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Numero do processo: 14337.000120/2010-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 30/04/2008
DO RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO.
Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídico-tributário, o recurso de ofício será negado.
SEGURADOS EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APURADA COM BASE EM DIRF. AFERIÇÃO INDIRETA. FALTA DE MOTIVAÇÃO.
A apuração de contribuição previdenciária com base em Dirf entregue pela fonte pagadora configura aferição indireta, hipótese que só se admite em caso de falta de apresentação ou apresentação deficiente de documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. Nos autos, está ausente a motivação fática para a utilização desse método excepcional de apuração das contribuições previdenciárias.
DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
BOLSA DE ESTUDOS. CURSOS DE GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO COM EXTENSÃO A TODOS OS FUNCIONÁRIOS DA RECORRENTE. NÃO INCIDÊNCIA.
A concessão de bolsas de estudos a empregados, mesmo em se tratando de cursos de graduação e pós-graduação, desde que extensivo a todos, insere-se na norma de não incidência.
Não houve a caracterização do fato gerador sobre a verba paga a título de auxílio-educação (bolsa de estudos) aos segurados empregados.
AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. CONCEDIDO AOS DEPENDENTES DOS SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO INCIDÊNCIA. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A concessão de bolsas de estudo e de material escolar aos empregados e aos dependentes, mesmo em se tratando de cursos de graduação e pós-graduação, desde que atenta os requisitos da legislação previdenciária, insere-se na norma de não incidência.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a averiguação da concessão do auxílio-educação aos segurados empregados e aos dependentes, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%.
Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores relativos à bolsa de estudos e, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa integral.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 30/04/2008 DO RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídico-tributário, o recurso de ofício será negado. SEGURADOS EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APURADA COM BASE EM DIRF. AFERIÇÃO INDIRETA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. A apuração de contribuição previdenciária com base em Dirf entregue pela fonte pagadora configura aferição indireta, hipótese que só se admite em caso de falta de apresentação ou apresentação deficiente de documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. Nos autos, está ausente a motivação fática para a utilização desse método excepcional de apuração das contribuições previdenciárias. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. BOLSA DE ESTUDOS. CURSOS DE GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO COM EXTENSÃO A TODOS OS FUNCIONÁRIOS DA RECORRENTE. NÃO INCIDÊNCIA. A concessão de bolsas de estudos a empregados, mesmo em se tratando de cursos de graduação e pós-graduação, desde que extensivo a todos, insere-se na norma de não incidência. Não houve a caracterização do fato gerador sobre a verba paga a título de auxílio-educação (bolsa de estudos) aos segurados empregados. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. CONCEDIDO AOS DEPENDENTES DOS SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO INCIDÊNCIA. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A concessão de bolsas de estudo e de material escolar aos empregados e aos dependentes, mesmo em se tratando de cursos de graduação e pós-graduação, desde que atenta os requisitos da legislação previdenciária, insere-se na norma de não incidência. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a averiguação da concessão do auxílio-educação aos segurados empregados e aos dependentes, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrentes ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 30/04/2008 DO RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídicotributário, o recurso de ofício será negado. SEGURADOS EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APURADA COM BASE EM DIRF. AFERIÇÃO INDIRETA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. A apuração de contribuição previdenciária com base em Dirf entregue pela fonte pagadora configura aferição indireta, hipótese que só se admite em caso de falta de apresentação ou apresentação deficiente de documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. Nos autos, está ausente a motivação fática para a utilização desse método excepcional de apuração das contribuições previdenciárias. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. BOLSA DE ESTUDOS. CURSOS DE GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO COM EXTENSÃO A TODOS OS FUNCIONÁRIOS DA RECORRENTE. NÃO INCIDÊNCIA. A concessão de bolsas de estudos a empregados, mesmo em se tratando de cursos de graduação e pósgraduação, desde que extensivo a todos, inserese na norma de não incidência. Não houve a caracterização do fato gerador sobre a verba paga a título de auxílioeducação (bolsa de estudos) aos segurados empregados. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. CONCEDIDO AOS DEPENDENTES DOS SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO INCIDÊNCIA. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 01 20 /2 01 0- 08 Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 A concessão de bolsas de estudo e de material escolar aos empregados e aos dependentes, mesmo em se tratando de cursos de graduação e pósgraduação, desde que atenta os requisitos da legislação previdenciária, inserese na norma de não incidência. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a averiguação da concessão do auxílioeducação aos segurados empregados e aos dependentes, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores relativos à bolsa de estudos e, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa integral. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14337.000120/201008 Acórdão n.º 2402004.164 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernente à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 05/2005 a 04/2008. Também há o lançamento de diferença de acréscimos legais, conforme levantamento DAL Diferença de Acréscimos Legais. O Relatório Fiscal (fls. 144/164) informa que o fato gerador decorre do pagamento de remuneração aos seus segurados empregados e contribuintes individuais. Noticia que o lançamento constituise, nos seguintes levantamentos não declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social (GFIP): 1. SU SALÁRIO UTILIDADE à período 06/2005 a 09/2005 e 12/2005 e 01/2006 a 12/2006, relativo às contribuições previdenciárias patronais, incidentes sobre o salárioutilidade educacional na forma de subsídios à educação, regulamentados em cláusula integrante dos acordos coletivos de trabalho e concedidos aos segurados empregados e a seus dependentes; 2. SU1 SALÁRIO UTILIDADE à referese aos mesmos fatos geradores descritos no levantamento SU, acima, desta feita para as competências 05/2005, 10/2005 e 11/2005, sendo que neste foi aplicado a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), conforme o disposto no art. 35A, da Lei 8.212/1991, sobre a contribuição líquida apurada, também em observância às disposições contidas na letra “c” do inciso II do art. 106 do CTN; 3. RA REMUNERAÇÃO AFERIDA à 06/2005 a 09/2005 e 12/2005 e 01/2006 a 12/2006, neste levantamento foram lançadas as contribuições patronais, incidentes sobre as remunerações pagas devidas ou creditadas aos segurados empregados, apuradas por aferição indireta com base na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), com base no art. 33, § 3o da Lei 8.212/1991, art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999 e alínea "b" do inciso IV do art. 447 da instrução Normativa RFB n° 971/2009, em razão de diferenças relevantes encontradas quando do confronto entre as remunerações declaradas em DIRF com as informadas nas folhas de pagamento e GFIP, o que em tese indicaria que as informações prestadas pelo sujeito passivo nestes documentos não merecem fé em face das informações prestadas na DIRF; Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 4. RA1 REMUNERAÇÃO AFERIDA à referese aos mesmos fatos geradores descritos no levantamento RA, acima, desta feita para as competências 05/2005, 10/2005, 11/2005, 13/2005 e 13/2006, sendo que neste foi aplicado a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), conforme o disposto no art. 35A, da Lei 8.212/1991, sobre a contribuição líquida apurada, também em observância às disposições contidas na letra “c” do inciso II do art. 106 do CTN; 5. IA CONTRIB INDIVIDUAL AFERIDO à período 06/2005 a 09/2005 e 12/2005 e 01/2006 a 12/2006, neste levantamento foram lançadas as contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais apuradas por aferição indireta com base na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), com base no art. 33, § 3 o da Lei 8.212/1991, art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999 e alínea “b” do inciso IV do art. 447 da instrução Normativa RFB n° 971/2009, em razão de diferenças relevantes encontradas quando do confronto entre as remunerações declaradas em DIRF com as informadas nas folhas de pagamento e GFIP, o que em tese indicaria que as informações prestadas pelo sujeito passivo nestes documentos não merecem fé em face das informações prestadas naqueles; 6. IA CONTRIB INDIVIDUAL AFERIDO à referese aos mesmos fatos geradores descritos no levantamento IA, acima, desta feita para as competências 05/2005, 10/2005 e 11/2005, sendo que neste foi aplicado a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), conforme o disposto no art. 35A da Lei 8.212/1991, sobre a contribuição líquida apurada, também em observância às disposições contidas na letra “c” do inciso II do art. 106 do CTN. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 31/05/2010 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 172/203), alegando, em síntese: 1. Dos Levantamentos SU e SU1 – SALÁRIO UTILIDADE. Argumenta que as verbas destinadas pela ora requerente à educação de seu corpo funcional, utilizandose da j á célebre expressão que delimita a natureza remuneratória ou não dos valores dependidos, seriam investimentos "para" o trabalho alcançar níveis mais satisfatórios de execução, e não pagamento "pelo" trabalho prestado pelos seus empregados, vez que a postulante ficaria sediada em área que é distante mais de 100 km da Capital do Estado Belém, e que o núcleo urbano mais próximo da cidade de Barcarena, situarseia a 15 km da sede, e caso não disponibilizado o subsídio para o custeio da educação dos empregados e dependentes da requerente, a sua própria atividade operacional restaria irremediavelmente inviabilizada. aduz que o aumento da base de cálculo do salário de contribuição de todo e qualquer empregador que subsidie a qualificação educacional/profissional de seus empregados, além de contrariar frontalmente a legislação aplicável, traduziria uma condição perversa; Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14337.000120/201008 Acórdão n.º 2402004.164 S2C4T2 Fl. 4 5 2. Dos Levantamentos RA e RA1 – REMUNERAÇÃO AFERIDA. Do mesmo modo que no item acima, a defendente não admiti o lançamento de diferenças aferidas por meio indireto em razão de disparidades significativas resultantes do cotejo entre as remunerações lançadas na DIRF, as das lançadas em folhas de pagamento e na GFIP, quando foi tomado como base de cálculo aferida a soma mais elevada de remuneração, entre os elementos confrontados, considerando que todas as remunerações dos segurados empregados contidas na GFIP, DIRF e RAIS estariam corretas; 3. Dos Levantamentos IA e IA1 CONTRIB INDIVIDUAL AFERIDO. Quanto a esses levantamentos, referentes a contribuintes individuais alcançados por meio da DIRF, sob a rubrica de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, alega a defendente que não pode acatar a manutenção deste item por ausência dos recolhimentos devidos sobre os valores pagos ou creditados aos contribuintes individuais aferidos, porquanto, estes realmente não constariam da GFIP, mas teriam sido seus descontos e recolhimentos efetuados, conforme guias pagas que seguem em anexo, as quais, segundo a autuada sequer teriam sido solicitadas pela Fiscalização, cujo simples exame teria afastado a autuação deste item. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belém/PA – por meio do Acórdão 0121.994 da 5a Turma da DRJ/BEL (fls. 712/730) – considerou o lançamento fiscal improcedente em parte, eis que excluiu os valores pertinentes aos levantamentos “RA e RA1 – Remuneração Aferida”, e interpôs o reexame necessário (recurso de ofício). A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Agência da Receita Federal do Brasil (DRF) em Abaetetuba/PA encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator DO RECURSO DE OFÍCIO: Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. O processamento de recurso de ofício está condicionado ao requisito consubstanciado no fato do valor exonerado ser superior à alçada prevista em ato do Ministro da Fazenda. O limite foi estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 3 de janeiro de 2008, publicada em 7 de janeiro de 2008, conforme se verifica do trecho abaixo transcrito: Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em questão, tratase de lançamento superior ao valor da alçada, razão pela qual o recurso de oficio deve ser conhecido. Pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, entendo que a decisão recorrida não merece reparo. O Fisco afirma que, com relação aos levantamentos “RA e RA1 – Remuneração Aferida”, estaria lançando contribuições patronais, incidentes sobre as remunerações pagas devidas ou creditadas aos segurados empregados, apuradas por aferição indireta com base na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), com base no art. 33, § 3o da Lei 8.212/1991, em razão de diferenças relevantes encontradas quando do confronto entre as remunerações declaradas em DIRF com as informadas nas folhas de pagamento e GFIP, o que em tese indicaria que as informações prestadas pelo sujeito passivo nestes documentos não merecem fé em face das informações prestadas na DIRF. Ocorre, contudo, que compete ao Fisco a demonstração fática de que a contabilidade e os documentos contábeis da Recorrente não registravam o movimento real das remunerações dos segurados ou ainda que a Recorrente tenha sonegado informações ou documentos que prejudicaram a verificação da ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, fatos esses não evidenciados nos autos do presente processo. Essa constatação foi noticiada na decisão de primeira instância, nos seguintes termos: “[...] Da mesma forma, noticia o referido RF que foi examinada a escrituração contábil por meio de arquivos digitais, não havendo registro de não apresentação de documentos com levantamento de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, no código de fundamentação legal 38, deixar a empresa, de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14337.000120/201008 Acórdão n.º 2402004.164 S2C4T2 Fl. 5 7 contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, com fundamento na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2o e 3o, com redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, tãopouco o registro de levantamento de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, relativas a arquivos digitais. Outrossim, não consta dos autos nenhuma informação acerca da desconsideração da Contabilidade da defendente, a qual por sua vez, quando de sua analise, ensejou a lavratura dos levantamentos, SU SALÁRIO UTILIDADE e SU1 – SALÁRIO UTILIDADE apurados por aferição direta, com base, na contabilidade da empresa, mais precisamente com base nas contas contábeis 353014005 Reembolso Educacional e 353037002 Escolares, constante do tópico acima analisado que conclui pela sua manutenção. A fiscalização efetuou seus lançamentos com base em diferenças verificadas nas declarações do contribuinte, no caso com base nos valores contidos em DIRF, código 0561 Rendimentos do Trabalho Assalariado, deduzida a remuneração declarada em GFIP, hipótese perfeitamente possível caso houvesse indícios de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados ou ainda que o contribuinte tenha sonegado informações ou documentos que prejudicaram a verificação da ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, o que não ocorreu no presente caso. Também não se observa nos Termos de Intimação, acostados às fls. 127/128, 132 e 135, qualquer solicitação de esclarecimentos quanto as diferenças encontradas nas DIRF em relação aos segurados empregados. A fiscalização sem a demonstração da indispensável motivação utilizouse de procedimento excepcional para a apuração da base de cálculo do lançamento em questão, qual seja, a aferição indireta, procedimento este que a lei só autoriza quando verificadas as situações previstas nos §§3° e 6o , do artigo 33, da Lei n° 8.212/91. Se a fiscalização teve acesso às folhas de pagamento e a GFIP, documentos utilizados para verificar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, deveria justificar de forma clara e precisa os motivos que levaram a desconsideração de tais documentos e não simplesmente efetuar o lançamento de forma indireta, através da DIRF, uma vez que este documento apresenta rendimentos tributáveis pelo imposto de renda, cuja base de cálculo não é 100% idêntica à prevista na legislação previdenciária. Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 O código de receita 0561 rendimentos do trabalho assalariado, da DIRF, utilizado pela fiscalização, para cotejo com a GFIP, e apuração da base de calculo aferida indiretamente, engloba os seguintes rendimentos tributáveis na fonte, conforme Instrução Normativa SRF n° 493, de 13 de janeiro de 2005, vigente à época dos fatos geradores: (...) Vejase que para a apuração de fatos geradores de contribuições previdenciárias necessário se faz depurar os dados relativos a DIRF e ainda comparálos com a escrita contábil do contribuinte, o que não foi feito, lançando o crédito sem a análise do significado das diferenças encontradas, o que mais uma vez frisese, só poderia ter sido feito caso houvesse recusa do contribuinte em apresentar documentos ou indícios de que a contabilidade não registra o montante real da remuneração dos segurados, o que não restou provado. (...) Constatase, desse modo, que não restou inteiramente comprovado o pressuposto condicionante do arbitramento, ou seja, o motivo que ampare a adoção do procedimento de aferição indireta, qual seja, a demonstração da impossibilidade de produção de provas, que impediria a apuração regular dos fatos geradores de contribuição previdenciária e que autorizaria o arbitramento. [...]” (decisão de primeira instância, Acórdão 0121.994 da 5a Turma da DRJ/BEL) Com isso, o Fisco não demonstrou a motivação fática da utilização da técnica de aferição indireta da base de cálculo (arbitramento), já que as informações constantes da DIRF abrangem várias espécies de pagamentos, dentre elas: o pagamento de salário, inclusive adiantamento de salário a qualquer título, indenização sujeita à tributação, ordenado, vencimento, provento de aposentadoria, reserva ou reforma, pensão civil ou militar, soldo, pro labore, retirada, vantagem, subsídio, comissão, corretagem, benefício (remuneração mensal ou prestação única) da previdência social, privada, de Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e de Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi), remuneração de conselheiro fiscal e de administração, diretor e administrador de pessoa jurídica, de titular de empresa individual, inclusive remuneração indireta, gratificação e participação dos dirigentes no lucro e demais remunerações decorrentes de vínculo empregatício, recebido por pessoa física residente no Brasil. Diante do exposto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo, eis que ela está em conformidade com a legislação jurídicotributária de regência. DO RECURSO VOLUNTÁRIO: O Recurso é tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que a verba paga a título de bolsa de estudos tem caráter indenizatório e não remuneratório, assim os valores pagos a título dessa verba deverão ser excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14337.000120/201008 Acórdão n.º 2402004.164 S2C4T2 Fl. 6 9 Em decorrência dos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, tal alegação será acatada. O Fisco, para justificar o lançamento, afirma que a verba paga aos segurados empregados, em se tratando de cursos de ensino superior (graduação e pósgraduação), não se estende à concessão de bolsa auxílioeducação prevista na legislação previdenciária, mas apenas com relação à educação básica. Além disso, afirma que deverá haver incidência da contribuição sobre os valores pagos a título de educação com os seus dependentes, nos seguintes termos: “[...] 7.2.1. LEVANTAMENTO SU: SALÁRIO UTILIDADE 7.2.1.1. Neste levantamento encontramse lançadas as bases de cálculo referentes às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, não declaradas em GFIP, incidentes sobre salárioutilidade educacional na forma de subsídios à educação, regulamentados em cláusula integrante dos acordos coletivos de trabalho e concedidos aos segurados empregados e aos seus dependentes. (...) 7.2.1.3. De acordo com o explanado no item 6 precedente os gastos da empresa a título de subsídio a educação com os dependentes de seus empregados, incluindose a compra de material escolar, sofrem incidência de contribuições previdenciárias. Assim como, os dispêndios com educação superior (graduação e pósgraduação) dos seus empregados. [...]” (Relatório Fiscal, fls. 144/164) Pois bem, verificase que a fundamentação ápice adotada foi o fato de que a isenção do art. 28, § 9o, alínea “t”, da Lei 8.212/1991 não se estende à concessão de bolsa auxílioeducação em se tratando de cursos de graduação e pósgraduação, mas apenas com relação à educação básica. Essa bolsa de estudo (auxílioeducação) dada aos funcionários, mesmo que seja relativa a cursos de ensino superior e pósgraduação, como se dá no caso dos autos, foi disponibilizada a todos os segurados e, com isso, entendese que deva ser considerada como qualificação profissional vinculada à atividade desenvolvida pela empresa, nos termos da alínea “t” do § 9ºdo art. 28 da Lei 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 28 (...) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n 9.394, de 20 de Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (grifo nosso) Na mesma linha, já decidiu esta Corte Administrativa (CARF), conforme se verifica do julgamento do processo 13976.000617/200724, sessão de 23/08/2011, pela Eg. 4a Câmara da 2a Seção de julgamentos, a seguir: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 30/09/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO. BOLSA DE ESTUDOS NÃO INCIDÊNCIA Não deve incidir contribuição previdenciária em relação à Bolsa de Estudo que vise a qualificação do funcionário, mesmo que destinada ao ensino superior, desde que haja impessoalidade. Recurso Voluntário Provida.” E da mesma forma, também já julgou o Superior Tribunal de Justiça (STJ): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CONFIGURADA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BOLSAS DE ESTUDO. NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14337.000120/201008 Acórdão n.º 2402004.164 S2C4T2 Fl. 7 11 1. Quanto à análise de pedido formulado em Agravo Regimental, configurandose omissão, devese acolher os aclaratórios para sanála e apreciar a matéria. 2. O entendimento do STJ é pacífico no sentido de que os valores gastos pelo empregador com a educação de seus empregados não integram o saláriodecontribuição; portanto, não compõem a base de cálculo da Contribuição Previdenciária. 3. Embargos de Declaração acolhidos, sem efeito infringente. (EDcl no AgRg no REsp 479.056/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/02/2010, DJe 02/03/2010) Com relação às bolsas de estudo concedidas aos dependentes (filhos e outros) dos segurados empregados da Recorrente, constatase que os requisitos para a aplicação da regra de isenção estavam previstos no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.711/1998, que eram: (i) o valor não poderia ser utilizado em substituição de parcela salarial; e (ii) o plano educacional deveria ser disponibilizado a todos os empregados e dirigentes. Posteriormente, houve alteração dessa regra pela Lei 12.513/2011, modificando os requisitos para a obtenção da isenção, inclusive não exigiu mais o requisito de que o acesso ao plano educacional deveria ser extensivo a todos os empregados (requisito ii), e incluiu, no âmbito da isenção, a concessão de bolsa de estudo aos dependentes dos empregados. Assim, considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b”, do Código Tributário Nacional (CTN), há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas, que é a inserção dos dependentes dos segurados empregados dentro da regra de isenção. Lei 8.212/1991: Art. 28 (...) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise ao ensino fundamental e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 tecnológica de empregados, nos termos da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) .................................................................................................. ....... Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Mesmo havendo dúvida sobre o correto enquadramento do fato delineado pelo Fisco como campo de incidência da contribuição previdenciária, seja na regra anterior dada pela Lei 9.711/1998 – entendimento capitaneado pelo Fisco –, seja na regra atual dada pela Lei 12.513/2011, fazse necessário realizar uma interpretação sistemática da legislação tributária e, com isso, a retroatividade deverá ser obrigatória, pois, em caso de dúvida, devese adotar a interpretação mais favorável ao sujeito passivo, conforme deixa claro o art. 112, incisos I e II, do CTN. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (g.n.) III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Conforme se verifica do Relatório Fiscal não fora imputada à Recorrente o fato de que o benefício não era estendido ou acessível a todos os segurados, de modo que não fora verificado o descumprimento de quaisquer outros requisitos da norma isentiva supramencionada. Fica consignado ainda que há precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendendo que o auxílioeducação constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado, conforme transcrição abaixo. PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14337.000120/201008 Acórdão n.º 2402004.164 S2C4T2 Fl. 8 13 CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. In casu, a bolsa de estudos é paga pela empresa para fins de cursos de idiomas e pós graduação. 3. Agravo Regimental não provido. (STJ, AgRg no AREsp 182495/RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 07/03/2013) Nesse passo, de acordo com o § 2o do art. 458 da CLT, os valores pagos a título de educação não compreendem salário pago aos funcionários, bem como que não há amparo legal para se exigir contribuição sobre esta rubrica. Consolidação das Leis do Trabalho (CLT): Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (...) § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (g.n.) Nesse caminhar, percebese que não houve a caracterização do fato gerador da contribuição previdenciária, incidente sobre a verba paga a título de auxílioeducação (bolsa de estudos, levantamentos SU e SU1SALÁRIO UTILIDADE), eis que os elementos probatórios juntados aos autos apontam que a Recorrente cumpria a regra matriz prevista no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991. Diante desse contexto fático e jurídico, entendese que os valores apurados nos “levantamentos SU e SU1SALÁRIO UTILIDADE” devem ser excluídos do presente lançamento fiscal, eis que o auxílioeducação, concedido pela Recorrente aos segurados empregados e aos seus dependentes (filhos), constitui investimento na qualificação de seus empregados, não podendo ser considerado como salário utilidade. Esse entendimento está consubstanciado na regra prevista no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991, bem como está em consonância com os precedentes jurisprudenciais do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Com relação levantamentos IA e IA1 CONTRIB INDIVIDUAL AFERIDO, a Recorrente alega que, embora os segurados contribuintes individuais não constem de GFIP, foram feitos os descontos e realizados os recolhimento devidos, o que seria comprovado com a apresentação das guias em anexo. Tal alegação não será acatada, eis que os valores constantes das guias em anexo já foram devidamente apropriados no presente lançamento fiscal, conforme se verifica no Relatório de Documentos Apresentados (RDA) e no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA), de fls. 32/42. Essa constatação também foi noticiada no Relatório Fiscal (fls. 144/164), informando que foram deduzidos do total do crédito previdenciário todos os recolhimentos efetuados pela empresa no seu CNPJ 05.848.387/0001 54, que constavam dos Sistemas Informatizados da RFB, apresentados ou não à fiscalização. Cumpre esclarecer que, no tocante às Guias da Previdência Social (GPS) recolhidas no NIT das pessoas físicas e no código de pagamento 1007, estas não comprovam o recolhimento pela Recorrente de sua parcela patronal (20%), incidente sobre a remuneração paga por prestação de serviços de contribuintes individuais, os quais deveriam ser recolhidos no próprio CNPJ da empresa (Recorrente) e no código de pagamento 2100. Tais guias, na forma em que foram preenchidas, se prestam a comprovar o recolhimento mensal da parte devida pelos próprios segurados contribuintes individuais, nada impedindo, se for o caso de erro de preenchimento, providenciar a Recorrente a correção das mesmas. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/19911). 1 Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14337.000120/201008 Acórdão n.º 2402004.164 S2C4T2 Fl. 9 15 De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Embora os fatos geradores tenham ocorridos antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) .................................................................................................. ....... Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14337.000120/201008 Acórdão n.º 2402004.164 S2C4T2 Fl. 10 17 Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso de ofício e NEGARLHE PROVIMENTO. E, CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que: (i) sejam excluídos, em sua totalidade, os valores apurados nos levantamentos SU e SU1SALÁRIO UTILIDADE, oriundos de auxílioeducação; e (ii) com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10680.721860/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
ALIMENTAÇÃO PAGA EM TICKETS SOFRE A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. A alimentação fornecida em tickets ou pecúnia, sem a devida inscrição no PAT, sofre a incidência da contribuição previdenciária.
PRÊMIO LÍDER DA TURMA. VERBA PAGA EM CARÁTER HABITUAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O prêmio Líder da Turma está condicionado a critérios de ordem pessoal do trabalhador e só deve integrar o salário de contribuição quando pagas de forma habitual, com certa frequência.
AJUDA DE CUSTO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Não integra o salário de contribuição a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT.
SALÁRIO EDUCAÇÃO
Inteligência da súmula 732, do Supremo Tribunal Federal, pela constitucionalidade da contribuição.
CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. LEGITIMIDADE. ARRECADAÇÃO.
A contribuição destinada ao INCRA não foi revogada pela instituição da contribuição ao SENAR.
SENAI E SESI. COBRANÇA DAS CONTRIBUIÇÕES.
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de serem devidas tais contribuições para as empresas de construção civil.
SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO.
A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, sendo devidas pelas empresas que prestam serviços de engenharia e arquitetura, conforme jurisprudência do STJ.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim (relatora), que votou por dar provimento parcial para excluir do lançamento as parcelas de Ticket Refeição indicadas no levantamento AL- alimentação. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Kleber Ferreira de Araújo - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ALIMENTAÇÃO PAGA EM TICKETS SOFRE A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. A alimentação fornecida em tickets ou pecúnia, sem a devida inscrição no PAT, sofre a incidência da contribuição previdenciária. PRÊMIO LÍDER DA TURMA. VERBA PAGA EM CARÁTER HABITUAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O prêmio Líder da Turma está condicionado a critérios de ordem pessoal do trabalhador e só deve integrar o salário de contribuição quando pagas de forma habitual, com certa frequência. AJUDA DE CUSTO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Não integra o salário de contribuição a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT. SALÁRIO EDUCAÇÃO Inteligência da súmula 732, do Supremo Tribunal Federal, pela constitucionalidade da contribuição. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. LEGITIMIDADE. ARRECADAÇÃO. A contribuição destinada ao INCRA não foi revogada pela instituição da contribuição ao SENAR. SENAI E SESI. COBRANÇA DAS CONTRIBUIÇÕES. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de serem devidas tais contribuições para as empresas de construção civil. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, sendo devidas pelas empresas que prestam serviços de engenharia e arquitetura, conforme jurisprudência do STJ. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ALIMENTAÇÃO PAGA EM TICKETS SOFRE A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. A alimentação fornecida em tickets ou pecúnia, sem a devida inscrição no PAT, sofre a incidência da contribuição previdenciária. PRÊMIO LÍDER DA TURMA. VERBA PAGA EM CARÁTER HABITUAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O prêmio Líder da Turma está condicionado a critérios de ordem pessoal do trabalhador e só deve integrar o salário de contribuição quando pagas de forma habitual, com certa frequência. AJUDA DE CUSTO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Não integra o salário de contribuição a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT. SALÁRIO EDUCAÇÃO Inteligência da súmula 732, do Supremo Tribunal Federal, pela constitucionalidade da contribuição. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. LEGITIMIDADE. ARRECADAÇÃO. A contribuição destinada ao INCRA não foi revogada pela instituição da contribuição ao SENAR. SENAI E SESI. COBRANÇA DAS CONTRIBUIÇÕES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 18 60 /2 01 0- 11 Fl. 515DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de serem devidas tais contribuições para as empresas de construção civil. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, sendo devidas pelas empresas que prestam serviços de engenharia e arquitetura, conforme jurisprudência do STJ. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim (relatora), que votou por dar provimento parcial para excluir do lançamento as parcelas de Ticket Refeição indicadas no levantamento “AL” alimentação. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.721860/201011 Acórdão n.º 2401003.411 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.291.6805, do qual a contribuinte foi cientificada em 13.07.2010, lavrado para cobrança das contribuições sociais destinadas às entidades denominadas de “Terceiros”, quais sejam, SE Salário Educação, INCRA Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem e Indústria, SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas,apuradas de 01/2006 a 12/2006, não recolhidas pela Recorrente, incidentes sobre: · Diferenças apuradas entre as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados, discriminadas em folhas de pagamento, e as declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP, relativas ao período de 01/2006 e 03/2006 a 12/2006; · Pagamento de alimentação e cesta básica aos empregados, consignadas em folha de pagamento, sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, referentes ao período de 01/2006 a 12/2006; · Cestas Básicas fornecidas aos empregados, sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, não incluídos em folhas de pagamento, referentes ao período de 01/2006 a 09/2006 e 11/2006 e 12/2006; · Prêmio líder da turma pago a empregados no período de 08/2006 a 12/2006; · Gratificação de Assiduidade paga a empregados no período de 01/2006 a 07/2006; · Ajuda de Custo paga a empregados no período de 01/2006 a 12/2006; Segundo o relatório fiscal (fls. 55/63), estes valores não foram incluídos na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP. Complementou ainda que a empresa tem como objeto social a prestação de serviços de engenharia civil, elaboração de projetos, acessória, consultoria, fiscalização, gerenciamento e execução de obras por conta própria, por administração ou empreitada, fornecimento e locação de mão de obra e equipamentos. Para identificar as irregularidades acima apontadas, a Agente Autuante procedeu à análise de Livros Diários, folhas de pagamento, GFIPs, notas fiscais de aquisição de cestas básicas e documentos que respaldaram os registros contabilizados na conta “Outras Despesas”, donde foram extraídas as informações utilizadas na elaboração dos levantamentos “FP”, “AL”, “CN”, “PR”, “GA” e “AJ”, anexos à peça acusatória. Finalizou informando que, como resultado do procedimento fiscalizatório, foram lavrados os seguintes Autos de Infração de obrigações principais: Fl. 517DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 · AI DEBCAD 37.267.3686 COMPROT 10680721.857/201099 contribuição da empresa, valor de R$ 123.202,88; · AI DEBCAD 37.291.6783 COMPROT 10680721.858/201033 contribuição dos segurados, apropriação indébita, valor de R$ 14.940,50; · AI DEBCAD 37.291.6791 COMPROT 10680721.859/201088 contribuição dos segurados referente a fornecimento de cesta básica, alimentação, prêmio líder da turma, gratificação de assiduidade, ajuda de custo e pro labore indireto, sem ter havido desconto, valor de R$ 26.508,38; · AI DEBCAD 37.291.6805 COMPROT 10680721.860/201011 contribuição devida aos “Terceiros”, valor de R$ 20.221,93, de que cuida o presente Recurso; E os Autos de Infração por descumprimento de obrigações acessórias: · AI DEBCAD 37.267.3643 COMPROT 10680721.853/201019 Código de Fundamentação Legal 30 (deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e das pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB), valor de R$ 1.431,79; · AI DEBCAD 37.267.3660 COMPROT 10680721.855/201008 Código de Fundamentação Legal 59 (deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço), valor de R$ 1.431,79; · AI DEBCAD 37.267.3651 COMPROT 10680721.854/201055 Código de Fundamentação Legal 34 (deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos), valor de R$ 14.317,78; · AI DEBCAD 37.267.3635 COMPROT 10680721.8524/201066 Código de Fundamentação Legal 78 (apresentar GFIP com omissões nos dados relacionados aos fatos geradores), valor de R$ 6.500,00; · AI DEBCAD 37.267.3678 COMPROT 10680721.856/201044 Código de Fundamentação Legal 38 (deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212 de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas), valor R$ 14.317,78. Em13/07/2010, a Recorrente tomou ciência do lançamento contra si realizado (fl.4) e, em seguida, apresentou impugnação (fls. 102/115) alegando, em síntese: · A nulidade do Auto de Infração, em virtude de não terem sido apreciadas, pela autoridade lançadora, as Convenções Coletivas de Trabalho e as Notas Fiscais com valores retidos pelos contratantes de serviços, retenções essas que justificariam o não recolhimento das contribuições sobre as parcelas em debate; · Que os valores pagos a título de ajuda de alimentação ao trabalhador possuem natureza indenizatória por força de expressa previsão em convenção ou acordo coletivo de trabalho; Fl. 518DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.721860/201011 Acórdão n.º 2401003.411 S2C4T1 Fl. 4 5 · Que a parcela paga a título de gratificação de assiduidade não se caracteriza como remuneração, portanto não sujeita aos encargos previdenciários; · Que o pagamento a título de premio liderança foi pago em obediência ao que determina as Convenções Coletivas de Trabalho; · Que durante o ano de 2006 houve retenções e compensações de valores devidos à Previdência Social, como provam as notas fiscais juntadas aos autos, os quais não foram considerados pela Autuante. · Que a multa aplicada se apresenta confiscatória, motivo pelo qual se impõe a respectiva redução; · Que, conforme se verifica dos PER/DCOMPs, bem como das notas fiscais e planilha de retenções/compensações juntadas, há um considerável crédito com a Previdência Social, que nos termos da legislação vigente, pode ser utilizado para compensação de valores devidos. Sendo assim, se após o julgamento da demanda, restar apurado algum crédito em desfavor da impugnante, o mesmo deverá ser compensado do referido montante. Instada a manifestarse acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte julgou procedente em parte a autuação, apenas para excluir da cobrança os valores lançados com o código de levantamento “CN” Cestas Básicas fornecidas aos empregados, nos termos do acórdão abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 A 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para Outras Entidades e Fundos a seu cargo. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre despesas com alimentação in natura em favor dos empregados tendo em vista o PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 de 10/11/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda e o Ato Declaratório PGFN nº 3 de 20/12/2011. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. É vedado ao fisco afastar a aplicação de lei, decreto ou ao normativo por inconstitucionalidade ou ilegalidade. MULTA RETROATIVIDADE. MOMENTO DO CÁLCULO. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Impugnação procedente em parte. Devidamente intimada em 19/12/2012 (conforme AR de fl. 423), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 09/01/2013 (fls. 427/441), rebatendo a decisão proferida pela DRJ com base nos seguintes argumentos: · Que o código de Lançamento “CN” que corresponde ao evento, Cesta Básica in natura e “AL” Alimentação, possuem a mesma natureza jurídica, razão pela qual esse último também merece ser excluído do referido Auto de Infração, pelos mesmos fundamentos que motivaram o afastamento da cobrança sobre as quantias despendidas pela empresa para fornecimento in natura dos alimentos; · Que a ajuda de custo e o prêmio líder de turma possuem natureza jurídica indenizatória, não podendo ser considerado como salário em sentido estrito; · Reconhece que não foram tributados alguns valores enquadrados como remuneração indireta dos sócios, devendo ser considerados créditos da Fazenda e pagos ou compensados com os créditos existentes em seu favor; É o relatório. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.721860/201011 Acórdão n.º 2401003.411 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora Recurso voluntário tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Inicialmente, devese destacar que não será objeto de análise no presente voto a procedência ou não da autuação quanto às importâncias compreendidas nos levantamentos “FP”, “CN”e “GA”. Isso porque, no que tange aos custos incorridos no fornecimento de cestas básicas in natura pela Recorrente Levantamento “CN”, a DRJ já afastou o lançamento sobre tais importâncias e o montante reduzido pelo órgão julgador a quo não enseja a interposição de recurso de ofício. De outro lado, verificase não ter sido combatida nas razões do Recurso Voluntário as acusações fiscais atinentes à Gratificação de Assiduidade – Levantamento “GA” e sobre a omissão de empregados em folha de pagamento – Levantamento “FP”. Por fim, a Recorrente deixou de discutir tese relativa à confiscatoriedade da multa imposta, bem como a alegação sobre as retenções na fonte realizadas pelas suas contratantes de serviço. Com efeito, foram devolvidas à apreciação da instância recursal apenas as matérias relacionadas com a incidência das contribuições destinadas a “Terceiros”, sobre os pagamentos realizados a título de (i) auxílio alimentação pagos em pecúnia; (ii) Ajuda de Custo; e (iii) Prêmio Líder; (iv) além do pedido de compensação do débito remanescente após o julgamento com créditos objeto de PER/DCOMPs. Delimitado o objeto do recurso, passo à análise das alegações da Recorrente. Conforme acima pontuado, aduziu inicialmente a recorrente em suas razões recursais que o Código de Lançamento “CN” e “AL” possuem a mesma natureza jurídica, razão pela qual os valores gastos com Alimentação também devem ser excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Isto porque, a decisão de primeira instância, considerando o disposto no parecer PGFN/CRJ/ nº 2117/2011, no Ato Declaratório PGFN nº 3 de 20/12/2011 e o que determina a Lei Complementar nº 73/1993, art. 42, concluiu que não mais caberia o lançamento de contribuições incidentes sobre os valores despendidos com o fornecimento de cestas básicas (alimentação in natura). Partindo de tal orientação, o Colegiado a quo excluiu do lançamento todas as contribuições identificadas com o código de levantamento “CN”, deixando de excluir os valores pagos, em pecúnia, aos empregados a título de alimentação, por inexistir dispositivo normativo que o autorize. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 O art. 28, § 9º, da Lei 8.212/91 determina expressamente quais os valores que podem ser excluídos da base de cálculo do salário contribuição. Dentre tais valores, consta aquele referente às despesas com a alimentação dos empregados, os quais podem ser excluído da base de cálculo desde que a alimentação seja fornecida (i)in natura e (ii) de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Exigiase, portanto, a presença destes dois requisitos para que o valor pago a título de auxílioalimentação fosse excluído da base de cálculo das contribuições previdenciárias. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional proferiu o Ato Declaratório nº 03/2011, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522/2002, por meio do qual aprovou o Parecer nº 2117/2011. Vejamos o que diz o referido Ato Declaratório. A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Segundo o Parecer nº 2117/2011, aprovado através do Ato supratranscrito, verificase que não deve ser constituído crédito tributário com fundamento em auxílio alimentação fornecido in natura, ainda que a empresa não tenha inscrição no PAT, bem como devem ser revistos, de ofício, os lançamentos já efetuados com base neste fundamento. Resta consignado também nesse parecer, baseado na jurisprudência pacífica do STJ, que o auxílioalimentação somente assume feição salarial e, portanto, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, quando “for pago em espécie ou creditado em conta corrente, em caráter habitual”. Como se sabe, a observância aos atos declaratórios, proferidos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, nos moldes dos artigos 18 e 19 da Lei nº Fl. 522DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.721860/201011 Acórdão n.º 2401003.411 S2C4T1 Fl. 6 9 10.522/2002, é obrigatório por parte deste Conselho, nos termos do art. 62, inciso II, alínea a, do Regimento Interno, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 20091. Em seguida, a Instrução Normativa RFB nº 1.453, de 24 de fevereiro de 2014, confirmou o entendimento já consolidado através do Parecer nº 2114/2011 para excluir a obrigatoriedade de inscrição no PAT, mantendo somente a necessidade da alimentação ser paga in natura. Vejamos: Art. 58. Não integram a base de cálculo para fins de incidência de contribuições: III a parcela in natura do auxílio alimentação; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.453, de 24 de fevereiro de 2014). De acordo com o relatório fiscal, foi constatado no exame da folha de pagamento e da escrituração contábil que os valores referentes às refeições e cesta básica para alguns empregados foram pagos em pecúnia. A partir da análise do Anexo II do Relatório Fiscal (fls. 69/95), verificase que foram pagos em dinheiro valores referentes a cestas básicas, ticket refeição e lanche para alguns funcionários. Interpretandose apressadamente o entendimento normativo em destaque, poderseia concluir pela incidência da exação sobre tais rubricas. Contudo, não se pode ignorar o fato de que o auxílioalimentação fornecido pela Recorrente por meio de ticket refeição equiparase ao benefício in natura, como bem exposto no ACÓRDÃO nº 2803 01.6542, proferido pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção deste Conselho, que reconheceu a improcedência do lançamento em caso de pagamento através de cartão magnético de alimentação. Vejamos: Os referidos cartões são utilizados para a compra de alimentação, aceitos exclusivamente em estabelecimentos comerciais que revendem tais produtos, como supermercados e armazéns. O fornecimento de tal instrumento facilita a logística empresarial, evitandose o manuseio de cestas básicas, além de dar maior liberdade de escolha ao empregado, que pode adquirir o alimento de sua escolha na qualidade que desejar. Sendo oferecido um ou outro – cesta básica ou cartão alimentação – o fim almejado será o mesmo, prover o empregado de víveres, não havendo que haver discriminação somente pela forma de seu fornecimento. Partindo da tal premissa, entendo que o auxílio alimentação fornecido através de ticket alimentação deve ser equiparado à alimentação in natura e excluído, portanto, do 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e19 da Lei n° 10.522, de19 de julho de2002; 2Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, CARF, 2ª Seção, 3ª Turma Especial, ACÓRDÃO nº 280301.654. Processo nº 10783.721245/201129. Sessão de 21 de junho de 2012. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 salário contribuição, já que seu uso é restrito para aquisição de alimentos, aceitos exclusivamente por estabelecimento que os comercializam. Nesse mesmo sentido também decidiu o acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/01/1999 a 31/12/2004 PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR Ainda que tenha ausência de inscrição no PAT não gera salário de contribuição à Previdência Social, quando do pagamento de cesta básica aos funcionários. Segundo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde não considera como parte do salário o pagamento “in natura” de auxílioalimentação quando a refeição é fornecida pela empresa. E, portanto, não incide salário de contribuição. O entendimento é valido e independemente de o empregador estar inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) ou não. No caso em tela, ao invés de se registrar no PAT, a Recorrente deu cesta básica ou ticket restaurante aos seus empregados, fato que por si só não gera a incidência da contribuição social previdenciária. [...] (Processo nº 15586.001026/200793, Acórdão nº 2301003.889 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 23 de janeiro de 2014, Relator Wilson Antonio de Souza Corrêa) Já em relação às cestas básicas e lanches pagos em pecúnia, especificados no Anexo II do Relatório Fiscal, entendo que não devem ser excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Isto porque, a legislação é clara ao estabelecer a necessidade da alimentação ser concedida in natura e, a despeito de ter especificado no anexo II que tais valores foram pagos para compra de cesta básica e lanche, não há como garantir que o empregado realmente utilizou tais valores para o fim proposto. O pagamento em pecúnia para a finalidade alimentícia pode ser usado para fim distinto da alimentação pelo empregado, de modo que o empregador não pode ser desonerado de recolher a referida contribuição previdenciária sobre tal valor, vez que não utilizou a forma autorizada pela legislação previdenciária. Sendo assim, reconheço que apenas os valores de ticket refeição devem ser excluídos do salário de contribuição para fins de incidência das contribuições lançadas, razão pela qual deve ser excluída tal parcela do código de levantamento “AL” Alimentação. Em seguida, aduziu o recorrente que o Prêmio Líder e a Ajuda de Custo possuem natureza jurídica indenizatória, não podendo ser considerados como salário em sentido estrito. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.721860/201011 Acórdão n.º 2401003.411 S2C4T1 Fl. 7 11 Conforme consta no Relatório Fiscal, foi verificado na folha de pagamento da empresa o pagamento da rubrica premio líder da turma, por ser fator de ordem pessoal do trabalhador, integra o salário de contribuição, conforme determina o art. 28, I da Lei 8.212/91. O prêmio Líder da Turma está condicionado a critérios de ordem pessoal do trabalhador, porém a parcela só deve integrar o salário de contribuição quando paga de forma habitual, com certa frequência. O prêmio Líder da Turma encontrase previsto na Convenção Coletiva de Trabalho às fls. 177, na cláusula terceira, parágrafo primeiro, com a seguinte redação: O prêmio para a varredeira que atuar como Líder de Turma será integralmente reajustado em 6,0% (seis por cento) passando a R$ 63,50 (sessenta e três reais e cinquenta centavos) desvinculado da remuneração. Ocorre que, o fato do prêmio liderança ser pago às líderes de turma de serviços de limpeza, por regra pactuada em instrumento de negociação coletiva, por si só não retira a natureza de parcela integrante do salário de contribuição, devendo ser analisada a habitualidade do seu pagamento diante do caso concreto. Sendo assim, a partir da análise do Anexo II, verificase que o Prêmio Líder da Turma foi pago aos mesmos empregados(José Romildo Alves Martins, Nardelio Moreira de Oliveira e Rafael Silva Ferreira), no período de 08/2006 a 12/2006, de modo que, devido à habitualidade do pagamento da referida parcela, tais valores devem integrar o salário de contribuição. Em relação à ajuda de custo, aduziu a fiscalização que a empresa remunerou em vários meses o mesmo segurado, contrariando o quanto previsto no art. 29, §9º “g” da Lei 8.212/91, no período de 01/2006 a 12/2006. A ajuda de custo, em parcela única, recebida, exclusivamente, em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, não será considerada integrante da base de tributação previdenciária. Se o montante, porém, for dividido em dois ou mais meses, ou, ainda, se esta vantagem for utilizada para outra finalidade que não a mudança de local de trabalho, ela integrará o salário de contribuição. No caso em tela, a Recorrente não só deixou de justificar o pagamento da ajuda de custo no fato de ter havido a mudança de local de trabalho dos seus empregados, como também realizou tais pagamentos aos mesmos funcionários em diversas competências sucessivas, o que atesta a sua habitualidade, razão pela qual devem ser mantidos tais valores na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Ressaltese que, como bem pontuado no provimento recorrido, os acordos e convenções coletivas não podem sobreporse às Leis, diante do que o simples fato de suas cláusulas terem atribuído às vantagens em apreço uma natureza não remuneratória não tem o condão de afastar a incidência das contribuições previdenciárias. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 Por fim, aduz a Recorrente que apresentou vários PER/DCOMPs pendentes análise no âmbito da Receita Federal, requerendo utilizálos para dar quitação aos débitos por ela reconhecidos. De início, mostrase necessário esclarecer à Recorrente que o regime de compensação das contribuições previdenciárias não segue a disciplina prevista no art. 74 da Lei n. 9.430/96, não sendo autorizada sua compensação com quaisquer tributos administrados pela SRFB, apesar da unificação do órgão, mas apenas com a própria contribuição. De outro giro, como bem ressaltado pela decisão de primeira instancia, também não cabe a este Conselho deferir o procedimento sugerido pela Recorrente, por ausência de norma que o autorize. Ou seja, falece ao órgão julgador a competência para promover o encontro de contas entre os débitos reconhecidos pela Recorrente e os créditos que entende fazer jus, objeto de PER/DCOMP. É o que dispõe o art. 69 da IN n. 1300/2012, que atualmente disciplina a matéria: Art. 69. A decisão sobre o pedido de restituição de crédito relativo a tributo administrado pela RFB, o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins, relativo ao Reintegra e o pedido de reembolso, caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF), da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat), da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro (Demac/RJ) ou da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras (Deinf) que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, ressalvado o disposto nos arts. 70 e 72. Parágrafo único. A restituição, o reembolso ou o ressarcimento dos créditos a que se refere o caput , bem como a compensação de ofício desses créditos com os débitos do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, caberão à DRF, à Derat, à Demac/RJ ou à Deinf que, à data da restituição, do reembolso, do ressarcimento ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Face ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, dandolhe PROVIMENTO PARCIAL apenas para excluir as contribuições sociais destinadas aos Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE) incidentes sobre o Ticket Refeição do Código de Levantamento “AL” alimentação, mantendo o lançamento em relação as demais rubricas. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.721860/201011 Acórdão n.º 2401003.411 S2C4T1 Fl. 8 13 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator designado Ouso discordar da Ilustre Relatora quanto ao seu entendimento acerca da incidência de contribuições sobres os valores correspondentes ao fornecimento de tickets alimentação pela autuada. Para a Relatora o fornecimento dos vales equivaleria à prestação in natura, atraindo assim a aplicação do Ato Declaratório PGFN n.º 03 (DOU 24/11/2011), o qual afasta a incidência de contribuições sobre a alimentação fornecida in natura, independentemente da comprovação da inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Verifiquemos, inicialmente, se é aplicável à verba sob comento o citado Ato Declaratório, que autoriza a dispensa de apresentação de contestação e interposição de recurso e desistência dos já interpostos: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária” JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). O texto do Ato Declaratório, não há dúvida, referese apenas aos casos de fornecimento in natura. Por isso, devemos investigar se o pagamento efetuado na sistemática acima relatada poderia ser considerado prestação in natura. Verifiquemos a jurisprudência em que se baseou a PGFN para exarar o Ato Declaratório em questão: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT . AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE AOS EMPREGADOS. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO DO FGTS. LEI Nº 6.321/76. LIMITAÇÃO. PORTARIA Nº 326/77. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS LEIS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS MORATÓRIOS PELA TR/TRD. APLICABILIDADE.(...)3. O STJ, em inúmeros julgados, assentou o entendimento de que o pagamento in natura do auxílioalimentação não tem natureza salarial e, como tal, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Pela mesma razão, não integra a base de cálculo das contribuições para o FGTS, igualmente assentado no conceito de "remuneração" (Lei 8.036/90, art. 15). O auxílio alimentação pago em espécie e com habitualidade integra o salário e como Fl. 527DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 tal sofre a incidência da contribuição previdenciária. Precedentes do STJ (REsp 674.999/CE, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ de 30.05.2005; REsp 611.406/CE, Rel. Min. Franciulli Netto, 2ª Turma, DJ de 02.05.2005;EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, 1ª Seção, DJ de 08.11.2004; REsp 643.820/CE, Rel. Min. José Delgado, 1ª Turma, DJ de 18.10.2004; REsp 510.070/DF, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ de 31.05.2004). Por tal razão, o auxílio alimentação pago em espécie com habitualidade também sofrerá a incidência do FGTS.4. "O pagamento in natura do auxílio alimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT" (EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, 1ª Seção, DJ de 08.11.2004).(...)Ex positis, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial.Publiquese. Intimações necessárias.Brasília (DF), 07 de maio de 2010.(REsp nº 1.119.787SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 13/05/2010). *** EMENTA: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES.1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da nãoocorrência da responsabilidade tributária será do sócioexecutado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária.2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. (grifouse)(...)5. Recurso especial parcialmente provido.(STJ, REsp 977.238/RS, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ 29/11/2007). *** DECISÃO(...)É pacífica neste Superior Tribunal de Justiça a orientação no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária por não possuir natureza salarial, esteja o Fl. 528DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.721860/201011 Acórdão n.º 2401003.411 S2C4T1 Fl. 9 15 empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.(STJ, REsp 333.001/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJ 17/11/2008) *** TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO.1. O pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho.2. Ao revés, quando o auxílio alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em contacorrente, em caráter habitual e remuneratório, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.3. Precedentes da Seção.4. Embargos de divergência providos. (grifou se)(EREsp 476.194/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ 01.08.2005). Percebese que os quatro julgados acima manifestam claramente o entendimento de que somente se considera o fornecimento in natura quando a alimentação é fornecida diretamente pelo próprio empregador, o que nos leva a concluir que o fornecimento de cartões ou tickets para aquisição de produtos em estabelecimentos comerciais não representa fornecimento in natura. Concluise, portanto, que o Ato Declaratório mencionado não se aplica ao caso em tela. Observese que a motivação da Relatora para excluir da apuração a verba paga a título de alimentação foi exatamente a aplicação do Ato Declaratório da PGFN acima referido. Entendo, assim, que não tendo a empresa comprovado a sua adesão ao PAT, é cabível a incidência de contribuições sobre essa parcela, posto que disponibilizada em desacordo com a Lei n. 8.212/1991, conforme se verifica do dispositivo: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; (...) Observese do dispositivo transcrito que a previsão de isenção de contribuição sobre a alimentação fornecida aos empregados condiciona a desoneração a dois requisitos: que a alimentação seja fornecida “in natura” e que a sua disponibilização esteja em conformidade com as normas do PAT. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 Assim, não tendo a recorrente fornecido a alimentação in natura, além de não comprovar a adesão ao PAT no período do AI, devem incidir contribuições sobre o “Auxílio Alimentação”. Voto, assim, no sentido de que seja mantida a tributação sobre a verba sob comento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 13609.000596/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência daMP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%, nos casos de descumprimento de obrigação acessória cumulada com não recolhimento da obrigação principal. Nos casos em que o recolhimento, apesar de em atraso, ocorreu de forma espontânea, aplicável, nos termos da legislação vigente à época dos fatos geradores, o disposto no artigo 32, § 5° cumulado com o artigo 35, ambos da Lei n° 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que os valores relativos aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DESTINADA A TERCEIROS. Recorrente SIDERURGICA BARÃO DE MAUÁ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007 MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência daMP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%, nos casos de descumprimento de obrigação acessória cumulada com não recolhimento da obrigação principal. Nos casos em que o recolhimento, apesar de em atraso, ocorreu de forma espontânea, aplicável, nos termos da legislação vigente à época dos fatos geradores, o disposto no artigo 32, § 5° cumulado com o artigo 35, ambos da Lei n° 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 05 96 /2 01 0- 21 Fl. 848DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 19/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que os valores relativos aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 19/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13609.000596/201021 Acórdão n.º 2402004.067 S2C4T2 Fl. 849 3 Relatório Tratase de crédito lançado referente a contribuição social destinada a outras entidades e fundos – SESI, SENAI, SEBRAE, INCRA e salário educação, incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados omitidas na GFIP;. Relatório fiscal às fls. 46/54. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 58/77. Às fls. 810/811 do processo n° 13609.000593/201097 houve solicitação de diligência pela Auditora da DRJ para apurar, em suma: 1) Se houveram guias de recolhimento não consideradas no lançamento, o que poderia determinar sua retificação; 2) Se foi incluída na base de cálculo alguma verba de caráter indenizatório; 3) Por que as bases de cálculo do relatório de lançamento e do discriminativo de débito não coincidem; 4) Por que a ausência de lançamento no período de 12/2005 a 08/2006; 5) Apesar de a empresa informar a existência de trabalhadores expostos a agentes nocivos nas competências de 13/2006 e 13/2007, não se verifica lançamento nestas competências. Às fls. 829/832 daqueles autos, a diligência foi respondida com Informação fiscal segundo a qual: 1) Todos os parcelamentos efetuados pelo contribuinte foram devidamente deduzidos no lançamento. As GPS apresentadas pelo contribuinte nos códigos de parcelamento 4103, 4308 e 4200 não foram deduzidas das contribuições apuradas por tratarse de pagamento de parcelamento de débitos confessados já deduzidos e relacionados no RDA; 2) Somente a GPS da competência 11/2005 deve ser considerada para retificação do débito apurado; 3) Não foram incluídas verbas de caráter indenizatório no auto de infração. A defesa apresentou resumos de folha sem discriminar quais verbas entende como indenizatórias, qual trabalhador e respectivo valor foi percebido, bem como não apresentou o recibo individual de pagamento; 4) Verificouse que nas competências 12/2006 e 12/2007 houve erro na base de cálculo, devendo ser retificado o débito neste ponto para excluir o débito de 12/2007 por inexistência de fato gerador e reduzir o débito de 12/2006 por retificação da base de cálculo; Fl. 850DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 19/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 5) Quanto à ausência de lançamento para as competências 12/2005 a 08/2006, esclarece que o adicional de SAT desse período foi incluso no parcelamento 60.357.3991; 6) Sobre as competências 13/2006 e 13/2007, não houve lançamento porque o presente auto de infração diz respeito ao adicional de SAT não declarado em GFIP e nestas competências o adicional encontrase declarado em GFIP. Intimada do resultado da diligência, a Recorrente apresentou manifestação de fls. 779/798 reiterando todos os termos da impugnação. Às fls. 802/803 a impugnação foi submetida a apreciação restando improcedente sob os seguintes fundamentos: 1) Para fins de lançamento, foram consideradas as últimas GFIPs enviadas e válidas antes do início do procedimento fiscal. Logo, eventuais retificações processadas após o início da ação fiscal não tem o condão de alterar o lançamento que foi realizado com base em documentos apresentados pelo próprio sujeito passivo; 2) Quanto aos valores que o contribuinte alega ter incluído no parcelamento ou já recolhido em GPS, o resultado da diligência de fls. 829/832 dos autos principais demonstra que não há crédito a ser apropriado nesta autuação; 3) A Recorrente alega mas não demonstra a inclusão de verbas de natureza indenizatória no lançamento, sequer demonstrando o valor supostamente pago a esse título e quais segurados as receberam; 4) Houve alteração da legislação referente às penalidades e, a partir da publicação da MP n° 449/08, aos fatos geradores anteriores a ela deverá ser analisado o caso concreto e a norma atual deverá retroagir, se mais benéfica, conforme disposto no art. 106, CTN; 5) Os argumentos apresentados pelo sujeito passivo não têm o condão de alterar o lançamento. Entretanto, a fiscalização verificou o lançamento e informou que o mesmo deve ser retificado nos termos da tabela. Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 819/846, no qual alegou, em síntese que: 1) Preliminarmente, houve violação ao contraditório e a ampla defesa da Recorrente uma vez que, ao decidir por insuficientes os documentos apresentados pela defesa deveria o julgador realizar diligências a fim de esclarecer os argumentos trazidos, no exercício da função precípua para busca da verdade real; 2) No mérito, as contribuições previdenciárias referentes às competências de novembro de 2005 e abril de 2007 a dezembro de 2007 foram devidamente pagas, devendo estes valores ser deduzidos da autuação; 3) A Recorrente aderiu a parcelamentos para saldar seus débitos tributários; Fl. 851DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 19/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13609.000596/201021 Acórdão n.º 2402004.067 S2C4T2 Fl. 850 5 4) O adicional do RAT deve incidir apenas sobre a remuneração paga aos segurados, não podendo as verbas de natureza indenizatória comporem a base de cálculo; 5) O artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91 expressamente reconhece a não inclusão de verbas desprovidas de índole remuneratória no salário de contribuição, tais como a importância recebida a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, os ganhos eventuais, os benefícios previdenciários e os decorrentes de dispensa sem justa causa, entre outros; 6) As verbas pagas a título de auxíliodoença, auxílioacidente, adicional de férias, saláriomaternidade, aviso prévio indenizado e respectivo décimo terceiro, férias e adicional constitucional, hora extra, adicional noturno, insalubridade e de periculosidade, saláriofamília, auxílioeducação, auxíliocreche e férias indenizadas possuem natureza indenizatória e não são objeto de incidência de contribuições previdenciárias; 7) Ilegalidade da taxa SELIC; 8) Caráter confiscatório da multa aplicada vez que desproporcional. Ao final, requereu a procedência do recurso e, alternativamente, a aplicação dos juros previstos no art. 161, § 1° do CTN e a redução das multas aplicadas. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 19/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Preliminar – Violação ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal Pretende a Recorrente seja declarada nula a i. decisão proferida pela DRJ sob o fundamento de que teria ferido o contraditório, ampla defesa e devido processo legal. De acordo com a Recorrente, o julgador de primeira instância ao mencionar que a Recorrente não demonstrou nos documentos juntados quais verbas possuíam caráter indenizatório, tinha por obrigação funcional converter o julgamento em diligência para apuração e busca da verdade real. Não merece guarida. O Decreto n° 70.235/72, em seu art. 16, prevê: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 853DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 19/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13609.000596/201021 Acórdão n.º 2402004.067 S2C4T2 Fl. 851 7 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Em complemento, o artigo 18 do mesmo diploma assim dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Nos termos dos dispositivos supra, a prova documental e o requerimento de diligências eventualmente dadas como necessárias devem ser realizados no momento da impugnação, a pedido da empresa autuada. À autoridade julgadora cabe, tão somente, a prerrogativa de realização de diligências quando julgálas necessárias. No caso em tela, a Recorrente não requereu qualquer diligência em sede de impugnação, muito menos trouxe maiores esclarecimentos que demonstrassem a não incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas mencionadas. A lei de processo administrativo fiscal dá à autoridade a opção – não a obrigação – de solicitar diligências para esclarecer questões que a impugnante deixa de trazer, com exceção das questões de ordem pública, que independem de requerimento da parte interessada. Ainda mais, naquilo que a autoridade entendeu como necessário, solicitou diligência (fls. 810/811 dos autos principais) respondida às fls. 829/832, sendo a Recorrente, inclusive, intimada a se manifestar. Naquele momento foi dada a oportunidade para que a Recorrente esclarecesse a questão das verbas indenizatórias, conforme levantado na Informação Fiscal. Assim, não há que se falar em nulidade da r. decisão. No Mérito Da dedução de valores supostamente recolhidos ou parcelados Alega a Recorrente que a fiscalização, ao lavrar o auto de infração, deixou de considerar para fins de dedução os valores recolhidos no momento devido, bem como os valores objeto de parcelamento. Sobre isto, o Auditor Fiscal, às fls. 829/832 dos autos principais esclareceu que todos os parcelamentos efetuados pelo contribuinte foram devidamente deduzidos no lançamento. Esclareceu também que “as GPS apresentadas pelo contribuinte nos códigos de parcelamento 4103, 4308 e 4200 não foram deduzidas das contribuições apuradas por tratarse de pagamento de parcelamento de débitos confessados já deduzidos e relacionados no RDA”, devendo apenas a GPS da competência 11/2005 ser considerada para retificação do débito apurado, mas em outro auto de infração. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 19/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Ressaltese que a Recorrente foi intimada desta informação fiscal e não logrou êxito em demonstrar que o resultado diverge da realidade. Portanto, acolhida a conclusão da informação fiscal neste ponto, não havendo mais o que considerar. Das verbas de caráter indenizatório A Recorrente, em sede de recurso, arrola diversas verbas que entende como sendo de caráter indenizatório e, para confirmar suas alegações, junta aos autos resumos de folha de pagamento. São estas as verbas mencionadas: auxíliodoença, auxílioacidente, adicional de férias, saláriomaternidade, aviso prévio indenizado e respectivo décimo terceiro, férias e adicional constitucional, hora extra, adicional noturno, insalubridade e de periculosidade, saláriofamília, auxílioeducação, auxíliocreche e férias indenizadas. Não tendo a Recorrente demonstrado os fundamentos pelos quais entende pela não incidência de contribuições previdenciárias sobre as referidas verbas, limitandose a caracterizálas como de natureza indenizatória, resta a este julgador tratar individualmente apenas das verbas julgadas em sede de repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça como não incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de salários. São elas: terço constitucional de férias, afastamento nos 15 primeiros dias de auxílio doença e auxílio acidente e aviso prévio indenizado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. [...] 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas" . [...] 2.2. Aviso Prévio Indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição Fl. 855DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 19/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13609.000596/201021 Acórdão n.º 2402004.067 S2C4T2 Fl. 852 9 previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. 2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio doença. No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento do seu salário integral (art. 60, § 3º, da Lei 8.213/91 — com redação dada pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o pagamento efetuado pelo empregador, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo empregado. Nesse contexto, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ firmouse no sentido de que sobre a importância paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença não incide a contribuição previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp 1074103/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009; REsp 836.531/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 17.8.2006. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 19/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 3. Conclusão. Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA parcialmente provido, apenas para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de férias (terço constitucional) concernente às férias gozadas. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ.” (STJ, REsp 1.230.957, S1 – Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 18/03/2014) Em complemento, assim dispõe o Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, considerando que o STJ reconheceu a não incidência das contribuições sobre os valores pagos a título de terço de férias, afastamento e aviso prévio indenizado, dou provimento a esta parte do recurso voluntário, nos termos do art. 62A do RICARF, para excluir estes valores da base de cálculo. Da Aplicação da SELIC A Recorrente alega a inconstitucionalidade da aplicação da SELIC. Pretende o reconhecimento neste sentido. O Código Tributário Nacional, em seu art. 161, prevê expressamente a possibilidade de lei fixar juros diversos do quanto por ele previsto: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Em complemento, a Lei n° 8.212/91, em seu art. 89, § 4°, prevê: “Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) Fl. 857DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 19/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13609.000596/201021 Acórdão n.º 2402004.067 S2C4T2 Fl. 853 11 § 4° O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já pacificou entendimento, inclusive mediante Súmula, a respeito da aplicação da SELIC para aplicação de juros nos casos referentes às contribuições previdenciárias: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Ademais, não cabe a este Conselho discutir quanto ao caráter remuneratório da Taxa SELIC, pois a Administração Pública é regida pelo Princípio da Legalidade e, sendo assim, deve respeito às normas vigentes. Destarte, patente o indeferimento do pedido de redução da taxa SELIC a 1% ao mês, bem como sua exclusão. Da Multa aplicada Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n°11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/1991). De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos destacados, é muito claro nesse Fl. 858DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 19/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP n° 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. O Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência de parte dos fatos geradores (aqueles em que houve pagamento em atraso), são duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: Fl. 859DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 19/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13609.000596/201021 Acórdão n.º 2402004.067 S2C4T2 Fl. 854 13 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. A regra acima mencionada, portanto, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Não é o caso. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Assim, nas competências em que não houve declaração em GFIP e recolhimento da obrigação principal, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei Fl. 860DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 19/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, necessária a verificação da penalidade mais benéfica, com limite ao percentual de 75%. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e a ele dou parcial provimento para reconhecer a exclusão dos valores pagos a título de terço de férias, afastamento nos 15 primeiros dias do auxílio doença/acidente e aviso prévio indenizado, bem como para limitar a aplicação da penalidade a 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 19/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11080.726595/2012-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/06/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
Verificado o descumprimento da obrigação principal não há que se falar em cancelamento das obrigações acessórias a ela relacionadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente UNIMED PORTO ALEGRE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 30/06/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Verificado o descumprimento da obrigação principal não há que se falar em cancelamento das obrigações acessórias a ela relacionadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 65 95 /2 01 2- 42 Fl. 539DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratamse de autos de infração resultantes de ação fiscal que, da análise dos documentos fornecidos pela Recorrente decidiu pela lavratura de AI DEBCAD nos seguintes termos: 1) AI DEBCAD n° 51.001.2701: por ter a empresa deixado de reter para recolhimento o percentual de 5% da receita bruta, quando do repasse de recurso para publicidade e propaganda à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional; 2) AI DEBCAD n° 51.001.2590: por ter a empresa deixado de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, como disposto no art. 32, I, da Lei 8.212/91; 3) AI DEBCAD n° 51.001.2574: por ter a empresa deixado de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da SRF do Brasil, assim como esclarecimentos necessários à fiscalização, nos termos do art. 32, III e § 11 da Lei n° 8.212/91; Às fls. 330 os autos foram apensados ao PAF n° 11080.726596/201297 (obrigações principais) e passou a tramitar em conjunto. Cientificada da autuação, às fls. 331/511 a Recorrente apresentou impugnação que restou julgada improcedente às fls. 515/522, sob os seguintes fundamentos: 1) Descabe a alegação da não incidência da multa prevista no art. 283, II, alínea ‘m’, do RPS, por não ter efetuado qualquer pagamento em pecúnia aos clubes de futebol, posto que mantém contratos de permuta, de prestação de serviços na área médica por propaganda e publicidade nos estádios; 2) Nos contratos está previsto o valor das contraprestações e, portanto, possível a mensuração do valor a ser retido; 3) A empresa deixou de apresentar durante a ação fiscal documentos solicitados através de termos de intimação fiscal; 4) Embora obrigada, a autuada deixou de recolher contribuição previdenciária, parte patronal, incidente sobre pagamentos efetuados a segurados contribuintes individuais auditores médicos, palestrantes, plantonistas e membros do conselho fiscal e da diretoria, não os declarando em GFIP, nem os incluindo em suas folhas de pagamento. Em face do resultado do julgamento, a Recorrente, às fls. 526/532, interpôs recurso voluntário alegando, em suma: 1) As folhas de pagamento da Recorrente estão corretas, descabendo a multa aplicada no AI 51.001.2590. As informações requeridas pela Fiscalização se referem a rubricas que não integram o conceito de folhas de pagamento, já que relacionada a valores repassados para cooperados que, por tal condição, não prestam serviços à Unimed; Fl. 540DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.726595/201242 Acórdão n.º 2402003.839 S2C4T2 Fl. 540 3 2) A multa aplicada no AI 51.001.2701 é indevida pelo fato de nos contratos entre a Recorrente e os clubes de futebol não existir base de cálculo a autorizar a retenção da contribuição previdenciária; 3) Não restou configurado o embaraço alegado pela fiscalização suficiente para legitimar a multa do AI 51.001.2574, vez que as informações e pagamentos requeridos dizem respeito a rubricas não integrantes da folha de pagamento, já que relacionados com valores pagos a cooperados. Os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Conhecimento O recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, portanto dele conheço. No Mérito Da multa aplicada no AI DEBCAD n° 51.001.2701 Alega a Recorrente ser indevida a multa aplicada em razão de descumprimento da obrigação acessória de reter para recolhimento o percentual de 5% da receita bruta quando do repasse de recurso para publicidade e patrocínio à associação desportiva. Todavia, ante a verificação de descumprimento de obrigação principal nos autos do PAF n° 11080.726596/201297, não há que se considerar o cancelamento da penalidade ora aplicada, razão pela qual mantenho a multa. Da multa aplicada no AI DEBCAD n° 51.001.2590 A Recorrente foi autuada por ter deixado de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, como disposto no art. 32, I, da Lei 8.212/91. Alega a Recorrente que não houve infração, uma vez que os valores a que se refere à fiscalização, em verdade, dizem respeito à montantes repassados a cooperados e, portanto, inexistente a prestação de serviços. Todavia, ante a verificação de descumprimento de obrigação principal nos autos do PAF n° 11080.726596/201297, não há que se considerar o cancelamento da penalidade ora aplicada, razão pela qual mantenho a multa. Da multa aplicada no AI DEBCAD n° 51.001.2574 A penalidade foi aplicada por ter a empresa deixado de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da SRF do Brasil, assim como esclarecimentos necessários à fiscalização, nos termos do art. 32, III e § 11 da Lei n° 8.212/91. Em recurso, alegou a Recorrente que não houve embaraço na ação fiscal. Isto porque, de acordo com a Recorrente, deixou de apresentar as informações por não se tratarem de questões referentes à folha de pagamento e, assim, não era objeto da fiscalização. Todavia, conforme se observa do Relatório Fiscal de fls. 8/16, por diversas vezes durante a ação fiscal a autoridade fiscalizadora solicitou apresentação de documentos e estes deixaram de ser apresentados pela Recorrente. Sendo assim, cabível a aplicação da penalidade nos termos do art. 32, III e § 11 da Lei n° 8.212/91. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.726595/201242 Acórdão n.º 2402003.839 S2C4T2 Fl. 541 5 Conclusão Por todo o exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e a ele nego provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 12466.003561/2009-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 04/12/2002 a 14/01/2005
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA.
A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do Decreto-Lei no 1.455/1976), configura-se a interposição e aplica-se o perdimento. Segue-se, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966).
IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO. RECURSOS DE TERCEIRO.
Conforme art. 27 da Lei no 10.637/2002, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste.
DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL.
Nos arts. 23 e 24 do Decreto-Lei no 1.455/1976 enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CARF. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA N. 28.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 3403-003.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista, que deram provimento parcial para reconhecer a decadência. Sustentou pela recorrente a Dra. Flávia Renata Vilela Caravelli, OAB/MG no 79.516.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 04/12/2002 a 14/01/2005 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do Decreto-Lei no 1.455/1976), configura-se a interposição e aplica-se o perdimento. Segue-se, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966). IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO. RECURSOS DE TERCEIRO. Conforme art. 27 da Lei no 10.637/2002, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do Decreto-Lei no 1.455/1976 enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CARF. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA N. 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista, que deram provimento parcial para reconhecer a decadência. Sustentou pela recorrente a Dra. Flávia Renata Vilela Caravelli, OAB/MG no 79.516. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966). IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO. RECURSOS DE TERCEIRO. Conforme art. 27 da Lei no 10.637/2002, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 35 61 /2 00 9- 19 Fl. 3271DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CARF. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA N. 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista, que deram provimento parcial para reconhecer a decadência. Sustentou pela recorrente a Dra. Flávia Renata Vilela Caravelli, OAB/MG no 79.516. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre auto de infração lavrado em 23/10/2009 (fls. 2 a 61, com ciência à empresa “TWS” Internacional Trade LTDA em 28/01/2010 fl. 1010, figurando como responsável solidária a empresa “HUDSON” Imports Company LTDA), para exigência de multa substitutiva do perdimento (prevista no art. 23, § 3o do Decretolei no 1.455/1976), no valor de R$ 1.348.371,17, em virtude de se ter detectado que a real adquirente das mercadorias importadas pela empresa “TWS” é a empresa “HUDSON” (às fls. 31 e 32 são listadas as declarações de importações correspondentes às mercadorias consumidas e/ou não localizadas). O auto de infração anteriormente lavrado (no bojo do processo administrativo no 12466.004797/200519) foi considerado nulo pelo Acórdão no 079.272/06, da DRJ/Florianópolis, entendendo o julgador que deveria ser lavrado um auto de infração específico para cada uma das exigências e respectivo imputado como responsável solidário, decisão mantida em definitivo pelo CARF, no Acórdão no 30239.912, de 12/11/2008 (fls. 7 a 16), o que se faz na segunda autuação, presente neste processo. No Relatório de Ação Fiscal (RAF) de fls. 35 a 50, narrase que: 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 3272DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.003561/200919 Acórdão n.º 3403003.174 S3C4T3 Fl. 3.272 3 (a) a empresa “TWS” solicitou, em novembro de 2004, habilitação de responsável legal perante o SISCOMEX, tendo sido verificado (analisandose declarações de Imposto de Renda de 2002/2003 fls. 28 a 30 e valores transacionados no comércio exterior), que não dispunha de capacidade econômicofinanceira para realizar as transações registradas no RADAR (fls. 23 a 26), tendo sido iniciado procedimentos especial de verificação de origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior (IN SRF no 228/2002); (b) na tabela de fl. 35 se destaca que o patrimônio líquido da empresa é substancialmente incompatível com os gastos efetuados nas importações; (c) no quadro de fl. 36 evidenciase que os gastos com importações são praticamente iguais aos valores das vendas líquidas, demonstrando praticamente a inexistência de lucro, sendo que a empresa só apresentou receita nas operações de deságios obtidos com as liquidações dos incentivos do FUNDAP (Fundo para desenvolvimento das Atividades Portuárias), ficando evidenciado que a empresa “TWS” não realizava operações normais de compra e venda com fito de lucro; (d) foi registrado ainda movimento atípico nas conta Bancos c/ Movimento de Clientes (com valores creditados praticamente iguais aos debitados, às vezes havendo até pagamentos pelas mercadorias em montante superior ao das vendas a prazo efetuadas); (e) a “TWS” recebia adiantamentos de diversos clientes, objetivando o fechamento de câmbio e o pagamento de despesas de importações (confirmados por extratos bancários), em operações de importação em que a “TWS” figurava como adquirente; (f) para facilitar a visualização do modus operandi da empresa, a fiscalização elaborou, a partir dos documentos recebidos e analisados, demonstrativos (fls. 617 a 648, nos quais se percebe que há violação a regras contábeis, como o cômputo do IPI como despesa, e também como tributo a recuperar, e o registro de recursos recebidos a título de adiantamentos (assim como quantias recebidas para fechamento de câmbio ou despesas de importação) em um desdobramento da conta clientes (com saldo credor), havendo ainda vários adiantamentos para pagamentos de tributos e despesas efetuados pela empresa “SANDRO” Assessoria Fl. 3273DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 Importação e Exportação LTDA, havendo ainda registros contábeis na “TWS”, em exigíveis a longo prazo, de empréstimos obtidos pela empresa “SANDRO” oriundos do FUNDAP (ficando, a partir da confusão contábil e patrimonial, caracterizado que a “TWS” é utilizada pelos reais adquirentes das mercadorias para obtenção de benefícios do FUNDAP); (g) foram solicitados à “TWS” os documentos que comprovassem os ingressos de recursos monetários ocorridos no Banco do Brasil e no BRADESCO, identificandose os fornecedores, e, a partir das respostas, restou evidenciado que todos os recursos recebidos eram adiantamentos para liquidação de câmbio e pagamento de despesas aduaneiras em relação às declarações de importação objeto da autuação (não houvesse tais depósitos, sequer haveria, por parte da “TWS”, recursos para os pagamentos/liquidações, conforme demonstrativo de fluxo financeiro de fls. 815 a 826); (h) intimada a indicar os contratos e/ou acordos com as empresas que lhe adiantavam vultosas quantias, a “TWS” informou que tais acordos eram verbais (fl. 828); e (i) a simulação objetiva a obtenção de benefícios indevidos do FUNDAP e menor recolhimento de IPI na cadeia de importação (pois a “TWS”, ao se declarar como adquirente das mercadorias, ocultando os reais importadores, faziam com que estes não se julgassem equiparados a estabelecimento industrial, exemplificandose a situação às fls. 49/50). A empresa “HUDSON” é a única a apresentar impugnação (fls. 1015 a 1063), em 21/12/2009, sustentando que: (a) na autuação anterior, no processo administrativo no 12466.004797/2005 19, anulada (com valor total de R$ 8.818.981,00, dirigida a diversas empresas solidárias, sem detalhamento individualizado do montante devido por empresa); (b) a documentação que recebeu ao tomar ciência da autuação limitavase a cópia do auto de infração e demonstrativo consolidado do crédito (violando contraditório em ampla defesa, pois tais documentos indicam expressamente outros, aos quais a empresa não teve acesso), não sendo possível verificar em tal documentação a descrição dos fatos (cf. estabelece o art. 10, III do Decreto no 70.235/1972), sendo que o Relatório Fiscal que embasa o lançamento é o mesmo que fundou o lançamento anterior (havendo ainda ausência de elementos que subsidiaram a base de cálculo, das operações objeto da auditoria fiscal, e das operações de revenda que subsidiaram as conclusões, sendo que os valores constantes dos quadros demonstrativos do Relatório Fiscal não Fl. 3274DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.003561/200919 Acórdão n.º 3403003.174 S3C4T3 Fl. 3.273 5 guardam relação com o valor autuado e não estão individualizados por cliente), não citando qualquer referência a ato da “HUDSON”; (c) houve violação à anterioridade nonagesimal, pois a penalidade imputada é fundada em norma legal que entrou em vigor em 20/08/2002 (data de publicação da Medida Provisória no 66, posteriormente convertida na Lei no 10.637/2002, que incluiu o inciso V e os §§ 2o, 3o e 4o ao art. 23 do Decretolei no 1.455/1976); (d) há irregularidade na representação fiscal para fins penais, pois o auto de infração foi lavrado em data distinta da citada representação, descumprindo formalidade estabelecida na Portaria SRF n. 326, de 15/03/2005; (e) houve violação ao contraditório e à ampla defesa, pois sendo as operações por conta e ordem de terceiros (como reconhece o fisco) deveria ter sido efetuado controle da capacidade econômica do terceiro, adquirente da mercadoria (o que não foi feito em nenhum momento, sequer tendo sido a “HUDSON” questionada sobre o tema); (f) houve decadência, pois a ciência da autuação se deu em 24/11/2009 e a autuação versa sobre débitos de dezembro de 2002 a janeiro de 2005, não se aplicando o disposto no art. 173, II do Código Tributário Nacional em relação a sujeitos passivos que não integraram a autuação anulada (como a “HUDSON”, que não foi qualificada naqueles autos, como exige o art. 10, I do Decreto no 70.235/1972); (g) as empresas, atualmente, buscam efetuar importações por meio de empresas especializadas, e algumas, por não disporem de capacidade ou estrutura, terceirizam todas as etapas da comercialização internacional (o que o mercado denomina de aquisições por encomenda); (h) a autuação tem como pano de fundo a guerra fiscal, e as consequências geradas pelo FUNDAP na perda de arrecadação de ICMS por outros Estados da federação, não se podendo confundir a não comprovação de origem de recursos com recursos legitimamente indicados, porém provenientes de terceiros que recorrem às empresas “fundapeanas” para operacionalizar importações; (i) os depósitos listados no “demonstrativo dos valores depositados” anexo à autuação não coincidem com as datas e valores das declarações de importação listadas, e sequer foram levantadas operações anteriores realizadas entre a “TWS” e a “HUDSON”, nem a forma de pagamento correspondente; e (j) há contradições internas no Relatório Fiscal, afirmando o fisco que os registros contábeis da “TWS” informando todas as operações e de onde provinham os recursos seriam indício de interposição (quando se mostra exatamente o contrário, pelo fato de haver os registros, comprovando a origem dos recursos), e que a simulação estaria comprovada por informarem os documentos que a propriedade da mercadoria era da Fl. 3275DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 “TWS” (quando todos os documentos informavam adequadamente as operações de compra e venda de mercadorias, não sendo a antecipação de pagamentos algo atípico no meio comercial). Tendo em vista a alegação de que a empresa “HUDSON” não constava no polo passivo da autuação anterior, e que não havia tomado ciência da integralidade das alegações e provas referidas na autuação, a DRJ baixa o processo em diligência (fls. 1178/1179) para juntada do processo anterior e abertura de prazo para ciência e manifestação da empresa. A unidade local da RFB de domicílio da “HUDSON” disponibiliza então os documentos em 12/07/2012 (AR de fl. 1193), tendo tal empresa solicitado cópia dos autos em 20/07/2012 (fl. 1189), tendo apresentado aditamento à impugnação em 10/08/2012 (fls. 1195 a 1208), ratificando a peça impugnatória anterior (especialmente os referentes às preliminares, destacando que a vista concedida e o conhecimento dos documentos não afastam os argumentos ali expendidos), e acrescentando que a lista de depósitos realizados pela “HUDSON” para a “TWS” apresentou diferença menor que R$ 20.000,00, em um universo de operações que superaram a quantia de R$ 1.000.000,00, sendo o valor irrisório insuficiente para se concluir que não houve a comprovação de origem; e que houve erro na subsunção, tendo havido a comprovação da origem lícita dos recursos, e existindo de fato a importadora “TWS” (empresa estabelecida há mais de dez anos), tanto que foi autuada. Tendo a autoridade local da RFB deixado de instruir os autos com cópia da autuação anterior, a diligência é reiterada em 11/09/2012 (fls. 1220/1221). Com a juntada aos autos dos documentos demandados (fls. 1225 a 3173), e a ciência à “HUDSON” (em 07/01/2013 fl. 3175), sem que conste ter havido novo aditamento à impugnação, o processo retorna à DRJ, para julgamento. A decisão de primeira instância é proferida em 23/10/2013 (fls. 3183 a 3191), acordandose unanimemente pela manutenção do lançamento sob o fundamento de que: (a) a empresa “HUDSON” é a real adquirente das mercadorias importadas pela “TWS” indicadas na autuação, em função de terem sido utilizados recursos financeiros seus nas operações (conforme art. 27 da Lei no 10.637/2002, combinado com o art. 95, V do Decretolei no 37/1966, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835/2001); (b) não houve decadência, pois a autuação anterior, anulada em razão da necessidade formal de apartamento das importações por responsável, abarcava a empresa “HUDSON”; (c) as operações de importação constantes do quadro anexo à autuação detalham individualizadamente as referentes à “HUDSON”, e a fiscalização obedeceu às normas e procedimentos pertinentes, não havendo ofensa ao contraditório e à ampla defesa; (d) não há que se falar em anterioridade nonagesimal na presente autuação, que se refere à aplicação de multa substitutiva do perdimento, e não à cobrança de determinados tributos; e (e) não cabe à DRJ analisar os argumentos referentes ao processo de representação fiscal para fins penais. Cientificada da decisão de piso em 26/11/2013 (fl. 3193) a empresa “HUDSON” apresenta seu recurso voluntário em 06/12/2013 (fls. 3197 a 3248), basicamente reiterando a argumentação exposta na impugnação, no que se refere a ausência de descrição dos fatos no auto de infração, violação ao contraditório e à ampla defesa, assim como à legalidade e à anterioridade, benefícios do FUNDAP, modalidade de importação utilizada e comprovação da origem dos recursos aplicados. Em relação à decadência, acrescenta a recorrente que o erro que ensejou a nulidade foi material e não formal, como já decidiu o CARF em outro processo da “TWS” (Acórdão no 380200.932, de 24/04/2012, e outros nele mencionados). Fl. 3276DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.003561/200919 Acórdão n.º 3403003.174 S3C4T3 Fl. 3.274 7 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Cabe, de início, esclarecer que se está a apreciar tão somente o recurso voluntário da empresa “HUDSON”, tendo em vista ser a “TWS” revel ainda em primeira instância. Alega a empresa preliminarmente que não foi qualificada como responsável solidária na autuação anterior (levada a cabo no processo administrativo no 12466.004797/200519), o que é refutado pela simples leitura daquela autuação, juntada aos presentes autos. A “HUDSON” não só foi expressamente qualificada naqueles autos (fl. 21 daquele processo, agora fl. 1245 deste), como apresentou impugnação à autuação em 07/03/2006 (fls. 1498 a 1557 daquele processo fls. 2790 a 2849 deste). E, lendose a decisão da DRJ naquele processo (fls. 1733 a 1745 daquele processo fls. 3023 a 3035 deste), percebe se que concluiu o julgador de piso pela nulidade da autuação porque o autuante, verificando que teria havido interposição fraudulenta da empresa “TWS” em diversas declarações de importação (da empresa “HUDSON” e de outras 16 empresas que seriam as reais adquirentes das mercadorias), ao invés de lavrar autos separados para cada responsável solidário (reais adquirentes), acabou lavrando um único auto de infração para todos. Assim, com razão esclareceu o julgador de piso que um real adquirente poderia responder tão somente como solidário nas operações em que ele foi o ocultado, não podendo ser responsabilizado pelas importações nas quais a “TWS” tivesse ocultado outra empresa. Determinou, assim, não a improcedência de mérito da autuação, mas que em relação a cada parcela da autuação somente poderia responder solidariamente o respectivo ocultado. Nas palavras do julgador (fl. 3033): “A forma que foi formalizada a exigência em questão faz concluir que todas as pessoas imputadas como responsáveis solidárias o são em relação a todo o crédito tributário lançado (R$ 8.818.981,00) Desse modo, cada uma das contribuintes arroladas à fl. 21 foi transformada em solidária não só pelas transações próprias efetuadas com a TWS Internacional Trade Ltda., mas também pelas operações de todas as demais empresas, com as quais não teve qualquer tipo de envolvimento, sendo assim responsabilizada pela íntegra da multa pecuniária em trato, o que não é admissível em função do ordenamento jurídico vigente. Em síntese, no caso em tela, podese concluir que a efetivação da exigência da multa pela qual cada uma das pessoas responde por solidariedade, acabou por caracterizar pluralidade de sujeitos passivos ilegítimos. Fl. 3277DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 Por fim, apenas para argumentar, se fosse possível a formalização de exigência de crédito tributário da forma em que laborada na presente autuação, dentre tantas outras implicações, no que toca à sua cobrança, a depender do resultado do julgamento, haveria a necessidade de divisão do crédito em tantas partes quantas fossem as pessoas imputadas solidárias. De outro modo dizendo, o crédito teria que ser objeto de esquartejamento, para fins de sua cobrança. Como se sabe, o crédito tributário é indivisível.” (grifo nosso) Veja que a pluralidade de sujeitos passivos ilegítimos referida no texto do voto se refere à ilegitimidade de cada responsável solidário (como a “HUDSON”) em relação à dívida dos demais responsáveis solidários (reais adquirentes em cada importação). A única empresa que deveria figurar em todas as situações seria a “TWS”, interposta, que responderia pela totalidade dos R$ 8.818.981,00. Assim, deveria, por exemplo, a “HUDSON”, responder solidariamente somente nas operações de importação em que ela é a real adquirente (ocultada), o que representaria apenas parte do total de R$ 8.818.981,00. Isso fica ainda mais claro pelos dois parágrafos finais do voto unanimemente acolhido pela DRJ (fl. 3035): “Diante de todo o exposto, voto no sentido de declarar nulo o lançamento. Deve a autoridade fiscal da unidade de preparo, observado o prazo decadencial, laborar na formalização da exigência do crédito tributário correspondente a cada uma das pessoas que entenda ser responsável solidária com a empresa TWS Internacional Trade Ltda., nas operações de importação nas quais estão envolvidas, conforme as declarações indicadas às fls. 22 a 46. Para tanto, deve ser lavrado Auto de Infração específico para cada uma das exigências e respectivo imputado como responsável solidário, buscando, com a devida clareza, precisão e objetividade, apontar as razões motivadoras das acusações.” (grifo nosso) Em síntese, o que entendeu a DRJ (decisão endossada pelo CARF) é que a autuação deveria ser desmembrada por real adquirente (ainda que em todas as autuações decorrentes se mencionasse também a empresa interposta, “TWS”). E é exatamente essa tarefa que é levada a cabo no presente processo, responsabilizandose a “TWS”, e, solidariamente, a “HUDSON”, tão somente nas importações em que se detectou que a real adquirente das mercadorias importadas pela empresa “TWS” foi a “HUDSON” (declarações de importação constantes às fls. 31 e 32, totalizando o valor da autuação: R$ 1.348.371,17). Tendo sido levada a cabo tarefa idêntica em relação aos outros responsáveis solidários relacionados na primeira autuação, parece óbvio que a somatória dos autos resultará em R$ 8.818.981,00, e que, ao fim e ao cabo, todos os 17 reais adquirentes estarão sendo solidários com a pessoa interposta (“TWS”), mas cada qual em relação a sua parcela de importações. A medida adotada pela DRJ na anulação do acórdão anterior, assim, não se refere à materialidade da autuação, mas à forma (autuação em um único processo, para a “TWS” e todos os reais adquirentes, ou autuação em diversos processos, cada qual em relação à “TWS” e a um real adquirente, delimitandose a suas respectivas importações). Não houve erro na identificação do sujeito passivo em relação à parcela correspondente às respectivas importações de cada real adquirente (por exemplo, não houve Fl. 3278DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.003561/200919 Acórdão n.º 3403003.174 S3C4T3 Fl. 3.275 9 erro na identificação da “HUDSON” naqueles autos, em relação aos R$ 1.348.371,17 agora lançados). Houve, sim, erro na imputação à “HUDSON” de dívida que não teria relação com as operações nas quais tal empresa atuou antecipando recursos à “TWS” (R$ 7.470.609,83, que equivale a R$ 1.348.371,17 subtraído do total de R$ 8.818.981,00, inicialmente lançados), fenômeno que ocorreu com cada uma das outras 16 reais adquirentes. Portanto, ao contrário do entendimento expresso no Acórdão no 380200.932, de 24/04/2012 (processo referente a um dos outros 16 reais adquirentes), referido em sede recursal, estamos longe de ver erro material no presente processo, em relação à quantia e ao sujeito passivo solidário autuado. Ainda que adotássemos a mesma fundamentação distintiva de vícios formais e materiais naquele acórdão externada, mesmo assim visualizaríamos que o vício se refere a pressuposto de formação (procedimento estabelecido normativamente) e não a componente da estrutura interna do ato. E os precedentes utilizados naquele acórdão, e citados no recurso voluntário, não guardam relação com o caso especificamente tratado nestes autos (no qual os sujeitos passivos da segunda autuação já figuravam, com responsabilidade delimitada, na primeira autuação, não tendo o autuante atentado para o fato de que a forma eleita para lavrar a autuação em um único processo não permitiria o desmembramento das responsabilidades em relação a cada importação, e ainda cercearia o direito de defesa dos responsáveis solidários em relação às operações nas quais estes sequer tinham atuado ou adiantado recursos). Realmente, nos moldes da autuação lavrada inicialmente, por certo restaria cerceado o direito de defesa da “HUDSON”, por exemplo, em relação aos lançamentos correspondentes a importações nas quais ela sequer atuou (nem diretamente nem antecipando recursos), ou seja, em relação a R$ 7.470.609,83 lançados. Tendo em conta que o vício que ensejou a nulidade da primeira autuação foi formal, aliás, como reconhece o próprio tribunal que havia declarado a nulidade (sendo a segunda decisão da DRJ relatada por membro do colegiado que atuou na primeira, na qual se identificou a nulidade), acordamos com a DRJ que é aplicável ao caso o art. 173, II do Código Tributário Nacional, pelo que se refuta o argumento decadencial apontado. Ademais, destaquese que o argumento sobre ser material o erro ensejador da nulidade sequer é suscitado na impugnação apresentada pela “HUDSON” no presente processo, sendo na ocasião apresentada somente a alegação de que não se aplicaria o art. 173, II porque a empresa não havia integrado a autuação anterior. Nas palavras da então impugnante (fl. 1032): “De se frisar que, no presente caso, não se aplica ao disposto no inciso II do art. 173 do CTN. Embora o teor das decisões foi de nulidade do lançamento por vício formal, certo é que o prazo é interrompido apenas em relação aos sujeitos passivos integrantes do auto de infração declarado nulo.” (grifo nosso) Afastase, assim, a alegação de decadência. Também não se vê no presente processo cerceamento ao direito de defesa ou violação ao contraditório, tendo a “HUDSON” participado do contencioso e exercido sua defesa dentro dos pressupostos estabelecidos no Decreto no 70.235/1972. A documentação existente no processo foi totalmente disponibilizada de modo a permitir sua impugnação com conhecimento de todas as imputações trazidas na autuação, que delimita a matéria tributável e fundamenta o lançamento, inexistindo ofensa ao art. 10, III do Decreto no 70.235/1972, como já informado pela DRJ. Fl. 3279DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 Igualmente inexistente a violação à anterioridade nonagesimal, porque o tema discutido não se refere à exigência de tributos, mas de penalidade substitutiva da pena de perdimento. E as importações que são objeto da autuação são todas posteriores ao comando legal que institui a penalidade (Medida Provisória no 66, publicada em 30/08/2002, e posteriormente convertida na Lei no 10.637/2002, que incluiu o inciso V e os §§ 2o, 3o e 4o ao art. 23 do Decretolei no 1.455/1976), não havendo ainda ofensa à legalidade. E vejase o que diz o citado art. 23 do DecretoLei (na redação à época vigente), tendo em vista a destacada Medida Provisória no 66, convertida na Lei no 10.637/2002: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei n o 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)” (grifos nossos) E a mesma Medida Provisória no 66, convertida na Lei no 10.637/2002, em seu art. 27, também referido na autuação, estabelece que: “Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001.” E os arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835/2001 estabelecem que: “Art. 77. O parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 32. (...) (...) Parágrafo único.É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; Fl. 3280DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.003561/200919 Acórdão n.º 3403003.174 S3C4T3 Fl. 3.276 11 III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.” (NR) Art. 78. O art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: “V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.” (NR) Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art.80. A Secretaria da Receita Federal poderá: (...) Art.81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador.” (grifo nosso) Assim, das referidas normas deriva inequivocamente que a simples utilização dos recursos de terceiros (no caso, os comprovados e incontroversos adiantamentos da “HUDSON” à “TWS”) configura importação por conta e ordem, seja para efeito de atribuição de responsabilidade solidária, seja para equiparação a estabelecimento industrial de ambas as empresas, seja para responsabilização pela prática, conjunta ou isolada, de infrações. A operação em questão é, então, considerada como conta e ordem, não porque o importador o tenha declarado nas respectivas importações (também é incontroverso que a “TWS” não informou em suas importações que a mercadoria se destinava a terceiros, no caso das operações aqui analisadas, a “HUDSON”, que previamente já lhe haviam adiantado recursos), mas por presunção legal. Que a empresa a “TWS” não possuía recursos para efetuar as operações de importação, resta cristalino e documentado nos autos (não havendo prova em contrário). Assim, chegase à conclusão de que a “TWS” não poderia ser a real adquirente das mercadorias. Caracterizada assim a interposição fraudulenta, resta saber se seria possível identificar a real adquirente. Não sendo possível identificar o real adquirente, estaríamos diante do que se convencionou chamar de “interposição presumida”, por força da presunção estabelecida no § 2o do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976: “presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados”. Fl. 3281DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 12 Não é o caso dos autos, no qual a interposição é comprovada, pois foi identificada a fonte dos recursos para a importação: a empresa “HUDSON”. Essa é a clara motivação da autuação (fl. 3): “Em virtude da interposição detectada, verificouse, conforme Demonstrativo dos Valores Depositados em anexo (fls. 18) e demais documentos enviados pela empresa auditada no curso da fiscalização, que o valor do crédito tributário apurado no presente Auto de Infração referese ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, cujo real adquirente é a empresa HUDSON IMPORTS COMPANY LTDA CNPJ(01.317.206/000102), a qual passa a figurar no polo passivo como devedor solidário, conforme determina o art. 27 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002.” (grifo nosso) Assim, a “HUDSON” acaba concentrando seu recurso voluntário em diversos temas que não afetam o fundamento básico da autuação. A configuração da conta e ordem é que se dá por presunção legal (art. 27 da Lei no 10.637/2002), diante dos depósitos de antecipação (relação às fls. 33/34), que, por óbvio, não necessitam ter valor exato idêntico ao das DI. Ademais, reiterese que o fato de ter a “HUDSON” adiantado recursos à “TWS” é incontroverso nos autos. Ou seja, o procedimento de verificação de origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior (IN SRF no 228/2002) em face da “TWS” resultou na conclusão de que ela não tinha capacidade econômica/financeira para realizar as operações que declarava realizar, e, que, portanto, dependia de recursos de terceiros. Como a “TWS” informava nas declarações de importação que a operação era por conta própria, inaplicável a disposição do art. 1o, § 2o da referida Instrução Normativa, que estende a verificação ao adquirente. Por óbvio, tal disposição se refere à figura indicada como adquirente na declaração de importação. Sobre as informações prestadas tanto pelo fisco quanto pela recorrente sobre as modalidades de importação e sobre o FUNDAP, convém ressaltar que são secundárias, diante da motivação da autuação (adiantamento de recursos pelo real adquirente, ocultado na operação de importação, que foi efetuada por empresa que não tinha meios próprios para realizar a importação). Também é secundário perscrutar a efetiva ocorrência de dano ao Erário. É cristalino que o texto do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976 (essencialmente no caput e no § 1o, já transcritos neste voto) não está a dizer que só quando ocasionarem dano ao Erário as infrações ali referidas serão punidas com o perdimento. Ele está, sim, trazendo claramente duas afirmações: (a) as infrações ali relacionadas consideramse dano ao Erário; e (b) o dano ao Erário é punido com o perdimento. Disso, silogisticamente se pode afirmar que as infrações ali relacionadas são punidas com o perdimento. Não há margem, no texto, para discussão se houve ou não dano ao Erário. Aliás, as disposições do DecretoLei surgem exatamente para regulamentar dispositivo constitucional (art. 150, § 11 da Constituição de 1967: “Não haverá pena de morte, de prisão perpétua, de banimento, ou confisco, salvo nos casos de guerra externa psicológica adversa, ou revolucionária ou subversiva nos termos que a lei determinar. Esta disporá também, sobre o perdimento de bens por danos causados ao Erário, ou no caso de enriquecimento ilícito no exercício de cargo, função ou emprego na Administração Pública, Direta ou Indireta”), como se depreende de sua Exposição de Motivos (item 17): Fl. 3282DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.003561/200919 Acórdão n.º 3403003.174 S3C4T3 Fl. 3.277 13 “17. Nos artigos 23 e 24, com fulcro no artigo 153 da Lei Magna, enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento dos bens. De fato, todas as hipóteses arroladas, quase todas já existentes em legislação anterior, representam um comprometimento a dano de nossas reservas cambiais e uma inadimplência de obrigações tributárias essenciais.”(grifo nosso) Assim, é inócua a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei (em verdade, decretolei, com força de lei). E por mais que se sustentasse eventual inconstitucionalidade da norma, careceria este tribunal de competência para avaliar a matéria, em face da Súmula CARF no 2. Assim tem esta turma decidido unanimemente em diversos julgados recentes.2 Também é assentada nesta turma a distinção entre a interposição presumida e a comprovada, como se percebe por julgados recentes: “INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENALIDADES. CUMULATIVIDADE. MULTA. PERDIMENTO. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Em tal hipótese, não há que se cogitar da aplicação da multa pelo acobertamento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966) e a multa por acobertamento afeta somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”.” (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30.jan.2014) (grifo nosso) “INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), 2 Acórdão n. 3403002.255, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 23.mai.2013; Acórdão n. 3403 002.435, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 24.set.2013; Acórdão n. 3403002.842, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 25.mar.2014. Fl. 3283DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 14 configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do Decreto Lei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO. RECURSOS DE TERCEIRO. Conforme art. 27 da Lei no 10.637/2002, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste.” (Acórdão no 3403 002.894, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 27.mar.2014) (grifo nosso) Em suma, além de evidenciada a incapacidade de a “TWS” realizar por si as operações de importação, restou fartamente caracterizado nos autos o adiantamento de recursos por parte da empresa “HUDSON” em relação às importações descritas na autuação, que a ela sabidamente se destinavam, e que eram efetuadas indicando ao fisco como importador e adquirente, na declaração de importação, a empresa “TWS”. Por fim, cabe destacar, em relação às suscitadas irregularidades em relação à representação fiscal para fins penais, que o tema não é apreciável no âmbito deste CARF, tendo sido a matéria inclusive sumulada: “Súmula CARF no 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.” Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 3284DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10980.724675/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2007
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. GRATIFICAÇÃO AJUSTADA. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Com fulcro no artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2007 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. GRATIFICAÇÃO AJUSTADA. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Com fulcro no artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2007 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. GRATIFICAÇÃO AJUSTADA. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Com fulcro no artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 46 75 /2 01 0- 95 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10980.724675/201095 Acórdão n.º 2401003.585 S2C4T1 Fl. 236 3 Relatório ALA DISTRIBUIDORA DE FILTROS E LUBRIFICANTES LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Curitiba/PR, Acórdão nº 0634.076/2011, às fls. 209/222, que julgou procedente o lançamento fiscal, lavrado em 22/11/2010 (AR fl. 77), referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela autuada, correspondentes à parte destinada a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados a título de prêmio/incentivo, em relação ao período de 01/2006 a 01/2007, conforme Relatório Fiscal, às fls. 48/50, consubstanciadas no seguinte Levantamento: 1) PC – Pagamentos Comissões Empregados remunerações apuradas com base nas informações sobre os valores pagos aos segurados empregados, prestadas pela contribuinte conforme planilha anexa; De conformidade com o Relatório Fiscal, o presente crédito previdenciário fora apurado com base nos valores nominais constantes das Notas Fiscais e Faturas de Prestação de Serviço emitidas pela empresa INCENTIVE HOUSE LTDA., devidamente elencadas naquele anexo, as quais foram apresentadas pela contribuinte durante a ação fiscal e confrontadas com os lançamentos contábeis do período Livros Diários e Folhas de Pagamento. Inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às fls. 226/233, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja decretada a nulidade do feito, por entender que a autoridade lançadora, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o princípio da verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da autuada, baseando a autuação em meras presunções. Em defesa de sua pretensão, infere que o fiscal autuante em momento algum demonstrou/comprovou, a partir de documentação hábil e idônea, que os pagamentos ora tributados se referiam a remunerações de contribuintes individuais (prólabore dos sócios), de maneira a fazer incidir contribuições previdenciárias. Disserta a propósito do programa desenvolvido pela empresa Incentive House, como forma de marketing promocional e campanhas de gratificação, elucidando que os prêmios pagos aos segurados empregados consistem em pacote de incentivos concedidos quando atingidas metas fixadas pela empresa em que trabalham, para melhor rendimento e desempenho dos funcionários. Assevera que o fato de o prêmio concedido aos funcionários se dar mediante cartão de premiação não é capaz de atribuir a natureza de remuneração a tais importâncias, não Fl. 237DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 4 se incorporando, a qualquer título, ao salário de contribuição, conforme se extrai da farta e mansa jurisprudência a propósito da matéria. Contrapõese ao presente lançamento, sob a alegação de que as verbas em comento concedidas por mera liberalidade da empresa aos segurados empregados, a título de prêmios, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, não podendo ser consideradas remunerações, sobretudo por não se vislumbrar o caráter de contraprestação habitual pelos serviços prestados pelos funcionários. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender que os valores pagos aos segurados empregados a título de prêmio, pagos de forma esporádica/eventual pelo cumprimento de metas previamente estabelecidas, não podem ser considerados salário de contribuição, uma vez lhes faltar os requisitos essenciais à caracterização da remuneração, especialmente a habitualidade e a contraprestação por serviços prestados. Acrescenta que a fiscalização não logrou comprovar que os valores pagos aos sócios gerentes, por meio da empresa Incentive House, de fato, se caracterizariam como pró labore, mormente diante da possibilidade de concessão de inúmeras rubricas à tais contribuintes individuais, sem a incidência de contribuições previdenciárias, tais como, distribuição de lucros, juros sobre capital próprio, etc. Igualmente, quanto aos prestadores de serviços autônomos, suscita que a autoridade lançadora não logrou comprovar que aquelas pessoas prestaram serviços à sociedade e receberam remuneração por isso. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10980.724675/201095 Acórdão n.º 2401003.585 S2C4T1 Fl. 237 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo a análise das alegações recursais. PRELIMINAR NULIDADE LANÇAMENTO Preliminarmente, pugna a contribuinte pela decretação da nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a autuação, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do CTN e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. Em defesa de sua pretensão, infere que o fiscal autuante em momento algum demonstrou/comprovou, a partir de documentação hábil e idônea, que os pagamentos ora tributados se referiam a remunerações de contribuintes individuais (prólabore dos sócios), de maneira a fazer incidir contribuições previdenciárias. Igualmente, quanto aos prestadores de serviços autônomos, suscita que a autoridade lançadora não logrou comprovar que aquelas pessoas prestaram serviços à sociedade e receberam remuneração por isso. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples leitura dos anexos das autuações, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, Relatório Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias e multas ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos dos lançamentos foram extraídos das informações constantes dos sistemas previdenciários e fazendários, bem como Fl. 239DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 6 dos livros contábeis, Notas Fiscais, GFIP’s, folhas de pagamentos e demais documentos contábeis, fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Ademais, a exemplo da defesa inaugural, a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que o lançamento encontrase maculado por vício em sua formalidade e/ou materialidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea, mormente tratandose de lançamento por arbitramento. Não o tendo feito, é de se manter o lançamento. MÉRITO Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo para tanto que os valores pagos aos segurados empregados a título de Prêmios de Incentivo, por meio da empresa Incentive House S/A, não podem ser admitidos como base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista lhes faltar os requisitos necessários à caracterização da remuneração, notadamente a habitualidade. Sustenta que o artigo 28, § 9º, item 7, da Lei nº 8.212/91, oferece proteção ao pleito da recorrente, impondo seja reconhecida a improcedência do lançamento fiscal, excluindose a tributação de referidas importâncias pagas aos segurados empregados, sobretudo quando concedidas por mera liberalidade. Não obstante o esforço da contribuinte, mais uma vez, seu insurgimento não é capaz de macular a exigência fiscal em comento. Da análise dos autos, concluise que a autoridade lançadora e, bem assim, o julgador recorrido, agiram da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, senão vejamos. Antes de se aprofundar no tema em discussão, imperioso destacar o disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, indispensáveis ao deslinde da lide, senão vejamos: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Conforme se extrai dos dispositivos legais supracitados, qualquer espécie de isenção e/ou hipótese de não incidência que o Poder Público pretenda conceder ao contribuinte deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal e não extensiva, como requer a contribuinte. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10980.724675/201095 Acórdão n.º 2401003.585 S2C4T1 Fl. 238 7 Ocorre que, via de regra, as importâncias que não integram o salário de contribuição estão expressamente listadas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, não constando do referido dispositivo legal as verbas em epígrafe, não se cogitando, assim, na improcedência do lançamento na forma requerida pela recorrente. Ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas aos segurados empregados na forma de prêmios (gratificação ajustada), teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação tributária, como acima demonstrado. Com efeito, nos termos do artigo 28, § 9º, não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso a interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, senão aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do “benefício” em comento, em observância ao disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN. Ademais, observase que a própria contribuinte considera tais verbas como prêmios, ou seja, uma vantagem, sendo cediço na legislação que disciplina a matéria e jurisprudência administrativa que valores recebidos a título de prêmios são considerados como salário de contribuição, como segue: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2005 Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. INCENTIVE HOUSE. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA MORATÓRIA E OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS NO CASO DE INADIMPLÊNCIA DO CONTRIBUINTE. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela Incentive House S.A. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado.” (Sexta Câmara do Segundo Conselho – Recurso nº 141822, Acórdão nº 20600286, Sessão de 11/12/2007) “PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – PRÊMIOS – SAT – SESC – SENAC – SEBRAE – INCRA – SELIC. Os prêmios ou bonificações vinculados a fatores de ordem pessoal do trabalhador e pagos aos empregados que cumprirem a condição estipulada terão natureza salarial e integrarão o saláriodecontribuição, de acordo com art. 28, I, da Lei 8.212/91, de 24 de julho de 1991 c/c art. 214, I, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 05 de maio de 1999. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 8 [...]” (4ª Câmara do CRPS, Acórdão nº 3153/2004) A corroborar esse entendimento, o Parecer/CJ nº 1.797/1999, determina que os prêmios decorrentes de um trabalho prestado, observadas as condições estipuladas, terão natureza salarial e, conseqüentemente, integrarão o salário de contribuição. Registrese, que não basta o recebimento de prêmio de forma aleatória, deve advir de um trabalho executado, cumpridas as condições estipuladas. Na hipótese dos autos, os funcionários da recorrente prestaram serviços e atingiram o requisito necessário a concessão do prêmio, qual seja, a eficiência nos trabalhos desenvolvidos, se enquadrando perfeitamente na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. Mister elucidar, ainda, que, tratandose de prêmios, não há que se falar em habitualidade, bastando que o empregado alcance a condição predeterminada pelo empregador para fazer jus àquele benefício, como forma de gratificação ajustada, que para todos os efeitos é considerado como remuneração, nos precisos termos do artigo 457, § 1º, da CLT, in verbis: “Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também, as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador.” (grifamos) Consoante se infere dos dispositivos legais e jurisprudência acima expostos, não resta dúvida que os valores recebidos pelos funcionários a título de prêmio devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que considerados salário de contribuição, na forma de gratificação ajustada, se enquadrando perfeitamente no conceito de salário de contribuição, inscrito nos artigos 22, inciso I, c/c artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, que assim prescrevem: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo Fl. 242DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 10980.724675/201095 Acórdão n.º 2401003.585 S2C4T1 Fl. 239 9 tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” (grifamos) Nessa toada, tendo a contribuinte concedido a seus segurados empregados gratificação ajustada (Prêmios), não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas verbas, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expresso sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo pra si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000380/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência
Elias Sampaio Freire - Presidente.
Igor Araújo Soares - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência Elias Sampaio Freire Presidente. Igor Araújo Soares Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .0 00 38 0/ 20 07 -9 5 Fl. 559DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000380/200795 Resolução nº 2401000.365 S2C4T1 Fl. 815 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto por SIEMENS VDO AUTOMOTIVE LTDA, em face do acórdão de fls., que manteve parcialmente a NFLD n. 37.079.4257, lavrada para a cobrança de contribuições previdenciárias destinadas ao SalárioEducação (FNDE), incidentes sobre os valores pagos a seus empregados não submetidos às Contribuições Previdenciárias. Consta do relatório fiscal que foram considerados como fatos geradores das contribuições a saber: a) O pagamento de ALUGUÉIS, levantamento L1 e G1: pagamentos de aluguéis residenciais aos seus empregados, considerado como salário in natura; b) O pagamento de BRINDES, levantamentos PR1 e BR1: A empresa promove através de um programa de incentivo, denominado PROGRAMAZERO CNC, para os trabalhadores da área de montagem das unidades de Guarulhos e Salto, com ' o objetivo de melhorar a qualidade de seus produtos. Ao final de cada mês, as linhas de montagem que são premiadas, de acordo com o programa, recebem diversos BRINDES, dentre eles: cobertores, secadores de cabelo, ferro a vapor, cafeteira, moto e até carro, e sem Contribuição Previdenciária. c) Alimentação sem inscrição no PAT, levantamento PA1: a empresa fornecia alimentação aos seus trabalhadores através de cestas básicas e restaurante interno, porém, não possuía inscrição no PAT. d) O pagamento de SEGURO SAÚDE, levantamentos OS1, AM1, SR1, SU1: a empresa oferece plano de saúde somente para seus diretores, e, ainda, entre cada um deles, o plano é oferecido de modo diferenciado. e) O pagamento de SEGURO DE VIDA EM GRUPO, levantamento SE1: a empresa oferece seguro de vida em grupo sem que o benefício seja extendido a todos. f) O pagamento de valores a título de ESTABILIDADE e INDENIZAÇÃO, levantamentos ES1, EG1, IN1, IG1. Como indenização foram considerados os valores pagos aos empregados cujo contrato de trabalho tenha sido rescindido por iniciativa do empregador, sem justa causa, e no prazo de 30 (trinta) dias após o retomo de férias, equivalente a um salário, conforme cláusula de Convenção Coletiva de Trabalho – CCTS. Como estabilidade foram considerados os valores pagos em decorrência da realização de movimentos grevistas não abusivos, quando concedese uma Estabilidade de 90 (noventa) dias por se tratar de database, conforme acórdão do Poder Judiciário apresentado pela recorrente. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000380/200795 Resolução nº 2401000.365 S2C4T1 Fl. 816 3 g) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS, levantamento PL1: a empresa pagou PLR em desacordo com a legislação de vigência, tendo em vista que não havia convenção coletiva ou mesmo comissão formada com interveniência do sindicato a justificar o pagamento, além dos valores terem sido creditados aos segurados empregados sem a observância da periodicidade de duas vezes no mesmo ano civil. O período apurado compreende a competência de 04/1997 a 03/2006, tendo sido o último contribuinte cientificado em 24/09/2007 (fls. 01). O v. acórdão reconheceu a decadência parcial do lançamento até a competência de 11/2001, aplicando ao caso o art. 173, I, do CTN. Em seu recurso, defende, em preliminar, que a decadência deve ser aplicada em conformidade com a regra do art. 150, 4o do CTN. Aponta que a exigência em tela foi formulada sobre pagamentos feitos pela Recorrente aos seus empregados a titulo de: ALUGUÉIS (objeto da NFLD n° 37.079.4273); BRINDES (objeto da NFLD n° 37.079.4281); PAT PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (objeto da NFLD n° 37.079.4214); SEGURO SAÚDE (objeto da NFLD n° 37.079.4265); e PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (objeto da NFLD n° 37.079.4230) Por fim, que em todas as autuações a Recorrente apresentou defesa, que já foram julgadas em primeira instância. Para cada decisão desfavorável aos seus interesses, ainda que parcialmente, a Recorrente apresentou recurso voluntário, ainda pendente de análise, motivo pelo qual o presente processo deve ser sobrestado. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.000380/200795 Resolução nº 2401000.365 S2C4T1 Fl. 817 4 VOTO Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator Conforme já relatado, tratase da imposição de multa pela apresentação da GFIP nas quais foram omitidos fatos geradores de contribuições previdenciárias que foram objeto de lançamento em outros Autos de Infração lavrados pela fiscalização e indicados no relatório fiscal e recurso voluntário. De todos os Autos de Infração e NFLD´s indicadas no TEAF, sejam relativos a obrigações principais ou acessórias, não foi possível descobrirse o paradeiro de todos eles, mediante consulta no sistema deste Eg. Conselho, sobretudo para confirmarse quais foram as decisões nele proferidas e se já proferidas de forma definitiva. Assim, se o lançamento principal conexo vier a ser anulado ou julgado improcedente, concluise, por óbvio, que não havia a obrigatoriedade da recorrente informar os fatos geradores em GFIP, o que elidiria a aplicação da multa lançada no presente Auto de Infração, que tem estreita ligação e é acessório ao deslinde das NFLD´s nas quais foram lançadas a obrigações principais. Por tais motivos, tenho que o julgamento do presente Auto de Infração deve se dar somente em conjunto com as NFLD´s correlatas, ou, quando estas já estejam definitivamente julgadas. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que baixem os autos em diligência e indique o fiscal: (i) qual o número de cada um processos administrativos relativos aos seguintes lançamentos: ALUGUÉIS (objeto da NFLD n° 37.079.4273); BRINDES (objeto da NFLD n° 37.079.4281); PAT PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (objeto da NFLD n° 37.079.4214); SEGURO SAÚDE (objeto da NFLD n° 37.079.4265); e PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (objeto da NFLD n° 37.079.4230); (ii) individualizadamente onde se encontram cada um dos processos administrativos indicados em resposta ao item (i) da presente resolução; (iii) esclarecer qual o resultado dos julgamentos de cada um dos processos em primeira instância, e, se for o caso, dos recursos nele impetrados, fazendo juntar cópias dos acórdãos repectivos; É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13884.001093/2004-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/1999, 30/03/1999, 30/04/1999, 30/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 28/02/2000, 30/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 30/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 30/03/2001, 30/04/2001, 30/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001
DESISTÊNCIA PARCIAL. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PERDA DE OBJETO. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO. ART. 78 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. NÃO CONHECIMENTO.
Tendo o contribuinte desistido de parte da discussão contida em seu recurso voluntário, bem como, quanto à parte remanescente, havendo informação fiscal de extinção do crédito tributário em face de superveniente decisão judicial, tem-se que há a perda do objeto do recurso com a renúncia à irresignação, impondo-se o não conhecimento das matérias pelo CARF, nos termos do art. 78, do RI-CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3402-002.429
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência do recurso.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PERDA DE OBJETO. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO. ART. 78 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. Tendo o contribuinte desistido de parte da discussão contida em seu recurso voluntário, bem como, quanto à parte remanescente, havendo informação fiscal de extinção do crédito tributário em face de superveniente decisão judicial, temse que há a perda do objeto do recurso com a renúncia à irresignação, impondose o não conhecimento das matérias pelo CARF, nos termos do art. 78, do RICARF. Recurso Voluntário Não Conhecido ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência do recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho– Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 10 93 /2 00 4- 75 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13884.001093/200475 Acórdão n.º 3402002.429 S3C4T2 Fl. 195 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, lavrado em 28/04/2004, perfazendo o total de R$427.040,57, incluídos o principal e juros de mora, estes calculados até março/2004. Como bem narra a DRJ, a infração apurada consta do Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 82/83 na seguinte dicção: “001 – COFINS FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS Lançamento formalizado para evitar os efeitos da decadência estando sua exigibilidade suspensa em virtude de ação judicial (processo nº 1999.61.03.0036947) impetrada pelo contribuinte, conforme fls. 11 a 46. O contribuinte excluiu indevidamente da receita bruta para se apurar a base de cálculo da COFINS a importância paga a título de comissão e bonificação de volume, conforme demonstrativo de dedução apresentado pelo contribuinte à fls. 57 a 59. Elaboramos, então, o demonstrativo da base de cálculo e apuração da COFINS sub judice conforme demonstrativo de fls. 57 a 59 e 73, o qual foi elaborado com base na informação prestada pelo contribuinte da seguinte forma: a) Foi calculada a COFINS sobre outras receitas à alíquota de 3% e sobre a exclusão indevida da receita bruta (comissão e bonificação de volume) à alíquota de 1%. b) A diferença de alíquota (2%) sobre a exclusão indevida da receita bruta (comissão e bonificação de volume) está sendo objeto de lançamento em outro processo administrativo. c) No mês de fevereiro de 1999, foram incluídas as diferenças de receita financeira apurada a menor no montante de R$179.135,57 (187.201,93 – 8.066,36) na coluna outras receitas, conforme termo de constatação de fls. 60 e 66 e R$327.791,02 na coluna dedução de vendas, referente à diferença de alíquota calculada a menor, conforme demonstrativo de fls. 57. d) Nos meses de setembro e outubro de 1999 foram incluídas as receitas brutas de R$3.096.674,59 e R$3.586.836,14 respectivamente na coluna dedução de vendas, tendo em vista que o contribuinte recolheu a COFINS a 2%, conforme comprovante de fls. 69 e 70. Assim sendo, estamos efetuando o lançamento de ofício dos valores devidos a título de COFINS. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 28/02/1999 R$ 10.393,62 0,00 30/03/1999 R$ 1.297,62 0,00 30/04/1999 R$ 2.248,15 0,00 30/05/1999 R$ 1.871,11 0,00 30/06/1999 R$ 2.472,94 0,00 31/07/1999 R$ 2.575,11 0,00 31/08/1999 R$ 632,81 0,00 30/09/1999 R$ 38.998,55 0,00 31/10/1999 R$ 41.680,97 0,00 30/11/1999 R$ 7.514,42 0,00 31/12/1999 R$ 8.249,35 0,00 31/01/2000 R$ 6.676,08 0,00 28/02/2000 R$ 5.337,11 0,00 30/03/2000 R$ 5.796,90 0,00 30/04/2000 R$ 5.289,58 0,00 31/05/2000 R$ 5.757,14 0,00 30/06/2000 R$ 7.197,65 0,00 31/07/2000 R$ 8.819,53 0,00 30/08/2000 R$ 6.804,39 0,00 30/09/2000 R$ 5.148,94 0,00 31/10/2000 R$ 6.097,43 0,00 30/11/2000 R$ 5.849,49 0,00 31/12/2000 R$ 6.291,36 0,00 31/01/2001 R$ 7.363,64 0,00 28/02/2001 R$ 5.601,43 0,00 30/03/2001 R$ 5.738,56 0,00 30/04/2001 R$ 3.458,05 0,00 30/05/2001 R$ 4.072,08 0,00 30/06/2001 R$ 4.569,99 0,00 31/07/2001 R$ 4.922,77 0,00 31/08/2001 R$ 4.527,69 0,00 30/09/2001 R$ 5.590,53 0,00 31/10/2001 R$ 5.586,25 0,00 30/11/2001 R$ 5.719,44 0,00 31/12/2001 R$ 5.448,98 0,00 Enquadramento Legal: Art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; Arts. 2º, 3º e 8º, da Lei nº 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória nº 1.807/99 e reedições; Art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; Arts. 2º, 3º e 8º, da Lei nº 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória nº 1.807/99 e reedições, com as alterações da Medida Provisória nº 1.858/99 e reedições.” DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA Fl. 197DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13884.001093/200475 Acórdão n.º 3402002.429 S3C4T2 Fl. 196 5 Cientificado do despacho decisório, a interessada apresentou, tempestivamente, impugnação em 09/06/2004, expondo em sua defesa as razões de fatos e direito a seguir sintetizadas: Salienta a tempestividade da impugnação, fazendo um breve histórico dos fatos, ratificando a não aplicação da multa pela existência de provimento judicial em ação intentada contra União, conforme art. 63 da Lei 9.430/96. Afirma haver um equívoco no lançamento dos juros de mora, pois que o crédito tributário somente se tornaria exigível após o vencimento do prazo para o seu pagamento. Que não há que se falar em vencimento da obrigação porque sua exigência é suspensa pela decisão judicial favorável. Traz doutrina favorável ao entendimento de que os juros moratórios decorrem do descumprimento de um dever obrigacional, que não aconteceu no caso vertente, cujo mérito está sendo discutido judicialmente. Por fim, requer o provimento da impugnação, objetivando a exclusão dos juros de mora, protestando pela produção de todas as provas admitidas, inclusive perícia contábil. DO JULGAMENTO EM 1ª INSTANCIA Distribuído o processo à 4ª Turma da Delegacia de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS), a mesma julgou a Impugnação Improcedente, mantendo o crédito tributário lançado, proferindo o Acórdão 0518.298, datado de 02/07/2007, cuja ementa restou assim consignada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 28/02/1999, 30/03/1999, 30/04/1999, 30/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 28/02/2000, 30/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 30/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 30/03/2001, 30/04/2001, 30/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001 PEDIDO DE PERÍCIA Indeferese o pedido de perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando efetuado sem a formulação dos quesitos, assim como sem a indicação do nome, do endereço e da qualificação profissional Fl. 198DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 do perito, por não se coadunar às regras insculpidas no art. 16, inciso IV, e § 1º, do Decreto nº 70.235, de 1972. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal do lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela Autoridade Administrativa a que caberia o julgamento. JUROS DE MORA. VALORES INDICATIVOS. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, sejam quais forem os motivos determinantes da falta, em conformidade com o que expressamente dispõe a legislação de regência para o período apurado. Os juros de mora, constantes do auto de infração, têm caráter indicativo dessa obrigação e serão recalculados por ocasião da liquidação do débito, em caso de ser desfavorável à contribuinte eventual decisão proferida no âmbito judicial. Lançamento Procedente Inicialmente a DRJ considera o pedido de perícia não formulado, eis que, conforme autoridade julgadora, não houve observância às disposições constantes do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. No mérito, a única manifestação do contribuinte se referiu ao registro dos juros de mora, no auto de infração, que fora lavrado com a finalidade de se preservarem os direitos da União, com relação à decadência do direito de lançar, posto que os valores envolvidos estão em discussão na esfera judicial, concluindo que sua exigência fica suspensa, no aguardo da decisão judicial, em face da supremacia hierárquica da mesma, sendo este o entendimento transcrito do Ato Declaratório normativo nº 3, de 14 de Fevereiro de 1996. No tocante aos juros de mora, salienta que sua exigência deriva de imposição legal, não podendo a autoridade administrativa se afastar do lançamento, consoante o disposto no art. 161 do CTN, e ainda, que o valor, calculado até o mês anterior da impugnação, pelo seu caráter indicativo, será atualizado quando do pagamento do crédito tributário exigido. Alude que se a contribuinte obtiver êxito na contenda judicial, o lançamento constante do auto de infração restará prejudicado, sem subsistência, o que alcançará, também, os acréscimos dos juros de mora. Caso a decisão seja desfavorável, os lançamentos reputarse ão corretos e legítimos, inclusive quanto ao vencimento original, este vinculado ao fato gerador, estando os juros de mora devidos desde o mês seguinte ao do vencimento até a data da quitação. Afirma, portanto, ser correta a exigência dos juros de mora, em função da inadimplência da obrigação tributária, estando o lançamento com sua exigibilidade suspensa pela discussão no mérito no âmbito judicial. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13884.001093/200475 Acórdão n.º 3402002.429 S3C4T2 Fl. 197 7 Pelo exposto, vota no sentido da procedência da exigência fiscal contida no Auto de Infração lavrado contra a contribuinte em epígrafe. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado do Acórdão da DRJ/CPS em 13/08/2007o contribuinte apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 12/09/2007,repisando os argumentos já utilizados em sede de impugnação, acrescentando ainda que: Apresentada a impugnação, sobreveio a decisão da DRJ julgando procedente o lançamento fiscal e indeferindo o pedido de perícia, mas não se pronunciando acerca da matéria: “Comissão e bonificação de volume”. Traz, neste sentido, jurisprudências favoráveis do CARF quando da não apreciação de todas as razões em sede de impugnação. Contesta o indeferimento do pedido de períciacontábil, pois que afirma ter procedido na juntada de todos os documentos hábeis a fim de comprovar o alegado, sendo a autoridade detentora de meios próprios para solicitar ao contribuinte os esclarecimentos necessários ou juntada de documentos essenciais a comprovação do direito. Afirma que com o despacho do processo administrativo, se deu a impossibilidade do exercício de direito de ampla defesa, cerceando seu direito ao contraditório. Alega que obteve provimento jurisdicional, no sentido de autorizar os recolhimentos de COFINS, em curso perante a 3ª Vara Federal /SJ Campos,solicitando a retificação dos lançamentos, excluindo a parte relativa à cobrança de Cofins incidentes sobre outras receitas que não o faturamento, nos termos da LC 70/91. Afirma também que tantos os valores recebidos diretamente dos anunciantes, que são repassadas as agências de publicidade e propaganda, denominados comissão, não integram a base de cálculo da contribuição COFINS por haver regulamentação específica da atividade. E ainda, que os valores recebidos onde não constem discriminados descontos relativos a agencia de propaganda nas faturas emitidas contra os anunciantes, por expressa disposição normativa do mercado publicitário, são repassados a razão de 20% as agências de propaganda, não constituindo receita da recorrente. Alega que no seu caso, existem duas contas em sua contabilidade que controlam esta operação. A primeira de n° 3601 a 3642 denominada “desconto de agência", diz respeito às faturas emitidas já pelo seu valor líquido, ou seja, já considerados os descontos de agência à razão de 20%. E a conta n° 2311 e 2523 que contempla as faturas emitidas em seu valor bruto, onde o desconto será pago diretamente pela ora recorrente às Agências de Propaganda, se constituindo, pois, despesa dedutível da base de cálculo do faturamento. Como argumento a seu favor, aduz que o fato de não constar nas Notas Fiscais o desconto de agência, não quer dizer que os valores não foram pagos. Quanto à bonificação de volume concedida às agências, afirma que estas somente foram pagas até a competência de julho/1999. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Alega ser competência do fisco o ônus do provar porque os valores percebidos diretamente dos anunciantes não foram repassados para a agência de publicidade, sendo legítima a escrituração em conta separada para fins de exclusão da base de cálculo. No tocante aos juros moratórios, afirma que no presente caso, sendo obtido provimento jurisdicional a fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário, não há que se falar em vencimento da obrigação, por estar suspensa, sendo estes os ensinamentos de Pontes de Miranda. Por fim, requer a nulidade do julgamento para obter provimento do Recurso Voluntário, reformando a decisão da DRJ de São José dos Campos, ou, convertendo o julgamento em diligência. No dia 11/02/2010, o contribuinte apresentou nova petição (às fls. 156 numeração eletrônica), pedindo desistência parcial do recurso voluntário, referentemente aos valores relativos à dedução indevida da base de calculo da COFINS. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (Um) Volume, numerado até a folha 193 (cento e noventa e três), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13884.001093/200475 Acórdão n.º 3402002.429 S3C4T2 Fl. 198 9 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. Observo, antes de mais nada, que o recurso atende os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, no entanto, em razão de esclarecimentos que adiante serão alinhados, dele não tomo conhecimento. Inicialmente, insta mencionar que o contribuinte requereu, expressamente nestes autos, desistência parcial do recurso apresentado. Posteriormente sobreveio informação fiscal que dá conta da extinção do crédito tributário remanescente àquele que houvera sido objeto de pedido de desistência, às fls. 173/175 – n.e., in verbis: Da Situação Atual da Ação Judicial n° 1999.61.03.0036947 Na decisão publicada em 21/09/06 (fls. 127 a 130), o. douto Relator do STF deu parcial provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Impetrante, afastando, com isso, a aplicação do art. 3°, §1°, da Lei n° 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS/COFINS, mantida, no entanto, a aplicação da alíquota majorada da COFINS (3%). Nessa tessitura, a ação judicial transitou em julgado em 09/10/06 (fls. 131) parcialmente favorável à União. Da Exigibilidade do Crédito Tributário Consubstanciado no Presente Processo A análise do crédito tributário sub judice objeto deste processo permite depreender que o crédito tributário lançado por meio do Auto de Infração em epígrafe é dividido em 02 (duas) partes (vide planilha às fls. 73): 1 a parte relativa à ampliação da base de cálculo da COFINS (4a coluna “Valor COFINS'); 2 a parte que se refere à dedução indevida da base de cálculo da COFINS (7ª coluna Valor COFINS”). A parte relativa à ampliação da base de cálculo (diferença entre a COFINS devida com base na Lei n° 9.718/98 3% sobre a receita total e a COFINS apurada à alíquota de 3%, aplicando se a base de cálculo instituída peta LC n°70/91 — receita bruta as vendas e serviços), encontrase extinta por força da decisão proferido pelo Colendo STF nos autos do MS n° 1999.61.03.0036947 (fls. 127 a 131). Fl. 202DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 Por outro lado, a parte que se refere à dedução indevida da base de cálculo da COFINS (1% sobre o monte correspondente à dedução indevida o saldo remanescente, de acordo com informação da autoridade administrativa na própria planilha elaborada às fls. 73; foi objeto de lançamento em outro processo) tornouse exigível em face da desistência formalizada na data de 11/02/2010 (vide petição às fls. 153 a154), deferida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O contribuinte, com a desistência, pretende que o saldo remanescente do crédito tributário seja incluído no regime especial instituído pela Lei n° 11.941/09. Ademais, como se observa do comprovante de recolhimento acostado às fis. 157, devidamente identificado nos sistemas de controle da RFB (fls. 161), houve liquidação do valor correspondente aos juros moratórios mediante a utilização de prejuízo fiscal, conforme permissivo do art. 1°, §§7° e 8° da citada Lei, regulamentado pelos arts. 27 e 28 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06/09. Das Condições Estabelecidas para Inclusão do Crédito Tributário Remanescente. Controlado pelo Presente Processo no Regime Especial da Lei n° 11.941/09 (...) A análise do caso que se apresenta permite depreender o que segue: 1 todos os débitos controlados pelo presente processo têm data de vencimento anterior a 30/11/08; 2 em consulta aos sistemas informatizados da RFB (SAPLI), foi verificado que o contribuinte apresentava, em 31/12/2008, saldo de prejuízo fiscal no importe de R$ 12.884.142,89 e saldo nulo de base de cálculo negativa da CSLL, próprios (fls. 168 a 169); 3. os cálculos elaborados com auxílio do SICALC (fls. 162 a 167) demonstram que o saldo de prejuízo fiscal existente em 31/12/08 passível de utilização para pagamento do crédito tributário remanescente, controlado por este processo (25% de R$ 12.884.142,89 = R$ 3.221.035,72), é suficiente para amortização integral dos juros moratórios acumulados na data do pagamento à vista (30/11/09), com a redução prevista no art.: 2º, I, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06/09, que importam em R$ 84.657.59 (55% de R$ 153.922,89); 4 a. desistência dó recurso interposto à CSRF, que alberga o saldo remanescente do crédito tributário controlado por este processo, foi formalizada em 11/02/2010, antes, portanto, da datalimite estabelecida pela legislação (28/02/2010); 5 houve pagamento integral do principal associado, ao crédito tributário remanescente (fls. 73,154,157,161 e 167). Deste modo, analisando as considerações acima, concluise pela possibilidade de inclusão do crédito tributário consubstanciado no presente processo (que, em virtude da extinção parcial ocorrida em face da decisão judicial favorável proferida nos autos do MS n° 1999.61.03.0036947, transitada em julgado em 09/10/2006, compreende apenas a parte relativa à de dedução indevida da base de cálculo da COFINS) no regime especial da Lei n°11.941/09, admitida a liquidação dos juros moratórios mediante a utilização de prejuízo fiscal, nos termos do art. 1º, §§7° e 8o, da citada Lei. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13884.001093/200475 Acórdão n.º 3402002.429 S3C4T2 Fl. 199 11 Ademais, os cálculos elaborados às fls. 162 a 167 permitem concluir que o recolhimento consubstanciado no DARF às fls. 157, agregado à utilização de prejuízo fiscal próprio no montante de R$ 84.657,59, é suficiente para assegurar a liquidação do crédito tributário remanescente. Todavia, considerando o disposto no art. 27, §5°, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06/09, a confirmação da liquidação dos juros e multa de mora deve aguardar a fase de consolidação dos débitos, razão pela qual não se afigura possível o reconhecimento imediato da extinção dos créditos tributários controlados por este processo. Diante do exposto, considerando que a ação judicial objeto do presente processo já transitou em julgado, DETERMINO o encaminhamento do presente à Equipe de Processos Fiscais desta Delegacia para: 1 seja apartada deste processo a parte do crédito tributário relativa à dedução indevida da base de cálculo da COFINS (coluna 7 da planilha às fls. 73; planilha às fls. 154), reconhecendose, no processo administrativo assim formalizado: 1 a possibilidade de inclusão do correspondente débito no regime especial instituído pela Lei n° 11.941/09; 2 a extinção parcial do correspondente crédito tributário por força do comprovante de recolhimento às fls. 157; 3 a possibilidade de utilização de prejuízo fiscal para liquidação dos juros moratórios, a teor do disposto no art. 1º,§§7° e 8o, da Lei n° 11.941/09, sobrestado, contudo, o reconhecimento da extinção do correspondente crédito tributário até que se opere a consolidação prevista no art. 27, §5°, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06/09. Até que se opere a extinção, é de se manter suspensa a sua exigibilidade; 2 seja o presente processo encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para julgamento do recurso voluntário sobre o saldo remanescente, ressaltandose que referido crédito tributário encontrase extinto por força de decisão favorável obtida nos autos do MS n° 1999.61.03.003694 7, transitada em julgado em 09/10/2006.(Grifei) Neste cenário, imperioso se faz observar o que determina o artigo 78 do Regimento Interno desta Casa, in verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fl. 204DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 12 Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Logo, o fato do contribuinte ter pedido desistência expressa do recurso, bem como haver informação por parte da autoridade fiscalizadora de que o crédito remanescente pendente de julgamento encontrase extinto, implica, nos termos da regulamentação acima, em renúncia de qualquer discussão que possa ter o sujeito passivo trazido aos autos, pelo que no tocante a todos os valores que restariam remanescentes em razão da decisão da DRJ, deixo de tomar conhecimento das razões aduzidas pela recorrente. Assim, na linha das considerações acima, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10640.723183/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
CITAÇÃO POR EDITAL
Quando restar improfícua a citação por via postal enviada para endereço diverso ao da Recorrente, não tem validade jurídica a citação do sujeito passivo efetuada por edital.
NÃO APRSEENTAÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO NO PRAZO LEGAL.
Mesmo tendo ciência da decisão de 1ª instancia e os demais documentos do processo, entregues em cópia eletrônica não houve a propositura do Recurso Voluntário. Vencido o prazo sem que a Recorrente tenha apresentado o Recurso Voluntário, configurou-se a decadência do direito de recurso, nos termos e limites do art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1401-001.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Jorge Celso Freire da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Sergio Luiz Bezerra Presta
Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Mauricio Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 CITAÇÃO POR EDITAL Quando restar improfícua a citação por via postal enviada para endereço diverso ao da Recorrente, não tem validade jurídica a citação do sujeito passivo efetuada por edital. NÃO APRSEENTAÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO NO PRAZO LEGAL. Mesmo tendo ciência da decisão de 1ª instancia e os demais documentos do processo, entregues em cópia eletrônica não houve a propositura do Recurso Voluntário. Vencido o prazo sem que a Recorrente tenha apresentado o Recurso Voluntário, configurou-se a decadência do direito de recurso, nos termos e limites do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Mauricio Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 CITAÇÃO POR EDITAL Quando restar improfícua a citação por via postal enviada para endereço diverso ao da Recorrente, não tem validade jurídica a citação do sujeito passivo efetuada por edital. NÃO APRSEENTAÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO NO PRAZO LEGAL. Mesmo tendo ciência da decisão de 1ª instancia e os demais documentos do processo, entregues em cópia eletrônica não houve a propositura do Recurso Voluntário. Vencido o prazo sem que a Recorrente tenha apresentado o Recurso Voluntário, configurouse a decadência do direito de recurso, nos termos e limites do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 31 83 /2 01 1- 14 Fl. 908DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10640.723183/201114 Acórdão n.º 1401001.203 S1C4T1 Fl. 666 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Mauricio Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10640.723183/201114 Acórdão n.º 1401001.203 S1C4T1 Fl. 667 3 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do órgão julgador de primeira instância administrativa constante do acórdão nº 0938.873 proferido pela 2ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG, constante das fls. 676 e segs, até aquela fase: “Pelos Autos de Infração (AIs) de IRPJ, PIS, CSLL e Cofins constituiuse créditos tributários nos valores de R$ 645.556,10, R$ 84.625,58, R$ 140.158,86 e R$ 390.580,96, respectivamente, tendo sido declinadas na DESCRIÇÃO DOS FATOS as seguintes irregularidades: IRPJ, Cofins e CSLL > omissão de receita via depósitos bancários de origem não comprovada; Pis > falta/insuficiência em razão da omissão de receita; A impugnação encontrase assim articulada por excertos: PRELIMINAR DAS EMPRESAS VIAÇÃO FROTANOBRE LTDA e FROTANOBRE TRANSPORTE DE PESSOAL LTDA [...] DO ENDEREÇO DA PESSOA JURÍDICA [...] DA DECLARAÇÃO DA CONTADORA [...] DA PRECIPITAÇÃO DA AÇÃO FISCAL [...] DA COMUNICAÇÃO AOS SÓCIOS [...] DOS TERMOS DE INTIMAÇÃO FISCAL CIENTIFICADOS POR EDITAL E DOS FATOS OCORRIDOS A PARTIR DO DIA EM QUE A EMPRESA CONSTATOU A EXISTÊNCIA DO EDITAL [...] RESUMO DOS FATOS E DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 1 A empresa foi procurada no endereço em que sempre recebeu suas correspondências e, em face de uma declaração tendenciosa prestada por uma ex funcionária que fora dela demitida, passou a ser intimada por edital. 2 Uma procuradora da pessoa jurídica, ao comparecer à sede da Delegacia da Receita Federal, viu o edital relativo à intimação n° 2, afixado na Repartição, cujo prazo final para retirada ocorreria no dia 25/08/2011. 3 Esta procuradora somente conseguiu marcar um horário com o Auditor Fiscal, para o dia 23/08/2011. Recebendoa, nesta data, o Auditor se recusou a dar informações sobre o andamento da fiscalização, alegando que a sua procuração não autorizava o acesso a dados sigilosos. Fl. 910DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10640.723183/201114 Acórdão n.º 1401001.203 S1C4T1 Fl. 668 4 4 A partir deste dia, a empresa tentou por diversas vezes, sem sucesso, falar com o referido Auditor. 5 Somente no dia 26/08/2008, a empresa conseguiu contatar o Auditor Fiscal, o qual alegou que só poderia recebêla no dia 30/08/2011. 6 No dia 30/08/2011 a empresa foi recebida pelo Auditor, o qual já apresentou o Auto de Infração para ciência da pessoa jurídica. 7 Em resposta às ponderações da empresa, no sentido de que ela havia procurado a repartição com a finalidade de atender a intimação, antes do esgotamento do prazo concedido, o Auditor laconicamente respondeu que não alteraria o procedimento fiscal, afirmando que ainda que a empresa tivesse sido por ele recebida, em dois ou três dias ela não conseguiria atender à referida intimação. 8 Por todo o exposto, fica claro que a empresa não se esquivou no atendimento à fiscalização. Prova disso é que o Auto de Infração não foi cientificado à empresa por edital, MAS SIM PESSOALMENTE. Diante do evidente cerceamento do direito de apresentação das provas no momento adequado, a impugnante requer que todos os fatos narrados e comprovados até agora sejam levados em consideração no exame das provas e argumentos que serão adiante apresentadas e/ou aduzidos. Requer também, caso V. Sas entendam necessário, que esses fatos sejam confirmados junto ao Auditor Fiscal, colocandose, as pessoas citada no presente tópico, à disposição para qualquer ato processual necessário ao deslinde da questão, tais como, depoimento pessoal, acareação, etc. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA E ARBITRAMENTO DO LUCRO [...] AGRAVAMENTO DA MULTA [...] somente deixou de atender à intimação da fiscalização porque o Auditor Fiscal não recebeu a contribuinte dentro do prazo do edital após a expiração deste prazo, não permitiu a autuada a entrega dos documentos requeridos. [...] segundo entendimento já consolidado na Corte Administrativa, o agravamento da multa não é aplicável nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. [...] Em momento algum do procedimento ficou demonstrado que a empresa agiu dolosa ou fraudulentamente com o intuito de retardar ou impedir a ocorrência, do fato gerador de tributo. [...] o Fisco não comprovou a ocorrência de omissão receitas, mas apenas a presumiu, já que a exigência fiscal teve como fundamento legal o art. 42 da Lei n° 9.430/96 [...]. [...] se a infração é presumida, incabível a qualificação da multa, exceto em situações especiais, como por exemplo, a utilização de interposta pessoa”. A 2ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG na sessão de 31/01/2012, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 0938.873 entendendo “por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a impugnação apresentada tão somente pela contribuinte, nos termos do voto.”, sob argumentos assim ementados: Fl. 911DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10640.723183/201114 Acórdão n.º 1401001.203 S1C4T1 Fl. 669 5 “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2008 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Cumpridos os requisitos previstos no Decreto nº 70.235/1972 para a lavratura do auto de infração e observados os procedimentos previstos no artigo 142 do Código Tributário Nacional, não há que se falar em nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receitas créditos em conta bancária de depósito em relação aos quais a pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO ARBITRADO. Cabível o arbitramento do lucro quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese da tributação pelo lucro presumido. MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA No caso de evidente intuito de fraude, simulação ou conluio, aplicase multa de 150% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, com percentual aumentado de metade, nos casos de não atendimento no prazo marcado de intimação para prestar esclarecimentos. Não se qualifica, nem se agrava a multa, no caso de valores lançados, declarados em DIPJ e em DCTF, de conhecimento do fisco. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Pis. Cofins. CSLL Uma vez que os lançamentos decorreram dos mesmos elementos prova que nortearam o do IRPJ, impõese a eles, mudando o que deve ser mudado, o mesmo veredicto firmado no lançamento principal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. Encontramos nas folhas 714 a Intimação nº: SACAT/2012, que dava ciência do acórdão n° 0938.873 proferido pela 2ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG, que teve como endereço da Recorrente a Avenida Brasil, 1975, loja 16 – Centro, Cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais, CEP. 36070010 e código de rastreamento dos correios RM756213297BR; porém em 16/03/2012, a notificação foi negativa, conforme pode ser observada às fls. 718 dos autos. Diante da não localização da Recorrente, foi expedido edital, sob o nº. 011064061200047, com base no que determina o § 1º do art. 23 do Decreto nº. 70.235/1972, constante das fls. 720 dos autos onde consta da data de afixação do Edital 05/07/2012 e a data de desafixação do Edital 20/07/2012. Encontramos às fls. 721 dos autos o termo de perempção e as fls. 722 a Carta Cobrança nº SACAT/2012, que teve como endereço da Recorrente a Avenida Francisco Fl. 912DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10640.723183/201114 Acórdão n.º 1401001.203 S1C4T1 Fl. 670 6 Valadares, 28, Poço Rico, Cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais, CEP. 36020420 e código de rastreamento dos correios RQ034816610BR, sendo a Recorrente cientificada da Carta Cobrança nº SACAT/2012 e também da decisão de primeira instância em 05/10/2012 (fls. 729). Em 18/10/2012 a Recorrente ingressa com solicitação de copia de documentos, fls. 731 dos autos, firmado pela procuradora Sonia Maria Duran Leitão, inscrita no CPF/MF sob o nº. 570.848.66868, procuração constante dos autos nas fls. 732 e 733; sendo fornecida copia integral do presente processo, em meio eletrônico, no mesmo dia (18/10/2012), conforme termo constante das fls. 735. No dia 01/11/2012 a VIAÇÃO FROTANOBRE LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0938.873 e na notificação por edital, apresenta recurso voluntário, constante das fls 738 e segs, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sem requer a reforma do julgado ou apresentando argumentos e provas contrárias, objetivando unicamente o seguinte, fls. 742: Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Primeiramente vou me ater à questão da validade da citação por edital e a tempestividade do Recurso Voluntário. Não encontrei na impugnação, fls. 236 e segs dos autos qualquer menção ao endereço Avenida Francisco Valadares, 28, Poço Rico, Cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais, CEP. 36020420, como afirma o recurso voluntário. Encontro copia, autenticada, do contrato social, mas sem qualquer indicio de registro pela Junta Comercial do Estado de Mina Gerais. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10640.723183/201114 Acórdão n.º 1401001.203 S1C4T1 Fl. 671 7 Aqui entendo ser necessária a aplicação do principio do “in dubio pro reu”, e visando que seja mantida a segurança jurídica e observado o que determina observado as determinações constantes do PAF do art. 33 do Decreto nº. 70.235/1972, por isso conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, que preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Porém, ao relevar a ciência da decisão formalizada através do acórdão n° 09 38.873, através do edital nº. 011064061200047, entendo que o prazo para a apresentação do recurso voluntário contra as razões de decidir da 2ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG, teve inicio em 18/10/2012 (quintafeira) quando a Recorrente recebeu copia integral do presente processo, em meio eletrônico, conforme termo constante das fls. 735 e terminou em 17/11/2012 (sábado) sendo prorrogado para o dia 19/11/2012 (segundafeira). Até a presente data, que perfaz 593 (quinhentos e noventa e três) dias depois da ciência da decisão, não houve qualquer insurreição contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada. Não tenho a menor duvida que a Recorrente diante dos fatos e das datas descritas em 18/10/2012 (quintafeira) teve conhecimento do Acórdão nº 0938.873 proferido pela 2ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG. Na verdade a RECORENTE não observou que a legislação que rege a forma de promover as intimações é cristalina, conforme podemos constatar no Processo Administrativo Fiscal (Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972), que quando trata de intimação, especificamente no art. 23, com nova redação editada pela Lei n°. 9.532, de 1997, diz: “Art. 23 Farseá a intimação:(...) I – (...) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)”. Ora, não se tem divida que a decisão de 1ª instancia e os demais documentos do processo, entregues em cópia eletrônica a procuradora da Recorrente, mesmo assim não houve a propositura do Recurso Voluntário contestando os argumentos do acórdão n° 09 38.873 exarado pela 2ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG. Assim, em 19/11/2012 (segunda feira) venceu o prazo sem que a Recorrente tenha apresentado o Recurso Voluntário, configurouse a decadência do direito de recurso, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Assim, conhecer a possibilidade de um novo Recurso Voluntário implicaria grave ofensa aos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10640.723183/201114 Acórdão n.º 1401001.203 S1C4T1 Fl. 672 8 Entendo que a Recorrente não observou que um dos princípios que lastreiam o processo administrativo fiscal é o Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva. Tal princípio determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe; já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. E, tendo em vista que expirado o prazo para interposição do recurso voluntário sem a sua efetiva apresentação, está, de forma inconteste, caracteriza a desistência do processo administrativo conforme determina os limites e parâmetros insertos no Decreto nº 70.235/1972. Assim, diante do exposto, observando tudo que consta nos autos, nego provimento ao recurso tendo em vista que os pleitos de nova abertura de no prazo para interposição do recurso voluntário ou quitação do valor devido com os benefícios legais, mantendo, pela ausência de razões que fundamentam o recurso, assim fica mantida integralmente a decisão consubstanciada através do acórdão n° 0938.873 exarado pela 2ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG, inclusive quanto aos devedores solidários, estes últimos que nem apresentação impugnação ao auto de infração. Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Fl. 915DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720068/2008-39
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
Lixa para madeira e lubrificantes, no contexto do processo produtivo da fabricação de móveis e artefatos de madeira, são insumos que ensejam a tomada de créditos sobre o valor dos respectivos gastos.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO
Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE E DESPESAS DE ARMAZENAGEM NAS OPERAÇÕES DE VENDA. EXTENSÃO.
As operações de movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de contêineres vazios e devolução dos mesmo para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de venda, razão pela qual os respectivos gastos não ensejam o creditamento da contribuição.
NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS.
O ressarcimento de saldos credores da contribuição social não cumulativa não enseja atualização monetária nem juros sobre os respectivos valores.
Embargos Acolhidos
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3403-003.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o resultado do julgamento no acórdão embargado, que passa a ser o seguinte: Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso para o efeito de reverter a glosa das aquisições documentadas pelas NFs 26.686, de 07/11/2006, de emissão de Adefitas 3M Geflis Fernandes (cópia na fl. 947), no valor de R$ 340,50, e nº 117.095, de 08/12/2006, emitida por Schrader Comércio E Representações Ltda. (cópia na fl. 951), quanto ao item referente ao lubrificante MÓBIL GS 333 PLUS (20L), no valor de R$ 363,00., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Alexandre Kern
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COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO. A escrituração de créditos pelo contribuinte deve ser feita à luz de documentação hábil e idônea, contendo informações mínimas que assegurem sua liquidez e certeza. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Lixa para madeira e lubrificantes, no contexto do processo produtivo da fabricação de móveis e artefatos de madeira, são insumos que ensejam a tomada de créditos sobre o valor dos respectivos gastos. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE E DESPESAS DE ARMAZENAGEM NAS OPERAÇÕES DE VENDA. EXTENSÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 68 /2 00 8- 39 Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN 2 As operações de movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de contêineres vazios e devolução dos mesmo para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de venda, razão pela qual os respectivos gastos não ensejam o creditamento da contribuição. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. O ressarcimento de saldos credores da contribuição social não cumulativa não enseja atualização monetária nem juros sobre os respectivos valores. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o resultado do julgamento no acórdão embargado, que passa a ser o seguinte: “Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso para o efeito de reverter a glosa das aquisições documentadas pelas NFs 26.686, de 07/11/2006, de emissão de Adefitas 3M Geflis Fernandes (cópia na fl. 947), no valor de R$ 340,50, e nº 117.095, de 08/12/2006, emitida por Schrader Comércio E Representações Ltda. (cópia na fl. 951), quanto ao item referente ao lubrificante MÓBIL GS 333 PLUS (20L), no valor de R$ 363,00.”, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório SCHMITZ AGROINDUSTRIAL LTDA. transmitiu, em 05/03/2007, o Pedido Eletrônico de Restituição/Ressarcimento PER nº 35471.23630.050307.1.1.084781, de créditos de PIS, relativo ao quarto trimestre de 2006, no valor de R$ 24.514,77. Com base no Parecer SAORT/DRF/Blumenau nº 179/08 (fls. 874 a 909), emitiuse o Despacho Decisório de fls. 910, deferindo parcialmente o direito creditório no valor de R$ 23.374,85, a título de mercado externo, correspondente ao saldo remanescente após as deduções apuradas em cada mês do trimestre e das glosas realizadas no curso da análise do processo. A glosa, no valor de R$ 1.139,92, deveuse ao creditamento indevido do valor de: Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720068/200839 Acórdão n.º 3403003.197 S3C4T3 Fl. 1.025 3 aquisições efetuadas com suspensão da contribuição, visto que a respectiva planilha dos produtos adquiridos, no cotejo com o arquivo digital contendo os registros das notas fiscais de entradas, se constatou que 2 (duas) das notas (3.492 e 26.686), nos valores de R$ 184,00 e R$ 340,50, foram incluídas no arquivo LRE — Livro de Registro de Entradas com a indicação de crédito da contribuição; aquisições não reconhecidas como matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem ou insumos, conforme análise das notas fiscais (CFOP 1.556 e 2.556), em que se verificou a inclusão de diversos itens não enquadráveis para fins de desconto de créditos, tais como partes e peças de manutenção utilizadas em veículos automotores não inseridos no processo produtivo, bebedouro, cuba de pia, porta, impressos, cortador de grama e enfeites natalinos, também não utilizados no processo produtivo; matériasprimas não adquiridas, conforme notas fiscais (6), que se referem à entrada de madeira de desbaste, oriundas de produção própria e escrituradas com o CFOP 1.101, com o computo de crédito da contribuição; aquisições a pessoas físicas, relativas a aquisições de toras de pinus de produtores rurais pessoa física; despesas descritas como armazenagem e frete na operação de venda com a inclusão de "outras despesas", que, em síntese, se referem a serviços portuários relacionados a contêineres, tais como unitização, desunitização, posicionamento, fumigação, remoção, movimentação e agenciamento, despesas estas glosadas por não se tratarem de armazenagem ou frete, não tendo amparo legal que possibilite o desconto dos créditos; despesas de depreciação de gerador arrendado que foi indevidamente incluído na base de cálculo. Em Manifestação de Inconformidade de fls. 930 a 939, o interessado contesta as glosas com os seguintes argumentos: I. Glosa das aquisições de bens com suspensão: Alega que a nota fiscal nº 26.686, de 07/11/2006, com entrada em 08/11/2006, no valor de R$ 340,50, que foi objeto de glosa não apresentam o regime suspensivo amparado pelo Ato Declaratório Executivo nº 5 de 1° de abril de 2005. II. Glosas com aquisições não reconhecidas como matérias primas, materiais de embalagem e não enquadradas no conceito de insumo: quanto aos insumos escriturados com CFOP 1.556 e 2.556, alega que foram realizadas glosas sobre custos e bens de pequeno valor e de manutenção de máquinas e equipamentos, lubrificantes e outros materiais que são utilizados na produção e que estão em conformidade com as soluções de consulta e divergência apresentadas no despacho decisório; relaciona os vários fornecedores, as respectivas notas fiscais de aquisições, os materiais e/ou equipamentos a que se referem e a sua utilização; III. Glosas com aquisições de serviços portuários não enquadrados como despesas de armazenagem e fretes na operação de venda: alega que a restrição contida no despacho decisório com serviços portuários relacionados a contêineres, tais como unitização, desunitização, posicionamento, fumigação, remoção, movimentação e agenciamento: Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN 4 i. Dos serviços de fumigação: alega, em síntese, que é o tratamento químico que se dá à madeira para evitar a proliferação de pragas ou a formação de bolor ou mofo; e que tal processo é necessário, visto os produtos serem em madeira, com paletização em madeira de eucalipto. Alega, ainda, que a equivocada informação deste processo como despesas de armazenagem se deu pelo fato de que este serviço é terceirizado, realizado pela Empresa Austrasul, diretamente nos produtos já dentro dos contêineres. Reitera serem serviços/insumos aplicados diretamente nos produtos. ii. Das despesas de capatazia;, alega que as despesas de transporte de contêiner, tais como unitização/desunitização e respectivo uso de pátio, movimentação e posicionamento de contêiner, remoção para mudança de navio, não consideradas no despacho decisório, são despesas necessárias para o efetivo embarque das mercadorias; que são suportadas pelo requerente; que são uma continuidade do frete nas unidades industriais da requerente até o seu destino final; e que são pagas a empresas domiciliadas no país, cujas atividades são de serviços de transporte rodoviário, armazéns gerais e depósitos de mercadoria para terceiros. Requer a aplicação dos índices de correção monetária sobre os créditos requeridos administrativamente, com base na Taxa Selic, da data do protocolo do pedido até a data do efetivo ressarcimento e/ou compensação. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 07020.201, de 11 de junho de 2010, fls. 990 a 999, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO, COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos. de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720068/200839 Acórdão n.º 3403003.197 S3C4T3 Fl. 1.026 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. Os dispositivos legais em vigor relativos aos créditos de não cumulatividade afastam expressamente a aplicação de juros compensatórios no ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Sobreveio recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 1.001 a 1.015, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma a contestação das glosas. a. Das aquisições com suspensão, em que alega ter havido um equívoco por parte do Fisco, visto que este teria glosado o valor da nota fiscal nº 26.686, emitida por Adefitas 3M, com entrada em 08/l l/2006, no valor de R$ 340,50, argumento não acolhido pela decisão recorrida porque a referida NF não teria sido juntada, razão pela qual o faz no recurso; Descreve a Correia 25lU 0l20x6700 GR 080" tratase de material abrasivo tipo “lixa", utilizado no processo produtivo em contato direto com os produtos (lixar madeira). b. Das aquisições não reconhecidas como matériasprimas, produtos intermediários, matérias de embalagens e insumos, insistindo no caráter de insumo dos itens glosados: • Aquisição ao fornecedor ”Empiblu" ref. NF l0.ó85, que se refere a peças para manutenção de empilhadeiras utilizadas na movimentação madeiras e produtos; • Aquisição ao fornecedor "Schrader" ref. NF 117.095, que se refere a lubrificantes e filtros utilizados por máquinas e equipamentos na produção, os quais conforme o uso e desgaste necessitam de substituição, no caso dos filtros, e complementos no caso dos lubrificantes; • Aquisição ao fornecedor "Coremma Ltda" ref. NF 649.971, que se refere a material utilizado na manutenção de empilhadeiras utilizadas na movimentação de madeiras e produtos; • Aquisição ao fornecedor "Dimarol" ref. NF 23.965, que se refere a aquisição de engrenagens e correntes utilizadas nas máquinas de serraria, em função do desgaste durante o processo produtivo. c. Das despesas de serviços de fumigação em contêiner, capatazia e armazenagem: Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN 6 i. Fumigação: insiste no caráter de insumo do serviço, enquanto tratamento químico que se dá a madeira, a fim de evitar a proliferação de pragas como brocas e cupins, e para evitar a formação de bolor ou mofo nos produtos, e que o fato de não ser realizado dentro das dependências da recorrente não retira o serviço da cadeia produtiva. ii. Despesas de capatazia, transporte de contêiner, tais como unitização/desunitização e respectivo uso de pátio, movimentação e posicionamento de contêiner, remoção para mudança de navio, ocorrem devido a estadia dos contêineres entre o dia em que estes chegam ao porto e o dia de embarque no navio, constituindose, em verdade, na movimentação da armazenagem temporária dos contêineres em local seguro e apropriado. Pugna por que seja consideradas como continuidade do frete das unidades industriais da recorrente até o seu destino final. Pede ainda a atualização dos créditos pela taxa Selic ou outro índice a ser determinado, entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e data das compensações promovidas pela Recorrente, às compensações de ofício, e a data do ressarcimento em espécie. Pede provimento. O presente processo foi distribuído ao relator, em 07/03/2014, para que fosse julgado em conjunto com o processo nº 13971.720064/200851, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010. O recurso foi julgado pela 3º TO da 4ª Câmara na sessão de 22 de julho de 2014 e o Colegiado, por unanimidade de votos, deulhe provimento parcial. O resultado do julgamento consignado na Ata respectiva foi: Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso para o efeito de reverter as glosas das aquisições representadas pelas notas fiscais de entrada escrituradas com o CFOP 1.653. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti. Todavia, compulsando o dispositivo do voto condutor do Acórdão, abaixo reproduzido, constatei que o mesmo discrepava do resultado do julgamento assentado na Ata: À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para o efeito de reverter a glosa das aquisições documentadas pelas NFs 26.686, de 07/11/2006, de emissão de Adefitas 3M Geflis Fernandes (cópia na fl. 947), no valor de R$ 340,50, e nº 117.095, de 08/12/2006, emitida por Schrader Comércio E Representações Ltda. (cópia na fl. 951), quanto ao item referente ao lubrificante MÓBIL GS 333 PLUS (20L), no valor de R$ 363,00. Em face dessa obscuridade, invocase o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010, para que o Colegiado aprecie e saneie o vício. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720068/200839 Acórdão n.º 3403003.197 S3C4T3 Fl. 1.027 7 O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator ADMISSIBILIDADE A discrepância entre o dispositivo do voto condutor do Acórdão embargado e o resultado do julgamento constante da Ata (e, portanto, do próprio acórdão da decisão recorrida) é vício que reclama saneamento pela via dos aclaratórios previstos no art. 65 do RI CARF. MÉRITO Com efeito, o voto condutor da decisão embargada assim dispôs: Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1.001 a 1.015 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07 020.201, de 11 de junho de 2010. Matérias controvertidas Devolveuse a esta instância recursal o mérito das glosas da base de cálculo dos créditos da contribuição do valor (i) das aquisições de itens que escapam do conceito de insumo e (ii) com suspensão da contribuição; (iii) dos serviços portuários e; (iv) e do acréscimo de juros Selic ao valor do ressarcimento. Conceito de insumo adotado neste voto Já está pacificado nesta 3ª Turma Ordinária o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Particularmente, entendo ainda mais apropriado a especificidade do conceito deduzido na jurisprudência do STJ, plasmado no REsp 1.246.317MG, Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.06.2011, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN 8 O Min. Campbell Marques extraiu o que há de nuclear na definição de insumo para tal fim: 1º O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); 2º A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Com esse conceito em vista, passemos à análise do caso concreto. Compulsando os autos, não logrei encontrar descrição do processo produtivo da ora recorrente. Todavia, de acordo com a Cláusula Segunda do Contrato Social Consolidado (cópia na fl. 861), constato que constituemse objetos da sociedade a fabricação de móveis e artefatos de madeira; a produção e comercialização de conservas de legumes, tubérculos, vagens, frutas , hortaliças folhosas, palmitos e outros vegetais; atividade agroindustrial de plantio de hortaliças, especiarias hortícolas condimentares e frutas; produção e comercialização do xaropes e sucos naturais de frutas; produção e comercialização de briquetes de madeira e compostagem orgânica de resíduos e cascas de pinus, eucalipto e outras madeiras; atividade agroindustrial de plantio, reflorestamento e extração de toras para posterior industrialização; transporte rodoviário de cargas e a participação em outras sociedades. Ao mérito das glosas. Glosa das aquisições não reconhecidas como matériasprimas, produtos intermediários, matérias de embalagens e insumos A maioria das glosas relacionadas referese a partes e peças e material para manutenção de tratores, empilhadeiras, máquinas e equipamentos, itens de ativação obrigatória, já beneficiados com a possibilidade de creditamento com base nas despesas de depreciação. Deferir o creditamento sobre os gastos com esses itens a título de insumo, como pretende a recorrente, significaria beneficiamento dúplice, o que não se admite. A insurgência contra a glosa da aquisição do lubrificante MÓBIL GS 333 PLUS (20L), no valor de R$ 363,00, documentada pela nota fiscal nº 117.095, emitida por Schrader Comércio E Representações Ltda. (cópia na fl. 948), todavia, é procedente. Tratase de item cuja aquisição enseja a tomada de crédito, cfe. o inc. II do art. 3° da Lei de Regência. Revertase portanto essa glosa. Glosas de aquisições efetuadas com suspensão da contribuição As glosas, neste ponto, referemse às aquisições documentadas pelas NFs 3.492 e 26.686, tidas pela Fiscalização como cursadas com o benefício do regime suspensivo amparado pelo Ato Declaratório Executivo nº 5, de 30 de março de 2005, publicado no Diário Oficial da União de 1° de abril do mesmo ano. Enquanto manifestante, o contribuinte explicou que a glosa da aquisição documentada pela NF nº 26.686, de 07/11/2006, era equivocada porquanto nela não havia qualquer referência à indigitada suspensão. Traz aos autos cópia da referida nota (fls. 944). A glosa referente à NF nº 3.492 não foi contestada. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720068/200839 Acórdão n.º 3403003.197 S3C4T3 Fl. 1.028 9 A decisão recorrida, a seu turno, sob a consideração de que não foi feita prova de que o bem adquirido “Correia 251U 0l20x6700 GR 080” – classificavase como insumo, manteve a glosa. Vem agora a recorrente esclarecer que o bem em questão material abrasivo tipo “lixa", utilizado no processo produtivo em contato direto com os produtos (lixar madeira). Em pesquisa no sítio do fabricante na Internet1, constatei que, efetivamente, a correia é lixa especialmente utilizada para trabalho em madeiras, móveis e marcenaria, que, à toda evidência, desgastase no contato direto com o produto em fabricação. Tratase portanto de gasto com insumo, que enseja a tomada de crédito da contribuição social não cumulativa. Revertase a glosa. Glosa dos gastos referentes à aquisição de serviços portuários não enquadrados como despesas de armazenagem e fretes na operação de venda A glosa em questão referese à aquisição de serviços portuários relacionados a contêineres tais como unitização, desunitização, posicionamento, fumigação, remoção, movimentação; diária, liberação, capatazia e serviços de agenciamento, não enquadrados como despesas de armazenagem e fretes na operação de vendas. Compulsando os autos, constatei que as notas fiscais referidas na planilha de cálculo apresentada pelo contribuinte referemse a despesas com movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de contêineres vazios e devolução dos mesmo para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio. Segundo minha convicção, essas operações não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de venda, como pretende a recorrente, razão pela qual entendo que as glosas devem ser mantidas. Correção do valor do ressarcimento O pleito de atualização monetária do valor do ressarcimento encontra óbice instransponível no art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, aplicável ao PIS, a partir de 01/02/2004, pela norma de extensão do art. 15. Nego. Conclusão À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para o efeito de reverter a glosa das aquisições documentadas pelas NFs 26.686, de 07/11/2006, de emissão de Adefitas 3M Geflis Fernandes (cópia na fl. 947), no valor de R$ 340,50, e nº 117.095, de 08/12/2006, emitida por Schrader Comércio E Representações Ltda. (cópia na fl. 951), quanto ao item referente ao lubrificante MÓBIL GS 333 PLUS (20L), no valor de R$ 363,00. 1 http://products3.3m.com/catalog/br/pt002/woodworking_furniture/ /node_4GPWT3L82Fge/root_GSHL20G7FLgv/vroot_92QLK58JMBge/theme_br_woodworking_3_0/command_ AbcPageHandler/output_html Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN 10 Sala de sessões, em 22 de julho de 2014 Alexandre Kern CONCLUSÃO À vista do exposto, voto por que se acolham os embargos de declaração, para retificar o resultado do julgamento do acórdão embargado, que passa a ser o seguinte: Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso para o efeito de reverter a glosa das aquisições documentadas pelas NFs 26.686, de 07/11/2006, de emissão de Adefitas 3M Geflis Fernandes (cópia na fl. 947), no valor de R$ 340,50, e nº 117.095, de 08/12/2006, emitida por Schrader Comércio E Representações Ltda. (cópia na fl. 951), quanto ao item referente ao lubrificante MÓBIL GS 333 PLUS (20L), no valor de R$ 363,00. Sala de sessões, em 21 de agosto de 2014 Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN
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