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Numero do processo: 15586.720988/2013-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/11/2011
COMPENSAÇÃO. TRIBUTO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. VEDAÇÃO. GLOSA.
Comprovado nos autos que o sujeito passivo compensou tributo, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, impõe-se a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de juros e multa de mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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GLOSA Recorrente MUNICÍPIO DE AFONSO CLÁUDIO PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2011 a 30/11/2011 COMPENSAÇÃO. TRIBUTO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. VEDAÇÃO. GLOSA. Comprovado nos autos que o sujeito passivo compensou tributo, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, impõese a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de juros e multa de mora. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 09 88 /2 01 3- 93 Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720988/201393 Acórdão n.º 2401004.176 S2C4T1 Fl. 1.005 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto. André Luís Mársico Lombardi Presidente Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720988/201393 Acórdão n.º 2401004.176 S2C4T1 Fl. 1.006 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), cujo dispositivo tratou de negar provimento à impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1267.146 (fls. 964/968): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2011 a 30/11/2011 COMPENSAÇÃO. TRIBUTO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de tributo objeto de discussão judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da decisão favorável ao contribuinte, hipótese que enseja a glosa integral dos valores indevidamente compensados. 2. Extraise do relatório fiscal, às fls. 10/17, que o processo administrativo é composto pelo Auto de Infração (AI) nº 51.031.8444, relativo à glosa de compensação de contribuição previdenciária, indevidamente realizada pelo sujeito passivo antes do trânsito em julgado da respectiva ação judicial, nas competências 07 a 08/2011 e 10 a 11/2011, acrescida de juros e multa de mora. 2.1 A compensação referese a recolhimentos efetuados a título de contribuições previdenciárias incidentes sobre os subsídios percebidos pelos detentores de mandato eletivo municipal, no período de fev/98 a set/2004. 2.2 Segundo a fiscalização, em 9/6/2010, antes de iniciar a compensação, o município ajuizou ação judicial, cadastrada sob o nº 000089898.201.4.02.5002 (nº antigo 2010.50.02.0008984), com a finalidade de obter a declaração do direito de compensar os valores pagos a título de contribuição social incidentes sobre os subsídios dos agentes políticos sem observar os limites preconizados pela legislação (Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, e Portaria MPS nº 133, de 2 de maio de 2006). 2.3 Em primeira instância, o pedido foi julgado procedente, reconhecendo o direito à compensação, respeitado, porém, o disposto no art. 170A da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). 2.4 Dessa sentença foi interposta apelação pelas partes, recebida nos efeitos devolutivo e suspensivo, estando o feito pendente de julgamento na data da lavratura do auto de infração, em 20/11/2013. 2.5 Tendo buscado a via judicial, concluiu a autoridade fiscal que o contribuinte não aguardou o trânsito em julgado da decisão para realizar a compensação, em afronta ao prescrito no art. 170A do CTN. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720988/201393 Acórdão n.º 2401004.176 S2C4T1 Fl. 1.007 4 3. Cientificado da autuação por via postal em 21/11/2013, às fls. 944, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 948/956). 3.1 Em síntese, alega a desnecessidade de aguardarse o trânsito em julgado na hipótese de compensação amparada na disciplina do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Vale dizer que evidenciado o recolhimento indevido, legitimase a compensação por parte do contribuinte. 3.2 Ainda segundo o autuado, o art. 170A do CTN não se aplica à compensação relacionada aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. 3.3 E, por fim, a própria Administração Tributária, a exemplo da Portaria MPS nº 133, de 2006, já reconheceu a existência de indébito nos pagamentos incidentes sobre subsídios dos agentes políticos. 4. Intimado em 8/8/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 973, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 5/9/2014, em que repete os argumentos expendidos em sua impugnação e solicita a declaração de improcedência do auto de infração, bem como a reforma do Acórdão nº 1267.146 (fls. 975/987). É o relatório. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720988/201393 Acórdão n.º 2401004.176 S2C4T1 Fl. 1.008 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. Preliminarmente, destaco que o Fisco relata, apoiado em prova documental, a interposição de ação judicial pelo recorrente com a finalidade de obter a declaração do direito de compensar valores recolhidos indevidamente decorrentes de exigência tributária declarada posteriormente inconstitucional. 6.1 Ao optar por seguir o caminho da via judicial, o sujeito passivo não aguardou o trânsito em julgado da decisão para iniciar a compensação, bem como desrespeitou o comando da sentença proferida em primeiro grau. 7. Com relação a esse fato alegado pela acusação fiscal, isto é, que houve compensação de tributo pelo sujeito passivo objeto de discussão judicial antes do respectivo trânsito em julgado, não há contestação, tratandose de fato incontroverso. 8. Pois bem. Estabelece o art. 170 do CTN que a compensação no direito tributário depende de lei específica que a autorize, podendo esta inclusive prever condições e limites ao seu exercício. Eis a redação desse dispositivo: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. 8.1 Pautado em critérios de conveniência da política fiscal de cada ente político, o legislador pode estipular, ou delegar à autoridade administrativa que estipule, condições e garantias à compensação de créditos tributários com crédito líquidos e certos, ou mesmo instituir limites ao seu exercício. Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720988/201393 Acórdão n.º 2401004.176 S2C4T1 Fl. 1.009 6 8.2 Em que pese a possibilidade de se implantar restrições à compensação, haverá sempre a opção pela repetição do indébito mediante o procedimento administrativo ou judicial de restituição. 9. Com a Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, foi introduzido o art. 170A no CTN, que prescreve a impossibilidade da compensação de tributo objeto de contestação judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Transcrevo sua redação: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. 9.1 Dispõe o art. 170A nada mais que ressaltar a necessidade, para fins do direito à compensação, de haver certeza quanto à existência do crédito do sujeito passivo, nos termos estabelecidos no art. 170 do mesmo Código, antes reproduzido. 9.2 Como regra geral, quando o direito creditório amparase em indébito tributário judicialmente contestado, em que o sujeito passivo busca um pronunciamento definitivo pela via judicial, pairam dúvidas sobre a própria existência da dívida, cuja certeza virá apenas com o reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado. 10. Em contraponto, sustenta o recorrente que a compensação no âmbito dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, por prescindir do prévio reconhecimento da liquidez e certeza, dispensa o trânsito em julgado da decisão judicial. 11. Não me parece correto tal ponto de vista, dado que o art. 170A do CTN, ao exigir que não mais haja discussão judicial acerca dos créditos, não distingue a compensação de tributos lançados por homologação das demais modalidades de lançamento. 12. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é firme nessa mesma linha de pensamento: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. MATÉRIA PACIFICADA. SÚMULA N.º 168/STJ. 1. Nas ações ajuizadas após a publicação da Lei Complementar n.º 104/2001, que acrescentou o art. 170A ao CTN, somente se admite a compensação tributária depois do trânsito em julgado da sentença. Precedentes da Seção. 2. A jurisprudência da Corte não diferencia a compensação no âmbito do lançamento por homologação (art. 66 da Lei n.º 8.383/90) das demais hipóteses de compensação para efeito de incidência do disposto no art. 170A do CTN. (grifei) (...) 4. Agravo regimental improvido. (AgRg nos EDcl nos Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 755.567/PR; Relator Ministro Castro Meira, 1ª Seção, Data de publicação em 13/3/2006) Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720988/201393 Acórdão n.º 2401004.176 S2C4T1 Fl. 1.010 7 13. Impõese a vedação do art. 170A do CTN, inclusive, às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, porque a norma jurídica não faz menção, tampouco faz qualquer restrição quanto à origem ou causa do indébito tributário a que se pretende submeter à compensação. 14. Colaciono, novamente, a pacífica jurisprudência do STJ, desta feita um julgamento na sistemática do recurso repetitivo (art: 543C do Código de Processo Civil): TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. (grifei) 2.. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (Recurso Especial nº 1.167.039/DF; Relator Ministro Teori Albino Zavascki, 1ª Seção, Data de Publicação: 2/9/2010) 15. Por outro lado, é certo que cabe ao contribuinte, por sua iniciativa, apurar seu crédito e efetuar a compensação quando vinculada ao regime de tributos lançados por homologação, ficando esse encontro de contas sujeito a revisão fiscal. Por isso, se diz que essa espécie de compensação prescinde de prévia autorização administrativa ou judicial. 16. Acertadamente também aduz a recorrente que o Fisco já reconheceu, no plano abstrato, por meio da edição da Portaria MPS nº 133, de 2006, e da Instrução Normativa SRP nº 15, de 12 de setembro de 2006, a possibilidade de restituição e compensação de valores arrecadados pela Previdência Social em relação aos exercentes de mandato eletivo, cujos recolhimentos indevidos deramse por força da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentado pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 30 de outubro de 1997. Esse dispositivo foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 17. Contudo, como registra o votocondutor do acórdão recorrido, ao submeter ao crivo do Poder Judiciário a sua pretensão de compensação, o sujeito passivo vinculase ao desfecho da ação judicial. 17.1 Resultado dessa opção, fica compelido a aguardar a expedição da norma individual e concreta, revestida dos efeitos da coisa julgada material, para poder exercer o seu direito. Após o trânsito em julgado, a norma expedida pelo Poder Judiciário autorizará a extinção do crédito tributário, nos termos e condições ali fixados. 18. Embora o recorrente afirme que a compensação em questão não exige autorização judicial, enxergo contradição nesse ponto do apelo, porque optou exatamente em ingressar em juízo para discutir tal encontro de contas. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720988/201393 Acórdão n.º 2401004.176 S2C4T1 Fl. 1.011 8 18.1 Não é aceitável que interponha, de um lado, ação judicial visando à obtenção de um pronunciamento definitivo pelo Poder Judiciário, e, de outro, aproveite a sistemática no âmbito do lançamento por homologação para compensar, segundo os seus critérios, o crédito objeto de contestação judicial. 19. É bom anotar ainda que a ação ajuizada pela recorrente não se limita a discutir meros critérios de compensação, mas também a não incidência da prescrição nos pagamentos realizados, matéria que repercute diretamente na relação de direito material litigiosa (fls. 77/85). 20. De maneira que, ao levar a questão à apreciação do Poder Judiciário, há evidências de não estar configurada a indispensável certeza quanto ao crédito pleiteado pelo sujeito passivo, porque incerta a própria possibilidade de exigir o indébito do devedor. Pendendo controvérsia judicial sobre a existência do crédito, devese implementar a compensação somente após o trânsito em julgado da ação judicial. 21. De mais a mais, a conduta do recorrente de iniciar e manter a compensação antes do trânsito em julgado, além de contrariar o art. 170A do CTN, é igualmente contrária ao próprio pronunciamento judicial, porque o magistrado, na sentença de primeiro grau, proferida em jun/2011, vincula a compensação ao trânsito em julgado (fls. 82/84). 22. Em suma, considerando a acusação, devidamente comprovada, de haver desobediência ao art. 170A do CTN, deverá ser mantida, integralmente, a glosa da compensação, acrescida de multa e de juros de mora (art. 89, § 9º, da Lei nº 8.212, de 1991). Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cleberson Alex Friess. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 11522.001486/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
SERVIDORES PÚBLICOS ADMITIDOS SEM CONCURSO PÚBLICO APÓS A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE 1988. FILIAÇÃO OBRIGAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RGPS).
Os servidores públicos admitidos sem concurso público após a publicação da Carta Política de 1988 filiam-se obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social.
PARCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA.
De acordo com a distribuição ordinária do ônus da prova, a comprovação da ocorrência de fatos extintivos do direito do Fisco, tal como a inclusão em parcelamento administrativo de parte do crédito tributário exigido em notificação fiscal, compete a quem invoca tal circunstância como fundamento à sua pretensão.
SALÁRIO-FAMÍLIA E/OU SALÁRIO-MATERNIDADE. APROVEITAMENTO PARA DEDUÇÃO DOS VALORES LANÇADOS PELA FISCALIZAÇÃO.
Admite-se o aproveitamento dos valores pagos a título de salário-família e/ou salário-maternidade para fins de dedução do crédito tributário exigido em notificação fiscal, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência fiscal, manifesta-se expressamente no sentido da retificação do lançamento que deixou de considerar tais parcelas.
COMPENSAÇÃO FINANCEIRA ENTRE REGIMES DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. REGIME GERAL. REGIME PRÓPRIO. MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
A compensação financeira entre regimes de previdência social, de modo a que sejam aproveitados valores para reduzir ou quitar o crédito tributário incluído em notificação fiscal, é matéria estranha ao processo administrativo fiscal.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2401-003.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para permitir o aproveitamento dos valores pagos a título de salário-família e/ou salário-maternidade, conforme discriminado pela fiscalização às fls. 153/178, deduzindo-os das contribuições previdenciárias lançadas.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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Recorrente ESTADO DO ACRE PROCURADORIAGERAL DO ESTADO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 SERVIDORES PÚBLICOS ADMITIDOS SEM CONCURSO PÚBLICO APÓS A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE 1988. FILIAÇÃO OBRIGAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RGPS). Os servidores públicos admitidos sem concurso público após a publicação da Carta Política de 1988 filiamse obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social. PARCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. De acordo com a distribuição ordinária do ônus da prova, a comprovação da ocorrência de fatos extintivos do direito do Fisco, tal como a inclusão em parcelamento administrativo de parte do crédito tributário exigido em notificação fiscal, compete a quem invoca tal circunstância como fundamento à sua pretensão. SALÁRIOFAMÍLIA E/OU SALÁRIOMATERNIDADE. APROVEITAMENTO PARA DEDUÇÃO DOS VALORES LANÇADOS PELA FISCALIZAÇÃO. Admitese o aproveitamento dos valores pagos a título de saláriofamília e/ou saláriomaternidade para fins de dedução do crédito tributário exigido em notificação fiscal, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência fiscal, manifestase expressamente no sentido da retificação do lançamento que deixou de considerar tais parcelas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 14 86 /2 00 7- 13 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11522.001486/200713 Acórdão n.º 2401003.947 S2C4T1 Fl. 295 2 COMPENSAÇÃO FINANCEIRA ENTRE REGIMES DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. REGIME GERAL. REGIME PRÓPRIO. MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. A compensação financeira entre regimes de previdência social, de modo a que sejam aproveitados valores para reduzir ou quitar o crédito tributário incluído em notificação fiscal, é matéria estranha ao processo administrativo fiscal. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para permitir o aproveitamento dos valores pagos a título de saláriofamília e/ou saláriomaternidade, conforme discriminado pela fiscalização às fls. 153/178, deduzindoos das contribuições previdenciárias lançadas. (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11522.001486/200713 Acórdão n.º 2401003.947 S2C4T1 Fl. 296 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL), cujo dispositivo considerou improcedente em parte a impugnação, reconhecendo a decadência para as competências de 03 a 05/1999 e mantendo o restante do crédito tributário não decadente. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0116.075 (fls. 238/257): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 NFLD n° 35.818.1283. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE. STF. Prescreve a Súmula Vinculante n° 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual, em se tratando de lançamento de oficio, devese aplicar O prazo decadencial de cinco anos. DECADÊNCIA. NULIDADE POR VICIO FORMAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, II CTN. No lançamento substitutivo, em que O anterior foi anulado por vício formal, aplicase o prazo previsto no artigo 173, inciso II, do CTN. O direito da Fazenda Pública constituir O crédito tributário substitutivo com fundamento no artigo 173, inciso II, do CTN não abrange o direito de lançar contribuições relativas a obrigações tributárias “ já extintas, quando da lavratura do lançamento substituído, pela ocorrência da decadência. ÓRGÃO PÚBLICO. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. Aplicase a exegese literal do art. 40 da Constituição da República aos servidores admitidos no serviço público após a promulgação da Constituição de 1988, somente sendo aplicável o regime previdenciário próprio previsto no caput do citado artigo aos servidores nomeados para cargo de provimento efetivo. FALTA DE CONCURSO PÚBLICO. CONTRATO NULO. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos, a teor do art. 118, inciso I do Fl. 296DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11522.001486/200713 Acórdão n.º 2401003.947 S2C4T1 Fl. 297 4 CTN. Havendo a disponibilidade da força de trabalho esta deverá ser devidamente recompensada, gerando direito à remuneração e produzindo reflexos no enquadramento do prestador de serviço como segurado obrigatório do RGPS. DEDUÇÃO DE SALÁRIO FAMÍLIA E SALÁRIO MATERNIDADE. O pagamento e o reembolso de saláriofamília e salário maternidade estão condicionados à apresentação da documentação legalmente definida, nos termos dos art. 67 e 72 da Lei n° 8.213/91, devendo a empresa conservar tais documentos durante 10 (dez) anos, para exame pela fiscalização da Previdência Social. COMPENSAÇÃO. A compensação é uma prerrogativa deferida ao contribuinte; no entanto, este deve observar os procedimentos fixados pela Administração Tributária a fim de fazer valer o seu direito. Somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição. ÔNUS PROBATÓRIO. O crédito previdenciário lavrado em conformidade com o art. 37 da Lei n° 8.212/91 e alterações c/c art. 142 do C.T.N, somente será elidido mediante a apresentação de provas, pelo contribuinte, que comprove a não ocorrência desses fatos. . Impugnação Procedente em Parte 2. Extraise do relatório fiscal, às fls. 65/73, que o processo administrativo é composto pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.818.1283, relativa às contribuições devidas à seguridade social incidentes sobre remunerações de segurados empregados, compreendendo as contribuições patronais, bem como as contribuições dos segurados empregados, no período de 01/1999 a 12/2003. 2.1 Segundo a fiscalização, os fatos geradores decorrem de pagamentos efetuados a servidores contratados a partir da vigência da Constituição da República de 1988, sem submeteremse a concurso público, os quais estão filiados obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), e não ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). 2.2 A notificação fiscal foi lavrada em substituição a de nº 35.677.1962, tornada nula por decisão definitiva em 19/7/2005, por vício formal, devido a erro na identificação do sujeito passivo. 3. Cientificado por via postal da autuação em 5/12/2005, às fls. 74/75, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 77/95). 4. Na sequência, o processo foi baixado em diligência para que o Fisco se pronunciasse sobre as alegações e os documentos trazidos com a defesa (fls. 150). Fl. 297DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11522.001486/200713 Acórdão n.º 2401003.947 S2C4T1 Fl. 298 5 4.1 Na Informação Fiscal, acostada às fls. 177/178, entre outros pontos, a auditoria declarou que: i) os débitos apurados relativos à fiscalizada não haviam sido incluídos pelo Estado do Acre em nenhum acordo de parcelamento; e ii) de fato, não houve a dedução de cotas de saláriofamília e/ou saláriomaternidade, devendo ser retificado o débito exigido, conforme discriminado na relação nominal de beneficiários (fls. 153/176). 4.2 Oportunizado o contraditório ao contribuinte, constam dos autos o aditamento da sua impugnação (182/203). 5. Intimada em 11/3/2010, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 269/270, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 18/3/2010, em que aduz os seguintes argumentos de defesa (fls. 274/287): i) a partir da vigência do regime estatutário do Estado do Acre, instituído pela Lei Complementar nº 39, de 29 de dezembro de 1993, os servidores ocupantes de cargos públicos, mesmo os admitidos sem concurso público, estão amparados pelo RPPS; ii) o art. 40 da Carta da República de 1998 não representa óbice a esse entendimento, porquanto a expressão "cargo efetivo" empregada pelo texto constitucional contrapõese a cargos de natureza temporária (cargo em comissão e temporário), mencionados no § 13, e não relativamente à condição de efetividade ostentada pelo servidor; iii) o Parecer nº GM030, de 4 de abril de 2002, emitido pela Advocacia Geral da União, aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial, concluiu que os servidores não estáveis nem efetivados possuem direito ao mesmo regime próprio dos servidores titulares de cargos efetivos; iv) parte dos valores apurados na ação fiscal, referentes às competências 01 a 02/1999 e 06 a 08/1999, já foram incluídos em parcelamentos feitos pela administração direta; v) o pedido para aproveitamento dos valores pagos a título de saláriofamília e saláriomaternidade para fins de dedução do crédito tributário foi acatado pelo agente fiscal, porém a decisão de piso desconsiderou tal posicionamento; e vi) caso se entenda pela manutenção do lançamento, a transmudação entre os regimes previdenciários exige a compensação financeira entre os institutos de previdência. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11522.001486/200713 Acórdão n.º 2401003.947 S2C4T1 Fl. 299 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 6. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito a) Vínculos dos servidores públicos 7. Até a Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, não havia restrições à filiação de servidores públicos a RPPS. 8. A partir da promulgação desta Emenda, que deu nova redação ao art. 40 da Constituição da República de 1998, a possibilidade de filiação ao RPPS ficou restrita ao servidores ocupantes de cargos efetivos: Art. 40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (...) § 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (...) 9. Os cargos efetivos revestemse da característica de permanência, em que a ocupação pelo servidor não se dá em caráter transitório ou temporário. Criados para receberem ocupantes em caráter definitivo, os cargos são providos por concurso público de provas ou de provas e títulos. 1 10. No caso sob exame, os servidores arrolados no débito fiscal foram admitidos após a Carta Política de 1988, irregularmente efetivados por lei estadual segundo o que prescreve a mesma Constituição, pois o seu ingresso não se deu por concurso público (fls. 46/64). 1 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 18ª ed. São Paulo:Malheiros, 2005, p. 281. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11522.001486/200713 Acórdão n.º 2401003.947 S2C4T1 Fl. 300 7 11. Pela nossa compreensão da legislação, ao não haver a nomeação para cargo de provimento efetivo, pela via do concurso público, haverá necessária vinculação dos trabalhadores ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), por falta de amparo no caput do art. 40 da Carta Magna. 12. Por sua vez, os órgãos e entidades da administração pública são equiparados a empresa para fins de aplicação da legislação previdenciária, nos termos do art. 15 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 12.1 Aquele que presta serviço de caráter não eventual à empresa, sob sua subordinação e mediante remuneração, é considerado segurado empregado do RGPS, consoante alínea "a" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991. 12.2 Daí porque, embora guarde semelhança ao conceito da legislação trabalhista, a definição previdenciária não atrai apenas os empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 12.3 Enquadramse como segurado empregado também o ocupante de cargo e emprego público, excluindose apenas o amparado por regime próprio, ocupante de cargo efetivo ou mesmo de cargo vitalício, tais como os magistrados, por força do que prevê o texto da Carta constitucional (art. 93, inciso VI). 13. No tocante ao Parecer nº GM30, de 2002, aprovado pelo Presidente da República, sua abrangência diz respeito à aplicação do mesmo regime previdenciário dos servidores estáveis e efetivados ao servidores públicos estabilizados nos termos do art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), além daqueles que, mantidos no serviço público e sujeitos ao regime estatuário, não preencheram os requisitos estabelecidos na referida disposição transitória. Desta maneira, alcançam igualmente os servidores não estáveis nem efetivados que foram admitidos no serviço público antes de 1988. 13.1 De tal sorte que o efeito vinculante à administração federal, que obriga a lhe dar fiel cumprimento, por força do § 1º do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, tem seu limite jungido ao contexto normativo específico em que submetido o exame da matéria pelo AdvogadoGeral da União, ou seja, à situação de todos os servidores públicos estatutários admitidos no serviço público anteriormente à promulgação da Constituição da República de 1988, em razão da implantação pelo poder constituinte originário de uma nova ordem constitucional no País. 13.2 Destarte, sintome confortável para não utilizar quaisquer das conclusões do Parecer, não só pela falta de vinculação ao caso concreto em julgamento, mas pela própria inaplicabilidade dos seus fundamentos assim penso aos servidores que foram admitidos no serviço público sem concurso público após a promulgação da Constituição de 1988, como ora cuida a autuação fiscal sob exame. b) Existência de valores incluídos em parcelamentos 14. Assim como no tópico precedente, entendo correta a conclusão a que chegou o acórdão recorrido, com base na fundamentação desenvolvida. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11522.001486/200713 Acórdão n.º 2401003.947 S2C4T1 Fl. 301 8 15. A mera alegação de existência de parcelamentos de valores relacionados às folhas de pagamento do servidores públicos que prestaram serviço à notificada, ainda que verificada a identidade entre os períodos apurados, não é elemento suficiente para acatar o pleito de dedução dos valores contidos em parcelamentos. 16. Como bem destacou a decisão de piso, é improvável que o litigante tenha confessado e parcelado espontaneamente contribuições previdenciárias incluídas na notificação fiscal em exame, quando discorda veementemente da acusação fiscal e afirma que os valores correspondentes aos segurados nominados às fls. 46/64 estão sendo recolhidos há anos ao RPPS do Estado do Acre. 17. De acordo com a distribuição ordinária do ônus da prova, a comprovação da ocorrência de fatos extintivos do direito do Fisco compete à recorrente, que invoca tal circunstância como fundamento à sua pretensão. Deveria demonstrar, portanto, que o parcelamento realizado pelo Estado do Acre guarda consonância em relação aos elementos do lançamento de ofício que pretende ver desconstituído, o que não restou nem de perto provado na impugnação e/ou recurso voluntário. c) Dedução de saláriofamília e/ou saláriomaternidade 18. Em sede de diligência fiscal, a fiscalização pronunciouse a favor das deduções a título de saláriofamília e/ou saláriomaternidade, tendo elaborado uma planilha contendo os nomes dos segurados beneficiários, competência e valor do benefício (fls. 153/162 e 163, respectivamente), além do preenchimento de um demonstrativo com as deduções, por competência, conforme campo "79 Deduções" (fls. 164/176). 19. O órgão de primeira instância desconsiderou a retificação promovida pela autoridade lançadora, sob a alegação de que, no relatório fiscal, o Fisco havia afirmado que as deduções das cotas não foram consideradas por irregularidades relacionadas à falta de apresentação do atestado de vacinação obrigatória e à comprovação de frequência escolar do filho ou equiparado, não tendo o auditor notificante, por ocasião da diligência realizada, reportado que a documentação encontravase de acordo com o que determinava a legislação previdenciária. 20. Essa recusa do julgador de promover a retificação do débito, nos termos propostos pela auditoria, não me parece adequada. Explico. 20.1 Após reexaminar as informações referentes aos valores pagos a título de salário família e saláriomaternidade, a autoridade fiscal manifestouse expressamente pela retificação do crédito previdenciário, mediante dedução dos valores pagos pela recorrente. 20.2 Vale dizer que, ao concordar com o direito às deduções, ainda que implicitamente o agente fiscal reconhece que o pagamento do benefício previdenciário observou às normas vigentes, equivalendo, portanto, a uma anuência para a revisão da acusação fiscal. 20.3 A despeito da manifestação da fiscalização, o julgador "a quo" afirmou carecerem de consistências as deduções do saláriofamília e saláriomaternidade, parecendome sugerir essa manifestação que o agente fiscal desconheceria a legislação de regência que condiciona o pagamento do saláriofamília à regularidade documental do filho ou equiparado. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11522.001486/200713 Acórdão n.º 2401003.947 S2C4T1 Fl. 302 9 Avaliada nesse caso concreto, tal suposição evidencia uma interferência inapropriada na função reservada ao órgão fiscalizador. 20.4 Mais que isso, ao optar por deixar de acatar as deduções pugnadas pela fiscalização, a decisão colegiada indiretamente acaba agravando a exigência fiscal, se tomado como parâmetro o montante do crédito tributário reconhecido legítimo pela autoridade lançadora após a diligência fiscal. 21. Assim, entendo que devam ser deduzidas do crédito tributário lançado as parcelas que constam das planilhas de fls. 153/163 e que foram consolidadas, por competência, no documento de fls. 164/176, referentes ao saláriofamília e/ou saláriomaternidade (campo "79 Deduções"). d) Compensação 22. Como bem afirmou a decisão de piso, o pleito de compensação financeira entre regimes previdenciários, assim como a compensação de valores recolhidos indevidamente aos cofres do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no período de 01 a 03/1994, é matéria estranha ao processo administrativo fiscal. 23. Dessa feita, a compensação entre o RGPS e RPPS, de modo a que aproveitados valores para reduzir ou quitar o crédito tributário incluso na notificação fiscal, não merece acolhimento. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para permitir o aproveitamento dos valores pagos a título de saláriofamília e/ou saláriomaternidade, conforme discriminado pela fiscalização às fls. 153/178, deduzindoos das contribuições previdenciárias lançadas. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Fl. 302DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 12045.000625/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2002
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CAMPO OCORRÊNCIA. EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. INFORMAÇÕES QUE ALTEREM O VALOR DAS CONTRIBUIÇÕES. PERÍODO ANTERIOR A 06/2003. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
É nula, por vício material, a autuação por deixar a empresa de informar, em campo próprio da GFIP, a exposição de segurados empregados a agentes nocivos, cuja falta altera o valor devido das contribuições previdenciárias, quando fundamentada na apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores a que alude o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, relativamente a competências anteriores a 06/2003.
Recurso de ofício negado
Numero da decisão: 2401-003.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negar-lhe provimento. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Maria Cleci Coti Martins e André Luís Mársico Lombardi votaram pela conversão do julgamento em diligência para que se aguardasse o julgamento do processo de obrigação principal relacionado aos fatos geradores que deram origem à autuação. Fez sustentação oral: Dr. Cezar Silva de Paula Filho. OAB: 144042/MG.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES Recorrente PRESIDENTE DA 6ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM CAMPINAS (DRJ/CPS) Interessado COMPANHIA SIDERÚRGICA PAULISTA COSIPA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CAMPO OCORRÊNCIA. EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. INFORMAÇÕES QUE ALTEREM O VALOR DAS CONTRIBUIÇÕES. PERÍODO ANTERIOR A 06/2003. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É nula, por vício material, a autuação por deixar a empresa de informar, em campo próprio da GFIP, a exposição de segurados empregados a agentes nocivos, cuja falta altera o valor devido das contribuições previdenciárias, quando fundamentada na apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores a que alude o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, relativamente a competências anteriores a 06/2003. Recurso de ofício negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negarlhe provimento. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Maria Cleci Coti Martins e André Luís Mársico Lombardi votaram pela conversão do julgamento em diligência para que se aguardasse o julgamento do processo de obrigação principal relacionado aos fatos geradores que deram origem à autuação. Fez sustentação oral: Dr. Cezar Silva de Paula Filho. OAB: 144042/MG. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 06 25 /2 00 7- 19 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12045.000625/200719 Acórdão n.º 2401003.955 S2C4T1 Fl. 292 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12045.000625/200719 Acórdão n.º 2401003.955 S2C4T1 Fl. 293 3 Relatório Cuidase de recurso de ofício interposto pelo Presidente da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS), em face da decisão administrativa consubstanciada no Acórdão nº 0540.543, cujo dispositivo tratou de considerar procedente a impugnação, cancelando o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa desse Acórdão (fls. 251/258): Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2002 GFIP. INFORMAÇÃO DE DADOS NÃO CORRESPONDENTES A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, MAS QUE ALTERAM O VALOR DESTAS. PUNIÇÃO NA FORMA DO INCISO II DO ART. 284 DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. POSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA 06/2003 EM DIANTE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a fatos geradores de contribuições previdenciárias, mas que alteram o valor destas, passou a ser punível com a multa prevista no inciso II do art. 284 do RPS somente a partir da competência 06/2003, quando editado o Decreto nº 4.079 de 9/6/2003. NULIDADE. É nulo o auto de infração lavrado em desconformidade com as determinações legais e normativas aplicáveis. 2. Extraise do relatório fiscal da infração, bem como do relatório fiscal da aplicação da multa, às fls. 13/73, que foi aplicada multa, por meio do auto de infração (AI) nº 35.558.3879, por ter a empresa apresentado, nas competências 04/1999 a 12/2002, a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias (Código de Fundamentação Legal CFL 68). 2.1 Ao deixar de informar, em campo próprio da GFIP, a exposição de segurados empregados a agentes nocivos que enseja a concessão de aposentadoria especial, foi aplicada a penalidade prevista no inciso IV do § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, c/c inciso II do art. 284 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999. 3. Cientificado pessoalmente da autuação em 2/9/2003 (fls. 10), o sujeito passivo impugnou a exigência fiscal (fls. 86/92). 3.1 Sustenta a improcedência do lançamento, por inexistir certeza sobre a exigência do adicional destinado ao custeio da aposentadoria especial, conforme a Notificação Fiscal nº 35.558.3810, autuação que serviu de motivação para a aplicação da penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12045.000625/200719 Acórdão n.º 2401003.955 S2C4T1 Fl. 294 4 3.2 Tendo em vista a conexão entre as autuações, apenas após a decisão administrativa definitiva em relação ao processo que envolve a obrigação principal poderseá adotar, se for o caso, os procedimentos para aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória. 3.3 Por conseguinte, não há base legal para o lançamento fiscal, visto que os documentos (GFIPs) foram entregues no prazo legal e guardam exatidão com os fatos geradores de contribuição previdenciária. 4. Às fls. 128/132, consta a DecisãoNotificação nº 21.433.4/0080/2005, com aditivo às fls. 149, proferida pela Delegacia da Receita Previdenciária em Santos, em que manteve integralmente a autuação. 5. Interposto recurso voluntário quanto à DecisãoNotificação, a 2ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção deste Conselho, por meio do Acórdão nº 23021.155, anulou a decisão administrativa de primeira instância por cerceamento do direito de defesa (fls. 134/144 e 155/160). 6, Instruídos os autos de maneira apropriada, foram novamente remetidos para julgamento em primeira instância. Dessa feita, ao apreciar o litígio, o colegiado entendeu, por intermédio do Acórdão nº 0540.543, improcedente a autuação. 6.1 Segundo o colegiado "a quo", somente a partir da competência jun/2003, com a nova redação dada ao inciso II do art. 284 do RPS, pelo Decreto nº 4.729, de 9 de junho de 2003, o erro ou a omissão do campo ocorrência, que não se relaciona diretamente a fato gerador de contribuição previdenciária, porém altera o valor devido à Previdência Social, implica a aplicação da penalidade a que alude a autoridade fiscal (art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991). 6.2 Para competências anteriores, como é o caso dos autos, o preenchimento incorreto da GFIP, em relação ao campo ocorrência, tinha previsão de aplicação de multa em dispositivo legal diverso, qual seja o § 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, de sorte que o crédito tributário não foi constituído em conformidade com a legislação vigente à época em que foram apresentadas as GFIPs. 7. Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada de que trata o art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a autoridade competente de primeira instância interpôs o recurso de ofício. 8. Intimada do Acórdão nº 0540.543, não consta manifestação da autuada. É o relatório. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12045.000625/200719 Acórdão n.º 2401003.955 S2C4T1 Fl. 295 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de Admissibilidade 9. Formalizado na própria decisão, o recurso de ofício foi interposto pela autoridade de primeira instância em harmonia com as normas aplicáveis à matéria, dada que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de multa em valor superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. 10. Entendo, desse modo, satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício e dele tomo conhecimento. Mérito 11. Previamente ao mérito, anoto que a decisão recorrida, conforme relatado, exonerou o crédito tributário sob o fundamento de ter havido erro no lançamento por parte da autoridade fiscal. 11.1 Com efeito, segundo o colegiado de primeira instância, a autoridade fiscal incorreu em erro na interpretação da regramatriz de incidência no que tange ao critério material da penalidade, na medida em que, ao identificar o descumprimento da obrigação acessória, fez a subsunção da conduta com o dispositivo legal equivocado, o que implicou a aplicação de norma sancionatória também inapropriada: art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. 284, inciso II, do RPS, em vez do § 6º do mesmo artigo de Lei, c/c art. 284, inciso III, do RPS. 12. A decisão recorrida referese a um ato administrativo não convalidável e considerou a deficiência identificada como inerente ao seu conteúdo, decorrente que foi de uma aplicação distorcida da legislação, tendo se posicionado pela invalidação do ato independentemente de arguição expressa do interessado. 13. Nessa hipótese, entendo acertada a cognição oficiosa da matéria. Aplicada a legislação de forma desvirtuada, nos termos expostos acima, o ato administrativo do lançamento revela vício intrínseco, de modo que a sua validade somente seria possível por meio da edição de um novo ato com conteúdo alterado. Destarte, é ato inconvalidável, ainda que possível, em tese, a sua reedição, podendo a invalidade ser invocada de ofício pelo julgador administrativo. 14. A manifesta dissonância entre fato incorreção do campo ocorrência da GFIP (exposição a agentes nocivos) e antecedente da regramatriz da penalidade aplicada apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores implica a própria ausência de motivação do ato administrativo do lançamento da penalidade e um erro inescusável no que tange à metodologia de cálculo da multa, próprios da característica do vício de ordem material, e não procedimental. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12045.000625/200719 Acórdão n.º 2401003.955 S2C4T1 Fl. 296 6 15. Pois bem, passemos ao mérito agora. Para melhor analisar a situação dos autos, é necessário verificar a legislação vigente à época dos fatos quanto ao descumprimento da dever instrumental de declarar por meio da GFIP, ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária, bem como de outras informações de seu interesse (art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. 225, inciso IV, do RPS). 16. Em razão do descumprimento da obrigação acessória, a legislação previa três penalidades, a depender do tipo de conduta do sujeito passivo: a) não entrega da GFIP (art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. 284, inciso I, do RPS); b) apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores (art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. 284, inciso II, do RPS); e c) apresentação da GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores (art. 32, § 6º, da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. 284, inciso III, do RPS). 17. Identificada a conduta do sujeito passivo, a fiscalização aplicou a penalidade com fundamento no apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores, conforme § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, c/c inciso II do art. 284 do RPS (CFL 68). Transcrevo a redação dos dispositivos: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 32 (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (...) RPS, de 1999 Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso anterior, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores; (grifei) (...) 18. Tendo em vista os diversos campos da GFIP, a expressão "dados não correspondentes aos fatos geradores" tornase demasiadamente aberta para o aplicador do direito, pois não é nenhum despropósito entender que a maior parte dos dados em GFIP, direta ou indiretamente, corresponde a fato gerador da contribuição previdenciária. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12045.000625/200719 Acórdão n.º 2401003.955 S2C4T1 Fl. 297 7 19. Porém, em matéria de infrações, não cabe estender a interpretação de um dispositivo de lei, sob pena de cominarse penalidade não prevista na legislação ou mesmo alcançada por regra prevista em um preceptivo diverso. 20. A contribuição a que alude os §§ 6º e 7º do art. 57 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, destinada a custear os benefícios da aposentadoria especial, não é uma nova figura exacional, mas apenas uma ampliação da contribuição previdenciária prevista no inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, mediante acréscimo de alíquota. 20.1 O acréscimo de alíquota não implicou alteração do fato gerador da contribuição previdenciária, em relação ao segurado empregado, que continuou sendo o exercício da atividade remunerada. 20.2 A prestação de serviço em condições especiais acarreta, em verdade, modificação no critério quantitativo do consequente da regramatriz de incidência, por meio do acréscimo de alíquota. Em outras palavras, ocorre alteração nos critérios que compõem a relação jurídica tributária sem modificar a identificação do fato jurídico tributário, isto é, o denominado fato gerador. 21. Nessa linha de raciocínio, a incorreção quanto ao preenchimento da GFIP, em relação ao campo ocorrência exposição a agentes nocivos , conforme noticiado pela acusação fiscal, não implicava, à época dos fatos, a prestação de informações com dados não correspondentes aos fatos geradores e, por consequente, a conduta do sujeito passivo não se subsumia à motivação adotada pela autoridade fiscal para lavratura do auto de infração, fundamentada que foi no § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, c/c inciso II do art. 284 do RPS. 22. Quando dos fatos, tal conduta apontada pela fiscalização ajustavase, a meu sentir, à apresentação da GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores, conforme § 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, c/c inciso III do art. 284 do RPS, então vigentes. 23. É verdade que a inexatidão da informação no campo ocorrência da GFIP, como descrito no auto de infração, trouxe como consequência a alteração do valor devido à Previdência Social. 24. Nada obstante, tão somente com a alteração da redação do inciso II do art. 284 do RPS, pelo Decreto nº 4.729, de 2003, é que a incorreção nas informações que alterem o valor das contribuições passou a amoldarse à infração prevista no § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991. Transcrevo o inciso II do art. 284 do RPS, na redação do Decreto nº 4.729, de 2003: Art. 284 (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração Fl. 297DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12045.000625/200719 Acórdão n.º 2401003.955 S2C4T1 Fl. 298 8 cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (...) (grifei) 25. Notase que o Poder Executivo, na sua função regulamentar, interpretou a penalidade prevista no § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, e delimitou o alcance da expressão "dados não correspondentes aos fatos geradores". 26. A aplicação desse entendimento, contudo, restringese aos documentos entregues a partir da vigência da novel redação, em jun/2003, porque a penalidade decorrente do § 5º é mais severa, como regra, que a penalidade do § 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991. 27. No caso dos autos, segundo depreendese do relatório fiscal, as GFIPs referentes às competências do período fiscalizado até dez/2002 já constavam do banco de dados da Administração Tributária antes de iniciada a ação fiscal em mai/2003 (fls. 75/76). 28. Vale dizer que a aplicação da penalidade do § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, c/c inciso II do art. 284 do RPS, seria cabível apenas na hipótese de aplicação da retroatividade benigna, prevista no inciso III do art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), quando, em confronto com a penalidade do § 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. inciso III do 284 do RPS, fosse essa situação mais favorável ao sujeito passivo. Contudo, o procedimento adotado pela fiscalização passou longe desse aspecto. 29. Dessa feita, as conclusões do colegiado de primeira instância, quanto à existência de vício no lançamento e nulidade da autuação, não merecem reparos. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso de ofício e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Fl. 298DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 10166.723202/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 31/10/2011
SIGILO BANCÁRIO. EXTRATO BANCÁRIOS. DISPONIBILIZAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO.
É dispensável a prévia ordem judicial para o acesso às informações bancárias do contribuinte quando o próprio sujeito passivo disponibiliza os extratos bancários, por solicitação regular da fiscalização tributária.
COAÇÃO. CONDUTA DA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A coação que vicia a declaração de vontade não se presume, exigindo prova da ameaça. Não configura coação o fato de a autoridade fiscal advertir o fiscalizado acerca das conseqüências previstas em lei para o descumprimento da obrigação de disponibilizar documentos e/ou prestar informações à fiscalização.
SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. COMPARTILHAMENTO AUTORIZADO PELO PODER JUDICIÁRIO.
É válido, no âmbito administrativo, o compartilhamento de provas obtidas mediante quebra do sigilo bancário, quando autorizado pelo Poder Judiciário.
INTIMAÇÕES. PRAZO EXÍGUO PARA ATENDIMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE.
Constatado que os prazos concedidos pela autoridade fiscal, sucessivamente prorrogados, são mais que razoáveis e suficientes para o fiscalizado apresentar documentos e prestar esclarecimentos, o não atendimento à fiscalização respalda o arbitramento da remuneração dos segurados, por aferição indireta, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTAS BANCÁRIAS. SAQUES E TRANSFERÊNCIAS EM NOME DE PESSOAS FÍSICAS. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA FISCALIZAÇÃO.
A constatação de saques e transferências bancárias em nome de segurados empregados e de sócios, identificados em extratos de contas mantidas pela empresa em instituições bancárias, aliada à recusa injustificada do fiscalizado em apresentar os documentos que deram suporte aos pagamentos efetuados a essas pessoas físicas, bem como em prestar os esclarecimentos sobre a sua origem, autoriza a fiscalização a incluir tais valores na base de cálculo previdenciária, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Por outro lado, a existência desses saques e transferências bancárias em nome de pessoas físicas, quando a acusação fiscal é desprovida de quaisquer indícios que impulsionem a probabilidade de tais valores representarem retribuição pela prestação de serviço, não autoriza a fiscalização considerá-los como remuneração paga a contribuinte individual, na condição de autônomo.
MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO
Não demonstrada pela autoridade lançadora a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, até o importe de 150%, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindo a multa para o patamar trivial em casos de lançamento de oficio, no percentual de 75%.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES.
Caracteriza infração à legislação tributária, punível com multa, deixar a empresa de incluir a totalidade da remuneração paga a segurado empregado ou a sócio administrador na folha de pagamento.
Esta penalidade equivale a uma sanção pelo desatendimento de um dever formal tributário, a qual não se confunde com a multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo.
Não demonstrada pela autoridade lançadora a ocorrência das circunstâncias agravante que permitam a elevação da penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória, cabe reduzir o seu montante para o valor-base.
LEI TRIBUTÁRIA. CARGA CONFISCATÓRIA DA PENALIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
(Súmula Carf nº 2)
Recurso voluntário provido em parte
Numero da decisão: 2401-003.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para: a) excluir da tributação os valores lançados pela fiscalização, nos AIs nº 51.021.850-4 e 51.021.851-2, relativamente às pessoas físicas classificadas na CAT 13, como contribuintes individuais, tomando-se por base os dados constantes das planilhas elaboradas pela autoridade fiscal às fls. 1.478/1.480 e 1.481/1.497; b) reduzir a penalidade pela falta de recolhimento do tributo para o patamar trivial em casos de lançamento de oficio (75%); e c) afastar o agravamento da multa pelo descumprimento de obrigação acessória constante do AI nº 51.021.849-0, passando a sanção pecuniária infligida para o valor-base. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Maria Cleci Coti Martins entenderam por manter a multa qualificada. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Maria Cleci Coti Martins entenderam por manter a tributação dos valores lançados pela fiscalização, nos AIs nº 51.021.850-4 e 51.021.851-2, relativamente às pessoas físicas classificadas na CAT 13, como contribuintes individuais. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Maria Cleci Coti Martins votaram por manter o agravamento da multa pelo descumprimento de obrigação acessória constante do AI nº 51.021.849-0.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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SIMULAÇÃO/FRAUDE Recorrente NELY CONSTRUÇÕES E LOGÍSTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 31/10/2011 SIGILO BANCÁRIO. EXTRATO BANCÁRIOS. DISPONIBILIZAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. É dispensável a prévia ordem judicial para o acesso às informações bancárias do contribuinte quando o próprio sujeito passivo disponibiliza os extratos bancários, por solicitação regular da fiscalização tributária. COAÇÃO. CONDUTA DA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A coação que vicia a declaração de vontade não se presume, exigindo prova da ameaça. Não configura coação o fato de a autoridade fiscal advertir o fiscalizado acerca das conseqüências previstas em lei para o descumprimento da obrigação de disponibilizar documentos e/ou prestar informações à fiscalização. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. COMPARTILHAMENTO AUTORIZADO PELO PODER JUDICIÁRIO. É válido, no âmbito administrativo, o compartilhamento de provas obtidas mediante quebra do sigilo bancário, quando autorizado pelo Poder Judiciário. INTIMAÇÕES. PRAZO EXÍGUO PARA ATENDIMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. Constatado que os prazos concedidos pela autoridade fiscal, sucessivamente prorrogados, são mais que razoáveis e suficientes para o fiscalizado apresentar documentos e prestar esclarecimentos, o não atendimento à fiscalização respalda o arbitramento da remuneração dos segurados, por aferição indireta, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 32 02 /2 01 3- 17 Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.634 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTAS BANCÁRIAS. SAQUES E TRANSFERÊNCIAS EM NOME DE PESSOAS FÍSICAS. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA FISCALIZAÇÃO. A constatação de saques e transferências bancárias em nome de segurados empregados e de sócios, identificados em extratos de contas mantidas pela empresa em instituições bancárias, aliada à recusa injustificada do fiscalizado em apresentar os documentos que deram suporte aos pagamentos efetuados a essas pessoas físicas, bem como em prestar os esclarecimentos sobre a sua origem, autoriza a fiscalização a incluir tais valores na base de cálculo previdenciária, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Por outro lado, a existência desses saques e transferências bancárias em nome de pessoas físicas, quando a acusação fiscal é desprovida de quaisquer indícios que impulsionem a probabilidade de tais valores representarem retribuição pela prestação de serviço, não autoriza a fiscalização considerá los como remuneração paga a contribuinte individual, na condição de autônomo. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não demonstrada pela autoridade lançadora a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, até o importe de 150%, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindo a multa para o patamar trivial em casos de lançamento de oficio, no percentual de 75%. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES. Caracteriza infração à legislação tributária, punível com multa, deixar a empresa de incluir a totalidade da remuneração paga a segurado empregado ou a sócio administrador na folha de pagamento. Esta penalidade equivale a uma sanção pelo desatendimento de um dever formal tributário, a qual não se confunde com a multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo. Não demonstrada pela autoridade lançadora a ocorrência das circunstâncias agravante que permitam a elevação da penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória, cabe reduzir o seu montante para o valorbase. LEI TRIBUTÁRIA. CARGA CONFISCATÓRIA DA PENALIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2) Recurso voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.635 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, darlhe provimento parcial para: a) excluir da tributação os valores lançados pela fiscalização, nos AIs nº 51.021.8504 e 51.021.8512, relativamente às pessoas físicas classificadas na CAT 13, como contribuintes individuais, tomandose por base os dados constantes das planilhas elaboradas pela autoridade fiscal às fls. 1.478/1.480 e 1.481/1.497; b) reduzir a penalidade pela falta de recolhimento do tributo para o patamar trivial em casos de lançamento de oficio (75%); e c) afastar o agravamento da multa pelo descumprimento de obrigação acessória constante do AI nº 51.021.8490, passando a sanção pecuniária infligida para o valorbase. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Maria Cleci Coti Martins entenderam por manter a multa qualificada. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Maria Cleci Coti Martins entenderam por manter a tributação dos valores lançados pela fiscalização, nos AIs nº 51.021.8504 e 51.021.8512, relativamente às pessoas físicas classificadas na CAT 13, como contribuintes individuais. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Maria Cleci Coti Martins votaram por manter o agravamento da multa pelo descumprimento de obrigação acessória constante do AI nº 51.021.8490. (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.636 4 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I (DRJ/SP1), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário exigido. Eis a ementa do Acórdão nº 1656.665 (fls. 1.551/1.571): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 31/10/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUJEITO PASSIVO. RETENÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições sociais dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, mediante desconto na respectiva remuneração, e a recolher o produto arrecadado conforme previsto no art. 30, I, “a”, da Lei nº8.212/91 e art. 4o da Lei nº10.666/03. O desconto da contribuição sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, nos termos do § 5º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTOS OU INFORMAÇÕES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AFERIÇÃO INDIRETA Quando o contribuinte recusase a apresentar documentos ou informações, ou as apresenta de forma deficiente, é licito à Autoridade Fiscal inscrever de ofício importância que reputar devida por meio da aferição indireta, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, nos termos dos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº8.212/91. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2009 a 31/10/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AOS TERCEIROS. As contribuições destinadas a terceiros (FNDE, Incra, Sest, Senat e Sebrae) possuem a mesma base de cálculo utilizada para Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.637 5 o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados que lhe prestaram serviços, e sujeitamse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2011 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2009 a 31/10/2011 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO DE DIREITO CONSTITUCIONAL. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações e documentos alusivos a operações e serviços de instituições financeiras não constitui violação do dever de sigilo quando disponibilizados pelo próprio contribuinte, ou quando prestados à Administração Tributária com base em prévia autorização judicial. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. No lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, quanto ao fatos geradores ocorridos a partir da competência 12/2008, é devida a multa de 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado. Cabível a imposição da multa de ofício qualificada de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. 2. Extraise do relatório fiscal que o processo administrativo é composto por 4 (quatro) autos de infração (AI), compreendendo o período de 01/2009 a 10/2011, assim formalizados (fls. 37/54): i) AI nº 51.021.8504, referente às contribuições previdenciárias da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais; ii) AI nº 51.021.8512, referente às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre o salário de contribuição, não arrecadadas pela empresa; Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.638 6 iii) AI nº 51.021.8520, referente às contribuições devidas a terceiros, assim compreendidos entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados (FPAS 612 Código 3139); e iv) AI nº 51.021.8490 (obrigação acessória), por ter a empresa deixado de preparar a folha de pagamento de acordo com os padrões estabelecidos (Código de Fundamentação Legal CFL 30). 3. Dado que o procedimento fiscal abrangeu o período de 2007 a 2011, além dos créditos tributários enumerados acima, relativos aos anos de 2009 a 2011, ocorreram lançamentos referentes aos anos de 2007 e 2008, cujas autuações fazem parte de processos administrativos fiscais específicos. 4. Apurouse o crédito tributário a partir do compartilhamento pelo Ministério Público Federal de documentos apreendidos na Operação Esperança, intitulada de "Caixa de Pandora", devidamente autorizado pela Justiça Federal, na qual houve a quebra do sigilo bancário do contribuinte, complementandose os elementos de provas com documentos apresentados e informações fornecidas pelo sujeito passivo no decorrer da auditoria fiscal. 4.1 Dentre os documentos exibidos pelo fiscalizado, estão os extratos bancários solicitados ao contribuinte pela autoridade fiscal através de termos de intimação. 5. A descrição contida no relatório fiscal, assim como nos seus anexos denominados "Discriminativo do Débito (DD)", às fls. 4/14, 18/23 e 27/31, os quais são partes integrantes dos autos de infração, revela que o lançamento fiscal, com relação às obrigações principais, diz respeito às contribuições incidentes sobre: i) remunerações indiretas pagas a sócio, referente à aquisição de terras, cujos valores foram creditados diretamente nas contas dos vendedores, mediante emissão de cheques do Banco Brasil S/A (item 12 do relatório fiscal, às fls. 41/42); e ii) remunerações pagas a segurados empregados, sócios e contribuintes individuais, identificadas a partir dos extratos bancários e dados compartilhados pelo Ministério Público, e vinculadas à movimentação financeira de contas mantidas pela empresa junto ao Banco de Brasília S/A e Banco do Brasil S/A (itens 13 e 14 do relatório fiscal, às fls. 42/45). 5.1 Neste último caso, o contribuinte, conquanto intimado e reintimado diversas vezes, não forneceu os documentos que deram suporte aos pagamentos efetuados às pessoas físicas. Dada a recusa imotivada, a base de cálculo das contribuições exigidas foi aferida indiretamente, usandose como critério de aferição os valores constantes das informações obtidas a partir da quebra do sigilo bancário determinada pelo Poder Judiciário. 5.2 Ainda segundo a fiscalização, a movimentação financeira relacionada à conta do Banco do Brasil sequer foi contabilizada pela empresa. Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.639 7 5.3 Em relação às contribuições exigidas, consta o percentual duplicado para a multa de ofício de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (denominada de "multa qualificada"). 6. O contribuinte foi cientificado da autuação em 26/4/2013, via postal, conforme fls. 1.509, e impugnou a exigência fiscal (fls. 1.514/1.541). 7. Intimada da decisão de piso em 2/5/2014, via postal, segundo fls. 1.572/1.574, a recorrente apresentou recurso voluntário em 26/5/2014, cujos argumentos de defesa estão a seguir resumidos (fls. 1.576/1.606). i) nulidade do lançamento por quebra administrativa do sigilo bancário, sem que houvesse uma ordem judicial para obter da empresa os extratos que deram suporte à autuação fiscal; ii) os extratos bancários, embora disponibilizados à fiscalização pela recorrente, não foram fornecidos espontaneamente, mas mediante o uso de coação, tendo em vista que a intimação para apresentação dos documentos vinha acompanhada de ameaça de representação por crime de embaraço à fiscalização, caso não fosse atendida pelo fiscalizado; iii) o Fisco não poderia utilizarse, a título de empréstimo, das provas arrecadadas judicialmente, porquanto disponibilizadas ao Ministério Público apenas e tão somente para fins penais. Além disso, na medida em que as provas autorizadas judicialmente não foram submetidas ao contraditório, não poderiam ser aproveitadas para fins de constituição de crédito tributário; iv) os prazos concedidos pela fiscalização para atendimento das intimações foram escassos, o que impossibilitou a recorrente de atendêlas, de modo que se torna descabida a apuração das contribuições mediante uso de aferição indireta, sob a justificativa de haver recusa em apresentar documentos e prestar esclarecimentos no curso da ação fiscal; v) inexistência de previsão legal para lançar contribuições apuradas com base em saques de cheques e transferências bancárias, porquanto não se pode presumir saídas como pagamentos a segurados empregados e contribuintes individuais decorrentes de prestação de serviços; vi) o mero desembolso não representa fato gerador de contribuição previdenciária, que é a prestação de serviço, e não o pagamento. Diante da incerteza da ocorrência do fato gerador, o correto era a fiscalização identificar e intimar os Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.640 8 beneficiários dos pagamentos para verificar se houve ou não a prestação do serviço; vii) o arbitramento, por aferição indireta, é medida excepcional e como tal aplicável às hipóteses em que, de forma clara e inequívoca, a fiscalização comprove a imprestabilidade, a efetiva inexistência ou a recusa de fornecimento da contabilidade da empresa, ou ainda quando inexistam outros documentos que possam suprir a sua falta. Apesar de eventuais falhas e incorreções, a contabilidade não foi desclassificada pela autoridade fiscal, tendo a recorrente disponibilizado os seus livros fiscais e contábeis; viii) os créditos efetivados pela empresa em favor do sócio Osvaldino Xavier de Oliveira referemse à distribuição de lucros, e não a pagamento de remuneração a sócio. Os lucros distribuídos durante o período fiscalizado, consoante demonstram os livros razões, são mais do que suficientes para acobertar os montantes levantados da fiscalização. Porém, ainda que não fossem, a recorrente possuía lucros a distribuir, de maneira que o procedimento correto era a fiscalização intimar o contribuinte para regularizar a sua contabilidade, registrando nela os lucros distribuídos; ix) a fiscalização não logrou justificar a qualificação da multa de ofício, que somente é cabível quando restar comprovada, de forma cabal e irrefutável, a ocorrência de dolo, fraude ou conluio. Ademais, no caso de presunção, tal como foram apurados os valores das contribuições supostamente devidos, tornase imprópria a majoração da penalidade; x) não sendo devidas as contribuições exigidas incidentes sobre as remunerações das pessoas físicas, não subsiste a multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória, inclusive no tocante às circunstâncias agravantes da infração (AI nº 51.021.8490); e xi) para um mesmo período e em razão dos mesmos fatos, além do lançamento quanto à obrigação principal, acompanhada da penalidade vinculada, a fiscalização aplicou também a multa pelo descumprimento de obrigação acessória (folha de pagamento), o que implica um efeito confiscatório da cobrança. É o relatório. Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.641 9 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 8. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminares a) Violação ao sigilo bancário 9. Da leitura dos autos, depreendese que a revelação de informações sigilosas ocorreu com o consentimento da recorrente, na medida em que os extratos bancários, por solicitação regular da fiscalização tributária, foram disponibilizados pelo próprio sujeito passivo. Nessa circunstância, é dispensável a prévia ordem judicial para o acesso às informações bancárias do contribuinte. 10. Por sua vez, a recorrente alega que foi vítima de coação. A coação que vicia a declaração de vontade não se presume, pois exigese a prova inequívoca de que a ameaça exercida pelo agente externo é hábil, grave e injusta ao ponto de impedir a resistência da pessoa afetada. 10.1 Logo, a coação não fica caracterizada e assim dispõe expressamente o art. 153 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que veicula o Código Civil pátrio, quando há "ameaça do exercício normal de um direito (...)". 10.2 De fato, segundo o inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, está a empresa obrigada a prestar à fiscalização todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, bem como os esclarecimentos necessários ao desenvolvimento do procedimento fiscal em curso, consistindo a recusa ao atendimento das intimações da fiscalização em hipótese de imposição de sanção, na forma estabelecida na legislação tributária. 10.3 De modo tal que a autoridade fiscal que adverte o fiscalizado acerca das consequências previstas em lei para o descumprimento da obrigação de disponibilizar documentos e/ou prestar informações não pratica coação, porquanto a sanção que vier eventualmente a ser aplicada estará amparada pela lei. 10.4 Naturalmente, a ameaça de exercício abusivo de direito, mediante excesso na forma e nas circunstâncias utilizadas pelo agente público, poderá configurar um ato ilícito. Porém, não há nada nos autos que aponte ter a fiscalização ultrapassado os limites impostos pela legislação. Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.642 10 10.5 Entendo, inclusive, que a fiscalização, ao fazer advertência da ilicitude da conduta, comportase segundo padrões éticos de boafé, agindo de maneira transparente com o sujeito passivo. 10.6 Assim, estão ausentes quaisquer elementos que possam evidenciar a prática de coação durante o procedimento fiscal. 11. Por fim, quanto ao compartilhamento de provas obtidas mediante quebra do sigilo bancário, mediante prévia autorização judicial, a análise de eventual irregularidade na utilização dos dados para fins tributários, como sustenta a recorrente, é matéria estranha ao contencioso administrativo. 11.1 Isso porque o relatório fiscal, conforme destacado pelo colegiado de primeira instância, expõe de forma clara que, uma vez autorizada a quebra do sigilo bancário por solicitação do Ministério Público Federal, foilhe permitido compartilhar as informações com a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme Inquérito nº 137437.2010.4.01.0000/DF e do Processo nº 004679176.2011.4.01.0000/DF, os quais tramitam junto ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (item 11 do relatório fiscal, às fls. 40). 11.2 Tal aspecto fáticojurídico afirmado pela fiscalização não restou desmentido pela recorrente em linguagem apropriada de provas. 12. Afastada a preliminar, passase à análise de outra questão prévia ao exame do mérito do lançamento. b) Prazos exíguos para atendimento das intimações 13. Reclama a recorrente que a autoridade fiscal concedeulhe prazos demasiadamente curtos para atender às solicitações de apresentação de documentos e prestação de informações, restando condenável a apuração das contribuições com base em aferição indireta. 14. Ao compulsar os documentos que instruem os autos, verifico que também não lhe assiste razão nesse ponto do recurso. 15. Com efeito, mediante os Termos de Intimação Fiscal (TIF) nº 009/2012, 010/2012, 011/2012 e 013/2012, recebidos em 30/10/2012, a fiscalização intimou a recorrente para, no prazo de 10 (dez) dias, apresentar os documentos contábeis e fiscais e prestar os esclarecimentos sobre os lançamentos nas contascorrentes mantidas junto ao Banco de Brasília S/A e Banco do Brasil S/A (fls. 134/143 e 147/149). 15.1 Na sequência, por intermédio do Termo de Reintimação Fiscal (TRF) nº 001/2012, recebido em 14/11/2012, a autoridade fiscal reintimou a recorrente para atender não apenas o requerido no TIF nº 009/2012, como também nos demais termos de intimação, no prazo de 5 (cinco) dias (fls. 153/155). 15.2 Ao permanecer inerte o sujeito passivo, a fiscalização novamente prorrogou os prazos, conforme TRF nº 002/2012 e TRF nº 003/2012, recebidos, respectivamente, em Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.643 11 11/12/2012 e 21/1/2013, concedendolhe, em cada reintimação, 20 (vinte) dias úteis (fls. 156/158 e 159/161). 15.3 Em 16/4/2013, decorridos mais de 5 (cinco) meses das intimações iniciais, a empresa solicitou, em atenção ao TRF nº 003/2012, um prazo adicional de 10 (dez) dias para tabular as informações bancárias recebidas e responder aos questionamentos da fiscalização. Deulhe a fiscalização o prazo de 5 (cinco) dias corridos (fls. 1.477). 16. Com base nessa cronologia, a toda a evidência os prazos concedidos pela autoridade fiscal, sucessivamente prorrogados, são mais que razoáveis e suficientes para o fiscalizado apresentar documentos e prestar esclarecimentos, não configurando os prazos cerceamento de defesa. 17. Ao descumprir os deveres impostos pelo legislador com o fim de permitir o conhecimento e a quantificação dos fatos jurídicos tributários pela autoridade fiscal, a recorrente sujeitase às imposições previstas na respectiva legislação tributária.. 18. Noutro giro, a despeito da omissão na fase inquisitória, nada impediria de a recorrente mudar de atitude e, chegada a fase litigiosa, anexar todos os documentos comprobatórios, bem como prestar os esclarecimentos relacionados à natureza e às circunstâncias das saídas de numerário destinadas às pessoas físicas, identificadas a partir do exame da movimentação bancária, na medida em que necessitava de prazo adicional, segundo afirmou, apenas para organizar os dados recebidos da instituição bancária. 19. O que se nota dos autos, todavia, é que não houve alteração significativa no comportamento do sujeito passivo, cuja conduta omissiva pode ter sua origem na desorganização contábil e administrativa da empresa ou, não menos provável, no propósito firme de deixar de colaborar com a busca da verdade material. Mérito a) Arbitramento por aferição indireta 20. Não demonstra ignorar a recorrente, até porque faz parte do Relatório denominado "Fundamentos Legais do Débito (FLD)", integrante das autuações, às fls 15/16, 24/25 e 32/33, que a fiscalização utilizou como fundamento para a constituição de parte do crédito tributário o conteúdo dos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, que estão assim redigidos: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.644 12 (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (...) 21. Cuidamse de normas jurídicas destinadas a amparar o lançamento de ofício por arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, na hipótese de impossibilidade de mensurarse o fato jurídico tributário, por falta de apresentação de documentos e informações pelo fiscalizado ou pela inveracidade das declarações contábeis ou fiscais prestadas pelo sujeito passivo. 22. Em outros termos, o objetivo do arbitramento é apurar o aspecto quantitativo do evento que deflagra a relação tributária. Contudo, tais dispositivos não aprovam proceder ao arbitramento do fato gerador, na sua dimensão material, devendo estar provado direta ou indiretamente. 23. Destarte, ao deixar de atender as diversas intimações para apresentação dos documentos que deram suporte às saídas de numerário em nome de pessoas físicas das contas mantidas no Banco de Brasília S/A e no Banco do Brasil S/A, está autorizada a fiscalização, segundo a Lei nº 8.212, de 1991, ou melhor, encontrase obrigada a fiscalização a utilizar métodos para a identificação dos valores correspondentes ao fato jurídico tributário, tal como o arbitramento da base de cálculo, por aferição indireta, cabendo à empresa o ônus de descaracterizar a imputação que lhe é feita. 24. Conquanto descumprido o seu dever de colaboração, a recorrente insiste que a fiscalização teria a sua disposição, por meio de outros documentos contábeis e fiscais, os subsídios necessários à constituição do fato jurídico tributário; porém, não especifica quais deles conteriam as informações pertinentes que proporcionariam o afastamento da medida extrema do arbitramento. 25. Entre outros aspectos obscuros, a autoridade lançadora identificou, ao examinar a escrituração contábil do sujeito passivo, a contabilização inadequada das transferências eletrônicas da conta no Banco de Brasília S/A, utilizandose, como contrapartida da conta "Bancos", o débito na conta "Caixa", em vez de apropriálos em contas de despesas, custos e/ou obrigações, conforme a sua natureza. 25.1 Além disso, os valores movimentados por meio do Banco do Brasil S/A não foram localizados na escrituração contábil da recorrente. 26. Ao contrário do que defende a recorrente, a legislação previdenciária não exige como pressuposto para a fiscalização lançar mão do arbitramento a desconsideração formal da escrituração contábil, bastando que existam evidências de que ela não registra a movimentação real da remuneração dos segurados a serviço da empresa. 27. Ademais, entre intimação e reintimações, decorreu um lapso temporal de quase 6 (seis) meses, em que a recorrente poderia ter organizado e apresentando os livros e Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.645 13 documentos fiscais com as correções dos eventuais erros e falhas que estariam afetando o adequado registro das mutações patrimoniais, econômicas e financeiras da empresa. b) Remuneração indireta paga ao sócio Osvaldino Xavier de Oliveira (item 12 do relatório fiscal) 28. Sustenta a recorrente que os lucros distribuídos durante o anocalendário de 2011 são mais que suficientes para acobertar os pagamentos efetivados pela empresa relativos à aquisição de terras pelo sócio Osvaldino Xavier de Oliveira. E mesmo que não fossem bastante para cobrir os valores, o fato é que a empresa possuía lucros a distribuir registrados em sua contabilidade. 29. Pois bem. Como cediço, as pessoas jurídicas devem proceder aos devidos registros contábeis de suas atividades e resultados, sempre alicerçados em documentos hábeis e idôneos, os quais assumem a feição de prova para fins do controle da Administração Tributária. 30. Dentre tais registros, no caso dos sócios, impõese a discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho (prólabore) e a remuneração proveniente do capital social (lucro), na medida em que a falta de uma nítida separação dificulta o controle fiscal sobre as parcelas recebidas, ou mesmo tornálo inviável, o que não pode ser admitido para fins de tributação. 31. Por essas razões, a justificativa de origem em distribuição de lucros acumulados, segundo alegações produzidas pela recorrente, quanto aos desembolsos destinados à aquisição de terras pelo sócio da empresa Osvaldino Xavier de Oliveira, que presta serviços de administração para a empresa, e incluídos no lançamento fiscal, não me parece convincente. 32. Tanto que os lucros distribuídos durante o período de 2011, no montante total de R$ 8 milhões, conforme planilha acostada pela recorrente, ainda na fase de impugnação, às fls. 1.544/1.545, não correspondem a nenhum dos valores identificados pela fiscalização e discriminados no relatório fiscal às fls. 41/42. 32.1 Por sinal, a planilha apresentada pela recorrente contém uma relação de cheques relacionados à distribuição de lucro, com contrapartida na conta "caixa", ao passo que os pagamentos identificados pela fiscalização nos extratos bancários, objeto de lançamento de ofício neste processo administrativo, foram creditados diretamente pela empresa nas contas correntes dos vendedores, por meio do Banco do Brasil S/A. 32.2 Reforço que os valores pagos pela compra das glebas de terras para o sócio, sequer foram contabilizados pela recorrente na sua escrituração contábil. 33. Por sua vez, o fato de haver lucros a distribuir no período do levantamento fiscal, ainda mais quando consistente em mera afirmação desprovida de provas, é aspecto inconclusivo e, por si só, incapaz de comprovar a natureza jurídica não remuneratória dos pagamentos destinados à aquisição de bens pessoais dos sócios apurados pela fiscalização no exercício já encerrado. 34. Dessa feita, deve ser mantida a tributação sobre os valores levantados pela fiscalização. Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.646 14 c) Pagamento a segurados empregados, sócios e contribuintes individuais (itens 13 e 14 do relatório fiscal) 35. Com olhar na acusação fiscal, seu relatório e respectivos anexos, verifico que as saídas das contas do Banco de Brasília S/A e Banco do Brasil S/A destinadas às pessoas físicas, objeto de lançamento fiscal, estão individualmente discriminadas em planilha, identificadas pelo nome, montante e pela qualificação do segurado, de acordo com a classificação prevista no Manual de preenchimento da GFIP (fls. 1.481/1.497): i) segurados empregados (Código/Categoria CAT: 1); ii) contribuintes individuais: sócios/empresários (Código/Categoria CAT: 11); e iii) contribuintes individuais: trabalhadores autônomos (Código/Categoria CAT: 13). 35.1 Afora essa planilha, há outra em que se discrimina, também de maneira individual e por competência, a parcela correspondente à contribuição previdenciária devida pelo segurado (fls. 1.478/1.480). 36. Nesse contexto, analiso, inicialmente, o mérito da tributação relacionada aos pagamentos identificados pela fiscalização como feitos a segurados empregados (CAT 1) e sócios administradores (CAT 11) c.1) Segurados empregados (CAT 1) e sócios (CAT 11) 37. Como sabido, no campo jurídico das contribuições previdenciárias, constitui fato gerador da obrigação principal, em relação à empresa, a prestação de serviços remunerados tanto pelos segurados empregados quanto pelos administradores da sociedade, estes últimos na qualidade de contribuintes individuais. 38. Configurase a prestação de serviço, para o segurado empregado, por meio da realização da sua tarefa laboral com habitualidade, onerosidade, pessoalidade e subordinação, ao passo que para o empresário, na condição de responsável pela administração, mediante o exercício da direção da sociedade. 39. Em um e outro caso, ao manter um vínculo contínuo com a sociedade empresária, são devidos pagamentos a esses segurados, como regra, pela correspondente retribuição ao serviço prestado. 39.1 Inclusive, a Lei nº 8.212, de 1991, de acordo com os artigos 22 e 28, estabelece um conceito amplo de remuneração, destinada a retribuir o trabalho, de maneira que as parcelas pagas pela empresa que escapam à tributação devem estar amparadas em documentos hábeis e idôneos que demonstrem a natureza não remuneratória, elaborados pelo sujeito passivo e disponibilizados à fiscalização quando solicitados. 40. Quanto aos administradores, cabe ainda destacar que o contrato social da sociedade empresária limitada, ora recorrente, autoriza a retirada mensal de prólabore pelos Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.647 15 sócios administradores no exercício das atividades gerenciais, conforme estipulado em comum acordo, sem haver, contudo, a fixação de limites mínimo ou máximo (fls. 84). 41. Nesse cenário normativo e fático, não há que se falar em presunção do fato gerador para os segurados empregados e sócios, porquanto inerente à natureza do vínculo existente com a sociedade empresária. 42. Ao identificar as saídas de numerário destinadas a segurados empregados e sócios administradores, cujo enquadramento previdenciário não é alvo de oposição pela recorrente, a fiscalização solicitou os respectivos documentos e esclarecimentos, com a finalidade de verificar a sua natureza jurídica e, consequentemente, a incidência ou não da tributação. 42.1 Diante da recusa do sujeito passivo em colaborar com a fiscalização, a autoridade lançadora avaliou, autorizada pelo art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, que se trataria de possível retribuição financeira pela prestação de serviços realizados e, portanto, sujeitos à incidência da contribuição previdenciária, assegurado ao contribuinte defenderse dessa valoração quantitativa do evento descrito no fato jurídico tributário. 42.2 Em outros dizeres, assentado em regras de experiência, a natureza do vínculo laboral conduz, por forte indução, a inferir que o desembolso de valores a segurados empregados e sócios administradores por parte da empresa representa um provável pagamento pela prestação de serviços. 43. Dessa feita, uma vez que descumpridos os deveres instrumentais imprescindíveis à fiscalização dos eventos de interesse tributário e havendo ainda a impossibilidade de investigação, a partir dos demais documentos do contribuinte, quanto à mensuração do fato jurídico tributário apontado pela fiscalização, é plenamente justificável a realização do arbitramento, por aferição indireta, adotando a autoridade lançadora como parâmetro os valores indicados nos extratos bancários, os quais, teoricamente, integrariam a base de cálculo do tributo. 44. Nada obstante a realização do arbitramento, é oportunizada a avaliação contraditória pelo sujeito passivo, ainda que a lei disponha, acertadamente, sobre a inversão do ônus da prova nessa situação. 45. Significa que os desembolsos de recursos podem escapar à tributação, destinandose, por exemplo, a ressarcimento, reembolso ou indenização do segurado empregado, ou, no caso do empresário, correspondendo à distribuição de lucros ou devolução de empréstimos. 46. Porém, nessas hipóteses, é imprescindível os saques e transferências bancárias estarem acompanhadas de registros contábeis e fiscais, apoiados em documentos aptos a atestar a sua natureza não remuneratória, o que não foi comprovado pela recorrente. 47. De outra banda, a recorrente pondera que não restou comprovado o nexo causal entre os saques e as transferências bancárias e o recebimento de valores pelos segurados, visto que seria impossível afirmar que as saídas das contas bancárias não ingressaram em outra de mesma titularidade ou se referem, por exemplo, a pagamentos de empréstimos, produtos e fornecedores, ou mesmo a doações, os quais não sofrem a incidência da tributação previdenciária. Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.648 16 48. A despeito da aparente lucidez do seu raciocínio, a recorrente inverte convenientemente o ônus probatório, no sentido de que caberia à fiscalização comprovar cabalmente às circunstâncias que levaram às saídas de dinheiro, como forma de afastar qualquer natureza diversa da contrapartida laboral, quando o próprio sujeito passivo, em flagrante omissão do seu dever de colaboração, adota postura de dificultar a identificação, mediante provas diretas, da ocorrência dos fatos jurídicos tributários. 48.1 Como já esclarecido, em que pese o que foi solicitado, mediante intimação e reintimações, com prazos mais que razoáveis, para fim de elucidar a verdade quanto à origem e às circunstâncias dos lançamentos efetuados nas contas bancárias, o sujeito passivo deixou de apresentar à fiscalização os documentos que deram suporte aos pagamentos em nome dos segurados. 48.2 Por constar a discriminação individualizada dos lançamentos bancários, não haveria dificuldades de a recorrente prestar, inclusive na fase litigiosa, os esclarecimentos a respeito dos saques e das transferências relacionados aos segurados empregados e aos sócios, acompanhados da correspondente documentação comprobatória. 48.3 Diante da indiscutível falta de colaboração do sujeito passivo no procedimento de delimitação dos fatos, não me parece razoável, como sugere a recorrente, a intimação dos beneficiários dos pagamentos, nessa hipótese de segurados empregados e sócios, para verificar se os desembolsos foram decorrentes da prestação de serviço à empresa. 49. Em síntese, ao não trazer a peça recursal qualquer prova apta a abalar o lançamento efetuado quanto aos segurados empregados e sócios administradores, a decisão recorrida não merece reparo. c.2) Contribuintes Individuais (CAT 13) 50. Por outro lado, diversa é a minha conclusão acerca dos desembolsos identificados em conta bancária em nome de pessoas físicas para os quais a fiscalização considerou como pagamentos efetuados a prestadores de serviço, na condição de contribuintes individuais autônomos (CAT 13). 51. Uma vez que a fiscalização nada demonstra sobre o vínculo laboral dessas pessoas físicas com a autuada, entendo que o raciocínio da acusação fiscal é desprovido de indícios que possam impulsionar a probabilidade de que as saídas de numerário da conta bancária da empresa representem retribuição a contribuinte individual pela prestação de serviço. 52. Não tenho dúvida de que os valores disponibilizados às pessoas físicas podem significar pagamentos pela prestação de serviço à empresa. Porém, sua força probante por si só é inapta para sustentar o nascimento da obrigação tributária, a partir da existência da situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência do fato gerador do tributo. 52.1 Mesmo a recusa do sujeito passivo em apresentar documentos e prestar esclarecimentos à fiscalização, bem como da falta de confiabilidade da sua escrituração contábil, não altera tal linha de raciocínio. Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.649 17 52.2 Impõese a comprovação pela fiscalização, da prestação de serviços à empresa por parte da pessoa física, ainda que por meio de provas indiretas, como condição para a incidência de contribuição previdenciária. 52.3. Nesses termos, não há como legitimar a constituição de crédito tributário escorada em prestação de serviço por parte de segurado autônomo, qualificado como contribuinte individual quando a acusação fiscal apoiase apenas na circunstância de serem pessoas físicas os beneficiários dos saques e/ou das transferências bancárias. 53. Portanto, carece o lançamento fiscal nesse ponto de aprofundamento do procedimento administrativo investigatório, de maneira tal a evidenciar, mesmo que indiretamente, a provável prestação de serviços pelas pessoas físicas identificadas, possibilitando a construção de um liame em grau bastante entre as saídas de recursos a elas destinadas e a existência de retribuição laboral, para só assim respaldar a inversão do ônus probatório, como antes examinado. 54. Exposto desse modo, a decisão de primeira instância merece reforma para afastar a tributação sobre os valores lançados pela fiscalização relativamente às pessoas físicas classificadas como segurados na CAT 13, conforme individualização constante da planilha de fls. 1.481/1.497, por meio da qual a autoridade fiscal detalha a base de cálculo relativa às contribuições exigidas no AI nº 51.021.8504, a partir do ano de 2009. 55. Relativamente a essas mesmas pessoas físicas (CAT 13), deverá ser excluída também a contribuição previdenciária a cargo do segurado apurada por meio do AI nº 51.021.8512. Contudo, aqui tomandose como parâmetro a outra planilha confeccionada pela fiscalização e juntada às fls. 1.478/1.480. d) Multa qualificada 56. Consta dos autos de infração a imposição de multa qualificada, no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), incidente sobre as contribuições lançadas. 57. A aplicação dessa multa no lançamento de ofício é regulada pelo art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, o qual remete aos critérios de mensuração previstos no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Reproduzo abaixo os dispositivos: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.650 18 (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) 57.1 Por sua vez, os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, acima mencionados, estão assim redigidos: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 58. Vêse que a par do critério básico de aplicação da multa de ofício, equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor principal, a legislação prevê a denominada multa qualificada, em que há uma duplicação do percentual padrão, quando evidenciada pela fiscalização sonegação, fraude ou conluio, cuja gravidade do comportamento lesivo do infrator enseja um reprimenda punitiva mais severa, como forma de castigar o transgressor e desestimular condutas afins por parte de outros sujeitos passivos. 59. Para essa elevação do percentual básico é condição indispensável a acusação identificar elementos subjetivos na conduta do infrator, porquanto tanto a simulação quanto a fraude pressupõem o dolo, sendo insuficiente para cogitar da hipótese tão somente a materialidade da conduta. 60. Vale dizer que a sonegação, fraude ou mesmo o conluio devem possuir base probatória autônoma, pela qual se demonstra a vontade livre e consciente do infrator em praticar as condutas ilícitas, em prol de, ao final e ao cabo, viabilizar a supressão ou redução do tributo. 61. Pois bem. Segundo o votocondutor da decisão de primeira instância, o relatório fiscal conteria, como justificativa para a qualificação da multa, que (item 8.4 do acórdão, às fls. 1.568): Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.651 19 8.4. (...) o sujeito passivo adotou práticas fraudulentas (falta de contabilização de despesas relacionadas a fatos geradores e a contabilização inadequada de lançamentos, utilizando, como contrapartida, a conta Caixa), bem como deixou de incluir nas GFIPs mensais todos os dados correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, prática esta que caracteriza, em tese, crime de sonegação de contribuições previdenciárias. 62. Acontece que após ler e reler a acusação fiscal não identifiquei a presença de qualquer justificativa expressa para aplicação da penalidade qualificada, situação em que as razões que ensejam a duplicação do percentual da multa de ofício estão usualmente concentradas pelo agente estatal em um trecho ou tópico específico integrante do relatório fiscal. 63. De fato, no que tange à fundamentação legal das multas, a autoridade lançadora faz alusão apenas ao relatório "Fundamentos Legais do Débito FLD", o qual menciona os dispositivos de lei acima reproduzidos que autorizam a incidência da multa exarcebada (item 25 do relatório fiscal, às fls. 53). 64. Por outro lado, mesmo sem correlacionar diretamente com a aplicação da multa qualificada, a autoridade autuante faz referências esparsas no relatório fiscal a existência de condutas colocadas em prática pelo sujeito passivo que evidenciariam, em seu ponto de vista, o intuito sonegatório e fraudulento. 64.1 Nesse sentido, quanto aos fatos geradores identificados por meio do exame da movimentação do Banco de Brasília S/A, objeto desse processo administrativo, a fiscalização assim se pronunciou em termos de condutas ilícitas (fls. 42/43): "13.1 (...) Verificouse também, conforme Razão constante dos anexos 19 a 22, que a empresa contabilizou os valores pagos ou transferidos através de TED (transferências eletrônicas) a débito da conta "CAIXA", em vez de apropriálos em contas próprias; simulando, de forma fraudulenta, situações que não refletem a realidade das transações. (...) 13.4 Como se observa, as transferências efetivadas pela empresa foram lançadas, de forma indevida, em contrapartida da conta "CAIXA". Contabilmente, tal lançamento seria impossível por tratarse de transferências financeiras entre contas correntes. Tal manobra contábil objetiva afastar a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias (remunerações pagas a prestadores de serviços pessoas físicas)." 64.2 Já no que tange aos valores pagos através do Banco do Brasil S/A, o agente fiscal ressalta tão somente que "sequer foram contabilizados pela empresa" (item 14.2 do relatório fiscal). 64.3 Por fim, em outra parte do relatório fiscal a autoridade lançadora assim se manifesta (fls. 49): Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.652 20 "18.2.4 Conforme detalhado neste relatório, a auditoria fiscal constatou que o sujeito passivo adotou, de forma dolosa, práticas fraudulentas que caracterizam, em tese, crimes de sonegação de contribuições previdenciárias, previstos na legislação em vigor." 65. É certo que os relatos transcritos podem representar a intenção de a fiscalização demonstrar o uso de sutilezas para iludir o Fisco, tais como aquelas previstas nas hipóteses dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, as quais, como visto antes, impõem a duplicação do montante da penalidade. 66. Todavia, penso que faltou à autoridade lançadora estabelecer, em relação aos específicos valores lançados, uma liame indubitável entre os elementos de sua convicção da conduta ilícita do sujeito passivo e o cometimento de fraude ou sonegação, mediante ação dolosa, nos moldes previstos na Lei nº 4.502, de 1964. 67. Isso porque a maior parte do lançamento não resultou da constatação direta e irrefutável de rendimentos tributáveis. Uma vez localizados pagamentos destinados a segurados empregados e contribuintes individuais, a partir de movimentações bancárias potencialmente identificáveis a rendimentos pela prestação laboral, o Fisco transferiu ao sujeito passivo, valendose da autorização do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, o ônus de provar que não correspondiam a qualquer parcela remuneratória. 67.1 Mesmo na hipótese dos pagamentos referentes à aquisição de terras em benefício do sócio Osvaldino Xavier de Oliveira, a autoridade fiscal não motiva satisfatoriamente a aplicação da multa qualificada, na medida em que faz alusão, conforme mencionado alhures, tão somente a que tais valores nem sequer teriam sido contabilizados pela empresa em seus livros contábeis (fls. 41). 68. Como acertadamente destacado pela decisão de piso, os fatos narrados pela autoridade fiscal evidenciam ao menos indícios da ocorrência de conduta fraudulenta ou sonegatória, os quais são suficientes para confecção de representação fiscal para fins penais dirigida ao Ministério Público Federal. 69. Entretanto, a existência de indícios de crime tributário não autoriza sem justificativas apropriadas a imposição de penalidade de ofício qualificada, a qual demanda a comprovação minudente de uma das hipóteses de aplicação da sanção mais gravosa. 69.1 Na esfera penal, a sociedade tem o direito de ver devidamente apuradas eventuais condutas delituosas, cuja instrução probatória permitirá demonstrar, com os meios disponíveis, a verdade possível dos fatos. 69.2 Já na multa qualificada, além da descrição dos fatos ocorridos, as provas indispensáveis e contundentes para justificar a duplicação do percentual da penalidade devem ser carreados aos autos pelo agente fiscal, via de regra, no momento da formalização do auto de infração, dados os limites existentes para a produção da prova no curso do processo administrativo tributário. 70. Portanto, entendo que a autoridade fiscal não demonstrou a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, até o importe de 150%. Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.653 21 71. Dessa feita, devese afastar a qualificação da penalidade oficiosa, reduzindo a multa para o patamar trivial em casos de lançamento de oficio, no percentual de 75%. e) Multa pelo descumprimento da obrigação acessória (AI nº 51.021.8490 ) 72. No que diz respeito ao auto de infração pelo descumprimento de obrigação acessória, a penalidade aplicada deve ser mantida, na medida em que a recorrente não elaborou as folhas de pagamento do período fiscalizado segundo os padrões e normas estabelecidas pela Administração Tributária, deixando de incluir parte da remuneração paga aos segurados empregados e aos sócios administradores que lhe prestaram serviços. 72.1 Tal conduta caracteriza a infração prevista no inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, c/c inciso I e § 9º do art. 225 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.408, de 6 de maio de 1999. 72.2 E o descumprimento da obrigação acessória implica a aplicação da penalidade prevista na alínea "a" do inciso I do art. 283 do RPS. 73. Quanto à circunstância agravante da infração, que elevou a multa em três vezes, consta da acusação fiscal que (fls. 49) : "18.2.4 Conforme detalhado neste relatório, a auditoria fiscal constatou que o sujeito passivo adotou, de forma dolosa, práticas fraudulentas que caracterizam, em tese, crimes de sonegação de contribuições previdenciárias, previstos na legislação em vigor. 18.2.5 Pelo exposto, no presente caso, as multas previstas no inciso II do art. 283 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, será elevada em três vezes, perfazendo o total de R$ 5.152,14 (cinco mil, cento e cinquenta e dois reais e quatorze centavos). 74. Embora a autoridade fiscal afirme a existência de circunstância apta a agravar a infração, com fundamento no inciso II do art. 290 c/c inciso II do art. 292 do RPS, dado que o infrator teria agido com dolo, fraude ou máfé, a meu sentir não ficou comprovada pela fiscalização a presença do elemento subjetivo na conduta do autuado que autoriza a graduação da multa. 75. Para aplicação da penalidade exarcebada, há necessidade da caracterização inequívoca do intuito doloso do contribuinte em ludibriar o Fisco, em face do seu comportamento objetivo, não sendo suficientes para configurar o dolo, a fraude ou a máfé a constatação de escrituração contábil deficiente e/ou omissão na apresentação de documentos e esclarecimentos. 76. Destarte, uma vez ausente a demonstração nos autos dos elementos objetivos fáticos e das circunstâncias de conduta típica que caracterizam a hipótese de agravamento da infração, a pena de multa ora examinada deverá ser reduzida para corresponder ao valorbase mínimo. Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10166.723202/201317 Acórdão n.º 2401003.963 S2C4T1 Fl. 1.654 22 77. Não há que se falar, por outro lado, em multiplicidade de penalidades sobre os mesmos fatos, haja vista que os pressupostos e fundamentos legais das multas aplicadas pela fiscalização são distintos. 78. Com efeito, a multa de ofício de que trata o art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, representa uma sanção de caráter punitivo pela falta de recolhimento do tributo, ao passo que a penalidade constante do AI nº 51.021.8490, tratada neste tópico do voto, consiste em sanção pelo desatendimento de um dever formal tributário, relacionado à falta de elaboração da folha de pagamento mensal de acordo com os padrões exigidos pela legislação tributária. 79. Quanto à eventual carga confiscatória das multas exigidas nos autos de infração, cabe lembrar que argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para: a) excluir da tributação os valores lançados pela fiscalização, nos AIs nº 51.021.8504 e 51.021.8512, relativamente às pessoas físicas classificadas na CAT 13, como contribuintes individuais, tomandose por base os dados constantes das planilhas elaboradas pela autoridade fiscal às fls. 1.478/1.480 e 1.481/1.497; b) reduzir a penalidade pela falta de recolhimento do tributo para o patamar trivial em casos de lançamento de oficio (75%); e c) afastar o agravamento da multa pelo descumprimento de obrigação acessória constante do AI nº 51.021.8490, passando a sanção pecuniária infligida para o valorbase. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 10320.723269/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2010 a 31/05/2012
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se no Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE MEDIDA JUDICIAL. ART. 170-A DO CTN.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. TITULARIDADE DO CRÉDITO.
Somente poderão ser utilizados na compensação de contribuições previdenciárias os créditos líquidos e certos de titularidade do próprio sujeito passivo em face da Fazenda pública decorrentes do recolhimento indevido ou a maior que o devido das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
PENALIDADE PECUNIÁRIA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA.
Não configura violação a princípios constitucionais a imputação de penalidade pecuniária em razão do não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária, quando aplicada em estreita sintonia com as normas legais vigentes e eficazes.
Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 aos princípios e às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário.
MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de medida liminar em Mandado de Segurança não se configura óbice à constituição de crédito previdenciário, mediante o Lançamento, pela Fazenda Pública. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede, tão somente, o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, NEGAR-LHE PROVIMENTO.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-Substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se no Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE MEDIDA JUDICIAL. ART. 170A DO CTN. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. TITULARIDADE DO CRÉDITO. Somente poderão ser utilizados na compensação de contribuições previdenciárias os créditos líquidos e certos de titularidade do próprio sujeito passivo em face da Fazenda pública decorrentes do recolhimento indevido ou a maior que o devido das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 32 69 /2 01 2- 41 Fl. 38115DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. PENALIDADE PECUNIÁRIA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não configura violação a princípios constitucionais a imputação de penalidade pecuniária em razão do não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária, quando aplicada em estreita sintonia com as normas legais vigentes e eficazes. Foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 aos princípios e às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário. MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de medida liminar em Mandado de Segurança não se configura óbice à constituição de crédito previdenciário, mediante o Lançamento, pela Fazenda Pública. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede, tão somente, o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (PresidenteSubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 38116DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10320.723269/201241 Acórdão n.º 2401004.030 S2C4T1 Fl. 38.115 3 Relatório Período de apuração: 01/09/2010 a 31/05/2012 Data da lavratura do AIOP: 04/12/2012. Data da ciência do AIOP: 12/12/2012. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Florianópolis/SC que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 51.035.3256 decorrente de glosa de compensação indevida de contribuições previdenciárias, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 11/15. O lançamento originário objeto do presente Processo Administrativo Fiscal era constituído pelos Autos de Infração DEBCAD nº 51.035.3240 e 51.035.3258, sendo que estes, no entanto, foram transferidos para o PAF nº 10320.720093/201356, pelo fato de os lançamentos neles aviados não terem sido objeto de impugnação por parte do Sujeito Passivo, conforme despacho da Delegacia da Receita Federal de São Luis/MA, a fl. 37.933, e extrato do processo a fls. 37.910/37.932. A impugnação e o Recurso Voluntário referemse somente à glosa de compensação. De acordo com o Relatório Fiscal, em 18/11/2010, a empresa impetrou, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Mandado de Segurança em desfavor da Fazenda Nacional, requerendo a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários referentes a valores recolhidos pelo impetrante a título de contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos a seus empregados a título de aviso prévio indenizado, horas extras, adicional noturno, insalubridade, férias, 1/3 de férias e salário maternidade. Conforme sentença de 17/08/2011, constante do Processo 0042052 52.2010.4.01.3700, da 6º Vara Federal, foi declarada a ausência de relação jurídica entre as partes no que se refere às contribuições incidentes sobre aviso prévio indenizado e a respectiva parcela de décimo terceiro salário sobre ele incidente, proibindo a Autoridade impetrada de exigir tal exação da impetrante, bem como reconhecer seu direito de compensar os valores recolhidos indevidamente a esse título, observado o prazo prescricional. Dispôs, ainda, a sentença que “Sobre os valores a compensar incidirá a variação da Taxa Selic, somente podendo ocorrer tal compensação após o trânsito em julgado do presente decisório e observadas as regras administrativas estabelecidas para tanto. Custas finais em rateio. Sem condenação em verba honorária, conforme art. 25 da Lei 12.016/2009. Sentença submetida ao duplo grau obrigatório”. Todavia, a Fiscalização constatou que a empresa antecipouse e procedeu à compensação de valores referentes a auxílios, férias e adicional de 1/3, salário maternidade, Fl. 38117DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 horas extras, adicionais noturnos, de periculosidade e de insalubridade, além do aviso prévio indenizado. Por tal razão, a Fiscalização procedeu à glosa das compensações efetuadas nas competências 09/2010 a 13/2010, 01/2011 a 08/2011, 10/2011 a 12/2011 e 01/2012 a 05/2012, lançandoas através do levantamento GL (GLOSA COMPENSAÇÃO), código de lançamento CMP (glosa de compensação indevida) inclusas no AIOP 51.035.3266. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou defesa administrativa fls. 37.777/37.812. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0735.096 6ª Turma da DRJ/FNS, a fls. 38027/38040, julgando procedente o lançamento tributário, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 28/07/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 38044. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 38046/38101, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que diante do recolhimento indevido de contribuições sociais previdenciárias, ajuizou o Mandado de Segurança nº 0042053 38.2010.4.01.3700, na 3ª Vara Federal Cível em São Luis/MA, pleiteando a declaração da inexigibilidade das verbas ali discutidas a título de férias, 1/3 incidente sobre férias, auxílios doença e acidente e salário maternidade, bem como que o Fisco Federal se abstivesse de promover retaliações ao exercício do direito à compensação, previsto no artigo 66 da Lei n° 8.383/91 c/c artigo 74 da Lei n° 9.430/96, obtendo nesse sentido decisões judiciais favoráveis; · Que ajuizou a ação de n° 004205252.2010.4.01 3700 distribuída para a 6ª Vara Federal Cível em São Luis/MA, pleiteando não ser compelida ao recolhimento da contribuição social previdenciária patronal incidente sobre as Verbas Indenizatórias, quais sejam, adicional sobre HorasExtras, Adicionais Noturno, de Insalubridade, Periculosidade e de Transferência, bem como, Aviso Prévio Indenizado e respectiva parcela de 13º salário, ação esta atualmente em tramite perante o Tribunal Regional Federal da 1ª Região; · Que houve claro equivoco na autuação em tela, uma vez que foram proferidas decisões liminares, sentença e acórdão favoráveis nos citados processos, o que por si só, suspende a exigibilidade do crédito; · Que o Impugnante, por ter recolhido indevidamente as referidas contribuições previdenciárias, faz jus à compensação desses valores com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do artigo 66 da Lei n° 8.383/91, combinado com o artigo 74 da Lei n° 9.430/96, como bem já declarados pelo Poder Judiciário; Fl. 38118DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10320.723269/201241 Acórdão n.º 2401004.030 S2C4T1 Fl. 38.116 5 · Que não incidem Contribuições Previdenciárias sobre os 15 primeiros dias que antecedem o afastamento do segurado por auxílio doença/acidente; · Que não incidem Contribuições Previdenciárias sobre as férias e sobre o respectivo adicional constitucional de 1/3; · Que não incidem Contribuições Previdenciárias sobre as verbas pagas a título de horas extras, adicional noturno, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional de transferência; · Que não incidem Contribuições Previdenciárias sobre o aviso prévio não trabalhado; · Que a multa aplicada é indevida; · Que a multa aplicada ofende os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; Ao fim, requer a improcedência do Auto de Infração contestado. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 38119DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 28/07/2014. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 15/08/2014, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente alega que não incidem Contribuições Previdenciárias sobre os 15 primeiros dias que antecedem o afastamento do segurado por auxílio doença/acidente; sobre as férias e sobre o respectivo adicional constitucional de 1/3; sobre as verbas pagas a título de horas extras, adicional noturno, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional de transferência, nem sobre o aviso prévio não trabalhado; As questões atinentes à incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a título de férias e seu respectivo adicional constitucional de 1/3, horas extras, adicional noturno, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional de transferência, aviso prévio não trabalhado e sobre os 15 primeiros dias que antecedem o afastamento do segurado por auxílio doença/acidente não poderão ser conhecidas por este Sodalício, uma vez que, em tal louvor, abdicou tacitamente o Recorrente de debatêla na esfera administrativa. Com efeito, dessai dos termos consignados nos autos que o Contribuinte em tela ajuizou o Mandado de Segurança nº 004205338.2010.4.01.3700 perante a 3ª Vara Federal Cível em São Luis/MA, pleiteando a declaração da inexigibilidade das verbas pagas a título de férias, 1/3 incidente sobre férias, auxílios doença e acidente e saláriomaternidade, sendolhe concedida a segurança parcial para declarar a inexistência de relação jurídicotributária que autorize a cobrança de contribuição previdenciária patronal sobre o adicional de 13 de férias e sobre os valores pagos nos 15 quinze primeiros dias de afastamento do serviço anteriores à concessão de auxílio doença e/ou auxílio acidente assim como o direito do Impetrante à compensação dos valores indevidamente recolhidos a tal título. Consta, ainda, que a Autuada ajuizou o Mandado de Segurança n° 0042052 52.2010.4.01.3700 distribuída para a 6ª Vara Federal Cível em São Luis/MA, pleiteando não ser compelida ao recolhimento da contribuição social previdenciária patronal incidente sobre as Verbas Indenizatórias, quais sejam, adicional sobre HorasExtras, Adicionais Noturno, de Insalubridade, Periculosidade e de Transferência, bem como, Aviso Prévio Indenizado e respectiva parcela de 13º salário, sendolhe concedida a segurança parcial para declarar a Fl. 38120DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10320.723269/201241 Acórdão n.º 2401004.030 S2C4T1 Fl. 38.117 7 ausência de relação jurídica entre as partes no que se refere às contribuições incidentes sobre aviso prévio indenizado e a respectiva parcela de décimo terceiro salário sobre ele incidente, bem como para reconhecer o direito de compensar os valores recolhidos indevidamente a esse título. Assentado que as citadas medidas judiciais versam sobre matérias idênticas às tratadas nos ora debatido Auto de Infração de Obrigação Principal, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. A releitura da norma encartada no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Registrese, por relevante, que o Recorrente ab initio invoca em seu favor os frutos que lhe são positivos dimanados dos provimentos obtidos nas Instâncias Judiciais acima referidas. Diante desse quadro, atraindo para si o Recorrente os efeitos da demanda judicial, qualquer que seja a decisão proferida na esfera Administrativa, esta não surtirá qualquer consequência perante o provimento judicial. A celeuma em apreço já foi reiteradamente enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 38121DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 Diante desse quadro, versando as Demandas Judiciais invocadas pelo Recorrente sobre a incidência ou não de Contribuições Previdenciárias sobre as verbas pagas a título de férias e seu respectivo adicional constitucional de 1/3, horas extras, adicional noturno, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional de transferência, aviso prévio não trabalhado e sobre os 15 primeiros dias que antecedem o afastamento do segurado por auxílio doença/acidente, e o consequente Direito à compensação de valores supostamente recolhidos de forma indevida a esses títulos, inviável se torna o conhecimento de alegações de idêntico naipe por esta Corte Administrativa, que restringirá sua apreciação e julgamento, tão somente, às questões não incluídas nas ações judiciais em relevo. Dessarte, pugnamos pelo não conhecimento dos temas levados à apreciação do Poder Judiciário, e reiterado nos vertente Instrumento Recursal interposto perante este Colegiado, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º, da Lei nº 8.213/91, e em atenção à Súmula nº 01 do CARF. Reiterese que a renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Recorrente. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o poder judiciário. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Parágrafo único. Quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente Fl. 38122DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10320.723269/201241 Acórdão n.º 2401004.030 S2C4T1 Fl. 38.118 9 lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS O Recorrente alega inexistir irregularidade na compensação dos créditos oriundos de verbas pagas a título de férias e seu respectivo adicional constitucional de 1/3, horas extras, adicional noturno, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional de transferência, aviso prévio trabalhado e sobre os 15 primeiros dias que antecedem o afastamento do segurado por auxílio doença/acidente. Advoga, ainda, que o disposto no art. 170A do CTN não se aplica ao caso em concreto. No capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre crédito tributário, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o Código Tributário Nacional CTN conferiu ao instituto da compensação os contornos jurídicos de modalidade de extinção do crédito tributário da fazenda pública em face do sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos dos seus artigos 156, II ; 170 e 170A. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 38123DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001) Notese que, ao estabelecer normas gerais em matéria de crédito tributário, através do regramento de uma de suas modalidades de extinção, o art. 170 do CTN estatuiu que a lei poderia, nas condições e sob as garantias que estipulasse, ou cuja estipulação em cada caso atribuísse à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessarte, o instituto da compensação, no Direito Tributário, depende pois de previsão legal. Em se tratando de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, a regulamentação jurídica do instituto da compensação tributária foi confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 89 assim estatui: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) (grifos nossos) §1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) Fl. 38124DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10320.723269/201241 Acórdão n.º 2401004.030 S2C4T1 Fl. 38.119 11 §7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios.(Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §8º Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) A redação do caput do Art. 89 da Lei nº 8.212/91 é de clareza solar ao dispor que somente os créditos do sujeito passivo em face da fazenda pública, decorrentes de pagamento ou recolhimento indevido de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, é que podem ser objeto de compensação ou de restituição. Para tornar esse entendimento o mais livre de dúvidas possível, o parágrafo segundo do mesmo art. 89 complementou o respectivo caput dispondo que somente pode ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91, ou seja, as contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social: a) A cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, nos termos do Art. 22, I, II e III da Lei Nº 8.212/91. b) As contribuições sociais a cargo dos empregadores domésticos, de acordo com o Art. 24 da Lei Nº 8.212/91. c) As contribuições sociais a cargo dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriodecontribuição, conforme Art. 20 da Lei Nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; As disposições inscritas no parágrafo segundo do aludido art. 89 combinadas com as do parágrafo único do art. 11, ambos da Lei nº 8.212/91, excluem da compensação toda e qualquer espécie de crédito da empresa em face da fazenda pública que não sejam aquelas decorrentes das contribuições sociais instituídas pelos artigos 20, 22, I, II e III e 24, todos da Lei Orgânica da Seguridade Social LOSS. Fl. 38125DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 12 Realçadas as normas constitucionais e legais supracitadas, deflui que a compensação de contribuições previdenciárias somente e tão somente pode ser realizada com créditos líquidos e certos de titularidade do Sujeito Passivo decorrentes de pagamento ou recolhimento indevido das contribuições sociais a que se referem as alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91. NENHUMA OUTRA HIPÓTESE. O exercício do direito à compensação de Contribuições Previdenciárias, portanto, não se revela incondicionado, haja vista encontrarse circunscrito ao preenchimento de determinados requisitos legais, a ônus do interessado, consistentes na efetiva demonstração e comprovação da existência e titularidade de direito creditório líquido e certo em face da Fazenda Pública decorrente de pagamento ou recolhimento indevido das contribuições sociais a que se referem as alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91, dentre outras condições específicas de cada caso. Além disso, o Interessado dispõe de prazo peremptório para o exercício do seu direito creditório, sob pena de prescrição. De outro canto, produção de outro lote, porém, há que ser demonstrada a efetiva existência de liquidez e certeza do crédito utilizado pelo Contribuinte nas compensações realizadas. Deve ser destacado, nesse comenos, que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo segurado, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, a “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a “folha de salários” como, também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Dessarte, o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 da Lei nº 8.212/91 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”, à exceção, tão somente, das hipóteses de isenção previstas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social. Fl. 38126DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10320.723269/201241 Acórdão n.º 2401004.030 S2C4T1 Fl. 38.120 13 Por outro viés, vinho de outra pipa, entretanto, deve ser trazido à balha que todo ato normativo oriundo do Poder Legislativo ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade com a Constituição. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, a qual somente pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente. Com efeito, a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas no Ordenamento Jurídico constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Também não deve fugir ao conhecimento daqueles que operam com profissionalismo no ramo do Direito que as decisões judiciais proferidas em sede de Controle Difuso de Constitucionalidade somente produzem efeitos inter partes, não irradiando consequências sobre aqueles estranhos ao processo judicial no qual a decisão houvese por prolatada. Assim, enquanto a Norma Tributária não for definitivamente extirpada do Ordenamento Jurídico, ela permanece produzindo efeitos sobre os Administrados, ressalvados os casos em que o Contribuinte se encontre protegido por decisão judicial favorável transitada em julgado. Daí a inafastável necessidade do Sujeito Passivo da Obrigação Tributária de ingressar nas Instâncias Judiciárias competentes para se ter declarada qualquer eventual inconstitucionalidade da lei que instituiu o tributo e, dessa maneira, adquirir o direito à compensação dos valores declarados judicialmente como “indevidamente recolhidos”. Então, somente a partir do Trânsito em Julgado do provimento judicial que lhe for favorável pode o Contribuinte se eximir da observância da Lei genérica e abstrata, nas exíguas condições de contorno da Sentença Judicial. ANTES NUNCA, como assim estatui o art. 170A do CTN. No caso presente, o Relatório Fiscal informa que a empresa autuada procedeu à compensação de valores referentes a auxílios, férias e 1/3, salário maternidade, horas extras, adicionais noturnos, de periculosidade e de insalubridade, além do aviso prévio não trabalhado, efetuadas nas competências 09/2010 a 13/2010, 01/2011 a 08/2011, 10/2011 a 12/2011 e 01/2012 a 05/2012. Consta dos autos que o Recorrente impetrou o Mandado de Segurança nº 004205338.2010.4.01.3700 perante a 3ª Vara Federal Cível em São Luis/MA, pleiteando a declaração da inexigibilidade das verbas pagas a título de férias, 1/3 incidente sobre férias, auxílios doença e acidente e saláriomaternidade, sendolhe concedida a segurança parcial para declarar a inexistência de relação jurídicotributária que autorize a cobrança de contribuição previdenciária patronal, tão somente, sobre o adicional de 1/3 de férias e sobre os valores pagos nos 15 quinze primeiros dias de afastamento do serviço anteriores à concessão de auxílio doença e/ou auxílio acidente assim como o direito do Impetrante à compensação dos valores indevidamente recolhidos a tal título, os quais deverão ser acrescidos da taxa SELIC nos termos da Lei 925095 observada a fundamentação da sentença, a qual, expressamente dispõe, ad litteris et verbis: Fl. 38127DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 14 “Referida compensação, que está sujeita ao disposto no art. 170A do CTN, deverá ser realizada com débitos oriundos exclusivamente de contribuições patronais incidentes sobre a folha de salários, nos moldes do art. 66, §1º da Lei nº 8.383/91, do art. 89 da Lei nº 8.212/91 (Com redação dada pela Lei nº 11.941/2009) e da IN 900, de 30/12/2008, e não como pretende o Impetrante, posto que a aplicação do art. 74 da Lei nº 9.430/96 depende de requerimento administrativo prévio, junto à Receita Federal, sendo certo que a observância de tal peculiaridade não restou demonstrada nos autos” Consta dos autos igualmente que a empresa autuada impetrou o Mandado de Segurança n° 004205252.2010.4.01.3700 distribuída para a 6ª Vara Federal Cível em São Luis/MA, pleiteando não ser compelida ao recolhimento da contribuição social previdenciária patronal incidente sobre as verbas pagas a título de adicional sobre HorasExtras, Adicionais Noturno, de Insalubridade, Periculosidade e de Transferência, bem como, Aviso Prévio Indenizado e respectiva parcela de 13º salário, sendolhe concedida a segurança parcial para declarar a ausência de relação jurídica entre as partes no que se refere, tão somente, às contribuições incidentes sobre aviso prévio indenizado e a respectiva parcela de décimo terceiro salário sobre ele incidente, bem como para reconhecer o direito de “compensar os valores recolhidos indevidamente a esse título, observado o prazo prescricional nos termos indicados na fundamentação retro. Sobre os valores a compensar incidirá a variação da Taxa SELIC, somente podendo ocorrer tal compensação após o trânsito em julgado do presente decisório e observadas as regras administrativas estabelecidas para tanto”. (grifos nossos) Dessai da pletora documental presente nos autos que o recorrente, além de compensar valores referentes a rubricas não incluídas na Segurança concedida, a saber, férias gozadas, Salário Maternidade, adicional sobre HorasExtras, Adicionais Noturno, adicional de Insalubridade, e adicional de Periculosidade, ainda procedeu à indigitada compensação ao arrepio da determinação expressa contida nas Sentenças Judiciais, a qual autorizava a compensação tão somente após o transito em julgado da Ação Mandamental. No caso em apreço, o Recorrente não demonstrou possuir qualquer provimento judicial transitado em julgado apto a afastar o Poder de Império das leis tributárias que estabelecem a incidência de Contribuições Previdenciárias sobre as férias gozadas e seu respectivo adicional constitucional de 1/3, horas extras, adicional noturno, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional de transferência, aviso prévio trabalhado e sobre os 15 primeiros dias que antecedem o afastamento do segurado por auxílio doença/acidente, não se prestando para tal fim as decisões isoladas proferidas incidenter tantum em ações judiciais das quais o Autuado não consta como parte do processo, eis que os efeitos de tais decisões operam, apenas, efeitos inter partes, jamais erga omnes. Devese ressaltar, por relevante, que o Colendo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.230.957RS, proferido na sistemática dos recursos repetitivos, decidiu não haver incidência de contribuição previdenciária sobre os 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, sobre o terço constitucional incidentes sobre a remuneração das férias indenizadas ou gozadas e sobre o aviso prévio indenizado. Por outro viés, no julgamento do REsp nº 1.358.281, também submetido ao regime do artigo 543C do Código de Processo Civil, assentou o entendimento a respeito da Fl. 38128DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10320.723269/201241 Acórdão n.º 2401004.030 S2C4T1 Fl. 38.121 15 incidência de contribuições previdenciárias sobre horas extras, adicional noturno e adicional de periculosidade. Tais decisões, todavia, ainda não se encontram ornadas com o atributo da coisa julgada, eis que são objeto de Recurso Extraordinário em trâmite no STF. O Resp nº 1.230.957 encontrase suspenso no Superior Tribunal de Justiça, por depender do julgamento do Recurso Extraordinário RE nº 593.068, com repercussão geral, circunstância que afasta a incidência do preceito inscrito no art. 62A do Regimento Interno do CARF, o qual exige decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Regimento Interno do CARF (Portaria nº 343/2015): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (grifos nossos) Portanto, estando ainda pendentes de recurso as decisões judiciais acima referidas, não há que se falar em decisões definitivas de mérito, tampouco em reprodução, no vertente Recurso Voluntário, dos julgados ora em debate. Assim delimitadas as condições de contorno fáticas e jurídicas do caso em apreciação, e: · Considerando que o CTN detém competência constitucional para estabelecer regras gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação e crédito tributários; · Considerando que o art. 170 do CTN estatui que a lei só pode autorizar a compensação de créditos tributários com CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública; · Considerando que o art. 66 da Lei nº 8.383/91 estatui expressamente que a compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie; · Considerando que o caput do art. 89 da Lei nº 8.212/91 somente autoriza a compensação das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; · Considerando que o inciso XI do art. 167 da CF/88 veda, expressamente, a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais Fl. 38129DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 16 previdenciárias para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social; · Considerando que a conduta dolosa se dá não somente quando o agente quer o resultado, mas também quando ele assume o risco de produzilo; · Considerando que a ninguém é dado alegar o desconhecimento da lei para se escusar do cumprimento de obrigação a todos imposta; · Deve se considerar igualmente que o Sujeito Passivo, ao informar determinada compensação de Contribuições Previdenciárias em GFIP deve ter a plena consciência de está declarando que possui Crédito Tributário LIQUIDO E CERTO em face da Fazenda Pública decorrente de recolhimento indevido ou maior que o devido das Contribuições Sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. No caso em estudo, o Autuado declarou em suas GFIP compensação de contribuições previdenciárias com créditos que sabia não serem certos: A uma, porque os Mandado de Segurança acima citados ainda não haviam transitado em julgado; A duas, porque os recolhimentos por ele supostamente realizados sobre as férias gozadas e seu respectivo adicional constitucional de 1/3, horas extras, adicional noturno, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional de transferência, aviso prévio trabalhado e sobre os 15 primeiros dias que antecedem o afastamento do segurado por auxílio doença/acidente SÃO DEVIDOS, em conformidade com as leis tributárias vigentes e eficazes, não possuindo o Recorrente qualquer decisão judicial favorável transitada em julgado lhe conferindo direito creditório apto a compensação de Contribuições Previdenciárias. Nesse contexto, figurando tais rubricas no campo de incidência da exação previdenciária, inexistindo dispensa legal expressa da tributação em apreço, tampouco decisão judicial favorável ao Contribuinte, as contribuições previdenciárias eventualmente recolhidas, incidentes sobre tais verbas, SÃO DEVIDAS, não gerando qualquer direito creditório a ser utilizado em compensações tributárias Repisese que sem o Trânsito em Julgado das decisões judiciais favoráveis ao contribuinte a respeito da inexigibilidade de tributos previstos em lei, os recolhimentos efetuados a tal título não podem ser considerados como indevidos para fins de compensação tributária. Inexistindo comprovação por parte do Interessado de recolhimento indevido ou a maior que o devido das contribuições sociais de que tratam as alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, não haverá constituição de crédito em favor do Sujeito Passivo. Inexistindo crédito líquido e certo em sua carteira, indevida será a compensação levada a efeito pelo Autuado. Procedente a glosa. Não procede, portanto, a alegação de que houve equivoco na autuação em tela, uma vez que foram proferidas decisões liminares, sentença e acórdão favoráveis nos citados processos, o que por si só, suspende a exigibilidade do crédito. Isso porque, além de compensar valores referentes a rubricas não incluídas na Segurança concedida, a saber, férias gozadas, Salário Maternidade, adicional sobre Horas Extras, Adicionais Noturno, adicional de Insalubridade, e adicional de Periculosidade, a Fl. 38130DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10320.723269/201241 Acórdão n.º 2401004.030 S2C4T1 Fl. 38.122 17 suspensão da exigibilidade do Crédito Tributário não representa óbice algum à sua devida constituição formal mediante o lançamento. Nos termos do inciso IV do art. 151 do CTN, a concessão de medida liminar em Mandado de Segurança suspende a exigibilidade do credito tributário correspondente. Código Tributário Nacional CTN Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104/2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104/2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela consequentes. Não se deve confundir, todavia, suspensão da exigibilidade do crédito tributário com constituição do crédito tributário. Exigibilidade é a qualidade daquilo que é exigível. Exigível é a obrigação que não se encontra mais submetida a qualquer condição, termo, encargo ou outro empecilho e que pode ter seu adimplemento solicitado pelo credor ao devedor, mediante colaboração da vontade deste. Dessarte, a exigibilidade do crédito tributário configurase na aptidão que permeia o crédito constituído de se integrar no patrimônio ativo do credor e, consequentemente, no patrimônio passivo do devedor. Já a constituição do crédito tributário tratase de um direito potestativo do Fisco, decorrente da mera ocorrência objetiva do fato gerador da obrigação tributária principal correspondente, ou do descumprimento de obrigação tributária acessória, o qual direito se mantém hígido até que lhe sobrevenha a decadência. Concluise, portanto, que, enquanto exigibilidade é conceito de direito subjetivo, a constituição do crédito tributário se nos apresenta como conceito de direito potestativo. Para ser exequível é condição sine qua non que o crédito querido seja liquido, certo e exigível. A Obrigação líquida é aquela certa quanto à sua existência, e determinada quanto ao seu objeto e valor. Ou seja, a obrigação líquida existe e tem valor preciso. Fl. 38131DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 18 A característica da certeza diz respeito à existência material de uma obrigação tributária (rectius, crédito tributário), em razão da qual o agente passivo esteja obrigado a uma prestação de dar quantia certa em benefício do agente ativo. A obrigação tributária é abstrata e concretizase no fato gerador, mas individualizase qualitativa e quantitativamente através do lançamento. Tal espécie de obrigação, por si só, não contém os aspectos da exigibilidade, da certeza e da liquidez, próprios de um crédito. Para que a obrigação tributária se revista com tais atributos, fazse necessária a realização de um procedimento de parte da administração pública fazendária, consistente no lançamento. Assim, ao ornar a obrigação tributária com as vestes da certeza e liquidez, o lançamento a transforma em crédito tributário. Portanto, é o ato do lançamento que confere certeza e liquidez à obrigação tributária. A inexistência de impedimentos jurídicos a torna exigível. A suspensão da exigibilidade, assentada no art. 151 do CTN, ataca a exigibilidade do crédito tributário constituído, desobrigando o sujeito passivo do recolhimento imediato do crédito atacado, enquanto perdurar os efeitos da suspensão ou a existência do crédito tributário. Conforme explicitado no texto legal, a norma tributária se refere à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não à suspensão da obrigação tributária. Para que haja a existência do crédito tributário é indispensável que este já esteja constituído, mediante a devida convolação da obrigação tributária correspondente, condição que se alcança com a efetiva formalização do lançamento, assim compreendido o procedimento administrativo levado a cabo como o objetivo de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo. Nessa prumada, somente após a conclusão do lançamento poderseá falar em crédito tributário. Antes não. Haverá, tão somente, obrigação tributária. Registrese que crédito tributário é direito subjetivo do Fisco, em face do qual se pode opor o Devedor. O poder/dever de convolar a obrigação tributária em crédito tributário é direito potestativo da Fazenda. Nesse contexto, ao contrário do que entende o Recorrente, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não apõe qualquer blindagem na prerrogativa que possui a autoridade fazendária competente de efetivar o lançamento. A suspensão apenas desobriga o sujeito passivo correspondente do recolhimento do crédito constituído, seja espontaneamente, seja mediante execução forçada. Tão só. Não se deslembre que o próprio art. 140, in fine, do CTN dispõe que as circunstâncias que excluem a exigibilidade do crédito tributário não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem. Código Tributário Nacional CTN Art. 140. As circunstâncias que modificam o crédito tributário, sua extensão ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem. Fl. 38132DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10320.723269/201241 Acórdão n.º 2401004.030 S2C4T1 Fl. 38.123 19 Nessa perspectiva, demonstrada a ocorrência de compensação indevida de Contribuições Previdenciárias, aplicase o disposto no §9º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) (...) §9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Não procede, portanto, a alegação de que a multa aplicada é indevida. Também se revela improcedente a alegação de que a multa aplicada ofende os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Fl. 38133DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 20 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Deflui das disposições ora revisitadas que as vedações constitucionais acima mencionadas referenciam aos impostos – espécie tributária do gênero tributo, obrigação tributária principal , e não às penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento de obrigação principal. Justificamse tais vedações pelo fato de os tributos serem prestações pecuniárias compulsórias, que não constituem sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Sendo compulsória, não há como o Contribuinte, ao praticar o fato gerador lícito, se esquivar do seu recolhimento. Já a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal representa sanção pela prática de ato tributário ilícito, o qual é perfeitamente evitável, além de desejável. Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados, além de outros dispostos na CF/88, são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Não procedem, portanto, as alegações do Recorrente relativas à multa punitiva ora aplicada, eis que esta se encontra prevista expressamente no §9º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) (...) §9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 38134DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10320.723269/201241 Acórdão n.º 2401004.030 S2C4T1 Fl. 38.124 21 Escapa, contudo, à competência deste Colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias constantes na Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico a princípios constitucionais e às limitações ao poder de tributar veiculadas nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido por aqueles que militam com profissionalismo no Direito Pátrio que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Nesse sentido, no que é atávico ao Processo Administrativo Fiscal, determina o Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, ser vedado aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Decreto nº 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: Fl. 38135DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 22 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, do Ministério da Fazenda. Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, trigo de outra safra, porém, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa tendo o Autuado como parte, seja na via concentrada, esta exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar penalidades pecuniárias aplicadas nos estreitos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação a princípios constitucionais, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, negamos provimento ao Recurso Voluntário. 3. DECISÃO Fl. 38136DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10320.723269/201241 Acórdão n.º 2401004.030 S2C4T1 Fl. 38.125 23 Pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 38137DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720597/2013-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2011 a 31/12/2011
COMPENSAÇÃO. TRIBUTO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. VEDAÇÃO.
Comprovado nos autos que o sujeito passivo compensou tributo, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, impõe-se a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de juros e da multa de mora.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. VEDAÇÃO À COMPENSAÇÃO. PREVISÃO EM LEI. DECLARAÇÃO EM SENTENÇA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE.
Correta a imposição de multa isolada de 150% - prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991 - quando a autoridade fiscal demonstra, por meio da linguagem de provas, a falsidade da compensação efetuada pelo sujeito passivo, caracterizada pelo oferecimento de crédito sabidamente impróprio para tal fim, posto que contrário não só ao disposto no art. 170-A do CTN, assim como à parte dispositiva da sentença proferida em primeiro grau.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto. O Conselheiro Rayd Santana Ferreira votou pela exclusão da multa isolada.
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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GLOSA E MULTA ISOLADA Recorrente MUNICÍPIO DE VENDA NOVA DO IMIGRANTE PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2011 a 31/12/2011 COMPENSAÇÃO. TRIBUTO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. VEDAÇÃO. Comprovado nos autos que o sujeito passivo compensou tributo, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, impõese a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de juros e da multa de mora. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. VEDAÇÃO À COMPENSAÇÃO. PREVISÃO EM LEI. DECLARAÇÃO EM SENTENÇA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE. Correta a imposição de multa isolada de 150% prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991 quando a autoridade fiscal demonstra, por meio da linguagem de provas, a falsidade da compensação efetuada pelo sujeito passivo, caracterizada pelo oferecimento de crédito sabidamente impróprio para tal fim, posto que contrário não só ao disposto no art. 170A do CTN, assim como à parte dispositiva da sentença proferida em primeiro grau. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 97 /2 01 3- 79 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720597/201379 Acórdão n.º 2401004.177 S2C4T1 Fl. 320 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto. O Conselheiro Rayd Santana Ferreira votou pela exclusão da multa isolada. André Luís Mársico Lombardi Presidente Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720597/201379 Acórdão n.º 2401004.177 S2C4T1 Fl. 321 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), cujo dispositivo tratou de negar provimento à impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1265.992 (fls. 283/295): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2011 a 31/12/2011 COMPENSAÇÃO. TRIBUTO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de tributo objeto de discussão judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da decisão favorável ao contribuinte. COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo para pleitear a compensação de tributos pagos indevidamente é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO INDEVIDO SOBRE REMUNERAÇÃO DE AGENTES POLÍTICOS. RETIFICAÇÃO DE GFIP. OBRIGATORIEDADE. É condição para a realização de compensação da contribuição previdenciária incidente sobre o subsídio de agentes políticos, declarada inconstitucional pelo STF, a apresentação de GFIP retificadora, com exclusão das remunerações sobre a quais incidiu o tributo. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO. GFIP. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Uma vez demonstrada a falsidade da declaração e o dolo específico, justificase a imposição da multa isolada qualificada. 2. Extraise do relatório fiscal, às fls. 14/28, que o processo administrativo é composto por dois autos de infração (AI), a saber: a) AI nº 51.039.0749, relativo à glosa de compensação de contribuição previdenciária, indevidamente realizada pelo sujeito passivo nas competências 04 a 12/2011, acrescida de juros e de multa de mora; e b) AI nº 51.039.0757, referente à multa isolada pela compensação indevida, quando comprovada a falsidade da Fl. 321DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720597/201379 Acórdão n.º 2401004.177 S2C4T1 Fl. 322 4 declaração apresentada pelo sujeito passivo, nas competências 05 a 12/2011. 2.1 Depreendese da acusação fiscal que a compensação referese a recolhimentos efetuados a título de contribuições previdenciárias incidentes sobre os subsídios percebidos pelos detentores de mandato eletivo municipal, no período de fev/1998 a set/2004, tendo sido parte desse indébito compensado nos meses de jan e set/2007, cujo encontro de contas já foi objeto de homologação. 2.2 Prossegue a fiscalização afirmando que o município ajuizou ação judicial, cadastrada sob o nº 2007.50.02.0000329, com a finalidade da declaração do seu direito de compensar os valores pagos a título de contribuição social incidentes sobre os subsídios dos agentes políticos. 2.3 Tal pedido foi julgado procedente em primeira instância, cuja sentença, publicada em 10/8/2011, reconheceu o direito à compensação, respeitado, porém, o disposto no art. 170A da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). 2.4 Dessa sentença, foi interposta apelação pelas partes, cujo acórdão do Tribunal Regional da 2ª Região, preferido em 20/8/2013, declarou prescrita parcialmente a pretensão do autor. 2.5 Portanto, segundo a fiscalização, o contribuinte, tendo buscado a via judicial, não aguardou o trânsito em julgado da decisão para realizar a compensação, em afronta ao prescrito no art. 170A do CTN. 2.6 Além da inobservância pelo contribuinte da sentença proferida na ação judicial, a fiscalização descreveu motivos adicionais para considerar indevidas as compensações, nesses termos: i) prescrição parcial do crédito, ii) ausência de retificação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), iii) valores não recolhidos ou divergentes; e iv) aplicação incorreta da Taxa referente ao Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). 2.7 Por fim, a fiscalização registra a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 2.7.1 Segundo a autoridade fiscal, a conduta do contribuinte equivale a uma declaração falsa e amoldase à descrição de fraude a que alude o art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, porquanto ao inserir informações sobre direito creditório na GFIP, quando sabidamente não tinha direito a tal compensação, almejou reduzir o valor devido à Previdência Social. 3. Cientificado da autuação em 12/9/2013, às fls. 239, por via postal, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 243/249 e 252/276): 3.1 Nesse ponto, reproduzo as palavras do relator em primeira instância, pois bem sintetizam a argumentação do autuado (fls. 286/287): Fl. 322DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720597/201379 Acórdão n.º 2401004.177 S2C4T1 Fl. 323 5 Inicialmente, defende a desnecessidade de aguardarse o trânsito em julgado para o início da compensação. Assim, evidenciado o recolhimento indevido, legitimase a compensação. Cita jurisprudência que excepciona a aplicação do art. 170A; Sustenta que não procede a afirmação da fiscalização de inexistência de crédito compensável, tendo em vista que o contribuinte juntou GPS que comprovam a existência do crédito apurado e acrescenta que valores eventualmente não recolhidos foram objeto de retenção no FPM ou parcelamento, fazendose necessária a realização de perícia contábil; Salienta ainda que a fiscalização não pode imputar o crédito apurado às compensações realizadas em 2007, que já se encontram homologadas. Logo, os valores incontroversos dos créditos apurados pela fiscalização devem ser imputados às compensações realizadas em 2011; Defende o início da contagem do prazo prescricional a partir da edição da Resolução nº 26 do Senado Federal, em 22/06/2005, conforme entendimento do CARF. Dessa forma, sustenta que os créditos compensados em 2007 dizem respeito ao crédito apurado em 1998, ao passo que a sentença judicial ampara as compensações realizadas em 2011; Reputa desnecessária a retificação das GFIP, que deveria ser feita de ofício pela RFB, afigurandose descabida a limitação ao exercício do direito à compensação por uma obrigação instituída em portaria ministerial; Defende não ter havido apuração de crédito em excesso pela aplicação de juros compostos. Neste sentido, afirma ter cumprido o que determina a legislação de regência; Contesta a aplicação da multa isolada por apresentação de declaração falsa, tendo em vista que os documentos são verdadeiros. Além disso, não houve demonstração de ter havido evidente intuito de fraude; Registra a nítida boafé do contribuinte, que contratou empresa especializada para ajuizar ação judicial para fins de compensação, tendo seguido as orientações desta. 4. Intimado em 11/6/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 297, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 11/7/2014, em que repete os argumentos expendidos em sua impugnação e solicita a declaração de improcedência das autuações, bem como a reforma do Acórdão nº 1265.992 (fls. 299/313). É o relatório. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720597/201379 Acórdão n.º 2401004.177 S2C4T1 Fl. 324 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito a) Glosa da compensação 6. Preliminarmente, destaco que o Fisco relata, apoiado em prova documental, a interposição de ação judicial pelo recorrente com a finalidade de obter a declaração do direito de compensar valores recolhidos indevidamente decorrentes de exigência tributária declarada posteriormente inconstitucional. 6.1 Ao optar por seguir o caminho da via judicial, o sujeito passivo não aguardou o trânsito em julgado da decisão para iniciar a compensação, bem como desrespeitou o comando da sentença proferida em primeiro grau. 7. Com relação a esse fato alegado pela acusação fiscal, isto é, que houve compensação de tributo pelo sujeito passivo objeto de discussão judicial antes do respectivo trânsito em julgado, não há contestação, tratandose de fato incontroverso. 8. Pois bem. Estabelece o art. 170 do CTN que a compensação no direito tributário depende de lei específica que a autorize, podendo esta inclusive prever condições e limites ao seu exercício. Eis a redação desse dispositivo: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. 8.1 Pautado em critérios de conveniência da política fiscal de cada ente político, o legislador pode estipular, ou delegar à autoridade administrativa que estipule, condições e garantias à compensação de créditos tributários com crédito líquidos e certos, ou mesmo instituir limites ao seu exercício. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720597/201379 Acórdão n.º 2401004.177 S2C4T1 Fl. 325 7 8.2 Em que pese a possibilidade de se implantar restrições à compensação, haverá sempre a opção pela repetição do indébito mediante o procedimento administrativo ou judicial de restituição. 9. Com a Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, foi introduzido o art. 170A no CTN, que prescreve a impossibilidade da compensação de tributo objeto de contestação judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Transcrevo sua redação: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. 9.1 Dispõe o art. 170A nada mais que ressaltar a necessidade, para fins do direito à compensação, de haver certeza quanto à existência do crédito do sujeito passivo, nos termos estabelecidos no art. 170 do mesmo Código, antes reproduzido. 9.2 Como regra geral, quando o direito creditório amparase em indébito tributário judicialmente contestado, em que o sujeito passivo busca um pronunciamento definitivo pela via judicial, pairam dúvidas sobre a própria existência da dívida, cuja certeza virá apenas com o reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado. 10. Em contraponto, sustenta o recorrente que há "desnecessidade de autorização judicial para autorizar a compensação dos créditos em questão, tendo em vista a existência de normatização administrativa que autoriza a referida compensação". 11. De fato, o Fisco já reconheceu, no plano abstrato, por meio da edição da Portaria MPS nº 133, de 2 de maio de 2006, e da Instrução Normativa SRP nº 15, de 12 de setembro de 2006, a possibilidade de restituição e compensação de valores arrecadados pela Previdência Social em relação aos exercentes de mandato eletivo, cujos recolhimentos deramse por força da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentado pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 30 de outubro de 1997. Esse dispositivo foi posteriormente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 12. É certo também que na compensação vinculada ao regime dos tributos lançados por homologação, cabe ao contribuinte, por sua iniciativa, apurar seu crédito e efetuar a compensação, ficando esse encontro de contas sujeito a revisão fiscal. Por isso, se diz que essa espécie de compensação prescinde de prévia autorização administrativa ou judicial 13. Porém, como registra o votocondutor do acórdão recorrido, ao submeter ao crivo do Poder Judiciário a sua pretensão de compensação, o sujeito passivo vinculase ao desfecho da ação judicial. A rigor, não só o requerente como também a administração submeterseá à decisão final de mérito do Poder Judiciário. 13.1 Resultado dessa opção, o sujeito passivo fica compelido a aguardar a expedição da norma individual e concreta, revestida dos efeitos da coisa julgada material, para poder exercer o seu direito. 14. Embora o recorrente afirme que a compensação em questão não exige autorização judicial, enxergo contradição nesse ponto do apelo, porque optou exatamente em ingressar em juízo para discutir tal encontro de contas. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720597/201379 Acórdão n.º 2401004.177 S2C4T1 Fl. 326 8 14.1 Não é aceitável que interponha, de um lado, ação judicial visando à obtenção de um pronunciamento definitivo pelo Poder Judiciário, e, de outro, aproveite a sistemática no âmbito do lançamento por homologação para compensar, segundo seus critérios, o crédito objeto de contestação judicial. 15. É bom anotar que a ação ajuizada pela recorrente, no ano de 2007, não se limita a discutir meros critérios de compensação, mas também a não incidência da prescrição nos pagamentos realizados, matéria que repercute diretamente na relação de direito material litigiosa (fls. 155/172). 15.1 De maneira que, ao levar a questão à apreciação do Poder Judiciário, há evidências de não estar configurada a indispensável certeza quanto ao crédito pleiteado pelo sujeito passivo, porque incerta a própria possibilidade de exigir o indébito do devedor. Pendendo controvérsia judicial sobre a existência do crédito, devese implementar a compensação somente após o trânsito em julgado da ação judicial. 16. A bem da verdade, o recorrente iniciou a compensação antes mesmo de haver uma decisão judicial, cuja sentença foi prolatada somente em ago/2011 (fls. 89 e 132). 16.1 Mesmo depois de conhecido o conteúdo dessa sentença, em que o magistrado vincula a compensação ao trânsito em julgado da ação, o recorrente não providenciou a retificação do encontro de contas efetuado, nada obstante o início da auditoria fiscal somente em jan/2013 (fls. 96/98). 17. É de verse que a conduta do recorrente de iniciar e manter a compensação antes do trânsito em julgado, além de contrariar o art. 170A do CTN, é igualmente contrária ao próprio pronunciamento judicial. 18. Realço ainda que o art. 170A do CTN, ao exigir que não mais haja discussão judicial acerca dos créditos, não distingue a compensação de tributos no âmbito do lançamento por homologação das demais modalidades de lançamento. 18.1 A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme nessa mesma linha de pensamento: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. MATÉRIA PACIFICADA. SÚMULA N.º 168/STJ. 1. Nas ações ajuizadas após a publicação da Lei Complementar n.º 104/2001, que acrescentou o art. 170A ao CTN, somente se admite a compensação tributária depois do trânsito em julgado da sentença. Precedentes da Seção. 2. A jurisprudência da Corte não diferencia a compensação no âmbito do lançamento por homologação (art. 66 da Lei n.º 8.383/90) das demais hipóteses de compensação para efeito de incidência do disposto no art. 170A do CTN. (grifei) 3. "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado" (Súmula n.º 168/STJ). Fl. 326DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720597/201379 Acórdão n.º 2401004.177 S2C4T1 Fl. 327 9 4. Agravo regimental improvido. (AgRg nos EDcl nos Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 755.567/PR; Relator Ministro Castro Meira, 1ª Seção, Data de publicação em 13/3/2006) 19. Impõese a vedação do art. 170A do CTN, inclusive, às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, porque a norma jurídica não faz menção, tampouco faz qualquer restrição quanto à origem ou causa do indébito tributário a que se pretende submeter à compensação. 19.1. Colaciono, novamente, a pacífica jurisprudência do STJ, desta feita um julgamento na sistemática do recurso repetitivo (art: 543C do Código de Processo Civil): TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. (grifei) 2.. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (Recurso Especial nº 1.167.039/DF; Relator Ministro Teori Albino Zavascki, 1ª Seção, Data de Publicação: 2/9/2010) 20. Assim, exposto, a compensação mediante aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, e ainda contrária ao pronunciamento do Poder Judiciário, como ora se cuida, é motivo suficiente para fundamentar a glosa da compensação. 21. Ao menos nesse momento, são irrelevantes os aspectos adicionais apontados pela fiscalização para considerar indevidas as compensações, tais como a prescrição do crédito, a falta de retificação da GFIP, a existência de valores não recolhidos ou divergentes e a capitalização incorreta dos juros. 22. Como dito alhures, ao levar à matéria ao Poder Judiciário, o sujeito passivo vinculase ao desfecho da ação judicial. Após o trânsito em julgado, a norma individual e concreta expedida autorizará a extinção do crédito tributário, nos termos e condições ali fixados. 22.1 Com base na regra individual emanada pelo Poder Judiciário, bem como nas normas gerais administrativas aplicáveis, a autoridade fiscal poderá verificar no futuro, tendo em conta suas atribuições prevista em lei, o cumprimento pelo sujeito passivo dos requisitos à compensação fixados no caso concreto. Até lá, tais critérios estarão pendentes de delimitação pela via judicial. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720597/201379 Acórdão n.º 2401004.177 S2C4T1 Fl. 328 10 22.2 De sorte que, ao desconsiderar a acusação fiscal nessa parte, deixo de examinar também a respectiva contestação do recorrente. 23. Em suma, considerando a acusação, devidamente comprovada, de haver desobediência ao art. 170A do CTN, deverá ser mantida, integralmente, a glosa da compensação, acrescida de juros e da multa de mora (art. 89, § 9º, da Lei nº 8.212, de 1991). b) Multa isolada 24. Foi imposta pela fiscalização ao recorrente, em face da compensação indevida, multa isolada no percentual de 150% (cinto e cinquenta por cento) incidente sobre o valor total do débito compensado, nos termos do § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. Transcrevo o dispositivo: Art. 89. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (grifei) (...) 25. Como se nota, o § 10 não cuida de uma falsidade material, relacionada à autenticidade do documento, mas sim da comprovação de falsidade intrínseca a esse documento, em que se faz presente a mentira no seu conteúdo. 26. A multa está condicionada a comprovação de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Por isso, tenho como premissa que essa sanção fiscal pecuniária exige o elemento subjetivo dolo, ainda que dispensável a presença de um especial fim de agir, visto que a leitura do preceptivo revela que o legislador não elegeu qualquer elemento específico como requisito para a imposição da penalidade. 26.1 De sorte que não se poderá cogitar de falsidade, em razão do próprio significado da sua acepção, sem que haja consciência do agente em esconder, alterar ou suprimir a verdade. 27. Nesse passo, quando da constituição do crédito tributário, exigese que a fiscalização aponte a existência de um modo de agir doloso por parte do sujeito passivo que conduza à falsidade da declaração apresentada. Mais que um ônus, o Fisco tem o dever de aplicar a penalidade com descrição e suporte em provas da ocorrência da falsidade das declarações em GFIP quando das compensações efetuadas. 28. No caso desses autos, a fiscalização sustenta existir não apenas um, mas um conjunto de fatores que relevariam a intenção dolosa do sujeito passivo em efetuar as compensações que sabidamente não teria direito, com o propósito de reduzir a contribuição previdenciária devida mensalmente, mediante as seguintes condutas: i) compensar valores prescritos, ii) compensar valores não recolhidos, iii) utilizar capitalização indevida de juros, iv) Fl. 328DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720597/201379 Acórdão n.º 2401004.177 S2C4T1 Fl. 329 11 não retificar as GFIPs originais e v) realizar a compensação mesmo que inexistente trânsito em julgado da ação (art. 170A, do CTN). 29. Ao revés, o recorrente aduz não existir a falsidade nas suas declarações, porquanto jamais agiu de máfé. Ao contratar empresa especializada para ingressar com ação judicial e apurar corretamente os valores recolhidos indevidamente, apresentou cálculos e fundamentos do seu direito à compensação, o que demonstraria a boafé. 30. Pois bem. Antes de mais nada, pareceme que a falsidade da declaração não deriva unicamente do oferecimento à compensação de crédito sabidamente inexistente de fato. Há outras situações que podem igualmente levar a inferir a conduta. 31, No direito tributário, não basta a existência de débito e crédito para surgir o direito à compensação. Como visto anteriormente, a compensação regese pelas normas da legislação de cada ente político. 32. Dado o elevado grau de participação do sujeito passivo, exigese com mais razão o dever de veracidade na compensação efetuada no âmbito do lançamento por homologação, consistente em o detentor do crédito relatar, na linguagem apropriada, apenas situações correspondentes ao exercício do seu direito subjetivo autorizado em lei, visto que o encontro de contas opera efeitos imediatos sobre o pagamento do tributo, ainda que sob ulterior possibilidade de verificação pelo Fisco no prazo legal. 33. Em sendo assim, a utilização consciente de crédito pelo sujeito passivo não passível de compensação por expressa disposição de lei, ou assim declarado por decisão judicial, revela a mentira na declaração apresentada. 33.1 Admito que tal critério não é absoluto. A existência de controvérsia sobre questões de direito, interpretação ou aplicação da legislação, no âmbito administrativo e/ou judicial, em que existe margem razoável para discussão, impõe a necessidade de haver um exame mais percuciente da realidade dos fatos e do comportamento do sujeito passivo para que se ateste a conduta dolosa. Entendimentos conflitantes sobre determinada matéria, ainda não pacificados, não podem passar despercebidos do aplicador do direito. 34. A aplicação da penalidade reclama, portanto, haver prova de que o sujeito passivo, mesmo diante da realidade contrária à compensação, pratica uma conduta consciente de oferecer crédito sabidamente inapropriado para tal fim. Evidentemente, passa pela análise do caso concreto o convencimento a respeito de que o sujeito passivo praticou a compensação ciente da inveracidade das informações. 35. No caso sob julgamento, ficou demonstrada a realização de compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva judicial, em afronta direta ao art. 170A do CTN. 36. O recorrente ofereceu tal crédito à compensação no ano de 2011, posteriormente a superação das discussões judiciais sobre a aplicação do art. 170A do CTN à hipótese de inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, conforme Recurso Especial nº 1.167.039/DF, antes mencionado, julgamento realizado no regime dos recursos repetitivos. 37. Não bastasse a vedação em abstrato pela lei, a decisão de primeira instância expressamente ressaltou a impossibilidade de compensação imediata, sem estar acobertada Fl. 329DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15586.720597/201379 Acórdão n.º 2401004.177 S2C4T1 Fl. 330 12 pelo manto da coisa julgada, e, nada obstante, o sujeito passivo, mantendose inerte, não retificou espontaneamente as GFIPs e continuou aproveitando os efeitos da compensação para reduzir o montante a pagar do crédito tributário, nas competências 04 a 12/2011. 38. Ao ter pleno conhecimento da inviabilidade de oferecer o crédito à compensação, seja devido à vedação disposta no art. 170A do CTN, abonada pelo Poder Judiciário, seja em decorrência do conteúdo expresso da parte dispositiva da sentença judicial, seja por estar o provimento judicial passível de modificações até seu trânsito em julgado, o recorrente ofereceu à compensação crédito sabidamente impróprio para esse fim, de forma consciente e intencional. 39. De outra banda, o recorrente dá a entender que terceiro, na condição de prestador de serviço contratado, pode lhe ter induzido a realizar a compensação considerada indevida e, nessa circunstância, inexistiria a intencionalidade quanto à falsidade da declaração apresentada. 39.1 Todavia, ainda que possam ser viáveis argumentos desse jaez para elidir a aplicação da penalidade imposta, o ônus da prova em relação a esse tipo de alegação, como se sabe, pertence a quem dela aproveita e, apesar da leitura atenta da acusação e defesa, não identifiquei elementos suficientes nos autos para validar a realidade dos fatos sugerida pelo recorrente. Pelo contrário, as provas apontam para uma conduta consciente do recorrente. 40. Dessa feita, consoante conjunto probatório, estou convencido da falsidade das declarações da compensação apresentadas pelo sujeito passivo e, por conseguinte, mantenho a multa isolada aplicada pela fiscalização. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cleberson Alex Friess. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 15375.005029/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/07/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 69. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91.
Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I, do CTN.
Encontra-se extinta pela Decadência parte das obrigações tributárias apuradas pela Fiscalização.
OBRIGAÇÕES ACESSORIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA.
O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária.
Nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido qualquer fato gerador de obrigação tributária principal, ou este, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida a obrigação principal decorrente, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária.
MULTA DE MORA. PENALIDADE PECUNIÁRIA DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ABSORÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A inflição de multa de mora decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal aviada em lançamento de ofício não impede a lavratura, em uma mesma ação fiscal, de Autos de Infração de Obrigação Acessória, quantos que sejam, desde que estes tenham por fundamento infrações tributárias de obrigações acessórias de natureza distinta, com Códigos de Fundamentação Legal diversos.
CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP anexa ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente em face da pessoa jurídica não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 69. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, para: i) reconhecer a decadência das obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/1999, em razão da decadência, nos termos do art. 173, I, do CTN; ii) que o valor da penalidade pecuniária a ser aplicada seja recalculado, tomando-se em consideração as disposições inscritas no art. 32-A, inciso I e §3º, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário por entenderem correto o critério de aplicação da multa estipulado na Portaria PGRF/RFB nº 14/2009.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 11/07/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 69. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. Encontra-se extinta pela Decadência parte das obrigações tributárias apuradas pela Fiscalização. OBRIGAÇÕES ACESSORIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido qualquer fato gerador de obrigação tributária principal, ou este, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida a obrigação principal decorrente, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. MULTA DE MORA. PENALIDADE PECUNIÁRIA DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ABSORÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A inflição de multa de mora decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal aviada em lançamento de ofício não impede a lavratura, em uma mesma ação fiscal, de Autos de Infração de Obrigação Acessória, quantos que sejam, desde que estes tenham por fundamento infrações tributárias de obrigações acessórias de natureza distinta, com Códigos de Fundamentação Legal diversos. CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A Relação de Co-Responsáveis - CORESP anexa ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente em face da pessoa jurídica não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 69. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte
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CFL 69. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. Encontrase extinta pela Decadência parte das obrigações tributárias apuradas pela Fiscalização. OBRIGAÇÕES ACESSORIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido qualquer fato gerador de obrigação tributária principal, ou este, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida a obrigação principal decorrente, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 5. 00 50 29 /2 00 9- 43 Fl. 999DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 MULTA DE MORA. PENALIDADE PECUNIÁRIA DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ABSORÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A inflição de multa de mora decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal aviada em lançamento de ofício não impede a lavratura, em uma mesma ação fiscal, de Autos de Infração de Obrigação Acessória, quantos que sejam, desde que estes tenham por fundamento infrações tributárias de obrigações acessórias de natureza distinta, com Códigos de Fundamentação Legal diversos. CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A “Relação de CoResponsáveis CORESP” anexa ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente em face da pessoa jurídica não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 69. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para: i) reconhecer a decadência das obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/1999, em razão da decadência, nos termos do art. 173, I, do CTN; ii) que o valor da penalidade pecuniária a ser aplicada seja recalculado, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, inciso I e §3º, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário por entenderem correto o critério de aplicação da multa estipulado na Portaria PGRF/RFB nº 14/2009. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator ad hoc. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 999 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Relatório Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2005 Data da lavratura do Auto de Infração: 11/07/2005. Data da Ciência do Auto de Infração: 11/07/2005. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 35.758.3841, Código de Fundamentação Legal nº 69, lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social, em virtude do preenchimento e entrega de GFIP com informações inexatas, incompletas e omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, no período de 01/1999 a 04/2005, conforme descrito no Relatório Fiscal do Auto de Infração, a fls. 28/62. CFL 69 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. A multa aplicada é a prevista no art. 32, IV e §6º, da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 284, III, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, sendo de 5% do valor mínimo por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos na tabela do §4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, em função do número de segurados. O valor mínimo a partir de 01/05/2005 é de R$ 1.101,75 , conforme art. 8° da Portaria MPS nº 822, de 11/05/2005, com vigência a partir de 01/ 5/2005. O número de segurados da empresa está situado na faixa de 101 a 500 segurados no período de 01/1999 a 04/2005, sendo a multa limitada a 10 vezes o valor mínimo, por competência, não tendo ultrapassado este valor em nenhuma competência, de acordo com o Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fls. 64/70. Relata a Autoridade Lançadora que a empresa foi autuada por ter apresentado GFIP com erro nos campos: salário família, nas competências 02/1999, 08/1999 a 05/2000, 07/2000 a 05/2001, 07/2001, 02/2002, 01/2003, 04/2003 e 05/2003; alíquota RAT, de 01/1999 a 05/2003; código pagamento da Guia da Previdência Social GPS, de 01/1999 a O2/2000, 11/2003, 12/2003 e 03/2005; Código de outras entidades, de 01/1999 a 04/2004, 06/2004 e 03/2005; Código FPAS, de 01/1999 a 02/2002, 11/2003 e 12/2003; e Código de categoria, de 01/1999 a O3/1999, 05/1999 a 05/2001, 07/2001 a 02/2002, 01/2003 a 05/2003, como consta do relatório fiscal e anexo, a fls. 28/62. Inconformado com a autuação, o Sujeito Passivo apresentou impugnação administrativa a fls. 74/149. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1000 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada na DecisãoNotificação nº 11.401.4/0261/2005, a fls. 283/293, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 16/11/2005, conforme Aviso de Recebimento a fl. 297. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 299/377, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Impossibilidade de se desmembrar o julgamento do auto de infração referente à obrigação principal do julgamento do presente auto de infração; · Obrigatoriedade da lavratura de apenas um auto para cada tipo de infração; · Inaplicabilidade da multa em decorrência do recolhimento do tributo. Aduz que a multa pelo não recolhimento absorve a multa pelo descumprimento de obrigação tributária acessória; · Inexistência de contribuições devidas ou declaradas – inocorrência de infração; · Os Autos de Infração 35.758.3825 e 35.758.3841 foram lavrados com base no mesmo artigo 32, IV, da Lei 8.212/91; · Ilegalidade do mínimo adotado como mínimo da multa. Aduz que o valor mínimo deveria ter sido fixado por Lei ou por Decreto; · Limitação por competência do valor da multa; · Decadência; · Que é indevida a extensão de responsabilidade tributária aos sócios da empresa; Considerando que a obrigação principal correspondente aos mesmíssimos fatos geradores tratados neste Auto de Infração foi objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.758.3833, lavrada na mesma ação fiscal, e que o Sujeito Passivo, ora recorrente, ofereceu impugnação à NFLD acima referida, como medida de reconhecida prudência, almejando esquivarmos de decisões contraditórias, o julgamento do feito houvese por convertido em diligência fiscal, até que se consumasse o Trânsito em Julgado da decisão administrativa relativa à NFLD n° 35.758.3833, conforme Resolução nº 2302000.233 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 20 de junho de 2013, a fls. 442/445. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Despacho SACAT/DRF/DIV, a fls. 449/481, aviando revisão de ofício da NFLD nº 35.758.3833, tendo em vista o teor da Súmula Vinculante nº 8 do STF. O Sujeito Passivo houvese por cientificado do resultado da Diligência Fiscal acima referida em 14/03/2014, conforme documento a fl. 488, não se manifestando nos autos do processo. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1001 7 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator ad hoc. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 16/11/2005. Havendo sido o recurso recebido pelo órgão fazendário em 14/12/2005, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O Recorrente alega decadência da obrigação principal. O Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. A decadência tributária conceituase como a perda do poder potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante o lançamento, em razão do exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º, do CTN. De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido no parágrafo anterior, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, comunga a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1002 9 Excelsior, curvome ao entendimento majoritário deste Sodalício, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Consoante o entendimento prevalecente neste Colegiado, em sua escalação titular, sujeitamse sempre ao regime referido no art. 173 do CTN os lançamentos tributários de penalidade pecuniária decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, eis que o crédito tributário dele consequente é sempre oriundo de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no §4º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nessas hipóteses, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tem condições a Administração Tributária de apurar a ocorrência de eventual infração a dispositivos da Lei Previdenciária de Custeio e, em consequência, proceder à lavratura do competente Auto de Infração de Obrigação Acessória. Cumpre ressaltar que a eventual extinção da obrigação tributária principal, por qualquer de suas modalidades, seja mediante pagamento, seja em razão de homologação tácita do crédito tributário, não irradia efeitos sobre as obrigações tributárias acessórias, as quais ainda subsistem de observância obrigatória pelo Sujeito Passivo até que sobrevenha a decadência. Anotese que o regime do lançamento por homologação, conforme expressamente consignado no caput do art. 150 do CTN, somente ocorre quanto aos tributos (obrigação tributária principal) cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, jamais quanto às penalidades Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 pecuniárias decorrentes do descumprimento de obrigação tributária acessória, estas, sempre formalizadas mediante lançamento de ofício. Nessa perspectiva, diante do tratamento diferenciado relativo ao lançamento de obrigação principal, há que se reconhecer a existência de discrimen na apreciação da decadência em relação a cada espécie de lançamento. Assim, uma coisa é a extinção do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante Auto de Infração de Obrigação Principal, em razão de os correspondentes fatos geradores terem ocorrido em período já alcançado pela decadência. Outra coisa distinta é a extinção do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante Auto de Infração de Obrigação Acessória decorrente do descumprimento objetivo de obrigação acessória. Nessa perspectiva, a análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício mediante a lavratura do competente auto de Infração sempre que a fiscalização constatar o descumprimento de obrigação tributária acessória. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (grifos nossos) Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, sendo de 01/01/1999 a 30/04/2005 o período de apuração do crédito tributário e tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento aviado no Auto de Infração em debate em 11/07/2005, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/1999, inclusive, nos termos do Inciso I do art. 173 do CTN, restando fulminadas pela decadência todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro a novembro de1999, inclusive esta. Há que se reconhecer que, à luz da Súmula Vinculante nº 8 do STF, na data da lavratura do presente lançamento, já se encontravam caducas todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/1999, nos termos do art. 173, I, do CTN, circunstância que se configura óbice intransponível ao Fisco para o exercício do seu direito de constituir o crédito tributário em relação a essas competências, dada a sua extinção legal, nos termos do art. 156, V, in fine, do Código Tributário Nacional, consoante entendimento do STJ aviado na sistemática dos recursos repetitivos. Código Tributário Nacional CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1003 11 (...) Dessarte, o crédito tributário relativo às competências atingidas pela decadência encontrase extinto, e não nulo, sendo por aquele motivo, e não por este, excluído do presente lançamento. 2.2. DO JULGAMENTO DO FEITO O Recorrente alega impossibilidade de se desmembrar o julgamento do auto de infração referente à obrigação principal do julgamento do presente auto de infração. Sem razão. Consoante o art. 9º do Dec. nº 70.235/72, a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada devem ser formalizados mediante notificações de lançamento ou autos de infração distintos para cada tributo ou penalidade. Nada obstante, tais autos de infração e notificações de lançamento, quando formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, PODEM ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, a teor do §1º do mesmo dispositivo legal suso citado. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. §1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) §2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) §5o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em decorrência de Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 fiscalização relacionada a regime especial unificado de arrecadação de tributos, poderão conter lançamento único para todos os tributos por eles abrangidos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica às contribuições de que trata o art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Deflui da exegese do preceito legal supra mencionado que a formalização da exigência de crédito tributário e a aplicação de penalidade pecuniária em um único Processo Administrativo Fiscal, lançados em desfavor de um mesmo sujeito passivo, em situações em que a comprovação dos ilícitos dependa dos mesmos elementos de prova, constituise numa faculdade da Administração Tributária, não numa obrigação legal, sujeita, portanto, à discricionariedade da Autoridade Lançadora. Dessarte, nas situações em que houver o lançamento conjunto, mediante um mesmo Processo Administrativo Fiscal, de exigência de crédito tributário e de aplicação de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de Obrigação Acessória, inexiste qualquer óbice legal para que se promova o desmembramento de tais lançamentos em PAF distintos, sempre que tal operação convergir aos interesses de conveniência e oportunidade do Fisco Federal. No caso em apreciação, existe flagrante relação de prejudicialidade entre o vertente Auto de Infração de Obrigação Acessória com a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.758.3833, lavrada na mesma ação fiscal, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10665.000194/201063. Por tal razão, como medida de reconhecida prudência, e almejando evitar a prolação de decisões conflitantes, houvese o julgamento do presente feito convertido em diligência fiscal, nos termos da Resolução nº 2302000.233 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 20 de junho de 2013, a fls. 442/445, sobrestando o julgamento do presente feito até que se consumasse o Trânsito em Julgado da decisão administrativa relativa à NFLD n° 35.758.383 3. Fruto de tal incidente processual, reporta a Autoridade Fazendária que o lançamento formalizado mediante a NFLD nº 35.758.3833 houvese por julgado parcialmente procedente, sendo apropriadas ao levantamento FPG, Guias de Recolhimento da Previdência Social GRPS, FPAS 531, não consideradas inicialmente, referentes às competências de janeiro a junho/1999, as quais, por se referirem a período já decadente, nos termos do item 2.1. supra, não irão irradiar efeitos sobre o veredicto a ser proferido no presente julgado. A decisão proferida na NFLD nº 35.758.3833 também procedeu à retificação da apropriação da Guia da Previdência Social – GPS, CNPJ. 16.505.554/000261, Valor INSS = 1.349,71 ; Outras Entidades = 71,50; juros = 71,06; total = 1.492,27, inicialmente apropriada no levantamento “FPG – Folha de Pagamento”, como cod. 2100 e Competência 02/2000, passando então a ser apropriada no Levantamento “PRG – Produção Rural”, cod. 2607 e competência 01/2000. A decisão proferida na NFLD nº 35.758.3833 manteve inalterados os demais lançamentos. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1004 13 O Crédito Tributário constituído mediante a NFLD acima citada encontrase em fase de cobrança judicial via Execução Fiscal junto ao Juízo de Direito da Comarca de Abaeté MG, nos autos do Processo Judicial nº 0002 06 0115702, cuja distribuição Ocorreu em 18/ 12/2006. Posteriormente, Despacho SACAT/DRF/DIV, a fls. 449/483, aviou revisão de ofício da NFLD nº 35.758.3833, tão somente para que se fizesse incidir os efeitos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, sendo, por tal motivo, excluídos da Dívida Ativa da União os créditos decorrentes dos fatos geradores ocorridos em competências atingidas pela decadência. Nesse contexto, havendo sido os fatos jurídicos a que se refere a NFLD nº 35.758.3833 considerados, pelo Órgão Julgador Administrativo, em decisão definitiva, como fatos geradores de contribuições previdenciárias, estes deveriam ter sido, necessariamente, por força de lei, declarados nas GFIP correspondentes, Porém não o foram. Nada obstante, o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória houve se por lavrado em razão de a empresa Auditada ter procedido à entrega de GFIP com erros de preenchimentos nos campos: salário família, alíquota RAT, código pagamento da Guia da Previdência Social GPS, Código de outras entidades, Código FPAS, e Código de categoria, incorreções essas que, conforme demonstrado, não guardam relação com o veredicto referente à NFLD nº 35.758.3833 aviado no PAF nº 10665.000194/201063. Citese, aliás, que a Auditada, em seus instrumentos de bloqueio, não ofereceu qualquer contestação específica referente à incursão em tais erros de preenchimento de GFIP, optando por limitar seu inconformismo em alegações centradas à distância galáctica do núcleo sensível do qual se irradiou a motivação do vertente lançamento. A conduta omissiva perpetrada pelo sujeito passivo representou ofensa ao dispositivo legal encartado no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 225, IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Daí a procedência do vertente Auto de Infração de Obrigação Acessória. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Em razão do reconhecimento da decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/1999, inclusive, as alegações recursais referentes a fatos jurígenos Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 tributários ocorridos nessas competências não serão igualmente debatidas, em virtude da perda do objeto. Dessarte, o exame a ser empreendido por este Colegiado limitarseá às contestações referentes aos fatos geradores ocorridos a contar da competência dezembro/1999, inclusive. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA O Recorrente alega ser inaplicável a presente multa em decorrência do recolhimento do tributo. Aduz que a multa pelo não recolhimento absorve a multa pelo descumprimento de obrigação tributária acessória. Sem razão. A Constituição Federal de 1988 fixou a competência da lei complementar para o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento e crédito tributários, a teor do art. 146, III, ‘b’ da CF/88, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Atendendo ao comando constitucional, estatuindo normas gerais sobre obrigações tributárias, o 113 do Código Tributário Nacional CTN estabeleceu o discrimen entre obrigações tributárias principal e acessórias, assim conformando seus traços definidores: Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1005 15 §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Realçadas as normas legais supracitadas, cumpre chamar atenção, na sequência lógica da demonstração de raciocínio, ao fato de as naturezas jurídicas das obrigações em destaque serem absolutamente distintas e inconfundíveis. A primeira, consistindo numa obrigação de dar. A segunda, aperfeiçoada numa obrigação de fazer, não fazer ou permitir, sempre estipulada no interesse da arrecadação ou da fiscalização tributária. Aquela, sendo criada necessariamente por lei formal. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrentes diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, requerendo para sua instituição mera previsão na legislação tributária, nos moldes engendrados no art. 96 do CTN. Nessa perspectiva, não carece de elevada mestria a interpretação do texto inscrito no art. 113 do CTN, o qual aponta para a total independência e autonomia entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Nesse contexto, são cabíveis de serem estatuídas obrigações acessórias as quais não se encontram vinculadas a nenhuma obrigação principal. Exemplo emblemático do que findou de ser dito é o caso das obrigações acessórias previstas no art. 68 da Lei nº 8.212/91, que impõe ao Titular do Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais a obrigação acessória de comunicar ao INSS, até o dia 10 de cada mês, o registro dos óbitos ocorridos no mês imediatamente anterior, devendo da relação constar a filiação, a data e o local de nascimento da pessoa falecida, sob pena de sujeição à penalidade prevista no art. 92 do mesmo Diploma Legal. Corrobora o entendimento acima esposado as disposições insculpidas no §3º do art. 113 do citado codex, o qual reza que, o simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária, de onde se conclui que a aplicação de Auto de Infração tem natureza objetiva. Tal compreensão caminha em perfeita sintonia com as disposições expressas no art. 136 do reverenciado código tributário, o qual declara que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, revelando assim, através de uma outra lente, o caráter objetivo e independente da imputação em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 16 independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido qualquer fato gerador de obrigação tributária principal, ou este, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida a obrigação principal decorrente, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. Assim, a inobservância do cumprimento da obrigação principal até a data do seu vencimento sujeita o sujeito passivo ao pagamento de penalidade pecuniária pela demora no pagamento, batizada na Lei de Custeio da Seguridade Social, em sua redação de berço, de “multa de mora”, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei, a teor do art. 161 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifos nossos) Não procede, portanto, a alegação de que a multa pelo não recolhimento de tributo absorve a multa pelo descumprimento de obrigação tributária acessória. A ressalva acima destacada no texto do art. 161 do CTN (“sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”) demonstra a existência de rachaduras comprometedoras no alicerce da tese advogada pelo Recorrente, que fazem colapsar os argumentos nesse sentido por ele aviados em seu instrumento de Recurso Voluntário. Deflui das regras matrizes acima desfraldadas que a incidência de multa moratória em lançamento de ofício e a penalidade pecuniária stricto sensu incidem não sobre os mesmos fatos jurídicos, mas, sim, em razão do descumprimento de obrigação tributária principal ou acessória, respectivamente, independentemente dos fatos jurídicos de per se considerados, que podem, até, dar ensejo a uma e a outra, simultaneamente. No caso presente, a obrigação tributária principal decorrente dos fatos geradores de contribuições previdenciárias objeto do vertente Auto de Infração de Obrigação Acessória foram lançadas mediante a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.758.3833, lavrada na mesma ação fiscal, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10665.000194/201063, a qual foi julgada parcialmente procedente, nos termos já consignados no item 2.2. supra, sendo certo que todos os fatos jurígenos apurados pela Fiscalização foram definitivamente julgados, na Instância Administrativa, como Fatos Geradores de Contribuição Previdenciária. Merece ser destacado que o Despacho SACAT/DRF/DIV, a fls. 449/483, apenas efetivou revisão de ofício da NFLD nº 35.758.3833, para aplicar, somente e tão somente, os efeitos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, inexistente à data da publicação do referido Acórdão. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1006 17 Não procede, portanto, a alegação de inexistência de contribuições devidas ou declaradas. Nesse contexto, havendo sido os fatos jurídicos a que se refere a NFLD nº 35.758.3833 considerados, pelo Órgão Julgador Administrativo, em decisão definitiva, como fatos geradores de contribuições previdenciárias, estes deveriam ter sido, necessariamente, por força de lei, declarados nas GFIP correspondentes, e não o foram. Aditese que a vertente autuação decorre do fato de a empresa ora recorrente ter apresentado GFIP com erro nos campos: “salário família”, nas competências 02/1999, 08/1999 a 05/2000, 07/2000 a 05/2001, 07/2001, 02/2002, 01/2003, 04/2003 e 05/2003; “alíquota RAT”, de 01/1999 a 05/2003; “código pagamento da Guia da Previdência Social – GPS”, de 01/1999 a O2/2000, 11/2003, 12/2003 e 03/2005; “Código de outras entidades”, de 01/1999 a 04/2004, 06/2004 e 03/2005; “Código FPAS”, de 01/1999 a 02/2002, 11/2003 e 12/2003; e “Código de categoria”, de 01/1999 a O3/1999, 05/1999 a 05/2001, 07/2001 a 02/2002, 01/2003 a 05/2003, fatos esses não contestados pelo Recorrente, ajustandose taylor made à conduta típica insculpida no §6º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. No caso em consideração, pelo descumprimento de obrigação principal, houvese por lançada em desfavor do Recorrente a penalidade pecuniária pelo não recolhimento de tributos, mediante lançamento de ofício, nos termos assentados no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99. Simultaneamente, pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no Inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, o Recorrente foi autuado com as penalidades pecuniárias previstas nos parágrafos 5º e 6º do art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social, respectivamente pela apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias (Auto de Infração nº 35.758.3625 CFL 68) e pela apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias (Auto de Infração nº 35.758.3841 CFL 69). Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 18 art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528/97) 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97) §6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no §4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97) §7º A multa de que trata o §4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). §8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). §9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no §4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). §10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). §11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528/97). Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Dessarte, o fato de a empresa ter sido acoimada, numa mesma ação fiscal, com multa de mora pelo descumprimento de obrigação tributária principal não impede que ela seja igualmente castigada, nos termos da lei, pelo descumprimento de uma ou mais obrigações tributárias acessórias, sem que tal multiplicidade de autuações represente bis in idem. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1007 19 Deuse, portanto, a lavratura de apenas um auto de infração para cada tipo de infração cometida pelo Recorrente, a saber: a) A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias sujeitou o Recorrente à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo quarto do art. 32 da Lei nº 8.212/91, conforme estatuído no §5º deste mesmo Dispositivo Legal, apurado mediante o Auto de Infração nº 35.758.3625 CFL 68. b) A apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias sujeitou o Recorrente à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92 da Lei de Custeio da Seguridade Social, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no parágrafo quarto do art. 32 da Lei nº 8.212/91, conforme estatuído no §5º deste mesmo Dispositivo Legal, apurado mediante o Auto de Infração nº 35.758.3841 CFL 69. Não procede a alegação de “Limitação por competência do valor da multa”. A limitação estatuída na lei é por cada multa, em cada competência. Dessarte, ao ser aplicada a multa prevista no §5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, o valor desta penalidade será limitada, em cada competência, aos valores previstos no §4º do mesmo dispositivo legal. Da mesma forma, ao ser aplicada a multa prevista no §6º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, o valor desta penalidade será limitada, também, em cada competência, aos valores previstos no §4º do aludido dispositivo legal. Sendo a inflição da penalidade prevista no §5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91 totalmente distinta, independente e autônoma em relação àquela prevista no §6º do citado artigo de lei, os limites de que tratam os §§ 5º e 6º acima mencionados incidem indistintamente no cálculo de cada uma das multas, eis que previstos taxativamente na memória de cálculo de cada infração estabelecida na lei. A conduta omissiva assim perpetrada pelo sujeito passivo representou ofensa ao dispositivo legal encartado no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 225, IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada, o §5º do art. 32 do Pergaminho Legal em foco, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, aviou norma sancionatória, prevendo a punição do obrigado, em caso de entrega de GFIP contendo incorreções ou omissões relacionadas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, mediante a inflição de pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do mesmo dispositivo legal. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 20 No mesmo sentido, assim dispõem os artigos 225, IV e 284, II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social. Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IVinformar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Assentada que a obrigação de prestar informações mediante GFIP se renova mensalmente, dessumese de forma hialina que cada apresentação de GFIP com omissões/incorreções representa uma infração independente, a qual sofrerá a punição prevista na lei de forma isolada das demais. Assim, ainda que a sanção a todas as infrações representativas de cada uma das competências apuradas pela fiscalização seja lançada mediante um único Auto de Infração, o valor da multa a ser estipulada para cada infração (competência) tem que ser calculada mediante a aplicação, na íntegra, da memória de cálculo estabelecida no §5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, e , ao fim, devidamente somadas. É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente capaz de manter sua Moeda Corrente a salvo da corrosão imposta pela inflação. Ante a iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1008 21 legal com um mecanismo arquitetado adrede, visando a minimizar os efeitos devastadores de tal ocorrência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713/2001). §1º O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Revelase auspicioso salientar que o CTN não inclui em sua reserva legal a atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais não se qualificam, por expressa disposição legal, como majoração de tributos, a teor do §2º do art. 97 do CTN. Nessa perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito por qualquer outro instrumento normativo aquilatado no conceito de legislação tributária estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. §1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. §2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. (grifos nossos) Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 22 IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. O valor mínimo da multa em exame encontrase, de fato, fixado no art. 92 da Lei nº 8.212/91, atendendo o apelo do Recorrente, o qual será reajustado nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social, conforme assim estabelecido no art. 102, caput, do mesmo Diploma Legal. Na hipótese ora tratada, os índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: (...) II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; Nesse contexto, em 12 de maio de 2005 foi publicada no Diário Oficial da União a Portaria MPS nº 822/2005, que atualizou o valor mínimo da penalidade pecuniária prevista no art. 92 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 283, I, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, equivalente a R$ 1.101,75 (um mil cento e um reais e setenta e cinco centavos), conforme informado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fl. 28. PORTARIA MPS nº 822, de 11 de maio de 2005 Art. 8º A partir de 1º de maio de 2005: (...) V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.101,75 (um mil cento e um reais e setenta e cinco centavos) a R$ 110.174,67 (cento e dez mil cento e setenta e quatro reais e sessenta e sete centavos); Como resultado, subsiste inabalada a obrigação tributária objeto do Auto de Infração em apreço. 3.2. DOS CORRESPONSÁVEIS Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1009 23 O Recorrente alega ser indevida a extensão de responsabilidade tributária aos sócios da empresa. Sem razão. Cumpre, de plano, esclarecer que a responsabilidade pelas obrigações decorrentes da vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito é da empresa, e não dos seus representantes legais arrolados no relatório intitulado "RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS", não integrando estes o polo passivo da autuação. O anexo "Relação de Coresponsáveis" possui apenas caráter informativo, prestandose como mero subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional, caso haja a necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, após a preclusão do contencioso administrativo, nas estritas hipóteses em que vingue configurada a responsabilidade pessoal de terceiros pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos estatuídos no inciso III do art. 135 do CTN. Tal entendimento encontrase consolidado no Verbete da Súmula CARF nº 88, conforme se vos segue: Súmula CARF nº 88: A “Relação de CoResponsáveis – CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Nesse sentido, o art. 2º da Portaria PGFN nº 180, de 25 de fevereiro de 2010, dispõe que, a inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações elencadas a seguir: I excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica. Na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, os sóciosgerentes e os terceiros não sócios, com poderes de gerência à época da dissolução, bem como do fato gerador, deverão ser considerados responsáveis solidários. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 24 De acordo com a citada Portaria, para fins de responsabilização com base no inciso III do art. 135 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional entendese como responsável solidário o sócio, pessoa física ou jurídica, ou o terceiro não sócio, que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária objeto de cobrança judicial. Cumpre ressaltar, por relevante, que a atividade fiscal tem caráter plenamente vinculado, característica que impinge ao Auditor Fiscal a atenção aos procedimentos de fiscalização fixados na legislação tributária. Nesse sentido, a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14/07/2005, vigente por ocasião da lavratura da NFLD em tela, assim dispõe: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação"; Avulta, portanto, que a atuação do auditor fiscal notificante, no que tange à constituição da Relação de corresponsáveis, não se encontra impregnada de qualquer discricionariedade nem, tampouco, ilegalidade. Ela decorre, pura e simplesmente, da natureza vinculada do seu atuar de oficio. 3.3. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Urge, inicialmente, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1010 25 Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 26 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1011 27 II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma legal que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessórias, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Cada macaco no seu galho. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35 A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 28 I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1012 29 dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 30 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. 4. CONCLUSÃO: Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15375.005029/200943 Acórdão n.º 2401004.079 S2C4T1 Fl. 1013 31 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do presente lançamento todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/1999, inclusive, em razão da decadência, nos termos do art. 173, I, do CTN. Outrossim, o valor da penalidade pecuniária a ser aplicada deve ser recalculado, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, inciso I e §3º, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator ad hoc. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 35380.002568/2006-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2401-000.163
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira
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DE MÁQUINAS E IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire – Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/11/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 RELATÓRIO Tratase de retorno de diligência comandada por meio da Resolução nº 2401 00.059 da Primeira Turma da 4ª Câmara da 2ª Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal CARF, no intuito de identificar o resultado final das NFLD lavradas durante o mesmo procedimento fiscal, para que se possa identificar os fatos geradores constantes em cada uma delas e sua relação com o auto de infração ora em análise, fl. 167 a 171. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 16/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 19/12/2005. Os fatos geradores que ensejaram a autuação ocorreram entre as competências 01/1999 a 09/2000. Para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as informações acerca do lançamento efetuado. Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 30, I, “a” da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 283, I, “g” do RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas a pessoas físicas que lhe prestaram serviços. NO caso, a empresa deixou de descontar as remunerações pagas aos segurados: APARECIDO ANTONIO DE ALMEIDA, GERALDO DONIZETE DE JESUS VIEIRA GODOY, MÁRCIO JOSE DA SILVA, conforme relatório fiscal. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 16/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 19/12/2005. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 25 a 71. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 84 a 95. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 99 a 145. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: O fatos que ensejaram a autuação encontramse em períodos alcançados pela decadência. Inconstitucional o art. 45 da Lei 8212/91, que prevê a prescrição qüinqüenal. Ilegal a autuação pela aferição indireta, uma vez que deve prevalecer os termos da coisa julgada em relação as reclamatórias trabalhistas promovidas pelos empregados. Ilegal a exigência de contribuições previdenciárias sobre verbas indenizatórias diante do preceito do art. 28, § 9º da Lei 8212/91. Ou seja, desconsiderou a fiscalização que a totalidade dos valores pagos em reclamatória trabalhista possuem caráter indenizatório. O crédito objeto deste lançamento em relação ao segurado Márcio José da Silva, foi regularmente recolhido. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/11/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35380.002568/200616 Resolução n.º 2401000.163 S2C4T1 Fl. 251 3 A fiscalização não poderia proceder à autuação fiscal, com a aplicação de multa por irregularidades verificadas no período anterior a edição do Decreto 3048/99 em razão do princípio da anterioridade e da irretroatividade da lei tributária. Ilegal o valor excessivo da multa aplicada. Ilegal ainda o sistema de correção aplicado, bem como a taxa SELIC. Requer o acolhimento dos argumentos aqui invocados, reconhecendo as ilegalidades apontadas, bem como requer o cancelamento da autuação. A Receita Previdenciária abstevese de apresentar contrarazões tendo encaminhado o recurso a este conselho. É o relatório. A DRFB prestou informações e anexou cópias das decisões no sentido de que: (1) NFLD 35.834.6096 foi julgada procedente no âmbito deste CARF, , bem como em relação a (2)NFLD 35.834.6100 o contribuinte teve seu recurso Provido em Parte. Para a NFLD 35.834.6088, observase que a autoridade da DRFB anexou a Decisão Notificação e o recurso voluntário do contribuinte. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/11/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Em se tratando de retorno de diligência, comandada no intuito de identificar o resultado das NFLD conexas com os fatos geradores deste AI, abstenhome de avaliar a tempestividade, tendo em vista já ter sido objeto de apreciação anteriormente. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Conforme descrito na resolução que converteu em diligência, a decisão da procedência ou não do presente autodeinfração, está ligado à sorte das Notificações Fiscais lavradas sob fatos geradores de mesmo fundamento. Assim, para evitar decisões discordantes fezse imprescindível a análise tendo por base o resultado de outros lançamentos realizados no mesmo procedimento. Contudo, ao analisar os documentos acostados pela autoridade da DRFB, quanto a procedência das NFLD lavradas durante o mesmo procedimento, identificase, por meio das Decisões Notificações que a NFLD diretamente relacionada é a de n. 35.834.6088, a única para a qual não foi possível, por meio da análise dos sistemas do CARF identificar o andamento. Notese que por meio de pesquisa, o n. do DEBCAD não mais aparece como identificador do Processo, e da pesquisa realizada no âmbito da secretaria desta Câmara do n. do carimbo de protocolo 35.380.002726/200638, fl. 180 (verso), não foi encontrado o processo. Dessa forma, infelizmente, nos resta novamente converter o julgamento em diligência, para que a DRFB preste mais esclarecimentos, se possível acerca do andamento do processo, indicando, inclusive o n. do mesmo, e caso seja constatado que o mesmo ainda não foi julgado no âmbito deste conselho, deve ficar aguardando a decisão de mérito, evitando assim, julgamento discordantes, entre a NFLD lavrada e o respectivo AI pelo descumprimento de obrigação acessória, diretamente relacionado aos fatos geradores descritos na NFLD. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/11/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/06/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11020.002057/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN.
Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados.
Recurso Voluntário Negado.
Durante a vigência do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, para as entidades que haviam perdido o direito à isenção mediante Ato Cancelatório, havia a necessidade de pedido à Administração Tributária visando ao reconhecimento do benefício fiscal.
CONTRIBUIÇÃO SOBRE NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRATO QUE PREVÊ APENAS A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS. BASE DE CÁLCULO CORRESPONDENTE AO VALOR DOS SERVIÇOS PRESTADOS PELOS COOPERADOS.
Nos contratos efetuados com cooperativas de trabalho médico, em que não há previsão de fornecimento de material, mas apenas de prestação de serviços médicos, a base de cálculo da contribuição previdenciária corresponde ao valor dos serviços prestados pelos cooperados.
Numero da decisão: 2401-003.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. II) Pelo voto de qualidade, rejeitar a argüição de decadência. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que acolhiam a argüição. III) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REGRAS DE ISENÇÃO. ART. 14 DO CTN. Não se aplicam às contribuições sociais as regras de isenção previstas no art. 14 do Código Tributário Nacional. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. PERDA DA ISENÇÃO. NECESSIDADE DE REQUERIMENTO ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Durante a vigência do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, para as entidades que haviam perdido o direito à isenção mediante Ato Cancelatório, havia a necessidade de pedido à Administração Tributária visando ao reconhecimento do benefício fiscal. CONTRIBUIÇÃO SOBRE NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRATO QUE PREVÊ APENAS A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS. BASE DE CÁLCULO CORRESPONDENTE AO VALOR DOS SERVIÇOS PRESTADOS PELOS COOPERADOS. Nos contratos efetuados com cooperativas de trabalho médico, em que não há previsão de fornecimento de material, mas apenas de prestação de serviços médicos, a base de cálculo da contribuição previdenciária corresponde ao valor dos serviços prestados pelos cooperados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 20 57 /2 00 9- 78 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. II) Pelo voto de qualidade, rejeitar a argüição de decadência. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que acolhiam a argüição. III) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002057/200978 Acórdão n.º 2401003.471 S2C4T1 Fl. 516 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 10 24.971 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.218.7765. O crédito em questão referese à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social e, consoante o relatório fiscal, fls. 35/39, os fatos geradores das contribuições sociais lançadas decorreram de pagamentos efetuados a Cooperativas de Trabalho Médico — UNIMED Nordeste. O relatório fiscal acrescenta que este lançamento contém as diferenças de base de cálculo apuradas entre os valores brutos das faturas emitidas pela cooperativa e os valores por ela destacados como base de incidência para contribuição ao INSS. Isto porque, nas Faturas discriminadas às fls. 40/49, a cooperativa destacou como base de cálculo tão somente 30% do valor bruto o que não pode ser aceito porquanto os contratos apresentados referemse apenas a fornecimento de trabalho médico pelos cooperados. Salienta, ainda, que no campo "Tipo" das Faturas está informado: "Somente Honorários Médicos". Afirmase que o sujeito passivo, na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, declarouse indevidamente como entidade beneficente de assistência social em gozo da isenção da cota patronal, deixando de recolher as contribuições devidas. Acerca da perda da isenção, o fisco assim se pronunciou: “3. Da perda da isenção patronal: 3.1. Da ação fiscal desenvolvida no Círculo Operário Caxiense em 2005, resultou na Informação Fiscal n° 35249.00029312005 10, para fins de cancelamento de isenção. Emitida a Decisão Notificação DN n° 19.422.4/001/2007, determinando o cancelamento da isenção patronal a partir de 01/01/1995, o que foi feito através do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 19.422.1/001/2007, de 16/02/2007. Da decisão, o Círculo Operário Caxiense não apresentou recurso na esfera administrativa. Ajuizou Ação Ordinária n° 2008.71.07.0004642/RS, pretendendo a anulação do referido Ato (Liminar/Antecipação da Tutela indeferido em 17/06/2008) e Agravo de Instrumento n° 2008.04.00.0237710/RS, contra a decisão da ação ordinária que indeferiu o pedido de antecipação dos efeitos da tutela (convertido em agravo retido, em 09/07/2008), tudo conforme cópias em anexo.” Cientificado do lançamento em 19/06/2009, a autuada apresentou impugnação, cujas razões não foram acolhidas pelo órgão de primeira instância. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual em apertada síntese apresentou os pontos abaixo. Afirma que cumpre integralmente com seus objetivos estatutários, mencionando todas as atividades assistenciais e de promoção à saúde que desenvolve. Apresenta títulos e registros que lhe foram outorgados em razão das suas ações na área de assistência social, quais sejam: a) Registro no Conselho Nacional de Assistência Social, conforme Processo n. 00000.044804/195200, sessão de 03/10/1952; b) Primeiro Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (atual Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social), processo n.° 00000.061883/196300, concedido em 20/08/1963; c) Atestado de Registro no Conselho Municipal de Assistência Social, sob o n. 015/2009; d) Declaração de Utilidade Pública Federal, pelo Decreto n. 64.309, de 07/04/1969, publicado no Diário Oficial da ' União de 09/04/1069; e) Declaração de Utilidade Pública Estadual, Decreto n° 13.558/62, de 09 de maio de 1962; f) Declaração de Utilidade Pública Municipal, Lei n. 973, de 17/06/1960; g) Registro no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente sob o n° 119/99. Ressalta que, desde 1963, o Círculo Operário Caxiense teve continuamente deferidos os seus pedidos de renovação do CEBAS, sendo o último com validade até 31/12/2009. Diante de todos esse elementos, afirma não se sustentar o argumento do fisco de que as contribuições seriam devidas em razão do cancelamento do seu direito à isenção, decorrente do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n. 19.422.1/001/2004, de 16/02/2007. Nesse sentido, assevera que atende a todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN, além ter demonstrado nos autos que preenche integralmente os requisitos constitucionais e infraconstitucionais necessários para que se revista da característica de imune ao recolhimento das contribuições sociais. Apresenta jurisprudência que militaria em seu favor. Sustenta que não poderia ser afastada pela turma julgadora a preliminar de nulidade do AI pelo incorreto enquadramento da recorrente no “FPAS 515”, distinto daquele ao qual deveria ser enquadrada – “FPAS 639”. Isso porque o único fundamento em que se sustenta o acórdão recorrido é o Ato Cancelatório, que não tem força necessária a desconstituir a condição de entidade de utilidade pública, a qual foi concedida à recorrente mediante minucioso processo administrativo voltado à escorreita análise do cumprimento dos requisitos legais aplicáveis. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002057/200978 Acórdão n.º 2401003.471 S2C4T1 Fl. 517 5 Suscita que ocorreu decadência parcial do crédito, uma vez que foi constituído em 16/07/2009, quando já havia transcorrido para algumas competências o prazo decadencial estabelecido no § 4. do art. 150 do CTN. Acerca da contribuição incidente sobre as notas fiscais emitidas pela Cooperativa de Trabalho UNIMED, menciona que o acórdão recorrido atevese apenas ao disposto no contrato de prestação de serviços, deixando de analisar a efetiva operação existente entre o autuado e a cooperativa prestadora, a qual compreende não apenas honorários médicos, mas, também o fornecimento de materiais. Assim, a base de cálculo nesse levantamento ficou superestimada, chocandose o procedimento adotado pelo fisco com as normas constantes no art. 291 da IN MPS/SRP n. 03/2005. Alega que a multa foi aplicada incorretamente, posto que não foi observada a retroatividade benéfica da nova legislação, a qual conduziria à imposição da multa no patamar fixado no art. 61 da Lei n. 9.430/1996, ou seja, no máximo, 20% das contribuições devidas. Ao final pede o cancelamento do AI, ou a sua retificação de modo que sejam saneadas as irregularidades ocorridas na apuração fiscal. É o relatório. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Isenção das contribuições No período do lançamento 01/2004 a 12/2007, bem como na data da ciência da lavratura pelo sujeito passivo estavam em vigor as disposições do hoje revogado art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, as quais regulavam a imunidade/isenção das contribuições sociais, prevista no § 7. do art. 195 da Constituição Federal. Eis a norma: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002057/200978 Acórdão n.º 2401003.471 S2C4T1 Fl. 518 7 § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. O texto legal transcrito nos indica que as entidades, ressalvados os casos de direito adquirido, deveriam requerer ao INSS a isenção das contribuições patronais previdenciárias. No caso sob apreciação, percebese a entidade autuada teve o seu direito ao gozo da isenção cancelado com efeitos retroativos a 01/1995. Contra esse Ato foi ofertada impugnação, a qual não foi acolhida pelo órgão de julgamento. Desistindo do processo administrativo, a autuada buscou a via judicial para afastar os efeitos do Ato Cancelatório de Isenção. O processo em questão Mandado de Segurança 2007.71.07.0040976/RS, foi extinto sem julgamento de mérito. Não tendo sucesso no mencionado Mandado de Segurança, apresentou questionamento no Poder Judiciário através da Ação Ordinária nº 2008.71.07.0004642 pedindo Antecipação de Tutela, que foi indeferida em 19/06/2008. Assim, não há dúvida que para readquirir a condição de entidade imune/isenta, a recorrente teria que novamente requerer o benefício à Administração Tributária, demonstrando que atendia a todos os requisitos da legislação vigente, in casu, o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991. Quanto às questões discutidas no processo relativo ao Ato Cancelatório de Isenção não nos cabe apreciálas por dois motivos. Primeiro, o julgamento de primeira instância transitou em julgado na esfera administrativa, posto que a entidade dele não recorreu. Em segundo lugar, ao recorrer ao Judiciário para afastar os efeitos do Ato, a autuada renunciou à discussão administrativa, conforme previsto em súmula do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O fato da entidade apresentar vasto rol de atividades assistenciais, bem como de comprovar a posse de títulos, certificações e registros necessários ao gozo do benefício Fl. 264DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 fiscal não altera a sua situação. É que, conforme visto acima, nos termos do § 1. do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, havia a necessidade da empresa fazer o requerimento ao INSS e apresentar toda a documentação exigida na Lei, portanto, somente a posse dos documentos e o cumprimento de outros requisitos não eram suficientes a garantir a isenção/imunidade. Diante dessas evidências, forçoso concluir que não deve prevalecer a tese da nulidade do AI em razão do incorreto enquadramento efetuado pelo fisco no “FPAS 515”, haja vista que a empresa não era reconhecida pela Administração Tributária como entidade beneficente de assistência social isenta/imune do recolhimento das contribuições sociais. Aplicação do art. 150, VI da CF e art. 14 do CTN A invocada imunidade da recorrente com base no art. 150, VI, da Constituição Federal não se sustenta. Vejamos: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. (...) Como se pode ver do comando constitucional, a imunidade ali traçada diz respeito apenas aos impostos, que é espécie tributária diferente de contribuição, exação tratada no presente AI. Na verdade, o desdobramento infraconstitucional do inciso IV do art. 150 da Lei Maior encontrase na alínea “c” do inciso IV do art. 9.º e no art. 14, ambos do CTN, assim redigidos: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV cobrar imposto sobre: (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Fl. 265DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002057/200978 Acórdão n.º 2401003.471 S2C4T1 Fl. 519 9 Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001) (...) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. (...) Como se pode ver, esses dispositivos do CTN tem aplicação restrita à imunidade/isenção relacionada aos impostos. Para as contribuições destinadas à Seguridade Social, o legislador constituinte reservou o § 7.º do art. 195 quando pretendeu tratar de imunidade/isenção, dispositivo esse que foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 e hoje é tem regramento ordinário na Lei n.º 12.101/2009. Decadência Tendo entendido que de fato a empresa não era detentora da imunidade/isenção quanto ao recolhimento da cota patronal previdenciária, agora já posso tratar da alegada decadência. É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Considerandose que a empresa se declarava indevidamente como entidade isenta do recolhimento das contribuições lançadas, não há o que se falar em antecipação do pagamento, haja vista que havia apenas o recolhimento da contribuição descontada dos segurados. Assim, a contagem do prazo decadencial deve ser efetuada com base na regra constante no inciso I do art. 173 do CTN. Tendose em conta que a cientificação da lavratura ocorreu em 19/06/2009 e o período do crédito é de 01/2004 a 12/2007, não há o que se falar em transcurso do prazo decadencial, devendo ser afastada essa alegação recursal. Base de cálculo da contribuição sobre as faturas emitidas por cooperativa de trabalho Diferentemente do AI n. 11020.002054/200934 (AI n. 37.218.7722), onde foram lançados os valores de base de cálculo da contribuição previdenciária destacados nas faturas emitidas pelas Cooperativas UNIMED Nordeste, UNIMED Vale do Caí e UNIMED Vale das Antes (conforme demonstrativo de fls. 1.323/1.341 do processo n. 11020.002054/200934/AI n. 37.218.7722) , no presente feito o fisco identificou equívoco cometido apenas pela prestadora pela prestadora UNIMED Nordeste no destaque da base de cálculo em parte dos documentos fiscais emitidos, o qual teria reduzido o valor da base tributável. Analisando os contratos colacionados pelo fisco nos autos relativos ao processo n. 11020.002054/200934/AI n. 37.218.7722 (fls. 1.929/1.961 – processo papel), ao qual o presente AI foi apensado por conter os mesmos elementos de prova, verificase que a Cooperativa UNIMED Nordeste teria como obrigação atender aos usuários inscritos nos planos de saúde empresariais comercializados e mantidos pela Círculo Operário Caxiense – COC. De acordo com as estipulações contratuais, o pagamento pelos serviços prestados eram realizados de duas maneiras, a saber: a) valores referentes à quantidade de beneficiários existentes no dia 30 do mês anterior, nos diferentes planos empresariais comercializados pelo COC, calculados por beneficiário cadastrado, por faixa etária, de acordo com os valores dos Termos de Adesão; e Fl. 267DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002057/200978 Acórdão n.º 2401003.471 S2C4T1 Fl. 520 11 b) valores concernentes aos atendimentos médicos realizados por custo operacional e procedimentos médicos realizados em consultório. O faturamento era realizado em documentos separados para cada uma das formas de pagamento. Para os valores definidos pela quantidade de usuários cadastrados, utilizavase as rubricas: “evento 11 – mensalidade” e “evento 15 – mensalidade proporcional”. Para os pagamentos decorrentes dos atendimentos realizados, a rubrica lançada nas faturas era “evento 21 – custo operacional”. Na definição da base de cálculo da contribuição previdenciária para o “evento 21”, a prestadora destacava na fatura o valor total do custo operacional, ou seja, os valores destinados aos cooperados, conforme constante no corpo do documento. Contudo, para os “eventos 11 e 15” (ver fls. 1.666/1.928 do processo principal), a base de cálculo era definida como 30% do valor da fatura, mesmo se observando que constava das faturas que se tratavam apenas de honorários médicos. Para justificar essa prática, o sujeito passivo invoca dispositivos da IN SRP n. 03/2005, os quais previam a redução da base de cálculo da contribuição sobre as faturas emitidas por cooperativas de trabalho médico. Merecem transcrição essas normas: Art. 289. Na prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, havendo previsão contratual de fornecimento de material ou a utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, esses valores serão deduzidos da base de cálculo da contribuição, desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e comprovado o custo de aquisição dos materiais e de locação de equipamentos de terceiros, se for o caso, observado o disposto no § 2° do art. 149 e no art. 152. Art. 291. Nas atividades da área de saúde, para o cálculo da contribuição de quinze por cento devida pela empresa contratante de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, as peculiaridades da cobertura do contrato definirão a base de cálculo, observados os seguintes critérios: I nos contratos coletivos para pagamento por valor predeterminado, quando os serviços prestados pelos cooperados ou por demais pessoas físicas ou jurídicas ou quando os materiais fornecidos não estiverem discriminados na nota fiscal ou fatura, a base de cálculo não poderá ser: a) inferior a trinta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando se referir a contrato de grande risco ou de risco global, sendo este o que assegura atendimento completo, em consultório ou em hospital, inclusive exames complementares ou transporte especial; b) inferior a sessenta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando se referir a contrato de pequeno risco, sendo este o que assegura apenas atendimento em consultório, Fl. 268DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 consultas ou pequenas intervenções, cujos exames complementares possam ser realizados sem hospitalização; II nos contratos coletivos por custo operacional, celebrados com empresa, onde a cooperativa médica e a contratante estipulam, de comum acordo, uma tabela de serviços e honorários, cujo pagamento é feito após o atendimento, a base de cálculo da contribuição social previdenciária será o valor dos serviços efetivamente realizados pelos cooperados. Parágrafo único. Se houver parcela adicional ao custo dos serviços contratados por conta do custeio administrativo da cooperativa, esse valor também integrará a base de cálculo da contribuição social previdenciária. Não vejo como aplicar esses dispositivos à situação sob enfoque. Uma análise mais detida dos contratos juntados pelo fisco revela que inexistia obrigação da UNIMED de fornecer qualquer material na execução contratual. Os serviços contratados são as consultas e atendimentos pelos médicos cooperados da UNIMED, não envolvendo os custos e despesas relativas às instalações hospitalares e ambulatoriais do COC, os quais eram suportados por este. Inexistem previsões contratuais de que a UNIMED forneça materiais, exames complementares ou outro tipo de serviço que não o atendimento médico. Por esse motivo não são aplicáveis os dispositivos acima, uma vez que específicos para os casos em que há prestação de serviços com utilização de materiais sem que haja discriminação de um e outro na fatura. A análise dos contratos e das faturas demonstra que não se trata desta situação no presente AI. Outro fato apresentado no acórdão recorrido que é mais uma evidência contra a tese recursal de erro do fisco na apuração da base de cálculo, reside no destaque do Imposto de Renda na Fonte nas faturas, destaque este que revela que os “eventos 11 e 15” se referiam apenas aos honorários dos cooperados. Segue a transcrição de excerto da decisão recorrida: “No corpo das Faturas que embasam este lançamento, consta destacado o IRF — Imposto de Renda na Fonte, previsto no art. 45 1 da Lei n° 8.541/92, na redação dada pela Lei no 8.981/95, incidente sobre as importâncias pagas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, relativas a serviços pessoais prestados por associados destas, calculado à alíquota de 1,5% sobre o valor bruto daquelas faturas, ou seja, a soma das mensalidades dos eventos 11 e 15, o que corrobora tratarse de fatura apenas de serviços médicos (honorários).” De todo o exposto, posso concluir com segurança que os valores lançados nas faturas sob a rubrica “mensalidades” não se enquadram na previsão normativa de redução da base de cálculo da contribuição prevista no inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, sendo procedente o lançamento. Multa Sobre as contribuições lançadas foi aplicada multa no patamar de 24%, conforme o art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, na redação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002057/200978 Acórdão n.º 2401003.471 S2C4T1 Fl. 521 13 Requer o sujeito passivo que a multa seja imposta observandose a nova redação dada ao dispositivo em questão pela MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, que trouxe ao art. 35 da Lei n.º 8.212/1991 a seguinte redação: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O referido art. 61 da Lei n. 9.430/1996 assim prescreve: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (...) Ocorre que a aplicação retroativa a que se refere dispositivo acima somente tem lugar quando se está diante de pagamento espontâneo, ou seja, não objeto de lançamento de ofício. Às situações em que o sujeito passivo deixou de declarar os fatos geradores e recolher as contribuições, levando o fisco a constituir o crédito tributário, a regra da novel legislação é o art. 44, I, da Lei n. 9.430/2006, conforme previsão do art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzida pela MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2008: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Portanto, não há de se acatar o requerimento da empresa, posto que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, impõe multa mais gravosa (75% do tributo não recolhido) que aquela prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, na redação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores. Nesse sentido, devese manter a multa aplicada no lançamento, posto que a aplicação retroativa da nova legislação conduziria a um valor mais gravoso ao sujeito passivo. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento e a decadência e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11065.722656/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO -NULIDADE - AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES PELA SRF - INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA - INAPLICABILIDADE DA EXIGÊNCIA.
O ATO DECLARATÓRIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão do Ato Declaratório.
No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL.
Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91 e artigo 8º da Lei nº 10.593/2002, c/c Súmula nº 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa - Auditor da Receita Federal do Brasil -, constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Pelo voto de qualidade, rejeitar as preliminares de nulidade, Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por anular o lançamento por não haver ato declaratório de exclusão do SIMPLES; II) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Elias Sampaio Freire, que dar provimento parcial ao recurso somente para que fossem apropriadas as guias recolhidas na sistemática do Simples, proporcionalmente a cota destinada à Seguridade Social. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO -NULIDADE - AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES PELA SRF - INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA - INAPLICABILIDADE DA EXIGÊNCIA. O ATO DECLARATÓRIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão do Ato Declaratório. No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91 e artigo 8º da Lei nº 10.593/2002, c/c Súmula nº 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa - Auditor da Receita Federal do Brasil -, constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Pelo voto de qualidade, rejeitar as preliminares de nulidade, Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por anular o lançamento por não haver ato declaratório de exclusão do SIMPLES; II) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Elias Sampaio Freire, que dar provimento parcial ao recurso somente para que fossem apropriadas as guias recolhidas na sistemática do Simples, proporcionalmente a cota destinada à Seguridade Social. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO DA TOMADORA. Nos lançamentos em que o fisco desconsidera os vínculos empregatícios firmados com a empresa prestadora e atribui a relação de emprego diretamente com a tomadora dos serviços, é imprescindível que haja a cabal demonstração de que os trabalhadores atuavam a serviço desta, sendo a contratada mera empresa interposta sem existência no mundo dos fatos. APROVEITAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES FEITOS NA MODALIDADE DO SIMPLES Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES PELA SRF INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA INAPLICABILIDADE DA EXIGÊNCIA. O ATO DECLARATÓRIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão do Ato Declaratório. No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 26 56 /2 01 1- 18 Fl. 2653DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91 e artigo 8º da Lei nº 10.593/2002, c/c Súmula nº 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa Auditor da Receita Federal do Brasil , constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2654DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 3 3 ACORDAM os membros do colegiado, I) Pelo voto de qualidade, rejeitar as preliminares de nulidade, Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por anular o lançamento por não haver ato declaratório de exclusão do SIMPLES; II) Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Elias Sampaio Freire, que dar provimento parcial ao recurso somente para que fossem apropriadas as guias recolhidas na sistemática do Simples, proporcionalmente a cota destinada à Seguridade Social. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2655DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório O presente processo correspondente ao lançamento de contribuições previdenciárias, incidentes sobre os valores pagos pela USAFLLEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A. aos seus empregados, no período de 01/2008 a 12/2009, sobre os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais encontrase assim dividido: 1. AI DEBCAD nº 37.303.4296, compreende as contribuições patronais e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), no período de 01/2008 a 13/2009; 2. AI DEBCAD nº 37.303.4300, compreende as contribuições para as terceiras entidades e fundos (Salário Educação, INCRA, SEBRAE e SENAI E SESI), que tiveram como fatos geradores as remunerações de segurados empregados no período de 01/2008 a 12/2008, cujo valor consolidado em 09/10/2012 corresponde a R$ 1.107.164,94, conforme Discriminativo do Débito (DD) de fls. 149 a 152; e 3. AI DEBCAD nº 37.345.2802, decorrente do descumprimento da obrigação acessória de deixar de informar em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias no período de 01/2008, 03/3008 e 05/2008. 4. AI DEBCAD nº 37.345.2810, decorrente do descumprimento da obrigação acessória de deixar de informar em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias no período de 02/2008, 04/3008 e 06/2008 a 11/2008. Nos AI DEBCAD nº 37.303.4296 e Debcad nº 37.303.4300), foram aplicados os seguintes percentuais de multas: Multa de mora (24%), para as competências 01/2008 a 11/2008; Multa de ofício qualificada (150%), para as competências de 12/2008 a 13/2009, aplicada com base no art. 44, inciso I e parágrafo primeiro, da Lei nº 9.430/1996. A multa qualificada de 150% foi aplicada em virtude de a Fiscalização ter constatado que a empresa USAFLEX utilizouse da mãodeobra de empresas optantes do sistema SIMPLES, um regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido, com a finalidade de reduzir a contribuição previdenciária, configurando uma simulação (item 3 do Relatório Fiscal, fls. 86). Fl. 2656DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 4 5 Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 77 a 90, Através de auditoriafiscal realizada junto à empresa USAFLEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A, CNPJ 86.900.925/000104, doravante denominada USAFLEX, foram constatadas situações fáticas que levaram a Fiscalização ao entendimento de que terceiras empresas, no caso, a) Elvídio Luiz Dill EPP, CNPJ 09.182.324/000162, doravante denominada ELVÍDIO; b) M.R.L Atelier de Calçados Ltda. EPP, CNPJ 07.103.055/000176, doravante MRL e c) Valtoir Nunes Fagundes EPP, CNPJ 09.005.219/000158, doravante denominada VALTOIR, foram criadas para registro de mãode obra da autuada, com o objetivo de reduzir os encargos tributários previdenciários utilizandose dos benefícios do Sistema Simples, configurando simulação. Em virtude da situação fática verificada, a Fiscalização vinculou os segurados empregados e contribuintes individuais daquelas empresas à USAFLEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A, lançando os créditos previdenciários contra esta empresa. Todas as empresas arroladas foram intimadas a apresentar documentos, conforme Termos de Início de Procedimento Fiscal, de 18/04/2011. Os créditos foram apurados através de aferição indireta, tomando como base as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, constantes nas folhas de pagamento das empresas MRL, VALTOIR e ELVÍDIO e declaradas nas suas GFIPs – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (item 2.2 do Relatório Fiscal, fls. 77). Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 29/06/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação, foi apresentada defesa, fls. 336 a 1733. O recorrente anexou diversos documentos que entende pertinentes a comprovação do alegado. O processo foi baixado em diligência, no intuito da fiscalização demonstrar outros elementos quanto a ingerência da USAFLEX em relação às demais em presas. O auditor elaborou informação prestando os seguintes esclarecimentos: Da resposta à Diligência (fls. 2488/2496) Folhas de pagamento A Fiscalização se manifestou respondendo que a folha de pagamento das empresas MRL, VALTOIR e ELVÌDIO foi apresentada em mídia não regravável (CDR), em forma de arquivos. À vista do pedido da diligência para anexar as folhas de pagamento a Fiscalização relata que extraiu dos arquivos digitais os dados que conformariam uma folha de pagamento e elaborou os Anexos A, B e C, detalhando por CNPJ a remuneração tomada como base de cálculo, por segurado (nome e NIT) em cada competência. Os totais demonstrados nos Anexos conformam o montante das exações previdenciárias do crédito previdenciário em discussão, demonstrando inclusive os valores da contribuição a cargo dos segurados, do saláriofamília e do saláriomaternidade. Despesas No tocante às despesas contabilizadas pelas empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR, a Fiscalização anexou aos autos os Razões das contas de despesas e/ou custos (Anexos Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 D e D1 para MRL; Anexos F e F1 para Elvídio e Anexos E e E1 para VALTOIR), os quais foram extraídos dos arquivos digitais da contabilidade de cada uma das prestadoras, esclarecendo ainda que já constam anexados aos autos os demonstrativos de resultado de exercício – DRE (DRE´s 2008 e 2009 da MRL às fls. 183/184; DRE´s 2008/2009 da ELVÍDIO às fls. 235/236 e DRE´s 2008 e 2009 da VALTOIR às fls. 266/267). A Fiscalização relata que as despesas que a USAFLEX tinha interesse que as prestadoras (empresas interpostas) assumissem como suas, estão contabilizadas na contabilidade destas. Frisa que para TODAS as prestadoras os custos com pessoal representam mais de 70% da receita. E que dentro do universo das despesas, a quase totalidade é representada por custos de pessoal. O relato fiscal enfatiza que a compreensão adequada requer a análise global da contabilidade das empresas interpostas, avaliando não só as despesas como também as receitas. E neste aspecto, as receitas provém exclusivamente de serviços prestados à USAFLEX, a significar que indiretamente as despesas são suportadas por recursos provindos da USAFLEX. A Fiscalização procedeu à análise das despesas como a seguir relatado: Conta aluguéis: Esta conta traria os supostos pagamentos de aluguéis por parte das prestadoras à USAFLEX. Foram apresentados somente recibos. Não foram apresentados documentos de quitação. Para esta despesa o contador justificou por escrito não possuir tais comprovantes ao argumento de que “era deduzido dos valores totais das Notas Fiscais de industrialização por encomenda”. Conta 3103021900002664 Despesas jurídicas da MRL pagamento de parcelas relativas a acordos trabalhistas. Os lançamentos datados de 25/04/2008, 25/06/2008, 25/07/2008 todos com valor de R$ 500,00 e 08/09/2008 com valor de R$ 380,00, possuem como contrapartida a conta número 2106010160002 USAFLEX. Conciliando os mesmos com os lançamentos registrados na conta 1101020500000013 Caixa Econômica Federal, verificase nas datas mencionadas a existência de depósitos efetuados pela USAFLEX em favor da MRL, em valores idênticos aos referidos. O depósito do valor de R$ 380,00 ocorreu em 28/08/2008. Através deste exemplo a Fiscalização percebeu uma vinculação específica dos adiantamentos da USAFLEX com as despesas da empresa referida. Em razão deste fato a Fiscalização efetuou a análise da conta “bancos” das três empresas prestadoras (interpostas). Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 5 7 Para tanto a Fiscalização selecionou alguns lançamentos, a título exemplificativo e o resultado é o seguinte: a) Conta contábil número 1101020300000011 Banco Bradesco S/A C/C – VALTOIR Em 03/01/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 35.000,00. Em 04/01/2008, utilizando a mesma conta o contribuinte VALTOIR pagou salários no valor de R$ 34.550,00. Em 17/01/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 28.000,00. No dia seguinte 18/01/2008 a VALTOIR efetuou adiantamento de salários no montante de R$ 27.741,00. Em 31/01/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 31.000,00. Na mesma data a VALTOIR transferiu R$ 30.994,00 para as contas dos funcionários para pagamento de salários. Em 22/02/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 12.300,00. Na mesma data a VALTOIR pagou energia elétrica no valor de R$ 12.299,46. Na data de 05/03/2008 a USAFLEX transferiu para a referida conta R$ 44.377,00. Neste dia a VALTOIR pagou os salários do mês 02/2008 através de transferência para a conta dos funcionários no montante de R$ 44.377,00. b) Conta número 1101020100000009 Banco do Brasil S/A C/C VALTOIR Em 19/06/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 3.472,00. No dia seguinte o contribuinte VALTOIR transferiu da mesma conta os mesmos R$ 3.472,00 para as contas dos funcionários a título de adiantamento de salário. Em 04/09/2008 a USAFLEX transferiu R$ 6.485,00 para esta conta. Em 05/09/2008 a empresa VALTOIR fez transferência para as contas dos funcionários a título de pagamento de salários no valor de R$ 6.482,00. Em 06/01/2009 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 13.300,00 e em 07/01/2009 a VALTOIR pagou salário dos funcionários via transferências da mesma conta no valor de R$ 13.210,00. No dia 02/04/2009 a USAFLEX transferiu para a mesma conta R$ 21.000,00. No dia seguinte o contribuinte VALTOIR efetuou transferências para as contas dos funcionários nos valores de R$ 1.924,00 e R$ 19.029,00, perfazendo um montante de R$ 20.953,00. c) Conta número 1101020300000011 Banco Bradesco S/A C/C da MRL Dada a similaridade dos lançamentos em todas as competências, a Fiscalização selecionou dois, a título exemplificativo: Em 04/01/2008 a USAFLEX efetuou depósito nesta conta no valor de R$ 400,00. No mesmo dia o banco debitou nesta conta o Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 valor de R$ 392,49 referente ao pagamento de seguro de vida da MRL. O lançamento contábil debita a conta de despesas da MRL "Seguros". Em 06/02/2008 a USAFLEX efetuou depósito nesta conta no valor de R$ 400,00. No dia 29/02/2008 o banco debitou nesta conta o valor de R$ 392,49 referente ao pagamento de seguro de vida da MRL. O lançamento contábil debita a conta de despesas da MRL "Seguros". d) Conta número 10101020513 Caixa Econômica Federal C/C da ELVÍDIO Em 22/06/2009 a ELVÍDIO emitiu cheque no valor de R$ 13.794,73 para pagamento de DARF e empréstimo de funcionários. Na mesma data recebeu nesta conta um depósito da USAFLEX no montante de R$ 13.800,00. Em 25/06/2009 constam lançados os seguintes pagamentos feitos pela ELVÍDIO, R$ 6.043,95, título da Gutten Appetit Alimentação, R$ 166,27 referente a adiantamento de salários, R$ 56,85 multa rescisória do FGTS e R$ 328,64 referente a pagamento de verbas rescisórias a funcionário, perfazendo um total de R$ 6.595,71. Na mesma data a USAFLEX efetuou transferência bancária para esta conta no valor de R$ 6.600,00. A Fiscalização relata que embora a contrapartida para esta transferência de recursos seja a conta adiantamento de fornecedores, a qual é conciliada posteriormente com a conta industrialização por encomenda, procedimento regular, o que chama a atenção neste caso é o número de adiantamentos, com valores muitos específicos similares ou idênticos aos das despesas pagas pelas prestadoras e em datas também similares ou idênticas à liquidação das despesas das prestadoras. A Fiscalização concluiu que a USAFLEX vai "abastecendo" ou liberando recursos às empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR, não na medida em que a industrialização por encomenda vai ocorrendo como seria usual, mas na medida em que despesas das prestadoras vão ocorrendo. Em outras palavras, o que comanda a liberação destes recursos é a necessidade de pagamento das despesas das prestadoras. A explicação do contador das empresas interpostas reforça este entendimento quando afirma que "os lançamentos foram efetuados sob Adiantamento do Fornecedor para pagamento das despesas inerentes do Atelier" (Vide explicações aos Anexos 3, 4, 5 e 6 ao Termo de Intimação Fiscal 2 de VALTOIR Nunes Fagundes, aos Anexos 3, 4, 5 e 6 de MRL e 3, 4, 5 e 6 de ELVÍDIO Luiz Dill). Portanto, os adiantamentos ao invés de serem regidos pela paulatina prestação de serviços, vinculados em cada lançamento a uma nota fiscal de prestação de serviços, estão primordialmente vinculados a uma despesa. Destas, selecionou uma pequena amostragem em razão do grande volume, segundo informou. Frisa que existem muitas outras onde as afirmações são similares às que são citadas a seguir: No processo 000573.03.2012.5.04.0383 (primeira reclamada MRL ATELIER DE CALÇADOS LTDA, segunda reclamada Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 6 9 USAFLEX CALÇADOS LTDA) em sua peça inicial o reclamante afirma: "A segunda Reclamada, a empresa USAFLEX, deverá ser responsabilizada solidária e/ ou subsidiariamente pelos eventuais créditos trabalhistas, advindos da presente reclamatória, em favor do Autor, eis que fazia parte do mesmo grupo econômico da Primeira Ré, bem como se beneficiava dos serviços prestados pelo autor." "Frisese que, toda a produção da Primeira Reclamada é sob orientação, Fiscalização e subordinação da Segunda Reclamada" Processo 000765.33.2012.5.04.0383 (primeira reclamada MRL, segunda reclamada USAFLEX) em sua petição inicial o reclamante afirma: “A reclamante foi contratada pela primeira reclamada com quem mantinha vínculo empregatício, no entanto sempre prestou seus serviços para a segunda reclamada, que era quem se beneficiava com seu trabalho...." "A segunda reclamada fornecia os pedidos, modelos, matéria prima e ainda fiscalizava a produção, exigindo qualidade e produtividade" No mesmo sentido, e mais contundentes ainda são as afirmações feitas pelo reclamante na peça vestibular do processo 000816.44.2012.5.04.0383 (Primeira reclamada ELVÍDIO LUIZ DILL EPP, segunda reclamada USAFLEX, terceira reclamada STEBRAS IND. E TRANSP): “O autor foi contratado pela primeira ré. Assim, não se discute o vínculo com ela. No entanto, propõe a ação também contra a segunda e a terceira rés porque elas, juntamente com a primeira ré, formam um grupo empresarial" "A primeira ré presta serviços de forma exclusiva para a segunda e funciona no prédio dela (da segunda)" "Tendo em vista que a segunda ré comercializa os calçados produzidos pela primeira, é crível concluirse que ambas trabalham em conjunto e que a primeira, na prática, é uma seção de produção.." “Ademais, diariamente, o autor almoça no refeitório da segunda ré, bem como utiliza o veículo que transporta o pessoal das duas primeiras rés" "As rés simulam a criação de empresas para se eximir dos tributos devidos" "Evidenciase a prática de crime de sonegação fiscal..." Da mesma forma afirma o reclamante na petição inicial do processo 000751.49.2012.5.04.0383 (Primeira reclamada ELVÍDIO LUIZ DILL EPP, segunda reclamada USAFLEX, terceira reclamada STEBRAS IND. E TRANSP): "...todas as rés pertencem ao mesmo grupo econômico. Assim, deverão responder de forma solidária pelos créditos trabalhistas do autor em relação à contratualidade " "Outrossim, a segunda fornecia o ônibus que transportava o pessoal de todas as rés." Fl. 2661DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Na peça inicial do processo 000770.55.2012.5.04.0383 (primeira reclamada VALTOIR NUNES FAGUNDES, segunda reclamada USAFLEX o reclamante afirma: "A Primeira e a Segunda Reclamadas fazem parte do mesmo grupo econômico, pois seus sócios proprietários são os mesmos. O Reclamante sempre trabalhou no mesmo parque fabril, utilizando o mesmo maquinário e os mesmos funcionários" Em relação aos processos trabalhistas a Fiscalização também verificou que os advogados representantes das reclamadas (USAFLEX, MRL, ELVÍDIO e VALTOIR) nas audiências são, invariavelmente, os mesmos, conforme registrado nas atas de audiência. Assinaturas e rubricas em documentos contábeis de MRL, VALTOIR e ELVÍDIO. Analisando os documentos apresentados pelos contribuintes para comprovação dos lançamentos contábeis, a Fiscalização verificou que em todos os recibos de adiantamento a fornecedores analisados, emitidos por MRL, VALTOIR e ELVÍDIO consta a assinatura da Sra Sueli Marmitt que é contabilista da USAFLEX, seguido do nome da empresa prestadora (MRL, VALTOIR ou ELVÌDIO). A Sra. Sueli foi quem assinou o Termo de Início de Procedimento Fiscal junto à USAFLEX, conforme fls. 74 do presente processo. Há vários Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho (doc anexo) de segurados empregados das prestadoras nos quais a Sra. Sueli é quem assina no local destinado à assinatura do empregador. Também os cheques administrativos das empresas MRL, VALTOIR e ELVÌDIO, analisados pela Fiscalização e utilizados por aquelas para pagamento de despesas lançadas nas suas contabilidades possuem duas rubricas, uma delas sendo da Sra. Sueli. Estes elementos, segundo a Fiscalização, denotam a ingerência da USAFLEX em relação às empresas MRL, VALTOIR e ELVÌDIO. Devidamente cientificado o recorrente rebate os argumentos da fiscalização, descrevendo: Da manifestação da Impugnante frente à diligência (fls. 2498/2501) Alega que a afirmação contida no item 5 do Relatório Fiscal está baseada no subjetivismo pessoal da auditora, sem qualquer comprovação documental de quais seriam as despesas realizadas pelas prestadoras e que não estariam contabilizadas, sequer mencionandoas. Relata que não foi anexado qualquer demonstrativo comprovando sua alegação de que os custos com pessoal representariam quase a totalidade do universo das despesas. Fl. 2662DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 7 11 Reclama que a auditoria desconsiderou por completo as peculiaridades das empresas executoras da industrialização. Repisa que referidas empresas vendem serviços de industrialização cuja execução exige menos produtos intermediários e mais empregados o que representa um maior peso em relação ao custo total de sua atividade. Quanto ao item 6 do Relatório, alega que a Fiscalização utilizou expressão injuriosa ao taxar o contribuinte de “falacioso”. Contesta, afirmando que todas as despesas incorridas pelas prestadoras são por estas suportadas e que elas assumem os riscos dos seus empreendimentos. Relata que os recursos financeiros com os quais as prestadoras fazem frente às despesas decorrem dos serviços prestados à autuada, sendo irrelevante a relação de exclusividade entre as empresas, fato que advém da relação comercial entre elas e do conjunto de variáveis presentes em qualquer negociação mercantil. Alega que é equivocado o entendimento fiscal em relação aos adiantamentos de recursos que a autuada fazia às prestadoras na medida em que as despesas destas iam incorrendo. Primeiro porque é adiantamento de clientes e não adiantamento de fornecedores. A autuada seria cliente das prestadoras e não fornecedora e segundo porque a dinâmica dos negócios e a relação de parceria existente entre as empresas, por si só, justifica o procedimento adotado. Explica que a USAFLEX, com base na programação mensal de calçados a serem produzidos, sabe de antemão qual parcela (quantidade) da produção será remetida para industrialização nas prestadoras e quanto isso lhe custará, afirmando que os adiantamentos foram realizados na medida em que a industrialização foi ocorrendo e que os relatórios anexos estariam a comprovar este fato. O Livro Registro de Entradas da autuada estaria a demonstrar a movimentação de materiais entre as empresas e o retorno dos insumos remetidos para utilização no processo industrial e o produto acabado resultante da industrialização. Assim, a USAFLEX já conhecia de antemão o custo dos serviços de industrialização, o que lhe permitia realizar a antecipação de valores às prestadoras. Explica o procedimento às fls. 2.499 dos autos (sem mencionar os lançamentos contábeis), concluindo que os depósitos bancários realizados pela USAFLEX nas contas correntes das prestadoras foram apropriados em suas respectivas contabilidades a título de Fl. 2663DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 “adiantamento de clientes” para posterior liquidação da nota fiscal emitida pelos serviços de industrialização. Com este raciocínio aproveita para explicar a declaração do contador de que o valor do aluguel “era deduzido dos valores das notas de industrialização por encomenda”, sendo lançado a crédito na conta “adiantamento de clientes” para posterior “compensação” no pagamento pela industrialização por encomenda demonstrando que tal despesa é suportada financeiramente pelas prestadoras. Quanto às despesas jurídicas, alega que a conta “2106010160002 –USAFLEX”, não citada pela Fiscalização, também estava classificada no passivo circulante, na qual eram lançadas as antecipações realizadas pela autuada por conta da industrialização. Observa que a partir de 2009 a conta passou a ser classificada como adiantamento de clientes. Reclama que o fisco colheu os elementos probatórios que lhe interessam ignorando os que possam interessar ao contribuinte. Quanto às ações trabalhistas reclama que as petições iniciais em reclamatórias trabalhistas, sem qualquer prova produzida nos autos dos respectivos processos, não podem servir de elemento para a acusação grave de simulação fraudulenta. Enfatiza que as ações trabalhistas foram objeto de conciliação e que conciliar não significa reconhecer como verdadeiros os fatos narrados na petição inicial pelo autor. Afirma que inexiste sentença trabalhista condenatória em que tenha sido reconhecida a existência de fraude trabalhista e/ou de empresa interposta. O fato das empresas constituírem o mesmo advogado é justificado para evitar o conflito de teses defensivas. Alega que cada empresa suportava o ônus financeiro decorrente das ações trabalhistas, inclusive em relação a honorários advocatícios conforme documentação que teria acostado aos autos e que cada empresa esteve representada por prepostos distintos. Alega que maliciosamente tais fatos foram deixados de lado pela auditoria. No tocante às supostas assinaturas em documentos das prestadoras diz que as alegações fiscais estão condicionadas à prova técnica (perícia grafodocumentoscópica), sem a qual não é possível reconhecer a autenticidade de assinaturas ou rubricas e que não é papel da Fiscalização emitir juízo de valor com base em mero cotejo visual. Conclui que não se pode admitir que meras interpretações pessoais, no sentido de que se determinada operação fosse realizada de modo diverso ensejaria tributação maior possa ser o motivo para desconsiderar as operações formalmente queridas e realizadas pelo contribuinte e, por conseqüência, exigir tributo de acordo com suas convicções subjetivas, por suposição. Foi exarada Decisão confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 2577 a 2604, conforme ementa transcrita: Fl. 2664DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 8 13 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2009 AI Debcad nº 37.303.4296 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. SIMULAÇÃO. MULTA DE MORA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFISCO. SELIC. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008 AI Debcad nº 37.303.4300 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PARA TERCEIROS. O Auto de Infração que observa o regramento administrativo próprio à espécie, garante o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, não gerando a nulidade do lançamento. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. O lançamento é efetuado e revisto de ofício quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. A multa aplicada nos estritos limites previstos em lei não caracteriza confisco, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de inconstitucionalidade da legislação vigente. Os juros, calculados pela variação da taxa Selic, têm caráter irrelevável e estão de acordo com a legislação vigente na data da ocorrência dos fatos geradores. A legalidade/constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública, não cabendo tal questionamento senão perante o Poder Judiciário. Fl. 2665DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 O recolhimento efetuado por uma empresa não aproveita outra. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008 AI Debcad nº 37.345.2802 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.GFIP. DECLARAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES Apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores constitui infração à legislação previdenciária. AI Debcad nº 37.345.2810 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP. INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Apresentar a GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 7224 a 7263. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. acusa que o lançamento encontrase eivado de vícios formais, caracterizados por omissões no relatório fiscal, cerceando o direito de defesa e ensejando a nulidade do Auto de Infração. 1.1. Inova alegando que a primeira nulidade diz respeito a ausência de ato declaratório de exclusão do SIMPLES para lançamento a partir da desconsideração da personalidade jurídica. 1.2. reclama que não consta a fundamentação fática e jurídica que ampara a constituição do crédito previdenciário, ensejando a nulidade do Auto de Infração com fulcro nos arts. 202 e 203 do CTN (inscrição e cobrança em dívida ativa) ou no art. 37 da Lei nº 8.212/1991(discriminação clara e precisa do fato gerador) e art. 50 da Lei nº 9.784/1999 (motivação do ato administrativo), arts. 243 e 293 do Decreto nº 3.048/1999 e no art. 11, inciso III e art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 (disposição legal infringida), impossibilitando o pleno exercício do direito de defesa. 1.3. aponta que a Fiscalização lançou mão da aferição indireta, sequer fazendo referência a este procedimento. Também acusa que o Fisco não elencou os dispositivos legais que fundamentam a desconsideração jurídica entre a impugnante e as empresas MRL, VALTOIR e ELVÍDIO. Refere que a falta de referência ao fundamento legal que sustenta o lançamento ou a sua menção de forma genérica, gera cerceamento do exercício do direito à ampla defesa e ao contraditório. 1.4. entende que a ausência de comprovação da existência dos pressupostos da relação empregatícia, notadamente a subordinação, entre os segurados das empresas contratadas e a autuada, impede de exercer o amplo direito de defesa. Fl. 2666DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 9 15 2. Pede a nulidade do Auto de Infração por erro/vício formal insanável. 3. Aduz que a Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008 (DOU de 04/12/2008), posteriormente convertida na Lei n° 11.941/2009 (DOU de 28/05/2009), revogou expressamente os parágrafos 3º, 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991. Portanto, na data da lavratura do AI 37.345.2802 não mais vigia o dispositivo legal da multa aplicada, não podendo, assim servir de fundamento legal para sua imposição, devendo ser declarada a nulidade do Auto de Infração. 4. MÉRITO 5. Da Insubsistência do Lançamento Da operação de industrialização por encomenda Relata que os atos negociais descritos e apurados pela Fiscalização referemse à terceirização, como forma de redução dos custos de produção, objetivando reforçar a competitividade e que no âmbito calçadista este procedimento se dá através da industrialização por encomenda, onde a autuada –USAFLEX é a empresa “encomendante” e as empresas MRL, VALTOIR e ELVÍDIO são as “industrializadoras”, conforme corroboram os contratos de industrialização por encomenda, acostados aos autos pela Fiscalização (item 7.7 do Relatório Fiscal), sendo descabida a alegação fiscal de simulação. 6. Explicita o procedimento adotado como sendo a operação de industrialização destinada à comercialização ou à nova etapa de industrialização, na qual determinado estabelecimento remete insumos para estabelecimento de terceiros, para que este execute parcial ou complementarmente a operação de industrialização. As matériasprimas necessárias à industrialização são adquiridas e remetidas pelo encomendante através de nota fiscal (CFOP 5.901). Posteriormente, a executora da industrialização, quando da devolução do produto final, emite nota fiscal contendo o valor dos materiais utilizados no processo (CFOP 5.902) mais o cobrado pela industrialização (CFOP 5.124). 7. Da impossibilidade de Desconsiderar Negócios Jurídicos Indiretos Diferencia negócio jurídico indireto de simulação, referindo que nesta há desconformidade entre o desejado e o praticado, obrigando as partes a realizar atos paralelos ocultos e que na primeira hipótese as partes desejam e mantêm o ato praticado que poderá resultar em eventual economia de tributos. 8. Defende que no caso não há simulação porque todas as cláusulas do negócio jurídico realizado são verdadeiras e que o contribuinte tem o direito de se autoorganizar, não estando obrigado a optar pela forma fiscalmente mais onerosa, concluindo que a relação empresarial existente entre as empresas não pode ser qualificada como simulada, eis que os negócios entre elas realizados (todos às claras, sem qualquer ocultação) têm natureza jurídica distinta da relação de emprego, sendo autêntica descentralização da produção (terceirização) pela autuada, típica hipótese de negócio jurídico indireto, sendo todas as declarações de vontade verdadeiras (a USAFLEX quer descentralizar a produção e as demais, MRL, ELVÍDIO e VALTOIR, querem realizar a industrialização por encomenda). 9. Reclama que o Fisco não demonstrou a existência de pacto simulatório entre as partes, e de nenhum "contrato de gaveta" e que ao alegar que as empresas existem apenas para que a autuada possa se beneficiar do Sistema SIMPLES, indiretamente está alegando que seus proprietários não passam de "laranjas". Logo, deveria o Fisco comprovar a Fl. 2667DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 existência de um pacto simulatório entre estes e os sócios da autuada, o que não ficou provado nos autos. 10. Da Licitude da Operação de Industrialização por Encomenda, reconhecimento e regulação destas Atividades pela RFB Discorre sobre a licitude da industrialização por encomenda e sobre o reconhecimento e regulação dessa atividade pela RFB, concluindo que a atividade narrada no Auto de Infração tem natureza jurídica de industrialização, não envolvendo cessão de mãodeobra nem prestação de serviços, restando isolado o entendimento expresso na autuação fiscal. 11. Do princípio da tipicidade cerrada – Da impossibilidade de tributar com uso de interpretação extensiva Refere que a autoridade fiscal pretende a aplicação de uma cláusula geral antielisiva, positivada no art. 116, parágrafo único do CTN, que não é autoaplicável e padece de regulamentação. Cita julgado do 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, a respeito da impossibilidade de interpretação extensiva de norma jurídica para imposição de tributos. 12. Da regra matriz de incidência tributária da contribuição previdenciária patronal Alega que não há possibilidade de aplicação da tributação veiculada no Auto de Infração, bem como das respectivas penalidades acessórias, eis que o sujeito passivo do qual está sendo exigida não ocupa a posição de empregador na relação de emprego da qual decorreria o pagamento de salários, não sendo, portanto, contribuinte da exação. Por outro 13. lado, não procedeu a pagamento de remuneração, o que se constitui no “fato gerador” das obrigações tributárias (principais e acessórias) exigidas. 14. Da Compensação dos valores recolhidos no regime Simplificado de tributação – Simples Conclui que o regime tributário favorecido do Simples restou mantido pela Fiscalização para as empresas ELVÍDIO, M.R.L e VALTOIR haja vista que não constou nos autos qualquer informação contrária. 15. Pede a compensação, mês a mês, dos valores relativos aos tributos federais recolhidos indevidamente pelas empresas por via do SIMPLES (Federal e Nacional) com os créditos ora constituídos, alegando que todos são tributos administrados pelo mesmo Órgão. 16. Salienta que o art. 23 da Lei n° 9.317/1996 (Simples Federal) e o Anexo II da LC 123/2006 permitem a visualização do montante referente a cada um dos tributos federais consolidados nos respectivos regimes, o que afasta qualquer óbice à compensação por eventual dificuldade de operacionalização deste procedimento. Em não sendo acatados os argumentos anteriores, pelo menos, o montante da contribuição patronal previdenciária inserido no recolhimento unificado do SIMPLES deverá ser compensado, sob pena da ocorrência de "bis in idem", vedado pelo ordenamento jurídico. 17. iDos supostos indícios da ação fiscal Acusa que a desconsideração das relações jurídicas entre as empresas está baseada em conjecturas e conclusões subjetivas, tendo a Fiscalização presumido que a empresa USAFLEX utilizou de empresas interpostas, optantes pelo sistema SIMPLES de tributação, com a finalidade de omitir e/ou reduzir a contribuição previdenciária, e que os serviços prestados por pessoas jurídicas não podem ser desconsiderados sem prova robusta e concreta. 18. Alega que a Fiscalização não logrou êxito em demonstrar que os atos realizados entre as empresas tenham sido praticados com a finalidade de ocultar ao fisco a ocorrência de fato gerador ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Fl. 2668DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 10 17 19. Aduz que a terceirização está longe de ser aparente, tendo, na prática, efetivamente se consumado sob a forma de industrialização por encomenda. 20. Contesta os argumentos da Fiscalização, chamandoos de “indícios”, referindo que eles não levam à presunção de ocorrência de uma simulação. Destes argumentos destacase: 21. Quanto à atividade e localização: A atividade das quatro empresas não é a mesma. A USAFLEX é fabricante de calcados, detentora de marcas próprias, responsável pelo desenvolvimento das coleções, fabricação e comercialização. Já as empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR dedicamse ao beneficiamento de calçados, isto é, são os atelieres que executam uma etapa da cadeia produtiva, no caso a costura, nem mesmo são fabricantes de partes e ou componentes para calçados. As atividades, embora integrantes do mesmo ramo (setor calçadista), são completamente distintas. 22. As empresas ELVÍDIO e VALTOIR estão instaladas na mesma área geográfica, mas em prédios industriais distintos e separados fisicamente, conforme os respectivos Alvarás de Licença para Localização (docs. Anexo 04). 23. Ressalta que a Fiscalização deixou de mencionar a existência de condomínio industrial (docs. Anexo 05). Tratase de um complexo industrial composto por 12 prédios, sendo alguns de uso comum. Os imóveis pertencem à USAFLEX (à época o nome empresarial da autuada era Stebrás Calçados Ltda), mas tanto a empresa ELVÍDIO quanto a empresa VALTOIR pagam aluguel (docs. Anexo 06) pelo uso dos pavilhões onde exercem sua atividade empresarial, além das despesas condominiais (docs. Anexo 07). No tocante às despesas com aluguéis, registra que a MRL também responde por tal custo, conforme contrato de locação anexo (docs. Anexo 06). Destaca que estas empresas têm acessos distintos ao local de trabalho; cada uma possui relógios pontos e banheiros próprios e registro de domínio na internet, além do que os empregados usam uniformes identificando cada uma delas. Conclui que inexiste vedação legal a que duas ou mais empresas operem no mesmo logradouro. 24. 2) Quanto ao quadro societário: Aduz que a constatação do fato de que sócios das empresas são exempregados ou até mesmo parentes, não é suficiente para a descaracterização das relações empresariais entre elas existentes, se não concorrerem outros requisitos necessários, o que não vê nos autos. Acusa que a descaracterização das relações jurídicas entre a autuada USAFLEX e as empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR está pautada em ilações, conjecturas e conclusões desprovidas do indispensável suporte probatório. 25. 3) Quanto à exclusividade na prestação dos serviços: Admite que existem estabelecimentos industriais com número reduzido de clientes a quem prestam serviços, muitos de forma exclusiva, sem que isso represente simulação de negócios. Informa que há contrato de industrialização por encomenda entre as empresas fiscalizadas firmado em período anterior ao início da presente ação fiscal (docs. anexos ao Relatório Fiscal). Referidos contratos prevêem que as contratadas respondem exclusivamente pelo passivo trabalhista, inclusive prevendo o exercício do direito de regresso em caso de eventual responsabilização. 26. Ressalta que inexiste exclusividade de parte da USAFLEX para com as empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR, salientando que a política da autuada é a terceirização de determinadas etapas do processo produtivo, com diversas outras empresas. Fl. 2669DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 27. Afirma que existe autêntica relação empresarial entre a encomendante (USAFLEX) e as empresas responsáveis pela execução da etapa do processo de fabricação de calçados que foi encomendada (MRL, ELVÍDIO e VALTOIR). 28. 4) Quanto à inexistência de máquinas próprias: Informa que as máquinas de costura foram cedidas em comodato para as empresas executoras da industrialização encomendada através de contrato (tudo às claras, sem ocultações), objetivando zelar pela qualidade, observando que a USAFLEX realiza esta operação com diversas outras empresas. 29. 5) Quanto à relação faturamento x custo da mãodeobra: Entende que esta comparação não se presta para descaracterizar a terceirização, justificando que a autuada compra a matéria prima e as remete à industrialização. Posteriormente, faz a venda final do produto para industrializar por encomenda. Em razão da terceirização, visando unicamente a melhor eficiência de suas operações, e melhor competitividade, o custo com pessoal representa um menor peso em relação ao faturamento. As demais empresas arroladas pela Fiscalização vendem os serviços de industrialização, cuja execução exige menos produtos intermediários e mais empregados, o que representa um maior peso em relação a sua receita. 30. Outros aspectos relevantes não levantados pela Fiscalização alega que a denominada terceirização, não proibida pelo ordenamento jurídico, realizada entre empresas com personalidade jurídica distinta, em que uma encomenda e a outra industrializa, não pode ser tipificada como operação simulada, sobretudo quando se teve por escopo a busca de melhor eficiência das operações da impugnante, indicando, no máximo, planejamento tributário, aceito tanto pela doutrina quanto na jurisprudência. O argumento de que a operação de terceirização (industrialização por encomenda) foi realizada apenas para economizar tributos não é apto para a desconsideração de negócios jurídicos; 31. objetivando corroborar a licitude da relação empresarial entre as empresas relacionadas no Relatório Fiscal, cita que no período amostral de 03/2009 e 10/2009 foram emitidas pela autuada 3.741 notas fiscais de remessa de matéria prima para industrialização por terceiros (Anexo 12), e que através de perícia poderão ser verificados os fornecedores (dentre eles a MRL, ELVÍDIO e VALTOIR), as quantidades e os volumes, sendo que tal operação é realizada com diversas outras empresas, identificandoas através da razão social e do CNPJ (fls. 368); 32. apresenta o quantitativo de segurados da autuada no período de 2009, 2010 e 2011, questionando como explicar o aumento substancial (500%) do quadro de empregados da USAFLEX, que passou de 337, em janeiro/09, para 1.682, em junho/11 se a intenção fosse simular a terceirização; 33. Refere tratarse de planejamento tributário, por meio de um negócio jurídico válido e lícito, não cabendo à Fiscalização exigir tributo onde não existe hipótese de incidência, já que os segurados prestam serviços às empresas industrializadoras, sendo elas quem lhes paga a remuneração, não ocorrendo o fato gerador. Sob esta ótica, entende que o contribuinte não pode ser acusado de fraude fiscal por organizar suas atividades de modo menos oneroso, respeitando os princípios constitucionais da legalidade e da livre iniciativa, buscando formas de reduzir custos e economizar tributos. 34. Conclui referindo que não procedem as alegações fiscais de simulação, uma vez que o negócio jurídico (descentralização/terceirização/industrialização por encomenda) não foi efetuado com o único propósito de escapar de tributos, mas sim efetuado com objetivos Fl. 2670DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 11 19 econômicos e empresariais verdadeiros, ainda que o resultado proporcione uma economia tributária, impondose a insubsistência do Auto de Infração lavrado. 35. Do risco econômico do empreendimento: Aduz que a documentação probatória anexada demonstra, de forma inequívoca, que as empresas indevidamente consideradas "fictícias" pela Fiscalização, assumem integralmente o risco econômico do empreendimento, eis que todos os custos e despesas são por estas suportadas. Portanto, não há relação de dependência econômica entre a USAFLEX e as empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR. São estas que efetivamente pagam suas contas, inclusive sendo responsáveis por buscar recursos financeiros junto a instituições financeiras quando necessário. Enfim, são efetivamente autônomas e independentes, não havendo qualquer indício de ingerência da autuada e também que: 36. através de perícia contábil restará devidamente comprovado que as despesas e os custos operacionais são suportados integralmente pelas empresas industrializadoras da encomenda e que as operações bancárias são realizadas pelos próprios titulares/sócios das empresas; 37. os custos com as indenizações trabalhistas são devidamente pagos e lançados na contabilidade das empresas que efetivamente foram empregadoras dos reclamantes (docs. Anexo 14 por amostragem); que inexiste sentença trabalhista condenatória em que tenha sido reconhecido o grupo econômico mencionado no item 2.6.5 do Relatório Fiscal; 38. os gastos com energia elétrica, água, telefone, aluguel e despesas condominiais (docs. Anexos 06 e 07 por amostragem) são efetivamente pagos pelas empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR e devidamente apropriados em suas respectivas contabilidades. 39. Ou seja, nenhuma despesa de tais empresas é apropriada no custo dos produtos vendidos pela autuada; 40. os gastos com software de ponto eletrônico/folha de pagamento, bem como os honorários do contador, são suportados pelas empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR (docs. Anexo 08 por amostragem); 41. as empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR, suportam todos os gastos com alimentação, transporte, uniformes e EPIs (docs. Anexo 09 – por amostragem). Os documentos suporte dos lançamentos contábeis evidenciam que as empresas adquirem quantidades compatíveis com os segurados a sua disposição. 42. as empresas MRL, ELVÍDIO e VALTOIR possuem implementados programas como PPRA Programa de Prevenção de Riscos Ambientais e PCMSO Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional, além de uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) atuante (docs. Anexo 15 – por amostragem). 43. as supostas empresas interpostas, em momentos de dificuldades financeiras, não são beneficiadas com repasse de recursos efetuados pela autuada. Em diversas oportunidades tiveram que contratar mútuos junto a instituições financeiras para honrar com suas obrigações (docs. Anexo 16 por amostragem). Fl. 2671DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 44. Da Multa Aplicada da inexistência do dolo específico – Insurgese contra a aplicação da multa qualificada de 150%, acusando que o fisco presumiu que a autuada utilizouse de empresas interpostas, optantes pelo SIMPLES, com a finalidade de omitir e ou reduzir a contribuição social previdenciária. Alega que a multa determinada pelo art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/1996 somente se justifica nos casos de evidente intuito de fraude definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, devendo ser interpretada restritivamente. No caso em tela, é inaplicável a multa de ofício qualificada de 150%, porquanto não ficou demonstrado nos autos pela autoridade lançadora o "evidente intuito de fraude", caracterizado pelo dolo específico, elemento essencial, para se promover a qualificação da multa de ofício. 45. do efeito confiscatório da multa – alega que a multa aplicada é confiscatória por seu montante excessivo e desproporcional, além de não ser permitida pela Constituição que obsta a imposição de penas que exorbitem a capacidade econômica dos indivíduos a ponto de dilapidar o direito de propriedade. 46. acusa de ilegal a aplicação da taxa SELIC sobre débitos tributários, devendo incidir, na espécie, os juros de mora à razão de 1% ao mês, na forma do art. 161, § 1º do CTN. 47. Das Obrigações Acessórias: Debcad nº 37.345.2802 e Debcad nº 37.345.2810 Relata que os Autos de Infração por descumprimento de obrigação acessória foram lavrados por ter a autuada apresentado o documento a que se refere o art. 32, inciso IV da Lei n° 8.212/1991 (GFIP) com omissões e que no entender da autoridade fiscal, a autuada "não declarou na sua GFIP os segurados empregados e contribuintes individuais formalmente vinculados à MRL, ELVÍDIO e VALTOIR, mas que de fato, estão vinculados à USAFLEX". 48. Contrariamente, ressalta que tanto as GFIPs da USAFLEX quanto das empresas VALTOIR, ELVÍDIO e MRL foram entregues corretamente, razão pela qual os Autos de Infração carecem de substância. 49. No entanto, por cautela, argui: 50. Do Descabimento da Multa Aplicada – repisa que o critério de fixação da multa apresentase desproporcional, violando os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, atentando contra o patrimônio do contribuinte, em evidente efeito de confisco. 51. Da Retroatividade da Norma Mais Benéfica Refere que não há respaldo legal para o critério adotado pela Fiscalização com vistas a confirmar a penalidade mais benéfica, qual seja, a comparação entre a aplicação da multa de ofício estabelecida pelo inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 (75%) e o somatório da multa de mora do inciso II do art. 35 (24%) mais a multa formal prevista no § 5º do art. 32 (100% com limites), ambos da Lei n° 8.212/1991, na sua redação anterior, ou seja, não se pode comparar as multas anteriores reunidas com a multa de ofício prevista na legislação atual, como se fossem uma coisa só. 52. Entende que a penalidade prevista para cada infração deve ser confrontada isoladamente com a penalidade de igual natureza prevista na legislação analisada, admitindo se, até mesmo, forte nos arts. 106 e 112 do CTN, prevalecer a multa prevista para o descumprimento de obrigação acessória na legislação atual e a multa relativa à obrigação principal constante da legislação revogada, desde que seja mais benéfico ao contribuinte. Fl. 2672DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 12 21 53. Caso mantida a autuação, pede a aplicação da penalidade do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, inclusive para fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, nos termos dos art. 106 e 112 do CTN. 54. Do pedido de perícia requer a realização de perícia com vistas à busca da verdade material, objetivando comprovar que existe uma política de descentralização/terceirização das etapas do processo produtivo da autuada, revelando a existência de razões empresariais e autêntico negócio jurídico indireto: que o caso dos autos é de industrialização por encomenda e não há interposição de empresas e nem intermediação de mãodeobra; que não há fato gerador de contribuição previdenciária em relação ao sujeito passivo do qual está sendo exigida e que as empresas consideradas "fictícias" pela Fiscalização operam de forma autônoma e independente, assumindo os riscos do empreendimento. Para tanto, indica contador e formula os quesitos a serem respondidos, consoante fls. 386/388. 55. Por último, requer seja recebida a impugnação para o fim de: 56. a) declarar a nulidade do Auto de Infração por conta dos erros/vícios apontados; 57. b) caso não seja este o entendimento, pede a realização de perícia na documentação acostada aos autos e na escrituração contábil das empresas fiscalizadas, pelas razões expendidas; 58. c) no mérito, seja declarada a improcedência do lançamento, cancelandose o crédito tributário exigido; 59. d) Sucessivamente: 60. d.1) A retificação do AI 37.303.4296 para que sejam compensados, mês a mês, os valores relativos aos tributos federais recolhidos indevidamente pelas empresas ELVÍDIO Luiz Dill EPP, VALTOIR Nunes Fagundes EPP e M. R. L. Atelier de Calçados Ltda EPP por via do SIMPLES com os créditos ora constituídos; 61. d.2) A retificação do AI 37.345.2802 para que seja aplicada a penalidade menos onerosa em todas as competências (art. 32A da Lei n° 8.212/1991), em observância ao princípio da retroatividade da lei mais benéfica, nos termos da fundamentação supra. A unidade da DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 2673DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 7754. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: QUANTO A NULIDADE PELA NÃO EMISSÃO DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. A primeira preliminar argüida pelo recorrente diz respeito a nulidade pela ausência de ato declaratório. Contudo, entendo que, no caso, não há que se falar em nulidade pela AUSÊNCIA DE EMISSÃO DO ATO DECLARATÓRIO SRF PARA EXCLUSÃO DAS EMPRESAS DO SIMPLES, tendo em vista que no lançamento em questão não houve a desconsideração das pessoas jurídicas, ou mesmo sua desconsideração enquanto optantes pelo SIMPLES. Realmente, em alguns procedimentos fiscais, dependendo da realidade encontrada na empresa, opta a autoridade fiscal, por desenquadrar todas as empresas que entende participarem da simulação, do sistema SIMPLES, face existência de grupo econômico. Contudo, não foi essa a linha adotada pela autoridade fiscal no presente caso. Entendo que no procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a condição de vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu o auditor fiscal ao redirecionamento do vínculo empregatício para efeitos previdenciários na empresa autuada, que era a verdadeira empregadora de fato, assumindo gerenciamento direto ou indireto de todos os segurados. Pela análise do relatório fiscal, resta claro que não houve simplesmente caracterização do vínculo de emprego, visto que os segurados já estavam enquadrados como empregados nas empresas auditadas em conjunto; porém constatouse que as características inerentes ao vínculo de emprego levaram a autoridade fiscal a desconsideração das contratações de determinadas empresas fiscalizadas em conjunto, vinculando seus supostos empregados a empresa notificada, já que constatou que a mesma é que preenchia os condição de empregadora, gerenciando de fato toda a atividade. Caso levasse a efeito o entendimento trazido pelo recorrente, o levantamento nem mesmo seria feito na empresa USAFLEX, mas sim, na empresas interpostas, por meio de levantamento da parcela patronal, desconsiderando a condição de optante pelo SIMPLES. Quanto a possibilidade de exclusão de empresas do SIMPLES, ressaltese que não cobrou o auditor contribuições patronais das empresas optante pelo SIMPLES, portanto não houve desenquadramento, para que se determinasse a emissão do Ato de Exclusão. O que ocorreu em verdade, é que em constatando realidade diversa da pactuada inicialmente, procedeu o auditor para efeitos previdenciários ao vínculo dos trabalhadores das empresas interpostas diretamente com a AUTUADA, o que encontra respaldo na própria legislação previdenciária. Fl. 2674DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 13 23 Assim, entendo que o ATO DECLARATÓRIO seria exigido, caso houvesse a desconsideração da opção pelo SIMPLES das referidas empresas, devendo, apenas neste caso, ser feita a comunicação a então Secretaria da Receita Federal, para realizar a emissão do Ato Declaratório. Em nenhum momento a autoridade fiscal disse que as empresas encontravamse irregulares e que dessa forma não poderiam mais funcionar. Pelo contrário, observase, conforme descrito no relatório fiscal, durante o procedimento de auditoria, constatou a fiscalização a existência de estabelecimentos que embora possuam CNPJ próprios, estão de fato, sob a administração das mesma pessoa. O que vislumbrou o auditor, conforme descrito no relatório fiscal, é a possibilidade de utilização indevida do Sistema simplificado, pela transferência de empregados, porém restou constatado que a subordinação continuou com a empresa notificada. Tais procedimentos e artifícios, conjugados com a utilização dos mesmo empregados, entre as empresas, conspiraram para o mesmo resultado: Sonegação de tributos devidos à Previdência Social, que agora, os lançamentos fiscais buscaram resgatar. A aparente distinção entre as empresa permitiu aos empresários usufruírem indevidamente do tratamento tributário simplificado e favorecido instituído pela Lei nº 9317/96 (Lei do Simples), mas constatandose que na verdade quem detinha a gerência sobre os ditos empregados era a empresa autuada. Dessa forma, a confusão entre gerência e desempenho de atividades corrobora com as informações trazidas pela autoridade fiscal neste AIOP Por fim, cumprenos esclarecer que a autoridade fiscal não extrapolou de seus limites, quando da cobrança do crédito, desrespeitando os limites legais. A fiscalização previdenciária é competente para constituir os créditos tributários decorrentes dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no art. 1º da Lei 11.098/2005: Art. 1o Ao Ministério da Previdência Social compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Fl. 2675DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 Assim, não consigo identificar a nulidade apontada pelo patrono da recorrente. Não estamos falando diretamente de desconsideração de pessoa jurídica, mas observância dos princípios, por exemplo da primazia da realidade, onde valem mais os fatos que os documentos. Em restando demonstrado que o verdadeiro empregador era único, compete a fiscalização simplesmente proceder a vinculação das pessoas que lhe prestavam serviços enquanto segurados empregados para efeitos previdenciários. Portanto, não assiste razão ao recorrente, pois a presente notificação encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante disposto no artigo 33 da lei n° 8.212, de 1991, senão vejamos: Art. 33 Ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a" , "b" e "c" do parágrafo único do art. 11. bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. lI, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. Ainda apenas para efeitos de esclarecimento ao recorrente nos termos do artigo 229 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.o 3.048, de 06 de maio de 1999, também é muito claro ao dispor que: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: 1 arrecadar e fiscalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nos incisos 1, 11, 111, IVe V do parágrafo único do art. 195. bem como as contribuições incidentes a título de substituição; (Redação dada pelo Decreto n" 4.032, de 26/11/2001) 11 constituir seus créditos por meio dos correspondentes lançamentos e promover a respectiva cobrança; III aplicar sanções; e IV normatizar procedimentos relativos à arrecadação, fiscalização e cobrança das contribuições referidas no inciso 1. § 1" Os Auditores Fiscais da Previdência Social terão livre acesso a todas as dependências ou estabelecimentos da empresa, com vistas à verificação física dos segurados em selviço. para confronto com os registros e documentos da empresa, podendo requisitar e apreender livros, notas técnicas e demais documentos necessários ao perfeito desempenho de suas funções, caracterizandose como embaraço à fiscalização qualquer dificuldade oposta à consecução do objetivo. (Redação dada pelo Decreto n" 3.265, de 29/11/99) Fl. 2676DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 14 25 § 2" Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9~ deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto nU 3.265, de 29/11/99) (grifo nosso). Destaco aqui as palavras do ilustre Ministro Maurício Godinho Delgado (Curso de Direito do Trabalho. Ed. LTR. 5° Edição, 2006, pág. 363364), quando sendo identificada relação fática diversa da realidade, compete as autoridades públicas, cada uma em seu campo de atuação, proceder a correção das mesmas, e quando necessário proceder a aplicação das penalidades a ela inerentes. A dinâmica judicial trabalhista também registra a ocorrência de uma situação fáticojurídica curiosa: tratase da utilização do contrato de sociedade (por cotas de responsabilidade limitada ou outra modalidade societária existente) como instrumento simula tório, voltado a transparecer, formalmente, uma situação fáticojurídica de natureza civil/comercial, embora ocultando uma efetiva relação empregatícia. Em tais situações simulatórias, há que prevalecer o contrato que efetivamente rege a relação jurídica entre as partes, suprimindose a simulação evidenciada. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Destacase, ainda em sede de preliminar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, tampouco pela falta de fundamentação legal. Destacase que todos os passos necessários a realização do procedimento: encontramse devidamente descritos no processo, inclusive com encontramse anexados os respectivos termos que não apenas demonstram a regularidade do procedimento, como as devidas intimações, TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária e prestasse os esclarecimentos necessários. Quando do encerramento do procedimento, foram entregues ao recorrentes os relatórios e documentos descrevendo os fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do AI ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Notese, que as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação das contribuições, baseandose em presunções, não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal se presta a esclarecer as contribuições objeto de lançamento, como também o DAD – Discriminativo analítico de débito, que descreve de forma pormenorizada, mensalmente, a base de cálculo, as contribuições e respectivas alíquotas. Sem contar, ainda, o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito que traz toda a fundamentação legal que embasou o lançamento. Merece destaque o fato de ter a autoridade julgadora detalhado enumeras situações fáticas, que demonstravam verdadeira confusão entre os empregados da empresa USAFLEX e suas supostas contratadas terceirizadas. Fl. 2677DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 26 Quanto a suposta simulação entendo que logrou êxito a autoridade fiscal em demonstrar por meio dos relatórios, documentos, anexos as situações fáticas que o levaram a caracterizar para efeitos previdenciários, os segurados inicialmente contratados pela empresas. DA INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL DA AFERIÇÃO INDIRETA O primeiro argumento do recorrente de que não houve fundamentação da aferição indireta, encontrase superado pelo próprio relatório fiscal que destaca no item 2.1 que a autoridade fiscal valeuse da apuração indireta das base de cálculo, tomando como base documentos inicialmente não pertencentes a autuada. Aliás, esse fato já restou devidamente esclarecido pelo julgador de primeira instância, razão pela qual não merece maiores considerações, fl. 23 da decisão (2589 dos autos). Quanto a indicação do dispositivo legal da aferição, embora não esteja o mesmo expresso do relatório, não entendo que isso cause qualquer nulidade no procedimento. Ora, já encontrase pacificado no âmbito deste Conselho, que o contribuinte defendese dos fatos que lhe são imputados, e não de dispositivos legais. Por inúmeras vezes, no passado, ao apreciar casos em que mencionava o auditor a utilização da aferição indireta, procediam os colegiados a nulidade dos lançamentos, contudo, a base para o fundamento não deve ser a ausência de um dispositivo, mas, sim a impossibilidade do recorrente de defenderse, ou seja, o cerceamento do direito de defesa. Foi esse fato, que ensejou a mudança do posicionamento dos colegiados. Hoje, pelo menos em sua maioria, não se determina nulidade pela simples ausência do dispositivo, mas, apenas quando constatada a ausência de elementos claros sobre o procedimento realizado, dos fatos geradores apurados, não permitindo ao recorrente defender se adequadamente. No presente caso, observase que o recorrente entendeu não apenas os fatos geradores ora lançados, como defendeuse das acusações que lhes foram imputadas. Porém o fato de não concordar com as conclusões da autoridade fiscal não torna o lançamento nulo. Assim, entendo que realizou o auditor devidamente o lançamento, tendoo fundamentado na legislação que rege a matéria, qual seja: lei 8212/91, Decreto 3.48/99. Ressalto, que não apenas o auditor realizou de forma adequada as fundamentações e descrições necessárias para caracterizar a simulação, como a autoridade julgadora de 1ª instância ao rebater os mesmos argumentos apontados na defesa, destacou de forma detalhada os dispositivos legais, descritos no relatório FLD, que também fundamentaram o lançamento. Assim, razão não assiste ao recorrente. No que diz respeito aos autos de infrações lavrados também não há que se falar em nulidade, pois os mesmos encontrase devidamente fundamentados, inclusive em relação as multas aplicadas e as alterações promovidas pela MP 449, convertida na lei 11.941 DO MÉRITO Quanto a inexistência de relação direta entre a empresa USAFLEX e as empresas MRL, ELVÍDIO E VALTOIR contratadas e que segundo o recorrente seriam os empregadores, entendo que novamente não logrou êxito o recorrente em demonstrar a inexistência de relação. Basta uma leitura do relatório fiscal e do relatório complementar realizado quando da conversão do julgamento em diligência e dos inúmeros anexos que o compõem para que se chegue a mesma conclusão trazidas pelo auditor fiscal no lançamento em questão e em todos os demais lavrados durante o mesmo procedimento. Fl. 2678DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 15 27 Conforme já afastado em sede de preliminar, entendo que longe está o lançamento em questão de fundarse em mera presunção. O que restou exaustivamente descrito no relatório e pelo que se pode constatar da análise dos autos, é que a autoridade fiscal, buscou demonstrar que as empresas, ditas como contratadas como meras prestadoras de serviço, eram na verdade fachada, posto que não se identificou a existência de comando gerenciamento, nem tampouco estavam os seus empregados a lhe prestar serviços verdadeiramente. Entendo que diversos são os fatos que devem ser considerados no lançamento em questão, nenhum deles tido de forma isolada. O que se nota é uma espécie de terceirização sim, conforme argumentou o próprio recorrente, contudo realizado de forma irregular, o que ensejou conforme preceitua o princípio trabalhista da Primazia da Realidade o vínculo entre a USAFLEX e os empregados das EMPRESAS: Conforme trazido pelo próprio recorrente, entendo perfeitamente cabível a especialização e descentralização de suas atividades, (adotando uma sistemática de planejamento tributário) contudo, para tanto deve primeiramente observar parâmetros legais, para só em observandoos, valerse de estratégias administrativas para busca da excelência e redução de custos. Todavia o que não se admite é contratar empresas, para que seus funcionários prestem serviços dentro do próprio estabelecimento da tomadora, em sua atividade fim, com evidente confusão entre as funções exercidas, visto que o auditor demonstrou em seus relatórios, por meio de narrativas sobre as constatações e diversos documentos a que teve acesso, que os mesmos prestam verdadeiramente serviços para empresa USAFLEX, sendo que em muitos casos, os seus funcionários, tratam as supostas empresas contratadas como prestadoras como verdadeiras filiais da primeira, conforme as reclamatórias trabalhistas citadas pelo auditor. Nos termos da Súmula 331 do TST, dispositivo hoje que regula a terceirização do Direito Trabalhista Brasileira, visto ausência de norma específica, vejamos: Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 2006 1983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. V Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como Fl. 2679DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 28 empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral. Ou seja, da análise da referida Súmula, notase que não merece guarida a contratação de outras empresas, na forma como realizado pela recorrente e demonstrado pela autoridade fiscal. Observase de pronto o item III da referida súmula que não admite, em regra, a contratação de serviços terceirizados para atividades fim do empreendimento, formandose o vínculo diretamente com o tomados dos serviços. Ora, por si só esse argumento trazido pelo próprio recorrente, demonstra quão equivocada estava sua pretensão de valerse de empresas interpostas para executar sua atividade. Aqui independente do fato de as empresas contratadas estarem ou não sob a égide do Sistema de Tributação SIMPLES, correto o posicionamento adotado de formação do vínculo para efeitos previdenciários, sempre que constatado que a tomadora dos serviços agia como verdadeira empregadora. Novamente, conforme descrito pela autoridade julgadora e novamente trazido a baila pelo recorrente, a fiscalização não desconsiderou a personalidade jurídica das empresas contratadas, mas tão somente considerou que os seus empregados (já identificados como tal nas GFIP de cada um dos estabelecimentos), na verdade prestavam serviços para a USAFLEX, conforme descrito no relatório fiscal. Assim, não haveria porquê caracterizar os segurados como empregados da USAFLEX, visto que a condição de empregado já lhes era inerente, posto que constavam na GFIP das empresas MRL< ELVIDIO E VALTOIR. . Entendo que no caso, deve o auditor demonstrar a verdadeira confusão na prestação de serviços, o que no caso, serve para justificar a vinculação discutida pelo recorrente. Ademais, conforme visto acima, a suposta “terceirização”, não é cabível em atividades fim do tomador. e entendo que assim, como descrito pelo auditor, manter empresas, dentro de suas próprias instalações para cumprir etapa do seu processo produtiva, leva sim a uma confusão entre as diversas atividades desenvolvidas. Não estou dizendo com isso que uma industria tenha que desenvolver todas as fases da cadeia produtiva, mas ao trazêlas para suas próprias dependências ofertandolhes em comodado as máquinas para desenvolvimento da sua produção, com existência de reclamatórias trabalhistas (extintas por acordo), em que os reclamantes atestam a confusão no gerenciamento das atividades, outra conclusão não posso chegar, senão a de que o uso das supostas “empresas interpostas” deuse no sentido de simular a realidade dos fatos. Aliás, importante comentar uma citação trazida pelo patrono da empresa acerca da atividade de “beneficiamento dos calçados”, atividades que segundo ele, eram desenvolvidas pelas contratadas: “o Atelier de calçados pode ser definido como um pequeno empreendimento onde se confeccionam partes dos sapatos ou fases inteiras como o chamado préfabricado (que é parte do solado). NO geral, os atelieres são administrados por ex funcionários das empresas maiores, que se demitiram destas e passaram a prestar serviços de produção. Estas peças ou partes do sapato são produzidas fora da planta industrial das granes Fl. 2680DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 16 29 fábricas calçadistas. (SCHENEIDER, S. O mercado de trabalho da indústria coureiracalçadista do Rio Grande do Sul). Observe que no exemplo transcrito, os chamados atelieres desenvolviam as atividades fora das dependências dos contratantes, justamente para que fique clara a existência de empresas distintas. ENDEREÇOS ÚNICOS Traz o auditor no item 2.5 do REFISC, que os endereços das empresas eram diferenciados em sua maioria apenas pelo número DO ANEXO, tendo sido constatado por meio de diligências que nos respectivos endereços não havia organização física das empresas, dita por contratadas como prestadora de serviços. Entendo que nesse ponto, um comentário se mostra relevante. A contratação de prestadores de serviços, conforme argumentado pelo recorrente, possibilita que os trabalhadores (prestadores) estejam prestando serviços nas empresas tomadoras em atividades “meio”, ou de limpeza, conservação e vigilância, contudo, as empresa prestadoras deve possuir sede própria, com contabilidade regular, registro de todas as suas operações financeiras e contábeis. Ressaltese ainda, que as empresas ditas pela autoridade fiscal como fictícias não possuem sede própria, encontrandoinseridas nos prédios da USAFLEX, sem que houvesse prova do pagamento de aluguéis, (alegando o recorrente, que não procedia ao pagamento dos mesmos, tendo em vista que eram valores deduzidos dos valores pagos pela prestação de serviços.). Concordo que o elemento “endereço único”, tomado isoladamente não seria suficiente para descrever a prática simulatória, caso o recorrente demonostrasse a existência de estruturas reais que demonstrassem a viabilidade dos negócios. Contudo, carreado com os demais elementos que analisaremos adiante, servem sim de subsidio para as conclusões a que chegou o auditor fiscal. AUTONOMIA DAS EMPRESAS CONTRATADAS Dando continuidade ao raciocínio exposto acima, outro fato deve ser destacado. Existe verdadeira autonomia das empresas contratadas? Ora, é nesse ponto, que se encontra a falha do recorrente em comprovar que as empresas “interpostas” eram auto suficiente e autônomas. Primeiro, uma fato trazido pelo auditor, chama nossa atenção. O que leva um empresário a explorar uma atividade empresarial e realizar um contrato de prestação de serviços? Acredito que a única resposta plausível seria “aferir lucro”. Mas, como é possível aceitar o argumento de autonomia das empresas interpostas, quando o próprio auditor demonstra que o custo da mão de obra e encargos das contratadas absorve a quase totalidade do valor do seu faturamento, variando de 75% a 97% deste. Ou seja, restou demonstrado a inviabilidade do negócio, tendo em vista, que além da mão de obra, existiriam outros custos operacionais a cargos das referidas empresas. A narrativa do auditor a este respeito encontrase descrita no item 2.8. Conforme descrito acima, houve por parte da autoridade fiscal, relato com vistas a identificar uma a uma, todos os elementos de prova, pelos quais concluiu pela inexistência de empresas de fato vinculando seus trabalhadores a empresa USAFLEX, conforme destacamos a seguir de trechos extraídos do próprio relatório fiscal: QUANTO A EXCLUSIVIDADE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Fl. 2681DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 30 Também esse fato narrado pelo auditor, corrobora diversos de suas conclusões, mas não tomado isoladamente. Conforme argumenta o recorrente existiam lançamentos contábeis em nome das contratadas MRL, ELVÍDIO E VALTOIR, contudo toda a sua receita era advinda da prestação de serviços nas atividades junto a USAFLEX, o que levanos (assim como descrito pelo auditor) a uma conclusão: o ônus das despesas sempre foi arcado pela USAFLEX. Porém entendo que esse argumento, não sustentaria o lançamento tomado isoladamente. Destacase, assim como já informado anteriormente que não se trata de mera presunção, mas constatação de que as empresas não possuíam a dita autonomia gerencial, ou mesmo física, sendo que a condição de emprego era verdadeiramente prestada em nome da USAFLEXA. Observa o auditor no item 2.9 e posteriores do relatório, onde indica, que as empresas “prestadoras” não possuíam em seu ativo, máquinas e equipamentos que justificassem sua autonomia. Mesmo que se diga, que as mesmas existem no papel, ou seja, devidamente inscritas perante os órgãos governamentais, não há como afastar o fato que foram criadas para dar suporte as atividades da autuada. Senão vejamos: prestavam serviços relacionados a fabricação e acabamento de calçados, nas dependências da autuada, com equipamentos destas, prestando serviços exclusivamente. Essa situação já nos demonstra que a criação das mesmas, deuse no intuito que as mesmas prestassem serviços para autuada, o que corroborado aos aspectos que demonstram a inviabilidade de prosperidade (face a relação entre receitas e despesas). Alías assim descreveu o auditor: Observa se, como já amplamente explicitado no Relatório Fiscal do processo referido, que aquelas despesas nas quais a USAFLEX possuía interesse que as prestadoras MRL, ELVIDIO e VALTOIR assumissem como suas, estão sim contabilizadas na contabilidade destas. Frisese bem, para TODAS as prestadoras os custos com pessoal representam mais de 70% da Receita. Por sua vez, dentro do universo “despesas”, os custos com pessoal representam quase a totalidade destas. 6. Assim, o argumento apresentado pelo contribuinte em impugnação de que o fato das despesas transitarem pela contabilidade das prestadoras (MRL, ELVIDIO e VALTOIR) demonstra que as mesmas assumem o risco econômico do negócio, é falacioso. Ora, é evidente que todas as despesas, aquelas em que há interesse das envolvidas em assumir estarão lançadas nas prestadoras. E é exatamente disto que se trata, fazer transitar pela contabilidade das empresas interpostas, além das despesas diretas com pessoal, outras despesas, objetivando dissimular a realidade dos fatos e manter a “aparência” de que as prestadoras assumem o risco econômico do negócio.. 7. Para uma compreensão adequada do caso em tela, é necessária uma análise global das contabilidades das prestadoras referidas, isto é, não somente o aspecto “despesas” merece atenção, mas, também, o aspecto “receitas”. E, neste aspecto, conforme já exaustivamente demonstrado no Relatório Fiscal do processo em pauta, as receitas provém exclusivamente de serviços prestados a USAFLEX. O que significa dizer que indiretamente as despesas são suportadas por recursos Fl. 2682DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 17 31 provindos da USAFLEX. Ou seja, há uma dependência total dos recursos desta. FATOS CONTÁBEIS RELEVANTES PARA CARACTERIZAÇÃO Com relação a contabilizações destacou o auditor no relatório fiscal complementar: 8.1.2.1. Conta aluguéis (demonstrativos de lançamentos constantes no Anexo G Valtoir, Anexo H MRL, Anexo I Elvidio) Esta conta, compõemse de lançamentos de suposto pagamento de aluguéis por parte das prestadoras à USAFLEX. Solicitados os documentos comprobatórios destes lançamentos, os contribuintes referidos limitaramse a apresentar um simples recibo sem, no entanto, apresentar o respectivo documento de liquidação o qual comprovaria de forma inequívoca que esta despesa foi custeada pela prestadora. Além disso, os contribuintes, todos representados pelo mesmo contador Sr. Nereu Theobaldo Renck, CPF 317.268.44072 explicaram por escrito não possuir tais comprovantes pois nas palavras do contador “era deduzido dos valores totais das Notas Fiscais de Industrialização por encomenda”. 8.1.2.2. Conta 3103021900002664 – Despesas jurídicas da MRL (demonstrativo de lançamentos por amostragem constante do Anexo 3 ao TIF 2 de MRL). Conforme se depreende do demonstrativo e dos documentos apresentados pelo contribuinte os valores ali registrados referemse a pagamento de parcelas relativas a acordos trabalhistas. Os lançamentos datados de 25/04/2008, 25/06/2008, 25/07/2008 todos com valor de R$ 500,00 e 08/09/2008 com valor de R$ 380,00, possuem como contrapartida a conta número 2106010160002 – USAFLEX. Conciliando os mesmos com os lançamentos registrados na conta 1101020500000013 – Caixa Econômica Federal, verifica se nas datas mencionadas a existência de depósitos efetuados pela USAFLEX em favor da MRL, em valores idênticos aos referidos. Sendo que o depósito do valor de R$ 380,00 ocorreu em 28/08/2008. Assim, percebeuse uma vinculação muito específica dos adiantamentos da USAFLEX com as despesas da empresa referidas. A partir disto decidiuse analisar a conta bancos das três prestadoras. 8.1.2.3. Conta bancos: da análise desta conta tanto para Valtoir como para Elvidio e MRL foi possível observar uma sistemática bastante interessante dos lançamentos nelas constantes. Conta contábil número 1101020300000011 – Banco Bradesco S/A C/C Valtoir (demonstrativo de lançamentos por amostragem constante do Anexo 5 ao TIF 2, Valtoir Nunes Fl. 2683DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 32 Fagundes). Deste demonstrativo selecionamos a título exemplificativo alguns lançamentos conforme segue: Na data 03/01/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 35.000,00.. Por sua vez em 04/01/2008, utilizando a mesma conta o contribuinte VALTOIR pagou salários no valor de R$ 34.550,00. Em 17/01/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 28.000,00. No dia seguinte 18/01/2008 a Valtoir efetuou adiantamento de salários no montante de R$ 27.741,00. No dia de 31/01/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 31.000,00. Na mesma data a Valtoir transferiu R$ 30.994,00 para as contas dos funcionários para pagamento de salários. Em 22/02/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 12.300,00. Na mesma data a Valtoir pagou energia elétrica no valor de R$ 12.299,46. Na data de 05/03/2008 a USAFLEX transferiu para a conta referida R$ 44.377,00.Neste dia a Valtoir pagou os salário do mês 02/2008 através de transferência para a conta dos funcionários num montante idêntico de R$ 44.377,00 Conta número 1101020100000009 – Banco do Brasil S/A – C/C – Valtoir (demonstrativo de lançamentos por amostragem constante do Anexo 3 e 6 ao TIF 2 da Valtoir Nunes Fagundes). Deste demonstrativo selecionamos a título exemplificativo alguns lançamentos conforme segue: Em 19/06/2008 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 3.472,00. No dia seguinte o contribuinte Valtoir transferiu da mesma conta os mesmos R$ 3.472,00 para as contas dos funcionários a título de adiantamento de salário. Em 04/09/2008 a USAFLEX transferiu R$ 6.485,00 para esta conta. Em 05/09/2008 a empresa Valtoir fez transferência para as contas dos funcionários a título de pagamento de salários no valor de R$ 6482,00. Em 06/01/2009 a USAFLEX transferiu para esta conta R$ 13.300,00 e em 07/01/2009 a Valtoir pagou salário dos funcionários via transferências da mesma conta no valor de R$ 13.210,00. No dia 02/04/2009 a USAFLEX transferiu para a mesma conta R$ 21.000,00. No dia seguinte o contribuinte Valtoir efetuou transferências para as contas dos funcionários nos valores de R$ 1.924,00 e R$ 19.029,00, perfazendo um montante de R$ 20.953,00. Conta número 1101020300000011 – Banco Bradesco S/A C/C da MRL (demonstrativo de lançamentos por amostragem constante do Anexo 4 ao TIF 2 da MRL). Dada a similaridade dos lançamentos em todas as competências, mencionamos apenas dois a título de exemplo: Em 04/01/2008 a USAFLEX efetuou depósito nesta conta no valor de R$ 400,00. No mesmo dia o banco debitou nesta conta o Fl. 2684DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 18 33 valor de R$ 392,49 referente ao pagamento de seguro de vida da MRL. O lançamento contábil debita a conta de despesas da MRL “Seguros”. Em 06/02/2008 a USAFLEX efetuou depósito nesta conta no valor de R$ 400,00. No dia 29/02/2008 o banco debitou nesta conta o valor de R$ 392,49 referente ao pagamento de seguro de vida da MRL. O lançamento contábil debita a conta de despesas da MRL “Seguros”. Conta número 10101020513 – Caixa Econômica Federal – C/C da ELVIDIO (demonstrativo de lançamentos por amostragem constante do Anexo 4 ao TIF 2 da ELVIDIO). Em 22/06/2009 a ELVIDIO emitiu cheque no valor de R$ 13.794,73 para pagamento de DARF e empréstimo de funcionários. Na mesma data recebeu nesta conta um depósito da USAFLEX no montante de R$ 13.800,00. Em 25/06/2009 constam lançados os seguintes pagamentos feitos pela ELVIDIO, R$ 6.043,95, título da Gutten Appetit Alimentação, R$ 166,27 referente a adiantamento de salários, R$ 56,85 multa rescisória do FGTS e R$ 328,64 referente a pagamento de verbas rescisórias a funcionário, perfazendo um total de R$ 6.595,71. Na mesma data a USAFLEX efetuou transferência bancária para esta conta no valor de R$ 6.600,00 8.1.2.4..Observese que, embora a contrapartida para esta transferência de recursos seja a conta adiantamento de fornecedores, a qual posteriormente é conciliada com a conta industrialização por encomenda, procedimento regular, portanto, o que chama a atenção neste caso é o número de adiantamentos, com valores muitos específicos similares ou idênticos aos das despesas pagas pelas prestadoras e em datas também similares ou idênticas à liquidação das despesas das prestadoras. 8.1.2.5. O que se conclui é que a USAFLEX vai “abastecendo” ou liberando os recursos, não na medida em que a industrialização por encomenda vai ocorrendo como seria usual, e sim na medida em que despesas das prestadoras vão ocorrendo. Em outras palavras, o que comanda a liberação destes recursos é a necessidade de pagamento das despesas das prestadoras. 8.1.2.6. Nas explicações aos Anexos 3, 4, 5 e 6 ao Termo de Intimação Fiscal 2 de Valtoir Nunes Fagundes, aos Anexos 3, 4, 5 e 6 de MRL e 3, 4, 5 e 6 de Elvidio Luiz Dill, o contador afirma que “os lançamentos foram efetuados sob Adiantamento do Fornecedor para pagamento das despesas inerentes do Atelier”. Reforçando, assim, nosso entendimento. Quanto a alegação de que a fiscalização não logrou êxito em demonstrar que os atos praticados não foram realizados ou não eram válidos. Também não demonstrou a existência de negócio jurídico oculto, sem o qual não há que se falar em dissimulação, não lhe Fl. 2685DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 34 confiro razão. A leitura dos aspectos contábeis, assim, transcritos, levase sim, a conclusão de uma simulação oculta por parte da USAFLEX. E AS CONTRATADAS. Em uma negociação comercial, sem que as empresas tenham correlação, verificamos, a existência não apenas de uma contabilidade regular, mas em especial do lançamento de todas as despesas e o lançamento das receitas obtidas com vendas, mas no momentos em que cumprido os cronogramos de produção (assim, como mencionado pelo auditor). Essa série de adiantamentos a fornecedores, em momante igual as suas folhas de pagamentos, ou outras despesas, (como acordos trabalhistas), apenas ratificam, o que já podese concluir. Não existe uma administração independente de seu ativo e passivo, já que as próprias despesas operacionais básicas (FOPAG, por exemplo), são repassadas, nas datas em que são quitadas, por meio de contas bancárias. Isso, no meu entender, demonstra uma administração das contratadas pela autuada. DAS RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS – CONFIGURAÇÃO DE GERENCIAMENTO ÚNICO. Descreveu a autoridade fiscal em seu relatório complementar fl. 2493: 8.2.2.1. No processo 000573.03.2012.5.04.0383 (primeira reclamada MRL ATELIER DE CALÇADOS LTDA, segunda reclamada USAFLEX CALÇADOS LTDA) em sua peça inicial o reclamante afirma: “A segunda Reclamada, a empresa USAFLEX, deverá ser responsabilizada solidária e/ou subsidiariamente pelos eventuais créditos trabalhistas, advindos da presente reclamatória, em favor do Autor, eis que fazia parte do mesmo grupo econômico da Primeira Ré, bem como se beneficiava dos serviços prestados pelo autor.” “Frisese que, toda a produção da Primeira Reclamada é sob orientação, fiscalização e subordinação da Segunda Reclamada” (grifamos) 8.2.2.2. Da mesma forma, no processo 000765.33.2012.5.04.0383 (primeira reclamada MRL, segunda reclamada USAFLEX) em sua petição inicial o reclamante afirma: “A reclamante foi contratada pela primeira reclamada com quem mantinha vínculo empregatício, no entanto sempre prestou seus serviços para a segunda reclamada, que era quem se beneficiava com seu trabalho....” “A segunda reclamada fornecia os pedidos, modelos, matéria prima e ainda fiscalizava a produção, exigindo qualidade e produtividade” (grifamos) 8.2.2.3. No mesmo sentido, e mais contundentes ainda são as afirmações feitas pelo reclamante na peça vestibular do processo 000816.44.2012.5.04.0383 (Primeira reclamada ELVIDIO LUIZ DILL EPP, segunda reclamada USAFLEX, terceira reclamada STEBRAS IND. E TRANSP): “O autor foi contratado pela primeira ré. Assim, não se discute o vínculo com ela. No entanto, propõe a ação também contra a segunda e a terceira rés porque elas, juntamente com a primeira Fl. 2686DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 19 35 ré, formam um grupo empresarial” “A primeira ré presta serviços de forma exclusiva para a segunda e funciona no prédio dela (da segunda)” “Tendo em vista que a segunda ré comercializa os calçados produzidos pela primeira, é crível concluirse que ambas trabalham em conjunto e que a primeira, na prática, é uma seção de produção..” “Ademais, diariamente, o autor almoça no refeitório da segunda ré, bem como utiliza o veículo que transporta o pessoal das duas primeiras rés” “As rés simulam a criação de empresas para se eximir dos tributos devidos” “Evidenciase a prática de crime de sonegação fiscal...” Da mesma forma afirma o reclamante na petição inicial do processo 000751.49.2012.5.04.0383 (Primeira reclamada ELVIDIO LUIZ DILL EPP, segunda reclamada USAFLEX, terceira reclamada STEBRAS IND. E TRANSP): “...todas as rés pertencem ao mesmo grup econômico. Assim, deverão responder de forma solidária pelos créditos trabalhistas do autor em relação à contratualidade” “Outrossim, a segunda fornecia o ônibus que transportava o pessoal de todas as rés.” (grifamos) e) Já na peça inicial do processo 000770.55.2012.5.04.0383 (primeira reclamada Valtoir Nunes Fagundes, segunda reclamada USAFLEX o reclamante afirma: “A Primeira e a Segunda Reclamadas fazem parte do mesmo grupo econômico, pois seus sócios proprietários são os mesmos. O Reclamante sempre trabalhou no mesmo parque fabril, utilizando o mesmo maquinário e os mesmos funcionários” 8.2.2.5. Os trechos acima transcritos, frisamos, referemse a uma pequena amostragem de ações trabalhistas tendo sido encontrados termos similares em diversas outras ações, as quais não foram citadas aqui em virtude do volume de documentos que isso geraria. Citese também que o argumento do recorrente de que as informações constantes em reclamatórias são inverídicas, não condiz com os fatos narrados pelo auditor e pelo próprio recorrente, posto que foram apresentadas diversos outros elementos no processo, mencionadas pelo auditor. GERENCIAMENTO DOS RECURSOS HUMANOS DISPONÍVEIS 8.2.3.1.Analisando os documentos apresentados pelos contribuintes para comprovação dos lançamentos contábeis das contas acima mencionadas, verificamos que em todos os recibos de adiantamento a fornecedores por nós analisados emitidos por MRL, VALTOIR e ELVIDIO consta a assinatura da Sra Sueli Marmitt. Por oportuno, informamos que Sueli Marmitt é contabilista da USAFLEX, tendo sido ela inclusive a assinar o Fl. 2687DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 36 Termo de Início de Procedimento Fiscal junto a USAFLEX conforme fls 74 do presente processo. Interessante observar que tais recibos são documentos emitidos pelas prestadoras referidas, pois são elas que devem atestar que receberam aqueles adiantamentos e, portanto, é a assinatura das mesmas nas pessoas dos seus representantes legais que deveria constar nestes recibos. No entanto, observase que quem assina é Sueli e abaixo da sua assinatura é preenchido apenas o nome das prestadoras MRL, VALTOIR ou ELVIDIO. 8.2.3.3. Verificamos, ainda, a existência de Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho (doc anexo) de segurados empregados das prestadoras nos quais a Sra. Sueli assina no local destinado à assinatura do empregador . 8.2.3.4. Também constatamos que os cheques administrativos por nós analisados referentes a lançamentos nas contas supra citadas possuem duas rubricas, uma delas é, invariavelmente, a da Sra Sueli Marmitt com as iniciais “SM”. A convicção de que a rubrica de tais cheques pertence a ela foi obtida através do cotejamento visual entre as rubricas ali colocadas e as rubricas constantes nos contratos de industrialização por encomenda nos quais Sueli assinou e rubricou como testemunha. A cópia de tais documentos consta às fls 159 a 164 do processo em questão, 8.2.3.5. Tais cheques pertencem as prestadoras e foram emitidos para pagamento de despesas lançadas na contabilidade destas. Normalmente quem rubrica esse tipo de cheque nas empresas são aqueles que detém capacidade decisória para liberar ou não tais recursos. A rubrica de Sueli nos mesmos configurase em mais um claro indício de ingerência da USAFLEX nos negócios da MRL, ELVIDIO e VALTOIR. Ou seja, observase a designação de um empregado da USAFLEX, como responsável pelas contas das prestadoras. Novamente, não consegue o recorrente demonstrar a suposta autonomia gerencial, valendo da estrutura da USAFLEX, não apenas para arcar com o pagamento de suas despesas, mas tendo um de seus subordinados como responsável pela contabilização e administração financeira do seu negócio. DOS SÓCIOS DA EMPRESA DITAS COMO “PRESTADORAS DE SERVIÇOS”. Quanto a este item, descreveu o auditor também em item próprio do seu relatório os aspectos de convencimento inerentes a relação de sociedade, fl. 4599. CONCLUSÃO ACERCA DA PRÁTICA SIMULATÓRIA Na verdade o que se vislumbrou foi a simulação para que as empresas que prestavam os serviços pudessem se beneficiar do Sistema Simplificado de impostos – SIMPLES em um primeiro momento, mantendo o faturamento dentro dos limites da lei. Porém não é aceitável esse tipo de atitude, se constatado ter por objetivo distorcer a realidade dos fatos apenas como fim de lograr proveito, sem cumprir os preceitos legais. O que ocorreu durante o procedimento fiscal, por meio de diversos elementos de prova, observados pontualmente e em loco (não por mera presunção) foi a constatação, por Fl. 2688DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 20 37 parte do auditor fiscal, de que não existiam realmente diversos empregadores, e sim, que as empresas criadas não assumiram verdadeiramente o poder de direção, estando todos os empregados vinculados enquanto trabalhadores a um único empregador, qual seja a empresa USAFLEX Assim, entendo conforme descrito pela autoridade fiscal, que o liame empregatício entre os supostos sócios e os empregados das supostas “prestadoras de serviço” sempre existiu havendo, como dito anteriormente verdadeira CONFUSÃO entre os serviços prestados pela empresa notificada – USAFLEX e todas as empresas que lhe prestavam serviços descritas no presente AI. Importante observar que o recurso do recorrente em nada rebate pontualmente os argumentos aqui trazidos, buscando tão somente desqualificar o trabalho de auditoria, alegando tratarse de presunção, o que discordo veementemente. De posse de todo o detalhamento exposto pela empresa poderia a mesma rebater ponto a ponto trazido pelo auditor fiscal, o que não o fez, razão porque deve ser mantido o lançamento, quanto a inclusão de todos os empregados das empresas “dita pelo recorrente como prestadoras de serviços”, como verdadeiros empregados da empresa USAFLEX, face o liame fático e jurídico que os vincula. DO APROVEITAMENTO DOS RECOLHIMENTOS Quanto ao pedido de aproveitamento dos valores recolhidos na modalidade do SIMPLES, embora pessoalmente entenda por essa impossibilidade, face os regime de tributação ser distinto, acato o entendimento expresso na súmula n. 76 do CARF, posto a regra apli descrita aplicarse ao caso de simulação do SIMPLES ora sob julgamento: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. DEBCAD 37.345.2802 E 37.345.2810 Contudo, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP 449, convertida na lei 11.941. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 2689DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 38 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício (como no presente caso), a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, qual seja, aplicação de multa de ofício de 75%. Contudo, ao observar o auditor a ausência de pagamento e ausência de informação em GFIP, procedeu ao auditor ao comparativo da antiga legislação com a atual, de forma, que se aplicasse a multa mais benéfica ao contribuinte. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 87 a 89. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Fl. 2690DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 21 39 Nesse sentido, entendo que a multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, não havendo caráter confiscatório na sua aplicação, posto o estrito cumprimento dos ditames legais. \ Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos acima expostos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar em sua totalidade o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar as preliminares de nulidade. No mérito voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao em relação aos DEBCADS Nº 37.303.4296, para que sejam apropriados os recolhimentos feitos pela sistemática do SIMPLES, observandose os percentuais previstos em lei , e no mérito em relação aos DEBCADS 37.303.4300, 37.345.2802 E 37.345.2810 NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 2691DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 40 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Ouso divergir do excelente voto da Relatora Elaine Cristina Monteiro quanto ao mérito da contenda. Para mim, o fisco não logrou comprovar a vinculação direta existente entre os trabalhadores e a empresa autuada. Corriqueiramente essa Turma tem se deparado com casos em que o Fisco caracteriza como empregados da empresa autuada segurados que formalmente mantinham vínculo com empresa optante pelo Simples, supostamente criada no intuito de absorver mão de obra da real empregadora, reduzindo os recolhimentos para a Seguridade Social. Nessas situações temos adotado duas soluções conforme conjunto probatório carreado pelo Fisco para demonstrar a simulação. Quando este logra comprovar que efetivamente os empregados da empresa “de fachada” prestavam serviço para a empresa autuada, admitimos a caracterização direta com o verdadeiro empregador, com esteio no § 2.º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, assim redigido: Art. 229 (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (...) Situação diversa ocorre quando o Auditor Fiscal não consegue nos convencer de que os trabalhadores da empresa optante pelo Simples prestavam serviço à empresa fiscalizada, mas apresenta indícios da ocorrência de desmembramento de pessoa jurídica para que uma ou mais empresas cindidas pudessem se enquadrar no regime simplificado de pagamentos de tributos. Para esses casos, temos entendido que o Fisco teria que provocar o processo de exclusão da empresa do Simples e, somente depois do desfecho do mesmo, lançar as contribuições patronais em nome da empresa excluída e chamar a empresa não optante para ocupar o polo passivo na condição de responsável solidária. A situação fática que nos é posta leva ao entendimento de que estamos diante da segunda hipótese, ou seja, o Fisco não conseguiu se desincumbir do ônus de demonstrar que os trabalhadores das empresas MRL, ELVIDIO e VALTOIR efetivamente laboravam para a USAFLEX. Verifico que as evidência apresentadas pelo fisco para chegar à conclusão de que as empresas prestadoras de serviço inexistiam de fato, mas eram apenas parte de uma estratégia engendrada pela tomadora para reduzir a carga tributária, fincamse em diversas premissas. Essas podem ser resumidas em autuação na mesma área geográfica, vinculação dos Fl. 2692DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 22 41 sócios das prestadoras com a autuada, exclusividade na prestação dos serviços, excessivo peso da mãodeobra nos custos das prestadoras, existência de reclamatórias trabalhistas, inexistência de estrutura fabril pelas prestadoras, confusão operacional e financeira. Conforme já ponderei acima, tenho, nesses casos, centrado a minha atenção majoritariamente nos elementos que tragam convicção sobre a existência de trabalhadores das empresas prestadoras sob o comando a tomadora dos serviços. Isso não consegui visualizar na presente lavratura. Acerca da existência de empregados das empresas MRL, ELVIDIO e VALTOIR laborando para USAFLEX o fisco apresenta unicamente algumas reclamatórias trabalhistas em que no polo passivo figuravam contratante e contratada. Independentemente do desfecho desses processos trabalhistas, que a recorrente alega terem sido declarados improcedentes, chamame a atenção o fato de que os argumentos das peças iniciais estão mais a indicar a existência de grupo de empresas que contratação de trabalhadores por empregador de fachada. Peço licença para transcrever excerto do relatório fiscal, inclusive já transcrito no voto da Relatora. Vejamos: “8.2.2.1. No processo 000573.03.2012.5.04.0383 (primeira reclamada MRL ATELIER DE CALÇADOS LTDA, segunda reclamada USAFLEX CALÇADOS LTDA) em sua peça inicial o reclamante afirma: “A segunda Reclamada, a empresa USAFLEX, deverá ser responsabilizada solidária e/ou subsidiariamente pelos eventuais créditos trabalhistas, advindos da presente reclamatória, em favor do Autor, eis que fazia parte do mesmo grupo econômico da Primeira Ré, bem como se beneficiava dos serviços prestados pelo autor.” “Frisese que, toda a produção da Primeira Reclamada é sob orientação, fiscalização e subordinação da Segunda Reclamada” 8.2.2.2. Da mesma forma, no processo 000765.33.2012.5.04.0383 (primeira reclamada MRL, segunda reclamada USAFLEX) em sua petição inicial o reclamante afirma: “A reclamante foi contratada pela primeira reclamada com quem mantinha vínculo empregatício, no entanto sempre prestou seus serviços para a segunda reclamada, que era quem se beneficiava com seu trabalho....” “A segunda reclamada fornecia os pedidos, modelos, matéria prima e ainda fiscalizava a produção, exigindo qualidade e produtividade”. 8.2.2.3. No mesmo sentido, e mais contundentes ainda são as afirmações feitas pelo reclamante na peça vestibular do processo 000816.44.2012.5.04.0383 (Primeira reclamada ELVIDIO LUIZ Fl. 2693DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 42 DILL EPP, segunda reclamada USAFLEX, terceira reclamada STEBRAS IND. E TRANSP): “O autor foi contratado pela primeira ré. Assim, não se discute o vínculo com ela. No entanto, propõe a ação também contra a segunda e a terceira rés porque elas, juntamente com a primeira ré, formam um grupo empresarial” “A primeira ré presta serviços de forma exclusiva para a segunda e funciona no prédio dela (da segunda)” “Tendo em vista que a segunda ré comercializa os calçados produzidos pela primeira, é crível concluirse que ambas trabalham em conjunto e que a primeira, na prática, é uma seção de produção..” “Ademais, diariamente, o autor almoça no refeitório da segunda ré, bem como utiliza o veículo que transporta o pessoal das duas primeiras rés” “As rés simulam a criação de empresas para se eximir dos tributos devidos” “Evidenciase a prática de crime de sonegação fiscal...” Da mesma forma afirma o reclamante na petição inicial do processo 000751.49.2012.5.04.0383 (Primeira reclamada ELVIDIO LUIZ DILL EPP, segunda reclamada USAFLEX, terceira reclamada STEBRAS IND. E TRANSP): “...todas as rés pertencem ao mesmo grupo econômico. Assim, deverão responder de forma solidária pelos créditos trabalhistas do autor em relação à contratualidade” “Outrossim, a segunda fornecia o ônibus que transportava o pessoal de todas as rés.” (grifamos) e) Já na peça inicial do processo 000770.55.2012.5.04.0383 (primeira reclamada Valtoir Nunes Fagundes, segunda reclamada USAFLEX o reclamante afirma: “A Primeira e a Segunda Reclamadas fazem parte do mesmo grupo econômico, pois seus sócios proprietários são os mesmos. O Reclamante sempre trabalhou no mesmo parque fabril, utilizando o mesmo maquinário e os mesmos funcionários” 8.2.2.5. Os trechos acima transcritos, frisamos, referemse a uma pequena amostragem de ações trabalhistas tendo sido encontrados termos similares em diversas outras ações, as quais não foram citadas aqui em virtude do volume de documentos que isso geraria.” Verificase que em nenhum dos casos apresentados os trabalhadores afirmam que eram empregados da USAFLEX, mas asseveram que as duas empresas devem ser chamadas a responder pelas dívidas trabalhistas por fazerem parte de um mesmo grupo econômico. Sempre a primeira reclamada é a empresa prestadora de serviço. Ora se de fato essas empresas não existissem as reclamatórias seriam direcionadas diretamente para o verdadeiro empregador. Não é o que se vê dos autos. Os argumentos transcritos são típicos de processos trabalhistas em que ocorre terceirização de serviços ou existência de grupos de empresas. Os trabalhadores buscam Fl. 2694DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.722656/201118 Acórdão n.º 2401003.511 S2C4T1 Fl. 23 43 sempre mais garantias para os seus créditos acionando também a tomadora dos serviços ou outras empresas do mesmo grupo empresarial. De se concluir que o conjunto probatório colacionado pelo Fisco é capaz de demonstrar o íntimo relacionamento entre as empresas, com fatos que até denunciam a existência de grupo econômico de fato, nada mais. Além de que no ramo de confecção de calçados, como bem explicitado no recurso é bastante comum a prática desse tipo de configuração, ressaltandose o fato de que as empresas mencionadas no relatório fiscal não eram as únicas que prestavam serviços à recorrente. Assim, a partir de todos os elementos presentes nos autos e da singularidade no ramo empresarial em que atuam as empresas, entendo que o lançamento é improcedente, pelo fato do Fisco não haver demonstrado que os empregados das empresas MRL, ELVIDIO e VALTOIR de fato prestavam diretamente serviço à empresa autuada. Conclusão Voto, no mérito, por dar provimento ao recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 2695DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/07 /2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FE RREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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