disposições contidas na Lei n.º 10.101/2001, pois não atingem a finalidade da norma que é servir como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade.
Numero da decisão: 9202-007.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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PAGAMENTO EM PARCELA FIXA E COM BASE NA ASSIDUIDADE. AUSÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. A parte da PLR paga em valor fixo, bem como a parte variável paga de acordo com a frequência do empregado, peremptoriamente, não atendem às disposições contidas na Lei n.º 10.101/2001, pois não atingem a finalidade da norma que é servir como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 36 93 /2 01 0- 45 Fl. 162DF CARF MF 2 Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Contribuinte contra o Acórdão n.º 2803003.689 proferido pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 7 de outubro de 2014, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 96: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2007 NÃO INCIDÊNCIA. INDENIZAÇÃO POR SUPRESSÃO DE HORAS EXTRAS HABITUAIS, A indenização prevista na súmula n. 291 do tribunal superior do trabalho, em face da natureza que ostenta, não atrai a incidência de contribuições previdenciárias ABONO DE FÉRIAS. ACORDO COLETIVO. NÃO INCIDÊNCIA. Abono de férias reduzido em razão da assiduidade do empregado, concedido em virtude de convenção coletiva, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integra a remuneração do empregado para os efeitos da previdência social, conforme dispõe o artigo144 da CLT, não estando, portanto, sujeito à incidência da contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. No que se refere ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte referido anteriormente, fls. 109 a 134, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 149 a 151, para rediscutir o pagamento de participação nos lucros e resultados em valor fixo e com base na assiduidade. Sobre a matéria, a Contribuinte sustenta, em síntese, que: a) a Lei 10.101 é muito clara ao deixar a critério dos envolvidos os procedimentos a serem realizados par apuração dos objetivos; b) em momento algum a fiscalização colocou em dúvida a juridicidade, legalidade e forma das convenções coletivas envolvidas no caso, logo se encontram em plena conformidade com a norma vigente; c) o empregador e empregados fizeram uso dos critérios de qualidade e assiduidade descritos no Anexo do Acordo Coletivo, Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13603.723693/201045 Acórdão n.º 9202007.477 CSRFT2 Fl. 3 3 o que ao final do período, resultou na manutenção da certificação ISO 9.000 e ISO 14.000, que, como é sabida, possui regras claras e que se não estiverem bem difundidas entre os participantes, dificilmente a certificação se sustentaria; d) deve ser reformado o acórdão recorrido para afastar a cobrança da contribuição previdenciária. A Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, fls. 153 e seguintes, assim argüiu: a) admitir que a verba “participação nos lucros ou resultados” não estivesse condicionada ao alcance de metas e resultados ou a qualquer outro critério objetivo dependente do trabalho, seria admitir o desvirtuamento da rubrica permitindo ao empregador instituir pagamentos, através de acordo ou convenção coletiva de trabalho, mascarados com o rótulo de “participação nos lucros ou resultados” sem que os mesmos tivessem essa natureza; b) pela análise das cópias dos Acordos Coletivos de Trabalho às fls. 164/171 e pelas informações prestadas pela fiscalização nos autos do processo dos nº 13603.723688/201032, que no presente caso, parte do pagamento a título de PLR ocorreu de forma, praticamente, sucessiva à assinatura dos Acordos Coletivos de Trabalho ACT que regulamentavam tal verba; c) não houve negociação prévia fixando metas e resultados que deveriam ser perseguidos pelos empregados em favor do empregador durante um determinado lapso temporal. Tal circunstância não se coaduna com a natureza da PLR prevista pela Constituição da República de 1988, segundo a qual, conforme já mencionado, a concessão desse direito pressupõe o envolvimento/participação dos empregados por um determinado período de tal forma a influenciar os lucros ou resultados favoráveis à empresa; d) constatase que para que o empregado recebesse integralmente a parcela restante da verba denominada PLR, além de ter obtido pontuação máxima em relação à meta assiduidade (nenhuma falta), deveria inexistir o registro, em documento específico, de irregularidades (advertência ou não conformidade). Sendo que, o registro de uma a três irregularidades resultaria no estabelecimento de uma pontuação menor e, por conseqüência, o empregado receberia menores valores relativamente à segunda parcela de PLR; e) os valores da última parcela da verba denominada PLR foram estabelecidos à revelia dos critérios previstos no instrumento de negociação coletiva, sob a justificativa de que, em face dos resultados positivos relativos à renovação das Fl. 164DF CARF MF 4 certificações ISO, todos os empregados seriam avaliados com a nota máxima em relação à meta “irregularidades”; f) fica demonstrado, de forma inequívoca, que o único elemento considerado para pagamento da segunda e última parcela da verba PLR foi o grau de assiduidade do empregado; g) o pagamento de uma verba em razão de um fator como assiduidade não se configura como participação nos lucros ou resultados possuindo uma natureza mais próxima de uma premiação ou de remuneração extra devidas em razão de maior disponibilidade do empregado; h) tratase, portanto, de pagamento extra de salário e a citada rubrica se enquadra no conceito de salário de contribuição não constituindo hipótese liberada da tributação pelo disposto na Lei nº 8.212/1991, artigo 28, § 9º. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora No mesmo procedimento fiscal, foram lavrados os autos abaixo identificados: DEBCAD TIPO DE OBRIGAÇÃO DESCRIÇÃO 37.299.0444 Principal Contribuições Patronais 37.299.0460 Principal Contribuições para Terceiros 37.299.0479 Acessória (CFL 68) Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias 37.299.0487 Acessória (CFL 59) Deixar de arrecadar, mediante desconto, contribuição de segurados empregados 1. Do Recurso especial interposto pela Contribuinte. Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. O presente lançamento ocorreu em razão de a Contribuinte deixar de descontar e arrecadar as contribuições devidas pelos segurados empregados. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13603.723693/201045 Acórdão n.º 9202007.477 CSRFT2 Fl. 4 5 Em sede de Recurso Especial, foi suscitada pela Contribuinte a rediscussão relativa ao pagamento de participação nos lucros e resultados em valor fixo, bem como atrelada à assiduidade. No que se refere ao tema, o acórdão recorrido assim dispôs: 4) Quanto ao lançamento com base no PLR, passase a considerar: O procedimento adotado para fins de formalização das vontades entre empregador e empregado, o mesmo foi feito de forma adequada na forma do art. 2º, II, da Lei n. 10101/2001. Observese que a lei coloca que o acordo deve ser feito de forma alternativa, ou por uma comissão de empregados, ou convenção ou acordo coletivo. A sua assinatura sucessiva não afeta a forma legal, como tenta demonstrar a decisão a quo. No tangente aos critérios serem claros ou não há várias nuances. Efetivamente, a pactuação de valores fixos de pagamento aos funcionários, desnatura a finalidade da legislação, que vincula tais pagamentos aos resultados e lucros da empresa. A determinação de valores fixos, desnatura a forma definida em lei, que determina no art. 2º, da Lei n. 10.101/2001 e art. 28, §9º, j, da Lei n. 8.212/1991, que são claros a vinculação dos valores aos lucros ou ao resultado. Assim, tais valores fixos efetivamente são remuneração (contraprestação) pelos serviços, na forma do art. 28, I, da Lei n. 8.212/1991, constituindo hipótese de incidência das contribuições previdenciárias em questão. Quanto à parte variável, vinculada a manutenção das certificações ISO9000/ISO14000 e assiduidade, efetivamente não foi identificada a forma de cumprimento de metas individuais, assim adotamos o voto da decisão recorrida: Portanto, em relação a essas quantias é inconteste que não houve negociação prévia fixando metas e resultados que deveriam ser perseguidos pelos empregados em favor do empregador durante um determinado lapso temporal. Tal circunstância não se coaduna com a natureza da PLR prevista pela Constituição da República de 1988, segundo a qual, conforme já mencionado, a concessão desse direito pressupõe o envolvimento/participação dos empregados por um determinado período de tal forma a influenciar os lucros ou resultados favoráveis à empresa. As informações contidas nos ACT (juntados aos autos) corroborando as informações prestadas pela fiscalização indicam que uma das metas fixadas nos instrumentos de negociação coletiva foi denominada “irregularidades”. Da análise dos documentos denominados “Anexo I” que detalhariam as metas nomeadas nos ACT, constatase que para que o empregado recebesse integralmente a parcela restante da verba denominada PLR, além de ter obtido pontuação máxima Fl. 166DF CARF MF 6 em relação à meta assiduidade (nenhuma falta), deveria inexistir o registro, em documento específico, de irregularidades (advertência ou não conformidade). Sendo que, o registro de uma a três irregularidades resultaria no estabelecimento de uma pontuação menor e, por conseqüência, o empregado receberia menores valores relativamente à segunda parcela de PLR. Verificase, porém, conforme comprovam cópias das atas das reuniões de apuração das metas individuais da PLR às fls. 180/197, que apesar de constarem tais parâmetros nas ACT, os valores da última parcela da verba denominada PLR foram estabelecidos à revelia dos critérios previstos no instrumento de negociação coletiva, sob a justificativa de que, em face dos resultados positivos relativos à renovação das certificações ISO, todos os empregados seriam avaliados com a nota máxima em relação à meta “irregularidades”. Portanto, fica demonstrado, de forma inequívoca, que o único elemento considerado para pagamento da segunda e última parcela da verba PLR foi o grau de assiduidade do empregado. Ora, considerandose o exposto relativamente a finalidade da PLR, o pagamento de uma verba em razão de um fator como assiduidade não se configura como participação nos lucros ou resultados. (...). Assim, neste ponto, não se pode acolher o pedido. A Recorrente aduz, consoante narrado, essencialmente, que a Lei 10.101/2001 é muito clara ao deixar a critério dos envolvidos os procedimentos a serem realizados par apuração dos objetivos. Além disso, sustenta que o empregador e empregados fizeram uso dos critérios de qualidade e assiduidade descritos no Anexo do Acordo Coletivo, o que ao final do período, resultou na manutenção da certificação ISO 9.000 e ISO 14.000, que, como é sabida, possui regras claras e que se não estiverem bem difundidas entre os participantes, dificilmente a certificação se sustentaria. Em suas contrarrazões, a procuradoria argumenta: Constatase, pela análise das cópias dos Acordos Coletivos de Trabalho às fls. 164/171 e pelas informações prestadas pela fiscalização nos autos do processo dos nº 13603.723688/2010 32, que no presente caso, parte do pagamento a título de PLR ocorreu de forma, praticamente, sucessiva à assinatura dos Acordos Coletivos de Trabalho ACT que regulamentavam tal verba. Especificamente, o ACT assinado em 12/7/2006, conforme cláusulas 1 e 2, determinava que, independentemente de qualquer resultado, meta ou avaliação, cada empregado faria jus à um valor de no mínimo R$ 215,00, e tal importância deveria ser paga em 15/7/2006. Seguindo a mesma política de remuneração, o ACT assinado em 10/8/2007 previa que, segundo o conteúdo de suas cláusulas 1 e 2, independentemente de qualquer resultado, meta ou avaliação, cada empregado faria jus à um valor de no mínimo R$400,00, e essa quantia deveria ser paga em 17/8/2007. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13603.723693/201045 Acórdão n.º 9202007.477 CSRFT2 Fl. 5 7 Nesse contexto, notase que a parte da PLR paga em valor fixo, peremptoriamente, não atende às disposições contidas na Lei n.º 10.101/2001, pois não atinge a finalidade da norma que é servir "como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade". No que se refere ao pagamento variável com base no critério de assiduidade, também não identifico o cumprimento do diploma legal regente da matéria, pois tal critério, por si só, não é suficiente para justificar a PLR como o instrumento apto ao cumprimento da finalidade normativa mencionada. No meu entender, a questão referida atinente à freqüência do empregado é decorrência lógica do cumprimento do contrato de trabalho, razão pela qual, da maneira como foi utilizada, não atende aos requisitos legais. Quanto ao argumento da Procuradoria sobre os pagamentos sucessivos à assinatura dos acordos, o acórdão recorrido refuta esse argumento, de modo que, como a matéria foi levantada em contrarrazões da Fazenda Nacional, não há como, em prejuízo da Recorrente, alterar matéria não objeto do recurso. Assim, mantenho o acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. Nesse contexto, voto por conhecer do recurso especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900953/2012-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INEXISTÊNCIA.
O prazo de cinco anos para o pronunciamento da autoridade administrativa diz respeito apenas à compensação declarada pelo contribuinte, não se aplicando aos casos de restituição ou ressarcimento o reconhecimento tácito do direito dos créditos pleiteados.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
A homologação tácita apenas se opera no pedido de compensação.
COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO.
De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
Numero da decisão: 3002-000.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INEXISTÊNCIA. O prazo de cinco anos para o pronunciamento da autoridade administrativa diz respeito apenas à compensação declarada pelo contribuinte, não se aplicando aos casos de restituição ou ressarcimento o reconhecimento tácito do direito dos créditos pleiteados. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. A homologação tácita apenas se opera no pedido de compensação. COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 2 1 1 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.900953/201213 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.600 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 19 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS BACIQUETTI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INEXISTÊNCIA. O prazo de cinco anos para o pronunciamento da autoridade administrativa diz respeito apenas à compensação declarada pelo contribuinte, não se aplicando aos casos de restituição ou ressarcimento o reconhecimento tácito do direito dos créditos pleiteados. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. A homologação tácita apenas se opera no pedido de compensação. COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 09 53 /2 01 2- 13 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10945.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.600 S3C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 55/66 dos autos: "Trata o presente processo sobre Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório proferido pela DRF Foz do Iguaçu, o qual indeferiu o crédito pleiteado no PER nº 40571.08855.180707.1.1.117216 e não homologou as compensações declaradas nas Dcomp nº 42341.16207.280907.1.3.117048 e nº 42784.65895.180707.1.3.110007. O pedido de ressarcimento, transmitido em 18/07/2007, e as declarações de compensação foram analisados pela DRF Foz do Iguaçu e emitido o Despacho Decisório em 04/09/2012, rastreamento nº 031035455 (fl. 6), assinado pelo titular da unidade de jurisdição da contribuinte. No despacho decisório recorrido consta, no campo 3 a fundamentação, decisão e o enquadramento legal do indeferimento do PER/Dcomp aqui tratado: Inconformada com a decisão, da qual teve ciência em 14/09/2012, a interessada apresentou, em 16/10/2012, manifestação de inconformidade (fls. 8/12), por meio da qual faz um breve relato dos fatos e traz a preliminar de decadência. Aduz que o pedido de compensação referese a créditos relativos ao período de 01/01/2007 a 31/03/2007, e considerando que teve ciência da decisão proferida em 17/09/2012, todos os lançamentos e créditos em data anterior ao da intimação foram atingidos pelo prazo decadencial de cinco anos. Assim, todos os Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10945.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.600 S3C0T2 Fl. 4 3 valores relativos a créditos anteriores a 17/09/2012, tem sua homologação tácita, pelo decurso de prazo. Em relação ao mérito, no tópico III – “Da inexistência de Regulamentação da norma legal inserida no ordenamento pela Lei nº 8.218/1991”, aduz que a Secretaria da Receita Federal não regulamentou a apresentação de arquivos digitais conforme estabelecido no § 3º do art. 11 da citada Lei. Em não havendo a regulamentação da obrigação na forma estabelecida na legislação, não pode a SRF indeferir o pedido de compensação de crédito por não existência ou disponibilização dos arquivos digitais. No tópico IV – “Da existência de previsão legal de penalidade para não observância da Lei – Impossibilidade de estender ou ampliar a penalidade sem lei que regulamente”, alega que o artigo 12 da Lei nº 8.218/1991 traz em seu texto a penalização pela não observância do previsto no art. 11 da mesma Lei. Aduz que o indeferimento da compensação pleiteada pela não apresentação dos arquivos digitais é uma penalidade imposta ao contribuinte, e tal penalidade somente poderia ser aplicada se prevista em Lei. Desta forma a instrução normativa inova e amplia a previsão legal, ao criar penalidade não prevista em Lei. Argumenta que não pode uma obrigação acessória suplantar o direito líquido e certo da recorrente reconhecido em lei ressaltando que disponibilizou à Receita Federal do Brasil todos os elementos e informações necessárias, como a apresentação de documentos e livros. Dessa forma, com a possibilidade de comprovação da regularidade da operação por diferentes meios o arquivo digital requerido nada mais acrescentaria ao processo. Solicita que a manifestação de inconformidade seja recebida de forma a modificar o despacho decisório, reconhecendose e homologando o crédito compensaso conforme a legislação em vigor". Resumindo, o contribuinte em 18/07/2007 protocolou pedido de compensação (40571.08855.180707.1.1.117216) (fls. 02/05) em razão de suposto crédito de COFINS acumulados em operação realizada no mercado interno. O contribuinte teve negado sua homologação em razão de "analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a existência do crédito indicado, pois o contribuinte, mesmo intimado, não apresentou Arquivos Digitais previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração acima indicado." (fls. 06 Despacho Decisório). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 08/12) requerendo em preliminar decadência concluindo que "considerando que o pedido de compensação referese a créditos relativos ao período de 01/01/2007 a 31/03/2007, e que a Recorrente foi intimada da decisão em 17/09/2012, todos os lançamentos e créditos em data anterior ao da intimação foram atingidos pelo prazo decadencial de cinco anos, que dispõe o fisco para rever os lançamentos, inclusive nas compensações" e no mérito afirma que "a Lei Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10945.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.600 S3C0T2 Fl. 5 4 Ordinária 8.218/1991, trouxe em seu artigo 11 a seguinte previsão .."."que a Secretaria da Receita Federal, deveria expedir os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deveriam ser apresentados", continua afirmando que "o artigo 12 da Lei 8.218/1991 traz em seu texto a penalização pela não observância do previsto no artigo 11 da Lei" concluindo que "o indeferimento da compensação pleiteada através do pedido de compensação é uma penalidade imposta ao Contribuinte pela não apresentação dos arquivos digitais, e tal penalidade somente poderia ser aplicada se prevista em Lei" e, por fim, concluí que "não pode uma obrigação acessória suplantar o direito líquido e certo da Recorrente" uma vez que a não cumulatividade do PIS e da COFINS da "direito em manter o crédito pelas operações anteriores às saídas, são reconhecidos por Lei". A DRJ/CTA proferiu o Acórdão nº 0649.723 (fls. 55/66) por meio do qual decidiu pela procedência em parte da manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte considerando a compensação declarada na DComp nº 42784.65895.180707.1.3.110007 tacitamente homologada, e mantendo o indeferimento do direito creditório pleiteado no PER nº 40571.08855.180707.1.1.117216 e a não homologação da compensação declarada na Dcomp nº 42341.16207.280907.1.3.117048. O acórdão foi assim ementado: "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Transcorrido o prazo de cinco anos contados da data de transmissão da Declaração de Compensação, sem que o Fisco tenha se pronunciado, operase a homologação tácita da compensação declarada, restando extinto o crédito tributário nela informado. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INEXISTÊNCIA O prazo de cinco anos para o pronunciamento da autoridade administrativa diz respeito apenas à compensação declarada pelo contribuinte, não se aplicando aos casos de restituição ou ressarcimento o reconhecimento tácito do direito dos créditos pleiteados. APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, a fim de que seja verificada a exatidão das informações prestadas." Cientificado da decisão, o contribuinte, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 71/76) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) decadência homologação tácita, b) da inexistência de Regulamentação da norma legal inserida no ordenamento pela Lei 8.218/1991, c) da existência de previsão legal de penalidade para não observância da Lei — impossibilidade de estender ou ampliar a penalidade sem lei que regulamente e por fim, d) da regularidade das operações e do crédito pleiteado via compensação. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10945.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.600 S3C0T2 Fl. 6 5 É o relatório Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Decadência Inicialmente, o Contribuinte alega decadência, nos termos do art. 150 do CTN, tendo em vista que "o pedido de compensação referese a créditos relativos ao período de 01/01/2007 a 31/03/2007, e que a Recorrente foi intimada da decisão em 04/09/2012, todos os lançamentos e créditos em data anterior ao qüinqüênio anterior ao da intimação foram atingidos pelo prazo decadencial de cinco anos" e, ao seu turno, o r. Despacho Decisório só foi aperfeiçoado em 04/09/2012 com a sua ciência, denotando lapso temporal superior a 5 (cinco) anos. Como é pacífico na jurisprudência deste E. CARF, ou seja, o prazo de caducidade contra a Fazenda Nacional, referente aos PER/DCOMPs apresentados pelos contribuintes é especificamente regido pelo art. 74, §5º, da Lei nº 9.430/96. Ilustrado, no Acórdão nº 9303003.456, proferido pela C. 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de relatoria do I. Conselheiro Valcir Gassen, publicado em 23/02/2016. É o que se infere a seguir: "COFINS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. Recurso Especial do Procurador Negado." Tendo em vista que a DCOMP nº 42341.16207.280907.1.3.117048 foi transmitida em 28/09/2007 e tendo o r. Despacho Decisório inaugural deste feito produzido seus efeitos em 04/09/2012, sendo assim, não verificase o extrapolamento do período quinquenal. Importante esclarecer que a homologação tácita, a qual se refere o contribuinte na em sua defesa, impoese, somente, aos pedidos de compensação, não se podendo estender esse conceito à Restituição por ausência de previsão legal. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10945.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.600 S3C0T2 Fl. 7 6 Dessa forma, rejeito a preliminar apresentada pelo contribuinte. Mérito Ventiladas as considerações preliminares, passo à analise do tema em si. a) da inexistência de Regulamentação da norma legal inserida no ordenamento pela Lei 8.218/1991. Alega o contribuinte que a Secretaria da Receita Federal não regulamentou a apresentação de arquivos digitais conforme estabelecido no § 3º do art. 11 da Lei nº 8.218/91. Sendo assim, "não tendo regulamentado a obrigação na forma estabelecida na legislação, não pode a Secretaria da Receita Federal, indeferir pedido de compensação de crédito, crédito legítimo por força dos documentos apresentados e disponibilizados ao fisco, por não existência ou disponibilização de arquivos digitais, cuja caráter de obrigação acessória fica evidenciada pela não regulamentação da Lei". A Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de Outubro de 2001 que dispõe sobre o tema, a seguir reproduzido: "Dispõe sobre informações, formas e prazos para apresentação dos arquivos digitais e sistemas utilizados por pessoas jurídicas. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001 , e tendo em vista o disposto no art. 11 da Lei n º 8.218, de 29 de agosto de 1991 , alterado pela Lei n º 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória n º 2.15835, de 24 de agosto de 2001 , resolve: (grifado). ... Art. 3 º Incumbe ao CoordenadorGeral de Fiscalização, mediante Ato Declaratório Executivo (ADE), estabelecer a forma de apresentação, documentação de acompanhamento e especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas de que trata o art. 2º ." Sendo assim, foram sim especificadas as regras para apresentação dos arquivos por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) Cofis nº 15, de 2001, a seguir reproduzido: "Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15, de 23 de Outubro de 2001 DOU de 26.10.2001 (Alterado pelo Ato Declaratório Cofis nº 55, de 11 de dezembro de 2009, e pelo Ato Declaratório Executivo Cofis nº 25, de 7 de junho de 2010). Art. 1 º As pessoas jurídicas de que trata o art. 1 º da Instrução Normativa SRF n º 86, de 2001 , quando intimadas por Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF), deverão apresentar, a partir de 1 º de janeiro de 2002, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10945.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.600 S3C0T2 Fl. 8 7 econômicas ou financeiras, observadas as orientações contidas no Anexo único . § 1 º As informações de que trata o caput deverão ser apresentadas em arquivos padronizados, no que se refere a: I – registros contábeis; II – fornecedores e clientes; III documentos fiscais; IV comércio exterior; V controle de estoque e registro de inventário; VI relação insumo/produto; VII controle patrimonial; VIII folha de pagamento. § 2 º As informações que não se enquadrarem no parágrafo anterior deverão ser apresentadas pelas pessoas jurídicas, atendido o disposto nos itens "Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos" e "Documentação de Acompanhamento" do Anexo único . Art. 2 º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais de que trata § 1 º do artigo anterior poderão ser apresentados em forma diferente da estabelecida neste Ato, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos. Anexo Único Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos" Sendo assim, ao contrário do que argumenta o contribuinte, ao meu ver, restou comprovado que a Receita Federal do Brasil, editou os atos necessários ao cumprimento do disposto no art. 11 § 3º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991. b) da existência de previsão legal de penalidade para não observância da Lei — impossibilidade de estender ou ampliar a penalidade sem lei que regulamente. Já em relação à alegação de que "o indeferimento da compensação pleiteada através do pedido de compensação é uma penalidade imposta ao Contribuinte pela não apresentação dos arquivos digitais, e tal penalidade somente poderia ser aplicada se prevista em Lei", não tem razão o contribuinte, senão vejamos: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 DOU de 31.12.2008 Art. 65 . A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10945.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.600 S3C0T2 Fl. 9 8 escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. § 1º Na hipótese de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam os arts. 27 a 29 e 42, o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação somente serão recepcionados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) após prévia apresentação de arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com os documentos fiscais de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, e especificado nos itens "4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS", do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS Nº 15, de 23 de outubro de 2001. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 2º O arquivo digital de que trata o § 1º deverá ser transmitido por estabelecimento, mediante o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais (SVA), disponível para download no sítio da RFB na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, e com utilização de certificado digital válido. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 3º Na apreciação de pedidos de ressarcimento e de declarações de compensação de créditos de PIS/Pasep e da Cofins apresentados até 31 de janeiro de 2010, a autoridade da RFB de que trata o caput poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, transmitido na forma do § 2º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 4º Será indeferido o pedido de ressarcimento ou não homologada a compensação, quando o sujeito passivo não observar o disposto nos §§ 1º e 3º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009)." Portanto, como demonstrado a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que disciplina o ressarcimento e a compensação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, dispõe que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital. c) da regularidade das operações e do crédito pleiteado via compensação. Por fim, afirma o contribuinte que "não pode uma obrigação acessória suplantar o direito líquido e certo da Recorrente". Importante esclarecer que, o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de compensação é do contribuinte. Dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, que o ônus da prova Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10945.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.600 S3C0T2 Fl. 10 9 incumbe ao autor (no caso em tela ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Portanto, como é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo, é evidente a indispensabilidade da demonstração da liquidez e certeza do suposto crédito restituendo (origem e quantificação) que, como demonstrado e expressamente dispõe o art. 373, I da lei adjetiva (aplicável subsidiariamente ao PAF), incumbe ao autor do PER, assim como as respectivas retificações dos auto lançamentos e dos respectivos registros fiscais (DCTF, Dacon etc), razões pelas quais, entendo que não merece reparo a decisão recorrida, cuja fundamentação se baseia na inexistência do suposto crédito exatamente pela ausência da demonstração ou comprovação do direito creditório alegado. Pelo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.914654/2008-73
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO.
O prazo para o contribuinte retificar de DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
Numero da decisão: 1001-001.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1396; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 144 1 143 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.914654/200873 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.101 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de janeiro de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente SUPERMERCADO CENTER MASTER LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO. O prazo para o contribuinte retificar de DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 46 54 /2 00 8- 73 Fl. 144DF CARF MF 2 Tratase de Declarações de Compensação 18981.64634.200404.1.3.048560 (efls. 07/11), de 30/01/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (CSLL 4° Trim. / 2003) com créditos decorrentes de pagamentos indevidos (4° trimestre do anobase de 2002). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 783808035 (efl. 02), que analisou as informações e reconheceu que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 12/13) na qual alegou que declarou em DCTF original valor do débito de CSLL equivocado, motivandose, assim, a retificação das respectivas DCTF (em 02/07/2008). Requereu também que fosse retificada a Per/Dcomp referente ao Despacho Decisório recorrido e retificadas as DCTF'S do 1° Trim/2003 ao 4° Trim/2003 pelo motivo da alteração quanto ao crédito compensado. A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 16 24.589 7ª Turma da DRJ/SP1, efl. 47/61). A decisão de primeira instância julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, por entender que a intenção de retificar a declaração não pode ser reconhecida em sede de contencioso administrativo e que as DCTFs retificadoras, noticiadas na manifestação de inconformidade do contribuinte, foram transmitidas em 02/07/2008, portanto após 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores correlatos ao IRPJ apurado no 3° trimestre do ano calendário 2002: denotase que a intenção de retificar a declaração não pode ser reconhecida para fins de alteração das informações reportadas na DCOMP original, haja vista que a pretensão motivouse a destempo, ou seja, manifestada imediatamente após a ciência da decisão administrativa, circunstância que indica descumprimento de requisito preliminar firmado pelo art. 57 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005. De outra parte, ante o exame simultâneo das alegações inerentes às alterações das informações prestadas por intermédio das DCTF correlatas ao 3° e 4° trimestres do anocalendário de 2002, fica patente que o interessado transmitiu as DCTF retificadoras extemporaneamente, uma vez que somente levou a efeito após o decurso do prazo decadencial admitido para que o contribuinte adotasse as providências necessárias visando promover correções de débitos regularmente confessados perante a Administração Tributária Federal. Retomando a situação fática tratada nos autos, evidenciase que as DCTF retificadoras, noticiadas na manifestação de inconformidade do contribuinte, foram transmitidas em 02/07/2008 (fls. 27 e 31), portanto após 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores correlatos a CSLL apurado no 3° trimestre do ano calendário 2002, visando flagrante intuito de incitar, a destempo, a desoneração de parcela do imposto pago e regularmente confessado por intermédio da DCTF do respectivo períodobase, assim, produzindo, de forma inoportuna e ilegítima, a constituição do saldo credor reivindicado no pleito em discussão. (...) Cientificada em 08/04/2010 (efl. 62), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 07/05/2010 (efl. 63), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e complementa que não operou a decadência, acreditou que não seria necessário comprovar aquilo que já era de conhecimento do Fisco Federal, pois o seu pleito estava escorado nas exatas informações que estavam processadas no próprio sistema de controle da RFB e requer diligência: Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.914654/200873 Acórdão n.º 1001001.101 S1C0T1 Fl. 145 3 há de se esclarecer que a retificação das DCTF do 1°, 2°, 3° e 4° Trimestres/2002 foram aceitas pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (doc. 03), tornando incompetente a DRJ para analisar o seu deferimento. Caso o Nobre Colegiado entenda por necessário à busca da verdade material, certamente determinará a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora ratifique a validade da DCTF retificadora, a qual está ativa no sistema da RFB. Ao tema, há de se considerar que, por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o ora Recorrente acreditou que não seria necessário comprovar aquilo que já era de conhecimento do Fisco Federal, pois o seu pleito estava escorado nas exatas informações que estavam processadas no próprio sistema de controle da RFB. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. O § 10 do art. 74 da Lei 9.430/71 estabelece que da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Quanto ao pedido para que a PER/DCOMP seja retificada adiro aos fundamentos da decisão de primeira instância, pois retificação de PERDCOMP incluise na competência da DRF, e não matéria do contencioso administrativo. Acrescento que, conforme demonstrado na decisão de piso, mesmo as informações e documentos fiscais trazidos junto com a manifestação de inconformidade não se mostraram capazes de confirmar o direito creditório pleiteado. Isto porque sob este enfoque, importa frisar inclusive, que não basta que o interessado se limite a comprovar se houve ou não os pagamentos indevidos ou a maior do imposto reportado no curso do processo, ou mesmo restringirse a assegurar a lidimidade da apuração do crédito declarado na DCOMP, mas, também, deixar patente a constituição e a disponibilidade da importância pretensamente paga a maior, devendo apoiarse em demonstração comparativa, detalhada e lastreada nos livros fiscais e comerciais exigidos pela legislação tributária. A respeito da alegada decadência do direito do contribuinte de modificar as informações prestadas por intermédio das DCTF correlatas ao 3° e 4° trimestres do anocalendário de 2002, constato que as DCTF retificadoras foram apresentadas em 02/07/2008 cabendo razão à decisão de primeira instância, visto que o "prazo para o contribuinte retificar sua DCTF (que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida) coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN". Por fim, ao contrário daquilo que alega o requerente, é importante ressaltar que os elementos carreados na manifestação de inconformidade por si só não perfazem prova suficiente da presença de erro de fato na elaboração da DCTF, tendo em conta que não possuem o condão de suprir prova documental que abrigue a alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva da imposto. Este CARF tem consignado que em tema de restituição e compensação cabe o atendimento de quatro premissas: Ia) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2a) a Fl. 146DF CARF MF 4 oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3a) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anos calendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pelo postulante da manifestação de inconformidade, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo do Imposto de Renda a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade de eventual saldo negativo de IRPJ declarado. Observo que o recorrente tenta trazer a esta segunda instância (CARF) documentos no intuito de provar seus créditos. Mas, conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. Desta forma indefiro também o pedido de diligência. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 147DF CARF MF
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