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Os contribuintes podem efetuar a compensação de CSLL declarada
inconstitucional (exigida antes do prazo nonagesimal da edição da norma), com débitos vincendos da mesma contribuição, até o prazo de cinco anos após a edição de Resolução do Senado Federal, independentemente de provimento jurisdicional transitado em julgado, condicionado o valor da compensação à sua existência, atualização monetária e controle do referido crédito pela autoridade preparadora.</str>
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S1-TE01 

Fl. 702 

 
 

 
 

1

701 

S1-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 

PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº 10805.000359/98-43 

Recurso nº 166.789   Voluntário 

Acórdão nº 1801-00.0463  –  1ª Turma Especial  

Sessão de 25 de janeiro de 2011 

Matéria Pedido de Compensação - CSLL  

Recorrente PETROQUÍMICA UNIÃO S/A 

Recorrida FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA 

Ano-calendário: 1997 

COMPENSAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA 

FISCAL. CRÉDITO SUB JUDICE. MOMENTO. 

Os contribuintes podem efetuar a compensação de CSLL declarada 

inconstitucional (exigida antes do prazo nonagesimal da edição da norma), 

com débitos vincendos da mesma contribuição, até o prazo de cinco anos 

após a edição de Resolução do Senado Federal, independentemente de 

provimento jurisdicional transitado em julgado, condicionado o valor da 

compensação à sua existência, atualização monetária e controle do referido 

crédito pela autoridade preparadora. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, no mérito, 

reconhecer o direito creditório da recorrente no valor de R$ 623.146,87 e homologar as 

compensações pleiteadas na fl. 01 até o limite deste crédito, nos termos do voto da relatora. 

Salienta-se que R$ 535.501,27 já foi reconhecido pelo acórdão de primeira instância de 

julgamento. 

 

(assinado digitalmente) 

Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora 

 

EDITADO EM: 27/01/2011 

  

Fl. 1DF  CARF MF

Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES

Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES



 

 2

Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme 

Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Sandra 

Maria Dias Nunes e Ana de Barros Fernandes. 

 

Relatório 

Em 12/03/98 a empresa em epígrafe protocolizou o Pedido de Compensação 

de fls. 01, pretendendo compensar crédito de CSLL, paga a maior, no valor de R$ 699.247,45, 

com débitos parciais de Cofins (fevereiro e março de 1998) e débito de PIS (fevereiro de 

1998). 

O crédito da CSLL é originário do saldo negativo apurado no ano-calendário 

de 1997 (DIPJ/98). 

Necessário que se faça breve histórico do trâmite deste processo até o 

presente momento. 

Primeiramente, a Delegacia da Receita Federal – DRF em Santo André – 

competente para apreciar o pedido exarou um despacho denegando o pleito, por razão formal, 

entendendo ser impróprio o pedido e não adentrando ao mérito da questão – fls. 65. 

Manifestada a inconformidade da contribuinte, fls. 68 a 72, os autos foram à 

Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas para apreciação, mas, após retornar 

duas vezes para a realização de diligências (Resoluções nºs 101/02 e 484/04 – fls. 207 e 208; 

fls. 397 e 398), a 5ª Turma de Julgamento daquela Delegacia exarou o Acórdão nº 05-

16.085/07 determinando que o processo voltasse para o órgão a quo para que este decidisse a 

respeito do mérito da questão, ou seja, apreciasse o direito da contribuinte em compensar os 

tributos com o crédito pretendido.  

Com fulcro nas diversas análises realizadas a respeito da formação do saldo 

negativo de CSLL, relativa ao ano-calendário de 1997, cujos cálculos retroagiram até a 

verificação do saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 1995 (DIPJ/96), a DRF 

prolatou o Despacho Decisório de fls. 523 a 526 concluindo que a contribuinte faz jus ao 

crédito de R$ 535.501,27, a título de saldo negativo de CSLL para o ano-calendário de 1997, 

homologando a compensação dos tributos requeridos até este montante. 

Transcrevo, por relevante, trecho da decisão no qual explicitam-se os 

cálculos de apuração do quantum deferido: 

“As informações constantes no sistema confirmam o pagamento parcial da CSLL 

relativa a novembro de 1997, no montante de R$ 226.435,88 (fls. 460). A parcela 

restante no valor de R$ 116,663,47 e as estimativas relativas de agosto de 1997 a 

outubro de 1997 foram compensadas com créditos de períodos anteriores, 

conforme demonstrativo apresentado pelo interessado às fls. 70. São os seguintes 
os créditos utilizados para compensação das estimativas mencionadas: 

a) R$ 542.686,40 - referente ao saldo negativo apurado na DIRPJ do ano calendário 

de 1995, que pela planilha de fls. 420 apurou-se um saldo de R$ 542.649,10, 

utilizando-se os coeficientes conforme § 4.°, do artigo 37, da Lei n.° 8.981/95, para 

a correção das estimativas de janeiro de 1995 a dezembro de 1995. Verifica-se que o 
interessado utilizou para compensação parcial da CSLL relativa a dezembro de 1995 

Fl. 2DF  CARF MF

Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES

Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES



Processo nº 10805.000359/98-43 

Acórdão n.º 1801-00.0463 
S1-TE01 

Fl. 703 

 
 

 
 

3

o valor recolhido indevidamente em 31.01.1995, no valor de R$ 93.617,65 (fls. 
372), que correspondia a R$ 114.646,00 em 31.12.1995 (fls. 373). 

b) R$ 168.424,74 - referente ao saldo negativo apurado na DIRPJ do ano calendário 

de 1996 relativo a antecipações de R$ 163.598,34 e correspondente atualização de 
R$ 4.826,40 (fls. 354 e 375). As antecipações se referem ao recolhimento da CSLL 

no valor total de R$ 70.884,90 mais as estimativas quitadas com compensação, que 
são as parcelas de R$ 1.146,46 em janeiro de 1996 (resíduo de juros de mora 
incidente sobre o valor de RS 114.646,00 utilizado na compensação parcial da CSLL 

relativa a dezembro de 1995), R$ 63.160,40 em fevereiro de 1996 e R$ 28.406,58 
em março de 1996. 

Com relação às estimativas referentes a fevereiro de 1996 no montante de R$ 
63.160,40 e março de 1996 no valor de R$ 28.406,58, o interessado alega que 

compensou aqueles valores por força do Mandado de Segurança n.° 98.0013910-9 

(fls. 422/444) que, pela Certidão de Objeto e Pé apresentada, está aguardando 
inclusão em pauta para julgamento (fls. 445). 

O artigo 170, do CTN, dispõe que a lei pode, nas condições e sob as garantias que 
estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir á autoridade administrativa, 

autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, 
vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. 

Se não há trânsito em julgado da ação, não se pode falar em crédito líquido e 

certo, além do que não há informação na DCTF (fls. 449/451) de que aqueles 

valores estavam pendentes de compensação por força do Mandado de 

Segurança. 

Portanto, as antecipações relativas ao ano-calendário de 1996, informadas na 

linha 23 da Ficha 11 passam a ser: 

 

ANTECIPAÇÕES VALOR PAGO/COMPENSADO 

JANEIRO/96 72.011,36 

FEVEREIRO/96 10,00 

MARÇO/96 10,00 

TOTAL 72.031,36 

[...] 

Verifica-se que os créditos disponíveis do interessado, sendo R$ 542.649,10 relativo 
ao saldo negativo da CSLL no ano-calendário de 1995, R$ 74.156,40, relativo a 
saldo negativo recalculado do ano-calendário de 1996, mais o pagamento efetuado 

em DARF no montante de R$ 226.435,88 não foram suficientes para compensação 
das estimativas da CSLL - período de apuração de agosto/97 a novembro/97, 
conforme planilha apresentada de fls. 446/447). 

De acordo com os pagamentos e compensações efetuadas, a linha 22 da Ficha 11 da 
DIRPJ do ano calendário de 1997 assume o valor conforme indicado no quadro 
abaixo. 

 

DATA DE VENCIMENTO ESTIMATIVA DE CSLL PAGA/COMPENSADA 

30/09/1997 
43.989,95 {VALOR COMPENSADO 

31/10/1997 
448.731,35 (VALOR COMPENSADO) 

Fl. 3DF  CARF MF

Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES

Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES



 

 4

28/11/1997 
354.392,13 (VALOR COMPENSADO) 

30/12/1997 226.435,88 (VALOR PAGO) 1.091,44 (VALOR COMPENSADO) 

TOTAL 1.074.640,75 

Assim, o demonstrativo abaixo apresenta o saldo negativo final recalculado na 
DIRPJ do ano calendário de 19971. 

[...] 

Entretanto, verifica-se que o interessado utilizou o saldo negativo apurado para 
compensação parcial da CSLL relativa a março de 1998 no montante de R$ 
52.095,53 (fls. 521), remanescendo um saldo credor no montante de R$ 535.501,27, 
conforme planilha apresentada de fls. 522.” 

Em face a esta decisão, a empresa apresentou a manifestação de 

inconformidade de fls. 540 a 544, argumentando, em suma: 

“[...] 

No QUADRO 1 foi apresentado o valor de R$ 963.776,90, cujas compensações 
tiveram como origem créditos do passado. O primeiro foi o saldo negativo apurado 

na DIRPJ do exercício social de 1995 no valor de R$ 542.686,40 e o saldo negativo 
apurado na DIRPJ do exercício social de 1996 no valor de R$ 168.424,74, 
adicionados às suas respectivas atualizações monetárias com base na mesma 

variação da taxa SELIC. 

O saldo de R$ 542.686,40 está considerado conforme explicitado na página número 
506 do anexo da Comunicação e Intimação SEORT número 1123/2007, tendo 
obedecido aos aspectos legais das épocas em que ocorreram. 

O saldo de R$ 168.424,74 teve como formação os dados do QUADRO 3 abaixo. 

QUADRO 3 - Formação do valor compensado em 1996 da CSLL 

Mês Valor UFIR Quantidade de UFIR UFIR Atualização Valor atualizado 

jan/96 72.011,36 0,8847 81.396,36 0,9108 2.124,44 74.135,80 

fev/96 63.170,40 0,8847 71.403,19 0,9108 1.863,63 65.034,03 
mar/96 28.416,58 0,8847 32.120,02 0,9108 838,33 29.254,91 
abr/96 - 0,8847 - 0,9108 - - 
m ai/96 - 0,8847 - 0,9108 - - 
jun/96 - 0,8847 - 0,9108 - - 

TOTAL 163.598,34  184.919,57  4.826,40 168.424,74 
Fonte: preparado tomando-se por base as informações constantes da DIRPJ ano base de 1996. 

 

No mês de janeiro de 1996 foi calculado saldo devedor de R$ 72.011,36. Na época 
foi tomada a opção de deduzir R$ 1.146,46 referente à atualização monetária do 

valor de R$ 111.464,00 e o remanescente foi pago conforme DARF informado na 
Comunicação e Intimação número 11123/2007 na página 510 e na página 396 onde 

constou cópia deste documento de arrecadação. 

No mês de fevereiro de 1996 foi calculado saldo devedor de R$ 63.170,40. Na época 
foi compensado com excesso de CSLL de 1988 e R$ 10,00 foram pagos conforme 
DARF. 

No mês de março de 1996 foi calculado saldo devedor de R$ 28.416,58. Na época 
foi compensado com excesso de CSLL de 1988 e R$ 10,00 foram pagos conforme 

DARF. 

                                                           
1
 DIPJ/98 - linha 31/ficha 11 - Saldo de CSLL.... - 583.675,42 

Fl. 4DF  CARF MF

Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES

Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES



Processo nº 10805.000359/98-43 

Acórdão n.º 1801-00.0463 
S1-TE01 

Fl. 704 

 
 

 
 

5

Desta forma, desembolso efetuado pela PETROQUÍMICA UNIÃO foi, para os 

três meses, no valor de R$ 72.031,36 equânime com o apontado na folha 524. E, 

ainda, R$ 91.566,98 que representou compensações com créditos existentes de 

exercícios anteriores. A somatória desses valores perfaz o montante de R$ 

163.598,34. 

Quanto ao pagamento de R$ 72.031,36 uma vez que não há questionamentos, tendo 

sido considerado como líquido e certo, o mesmo não necessita de esclarecimentos 
adicionais. Entretanto com relação ao valor de R$ 91.566,98, a 

PETROQUÍMICA UNIÃO apresenta os seguintes esclarecimentos: 

O montante de R$ 91.566,98 está composto de R$ 1.146,46 que faz referência ao 
pagamento a maior da competência de dezembro de 1994 ocorrido em 31/12/1995. 

Tratado aos moldes legais da época. Esse saldo pelo explanado no voto da 266a 
Sessão da 5a Turma de Julgamento da DRJ Campinas não gerou dúvidas, quanto à 
sua existência. 

 

QUADRO 4- Composição da DCTF 1
o
 trimestre de 1996 

 Janeiro Fevereiro Março 

Imposto a pagar Valor sub-judice  

 

Total apurado 

72.011,36 72.011,36 63.170,40 63.170,40 28.416,58 28.416,58 

Na DCTF a PETROQUÍMICA UNIÃO demonstra ter saldo a pagar em 1996 
independente da forma da liquidação do débito, conforme demonstrado no 
QUADRO 4 apresentado acima. 

QUADRO 5 - Apuração da CSLL de 1996 devida mensalmente 

 Janeiro Fevereiro Março 

09. Base de cálculo 
10. Imposto devido 
11. (-) CSL devida em meses anteriores 
12. (-) Saldo de CSL a comp, apurado em períodos anteriores 
13. (-) Demais cornpens. de contribuição social sobre o lucro 
14. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL MENSAL A PAGAR 

972.153,34 
72.011,36 
1.146,46 

70.864,90 

1.824.953,77 
135.181,76 
72.011,36 
63.160,40 

10,00 

2.208.577,61 
163.598,34 
135.181,76 
28.406,58 

10,00 

Fonte: preparado com base na DIRPJ de 1996, Ficha 09. 

 

Entretanto no momento em que apresentou a DIRPJ a demonstrou aquilo que 
ocorreu durante o exercício social de 1996. No QUADRO 5 apresenta-se os valores 
declarados na DIRPJ. 

Daí observa que deveriam constar da DCTF os valores a pagar, ou seja, em janeiro 
R$ 70.864,90, em fevereiro R$ 10,00 e em março R$ 10,00. 

[...]” 

A Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Campinas exarou, então, o 

Acórdão nº 05-19.491/07 às fls. 547 a 558 mantendo a decisão a quo pelas razões a seguir 

expostas, sintetizadas. Aproveito o trecho também do relatório elaborado por aquela turma, 

para melhor elucidar os fatos e valores que envolvem o presente litígio: 

“[...] 

Em nova análise, a DRF/Santo André reconstituiu o saldo credor de CSLL declarado 
no valor de R$ 699.247,45, para reduzi-lo a R$ 583.675,42, na medida em que os 
créditos alegados para compensação das estimativas de agosto a novembro/97 não 

Fl. 5DF  CARF MF

Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES

Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES



 

 6

foram integralmente confirmados, revelando-se suficientes para extinguir, além dos 

valores das estimativas de agosto/97 (R$ 43.989,95), setembro/97 (R$ 448.731,35) e 
de outubro (R$ 354.392,13), apenas a parcela de R$ 1.091,44 da estimativa de 
novembro/97. As estimativas assim compensadas foram somadas ao pagamento de 
R$ 226.435,88, e totalizaram R$ 1.074.640,75, inferior ao montante de RS 
1.190.212,78 declarado a título de antecipações no ano-calendário 1997. 

A autoridade preparadora ainda reduziu o saldo credor assim apurado (R$ 
583.675,42) pela compensação com a CSLL de março/98 (R$ 52.095,53), para 
reconhecer direito creditório, nestes autos, de R$ 535.501,27 (fls. 523/526). 

Cientificado da decisão em 04/07/2007, o contribuinte, por seu procurador, 
apresentou manifestação de inconformidade em 03/08/2007 (fls. 540/544), da qual 

se extrai: 

Menciona que já havia encaminhado dois Documentos de Arrecadação de Receitas 
Federais - DARF, contendo os valores de principal, multa e juros nos valores de R$ 

29.829,72 e R$ 345.866,11. 

Consigna que, no ano-calendário 1997, conforme demonstrativo que apresenta, 
recolheu R$ 226.435,88, compensou estimativas no valor de R$ 963.776,90, e 

apurou CSLL de R$ 490.965,33, do que resulta o saldo credor de R$ 699.247,45. 
Tal crédito foi compensado com débitos de COFINS em março/98 (R$ 318.617,61) 

e abril/98 (R$ 10.477,97) e da Contribuição ao PIS em março/98 (R$ 370.151,87). 

No que tange ao montante de R$ 963.776,90 de estimativas compensadas, assevera 
que o valor de R$ 542.686,40 referente ao exercício social de 1995 está considerado 
conforme explicitado na página número 506 do anexo da Comunicação e Intimação 

SEORT número 1123/2007, tendo obedecido aos aspectos legais das épocas em que 
ocorreram. Já com referência à parcela de R$ 168.424,74, novamente relata os 
recolhimentos e compensações analisados pela autoridade preparadora, e 

especificamente quanto às compensações de R$ 91.566,98: 

- consigna que não há dúvidas quanto a parcela de R$ 1.146,46 referente a 
dezembro/94; 

- indica que declarou estimativas a pagar de janeiro a março/96 na DCTF, 
independentemente da forma da liquidação do débito, fazendo constar da DIRPJ 
aquilo que ocorreu durante o exercício social de 1996; 

- menciona a necessidade de atualização dos valores antecipados em 1996 
pela variação da UFIR, do que resulta a diferença entre as liquidações (R$ 
163.598,34) e o montante apresentado da DIRPJ do ano-calendário 1996 (R$ 
168.424,74); 

- aponta que como sutilmente foi relatado pelo voto da 266a Sessão da 5a 
Turma de Julgamento da DRJ-Campinas não foi digitado na linha número 24 o 

valor referente à compensação dos juros incidentes sobre o valor de R$ 114.646,00 

no valor de R$ 1.146,46 com isto ocorrendo o saldo negativo de 1996 será maior 

totalizando RS 169.571,20. 

Do exposto conclui que inexiste saldo devedor no âmbito do presente processo.” 

(grifos pertencem ao original) 

Do voto, reproduzo a parte controversa, visto que no acórdão foi reconhecido 

que a empresa faz jus à compensação do saldo devedor de CSLL no valor de R$542.686,39, 

apurado no ano-calendário de 1995 (DIPJ), com as estimativas de CSLL devidas em 1997 ( 

Fl. 6DF  CARF MF

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Processo nº 10805.000359/98-43 

Acórdão n.º 1801-00.0463 
S1-TE01 

Fl. 705 

 
 

 
 

7

autoridade a quo havia reconhecido o valor de R$ 542.649,09, em virtude de conversões para 

atualização monetária): 

“[...] 

Com referência ao crédito do ano-calendário 1996, alegado no valor original de R$ 

163.598,34 e atualizado de R$ 168.424,74, a autoridade preparadora admitiu apenas 
o valor original de R$ 72.031,36 e atualizado de R$ 74.156,40, rejeitando 
parcialmente as antecipações indicadas para os meses de fevereiro e março/96, como 

segue:  

b) RS 168.424,74 - referente ao saldo negativo apurado na DIRPJ do ano 

calendário de 1996 relativo a antecipações de R$ 163.598,34 e correspondente 

atualização de R$ 4.826,40 (fls. 354 e 375). As antecipações se referem ao 

recolhimento da CSLL, no valor total de RS 70.884,90 mais as estimativas quitadas 

com compensação, que são as parcelas de RS 1.146,46 em janeiro de 1996 (resíduo 

de juros de mora incidente sobre o valor de R$ 114.646,00 utilizado na 

compensação parcial da CSLL relativa a dezembro de 1995), RS 63.160,40 em 

fevereiro de 1996 e R$ 28.406,58 em março de 1996. 

[...] 

Como se vê, a autoridade preparadora admitiu integralmente a estimativa de 

janeiro/96, quer seja na parte paga (R$ 70.884,90) como na compensada (R$ 

1.146,46), inexistindo litígio quanto à possibilidade de compensação da parcela 

de R$ 1.146,46 relativa a dezembro/94. 

No despacho decisório recorrido somente deixaram de ser consideradas as 

parcelas compensadas com as estimativas de fevereiro e março/96, assim 

apreciadas no voto reformulado na 266
a
 Sessão de Julgamento desta 5

a
 Turma: 

Já com referência ao ano-calendário 1996, no qual o contribuinte apurou base de 

cálculo negativa da CSLL (fl. 378), a autoridade preparadora somente confirmou a 

parcela de R$ 74.156,40 do saldo credor de RS 168.424,74, inicialmente apontado 

na DIRPJ (fl. 378). Isto porque, dos créditos ali indicados, apenas validou R$ 

72.031,36 a título de antecipações (do total de R$ 163.598,34) e R$ 2.125,04 (do 

total de RS 4.826,40) referente a atualização monetária destas (fls. 456/459). 

As antecipações alegadas pelo contribuinte (fl. 375) são: 

a) janeiro/96: R$ 72.011,36, parcialmente recolhida no valor de R$ 70.864,90 (fl. 

396) e o restante (RS 1.146,46) compensado com parcela do recolhimento indevido 

de 31/01/95 (fl. 373); 

b) fevereiro/96: RS 63.170,40, parcialmente recolhida no valor de R$ 10,00 (fl. 396) 

e o restante (RS 63.160,40) compensado com créditos por recolhimento indevido da 

CSLL no ano base de 1988, declarada inconstitucional pela Resolução n° 11/95, do 

Senado Federal, e com base no Mandado de Segurança n° 98.0013910-9, conforme 

esclarecimentos prestados à fl. 411; 

c) março/96: RS 28.416,58, parcialmente recolhida no valor de RS 10,00 (fl. 396) e 

o restante (R$ 28.406,58) compensado com créditos por recolhimento indevido da 

CSLL no ano base de 1988, declarada inconstitucional pela Resolução n° 11/95, do 

Senado Federal, e com base no Mandado de Segurança n° 98.0013910-9 conforme 

esclarecimentos prestados à fl. 411. 

[...] 

Fl. 7DF  CARF MF

Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

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 8

Já quanto às compensações de fevereiro/96 e março/96, consignou que não havia, 

na DCTF 96, informação de que aqueles valores estavam pendentes de compensação 
por força do Mandado de Segurança, deixando de considerá-las no cálculo do saldo 
credor do ano-calendário 1996 (fl. 457). E, às folhas referenciadas pela autoridade, 

vê-se que nenhum valor foi apontado como "sub-judice " para os períodos de 

fevereiro/96 e março/96 (fls. 450/451), possível razão para a conclusão por ela 

expressada. 

Todavia, à época, estava vigente a Instrução Normativa SRF n° 73/94, que em seu 

Anexo I (Instruções para apresentação da Declaração de Contribuições e Tributos 

Federais e Outras disposições), fixava que: 

5 - Nos casos em que for efetuada a compensação de pagamento indevido ou a 
maior com o valor do tributo e/ou contribuição a ser declarado (art. 66 da Lei n° 
8.383/91, disciplinado pela IN RF n° 67/92), será informado o valor total apurado 
conforme a legislação em vigor, não devendo ser considerados eventuais ajustes 

decorrentes da compensação. 

Demais disso, em 1996 o contribuinte ainda não havia impetrado o Mandado de 

Segurança referido (98.0013910-9), baseando-se a compensação, como se infere de 

suas informações à fl. 411, em estudos e pareceres jurídicos posteriores à Resolução 
do Senado Federal n° 11/95, que conferiu efeitos erga omnes à declaração de 
inconstitucionalidade da Lei n° 7.689/88, relativamente à CSLL devida no ano-base 

de 1988. 

Assim, os valores devidos a título de CSLL em fevereiro/96 e março/96, ainda que 

compensados com créditos decorrentes de recolhimento indevido, deviam ser 

integralmente declarados na DCTF. E, ao proceder desta forma, restaram em 

aberto as parcelas compensadas, RS 63.160,40 e RS 28.406,58, que somente não 

foram cobradas em razão da alocação automática do recolhimento a maior 

efetuado em 31/01/95, antes mencionada (fl. 462). 

[...] 

Passa-se, então, à análise da validade da compensação de indébitos de CSLL 

pertinente ao ano-base 1988 com débitos da própria CSLL devida em fevereiro e 

março/96. 

É certo que o art. 66 da Lei n° 8.383/91 e a Instrução Normativa SRF n° 67/92 não 

impunham qualquer formalidade a ser observada na compensação entre tributos de 

mesma espécie, desde que os débitos fossem posteriores ao crédito e não tivessem 

origem em processo fiscal (art. 3o da IN SRF n° 67/92). Todavia, prevalece na 

Administração Tributária o entendimento de que, à época, já havia se expirado o 

prazo fixado para utilização do crédito decorrente de tal indébito, nos termos do 

Código Tributário Nacional: 

[...] 

Isto porque a compensação pretendida pressupunha um indébito que já se 

encontrava prescrito, na medida em que o contribuinte tinha o prazo de 5 (cinco) 

anos, contados da data do recolhimento indevido - considerando-se a homologação 

condição resolutoria e não suspensiva — para pleitear a restituição de valores 

indevidamente recolhidos. Expirado este, relativamente aos recolhimentos efetuados 

para o ano-base de 1988 (ocorridos em 1990, conforme fls. 463/464), inadmissível é 

a pretensão de utilizá-los em compensação a partir de 29/03/96 (vencimento da 

contribuição devida no fato gerador fevereiro/96). 

Por outro lado, observe-se que, conforme elementos juntados às fls. 422/445, o 

contribuinte obteve amparo judicial nos autos do Mandado de Segurança n° 

Fl. 8DF  CARF MF

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Processo nº 10805.000359/98-43 

Acórdão n.º 1801-00.0463 
S1-TE01 

Fl. 706 

 
 

 
 

9

98.0013910-9, para compensar o referido indébito com valores devidos a título de 

COFINS, PIS, IPI e Imposto de Importação, e, nas sentenças de fls. 465/476, 

adotou-se como termo inicial para contagem do prazo referido no art. 168, I do 

CTN, a data da homologação tácita, ou seja, 5 (cinco) anos após a ocorrência do 

fato gerador - quando ocorreria a extinção definitiva do crédito tributário -

concluindo-se que: 

Isto posto, não havendo prova de que a autoridade homologou o tributo 
questionado antes do seu prazo decadencial de 5 (cinco) anos, reconhece-se a 
prescrição em 10 (dez) anos contados da propositura da demanda, nos termos 

do§l° do art. 219 do CPC. 

A referida sentença foi objeto de recurso, que se encontra pendente de apreciação 

no TRF/3a Região. Todavia, tratando-se de Mandado de Segurança no qual, 

inclusive, foi concedida liminar ao interessado, concluiu a autoridade preparadora 

nos autos do processo administrativo n° 10805.001700/2003-61 (fls. 477/480) que 

está suspensa a exigibilidade dos valores compensados nos limites da sentença. 

Destaque-se que a compensação com débitos de CSLL, em verdade, não foi 

pleiteada na referida ação judicial, mas sim no Mandado de Segurança n° 

98.0003347-5, conforme relatado na própria petição inicial de fls. 422/444. Porém, 

em que pese inexista nestes autos cópia da petição inicial ou das decisões proferidas 

no referido processo, infere-se, das informações obtidas no sítio da Justiça Federal 

na Internet que os autos possivelmente foram reunidos para julgamento conjunto, 

pois as sentenças foram proferidas no mesmo período e com conteúdo equivalente 

(fls. 481/485). 

Ainda, consigne-se que nos autos do Mandado de Segurança n° 98.0003347-5 não 

foi deferida liminar (fls. 483) e somente em sede de Agravo de Instrumento o 

impetrante obteve decisão favorável à compensação, mas sem adentrar à discussão 

do prazo prescricional e limitando-a aos débitos da própria CSLL (fls. 487/496). 

De toda sorte, frente à divergência entre o entendimento administrativo e o judicial, 

quer no âmbito do Mandado de Segurança n° 98.0003347-5 ou n° 98.0013910-9, 

seria de se perquirir se as decisões proferidas afetariam, também, as compensações 

realizadas em 1996, suspendendo a exigibilidade dos débitos objeto de 

compensações de mesma natureza daquelas realizadas em 1998, mas anteriores à 

sua propositura. 

Poder-se-ia dizer que, se não foi reconhecida a prescrição relativamente às 

compensações efetuadas em 1998, com mais razão não ficariam desamparadas as 

compensações verificadas em 1996. 

Contudo, retroagir os efeitos da decisão proferida no Mandado de Segurança 

subverteria o prazo para sua impetração, estipulado na Lei n° 1.533/51: 

Art. 18 - O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-á 
decorridos cento e vinte dias contados da ciência, pela interessado, do ato 

impugnado. 

Observe-se que o Supremo Tribunal Federal já consolidou na Súmula 271 que a 
concessão de mandado de segurança não produz efeitos patrimoniais em relação a 
período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via 
judicial própria. 

Fl. 9DF  CARF MF

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 10

Neste sentido, aliás, o próprio impetrante reporta-se às compensações 

contemporâneas à propositura da ação judicial Em suas palavras (fl. 426): 

Sob a luz dos preceitos contidos na Lei 8383/91 e da Lei 9430/96, a 
Impetrante visa proceder à compensação de seus créditos relativos à CSSL recolhida 
a maior, com valores que tem a recolher relativos a outros tributos e contribuições 

sociais administrados e fiscalizados pela Secretaria da Receita Federal. 

[...] 

Diante de todo o exposto, requer a Impetrante que V. Exa. Se digne conceder-
lhe MEDIDA LIMINAR, determinando ao Sr. Delegado da Receita Federal em 
Santo André - SP, que se abstenha de praticar qualquer ato coator contra a 

Impetrante, no sentido de exigir-lhe o recolhimento parcial ou total dos tributos e 
contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que vierem a ser 
objeto das compensações a ser realizadas entre os valores recolhidos indevidamente 

a título de CSSL, notadamente com os valores devidos a título de COFINS, PIS, IPI 
e I.IMPORTAÇÃO. 

E, assim, constou da sentença o que segue: 

A presente ação tem como escopo provimento jurisdicional que assegure ao 
impetrante efetivar a compensação dos tributos recolhidos com fundamento na 
legislação aventada, com parcelas vincendas da COFINS, PIS, IPI e Imposto de 
Importação. 

Portanto, não é possível estender os efeitos das decisões dos Mandados de 

Segurança n° 98.0003347-5 e 98.0013910-9 às compensações com débitos de 1996. 

Em conseqüência, subsiste incomprovado o recolhimento das estimativas de CSLL 

de fevereiro e março/96. 

Ressalte-se, porém, que, em razão de outras circunstâncias fáticas que serão a 

seguir expostas, tal análise não se mostra relevante, no presente caso. 

Isto porque se, por um lado, o reconhecimento da compensação de créditos da 

CSLL do ano-base 1988, com débitos da CSLL em 1996, elevaria o direito 

creditório pleiteado no ano-calendario 1997, por outro, o crédito a ser utilizado nas 

compensações vinculadas ao Mandado de Segurança n° 98.0013910-9 seria 

reduzido. Da mesma forma, a inadmissibilidade da compensação em 1996 reduziria 

o saldo credor de 1997, mas geraria maior disponibilidade de crédito para as 

compensações vinculadas ao Mandado de Segurança citado. 

Assim, é possível admitir o cálculo do direito creditório em 1996 na forma apurada 

pela autoridade preparadora, pois sua redução acabará por elevar a 

disponibilidade de direito creditório relativo a 1988, passível de utilização na forma 

da decisão atualmente em vigor no Mandado de Segurança n° 98.0013910-9. 

Por todo o exposto, é aqui admitida a totalização de saldo credor indicada no 

despacho de fls. 456/459 para o ano-c alendarlo 1996 (RS 74.156,40), resultante da 

soma das estimativas recolhidas em 1996 (RS 72.031,36) e da atualização 

monetária sobre elas incidente até o ajuste anual (RS 2.125,04). 

[...] 

Diante do exposto, o presente voto é no sentido de RECEBER a manifestação de 
inconformidade de fls. 540/544, por tempestiva, e INDEFERI-LA, por inexistir 
crédito a ser reconhecido acima da parcela já admitida pela autoridade preparadora.” 

(negritos não pertencem ao original) 

Fl. 10DF  CARF MF

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Processo nº 10805.000359/98-43 

Acórdão n.º 1801-00.0463 
S1-TE01 

Fl. 707 

 
 

 
 

11

A empresa, tempestivamente, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 562 a 

573, requerendo que as estimativas de CSLL relativas aos meses de fevereiro e março do ano-

calendário de 1996, nos valores de R$ 63.160,40 e R$ 28.406,58, sejam admitidas na 

composição do saldo negativo da CSLL apurada em 1996, argumentando, sinteticamente, in 

verbis: 

“A parte do crédito indeferida refere-se às estimativas dos meses de fevereiro de 
1996 (no montante de R$ 63.160,40) e de março de 1996 (no valor de R$ 
28.406,58), que foram compensadas com créditos da própria CSL decorrentes de 

recolhimentos indevidos efetuados nos meses de janeiro a março de 1989, conforme 
as decisões judiciais proferidas nos Mandados de Segurança n°s 98.0013910-9 e 
98.0003347-5, cujas principais peças a Recorrente pede vênia para colacionar aos 

presentes autos (docs. n°s 5 e 6). 

Por não concordar com o indeferimento de parte do crédito pleiteado, a Recorrente 
apresentou, em 8.8.2007, a competente Manifestação de Inconformidade, a qual foi 
indeferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas 
- SP, sob os seguintes e infundados argumentos: 

(i) na compensação efetuada nos meses de fevereiro e março de 1996, a Recorrente 
não estaria amparada por decisão judicial, tendo em vista que os Mandados de 
Segurança n°s 98.0013910-9 e 98.0003347-5 foram impetrados posteriormente às 

compensações; 

(ii) estaria prescrito o direito da Recorrente de efetuar a compensação dos valores 
de CSL recolhidos indevidamente nos meses de janeiro a março de 1989, conforme 
o disposto no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional ("CTN"); e 

(iii) deveria ser aplicado ao presente caso a regra prevista no artigo 170-A do CTN, 
incluída no ordenamento jurídico apenas com a edição da Lei Complementar n° 
104/2001, segundo a qual é vedado ao contribuinte a realização de compensação 
administrativa de crédito tributário decorrente de medida judicial, antes do trânsito 

em julgado da mesma.” 

A recorrente passa a rebater cada um dos itens acima criticados. 

É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. 

 

Voto            

Conselheira Ana de Barros Fernandes, relatora 

Conheço do recurso interposto, por tempestivo. 

A recorrente obteve o reconhecimento do saldo negativo da CSLL para o 

ano-calendário de 1997 no valor de R$ 583.675,42 (fls. 526). Por causa da compensação de 

parte deste saldo com a estimativa de CSLL relativa a março de 1998, no valor de R$ 

52.095,53, foi homologada parcialmente a compensação pleiteada à fl. 01, no valor de R$ 

535.501,27. Considerando que o saldo negativo de CSLL informado na DIPJ/08 é da ordem de 

R$ 699.247,45, a parte controversa resume-se a R$ 115.572,03. 

Fl. 11DF  CARF MF

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 12

No recurso interposto, a empresa limita-se a contestar o acórdão no que 

refere-se a não terem sido admitidas as compensações efetuadas pela recorrente do valor 

recolhido a maior de CSLL, relativa ao ano-base de 1988 e janeiro a março de 1989, com as 

estimativas de CSLL apuradas em fevereiro e março de 1996 (as quais deveriam compor o 

saldo negativo de CSLL em 1996 e, consequentemente, ser aproveitado para o ano-calendário 

de 1997). 

O valor pleiteado no recurso voluntário perfaz R$ 91.566,98 (CSLL/fev/96 – 

R$ 63.160,40 + CSLL/mar/96 – R$ 28.406,58). 

Estes valores foram calculados pela recorrente e provém da CSLL recolhida 

relativa ao ano de 1988 e janeiro a março de 1989 e posteriormente reconhecida como 

inconstitucional a exigência fiscal, em vista da ofensa ao princípio da anterioridade (Resolução 

do Senado Federal nº 11/95).  

A compensação foi realizada sem que a recorrente submetesse a sua 

viabilidade à autoridade administrativa, ou mesmo sob a guarida judicial. 

Somente em 1998 a empresa impetrou Mandado de Segurança requerendo a 

tutela jurisdicional para utilizar-se dos valores recolhidos indevidamente e compensá-los com 

os tributos federais: a própria CSLL e com outros, ainda que distintos. 

Preliminarmente cumpre esclarecer que o processo judicial MS nº 

98.0013910-9, registrado no Tribunal Regional Federal da 3ª Região sob nº 

2004.03.99.030608-5 encontra-se ainda sob julgamento, consoante pesquisa efetuada pela 

internet.
 2

 

A turma de julgamento de primeira instância reconheceu, já na primeira 

decisão proferida (266ª sessão), que a tutela jurisdicional reconheceu como prazo prescricional 

para a contribuinte solicitar a compensação o prazo decendial, portanto, ao contrário do que 

assevera a recorrente, não lhe foi negada a compensação das referidas parcelas por prescrito o 

direito de realizar a compensação, mas sim por razão diversa. 

A razão única da não homologação deste saldo, ora litigioso, concerne à 

questão da retroatividade dos efeitos da liminar concedida no MS impetrado somente em 1998, 

quando está a se tratar de valores compensados em 1996 e, indiretamente, à questão do trânsito 

em julgado do mandamus. 

Quanto à questão da retroatividade dos efeitos da sentença judicial, ainda que 

liminar, aspecto a que o acórdão se ancorou para negar a repetição do indébito tributário e 

salientando os termos dos decisórios que estipulavam efeitos somente para débitos vincendos, 

portanto no seu entender, ulteriores à concessão da liminar, pondero sobre uma questão maior, 

presente neste caso em especial. 

A origem dos créditos compensados com os débitos em 1996 está na 

inconstitucionalidade da exação fiscal da CSLL a partir do período encerrado em 1988 e 

janeiro a março de 1989. Por ser patente, tornada pública e notória a declaração de 

inconstitucionalidade, estampada na Resolução emanada pelo Senado Federal, em 1995 (nº 

11), todos os contribuintes souberam, independentemente, de qualquer provimento 

jurisdicional que haviam recolhido valores flagrantemente indevidos e reconhecidos como 

inconstitucionais. 

                                                           
2
 http://www.trf3.jus.br/trf3r/index.php?id=26&amp;op=Consulta&amp;Processo=200403990306085&amp;TFases=1 

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Acórdão n.º 1801-00.0463 
S1-TE01 

Fl. 708 

 
 

 
 

13

Ainda que a Fazenda Pública tenha pretendido defender tese de que o prazo 

para a repetição de indébito já havia se esgotado – 05 anos após os recolhimentos -, parece 

desnecessário estender-se sobre a impropriedade desta tese. A contribuição foi exigida por 

meio de norma tributária até então tida como válida e somente após a edição da Resolução SF 

nº 11/95 é que tornou-se pública a inconstitucionalidade da sua cobrança para o próprio ano da 

sua instituição - ano de 1988 e até que transcorresse o prazo nonagesimal, por tratar-se de 

contribuição, o que, no meu entender, marca o termo a quo para os contribuintes buscarem a 

repetição em débito. 

Daí que não vejo como totalmente despropositado admitir-se que as 

estimativas relativas a fevereiro e março de 1996, após a vigência da Resolução SF nº 11/95, 

poderiam ter sido quitadas com os valores recolhidos indevidamente, independentemente de 

qualquer provimento jurisdicional. Vale ressaltar que nesta época a compensação era feita por 

iniciativa do contribuinte em sua contabilidade, não se submetendo a requerimento ou 

autorização administrativa (tributos/contribuições de mesma espécie).  

A turma a quo trouxe aos autos informação peculiar, mas fundamental no que 

respeita à desobrigação da recorrente, naquele ano, em informar na DCTF que as estimativas 

devidas pela contribuinte estavam vinculadas a compensações, devendo ser informadas em 

seus valores integrais - item 5 da Instrução Normativa SRF nº 73/94 (vide fls. 555) – e, bem 

destaca, a contribuinte sequer poderia ter vinculado tais valores a qualquer ação judicial, visto 

que ainda não interposta. 

Destarte, entendo que o direito da recorrente em valer-se daquele crédito 

advindo da exação fiscal inconstitucional é certo.  

Quanto a sua liquidez, o outro elemento que importa na compensação de 
tributos, a unidade que jurisdiciona a contribuinte mantém um controle paralelo à ação judicial 

pelo processo administrativo de acompanhamento de ações judiciais – PAJ no qual devem estar 

registradas todas as movimentações processuais, decisões e explicitados os valores, inclusive. 

No caso presente, é o PAJ nº 10805.000537/98-08 – fls. 477. 

Este instrumento de controle cuida ainda de quantificar os direitos, 

normalmente ilíquidos, judicialmente decididos, em estrita observância aos ditames judiciais 

quanto a suas peculiaridades e às atualizações, versem estas ações sobre créditos ou débitos. 

Nas próprias sentenças colacionadas aos autos proferidas no Mandado de 

Segurança ora debatido, denota-se o constante registro de que compete ao fisco quantificar os 

valores e proceder ao controle dos créditos tributários, uma vez autorizadas judicialmente as 

compensações requeridas. 

Em assim sendo, nada impede à Secretaria da Receita Federal do Brasil 

checar se o indébito tributário pertinente ao MS nº 98.0013910-9 é suficiente para acobertar as 

estimativas ora pleiteadas – fev e mar/96 – e assim compor o saldo negativo de CSLL do ano-

calendário de 1996, conforme a contribuinte informou na DIPJ pertinente (fls. 104 e 105). 

Aliás é atribuição deste serviço e a recorrente tem que se submeter ao seu crivo, haja vista ser 

determinação judicial a competência exclusiva do fisco em averiguar a existência efetiva do 

crédito judicialmente pleiteado e o seu controle, até que se extinga. 

Compete, portanto, à unidade de controle do crédito/débito tributário registrar 

os efeitos deste acórdão e controlar a baixa dos valores no referido PAJ, o que evitará, sem 

Fl. 13DF  CARF MF

Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES

Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES



 

 14

dúvida, que após o trânsito em julgado da sentença judicial final conceda-se restituição ao 

contribuinte em duplicidade. 

Desta forma, evita-se exigir os onerosos encargos moratórios da recorrente 

que, em tempo hábil, pleiteou a restituição daquilo que lhe foi exigido de forma 

inconstitucional. Destaco que o MS impetrado, em 1998, bem como as compensações 

efetuadas em 1996, estão dentro do prazo prescricional, como salientado na decisão judicial. 

Saliento, ainda, que não divirjo in totum do entendimento esposado pelas 

autoridades preparadoras que se manifestaram neste processo e naqueles que versam sobre as 

cobranças das contribuições nos valores não homologados, no que respeita às ações judiciais 

em geral e à necessidade de se aguardar o trânsito em julgado e nem sou avessa a observar os 

ditames legais preceituados neste sentido.  

No entanto, no presente caso, repito, o direito da recorrente em reaver os 

valores recolhidos a título de CSLL recolhida, relativa ao ano de 1988, é líquido e certo, visto a 

sua inconteste inconstitucionalidade e já estando definido a imprescritibilidade judicialmente 

(visto tratar-se de compensar o crédito reconhecido com valores da própria CSLL, vincendas -

após o recolhimento indevido). 

Por fim, registro que concordo com o acórdão vergastado quanto à sua 

conclusão em não haver prejuízo efetivo à contribuinte se aguardasse o final da demanda 

judicial para reaver o crédito de CSLL recolhida em 1988 e então compensar com tributos que 

pleiteou, visto que as atualizações monetárias e juros se equivaleriam. Mas, esta situação pode 

perdurar ainda anos dada a morosidade judiciária e, no caso em concreto, repriso, não vejo 

porque atrelar o presente processo ao final do processo judicial. 

Por todo o exposto, retifico o acórdão de primeira instância para considerar 

que o saldo negativo da CSLL para o ano-calendário de 1997 é da ordem de R$ 675.242,40, 

composto pelo saldo negativo já reconhecido pela autoridade a quo e mantido em primeira 

instância, R$ 583.675,42, acrescido das estimativas de CSLL relativas a fevereiro e março de 

1996, nos valores respectivos de R$ 63.160,40 e R$ 28.406,58, desde que estes últimos dois 

valores encontrem respaldo no PAJ nº 10805.000537/98-08, devendo ser registrado neste que 

estes valores já foram utilizados pela empresa para compor o saldo negativo da CSLL relativa 

ao ano de 1996, conforme ora decidido. 

Voto, nos termos deste, pelo reconhecimento do direito creditório da 

recorrente no valor de R$ 623.146,87 (SN CSLL/97 - R$ 52.095,53, valor já compensado com 

a CSLL de março de 1998), e pela homologação das compensações pleiteadas na fl. 01 até o 

limite deste crédito, salientando que R$ 535.501,27 já foi reconhecido pelo acórdão de primeira 

instância de julgamento. 

(assinado digitalmente) 

Ana de Barros Fernandes 

  

 

           

Fl. 14DF  CARF MF

Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES

Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES



Processo nº 10805.000359/98-43 

Acórdão n.º 1801-00.0463 
S1-TE01 

Fl. 709 

 
 

 
 

15

 

           

Fl. 15DF  CARF MF

Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES

Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES



 

 16

TERMO DE INTIMAÇÃO 

Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a 

este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do 

anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de 

junho de 2009. 

Brasília, . 

_____________________________ 

Moema Nogueira – Secretária da Câmara 

Ciência 

Data: ____/___________/________ 

_____________________________ 

Nome:  

Procurador(a) da Fazenda Nacional  

 

Encaminhamento da PFN: 

[  ] apenas com ciência; 

[  ] com Recurso Especial; 

[  ] com Embargos de Declaração. 

[  ] _________________________ 

 

 

Fl. 16DF  CARF MF

Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES

Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES


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COISA JULGADA MATERIAL.Força. 
A compensação de tributos determinada por meio de decisão judicial transitada em julgado considerará estritamente os índices fixados na sentença que pôs fim ad litígio entre a União Federal e o sujeito passivo.

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Vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Heroldes Bahr Neto e Nanci Gama, que deram provimento.</str>
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I

S3-C2T1

Fl. 493

, ::40é40..,,

	

.0"	 MINISTÉRIO DA FAZENDA

CONSELHO ADMINIS'IRATIVO DE RECURSOS FISCAIS

TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO
--	 -

Processo n°	 13062.000311/99-91

Recurso n°	 140.464 Voluntário

Acórdão n°	 3201-00.165 — 2 Câmara / 1' Turma Ordinária

Sessão de	 22 de maio de 2009

Matéria	 FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO

Recorrente	 PEDREIRA TABILLE LTDA.

Recorrida	 DRJ-SANTA MARIA/RS

AssuNTo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL

Ano-calendário: 1990, 1991, 1992

COISA JULGADA MATERIAL. Força. A compensação de tributos

determinada por meio de decisão judicial transitada em julgado considerará

estritamente os índices fixados na sentença que pôs fim ad litígio entre a
União Federal e o sujeito passivo.

RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.

ACORDAM os membros da r Câmara / i a Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso' voluntário, nos

termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Heroldes Bahr Neto e 	 .
INanci Gama, que deram provimento. 	 •
Í,

I

LLÇ	 DE CASTRO - Presidente e Relator

Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto,

Nikon Luiz Bartoli, Heroldes Bahr Neto, Nanci Gama, Celso Lopes Pereira Neto e Irene Souza

da Trindade Torres. Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente.

,

i



Relatório

Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que deu suporte à
decisão recorrida, que passo a transcrever:

Trata o presente processo de pedido de restituição de valores

relativos ao Programa de Integração Social-PIS e ao Fundo de

Investimento Social-FINSOCL4L, no valor total de R$ 20.398,14,

pretendendo, também, a empresa, a compensação com valores
devedores de PIS, COF1NS, IRPJ e CSLL, conforme fls. 01, 350

e 370/374.

Ao pedido que foi protocolado em 15/10/1999, a contribuinte

junta:

1. às fls. 02/08 — demonstrativos de cálculos;

2. às fls. 09/57 — cópias de documentos de arrecadação PIS e

FINSOCIAL;

3. às fls. 58/249 e 252/349 — cópias de livros fiscais.

A repartição de origem anexou, então, extratos com informações

fiscais e cadastrais da contribuinte, bem como extratos do

Sistema SINAL10 —fls. 351/361.

Anexou, também, extratos Relatório de Pagamentos às fls.

363/364, além de extratos do Sistema SINALIO às fls. 365/368,

tendo despachado à fl. 369.

Às fls. 376/383 está anexado o Despacho Decisório-DRF/SAO,

de 07/08/2001, onde o Sr. Delegado Substituto da Receita

Federal em Santo Ângelo (RS) indefere os pedidos de restituição

e compensação, em virtude da ocorrência de decadência dos

valores solicitados relativamente ao F1NSOCL4L e ao PIS

(parcial), bem como por inexistência de créditos em relação ao

PIS naquilo que não decaído, tendo a contribuinte tomado

ciência em 27/08/2001 —AR de fl. 384.

Não conformada com aquela decisão, a contribuinte impetrou

em 14/09/2001 o Mandado de Segurança n° 2001.71.05.005320-

3 junto a 1' Vara Federal de Santo Ângelo (RS), que por
prevenção foi remetido para a 3° Vara Federal daquela mesma

comarca, onde resistiu e obteve a pretensão relativa ao

alargamento do prazo decadencial entendido pela autoridade
administrativa, ou seja, na Apelação em Mandado de Segurança

n° 2001.71.05.005320-3/RS assim decidiu o TRF 4 a/R (Ementa à

fl. 398):

TRIBUTÁRIO.	 PRESCRIÇÃO.	 PROCESSO
ADMINISTRATIVO.

1. Nos tributos cujo lançamento se dá por homologação, a
contagem do prazo prescricional só se inicia após decorridos
cinco anos da data do fato gerador, quando se verifica a
homologação ficta. Precedentes desta Corte e do STJ.



Processo n° 13062.000311/99-91	 S3-C2T1

Acórdão n.° 3201-00.165	 Fl. 494

2. Apelação e remessa oficial improvidas.

O trânsito em julgado da sentença deu-se em 02/09/2003.

Atendendo a determinação judicial a repartição de origem

reprocessou seus cálculos, observando o PER/DCOMP de fls.

404/407, tendo produzido o despacho de fls.. 412/413 onde

verifica a existência de crédito de FINSOCIAL, determinando a

adoção de providências para o processamento da compensação

pleiteada (parcial).

Determina , ainda, que os saldos remanescentes não quitados

pela compensação sejam incluídos no REFIS, exceto aqueles

declarados em PER/DCOMP.

Adotadas as providências necessárias ao processamento da

compensação pleiteada ou declarada, foi a contribuinte
cientificada . em, 17/03/2005 dos procedimentos adotados,

conforme documentos de fls. 440/441.

Não conformada com a forma de processamento adotado pela
repartição jurisdicionante, em especial quanto aos cálculos, a

contribuinte apresentou sua manifestação contrária em

06/04/2005 —fls. 442/443 —, onde argumenta:

• protocolou pedido de compensação de tributo pago

indevidamente (FINSOCIAL), tendo o referido pedido sido

indeferido em face da prescrição. No entanto, em mandado de

segurança, na esfera judicial, foi assegurado o dito direito, no

prazo de 10 anos, conforme interpretação recente do ST.I;

• compensados os créditos, constatou o Fisco a insuficiência dos

mesmos na compensação pretendida, tendo intimado a empresa

a efetuar o pagamento do débito verificado, com juros e multa;

• segundo a peça fiscal, houve excesso de crédito na

compensação levada a efeito pela empresa;

• em relação à situação posta, entende que não foram
computados nos cálculos do Fisco os expurgos inflacionários

decorrentes das Súmulas 32 e 37 do TRF 4 a/R, que possuem os
seguintes índices:

a) janeiro de 1989 — 42,72%;

b) março de 1990— 84,32%;

c) abril de 1990— 44,80%;

d) maio de 1990— 7,87%;

e)fevereiro de 1991 — 21,87%.

• mostra-se pacifico nas decisões dos tribunais superiores a

inclusão dos expurgos inflacionários nos créditos tributários;

,573



• se porventura forem mantidos débitos decorrentes do excesso

do valor compensado, não deverá incidir a multa, eis que a

empresa não deu causa à demora na homologação da

compensação. Refere à decisão do Conselho de Contribuintes.

Ao finalizar requer seja a sua manifestação de inconformidade

acolhida e provida, determinando-se a inclusão dos expurgos

inflacionários nos cálculos do Fisco e, em sendo mantido o

débito, seja o mesmo exigido sem a imposição de multa.

Espera deferimento.

Após a manifestação de inconformidade foi anexado o

documento de fls. 444/448, tendo a DRF de origem despachado à

fl. 451.

Ponderando tais argumentos e as demais razões expostas no voto condutor do

acórdão recorrido, decidiu o órgão julgador de 1' instância pelo indeferimento do pedido de

compensação.

Mantendo sua irresignação, comparece o sujeito passivo mais uma vez aos

autos para, em sede de recurso voluntário, sinteticamente, reiterar as razões de inconformidade

formuladas por ocasião da instauração da fase litigiosa

Considerando que o pedido de compensação/restituição de fl. 01 tratava de

suposto indébito do PIS e do FINSOCIAL, foram os autos encaminhados ao e. Segundo

Conselho de Contribuintes, que concluiu pela inexistência de litígio atrelado à contribuiçãO

inserida na sua competência regimental, e declinou da competência para julgar a matéria afeta

ao F1NSOCIAL em favor deste Terceiro Conselho.

É o Relatório.

4



'	 observação acerca da aplicação, sobre tais índices, de percentuais diversos daqueles
reconhecidos pelo Poder Executivo.

Nessa esteira, penso que, salvo melhor juízo, reconhecer tais índices
implicaria violar a normatividade da coisa julgada, que criou "lei" entre as partes que litigaram
naquele processo judicial.

A esse respeito, peço vênia para relembrar Moacyr Amaral Santos':

"O comando emergente da sentença, como ato imperativo do

Estado, torna-se definitivo, inatacável, imutável, não podendo

ser desconhecido fora do processo. E aí se tem o que se chama

coisa julgada material, ou coisa julgada substancial, que

consiste no fenômeno pelo qual a imperatividade do comando

emergente da sentença adquire força de lei entre as partes ".

(grifei)

Dessa forma, considero que a atuação deste colegiado deve se limitar ao
cotejo entre o conteúdo do decisum objeto do processo que tramitou pela Justiça Federal e o
despacho decisório proferido pela autoridade jurisdicionante, posteriormente confirmado pelo
acórdão debativo no presente recurso voluntário.

Nos demais aspectos, no meu sentir, operou-se a chamada eficácia preclusiva
da coisa julgada, gizada no art. 474 do Código de Processo Civi1 2, assim definida por Moreira':

"Á eficácia preclusiva da coisa julgada manifesta-se no
impedimento que surge, com o trânsito em julgado, à discussão e
apreciação das questões suscetíveis de incluir, por sua solução,

no teor do pronunciamento judicial, ainda que não examinadas

pelo juiz."

Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso
Voluntário.

Sala das Sessões, em 22 de maio de 2009.

L G UERRA DE CASTRO

Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. 30 volume. Saraiva. 8' edição. São Paulo. 1.985, pág. 43.
2 „

Passada em julgado a sentença de mérito, reputar-se-ão deduzidos e repelidas todas as alegações e defesas, que
a parte poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido"

3 MOREIRA, José Carlos Barbosa. A Eficácia Preclusiva da Coisa Julgada Material no Sistema do Processo
Civil Brasileiro. In Temas de Direito Processual. Primeira Série. Saraiva. r edição. São Paulo. 1.988, págs. 100 a
101.

6


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JUDITH 

LUÍS EDUARD 

FORMALIZADO EM: 02/12/20 

MARCONDES ARMANDO - Pr sidente. 

S3-C2T1 

MINISTÉRIO DA FAZENDA 
Á.  

' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA  SEÇÃO  DE JULGAMENTO 

Processo n" 	11618_000785/2006-82 

Recurso n° 	168.645 

Resolução n" 3201-00.171 — 2 Câmara  / P Turma Ordinária 

Data 	30 de setembro de 2010 

Assunto 	Solicitação de Diligência 

Recorrente TEXNOR TEXTIL DO NORDESTE S/A 

Recorrida 	FAZENDA NACIONAL 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, 

RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o 
julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o 
presente julgado, 

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes 
Armando (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Mércia 
Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e 
Daniel Mariz Gudino.. 

1 



S3-C211 Processo n" 11618.000785/2006-82 
Resolução n." 320140171 

Relatório 

0 presente processo trata de pedido eletrônico de restituição cumulado com 

compensação PER/DCOMP n° 0507.80343.150903.13.04-8801 (fls,02 a 06), 

Por bem demonstrar os fatos, transcrevo Relatório constante do Acórdão da 
DRJ-Recife,  vet  bis:  

I. Cuida o presente processo de Pedido de Restituição/Compensação 
(11, 01), PER/DOOMP no 0507.80343.150903.13.04-8801 (/l's. 02/06), 
de 21/02/2006, visando Compensação de débito da Cofins, do  período 
de apttiação junho de 2003, utilizando crédito de Cofins, relativo ao 
mês  de junho de 2001, indicando como crédito inicial o valor original 
de R$ 364.957,44 (IT. 04) e o valor do débito de R$ 54 007,06 (11 05)). 

2. 0 Despacho Decisório (fl, 10) do Delegado da Receita Federal do 
Brasil em Joao Pessoa/PB, com fulcro no Parecer' No. 214/2006 (fls. 
10/11), decidiu.. 

2 1. NÃO HOMOLOGAR o pedido de Compensação consignado na 
PER/DOOMP no 0507.80343.150903 13.04-8801, por inexistência de 
crédito disponivel, cujo valor original importa em R$ 364.957,44 
(trezentos e sessenta e quatro mil, novecentos e cinquenta e sete reais e 
quarenta e quatro centavos), nos  termos  do art. 26, 2 da IN SRE no 
460/2004,; 

2.2. PROCEDER a  cobrança  do débito não compensado, coin 
Andamento no art. 26, 4, da instrução Normativa No. 600 de 28 de 
dezembro de 2005, acrescido dos encargos legais na for ma do art. 52 
da referida Instrução Normativa. 

3.. Cientificada de tal  decisão,  em 20/10/2006,  conforme  "AR" (fl 16), a 
contribuinte, por intermédio de seu representante legal, apresentou 
Manifestação de Inconformidade  (lis 17/22), de 14/11/2006, por sua 
representante legal, em que contesta o decis.wn sob os seguintes 
argumentos» 

3.1. pela cópia da PER/DCOMP 0507.80343.150903.13.04-8801 que 
foi homologada pela Receba Federal, verifica-se que o débito de 
Cofins, do Inds de 07/2003, no valor de R$ 54.007,06 foi compensado 
coin um crédito de Cofins no valor de R$ 364.957,44, originado de 
pagamento a inaior do mesmo tributo efetuado em 13/07/2001, relativo 
ao.fato gerador da Co/ins, do mds de 05/2001; 

3 2 entretanto a  compensação  não foi homologada por pelo  inativo  de 
"inexistência de crédito disponivel, cujo valor original importa em R$ 
364.957,44", 

conforme relatado em impugnação a auto de  infração 
anteriormente  lavrado  contra a impugnante, para cobrar Cofins, do 
period() de 04/2000 a 06/2002, que deu origem ao processo 
administrativo no 11618.003134/2002-11, cópias anexas, vendas 
realizadas pela impugnante nos meses de maio a julho de 2001 foram 
canceladas, tendo a devolução sido contabilizada, nos meses de agosto 
e setembro de 2001, por terem as correspondentes notas fiscais sido 

2 



Processo n" 11618 000785/2006-82 

Resoluçao  ii "3201-00.171  

entitidas por valores superiores aos corretos A impugnante junta 

planilha, demonstrando as bases de  cálculo  dos anos de 1999 a 200.2 

(f1.24); 

3.4. em decorrência desse erro, a impugncinte pagou, cont relagão aos 

meses de maio a julho/2001, quantias mais elevadas do que as de fato 

devidas, tendo em vista que vendas canceladas nclo integram a base de 

cálculo  tia Cotins, segundo art 3o, § 2o, inciso I da Lei no 9 718/98; 

3.5. portanto,  ao calcular a Colitis sobre vendas canceladas, a 

impugnante pagou além do que era devido, passando então a ter o 

direito de compensar coin outros débitos, mormente da própria Cofins, 

o crédito contra o fisco resultante cio montante indevidamente pago, 

3 6. ao tomar conhecimento  da autuação,  a impugnante aileron a 

.forma de demonstrar em DCTF as  compensações efetuadcts, 

formalizando as DCOIVIP e informando em DCTF que o pagamento da 

Colitis se dava através de compensação, informando a origem do 

crédito que, nesse caso foi o valor de Colitis pago a maior em 07/2001, 

tendo como fato gerador as receitas do mês 06/2001; 

3.7. afirma que o crédito no valer de RS .364.957,44, informado no 

PERDIDCOA/IP no 40507 80343.150903.1.3.04-8801, JIÕO foi 

localizada pela SRF em setts sistemas, conforme  informada  no 

despacho transcrito, pelo fato de a impugnante ter se equivocado no 

preenchimento c/a PER/DCOMP. 0 valor correto  da  Colitis no mês 

06/2001 é de R$ 506538,88, conforme se verifica pela cópia do DART 

em anew) (doe. 25); 

3.8. a impugnante junta planilha demonstrando a ot igem  cio crédito e 

as  compensa cães efetuadas, pela qual se pode observar que havia 
crédito  suficiente  pat-a a Compensação da Co/in,, demonstrada cm 

DCTF do 3o trimestre de 2003 e na PER/DCOMP citada, objeto da 

não homologação ora contestada, 

3.9 requer que seja homologada a compensação efentada de acordo 

coin o pedido de compensação consignado na aludida Declaração de 

Compensação e seja cancelada a  cobrança  do débito ora impugnado. 

Após analisar a manifestação de inconformidade da interessada, a DRJ — Recife 
proferiu o Acórdão  No. 11-24.117, em 15 de outubro de 2008, (fls. 541ss), por meio do qual se 
manteve o indeferimento do pedido de restituição, no termos da ementa abaixo transcrita: 

ASSUNTO.- CONTRIBUICA.  0 PARA O FINANCIAMENTO DA 

SEGURIDADE SOCIAL,- COFINS 

Período  de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 

COMPENSA CÃO TRIBUTARIA. 

A compensação, ITOS ternto,s em que está definida em lei (art. 170 do 

CTN), como em qualquer outra  compensação dessa natureza, só 

poderá ser homologada se os créditos do contribuinte em relação 

Fazenda Pública, vencidos ou vincendos estejam revestidos dos 

atributos de  liquide; e certeza 

3 



S3-C21•1 Processo n" 11618.000785/2006-82 
Resoluvlo n° 3201-00.171 

Solicitação Indeferida 

A Recorrente foi cientificada do Acórdão profexido pela DRJ — Recife em 

04/11/2008 (fl.. 59/60). 

Inconformada com a  decisão  de primeira instância administrativa, a  recorrente  

interpôs Recurso Voluntário, em 28/11/2008 (tl s. 621ss), reiterando as razões de sua 

manifestação de inconfonnidade e inovando na argumentação no seguinte ponto: 

L Que o cancelamento das vendas é fato incontroverso, em decorrência da 

informação constante do Parecer SAORT/DRF/JPA no. 054/2004, processo 

10467.501133/2006-79, onde faz a seguinte transcrição do Parecer (fl. 64): 

"7. Por sua vez, os valores das vendas canceladas ocol ridas nos meses 
de agosto (R$ 10.979 502,26) e setembro (R$ 23.127.065,58,)... 

10,  Esclareça-se ainda que nos presentes autos inexiste  controvérsia 
acerca dos valotes das vendas canceladas, os quais foram confirmados 
pela fiscalização desta Delegacia, coilforme b¡formagão Fiscal de 

174/1 79 " 

Junta cópia de DARF e documentos da sua escrita fiscal (fls. 69/ss). 

Requer, poi fim, a Recorrente seja provido o presente recurso homologando-se 
todas as compensações por ela pleiteadas, 

0 processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator em 
02/06/2010, na forma regimental. 

É  o relatório. 

Voto 

Conselheiro LUÍS EDUARDO G. BARBIERI, Relator: 

Verifica-se que o fundamento da  decisão  da DRJ-Recife, em apertada síntese, 
decorreu do fato da Recorrente alegar o direito a crédito da COFINS, cuja origem afirma ter 
sido o cancelamento de vendas, sem, entretanto, comprovar efetivamente a sua existência. 
Aduz a Relatora do acórdão recorrido que "a escrituração  contábil  da empresa faz prova legal 
a ,favor da interessada devendo estar lastreada em documentação autêntica, que reflita com 
fidelidade os fatos nela registrados. Em hipótese de erro de algum registro contábil, a 
reversão  da presunção de veracidade depende da apresentação de documentação 
comprobatória respectiva." 

Neste ponto, concordo com a decisão recorrida., Deve o contribuinte trazer. os 
elementos probantes - cópias de livros fiscais e conthbeis, notas fiscais e outros documentos - 
que demonstrem cabalmente suas alegações, de forma que o julgador possa firmar seu 
convencimento sobre os fatos alegados. 

Também entendo que os autos ainda carecem de provas suficientes para 
demonstrar as alegações da recorrente, ou seja, se efetivamente houve o cancelamento das 

vendas que poderiam gerar os requeridos créditos da CORNS. 

4 



S3-C21- 1 Processo n" 11618 000785/2006-82 

Resoluciio n 3201-00.171 

Desta forma, face à precariedade das provas até então produzidas, deve ser 

propiciada a ampla oportunidade para a Recoirente esclarecer os fatos, através da juntada dos 

documentos e informações que possam demonstrar o seu direito, em atendimento ao principio 
da verdade material. Não se trata da produção de novas provas após o prazo previsto para tal 

(artigos 15 e 16 do Decreto no. 70.235/72), mas sim de complementação das provas e 
informações já trazidas aos autos, embora de forma insuficientes. 

0 principio da verdade material refere-se ao dever de esclarecer o fato real, 

trazer aos autos a versão mais próxima  possível  do evento ocorrido, para que o julgador 

disponha de elementos seguros para tomada de sua decisão. 

Neste ponto, conveniente citar posições doutrinarias sobre a matéria. Leciona 

Paulo Celso Bonilha (in Da Prova no Process() Administrativo Tributário, Ed. LTR, 1993, pág. 
76) que "no processo administrativo a  decisão  deve estai conformada coin a verdade material 

dos Alas, sob pena de inquinar-se vicio  insanável.  Por essa razão, rege o principio da verdade 

material, também conhecido coma o da liberdade da prova". E ainda, Alberto Xavier (in Do 

Lançamento Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo  Tributário,  Ed, Forense, 

1998, pág. 156/157), ao anunciar que "as diligências instrutórias promovidas pela 
Administração fiscal não tem como fim exclusivo a prova dos fatos constitutivos da obrigação 

tributária ou dos fatos que se traduzem imuina ampliação do seu quantitativo, antes — nobile 
officium — se dirigem indistintamente a estes e aos que tenham caráter impeditivo daquela 
obrigação ou determinem uma diminuição do seu quantitativo ou respeito a preclusiio do 
exercício do direito ao langamento". 

Ademais, o direito ao contraditório e a ampla defesa são princípios 

constitucionais basilares que devem permear todo processo administrativo fiscaL 

O contraditório é o exercício da dialética processual, implica no direito que tem 
as partes de serem ouvidas nos autos, devendo o processo ser marcado pela bilateralidade da 
manifestação dos litigantes, em decorrência do principio da igualdade das partes,  tão 
importante para o embate processual. Seu  desígnio é oportunizar direito à parte demandada de 
ser informada a respeito do que está sendo alegado pelo demandante, a fim de que possa 
produzir defesa de qualidade e indicar prova necessária, licita e suficiente para alicerçar sua 
peça contestatoria. 

A ampla defesa representa garantia constitucional prevista no art. S.', inciso LV, 
da Constituição Federal. Não seria demasiado dizer que a ampla defesa também está 
intimamente ligada a outro principio constitucional mais abrangente, qual seja o devido 
processo legal, pois é inegável que o direito a defender-se amplamente implica 
consequentemente na  observância  de providencia que assegure legalmente essa garantia. 

A vista do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, 
no intuito de  verificar  se efetivamente existe o direito ao crédito da COFINS, em 
decorrência das supostas vendas canceladas, devendo a autoridade fiscal da DRF João 
Pessoa tomar as seguintes providências: 

1- Intimar o contribuinte para que apresente todos os elementos probantes que 
demonstrem suas alegações do suposto credito de COFINS (cópias de livros fiscais e contábeis, 

notas fiscais, extratos  bancários  com a movimentação financeira da venda e da devolução e 

outros documentos); 

5 



1 rocess() if  11618 000785/2006-82 
	

S3-C211 
Resolução  n°  3201-00.171 	 Fl. 6 

2- Verificar e confirmar, se for o caso, as seguintes alegações da Recorrente: 

2- Verificar e confirmar, se for o caso, as seguintes alegações da Recorrente: 

21 Que o valor das vendas canceladas já foi objeto de reconhecimento no 

processo administrativo 11618.003135/2002 -65 em informação prestada pela fiscalização; 

2.2. Que o cancelamento das vendas é fato incontroverso, em decorrência da 
informação constante do Parecer SAORT/DRFAPA no. 054/2004, processo 
10467.501133/2006-79; 

3., Elaborar Relatório circunstanciado e conclusivo sobre os fatos apurados na 
diligencia, inclusive manifestando-se sobre a existência dos supostos créditos nos sistemas 
informatizados da Receita Federal; 

4- Outras informações e/ou observações julgadas pertinentes para esclarecer os 
fatos. 

Encerrada a instrução processual a Interessada  deverá  ser intimada para 
manifestar-se no prazo de 30 (trinta) dias, antes 	d- 'olu ão ti processo para julgamento. 

LUÍS EDUARDO 

6 


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S3­C3T2 

Fl. 144 

 
 

 
 

1

143 

S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  16327.902613/2006­34 

Recurso nº  173.931 

Resolução nº  3302­00.105  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 

Data  04 de fevereiro de 2011 

Assunto  Solicitação de Diligência 

Recorrente  SANTANDER BANESPA S/A ­ ARRENDAMENTO ME (MERIDIONAL 
LEASING S/A ARREND. MERCANTIL) 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, 

Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o 
julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. 

 

(ASSINADO DIGITALMENTE) 

Walber José da Silva ­ Presidente 

 

(ASSINADO DIGITALMENTE) 

José Antonio Francisco ­ Relator 

Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José 
Antonio  Francisco,  Fabiola  Cassiano  Keramidas,  Alan  Fialho  Gandra,  Alexandre  Gomes  e 
Gileno Gurjão Barreto. 

  

Fl. 1DF  CARF MF

Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO

Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO



Processo nº 16327.902613/2006­34 
Resolução n.º 3302­00.105 

S3­C3T2 
Fl. 145 

 
 

 
 

2

RELATÓRIO 

Trata­se de  recurso voluntário  (fls. 46 a 57) apresentado em 28 de outubro de 
2008 contra o Acórdão no 16­18.533, de 15 de setembro de 2008, da 10ª Turma da DRJ São 
Paulo  I  /  SP  (fls.  37  a  41),  cientificado  em  26  de  setembro  de  2008,  que,  relativamente  a 
declaração de compensação de Cofins do período de maio de 2003, indeferiu a solicitação da 
Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: 

ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA 
SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS 

Ano­calendário: 2003 

DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  DCOMP.  PAGAMENTO 
INDEVIDO OU A MAIOR.  

Não  havendo  nos  autos  comprovação  do  erro  alegado,  não  se 
reconhece direito creditório em favor do contribuinte. 

Solicitação Indeferida 

O pedido foi apresentado em 13 de junho de 2003 e inicialmente apreciado pelo 
despacho decisório de fl. 3. 

A Primeira Instância assim resumiu o litígio: 

“Trata  o  presente  processo  de  Declaração  de  Compensação  – 
DCOMP,  gerada  pelo  programa  PER/DCOMP  transmitida  em 
13/06/2003(fls. 06/11) para utilização de crédito de COFINS apurado 
na DIPJ/2003, com o valor devido a título de COFINS, código. 7987, 
vencimento em 13/06/2003, no valor de R$ 130.201,23(fl.10). 

DO DESPACHO DECISÓRIO 

O Despacho Decisório foi proferido pela DEINF nos seguintes termos 
(fls.03): 

‘Limite  do  crédito  analisado,  correspondente  ao  valor  do  crédito 
original  na  data  de  transmissão  informado  no  PER/DCOMP  :  R$ 
128.912,11. 

‘A partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima 
identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo 
relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do 
contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos 
débitos informados no PER/DCOMP. 

‘... 

‘Diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação 
declarada.’ 

DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 

Cientificado do Despacho Decisório em 02 de maio de 2008, conforme 
AR de fls.04, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, 

Fl. 2DF  CARF MF

Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO

Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO



Processo nº 16327.902613/2006­34 
Resolução n.º 3302­00.105 

S3­C3T2 
Fl. 146 

 
 

 
 

3

protocolizada em 30 de maio de 2008, com os argumentos de fls. 01 e 
02, como segue: 

Não poderá prevalecer o Despacho Decisório de não reconhecimento 
de crédito declarado de R$ 130.201,23 (doc. 02). 

Em  decorrência  de  recalculo  da  base  do  imposto  de  renda,  foi 
recolhido  a  maior  o  valor,  porém  como  não  houve  a  retificação  da 
DCTF  não  foi  reconhecido  o  crédito  informado  na  PERDCOMP, 
conforme documento em anexo. 

Ao  considerarmos  o  valor  acima  apontado  na  DCTF  retificadora, 
perceber­se­á que o Requerente tinha crédito para liquidar o débito do 
mês de Maio de 2003, código 7987. 

Diante do exposto, é a presente para requerer que seja (i) retificada a 
DCTF  de  ofício,  de  modo  que  conste  o  valor  explicitado  no  quadro 
retro­citado, (ii) bem como reconhecido o direito do crédito, haja vista 
que a compensação procedida por mio da DCTF com crédito suficiente 
para suportá­la." 

No recurso, a Interessada alegou o seguinte: 

Após  promover  os  ajustes  da  base  de  cálculo  da  COFINS,  por 
equívoco, a Recorrente deixou de retificar a DCTF do 2° trimestre de 
2003,  de  modo  que  permaneceram  como  exigíveis  os  valores 
declarados  naquela  oportunidade.  Certamente,  por  essa  razão,  a 
Recorrida  não  visualizou  o  crédito  utilizado  nas  PER/DCOMP 
enviadas e não homologou a compensação pretendida. 

Ao  entregar  a  DCTF  referente  ao  2°  trimestre  de  2.003  (doc.  7),  a 
Recorrente  constituiu  e  adimpliu  o  crédito  tributário  de  COFINS 
(abril) no valor de R$ 295,892,04. 

A  auditoria  constatou  que  a  Recorrente  havia  erroneamente  lançado 
uma reversão de provisão no COSIF n° 7.3.9.99.00­7 ­ Outras Rendas , 
não Operacionais quando o  correto  seria na  conta n° 7.1.9.90.99­8  ­ 
Reversão de Provisões Operacionais. 

Esse  erro  de  fato  resultou  no  aumento  das  receitas  tributáveis  e, 
conseqüentemente, no valor da COFINS apurado e recolhido no mês de 
abril de 2003. Apenas para elucidar, vejamos o quadro abaixo: 

   DCTF 2° TRIMESTRE DE 2003    

   antes da revisão  depois da revisão 

Tributo  Abril  Abril 

COFINS  R$ 295.892,04  R$ 166.979,93 

Assim,  ao  apurar  os  saldos  de  pagamentos  a  maior,  a  Recorrente 
procedeu  à  atualização  da  diferença,  e  na  data  do  vencimento  da 
obrigação realizou a compensação com débito de COFINS de maio de 
2003, conforme  informado na DCTF do 2°  trimestre/03  (doc. 8)  e na 
declaração de compensação anteriormente mencionada (doc. 9). 

Fl. 3DF  CARF MF

Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO

Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO



Processo nº 16327.902613/2006­34 
Resolução n.º 3302­00.105 

S3­C3T2 
Fl. 147 

 
 

 
 

4

Em que pese a  lisura  .dos procedimentos da Recorrente, a Delegacia 
da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  manteve  a  decisão 
exarada  pela  DEINF  e  apontou  como  pendência  exatamente  o  valor 
compensado  (PIS no  valor histórico de R$ 27.930,96 e atualizado de 
R$ 28.210,27). 

A  seguir,  afirmou  que  seria  necessário  analisar  os  documentos  contábeis 
juntados ao recurso para respeitar a ampla defesa, citando entendimento da doutrina. 

Por fim, esclareceu o seguinte, antes de defender a legalidade da compensação 
realizada: 

Ao  apurar  a  base  de  cálculo  da  COFINS,  equivocadamente,  a 
Recorrente considerou como receita o montante atinente a reversão de 
provisão  na  Conta  COSIF  n°  7.3.9.99.00­7  ­  Outras  Rendas  não 
Operacionais  do  balancete  mensal  e  do  razão  contábil,  efetuando 
pagamento  dessa  contribuição  em  valor  manifestamente  superior  ao 
que séria efetivamente devido. 

Na  realidade,  o  lançamento  contábil  da  reversão  deveria  ter  sido 
realizado na Conta COSIF rio 7.1.9.90.99­8 ­­ Reversão de Provisões 
Operacionais/Outras,  conforme  demonstrado  no  Balancete  Analítico 
(doc. 13) e no Livro_Razão (doc. 12) acostados aos autos. 

Pois bem. Como é possível observar do Razão  (planilha de apuração 
da  base  de  cálculo  da  COFINS)  de  abril  de  2003,  facilmente 
constatamos que na conta n° 7.3.9.99.00­7 a Recorrente lançou o valor 
de R$ 4.297.070,20 como se receita fosse. Por se tratar de reversão de 
provisão não operacional, esse montante deveria integrar as contas de 
EXCLUSÕES  do  livro  razão  e  não  as  contas  de  RECEITAS  como 
informado inicialmente. 

Requereu  que,  diante  de  eventual  impossibilidade  de  deferir  o  pedido,  fosse 
realizada diligência. 

É o relatório. 

VOTO 

Conselheiro José Antonio Francisco, Relator 

O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele 
devendo­se tomar conhecimento. 

Do  que  foi  relatado,  conclui­se  que  o  indeferimento  do  crédito  da  Interessada 
baseou­se no fato de a Interessada não teria retificado a DCTF. 

Requereu a retificação de ofício da DCTF, o que é impossível, uma vez que se 
trata de declaração sempre de iniciativa do sujeito passivo. 

Como obrigação acessória, a falta de retificação não pode, por si só, restringir o 
direito de restituição. 

Fl. 4DF  CARF MF

Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO

Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO



Processo nº 16327.902613/2006­34 
Resolução n.º 3302­00.105 

S3­C3T2 
Fl. 148 

 
 

 
 

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Entretanto, para ser possível a  restituição, é  imprescindível a demonstração do 
direito de crédito. 

No  caso  dos  autos,  a  Interessada  alegou  que  teria  efetuado  uma  inclusão 
indevida  na  base  de  cálculo,  relativamente  a  uma  reversão  de  provisão  de  receita  não 
operacional. 

Diante do  exposto,  voto por converter o  julgamento do  recurso  em diligência, 
para que  a Fiscalização  verifique  exatamente a que  tipo de provisão  referiu­se o  lançamento 
contábil e se, de resto, a Interessada tem razão em relação à alegação, no tocante aos valores e 
ao direito alegado, devendo, ao final, lavrar relatório de diligência, dando ciência à Interessada 
para manifestação no prazo de trinta dias. 

 

(ASSINADO DIGITALMENTE) 

José Antonio Francisco 

Fl. 5DF  CARF MF

Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO

Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO


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S3­C1T1 

Fl. 282 

 
 

 
 

1

281 

S3­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10283.901875/2008­11 

Recurso nº  509.784 

Resolução nº  3101­000.205  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 

Data  25 de janeiro de 2012 

Assunto  Diligência 

Recorrente  SOCIEDADE AMAZONENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA LTDA. 

Recorrida  DRJ/BELÉM­PA 

 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Resolvem os membros Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do 
recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. 

 

Henrique Pinheiro Torres ­ Presidente 

 

Luiz Roberto Domingo ­ Relator  

Participaram do  julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete 
Aparecida  Marinheiro,  Corintho  Oliveira  Machado,  Vanessa  Albuquerque  Valente,  Luiz 
Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente) 

 

Relatório 

Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pela  Recorrente  contra  decisão 
proferida  pela  DRJ  que  indeferiu  a  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  contra  o 
despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação pela suposta ausência de crédito de 
COFINS. 

Contra o referido despacho decisório, a Recorrente apresentou Manifestação de 
Inconformidade alegando que, de forma equivocada, declarou em sua DCTF o valor a pagar de 
R$ 53.941,91,  referente à COFINS do 1º  trimestre de 2004 ­  fevereiro, quando na verdade o 
valor devido era de apenas R$ 23.160,53, gerando, portanto, um crédito de R$ 30.781,38.  

  

Fl. 287DF  CARF MF

Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
PI

A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012

 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES



Processo nº 10283.901875/2008­11 
Resolução n.º 3101­000.205 

S3­C1T1 
Fl. 283 

 
 

 
 

2

Do  total  do  crédito  apurado  a  título  de  COFINS,  a  Recorrente,  por  meio  do 
PER/DCOMP  nº  28907.55651.180804.1.3.04­1656,  pleiteou  a  compensação  com  débito  de 
COFINS dos períodos de junho e julho de 2004, no montante de R$ 29.606,13 e R$ 3.000,41, 
respectivamente. 

Ocorre que, como a Recorrente somente retificou sua DCTF após perceber que 
seu pedido de compensação não foi homologado, a compensação foi indeferida por ausência de 
crédito, já que o pagamento indevido estava integralmente relacionado ao débito da originário. 

Ao  analisar  a Manifestação  de  Inconformidade  da Recorrente,  a DRJ  proferiu 
decisão  no  sentido  de  indeferir  o  pedido  com  base  nos  fundamentos  consubstanciados  na 
seguinte ementa: 

ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 

Ano­calendário: 2004 

DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU 
A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. 

Considera­se  não  homologada  a  declaração  de  compensação 
apresentada  pelo  sujeito  passivo  quando  não  reste  comprovada  a 
existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de 
compensação  referentes  a  pagamentos  indevidos  ou  a  maior  o 
contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. 

Manifestação de Inconformidade Improcedente. 

Direito Creditório Não Reconhecido. 

Contra  decisão  proferida  pela  DRJ,  foi  interposto  Recurso  Voluntário 
requerendo a juntada de novos documentos, uma vez que a alegação de que a Recorrente não 
apresentou os documentos fiscais hábeis a comprovar o direito creditório constituí argumento 
novo,  abrindo  a  oportunidade  para  apresentação  de  documentos  para  “contrapor  fatos  ou 
razões trazidas aos autos”, conforme alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Decreto 70.235/72, bem 
como a homologação da compensação efetuada. 

É o relatório. 

 

Voto 

Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator 

Trata­se de Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente requerendo a juntada 
de  novos  documentos  para  contrapor  novos  fatos  ou  razões,  artigo  16,  §  4º,  alínea  ‘c’  do 
Decreto nº 70.235/72, e, consequentemente, o reconhecimento do direito creditório.  

O §4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 estabelece a preclusão ao direito de 
produzir  provas  após  a  apresentação  da  Impugnação  pelo  Autuado,  ressalvada  as  exceções 
previstas em suas alíneas. 

Fl. 288DF  CARF MF

Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
PI

A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012

 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES



Processo nº 10283.901875/2008­11 
Resolução n.º 3101­000.205 

S3­C1T1 
Fl. 284 

 
 

 
 

3

Para afastar a preclusão e juntar documentos extemporaneamente, a Recorrente 
fundamenta seu pedido sob alegação de que a DRJ, ao julgar improcedente a Manifestação de 
Inconformidade  pela  falta de  comprovação  do  direito  creditório,  trouxe  argumento  novo  aos 
autos, passível de contraposição. 

No entanto, muito embora a DRJ  tenha  indeferido o pleito por entender que a 
Recorrente não comprovou “por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação 
tributária principal  fora diversa e o pagamento respectivo de fato indevido”, entendo que os 
documentos  necessários  para  comprovação  do  direito  creditório  foram  devidamente 
apresentados na Manifestação de Inconformidade, quais sejam, o comprovante de recolhimento 
do tributo (fls. 31) e a DCTF retificadora (fls. 36/82), ser confirmados pela Fiscalização, como 
será demonstrado a seguir. 

A compensação é hipótese de extinção do crédito tributário – artigo 156,  II do 
CTN,  disciplinada  pelo  artigo  170  do mesmo  diploma,  que  estabelece  o  princípio  da  estrita 
legalidade: 

“Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, 
ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, 
autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos 
e  certos,  vencidos ou vincendos,  do  sujeito passivo  contra a Fazenda 
pública. 

Parágrafo  único.  Sendo  vincendo  o  crédito  do  sujeito  passivo,  a  lei 
determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, 
não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao 
juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data 
da compensação e a do vencimento.” 

Analisando­se o dispositivo acima, verifica­se que a compensação pressupõe a 
constituição  de  credor  (sujeito  ativo)  e  devedor  (sujeito  passivo)  recíprocos,  condicionada  a 
existência de norma reconhecendo o direito aos Contribuintes de efetuarem a compensação. 

Na época do encontro de contas – transmissão do PER/DCOMP ­, a restituição, 
ressarcimento e compensação era disciplinada pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, alterado pela 
Lei nº 10.637/2002: 

“Art.  74. O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais 
com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição 
administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível  de 
restituição ou de  ressarcimento, poderá utilizá­lo na compensação de 
débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições 
administrados por aquele Órgão. 

§  1º  A  compensação  de  que  trata  o  caput  será  efetuada  mediante  a 
entrega,  pelo  sujeito  passivo,  de  declaração  na  qual  constarão 
informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos 
compensados. 

§  2º  A  compensação  declarada  à  Secretaria  da  Receita  Federal 
extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior 
homologação.” [...] 

Fl. 289DF  CARF MF

Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
PI

A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012

 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES



Processo nº 10283.901875/2008­11 
Resolução n.º 3101­000.205 

S3­C1T1 
Fl. 285 

 
 

 
 

4

Assim,  a  compensação  poderia  ser  utilizada  no  caso  de  credor  e  devedor 
recíprocos,  de  créditos  passíveis  de  restituição  ou  ressarcimento  apurados  pelo Contribuinte, 
que, no caso em  tela, o direito creditório pleiteado pela Recorrente decorre da restituição do 
pagamento a maior. 

Demonstrado que a Recorrente possuía o direito de efetuar a compensação dos 
valores  supostamente  recolhidos  a  maior,  basta  verificar  a  existência  do  direito  creditório 
pleiteado. 

O crédito objeto da presente compensação não homologada decorre de suposto 
pagamento  a  maior  a  título  de  COFINS,  espécie  de  tributo  sujeito  ao  lançamento  por 
homologação jungido às regras previstas no art. 150, §§ 1º a 4º do CTN, e segundo as quais a 
atividade  do  contribuinte  compreende  a  de  apurar  o montante  do  tributo  devido  e  efetuar  o 
recolhimento antecipado. 

Para  estes  casos,  o  crédito  tributário  propriamente  dito  constitui­se  com  a 
formalização  da  obrigação  tributária  mediante  a  apuração  e  entrega  pelo  sujeito  passivo  da 
Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais – DCTF. 

A  DCTF,  inicialmente  denominada  Declaração  de  Contribuições  e  Tributos 
Federais foi  instituída pela  IN SRF nº 129/1986 para prestação de informações de débitos, e, 
posteriormente,  substituída  pela  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais 
instituída pela já revogada IN SRF nº 126/1998, a qual, na época dos fatos, era regulamentada 
pela  IN  SRF  nº  255/2002,  instrumento  este  que  tem  o  condão  de  confissão  de  dívida  e 
constituição do crédito tributário. 

Os  efeitos  de  constituição  do  crédito  e  confissão  de  dívida  das  declarações 
prestadas pelo Contribuinte estão previstos no § 1º do artigo 5º do Decreto­Lei nº 2.124/84: 

“Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações 
acessórias  relativas  a  tributos  federais  administrados  pela  Secretaria 
da Receita Federal. 

§  1º  O  documento  que  formalizar  o  cumprimento  de  obrigação 
acessória,  comunicando a  existência  de  crédito  tributário,  constituirá 
confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do 
referido crédito. 

§  2º  Não  pago  no  prazo  estabelecido  pela  legislação  o  crédito, 
corrigido  monetariamente  e  acrescido  da multa  de  vinte  por  cento  e 
dos  juros  de  mora  devidos,  poderá  ser  imediatamente  inscrito  em 
dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto 
no  §  2º  do  artigo  7º  do  Decreto­lei  nº  2.065,  de  26  de  outubro  de 
1983.” 

Corroborando o Decreto­lei nº 2.341/84, foi editada a IN SRF nº 77/98 que veio 
justamente confirmar a constituição do crédito pela DCTF, determinando a remessa direta dos 
débitos  declarados  e  não  quitados  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  para  inscrição  em 
Dívida Ativa: 

“Art.  1º  Os  saldos  a  pagar,  relativos  a  tributos  e  contribuições, 
constantes  das  declarações  de  rendimentos  das  pessoas  físicas  e 
jurídicas  e  da  declaração  do  ITR,  quando  não  quitados  nos  prazos 

Fl. 290DF  CARF MF

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Processo nº 10283.901875/2008­11 
Resolução n.º 3101­000.205 

S3­C1T1 
Fl. 286 

 
 

 
 

5

estabelecidos  na  legislação,  e  da  DCTF,  serão  comunicados  à 
Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida 
Ativa da União.” 

No presente caso, o recolhimento a maior se concretizou no momento em que a 
Recorrente retificou sua DCTF, já que a retificadora substituí integralmente a original, podendo 
inclusive reduzir o valor do crédito tributário confessado, conforme §1º do artigo 11 da IN SRF 
nº 903/2008 (vigente à época da declaração retificadora): 

“Art.  11.  A  alteração  das  informações  prestadas  em  DCTF  será 
efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com 
observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para  a  declaração 
retificada. 

§  1º  A  DCTF  retificadora  terá  a  mesma  natureza  da  declaração 
originariamente  apresentada,  substituindo­a  integralmente,  e  servirá 
para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos 
já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados.” 

Diante do exposto, apesar de reconhecer que a DCTF retificadora é bastante e 
suficiente para retificar a confissão de dívida, em prol da segurança jurídica da Fazenda e do 
Contribuinte,  entendo  necessário  converter  o  julgamento  em  diligência  a  fim  de  que  a 
repartição de origem confirme na escrituração contábil e fiscal da Recorrente a correlação entre 
a materialidade da base de cálculo declarada, confirmando sua procedência e informando qual 
o valor do crédito tributário devido decorrente dessa apuração. 

Concluída  a  diligência,  intime­se  a  Recorrente  para,  querendo,  manifestar­se 
acerca  da  diligência,  no  prazo  de  30  dias,  sendo  que,  após,  os  autos  devem  retornar  para 
julgamento 

Luiz Roberto Domingo 

Fl. 291DF  CARF MF

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    <str name="materia_s">Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario</str>
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Ministério da Fazenda	

„
LIF ;inundo Conselhoeirdn ur firo

- Pubiwcii nu Difirsu	
aa A 2g CC-MF

-t	 41,	 de	
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Fl.
Segundo Conselho de Contribuintes	 Rubrica

-	 :

Processo n° :	 10183.002537199-06
Recurso n° :	 118.184
Acórdão n° : 202-13.947

Recorrente : CUIABÁ SERVICE PEÇAS E SERVIÇOS LTDA.
Recorrida : DRJ em Campo Grande - MS

FINSOCIAL - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE
DIREITO CREDITORIO SOBRE RECOLHIMENTOS DA
CONTRIBUIÇÃO - O direito de pleitear o reconhecimento de
crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação,
perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude
de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a
declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal
Federal, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado
Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta.
Inexistindo resolução do Senado Federal, há de se contar da data
da Medida Provisória n.° 1.110/95 (31/08/95). Não havendo
análise do pedido, anula-se a decisão de primeira instância,
devendo outra ser proferida em homenagem ao duplo grau de
jurisdição.
Processo ao qual se anula a partir da decisão recorrida,
inclusive.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por:
CUIABÁ SERVICE PEÇAS E SERVIÇOS LTDA.

ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão de
primeira instância, inclusive.

Sala das Sessões, em 09 de julho de 2002

le-rtr -r€4-ce 7,2--44;f0S—
He 'que Pinheiro Torresier
Presidente

•--

Eduardo da Rocha Schmidt
Relator

Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros António Carlos Bueno Ribeiro,
Adolfo Monteio, Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar, Ana Neyle Olímpio Holanda e
Dalton Cesar Cordeiro de Miranda.

cl/cf

1



22 CC-MF
-•••`-é':5--;	 Ministério da Fazenda..*As „",

Fl.
Segundo Conselho de Contribuintes

ttitt;r:4Y

Processo n° :	 10183.002537/99-06
Recurso n° :	 118.184
Acórdão n° : 202-13.947

Recorrente : CUIABÁ SERVICE PEÇAS E SERVIÇOS LTDA.

RELATÓRIO

Trata o processo de pedidos de compensação e de restituição da Contribuição
ao Fundo de Investimento Social — FINSOCIAL, referente ao período de apuração de 09/1989 a
01/1992.

Mediante o Despacho Decisório de fls. 103/104, a solicitação foi indeferida,
considerando-se alcançado pela prescrição o direito de a contribuinte pleitear a restituição.

Inconformada, a interessada apresentou a tempestiva Impugnação de fls.
107/118, alegando que não se haveria de falar em decadência ou prescrição no caso.

A autoridade julgadora de primeira instância manteve o indeferimento, nos
termos da Decisão de fls. 120/124, cuja ementa se transcreve:

"Assunto: Outros Tributos ou Contribuições

Período de apuração: 01/09/1989 a 31/02/1992

Ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
DECADÊNCIA.

O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição/compensação de
tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente, extingue-se após o

transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito
tributário, mesmo quando se tratar de pagamento com base em lei declarada
inconstitucional pelo STF.

SOLICITAÇÃO INDEFERIDA".

Inconformada, interpôs a contribuinte Recurso Voluntário a este Segundo
Conselho de Contribuintes (fls. 130/153), onde, reiterando os argumentos constantes de sua
manifestação de inconformismo, requer o deferimento de seu pedido inicial.

É o relatório.	 49

7,5

2



2° CC-MF
Ministério da Fazenda Fl.

'"i.Jn;:7ARJ 	 Segundo Conselho de Contribuintes

Processo n° :	 10183.002537/99-06
Recurso n° :	 118.184
Acórdão n° :	 202-13.947

VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR
EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT

Como se vê do relatório, o recurso é tempestivo, pelo que o conheço e passo a
decidir.

Para o deslinde da controvérsia, adoto o voto da ilustre Conselheira Maria -
Teresa Martinez López, proferido em Sessão de 19/09/2001, que resultou no Acórdão n°
203-07.704, cujas razões transcrevo:

"(--)

Em primeiro lugar, muito embora admita existirem
divergências doutrinárias, reconhecida até mesmo nos Tribunais ], ora
denominando o direito de pleitear a restituição/compensação como o de
'decadência', ora corno o de 'prescrição', adoto, como princípio, na corrente de
Paulo de Barros Carvalho, afigura da "prescrição".

A priori, o art. 168 do Cl]'! diz respeito ao pedido de
restituição formulado perante a autoridade administrativa, enquanto que o art.
169 diz respeito à ação para anular a decisão administrativa detzegatória do
pedido de restituição. Inexiste dispositivo legal estabelecendo a prescrição
para a ação do contribuinte para haver tributo cobrado com base em lei que
considere inconstitucional. Nesse impasse, necessário recorrer à doutrina e
jurisprudência.

O assunto, doutrinariamente, tem suscitado discussões,
conforme bem tratado no voto do Conselheiro Jorge Freire (Acórdão n° 201-
74.735, Sessão de maio/01), 110 qual também me espelhei, em parte, para as
conclusões aqui externadas. A matéria, quanto ao termo inicial para contagem
do prazo para o pedido de restituição do FINSOCIAL pago a maior em
relação ao aumento de alíquotas, veiculada pela Lei te 7.689/88, declarada
inconstitucional pelo STF (Acórdão RE n° 150.764-1/PE, DJU de 02/04/93),
tem merecido, pelo menos, três correntes.

A primeira, a de que o prazo deve-se contar da publicação
da primeira decisão do Plenário do STF', que considerou os aumentos

Consta do Agravo de Instrumento n°238.714 - SC ( 1999/0033537-6) - publicado no DJ -1, de 13/09/2000, que:
defendem corno sendo prescrição - Manuel Mvares, Código Tributário Nacional Comentado - SP - Ri', 1999, pág.
631; P.R.Tavares Paes, em "Comentários ao Código Tributário Nacional" SP- 5" ed.,1996, pag. 377; Ruy Barbosa
Nogueira, em "Curso de Direito Tributário" - SP - Saraiva, 9 11 ed. 1989. pag. 336. Em socorro à tese de tratar-se de
decadência, os seguintes doutrinadores: Paulo de Barros Carvalho, em curso de direito Tributário - r ed. - SP -
Saraiva, 1986-pág. 279; Aliomar Baleeiro - 1 ia ed. RJ, 1999, pág. 894; Celso Ribeiro Bastos. em Curso de Direito
Financeiro e de Direito Tributário - SP - Saraiva, 199 1. pág. 219.

s,,59	 3



2 2 CC-MF
Ministério da Fazenda

Fl.
1?)-- N2	 Segundo Conselho de Contribuintes

Processo n° : 10183.002537/99-06
Recurso n° :	 118.184
Acórdão n° : 202-13.947

inconstitucionais, vez que, na espécie, não houve a edição da Resolução do
Senado Federal, nos moldes do que determina a norma constitucional inserta
no artigo 52, X

A segunda, consubstanciado no Parecer COSIT n2 58, de 27
de outubro de 1998, entende que o prazo do item anterior aplica-se aos
contribuintes que foram partes na ação que declarou a inconstitucionalidade.
No entanto, em relação aos demais, o termo inicial é o da data do ato que
conceda ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição. No caso, a
data da publicaçao da Medida Provisória n 2 1.110/95, ou seja, 31.08.95.

A terceira, é o entendimento do Ato Declaratorio n2 96/99,
defendida pela autoridade singular, o qual baseou-se no Parecer PGFN ii2
1.538/99, qual seja, o de que o prazo conta-se da data da extinção do crédito
tributário, assim entendida a data do pagamento'

No que pertine ao "'INSOCIAL, filio-me à segunda corrente.
E isto por vários fundamentos: a uni, porque, na hipótese de declaração de
inconstitucionalidade do artigo 92 da Lei re 7.689/88 (e, em conseqüência, a
dos artigos 72 da Lei 772 7.787/89 e 12 da Lei n2 8.147/90), não houve
declaração do Senado Federal, quando, então, feriamos, a partir dai, os
efeitos erga 017717CS da declaração de inconsti tucionalidade daquela lei, que
veiculou os aumentos de afique:na do FINSOCIAL 3; a dois, porque o próprio
Poder Executivo, ao qual subordina-se a administração tributária, editou
medida provisória, que tem _força de lei, determinado que ficmxim dispensados
a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição em Divida Ativa
da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, assim como estariam
cancelados os lançamentos e a inscrição do FINSOCIAL exigidos das
empresas comerciais e mistas, com fulcro no ort 9 da Lei ng 7.689/88, na
aliquota superior a 0,5%, conforme Leis ti 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90; e,
a três, porque houve manifestação normativa exarada pela Receita Federal
esposando, no Parecer Normativo COSIT n 2 58/98, entendimento a ser

20 referido Ato Declaratório dispôs que: 'V — o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo
ou contribuição pago indevidamente ou ent valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido
efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação
declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da
data da extinção do crédito tributário — arts. 165. 1, e 168. I, da Lei 5172, de 25 de outubro de 1966 (Código
Tributário Nacional). II - 	  ".

3A matéria já está pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça, que vem decidindo que, em matéria de tributos
declarados inconstitucionais, o prazo de 5 anos, para repetição do indébito ou compensação, se inicia a partir da
declaração de inconstitucionalidade (Embargos de Divergência em RE n° 43.995- 5/RS, relator o Ministro César
Asfor Rocha).

"(5 0,
4



/

2 12 CC-MF
Ministério da Fazenda

Fl.
,"-	 Segundo Conselho de Contribuintes

Processo n° :	 10183.002537/99-06

Recurso n° :	 118.184

Acórdão n° :	 202-13.947

aplicado no caso específico dos pedidos de restituição de F1NSOCIAL pago a
maior, em face da mencionada declaração de inconstitzwionalidade.

O citado Parecer COSIT n 58, de 26.11.98, assim tratou a

matéria:

'Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário.

Ementa: RESOLUÇÃO DO SENADO. EFEITOS.
A Resolução do Senado que suspende a eficácia de lei

declarada inconstitucional pelo STF tem efeitos ex func.

TRIBUTO PAGO COM BASE EM LEI DECLARADA
INCONSTITUCIONAL RESTITUIÇÃO. HIPÓTESES.
Os delegados e inspetores da Receita Federal estão
autorizados a restituir tributo que foi pago com base em
lei declarada inconstitucional pelo STF, em ações
incidentais, para terceiros não-participantes da ação -

como regra geral - apenas após a publicação da Resolução
do Senado que suspenda a execução da lei.

Excepcionalmente, a autorização pode ocorrer em momento
anterior, desde que seja editada lei ou ato especifico do

Secretário da Receita Federal que estenda os efeitos da
declaração de inconstitucionalidade a todos.

RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA

Somente são passíveis de restituição os valores recolhidos

indevidamente que não tiverem sido alcançados pelo prazo
decadencial de 5 (cinco anos), contado a partir da data do

ato que conceda ao contribuinte o efetivo direito de pleitear
a restituição.

Dispositivos Legais: Decreto n°2.346/1997, art. 1°. Medida

Provisória n° 1.699-40/1998, art. § 2°. Lei n° 5.172/1966
(Código Tributário Nacional) art. 168.

RELATÓRIO

As projeções do Sistema de Tributação formulam consulta

sobre restituição/compensação de tributo pago em virtude
de lei declarada inconstitucional, com os seguintes
questioncmientos:

a) com a edição do Decreto n°2.346/1997, a Secretaria da

Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda cional



2'1 CC-MF
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passam a admitir eficácia ex tune às decisões do Supremo
Tribunal Federal que declaram a inconstitucionalidade de lei

ou ato normativo, seja na via direta, seja na via de exceção?

b) nesta hipótese, estaríamos delegados e inspetores da
Receita Federal autorizados a restituir tributo cobrado com
base em lei declarada inconstitucional pelo STF?

c) se possível restituir as importâncias pagas, qual o termo

inicial para a contagem do prazo de decadência a que se
refere o art. 168 do CM a data do pagamento efetuado ou a

data da interpretação judicial?

d) os valores pagos à título de Finsocial, pelas empresas
vendedoras de mercadorias e mistas no que excederam à
0,5% (meio por cento), com fundamento na Lei n°

7.689/1988, art. 9°, e conforme Leis is's 7.787/1989 e
8.147/1990, acrescidos do adicional de 0,1% (zero virgula
uni por cento) sobre os fatos geradores relativos ao exercício
de 1988, nos termos do Decreto-lei 2.397/1987, art. 22,

podem ser restituídos a pedido dos interessados, de acordo
com o disposto na Medida Provisória n° 1.621-36'1998, art.
18, § 2°? Em caso afirmativo, qual o prazo decadencial para

o pedido de restituição?

e) a ação judicial o contribuinte não cumula pedido de
restituição, sendo a mesma restrita ao pedido de declaração

de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis mi 's 2.445/1988 e
2.449/1988 e do direito ao pagamento do PIS pela Lei

Complementar n° 7/1970. Para que seja afastada a
decadência, deve o autor cumular com a ação o pedido de

restituição do indébito?

J) considerando a IN SRF n° 21/1997, art. 17, § 1°, com as

alterações da IN SRF n° 73/1997, que admite a desistência
da execução de título judicial, perante o Poder Judiciário,
para pleitear a restituição/compensação na esfera

administrativa, qual deve ser o prazo decadencial (cinco ou

dez anos) e o termo inicial para a contagem desse prazo (o
ajuizamento da ação ou da data do pedido na via
administrativa)? Há que se falar em prazo prescricional
(prazo para pedir)? O ato de desistência, por parte do

contribuinte, não implicaria, expressamente, renúncia de
direito já conquistado pelo autor, vez que o CIN não prevê a

,data do ajuizamento da ação para contagersm prazo

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decadencial, o que justificaria o autor a prosseguir na

execução, por ser mais vantajoso?

FUNDAMENTOS LEGAIS

2. A Constituição de 1988 firmou no Brasil o sistema
jurisdicional de constitucionalidade pelos métodos do

controle concentrado e do controle difilso.

3. O controle concentrado, que ocorre quando um único

órgão judicial, no caso o STF, é competente pala decidir
sobre a inconstitucionalidade, é exercitado pela ação direta

de inconstitucionalidade - AD1n e pela ação declaratória de
constitucionalidade onde o autor propõe demanda judicial
tendo como núcleo a própria inconstitucionalidade ou
constitucionalidade da lei, e não um caso concreto.

4. O controle difluo - também conhecido por via de exceção,
controle indireto, controle em concreto ou controle
incidental (incidenter taram) - ocorre quando vários ou
todos os órgãos judiciais são competentes para declarar a
inconstitucionalidade de lei ou norma.

4.1 Esse controle se exerce por via de exceção, quando o

autor ou réu em uma ação provoca incidentalmente, ou seja,
paralelamente à discussão principal, o debate sobre a
inconstitucionalidade da norma, querendo, com isso, fazer
prevalecer a sua tese.

5. Com relação aos efeitos das declarações de
inconstitucionalidade ou de constitticionandade, no caso de

controle concentrado, segundo a doutrina e a jurisprudência
do STF, no plano pessoal, gera efeitos contra todos (erga

onmes); no plano temporal, efeitos ex tunc (efeitos
retroativos, ou seja, desde a entrada em vigor da norma); e,
administrativamente, têm efeito vinculante.

5.1 Os efeitos da ADI,' se estendem além das partes em

litígio, pois o que se está analisando é a lei em si mesma,
desvinculada de um caso concreto. Tal declaração atinge,

portanto, a todos os que estejam implicados na sua
objetividade.

5.2 Nesse sentido, quando o STF conhecer da Ação de
hwonstitucionalidade pela via da ação direta, prescinde-se

da comunicação ao Senado Federal para que este suspenda

"fria execução da lei ou do ato normativo inqui do de

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inconstitucionalidade (Regimento Interno do STF, arts.
169a 178).

6. Passando a analisar os efeitos da declaração de

inconstitucionalidade no controle difluo, devem ser
consideradas duas possibilidades, posto que, no tocante ao

caso concreto, à lide em si, os efeitos da declaração
estendem-se, no plano pessoal, apenas aos interessados no

processo, vale dizer, têm efeitos interpartes; en; sua
dimensão temporal, para essas mesmas partes, teria efeito ex

11117C.

6.1 No que diz respeito a terceiros não-participantes da lide,
tais efeitos somente seriam os mesmos depois da intervenção
do Senado Federal, porquanto a lei ou o ato continuariam a
viger, ainda que já pronunciada a sentença de

inconformidade com a Constituição. É o que se depreende do

art. 52 da Carta Magna, verbis:

'An. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:

X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei

declarada inconstitucional por decisão definitiva do

Supremo Tribunal Federal;"

7. Vale dizer, os efeitos da declaração de

inconstitucionalidade obtida pelo controle difiiso somente
alcançam terceiros, não-participantes da lide, se for
suspensa a execução da lei por Resolução baixada pelo

Senado Federal.

7.1 Nesse sentido, manifesta-se o eminente constilucionalista

José Afonso as Silva:

'... A declaração de inconstitucionalidade, na via indireta,
não anula a lei nem a revoga: teoricamente, a lei continua

em vigor, eficaz e aplicável, até que o Senado Federal
suspenda sua executoriedade nos termos do artigo 52, X; ... '

8. Quanto aos efeitos, no plano temporal, ainda com relação

ao controle difuso, a doutrina não é pacifica, entendendo
alguns que seriam ex tunc (como Celso Bastos, Gilmar
Ferreira Mendes) enquanto outros (como José Afonso da

Silva) defendem a teoria de que os efeitos seriam ex 111117C

(impediriam a continuidade dos atos para o futuro, mas não

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desconstittária, por si só, os atos jurídicos perfei os e

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acabados e as situações definitivamente constituídas).

9. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, apoiada na

mais autorizada do: Urina, conforme o Parecer PGFN n°
1.185/1995, tinha, na hipótese de controle difuso, posição

definida no sentido de que a Resolução do Senado Federal
que declarasse a inconstitucional idade de lei seria dotada de
efeitos ex minc.

9.1 Contudo, por força do Decreto n° 2.346/1997, aquele

órgão passou a adotar entendimento diverso, manifestado no
Parecer PGENCATás°437/1998.

10.Dispõe o art. 1° do Decreto ti° 2.346/1997:

"Art. 1° As decisões do Supremo Tribunal Federal que

fixem, de forma inequívoca e definitiva interpretação do
texto constitucional deverão ser uniformemente observadas
pela Administração Pública Federal direta ou indireta,
obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto.

I° Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal
Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato
normativo, em ação direta, a decisão dotada de eficácia "ex
tune", produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma
declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com
base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for

suscetível de revisão administrativa ou judicial.

ff 2° O dispositivo do parágrafo anterior aplica-se,
igualmente, à lei ou ato normativo que tenha sua

inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo
Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua
execução pelo Senado Federal."

11. O citado Parecer PGFINICAT n°43 7/1998 tornou sem
efeito o Parecer PGFN n° 1.185'1995, concluindo que "o

Decreto n° 2.346/1997 impôs, com força vinculante para a
Administração Pública Federal, o efeito ex 1107C ao ato do
Senado Federal que suspenda a execução de lei ou ato
normativo declarado inconstitucional pelo STF".

11.1 Em outras palavras. no controle de constitucionalidade
c/0's°, com a publicação do Decreto n° 2.346/1997, os

efeitos da Resolução do Senado foram equipara os aos da
ADM.

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12. Conseqüentemente, a resposta à primeira questão

é afirmativa: os efeitos da declaração de inconstituciona-
'idade, seja por via de controle concentrado, seja por via de
controle difitso, são retroativos, ressaltando-se que, pelo
controle difuso, somente produzirá esses efeitos, em relação

a terceiros, após a suspensão pelo Senado da lei ou do ato
normativo declarado inconstitucional.

12.1 Excepcionalmente, o Decreto prevê, em seu art. 4°, que
o Secretário da Receita Federal e o Procurador-Geral da

Fazenda Nacional possam adotar, no âmbito de suas
competências, decisões definitivas do STF que declarem a
inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo que
teriam, assim, os mesmos efeitos da Resolução do Senado.

13. Com relação à segunda questão, a resposta é que nem
sempre os delegados/inspetores da Receita Federal podem
autorizar a restituição de tributo cobrado com base em lei
declarada inconstitucional pelo STF. Isto porque, no caso de

contribuintes que não foram partes nos processos que
ensejaram a declaração de inconstitucionalidade - no caso
de controle difuso, evidentemente - para se configurar o
indébito, é mister que o tributo ou contribuição tenha sido

pago com base em lei ou ato normativo declarado
inconstitucional com efeitos erga 077737es, o que, já

demonstrado, só ocorre após a publicação da Resolução do
Senado ou na hipótese prevista no art. -I° do Decreto n°

2.346/1997.

14. Esta é a regra geral a ser obsenxida, havendo, contudo,

uma exceção a ela, determinada pela Medida Provisória n°
1.699-40'1998 art. 18 § 2°, que dispõe:

'Art. 18 - Ficam dispensados a constituição de créditos da
Fazenda Nacional, a inscrição conto Dívida Ativa da União,

o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assina
cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente:

§ 2° - O disposto neste artigo não implicará restituição 'ex
officio' de quantias pagas'

15. O citado artigo co pista da MP que dispõe sobre o CADIN
desde a sua primeira edição, em 30/08/95 (MP n°

1.110/1995, art. 17), tendo havido, desde eqigo, três
alterações em sua redação.

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15.1 Duas das alterações incluíram os incisos 1711 (MP n°

1.244, de 1412/95) e IX (MP n° 1.490-15, de 31/10 . 96) entre

as hipóteses de que trata o caput.

16. A terceira alteração, ocorrida em 10/06/1998 (MP ??°

1.621-36), acrescentou ao § 2° a expressão "ex officio" Essa

mudança, numa primeira leitura, poderia levar ao

entendimento de que, só a partir de então, poderia ser

procedida a restituição, quando requerida pelo contribuinte;

antes disso, o interessado que se sentisse prejudicado teria

que ingressar com uma ação de repetição de indébito junto

ao Poder Judiciário.

16.1 Salienta-se que, nos termos da Lei n°4.657/1942 (Lei de

Introdução ao Código Civil), art. 1°, § 4°, as correções a

texto de lei já em vigor consideram-se lei nova.

17. Entretanto, conforme consta da Exposição de Motivos

que acompanhou a proposta de alteração, o disposto no § 20

"consiste em norma a ser observada pela Administração

Tributária, pois esta não pode proceder ex officio, até por

impossibilidade material e insuficiência de informações,

eventual restituição devida". O acréscimo da expressão ex

officio visou, portanto, tão-somente, dar mais clareza e

precisão à norma, pois os contribuintes já faziam jus à

restituição antes disso; não criou fato novo, situação nova,

razão pela qual não há que se falar em lei nova.

18. Logo, os delegados/inspetores da Receita Federal

também estão autorizados a proceder à resti-
tuição/compensação nos casos expressamente previstos na

MP n° 1.699/1998, art. 18, antes mesmo que fosse incluída a

expressão 'ex officio' ao § 2°.

19. Com relação ao questionamento da compen-

sação/restituição do Finsocial recolhido com &amp;ignotas

majoradas acima de 0,5% (meio por cento) - e que foram

declaradas inconstitucionais elo STF em diversos recursos -

como as decisões do SIF são decorrentes de incidentes

de inconstitucionalidade via recurso ordinário, cujos

dispositivos, por não terem a sua aplicação suspensa pelo

Senado Federal, produzem efeitos apenas entre as partes

envolvidas no processo (a União e o contribuinte que ajuizou

a ação), não haveria, a princípio, que se cogitar de indébito

tributário neste caso.

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19.1 Contudo, conforme já esposado, esta é uma das
hipóteses em que a AJP n° 1.699-40/1998 permite,
expressamente, a restituição (art. 18, inciso II!), razão pela
qual os delegados/inspetores estão autorizados a procedê-la.

19.2 O MC.57110 raciocínio vale para a compensação com
outros tributos ou contribuições administrados pela SRF,
devendo ser salientado que o interessado deve,
rzecessariamente, pleiteá-la administrativamente, mediante
requerimento (11V SRF n° 21/1997, art.12), inclusive quando
se tratar de compensação Finsocial x Cotins (o ADN COSIT
n° 15/1994 definiu que essas contribuições não são da mesma
espécie).

20. Ainda COM relação à compensação "'insocial x Cotins, o
Secretário da Receita Federal, com a edição da IN SRF n°
32/1997, art. 2°, havia decidido, verbis:

rA ri. 2 - Convalidar a compensação efetiva pelo
contribuinte, com a Contribuição para Financiamento da
Seguridade Social - COFINS, devida e não recolhida, dos
valores da contribuição ao Fundo de Investimento social -
FIIVSOCIAL, recolhidos pelas empresas exclusivamente
-vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento no
art. 9° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, na
alíquota superior a 0,5% (meio por cento), conforme as Leis
n os 7. 787, de 30 de junho de 1989, 7894, de 24 de novembro
de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida do
adicional de 0,1% (um décimo por cento) sobre os fatos
geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do art.
22 do Decreto-lei n°2.397, de 21 de dezembro de 1987'.

20.1 O disposto acima encontra amparo legal na Lei n°
9.430/1996, art. 77, e no Decreto n° 2.194/1997, § I° (o
Decreto n° 2.346/1997, que revogou o Decreto n°
2.194/1997, manteve, em seu art. 4°, a competência do
Secretário da Receita Federal para autorizar a citada
compensação)_

21. Ocorre que a IN SRF n° 32/1997 convalidou as
compensações efetivas pelo contribuinte do Finsocial com a
Cofins, que tivessem sido realizadas até aquela data. Tratou-
se de ato isolado, com fim específico. Assim, a partir da
edição da I1V, como já dito, a compensação só pode ser
procedida a requerimento do interessado, com frase na MP
n° . 699-40/1998.

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22. Passa-se a analisar a terceira questão proposta. O art.
168 do CI7V estabelece prazo de 5 (cinco) anos para o
contribuinte pleitear a restituição de pagamento indevido ou
maior que o devido, contados da data da extinção do crédito
tributário.

23. COMO bem coloca Paulo de Barros Carvalho, "a
decadência ou caducidade é tida como o fatojuridico que faz
perecer um direito pelo seu não exercício durante certo lapso
de tempo" (Curso de Direito Tributário, 7° ed., 1995, p311).

24. Há de se concordar, portanto, com o mestre Aliomar
Baleeiro (Direito Tributário Brasileiro, 10° ed., Forense, Rio,
p. 570), que entende que o prazo de que trata o art.168 do
CTIV é de decadência.

25. Para que se possa cogitar de decadência, é mister que o
direito seja exerci /cível; que, no caso, o crédito (restituição)
seja exigível. Assim, antes de a lei ser declarada
inconstitucional não há que se falar em pagamento indevido,
pois, até então, por presunção, era a lei constitucional e os
Fe:game/dos efetuados efetivametite devidos.

26. Logo, para o contribuinte que foi parte na relação
processual que resultou na declaração incidental
de inconstinecionaliclade, o início da decadência é
contado a partir do trânsito em julgado da decisão judicial.
Quanto aos demais, só se pode falar em prazo decadencial
qucniclo os efeitos da decisão forem válidos erga
omites, que. conforme já dito no item 12, ocorre
apenas após a publicação da Resolução do Senado ou após a
edição de ato espec (fico  da Secretária da Receita Federal
(hipótese ao Decreto n° 2.346/1997, art. 4°).

26.1 Quanto à declaração de inconstitucionalidade da lei por
meio de ADM, o termo inicial para a contagem do prazo de
decadência é a data do trânsito em julgado da decisão do
STF.

27. Com relação às hipóteses previstas na AlP n°
1.699-40/1998, art. 18, o prazo para que o cotstri-
buinte não-participante da ação possa pleitear a
restituição/compensação se iniciou com a data da
publicação:

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a) da Resolução do Senado n° 11/1995, para o caso do inciso

b) da MP n° 1. 110/1995, para os casos dos incisos II a III;

c) da Resolução do Senado n° 49/1995, para o caso do inciso

VIII:

d) da /ti? n°1.490-15/1996, para o caso do inciso IX

28. Tal conclusão leva, de imediato, à resposta à quinta

pergunta. Havendo pedido administrativo e restituição do

PIS, fundamentando em decisão judicial especifica, que

reconhece a inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n's
2.445/1988 e 2.449/1988 e declara o direito do contribuinte

de recolher esse contribuição com base na Lei

Complementar n° 7/1970, o pedido deve ser deferido, pois

desde a publicação da Resolução do Senado n° 49/1995 o

contribuinte - mesmo aquele que não tenha cumulado à ação

o respectivo pedido de restituição - tem esse direito

garantido.

29. Com relação ao prazo para solicitar a restituição do

Finsocial, o Decreto n° 92.698/1986, art. 122, estabeleceu o

prazo de 10 (dez) anos, conforme se verificar em seu texto:

'Art. 122. O direito de pleitear a restituição da contribuição

extingue-se com o decurso do prazo de dez anos, contados

('Decreto-lei n°2.049/83. art. 99.

1- da data do pagamento ou recolhimento indevido:

II - da data em que se tornar definitiva a decisão

administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que

haja reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão

condenatória.'

30. Inobstante o fato de os decretos terem força vineulante

para a administração, conforme assinalado no propalado

Parecer PGFHCAT'n° 437/1998, o dispositivo acima não foi

recepcionado pelo novo ordenamento constitucional, razão

pela qual o prazo para que o contribuinte possa pleitear a

restituição de valores recolhidos indevidamente a titulo de

contribuição ao Finsocial é o mesmo que vale para os

demais tributos e contribuições administrados pelo SRF,

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seja, 5 (cinco) anos (C77V, art. 168), contado da forma antes
determinada.

30.1 Em adiantamento, salientou-se que, no caso da Cofias, o

prazo de cinco anos consta expressamente do Decreto n°
2.173/1997, art. 78 (este Decreto revogou o Decreto n°

612/1992, que, entretanto, estabelecia idêntico prazo).

31. Finalmente a questão acerca da IN SRF n° 21/1997, art. -

17, com as alterações da IN SRF n° 73/1997. Neste caso, não
há que se falar em decadência ou prescrição, tendo em vista
que a desistência do interessado só ocorreria na fase de
execução do titulo judicial. O direito à restituição já teria
sido reconhecido (decisão transitada em julgado), não
cabendo à administração a análise do pleito de restituição,

mas, tão-somente, efetuar o pagamento.

31.1 Com relação ao fato da não-desistência da execução do

titulo judicial ser mais ou menos vantajosa para o autor,
trata-se de juizo a ser firmado por ele, tendo em vista que a
desistência é de caráter facultativo. Afinal, o pedido na
esfera administrativa pode ser medida interessante para

alguns, 170 sentido de que pode acelerar o recebimento de

valores que, de outra sorte, necessitariam seguir trâmite, em

geral, mais demorado (emissão de precatório).

CONCLUSÃO

32.Em face do exposto, conclui-se, em resumo que:

a) as decisões do STF que declaram a inconstitucionalidade
de lei ou de ato normativo, seja na via direta, seja na via de

exceção, têm eficácia ex tunc;

b) os delegados e inspetores da Receita Federal podem

autorizar a restituição de tributo cobrado com base em lei
declarada inconstitucional pelo STF, desde que a declaração
de inconstitucionalidade tenha sido proferida na via direta;

ou, se na via indireta:

I. quando ocorrer a suspensão da execução da lei ou do ato

normativo pelo Senado; ou

2. quando o Secretário da Receita Federal editar ato
específico, no uso da autorização prevista no Decreto n°

2.346/1997, art. 4'; ou ainda

3. nas hipóteses elencadas na MP n° 1.699-40/1998, art. 18;

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c) quando da análise dos pedidos de resti-

tuição/compensação de tributos cobrados com base em lei
declarada inconstitucional pelo STF, deve ser observado o

prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do
CTN, seja no caso de controle concentrado (o termo inicial é

a data do trânsito em julgado da decisão do STF), seja no do
controle difuso (o termo inicial para o contribuinte que foi
parte na relação processual é a data do trânsito em julgado
da decisão judicial e, para terceiros não-participantes da -

lide, é a data da publicação da Resolução do Senado ou a
data da publicação do ato do Secretário da Receita Federal,
a que se refere o Decreto n°2.346/1997. art. 4°), bem assim

nos casos permitidos pela MP n° 1.699-40/1998, onde o

termo inicial é a data da publicação:

1. da Resolução do Senado n° 11/1995, para o caso do

inciso h

2. da MP n°1.110/1995, para os casos dos incisos II a VII;

3. da Resolução do Senado n° 49/1995, para o caso do inciso

VIII;

4. da MP n°1.490-15/1996, para o caso do inciso IX;

d) os valores pagos indevidamente a titulo de Finsocial pelas

empresas vendedoras de mercadorias e mistas - MP n°
1.699-40'1998, art. 18, inciso III - podem ser objeto de

pedido de restituição/compensação desde a edição da MP tz°
1.110/1995, devendo ser observado o prazo decadencial de 5

(cinco anos);

e) os pedidos de restituição/compensação do PIS recolhido a

maior com base nos Decretos-Leis n's 2.445/1988 e
2.449/1988, fundamentados em decisão judicial especifica,
devem ser feitos dentro do prazo de 5 (cinco) anos, contando
da data de publicação da Resolução do Senado n° 49/1995;

j) na hipótese da IN SRF n° 21/1997, art. 17, § 1°, com as

alterações da IN SRF n° 73/1997, não há que se falar em

prazo decadencial ou prescricional, tendo em vista tratar-se
de decisão já transitada em julgado, constituindo, apenas,
uma prerrogativa do contribuinte, com vistas ao
recebimento, em prazo mais ágil, de valor a que já tem
direito (a desistênciq se dá na fase de execução do titulo

judicial)."

41,
16



22 CC-MF
Ministério da Fazenda

Fl.
Segundo Conselho de Contribuintes

Processo n° :	 10183.002537/99-06

Recurso n" :	 118.184

Acórdão n° : 202-13.947

Vê-se, pois, considerando que o pleito em exame foi formulado em 14.06.1999,

que o mesmo não se encontra prescrito, pois que o termo final do prazo prescricional aplicável à

espécie seria 30.08.2000.

Correto, pois, o entendimento da recorrente ao afirmar que seu pleito não está

fulminado pela prescrição.

Entendo, assim, não estar o pleito da recorrente fulminado pela prescrição, de

modo que afasto a preliminar levantada pelo julgador monocrático e anulo o processo a partir da -

decisão recorrida, inclusive, determinando seja examinado o seu pedido de compensação,

apurando-se a existência ou não dos alegados créditos que se pretende compensar, bem como,

em se apurando a existência dos mesmos, se já foram eles utilizados pela contribuinte.

É COMO voto.

Sala das Sessões, em 09 de julho de 2002

*-	 ‘—

EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT

17


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    <str name="materia_s">Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario</str>
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CSLL.COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR NÃO CONSIDERADO NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PLEITO INDEFERIDO FALTA DE PERMISSIVO LEGAL. INDEFERIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO.PRINCÍPIOS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. SUBMISSÃO AO ENTE TRIBUTANTE. A compensação tributária - sujeita aos princípios de liquidez e certeza a serem aferidos pelo ente tributante - deve se conformar aos atos normativos próprios regentes à época do pleito, sem se descurar das alterações  posteriores.</str>
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It. MINISTÉRIO DA FAZENDA
liebitkf PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES

":CM4-fr SÉTIMA CÂMARA~ti
Processo n° : 10320.000038/2002-93
Recurso n°	 : 133.927
Matéria	 : CONTRBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — DCS : 1999 a 2CO2
Recorrente	 : M.H. FERREIRA EMPREENDIMENTOS LTDA
Recorrida	 : 3° TURMA/DRJ-FORTALEZNCE
Sessão de	 : 17 DE ABRIL DE 2003
Acórdão n°	 : 107-07.122

CSLL.COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR NÃO
CONSIDERADO NO LANÇAMENTO DE OFICIO. PLEITO
DENEGADO.FALTA DE PERMISSIVO LEGAL. INDEFERIMENTO
INSUBSISTENTE. Se as leis e atos normativos subseqüentes
ampliaram a forma de compensação, não há nenhum óbice que, a partir
dos novos ordenamentos jurídicos, um crédito possa ser quitado por
uma das atuais formas autorizadas em lei.

CSLL.COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR NÃO
CONSIDERADO NO LANÇAMENTO DE OFICIO. PLEITO
INDEFERIDO.FALTA DE PERMISSIVO LEGAL. INDEFERIMENTO.
DIREITO CREDITÓRIO.PRINCIPIOS DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
SUBMISSÃO AO ENTE TRIBUTANTE. A compensação tributária -
sujeita aos princípios de liquidez e certeza a serem aferidos pelo ente
tributante - deve se conformar aos atos normativos próprios regentes à
época do pleito, sem se descurar das alterações posteriores.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto
por M.H.FERREIRA EMPREENDIMENTOS LTDA.

ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do
lançamento e, no mérito DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório
e voto que passam a integrar o presente julgado.

(IS AL S
EVIDENTE

NEICY E ALMEIDA

RELATtI

FORMALIZADO EM:	 6 M A I 2003

_



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros LUIZ MARTINS

VALERO, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, EDWAL GONÇALVES

DOS SANTOS, OCTÁVIO CAMPOS FISCHER e CARLOS ALBERTO GONÇALVE

NUNES.

2



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

Recurso n°	 : 133.927
Recorrente : M.H. FERREIRA EMPREENDIMENTOS LTDA

RELATÓRIO

I — IDENTIFICAÇÃO.

M.H.FERREIRA EMPREENDIMENTOS LTDA., empresa já qualificada

na peça vestibular desses autos, recorre a este Conselho da decisão — por maioria de

votos - proferida pela 3•* Turma de Julgamento da DRJ/Fortaleza/CE., que negara

provimento às suas razões iniciais.

II — ACUSAÇÃO.

De acordo com as fls. 02 e seguintes, o crédito tributário lançado e

exigível decorre de:

1. Diferença apurada entre os valores escriturados nos livros

contábeis e fiscais e os valores declarados ou pagos nos trimestres do ano-calendário

de 1998 ( 4? ), do ano-calendário de 1999 (ti-és primeiros ), e do ano-calendário de

2000( 1.° e 3.° ).

2. ajustamento da base de cálculo do imposto no 1. 0 trimestre de

2000, tendo em vista que o contribuinte compensou prejuízo acima dos 30% permitido,

corrigindo-o para R$ 5.003,92.

Enquadramento legal: arts. 193 e 889 do RIR194; arts. 247 e 841 do

RIR/99; arts. 43 e 44, inciso I e parágrafo 1.° inciso I, da Lei n.° 9.430/96;art. 2.° da Lei

.° 9.249195; e art. 1.° da Lei n.° 9.430/96./I

„

_



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

03. Diferença apurada entre os valores escriturados nos livros

contábeis e fiscais e os valores declarados ou pagos no 1.0 trimestre do ano-calendário

de 2001.

Enquadramento legal: arts. 224,518,519 e 841, inciso III, do RIR/99.

Arts. 31 da Lei n.° 8.981/95, c/c art. 15 da Lei n.° 9.249/95, e art. 25 da Lei n.° 9.430/96;

e arts. 43 e 44, inciso I, e parágrafo 1. 0, inciso I da Lei n.° 9.430/96.

III — AS RAZÕES LITIGIOSAS VESTIBULARES

Cientificada da autuação, em 28.12.2001, apresentou a sua defesa em

25.01.2002, conforme fls. 74/81. Em síntese, são essas as razões vestibulares

extraídas da peça decisória:

a fonte primária do IRPJ sobre as rendas auferidas reside no art. 153,

inciso III, da Carta Magna, ao oferecer a seguinte redação:

"Compete à União instituir impostos sobre (...)

III — Renda e Proventos de Qualquer Natureza

O IRPJ, como se depreende, tem por regra-matriz a renda e proventos

de qualquer natureza, que será informado pelos critérios da generalidade, da

universalidade e da progressividade na forma da lei ( CF/88, art. 153, § 2.°, 1).

O fato gerador do citado imposto, na literal dicção d art. 43 do Código

Tributário Nacional ( CTN ), se realiza pela aquisição da disponibilidade económica ou

IP jurídica de renda, assim entendendo o produto do capital, do trabalho ou da

4



Processo n° : 10320.00003812002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

combinação de ambos; e de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os

acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda.

A renda há de ser sempre real. A rigor, não existe renda presumida.

Presumido, ou arbitrado, pode ser o montante da renda. A existência desta, portanto,

há de ser real. De modo tal que, na expressão precisa do art. 44 do citado CTN, a base

de cálculo do imposto de renda é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou

dos produtos tributáveis.

Em se tratando de pessoa jurídica, a base de cálculo do imposto de

renda é o lucro, que pode ser, conforme o critério de determinação, real, arbitrado ou

presumido.

O lucro real, que constitui a base de cálculo do imposto de renda das

pessoas jurídicas em geral, pode ser entendido como o acréscimo real do patrimônio

da empresa, em determinado período. Sua definição legal comporta os mesmos

questionamentos pertinentes à definição legal de renda, posto que admitir tenha o

legislador total liberdade ao elaborar tal definição implica admitir possa o mesmo

ampliar a competência tributária da União, além dos limites constitucionais.

Do ponto de vista rigorosamente jurídico, o direito do contribuinte de

demonstrar lucro real menor do que o arbitrado pela autoridade administrativa só

encontra limite na coisa julgada. Assim, mesmo lançado definitivamente o imposto, ele

poderá, perante o judiciário, demonstrar que o lucro por ele realmente auferido é

menor, ou que não auferiu lucro nenhum. Se o imposto que a Constituição permite seja

cobrado é sobre a renda, e renda não há, não pode haverr	 *gação de pagar esse

,, imposto. A cobrança, neste caso, lesa direito do contribuinte.

5



-

Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

A ação fiscal desenvolvida pela fiscalização da Receita Federal, para

instruir o lançamento de ofício fustigado, relativo aos anos-calendário de 1998 a 2001,

tem como suporte divergências entre os valores declarados e os valores escriturados

nos livros contábeis e fiscais da impugnante, que teriam resultado diferenças de

recolhimentos, cujo trabalho fiscal,é, data venia, de afrontosa ilegalidade e

abusividade, a ferir de morte o princípio da legalidade da tributação e dos atos

administrativos, mormente no que diz respeito a atividade plenamente vinculada dos

agentes do Fisco.

A impugnante está submetida à apuração ANUAL do IRPJ ( RIR/99,

, art. 221), que, a partir do ano-calendário de 1997, passou a ser TRIMESTRAL, e cujas

escriturações fiscal são feitas naturalmente, assim como as declarações respectivas,

tudo nos moldes previstos na legislação tributária aplicável.

Com efeito, uma análise criteriosa no quadro tributário nos períodos

considerados ( 3.° trimestre de 1998 ao 4.° trimestre de 2000 ), oferece a seguinte

conclusão, extraída com a leitura dos cinco (5) mapas demonstrativos acostados, que

consiste no valor efetivamente devedor de quatro mil e quatrocentos e trinta e três reais

e sessenta centavos, e reconhecido pela impugnante:

a) IRPJ devido: 	 R$ 24.992,84

b) IRPJ Recolhido.	  R$ 20.559,24

c) IRPJ a Recolher	 R$ 4.433,60

Certamente houve lamentável equívoco da parte do autuante, que, ao

não considerar a tributação pela via normal, inclusive desconsiderando o IRPJ, relativo

ao 4.° trimestre de 2000, recolhido aos cofres da Fazenda Pública Federal, no valor de

R$ 13.588,73; inverteu a ordem dos fatos, fabricando uma diferença INEXISTENTE de

IRPJ no montante de R$ 25.376,35, quando o correto seria na ordem de R$ 4.433,60,

y como demonstrado e que pode ser comprovado mediante simples diligência fiscal,

6	 .

____



—

Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

junto aos livros contábeis e fiscais do estabelecimento da impugnante, o que nesse

ponto se requer, na forma legal e regulamentar.

A pretensão fiscal, como se vê, seria cobrar IRPJ e Multa Proporcional

SEM A OCORRÊNCIA DO ASPECTO MATERIAL DA EXIGÊNCIA, ou seja, a evida

comprovação, pelo autuante, da presumida diferença lançada, posto que atropelando

as normas legais vigentes no território pátrio, ao deixar e compensar o recolhimento a

maior do 4.° trimestre de 2000( R$ 13.588,73 ).

Com efeito, é norma basilar do direito tributário, que o IMPOSTO SÓ

PODE SER LANÇADO, PRINCIPALMENTE DE OFÍCIO, QUANDO O FATO QUE O

JUSTIFIQUE SEJA DEVIDAMENTE COMPROVADO. E, jamais esse fato pode ser

presumido, suposto, fora dos moldes legais. De modo tal essa assertiva é verdadeira,

que o festejado e saudoso mestre Geraldo Ateiam, não discrepa desse entendimento e

oferece uma lição em sua obra s Hipótese de Incidência Tributária", 48.' edição, 2.*

tiragem — Revista dos Tribunais, p. 43.que ,merece transcrição:

'A norma tributária, como qualquer outra norma jurídica, tem sua
incidência condicionada ao acontecimento legal, fato este cuja verificação acarreta

automaticamente a incidência do mandamento'.

O lançamento tributário, como não poderia deixar de ser, é um ato

jurídico vinculado e regrado, e como tal está sujeito às regras da legislação pertinente,

para sua validade.Colige a íntegra do art. 142 do CTN.

O Auto de Infração lavrado contra a impugnante, aqui combatido,

padece de vícios insanáveis, carecendo de julgamento IMPROCEDENTE, pelo menos

parcialmente, porque estribado em valor ARBITRADO, sem critério algum, a padecer

9 de absoluta ilegalidade, em afronta a autuada e ao sistema jurídico-tributário nacional.

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Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

Assim, um auto de infração que exija tributo sem a prova da ocorrência

do respectivo fato gerador, implica ainda, numa coação fiscal, viciando o próprio ato

administrativo, que segundo a lei — CTN — é viciado.

E os atos vinculados ou regrados, na lição do pranteado Hely Lopes

Meirelles ( in Direito Administrativo Brasileiro, 10.° Edição, R.T. p.125 ), são aqueles

para os quais a lei estabelece os requisitos e condições de sua realização. Nessa

categoria de atos, as imposições legais absorvem, quase que por completo, a liberdade

do administrador, uma vez que sua ação fica adstrita aos pressupostos estabelecidos

pela norma legal, para a validade da atividade administrativa. Desatendido qualquer

requisito, compromete-se à eficácia do ato praticado, tomando-se passível de anulação

pela própria Administração, ou pelo Judiciário, se assim requerer o interessado.

Ainda é o mestre administrativista Hely Lopes Meirelles que verbaliza:

(a) s Em se tratando de motivo vinculado pela lei, o agente da

Administração, ao praticar o ato, fica na obrigação de justificar a existência do motivo,

sem o que o ato será invalidável, por ausência de motivação" ( Obra citada, p. 112).

(b) " Ato Válido é o que provém de autoridade competente para praticá-

lo e contém todos os requisitos necessários à sua eficácia. O ato válido pode, porém,

não ser exeqüível, por pendente de condição suspensiva ou termo não verificado.

ATO NULO é o que nasce afetado de vício insanável por ausência ou

defeito substancial em seus elementos constitutivos, ou no procedimento formativo'

(Mesma obra citada, p131).

As pretensas obrigações tributárias que fundamentam o lançamento

fustigado, indicam como fato ensejador do lançamento supostas diferenças entre o

9
. valor escriturado e valor declarado/pago, presumidas em parte pelo autuante, em

•

8



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

decorrência de levantamentos fiscais de legitimidade e legalidade duvidosas, postó que

estribados na cómoda regra do ilegal e unilateral arbitramento de valores, sem nenhum

critério legal, porque na base de presunção, divorciados de qualquer suporte probatório

real, a ferir de morte, o princípio da legalidade da tributação previsto no art. 150 da CF

e flagrante desrespeito ao disposto no art. 148, que cita, in verbis.

O arbitramento de valores, para efeito de tributação, só se admite na

hipótese prevista no art. 148 do CTN, exigindo avaliação contraditória, administrativa

ou judicial, desde que haja indícios graves, precisos e concordantes de má-fé do

contribuinte.

O eminente Ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Mário

Velloso, ensina magistralmente:

es Registre-se que o art. 148 do CTN, deixa expresso que a autoridade
lançadora realizará o arbitramento num processo regular. Ora, processo
regular vincula-se à cláusula do ° due process of law °, que compreende
um procedimento disciplinado em lei, com as garantias inerentes ao
contraditório: direito de defesa, com a possibilidade de ser feita prova do
alegado. A cláusula do ' due process of law I aplica-se, aliás,
integralmente ao processo administrativo. O Código Tributário Nacional,
no art. 148, ao mencionar processo regular', tomou expresso o que a
doutrina e a jurisprudência têm consagrado: sempre que a
administração tiver que impor uma penalidade, ou fazer um lançamento,
ou, de qualquer forma, na prática do ato administrativo,atingir o
património material ou moral de alguém, deverá faze-lo num
procedimento regular, no qual ao administrado será assegurado o direito
de defesa com as garantias do contraditório ( ° O arbitramento em
matéria tributável in RDP n.° 40, pg. 206, Ed. Revista dos Tribunais).

Cita trechos de Acórdão desse Conselho nessa mesma direção.

Requer, por fim, que seja julgado improcedente, em parte, o Auto de

Infração constante do presente processo, por serem absolutamente fora da realidade

f os valores oferecidos, como amplamente demonstrado, exonerando, igualmente, em

9



—	 -	 -	 •	 -

Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

parte, a autuada, do pagamento do IRPJ e da Multa Proporcional lançados, medida

esta de inteira justiça.

IV- A DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU

As fls. 87/98, a decisão de Primeiro Grau exarou a seguinte sentença,

sob o n.° 1.405, de 20 de junho de 2002, assim sintetizada em suas ementas:

Assunto: Contribuição Soda! sobre o Lucro Líquido - CSLL

Anos-calendário:? 998, 1999, 2000,2001

FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ
Apurados, através de procedimento de ofício, valores devidos do
imposto de renda pessoa jurídica é procedente a autuação como
aplicação da multa de ofício.

COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DECORRENTES DE
RECOLHIMENTOS

A utilização de crédito, decorrente de pagamento indevido ou maior que
o devido, para pagamento de débito decorrente e lançamento de oficio,
ainda que da mesma espécie, deverá ser previamente solicitada à DRF
ou IRF-A, do domicílio fiscal do contribuinte.

Assunto: Processo Administrativo Fiscal

Anos-calendário:1998, 1999, 200,2001

NULIDADE
Inexistindo incompetência do agente ou cerceamento do direito de
defesa, não há como cogitar-se de nulidade do auto de infração.

PEDIDOS DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA

Deve ser indeferido o pedido de perícia e/ ou diligência, quando for
prescindível par o deslinde da questão a ser apreciada ou se o
processo contiver os çj4mentos necessários para a formação da livre
convicção do julgador.

10



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

V — A CIÊNCIA DA DECISÃO DE 1 2 GRAU

Cientificada, em 08.11.2002, por via postal ( AR de fls. 105),

apresentou o seu feito recursal em 28.11.2002 ( fls.106/109).

VI—AS RAZÕES RECURSAIS

Não inova a sua peça recursal, ainda que aborde a temática vestibular

com novas roupagens expressas.

Ancora-se, fundamentalmente, nas prescrições do art. 66, da Lei n.°

8.383/91 e também da Instrução Normativa n.° 21/67, com as alterações da IN/SRF n.°

73/97 ( arts. 14 e 16) para rechaçar o indeferimento ao seu pleito de compensação;

quanto à argüição de nulidade por cerceamento ao direito ao contraditório e à ampla

defesa, apóia-se no art. S.°, II, da CF/88.

VII— DO DEPÓSITO RECURSAL

Às fls. 121 e seguintes do Processo Administrativo n°

10320.000039/2002-38, consta o arrolamento de bens para fins recursais, devidamente

acolhido pela Autoridade própria da Secretaria da Receita Federal (fls. 123)daquele

processo.

É o relatório

..

11



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

VOTO

Conselheiro NEICYR DE ALMEIDA, Relator.

O recurso é tempestivo. Conheço — o.

I.PRELIMINAR DE NULIDADE

1.1. A Exigência Impositiva Ofende o Conceito de Renda

Objetivando enfrentar a matéria posta, importa colacionar monografia

do magistério do insigne Ministro ALIOMAR BALEEIRO que, assim se posiciona,

citando RUBENS GOMES DE SOUZA:

"Como pondera RUBENS GOMES DE SOUZA, se a
Economia Política depende do Direito para impor praticamente
suas conclusões, o Direito não depende da Economia, nem de
qualquer ciência, para se tomar obrigatório: o conceito de
renda é fixado livremente pelo legislador segundo
considerações pragmáticas, em função da capacidade
contributiva e da comodidade técnica de arrecadação. Serve-se
ora de um, ora de outro dos dois conceitos teóricos para fixar o
fato gerador". (in Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense,
1995, pp. 183-184)" (destaque nosso).

Desta forma, o lucro para efeitos tributários, o chamado lucro
real, não se confunde com o lucro societário, restando incabível a
afirmação de ofensa ao art. 110 do CTN, de alteração de institutos
e conceitos do direito privado, pela norma tributária ora atacada. O
lucro real vem definido na legislação do imposto de renda, de forma
clara, nos arts. 193 e 196 do RIR/94, 'in verbis':

#0,	 'Art, 193 - Lucro real é o lucro líquido do período-base
Ar" ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas

12



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

ou autorizadas por este Regulamento (Decreto-lei n° 1.598/77,
art. 6°)

(-.)

§ 2° - Os valores que, por competirem a outro período-base,
forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados
ao lucro líquido do período-base em apuração, ou dele
excluídos, serão, na determinação do lucro mal do período
base competente)... excluídos _do __lucra_ _líquido _.ou a ele
adicionados, respectivamente, corrigidos monetariamente.
(Decreto-lei n° 1.598/77, art 6°, 54°).

(4

Art. 196 - Na determinação do lucro real, poderão ser
excluídos do lucro do período-base (Decreto-lei 1.598/77, art.
6°, 53°):

(--)

III - o prejuízo fiscal apurado em períodos-base anteriores,
limitado ao lucro real do período da compensação, observados
os prazos previstos neste Regulamento (Decreto-lei 1.598/77,
art. 6°)." (grifamos).

Faz-se mister destacar que a correção monetária das
demonstrações financeiras foi revogada, com efeitos a partir de
1°.01.96 (arts. 4° e 35 da Lei 9.249/95). Ressalta-se, ainda, quanto
aos valores que devam ser computados na determinação do lucro
real, o que consta de normas supervenientes ao R1R194.

Há que compreender-se que o art. 42 da Lei 8.981/95 e o art.
15 da Lei 9.065/95 não efetuaram qualquer alteração no fato
gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador,
no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o
período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda
(lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde
um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes.
Se houve renda (lucro), tributa-se. Se não, nada se opera no plano
da obrigação tributária. 'Daí que a empresa tendo prejuízo não vem
a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os
prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a
outros fatos geradores e respectivos bases de cálculo, não são
elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do

y período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributa
visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores.*

13

,



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

Conclui-se não ter havido vulneração ao artigo 43 do CTN ou alteração

da base de cálculo, por lei ordinária.

Preliminar que se rejeita.

II. QUANTO AO MÉRITO

II.1.Pedido de Diligência ou Perícia Denegado

Não há o que objetar na ilustre decisão de Primeiro Grau.

Nada impede que a autuada carreie para o Processo Administrativo

Fiscal, enquanto não decidido em instância última, e sem precluir do seu direito,

elementos de provas ou razões e fatos expressos, não obstante a tranca tênue das

prescrições da Lei n° 9.532/97, art. 67, § 5' e § 6 .. Sem falar na sustentação oral

plenária, precedida, no mais das vezes, de memorial expresso da lavra da recorrente,

que visa, previamente, dar publicidade aos demais pares da câmara de julgamento dos

aspectos de prova e de matéria de direito que devam nortear os desfechos, na ótica da

recorrente, ainda que não possam inovar as peças contestatórias já apresentadas.

Por outro lado, não houve qualquer preterição do direito à ampla defesa

e ao contraditório, mormente quando se constata pela leitura do Relatório evidência de

que todas as matérias infligidas foram enfrentadas, à saciedade, pela insurgente.

Em face do exposto rejeita-se a preliminar de nulidade suscitada.

11.3. Compensação Tributária

Argüi a recorrente que o Fisco não levou em consideração os valores

rrecolhidos a maior relativamente ao 4.° Trimestre do ano-calendário de 2000.

14



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

É iniludível que a planilha desfiada pelo contribuinte, às fls. 83 do

Processo n° 10320.000039/2002-38 - Recurso n° 133.889 ( IRPJ ) -, olvidou o imposto

devido que emerge não só de fls. 26, como também de fls. 40 ( LALUR ). Apenas

apontou o valor recolhido de R$ 8.153,24 (Oito mil, cento e cinqüenta e três reais e

vinte e quatro centavos), descurando-se do valor apurado de R$ 5.510,31 (Cinco

mil, quinhentos e dez reais e trinta e um centavos ). Como corolário, a verba recolhida

a maior ou indevidamente, no montante de R$ 2.642,93 (Dois mil, seiscentos e

quarenta e dois reais e noventa e três centavos), deflui da seguinte soma algébrica: R$

8.153,24 menos R$ 5.510,31.

Trata-se de pleito à compensação de verbas indevidamente recolhidas.

É consabido que a restituição ou compensação dos tributos e

contribuições sociais na órbita federal deve exigir das Delegacias da Receita, desde o

momento de sua implementação - seja em função de petição ao ente tributante, quanto

de sua autorização pelo Poder Judiciário, ou pela via de julgamento administrativo -, a

conferência do grau de certeza e, principalmente, de liquidez ( Vide Hipótese 06 )1 dos

montantes fiscais requeridos. A liquidez quer dizer valor fixo e determinado.

1 Ainda que a literatura tributária não esteja pacificada, é induvkloso que o lançamento, tolhido pelo
desfecho futuro e incerto da ação judicial — que pode ser tangenciada por dois vetores mutuamente
excludentes (conversão em renda ou tributo indevido) — de difícil previsão (que nos permite tão-somente
vislumbrar uma mera expectância de direito), deveria (o ato fiscal) ser efetivado, por uma causa de
força maior, no momento do trânsito em julgado da sentença judicial, afastando-se a possibilidade do
principio da caducidade.

Retiro da Nota da PGFN/CRE/N2 440/97, as seguintes lições:

(...) Apesar do posicionamento tradicional no sentido da inadmissibilidade de suspensão ou de
interrupção do prazo decadencial, a doutrina pátria, calcada no fundamento originário do instituto — que
é a 'inércia do titular", conforme Câmara Leal (Casino, Getúlio Vargas de, Prescrição e Decadência,
Revista da OAB — Goiás, ano XI, ns 30, pags. 16/17) -, terminou por estabelecer que a snão suspensão"
e a 'não interrupção" não prevalecem na presença de causa de força maior

y...) a decadência, fulminando o direito por falta de exercício, não operará na pendência de uma
, causa suspensiva (condição ou termo) ou outras especiais (superveniência de férias forenses

Q suspendendo a extinção do direito de recurso) o que é lógico: não parece o direito por falta

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Processo n° : 10320.00003812002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

de exercício, quando este se acha suspenso ou Impedido o sujeito de agir" (original sem

gifos) -Pereira, ob. dt., pag. 596, nota de rodapé n s 23. Esta a solução francesa nos prazos
decadenciais durante a 2' Guerra.

Este também o entendimento manifestado pelo Supremo Tribunal Federal no RE na
86.471-BA, rel. Min. António Neder (RTJ 85/1019), que após transcrever trecho de obra monográfica do
jurista português Anibal de Castro (afirmando o mestre lusitano que alegando-se e provando-se o justo
impedimento ou força maior erportanto;-um obstáculo não imputável e invencível para o exercício do - - -
direito, este poderá razoavelmente exercer-se logo que cesse o obstáculo, salvo se houver oposição
legal e expressa), assevera:

Conclui-se, pois, que o prazo de caducidade pode ser adiado por uma causa de
força maior definida em lei. (grifamos). No mesmo sentido, e ainda pela lavra da Suprema Corte

Nacional, idênticas manifestações no RHC n2 62.630-SP, rel. Min. Octávio Gallotti (DJU de 01.02.85,
pag. 471) e no RE n2 63.087-SP, rel. Min. Evandro Uns e Silva (RTJ 44/220).

VÁRIAS HIPÓTESES JURÍDICAS E CONTÁBEIS OCORRENTES:
Se a empresa constitui e declara à SRF a provisão dos débitos discutidos na esfera

judiciai, tal débito há de se evadir do controle dos sistemas próprios de arrecadação do órgão
tributante, devendo ser encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional que, diante da ação judicial
impetrada, há de suspender a cobrança do débito inscrito em dívida ativa, com apensação do Processo
administrativo ao processo judicial correspondente, até que seja decidida a lide, nessa esfera.Enquanto
isso, há que se falar somente em prazo prescricional interrompido. Não é o caso de decadência.

Obtido êxito, pelo contribuinte, após esgotados todos os recursos judiciais, aí o
reconhecimento da receita por reversão das respectivas verbas ao resultado do exercício fica adstrita, a
partir dessa data, ao Instituto da decadência.

HIPÓTESE 01 - Ação Judicial Procedente, após Depósito Judicial Integral
Inicialmente há de se fazer o seguinte lançamento constitutivo da Provisão.

Contabilização:
Despesas Tributárias

a Provátio

Se, ulteriormente, a demanda judicial revelar-se procedente para o seu autor,
experimentaremos a seguinte configuração contábil: de um lado, a provisão, inclusive com a carga
credora adveniente, inclusos os ajustes pelo reconhecimento de juros e correção monetária, obediente
ao seguinte lançamento contábil:

A par do exposto, há de figurar, de outro lado, a conta permutativa dos depósitos
judiciais.

r
Contabilização:

Bancos
f1a Caixa Económica Federal - Depósitos Judiciais-4 •

16	
,



Processo n° : 10320.000038/2002-93
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Colocados os recursos — antes depositados judicialmente - à disposição do
contribuinte, este deverá debitar uma conta regente das disponibilidades (caixa ou bancos) pelo seu
valor Integral e, por igual forma e pelo mesmo valor, creditará a conta depósito judicial. Desse
confronto, emergirá um saldo credor, nessa conta, equivalente à variação monetária ativa — até então
não-reconhecida. O próximo passo demandará do contribuinte dois lançamentos contábeis: débito da
conta de depósitos judiciais a crédito da conta resultado do exercido, de valor equivalente à variação
monetária ativa; e débito da conta provisão a crédito da conta resultado do exercido, pelo seu valor
integral. Desses confrontos e ajuste resultará como verba a ser oferecida à tributação, no período, o
valor inicial depositado acrescido das variações monetárias passivas indevidas e a variação monetária
ativa até então não-reconhecida, porém já recebida pela auditada.

Contabilização:
Provisão
a Resultado do Exercido

Observe-se que, se a recorrente utilizar-se de outros artifícios contábeis ou fiscais
para se evadir da obrigação tributária ulterior, ao fisco cabe impugnar, na época própria, o respectivo
lançamento. Não se deve presumir inverossimilhança, abandonando, desde a inicial, a hipótese de
postergação que se enleia às evidéncias contábeis e fiscais pretéritas.

HIPÓTESE 02 - Ação Judicial Procedente, após Recolhimento do Valor Provisionado

02.1. pelo recolhimento dos tributos e contribuições provisionados.

Contabilização:

Provisão
a Caixa

021.1. Pelo direito creditório à compensação futura.

são Tributos a Compensar (TC)

V
r a Recuperação de Receitas a Realizar (RRR):

17



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Contabilização:

pelo encerramento da conta TC:

Provisão IR
a Tributo a Compensar

Contabilização:

Pela reversão da despesa tributária indevida ao resultado do exercício, em Unidades
Monetárias:

Recuperação de Receita a Realizar (RRR)
a Resultado do Exercício:

HIPÓTESE 03 — Sobre o tributo discutido não houve recolhimento de qualquer valor e nem mesmo
procedeu-se a qualquer depósito judicial correspondente:

01.1 — Com Êxito na Ação Judicial:

Nesse caso será indevido o tributo questionado, devendo o contribuinte promover,
tão-somente, o reconhecimento do valor provisionado, com atualização monetária e juros selic, no
resultado do exercício.

Contabilização:

Provisão
a Resultado do Exercício

HIPÓTESE 04 — Sobre o tributo discutido não houve depósito judicial, mas sim recolhimento integral do
tributo, sem lançamentos dos denominados Tributos a Compensar (TC) e Recuperação de Receitas a
Realizar (RRR):

04.1. Pela formação da Provisão

Contabilização:
Despesas Tributárias
a Provisão

e: 04.2. Pelo recolhimento/encerramento da conta credora. pik
18



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

Contabilização:

Provisão
a Caixa/Bancos

04.3. Ao Final da Ação Judicial Favorável ao Contribuinte

Contabilizações Comumente Utilizadas:

a) Bancos
a Resultado do Exercício

Ou

b) Bancos
a Patrimônio Liquido

Obs.: Para o segundo lançamento ( '' b " ), o reconhecimento da verba a ser revertida deverá se operar,
por adição ao lucro liquido, no LALUR - Parte A -, agasalhando, inclusive, a CSLL.

HIPÓTESE 05 - Sobre o tributo discutido não houve depósito judicial e nem recolhimento do tributo,
mas tão-somente constituição da provisão com informação ao Fisco, por declaração.

Esse não será o caso de Compensação, pois não houve recolhimento.

Em caso de êxito do contribuinte na ação judicial, o fisco terá cinco anos para
constituir o auto de infração, caso o contribuinte não faça o seguinte lançamento, espontaneamente:
Contabilização:

Provisão
a Resultado do Exercício

HIPÓTESE 06 - Houve apenas recolhimento a maior, em função de provisão constituída similarmente a
maior, com informação ao Fisco, por declaração. Após o lançamento fiscal reivindicou o contribuinte a
compensação do diferencial com a exigência de oficio.

O fisco terá cinco anos para constituir o auto de infração, caso o contribuinte não
faça o seguinte lançamento, espontaneamente, contemplando a diferença - objeto do pleito à
compensação:

Contabilização:

Provisão
a Resultado do Exercício

19



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

Para tanto, os pleitos administrativos devem se conformar às leis

regentes e, notadamente, aos atos normativos expedidos pelo ente tributante, máxime

por submissão aos art. 2.° e §§, art. 12, § 7.° do art. 14, art. 16 e art. 17 da Instrução

Normativa SRF n.° 21, de 10 de março de 197, com as alterações introduzidas pelo art.

1.0 e § 3.° da Instrução Normativa SRF n.° 37, de 29 de abril de 1997, e demais

artigos da Instrução Normativa DRF n.° 73, de 15 de setembro de 1997. Entretanto,

conforme pontuou o digno Colegiado de Primeiro Grau, por voto de qualidade do Sr.

Presidente da ilustre 3.° Turma, o art. 14 da IN/SRF n.° 21/97, só previa a

compensação quando os créditos não eram advenientes de procedimento de oficio.

Entretanto, em face de um novo ordenamento jurídico a plasmar tais

institutos, tal inobservância normativa fora superada, devendo, no que não for oposto

aos atos normativos regentes à época do pleito, impor-se a observância das

prescrições da Lei n.° 10.637, de 30.12.2002 ( DOU de 31.12.2002), que em seu art. 49

alterou o art. 74, da Lei n.° 9.430/96, bem assim o Ato Normativo logo a seguir

explicitado. Verbis:

Art. 49. O art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a

vigorar com a seguinte redação:

"Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com
trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela
Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de
ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios
relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele
Órgão.
§ /° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a
entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão
informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitoscompensados.
§ 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal
extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulteriorf homol ação."

20



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

§ 4° Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela
autoridade administrativa serão considerados declaração de
compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste
artigo.

Posteriormente, fora editada a Instrução Normativa SRF n° 210, de 30

de setembro de 2002 (DOU de 1.10 ), a qual revogou todas as anteriores, não só

melhor detalhando o diploma legal antes transcrito, como também dando a ele

amplitude, destacando-se, para o deslinde da presente lide, os seus arts. 5°,21 e 24.

Verbis:

Art. 52 Reconhecido o direito creditório do sujeito passivo, deverá ser
verificada, mediante consulta aos sistemas de informação da SRF, sua
regularidade fiscal relativamente aos tributos e contribuições
administrados pela SRF, inclusive a existência de débitos inscritos em
Dívida Ativa da União.
§ 9 Detectada a existência de débito do sujeito passivo para com a
Fazenda Nacional relativamente aos tributos e contribuições
administrados pela SRF, inclusive débito objeto de parcelamento, o
valor a restituir deverá ser utilizado para quitá-lo, mediante
compensação em procedimento de oficio, conforme disposto nos
arts. 24 a 27 desta Instrução Normativa.
§ 22 Inexistindo débito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional
relativamente aos tributos e contribuições administrados pela SRF, ou
remanescendo saldo a restituir após efetuada a compensação de que
trata o § 12, será promovida a restituição ao sujeito passivo.
Art. 18. Reconhecido o direito creditório, deverá ser verificada, mediante
consulta aos sistemas de informação da SRF, a regularidade fiscal da
pessoa jurídica relativamente aos tributos e contribuições administrados
pela SRF, bem assim a existência de débitos inscritos em Dívida Ativa
da União.
§ 12 Detectada a existência de débito da pessoa jurídica para com a
Fazenda Nacional relativamente aos tributos e contribuições
administrados pela SRF, inclusive objeto de parcelamento, o valor a
ressarcir deverá ser utilizado para quitá-lo, mediante compensação em
procedimento de ofício, conforme disposto nos arts. 24 a 27 desta
Instrução Normativa.
§ lnexistindo débito da pessoa jurídica para com a Fazenda Nacional
relativamente aos tributos e contribuições administrados pela SRF, ou
remanescendo créditos a ressarcir após efetuada a compensação de

,? que trata o § 12, será promovi4o o ressarcimento ao estabelecimento
que apurou os créditos do IPI.

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Processo n° : 10320.00003812002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou
contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de
ressarcimento/ poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, - - ---
vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições
sob administração da SRF.
§ i A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito
passivo mediante o encaminhamento à SRF da "Declaração de
Compensação".

Compensação de Oficio
Art. 24. Antes de proceder à restituição de quantia recolhida a título de
tributo ou contribuição administrado pela SRF ou ao ressarcimento de
crédito do IR, a autoridade competente para promover a restituição ou o
ressarcimento deverá verificar a existência de débito do sujeito passivo
para com a Fazenda Nacional relativamente aos tributos e contribuições
sob administração da SRF.
§ 12 Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo,
inclusive de débito inscrito em Dívida Ativa da União ou de débito
consolidado no âmbito do Refis ou do parcelamento a ele alternativo, o
valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitá-
lo, mediante compensação em procedimento de oficio.
§ 2Q Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao
sujeito passivo que se manifeste, no prazo de quinze dias, contado do
recebimento de comunicação formal enviada pela SRF, quanto ao
procedimento e à ordem dos débitos a serem compensados, sendo o
seu silêncio considerado como aquiescência.
§ 32 Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de
oficio, a autoridade da SRF competente para efetuar a compensação
reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja
liquidado ( dei destaque ).

CONCLUSÃO

Isso posto, oriento o meu voto no sentido de se rejeitar a preliminar de

nulidade suscitada; e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para se decido

reconhecer o direito creditório da Recorrente à compensação argüida no montante de

R$ 2.642,93 ( Dois mil, seiscentos e quarenta e dois reais e noventa e três centavos)

e submissa aos princípios da certeza e liquidez do crédito denunciado, determinando, n\
22	 (



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

outrossim, que o requerido se conforme aos aspectos formais definidos pelos atos

normativos antes mencionados, aplicáveis à data do direito aquisitivo.

Brasília, DF., em 17 de abril de 2003.

f NEICY \ç\E LMEIDA‘D

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      <str>RESOLUÇÃO
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Sergio Celani e Maria Inês caldeira Pereira da Silva Murgel



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S3­TE01 

Fl. 111 

 
 

 
 

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110 

S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10283.901885/2008­56 

Recurso nº            Voluntário 

Resolução nº  3801­000.312  –  1ª Turma Especial 

Data  20 de março de 2012 

Assunto  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA 

Recorrente  SOCIEDADE AMAZONENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA LTDA 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

RESOLUÇÃO  

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o 
julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. 

(assinado digitalmente) 

Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.  

(assinado digitalmente) 

Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel ­ Relatora. 

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes 
(Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de 
Melo, Paulo Sergio Celani e Maria Inês caldeira Pereira da Silva Murgel 

 

 

RELATÓRIO 

Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  DRJ­BELEM/PA  (fl.  69  e 
seguintes), abaixo transcrito: 

Relatório  Trata­se  de  declaração  de  compensação  transmitida  em 
13/11/2004  pela  contribuinte  acima  identificada,  na  qual  indicou 

  

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Fl. 253DF  CARF MF

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italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13

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Processo nº 10283.901885/2008­56 
Resolução nº  3801­000.312 

S3­TE01 
Fl. 112 

 
 

 
 

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crédito  resultante  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  originário  de 
DARF  relativo  à  receita  de  código  5856,  do  período  de  apuração de 
30/04/2004,  com  arrecadação  em  14/05/2004,  no  valor  originário  de 
R$ 75.492,10. 

A  Delegacia  de  origem,  em  análise  datada  de  18.07.2008  (fl.  06), 
constatou que "a partir das características do DARF discriminado no 
PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas 
integralmente  utilizados  para  a  quitação  de  débitos  do  contribuinte, 
não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos 
informados no PER/DCOMP". 

Assim,  não  homologou  a  compensação  declarada.  Cientificada  em 
01/08/2008, a interessada apresentou, em 07.08.2008, manifestação de 
inconformidade na qual alega (fls. 10/11): 

"A requerente declarou na DCTF 20 TRIMESTRE/2004  ter apagar (e 
pagou­se)  de  COFINS  no  mês  de  abril  o  valor  de  R$  75.492,10, 
conforme DARF  em  anexo.  Posteriormente,  constatou­se  que  o  valor 
real  a  ser  pago  era  de  R$  32.462,92,  ou  seja,  inferior  ao  valor 
informado  na  referida  DCTF,  gerando,  portanto,  um  crédito  de  R$ 
43.029,18" Entretanto, de forma equivocada não foi retificada a DCTF 
de origem dos créditos, o que gerou a vinculação do de um débito com 
valor  equivalente  ao  DARF  pago,  a  inconformidade  dos  créditos  a 
serem utilizados para compensação e conseqüentemente a reprovação 
do PER/DCOMP." 

Juntando aos autos cópia de DCTF retificadora, entende a contribuinte 
que "se torna equivalente o débito compensado com o valor pago". 

Analisando  o  litígio,  a  DRJ­BELÉM/PA  entendeu  por  bem  não  homologar  a 
compensação declarada (fls. 68 e seguintes), conforme ementa abaixo transcrita: 

ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Ano­
calendário:  2004  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO. 
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ONUS DA PROVA. 

Considera­se  não  homologada  a  declaração  de  compensação 
apresentada  pelo  sujeito  passivo  quando  não  reste  comprovada  a 
existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de 
compensação  referentes  a  pagamentos  indevidos  ou  a  maior  o 
contribuinte possui o ônus de prova do seu direito.  

Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não 
Reconhecido 

Às  fls.  70  e  seguintes  consta  recurso  voluntário  apresentado  tempestivamente, 
no qual a Recorrente traz as seguintes alegações, em resumo: 

· Que,  ao  verificar  o  erro  no  preenchimento  da  DCTF,  se 
prontificou  a  retificá­la  e  que,  após  a  retificação,  restou 
comprovado o seu direito creditório. 

· Que  a  fiscalização  não  lhe  intimou,  em  nenhum  momento,  a 
apresentar documentação comprobatório do  seu  crédito. Por  isso, 

Fl. 254DF  CARF MF

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Processo nº 10283.901885/2008­56 
Resolução nº  3801­000.312 

S3­TE01 
Fl. 113 

 
 

 
 

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junta ao Recurso Voluntário documentos que comprovam o crédito 
declarado na compensação; 

É o relatório. 

Fl. 255DF  CARF MF

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Processo nº 10283.901885/2008­56 
Resolução nº  3801­000.312 

S3­TE01 
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VOTO  

O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os 
demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 

Conforme  mencionado  alhures,  a  manifestação  de  inconformidade  do 
Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Manaus, sob o argumento de 
que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, 
foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados 
para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação 
dos débitos informados no PER/DCOMP” (fl. 06). 

Ocorre,  contudo,  que  o  Recorrente  retificou  a  sua  DCTF  o  que  gerou,  a 
princípio, crédito de pagamento indevido ou a maior, passível de ser utilizado para compensar 
débitos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. 

No  julgamento  da  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  pela 
Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Belém (PA) poderia, de ofício, independentemente 
de  requerimento  expresso,  ter  realizado  diligências  para  aferir  autenticidade  dos  créditos 
declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confira­se: 

Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de 
ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou 
perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que 
considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no 
art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 

A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é 
de  que  deve  a Administração  Pública  se  valer  de  todos  os  elementos  possíveis  para  aferir  a 
autenticidade  das  declarações  dos  contribuintes,  o  que, data  venia,  não  foi  feito  no  presente 
caso. 

Deve­se ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por 
diversos  princípios,  dentre  os  quais  se  destaca  o  da  Verdade  Material,  cujo  fundamento 
constitucional  reside  nos  artigos  2º  e  37  da  Constituição  Federal,  no  qual  o  julgador  deve 
pautar  suas  decisões. Ou  seja,  o  julgador deve perseguir  a  realidade dos  fatos,  para  que  não 
incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre 
Professor James Marins: 

A  exigência  da  verdade  material  corresponde  à  busca  pela 
aproximação  entre  a  realidade  factual  e  sua  representação  formal; 
aproximação  entre  os  eventos  ocorridos  na  dinâmica  econômica  e  o 
registro  formal  de  sua  existência;  entre  a  materialidade  do  evento 
econômico  (fato  imponível)  e  sua  formalidade  através  do  lançamento 
tributário.  A  busca  pela  verdade material  é  princípio  de  observância 
indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades 
procedimentais  e  processuais.  (grifou­se).  (MARINS,  James.  Direito 
Tributário  brasileiro:  (administrativo  e  judicial).  4.  ed.  ­  São  Paulo: 
Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) 

Sobre o princípio da verdade material,  também ensinam os ilustres professores 
Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: 

Fl. 256DF  CARF MF

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Processo nº 10283.901885/2008­56 
Resolução nº  3801­000.312 

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Princípio  da  verdade material. Consiste  em  que  a Administração,  ao 
invés de  ficar  restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, 
deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do 
que os interessados hajam alegado e provado (...). 

(...) 

O  princípio  da  verdade  material  estriba­se  na  própria  natureza  da 
atividade  administrativa.  Assim,  seu  fundamento  constitucional 
implícito  radica­se  na  própria  qualificação  dos  Poderes  tripartidos, 
consagrada  formalmente  no  art.  2º  da  Constituição,  com  suas 
inerências. 

Deveras,  se  a  Administração  tem  por  finalidade  alcançar 
verdadeiramente  o  interesse  público  fixado  na  lei,  é  óbvio  que  só 
poderá fazê­lo buscando a verdade material, ao invés de satisfazer­se 
com a verdade formal,  já que esta, por definição, prescinde do ajuste 
substancial  com  aquilo  que  efetivamente  é,  razão  porque  seria 
insuficiente  para  proporcionar  o  encontro  com  o  interesse  público 
substantivo. 

Demais  disto,  a  previsão  do  art.  37,  caput,  que  submete  a 
Administração  ao  princípio  da  legalidade,  também  concorre  para  a 
fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). 
(BANDEIRA  DE  MELLO,  Celso  Antônio.  Curso  de  direito 
administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. 
p. 489, 493 e 494) 

...................................................................................................................

....... 

É  o  princípio  da  verdade  material  que  autoriza  o  administrador  a 
perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos 
fatos que a constituíram. (...) 

Pelo  princípio  da  verdade  material,  o  próprio  administrador  pode 
buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo 
administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, 
e  não  apenas  a  que  ressai  de  um  procedimento meramente  formal. 
Devemos  lembrar­nos  de  que  nos  processos  administrativos, 
diversamente  do  que  ocorre  nos  processos  judiciais,  não  há 
propriamente  partes, mas  sim  interessados,  e  entre  estes  se  coloca  a 
própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração 
em  alcançar  o  objeto  do  processo  e,  assim,  satisfazer  o  interesse 
público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre 
o  interesse  do  particular.  (CARVALHO  FILHO,  José  dos  Santos. 
Manual  de  direito  administrativo.  21.  ed.  rev.  ampl.  atual.  Rio  de 
Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) 

No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade 
e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido 
ao  julgador administrativo,  inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos  judiciais, não 
ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos 
os elementos capazes de influir em seu convencimento. 

Fl. 257DF  CARF MF

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Processo nº 10283.901885/2008­56 
Resolução nº  3801­000.312 

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Isto  porque,  no  processo  administrativo  não  há  a  formação  de  uma  lide 
propriamente  dita,  não  há,  em  tese,  um  conflito  de  interesses.  O  objetivo  é  esclarecer  a 
ocorrência  dos  fatos  geradores  de  obrigação  tributária,  de  modo  a  legitimar  os  atos  da 
autoridade administrativa. 

Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que 
o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para 
solução da lide. Confira­se: 

IPI.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  PRINCÍPIO  DA 
VERDADE MATERIAL.  

Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao 
sujeito  passivo  a  apresentação  de  elementos  probatórios  na  fase 
impugnatória.  A  não  apreciação  de  documentos  juntados  aos  autos 
ainda  na  fase  de  impugnação,  antes,  portanto,  da  decisão,  fere  o 
princípio da  verdade material  com ofensa ao princípio  constitucional 
da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da 
verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente 
ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade 
da  tributação.  Deve  ser  anulada  decisão  de  primeira  instância  que 
deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00­
99,  Recurso  Voluntário  n°.  132.865,  ACÓRDÃO  203­12338,  Relator 
Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) 

PROCESSO  ADMINISTRATIVO  TRIBUTÁRIO  ­  PROVA MATERIAL 
APRESENTADA  EM  SEGUNDA  INSTÂNCIA  DE  JULGAMENTO  ­ 
PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA 
DA VERDADE MATERIAL ­ A não apreciação de provas trazidas aos 
autos  depois  da  impugnação  e  já  na  fase  recursal,  antes  da  decisão 
final administrativa,  fere o princípio da  instrumentalidade processual 
prevista  no  CPC  e  a  busca  da  verdade  material,  que  norteia  o 
contencioso  administrativo  tributário.  "No  processo  administrativo 
predomina  o  princípio  da  verdade  material  no  sentido  de  que  aí  se 
busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que 
está em jogo é a  legalidade da  tributação. O  importante é saber se o 
fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103­
18789 ­ 3ª. Câmara ­ 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/03­04.371 
RECURSO  VOLUNTÁRIO  PROVIDO.  (10950.002540/2005­65, 
Recurso Voluntário n°.  136.880, Acórdão 302­39947, Relatora  Judith 
do Amaral Marcondes) 

IRPJ  ­  PREJUÍZO  FISCAL  ­  IRRF  ­  RESTITUIÇÃO  DE  SALDO 
NEGATIVO  ­  ERRO  DE  FATO  NO  PREENCHIMENTO  DA  DIPJ  ­ 
PREVALÊNCIA  DA  VERDADE  MATERIAL  ­  Não  procede  o  não 
reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo 
negativo  de  IRPJ,  quando  comprovado  que  a  receita  correspondente 
foi  oferecida  à  tributação,  ainda  que  em  campo  inadequado  da 
declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 ­ Câmara: 
Quinta  Câmara  ­  Número  do  Processo:  13877.000442/2002­69  – 
Recurso Voluntário: 28/02/2007) 

COMPENSAÇAO  ­  ERRO  NO  PREENCHIMENTO  DA 
DECLARAÇÃO  E/OU  PEDIDO  –  Uma  vez  demonstrado  o  erro  no 
preenchimento  da  declaração  e/ou  pedido,  deve  a  verdade  material 

Fl. 258DF  CARF MF

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Processo nº 10283.901885/2008­56 
Resolução nº  3801­000.312 

S3­TE01 
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prevalecer  sobre  a  formal.  Recurso  Voluntário  Provido.  (Número  do 
Recurso:  157222  ­  Primeira  Câmara  ­  Número  do 
Processo:10768.100409/2003­68  –  Recurso  Voluntário:  27/06/2008  ­ 
Acórdão 101­96829). 

Assim,  devem  ser  considerados,  in  casu,  a  DCTF  que  foi  retificada  pelo 
Recorrente,  que,  a  princípio,  em  uma  análise  superficial,  demonstra  créditos  passíveis  de 
compensação.  Contudo,  só  através  de  diligência,  que  deverá  ser  realizada  pela  DRF  de 
Manaus,  é  que  se  poderá  ter  certeza  de  que  os  créditos  utilizados  são  mesmo  oriundos  de 
pagamento indevido ou a maior e, por isso, passíveis de serem compensados, como pretendeu a 
Recorrente. 

Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DCTF retificada, os 
livros com as apurações da Recorrente que não foram analisados pela fiscalização. 

Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência 
à DRF/Manaus­AM para: 

1.  Apurar  se,  após  a  retificação  da  DCTF  da  Recorrente,  os  créditos  pagos 
indevidamente ou a maior passíveis de compensação; 

2.  Verificar  se,  uma  vez  existentes  estes  créditos,  estes  são  suficientes  para 
quitar o débito declarado na compensação apresentada pela Recorrente; 

3.  Intimar  a  empresa  a  se manifestar  acerca  da  diligência  realizada,  se  assim 
desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 

4.  Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. 

 

(assinado digitalmente) 

Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel 

 

 

 

Fl. 259DF  CARF MF

Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
PI

A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig

italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13

/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES


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Ementa – Trava 30% - MP – 812/94 -  Imposto de Renda e Contribuição Social - Lei nº 8.981/95. Artigos 42 e 58, Alegação de ofensa aos princípios da anterioridade, da irretroatividade e do direito adquirido.Descabimento da alegação relativamente ao Imposto de Renda, o mesmo não se dando no tocante à Contribuição Social, sujeita que está à anterioridade nonagesimal prevista no art. 195, § 6º da CF, no caso não violada.</str>
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MINISTÉRIO DA FAZENDA
PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES
PRIMEIRA CÂMARA

4~

Processo n.° : 10480.01080912001-37
Recurso n.°.	 :	 131.929
Matéria:	 : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — EXS: DE 1998 e

1999
Recorrente	 :	 PMPAR S.A.
Recorrida	 :	 4. TURMA/DRJ RECIFE — PE.
Sessão de	 :	 02 de julho de 2003
Acórdão n.°	 :	 101-94.281

Processo Administrativo e Processo Judicial — No atual regime
jurídico brasileiro criou-se à defesa um princípio optativo de
escolha quanto à área de enfrentamento à exigência fiscal, que
não admite cumulatividade, prevalecendo a escolha do Poder
Judiciário em prejuízo da Jurisdição Administrativa.

Ementa — Trava 30% - MP — 812/94 - Imposto de Renda e
Contribuição Social - Lei n° 8.981/95. Artigos 42 e 58, Alegação
de ofensa aos princípios da anterioridade, da irretroatividade e
do direito adquirido.Descabimento da alegação relativamente
ao Imposto de Renda, o mesmo não se dando no tocante à
Contribuição Social, sujeita que está à anterioridade
nonagesimal prevista no art. 195, § 6° da CF, no caso não
violada.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso

interposto por PMPAR S.A.

ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho

de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da matéria

submetida à via judicial,quanto às demais matérias, conhecê-las para negar-lhes

provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente

julgado.

-
ON PE JR-A RODR UES

"RESIDE -É

74000

CEL3 ALVES EITOSA
TOR



Processo n.° : 10480.010809/2001-37	 2
Acórdão n.°	 :	 101-94.281

FORMALIZADO EM:	 AGn yen

Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: VALMIR SANDRI,
KAZUKI SHIOBARA, SANDRA MARIA FARONI, PAULO ROBERTO CORTEZ,
RAUL PIMENTEL e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL.



Processo n.° : 10480.01080912001-37	 3

Acórdão n.°	 :	 101-94.281

RELATÓRIO

Contra a empresa acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls.
32/38, por meio do qual é exigida a importância de R$ 504.790,60, mais acréscimos
legais (apenas juros de mora), totalizando um crédito tributário R$ 808.050,17, a
título de Contribuição Social sobre o Lucro.

Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 33, a
exigência, relativa aos anos-calendários de 1997 e 1998, decorreu de glosa da
compensação de bases de cálculo negativas de períodos-base anteriores, uma vez
que a fiscalização constatou a inobservância do limite de 30% do lucro líquido
ajustado.

Conforme item 5 (fls. 27/28) do Termo de Verificação Fiscal de fls. 18/31, a
contribuinte informou, durante o procedimento de ofício, ter impetrado Mandado de
Segurança Preventivo com a concessão de liminar no Processo n°
2000.83.00.004967-0, da 13 Vara Federal para assegurar a compensação integral
das bases de cálculo negativas da contribuição. Esta foi a razão pela qual não se
exigiu, no Auto de Infração, da multa de ofício, a teor do art. 63 da Lei n° 9.430/96.

A ação foi julgada procedente, em primeira instância, conforme cópia de
sentença datada de 13/09/2000 (fls. 138/146), mantendo os termos da liminar (fl. 44)
e concedendo parcialmente a segurança para autorizar a compensação requerida,
sem a limitação imposta pela Lei n° 8.981/95, em relação a parcelas anteriores à
sua vigência, por existir direito adquirido do contribuinte a proceder à compensação

sem qualquer limitação.

Impugnando o feito às fls. 113/117, a interessada alegou, em síntese:

- que o objetivo do Auto de Infração foi o de prevenir a decadência e que
isto só é possível quando o processo está em sede de liminar provisória;

- que, nos termos do art. 63 da Lei n° 9.430/96, não cabe a exigência de
multa de ofício ou de mora quando o contribuinte está amparado por uma
decisão judicial;

- que, se o crédito tributário está suspenso não está vencido e, assim, ão
incide em mora o contribuinte; portanto, não pode ser compelido a gar
multa e juros de mora, sendo, então, incabível a cobrança, no Aút p de
Infração, dos juros motatórios;

/I
- que o § 2° do art. 161 do CTN segue nessa mesma linha ao determinar a

não cobrança de juros de mora quando o contribuinte está na fase de

consulta administrativa;

- que é inaplicável a exigência de juros com base na taxa SELIC.



Processo n.° : 10480.01080912001-37	 4
Acórdão n.°	 :	 101-94.281

Na decisão recorrida (fls. 156/165), a 4 a Turma de Julgamento da DRJ em
Recife-PE, por unanimidade de votos, declarou procedente o lançamento,
concluindo que:

a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes
da autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias
administrativas;

b) a existência de medida judicial que suspende a exigibilidade do crédito
tributário não é obstáculo à lavratura do Auto de Infração, que visa
prevenir a decadência;

c) os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a
respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou
judicial.

Às fls. 177/188 se vê o recurso voluntário, por meio do qual a autuada,
repetindo argumentos da impugnação, alega, em síntese:

- que o lançamento negou vigência ao art. 63 da Lei n° 9.430/96, porque o
fiscal, confessadamente, lavrou o Auto de Infração apenas para evitar a
decadência, o que, todavia, só é aceito quando o processo está apenas
em sede de liminar provisória, o que não é o caso;

- que, ademais, não se pode conceber a cobrança dos juros de mora,
porque a mora somente começa com a exigibilidade (conforme doutrina
que cita);

- que cabe a nulidade da denúncia fiscal também por descumprimento a
preceito legal e ordem judicial, uma vez que a suspensão da exigibilidade
do crédito tributário abrange qualquer ato que implique a exigência do
suposto tributo devido pelo sujeito passivo, inclusive a lavratura do Auto
de Infração;

- que é nula a decisão de primeira instância porque, indevidamente, deixou
de julgar as razões de mérito sob a alegação de que a existência de
processo judicial importa renúncia à instância administrativa;

- que, no mérito, é indevida, porque inconstitucional, a limitação da
compensação de bases de cálculo negativas a 30% do lucro lí uido
ajustado;

- que é improcedente o cálculo dos juros de mora com base na sEup.

Houve arrolamento de bens para atendimento da exigência de garantia de
instância.

É o relatório.



Processo n.° : 10480.01080912001-37	 5

Acórdão n.°	 :	 101-94.281

VOTO

Conselheiro CELSO ALVES FEITOSA, Relator.

O recurso é tempestivo.

A questão como posta se apresenta pacificada neste Conselho de
Contribuintes no sentido de que não pode haver concomitância entre a defesa

administrativa e a discussão em sede de Poder Judiciário.

Entra-se pacificada ainda em relação à legitimidade de limitação de
abatimento do saldo de prejuízo fiscal em relação ao lucro (IRPJ) de 30% apurado,
inclusive da CSLL.

Tenho proferido um número grande de votos, sempre acolhidos à
unanimidade pela Câmara, sendo majoritário também em sede de CSRF, pelo que

passo a justificar-me nos seus termos.

O professor Alberto Xavier, in "Do lançamento", a fls. 282, assim se expressa
com relação à questão discussão administrativa e perante o poder judiciário:

"No sistema atualmente vigente, ao abrigo da Constituição de 1988, não se
exige o prévio esgotamento das vias administrativas como condição de
acesso ao Poder Judiciário, pelo que vigora um princípio optativo
segundo o qual o particular pode livremente escolher entre a impugnação
administrativa e a impugnação judicial do lançamento tributário.

Esta opção pode ser originária ou superveniente, em conseqüência de
desistência da via originariamente escolhida. Todavia, em caso de opção
pela impugnação contenciosa, na pendência de uma impugnação
administrativa, esta considera-se extinta. E o que resulta do § 2° do artigo 1°
do Decreto-lei n° 1737, de 20 de dezembro de 1979, segundo o qual "a
propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade
do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer
na esfera administrativa e desistência do recurso interposto". E regra
idêntica deflui do artigo 38 da Lei n° 6 830 de 22 de setembro de 1980,
segundo o qual "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste
artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e
desistência do recurso interposto"

Sobre a classificação dos recursos em: neces
facultativos, alternativos e exclusivos, assim continua para concluir o ref-rido

professor:

"A figura do recurso exclusivo não é tolerada no direito brasileira face ao
princípio da universalidade da jurisdição.

O recurso necessário corresponde ao sistema previsto na Emenda
Constitucional n° 7/1977, a que já nos referimos.

O conceito de recurso alternativo também não se ajusta ao nosso direito
positivo, que não concebe a opção entre a impugnação administrativa e a
jurisdicional como definitivamente excludentes entre si, pois nada impede



Processo n.° : 10480.01080912001-37	 6
Acórdão n.°	 :	 101-94.281

que, na pendência de processo judicial, o particular apresente impugnação
administrativa, ou que, na pendência de impugnação administrativa, o
particular aceda ao Poder Judiciário

O que o direito brasileiro veda é o exercício cumulativo dos meios
administrativos e jurisdicionais de impugnação: como a opção por uns ou
outros não é excludente, a impugnação administrativa pode ser prévia ou
posterior ao processo judicial, mas não pode ser simultânea.

O princípio da não cumulação opera sempre em benefício do processo
judicial, a propositura de processo judicial determina "ex lege" a extinção do
processo administrativo; ao invés, a propositura de impugnação
administrativa na pendência de processo judicial conduz à declaração de
inadmissibilidade daquela impugnação, salvo ato de desistência expressa do
processo judicial pelo particular.

Na tipologia de Freitas do Amaral, a impugnação administrativa insere-se na
categoria dos "recursos facultativos", com a ressalva de a relação de
facultatividade não poder conduzir à simultaneidade.

Temos, pois, o princípio optativo, mitigado por um princípio de não
cumulação."

Por esta razão ainda sem razão o Recorrente, restando correta, por outro
lado, a decisão quanto a não apreciação do tema pelo órgão julgador de Primeira
Instância Administrativa.

O argumento de que só seria possível ao Fisco lavrar auto de infração
enquanto amparado o sujeito passivo por liminar, vedado quando já sentenciado o
MS favoravelmente, não encontra sustentação legal, mesmo porque a sentença
concessiva de segurança não é imutável, uma vez pendente de recurso. A lei não
faz a distinção reclamada, muito pelo contrário, estabelece o parágrafo 2° do artigo
63, da Lei 9.430/96, que a mora, ademais, encontrar-se-á interrompida até 30 dias
da data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou
contribuição.

Esta dizer a então, que durante todo o transitar do processo, permanece as
razões da suspensão, decorrendo daí que presentes os motivos considerados
quando da liminar, que nada mais é, por outro lado, do que uma antecipação da
decisão a ser proferida quando da apreciação de mérito.

Com relação à mora, está eia prevista em lei, não sendo de conhecimento

que tenha sido declarada esta ilegítima. A questão de não estar vencida a obrigação
não é verdadeira, pois o que se discute é validade ou não da exigência. Se inválida,
estará fora do mundo jurídico, sem efeito. Se válida, presente se apresentará a
suspensão quanto à execução, em que os efeitos retroagem ao seu nascimento.

Quanto ao instituto da consulta, não merece consideração por não envolv a

causa em julgamento.

Com respeito a Taxa Selic (juro), embora se tenha conhecimento de deÓisão
do STJ decidindo por sua invalidada para aplicação às obrigações de direito páblico,
inúmeros são as decisões em contrário, como se demonstra:



,

Processo n.° : 10480.01080912001-37 	 7
Acórdão n.°	 :	 101-94.281

"Acórdão
AGA 480641 / MG ; AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE
I NSTRUMENT02002/0140353-5
Fonte
DJ DATA:23/06/2003 PG:00260
Relator
Min. FRANCISCO FALCÃO (1116)
Ementa
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO
DEINSTRUMENTO„ EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. SÚMULA N° 07/STJ.
TAXASELIC. LEGALIDADE.I - A questão do laudo pericial ter ou não conseguido
determinar a natureza dos fatos geradores do tributo, resta prejudicada, pois
impossível a sua análise pela via eleita do especial, a teor da Súmula 07/STJ, que
se aplica à hipótese dos autos 11 - Quanto à aplicação da taxa SELIC, a
jurisprudência desta Corte,consolidou o entendimento no sentido de que, a partir
de 1° de janeiro de 1996, passou a ser legítima sua aplicação no campo tributário,
em face da determinação contida no § 4°, do artigo 39,da Lei n.° 9250/95111 -
Agravo regimental improvido„
Data da Decisão
08/04/2003
Órgão Julgador
T1 - PRIMEIRA TURMA
Decisão
Vistos e relatados os autos em que são partes as acima indicadas,decide a
Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar
provimento ao agravo regimental, na forma do relatório e notas taquigráficas
constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Os
Srs. Ministros LUIZ FUX, HUMBERTO GOMES DE BARROS e JOSE DELGADO
votaram com o Sr. Ministro Relator.

Acórdão
RESP 267788 / PR; RECURSO ESPECIAL2000/0072506-4
Fonte
DJ DATA:16/06/2003 PG:00274
Relator
Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA (1123)
Ementa
TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO.
DENÚNCIAESPONTÂNEA. PARCELAMENTO DE DÉBITO TRIBUTÁRIO. MULTA
MORATÓRIA.EXIGIBILIDADE„ JUROS DE MORA À TAXA SELIC
LEGALIDADE.1„ A partir do julgamento do RESP n° 284„189/SP, pacificou-se
neste Superior Tribunal de Justiça o entendimento no sentido de que a simples
confissão de dívida acompanhada do pedido de parcelamento do débito não
configura denúncia espontânea, a dar ensejo a aplicação da regra ínsita no artigo
138 do CTN, de modo a eximir o contribuinte do pagamento de multa moratória..2.
O artigo 161 do CTN, ao estipular que os créditos não pagos no vencimento serão
acrescidos de juros de mora calculados à taxa dei °A, ressalva, expressamente,
"se a lei não dispuser de modo diverso", de modo que, estando a SELIC prevista
em lei, inexiste ilegalidade na sua aplicação 2, Este Superior Tribunal de Justiça
tem, reiteradamente, aplicado a taxa SELIC a favor do contribuinte, nas hipóteses
de restituições e compensações, não sendo razoável deixar de fazê-la incidir nas
situações inversas, em que é credora a Fazenda Pública.4. Recurso especial a que
se nega provimento.
Data da Decisão
01/04/2003
Órgão Julgador
T2 - SEGUNDA TURMA ,
Decisão	 ,

Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima in icadas,
acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Ju tiça, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro



Processo n.° : 10480.010809/2001-37 	 8

Acórdão n.°	 :	 101-94.281

Relator. Os Srs.. Ministros Francisco Peçanha Martins, Eliana Calmon e Franciulli
Netto votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento a Sra.. Ministra
Eliana Calmon.

Ademais, não consta que o artigo 13 da Lei 9.065/95 tenha sido declarado
inconstitucional com a sua retirada do mundo jurídico.

Não há violação ao disposto no artigo 63 da Lei 9.430/96, mas sim
obediência, os juros são devidos na exata medida de seus termos, não havendo
nulidade na decisão atacada, pelas razões expostas, enquanto que a matéria de
mérito, ainda que pudesse ser ultrapassada a preliminar, melhor sorte não traria à
Recorrente, como passa a ser exposto:

"Ao que se sabe, nos Tribunais Superiores, a matéria vem assim sendo decidida, contra
o entendimento do Sujeito Passivo'

STJ

"Agravo no Agravo de instrumento. Decisão Monocrática que conhece o Agravo de
Instrumento para dar provimento ao Recurso Especial. Medida Provisória n° 812/94,
convertida na Lei n° 8,981/95. Violação ao art. 42 do Diploma Federal.
1.. O art. 42 da Lei n° 8.981/95, que limita o direito à compensação, tem eficácia a partir
de 31/12/94, data de publicação da Medida Provisória n° 812
II. inexiste direito líquido e certo de proceder à compensação dos prejuízos fiscais
acumulados até 31 de dezembro de 1994 na base de cálculo do Imposto de Renda, sem
limites da Lei n° 8.891/95 Precedente do Excelso Supremo Tribunal Federal: RE
232.084, Rel. Min. limar Gaivão". ( 1999/0044699-2 — Agrte Casa Anglo Brasileira S/A —
Agrdo Fazenda Nacional — Rel. Min. Nancy Andrighi — AI n° 243.514)

"Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas — Compensação de Prejuízos Ficais — Lei n°
8.921/95 — Medida Provisória n°812/95 — Princípio da Anterioridade.
A medida Provisória n° 812, convertida na Lei n° 8.921/95 —, não contrariou o princípio
constitucional da anterioridade.
Na fixação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido
ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em
períodos bases anteriores em, no máximo, trinta por cento. A compensação da parcela
dos prejuízos fiscais excedentes a 30% poderá ser efetuada, integralmente, nos anos
calendários subsequentes.

A vedação do direito à compensação de prejuízos fiscais pela Lei n° 8.981/95 não violou
o direito adquirido, vez que o fato gerador do imposto de renda só ocorre após o
transcurso do período de apuração que coincide com o término do exercício financeiro.
Recurso improvido " ( REsp . 252.536 — CE (2000/0027459-3) — Rel. Min. Garcia Vieira —
Recte„ Metalgráfica Cearense S/A — Mecesa — Recdo Fazenda Nacional )

STF

(RE . 232.084— voto — Min. limar Gaivão)

Acontece, no entanto, que, no caso, a medida provisória foi publicada np---dia
31 12.94, a tempo, portanto, de incidir sobre o resultado financeiro doe exrcício,
encerrado no mesmo dia, sendo irrelevante, para tanto, que o último dia do ano de 1994
tenha recaído num sábado, se não se acha comprovada a não-circulação 1 /o Diário
Oficial da União naquele dia
Não há falar, portanto, quanto ao Imposto de Renda, em aplicação ofensiva aos
princípios constitucionais invocados, 	 -
Se assim, entretanto, se deu quanto ao imposto de renda, o mesmo não é de dizer-se da
contribuição social, cuja majoração estava sujeita ao princípio da anterioridade



Processo n.° : 10480.010809/2001-37	 9
Acórdão n.°	 :	 101-94.281

nonagesimal, segundo o qual a norma jurídica inovadora, para alcançar o balanço de
31 12 94, haveria de ter sido editada até 31/10/94, o que, como visto, não se verificou
Ante o exposto, meu voto conhece, em parte, do recurso e, nessa parte, lhe dá
provimento, para declarar inaplicável, no que tange ao exercício de 1994, o art. 58 da
Medida Provisória n° 812/94, que majorou a contribuição social incidente sobre o lucro
das empresas"

- x -

(RE . 256.273 — voto — Min. limar Gaivão)

"A Medida Provisória n° 812/94, nos artigos 42 e 58, dispôs do seguinte modo.

"Art. 42, A partir de 1° de janeiro de 1995 para efeito de determinar o lucro real, o lucro
líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do
Imposto sobre a Renda poderá ser deduzido em, no máximo, trinta por cento
Parágrafo único A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994,
não compensada em razão do disposto no "caput" deste artigo poderá ser utilizada nos
anos-calendário subseqüentes."

Art. 58.. Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o
Lucro, o lucro líquido ajusta poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo
negativa apurada em períodos-base anteriores em, no máximo, trinta por cento."

Considerando que, pelo regime anterior, do Decreto-Lei n° 1598/77, o contribuinte podia
compensar o prejuízo apurado em um período-base com o lucro real apurado nos quatro
períodos-base subseqüentes, podendo fazê-lo de forma total ou parcial, em um ou mais
períodos, à sua vontade (art. 64 e § 2 0), é fora de dúvida que para aqueles que,
efetivamente, registraram prejuízo, as normas transcritas importaram aumento de
imposto (no primeiro caso) e de contribuição social (no segundo), limitados que ficaram à
compensação de apenas 30% daqueles prejuízos por ano

Se assim é, fácil deduzir que, para influir na apuração do lucro do exercício de 1994, para
fim do cálculo do imposto de renda devido em 1995, bastaria que a referida Medida
Provisória n° 812/94 fosse publicada ainda no mencionado exercício (art.. 150, III, a e b),
o que, efetivamente, não ocorreu, já que foi veiculada no "Diário Oficial da União", de
31/12/94 Chegou a recorrente a afirmar que citado Diário Oficial somente teve sua
distribuição iniciada à 19:45min daquele sábado, fato que, todavia, não chegou a ser
comprovado

Para afetar o cálculo da contl ibuição social de 1995 mister seria, no entanto, que a
medida provisória houvesse sido dada à luz até o dia 31 de outubro de 1994, em face da
anterioridade nonagesimal prevista no art.. 195, § 6°, da Constituição. Posto que tal não
se verificou, é fora de dúvida que não incidiu ela, para esse efeito, no balanço social de
1994

Acontece, porém, que o recurso não trouxe alegação de ofensa ao art. 195, § 6°, da
Constituição, motivo pelo qual não há como provê-lo nesse ponto.
Meu voto, por isso, não conhece do recurso."

,/

Os julgados estão assim ementados:

"Ementa — Tributário Imposto de Renda e Contribuição Social. Medida Provisó • 812,
de 31.12.94, convertida na Lei n° 8.981/95. Artigos 42 e 58, que reduziram :130% a
parcela dos prejuízos sociais, de exercícios anteriores, suscetível de ser ded zida no
lucro real, para apuração dos tributos em referência. Alegação de ofensa aos princípios
da anterioridade e da irretroatividade.
Diploma normativo que foi editado em 31,12.94, a tempo, portanto, de incidir sobre o
resultado do exercício financeiro encerrado.
Descabimento da alegação de ofensa aos princípios da anterioridade e da
irretroatividade, relativamente ao Imposto de Renda, o mesmo não se dando no tocante à



Processo n.° : 10480.010809/2001-37	 10
Acórdão n.°	 :	 101-94.281

contribuição social, sujeita que está à anterioridade nonagesinnal prevista no art. 195, § 6°
da CF, que não foi observado
Recurso conhecido, em parte, e nela provido" (RE. 232.084-9)

" Ementa — Tributário. Imposto de Renda e Contribuição Social. Medida Provisória n°
812, de 31.12 94, convertida na Lei n°8,981/95,. Artigos 42 e 58, que reduziram a 30% a
parcela dos prejuízos sociais, de exercícios anteriores, suscetível de ser deduzida no
lucro real, para apuração dos tributos em referência Alegação de ofensa aos princípios
da anterioridade, da irretroatividade e do direito adquirido„
Diploma normativo que foi editado em 31.12,94, a tempo, portanto, de incidir sobre o
resultado do exercício financeiro encerrado, ante a não-comprovação de haver o Diário
Oficial sido distribuído no sábado, no mesmo dia, do referido diploma normativo.
Descabimento da alegação de ofensa dos princípios da anterioridade e da
irretroatividade, e, obviamente, do direito adquirido, relativamente ao Imposto de Renda,
o mesmo não se dando no tocante à contribuição social, sujeita que está à anterioridade
nonagesimal prevista no art. 195, § 6° da CF, que não foi observado

Ausência, entretanto, de alegação de ofensa ao mencionado dispositivo.
Recurso não conhecido" (RE 256.273)

A acusação que dá embasamento à imputação diz respeito a CSLL de 1995,
apurado por opção mensal, dai poder ser aplicada a trava no próprio exercício, já que os
fatos geradores ocorrem mês a mês. Dai emerge a impossibilidade de compensação em
percentual, quanto ao prejuízo, superior a 30%, nos termos do que ficou exposto.

Restam afastados ainda os demais argumentos que apontam violação a outros
princípios constitucionais, conforme jurisprudência posta

Consigno ainda ser fato real; concreto; e aferível que, mesmo neste Conselho de
Contribuintes, onde várias foram as decisões favoráveis à questão direito adquirido e não
trava para os prejuízos e bases negativas apurados até 1994, atualmente outra vem
sendo a posição, como atestam os Acórdãos números: 101-93,581; 101-93627;' 101-
93.467;101-93.719 e 107-06.152, dentre outros.

Com relação à questão postergação, deixou a Recorrida de fazer a devida
demonstração, tendo ficado tão só na alegação, o que impede de analisar o argumento
sob tal aspecto, mesmo porque em 31/12/95 (fls. 10) o seu saldo - base negativa - era de
R$ 317.343,04,

Ainda sob o enfoque de obediência ao prazo nonegesimal, há que se acrescentar ter tido,
nos meses de 01 e 02/95, a CSSL, base negativa (fls. 29 e 31),

Quanto ao juro segundo a Selic, encontra a exigência previsão legal, não constando que
tenham: a Lei 9065/95, art 13 e ainda a Lei 9,430/96, art.. 61, § 3°, sido declaradas
inconstitucionais, sendo inúmeros os julgados do STJ concluindo pela validade da
exação."

Por todo o exposto, não conheço quanto à matéria via judicial, enquanto no
mais, nego provimento ao recurso.

—
É como voto.

Brasília (DF) em 02 de julI4o de 2003

r:
CEL" •	 ES FEI OSA


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MINISTÉRIO DA FAZENDA
- 	 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES	 Fl.

,'Ne.t'/,'•	 QUINTA CÂMARA

Processo n°	 : 10540.000533/2001-27
Recurso n°	 : 132.502
Matéria	 : CONTRIBUIÇÃO SOC1AULL — EXS.: 1998 a 2002
Recorrente	 : MADEIREIRA REAL LTDA. .
Recorrida	 : l a TURMA/DRJ em SALVADOR/BA
Sessão de	 : 17 DE AGOSTO DE 2006
Acórdão n°	 : 105-15.937

CSLL - DILIGÊNCIA FISCAL - Sendo constatado que o lançamento foi
efetuado em valor maior que o devido, reduz-se este nos termos da

planilha apresentada pela diligência fiscal.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto pela

MADEIREIRA REAL LTDA.

ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de

Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos

do voto do relator.

rs
...VIS A ES

ESI DENTE

• DANIEL SAHAGOFF
RELATOR

FORMALIZADO EM: 11	 ‘\\0\1 2.006

Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: LUÍS ALBERTO BACELAR

VIDAL, CLÁUDIA LÚCIA PIMENTEL MARTINS DA SILVA (Suplente Convocada),

EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT, WILSON FERNANDES GUIMARÃES, IRINEU BIANCHI

e ROBERTO BEKIERMAN (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente o Conselheiro

JOSÉ CARLOS PASSUELLO.

•



,

MINISTÉRIO DA FAZENDA
-4

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W 'n:	 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 	
Fl.

QUINTA CÂMARA

Processo n°	 : 10540.000533/2001-27
Acórdão n°	 : 105-15.937

Recurso n°	 : 132.502
Recorrente	 : MADEIREIRA REAL LTDA

RELATÓRIO

MADEIREIRA REAL LTDA., empresa já qualificada nestes autos, foi

autuada em 22/0612001, referente ao exercício de 1998 à 2002 relativamente à CSLL (fls.

03/05), no valor de R$ 319.411,81, nele incluído o principal, multa e os juros de mora

calculados até 31 de maio de 2001.

O Auto de Infração descreve a seguinte irregularidade:

"001 — CONTRIBUIÇÃO SOCIAL (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS)
FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA (VERIFICAÇÕES
OBRIGATÓRIAS)
Durante o procedimento de verificações obrigatórias foi constatada falta de
recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro incidente sobre a base
de cálculo determinada com base na receita bruta, na qual foram efetuadas
as devidas exclusões, relativamente aos períodos de apuração abaixo
especificados. Os valores utilizados para composição da receita bruta

iauferida pela autuada foram obtidos do Livro de Registro de Apuração do
ICMS.
Os dados referentes aos tributos declarados pelo contribuinte, bem como
aos pagamentos efetuados foram levantados junto aos Sistemas
informatizados de arrecadação da Secretaria da Receita Federal DCTF —
OL, IRPJ e SINAL 05
(..)".

Irresignada, a recorrente apresentou impugnação (fls. 403/407), alegando,

em síntese, que:

a) O autuante não retrata a realidade já que os tributos foram recolhidos

conforme DARFs anexadas no processo. Além disso, este não poderia impor multas e exigir

o pagamento já que a empresa está no Programa de Recuperação Fiscal - REFIS, art. 12

fda Lei 9964.

2	 Ob.
/-



„; n• • •.s.„	 MINISTÉRIO DA FAZENDA
PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 	

Fl.

QUINTA CÂMARA-

Processo n°	 : 10540.000533/2001-27
Acórdão n°	 : 105-15.937

b) A base de cálculo foi determinada com base na receita bruta efetuada

as devidas exclusões, relativamente aos períodos de apuração especificada

c) Alega que o próprio órgão autuante emitiu em 23/02/2001, certidão

positiva de Tributos e Contribuições Federais Administrados pela Secretaria da Receita

Federal, com efeito de negativa.

d) Alega que "nenhum trabalho é perfeito sem que após a sua conclusão

seja feita uma reavaliação para se constatar erros e equívocos que venha a inviabilizar a

sua credibilidade, talvez tenha faltado isto ao ilustre autuante ao concluir seus trabalhos, de

forma que, pela simples observação dos demonstrativos podemos verificar que a empresa

não possuía todos aqueles débitos, ou então, como justificar que este mesmo Órgão no dia

23/02/2001 emitira uma Certidão Positiva de Tributos e Contribuições Federais

Administrados pela Secretaria da Receita Federal, com Efeitos de Negativa, desta forma

não podemos aceitar as imposições de multas e a cobrança indevida de Tributos e

Contribuições Federais, pois seria injusto e oneroso à empresa, visto que, a conclusão do

ilustre autuante não retrata a realidade dos fatos.” Requer a improcedência total do Auto de

Infração em epigrafe.

Em 30 de agosto de 2002, a 1 8 Turma da Delegacia de Julgamento de

Salvador/BA, julgou o lançamento procedente (fls. 553/559), conforme Ementas abaixo

transcritas:

"AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo
administrativo proporcionado plenas condições à interessada de
impugnar o lançamento, não há de se falar em nulidade.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO
Apurada a falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição Social
sobre o Lucro Líquido é devida sua cobrança com os encargos legais
correspondentes.,

3



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MINISTÉRIO DA FAZENDA-.... , -..
PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES	 Fl.

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Processo n°	 : 10540.000533/2001-27
Acórdão n°	 : 105-15.937

opçÃo PELO REF1S. CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO DE
OFICIO.
A não inclusão do crédito tributário lançado de oficio no Programa de
Recuperação Fiscal (REFIS) impede o gozo dos correspondentes
benefícios fiscais.
Lançamento Procedente".

Inconformada com a decisão supra, a contribuinte apresentou recurso

voluntário (fls. 563/565), aduzindo, em síntese, que:

a) O contribuinte manifesta sua rejeição em parte, pois a Exma. Turma

manteve um crédito tributário indevido, ao passo que, o mesmo, de acordo com os

levantamentos feitos pelo contribuinte, seria no valor de R$ 794,44, relativo à insuficiência

do recolhimento da CSLL nos períodos autuados, após a compensação dos valores do

CSLL já recolhidos através dos DARF's.

b) Junta no anexo II do processo demonstrativos que indicam como a

empresa chegou à base de cálculo, à CSLL a recolher, à CSLL efetivamente recolhido, bem

como, ao Saldo da CSLL a recolher.

c) Alega que empresa tem o costume de recolher a CSLL por loja, usando

a CNPJ da matriz e sempre juntando três DARF's de recolhimento.

d) Alega que a contribuinte não possui todo crédito tributário indicado,

portanto não é cabível que a empresa aceite essa cobrança, pois seria muito oneroso à

empresa recolher o que já foi recolhido. Indica que a autoridade fiscal deve ter cometido

algum engano que provocou distorções na realidade da tributação.

e) Pede para ser estabelecido o verdadeiro crédito tributário exigível,

relacionando as DARF's aos seus respectivos créditos tributários e seja revisto ofprocedimento utilizado pela autoridade fiscal.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA
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Fl.

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Processo n°	 : 10540.000533/2001-27
Acórdão n°	 : 105-15.937

Ao apreciar o recurso voluntário apresentado, este Conselho, em Sessão de

17/03/2004, achou por bem converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos da

Resolução n° 105-1.176:

... não há como se proceder a julgamento equilibrado e
dotado de razoável justiça, uma vez que a simples manutenção da
exigência irá implicar em possível duplicidade de crédito tributário e
exagero na aplicação da multa de ofício e, na contrapartida, o simples
acolhimento das razões de defesa poderá reduzir de forma indevida o
tributo efetivamente devido.

Assim, proponho a conversão do presente julgamento em
diligência, para que o processo retorne à repartição de jurisdição da
recorrente para que processe o necessário saneamento do processo

(..).

O que se pretende, como deve ter ficado claro, é que se
tenha, ao final da diligência com oitiva do contribuinte, um
demonstrativo claro e preciso, do qual conste, sem omissões e sem
duplicidades, como também com apuração do valor da multa aplicada,
uma vez que a multa incidente sobre as parcelas que o contribuinte
espontaneamente incluiu no Refis é de 20%, enquanto a multa
aplicada de ofício é de 75%, possibilitando a cobrança apenas do
montante devido afinal."'

A fls. 1131/1134, consta o Relatório de Diligência Fiscal, e planilha de

cálculos juntada a fls. 1124/1130, o qual concluiu que

"Da análise de toda a documentação juntada ao processo
até o momento, inclusive as peças referentes à impugnação,
julgamento de primeira instância e recurso voluntário, depreende-se
que as cópias DARFs apresentadas fazem prova de recolhimento de
valores que já haviam sido considerados pela fiscalização e, portanto,
excluídos da exigência, conforme demonstrado nas planilhas
Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada, constante nas folhas 19 a
24. A questão centra-se na diferença entre a base de cálculo apurada
pela fiscalização e aquela demonstrada pelo contribuinte. O Auditor-
fiscal adicionou à receita bruta as 'outras saídas não especificadas'

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MINISTÉRIO DA FAZENDA

	

PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 	 Fl.

QUINTA CÂMARA

Processo n°	 : 10540.00053312001-27
Acórdão n°	 : 105-15.937

(código 5.99 do Livro de Apuração do ICMS) e excluiu as 'devoluções
de vendas' do mês seguinte, durante o ano-calendário de 1997. Nos
demais anos a diferença se baseia nos valores 'outras saídas não
especificadas'.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que a fiscalização
deveria ter confrontado, nos anos-calendário de 1997 a 1998, os
valores apurados com os débitos declarados em DIRPJ/DIPJ, ou
débitos declarados em DCTF, ou créditos apurados no sistema SINAL,
destes, o maior valor. O Anexo 1 à Diligência Fiscal (fl. 1549) faz um
comparativo destes valores declarados/recolhidos e apresenta aqueles
que deveriam ter sido excluídos da autuação.

(..)
Analisando a planilha Anexo 4 à Diligência Fiscal, fica

constatado que os débitos inscritos no Refis referem-se à diferença
entre os valores declarados e os pagamentos efetuados, portanto,
trata-se de débitos que também já foram excluídos da autuação.

(...)
Reproduzi na coluna 'A — Apuração (Diligência)' da planilha

2 do Anexo 3 da Diligência Fiscal a apuração dos valores que
efetivamente deveriam ter sido lançados pela fiscalização e na coluna
'A exonerar (B-A)' os valores que devem ser exonerados pelo
julgamento (fl. 1.128/1.129)

Em relação à multa a ser aplicada concluo que a mesma
será de 75%, de acordo com o artigo 44 da Lei n° 9.430/96, tendo em
vista que esta incidirá apenas sobre valores apurados para lançamento
de ofício, ou seja, aqueles que excederam aos débitos
declarados/recolhidos.

(...)". (grifos nossos)

A fis. 1.138/1.139, consta requerimento da recorrente para que os valores

pagos a maior a titulo de PIS e COFINS reconhecidos no Processo n° 10540.000531/2001-

38 sejam alocados no presente na forma de compensação de tributos (CSLL).

fÉ o Relatório

	

	 11P.
Ir

6

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MINISTÉRIO DA FAZENDA
PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 	

Fl.

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Processo n°	 : 10540.000533/2001-27
Acórdão n°	 : 105-15.937

VOTO

Conselheiro DANIEL SAHAGOFF, Relator

O recurso voluntário foi tempestivamente protocolizado e foram arrolados

bens, consoante determina o artigo 33, do Decreto 70.235/72, razões pelas quais dele tomo

conhecimento.

Merece reforma a decisão "a quo", senão vejamos:

Restou constatado pelo Relatório de Diligência Fiscal que houve erro no

lançamento efetuado. Assim, há de se proceder à exoneração de determinados valores, nos

exatos termos da planilha juntada a fls. 1128/1129.

Assim, para que não haja cobrança a maior em detrimento ao contribuinte,

acolho os cálculos efetuados pela Diligência.

Quanto à multa de ofício a ser aplicada, acolho também a conclusão

esposada no Relatório de Diligência, no sentido de que esta será de 75%, nos termos do

art. 44, da Lei 9.430/96, visto que incidirá apenas sobre os valores apurados para

lançamento de ofício, ou seja, aqueles que excederam aos débitos declarados/recolhidos.

Quanto ao pedido de compensação dos valores pagos a maior a título de

PIS e COFINS, reconhecidos no Processo Administrativo n° 10540.000531/2001-38, com os

valores deste processo, ressalto que tal requisição foge aos limites desta lide, já que existe

procedimento próprio na Secretaria da Receita Federal para pedidos de compensação.

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MINISTÉRIO DA FAZENDA
;',	 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES	 Fl.

QUINTA CÂMARA

Processo n°	 : 10540.000533/2001-27
Acórdão n°	 : 105-15.937

Desta feita, Voto no sentido dar parcial provimento ao recurso voluntário

interposto, para reduzir o valor do lançamento efetuado, nos termos da planilha de fls.

1128/1129.

Sala das Sessões - DF, em 17 de agosto de 2006.

Xate--e--€2116

DANIEL SAHAGOFF

f

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S3­C3T2 

Fl. 144 

 
 

 
 

1

143 

S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  16327.902613/2006­34 

Recurso nº  173.931 

Resolução nº  3302­00.105  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 

Data  04 de fevereiro de 2011 

Assunto  Solicitação de Diligência 

Recorrente  SANTANDER BANESPA S/A ­ ARRENDAMENTO ME (MERIDIONAL 
LEASING S/A ARREND. MERCANTIL) 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, 

Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o 
julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. 

 

(ASSINADO DIGITALMENTE) 

Walber José da Silva ­ Presidente 

 

(ASSINADO DIGITALMENTE) 

José Antonio Francisco ­ Relator 

Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José 
Antonio  Francisco,  Fabiola  Cassiano  Keramidas,  Alan  Fialho  Gandra,  Alexandre  Gomes  e 
Gileno Gurjão Barreto. 

  

Fl. 1DF  CARF MF

Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO

Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO



Processo nº 16327.902613/2006­34 
Resolução n.º 3302­00.105 

S3­C3T2 
Fl. 145 

 
 

 
 

2

RELATÓRIO 

Trata­se de  recurso voluntário  (fls. 46 a 57) apresentado em 28 de outubro de 
2008 contra o Acórdão no 16­18.533, de 15 de setembro de 2008, da 10ª Turma da DRJ São 
Paulo  I  /  SP  (fls.  37  a  41),  cientificado  em  26  de  setembro  de  2008,  que,  relativamente  a 
declaração de compensação de Cofins do período de maio de 2003, indeferiu a solicitação da 
Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: 

ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA 
SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS 

Ano­calendário: 2003 

DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  DCOMP.  PAGAMENTO 
INDEVIDO OU A MAIOR.  

Não  havendo  nos  autos  comprovação  do  erro  alegado,  não  se 
reconhece direito creditório em favor do contribuinte. 

Solicitação Indeferida 

O pedido foi apresentado em 13 de junho de 2003 e inicialmente apreciado pelo 
despacho decisório de fl. 3. 

A Primeira Instância assim resumiu o litígio: 

“Trata  o  presente  processo  de  Declaração  de  Compensação  – 
DCOMP,  gerada  pelo  programa  PER/DCOMP  transmitida  em 
13/06/2003(fls. 06/11) para utilização de crédito de COFINS apurado 
na DIPJ/2003, com o valor devido a título de COFINS, código. 7987, 
vencimento em 13/06/2003, no valor de R$ 130.201,23(fl.10). 

DO DESPACHO DECISÓRIO 

O Despacho Decisório foi proferido pela DEINF nos seguintes termos 
(fls.03): 

‘Limite  do  crédito  analisado,  correspondente  ao  valor  do  crédito 
original  na  data  de  transmissão  informado  no  PER/DCOMP  :  R$ 
128.912,11. 

‘A partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima 
identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo 
relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do 
contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos 
débitos informados no PER/DCOMP. 

‘... 

‘Diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação 
declarada.’ 

DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 

Cientificado do Despacho Decisório em 02 de maio de 2008, conforme 
AR de fls.04, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, 

Fl. 2DF  CARF MF

Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO

Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO



Processo nº 16327.902613/2006­34 
Resolução n.º 3302­00.105 

S3­C3T2 
Fl. 146 

 
 

 
 

3

protocolizada em 30 de maio de 2008, com os argumentos de fls. 01 e 
02, como segue: 

Não poderá prevalecer o Despacho Decisório de não reconhecimento 
de crédito declarado de R$ 130.201,23 (doc. 02). 

Em  decorrência  de  recalculo  da  base  do  imposto  de  renda,  foi 
recolhido  a  maior  o  valor,  porém  como  não  houve  a  retificação  da 
DCTF  não  foi  reconhecido  o  crédito  informado  na  PERDCOMP, 
conforme documento em anexo. 

Ao  considerarmos  o  valor  acima  apontado  na  DCTF  retificadora, 
perceber­se­á que o Requerente tinha crédito para liquidar o débito do 
mês de Maio de 2003, código 7987. 

Diante do exposto, é a presente para requerer que seja (i) retificada a 
DCTF  de  ofício,  de  modo  que  conste  o  valor  explicitado  no  quadro 
retro­citado, (ii) bem como reconhecido o direito do crédito, haja vista 
que a compensação procedida por mio da DCTF com crédito suficiente 
para suportá­la." 

No recurso, a Interessada alegou o seguinte: 

Após  promover  os  ajustes  da  base  de  cálculo  da  COFINS,  por 
equívoco, a Recorrente deixou de retificar a DCTF do 2° trimestre de 
2003,  de  modo  que  permaneceram  como  exigíveis  os  valores 
declarados  naquela  oportunidade.  Certamente,  por  essa  razão,  a 
Recorrida  não  visualizou  o  crédito  utilizado  nas  PER/DCOMP 
enviadas e não homologou a compensação pretendida. 

Ao  entregar  a  DCTF  referente  ao  2°  trimestre  de  2.003  (doc.  7),  a 
Recorrente  constituiu  e  adimpliu  o  crédito  tributário  de  COFINS 
(abril) no valor de R$ 295,892,04. 

A  auditoria  constatou  que  a  Recorrente  havia  erroneamente  lançado 
uma reversão de provisão no COSIF n° 7.3.9.99.00­7 ­ Outras Rendas , 
não Operacionais quando o  correto  seria na  conta n° 7.1.9.90.99­8  ­ 
Reversão de Provisões Operacionais. 

Esse  erro  de  fato  resultou  no  aumento  das  receitas  tributáveis  e, 
conseqüentemente, no valor da COFINS apurado e recolhido no mês de 
abril de 2003. Apenas para elucidar, vejamos o quadro abaixo: 

   DCTF 2° TRIMESTRE DE 2003    

   antes da revisão  depois da revisão 

Tributo  Abril  Abril 

COFINS  R$ 295.892,04  R$ 166.979,93 

Assim,  ao  apurar  os  saldos  de  pagamentos  a  maior,  a  Recorrente 
procedeu  à  atualização  da  diferença,  e  na  data  do  vencimento  da 
obrigação realizou a compensação com débito de COFINS de maio de 
2003, conforme  informado na DCTF do 2°  trimestre/03  (doc. 8)  e na 
declaração de compensação anteriormente mencionada (doc. 9). 

Fl. 3DF  CARF MF

Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO

Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO



Processo nº 16327.902613/2006­34 
Resolução n.º 3302­00.105 

S3­C3T2 
Fl. 147 

 
 

 
 

4

Em que pese a  lisura  .dos procedimentos da Recorrente, a Delegacia 
da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  manteve  a  decisão 
exarada  pela  DEINF  e  apontou  como  pendência  exatamente  o  valor 
compensado  (PIS no  valor histórico de R$ 27.930,96 e atualizado de 
R$ 28.210,27). 

A  seguir,  afirmou  que  seria  necessário  analisar  os  documentos  contábeis 
juntados ao recurso para respeitar a ampla defesa, citando entendimento da doutrina. 

Por fim, esclareceu o seguinte, antes de defender a legalidade da compensação 
realizada: 

Ao  apurar  a  base  de  cálculo  da  COFINS,  equivocadamente,  a 
Recorrente considerou como receita o montante atinente a reversão de 
provisão  na  Conta  COSIF  n°  7.3.9.99.00­7  ­  Outras  Rendas  não 
Operacionais  do  balancete  mensal  e  do  razão  contábil,  efetuando 
pagamento  dessa  contribuição  em  valor  manifestamente  superior  ao 
que séria efetivamente devido. 

Na  realidade,  o  lançamento  contábil  da  reversão  deveria  ter  sido 
realizado na Conta COSIF rio 7.1.9.90.99­8 ­­ Reversão de Provisões 
Operacionais/Outras,  conforme  demonstrado  no  Balancete  Analítico 
(doc. 13) e no Livro_Razão (doc. 12) acostados aos autos. 

Pois bem. Como é possível observar do Razão  (planilha de apuração 
da  base  de  cálculo  da  COFINS)  de  abril  de  2003,  facilmente 
constatamos que na conta n° 7.3.9.99.00­7 a Recorrente lançou o valor 
de R$ 4.297.070,20 como se receita fosse. Por se tratar de reversão de 
provisão não operacional, esse montante deveria integrar as contas de 
EXCLUSÕES  do  livro  razão  e  não  as  contas  de  RECEITAS  como 
informado inicialmente. 

Requereu  que,  diante  de  eventual  impossibilidade  de  deferir  o  pedido,  fosse 
realizada diligência. 

É o relatório. 

VOTO 

Conselheiro José Antonio Francisco, Relator 

O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele 
devendo­se tomar conhecimento. 

Do  que  foi  relatado,  conclui­se  que  o  indeferimento  do  crédito  da  Interessada 
baseou­se no fato de a Interessada não teria retificado a DCTF. 

Requereu a retificação de ofício da DCTF, o que é impossível, uma vez que se 
trata de declaração sempre de iniciativa do sujeito passivo. 

Como obrigação acessória, a falta de retificação não pode, por si só, restringir o 
direito de restituição. 

Fl. 4DF  CARF MF

Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO

Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO



Processo nº 16327.902613/2006­34 
Resolução n.º 3302­00.105 

S3­C3T2 
Fl. 148 

 
 

 
 

5

Entretanto, para ser possível a  restituição, é  imprescindível a demonstração do 
direito de crédito. 

No  caso  dos  autos,  a  Interessada  alegou  que  teria  efetuado  uma  inclusão 
indevida  na  base  de  cálculo,  relativamente  a  uma  reversão  de  provisão  de  receita  não 
operacional. 

Diante do  exposto,  voto por converter o  julgamento do  recurso  em diligência, 
para que  a Fiscalização  verifique  exatamente a que  tipo de provisão  referiu­se o  lançamento 
contábil e se, de resto, a Interessada tem razão em relação à alegação, no tocante aos valores e 
ao direito alegado, devendo, ao final, lavrar relatório de diligência, dando ciência à Interessada 
para manifestação no prazo de trinta dias. 

 

(ASSINADO DIGITALMENTE) 

José Antonio Francisco 

Fl. 5DF  CARF MF

Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO

Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO


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Ano-calendário: 1990, 1991, 1992 

COISA JULGADA MATERIAL.Força. 
A compensação de tributos determinada por meio de decisão judicial transitada em julgado considerará estritamente os índices fixados na sentença que pôs fim ad litígio entre a União Federal e o sujeito passivo.

RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO., turma_s=Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção, numero_processo_s=13062.000311/99-91, conteudo_id_s=5432836, dt_registro_atualizacao_tdt=Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2019, numero_decisao_s=3201-000.165, nome_arquivo_s=Decisao_130620003119991.pdf, nome_relator_s=Luis Marcelo Guerra de Castro, nome_arquivo_pdf_s=130620003119991_5432836.pdf, secao_s=Terceira Seção De Julgamento, arquivo_indexado_s=S, decisao_txt=[ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. 
Vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Heroldes Bahr Neto e Nanci Gama, que deram provimento.], dt_sessao_tdt=Fri May 22 00:00:00 UTC 2009, id=5830704, ano_sessao_s=2009, atualizado_anexos_dt=Fri Oct 08 10:36:59 UTC 2021, sem_conteudo_s=N, _version_=1713047705663569920, conteudo_txt=Metadados =&gt; date: 2010-02-05T20:39:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-02-05T20:39:23Z; Last-Modified: 2010-02-05T20:39:24Z; dcterms:modified: 2010-02-05T20:39:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-02-05T20:39:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-02-05T20:39:24Z; meta:save-date: 2010-02-05T20:39:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-02-05T20:39:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-02-05T20:39:23Z; created: 2010-02-05T20:39:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-02-05T20:39:23Z; pdf:charsPerPage: 1319; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-02-05T20:39:23Z | Conteúdo =&gt; 
I

S3-C2T1

Fl. 493

, ::40é40..,,

	

.0"	 MINISTÉRIO DA FAZENDA

CONSELHO ADMINIS'IRATIVO DE RECURSOS FISCAIS

TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO
--	 -

Processo n°	 13062.000311/99-91

Recurso n°	 140.464 Voluntário

Acórdão n°	 3201-00.165 — 2 Câmara / 1' Turma Ordinária

Sessão de	 22 de maio de 2009

Matéria	 FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO

Recorrente	 PEDREIRA TABILLE LTDA.

Recorrida	 DRJ-SANTA MARIA/RS

AssuNTo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL

Ano-calendário: 1990, 1991, 1992

COISA JULGADA MATERIAL. Força. A compensação de tributos

determinada por meio de decisão judicial transitada em julgado considerará

estritamente os índices fixados na sentença que pôs fim ad litígio entre a
União Federal e o sujeito passivo.

RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.

ACORDAM os membros da r Câmara / i a Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso' voluntário, nos

termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Heroldes Bahr Neto e 	 .
INanci Gama, que deram provimento. 	 •
Í,

I

LLÇ	 DE CASTRO - Presidente e Relator

Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto,

Nikon Luiz Bartoli, Heroldes Bahr Neto, Nanci Gama, Celso Lopes Pereira Neto e Irene Souza

da Trindade Torres. Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente.

,

i



Relatório

Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que deu suporte à
decisão recorrida, que passo a transcrever:

Trata o presente processo de pedido de restituição de valores

relativos ao Programa de Integração Social-PIS e ao Fundo de

Investimento Social-FINSOCL4L, no valor total de R$ 20.398,14,

pretendendo, também, a empresa, a compensação com valores
devedores de PIS, COF1NS, IRPJ e CSLL, conforme fls. 01, 350

e 370/374.

Ao pedido que foi protocolado em 15/10/1999, a contribuinte

junta:

1. às fls. 02/08 — demonstrativos de cálculos;

2. às fls. 09/57 — cópias de documentos de arrecadação PIS e

FINSOCIAL;

3. às fls. 58/249 e 252/349 — cópias de livros fiscais.

A repartição de origem anexou, então, extratos com informações

fiscais e cadastrais da contribuinte, bem como extratos do

Sistema SINAL10 —fls. 351/361.

Anexou, também, extratos Relatório de Pagamentos às fls.

363/364, além de extratos do Sistema SINALIO às fls. 365/368,

tendo despachado à fl. 369.

Às fls. 376/383 está anexado o Despacho Decisório-DRF/SAO,

de 07/08/2001, onde o Sr. Delegado Substituto da Receita

Federal em Santo Ângelo (RS) indefere os pedidos de restituição

e compensação, em virtude da ocorrência de decadência dos

valores solicitados relativamente ao F1NSOCL4L e ao PIS

(parcial), bem como por inexistência de créditos em relação ao

PIS naquilo que não decaído, tendo a contribuinte tomado

ciência em 27/08/2001 —AR de fl. 384.

Não conformada com aquela decisão, a contribuinte impetrou

em 14/09/2001 o Mandado de Segurança n° 2001.71.05.005320-

3 junto a 1' Vara Federal de Santo Ângelo (RS), que por
prevenção foi remetido para a 3° Vara Federal daquela mesma

comarca, onde resistiu e obteve a pretensão relativa ao

alargamento do prazo decadencial entendido pela autoridade
administrativa, ou seja, na Apelação em Mandado de Segurança

n° 2001.71.05.005320-3/RS assim decidiu o TRF 4 a/R (Ementa à

fl. 398):

TRIBUTÁRIO.	 PRESCRIÇÃO.	 PROCESSO
ADMINISTRATIVO.

1. Nos tributos cujo lançamento se dá por homologação, a
contagem do prazo prescricional só se inicia após decorridos
cinco anos da data do fato gerador, quando se verifica a
homologação ficta. Precedentes desta Corte e do STJ.



Processo n° 13062.000311/99-91	 S3-C2T1

Acórdão n.° 3201-00.165	 Fl. 494

2. Apelação e remessa oficial improvidas.

O trânsito em julgado da sentença deu-se em 02/09/2003.

Atendendo a determinação judicial a repartição de origem

reprocessou seus cálculos, observando o PER/DCOMP de fls.

404/407, tendo produzido o despacho de fls.. 412/413 onde

verifica a existência de crédito de FINSOCIAL, determinando a

adoção de providências para o processamento da compensação

pleiteada (parcial).

Determina , ainda, que os saldos remanescentes não quitados

pela compensação sejam incluídos no REFIS, exceto aqueles

declarados em PER/DCOMP.

Adotadas as providências necessárias ao processamento da

compensação pleiteada ou declarada, foi a contribuinte
cientificada . em, 17/03/2005 dos procedimentos adotados,

conforme documentos de fls. 440/441.

Não conformada com a forma de processamento adotado pela
repartição jurisdicionante, em especial quanto aos cálculos, a

contribuinte apresentou sua manifestação contrária em

06/04/2005 —fls. 442/443 —, onde argumenta:

• protocolou pedido de compensação de tributo pago

indevidamente (FINSOCIAL), tendo o referido pedido sido

indeferido em face da prescrição. No entanto, em mandado de

segurança, na esfera judicial, foi assegurado o dito direito, no

prazo de 10 anos, conforme interpretação recente do ST.I;

• compensados os créditos, constatou o Fisco a insuficiência dos

mesmos na compensação pretendida, tendo intimado a empresa

a efetuar o pagamento do débito verificado, com juros e multa;

• segundo a peça fiscal, houve excesso de crédito na

compensação levada a efeito pela empresa;

• em relação à situação posta, entende que não foram
computados nos cálculos do Fisco os expurgos inflacionários

decorrentes das Súmulas 32 e 37 do TRF 4 a/R, que possuem os
seguintes índices:

a) janeiro de 1989 — 42,72%;

b) março de 1990— 84,32%;

c) abril de 1990— 44,80%;

d) maio de 1990— 7,87%;

e)fevereiro de 1991 — 21,87%.

• mostra-se pacifico nas decisões dos tribunais superiores a

inclusão dos expurgos inflacionários nos créditos tributários;

,573



• se porventura forem mantidos débitos decorrentes do excesso

do valor compensado, não deverá incidir a multa, eis que a

empresa não deu causa à demora na homologação da

compensação. Refere à decisão do Conselho de Contribuintes.

Ao finalizar requer seja a sua manifestação de inconformidade

acolhida e provida, determinando-se a inclusão dos expurgos

inflacionários nos cálculos do Fisco e, em sendo mantido o

débito, seja o mesmo exigido sem a imposição de multa.

Espera deferimento.

Após a manifestação de inconformidade foi anexado o

documento de fls. 444/448, tendo a DRF de origem despachado à

fl. 451.

Ponderando tais argumentos e as demais razões expostas no voto condutor do

acórdão recorrido, decidiu o órgão julgador de 1' instância pelo indeferimento do pedido de

compensação.

Mantendo sua irresignação, comparece o sujeito passivo mais uma vez aos

autos para, em sede de recurso voluntário, sinteticamente, reiterar as razões de inconformidade

formuladas por ocasião da instauração da fase litigiosa

Considerando que o pedido de compensação/restituição de fl. 01 tratava de

suposto indébito do PIS e do FINSOCIAL, foram os autos encaminhados ao e. Segundo

Conselho de Contribuintes, que concluiu pela inexistência de litígio atrelado à contribuiçãO

inserida na sua competência regimental, e declinou da competência para julgar a matéria afeta

ao F1NSOCIAL em favor deste Terceiro Conselho.

É o Relatório.

4



'	 observação acerca da aplicação, sobre tais índices, de percentuais diversos daqueles
reconhecidos pelo Poder Executivo.

Nessa esteira, penso que, salvo melhor juízo, reconhecer tais índices
implicaria violar a normatividade da coisa julgada, que criou "lei" entre as partes que litigaram
naquele processo judicial.

A esse respeito, peço vênia para relembrar Moacyr Amaral Santos':

"O comando emergente da sentença, como ato imperativo do

Estado, torna-se definitivo, inatacável, imutável, não podendo

ser desconhecido fora do processo. E aí se tem o que se chama

coisa julgada material, ou coisa julgada substancial, que

consiste no fenômeno pelo qual a imperatividade do comando

emergente da sentença adquire força de lei entre as partes ".

(grifei)

Dessa forma, considero que a atuação deste colegiado deve se limitar ao
cotejo entre o conteúdo do decisum objeto do processo que tramitou pela Justiça Federal e o
despacho decisório proferido pela autoridade jurisdicionante, posteriormente confirmado pelo
acórdão debativo no presente recurso voluntário.

Nos demais aspectos, no meu sentir, operou-se a chamada eficácia preclusiva
da coisa julgada, gizada no art. 474 do Código de Processo Civi1 2, assim definida por Moreira':

"Á eficácia preclusiva da coisa julgada manifesta-se no
impedimento que surge, com o trânsito em julgado, à discussão e
apreciação das questões suscetíveis de incluir, por sua solução,

no teor do pronunciamento judicial, ainda que não examinadas

pelo juiz."

Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso
Voluntário.

Sala das Sessões, em 22 de maio de 2009.

L G UERRA DE CASTRO

Primeiras Linhas de Direito Processual Civil. 30 volume. Saraiva. 8' edição. São Paulo. 1.985, pág. 43.
2 „

Passada em julgado a sentença de mérito, reputar-se-ão deduzidos e repelidas todas as alegações e defesas, que
a parte poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido"

3 MOREIRA, José Carlos Barbosa. A Eficácia Preclusiva da Coisa Julgada Material no Sistema do Processo
Civil Brasileiro. In Temas de Direito Processual. Primeira Série. Saraiva. r edição. São Paulo. 1.988, págs. 100 a
101.

6


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Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA
FISCAL. CRÉDITO SUB JUDICE. MOMENTO.
Os contribuintes podem efetuar a compensação de CSLL declarada
inconstitucional (exigida antes do prazo nonagesimal da edição da norma), com débitos vincendos da mesma contribuição, até o prazo de cinco anos após a edição de Resolução do Senado Federal, independentemente de provimento jurisdicional transitado em julgado, condicionado o valor da compensação à sua existência, atualização monetária e controle do referido crédito pela autoridade preparadora., turma_s=1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS, numero_processo_s=10805.000359/98-43, conteudo_id_s=5778944, dt_registro_atualizacao_tdt=Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017, numero_decisao_s=1801-000.463, nome_arquivo_s=Decisao_108050003599843.pdf, nome_relator_s=Ana de Barros Fernandes, nome_arquivo_pdf_s=108050003599843_5778944.pdf, secao_s=Câmara Superior de Recursos Fiscais, arquivo_indexado_s=S, decisao_txt=[Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, no mérito, reconhecer o direito creditório da recorrente no valor de R$ 623.146,87 e homologar as compensações pleiteadas na fl. 01 até o limite deste crédito, nos termos do voto da relatora. Salienta-se que R$ 535.501,27 já foi reconhecido pelo acórdão de primeira instância de julgamento.], dt_sessao_tdt=Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011, id=6956971, ano_sessao_s=2011, atualizado_anexos_dt=Fri Oct 08 11:06:51 UTC 2021, sem_conteudo_s=N, _version_=1713049470131765248, conteudo_txt=Metadados =&gt; date: 2011-01-27T05:31:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2659478_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-27T05:31:20Z; Last-Modified: 2011-01-27T05:31:20Z; dcterms:modified: 2011-01-27T05:31:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2659478_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:04a10e24-7b92-407c-91a2-32e68590f7ad; Last-Save-Date: 2011-01-27T05:31:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-27T05:31:20Z; meta:save-date: 2011-01-27T05:31:20Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2659478_0.doc; modified: 2011-01-27T05:31:20Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-27T05:31:20Z; created: 2011-01-27T05:31:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2011-01-27T05:31:20Z; pdf:charsPerPage: 1675; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-27T05:31:20Z | Conteúdo =&gt; 
S1-TE01 

Fl. 702 

 
 

 
 

1

701 

S1-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 

PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº 10805.000359/98-43 

Recurso nº 166.789   Voluntário 

Acórdão nº 1801-00.0463  –  1ª Turma Especial  

Sessão de 25 de janeiro de 2011 

Matéria Pedido de Compensação - CSLL  

Recorrente PETROQUÍMICA UNIÃO S/A 

Recorrida FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA 

Ano-calendário: 1997 

COMPENSAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA 

FISCAL. CRÉDITO SUB JUDICE. MOMENTO. 

Os contribuintes podem efetuar a compensação de CSLL declarada 

inconstitucional (exigida antes do prazo nonagesimal da edição da norma), 

com débitos vincendos da mesma contribuição, até o prazo de cinco anos 

após a edição de Resolução do Senado Federal, independentemente de 

provimento jurisdicional transitado em julgado, condicionado o valor da 

compensação à sua existência, atualização monetária e controle do referido 

crédito pela autoridade preparadora. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, no mérito, 

reconhecer o direito creditório da recorrente no valor de R$ 623.146,87 e homologar as 

compensações pleiteadas na fl. 01 até o limite deste crédito, nos termos do voto da relatora. 

Salienta-se que R$ 535.501,27 já foi reconhecido pelo acórdão de primeira instância de 

julgamento. 

 

(assinado digitalmente) 

Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora 

 

EDITADO EM: 27/01/2011 

  

Fl. 1DF  CARF MF

Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES

Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES



 

 2

Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme 

Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Sandra 

Maria Dias Nunes e Ana de Barros Fernandes. 

 

Relatório 

Em 12/03/98 a empresa em epígrafe protocolizou o Pedido de Compensação 

de fls. 01, pretendendo compensar crédito de CSLL, paga a maior, no valor de R$ 699.247,45, 

com débitos parciais de Cofins (fevereiro e março de 1998) e débito de PIS (fevereiro de 

1998). 

O crédito da CSLL é originário do saldo negativo apurado no ano-calendário 

de 1997 (DIPJ/98). 

Necessário que se faça breve histórico do trâmite deste processo até o 

presente momento. 

Primeiramente, a Delegacia da Receita Federal – DRF em Santo André – 

competente para apreciar o pedido exarou um despacho denegando o pleito, por razão formal, 

entendendo ser impróprio o pedido e não adentrando ao mérito da questão – fls. 65. 

Manifestada a inconformidade da contribuinte, fls. 68 a 72, os autos foram à 

Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas para apreciação, mas, após retornar 

duas vezes para a realização de diligências (Resoluções nºs 101/02 e 484/04 – fls. 207 e 208; 

fls. 397 e 398), a 5ª Turma de Julgamento daquela Delegacia exarou o Acórdão nº 05-

16.085/07 determinando que o processo voltasse para o órgão a quo para que este decidisse a 

respeito do mérito da questão, ou seja, apreciasse o direito da contribuinte em compensar os 

tributos com o crédito pretendido.  

Com fulcro nas diversas análises realizadas a respeito da formação do saldo 

negativo de CSLL, relativa ao ano-calendário de 1997, cujos cálculos retroagiram até a 

verificação do saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 1995 (DIPJ/96), a DRF 

prolatou o Despacho Decisório de fls. 523 a 526 concluindo que a contribuinte faz jus ao 

crédito de R$ 535.501,27, a título de saldo negativo de CSLL para o ano-calendário de 1997, 

homologando a compensação dos tributos requeridos até este montante. 

Transcrevo, por relevante, trecho da decisão no qual explicitam-se os 

cálculos de apuração do quantum deferido: 

“As informações constantes no sistema confirmam o pagamento parcial da CSLL 

relativa a novembro de 1997, no montante de R$ 226.435,88 (fls. 460). A parcela 

restante no valor de R$ 116,663,47 e as estimativas relativas de agosto de 1997 a 

outubro de 1997 foram compensadas com créditos de períodos anteriores, 

conforme demonstrativo apresentado pelo interessado às fls. 70. São os seguintes 
os créditos utilizados para compensação das estimativas mencionadas: 

a) R$ 542.686,40 - referente ao saldo negativo apurado na DIRPJ do ano calendário 

de 1995, que pela planilha de fls. 420 apurou-se um saldo de R$ 542.649,10, 

utilizando-se os coeficientes conforme § 4.°, do artigo 37, da Lei n.° 8.981/95, para 

a correção das estimativas de janeiro de 1995 a dezembro de 1995. Verifica-se que o 
interessado utilizou para compensação parcial da CSLL relativa a dezembro de 1995 

Fl. 2DF  CARF MF

Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES

Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES



Processo nº 10805.000359/98-43 

Acórdão n.º 1801-00.0463 
S1-TE01 

Fl. 703 

 
 

 
 

3

o valor recolhido indevidamente em 31.01.1995, no valor de R$ 93.617,65 (fls. 
372), que correspondia a R$ 114.646,00 em 31.12.1995 (fls. 373). 

b) R$ 168.424,74 - referente ao saldo negativo apurado na DIRPJ do ano calendário 

de 1996 relativo a antecipações de R$ 163.598,34 e correspondente atualização de 
R$ 4.826,40 (fls. 354 e 375). As antecipações se referem ao recolhimento da CSLL 

no valor total de R$ 70.884,90 mais as estimativas quitadas com compensação, que 
são as parcelas de R$ 1.146,46 em janeiro de 1996 (resíduo de juros de mora 
incidente sobre o valor de RS 114.646,00 utilizado na compensação parcial da CSLL 

relativa a dezembro de 1995), R$ 63.160,40 em fevereiro de 1996 e R$ 28.406,58 
em março de 1996. 

Com relação às estimativas referentes a fevereiro de 1996 no montante de R$ 
63.160,40 e março de 1996 no valor de R$ 28.406,58, o interessado alega que 

compensou aqueles valores por força do Mandado de Segurança n.° 98.0013910-9 

(fls. 422/444) que, pela Certidão de Objeto e Pé apresentada, está aguardando 
inclusão em pauta para julgamento (fls. 445). 

O artigo 170, do CTN, dispõe que a lei pode, nas condições e sob as garantias que 
estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir á autoridade administrativa, 

autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, 
vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. 

Se não há trânsito em julgado da ação, não se pode falar em crédito líquido e 

certo, além do que não há informação na DCTF (fls. 449/451) de que aqueles 

valores estavam pendentes de compensação por força do Mandado de 

Segurança. 

Portanto, as antecipações relativas ao ano-calendário de 1996, informadas na 

linha 23 da Ficha 11 passam a ser: 

 

ANTECIPAÇÕES VALOR PAGO/COMPENSADO 

JANEIRO/96 72.011,36 

FEVEREIRO/96 10,00 

MARÇO/96 10,00 

TOTAL 72.031,36 

[...] 

Verifica-se que os créditos disponíveis do interessado, sendo R$ 542.649,10 relativo 
ao saldo negativo da CSLL no ano-calendário de 1995, R$ 74.156,40, relativo a 
saldo negativo recalculado do ano-calendário de 1996, mais o pagamento efetuado 

em DARF no montante de R$ 226.435,88 não foram suficientes para compensação 
das estimativas da CSLL - período de apuração de agosto/97 a novembro/97, 
conforme planilha apresentada de fls. 446/447). 

De acordo com os pagamentos e compensações efetuadas, a linha 22 da Ficha 11 da 
DIRPJ do ano calendário de 1997 assume o valor conforme indicado no quadro 
abaixo. 

 

DATA DE VENCIMENTO ESTIMATIVA DE CSLL PAGA/COMPENSADA 

30/09/1997 
43.989,95 {VALOR COMPENSADO 

31/10/1997 
448.731,35 (VALOR COMPENSADO) 

Fl. 3DF  CARF MF

Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES

Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES



 

 4

28/11/1997 
354.392,13 (VALOR COMPENSADO) 

30/12/1997 226.435,88 (VALOR PAGO) 1.091,44 (VALOR COMPENSADO) 

TOTAL 1.074.640,75 

Assim, o demonstrativo abaixo apresenta o saldo negativo final recalculado na 
DIRPJ do ano calendário de 19971. 

[...] 

Entretanto, verifica-se que o interessado utilizou o saldo negativo apurado para 
compensação parcial da CSLL relativa a março de 1998 no montante de R$ 
52.095,53 (fls. 521), remanescendo um saldo credor no montante de R$ 535.501,27, 
conforme planilha apresentada de fls. 522.” 

Em face a esta decisão, a empresa apresentou a manifestação de 

inconformidade de fls. 540 a 544, argumentando, em suma: 

“[...] 

No QUADRO 1 foi apresentado o valor de R$ 963.776,90, cujas compensações 
tiveram como origem créditos do passado. O primeiro foi o saldo negativo apurado 

na DIRPJ do exercício social de 1995 no valor de R$ 542.686,40 e o saldo negativo 
apurado na DIRPJ do exercício social de 1996 no valor de R$ 168.424,74, 
adicionados às suas respectivas atualizações monetárias com base na mesma 

variação da taxa SELIC. 

O saldo de R$ 542.686,40 está considerado conforme explicitado na página número 
506 do anexo da Comunicação e Intimação SEORT número 1123/2007, tendo 
obedecido aos aspectos legais das épocas em que ocorreram. 

O saldo de R$ 168.424,74 teve como formação os dados do QUADRO 3 abaixo. 

QUADRO 3 - Formação do valor compensado em 1996 da CSLL 

Mês Valor UFIR Quantidade de UFIR UFIR Atualização Valor atualizado 

jan/96 72.011,36 0,8847 81.396,36 0,9108 2.124,44 74.135,80 

fev/96 63.170,40 0,8847 71.403,19 0,9108 1.863,63 65.034,03 
mar/96 28.416,58 0,8847 32.120,02 0,9108 838,33 29.254,91 
abr/96 - 0,8847 - 0,9108 - - 
m ai/96 - 0,8847 - 0,9108 - - 
jun/96 - 0,8847 - 0,9108 - - 

TOTAL 163.598,34  184.919,57  4.826,40 168.424,74 
Fonte: preparado tomando-se por base as informações constantes da DIRPJ ano base de 1996. 

 

No mês de janeiro de 1996 foi calculado saldo devedor de R$ 72.011,36. Na época 
foi tomada a opção de deduzir R$ 1.146,46 referente à atualização monetária do 

valor de R$ 111.464,00 e o remanescente foi pago conforme DARF informado na 
Comunicação e Intimação número 11123/2007 na página 510 e na página 396 onde 

constou cópia deste documento de arrecadação. 

No mês de fevereiro de 1996 foi calculado saldo devedor de R$ 63.170,40. Na época 
foi compensado com excesso de CSLL de 1988 e R$ 10,00 foram pagos conforme 
DARF. 

No mês de março de 1996 foi calculado saldo devedor de R$ 28.416,58. Na época 
foi compensado com excesso de CSLL de 1988 e R$ 10,00 foram pagos conforme 

DARF. 

                                                           
1
 DIPJ/98 - linha 31/ficha 11 - Saldo de CSLL.... - 583.675,42 

Fl. 4DF  CARF MF

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Processo nº 10805.000359/98-43 

Acórdão n.º 1801-00.0463 
S1-TE01 

Fl. 704 

 
 

 
 

5

Desta forma, desembolso efetuado pela PETROQUÍMICA UNIÃO foi, para os 

três meses, no valor de R$ 72.031,36 equânime com o apontado na folha 524. E, 

ainda, R$ 91.566,98 que representou compensações com créditos existentes de 

exercícios anteriores. A somatória desses valores perfaz o montante de R$ 

163.598,34. 

Quanto ao pagamento de R$ 72.031,36 uma vez que não há questionamentos, tendo 

sido considerado como líquido e certo, o mesmo não necessita de esclarecimentos 
adicionais. Entretanto com relação ao valor de R$ 91.566,98, a 

PETROQUÍMICA UNIÃO apresenta os seguintes esclarecimentos: 

O montante de R$ 91.566,98 está composto de R$ 1.146,46 que faz referência ao 
pagamento a maior da competência de dezembro de 1994 ocorrido em 31/12/1995. 

Tratado aos moldes legais da época. Esse saldo pelo explanado no voto da 266a 
Sessão da 5a Turma de Julgamento da DRJ Campinas não gerou dúvidas, quanto à 
sua existência. 

 

QUADRO 4- Composição da DCTF 1
o
 trimestre de 1996 

 Janeiro Fevereiro Março 

Imposto a pagar Valor sub-judice  

 

Total apurado 

72.011,36 72.011,36 63.170,40 63.170,40 28.416,58 28.416,58 

Na DCTF a PETROQUÍMICA UNIÃO demonstra ter saldo a pagar em 1996 
independente da forma da liquidação do débito, conforme demonstrado no 
QUADRO 4 apresentado acima. 

QUADRO 5 - Apuração da CSLL de 1996 devida mensalmente 

 Janeiro Fevereiro Março 

09. Base de cálculo 
10. Imposto devido 
11. (-) CSL devida em meses anteriores 
12. (-) Saldo de CSL a comp, apurado em períodos anteriores 
13. (-) Demais cornpens. de contribuição social sobre o lucro 
14. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL MENSAL A PAGAR 

972.153,34 
72.011,36 
1.146,46 

70.864,90 

1.824.953,77 
135.181,76 
72.011,36 
63.160,40 

10,00 

2.208.577,61 
163.598,34 
135.181,76 
28.406,58 

10,00 

Fonte: preparado com base na DIRPJ de 1996, Ficha 09. 

 

Entretanto no momento em que apresentou a DIRPJ a demonstrou aquilo que 
ocorreu durante o exercício social de 1996. No QUADRO 5 apresenta-se os valores 
declarados na DIRPJ. 

Daí observa que deveriam constar da DCTF os valores a pagar, ou seja, em janeiro 
R$ 70.864,90, em fevereiro R$ 10,00 e em março R$ 10,00. 

[...]” 

A Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Campinas exarou, então, o 

Acórdão nº 05-19.491/07 às fls. 547 a 558 mantendo a decisão a quo pelas razões a seguir 

expostas, sintetizadas. Aproveito o trecho também do relatório elaborado por aquela turma, 

para melhor elucidar os fatos e valores que envolvem o presente litígio: 

“[...] 

Em nova análise, a DRF/Santo André reconstituiu o saldo credor de CSLL declarado 
no valor de R$ 699.247,45, para reduzi-lo a R$ 583.675,42, na medida em que os 
créditos alegados para compensação das estimativas de agosto a novembro/97 não 

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 6

foram integralmente confirmados, revelando-se suficientes para extinguir, além dos 

valores das estimativas de agosto/97 (R$ 43.989,95), setembro/97 (R$ 448.731,35) e 
de outubro (R$ 354.392,13), apenas a parcela de R$ 1.091,44 da estimativa de 
novembro/97. As estimativas assim compensadas foram somadas ao pagamento de 
R$ 226.435,88, e totalizaram R$ 1.074.640,75, inferior ao montante de RS 
1.190.212,78 declarado a título de antecipações no ano-calendário 1997. 

A autoridade preparadora ainda reduziu o saldo credor assim apurado (R$ 
583.675,42) pela compensação com a CSLL de março/98 (R$ 52.095,53), para 
reconhecer direito creditório, nestes autos, de R$ 535.501,27 (fls. 523/526). 

Cientificado da decisão em 04/07/2007, o contribuinte, por seu procurador, 
apresentou manifestação de inconformidade em 03/08/2007 (fls. 540/544), da qual 

se extrai: 

Menciona que já havia encaminhado dois Documentos de Arrecadação de Receitas 
Federais - DARF, contendo os valores de principal, multa e juros nos valores de R$ 

29.829,72 e R$ 345.866,11. 

Consigna que, no ano-calendário 1997, conforme demonstrativo que apresenta, 
recolheu R$ 226.435,88, compensou estimativas no valor de R$ 963.776,90, e 

apurou CSLL de R$ 490.965,33, do que resulta o saldo credor de R$ 699.247,45. 
Tal crédito foi compensado com débitos de COFINS em março/98 (R$ 318.617,61) 

e abril/98 (R$ 10.477,97) e da Contribuição ao PIS em março/98 (R$ 370.151,87). 

No que tange ao montante de R$ 963.776,90 de estimativas compensadas, assevera 
que o valor de R$ 542.686,40 referente ao exercício social de 1995 está considerado 
conforme explicitado na página número 506 do anexo da Comunicação e Intimação 

SEORT número 1123/2007, tendo obedecido aos aspectos legais das épocas em que 
ocorreram. Já com referência à parcela de R$ 168.424,74, novamente relata os 
recolhimentos e compensações analisados pela autoridade preparadora, e 

especificamente quanto às compensações de R$ 91.566,98: 

- consigna que não há dúvidas quanto a parcela de R$ 1.146,46 referente a 
dezembro/94; 

- indica que declarou estimativas a pagar de janeiro a março/96 na DCTF, 
independentemente da forma da liquidação do débito, fazendo constar da DIRPJ 
aquilo que ocorreu durante o exercício social de 1996; 

- menciona a necessidade de atualização dos valores antecipados em 1996 
pela variação da UFIR, do que resulta a diferença entre as liquidações (R$ 
163.598,34) e o montante apresentado da DIRPJ do ano-calendário 1996 (R$ 
168.424,74); 

- aponta que como sutilmente foi relatado pelo voto da 266a Sessão da 5a 
Turma de Julgamento da DRJ-Campinas não foi digitado na linha número 24 o 

valor referente à compensação dos juros incidentes sobre o valor de R$ 114.646,00 

no valor de R$ 1.146,46 com isto ocorrendo o saldo negativo de 1996 será maior 

totalizando RS 169.571,20. 

Do exposto conclui que inexiste saldo devedor no âmbito do presente processo.” 

(grifos pertencem ao original) 

Do voto, reproduzo a parte controversa, visto que no acórdão foi reconhecido 

que a empresa faz jus à compensação do saldo devedor de CSLL no valor de R$542.686,39, 

apurado no ano-calendário de 1995 (DIPJ), com as estimativas de CSLL devidas em 1997 ( 

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Acórdão n.º 1801-00.0463 
S1-TE01 

Fl. 705 

 
 

 
 

7

autoridade a quo havia reconhecido o valor de R$ 542.649,09, em virtude de conversões para 

atualização monetária): 

“[...] 

Com referência ao crédito do ano-calendário 1996, alegado no valor original de R$ 

163.598,34 e atualizado de R$ 168.424,74, a autoridade preparadora admitiu apenas 
o valor original de R$ 72.031,36 e atualizado de R$ 74.156,40, rejeitando 
parcialmente as antecipações indicadas para os meses de fevereiro e março/96, como 

segue:  

b) RS 168.424,74 - referente ao saldo negativo apurado na DIRPJ do ano 

calendário de 1996 relativo a antecipações de R$ 163.598,34 e correspondente 

atualização de R$ 4.826,40 (fls. 354 e 375). As antecipações se referem ao 

recolhimento da CSLL, no valor total de RS 70.884,90 mais as estimativas quitadas 

com compensação, que são as parcelas de RS 1.146,46 em janeiro de 1996 (resíduo 

de juros de mora incidente sobre o valor de R$ 114.646,00 utilizado na 

compensação parcial da CSLL relativa a dezembro de 1995), RS 63.160,40 em 

fevereiro de 1996 e R$ 28.406,58 em março de 1996. 

[...] 

Como se vê, a autoridade preparadora admitiu integralmente a estimativa de 

janeiro/96, quer seja na parte paga (R$ 70.884,90) como na compensada (R$ 

1.146,46), inexistindo litígio quanto à possibilidade de compensação da parcela 

de R$ 1.146,46 relativa a dezembro/94. 

No despacho decisório recorrido somente deixaram de ser consideradas as 

parcelas compensadas com as estimativas de fevereiro e março/96, assim 

apreciadas no voto reformulado na 266
a
 Sessão de Julgamento desta 5

a
 Turma: 

Já com referência ao ano-calendário 1996, no qual o contribuinte apurou base de 

cálculo negativa da CSLL (fl. 378), a autoridade preparadora somente confirmou a 

parcela de R$ 74.156,40 do saldo credor de RS 168.424,74, inicialmente apontado 

na DIRPJ (fl. 378). Isto porque, dos créditos ali indicados, apenas validou R$ 

72.031,36 a título de antecipações (do total de R$ 163.598,34) e R$ 2.125,04 (do 

total de RS 4.826,40) referente a atualização monetária destas (fls. 456/459). 

As antecipações alegadas pelo contribuinte (fl. 375) são: 

a) janeiro/96: R$ 72.011,36, parcialmente recolhida no valor de R$ 70.864,90 (fl. 

396) e o restante (RS 1.146,46) compensado com parcela do recolhimento indevido 

de 31/01/95 (fl. 373); 

b) fevereiro/96: RS 63.170,40, parcialmente recolhida no valor de R$ 10,00 (fl. 396) 

e o restante (RS 63.160,40) compensado com créditos por recolhimento indevido da 

CSLL no ano base de 1988, declarada inconstitucional pela Resolução n° 11/95, do 

Senado Federal, e com base no Mandado de Segurança n° 98.0013910-9, conforme 

esclarecimentos prestados à fl. 411; 

c) março/96: RS 28.416,58, parcialmente recolhida no valor de RS 10,00 (fl. 396) e 

o restante (R$ 28.406,58) compensado com créditos por recolhimento indevido da 

CSLL no ano base de 1988, declarada inconstitucional pela Resolução n° 11/95, do 

Senado Federal, e com base no Mandado de Segurança n° 98.0013910-9 conforme 

esclarecimentos prestados à fl. 411. 

[...] 

Fl. 7DF  CARF MF

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 8

Já quanto às compensações de fevereiro/96 e março/96, consignou que não havia, 

na DCTF 96, informação de que aqueles valores estavam pendentes de compensação 
por força do Mandado de Segurança, deixando de considerá-las no cálculo do saldo 
credor do ano-calendário 1996 (fl. 457). E, às folhas referenciadas pela autoridade, 

vê-se que nenhum valor foi apontado como "sub-judice " para os períodos de 

fevereiro/96 e março/96 (fls. 450/451), possível razão para a conclusão por ela 

expressada. 

Todavia, à época, estava vigente a Instrução Normativa SRF n° 73/94, que em seu 

Anexo I (Instruções para apresentação da Declaração de Contribuições e Tributos 

Federais e Outras disposições), fixava que: 

5 - Nos casos em que for efetuada a compensação de pagamento indevido ou a 
maior com o valor do tributo e/ou contribuição a ser declarado (art. 66 da Lei n° 
8.383/91, disciplinado pela IN RF n° 67/92), será informado o valor total apurado 
conforme a legislação em vigor, não devendo ser considerados eventuais ajustes 

decorrentes da compensação. 

Demais disso, em 1996 o contribuinte ainda não havia impetrado o Mandado de 

Segurança referido (98.0013910-9), baseando-se a compensação, como se infere de 

suas informações à fl. 411, em estudos e pareceres jurídicos posteriores à Resolução 
do Senado Federal n° 11/95, que conferiu efeitos erga omnes à declaração de 
inconstitucionalidade da Lei n° 7.689/88, relativamente à CSLL devida no ano-base 

de 1988. 

Assim, os valores devidos a título de CSLL em fevereiro/96 e março/96, ainda que 

compensados com créditos decorrentes de recolhimento indevido, deviam ser 

integralmente declarados na DCTF. E, ao proceder desta forma, restaram em 

aberto as parcelas compensadas, RS 63.160,40 e RS 28.406,58, que somente não 

foram cobradas em razão da alocação automática do recolhimento a maior 

efetuado em 31/01/95, antes mencionada (fl. 462). 

[...] 

Passa-se, então, à análise da validade da compensação de indébitos de CSLL 

pertinente ao ano-base 1988 com débitos da própria CSLL devida em fevereiro e 

março/96. 

É certo que o art. 66 da Lei n° 8.383/91 e a Instrução Normativa SRF n° 67/92 não 

impunham qualquer formalidade a ser observada na compensação entre tributos de 

mesma espécie, desde que os débitos fossem posteriores ao crédito e não tivessem 

origem em processo fiscal (art. 3o da IN SRF n° 67/92). Todavia, prevalece na 

Administração Tributária o entendimento de que, à época, já havia se expirado o 

prazo fixado para utilização do crédito decorrente de tal indébito, nos termos do 

Código Tributário Nacional: 

[...] 

Isto porque a compensação pretendida pressupunha um indébito que já se 

encontrava prescrito, na medida em que o contribuinte tinha o prazo de 5 (cinco) 

anos, contados da data do recolhimento indevido - considerando-se a homologação 

condição resolutoria e não suspensiva — para pleitear a restituição de valores 

indevidamente recolhidos. Expirado este, relativamente aos recolhimentos efetuados 

para o ano-base de 1988 (ocorridos em 1990, conforme fls. 463/464), inadmissível é 

a pretensão de utilizá-los em compensação a partir de 29/03/96 (vencimento da 

contribuição devida no fato gerador fevereiro/96). 

Por outro lado, observe-se que, conforme elementos juntados às fls. 422/445, o 

contribuinte obteve amparo judicial nos autos do Mandado de Segurança n° 

Fl. 8DF  CARF MF

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Acórdão n.º 1801-00.0463 
S1-TE01 

Fl. 706 

 
 

 
 

9

98.0013910-9, para compensar o referido indébito com valores devidos a título de 

COFINS, PIS, IPI e Imposto de Importação, e, nas sentenças de fls. 465/476, 

adotou-se como termo inicial para contagem do prazo referido no art. 168, I do 

CTN, a data da homologação tácita, ou seja, 5 (cinco) anos após a ocorrência do 

fato gerador - quando ocorreria a extinção definitiva do crédito tributário -

concluindo-se que: 

Isto posto, não havendo prova de que a autoridade homologou o tributo 
questionado antes do seu prazo decadencial de 5 (cinco) anos, reconhece-se a 
prescrição em 10 (dez) anos contados da propositura da demanda, nos termos 

do§l° do art. 219 do CPC. 

A referida sentença foi objeto de recurso, que se encontra pendente de apreciação 

no TRF/3a Região. Todavia, tratando-se de Mandado de Segurança no qual, 

inclusive, foi concedida liminar ao interessado, concluiu a autoridade preparadora 

nos autos do processo administrativo n° 10805.001700/2003-61 (fls. 477/480) que 

está suspensa a exigibilidade dos valores compensados nos limites da sentença. 

Destaque-se que a compensação com débitos de CSLL, em verdade, não foi 

pleiteada na referida ação judicial, mas sim no Mandado de Segurança n° 

98.0003347-5, conforme relatado na própria petição inicial de fls. 422/444. Porém, 

em que pese inexista nestes autos cópia da petição inicial ou das decisões proferidas 

no referido processo, infere-se, das informações obtidas no sítio da Justiça Federal 

na Internet que os autos possivelmente foram reunidos para julgamento conjunto, 

pois as sentenças foram proferidas no mesmo período e com conteúdo equivalente 

(fls. 481/485). 

Ainda, consigne-se que nos autos do Mandado de Segurança n° 98.0003347-5 não 

foi deferida liminar (fls. 483) e somente em sede de Agravo de Instrumento o 

impetrante obteve decisão favorável à compensação, mas sem adentrar à discussão 

do prazo prescricional e limitando-a aos débitos da própria CSLL (fls. 487/496). 

De toda sorte, frente à divergência entre o entendimento administrativo e o judicial, 

quer no âmbito do Mandado de Segurança n° 98.0003347-5 ou n° 98.0013910-9, 

seria de se perquirir se as decisões proferidas afetariam, também, as compensações 

realizadas em 1996, suspendendo a exigibilidade dos débitos objeto de 

compensações de mesma natureza daquelas realizadas em 1998, mas anteriores à 

sua propositura. 

Poder-se-ia dizer que, se não foi reconhecida a prescrição relativamente às 

compensações efetuadas em 1998, com mais razão não ficariam desamparadas as 

compensações verificadas em 1996. 

Contudo, retroagir os efeitos da decisão proferida no Mandado de Segurança 

subverteria o prazo para sua impetração, estipulado na Lei n° 1.533/51: 

Art. 18 - O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-á 
decorridos cento e vinte dias contados da ciência, pela interessado, do ato 

impugnado. 

Observe-se que o Supremo Tribunal Federal já consolidou na Súmula 271 que a 
concessão de mandado de segurança não produz efeitos patrimoniais em relação a 
período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via 
judicial própria. 

Fl. 9DF  CARF MF

Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES

Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES



 

 10

Neste sentido, aliás, o próprio impetrante reporta-se às compensações 

contemporâneas à propositura da ação judicial Em suas palavras (fl. 426): 

Sob a luz dos preceitos contidos na Lei 8383/91 e da Lei 9430/96, a 
Impetrante visa proceder à compensação de seus créditos relativos à CSSL recolhida 
a maior, com valores que tem a recolher relativos a outros tributos e contribuições 

sociais administrados e fiscalizados pela Secretaria da Receita Federal. 

[...] 

Diante de todo o exposto, requer a Impetrante que V. Exa. Se digne conceder-
lhe MEDIDA LIMINAR, determinando ao Sr. Delegado da Receita Federal em 
Santo André - SP, que se abstenha de praticar qualquer ato coator contra a 

Impetrante, no sentido de exigir-lhe o recolhimento parcial ou total dos tributos e 
contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que vierem a ser 
objeto das compensações a ser realizadas entre os valores recolhidos indevidamente 

a título de CSSL, notadamente com os valores devidos a título de COFINS, PIS, IPI 
e I.IMPORTAÇÃO. 

E, assim, constou da sentença o que segue: 

A presente ação tem como escopo provimento jurisdicional que assegure ao 
impetrante efetivar a compensação dos tributos recolhidos com fundamento na 
legislação aventada, com parcelas vincendas da COFINS, PIS, IPI e Imposto de 
Importação. 

Portanto, não é possível estender os efeitos das decisões dos Mandados de 

Segurança n° 98.0003347-5 e 98.0013910-9 às compensações com débitos de 1996. 

Em conseqüência, subsiste incomprovado o recolhimento das estimativas de CSLL 

de fevereiro e março/96. 

Ressalte-se, porém, que, em razão de outras circunstâncias fáticas que serão a 

seguir expostas, tal análise não se mostra relevante, no presente caso. 

Isto porque se, por um lado, o reconhecimento da compensação de créditos da 

CSLL do ano-base 1988, com débitos da CSLL em 1996, elevaria o direito 

creditório pleiteado no ano-calendario 1997, por outro, o crédito a ser utilizado nas 

compensações vinculadas ao Mandado de Segurança n° 98.0013910-9 seria 

reduzido. Da mesma forma, a inadmissibilidade da compensação em 1996 reduziria 

o saldo credor de 1997, mas geraria maior disponibilidade de crédito para as 

compensações vinculadas ao Mandado de Segurança citado. 

Assim, é possível admitir o cálculo do direito creditório em 1996 na forma apurada 

pela autoridade preparadora, pois sua redução acabará por elevar a 

disponibilidade de direito creditório relativo a 1988, passível de utilização na forma 

da decisão atualmente em vigor no Mandado de Segurança n° 98.0013910-9. 

Por todo o exposto, é aqui admitida a totalização de saldo credor indicada no 

despacho de fls. 456/459 para o ano-c alendarlo 1996 (RS 74.156,40), resultante da 

soma das estimativas recolhidas em 1996 (RS 72.031,36) e da atualização 

monetária sobre elas incidente até o ajuste anual (RS 2.125,04). 

[...] 

Diante do exposto, o presente voto é no sentido de RECEBER a manifestação de 
inconformidade de fls. 540/544, por tempestiva, e INDEFERI-LA, por inexistir 
crédito a ser reconhecido acima da parcela já admitida pela autoridade preparadora.” 

(negritos não pertencem ao original) 

Fl. 10DF  CARF MF

Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES

Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES



Processo nº 10805.000359/98-43 

Acórdão n.º 1801-00.0463 
S1-TE01 

Fl. 707 

 
 

 
 

11

A empresa, tempestivamente, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 562 a 

573, requerendo que as estimativas de CSLL relativas aos meses de fevereiro e março do ano-

calendário de 1996, nos valores de R$ 63.160,40 e R$ 28.406,58, sejam admitidas na 

composição do saldo negativo da CSLL apurada em 1996, argumentando, sinteticamente, in 

verbis: 

“A parte do crédito indeferida refere-se às estimativas dos meses de fevereiro de 
1996 (no montante de R$ 63.160,40) e de março de 1996 (no valor de R$ 
28.406,58), que foram compensadas com créditos da própria CSL decorrentes de 

recolhimentos indevidos efetuados nos meses de janeiro a março de 1989, conforme 
as decisões judiciais proferidas nos Mandados de Segurança n°s 98.0013910-9 e 
98.0003347-5, cujas principais peças a Recorrente pede vênia para colacionar aos 

presentes autos (docs. n°s 5 e 6). 

Por não concordar com o indeferimento de parte do crédito pleiteado, a Recorrente 
apresentou, em 8.8.2007, a competente Manifestação de Inconformidade, a qual foi 
indeferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas 
- SP, sob os seguintes e infundados argumentos: 

(i) na compensação efetuada nos meses de fevereiro e março de 1996, a Recorrente 
não estaria amparada por decisão judicial, tendo em vista que os Mandados de 
Segurança n°s 98.0013910-9 e 98.0003347-5 foram impetrados posteriormente às 

compensações; 

(ii) estaria prescrito o direito da Recorrente de efetuar a compensação dos valores 
de CSL recolhidos indevidamente nos meses de janeiro a março de 1989, conforme 
o disposto no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional ("CTN"); e 

(iii) deveria ser aplicado ao presente caso a regra prevista no artigo 170-A do CTN, 
incluída no ordenamento jurídico apenas com a edição da Lei Complementar n° 
104/2001, segundo a qual é vedado ao contribuinte a realização de compensação 
administrativa de crédito tributário decorrente de medida judicial, antes do trânsito 

em julgado da mesma.” 

A recorrente passa a rebater cada um dos itens acima criticados. 

É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. 

 

Voto            

Conselheira Ana de Barros Fernandes, relatora 

Conheço do recurso interposto, por tempestivo. 

A recorrente obteve o reconhecimento do saldo negativo da CSLL para o 

ano-calendário de 1997 no valor de R$ 583.675,42 (fls. 526). Por causa da compensação de 

parte deste saldo com a estimativa de CSLL relativa a março de 1998, no valor de R$ 

52.095,53, foi homologada parcialmente a compensação pleiteada à fl. 01, no valor de R$ 

535.501,27. Considerando que o saldo negativo de CSLL informado na DIPJ/08 é da ordem de 

R$ 699.247,45, a parte controversa resume-se a R$ 115.572,03. 

Fl. 11DF  CARF MF

Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES

Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES



 

 12

No recurso interposto, a empresa limita-se a contestar o acórdão no que 

refere-se a não terem sido admitidas as compensações efetuadas pela recorrente do valor 

recolhido a maior de CSLL, relativa ao ano-base de 1988 e janeiro a março de 1989, com as 

estimativas de CSLL apuradas em fevereiro e março de 1996 (as quais deveriam compor o 

saldo negativo de CSLL em 1996 e, consequentemente, ser aproveitado para o ano-calendário 

de 1997). 

O valor pleiteado no recurso voluntário perfaz R$ 91.566,98 (CSLL/fev/96 – 

R$ 63.160,40 + CSLL/mar/96 – R$ 28.406,58). 

Estes valores foram calculados pela recorrente e provém da CSLL recolhida 

relativa ao ano de 1988 e janeiro a março de 1989 e posteriormente reconhecida como 

inconstitucional a exigência fiscal, em vista da ofensa ao princípio da anterioridade (Resolução 

do Senado Federal nº 11/95).  

A compensação foi realizada sem que a recorrente submetesse a sua 

viabilidade à autoridade administrativa, ou mesmo sob a guarida judicial. 

Somente em 1998 a empresa impetrou Mandado de Segurança requerendo a 

tutela jurisdicional para utilizar-se dos valores recolhidos indevidamente e compensá-los com 

os tributos federais: a própria CSLL e com outros, ainda que distintos. 

Preliminarmente cumpre esclarecer que o processo judicial MS nº 

98.0013910-9, registrado no Tribunal Regional Federal da 3ª Região sob nº 

2004.03.99.030608-5 encontra-se ainda sob julgamento, consoante pesquisa efetuada pela 

internet.
 2

 

A turma de julgamento de primeira instância reconheceu, já na primeira 

decisão proferida (266ª sessão), que a tutela jurisdicional reconheceu como prazo prescricional 

para a contribuinte solicitar a compensação o prazo decendial, portanto, ao contrário do que 

assevera a recorrente, não lhe foi negada a compensação das referidas parcelas por prescrito o 

direito de realizar a compensação, mas sim por razão diversa. 

A razão única da não homologação deste saldo, ora litigioso, concerne à 

questão da retroatividade dos efeitos da liminar concedida no MS impetrado somente em 1998, 

quando está a se tratar de valores compensados em 1996 e, indiretamente, à questão do trânsito 

em julgado do mandamus. 

Quanto à questão da retroatividade dos efeitos da sentença judicial, ainda que 

liminar, aspecto a que o acórdão se ancorou para negar a repetição do indébito tributário e 

salientando os termos dos decisórios que estipulavam efeitos somente para débitos vincendos, 

portanto no seu entender, ulteriores à concessão da liminar, pondero sobre uma questão maior, 

presente neste caso em especial. 

A origem dos créditos compensados com os débitos em 1996 está na 

inconstitucionalidade da exação fiscal da CSLL a partir do período encerrado em 1988 e 

janeiro a março de 1989. Por ser patente, tornada pública e notória a declaração de 

inconstitucionalidade, estampada na Resolução emanada pelo Senado Federal, em 1995 (nº 

11), todos os contribuintes souberam, independentemente, de qualquer provimento 

jurisdicional que haviam recolhido valores flagrantemente indevidos e reconhecidos como 

inconstitucionais. 

                                                           
2
 http://www.trf3.jus.br/trf3r/index.php?id=26&amp;op=Consulta&amp;Processo=200403990306085&amp;TFases=1 

Fl. 12DF  CARF MF

Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

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Processo nº 10805.000359/98-43 

Acórdão n.º 1801-00.0463 
S1-TE01 

Fl. 708 

 
 

 
 

13

Ainda que a Fazenda Pública tenha pretendido defender tese de que o prazo 

para a repetição de indébito já havia se esgotado – 05 anos após os recolhimentos -, parece 

desnecessário estender-se sobre a impropriedade desta tese. A contribuição foi exigida por 

meio de norma tributária até então tida como válida e somente após a edição da Resolução SF 

nº 11/95 é que tornou-se pública a inconstitucionalidade da sua cobrança para o próprio ano da 

sua instituição - ano de 1988 e até que transcorresse o prazo nonagesimal, por tratar-se de 

contribuição, o que, no meu entender, marca o termo a quo para os contribuintes buscarem a 

repetição em débito. 

Daí que não vejo como totalmente despropositado admitir-se que as 

estimativas relativas a fevereiro e março de 1996, após a vigência da Resolução SF nº 11/95, 

poderiam ter sido quitadas com os valores recolhidos indevidamente, independentemente de 

qualquer provimento jurisdicional. Vale ressaltar que nesta época a compensação era feita por 

iniciativa do contribuinte em sua contabilidade, não se submetendo a requerimento ou 

autorização administrativa (tributos/contribuições de mesma espécie).  

A turma a quo trouxe aos autos informação peculiar, mas fundamental no que 

respeita à desobrigação da recorrente, naquele ano, em informar na DCTF que as estimativas 

devidas pela contribuinte estavam vinculadas a compensações, devendo ser informadas em 

seus valores integrais - item 5 da Instrução Normativa SRF nº 73/94 (vide fls. 555) – e, bem 

destaca, a contribuinte sequer poderia ter vinculado tais valores a qualquer ação judicial, visto 

que ainda não interposta. 

Destarte, entendo que o direito da recorrente em valer-se daquele crédito 

advindo da exação fiscal inconstitucional é certo.  

Quanto a sua liquidez, o outro elemento que importa na compensação de 
tributos, a unidade que jurisdiciona a contribuinte mantém um controle paralelo à ação judicial 

pelo processo administrativo de acompanhamento de ações judiciais – PAJ no qual devem estar 

registradas todas as movimentações processuais, decisões e explicitados os valores, inclusive. 

No caso presente, é o PAJ nº 10805.000537/98-08 – fls. 477. 

Este instrumento de controle cuida ainda de quantificar os direitos, 

normalmente ilíquidos, judicialmente decididos, em estrita observância aos ditames judiciais 

quanto a suas peculiaridades e às atualizações, versem estas ações sobre créditos ou débitos. 

Nas próprias sentenças colacionadas aos autos proferidas no Mandado de 

Segurança ora debatido, denota-se o constante registro de que compete ao fisco quantificar os 

valores e proceder ao controle dos créditos tributários, uma vez autorizadas judicialmente as 

compensações requeridas. 

Em assim sendo, nada impede à Secretaria da Receita Federal do Brasil 

checar se o indébito tributário pertinente ao MS nº 98.0013910-9 é suficiente para acobertar as 

estimativas ora pleiteadas – fev e mar/96 – e assim compor o saldo negativo de CSLL do ano-

calendário de 1996, conforme a contribuinte informou na DIPJ pertinente (fls. 104 e 105). 

Aliás é atribuição deste serviço e a recorrente tem que se submeter ao seu crivo, haja vista ser 

determinação judicial a competência exclusiva do fisco em averiguar a existência efetiva do 

crédito judicialmente pleiteado e o seu controle, até que se extinga. 

Compete, portanto, à unidade de controle do crédito/débito tributário registrar 

os efeitos deste acórdão e controlar a baixa dos valores no referido PAJ, o que evitará, sem 

Fl. 13DF  CARF MF

Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES

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 14

dúvida, que após o trânsito em julgado da sentença judicial final conceda-se restituição ao 

contribuinte em duplicidade. 

Desta forma, evita-se exigir os onerosos encargos moratórios da recorrente 

que, em tempo hábil, pleiteou a restituição daquilo que lhe foi exigido de forma 

inconstitucional. Destaco que o MS impetrado, em 1998, bem como as compensações 

efetuadas em 1996, estão dentro do prazo prescricional, como salientado na decisão judicial. 

Saliento, ainda, que não divirjo in totum do entendimento esposado pelas 

autoridades preparadoras que se manifestaram neste processo e naqueles que versam sobre as 

cobranças das contribuições nos valores não homologados, no que respeita às ações judiciais 

em geral e à necessidade de se aguardar o trânsito em julgado e nem sou avessa a observar os 

ditames legais preceituados neste sentido.  

No entanto, no presente caso, repito, o direito da recorrente em reaver os 

valores recolhidos a título de CSLL recolhida, relativa ao ano de 1988, é líquido e certo, visto a 

sua inconteste inconstitucionalidade e já estando definido a imprescritibilidade judicialmente 

(visto tratar-se de compensar o crédito reconhecido com valores da própria CSLL, vincendas -

após o recolhimento indevido). 

Por fim, registro que concordo com o acórdão vergastado quanto à sua 

conclusão em não haver prejuízo efetivo à contribuinte se aguardasse o final da demanda 

judicial para reaver o crédito de CSLL recolhida em 1988 e então compensar com tributos que 

pleiteou, visto que as atualizações monetárias e juros se equivaleriam. Mas, esta situação pode 

perdurar ainda anos dada a morosidade judiciária e, no caso em concreto, repriso, não vejo 

porque atrelar o presente processo ao final do processo judicial. 

Por todo o exposto, retifico o acórdão de primeira instância para considerar 

que o saldo negativo da CSLL para o ano-calendário de 1997 é da ordem de R$ 675.242,40, 

composto pelo saldo negativo já reconhecido pela autoridade a quo e mantido em primeira 

instância, R$ 583.675,42, acrescido das estimativas de CSLL relativas a fevereiro e março de 

1996, nos valores respectivos de R$ 63.160,40 e R$ 28.406,58, desde que estes últimos dois 

valores encontrem respaldo no PAJ nº 10805.000537/98-08, devendo ser registrado neste que 

estes valores já foram utilizados pela empresa para compor o saldo negativo da CSLL relativa 

ao ano de 1996, conforme ora decidido. 

Voto, nos termos deste, pelo reconhecimento do direito creditório da 

recorrente no valor de R$ 623.146,87 (SN CSLL/97 - R$ 52.095,53, valor já compensado com 

a CSLL de março de 1998), e pela homologação das compensações pleiteadas na fl. 01 até o 

limite deste crédito, salientando que R$ 535.501,27 já foi reconhecido pelo acórdão de primeira 

instância de julgamento. 

(assinado digitalmente) 

Ana de Barros Fernandes 

  

 

           

Fl. 14DF  CARF MF

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Processo nº 10805.000359/98-43 

Acórdão n.º 1801-00.0463 
S1-TE01 

Fl. 709 

 
 

 
 

15

 

           

Fl. 15DF  CARF MF

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 16

TERMO DE INTIMAÇÃO 

Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a 

este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do 

anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de 

junho de 2009. 

Brasília, . 

_____________________________ 

Moema Nogueira – Secretária da Câmara 

Ciência 

Data: ____/___________/________ 

_____________________________ 

Nome:  

Procurador(a) da Fazenda Nacional  

 

Encaminhamento da PFN: 

[  ] apenas com ciência; 

[  ] com Recurso Especial; 

[  ] com Embargos de Declaração. 

[  ] _________________________ 

 

 

Fl. 16DF  CARF MF

Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda

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Ementa – Trava 30% - MP – 812/94 -  Imposto de Renda e Contribuição Social - Lei nº 8.981/95. Artigos 42 e 58, Alegação de ofensa aos princípios da anterioridade, da irretroatividade e do direito adquirido.Descabimento da alegação relativamente ao Imposto de Renda, o mesmo não se dando no tocante à Contribuição Social, sujeita que está à anterioridade nonagesimal prevista no art. 195, § 6º da CF, no caso não violada., turma_s=Primeira Câmara, dt_publicacao_tdt=Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2003, numero_processo_s=10480.010809/2001-37, anomes_publicacao_s=200307, conteudo_id_s=4158840, dt_registro_atualizacao_tdt=Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017, numero_decisao_s=101-94.281, nome_arquivo_s=10194281_131929_10480010809200137_010.PDF, ano_publicacao_s=2003, nome_relator_s=Celso Alves Feitosa, nome_arquivo_pdf_s=10480010809200137_4158840.pdf, secao_s=Primeiro Conselho de Contribuintes, arquivo_indexado_s=S, decisao_txt=[ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da matéria
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MINISTÉRIO DA FAZENDA
PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES
PRIMEIRA CÂMARA

4~

Processo n.° : 10480.01080912001-37
Recurso n.°.	 :	 131.929
Matéria:	 : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — EXS: DE 1998 e

1999
Recorrente	 :	 PMPAR S.A.
Recorrida	 :	 4. TURMA/DRJ RECIFE — PE.
Sessão de	 :	 02 de julho de 2003
Acórdão n.°	 :	 101-94.281

Processo Administrativo e Processo Judicial — No atual regime
jurídico brasileiro criou-se à defesa um princípio optativo de
escolha quanto à área de enfrentamento à exigência fiscal, que
não admite cumulatividade, prevalecendo a escolha do Poder
Judiciário em prejuízo da Jurisdição Administrativa.

Ementa — Trava 30% - MP — 812/94 - Imposto de Renda e
Contribuição Social - Lei n° 8.981/95. Artigos 42 e 58, Alegação
de ofensa aos princípios da anterioridade, da irretroatividade e
do direito adquirido.Descabimento da alegação relativamente
ao Imposto de Renda, o mesmo não se dando no tocante à
Contribuição Social, sujeita que está à anterioridade
nonagesimal prevista no art. 195, § 6° da CF, no caso não
violada.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso

interposto por PMPAR S.A.

ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho

de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da matéria

submetida à via judicial,quanto às demais matérias, conhecê-las para negar-lhes

provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente

julgado.

-
ON PE JR-A RODR UES

"RESIDE -É

74000

CEL3 ALVES EITOSA
TOR



Processo n.° : 10480.010809/2001-37	 2
Acórdão n.°	 :	 101-94.281

FORMALIZADO EM:	 AGn yen

Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: VALMIR SANDRI,
KAZUKI SHIOBARA, SANDRA MARIA FARONI, PAULO ROBERTO CORTEZ,
RAUL PIMENTEL e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL.



Processo n.° : 10480.01080912001-37	 3

Acórdão n.°	 :	 101-94.281

RELATÓRIO

Contra a empresa acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls.
32/38, por meio do qual é exigida a importância de R$ 504.790,60, mais acréscimos
legais (apenas juros de mora), totalizando um crédito tributário R$ 808.050,17, a
título de Contribuição Social sobre o Lucro.

Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 33, a
exigência, relativa aos anos-calendários de 1997 e 1998, decorreu de glosa da
compensação de bases de cálculo negativas de períodos-base anteriores, uma vez
que a fiscalização constatou a inobservância do limite de 30% do lucro líquido
ajustado.

Conforme item 5 (fls. 27/28) do Termo de Verificação Fiscal de fls. 18/31, a
contribuinte informou, durante o procedimento de ofício, ter impetrado Mandado de
Segurança Preventivo com a concessão de liminar no Processo n°
2000.83.00.004967-0, da 13 Vara Federal para assegurar a compensação integral
das bases de cálculo negativas da contribuição. Esta foi a razão pela qual não se
exigiu, no Auto de Infração, da multa de ofício, a teor do art. 63 da Lei n° 9.430/96.

A ação foi julgada procedente, em primeira instância, conforme cópia de
sentença datada de 13/09/2000 (fls. 138/146), mantendo os termos da liminar (fl. 44)
e concedendo parcialmente a segurança para autorizar a compensação requerida,
sem a limitação imposta pela Lei n° 8.981/95, em relação a parcelas anteriores à
sua vigência, por existir direito adquirido do contribuinte a proceder à compensação

sem qualquer limitação.

Impugnando o feito às fls. 113/117, a interessada alegou, em síntese:

- que o objetivo do Auto de Infração foi o de prevenir a decadência e que
isto só é possível quando o processo está em sede de liminar provisória;

- que, nos termos do art. 63 da Lei n° 9.430/96, não cabe a exigência de
multa de ofício ou de mora quando o contribuinte está amparado por uma
decisão judicial;

- que, se o crédito tributário está suspenso não está vencido e, assim, ão
incide em mora o contribuinte; portanto, não pode ser compelido a gar
multa e juros de mora, sendo, então, incabível a cobrança, no Aút p de
Infração, dos juros motatórios;

/I
- que o § 2° do art. 161 do CTN segue nessa mesma linha ao determinar a

não cobrança de juros de mora quando o contribuinte está na fase de

consulta administrativa;

- que é inaplicável a exigência de juros com base na taxa SELIC.



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Acórdão n.°	 :	 101-94.281

Na decisão recorrida (fls. 156/165), a 4 a Turma de Julgamento da DRJ em
Recife-PE, por unanimidade de votos, declarou procedente o lançamento,
concluindo que:

a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes
da autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias
administrativas;

b) a existência de medida judicial que suspende a exigibilidade do crédito
tributário não é obstáculo à lavratura do Auto de Infração, que visa
prevenir a decadência;

c) os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a
respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou
judicial.

Às fls. 177/188 se vê o recurso voluntário, por meio do qual a autuada,
repetindo argumentos da impugnação, alega, em síntese:

- que o lançamento negou vigência ao art. 63 da Lei n° 9.430/96, porque o
fiscal, confessadamente, lavrou o Auto de Infração apenas para evitar a
decadência, o que, todavia, só é aceito quando o processo está apenas
em sede de liminar provisória, o que não é o caso;

- que, ademais, não se pode conceber a cobrança dos juros de mora,
porque a mora somente começa com a exigibilidade (conforme doutrina
que cita);

- que cabe a nulidade da denúncia fiscal também por descumprimento a
preceito legal e ordem judicial, uma vez que a suspensão da exigibilidade
do crédito tributário abrange qualquer ato que implique a exigência do
suposto tributo devido pelo sujeito passivo, inclusive a lavratura do Auto
de Infração;

- que é nula a decisão de primeira instância porque, indevidamente, deixou
de julgar as razões de mérito sob a alegação de que a existência de
processo judicial importa renúncia à instância administrativa;

- que, no mérito, é indevida, porque inconstitucional, a limitação da
compensação de bases de cálculo negativas a 30% do lucro lí uido
ajustado;

- que é improcedente o cálculo dos juros de mora com base na sEup.

Houve arrolamento de bens para atendimento da exigência de garantia de
instância.

É o relatório.



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Acórdão n.°	 :	 101-94.281

VOTO

Conselheiro CELSO ALVES FEITOSA, Relator.

O recurso é tempestivo.

A questão como posta se apresenta pacificada neste Conselho de
Contribuintes no sentido de que não pode haver concomitância entre a defesa

administrativa e a discussão em sede de Poder Judiciário.

Entra-se pacificada ainda em relação à legitimidade de limitação de
abatimento do saldo de prejuízo fiscal em relação ao lucro (IRPJ) de 30% apurado,
inclusive da CSLL.

Tenho proferido um número grande de votos, sempre acolhidos à
unanimidade pela Câmara, sendo majoritário também em sede de CSRF, pelo que

passo a justificar-me nos seus termos.

O professor Alberto Xavier, in "Do lançamento", a fls. 282, assim se expressa
com relação à questão discussão administrativa e perante o poder judiciário:

"No sistema atualmente vigente, ao abrigo da Constituição de 1988, não se
exige o prévio esgotamento das vias administrativas como condição de
acesso ao Poder Judiciário, pelo que vigora um princípio optativo
segundo o qual o particular pode livremente escolher entre a impugnação
administrativa e a impugnação judicial do lançamento tributário.

Esta opção pode ser originária ou superveniente, em conseqüência de
desistência da via originariamente escolhida. Todavia, em caso de opção
pela impugnação contenciosa, na pendência de uma impugnação
administrativa, esta considera-se extinta. E o que resulta do § 2° do artigo 1°
do Decreto-lei n° 1737, de 20 de dezembro de 1979, segundo o qual "a
propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade
do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer
na esfera administrativa e desistência do recurso interposto". E regra
idêntica deflui do artigo 38 da Lei n° 6 830 de 22 de setembro de 1980,
segundo o qual "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste
artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e
desistência do recurso interposto"

Sobre a classificação dos recursos em: neces
facultativos, alternativos e exclusivos, assim continua para concluir o ref-rido

professor:

"A figura do recurso exclusivo não é tolerada no direito brasileira face ao
princípio da universalidade da jurisdição.

O recurso necessário corresponde ao sistema previsto na Emenda
Constitucional n° 7/1977, a que já nos referimos.

O conceito de recurso alternativo também não se ajusta ao nosso direito
positivo, que não concebe a opção entre a impugnação administrativa e a
jurisdicional como definitivamente excludentes entre si, pois nada impede



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que, na pendência de processo judicial, o particular apresente impugnação
administrativa, ou que, na pendência de impugnação administrativa, o
particular aceda ao Poder Judiciário

O que o direito brasileiro veda é o exercício cumulativo dos meios
administrativos e jurisdicionais de impugnação: como a opção por uns ou
outros não é excludente, a impugnação administrativa pode ser prévia ou
posterior ao processo judicial, mas não pode ser simultânea.

O princípio da não cumulação opera sempre em benefício do processo
judicial, a propositura de processo judicial determina "ex lege" a extinção do
processo administrativo; ao invés, a propositura de impugnação
administrativa na pendência de processo judicial conduz à declaração de
inadmissibilidade daquela impugnação, salvo ato de desistência expressa do
processo judicial pelo particular.

Na tipologia de Freitas do Amaral, a impugnação administrativa insere-se na
categoria dos "recursos facultativos", com a ressalva de a relação de
facultatividade não poder conduzir à simultaneidade.

Temos, pois, o princípio optativo, mitigado por um princípio de não
cumulação."

Por esta razão ainda sem razão o Recorrente, restando correta, por outro
lado, a decisão quanto a não apreciação do tema pelo órgão julgador de Primeira
Instância Administrativa.

O argumento de que só seria possível ao Fisco lavrar auto de infração
enquanto amparado o sujeito passivo por liminar, vedado quando já sentenciado o
MS favoravelmente, não encontra sustentação legal, mesmo porque a sentença
concessiva de segurança não é imutável, uma vez pendente de recurso. A lei não
faz a distinção reclamada, muito pelo contrário, estabelece o parágrafo 2° do artigo
63, da Lei 9.430/96, que a mora, ademais, encontrar-se-á interrompida até 30 dias
da data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou
contribuição.

Esta dizer a então, que durante todo o transitar do processo, permanece as
razões da suspensão, decorrendo daí que presentes os motivos considerados
quando da liminar, que nada mais é, por outro lado, do que uma antecipação da
decisão a ser proferida quando da apreciação de mérito.

Com relação à mora, está eia prevista em lei, não sendo de conhecimento

que tenha sido declarada esta ilegítima. A questão de não estar vencida a obrigação
não é verdadeira, pois o que se discute é validade ou não da exigência. Se inválida,
estará fora do mundo jurídico, sem efeito. Se válida, presente se apresentará a
suspensão quanto à execução, em que os efeitos retroagem ao seu nascimento.

Quanto ao instituto da consulta, não merece consideração por não envolv a

causa em julgamento.

Com respeito a Taxa Selic (juro), embora se tenha conhecimento de deÓisão
do STJ decidindo por sua invalidada para aplicação às obrigações de direito páblico,
inúmeros são as decisões em contrário, como se demonstra:



,

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"Acórdão
AGA 480641 / MG ; AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE
I NSTRUMENT02002/0140353-5
Fonte
DJ DATA:23/06/2003 PG:00260
Relator
Min. FRANCISCO FALCÃO (1116)
Ementa
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO
DEINSTRUMENTO„ EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. SÚMULA N° 07/STJ.
TAXASELIC. LEGALIDADE.I - A questão do laudo pericial ter ou não conseguido
determinar a natureza dos fatos geradores do tributo, resta prejudicada, pois
impossível a sua análise pela via eleita do especial, a teor da Súmula 07/STJ, que
se aplica à hipótese dos autos 11 - Quanto à aplicação da taxa SELIC, a
jurisprudência desta Corte,consolidou o entendimento no sentido de que, a partir
de 1° de janeiro de 1996, passou a ser legítima sua aplicação no campo tributário,
em face da determinação contida no § 4°, do artigo 39,da Lei n.° 9250/95111 -
Agravo regimental improvido„
Data da Decisão
08/04/2003
Órgão Julgador
T1 - PRIMEIRA TURMA
Decisão
Vistos e relatados os autos em que são partes as acima indicadas,decide a
Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar
provimento ao agravo regimental, na forma do relatório e notas taquigráficas
constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Os
Srs. Ministros LUIZ FUX, HUMBERTO GOMES DE BARROS e JOSE DELGADO
votaram com o Sr. Ministro Relator.

Acórdão
RESP 267788 / PR; RECURSO ESPECIAL2000/0072506-4
Fonte
DJ DATA:16/06/2003 PG:00274
Relator
Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA (1123)
Ementa
TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO.
DENÚNCIAESPONTÂNEA. PARCELAMENTO DE DÉBITO TRIBUTÁRIO. MULTA
MORATÓRIA.EXIGIBILIDADE„ JUROS DE MORA À TAXA SELIC
LEGALIDADE.1„ A partir do julgamento do RESP n° 284„189/SP, pacificou-se
neste Superior Tribunal de Justiça o entendimento no sentido de que a simples
confissão de dívida acompanhada do pedido de parcelamento do débito não
configura denúncia espontânea, a dar ensejo a aplicação da regra ínsita no artigo
138 do CTN, de modo a eximir o contribuinte do pagamento de multa moratória..2.
O artigo 161 do CTN, ao estipular que os créditos não pagos no vencimento serão
acrescidos de juros de mora calculados à taxa dei °A, ressalva, expressamente,
"se a lei não dispuser de modo diverso", de modo que, estando a SELIC prevista
em lei, inexiste ilegalidade na sua aplicação 2, Este Superior Tribunal de Justiça
tem, reiteradamente, aplicado a taxa SELIC a favor do contribuinte, nas hipóteses
de restituições e compensações, não sendo razoável deixar de fazê-la incidir nas
situações inversas, em que é credora a Fazenda Pública.4. Recurso especial a que
se nega provimento.
Data da Decisão
01/04/2003
Órgão Julgador
T2 - SEGUNDA TURMA ,
Decisão	 ,

Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima in icadas,
acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Ju tiça, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro



Processo n.° : 10480.010809/2001-37 	 8

Acórdão n.°	 :	 101-94.281

Relator. Os Srs.. Ministros Francisco Peçanha Martins, Eliana Calmon e Franciulli
Netto votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento a Sra.. Ministra
Eliana Calmon.

Ademais, não consta que o artigo 13 da Lei 9.065/95 tenha sido declarado
inconstitucional com a sua retirada do mundo jurídico.

Não há violação ao disposto no artigo 63 da Lei 9.430/96, mas sim
obediência, os juros são devidos na exata medida de seus termos, não havendo
nulidade na decisão atacada, pelas razões expostas, enquanto que a matéria de
mérito, ainda que pudesse ser ultrapassada a preliminar, melhor sorte não traria à
Recorrente, como passa a ser exposto:

"Ao que se sabe, nos Tribunais Superiores, a matéria vem assim sendo decidida, contra
o entendimento do Sujeito Passivo'

STJ

"Agravo no Agravo de instrumento. Decisão Monocrática que conhece o Agravo de
Instrumento para dar provimento ao Recurso Especial. Medida Provisória n° 812/94,
convertida na Lei n° 8,981/95. Violação ao art. 42 do Diploma Federal.
1.. O art. 42 da Lei n° 8.981/95, que limita o direito à compensação, tem eficácia a partir
de 31/12/94, data de publicação da Medida Provisória n° 812
II. inexiste direito líquido e certo de proceder à compensação dos prejuízos fiscais
acumulados até 31 de dezembro de 1994 na base de cálculo do Imposto de Renda, sem
limites da Lei n° 8.891/95 Precedente do Excelso Supremo Tribunal Federal: RE
232.084, Rel. Min. limar Gaivão". ( 1999/0044699-2 — Agrte Casa Anglo Brasileira S/A —
Agrdo Fazenda Nacional — Rel. Min. Nancy Andrighi — AI n° 243.514)

"Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas — Compensação de Prejuízos Ficais — Lei n°
8.921/95 — Medida Provisória n°812/95 — Princípio da Anterioridade.
A medida Provisória n° 812, convertida na Lei n° 8.921/95 —, não contrariou o princípio
constitucional da anterioridade.
Na fixação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido
ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em
períodos bases anteriores em, no máximo, trinta por cento. A compensação da parcela
dos prejuízos fiscais excedentes a 30% poderá ser efetuada, integralmente, nos anos
calendários subsequentes.

A vedação do direito à compensação de prejuízos fiscais pela Lei n° 8.981/95 não violou
o direito adquirido, vez que o fato gerador do imposto de renda só ocorre após o
transcurso do período de apuração que coincide com o término do exercício financeiro.
Recurso improvido " ( REsp . 252.536 — CE (2000/0027459-3) — Rel. Min. Garcia Vieira —
Recte„ Metalgráfica Cearense S/A — Mecesa — Recdo Fazenda Nacional )

STF

(RE . 232.084— voto — Min. limar Gaivão)

Acontece, no entanto, que, no caso, a medida provisória foi publicada np---dia
31 12.94, a tempo, portanto, de incidir sobre o resultado financeiro doe exrcício,
encerrado no mesmo dia, sendo irrelevante, para tanto, que o último dia do ano de 1994
tenha recaído num sábado, se não se acha comprovada a não-circulação 1 /o Diário
Oficial da União naquele dia
Não há falar, portanto, quanto ao Imposto de Renda, em aplicação ofensiva aos
princípios constitucionais invocados, 	 -
Se assim, entretanto, se deu quanto ao imposto de renda, o mesmo não é de dizer-se da
contribuição social, cuja majoração estava sujeita ao princípio da anterioridade



Processo n.° : 10480.010809/2001-37	 9
Acórdão n.°	 :	 101-94.281

nonagesimal, segundo o qual a norma jurídica inovadora, para alcançar o balanço de
31 12 94, haveria de ter sido editada até 31/10/94, o que, como visto, não se verificou
Ante o exposto, meu voto conhece, em parte, do recurso e, nessa parte, lhe dá
provimento, para declarar inaplicável, no que tange ao exercício de 1994, o art. 58 da
Medida Provisória n° 812/94, que majorou a contribuição social incidente sobre o lucro
das empresas"

- x -

(RE . 256.273 — voto — Min. limar Gaivão)

"A Medida Provisória n° 812/94, nos artigos 42 e 58, dispôs do seguinte modo.

"Art. 42, A partir de 1° de janeiro de 1995 para efeito de determinar o lucro real, o lucro
líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do
Imposto sobre a Renda poderá ser deduzido em, no máximo, trinta por cento
Parágrafo único A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994,
não compensada em razão do disposto no "caput" deste artigo poderá ser utilizada nos
anos-calendário subseqüentes."

Art. 58.. Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o
Lucro, o lucro líquido ajusta poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo
negativa apurada em períodos-base anteriores em, no máximo, trinta por cento."

Considerando que, pelo regime anterior, do Decreto-Lei n° 1598/77, o contribuinte podia
compensar o prejuízo apurado em um período-base com o lucro real apurado nos quatro
períodos-base subseqüentes, podendo fazê-lo de forma total ou parcial, em um ou mais
períodos, à sua vontade (art. 64 e § 2 0), é fora de dúvida que para aqueles que,
efetivamente, registraram prejuízo, as normas transcritas importaram aumento de
imposto (no primeiro caso) e de contribuição social (no segundo), limitados que ficaram à
compensação de apenas 30% daqueles prejuízos por ano

Se assim é, fácil deduzir que, para influir na apuração do lucro do exercício de 1994, para
fim do cálculo do imposto de renda devido em 1995, bastaria que a referida Medida
Provisória n° 812/94 fosse publicada ainda no mencionado exercício (art.. 150, III, a e b),
o que, efetivamente, não ocorreu, já que foi veiculada no "Diário Oficial da União", de
31/12/94 Chegou a recorrente a afirmar que citado Diário Oficial somente teve sua
distribuição iniciada à 19:45min daquele sábado, fato que, todavia, não chegou a ser
comprovado

Para afetar o cálculo da contl ibuição social de 1995 mister seria, no entanto, que a
medida provisória houvesse sido dada à luz até o dia 31 de outubro de 1994, em face da
anterioridade nonagesimal prevista no art.. 195, § 6°, da Constituição. Posto que tal não
se verificou, é fora de dúvida que não incidiu ela, para esse efeito, no balanço social de
1994

Acontece, porém, que o recurso não trouxe alegação de ofensa ao art. 195, § 6°, da
Constituição, motivo pelo qual não há como provê-lo nesse ponto.
Meu voto, por isso, não conhece do recurso."

,/

Os julgados estão assim ementados:

"Ementa — Tributário Imposto de Renda e Contribuição Social. Medida Provisó • 812,
de 31.12.94, convertida na Lei n° 8.981/95. Artigos 42 e 58, que reduziram :130% a
parcela dos prejuízos sociais, de exercícios anteriores, suscetível de ser ded zida no
lucro real, para apuração dos tributos em referência. Alegação de ofensa aos princípios
da anterioridade e da irretroatividade.
Diploma normativo que foi editado em 31,12.94, a tempo, portanto, de incidir sobre o
resultado do exercício financeiro encerrado.
Descabimento da alegação de ofensa aos princípios da anterioridade e da
irretroatividade, relativamente ao Imposto de Renda, o mesmo não se dando no tocante à



Processo n.° : 10480.010809/2001-37	 10
Acórdão n.°	 :	 101-94.281

contribuição social, sujeita que está à anterioridade nonagesinnal prevista no art. 195, § 6°
da CF, que não foi observado
Recurso conhecido, em parte, e nela provido" (RE. 232.084-9)

" Ementa — Tributário. Imposto de Renda e Contribuição Social. Medida Provisória n°
812, de 31.12 94, convertida na Lei n°8,981/95,. Artigos 42 e 58, que reduziram a 30% a
parcela dos prejuízos sociais, de exercícios anteriores, suscetível de ser deduzida no
lucro real, para apuração dos tributos em referência Alegação de ofensa aos princípios
da anterioridade, da irretroatividade e do direito adquirido„
Diploma normativo que foi editado em 31.12,94, a tempo, portanto, de incidir sobre o
resultado do exercício financeiro encerrado, ante a não-comprovação de haver o Diário
Oficial sido distribuído no sábado, no mesmo dia, do referido diploma normativo.
Descabimento da alegação de ofensa dos princípios da anterioridade e da
irretroatividade, e, obviamente, do direito adquirido, relativamente ao Imposto de Renda,
o mesmo não se dando no tocante à contribuição social, sujeita que está à anterioridade
nonagesimal prevista no art. 195, § 6° da CF, que não foi observado

Ausência, entretanto, de alegação de ofensa ao mencionado dispositivo.
Recurso não conhecido" (RE 256.273)

A acusação que dá embasamento à imputação diz respeito a CSLL de 1995,
apurado por opção mensal, dai poder ser aplicada a trava no próprio exercício, já que os
fatos geradores ocorrem mês a mês. Dai emerge a impossibilidade de compensação em
percentual, quanto ao prejuízo, superior a 30%, nos termos do que ficou exposto.

Restam afastados ainda os demais argumentos que apontam violação a outros
princípios constitucionais, conforme jurisprudência posta

Consigno ainda ser fato real; concreto; e aferível que, mesmo neste Conselho de
Contribuintes, onde várias foram as decisões favoráveis à questão direito adquirido e não
trava para os prejuízos e bases negativas apurados até 1994, atualmente outra vem
sendo a posição, como atestam os Acórdãos números: 101-93,581; 101-93627;' 101-
93.467;101-93.719 e 107-06.152, dentre outros.

Com relação à questão postergação, deixou a Recorrida de fazer a devida
demonstração, tendo ficado tão só na alegação, o que impede de analisar o argumento
sob tal aspecto, mesmo porque em 31/12/95 (fls. 10) o seu saldo - base negativa - era de
R$ 317.343,04,

Ainda sob o enfoque de obediência ao prazo nonegesimal, há que se acrescentar ter tido,
nos meses de 01 e 02/95, a CSSL, base negativa (fls. 29 e 31),

Quanto ao juro segundo a Selic, encontra a exigência previsão legal, não constando que
tenham: a Lei 9065/95, art 13 e ainda a Lei 9,430/96, art.. 61, § 3°, sido declaradas
inconstitucionais, sendo inúmeros os julgados do STJ concluindo pela validade da
exação."

Por todo o exposto, não conheço quanto à matéria via judicial, enquanto no
mais, nego provimento ao recurso.

—
É como voto.

Brasília (DF) em 02 de julI4o de 2003

r:
CEL" •	 ES FEI OSA


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CSLL.COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR NÃO CONSIDERADO NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PLEITO INDEFERIDO FALTA DE PERMISSIVO LEGAL. INDEFERIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO.PRINCÍPIOS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. SUBMISSÃO AO ENTE TRIBUTANTE. A compensação tributária - sujeita aos princípios de liquidez e certeza a serem aferidos pelo ente tributante - deve se conformar aos atos normativos próprios regentes à época do pleito, sem se descurar das alterações  posteriores., turma_s=Sétima Câmara, dt_publicacao_tdt=Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2003, numero_processo_s=10320.000038/2002-93, anomes_publicacao_s=200304, conteudo_id_s=4183317, dt_registro_atualizacao_tdt=Sun May 05 00:00:00 UTC 2013, numero_decisao_s=107-07122, nome_arquivo_s=10707122_133927_10320000038200293_023.PDF, ano_publicacao_s=2003, nome_relator_s=Neicyr de Almeida, nome_arquivo_pdf_s=10320000038200293_4183317.pdf, secao_s=Primeiro Conselho de Contribuintes, arquivo_indexado_s=S, decisao_txt=[Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso.], dt_sessao_tdt=Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2003, id=4651071, ano_sessao_s=2003, atualizado_anexos_dt=Fri Oct 08 09:11:34 UTC 2021, sem_conteudo_s=N, _version_=1713042192475357184, conteudo_txt=Metadados =&gt; date: 2009-08-21T15:44:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-21T15:44:49Z; Last-Modified: 2009-08-21T15:44:49Z; dcterms:modified: 2009-08-21T15:44:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-21T15:44:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-21T15:44:49Z; meta:save-date: 2009-08-21T15:44:49Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-21T15:44:49Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-21T15:44:49Z; created: 2009-08-21T15:44:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; Creation-Date: 2009-08-21T15:44:49Z; pdf:charsPerPage: 1599; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-21T15:44:49Z | Conteúdo =&gt; 
It. MINISTÉRIO DA FAZENDA
liebitkf PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES

":CM4-fr SÉTIMA CÂMARA~ti
Processo n° : 10320.000038/2002-93
Recurso n°	 : 133.927
Matéria	 : CONTRBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — DCS : 1999 a 2CO2
Recorrente	 : M.H. FERREIRA EMPREENDIMENTOS LTDA
Recorrida	 : 3° TURMA/DRJ-FORTALEZNCE
Sessão de	 : 17 DE ABRIL DE 2003
Acórdão n°	 : 107-07.122

CSLL.COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR NÃO
CONSIDERADO NO LANÇAMENTO DE OFICIO. PLEITO
DENEGADO.FALTA DE PERMISSIVO LEGAL. INDEFERIMENTO
INSUBSISTENTE. Se as leis e atos normativos subseqüentes
ampliaram a forma de compensação, não há nenhum óbice que, a partir
dos novos ordenamentos jurídicos, um crédito possa ser quitado por
uma das atuais formas autorizadas em lei.

CSLL.COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR NÃO
CONSIDERADO NO LANÇAMENTO DE OFICIO. PLEITO
INDEFERIDO.FALTA DE PERMISSIVO LEGAL. INDEFERIMENTO.
DIREITO CREDITÓRIO.PRINCIPIOS DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
SUBMISSÃO AO ENTE TRIBUTANTE. A compensação tributária -
sujeita aos princípios de liquidez e certeza a serem aferidos pelo ente
tributante - deve se conformar aos atos normativos próprios regentes à
época do pleito, sem se descurar das alterações posteriores.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto
por M.H.FERREIRA EMPREENDIMENTOS LTDA.

ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do
lançamento e, no mérito DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório
e voto que passam a integrar o presente julgado.

(IS AL S
EVIDENTE

NEICY E ALMEIDA

RELATtI

FORMALIZADO EM:	 6 M A I 2003

_



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros LUIZ MARTINS

VALERO, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, EDWAL GONÇALVES

DOS SANTOS, OCTÁVIO CAMPOS FISCHER e CARLOS ALBERTO GONÇALVE

NUNES.

2



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

Recurso n°	 : 133.927
Recorrente : M.H. FERREIRA EMPREENDIMENTOS LTDA

RELATÓRIO

I — IDENTIFICAÇÃO.

M.H.FERREIRA EMPREENDIMENTOS LTDA., empresa já qualificada

na peça vestibular desses autos, recorre a este Conselho da decisão — por maioria de

votos - proferida pela 3•* Turma de Julgamento da DRJ/Fortaleza/CE., que negara

provimento às suas razões iniciais.

II — ACUSAÇÃO.

De acordo com as fls. 02 e seguintes, o crédito tributário lançado e

exigível decorre de:

1. Diferença apurada entre os valores escriturados nos livros

contábeis e fiscais e os valores declarados ou pagos nos trimestres do ano-calendário

de 1998 ( 4? ), do ano-calendário de 1999 (ti-és primeiros ), e do ano-calendário de

2000( 1.° e 3.° ).

2. ajustamento da base de cálculo do imposto no 1. 0 trimestre de

2000, tendo em vista que o contribuinte compensou prejuízo acima dos 30% permitido,

corrigindo-o para R$ 5.003,92.

Enquadramento legal: arts. 193 e 889 do RIR194; arts. 247 e 841 do

RIR/99; arts. 43 e 44, inciso I e parágrafo 1.° inciso I, da Lei n.° 9.430/96;art. 2.° da Lei

.° 9.249195; e art. 1.° da Lei n.° 9.430/96./I

„

_



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

03. Diferença apurada entre os valores escriturados nos livros

contábeis e fiscais e os valores declarados ou pagos no 1.0 trimestre do ano-calendário

de 2001.

Enquadramento legal: arts. 224,518,519 e 841, inciso III, do RIR/99.

Arts. 31 da Lei n.° 8.981/95, c/c art. 15 da Lei n.° 9.249/95, e art. 25 da Lei n.° 9.430/96;

e arts. 43 e 44, inciso I, e parágrafo 1. 0, inciso I da Lei n.° 9.430/96.

III — AS RAZÕES LITIGIOSAS VESTIBULARES

Cientificada da autuação, em 28.12.2001, apresentou a sua defesa em

25.01.2002, conforme fls. 74/81. Em síntese, são essas as razões vestibulares

extraídas da peça decisória:

a fonte primária do IRPJ sobre as rendas auferidas reside no art. 153,

inciso III, da Carta Magna, ao oferecer a seguinte redação:

"Compete à União instituir impostos sobre (...)

III — Renda e Proventos de Qualquer Natureza

O IRPJ, como se depreende, tem por regra-matriz a renda e proventos

de qualquer natureza, que será informado pelos critérios da generalidade, da

universalidade e da progressividade na forma da lei ( CF/88, art. 153, § 2.°, 1).

O fato gerador do citado imposto, na literal dicção d art. 43 do Código

Tributário Nacional ( CTN ), se realiza pela aquisição da disponibilidade económica ou

IP jurídica de renda, assim entendendo o produto do capital, do trabalho ou da

4



Processo n° : 10320.00003812002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

combinação de ambos; e de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os

acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda.

A renda há de ser sempre real. A rigor, não existe renda presumida.

Presumido, ou arbitrado, pode ser o montante da renda. A existência desta, portanto,

há de ser real. De modo tal que, na expressão precisa do art. 44 do citado CTN, a base

de cálculo do imposto de renda é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou

dos produtos tributáveis.

Em se tratando de pessoa jurídica, a base de cálculo do imposto de

renda é o lucro, que pode ser, conforme o critério de determinação, real, arbitrado ou

presumido.

O lucro real, que constitui a base de cálculo do imposto de renda das

pessoas jurídicas em geral, pode ser entendido como o acréscimo real do patrimônio

da empresa, em determinado período. Sua definição legal comporta os mesmos

questionamentos pertinentes à definição legal de renda, posto que admitir tenha o

legislador total liberdade ao elaborar tal definição implica admitir possa o mesmo

ampliar a competência tributária da União, além dos limites constitucionais.

Do ponto de vista rigorosamente jurídico, o direito do contribuinte de

demonstrar lucro real menor do que o arbitrado pela autoridade administrativa só

encontra limite na coisa julgada. Assim, mesmo lançado definitivamente o imposto, ele

poderá, perante o judiciário, demonstrar que o lucro por ele realmente auferido é

menor, ou que não auferiu lucro nenhum. Se o imposto que a Constituição permite seja

cobrado é sobre a renda, e renda não há, não pode haverr	 *gação de pagar esse

,, imposto. A cobrança, neste caso, lesa direito do contribuinte.

5



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Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

A ação fiscal desenvolvida pela fiscalização da Receita Federal, para

instruir o lançamento de ofício fustigado, relativo aos anos-calendário de 1998 a 2001,

tem como suporte divergências entre os valores declarados e os valores escriturados

nos livros contábeis e fiscais da impugnante, que teriam resultado diferenças de

recolhimentos, cujo trabalho fiscal,é, data venia, de afrontosa ilegalidade e

abusividade, a ferir de morte o princípio da legalidade da tributação e dos atos

administrativos, mormente no que diz respeito a atividade plenamente vinculada dos

agentes do Fisco.

A impugnante está submetida à apuração ANUAL do IRPJ ( RIR/99,

, art. 221), que, a partir do ano-calendário de 1997, passou a ser TRIMESTRAL, e cujas

escriturações fiscal são feitas naturalmente, assim como as declarações respectivas,

tudo nos moldes previstos na legislação tributária aplicável.

Com efeito, uma análise criteriosa no quadro tributário nos períodos

considerados ( 3.° trimestre de 1998 ao 4.° trimestre de 2000 ), oferece a seguinte

conclusão, extraída com a leitura dos cinco (5) mapas demonstrativos acostados, que

consiste no valor efetivamente devedor de quatro mil e quatrocentos e trinta e três reais

e sessenta centavos, e reconhecido pela impugnante:

a) IRPJ devido: 	 R$ 24.992,84

b) IRPJ Recolhido.	  R$ 20.559,24

c) IRPJ a Recolher	 R$ 4.433,60

Certamente houve lamentável equívoco da parte do autuante, que, ao

não considerar a tributação pela via normal, inclusive desconsiderando o IRPJ, relativo

ao 4.° trimestre de 2000, recolhido aos cofres da Fazenda Pública Federal, no valor de

R$ 13.588,73; inverteu a ordem dos fatos, fabricando uma diferença INEXISTENTE de

IRPJ no montante de R$ 25.376,35, quando o correto seria na ordem de R$ 4.433,60,

y como demonstrado e que pode ser comprovado mediante simples diligência fiscal,

6	 .

____



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Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

junto aos livros contábeis e fiscais do estabelecimento da impugnante, o que nesse

ponto se requer, na forma legal e regulamentar.

A pretensão fiscal, como se vê, seria cobrar IRPJ e Multa Proporcional

SEM A OCORRÊNCIA DO ASPECTO MATERIAL DA EXIGÊNCIA, ou seja, a evida

comprovação, pelo autuante, da presumida diferença lançada, posto que atropelando

as normas legais vigentes no território pátrio, ao deixar e compensar o recolhimento a

maior do 4.° trimestre de 2000( R$ 13.588,73 ).

Com efeito, é norma basilar do direito tributário, que o IMPOSTO SÓ

PODE SER LANÇADO, PRINCIPALMENTE DE OFÍCIO, QUANDO O FATO QUE O

JUSTIFIQUE SEJA DEVIDAMENTE COMPROVADO. E, jamais esse fato pode ser

presumido, suposto, fora dos moldes legais. De modo tal essa assertiva é verdadeira,

que o festejado e saudoso mestre Geraldo Ateiam, não discrepa desse entendimento e

oferece uma lição em sua obra s Hipótese de Incidência Tributária", 48.' edição, 2.*

tiragem — Revista dos Tribunais, p. 43.que ,merece transcrição:

'A norma tributária, como qualquer outra norma jurídica, tem sua
incidência condicionada ao acontecimento legal, fato este cuja verificação acarreta

automaticamente a incidência do mandamento'.

O lançamento tributário, como não poderia deixar de ser, é um ato

jurídico vinculado e regrado, e como tal está sujeito às regras da legislação pertinente,

para sua validade.Colige a íntegra do art. 142 do CTN.

O Auto de Infração lavrado contra a impugnante, aqui combatido,

padece de vícios insanáveis, carecendo de julgamento IMPROCEDENTE, pelo menos

parcialmente, porque estribado em valor ARBITRADO, sem critério algum, a padecer

9 de absoluta ilegalidade, em afronta a autuada e ao sistema jurídico-tributário nacional.

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Acórdão n°	 : 107-07.122

Assim, um auto de infração que exija tributo sem a prova da ocorrência

do respectivo fato gerador, implica ainda, numa coação fiscal, viciando o próprio ato

administrativo, que segundo a lei — CTN — é viciado.

E os atos vinculados ou regrados, na lição do pranteado Hely Lopes

Meirelles ( in Direito Administrativo Brasileiro, 10.° Edição, R.T. p.125 ), são aqueles

para os quais a lei estabelece os requisitos e condições de sua realização. Nessa

categoria de atos, as imposições legais absorvem, quase que por completo, a liberdade

do administrador, uma vez que sua ação fica adstrita aos pressupostos estabelecidos

pela norma legal, para a validade da atividade administrativa. Desatendido qualquer

requisito, compromete-se à eficácia do ato praticado, tomando-se passível de anulação

pela própria Administração, ou pelo Judiciário, se assim requerer o interessado.

Ainda é o mestre administrativista Hely Lopes Meirelles que verbaliza:

(a) s Em se tratando de motivo vinculado pela lei, o agente da

Administração, ao praticar o ato, fica na obrigação de justificar a existência do motivo,

sem o que o ato será invalidável, por ausência de motivação" ( Obra citada, p. 112).

(b) " Ato Válido é o que provém de autoridade competente para praticá-

lo e contém todos os requisitos necessários à sua eficácia. O ato válido pode, porém,

não ser exeqüível, por pendente de condição suspensiva ou termo não verificado.

ATO NULO é o que nasce afetado de vício insanável por ausência ou

defeito substancial em seus elementos constitutivos, ou no procedimento formativo'

(Mesma obra citada, p131).

As pretensas obrigações tributárias que fundamentam o lançamento

fustigado, indicam como fato ensejador do lançamento supostas diferenças entre o

9
. valor escriturado e valor declarado/pago, presumidas em parte pelo autuante, em

•

8



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

decorrência de levantamentos fiscais de legitimidade e legalidade duvidosas, postó que

estribados na cómoda regra do ilegal e unilateral arbitramento de valores, sem nenhum

critério legal, porque na base de presunção, divorciados de qualquer suporte probatório

real, a ferir de morte, o princípio da legalidade da tributação previsto no art. 150 da CF

e flagrante desrespeito ao disposto no art. 148, que cita, in verbis.

O arbitramento de valores, para efeito de tributação, só se admite na

hipótese prevista no art. 148 do CTN, exigindo avaliação contraditória, administrativa

ou judicial, desde que haja indícios graves, precisos e concordantes de má-fé do

contribuinte.

O eminente Ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Mário

Velloso, ensina magistralmente:

es Registre-se que o art. 148 do CTN, deixa expresso que a autoridade
lançadora realizará o arbitramento num processo regular. Ora, processo
regular vincula-se à cláusula do ° due process of law °, que compreende
um procedimento disciplinado em lei, com as garantias inerentes ao
contraditório: direito de defesa, com a possibilidade de ser feita prova do
alegado. A cláusula do ' due process of law I aplica-se, aliás,
integralmente ao processo administrativo. O Código Tributário Nacional,
no art. 148, ao mencionar processo regular', tomou expresso o que a
doutrina e a jurisprudência têm consagrado: sempre que a
administração tiver que impor uma penalidade, ou fazer um lançamento,
ou, de qualquer forma, na prática do ato administrativo,atingir o
património material ou moral de alguém, deverá faze-lo num
procedimento regular, no qual ao administrado será assegurado o direito
de defesa com as garantias do contraditório ( ° O arbitramento em
matéria tributável in RDP n.° 40, pg. 206, Ed. Revista dos Tribunais).

Cita trechos de Acórdão desse Conselho nessa mesma direção.

Requer, por fim, que seja julgado improcedente, em parte, o Auto de

Infração constante do presente processo, por serem absolutamente fora da realidade

f os valores oferecidos, como amplamente demonstrado, exonerando, igualmente, em

9



—	 -	 -	 •	 -

Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

parte, a autuada, do pagamento do IRPJ e da Multa Proporcional lançados, medida

esta de inteira justiça.

IV- A DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU

As fls. 87/98, a decisão de Primeiro Grau exarou a seguinte sentença,

sob o n.° 1.405, de 20 de junho de 2002, assim sintetizada em suas ementas:

Assunto: Contribuição Soda! sobre o Lucro Líquido - CSLL

Anos-calendário:? 998, 1999, 2000,2001

FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ
Apurados, através de procedimento de ofício, valores devidos do
imposto de renda pessoa jurídica é procedente a autuação como
aplicação da multa de ofício.

COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DECORRENTES DE
RECOLHIMENTOS

A utilização de crédito, decorrente de pagamento indevido ou maior que
o devido, para pagamento de débito decorrente e lançamento de oficio,
ainda que da mesma espécie, deverá ser previamente solicitada à DRF
ou IRF-A, do domicílio fiscal do contribuinte.

Assunto: Processo Administrativo Fiscal

Anos-calendário:1998, 1999, 200,2001

NULIDADE
Inexistindo incompetência do agente ou cerceamento do direito de
defesa, não há como cogitar-se de nulidade do auto de infração.

PEDIDOS DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA

Deve ser indeferido o pedido de perícia e/ ou diligência, quando for
prescindível par o deslinde da questão a ser apreciada ou se o
processo contiver os çj4mentos necessários para a formação da livre
convicção do julgador.

10



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

V — A CIÊNCIA DA DECISÃO DE 1 2 GRAU

Cientificada, em 08.11.2002, por via postal ( AR de fls. 105),

apresentou o seu feito recursal em 28.11.2002 ( fls.106/109).

VI—AS RAZÕES RECURSAIS

Não inova a sua peça recursal, ainda que aborde a temática vestibular

com novas roupagens expressas.

Ancora-se, fundamentalmente, nas prescrições do art. 66, da Lei n.°

8.383/91 e também da Instrução Normativa n.° 21/67, com as alterações da IN/SRF n.°

73/97 ( arts. 14 e 16) para rechaçar o indeferimento ao seu pleito de compensação;

quanto à argüição de nulidade por cerceamento ao direito ao contraditório e à ampla

defesa, apóia-se no art. S.°, II, da CF/88.

VII— DO DEPÓSITO RECURSAL

Às fls. 121 e seguintes do Processo Administrativo n°

10320.000039/2002-38, consta o arrolamento de bens para fins recursais, devidamente

acolhido pela Autoridade própria da Secretaria da Receita Federal (fls. 123)daquele

processo.

É o relatório

..

11



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

VOTO

Conselheiro NEICYR DE ALMEIDA, Relator.

O recurso é tempestivo. Conheço — o.

I.PRELIMINAR DE NULIDADE

1.1. A Exigência Impositiva Ofende o Conceito de Renda

Objetivando enfrentar a matéria posta, importa colacionar monografia

do magistério do insigne Ministro ALIOMAR BALEEIRO que, assim se posiciona,

citando RUBENS GOMES DE SOUZA:

"Como pondera RUBENS GOMES DE SOUZA, se a
Economia Política depende do Direito para impor praticamente
suas conclusões, o Direito não depende da Economia, nem de
qualquer ciência, para se tomar obrigatório: o conceito de
renda é fixado livremente pelo legislador segundo
considerações pragmáticas, em função da capacidade
contributiva e da comodidade técnica de arrecadação. Serve-se
ora de um, ora de outro dos dois conceitos teóricos para fixar o
fato gerador". (in Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense,
1995, pp. 183-184)" (destaque nosso).

Desta forma, o lucro para efeitos tributários, o chamado lucro
real, não se confunde com o lucro societário, restando incabível a
afirmação de ofensa ao art. 110 do CTN, de alteração de institutos
e conceitos do direito privado, pela norma tributária ora atacada. O
lucro real vem definido na legislação do imposto de renda, de forma
clara, nos arts. 193 e 196 do RIR/94, 'in verbis':

#0,	 'Art, 193 - Lucro real é o lucro líquido do período-base
Ar" ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas

12



Processo n° : 10320.000038/2002-93
Acórdão n°	 : 107-07.122

ou autorizadas por este Regulamento (Decreto-lei n° 1.598/77,
art. 6°)

(-.)

§ 2° - Os valores que, por competirem a outro período-base,
forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados
ao lucro líquido do período-base em apuração, ou dele
excluídos, serão, na determinação do lucro mal do período
base competente)... excluídos _do __lucra_ _líquido _.ou a ele
adicionados, respectivamente, corrigidos monetariamente.
(Decreto-lei n° 1.598/77, art 6°, 54°).

(4

Art. 196 - Na determinação do lucro real, poderão ser
excluídos do lucro do período-base (Decreto-lei 1.598/77, art.
6°, 53°):

(--)

III - o prejuízo fiscal apurado em períodos-base anteriores,
limitado ao lucro real do período da compensação, observados
os prazos previstos neste Regulamento (Decreto-lei 1.598/77,
art. 6°)." (grifamos).

Faz-se mister destacar que a correção monetária das
demonstrações financeiras foi revogada, com efeitos a partir de
1°.01.96 (arts. 4° e 35 da Lei 9.249/95). Ressalta-se, ainda, quanto
aos valores que devam ser computados na determinação do lucro
real, o que consta de normas supervenientes ao R1R194.

Há que compreender-se que o art. 42 da Lei 8.981/95 e o art.
15 da Lei 9.065/95 não efetuaram qualquer alteração no fato
gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador,
no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o
período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda
(lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde
um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes.
Se houve renda (lucro), tributa-se. Se não, nada se opera no plano
da obrigação tributária. 'Daí que a empresa tendo prejuízo não vem
a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os
prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a
outros fatos geradores e respectivos bases de cálculo, não são
elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do

y período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributa
visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores.*

13

,



Processo n° : 10320.000038/2002-93
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Conclui-se não ter havido vulneração ao artigo 43 do CTN ou alteração

da base de cálculo, por lei ordinária.

Preliminar que se rejeita.

II. QUANTO AO MÉRITO

II.1.Pedido de Diligência ou Perícia Denegado

Não há o que objetar na ilustre decisão de Primeiro Grau.

Nada impede que a autuada carreie para o Processo Administrativo

Fiscal, enquanto não decidido em instância última, e sem precluir do seu direito,

elementos de provas ou razões e fatos expressos, não obstante a tranca tênue das

prescrições da Lei n° 9.532/97, art. 67, § 5' e § 6 .. Sem falar na sustentação oral

plenária, precedida, no mais das vezes, de memorial expresso da lavra da recorrente,

que visa, previamente, dar publicidade aos demais pares da câmara de julgamento dos

aspectos de prova e de matéria de direito que devam nortear os desfechos, na ótica da

recorrente, ainda que não possam inovar as peças contestatórias já apresentadas.

Por outro lado, não houve qualquer preterição do direito à ampla defesa

e ao contraditório, mormente quando se constata pela leitura do Relatório evidência de

que todas as matérias infligidas foram enfrentadas, à saciedade, pela insurgente.

Em face do exposto rejeita-se a preliminar de nulidade suscitada.

11.3. Compensação Tributária

Argüi a recorrente que o Fisco não levou em consideração os valores

rrecolhidos a maior relativamente ao 4.° Trimestre do ano-calendário de 2000.

14



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É iniludível que a planilha desfiada pelo contribuinte, às fls. 83 do

Processo n° 10320.000039/2002-38 - Recurso n° 133.889 ( IRPJ ) -, olvidou o imposto

devido que emerge não só de fls. 26, como também de fls. 40 ( LALUR ). Apenas

apontou o valor recolhido de R$ 8.153,24 (Oito mil, cento e cinqüenta e três reais e

vinte e quatro centavos), descurando-se do valor apurado de R$ 5.510,31 (Cinco

mil, quinhentos e dez reais e trinta e um centavos ). Como corolário, a verba recolhida

a maior ou indevidamente, no montante de R$ 2.642,93 (Dois mil, seiscentos e

quarenta e dois reais e noventa e três centavos), deflui da seguinte soma algébrica: R$

8.153,24 menos R$ 5.510,31.

Trata-se de pleito à compensação de verbas indevidamente recolhidas.

É consabido que a restituição ou compensação dos tributos e

contribuições sociais na órbita federal deve exigir das Delegacias da Receita, desde o

momento de sua implementação - seja em função de petição ao ente tributante, quanto

de sua autorização pelo Poder Judiciário, ou pela via de julgamento administrativo -, a

conferência do grau de certeza e, principalmente, de liquidez ( Vide Hipótese 06 )1 dos

montantes fiscais requeridos. A liquidez quer dizer valor fixo e determinado.

1 Ainda que a literatura tributária não esteja pacificada, é induvkloso que o lançamento, tolhido pelo
desfecho futuro e incerto da ação judicial — que pode ser tangenciada por dois vetores mutuamente
excludentes (conversão em renda ou tributo indevido) — de difícil previsão (que nos permite tão-somente
vislumbrar uma mera expectância de direito), deveria (o ato fiscal) ser efetivado, por uma causa de
força maior, no momento do trânsito em julgado da sentença judicial, afastando-se a possibilidade do
principio da caducidade.

Retiro da Nota da PGFN/CRE/N2 440/97, as seguintes lições:

(...) Apesar do posicionamento tradicional no sentido da inadmissibilidade de suspensão ou de
interrupção do prazo decadencial, a doutrina pátria, calcada no fundamento originário do instituto — que
é a 'inércia do titular", conforme Câmara Leal (Casino, Getúlio Vargas de, Prescrição e Decadência,
Revista da OAB — Goiás, ano XI, ns 30, pags. 16/17) -, terminou por estabelecer que a snão suspensão"
e a 'não interrupção" não prevalecem na presença de causa de força maior

y...) a decadência, fulminando o direito por falta de exercício, não operará na pendência de uma
, causa suspensiva (condição ou termo) ou outras especiais (superveniência de férias forenses

Q suspendendo a extinção do direito de recurso) o que é lógico: não parece o direito por falta

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de exercício, quando este se acha suspenso ou Impedido o sujeito de agir" (original sem

gifos) -Pereira, ob. dt., pag. 596, nota de rodapé n s 23. Esta a solução francesa nos prazos
decadenciais durante a 2' Guerra.

Este também o entendimento manifestado pelo Supremo Tribunal Federal no RE na
86.471-BA, rel. Min. António Neder (RTJ 85/1019), que após transcrever trecho de obra monográfica do
jurista português Anibal de Castro (afirmando o mestre lusitano que alegando-se e provando-se o justo
impedimento ou força maior erportanto;-um obstáculo não imputável e invencível para o exercício do - - -
direito, este poderá razoavelmente exercer-se logo que cesse o obstáculo, salvo se houver oposição
legal e expressa), assevera:

Conclui-se, pois, que o prazo de caducidade pode ser adiado por uma causa de
força maior definida em lei. (grifamos). No mesmo sentido, e ainda pela lavra da Suprema Corte

Nacional, idênticas manifestações no RHC n2 62.630-SP, rel. Min. Octávio Gallotti (DJU de 01.02.85,
pag. 471) e no RE n2 63.087-SP, rel. Min. Evandro Uns e Silva (RTJ 44/220).

VÁRIAS HIPÓTESES JURÍDICAS E CONTÁBEIS OCORRENTES:
Se a empresa constitui e declara à SRF a provisão dos débitos discutidos na esfera

judiciai, tal débito há de se evadir do controle dos sistemas próprios de arrecadação do órgão
tributante, devendo ser encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional que, diante da ação judicial
impetrada, há de suspender a cobrança do débito inscrito em dívida ativa, com apensação do Processo
administrativo ao processo judicial correspondente, até que seja decidida a lide, nessa esfera.Enquanto
isso, há que se falar somente em prazo prescricional interrompido. Não é o caso de decadência.

Obtido êxito, pelo contribuinte, após esgotados todos os recursos judiciais, aí o
reconhecimento da receita por reversão das respectivas verbas ao resultado do exercício fica adstrita, a
partir dessa data, ao Instituto da decadência.

HIPÓTESE 01 - Ação Judicial Procedente, após Depósito Judicial Integral
Inicialmente há de se fazer o seguinte lançamento constitutivo da Provisão.

Contabilização:
Despesas Tributárias

a Provátio

Se, ulteriormente, a demanda judicial revelar-se procedente para o seu autor,
experimentaremos a seguinte configuração contábil: de um lado, a provisão, inclusive com a carga
credora adveniente, inclusos os ajustes pelo reconhecimento de juros e correção monetária, obediente
ao seguinte lançamento contábil:

A par do exposto, há de figurar, de outro lado, a conta permutativa dos depósitos
judiciais.

r
Contabilização:

Bancos
f1a Caixa Económica Federal - Depósitos Judiciais-4 •

16	
,



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Colocados os recursos — antes depositados judicialmente - à disposição do
contribuinte, este deverá debitar uma conta regente das disponibilidades (caixa ou bancos) pelo seu
valor Integral e, por igual forma e pelo mesmo valor, creditará a conta depósito judicial. Desse
confronto, emergirá um saldo credor, nessa conta, equivalente à variação monetária ativa — até então
não-reconhecida. O próximo passo demandará do contribuinte dois lançamentos contábeis: débito da
conta de depósitos judiciais a crédito da conta resultado do exercido, de valor equivalente à variação
monetária ativa; e débito da conta provisão a crédito da conta resultado do exercido, pelo seu valor
integral. Desses confrontos e ajuste resultará como verba a ser oferecida à tributação, no período, o
valor inicial depositado acrescido das variações monetárias passivas indevidas e a variação monetária
ativa até então não-reconhecida, porém já recebida pela auditada.

Contabilização:
Provisão
a Resultado do Exercido

Observe-se que, se a recorrente utilizar-se de outros artifícios contábeis ou fiscais
para se evadir da obrigação tributária ulterior, ao fisco cabe impugnar, na época própria, o respectivo
lançamento. Não se deve presumir inverossimilhança, abandonando, desde a inicial, a hipótese de
postergação que se enleia às evidéncias contábeis e fiscais pretéritas.

HIPÓTESE 02 - Ação Judicial Procedente, após Recolhimento do Valor Provisionado

02.1. pelo recolhimento dos tributos e contribuições provisionados.

Contabilização:

Provisão
a Caixa

021.1. Pelo direito creditório à compensação futura.

são Tributos a Compensar (TC)

V
r a Recuperação de Receitas a Realizar (RRR):

17



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Contabilização:

pelo encerramento da conta TC:

Provisão IR
a Tributo a Compensar

Contabilização:

Pela reversão da despesa tributária indevida ao resultado do exercício, em Unidades
Monetárias:

Recuperação de Receita a Realizar (RRR)
a Resultado do Exercício:

HIPÓTESE 03 — Sobre o tributo discutido não houve recolhimento de qualquer valor e nem mesmo
procedeu-se a qualquer depósito judicial correspondente:

01.1 — Com Êxito na Ação Judicial:

Nesse caso será indevido o tributo questionado, devendo o contribuinte promover,
tão-somente, o reconhecimento do valor provisionado, com atualização monetária e juros selic, no
resultado do exercício.

Contabilização:

Provisão
a Resultado do Exercício

HIPÓTESE 04 — Sobre o tributo discutido não houve depósito judicial, mas sim recolhimento integral do
tributo, sem lançamentos dos denominados Tributos a Compensar (TC) e Recuperação de Receitas a
Realizar (RRR):

04.1. Pela formação da Provisão

Contabilização:
Despesas Tributárias
a Provisão

e: 04.2. Pelo recolhimento/encerramento da conta credora. pik
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Contabilização:

Provisão
a Caixa/Bancos

04.3. Ao Final da Ação Judicial Favorável ao Contribuinte

Contabilizações Comumente Utilizadas:

a) Bancos
a Resultado do Exercício

Ou

b) Bancos
a Patrimônio Liquido

Obs.: Para o segundo lançamento ( '' b " ), o reconhecimento da verba a ser revertida deverá se operar,
por adição ao lucro liquido, no LALUR - Parte A -, agasalhando, inclusive, a CSLL.

HIPÓTESE 05 - Sobre o tributo discutido não houve depósito judicial e nem recolhimento do tributo,
mas tão-somente constituição da provisão com informação ao Fisco, por declaração.

Esse não será o caso de Compensação, pois não houve recolhimento.

Em caso de êxito do contribuinte na ação judicial, o fisco terá cinco anos para
constituir o auto de infração, caso o contribuinte não faça o seguinte lançamento, espontaneamente:
Contabilização:

Provisão
a Resultado do Exercício

HIPÓTESE 06 - Houve apenas recolhimento a maior, em função de provisão constituída similarmente a
maior, com informação ao Fisco, por declaração. Após o lançamento fiscal reivindicou o contribuinte a
compensação do diferencial com a exigência de oficio.

O fisco terá cinco anos para constituir o auto de infração, caso o contribuinte não
faça o seguinte lançamento, espontaneamente, contemplando a diferença - objeto do pleito à
compensação:

Contabilização:

Provisão
a Resultado do Exercício

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Para tanto, os pleitos administrativos devem se conformar às leis

regentes e, notadamente, aos atos normativos expedidos pelo ente tributante, máxime

por submissão aos art. 2.° e §§, art. 12, § 7.° do art. 14, art. 16 e art. 17 da Instrução

Normativa SRF n.° 21, de 10 de março de 197, com as alterações introduzidas pelo art.

1.0 e § 3.° da Instrução Normativa SRF n.° 37, de 29 de abril de 1997, e demais

artigos da Instrução Normativa DRF n.° 73, de 15 de setembro de 1997. Entretanto,

conforme pontuou o digno Colegiado de Primeiro Grau, por voto de qualidade do Sr.

Presidente da ilustre 3.° Turma, o art. 14 da IN/SRF n.° 21/97, só previa a

compensação quando os créditos não eram advenientes de procedimento de oficio.

Entretanto, em face de um novo ordenamento jurídico a plasmar tais

institutos, tal inobservância normativa fora superada, devendo, no que não for oposto

aos atos normativos regentes à época do pleito, impor-se a observância das

prescrições da Lei n.° 10.637, de 30.12.2002 ( DOU de 31.12.2002), que em seu art. 49

alterou o art. 74, da Lei n.° 9.430/96, bem assim o Ato Normativo logo a seguir

explicitado. Verbis:

Art. 49. O art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a

vigorar com a seguinte redação:

"Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com
trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela
Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de
ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios
relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele
Órgão.
§ /° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a
entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão
informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitoscompensados.
§ 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal
extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulteriorf homol ação."

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§ 4° Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela
autoridade administrativa serão considerados declaração de
compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste
artigo.

Posteriormente, fora editada a Instrução Normativa SRF n° 210, de 30

de setembro de 2002 (DOU de 1.10 ), a qual revogou todas as anteriores, não só

melhor detalhando o diploma legal antes transcrito, como também dando a ele

amplitude, destacando-se, para o deslinde da presente lide, os seus arts. 5°,21 e 24.

Verbis:

Art. 52 Reconhecido o direito creditório do sujeito passivo, deverá ser
verificada, mediante consulta aos sistemas de informação da SRF, sua
regularidade fiscal relativamente aos tributos e contribuições
administrados pela SRF, inclusive a existência de débitos inscritos em
Dívida Ativa da União.
§ 9 Detectada a existência de débito do sujeito passivo para com a
Fazenda Nacional relativamente aos tributos e contribuições
administrados pela SRF, inclusive débito objeto de parcelamento, o
valor a restituir deverá ser utilizado para quitá-lo, mediante
compensação em procedimento de oficio, conforme disposto nos
arts. 24 a 27 desta Instrução Normativa.
§ 22 Inexistindo débito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional
relativamente aos tributos e contribuições administrados pela SRF, ou
remanescendo saldo a restituir após efetuada a compensação de que
trata o § 12, será promovida a restituição ao sujeito passivo.
Art. 18. Reconhecido o direito creditório, deverá ser verificada, mediante
consulta aos sistemas de informação da SRF, a regularidade fiscal da
pessoa jurídica relativamente aos tributos e contribuições administrados
pela SRF, bem assim a existência de débitos inscritos em Dívida Ativa
da União.
§ 12 Detectada a existência de débito da pessoa jurídica para com a
Fazenda Nacional relativamente aos tributos e contribuições
administrados pela SRF, inclusive objeto de parcelamento, o valor a
ressarcir deverá ser utilizado para quitá-lo, mediante compensação em
procedimento de ofício, conforme disposto nos arts. 24 a 27 desta
Instrução Normativa.
§ lnexistindo débito da pessoa jurídica para com a Fazenda Nacional
relativamente aos tributos e contribuições administrados pela SRF, ou
remanescendo créditos a ressarcir após efetuada a compensação de

,? que trata o § 12, será promovi4o o ressarcimento ao estabelecimento
que apurou os créditos do IPI.

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Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou
contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de
ressarcimento/ poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, - - ---
vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições
sob administração da SRF.
§ i A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito
passivo mediante o encaminhamento à SRF da "Declaração de
Compensação".

Compensação de Oficio
Art. 24. Antes de proceder à restituição de quantia recolhida a título de
tributo ou contribuição administrado pela SRF ou ao ressarcimento de
crédito do IR, a autoridade competente para promover a restituição ou o
ressarcimento deverá verificar a existência de débito do sujeito passivo
para com a Fazenda Nacional relativamente aos tributos e contribuições
sob administração da SRF.
§ 12 Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo,
inclusive de débito inscrito em Dívida Ativa da União ou de débito
consolidado no âmbito do Refis ou do parcelamento a ele alternativo, o
valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitá-
lo, mediante compensação em procedimento de oficio.
§ 2Q Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao
sujeito passivo que se manifeste, no prazo de quinze dias, contado do
recebimento de comunicação formal enviada pela SRF, quanto ao
procedimento e à ordem dos débitos a serem compensados, sendo o
seu silêncio considerado como aquiescência.
§ 32 Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de
oficio, a autoridade da SRF competente para efetuar a compensação
reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja
liquidado ( dei destaque ).

CONCLUSÃO

Isso posto, oriento o meu voto no sentido de se rejeitar a preliminar de

nulidade suscitada; e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para se decido

reconhecer o direito creditório da Recorrente à compensação argüida no montante de

R$ 2.642,93 ( Dois mil, seiscentos e quarenta e dois reais e noventa e três centavos)

e submissa aos princípios da certeza e liquidez do crédito denunciado, determinando, n\
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outrossim, que o requerido se conforme aos aspectos formais definidos pelos atos

normativos antes mencionados, aplicáveis à data do direito aquisitivo.

Brasília, DF., em 17 de abril de 2003.

f NEICY \ç\E LMEIDA‘D

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JUDITH 

LUÍS EDUARD 

FORMALIZADO EM: 02/12/20 

MARCONDES ARMANDO - Pr sidente. 

S3-C2T1 

MINISTÉRIO DA FAZENDA 
Á.  

' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA  SEÇÃO  DE JULGAMENTO 

Processo n" 	11618_000785/2006-82 

Recurso n° 	168.645 

Resolução n" 3201-00.171 — 2 Câmara  / P Turma Ordinária 

Data 	30 de setembro de 2010 

Assunto 	Solicitação de Diligência 

Recorrente TEXNOR TEXTIL DO NORDESTE S/A 

Recorrida 	FAZENDA NACIONAL 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, 

RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o 
julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o 
presente julgado, 

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes 
Armando (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Mércia 
Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e 
Daniel Mariz Gudino.. 

1 



S3-C211 Processo n" 11618.000785/2006-82 
Resolução n." 320140171 

Relatório 

0 presente processo trata de pedido eletrônico de restituição cumulado com 

compensação PER/DCOMP n° 0507.80343.150903.13.04-8801 (fls,02 a 06), 

Por bem demonstrar os fatos, transcrevo Relatório constante do Acórdão da 
DRJ-Recife,  vet  bis:  

I. Cuida o presente processo de Pedido de Restituição/Compensação 
(11, 01), PER/DOOMP no 0507.80343.150903.13.04-8801 (/l's. 02/06), 
de 21/02/2006, visando Compensação de débito da Cofins, do  período 
de apttiação junho de 2003, utilizando crédito de Cofins, relativo ao 
mês  de junho de 2001, indicando como crédito inicial o valor original 
de R$ 364.957,44 (IT. 04) e o valor do débito de R$ 54 007,06 (11 05)). 

2. 0 Despacho Decisório (fl, 10) do Delegado da Receita Federal do 
Brasil em Joao Pessoa/PB, com fulcro no Parecer' No. 214/2006 (fls. 
10/11), decidiu.. 

2 1. NÃO HOMOLOGAR o pedido de Compensação consignado na 
PER/DOOMP no 0507.80343.150903 13.04-8801, por inexistência de 
crédito disponivel, cujo valor original importa em R$ 364.957,44 
(trezentos e sessenta e quatro mil, novecentos e cinquenta e sete reais e 
quarenta e quatro centavos), nos  termos  do art. 26, 2 da IN SRE no 
460/2004,; 

2.2. PROCEDER a  cobrança  do débito não compensado, coin 
Andamento no art. 26, 4, da instrução Normativa No. 600 de 28 de 
dezembro de 2005, acrescido dos encargos legais na for ma do art. 52 
da referida Instrução Normativa. 

3.. Cientificada de tal  decisão,  em 20/10/2006,  conforme  "AR" (fl 16), a 
contribuinte, por intermédio de seu representante legal, apresentou 
Manifestação de Inconformidade  (lis 17/22), de 14/11/2006, por sua 
representante legal, em que contesta o decis.wn sob os seguintes 
argumentos» 

3.1. pela cópia da PER/DCOMP 0507.80343.150903.13.04-8801 que 
foi homologada pela Receba Federal, verifica-se que o débito de 
Cofins, do Inds de 07/2003, no valor de R$ 54.007,06 foi compensado 
coin um crédito de Cofins no valor de R$ 364.957,44, originado de 
pagamento a inaior do mesmo tributo efetuado em 13/07/2001, relativo 
ao.fato gerador da Co/ins, do mds de 05/2001; 

3 2 entretanto a  compensação  não foi homologada por pelo  inativo  de 
"inexistência de crédito disponivel, cujo valor original importa em R$ 
364.957,44", 

conforme relatado em impugnação a auto de  infração 
anteriormente  lavrado  contra a impugnante, para cobrar Cofins, do 
period() de 04/2000 a 06/2002, que deu origem ao processo 
administrativo no 11618.003134/2002-11, cópias anexas, vendas 
realizadas pela impugnante nos meses de maio a julho de 2001 foram 
canceladas, tendo a devolução sido contabilizada, nos meses de agosto 
e setembro de 2001, por terem as correspondentes notas fiscais sido 

2 



Processo n" 11618 000785/2006-82 

Resoluçao  ii "3201-00.171  

entitidas por valores superiores aos corretos A impugnante junta 

planilha, demonstrando as bases de  cálculo  dos anos de 1999 a 200.2 

(f1.24); 

3.4. em decorrência desse erro, a impugncinte pagou, cont relagão aos 

meses de maio a julho/2001, quantias mais elevadas do que as de fato 

devidas, tendo em vista que vendas canceladas nclo integram a base de 

cálculo  tia Cotins, segundo art 3o, § 2o, inciso I da Lei no 9 718/98; 

3.5. portanto,  ao calcular a Colitis sobre vendas canceladas, a 

impugnante pagou além do que era devido, passando então a ter o 

direito de compensar coin outros débitos, mormente da própria Cofins, 

o crédito contra o fisco resultante cio montante indevidamente pago, 

3 6. ao tomar conhecimento  da autuação,  a impugnante aileron a 

.forma de demonstrar em DCTF as  compensações efetuadcts, 

formalizando as DCOIVIP e informando em DCTF que o pagamento da 

Colitis se dava através de compensação, informando a origem do 

crédito que, nesse caso foi o valor de Colitis pago a maior em 07/2001, 

tendo como fato gerador as receitas do mês 06/2001; 

3.7. afirma que o crédito no valer de RS .364.957,44, informado no 

PERDIDCOA/IP no 40507 80343.150903.1.3.04-8801, JIÕO foi 

localizada pela SRF em setts sistemas, conforme  informada  no 

despacho transcrito, pelo fato de a impugnante ter se equivocado no 

preenchimento c/a PER/DCOMP. 0 valor correto  da  Colitis no mês 

06/2001 é de R$ 506538,88, conforme se verifica pela cópia do DART 

em anew) (doe. 25); 

3.8. a impugnante junta planilha demonstrando a ot igem  cio crédito e 

as  compensa cães efetuadas, pela qual se pode observar que havia 
crédito  suficiente  pat-a a Compensação da Co/in,, demonstrada cm 

DCTF do 3o trimestre de 2003 e na PER/DCOMP citada, objeto da 

não homologação ora contestada, 

3.9 requer que seja homologada a compensação efentada de acordo 

coin o pedido de compensação consignado na aludida Declaração de 

Compensação e seja cancelada a  cobrança  do débito ora impugnado. 

Após analisar a manifestação de inconformidade da interessada, a DRJ — Recife 
proferiu o Acórdão  No. 11-24.117, em 15 de outubro de 2008, (fls. 541ss), por meio do qual se 
manteve o indeferimento do pedido de restituição, no termos da ementa abaixo transcrita: 

ASSUNTO.- CONTRIBUICA.  0 PARA O FINANCIAMENTO DA 

SEGURIDADE SOCIAL,- COFINS 

Período  de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 

COMPENSA CÃO TRIBUTARIA. 

A compensação, ITOS ternto,s em que está definida em lei (art. 170 do 

CTN), como em qualquer outra  compensação dessa natureza, só 

poderá ser homologada se os créditos do contribuinte em relação 

Fazenda Pública, vencidos ou vincendos estejam revestidos dos 

atributos de  liquide; e certeza 

3 



S3-C21•1 Processo n" 11618.000785/2006-82 
Resoluvlo n° 3201-00.171 

Solicitação Indeferida 

A Recorrente foi cientificada do Acórdão profexido pela DRJ — Recife em 

04/11/2008 (fl.. 59/60). 

Inconformada com a  decisão  de primeira instância administrativa, a  recorrente  

interpôs Recurso Voluntário, em 28/11/2008 (tl s. 621ss), reiterando as razões de sua 

manifestação de inconfonnidade e inovando na argumentação no seguinte ponto: 

L Que o cancelamento das vendas é fato incontroverso, em decorrência da 

informação constante do Parecer SAORT/DRF/JPA no. 054/2004, processo 

10467.501133/2006-79, onde faz a seguinte transcrição do Parecer (fl. 64): 

"7. Por sua vez, os valores das vendas canceladas ocol ridas nos meses 
de agosto (R$ 10.979 502,26) e setembro (R$ 23.127.065,58,)... 

10,  Esclareça-se ainda que nos presentes autos inexiste  controvérsia 
acerca dos valotes das vendas canceladas, os quais foram confirmados 
pela fiscalização desta Delegacia, coilforme b¡formagão Fiscal de 

174/1 79 " 

Junta cópia de DARF e documentos da sua escrita fiscal (fls. 69/ss). 

Requer, poi fim, a Recorrente seja provido o presente recurso homologando-se 
todas as compensações por ela pleiteadas, 

0 processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator em 
02/06/2010, na forma regimental. 

É  o relatório. 

Voto 

Conselheiro LUÍS EDUARDO G. BARBIERI, Relator: 

Verifica-se que o fundamento da  decisão  da DRJ-Recife, em apertada síntese, 
decorreu do fato da Recorrente alegar o direito a crédito da COFINS, cuja origem afirma ter 
sido o cancelamento de vendas, sem, entretanto, comprovar efetivamente a sua existência. 
Aduz a Relatora do acórdão recorrido que "a escrituração  contábil  da empresa faz prova legal 
a ,favor da interessada devendo estar lastreada em documentação autêntica, que reflita com 
fidelidade os fatos nela registrados. Em hipótese de erro de algum registro contábil, a 
reversão  da presunção de veracidade depende da apresentação de documentação 
comprobatória respectiva." 

Neste ponto, concordo com a decisão recorrida., Deve o contribuinte trazer. os 
elementos probantes - cópias de livros fiscais e conthbeis, notas fiscais e outros documentos - 
que demonstrem cabalmente suas alegações, de forma que o julgador possa firmar seu 
convencimento sobre os fatos alegados. 

Também entendo que os autos ainda carecem de provas suficientes para 
demonstrar as alegações da recorrente, ou seja, se efetivamente houve o cancelamento das 

vendas que poderiam gerar os requeridos créditos da CORNS. 

4 



S3-C21- 1 Processo n" 11618 000785/2006-82 

Resoluciio n 3201-00.171 

Desta forma, face à precariedade das provas até então produzidas, deve ser 

propiciada a ampla oportunidade para a Recoirente esclarecer os fatos, através da juntada dos 

documentos e informações que possam demonstrar o seu direito, em atendimento ao principio 
da verdade material. Não se trata da produção de novas provas após o prazo previsto para tal 

(artigos 15 e 16 do Decreto no. 70.235/72), mas sim de complementação das provas e 
informações já trazidas aos autos, embora de forma insuficientes. 

0 principio da verdade material refere-se ao dever de esclarecer o fato real, 

trazer aos autos a versão mais próxima  possível  do evento ocorrido, para que o julgador 

disponha de elementos seguros para tomada de sua decisão. 

Neste ponto, conveniente citar posições doutrinarias sobre a matéria. Leciona 

Paulo Celso Bonilha (in Da Prova no Process() Administrativo Tributário, Ed. LTR, 1993, pág. 
76) que "no processo administrativo a  decisão  deve estai conformada coin a verdade material 

dos Alas, sob pena de inquinar-se vicio  insanável.  Por essa razão, rege o principio da verdade 

material, também conhecido coma o da liberdade da prova". E ainda, Alberto Xavier (in Do 

Lançamento Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo  Tributário,  Ed, Forense, 

1998, pág. 156/157), ao anunciar que "as diligências instrutórias promovidas pela 
Administração fiscal não tem como fim exclusivo a prova dos fatos constitutivos da obrigação 

tributária ou dos fatos que se traduzem imuina ampliação do seu quantitativo, antes — nobile 
officium — se dirigem indistintamente a estes e aos que tenham caráter impeditivo daquela 
obrigação ou determinem uma diminuição do seu quantitativo ou respeito a preclusiio do 
exercício do direito ao langamento". 

Ademais, o direito ao contraditório e a ampla defesa são princípios 

constitucionais basilares que devem permear todo processo administrativo fiscaL 

O contraditório é o exercício da dialética processual, implica no direito que tem 
as partes de serem ouvidas nos autos, devendo o processo ser marcado pela bilateralidade da 
manifestação dos litigantes, em decorrência do principio da igualdade das partes,  tão 
importante para o embate processual. Seu  desígnio é oportunizar direito à parte demandada de 
ser informada a respeito do que está sendo alegado pelo demandante, a fim de que possa 
produzir defesa de qualidade e indicar prova necessária, licita e suficiente para alicerçar sua 
peça contestatoria. 

A ampla defesa representa garantia constitucional prevista no art. S.', inciso LV, 
da Constituição Federal. Não seria demasiado dizer que a ampla defesa também está 
intimamente ligada a outro principio constitucional mais abrangente, qual seja o devido 
processo legal, pois é inegável que o direito a defender-se amplamente implica 
consequentemente na  observância  de providencia que assegure legalmente essa garantia. 

A vista do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, 
no intuito de  verificar  se efetivamente existe o direito ao crédito da COFINS, em 
decorrência das supostas vendas canceladas, devendo a autoridade fiscal da DRF João 
Pessoa tomar as seguintes providências: 

1- Intimar o contribuinte para que apresente todos os elementos probantes que 
demonstrem suas alegações do suposto credito de COFINS (cópias de livros fiscais e contábeis, 

notas fiscais, extratos  bancários  com a movimentação financeira da venda e da devolução e 

outros documentos); 

5 



1 rocess() if  11618 000785/2006-82 
	

S3-C211 
Resolução  n°  3201-00.171 	 Fl. 6 

2- Verificar e confirmar, se for o caso, as seguintes alegações da Recorrente: 

2- Verificar e confirmar, se for o caso, as seguintes alegações da Recorrente: 

21 Que o valor das vendas canceladas já foi objeto de reconhecimento no 

processo administrativo 11618.003135/2002 -65 em informação prestada pela fiscalização; 

2.2. Que o cancelamento das vendas é fato incontroverso, em decorrência da 
informação constante do Parecer SAORT/DRFAPA no. 054/2004, processo 
10467.501133/2006-79; 

3., Elaborar Relatório circunstanciado e conclusivo sobre os fatos apurados na 
diligencia, inclusive manifestando-se sobre a existência dos supostos créditos nos sistemas 
informatizados da Receita Federal; 

4- Outras informações e/ou observações julgadas pertinentes para esclarecer os 
fatos. 

Encerrada a instrução processual a Interessada  deverá  ser intimada para 
manifestar-se no prazo de 30 (trinta) dias, antes 	d- 'olu ão ti processo para julgamento. 

LUÍS EDUARDO 

6 


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MINISTÉRIO DA FAZENDA
- 	 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES	 Fl.

,'Ne.t'/,'•	 QUINTA CÂMARA

Processo n°	 : 10540.000533/2001-27
Recurso n°	 : 132.502
Matéria	 : CONTRIBUIÇÃO SOC1AULL — EXS.: 1998 a 2002
Recorrente	 : MADEIREIRA REAL LTDA. .
Recorrida	 : l a TURMA/DRJ em SALVADOR/BA
Sessão de	 : 17 DE AGOSTO DE 2006
Acórdão n°	 : 105-15.937

CSLL - DILIGÊNCIA FISCAL - Sendo constatado que o lançamento foi
efetuado em valor maior que o devido, reduz-se este nos termos da

planilha apresentada pela diligência fiscal.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto pela

MADEIREIRA REAL LTDA.

ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de

Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos

do voto do relator.

rs
...VIS A ES

ESI DENTE

• DANIEL SAHAGOFF
RELATOR

FORMALIZADO EM: 11	 ‘\\0\1 2.006

Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: LUÍS ALBERTO BACELAR

VIDAL, CLÁUDIA LÚCIA PIMENTEL MARTINS DA SILVA (Suplente Convocada),

EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT, WILSON FERNANDES GUIMARÃES, IRINEU BIANCHI

e ROBERTO BEKIERMAN (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente o Conselheiro

JOSÉ CARLOS PASSUELLO.

•



,

MINISTÉRIO DA FAZENDA
-4

"•''

.-..-

W 'n:	 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 	
Fl.

QUINTA CÂMARA

Processo n°	 : 10540.000533/2001-27
Acórdão n°	 : 105-15.937

Recurso n°	 : 132.502
Recorrente	 : MADEIREIRA REAL LTDA

RELATÓRIO

MADEIREIRA REAL LTDA., empresa já qualificada nestes autos, foi

autuada em 22/0612001, referente ao exercício de 1998 à 2002 relativamente à CSLL (fls.

03/05), no valor de R$ 319.411,81, nele incluído o principal, multa e os juros de mora

calculados até 31 de maio de 2001.

O Auto de Infração descreve a seguinte irregularidade:

"001 — CONTRIBUIÇÃO SOCIAL (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS)
FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA (VERIFICAÇÕES
OBRIGATÓRIAS)
Durante o procedimento de verificações obrigatórias foi constatada falta de
recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro incidente sobre a base
de cálculo determinada com base na receita bruta, na qual foram efetuadas
as devidas exclusões, relativamente aos períodos de apuração abaixo
especificados. Os valores utilizados para composição da receita bruta

iauferida pela autuada foram obtidos do Livro de Registro de Apuração do
ICMS.
Os dados referentes aos tributos declarados pelo contribuinte, bem como
aos pagamentos efetuados foram levantados junto aos Sistemas
informatizados de arrecadação da Secretaria da Receita Federal DCTF —
OL, IRPJ e SINAL 05
(..)".

Irresignada, a recorrente apresentou impugnação (fls. 403/407), alegando,

em síntese, que:

a) O autuante não retrata a realidade já que os tributos foram recolhidos

conforme DARFs anexadas no processo. Além disso, este não poderia impor multas e exigir

o pagamento já que a empresa está no Programa de Recuperação Fiscal - REFIS, art. 12

fda Lei 9964.

2	 Ob.
/-



„; n• • •.s.„	 MINISTÉRIO DA FAZENDA
PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 	

Fl.

QUINTA CÂMARA-

Processo n°	 : 10540.000533/2001-27
Acórdão n°	 : 105-15.937

b) A base de cálculo foi determinada com base na receita bruta efetuada

as devidas exclusões, relativamente aos períodos de apuração especificada

c) Alega que o próprio órgão autuante emitiu em 23/02/2001, certidão

positiva de Tributos e Contribuições Federais Administrados pela Secretaria da Receita

Federal, com efeito de negativa.

d) Alega que "nenhum trabalho é perfeito sem que após a sua conclusão

seja feita uma reavaliação para se constatar erros e equívocos que venha a inviabilizar a

sua credibilidade, talvez tenha faltado isto ao ilustre autuante ao concluir seus trabalhos, de

forma que, pela simples observação dos demonstrativos podemos verificar que a empresa

não possuía todos aqueles débitos, ou então, como justificar que este mesmo Órgão no dia

23/02/2001 emitira uma Certidão Positiva de Tributos e Contribuições Federais

Administrados pela Secretaria da Receita Federal, com Efeitos de Negativa, desta forma

não podemos aceitar as imposições de multas e a cobrança indevida de Tributos e

Contribuições Federais, pois seria injusto e oneroso à empresa, visto que, a conclusão do

ilustre autuante não retrata a realidade dos fatos.” Requer a improcedência total do Auto de

Infração em epigrafe.

Em 30 de agosto de 2002, a 1 8 Turma da Delegacia de Julgamento de

Salvador/BA, julgou o lançamento procedente (fls. 553/559), conforme Ementas abaixo

transcritas:

"AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo
administrativo proporcionado plenas condições à interessada de
impugnar o lançamento, não há de se falar em nulidade.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO
Apurada a falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição Social
sobre o Lucro Líquido é devida sua cobrança com os encargos legais
correspondentes.,

3



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MINISTÉRIO DA FAZENDA-.... , -..
PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES	 Fl.

zwp -:,..lt

QUINTA CÂMARA

Processo n°	 : 10540.000533/2001-27
Acórdão n°	 : 105-15.937

opçÃo PELO REF1S. CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO DE
OFICIO.
A não inclusão do crédito tributário lançado de oficio no Programa de
Recuperação Fiscal (REFIS) impede o gozo dos correspondentes
benefícios fiscais.
Lançamento Procedente".

Inconformada com a decisão supra, a contribuinte apresentou recurso

voluntário (fls. 563/565), aduzindo, em síntese, que:

a) O contribuinte manifesta sua rejeição em parte, pois a Exma. Turma

manteve um crédito tributário indevido, ao passo que, o mesmo, de acordo com os

levantamentos feitos pelo contribuinte, seria no valor de R$ 794,44, relativo à insuficiência

do recolhimento da CSLL nos períodos autuados, após a compensação dos valores do

CSLL já recolhidos através dos DARF's.

b) Junta no anexo II do processo demonstrativos que indicam como a

empresa chegou à base de cálculo, à CSLL a recolher, à CSLL efetivamente recolhido, bem

como, ao Saldo da CSLL a recolher.

c) Alega que empresa tem o costume de recolher a CSLL por loja, usando

a CNPJ da matriz e sempre juntando três DARF's de recolhimento.

d) Alega que a contribuinte não possui todo crédito tributário indicado,

portanto não é cabível que a empresa aceite essa cobrança, pois seria muito oneroso à

empresa recolher o que já foi recolhido. Indica que a autoridade fiscal deve ter cometido

algum engano que provocou distorções na realidade da tributação.

e) Pede para ser estabelecido o verdadeiro crédito tributário exigível,

relacionando as DARF's aos seus respectivos créditos tributários e seja revisto ofprocedimento utilizado pela autoridade fiscal.
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Processo n°	 : 10540.000533/2001-27
Acórdão n°	 : 105-15.937

Ao apreciar o recurso voluntário apresentado, este Conselho, em Sessão de

17/03/2004, achou por bem converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos da

Resolução n° 105-1.176:

... não há como se proceder a julgamento equilibrado e
dotado de razoável justiça, uma vez que a simples manutenção da
exigência irá implicar em possível duplicidade de crédito tributário e
exagero na aplicação da multa de ofício e, na contrapartida, o simples
acolhimento das razões de defesa poderá reduzir de forma indevida o
tributo efetivamente devido.

Assim, proponho a conversão do presente julgamento em
diligência, para que o processo retorne à repartição de jurisdição da
recorrente para que processe o necessário saneamento do processo

(..).

O que se pretende, como deve ter ficado claro, é que se
tenha, ao final da diligência com oitiva do contribuinte, um
demonstrativo claro e preciso, do qual conste, sem omissões e sem
duplicidades, como também com apuração do valor da multa aplicada,
uma vez que a multa incidente sobre as parcelas que o contribuinte
espontaneamente incluiu no Refis é de 20%, enquanto a multa
aplicada de ofício é de 75%, possibilitando a cobrança apenas do
montante devido afinal."'

A fls. 1131/1134, consta o Relatório de Diligência Fiscal, e planilha de

cálculos juntada a fls. 1124/1130, o qual concluiu que

"Da análise de toda a documentação juntada ao processo
até o momento, inclusive as peças referentes à impugnação,
julgamento de primeira instância e recurso voluntário, depreende-se
que as cópias DARFs apresentadas fazem prova de recolhimento de
valores que já haviam sido considerados pela fiscalização e, portanto,
excluídos da exigência, conforme demonstrado nas planilhas
Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada, constante nas folhas 19 a
24. A questão centra-se na diferença entre a base de cálculo apurada
pela fiscalização e aquela demonstrada pelo contribuinte. O Auditor-
fiscal adicionou à receita bruta as 'outras saídas não especificadas'

5



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MINISTÉRIO DA FAZENDA

	

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Acórdão n°	 : 105-15.937

(código 5.99 do Livro de Apuração do ICMS) e excluiu as 'devoluções
de vendas' do mês seguinte, durante o ano-calendário de 1997. Nos
demais anos a diferença se baseia nos valores 'outras saídas não
especificadas'.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que a fiscalização
deveria ter confrontado, nos anos-calendário de 1997 a 1998, os
valores apurados com os débitos declarados em DIRPJ/DIPJ, ou
débitos declarados em DCTF, ou créditos apurados no sistema SINAL,
destes, o maior valor. O Anexo 1 à Diligência Fiscal (fl. 1549) faz um
comparativo destes valores declarados/recolhidos e apresenta aqueles
que deveriam ter sido excluídos da autuação.

(..)
Analisando a planilha Anexo 4 à Diligência Fiscal, fica

constatado que os débitos inscritos no Refis referem-se à diferença
entre os valores declarados e os pagamentos efetuados, portanto,
trata-se de débitos que também já foram excluídos da autuação.

(...)
Reproduzi na coluna 'A — Apuração (Diligência)' da planilha

2 do Anexo 3 da Diligência Fiscal a apuração dos valores que
efetivamente deveriam ter sido lançados pela fiscalização e na coluna
'A exonerar (B-A)' os valores que devem ser exonerados pelo
julgamento (fl. 1.128/1.129)

Em relação à multa a ser aplicada concluo que a mesma
será de 75%, de acordo com o artigo 44 da Lei n° 9.430/96, tendo em
vista que esta incidirá apenas sobre valores apurados para lançamento
de ofício, ou seja, aqueles que excederam aos débitos
declarados/recolhidos.

(...)". (grifos nossos)

A fis. 1.138/1.139, consta requerimento da recorrente para que os valores

pagos a maior a titulo de PIS e COFINS reconhecidos no Processo n° 10540.000531/2001-

38 sejam alocados no presente na forma de compensação de tributos (CSLL).

fÉ o Relatório

	

	 11P.
Ir

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Acórdão n°	 : 105-15.937

VOTO

Conselheiro DANIEL SAHAGOFF, Relator

O recurso voluntário foi tempestivamente protocolizado e foram arrolados

bens, consoante determina o artigo 33, do Decreto 70.235/72, razões pelas quais dele tomo

conhecimento.

Merece reforma a decisão "a quo", senão vejamos:

Restou constatado pelo Relatório de Diligência Fiscal que houve erro no

lançamento efetuado. Assim, há de se proceder à exoneração de determinados valores, nos

exatos termos da planilha juntada a fls. 1128/1129.

Assim, para que não haja cobrança a maior em detrimento ao contribuinte,

acolho os cálculos efetuados pela Diligência.

Quanto à multa de ofício a ser aplicada, acolho também a conclusão

esposada no Relatório de Diligência, no sentido de que esta será de 75%, nos termos do

art. 44, da Lei 9.430/96, visto que incidirá apenas sobre os valores apurados para

lançamento de ofício, ou seja, aqueles que excederam aos débitos declarados/recolhidos.

Quanto ao pedido de compensação dos valores pagos a maior a título de

PIS e COFINS, reconhecidos no Processo Administrativo n° 10540.000531/2001-38, com os

valores deste processo, ressalto que tal requisição foge aos limites desta lide, já que existe

procedimento próprio na Secretaria da Receita Federal para pedidos de compensação.

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Desta feita, Voto no sentido dar parcial provimento ao recurso voluntário

interposto, para reduzir o valor do lançamento efetuado, nos termos da planilha de fls.

1128/1129.

Sala das Sessões - DF, em 17 de agosto de 2006.

Xate--e--€2116

DANIEL SAHAGOFF

f

•

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S3­C1T1 

Fl. 282 

 
 

 
 

1

281 

S3­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10283.901875/2008­11 

Recurso nº  509.784 

Resolução nº  3101­000.205  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 

Data  25 de janeiro de 2012 

Assunto  Diligência 

Recorrente  SOCIEDADE AMAZONENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA LTDA. 

Recorrida  DRJ/BELÉM­PA 

 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Resolvem os membros Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do 
recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. 

 

Henrique Pinheiro Torres ­ Presidente 

 

Luiz Roberto Domingo ­ Relator  

Participaram do  julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete 
Aparecida  Marinheiro,  Corintho  Oliveira  Machado,  Vanessa  Albuquerque  Valente,  Luiz 
Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente) 

 

Relatório 

Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pela  Recorrente  contra  decisão 
proferida  pela  DRJ  que  indeferiu  a  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  contra  o 
despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação pela suposta ausência de crédito de 
COFINS. 

Contra o referido despacho decisório, a Recorrente apresentou Manifestação de 
Inconformidade alegando que, de forma equivocada, declarou em sua DCTF o valor a pagar de 
R$ 53.941,91,  referente à COFINS do 1º  trimestre de 2004 ­  fevereiro, quando na verdade o 
valor devido era de apenas R$ 23.160,53, gerando, portanto, um crédito de R$ 30.781,38.  

  

Fl. 287DF  CARF MF

Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
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Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012

 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES



Processo nº 10283.901875/2008­11 
Resolução n.º 3101­000.205 

S3­C1T1 
Fl. 283 

 
 

 
 

2

Do  total  do  crédito  apurado  a  título  de  COFINS,  a  Recorrente,  por  meio  do 
PER/DCOMP  nº  28907.55651.180804.1.3.04­1656,  pleiteou  a  compensação  com  débito  de 
COFINS dos períodos de junho e julho de 2004, no montante de R$ 29.606,13 e R$ 3.000,41, 
respectivamente. 

Ocorre que, como a Recorrente somente retificou sua DCTF após perceber que 
seu pedido de compensação não foi homologado, a compensação foi indeferida por ausência de 
crédito, já que o pagamento indevido estava integralmente relacionado ao débito da originário. 

Ao  analisar  a Manifestação  de  Inconformidade  da Recorrente,  a DRJ  proferiu 
decisão  no  sentido  de  indeferir  o  pedido  com  base  nos  fundamentos  consubstanciados  na 
seguinte ementa: 

ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 

Ano­calendário: 2004 

DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU 
A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. 

Considera­se  não  homologada  a  declaração  de  compensação 
apresentada  pelo  sujeito  passivo  quando  não  reste  comprovada  a 
existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de 
compensação  referentes  a  pagamentos  indevidos  ou  a  maior  o 
contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. 

Manifestação de Inconformidade Improcedente. 

Direito Creditório Não Reconhecido. 

Contra  decisão  proferida  pela  DRJ,  foi  interposto  Recurso  Voluntário 
requerendo a juntada de novos documentos, uma vez que a alegação de que a Recorrente não 
apresentou os documentos fiscais hábeis a comprovar o direito creditório constituí argumento 
novo,  abrindo  a  oportunidade  para  apresentação  de  documentos  para  “contrapor  fatos  ou 
razões trazidas aos autos”, conforme alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Decreto 70.235/72, bem 
como a homologação da compensação efetuada. 

É o relatório. 

 

Voto 

Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator 

Trata­se de Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente requerendo a juntada 
de  novos  documentos  para  contrapor  novos  fatos  ou  razões,  artigo  16,  §  4º,  alínea  ‘c’  do 
Decreto nº 70.235/72, e, consequentemente, o reconhecimento do direito creditório.  

O §4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 estabelece a preclusão ao direito de 
produzir  provas  após  a  apresentação  da  Impugnação  pelo  Autuado,  ressalvada  as  exceções 
previstas em suas alíneas. 

Fl. 288DF  CARF MF

Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

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 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES



Processo nº 10283.901875/2008­11 
Resolução n.º 3101­000.205 

S3­C1T1 
Fl. 284 

 
 

 
 

3

Para afastar a preclusão e juntar documentos extemporaneamente, a Recorrente 
fundamenta seu pedido sob alegação de que a DRJ, ao julgar improcedente a Manifestação de 
Inconformidade  pela  falta de  comprovação  do  direito  creditório,  trouxe  argumento  novo  aos 
autos, passível de contraposição. 

No entanto, muito embora a DRJ  tenha  indeferido o pleito por entender que a 
Recorrente não comprovou “por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação 
tributária principal  fora diversa e o pagamento respectivo de fato indevido”, entendo que os 
documentos  necessários  para  comprovação  do  direito  creditório  foram  devidamente 
apresentados na Manifestação de Inconformidade, quais sejam, o comprovante de recolhimento 
do tributo (fls. 31) e a DCTF retificadora (fls. 36/82), ser confirmados pela Fiscalização, como 
será demonstrado a seguir. 

A compensação é hipótese de extinção do crédito tributário – artigo 156,  II do 
CTN,  disciplinada  pelo  artigo  170  do mesmo  diploma,  que  estabelece  o  princípio  da  estrita 
legalidade: 

“Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, 
ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, 
autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos 
e  certos,  vencidos ou vincendos,  do  sujeito passivo  contra a Fazenda 
pública. 

Parágrafo  único.  Sendo  vincendo  o  crédito  do  sujeito  passivo,  a  lei 
determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, 
não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao 
juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data 
da compensação e a do vencimento.” 

Analisando­se o dispositivo acima, verifica­se que a compensação pressupõe a 
constituição  de  credor  (sujeito  ativo)  e  devedor  (sujeito  passivo)  recíprocos,  condicionada  a 
existência de norma reconhecendo o direito aos Contribuintes de efetuarem a compensação. 

Na época do encontro de contas – transmissão do PER/DCOMP ­, a restituição, 
ressarcimento e compensação era disciplinada pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, alterado pela 
Lei nº 10.637/2002: 

“Art.  74. O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais 
com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição 
administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível  de 
restituição ou de  ressarcimento, poderá utilizá­lo na compensação de 
débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições 
administrados por aquele Órgão. 

§  1º  A  compensação  de  que  trata  o  caput  será  efetuada  mediante  a 
entrega,  pelo  sujeito  passivo,  de  declaração  na  qual  constarão 
informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos 
compensados. 

§  2º  A  compensação  declarada  à  Secretaria  da  Receita  Federal 
extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior 
homologação.” [...] 

Fl. 289DF  CARF MF

Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

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PI

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Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012

 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES



Processo nº 10283.901875/2008­11 
Resolução n.º 3101­000.205 

S3­C1T1 
Fl. 285 

 
 

 
 

4

Assim,  a  compensação  poderia  ser  utilizada  no  caso  de  credor  e  devedor 
recíprocos,  de  créditos  passíveis  de  restituição  ou  ressarcimento  apurados  pelo Contribuinte, 
que, no caso em  tela, o direito creditório pleiteado pela Recorrente decorre da restituição do 
pagamento a maior. 

Demonstrado que a Recorrente possuía o direito de efetuar a compensação dos 
valores  supostamente  recolhidos  a  maior,  basta  verificar  a  existência  do  direito  creditório 
pleiteado. 

O crédito objeto da presente compensação não homologada decorre de suposto 
pagamento  a  maior  a  título  de  COFINS,  espécie  de  tributo  sujeito  ao  lançamento  por 
homologação jungido às regras previstas no art. 150, §§ 1º a 4º do CTN, e segundo as quais a 
atividade  do  contribuinte  compreende  a  de  apurar  o montante  do  tributo  devido  e  efetuar  o 
recolhimento antecipado. 

Para  estes  casos,  o  crédito  tributário  propriamente  dito  constitui­se  com  a 
formalização  da  obrigação  tributária  mediante  a  apuração  e  entrega  pelo  sujeito  passivo  da 
Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais – DCTF. 

A  DCTF,  inicialmente  denominada  Declaração  de  Contribuições  e  Tributos 
Federais foi  instituída pela  IN SRF nº 129/1986 para prestação de informações de débitos, e, 
posteriormente,  substituída  pela  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais 
instituída pela já revogada IN SRF nº 126/1998, a qual, na época dos fatos, era regulamentada 
pela  IN  SRF  nº  255/2002,  instrumento  este  que  tem  o  condão  de  confissão  de  dívida  e 
constituição do crédito tributário. 

Os  efeitos  de  constituição  do  crédito  e  confissão  de  dívida  das  declarações 
prestadas pelo Contribuinte estão previstos no § 1º do artigo 5º do Decreto­Lei nº 2.124/84: 

“Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações 
acessórias  relativas  a  tributos  federais  administrados  pela  Secretaria 
da Receita Federal. 

§  1º  O  documento  que  formalizar  o  cumprimento  de  obrigação 
acessória,  comunicando a  existência  de  crédito  tributário,  constituirá 
confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do 
referido crédito. 

§  2º  Não  pago  no  prazo  estabelecido  pela  legislação  o  crédito, 
corrigido  monetariamente  e  acrescido  da multa  de  vinte  por  cento  e 
dos  juros  de  mora  devidos,  poderá  ser  imediatamente  inscrito  em 
dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto 
no  §  2º  do  artigo  7º  do  Decreto­lei  nº  2.065,  de  26  de  outubro  de 
1983.” 

Corroborando o Decreto­lei nº 2.341/84, foi editada a IN SRF nº 77/98 que veio 
justamente confirmar a constituição do crédito pela DCTF, determinando a remessa direta dos 
débitos  declarados  e  não  quitados  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  para  inscrição  em 
Dívida Ativa: 

“Art.  1º  Os  saldos  a  pagar,  relativos  a  tributos  e  contribuições, 
constantes  das  declarações  de  rendimentos  das  pessoas  físicas  e 
jurídicas  e  da  declaração  do  ITR,  quando  não  quitados  nos  prazos 

Fl. 290DF  CARF MF

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

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Processo nº 10283.901875/2008­11 
Resolução n.º 3101­000.205 

S3­C1T1 
Fl. 286 

 
 

 
 

5

estabelecidos  na  legislação,  e  da  DCTF,  serão  comunicados  à 
Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida 
Ativa da União.” 

No presente caso, o recolhimento a maior se concretizou no momento em que a 
Recorrente retificou sua DCTF, já que a retificadora substituí integralmente a original, podendo 
inclusive reduzir o valor do crédito tributário confessado, conforme §1º do artigo 11 da IN SRF 
nº 903/2008 (vigente à época da declaração retificadora): 

“Art.  11.  A  alteração  das  informações  prestadas  em  DCTF  será 
efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com 
observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para  a  declaração 
retificada. 

§  1º  A  DCTF  retificadora  terá  a  mesma  natureza  da  declaração 
originariamente  apresentada,  substituindo­a  integralmente,  e  servirá 
para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos 
já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados.” 

Diante do exposto, apesar de reconhecer que a DCTF retificadora é bastante e 
suficiente para retificar a confissão de dívida, em prol da segurança jurídica da Fazenda e do 
Contribuinte,  entendo  necessário  converter  o  julgamento  em  diligência  a  fim  de  que  a 
repartição de origem confirme na escrituração contábil e fiscal da Recorrente a correlação entre 
a materialidade da base de cálculo declarada, confirmando sua procedência e informando qual 
o valor do crédito tributário devido decorrente dessa apuração. 

Concluída  a  diligência,  intime­se  a  Recorrente  para,  querendo,  manifestar­se 
acerca  da  diligência,  no  prazo  de  30  dias,  sendo  que,  após,  os  autos  devem  retornar  para 
julgamento 

Luiz Roberto Domingo 

Fl. 291DF  CARF MF

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Sergio Celani e Maria Inês caldeira Pereira da Silva Murgel



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S3­TE01 

Fl. 111 

 
 

 
 

1

110 

S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10283.901885/2008­56 

Recurso nº            Voluntário 

Resolução nº  3801­000.312  –  1ª Turma Especial 

Data  20 de março de 2012 

Assunto  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA 

Recorrente  SOCIEDADE AMAZONENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA LTDA 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

RESOLUÇÃO  

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o 
julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. 

(assinado digitalmente) 

Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.  

(assinado digitalmente) 

Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel ­ Relatora. 

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes 
(Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de 
Melo, Paulo Sergio Celani e Maria Inês caldeira Pereira da Silva Murgel 

 

 

RELATÓRIO 

Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  DRJ­BELEM/PA  (fl.  69  e 
seguintes), abaixo transcrito: 

Relatório  Trata­se  de  declaração  de  compensação  transmitida  em 
13/11/2004  pela  contribuinte  acima  identificada,  na  qual  indicou 

  

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6

Fl. 253DF  CARF MF

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A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

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italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13

/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES




Processo nº 10283.901885/2008­56 
Resolução nº  3801­000.312 

S3­TE01 
Fl. 112 

 
 

 
 

2

crédito  resultante  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  originário  de 
DARF  relativo  à  receita  de  código  5856,  do  período  de  apuração de 
30/04/2004,  com  arrecadação  em  14/05/2004,  no  valor  originário  de 
R$ 75.492,10. 

A  Delegacia  de  origem,  em  análise  datada  de  18.07.2008  (fl.  06), 
constatou que "a partir das características do DARF discriminado no 
PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas 
integralmente  utilizados  para  a  quitação  de  débitos  do  contribuinte, 
não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos 
informados no PER/DCOMP". 

Assim,  não  homologou  a  compensação  declarada.  Cientificada  em 
01/08/2008, a interessada apresentou, em 07.08.2008, manifestação de 
inconformidade na qual alega (fls. 10/11): 

"A requerente declarou na DCTF 20 TRIMESTRE/2004  ter apagar (e 
pagou­se)  de  COFINS  no  mês  de  abril  o  valor  de  R$  75.492,10, 
conforme DARF  em  anexo.  Posteriormente,  constatou­se  que  o  valor 
real  a  ser  pago  era  de  R$  32.462,92,  ou  seja,  inferior  ao  valor 
informado  na  referida  DCTF,  gerando,  portanto,  um  crédito  de  R$ 
43.029,18" Entretanto, de forma equivocada não foi retificada a DCTF 
de origem dos créditos, o que gerou a vinculação do de um débito com 
valor  equivalente  ao  DARF  pago,  a  inconformidade  dos  créditos  a 
serem utilizados para compensação e conseqüentemente a reprovação 
do PER/DCOMP." 

Juntando aos autos cópia de DCTF retificadora, entende a contribuinte 
que "se torna equivalente o débito compensado com o valor pago". 

Analisando  o  litígio,  a  DRJ­BELÉM/PA  entendeu  por  bem  não  homologar  a 
compensação declarada (fls. 68 e seguintes), conforme ementa abaixo transcrita: 

ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Ano­
calendário:  2004  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO. 
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ONUS DA PROVA. 

Considera­se  não  homologada  a  declaração  de  compensação 
apresentada  pelo  sujeito  passivo  quando  não  reste  comprovada  a 
existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de 
compensação  referentes  a  pagamentos  indevidos  ou  a  maior  o 
contribuinte possui o ônus de prova do seu direito.  

Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não 
Reconhecido 

Às  fls.  70  e  seguintes  consta  recurso  voluntário  apresentado  tempestivamente, 
no qual a Recorrente traz as seguintes alegações, em resumo: 

· Que,  ao  verificar  o  erro  no  preenchimento  da  DCTF,  se 
prontificou  a  retificá­la  e  que,  após  a  retificação,  restou 
comprovado o seu direito creditório. 

· Que  a  fiscalização  não  lhe  intimou,  em  nenhum  momento,  a 
apresentar documentação comprobatório do  seu  crédito. Por  isso, 

Fl. 254DF  CARF MF

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/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES



Processo nº 10283.901885/2008­56 
Resolução nº  3801­000.312 

S3­TE01 
Fl. 113 

 
 

 
 

3

junta ao Recurso Voluntário documentos que comprovam o crédito 
declarado na compensação; 

É o relatório. 

Fl. 255DF  CARF MF

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/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES



Processo nº 10283.901885/2008­56 
Resolução nº  3801­000.312 

S3­TE01 
Fl. 114 

 
 

 
 

4

VOTO  

O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os 
demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 

Conforme  mencionado  alhures,  a  manifestação  de  inconformidade  do 
Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Manaus, sob o argumento de 
que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, 
foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados 
para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação 
dos débitos informados no PER/DCOMP” (fl. 06). 

Ocorre,  contudo,  que  o  Recorrente  retificou  a  sua  DCTF  o  que  gerou,  a 
princípio, crédito de pagamento indevido ou a maior, passível de ser utilizado para compensar 
débitos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. 

No  julgamento  da  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  pela 
Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Belém (PA) poderia, de ofício, independentemente 
de  requerimento  expresso,  ter  realizado  diligências  para  aferir  autenticidade  dos  créditos 
declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confira­se: 

Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de 
ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou 
perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que 
considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no 
art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 

A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é 
de  que  deve  a Administração  Pública  se  valer  de  todos  os  elementos  possíveis  para  aferir  a 
autenticidade  das  declarações  dos  contribuintes,  o  que, data  venia,  não  foi  feito  no  presente 
caso. 

Deve­se ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por 
diversos  princípios,  dentre  os  quais  se  destaca  o  da  Verdade  Material,  cujo  fundamento 
constitucional  reside  nos  artigos  2º  e  37  da  Constituição  Federal,  no  qual  o  julgador  deve 
pautar  suas  decisões. Ou  seja,  o  julgador deve perseguir  a  realidade dos  fatos,  para  que  não 
incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre 
Professor James Marins: 

A  exigência  da  verdade  material  corresponde  à  busca  pela 
aproximação  entre  a  realidade  factual  e  sua  representação  formal; 
aproximação  entre  os  eventos  ocorridos  na  dinâmica  econômica  e  o 
registro  formal  de  sua  existência;  entre  a  materialidade  do  evento 
econômico  (fato  imponível)  e  sua  formalidade  através  do  lançamento 
tributário.  A  busca  pela  verdade material  é  princípio  de  observância 
indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades 
procedimentais  e  processuais.  (grifou­se).  (MARINS,  James.  Direito 
Tributário  brasileiro:  (administrativo  e  judicial).  4.  ed.  ­  São  Paulo: 
Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) 

Sobre o princípio da verdade material,  também ensinam os ilustres professores 
Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: 

Fl. 256DF  CARF MF

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig

italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13

/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES



Processo nº 10283.901885/2008­56 
Resolução nº  3801­000.312 

S3­TE01 
Fl. 115 

 
 

 
 

5

Princípio  da  verdade material. Consiste  em  que  a Administração,  ao 
invés de  ficar  restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, 
deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do 
que os interessados hajam alegado e provado (...). 

(...) 

O  princípio  da  verdade  material  estriba­se  na  própria  natureza  da 
atividade  administrativa.  Assim,  seu  fundamento  constitucional 
implícito  radica­se  na  própria  qualificação  dos  Poderes  tripartidos, 
consagrada  formalmente  no  art.  2º  da  Constituição,  com  suas 
inerências. 

Deveras,  se  a  Administração  tem  por  finalidade  alcançar 
verdadeiramente  o  interesse  público  fixado  na  lei,  é  óbvio  que  só 
poderá fazê­lo buscando a verdade material, ao invés de satisfazer­se 
com a verdade formal,  já que esta, por definição, prescinde do ajuste 
substancial  com  aquilo  que  efetivamente  é,  razão  porque  seria 
insuficiente  para  proporcionar  o  encontro  com  o  interesse  público 
substantivo. 

Demais  disto,  a  previsão  do  art.  37,  caput,  que  submete  a 
Administração  ao  princípio  da  legalidade,  também  concorre  para  a 
fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). 
(BANDEIRA  DE  MELLO,  Celso  Antônio.  Curso  de  direito 
administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. 
p. 489, 493 e 494) 

...................................................................................................................

....... 

É  o  princípio  da  verdade  material  que  autoriza  o  administrador  a 
perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos 
fatos que a constituíram. (...) 

Pelo  princípio  da  verdade  material,  o  próprio  administrador  pode 
buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo 
administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, 
e  não  apenas  a  que  ressai  de  um  procedimento meramente  formal. 
Devemos  lembrar­nos  de  que  nos  processos  administrativos, 
diversamente  do  que  ocorre  nos  processos  judiciais,  não  há 
propriamente  partes, mas  sim  interessados,  e  entre  estes  se  coloca  a 
própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração 
em  alcançar  o  objeto  do  processo  e,  assim,  satisfazer  o  interesse 
público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre 
o  interesse  do  particular.  (CARVALHO  FILHO,  José  dos  Santos. 
Manual  de  direito  administrativo.  21.  ed.  rev.  ampl.  atual.  Rio  de 
Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) 

No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade 
e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido 
ao  julgador administrativo,  inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos  judiciais, não 
ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos 
os elementos capazes de influir em seu convencimento. 

Fl. 257DF  CARF MF

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Processo nº 10283.901885/2008­56 
Resolução nº  3801­000.312 

S3­TE01 
Fl. 116 

 
 

 
 

6

Isto  porque,  no  processo  administrativo  não  há  a  formação  de  uma  lide 
propriamente  dita,  não  há,  em  tese,  um  conflito  de  interesses.  O  objetivo  é  esclarecer  a 
ocorrência  dos  fatos  geradores  de  obrigação  tributária,  de  modo  a  legitimar  os  atos  da 
autoridade administrativa. 

Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que 
o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para 
solução da lide. Confira­se: 

IPI.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  PRINCÍPIO  DA 
VERDADE MATERIAL.  

Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao 
sujeito  passivo  a  apresentação  de  elementos  probatórios  na  fase 
impugnatória.  A  não  apreciação  de  documentos  juntados  aos  autos 
ainda  na  fase  de  impugnação,  antes,  portanto,  da  decisão,  fere  o 
princípio da  verdade material  com ofensa ao princípio  constitucional 
da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da 
verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente 
ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade 
da  tributação.  Deve  ser  anulada  decisão  de  primeira  instância  que 
deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00­
99,  Recurso  Voluntário  n°.  132.865,  ACÓRDÃO  203­12338,  Relator 
Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) 

PROCESSO  ADMINISTRATIVO  TRIBUTÁRIO  ­  PROVA MATERIAL 
APRESENTADA  EM  SEGUNDA  INSTÂNCIA  DE  JULGAMENTO  ­ 
PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA 
DA VERDADE MATERIAL ­ A não apreciação de provas trazidas aos 
autos  depois  da  impugnação  e  já  na  fase  recursal,  antes  da  decisão 
final administrativa,  fere o princípio da  instrumentalidade processual 
prevista  no  CPC  e  a  busca  da  verdade  material,  que  norteia  o 
contencioso  administrativo  tributário.  "No  processo  administrativo 
predomina  o  princípio  da  verdade  material  no  sentido  de  que  aí  se 
busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que 
está em jogo é a  legalidade da  tributação. O  importante é saber se o 
fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103­
18789 ­ 3ª. Câmara ­ 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/03­04.371 
RECURSO  VOLUNTÁRIO  PROVIDO.  (10950.002540/2005­65, 
Recurso Voluntário n°.  136.880, Acórdão 302­39947, Relatora  Judith 
do Amaral Marcondes) 

IRPJ  ­  PREJUÍZO  FISCAL  ­  IRRF  ­  RESTITUIÇÃO  DE  SALDO 
NEGATIVO  ­  ERRO  DE  FATO  NO  PREENCHIMENTO  DA  DIPJ  ­ 
PREVALÊNCIA  DA  VERDADE  MATERIAL  ­  Não  procede  o  não 
reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo 
negativo  de  IRPJ,  quando  comprovado  que  a  receita  correspondente 
foi  oferecida  à  tributação,  ainda  que  em  campo  inadequado  da 
declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 ­ Câmara: 
Quinta  Câmara  ­  Número  do  Processo:  13877.000442/2002­69  – 
Recurso Voluntário: 28/02/2007) 

COMPENSAÇAO  ­  ERRO  NO  PREENCHIMENTO  DA 
DECLARAÇÃO  E/OU  PEDIDO  –  Uma  vez  demonstrado  o  erro  no 
preenchimento  da  declaração  e/ou  pedido,  deve  a  verdade  material 

Fl. 258DF  CARF MF

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/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES



Processo nº 10283.901885/2008­56 
Resolução nº  3801­000.312 

S3­TE01 
Fl. 117 

 
 

 
 

7

prevalecer  sobre  a  formal.  Recurso  Voluntário  Provido.  (Número  do 
Recurso:  157222  ­  Primeira  Câmara  ­  Número  do 
Processo:10768.100409/2003­68  –  Recurso  Voluntário:  27/06/2008  ­ 
Acórdão 101­96829). 

Assim,  devem  ser  considerados,  in  casu,  a  DCTF  que  foi  retificada  pelo 
Recorrente,  que,  a  princípio,  em  uma  análise  superficial,  demonstra  créditos  passíveis  de 
compensação.  Contudo,  só  através  de  diligência,  que  deverá  ser  realizada  pela  DRF  de 
Manaus,  é  que  se  poderá  ter  certeza  de  que  os  créditos  utilizados  são  mesmo  oriundos  de 
pagamento indevido ou a maior e, por isso, passíveis de serem compensados, como pretendeu a 
Recorrente. 

Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DCTF retificada, os 
livros com as apurações da Recorrente que não foram analisados pela fiscalização. 

Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência 
à DRF/Manaus­AM para: 

1.  Apurar  se,  após  a  retificação  da  DCTF  da  Recorrente,  os  créditos  pagos 
indevidamente ou a maior passíveis de compensação; 

2.  Verificar  se,  uma  vez  existentes  estes  créditos,  estes  são  suficientes  para 
quitar o débito declarado na compensação apresentada pela Recorrente; 

3.  Intimar  a  empresa  a  se manifestar  acerca  da  diligência  realizada,  se  assim 
desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 

4.  Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. 

 

(assinado digitalmente) 

Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel 

 

 

 

Fl. 259DF  CARF MF

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/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES


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Ministério da Fazenda	

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Fl.
Segundo Conselho de Contribuintes	 Rubrica

-	 :

Processo n° :	 10183.002537199-06
Recurso n° :	 118.184
Acórdão n° : 202-13.947

Recorrente : CUIABÁ SERVICE PEÇAS E SERVIÇOS LTDA.
Recorrida : DRJ em Campo Grande - MS

FINSOCIAL - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE
DIREITO CREDITORIO SOBRE RECOLHIMENTOS DA
CONTRIBUIÇÃO - O direito de pleitear o reconhecimento de
crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação,
perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude
de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a
declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal
Federal, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado
Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta.
Inexistindo resolução do Senado Federal, há de se contar da data
da Medida Provisória n.° 1.110/95 (31/08/95). Não havendo
análise do pedido, anula-se a decisão de primeira instância,
devendo outra ser proferida em homenagem ao duplo grau de
jurisdição.
Processo ao qual se anula a partir da decisão recorrida,
inclusive.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por:
CUIABÁ SERVICE PEÇAS E SERVIÇOS LTDA.

ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão de
primeira instância, inclusive.

Sala das Sessões, em 09 de julho de 2002

le-rtr -r€4-ce 7,2--44;f0S—
He 'que Pinheiro Torresier
Presidente

•--

Eduardo da Rocha Schmidt
Relator

Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros António Carlos Bueno Ribeiro,
Adolfo Monteio, Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar, Ana Neyle Olímpio Holanda e
Dalton Cesar Cordeiro de Miranda.

cl/cf

1



22 CC-MF
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Fl.
Segundo Conselho de Contribuintes

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Processo n° :	 10183.002537/99-06
Recurso n° :	 118.184
Acórdão n° : 202-13.947

Recorrente : CUIABÁ SERVICE PEÇAS E SERVIÇOS LTDA.

RELATÓRIO

Trata o processo de pedidos de compensação e de restituição da Contribuição
ao Fundo de Investimento Social — FINSOCIAL, referente ao período de apuração de 09/1989 a
01/1992.

Mediante o Despacho Decisório de fls. 103/104, a solicitação foi indeferida,
considerando-se alcançado pela prescrição o direito de a contribuinte pleitear a restituição.

Inconformada, a interessada apresentou a tempestiva Impugnação de fls.
107/118, alegando que não se haveria de falar em decadência ou prescrição no caso.

A autoridade julgadora de primeira instância manteve o indeferimento, nos
termos da Decisão de fls. 120/124, cuja ementa se transcreve:

"Assunto: Outros Tributos ou Contribuições

Período de apuração: 01/09/1989 a 31/02/1992

Ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
DECADÊNCIA.

O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição/compensação de
tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente, extingue-se após o

transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito
tributário, mesmo quando se tratar de pagamento com base em lei declarada
inconstitucional pelo STF.

SOLICITAÇÃO INDEFERIDA".

Inconformada, interpôs a contribuinte Recurso Voluntário a este Segundo
Conselho de Contribuintes (fls. 130/153), onde, reiterando os argumentos constantes de sua
manifestação de inconformismo, requer o deferimento de seu pedido inicial.

É o relatório.	 49

7,5

2



2° CC-MF
Ministério da Fazenda Fl.

'"i.Jn;:7ARJ 	 Segundo Conselho de Contribuintes

Processo n° :	 10183.002537/99-06
Recurso n° :	 118.184
Acórdão n° :	 202-13.947

VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR
EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT

Como se vê do relatório, o recurso é tempestivo, pelo que o conheço e passo a
decidir.

Para o deslinde da controvérsia, adoto o voto da ilustre Conselheira Maria -
Teresa Martinez López, proferido em Sessão de 19/09/2001, que resultou no Acórdão n°
203-07.704, cujas razões transcrevo:

"(--)

Em primeiro lugar, muito embora admita existirem
divergências doutrinárias, reconhecida até mesmo nos Tribunais ], ora
denominando o direito de pleitear a restituição/compensação como o de
'decadência', ora corno o de 'prescrição', adoto, como princípio, na corrente de
Paulo de Barros Carvalho, afigura da "prescrição".

A priori, o art. 168 do Cl]'! diz respeito ao pedido de
restituição formulado perante a autoridade administrativa, enquanto que o art.
169 diz respeito à ação para anular a decisão administrativa detzegatória do
pedido de restituição. Inexiste dispositivo legal estabelecendo a prescrição
para a ação do contribuinte para haver tributo cobrado com base em lei que
considere inconstitucional. Nesse impasse, necessário recorrer à doutrina e
jurisprudência.

O assunto, doutrinariamente, tem suscitado discussões,
conforme bem tratado no voto do Conselheiro Jorge Freire (Acórdão n° 201-
74.735, Sessão de maio/01), 110 qual também me espelhei, em parte, para as
conclusões aqui externadas. A matéria, quanto ao termo inicial para contagem
do prazo para o pedido de restituição do FINSOCIAL pago a maior em
relação ao aumento de alíquotas, veiculada pela Lei te 7.689/88, declarada
inconstitucional pelo STF (Acórdão RE n° 150.764-1/PE, DJU de 02/04/93),
tem merecido, pelo menos, três correntes.

A primeira, a de que o prazo deve-se contar da publicação
da primeira decisão do Plenário do STF', que considerou os aumentos

Consta do Agravo de Instrumento n°238.714 - SC ( 1999/0033537-6) - publicado no DJ -1, de 13/09/2000, que:
defendem corno sendo prescrição - Manuel Mvares, Código Tributário Nacional Comentado - SP - Ri', 1999, pág.
631; P.R.Tavares Paes, em "Comentários ao Código Tributário Nacional" SP- 5" ed.,1996, pag. 377; Ruy Barbosa
Nogueira, em "Curso de Direito Tributário" - SP - Saraiva, 9 11 ed. 1989. pag. 336. Em socorro à tese de tratar-se de
decadência, os seguintes doutrinadores: Paulo de Barros Carvalho, em curso de direito Tributário - r ed. - SP -
Saraiva, 1986-pág. 279; Aliomar Baleeiro - 1 ia ed. RJ, 1999, pág. 894; Celso Ribeiro Bastos. em Curso de Direito
Financeiro e de Direito Tributário - SP - Saraiva, 199 1. pág. 219.

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2 2 CC-MF
Ministério da Fazenda

Fl.
1?)-- N2	 Segundo Conselho de Contribuintes

Processo n° : 10183.002537/99-06
Recurso n° :	 118.184
Acórdão n° : 202-13.947

inconstitucionais, vez que, na espécie, não houve a edição da Resolução do
Senado Federal, nos moldes do que determina a norma constitucional inserta
no artigo 52, X

A segunda, consubstanciado no Parecer COSIT n2 58, de 27
de outubro de 1998, entende que o prazo do item anterior aplica-se aos
contribuintes que foram partes na ação que declarou a inconstitucionalidade.
No entanto, em relação aos demais, o termo inicial é o da data do ato que
conceda ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição. No caso, a
data da publicaçao da Medida Provisória n 2 1.110/95, ou seja, 31.08.95.

A terceira, é o entendimento do Ato Declaratorio n2 96/99,
defendida pela autoridade singular, o qual baseou-se no Parecer PGFN ii2
1.538/99, qual seja, o de que o prazo conta-se da data da extinção do crédito
tributário, assim entendida a data do pagamento'

No que pertine ao "'INSOCIAL, filio-me à segunda corrente.
E isto por vários fundamentos: a uni, porque, na hipótese de declaração de
inconstitucionalidade do artigo 92 da Lei re 7.689/88 (e, em conseqüência, a
dos artigos 72 da Lei 772 7.787/89 e 12 da Lei n2 8.147/90), não houve
declaração do Senado Federal, quando, então, feriamos, a partir dai, os
efeitos erga 017717CS da declaração de inconsti tucionalidade daquela lei, que
veiculou os aumentos de afique:na do FINSOCIAL 3; a dois, porque o próprio
Poder Executivo, ao qual subordina-se a administração tributária, editou
medida provisória, que tem _força de lei, determinado que ficmxim dispensados
a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição em Divida Ativa
da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, assim como estariam
cancelados os lançamentos e a inscrição do FINSOCIAL exigidos das
empresas comerciais e mistas, com fulcro no ort 9 da Lei ng 7.689/88, na
aliquota superior a 0,5%, conforme Leis ti 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90; e,
a três, porque houve manifestação normativa exarada pela Receita Federal
esposando, no Parecer Normativo COSIT n 2 58/98, entendimento a ser

20 referido Ato Declaratório dispôs que: 'V — o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo
ou contribuição pago indevidamente ou ent valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido
efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação
declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da
data da extinção do crédito tributário — arts. 165. 1, e 168. I, da Lei 5172, de 25 de outubro de 1966 (Código
Tributário Nacional). II - 	  ".

3A matéria já está pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça, que vem decidindo que, em matéria de tributos
declarados inconstitucionais, o prazo de 5 anos, para repetição do indébito ou compensação, se inicia a partir da
declaração de inconstitucionalidade (Embargos de Divergência em RE n° 43.995- 5/RS, relator o Ministro César
Asfor Rocha).

"(5 0,
4



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2 12 CC-MF
Ministério da Fazenda

Fl.
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aplicado no caso específico dos pedidos de restituição de F1NSOCIAL pago a
maior, em face da mencionada declaração de inconstitzwionalidade.

O citado Parecer COSIT n 58, de 26.11.98, assim tratou a

matéria:

'Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário.

Ementa: RESOLUÇÃO DO SENADO. EFEITOS.
A Resolução do Senado que suspende a eficácia de lei

declarada inconstitucional pelo STF tem efeitos ex func.

TRIBUTO PAGO COM BASE EM LEI DECLARADA
INCONSTITUCIONAL RESTITUIÇÃO. HIPÓTESES.
Os delegados e inspetores da Receita Federal estão
autorizados a restituir tributo que foi pago com base em
lei declarada inconstitucional pelo STF, em ações
incidentais, para terceiros não-participantes da ação -

como regra geral - apenas após a publicação da Resolução
do Senado que suspenda a execução da lei.

Excepcionalmente, a autorização pode ocorrer em momento
anterior, desde que seja editada lei ou ato especifico do

Secretário da Receita Federal que estenda os efeitos da
declaração de inconstitucionalidade a todos.

RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA

Somente são passíveis de restituição os valores recolhidos

indevidamente que não tiverem sido alcançados pelo prazo
decadencial de 5 (cinco anos), contado a partir da data do

ato que conceda ao contribuinte o efetivo direito de pleitear
a restituição.

Dispositivos Legais: Decreto n°2.346/1997, art. 1°. Medida

Provisória n° 1.699-40/1998, art. § 2°. Lei n° 5.172/1966
(Código Tributário Nacional) art. 168.

RELATÓRIO

As projeções do Sistema de Tributação formulam consulta

sobre restituição/compensação de tributo pago em virtude
de lei declarada inconstitucional, com os seguintes
questioncmientos:

a) com a edição do Decreto n°2.346/1997, a Secretaria da

Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda cional



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passam a admitir eficácia ex tune às decisões do Supremo
Tribunal Federal que declaram a inconstitucionalidade de lei

ou ato normativo, seja na via direta, seja na via de exceção?

b) nesta hipótese, estaríamos delegados e inspetores da
Receita Federal autorizados a restituir tributo cobrado com
base em lei declarada inconstitucional pelo STF?

c) se possível restituir as importâncias pagas, qual o termo

inicial para a contagem do prazo de decadência a que se
refere o art. 168 do CM a data do pagamento efetuado ou a

data da interpretação judicial?

d) os valores pagos à título de Finsocial, pelas empresas
vendedoras de mercadorias e mistas no que excederam à
0,5% (meio por cento), com fundamento na Lei n°

7.689/1988, art. 9°, e conforme Leis is's 7.787/1989 e
8.147/1990, acrescidos do adicional de 0,1% (zero virgula
uni por cento) sobre os fatos geradores relativos ao exercício
de 1988, nos termos do Decreto-lei 2.397/1987, art. 22,

podem ser restituídos a pedido dos interessados, de acordo
com o disposto na Medida Provisória n° 1.621-36'1998, art.
18, § 2°? Em caso afirmativo, qual o prazo decadencial para

o pedido de restituição?

e) a ação judicial o contribuinte não cumula pedido de
restituição, sendo a mesma restrita ao pedido de declaração

de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis mi 's 2.445/1988 e
2.449/1988 e do direito ao pagamento do PIS pela Lei

Complementar n° 7/1970. Para que seja afastada a
decadência, deve o autor cumular com a ação o pedido de

restituição do indébito?

J) considerando a IN SRF n° 21/1997, art. 17, § 1°, com as

alterações da IN SRF n° 73/1997, que admite a desistência
da execução de título judicial, perante o Poder Judiciário,
para pleitear a restituição/compensação na esfera

administrativa, qual deve ser o prazo decadencial (cinco ou

dez anos) e o termo inicial para a contagem desse prazo (o
ajuizamento da ação ou da data do pedido na via
administrativa)? Há que se falar em prazo prescricional
(prazo para pedir)? O ato de desistência, por parte do

contribuinte, não implicaria, expressamente, renúncia de
direito já conquistado pelo autor, vez que o CIN não prevê a

,data do ajuizamento da ação para contagersm prazo

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decadencial, o que justificaria o autor a prosseguir na

execução, por ser mais vantajoso?

FUNDAMENTOS LEGAIS

2. A Constituição de 1988 firmou no Brasil o sistema
jurisdicional de constitucionalidade pelos métodos do

controle concentrado e do controle difilso.

3. O controle concentrado, que ocorre quando um único

órgão judicial, no caso o STF, é competente pala decidir
sobre a inconstitucionalidade, é exercitado pela ação direta

de inconstitucionalidade - AD1n e pela ação declaratória de
constitucionalidade onde o autor propõe demanda judicial
tendo como núcleo a própria inconstitucionalidade ou
constitucionalidade da lei, e não um caso concreto.

4. O controle difluo - também conhecido por via de exceção,
controle indireto, controle em concreto ou controle
incidental (incidenter taram) - ocorre quando vários ou
todos os órgãos judiciais são competentes para declarar a
inconstitucionalidade de lei ou norma.

4.1 Esse controle se exerce por via de exceção, quando o

autor ou réu em uma ação provoca incidentalmente, ou seja,
paralelamente à discussão principal, o debate sobre a
inconstitucionalidade da norma, querendo, com isso, fazer
prevalecer a sua tese.

5. Com relação aos efeitos das declarações de
inconstitucionalidade ou de constitticionandade, no caso de

controle concentrado, segundo a doutrina e a jurisprudência
do STF, no plano pessoal, gera efeitos contra todos (erga

onmes); no plano temporal, efeitos ex tunc (efeitos
retroativos, ou seja, desde a entrada em vigor da norma); e,
administrativamente, têm efeito vinculante.

5.1 Os efeitos da ADI,' se estendem além das partes em

litígio, pois o que se está analisando é a lei em si mesma,
desvinculada de um caso concreto. Tal declaração atinge,

portanto, a todos os que estejam implicados na sua
objetividade.

5.2 Nesse sentido, quando o STF conhecer da Ação de
hwonstitucionalidade pela via da ação direta, prescinde-se

da comunicação ao Senado Federal para que este suspenda

"fria execução da lei ou do ato normativo inqui do de

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inconstitucionalidade (Regimento Interno do STF, arts.
169a 178).

6. Passando a analisar os efeitos da declaração de

inconstitucionalidade no controle difluo, devem ser
consideradas duas possibilidades, posto que, no tocante ao

caso concreto, à lide em si, os efeitos da declaração
estendem-se, no plano pessoal, apenas aos interessados no

processo, vale dizer, têm efeitos interpartes; en; sua
dimensão temporal, para essas mesmas partes, teria efeito ex

11117C.

6.1 No que diz respeito a terceiros não-participantes da lide,
tais efeitos somente seriam os mesmos depois da intervenção
do Senado Federal, porquanto a lei ou o ato continuariam a
viger, ainda que já pronunciada a sentença de

inconformidade com a Constituição. É o que se depreende do

art. 52 da Carta Magna, verbis:

'An. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:

X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei

declarada inconstitucional por decisão definitiva do

Supremo Tribunal Federal;"

7. Vale dizer, os efeitos da declaração de

inconstitucionalidade obtida pelo controle difiiso somente
alcançam terceiros, não-participantes da lide, se for
suspensa a execução da lei por Resolução baixada pelo

Senado Federal.

7.1 Nesse sentido, manifesta-se o eminente constilucionalista

José Afonso as Silva:

'... A declaração de inconstitucionalidade, na via indireta,
não anula a lei nem a revoga: teoricamente, a lei continua

em vigor, eficaz e aplicável, até que o Senado Federal
suspenda sua executoriedade nos termos do artigo 52, X; ... '

8. Quanto aos efeitos, no plano temporal, ainda com relação

ao controle difuso, a doutrina não é pacifica, entendendo
alguns que seriam ex tunc (como Celso Bastos, Gilmar
Ferreira Mendes) enquanto outros (como José Afonso da

Silva) defendem a teoria de que os efeitos seriam ex 111117C

(impediriam a continuidade dos atos para o futuro, mas não

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desconstittária, por si só, os atos jurídicos perfei os e

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acabados e as situações definitivamente constituídas).

9. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, apoiada na

mais autorizada do: Urina, conforme o Parecer PGFN n°
1.185/1995, tinha, na hipótese de controle difuso, posição

definida no sentido de que a Resolução do Senado Federal
que declarasse a inconstitucional idade de lei seria dotada de
efeitos ex minc.

9.1 Contudo, por força do Decreto n° 2.346/1997, aquele

órgão passou a adotar entendimento diverso, manifestado no
Parecer PGENCATás°437/1998.

10.Dispõe o art. 1° do Decreto ti° 2.346/1997:

"Art. 1° As decisões do Supremo Tribunal Federal que

fixem, de forma inequívoca e definitiva interpretação do
texto constitucional deverão ser uniformemente observadas
pela Administração Pública Federal direta ou indireta,
obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto.

I° Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal
Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato
normativo, em ação direta, a decisão dotada de eficácia "ex
tune", produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma
declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com
base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for

suscetível de revisão administrativa ou judicial.

ff 2° O dispositivo do parágrafo anterior aplica-se,
igualmente, à lei ou ato normativo que tenha sua

inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo
Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua
execução pelo Senado Federal."

11. O citado Parecer PGFINICAT n°43 7/1998 tornou sem
efeito o Parecer PGFN n° 1.185'1995, concluindo que "o

Decreto n° 2.346/1997 impôs, com força vinculante para a
Administração Pública Federal, o efeito ex 1107C ao ato do
Senado Federal que suspenda a execução de lei ou ato
normativo declarado inconstitucional pelo STF".

11.1 Em outras palavras. no controle de constitucionalidade
c/0's°, com a publicação do Decreto n° 2.346/1997, os

efeitos da Resolução do Senado foram equipara os aos da
ADM.

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12. Conseqüentemente, a resposta à primeira questão

é afirmativa: os efeitos da declaração de inconstituciona-
'idade, seja por via de controle concentrado, seja por via de
controle difitso, são retroativos, ressaltando-se que, pelo
controle difuso, somente produzirá esses efeitos, em relação

a terceiros, após a suspensão pelo Senado da lei ou do ato
normativo declarado inconstitucional.

12.1 Excepcionalmente, o Decreto prevê, em seu art. 4°, que
o Secretário da Receita Federal e o Procurador-Geral da

Fazenda Nacional possam adotar, no âmbito de suas
competências, decisões definitivas do STF que declarem a
inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo que
teriam, assim, os mesmos efeitos da Resolução do Senado.

13. Com relação à segunda questão, a resposta é que nem
sempre os delegados/inspetores da Receita Federal podem
autorizar a restituição de tributo cobrado com base em lei
declarada inconstitucional pelo STF. Isto porque, no caso de

contribuintes que não foram partes nos processos que
ensejaram a declaração de inconstitucionalidade - no caso
de controle difuso, evidentemente - para se configurar o
indébito, é mister que o tributo ou contribuição tenha sido

pago com base em lei ou ato normativo declarado
inconstitucional com efeitos erga 077737es, o que, já

demonstrado, só ocorre após a publicação da Resolução do
Senado ou na hipótese prevista no art. -I° do Decreto n°

2.346/1997.

14. Esta é a regra geral a ser obsenxida, havendo, contudo,

uma exceção a ela, determinada pela Medida Provisória n°
1.699-40'1998 art. 18 § 2°, que dispõe:

'Art. 18 - Ficam dispensados a constituição de créditos da
Fazenda Nacional, a inscrição conto Dívida Ativa da União,

o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assina
cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente:

§ 2° - O disposto neste artigo não implicará restituição 'ex
officio' de quantias pagas'

15. O citado artigo co pista da MP que dispõe sobre o CADIN
desde a sua primeira edição, em 30/08/95 (MP n°

1.110/1995, art. 17), tendo havido, desde eqigo, três
alterações em sua redação.

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210:
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15.1 Duas das alterações incluíram os incisos 1711 (MP n°

1.244, de 1412/95) e IX (MP n° 1.490-15, de 31/10 . 96) entre

as hipóteses de que trata o caput.

16. A terceira alteração, ocorrida em 10/06/1998 (MP ??°

1.621-36), acrescentou ao § 2° a expressão "ex officio" Essa

mudança, numa primeira leitura, poderia levar ao

entendimento de que, só a partir de então, poderia ser

procedida a restituição, quando requerida pelo contribuinte;

antes disso, o interessado que se sentisse prejudicado teria

que ingressar com uma ação de repetição de indébito junto

ao Poder Judiciário.

16.1 Salienta-se que, nos termos da Lei n°4.657/1942 (Lei de

Introdução ao Código Civil), art. 1°, § 4°, as correções a

texto de lei já em vigor consideram-se lei nova.

17. Entretanto, conforme consta da Exposição de Motivos

que acompanhou a proposta de alteração, o disposto no § 20

"consiste em norma a ser observada pela Administração

Tributária, pois esta não pode proceder ex officio, até por

impossibilidade material e insuficiência de informações,

eventual restituição devida". O acréscimo da expressão ex

officio visou, portanto, tão-somente, dar mais clareza e

precisão à norma, pois os contribuintes já faziam jus à

restituição antes disso; não criou fato novo, situação nova,

razão pela qual não há que se falar em lei nova.

18. Logo, os delegados/inspetores da Receita Federal

também estão autorizados a proceder à resti-
tuição/compensação nos casos expressamente previstos na

MP n° 1.699/1998, art. 18, antes mesmo que fosse incluída a

expressão 'ex officio' ao § 2°.

19. Com relação ao questionamento da compen-

sação/restituição do Finsocial recolhido com &amp;ignotas

majoradas acima de 0,5% (meio por cento) - e que foram

declaradas inconstitucionais elo STF em diversos recursos -

como as decisões do SIF são decorrentes de incidentes

de inconstitucionalidade via recurso ordinário, cujos

dispositivos, por não terem a sua aplicação suspensa pelo

Senado Federal, produzem efeitos apenas entre as partes

envolvidas no processo (a União e o contribuinte que ajuizou

a ação), não haveria, a princípio, que se cogitar de indébito

tributário neste caso.

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Ministério da Fazenda	

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19.1 Contudo, conforme já esposado, esta é uma das
hipóteses em que a AJP n° 1.699-40/1998 permite,
expressamente, a restituição (art. 18, inciso II!), razão pela
qual os delegados/inspetores estão autorizados a procedê-la.

19.2 O MC.57110 raciocínio vale para a compensação com
outros tributos ou contribuições administrados pela SRF,
devendo ser salientado que o interessado deve,
rzecessariamente, pleiteá-la administrativamente, mediante
requerimento (11V SRF n° 21/1997, art.12), inclusive quando
se tratar de compensação Finsocial x Cotins (o ADN COSIT
n° 15/1994 definiu que essas contribuições não são da mesma
espécie).

20. Ainda COM relação à compensação "'insocial x Cotins, o
Secretário da Receita Federal, com a edição da IN SRF n°
32/1997, art. 2°, havia decidido, verbis:

rA ri. 2 - Convalidar a compensação efetiva pelo
contribuinte, com a Contribuição para Financiamento da
Seguridade Social - COFINS, devida e não recolhida, dos
valores da contribuição ao Fundo de Investimento social -
FIIVSOCIAL, recolhidos pelas empresas exclusivamente
-vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento no
art. 9° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, na
alíquota superior a 0,5% (meio por cento), conforme as Leis
n os 7. 787, de 30 de junho de 1989, 7894, de 24 de novembro
de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida do
adicional de 0,1% (um décimo por cento) sobre os fatos
geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do art.
22 do Decreto-lei n°2.397, de 21 de dezembro de 1987'.

20.1 O disposto acima encontra amparo legal na Lei n°
9.430/1996, art. 77, e no Decreto n° 2.194/1997, § I° (o
Decreto n° 2.346/1997, que revogou o Decreto n°
2.194/1997, manteve, em seu art. 4°, a competência do
Secretário da Receita Federal para autorizar a citada
compensação)_

21. Ocorre que a IN SRF n° 32/1997 convalidou as
compensações efetivas pelo contribuinte do Finsocial com a
Cofins, que tivessem sido realizadas até aquela data. Tratou-
se de ato isolado, com fim específico. Assim, a partir da
edição da I1V, como já dito, a compensação só pode ser
procedida a requerimento do interessado, com frase na MP
n° . 699-40/1998.

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22. Passa-se a analisar a terceira questão proposta. O art.
168 do CI7V estabelece prazo de 5 (cinco) anos para o
contribuinte pleitear a restituição de pagamento indevido ou
maior que o devido, contados da data da extinção do crédito
tributário.

23. COMO bem coloca Paulo de Barros Carvalho, "a
decadência ou caducidade é tida como o fatojuridico que faz
perecer um direito pelo seu não exercício durante certo lapso
de tempo" (Curso de Direito Tributário, 7° ed., 1995, p311).

24. Há de se concordar, portanto, com o mestre Aliomar
Baleeiro (Direito Tributário Brasileiro, 10° ed., Forense, Rio,
p. 570), que entende que o prazo de que trata o art.168 do
CTIV é de decadência.

25. Para que se possa cogitar de decadência, é mister que o
direito seja exerci /cível; que, no caso, o crédito (restituição)
seja exigível. Assim, antes de a lei ser declarada
inconstitucional não há que se falar em pagamento indevido,
pois, até então, por presunção, era a lei constitucional e os
Fe:game/dos efetuados efetivametite devidos.

26. Logo, para o contribuinte que foi parte na relação
processual que resultou na declaração incidental
de inconstinecionaliclade, o início da decadência é
contado a partir do trânsito em julgado da decisão judicial.
Quanto aos demais, só se pode falar em prazo decadencial
qucniclo os efeitos da decisão forem válidos erga
omites, que. conforme já dito no item 12, ocorre
apenas após a publicação da Resolução do Senado ou após a
edição de ato espec (fico  da Secretária da Receita Federal
(hipótese ao Decreto n° 2.346/1997, art. 4°).

26.1 Quanto à declaração de inconstitucionalidade da lei por
meio de ADM, o termo inicial para a contagem do prazo de
decadência é a data do trânsito em julgado da decisão do
STF.

27. Com relação às hipóteses previstas na AlP n°
1.699-40/1998, art. 18, o prazo para que o cotstri-
buinte não-participante da ação possa pleitear a
restituição/compensação se iniciou com a data da
publicação:

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13



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a) da Resolução do Senado n° 11/1995, para o caso do inciso

b) da MP n° 1. 110/1995, para os casos dos incisos II a III;

c) da Resolução do Senado n° 49/1995, para o caso do inciso

VIII:

d) da /ti? n°1.490-15/1996, para o caso do inciso IX

28. Tal conclusão leva, de imediato, à resposta à quinta

pergunta. Havendo pedido administrativo e restituição do

PIS, fundamentando em decisão judicial especifica, que

reconhece a inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n's
2.445/1988 e 2.449/1988 e declara o direito do contribuinte

de recolher esse contribuição com base na Lei

Complementar n° 7/1970, o pedido deve ser deferido, pois

desde a publicação da Resolução do Senado n° 49/1995 o

contribuinte - mesmo aquele que não tenha cumulado à ação

o respectivo pedido de restituição - tem esse direito

garantido.

29. Com relação ao prazo para solicitar a restituição do

Finsocial, o Decreto n° 92.698/1986, art. 122, estabeleceu o

prazo de 10 (dez) anos, conforme se verificar em seu texto:

'Art. 122. O direito de pleitear a restituição da contribuição

extingue-se com o decurso do prazo de dez anos, contados

('Decreto-lei n°2.049/83. art. 99.

1- da data do pagamento ou recolhimento indevido:

II - da data em que se tornar definitiva a decisão

administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que

haja reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão

condenatória.'

30. Inobstante o fato de os decretos terem força vineulante

para a administração, conforme assinalado no propalado

Parecer PGFHCAT'n° 437/1998, o dispositivo acima não foi

recepcionado pelo novo ordenamento constitucional, razão

pela qual o prazo para que o contribuinte possa pleitear a

restituição de valores recolhidos indevidamente a titulo de

contribuição ao Finsocial é o mesmo que vale para os

demais tributos e contribuições administrados pelo SRF,

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14



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seja, 5 (cinco) anos (C77V, art. 168), contado da forma antes
determinada.

30.1 Em adiantamento, salientou-se que, no caso da Cofias, o

prazo de cinco anos consta expressamente do Decreto n°
2.173/1997, art. 78 (este Decreto revogou o Decreto n°

612/1992, que, entretanto, estabelecia idêntico prazo).

31. Finalmente a questão acerca da IN SRF n° 21/1997, art. -

17, com as alterações da IN SRF n° 73/1997. Neste caso, não
há que se falar em decadência ou prescrição, tendo em vista
que a desistência do interessado só ocorreria na fase de
execução do titulo judicial. O direito à restituição já teria
sido reconhecido (decisão transitada em julgado), não
cabendo à administração a análise do pleito de restituição,

mas, tão-somente, efetuar o pagamento.

31.1 Com relação ao fato da não-desistência da execução do

titulo judicial ser mais ou menos vantajosa para o autor,
trata-se de juizo a ser firmado por ele, tendo em vista que a
desistência é de caráter facultativo. Afinal, o pedido na
esfera administrativa pode ser medida interessante para

alguns, 170 sentido de que pode acelerar o recebimento de

valores que, de outra sorte, necessitariam seguir trâmite, em

geral, mais demorado (emissão de precatório).

CONCLUSÃO

32.Em face do exposto, conclui-se, em resumo que:

a) as decisões do STF que declaram a inconstitucionalidade
de lei ou de ato normativo, seja na via direta, seja na via de

exceção, têm eficácia ex tunc;

b) os delegados e inspetores da Receita Federal podem

autorizar a restituição de tributo cobrado com base em lei
declarada inconstitucional pelo STF, desde que a declaração
de inconstitucionalidade tenha sido proferida na via direta;

ou, se na via indireta:

I. quando ocorrer a suspensão da execução da lei ou do ato

normativo pelo Senado; ou

2. quando o Secretário da Receita Federal editar ato
específico, no uso da autorização prevista no Decreto n°

2.346/1997, art. 4'; ou ainda

3. nas hipóteses elencadas na MP n° 1.699-40/1998, art. 18;

.
	

15



CC-MF
Ministério da Fazenda

Fl.
Ith.f...;"t"	 Segundo Conselho de Contribuintes

Processo n° :	 10183.002537/99-06

Recurso n° :	 118.184

Acórdão n° : 202-13.947

c) quando da análise dos pedidos de resti-

tuição/compensação de tributos cobrados com base em lei
declarada inconstitucional pelo STF, deve ser observado o

prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do
CTN, seja no caso de controle concentrado (o termo inicial é

a data do trânsito em julgado da decisão do STF), seja no do
controle difuso (o termo inicial para o contribuinte que foi
parte na relação processual é a data do trânsito em julgado
da decisão judicial e, para terceiros não-participantes da -

lide, é a data da publicação da Resolução do Senado ou a
data da publicação do ato do Secretário da Receita Federal,
a que se refere o Decreto n°2.346/1997. art. 4°), bem assim

nos casos permitidos pela MP n° 1.699-40/1998, onde o

termo inicial é a data da publicação:

1. da Resolução do Senado n° 11/1995, para o caso do

inciso h

2. da MP n°1.110/1995, para os casos dos incisos II a VII;

3. da Resolução do Senado n° 49/1995, para o caso do inciso

VIII;

4. da MP n°1.490-15/1996, para o caso do inciso IX;

d) os valores pagos indevidamente a titulo de Finsocial pelas

empresas vendedoras de mercadorias e mistas - MP n°
1.699-40'1998, art. 18, inciso III - podem ser objeto de

pedido de restituição/compensação desde a edição da MP tz°
1.110/1995, devendo ser observado o prazo decadencial de 5

(cinco anos);

e) os pedidos de restituição/compensação do PIS recolhido a

maior com base nos Decretos-Leis n's 2.445/1988 e
2.449/1988, fundamentados em decisão judicial especifica,
devem ser feitos dentro do prazo de 5 (cinco) anos, contando
da data de publicação da Resolução do Senado n° 49/1995;

j) na hipótese da IN SRF n° 21/1997, art. 17, § 1°, com as

alterações da IN SRF n° 73/1997, não há que se falar em

prazo decadencial ou prescricional, tendo em vista tratar-se
de decisão já transitada em julgado, constituindo, apenas,
uma prerrogativa do contribuinte, com vistas ao
recebimento, em prazo mais ágil, de valor a que já tem
direito (a desistênciq se dá na fase de execução do titulo

judicial)."

41,
16



22 CC-MF
Ministério da Fazenda

Fl.
Segundo Conselho de Contribuintes

Processo n° :	 10183.002537/99-06

Recurso n" :	 118.184

Acórdão n° : 202-13.947

Vê-se, pois, considerando que o pleito em exame foi formulado em 14.06.1999,

que o mesmo não se encontra prescrito, pois que o termo final do prazo prescricional aplicável à

espécie seria 30.08.2000.

Correto, pois, o entendimento da recorrente ao afirmar que seu pleito não está

fulminado pela prescrição.

Entendo, assim, não estar o pleito da recorrente fulminado pela prescrição, de

modo que afasto a preliminar levantada pelo julgador monocrático e anulo o processo a partir da -

decisão recorrida, inclusive, determinando seja examinado o seu pedido de compensação,

apurando-se a existência ou não dos alegados créditos que se pretende compensar, bem como,

em se apurando a existência dos mesmos, se já foram eles utilizados pela contribuinte.

É COMO voto.

Sala das Sessões, em 09 de julho de 2002

*-	 ‘—

EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT

17


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          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">139</int>
            <str name="field">secao_s</str>
            <int name="numBuckets">8</int>
          </lst>
          <lst>
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          </lst>
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          </lst>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">137</int>
            <str name="field">ano_sessao_s</str>
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            <int name="inputDocSetSize">137</int>
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            <int name="inputDocSetSize">137</int>
            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
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            <str name="field">_turma_s</str>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">137</int>
            <str name="field">_ementa_assunto_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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            <str name="field">_tiporecurso_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="field">_processo_s</str>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">137</int>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">137</int>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">137</int>
            <str name="field">_recorrida_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">137</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">137</int>
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            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">137</int>
            <str name="field">_recorrente_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">137</int>
            <str name="field">decisao_txt</str>
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          </lst>
        </arr>
      </lst>
      <lst>
        <str name="processor">SimpleFacets</str>
        <long name="elapse">1</long>
        <str name="action">field facet</str>
        <int name="maxThreads">0</int>
        <arr name="sub-facet">
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">122</int>
            <str name="field">turma_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">122</int>
            <str name="field">camara_s</str>
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          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">122</int>
            <str name="field">secao_s</str>
            <int name="numBuckets">8</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">122</int>
            <str name="field">materia_s</str>
            <int name="numBuckets">86</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">122</int>
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            <int name="inputDocSetSize">122</int>
            <str name="field">ano_sessao_s</str>
            <int name="numBuckets">67</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">122</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">122</int>
            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">122</int>
            <str name="field">_orgao_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
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          </lst>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">160</int>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">160</int>
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            <str name="field">secao_s</str>
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          </lst>
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            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">154</int>
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            <int name="inputDocSetSize">154</int>
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          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">143</int>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">143</int>
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          </lst>
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      </lst>
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        <str name="processor">SimpleFacets</str>
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            <str name="field">camara_s</str>
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            <int name="inputDocSetSize">166</int>
            <str name="field">secao_s</str>
            <int name="numBuckets">8</int>
          </lst>
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            <str name="field">ano_sessao_s</str>
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          </lst>
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            <str name="field">ano_publicacao_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
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            <str name="field">_recorrente_s</str>
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